O Anjo Metatron

Texto do frater Matheus Saraiva

Metatron é o anjo supremo que rege a mais alta ordem angelical, sendo líder de todos os outros anjos, tal Hierarquia sendo a original Cabalista chamada de Haioth Hakadosh e que se situa na Sephira de Kether, mas no nosso mundo ocidental sendo conhecida pela nomenclatura dada pelo Pseudo Dionioso o Areopagita em sua Teologia Mística de Serafins. Metatron é o anjo mais misterioso e enigmático de todos, ninguém sabe ao certo quem Ele é e nem a etimologia do seu nome, até mesmo o modo de escrever seu nome. Mas uma coisa é certa Metatron é o Ser que mais se iguala a manifestação da Divindade no Plano Espiritual.

Dentro dos significados de seu nome podemos encontrar, O Príncipe do Mundo, Rei dos Anjos, Anjo da Morte, entre outros, porém um dos mais prováveis seria uma corrupção grega do hebreu (meta ton thronón) “Mais próximo do Trono”. Pela Gematria Metatron é comparado a YHVH, pois a correspondência de seu nome é 314 como o nome Divino Shaday. E assim sendo ele tem um nome como do seu Senhor.

Na leitura Talmúdica feita por Karaíta Kirkisani, Metatron é chamado de YHVH menor. Também no Talmude há um incidente com Elisha ben Abuya, conhecido também como Aher (O Outro), qual se dizia ter entrado no Paraíso e visto sentado no trono Metatron, em uma posição que se permitiria apenas ao próprio YHVH. Os Rabinos então explicam que ele tem a permissão de sentar lá por que ele é o escriba celestial, e cabe ao mesmo escrever todos os fatos de Israel.

O Zohar (O Livro do Esplendor) identifica Metatron como ‘O Jovem’ , e o identifica como o anjo que guiou o povo de Israel no deserto, e o descreve como um sacerdote celestial. Existem varias menções de Metatron também nos Apócrifos.

Ele simplesmente é o preferidoe o primeiro emanado de YHVH, e a sustentação da existência do mundo, ele é o que mais tem e distribui a “our” a Luz. O verdadeiro portador da luz, o verdadeiro Lúcifer, mas que nunca caiu como diz a tola lenda cristã. O verdadeiro Demiurgo, afinal ele é o pequeno Senhor, criador do Mundo. Ele é quem nos empoem em principal os testes para provar nosso interior e nossas virtudes e mantém as Leis Karmicas, e muitos tem o karma como algo ruim assim transformando Metatron naquela figura luciferica e sombria. Inclusive muitas ordens tem erroniamente o ‘Ser’ Lúcifer como Demiurgo, pseudo entidade que não passa de um erro da tradução da bíblia no século VII, se tornando apenas uma alegoria da Luz Astral. E o mais sombrio príncipe das trevas, e ‘rival de Deus’ tem seu trono não no inferno, mas no coração dos Homens, e atravez deste cria egregoras de demónios, do próprio Diabo e Lúcifer, e mais infinitas criações mentais sombrias, que só a Verdade e Força de YHVH e Metatron pode reduzir a nada.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-anjo-metatron

Os Corvos de Wotan, parte 1

A chamada tradição oral é a preservação de histórias, lendas, usos e costumes através da fala. Origina-se do primórdio da história humana, quando ainda não havia a escrita e os materiais que pudessem manter e circular os registros históricos. Na atualidade própria das classes iletradas, a tradição oral tem sido, contudo, muito valorizada pelos eruditos que se dedicam ao seu estudo e compilação (as baladas da Edda Poética, por exemplo), ao considerarem que é na tradição oral que se fundamenta a identidade cultural mais profunda de um povo. Supõe-se, por exemplo, que a Ilíada e a Odisseia de Homero foram inicialmente, assim como as Eddas, longos poemas recitados de memória.

Joseph Campbell gostava de dizer que “o mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre”. Esse aparente paradoxo pode ser reconciliado se entendermos a tradição oral, mãe da mitologia, como a melhor forma com a qual o espírito humano pôde passar adiante suas experiências no contato com a essência das coisas, com o que há de eterno no mundo. Dessa forma, todas as variantes de um mesmo mito são, no fundo, uma mesma história. E toda mitologia é, no fundo, uma mesma mitologia, uma mitologia do espírito humano.

Mas hoje não vivemos mais em tribos e aldeias, e nem todos necessitam decorar tais histórias antigas. Além disso, não são os xamãs nem os anciãos quem nos passam os mitos, mas alguns poucos textos sagrados de outrora, que até hoje inspiram inúmeras variações na mente dos contadores de histórias modernos – a quem conhecemos, principalmente, como artistas. Existem mitos sendo recontados em todos os cantos: nos livros de vampiros adolescentes, nos filmes de Hollywood, nas séries de TV de fantasia, e até mesmo num gibi.

O deus que usarei como exemplo de referência neste artigo é hoje um conhecido personagem de histórias em quadrinhos da Marvel. Se você já leu algum gibi, ou viu algum filme recente, de seu filho, certamente o conhece: Odin (ou Wotan, ou Wôdan, variantes hoje menos conhecidas, mas que vieram do original germânico), é o Senhor de Asgard e pai de Thor, o heroico deus do trovão. Você pode achar que não há nada de muito profundo a se falar sobre um velho deus-herói-caçador aposentado que hoje se limita a governar uma cidade mítica, e talvez tivesse razão se considerarmos apenas a forma extremamente diluída deste mito que nos chegou aos dias atuais como um mero personagem de quadrinhos… Mas, não que eu esteja condenando Stan Lee e Jack Kirby, pelo contrário: apesar de terem “diluído” o mito, eles fizeram por ele bem mais do que o cristianismo, que por muitos séculos demonizou o grande deus dos povos nórdicos europeus, a fim de substituí-lo por sua versão bíblica.

Mas, o que exatamente eu quero dizer pelo mito de Odin, será que me refiro a uma entidade sobrenatural real? Bem, com todo o respeito à Freternidade de Odin [1], não é exatamente isso que quero dizer… É óbvio que não existe, na natureza terrestre pelo menos, um homem caolho a cavalgar os céus montado num cavalo de oito patas; mas, por outro lado, a iconografia de Odin é toda ela um imenso conjunto de símbolos, símbolos estes que existem e sempre existirão, ao menos enquanto existirem mentes com vontade de pensar sobre eles.

Os símbolos nada mais são do que imensas quantidades de informação reduzidas a uma única imagem ou história fantástica ou ícone que funcionam como uma chave mental para o acesso dessas informações e sensações, desde que a pessoa saiba, em seu pensamento, como usar esta chave de uma forma consciente. Você pode perfeitamente substituir a imagem (o símbolo) de Odin por uma série de palavras (formadas por conjuntos de símbolos – as letras do alfabeto) a formar uma extensa lista: sabedoria, fúria, excitação, guerra, caçada, mente, magia, poesia, escrita rúnica, etc. É claro que, dependendo da interpretação de cada pessoa, e de cada tradição folclórica, essa lista pode variar imensamente, mas não absolutamente. Odin é um conjunto de símbolos, ele serve para que acessemos tais ideias em nosso pensamento, sentimento e intuição, de forma simplificada e cada vez mais potente (o hábito faz o monge).

O grande problema do “uso dos mitos” é quando os entendemos como seres literais (e não metáforas), dispostos a barganhar conosco em troca de “favores espirituais”, “boa sorte”, “boa saúde”, etc. Isso é um problema porque, exatamente, a grande vantagem dos mitos é poder ativar a nossa vontade para que nós mesmos busquemos tais objetivos, que nós mesmos nos tornemos heróis a vivenciar a grande aventura da vida, que nós mesmos nos tornemos, enfim, deuses (“sois deuses, farão tudo o que faço e ainda muito mais” – disse o grande rabi da Galileia [2]).

Mas, retornando a Odin: é verdade que o que sabemos hoje sobre o seu mito é extensivamente baseado na Edda Poética, um grandioso conjunto de poemas vindos diretamente dos mitos dos povos nórdicos antigos da Europa, e que foi preservado no Codex Regius (“Livro Real”), um códice islandês que provavelmente foi escrito em cerca de 1270 d.C., mas que só se tornou “conhecido na modernidade” quando um bispo o encontrou na Islândia e o enviou como presente ao então rei da Dinamarca, em 1662. A Edda então permaneceu na Biblioteca Real de Copenhagen até 1971, quando foi escoltada por militares por terra e mar (um acidente aéreo poderia a danificar permanentemente), de volta a capital da Islândia, Reykjavík. Lá ela permanece até hoje, como uma legítima relíquia que guardou praticamente sozinha aos séculos da cultura de um povo, e impediu que seus mitos de diluíssem até não mais existirem.

O que os versos da Edda nos trazem, entretanto, são baladas e cânticos bardos de épocas ainda muito mais remotas… Diz-se que Odin já era conhecido desde os primórdios da língua protogermânica, que durou de 500 a.C. há 500 d.C., e que formou a base de diversos idiomas atuais, como o inglês, o escocês, o alemão, o dinamarquês, o norueguês e o islandês, dentre outras. De fato, Odin é tido como o grande responsável por trazer aos homens o conhecimento das runas, a base da escrita germânica antiga, do mundo espiritual (falaremos mais sobre isso na sequência). Ora, como as runas mais antigas encontradas datam dos séculos I e II d.C., podemos dizer que o mito de Odin era tão antigo quanto elas… Mas, talvez seja ainda muito mais antigo do que isso. Porém, como teremos certeza?

Certeza nós jamais teremos, pois a história não é somente uma mera reconstrução moderna dos tempos de outrora: mas uma reconstrução criada primordialmente pelos povos e países vencedores das guerras e dos embates dentre crenças religiosas… O Odin que conhecemos hoje é um Odin sobrevivente aos séculos de domínio romano e cristão, e é mesmo quase um milagre que ele tenha sobrevivido. Apesar das extensivas campanhas de demonização feitas pelos ditos cristãos, o mito mostrou-se persistente: Odin ainda cavalga pelos céus, pelas películas de cinema e pelas histórias em quadrinhos.

Dito isso, é preciso deixar claro que a própria natureza do mito é a de se transformar continuamente, preservando-se apenas sua essência, aquilo que está fora do tempo, e sobrevive exatamente por nos tocar a alma, por ser eterno… Portanto, e interpretação que mais conta é a atual; e, além disso: é a nossa interpretação. Porque os mitos que nos são despejados como dogmas pré-estabelecidos por pretensas figuras de autoridade não são muito mais do que propaganda enganosa. O que nos importa, o que sempre importou, é identificar a essência, a verdade guardada em inúmeras metáforas, percebida sabe-se lá por qual ancestral selvagem em meio ao inverno europeu, e que, espantosamente, ainda está aqui, ainda nos toca a alma, ainda é capaz de nos elevar a estados de consciência que nem sabíamos que existiam.

O que falarei a seguir, portanto, é da minha interpretação do mito de Odin. Baseada num estudo das inúmeras histórias que ainda se contam dele, é claro; mas, não obstante, minha interpretação. Sinta-se a vontade para questioná-la, interpretá-la, vivenciá-la, pois é isso o que os mitos nos pedem…

» Na próxima parte: Odin, seus lobos e seus disfarces…

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[1] Sociedade secreta neopagã que até os dias atuais celebra os ritos antigos relacionados à Odin e a outros elementos da mitologia nórdica. Segundo eles, “Odin não é um arquétipo psicológico ou uma metáfora para referência as forças naturais, mas uma entidade real”. Eles também são “politeístas a fundo”, e ao contrário de outros politeístas que na realidade compreendem aos deuses como emanações de um único Deus Primordial (o que no caso faria de Odin o Deus, e Thor, por exemplo, um de seus Arcanjos ou Profetas, se formos fazer uma [má] comparação com o catolicismo), para eles não há nenhuma lógica em crer que uma única entidade emana toda a realidade conhecida de si própria. Bem, provavelmente eles nunca leram Espinosa… Por outro lado, existe sempre a possibilidade de terem inventado essa história com o propósito de afastar curiosos indesejados.

[2] João 10:34; João 14:12 (NT).

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Crédito da imagem: Action figure por Randy Bowen (para a Marvel Comics)

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ERRO: Gödel Não Pode Estar Errado!

Entre uma temporada e outra de internação nos hospícios austríacos, um matemático de nome Kurt Friedrich Gödel, fez um rasgo tão profundo na nossa compreensão da realidade que até hoje ela está sangrando. O Teorema da completude de Gödel é a prova lógica de que, em última instância, tanto os cientístas quanto os padres estão todos construindo castelos de sonhos em bases igualmente arbitrárias, e que não existe nem a possibilidade de tentarem provar que suas ilusões são reais. Não há como confirmar se aquilo no que eles acreditam, ou por extensão aquilo que você acredita, é real, certo ou ao menos lógico.

A coisa funcionaria, de forma resumida e simplificada, da seguinte forma.:

Imagine que você está lendo isso logo antes do almoço, naquele dia que não conseguiu tomar seu café da manhã, nem comprar aqueles pacotes de bolacha de R$ 1 real para ficar beliscando. O tempo vai passando e a fome vai aumentando, até que você começa a se incomodar com aqueles banneres de sites de compra coletiva que mostram macarrons, sushis e cortes de picanha ao ponto. Neste momento, que a fome se torna uma sensação física para você eu te desafio: me prove que está com fome! Claro que você pode dizer “me traga comida e eu te mostro!”. Mas então eu me lembro de certas vezes que depois de jantar surge alguém querendo sair para papear e ivariavelmente o papo se desenvolve em um restaurante ou bar onde porções ou pratos são pedidos, e mesmo estando satisfeito eu comi, e comi bem. Também me lembro de um sobrinho que é capaz de comer feijoada até passar mal, literalmente, para 15 minutos depois sair pedindo comida porque está com fome. Também me lembro de uma conhecida que quando tem muita fome não consegue comer nada porque fica com o estômago embrulhado. E respondo: comer não é prova de fome. Me lembro de pessoas que comem quando estão ansiosas, deprimidas, alegres… e elas comem com mais gosto do que uma criança somaliana comeria um Big Mac. Se comer algo não é prova de fome, o que seria então uma boa prova? Testes para medir o açúcar do sangue? Algum exercício físico para ver se você apresenta sinais de fraqueza? Não isso tudo poderia trazer, na verdade com certeza traria resultados falso-positivos. Vamos tentar algo diferente então. Pense em alguém que você ama. Prove que de fato ama essa pessoa. Opsss… mesmo problema, da mesma forma que não podemos usar a fome para justificar a fome, não podemos usar o amor para justificar o amor e nem mesmo a lógica para justificar a lógica.

Bem, Gödel, em seus lampejos de genialidade que apenas a loucura consegue causar se dedicou a tentar entender isso. Como fome e amor são conceitos muito abstratos ele tentou se apegar àquilo que qualquer animal, até mesmo um humano, teria facilidade em trabalhar. Ele se apegou a números. E para não se perder neles resolveu pegar o grupo mais comum e sem graça de números, os números inteiros (lembre-se que números inteiros são todos os números naturais incluindo o zero e os números negativos, (…, -2, -1, 0, 1, 2, …). Então ele pensou que qualquer sistema axiomático – ou seja qualquer conjunto de axiomas que podem ser usados para se derivar logicamente qualquer teorema – que possa ser criado para se incluir a aritmética dos números inteiros, ou seja um sistema formado por hipóteses iniciais de onde se derivam enunciados que tem a ver com as possíveis operações matemáticas que envolvam o grupo dos números inteiros não pode ser ao mesmo tempo nem completo e nem consistente.

Coisa de louco né?

Sim, literalmente coisa de louco, Gödel não ia aos hospícios para se bronzear. Tecnicamente o que ele falou, em linguagem de pessoas sãs, é que se um sistema tem consistência, ou seja que é estável, ele não pode ser completo, e se é completo não pode ser consistente. Se existe um sistema auto-consistente então existirão proposições que não poderão ser nem comprovadas nem negadas por esse mesmo sistema (ele é incompleto) e caso o sistema seja completo, ele não pode validar a si mesmo (seria inconsistente). Isso significa que você não pode usar a fome para comprovar a fome, que seria necessário um computador fora do universo para entender o universo, que sua língua não pode se auto-saborear e que nós nunca poderemos provar que 2+2=4.

“E por que isso é interessante?” você se pergunta, “por que estou perdendo tempo com isto?”

Vamos começar do básico. Quando disse que não podemos provar que 2+2=4 não quero dizer que você não é capaz de colocar duas bananas na sua frente ao lado de duas pêras e contar que tem quatro frutas. Como dissemos até macacos fazem isso. Mas deixe as frutas de lado e pegue um lápis e um papel e pense no passado. Quando você era uma criancinha, seus professores adoravam abusar de você com tabuadas. Tabuadas de soma, de subtração, de divisão de multiplicação. Se hoje você consegue responder rápido quanto é 5×4 ou 11+3 não é porque saiba calcular, mas é porque decorou. Veja que responder quanto é 7×8 ou 11.347+32 não é tão rápido, apesar de serem contas tão fáceis quanto essas primeiras. Esse condicionamento desde criança serviu para que algumas verdades absolutas fossem colocadas em sua cabeça, assim desde criança você acredita que 2+2 é igual a 4. Mas será que é mesmo? Vejamos, pense em um exemplo da vida real em qeu você lide com números negativos. Qualquer pessoa que já tenha tido ou que tenha um cartão de crédito acha essa fácil. Pense em uma situação onde você lide com frações. Qualquer pessoa que tenha pedido uma pizza para 2 ou mais pessoas também se sai bem dessa. Agora pense em uma situação onde você tenha que lidar com a multiplicação de frações negativas. Onde isso entra no seu cotidiano? Chega uma hora que a coisa só faz sentido no papel.

Então você tem como provar que 2 + 2 = 4. Tem a matemática para isso. Da mesma forma você pode provar matematicamente que isso pode ser provado matematicamente. Não apenas isso, mas podemos provar que é possível provar que é possível provar que 2 + 2 = 4. E isso também pode ser provado.

Agora 2 + 2 não é 23. E nós podemos provar matematicamente que 2 + 2 não é 23. E podemos provar que podemos provar que 2 + 2 não é 23. E podemos provar que podemos provar que podemos provar isso. E isso também pode ser provado.

Assim pode ser provado que 2 + 2 não é 23. Mas poderia ser provado também que 2 + 2 é 23? Parece uma pergunta idiota, mas é algo crucial. Se for possível provar isso onde nossos professores de matemática se esconderiam de vergonha? Seria algo devastador, pois se for possível provar que 2 + 2 = 23, então seria possivel provar que 23 não é 23, pois também podemos provar que 2 + 2 não é 23. Isso significara que não existe nada que não pudesse ser provado, e isso é apenas uma outra forma de dizer que nada é verdadeiro e portanto tudo é permitido e então todas as nossas certezas seriam meras apostas mais ou menos convenientes.

Ficando confuso? Vou escrever mais devagar então para você tentar acompanhar.

Neste ponto devemos nos perguntar: Existe uma forma de provarmos que não pode ser provado que 2 + 2 = 23?

Claro que você já deve ter imaginado a resposta chocante de Gödel. Não apenas não podemos, como também jamais poderemos. Mais ainda: se pode ser provado que nunca provaremos que 2 + 2 = 23 então que base temos para afirmar qualquer coisa logicamente? E se nenhum argumento do tipo “prove que X não pode ser provado” pode ser provado então sabemos que a lógica e a matemática são tão inconsistentes quando qualquer outra forma de crença.

Gödel nos mostrou que não podemos entender o universo se fazemos parte do universo, que não podemos compreender a vitamina que estamos fazendo se estamos presos dentro do liquidificador. Para isso seria necessário que uma mente ou um computador de fora de nosso universo nos analisasse. E você achava engraçado aquele papo de 42 e a pergunta correta não poderem co-existir na mesma realidade, tsc, tsc…

Agora, isso tudo seria já um papo interessante de bar se parasse por ai, mas lembre-se do começo do texto: Gödel costumava ser institucionalizado. Em hospícios. Logo, tudo isto apenas serve para o próximo passo lógico – se é que você ainda acredita nessa superstição que chamamos “lógica”.

Embora não se possa ser provado que não pode ser provado que 2 + 2 = 23, podemos provar que se pode ser provado que não pode ser provado que 2 + 2 = 23. Então podemos provar que 2 + 2 = 23. Ou seja, se pudesse ser provado que não pode ser provado que 2 + 2 = 23 então também poderia ser provado que 2 + 2 é 23!

Confuso não? Mas este não é um problema da sua capacidade de compreensão mas sim um problema da compreensão de nossa capacidade. Na verdade o que o bom e velho Kurt fez foi expressar matematicamente o antigo paradoxo da auto-referência historicamente atribuído a Epimenides. Epimenides era de Creta e dizia que todos os Cretenses são mentirosos. Isso é como ler um a placa dizendo:

“Esta frase é falsa.”

Vamos chamar essa frase de afirmação G em homenagem a Göedel. Agora pergunte a si mesmo, a afirmação G é verdadeira? Se G é verdadeiro então temos uma afirmação válida que é falsa, mas se G é falso então sua afirmação é verdadeira. Ou seja, se a frase for verdade ela é uma mentira, se ela for uma mentira então ela é verdadeira. É a mesma coisa que você pedir para o Pinocchio dizer a frase: “Agora meu nariz vai crescer!” o que acha que vai acontecer?

Isso não quer dizer que devemos abandonar a lógica e sair por ai passando Amendocrem nas genitálias das crianças, mas quer dizer que G é incompleto. O mesmo pode ser feito com qualquer outro sistema, mostrando que não apenas haverão erros que jamais poderão ser provados como sendo erros, como também haverão verdades que não poderão ser provadas. E isso não apenas na matemática. Pense em Deus, amor, na crença que chocolate é gostoso e fígado ruim, que aquilo que você acredita ser correto é realmente correto. São coisas que não poderão ser provadas ou descartadas nunca, não de uma forma que possamos compreender.

BÔNUS

Ainda não entendeu do que falamos? Pelas coxas de Maria! Sejamos explícitos então. Está com aquele lápis e o papel nas mãos?

1- Vamos começar assumindo que A e B tem o mesmo valor. A então é igual a B.

2- Vamos multiplicar ambos os lados por A.

