O Miasma e a Katarsis

Miasma significa poluição, mas não no sentido que hoje lhe damos. Miasma é toda a sujidade associada ao mundano, a sujidade que este gera: quando corremos e transpiramos estamos a criar miasma, quando sangramos temos miasma, se caímos numa poça de lama geramos miasma.

Mas o miasma não se limita à sujidade física, incluindo também a sujidade espiritual, ética e mental. Assim, quando matamos algo de forma injusta criamos miasma, se ofendemos alguém também é miasma, se cometemos um crime aos Deuses fizemos miasma, os próprios pensamentos geram miasma.

Em suma, o miasma resulta da actividade humana. Situações especiais que geram miasma são o contacto com a morte, quer sejamos nós a matar ou morra alguém próximo de nós, um familiar ou amigo, e o sexo e nascimento. De realçar que nem o nascimento nem o sexo são considerados menos sagrados, mas quando acontecem as pessoas envolvidas ficam fisicamente sujas, pelo que é necessário um banho.

No caso do nascimento e da morte são também efectuados rituais especiais porque ambos representam as duas transições mais importantes da vida e, como tal, podem comportar forças que geram poluição.

De referir ainda que o miasma e as actividades que o geram não são consideradas negativas, profanas ou más, antes pelo contrário, há Deuses que estão directamente envolvidos nelas e muitos participam nelas e tanto o nascimento como a morte são simultaneamente as maiores geradoras de miasma e duas das coisas consideradas mais sagradas. O que se passa é que ir limpo a um ritual é uma espécie de etiqueta e os Deuses podem ficar ofendidos se desrespeitamos a etiqueta, porque isto mostra que os desrespeitamos a eles.

Finalmente, para as mulheres, a gravidez e a menstruação não são consideradas miasma, pelo que não há qualquer restrição nessas alturas – apenas se deve realizar a katarsis normal, incluindo um banho para remover a sujidade física que se acentua nessas ocasiões se não forem tomadas precauções.

Katarsis são todas as acções rituais que realizamos para nos livrarmos do miasma, quer seja porque vamos a um templo ou ritual e, portanto, não queremos desrespeitar os Deuses, quer porque apanhámos uma dose muito grande e queremos livrar-nos dela. Por vezes o miasma que temos é tão grande que é transmitido a outras pessoas, como acontece com os assassinos, e, por isso, devem realizar-se rituais para nos livrarmos dele.

Mas a katarsis não é apenas uma forma de remover a sujidade, ela também prepara a nossa mente e o nosso espírito, para além do corpo e do espaço, para um ritual, focando os nossos pensamentos e distinguindo a situação ritual de outras.

Ir a um ritual sem katarsis é um enorme desrespeito: seria como ir a um casamento sujo, ou a uma reunião de escritório com calções de banho e bikini. Tanto a sujidade como os calções de banho e o bikini não são negativos em si – é a sua presença em determinado contexto que os torna negativos, que os torna miasma. Realizarmos a katarsis, nestes exemplos, seria tomar banho e vestir roupas lavadas para o casamento e vestir algo formal para a reunião.

Por outro lado, se um dos noivo nos encontrar no dia a dia e nós formos mecânicos não se ofenderá da sujidade, do mesmo modo que um chefe que encontre o subordinado na praia não tomará por ofensa ele estar com fato de banho: até é provável que ele mesmo esteja.

Também os Deuses não se ofendem se no dia a dia os contactarmos com preces ou devoções espontâneas e tivermos miasma, mas em rituais a situação é mais distinta pelo que devem ser tomadas precauções.

Antes do Ritual

Limpeza da Pessoa

Antes de ir para o ritual devem-se efectuar acções específicas para se purificar a si mesmo, numa espécie de transição do mundano para o ritual. A principal acção é o banho, a limpeza física da pessoa através da água e, no caso moderno, dos sabonetes, champôs, géis de banho, perfumes, etc. Para festivais e grandes rituais é sempre necessário que a pessoa se arranje, tomando banho e perfumando-se e também vestindo roupas limpas ou especiais. Para devoções mais pequenas convém sempre lavar as mãos e a cara e os dentes, enquanto que para simples preces no momento não é necessário tomar qualquer destas atitudes.

Relativamente às roupas, estas podem ser especiais para nós, quer sejam roupas que só usamos em ocasiões especiais, ou mesmo exclusivas para os rituais, quer sejam gregas, latinas, ou modernas. Roupas normais também servem, desde que nos esmeremos para causar “boa impressão” é suficiente. O único requisito é que, tal como a pessoa, as roupas sejam limpas: não serve a roupa com que andámos no dia anterior, por exemplo.

Actualmente muitos helenistas gostam de acrescentar outras formas de preparação para o ritual que não eram praticadas na antiguidade, mas que preparam melhor a mente e acalmam o espírito, permitindo que nos foquemos apenas no ritual e nos Deuses. Refiro-me, é claro, a meditações. Estas são inteiramente opcionais, mas na minha opinião acrescentam muito valor e profundidade a um ritual.

Na antiguidade existiam muitas formas de katarsis, incluindo o jejum, total ou parcial, purificação pelo sangue, purificação pelo fogo, banhos no mar ou rios, purificação pelos cereais, entre outras, quer realizadas antes quer depois do ritual, mas não vou referir-me a elas mais neste artigo.

Limpeza do Espaço

A limpeza do espaço antes do ritual era efectuada pelo neokoros que mantinha o templo sempre limpo, literalmente, varrendo-o e esfregando-o. Antes de um grande ritual a divisão deve sempre ser meticulosamente limpa, mas para rituais normais basta a limpeza normal, não é preciso que a divisão esteja “um brinco”. Para além disso, existem técnicas de limpeza rituais, hoje praticadas pela pessoa que efectuará o ritual.

Várias horas antes efectua-se a fumigação com enxofre. Esta consiste em queimar enxofre e deixar que este encha o ar, purificando-o. Pode ser feita uma prece a Apolo, Deus da purificação. Pessoalmente, quase nunca uso enxofre porque os meus rituais são de manhã e não dá tempo para que o cheiro do enxofre desapareça completamente, isto para além de os fumos serem tóxicos e se entranharem, especialmente em sofás ou camas. Eu prefiro usar o incenso, deixando o quarto completamente às escuras com vários paus de incenso acesos para que o encham completamente, abandonando-o depois das acções rituais para que fique numa espécie de incubação, que é o método porque Apolo mais se manifesta. O quarto permanece assim, completamente fechado, sem que nada nem ninguém lá entre antes do ritual, e a luz só volta aquando do ritual, nomeadamente da segunda acção purificante antes do ritual, para que se possa ver o que se faz, quer seja através de luz solar, de lâmpadas ou de velas.

Antes dos convidados chegarem, ou antes de entrar no quarto com as oferendas para fazer o ritual, a pessoa entra carregando consigo o khernips, uma taça com água. Então acende-se a chama sagrada e prepara-se o khernips, tornando a água sagrada. As formas de o fazer são muito variadas, pois não se conhece a forma usada na antiguidade, e não estão no propósito deste artigo. Após acender a chama e se preparar o khernips, coloca-se este à entrada para que todos os participantes se limpem antes de entrar.

Em rituais solitários costumo sair com o khernips, após o ter usado para me limpar a mim e ao espaço ritual, em sentido oposto ao do ponteiro dos relógios, e salpico todas as oferendas, deixando depois o khernips fora do quarto e entrando com as oferendas. No caso de rituais colectivos é normal que o khernips seja salpicado sobre os outros pela pessoa que o preparou e também sobre as oferendas, sendo depois novamente depositado fora do local do ritual, já que absorveu todas as impurezas e miasma e convém que esteja fora do espaço e das pessoas agora sagrados.

Durante o Ritual

Limpeza da Pessoa

A limpeza da pessoa durante o ritual propriamente dita é efectuada por ela mesma antes de entrar no espaço sagrado e pelo sacerdote, que a salpica novamente com khernips. Depois a pessoa é que se deve esforçar por manter os pensamentos centrados no ritual e por dar o melhor de si.

Limpeza do Espaço

Quando as pessoas entram no espaço sagrado, percorrem-no no sentido oposto ao ponteiro dos relógios, às vezes sob a forma de uma dança, que demarca claramente o espaço sagrado. Depois dá-se a oferta inicial de grão, em que cada pessoa tira um pouco de grão do cesto onde a faca sacrificial se encontra escondida, e segurando o grão todos o atiram para o chão, ficando em completo silêncio. O efeito é demarcar claramente o começo do sagrado e é fantástico, principalmente se foi antecedido por música e depois só se ouve o salpicar dos grãos que gradualmente é substituído por silêncio.

Então, o ritual propriamente dito começa.

Depois do Ritual

Quando o ritual acaba o espaço fica cheio de grão no chão e com as ofertas. Caso seja numa floresta deixa-se a área e o ritual está concluído. Mas quando o ritual se dá em espaços do interior convém que o espaço seja limpo, algumas horas depois, para que os Deuses possam apreciar totalmente as ofertas antes de as retirarmos. As ofertas perecíveis e libações são deixadas numa floresta ou parque, sendo as ofertas enterradas. Quando não há hipótese de o fazer podem ser simplesmente deitadas fora, mas embrulhadas num saco em separado.

Outras ofertas podem ficar no local por mais tempo, como por exemplo flores, estátuas, jóias, entre outras.

Lista

E aqui fica uma pequena lista para verificar antes do ritual:

– Fumigação do Espaço

– Ocasião especial (morte e nascimento) = purificação especial (jejum, ritual, entre outros)

– Banho e roupas novas/especiais

– Outras formas de preparação: meditação

– Khernips e Chama Sagrada

– Circumbalação

– Purificação por cereais e silêncio

Texto retirado do site:

http://www.portuskale.org/pratica/purificacao.html

Está em Português de Portugal, mas é muito bom. Espero que não tenham problemas em entender.

#Rituais

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-miasma-e-a-katarsis

Abaixo a Inteligência!

Gilberto Antônio Silva

O Taoismo é uma filosofia pouco conhecida no Brasil. Mas, além disso, o pouco que se conhece ainda está cheio de imprecisões e mal-entendidos. É muito difícil encontrarmos algum material que fale sobre o Taoismo como ele realmente é. Parece que temos em nosso país algum tipo de má vontade para com os antigos chineses, que impede as pessoas de executarem a mais ínfima pesquisa antes de sair falando de nossa filosofia como se fossem grandes especialistas.

