Fo Hi

Fo-Hi, o imperador imortal da China, não está sujeito a datas precisas .Pertencia ao reino Xia. O grande e único historiador da ciência chinesa , Joseph Needham , sustenta a princípio que o reino Xia é imaginário. Posto que se estabelece por volta de 2.000 a.C. ?!

Na verdade , cada vez que se trata dum acontecimento transcendente , a localização precisa no tempo é praticamente impossivel, não podendo ser senão aproximativa. A projeção das realidade transcendentes no eixo do tempo é movel e é preciso manejar com prudencia nossa noção de data.

Também é dificil tomar ao pé da letra as crônicas chinesas , as quais nos dizem que Fo-Hi nasceu duma virgem, no caso dele, sem intervenção divina . A tal virgem , indo tomar banho, encontrou uma flor presa em suas roupas , e a comeu. Em seguida concebeu o Mestre do Tempo . A tradição chinesa situa esse nascimento em datas que variam entre 50.000 e 3.000 a.C.

De acordo com certas tradições , Fo-Hi veio do céu, acompanhado de extraterrestres munidos de trompas de marfim, sendo que esses extraterrestres deixaram baixos-relevos que os sábios chineses datam de 50.000 anos a.C. Infelizmente não se conhece na Europa um meio para datar um objeto desprovido de carbono que tivesse cinquenta mil anos . Certos sistemas de datação são eficientes mesmo quando se trata de bilhões de anos , porem a datação através de carbono 14 não vai além de 30.000 anos , perdendo além disso sua precisão à medida que nos aproximamos de tal limite. De modo que não se sabe bem como os sábios chineses chegaram a essa idade de 50.000 anos para seus baixos-relevos.

Em contra-partida – e estamos seguros quanto a isso porque os objetos existem – há certos seixos que podemos datar de entre menos de quarenta mil anos e menos de cinquenta mil anos. Aliás, não se trata aqui de pedras separadas, mas de seixos descobertos na China em camadas geológicas datáveis.

Esses seixos trazem três linhas – geralmente duas linhas continuas e uma linha quebrada – as quais não são devidas ao acaso ou à natureza. A tradição chama tais linhas de trigramas. Afirma a tradição: “Fo-Hi governava todas as coisas sob o céu . Ele olhou para o alto e contemplou as constelações cintilantes formadas pelas estrelas , em seguida olhou para baixo e considerou as formas que via sobre a Terra. Observou as marcas que decoravam as aves e as feras e, mais próximo de si , examinou seu proprio corpo onde descobriu igualmente marcas cósmicas. A partir de tudo isso ele aplicou os oito trigramas essenciais de modo a desvelar os fenomenos celestes que se desenvolvem na natureza , e tudo compreender”( Observar-se-a a que ponto a filosofia do Imperador se aproxima da idéia de Jorge Luis Borges em A Escrita de Deus , onde se pode deduzir todas as leis do universo a partir das manchas dum leopardo!)

Esses trigramas compreendem duas linhas fundamentais : a linha contínua representa o yang ( céu) e a linha quebrada representa o yin ( terra). Agrupando essas linhas em três obtém-se oito combinações , que são os oito trigramas do Imperador imortal, o Mestre do Tempo.

Este e os mandarins-cientistas, os quais estariam a seu serviço, poderiam muito bem ter descoberto, e mais cedo do que pensam os historiadores racistas da ciência, as leis fundamentais do universo. Era essa , sem dúvida, a opinião de Einstein , que escreveu em 1953 a um dos seus correspondentes californianos, J. E. Switer:

“Caro Senhor,

O desenvolvimento da ciencia ocidental teve por base duas grandes realizações , a invenção dum sistema lógico-formal ( na geometria euclideana) pelos filósofos gregos e a descoberta da possibilidade de encontrar relações acusais por ume experiencia sistemática ( no Renascimento). Na minha opinião , não há razão para se espantar pelo fato dos sábios chineses não term dado os mesmos passos. O que é de espantar é simplesmente o fato dessas descobertas terem sido feitas.

Sinceramente , seu

Albert Einstein”

Gostariamos de saber exatamente o que FO-HI fez desde essa primeira aparição, pois houve outras. Na verdade , constata-se a aparição do Imperador imortal em momentos de gravidade . Crença espantosa num país onde não se crê na imortalidade fisica. A tradição registra que no fim de sua vida ele se retirou para longe , para um lugar celeste ou para uma ilha , segundo as variações. Não envelhece e as vezes sai de seu retiro.

Cada uma de suas reaparições era acompanhada do fenomeno apavorante do “quangao”, a censura vinda do céu. Foi ele que o trouxe aos homens , e foi uma dessas censura, no século XIV de nossa era, que parece ter detido a expansão da tecnologia chinesa.

O que é certo , em todo caso – e todos os estudos históricos o mostram – é atribuir-se ao imperador Fo-Hi o único meio que está até o presente à disposição dos homens para navegar, por assim dizer, nas ramificações do tempo, e basear seu comportamento nas informações provenientes de alhures ( ou do mais profundo do inconsciente coletivo).

Trata-se do I Ching ou Livro da Mutações.

A teoria de base do I Ching que, veremos, é tambem a da física moderna, tal como ressalta dos trabalhos de Everest , de Wheeler e de Cooper , é a seguinte: a cada ponto de seu percurso, o tempo se separa em ramificações diferentes das quais podemos dispor à vontade.

E o Livro da Mutações fornece orientações para a escolha certa desta ou daquela decisão, o emprego desta ou daquela ramificação do tempo. Históricamente , eis o que sabemos do I Ching.

Apareceu em 1143 A. C. . Um chines nobre , o duque Wen, foi posto na prisão pelo imperador por tentativa de rebelião . Na prisão , ele se pôs a estudar os trigramas do Imperador Imortal. Combinou-os em sessenta e quatro hexagramas, dando para cada um deles uma explicação. Pleno dessa ciência, acabou saindo da prisão , votou ao imperador uma guerra sanguinolenta que lhe proporcionou a vitória após quinze anos. Contudo, morreu pouco antes da vitória definitiva e foi nomeado rei postumamente.

O filho dele, Tan, depois de ter executado o imperador, foi nomeado Duque de Chou. Quarenta anos mais tarde , restabelecido a paz civil, retomou o trabalho de seu pai , sistematizou-o e publicou o Livro das Mutações, que chamamos também de o Livro de Chou.

Confuncio o estudará com sofreguidão, a ponto de utilizar três exemplares . Leibniz se servirá dele para descobrir o cálculo binário, lançando assim as bases das matemáticas modernas e do sistema de computadores.

C. G. Jung , após ter tido contato com ele concluiu que constitui um meio para obter de algo conselhos valiosos. O almirantado japonês se servirá do I Ching para preparar o ataque a Pearl HArbour. É um perito em estratégia do Serviço de Inteligencia, Blofeld , sabendo que os chinese fazem uso do I Ching, pôde prever todo o desenrolar da guerra sino-indiana de 1962, inclusive a pausa do exercito chinês, que desconcentrou todas as estratégias.

Atualmente nos Estados Unidos, médicos utilizavam o I Ching para diagnosticar e tratar certas doenças mentais. No plano experimental , o I Ching sem dúvida funciona. Num outro plano , constitui a primeira conquista do tempo pelo homem. O I Ching se apresenta como uma obra que contem sessenta e quatro hexagramas e suas interpretações.

Quando somos colocados na vida diante de uma decisão ou opção , a primeira coisa a fazer é determinar qual o hexagrama conveniente à circunstancia. Lança-se então ao ar moedas, pequenos bastões ou, tradicionalmente, certos talos vegetais.

De acordo com Jung, não é o espirito humano que influencia a sorte e permite , graças à combinação dos objetos , escolher o hexagrama. Mas há sincronização entre a queda dos objetos indicadores e a situação na qual está colocado aquele que indaga. Trata-se da célebre teoria da sincronicidade, exposta simultaneamente por Jung e pelo grande físico Wolfgang Pauli, prêmio Nobel.

Seria trair essa teoria não empregar matemática para expô-la . Vamos entretanto tenta-lo. Ao longo do fluxo temporal, do passado ao futuro, certos eventos se influenciam. É a causualidade determinista clássica, ou probabilistica, conforme as teorias.

Porém determinados eventos se influenciam também perpendicularmente a esse fluxo temporal , como as ondas produzidas na água por um navio podem perturbar outros navios ou as ondas que estes provocam. Tentemos deixar isto mais claro através duma história.

Em 1951, C.G.Jung recebeu um paciente que lhe disse ter dor de garganta . Jung achou que tal dor fosse simplesmente psicossomática, mas aconselhou de qualquer modo que seu paciente fizesse um check-up completo. Meia hora após a partida desse paciente Jung recebeu um telefonema de sua esposa( do paciente). Estava prestes a elouquecer, pois pássaros se reuniram em grande número à sua janela, fenomeno que já se produzira logo que seu avô , depois seu pai, tinham morrido. Jung a tranquilizou da melhor forma que pode. Entretanto, no momento dessa conversa ao telefone, o paciente já se encontrava morto: um enfarte o matou logo que chegava a pé em casa.

Pela lógica comum , não se pode dizer que o agrupamento dos pássaros causou a morte nem que a morte provocou o agrupamento dos pássaros. Os dois eventos foram sincronos. Perpendicularmente ao fluxo do tempo , eles se influenciaram. Do mesmo modo , segundo Jung, a queda dos objetos indicadores que se interroga e a situação daquele que interroga são sincronizadas.

O I Ching constitui de certo modo uma flecha perpendicular ao eixo do tempo , e mostra entre as diversas bifurcações do tempo aquela que convém escolher . Em suma, um painel de sinalização. Essa interpretação foi dada por Shao Yung no anos 1060 de nossa era. Foi ele igualmente que expôs partindo do I Ching a numeração binária , a qual Libniz reinventou em 1679. Ë essa numeração , que emprega apenas os numeros 1 e 0 , que possibilitou os computadores. Shao Yung vivia numa época que seguiu de perto uma reaparição do Imperador Imortal Fo-Hi, uma época em que a ciência chinesa deu um grande salto à frente . Certos livros dessa época foram redescobertos pelo governo chinês atual , em especial os “Ensaios sobre a fonte do sonho” de Shen Gua.

Descreve a invenção , em 1045 de nossa era , da imprensa em tipos móveis por Bi Sheng. Por volta da mesma época , os chineses enviaram às Indias Orientais uma expedição científica para estudar as constelações do hesmifério austral a 20 º do pólo celeste sul. Essa expedição estudou igualmente as estrelas “Novas” , e os radioastronomos modernos empregam ainda listas de Novas estabelecidas pelos chineses, agora que a ciência grega não serve mais para nada. Pela mesma época, no século XI , os chineses inventaram a pólvora de canhão . A fórmula escrita que chegou a nós data de 1044. Os chineses serviram-se da pólvora tanto para a fabricação de armas quanto para utilização militar como para aplicações cientificas.

Nesse mesmo ano, 1044, decididamente bem rico, apareceu a bússola magnética , que não provém nem duma ciência , nem duma experimentação, mas duma magia cósmica revelada pelo Imperador Fo-Hi em ocasião de sua reaparição por volta do ano 1.000.

Na mesma época ainda , apareceu um aparelho adequado para a medição da intensidade e a indicação da direção dos tremores de terra. Trata-se dum vaso cheio de esferas , de onde saem quatro cabeças de dragões. Os impactos do tremor de terra fazem sair as esferas por uma das cabeças, a qual indica a direção. A distância percorrida pelas esferas fora do vaso permite medir a intensidade. É um instrumento ao mesmo tempo muito poético e bastante preciso.

A industria química apareceu na mesma época. No século XI , uma obra intitulada “O fundo borbulhante do mar” trata da industria do sal e de suas aplicações. O aço apareceu na mesma época , com diversos usos.

Os chineses agora exploravam o planeta . Entre 1100 e 1450 de nossa era , a frota deles é a mais poderosa do mundo; certos navios podem transportar mil homens, que desembarcam em Madagascar ou em Kamtchatka. No século XIV , dezoito expedições chinesas desembarcam na Africa a fim de a explorar.

Em seguida tudo se detém . Depois de uma reaparição do Imperador Imortal que manifesta seu descontentamento. As explicações racionais que se dá dessa súbita interrupção são pouco satisfatórias.

Joseph Needham , que conhece admiravelmente a ciência chinesa , apresenta a seguinte razão : não havia uma China de verdadeiro proletariado e a luta de classes é o verdadeiro motor do progresso: daí a interrupção do desenvolvimento científico na China. Mas tal explicação me parece indigna dum marxista e tão pouco cientifico quanto possivel.

Entretanto , existe uma outra explicação que não me satisfaz também . Foi-me dada por um amigo chinês. Disse-me ele: “No século XV de vossa era , as pontes com os Imortais foram cortadas”. Gostaria de saber de mais alguma coisa.

Houve uma misteriosa expansão na China . É preciso observar que foram os chineses que descobriram a Europa , e não o contrário . Tal descoberta foi devida ao explorador Zhang Quian , cuja viagem durou de 138 a 126 a.C. . A ciência chinesa incluía também as ciências secretas, como a alquimia , que começou em 140 a.C. com os trabalhos de Wei Bo Yang e seu manual “A União dos Três Principios”

É dessas ciencias secretas que procederam a bússola magnética , a acunpuntura e as narrativas de combates com seres não-humanos registrados pelas lendas. Alguns desses seres são chamados de “sacos vazios”, o que não corresponde a nada que conhecêssemos. . .

Desde a alvorada dos tempos , O Imperador Fo-Hi parece ter feito recuar esses “sacos vazios”, “e eles retornaram”. Aonde? A tradição não o diz.

É igualmente no quadro dessas ciências secretas que é necessário colocar as pesquisas de Xu Lu Zhai (1029-1081), que guiado pelo I Ching tentou datar a origem da civilização chinesa. Ele remonta a 129.600 anos de nossa era . Por que esse número? Gostaríamos de dispor de precisões quanto a essa longa cronologia , particularmente precisões arqueológicas. À falta de tais provas , podemos supor que o Mestre do Tempo viajou não apenas no seu passado , como também no seu futuro , e que essa data de 129600 anos representa o limite último que ele pôde atingir.

O que é certo é que ele trouxe dessa expedição e do passado , o conhecimento dos fósseis , conhecimento que data para nós do século XIX com Boucher de Perthes. Acham-se entre as informações sagradas fornecidas pelo Imperador Fo-HI consignadas nos documentos chinese desde o ano 1000 de nossa era descrições e explicações a respeito de fósseis .

Bem mais cedo ainda , por volta de 260 a.C. , a literatura chines encerrava descrições de objetos neolíticos , em especial uma vasilha de metal pintada de vermelho e negro. Needham observa com muita propriedade:

“É absolutamente estranho que ninguem associou nem estudou desse ponto de vista todas as passagens , que encontramos nas literaturas Zhou, Qin e Han, no que concerne à antiguidade mais remota.”

Seria com efeito interessante no mais alto grau conhecer o que foi a pré-história na China , tanto quanto as datas das reaparições do Imperador Fo-HI no periodo histórico. Ë absolutamente possível , ademais , que trabalhos sobre esse assunto tenham sido executados , mas que não tenham chegado até a nós.

Conviria saber , especialmente , se as aparições do Imperador Imortal coincidem com outros fenomenos não-periódicos e imprevisíveis que os chineses consignaram cuidadosamente; por exemplo, a aparição do que eles poéticamente chamavam de “As estrelas em visita”, isto é as Novas.

Saber também se as diversas aparições de visitantes vindos de outras partes , bastante numerosas nas cronicas chinesas , correspondem às passagens do Imperador Fo-Hi. O importante , de qualquer modo, é que a civilização estabelecida originalmente por Fo-Hi e que se manteve por cinco milênios era uma civilização do tempo e não do espaço. Tanto assim que os chinese nunca inventaram a geometria, mesmo a euclidiana. Esta eles a tomaram dos missionários ocidentais. Suas ciencias matemáticas , bastante avançadas, eram exclusivamente algébricas. Em contrapartida, desde o primeiro século da era cristã , colocaram em cena um movimento de relojoaria , e desde então não cessaram de descobrir outros meios engenhosos para medir o tempo .

Com efeito, o tempo evidentemente lhes interessa mais que o espaço. Alguma de sua teorias , as quais datam de mais de três mila anos, mas que os sábios chinese no ponto extremo da modernidade retomam atualmente, afirmam que o espaço não existe e que os objetos podem atuar uns sobre os outros a distancias absolutamente fantásticas. Needham escreve:

“Encontra-se, desde a época dos San guo, enunciados notáveis a respeito da ação à distancia, efetuando-se sem contato físico , a enormes intervalos de espaço”

Talvez por não lhe concederem importancia os chinese achavam fácil neutralizar o espaço , enquanto o tempo lhes parecia fundamental. No I Ching como nos extraordinários dispositivos da relojoaria chinesa , percebe-se a marca duma atenção extrema ao tempo. É o que confirma os comentários de Wang Bi ao I Ching, que datam do ano 240 de nossa era:

“A significação geral do Tao de Gwan – escreve ele – é que não se deveria governar graças a punições , nem graças a coações jurídicas ; mas se deveria , perscrutando o porvir, exercer-se uma influencia e intervir de maneira a mudar tudo que não opera bem.”

Prever e dominar o futuro, subjugar o tempo , eis os objetivos que surgem desde o início da civilização chinesa.Interessa-se , em contrapartida , muito pouco com o Cosmo. O que faz com que seja ainda mais curioso o fato dos chinese serem nesse domínio muito avançados. Sabe , desde o ano 1000 a.C. , que , contrariamente ao que se acreditavam os gregos , não existe esfera cristalina ao redor da Terra, que o espaço se estende ao infinito e contém provavelmente outros astros habitados.

Entretanto, mesmo lançando foguetes na atmosfera a fim de estudar uma propriedade por volta do ano 1000 da nossa era, os chinese não parecem interessados absolutamente na exploração do Cosmos, nem na colonização de outros astros.

Nos seus escritos há pouca referência a esse respeito, enquanto que, desde 1909, descrevem um relógio astronomico com uma tal profundidade de detalhes que não nos é possivel depois reproduzir tal descrição inteiramente. Os chineses possuíam certamente mapas do céu e um sistema de coordenadas espaciais , mas o interesse deles pelo espaço não era nada comparado ao interesse que tinham pelo tempo.

Extraido do livro Os Mestres Secretos do Tempo de J. Bergier – Hemus – 1974


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Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/fo-hi/

Entrevista com Goddess Rosemary Sahjaza

Goddess Rosemary é uma bruxa, ocultista, artista de belas artes, modelo, empresária, pioneira da computação gráfica e matriarca da dinastia Sahjaza. Em 1976 fundou Black Rose Coven, grupo que se tornou referência dentro do mundo vampyrico. Conforme a organização evoluiu adotou outros nomes como Castle Cloud e Z/n Society nos anos 80’s e House Sahjaza nos anos 90’s. Em 2007 o grupo se estabeleceu como Temple House Sahjaza e, apesar da multiplicidade de nomes, a sociedade criada por Goddess Rosemary é reconhecida hoje como a mais longeva organização do seu tipo dentro do ocultismo.

Sahjaza vem do sânscrito “Nascidos Juntos”, um termo que denota como o lado diurno, a “Realidade Empírica” e o lado noturno, a “Realidade Transcendental” não são coisas independentes, mas coexistem desde o momento em que nascemos. Do despertar para o estado Sahjaza deriva o  equilíbrio entre os opostos, entre o “Zênite” e “Nadir”, o lado diurno e o noturno em todos os aspectos da vida.

Goddess descreve o Temple House Sahjaza como “um grupo explícito de indivíduos artísticos, criativos e literários interessados ​​em ciência e artes”, a maioria de seus ensinamentos contudo são privados e permanecem um mistério para aqueles não iniciados. No grupo se reúnem poetas, músicos, escritores, fotógrafos, dançarinos, performers e outros tipos criativos que optaram por se dedicar ao crescimento tanto místico como pragmático de si mesmos na medida em que promovem um terreno mútuo no qual esse crescimento pode ocorrer.

Em 2008 Goddess Rosemary escreveu o “The Sahjaza Book of Secrets” onde compilou as partes dos ensinamentos do Temple House Sahjaza que podem ser levadas ao grande público. Em 2019 foi formada a Academy of Gray Mystics onde divulga seus ensinamentos de auto-espiritualidade, poder pessoa e equilíbrio.

No Brasil a dinastia Sahjaza está presente por meio das muitas iniciativas de redevampyrica.com e do trabalho de Lord. A.’. e Xendra Sahjaza. A entrevista abaixo foi concedida a Dave Wolff, no Azine em setembro de 2016.

Você se descreve como uma Bruxa Eclética e uma Bruxa do Jardim, e parece ter um amplo conhecimento da Arte, do Deus e da Deusa e do Caminho Pagão. Retorne às origens do seu caminho e nos conte seu desenvolvimento ao longo dos anos…

Comecei meu interesse pelo ofício muito jovem, ou pode-se dizer que o ofício me encontrou. Eu sou uma bruxa nata; o ofício não é algo que você apenas aprende, é um caminho que você vive. Há muitos aspectos diferentes do ofício que exploro: adivinhação, incluindo o Tarot mais popular e mais conhecido até a menos conhecida adivinhação de nuvens e adivinhação de velas que temos na magia das velas. A magia em si está toda interconectada, então é difícil colocar um rótulo no que qualquer bruxa faz ou não faz. No Templo Sahjaza minha vida foi entrelaçada com Sahjaza, e antes disso no Temple of the Goddess como Z/n Society onde pude falar de Sahjaza como uma entidade viva, pois nos parece que talvez seja a melhor maneira de descrevê-la, pois é sempre um reflexo de seus membros em um determinado momento, bem como um vislumbre ou glamour da essência de quem atravessou as paredes da realidade ou à distância ao longo do acúmulo de anos desde sua concepção formal em 1976. Nós ainda estávamos descobrindo o que eramos em 1975 e nos tornamos um Coven formal em 1976. As origens do meu caminho estão no meu sangue, desde as eras em meus genes e em meu coração; é um caminho e é um chamado. Fiz pausas ao longo dos anos, mas sempre volto ao mesmo lugar. Está no meu estilo de vida, na minha arte e na minha decoração na decoração do meu ambiente no meu cenário e direção de arte assim como na minha jardinagem. Eu sempre soube que esse era o meu chamado antes mesmo de saber qual era. Não houve despertar, houve apenas iluminação. Meu próprio caminho pessoal é muito mais visual do que descrito em uma escrita formal. Não é o que eu faço, embora eu também escreva o pensamento livre mais canalizado meu forte é o visual, e mesmo meus trabalhos com o ofício e criação de rituais é uma forma muito visual de participar do ofício ou de ser uma bruxa praticante.