3- Vamos agora subtrair os dois lados da equação por B elevado a 2.

4- Lembra-se da matemática do colégio? Vamos fatorar os dois lados, ou seja, ver o que eles tem em comum e separar, no caso ambos os lados tem (A-B) em comum, então fatorado fica assim.

5- Como temos (A-B) multiplicando dos dois lados da igualdade podemos dividir os dois lados por (A-B) ficando com este resultado.

6- Como afirmamos no início que A=B então A+B=B é a mesma coisa que B+B=B ou A+A=A, vamos ficar com a primeira opção. Simplificando temos que B+B é igual a B vezes 2.

7- Vamos dividir os dois lados por B agora.

 

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/erro-godel-nao-pode-estar-errado/

A Hipóstase dos Arcontes

(A Realidade dos Regentes)

A respeito da realidade das autoridades, (inspirado) pelo Espírito do Pai da verdade, o grande apóstolo – se referindo às “autoridades da escuridão” – nos disse que “nossa disputa não é contra os seres de carne e sangue; mais propriamente, as autoridades do universo e os espíritos da perversidade.” Eu te enviei isto porque você indaga sobre a realidade das autoridades.

O chefe deles é cego; devido ao poder dele e sua ignorância e sua arrogância ele disse, com o poder dele, “Eu é que sou Deus; não há outro além de mim.” Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E esta declaração chegou até a incorruptibilidade; então houve uma voz que partiu da incorruptibilidade, dizendo, “Você está enganado, Samael” – que é, “deus dos cegos.”

A presunção dele o cegou. E, tendo expelido seu poder – ou seja, a blasfêmia que ele havia dito – ele prosseguiu até o Caos e o Abismo, que é a mãe dele, instigado pela Pistis Sofia. E ela estabeleceu cada um da prole dele de acordo com o poder deles – segundo o padrão dos reinos que estão acima dos céus, pois, a partir do universo invisível, o universo visível foi inventado.

Assim que a incorruptibilidade olhou para baixo na região das águas, sua imagem apareceu nas águas; e as autoridades da escuridão se apaixonaram por ela. Mas eles não puderam se apropriar daquela imagem que havia aparecido para eles nas águas, por causa da fraqueza deles – já que seres que meramente possuem uma alma não podem se apropriar daqueles que possuem um Espírito – pois eles eram do reino inferior, enquanto ela era de cima. Esta é a razão pela qual a “incorruptibilidade olhou para baixo na região (etc.)”: para que, pela vontade do Pai, ela possa trazer a totalidade para a união com a luz.

Os regentes planejaram e disseram, “Venham, vamos criar um homem com o solo da terra.” Eles modelaram a criatura deles como sendo completamente da terra. Agora os regentes são andróginos, seus corpos são iguais aos que eles criaram para a humanidade deles, tendo características de macho e de fêmea, mas com o rosto de um animal. Então quando eles haviam tomado um pouco de solo da terra, eles modelaram o homem deles segundo o corpo deles, e segundo o semblante de Deus que havia aparecido para eles nas águas. Eles disseram, “Venham, vamos dominar ele por meio da forma que nós modelamos, para que ele veja sua aparência neste corpo, se sinta atraído e venha habitar nele, e nós possamos capturá-lo com a forma que nós modelamos” – não compreendendo a força de Deus, por causa da impotência deles. O chefe deles soprou no rosto dele; e o homem obteve uma alma (e permaneceu) no chão muitos dias. Mas eles não puderam fazê-lo se erguer por causa da impotência deles. Como vendavais eles persistiram soprando, tentando capturar aquela imagem que apareceu para eles nas águas. E eles não conheciam a identidade daquele poder.

Agora todas estas coisas decorreram pela vontade do Pai da totalidade. Posteriormente, o Espírito viu o homem dotado de alma no chão. E o Espírito veio adiante da Terra de Adamantina; ele desceu e veio habitar dentro dele, e aquele homem se tornou uma alma viva, e chamou-se Adão. Já que ele foi visto se movendo sobre o chão, uma voz partiu da incorruptibilidade para o auxílio de Adão; e os regentes reuniram todos os animais da terra e todos os pássaros do céu e os trouxeram para Adão, para ver como ele iria chamá-los, para que ele desse um nome a cada um dos pássaros e a todos os animais.

Eles pegaram Adão e colocaram ele no jardim, para que ele o cultivasse e vigiasse. E os regentes emitiram um comando a ele, dizendo, “Você comerá de toda árvore no jardim; mas da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma, nem a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.”

Eles estavam mentindo quando falaram isto. Eles não entendem o que disseram para ele; pelo contrário, pela vontade do Pai, eles disseram isto de modo que ele de fato coma, e para que Adão não os considerasse do mesmo jeito que um homem de natureza totalmente material consideraria.

Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar que um sono profundo caia sobre Adão.” E ele dormiu. – Agora o sono profundo que eles “causaram que caísse sobre ele, e ele dormiu” é a Ignorância. – Eles abriram a lateral dele que era como uma mulher viva. E eles montaram a lateral dele com um pouco de carne no lugar dela, e Adão ficou dotado apenas de alma.

E a mulher dotada de Espírito veio até ele e falou com ele, dizendo, “Levante-se, Adão.” E quando ele a viu, ele disse, “Foi você quem me deu vida; você será chamada ‘mãe dos vivos’. – Pois ela que é a minha mãe. Ela que é a obstetra, a mulher, e ela que deu à luz.”

Então as autoridades vieram até o Adão deles. E quando eles viram a contraparte feminina dele falando com ele, eles ficaram agitados com grande agitação; e eles se apaixonaram por ela. Eles disseram uns aos outros, “Venham, vamos espalhar nossa semente nela,” e eles a perseguiram. E ela riu deles pela tolice e cegueira deles; e nas garras deles ela se tornou uma árvore, e deixou diante deles o reflexo indistinto dela aparentando a si mesma; e eles o violaram de forma imunda. – E eles violaram o sinal da voz dela, de modo que, por meio da forma que eles modelaram, junto com a própria imagem deles, eles se tornaram propensos à condenação.

Então o princípio espiritual feminino entrou na águia, que é o instrutor; e ele os ensinou, dizendo, “O que ele disse para você? Foi, ‘Você comerá de toda árvore no jardim; mas – da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma’?”

A mulher carnal disse, “Ele disse não somente, ‘Não coma’, mas até ‘Não a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.’”
E a águia, o instrutor, disse, “Com morte vocês não irão morrer; pois foi por ciúmes que ele disse isto a vocês. Pelo contrário, seus olhos se abrirão e vocês se tornarão como deuses, reconhecendo o mal e o bem.” E o princípio instrutor feminino foi removido da águia, e ela o abandonou, uma coisa meramente da terra.

E a mulher carnal pegou da árvore e comeu; e ela deu ao marido dela também; e estes seres que possuíam apenas uma alma, comeram, e então eles ficaram sóbrios do esquecimento. Eles perceberam a imperfeição e a falta de sabedoria dos seus criadores; e reconheceram que eles mesmos estavam despidos do elemento espiritual, então eles pegaram folhas de figueira e amarraram em seus quadris.

Então o regente chefe (que é a serpente) veio; e ele disse, “Adão! Onde você está?” – porque ele não entendeu o que tinha acontecido. E Adão disse, “Eu ouvi a sua voz e tive medo porque eu estava nu, e eu me escondi.”

O regente disse, “Por que você se escondeu, a menos que é porque você comeu da única árvore que eu ordenei que você não comesse? E você comeu!”

Adão disse, “A mulher que você me deu, ela me ofereceu e eu comi.” E o regente arrogante amaldiçoou a mulher.

A mulher disse, “Foi a águia que me induziu e eu comi.” Eles se voltaram para a águia e amaldiçoaram o reflexo indistinto dela, […] impotentes, não compreendendo que era uma forma que eles mesmos haviam modelado. Desde aquele dia, a águia ficou sob a maldição das autoridades, até que o regente todo-poderoso viesse, aquela maldição caiu sobre a águia.

Eles se voltaram para o Adão deles, e o tomaram e expulsaram do jardim junto com sua esposa; pois eles não possuem bênção, já que eles também estão sob a maldição. Além do mais, ele jogou a humanidade em grande distração e em uma vida de dificuldades, para que a humanidade deles possa estar ocupada com afazeres mundanos, e não possa ter a oportunidade de se dedicar ao Espírito sagrado.

Agora em seguida, ela gerou Caim, o filho deles, e Caim cultivava a terra. Logo após isso ele reconheceu sua esposa, engravidando novamente, ela gerou Abel; e Abel era um pastor de ovelhas. Agora Caim apresentou das colheitas do campo dele, mas Abel apresentou uma oferenda dentre suas ovelhas. Então Sabaoth, que é chamado Senhor das Forças, olhou sobre as oferendas votivas de Abel; mas ele não aceitou as oferendas votivas de Caim. E o Caim carnal perseguiu Abel, seu irmão.

E Sabaoth disse para Caim, “Onde está Abel, teu irmão?”

Ele respondeu dizendo, “Eu sou, então, zelador do meu irmão?”

Então Sabaoth disse para Caim, “Escute! A voz do sangue do teu irmão está clamando para mim! Você pecou com tua boca. Isto retornará para ti: qualquer um que matar Caim soltará sete vinganças, e você existirá gemendo e tremendo sobre a terra.”

E Adão reconheceu sua contraparte feminina Eva, e ela ficou grávida, e gerou Seth para Adão. E ela disse, “Eu gerei um homem através de Deus, no lugar de Abel.” Novamente Eva engravidou, e ela gerou Norea. E ela disse, “Ele gerou em mim uma virgem como uma assistência para muitas gerações da humanidade.” Ela é a virgem a quem as forças não corromperam.

Então eles começaram a se multiplicar e aperfeiçoar. Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar um dilúvio com nossas mãos e eliminar toda carne, desde homem até animal.” Mas quando o Senhor das Forças soube da decisão deles, ele disse para Noé, “Construa para vocês uma arca com madeira que não apodreça e se escondam nela – você e os meus filhos, e os anjos do céu, e os animais deles, do pequeno ao grande – e coloque-a sobre o Monte Senhor.”

Então Orea veio até ele, querendo embarcar na arca. E quando ele não a deixou, ela soprou sobre a arca e ocasionou que ela fosse consumida pelo fogo. Novamente ele fez a arca, por uma segunda vez.

Os regentes foram conhecê-la, pretendendo corrompê-la. O chefe supremo deles disse a ela, “A sua mãe Eva foi criada por nós.” Mas Norea virou-se para eles e disse, “São vocês os regentes da escuridão; vocês estão amaldiçoados. E vocês não conheceram a minha mãe; pelo contrário, vocês conheceram a contraparte feminina de vocês. Pois eu não sou descendente de vocês; pelo contrário, é do aeon superior que eu venho.”

O regente arrogante levantou-se contra ela com toda a sua força, e sua aparência era como um enorme dragão preto; e ele disse a ela presunçosamente, “Você deve servir a nós, como a sua mãe Eva também serviu; pois me foi dada autoridade sobre todo este universo!”
Mas Norea virou-se, com o poder da sua fé; e numa voz alta ela exclamou para o alto para o sagrado, o Deus da totalidade, “Resgate-me dos regentes da injustiça e me salve das garras deles – depressa!”

O grande anjo eterno desceu do Oitavo Céu e disse a ela, “Por que você está exclamando a Deus? Por que você age com tanta audácia para com o Espírito sagrado?”

Norea disse, “Quem é você?” Os regentes da injustiça haviam se afastado dela.

Ele disse, “Eu que sou Eleleth, sagacidade, o grande anjo que fica na presença do Espírito sagrado. Eu fui enviado para falar com você e salvá-la das garras dos malfeitores. E eu irei te ensinar sobre a sua raiz.”

(Aparentemente Norea falando agora) Agora quanto a esse anjo, eu não posso expressar o poder dele: sua aparência é como ouro fino e seu traje é como neve. Não, deveras, minha boca não se porta a falar do poder e da aparência do rosto dele!

Eleleth, o grande anjo, falou comigo. “Sou eu,” ele disse, “que sou compreensão. Eu sou um dos quatro doadores de luz, que ficam na presença do grande Espírito invisível. Você acha que estes regentes têm algum poder sobre ti? Nenhum deles pode prevalecer contra a raiz da verdade; pois foi por ela que ele apareceu nos últimos tempos; e estas autoridades serão restringidas. E estas autoridades não podem te corromper nem corromper aquela geração, pois sua residência é na incorruptibilidade, onde o Espírito virgem habita, que é superior às autoridades do Caos e ao universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, me ensine sobre a capacidade destas autoridades – como eles surgiram, e por qual tipo de gênesis, e de que material, e quem criou eles e a força deles?”

E o grande anjo Eleleth, compreensão, falou para mim: “Dentro de domínios ilimitados habita a incorruptibilidade. Sofia, que é chamada Pistis, quis criar algo sozinha, sem o cônjuge dela; e o produto dela foi a abóbada celeste. Ela é um véu que existe entre os grandes aeons superiores e os domínios inferiores. Então uma nuvem surgiu abaixo do véu; e essa nuvem gerou matéria; e a matéria foi expelida e dispersada. E o que ela havia criado foi parido pela nuvem como um feto abortado. E aquilo assumiu uma forma plástica modelada através da matéria, e se tornou uma besta arrogante parecendo um leão. E era andrógino, como eu já havia dito, e ignorante, porque foi da matéria que ele derivou.

Quando ele abriu os olhos, ele viu uma vasta quantidade de água sem limite; e ele se tornou arrogante, dizendo, “Eu é que sou Deus, e não há outro além de mim”. Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E uma voz partiu do alto, do reino de poder absoluto, dizendo “Você está enganado, Samael” – que é, ‘deus dos cegos’.

E ele disse, “Se outra coisa existe antes de mim, que se torne visível para mim!” E imediatamente Sofia esticou o dedo dela e introduziu luz no universo; e ela brilhou até as profundezas do Caos. Então ela recolheu a sua luz; e mais uma vez a escuridão encobriu todo o universo.

Este regente, sendo andrógino, criou para si um vasto reino, um tamanho inimaginável. E ele contemplou criando filhos de si próprio, e criou para ele mesmo sete filhos, andróginos assim como o pai deles. E ele disse à prole dele, “Eu é que sou o Deus da totalidade.”

E Zoe (Vida), a filha de Pistis Sofia, exclamou e disse a ele, “Você está enganado, Saclas!” – cujo nome alternativo é Yaldabaoth. Ela soprou no rosto dele, e a respiração dela se tornou um anjo de fogo para ele; e o anjo prendeu Yaldabaoth e o lançou abaixo dentro do Tártaro, no fundo do abismo.

Agora quando o filho dele Sabaoth viu a força daquele anjo, ele se arrependeu e condenou o pai dele e a mãe dele, a matéria. Ele a repugnou, mas ele cantou canções de louvor para cima para Sofia e a filha dela Zoe. E Sofia e Zoe o ergueram e lhe deram o comando do sétimo céu, para que ele pudesse reger sobre o universo, entre os reinos eternos e o Caos. E ele é chamado ‘Senhor das Forças, Sabaoth’, já que ele está acima das forças do Caos, pois Sofia o estabeleceu.

E quando estes eventos aconteceram, ele fez para si próprio uma mansão enorme, e uma congregação de deuses para governarem sobre os mundos das pessoas, e muitos infinitos anjos para atuarem como ministros, e também harpas e liras. E Sofia pegou a filha dela Zoe e a fez sentar à direita dele, para ensiná-lo sobre as coisas que existem no Oitavo Céu; e o anjo da ira ela colocou à esquerda dele. Desde aquele dia, a direita dele tem sido chamada ‘vida’, e a esquerda veio a representar a injustiça, para o domínio de poder absoluto acima. Foi antes da sua época que eles surgiram.

Agora quando Yaldabaoth viu ele (Sabaoth) neste grande esplendor e nesta altura, ele o invejou; e a inveja se tornou um produto andrógino, e esta foi a origem da inveja. E inveja produziu morte; e morte produziu a prole dele, e deu para cada um deles o comando de seu céu; e todos os céus do Caos se tornaram repletos de suas multidões. Mas foi pela vontade do Pai da totalidade que eles todos surgiram – segundo o padrão de todas as coisas superiores – para que a quantia do Caos fosse alcançada.

“Assim, eu te ensinei sobre o padrão dos regentes; e a matéria na qual ele foi expressado; e o pai deles; e o universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, eu também sou da matéria deles?””

Você, junto com seus descendentes, são do Pai Imortal, de cima, da luz imperecível é que almas deles são provenientes. Por isso as autoridades não podem se aproximar deles, por causa do Espírito da verdade que está presente dentro deles; e todos que se instruíram sobre estas coisas existem como imortais no meio da humanidade mortal. Mesmo assim, esses fatos não serão conhecidos agora. Pelo contrário, após três gerações é que isto será reconhecido, e esta sabedoria os libertou da escravidão e do erro das autoridades.”

Então eu disse, “Senhor, quanto mais irá demorar?”

Ele me disse, “Até o momento em que o homem verdadeiro, dentro de uma forma modelada, revele a existência do Espírito da verdade, que o Pai enviou.

Então ele ensinará a eles sobre tudo, e ele os ungirá com a unção da vida, dada a ele pela geração sobre a qual não há regente.

Então eles serão libertados do pensamento cego, e eles irão pisar sobre a morte com os pés, pois ela pertence às autoridades, e eles subirão até a luz ilimitada, que é onde os eleitos pertencem.

Então as autoridades irão abandonar suas eras, e os anjos deles prantearão sobre a destruição deles, e os demônios deles irão lamentar suas mortes.

Então todas as crianças da Luz serão verdadeiramente familiarizadas com a verdade e com a raiz deles, e com o Pai da totalidade e o Espírito sagrado. Eles todos dirão com uma única voz, “A verdade do Pai é justa, e o filho preside sobre a totalidade”, e todos louvarão nos aeons dos aeons eternos, “Sagrado – sagrado – sagrado! Amém!’”

A Realidade dos Regentes.

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Fonte:

A Hipóstase dos Arcontes. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2014. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200224151504/http://misteriosantigos.50webs.com/hipostase-dos-arcontes.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-hipostase-dos-arcontes/

A cultura gótica

Alguém não é dito gótico por estar de preto da cabeça aos pés, ter infindável amor pela literatura gótica, “spleen”, regar suas noites em cemitérios ao vinho, ou por ser fanático pelo obnóxio Marilyn Manson; este alguém é gótico porque em seu âmago arde uma fria chama gótica. O goticismo está profundamente ligado à psique humana, às reações, ao modo de filtrar os fatos ao seu redor. Toda produção artística tenebrosa e qualquer outro aspecto ligado ao goticismo é apenas a expressão da visão e do pensamento, manifestação da essência, e não o oposto.

O goticismo não é um estado de “depressão”, “síndrome do pânico” ou qualquer outra doença; alguém que acha que é gótico porque ouve Manson, ou porque é depressivo, ou porque gosta de coisas obscuras, ou suas roupas preferidas são pretas, ou Lorde Byron é seu ídolo ou qualquer fator análogo a esses é um poser. Não devemos, nem podemos, julgar alguém por isso ou por aquilo, mas, sim, acabei de fazê-lo e não há retorno.

O gótico é uma alma corroída, um ser recluso, uma mente brilhante e tenebrosa, não alguém com um rosto amargo que incessantemente atira no esgoto de pobres mentes palavras sobre a morte, lascivas, ou clichês e outras meras “reflexões” superficiais que leu em algum lugar; goticismo é um modo de ver a vida, uma linha de pensamento, é refletir e apurar toda dor e todo riso, é olhar para si mesmo e perguntar-se o porque de cada coisa, é extrair sabedoria de onde as pessoas só extraem lágrimas, extrair das lágrimas força e consciência para não dobrar os joelhos perante toda agonia que a existência os traz e ainda assim resistir diante da consciência da sina universal. Todo pensamento extrato da essência gótica reflete a experiência pessoal de cada indivíduo e não uma generalização, de uma linha em um ponto [quanto aos pensamentos extratos, isso varia de pessoa a pessoa, por isso cada um tem sua própria visão do que é goticismo; porque ele é algo essencial e não imposto].

O gótico, em relação à sociedade, é mais dissimulado do que expressivo, principalmente quando tratamos do sofrimento consciente; o gótico é retraído e isso não quer dizer que ele não fala com ninguém, nunca ri ou sofre de algum tipo de timidez excessiva. O gótico é retraído porque ele esconde sua real natureza, ele é retraído e é tímido, porque não quer que ninguém o conheça, ele é retraído porque ele sabe que as outras pessoas não suportariam seu fardo: o sofrimento consciente, a agonia existencial, o angst – isto é – o conhecimento adquirido nas longas e frias noites regadas às lágrimas, em que todos estavam acamados em aconchegantes leitos e somente ele estava no escuro, calado e sentado na dura e fria pedra, pensando sobre a vida, o amor, a injustiça, o ódio e a morte [pode ser que um dia aquele serelepe ser que você sempre viu acompanhado de raios de sol se revele uma mente extremamente reflexiva, forte, consciente e mórbida]. Não estou falando de ser falso ou mentir, mas existem certas coisas que não devem ser mencionadas, principalmente quando não se está em meio a amigos e iguais.

Se o gótico acredita em Deus, ou Satã, ou Wicca ou Set, Lóki, Zeus? Ou se ele deve ser ateu e adverso a qualquer crença ou religião? Tudo é uma mera questão de consciência. Muitos “góticos” dizem que o gótico deve ser ateu, “se não é ateu não é gótico”, mas eles mesmos se contradizem ao dizer que o gótico é um pensador livre. Que tipo de pensador livre é este que tem seus alicerces manipulados e para ser enxertado num estereótipo deve abandonar seus pensamentos? Que tipo de gótico abandona sua consciência em nome de um estereótipo?! O gótico é uma mente livre, cabe a ele e como ele vê a vida a decisão de servir a Satã, a Deus, Gautama Buda ou qualquer outra nume ou divindade! Esses “góticos” criam inúmeras regras para o goticismo, todas refletem sua experiência pessoal e jamais regra geral; e apenas tolos e posers seguem-nas, pessoas de mente realmente fraca, e de certo modo irracionais. Se não é ateu, não é gótico?! Afirmamos, se segue regrinhas e estereótipos tolos e irracionais não é gótico!