Mas esse tipo de coisa não vem de hoje. Um dos assuntos preferidos pelos “especialistas” fictícios é o Wuwei, a não-ação. Ela já foi chamada de tudo e interpretada de todas as formas, exceto dentro das ideias taoistas propriamente ditas. Outra grande aberração intelectual é a própria ideia de “inteligência”, muito presente no Tao Te Ching. É dela que vou me ocupar neste artigo.
Existem algumas passagens do Tao Te Ching que falam sobre a inteligência, quase sempre de maneira pouco convidativa, ou assim nos parece à primeira vista. Veja alguns trechos:

CAPÍTULO 18
Quando se perde o Grande Caminho
Surgem a bondade e a justiça
Quando aparece a inteligência
Surge a grande hipocrisia
Quando os seis parentes não estão em paz
Surgem o amor filial e o amor paternal
Quando há desordem e confusão no reino
Surge o patriota

CAPÍTULO 19
Anule o sagrado e abandone a inteligência
E o povo cem vezes se beneficiará
Anule a bondade e abandone a justiça
E o povo retornará ao amor filial e ao amor paternal
Anule a engenhosidade e abandone o interesse
E não haverá mais ladrões nem roubos
Se estas três frases ditas não são o suficiente
Então faça existir aquilo em que se possa confiar
Encontrando e abraçando a simplicidade
Reduzindo o egoísmo e diminuindo os desejos

Com base nisso, os especialistas ocidentais já tiraram várias conclusões sobre o Taoismo, especialmente de que ele não gosta de estudo, é contra a educação e prega que se abandonem as cidades e vá todo mundo viver na floresta. Acredite, isso foi devidamente difundido como uma análise correta do Taoismo dentro do círculo filosófico ocidental.
Segundo o Manual de Filosofia, obra didática escolar muito popular em meados do século XX, de Theobaldo M. Santos,

“Lao-Tsé admitia a existência de uma Razão suprema, causa de todos os seres e norma de ação moral, e pregava a supremacia do bem comum e a defesa da paz e da tranqüilidade geral, para o que julgava indispensável abolir a instrução, fonte de desejos e inquietações.”

Se não fosse trágico, seria muito engraçado. Essa visão expressa nessa obra não é coisa incomum, já vi essas mesmas ideias de várias formas diferentes, em livros do começo do século XX até poucos anos atrás. Porque o erro persiste. Na verdade, o Taoismo, pelo contrário, é grande incentivador do estudo. Os três pilares da vida taoista são o Tao (o Caminho), o Shi (os Mestres) e o Jing (os livros).

Mas por que o Taoismo fala assim da inteligência? Antes de tudo é preciso conceituar a “inteligência” de que nos fala Laozi. Para o Taoismo, a inteligência é o equivalente à artimanha, à engenhosidade, à malícia. Ao fazer algo esperando receber outro algo em troca ou tentar conduzir as pessoas de modo a ter um ganho individual, usamos nossa “inteligência”. Isso, claro, é ilusório, posto que está ligado ao apego às coisas humanas, fruto da perda da Unicidade. Essa “inteligência” é fruto do mundo dualista, do universo manifestado e não do Tao, por isso deve ser evitado. Ela nos conduz para longe do Caminho.

Nos exemplos mostrados, o Capítulo 18 diz “Quando aparece a inteligência, surge a grande hipocrisia”. Isso significa que sempre que se usa de artimanhas e malícia, nosso verdadeiro objetivo está sendo ocultado, daí o surgimento da hipocrisia. Nossas ações não são sinceras, mas se destinam a determinados objetivos ocultos.

Já o Capítulo 19 é ainda mais incisivo ao dizer que “Anule o sagrado e abandone a inteligência e o povo cem vezes se beneficiará”. Aqui novamente se faz referência ao mundo dual, o universo manifestado que não é senão um pálido reflexo do Tao. “Anular o sagrado” significa deixar de enxergar o sagrado apenas nas coisas ditas “sagradas”, como templos, igrejas, livros, relíquias, e notar que o sagrado está em todas as coisas. Tudo está imerso no sagrado, pois tudo faz parte do Tao. “Abandonar a inteligência” tem o mesmo sentido que examinamos anteriormente, de eliminar a maquinação e a malícia em prol da sinceridade. Por fim, “o povo cem vezes se beneficiará” é um recado não apenas aos governantes, mas a todos nós, que somos o povo. Agir com sinceridade e enxergando o sagrado em tudo, e principalmente em todos, é o caminho certo para uma sociedade mais harmoniosa.

O oposto a essa inteligência é chamado de “não-intenção”, da qual Mestre Wu Jhy Cherng nos fala repetidamente em seus comentários sobre o Tao Te Ching. Quando falamos em não-ação (Wuwei) não falamos sobre a imobilidade, o não fazer nada, mas em agir segundo os movimentos naturais, seguir a natureza. A não-intenção é fundamental para que essas atitudes estejam dentro do Wuwei. Fazer algo simplesmente porque deve ser feito, sem prestar atenção ou exprimir desejos quanto aos frutos de seu resultado, está em completa concordância com a não-ação.
Se uma senhora anda na rua cheia de pacotes e um cai, você automaticamente se abaixa, pega o pacote e o devolve a ela. É um movimento natural. Não fez isso porque espera uma recompensa dela, porque vai ganhar méritos no Céu, porque Deus mandou ou qualquer outro motivo. Agiu porque era o que devia ser feito naquele momento.
A não-intenção é a essência interior da ética taoista na qual não existem regras de conduta explícitas, mas onde o praticante deve unicamente seguir o Tao, seguir a natureza e fazer o que deve ser feito. Sem maquinações, sem planos mirabolantes e sem esperar recompensas ou favorecimentos. Sem usar sua “inteligência”.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, e Editor Responsável da revista Daojia, especializada em filosofia e artes taoistas e cultura chinesa. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/abaixo-a-intelig%C3%AAncia

O Caso do Dr. X

O episódio foi mencionado em tantos livros e revistas sobre OVNIs  que a maioria dos leitores assíduos do assunto provavelmente presumem que todos aspectos do caso foram estudados  em detalhe, e que nada de novo poderia ser acrescentado a esta altura. Mesmo assim a história completa jamais foi registrada.

O Dr. X. nasceu na França , em 1930 . Depois de concluir seus estudos com êxito , especializou-se em um campo relacionado com a medicina , encontando tempo também para cultivar um talento musical notável. Mora com a esposa e um filho, numa grande vila localizada em uma colina , de onde  se pode ver uma paisagem deslumbrante.

Sua história médica registra um fato importante : no dia 18 de maio de 1958, ele foi ferido pela explosão de uma mina na Argélia, quando servia no Exército frances. Isso causou uma deficiencia permanente no lado direito do corpo, provocando dores quando ficava muito tempo em pé ou apoiando o corpo no pédireito. Ele praticamente abandonou o piano, por causa das dores na mão direita. Três dias antes da visão, o Dr. X cortava lenha com um machado, fez um movimento em falso e se feriu na perna , cortando uma veia. Segiu-se uma hemorragia, o local ficou inflamado. Ele foi tratado imediatamente , mas ainda sentia dores na noite de 2 de novembro de 1968, qunado ocorreu o incidente com o OVNI.

Na noite em questão ele foi acordado, depois da meia-noite, pelo choro de seu filho de 14 meses. Sem acender a luz , levantou-se e foi ao quarto do menino, percebendo  clarões do lado de fora da casa. Seu filho estava em pé no berço, apontando para a janela: uma luz brilhante se movia atrás da venisiana. Ele não deu muita atenção ao fato, preparando uma mamadeira para a criança, que voltou a dormir. Como os efeitos de luz prosseguiam, o Dr. X aproximou-se de uma das janelas e a abriu, para investigar a causa. Quando resolveu sair na sacada, ficou visivel para qualquer um que observasse sua casa, do lado de fora. O relógio maracava 4:00.

Naquele momento o Dr. X viu nítidamente dois discos grandes, identicos, em posição perfeitamente horizontal. A parte superior de cada disco era branca, prateada, e o fundo tinha a cor do sol poente. No topo de cada objeto encontrava-se uma antena vertical alta. Na lateral de cada disco havia uma antena menor, horizontal. Um facho de luz branca iluminava o solo. Ele identificou elementos conhecidos  . Um facho de luz branca iluminava o solo. Ele identificou elementos conhecidos, como árvores e arbustos , o que lhe permitiu clacular com precisão a distancia  do fenomeno , quando o reconstituiu nos dias seguintes. Ele avaliou o tamanho dos discos: tinham diametro de 65 metros e espessura de 17 metros. Estavam a cerca de 250 metros da casa.

Os dois objetos se moveram lentamente , aproximando-se um do outro, emitindo pequenas faíscas comas antenas horizontais e finalmente fundiram-se em um unico objeto, que mudou de curso e seguiu na direção dele. Parando abrupatamente, o facho de luz na parte iluminou o teto de uma casa vizinha. O Dr. X reparou que a parte de baixo estava dividida em onze partes, percorridas por uma linha horizontal que lembrava a varredura de um televisor . A testemunha ficou fascinada pelo movimento da linha dentro do brilho vermelho do objeto.

O disco finalmente executou um movimento, que o colocou acima de sua cabeça, na vertical, e a luz branca pegou o doutor exatamente na sacada onde se encontrava. Ele ouviu um estalo, e o objeto desapareceu, deixando apenas uma forma esbranquiçada , como algodão doce, que foi carregado pelo vento. Um “fio brilhante” saiu do centro do objeto quando este se desmaterializou , subindo em direção ao céu, onde transformou-se em um ponto que explodiu como um rojão. Ficou tudo escuro novamente. O doutor santiu um choque nervoso e entrou. O episódio inteiro durara apenas dez minutos.

  O Dr. X  acordou a esposa e relatou a observação, andando excitado  pelo quarto, sem aparentemente sentir nenhuma dor na perna.Não só o hematoma desaparecera , como também todos os vestígios de seu ferimento de guerra.

Retornando a sua cama , pegou no sono rápidamente, mas falou enquanto dormia. Ele só parou de falar  às 7 horas , e dormiu até 14 horas . Relatou o incidente a uma única pessoa, Aimé Michel , que o visitou no dia 8 de novembro, encontrando-o enfraquecido e um pouco mais magro . O doutor sentia dores no estomago. No dia 17 de novembro ele notou uma descoloração estriada curiosa, em volta do umbigo. No dia seguinte a área adquiriu forma triangular avermelhada, cujos lados mediam cerca de 15 centimetros. Aimé Michel suspeitou de um efeito psicossomático, pois a testemunha sonhara que o objeto avistado tinha relação com uma forma triangular. Mas quando o mesmo triangulo surgiu no abdome do menino, e o mesmo fenomeno repetiu-se nos anos seguintes, a versão do efeito psicossomático foi descartada. Vale dizer que Steven Michalak também relatou a existencia de uma marca em V em seu peito.

Quando realizei minha primeira visita ao Dr. X e sua familia , em maio de 1979, junto com Aimé Michel, passamos um dia reconstituindo os acontecimentos e as experiencias posteriores descritas pela testemunha, sendo que nenhuma delas fora mencionada nas publicações sobre OVNIs.

Entre as experiencias posteriores há várias menções a cicatrizações inexplicadas. Não só os problemas anteriores desapareceram completamente, apesar de terem sido comprovados e verificados sem possibilidade de erro por médicos militares anteriormente, como o Dr. X passou tempos depois pela cura espontanea de uma fratura exposta. Neste caso, ele ficou tão embaraçado pelo rápido desaparecimento da ferida que saiu da cidade por alguns dias, de modo que um médico, seu colega, que tratou da fratura não fizesse perguntas ao ve-lo caminhar normalmente. O Dr. X também revelou que um especialista em dermatologista foi consultado, com referencia ao triangulo da pele. Ele disse que a descarnação ( pele ressecada) consistia de células mortas, mas não pode identificar sua causa provável.

Quando fiz perguntas sobre pessoas incomuns que pudesse ter encontrado desde a observação, o doutor revelou uma sequencia inteira de eventos tão fantásticos que desafiam a credulidade , apesar de confirmados por outros membros da familia.

