A Astrum Argentum – Alan Willms

Bate-Papo Mayhem 193 – 24/06/2021 (Quinta) Com Alan Willms – A Ordem Astrum Argentum

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Aleister Crowley: o Homem Mais Perverso do Mundo

Por Mike Karn

Revista The Square, volume 43, n° 2, junho 2017, páginas 32-34.

Aleister Crowley é considerado uma das figuras mais notáveis e sinistras do século passado. Ele foi um renomado estudioso que usou seu incrível intelecto para se tornar um especialista e praticante do ocultismo e da magia negra. Tão grande era o seu domínio que, para muitas pessoas, ele se transformou na personificação absoluta do mal. Seus ritos, orgias e cerimônias profanas chocaram até mesmo os mais cínicos e despertaram curiosidade, fúria e ódio nas outras pessoas.

​Ele sempre insistiu que seu nome fosse pronunciado como “Crow-ly” – muitas vezes acrescentando, com um sorriso malicioso: “para rimar como holy [sagrado]!”. No entanto, provavelmente é difícil, para quem desconhece a reputação de Crowley, imaginar a controvérsia que seu nome incitou no público em geral – e o ódio e medo que sentiram.

​Crowley nasceu no auge da era vitoriana, em 1875, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. Proveniente de uma família próspera adepta da seita dos Irmãos de Plymouth, ele foi devidamente batizado como Edward Alexander Crowley. Foi criado para acreditar que Deus era todo-poderoso e que o livre-arbítrio não era uma opção. Seu pai, Edward, era de uma rica família quaker, e ele e sua esposa, Emily, eram fanáticos religiosos que se juntaram aos Irmãos de Plymouth na fundação da seita.

​Para Crowley, o Cristianismo assumiu proporções extremas e se tornou o inimigo. Em seu tormento, ele procurava ajuda e conforto em outras fontes – essa direção por fim levava ao inimigo natural: o demônio. Ele se rebelou totalmente contra a religião de sua família e posteriormente mudou seu nome para Aleister, para não partilhar do mesmo nome de seu pai, Edward.

​Crowley teve uma infância muito infeliz. Seu pai viajava pelo país pregando, enquanto sua mãe rezava, lamentava e atormentava o filho. O pior ainda estava por vir: seu pai faleceu quando ele tinha 11 anos de idade, e sua guarda foi concedida à mãe de seu irmão, que o tratava com crueldade. Isso só foi ultrapassado por um mestre sádico de uma escola dos Irmãos Plymouth, à qual foi confiado.

​Portanto, quando criança, Crowley rezou para o demônio em segredo, para se manter protegido de sua mãe, de seu tio, do mestre e dos garotos que o maltratavam na escola. Seus sentimentos em relação ao Cristianismo e à sua família eram de puro ódio, e ele não foi criado como uma criança normal. No início de sua adolescência, como seu comportamento comum era não aceitar a doutrina dos Irmãos Plymouth, a mãe de Crowley o amaldiçoou e passou a chamá-lo de “a besta”, cujo número era 666, conforme o Livro do Apocalipse no Novo Testamento da Bíblia. Em vez de ficar ofendido com isso, ele adotou o nome e agiu como se não houvesse mais nada a fazer a não ser aceitá-lo.

Crowley frequentou a Malvern College como uma criança oprimida e mentalmente perturbada. Uma escola pública não era lugar para um garoto tão tímido e estranho, e ele sofria agressões físicas e psicológicas, a ponto de ser retirado da escola e transferido para a Tonbridge School. Mas então houve uma transformação nele. Crowley tinha crescido e se tornou forte física e mentalmente. Ele passou por uma mudança completa, como se algo tivesse sido despertado dentro dele. Deixando de lado toda a sua insegurança, superou os intimidadores e se transformou em um deles.

Nessa época, ele começou a praticar alpinismo. O cabo de Beachy Head e as montanhas galesas foram os cenários de suas primeiras expedições, mas então ele começou a escalar penhascos que ninguém jamais havia ousado, e realmente obteve muitas experiências na escalada.

Em 1895, aos 20 anos de idade e denominando-se Aleister, foi para a Trinity College, em Cambridge, como graduando do curso de ciência moral. Ele também escreveu, estudou poesia e continuou a praticar alpinismo. Crowley era considerado um jovem com um futuro promissor, mas enveredou pelo ocultismo e por todas as formas de imoralidade. Ele vivia como um aristocrata privilegiado e mantinha uma vida sexual vigorosa, conduzida com prostitutas e mulheres que ele escolhia nos bares locais, mas isso posteriormente se estendeu a atividades homossexuais. Ele também começou a publicar poesia explicitamente sexual.

Quando frequentava a Trinity College, conheceu Allan Bennett. Os dois se interessaram pelo ocultismo e começaram a experimentar rituais mágicos. Ao que tudo indica, eles obtiveram resultados impressionantes, incluindo a manifestação de uma hoste de seres sobrenaturais e de atividades de espíritos.

Em 1898, Crowley e Bennett se juntaram à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) em Londres, que praticava magia ritualística, alquimia, astrologia, tarô e outras ciências ocultas. A ordem foi fundada em 1887 por três membros da Maçonaria: Samuel MacGregor Mathers, William Robert Woodman e dr. William Wynn Westcott. Todos eles também foram membros da Sociedade Rosacruciana.

A Golden Dawn afirma que sua origem remonta de documentos codificados na posse de Wynn Westcott, segundo os quais o grupo era uma ramificação da Ordem Rosacruz alemã. Eles conceberam cinco rituais nos moldes maçônicos, que foram expandidos por Mathers. Sua influência no desenvolvimento do ocultismo moderno ocidental foi profundo, e muitos grupos afirmam serem originados da Golden Dawn.

Um ano depois, um fundo em depósito que foi estabelecido após a morte de seu pai lhe foi liberado. Crowley se tornou um homem rico, sem ter que depender mais de sua família. Ele abandonou a universidade sem concluir o curso, adquiriu um apartamento em Londres e começou a se dedicar a seus estudos ocultistas. Crowley tinha uma aptidão natural para a magia e logo fez avanços, tornando-se um mago poderoso, assim como seu amigo Allan Bennett.

Crowley não apenas se aprofundou no ocultismo, mas também foi promovido rapidamente pelos graus da Golden Dawn. Em 1889, ele completou os estudos necessários para obter o grau de Adeptus Minor. Entretanto, por causa de suas atitudes e de seu comportamento homossexual, o líderes em Londres o consideraram inadequado para avançar na Segunda Ordem. Então, Crowley foi para a França, onde o líder da Golden Dawn em Paris, MacGregor Mathers, o iniciou na Segunda Ordem.

Posteriormente, em 1900, a Golden Dawn foi fragmentada. Mathers, em uma tentativa de se unir à Loja londrina e se tornar um líder incontestável da ordem, mandou Crowley para a Inglaterra como seu “enviado especial”. Crowley fez uma tentativa frustrada de obter novamente o controle das propriedades da ordem em nome de Mathers. Ele surgiu em uma reunião ritualística vestido de maneira excêntrica com traje escocês completo e um capuz preto. Pouco tempo depois, Mathers e Crowley foram expulsos da ordem.

Crowley era maçom. Registros apontam que ele foi para a França em 1903, onde foi iniciado na Maçonaria na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris. Essa era uma Loja principalmente para expatriados e para aqueles que não podiam se afiliar à Maçonaria na Inglaterra por causa dos altos padrões da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Crowley afirmou ter sido recomendado por um Past Grão-Capelão Provinciano de Oxfordshire. No entanto, não existem evidências documentadas disso, e Crowley certamente nunca foi iniciado na Maçonaria inglesa. Posteriormente, ele continuou tentando ser admitido em reuniões de Lojas em Londres, mas frequentemente era recusado, pois pertencia a uma Ordem Maçônica ilegítima.

Em seu livro The Confessions of Aleister Crowley, uma auto-hagiografia, Crowley se explica:

Eu mencionei ter obtido o 33° na Cidade do México. Isso não acrescenta muita importância ao meu conhecimento dos mistérios, mas ouvi falar que a Maçonaria era uma irmandade universal e esperava ser recebido em todo o mundo por todos os Irmãos. Fui surpreendido com um considerável choque nos meses seguintes, quando, tendo a chance de discutir o assunto com um apostador arruinado ou agente de apostas – não me lembro exatamente –, descobri que ele não me “reconhecia”! Havia uma diferença simples em um dos apertos de mão ou alguma outra formalidade totalmente sem sentido. Demonstrei um desprezo imenso por todo o ritual. Eu fui admitido ao ser iniciado na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris.

Retornei à Inglaterra um tempo depois, após passar meu posto na minha Loja, e, esperando me juntar ao Arco Real, dirigi-me a seu venerável Secretário. Apresentei minhas credenciais. “Ó Grande Arquiteto do Universo”, o velho homem irrompeu de raiva, “por que não queimais este impostor no fogo dos céus? Senhor, vá embora. Você não é um maçom!”.

Pensei que isso seria um pouco difícil de meu Reverendo Pai em Deus, o criador, e percebi que, obviamente, todos os ingleses e norte-americanos que visitam uma Loja na França correm o risco de expulsão ou detenção instantânea e irrevogável. Então, eu não disse nada, mas fui para outra sala no Freemasons’ Hall sem seu conhecimento, e tomei meu lugar como um Past Master em uma das Lojas mais antigas e importantes de Londres.

Em 1905, Crowley voltou a se dedicar ao alpinismo e tentou conquistar o Kangchenjunga, no Nepal, a terceira montanha mais alta no mundo. Houve grande controvérsia durante a tentativa frustrada, e Crowley foi acusado de crueldade por agredir seus carregadores e deixar outro homem morrer na montanha. Era evidente que ele não conseguia tolerar qualquer tipo de fraqueza nas outras pessoas, mas essa viagem acrescentou muitas outras histórias terríveis à sua reputação crescente como um homem perverso.

Em 1906, Crowley fez uma viagem com sua esposa e sua filha para a China e depois para o Vietnã, onde as abandonou. A criança faleceu posteriormente, e sua esposa recorreu ao consumo de álcool para aliviar a dor, chegando à loucura. Tempos depois, Crowley a internou em um sanatório, e eles por fim se divorciaram em 1909.

Em 1910, Crowley conheceu John Yarker. Yarker era maçom, costumava escrever sobre assuntos relacionados à Maçonaria e era membro da Loja Quatuor Coronati. Em 1871, ele esteve envolvido com a fundação de um Grande Conselho do Rito Antigo e Primitivo em Manchester, uma ordem que se separou da GLUI e criou uma conexão com o Rito Antigo e Aceito e com outros ritos egípcios. Isso não era considerado comum pela maioria das Grandes Lojas. Crowley se juntou à ordem, da qual mais tarde se tornou Grão-Administrador Geral e também Mestre Patriarca Geral.

Em 1913, Crowley visitou o Secretário da Loja Quatuor Coronati e o Grande Secretário do Freemasons’ Hall, buscando uma forma de se juntar à Loja inglesa. Ele então escreveu à Grande Loja solicitando seu direito de se juntar a Lojas inglesas e participar delas, baseado em sua associação à Loja francesa. Seu pedido foi negado, devido à irregularidade de sua Loja-Mãe. A Grande Loja não identificou Crowley como um membro da Maçonaria. Todas as suas afiliações estavam ligadas a órgãos irregulares, portanto lhe negaram reconhecimento.

Crowley estava escalando montanhas na Suíça quando a Primeira Guerra Mundial irrompeu e ele retornou para a Inglaterra. Estava impossibilitado de se juntar às forças armadas por causa de sua saúde debilitada, mas ofereceu seus serviços: sua escrita e sua inteligência. Supostamente, sua oferta foi rejeitada com desprezo pelo Serviço de Inteligência Britânico, e, para um homem como Crowley, isso resultou em seu ressentimento e apoio subsequente à Alemanha. Ele foi para os Estados Unidos, onde escreveu e publicou propaganda antibritânica, o que o tornou um traidor e desertor na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, ele estudou com ocultistas norte-americanos, começou a pintar e escreveu muitos livros. Em 1919, enquanto vivia em Greenwich Village, conheceu Leah Hirsig, e os dois sentiram uma conexão imediata e instintiva. Em 1920, eles foram para a Sicília e criaram um templo em uma antiga fazenda. Eles tiveram uma filha e, sob a influência de ópio e cocaína, fundaram um novo culto religioso chamado Thelema. Com Crowley considerando-se um profeta da nova era, a famosa Abadia de Thelema foi fundada. Thelema era uma religião, e sua lei era: “Faze o que tu queres”. Rapidamente, circularam histórias sobre depravação. O povo italiano se ressentiu das atividades diabólicas de Crowley, e Benito Mussolini, o ditador italiano, determinou que ele fosse deportado. Como sempre, Crowley não negou as acusações feitas contra ele.

Crowley também foi membro da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e, em 1925, por fim assumiu liderança e revisou os ritos, estabelecendo rituais da ordem nos mesmos moldes da Maçonaria. A O.T.O. é uma sociedade secreta e, ao longo dos anos, ressurgiu diversas vezes. Atualmente, está em atividade em 25 países, com uma afiliação crescente de mais de 4 mil membros. Segundo consta, todos os homens e mulheres livres, com maioridade completa e bons precedentes, têm o direito de serem iniciados nos primeiros três graus dessa ordem.

Muitos livros ocultos foram escritos por Crowley, os quais, apesar de terem sido escritos com discernimento, são muitas vezes difíceis de serem acompanhados. Um deles é o sagrado Livro da Lei, que tem como princípio fundamental: “Faze o que tu queres há de ser o todo da lei”, que significa que todo homem e toda mulher deverão encontrar sua verdadeira vontade, seu propósito e seu sentido de vida, seguindo isso e nada mais. Dois de seus romances, The Diary of a Drug Fiend (1922) e Moonchild (1929), foram parcialmente baseados em sua vida pessoal e em suas alucinações egomaníacas. Acredita-se que Crowley tenha realizado muitas tentativas sem sucesso, com diferentes mulheres, de procriar uma “criança mágica”. Ele escreveu sobre essas tentativas em forma de ficção no livro Moonchild.

Crowley sempre atraiu um pequeno grupo de seguidores nos Estados Unidos e na Alemanha, talvez não mais de algumas centenas de pessoas por vez, e, por quatro anos, perambulou pela Alemanha e por Portugal, sendo financiado por seus seguidores fiéis. Ao retornar para a Inglaterra, em 1935, foi à falência após perder um processo judicial contra um jornal que o teria chamado de mago negro. A evidência contra ele era devastadora – e é de se imaginar que o caso só tenha sido levado à corte por mera publicidade!

Durante os anos seguintes, Crowley parou de viajar e permaneceu na Inglaterra, onde escreveu muitos outros livros. Ele passou seus últimos anos sozinho em uma pensão em Hastings, como um homem velho e debilitado, mal sobrevivendo por seu vício em heroína. Seu ato final foi amaldiçoar o médico que se negou a prescrever a quantidade de heroína que ele queria. Crowley morreu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos de idade, e foi cremado em Brighton. Suas cinzas foram enviadas a seus seguidores nos Estados Unidos. O médico que ele amaldiçoou teria morrido em menos de 24 horas depois.

Sem arrependimentos e sem se curvar, ele partiu deste mundo com um desprezo final pela sociedade. Crowley havia preparado seu próprio funeral e, em vez do serviço religioso comum, criou seu último ritual com suas obras. Amigos leram Hymn to Pan e Collects and Anthems, de Gnostic Mass. Passagens selecionadas do Livro da Lei também foram lidas. Houve tantas reclamações por parte do público a respeito do serviço funerário que o Conselho de Brighton decidiu tomar providências para prevenir que um incidente como esse nunca mais acontecesse.

Provavelmente, Crowley foi o mago mais famoso de sua época, tornando-se ainda mais influente após sua morte do que quando estava vivo. Ele foi muitas vezes odiado em vida, mas certamente causou influência e impacto no desenvolvimento da nova era do ocultismo moderno. Seu conhecimento sobre magia e bruxaria era certamente profundo, e ele transmitiu esse conhecimento por meio de seus diversos livros. Na sociedade liberal dos dias de hoje, seus livros estão sendo procurados e reimpressos, e algumas pessoas parecem apreciar seu estranho intelecto. Sua impiedade persistente era um traço de sua personalidade e influenciou homens e mulheres, mas Crowley deixou para traz um rastro de devastação em se tratando das mulheres e dos homens em sua vida. Alcoolismo, vício em drogas, insanidade e suicídio surgiram em seu caminho. Portanto, Crowley era um mago negro perverso? Provavelmente sim, mas tão importante quanto isso era o fato de ele querer que todo mundo acreditasse nisso.

Há uma reviravolta na história, pois, quando Crowley morreu, foi encontrada uma carta da Inteligência Naval Britânica endereçada a ele, requerendo o prazer de sua companhia em uma recepção. A história então revelada é a de que ele teria sido recrutado pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, quando queriam explorar as informações de que nazistas de alto posto estavam envolvidos com astrologia e ocultismo. Agente britânico por muito tempo, Ian Fleming (que escreveu os romances de James Bond) disse que Crowley foi recrutado pela primeira vez para a investigação de Rudolf Hess. Fleming também revelou que foi Crowley quem sugeriu o símbolo de “V” de vitória usado por Churchill – o símbolo com os dois dedos sendo o oposto direto e destrutivo do símbolo solar da suástica.

Atualmente, poucas pessoas irão refutar a ideia de que Crowley teria sido um agente britânico durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhando nos Estados Unidos e ajudando na campanha de desinformação, em vez de ter sido um traidor, como se acreditava.

Crowley foi chamado de “o homem mais perverso do mundo”. No entanto, talvez hoje em dia ele não fosse considerado assim. Ele possivelmente seria tratado como um excêntrico, com poucas pessoas se incomodando com seu comportamento – o que não seria de forma alguma apropriado para ele.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-o-homem-mais-perverso-do-mundo

Kappa

Robson Belli

Várias representações de Kappa do Período Edo

Kappa (Kappa, “criança do rio”), substituído por Kawatarō (Kawataro, “menino do rio”) ou Kawako (Kappa, ” criança do rio”), são criaturas lendárias encontradas no folclore japonês . A variação coberta de um Kappa é chamada de Hyōsube .

Kappa são semelhantes ao finlandês Näkki, escandinavo/germânico Näck/Neck, tcheco Vodník/Scottish Kelpie e japonês Hibagon em que todos foram usados ​​para assustar crianças de perigos à espreita nas águas.

Kappas são tipicamente descritos como aproximadamente humanoides em forma e do tamanho de uma criança. Sua pele escamosa e reptiliana varia de verde a amarelo ou azul. Apesar de suas características reptilianas, diz-se que Kappa tem rostos simiescos e cabelos verdes desgrenhados.

Os kappas supostamente habitam as lagoas e rios do Japão e possuem vários recursos para auxiliá-los nesse ambiente, como mãos e pés palmados. Dizem que às vezes cheiram a peixe e certamente podem nadar como eles. A expressão kappa-no-kawa-nagare (“um kappa se afogando em um rio”) transmite a ideia de que até os especialistas cometem erros.

Sua característica mais notável é uma reentrância no topo de sua cabeça que contém água chamada sara ; isso é considerado como a fonte de seu poder. Esta cavidade deve estar cheia sempre que um kappa estiver longe da água; se derramar, o kappa não poderá se mover. Embora seja relatado que eles habitam todo o Japão, muitas vezes se diz que são particulares da província de Saga.

O folclore japonês afirma que o kappa pode ser muito educado e pode ser desativado antes de atacar curvando-se. O kappa se curvava para trás e derramava a água, incapacitando-se. Kappa são geralmente vistos como encrenqueiros travessos. Suas travessuras vão desde as relativamente inocentes, como passar gás em voz alta ou olhar para os quimonos das mulheres, até as malévolas, como afogar pessoas e animais ou sequestrar crianças. Quando os kappas atacam as pessoas, eles geralmente puxam os intestinos da pessoa pelo ânus, a fim de chegar a um órgão mítico chamado shirikodama, que se diz conter a alma do ser humano. Dizem também que eles adoram pepinos, e as pessoas às vezes podem escapar de um kappa agressivo jogando um pepino em sua direção e fugir enquanto ele come o pepino. Se for necessário tomar banho na água em que um kappa vive, é possível jogar um pepino na água antes de entrar, após o que o kappa permitirá que você use sua água sem atacá-lo. Se alguém derrotar um kappa, ele pode se render, após o que ajudará na agricultura ou compartilhará conhecimentos médicos. Também é possível fazer amizade com um kappa trazendo pepinos, o que também fará com que ele ajude dessa maneira. Acreditava-se que a técnica de fixação óssea foi originalmente ensinada aos humanos por um kappa amigável. Kappas também frequentemente desafiam humanos para lutas de sumô, no qual eles estão quase garantidos para vencer, a menos que o humano os faça derramar a água em sua cabeça, após o que o kappa é forçado a recuar. Tem também um tipo de sushi que leva o seu nome de pepino, okapamaki .