Na realidade, os godos (góticos) foram os povos que mais rapidamente assimilaram o cristianismo a sua cultura; sabe-se que os góticos do século XVIII eram cristãos, por mais que alguns deles fizessem menção à Satã ou a Natureza, e a maior parte dos góticos de hoje em dia veio de lares cristãos, querendo ou não, o cristianismo exerce uma grande influência em sua mentalidade. Para mim, o cristianismo é a religião que mais se liga ao goticismo, sendo o sonho concreto de cada gótico, mas falo disso depois.

Quanto a só vestir preto, ouvir música gótica, e ser depressivo; tudo está ligado ao gosto, estilo e personalidade de cada um. Devemos ressaltar apenas que a cultura é um subproduto da mente, da essência gótica; um gótico real sabe ser prudente no que busca. Em outras palavras, poderíamos ditar a regra: “nada de perder tempo com coisas que não vão desenvolver seu pensamento, sua visão, seus modos, sua cultura”; mas não devemos fazê-lo, pois poderíamos esquecer de nossa essência gótica, convertendo assim o goticismo num mero conjunto de regras tolas e irracionais, apenas a fim de enxertar ou enxotar pessoas de uma “tribo urbana”, formada por mentes medíocres.

Todos os motivos pelos quais alguns góticos só vestem roupas pretas, escutam este ou aquele estilo de música, são depressivos, fumam aquela marca de cigarro, bebem vinho, fazem tatuagens, são bissexuais, são homofóbicos ou jogam rpg, são considerações pessoais e jamais devem ser vistos como regras e etc., em contra partida, se não há um motivo real, considerando o seu agrado como um, não é subproduto da essência e sim regra manipulada, e isso é ser poser…
Muitos góticos carregam horríveis cicatrizes, mas, e é aí que se encontra a ironia, são motivados a continuar a busca por algo, justamente por isso alguns externam seus sentimentos, externam marcos que devem ser memoráveis, marcos que os motivam, ou fazem tudo de modo a fugir da realidade, tudo para esquecer: fazem tatuagens, escrevem poesia, bebem vodka, ou só vestem preto…

Justamente pelos incontáveis e inimagináveis motivos que assombram a consciência de cada um, não podemos tratar ninguém com preconceito. Seja por sua religião, sexualidade, estilo de música favorito, ideologia ou qualquer outra fator. Que tipos de pensadores são os góticos que desprezam o pensamento e a consciência dos outros? Onde está o respeito pela “liberdade” [mesmo que pela liberdade de escolha de ser manipulado] pelos outros? E pela natureza de cada um? Que divirjamos, e toleremos, jamais defendamos, mas respeitemos!

O goticismo pode ser resumido em uma pequena frase: “é a essência reflexiva, consciente, trágica e mórbida que faz do gótico o real gótico” a subcultura gótica é formada pelas produções e expressões de góticos reais, sendo residual.

Quanto ao suicídio, o gótico que suicida, ao meu ver, se revela um fracassado; não foi capaz de resistir diante do negro da vida e sucumbiu ao seu outono. Esta vida jamais deve ser o mais importante, mas desfazer-se dela é desfazer-se de sua natureza gótica; suicidar é destruir a essência gótica.

A Origem do Movimento Gótico

Era o final dos anos Setenta, o cenário era extremo. De um lado encontrava-se a contestação ao sistema de extrema direita, feita pelos punks. Do outro lado uma cultura jovem alienada e psicodélica das discotecas. Neste conturbado período os jovens que procuravam pela arte e a cultura, estavam desfalcados e procurando por um espaço próprio de expressão de suas idéias. Este espaço começou a surgir com o aparecimento do estilo musical “coldwave” (onda fria, em inglês), era um som mais frio, gelado e apropriado para estes jovens que se reuniam em casas abandonadas, cemitérios para discutirem sobre cultura, realizarem saraus literários e apreciarem um bom vinho ou absinto.

O “coldwave” aos poucos começou a atrair músicos de outros estilos, algumas bandas originalmente punks e os chamados ultra-românticos, desse modo formando os primeiros Darks nos primórdios dos anos oitenta. Neste período a coldwave se espalhou pelo mundo, originando bandas como Siouxie and the Banshees, Bauhaus, Joy Division, The Cure, Xmal Deutschland, The Sisters of Mercy e tantos outros.

Na virada dos anos oitenta para noventa, os primeiros darks saíram de cena e abriram espaço para os góticos. Estes chegaram com um visual mais complexo e estiloso, buscando ainda mais por um refinamento musical e assumindo uma atitude de estilo de vida sombrio.

A cultura gótica sempre esteve ligada com a arte. Não importando qual fosse essa, música, poesia, pintura, escultura, e vem manifestando-se ora como um sentimento nostálgico, ora melancólico, ás vezes tenebroso e sempre celebrando um lado sombrio da vida e da arte. Você não se torna gótico, você nasce como um desde o primeiro dia de sua vida, encontrando a arte na escuridão.

Literatura Gótica

Na literatura o termo gótico se refere a uma forma peculiar de romance popular do século XVIII. Romances góticos continuaram a serem escritos no século XIX e reapareceram com maior intensidade no século XX. É também conhecida como a “literatura do pesadelo”.

Esse tipo de literatura emergiu como uma forma de romantismo, mas procurando mostrar o lado mais negro e obscuro do ser. A literatura gótica impõe o sentido do pavor, uma fusão entre o medo, dor e melancolia.

A literatura Gótica faz uma grande distinção entre o bem e o mal. São muito citados nos textos góticos a noite, o pessimismo, a loucura, os sonhos, as sombras, as quedas, o medo, a decomposição, a atração pelo abismo, sem se esquecer da principal a morte e a vida.

Podemos citar diversos autores, não só aqueles obvimente citados entre os autores góticos, como também aqueles mais classificados como romancistas, expressionistas, surrealistas, etc… Anne Rice, H.P Lovecraft, Álvares de Azevedo, Adous Huxley, George Orwell, Edgar Allan Poe, Lord Byron… são apenas alguns nomes da extensa lista de autores do estilo gótico.

Entre as obras mais famosas desse gênero podemos citar: Frankenstein (Mary Shellley),
As Flores do Mal, Drácula (Bram Stoker), A Rainhas dos Condenados e Entrevista com o Vampiro (Anne Rice), entre muitos outras.

No Brasil, a literatura gótica foi conhecida como Segunda Geração do Romantismo, ou Geração do Mal-do-Século. Podemos destacar nela, autores como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela, ambos influenciados por Lord Byron e Musset, chamada também de geração byroniana. Suas principais características, assim como a literatura gótica européia, era o egocentrismo, negativismo, pessimismo, dúvidas, desilusão adolescente e tédio constante. O tema preferido desses autores era a fuga da realidade, uma forma de manifesto e repúdio a sociedade da época e na exaltação da morte, outra forma de repúdio, mas através da liberdade que a morte traz em nos tirar desse mundo.

A Música Gótica

No final dos anos 70 e início dos anos 80, a raiva e a agressividde que incendiavam o movimento punk começam a ceder lugar a uma profunda depressão e um sentimento de insatisfação de um lado e falta de perspectiva do outro.

Na Inglaterra Margareth Tatcher assume o poder, triplica-se o desemprego e aumenta a inflação. Este é o cenário triste da chamada década perdida. Nas paradas musicais domina a pose e o “glamour” do pop inglês e da dance music com seus artistas poseurs e cintilantes.

Entretanto algo estava para acontecer em uma cidadezinha chamada Manchester, onde havia muita gente morando em subúrbios cinzentos recusando-se a enterrar o legado punk, e achando que aquele “pop poseur” tinha muito pouco a ver com a vida real na Inglaterra.

E é na mesma Manchester que surge o porta voz ideal destes angustiados de quarto, na figura de Ian Curtis, um dos primeiros a transformar toda essa melancolia e desilusão em música, através da sua banda Joy Division, que apesar da curta duração devido ao suicídio de Ian, seu vocalista, deixou como legado o rock mais melancólico e desesperado já feito, sendo uma das bandas mais representativas do movimento pós-punk, como ficou conhecido este substilo musical do rock, que apresentava elementos musicais do punk mas com uma dose de melancolia mais acentuada. E é dentro do pós-punk que encontramos as mais representativas bandas do chamado estilo gótico, que no Brasil também foi chamado de “dark”, devido a preferência por roupas pretas de seus adeptos.

É nos anos 80 que a morte será o tema mais recorrente nas canções, sendo igualmente comuns temas como melancolia, desespero, abandono, decepções amorosas e falta de perspectivas. Estes temas se fazem presentes nas músicas de um certo grupo suburbano de Crowley, Sussex, Inglaterra, chamado The Cure, cujo vocalista Robert Smith com seu jeito soluçante de cantar, cabelos desgrenhados e olhos pintados de preto, fez a “alegria” dos cultuadores de deprê em suas canções.

Entretanto a cristalização do gótico enquanto gênero esteve a cargo de um quarteto de Northampton (Inglaterra), que em seu primeiro single fala de um tal Bela Lugosi, famoso vampiro dos anos 30, e cujo vocalista Peter Murphy delirava pesadelos com sua voz soturna sob um baixo pesadão e efeitos macabros de guitarra, falando de temas como morte, vampiros, morcegos e rituais pagãos. O nome do grupo, Bauhaus era uma referência a escola alemã de arquitetura que na década de 1930 teve suas portas fechadas pelos nazistas devido a ligações com o expressionismo alemão, considerado por Hitler uma “arte degenerada”.

A voz igualmente soturna de Andrew Eldritch foi o selo definitivo do movimento gótico, sendo seu grupo, “The Sister of Mercy” considerado, com toda razão,um dos maiores representantes do gênero, além de possuirem até hoje uma influência marcante em tudo que diga respeito ao estilo. Dois ex-membros do SOM formaram ainda um outro grupo seminal do gótico em 1985, “The Mission”.

Não se pode também esquecer as musas, pra ser mais exata duas musas, madrinhas, divas e rainhas máximas do gótico: Siouxsie Sioux e Anja Howe.

Comecemos por Siouxsie, com seu estilo misto de diva dos anos 20 e de prostituta nos seus belos olhos extremamente maquiados. Siouxsie e seus banshees eram majestades únicas do reinado gótico. Guitarras distorcidas, batida tribal, harmonias fluidas e climas mórbidos se traduziam em pérolas como “A Kiss in the Dreamhouse”, “Kaleidoscope” e “Nocturne”. Siouxsie também foi uma das primeiras cantoras a liderar uma banda “mais pesada”. Nascidos no movimento punk,”Siouxsie & The Banshees” souberam fazer a perfeita transição para o gótico, sendo um dos precursores do estilo.

Quanto a sua majestade loira, Anja Howe, a vocalista da banda underground alemã “X-Mal Deutschland”, pode ser considerada pioneira do estilo gótico na terra de Goethe, com sua voz inconfundível, acompanhada de guitarras e baixo linha serra elétrica. Eram também comuns na banda o uso de recursos eletrônicos, criando sons viajantes que mesclados ao vocal sedutor criavam texturas delirantes num perfeito clímax lírico-depressivo, levando os “mortos vivos” à loucura através de obras primas como “Incubus Succubus”,”Tocsin” e a maravilhosa “Matador”.

Seria ainda uma grande injustiça da minha parte deixar de citar outras bandas igualmente seminais do estilo gothic e do darkwave como Clan of Xymox, Mission, Opera Multi Steel, Poesie Noire, Cult, Switchblade Symphony, Love is Colder than Death…bem são tantas que fica até difícil citar todas, em mais uma prova do quanto o estilo é prolífico.

No finalzinho da segunda metade da década de 1980 porém, o clima começa a tornar-se inóspito para morcegões e afiliados, e o estilo gótico começa a entrar em decadência, significando o fim de muitos grupos que consagraram o gênero, deixando orfãos e famintos de sangue muitos “nosferatus”, e fazendo as noites enevoadas de Londres perder muito de seu charme.

Por Beatrix Algrave

Gothic Metal

Quem disse que o gótico morreu no final da década de 80 estava muito enganado. Aqui está o gothic metal para provar o contrário.

Como uma fênix nascida das cinzas de um estilo praticamente acabado, a música gótica ganhou peso e uma nova roupagem, mas sem deixar de lado a melancolia e obscuridade que caracterizavam o estilo.

Na década de 90, várias bandas começam a fazer um som mais voltado para o lado do peso, mas ao mesmo tempo sem deixar de lado a raiz negra que caracterizava o estilo anos atrás. A melancolia, a depressão, a angústia, o clima mórbido das canções, tudo estava lá, ainda mais completo, contando com elementos da música clássica, tudo isso sem esquecer dos contrastes dos vocais líricos e os guturais.

Aliado a novos fatores agora a música gótica, em sua versão século XXI, vem acompanhada de outros estilos que completam ainda mais a sonoridade de cada banda. Podendo ser misturada ao black metal, ao death metal, ao power metal, a música gótica atual deixou de ser apenas um filho bastardo do movimento punk para ganhar seu próprio espaço dentro da música.

Uma das principais inovações do gothic metal é o famoso metal “Bela e a Fera”, que é uma característica muito comum na maioria das bandas góticas. Representando a ambivalência presente nesse estilo, é o mais perfeito contraste entre os doces e belos vocais líricos e dos nervosos vocais guturais.

After Forever, Within Temptation, Tristania, The Sins of Thy Beloved, Theatre of Tragedy, Sirenia, Epica, etc. são apenas algumas das diversas bandas que possuem os vocais “bela e fera”, claro que cada uma possui diversas outras características que tornam sua sonoridade única.

A banda sueca Therion também possui vozes masculinas e femininas, mas na fase atual da banda, esses vocais dividem-se em soprano e tenores.

A Finlândia é um dos países onde mais nascem bandas com influências góticas, talvez o clima frio seja propício para isso… Sendo a finlandesa Nightwish o mais perfeito exemplo disto. Eles fazem um metal gótico misturado ao power metal, sendo uma das mais influentes do estilo. Mas isso já era de se imaginar, a banda possui o belíssimo vocal lírico de Tarja Turunen, aliado as profundas composições de Tuomas Holopainen e ainda conta com músicos de altíssima qualidade para complementar ainda mais a sonoridade do Nightwish.

Saídos do mesmo território que o Nightwish não poderíamos deixar de lado o love metal das bandas HIM e To/Die/For.
Também não podemos esquecer do For My Pain, do tecladista do nightwish e músicos da extinta Eternal Tears of Sorrow, do Poisonblack de Ville Laihiala ex-sentenced, do próprio Sentenced, dos veteranos do The 69 Eyes, do Entwine, entre muitas outras, afinal as bandas finlandesas nunca param de aparecer…

O Brasil também possui diversas bandas que fazem um som de altíssima qualidade, apenas ainda não caíram nas graças das grandes gravadoras, mas esbanjam competência para isso. Bons exemplos de bandas góticas nacionais podemos ter com a Simphonia Nocturna e a santista Master of Darkness, que além de covers possuem trabalhos próprios e estão apenas esperando ser descobertos para compartilhar seu talento com o resto do mundo.

Portugal já contribuiu com o cenário gótico mundial com a maravilhosa Moonspell, que vem presenteando o mundo com as composições de Fernando Ribeiro desde 1989.

Dos países latinos a Itália também gerou o Lacuna Coil, que agora encanta ao mundo com a belíssima voz de Cristina Scabbia.

Recentemente temos ouvido falar muito de duas bandas, cujos líderes deixaram suas antigas bandas que já tinham conquistado seu lugar na cena gótica, para partirem para novos projetos.

É esse o caso do recém surgido Epica, do ex-After Forever Mark Jansen, com seu som inovador repleto de influências árabes, e a mais perfeita harmonia entre o vocal gutural e o lírico. Possui apenas um álbum full-length lançado, o The Phanton Agony, mas já conquistou inúmeros fãs em todos os cantos do mundo. É o caso também do Sirenia, que surgiu logo depois de Morten Veland deixar o Tristania. Morten sentiu se realizado com a banda, tanto como compositor quanto como músico. Compôs, arranjou e tocou os dois álbuns da banda, que existe deste 2001.

Por Daniele Ferreira
16 de Junho de 2004.

A arquitetura Gótica

A arquitetura gótica, em termos de estética, qualidade, estrutura e acabamento, é considerada uma das mais belas e fascinantes de todo o mundo.

O estilo gótico é identificado como o período das grandes catedrais. De fato, com suas construções começaram a ser definidos os princípios fundamentais desse estilo. O gótico teve início na França, novo centro de poder depois da queda do Sacro Império, emmeados do século XII, e terminou aproximadamente no século XIV, embora em alguns países do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse até bem depois de iniciado o século XV.

O gótico era uma arte imbuída da volta do refinamento e da civilização na Europa e o fim do bárbaro obscurantismo medieval. A palavra gótico, que faz referência aos godos ou povos bárbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais construções que, na sua opinião, escapavam aos critérios bem proporcionados da arquitetura.

Foi nas universidades, sob o severo postulado da escolástica – Deus Como Unidade Suprema e Matemática -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teológica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamentação na arquitetura foram transportados também para a pintura e a escultura. O gótico implicava uma renovação das formas e técnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.

A arquitetura gótica se apoiava nos princípios de um forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.

O século X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substituído pelo feudalismo. Invasões ameaçam a França. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, únicas – e precárias – fortalezas. A tensão popular conttribui para que se espalhe a crença propagada pela Igreja de que se aproxima o juízo final: o mundo vai acabar no ano 1000. A arte românica, expressão estética do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o pânico que invade não só a França mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo não acaba. Alguma coisa precisa acontecer.
Em 1905, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que não poderá resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas idéias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em importância. Muitos europeus, até então confinados à vida nas aldeias, passam a ter uma visão mais ampla do mundo. Profunda mudança social está a caminho.

Pressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que irá conviver durante certo tempo com o românico, mas atendendo às novas necessidades. Verdadeiro trabalho de futuristas da época, o estilo gótico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da basílica de Saint-Denis, construída na região de Ile-de-France, hoje Paris.

As Catedrais Góticas

A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. Enquanto, de modo geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja gótica tem três portais que dão acesso à três naves do interior da igreja a nave central e as duas naves laterais.

A arquitetura expressa a grandiosidade, a crença na existência de um Deus que vive num plano superior; tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas.

A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.

Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja.

As catedrais góticas mais conhecidas são Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

A Pintura Gótica

A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV, quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano celeste.

Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento.

Giotto é um dos maiores e melhores representantes desse estilo, a principal característica do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento.

Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

O pintor Jan Van Eyck procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens.

Suas maiores obras são: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

A ilustração gótica

Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada, ou então é um privilégio da quase mítica China). O desenvolvimento de tal genero está ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica, os manuscritos também eram encomendados por particulares, aristocratas e burgueses. É precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis.

Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações, os cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto.

Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas, a segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores.

Os vitraios

O efeito milagroso dos vitrais, que foram usados em quantidades cada vez maiores à medida que a nova arquitetura começava a comportar mais janelas, de dimensão cada vez maiores. No entanto, a técnica do vitral já havia sido aperfeiçoada no período românico, e os estilo dos desenhos demorou a mudar, embora a quantidade de vitrais exigida pelas novas catedrais fizesse com que as iluminuras deixassem de ser a forma principal de pintura. Criar uma figura verdadeiramente monumental com as técnicas dos escultores, em si é algo como um milagre: os primitivos métodos medievais de manufatura de vidros não permitiam a produção de grandes vidraças, de modo que essas obras não de pintavam sobre vidro, mas sim “pintura com vidro”, com exceção dos traços em preto ou marrom que delineavam os contornos das figuras. Sendo mais trabalhosa que a técnica dos mosaicistas bizantinos, a dos mestres-vidreiros envolvia a junção, por meio das tiras de vidro, dos fragmentos de formas variadas que acompanhavam os contornos de seus desenhos. Sendo bastante adequado quando ao desenho ornamental abstrato, o vitral tende a resistir a qualquer tentativa de se obter efeitos tridimensionais.

O uso do arcobotante e dos contrafortes tornou possível o emprego de grandes aberturas preenchidas com belíssimos vitrais.

A função dos vitrais não se reduz à de mero complemento decorativo da igreja gótica. O vitral – parede translúcida – adquire caráter estrutural ao contribuir decisivamente para a configuração de um determinado sentido da arquitetura; mais exatamente do espaço interior.
Após 1250, houve um declínio da atividade arquitetônica, o que reduziu as encomendas de vitrais. Nessa época, entretanto, a iluminura adaptara-se ao novo estilo, cujas origens remontavam às obras em pedra e vidro.

Giotto

Giotto di Bondone, 1267-1337. O revolucionário tratamento que dava à forma e o modo que representava realisticamente o espaço “arquitetônico” (de maneira que as dimensões das figuras eram proporcionais às das construções e paisagens circundantes) assinalaram um grande passo adiante na história da pintura. A opinião generalizada é que a pintura gótica chegou a seu ápice com Giotto, o qual veio a ordenar, abarcar e revigorar tão esplendidamente tudo que se fizera antes.Pela primeira vez temos na pintura européia o que o historiador Michael Levey denomina “uma grande personalidade criativa”. No entanto, a verdadeira era das personalidades criativas foi a Renascença, e não sem motivo que os estudiosos desse período começam sempre por Giotto.Um gigante, ele encompassa as duas épocas, sendo homem de seu tempo e, simultaneamente, estando à frente dele.As datas, porém coloca-nos firmemente no período gótico, com sua ambiência de graça espiritual e um deleite primaveril no frescor das cores e na beleza do mundo visível. A realização das artistas góticos foi representar solidez da forma, ao passo que pintores anteriores mostravam um mudo essencialmente linear, carente de volume e pobre de substância (a despeito de seu vigor espiritual).

Para Giotto, o mundo real era a base de tudo. O pintor tinha verdadeira intuição da forma natural, criando uma maravilhosa solidez escultórica e uma humanidade sem afetações, características que mudaram os rumos da arte.

A Capela degli Scrovegni, em Pádua, Itália, está adornada com a maior das obras de Giotto que chegaram até nós, um ciclo de afrescos pintado por volta de 1305 para mostrar cenas da vida da Virgem e da Paixão.Os afrescos dão volta às paredes da capela.