O primeiro contato aconteceu quando o Dr. X passava férias no sul da França, cerca de um ano após a visão . Ele escutou repentinamente um assovio “dentro da cabeça” e sentiu “um impulso” para voltar ao quarto no hotel. Quando retornou o gerente disse que uma pessoa desejava falar com ele ao telefone. Era uma voz masculina, afirmando veemente que em pouco tempo eles “se encontrariam em sua cidade para discutir sua visão”.

Algum tempo depois, de volta a sua casa, o Dr. X ouviu um assobio similar. Ele pegou o carro e saiu, sendo “guiado”
misteriosamente para um determinado local, onde um estranho o esperava, parado perto de um Citroen CX, na época o carro francês mais moderno e caro. Ele era alto, tinha olhos azuis impressionantes e cabelos castanhos, vestindo um terno comum.

O sujeito deixou o Dr. X espantado quando iniciou a conversa desculpando-se pelos estranhos acontecimentos em sua casa.  Na verdade, desde a visão, o Dr. X e a esposa declararam ter sido atormentados por atividades tipo “poltergeist” e disturbios inexplicáveis nos circuitos elétricos. Nos encontros seguintes o homem instruiu o Dr. X sobre vários assuntos paranormais, levando-o a participar de experiencias de teletransporte e viagem no tempo, incluindo-se um episóio tenso em paisagens alternativas e uma estrada que “não existia” , segundo o Dr. X, que não tem explicação para estes episódios.

O estranho nunca disse seu nome, mas o Dr. X o chamava mnemonicamente de Sr. Bied. Ele surgia frequentemente em uma curva de um caminho poeirento que sai do lado norte da casa e vai dar nas colméias.

Em certa ocasião o Sr. Bied chegou acompanhado de uma humanóide de 1 metro de altura e pele mumificada, que permaneceu imóvel, enquanto seus olhos examinavam rapidamente a sala. Tais episódios possuem semelhanças com ocorrencias da vida de testemunhas norte-americanas , como no caso de Whitley Strieber, sempre provocando tensões familiares.

—    A presença de alienígenas nas proximidades da casa era sentida por ele    —   disse a esposa do Dr. X , que enfrentava
momentos dificeis quando isso acontecia. Ela precisava cuidar do filho pequeno, apesar dos medos e tensões resultantes de tais eventos. Embora nem Aimé Michel nem eu estivéssemos em condições de verificar a existencia de tais alienigenas , tivemos uma prova do incrivel talento musical do Dr. X, quando ele foi para o piano e executou uma admirável versão de Dies Irae  de Liszt.

  No mês seguinte o Dr. X visitou os Estados Unidos com a esposa e o filho, então com 12 anos. Eles vieram a nossa casa , na Califórnia. Janine e eu tivemos uma conversa longa e calma com eles, na qual o doutor revelou detalhes adicionais de suas experiencias . O episódio mais assombroso ocorreu em 1971, quando ele a esposa esperavam amigos para o almoço. Ele disse que ia tirar o carro do sol   —  e não voltou.

Ao entrar no carro, sentiu um “impulso” para ir até a cidade, onde novamente encontrou o misterioso Sr. Bied. O estranho disse que eles “precisavam ir a um certo lugar“. Em seguida o Dr. X se viu deitado em uma cama, numa cidade desconhecida. Quando ergueu-se e chegou perto da janela, percebeu que estava em Paris, perto do Ministério do Interior. Ele viu o carro do Dr. Bied passando na rua e entrando no prédio. Os guardas o saudaram. Ele pegou o telefone no quarto e ligou para a esposa: vinteminutos haviam passado, os convidados tinham chegado. Mais vinte minutos transcorreram, o carro do Sr. Bied saiu e o Dr. X descobriu que estava de volta a sua cidade. Ele voltou em segurança para casa, completamente atônito com o ocorrido.

Tais episódios de fugas não são raros em pessoas normais e inteligentes. Sei do caso de um importante cientista de computadores que desapareceu totalmente e inocentemente durante uma semana inteira, para desespero de uma grande empresa que o contratara, e dos orgãos governamentais com os quais desenvolvia projetos secretos de alto nivel. Mas não há indicações de que o Dr. X seja dado a tais fugas. Sua esposa confirma o telefonema de Paris. Mas a melhor indicação de que o Dr. X foi atingido por um fenomeno inexplicado deriva das provas médicas. A cura espontanea e permanete do ferimento de guerra e do hematoma foi confirmada, e a volta da descoloração triangular no abdome foi verificada durante anos seguidos.

Recentemente , em novembro de 1984, meu amigo Jean-Yves Casgha, reporter radiofonico da France-Inter, observou e filmou o aparecimento gradual do triangulo. Ele foi mais longe, providenciando exames termográficos durante o episódio ( no dia 2 de novembro ) , e quando a pele voltou ao normal ( no dia 16 de novembro ). As fotos foram tiradas com e sem resfriamento, nas duas ocasiões.

Os comentáriso feitos pelo médico encarregado, no dia 2 de novembro , incluem o seguinte:

Exame Clinico: Intenso eritema, em forma triangular, centrado no umbigo; ausencia de vaso superficial visível.
Termografia : Numerosas áreas hipertémicas curvilíneas, espalhadas sobre a região umbilical e bilateral ilíaca , correspondentes a vasos profundos, cuja topografia pode ser sobreposta à do eritema cutâneo, e que se mostram resistentes aos esfriamento.

No dia 11 de novembro o mesmo médico fez as seguintes observações no acompanhamento do caso:

Exame Clinico: A área cutânea tem aspecto normal, um pouco mais “queimada de sol” no nível do eritema de 2 de novembro .
Termografia: Hipertemia subumbilical difusa , em um setor correspondente ao aspecto termografia usual ao plano cutâneo.

O desaparecimento dos ferimentos sofridos na Argélia foi documentado novamente , em 1985. Um diagnóstico feito em 1958 pelos médicos do Departamento de Veteranos indicava “deficiencia motora dos membros superior e inferior direitos, com síndrome de Babinski e parestesia acompanhada de pontadas e entorpecimento”. O relatório médico realizado em 8 de janeiro de 1985 concluía:

O exame neurológico é normal ; não existe nenhum sinal da sindrome de Babinski, nem deficiencias no senso de equilíbrio.

Os outros fenomenos são intrigantes , mas não exclusivos. A 9 de dezembro de 1968 ( cinco semanas após a visão do Dr. X ) um funcionário da alfândega de Lima , no Peru, declarou ter visto um OVNI quando na varanda de sua casa , e que uma  luz purpura o “atingiu” no rosto. Ele ficou atônito ao descobrir que não precisava mais usar óculos, que corrigiam sua miopia. Seu reumatismo desapareceu. Um engenheiro chamado Emmano Manurio, ao pesquisar o caso para a APRO, calculou a distancia do objeto em cerca de 2,5 quilometros. A testemunha, segundo ele, sentiu um “medo paralisante” que o deixou em um estado próximo ao êstase por dois ou três minutos.

A observação de “paisagens alternativas”  tampouco é uma experiencia exclusiva do Dr. X . Whitley Strieber descreveu vividamente seu espanto ao descobrir campos com  flores anarelas onde não deveriam estar. Em outubro de 1982 um ingles , depois de ler meu livro Mensageiros da Fraude, residente a poucos quilometros da base da Força Aérea norte-americana de Wethersfield , escreveu a seguinte carta, dizendo que conhecia

um jovem que me contou ter conseguido, durante seu período de treinamento, como piloto, acesso para leitura apenas de um documento sobre OVNIs abrangendo até a década de 1940. Ele não disse ter passado por nenhuma experiencia pessoal com OVNIs. A maior parte das informações passadas por ele constava da literatura sobre OVNIs, com a qual eu já estava familiarizado , embora a êfase fosse diferente : eles reagiam quando atacados; decolavam “na vertical” ; “mudavam de forma “. Ele também menciona alguns efeitos psicológicos.

Ao que parece havia casos onde os pilotos , ao tentar interceptar os objetos, encontravam-se em paisagens ilusórias. Em um dos casos o piloto precisou ser alertado quando retornava à base, navegando a partir de marcos terrestres familiares. Na verdade, ele seguia diretamente para o mar.

Um documento muito censurado relatava um caso de caças que tentaram interceptar OVNIs; os aviões retornaram à base praticamente ao mesmo tempo, como resultado de uma espécie de amnésia coletiva, concluiu-se. Em vários casos de contatos imediatos os pilotos sofreram danos psicológicos de modos obscuros, e foram transferidos para outras unidades. Após a leitura de seu livro, achei este detalhe final particularmente interessante.

A peculiar descoloração geométrica da pele tampouco é unica. Um médico especialista da Força Aérea dos Estados Unidos me contou detalhes de um caso investigado por ele em Tyler, no Texas , em 1979. Um jovem universitário chamado Greg manteve contato com uma luz  verde brilhante, e viu “duas naves com uma luz vermelho-violeta indo e vindo“. O médico o examinou e encontrou uma marca vermelha em forma de diamante com 12 centimetros, no peito, e pequenos sinais de picadas nas pernas. A marca no peito levou meses para desaparecer. Os sinais tinham o tamnho aproximado de uma agulha hipodérmica, mas tais marcas teriam desaparecido com mais rapidez.

Em anos recentes médicos e cientistas ligados ao governo da França realizaram um estudo especial dos fenomenos biologicos ligados a observação de OVNIs. Em particular, eles investigaram os casos de paralisia frequentemente relatados por testemunhas obviamente confiaveis como o Sr. Masse. O conceito de “paralisia” na verdade não se aplica ao efeito , que seria melhor definido como acinesia: dificuldade ou impossibilidade de realizar determinados movimentos.

Um dos médicos especialistas, o Dr. Daniel Mavrakis, notou que em tais episódios de OVNIs “a tonica da postura não é afetada, o paciente mantém o equilibrio e não cai. O coração não é afetado “. Ele concluiu que a acinésia provocada pela experiencia com um OVNI agia sobre o sistema nervoso central.

Alguns experimentos realizados com campos magnéticos também são relevantes neste aspecto. Um trabalho de Hodgkin mostrou que as células produzem e absorvem diferentes íons quando liberam energia. Um trabalho realizado por um pesquisador francês sobre o “impacto biológico das instalações eletromagéticas” pesquisou a possibilidade de campos magnéticos intensos influenciarem a trajetória destes íons. Uma série de experimentos feitos e camundongos por Guiot, com campos variando entre 12 mil oersteds e 23 mil oersteds produziram efeitos variando da inibição dos reflexos defensivos à indução ao sono, criação de estados convulsivos e mesmo a morte.

Outros modelos , mais sofisticados, foram recentemente desenvolvidos por pesquisadores franceses, que estudaram a ação direta da radiação eletromagnética pulsante nas células musculares, mas não tenho autorização para divulgar resultados deste trabalho.