Conheço algumas pessoas que disseram que eram bruxas naturais. Qual é a sua definição pessoal de uma bruxa natural? Quão jovem você era quando descobriu as origens de seu caminho em sua linhagem? Que pesquisa você fez sobre essa descoberta?

Você nasce com “os dons”. Eles são uma parte natural do seu código genético, ou se preferir, você reteve essas informações passadas ao longo das eras e tem agora a habilidade natural de explorar isso. Você então passa o resto de sua vida trabalhando com métodos aperfeiçoados de ler essas informações ou procurando por outras pessoas que tenham esses mesmos dons compartilhados ou outros empatas que a ajudem a entender a si mesma e possam ensinar algo sobre seus dons e como usá-los. Há muita pesquisa para começar a mencionar; é o caminho e a jornada de uma vida.

Você foi atraída pelas várias formas de adivinhação que agora explora enquanto percorre seu caminho? Qual é a extensão de seus estudos no campo da adivinhação? Existem baralhos de tarô específicos que você acha que produzem os melhores resultados para você?

Eu uso o deck Waite Rider na maior parte. Eu tenho alguns outros, mas fico com o que tenho mais tempo e que funciona para mim. Quando não os uso, uso o que criei para mim. A adivinhação é um dom natural e você o tem na forma de premonição, P.E.S. ou outros aspectos de sua vida. Esta é uma progressão natural de dons como “a vidência”.

Você mencionou ser uma musa e artista sombria. Quais são as suas formas de arte e de ser uma artista e uma musa sombria, e como seu interesse nessas formas de arte coincidiu e progrediu com seu interesse na Arte e no Caminho Pagão?

Este é um modo de ser, um modo de pensar, pois tendo usado meu corpo para criar arte na fotografia e na dança, é lógico que evolui para me tornar uma musa sombria das artes e da própria feminilidade. Alguém é uma musa natural se abraça a própria feminilidade e todas as suas facetas, artimanhas e selvagerias. A sexualidade é algo que se esconde ou se abraça e energia sexual é energia artística para mim, e eu sou uma artista. Também faço fotografia e belas artes com canetas coloridas, lápis, acrílico, caneta e tinta, além de muitos outros meios. Não tenho um gênero que pinto; qualquer coisa está aberta para minhas telas ou criações.

Vejo que você é amiga da Goddess Sky Claudette da dança de fogo Eros Fire, que entrevistei para a edição 16 da AEA. Você é amiga íntima de Sky e seu parceiro Vlad Marco há algum tempo? Vocês colaboraram em algum projeto juntos?

Sou amigo de Sky Claudette e Vlad Marco há décadas. Ao mesmo tempo fui vizinha deles. Morávamos a um quarteirão de distância um do outro e muitas vezes eu via a limusine deles desfilar pelas ruas do Lower East Side. Compartilhamos alguns projetos e momentos criativos há muitos anos e sempre fomos próximos. Quando o Playboy Channel pediu que eu trabalhasse em um filme especial para eles eu sabia que Sky era a minha escolha para enfeitiçar olhos com sua beleza e encantos. Seja na Playboy ou qualquer outro evento artístico você sempre pode contar com eles para estar lá e serem profissionais. Eles estão muito envolvidos em Chiller, bem como em seus eventos  incêndiários, que são algo que ninguém deve perder. Sky, Vlad e eu compartilhamos o amor pela cidade de Nova York e lamentamos o jeito que está. Também compartilhamos o amor pelos animais e animais de estimação. Fomos apresentados em muitos clubes em Gotham City, bem como em eventos privados compartilhados. Seus fogos de artifício são impressionantes e eles compartilham um belo relacionamento único que se deve admirar. Eles são o tipo de amigos para mim onde eu sei os nomes de seus animais de estimação como se conhecesse os nomes de outras crianças e vice-versa. Vlad lia cartas de tarô, incluindo as minhas, durante as noites do clube e era cartomante nos dias dos primeiros eventos góticos da contracultura, bem como nas primeiras festas pagãs de vampiros.

Cite os outros clubes onde você e o Eros Fire estiveram envolvidos em funções públicas e privadas? Como eram aquelas festas de contracultura gótica e de vampiros? Descreva como foi o segmento de Sky no especial da Playboy Channel com Sky e Vlad… Discutimos em particular os clubes de Manhattan Vault e Hellfire. Houve eventos especiais que você organizou lá?

Me pediram para criar uma peça para o Playboy Channel que eu ia coreografar e sabia que a Sky seria perfeita nesse papel e então incluí a Sky na coreografia de uma peça de dança e arte performática que fizemos para o show deles em Sexettera. Sky e Vlad foram apresentados em outra parte desse mesmo segmento. Eu também montei e organizei a cenografia dos atores e aqueles que apareceriam nesta parte deste segmento, dirigi minha parte deste segmento que era um pedaço de um trabalho maior no show chamado Sexettera. Foi muito divertido com um elenco de personagens, incluindo Jerico of the Anglos, Sky, Vlad e outros. Minha boa amiga, a escritora Katherine Ramsland, também estava nesse segmento. Ela foi entrevistada em uma cadeira que montei projetada para apresentá-la em uma cadeira de encosto alto com luz de velas. Juntei-me a Katherine Ramsland no Chelsea Hotel, onde ela estava trabalhando no livro Ghost. Gostei da minha amizade e aventuras de caça aos fantasmas e vampiros com Katherine Ramsland. Estou em uma seção do livro Ghost, bem como em alguns de seus outros livros; Piercing The Darkness na edição de bolso, e alguns de seus outros trabalhos em que gostei de aparecer. Vivendo na cidade de Nova York ao longo dos anos, vi os clubes mudarem durante nossos anos no Limelight, o Saint, o Palladium, o Bank, o Clit Club que se tornou o Mothers e muito mais. Lembro-me de Vlad lendo cartões no Banco. Dei festas e eventos sob o rótulo de Z/n Society, por exemplo como o meu “Cirque De Erotique” que realizamos no clube The Vault e no Hellfire Club também. Eu costumava usar esses dois clubes que davam boas-vindas ao nosso entretenimento de suas multidões e tinham muito espaço, eram maravilhosos anfitriões para nossa criatividade e exploração na arte performática. Também fizemos alguns trabalhos no clube Paddles que estava aberto ao uso de suas instalações para eventos. Eu continuo grata a eles por sua hospitalidade para comigo.

Como você sente que tantos clubes que acolheram a contracultura fecharam desde o final dos anos 90 até o presente? Ainda existem clubes que compreendem uma cena gótica saudável e de vampiros hoje?

A gentrificação da cidade de Nova York destruiu a contracultura com suas leis “anti-ruído”, o aumento dos aluguéis e a queda de pequenos teatros e comércio. A “limpeza” da cidade também varreu os artistas e performers e aqueles que usavam pequenos orçamentos para criar. Como os artistas deixaram a cidade devido ao custo dos aluguéis subindo repentinamente com aqueles que antes preferiam os subúrbios se mudarem para a cidade de Nova York, eles se mudaram e a plataforma mudou, o clima mudou e a perda de tantos locais pequenos, bem como a a repressão ao ruído mudou para sempre a cena em tantos níveis e em todos os formatos de contracultura. Não tenho certeza de que nunca mais será o mesmo. Eu apenas me considero sortuda por ter estado lá “no passado”.

Você é a Alta Sacerdotisa Matriarca de Sahjaza no Templo Sahjaza. Este é um coven privado ou aberto? Descreva como você chegou a ser Alta Sacerdotisa.

Como o criadora do Templo, eu evoluí à medida que evoluímos. Ficou claro em algum momento que eu seria a Suma Sacerdotisa tendo sido a primeira Sacerdotisa sem nenhuma Suma Sacerdotisa acima de mim. Sou mais frequentemente abordada pelo meu título Goddess Rosemary ou apenas Goddess, como sou conhecida desde o final dos anos 1980. Eu me tornei a Alta Sacerdotisa quando outras Sacerdotisas entraram no Templo; era apenas a ordem natural. Como tem sido o caminho da minha vida, fica claro para mim que nasci para esta posição, e a posição me encontrou. Passei a maior parte da minha vida me dedicando ao Templo que evoluiu através de várias mudanças de nome; seja Sahjaza ou não. É um reflexo direto do que qualquer um de nós e todos nós colocamos nele. Nós somos as bruxas-vampiras vivas e cada uma de nós cria seu próprio caminho e papel dentro de um todo. Somos uma família com toda a dinâmica familiar. Temos uma política de adesão exclusiva, mas temos amigos do Sahjaza em todos os lugares. A Madame Webb se tornará Alta Sacerdotisa e estará na fila para essa posição quando eu não estiver mais administrando Sahjaza e assim nossa ordem continuará. Ela é uma líder maravilhosamente habilidosa e provou isso muitas vezes quando eu não consegui fazê-lo ao longo dos anos. Ela é de longe uma das mulheres mais interessantes e espiritualmente e intelectualmente poderosas que já conheci, e seu conjunto de habilidades fornece a ela todas as ferramentas necessárias para levar isso adiante para as gerações futuras. Ela é minha Nadja (aluna) há mais de uma década e como sua Adra (professora) sempre fico impressionada com seus trabalhos únicos e iluminados. É bom saber que o que começamos há tanto tempo continuará sob a orientação de Madame Webb, com a ajuda dos outros; há muitos para citar aqui neste artigo.

Enquanto no Temple Sahjaza você é conhecida como Goddess Rosemary, no Facebook atendepelo nome de SilkyRose…

Meu nome que eu uso no meu dia a dia é Goddess Rosemary ou Goddess. O nome SilkyRose é um pseudônimo que tenho usado na comunidade pagã por muitos anos escrevendo e ensinando o ofício. Eu também usei o nome Silky ao longo dos anos para uma variedade de projetos de dança e outros projetos artísticos.

Quais são alguns dos projetos artísticos para os quais você participou sob o nome de Silky Rose? Fotos ou clipes deles podem ser vistos na internet em qualquer lugar?

Tínhamos sites com mais de 10.000 membros no MSN, e quando os grupos foram removidos sem aviso prévio pelo MSN a maioria ou nossos anos e décadas de materiais foram perdidos. Estamos no processo de reconstruir o que perdemos. Os sites eram conhecidos como SistersAvalon, AvalonsWitches, Webwitch e Sahjaza. Estamos trabalhando para reconstruir décadas de informações, plataformas e contatos perdidos. Retornaremos e enviaremos um comunicado quando isso acontecer. Teremos isso em funcionamento no próximo ano, pois tivemos que trabalhar toda a nossa plataforma de baixo para cima. Teremos o painel completo de mídias sociais e eventos interativos, além de informações e muito mais sobre uma ampla variedade de questões que dizem respeito à nossa comunidade de bruxas vampiras pagãs e artistas, além de anúncios, conversas e informações sobre uma ampla variedade de assuntos e muito de surpresas na loja também. Incluindo leituras de tarô e cartomancia feitas pelo Elder Fae Sahjaza, bem como outros leitores. Então fique atento, em breve estaremos online novamente. Os anúncios serão postados nas páginas do Facebook com o mesmo nome; Templo (House) Sahjaza e vampytarot.com.

Descreva a política de associação do Temple Sahjaza e as responsabilidades que ela implica.

Somos uma sociedade secreta. Nossa associação não está aberta ao público; nem nossos detalhes. No entanto, nossos membros trabalham para criar um nível mais alto de consciência e nível de vibração, bem como nossa própria excelência individual e equilíbrio entre o lado noturno e o lado diurno. Somos uma plataforma para artistas, pensadores e outros se juntarem, discutirem e criarem, assim como uma verdadeira família, por isso apoiamos e encorajamos uns aos outros de todas as maneiras em todos os momentos.

O que é a Regra de Equilíbrio Sahjaza, de acordo com as crenças e práticas do Templo Sahjaza? Como essa regra surgiu e como ela é seguida pelos membros do coven?

O que é a Regra de Equilíbrio Sahjaza? É simples e complexa; o que antes era complexo torna-se simples com a prática com trabalho duro com perseverança. Com equilíbrio nunca se está muito escuro ou muito claro; há um ponto médio que se mantém no caminho certo. Garantir que seu lado diurno seja tão forte quanto seu lado noturno é o conceito básico de Z/n, o equilíbrio dos opostos. É o nosso jeito e nosso estilo de vida; um forte lado diurno cria um forte lado noturno.

No seu perfil do Facebook você tem muitas fotos que podem ser consideradas fotos de modelagem, em várias pastas diferentes. Essas fotos são tiradas principalmente profissionalmente ou em nível amador? Em que locais foram tiradas algumas das fotos. E de todas as fotos do seu perfil, quais você considera suas favoritas?

Minha página no Facebook é apenas minha página pessoal. Sou modelo fotógrafica há mais de vinte anos. Fiz uma série de imagens em velhas cidades fantasmas em Nevada viajando de uma ponta a outra do estado com o fotógrafo Bligh em um jipe ​​vermelho com um cachorro preto velho dele, de Lama Reade, de mim com minha limosine branca e o World Trade Center ao fundo. Fotos foram tiradas de mim ao redor do mundo; alguns com fotógrafos com quem trabalhei por mais de vinte anos, alguns apenas uma vez. São uma história em fotos que tenho, pois tenho mais de 80.000 fotografias em minha coleção e uma grande variedade de lugares, eventos e aventuras em fotos. Fui fotografada por Eric Kroll e estou no livro Fetish Girls By Kroll, assim como Alan Whitney, e adoro trabalhar com Tony Knighthawk, que exibe minhas fotos em seus eventos fotográficos e muito mais, pois estão incluídas em seu corpo de trabalhos. Fui fotografada por fotógrafos que vão desde Annie Sprinkle, Baird Jones e Andy Warhol, fui modelo de fotógrafos e modelo de arte na NYU e SVA em NYC e muito mais. Muitos outros artistas usaram minha imagem para pintar, incluindo Will Kramer, que criou a peça usando-me como modelo de vida chamado She Calls Ravens. muitos outros artistas que usaram minha imagem são Gunther Knop, Rex RexRode e Barbra Adleman. Barbra fez sua tese de mestrado em arte, que era um livro de arte e imagens minhas e da minha vida naquela época, e está em algum lugar no catálogo da Biblioteca de Referência em Nova York apenas no formato original. O meu perfil do Facebook tem algumas das minhas imagens favoritas e como a página é a minha página pessoal; um lugar para meus amigos pessoais virem e se encontrarem, conversarem comigo sobre os tempos antigos e compartilharem eventos atuais; há imagens que alguns dos meus amigos não viram antes ou podem não ter visto de um evento que compartilhamos, ou podem não ter visto há anos ou podem ter sido tiradas, pois muitos dos fotógrafos estão na minha página ou podem não as ter visto antes.

Quando eu estava olhando suas fotos, um nome que não parava de aparecer era Lady Ophelia. Ela é atriz ou modelo? Há quanto tempo você é amiga dela e em quais atividades você se envolveu com ela?

Sim Lady Ophelia, ela é minha Filha Espiritual; ela é uma Sacerdotisa Sahjaza e Mradu (guerreira), do Templo Sahjaza, você teria que perguntar a ela o que de sua vida ela desejava revelar (sorri). Por que você pergunta? As rotas e caminhos subsequentes foram introduzidos pela primeira vez na Sociedade Z/n, em 1985, pelo Élder DarkeRaven. Há “níveis”, como um caminho de trabalho e de foco e função de energia dentro de uma Família. cultura sob os nomes atuais de Mradu, (guerreiro), Ramkht e Kitra, e caminhos como Escriba Sagrado e Mestre de Runas. Temos muitos membros que estão conosco há tanto tempo que, à medida que evoluíram, o templo também evoluiu, como Marc / Violet e, como mencionei DarkeRaven, há outra geração que está conosco há muito tempo que começou a escrever formalmente nossos rituais e formas incluindo; A Madame Webb, Black Raven, Priestess Oscura, Lady Eden, Priestess Dahlia, Lady Ophelia, Elder Lord A Sahjaza e muitos mais. Há muitos membros ativos da nossa família Sahjaza que você verá por aí como; DarkeRaven Sahjaza, Akira Sahjaza, Lady Azraelina Sahjaza, Blues lady Sahjaza, Corvo Sahjaza, Pythia Truthseeker Sahjaza, Lucilla Sangmoreaux Sajhaza Amazon Victoira Sapphire, Elder Fae Hedgewitch e outros procuram por eles e eles estarão lá. Nós estamos em todo lugar. Apoiamos o Tribunal de Lázaro, muitos de nossos membros vão lá para seus eventos e são Cidadãos do Tribunal, assim como muitas outras organizações dignas de escolha de nossos membros.

O que você pode nos revelar sobre o Vampire Theatre e o projeto de filme intitulado Bloodlust que notei entre suas fotos?

O filme Bloodlust está em um cofre agora, pois os dois parceiros que fazem este filme de ação me apresentando como uma vampira estão em uma discussão entre os dois produtores e, portanto, permanece lá neste momento. Um dos sócios é Eric que criou a primeira arte para a personagem de quadrinhos conhecida como Lady Death. Quanto ao teatro de vampiros, acho que você deveria entrevistar meu bom amigo e membro do Z/n Sahjaza, o músico, escritor e dramaturgo Tony Sokol. La Commedia del Sangue: Vampyr Theatre (1992–1997) foi uma série de peças sobre o tema dos vampiros, apresentada pela primeira vez na cidade de Nova York. Foi iniciado pelo dramaturgo Tony Sokol. Às vezes o elenco tinha os mesmos atores e o público nunca sabia se os “verdadeiros vampiros” estariam na peça ou entre eles no teatro. A primeira apresentação do Vampyr Theatre foi no Le Bar Bat em maio de 1992. À medida que as peças foram elogiadas no New York Times e em outras publicações por seus diálogos nervosos e grande uso de adereços e truques de truques visuais de Tony Knighthawk, Sokol colocou algo da direção nas mãos do dramaturgo e cineasta Troy Acree, que é o talento sedento de sangue do Conde Orloc que divertiu e horrorizou o público. Tony Sokol tinha um anúncio na parte de trás da New York Press perguntando: “Você é um vampiro?” Assim, eventualmente, ele se tornou o líder mundial para vampiros e vampiros, bem como um dos principais especialistas em como encontrar as figuras culturais subterrâneas, pois passou muito tempo entrevistando centenas de vampiros autoproclamados. Eu tenho certeza de que alguns de nós estão em suas obras. Eu sei que sim, e algumas dessas entrevistas tornaram-se forragem para o sangue e a diversão das treze peças que ele escreveu para La Commedia del Sangue. Lamento o fim desta corrida e espero que um dia eles com um bom orçamento por trás voltem à vida mais uma vez. Por isso espero porque eles são dignos de uma peça de longa duração no formato de palco ou teatro de jantar. La Commedia del Sangue significava A Comédia de Sangue, e havia sangue com os maravilhosos efeitos especiais criados pelo fotógrafo e mágico Tony Knighthawk. Cada um deles é um talento que vale a pena explorar, foi necessária uma equipe inteira para criar essas peças e eles criaram seguidores e imprensa que não eram como nada antes ou depois neste local do Teatro Vampyr. Espero que algum dia haja apoio financeiro para ver essas peças preencherem a escuridão da noite mais uma vez.

Você escreveu um artigo de tributo sobre o falecido Herman Slater, o Sumo Sacerdote Wiccano e renomado autor ocultista que era o proprietário de uma loja de ocultismo em Nova York, a Magickal Childe. Conte aos leitores como você o conhecia e o que o levou a escrever o artigo comemorando sua vida.

Ele foi um dos primeiros personagens da contracultura que conheci quando vim para Nova York para viver como adulta. Ele era um pato estranho, mas ele era meu amigo. Muitas das primeiras pessoas da minha juventude já se foram, que eram todas minhas amigas maravilhosas e queridas; Reb Rebel Stout, David Aaron Clark, Andy Warhol, Alan Whitney, Baird Jones, Regent D’Drennan, Lenny Waller, Designer Kenny O’Brian, que criou uma jaqueta de couro e cristal uma para mim uma para a cantora de Blondie que ainda tenho. Houve tantos que nos deixaram, e tantos mais. Nós éramos uma multidão pré-internet, então há pequenos rastros de nós na rede ou na web, mas ainda estamos aqui e por aí. Aqueles que fizeram parte desse movimento clandestino abriram o caminho para que aqueles expressassem livremente que inauguramos na década de 1980.

Você também escreveu um poema ou dois em seu tempo. Discuta alguns deles que representam seu melhor trabalho.

Os primeiros trabalhos eram principalmente lamentos de energia artística reprimida, depois foi canalizada a espiritualidade ou apenas o pensamento e a consciência livres. Há seções do que eu gosto, há o lado diurno e o lado noturno ou talvez meu trabalho abranja ambos os lados da escrita, assim como minha arte. O assunto da maior parte da minha arte é criar uma resposta de melodia física de algum antigo acorde interno ou invocar a ideia ou ambiente de ritual, como o trabalho de galeria interativa que fiz na Galeria Andros no Carnage Hall chamado ‘minha web’ (que não se referia ao computador). Eu gosto tanto do escuro quanto do claro, então não tenho certeza se existe um “melhor trabalho”.

Que paixões de vida fora de Sahjaza e do Temple Sahjaza você perseguiu e continua perseguindo?