Outros artistas sobressaíram na pintura gótica, sendo eles: Simone Martini (discípulo de Duccio), os irmãos Lorenzetti Pietro e Ambrogio (identificaram com Giotto).

Escultura Gótica

De modo geral a escultura do período gótico estava associada à arquitetura. Nos tímpanos dos portais, nos umbrais ou no interior das grandes igrejas, os trabalhos de escultura enriqueceram artisticamente as construções e documentaram na pedra, os aspectos da vida humana.

Os portais da fachada de Saint-Denis e os admiráveis portais principais da Catedral de Chartres trata-se, provavelmente, dos mais antigos e completos exemplos da escultura gótica. A simetria e a clareza substituíram os movimentos frenéticos e as multidões; as figuras não são mais emaranhadas entre si, mas eretas e independentes, de modo que se visualiza muito melhor o conjunto a grande distância. É particularmente admirável o tratamento dado às ombreiras da porta, onde se alinham os de alinham figuras esguias adossadas a colunas. Em vez de serem tratadas essencialmente como relevos esculpidos na cantaria, ou projetando-se a partir dela, são na verdade estátuas, cada qual com seu próprio eixo; pelo menos em teoria, poderiam ser destacadas das colunas que lhes servem de suporte. As suas cabeças já possuem uma suavidade humana que evidencia a busca por uma maior realismo.

Na Alemanha a arte gótica como a conhecemos até o presente, reflete um desejo de conferir aos temas tradicionais do cristianismo, um apelo emocional cada vez mais intenso, mas destinada a devoções particulares. A escultura gótica italiana, assim como a arquitetura, ocupa um lugar a parte em toda a Europa. Iniciou-se provavelmente no extremo sul, na Apúlia e na Sicília, que tinham preferências que favoreciam ao estilo clássico.

Cinema Gótico

A sétima arte está repleta de obras-primas do gênero terror-suspense, filmes que de uma forma ou de outra expressam e exibem a face obscura e irracional da imaginação humana.

O gênero de cinema gótico nos remete as mais diversas sensações, desde o horror até os mais profundos sentimentos humanos.

Os filmes de terror nasceram praticamente junto com a cinematografia. O primeiro filme do gênero surgiu em 1896 e chamava-se “Escamotage d’Une Dame Chez Robert Houdin”, e em 1912 veio “A conquista do pólo” no qual um expedicionário era devorado pelo abominável homem das neves.

Passando por clássicos como O gabinete do Dr. Caligari de Weine e Nosferatu de Murnau, até o sádico Freddy Krueger nos anos 80, o gênero é um dos mais prolíficos já inventados.

Dentre os muitos filmes do gênero gótico famosos em todo o mundo, podemos citar entre os mais antigos “Frankenstein” e “Nosferatu”, que se transformaram em mitos do cinema gótico através dos anos. Entre os filmes mais atuais, podemos citar “A Lenda do cavaleiro sem cabeça”, “Entrevista com o vampiro”, “A Rainha dos Condenados”, entre muitos outros.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-cultura-gotica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-cultura-gotica/

23 Perguntas para Robert Anton Wilson

Robert Anton Wilson “é” aquele que não é “é”. Talvez possamos descrevê-lo como um filósofo psicodélico, um trapaceiro pós-moderno, um comediante intelectual, um tornado que atravessa a psique. Ele ganhou destaque como editor da Playboy na década de 1960. Durante esse tempo de magia ele se envolveu com os Discordianos, uma “nova religião disfarçada de uma piada complicada”, ou “uma piada complicada disfarçada de uma nova religião”. Junto com Robert Shea, ele é co-autor do Illuminatus! trilogia de romances, um trabalho alucinante (de ficção?) que teceu várias teorias da conspiração e elevou o Discordianismo a um verdadeiro status de culto. Amigo próximo de Timothy Leary, ele compartilhava as paixões do Dr. Leary pela psicologia radical e pelo futurismo. Seu livro Prometheus Rising fundiu o agnosticismo ao modelo ao modelo de 8 circuitos do cérebro de Leary para criar um sistema que ensinou as pessoas a desconstruir sistemas dogmáticos de crenças pessoais. Seus inúmeros outros livros exploraram tópicos como mecânica quântica, universos alternativos, sistemas lógicos não aristotélicos, magia sexual, Wilhelm Reich, James Joyce e Orson Welles. Sua abordagem do modelo agnóstico para a investigação o torna um escritor único, um dos poucos que podem escorregar perfeitamente do pensamento científico racionalista para a especulação metafísica não materialista.

Embora tenha lutado contra a síndrome pós-pólio nos últimos anos, ele continua ativo na propagação de suas várias paixões (N.T RAW morreu em 2007) O filme de 2003 Maybe Logic de Lance Bauscher, Cody McClintock e Robert Dofflemyer, explorou e apresentou conceitos wilsonianos envoltos em cores e ritmos sutis, mas explosivos, um tributo adequado às suas ideias. Este projeto deu origem à Maybe Logic Academy, um instituto de aprendizagem que é
“baseada na filosofia e na perspectiva da lógica do talvez, uma abordagem que enfatiza a falibilidade e a relatividade da percepção e tende a abordar informações e observações com perguntas, probabilidades e múltiplas perspectivas em vez de verdades absolutas.” A New Falcon Publications pretende publicar em breve seu novo livro Email To The Universe (N.T: Publicado em 2005).

A entrevista que segue foi concedida a revista MungBeih entre 2004-2005.

Você tem um novo livro saindo chamado “Tale of the Tribe”. Sobre o que será?

Mudei o título para EMAIL TO THE UNIVERSE. É sobre James Joyce, taoísmo, internet e Aleister Crowley, além da minha loucura de sempre.

Parece que muitos de seus escritos se conectaram com as pessoas e talvez até influenciaram seus pensamentos e atividades. Por causa desse efeito em sua base de fãs, alguns sugeriram que você se tornou uma “figura cult”. Isso parece apropriado, dada sua participação inicial na Sociedade Discordiana e seus muitos escritos sobre os Illuminati (um culto secreto que pode ou não existir), referências a Eris, maçãs douradas, a Lei dos Cincos, o número 23, bem como outras ideias relacionadas. Os memes que você enviou ao mundo vinte, trinta anos atrás continuam a prosperar e florescer. Como você se sente sobre esse legado de ter semeado uma diversidade de memes ecléticos?

É ao mesmo tempo agradável e lisonjeiro, é claro, mas me sentirei muito mais feliz quando a Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico forem semeadas tão amplamente, ou até mais amplamente.

Vamos semeá-los mais amplamente aqui! Você pode explicar aos nossos leitores o que (Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico) são?

A Lógica do Talvez é um rótulo que ficou preso entre minhas ideias pelo cineasta Lance Bauscher. Eu decidi que se encaixa. Eu certamente reconheço sua importância central em meu pensamento – ou em meus esforços vacilantes e desajeitados para pensar em sistemas não-aristotélicos. Isso inclui a lógica de três valores de von Neumann [verdadeiro, falso, talvez], a lógica de quatro valores de Rappoport [verdadeiro, falso, indeterminado, sem sentido], a lógica multivalorada de Korzybski [graus de probabilidade.] e também o paradoxo lógico do Budismo Mahayana [É A, não é A, é A e Não-A, Não é A nem Não-A]. Mas, como um sujeito extraordinariamente estúpido, não posso usar tais sistemas até reduzi-los a termos que uma mente simples como a minha possa lidar, então apenas prego que todos nós pensaríamos e agiríamos com mais sensatez se usássemos o “talvez “com muito mais frequência. Você pode imaginar um mundo com Jerry Falwell gritando “Talvez Jesus seja o filho de Deus e talvez ele odeie os gays tanto quanto eu” – ou os minaretes do Islã ressoando com “Talvez Não exista Deus exceto talvez Alá e talvez Maomé seja seu profeta”?

A lei Snafu (NT: S.N.A.F.U: “Status Nominal: All Fucked Up”) afirma que, quanto maior o seu poder de punir, menos feedback factual você receberá. Se você pode demitir pessoas por dizerem o que você não quer ouvir, você só vai ouvir o que você quer. Esta lei parece se aplicar a todas as engenhocas autoritárias, especialmente governos e corporações. Concretamente, suspeito que Bozo (NT. Robert chamava George Bush de Bozo) saiba menos sobre o mundo do que qualquer caçador de cães em Biloxi (Mississipi).

A lei do Babaca Cósmico (N.T: Cosmic Schmuck) afirma que [1] quanto mais frequentemente você suspeitar que pode estar pensando ou agindo como um Babaca, menos Babaca Cósmico você se tornará, ano após ano, e [2] enquanto você nunca suspeitar que pode pensar ou agir como um Babaca, você permanecerá sendo um Babaca Cósmico por toda a vida.

O E-prime pode revolucionar a língua inglesa?

Espero que sim, mas precisa de ajuda, como mais computadores online e mais maconha. MUITO mais maconha. (N.T: E-prime é a versão revisada da língua inglesa que exclui todas as formas do verbo to be, incluindo todas as conjugações, contrações e formas arcaicas.)

Qual é o propósito da sua Maybe Logic Academy e quem mais está envolvido? E o que diabos está acontecendo lá?

Quero usar a Internet para acelerar a evolução humana substituindo decisões baseadas na fé por decisões baseadas em pesquisa. Os demais têm objetivos semelhantes ou compatíveis. Nossos líderes de classe incluem R.U. Sirius, ciberfilósofo; Patricia Monaghan, pesquisadora da deusa; Alan Clements, monge budista e ativista; Peter Caroll, matemático e inventor da magia do Caos; Douglas Rushkoff, especialista em mídia; e outros se juntarão em breve.

Você escreveu extensivamente (e encontrou novas aplicações para) várias teorias científicas, particularmente no campo da mecânica quântica. No entanto, você manteve uma distância crítica do establishment científico, uma espécie de voz herética e um cético em relação ao ceticismo. Você costuma citar a história do Dr. Wilhelm Reich como um exemplo de autoridade enlouquecida. O governo dos Estados Unidos destruiu grande parte do trabalho controverso do Dr. Reich, e ninguém, especialmente colegas cientistas, deu um passo à frente em protesto ou defesa. A ciência deveria ser sobre inovação, mas poucos cientistas parecem capazes de revisar suas teorias favoritas uma vez que tenham sido aceitas. Acho que é por isso que muitos acharam chocante quando Stephen Hawking recentemente saiu e disse: “Eu estava errado sobre os buracos negros”. Ninguém está acostumado a ver figuras respeitadas revisando ou descartando suas crenças arraigadas. Qual é a importância da heresia, ceticismo e ideação heterodoxa para o avanço da ciência?

Deixe-me fazer uma diferença entre o método científico e a neurologia do cientista individual. O método científico sempre dependeu do feedback [ou flip-flop, como os czaristas chamam]; Portanto, considero-a a forma mais elevada de inteligência de grupo até agora desenvolvida neste planeta atrasado. Já o cientista individual parece ser um animal completamente diferente. Os que conheci parecem tão apaixonados e, portanto, tão egoístas e preconceituosos quanto pintores, bailarinas ou mesmo, Deus salve a classe, escritores. Minha esperança está no próprio sistema de feedback, não em qualquer suposta santidade dos indivíduos no sistema.

Com seu auto-entitulado modelo agnóstico você desconstruiu todos os tipos de sistemas de crenças (BS) em seus livros. Em Prometheus Rising você encorajou as pessoas a entrar conscientemente em tantos túneis de realidade diferentes quanto possível, para examinar suas crenças de múltiplos pontos de vista. A cultura humana está repleta de pessoas zelosamente apegadas a várias ortodoxias e ideologias. O choque de sistemas de crenças fundamentais muitas vezes provou ser destrutivo para a humanidade. O que será necessário para sacudir as pessoas de seus dogmas?

Em uma palavra, Internet. Desde que li Cybernetics: Control and Communication in the Animal and the Machine, de Wiener, em 1948, pensei em “inteligência” como uma função de feedback. Quanto mais feedback, maior a “inteligência” mensurável, e quanto menos feedback, menos “inteligência”. À medida que o computador deu origem à Net e à Web, o feedback aumentou exponencialmente. Como R. U. Sirius escreveu recentemente: “A ascensão da Net e da Web representa uma vitória para a contracultura e a subcultura. A próxima geração, criada na Net como seu principal meio, nem mesmo saberá o que é a realidade consensual.” Em outras palavras, feedback e Lógica do Talvez formam um círculo que gira cada vez mais rápido. Os czaristas temem e odeiam – eles chamam de “flip-flopping” – mas caracteriza todos os sistemas de alta inteligência, eletrônicos ou protoplasmáticos.

Concordo que a internet parece ser um produto de um sistema de feedback tão acelerado. Isso é algo que podemos testemunhar em cada interação online. Mas, tem havido muita conversa após o 11 de setembro de um sinistro espectro totalitário pairando sobre nós, que o Grande Irmão de Orwell está finalmente aqui. Existem conspirologistas que acreditam que a internet, tendo surgido do Pentágono, nunca foi nada mais do que uma trama do Big Brotherista, e que pessoas como RU Sirius, John Perry Barlow e outros filósofos da Era da Informação são tolos (in)conscientemente fornecendo uma fachada libertária para esta vasta conspiração. E se a internet não for nada mais do que o mais recente método czarista de controle e coleta de informações?

Bem, então estamos afundados, não é? Felizmente, não existe nenhuma razão lógica ou factual para acreditar nessa fantasia paranóica, e ela é diretamente contrariada pela matemática difícil de Wiener e Shannon sobre “redundância de controle” em sistemas de feedback. O que Juang Jou disse sobre o universo há 2.400 anos é ainda mais verdadeiro nas 4.285.199.774 URLs de computador online hoje – [21 de agosto de 2004] – “não há governador em lugar nenhum”.

Falando em 11 de setembro e no Pentágono, um dia depois que o avião abriu um buraco na lateral do prédio, imediatamente pensei no livro Illuminatus que você escreveu com Robert Shea. Nele, o Pentágono de cinco lados aprisiona uma besta sobrenatural chamada Yog Sothoth. Se esse ghoul escapasse, a humanidade testemunharia a imanentização escatológica. Esta parece ser a metáfora mais adequada para o atual clima cultural milenar que eu já vi. Então, de certa forma, Yog Sothoth foi eliminado naquele dia?

Não tomemos metáforas muito literalmente. Admito que Bozo tem muito em comum com Yog Sothoth, e que ele até tem as mesmas iniciais de GWB666 em Schrödinger’s Cat, mas considero isso como acertos acidentais. Não me considero um profeta adormecido.

Quão perto estamos da imanentização escatológica?

O escaton foi imanentizado há 5 anos, quando os Supremos cancelaram a eleição e nomearam GWB – a Grande Besta Selvagem – para a Casa Branca.

Você escreveu um artigo convincente após a eleição presidencial de 2000 nos EUA, no qual apontou uma daquelas coisas óbvias que a maioria das pessoas não percebeu: enquanto 50% dos eleitores elegíveis dividem seus votos entre Bush e Gore, os outros 50% conscientemente escolheram votar em Ninguém. (Na verdade, tenho argumentado que, como crianças, prisioneiros, estrangeiros e outras pessoas desprivilegiadas não podiam votar, Bush só conseguiu um mandato de cerca de 14% do povo americano. Chega de “metade do país” apoiando-o, Você também teorizou que um nefasto e neo-autocrático “Governo de Ocupação Czarista” (TSOG) controla o aparelho do Estado. Foda-se o velho debate democrata versus republicano. Diga-me, como você acha que o Ninguém e o TSOG se sairão nas próximas eleições presidenciais?

Presumo que as pessoas mais inteligentes continuarão a votar em Ninguém, e a maioria idiota dividirá seus votos igualmente, dependendo de qual dos dois multimilionários Skull-and-bones tem mais sex appeal. Isso realmente não parece importar: se as pessoas preferem marginalmente o candidato “errado”, a Suprema Corte certamente os “corrige” novamente. O TSOG parece uma doença confortável, como a morte por doença do sono. Após 7000 anos de ‘Authoritaria’.

No patriarcado, a maioria das pessoas aceita o czarismo e, na América aquela constituição incômoda imposta a eles por alguns maçons intelectuais.

Esta declaração lembra a Psicologia de Massa do Fascismo de Reich. Parece que há uma desconfiança pública massiva e generalizada e desgosto na política e no governo, não apenas nos EUA, mas em muitas partes do mundo. Por que os cidadãos são tão leais a sistemas e líderes pelos quais reconhecidamente não têm respeito?

Raymond Chandler, que serviu como tenente de infantaria na Primeira Guerra Mundial, apontou o mesmo paradoxo em menor escala: ao atacar um inimigo, as tropas são estatisticamente mais seguras se espalhadas amplamente, mas todas mostram uma tendência a se agrupar perto do tenente, aumentando assim o risco. Isso parece um programa de vertebrados [mesmo pré-mamífero] programado. Além disso, temos mais de 7.000 anos de condicionamento autoritário documentado por Reich. Parece bastante sombrio, não é? Meu otimismo se baseia no fato de que, historicamente, em situações de emergência, as pessoas muitas vezes sofrem mutações de maneiras imprevisíveis e criativas. Como disse John Adams, a Revolução Americana ocorreu “nas mentes das pessoas nos 15 anos antes do primeiro tiro ser disparado”. Suspeito que uma revolução semelhante esteja ocorrendo nas mentes de pessoas educadas em todo o mundo.

Em todo o cenário pós-eleitoral, tem-se falado muito de uma “América dividida”, com especialistas traçando uma linha dura entre “estados azuis” e “estados vermelhos”. Esta linha é ilusória?

Suspeito que todas as linhas existam apenas em nossas mentes – especialmente linhas políticas. O universo parece mais um caos dançante do que um caderno pautado.

Estamos vivendo na Roma de Phillip K. Dick?

Bem, Phil certamente morava lá. Sinto-me mais como se vivesse na Rússia czarista. Às vezes penso em mim como o último dezembrista – e se isso parece obscuro ou muito esquisito, basta definir seu mecanismo de busca para “dezembristas + Illuminati” e grok em sua plenitude as URLs que aparecem. De qualquer forma, certamente não vivemos em uma democracia constitucional. Tenho quase 99.999999999999999999999999999999% de certeza disso.

Quando estou severamente deprimido, ou severamente chapado, sou capaz de realmente *sentir* a Roma de Dick, não apenas grocá-la como um conceito intelectual. Para mim, este túnel da realidade está cheio de emoção, paranóia, ilusão, sincronicidade, simbologia, metáfora, consciência aumentada. Alguma vez vai além da teoria para você? Você *sente* a Rússia czarista?

Freqüentemente — especialmente quando testo meu desapego budista tentando ouvir “nossos” líderes sem rosnar ou xingar baixinho. Sinto-me como os dezembristas, de forma muito pungente. Mas também identifico muito os fundadores desta República moribunda. Eles sabiam que a Constituição sozinha não poderia conter os desejos de poder de Certos Tipos e avisaram que precisávamos de vigilância eterna – – mas eles só poderiam nos dar a Constituição, não a vigilância. Infelizmente!

Parece, então, que a democracia é uma capa para a autocracia. Foi sempre assim? Ou a história está retrocedendo, traímos coletivamente o Iluminismo?

Primeiro, minha paixão se volta para a democracia CONSTITUCIONAL, não apenas a “democracia” em geral, que temo tanto quanto nossos fundadores. Eu quero LIMITES no governo, claramente definidos e virtualmente “gravados em pedra”. Como John Adams escreveu: “Meu credo é que despotismo ou poder absoluto é o mesmo na maioria de uma assembléia popular, em um conselho aristocrático, em uma junta oligárquica ou em um único imperador – igualmente arbitrário, sangrento e em todos os aspectos diabólico”. Eu concordo totalmente. Sim, acho que perdemos muita luz ultimamente – e por “nós” quero dizer tanto os políticos quanto as massas.

Você teve que lutar pelo seu direito de usar maconha medicinalmente. Como você se tornou ativista?

Desde 1959 eu “ativo” por várias causas, porque tenho esse tipo de temperamento. Eu me envolvi ativamente na causa da maconha medicinal muito antes de meus sintomas pós-pólio tornarem a maconha necessária no meu próprio caso. Agora, preso em uma cadeira de rodas a maior parte do dia, me sinto não apenas ativado, mas superativado. Sustentei uma esposa e quatro filhos a maior parte da minha vida. Tenho 35 livros impressos. NEW SCIENTIST chamou minha trilogia CAT de “o mais científico de todos os romances de ficção científica”. Agora, aos 73 anos, sou tratado como uma criança pelo TSOG – assim como meu médico, um médico totalmente qualificado.  Se consultando algumas organizações baseadas na fé que para citar George Carlin são “incrivelmente cheios de merda.” Se você quiser a visão de organizações baseadas em pesquisa terá que se esforçar.

Você fundou recentemente o Guns & Dope Party para combater os excessos do czarismo. Quais são alguns dos princípios centrais da plataforma do seu partido?

– Armas para quem as quer; sem armas impostas a quem não as quer [Quakers, Amish, pacifistas em geral etc.]
– Drogas para quem as quer; sem drogas impostas a quem não as quer [Cientistas Cristãos, herbalistas, homeopatas etc]
– União Bípede – direitos iguais para avestruzes
– Tributação voluntária: você paga pelos programas governamentais que deseja; você não paga um centavo por nenhum programa que não queira.

Você acha que as Zonas Autônomas Temporárias ou Utopias Piratas têm potencial para serem paraísos livres do TSOG?

Temporariamente. Somente a Internet cria a possibilidade real de uma Zona Autônoma Global. Acho que todos os problemas foram resolvidos e serão resolvidos por [a] mais informações e [b] transmissão de informações mais rápida e onipresente.

O conceito de conspiração tem se destacado em seus escritos por décadas. O que mais te fascina no conceito de teoria da conspiração?

