Hermes Trismegistus

“O que está em cima é como o que está embaixo.

E o que está embaixo é como o que está em cima”

O que é magia? Esta é uma questão que, mesmo em círculos esotéricos, levanta muita discussão. Vários autores e filósofos em todas as épocas teceram variadas interpretações a respeito do assunto. Entretanto, os elementos-chave de todas as definições existentes parecem concordar em apenas um ponto: Magia (ou Magick) envolve o uso da mente humana para causar uma alteração: Mudança no mundo, mudança do próprio indivíduo, mudança para com os outros. Aleister Crowley definiu mágica como “a Arte ou Ciência de causar uma mudança. Para que esta ocorra em conformidade com a Vontade”. Doreen Valiente define magia como “a ciência do controle das forças secretas da natureza”. Scott Cunningham chama a magia de “o movimento de energias naturais para criar uma mudança necessária”. Mas é Margot Adler que tem a definição que considero ser a mais interessante de todas. Ela diz:

“Magia é uma palavra conveniente para toda uma coleção de técnicas, todas as quais envolvem o uso da mente. Neste caso, veremos que todas estas técnicas envolvem a mobilização da confiança, vontade e emoção, direcionadas a partir do reconhecimento da necessidade, do uso das faculdades da imaginação, principalmente através da habilidade de visualizar, a fim de entender como outros seres funcionam na natureza para que possamos usar este conhecimento de forma a atingir os fins necessitados”.

Magia, portanto, é um instrumento da mente e, como tal é mental por natureza. Magia é um meio através do qual a vontade (Thelema), a emoção (Emotionem) e a imaginação (Imaginatio) criam uma mudança verdadeira no mundo físico. Como, porém, pode um instrumento mental e não físico criar uma alteração no mundo físico e corpóreo? A resposta está na Verdade de que o universo em si mesmo é Mental por natureza e que a mente é a chave para abrir os poderes do Cosmo.

“Substância” pode ser definida como aquilo que está por dentro de todas as manifestações exteriores. Atrás de toda aparência exterior neste mundo e em todos os outros mundos, deve existir uma realidade substancial. Um imenso Panteão de deuses e deusas mostra-nos como o homem tentar dar nome a esta realidade substancial.

Como John Barnes afirmou certa vez, “O Todo é a Realidade Substancial que está escondida em todas as manifestações de vida. O Todo é a Grande Avó -Avô que criou a si mesmo, que sempre existiu e que irá existir para sempre”

Uma das chaves para entender como o Universo funciona nos foi dada por Hermes-Toth, também conhecido como Hermes Trismegistus. Algumas pessoas o consideram um deus, outras um grande iniciado, e algumas ainda acreditam que este nome represente uma das primeiras Ordens Iniciáticas do Antigo Egito e Grécia, cujos trabalhos de seus Iniciados perduram até os dias de hoje, através da ciência conhecida como Hermetismo. A seguir, falarei um pouco sobre quem foi esta figura e o que ele nos deixou de legado.

Toth

Toth (ou Thoth) é considerada uma das divindades mais importantes do Egito. Também chamado de “O escriba dos Deuses”, ele é geralmente descrito como tendo a cabeça de um Íbis.

Sua contraparte feminina era Maat, deusa da Justiça, e seu principal templo ficava em Khemennu (que os gregos chamavam de Hermopolis e os árabes de Eshmunen). Mas Toth também tinha templos iniciáticos em Abydos, Hesert, Urit, Per-Ab, Rekhui, Ta-ur, Sep, Hat, Pselket, Tamsis, Antcha-Mutet, Bah, Amen-heri-ab e Ta-kens. Nestes templos, seus discípulos aprendiam as bases do que chamamos de “Livro de Toth”, ou como é conhecido pelos profanos, o Tarot. As 78 lâminas, também chamada “Espelho da Alma”, são capazes de reproduzir simbolicamente todos os fluxos de energia que permeiam uma situação (as pessoas acreditam que o Tarot serve para “prever o futuro” mas isto não é verdade. Seu uso principal é para autoconhecimento). Falarei mais sobre Tarot em posts futuros.

Ele era considerado o coração e a língua de Rá, assim como a vontade de Rá traduzida para a fala (o Verbo). Dentro do Panteão Egípcio, ele possuía diversas funções muito importantes (entre elas, ensinar a escrita, magia, ciência, astrologia e ajudar no julgamento dos mortos).

Toth também é responsável pelo governo dos Planetas e das estações. È chamado de “Senhor das palavras Sagradas” pois foi ele quem inventou os hieroglifos e os números. Por ter sido o primeiro magista, Toth possuía mais poder até mesmo do que Osíris ou Rá.

Em algumas representações, podemos vê-lo com a crescente lunar sobre sua cabeça e sua figura carregando uma palheta e cinzel. Toth possuía duas esposas, Seshat e Nehmauit. Seu festival principal acontecia no décimo nono dia do mês de Toth, alguns poucos dias após a lua cheia do começo do ano.

Toth é considerado deus da Magia, escrita, invenções, profecia, música, tarot, conhecimento, ciências, medidas, matemática, fala, oráculos, julgamento, desenhos, arquitetura, gramática, teologia, hinos, aprendizado, livros, registros Akashicos, paz e orações.

Hermes

Hermes também é tido como uma das mais importantes divindades gregas do Panteão Olímpico. Considerado o mais jovem dos deuses, ele é o protetor de todos os viajantes e ladrões, é o mensageiro dos deuses, responsável por levar a palavra dos deuses até os mortais (qualquer semelhança com Prometeu ou Lúcifer NÃO é mera coincidência); Hermes é o deus da eloqüência, ao lado de Apolo, é o Deus dos diplomatas e da diplomacia (que era chamada de Hermeneus pelos gregos) e é o deus dos mistérios e interpretações (da onde vem a palavra Hermenêutica). Além disto, era um dos únicos deuses que tinha permissão para descer ao Hades e partir quando desejasse. Todos os outros (incluindo Zeus) estavam sujeitos às leis de Hades.

Hermes tinha vários símbolos, mas os mais tradicionais eram as sandálias com asas, o caduceu (que curiosamente representa a Kundalini, duas serpentes enroscadas em um cajado) e a tartaruga (de cujo casco ele criou a primeira Lira).

Como inventor de diversos tipos de corrida e também das lutas, Hermes era considerado o patrono dos atletas. Finalmente, era tido como o inventor do Fogo (em alguns textos anteriores a Prometeu) e considerado um deus pregador de peças, que adorava aprontar com seus irmãos (isto desde seu nascimento, quando a primeira coisa que fez quando aprendeu a andar foi roubar os bois de Apolo e esconde-los). Hermes era patrono dos alquimistas, magos e filósofos.

Mercúrio

Para os romanos, Mercúrio surgiu da fusão do deus Turms (Etrusco) com as características de Hermes grego, em aproximadamente 400 AC. Mercúrio tornou-se assim o deus do comércio (em muitos países o símbolo do Caduceu é usado para indicar administração e não medicina), das estradas e das relações de diplomacia. Mercúrio não era tão popular entre os romanos como Hermes era entre os gregos, sendo considerado um deus menor dentro do Panteão romano.

Mercúrio era patrono do comércio, transportes, sucesso, magia, viagens, apostas, atletas, eloqüência, mercadores e mensageiros.

Hermes Trimegistus

Hermes Trismegistus é a tradução em latim e significa “Hermes, o três vezes grande”.

Trata-se do nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Toth ou Tehuti, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas.

Toth simbolizava a lógica organizada do universo. Era relacionado aos ciclos lunares, cujas fases expressam a harmonia do universo. Referido nos escritos egípcios como “duas vezes grande”, era o deus do verbo e da sabedoria, sendo naturalmente identificado com Hermes. Na atmosfera sincrética do Império Romano, deu-se ao deus grego Hermes o epíteto do deus egípcio Toth.

Como “escriba e mensageiro dos deuses”, no Egito Helenístico, Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos “herméticos”, contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia – o Corpus Hermeticum – cujo propósito seria a deificação da humanidade através do conhecimento de Deus. É pouco provável que todos esses livros tenham sido escritos por uma única pessoa, mas representam o saber acumulada pelos egípcios ao longo do tempo, atribuído ao grande deus da sabedoria.

Segundo Clemente de Alexandria, eram 42 livros subdivididos em seis conjuntos. O primeiro tratava da educação dos sacerdotes; o segundo, dos rituais do templo; o terceiro, de geologia, geografia, botânica e agricultura; o quarto, de astronomia e astrologia, matemática e arquitetura; o quinto continha os hinos em louvor aos deuses e um guia de ação política para os reis; o sexto era um texto médico.

Também é creditado a Hermes Trismegistus, “O Livro dos Mortos” ou “O Livro da Saída da Luz” e o mais famoso texto alquímico – a “Tábua de Esmeralda”.

Os Escritos Herméticos

Os escritos Herméticos são uma coleção de 18 obras Gregas. Estes escritos contêm os aspectos teórico e filosófico do Hermetismo em seu aspecto teosófico. O período bizantino é marcado por uma outra coleção de obras herméticas, que também são relacionadas ao Hermes Trismegistus e contêm uma tradição hermética popular a qual é composta essencialmente por escritos relacionados a astrologia, magia e Alquimia. Esta versão popular encontra sustentação ou base nos diálogos Hermeticos, apesar dele se distanciar da magia.

A prática da magia entretanto não está distante das praticas realizadas no antigo Egito, a qual em uma última análise é a fonte de todos os diálogos herméticos, pois o Hermetismo lá floresceu e, portanto estabelece uma conexão entre as duas tradições Hermeticas: filosófica e magia.

Os ensinos de Hermes-Toth chegaram à atualidade baseados em escassos documentos que constituem o “Kabalion“, “A Tábua da Esmeralda“, “Pistis Sophia“, “Corpus Hermeticum“, e alguns outros papiros. Naturalmente que o acervo de ensinamentos de Toth estão contidos em muitos outros documentos que foram preservados e mantidos sob a guarda de Ordens Iniciáticas. Tratam-se de documentos originais e cópias que foram preservados do incêndio da Biblioteca de Alexandria. Entre os documentos preservados existem aqueles que deram base ao desenvolvimento da Alquimia.

As sete Leis Herméticas

As sete principais leis herméticas se baseiam nos princípios incluídos no livro Kabalion que reúne os ensinamentos básicos da Lei que rege todas as coisas manifestadas. A palavra Kabalion, na língua hebraica significa tradição ou preceito manifestado por um ente de cima. Esta palavra tem a mesma raiz da palavra Kabbalah, que em hebraico, significa recepção. De acordo com Hermes Trismegistus:

Lei do Mentalismo

O universo é mental ou Mente. Isso significa que todo universo fenomenal é simplesmente uma criação mental do TODO… Que o universo tem sua existência na Mente do TODO.

Uma outra maneira de dizer isso é: “tudo existe na mente do Deus e da Deusa que nos ‘pensa’ para que possamos existir. Toda a criação principiou como uma idéia da mente divina que continuaria a viver, a mover-se e a ter seu ser na divina consciência.”

“O Universo e toda a matéria são consciência do processo de evolução.”

Minha opinião é que toda a matéria são como os neurônios de uma grande mente, o universo consciente, que “pensa”.

Todo o conhecimento flui e reflui de nossa mente, já que estamos ligados a uma mente divina que contem todo o conhecimento.

É claro que não estamos conscientes de “todo o conhecimento” em qualquer momento dado, por que seria uma tarefa exorbitante manuseá-lo e processa-lo e ficaríamos loucos no processo.

Os cinco sentidos do cérebro humano atuam tanto como filtros como fontes de informação. Eles bloqueiam uma considerável soma de informação caso contrário seriamos esmagados por informações que nos bombardeiam minuto a minuto como sons, cheiros e até idéias, não seriamos capazes de nos concentrarmos nas tarefas especificas em mãos. Mas sob condições corretas de consciência podemos moderar, ou até desligar o processo de filtração, com a consciência alterada, o conhecimento universal (Registros Akáshicos) torna-se acessível.

Lei da Correspondência

“Aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo.”

Essa lei é importante porque nos lembra que vivemos em mais que um mundo.

Vivemos nas coordenadas do espaço físico, mas também vivemos em um mundo sem espaço e nem tempo.

A perspectiva da Terra normalmente nos impede de enxergar outros domínios acima e abaixo de nós. A nossa atenção está tão concentrada no microcosmo que não nos percebemos o imenso macrocosmo à nossa volta. O principio de correspondência diz-nos que o que é verdadeiro no macrocosmo é também verdadeiro no microcosmo e vice-versa.

Portanto podemos aprender as grandes verdades do cosmo observando como elas se manifestam em nossas próprias vidas.

Por isso estudamos o universo: para aprender mais sobre nós mesmos.

Na menor partícula existe toda a informação do Universo.

A Lei da Correspondência, em conjunto com a Lei da Causa e Efeito, é a explicação para o funcionamento perfeito do Tarot e da Astrologia, bem como de todos os outros oráculos.

Lei da Vibração

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”

No universo todo movimento é vibratório. O todo se manifesta por esse princípio. Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso. Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento.

Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares não é rígida ou imóvel, mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia. A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode parecer a nível material, mas cheia de movimento.

A Lei da Vibração rege toda a comunicação entre espíritos e matéria, bem como a conjuração de elementais, devas, exús, orixás, anjos enochianos e qualquer outro tipo de serviçal astral. Também rege os princípios de atração e repulsão entre indivíduos, a harmonia e as egrégoras.

Lei da Polaridade

“Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”

A polaridade revela a dualidade, os opostos representando a chave de poder no sistema hermético. Mais do que isso, os opostos são apenas extremos da mesma coisa. Tudo se torna idêntico em natureza. O pólo positivo + e o negativo – da corrente elétrica são uma mera convenção.