Minhas paixões incluem animais e arte. Estou muito envolvida na conservação de animais e afastando as pessoas do uso de produtos artificiais e químicos em seus gramados. Estou convencido de que esses produtos estão sujando nossa terra e as vias navegáveis ​​são responsáveis ​​pela alta contagem de câncer de pâncreas e outros, bem como altas taxas de câncer de pulmão e asma. Estou muito envolvida em arrecadar dinheiro para os habitats dos morcegos, pois cada um deles consomem 10.000 mosquitos por noite e mais de 200 podem ser alojados em uma única unidade da BatBox custando 300,00 com o poste sendo 150,00 e uma taxa simples de manutenção duas vezes por ano para limpar qualquer lixo que esteja entupindo as caixas. As defesas naturais serão encontradas como a única maneira eficaz de combater o Nilo Ocidental e outras doenças transmitidas por mosquitos, além de ser o controle natural de pragas. Os morcegos são nossos freios e contrapesos naturais para esses e outros insetos, assim como sapos, rãs e libélulas. Precisamos confiar mais na natureza para limpar a natureza. Não seríamos tão obesos se saíssemos para o gramado em uma noite quente de verão como eles faziam nos anos 50 para puxar as ervas daninhas do gramado com as próprias maos, limpássemos e o mantivéssemos livre de produtos químicos como uma unidade familiar. Quando os dentes-de-leão se tornaram o inimigo? Os seres humanos sobreviveram a eles em tempos difíceis e viveram para contar isso devido a essas plantas antioxidantes muito poderosas. Uma xícara de chá de dente-de-leão é uma ajuda poderosa para uma vida longa. Não venha e peça nenhum dos meus se você borrifou todos os seus com veneno. Estou envolvida no resgate de animais há anos e sou um grande fã do Facebook como uma ferramenta para conscientização de abrigos e apresentação de animais que seriam perdidos no sistema. É uma plataforma maravilhosa. Alguns estão salvos, muitos ainda estão perdidos, mas para aqueles que saem desses buracos infernais, se mesmo um só escapar vale a simples ação de pressionar um botão de compartilhar no Facebook. Sem essa ferramenta, tantos animais saudáveis ​​e vibrantes que de outra forma não teriam nome e rosto teriam perecido foram salvos devido ao compartilhamento desses animais com a criação da tecnologia. Antes do Facebook havia o Yahoo onde os animais eram resgatados e transportados via 5013c como Truckers-N-Paws, Pilots-N-Paws, Roads Of Hope e inúmeros voluntários que trabalham incansavelmente para salvar e levá-los para seus novos lares ou santuários em organizações de resgate ou lares adotivos. Castre e esterilize seus animais de estimação, pare o abate de todos esses animais indesejados. Não deixe seus animais se juntarem a esta lista de animais de estimação indesejados; faça sua parte para manter os números baixos sendo donos responsáveis ​​de animais de estimação. Precisamos renovar o sistema de abrigos neste país; se formos julgados pela forma como tratamos os animais, obteremos uma pontuação muito baixa. Acho que nem preciso dizer o quanto sou contra a caça ao lobo; se você o matar e pegar um animal, agradeça ao espírito do pássaro, peixe ou animal, e então use cada pedacinho dele. Muitas vezes me pergunto para onde foi nosso couro, usamos a mesma quantidade, se não mais, de gado no sistema alimentar, mas você não consegue mais encontrar um cinto de couro real. Para onde exatamente nosso couro está indo agora? Essas são as coisas que eu fico pensando até tarde da noite, e mais (risos).

Vivo como artista em todas as coisas que estou criando. Independentemente do que estou fazendo, é meu catalisador e minha motivação para criar. Em projetos grandes ou pequenos, gosto de criar atmosfera e explorar a estética, seja uma simples mesa ou um plano extenso para um jardim com gazebos, lareiras, treliças e caminhos ou cantaria. O impulso para o artístico está no meu sangue e é a minha paixão em tudo o que faço. Eu sou a arte e a arte sou eu. Adoro fazer filmes, pois nunca há espaço suficiente em qualquer tela para criar tudo o que procuro expressar como vejo através das lentes do artista. Eu adorava a direção de arte para filmes e usei minhas habilidades para criar o reino onde a ação aconteceria. Espero que esta entrevista sirva como um catalisador para que outros saiam e criem. Criatividade gera criatividade.

Quando começou seu interesse pela conservação animal e onde você pesquisou mais sobre os tópicos discutidos acima, sobre controles naturais e equilíbrio e os produtos químicos que colocam em risco o equilíbrio da natureza? Quais fontes da internet você recomendaria para as pessoas adquirirem mais informações sobre esses assuntos?
Esta é talvez uma questão multifacetada. Eu me interessei pela conservação de animais, começando com a observação na Cordilheira dos Andes do Peru, observando uma lagoa de girinos eclodindo aos sete ou oito anos. Eu gosto muito de ciência e animais, então a observação e observação deles veio naturalmente. Eu também estou no estudo do antigo, então eles estão todos ligados em um fio comum. Eu adoro animais de todos os tipos e tive muitos “animais de estimação” para contar, ou você poderia dizer que eles me tiveram. Atualmente estou levantando fundos para caixas de morcegos em toda a América para combater o vírus do Nilo Ocidental e outros problemas de mosquitos. Se você deseja doar para uma caixa de morcegos, pergunte-me sobre este projeto digno. Crie tais projetos e fundos em seu bairro. Temple Sahjaza tem informações sobre planos para construir e criar caixas de morcegos, bem como algumas dicas e truques para colocar os morcegos em suas caixas e manter uma caixa saudável.

Em relação à questão da obesidade desenfreada nos Estados Unidos, assisti a alguns documentários (como Food, Incorporated) sobre como o consumo em massa de animais em supermercados e redes de fast food contribuiu para o problema, que é chamado de epidemia em algumas áreas. Eu sou um daqueles consumidores que compram nas seções orgânicas dos supermercados e evitam os fast food agora. Quais são seus pensamentos pessoais sobre isso?

Não tenho certeza se a seção orgânica é melhor do que qualquer outra e é por isso: considere se nosso solo já está contaminado como o ar e eles pulverizam no campo próximo a essa cultura quem é que pode dizer se é realmente orgânico ou apenas mais caro? Quando pudermos escolher entre uma maçã com uma ou dois pesticidas ou uma com um buraco de minhoca que você mesmo cortou, seremos realmente orgânicos novamente. Não vejo nenhum produto “orgânico”, e você?
A obesidade é afetada por uma grande variedade de coisas. Nossos hormônios não estão funcionando direito devido à inatividade desde o ponto de partida. Nem toda pessoa com excesso de peso está comendo demais e eu fico cansada de ouvir que o peso é um distúrbio alimentar quando é genético e hormonal, bem como afetado por nossos alimentos. Não é algo que todas as pessoas possam mudar e superar; há pessoas que têm ossos grandes e a genética diz que sempre serão grandes. Nossa sociedade está muito focada na aparência, tanto na imagem corporal e na imagem do rosto, quanto no gênero e na idade. A obesidade pode ser afetada por alterações genéticas, herbicidas e pesticidas, além de injeções hormonais adicionadas à alimentação, não tanto pela alimentação e pela falta de capacidade física para malhar ou caminhar. Temos uma nação de shoppings, sem cidades centrais em todo o país. Precisamos sair e arrancar as ervas daninhas, não pulverizá-las. As ruas seguras estão desaparecendo na maioria das partes para as crianças poderem correr e brincar. A obesidade começa cedo, há muita atividade sedentária e pouca brincadeira imaginária lá fora. O fato de nossa cultura estar ligada agora às mídias sociais aumentará essa questão/problema nos próximos anos. Precisamos de saídas criativas para jovens e adultos. As academias são muito caras e clichês.

E você realmente tem que ter cuidado para levar em conta a genética e a construção do corpo, existem pessoas simples que são maiores que outras, é a maneira como seu corpo é criado, elas são tão bonitas quanto aquelas que são magras e cada um de nós tem um corpo diferente e poder ser saudável e feliz com o próprio peso normal é muito importante, assim como boas escolhas alimentares saudáveis ​​ou moderação. Eu hesito em chamar qualquer um na categoria de obesidade, pois existem alguns indivíduos que são apenas maiores, independentemente do que comem ou do quanto trabalham, não vão mudar a estrutura óssea. Este é um tema de discussão no País neste momento, mas devemos ter muito cuidado para não rotular cruelmente os indivíduos e olhar para o que é normal para eles.
Precisamos de alguns lugares onde possamos sair como fazíamos nos primeiros anos da juventude: clubes de dança, patins e clubes onde há música ao vivo real, além de horas de DJ. Volte para a nossa dança e movimento, faça um movimento, volte no tempo quando apenas dançávamos com bandas ao vivo. Naquela época eu estava na melhor forma. Eu vejo um pouco da obesidade simplesmente como tédio; precisamos libertar nossas mentes e nosso corpo.
Nossos Anciãos costumavam ser reverenciados e valorizados. Podemos aprender muito conversando e procurando os mais velhos em nossa comunidade e a população em geral. Não os deixe passar ou perca a oportunidade de aprender e aproveite o tempo para ouvir os Anciãos do mundo. Eu vejo esta sociedade como um ritmo acelerado e perdendo oportunidades, passando por elas enquanto ziguezagueamos quando realmente precisamos zaguear. Por exemplo, nossa capacidade de fornecer serviços básicos, como escolas de comércio e educação, nos forneceria isso e em breve não teremos ninguém que saiba como consertar coisas como um cano quebrado básico, porque todos estarão esperando por algum trabalho de tecnologia já que as habilidades básicas foram perdidas. A máquina conserta a máquina; onde você ouviu isso antes? Talvez o Google irá lembrá-lo.

Quais são alguns outros alimentos naturais que você recomendaria às pessoas para consumir de forma mais saudável e ajudar a preservar a natureza no processo?

Estou em tomar vitaminas específicas. Eu tomo um multivitamínico uma vez por semana, mas gosto de saber o que e quanto estou tomando e aprendi o que funciona para mim. Estou muito atrás de manter vitaminas sem receitas, o que é mega importante para mim, e equilibro tudo com exercícios, dança, artes marciais, ioga ou alongamento. Há um grande programa PBS chamado Sit And Be Fit. Você pode incorporar diretamente em seu escritório se não puder sair para malhar ou fazer muito durante uma pausa para o almoço no escritório. Use-os antes de comer e entre seus brainstorms no computador e ande ande ande; deixe o carro em casa e corra. Eu uso muito alho, gengibre e endro, bem como mel, limão e hortelã para evitar resfriados e gripes. Eu adoraria ter todos os alimentos rotulados, incluindo os pontos de origem. Tudo e qualquer coisa com moderação; ouça seu corpo e aproveite a vida.

Quais organizações de resgate de animais você atualmente apoia e divulga no Facebook e na internet, além de Truckers-N-Paws, Pilots-N-Paws e Roads Of Hope?

Você precisa encontrar lugares que visitou ou conhece para apoiar. Eu pessoalmente apoio e confio no Truckers-N-Paws (encontrado em grupos do Yahoo), Pilots-N-Paws, Roads Of Hope (por favor, use o site, não a página do Facebook) e um projeto especial 5013c chamado Animal Ark of Grangeville, Idaho . Existem outras organizações de resgate locais que você pode localizar em sua própria área.
O Facebook tem sido uma ferramenta para salvar animais individuais de abrigos de matança, que talvez seja a melhor ferramenta de internet que eu já vi. Não desconsidere o sucesso que tivemos com os grupos do Yahoo, porque eles fizeram milagres para animais desesperados, além de fornecer transporte para eles pelo país. Tenha cuidado com quem você confia em um transporte, use associações confiáveis, porque animais que são valorizados desaparecem ao longo da rota de transporte se você não estiver usando meios de transporte testados e comprovados. Cuidado, pois há pessoas por aí que procuram particularmente cães ou gatos que ainda não foram alterados. Uma das melhores maneiras de garantir que você não seja vítima de roubo do criador durante o transporte é usar métodos testados e honestos de transporte, como os que mencionei acima, e ter o animal castrado e esterilizado antes do transporte, se puder dar-lhes um pouco de tempo de descanso. Se o transporte não for muito longo e difícil mas isso, é claro, dependerá da condição inicial do animal, do seu meio de transporte e da distância que você está indo. Será necessário um exame veterinário. Nesta economia visite seu resgate local 5013c; você pode perguntar no seu abrigo local, ir visitá-los ou ligar para eles e perguntar o que está na lista de desejos deles, seja comida, suprimentos ou outros itens que você pode doar. Pode não haver resgate em sua área; trabalhe para obter as informações de cada animal do abrigo e mantenha as informações atualizadas e atualizadas, se você deseja criar o perfil de seu novo melhor amigo lá no Facebook.

Eu compartilho muitas páginas de animais de vários abrigos de todo o país que mantêm suas páginas atualizadas e as informações atualizadas, pois compartilhar no Facebook é uma maneira conhecida de divulgar histórias e rostos de animais individuais, bem como acolhimento e adoção de animais que estão em corredor da morte. Não apoio abrigos para matar; há muito poucos deles hoje. Há alguns animais vivem nestes lugares por muitos anos; considere procurar seu próximo animal de estimação lá. Um exemplo é o de Yonkers, NU

Quanto às instituições de caridade que a Sahjaza apoia, um dos nossos eventos oficiais de caridade é o DOV ou Dia dos Vampiros. O DOV começou no Brasil como um jogo de palavras. Isso está crescendo para se tornar um projeto mundial unificado de doação de sangue sincronizado que ocorre anualmente em 13 de agosto para retribuir à sua própria comunidade local e se divertir um pouco. O tema do vampiro é que você está vestido e todos vão juntos para doar sangue enquanto vestem fantasias ou vestem sua personalidade noturna. O Dia dos Vampiros é um projeto de sucesso e dever cívico um dia em que as almas criativas retribuem à comunidade vestidas com fantasias, por que retribuir à sua comunidade. Pergunte-nos sobre a criação de um Dia dos Vampiros em sua comunidade, podemos fornecer informações sobre a criação e coincidir seu evento com os outros que estão ocorrendo e ao redor do mundo. Este evento de sucesso foi criado anos atrás, criado pela renegada atriz de filmes de terror no Brasil Liz Marins e auxiliado por nosso próprio Elder Lord A. Sahjaza e Srta Xendra Sahjaza, (Elder Lord A. Sahjaza pode ser encontrado no Facebook como Axikerzus Sahjaza no Facebook ou pelo site https://redevampyrica.com/). Esta é uma causa tão digna, e como um de nossos atos oficiais de caridade, o que se trata é que todos se vestem com fantasias ou sua personalidade pessoal ou roupas noturnas e doam sangue para o banco de sangue local ou para a cruz vermelha. Este evento foi criado no Brasil e onde atualmente são cerca de 100 fortes todos os anos em Sahjaza Brasil guiado lá pelo Elder Lord A Sahjaza. Você pode encontrar seus eventos postados nas páginas do Temple Sahjaza no Facebook e mais sobre esses eventos pergunte-nos se você deseja criar um desses eventos consecutivamente em sua área, pois podemos ajudá-lo em como esse evento é feito. Eu apoio totalmente este evento, assim como Sahjaza. Meu primo de sangue Steven é um receptor de transplante de fígado e rim e eu sei como o dom da vida pode afetar a vida de uma família e indivíduos e o sangue que ele usou durante esta cirurgia tornou possível a doação de órgãos para realizar esta cirurgia complexa. Meu primo é um sobrevivente em sua nova vida há 3 anos e 3 meses agora agradeço ao meu Deus e Deusa todos os dias que ele sobrevive pelo dom da vida que foi dado a ele. Considere esta causa nobre ao criar seus planos para eventos. Podemos ajudá-lo a coordenar este evento. Deixe suas dúvidas em nossa página do Facebook Temple Sahjaza. Lord A está no twitter e pode ser contatado pela nossa página no Facebook.

Falando em caça ao lobo, li que atrizes como Ashley Judd se manifestaram contra a prática; ela muitas vezes foi contra a política Sarah Palin por seu apoio à caça ao lobo. Você acompanhou esse debate entre eles e está envolvido em alguma organização que se oponha à prática da caça ao lobo?

Eu acho que caçar lobos é nojento. Não sou a favor de nenhum tipo de manejo de lobos em relação à caça e encorajo todos a entrar em contato com seu Congresso e autoridades locais para desencorajar essa prática vulgar. Como é que gastamos dinheiro para repovoar só para matar depois. Quanto a este tópico, como podemos nos dar ao luxo de financiar países que nos odeiam e cortar orçamentos para jogar um pouco de feno de inverno para nossos próprios mustang selvagens americanos? Se você olhar para a literatura de Yellowstone, o parque está em um equilíbrio muito mais saudável após a introdução de matilhas de lobos no parque e as mudas uma vez pastadas estão retornando para criar um parque mais saudável para todos. O ecossistema está muito mais equilibrado; a informação está na ciência.

Nomeie os projetos artísticos e as atividades ambientais/de direitos dos animais que você planeja realizar no futuro? Qual a importância da criatividade nos próximos anos?

Tenho muitos projetos para nomear. Eu sou uma artista viva. Minha vida é uma tela como eu sou a vampira viva e a bruxa natural. Minha vida é arte como artista não há distinção entre o que é arte e o que é artista; estão todos combinados. Eu estaria totalmente perdida sem criatividade, porém as fontes de inspiração mudam e evoluem com o passar do tempo e dos tempos. Eu posso ser inspirada por qualquer coisa, desde algo simples até algo complexo. Meu filme The Elegant Spanking, que eu dirigi, coreografei, escrevi e fiz cenografia e, claro, estrelei, era tudo sobre arte e sonhos dentro de sonhos. Era a minha versão do banho, o antigo ritual que mostrava duas mulheres entre a aristocrata e a dona da casa, a deusa e a sacerdotisa. Este filme ganhou muitos prêmios ao redor do mundo em seu original, cuidadosamente editado para mostrar imagens fetichistas, e é atemporal, embora vários adereços venham de uma variedade de tempos diferentes não é uma peça de época, mas pode ser de qualquer momento. São minhas imagens artísticas em preto e branco de fetiche e fantasia, a relação entre níveis de elenco, a velha roda dentro da roda e um pouco do sonho dentro do sonho enquanto eles passam pelo antigo ritual. Eu gosto do uso de imagens em preto e branco como usei neste projeto. Vou lançar um livro de fotos de mesa de centro para o meu filme em algum momento deste ano.

Acabei de ajudar um pouco em alguns projetos de filmes, sendo um deles com meu bom amigo, escritor e cineasta Troy Acree, e estou ansioso para poder contar mais sobre esses projetos em breve. Agora eu não tenho a liberdade de revelá-los ainda.

Espero fazer uma exposição de arte em Nova York em algum momento no futuro próximo, talvez neste verão. Estou conversando com Behind the Blue Door sobre as possibilidades, o furacão Sandy interrompeu alguns de nossos trabalhos, por eu fazer algumas coisas no outono passado em Nova York e fui impedida por elas pelo clima, minhas orações ainda estão com aqueles que perderam tanto nesta tempestade. Estamos trabalhando na criação de projetos de financiamento para comunidades específicas, bem como para indivíduos específicos. Em seguida, há eventos virtuais e compras no futuro e muitas viagens são planejadas em conjunto com estas para uma cidade pitoresca nos EUA remotos e nevados. Há também viagens para NOLA, Toronto e, claro, para casa, Nova York.

Algumas palavras para encerrar?

Chegando no ano da Serpente, vemos o círculo de que tudo é eterno e, no entanto, tudo muda, cada passo na vida é um processo de iniciação. Temos pequenas mortes e renascimentos todos os dias. O velho eu morre e o novo e mágico eu renasce, remodela-se ou começa de novo. O mundo e todos nós nele estamos em um período de crescimento e transição. Para mim, cada dia é um rito de autodedicação ao Templo Sahjaza, ao meu eu espiritual, às minhas obrigações mundanas e, claro, à minha amada família. Viver dessa maneira em um fluxo de ritos de autodescoberta, criatividade e autodedicação requer um compromisso e dedicação ao caminho, meu próprio caminho que escolho compartilhar com os outros através de meus esforços de arte e espiritualidade. A arte é minha vida, como eu sou a arte, e como um sonho dentro de um sonho vivo como arte dentro da arte. Como Deusa Rosemary ou SilkyRose, Artista.

Procure TempleSahjaza.com que deve estar pronto e funcionando em breve e lá você encontrará mais notícias, ou encontre o Temple House Sahjaza no Facebook.

Fonte: https://www.tapatalk.com/groups/obsidiansylph/azine-interview-with-goddess-rosemary-sahjaza-by-d-t225.html

2 de setembro de 2016

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/entrevista-com-goddess-rosemary-sahjaza/

Homens de Preto, Os verdadeiros MIB

O lançamento dos filmes Men in Black em 1997, e das seqüência Men in Black II em 2002 e Men in Black 3D de 2012 trouxeram a cultura pop a estranha, mas divertida figura dos Homens de Preto; agentes de um grupo Supra-governamental dedicado a  “Proteger a Terra da escória do Universo”.  Com seus “desneuralizador” e seres intergalácticos pouco convencionais eles ganharam uma legião de fãs. Mas talvez poucos destes fãs saibam que os Homens de Preto realmente existem, pelo menos como parte de algumas teorias da conspiração bem mais antigas e certamente bem menos engraçadas.

O primeiro relato dos Homens de Preto

O mais antigo relato oficial de quem se tem notícia está em uma edição de 30 de março de 1905 do jornal Galês “Barmouth Adveriser” que trazia a história de uma moça tradicional família camponesa que por três noites seguidas recebeu a visita de um “anônimo homem de preto”. As visitas aconteceram durante um caso de histeria religiosa na região envolvendo a a parição de luzes misteriosas. A figura transmitiu a ela informações que as deixou em choque, mas também com medo de contar as demais pessoas. A moça em seguida teria se reunido com as lideranças da paróquia e desde então as luzes não apareceram mais.

Conexão OVNI

Apesar do caso narrado pelo jornal Galês, e outras histórias de menor importância, a ligação dos Homens de Pretos com o fenômeno ufológico só aconteceu definitivamente em 1953. Nesta época havia um forte e influente grupo de pesquisa internacional chamado Serviço Internacional de Discos Voadores (IFSB, em inglês). Este grupo, chefiado por Albert K. Bender, se dedicava em reunir e verificar a validade dos crescentes casos de discos voadores que iam sendo relatados. Até que em 1953, sem nenhum aviso prévio, encerrou suas atividades e fechou seus contatos no mundo todo.