Meu maior interesse permanece, como eu disse, na área de lógica não-aristotélica, e por volta de 1969 Bob Shea e eu tivemos a ideia de escrever um romance engraçado aplicando A Lógica do Talvez à arena da conspiração. O resultado, ILLUMINATUS foi tão longe fora dos túneis de realidade de consenso que levamos cinco anos para publicá-lo, e agora, há 30 anos, continuo recebendo feedback de dois grupos que não conseguem lidar com o conceito de “talvez”, de forma alguma. O primeiro grupo acredita fervorosamente, sem sombra de dúvida, que endossei as ideias mais loucas que discuti e, portanto, me considera um maluco perigoso. O segundo grupo tem uma crença igualmente ardente de que eu trabalho para o departamento de desinformação da CIA e quero fazer todas as teorias da conspiração parecerem igualmente malucas. Já escrevi dezenas de livros sobre outros assuntos, mas essas duas gangues provocam continuamente meu senso de humor chapado, então sempre me rendo à tentação de me divertir um pouco mais com eles…

A Conspiriologia está muito grande nos dias de hoje. Por que você acha que as pessoas são tão atraídas por ideias especulativas?

Como um Baba Cósmico confesso, não afirmo “saber” a resposta para isso – ou qualquer outra coisa – mas tenho certas suspeitas persistentes. Suspeito, por exemplo, que “o establishment” – ou seja, o TSOG e a mídia corporativa – contaram tantas mentiras ultrajantes que ninguém realmente confia mais neles. As armas de destruição em massa no Iraque ainda permanecem escondidas da percepção humana. Depois que essa mentira desmoronou, o TSOG não apareceu apenas cheio de merda; parecia, para citar Carlin novamente, que parece incrivelmente cheio de merda. Então, naturalmente, cresceu um mercado para explicações sobre o que diabos realmente motiva Bozo e sua gangue. Considero meu trabalho como aplicar a mesma crítica mordaz a todos os modelos que tentam insinuar que o modelista realmente sabe mais do que eu e não apenas adivinha, especula e tateia no escuro, como admito que faço.

Você é bem conhecido por seu trabalho explorando teorias especulativas e esotéricas. Em livros como Sex and Drugs e na série Cosmic Trigger, você escreveu sobre experimentação com magia oculta. Refletindo sobre suas inúmeras incursões nesses mundos estranhos onde a Ciência teme pisar, quais são os “segredos” mais interessantes que você descobriu?

O mesmo que descobri simultaneamente no budismo e na física quântica: ou seja, a suposta “muralha” entre “eu” e “o mundo” não existe. Limpar o pensamento e a linguagem dessa divisão fictícia aumenta imensamente a clareza. Ah, sim, e melhora seu senso de humor também!

Vamos encerrar com um pouco de humor. Você pode me contar uma boa piada?

Três caras estão bebendo e discutindo em um bar. “Eu lhe digo que deve ser escrito W-O-O-O-M”, diz o primeiro dogmaticamente.
“E eu ainda digo que W-H-O-O-M soa melhor”, o segundo conta.
“Não, não, não”, diz o terceiro. “É definitivamente W-H-O-M-B-B.”
“Vocês todos entenderam errado”, diz a ginecologista na mesa ao lado. “É W-O-M-B.” (NT: Útero) Eles a encaram friamente. “Senhora”, diz o primeiro, “é óbvio que você nunca ouviu um elefante peidar.”

Bônus: Maybe Logic (documentário completo)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/23-perguntas-para-robert-anton-wilson/

A Grande Conspiração Universal

Entrevista efetuada por Daniel Rebisso e publicada na Revista Realismo Fantástico número 6 de Curitiba. Ernesto Bono, autor de A Grande Conspiração Universal, faz incríveis revelações em entrevista concedida a Realismo Fantástico. Pesquisador italo-brasileiro, naturalizado, radicado no Rio Grande do Sul, o ufólogo Ernesto Bono é um dos pioneiros na abordagem filosófica do fenômeno OVNI. Nesta entrevista concedida ao também famoso ufólogo Daniel Rebisso, Bono fala de suas últimas descobertas sobre a grande conspiração dos extraterrestres que estariam dominando planeta.

Realismo Fantástico — Primeira curiosidade: como a Ufologia entrou em sua vida?

Ernesto Bono — Muitos anos antes de me tornar médico e psiquiatra. Foi por volta dos meus 14 anos que comecei a interessar-me profundamente pelo tema e, desde então, nunca mais abandonei essa temática fantástica ou essa manifestação do insólito.

RF – Como conferencista e escritor, observamos que a sua principal preocupação em relação aos OVNIs tem-se voltado para as questões filosóficas ou, como poderíamos dizer, para o aspecto epistemológico e que envolve o conhecimento das coisas. A seu entender, o que a realidade ufológica freqüentemente impõe aos homens?

EB – Eu suspeito que a presença dos UFOs, entre outras coisas, visa modificar nosso modo de sentir, perceber e entender a Vida e o mundo. Eles estariam aí para que, de algum modo, o homem abandone seus velhos esquemas de mal conhecer, esquemas instituídos no Ocidente pela filosofia e epistemologia de Aristóteles e fortalecida por Tomás de Aquino.

Tanto esses velhos filósofos como René Descartes, também filósofo e precursor da Ciência Moderna estabeleceram a primazia da dualidade perceptual. Para eles, sem qualquer dúvida – e para nós também, condicionados pelas idéias deles – existe uma realidade material que se estende e que dura, a qual pode ser encarada por outra realidade que pensa, o corpo-ego-homem, no caso. Esse dualismo ou multiplicidade perceptual acredita, por exemplo, que o homem é um ser à parte, separado, criado por alguém – Deus bíblico ou Acaso científico –, dotado de sentidos e capaz de sentir, pensar e perceber. O homem confrontar-se-ia então com um mundo que estaria à sua frente, mundo que precisa ser bem enfocado, bem percebido, decifrado. Ou melhor, teríamos que raciocinar em cima do que se enxerga e se percebe. Malgrado a impecabilidade dessa postura, ela infelizmente é um modo de conscientizar ou perceber totalmente errôneo e que vem prevalecendo há milhares de anos. Sem qualquer dúvida é prático e cômodo ao Status Quo, mas não passa de uma safadeza e desonestidade da lógica-razão em nós. Tal gnoseologia ou epistemologia é ótima para que os donos do poder alcancem seus fins, e é ótima principalmente para subjugar e dominar os inocentes e desavisados. Os orientais há milênios deram-se conta das mentiras do pensamento comum e da lógica-razão. Esse é o motivo profundo de os sábios orientais nunca se terem permitido criar uma ciência moderna, por exemplo, com seu modo de mal conhecer e de atuar pior. Embora os UFOs nada tenham a ver com a Sabedoria Oriental, talvez estejam tentando romper com nosso esquema enganador de mal conhecer, perceber, senão todos os UFOs, pelo menos boa parte. A presença anômala e escorregadia dos UFOs quiçá esteja sugerindo que conhecer corretamente não é exatamente aquilo que Aristóteles, Ciência e todos os demais filósofos do Ocidente estabeleceram, porque lhes convinha.

RF – Seria então necessário ver ou interpretar o fenômeno OVNI por um outro ângulo que não o científico?

EB – Aprofundando-me no tema, descobri que as humanas possibilidades de conhecer são somente duas: ou prevalece a Direta ou Sentir (do Sábio Autêntico), ou prevalece a Indireta ou pensar (do homem comum, do ignorante, do cientista confuso e conformado). Explico-me melhor: Conhecimento Direto é quando a Mente em SI – ou a Mente num Homem livre do mal pensar – não se separa do dado, ou daquilo que está à sua frente, isto é, a objetividade, que não precisa ser só e sempre material. Tal Mente Pura (ou SENTIR Primevo) comunga com a Objetividade Primordial – ou com o “ISTO” ou também com o Cosmo Verdadeiro. Em tal Saber-e-Sentir há uma interfusão, interpenetração, intercâmbio constante entre o Ser e a Coisa e que em verdade não são dois, mas sim são uma não-dualidade perfeita… No Conhecimento Direto se Sente, se Sabe e se Intui, se Comunga, mas não se rumina a respeito (raciocínio) ou não se discorre propositadamente sobre o percebido, sobre o que se conscientiza. Não existe um ego, ladrão, salteador e mentiroso para tal, e que se meta a distorcer tudo, a ocultar ou a acrescentar lorotas e enganos perceptuais. No conhecimento indireto se pretende que haja um ego-pensante aqui, que se confronta com determinada coisa, lá e que independeria dele, mas que em verdade é só e totalmente pensada. O ego-pensamento em todos nós sempre acha que sente, que sabe, que intuí, que compreende, que atua etc, quando em verdade só pensar em sentir, pensa em agir, pensa em compreender, mas mais mal conhece do que sabe de fato, mais mal lucubra do que intui; tudo raciocina e nada compreende; só pensa em agir, sem conseguir atuar e contento, livremente e alcançar fins verdadeiros. O que o ego-pensamento alcança é exatamente o fruto pensado ou aquilo que se propôs fazer. Longe porém está de usufruir daquele Saber-Sentir Puro, ou de alcançar aquele Isto Primordial, os quais não são tão transcendentes assim nem tão metafísicos. Os discos voadores autênticos são um ISTO Primordial que só o Saber-e-Sentir no Homem vivencia ou senão surpreende e com eles comunga. Há momentos, porém, que certos OVNIs, como uma concessão deles mesmos, transformam-se em objetos vulgares, fugazes, em aparelhos e que qualquer reconhecimento humano ou mal conhecer discursivo pode captar. Só que as experiências que a testemunha-ego tiver sempre serão precárias, confusas, enganadoras, traumatizantes ou até mesmo sofridas. E toda conclusão que de tal experiência o ego quiser retirar sempre será aparências, enganos ou mentiras.

RF – Mas esse tipo de apreensão ufológica nos parece quase um estado de Iluminação Interior. Será preciso tanto?

EB – E por que não poderia ser assim? Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel e a ciência moderna inventaram estórias a respeito da objetividade, do viver cotidiano, do Cosmo, onde os UFOs parecem caber. E quem pode nos garantir que o mundo ou a objetividade tem que ser exatamente como eles disseram? E além de ser assim, quem pode nos garantir que uma objetividade tipo UFO tem que se acomodar às leis e dogmas que a ciência inventou, estabeleceu para resultar em PODER. Ou um UFO tem que se comportar conforme a previsibilidade dos preconceitos humanos?

RF – Mas e o conhecimento indireto de que o amigo fala seria só um fornecedor de aparências e ilusões?

EB – Ele é o pai da própria ilusão e tem como base a própria lógica-razão, mãe de todas as aparências e contradições bipolares e polivalentes! A lógica-razão sempre polariza o que nós acreditamos conhecer por meio dela, ou seja sempre resulta num certo e errado, num longe e perto, num alto e baixo, num longo e curto, num duro e mole etc. –, ou senão oculta a Verdade-Isto, ou ainda distorce o Sentir Primevo e Puro, esconde o Real e em seu lugar engendra substitutos enganadores tipo falso mundo, falso universo, falso objeto. O REAL em si, por sua vez, não é nem material nem anímico, não é nada acrescentado nem dependente, nem é algo que o pensamento comum possa decifrar. Na verdadeira VIDA, em cujo seio os OVNIs também pode caber, e com eles outros Cosmos – e não só o modelo de universo científico – não existe “um homem aqui” e “um mundo lá”. O que nessa Vida talvez prevaleça é exatamente uma não-dualidade vivenciável, indescritível para a lógica pura, mas descritível para os sentidos e emoções. Digamos, é um todo em que homem-e-meio são algo completo. Sol-e-Raios, Raios-e-Sol. Aí, portanto, não haveria nenhuma necessidade de o homem na condição calhorda de ego-pensante separar-se desse meio e depois tentar conhecê-lo para dele tirar ou não proveito e implantar o PODER institucionalizado. Bastaria a esse homem comungar com seu meio, reconquistando aquela unidade ou aquela não-dualidade sensorial e que sempre é uma união afetiva e inteligente.

RF – A idéia é interessante, mas como se aplicaria esse Conhecimento Direto à pesquisa ufológica, ou senão ao seu correto entendimento?

EB – Para se aplicar o Conhecimento Direto não existe nem como nem porquê. O fato é que, sempre que se levantam os “como” e os “por quê?” em seguida passa a prevalecer o conhecimento indireto, o grande enganador e distorcedor de verdades simples e imediatas, como certos UFOs, às vezes podem ser. A presença UFO não oferece um “o quê” ou um “como” pensar. De algum modo, apenas sugere que o teu modo de conhecer é precário ou está errado e que tens que te modificar. Sua realidade, quando presentes se fazem, em termos aparentemente objetivos e materiais, é sempre um desafio para um ufólogo honesto e livre de escolas. Parece que eles vivem a nos dizer: Pára de pensar tanto e tão mal e começa a sentir-e-saber de outro modo! Esse teu outro modo de sentir-e-saber pode perfeitamente transformar-se num caminho que te conduzirá até nós”. E aí voltaremos a ser aquela não-dualidade, Isto-Sentir e Sentir-Isto, em que tanto os homens de boa vontade como os homens cósmicos, seus irmãos mais velhos, acabarão se confundindo e se abraçando no seio de um mesmo PAI-MÃE, de onde tudo surge, mas nada se cria.

RF – Acreditas que todos os UFOs ou melhor, os ufonautas seriam capazes de tal gesto?

EB – É claro que todos não, mas boa parte sim. E é exatamente contra esta boa parte que o Governo Invisível humano e os ETs nefastos do além estão lutando. Boa parte dos ETs devem ser positivamente neutros ou benevolentes; e quem sabe estejam inseridos nesse modo de conhecer direto ou não-dualista. Estes talvez estejam tentando atrair alguns homens inteligentes para levá-los de volta às suas origens, o centro de tudo, onde tudo converge e também desde onde tudo diverge, sem que nada nem ninguém perca aquela condição primordial de Consciência-EU.

RF – E dos demais extraterrestres, dos ETs nefastos, o que poderias no dizer?

EB – Que são velhos aliados de humanos também nefastos daqui mesmo. Tanto a esses ETs velhacos como os seus compadres terrestres do Governo Invisível interessa e convém que prevaleça o famoso conhecimento indireto e indiretíssimo, ou seja, o conhecimento tipo comum ou tipo científico, a moral gananciosa e mesquinha do materialismo niilista, a falsa religiosidade. Esses ETs bandidos ou até mesmo neutros negativos visam o PODER, no além e no próprio mundo, como também o Governo Invisível visa este PODER ou a hegemonia mundial. Ambos não têm qualquer emoção, amor e sentimentos. São máquinas trituradoras e destruidoras sem o emocional-cardíaco, e que é exatamente a alma humana. Eles são os famosos emissários da morte!

RF – Em seu livro A Grande Conspiração há um capítulo inteiro dedicado às revelações de John Lehar e Milton William Cooper a respeito do Majestic-12 e do governo secreto do mundo. O que te levou a crer na validade dessas denúncias?

EB – Exatamente os pormenores das denúncias que ambos fizeram. Como diz William Moore, que os contra-ataca, ambos podem ser apenas simples paranóides, fascistas, farsantes ou quem sabe agentes da CIA disfarçados. Suspeito que William Moore é muito mais do que eles. Para não ter amor à verdade e ao próximo sofrido, Milton William Cooper estaria se expondo demais, pode até correr risco de vida. Nem ele mesmo se dá conta da incrível e espantosa gravidade de suas denúncias. Põe a nu as manobras de um Governo Invisível que efetivamente existe, encabeçado por uma CIA, MJ-12, CFR, TC, Bilderburger, Sociedade Jason, Alternativas l, 2 e 3 etc. como nunca ninguém o fez. John Lear é muito mais prudente e comedido. Mostra o crime, sim, mas acha que ninguém é criminoso. Só os ETs safados é que seriam. M.W.Cooper prova que a maior culpa cabe não aos ETs, mas ao Governo Invisível, que tem atormentado o mundo inteiro, visando o Poder Máximo… O que mais me deixou pasmo foi saber que desde 1947, atrás de um Truman ou de um Eisenhower, já existiam assessores presidenciais humanos, manipulando o governo norte-americano e soviético, constituindo inclusive e com toda felicidade organizações ocultas e prejudiciais aos homens e aos ETs, digamos bem intencionados, como o MJ-12 (ou melhor, projeto Grudge, Sign, Projeto Grudge, Projeto Bluebook, Projeto Yellowbook, Sociedade Jason etc. etc). O que me deixou abismado foi ver como esses humanos em absoluto nada honestos – alguns dos quais representam exatamente a anti-raça humana – se levantaram em bloco, tentando de todas as maneiras possíveis ocultar e bloquear toda e qualquer difusão de verdades ufológicas que não conviessem aos interesses deles. Eles não podiam deixar transparecer que sociedades secretas ou eles próprios, o Governo Invisível, já lidavam com ETs nefastos há milhares de anos. Também não podiam deixar transparecer que sempre houve uma Grande Conspiração Universal, e que, após a Segunda Guerra Mundial, ou após a Segunda Grande Derrota Mundial – pois não foi o homem quem ganhou tal guerra – outros tipos de UFOs e ETs haviam irrompido no mundo, numa tentativa desesperada de alertar os homens ou de ajeitar o que ainda podia ser ajeitado.

RF – Mas então o que tens a dizer da falsa alegação de que os governos mundiais manteriam o fenômeno UFO em sigilo a fim de manter a ordem social e perpetuar o bem estar de todos?

EB — Essa tese de manter a ordem social, malgrado as histerias que o programa radiofônico de Orson Welles em 1938 causou, é completamente falsa. Os poderosos que Milton William Cooper denuncia, e que eu julgo extremamente prejudiciais para o gênero humano, foram os que se levantaram após o segundo conflito mundial (ou derrota mundial), tentando esconder e sufocar uma coisa que havia resolvido intervir desde fora, desde o Insólito, e com o qual eles não contavam. Ou seja, as aparições em massa de OVNIs neutros e quem sabe benevolentes, não aliados de certos humanos safados e não ligados à Conspiração Universal. Esta última talvez atinja seu ápice neste fim, de século ou no novo.

RF – Acreditas realmente que seres extraterrestres tenham firmado algum pacto ultra-secreto com as grandes Potências da Terra?

EB – Não que assinaram, mas foram induzidos a firmar pelo Governo Invisível, e que manda em todas essas grandes potências aparentes. Por conseguinte, foram enganados tanto pelos ETs nefastos como por certos humanos safados daqui mesmo. Ao assim me exprimir, estou me baseando em dados históricos, filosóficos, religiosos, espirituais e ocultistas. A Grande Conspiração não abrange somente a área política e econômica, mas abrange tudo, principalmente o pretenso lado religioso, espiritual, ocultista e paranormal da humanidade.

RF – Independentemente de Cooper e Lear, de onde tiraste a tua convicção do pacto entre ETs e humanos safados?

EB – Conhecendo bastante bem um plano geral que está em andamento há milhares de anos. Tenho me apercebido dos interesses em jogo e que são da ordem econômica, militar, política, religiosa, filosófica, científica, mágica, ocultista, sociológica etc. A partir da manipulação disso tudo, pode-se conhecer o que o Governo Invisível pretende e sempre pretendeu: a hegemonia mundial absoluta. E para tal, nada melhor do que os alienígenas aliados deles! Sempre confundimos esse Governo Invisível ou clandestino com uma Fraternidade Branca com uma Shamballa, com Agartha, mas essas não tem nada a ver com isso. Forças ocultas nefastas do além e do aquém movem o mundo há centenas, senão há milhares de anos. E essas forças tanto pertencem aos falsos deuses, a Golem, Moloch, Molokron, a ETs tenebrosos, como pertencem a humanos, em momentos senhores e em outros servos daqueles. É a velha luta entre Deuses inseridos na Lei e Demiurgos fora da Lei, ambicionando o Poder. O homem comum infelizmente, fica no meio, como nas duas últimas guerras mundiais, e sempre leva a pior. Não poucos humanos gananciosos são aliados dos demiurgos há já muito tempo.

RF – Mas esse acordo secreto justificaria toda uma série de fatos aterradores, supostamente causados por determinados extraterrestres, como as desaparições misteriosas de seres humanos, mutilações inexplicáveis de animais, abduções de mulheres e homens por OVNIs e que depois são devolvidos totalmente perturbados.

EB – Que o acordo propriamente dito tenha a culpa do que vem acontecendo na Ufologia, duvido; mas que ele entreabriu a porta, entreabriu. Só que os poderosos dos governos não suspeitavam – e quem sabe sequer os líderes do governo invisível suspeitavam – que com essa abertura de leve, as portas iriam se escancarar, favorecendo as patifarias de certos notórios ETs vampiros, de certas larvas, de certas “máquinas” ávidas de sangue. Muitos estudiosos do assunto sabem que esses acordos não somente permitiram que alguns ETs, e que depois se revelaram insidiosos, se instalassem no nosso meio, como inclusive lhes foi concedida certa liberdade para fazer as experiências que lhes conviessem, em troca de favores e avanços técnicos. Esses mesmos ETs, aliás, velhos aliados do Governo Invisível ou clandestino, sempre estiveram aí. O que faz pensar então que tais coisas já vinham acontecendo há muito tempo, só que de modo mais brando e bem disfarçado. As velhas bruxarias e os diabos teológicos levavam a culpa. Tais ETs nos tempos que correm, infelizmente, estão exagerando na medida. Ninguém mais os segura. Entrementes, o que o Governo Invisível está fazendo com suas Alternativas l, 2 e 3, com sua franca difusão das drogas, com o contrabando de armas sofisticadas, com corrupções generalizadas, com desgovernos provocados no terceiro mundo, com inflações totalmente camufladas, com recessões, com misérias agudas, com fome generalizada como as da África, com futuras leis marciais etc. etc. isso meu amigo é muito pior.

RF – Duas raças supostamente extraterrestres, os reticulianos e os rigelianos (além dos reptilianos) estariam atrás dessas operações e acordos secretos. Quem te garante que sejam elas mesmas as que estão fazendo tudo isso?