Explicações

Uma possível explicação para essas criaturas é a salamandra gigante japonesa que, segundo rumores, cresce até dois metros e meio de comprimento e vive apenas em riachos limpos e claros (que infelizmente é onde as pessoas gostam de brincar).

Outra é que poderia ser um tipo novo ou pré-histórico de anfíbio, como um temnospondyl.

Também pode ser uma má interpretação de uma tartaruga marinha, ou talvez uma espécie desconhecida de tartaruga. Isso pode ser provável, já que algumas tartarugas são conhecidas por comer pepinos.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/kappa/

As Chaves Maiores e as Clavículas de Salomão

por Eliphas Levi Zahed

EDIÇÃO, ORGANIZAÇÃO, COMENTARIOS E TRADUÇÃO por Robson Belli

Creio ser de fundamental importância a tradução comentada deste material, por trazer uma visão magística diferenciada de um de seus grandes autores contemporâneos, Eliphas Levi um dos mais importantes autores da alta magia, e a sua visão de um dos principais grimórios medievais, as “Clavículas de Salomão”.

O fato desta obra ainda não ter uma tradução para o português em pleno ano de 2022, nos mostra o pouco ou nenhum interesse do nosso mercado editorial de nos servir com obras ótimas, e com as diferentes visões do mesmo tomo, estamos exaustos de ver traduções das clavículas traduzidas por Samuel Lidel “McGregor” Mathers, que apesar de ser um ótimo trabalho, expõe apenas uma visão embasada em algumas poucas fontes dos manuscritos das conhecidas Clavículas de Salomão que juntos somam mais do que 144 tomos manuscritos diferentes, só considerando os tomos das chaves maiores, tendo uma miríade muito maior quando consideramos as chaves menores.

Portanto não espere encontrar aqui os tradicionais pantáculos, este livro não é mais do mesmo, e justamente por isso vem a ser a minha primeira clavícula traduzida e publicada, a fim de quebrar os paradigmas impostos a esse tomo.

Muitos talismãs para invocação das forças celestiais estão descritos aqui, contudo é importante mencionar, que além de invocar estes poderes, nos sagrados e poderosos 72 nomes de Deus, esta clavícula nos ensina trabalhar também repelindo as forças malignas de nossas vidas, sendo, portanto, uma das mais puras clavículas no sentido de chamar para si a atenção do divino e do sagrado, afastando de si as forças negativas.

Este não é em definitivo, um tomo para membros do caminho da mão esquerda, este livro é para aqueles que entendendo que devem se ligar aos poderes elevados e aos nomes divinos, o fazem para expurgar de si os poderes das trevas, que apenas atrasam seu desenvolvimento enquanto ser humano e magista.

Este livro não pede sua aceitação ou concordância, ele apenas o é como deveria ser, peço apenas ao leitor a compreensão de obras como “Dogma e ritual da alta magia” e o livro “O grande arcano”, ambos de Levi, para entender melhor que este aqui é o livro referenciado na obra citada e não, as obras que Eliphas Levi considerava espúrias e impuras que visam chamar demônios para si, profanando assim o ideal Cabalístico de evolução do ser.

Esta é na opinião de Levi, a clavícula de Salomão retificada a sua gloria original, dentro de uma proposta muito mais próxima a ideia da cabala, e mesmo que tenha símbolos nos amuletos, a força deles provem na realidade dos nomes divinos e dos números gravados nos mesmos, sendo não um livro de evocação e dialogo com estas forças, este é um livro de magia talismanica, tal qual as Chaves Maiores de Salomão mais conhecidos do grande público, contudo faz uso dos 72 anjos ou 72 nomes divinos para atrair para si estes poderes benignos e afastar de si os 72 demônios, uma clara contra posição ao “Ars Goétia” do “Lemegeton” que Eliphas provavelmente considerou impuro e pagão, um livro corrompido.

Visão que pode ser bem compreendida por aqueles que adentram ao estudo da Cabala judaica, mesmo em seus níveis mais superficiais, creio ter bem referenciado o porquê desta obra ser o que é, e por que Eliphas Levi tentou retificar a tradição Salomônica escrevendo este livro.

Infelizmente este livro não se popularizou tanto quanto suas outras obras, mas finalmente chega agora ao leitor brasileiro que, espero sinceramente faça um maravilhoso uso desta obra a tanto tempo deixada de lado.

~Robson Bélli

23 de maio de 2022.

ADVERTENCIA

Este livro é uma reprodução fiel do manuscrito escrito e desenhado por Eliphas Levi para seu discípulo e amigo, Barão Spedalieri, que, de acordo com o desejo do Mestre, foi posteriormente entregue a J. Charrot, que o entregou a L. Chamuel para ser editado. A primeira edição apareceu em 1895; que está esgotado e raro.

Hoje, o número crescente de discípulos póstumos de Eliphas Levi nos obriga a reimprimi-lo.

As Clavículas de Salomão são um retorno da Doutrina Cabalística em sua pureza primitiva; baseado no Grande Nome Incomunicável, descrevendo com precisão e simplicidade setenta e dois ramos. Eles incluem as figuras de trinta e seis talismãs e os trinta e dois Caminhos da Sabedoria (os dez números e vinte e duas letras hebraicas); finalmente, o ritual é completado com instruções teúrgicas, profecias e um cânone para o uso das Clavículas.

Estas Clavículas são explicadas e discutidas através da correspondência do Mestre com o Barão Spedalieri.

Esta edição foi revisada e atualizada de acordo com o manuscrito original.

~P. Chacornac.

A COMPOSIÇÃO E O USO DESSAS CLAVÍCULAS

Estas clavículas, reestabelecidas em sua pureza original, e desenhadas pela primeira vez por mim, Eliphas Lévi, em 1860, se realizam em sua pureza e sem mescla de símbolos samaritanos ou egípcios, só com ajuda das cifras, dos símbolos hieroglíficos e dos números.

Os hebreus tinham horror ao uso de figuras em imagens sagradas, e é por este motivo que as imagens do Zohar são em sua maioria, quase todas traçadas apenas com letras.

O complemento perfeito deste livro é o jogo de Tarô italiano, cujos talismãs de Salomão explicam e resumem os símbolos.

Os talismãs podem, cada um em particular, servir de instrumento (magico) magnético e representar uma vontade análoga ao nome divino cuja explicação se encontra sob cada talismã.

É preciso observar que as dezenas que se encontram no tarô não são desenhadas nos talismãs porque, sendo a dezena a síntese da unidade, está contida virtualmente na unidade de cada número.

As imagens dos talismãs podem ser gravadas em sete metais ou desenhadas em pergaminho virgem, depois consagradas e magnetizadas segundo uma intenção muito precisa.

Desta forma, serão criados focos de luz astral, perfumados com os perfumes do ritual e mantidos em seda ou em recipientes de vidro para que não percam sua força.

Eles não devem ser emprestados ou dados, a menos que tenham sido feitos em nome de outra pessoa e de acordo com ela.

Servem para afastar ilusões e miragens de luz. Os espíritos errantes estremecem diante deles porque são símbolos fixos, personagens do verbo que é por si mesmo e que comanda vitoriosamente todos os espíritos.

Mas, para usar essas chaves corretamente, é necessário manter uma grande lucidez de espírito e uma grande pureza de coração. Caso contrário, eles se tornariam os instrumentos de uma maldição da qual o operador imprudente ou culpado seria a primeira vítima.

AS CHAVES MAIORES E CLAVÍCULAS

A TAU SAGRADA OU CHAVE UNIVERSAL.

COMENTARIO A RESPEITO DA CHAVE UNIVERSAL

Este símbolo de Levi vem aqui expor algumas questões importantes que podem ajudar ao leitor elucidar algumas ideias que Levi tinha a respeito das clavículas, em seu nível simbólico direto vemos as letras Yod, He, Vav, He, do tetragrama divino expostas cada uma em uma direção, com elementos mágicos bem conhecidos do público atual tanto pelo taro quando pela magia cerimonial.

Yod acima e ao lado da Baqueta representação do fogo e da autoridade divina do comando, o mundo de Aziluth ou ainda o mundo dos arquétipos, e graças a Taça que representa o elemento agua, sabemos que a ponta direita é a sequência e representa o mundo de Briah do mundo formativo ou da criação,  a próxima letra na sequência é Vav ao lado da espada que é um naipe e ferramenta mágica do ar, que também representa o mundo de Yetzirah, o mundo formativo e por fim nos temos ultimo He ao lado da moeda ou Pantáculo que são relacionados ao elemento terra, a realização material, ou ainda o muito material.

A cruz tau para Eliphas Levi estava associada ao Universo, sendo o seu criador (através do seu nome impronunciável) e principio e o universo o fim ou a sua manifestação material, Alfa e Ômega, sendo o magista então uma representação do próprio Deus que o criou sua imagem e semelhança, para dominar todas as coisas, por conta da representação dos quatro elementos que são todas estas coisas.

A seguir e a esquerda vemos um símbolo que parece uma cruz com um P e do seu lado na parte inferior a letra Alfa e Ômega, este símbolo chama-se Tau Rho que é um dos dois monogramas de cristo, sendo o Tau Rho a imagem de Moises com seus braços estendidos e o alfa e o ômega a representação do cristo ajudando o homem, vemos ao mesmo tempo um X pontilhado dando a ideia da transformação do estaurograma (sacrifício) no  cristograma (redenção) também conhecido por Chi Rho, que é o símbolo mais conhecido como monograma do Cristo.

Do lado direito da cruz Tau vemos o símbolo geomantico de conjunctio e dentro dele escrito Bara-Taish ( ) que é uma expressão cabalística que alude a baphometh ou o iniciado, o desperto e conhecedor dos mistérios ou ainda Bereshit ( ) que alude as primeira palavras do início do livro de gênesis “No princípio”, mas essa expressão aos judeus, que por sua vez alude ao bode que foi levado para ser sacrificado pelo patriarca Abraão e está ligada a uma ideia de lascívia (luxuria) divina em sua criação.

O SHEM HA MEPHORASH[1]

Toda a ciência está numa palavra e toda a força num nome.

A inteligência deste nome é a ciência de Salomão e a luz de Abraão.

Ninguém conhece Deus em sua essência, a não ser ele mesmo.

Mas a Ciência absoluta está no conhecimento dos nomes divinos que são todos formados a partir de um único nome.

Esta ciência é o que ela chama, o Shem Há Mephorasch ou nome explicado.

O Esquema ou nome incomunicável é composto de quatro letras.

  • Todo o poder (força) está em um, Yod.
  • Seu reflexo está em outro, He.
  • É explicado pelo terceiro. Vav.
  • É fertilizado pelo quarto. He

É formado com vinte e quatro pontos que são as vinte e quatro alegorias antigas de São João.

  • Cada ponto tem três linhas.
  • Há então sessenta e dois traços.

Sessenta e dois nomes são formados, que são escritos dois a dois em trinta e seis talismãs.

OS TRINTA E SEIS TALISMÃS

Estude cuidadosamente os hieróglifos e as letras sagradas dos trinta e seis talismãs e escreva ao redor de cada um deles um versículo bíblico de sua escolha, aquele que melhor expressa para você[2] a virtude das letras e dos nomes (números).

Esses talismãs fixam o espírito, fortalecem o pensamento e servem de sacramento à (verdadeira) vontade.

Os espíritos de todas as hierarquias estão em comunhão com aquele que entende e usa corretamente esses sinais.

TALISMÃ 01 – O PRIMEIRO PRINCIPIO

01 VEHUIAH/ 04 ELEMIAH [3]

[4]

TALISMÃ 02 – AJUDA DO SALVADOR

02 JELIEL / 05 MAHASIAH

TALISMÃ 03 – ESPERANÇA DIVINA

03 SITAEL / 06 LELAHEL

TALISMÃ 04 – QUATRO VEZES PAI

07 ACHAIAH / 10 ALADIAH

TALISMÃ 05 – RAZÃO DE CULTO

08 CAHETEL / 11 LAOVIAH[5]

TALISMÃ 06 – CONSOLO DIVINO

09 HAZIEL / 12 HAHAIAH

TALISMÃ 07 – BASE DE TODA A GRANDEZA

13 YESALEL[6] / 16 HEKAMIAH[7]

TALISMÃ 08 – PROVIDENCIA

14 MEBAHEL/ 17 LAUVIAH[8]

TALISMÃ 09 – CONSOLADOR

15 HARIEL / 18 CALIEL

TALISMÃ 10 – O AMOR

19 LEUVIAH[9]/ 22 IEIAIEL[10]

TALISMÃ 11 – A SALVAÇÃO

20 PAHALIAH / 23 MELAHEL

TALISMÃ 12 – A BONDADE

21 NELCHAEL / 24 HAHEUIAH[11]

TALISMÃ 13 – A FORÇA DO BEM

25 NITH-HAIAH[12] / 28 SEHEIAH

TALISMÃ 14 – O ARCANO DO AMOR

26 HAAIAH / 29 REYEL[13]

TALISMÃ 15 – PACIENCIA

27 IERATHEL[14] / 30 OMAEL

TALISMÃ 16 – CIENCIA DO AMOR

31 LECABEL / 34 LEHAHIAH

TALISMÃ 17 – AMOR DO JUSTO

32 VASAHIAH[15] / 35 CHAVAKIAH

TALISMÃ 18 – HIERARQUIA DO AMOR

33 IEHUIAH[16] / 36 MENADEL

TALISMÃ 19 – FORÇA QUE FECUNDA

37 ANIEL / 40 IEIAZEL[17]

TALISMÃ 20 – EQUILIBRIO POLITICO

38 HAAMIAH / 41 HAHAHEL[18]

TALISMÃ 21 – PAZ UNIVERSAL

39 REHAEL / 42 MIKAEL[19]

TALISMÃ 22 – IMPERIO DO VERBO

43 VEULIAH[20] / 46 ARIEL[21]

TALISMÃ 23 – A NOVA JERUSALEM

44 YELAIAH[22] / 47 ASALIAH[23]

TALISMÃ 24 – HARMONIA

45 SEALIAH[24] / 48 MIHAEL[25]

TALISMÃ 25 – VITORIA

49 VEHUEL / 52 IMAMAIAH[26]

A PARTIR DESTE PONTO O LIVRO PÁSSA A SER UMA RECONSTRUÇÃO, POIS ESTA PARTE É AUSENTE NO ORIGINAL OS SIGILOS SÃO OS MESMOS USADOS NO LIVRO “the kabbalistic and occult tarot of eliphas levi” E EM “The Science of the Kabbalah” de Lazare Lenain

TALISMÃ 26 – O SEGREDO DO VEICULO

50 DANIEL / 53 NANAEL

TALISMÃ 27 – O SEGEDO DA CRIAÇÃO

51 HAHASIAH / 54 NITHAEL

TALISMÃ 28 – O MAIS SAGRADO

55 MEBAHIAH / 58 IEIALEL

TALISMÃ 29 – OS ANEIS DA ALIANÇA

56 POIEL / 59 HAHAEL

TALISMÃ 30 – OS TRES ANEIS LUMINOSOS

57 NEMAMIAH / 60 MITZRAEL

TALISMÃ 31 – VONTADE

61 UMABEL / 64 MEHIEL

TALISMÃ 32 – SABER

62 IAH-HEL / 65 DAMABIAH

TALISMÃ 33 – OCULTISMO

63 ANAUEL / 66 MANAKEL

TALISMÃ 34 – REALIZAÇÃO

67 AYEL / 70 YABAMIAH

 

TALISMÃ 35 – EQUILIBRIO

68 HABUHIAH / 71 HAIAIEL

TALISMÃ 36 – FORÇA CONTRA OS TERRORES DA MORTE

69 ROCHEL / 72 MUMIAH

A partir deste ponto o este livro volta a ser uma tradução fiel ao original.

AS LETRAS SAGRADAS

Correspondem as figuras simples do Tarô

(O rei de paus, o Pai)

(O rei de copas, o esposo da mãe)

(O rei de espadas, O principe do amor)

(O rei de ouros, o pai de criação)

(A rainha de paus, a esposa de seu pai)

(A rainha de copas, a mulher que é dona de si mesma)

(A rainha de espadas, A princesa do amor)

(A Rainha de ouros, a mãe dos seus filhos)

(O cavaleiro de paus, Conquistador de poder)

(O cavaleiro de Copas, o conquistador da felicidade)

(O cavaleiro de espadas, o conquistador do amor)

(O cavaleiro de ouros,  o conquistador de obras)

(O valete de paus, escravo do homem)

(O valete de copas, o escravo da mulher)

(O valete de espadas, escravo do amor)

(O valete de ouros, o escravo das crianças)

OS NÚMEROS SAGRADOS

Comentário: Eliphas Levi coloca algumas atribuições que para nós estudantes atuais de cabala são completamente estranhas, tal como o Sol e Kether, Chockmah a esquerda sendo a Lua, e Binah a direita sendo Vênus, e isso pode nos causar tamanha estranheza, contudo é exatamente o que está descrito aqui.

AS LETRAS SAGRADAS OU AS CHAVES MAIORES

Os dez nomes e as vinte e duas letras formam trinta e dois caminhos da ciência universal.

A LETRA ALEPH

(Hieróglifo- o menestrel)

(O PENTACULO DO EDEN, PROTOTIPO DAS LETRAS SAGRADAS)

A LETRA BEITH
(A alta sacerdotisa)

(o binário é o primeiro número, é a unidade somada a ela mesma[27])

A LETRA GUIMEL
(O Terciário —  a mãe (gravida) — a geração)

(O primeiro grande número sagrado.

O triangulo de Jeová.
O mercúrio dos sábios.)

A LETRA DALETH

(O quaternario – a quadratura)

(O número do ciclo perfeito.
A cruz filosófica.
O fogo Elemental dos sábios.)

A LETRA HE
(Número cinco das letras e quinze dos caminhos)

(O número da ciência do bem e do mal.
A letra da mulher da religião.
O pentagrama angelico ou diabolico.)

A LETRA VAV
LINGHAM
(A flecha do amor — O lingham[28])

(O número do antagonismo e da liberdade. A união. O trabalho. Semana da criação)

A LETRA ZAÏN
(O septenio sagrado)

(O número completo da cabala. O espirito e a Forma. As três potencias do Ternário e suas quatro relações)

A LETRA HETH
(O equilíbrio universal)

(O tetragrama com seu reflexo. A estaca dupla. O quaternário multiplicado pelo binário)

A LETRA TETH
(O número da hierarquia)

(Nove

O número do iniciado.
o grande número magico.)

A LETRA JOD

(O número da criação do reino)

(Malkuth. O reino de Deus. O universo visível. O princípio natural das coisas sobrenaturais)

A LETRA KAPH
(O número da força)

(A unidade sintética
o homem feito.
A virilidade.
A idade da razão.)

A LETRA LAMED
(O número do ciclo perfeito)

(A realização.
O sacrifício
A consumação.
A crucificação.
O espirito que se desprende da matéria.)

A LETRA MEM
(O número treze, a morte)

(O renascimento
A imortalidade pela mudança.
A transmutação.)

A LETRA NUN
(Os afetos — As misturas)

Fig112

(Formas temperadas pelo equilíbrio.
A harmonia das misturas.)

A LETRA SAMEKH

(O número quinze — a serpente astral)

(A vida física e mortal.
O movimento continuo. O grande agente magico.)

A LETRA GNAYN
(O número dezesseis, o grande equilíbrio)

(Destruição pelo antagonismo.
Equilíbrio dos grandes poderes.)

A LETRA PHE
(O número dezessete)

(A natureza imortal e uma em sua diversidade.
A fecundidade eterna.)

A LETRA TSADE
(O número dezoito)

(Distribuição hierárquica da luz.
O ocultismo.
O dogma.
Os misterios.
O esoterismo.)

A LETRA COPH

(O numero dezenove)

(A verdadeira luz.
A verdade.
A cidade santa.
O ouro filosófico.)

A LETRA RESCH
(O número vinte)

(O reconhecimento de todo o grande arcano da vida eterna.)

A LETRA SCHIN
(nenhum número)

(A fatalidade. A cegueira o louco. A matéria abandonada a si mesma)

A LETRA TAV
(O número vinte um)

(tres vezes o sete, o absoluto, o resumo de toda a ciencia universal.)