O claro e o escuro também são manifestações da luz. A escala musical do som, o duro versus o flexível, o doce versus o amargo. Amor e o ódio são simplesmente manifestações de uma mesma coisa, diferentes graus de um sentimento.

Lei do Ritmo

“Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação”

Pode se dizer que o princípio é manifestado pela criação e pela destruição. É o ritmo da ascensão e da queda, da conversão da energia cinética para potencial e da potencial para cinética. Os opostos se movem em círculos.

É a expansão até chegar o ponto máximo, e depois que atingir sua maior força, se torna massa inerte, recomeçando novamente um novo ciclo, dessa vez no sentido inverso. A lei do ritmo assegura que cada ciclo busque sua complementação.

Lei do Gênero

“O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o gênero se manifesta em todos os planos da criação”

Os princípios de atração e repulsão não existem por si só, mas somente um dependendo do outro. Tudo tem um componente masculino e um feminino independente do gênero físico. É semelhante ao principio com o principio animas animus que Carl Jung e seus seguidores popularizaram, ou seja que cada pessoa contém aspectos masculinos e femininos, independente do seu gênero físico, nenhum ser humano é 100% homem ou mulher, e isso é até astrologicamente explicado, uma vez que todos somos influenciados por todos os signos (uns mais, outros menos), e metade do zodíaco é feminino, enquanto que a outra metade é obviamente masculina (Esse é mais um argumento que suporta a igualdade entre Deus/Hochma e Deusa/Binah dentro das Esferas da Kabbalah).

Em todas as coisas existe uma energia receptiva feminina e uma energia projetiva masculina, a que os chineses chamavam de Yin e Yang.

Lei de Causa e Efeito

“Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei”

Nada acontece por acaso, pois não existe o acaso, já que acaso é simplesmente um termo dado a um fenômeno existente e do qual não conhecemos e a origem, ou seja, não reconhecemos nele a Lei à qual se aplica.

Esse princípio é um dos mais polêmicos, pois também implica no fato de sermos responsáveis por todos os nossos atos e é muito mais cômodo deixar os acontecimentos ao “acaso” ou ao “divino”. Também é conhecido como Lei do Karma.

Hermes/Toth na Kabbalah

A Árvore da Vida representa um mapa dos estados de consciência humanos. Vamos falar mais detalhadamente sobre isso em posts futuros, mas vou fazer a referência agora e vocês podem retornar e ler novamente este texto mais tarde, ok?

Em razão de sua eloqüência e inteligência privilegiada, Mercúrio está associado na Kabbalah à oitava esfera (sephira), chamada Hod (explendor). Hod representa a razão pura, a lógica, a matemática, o ceticismo e os desertos dos códigos rígidos e cartesianos, em contraste com Netzach (Vênus) que representa a Emoção Pura.

Hod está associado ao Planeta Mercúrio, ao metal mercúrio, ao incenso de sândalo, Mastic e Storax, à cânfora, lavanda, lírios, marjoran e mirtila e ao caduceu. Seu elemento é o Ar.

Hod influencia os Caminhos Shin (31), a Inteligência Perpétua, conectando a Razão ao Plano Material, servindo de filtro entre as idéias que permeiam o mundo material e o que pode ser aproveitada delas (este é literalmente o caminho do despertar dos céticos), Resh (30), o Sol, que conecta a Razão ao Plano Astral, perfazendo a segunda trilha que um mago deve percorrer na consciência, usando a razão de maneira questionadora no Plano Astral, Peh (27), a Torre, o caminho turbulento que conecta a esfera da Razão Pura à esfera da Emoção Pura. Imaginar este estado de consciência é como colocar um fanático cético com um fanático religioso para discutir. Mais cedo ou mais tarde, a estrutura vai rachar ao meio. Da conexão entre Hod e Tiferet (Sol) há o Caminho 26, Ayin, o Diabo, o caminho da iluminação através da razão ou através do Caminho da Esquerda, como vocês já devem ter ouvido falar por aí. O famoso “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei” e finalmente, o caminho 23, Mem, que liga a Razão às planícies de provação de Marte/Geburah, simbolizando a estagnação do Enforcado.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermes-trismegistus-1

A Lei Natural de Eros

Por Nicholaj de Mattos Frisvold

Constantemente surgem debates sobre o natural e o perverso. A homossexualidade e as práticas sexuais “incomuns” de qualquer variedade são frequentemente trazidas à atenção porque aqui no mundo do sexo todos os homens e mulheres encontram suas inclinações mais puras e suas trevas mais cruas. A escala nesses debates está entre as inclinações sensuais pessoais, pois são mediadas por uma moral universalista insistindo que todos nós temos as mesmas inclinações sensuais – e aqueles que escapam da lei são pervertidos – ou pior. Esses discursos morais são quase sempre ditados por motivos religiosos, propagando uma escala muito curiosa entre a liberdade do pecado e a vergonha das próprias inclinações. Nesse clima de “uma moral serve para todos”, a resistência surge naturalmente na superfície.

Os debates que vemos hoje podem ser ancorados no século 11 e os debates eclesiásticos sobre o Direito Natural – aqui encontramos São Tomás de Aquino que realmente nos disse para olhar a natureza para ver o que era natural, pois ele não considerava o sexo ser particularmente sagrado – mas sim algo que os humanos compartilhavam com todos os outros animais.

No Livro 2 de sua Summa, Tomás discute as questões do Direito. Dada a orientação platônica e a influência muçulmana, Tomás estava sujeito, pois podemos supor que ele ao falar da Lei Divina não estava falando da shari’ah, mas da essência do próprio Islã – submeter-se à Lei Divina, como Abdullah, escravo de Deus. Essa ideia certamente envolve a doutrina do Destino e como todos nós nascemos com um condicionamento único que possibilita um caminho único (lei) para obter o bem em nossas vidas. Ser escravo de Deus implica descobrir a lei única que nos conduz à abundância como extensão da Lei Divina. Como espelhos de Deus, nós, como humanos, também refletimos todas as suas possibilidades refletidas em seus 99 belos nomes. Há, portanto, uma distinção entre a Lei escrita e a Lei natural.

A distinção entre a lei escrita e a lei natural também está incorporada no cristianismo nos evangelhos que falam da missão de Jesus Cristo. O que está claro é que Jesus se via como um profeta da lei eterna escrita no coração de cada um. É aqui que encontramos a divisão entre o Direito como um conjunto de regras de conduta desprovidas de razão. Siga a lei escrita e você não pode errar parece ser a mensagem, a lei transformada em um conjunto de regras não precisa de razão para trazer salvação. A lei eterna escrita em nossos corações segue uma dinâmica que exige que tenhamos consciência de nossas ações e motivações. Infelizmente, a consciência está gradualmente sendo substituída pela temporalidade e pelas interpretações morais que regem o momento socioespacial.

É a lei escrita nos corações dos homens que Tomás de Aquino discutiu em sua Summa. É esta Lei que ao longo do tempo foi reinterpretada à luz moral e deu origem à doutrina eclesiástica sobre o pecado e a sexualidade como a conhecemos hoje no ocidente moderno. Tomás, por outro lado, foi acusado de ser ingênuo nessas questões por teólogos posteriores. Bem, sua ingenuidade é a mesma posição ingênua que encontramos em tasawwuf (sufismo), Advaita Vedanta e várias correntes místicas de pensamento.

No artigo 3º do segundo Livro, Tomás discute o direito como uma forma de medida racional e vê o Direito eterno como algo em que temos uma participação única. Com razão, ele sugere aqui que a capacidade de tentação é consequência da própria natureza do Direito, portanto natural, – mas mais importante ele diz:

“Primeiro, na medida em que ele inclina diretamente seus súditos para algo; às vezes, de fato, sujeitos diferentes para atos diferentes; desta forma podemos dizer que existe uma lei militar e uma lei mercantil. Em segundo lugar, indiretamente; assim, pelo próprio fato de um legislador privar um súdito de alguma dignidade, este passa para outra ordem, para estar sob outra lei, por assim dizer: assim, se um soldado for expulso do exército, ele se torna um súdito de rural ou de legislação mercantil”.

Esses comentários são semelhantes ao que encontramos no Bhagavad Gita quando o texto discute a lei, ou seja, dharma e karma. A lei está sujeita ao que se deve fazer – se um trabalho, por exemplo, muda, o mesmo acontece com as regras de conduta. A Lei dá uma passagem diferente do que é lícito e bom. Simplesmente falando, um soldado tem o dever de matar – é a lei pela qual ele vive enquanto um comerciante vive de acordo com outras regras que valorizam outros atos além de matar como bons. É tudo flutuante – e estamos aqui falando de papéis sociais. Deve logicamente tornar-se ainda mais rico em nuances quando medimos o Direito como a medida da natureza de uma substância que encontramos em uma pessoa. O que Tomás tentou dizer é que existem algumas regras de conduta que são universalmente boas, pois refletem nossa Divindade. Todas essas são qualidades que marcam uma pessoa como sendo de bom caráter, decorrentes do próprio Amor.
No artigo 6, Tomás é ainda mais específico quando diz:

“várias criaturas têm várias inclinações naturais, de modo que o que é, por assim dizer, uma lei para um, é contra a lei de um cão, mas contra a lei de uma ovelha ou outro animal manso”.

O que faz uma divergência entre o animal humano e os demais animais é a presença da consciência. Mas isso é algo que é desenvolvido e não alcançado automaticamente, como nos diz o Salmo 48:21: “O homem, quando estava em honra, não entendia: foi comparado a bestas insensatas e feito semelhante a elas”.

O que ele simplesmente diz é que com o advento da razão vem uma maior capacidade de discernimento. Até que a razão seja desenvolvida, o homem é uma besta conduzida pelos impulsos da sensualidade, como um animal humano, ele é ditado pela lei natural de qualquer outro animal que atue sobre suas inclinações e impulsos. Com razão, as inclinações podem tomar forma e se tornar expressões profundas de nosso dharma, por assim dizer. Aqueles que exercem as inclinações naturais do prazer são fiéis a si mesmos – enquanto os que condenam com a tocha da condenação se revelam vítimas da propaganda da culpa. Por isso, negam-se a si mesmos…

É interessante essa distinção que Tomás faz entre os impulsos sensuais e a extensão da Lei divina conforme ela toma forma na razão. Poder-se-ia interpretar que as inclinações sensuais não são algo sujeito à Lei divina – mas sim ao desdobramento natural de sua naturalidade, quando agimos sobre nossa natureza, à maneira de uma besta, desprovida de razão – podemos dizer que a A lei tem precedência de alguma forma, exceto como sombra às inclinações sensuais mediadas pelo coração único?

A razão pode nos ajudar a compreender nossas inclinações sensuais; pode ser um rei sereno que dá sentido às nossas inclinações naturais e por isso abre os caminhos do eterno. Essa possibilidade se abre, não pela negação das inclinações – mas permite que sejam mediadas pela razão e pela sensibilidade pelas harmonias naturais.

“E assim a lei do homem, que, pela ordenança divina, lhe é atribuída, de acordo com sua própria condição natural, é que ele aja de acordo com a razão”, conclui Tomás. E com isso podemos resumir que nossas inclinações sensuais, em toda sua rica variedade, na medida em que trazem bondade – é simplesmente – uma coisa natural que aliada à razão pode trazer bondade e abundância. A questão parece ser não confundir os planos como tantos odiadores moralistas tendem a fazer quando dizem que toda a criação de Deus é uniforme e singular – uma criatura de massas…

….Nisso o sábio Eros pode brotar e revelar a grandeza criadora do Criador!

***

Fonte: The Natural Law of Eros, by Nicholaj de Mattos Frisvold.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-lei-natural-de-eros/

Queima ele, Jesus! – parte I

Postado no Sedentário em 24.09.2008.
Depois destes últimos meses estudando a origem dos demônios inventados pela Igreja Católica e fartamente utilizados pelas evangélicas, vamos retornar no Tempo e passar para dois temas que vocês estavam aguardando: Templários e Rei Arthur. Como veremos a seguir, estas duas histórias estão diretamente associadas aos descendentes de Jesus e Maria Madalena, bem como a guerra política, religiosa e mágica que Roma travou com os ocultistas/cientistas por mais de 1.600 anos.
Para quem chegou agora, eu recomendo ler os posts antigos Bota o Natal na conta do Papa, Yod-He-Shin-Vav-He e Maria Madalena, Pitágoras e Buda, os professores de Jesus e finalmente Seria Yeshua um x-men?
Continuemos, então, com um pouco de história antiga…

Terminamos nossa narrativa histórica no resgate de Yeshua da crucificação, quando os iniciados Essênios conseguem, através de acordos políticos com Pilatos, remover o corpo de Yeshua para o sepulcro (o “Santo Sepulcro”) e curá-lo através de imposição de mãos. Jesus reúne-se com seus apóstolos mais algumas vezes, e isto ficou retratado no Novo Testamento como se fosse uma “ressurreição”.

Mais tarde, ainda temendo a revolução, seus discípulos precisaram separar sua família e enviá-los para locais seguros. Maria Madalena, grávida, foi enviada sob proteção para o Egito, onde permaneceu durante quase um ano, quando se reencontrou com Yeshua no Sul da França. Falaremos sobre a Madonna Negra em posts futuros.
Outro dos filhos de Yeshua foi para Glastonbury, acompanhado de José de Arimatéia, seu tio. O terceiro filho de Yeshua, Barrabás (Barr Abas significa “filho de uma pessoa muito importante”), permaneceu com ele e muitos dizem que acabou se tornando um dos mentores intelectuais da Primeira Grande Revolta dos Judeus, que começa em 66DC. Yeshua termina seus dias na Caxemira.