EB – As palavras reticulianos, rigelianos, reptilianos, e até mesmo procionianos (ou tipo humano, nórdicos) foram inventadas pelos homens, por certos estudiosos de Ufologia. Não sei quantas raças de ETs nefastos existem, mas um tipo cinzento, e que o homem chamou de reticuliano, é o que geralmente prevalece quando se trata de descrever horrores e circunstâncias desagradáveis na Ufologia. Suspeito que dentre as centenas de tipos de ETs já vistos – (vistos pelo conhecimento indireto e enganador do homem e, portanto, ETs mal descritos; ou quem sabe, alienígenas que nos enganam por causa de nossa precariedade perceptual) – possível seria formar três grupos, sem cair no maniqueísmo do bem e do mal, ou seja: os benevolentes, tolerantes e que talvez tentem nos ajudar (os procionianos, quem sabe!), Os neutros e que às vezes se confundem com máquinas, robôs, andróides, clones, e os nefastos que precisam nos vampirizar e sugar tudo o que fortaleça e garanta a sobrevivência deles… Temo que estes últimos sejam a maioria… O relatório Matrix aponta os reticulianos, os rigelianos e os procionianos como sendo os extraterrestres que mais nos visitam e atuam no nosso meio. Suspeita-se também que as potências mundiais do primeiro mundo foram levadas a fazer acordos com reticulianos e rigelianos,. Os procionianos ou os tipo venusino de George Adamski sempre foram rechaçados pelos governos em geral, não se sabe porque e sempre foram vistos como seres criados pela imaginação humana. (É que esses tais se confundem com os alemães, e por conseguinte com os nazistas que fugiram após a WW2). Adamski, no caso, era o pai dessa imaginação, com propensões místicas. É claro que atrás desse rechaço forçado e imposto estava o próprio Governo Invisível… Por outro lado, levando em consideração os diversos relatos  e raptos acontecidos, as vítimas geralmente ou descrevem extraterrestres tipo reticuliano, ou senão tipo rigeliano, mas estes bem menos, reforçando sobremaneira a tese das experiências terríveis que tais alienígenas estariam levando a cabo com homens e animais. Por outro lado, não se tem notícias de encontros com procianianos (ou tipo venusino) e que para o contatado tenha resultado em violências e traumas… Posso estar enganado, pois não é possível memorizar todos os contatos de terceiro, quarto e quinto grau que já aconteceram com ETs, no mundo inteiro.

RF – Esses reticulianos e rigelianos teriam eles entrado no cenário terrestres somente após a Segunda Guerra Mundial? Ou melhor dito, somente depois de 1947?

EB – Ai amigo, indiretamente estás me obrigando a tocar num assento delicado. Bem, lá vai, paciência! De fato, certas coisas precisam ser ditas! Como antes sugeri, muito antes de 1947, digamos milhares de anos atrás, certos membros ativos do que hoje mal se suspeita existir como governo invisível já eram aliados de certos extraterrestres. Quero crer que eram aliados de ETs nefastos. Só que estes dificilmente se faziam presentes na superfície do globo. A modo de dizer, viviam invisíveis ou semi-invisíveis em planos imediatos ao plano-Terra. Eles, tranqüilamente sempre efetuaram o comércio do troca-troca… Ou seja, certos bruxos, certos religiosos de mau caráter, sempre estiveram fazendo sacrifícios, geralmente sanguinários, sempre praticavam rituais a favor de tais ETs e que eram vistos como pretensos santos, deuses, guias, líderes de falanges, de egrégoras etc. E estes, em troca, obsequiavam favores e poderes para os seus eleitos, escolhidos ou ritualistas. Talvez alguns do Governo Invisível atuassem assim e tirassem proveito disso. Assim que os pactos ou acordos entre ETs nefastos, necessitando de sangue, hormônios, órgãos, humores, sentimentos, emoções dos seres vivos já são bem antigos. Eles sugam tudo.

RF – Por que razão esse acordo entre ETs cinzentos e grandes Potências, direcionadas por um pretenso governo invisível só foi posto em prática mais intensamente nos últimos anos, digamos, após a Segunda Guerra Mundial.

EB – Vou contar uma piada que parece verdade ou uma verdade que parece uma piada. Conforme ensina a tradição milenar e o próprio Apocalipse, milhares de anos atrás houve um terrível confronto de ETs no céu, confronto que se refletiu na superfície terrestre, de modo catastrófico. Um grupo de ETs benevolentes ou da Luz, capitaneados por alguém, e obedecendo ordens do Centro da Vida, vieram dispostos a eliminar (ou a expulsar) dos céus e da superfície da Terra o Demiurgo usurpador,  e seu 1/3 de estrelas (ou ETs nefastos, asseclas, seguidores ou até mesmo outros demiurgos mais). Este Demiurgo usurpador, tomando o lugar do Absoluto, do Ser Primevo, do Deus Pai-Mãe, muito antes fez-se passar pelo deus único, criador do céu e da terra, e que todos deviam obedecer e temer. Em verdade sempre foi e é um farsante, um Titã inimigo dos homens. E tal como conta o Gênesis, em que Abel é atraído para fora por Caim e depois é traído e morto, esse mesmo líder e seus ETs de boa vontade, de algum modo, foram enganados pelo Demiurgo. Tiveram que parar de guerrear contra as hordas do Demiurgo, porque quem estava sendo prejudicado, como de hábito era o homem da superfície terrestre. E, bloqueados,  não puderam voltar às suas origens. Para evitar o pior, “esses ETs benevolentes tombaram na superfície terrestre”, em pontos especiais e se esconderam por um tempo ou Era. Esses mesmos que se esconderam em algum lugar da terra, como os tempos haviam chegado, por amor ao homem, resolveram reaparecer na superfície. Determinados extraterrestres não derrotados, mas que por força das circunstâncias se ocultaram em mundos subterrâneos e plataformas submarinas, simplesmente resolveram voltar. Juntamente com o retorno à superfície desses, também voltaram a aparecer outros ETs cósmicos, Filhos da Luz, que se situavam muito além do escudo isolador que o Demiurgo havia levantado ao redor da Terra. Com esse aparecimento repentino de ETs positivos do muito além, e os aqui escondidos, o Governo Invisível ou clandestino se apavorou, pois estes, mais, digamos os reticulianos do além, aliados destes, eram inimigos milenares de todos esses outros ETs provavelmente positivos e inclusive inimigos da própria humanidade, que por eles todos sempre foi considerada um pasto aprazível.

RF – Na semana passada, saiu uma grande entrevista na Revista Veja, com Peter Ward, famoso astrônomo, astrofísico norte-americano, o qual afirma, após profundos estudos e pesquisas científicas, que fora do Planeta Terra não existe vida. Sendo ele um renomado cientista que fala assim, num quase coro com os demais colegas de astronomia, o que sobra então para os leigos, para quem não é especialista de astronomia, para os que pretendem ser exobiologistas etc? Por um mero acaso, só a Terra teria vida? E se não existe vida em parte alguma, para que a ciência astronômica, astrofísica vem gastando tanto dinheiro com pretensas conquistas do espaço, viagens para a Marte, para a Lua, com radiotelescópios tipo Arecipo e outros mais?

EB –  Sinceramente, malgrado a pretensa seriedade, certos astrônomos deveriam se aposentar ou deveriam ser aposentados. Que nessa visão científica de Marte ou nesse modelo de universo científico não existe vida até dá para acreditar. No caso contudo também se deveria dizer que o que de fato não existe é exatamente esse universo científico, malgrado o falso universo sempre aparece, e que no seu lugar desse universo há Algo mais, o Desconhecido, por exemplo. Conheço bem a pretensa seriedade científica, conheço bem as aludidas provas, a metodologia utilizada para arrancar verdades de um perfeito faz-de-conta.

Por exemplo, eu, feito um cientista ou feito um astrônomo não posso afirmar categoricamente que na minha versão de um Marte científico, ou seja qual for o planeta, não exista vida, e sequer restos de vida que talvez possa ter se existido milhares ou senão milhões de anos atrás. Feito um ufólogo também não posso afirmar categoricamente que no planeta Marte, sinceramente descrito por um pressuposto alienígena autêntico,  existe vida por que ele mo disse. Tampouco posso afirmar que num hipotético Marte astralino há vida só porque um pretenso espírito do além, tipo Ramatis, descreveu tal vida, por meio de um médium ou sensitivo. Mas então, se nem o cientista, nem o ufólogo e nem o místico têm razão quem a tem? Digo eu, como a nossa percepção comum e científica está distorcida, como a nossa possibilidade de conhecer não leva a coisa alguma, e quando muito forja ficções e inventa estórias, então ninguém tem razão de coisa nenhuma. Só terá razão aquele que vivenciar o fato e se Aqui e Agora nesse fato couber um planeta Marte, nessa vivência estará a razão.

Os radiotelescópios foram forjados para que a ciência moderna provasse aos contribuintes otários, aos pagadores de impostos, que ela faz alguma coisa de útil, ou senão para pretensamente provar que existem planetas com vida inteligente, planetas que emitem sinais de vida, que existe atividade inteligente perfeitamente captável por meios luminosos e sonoros. Para os UFOs que rolam aos milhares, por aí e inclusive se comunicam, tais astrônomos não dão a mínima importância, mas para captarem falsos sinais de vida a bilhões ou trilhões quilômetros de distância, esses gênios da ciência moderna tudo gastam, em tudo se aplicam. Eles acham que tais radiotelescópios lá pelas tanta inclusive poderiam permitir um intercâmbio de inteligência e informações, pois sim. Custaram uma fortuna, e no entanto, qualquer gaiato em ciência, num paradoxo completo, vem e afirma que não há vida igual a da Terra em nenhum outro planeta. Face a esse paradoxo, as opiniões dos ufólogos são bem menos dispendiosas.

RF –  Existe uma imensa presença diante de nossos olhos extasiados que chamamos céu estrelado. Até quinhentos anos atrás, de todo  este céu a Terra era o ponto central. Todo o resto girava ao redor. Depois vieram os precursores da ciência, Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, e a Terra de central passou à condição periférica. Transformou-se num insignificante terceiro planeta de um banal sistema solar qualquer. O Sol ficou central. De lá para cá, o universo foi-se complicando até o infinito. Bem, mas o Atual modelo científico de universo é de absoluta confiança? Pode-se crer absolutamente nele, ou alguma coisa aí nos estaria enganando, como no tempo do geocentrismo?

EB – Para escândalo de alguns, o atual modelo científico de universo não é algo absolutamente verdadeiro, no qual se possa confiar. Meus amigos, o universo científico nunca falou de por si, nunca provou nada por si mesmo, quem fala por ele é sempre o homem mal pensante, seja este uma pessoa comum, seja este um cientista, seja um contatado, seja um místico, seja um sensitivo. E mesmo que se tente provar que o universo científico é verdadeiro, em realidade aí apenas estão se armando causas e condições que resultam numa ilusão perceptual. Tudo obedece à Lei da Geração Condicionada. (Isto sendo, em pensamento, aquilo aparecem, aquilo se objetiva, aquilo se concretiza se para tal eu executar o ato intencional… E mais) Sou eu que te vejo, ó universo de araque, e vendo-te, me vejo, e vendo-me te faço! Por outro lado, no nosso íntimo existe uma poderosa ferramenta pretensamente perceptora chamada avidya (ou ignorância-ego-pensamento primordial) mas que em verdade distorce tudo o que se coloca na frente dela. Por sua vez, fora de nós existe uma Realidade Desconhecida e que Aqui e Agora só se revela àquele que consegue Vivenciá-la, num Saber-Sentir-Intuir autêntico. E se não for assim, quando a ignorância em nós encara Realidade Cósmica a transforma em mentira, num faz-de-conta, em aparência, ilusão ou em Maya, como dizem os orientais. É por isso que o universo objetivado não é uma realidade lá adiante, em sejam quais forem as versões, não importa se geocentristas, heliocentristas, materialistas, idealistas, animistas etc. etc. Tal máquina universal é um embuste total, é  uma completa  interdependência entre pessoa pensante e objeto pensado.

RF –  A Astronáutica moderna mandou foguetes e sondas para todo o sistema solar, e conforme informam os donos do poder e, por conseguinte os donos da verdade científica, da “verdade conveniente” não há vida nos demais planetas do sistema solar. Parece não haver vida também no tal sistema solar próximo da terra, chamado Alfa Centauro e que estaria a uma distância de 4,3 ou 4,5 anos luz.. Mas e aí de onde vem os tais de discos voadores? Ou será que tais discos não existem e nunca existiram?

EB – Pergunta inteligente mas capciosa. Por causa dela serei obrigado a fazer afirmações diferentes, terei que apresentar teses a respeito da eventual origem dos UFOs. No fundo porém abomino teses, antíteses e sínteses. Mas apesar disso, os discos voadores têm que provir de algum lugar ou senão teriam que provir.

Amigos, um lugar nos dá uma idéia quase clara de espaço e, por conseguinte de tempo. Com isso esses dois embustes universais chamados espaço e tempo físicos se assentariam em termos absolutos, como vêm fazendo a milhares ou milhões de anos. Nós seres humanos vivemos na Terra que seria um pequeno lugar do universo científico. Eles, ETs morariam em outro lugar, em outro planeta desse mesmo universo científico. Segundo a ciência, o Universo científico é constituído e trilhões de trilhões de lugares geométricos-espaciais. Mas será mesmo? Paradoxalmente, porém a ciência, para desgraça nossa, prova que não há planetas habitados. Tal “maravilhosa” conclusão, evidentemente é alcançada por um modo de pensar vergonhosamente deturpador, ou seja, pela inferência, pela elucubração adoidada e por conclusões estapafúrdias. Mas e se os UFOs não viessem  de nenhum lugar do universo científico? Digamos que eles não conhecessem os lugares geométrico-espaciais do conhecimento humano!? E se eles simplesmente vêm de outros planos de vida, que não planetas, que não lugares falsamente físicos? Se tais UFOs vierem de outras dimensões que nada tem a ver com a nossa pobre e miserável prisão tridimensional? E se eles são um ponto-instante, ou seja, moram num ponto-instante luminoso, num Aqui e Agora suis generis, que de repente vira um plano existencial, um planeta, um palco de vida etc, a partir do qual eles saem e conseguem se intrometer no nosso meio, manipulando para tal a nossa triste e porca tridimensionalidade, adaptando-se a ela? Tudo isso é delírio minha gente? Delírio absoluto e total, porém, é o modelo científico de universo vigente por meio do qual cientistas e astrônomos arrotam à vontade. Não estou impondo nenhuma tese, e nem quero que tomem defesa do que sugiro ou digo, pois não vale a pena. Minhas palavras, como as de qualquer um “são fantasmagóricas rainhas que criam e matam a outros fantasmas” Amigos, face à evidência gritante dos UFOs e suas intromissões ininterruptas no nosso meio, há já milhares ou milhões de anos, só se pode sugerir, sem nada impor, que eles são extra-situacionais e não extraterrestres. Ou seja, quem sabe, quem sabe, o Cosmo verdadeiro, ao invés de ser constituído de planetas, satélites, sistemas solares, galáxias, nebulosas, buracos negros, quasars, anos luz a serem suplantados e o escambau, pode ser constituído de situações existenciais especiais e que chegam até nós sob a forma de ponto luminoso. Este ponto contudo dilata, encolhe, se aproxima, se afasta, se funde com o nosso meio, simplesmente desaparece etc.etc. Nenhuma certeza amigos, nenhum dogma, apenas conversa bem temperada ou papo de maluco, como diria um senhor Renato Azevedo

RF – Newton, com sua pretensa descoberta da Lei da Gravidade e seu implante, já no seu tempo, transformou o Universo numa verdadeira máquina. E preocupado com isso, arremedou que o Deus, ele a  pessoa bíblica, o criador de tudo, estava fora dessa máquina astronômica, daí ele ou os companheiros dele terem dito que Deus é um Deus ex-máchina. Isto é, que Deus estava  fora da máquina, estava  fora da engrenagem que o pensamento de Newton & Cia forjou. A objetividade universal atualmente se complicou de tal maneira e ficou tão imensa que as idéias, as concepções humanas de Deus criando universos de fato não cabem mais. Quem criou esse universo, deus ou o pensamento humano, pretencioso e delirante?

EB – Escândalo dos escândalos! “Prendam esse homem pois ele está maluco e quer prejudicar nossas instituições tão sagradas e tão proveitosas, pois nos propiciam tanta riqueza e fama!” Qualquer falso puritano, falso cientista, verdadeiro cientificista, cientificóide poderia pensar assim ou poderia gritar assim. Amigos, nunca houve uma criação do mundo, do universo, no espaço e no tempo, primeiro porque estes dois últimos não existem como a astronomia e a física humanas acreditam que sejam. Não existindo espaço, tempo, matéria, energia, plasma, nunca houve também um recipiente prévio, no qual um deus pessoa, barbudo e decorador de bíblias, por meio de taumaturgias começasse a criar o mundo, o sol, a lua, a vida e o homem. Tampouco houve um muito mais ridículo deus acaso da ciência que por meio de uma brutal mentira tipo Big-Bang tenha dado origem à vida, graças ao funcionar de leis físico-químicas-matemáticas que ninguém sabe como vieram a ser,  a existir,   nem como conseguem criar e conseguem fazer funcionar alguma coisa. Sem impor tese nenhuma, nem conceitos, nem proposições, sugira-se apenas sugira-se, sussurrando, que o Absoluto, que Deus Vivo, Aqui e Agora, livre de espaço, tempo, livre de falsa matéria, falsa energia e falso plasma, Manifesta-se feito Vida, feito Cosmo, e que Aqui e Agora toda essa Manifestação Divina e Extraordinária, também escondida no Coração do Homem, se renova de momento a momento. Por conseguinte nessa Manifestação em constante renovação nada há que uma ciência possa descobrir a nível físico, a nível astronômico, químico, bioquímico, biológico, existencial. E o que a ciência diz descobrir em verdade ela apenas forja, engendra. Tudo o que é descoberto e provado, isso sempre é inventado pelo pensamento humano, o que já é um grande mérito, mormente se determinada forjação manifestar algo positivo e construtivo.

RF – A cada dois minutos ou segundos na superfície da Terra são vistas ou constatadas as mais diferentes presenças celestes, entre as quais os Objetos Voadores não Identificados. Digamos que só 10% disso sejam discos voadores. Se a Terra é o único planeta habitado e está isolado do resto do cosmo, de onde vem tantas presenças anômalas que longe estão de se igualarem a aviões de carreiras?

EB – Essas presenças vêm das infinitas possibilidades do Cosmo Verdadeiro e não necessariamente do universo científico e respectivo modelo. Copérnico-Kepler-Galileu, no século XVII apenas forjaram seu próprio universo quantitativo, Newton o sacramentou por meio de fórmulas físico-matemáticos, e depois disso tal modelo de universo se complicou e entrou em inflação galopante. O universo proposto por esses gênios do pensamento humano é apenas um universo quantitativo e este tinha que entrar em inflação. Brevemente entrará em colapso. A Ciência Moderna se implantou no século XVII graças a essa pretensa revolução astronômica, e eu acho que haverá de modificar-se ou tornar-se uma Ciência científica-filosófica-espiritual graças a outra modificação da concepção astronômica. Certamente quando Jesus, o Mestre da Galiléia disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas ou muitos quartos”  estava-se referindo a um Cosmo Autêntico, a um universo qualitativo e não quantitativo, malgrado a frase de Jesus também sugira o lado quantitativo. Sucede porém que “casa e quartos” é algo muito íntimo, muito emocional, muito qualitativo e não quantitativo. Não há nada mais sagrado do que o próprio lar. Só uma casa paterna com muitas moradas encerra infinitas possibilidades cósmicas e existenciais. E desta devem provir os UFOs benevolentes, neutros e até mesmo prejudiciais. E a propósito, os monstros que há milhões de anos tomaram conta da Terra vieram de um anti-universo, vieram da sombra da vida, de um horroroso poço sem fundo, e esses dominam o mundo, e para desgraça nossa, inclusive se intrometem e nos insuflam arremedos de sabedoria, para que essa coisa notável chamada ciência, que derrotou em definitivo as proposições da teologia católica e de alguma maneira eliminou a inquisição, acabe se deturpando até o extremo por simples exageros, falsas certezas absolutas e distorções..

RF –  Dr. Bono, em seu livro A Grande Conspiração Universal, o senhor escreve: Eles estão aqui há muito tempo e brigam entre si. O ser humano desavisado está inserido entre dois fogos. Precisamos surpreender quem são os extraterrestres realmente favoráveis ao homem, quais são os neutros e quais os alienígenas nefastos, sem nos comprometer e sem sairmos prejudicados nessa investigação. E principalmente, para que melhor se entenda a temática ufológica, ela tem que se divorciar das idéias científicas de espaço, tempo, matéria, energia, plasma, evolução, porque os paradigmas ou os modos de conhecimento de que os alienígenas se valem são completamente outros. Os ETs não abusam do pensamento como nós. Sentem-e-Sabem que podem fazer determinadas coisas e simplesmente as fazem. Talvez de modo mais mágico do que lógico. Todos esses aspectos têm que ser levados em conta na Ufologia para que alguma luz vingue numa temática tão ambígua. A Ufologia não pode fundamentar-se nos erros da astronomia.

EB -Está muito bem dito, nada a acrescentar.

RF – Os grandes inimigos das viagens espaciais ou astronáuticas são o espaço e o tempo. A matéria, a energia e o plasma até que não são tanto. As distâncias entre os planetas do sistema solar são enormes. Contam-se em bilhões ou trilhões de quilômetros e até em quatrilhões. Entre sistemas solares, então as distâncias são um horror. São medidas em anos luz. A distância que permeia o sistema solar e outro sistema solar mais próximo, e que é o Alfa-Centauro é de 4,3 a 4,5 anos luz.

Um ano luz tem aproximadamente 39 trilhões de quilômetros. Os sistemas solares de nossa galáxia via láctea, digamos as plêiades, ou zeta retículo estão a mais de 100 anos luz de distância. De que maneira ETs ou até mesmo terrestres superariam essas distâncias impossíveis de suplantar?