Na última edição da Space Review, a revista oficial da IFSBV, Bender deixou uma misteriosa declaração de que as atividades do grupo foram terminadas por “determinação superior” e também exortava  “muito cuidado às pessoas envolvidas com estudos dos discos voadores.”. Pressionado por Gray Barket, um dos investigadores chefes do IFSB, Bender confessou que três homens vestidos de preto tinham ido visitá-lo com intenção clara de intimidá-lo e ameaçá-lo com o fim de fechar as portas da organização . Esta foi uma experiência tão traumática que Gray Barker ficou gravemente doente. Antes de morrer conseguiu escrever um livro assustador, talvez o primeiro sobre os Homens de Preto: They  Knew Too Much about Flying Saucers ( Eles sabiam demais sobre Discos Voadores) de 1956.

Alguns relatos de Homens de Preto

mib homens de pretoAlguns anos depois na década de 1960, a lenda dos Homens de Preto ganhou nova força com a publicação de dois livros do escritor de novayorquino John A. Keel. “UFOS: Operation Trojan Horse” e “The Mothman Prophecies”. Ambos os livros relatam episódios sobre testemunhas que foram assediadas por MIB`s em diversas localidades incluindo um relato próprio que o motivou a escrever.

“Tive encontros com Cadillacs Pretos em Long Island, mas, quando eu os seguia, eles sumiam de repente mesmo em becos sem saída… Quando achei que não os perderia de vista então perdi a consciência e acordei dois dias depois retomando consciência no hospital e nunca mais vi meu carro.”.

Segundo as pesquisas de Keel os homens de preto tinham interagido com diversas figuras históricas como Júlio César, Thomas Jefferson, Napoleão até o então recente Malcolm X.

Os relatos dos MIB não apareceram apenas nos livros de Keel, e nem mesmo estavam confinados apenas aos Estados Unidos. Por volta da década de 80 os casos eram tão numerosos  que chamaram a atenção do Journal of American Folklore que graças a seu editor Peter M. Rojcewicz, dedicou algumas edições especiais ao assunto relacionando-as com antigos relatos de aparições demoníacas.  Para alegria dos teóricos da conspiração, o próprio  Rojcewicz relatou mais tarde ter tido um encontro pessoal com a lenda. Em meio a uma pesquisa sobre OVNI numa biblioteca teria sido abordado por um estranho homem de terno , que não piscava e tinha um leve sotaque.  O teor  exato da conversa nunca foi divulgado por Peter.

 

O Modo de Agir dos Homens de Preto

Todos os relatos envolvendo os Homens de Preto  descrevem sempre um mesmo modo de agira,  como se seguisse uma espécie de protocolo simples e repetitivo.  Eles aparecem pouco antes ou pouco depois de algum evento de natureza sobrenatural ou ufológica. Se identificam como alguma autoridade local ou nacional. Fazem perguntas estranhas ou grosseiras e em alguns casos utilizam algum tipo de técnica hipnótica. Por fim partem tão inexplicavelmente quanto apareceram. Apesar de raramente serem violentos possuem um comportamento brusco como se não tivessem ou não pudessem expressar nenhum tipo de emoção.

Quem são os homens de Preto

A natureza exata dos Homens de Preto, é indefinida e por motivos óbvios alvo de muita especulação.  A maioria dos teóricos da conspiração está dividida entre dizer que os MIB são membros do governo dedicado a ocultar o fenômeno ovni ou declarar que são, eles mesmos, membros de alguma  inteligência alienígena. Entre outras teorias existentes estão a de que são seres pertencentes a uma  civilização intraterrena e a de que  trabalhem para banqueiros internacionais. Talvez eles sejam humanos, talvez já tenham sido humanos um dia. E não podemos esquecer as teorias de cunho religioso que os definem hora como anjos hora como demônios. Para o escritor o John A. Keel citado acima, Os MIB não são nem  seres humanos, nem alienígenas, mas entidades artificiais criadas com a forma humana pelos extraterrestres para diversas missões entre os humanos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/homens-de-preto-os-verdadeiros-mib/

Anjos de acima, demônios de abaixo

» Parte 4 da série “Para ser um médium” ver a introdução | ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Estudos místicos trazem consigo, assim como a música ou poesia – embora em grau muito mais elevado –, uma estranha euforia, como se nos levassem para mais perto de uma poderosa fonte de Ser, como se estivéssemos finalmente na iminência de desvendar o segredo que todos buscamos. (William James em Variedades da experiência religiosa)

O termo misticismo é uma das palavras mais mal empregadas na linguagem popular. O filósofo americano William James, um dos fundadores da psicologia, observou que ele se tornou abusivo, geralmente sendo aplicado a “qualquer opinião que tomemos como vaga, exagerada e sentimental, e sem base nos fatos ou na lógica”. Em Mysticism, a escritora britânica Evelyn Underhill nos trouxe uma explicação mais profunda acerca do termo [1]:

“O misticismo […] não é uma opinião: não é uma filosofia. Nada tem em comum com a busca de conhecimento oculto. Por um lado, tampouco é apenas o poder de contemplar a Eternidade: por outro, não se deve identificá-lo com qualquer tipo de esquisitice religiosa. É o nome desse processo orgânico que envolve a perfeita consumação do Amor a Deus: a realização aqui e agora da herança imortal do homem. Ou, se preferirem – pois significa a mesmíssima coisa –, a arte de estabelecer nossa relação consciente com o Absoluto.”

Podemos, talvez, dizer que os transes mediúnicos, em seus diferentes graus, fazem parte do misticismo conforme delineado por Underhill. Pode parecer estranho que o contato com outros seres seja algo análogo ao contato com Deus – mas, no fundo, um dia talvez você também compreenda: o Reino de Deus já preenche a tudo desde sempre, e ao nos dedicarmos ao contato, a amizade, a compaixão, ao amor, com outros seres, vivos ou “mortos”, estamos aos poucos nos aproximando cada vez mais de Deus, mesmo que não o compreendamos muito bem.

Ainda assim, é preciso analisar cuidadosamente os pensamentos e sentimentos que nos assaltam a mente durante tais experiências, ou mesmo fora delas. Pois é preciso nos assegurar que estamos nos dedicando a mediunidade por uma boa razão, e não por uma razão egoísta – que ao contrário de nos aproximar do Absoluto, nos afasta. O maior perigo para um médium é algo que costumeiramente nos passa de forma desapercebida, de modo que mesmo os médiuns com décadas de atividade podem estar ainda afundados nesse problema sem que o percebam. Na falta de um nome melhor, eu o chamo de “complexo de santo”…

Você pode achar que isso só ocorre com os médiuns “ignorantes”, mas mesmo Divaldo Pereira Franco, um dos grandes expoentes do espiritismo no Brasil, admitiu que no início de sua mediunidade queria “se sacrificar pela causa”, até mesmo com a própria vida… Esse tipo de pensamento é muito próprio do meio religioso, particularmente no cristianismo e islamismo – parece haver um “céu assegurado” para os mártires, os profetas, os santos, e para ser um santo todo sacrifício seria válido!

Mas a questão é que, infelizmente, muitos recaem no “complexo de santo” não por um sentimento genuíno de entrega aos desígnios da espiritualidade, mas simplesmente por um motivo bem mais mundano e egoísta: ora, da mesma forma que um aspirante a ator quer ser um grande astro de Hollywood, um aspirante a espiritualista quer ser um grande santo. Desnecessário dizer: é o talento e a ardorosa dedicação que constrói um grande artista e, da mesma forma, é a disciplina e a lenta e constante afloração do amor que constrói um santo. De modo que um santo jamais se considera um santo – são os outros que o chamam assim. Pense nisso: quanto antes perceber que os espíritos de cima querem amor, e não sacrifício, tanto melhor…

Além deste conselho primordial aos que se iniciam na mediunidade, acredito que alguns outros sejam também importantes, embora secundários:

Não se vira médium ativo da noite para o dia

Apesar de já ter tocado neste assunto ao longo da série de artigos, é algo importante de ser lembrado: se você é um médium iniciante, principalmente se for ainda ignorante da parte teórica de sua doutrina espiritualista (seja espiritismo, umbanda sagrada ou outras) e/ou se sua mediunidade lhe causa desequilíbrio e desconforto emocional (nos mais variados graus) [2], jamais aceite convites de dirigentes ou coordenadores de casas espiritualistas para “começar a trabalhar na semana seguinte” (ou em qualquer período de tempo muito curto).

Rejeite respeitosamente a oferta, e não se sinta desafiado se lhe disserem que “precisa começar a trabalhar logo, pois seu mentor espiritual assim o quer”, ou ainda que “precisa começar a trabalhar, do contrário coisas ruins se sucederão na sua vida”, etc. Na verdade, se insistirem muito, seria melhor você procurar alguma outra casa espiritualista… O ideal é que procure primeiro as aulas teóricas, caso existam, ou pelo menos informações acerca de alguns livros que poderia ir lendo em casa enquanto frequenta a casa espiritualista (notadamente, os de Kardec, que em todo caso você já pode ler por conta própria desde hoje).

Mas, independente da parte teórica, que nem sempre é a essencial, é preciso que desenvolva sua mediunidade de forma gradual. Ou seja: em reuniões frequentadas apenas por médiuns experientes e “discípulos”, de modo que algum “mestre” possa lhe auxiliar no afloramento gradual de sua mediunidade. Assim, quem sabe após uns 6 a 12 meses, você já possa efetivamente começar a atender o público como um médium da casa. E, quem sabe, após uns 10 a 15 anos, você descubra coisas dentro de você mesmo, e no Cosmos ao redor, que jamais teria imaginado conhecer um dia…

Não se vira um médium comprando manuais de conhecimento oculto

Apesar de acreditar que a maioria das casas espiritualistas seja idônea, não podemos ignorar que existem “espertalhões” por aí, principalmente no meio religioso. Fuja de qualquer casa que procure lhe vender “manuais de conhecimento oculto” (do tipo que não se encontra em livrarias comuns) e/ou cobre quantias fora do normal por suas aulas teóricas… Na verdade, a imensa maioria das casas espiritualistas sequer cobrará alguma coisa. Algumas podem lhe pedir uma contribuição mensal de, quem sabe, até uns 20 reais, para cobrir despesas com manutenção e contas de água e luz. Outras podem lhe pedir que compareça a almoços beneficentes ou a palestras pagas de tempos em tempos – mas desconfie de quaisquer valores exorbitantes, dízimos (valores percentuais baseados em sua renda mensal) ou pedidos extraordinários de doações materiais (como doar uma TV LED, ou qualquer coisa relativamente cara).

Dito isso, se você por acaso goza de boa situação financeira e sente a vontade genuína de ajudar materialmente a casa espiritualista que frequenta, sinta-se a vontade (doações de ar condicionado, por exemplo, seriam muito bem-vindas na maioria das casas).

Faça caridade

Alguns médiuns podem, pelas mais variadas razões, se abster de desenvolver sua mediunidade, e não há nenhum problema específico nisso (nem nenhuma futura “punição” de Deus ou de algum mentor espiritual). No entanto, a caridade é algo que todos, sem exceção, podem e deveriam pensar seriamente em fazer.

A grande maioria das casas espiritualistas tem atividades semanais, quinzenais ou mensais de caridade. Seja visitar um hospital, um asilo, uma creche, uma instituição de doentes mentais, etc. Embora não necessariamente a caridade seja “a única salvação” – embora muitos espíritas a entendam dessa forma –, ela é sem dúvida muito, muito importante para o afloramento da empatia e, por consequência, de nossas potencialidades no amor. E são essas potencialidades, mais do que quaisquer outras, o grande objetivo, o grande sentido de estarmos retornando a Terra por tantas vezes, aprendendo a amar: uma vida de cada vez.

A visita a instituições de doentes mentais pode ser particularmente reveladora para os que ainda têm dúvidas do alcance efetivo da própria mediunidade. Afinidades quase que instantâneas poderão surgir, e talvez um dia compreendam toda a beleza que há nisso tudo.

Esteja preparado para a descida…

No atendimento aos “mortos”, mesmo durante as sessões de desenvolvimento mediúnico, e particularmente nas que envolvem médiuns de incorporação total [3], desde o início ficará muito claro que a intensidade da dor e da angústia trazidos pelos espíritos em desequilíbrio é alguns graus de magnitude superior a toda a dor e angústia que você algum dia pensou existir na Terra. As dores da alma não se comparam as dores do corpo físico, sobretudo quando o espírito passa para o outro lado do véu ignorante, sem fazer ideia do sistema de reencarnação e, muitas vezes, crendo piamente que suas dores serão eternas…

Não acho necessário entrar em detalhes, até porque palavras são apenas cascas de sentimento, e seriam incapazes de lhe transmitir o tipo de dor de que estou falando. Mas, esteja preparado para a descida ao pântano negro e pegajoso de desejos desenfreados e escuridão da alma – ou, em outras palavras, esteja preparado para descer ao inferno.

Dependendo da casa espiritualista e do tipo de trabalho espiritual realizado nela, pode ser que esse tipo de coisa jamais ocorra, ou ocorra raramente – por outro lado, principalmente nas casas mais engajadas na real caridade espiritual, esse tipo de coisa é até mesmo trivial, de modo que, infelizmente, somos obrigados com o tempo a aceitar que os seres fazem suas escolhas, e arcam com as consequências… Simples assim.

Para os seres aturdidos com seus pensamentos obsessivos, complexos de culpa e lembranças contínuas de seus atos pregressos de ignorância do bem, toda e qualquer luz que chega do alto é, quase sempre, muito bem vinda – ainda que eles muitas vezes não aceitem tal luz de início, se não os julgarmos, se tivermos a devida compaixão que efetivamente merecem (a compaixão que Deus têm nos ensinado), com o tempo aceitarão beber de nossa água, e quem sabe, poderão mesmo ter uma nova chance ainda antes do previsto.
Para os demônios de baixo, nós seremos os anjos de cima. E, ainda que isso seja obviamente um absurdo – pois sabemos que de anjos não temos nada (ou deveríamos saber) –, de certa forma, nos pântanos lodosos das dores antigas, nós de alguma forma somos mesmo anjos. Nessas ocasiões divinas, é importante lembrar que um dia, nalguma vida, estivemos em situação muito semelhante, ou até pior, a situação daqueles seres que naquele momento nos imploram ajuda… Então talvez percebamos que é o inferno, e não o céu, o local de trabalho de todos os anjos do Cosmos.

» A seguir, concluindo a série: a reforma íntima…

***
[1] Este livro será o próximo lançamento digital da Editora Alta Cultura, uma tradução de meu amigo Alfredo Carvalho. O título traduzido, como era de se esperar, será Misticismo.
[2] A mediunidade é uma potencialidade sagrada, e não deve jamais ser compreendida como um “fardo”. Existe a mediunidade e o desequilíbrio mental, e embora eles possam andar juntos, particularmente nos médiuns iniciantes, não devem ser compreendidos como “a mesma coisa”, nem mesmo como “coisas que não existem em separado”.
[3] A incorporação total é uma forma de mediunidade ativa que, ironicamente, pode envolver a passividade total do próprio médium. Muitos sequer se lembram do que ocorreu enquanto estavam “desligados de si”, ou seja, enquanto outros espíritos ocupavam suas mentes e boa parte das funções motoras de seus corpos. Mas o ideal seria tentar manter a consciência, ou semiconsciência, de tudo o que ocorre durante a incorporação.

Há muitas casas espiritualistas mais “ortodoxas” (principalmente as casas espíritas) que não irão aceitar incorporações de seus médiuns – apesar de às vezes elas ocorrerem de maneira “forçada”, ou sem que os próprios coordenadores percebam (em médiuns particularmente hábeis)… Se você tem algum receio de participar de sessões onde há incorporação (ainda que você mesmo não seja, de forma alguma, “obrigado” a incorporar), a melhor coisa é procurar uma casa espiritualista onde não exista esta prática. Ou seja, usualmente o trabalho envolverá apenas orações, música, passes magnéticos e, por vezes, psicografia ou psicopictografia.

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Crédito da imagem: Jari Schroderus

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#Espiritismo #Mediunidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/anjos-de-acima-dem%C3%B4nios-de-abaixo

Morte Súbita inc entrevista Denílson Earhart

Denílson Earhart Ricci é talvez o maior entusiasta da obra de H.P.Lovecraft no Brasil. Hoje aos 34 anos e morando em Jundiaí-SP ele concedeu ao projeto Morte Súbita inc a seguinte entrevista onde explora um pouco seu fascínio e fala sobre seu atual trabalho de promoção do universo fantástico criado por este gênio do horror e da fantasia.

Conte um pouco sobre seu envolvimento com a obra de H.P Lovecraft. Como começou e como isso tem mudado como tempo.

Conheci a obra de H.P. Lovecraft em meados de 2003, quando ao fuçar no baú de um avô falecido de uma antiga amiga, descobri o primeiro livro de Lovecraft publicado no Brasil. Um exemplar raro editado pelo lendário Gumercindo Rocha Dórea: O que sussurrava nas Trevas, de 1966 – Editora GRD. A partir daí comecei a me interessar pela obra do escritor, embora na época era muito difícil encontrar suas obras a venda, mesmo em alfarrábios.

Fale um pouco sobre seu trabalho de divulgação da obra de Lovecraft. Acha que ele seria tão conhecido hoje pelos leitores de lingua portuguesa se não fosse seu esforço?

No início era difícil encontrar obras de Lovecraft a venda, mesmo em sebos. Então comecei a me informar em poucos e incompletos sites no começo efetivo da internet no Brasil. Aí, com algum esforço, visando reunir tudo o que se conhecia sobre o autor eu criei o www.sitelovecraft.com que com o tempo e inúmeras contribuições se tornou um grande portal de informações. Esta foi uma primeira etapa da divulgação de sua obra no Brasil. A outra etapa foi a ideia do livro ‘O Mundo Fantástico de H.P. Lovecraft’, que após anos de desenvolvimento está prestes a se tornar realidade. Sou suspeito para falar, mas muitos livros que hoje são lançados sofreram influência desse livro mesmo ele não ter sido ainda publicado (será em janeiro de 2013), pois divulgamos muita informação sobre ele ainda no prelo, visando a arrecadação de fundos para sua publicação, umas vez que foi baseado em iniciativas individuais.

Porque os ‘Mitos de Cthulhu’ fascinam tanto?

Por ser uma espécie particular de ficção de horror. Não aquela comum baseada em sustos, mas algo muito mais profundo e certos aspectos muito comuns nesse tipo de história, como a questão investigativa, prendem muito a atenção do leitor.

Os Grandes Antigos… Ficção ou realidade?

Os Grandes Antigos, são criaturas míticas da parte mais importante dos contos de Lovecraft: Os Mitos de Cthulhu. Certamente se baseiam nos seus pesadelos e imaginação extraordinária, mas quem somos nós para afirmar categoricamente que algo assim, ou parecido, não exista ou nunca existiu?

O que você tem a dizer sobre as pessoas que levam ao extremo esse fascínio, buscando rituais ou alguma forma de conexão com os Grandes Antigos?

Acho que cada um tem o direito de proferir a crença que lhe aprouver. Certamente não os chamo de malucos! Sendo o universo tão místico e cheio de enigmas, não seria estranho nos depararmos num futuro com um livro de segredos inomináveis como o nefasto Necronomicon, por exemplo. Aí a ficção viraria realidade. E se pensarmos por essa lógica, as vezes a realidade não é muito mais estranha que a ficção?

Como surgiu a ideia de produzir o livro “O MUNDO FANTÁSTICO DE H.P. LOVECRAFT”?

A ideia desse livro nasceu da insatisfação da maioria dos leitores com os péssimos livros lançados no Brasil com a obra de Lovecraft. Caindo o livro em domínio público ficou falicitada a concretização desse sonho, um livro com um bom formato, capa bem trabalhada, grande quantidade de páginas, revisão exaustiva, etc…

Quais os critérios utilizados para decidir que histórias entrariam na antologia?

A ideia foi a de fazer uma antologia. Um pouco de tudo: retratar o mito de Cthulhu, as Dreamlands (outra parte interessante da obra de Lovecraft), bem como poesias e escritos não ficcionais. Ou seja, um livro tanto para o leitor que não conhece nada sobre o assunto como para o leitor que já leu Lovecraft. Com farto material em notas, traduções excelentes e revisão ampla, esperamos que mesmo o antigo fã de Lovecraft redescubra algo novo na leitura desse livro.

Qual seu conto favorito, e porque?

Meu conto favorito é ‘O Chamado de Cthulhu’, pois condensa tudo, ou quase tudo, da mitologia criada pelo autor. Além de ter uma grande dose de terror aliado a investigação, prende a atenção do leitor do início ao fim…

Qual seu filme favorito das obras de Lovecraft?

Certamente o cinema ainda não descobriu Lovecraft. Embora alguns diretores com o famoso Guillermo Del Toro, em muitos de seus filmes trás referências a obra do escritor e tem como seu principal objetivo uma superprodução baseada em ‘Nas Montanhas da Loucura’, mas ainda hoje Del Toro não achou patrocinadores para o longa. Fora Del Toro, gosto muito dos filmes do diretor Stuart Gordon, e acho que ele se superou no filme Dagon – A Seita do Mar. O filme tem o clima perfeito do conto ‘A Sombra sobre Innsmouth’, além do que a caracterização de personagens ficou muito bem feita! Obrigatório para qualquer admirador do autor e de bons filmes de horror…

Quais seus planos para o futuro?

O que começou com uma simples brincadeira, ganhou forma e breve vamos lançar esse livro por uma editora própria a EDITORA CLOCK TOWER. Como esse livro ‘O Mundo Fantástico de H.P. Lovecraft’, vendeu apenas em pré-venda em torno de 600 exemplares, esperamos muito suscesso para quando sairem outras edições. E com isso, pretendemos, quem sabe, um especial sobre o conto ‘Nas Montanhas da Loucura’ que como ‘O Chamado de Cthulhu’, é obrigatório para qualquer admirador do autor. Essa novela não está presente no livro atual, pois é uma novela muito longa, embora nosso livro fosse grande se ele estivesse presente a ideia de antologia teria que ser abandonada… Então quem sabe um livro especial e muito bem cuidado com essa novela no futuro, ou mesmo coletâneas de contos de outros autores famosos do passado! Tudo vai depender da recepção que esse livro terá efetivamente ao ser lançado e mesmo de sua pré-venda limitada!

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/morte-subita-inc-entrevista-denilson-earhart/

Como Salomão encontrou a Sabedoria e o que fez com ela depois que a encontrou

Imagine que o Criador do universo e de todas as coisas abrisse o alçapão do céu, colocasse a cabeça para dentro do espaço-tempo e perguntasse a você: O que quer que eu te dê? 