Vale notar que os efeitos das microondas no sistema nervoso central podem levar as testemunhas a alucinações, um fato que pode ser importante na interpretação de muitos casos de contatos imediatos ou sequestros com fatores absurdo. O mesmo fenomeno pode também induzir mudanças a longo prazo no conjunto de crenças do individuo, contribuindo para a explicação de acontecimentos aparentemente miraculoso que as testemunhas descrevem com frequencia de boa-fé . Mesmo assim uma interpretação física deixa de explicar a totalidade das observações registradas na literatura.
Em uma revisão cuidadosa dos efeitos dos OVNIs nas pessoas, James McCampbell notou que os fenomenos frequentes de queimaduras solares não pode ser causado apenas por radiação ultravioleta   —   uma vez que ocorre muito em áreas de pele cobertas por roupas, que barram os raios ultravioletas  —, sendo melhor explicadas por exposição a microondas . Um comprimento de onda de 1 centimetro causa a sensação clara de calor, com menos de um décimo do fluxo de energia do Sol . Conforme notado por McCampbell, “queimaduras só seriam causadas, naturalmente por intensidades muito maiores

No dia 23 de janeiro de 1976 a garota Shelley McLenaghan, 17 anos , viu uma luz “estranha” no céu, verde e vermelha , perto de Bolton, no norte da Inglaterra. Ela acabara de descer do ônibus, às 17h15. O objeto era do tamanho de uma casa pequena, chato no topo , com lados em declive e três pernas.

—   Senti uma terrivel pressão na cabeça e no ombro, e um gosto estranho na boca. Meus dentes pareciam vibrar. Quando tentei correr, parecia que estava dentro de um pesadelo. Só conseguia mover braços e pernas lentamente. Tentei gritar. Não saiu nenhum som   — declarou a testemunha.

Shelley ficou doente no final de semana: manchas púrpureas cobriram o pescoso, peito , ombros e a parte de cima das costas. Seus olhos e juntas doiam. As obturações do maxilar superior caíram, e as do inferior se esfarelaram.

Um oficial do Exército que serviu na Guerra da Coréia descreveu um incidente ainda mais notável, no qual um objeto luminoso alaranjado sobrevoou uma aldeia quando esta era bombardeada por uma unidade completa de artilharia na área do Triangulo de Ferro. Ele pairou a baixa altitude, aparentemente sem se importar com as explosões poderosas. Quando subiu a colina, aproximando-se das peças de artilharia, foi dada permissão para se atirar contra ele com um rifle de precisão. O objeto foi visivelmente deslocado com o impacto da bala. Depois começou a varrer a colina com uma estranha luz, segundo o oficial:

Não se podia ver a luz, a não ser quando ela passava pela gente”, ele declarou. No dia seguinte toda a unidade de artilharia ficou muito doente e precisou ser removida da linha de frente, mas nenhum relatório oficial foi feito para identificar a fonte da estranha doença.

Os dados clínicos foram coletados por investigadores sérios dos fenomenos de OVNIs, e portanto formam uma coleção
impressionante de fatos empíricos. Várias explicações foram propostas variando de campos magnéticos a microndas pulsantes. Elas abrangem alguns efeitos, mas nenhuma explicação, por si só, esclarece o fenomeno como um todo.

Dada a complexidade das observações existentes, eu proponho que se adie a analise destes efeitos, e que se considere
cuidadosamente as provas dos casos mais extremos: aqueles que resultaram em danos permanentes ou morte.

Extraido do livro Confrontos de Jacques Vallée  – Editora Best Seller  – 1990

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-do-dr-x/

Frank Sherman Land, 100 anos de maçonaria

“Se trabalharmos sobre o mármore, um dia ele se acabará. Se trabalharmos sobre o metal, um dia o tempo o consumirá. Se erguermos templos, um dia se tornarão pó. Mas se trabalharmos sobre almas jovens e imortais, se nós a imbuirmos com os princípios do justo temor ao criador e amor à humanidade, nós gravaremos sobre essas almas algo que brilhará eternamente. Daqui a cem anos pouco importará o quanto tenhamos acumulado no banco, que tipo de casa, palacete ou carro possuímos. Mas o mundo poderá ser diferente, talvez porque fomos importantes na vida dos jovens.” – Frank Sherman Land.
Quando jovem, Frank Sherman Land, ainda não conhecia o Tao The King,Lao Tse ou o I Ching, pouco difundidos no ocidente na época, porém é um exemplo de homem que desde criança seguiu o caminho que não pode ser melhor identificado do que com o Hexagrama 8 do I Ching, que significa Solidariedade, nem melhor descrito do que com o verso 49 do Tao The King. Como vamos ver durante toda a biografia desse homem e da história da Ordem DeMolay, Frank S. Land foi uma pessoa que não se limitou em transmitir, durante toda sua vida, a sabedoria e a bondade.

Lao Tse, sec IV a.C., antiga China.

No primeiro passo vimos o que levou Louis a procurar ajuda da maçonaria, e aqui vamos acompanhar os aspectos da infância de Frank S. Land até sua grande inspiração, que foi o encontro com esse garoto. Os fundamentos de sua vida que o levou a estruturar toda ideologia DeMolay e ser reconhecido como Pai (“Dad” em inglês, como era chamado) por milhares de jovens.

Frank, o Pequeno Ministro

Elizabeth Lottie em 1889 era uma garota de 15 anos dentro de uma família autoritária, e se apaixonara por um rapaz mais velho chamado William Sherman Land. Apesar da oposição de sua família, se casaram. No ano seguinte, no dia 21 de junho de 1890 em Kansas City no estado de Missouri, nascia seu primeiro filho, batizado com o nome Frank Sherman Land.

Já aos nove anos Frank S. Land possuía o dom da oratória, liderança que usava para incentivar seus amigos, tanto mais velhos como mais novos. Nessa idade pediu ajuda a sua mãe para iniciar uma “Escola de Domingo” que reunisse seus amigos nas tardes de domingo para que pudessem aprender sobre a Bíblia. Elizabeth reformou o porão de sua casa para atender ao desejo de Frank. Um ano depois a fama de Frank já havia se espalhado e ele era conhecido como o Pequeno Ministro. Não só seus amigos frequentavam o porão de sua casa, mas também estavam sendo acompanhadas por suas mães, que o escutavam atentamente. Nessa época a família Land morava em St. Louis no estado de Missouri.

Uma mãe expôs a Elizabeth toda a curiosidade de todas as outras mães presentes: como tudo isso havia começado? A resposta de Elizabeth foi: “Ele constantemente lê a Bíblia. Ele já a leu toda, possivelmente mais de uma vez. Ele pode citar capítulos de memória. Eu me pergunto sobre Frank, ele é muito interessado no que os outros meninos fazem. Ele brinca com os outros garotos, mas existe uma profunda parte espiritual nele que eu não consigo explicar.”

Desde cedo Frank demonstrou seu espirito cuidadoso e companheiro, cuidando dos seus amigos e os instruindo através de histórias bíblicas, sobre o amor filial e sobre o patriotismo. Num de seus sermões no domingo a tarde, Frank compartilharia o ensinamento que em alguns anos se tornou a virtude central da Ordem DeMolay: “Amigos são muito importantes! Nós devemos ter amigos. Nós devemos partilhar com eles. Ajudar uns aos outros. Eu vou lhes contar uma história do Antigo Testamento sobre dois amigos, Davi e Jônatas”. E assim começou seu sermão com tom profético, que aos seus 10 anos já implantava idéias de virtudes e cidadania a todos que os escutavam.

Dos 12 aos 21 anos

Assim como toda família, a dos Land também tinham problemas. Os desentendimentos e dificuldades cresceram ao nível de conflitos pessoais e a única solução foi o divorcio. William ficou na cidade de St. Loius e Elizabeth, que na época tinha Frank com 12 anos e a caçula Sissy com 7, voltou para sua cidade natal Kansas City para morar com sua mãe. Foi uma época perturbada para Frank, pois ele perdera sua figura masculina em uma importante parte do seu desenvolvimento pessoal, o que transformou o Pequeno Ministro em alguém recolhido e tímido, a ponto de dar a volta no quarteirão para evitar encontrar com as garotas de sua classe.

Nesse tempo de timidez de sua adolescência, Frank preenchia seu tempo com leituras que o fez conhecer e passar a aceitar a responsabilidade individual que cada ser humano possui, aprendeu o dever do jovem crescer e se tornar um “herói” honesto em meio a sociedade, e um de seus sonhos foi de se tornar um bombeiro. Seus autores favoritos eram Horatio Alger e G. A. Henty.

Em 1907 Frank, sua mãe e avô montaram um restaurante. As mulheres cozinhariam e Frank seria o administrador. No ano seguinte Frank entrou no Kansas City Art Institute (Instituto de Arte) por seu interesse na arte e na pintura, e nesse instituto expandiu seu conhecimento artístico adquirindo amor e apreciação por todas as formas de artes. E esse conhecimento cultural adquirido na juventude foi o que lhe garantiu um grande conhecimento e destaque dentro os ritos da Maçonaria.

Exemplo de brasão heráldico Templário.

Frank admirava secretamente Nell, uma menina do instituto. E certa vez Nell foi a Frank perguntar o que ele estava desenhando, e sua resposta foi: “Estou pintando um Escudo da Cavalaria”, e explicou “Eu sempre fui interessado nas Cruzadas e nos tempos da história em que os cavaleiros lutavam em batalhas e resgatavam belas damas do perigo. Esse emblema que estou desenhando é do século quatorze. Foi nessa época que espadas foram sobrepostas por escudos. Era a época de ouro da Heráldica. Eu acrescentei um elmo também. Você sabia que os elmos só eram usados por cavaleiros, e só podiam ser usados nos brasões  das famílias de cavalaria? Você se interessa por isso?”

Assim começou seu diálogo com Nell, e uma semana depois Frank tomou coragem para convidá-la para tomar sorvete e conversar sobre escudos, espadas e a época da cavalaria. Mas nesse encontro, Frank nunca mencionou quaisquer desses assuntos, simplesmente perguntou a Nell quem era ela, e pedindo para ela falar sobre ela mesma. Três anos mais nova que Frank, descendente polonês, nascera em 5 de fevereiro de 1893 em Kansas City, batizada como Nell Madeline Swiezewski. Não demorou muito para os dois se sentirem bem juntos e iniciarem o romance.

Dessa maneira a família Land ia aumentando, pois a mãe de Frank, Elizabeth se casou com um rapaz um ano mais velho que ela em 1909. Dando a Frank uma nova irmã, Elizabeth Irene, que Frank chamava de “Princesa Irene”, e que foi a grande inspiração materna que ele precisou para futuramente colocar o Amor Filial como a primeira das virtudes DeMolay por observar o amor de sua mãe com sua irmã mais nova.

Tomando conta do restaurante, de sua própria educação, e de Nell, Frank desenvolveu ainda mais seu senso de liderança e organização. No dia 21 de junho de 1911 ao chegar na maioridade, Frank recebeu o presente mais importante da sua vida de sua avó, através de algumas palavras e um envelope: “Frank, você agora tem 21 anos. Eu estou orgulhosa de você e do que você fez. Seu avô era Maçom. Eu ficaria feliz se você se unisse a Fraternidade que ele tanto amou. Em sua memória, e como um presente meu, você achará nesse envelope o dinheiro necessário para apresentar uma petição para ingresso na Maçonaria. Faça como seu coração ordenar, mas me agradaria muito ver você fazendo isso.”

Encontro com Louis Gordon Lower

Sua petição foi aceita na Ivanhoe Lodge 446 (clique aqui para ver a Loja no Google Street View) e sua iniciação ao Grau de Aprendiz aconteceu no dia 25 de maio de 1912. Alcançando o Grau de Companheiro em 17 de junho do mesmo ano, e alguns dias depois já tinha autorização para ser exaltado ao Grau de Mestre Maçom, cerimônia ocorrida no dia 29 do mesmo mês.