OS ESPIRITOS E AS CONJURAÇÕES

OS ESPÍRITOS

Os espíritos são as inteligências secundarias, ou seja, criadas. Eles são de três tipos, fixos, errantes e mistos. Os fixos são puros espíritos libertos das leis que regem a matéria. Os andarilhos são os que flutuam na luz astral. Os mistos são os andarilhos que trabalham e conseguem se fixar em parte. Entre os fixos, pode-se distinguir os muito puros, os mais puros e os mais puros.

Entre os mistos: os dominantes, os militantes e os dominados. Entre os andarilhos: os motoristas, os inconstantes e os animados.

Os fixos são os anjos.

Os mistos” são os homens inteligentes.

Os andarilhos são os homens brutos.

Os espíritos se atraem e se governam hierarquicamente.

Eles estão ligados por correntes e círculos. Entrar em um círculo é jurar com os espíritos do círculo. Ao conjurar espíritos superiores, você não os atrai para você, você se eleva até eles. A conjuração por evocações só pode ser exercida em relação a espíritos inferiores. Para conjurar os espíritos superiores é preciso dar-se a eles, para conjurar os espíritos inferiores por evocação, é preciso constrangê-lo. Para nos dar.

Os Espíritos superiores são evocados fazendo-lhes sacrifícios, ou melhor, comprometendo-se assim a nos evocar. Os espíritos inferiores são evocados ao lisonjear suas avidezes ou suas atrações. As palavras nada mais são do que fórmulas que servem para fixar à vontade.

Os espíritos inferiores ao homem são os elementais e os andarilhos de última ordem. Os antigos teurgistas os chamavam de demônios. Esses demônios são mortais e tentam viver às nossas custas, procuram o esperma e as efusões de sangue, o vapor da carne e temem a ponta e o fio das espadas.

A hierarquia dos espíritos é infinita. Rila começa em Deus que não tem começo em nada – ou seja, ela não começa. As estrelas têm almas astrais, os sóis têm almas solares, e os universos são governados pelos Elohim vivos, os deuses que estão em Deus. A vida dos espíritos é uma contínua ascensão e mutação, sobem e descem na grande escala simbólica de Jacó.

Os anjos, governantes espirituais das estrelas, ascendem ao governo dos sóis e são substituídos pelo chefe das almas.

As cabeças das almas são os sucessivos reis da humanidade. O chefe das almas da terra leva o nome de Métatron Sarpanim, que significa príncipe das luzes. O chefe das almas não morre, ele sobe vivo para o rio. Enoque foi, em tempos após a criação de Moisés, o primeiro elevado ao posto de Metatron Sarpanim.

Depois de Enoque, reinou Moisés.

Depois de Moisés, Elias.

Depois de Elias, Jesus.

Todos os Metatrons devem ter dois reinados, eles retornam à terra depois de passar por todas as esferas do nosso sistema solar. É por isso que o retorno de Enoque e Elias precederá a segunda vinda de Jesus.

Em seu primeiro advento, Jesus se revelou como sumo sacerdote. Em seu segundo advento, ele se revelará como Rei.

Ele era o Cristo.

Ele deve ser o Messias que os judeus têm razão para esperar. Foi Enoque quem, no Sinai, deu a lei divina a Moisés. Moisés e Elias, no Tabor, ensinaram a Jesus os grandes mistérios da revelação cristã. Jesus transmitiu a iniciação a São João Evangelista e é por isso que este apóstolo deve permanecer até o segundo advento de seu mestre. Em tempos de decomposição, os espíritos inferiores se manifestam como vermes em cadáveres.

Eles são evocados pela corrupção e sendo devorados por eles. Estes são os vampiros de almas insalubres. Essas decomposições sempre precedem e anunciam a chegada à terra de um espírito regenerador na pessoa do Metatron Solar. As mesas falantes e os espíritos se debatendo anunciaram o retorno de Enoque. Ele virá quando o papado perder sua autoridade no mundo e os cabalistas brilharem. O advento de Elias seguirá de perto o de Enoque e então Jesus, o Salvador do mundo, virá à terra pela segunda vez.

Ele será precedido pelo Anticristo, cuja missão será preparar o grande império temporal do revelador do Evangelho.

A luz astral formiga nos espíritos elementais, pois uma nova criação está sendo preparada. As chaves de Salomão são encontradas e os mistérios da alta Maçonaria são explicados.

Uma escola, cujos primórdios são ainda mais obscuros e quase invisíveis, será formada no império eslavo, na Alemanha e na França. Em um século, esta escola terá sete mil seguidores e seu último Grão-Mestre será Enoque.

Enoque aparecerá no ano dois mil do mundo cristão. Depois e! O messianismo fiel que ele será o precursor, florescerá na terra por mil anos. Essas previsões são o resumo de todas as profecias e de todos os cálculos cabalísticos… elas devem ser mantidas em segredo para não expor as mais respeitáveis ​​obras do gênio humano e da ciência divina às profanações da ignorância.

Terminou no dia quinze de novembro, o décimo sétimo das calendas de dezembro, o último mês do ano sagrado.

ELIPHAS LEVI

Paris, 1860.

 Notas

Copiado para uso exclusivo e pessoal do Sr. Barão de Spedalieri, em outubro e novembro de 1861.

[1] Eliphas Levi aqui comente um erro estranho a alguém tão letrado em cabala e diz que o shem do inicio do shem há mephorash significa esquema (schem).

[2] Foram usados os versículos originais dos salmos que compõe os nomes dos 72 nomes divinos em cada um dos talismãs, o significado e uso de cada um dos 36 talismas esta no apêndice no final do livro.

[3] Eliphas levi escreve este nome como Chalamiah

[4] Todos os amuletos devem ser feitos dupla face, e são para serem usados no pescoço, são talismãs e não sigilos evocatórios.

[5] Eliphas levi grafa este nome de maneira errada como:

[6] EZALEL segundo Levi

[7] HACKAMIAH segundo Levi

[8] LOVIAH segundo levi

[9] LEVIVIAH segundo Levi

[10] JEJAHEL segundo Levi

[11] HAHUIAH segundo Levi

[12] NITHAIAH segundo Levi

[13] REJAJEL segundo Levi

[14] JERATHEL segundo Levi

[15] VASARIAH segundo Levi

[16] JEHUJAH segundo Levi

[17] JEJAZEL segundo Levi

[18] HAHAEL segundo Levi

[19] MICHAEL segundo Levi

[20] VAVALIAH segundo Levi

[21] NGARIEL segundo Levi

[22] JELAIAH segundo Levi

[23] AZALIAH segundo Levi

[24] SEATHIAH segundo Levi

[25] MEHIEL segundo Levi

[26] IMAMIAH segundo Levi

[27] Em francês falava-se sobre multiplicação, mas no desenho vemos uma adição.

[28] Não encontrei o significado dessa palavra


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

As Chaves Maiores e as Claviculas de Salomão (pdf)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-chaves-maiores-e-as-claviculas-de-salomao/

Música e Magia – Larissa Conforto

Bate-Papo Mayhem 190 – 17/06/2021 17h (Terça) Com Larissa Conforto – Música e Magia

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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A Pedra dos Filósofos por Edward Kelly

Edward Kelly

PREFACIO

Este é o tratado que Edward Kelley escreveu em 1958 para Rodolfo II, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico na esperança de ser solto da prisão. Na ocasião, Kelley estava preso no Castelo Křivoklát, acusado pelo assassinato de um oficial chamado Jiri Hunkler.

Vemos neste obra não o resultado de experimentos laboratoriais, bem a documentação de observações pessoais, mas uma vasta coleção erudita da literatura alquímica da época. Isso nos leva a pensar até que ponto Kelley realmente era dedicado a alquimia operativa.

O fato de ter sido contratado por Rodolfo II para produzir ouro factual é um indicio de que ele não estava sendo completamente honesto enquanto desfrutava das grandes somas de dinheiro que passou a receber. Quando foi incapaz de apresentar resultados que descem um retorno ao investimento, Kelley foi novamente preso, desta vez no Castelo de Hněvín onde por fim faleceu.

Seja como for, a coleção de citações que Kelley apresenta aqui é valiosa tanto historicamente como alquimicamente. Historicamente para os pesquisadores que desejam uma listagem abrangente dos livros mais relevantes e dos autores mais célebres da época. Alquimicamente para aqueles que já possuem a a chave do significado dos metais e sabem o que o Ouro, a Prata, e principalmente o Mercúrio significam.

~Tamosauskas


Embora eu já tenha sofrido duas vezes cadeias e prisões na Boêmia, uma indignidade que não me foi oferecida em nenhuma outra parte do mundo, ainda assim minha mente, permanecendo livre, tem se exercitado todo esse tempo no estudo dessa filosofia que é desprezada somente pelos ímpios e tolos, mas é louvada e admirada pelos sábios. Não, o ditado de que só os tolos e os advogados odeiam e desprezam a Alquimia passou a ser um provérbio. Além disso, como durante os três anos anteriores usei muito trabalho, despesas e cuidados para descobrir para Vossa Majestade o que poderia lhe proporcionar muito lucro e prazer, também durante minha prisão – uma calamidade que me sobreveio pela ação de Sua Majestade – sou totalmente incapaz de permanecer ocioso. Por isso escrevi um tratado, por meio do qual sua mente imperial pode ser guiada em toda a verdade da filosofia mais antiga, de onde, a partir de uma eminência elevada, pode contemplar e distinguir os terrenos férteis do deserto estéril e pedregoso. Mas se meus ensinamentos o desagradam, saiba que você ainda está se desviando completamente do verdadeiro escopo e objetivo deste assunto, e está desperdiçando totalmente seu dinheiro, tempo, trabalho e esperança. Uma familiaridade com os diferentes ramos do conhecimento me ensinou uma coisa, que nada é mais antigo, excelente ou mais desejável do que a verdade, e quem a negligencia deve passar toda a vida na sombra.

No entanto, sempre foi, e sempre será , a maneira da humanidade libertar Barrabás e crucificar Cristo. Isso eu experimentei – para meu bem, sem dúvida – no meu próprio caso. Atrevo-me a esperar, no entanto, que minha vida e meu caráter se tornem conhecidos da posteridade para que eu possa ser contado entre aqueles que sofreram muito por causa da verdade. A plena certeza do tempo presente do tratado é impotente para revogar. Se Vossa Majestade se dignar a examiná-lo à vontade, facilmente perceberá que minha mente está profundamente versada neste estudo.

(1) Todos os filósofos genuínos e judiciosos remontam as coisas aos seus primeiros princípios, isto é, aqueles compreendidos na tríplice divisão da Natureza. A geração de animais eles atribuíram a uma mistura do macho e da fêmea em união sexual; a dos vegetais à sua própria semente; enquanto como princípio dos minerais eles atribuíram terra e água viscosa.

(2) Todas as coisas específicas e individuais que se enquadram em uma certa classe obedecem às leis gerais e se referem aos primeiros princípios da classe a que pertencem.

(3) Assim, todo animal é produto da união sexual; cada planta, de sua própria semente; cada mineral, da mistura de sua terra e água genéricas.

(4) Portanto, uma lei imutável da Natureza regula a geração de tudo dentro dos limites de seu próprio gênero particular.

(5) Segue-se que, quanto à sua origem, os animais são genericamente distintos dos vegetais e minerais; a mesma diferença existe respectivamente entre vegetais e minerais e os outros dois reinos naturais.

(6) A matéria comum e universal desses três princípios é chamada de Caos.

(7) O caos contém em si os quatro elementos de tudo o que é, a saber , fogo, ar, água e terra, pela mistura e movimento dos quais as formas de todas as coisas terrenas são impressas em seus súditos.

(8) Esses elementos têm quatro qualidades: calor, frio, umidade, secura. A primeira é inerente ao fogo, a segunda à água, a terceira ao ar, a quarta à terra.

(9) Por meio dessas qualidades, os elementos agem uns sobre os outros e o movimento ocorre.

(10) Os elementos agem uns sobre os outros, ou sofrem ação, e são chamados ativos ou passivos.

( 11) Elementos ativos são aqueles que, em um composto, imprimem ao passivo um certo caráter específico, de acordo com a força e a extensão de seu movimento. Estes são a água e o fogo.

(12) Os elementos passivos – terra e ar – são aqueles que, por suas qualidades inativas, recebem prontamente as impressões dos mencionados elementos ativos.

(13) Os quatro elementos distinguem-se não só pela sua atividade e passividade, mas também pela prioridade e posterioridade dos seus movimentos.

(14) Prioridade e posterioridade são aqui predicadas ou referenciadas à posição de toda a esfera, ou a importância do resultado ou objetivo do movimento.

(15) No espaço, objetos pesados tendem para baixo e objetos leves para cima; os que não são nem leves nem pesados ocupam uma posição intermediária.

(16) Deste modo, mesmo entre os elementos passivos, a terra ocupa um lugar mais alto que o ar, porque se deleita mais no repouso; pois quanto menos movimento, mais passividade.

(17) A excelência do resultado refere-se à perfeição e à imperfeição, sendo o maduro mais perfeito que o imaturo. Agora, a maturidade é totalmente devida ao calor do fogo. Portanto, o fogo ocupa o lugar mais alto entre os elementos ativos.

(18) Entre os elementos passivos, o primeiro lugar é aquele que é mais passivo, ou seja, que é mais rápida e facilmente influenciável. Em um composto, a terra é primeiro afetada passivamente, depois o ar.

(19) Da mesma forma, em todo composto, o elemento aperfeiçoador atua por último; pois a perfeição é uma transição da imaturidade para a maturidade.

(20) Sendo a maturidade causada pelo calor, o frio é a causa da imaturidade.

(21) É claro, então, que os elementos, ou primeiros princípios remotos de animais, vegetais e minerais, no Caos, são suscetíveis de movimentos ativos no fogo e na água, e de movimentos passivos na terra e no ar. A água atua na terra e a transmuta em sua própria natureza; o fogo aquece o ar e também o transforma em sua própria semelhança.

(22) Os elementos ativos podem ser chamados masculinos, enquanto os elementos passivos representam o princípio feminino.

(23) Qualquer composto pertencente a qualquer um desses três reinos – animal, vegetal, mineral – é feminino na medida em que é terra e ar, e masculino na medida em que é fogo e água.

(24) Somente o que tem consistência é sensorialmente perceptível. Fogo e ar elementares, sendo naturalmente sutis, não podem ser vistos.

(25) Apenas dois elementos, água e terra, são visíveis, e a terra é chamada de esconderijo do fogo, a água a morada do ar.

(26) Nestes dois elementos temos a ampla lei de limitação que divide o macho da fêmea.

(27) A primeira matéria dos vegetais é a água e a terra escondidas em sua semente, sendo estas mais água do que terra.

(28) A primeira matéria dos animais é a mistura do esperma masculino e feminino, que incorpora mais umidade do que secura.

(29) A primeira matéria dos minerais é uma espécie de água viscosa, misturada com terra pura e impura.

(30) A terra impura é o enxofre combustível, que impede toda fusão, e amadurece superficialmente a água a ela unida, como vemos nos minerais menores, marcassita, magnésia, antimônio, etc.

(31) A terra pura é aquela que une de tal maneira as menores partes de sua água supracitada que não podem ser separadas pelo fogo mais feroz, de modo que ambas permanecem fixas ou são volatilizadas.

(32) Desta água viscosa e terra fusível, ou enxofre, é composto o que é chamado mercúrio, a primeira matéria dos metais.

(33) Os metais nada mais são do que Mercúrio digerido por diferentes graus de calor.

(34) Diferentes modificações de calor causam, no composto metálico, maturidade ou imaturidade.

(35) O maduro é aquele que atingiu exatamente todas as atividades e propriedades do fogo. Assim é o ouro.

(36) O imaturo é aquele que é dominado pelo elemento água e nunca sofre a ação do fogo. Tais são chumbo, estanho, cobre, ferro e prata.

(37) Apenas um metal, a saber , o ouro, é absolutamente perfeito e maduro. Por isso é chamado de corpo masculino perfeito.

(38) Os demais são imaturos e, portanto, imperfeitos.

(39) O limite de imaturidade é o início do vencimento; pois o fim do primeiro é o começo do último.

(40) A prata é menos limitada pela imaturidade aquosa do que o resto dos metais, embora possa de fato ser considerada até certo ponto impura, ainda assim sua água já está coberta com a vestimenta congelante de sua terra e, portanto, tende à perfeição .

(41) Esta condição é a razão pela qual a prata é em toda parte chamada pelos Sábios de corpo feminino perfeito.

(42) Todos os outros metais diferem apenas no grau de sua imperfeição, conforme sejam mais ou menos limitados pela dita imaturidade; no entanto, todos têm uma certa tendência para a perfeição, embora lhes falte a referida vestimenta congelante de sua terra.

(43) Esta força de congelamento é o efeito da frieza terrena, equilibrando sua própria umidade própria e causando fixação na matéria fluida.

(44) Os metais menores são fusíveis em um fogo feroz e, portanto, carecem dessa força de congelamento perfeita. Se se solidificam quando arrefecem, isto deve-se à disposição das suas referidas partículas terrosas.

(45) De acordo com as diferentes maneiras pelas quais esta água viscosa e a terra pura se unem, de modo a produzir mercúrio por coagulação, com a mediação do calor natural, temos diferentes metais, alguns dos quais são chamados de perfeitos, como ouro e prata, enquanto o resto é considerado imperfeito.

(46) Quem quiser imitar a Natureza em qualquer operação particular deve primeiro certificar-se de que possui a mesma matéria e, em segundo lugar, que essa substância atua de maneira semelhante à da Natureza. Pois a Natureza se alegra com o método natural, e semelhante purifica semelhante.

(47) Por isso estão enganados aqueles que se esforçam para obter o remédio para o tingimento de metais de animais ou vegetais. A tintura e o metal tingido devem pertencer à mesma raiz ou gênero; e como são os metais imperfeitos sobre os quais a Pedra Filosofal deve ser projetada, segue-se que o pó da Pedra deve ser essencialmente Mercúrio. A Pedra é a matéria metálica que transforma as formas dos metais imperfeitos em ouro, como podemos aprender no primeiro capítulo de ‘O Código da Verdade’: “A Pedra Filosófica é a matéria metálica convertendo as substâncias e formas dos metais imperfeitos”; e todos os Sábios concordam que só pode ter esse efeito sendo como eles.

(48) Que Mercúrio é a primeira matéria dos metais, tentarei provar com o dizer de alguns Sábios.

No Turba Philosophorum, capítulo 1 , encontramos as seguintes palavras: “Na avaliação de todos os Sábios, Mercúrio é o primeiro princípio de todos os metais.” E um pouco mais adiante: “Assim como a carne é gerada a partir do sangue coagulado, o ouro é gerado a partir do Mercúrio coagulado”. Novamente, no final do capítulo: “Todos os corpos metálicos puros e impuros são Mercúrio, porque são gerados a partir do mesmo. ”

Arnold escreve assim ao rei de Aragão: “Saiba que a matéria e o esperma de todos os metais são Mercúrio, digerido e engrossado no ventre da terra; eles são digeridos pelo calor sulfuroso e, de acordo com a qualidade e quantidade do enxofre, diferentes os metais são gerados. Sua matéria é essencialmente a mesma, embora possa haver algumas diferenças acidentais, como um maior ou menor grau de digestão, etc. Todas as coisas são feitas daquilo em que podem ser dissolvidas, por exemplo, gelo ou neve, que pode ser dissolvido em água; e assim todos os metais podem ser dissolvidos em mercúrio; portanto, eles são feitos de mercúrio ” .

A mesma opinião é apresentada por Bernard de Trevisa, em seu livro sobre a “Transmutação dos Metais”: , e recebe as virtudes daquelas coisas que aderem a ele em decocção.” Um pouco mais adiante, o mesmo Trevisan afirma que “o ouro nada mais é do que mercúrio congelado pelo seu enxofre ” .

E, em outro lugar, escreve o seguinte: “O solvente difere do solúvel apenas na proporção e no grau de digestão, mas não na matéria, pois a Natureza formou um do outro sem qualquer adição, como por um processo igualmente simples e maravilhosa, ela evolui ouro de mercúrio.”

Novamente: “Os Sábios afirmam que o ouro não é nada além de mercúrio perfeitamente digerido nas entranhas da terra, e eles significam que isso é causado pelo enxofre, que coagula o Mercúrio e o digere por seu próprio calor. disseram que o ouro nada mais é do que mercúrio maduro.”

Tal também é o consenso de outras autoridades. “O Soar da Trombeta” não dá nenhuma nota incerta: “Extraia mercúrio dos corpos, e você terá acima do solo mercúrio e enxofre da mesma substância de que ouro e prata são feitos na terra ” .

O “Caminho dos Caminhos” leva à mesma conclusão: “Reverendo Padre, incline os ouvidos veneráveis, e entenda que o mercúrio é o esperma de todos os metais, perfeitos e imperfeitos, digeridos nas entranhas da terra pelo calor do enxofre, o variedade de metais devido à diversidade deste seu enxofre ” .