A revolução começou na Cesárea, quando os judeus atacaram uma guarnição da legião romana em frente a uma sinagoga de Jerusalém, em reação à provocação de alguns gregos. Naquela época, era muito comum a disputa religiosa e filosófica entre Helenistas e Judeus: um grupo de gregos sacrificou pássaros em frente à sinagoga como uma provocação e, como os soldados romanos nada fizeram para impedir, os judeus começaram uma revolta atacando os gregos e os soldados. Esta primeira batalha ficou conhecida como a Batalha de Beth-Horon.
Os romanos estavam em vantagem de 5 homens para cada judeu, mas através de uma guerrilha bem planejada, os soldados treinados de Yeshua conseguiram matar uma legião inteira romana.
Muito puto da vida, o Imperador Nero decidiu acabar com os judeus de uma vez por todas.

Aliás, a vida de Nero não foi fácil: ele teve de lidar com revoltas na Inglaterra (60-61) orquestradas por guerreiros ligados a Boudicea, a rainha das tribos de Iceni e provavelmente pertencente aos clãs que acolheram os descendentes de Yeshua. As tribos daquela região estavam em relativa paz com os romanos, até a morte de Presutagus, marido de Boudicea. Como os romanos não reconheciam mulheres como legítimas herdeiras, o governador das Ilhas não quis reconhecer a autoridade de Boudicea, invadindo seu castelo. Boudicea foi chicoteada e suas filhas estupradas pelos romanos.
Como retaliação, os guerreiros celtas atacaram e destruíram 3 das mais importantes cidades romanas, incluindo Londinun (L0ndres) matando mais de 70.000 invasores no processo. Os rebeldes só retrocederam quando a legião comandada por Gaius Suetonius Paulinus conseguiu derrotá-los na batalha de Watling Street.

Boudicea serviu como uma das bases da heroína celta chamada Gwenhwyfach que muitos séculos depois se tornaria Guinevere, esposa do Rei Arthur. Assim como as outras rainhas celtas, Boudicea possuía concubinos (homens encarregados de lhe dar prazer sexual enquanto o rei estivesse longe em batalhas). Este costume celta irá horrorizar os púdicos católicos muitos séculos depois, e Guinevere terá um “amante” para “consertar” esta narrativa. É uma história interessante que contarei mais para a frente, mas adianto que o termo “carregar chifres” como sinônimo para adultério veio deste costume celta.

No meio destas confusões, Nero fazia o que todo Imperador e Papa romano faz melhor: mandava matar os judeus/cristãos (note que o termo “cristãos” usado aqui se refere aos judeus discípulos e seguidores de Yeshua, não aos católicos apostólicos romanos, como a Igreja mentirosamente quer que você acredite quando chama estes caras de “mártires do catolicismo”). As pessoas que iam para os leões eram judeus, maniqueístas, marcionistas, setianos, essênios, ofitas, bogomilos, valentinos e outras seitas judias.

Em 64, um incêndio de enormes proporções devastou 4 dos 14 bairros de Roma e destruiu severamente outros 7 bairros. Nero acusou os cristãos de cometerem este crime e utilizou todo este processo para dar as desculpas necessárias para inaugurar as festividades de jogar os cristãos na arena com os leões.

Flavio Josefus
Outro personagem importante em nossa história é Mattitiyahu ben Yosef ha-Kohen, fariseu que nasceu em 37 EC (Era Comum ou Depois de Cristo); a data da sua morte não é exata – algo entre 95 e 100 EC. Líder da revolta dos judeus contra o domínio de Roma na década de 60 EC e depois da derrota entregou-se aos romanos, caindo nas graças de Vespasiano – comandante das legiões romanas – ao profetizar que este se tornaria imperador. Como sua profecia se confirmou, ele tornou-se protegido do imperador romano, recebeu o título de cidadão e foi nomeado Flávio, o nome da dinastia romana dominante na época. Flávio Josefo – como é conhecido hoje – passou a residir em Roma e escreveu algumas obras históricas, entre elas “As Guerras Judaicas”, “Antiguidades Judaícas” e “Contra Apião”, fornecendo pormenores da destruição de Jerusalém em 70 EC, da qual foi testemunha ocular, e detalhes sobre outros aspectos da história dos hebreus não registradas na Bíblia.

Sei que esta parte será um pouco chata, mas é necessária para entendermos o que aconteceu com a doutrina de Yeshua após seu exílio. Enquanto o Império romano entrava em guerras cada vez mais violenta contra os judeus, sua expansão em direção às Ilhas Britânicas.

Masada

A única fonte histórica para o episódio é a obra do judeu romanizado Flavius Josephus, “Guerra dos Judeus“. Entretanto, os historiadores modernos concordam que realmente um grupo de Zelotes matou a si e às próprias famílias e incendiou algumas construções em Masada. Vocês lembram quem era um dos líderes dos Zelotes, não? Isso mesmo! Judas, o melhor amigo de Jesus.

Quando os zelotes tomaram a fortaleza em 66, após eliminar uma coorte da Legio III Gallica ali estacionada, encontraram um bem sortido estoque de armas, bem como quantidade de ferro, bronze e chumbo para o fabrico de armas e munição. Os armazéns estavam completos com grãos, óleos, tâmaras e vinho; as hortas forneciam alimentos frescos; os canais, escavados na pedra de calcário, coletavam e conduziam as águas pluviais para grandes cisternas subterrâneas, com capacidade superior a 200 mil galões.
Na Primavera de 73, a fortaleza encontrava-se ocupada por 960 zelotas, incluindo mulheres e crianças, sob o comando de Eleazar ben Yair. Outro comandante zelota, um dos envolvidos na defesa de Jerusalém, era Judas, que havia retirado para Masada após a queda de Jerusalém. A guarnição vinha resistindo por dois anos a um assédio das legiões romanas, constituindo-se no último foco de resistência judaica.
Nesse momento, o governador romano, general Flavius Silva, reassumiu as operações militares no sul da Judéia. Em fim de março, à frente da Legio X Fretensis, marchou de Jerusalém para o Mar Morto.
As tropas tomaram posição diante de Masada, passando a construir oito acampamentos de campanha na planície do lado Oeste da elevação. Foi principada ainda uma muralha de circunvalação ao redor de Masada, com cerca de três metros de altura, que se estendia por mais de duas milhas de comprimento, amparada por fortes e torres.
No lado Oeste, 137 metros abaixo do topo de Massada, e separado por um vale rochoso, havia um promontório chamado de Penhasco Branco. Os engenheiros militares romanos decidiram que, a partir desse promontório, seria construída uma única rampa para o topo do monte, iniciando-se a movimentação de terras.
A rampa assim construída, apresentava um gradiente de 1:3 e uma base de 210 metros. Em pouco tempo alvançou os 100 metros de altura e, em sua extremidade foi montada uma plataforma de 22 metros de altura por 22 de largura. Em seguida, uma torre de cerco de 28 metros de altura foi posicionada contra a muralha. Do seu alto, os artilheiros romanos faziam disparos com os escorpiões e balistas, enquanto que na sua base, um aríete golpeava a base da muralha.

Quando a muralha foi rompida, os legionários que penetraram pela brecha constataram a existência de uma segunda muralha, interna. Ao atacá-la, por sua vez, com o aríete, constatou-se que esta fora construída com vigas de madeira alternadas com pedra, técnica que absorvia os golpes de aríete. Desse modo, a 2 de Maio, promoveu-se o incêndio desta muralha, iniciando-se os preparativos para o assalto final no dia seguinte.
Enquanto isso, na fortaleza, os zelotas acompanhavam os preparativos romanos, constatando a iminência do assalto romano. Durante a noite, decidiram que preferiam morrer a ser escravizados ou mortos pelos romanos. Sacrificaram assim as mulheres e crianças, e depois os próprios defensores, até que restaram apenas dez e o comandante Eleazar ben Yair. Tiraram sortes para ver qual deles sacrificaria os demais. Após cumprir a sua tarefa, o último homem ateou fogo ao palácio, e lançou-se sobre a própria espada, ao lado da família morta.
Na manhã do dia 3 de Maio, os legionários ultrapassaram a brecha aberta na muralha interna, encontrando a fortaleza em silêncio. Chamando os rebeldes à luta, apresentou-se uma anciã seguida por uma mulher jovem, parente de Eleazar, e cinco crianças pequenas, que haviam se escondido em um dos condutos de água subterrâneos.
Masada era conhecida como uma das principais bases de resistência dos judeus. Um dos líderes deste agrupamento não era outro senão Barrabás. De acordo com as lendas templárias, Barrabás foi um dos dez últimos homens a se sacrificar, mas que seus filhos estariam a salvo fora da fortaleza antes do ataque romano. Esta lenda é interessante, porque ela explica a origem de outra lenda que surgiu na Idade Média a respeito dos romanos estarem procurando o “Santo Graal” em Masada, mas que os judeus conseguiram retirá-lo de lá antes do derradeiro ataque. Neste caso, o “Cálice Sagrado” (San Graal, Sangreal, ou simplesmente “sangue real” eram os descendentes de Jesus que estavam em Masada com os zelotes).
Estava encerrada assim a Primeira Revolta dos Judeus.

A Gnose
Gnosticismo designa o movimento histórico e religioso cristão que floresceu durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga Gnose (palavra grega que significa conhecimento), com influências do neoplatonismo e dos pitagóricos. Este movimento revindicava a posse de conhecimentos secretos (a “gnose apócrifa“, em grego) que, segundo eles, os tornava diferentes dos cristãos alheios a este conhecimento. Originou-se provavelmente na Ásia menor, e tem como base as filosofias pagãs, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia. O gnosticismo combinava alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas, como os mistérios de Elêusis, com as doutrinas do Cristianismo. Em seu sentido mais abrangente, o Gnosticismo significa “a crença na Salvação pelo Conhecimento”.
Entre 100 e 300 DC surgiram muitos grupos cristãos que traziam o conhecimento pregado por Yeshua, derivado tanto da ritualística egípcia quanto dos conhecimentos do oriente.
Entre eles podemos destacar:

Mandeísmo
Mandeísmo é uma religião pré-cristã classificada por estudiosos como gnóstica.
Os mandeístas são assim classificados devido à etimologia da palavra manda em mandeu: conhecimento, que é a mesma palavra gnosis em grego. É considerada uma das religiões gnósticas remanescentes até os dias atuais, junto com o gnosticismo de Samael Aun Weor (que alguns segmentos gnósticos não aceitam).
Os mandeístas veneram João Baptista como o Messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100.000 adeptos em todo o mundo, principalmente no Iraque.
A religião mandeísta tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos gnósticos. Ao invés de um grande pleroma, existe uma clara divisão entre luz e trevas. O senhor das trevas é chamado de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é conhecido como “a grande primeira Vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos“. Quando esse ser emanou, outros seres espirituais se corromperam, e eles e seu senhor Ptahil criaram o nosso mundo.
A escritura mandeísta mais importante é o Ginza Rba. A linguagem usada por eles é o mandeu, uma sub-espécie do aramaico.

Basilismo ou Basilíades
Basílides (circa de 117-138) foi um Filósofo gnóstico de Alexandria, possivelmente originário de Antioquia, atual cidade turca na província de Hatay. Admitiu um princípio incriado, o Pai, cinco hipóteses emanadas dele e trezentos e sessenta e cinco céus, um dos quais é o nosso mundo, comandado por YHVH (Yahweh, Jeová ou Javé). Santo Irineu e Santo Hipólito refutaram as suas doutrinas. Basílides foi, com Valentino o mais célebre dos gnósticos.

Carpocratos
Carpócrates de Alexandría foi o fundador de uma seita gnóstica na primeira metade do Século II
Filósofo e teólogo do Século II, suas opiniões são uma mescla de cristianismo e platonismo. Sustentava que o mundo foi criado por anjos caídos. Por isso, esta criação era ruim e somente poderia o homem liberar-se dela através da Gnose, ou ciência divina.
Algumas fontes ligam Carpócrates ao Mandeísmo.

Ceritios (não confundir com Coríntios)
Cerinto (c 100) foi um dos primeiros líderes do antigo gnosticismo que foi reconhecido como herético pelos primeiros Cristãos devido aos seus ensinamentos sobre Jesus Cristo e suas interpretações sobre o cristianismo. Ao contrário dos ensinamentos da Cristandade ortodoxa, a escola gnóstica de Cerinto seguiu a lei Judaica, negando que o deus supremo tinha feito o mundo físico e negando a divindade de Jesus. Na interpretação de Cerinto, o espírito de “Cristo” veio a Jesus no momento do seu batismo, guiando-lhe em todo o seu ministério, mas abandonando-o momentos antes de sua crucificação.
Cerinto, assim como os ebionitas, usava apenas uma versão do evangelho de Mateus como escritura, rejeitando os demais escritos, principalmente os do apóstolo Paulo por o considerarem apóstata da lei. Esforçava-se e se sujeitava aos usos e costumes da lei judaica e à maneira de viver dos judeus. Venerava a cidade de Jerusalém como se fosse a casa de Deus.
Cerinto ensinou numa época em que a relação do Cristianismo com o Judaísmo estava se tornando irreconciliável. Para definir o criador do mundo como Demiurgo, combinou a filosofia grega com os ensinos sincréticos dos gnósticos. Sua descrição de Cristo como um espírito sem corpo que residido temporariamente no homem Jesus combina com o gnosticismo de Valentim.
A tradição Cristã antiga descreve Cerinto como um contemporâneo e oponente de João, o Evangelista, que escreveu o Evangelho segundo João contra ele. Tudo que nós sabemos sobre Cerinto vem da escrita de seus oponentes teológicos.