Riqueza, poder, mulheres, mansões, iates, responderiam os personagens do Pica-pau, mas o Rei Salomão pediu outra coisa: Sabedoria. E ele tinha uma boa razão para pedir isso. Ele tinha acabado de virar o rei do povo de Deus e não queria pisar na bola com o chefão. 

Foi um golpe de mestre. Deus gostou tanto da resposta que, além de sabedoria, deu também mais riquezas, poder, mulheres e mais honras do que qualquer outro rei tivera antes dele. Só não deve ter dado iates porque eles ainda não tinham sido inventados e Ele não queria estragar a surpresa.

Salomão foi mais do que esperto, ele foi engenhoso. É como se ele houvesse achada uma lâmpada mágica e esfregado:

– Muito bem Salomão, liberaste o Gênio, tem um pedido!

– Quero muitos pedidos!

– Ahhhh Salomão… existe um único porém! Podes pedir qualquer coisa, menos mais pedidos! Hahaha!

– Uhm… então quero mais gênios!

O gênio na verdade foi Salomão. E assim com o primeiro pedido ele pode ter acesso a todos os outros. De fato entrou para a história como uma das pessoas mais sábias que já existiu.

E se o princípio de todo o sucesso de Salomão foi a sabedoria, não seria inteligente dar uma olhada no que ele deixou escrito sobre ela? Esta é sugestão que de Hugo de São Vitor dá em seu opúsculo sobre a arte de meditar (a cartilha de estudos favorita de 7 em cada 7 jesuitas). Ele diz

“Mas há dois gêneros de contemplação. O primeiro pertence aos principiantes que consideram as criaturas. O segundo e o último pertence aos perfeitos, que contemplam o Criador. 

No livro dos Provérbios, Salomão começa meditando; no Eclesiastes ergue-se ao primeiro grau da contemplação; e, por fim, no Cântico dos Cânticos, transporta-se ao grau supremo. “

Vamos então investigar o que um dos homens mais sábios da história tem a dizer sobre a sabedoria, fazendo um resumo rápido dos três livros mencionados:

Provérbios

Postura analítica sobre a Sabedoria.

Resumo:

  • O princípio da Sabedoria é o Temor a Deus. 
  • O Temor a Deus é aborrecer o mal e agradar a Deus.
  • Deus ama: mansos, humildes, diligentes, generosos, justos, de fala honesta e encorajadora. Ama também suas orações e sacrifícios.
  • Deus odeia: violentos, soberbos, preguiçosos, maliciosos, injustos, de fala desonesta e destruidora. Detesta também suas orações e sacrifícios.
  • Razões positivas: O sábio terá sucesso, felicidade, riqueza, prosperidade, honra e segurança.
  • Razões negativas: O tolo terá fracasso, angústia, pobreza, desgraça, desonra e desamparo.
  • É impossível ser sábio sem ser Humilde.
  • Como ser humilde: seguir os mandamentos, obedecer os pais, aceitar conselhos e críticas dos amigos.

Nessa hora ocorre uma guinada no roteiro e a figura paterna que começou a escrever o livro desaparece e o livro revela duas coisas inusitadas:

  • A Sabedoria se apresenta como uma pessoa. Essa pessoa é anterior a toda criação e que estava com Deus durante a criação.
  • O homem é um ser tão burro que se sua mulher for boa ele será bom, mas se a mulher for ruim ele será pior!

Guarde essas duas informações, vamos precisar delas daqui a pouco.

Eclesiastes

Postura sintética da Sabedoria. 

Resumo:

  • Conquistas são vãs: o que se constrói o tempo apaga
  • Conhecimento é vãs: às perguntas são sem fim e o estudo enfadonho
  • Prazer é vão: alegrar o coração se alegra mas dura pouco
  • A Riqueza é vã: quando mais se tem mais se quer e mais se gasta
  • Trabalho é vão: uns trabalham e outros aproveitam e todos morrem
  • Poder é vão: é aflição do espírito e muda sempre de mãos.
  • Tudo isso é apenas vaidade.
  • A vaidade do homem planeje a trabalhar mas é que determina a hora de tudo
  • A vida é incerta e cheia de injustiças
  • A juventude é breve
  • A morte é certa
  • Desfrute às coisas boas da vida mas não busque vaidades.
  • Sabedoria mesmo é apenas temer a Deus e guardar seus mandamentos

Se em Provérbios Salomão ensina que a Sabedoria é agir de forma virtuosa na tentativa de agradar Deus, aqui ele complementa isso lamentando os limites dos esforços humanos e dizendo que a maior parte deles não é nada além de vaidade. Diz ainda que a vida tem coisas boas sim, mas a maior parte delas está fora do nosso controle. Ao temor a Deus ele complementa Sabedoria como o desfrute das coisas boas que Deus gratuitamente nos envia sem a neurose de tentar controlar tudo.

Cântico dos Cânticos

A experiência direta da sabedoria.

Resumo:

  • Esposo e esposa se cortejam e celebram o amor entre si.
  • O casal se entrega e pertence um ao outro.

Como dá para perceber este é o menor dos três livros. Talvez porque as mãos e a boca de Salomão estivessem ocupadas. Cantares é um livro curioso. Ele faz parte das obras sapienciais de Salomão mas foi historicamente criticado por um livro erótico devido a sua linguagem sensual e por conter as declarações mais diretas sobre sexo em toda a Bíblia. Quero dizer, imagine um padre lendo isso na missa:

“Como são bonitos os teus pés ágeis, ó princesa! As voltas das tuas coxas são como joias, trabalhadas por mãos de artista. O seu umbigo, como uma taça onde não falta bebida; teu ventre é um campo de trigo cercado de lírios. Seus dois seios parecem-me com gêmeos de gazela.”

Em Provérbios Salomão deu uma visão analítica do que é a Sabedoria e lançou aqui aquela curiosa ideia de que uma boa mulher é um tesouro e uma mulher vil uma perdição para os homens que buscam a sabedoria. 

Em Eclesiastes Salomão constatou que há um limite na natureza das conquistas humanas – inclusive na própria sabedoria. Ele lembra que tudo está nas mãos de Deus e não aceitar isso é vaidade. Diz ainda que mesmo não tendo controle de tudo, há sabedoria em desfrutar do que temos e sermos gratos a Deus por isso. 

Já em Cantares, testemunhamos Salomão viver o amor por aquela mulher exemplar que ele havia sugerido teoricamente. É como se o amor romântico entre duas pessoas virtuosas criasse uma chama para alimentar formas mais universais de amor.  Vou arriscar duas razões para isso:

1. Tendemos a nos tornar parecidos com aquilo que amamos.

2. Quem ama quer agradar e para agradar alguém bom você precisa aprender a ser bom também.

Por isso o amor romântico é tão poderoso e perigoso. É poderoso porque pode ser a porta de entrada para formas mais universais de amor. É perigoso porque se você amar algum ruim, ficará pior também.

Em cantares não há necessidade de todo esse discurso. Note que nem a sabedoria nem Deus são mencionados textualmente neste livro, mas se Deus é Amor e a Sabedoria é Amar, lá eles estão. Ações são mais poderosas que palavras. 

Em Provérbios Salomão medita sobre o Sabedoria, em Eclesiastes especula sobre o Amor. Em Cantares, a beija.

Thiago Tamosauskas é colaborador constante do projeto Morte Súbita inc e autor de diversos livros

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/como-salomao-encontrou-a-sabedoria-e-o-que-fez-com-ela-depois-de-encontrar/

Astaroth

Uma Breve Introdução ao Conceito da definição do Ser.

Há muito que se aprender sobre determinadas Inteligências, só que, é sabido pela grande maioria dos estudiosos do Ocultismo, seja este em qualquer ramificação das religiões da mão esquerda, que os detentores dos poderes políticos das religiões de massa e escravistas, fizeram de tudo para que esses conhecimentos não chegassem até nós, nos dias de hoje. Infelizmente a religião judaico-cristã contribuiu para a destruição quase que total de toda fonte verossímil acerca de tais saberes.

O que podemos ainda contar, mas não em grande veracidade são com alguns Grimórios (livro de conhecimentos mágicos, a grosso modo falando), que em 90% dos casos estão propositalmente alterados pela religião, a fim de distorcer, denegrir e ocultar a Gnose ou Sabedoria, como queira, acerca de determinadas Inteligências.

Não usarei de delongas explicando o que é um demônio, pois o Portal Morte Súbita está repleto de informações riquíssimas sobre os mesmos, somente abrirei um parêntese sobre a etimologia do vocábulo a fim de sustentar a minha posição de utilizar Inteligência neste texto em vez de Demônio. É praxe que até a expressão “demônio, foi demonizada” por quem muito astutamente não queria que todos tivessem acesso a estes seres brilhantes e ajudadores em via de regra da humanidade. “Demônio” deriva da língua grega daimónion, ou daimon que quer literalmente dizer Gênio, ramificando-se para a língua árabe, a palavra se dimana para “djjins” que significa gênio. Daí surgira o mito do “Gênio da Lâmpada”, como todos conhecem.

Um Deus, uma Deusa, um Demônio ou uma Inteligência?

Neste caso, o uso da palavra Inteligência tem a denotação de atribuir toda à Sabedoria que um Ser Superior, diferente dos homens, possui em sua totalidade. Pois bem, mais a frente, tentarei sucintamente atribuir Astaroth em relação à sua Esfera Cabalística e em relação à sua Qliffot (sem adentrar a fundo no conceito de Kabbalah), pois se encontram também aqui no Portal, bons materiais que abordam o assunto, mas é através destes textos cabalísticos que Astaroth é mais profundamente conhecido como um Arquedemônio com poderes inimagináveis!
Em 1458, em alguns fragmentos de escritos hebraicos relacionados a demonologia, pode-se encontrar, por exemplo, no Livro de Abramelin,  Astaroth sendo o primeiro conhecido demônio do “sexo masculino” além de Satã, Beelzebuth, dentre outros, o que se popularizou ainda mais nas escritas de outros grimórios ao longos dos séculos conseguintes.

A antiga cidade da Cananéia, ademais de “pertencer” ao povo hebreu, de origem monoteísta, (hoje compreendida entre parte da Faixa de Gaza, talvez a Cisjordânia e a Jordânia) incluíram em suas adorações aos deuses pagãos o culto a esta Divindade como uma Deusa chamada Astarote. Na demonologia antiga, esta Inteligência pôde ser chamada de Astaroth, Astarote, Astarot e Asteroth, todas significando a sua coroação de um Príncipe no Inferno.

Alguns teóricos em demonologia afirmam veementemente que somente a partir do segundo milênio a.C. que o nome Astaroth fora reconhecido, e que fora derivada da Deusa fenícia Astarte, também anteriormente como a sumeriana Ianna e equivalente a babilônica Ishtar.
Ademais disso também temos a questão da antropomorfização, onde queremos atribuir questões inimagináveis ao que imaginável, do impalpável para o palpável, fora as questões culturais da época em relação principalmente do povo hebreu com questões machistas, que não aceitavam nem em suas relações interpessoais que mulheres tivessem algum valor, quanto mais atribuir a uma Deusa, digamos assim, o poder de trazer algum tipo de benção, seja lá qual fosse a este povo. Todavia, deixando de lado o estereótipo sobre a “sexualidade” da Inteligência, daremos curso ao nosso pequeno estudo.

Astaroth e a Bíblia

Astharthe (singular) e Astharoth (plural) vem da tradução da Bíblia Vulgata Latina, tradução essa possivelmente da Deusa Ashtart ou Astarté, conforme dito no tópico anterior.

No livro de Juízes, no capítulo 2, dos versos 11 ao 13 é clara a insatisfação dos hebreus com seu Deus Iavé, o que os faz, quase que repentinamente, e, por toda a bíblia, repetidamente abandoná-lo e seguir aos outros Deuses.

“Então fizeram os filhos de Israel o que era mau aos olhos do senhor; e serviram aos baalins.

E deixaram ao senhor, deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros Deuses, dentre os Deuses dos povos, que havia ao redor deles, e adoraram a Eles; e provocaram o senhor à ira.

Porquanto deixaram ao senhor, e serviram a Baal e a Astarote.”

A insatisfação também toma conta do dito Rei mais sábio de Israel Salomão em 1 Reis 11:5:

“Porque Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e Milcom, a abominação dos amonitas”.

Em guerras entre Filisteus e Hebreus: em 1 Samuel 31:8-10:

“Sucedeu, pois, que, vindo os filisteus no outro dia para despojar os mortos, acharam a Saul e a seus três filhos estirados na montanha de Gilboa. E cortaram-lhe a cabeça, e o despojaram das suas armas, e enviaram pela terra dos filisteus, em redor, a anunciá-lo no templo dos seus ídolos e entre o povo. E puseram as suas armas no templo de Astarote, e o seu corpo o afixaram no muro de Bete-Seã.”

O Deus dos hebreus com crises de ciúmes e consciência em 1 Reis 11:33 :

“Porque me deixaram, e se encurvaram a Astarote, deusa dos sidônios, a Quemós, deus dos moabitas, e a Milcom, deus dos filhos de Amom; e não andaram pelos meus caminhos, para fazerem o que é reto aos meus olhos, a saber, os meus estatutos e os meus juízos, como Davi, seu pai.”

De novo? Em Juízes 10:6:

“Então tornaram os filhos de Israel a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, e serviram aos baalins, e a Astarote, e aos deuses da Síria, e aos deuses de Sidom, e aos deuses de Moabe, e aos deuses dos filhos de Amom, e aos deuses dos filisteus; e deixaram ao SENHOR, e não o serviram.”

Astaroth e a Goétia

Segundo a Arte Goétia (tema bastante controverso e polêmico, particularmente falando), tentarei aqui, ser ao máximo imparcial, apenas apontado relatos de crença e histórico. Através de “A Chave Menor e As clavículas de Salomão”, é “possível” ao magista através de “triângulos” com os nomes de anjos e nomes do deus hebreu, através de um suposto anel com símbolos judaicos, “submeter” esta Inteligência, e, até mesmo sujeitá-la a interrogatórios para diversos fins de proveito próprio, como a arte adivinatória, os segredos da Criação, questões que envolvem o passado, o presente e o futuro, sabedoria ilimitada nas artes liberais e eticétera. Ainda pela Goétia, temos conhecimento de que Astaroth é na contagem dos 72 “Demônios” é o 29º, que aparece montado sobre uma besta, semelhante a um Dragão Infernal, tem a fisionomia de um anjo medonho, e, ainda reina sobre 40 legiões, além de ser um demônio poderosíssimo!


Selo de Astaroth segundo a Goétia

Esta é a descrição de Astaroth segundo o Dicionário Infernal: Usa uma coroa reluzente, vêm sempre montado em sua besta-fera-dragão, que possui uma cauda de serpente e asas, e vem despido, aparentemente tendo algumas penas (provavelmente asas). Outra versão de aparições bem semelhante é a de que Astaroth propriamente é um homem desnudo com asas, possui mãos e pés de dragão e segura uma serpente em uma das mãos, vindo cavalgando sobre um lobo ou cachorro gigante. A possibilidade do livro do Apocalipse estar fazendo menção à Astaroth é segundo ainda outras aparições, onde Ele é um Cavalheiro Negro montado em um grande escorpião.

Existe uma teoria extremamente controversa de que Ele tem como seu principal adversário o “santo” Bartolomeu, porque este último resistiu as suas “tentações” e pode ajudar a quem rogá-lo. Segundo remonta a história, as tentações vencidas foram nada mais nada menos que: a preguiça, a vaidade e as filosofias racionalizadas, isso também é relatado por Sebastien Michaelis.

Já segundo Francis Barret e outros demonologistas do século 16, Astaroth é um dos principais acusadores e inquisidores, onde no mês de Agosto os ataques ao homem por esse demônio são extremamente fortes. Pode ser que o mito da frase: “Agosto o mês do desgosto” tenha alguma relação com o fato narrado.

Outros que afirmam que tiveram contato direto ou indireto com esta inenarrável Inteligência passaram a terem uma desenvoltura absurdamente ampla nas ciências da matemática, no artesanato, na pintura, conseguiram desvendar segredos indecifráveis, além de encontrarem tesouros escondidos por magos e feiticeiros, e, até mesmo a tão almejada arte da invisibilidade. Além de terem recebido poderes para enfeitiçarem serpentes de todos os tipos.

A Influência desta Inteligência em nosso presente século é absurdamente inconfudível!

Astaroth e as Artes

Na Música:

  • Referência na música da Banda de Back Metal Mercyfull Fate – “No som do sino do demônio”.
  • Referência na música da Banda de Doom Metal Candlemass – “Anão Negro”.
  • Referência na música da Banda de Doom Metal Draconian – “Embrace the Gothic” e Serenade of Sorrow”
  • A Banda Testament contém uma referência à Astaroth na música “Alone in the Dark”
  • A Banda Behemoth de Death Metal menciona-O na canção “Mate os Profetas Ov Isa”
  • Em  “Abrahadabra” de Dimmu Borgir o selo de Astaroth está lustrado  na capa do álbum.
  • Astarte é uma Banda feminina de Black Metal grega, formada em 1995 – aonde um dos hits que mais fizeram sucesso foi uma louvação própria a esta Inteligência – nome da música: Mutter Astarte – do Álbum Demonized, de 2007.
  • Mägo de Oz é uma banda espanhola de folk metal – diante de muitas músicas, possui uma de Adoração Explícita à Astaroth, inclusive informações de como invocar a Inteligência.
  • Dentre muitas outras bandas…

No Cinema:

  • Uma Filha para o Diabo de 1976 – O filme é sobre um duelo entre um escritor de livros sobre ciências ocultas e o demônio, com quem a filha de um casal de amigos fez um pacto. A chave do mistério está nos códigos de Astaroth, num livro satânico.
  • Der Golem, wie er in die Welt Kam  de 1920, Adaptado por Heinrik Galeen e Paul Wegener é sobre uma lenda do gueto de Praga. O rabi Low, para proteger o seu povo de uma ameaça dá vida a uma estátua de barro com a ajuda das forças das trevas. Mas, depois de cumprida a sua missão, o “demônio” é de novo animado para satisfazer a vingança de um rapaz apaixonado pela filha do rabi, e destrói tudo à sua volta. Este é um dos mais famosos títulos do cinema alemão dos anos 10 e 20, de que se fizeram várias versões. A de 1920 é a segunda representação do cinema. Livros esotéricos de consultoria surgiram posteriormente para encontrar o segredo de como criar o tal “monstro de barro”, que segundo muitos apreciadores da obra, atribuem este ser “criado” advindo do submundo a Astaroth.
  • Em 1971 Bedknobs e Broomsticks, é um filme musical onde “A Estrela de Astaroth ‘é um artefato que os protagonistas começam a utilizar a partir da cena da “Ilha de Naboombu”.

Na TV:

  • Num episódio de um seriado chamado “Não ao Exorcista”, no primeiro episódio aparece um demônio que possuía um adolescente, e este demônio “foi” Astaroth.
  • Na 3ª temporada de Friday the 13th: The Series o episódio chamado “As Profecias”, quem está incumbido de abrir a porta de entrada de Lúcifer para a Terra, contada em seis profecias, é Astaroth que aparece como um dos “anjos caídos”.
  • Em Blood Ties, o selo de Astaroth aparece magicamente tatuado nos pulsos da personagem principal.
  • Em “Trials of the Demon”, episódio de Batman: The Brave and the Bold, Astaroth aparece como um demônio, a fim de buscar as almas que tentam escapar de suas mãos.
  • Dentre muitas outras aparições, que tornaria exaustivo a explanação completa aqui.

Nos Games:

  • O Arquidemônio Astaroth é o “chefe” final no game original Ghosts ‘n Goblins e um “chefão” em Ghouls e Super Ghouls ‘n Ghosts . Um personagem similar em aparência e ataque a Ele também aparece como um chefe mediano em Rosenkreuzstilette Freudenstachel .
  • Em MapleStory , Astaroth é um chefe no final do desafio das aventuras
  • No Never Dead , o principal vilão é Astaroth, que mata seu amado e das lágrimas de seus olhos, faz um Demônio Lord Imortal que vai sofrer por toda a eternidade.
  • Em Dungeons & Dragons jogo RPG, Astaroth aparece como uma divindade para aqueles de alinhamento com o “mal caótico”.
  • No game Castlevania: Portrait of Ruin, Astaroth aparece como um nobre egípcio.
  • Em Soul Calibur série de jogos de games, um demônio chamado Astaroth é um personagem jogável.
  • E assim, continua…

Na Literatura:

  • Astaroth aparece como um demônio brevemente no Warhammer 40.000 em Daemonifuge (quadrinhos).
  • É a personagem de Luigi Pulci ‘s Renascença, Épico de Morgante .
  • É o nome de um Romance escrito pelo croata escritor Ivo Brešan .
  • Astaroth aparece como um personagem de apoio / vilão de Marlon Pierre-Antoine de Wandering Stars .
  • É o vilão de Henry H. Neff na Tapeçaria (série).
  • Fez várias aparições como um demônio na história em quadrinhos Hellboy .
  • Dentre outras muitas dezenas de relatos.

Segundo um segmento religioso da “mão esquerda”, Astaroth possui:

  • Posição no Zodíaco de 10 a 20º de Capricórnio
  • Dias concernentes à Inteligência: de 31 de Dezembro a 09 de Janeiro
  • Dentro das Cartas de Tarô é o Ás de Copas
  • Planeta associado: Vênus
  • Cor de vela predileta: Marrom ou Verde
  • Metal: Cobre
  • Elemento: Terra
  • Hierarquia: Grão-Duque das Regiões Ocidentais do Inferno.

 

De todas as informações “colhidas” e expostas em nível de conhecimento e até mesmo como objeto de estudo e verificação anterior, ademais das muitas linhas de raciocínio e compreensão desta Inteligência, sem querer ser pretensioso, o ponto de vista a seguir explanado, é o que tem maior coerência, pois tem extrema relação e compromisso com a Verdade na qual é compreendido Astaroth, Ele pertence e tem relação com a Esfera Planetária de Júpiter, a Porta Obscura associada às suas Evocações chama-se Abbadon e sua Esfera Cabalística é a de Gha´aghsheblah.