Encontramos no mesmo tratado um cânone semelhante : “Todos os metais na terra são gerados em Mercúrio, e assim Mercúrio é a primeira matéria dos metais”.

A estas palavras, Avicena significa seu consentimento no capítulo iii .: “Assim como o gelo, que pelo calor é dissolvido em água, é claramente gerado a partir da água, todos os metais podem ser dissolvidos em Mercúrio, do qual é claro que eles são gerados a partir de isto.”

Este raciocínio é confirmado por “O Soar da Trombeta”: “Todo corpo passivo é reduzido à sua primeira matéria por operações contrárias à sua natureza; a primeira matéria é mercúrio, sendo ele próprio o óleo de todas as coisas líquidas e dúcteis ” .

Assim também o terceiro capítulo da “Correção dos Tolos”: “A natureza de todas as coisas fusíveis é a de Mercúrio coagulado de um vapor, ou o calor do enxofre incumbível vermelho ou branco “.

No capítulo i. da “Arte da Alquimia” lemos: “Todos os Sábios concordam que os metais são gerados a partir do vapor de enxofre e mercúrio.”

Mais uma vez, uma passagem no Turba Philosophorum é assim: “É certo que todo assunto deriva daquilo em que pode ser resolvido. Todos os metais podem ser dissolvidos em mercúrio, por isso já foram mercúrio. ”

Se valesse a pena, eu poderia acrescentar centenas de outras
passagens dos escritos dos Sábios, mas como elas não serviriam para nenhum bom propósito, deixarei que elas sejam suficientes.

Comete um grande erro aqueles que supõem que a água espessa do Antimônio, ou aquela substância viscosa que é extraída do Mercúrio sublimado, ou de Mercúrio e Júpiter dissolvidos juntos em uma mancha úmida, pode em qualquer caso ser a primeira substância dos metais.

O antimônio nunca pode assumir qualidades metálicas, porque sua água e umidade não são temperadas com terra seca, sutil, e carece, além disso, daquela untuosidade característica dos metais maleáveis. Mas, como Chambar bem diz no “Código da Verdade”: “É apenas por ciúmes que os Sábios chamaram a Pedra de Antimônio ” .

Da mesma forma, aqueles que destroem a composição natural de Mercúrio, para resolvê-la em uma água espessa ou límpida, que chamam de matéria primeira dos metais, lutam contra a Natureza no escuro, como gladiadores cegos.

Assim que Mercúrio perde sua forma específica, torna-se outra coisa, que não pode mais se misturar com os metais em suas menores partes, e é anulado para o trabalho dos Filósofos. Quem quer que se envolva com experiências tão infantis, deve ouvir o Sábio de Trevisa em sua “Transmutação de Metais”:

” Quem pode encontrar a verdade que destrói a natureza úmida de Mercúrio? Alguns tolos mudam seu arranjo metálico específico, corrompem sua umidade natural por dissolução, e mercúrio desproporcional de sua qualidade mineral original, que não queria nada além de purificação e digestão simples. Por meio de sais, vitríolo e alúmen, eles destroem a semente que a Natureza se esforçou para desenvolver. As coisas são formadas pela natureza e não pela arte, mas pela arte são unidas e misturadas. A semente não precisa de adição e não admite diminuição. foi formado pela Natureza. Todos os ensinamentos que alteram o Mercúrio são falsos e vãos, pois este é o esperma original dos metais, e sua umidade não deve secar, caso contrário não se dissolverá. Muito fogo causará uma morbidez id calor, como o de uma febre, e transformar os elementos passivos em ativos, assim o equilíbrio de forças é destruído, e todo o trabalho prejudicado. No entanto, esses tolos extraem dos minerais menores águas corrosivas, nas quais projetam as diferentes espécies de metais, e assim os corroem.

“A única solução natural é aquela pela qual do solvente e do solúvel, ou macho e fêmea, resulta uma nova espécie. Nenhuma água pode dissolver naturalmente os metais, exceto aquela que permanece com eles em substância e forma e que também onde metais dissolvidos podem congelar novamente; não é o caso da aqua fortis, visto que ela apenas destrói o arranjo específico. qualquer outra coisa que esses tolos tenham o prazer de chamar de Água Mercurial.” Até aqui cito Trevisan.

As pessoas que caíram neste erro fatal também podem se beneficiar do ensinamento de Avicena sobre este ponto: “O mercúrio é frio e úmido, e dele, ou com ele, Deus criou todos os metais. É aéreo e torna-se volátil por a ação do fogo, mas depois de resistir um pouco ao fogo, ele realiza grandes maravilhas e é ele mesmo apenas um espírito vivo de potência inigualável. Ele entra e penetra em todos os corpos, passa por eles e é seu fermento. então o Elixir Branco e Vermelho e é uma água eterna, a água da vida, o leite da Virgem, a fonte, e aquele Alum do qual quem bebe não pode morrer, etc. e que se produz no mesmo dia. Com seu veneno, destrói todas as coisas. É volátil, mas os sábios o fazem suportar o fogo, e então o transmuta como foi transmutado, tinge como foi tingido e coagula como foi coagulado. Portanto, é a geração da prata viva deve ser preferida antes de todos os minerais; encontra-se em todos os minérios, e tem seu assinatura em todos eles. O mercúrio é o que salva os metais da combustão e os torna fusíveis. É a Tintura Vermelha que entra na união mais íntima com os metais , porque é de sua própria natureza, mistura-se a eles indissoluvelmente em todas as suas partes menores e, sendo homogênea, naturalmente adere a eles. Mercúrio recebe todas as substâncias homogêneas, mas rejeita tudo o que é heterogêneo, porque se deleita em sua própria natureza, mas recua de tudo o que é estranho. Quão tolo, então, estragar e destruir aquilo que a Natureza fez a semente de todas as virtudes metálicas por elaboradas operações químicas! ”

O “Rosário” nos convida a ser particularmente cuidadosos, para que ao purificar o mercúrio não dissipemos sua virtude e prejudiquemos sua força ativa. Um grão de trigo, ou qualquer outra semente, não crescerá se sua virtude geradora for destruída pelo calor externo excessivo. Portanto, purifique seu mercúrio por destilação em fogo suave.

Diz o Sábio de Trevisa: ” Se o mercúrio é roubado de sua devida proporção metálica, como podem ser geradas outras substâncias do mesmo gênero metálico? É um erro supor que você pode fazer milagres com uma água límpida e límpida extraída de Mesmo se pudéssemos obter tal água, não seria útil, nem na forma nem na proporção, nem poderia restaurar ou construir uma espécie metálica perfeita. ele se torna impróprio para nossa operação, pois perde sua qualidade espermática e metálica. Eu, de fato, aprovo que o Mercúrio impuro e bruto seja sublimado e purificado uma ou duas vezes com sal simples, de acordo com o método apropriado dos Sábios, por tanto tempo. como a fluidez ou humor radical de tal Mercúrio permanece intacto, isto é, enquanto sua natureza mercurial específica não for destruída, e enquanto sua aparência externa não se tornar a de um pó seco”.

Na “Escada dos Sábios” nos é dito para tomar cuidado com a vitrificação na solução dos corpos, com odor e sabor de substâncias imperfeitas, e também com a virtude geradora de sua forma ser de alguma forma queimada e destruída por águas corrosivas .

Se você tem tentado fazer alguma dessas coisas, você pode ver o quão grave foi o seu erro. Pois a água dos Sábios não adere a nada, exceto a substâncias homogêneas. Ele não molha suas mãos se você tocá-lo, mas queima sua pele, irrita e corrói todas as substâncias com que entra em contato, exceto ouro e prata ( não os afetaria até que eles fossem dissipados e dissolvidos por espíritos e fortes águas), e com estes combina mais intimamente. Mas a outra mistura é muito infantil, condenada pelo concerto dos Sábios e por minha própria experiência.

Proponho agora mostrar que o mercúrio é a água com a qual, e na qual, a solução dos Sábios ocorre, colocando diante do leitor as opiniões de muitos Filósofos que vivem em diferentes países e épocas.

Menalates na Turba: “Quem une o mercúrio ao corpo de magnésia, e a mulher ao homem, extrai a natureza oculta pela qual os corpos são coloridos. Saiba que o mercúrio é um fogo consumidor que mortifica os corpos pelo seu contato “, na Turba, diz: “Divida os elementos pelo fogo, una-os pela mediação de Mercúrio, que é o arcano maior, e assim o magistério está completo, consistindo toda a dificuldade na solução e conjunção. A solução, ou separação , ocorre através da mediação de Mercúrio, que primeiro dissolve os corpos, e estes são novamente unidos pelo fermento e pelo Mercúrio”.

Rosinus faz Gold se dirigir a Mercúrio da seguinte forma: “Você disputa comigo, Mercúrio? Eu sou o Senhor, a Pedra que resiste ao fogo”. Diz Mercúrio: “Tu dizes a verdade; mas eu te gerei, e uma parte de mim vivifica muitos de ti, visto que tu és relutante em comparação comigo. Quem me unir a meu irmão ou irmã viverá e se alegrará, e me fará suficiente para ti.”

No capítulo 5 do “Livro das Três Palavras”, lemos: “Digo-te que em Mercúrio estão as obras dos planetas, e todas as suas imaginações em suas páginas ” .

Aristóteles diz que o primeiro modo de preparação é que a Pedra se torne Mercúrio; ele chama Mercúrio o primeiro corpo, que age sobre as substâncias grosseiras e as transforma em sua própria semelhança. ” Se Mercúrio não fizesse nada além de tornar os corpos sutis e semelhantes a si mesmo, isso nos bastaria.”

Sênior: “Nossa Pedra, então, é água congelada, ou seja, Mercúrio congelado em ouro e prata e, quando fixado, resistente ao fogo ” .

“O Soar da Trombeta”: “O mercúrio contém tudo o que os Sábios procuram e destrói todo o ouro escamoso. Ele dissolve , suaviza e extrai a alma do corpo.”

“O Livro da Arte da Alquimia”: “Os Sábios foram os primeiros a tentar revestir os corpos inferiores na glória e esplendor do corpo perfeito quando descobriram que os metais diferem apenas de acordo com o maior ou menor grau de sua digestão, e são todos gerados a partir de Mercúrio, com o qual extraíram o ouro e o reduziram à sua primeira natureza ” .

A “Correção dos Tolos”: “Observe que o Mercúrio bruto dissolve os corpos e os reduz à sua primeira matéria ou natureza. ., ouro e prata.” O mesmo livro observa: “Você pode fazer uso de Mercúrio bruto da seguinte forma – para selar e abrir naturezas, pois coisas semelhantes são úteis umas para as outras”. Mais uma vez: “O Mercúrio é a raiz na Arte da Alquimia, pois os Sábios dizem que todos os metais são dele, e através dele, e nele – segue-se que os metais devem primeiro ser reduzidos a Mercúrio, a matéria e o esperma de todos os metais.”

Novamente: “A razão pela qual todos os metais devem ser reduzidos à natureza de vapor é porque vemos que todos são gerados de mercúrio, através da mediação de que eles vieram a existir. ”

Graciano: “Purifique Laton, ou seja, cobre ( minério), com Mercúrio, pois Laton é de ouro e prata, um corpo composto, amarelo, imperfeito.”

“O Soar da Trombeta”: “Mercúrio Comum é chamado de espírito. Se você não resolver o corpo em Mercúrio, com Mercúrio, você não pode obter sua virtude oculta.”

“Arte da Alquimia”, capítulo vi .: “A segunda parte da Pedra que chamamos de Mercúrio vivo, que, sendo viva e bruta, diz-se que dissolve os corpos, porque adere a eles em seu ser mais íntimo. Esta é a Pedra sem que a Natureza nada faz.”

“Rosário”: “Mercúrio nunca morre, exceto com seu irmão e irmã. Quando Mercúrio mortifica a matéria do Sol e da Lua, fica uma matéria como cinzas. ”

O Sábio de Trevisa: “Não adicione nada acima do solo para digerir e engrossar Mercúrio na natureza do ouro ou dos metais.” Mais uma vez: “Esta solução é possível e natural, isto é, pela Arte como serva da Natureza, e é única e necessária na obra; mas só se consegue pelo mercúrio, nas proporções que se recomendam a um bom operário. que conhece as propriedades mais íntimas da Natureza.”

“Arte da Alquimia”: “Quem pode exaltar suficientemente Mercúrio, pois só Mercúrio tem o poder de reduzir o ouro à sua primeira natureza?”

Destas citações fica claro o que os Sábios queriam dizer com sua água, e o que eles pensavam deste maravilhoso líquido, a saber , Mercúrio, ao qual eles atribuíam todo poder no Magistério, pois nada pode ser aperfeiçoado fora de seu próprio gênero. Os homens digerem os vegetais, não no sangue dos animais, mas na água, que é seu primeiro princípio, nem os minerais são afetados pelo líquido vegetal. Nas palavras do “Soar da Trombeta”: “Todo o Magistério consiste em separar os elementos dos metais, e purificá-los, e em separar o enxofre da Natureza dos metais ” .

Além disso, como diz Hermes, só as substâncias homogêneas são coerentes, e só elas podem produzir descendentes segundo sua própria espécie, ou seja, se se quer um medicamento que é gerar metais, sua origem deve ser metálica, pois “as espécies são tingidas por seu gênero, ” como testemunha o filósofo.

Em suma, nosso Magistério consiste na união do masculino e feminino, ou ativo e passivos , elementos através da mediação de nossa água metálica e um grau adequado de calor. Agora, o macho e a fêmea são dois corpos metálicos, e isso vou provar novamente por citações irrefragáveis dos Sábios:

Dantius nos manda preparar os corpos e dissolvê-los .

Galienus: “Prepare os corpos e purifique-os da escuridão em que está a corrupção, até que o branco se torne branco e vermelho, então dissolva ambos, etc.”

Cálid (capítulo I): ” Se você não tornar os corpos sutis, para que sejam impalpáveis ao toque, você não alcançará seu fim. Se eles não foram moídos, repita sua operação e veja que eles são moídos e sutilizados. Se você fizer isso, você será direcionado ao seu objetivo desejado.”

Aristóteles: “Os corpos não podem ser mudanças, exceto pela redução em sua primeira matéria. ”

Calida (capítulo v.): “Da mesma forma, os sábios nos ordenaram dissolver os corpos para que o calor adere às suas partes mais íntimas; então procedemos à coagulação após uma segunda dissolução com uma substância que mais se aproxima deles.”

Menabadus: “Faça corpos, não-corpos, e corpos de coisas incorpóreas, pois este é todo o processo pelo qual a virtude oculta da Natureza é extraída ” .

Ascanius: “A conjunção dos dois é como a união de marido e mulher, de cujo abraço resulta água dourada. ”

“Antologia de Segredos”: “Case o homem vermelho com a mulher branca , e você terá todo o Magistério.”

“O Soar da Trombeta”: “Há outra tintura de mercúrio e permanente que é extraída de corpos perfeitos por dissolução, destilação, sublimação e subtilização ” .

Hermes: “Junte o macho à fêmea em sua própria umidade, porque não há nascimento sem união de macho e fêmea. ”

Platão: “A natureza segue uma natureza afim, a contém e a ensina a resistir ao fogo. Casa o homem com a mulher, e você tem todo o Magistério. ”

Avicena: “Purifica marido e mulher separadamente, para que se unam mais intimamente; porque se não os purificares, eles não podem amar-se. Pela conjunção das duas naturezas obtém-se uma natureza clara e lúcida, que, quando ascende, torna-se brilhante e útil.”

“Arte da Alquimia”: “Dois corpos nos fornecem tudo em nossa água. ”
Trevisanus: “Somente aquela água que é da mesma espécie, e pode ser engrossada por corpos, pode dissolver corpos.”

Hermes: “Que as pedras da mistura sejam tomadas no início do primeiro trabalho, e que sejam misturadas igualmente na terra.”

“Espelho”: “Nossa Pedra deve ser extraída da natureza de dois corpos, antes que possa se tornar um Elixir perfeito. ”

Demócrito: “Você deve primeiro dissolver os corpos sobre cinzas brancas quentes, e não moê-los, exceto apenas com água.”

“Rosário” de Arnold: “Extraia a Medicina dos corpos mais homogêneos da Natureza. ”

Provei assim o número dos corpos dos quais o Elixir é obtido. Mostrarei agora por citações o que são esses corpos .

“Exposição da Carta do Rei Alexandre”: “Nesta arte você deve se casar com o Sol e a Lua. ”

“O Soar da Trombeta”: “O Sol só aquece a Terra e lhe confere sua virtude por intermédio da Lua, que, de todas as estrelas, recebe sua luz e calor mais prontamente. ”

“A correção dos tolos”: “Semeie ouro e prata, e eles renderão mil vezes ao seu trabalho, pela mediação daquela única coisa que tem o que você procura. A Tintura de ouro e prata exibe as mesmas proporções metálicas que o imperfeito metais, porque eles têm uma primeira matéria comum em Mercúrio.”

Mais uma vez: “Tinja com ouro e prata, porque o ouro dá ao ouro e à prata a cor e a natureza prateadas. Rejeite todas as coisas que não têm natural ou virtualmente o poder de tingir, pois nelas não há fruto, mas apenas desperdício de dinheiro e rangidos. de dentes.”

Sênior: “Eu, o Sol, sou quente e seco, e tu, a Lua, és frio e úmido; quando nos casarmos em uma câmara fechada, eu gentilmente roubarei sua alma.”

Rosinus para Saratant: “Da água viva obtemos a terra, um corpo morto homogêneo, composto de duas naturezas, a do Sol e a da Lua ” .

Novamente: “Quando o Sol, meu irmão, por amor a mim (prata) derrama seu esperma (ou seja, sua gordura solar) na câmara (ou seja, meu corpo lunar), ou seja, quando nos tornamos um em uma tez forte e completa e união, o filho do nosso amor conjugal nascerá.”

Hermes : “Sua umidade é do império da Lua, e sua gordura do império do Sol, e esses dois são seu coágulo e semente pura do Sol e o Espírito da Lua.”

Turba Philosophorum: “Ambos os corpos em sua perfeição devem ser tomados para a composição do Elixir, seja laranja ou branco, pois nenhum se torna líquido sem o outro.”

Mais uma vez, Gold diz: “Ninguém me mata senão minha irmã. ”

Aristóteles: “Se eu não visse ouro e prata, certamente diria que a Alquimia não era verdadeira.”

O Sábio: “A base de nossa Arte é o ouro e sua sombra. ”

“Arte da Alquimia”: “Já dissemos que ouro e prata devem ser unidos.”

“Rosário”: “Há uma adição de cor alaranjada pela qual o Remédio é aperfeiçoado a partir da substância do enxofre fixo, ou seja, ambos os remédios são obtidos do ouro e da prata.”

O Sábio: “Quem sabe tingir enxofre e mercúrio atingiu o grande arcano. Ouro e prata devem estar na Tintura, e também o fermento do espírito. ”

“Rosário”: “O fermento do Sol é o esperma do homem, o fermento da Lua, o esperma da mulher. De ambos obtemos uma união casta e uma verdadeira geração. ”

“O Soar da Trombeta”: “Você quer que a prata subtilize seu ouro e torne-o volátil removendo sua impureza, pois a prata tem uma necessidade maior da luz do ouro.”

Portanto Hermes, como também Aristóteles em seu tratado sobre as plantas, diz que o ouro é seu pai, e a prata sua mãe; nada mais é necessário para a nossa Pedra. Prata é o campo em que a semente de ouro é semeada.” E um pouco mais adiante: “Em minha irmã, a Lua, cresce sua sabedoria, e não em nenhum outro de meus servos, diz o Senhor Sol. Sou como a semente lançada em terra boa e pura, que brota, cresce, se multiplica e dá grande lucro ao semeador . Eu, o Sol, dou a ti, a Lua, minha beleza, a luz do Sol, quando estamos unidos em nossas menores partes.” E a Lua diz ao Sol: “Tu precisas de mim, como o galo preciso da galinha, e eu preciso de tua operação, que és perfeito em moral, o pai das luzes, um grande e poderoso senhor, quente e seco, e eu sou a lua crescente, fria e úmida, mas recebo tua natureza por nossa União.”

Avicena: “Para obter o Elixir vermelho e o branco , os dois corpos devem ser unidos. Pois, embora o ouro seja o mais fixo e perfeito dos metais, se for dissolvido em suas partes menores, torna-se espiritual e volátil, como mercúrio, e isso por causa de seu calor. Esta tintura, que é incontável, é chamada de semente masculina quente. Mas se a prata for dissolvida em água morna, ela permanece fixa como antes, e tem pouca ou nenhuma tintura, mas prontamente recebe a tintura em um temperamento de quente e frio, e é chamada de semente feminina fria, seca. O ouro ou a prata por si só não são facilmente fundíveis, mas uma mistura dos dois derrete facilmente, como é bem conhecido pelos ourives. nossa Pedra não continha ouro e prata, não seria líquida, e não daria remédio por nenhum magistério, nem tintura, pois se ela rendesse tintura, ainda não teria poder de tingimento”.