Maniqueísmo
Filosofia religiosa sincrética e dualística ensinada pelo profeta persa Mani (ou Manes), combinando elementos do Zoroastrismo, Cristianismo e Gnosticismo, condenado pelo governo do Império Romano, filósofos neoplatonistas e cristãos ortodoxos.
Filosofia dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.
A igreja cristã de Mani era estruturada a partir dos diversos graus do desenvolvimento interior. Ele mesmo a encabeçava como apóstolo de Jesus Cristo. Junto a ele eram mantidos doze instrutores ou filhos da misericórdia. Seis filhos iluminados pelo sol do conhecimento assistiam cada um deles. Esses “epíscopos” (bispos) eram auxiliados por seis presbíteros ou filhos da inteligência. O quarto círculo compreendia inúmeros eleitos chamados de filhos e filhas da verdade ou dos mistérios. Sua tarefa era pregar, cantar, escrever e traduzir. O quinto círculo era formado pelos auditores ou filhos e filhas da compreensão. Para esse último grupo, as exigências eram menores.
Mais tarde, no Sul da França, os maniqueístas e o druidismo formariam as bases do Catarismo.

Menandritas
Menandro foi um patriarca gnóstico da corrente caldeu-síria, uma das figuras mais importantes do Gnosticismo. Como Simão Mago, era da mesma cidade de seu Mestre e transmitiu os ensinamentos Gnósticos e como também mágicos. A sua doutrina afirmava que a Gnose podia entender e controlar as forças da Natureza. O centro de suas atividades era a cidade de Antioquia. Menandro e seus discípulos afirmavam que havia uma entidade superior ao Demiurgo, o Inefável, na administração do mecanismo Universal. Foi o primeiro Gnóstico a separar as duas entidades.

Marcionismo
Fundado em 144 DC. em Roma por Marcião de Sinope (110-160), um religioso cristão do segundo século, e um dos primeiros a serem denunciados pelos cristãos como um herético.
O Marcionismo rejeita o Antigo Testamento. Alguns cristãos julgam mesmo que os marcionistas sejam Anti-Semitas. A palavra marcionismo é mesmo por vezes usada para referir as tendências anti-judaicas nas igrejas cristãs. Seus textos foram uma das bases que muitos e muitos séculos depois serviram de inspiração para a filosofia da Thulegesselshaft (ordem secreta por trás da filosofia nazista).
Mas Marcião tornou-se famoso em sua época, o que acabou tornando os judeus muito impopulares em Roma (anote isso no seu caderno: naquela época, os judeus eram muito impopulares em Roma! Isto ajudará a entender o porquê de Constantino deturpar tanto a história de Yeshua para se adaptar aos anseios de um povo que desejava um messias mais parecido com Apolo/Mithra do que com um “rei judeu”).

Saturninos
Saturnino de Antioquia: (séc. II DC) foi outro renomado teólogo, foi também um grande Cabalista e profundo conhecedor do Zend Avesta e do Gnosticismo. Seus ensinamentos eram tão conhecidos que até mesmo Papus confessou haver tomado muitas de suas fórmulas como base de estudos. Ele pregava a castidade e abstinência sexual como forma de religação com deus.

Setitas ou Setianitas
O Setianismo foi um grupo de antigos gnósticos, que datam sua existência antes do cristianismo . São assim chamados devido à sua veneração à Sete, que teria sido o escolhido de Deus para a promessa de se organizar uma sociedade humana perfeita . Apesar de ter uma origem judaica ,suas doutrinas tem uma forte influência do platonismo.
Tome cuidado para não confundir: em inglês, este culto é chamado de Sethianism. As vezes muitos confundem com Set, Deus egípcio, a sua veneração em inglês é chamada de Setianism.
Existe um trecho de um texto gnóstico descoberto em 1945 em Nag-Hammadi, no Egito, nomeada “A Revelação de Adão“, onde Adão é referido como pai de Seth e que passou todo o conhecimento secreto a ele: “Estas são as revelações que Adão desvelou ao seu filho Seth; e o seu filho ensinou a seus descendentes. Este é o conhecimento secreto que Adão entregou a Seth; é o santo de batismo daqueles que adquirem o conhecimento eterno…”

Lá pelo século III, havia cerca de 80 a 90 seitas cujos ensinamentos variavam por toda uma gama do Budismo ao Judaísmo ortodoxo, passando pelo Helenismo clássico, com todas as variações possíveis e imaginárias a respeito da divindade de Yeshua, da virgindade de Maria, de Reencarnação e Karma até o Olimpo e Hades (que mais tarde se transformarão no “Céu e Inferno” no catolicismo), sobre a traição ou não de Judas, sobre o culto à Madonna Negra, sobre o Sangue Real, sobre o sexo sagrado e sobre o uso de magia e teurgia, além de debates intermináveis sobre quais textos sagrados cada uma destas facções adotava como verdadeiros.

Na próxima semana: O Imperador Constantino botando ordem no galinheiro.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/queima-ele-jesus-parte-i

‘Stregheria: a bruxaria italiana

A velha religião na Itália começou com os povos Etruscos que apareceram na Itália por volta de 1.000a.c, por serem povos místicos e possuidores de conhecimento de magia eles influenciaram em muito a religião da Itália.

Os povos Etruscos deixaram tumbas magníficas decoradas, pintadas e ás vezes com jóias armas, utensílios de uso pessoal, todos esses objetos indicavam o nível social da pessoa que ali estava enterrada, acreditavam na vida após a morte e que os deuses se fossem bem celebrados durante suas vidas na terra, poderiam lhes reservar uma boa vida após a morte.

Os deuses ocupavam um lugar importante na vida dos Etruscos, influenciavam seus comportamentos, seus relacionamentos e a idéia principal dos Etruscos era o poder que os deuses podiam emprestar “aos humanos”, portanto o poder divino era consciente entre os Etruscos, com seus hábitos, sua religião e seus conhecimentos influenciaram sobre maneira toda a região da Itália.

A vinda do cristianismo na Itália determinou a queda do Paganismo e os cultos mágicos aos deuses foi considerado ilegal .As sacerdotizas de Diana se refugiaram em vilas isoladas… onde hoje é encontrado o templo de Diana em ruínas, portanto a Velha Religião foi conservada nessas áreas rurais e o seu conhecimento existem até hoje na Itália moderna.

A perseguição das bruxas na Itália não foi violenta como foi em outros países pois as bruxas italianas se concentravam em vilas isoladas e eram geralmente muito bem toleradas.

A bruxa italiana chama-se Stregha e o bruxo italiano chama-se Streghone e o coven de bruxos é chamado de Boschetto A Stregheria também tem várias tradições conforme as regiões da Itália, por exemplo na Sicilia, norte da Itália, sul da Itália etc…

Na Stregha é muito importante os laços familiares, os espíritos que protegem e preservam a antiga religião e seus conhecimentos. Ha muitas diferenças entre as bruxas americanas e as bruxas italianas, essas diferenças além de serem históricas são devidas a diferentes tradições e diferentes crenças. Os Estados Unidos fica muito longe da Itália e numa época passada, nos tempos primitivos é lógico que o conhecimento da Itália eram diferentes dos conhecimentos americanos assim como a sua história, por exemplo: uma bruxa Strega nunca ouviu falar sobre karma há tempos atrás, por que o conceito oriental místico só chegou na Itália neste século, portanto não se escutava falar sobre tantra, I’ching, chákra, yoga, estes conceitos não estavam presentes na Itália no ano de 1.300… Como a Stregha italiana têm seus alicerces na velha religião praticada nessa época, genuinamente ela não usa conceitos orientais .

Outro exemplo: Na Itália temos quase 200 dialetos diferentes, o que originam diversas formas de conhecimentos, tradições e clãs.

A magia Stregha usa muitos objetos da natureza, amuletos, talismãs, adivinhações, feitiços, os círculos mágicos também são feitos, é muito comum se encontrar chaves feitas de ouro ou prata, tesouras ferraduras, pérolas, fitas vermelhas e sal.

Já foi dito que é muito importante os laços familiares na bruxaria Stregha e geralmente a iniciação de uma bruxa Stregha começa desde o momento de seu nascimento. as mulheres mais velhas da família gradativamente vão oferecendo conhecimentos para a iniciada e vão notando quais os dons que esta iniciada nasceu com eles.

Isto também se dá com os meninos que florecem mais tarde na magia que as meninas.

Objetos usados na Strega

A concha: a mais antiga ferramenta que se tem conhecimento na Strega é a concha. Elas representam o útero feminino, a deusa, e é muito usadas em invocações. elas podem ser de vários tamanhos mas do tipo da concha da “shell”, são colocadas em altares com água do mar com uma pequenina concha no centro da maior para representar o poder da lua, a concha maior simboliza a grande deusa e a menor o pedido a ser feito para a deusa, ela pode ser preenchida com licor Stregha que ao pegar fogo representa a divindade.

A varinha: pode ser feita de árvores frutíferas tomando um galho delas de forma consagrada, cada árvore tem um poder respectivo que imanta a varinha com este poder. Quando formos colher um galho de uma árvore para fazer uma varinha devemos fazer uma reverencia a o espírito dela. A varinha representa a extensão do braço humano e ela pode ser usada desde para debelar uma demanda espiritual até mandar uma mensagem .É o símbolo do elemento ar.

O cálice: O cálice é uma derivação da concha ,também simbolizando o útero sagrado, a mesma associação feita à concha, o cálice está associado á compaixão e ao poder pessoal.

A espada ou athame: também chamada espada da razão , ela é necessária para manter a estabilidade mental. E associada ao elemento fogo onde foi forjada.

O pentagrama: O pentagrama original Stregha eram feitos em rochas ou substancias naturais como madeira, couro. Eles sempre foram usados como símbolos de proteção e para delimitar um espaço sagrado.

Nantabag: A Nantabag é usada na Stregha para manter sempre perto da bruxa seus objetos usados para os rituais e para ela criar sua magia em qualquer lugar e qualquer tempo. Ela é feita de couro ou tecido de algodão e nela temos representações em miniaturas das ferramentas usadas em rituais. Uma típica Nantabag contém:

  • um cálice

  • uma varinha ou a própria semente da árvore

  • um pentagrama cunhado em uma moeda

  • uma pedra representando a terra

  • uma pena representando o ar

  • um incenso

  • duas velas pequenas brancas

  • um pedaço de corda com os nós

  • um pequeno copinho para o licor

  • uma pequena concha, um símbolo da deusa

  • uma porção de sal

  • algumas ervas

  • seu objeto de poder pessoal, que pode ser um amuleto, um cristal etc…

A vassoura: A vassoura é usada na Stregha como proteção e para rituais de banimento, a vassoura é um símbolo de como uma bruxa Stregha pode viajar no astral, se projetar para qualquer lugar, entrar em qualquer porta e em qualquer área. Em rituais de banimento ela é usada atravessada na porta de entrada com o sal para remover as energias negativas, quando atravessamos a vassoura na porta de entrada de uma casa estamos impedindo a entrada de qualquer energia.

Tesouras: As tesouras são usadas para quebrar feitiços e para ajudar nas conexões astrais, deve ser colocadas sobre as janelas ou atrás das portas para cortar qualquer maldição.

O caldeirão: É usado nos rituais em celebração e oferendas aos deuses e espíritos.O ponto central do altar da bruxa Stregha é a chama azul gerada pela queima do Stregha, um licor preparado especialmente para os deuses que pode ser colocado no caldeirão ou na concha.

Oratório: O oratório é usado para representar um templo sagrado suportado por duas colunas esse oratório deve ser colocado sobre a terra e de maneira que oferendas possam ser feitas nesse lugar, o oratório é o ponto principal onde os velhos espíritos se comunicam com a Stregha. A imagem da deusa, de um anjo pode estar contido no oratório, um prato com leite, vinho e mel deve ser oferecido aos deuses, velas acesas, jóias, pinturas e os objetos pessoais da bruxa.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/introducao-a-stregheria/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/introducao-a-stregheria/

Hércules e as Éguas de Diomedes

Hércules teve de enfrentar quatro éguas que se alimentavam de náufragos estrangeiros. Como no trabalho anterior, esse é mais um passo para o herói se aperfeiçoar na arte de amar.

“Essa é uma iniciação: aprender a entregar o coração com sinceridade, não se deixar levar pela tentação, movido apenas pela atração física”.

Mitologia

Diomedes, filho de Marte, governava uma terra de pântanos onde criava os cavalos e as éguas para a guerra. Os cavalos eram selvagens e as éguas eram ferozes, diante dos quais os homens tremiam, pois elas matavam todos os que cruzassem seu caminho e procriavam sem cessar cavalos extremamente selvagens e perversos.

Hércules recebeu a tarefa de capturar as malignas éguas e dar um fim às suas atrocidades. Por isso, Hércules chamou seu inseparável amigo, Abderis.

Após planear seus actos cuidadosamente, os dois seguiram os cavalos soltos pelos pântanos da região e, finalmente, encurralaram as éguas bravias num campo onde não havia espaço para que se movessem. Lá ele agarrou-as e acorrentou-as e deu gritos de alegria pelo sucesso alcançado.

Tão feliz se sentia que julgou indigno de si conduzir as éguas até Diodemes e para isso chamou Abderis, deu-lhe a tarefa e seguiu adiante. Mas Abderis era fraco e teve medo. Não conseguiu conter as éguas que se voltaram contra ele e mataram-no, fugindo em seguida.