Uma nova porta foi aberta para Frank S. Land, que ao iniciar na maçonaria percebeu que havia encontrado algo a mais, algo que sempre procurara. A Maçonaria proveu meio que ele pôde expressar seu amor aos seus novos irmãos, sua compaixão aqueles que se encontravam em dificuldade, e sua vontade de ajudar seus companheiros, tudo através das lições aprendidas nos três graus simbólicos da maçonaria. Dessa maneira sentiu vontade de entrar em todos os grupos e ritos que tivesse acesso para absorver seus ensinamentos e filosofias. Começou a cavalgar os graus do Rito de York, Rito Escocês Antigo e Aceito, se tornando Grau 32 no Kansas City Scottish Rite, e participou do Ararat Temple se iniciando no Ancient Arabic Order of the Nobles of the Mystic Shrine, dentro de alguns anos alcançando todos os graus e recebendo diversos cargos dentro dos ritos. É importante relembrar que Frank sempre esteve em destaque apesar de sua jovem idade dentro da Maçonaria devido aos estudos que fez durante sua juventude e pelo seu interesse em ajudar o próximo.

Se casou com Nell no dia 15 de setembro de 1913. Em 1914 Frank recebeu uma nova oportunidade e precisou da ajuda de Nell para tomar essa decisão, que era de vender o restaurante e dedicar-se em tempo integral a se tornar administrador e secretário em um novo projeto no Templo do R.E.A.A. Ao invés de insegurança com o futuro, Nell mais uma vez contribuiu para que as coisas na vida de Frank tomassem um novo rumo: “Frank, aceite essa oferta. Assuma esse trabalho. Você nunca será feliz enquanto não achar meios de servir as pessoas. Acredito que isso abrirá um novo mundo para você. É o limite da sua vida de trabalho. Eu sinto que disso virá uma grandeza para você e para os outros”. E como uma profecia, entre 1914 e 1919, Frank trabalhou em projetos que o incentivaria a criar a Ordem DeMolay, só precisando de mais um empurrão, que viria a seguir.

Em janeiro de 1919 Frank recebeu uma ligação de San Freet, Primeiro Vigilante de sua Loja Mãe, Ivanhoe 446, com um pedido: “Um de nossos membros, Elmer E. Lower, que foi iniciado ao grau de Companheiro, morreu ano passado, acredito que no dia 3 de janeiro. Ele deixou sua esposa e quatro filhos que agora estão entre seis e 17 anos. A mãe tem feito um grande trabalho para sustentar a família. Ela achou um emprego como inspetora no hospital, mas isso não é suficiente para sustentar a família.Você conseguiria achar um emprego de meio expediente para o garoto, Louis? Ele é um dos melhores jovens que eu já conheci.”

Assim aconteceu a fundação da vida de Frank. Sua dedicação a vida religiosa o fez ser uma pessoa carismática e profética desde criança, estudando simbolismo bíblico, conhecendo a cultura medieval, e adentrando nos estudos e ensinamentos dos diversos graus da maçonaria que concretizaram e expandiram ainda mais todo seu conhecimento e interesse. Junto ao seu amor a Deus, a pátria, ao próximo, e o ao amor materno, dentro de alguns meses iniciou um projeto para mudar para sempre a vida de Louis e de mais oito de seus amigos.

É dever de um DeMolay conhecer o Pai e o objetivo de sua Ordem. Aqui conhecemos o caráter e um pouco da jornada desse homem. Conhecer nos faz pensar e refletir sobre nosso propósitos, valores e verdadeiros objetivos. No próximo passo veremos o nascimento do nosso tesouro, o Ritual dos Trabalhos Secretos.

Em homenagem a Frank Sherman Land, o homem que com sua bondade e sabedoria mudou, muda e continuará mudando, a vida de milhares de jovens. O Pai da Ordem DeMolay que hoje completa 100 anos de maçonaria.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda

Leonardo Cestari Lacerda é Sênior DeMolay do Cap. Imperial de Petrópolis, nº 470, e Maçom da A.’.R.’.L.’.S.’. Amor e Caridade 5ª, nº 0896.

Virtude Cardeal é uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

#Demolay

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/frank-sherman-land-100-anos-de-ma%C3%A7onaria

A Equipe por trás do Projeto Thelema

93!

Na Contagem regressiva para começar o Financiamento Coletivo dos Livros Sagrados de Thelema. Dia 5/Fevereiro começará no Catarse o Projeto para trazer ao Brasil os livros mais importantes da Thelema, escritos por Aleister Crowley. Hoje falarei sobre a equipe que está responsável pela tradução e edição:

Frater Iskuros (tradutor) tem mais de 30 anos de envolvimento com a corrente telêmica. Admitido na A.’. A.’. em 1992, foi o único brasileiro a passar pelo Ritual DCLXXI (ThROA) – Austin, Texas, 1998. Foi também o primeiro brasileiro a ser sistematicamente iniciado em todos os graus da Ordo Templi Orientis, tendo sido recebido no Soberano Santuário da Gnose (IXº) em 1999, em Manchester, Inglaterra. Foi, ainda, apontado cossucessor e detentor do IXº da Ordem dos Cavaleiros de Thelema pelo saudoso Euclydes Lacerda de Almeida (Frater Aster) em dezembro de 2000. Atualmente, é membro do círculo mais interno da Fraternitas Rosicruciana Antiqua, Conselheiro da Sociedade Novo Æon e representante do Grão-Mestre da Ordo Saturni no Brasil.

Johann Heyss (tradutor) é escritor, tradutor e músico. Thelemita desde o início dos anos 1990, quando conheceu Euclydes Lacerda de Almeida, seu instrutor na A.’. .A.’. e seu mestre na O.T.C.T. No momento não está ligado a nenhuma ordem ou organização iniciática. Lançou em 2000 o primeiro livro sobre o Tarô de Thoth e em 2010 a primeira biografia sobre Aleister Crowley por autor brasileiro. Suas músicas, romances e poemas frequentemente abordam temas relacionados a Thelema.

Leo Holmes (tradutor) é estudante de ocultismo há mais de vinte anos e autor publicado internacionalmente, tendo contribuído com um punhado de artigos para períodicos Europeus, mais conhecido no entanto pelo seu livro LeMulgeton – Goetia and the Stellar Tradition, publicado na Europa em 2013. Especialmente interessado nas correntes Tifoniana e Saturniana, foi membro da sueca Dragon Rouge, é membro convidado da Esoteric Order of Dagon e, juntamente com Frater Iskuros, é um dos membros fundadores da Ordo Saturni no Brasil.

Marcia Seabra (revisora) é historiadora, taróloga e professora especializada na simbologia do Tarot de Thoth há 28 anos. Seu primeiro contato com Thelema foi através do Livro de Thoth no final na década de 80, na França. Em seu retorno ao Brasil foi iniciada na OTO, onde aprofundou ainda mais seu conhecimento nos ritos e na simbologia de Thelema. Atualmente é membro da Ordo Saturni do Brasil e, juntamente com Frater Iskuros, administra os trabalhos ritualísticos dessa Ordem.

Frater Thoth (Editor) Iniciou seus estudos no Hermetismo em 1989, em Farnham, Inglaterra. Mestre Instalado Maçom, Coordenador do site TdC desde 2007; autor da Enciclopédia de Mitologia e do livro Kabbalah Hermética, uma das mais importantes obras de referência no Brasil. Foi Grande Marechal da Ordem Templária no Brasil em 2011-2012 e ocupa atualmente o cargo de Grande Secretário de Ritualística no Arcanum Arcanorum.

Quem apoiar com apoio “Minerval” (os 3 livros + nome nos agradecimentos) ou maior (“Templario”, “Tarot”, “Biblioteca do Alquimista” ou “Loja Patrocinadora”), nas primeiras 48h receberá uma réplica em mdf da “Stele of Ankh-ef-en-Khonsu” (Stella of Revealing).

Dia 5/fev, apoie nas primeiras 48hs e faça parte da história da Thelema no Brasil!

Livros Sagrados de Thelema

93, 93/93

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-equipe-por-tr%C3%A1s-do-projeto-thelema

Arcano 12 – O Enforcado – Mem

Um homem está suspenso, pelo pé, de uma trave de madeira que se apóia em duas árvores podadas. Os dois suportes são amarelos e cada um conserva seis tocos da poda, pintados de vermelho; terminam em forquilha, sobre as quais repousa o pau superior.

São verdes os dois montículos dos quais nascem as árvores da provação, e nos quais brotam plantas de quatro folhas. A corda curta que suspende o homem desce do centro da barra transversal.

O personagem veste uma jaqueta terminada em saiote marcado por duas meias-luas à direita e à esquerda, que podem ser bolsos. O cinto e o colarinho da jaqueta são brancos, assim como os dez (ou nove) botões – seis acima e quatro (ou três) abaixo da cintura.

A cabeça do Enforcado encontra-se no nível da base das árvores. Suas mãos estão ocultas atrás da cintura. Naturalmente, a perna pela qual está suspenso – a esquerda – permanece esticada, enquanto que a outra está dobrada na altura do joelho, cruzando por trás a perna esquerda.

Significados simbólicos

Abnegação. Aceitação do destino ou do sacrifício.

Provas iniciáticas. Retificação do conhecimento. Gestação.

Exemplo, ensino, lição pública.

Interpretações usuais na cartomancia

Desinteresse, esquecimento de si mesmo. Submissão ao dever, sonhos generosos. Patriotismo, apostolado. Filantropia, entrega a uma causa. Sacrifício pessoal. Idéias voltadas para o futuro. Semente.

Mudança de vida, iniciação, abertura espiritual, sacrifício por algo valioso. Paz interior, nova visão do mundo.

Mental: Possibilidades diversificadas, flutuações. Indica coisas em processo de amadurecimento; não define nem conclui nada.

Emocional: Falta de clareza, indecisão, particularmente no campo afetivo.

Físico: Abandono de algumas coisas, renúncias, projetos duvidosos. Impedimento momentâneo para a ação. Um assunto iniciado é abandonado e só poderá ser resolvido através de uma ajuda. Do ponto de vista da saúde: transtornos circulatórios.

Sentido negativo: Êxito possível, mas parcial, sem satisfação nem prazer, sobretudo em projetos de ordem sentimental.

Reticências, planos ocultos. Resoluções acertadas, mas que não se executam; projetos abortados; plano bem concebido que fica na teoria. Promessas não cumpridas, amor não correspondido.

Os bons sentimentos serão utilizados para maus empreendimentos. Impotência. Perdas. Auto-renúncia, passividade.

História e iconografia
Em 1591 – tomando como testemunho a História Eclesiástica de Eusébio – Galônio descreveu as torturas sofridas pelos mártires dos primeiros séculos da cristandade. “As mulheres cristãs – escreve – eram freqüentemente suspensas pelo pé durante todo um dia, e os algozes faziam de tal modo que suas partes mais íntimas ficavam a descoberto, de maneira a mostrar o maior desprezo possível à santa religião de Cristo”.

A suspensão pelo pé foi amplamente executada pelos supliciadores romanos e há testemunhos também de vítimas medievais. Uma canção de gesta do século XIII informa que este castigo foi aplicado a um trovador por um dos duques de Brabante, quando este o surpreendeu em diálogo mais que musical com a duquesa.

Mas o enforcamento pelo pescoço, mortal, tem histórias mais remotas e, no caso de Judas, trata-se de um gesto auto-imposto na sequência do sacrifício que fez para que se cumprissem as profecias.