E um pouco mais adiante: “Cuidado, então, e opere apenas com ouro, prata e mercúrio, pois todo o lucro de nossa arte deriva desses três ” .

Posso acrescentar que o Mercúrio bruto é a água que os Sábios usaram para fins de solução. Provei que dois corpos devem ser dissolvidos, e que não são mais que ouro e prata. Agora descreverei a conjunção desses dois corpos por meio do Mercúrio bruto dos Sábios.

“A Luz das Luzes”: “Saiba que é ouro, prata e Mercúrio que embranquecem e avermelham por dentro e por fora. O Dragão não morre, a menos que seja morto com seu irmão e irmã, e não deve ser por um, mas pelos dois juntos.”

“A Escada dos Sábios”: “Outros dizem que um corpo verdadeiro deve ser adicionado a esses dois, para fortalecer e encurtar a operação. ”

“Tesouro dos Sábios”: “Nossa Pedra tem corpo, alma e espírito, o corpo imperfeito é o corpo, o fermento a alma, e a água o espírito. ”

“Caminho dos Caminhos”: “A água chama-se espírito, porque dá vida ao corpo imperfeito e mortificado, e dá-lhe uma forma melhor; o fermento é a alma, porque dá vida ao corpo e muda em sua própria natureza. ”

Mais uma vez: “Todo o Magistério se realiza com nossa água e por ela. Pois ela dissolve os corpos, calcina-os e reduz-os à terra, transforma-os em cinzas, embranquece-os e purifica-os, como diz Morienus: “Azoth e fogo purificam Laton, isto é, lave-o e remova completamente sua obscuridade; Laton é o corpo impuro, Azoth é mercúrio.”

“O Soar da Trombeta”: “Como sem fermento não há tintura perfeita, como dizem os Sábios, sem fermento não há pão bom . Em nossa Pedra o fermento é como a alma, que dá vida ao corpo morto através da mediação do espírito, ou Mercúrio.”

“O Rosário” e Pedro de Zalentum dizem: ” Se o fermento, que é o meio da conjunção, for colocado no início, ou no meio, o trabalho é mais rapidamente aperfeiçoado”.

“O Soar da Trombeta”: “O Elixir dos Sábios é composto de três coisas, a saber , a Pedra Lunar, a Solar e a Pedra Mercurial. Na Pedra Lunar há enxofre branco, na Pedra Solar, enxofre vermelho, e a Pedra Mercurial abraça ambas, que é a força de todo o Magistério.”

Eximenus: “A água, com seus adjuntos, sendo colocada no vaso, preserva-os da combustão. As substâncias sendo moídas com água, segue-se a ascensão da Ethelia e a embebição de água é suficiente por si só para completar o trabalho. ”

Platão: “Tome corpos fixos, junte-os, lave o corpo na substância corporal e deixe-o ser fortalecido com o corpo incorpóreo, até que você o transforme em um corpo real ” .

Pandulphus: “A água fixa é água pura da vida, e nenhum veneno tingindo é gerado sem ouro e sua sombra. Quem tinge o veneno dos Sábios com o Sol e sua sombra, alcançou a mais alta sabedoria. ”

Novamente: “Separe os elementos com fogo, una-os por meio de Mercúrio, e o Magistério está completo. ”

Exercício, 14: “O espírito guarda o corpo e o preserva do fogo, o corpo clarificado impede que o espírito se evapore sobre o fogo, sendo o corpo fixo e o espírito incombustível. Portanto, o corpo não pode ser queimado, porque o corpo e o espírito são um através da alma. A alma os impede de serem separados pelo fogo. Portanto, os três juntos podem desafiar o fogo e qualquer outra coisa no mundo. ”

Rhasis ( “Livro das Luzes”): “Nossa Pedra tem o nome da criação do mundo, sendo três e ainda um. Em nenhum lugar nosso Mercúrio é encontrado mais puro do que em ouro, prata e Mercúrio comum.”

Quando corpos e espíritos são dissolvidos, eles se dissolvem nos quatro elementos, que se tornam uma substância firme e fixa. Mas quando não estão ambos dissolvidos, há uma mistura particular que o fogo ainda pode separar.”

Rosinus: “Em nosso Magistério há um espírito e corpos, de onde se diz: Regozija-se sendo semeado nas três substâncias associadas”.

Calid: “Prepare os corpos celestes com a umidade dissolvida, até que qualquer um seja reduzido à sua forma sutil. Se você não sutilizar e triturar os corpos até que se tornem impalpáveis, você não encontrará o que procura.”

Rosinus: “A Pedra consiste em corpo, alma e espírito, ou água, como dizem os Filósofos, e é digerida em um vaso. Todo o nosso Magistério é por nossa água, que dissolve os corpos, não em água, mas por uma verdadeira solução filosófica na água de onde os metais são extraídos, e é calcinada e reduzida à terra. Ela torna amarelos como cera aqueles corpos em cuja natureza ela é transformada; ela substancializa, branqueia e purifica o Latão, de acordo com a palavra de Morienus.”

Aristóteles: “Tome seu filho amado e case-o com sua irmã, sua irmã branca , em casamento igual, e dê-lhes o cálice do amor, pois é um alimento que os leva à união. coisas, ou terão filhos diferentes deles. Portanto, antes de tudo, como Avicena aconselha, sublima o Mercúrio e purifica nele os corpos impuros.

Ascanius: “Instigue a guerra entre o cobre e o Mercúrio até que eles se destruam e se devorem. Então o cobre coagula o mercúrio, o mercúrio congela o cobre, e ambos os corpos se tornam um pó por meio de embebição e digestão diligentes. homem vermelho e a mulher branca até se tornarem Ethelia, isto é, mercúrio. Quem os transforma em espírito por meio de mercúrio, e depois os torna vermelhos, pode tingir todos os corpos.

Quanto à natureza desse cobre, Graciano nos instrui com as seguintes palavras: “Faça Laton branco , ou seja, branqueie o cobre com Mercúrio, porque Laton é um corpo imperfeito laranja, composto de ouro e prata.”

Aconselho a todos que sigam meus ensinamentos, cuja exatidão minhas citações dos antigos não podem deixar dúvidas, o que também recebeu confirmação adicional de minhas próprias experiências. Qualquer desvio deste curso leva ao engano, exceto apenas o trabalho de Saturno, que deve ser realizado pela sutilização de princípios. Os Sábios dizem que as coisas homogêneas apenas combinam umas com as outras, tornam-se brancas e vermelhas e permitem a geração comum. O ponto importante é que Mercúrio deve agir sobre nossa terra. Esta é a união de macho e fêmea, da qual os Sábios tanto falam. Depois que a água, ou mercúrio, uma vez apareceu, ela cresce e aumenta, porque a terra fica branca, e isso é chamado de impregnação. Então o fermento é coagulado, isto é, unido ao corpo imperfeito preparado, até que eles se tornem um em cor e aparência: isso é denominado o nascimento de nossa Pedra, que os Sábios chamam de Rei. Desta substância é dito na “Arte da Alquimia” que se alguém queimar esta flor e separar os elementos, o germe gerador é destruído.

Concluo com as palavras de Avicena: “O verdadeiro princípio de nosso trabalho é a dissolução da Pedra, porque os corpos resolvidos assumiram a natureza dos espíritos, ou seja, porque sua qualidade é mais seca há a coagulação do espírito. Seja paciente, portanto, digere, bata , torne amarelo como cera, e nunca se canse de repetir esses processos até que eles sejam perfeitos. Pois as coisas saturadas com água são assim amolecidas. mais você o amolece e sutiliza suas partes grosseiras, até que sejam completamente penetradas com o espírito e assim dissolvidas. Pois batendo, assando e queimando, as partes duras e viscosas dos corpos são separadas.

Finalmente, quero dizer, filhos do conhecimento, que na obra dos Sábios há três soluções.

A primeira é a do corpo bruto.

A segunda é a da terra dos Sábios.

A terceira é aquela que ocorre durante o aumento da substância.

Se você considerar diligentemente tudo o que eu disse, este Magistério se tornará conhecido por você.

Quanto a mim, o quanto sofri por causa desta Arte, a história revelará às eras futuras.

Fonte: The Stone of the Philosophers

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Edição final: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-pedra-dos-filosofos-por-edward-kelly/

As Oito Cores da Magia

Peter J. Carroll, Liber Kaos

Nosso aparato perceptivo e conceitual cria uma divisão quádrupla da matéria em uma tautologia de espaço, tempo, massa e energia. Da mesma forma, nossos impulsos instintivos criam uma divisão óctupla da magia. As oito formas de magia são convenientemente denotadas por cores com significado emocional e podem ser atribuídas aos sete “planetas” clássicos [Amarelo/Sol, Púrpura/Lua, Laranja/Mercúrio, Verde/Vênus, Vermelho/Marte, Azul/Júpiter e Preto/Saturno], mais Urano para a cor Octarina. No entanto, na causa de expandir os parâmetros do que pode ser tentado com cada uma dessas formas de magia, tal atribuição será aqui evitada. As oito formas de magia serão consideradas cada uma por sua vez.

Magia Octarina

Seguindo as hipóteses de Pratchett , oitava cor do espectro que é a percepção pessoal do magista da “cor da magia” pode ser chamada de octarina. Para mim, ela é uma tonalidade particular do rosa-púrpura elétrico. Minhas visões mais significativas têm ocorrido, todas nesta cor, e visualizo-a para colorir muitos de meus encantamentos e sigilos mais importantes no Astral. Antes que eu navegasse num barco feito à mão pelo Mar da Arábia, fui induzido por um feiticeiro indiano a aceitar uma imensa estrela de rubi, de valor incalculável. Ela era de um matiz, exatamente, octarino. Durante o mais violento tufão que jamais experimentei, encontrei-me agarrado aos gurupés, gritando minhas conjurações para Thor e Poseidon ao mesmo tempo que enormes ondas atiravam-se contra o barco e luminosos raios octarinos quebravam no mar por toda a volta. Olhando para o passado, parece um milagre que eu e minha tripulação tenhamos sobrevivido. Mantenho a pedra octarina comigo, incerto se ela me foi passada como uma maldição, uma bênção, um teste ou todas estas coisas reunidas.

Outros magos percebem a octarina de diferentes modos. Minha percepção pessoal da octarina provavelmente reflete minhas formas mais eficientes de gnoses: o sexo (púrpura) e a raiva (vermelho). Cada um deve buscar uma cor da magia (octarina) para si. O poder octarino é o nosso impulso instintivo para a magia. Impulso este que, ao permitirmos aflorar, cria o ‘eu-mágico’, ou personalidade na psique, e uma afinidade com várias formas de deus mágicas. O ‘eu-mágico’ varia entre os magos, porém possui as características gerais de antinomianismo e desvio (desencaminho) com uma predileção pela manipulação e pelo bizarro. O antinomianismo do “eu-mágico” surge, até certo grau, pela alienação geral da cultura vigente provocada pela magia. Assim, o “eu-mágico” tende a se interessar por tudo aquilo que não existe, ou que não deveria existir segundo o senso comum.. Para o “eu-mágico” nada é antinatural, uma declaração com ilimitados significados. O desvio do “eu-mágico” é uma conseqüência natural da “destreza da mente”, técnica requerida para manipular aquilo que não pode ser visto. As formas de deus do poder octarino são aquelas que correspondem mais estreitamente às características do “eu-mágico” e são, normalmente, as formas de possessão mais importantes para o mago que busca inspiração de natureza puramente mágica. Baphomet, Pan, Odin, Loki, Tiamat, Ptah, Eris, Hekate, Babalon, Lilith e Ishtar são exemplos de formas de deus que podem ser usadas para este propósito. Como alternativa, o mago pode desejar formular uma forma de deus em uma base unicamente idiossincrática onde, para tal, o planeta Urano e o simbolismo da serpente provaram ser pontos de partida muito úteis.

O mago pode invocar tais formas de deus para a iluminação de vários aspectos do “eu-mágico” e para inúmeros trabalhos de magia pura, preferivelmente à aplicada. A categoria de magia pura inclui atividades como: o desenvolvimento de teorias e filosofias mágicas, o desenvolvimento de programas de treinamento mágico, o planejamento de sistemas simbólicos para uso na adivinhação, o desenvolvimento de encantamentos e a criação de linguagens mágicas com objetivos similares. É valido assinalar aqui que as linguagens da Magia Caótica são, normalmente, escritas em V-primo, antes da transliteração para a forma bárbara mágica. V-primo, ou Vernacular primo, é simplesmente a sua língua nativa na qual são omitidos todos os usos de quaisquer tempos do verbo ser, de acordo com a metafísica quântica. Toda a falta de sentido do transcedentalismo desaparece muito naturalmente uma vez adotada esta tática. Não há ser, tudo é fazer.

Invoca-se o poder octarino para inspirar o “eu-mágico” e para alargar o arcano fundamental do mago. O arcano fundamental do mago consiste nos símbolos pessoais básicos com os quais você interpreta e influencia magicamente a realidade (tudo o que pode acontecer na percepção). Estes símbolos podem ser teorias ou kabbalas, obsessões, armas mágicas, astrais ou físicas, ou de fato, qualquer coisa que diga respeito à prática da magia de forma geral – qualquer coisa que não seja destinada, especificamente, para algum dos outros poderes da magia aplicada. Os símbolos desta última formam o arcano secundário de magia.

Da situação privilegiada que é a gnoses octarina, o “eu-mágico” é capaz de compreender os eus dos outros sete poderes e a sua inter-relação dentro de um organismo global. Portanto, o poder octarino traz alguma habilidade em psiquiatria, cuja função é o ajustamento da relação entre os eus em um organismo. A diferença básica entre um mago e um indivíduo comum é que neste último o poder octarino já é vestígio ou ainda incipiente. O repouso normal ou o modo indiferente de uma pessoa comum corresponde a uma leve expressão do poder amarelo. Este poder é considerado como sendo a personalidade normal ou o ego. O “eu-mágico” entretanto, é totalmente consciente de que este poder amarelo é somente uma das oito principais ferramentas que o organismo possui. Assim, num certo sentido, a personalidade normal do mago é uma ferramenta do “eu-mágico” ( e vice-versa ). Este entendimento dá a ele alguma vantagem sobre as pessoas comuns. Entretanto, o “eu-mágico” em desenvolvimento logo perceberá que não é superior, em si mesmo, aos outros eus pois há muitas coisas que estes podem fazer que ele não pode. O desenvolvimento do poder octarino através da filosofia e prática da magia, tende a prover o mago de um segundo centro principal entre os eus. Este segundo centro irá complementar o ego do poder amarelo. O despertar do poder octarino é, algumas vezes, conhecido como “ser mordido pela serpente”. Aqueles que passam por isto se reconhecem mutuamente tão instantaneamente quanto, por exemplo, dois sobreviventes de um bote salva-vidas.

Talvez um dos maiores artifícios da “destreza da mente” seja permitir que o “eu-mágico” e o ego dancem juntos dentro da psique sem conflitos excessivos. O mago que é incapaz de fingir ser uma pessoa comum ou que é incapaz de agir de forma independente de seu próprio ego, não é mago totalmente.

Por outro lado, o crescimento do octarino ou oitavo poder do eu, a descoberta do tipo de mago que a pessoa quer ser e a identificação ou síntese de uma forma-deus para representar este ideal, tendem a criar algo como um ser mutante que avançou na direção de um paradigma do qual muito poucos estão cientes. Não é fácil voltar atrás uma vez iniciada a viagem, embora alguns tenham tentado abortá-la com narcóticos, inclusive misticismo. É uma peregrinação para um destino desconhecido onde a pessoa desperta com êxito de um pesadelo para entrar em outro. Alguns deles parecem muito interessantes em determinados momentos. Há mundos dentre nós; os abismos são somente as iniciações entre eles.

A evocação de um servidor octarino pode criar uma inestimável ferramenta para aqueles que estão engajados em pesquisa mágica. As principais funções de tais entidades são, normalmente, ajudar na descoberta de informações úteis e contatos. Não podemos ignorar aqui os resultados negativos. Por exemplo: o completo fracasso de um servidor bem preparado em recuperar informações a respeito do hipotético Big-Bang cósmico foi um fator que contribuiu no desenvolvimento da teoria Fiat Nox.

Magia Negra 

Os programas de morte construídos dentro de nossa estrutura emocional e comportamental, ambas genéticas e hereditárias, são o preço que pagamos pela capacidade de reprodução sexuada, a única que permite mudanças evolutivas. Somente são imortais aqueles organismos que se reproduzem assexuadamente, reproduzindo inúmeras cópias idênticas de suas próprias formas, extremamente simples. Duas conjurações com o poder negro são de particular interesse para o mago: lançamento de encantos de destruição e o ato de se evitar uma morte prematura.

Os assim chamados ritos “Chod” são um ensaio ritual da morte, onde o “eu-morte” é invocado para manifestar seu conhecimento e sabedoria. Tradicionalmente concebido como uma figura de um esqueleto vestido em uma túnica negra e armado com uma foice, o “eu-morte” é responsável pelos mistérios do envelhecimento, senilidade, morbidez, necrose, entropia e decadência. Ele também possui um senso de humor pervertido e que denota enfado em relação ao mundo.

Cercado por todos os símbolos e parafernália da morte, o mago invoca o “eu-morte” em um rito “Chod” para um dos dois propósitos mencionados anteriormente. Primeiramente a experiência do “eu-morte” e a gnoses negra trazem o conhecimento do que se sente no momento que se começa a morrer. Isto prepara o mago para resistir às manifestações de uma morte prematura real, por conhecimento do inimigo. Um demônio é somente um deus agindo fora de sua vez ( fora do momento certo ). No curso de vários ritos “Chod” o mago pode, convenientemente, experimentar praticar o banimento, em estilo xamânico, de entidades e símbolos visualizados e invocados que são associados a várias doenças. Portanto, o “eu-morte” tem algumas utilidades em diagnose médica e adivinhação.

Em segundo lugar, o “eu-morte” pode ser invocado como uma condição privilegiada para lançar encantos de destruição. Neste caso, a invocação toma a mesma forma geral, porém a conjuração é normalmente chamada de Rito de Entropia. Deve-se sempre procurar alguma alternativa possível para o exercício da magia destrutiva, pois ser forçado a uma posição de ter que usá-la é uma demonstração de fraqueza. Em cada caso, o mago deve estabelecer um mecanismo no subconsciente pelo qual o alvo possa ir à ruína e, então, projetá-lo com a ajuda de um sigilo ou, talvez, de um servidor invocado. Magia Entrópica funciona mandando ao alvo informações que estimulam o comportamento auto-destrutivo. Magia Entrópica difere da magia de combate da gnoses vermelha em muitos aspectos importantes. Magia Entrópica é sempre realizada com completa discrição, na fúria fria da gnoses saturnina negra. O objetivo é um golpe cruel e cirúrgico sobre o qual o alvo não tem nenhum aviso. O mago não está interessado em uma luta mas, sim, numa morte rápida e eficiente. A grande vantagem de tais ataques é que, raramente, eles são percebidos como tais pelos alvos. Desta forma, o alvo, sem saber o que está acontecendo, terá pouca chance de se queixar pelos desastres que lhe sucederão. Uma desvantagem, entretanto é que é muito difícil apresentar orçamentos a clientes por efeitos que aparentam ser devidos a causas naturais.

Formas de deus do poder negro são Legião; se a forma de um simples esqueleto de manto com uma foice não simboliza adequadamente o “eu-morte”, então formas como Charon, Thanatos, Saturno, Chronos, a bruxa Hécate, irmã negra Atropos, Anúbis, Yama e Kali podem servir.

Raramente são estabelecidos servidores do poder negro para uso geral a longo prazo. Isto ocorre, em parte, porque seu uso é apropriado para ser esporádico e, por outro lado, porque eles podem ser perigosos para o seu possuidor. Assim, a tendência é que eles sejam feitos e enviados para um trabalho específico.

Magia Azul

Não se deve medir riquezas em termos de propriedades mas, sim, em termos de controle sobre pessoas e materiais. Portanto, em última instância, deve-se medi-la em termos de sua própria experiência. Dinheiro é um conceito abstrato usado para quantificar atividade econômica. Portanto, riqueza é uma medida de quão bem você controla suas experiências com o dinheiro. Assumindo que experiências variadas, excitantes, incomuns e estimulantes são preferíveis àquelas que são estúpidas e monótonas e que elas tendem a ser caras, o principal problema para muitas pessoas é encontrar uma forma altamente eficiente de entrada de dinheiro que possua as qualidades agradáveis acima.