Hércules retornou à sua tarefa, mais sábio, presa da dor, humilde e abatido. Procurou os cavalos por toda a parte, deixando o amigo morto no chão. Prendeu novamente os cavalos e conduziu-os ele mesmo. Mas Abderis estava morto. Os cavalos foram conduzidos para um lugar de paz para serem domesticados e adestrados e o povo aclamava Hércules como seu libertador e salvador de sua terra. Mas seu amigo estava morto e Hércules sabia que o Trabalho estava feito, mas mal feito.

Sabia que havia uma importante lição a aprender dessa tarefa antes de prosseguir.

Simbologia

Este Trabalho está associado ao signo de Áries. Áries governa a cabeça, portanto é um signo mental. Todos os começos se originam no plano mental e na mente do criador. Consequentemente, está claro que em Áries começam a correcta direcção e a correcta orientação de Hércules.

O alvo simboliza a atividade intelectual: o cavalo branco representa a mente iluminada do homem espiritual e cavalos negros, representam a mente inferior com as suas ideias falsas e errôneos conceitos humanos.

O significado desta prova está agora muito mais evidente. Hércules tinha que começar no mundo do pensamento para obter o controle mental. As éguas do pensamento vinham produzindo cavalos guerreiros e, através do pensamento errado, da palavra errada e de ideias errôneas, devastavam os campos.

Uma das primeiras lições que todo o principiante tem que aprender é o tremendo poder que ele exerce mentalmente, e a extensão do mal que ele pode causar no meio que o circunda, através das “éguas reprodutoras da mente”. Por isso ele tem que aprender o correco uso da sua mente e a primeira coisa a fazer é capturar as éguas e providenciar para que não gerem mais cavalos guerreiros.

Para aquele que pretende seguir o Caminho, basta que dedique um único dia a observar o pensamento e perceberá que quase todo o tempo, a maldade, o amor, a fofoca e a crítica estão a ser fertilizadas pelo egoísmo e ilusão.

Hércules compreendeu o mal que as éguas estavam causando e correu em socorro das pessoas, determinado a capturá-las; porém ele superestimou-se quando não percebeu a potência e a força que elas possuíam, tanto que as entregou a Abderis, o símbolo do eu inferior pessoal.

Hércules, a alma, e Abderis, a personalidade, juntos eram necessários para guardar as éguas. Sozinho, Abderis não tinha força suficiente e por isso foi morto.

Abderis, incapaz de contrariar quem ama, tal como no signo da Balança, não teve coragem de enfrentar o seu amigo, mostrando o seu medo, temendo perder o seu Amor.

Com a morte de Abderis, e a necessidade de tratar do seu corpo, após o cumprimento da sua tarefa (apanhar as éguas), Hércules defronta-se com o seu orgulho e vaidade e com a aprendizagem dos limites entre o eu e o outro. Enquanto na Libra, o respeito por si próprio ao assumir que não seria capaz de tal tarefa, espelha-se no Áries, destemido, que na sua ânsia e coragem de guerreiro, nem compreende a incapacidade do outro.

Assim funciona a grande lei: pagamos em nossas próprias naturezas o preço das palavras incorretamente proferidas e pelas ações mal julgadas. Assim, uma vez mais, a alma da pessoa de Hércules teve que lidar com o problema do pensamento errôneo, e somente mais tarde ele consegue realmente atingir o controlo total dos processos de pensamento e de sua natureza.

Caminho de Iniciação

Capturar as Éguas Antropófagas de Diomedes, foi o próximo Trabalho de Hércules.

As Éguas de Diomedes (um rei cruel da Trácia) devem ser eliminadas dos infernos do planeta Saturno para que a Consciência, liberada desses átomos, possa subir ao Céu desse planeta, morada dos Tronos. O céu de Saturno é o Para-Nirvana.

O Trabalho nos Infernos de Saturno é penoso. Basta dizer que na Mitologia as Éguas do Rei Diomedes eram alimentadas com carne humana. Essas éguas representam novos elementos infra-humanos de natureza passional; evidentemente, são simbólicos animais que vivem junto às águas espermáticas (sexo) sempre dispostas a devorar os fracassados (os que deixam cair no sexo).

Prender as éguas (cavalos) é a tarefa principal, porém, existem muitos outros trabalhos a serem realizados nos infernos de Saturno. “Hércules limpou a terra e os mares de toda a classe de mostruosidades, que não de monstros, vencendo o mago negro Briarco, o dos cem braços, num dos célebres trabalhos de magia negra atlante que havia se apoderado de toda a Terra”, diz um texto histórico antigo.

Portanto, todo classe de tentações e guerras são travados pelo Iniciado contra as hostes tenebrosas que vivem nos infernos do planeta Saturno. São ataques de bruxaria e de magia negra; são tentações sexuais sublimes e bestiais; são seduções maravilhosas e perigosas.

Saturno é o Senhor da Verdade e da Justiça. Nenhum Adepto poderá ingressar no Céu de Saturno sem haver sido declarado totalmente “morto” (em si mesmo) no Palácio da Verdade e da Justiça (o Tribunal do Karma, regido por Saturno ou Deus Kronos).

Quando uma pessoa, um Iniciado, morre em si mesmo, se converte em criança inocente. Os Deuses, por mais poderosos que sejam, são crianças; possuem mente infantil, inocente, porém com a experiência das Idades.

Biblioteca da Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-as-%C3%A9guas-de-diomedes

A Filosofia do Dr. Sapo: Um Olhar Sobre as Limitações de Nossa Mente e Sentidos

por Drutakarma dasa.

A Filosofia do Dr. Sapo – Saltar para as Conclusões: Um Olhar Sobre as Limitações de Nossa Mente e Sentidos.

Era uma vez uma comunidade de sapos que vivia em um poço perto do Oceano Atlântico. Nenhum deles tinha saído do poço, então não sabiam nada do mundo exterior.

Então, um dia, um jovem sapo particularmente atlético conseguiu saltar do poço. Ele começou a explorar. Quando chegou à praia e viu o mar, ficou espantado. Ele nunca tinha visto nada parecido e correu de volta ao poço para relatar sua descoberta.

De volta ao poço, o jovem sapo pediu animadamente para ver o sapo mais culto da comunidade. Esse sapo sênior sabia tudo o que havia para saber sobre sociologia, história e geografia do mundo-em-um-poço. Ele era um verdadeiro repositório de conhecimento de sapos. Vamos chamá-lo de Dr. Sapo.

“Onde você esteve?” perguntou o Dr. Sapo ao jovem explorador. “O que você viu?”

“Vi uma vasta massa de água”, respondeu o jovem sapo.

“Quão vasto? Era o dobro do tamanho do nosso poço?” E o Dr. Sapo inchou um pouco em apreciação de um corpo de água tão grande.

“Não, não, senhor. É muito maior do que isso. Você vê-”

“Era quatro vezes o tamanho do nosso poço?” O Dr. Sapo inflou-se um pouco mais.

“Não, não, senhor. Muito, muito maior.”

“Dez vezes o tamanho do nosso poço?” Dr. Sapo bufou prodigiosamente.

“Não, não, você não entende.” E com isso o Dr. Sapo inchou um pouco mais e explodiu.

* * *

Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, o fundador e guia espiritual do movimento Hare Krishna, às vezes contava essa história para ilustrar as limitações do método científico quando aplicado a questões fundamentais como a origem do universo ou a existência e natureza do Deus.

E os próprios cientistas admitem essas limitações. Em 1980, Kenneth E. Boulding, presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência, disse isso durante um discurso na convenção anual da organização: “A Cosmologia . . . é provável que seja muito insegura, simplesmente porque estuda um universo muito grande com uma amostra muito pequena e tendenciosa. Estamos olhando para ele com cuidado por uma fração muito pequena de seu período total de tempo, e conhecemos intimamente uma fração ainda menor de seu período total no espaço.”

A crítica de Srila Prabhupada ao conhecimento material ecoa o que encontramos na literatura védica, o grande corpo de escritos filosóficos da Índia. Milhares de anos atrás, os sábios védicos analisaram as razões pelas quais o conhecimento adquirido através dos sentidos materiais e da mente é defeituoso. Em primeiro lugar, os próprios sentidos são limitados e imperfeitos. Em segundo lugar, facilmente nos tornamos iludidos. Terceiro, cometemos erros. E quarto, temos a tendência de trapacear, de reivindicar a posse da verdade quando os fundamentos de nosso conhecimento são instáveis.

Vejamos mais de perto esses impedimentos ao conhecimento materialmente adquirido.

SENTIDOS IMPERFEITOS:

O primeiro problema que enfrentamos ao tentar obter informações precisas sobre o mundo externo é que nossos sentidos têm limites fisiológicos, ou “limiares de percepção”. Veja os olhos, por exemplo. Podemos ver apenas uma pequena fração do espectro eletromagnético total. Uma onda eletromagnética pode variar de um quadrilionésimo de metro até 100 milhões de metros de comprimento. E dessa imensa gama de energia, podemos ver apenas as ondas entre 400 e 750 milimícrons de comprimento. (Um milimícron é um bilionésimo de um metro.) O violeta cai em torno de 400 milimícrons, azul em torno de 450, verde em torno de 500, amarelo em torno de 600 e vermelho em torno de 700. Qualquer coisa fora dessa faixa fina é invisível para nós.

Nossa audição é limitada da mesma maneira. As ondas sonoras são medidas em hertz, ou ciclos por segundo. A audição humana se estende de 20 hertz até 20.000 hertz. Somos surdos a qualquer vibração acima ou abaixo dessa faixa.

Se examinarmos cada um dos nossos sentidos restantes, vamos encontrá-los igualmente limitados.

Portanto, nossos sentidos são imperfeitos. Mas e os instrumentos científicos? Eles não podem nos ajudar a obter um conhecimento mais perfeito? Na verdade, não. Eles apenas complicam as coisas. O físico vencedor do Prêmio Nobel Eugene Wigner aponta: “Mesmo se fotografarmos as estrelas, devemos eventualmente ‘absorver’ por nossos sentidos o que a fotografia mostra. Além disso, sem nossos sentidos, não poderíamos lidar com uma câmera fotográfica. Claramente, todo conhecimento chega até nós, em última análise, através de nossos sentidos.”

Assim, mesmo se amplificado ou refinado por instrumentos, qualquer conhecimento que baseamos na percepção sensorial não é mais perfeito do que nossos sentidos imperfeitos.

ILUSÃO:

Nossos olhos muitas vezes nos pregam peças. As duas barras da figura a. são de igual altura. O triângulo branco na figura b. não está realmente ali. O desenho do “tridente” na figura c. confunde nossa mente e nossos olhos com sua perspectiva impossível. E as linhas diagonais na figura d. são paralelas.

Nosso segundo defeito é que estamos sujeitos à ilusão. Muitos de nós tiveram a experiência de dirigir pela estrada em um dia quente e ver o que parece ser água à frente, apenas para descobrir que não há nenhuma lá. Portanto, mesmo que o Dr. Sapo pudesse ter saído de seu poço e visto o oceano, seus problemas de percepção não teriam terminado. “É possível que eu esteja errado que a mancha azul de aparência molhada aparentemente seja o mar”, diz o Dr. R.L. Gregory, diretor do Laboratório de Cérebro e Percepção da Universidade de Bristol, Inglaterra. “Eu posso estar sonhando ou drogado. Isso pode ser improvável, mas é possível; então minhas percepções não são certas.”

Psicólogos e outros estudiosos da percepção fizeram muitas pesquisas sobre a ilusão, particularmente no campo da visão.

O sentido do tato também é altamente suscetível à ilusão. Se nossa mão foi aquecida o suficiente, a água “quente” parecerá fria. Se a mão foi resfriada, a água “fria” parecerá quente. Este fenômeno leva a situações em que podemos perceber a mesma água como simultaneamente fria e quente! Se provarmos uma laranja depois de provarmos o açúcar, a laranja terá um sabor azedo. Mas depois de um limão, uma laranja tem um sabor doce. As ilusões auditivas também são comuns, como a arte do ventriloquismo demonstra claramente.

Mas há outra maneira pela qual a percepção comum nos ilude: os objetos de nossos sentidos mudam constantemente de momento a momento. Eles não são características estáveis ​​da realidade. Essa dificuldade torna-se particularmente evidente quando tentamos rotular esses objetos. Em The Social and Psychological Distortion of Information (A Distorção Social e Psicológica da Informação), Charles K. West, professor de psicologia educacional da Universidade de Illinois, diz: aparência temporária, existindo temporariamente no tempo e no espaço”.

A mesma observação foi feita há cinquenta séculos no Srimad-Bhagavatam, um clássico tratado filosófico védico. O Bhagavatam descreve a manifestação cósmica como “o mundo dos nomes”. Em seu comentário sobre esta passagem, Srila Prabhupada explica: “Toda a criação material é apenas um malabarismo de nomes; na verdade, nada mais é do que uma desconcertante criação de matéria como terra, água e fogo. Os edifícios, móveis, carros, bangalôs, moinhos, fábricas, indústrias, paz, guerra, ou mesmo a mais alta perfeição da ciência dos materiais, a saber, energia atômica e eletrônica, são simplesmente nomes desconcertantes dos elementos materiais com suas reações concomitantes.

ERROS:

Ainda outra dificuldade com a percepção sensorial é que todos cometemos erros. Dr. Gregory (o especialista em cérebro de Bristol) diz: “A ciência, com todos os seus sucessos dramáticos, desde o início também gerou relatos totalmente incorretos: estrelas como alfinetes em um globo de cristal, eletricidade e calor como fluidos, o cérebro como um órgão para esfriar o sangue… Esses são desvios dramáticos do que agora vemos como verdade; e quando inventados eram desvios do que então parecia verdadeiro.”