Uma tradição que vem dos primórdios da Igreja cristã é a de que um outro apóstolo, Pedro, teria insistido em ser crucificado de cabeça para baixo por não se sentir digno de reproduzir o suplício de Cristo.

No que diz respeito às artes gráficas, há inúmeras miniaturas dos séculos XIII e XIV com reproduções de santos e mártires pregados pelos pés a uma barra elevada. Mas é preciso chegar aos fins do século XV para descobrir uma imagem análoga à do Enforcado do Tarô.

De outro ponto de vista, pode-se dizer que a Antigüidade nos deixou inúmeros testemunhos de figuras invertidas que em nenhum caso poderiam ser ligadas ao suplício. Esta postura é adotada com freqüência por divindades nuas assírio-babilônicas, nos cilindros de argila que reproduzem cenas de conjunto.

É possível imaginar que as deusas nesta posição significavam outra coisa: propunham uma leitura ritual que, agora, parece absurda ou incompreensível.

Alguns estudiosos lembram, a esse respeito, os ensinamentos que atribuem ao homem o papel de estabelecer a ligação entre o Céu e a Terra, numa zona que o preserva de influências e contaminações. “Toda suspensão no espaço participa deste isolamento místico, sem dúvida relacionado à idéia de levitação e de vôo onírico”.

Muitas lendas de origens diversas atribuem aos enforcados características mágicas e os dotam de vidência e mediunidade.

Para Wirth, preocupado com o simbolismo iniciático, o protagonista do Arcano XII é homólogo ao do Prestidigitador (I), já que também inicia uma das vias, mas partindo do extremo oposto do caminho. Neste sentido o vê como o princípio de intuição pelo qual o ser humano pode alcançar um resplendor de divindade: como colaborador da grande obra que mudará para o bem a carga negativa do universo; como a vítima sacrifical para a redenção.

Atribuem-se ainda ao arcano virtudes divinatórias e telepáticas; é com freqüência relacionado com a arte e a utopia. Alguns o vêem como arcano possessivo, mas é necessário compreendê-lo num sentido puramente idealista, como uma manifestação de amor que carece de objeto individual (amor ao próximo).

Uma especulação interessante pode ser feita partir de seu número na ordem do Tarô, que o relaciona ao décimo-segundo signo do zodíacao, Peixes ou ainda ao conjunto do simbolismo zodiacal e ao dodecadenário: os doze signos e os doze meses do ano, os doze apóstolos, as doze tribos de Israel…

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-12-o-enforcado-mem

Trago a mulher amada em 7 dias!!!

Recebi um SPAM tosco no último de um desses pais-de-santo picaretas que infestam a net. Normalmente eu costumo deletar, mas dessa vez postarei o SPAM aqui no blog com comentários…

TRABALHO DE AMARRAÇÃO E UNIÃO

é a forma através da magia de se conseguir quem se ama de volta ou conquistar a pessoa que deseja.

Trazer de volta a pessoa amada

– De Pai Rxxxxxx de ogum Babalorixas Responde

Trabalhos de amarração união amorosa feitiços e magias do amor de volta

1- Todo o ritual de amarração é feito pelo Centro ou eu precisaria me envolver em alguma etapa do trabalho?

Re: Todo o trabalho e ritual e feito por nos assim que você nos autorizar a faz você não tem que fazer nada somente nos que vamos fazer para você.

2- Em quanto tempo após efetuar o pagamento a consulta ou o trabalho a amarração poderá ser feito?

Re: Imediatamente assim que for localizado o deposito faremos no mesmo dia.

3– Estou em outro estado tem como fazer a consulta ou trabalho?

RE: Sim independente do local que você estiver podemos lhe ajudar.

4- Caso seja necessário desfazer, é possível?

RE: Sim quando você quiser basta nos comunicar que desfazemos o trabalho para você, ate hoje ninguém pediu para desfazer não todos pede para continuar com os trabalhos.

@MDD – Com esta base, sabemos que nosso hiper-ultra-super-fantástico amigo pai de santo é capaz de fazer amarrações de qualquer pessoa SEM TER SEQUER UMA CONEXÂO com a pessoa. Amarrações são feitas, sem exceção, com vínculos de conexão (fios de cabelo, roupas, objetos pessoais, etc). Como este picareta pretende fazer qualquer coisa à distância e sem nem ter noção de quem seja a pessoa a ser amarrada. Isso já dispara o alarme anti-picaretas no defcon2

5- Você falou em trabalho de MAGIA NEGRA… Gostaria de saber se esses rituais envolvem sacrifícios de animais?

Re: De hipótese alguma e permitido algum membro ou médium do centro espírita Rxxxxxx de ogum fazer este tipos de rituais com animais ou sacrifícios isto para nos e hediondo e não trabalhamos com este tipo de trabalho.

6- Esse trabalho de amarração pode trazer algo negativo para as pessoas envolvidas?

RE: De forma alguma, pois ele e um trabalho natural qual não tem efeitos negativos a ninguém muitos menos a você ou para pessoa que você estiver fazendo, ou seja, a ninguém.

7- O fato de eu já ter feito outros trabalhos pode interferir em alguma coisa?

RE: Independente do que você já fez ou mandou fazer não vai atrapalha o que tivermos fazendo para você, ou seja, não atrapalha em nada.

@MDD – Ou seja, não é feito nenhum trabalho. Se fosse mesmo um trabalho de magia negra, envolveria alguma fonte de energia para alimentar o egun/kiumba. e se fosse MESMO feito, a pessoa que encomendou receberia TODA a carga karmica pelo trabalho. Em terceiro lugar, se força alguém a ficar com um fulano contra o livre-arbítrio, como é que esse idiota fala que “não tem efeito negativo a ninguem”?

8- Em quanto tempo eu tenho o resultado do trabalho após eu ter feito tudo que o médium me orientou a fazer?

RE: Obs. O efeito ocorre após 24 horas depois do trabalho feito podendo você alcança seu objetivo sejam eles quais forem a qualquer momento.

@MDD – O pior de tudo são estes estelionatários usarem o termo “médium”. Depois os céticos vão cair de pau em quem? Esse tipo de bandido como esse Rxxxxxxx de Ogum, que nem no google aparece, é que atrapalha mais os espiritualistas do que crentes ou céticos.

9-Posso fazer a consulta pelo MSN?

RE: A consulta não e feita através do MSN após você nos conta seu problema e entendermos o que esta se passando com você e já tivemos em mãos seu nome e dados para consulta após termos confirmado seus dados e eles serem verídico será encaminhado ao médium responsável que juntos as entidades fará uma consulta em busca da solução do seu problema e assim que pronta a consulta lhe enviaremos por e-mail, se desejar basta ligar para os números que se encontra a sua disposição no site que lhe passamos sua consulta com todos os detalhes.

Não atendemos ou respondemos perguntas pelo MSN antes de você fazer a consulta atendimento por MSN e exclusivo a pessoa que esta fazendo consulta ou trabalho conosco.

Para você ser atendida (o) o mais rápido nos envia um e-mail contanto seu problema melhor e mais rápido você terá sua resposta sobre o que procura e ajuda para resolver seu problema.

@MDD – Quem mandar um problema falso e conseguir a melhor resposta (do antigo Cocadaboa) vai ganhar uma amarração grátis do pai Del Debbio de Exú Mirim. [Deletei o email pq em 2020 de cada 2 que vão rir tem 10 que vão lá rastejar e pedir amarração]

10- Sou homo sexual tem algum problema vocês me atentem assim mesmo pode me ajudar?

RE: Sim claro independente da sua opção sexual você e bem vinda (o) o centro espírita sândalo não tem preconceito não ver raça ou cor todos e bem vindos e vamos ajudar você da melhor forma possível.

11- Eu freqüento outra religião isto pode me atrapalha em alguma coisa?

RE: Não de forma alguma o fato de você esta procurando ajuda para resolver seu problema através da magia espírita não vai alterar seu perfil ou mudar sua religião muito pelo contrario o que pode ocorrer e a melhora simultânea da sua vida podendo você continuar a freqüenta a religião que você achar que lhe convém.

@MDD – “Magia espírita”… Chico Xavier se revirando no túmulo…

12- Quero fazer mais tenho muito medo tenho alguma conseqüência ou isto pode me trazer algum problema futuro ou algo de ruim?

RE: Não mesmo por que você não estará praticando algo ruim tudo que envolve amor e bom e traz consigo bom resultado futuros, a magia não faz mal a você, mesmo porque não praticamos rituais macabros ou sacrifícios. Tudo que praticamos aqui e sempre com a permissão de Deus acima de todas as coisas.

@MDD – Bullshit. Qualquer magia que faça algo contra o livre-arbítrio de outra pessoa é magia negra e recai em problemas kármicos, sem exceção.

13- A pessoa que eu quero esta com outra mesmo assim e possível?

RE: Sim independente da situação ou a forma que hoje se encontra temos como ajudar você a ser feliz.

@MDD – vamos é levar o seu dinheiro, seu trouxa.

14- A pessoa que eu quero mora em outro estado (MESMO ASSIM) e possível fazer algo?

RE: Sim independente do local que se encontra a pessoa que você ama e possível fazer a magia.

Qual a melhor forma de entrar em contato com médium?

15-RE: Através dos telefones de contatos que se encontra a sua disposição no site ou por e-mail ou se você e usuário 55 22 9828xxxx

16- Serão mantidos em sigilo os dados por mim fornecidos a vocês para consulta ou trabalho?

RE: Sim garantimos que toda e qualquer informação fornecida em consultas e nos Trabalhos será ABSOLUTAMENTE MANTIDA EM TOTAL SIGILO, como nome, endereços e finalidade; somente terá acesso à informação o interessado e o Médium responsável pela execução do Trabalho.

@MDD – mesmo porque quem vai querer aparecer no jornal como o corno trouxa que perdeu 700,00 pra um pai de santo picareta em troca de nada? e ainda passar vergonha na frenta da mulher amada, que com certeza trocou o fulano por alguem mais esperto (e rico, já que o otário ficou 700,00 mais pobre nessa pataquada).

17- O pagamento precisa ser antecipado? Ou pode ser feito após o resultado? Como é feito o pagamento?

RE: A consulta e cobrada e somente e feita mediante comprovante de pagamento ou numero do comprovante de deposito ou da transferência, escolha o banco que fica mais fácil para você fazer o deposito ou transferência no

Banco Itaú ag xxxx

c/c xxxxx-3 valor 690,00

@MDD – seiscentos e noventa pilas !!! pagamento antecipado e adiós pro seu dinheiro.

Uma amarração faz uma pessoa ficar com outra, ou faz ela voltar, faz ela desejar e não conseguir deixar de pensar nessa outra pessoa. Por isso, como mais abaixo é explicado, o trabalho de amarração acaba abrindo uma porta. Pai Rxxxxxxx de ogum Babalorixa Guru a 21 anos fazendo milhares de casais felizes atraves da magia do amor amarraçao

Mesmo você tenha cometido uma falha que atualmente ele/a não perdoe. Esteja onde estiver, nada o/a poderá deter de voltar para tí (nem a distância geográfica ).Basta de amantes e traições !!! Ele/a não quer assumir a relação ? – Com este Ritual, nem ele ou ela, terão poder para dizer “Não”. A sua Vontade prevalecerá! Seja sexy e dominador(a) nas suas aventuras amorosas – O Fogo da Paixão acenderá o desejo ardente em qualquer pessoa que você deseje. Não seja derrotista ! – Vença tudo e todos os que se opuserem à sua vontade A família dele ou dela intrometem-se na relação ? – Lute pelos seus ideiais e não cruze os braços, senão, eles vencerão. Ele ou ela têm a mania que são os melhores e são arrogantes ? – Dê-lhe uma lição e faça ele/a vir implorar o seu perdão e amor. Querem roubar o seu amor ? – Dê uma lição na/o outra/a mesmo sem conhecer a pessoa. Não permita que lhe vençam!!!