O objetivo da magia da riqueza é estabelecer um grande movimento de dinheiro que permita experiências agradáveis em ambos os estágios: de entrada e de saída. Isto requer aquilo que é conhecido como “consciência do dinheiro”.

O dinheiro adquiriu todas as características de um ser espiritual; ele é invisível e intangível. Moedas, notas e números eletrônicos não são dinheiro. Eles são somente representações ou talismãs de algo que os economistas não podem definir de forma coerente. Além disso, embora seja ele próprio intangível e invisível, pode criar efeitos poderosos na nossa realidade.

O dinheiro tem suas próprias preferências e personalidade. Ele evita aqueles que o blasfemam e flui em direção àqueles que o tratam da maneira que ele gosta. Num ambiente apropriado, ele irá, até mesmo, reproduzir-se. a natureza do espírito do dinheiro é movimento; o dinheiro gosta de se mover. Se ele for armazenado e não usado, lentamente morrerá. Assim, o dinheiro prefere manifestar-se como uma propriedade mutável a se manifestar como uma propriedade inexplorada, inutilizada. Excedentes de capital para prazer imediato devem ser reinvestidos como uma evocação adicional, porém aqueles que possuem realmente a “consciência do dinheiro” descobrem que até mesmo seus prazeres fazem dinheiro para si. A “consciência do dinheiro” paga para divertir-se. Aqueles que possuem esta consciência são generosos naturalmente. Ofereça a eles um investimento interessante e eles lhe oferecerão fortunas. Apenas não peça migalhas. A obtenção da “consciência do dinheiro” e a invocação do “eu-riqueza” consiste na aquisição de um conhecimento completo sobre as preferências do espírito do dinheiro e na exploração completa dos desejos pessoais. Quando ambos os fatores forem compreendidos, uma verdadeira riqueza manifestar-se-á sem esforço.

Tais invocações devem ser realizadas com cuidado. A gnosis azul da riqueza e do desejo cria demônios tão facilmente quanto cria deuses. Muitos seminários contemporâneos sobre sucesso e treinamento de verdade concentram-se em criar um desejo histérico por dinheiro associado a um igualmente hipertrofiado desejo pelos meros símbolos de riqueza ao invés do desejo pelas experiências que o jogadores realmente querem. Trabalhar como um maníaco possuído o dia inteiro pelo questionável prazer de beber a si próprio, num estado quase que de esquecimento , numa champanhe de vindima todas as noites, é ter perdido completamente o ponto e ter entrado na condição de anti-riqueza.

Por outro lado, a maioria das pessoas que são pobres em sociedades relativamente livres onde outros são ricos deve a sua pobreza ou à falta de entendimento de como o dinheiro se comporta ou a sentimentos negativos que tendem a repeli-lo. Não são necessários grandes níveis de inteligência ou de capital para se tornar rico. A popularidade dos contos sobre a miséria e o infortúnio do rico é o testemunho do mito ridículo vigente entre os pobres de que o rico é infeliz. Antes de começar a trabalhar com a magia azul, é essencial examinar com seriedade todos os sentimentos e pensamentos negativos sobre dinheiro e tratar de exorcisá-los. Muitas das pessoas pobres que ganham loterias ( e somente o pobre entra regularmente nelas ) orientam suas vidas de tal forma a não terem mais nada poucos anos depois. É como se alguma força subconsciente, de alguma forma, se livrasse de algo que eles sentem que, na verdade, não merecem ou não querem.

As pessoas tendem a ter o grau de riqueza que profundamente acreditam que devem ter. Magia azul é a modificação desta crença através da determinação de crenças alternativas. Rituais de magia azul devem envolver necessariamente exorcismos de atitudes negativas em relação à riqueza, explorações divinatórias sobre quais são os seus desejos mais profundos e invocações do “eu-riqueza” e do espírito do dinheiro durante os quais o nível subconsciente de riqueza é ajustado pela expressão ritual de um novo valor. Durante esses rituais também são feitas afirmações sobre novos projetos para o investimento dos recursos e dos esforços. Podem ser recitados hinos e encantamentos ao dinheiro. Cheques de somas surpreendentes podem ser escritos para você mesmo e pode-se proclamar e visualizar os desejos. Várias formas de deus tradicionais com um aspecto próspero tais como Júpiter, Zeus, o mítico Midas e Croesus podem expressar o “eu-riqueza”.

Raramente são usados encantamentos simples para dinheiro na magia azul moderna. Hoje em dia a tendência é lançar encantamentos desenvolvidos para aumentar o valor dos esquemas projetados para fazer dinheiro. Se você falhou em providenciar um mecanismo através do qual o dinheiro possa se manifestar, nada ocorrerá ou o encantamento irá encarnar-se por meios estranhos como, por exemplo, a herança devida a morte prematura de um parente muito amado. Nunca se tenta a magia azul séria em formas tradicionais de jogo. O jogo tradicional é uma maneira cara de comprar experiências o qual não tem nada a ver com aumentar riqueza. Magia azul é uma matéria de investimentos cuidadosamente calculados. Qualquer um que não seja um idiota deve ser capaz de imaginar um investimento que ofereça maiores vantagens que as formas tradicionais de jogo.

Magia Vermelha

Tão logo a humanidade desenvolveu a sociedade e a tecnologia de armas para derrotar seus principais predadores e competidores naturais, parece ter aplicado um feroz mecanismo de seleção para si mesma na forma de combates sanguinários. Muitas das qualidades que consideramos como marcas de nosso sucesso evolutivo, tais como os polegares em oposição e a conseqüente habilidade de manipulação de ferramentas, nossa capacidade de comunicação por sons, nossa postura ereta e nossa capacidade de dar e receber comandos e disciplina foram quase certamente selecionados para manter milênios de conflitos armados organizados entre grupos humanos. Nossa moralidade reflete nossa história sangrenta pois enquanto é tabu atacar membros de nossa própria tribo, ainda é dever atacar estrangeiros. O único debate é sobre quem constitui nossa própria tribo. Quando o entusiasmo pela guerra é limitado, inventamos esportes e jogos nos quais expressamos nossa agressividade. Por todo o caráter e terminologia do esporte fica claro que o esporte é somente uma guerra com regras extras.

Entretanto, não se deve supor que a guerra seja completamente desapercebida de regras. As guerras são realizadas para aumentar a nossa posição de barganha; na guerra, o grupo inimigo é uma riqueza sobre a qual desejamos ganhar alguma medida de controle. As guerras são realizadas para intimidar os adversários, não para exterminá-los. Genocídio não é guerra.

A estrutura e conduta da guerra refletem o programa de “luta ou fuga” construído em nosso sistema nervoso simpático. Na batalha, o objetivo é intimidar o inimigo para fora do modo de luta e para dentro do modo de fuga. Assim, assumindo que há suficiente paridade de foças para fazer a luta parecer vantajosa para ambas as partes, o estado de ânimo é o fator decisivo em virtualmente todos os encontros competitivos, esportivos ou militares entre seres humanos.

A magia vermelha tem dois aspectos: o primeiro é a invocação de vitalidade, agressão e estado de ânimo para nos manter em qualquer conflito da vida; o segundo é a realização de um combate mágico real. Existe uma variedade de formas de deus onde o “eu-guerra” pode ser expressado, embora formas híbridas ou puramente idiossincráticas funcionem tão bem quanto as anteriores. Ares, Ishtar, Ogoum, Thor, Marte, Mithras e Horus, em particular, são usados freqüentemente. Não devemos negligenciar o simbolismo contemporâneo. Armas de fogo e explosivos são tão bem vindas para a gnose vermelha quanto espadas e lanças. Tambores são indispensáveis. Sigilos desenhados por líquidos inflamáveis ou, ainda, círculos flamejantes completos nos quais se fazem invocações devem ser considerados.

O combate mágico é normalmente praticado abertamente com o adversário sendo publicamente ameaçado e amaldiçoado ou quando ele acha o recipiente de um talismã, encantamento ou runa com um aspecto desagradável. Os objetivos são a intimidação e o controle do adversário que deve se tornar tão paranóico quanto possível e informado da origem do ataque. Por outro lado, a magia de combate toma as mesmas formas gerais das usadas em magia entrópica, com os sigilos e os servidores controlando informações auto-destrutivas para o alvo, agora, contudo, com intenções sub-letais.

Entretanto, a habilidade real da magia vermelha é ser capaz de apresentar tão irresistível glamour de vitalidade pessoal, estado de ânimo e potencial de agressão que o exercício da magia de combate não seja nunca necessária.

Magia Amarela

Muitos dos textos existentes sobre o que se chama tradicionalmente de “magia solar” contradizem-se mutuamente ou sofrem de confusões internas. Os comentários astrológicos a respeito dos supostos poderes do sol estão entre os mais idiotas e sem sentido que a disciplina pode produzir. Isto ocorre porque o poder amarelo possui quatro formas distintas, porém relacionadas, dentro da psique. Esta divisão quádrupla tem induzido a imensos problemas em psicologia, onde várias escolas de pensamento escolhem enfatizar um aspecto em particular e ignorar aqueles aos quais as outras escolas tem se dedicado. Os quatro aspectos podem ser caracterizados como se segue. Primeiro, o ego – ou auto-imagem: que é, simplesmente, o modelo que a mente tem da personalidade em geral. Desta definição excluem-se muitos dos padrões de comportamento extremados dos quais os eus são capazes. Segundo, o carisma que é o grau de autoconfiança que a pessoa projeta para as outras. Terceiro, algo para o qual não há uma palavra específica em inglês ou português: talvez possa ser chamado de criatividade da risada. Quarto, a ânsia de afirmação e domínio. Todas essas coisas são manifestações do mesmo poder amarelo, embora suas ênfases relativas variem enormemente entre os indivíduos.

O sucesso em muitas sociedades humanas normalmente resulta de uma hábil expressão do poder amarelo. A força do poder amarelo em um indivíduo parece manter uma relação direta com os níveis do hormônio sexual testosterona em ambos os sexos, embora sua expressão dependa da psicologia pessoal. Existe uma influência mútua complexa entre os níveis de testosterona, auto-imagem, criatividade, status quo e necessidades sexuais, mesmo que não estejam manifestos. Em termos esotéricos, a Lua é o poder secreto por trás do Sol, como muitas magas percebem instintivamente e muitos magos descobrem mais cedo ou mais tarde. O ego se forma gradualmente através dos acidentes da infância e da adolescência e, na ausência de poderosas experiências posteriores, permanece razoavelmente constante, mesmo que contenha elementos totalmente inadaptáveis. Qualquer tipo de invocação poderia fazer diferença para o ego, porém um trabalho direto com ele pode fazer muito mais. Estão envolvidos muitos truques neste processo. O próprio reconhecimento do ego implica que a mudança é possível. Somente aqueles que percebem que tem uma personalidade ao invés de consistirem de uma personalidade podem mudá-la. Para muitas pessoas, a preparação de um inventário detalhado de suas próprias personalidades é uma atividade muito difícil e transtornante. Porém, uma vez realizada, é normalmente muito fácil decidir que mudanças são desejáveis. Mudanças no ego, na auto-imagem ou na personalidade através da magia são classificadas como trabalhos de iluminação e são, principalmente, realizadas por encantamentos retroativos e invocações. Encantamento retroativo, neste caso, consiste em rescrever a nossa história pessoal. Como nossa história define amplamente o nosso futuro, podemos mudar o nosso futuro redefinindo nosso passado. Todas as pessoas possuem certa capacidade para reinterpretar as coisas que deram errado no passado sob uma luz mais favorável, porém muitas falham em perseguir o processo até o final. Nós não podemos eliminar as memórias limitantes e incapacitantes, porém, por um esforço de visualização e imaginação, podemos escrever em paralelo memórias edificantes e capacitantes do que também poderia ter acontecido. Isso irá neutralizar as originais. Nós podemos também, quando possível, modificar alguma evidência física remanescente que favoreça a memória limitante.

As invocações para modificar o ego são encantamentos e personificações rituais das novas qualidades desejadas. Deve-se dar atenção às modificações planejadas no vestuário, tons de fala, gestos, maneirismos e na postura do corpo que irão melhor corresponder ao novo ego. Um artifício muito usado em magia amarela é praticar a manifestação de uma personalidade alternativa através de um gatilho mnemônico simples tal como a transferência de um dedo para outro.

Várias formas de deus são utilizadas para criar manifestações novas e fortes do ego e para experimentos com as outras três qualidades do poder amarelo. São exemplos: Rá, Helios, Mithras, Apolo e Baldur.

Carisma, a projeção de uma aura de autoconfiança, é baseado num truque simples. Após um curto espaço de tempo não há diferença nenhuma entre simulada e a verdadeira autoconfiança. Qualquer um que deseje remediar a falta de confiança e carisma e que esteja em dúvida sobre como começar a aparentar estas qualidades, poderá descobrir que um ou dois dias gastos aparentando um zero absoluto de autoconfiança irão revelar rapidamente: a eficácia da simulação e os pensamentos, palavras, gestos e posturas específicos requeridos para projetar qualquer simulação.

Parece que não se pode dizer nada a respeito da risada e da criatividade. Porém, o humor depende de uma súbita formação de uma nova conexão entre conceitos desconexos. Nós rimos da nossa própria criatividade em formar esta conexão. Exatamente a mesma forma de exaltação surge de outras formas de atividade criativa e, se o insight vem repentinamente, a risada é o resultado. Se não somos capazes de rir quando vemos uma peça realmente brilhante de matemática, então não somos capazes de entender isto. Também é necessário um certo grau de auto-estima e autoconfiança positivas para rir de algo criativamente divertido. As pessoas de baixa auto-estima tendem unicamente a rir do humor destrutivo e da desgraça dos outros; isso se rirem.

A risada é, freqüentemente, um fator importante nas invocações das formas de deus do poder amarelo. A solenidade não é um pré-requisito para o ritual. A risada é também uma tática comum para atrair a atenção da consciência para longe dos sigilos ou outras conjurações mágicas, uma vez terminados os trabalhos com eles. O forçar deliberado de uma risada histérica pode parecer um caminho absurdo para encerrar um encantamento ou uma invocação, porém isto tem se mostrado extraordinariamente eficiente na prática. Isto pode ser considerado como uma “destreza da mente” artificial que evita a deliberação consciente.

A “ordem da bicada” dentro de vários grupos de animais sociais é, normalmente, imediatamente evidente para nós e para os próprios animais. Dentro de nossa própria sociedade, tais hierarquias de domínio são igualmente comuns em todos os grupos sociais, embora possamos ir a extremos para disfarçar isto de nós mesmos. A situação humana ainda é mais complicada pela nossa tendência de pertencer a muitos grupos sociais, nos quais podemos ter diferentes níveis de status social, e o status social é, freqüentemente, parcialmente dependente de outras habilidades especializadas , diferentes da força bruta. Entretanto, assumindo que uma pessoa possa parecer competente na habilidade especializada que o grupo social requer, a posição pessoal no grupo depende quase inteiramente do grau de afirmação e domínio que a pessoa exibe. Estes são exibidos basicamente através do comportamento não-verbal que todos entendem intuitivamente ou subconscientemente, mas que muitos não entendem racionalmente. Como conseqüência, eles não podem manipulá-lo deliberadamente. O comportamento de domínio típico envolve o falar alto e lentamente, usando muito o contato visual, interromper a fala dos outros enquanto resiste à interrupção feita por estes, manter uma postura ereta de ameaça disfarçada, a invasão do espaço pessoal dos outros enquanto resiste à invasão de seu próprio espaço e colocar-se estrategicamente em algum lugar no foco de atenção. Em culturas onde o toque é freqüente, o dominador sempre o inicia ou, intencionalmente, o recusa. Em ambos os casos, ele domina o contato.

O comportamento submisso é, logicamente, o reverso de tudo acima e aparece muito espontaneamente em resposta ao domínio bem sucedido de outros. Há uma interação em mão dupla entre o comportamento de domínio e os níveis de hormônios. Se o nível muda, por razões médicas, então o comportamento tende a mudar; porém, mais importante do ponto de vista mágico, é que uma mudança deliberada do comportamento irá modificar os níveis de hormônio. “Finja isto até que você o faça”. Não há nada particularmente oculto com a maneira que algumas pessoas são capazes de controlar outras. Nós simplesmente não notamos como isto é feito porque quase todos os sinais comportamentais envolvidos são trocados subconscientemente. Os sinais de domínio tendem a não funcionar se os seus recebedores os percebem conscientemente. Deste modo, em muitas situações, eles devem ser liberados discretamente e com um aumento gradual na intensidade. Uma das poucas situações em que estes sinais são enviados deliberadamente é nas hierarquias militares, porém isto só é possível por causa da imensa capacidade de coerção física direta que tais sistemas exibem. Quebre as regras formais de comunicação não-verbal com um oficial e terá um sargento para inculcar-lhe alguma submissão por meios diretos. Eventualmente as regras formais são absorvidas e funcionam automaticamente, criando obediência suficiente para permitir o auto-sacrifício e a matança em massa. O poder amarelo é a raiz de muito do melhor e do pior que nós somos capazes.

Magia Verde

Há uma considerável superposição no que há de escrito nos livros populares de magia no que diz respeito aos assuntos do amor venusiano e a magia sexual lunar. Conseqüentemente, neste texto evitou-se ao máximo uma nomenclatura planetária. Embora a magia do amor seja realizada freqüentemente com objetivos sexuais, este capítulo irá se limitar às artes de fazer as pessoas amigáveis, fiéis e afetuosas para conosco.

Talvez sejam os amigos a nossa maior propriedade. Meu caderno de endereços é, facilmente, minha mais valiosa posse. Como com a atração erótica, primeiro é necessário gostarmos de nós próprios antes que os outros possam fazê-lo. Esta habilidade pode ser aumentada por invocações apropriadas do poder verde. Muitas pessoas acham fácil fazer vir à tona uma amizade de pessoas de quem eles gostam; porém, fazer amigáveis, pessoas que não estavam dispostas a isto, e pessoas a quem não estamos dispostos a dar nossa amizade, é uma habilidade valiosa. Uma amizade não correspondida é uma inabilidade somente da pessoa que a oferece.

As invocações do poder verde devem começar com o amor próprio, uma tentativa de ver o lado maravilhoso de todos os eus dos quais nós consistimos e, então, proceder a uma afirmação ritual da beleza e amabilidade de todas as coisas e pessoas. Formas de deus disponíveis para o “eu-amor” incluem Vênus, Afrodite e o mítico Narciso cujo mito reflete somente um certo preconceito machista contra este tipo de invocação.

De dentro da gnoses verde, os feitiços para fazer as pessoas amigáveis podem ser enviados por simples encantamentos ou pelo uso de entidades criadas com este objetivo. Entretanto, é nos encontros face-a-face que as habilidades de empatia estimuladas pela invocação trabalham de forma mais eficiente. Fora os artifícios óbvios de mostrar interesse em tudo o que o alvo tem a dizer, afirmar e simpatizar com a maior parte, há um outro fator crítico chamado “combinação de comportamento” que normalmente ocorre subconscientemente. Este fator consiste, basicamente, em tentar imitar o comportamento não-verbal do alvo, com a exceção das posturas que sejam claramente hostis. Sente-se ou fique de pé em idêntica posição corporal, faça os mesmos movimentos, use o mesmo grau de contato visual e fale com intervalos similares. Quando com comportamento de domínio, tais sinais só funcionam se não forem percebidos conscientemente por quem os está recebendo. Não se mexa imediatamente para igualar os movimentos e posturas do alvo. É essencial sondar e equiparar o comportamento verbal e comunicar com o mesmo nível de inteligência, status social e senso de humor que o alvo.

Antes de me tornar rico, eu praticava estas habilidades enquanto pegava carona. Logo, até mesmo pessoas que encontrei desfiguradas e cadavéricas estavam me pagando o lanche e me transportando para longe de seus próprios caminhos. A empatia irá levá-lo a qualquer lugar.