Um exemplo recente de tal erro diz respeito ao brontossauro, o mais conhecido dos dinossauros, geralmente retratado como um gigante de nariz arrebitado e dentes rombos. Falando do esqueleto no Carnegie Institute, o curador assistente David Berman admite: “Ele está com a cabeça errada. Existem outros quatro museus que exibem esqueletos de brontossauros, e todos eles têm as cabeças erradas.”

Acontece que o brontossauro realmente tinha um focinho comprido e dentes pontiagudos. A confusão aparentemente começou em 1881, quando um respeitado paleontólogo de Yale usou o esqueleto de um brontossauro escavado no Colorado para montar a primeira foto do enorme réptil. Berman diz: “Ele realmente usou uma cabeça que foi encontrada a três ou quatro milhas de distância do esqueleto, mas ninguém sabia”. O colega de Berman, o professor da Wesleyan University, John McIntosh, diz: “Ele adivinhou. Ele geralmente adivinhava coisas assim, mas desta vez não.

Em outro caso, três astrônomos descobriram recentemente um erro significativo na Constante de Hubble, uma equação usada como medida cósmica para medir distâncias enormes no universo. A Constante de Hubble – nomeada em homenagem ao astrônomo Edwin P. Hubble – passou por tantas correções desde que a formulou pela primeira vez que muitos astrônomos agora a chamam de “variável de Hubble”.

Claramente, com nossos sentidos imperfeitos e nossa mente propensa a ilusões, os erros são inevitáveis.

FRAUDES:

Errar é humano, diz o ditado, mas infelizmente os humanos às vezes vão além do erro inocente e propagam deliberadamente inverdades. Os cientistas não estão imunes a essa deficiência.

Por muitos anos, livros didáticos sobre evolução citaram rotineiramente o Homem de Piltdown como evidência de que os seres humanos descendem de um ancestral simiesco. Em 1912, os arqueólogos escavaram um crânio humanoide e uma mandíbula simiesca de um poço de cascalho em Piltdown, nas Ilhas Britânicas. Os ossos foram considerados partes da mesma criatura, que foi devidamente reconstruída na íntegra e colocada no Museu Britânico como exemplo de uma fase de transição entre o antigo macaco e o homem moderno. Em 1953, no entanto, os investigadores descobriram que o maxilar do Homem de Piltdown era na verdade de origem muito recente e havia sido simplesmente manchado para parecer um fóssil. Além disso, alguém havia lixado os dentes para mudar sua aparência. Em outras palavras, o Homem de Piltdown era uma fraude, aparentemente projetada por um dos descobridores originais.

Mais recentemente, comitês do Congresso dos EUA têm investigado alegações de que cientistas que trabalham sob subsídios federais de pesquisa falsificam rotineiramente dados experimentais para manter o dinheiro do subsídio chegando. O Los Angeles Times relatou: “Em uma das sessões do Congresso. O Dr. John Long admitiu em depoimento juramentado que havia falsificado resultados de pesquisa em um experimento que conduziu sobre a doença de Hodgkin no renomado Massachusetts General Hospital em Boston. Ele também admitiu ocultar de seus colegas de trabalho as descobertas de que as células que ele descrevia há anos como células cancerígenas humanas eram, na verdade, células de um macaco-esquilo”.

Tais incidentes estão causando grande consternação entre os líderes da comunidade científica, que temem que a crescente desconfiança do público resulte em cortes de financiamento. No entanto, os cientistas ainda parecem desfrutar de um reservatório bastante substancial de confiança do público. Em seu livro sobre a distorção da informação, o Dr. Charles West diz: “Acredita-se que a informação científica não seja afetada pelas armadilhas intelectuais e emocionais que influenciam as pessoas comuns. Apenas usar a palavra científica significa para muitas pessoas que a informação é altamente significativa, indiscutível, desapaixonada, objetiva, irrepreensível, livre de dogmas e altamente racional”. Mas nem sempre é assim. Como o Dr. West observa tão astutamente, “os cientistas veem o mundo em termos de suas necessidades, atitudes, valores, interesses, conceitos e estruturas como qualquer outra pessoa, e suas observações e descobertas são influenciadas por esses fatores”.

Um problema é que quase todos os cientistas são empregados por grandes instituições, geralmente uma grande universidade, uma grande corporação ou o governo. Assim, além de ser prejudicado por todas as imperfeições da percepção sensorial, o cientista está sob constante pressão para modificar suas descobertas para atender às necessidades da instituição para a qual trabalha. Como observa o Dr. West, “os controles operam em todas as etapas da pesquisa, que incluem seleção de problemas, articulação de problemas, análise de dados, formação de hipóteses e solução; ou articulação de achados”.

O CONHECIMENTO PERFEITO:

Levando tudo isso em consideração, devemos ter muitas dúvidas sobre a imagem do universo que nos é dada pela ciência natural, o que falar de suas ideias sobre questões últimas como a origem da vida e a existência de Deus.

Isso significa, no entanto, que nunca podemos esperar respostas para tais perguntas? Não, mas significa que temos que encontrar outro método de obtê-los.

De acordo com a literatura védica, o caminho para receber o conhecimento perfeito sobre essas questões fundamentais é chamado de avaroha-pantha, o caminho descendente do conhecimento. Está em contraste com o caminho ascendente da ciência material, o método de pesquisa especulativa com a mente e os sentidos imperfeitos. Como vimos, esse caminho ascendente nunca pode levar a um conhecimento certo. Mas no caminho descendente, aceitamos o conhecimento de uma fonte perfeita, além dos quatro defeitos. Só assim podemos contornar esses impedimentos e alcançar o conhecimento de Deus.

Considere a situação de um homem que não sabe quem é seu pai porque o pai saiu de casa antes de ele nascer. Como o filho pode saber com certeza a identidade de seu pai? Uma alternativa seria o filho entrevistar pessoalmente milhões de homens – obviamente um esforço tedioso e provavelmente infrutífero. Este é o caminho ascendente do conhecimento. Outra alternativa é o homem se aproximar de sua mãe e perguntar quem é seu pai. Este método, o único método com alguma esperança de certeza, é o caminho descendente do conhecimento.

O problema, é claro, é encontrar uma fonte de conhecimento perfeito — uma fonte que não esteja sujeita aos quatro defeitos descritos acima. Tal fonte é especialmente necessária quando estamos procurando respostas para perguntas sobre a origem da vida e da matéria ou a existência e natureza de Deus – em outras palavras, a Verdade Absoluta.

Os devotos do Senhor Krishna reconhecem a literatura védica como a fonte primária do conhecimento perfeito sobre a Verdade Absoluta. É certo que é necessária uma certa quantidade de fé para embarcar no processo de realização da verdade contida no conhecimento védico, um processo conhecido como bhakti-yoga, ou serviço devocional. Mas essa fé não é diferente da fé que um calouro em um curso universitário de química deve ter para iniciar seus estudos. Ele não pode ter certeza de que os experimentos funcionarão ou que as informações nos livros didáticos são precisas (na verdade, como vimos, algumas delas provavelmente não são), mas ele tem fé em seu professor, um especialista em química, e em todos aqueles que vieram antes dele, completaram o curso e confirmaram para sua própria satisfação que o corpus do conhecimento padrão é verdadeiro. Da mesma forma, quando alguém assume o serviço devocional, fica sob a tutela de um mestre espiritual, um especialista em serviço devocional que ensina o conhecimento contido na literatura védica e que realizou pessoalmente a Verdade Absoluta. O devoto neófito também encontra outros que estão mais adiantados no curso de bhakti-yoga e que perceberam a Verdade Absoluta até certo ponto. E ele mesmo começa a perceber o conhecimento transcendental enquanto continua servindo ao Senhor.

Assim, o conhecimento derivado da prática de bhakti-yoga, embora fora do alcance dos sentidos materiais e da mente, é tão científico – ou mais – do que o que comumente aceitamos como fato científico.

A literatura védica nos diz que o conhecimento perfeito se origina com a Suprema Personalidade de Deus, que é o criador e controlador de toda a manifestação material. Se quisermos entender o significado último de uma pintura, devemos nos aproximar do artista que a pintou. Ele é a melhor fonte de conhecimento sobre sua própria criação. Da mesma forma, o Senhor Supremo é a melhor fonte de conhecimento sobre o universo. Ele não é prejudicado pelos defeitos dos seres humanos comuns. Seus sentidos são perfeitos e ilimitados, e Ele está completamente livre da propensão a se iludir, cometer erros e trapacear.

No início da criação, o Senhor Krishna transmitiu o conhecimento védico perfeito a Brahma, o primeiro ser criado no universo. Brahma então repetiu o mesmo conhecimento perfeito para seu filho e discípulo Narada. Narada, por sua vez, falou para o sábio Vyasa, que o repetiu para seu filho e discípulo Sukadeva Gosvami. E da mesma forma o conhecimento védico chegou até os dias atuais através de uma cadeia de sucessão discipular. Em certo ponto, os ensinamentos védicos foram comprometidos com a escrita.

Os textos védicos mais essenciais, como o Bhagavad-gita, contêm as palavras diretas da Suprema Personalidade de Deus. Em contraste com outras escrituras, que dão apenas os relatos mais rudimentares da criação, a literatura védica fornece relatos detalhados da origem da manifestação cósmica, desde o átomo até as variedades de sistemas planetários.

A melhor maneira de atingir o conhecimento perfeito, então, é aproximar-se de um mestre espiritual genuíno na linha de sucessão discipular descendente da Suprema Personalidade de Deus, e estudar a literatura védica sob sua direção. O Bhagavad-gita aconselha: “Apenas tente aprender a verdade aproximando-se de um mestre espiritual. Pergunte a ele com submissão e preste serviço a ele. As almas auto-realizadas podem transmitir conhecimento a vocês porque viram a verdade.” E o Mundaka Upanisad afirma: “Para aprender a ciência transcendental, deve-se abordar um mestre espiritual que faz parte de uma genuína sucessão discipular e que está fixado na Verdade Absoluta”. A ligação com o mestre espiritual é tão importante que o discípulo tradicionalmente ora: “Ofereço minhas respeitosas reverências ao meu mestre espiritual, que, com a tocha do conhecimento, abriu meus olhos, que estavam cegos pela escuridão da ignorância”.

Assim, aceitando o conhecimento transcendental que desce através da cadeia de devotos puros de Krishna, pode-se elevar-se acima dos defeitos da mente e dos sentidos materiais e alcançar uma compreensão científica da Verdade Absoluta. A alternativa é a filosofia do Dr. Sapo – que em última análise leva à uma explosão de fracasso.

***

Fonte:

The Philosophy of Dr. Frog – Jumping to Conclusions, by Drutakarma dasa.

From: Back To Godhead, April, 1983.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-filosofia-do-dr-sapo-um-olhar-sobre-as-limitacoes-de-nossa-mente-e-sentidos/

‘Magick com Vaselina

Anarco-thelemita

O Sistema mágicko proposto por Aleister Crowley está espalhado em uma série de livros e obras. Dentre elas ‘Magick without Tears’ destacasse como uma das mais didáticas e interessantes. O livro é essencialmente composto por cartas trocadas por Crowley e seus discipulos, mas possui um capítulo introdutório que contêm os principais postulados e diretrizes para o sucesso em Magick, e portanto o successo em qualque routro campo de atividade. É este capítulo que iremos nos basear para servir de esqueleto para uma introdução essencial que diferencia Magick das artes de salão por um lado e do folclore medieval de por outro.

Magick é a Ciência e Arte de provocar Mudanças de acordo com a Vontade.

A definição de Crowley para Magick é uma das mais práticas que existe. Eliphas Levi por exemplo escreveu antes disso que Magia é “a ciência tradicional dos segredos da natureza, que nos vem dos magos.” enquanto que outros autores ainda mais antigos definiam Magia como a “sabedoria da tradição hermética”, etc.. Para se diferenciar destes termos vagos Crowley passou a escrever Magic com um K a mais.

Desta forma Magick deixa de ser um abstrata arte de mitologia aplicada para se tornar algo que pode ser medido. O sucesso é sua prova. O fracasso é sinal de que algo foi feito errado como veremos mais para frente. Essa definição tira a magia do campo puramente mistico e a apresenta ao nosso dia a dia. Se queremos acordar e ficar alertas para ir trabalhar podemos por um ato de Vontade, levantar da cama e nos valer de um “encantamento” lavando o rosto com água fria para então consumir “uma poção” com bastante cafeina. Curiosamente estas são coisas que muitas pessoas fazem por natureza de maneira ritualizada. Por esse motivo Crowley escreveu como o primeiro de seus teoremas que “Todo ato intencional é um Ato Mágico.”

Dito isso pode parecer que Magick é o que as pessoas vulgares chamam de Ciência. Mas existe uma diferença crucial que precisa ser destacada. A ‘Ciência’ está preocupada com observar e explicar, enquanto que Magick está comprometida com a realização. Seria mais correto dizer que Magick é semelhante a Ciência Aplicada, entretando isso ignora o fato comum de que quando necessário usamos outros métodos além daqueles fornecidos pela ciência atual e pela tecnologia como as que são acessíveis apenas a aqueles que se dedicam a explorar a chamada “iniciação” e por-se em contato com forças sutis que as forças físicas ordinárias.

Os Postulados de Magicka

Assim, segundo Aleister Crowley QUALQUER COISA É POSSIVEL se todos os itens abaixo forem adequadamente satisfeitos:

1 – A Força do Tipo Certo
2 – O Grau Apropriado da Força
3 – De Maneira Apropriada
4 – Pelo Meio de transmissão adequado
5 –  Ao Objeto Adequado

Crowley não era um tolo. Ele sabe que algumas mudanças não são possíveis na prática, não podemos criar estrelas do nada, respirar no vácuo ou transformar crianças em brocoles. Mas isso acontece justamente porque um dos pontos acima não foram satisfeitos e não por uma impossibilidade real.