@MDD – Como diz o ditado, “enquanto existirem burros, São Jorge não anda a pé”.

Quem tem seu nome como alvo de um trabalho de amarração não consegue realizar nem mesmo ações mais simples. Como comer, divertir-se, dormir e trabalhar sem pensar e desejar a pessoa que solicitou o trabalho. Mesmo que antes do trabalho feito ela sentisse desprezo, raiva, mágoa ou indiferença. Todos os sentimentos negativos são arrancados de sua mente e coração dando lugar a uma nova realidade repleta de apego, desejo incontrolável de estar ao lado e desejo sexual ardente.

INVEJA – Sim, inveja ! Todas as pessoas que são mal amadas e/ou solitárias, tornam-se invejosas e mesquinhas. Quantas e quantas pessoas, com menos atributos físicos ou socias, têm sucesso no amor e no sexo? Acha que é por acaso ou porque nasceram com uma estrelinha na testa ? Muitas dessas pessoas conhecem a magia da amarração certa para triunfarem. Nada é por acaso!

CIÚME – A maior parte dos casais sofrem com brigas de ciúmes (fundados ou infundados) por causa de terceiros. Outras pessoas têm os amores, da vida delas, mansos, humildes e obedientes como “carneirinhos”. Acha que é por acaso?

SOFRIMENTO MENTAL – A solidão afetiva MATA , lentamente, como que corroesse a alma. Muitas pessoas, que apesar de serem bonitas e simpáticas, não têm sorte no amor e – muitas das vezes – parecem que são ínvisiveis aos olhos das pessoas. Acha normal? O mais provável é que tenha algum “trabalho feito” para fechar os caminhos do amor ou, então, têm alguma maldição.

ABANDONO – Acreditem ou não mas, muitas pessoas vivem uma vida amorosa, com o seu/sua companheiro(a), como estivessem num sonho de fadas. De repente, começam as brigas, agressões verbais e físicas e, por fim, a indesejada ruptura. Acham que o amor termina assim, de uma hora para a outra ? Ou será que foi “trabalho feito” ?

Bem, CHEGA DE RECLAMAR, pois, « Para grandes males, grandes remédios» e JÁ ESTÁ AÍ!

Existe um Ritual de Amarração que anula, todos, esses e quaisquer outros sentimentos e situações desagradáveis. Não pense que são meras “simpatias” ou resinhas caseiras. Aqui, você vai entrar no MUNDO DA ALTA MAGIA DA AMARRAÇÃO. Ninguém o(a) poderá deter !!!

@MDD – “Mundo da alta magia de amarração” HAUAHAUAHAUAHA… só não fico com pena dos trouxas que caem neste tipo de estelionato porque também têm sua parcela de culpa, querendo dominar alguém contra a vontade. A lei do karma é justa, porque é um picareta enganando outro.

Com este RITUAL DE ALTA AMARRAÇÃO terá o poder de:

Acabar com a solidão afetiva – encontrando a pessoa amada (mesmo que seja do mesmo sexo, se assim quiser)

Amarrar a pessoa amada – evitando, assim, um possível divórcio e/ou ruptura Dominar a pessoa amada – podendo fazer dele ou dela “gato e sapato” e fazendo a pessoa amada obedecer só a ti.

@MDD – Ei… Não era magia do amor??

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/trago-a-mulher-amada-em-7-dias

Psicodelias, Relâmpagos e Catedrais

Continuando nossa série histórica a respeito das origens dos Cavaleiros Templários, dividimos nosso arco histórico em três facções: de um lado, a Igreja Católica e a história de seus papas, até chegar em Urbano II “Porque Deus quis” pode ser lida AQUI, AQUI, AQUI e AQUI. Do outro lado, a história paralela dos Construtores do Templo, as guildas de maçons detentores do conhecimento da geometria sagrada, preservado desde as pirâmides egípcias até os templos romanos (e até os dias de hoje).

Justamente quando estava escrevendo esta coluna, li um texto postado pelo amigo Kentaro a respeito de um estudo feito por cientistas a respeito de padrões psicodélicos encontrados em neurônios em curto-circuito. Por coincidência, acabei de ler um livro chamado “Girando a Chave de Hiram” onde o autor relaciona justamente estas conexões e a ritualística templária e maçônica. Nesta semana, traçarei a relação entre psicotrópicos, mantras, orgasmos, meditações, relâmpagos, limiares da dor, religião, da falta de sono e até mesmo experiências de pós-morte e sua conexão com o Plano Astral e com a estrutura das primeiras catedrais européias.

Antes de mais nada, vamos ao texto original:

Psicodelia explicada por neurônios em curto
“Está cheio de estrelas”, disse o astronauta Bowman enquanto era absorvido pelo Monolito Negro em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Uma sucessão de imagens psicodélicas (criadas com fotografia slit-scan) representavam então um contato com o Divino, ou o que quer que fosse, já que o próprio Kubrick nunca deixou claro o que diabos aquele final significava. Mas era algo grande, místico, mesmo religioso.
Imagens espirais e túneis de luz afins emergem repetidamente em experiências com drogas alucinógenas, e talvez não por mera coincidência, em iconografias religiosas resultantes de “visões”, como mandalas, arte islâmica ou catedrais cristãs. Não apenas isso, surgem também em experiências de “quase-morte”, alucinações de sinestésicos, cefaléias, epilepsia, distúrbios psicóticos, sífilis avançada, distúrbios do sono, tontura e mesmo em pinturas rupestres de milhares de anos.
Esta universalidade parece indicar algo maior, quiçá contato com planos superiores, ainda que cefaléias, sífilis avançada ou distúrbios psicóticos como meio de se aproximar de deus pareça um tanto bizarro. A neurociência aliada à matemática sugere uma explicação um pouco mais mundana. Porque a ciência já anda investigando o tema.
Nos anos 1920, o neurologista alemão Heinrich Klüver dedicou-se com afinco a estudar os efeitos da mescalina (peyote), e notou como tais padrões geométricos eram repetidamente relatados por diferentes sujeitos (incluindo ele mesmo, mas esta é outra história). Os padrões acabaram classificados no que ele chamou de “constantes de forma”, de quatro tipos: (I) túneis, (II) espirais, (III) colméias e (IV) teias.

Pois estudos recentes, aliando descobertas sobre o funcionamento do córtex visual a modelos do funcionamento de neurônios sugerem que tais padrões podem surgir simplesmente de uma espécie de curto-circuito no cérebro. Perturbações simples no córtex visual, quando mapeadas ao correspondente que o sujeito perceberia, podem gerar padrões notavelmente similares às constantes de forma psicodélicas.

À esquerda, a representação da alucinação de um maconhado. Ao lado, a simulação da percepção gerada pela perturbação do córtex visual. Simples assim. Nada de enxergar deus, e sim um produto da forma como nossos neurônios processam imagens, e como reagem assim a perturbações em seu funcionamento. “Está cheio de estrelas”, mas todas em seu cérebro.
Ou não tão simples, é preciso ressalvar. Neurocientistas, cientistas que são, admitem que ainda não conseguem explicar todas as alucinações relatadas. O próprio exemplo acima envolve uma complexidade maior do que os modelos usados, e a simulação envolve mais especulação. Mesmo o modelo utilizado para simular a percepção dos sujeitos frente às perturbações em seu córtex visual é, ainda, rudimentar, envolvendo diversas simplificações. É uma área ainda em exploração, mas pelo visto, extremamente promissora. Explicaria bem porque tanto religiosos em transe quanto drogados e sifilíticos em estado avançado poderiam partilhar as mesmas alucinações visuais. São seres humanos partilhando a mesma estrutura cerebral submetida a alguma perturbação.

By Kentaro Mori no 100Nexos.

Espirais, Relâmpagos e Teias de Aranha
Uma das sete leis de Hermes Trismegistrus diz que “Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso”.
Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento. Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares não é rígida ou imóvel, mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia. A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode parecer a nível material, mas cheia de movimento e ritmo. Ela dança.

Os primeiros contatos com o Divino muito provavelmente aconteceram por causa dos relâmpagos. Robert Lomas, em seu livro “Girando a Chave de Hiran” conta que, certa vez, estava passando de automóvel quando quase foi atingido por um raio. O raio havia passado tão perto que, por alguns segundos, não apenas a parte elétrica de seu carro teve problemas, mas ele teve uma “visão de Deus”. Naqueles pequenos instantes, que para ele pareceram uma enternidade, Lomas teve o contato direto com o Cósmico, fundindo-se ao todo, na sensação que os ocultistas chamam de Samadhi ou “pequeno mergulho no Nirvana”. O contato com Kheter.
Durante o livro, com a ajuda de diversos neurocientistas britânicos, ele traça paralelos experimentais entre o “curto-circuito” que experimentou graças ao raio e as descrições de êxtase religioso encontradas em diversas literaturas, bem como experiências de neurocientistas como Michael Persinger, Andrew Newberg e Eugene D´Aquili envolvendo o comportamento do cérebro humano.

Mas voltando aos trovões e relâmpagos… é muito provável que desde os tempos mais remotos, muitos homens tenham passado pela mesma experiência que Lomas. Este “curto circuito” e posterior expansão da mente do indivíduo pelo Cósmico certamente resultariam em uma experiência transcedental, divina. O contato com o TODO, o Grande Arquiteto do Universo. Não é de se estranhar, então, que alguns dos deuses mais importantes de todas as mitologias faziam uso do trovão como arma (Zeus fulminando seus adversários na mitologia grega, por exemplo). Ao quase ser alvejado por um raio e sobreviver, o indivíduo ou grupo de indivíduos passava a ter um legítimo contato com a divindade cósmica, e traduzia esta sensação indescritível com o melhor que seu vocabulário pudesse conceber. Enquanto isso, no plano material, os neurônios e sinapses expostos a campos elétricos causariam a sensação que Walter Leslie Wilmshurts chamou de “Consciência cósmica”. Não é de se estranhar que os antigos construtores de catedrais, trabalhando em campanários e outros locais elevados, sob tempo ruim, invocavam a ajuda de Santa Bárbara.

Tantra e Chakras
A experiência divina não é exclusividade do contato com raios e trovões. Paralelamente a isso, os iniciados conheciam técnicas de magias sexuais derivadas do tantra para atingir o MESMO estado de iluminação, ou Samadhi. Através de orgasmos cada vez mais fortes e intensos, e do fluxo de energias despertando cada um dos chakras dos amantes, através da Kundalini, os iniciados conseguem experimentar o mesmo estado divino descrito pelas experiências acima. Da mesma forma, outros exercícios de meditação, contemplação e masturbação têm sido utilizados para o mesmo fim. A energia canalizada durante este “curto circuito” é muito utilizada na chamada Magia do Caos, desenvolvida por Peter J. Carroll no começo do século XX e não é muito diferente das antigas magias sexuais celtas ou egípcias.
Aposto minhas adagas ritualísticas que, se os neurocientistas medissem o padrão do córtex visual em um casal de sacerdotes durante o Hieros Gamos ou de um casal iniciado tântrico durante o Maythuna, eles encontrariam o mesmo padrão descrito por Heinrich Klüver.