Sigilo de Gha´aghsheblah

Os favores daqueles que comungam a verdadeira essência deste Magnífico Deus são:

Misantropia, Aristocracia Satânica, Inteligência, Filosofia, Sabedoria, Riqueza, Luxúria Sangrenta e Fatal, a Manipulação, a Divulgação do Suicídio, a Sorte, a Honra e Descoberta de Novos Aliados, assim como a Canalização das Energias “Sinistras” e a Abertura do “Olho do Holocausto”.

Ele habita / está composto no Quarto Ângulo de Sitra AHRA, simploriamente falando sobre as esferas Qliffóticas da “Árvore da Morte”.
Devido o Seu Portal Obscuro ser Abbadon, Astaroth também é capaz de abrir a 3ª visão e dar poderes de Clarividência ao Magista que o busca, além de fortalecê-lo cada vez mais, a fim de que as falsas luzes demiúrgicas sejam cada vez mais diminuídas, e o adepto da Religião da Mão Esquerda recebe mais ascensão na Luz Negra.

Esses “novos aliados” citados acima, tanto podem ser seres humanos quanto espirituais (espíritos familiares e/ ou daemons), e, a sabedoria não deriva somente da humana, mas também a Satânica (Emancipação do Intelecto), e, quem se aproxima desta Inteligência com o intuito de contemplá-la e não somente usufruir de seus Incontáveis Poderes, poderá ter neste Deus um Verdadeiro amigo, companheiro, e uma fonte inenarrável de Gnose e avanços em amplos sentidos na vida.


Sigilo de Astaroth segundo a Tradição Anticósmica da Corrente dos 218

“Astaroth Nisa Chenibranbo Calevodium Barzotabrasol!”

Hail Astaroth!

Bibliografia: Wikipédia, a enciclopédia livre, A Chave Menor de Salomão, As Clavículas de Salomão, Bíblia Sagrada – Versão Corrigida e Atualizada, Joy of Satan, MLO (Misantropic Luciferian Order), T.O.T.B.L (Templo of the Black Light) e o Liber Azerate – O Livro do Caos Irado 2002.

 

Bruxo Του Βάαλ – A’ arab Zaraq

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/astaroth-2/

Catolicismo Negro no Brasil: Santos e Minkisi, uma reflexão sobre miscigenação

Marina de Mello e Souza

(Professora do Departamento de História FFLCH/USP)

Os estudos sobre a inserção dos africanos escravizados e seus descendentes nas Américas têm sido um campo fértil para a reflexão acerca dos processos de sincretismo, aculturação, transculturação, encontro de culturas, miscigenação cultural, entre várias outras noções que buscam dar conta de situações nas quais novas culturas surgem a partir do contato entre povos diferentes. Desde Nina Rodrigues, pesquisador pioneiro dessa área, e principalmente a partir de Melville Herskovits, que muito contribuiu para a reflexão teórica acerca dos processos de aculturação, tem sido destacada a importância de se conhecer as sociedades e culturas de onde vieram os africanos traficados para as Américas, para uma melhor compreensão das chamadas culturas afro-americanas.1 Herskovits é peça central no debate sobre a existência de “africanismos” nas sociedades americanas. Seu livro The myth of the negro past é de 1941, mas nos Estados Unidos seus trabalhos só foram valorizados a partir da década de 1960. No Brasil, depois do pioneirismo de Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Edison Carneiro, Roger Bastide e Pierre Verger foram autores que pensaram sobre o negro na sociedade brasileira.2

Nos anos 1970 Sidney Mintz e Richard Price, fundamentados em suas pesquisas de campo no Caribe e no Suriname, escreveram juntos um ensaio que influenciou toda uma geração de estudiosos da cultura afro-americana.3 A idéia de crioulização é o pano de fundo de suas reflexões, nas quais ocupa primeiro plano a preocupação com a chegada do africano no Novo Mundo, com a formação de novas comunidades e novas culturas. Mesmo priorizando os processos de transformação, os autores aceitam que eles se dão a partir de bases pré-existentes e retomam uma idéia esboçada por Herskovits, de que as culturas têm uma gramática própria que serve de elemento organizador das novas construções, sociais e culturais. Nas Américas, estas construções resultaram da interação entre grupos de escravos pertencentes a etnias diversas, unidos pelos mecanismos do tráfico e pela escravização, e grupos de colonizadores europeus, detentores dos instrumentos de poder.

Do final dos anos 1970 para cá, os sistemas sociais e religiosos criados pelas comunidades negras nas Américas têm atraído a atenção dos pesquisadores e são cada vez mais analisados de uma perspectiva que busca fazer conexões entre as culturas de origem dos escravos trazidos para as Américas e as culturas produzidas nas novas situações. A reflexão aqui proposta se enquadra nessa perspectiva de abordagem da religiosidade das comunidades afrodescendentes, tomando como foco não os chamados cultos afro-brasileiros e sim o catolicismo exercido por algumas dessas comunidades.

Um dos muitos resultados da diáspora africana é a presença de reis negros nas Américas, representantes de grupos étnicos específicos, presentes no interior de quilombos e de irmandades católicas. O estudo das situações em que existiram esses reis ilumina a compreensão de como africanos e europeus interagiram no contexto da colonização americana, sob um regime escravista. Em trabalho anterior sugeri algumas interpretações sobre esses reis, voltando atenção especial para a adoção do catolicismo, ou de alguns de seus elementos, por parte tanto de comunidades na África como de afrodescendentes nas Américas.4 Foram os estudos de John Thornton que me abriram os olhos para a importância do catolicismo na África Centro-ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII, e a partir deles pude perceber o lugar nada desprezível do catolicismo na relação que os africanos e afrodescendentes brasileiros mantinham com as terras de seus antepassados.5 Segundo a análise desenvolvida em meu trabalho, seguindo pistas por ele indicadas, no Brasil em algumas ocasiões o catolicismo, por estar presente na região do antigo reino do Congo desde o final do século XV, serviu de ligação com um passado africano que era importante elemento na composição das novas identidades das comunidades afrodescendentes no contexto da diáspora. Ao estudar os festejos em torno da coroação de reis do Congo que aconteciam no Brasil desde o século XVII, entendi que estas eram manifestações percebidas de formas diferentes pelos que as realizavam, membros da comunidade negra, e por aqueles identificados com a sociedade senhorial, de origem lusitana, que viam aquelas festas acontecerem mantendo atitudes ora condescendentes, ora repressoras. Enquanto para uns as festas em torno de reis remetiam a chefias africanas, a ritos de entronização, à prestação de fidelidades, para outros elas se associavam à noção de um império, que se estendia pelos quatro cantos do mundo: Europa, África, América e Ásia, e que tinha a experiência da catequese na região do antigo reino do Congo como um dos momentos emblemáticos do empenho evangelizador de Portugal.6 No meu entender, a penetração dessa festa entre muitas comunidades negras do Brasil, principalmente do final do século XVIII a meados do XIX, deu-se devido a uma combinação de fatores que fizeram com que as comemorações em torno de um rei congo tivessem significados importantes tanto para a comunidade negra como para o grupo senhorial, que detinha o poder de permitir ou reprimir as manifestações dos negros.7

Ao serem arrancados de seus lugares de origem e escravizados, ao deixarem de pertencer a um grupo social no qual construíam suas identidades, ao viverem experiências de grande potencial traumático, tanto físico como psicológico, ao transporem a grande água e terem que se dobrar ao jugo dos senhores americanos, os africanos eram compelidos a se integrarem, de uma forma ou de outra, às terras às quais chegavam. Novas alianças eram feitas, novas identificações eram percebidas, novas identidades eram construídas sobre bases diversas: de aproximação étnica, religiosa, da esfera do trabalho, da moradia. Assim, reagrupamentos étnicos compuseram “nações”, pescadores e carregadores se organizaram em torno das atividades que exerciam, vizinhos consolidaram laços de compadrio e se juntaram cultuadores dos orixás, os que faziam oferendas aos antepassados e recebiam entidades sobrenaturais sob o toque de tambores. Nesse contexto, os reis negros, presentes em quilombos e grupos de trabalho, mas principalmente em irmandades católicas, serviram de importantes catalisadores de algumas comunidades e foram centrais na construção de suas novas identidades.

Enquanto algumas atividades exercidas por comunidades negras eram proibidas e perseguidas pela administração senhorial e demonizadas pelo discurso cristão (mesmo que delas participassem também brancos católicos e às vezes até mesmo padres), outras eram em grande parte aceitas pelos agentes da administração colonial, pois adotavam formas ibéricas e católicas, ou que por estes eram assim percebidas. No primeiro caso estão os calundus, nos quais ritos eram realizados em torno de altares que abrigavam objetos mágico-religiosos, havendo a oferenda de sangue de animais, bebida e comida, ao som de tambores e com a possessão de algumas pessoas por entidades sobrenaturais.8 No segundo caso estão os cortejos e danças que acompanhavam a coroação de um rei negro pelo padre, por ocasião de festas em torno dos santos padroeiros de irmandades nas quais a comunidade negra se agrupava. Enquanto os primeiros eram no geral seriamente perseguidos, assim como os quilombos e as tentativas de rebelião, os segundos eram quase sempre aceitos e muitas vezes estimulados, uma vez que eram vistos como formas de integração do negro na sociedade colonial escravista. Entretanto, a repressão ou permissão de uns ou outros desses ritos variava em função das posições de cada agente colonial, assim como em função da conjuntura do momento.9

Danças que podem ser associadas aos calundus são descritas pelo conde de Povolide em carta de 1780, na qual explica a diferença entre as “danças supersticiosas” e as “danças que ainda que não sejam as mais santas” não eram por ele consideradas “dignas de uma total reprovação”. Essas últimas eram danças que no século XIX e início do XX eram chamadas de batuques e que ainda existem no seio de algumas comunidades negras, muitas vezes conhecidas como jongos. Nos conta o conde de Povolide que nessa ocasião “os pretos se dividiam em nações e com instrumentos próprios de cada uma, dançam e fazem voltas como arlequins, e outros dançam com diversos movimentos do corpo, que ainda que não sejam as mais inocentes são como fandangos de Castela, e fofas de Portugal, e os lundus dos brancos e pardos daquele país”. Quanto às primeiras, que chamou de “supersticiosas”, deveriam ser proibidas. Explicando a diferença entre as duas danças ele escreve:

Os bailes que entendo serem de uma total reprovação são aqueles que os pretos da costa da Mina fazem às escondidas, ou em casas ou roças, com uma preta mestra com altar de ídolos, adorando bodes vivos e outros feitos de barro, untando seus corpos com diversos óleos, sangue de galo, dando a comer bolos de milho depois de diversas bênçãos supersticiosas, fazendo crer aos rústicos que naquelas unções de pão dão fortuna, fazem querer bem mulheres a homens e homens a mulheres.10

Antes do conde de Povolide, Antonil, jesuíta italiano que viveu no Brasil de 1681 até sua morte em 1716, já havia defendido uma posição de tolerância com relação a certas festas das comunidades negras. Escrevendo para os senhores sobre os escravos diz que:

Negar-lhes totalmente os seus folguedos, que são o único alívio do seu cativeiro, é querê-los desconsolados e melancólicos, de pouca vida e saúde. Portanto, não lhes estranhem os senhores o criarem seus reis, cantar e bailar por algumas horas honestamente, em alguns dias do ano, e o alegrarem-se inocentemente à tarde depois de terem feito pela manhã suas festas de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e do orago da capela do engenho.11

Essas posições de administradores e pensadores ligados ao governo colonial português na América mostram que havia uma tolerância com relação a manifestações de origem africana quando estas se aproximavam ou se combinavam com elementos da comunidade senhorial, de origem lusitana. Mas muitas das motivações que levavam as pessoas a se envolverem em certas festividades, a se unirem em torno de um rei simbólico, de festa, não eram percebidas por aqueles que não partilhavam as mesmas estruturas culturais. Dessa forma, era desprezada a autoridade que o rei tinha sobre o grupo e a união deste não era vista como ameaçadora, principalmente porque se dava no interior de irmandades de culto a determinados santos, aprovadas pela Igreja e vigiadas pelos senhores e pelo pároco local. O mesmo não se dava com os ritos religiosos de origem africana que mantiveram maior grau de autonomia cultural e organizacional e só deixaram de ser abertamente perseguidos no século XX.

Mas mesmo em celebrações católicas as comunidades negras produziam elementos que chocavam e incomodavam o grupo senhorial e principalmente alguns observadores estrangeiros, que não estavam acostumados com as mestiçagens que se iniciaram com os primeiros contatos, ainda na África, e se intensificaram na sociedade colonial americana. Esse é o caso, por exemplo, das imagens religiosas que madame Otille Coudreau encontrou num povoado de negros, à beira do rio Pacoval, no Pará, na região da floresta amazônica brasileira.

Ao registrar o levantamento hidrográfico que fez no interior da Amazônia no início do século XX, a cientista francesa expressou os mais estereotipados preconceitos contra as populações afrodescendentes, imputando-lhes um estado de selvageria e barbárie, acusando-os de mentirosos e preguiçosos, achando-os fisicamente degenerados. Desaprovou como a vila era construída, com as cabanas jogadas aqui e ali à beira do rio, sem alinhamento e delimitações, uns plantando na porta dos outros. Nessa aldeia de cerca de 15 casas cobertas de palha, que não conhecia a propriedade privada da terra, a qual era usada coletivamente pela comunidade, havia uma pequena igreja, de chão de terra batida e paredes de barro, coberta de telha e com uma cruz de madeira à frente.

O que chamou a atenção da francesa foram os santos multicoloridos dispostos ao redor da igreja, ela não diz se em altares ou não, mas sim que alguns eram brancos, outros morenos e muitos negros, “todos de figura abominável”, que lhe evocaram uma reunião de Quasímodos. Segundo ela, estavam vestidos com restos de saiotes velhos, pedaços de tecidos de cores vistosas, e tinham ao redor do pescoço colares de contas de vidro ou de sementes. Na sua opinião, era um sacrilégio que cada uma dessas criaturas tivesse o nome de um santo, São Pedro, São Benedito, Santa Luzia, Santa Rosa, Santa Sebastiana e uma Nossa Senhora negra. Coudreau conta ainda que teve vontade de destruir todos “aqueles horrores tão pouco artísticos”, estátuas que refletiam os costumes daquela gente, “rebaixada ao menor nível na escala social”.12

Contribuindo ainda mais para a alteração de tradições católicas e sensibilidades estéticas européias, os mocambeiros acompanhavam sempre suas rezas e festas religiosas com danças realizadas em uma construção ao lado da igreja – presente em todos os mocambos que a pesquisadora francesa conheceu na região.13 Essa combinação de ritos religiosos e danças ditas profanas é o padrão da maioria das festas religiosas populares brasileiras, formadas a partir da colonização portuguesa do território, onde os colonos encontraram indígenas e para onde trouxeram africanos. Nesse encontro de povos, culturas, religiões, formas de lidar com as coisas deste e do outro mundo, uma variedade enorme de combinações ocorreram. As festas em torno de reis negros, entre as quais estão as realizadas no Pacoval, são fruto dessas combinações, presentes também na confecção de objetos mágico-religiosos, como as imagens de santos que Coudreau achou um sacrilégio serem assim chamadas.

Assim como elegiam reis no seio de irmandades católicas e realizavam calundus e candomblés em recintos afastados do universo senhorial, comunidades negras também confeccionaram objetos, usados em uns e outros ritos, nos quais incorporaram elementos de suas culturas tradicionais. Os santos, comparados a Quasímodos, certamente foram esculpidos a partir de técnicas e escolhas estéticas próprias dos mocambeiros, que Eurípedes Funes nos ensinou serem descendentes de escravos vindos da África Centro-Ocidental, da região próxima do antigo reino do Congo e de Angola.14 As imagens descritas por Coudreau e chamadas de santos pelos mocambeiros eram componentes de um catolicismo negro e podem ser associadas aos minkisi, objetos usados em cerimônias mágico-religiosas de povos dessa mesma região de onde veio a maioria dos antepassados dos habitantes das margens do rio Curuá.

No mocambo do Pacoval, em que Otille Coudreau encontrou as imagens que a fizeram lembrar de uma figura monstruosa de sua própria cultura, Eurípedes Funes, 95 anos depois, assistiu e documentou uma festa realizada em homenagem a São Benedito, na qual danças, chamadas de Cordão do Marambiré, seguiam as cerimônias realizadas no interior da igreja. Seus constituintes formam uma corte em torno do rei do Congo, composta por rainhas auxiliares, valsares e contramestres, que desempenham papéis específicos na condução das coreografias que regem as danças. A autoridade máxima é a do rei do Congo, podendo essa dança ser associada às congadas. Sua roupa se distingue das outras e ele traz uma coroa na cabeça, feita de papelão, fibra natural ou lata, e uma vara, símbolo do seu poder. As rainhas e valsares têm capacetes feitos dos mesmos materiais e enfeitados com flores de papel colorido. Penas de arara também enfeitam a coroa do rei e os capacetes dos valsares. Uma fotografia tirada por Eurípedes Funes nos mostra uma imagem de São Benedito paramentada com um capacete semelhante ao dos valsares, encimado por penas.

Enfeites de penas em adereços de cabeça também são apontados por observadores das congadas feitas no século XIX em vários lugares do Brasil, principalmente em Minas Gerais. Veja-se, por exemplo, parte da descrição feita por Francis de Castelnau de uma congada que assistiu em Minas Gerais, em 1843:

A corte, em cujo traje se misturam todas as cores e os enfeites mais extravagantes, senta-se de cada lado do casal de reis; vem depois uma infinidade de outros personagens, os mais consideráveis dos quais eram sem dúvida grandes capitães, guerreiros famosos ou embaixadores de potências longínquas, todos paramentados à moda dos selvagens do Brasil, com grandes topetes de penas, sabres de cavalaria ao lado, e escudo no braço.15

Imagem de madeira de São Benedito fotografada por Eurípedes Antônio Funes, em “Nasci nas matas, nunca tive Senhor. História e memória dos mocambos do Baixo Amazonas”, tese de doutoramento apresentada ao departamento de História – FFLCH/USP, 1995, vol 1, Fig 9.

Mesmo que o cônsul francês tivesse percebido corretamente e “os selvagens do Brasil” tenham dado sua contribuição à festa negra, é muito mais plausível acreditar que a presença de penas na cabeça fosse contribuição dos africanos, considerando-se as informações a seguir.

Uma fotografia tirada em Angola ou no Congo belga antes de 1922 nos mostra um nganga, ou sacerdote, com uma imponente coroa de penas. Minkisi, objetos mágico-religiosos utilizados em amplas áreas da África Central, onde recebem nomes diversos dependendo da região, também freqüentemente traziam penas na cabeça. Como nos ensina Zdenka Volavkova, a confecção de um nkisi passava por dois momentos: aquele em que a madeira era esculpida, feita por um artesão, e um outro, no qual o nganga, especialista religioso, tornava a escultura portadora de forças sobrenaturais, nela inserindo, conforme ritos específicos, uma série de substâncias do mundo vegetal, animal e mineral, por meio das quais as forças sobrenaturais agiam.16 Era nesse momento, no qual a um objeto eram atribuídos poderes mágico-religiosos, que as penas eram colocadas nas cabeças das esculturas. Théophile Obenga diz que as penas ornamentando o penteado de algumas figuras com funções religiosas significavam que o objeto havia sido consagrado por um nganga.17 Segundo John Janzen, o uso de penas no alto da cabeça ou saindo fora de uma cabaça ou vasilha (muitos minkisi não eram figuras esculpidas mas recipientes que continham as substâncias que lhes davam os poderes sobrenaturais) é o indicador mais comum de uma aproximação com o mundo dos espíritos. Ainda segundo ele, muitos médiuns usam adereços de penas na cabeça para representar sua ligação com os espíritos.18 Também Wyatt MacGaffey informa que algumas vezes os minkisi eram equipados com penas que formavam um adereço de cabeça semelhante ao que o nganga podia usar, pois forças espirituais eram associadas a pássaros.19 Dessa forma, é evidente o lugar de destaque que as penas têm na confecção de objetos que ajudam a comunicação deste com o outro mundo no âmbito do universo cultural de povos bantos da África CentroOcidental, que engloba também o atual Camarões, já no limite com a região habitada por povos iorubás. Daí uma requintada veste usada em ritos religiosos divinatórios, composta de tecido azul anil arrematado com fios de fibra e enfeitada com conchas e búzios, à qual acompanha uma máscara de crocodilo encimada por uma tiara de penas.20

no130 (1988), p. 3.

Nganga, Angola ou Congo Belga, antes de 1922, em Wyatt Mac Gaffey “The eyes of understanding, Kongo minkisi”, Astonishment and Power (Washington, National Museum of African Art, The Smithsonian Intitution Press, 1993), p. 56.

Uma figura usada em ritos divinatórios entre os senufos, da atual Costa do Marfim, “coroada com uma carreira de penas”, indica que não só na área cultural banto as penas compõem objetos mágico-religiosos. As penas são, em muitas regiões da África, presença constante em ritos que permitem que o mundo dos homens e o dos espíritos se comuniquem. Nessa relação os chefes têm lugar importante, sendo a idéia de realeza sagrada disseminada por toda África sub-saariana. No golfo do Benim, em áreas nas quais predominavam grupos iorubás, como os chamamos agora, pássaros são insígnias de poder bastante freqüentes, estando presentes em telhados de moradias de chefes, em bastões de mando, em adereços de cabeça usados pelos chefes.21

Se lembrarmos ainda a presença constante de penas em cocares e outros adereços ameríndios, também associados a posições de poder temporal e religioso, e ainda a presença de plumas em chapéus de nobres e reis europeus (objetos altamente apreciados pelos chefes africanos e com lugar quase obrigatório nas negociações comerciais entre estes e os europeus), podemos pensar que estas penas, por estarem presentes em lugares equivalentes em diferentes culturas, tendem a manter um espaço na nova cultura que se forma a partir dos contatos encetados.22 Mas como a análise aqui proposta busca apenas fazer conexões entre a comunidade do Pacoval com os povos aos quais pertenceram seus antepassados, fixo meus olhos no mundo banto centro-ocidental, de onde veio, segundo Eurípedes Funes, a maioria dos africanos escravizados que ali se aquilombaram.