É nesta certeza que se baseia Magick. Todo conjunto de crenças possui alguns valores arbitrários conhecidos como dogmas. A Religião tem Deus como um deles, Deus é possível ao passo em que a Ciência têm a Verdade como uma delas, a Verdade é possível. O dogma da magia é o sucesso.

Qualquer inexatidão no resultado final (incluindo o fracasso completo) é um sinal de que um dos 5 postulados não foram satisfeitos. Dada esta importância vamos agora revê-los com alguns exemplos claros.

Postulado 1 – Força do Tipo Certo

Este postulado é tão importante que seu fracasso tira até mesmo a chance dos outros postulados fracassarem. Imagine alguém com um objetivo venério e um tipo marciano de força, ele tentaria conquistar o amor da sua vida pela batalha. Ele poderia até mesmo ganhar a guerra, mas o amor exige um tipo específico de força para ser aplicado. Sabe como se pode ganhar em um mesmo dia uma disputa de xadrez com um campeã de xadrez e uma luta de boz com um peso pesado? Dá-se um nocaute no enxadrista e um cheque-mate no boxeador.

Postulado 2 -O Grau Apropriado de Força

Paracelso descobriu que a dose faz o veneno. Uma mesma substância pode matar ou curar dependendo da intensidade com que é usada. Força muscular de menos pode fazer você perder uma disputa de braço de ferro. Força emocional demais pode transformar uma crise numa tragédia. É o Grau apropriado que separa o tapa do toque.

Postulado 3 – A Maneira Apropriada

Enquanto o primeiro e o segundo postulados lidam respectivamente com as questões qualitativas e quantidativas da força, o terceiro lida com as questões externas, mais particularmente de tempo e espaço. Fazer uma neuro-cirurgia na praia ou dormir ao Sol do meio dia são maneiras de flertar com o fracasso. Para não parecermos idealistas, isso não quer dizer que existe uma hora e lugar certo para tudo, mas existem momentos e situações mais ou menos adequadas. Não existe um único momento ideal para se dizer “Eu te amo”, mas existem muitas maneiras erradas de dizer isso.

Postulado 4 – O Meio de Transmissão Apropriado

Uma pessoa que quer ser imortal certamente falhará se depender basear sua imortalidade em um filho que também esta destinado  a morrer. Um escritor pode usar a força certa da sua criativade, no grau certo de planejou e da maneira certa que deseja e ainda assim fracassar porque sua caneta esta sem ponta. Em termos de magia cerimonial isto tem especial foco nas chamadas “armas mágickas”.

Postulado 5 – Ao Objeto Adequado

Por fim podemos aplicar a força em um objeto errado. Você pode ser o melhor empresário do mundo e falhar ao se dedicar ao trabalho errado. Como ilustração imagine o fracassado que bate no filho porque é oprimido fora de casa ou o insano que usa todo o ar do seu pulmão para apagar uma lâmapa dlorecente assobrando-a.

A Iniciação

 

Dos postulados fica destacado que o primeiro requisito para o sucesso em Magick depende de uma compreensão exata da qualidade e quantidade da força utilizada, bem como da situação externa (meios, cenário e objeto) em que esta força será aplicada. De forma resumida podemos dizer que Magick é entender a si mesmo e suas condições e então aplicar este entendimento à ação desejada.

O segundo requisito é ter poder para colocar esta força em movimento. Caso falte esta habilidade então deve-se quebrar a mudança desejada em etapas menores, sendo que a primeira etapa é adquirir a força adequada até que todos os postulados estejam satisfeitos. A essa maestria chamamos iniciação. Isso pode significar dedicar-se a aulas de pranayama antes de entrar nas rígidas posturas exigidas pelas asanas da hatha yoga, mas pode significar também frequentar a academia de kung fu antes de entrar numa briga. O ponto importante aqui é que uma pessoa só pode atrair e aplicar forças para as quais de fato está apto a controlar. O conhecimento de suas próprias limitações é uma das armas mais importantes que um mago pode ter.

Mas note que o sucesso não é descartado nunca. É por isso que na Thelema não existem ‘pessoas fracassadas’ não há o conceito de pecado original, ou karma irremovível onde o erro faz parte da existência íntima do ser humano. Pelo contrário, o sucesso é uma questão de esforço e Magick é possivel para todos. Èsse é um dos sentidos de “Todo homem e toda mulher é uma estrela.” Outro sentido desta frase é que o ser humano é um fim em si mesmo, “Faze o que tu queres” e nisso ele antecipa em alguns anos e supera em concisão e abragência a primitiva Declaração dos Direitos Humanos.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/magick-com-vaselina/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/magick-com-vaselina/

A Riqueza – Parte 1

Adaptado do Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVI.14

O amor aos bens terrenos é um dos mais fortes entraves à evolução moral e espiritual, sendo uma provação muito maior do que a dor, fome ou pobreza, porque enquanto as últimas servem para retirar qualquer ranço de superioridade e deixa pouco espaço para ação (karma), a riqueza traz consigo status, orgulho, avareza, cobiça (quem tem quer sempre mais), beleza e possibilidades inúmeras de ação, tanto para o bem comum, como para endividar-se diante desse sistema de energias, quem em nosso nível de percepção conhecemos como Deus.

A riqueza em si não é maléfica, não estou aqui fazendo uma ode à pobreza, apenas deixando bem claro os perigos inerentes a riqueza. Muito menos estou dizendo pra sair por aí dando dinheiro aos pobres. Compreende-se a satisfação – mais que justa – do homem que, através do seu trabalho honrado e assíduo, acumulou riquezas, mas daí ao apego que absorve todos os sentimentos e endurece o coração tem uma grande distância, tão grande quanto a que separa o esbanjador do mesquinho, dois vícios entre os quais colocou Deus a caridade, virtude esta que ensina o rico a dar sem ostentação, para que o pobre receba sem baixeza/humilhação.

Quer a fortuna venha da sua família, ou do seu esforço, não esqueça de uma coisa: tudo emana de Deus, e para Ele retorna. Nada nos pertence, nem mesmo nosso corpo (como a morte sempre nos lembra). Voltemos um pouco em nossos conceitos e imaginemos por um minuto o universo de forma mecanicista: existem rodas de engrenagem grandes, capazes de suportar grandes forças por elas mesmas, mas que estão em contato com as engrenagens pequenas, passando a energia suficiente para que a última, com sua leveza e agilidade, possa “conversar” com outra engrenagem, que está em outra velocidade. As engrenagens grandes e pesadas seriam os ricos, que devem lidar com a parte mais densa da matéria e transformar isso em trabalho, energia, movimento. Pena que o que mais vemos é a engrenagem se recusar a passar seu potencial para as outras, e desse jeito a sobrecarga recai em cima das outras peças. Outra analogia: o rico seria o regador automático, que recebe grande vazão de água e a espalha para todo o jardim. Mas é comum que o receptor da água ache que aquilo tudo é apenas para ele…

Sobre isso Lacordaire bate pesado no Evangelho…: “Esqueces que, pela riqueza, vos revestistes do caráter sagrado de ministros da caridade na Terra, para serdes da aludida riqueza dispensadores inteligentes? Portanto, quando somente em vosso proveito usais do que se vos confiou, que sois, senão depositários infiéis? Que resulta desse esquecimento voluntário dos vossos deveres? A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao amigo de que vos haveis esquecido e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.” Traduzindo: como ficaria sua consciência quando se visse diante das pessoas que confiaram em você? Não vai ser um Deus barbudo e impessoal com o dedo na sua cara não, vai ser alguém que você conhece, confia e ama!

Também não adianta favorecer apenas parentes e amigos, como os políticos fazem. “Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?”(Mat 5:46). Deveis beneficiar, direta ou indiretamente, não só a todos os que estiveram ao teu redor, mas também a aqueles que você não conhece. Lacordaire continua:

As pessoas na Terra se iludem, chamando de “virtude” o que as mais das vezes não passa de egoísmo. Em vão chamam “economia” e “previdência” ao que apenas é cupidez e avareza, ou “generosidade” ao que não é senão esbanjamento em proveito próprio. Um pai de família que, por exemplo, se abstém de praticar a caridade, economizará para – diz ele – deixar aos filhos a maior soma possível de bens e evitar que caiam na miséria. É muito justo e paternal, convenho, e ninguém pode censurar. Mas será essa sua única motivação? Não será muitas vezes um compromisso com a sua consciência, para justificar, aos seus próprios olhos e aos olhos do mundo, seu apego pessoal aos bens terrenos? Admitamos, no entanto, que seja o amor paternal sua única motivação: Será isso motivo para que esqueça seus irmãos perante Deus? Já tendo ele o supérfluo, ficarão na miséria os filhos, só por lhes ficar um pouco menos desse supérfluo? Não será, antes, dar-lhes uma lição de egoísmo e endurecer-lhes os corações? Não será enfraquecer neles o amor ao próximo? Pais e mães, vocês cometem grande erro, se crêem que desse modo conseguirão maior afeição dos seus filhos. Ensinando-lhes a ser egoístas para com os outros, ensinais a sê-lo para com vós mesmos.

Continua…

#Espiritualidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-riqueza-parte-1

Pitágoras e Buda, professores de Jesus

Hoje falaremos sobre os antigos ensinamentos de Yeshua, o Jesus histórico real. Já falamos sobre como, onde e quando ele nasceu, mas o que ele pregava? Quais as lições que ele passou, tão opostas a Roma e ao Vaticano para que sua história tenha sido apagada, distorcida e adulterada dos registros “oficiais”? Para começarmos a entender a maneira como Yeshua e seus apóstolos pensavam, precisaremos retornar cerca de 6 séculos no passado e conhecer o trabalho de outro grande ocultista, Pitágoras. Recomendo que antes de ler este texto você leia estes textos AQUI e AQUI, sobre a vida de Yeshua.

Pythagoras de Samos nasceu entre 580 e 572 AC e foi um filósofo e ocultista, fundador da Escola Pitagórica. Reverenciado pela massa cética como o pai da matemática, Pitágoras foi, como muitos outros cientistas, muito mais do que isso. Com o conhecimento adquirido nas iniciações nas Pirâmides, Pitágoras foi considerado um dos maiores homens de seu tempo, equivalente a Leonardo DaVinci durante o Renascimento.

Antes de mais nada, vamos estudar a origem de seu nome, Pyth-agor, ligado ao Oráculo de Delfos. Antes de ser chamado Delfos, este famoso oráculo era conhecido como Pythia e foi fundado no século 8 AC, embora o local tenha sido usado para práticas xamânicas desde o século 11 AC, ou seja, no mesmo período em que Salomão construía seu Templo. É importante ressaltar que o Templo do Oráculo de Delfos possuía as mesmas medidas sagradas da Câmara dos Reis e do Templo de Salomão. Certamente uma coincidência.

A história mitológica deste Templo dizia que no local vivia uma gigantesca serpente chamada Pythia (que deu origem ao nome Píton) e que Apolo, o deus solar, havia dominado e derrotado esta serpente e, a partir do corpo dela, construiu o oráculo.

A simbologia desta história é óbvia. A serpente Pythia, assim como em todas as outras culturas, representa a kundalini sendo dominada pelo aspecto Crístico-Solar (Tiferet, na Kabbalah), resultando em um estado de consciência elevado (“Conhece a ti Mesmo” ).

O nome Pythein (apodrecida, em grego) representava os vapores exalados de um caldeirão (qualquer semelhança com as bruxas celtas NÃO é mera coincidência, como veremos mais para a frente), que colocavam as sacerdotisas iniciadas do templo lunar, chamada Pitionísias (Pythia), em um estado de transe onde recebiam instruções de mestres de outros planos vibracionais (assim como médiuns de hoje em dia recebem mensagens provenientes dos espíritos). Quem assistiu ao filme “300 de Esparta” viu uma representação de como funcionavam estes oráculos.

O nome destas possessões era Venter Loquis (ou a “voz que vem do ventre”), pois os antigos já sabiam que os espíritos utilizavam-se do chakra Manipura, ou Plexo Solar, para obterem energia para estas manifestações (muito tempo depois, no século XVI, charlatões utilizavam truques mundanos de projeção de voz para imitar estas manifestações, dando origem ao que se conhece hoje por Ventriloquismo).

O nome iniciático de Pitágoras significa “aquele que fala (Agor-) a verdade das Pythias (Pyth-)” ou seja, Pyth-Agor. Assim como muitos outros sábios, seu nascimento foi profetizado por outras Pythias e ele nasceu de uma virgem. Seus ensinamentos nada mais eram do que os mesmos ensinados pelos Egípcios em suas Escolas dos Mistérios.

Os pitagóricos estudavam a fundo a matemática, filosofia, a geometria sagrada, proporções áureas, o pentagrama, a ligação entre religião e ciência, numerologia, astrologia, reencarnação, vegetarianismo e a música. A associação entre música e magia é muito antiga e poderosa, e estou devendo um post só sobre isso com exemplos ainda este ano.

O símbolo dos Pitagóricos é o Pentagrama, ou Pentemychos. Eu poderia passar horas explicando as propriedades notáveis do Pentagrama, mas achei este vídeo produzido por Walt Disney (que era Rosacruz) em 1959 chamado Mathmagic, então deixarei “Espírito da Aventura” e o Pato Donald explicarem para vocês AQUI .