Meditação, Mantras e Mandalas
Outro caminho conhecido para se atingir este estado de “curto circuito” é através da meditação. Exercícios de “desligamento da mente” zen e técnicas envolvendo mandalas, mantras ou orações repetitivas, normalmente trabalhando em um padrão espiral, fazendo com que os sentidos objetivos sejam cada vez mais neutralizados, até que haja o travamento das faculdades objetivas e, como conseqüência, a conexão com os planos superiores.
O mesmo processo explica claramente porque muitos fiéis cristãos, ao envolverem-se demasiadamente com as orações (especialmente no terço, que é uma derivação do japamala budista), entram neste “curto-circuito” durante as orações e chegam ao mesmo estado de consciência. A diferença é que, para estas pessoas, por desconhecerem o que está acontecendo, acreditam que “Jesus falou com elas”, pois não são capazes de explicar este contato com o Cósmico e, assim como os selvagens nas cavernas, tentam explicar ao mundo o que sentiram através de seu vocabulário limitado.
Novamente, se estes padrões cerebrais fossem medidos, teríamos o mesmo padrão, tanto que eles se repetem nos desenhos das mandalas, só que de uma forma invertida. Nas experiências com psicotrópicos, o usuário enxerga os padrões depois de entrar em contato com a droga; nas mandalas, o iniciado procura os padrões ANTES de causar o “curto-circuito”.
Qual padrão é a causa e qual é a consequência?

O limiar da dor
Também é conhecido que estes padrões são encontrados em cefaléias, epilepsia, distúrbios psicóticos, sífilis avançada e outras situações do limiar da dor extrema. Estes estados mentais também causam o “curto-circuito”, resultando os mesmos padrões descritos acima. Isto deu origem a uma série de rituais de iniciação e ritos religiosos envolvendo perfurações e suspensões por meio de ganchos, até os famosos faquires e devotos hindus, capazes de atravessar pregos pelo nariz, anzóis pela pele e ganchos por todo o corpo. Examine o córtex deles e teremos o mesmo padrão.
Este culto à dor pela iniciação existe até os dias de hoje, tanto em iniciações que envolvam suportar a dor, como o ritual de Gkol nas tribos de Vanuatu, que consiste em se jogar do alto de uma árvore ou penhasco amarrado em cipós como prova de iniciação da puberdade para a maioridade até talhar os próprios dentes para deixá-los pontudos ou perfurar a pele com piercings e anzóis, além das flagelações.

Durante a idade Média, existiram muitas ordens monásticas que cultuavam a auto-flagelação. Açoites e chicotes como forma de penitência foram trazidos para a Igreja católica dos templos hindus, que por sua vez traziam este costume da maneira a conectar-se com o divino através da penitência.
Podemos ver resquícios desta ritualística até mesmo no cilício, instrumento composto de espinhos que são amarrados na coxa e apertados de acordo com a vontade do usuário, causando uma dor contínua e muito forte. O cilício ainda é muito utilizado na Opus Dei e em outras ordens religiosas monásticas.

Sexo e a Dor
Os Etruscos possuíam templos destinados a ritos sexuais que envolviam prazer e dor (o mais conhecido é a Tombe de la Fustigazione), que deram origem à Lupercália romana e, mais tarde, ao dia de São Valentino (o “dia dos namorados” gringo). Até os dias de hoje, existem dentro de ordens do caminho da mão esquerda rituais de BDSM até o limiar da dor e do êxtase, onde se consegue chegar ao mesmo “curto circuito” da meditação zen. E aposto meu pantáculo saturnino que quando a iniciada estiver em êxtase, encontraremos nela os mesmos padrões descritos por Heinrich Klüver.

As drogas e os psicotrópicos
Outro aspecto muito comum nas iniciações é o uso de psicotrópicos e libertadores da consciência. Drogas como o haxixe, ópio, peyote, mescalina, folha de coca, LSD ou até mesmo o Santo Daime têm a finalidade de desligar os sentidos objetivos e abrir as portas da percepção. Como foi colocado acima, o efeito resultante no Plano Material é o mesmo das outras experiências. Da mesma maneira, Sinestetas enxergam sons, escutam cheiros, sentem cores e algumas delas (acabei de perguntar a uma amiga sinesteta pelo msn) enxergam espirais e estrelas no momento de um orgasmo. “Mas só dos mais fantásticos” segundo palavras dela. O que comprova nossa teoria a respeito dos orgasmos tântricos e curtos circuitos.

Dança de Roda
Outra maneira de se atingir este “curto circuito” é através da dança ou das artes marciais. Danças sagradas de roda e danças ritualísticas existem em todas as culturas e religiões, muitas das quais com extremos aspectos místicos. Entre as principais eu vou citar os Dervishes, do ocultismo muçulmano (epa, eu escutei certo? Ocultismo muçulmano? Sim crianças… chegaremos aos sufis e dervishes em breve) e suas danças de roda. Note como eles estão em estado de transe. Aposto meu cálice de prata que se você medir os padrões do córtex deles, obterá os MESMOS resultados supracitados.
Também posso citar as dançarinas de dança do ventre ou dança dos sete véus ritualística e, claro, os praticantes de kung fu ou tai chi (especialmente tai chi).

A Árvore da Vida
Dentro da Kabbalah, na Árvore da Vida (diagrama que mapeia todos os estados de consciência do ser humano, do mais mundano até o divino), este processo é o caminho que conecta a décima esfera Malkuth (o mundo da matéria) à nona esfera Yesod (o mundo astral, ou intuitivo e acausal), representado pela letra hebraica “Tav”, que também é o símbolo da Ordem dos Franciscanos. O Tau ou Tav representa a imaginação e todos os processos decorrentes da libertação da mente intuitiva da mente objetiva, que incluem todos os processos criativos e visionários. É o primeiro passo para a iluminação. Não é por acaso que todos os deuses representados em Yesod trabalhem com a intuição e com a conexão com a Consciência superior.

A Geometria Sagrada e os Rituais
Muitos dos Construtores de Templos conheciam as propriedades da geometria sagrada de induzir e promover estes estados psíquicos nos iniciados durante os rituais. Desde as proporções na Pirâmide, nos Templos Gregos e Romanos até chegarmos às catedrais cristãs e, posteriormente, às mesquitas muçulmanas e aos Castelos Templários.
Este conhecimento também permanece na África (o povo sempre se esquece que o Egito fica na África! Quando os muçulmanos tomam o Cairo e Alexandria, eles absorvem muito do conhecimento que estava disponível nas Escolas e bibliotecas), trazendo a geometria sagrada para a Arábia. Com as expansões, levam este conhecimento para o sul da Espanha também.

Mas isso já é outra história…

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/psicodelias-rel%C3%A2mpagos-e-catedrais

O Dia da Marmota

Pode uma marmota prever o tempo ? Cientificamente é por demais questionável, mas uma tradição de mais de cem anos numa pequena cidade do nordeste dos Estados Unidos chama a atenção de todo o mundo a cada ano e já foi parar até no cinema.

O Dia da Marmota (Groundhog Day) é uma festa tradicional nos Estados Unidos que é celebrada a cada dia 2 de fevereiro. Segundo a tradição, as pessoas devem observar uma toca de marmota Marmota monax e, se o animal sair da toca por o tempo estar nublado, isso significa que o inverno terminará cedo. Se, ao contrário, o sol estiver a brilhar e o animal se asustar com a sua sombra e voltar para a toca, então o inverno durará mais 6 semanas.

A cidade de Punxsutawney, localizada a aproximadamente 120 quilômetros a nordeste de Pittsburgh, entrou para o mapa do mundo justamente com a festa do Dia da Marmota. Lá vive “Punxsutawney Phil”, a marmota que todos os anos anuncia de o inverno vai durar ou não mais seis semanas. Ela é conhecida na cidade como a Previsora das Previsoras e é cuidadodamente protegida pelo Punxsutawney Groundhog Club, um grupo de cidadãos da localidade que desde 1887 promove o festival e que neste mesmo ano intitulou Punxsutawney como “the weather capital of the world” (a capital mundial do tempo). Quem chega a Punxsutawney é recebido por uma placa que anuncia que a previsão oficial da marmota de fato funciona e que seminários sobre os prognósticos são oferecidos anualmente.

O site oficial do Festival da Marmota de Punxsutawney diz que a marmota passa grande parte do ano em um ambiente Punxsutawneynte climatizado na biblioteca da cidade. A cada dia 2 de fevereiro, ela é retirada de sua toca às 07:25 da manhã para dizer ao mundo a sua previsão do tempo. A marmora Phil teria mais de cem anos de idade, brincam os moradores locais. De acordo com eles, a extraordinária longevidade de Phil é resultado da relação com a marmota Phyllis, a sua “esposa’, e uma dieta especial.

Mas, afinal, a previsão do tempo da marmota Phil funciona ? As suas previsões foram analisadas na 86ª Convenção da Sociedade Americana de Meteorologia em Atlanta e os resultados não impressionaram os pesquisadores. Um meteorologista destacou que o grau de precisão dos prognósticos da marmota desde o primeiro registro em 1887 é de apenas 39 por cento. Apesar da incerteza se a recente elevação da temperatura do planeta é resultado do aquecimento global ou de causas naturais, um grupo de estudantes de Meteorologia da Purdue Universityfez pouco caso do debate sobre a marmota. “Elas são péssimas prognosticadoras”, disse Kim Klockow durante a convenção em Atlanta. “Nós ainda amamos as marmotas, mas pra saber do tempo é melhor jogar uma moeda pra cima do que acreditar nelas”, concluiu.

A festa do Dia da Marmota se tornou tão popular que atrai milhares de pessoas a cada dia 2 de fevereiro e até nas telas do cinema foi parar. Imagine um dia em que tudo parece dar errado. Phil se tornou estrela no filme Feitiço do Tempo (Groundhog Day em seu título original, filmado em 1993.

A divertida história, já exibida diversas vezes na televisão brasileira, conta a história de um dia que certamente ninguém gostaria de viver. Imagine agora que esse dia se repita incontáveis vezes sem que você possa fazer nada para evitar isso. Esta é a maldição que vive Phil Connors (Bill Murray), um meteorologista e apresentador de televisão, egocêntrico ao extremo, sem amigos, nem amores, que após ter passado um dia aborrecidíssimo em Punxsutawney acorda todos os dias no mesmo dia, sem que mais ninguém, além dele, perceba essa situação. Cercado por desconhecidos, sem condições de sair da cidade, Phil se vê preso no dia 2 de fevereiro, em plena comemoração do Dia da Marmota.

A curiosidade é que Feitiço do Tempo não foi filmado na cidade onde acontece a grande festa do Dia da Marmota. A Columbia Pictures decidiu rodar o filme em local que fosse mais acessível a uma grande cidade. Punxsutawney se localiza numa zona rural de difícil acesso, com poucas auto-estradas na região, o que fez que os produtores escolhessem Woodstock, Illinois, para filmar O Feitiço do Tempo.

@MDD – Feitiço do Tempo é um dos meus filmes favoritos. É uma grande metáfora a respeito de reencarnações.

#Humor

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-dia-da-marmota