Nkisi Mbumba Maza, coletado em Cabinda antes de 1933, acervo do Museu do Homem de Paris. A escultura de madeira contém ingredientes ocultos na barriga e na cabeça, e outros ingredientes nela pendurados, como cabaça, pele de cobra, tiras de tecido, conchas, sementes, garras, chifre, fibra trançada. Cada um desses ingredientes tem uma função mágica que atribui ao nkisi sua força sobrenatural. Em Astonishment and Power, p. 70.

Nksi Nduda, coletado na área bacongo antes de 1893, acervo do Staatliches Museum für Völkerkunde, Munique, Alemanha. A escultura de madeira está coberta por tiras de peles de diversos animais, traz no pescoço uma fieira de pequenas bolsas de pano contendo ingredientes específicos e um adereço de penas atado à cabeça por uma tira de tecido. In Astonishment and Power, p. 72.

Pieu, amuleto da região dos Yakas, em Angola. In Sculpture Angolaise. Mémorial de cultures, Lisboa, Museu Nacional de Etnologia, Electa, 1994, p. 104.

Depois desse passeio por algumas regiões da África percebemos nos panos, cordões, contas e penas adicionadas às imagens encontradas no Pacoval por Otille Coudreau no início do século XX, e por Eurípedes Funes no fim do mesmo século, a expressão do encontro entre o catolicismo e as religiões bantos tradicionais. Se em 1901 as imagens da igreja do Pacoval foram comparadas a Quasímodos pela cientista francesa, o que a fotografia tirada no final do século XX nos mostra é um santo entalhado em madeira por mãos de artistas populares, como uma infini-ade de outros o foram, tendo como traço diferenciador o tufo de penas que enfeita seu capacete, semelhante ao dos valsares. Certamente ao longo dos anos novecentos a comunidade do Pacoval assumiu mais e mais feições brasileiras, distanciando-se de um passado africano que fora mais preservado enquanto o grupo evitou contatos muito intensos com a sociedade circundante, para a qual eram descendentes de escravos fugidos. Hoje em dia o que se destaca na religiosidade afro-católica dos moradores do Pacoval são as danças que acompanham as celebrações dos santos, e que não se restringem às comunidades negras, pois são característica marcante do catolicismo colonial conforme vivido na América portuguesa. Mas específicos das danças realizadas pelas comunidades afrodescendentes são os elementos africanos nelas presentes, como os ritmos, os passos, as letras das músicas, permeadas de palavras de origem africana, e símbolos que mesmo transformados remetem às suas raízes, como as penas na cabeça indicando uma ligação com o mundo do além.

O tema da dominação não pode deixar de estar presente quando falamos de sociedades afrodescendentes nas Américas, e certamente as atitudes dos representantes da sociedade senhorial, entre eles os agentes da Igreja, tiveram um papel fundamental nos processos de constituição de novas identidades e novas formas culturais a partir da diáspora africana. Mas foram os ajustes e opções empreendidos pelos africanos recém-chegados e pelos seus descendentes que definiram as feições das novas culturas que se criaram nas Américas. Nesse processo os santos, imagens do culto católico, absorveram sentidos e papéis das imagens e objetos usados nas religiões bantos tradicionais, o que já havia ocorrido na própria África, a partir da ação de missionários católicos romanos e da conversão ao catolicismo da elite dirigente do antigo reino do Congo, no final do século XV. Com a ocupação portuguesa de algumas áreas do território que ficou conhecido como Angola, missionários continuaram a agir naquelas regiões, sendo alguns dos elementos por eles introduzidos, com destaque para objetos usados em cultos religiosos, incorporados pelas populações nativas, que a eles acoplaram significados pertinentes às suas próprias tradições.

Kafigeledjo, oráculo usado em ritos divinatórios da etnia senufo, Costa do Marfim, final do século XIX, início do XX, acervo do Metropolitan Museum of Art, New York. A escultura de madeira é coberta por um tecido, alguns ingredientes pendem amarrados na altura do pescoço, um gancho de ferro e um osso de pássaro pendurados em parte do pano fazem as vezes de braços e mãos e a cabeça está coroada por penas e espinhos de porco-espinho. In Alisa LaGamma, Art and Oracle. African Art and Rituals of Divination, New York, Metropolitan Museum of Art, 2000, p. 27.

Se em territórios africanos, nos quais era pequeno o espaço ocupado pelos portugueses e seus agentes (entre eles os missionários), o catolicismo deixou discretos vestígios no período pré-colonial, na América portuguesa os africanos muitas vezes a ele se renderam, não sem recheá-lo de contribuições de suas religiões tradicionais. Na América eles eram obrigados pela violência, pela condição de escravos e de estrangeiros, a se sujeitarem às normas dos que mandavam – a administração colonial portuguesa, para a qual a religião católica era importante meio de dominação. Várias foram as formas pelas quais o catolicismo foi adotado por comunidades afrodescendentes, mas essa área de estudos recebeu, no geral, menos atenção do que os cultos religiosos derivados de tradições africanas. Nina Rodrigues e Arthur Ramos tratam com mais vagar das religiões afro-brasileiras e do conjunto cultural iorubano; Roger Bastide, quando aborda o catolicismo negro, é de maneira superficial, ignorando as motivações das comunidades negras e tomando o catolicismo apenas como uma imposição do universo senhorial, incorporada geralmente para servir de disfarce a ritos de origem africana. Também Pierre Verger, por focar apenas a Bahia e a África Ocidental, na qual a penetração das religiões cristãs só se deu após o término do tráfico de escravos, não aborda o cristianismo negro e suas relações com o catolicismo africano dos bantos da África Centro-Ocidental. Só Robert Slenes, mais recentemente, tem se aprofundado no estudo dos povos desta região e chamado a atenção para o fato de que muitos escravos que de lá vieram já tinham incorporado elementos de um catolicismo africano, termo cunhado por John Thornton.23 Eu mesma, seguindo as trilhas abertas principalmente por esses dois autores, venho pensando acerca de alguns aspectos do catolicismo africano e do catolicismo afro-brasileiro.24

É essa preocupação que me faz prestar atenção no espanto e repulsa de Otille Coudreau diante das imagens que viu na igreja do mocambo à beira do rio Curuá, associadas a Quasímodos, aberrações que feriam sua sensibilidade estética educada na Europa, com a qual se orientava no mundo. Bem antes de ela viver essa experiência na Amazônia brasileira, outros europeus tinham tido reações muito parecidas diante dos minkisi, que chamavam de “fetiches”, ou de “imagens demoníacas”, como a essas figuras se referiu Olfer Dapper (cujo livro foi publicado em 1676), “rudemente esculpidas em madeira e cobertas de trapos sujos”, como disse J. K. Tuckey em 1816, e com aparência feroz, no entender de H. M. Stanley, em 1895. O tenente Tuckey comparou essas imagens com espantalhos, e missionários católicos e batistas do final do século XIX chamaram-nas de indecentes e francamente obscenas.25

Um século depois de Coudreau, no Brasil, e de alguns missionários que viveram na África Centro-Ocidental terem tomado conhecimento dessas imagens, podemos tentar nos despir do etnocentrismo existente em todas as culturas e tempos e buscar entender as motivações prováveis por trás das opções feitas pelos grupos e pelas pessoas. Nesse sentido, os estudos sobre os minkisi centro-africanos lançam novas luzes sobre os santos envoltos em panos gastos, com colares de contas e sementes e adereços de penas na cabeça. À maneira das penas colocadas na cabeça dos baganga (plural de nganga) e dos minkisi, o adereço de cabeça do São Benedito fotografado no mocambo do Pacoval reforça a conexão entre este mundo e o outro, a relação dos homens com o além, permitida pelo objeto mágico-religioso, seja ele um santo católico, um nkisi, ou um produto mestiço do encontro entre as diferentes culturas. Na virada do século XIX para o XX, as imagens dos santos católicos cultuados por comunidades afrodescendentes que viviam num grau significativo de isolamento, mantendo tradições e maneiras de pensar e sentir próximas das de suas culturas de origem, deviam guardar mais proximidade dos minkisi do que hoje em dia.

Considerando que desde o século XVI missionários católicos viviam entre povos da região do antigo reino do Congo e de Angola, onde se desenvolveram formas africanas de catolicismo e houve a incorporação de objetos do culto cristão às religiões tradicionais, percebemos que as mestiçagens culturais nas quais o catolicismo é o elemento dominante podiam estar em curso antes da escravização e da travessia do Atlântico. Com isso em mente, não é difícil aceitar que os panos e colares que envolviam os santos dispostos ao redor da igreja do mocambo visitado por Coudreau estavam mais próximos dos elementos equivalentes que compunham os minkisi, atribuindo-lhes certos poderes, do que das vestes e jóias que envolviam os santos que habitavam os altares dos senhores, que por sua vez também se inseriam no pensamento mágico que permeava a vida cotidiana da Europa pré-iluminista. Santos e minkisi eram objetos de ligação com o mundo do além, de onde vinha a solução para os problemas deste mundo.

Enquanto na cultura popular ibérica, na qual o catolicismo se misturou a tradições pagãs, os santos eram invocados para afastar epidemias de peste e pragas das plantações, trazer chuva e curar as pessoas, os minkisi, divididos em várias categorias e com especializações próprias, eram chamados a identificar malfeitores, curar ou provocar doenças, garantir a fertilidade da terra e das mulheres. Constituídos por esculturas, vasilhames ou amarrações, recebiam em ritos conduzidos pelos baganga ingredientes que os tornavam portadores de poderes próprios dos espíritos da natureza ou dos antepassados. A eles os santos católicos levados para a África pelos missionários foram associados. Na América, ao reconstituir suas formas de organização e relação com as coisas do mundo terreno e sobrenatural, os africanos e seus descendentes recorreram aos santos católicos para neles imprimir elementos de suas crenças tradicionais, utilizando-se dos espaços permitidos pela sociedade escravista, tal como fizeram com os festejos em torno de um rei negro.

Ao terem que construir novas instituições, os grupos heterogêneos de africanos escravizados recorreram não apenas aos saberes trazidos por determinados indivíduos, mas também ao que havia de comum aos sistemas cognitivos das pessoas pertencentes a grupos étnicos diversos. Nessa dinâmica entre uma “gramática da cultura” que serviu de base às novas formações e à ação de pessoas particulares, portadoras de conhecimentos adquiridos em suas terras natais, as penas muitas vezes foram mantidas como veículos de ligação entre este mundo e o além. Por outro lado, ao terem que se inserir numa sociedade dominada pelo colonizador cristão, que impunha sua religião, traduziram-na para seus próprios termos, atribuindo aos santos significados inacessíveis àqueles que não partilhavam seus códigos culturais. Dessa forma, os elementos da cultura dominante de origem européia, ao serem incorporados pelas comunidades afrodescendentes, receberam sentidos por elas criados. O caso aqui analisado é exemplo de como o estranhamento pode ser uma boa pista para se alcançar significados não evidentes, como nos ensinou Carlo Ginzburg.

Notas:

1 Nina Rodrigues, Os africanos no Brasil, 3a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1945; Melville Herskovits, The myth of the negro past, Boston, Beacon Press, 1990.

2   Roger Bastide, Les réligions africaines au Brésil, Paris, Presses Universitaires de France, 1960; e As Américas negras, as civilizações africanas no Novo Mundo, São Paulo, Difel, Editora da Universidade de São Paulo, 1974; Artur Ramos, Introdução à Antropologia Brasileira, Rio de Janeiro, Edição da Casa do Estudante do Brasil, 1943, e As culturas negras no Novo Mundo, 4a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1979; Edison Carneiro, Antologia do negro brasileiro, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1962; Pierre Verger, Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo de Benin e a Bahia de Todos os Santos, São Paulo, Corrupio, 1987.

3 Sidney Mintz e Richard Price, The birth of African-American culture, an anthropological perspective, Boston, Beacon Press, 1992.

 

4   Marina de Mello e Souza, Reis negros no Brasil escravista, história da festa de coroação de rei congo, Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.

5 John Thornton é um pesquisador que tem dado contribuição decisiva para o estudo do catolicismo na África Centro-Ocidental. Suas posições, freqüentemente iluminadoras, podem ser conhecidas em diversos artigos e livros sobre o tema como “The development of an African Catholic Church in the Kingdom of Kongo, 1491-1750”, Journal of African History, no 25 (1984), pp. 147-167; “Early Kongo-Portuguese relations: a new interpretation”, in David Henige (org.), History in Africa, a journal of method, nº 8 (1981), pp. 183-204; e Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400-1680, Cambridge, Cambridge University Press, 1992.

6 Silvia Lara, em “Significados cruzados: as embaixadas de congos na Bahia setecentista”, in Maria Clementina P. Cunha (org.), Carnavais e outras f(r)estas, (Campinas, Cecult/Editora Unicamp, 2001), pp. 71-100, faz uma análise nessa direção, servindo de guia em alguns aspectos da minha interpretação das festas de reis congos em geral.

7 No livro mencionado eu utilizo a noção de “rei congo” como de um elemento aglutinador de diferentes grupos africanos e afrodescendentes no âmbito do processo de constituição de novas identidades. Manifestação que ganha vigor entre os grupos bantos, os festejos de reis do Congo traziam para os africanos a memória da terra natal, mitificada, e para os colonizadores a lembrança de um império que dominou os mares, o comércio, e que se empenhou em disseminar a palavra de Cristo.

8   Ver entre outros textos, de João José Reis, “Magia jeje na Bahia: a invasão do Calundu do Pasto de Cachoeira, 1785”, Revista Brasileira de História, v. 8, no16 (1988), pp. 57-81, e “Nas malhas do poder escravista: a invasão do candomblé do Accu”, in João José Reis e Eduardo Silva, Negociação e conflito, a resistência negra no Brasil escravista, São Paulo, Companhia das Letras, 1989, pp 32-61; de Luis Mott, “Acotundá: raízes setecentistas do sincretismo afro-brasileiro”, in Escravidão, homossexualidade e demonologia, São Paulo, Ícone Editora, 1988, pp. 87-114; “O calundu-angola de Luzia Pinta: Sabará, 1739”, Revista IAC, no1 (1994), pp.73-82; de Laura de Mello e Souza, “Revisitando o calundu”, in Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro (orgs.), Ensaios sobre a intolerância, inquisição, marranismo e anti-semitismo (homenagem a Anita Novinski) (São Paulo, Humanitas, Fapesp, 2002), pp. 293-317.

9 João José Reis é autor que tem pensado sobre o tema da tensão existente entre a permissão e a repressão de práticas das comunidades negras no Brasil em momentos diferentes e sob o mando de administradores com posições diversas, como por exemplo em “Nas malhas do poder escravista”.

10 A carta do conde de Povolide, José da Cunha Grã Ataíde e Mello (1734-1792), está transcrita em nota do artigo de Robert C. Smith, “Décadas do Rosário dos Pretos. Documentos da irmandade”, Arquivos, no 1-2 (1945-1951), sendo que o autor o confunde com Martinho de Mello e Castro (1716-1795), estadista português que sucedeu a Pombal e nunca foi governador de Pernambuco. Atualizei a grafia e pontuação da carta.

11 João Antonio Andreoni (André João Antonil), Cultura e opulência do Brasil, 2a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1966, p. 164.

12 Otille Coudreau, Voyage au Rio Curua, 20 nov. 1900 7 mars 1901, Paris, A. Lahure ImprimeurEditeur, 1903, p. 19.

13 Aqui mocambo é uma aldeia de negros, geralmente remanescente de quilombos, que também eram conhecidos como mocambos. Para o caso específico do mocambo do Pacoval ver o estudo de Eurípedes Antonio Funes, “‘Nasci nas matas nunca tive senhor’. História dos mocambos do baixo Amazonas” (Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, 1995); e artigo com o mesmo título in João José Reis e Flávio dos Santos Gomes (orgs.), Liberdade por um fio, história dos quilombos no Brasil (São Paulo, Companhia das Letras, 1966), pp. 467-497.

14 Conforme Funes, “‘Nasci nas matas nunca tive senhor’”, p. 34.

15 Francis de Castelnau, Expedição às regiões centrais da América do Sul, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1949, p. 172.

16 Ver Zdenka Volavkova, “Nkisi figures of the Lower Congo”, African Arts, no 5 (2) (1972), p. 56. Para uma explicação sobre os minkisi, ver Wyatt MacGaffey, “The eyes of understanding Kongo minkisi”, in Astonishment and Power (Washington, National Museum of African Art, The Smithsonian Institution Press, 1993), p. 56, e An Anthology of Kongo Religion: primary texts from lower Zaire, Lawrence, University of Kansas, 1974.

17 Théophile Obenga, “Sculpture et société dans l’ancien Congo”, Dossiers Histoire et Arqueologie

18 John M. Janzen, “14 Figure (nkisi)”, in Expressions of Belief, New York, Rizzoli, 1988.

19 Wyatt MacGaffey, “Complexity, astonishment and power: the visual vocabulary of Kongo minkisi”, Journal of Southern African Studies, vol. 14, no 2 (1988), p.193.

20 A roupa está num museu em Dresden e pode ser vista no livro de Alisa LaGamma, Art and Oracle. African Art and Rituals of Divination, New York, Metropolitan Museum of Art, 2000, p. 57.

21 Ver Suzanne Preston Blier, Royal Arts of Africa. The majesty of form, London, Laurence King Publishing, Calman & King, 1998.

 

22 Um dos muitos pontos para os quais o parecerista anônimo da Afro-Ásia abriu meus olhos foi este, relativo à abrangência da presença de penas e pássaros em insígnias de poder.

23 Principalmente em Africa and Africans in the making of the Atlantic World.

24 Em Reis negros no Brasil escravista. História da festa de coroação de rei congo; “Santo Antonio de nó-de-pinho e o catolicismo afro-brasileiro”, Tempo, vol. 6, no 11, (2001) pp. 171188; e “História, mito e identidade nas festas de reis negros no Brasil séculos XVIII e XIX”, in István Jancsó e Iris Kantor (orgs.) Festa. Cultura a sociabilidade na América portuguesa (São Paulo, Hucitec / Edusp, 2001), pp. 249-260.

25 Conforme Volavkova, “Nkisi figures of the Lower Congo”, p. 52.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/catolicismo-negro-no-brasil-santos-e-minkisi-uma-reflexao-sobre-miscigenacao-cultural/

Fernando Pessoa

COMO TUDO COMEÇOU

1888: Nasce Fernando Antônio Nogueira Pessoa, em Lisboa.
1893: Perde o pai.
1895: A mãe casa-se com o comandante João Miguel Rosa. Partem para Durban, África do Sul.
1904: Recebe o Prêmio Queen Memorial Victoria, pelo ensaio apresentado no exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança.
1905: Regressa sozinho a Lisboa.
1912: Estréia na Revista Águia.
1915: Funda, com alguns amigos, a revista Orpheu.
1918/1921: Publicação dos English Poems.
1925: Morre a mãe do poeta.
1934: Publica Mensagem.
1935: Morre de complicações hepáticas em Lisboa

VOLTA AMANHÃ, REALIDADE

Lisboa. 26 de Novembro de 1935. Pessoa encerra o expediente no escritório de import-export e segue para casa. Debaixo do braço, sempre a sua pasta de cabedal. Antes de chegar ao seu andar na rua Coelho da Rocha, passa pelo bar do Trindade, logo na esquina. Rotina. O amigo vende-lhe fiado.

Chega-se ao balcão e diz: – 2, 8 e 6.

Trindade serve-o: fósforos, um maço de cigarros e um cálice de aguardente. No olhar, cumplicidade. Os fósforos custam 20 centavos, os cigarros 80 e um cálice de aguardente 60.

Pessoa simplifica: 2, 8, e 6 tostões. Trindade já está acostumado. O poeta acende um cigarro e bebe o cálice, um trago só. Retira da pasta uma garrafa vazia, preta. Entrega-a ao Trindade que, discretamente, a devolve cheia.

Com a pretinha bem guardada, Pessoa despede-se. Sai aos tropeções e a recitar:

Bêbada branqueia
Como pela areia
Nas ruas da feira,
Da feira deserta,
Na noite já cheia
De sombra entreaberta.
A lua branqueia
Nas ruas da feira
Deserta e incerta…

A MINHA ALMA PARTIU-SE COMO UM VAZO VAZIO

No quarto passa a noite debruçado à secretária. Confundimo-lo com os livros, papéis, também lápis minúsculos que só ele consegue manusear. O cinzeiro cheio de pontas de cigarro.

Escreve, compulsivamente, ao jovem amigo Casais Monteiro:

“…Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.) Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, carácter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida-real. Esta tendência, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de música com que me encanta, mas não alterando nunca a sua maneira de encantar.”

A carta vai a todo o vapor quando Pessoa começa a receber visitas inesperadas. Caeiro, Reis Campos e Soares. Têm planos, e querem levá-los ao conhecimento do grande poeta. Chegam um a um. É madrugada e já estão todos reunidos. São surpreendidos por um Pessoa emocionado, papéis em punho.

Terá recebido más notícias? perguntam, preocupados. O poeta tenta desconversar. É confuso, perde-se nas palavras, coisa que nunca acontecera antes. Mas também nunca recebera visitas em tão adiantada hora. Muito menos sem combinação prévia. É obra do “Grande Arquiteto do Universo”, pensa.

Então que se cumpra o destino… Aos solavancos:

– Adiei a verdade quanto pude. É chegada a hora de deixar cair a máscara.

Os quatro ansiosos. Quem está sentado levanta-se, quem está de pé senta-se ou passeia pelo quarto.

Pessoa e o seu discurso enviesado, interrompido por dores e gemidos:

– Numa carta confidenciava a um amigo tudo o que agora sinto que devo dizer-vos.

Um gole de coragem e solta:

– Vocês não existem.

Consternação na assistência.

– É isso, vocês não são mais que personagens da minha criação. Morro e levo-os comigo.

– Só pode ser delírio. Desatino. (diz Álvaro de Campos, ofendido).

– Vou-lhes contar como tudo aconteceu. “Num dia em que finalmente desistira – foi em 8 de Março de 1914 – acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. (…) E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio também, os seis poemas que constituem a Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa. Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir – instintiva e subconscientemente – uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nesta altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num ato, e à máquina de escrever, sem interrupção, nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de Álvaro Campos – a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.”

– Então, todo este tempo não passámos de uma mentira? (pergunta Ricardo Reis).