Magia Laranja

Charlatanismo, trapaça, viver de suas próprias habilidades e o pensar rápido são a essência do poder laranja. Estas qualidades mercuriais eram tradicionalmente associadas às formas de deus que atuavam como protetores dos médicos, magos, jogadores e ladrões. Entretanto, agora, desde o momento que os médicos descobriram que os antibióticos e as cirurgias higiênicas realmente funcionam, a medicina está parcialmente dissociada do charlatanismo. Todavia, por volta de oitenta por cento dos medicamentos ainda são basicamente placebos. Por isso o caduceu de mercúrio ainda é o emblema desta profissão. Da mesma forma, a profissão da magia tornou-se menos dependente do charlatanismo através da descoberta da natureza quântica-probabilística dos encantamentos e adivinhações e o total abandono da alquimia e astrologia clássica. No momento, a magia pura é melhor descrita como uma expressão do poder octarino, tendo um caráter uraniano. Porém, o charlatanismo ainda tem seu lugar na magia, assim como na medicina. Não nos esqueçamos que todos os truques de conjuração foram parte, em algum momento, do repertório xamânico de “aquecimento”. Nesta prática, alguma coisa perdida ou destruída é miraculosamente restaurada pelo mago com o intuito de colocar a audiência no estado de ânimo apropriado, antes do verdadeiro negócio de cura placebo começar. Em sua forma clássica, o mago coloca um coelho numa cartola antes de tirá-lo na frente da platéia.

Devemos acrescentar à lista das profissões fortemente influenciadas pelo poder laranja: o vendedor, o vigarista, o corretor e, ainda, todas as profissões com uma alta taxa de ataques cardíacos. A força motriz da gnoses laranja é o medo, basicamente. Porém, um tipo de medo que não inibe aquele que o tem, mas que gera uma velocidade nervosa extraordinária que produz movimentos e respostas rápidas em situações em que se está encurralado.

A apoteose do “eu-inteligência” é a habilidade de entrar naquele estado de sobremarcha mental, onde a resposta rápida está sempre pronta para chegar. Paradoxalmente, para desenvolver esta habilidade é suficiente não pensar sobre o pensar, mas, sim, permitir que a ansiedade paralise parcialmente os processos inibitórios dos pensamentos, de forma que o subconsciente possa liberar uma resposta rápida e inteligente sem a deliberação consciente.

As invocações do poder laranja são melhor realizadas em velocidade frenética, louca; sua gnoses pode ser aprofundada pela performance de tarefas que exijam a mente, tais como: fazer, de cabeça, o somatório de várias listas de números ou abrir envelopes que contenham difíceis questões e respondê-las instantaneamente. Deve-se insistir nessas atividades até penetrar na experiência de pensar sem deliberação. Várias formas de deus podem ser usadas para dar forma ao “eu-inteligência”: Hermes, Loki, o Coiote trapaceiro e o Mercúrio romano.

A magia laranja é normalmente restrita a invocações designadas para aumentar o “pensamento rápido” em atividades seculares, tais como: jogo, crime e objetivos intelectuais. A hipótese do Fiat Nox, por exemplo, veio para junto de mim numa semana após eu ter realizado uma eficiente invocação mercurial utilizando as técnicas acima. Na minha experiência, os encantamentos e as evocações realizadas depois de uma invocação da gnoses laranja raramente dão tanto resultado quanto a própria invocação. Talvez devêssemos falar algo a respeito do crime e do jogo em benefício daqueles que podem não estar entendendo o que pode ser feito com a magia laranja no suporte de tais atividades. É ridiculamente fácil roubar se o fizermos metodicamente. Porém, a maioria dos ladrões são pegos após um certo tempo. Isto ocorre porque eles se tornam afeitos à ansiedade que experimentam como excitação. Desta forma, começam a correr riscos para aumentar essa excitação. É óbvio que o ladrão noviço, que rouba algo em estado de extrema ansiedade e numa situação de risco zero, não será pego. O mesmo ocorre com o profissional cuidadoso. Entretanto, há muito poucos profissionais cuidadosos pois há muitos caminhos mais fáceis de ganhar dinheiro para pessoas com esta espécie de habilidade. A maioria dos ladrões sempre arranja uma forma de se incriminar. Isto ocorre porque, uma vez decaída a ansiedade do roubo, resta a ansiedade da punição. Aqueles que possuem a “inteligência rápida” e frieza exterior suficiente para fazer um roubo bem sucedido poderão ter mais resultado no ramo das vendas.

Existem três tipos de jogadores permanentes, dois dos quais são perdedores. Existem aqueles afeitos à sua própria arrogância que somente precisam provar que podem vencer a sorte ou as vantagens fixadas pelos organizadores do jogo. Há também aqueles afeitos à ansiedade de perder. Mesmo que ganhem, irão, logo em seguida, perder tudo novamente. Há, então, os vencedores. Não se pode dizer que estes últimos sejam, exatamente, jogadores porque ou estão organizando as disputas e apostas, possuem informações internas ou estão trapaceando. Esta é a verdadeira magia laranja. O pôquer não é um jogo de sorte se for jogado habilmente. Um jogo hábil inclui o não jogar contra pessoas de competência igual ou superior ou, ainda, pessoas em posse de uma Smith & Wesson contra seus quatro ases. Muitas formas convencionais de jogo são montadas de forma que qualquer coisa fará pouca diferença, excetuando as mais extremas formas de poder psíquico. Eu jamais perderia tempo com disputas onde minhas chances tenham sido reduzidas de cem para um para apenas seis para um. Entretanto, certos resultados obtidos usando-se presciência oculta em corridas de cavalo têm mostrado um potencial encorajador.

Magia Púrpura

A maior parte dos cultos que atravessaram a história tem uma característica em comum: eles foram conduzidos por homens carismáticos capazes de persuadir mulheres a dispensar livremente favores sexuais a outros homens. Quando começamos a observar, este fato torna-se claro em muitos cultos antigos, seitas monoteístas cismáticas e grupos esotéricos modernos. Muitos, se não a maioria, dos adeptos do passado e do presente foram, ou são, cafetões. O mecanismo é muito simples: pague a mulher com a moeda da espiritualidade para servir aos homens; estes, por sua vez, irão devolver-lhe o pagamento com adulação e a aceitação de seus ensinamentos será, para eles, um efeito colateral. A adulação dos homens irá aumentar seu carisma com as mulheres, criando um laço de realimentação muito positivo. Este processo pode ser um agradável “ganha-pão” até a velhice ou poderá sofrer um ataque da polícia. Outro perigo óbvio é que a mulher e, eventualmente, o homem pode sentir que as constantes mudanças de parceiros irão contra seus interesses emocionais e de reprodução a longo prazo. A circulação de pessoas em tais cultos pode ser muito grande, de forma que jovens adultos constantemente estejam substituindo aqueles que estão se aproximando da meia idade.

Poucas são as religiões ou cultos que não possuem um ensinamento religioso pois qualquer ensinamento provê um poderoso nível de controle. A maioria das mais estabilizadas e duradouras religiões estimulam a supressão do chamado sexo livre. Isso também traz muitos dividendos. A posição das mulheres se torna mais segura e os homens sabem quem são seus filhos. É natural que o adultério e a prostituição floresçam em tais condições porque algumas pessoas querem sempre um pouco mais que uma vida monogâmica pode oferecer. Assim, é muito correto afirmar que os bordéis são construídos com os tijolos da religião: indiretamente com as religiões convencionais, diretamente com muitos cultos.

Tudo o que foi dito nos faz perguntar porque é que as pessoas têm tal necessidade de querer que os outros lhes digam o que fazer com a sua sexualidade. Porque as pessoas têm que procurar justificativas esotéricas e metafísicas para aquilo que elas querem fazer? Porque é tão fácil “vender água para o rio”?

A resposta, ao que parece, é que a sexualidade humana possui uma constituição de insatisfação de origem evolutiva. Nosso comportamento sexual é parcialmente controlado pela genética. Os genes mais aptos a sobreviver e prosperar são aqueles que, nas fêmeas, encorajam a permanente captura do macho mais poderoso disponível e a ligação ocasional (clandestina) com algum macho mais poderoso que possa estar temporariamente disponível. Ao mesmo tempo, nos machos, os genes mais aptos a prosperar são aqueles que encorajam a impregnação do maior número de fêmeas que eles possam sustentar, além, talvez, de impregnar sorrateiramente outras poucas que sejam sustentadas por outros homens. É interessante notar que somente nas fêmeas humanas o cio está oculto. Em todos os outros mamíferos, o período fértil é muito óbvio. Parece que houve esta evolução para permitir, paradoxalmente, o adultério e o aumento das ligações sexuais nos momentos em que o ato não tem nenhuma utilidade reprodutiva. A base econômica de uma determinada sociedade irá exercer certa pressão em favor de um tipo particular de sexualidade, pressão esta que será codificada na forma de moralidade que irá, inevitavelmente, entrar em conflito com as pressões biológicas. Esta confusão reina pois nada é satisfatório continuamente. O celibato é insatisfatório, masturbação é insatisfatória, monogamia é insatisfatória, adultério é insatisfatório, poligamia e poliandria são insatisfatórios e, provavelmente, a homossexualidade também é insatisfatória se a alegre troca frenética de parceiros nesta disciplina for algo que continue.

Nada no espectro das possibilidades sexuais provê um solução a longo prazo, porém este é o preço que pagamos por ocupar o pináculo da evolução dos mamíferos. Muito de nossa arte, cultura, política e tecnologia surgem, precisamente, de nossas ânsias, medos, desejos e insatisfações sexuais. Uma sociedade sexualmente em paz iria, com certeza, oferecer um espetáculo insípido. É, normalmente, se não sempre, o caso da criatividade e realização pessoais serem diretamente proporcionais às suas inquietações sexuais. Esta é, realmente, uma das maiores técnicas da magia sexual, apesar de não ser reconhecida como tal. Inspire-se com o máximo de inquietações e confusões sexuais se você realmente quer descobrir o que você é capaz em outros campos. Uma vida sexual tempestuosa não é um efeito colateral de ser um grande artista, por exemplo. Porém, é a arte que é um efeito colateral de uma vida sexual tempestuosa. Uma religião fanática não cria as supressões do celibato. São as tensões do celibato que criam uma religião fanática. A homossexualidade não é um efeito colateral das vidas nos quartéis entre as tropas de choque de elite suicidas. A homossexualidade cria as tropas de choque de elite suicidas primeiro.

A Musa, a origem hipotética da inspiração, normalmente desenhada em termos sexuais, é a Musa somente quando seu relacionamento com ela é instável. Quaisquer pronunciamentos morais a respeito do comportamento sexual foram dados, sem dúvida, milhões de vezes antes e seria indecoroso para um caoísta reenfatizar algum deles. Porém uma coisa parece relativamente certa. Qualquer forma de sexualidade invoca eventualmente toda a gama de êxtase, auto-rejeição, medo, prazer, tédio, raiva, amor, ciúmes, despeito, auto-piedade, exaltação e confusão. São essas coisas que nos fazem humanos e, ocasionalmente, super-humanos. Tentar transcendê-las é fazer-se menos que humano, não mais. Intensidade de experiência é a chave para estar realmente vivo e, tendo escolha, eu preferiria ter estas experiências através do amor do que através da guerra.

Uma vida sexual insípida cria uma pessoa insípida. Poucas pessoas conseguiram obter grandiosidade em qualquer campo sem a propulsão que uma vida sexual-emocional turbulenta provê. Este é o maior segredo da magia sexual. Os dois segredos menores envolvem a função do orgasmo como gnoses e a projeção de um glamour sexual. Qualquer coisa que seja mantida na mente consciente durante o orgasmo tende a alcançar a subconsciência. Anomalias sexuais podem prontamente ser implantadas ou retiradas por este método. No orgasmo pode-se dar poder aos sigilos de encantamento ou de evocação. Isto pode ser feito, por exemplo, através da visualização pura ou através da contemplação do sigilo fixado na testa do parceiro. Entretanto, este tipo de trabalho é freqüentemente mais conveniente se realizado de forma auto-erótica. Embora a gnoses oferecida pelo orgasmo possa, em teoria, ser usada em suporte de qualquer objetivo mágico, normalmente é desaconselhável usá-lo para as magias entrópica e de combate. Nenhum encantamento é totalmente isolado no subconsciente e qualquer “escape” que ocorra pode implantar associações muito prejudiciais com a sexualidade.

Durante o orgasmo pode ser lançada uma invocação, sendo que esta operação será mais eficiente se cada parceiro assumir uma forma-deus. Os momentos seguintes ao orgasmo são muito úteis para visões de busca adivinatória. Atividades sexuais prolongadas podem, também, conduzir a estágios de transe úteis em adivinhação visual e oracular ou estados oraculares de possessão em invocação.

A projeção de um glamour sexual, com o objetivo de atrair os outros, depende de muito mais que a simples aparência física. Algumas das pessoas mais bonitas, no sentido convencional, carecem totalmente disso, enquanto que algumas das mais comuns desfrutam seus benefícios ao limite.

Para ser atraente para outra pessoa, você deve oferecer alguma coisa que seja a reflexão de alguma parte dela mesma. Se a oferta se torna recíproca, isso poderá conduzir a um senso de complementação que é mais prontamente celebrada pela intimidade física. Em muitas culturas, é convencionado para o macho exibir uma vigor público exterior e para a fêmea exibir uma personalidade mais tenra, ainda que nos encontros sexuais cada um irá procurar revelar seus fatores ocultos. O macho irá procurar mostrar que ele pode ser tão compassivo e vulnerável quanto poderoso, enquanto que a fêmea procurará mostrar uma força interna por trás dos signos e sinais de receptividade passiva. Personalidades incompletas, tais como aquelas que são profundamente machistas ou que consistem do oposto polar disso, não são nunca atraentes sexualmente a ninguém, exceto no sentido mais transitório.

Assim, os filósofos do amor têm identificado uma certa androginia em ambos os sexos como um importante componente da atração. Alguns têm usado de licença poética para expressar o belo ideal de o homem ter uma alma fêmea e a mulher uma alma masculina. Isso reflete o chavão que para ser atraente para os outros, você deve, primeiro, ser atraente para você mesmo. Algumas horas gastas praticando o ser atraente em frente a um espelho é um exercício valioso. Se você não consegue ficar nenhum pouco excitado com você mesmo, não espere que ninguém fique.

A técnica do “olhar da Lua” é freqüentemente eficiente. Você fecha os olhos rapidamente. Visualiza momentaneamente um crescente lunar de prata por trás de seus olhos, com os chifres da lua se projetando de cada lado de sua cabeça, atrás de seus olhos. Então, olhe nos olhos de um amante potencial enquanto visualiza uma radiação prata sendo emitida de seus olhos para os dele, ou dela. Esta manobra também tem o efeito de dilatar as pupilas e, normalmente, causa um sorriso involuntário. Ambos são sinais sexuais universais, sendo que o primeiro atua subconscientemente. Não se deve lançar encantamentos para parceiros específicos. É preferível conjurar para parceiros adequados em geral, para você ou para outros. Seu subconsciente possui uma apreciação muito mais penetrante de quem realmente é adequado.

A magia sexual é tradicionalmente associada com as cores púrpura (da paixão) e prata (da Lua). Entretanto, a eficiência das roupas pretas tanto como sinal sexual quanto anti-sexual, dependendo do estilo e corte, mostra que o preto é, num certo sentido, a cor secreta do sexo, refletindo o relacionamento biológico e psicológico entre o sexo e a morte.

Ritos de Natureza Mista

O poder amarelo combina bem, na invocação, com qualquer uma das outras forças, exceto a negra. Tais trabalhos têm o efeito de atrair a força aliada ao poder amarelo mais completamente para o reino da auto-imagem. Invocações negro-amarelas são realizadas convencionalmente em duas metades como experiências de morte e renascimento, em que o mago procura recriar vigorosamente sua auto-imagem após seu ritual de sacrifício. Invocações e encantamentos de natureza mista verde-púrpura funcionam bem, apesar de estas forças serem melhor utilizadas de forma isolada. Ainda assim, ritos púrpura-negros possuem efeitos incomuns e não são necessariamente perigosos para aquele que os realiza se construídos de forma cuidadosa.

Traduzido por Lucifer 149

[…] ou fortunas modestas e necessárias ou para grandes e inesperados ganhos. A magia do dinheiro, ( ou Magia Azul como colocaria Peter Carroll) é tão antiga quanto as maldições e os feitiçosd e amor, e muitas […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/as-oito-cores-da-magia/

Análise Simbólica e Histórica do Frontispício do Manual do Aprendiz

Na noite da sua Iniciação, nas Grandes Lojas do Brasil, o Aprendiz recebe um Ritual que ele deve ler gradativamente e onde encontrará informações básicas do grau, do Templo, do ritual de apertura dos trabalhos, encerramento dos mesmos, da iniciação pela qual ele acaba de passar, as instruções que ele deverá aprender, etc.

E o primeiro enigma para ele é a capa do Ritual que tem iniciais tripontuadas, palavras novas para ele, um brasão da Grande Loja com símbolos para ele além de outros elementos, se não desconhecidos, não consegue de inicio, descobrir seu significado.

Para dar início á instrução de um Ap.’. entendemos que todas as Lojas deveriam logo na primeira sessão seguinte da sua iniciação, explicar ao Aprendiz o significado de todos os dizeres da capa de seu Ritual, facilitando o entendimento posterior das outras instruções que ele deverá receber. E é exatamente o que pretendemos fazer nas seguintes linhas.

Começamos vendo que na parte superior da capa, encontram-se quatro pares de letras maiúsculas, cada par seguido de três pontos formando um triângulo eqüilátero, quer dizer de três lados iguais. Elas são:

MM.’. LL.’. AA.’. AA.’.

Isto é a escritura tripontuada adotada pela Maçonaria já desde um tempo. Devemos aclarar que a escritura tripontuada não foi criada pela Maçonaria e que seu uso é relativamente recente.

O primeiro documento maçônico conhecido que utiliza a escritura com três pontos é uma circular do Grande Oriente da França, datado 12 de Agosto de 1774, comunicando novo valor da anuidade e mudança de local. Lennhoff, no Dicionário Maçônico Internacional, diz que os três pontos aparecem já em antigos escritos monacais, conservados na Biblioteca Coraini, Roma. Na Corte Pontifícia de Roma existia um tribunal denominado “Tribunal da A.’. C.’.” que para uns era Augusta Consulta e para outros Auditor Camarae.

O significado simbólico dos três pontos está, evidentemente, relacionado com o Ternário e como todos nos sabemos, o significado é variado e abrange todos os símbolos relacionados com o número três. O primeiro ponto é o origem criador de todo o que existe, o Uno, a Monada, o Princípio Fundamental, a Unidade, é Deus. Os dois pontos inferiores são a Dualidade, eles são gerados pelo primeiro ponto e, se se juntaram, voltam a ser a Unidade, da qual tiveram nascimento. O ponto superior corresponde ao Oriente em Loja, que é o mundo Absoluto da Realidade, é o Delta Sagrado, e os dois pontos inferiores correspondem ao Ocidente, ou seja o Mundo relativo, o domínio da Aparência, são as duas colunas, como mais um emblema da dualidade. Como podemos ver, a interpretação dos três pontos, são muitas e nelas não poderemos ficar restritos, para não pecar de dogmáticos.

Indo agora para as letras, que por estarem repetidas, indicam que a palavra está no plural, tomaremos primeiro o primeiro par de MM, que significa, neste caso, Maçons, e que identifica aquelas pessoas que já merecem serem chamadas de Maçons, porque, cumpridas exigências regulamentares, foram iniciadas em uma Loja regular, passando a ser integrantes dela.

O segundo par de letras é LL, e significa Livres, indicando que a consciência do Maçom não está sujeita a compromissos de tipo religioso, moral, político, etc, que poderiam comprometer a conduta que a Maçonaria espera dele e que está com sua mente livre para poder receber novos ensinamentos.

Logo vemos dois pares de letras AA, sendo que o primeiro significa Antigos e o segundo Aceitos. E para explicar seu significado aos Aprendizes, temos que entrar na história conhecida da Maçonaria. Falamos “conhecida” porque existe, lamentavelmente, muita invenção e imaginação por parte de pseudo historiadores que não apresentam nenhuma evidência de suas exageradas teorias. Todos nos sabemos que, na antigüidade existiram sociedades de diversos ofícios, sendo as mais numerosas e conhecidas as associações de construtores. Na Caldeia, existiam confrarias de construtores em 4500 ac, e existem monumentos acádicos com triângulo como símbolo da letra Rou que significa fazer, construir. No Egito, a arquitetura foi ciência sacerdotal, iniciática, hermética, com segredos, isolada da sociedade. Na China, livros sagrados conheciam o simbolismo do esquadro e compasso, que eram a insígnia do sábio diretor dos trabalhos. Na Grécia, aparecem os artífices dionisíacos, favorecidos nas leis de Sólon; eram iniciados, se reconheciam por palavras e sinais, divididos em colégios, dirigidos por um mestre eleito anualmente; os mais ricos ajudavam os mais pobres, não aceitavam imposições de reis; guardavam os mistérios da construção. Na Roma imperial aparecem os Collegia de artesãos, das mesmas características das associações mencionadas anteriormente; banidos, por ter-se transformados em clubes políticos, desaparecem e autores pensam que haveriam constituído confrarias na ilha de Como, no lago do mesmo nome, norte da Itália, nos anos 600 dc.; outros autores argumentam que eles se repartiram por toda Europa, especialmente as Ilhas Britânicas, sendo o início dos grêmios de pedreiros da Idade Média.