EB – Quando a ciência astronômica se depara com essas fantásticas distâncias em trilhões de quilômetros tem toda a razão em dizer que os UFOs não existem. Só que eles não se deram conta de que o espaço é uma mentira, o tempo físico também, de que a velocidade da luz em 300.000 km por segundo é um engodo, de que tais distâncias são um absurdo, de que o universo que eles enfocam é apenas uma recriação de suas próprias cabeças. Eles utilizam uma cabeça, um cérebro (tudo mentiras reinventadas), quando em verdade eles utilizam uma mente não material e um pensamento calhorda para perceber e conhecer o que no fundo e em última instância nunca souberam o que era isso. Confiaram em tal enigma perceptor e conhecedor e nunca quiseram ouvir os avisos de outras maneiras antigas de conhecer que já alertavam: “Homem, homem cuidado com o pensamento, porquanto ele é um ótimo servo, um ótimo criado, mas é um péssimo senhor. Se fizeres de teu pensamento (raciocínio, intelecto, falsa percepção) um senhor, ele virará um tirano e te esmagará sempre.” Sim, pois o homem não é só mal pensar, mas é principalmente Saber-Sentir-Intuir. “Homem, homem, antes de forjar lorotas e extrojetá-las diante de ti feito um cientista, conhece-te a ti mesmo! Porquanto se te autoconheceres em profundidades, Saberás quem és, de onde vieste e para onde vais. Surpreenderás o trapalhão e salteador ou o ego-pensamento, no teu próprio íntimo forjando mentiras e ilusões com a finalidade de subjugar e dominar o Verdadeiro Homem em ti. Autoconhecendo-te saberás quem é Deus e o que a Vida ou o Universo dentro e fora de ti!”

RF -Enrico Fermi, um dos pais da bomba atômica, pois foi o primeiro a fissionar o átomo em laboratório, como bom cientista descrente que era e em relação aos discos voadores, na década de 1950-1960 declarou: “Não existem seres inteligentes extraterrestres na Terra, agora. Se houvesse outras civilizações inteligentes na via láctea, mais cedo ou mais tarde, elas teriam dominado as viagens interestelares, tendo explorado e colonizado a Galáxia. Como eles não estão aqui e agora, eles não existem!” Este é chamado o paradoxo de Fermi, por meio do qual cientistas e astrônomos acreditam silenciar os argumentos dos ufólogos.

EB – Enrico Fermi não suspeitou o horror que ia desencadear com a sua maneira de pensar e de agir, e que dizem ter sido uma maneira científica de atuar.Ou seja, ele, grosso modo, teria conseguido fissionar o átomo de plutônio, urânio, ou sei lá qual, para que daí aparecesse  a explosão atômica. Em verdade ele apenas pôs a Lei da Geração Condicionada em funcionamento como nunca, e incidiu num campo virgem de forjações e manipulações mentais. Daí então saltou fora o seu átomo, as suas pretensas fissões, as suas explosões e tudo o mais, pois sou eu que te vejo, ó átomo de merda, e vendo-me, te vejo, e vendo-me, te faço!” Isto é, sou eu que te vejo, ó átomo de merda, pois eu e tu, em verdade somos não dualidade, não separação, somos unidade. Somos um imã, eu, a  parte pensante, sou o pólo A e tu, a  parte pensada,  és o pólo B. E vendo-me objetivado feito um tu, feito um falso átomo pensado, em realidade me vejo, e vendo-me diferenciado feito um tu, feito um falso átomo, vejo-me obrigado a agir por meio do método científico de experimentação e com isso te faço, te engendro, ó desgraceira, ó poluição máxima, ó imbecilidade atroz!

Enrico Fermi, estimulado pelas pretensas descobertas de Einstein e pela sua fórmula E = mC2 apenas pós a Lei da Geração Condicionada em funcionamento e alcançou um assombro de fruto. “Isto sendo, em pensamento, aquilo aparece, aquilo se sobrepõe, aquilo se objetiva, se concretiza, se para tal eu executar o ato intencional da metodologia científica experimental. Isto não sendo pensado, aquilo não aparece, não se objetiva, não se concretiza porque para tal não somente não penso como inclusive não faço absolutamente nada.”   “O Paradoxo Verbal de Enrico Fermi”,  por meio do qual não poucos astrônomos desavisados tanto se ufanam, é puro verbalismo fútil, conversa fiada extremamente requintada e intelectual. Minhas colocações também podem ser pura conversa fiada, por que não? Seres inteligentes em outros planetas, na via láctea, dominando o espaço e o tempo e superando distâncias impossíveis, para finalmente nos dominar é um absurdo total, é contradição completa,  é pura conversa fiada, malgrado haja alguns ETs safados, sim, ou extra-situacionais que nos dominam. Só que estes provêm de outras condições existenciais, e estão saturados por um espírito de porco incomparavelmente maldoso ou são verdadeiros demônio, sui generis.

RF – Se a presença dos UFOs na Terra é uma aberração, porque então os poderosos do mundo, o governo norte-americano, principalmente já em 1947, 1948 criaram o projeto Sign (projeto sinal), que evoluiu para o Projeto Grudge (projeto ressentimento), no qual foi elaborado o famoso livro Yellow Book onde se registraram as conversas dos ETs. Porque foi criado o Projeto Blue-book, com suas equipes idiotas, outrora tão conhecidas na televisão brasileira? Por que e para que foram criadas a antiga CIA e a atualíssima NSA (National Security Agency). Por que foram criados o Conselho de Segurança Nacional, o MJ-12, o projeto Red-Light, Snowbird etc.

EB – A hipocrisia das autoridades constituídas mais a do Governo Invisível é tamanha que preenche completamente o universo científico ou o seu pressuposto espaço físico. Por exemplo, a turma governamental do presidente Truman de 1947, quando o acontecimento de Rooswell escorregou e quase se tornou de público conhecimento, correram apressados para tapar o sol com a peneira e aí criaram o Projeto Sign, o Projeto Grude, que iam estudar o vôo das borboletas (ou UFO), igual à expedição da Antártida em que o almirante Bird foi caçar pingüins na Nova Suábia do Pólo Sul. Foi criada nada menos do que a CIA, existente na ocasião só para estudar o escândalo dos UFOs e capturar qualquer objeto voador caído e respectivo tripulante. Depois, a CIA evidentemente evoluiu e se transformou na atual agência de espionagem safada e criminosa. Foi criada essa coisa incrível que praticamente quase suga todas as verbas do mundo ocidental, (Verbas do terceiro mundo, de preferência), ou seja a SNA que lida com os mais incríveis aparelhos eletrônicos só para espionar as mensagens excepcionais saídas de UFOs, ou senão dos meios de comunicação antigos ou também de todos os meios eletrônicos atuais. Tal Security National Agency, via Mossad, pretende inclusive dominar completamente o mundo. E já falam em holocaustos psicotrônicos.

RF – Afinal, existe ou não existe vida fora deste nosso planeta de dor e sofrimento? Houve ou não houve um criador para o milagre chamado Vida? O Universo tem que ser realmente a gigantesca e absurda máquina apontada pela ciência, ou quem sabe ele é algo bem diferente. Ao invés de estar saturado de mundos-bola, opacos ou incandescentes, girando de lá para cá, ou de cá para lá não poderia estar saturado apenas de ilhas-situações existenciais? E se este outro universo não científico não dependesse nem do espaço nem do tempo, aí a impossibilidade de viajar pelo cosmo persistiria? Os ETs ao invés de extraterrestres não poderiam ser extra-situacionais?

EB – Bem,  mas esta última pergunta praticamente constitui um resumo de todas as respostas que eu dei. Não se diga porém que outra vida tem que existir fora deste nosso planeta de dor e sofrimento. Esse fora só pode traduzir o universo científico, e este último já ficou mais ou menos evidente que quem sabe não passe de um engano, de uma distorção e talvez sequer exista. Grosso modo, por nossa própria culpa e devido à nossa maneira de mal pensar e pior agir, é que parece estar lá fora, quando o Universo Real deveria estar centrado a Algo mais Verdadeiro. Assim que este nosso mundo supostamente situado nas trevas exteriores, de modo positivo e excepcional só poderia receber visitantes não de trevas mais exteriorizadas ainda (ou espaço científico) e sim de planos existenciais mais equilibrados, de situações cósmicas mais harmônicas e mais centralizadas ao Coração da Vida

Entrevista ufológica com Ernesto Bono, feita por Daniel Rebisso

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/

A Verdadeira História do Necronomicon

“basta que um livro seja possível para que exista.”
– Jorge Luis Borges

Escrevendo sonhos…

 

Dentro dos contos que formam o Mito de Cthulhu, o leitor se depara com duas dimensões: o mundo humano normal e o Exterior infestado. É a tensão ontológica entre essas duas dimensões que dá poder ao Realismo Mágico Lovecraftiano. Apesar de Cthulhu e seus amigos possuírem aspectos materiais, a sua realidade é horrenda quando paramos para escutar o que ela diz a respeito do universo. Como o estudioso de Lovecraft, T.S. Joshi observa, os narradores dos contos de Lovecraft freqüentemente enlouquecem “não por causa de qualquer tipo de violência física nas mãos de entidades sobrenaturais, mas pela mera realização da existência de uma tal raça de deuses e seres”. Diante de “reinos cuja mera existência atordoa o cérebro”, eles experienciam graves dissonâncias cognitivas – precisamente os tipos de ruptura desorientadoras buscadas pelos magos do Caos.

O jogo RPG “O Chamado de Cthulhu” expressa maravilhosamente a violência desta mudança de paradigma Lovecraftiana. Em jogos de aventura como “Dungeons & Dragons”, uma das medidas mais significativas do seu personagem são seus pontos de dano – um número que determina quanto de punição física seu personagem pode receber antes de se ferir ou morrer. “O Chamado de Cthulhu” substitui esta característica física pela categoria psíquica da sanidade. Encontros face-a-face com Yog-Sothoth ou os insetos de Shaggai tira pontos de sua sanidade, e o mesmo acontece com a sua descoberta de mais informações sobre os Mito – quanto mais você descobrir a partir de livros ou cartas astrológicas, maior a chance de você acabar no Asilo de Arkham. Poder mágico também vêm com um preço irônico, um preço diante do qual os magos lovecraftianos deveria se acautelar. Se você usar qualquer um dos rituais presentes no De Vermis Mysteriis ou nos Manuscritos Pnakóticos, você necessariamente vai aprender mais sobre o Mito e, assim, perder mais um pouco da sua sanidade.

Os heróis acadêmicos de Lovecraft investigam o Mito não apenas se utilizando de leitura e pensamento mas também de movimentos através do espaço físico, e esta exploração psicológica atrai a mente do leitor diretamente para o loop. Normalmente, os leitores suspeitam que a verdade sombria do Mito enquanto o narrador ainda se apega a uma atitude cotidiana – uma técnica que sutilmente força o leitor a se identificar mais com o “Exterior” do que com a visão de mundo convencional do protagonista. Sob um ponto de vista mágico, a cegueira dos heróis de Lovecraft corresponde a um elemento crucial da teoria ocultista desenvolvida por Austin Osman Spare: o de que a magia age sobre e contra a mente consciente, que o pensamento comum deve ser silenciado, distraído, ou completamente perturbado para que a vontade ctônica possa se expressar.

Para conseguir invadir nosso plano, as entidades Lovecraftianas precisam de um portal, uma interface entre os mundos, e Lovecraft enfatiza dois: livros e sonhos. Para invadir o nosso avião, entidades de Lovecraft precisa de um portal, uma interface entre os mundos, e Lovecraft enfatiza dois: livros e sonhos. Em “Sonhos na Casa da Bruxa”, “A Sombra Fora do Tempo” e “A Sombra sobre Innsmouth”, sonhos infectam seus hospedeiros com uma virulência que se assemelha às posses psíquicas mais evidentes que ocorrem em “O Assombro Nas Trevas” e o “Caso de Charles Dexter Ward”. Como os próprios monstros, os sonhos de Lovecraft são forças autônomas rompendo do Exterior e engendrando sua própria realidade.

Mas esses sonhos também evocam um “Exterior” mais literal: a estranha vida de sonhos do prórpiro Lovecraft, uma vida que (como o fã informado sabe) inspirou diretamente alguns de seus contos. Semeando seus textos com seus próprios pesadelos, Lovecraft cria uma homologia autobiográfica entre ele e seus protagonistas. As próprias histórias começam a sonhar, o que significa que também o leitor situa-se no caminho da infecção.

Lovecraft se coloca em seus contos devárias maneiras – os protagonistas em primeira pessoa refletem aspectos de seu próprio estilo de vida recluso e livresco, a forma epistolar do “Um Sussurro nas Trevas” ecoa seu próprio compromisso com a troca regular de correspondência; nomes de personagens são tirados de amigos e a paisagem da Nova Inglaterra que é a sua própria. Esta auto-reflexão psíquica parcialmente explica por que os fãs de Lovecraft geralmente tornam-se fascinados com o próprio homem, um solitário recluso que tinha a correspondência como forma de socialização, exaltava o século XVIII e adotou a aparência e os maneirismos de um velho ranzinza. A vida de Lovecraft e, certamente, sua volumosa correspondência pessoal fazem parte de seu Mito.

Desta forma, Lovecraft solidifica assim sua realidade virtual ao adicionando elementos autobiográficos ao seu mundo compartilhado de criaturas, livros e mapas. Ele também cria uma aura de documentário ao tornar seus contos mais densos com manuscritos, recortes de jornais, citações eruditas, entradas de diário, cartas, e bibliografias que listam livros falsos ao lado de clássicos reais. Tudo isso produz a sensação de que “fora” de cada conto indivídual encontra-se um mundo meta-ficcional que paira à beira do nosso próprio, um mundo que, como os próprios monstros, está constantemente tentando romper nossa realidade para se tornar atual. E graças aos escritores que expandiram o Mito, aos RPG’s e magos sinistros, ele está conseguindo.

 

… e sonhando o Livro

 

Em “A Sombra Fora do Tempo”, Lovecraft torna explícita uma das equações fantásticas que impulsiona seu Realismo Mágico: a equivalência entre sonhos e livros. Por cinco anos o narrador, um professor de economia chamado Nathaniel Wingate Peaslee, é tomado por uma misteriosa “personalidade secundária.” Depois de recuperar sua identidade original, Peaslee é atormentado por sonhos poderosos em que ele se encontra em uma cidade estranha, habitando um enorme corpo brotando repleto de tentáculos, escrevendo a história do mundo ocidental moderno em um livro. No clímax do conto, Peaslee viagensja para o deserto australiano para explorar ruínas antigas enterradas sob as areias, lá ele descobre um livro escrito em Inglês, de próprio punho: o mesmo volume de que ele havia produzido dentro de seu corpo de sonho monstruoso.

Embora não tenhamos conhecimento de seu conteúdo, a não ser pequenos fragmentos, os grimórios diabólicos de Lovecraft são tão pestilentos que até mesmo olhar para os seus sigilos sinistros se mostra perigoso. Tal como acontece com os seus sonhos , estes textos se tornam obsessões para os protagonistas estudiosos de Lovecraft, chegando a um ponto em que os volumes, nas palavras de Christopher Frayling, “vampirizam o leitor”. Seus títulos, por si só, são palavras mágicas, os encantamentos alucinógenos de um antiquário excêntrico: os manuscritos Pnakóticos, o Papiro Ilarnet, o texto de R’lyeh, os Sete Livros Enigmáticos de Hsan. Os amigos de Lovecraft contribuiram com o De Vermis Mysteriis e o Unaussprechlichen Kulten de von Junzt, e Lovecraft batizou o autor de seu Cultes Des Goules de conde d’ Erlette, homenageando seu jovem fã August Derleth. Pairando sobre todos esses tomos sombrios está o “temível” e “proibido” Necronomicon, um livro de invocações blasfemas para acelerar o retorno dos Antigos. O fetiche intertextual supremo de Lovecraft, o Necronomicon, se destaca como um dos poucos livros míticos na literatura que tenham absorvido tanta atenção imaginativa que conseguiram se materializar, publicados, em nossa realidade.

Se os livros devem a sua vida não para os seus conteúdos individuais, mas para a rede intertextual de referências e citações dentro do qual são criados, então o temido Necronomicon claramente possui vida própria. Além de estudos literários, o Necronomicon tem gerado numerosas análises pseudo-eruditas, incluindo a “História do Necronomicon”, escrita pelo próprio Lovecraft. Uma série de perguntas frequentes podem ser encontrados na Internet – onde guerras costumam estourar periodicamente entre magos, os fãs de horror e especialistas em mitologia – sobre a realidade do livro. A entidade morta-viva à qual se refere o famoso par de versos do Necronomicon:

“Não está morto o que pode eternamente jazer,
Ainda, em eras estranhas, até a morte pode morrer”

pode ser nada mais nada menos do que o próprio texto em si, sempre à espreita nas margens da realidade.

 

A breve “História”, escrita por Lovecraft, foi aparentemente inspirada pelo primeiro Necronomicon falso: um estudo de uma edição do tomo temido, submetido ao Massachusetts Branford’s Review em 1934. Décadas mais tarde, cartões de índice para o livro começaram a aparecer em catálogos de bibliotecas universitárias .

É talvez o princípio do Realismo Mágico de Lovecraft,que torne possível que todas essas referências fantasmagóricas finalmente tenham manifestado o livro. Em 1973, uma edição de Al Azif (nome árabe do Necronomicon) apareceu, composto por oito páginas de uma imitação detexto sírio repetidas 24 vezes. Quatro anos depois Satanistas nova iorquinos da de Magickal Childe publicaram o Necronomicon de Simon, um saco de gatos repleto de mitos sumérios e quase nenhum material Lovecraftiano (embora o livro traga um aviso que porções foram “propositadamente deixadas de fora” para a “segurança do leitor” ). O Necronomicon de George Hay – também uma criança dos anos 1970, conhecido como O Livro dos Nomes Mortos, se mostrou o mais complexo, intrigante e lovecraftiano de sua época. No espírito pseudoerudito do mestre, Hay pareia as invocações fabulosas de Yog-Sothoth e Cthulhu com um conjunto de ensaios analíticos, literários e históricos.

Embora sejam comuns os magos que afirmam que mesmo o livro Simon faz maravilhas, as pseudo histórias dos vários Necronomicons são muito mais atraentes do que os próprios textos. O próprio Lovecraft ofereceu as bases sobre as quais a história do livro seria erguida: o texto foi escrito em 730 dC por um poeta, o louco árabe Abdul Al-hazred, recebendo seu nome dos sons noturnos dos insetos. Posteriormente, foi traduzido por Theodorus Philetas para o grego, por Olaus Wormius para o latim e por John Dee para o Inglês. Lovecraft lista várias bibliotecas e coleções particulares, onde fragmentos do volume residem, e insunua que o escritor de fantasia R.W. Chambers derivou o livro monstruoso e suprimido, citado em seu romance “O Rei de Amarelo” a partir de rumores do Necronomicon (Lovecraft chegou a dizer que obteve sua inspiração nos trabalhos de Chambers).

Todos os subseqüentes pseudo-histories do Necronomicon colocam e removem o livro da história real do ocultismo, com John Dee desempenhando um papel particularmente notável. Segundo Colin Wilson, a versão do texto publicado no Necronomicon de Hay fazia parte do texto cifrado em enoquiano de Dee, o Liber Logoaeth. O FAQ sobre o Necronomiconm escrito por Colin Low, afirma que Dee descobriu o livro na corte do rei Rodolfo II em Praga, e que foi sob a influência do livro que Dee e seu vidente, Edward Kelly, conseguiram seus mais poderosos encontros astrais. Nunca publicada, a tradução de Dee tornou-se parte da coleção célebre de Elias Ashmole, abrigado na Biblioteca Britânica. Foi lá que Crowley o leu, tirando livremente dele várias das passagens que usaria para escrever “O Livro da Lei”, de onde, finalmente, teria chegado até Lovecraft, graças a uma amante em comum que teria tido com Crowley: Sophia Greene – que chegou a se casar com Lovecraft. O papel de Crowley no conto de Low é apropriado, já que Crowley certamente conhecia o poder mágico de se combinar farsa com história.

A história do ocultismo é uma confabulação , ela se encontra apegada às suas genealogias, suas “verdades eternas e imutáveis”, fabricadas por revisionistas, loucos e gênios, suas tradições esotéricas são uma conspiração de influências em constante metamorfose. O Necronomicon não é a primeira ficção de gerar atividade mágica real dentro dessa zona de penumbra potente que se encontra entre a filologia e a fantasia.

Para dar um exemplo de uma época anterior, os manifestos Rosacruzes anônimos que apareceram pela primeira vez no início de do século XVII afirmavam se originar de uma irmandade secreta de Cristãos Herméticos que, finalmente, julgaram ser aquele o momento de sair da obscuridade. Muitos leitores imediatamente desejaram juntar-se ao grupo, no entanto é improvável que tal grupo tenha existido na época. Mas essa farsa trabalhou o desejo esotérico da época e inspirou uma explosão de grupos Rosacruzes “reais”. Apesar de um dos dois autores suspeitos dos manifestos, Johann Valentin Andreae, nunca ter assumido ou negado nada, ele fez referências veladas ao Rosacrucianismo como um “jogo engenhoso que uma pessoa disfarçada poderia gostar de brincar no cenário literária, especialmente em uma época apaixonada por tudo que fugisse do ordinário”. Tal como os manifestos Rosacruzes ou o Livro de Dzyan de Blavatsky, o Necronomicon de Lovecraft é o equivalente oculto da transmissão de rádio de Orson Welles da “Guerra dos Mundos”. Como o próprio Lovecraft escreveu: “Nenhuma história bizarra pode realmente causar terror se não for planejada com todo o cuidado e verossimilhança de uma farsa real”.

No “O Pêndulo de Foucault”, Umberto Eco sugere que a verdade esotérica é, talvez, nada mais do que uma teoria da conspiração semiótica, nascida de uma literatura auto-referencial infinitamente requentada – o tecido inter textual que Lovecraft tanto compreendia. Para aqueles que precisam fixar seus estados profundos de consciência em versões correspondentes objetivas, esta é uma acusação grave de “tradição”. Mas como os magos do caos continuam a nos relembrar, a magia não é nada mais do que a experiência subjetiva interagindo com uma matriz internamente consistente de sinais e efeitos. Na ausência de ortodoxia, tudo o que temos é o tantra dinâmico entre o texto e a percepção, da leitura e de sonho. Nos dias atuais a Grande Obra pode ser nada mais nada menos do que este “jogo engenhoso”, fabricando-se a si mesmo sem encerramento ou descanso, tecendo-se para fora do vazio resplandecente onde Azazoth se contorce em seu trono de Mandelbrot.