Bernardo Soares responde:

O poeta é um fingidor
Mente tão completamente
Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente. – Pois esta é a chave, explica Pessoa.- Não aceito. Morra em paz o meu criador, porque eu cá continuarei vivinho, poetando como sempre (desafia Álvaro de Campos).

– Arre! Que a criação agora vira-se contra o próprio criador. Deveria ter suspeitado (lamenta-se Pessoa). E quanto a si, Caeiro?

Gosto de tudo que seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo Álvaro de Campos:

– Não entendo a sua complacência. Não está a ver, Caeiro, que Pessoa usou-nos e, principalmente, usou-o. Compelido a vencer o seu subjetivismo lírico decadentista, venceu-o de forma tão súbita e agressiva que não teve remédio senão dar um nome a esse crítico. É ai que você surge, para salvá-lo.

Caeiro não esconde seu desgosto.

Pessoa então revela:

– Escrevi, com sobressalto e repugnância, o poema oitavo do Guardador de Rebanhos, com a sua blasfêmia infantil e antiespiritualista. A cada personalidade que consegui viver dentro de mim, dei uma índole expressiva, e fiz desta personalidade um autor, com livros, com as ideias, as emoções, e a arte dos quais eu, autor real, nada tenho, salvo o ter sido, no escrevê-las, o médium de figuras que eu próprio criei.

– Você não tinha esse direito (insiste Campos).

Ainda Pessoa:

– Negar-me o direito de fazer isto seria o mesmo que negar a Shakespeare o direito de dar expressão à alma de Lady Macbeth. Se assim é das personagens fictícias de um drama, é igualmente lícito das personagens fictícias sem drama, pois que é lícito porque elas são fictícias e não porque estão num drama. Parece escusado explicar uma cousa de si tão simples e intuitivamente compreensível. Sucede, porém, que a estupidez humana é grande, e a bondade humana não é notável.

Ricardo Reis, que assistira mudo à revelação, pergunta:

– Mas por que é que você nos inventou? Qual a origem de tudo?

Pessoa, pacientemente, tenta explicar-lhe:

– É o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurastênico. Seja como for, a vossa origem mental está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação. Se eu fosse mulher – na mulher os fenómenos histéricos rompem em ataques e coisas parecidas – cada poema do Álvaro de Campos (o mais histérico de mim) seria um alarme para a vizinhança. Mas sou homem – e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em silêncio e poesia…

A resposta não convence, não agrada. Longe está o tempo em que fora loquaz. Agora fazem-lhe ouvidos moucos. Pessoa é todo angústia. O silêncio que o rodeia. A incompreensão, mágoa e até o desprezo dos seus outros “eu”. Vira-se para um último apelo. Fica só com a sua verdade.

VOU EXISTIR

Quando pensa deitar-se, já é outro dia. Batem à porta. É o “sô” Manacés, o barbeiro. Pessoa mal lhe dá os bons-dias. O pigarro prende-lhe a fala. Calças a cair do corpo, aponta para a pretinha. Manacés compreende o sinal. Vai ao Trindade enchê-la, ainda nem afiara a navalha. Barba feita, o poeta vai para o escritório. Faz algumas traduções. Almoça no Martinho da Arcada e, antes de voltar ao trabalho, entra numa taberna, meio titubeante. Pensa no seu médico que o proibira de beber.

Então questiona-se:

Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?
Não: vou existir. Arre! vou existir.
E-xis-tir…
E-xis-tir…
Dêem-me de beber, que não tenho sede!

Noite de 27 para 28 de Novembro. Pessoa encolhido na sua cama, as mãos a pressionarem o abdómen, cólica hepática. Geme, dor. Manhã de 28. Pessoa é transportado para o Hospital de S. Luís dos Franceses. A dor aperta, sufoca. O poeta agoniza. Implora pelo fim de tanto sofrimento. Aplicam-lhe um analgésico. Sob o efeito da droga, reflete sobre a vida que ameaça escapar-lhe agora.

Ó MÁGOA REVISITADA

1888. 13 de Junho. Dia de Santo António, padroeiro da cidade. 15h20. As ruas de Lisboa tomadas por uma procissão. No número 4 do Largo São Carlos a agitação é ainda maior. A açoriana Maria Magdalena Pinheiro Nogueira banhada em suor. Crava os dedos no travesseiro, dores de parto. O marido, Joaquim de Seabra Pessoa, põe-se a ouvir música nas traseiras da casa. Lá fora um Padre reza missa. Dentro do quarto, um bebé a chorar. Nasce Fernando António Nogueira Pessoa. O sol em Caranguejo. “Será uma criança dotada de sensibilidade e humanismo”, arrisca uma das tias.

Aos seis anos perde o pai, funcionário público do Ministério da Justiça e crítico de música do Diário de Notícias. Pouco depois morre o irmão Jorge, com pouco mais de seis meses. Muito cedo a solidão no dia-a-dia de Pessoa.

Inventa um amigo: um certo Chevallier de Pas, por quem escreve cartas dele a ele mesmo.

Aos sete anos muda-se para Durban. A mãe casara, por procuração, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal na colônia inglesa de Natal, África do Sul. Deste casamento nascem cinco filhos. Uma nova família para Pessoa. Viverá naquela cidade até aos 17 anos. Em 1896 entra para West Street, onde tem aulas de inglês e faz a sua primeira comunhão. Em escolas inglesas aprende técnicas de comércio. Destaca-se como um dos melhores alunos. Em 1904 conclui a sua Intermediate Examination em Artes. Ganha o prêmio Rainha Vitória de estilística inglesa no exame de admissão à Universidade do Cabo. Escreve poesia e prosa, sempre em inglês. Lê Milton, Byron, Shelley, Tennyson e Poe. Conhece Pope e a sua escola.

1905. Pessoa decide voltar a Lisboa para fazer o Curso Superior de Letras. Parte a bordo do navio alemão Herzog. Instala-se na casa de sua avó Dionísia. A língua portuguesa revela-se como “estrangeira”, com a novidade do “estranho”, se bem que a entenda perfeitamente. Ou seja, ao seu ouvido o português não está ainda desgastado pelo uso quotidiano, bom dia, boa tarde, como está? passou bem? e a mãezinha está melhor? está melhorzinha, muito obrigado ! É um bloco de mármore que apetece esculpir, literatura. Inscreve-se no curso. Descobre Cesário Verde e Baudelaire.

1907. Desiste do curso.

A avó morre. Com a herança, Pessoa monta uma tipografia: Ibis-Tipográfica Editora-Oficinas a Vapor. Mal chega a funcionar. Frustração.

Falhei em Tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa…

O poeta entra no comércio como tradutor de cartas e depois correspondente estrangeiro. Monotonia. Dá as suas escapadelas sempre que pode.

Levanta-se, pega no chapéu e avisa: “Vou ao Abel”.

O seu chefe descobre que afinal o Abel é o depósito da casa vinícola Abel Pereira da Fonseca, onde Pessoa vai tomar uns copos de aguardente. É apanhado “em flagrante delitro”. O chefe não se importa, pois “volta sempre mais em forma para trabalhar”. O emprego é a meio-tempo.

A outra metade é para a literatura: Camões, António Vieira, Antero de Quental e os simbolistas. Começa a escrever versos em português. Surge a Renascença Portuguesa, movimento saudosista de Teixeira de Pascoaes. No Porto, o grupo funda a revista Águia. Pessoa colabora. Publica uma série de artigos, entre os quais “A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada”.

Também faz crítica no semanário Teatro. Trava amizade com Mário de Sá-Carneiro, Luís de Montalvor, Armando Cortes-Rodrigues, Raul Leal, António Ferro, Alfredo Guisado e o pintor Almada Negreiros.

Não falta às tertúlias: Café Chiado, Montanha, A Brasileira, Os Irmãos Unidos.

Com este grupo Pessoa funda o Orpheu, revista de vanguarda em sintonia com os novos movimentos europeus: futurismo, orfismo, cubismo… A publicação revela nomes como Santa-Rita Pintor e Ângelo de Lima, poeta marginal internado em manicómio. Orpheu não chega ao terceiro número. Porém bastaram dois para afrontar os conservadores das Letras.

Farto do misticismo transcendental, Pessoa sente-se recompensado.

A um amigo escreve: Em ninguém que me cerca eu encontro uma atitude para com a vida que bata certo com a minha íntima sensibilidade, com as minhas aspirações, com tudo quanto constitui o fundamental e o essencial do meu íntimo ser espiritual.

Encontro, sim, quem esteja de acordo com atividades literárias que são apenas dos arredores da minha sinceridade. E isso me basta. De modo que à minha sensibilidade cada vez mais profunda, e à minha consciência cada vez maior da terrível e religiosa missão que todo o homem de génio recebe de Deus com o seu génio, tudo quanto é futilidade literária, mera arte, vai gradualmente soando cada vez mais a oco e a repugnante.

OS OUTROS POETAS

1914. Pessoa conhece Alberto Caeiro, homem “louro sem cor, olhos azuis”. Nascera em Lisboa em 1888, mas vive no Ribatejo. Não tem profissão. Instrução, pouca. Da quinta de uma velha tia lança o seu olhar sobre o mundo. Simples, bucólico, escreve O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e uma parte dos Poemas Inconjuntos.

Em carta a um amigo, Pessoa revela: Desculpe-me o absurdo da frase: Aparecera em mim o meu mestre.

(…) Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me: Aqui estou!

Pessoa respira e transpira poesia, atrai os poetas. Conhece o vanguardista Álvaro de Campos, autor de Ode Triunfal, Ode Marítima e de Ultimatum. Sujeito alto, cabelo pró liso, risca ao lado, monóculo. Nascera em Tavira em 1890. Concluíra o liceu em Portugal e depois seguira para Glasgow na Escócia, onde se formara em engenharia mecânica e naval. Escrevera Opiário, poema irônico sobre o ópio, o exotismo, decadência. Em Lisboa, dedicara-se apenas à literatura, e às polêmicas modernistas. Escrevera também em alguns jornais sobre a atualidade política. Para Pessoa, Álvaro não passava de um tardo-simbolista blasé, burguês culto e entediado. Campos também é discípulo de Caeiro. Mas ao contrário da serenidade de Caeiro, opta pela ética do dinamismo e da violência.

Ah! a selvajaria desta selvajaria! merda
Pra toda a vida como a nossa, que não é nada disto!
Eu pr’aqui engenheiro, prático à força, sensível a tudo,
Pr’aqui parado, em relação a vós, mesmo quando ando;
Mesmo quando ajo, inerte; mesmo quando me imponho, débil;
Estático, quebrado, dissidente, cobarde da vossa Glória,
Da vossa grande dinâmica estridente, quente e sangrenta!

Pessoa dedica-se por inteiro às novas amizades. O convívio com poetas tão distintos dá mais cor ao seu dia-a-dia cinzento. Um outro escritor fará parte deste rol de artistas. Num destes restaurantes de pasto,(…) o poeta conhece um homem que aparentava 30 anos, magro, mais alto que baixo, curvado exageradamente quando sentado. Passaram a cumprimentar-se e logo se tornam amigos. Soares dá ao poeta o seu Livro do Desassossego, um conjunto de escritos, de fronteiras pouco nítidas, entre fragmento autobiográfico, a confissão, a introspecção psicológica, a descrição paisagística, a reflexão, o poema em prosa.

Pessoa tem uma desavença com Campos. A jovem Ophélia Queiroz, que conhecera num dos escritórios da Félix Valadas & Freitas, está na origem do conflito. Aos 20 anos ela desperta logo o interesse no poeta. A relação estremece quando Pessoa e Ophélia começam a namorar. Passeiam de mãos dadas, trocam cartas e bilhetinhos. Ela sente-se hostilizada pelo amigo de Fernando. Campos teme que, por causa de Ophélia, Pessoa se distancie da poesia. Talvez influenciado pelo apelo, Pessoa acaba por desistir do romance.

Ah! a selvajaria desta selvajaria! merda
Pra toda a vida como a nossa, que não é nada disto!
Eu pr’aqui engenheiro, prático à força, sensível a tudo,
Pr’aqui parado, em relação a vós, mesmo quando ando;
Mesmo quando ajo, inerte; mesmo quando me imponho, débil;
Estático, quebrado, dissidente, cobarde da vossa Glória,
Da vossa grande dinâmica estridente, quente e sangrenta!

Junho de 1914. Outro poeta surge na vida de Pessoa. Já soubera da sua existência dois anos antes. Ricardo Reis, estatura média, embora frágil não parecia tão frágil como era, de um vago moreno mate. Um ano mais velho que Pessoa, este médico portuense é defensor da monarquia, passa um tempo exilado no Brasil depois da proclamação da República. Tradicional, conservador, parte do classicismo para abordar a inquietação humana, interrogar o sentido do Universo.

Escreve intensamente: onze odes num mês.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
E outrora compúnhamos
Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando nós pensamos
Naquilo que já fomos.
E há só noite lá fora.

Pessoa dedica-se por inteiro às novas amizades. O convívio com poetas tão distintos dá mais cor ao seu dia-a-dia cinzento. Um outro escritor fará parte deste rol de artistas. Num destes restaurantes de pasto,(…) o poeta conhece um homem que aparentava 30 anos, magro, mais alto que baixo, curvado exageradamente quando sentado. Passaram a cumprimentar-se e logo se tornam amigos. Soares dá ao poeta o seu Livro do Desassossego, um conjunto de escritos, de fronteiras pouco nítidas, entre fragmento autobiográfico, a confissão, a introspecção psicológica, a descrição paisagística, a reflexão, o poema em prosa.

Pessoa tem uma desavença com Campos. A jovem Ophélia Queiroz, que conhecera num dos escritórios da Félix Valadas & Freitas, está na origem do conflito. Aos 20 anos ela desperta logo o interesse no poeta. A relação estremece quando Pessoa e Ophélia começam a namorar. Passeiam de mãos dadas, trocam cartas e bilhetinhos. Ela sente-se hostilizada pelo amigo de Fernando. Campos teme que, por causa de Ophélia, Pessoa se distancie da poesia. Talvez influenciado pelo apelo, Pessoa acaba por desistir do romance.

MISTÉRIO

1916. Mário de Sá-Carneiro suicida-se em Paris. Pessoa atordoado. Em carta à sua tia Anica diz ter sentido o suicídio à distância. Tormentos. Começa a procurar respostas nas ciências ocultas. “Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos e em existências de diversos graus de espiritualidades”, revela. Entusiasma-se com as Sociedades secretas (Rosa-Cruz, Maçonaria, Templários). Conhece o espiritismo, a magia, a cabala. Traduz para o português muitos livros da Coleção Teosófica e Esotérica. Sob a influência do ocultismo escreverá O último sortilégio e Além-Deus. Inicia-se e cultiva, sobretudo, a astrologia. Pensa até em estabelecer-se em Lisboa como astrólogo encartado. Caeiro é contemplado com um mapa astral feito pelo poeta.

A poesia de Pessoa começa a despertar o interesse de críticos. O Times e o Glasgow Herald dedicam espaço às duas plaquettes de poemas ingleses publicados em 1918. Escreve nas mais importantes revistas literárias portuguesas. Em Contemporânea publica O Banqueiro Anarquista, Mar Português, O Menino da Sua Mãe, Lisbon Revisited…

Em 1928 intervém na política. No Interregno (manifesto político do Núcleo de Ação Nacional) o poeta defende a ditadura salazarista. Um equívoco. Pessoa não alinha com o despotismo e o ultranacionalismo do regime vigente. Mais tarde, compõe três textos de sátira ao Estado Novo.

Um deles dirigido ao seu próprio chefe:

António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular…
António é António
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está tudo bem.
O que não faz sentido
É o sentido que isso tudo tem.

No mesmo ano Pessoa mete-se na publicidade.

A Coca-Cola acaba de entrar no mercado português e o poeta fica encarregado de criar um slogan para o produto: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. A mercadoria vende como água. Mas proíbem a sua representação em Portugal. A Direção de Saúde entende que o slogan é o próprio reconhecimento da sua toxidade.

Nos anos seguintes Pessoa mergulha na astrologia. Inicia correspondência com o mago inglês Aleister Crowley, famoso em todo o mundo. Crowley vem a Lisboa para conhecer Pessoa e desaparece misteriosamente. Pessoa colabora na solução do que a polícia passa a chamar de crime.

A respeito de toda esta confusão, Pessoa escreve a um amigo: “O Crowley, que depois de suicidar-se passou a residir na Alemanha, escreveu-me há dias e perguntou-me pela tradução, ou antes, pela publicação da tradução.” Pessoa refere-se à poesia do mago, “Hino a Pã”, que ele publica em 1931.

1934. Pessoa publica Mensagem, poema sobre a história de Portugal. Esotérico, místico. Será o único volume dos seus versos em português, publicado durante a sua vida. Ganha o prêmio da segunda categoria do Secretariado de Propaganda Nacional.

DESENCONTRO

1935, 30 de Novembro. Inquieto, a remexer-se na cama, Pessoa arde em febre

Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Estou hoje vencido, como soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer.

O capelão tenta acalmá-lo. Ele insiste em chamar Caeiro, Reis, Campos e Soares. Como que ouvindo o chamamento do seu criador, os poetas seguem para o hospital. Pessoa em agonia. Repuxa o lençol, contrai-se. Dá-me os óculos, os meus óculos, pede. Prepara-se para o último olhar sobre a sua criação. E eles que não chegam. Mas pressente, eles vêm, Ah se vêm.

Caeiro, Reis, Campos e Soares entram de rompante. Porém tarde, já morto o poeta.

Sobram uns rabiscos num papel:

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido,
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo.
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/fernando-pessoa/

Os 72 shikigamis – 鎮宅霊符

Por Robson Bélli

Shikigamis são servidores, e espíritos locais criados pelos magistas japoneses com base no momento que são feitos (usando a astrologia) e consagrados também da mesma maneira com os mesmos critérios.

O feitiço deve ser escrito em um papel virgem de arroz devidamente purificado pela fumaça de um incenso de Hossenko ou Hakubaikou, consagrado para tal fim em nome de Inari Okami, feita sua consagração no primeiro dia do ano novo chinês, a tinta nanquim nunca deve ter sido usada anteriormente sendo nova e consagrada para esta magia especificamente purificado pelo incenso consagrado a Ryujin, e a agua usada para dissolver o Nankin deve ter sido colhida de fonte natural durante a lua nova (consagrada a Owatatsumi), devendo estes feitiços serem feitos a meia noite do segundo dia de lua cheia.

O pincel (Fude) deve ser feito de pelos de cavalo ou raposa (estes últimos são muitíssimo raros nos dias de hoje) obrigatoriamente e seu cabo de bamboo genuíno, e o pincel deve ser consagrado a Amaterassu, assim seus decretos tendem a ser obedecidos.

Todo esse ritual deve ser feito sob a luz do luar.

Quanto tiver todos os itens devidamente consagrados, no dia e hora adequados faça um banimento japonês do pentagrama, ajoelhe-se e comece a escrever o feitiço, (nesta noite você poderá escrever quantos feitiços você quiser, desde que sejam do mesmo tipo), ao finalizar o ultimo, o magista deve segurar um papel em riste com o indicador e dedo médio da mão direita, dizendo o nome do feitiço, que são por sua vez as palavras de ativação, e ao final emitir um sonoro Yoshhhh, enquanto queima este ultimo papel feito na noite, assim ativando o feitiço e o espirito servidor demoníaco conhecido em japonês como Shikigami.

Abaixo segue uma lista dos nomes dos shikigamis que são suas devidas palavras de ativação, o nome também da uma boa dica de para que eles servem.

Contatos com o autor para duvidas: robsonbelli@hotmail.com

<霊的浄化>purificação espiritual

 

01 鳴動

02 混迷

03 執着

04 怪風

05 水濁

06 節制

07 陰陽

08 悲観

09 凶悪

10 予感

11 憑依

12 安定

13 警戒

14 門戸

15 精霊

16 運命

17 万物

18 邪霊

19 雷光

20 清浄

21 血濁

22 恐怖

23 塚

24 怨恨

25 百怪

26 転換

 

<健康> saude

27 長命

28 体調

29 獣害

30 治癒

31 木霊

32 感染

33 生

34 百雑

35 睡眠

36 痛苦

37 繁栄

38 長患

39 衰弱

 

<仕事>

Trabalho

 

40 効率

41 商財

42 悪夢

43 成功

44 出世

45 龍神

46 不正

47 雇用

48 失敗

49 事業

50 失業

 

<人間関係> relações humanas

 

51 孤独

52 口舌

53 攻撃

54 人脈

55 家族

56 悪評

57 和

58 使役

59 墓

60 蛇

61 精気

62 姓名

63 夫婦

 

<金運>

Dinheiro

 

64 詐欺

65 富貴

66 不運

67 資産

68 財宝

69 訴訟

70 賊

71 損害

72 投資

 

Pronuncias romanizadas

 

01 Meidō

02 konmei

03 shūchaku

04 kai-fū

05 mizu nigo

06 sessei

07 onmyō

08 hikan

09 kyōaku

10 yokan

11 hyōi

12 antei

13 keikai

14 monko

15 seirei

16 unmei

17 banbutsu

18 yokoshima rei

19 raikō

20 seijō

21 chi nigo

22 kyōfu

23 dzuka

24 enkon

25 hyaku kai

26 tenkan

 

 

 

 

27 chōmei

28 taichō

29 jūgatsu

30 chiyu

31 kodama

32 kansen

33 nama

34 hyaku zatsu

35 suimin

36 tsūku

37 han’ei

38 nagawazura

39 suijaku

 

 

 

40 kōritsu

41-shō-zai

42 akumu

43 seikō

44 shusse

45 Ryūjin

46 fusei

47 koyō

48 shippai

49 jigyō

50 shitsugyō

 

 

 

51 kodoku

52 kōzetsu

53 kōgeki

54 jinmyaku

55 kazoku

56 akuhyō

57 wa

58 shieki

59 haka

60 hebi

61 seiki

62 seimei

 

 

 

63 fūfu

< kin’un >

64 sagi

65 fūki

66 fuun

67 shisan

68 zaihō

69 soshō

70 zoku

71 songai

72 tōshi

 

 

 

 

 


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/os-72-shikigamis-%e9%8e%ae%e5%ae%85%e9%9c%8a%e7%ac%a6/