O Pentagrama também possui uma relação especial com o Planeta Vênus. Observando o céu e anotando a posição da “Estrela Matutina” durante 8 anos, o traçado do chamado “período sinódico” de Vênus forma um Pentagrama (período sinódico é o tempo que um planeta leva para retornar a uma mesma posição em relação ao sol por um observador na Terra – observe o desenho abaixo).

Portanto, desde sempre o Pentagrama representou o Planeta Vênus, ou seja, a Estrela Matutina, ou seja, Prometeus, ou seja, Lúcifer. O Planeta Vênus também está ligado ao sagrado feminino, às deusas celtas e aos Templos Lunares (Vênus-Afrodite, a deusa arquetipal feminina). Não é muito difícil imaginar como a Igreja Católica chegou a associações toscas entre “satanismo” e “pentagrama” e “adoradores do diabo” e “sacerdotisas/bruxas” e “queimem as bruxas”, não é mesmo?

Não podemos esquecer que o próprio nome Yeshua vem do Pentagrama: Yod-He-Shin-Vav-He.

Pitágoras e a Sociedade Pitagórica viveram através de seus discípulos ilustres como Sócrates, Platão (que, não por coincidência, foi quem primeiro citou a Atlântida, lar de todo o conhecimento ocultista, em seus textos Critias e Timaeus), Aristóteles e finalmente Alexandre, o Grande.

Pitágoras recrutava jovens “Livres e de Bons Costumes” para serem seus estudantes. A palavra “Livre” para os pitagóricos não tinha conotação de escravo/liberto, mas sim de “Livres-pensadores”. Uma das frases mais importantes de Pitágoras é “Nenhum homem que não controla a própria vida pode ser considerado livre”.

Gauthama Buddha

Em 563 AC nascia de Mahamaya (“Rainha Maya”) uma pessoa muito especial, chamada Siddharta Gautama. Mahamaya, a mãe de Buda, era certamente uma sacerdotisa especialmente preparada para a recepção de um Avatar na Terra, que os escritores costumam colocar com o termo “virgem” (apesar dela, assim como todas as outras virgens, terem tido relações sexuais ritualísticas para conceber os Avatares). Segundo a história do Budismo, Maya não teve filhos durante 20 anos de casamento com o rei Suddhodana. Certo dia, ela sonhou com um elefante branco e no dia seguinte, acordou grávida. Desta gravidez nasceu Siddartha.

Após um período de peregrinações e estudos, acompanhado de alguns seguidores, Buda atingiu a iluminação com a idade de 35 anos, após passar um período de 49 dias meditando.

[Vou abrir um parênteses aqui, pois estes 49 dias meditando são os mesmos 49 dias que Moisés passou meditando no deserto antes de receber os 10 mandamentos, no período que os judeus chamam de Sefirat HaOmer, um exercício de Kabbalah que é contado todos os anos pelos judeus. Mais para a frente, quando chegar perto deste período, farei um post só sobre isto].

Os sacerdotes e iniciados chamavam-se de Theravada e pregavam os ensinamentos de Buda. Segundo eles, qualquer pessoa que conseguisse despertar do “sono da ignorância” (olha outra conexão do filme “Matrix” nestes ensinamentos) poderia ser chamado de Buda. De acordo com estes ensinamentos, houveram muitos Budas antes de Gautama e haveriam muitos Budas depois… Yeshua inclusive.

Os budistas estudam a fundo os fatos e leis que regem nossa realidade, como Reencarnação, Karma e Dharma, além de desenvolvimento de toda a estrutura de chakras dos iniciados, tal qual os antigos Indianos e os Egípcios. O objetivo desta iluminação é despertar os sete chakras, chegando ao estado de Nirvana, ou a comunhão com o cósmico. Os Theravada pregavam também o desapego às coisas materiais, o assistencialismo e a caridade, realizando curas com suas habilidades iniciáticas.

Durante o século 3 AC, os Theravada chegaram ao Egito (narrado através do encontro do embaixador Ashako na corte de Ptolomeu II em 250 AC) e de lá partiram para as terras dos judeus e para a Grécia. Ali ficaram conhecidos como Therapeutae (de onde se origina a palavra “terapeuta”). Os Therapeutae eram considerados médicos sagrados, estudiosos e filósofos e muitos de seus iniciados trocaram conhecimentos com os membros das outras ordens secretas pitagóricas.

Os Essênios

Os Therapeutae que viviam na região de Nazaré e especialmente próximos de Quram eram chamados de Essaioi, do aramaico Yssyn (“terapeutas” ou “médicos”) ou, como nós os conhecemos: Essênios.

Os Essênios trouxeram consigo todos os ensinamentos iniciáticos da Escola Pitagórica somados aos ensinamentos budistas. No período em que Yeshua pregava, estima-se que haviam cerca de 4.000 essênios espalhados pela Palestina, além de suas famílias e seguidores.

Os Essênios pregavam o desapego aos bens materiais, uma vida vegetariana e voltada para o lado espiritual. Viviam em comunidades grandes e comunais, com camponeses, estudiosos, filósofos e matemáticos. Seus mestres eram chamados de “Mestres Carpinteiros”.
João Batista foi um dos Essênios mais conhecidos de todos os tempos. Padroeiro de todas as Ordens Templárias, fazia as iniciações aprendidas no Egito no Rio Jordão.

Com isso podemos traçar uma linha de conhecimento que se ocultou desde o Egito até Jerusalém, passando por Moisés, Davi, Salomão, Pitágoras, Platão, Aristóteles, Orfeu, Dionísio, os Terapeutas, as Ordens Essênias e, finalmente, o Buda judeu.

Jesus pregava a RESPONSABILIDADE ESPIRITUAL (a responsabilidade pelas sua própria vida, pensamentos e atos – o que não deixa de ser irônico que é justamente o que a Igreja de Satã do Anton la Vey prega hoje em dia). Jesus também pregava os mesmos ensinamentos sobre Reencarnação, Karma e Dharma ensinados nas Escolas de Mistérios e nas filosofias orientais, que nada mais são do que as leis que regem nossa realidade material, tão palpáveis quanto a Lei da Gravidade. Conhecendo a si mesmo (através da astrologia, kabbalah e outros estudos iniciáticos), as pessoas conseguem descobrir quais suas missões e trabalhar em suas oitavas mais altas para o desenvolvimento e eventual escape da Roda de Sansara ou Ciclo de Reencarnações, tornando-se um iluminado (“Eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta que ninguém pode fechar” – Apocalipse 3:8). Desta forma, Jesus pregava que QUALQUER pessoa poderia se tornar Buda, ou Iluminado, bastando para isso seguir os seus passos.

Muitas pessoas irritadas com a Igreja Católica atacam a imagem de Jesus dizendo que a Igreja roubou os ensinamentos de Buda para colocá-los como sendo de Jesus, como “Amar ao outro como a ti mesmo” ou “oferecer o amor para acabar com a guerra” que virou “oferece a outra face” e outros, mas isso é apenas mais uma das falhas que Constantino e seu “Jesus-Apolo” forjado esqueceram de tapar. Os ensinamentos de Yeshua/Jesus são iguais aos de Buda não porque a Igreja os copiou, mas sim porque Yeshua era discípulo das tradições budistas theravada! Lembrem-se do que eu falei sobre Empilhamentos.

Note que isto é o total oposto a uma igreja DOMINADORA, que quer mandar no que você faz ou deixa de fazer, nos seus pecados, no seu dinheiro e na sua vida.

Agora podemos ter uma idéia do porquê os ensinamentos de Yeshua irritavam tanto as “otoridades” da época e também a Roma, que começa a mandar matar os cristãos (mas veremos isso mais para a frente… não vamos colocar o carro na frente dos bois… ). Mas basta pensar o seguinte: se você fosse um ditador religioso que prega que todos devem te obedecer e te dar dinheiro ou ir para o Inferno e aparece um barbudo falando que todo o seu gado é livre para fazer o que bem quiser e tomar responsabilidade pelas suas ações, o que você faria? Mandava matar o desgraçado, isso sim!

Na próxima coluna: “Se você encontrar o Buda em Jerusalém, Mate-o”.

Marcelo Del Debbio

#Essênios #Gnose

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pit%C3%A1goras-e-buda-professores-de-jesus

A Experiência Interior me leva à Deusa Mãe Tara

Por Yogini Shambhavi

“Saktivikase tu siva eva” – Pratyabhijnahrdayam

No desdobramento de Sakti, um se torna Shiva

Na madrugada de Brahma Muhurta, o tempo sagrado de Brahman, em um lindo e ainda alvorecer do trigésimo dia do mês de março, acordei para as vibrações sonoras e poderosas do som OM………… As paredes brancas lavadas da minha sala do templo ressoaram com suas reverberações. Foi um trovão que acenava dos céus, uma chuva que saudava a primavera? O som ondulante do OM parecia ter origem fora de minha janela e permeava as paredes, fazendo com que todo o meu ser tremesse. Eu me deitei para trás tomando esta incrível corrente, acordada bruscamente do meu sono.

E lá estava Ela em sua forma esplendorosa, a Deusa Tara, sua pele nila (cor azul profundo) brilhando na semiescuridão do meu quarto. A luz tênue da diya iluminada (lâmpada de ghee, manteiga clarificada) realçava sua beleza enquanto ela estava de pé à esquerda de minha cama, um braço estendido na minha direção carregando uma Munda, um crânio na palma de sua mão! Meu corpo estava encharcado em suor pelo choque e medo de Sua presença. Sentei-me na cama e limpei o suor encharcado do pescoço e dos seios e com uma mão trêmula acendeu a lâmpada ao lado da minha cama. As delicadas tensões de luz do candeeiro filtraram através do meu quarto.

Ainda havia um tremor peculiar em meu corpo. Encontrei meu equilíbrio e caminhei até meu Espaço Sagrado no canto do meu quarto, que é meu Templo, e ajoelhei-me diante de sua imensa presença. Acendi um incenso de sândalo e rezei em silêncio, lágrimas rolando pelas minhas bochechas até as coxas nuas.

Eu me senti quase como um zumbi, em transe, tentando me convencer do belo darshan de Ma (Mãe) Smashan Tara…… E assim começou meu encontro com as Deusas Dasha Mahavidya, As Dez Deusas da Sabedoria…………… e toda minha vida começou a metamorfosear. A realização de todos os meus anos de sadhana apaixonada parecia estar se manifestando. Minha necessidade de aprofundar ainda mais a experiência do Tantra, através da meditação, do Mantra yoga e da Bhakti yoga estava começando a deixar sua marca em meu processo interior.

E a vida estava se apaixonando novamente, acordando a cada dia para experimentar o êxtase e a paixão em tudo ao meu redor. Este encontro com a Deusa foi uma mudança completa do meu namoro com Shiva, a quem eu vinha tentando cortejar através de intenso bhakti por vários anos.

Certa tarde, enquanto ainda estava meditando, procurei orientação dos Poderes Divinos para me mostrar claramente a data em que a Mãe começaria a se conectar comigo. Perguntei ao meu pêndulo: “Mostre-me um número quando Ma me aparecerá”. A resposta foi “9”, o nono de abril de 2003! Minha mente começou a calcular, percebendo o significado desta data. Toda a configuração somava uma contagem de 9 (09.04.2003), que por acaso era a data da primavera Navaratri e meu número de destino. No mesmo dia, um médium que conheci me pediu para usar uma conta Rudraksha de nove caras (Nava Muhki), que é atribuída à Deusa Durga, no meu braço esquerdo. A viagem estava em andamento!

Ma Tara na Tradição Hindu:

Algumas pessoas tendem a identificar Ma Tara na tradição hindu com o Bodissatva Budista Tara, pois Tara é a forma de deusa dominante no budismo tibetano. Embora se sobreponham até certo ponto, as duas divindades são diferentes na representação e nas energias. Como termo geral no budismo há muitas formas de Tara governando os diferentes aspectos da vida, indicando a graça e a orientação dos poderes da Mente de Buda. Ela é a consorte do Bodhisattva Avalokiteshwara, que se tornou Kwan Yin no pensamento budista chinês.

Ma Tara no hinduísmo tântrico é um pouco diferente. Ma Tara é uma deusa da sabedoria, a suma sacerdotisa, por assim dizer. Ela detém o poder do OM como o Taraka ou vibração cósmica sonora que nos leva através da escuridão da ignorância até a luz da Autorrealização. Isto conecta Tara com a morte, mas como um poder de transformação, a morte potencial do ego. Como tal, Ma Tara é uma manifestação de Ma Kali como Kali-Tara. Tara é a segunda das Dasha Mahavidya ou dez grandes deusas da sabedoria que começam com Kali e se manifestam a partir de sua energia. A ideia da Deusa como o poder que nos leva através da escuridão à luz é tão antiga quanto a mais antiga Rigveda. Tara é uma manifestação da força guia e protetora da Mãe Suprema do Universo. Neste sentido, ela é a graça salvadora de Ma Durga como Durga-Tarini, assim como Durga significa dificuldade e Tara a capacidade de nos levar para além destas. Tara é uma das muitas formas da Deusa como a Shakti do Senhor Shiva que também é Omkara ou o som cósmico.

Na astrologia védica Tara significa uma estrela e é frequentemente considerada como a esposa do planeta Júpiter, o guru entre os Devas. Tara nos ajuda a superar nossos karmas negativos e trazer uma energia jupiteriana positiva de criatividade, inteligência e contemplação. Que Ma Tara traga tudo o que é auspicioso para você!

***

Fonte:

SHAMBAVI, Yogini. Inner Experience Leads Me to Ma Tara. Vedanet, 2019. Disponível em: <https://www.vedanet.com/inner-experience-leads-me-to-ma-tara/>. Acesso em 11 de março de 2022.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-experiencia-interior-me-leva-a-deusa-mae-tara/