 

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-verdadeira-historia-do-necronomicon/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-verdadeira-historia-do-necronomicon/

A Exposição Valentiana

[…] entrar na abundância […] aqueles que […] falarei meu mistério para aqueles que são meus e para aqueles que serão meus. Além disso, são estes que conheceram aquele que é o Pai, isto é, a Raiz do Todo, o Inefável que habita na Mônada. Ele mora sozinho em silêncio, e o silêncio é tranqüilidade, pois, afinal, ele era uma Mônada e ninguém antes dele. Ele mora na Díade e no Par, e seu Par é o Silêncio. E ele possuía o Todo habitando dentro dele. E quanto à Intenção e Persistência, Amor e Permanência, eles são de fato não gerados.

Deus saiu: o Filho, Mente do Todo, isto é, é da Raiz do Todo que também brota seu Pensamento, pois ele tinha este (o Filho) em Mente. Pois em nome do Todo, ele recebeu um Pensamento estranho, pois não havia nada diante dele. Daquele lugar é ele quem moveu […] uma fonte jorrando. Agora esta é a Raiz do Todo e da Mônada sem ninguém antes dele. Agora a segunda fonte existe em silêncio e fala com ele a sós. E o quarto, portanto, é aquele que se restringiu no quarto: enquanto morava no trecentésimo sexto, ele primeiro se apresentou, e no segundo ele revelou sua vontade, e no quarto ele se espalhou.

Enquanto essas coisas são devidas à Raiz do Todo, vamos entrar, de nossa parte, em sua revelação e sua bondade e sua descendência e o Todo, isto é, o Filho, o Pai do Todo, e a Mente do Espírito; pois ele estava possuindo este antes […]. Ele é uma mola. Ele é aquele que aparece no Silêncio, e ele é a Mente do Todo morando secundariamente com a Vida. Pois ele é o projetor do Todo e a própria hipóstase do Pai, ou seja, ele é o Pensamento e sua descida abaixo.

Quando quis, o Primeiro Pai se revelou nele. Já que, afinal, por causa dele a revelação está disponível para o Todo, eu, de minha parte, chamo o Todo de ‘o desejo do Todo’. E ele teve tal pensamento sobre o Todo – eu, de minha parte, chamo o pensamento de ‘Monogenes’. Pois agora Deus trouxe a Verdade, aquela que glorifica a Raiz do Todo. Assim foi ele quem se revelou em Monogenes, e nele revelou o Inefável […] a Verdade. Eles o viram morando na Mônada e na Díade e na Tétrade. Ele primeiro trouxe Monogenes e Limit. E o Limite é o separador do Todo e a confirmação do Todo, pois são […] as cem […]. Ele é a Mente […] o Filho. Ele é completamente inefável para o Todo, e ele é a confirmação e a hipóstase do Todo, o véu silencioso, o verdadeiro Sumo Sacerdote, aquele que tem autoridade para entrar nos Santos dos Santos, revelando a glória dos Aeons e trazendo adiante a abundância para <fragrance>. O Oriente […] que está Nele. Ele é aquele que se revelou como o santuário primordial e o tesouro do Todo. E ele abrangeu o Todo, aquele que é superior ao Todo. Estes, por sua vez, enviaram Cristo para estabelecê-la, assim como foram estabelecidos antes de sua descida. E dizem a respeito dele: […] Ele não é manifesto, mas invisível para aqueles que permanecem no Limite. E ele possui quatro poderes: um separador e um confirmador, um provedor de forma e um produtor de substância. Certamente só nós discerniríamos suas presenças e o tempo e os lugares que as semelhanças confirmaram porque eles têm […] desses lugares […] o Amor […] é emanado […] todo o Pleroma […]. A persistência perdura sempre, e também […] pelo tempo […] mais […] ou seja, a prova do seu grande amor.

Então, por que um separador, um confirmador, um produtor de substâncias e um provedor de formulários, como outros disseram? Pois dizem a respeito do Limite que ele tem dois poderes, um separador e um confirmador, pois separa a Profundidade dos Aeons, para que […]. Estes, então […] de Profundidade […]. Pois […] é a forma […] o Pai da Verdade […] dizer que Cristo […] o Espírito […] Monogenes […] tem [… ].

É algo grande e necessário que busquemos com mais diligência e perseverança as escrituras e aqueles que proclamam os conceitos. Pois sobre isso os antigos dizem, “eles foram proclamados por Deus”. Então, deixe-nos conhecer sua riqueza insondável! Ele queria […] servidão. Ele não se tornou […] da vida deles […]. Eles olham firmemente para seu livro de conhecimento e consideram a aparência um do outro.

Essa Tétrade projetou a Tétrade que é aquela que consiste em Palavra e Vida e Homem e Igreja. Agora o Incriado projetou a Palavra e a Vida. A Palavra é para a glória do Inefável, enquanto a Vida é para a glória do Silêncio, e o Homem é para a sua própria glória, enquanto a Igreja é para a glória da Verdade. Esta, então, é a Tétrade gerada de acordo com a semelhança do Incriado (Tétrade). E a Tétrade é gerada […] a Década da Palavra e da Vida, e a Dodecádia do Homem, e a Igreja tornou-se uma Triacontada. Além disso, é aquele da Triacontad dos Aeons que dá frutos da Triacontrad. Eles entram juntos, mas o

Vocês saem sozinhos, fugindo dos Aeons e dos Incontáveis. E os Incontáveis, uma vez que olharam para ele, glorificaram a Mente, pois ele é um Incontentável que existe no Pleroma.

Mas a Década da Palavra e da Vida gerou décadas para fazer o Pleroma se tornar cem, e o Dodecad do Homem e da Igreja gerou e fez a Triacontad para fazer com que os trezentos e sessenta se tornassem o Pleroma do ano. E o ano do Senhor […perfeito…] perfeito […] segundo […] Limite e […] Limite […] a grandeza que […] meu bem […] ele. A vida […] sofre […] pela cara […] na presença do Pleroma […] que ele queria […]. E ele queria sair do Trigésimo – sendo um szygy do Homem e da Igreja, ou seja, Sophia – para superar a Triacontad e trazer o Pleroma […] seu […] mas […] e ela [. ..] o Todos […] mas […] quem […] o Todo […]. Ele fez […] os pensamentos e […] o Pleroma através da Palavra […] sua carne. Estes, então, são os Aeons que são como eles. Depois que a Palavra entrou nela, exatamente como eu disse antes, também aquele que vem para estar com o Incontido trouxe à luz […] antes que eles […] saíssem […] escondê-lo de [… ] a sizígia e […] o movimento e o […] projeto do Cristo […] e as sementes […] da cruz desde […] as marcas da ferida do prego [. ..] perfeição. Como é uma forma perfeita que deveria ascender ao Pleroma, ele não quis consentir com o sofrimento, mas foi detido […] por Limite, isto é, pela sizígia, pois a correção dela não ocorrer por meio de qualquer um, exceto seu próprio Filho, cujo único é a plenitude da divindade. Ele desejou dentro de si mesmo corporalmente deixar os poderes e desceu. E essas coisas (paixões) Sophia sofreu depois que seu filho ascendeu dela, pois ela sabia que ela morava em uma […] unidade e restauração. Eles foram parados […] os irmãos […] estes. Um […] não fez […]. Eu me tornei […]. Quem são eles de fato? O […], por um lado, parou ela […], por outro lado, […]. com a […] ela. Estes, aliás, são aqueles que me olhavam, estes que, […] estes que consideraram […] a morte. Eles foram impedidos […] e ela se arrependeu e implorou ao Pai da verdade, dizendo: “Concedido que eu renunciei a minha consorte. Portanto, estou além da confirmação também. Eu mereço as coisas (paixões) que sofro. Eu morava no Pleroma produzindo os Aeons e dando frutos com meu consorte” E ela sabia o que ela era e o que havia acontecido com ela.

Então ambos sofreram; disseram que ela ri porque ficou sozinha e imitou o Incontido, enquanto ele disse que ela ri porque se separou do consorte. […] De fato, Jesus e Sofia revelaram a criatura. Como, afinal, as sementes de Sofia são incompletas e sem forma, Jesus inventou uma criatura desse tipo e a fez das sementes enquanto Sofia trabalhava com ele. Pois uma vez que são sementes e sem forma, ele desceu e produziu aquele pleroma de éons que estão naquele lugar, já que mesmo os incriados daqueles Aeons são do padrão do Pleroma e do Pai incontido. O Incriado produziu o padrão do incriado, pois é do incriado que o Pai traz à forma. Mas a criatura é uma sombra de coisas pré-existentes. Além disso, esse Jesus criou a criatura, e trabalhou a partir das paixões que cercavam as sementes. E ele os separou uns dos outros, e as melhores paixões ele introduziu no espírito e as piores no carnal.

Agora, primeiro entre todas essas paixões […] nem ele, pois, afinal, Pronoia fez com que a correção projetasse sombras e imagens daqueles que existem desde o início e daqueles que são e daqueles que serão . Esta, então, é a dispensação de crer em Jesus por causa daquele que inscreveu o Todo com semelhanças, imagens e sombras.

Depois que Jesus deu à luz, ele gerou para todos aqueles do Pleroma e da sizígia, isto é, os anjos. Pois simultaneamente com o acordo do Pleroma seu consorte projetou os anjos, pois ele permanece na vontade do Pai. Pois esta é a vontade do Pai: não permitir que nada aconteça no Pleroma além de uma sizígia. Novamente, a vontade do Pai é: sempre produzir e dar frutos. Que ela sofresse, então, não era a vontade do Pai, pois ela mora em si mesma sozinha, sem seu consorte. Deixe-nos […] outro […] o Segundo […] o filho de outro […] é a Tétrade do mundo. E essa Tétrade deu frutos como se o Pleroma do mundo fosse uma Hebdomad. E entrou imagens e semelhanças e anjos e arcanjos, divindades e ministros.

Quando todas essas coisas aconteceram por Pronoia […] de Jesus que […] as sementes de Monogenes […]. Na verdade, eles são espirituais e carnais, os celestiais e os terrenos. Ele os fez um lugar desse tipo e uma escola deste tipo para a doutrina e para a forma.

Além disso, o Demiurgo começou a criar o homem à sua imagem, por um lado, e, por outro, à semelhança daqueles que existem desde o início. Era esse tipo de morada que ela usava para as sementes, a saber […separar…] Deus. Quando eles […] em favor do homem, pois de fato o Diabo é um dos seres divinos. Ele se retirou e apoderou-se de toda a praça dos portões e expulsou sua própria raiz daquele lugar no corpo e carcaças de carne, pois está envolvido pelo homem de Deus. E Adão o semeou. Portanto, ele adquiriu filhos que irritavam uns aos outros. E Caim matou seu irmão Abel, pois o Demiurgo soprou neles seu espírito. E ali ocorreu a luta com a apostasia dos anjos e da humanidade, os da direita com os da esquerda, os do céu com os da terra, os espíritos com os carnais e o diabo contra Deus. Por isso os anjos cobiçaram as filhas dos homens e desceram à carne para que Deus causasse um dilúvio. E ele quase lamentou ter criado o mundo […] a consorte e Sophia e seu Filho e os anjos e as sementes. Mas a sizígia é a completa, e Sofia e Jesus e os anjos e as sementes são imagens do Pleroma. Além disso, o Demiurgo lançou uma sombra sobre a sizígia e o Pleroma e Jesus e Sophia e os anjos e as sementes. O completo glorifica Sophia; a imagem glorifica a Verdade. E a glória das sementes e de Jesus são as de Silêncio e Monogenes. E os anjos dos machos e os seminais das fêmeas são todos Pleromas. Além disso, sempre que Sophia recebe seu consorte e Jesus recebe o Cristo e as sementes e os anjos, então o Pleroma receberá Sophia com alegria, e o Todo virá a estar em unidade e reconciliação. Pois por isso os Aeons foram aumentados; pois eles sabiam que se mudassem, eles não mudariam.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-exposicao-valentiana/

Os Nove Desconhecidos e o livros do saber universal

A tradição dos Nove Desconhecidos remonta à época do imperador Ashoka, que governou as Índias a partir do ano 273 a.C. Era neto do Chandragunta, primeiro unificador da Índia. Cheio de ambição como o seu antepassado, cuja tarefa quis completar, empreendeu a conquista de Kalinga, que se estendia desde a actual Calcutá até Madras. Os “kalinganeses” resistiram e perderam cem mil homens na batalha. O espectáculo dessa multidão massacrada transtornou Ashoka. Ficou, para todo o sempre, com horror à guerra. Renunciou a prosseguir na integração dos países insubmissos, declarando que a verdadeira conquista consiste em captar a estima dos homens pela lei do dever e da piedade, pois a Majestade Sagrada deseja que todos os seres animados usufruam de segurança, liberdade, paz e felicidade. Convertido ao budismo e devido à sua maneira de agir, Ashoka espalhou esta religião através das Índias e do seu império, que ia até à Malásia, Ceilão e Indonésia. Depois o budismo chegou ao Nepal, Tibete, China e Mongólia. No entanto, Ashoka respeitava todas as seitas religiosas. Aconselhava os homens a serem vegetarianos, aboliu o álcool e o sacrifício de animais. H. G. Wells, no seu sumário da história universal, escreve: “Entre as dezenas de milhares de nomes de monarcas que se amontoam nos pilares da história, o de Asoka brilha quase isolado, como uma estrela”.

Diz-se que, consciente dos horrores da guerra, o imperador Ashoka quis proibir para sempre aos homens que utilizassem a inteligência de uma forma prejudicial. Sob o seu reinado, a ciência da natureza passou a ser secreta, tanto passada como futura.

As pesquisas, indo da estrutura da matéria às técnicas de psicologia coletiva, esconder-se-ão, dali em diante e durante vinte e dois séculos, atrás do rosto místico de um povo que o mundo julga apenas preocupado com o êxtase e o sobrenatural. Ashoka fundou a mais poderosa sociedade secreta do Universo: a dos Nove Desconhecidos. Nove Homens, Nove livros, todo o conhecimento do universo. Possuir um dos livros tornaria um dos nove seres mais fortes do mundo. Os nove, o mais forte da Terra. Todos os segredos residem nos Nove Livros que Ashoka fez questão de ocultar. Entretanto, como o portador de um livro teria um profundo respeito por outro portador, sendo que jamais tentariam roubá-los um do outro. Assim eles eram repassados de geração em geração, exceto pelo portador do livro que possuía a chave da imortalidade, que segundo a lenda continua a ser o mesmo desde o inicio da sociedade secreta.

Continua a dizer-se que os grandes responsáveis pelo atual destino da Índia – e sábios como Bose e Ram acreditam na existência dos Nove Desconhecidos – deles recebiam conselhos e mensagens. Com alguma imaginação, é possível avaliar-se a importância dos segredos que poderiam guardar nove homens beneficiando diretamente das experiências, dos trabalhos, dos documentos acumulados durante mais de duas dezenas de séculos. Quais os objetivos que esses homens têm em vista? Não deixar cair em mãos profanas os meios de destruição. Prosseguir as investigações benéficas para a humanidade. Esses homens seriam renovados por cooptação a fim de defender os segredos técnicos de um passado longínquo.

São raras as manifestações exteriores dos Nove Desconhecidos. Uma delas está ligada ao prodigioso destino de um dos homens mais misteriosos do Ocidente: o papa Silvestre II, conhecido sob o nome de Gerbert d’Aurillac. Nascido em Auvergne no ano 920, falecido em 1003, Gerbert foi monge beneditino, professor da universidade de Reims, arcebispo de Ravena e papa por mercê do imperador Otão III. Teria passado algum tempo em Espanha, depois, uma misteriosa viagem tê-lo-ia levado até às Índias, onde captara diversos conhecimentos que causaram assombro no seu séquito. Também possuía, no seu palácio, uma cabeça de bronze que respondia SIM ou NÃO às perguntas que ele lhe fazia sobre a política e a situação geral da cristandade.

Na opinião de Silvestre II (volume CXXXIX da Patrologia Latina, de Migne), esse processo era muito simples e correspondia ao cálculo feito com dois números. Tratar-se-ia de um autómato análogo às nossas modernas máquinas binárias. Essa cabeça “mágica” foi destruída quando da sua morte, e os conhecimentos trazidos por ele cuidadosamente escondidos. A biblioteca do Vaticano proporcionaria sem dúvida algumas surpresas ao investigador autorizado. O número de Outubro de 1954 de Computers and Automation, revista de cibernética, declara: “Temos de imaginar um homem de um saber extraordinário, de uma destreza e de uma habilidade mecânica fora do comum. Essa cabeça falante teria sido feita “sob determinada conjunção das estrelas que se dá exatamente no momento em que todos os planetas estão prestes a iniciar o seu percurso”. Não se tratava nem de passado, nem de presente, nem de futuro, pois aparentemente essa invenção ultrapassava de longe a importância da sua rival: o perverso “espelho sobre a parede” da rainha, precursor dos nossos modernos cérebros automáticos. Houve quem dissesse, evidentemente, que Gerbert apenas foi capaz de construir semelhante máquina porque mantinha relações com o Diabo e lhe jurara eterna fidelidade”.

Teriam outros europeus estado em contato com essa sociedade dos Nove Desconhecidos? Foi preciso esperar pelo século XIX para que reaparecesse este mistério, através dos livros do escritor francês Jacolliot.

Jacolliot era cônsul de França em Calcutá na época de Napoleão III. Escreveu uma obra de antecipação considerável, comparável, se não superior, à de Jules Verne. Deixou, além disso, várias obras consagradas aos grandes segredos da humanidade. Essa obra extraordinária foi roubada pela maior parte dos ocultistas, profetas e taumaturgos. Completamente esquecida em França, é célebre na Rússia. Jacolliot é formal: a Sociedade dos Nove Desconhecidos é uma realidade. E o mais estranho é que cita a este respeito técnicas absolutamente inimagináveis em 1860, como seja, por exemplo, a libertação da energia, a esterilização por meio de radiações e a guerra psicológica.

Yersin, um dos mais próximos colaboradores de Pasteur e de Roux, teria sido informado de segredos biológicos por ocasião da sua viagem a Madras, em 1890, e, segundo as indicações que lhe teriam sido dadas, preparou o soro contra a peste e a cólera.

A primeira divulgação da história dos Nove Desconhecidos deu-se em 1927, com a publicação do livro de Talbot Mundy, que pertenceu, durante vinte e cinco anos, à polícia inglesa das Índias. Esse livro está a meio caminho entre o romance e a investigação.

Os Nove Desconhecidos utilizariam uma linguagem sintética. Cada um deles estaria de posse de um livro constantemente renovado e contendo o relatório pormenorizado de uma ciência. O primeiro destes livros seria consagrado às técnicas da propaganda e da guerra psicológica. “De todas as ciências, diz Mundy, a mais perigosa seria a do controle do pensamento dos povos, pois permitiria governar o mundo inteiro”.

É de notar que a Semântica Geral, de Korjybski, apenas data de 1937 e que foi necessário aguardar a experiência da última guerra mundial para que principiassem a cristalizar-se no Ocidente as técnicas da psicologia da linguagem, quer dizer, da propaganda.

O primeiro colégio de semântica americano só foi criado em 1950. Em França, apenas conhecemos A Violação das Multidões, de Serge Tchokhotine, cuja influência nos meios intelectuais e políticos foi importante, apesar de só ao de leve tocar no assunto.

O segundo livro seria consagrado à psicologia. Falaria especialmente na maneira de matar um homem ao tocar-lhe, provocando a morte pela inversão do influxo nervoso. Diz-se que o judô deriva de certos trechos dessa obra.

O terceiro estudaria a microbiologia e especialmente os colóides de protecção. O quarto trataria da transmutação dos metais. Diz uma lenda que nas épocas de fome, os templos e os organizações religiosas de proteção recebem de uma fonte secreta enormes quantidades de ouro muito fino.

O quinto incluía o estudo de todos os meios de comunicação, terrenos e extraterrenos.

O sexto continha os segredos da gravitação.

O sétimo seria a mais vasta cosmogonia concebida pela nossa humanidade.

O oitavo trataria da luz, do eletromagnetismo e do magnetismo.

O nono seria consagrado à sociologia, indicaria as leis da evolução das sociedades e permitiria a previsão da queda.

À lenda dos Nove Desconhecidos está ligado o mistério das águas do Ganges. Multidões de peregrinos, portadores das mais pavorosas e diversas doenças, ali se banham sem prejuízo para os de boa saúde. Dizem que as águas sagradas purificam tudo. Pretenderam atribuir essa estranha propriedade do rio à formação de bacteriófagos.

Mas por que motivo não se formariam eles igualmente no Bramaputra, no Amazonas ou no Sena? A hipótese de uma esterilização por meio de radiações aparece na obra de Jacolliot, cem anos antes de se saber possível um tal fenómeno. Essas radiações, segundo Jacolliot, seriam originárias de um templo secreto cavado sob o leito do Ganges. Técnicas conhecidas hoje pela nossa Ciência para profileração e oxidação de microorganismos

Afastados das agitações religiosas, sociais e políticas, resoluta e perfeitamente dissimulados, os Nove Desconhecidos encarnam a imagem da ciência calma, da ciência com consciência. Senhora dos destinos da humanidade, mas abstendo-se de utilizar o seu próprio poder, essa sociedade secreta é a mais bela homenagem possível à liberdade em plena elevação. Vigilantes no âmago da sua glória escondida, esses nove homens vêem fazer-se, desfazer-se e tornar a fazer-se as civilizações, menos indiferentes que tolerantes, prontos a auxiliar, mas sempre sob essa imposição de silêncio que é a base da grandeza humana. Mito ou realidade?

Há aqueles que arriscam uma teoria, uma das mais interessantes é essa:

“O Vedas possui diversos trechos que supostamente demonstram a interferência de um povo alienígena convivendo com os indianos há muito tempo. Eram vistos como deuses por possuir uma tecnologia avançadissima. Esse povo passou para os indianos o seu conhecimento. Porém despreparados, os humanos começaram a utilizar de modo errado, como é o caso dos Vimanas ceifando milhares no campo de batalha com um único ataque. O povo extraterreno (ou intraterreno) cansado dessa destruição, retornou para casa. A matança continuou até o dia que Ashoka decidiu por um fim. Dividiu o conhecimento entre os membros da sociedade e estes foram ocultados para sempre e utilizados apenas quando necessário.”

Texto retirado do livro “O despertar dos Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques Bergier.

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