Todo o anterior, ainda que ofereça semelhanças com Lojas de pedreiros, não tem evidências que eles formam parte da história ou das origens da Maçonaria. O único documento antigo conhecido, que da base para falar em Maçonaria é o Manuscrito de Halliwell ou Manuscrito Regius, escrito aproximadamente em 1390, na Inglaterra, e que é um Manual completo para Lojas de autênticos pedreiros existentes na Inglaterra nos anos 926 dc, e que da a conhecer um Congresso, dirigido pelo rei Athelstan. Resumindo, com toda seriedade podemos afirmar que em 926 dc, já existiam Lojas maçônicas na Inglaterra. E quando essas Lojas ou a Maçonaria começaram? Não sabemos.

Estas Lojas de ANTIGOS pedreiros continuam através de toda a Idade Média, mas, com o Renascimento, o aumento dos médios de cultura, o interesse de ingressar nas Lojas para aprender a arte de construir, começa a diminuir sensivelmente e já a partir de 1600 ou anterior, estas Lojas começam a iniciar candidatos não pedreiros, porque pessoas cultas, da nobreza, sabendo que estas Lojas eram possuidoras de conhecimentos das ciências antigas, solicitam seu ingresso e são ACEITOS. Posteriormente em 1717 começa o período da Maçonaria Especulativa a diferença da Maçonaria Operativa e praticamente os componentes destas Lojas são exclusivamente aceitos ou especulativos. Então estes dois pares de AA lembram estes dois tipos de membros.

Logo na capa do Ritual aparece: RITUAL DO SIMBOLISMO.

O que é um Ritual? Um manual que ordena os passos de uma cerimônia, não exclusivamente religiosa. Toda cerimônia maçônica obedece a um ritual que preserve a pureza dela, conforme os Antigos Usos e Costumes, que existem desde tempos que não podemos determinar.

Simbolismo é a prática do emprego de símbolos. Nossa Instituição usa como elemento fundamental de seus ensinamentos, os símbolos, constituindo eles uma linguajem própria dentro da Ordem. Símbolo é um objeto material que serve para representar uma idéia; por exemplo, a cadeia é símbolo de união, o pavimento mosaico simboliza a igualdade entre as raças, etc. Analisamos um símbolo primeiramente de uma forma simples e logo depois procuramos seu significado filosófico; podemos dizer que o símbolo sintetiza um acúmulo de conhecimentos, resume objetivos, idéias e normas que procuram dirigir a mente humana por caminhos mais esclarecidos.

Em letras de tamanho bem maior, justamente para dar destaque, temos o nome do grau do Ritual sendo analisado: APRENDIZ MAÇOM. Corresponde ao primeiro grau, de três, da Maçonaria Simbólica e que é conferido ao recém iniciado. Na Maçonaria Operativa somente existiam dois graus (Ap.’. e Comp.’.) sendo que o grau de Mest.’. teria sido instituído em 1727, porque num documento da Loja Swam and Rummer, em Finch Lane, Londres, é convocada uma Loja de Mestres para Abril 29 de 1727; esta seria a mais antiga referência conhecida do grau de Mestre. Antigamente, o V.’. M.’. era escolhido entre os Companheiros e durante o período que o eleito exercia o cargo recebia o tratamento de Mestre.

A continuação vemos a reprodução do brasão da GLESP, encabeçado, em letras maiúsculas, pelo seu nome completo.

A nossa Grande Loja é a Potência maçônica regular a qual nossas Lojas devem obediência.

Uma Loja para ser considerada regular, tem que ter obtido sua carta patente ou carta constitutiva de uma Grande Loja igualmente regular. Uma Grande Loja não tem Carta Constitutiva outorgada por outra Potência; ela é constituída por 3 ou mais Lojas legalmente organizadas e em goze de seus direitos e que proclamam seu desejo de estabelecer uma Grande Loja em um território que está livre (significa que não existe nenhuma outra Potência nele). Posteriormente as outras Grandes Lojas estudarão o processo de sua geração e decidiram se ela merece ser admitida no seio da maçonaria regular universal conforme suas normas de reconhecimento, que são princípios adotados livremente por elas.

Como não poderia ser de outro modo, a base destas normas tem sido ditadas pela Grande Loja Unida da Inglaterra e que as atualizou em 4 de setembro de 1929 ficando como segue:

1. Regularidade de origem. Cada Grande Loja deverá ser estabelecida legalmente por três ou mais Lojas regularmente constituídas.
2. A crença no Grande Arquiteto do Universo (fórmula adotada pela maçonaria para designar a Deus incluindo as diferentes denominações dadas pela religiões) e na sua Vontade revelada será um requisito essencial para a admissão de novos membros.
3. Todos os iniciados prestarão seu juramento sobre ou na presença completa do Livro da Lei Sagrada aberto pelo qual significa-se a revelação do alto que liga a consciência do indivíduo particular que se inicia.
4. Os afiliados da Grande Loja e das Lojas individuais serão exclusivamente homens. Cada Grande Loja não terá relações maçônicas de nenhum tipo com Lojas mistas ou com Corpos que admitem mulheres como membros.
5. A Grande Loja terá jurisdição soberana sobre todas as Lojas de seu território podendo realizar inspeções periódicas. Será independente e governada por si mesma com autoridade sobre seus obreiros que serão dos três graus simbólicos (aprendiz, companheiro e mestre). Tal autoridade jamais poderá ser dividida com qualquer outro Corpo ou Potência ou sofrer inspeções e interferências de qualquer espécie.
6. As três Grandes Luzes da Francmaçonaria (Livro da Lei Sagrada, Esquadro e Compasso) estarão sempre expostas quando a Grande Loja ou suas Lojas subordinadas estivessem trabalhando, sendo a principal delas o Livro da Lei.
7. A discussão de religião ou política dentro da Loja será estritamente proibida.
8. Os princípios dos Antigos Limites (Old Land-marks), usos e costumes da Ordem serão estritamente conservados.

O prazo de duração de uma Potência maçônica é indeterminado e ilimitada a quantidade de Lojas e maçons que a compõem; ela somente se dissolverá se houver menos de três Lojas sob a sua Jurisdição. Uma Loja tem um mínimo de sete membros.

O conceito de territorialidade nunca tem sido definido nem praticado na íntegra no mundo maçônica, por motivos que seria demorado explicar e que acaba escapando ao tema deste trabalho. De fato acontece no Brasil e, especificamente no Estado de São Paulo, a GLESP mantém relacionamento amistoso tanto com o GOB como com o Grande Oriente Paulista, ambas potências com Lojas dentro de território do Estado de São Paulo.

Continuando com o brasão vemos desenhados o Sol, a Lua e uma estrela de 5 pontas, e no lado superior esquerdo, um conjunto de 7 estrelas. Como sabemos, no teto do Templo maçônico esta desenhada uma abóbada celeste, semeada de estrelas e nuvens, na qual aparecem o Sol, a Lua e outros astros (um total de 36 corpos celestes, sendo que Marte fica fora do Templo), que se conservam em equilíbrio pela atração de uns sobre os outros; o Templo representa o Universo, sendo o pavimento a Terra e o teto, o Céu.

O Sol é uma estrela anã amarela, com 4,5 bilhões de anos (está na metade da sua vida); ela emite luz e calor como produto de reações termonucleares no seu interior. Sendo a luz maior do céu, ele foi escolhido para ser o astro regente do V.’. M.’. e a sua luz é o símbolo da Sabedoria do V.’. M.’..

A Lua é o satélite natural da Terra e ela reflete a luz do Sol; portanto foi escolhida para ser o astro regente do Prim.’. V.’.; simboliza a luz que é recebida do V.’. M.’.e que é retransmitida pelo Prim.’. V.’.para as colunas.

A estrela de 5 pontas que vemos a continuação é uma estrela virtual, imaginária. Conforme Pitágoras, quando são discutidas coisas divinas, o que realmente acontece dentro de uma Loja maçônica, deve existir um facho que ilumine o Templo. Como o Sol era a luz mais intensa do Universo conhecido na época foi reservada para o V.’. M.’., simbolizando a sabedoria de Deus vinda desde o Oriente, não sendo conhecido outra estrela que emitisse tanta luz. Hoje se sabe que existem muitas outras estrelas mais brilhantes e maiores que o nosso Sol, por exemplo Arcturus, Antares e Formauhalt. Por isso foi criada uma estrela virtual, imaginária, e que recebeu o nome de Stella Pitagoris, e que foi reservada para o Seg.’. Vig.’..

As 7 estrelas que vemos no outro lado do brasão são conhecidas como as Plêiades que são um aglomerado aberto na Constelação de Touro, com milhares de estrelas, das quais na época da criação da Abóbada Celeste somente eram visíveis 7 delas. Elas regem os Mestres, que formam uma plêiade de homens justos.

No brasão vemos também elementos que correspondem a heráldica que não é do caso analisar.

Passamos agora ao centro do brasão onde estão o Esquadro, o Compasso e a letra “G”. O Esquadro simbolizando a retidão e também a matéria; o Compasso é a imagem do pensamento nos diversos círculos por ele formados; a abertura de suas hastes e seu fechamento representa os diferentes modos de raciocínio que, de acordo com as circunstâncias, devem ser amplos e abundantes, ou precisos e concisos, mas sempre claros e objetivos; a abertura do compasso indica as possibilidades de conhecimento.

A letra “G “ lembra Deus, do inglês God, já que a simbologia maçônica nasce na Inglaterra. Outras palavras importantes para o maçom também começam com a letra G conforme será visto nos graus após o 1o.

No pé do brasão estão escrita três palavras, que são: AUDI, VIDE e TACE. Sua tradução significa OUVI, VI e CALEI. Lembra ao Irmão como deve ser seu comportamento após receber os secretos do grau e outros conhecimentos que se dados a profanos que não passaram pela iniciação não poderão entender ou entenderão eles de uma forma errada.

Logo temos novamente o nome de nossa Grande Loja e finalmente as palavras RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO.

São numerosos os Ritos nos quais trabalha a Maçonaria no mundo todo. Passa de 70 (alguém fala que são centenas) os Ritos que tem sido criados, muitos de curta duração, outros totalmente desconhecidos e alguns espúrios ou irregulares porque omitem qualquer alusão ao G.’.A.’.D.’..’.U.’.e a imortalidade da alma, não utilizam o Livro da Lei ou são mistos (aceitando homens e mulheres), etc. A imensa maioria dos Ritos foram criados a partir de 1717. Entre os praticados hoje em dia temos o R.’.E.’.A.’.A.’., Schröeder, Emulation (o modo mais antigo e difundido de fazer o Rito de York), Adonhiramita e São João. Os ritos mais praticados no mundo são o de York, praticado na Inglaterra, Escócia, Irlanda, Canadá e EEUU, que congregam praticamente 66% dos maçons regulares no mundo todo, e o R.’.E.’.A.’.A.’. praticado especialmente na América latina.

O R.’.E.’.A.’.A.’.tem como data de fundação oficial, 31 de Maio de 1801, quando na cidade de Charleston, EEUU, foi fundado o primeiro Supremo Conselho para o R.’.E.’.A.’.A.’. (conhecido como o Supremo Conselho Mãe). Mas o Escocesismo nasceu antes, quando eliminada a dinastia dos Stuart (católicos), toda a nobreza escocesa foge para a França, principalmente Paris, sendo que muitos deles eram maçons. Eles são recebidos como membros honorários nas Lojas existentes na França, e nelas começam a trabalhar pela restauração da dinastia Stuart, e acabam criando uma nova linha de maçonaria que é o Escocesismo, aplicado nas Lojas livres que eles começam a fundar. Relatamos estes fatos históricos unicamente para explicar que o R.’.E.’.A.’.A.’.não foi, como poderia parecer criado na Escócia, e sim tem seu nome porque deriva do denominado Escocesismo.

Palestra proferida pelo autor na VII Jornada Maçônica de São Paulo de 2002

Pelo Ven.Irmão Ethiel Omar Cartes González Loja Guatimozín 66 Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo (Brazil)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/analise-simbolica-e-historica-do-frontispicio-do-manual-do-aprendiz/

Os Livros Sagrados de Thelema

93!

Mais boas notícias!

Contagem regressiva para começar o Financiamento Coletivo dos Livros Sagrados de Thelema. Dia 5/Fevereiro começará no Catarse o Projeto para trazer ao Brasil os livros mais importantes da Thelema, escritos por Aleister Crowley.

Quem apoiar com apoio “Minerval” (os 3 livros + nome nos agradecimentos) ou maior (“Templario”, “Tarot”, “Biblioteca do Alquimista” ou “Loja Patrocinadora”), nas primeiras 48h receberá uma réplica em mdf da “Stele of Ankh-ef-en-Khonsu” (Stella of Revealing).

Livros Sagrados de Thelema

Do what thou wilt shall be the whole of the law

É com muita honra e felicidade que anunciamos que a Daemon foi escolhida pela Ordo Saturni no Brasil para ser a editora que vai publicar a sua tradução dos LIVROS SAGRADOS DE THELEMA e do LIBER 333 (BOOK OF LIES) no Brasil. Eles ficaram impressionados com a qualidade, dedicação e carinho com que o livro KABBALAH HERMÉTICA foi produzido e queriam o mesmo tipo de tratamento para estes que são considerados obras primas da magia mundial.

Os Livros Sagrados de Thelema são os 15 principais e mais importantes livros de Magia escritos por Aleister Crowley, considerados como publicações classe A (textos sagrados) na Thelema, publicados originalmente entre 1907 e 1911.

São eles:

– Liber Causae (Narra a história da AA).

– Liber Tzaddi

– Liber Porta Lucis

– Liber LXV Liber Cordis Cincti Serpente

– Liber VII Liber Liberi vel Lapidis Lazuli

– Liber XXVII vel Trigammatron

– Liber DCCCXIII vel Ararita

– Liber CCCLXX – A’ash vel Capricorni Pneumatici

– Liber CLVI – Cheth vel Vallum Abiegni

– Liber B vel Magi

– Liber LXVI vel Stelae Rubrae

– Liber CCXXXI vel Arcanorum

– Liber CD vel Liber Tau vel Kabbalae

– Liber CCXX (AL vel Legis)

– Liber XXXI (Liber Legis)

Para a edição brasileira, todos os 15 Libri foram reunidos e organizados em um único volume de 336 páginas, capa dura e edição caprichada, contendo os textos originais de 1907-1911 e a tradução em paralelo.

O LIBER 333, nas palavras do próprio Crowley: “Esse livro lida com muitos assuntos em todos os planos da mais alta importância. Ele é uma publicação oficial para Bebês do Abismo, mas recomendado até mesmo para iniciantes como altamente sugestivo”

A pedidos, faremos o LIVRO DA LEI e o LIBER 333 no formato 14×21 capa dura (formato “octavo”, que vocês ja estão acostumados pois os melhores livros de ocultismo tem sido trazidos para o Brasil neste formato).

Ja temos algumas metas mas adianto que uma delas é o Liber 1, “das Buch der Null Stunde”, da Ordo Saturni.

Dê o seu 93 se você for fã do Crowley e avise seus amigos nos comentários.Tem muita meta sensacional ainda por vir!

Dia 5/fev, apoie nas primeiras 48hs!

Livros Sagrados de Thelema

93, 93/93

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-livros-sagrados-de-thelema

Maçonaria responde às críticas

Desconsiderando as críticas absurdas, aquelas baseadas em crenças idiotas, frutos da ignorância e do fanatismo, ofensivas a qualquer indivíduo de inteligência mediana e um pouco de bom senso, dediquemos um pouco de nosso tempo a responder as demais críticas, relativas ao caráter político, econômico e social da Maçonaria:

1 – A Maçonaria é direitista.

R – A Maçonaria, pelo seu caráter universalista, não assume posição política e proíbe discussões político-partidárias em suas reuniões, mas sempre incentivando seus membros a terem e defenderem suas convicções políticas, em defesa da democracia e da soberania da pátria, atributos ligados à Liberdade, a qual faz parte da tríplice divisa maçônica. Por esse motivo, encontra-se nas fileiras maçônicas filiados e líderes em vários níveis de todas as vertentes políticas.

A Maçonaria, refletindo a sociedade em que está inserida, pode possuir maioria dos membros socialista em Cuba e capitalista nos EUA. E nem por isso a Grande Loja de Cuba ou qualquer Grande Loja Estadual dos EUA tem oficialmente uma ou outra posição, pois abrigam também membros de diferentes convicções políticas, econômicas e sociais.

2 – A Maçonaria é conservadora, tendo resistência em acompanhar os avanços da sociedade.

R – A Ordem Maçônica é instituição não-dogmática, e seu funcionamento é em “regime aberto”. Isso significa que a Maçonaria não possui dogmas que restringem seus membros em quaisquer questões, podendo eles militarem contra ou a favor qualquer questão que não restrinja a liberdade de si mesmo e do próximo. Os maçons não são monges e não vivem trancafiados nas Lojas Maçônicas. Eles vivem na sociedade e apenas frequentam as reuniões maçônicas durante algumas horas por semana ou quinzenalmente. Como instituição filosófica, espiritualista e humanista, a Maçonaria defende a livre e irrestrita busca da verdade. Há maçons conservadores e liberais, e aqueles que se submetem a qualquer dogma o fazem por suas convicções pessoais, e não pela Maçonaria. Novamente, refletindo a sociedade, numa comunidade mais conservadora pode haver mais maçons conservadores, assim como o contrário.

3 – A Maçonaria é machista.

R – Essa ideia de que a Maçonaria é machista é baseada no fato de que a Maçonaria Regular só aceita homens como membros. Para entender melhor essa questão, leia o artigo sobre as mulheres na Maçonaria.

4 – A Maçonaria é inimiga declarada da Igreja Católica.

R – Apesar de uma Ordem presente no mundo inteiro, a Maçonaria não possui um poder central internacional, pois cada Grande Loja no mundo, seja composta de 03 ou de 3.000 Lojas, é independente e soberana. Não existe um “Grão-Mestre Internacional”, nem mesmo um Conselho que possa falar em nome de toda a instituição. Por esse motivo, afirmar que a Maçonaria é a favor ou contra qualquer instituição religiosa é, no mínimo, calúnia. Por outro lado, a Igreja Católica já emitiu algumas bulas papais contrárias à Maçonaria, ameaçando penalidades aos católicos que ingressassem na Ordem. O que também não impediu que vários padres buscassem a Maçonaria e se tornassem maçons ao longo da história. Algo que acontece até os dias de hoje.

5 – A Maçonaria é uma espécie de pirâmide, que favorece financeiramente seus membros.

R – Então, por que diabos eu ainda sou pobre???

Ninguém ganha dinheiro com Maçonaria, mas posso garantir que se gasta muito com livros e taxas de manutenção de nossos templos, estruturas administrativas e projetos sociais.

6 – O maçom é obrigado a favorecer o outro em nome da fraternidade.

R – Sério? Então está na hora de eu cobrar alguns favores!!!

Sendo o maçom um homem que assumiu solenemente compromisso de busca e promoção da justiça em todos os momentos de sua vida, ele está moralmente impedido de favorecer quem quer que seja, independente se irmão maçom ou irmão de sangue. Se um maçom, num momento de fraqueza ou desencaminho, solicitar a outro algum tipo de favorecimento, este último tem a obrigação fraterna de recordar o primeiro dos preceitos maçônicos. O auxílio maçônico refere-se a situações de socorro em momentos de risco ou necessidade, e abrange não somente o maçom como sua família.

7 – A Maçonaria faz pouco pela sociedade.

R – Ao contrário do que alguém possa pensar, a Maçonaria não é uma OnG de ação social, um clube de serviço ou uma sociedade com fins filantrópicos. A Ordem Maçônica é uma espécie de escola, cujo objetivo é o desenvolvimento moral, intelectual e espiritual de seus membros. É através de seus membros vivendo e agindo segundo os princípios maçônicos e em defesa de seus ideais que a Maçonaria espera colaborar para uma humanidade mais feliz. Por esse motivo, a filantropia não é seu fim, mas apenas um de seus meios. Porém, o interessante a se observar é que, mesmo não sendo a sua natureza, a Maçonaria tem desenvolvido excelentes projetos sociais em todo o mundo. A diferença é que a Maçonaria costuma ser discreta, não fazendo publicidade de seus atos em prol do próximo.

8 – A Maçonaria faz parte da Nova Ordem Mundial, movimento que tem a intenção de governar o mundo, influenciando os governos a agir conforme seus interesses.

R – Se a Maçonaria, como explicado anteriormente, não possui uma representatividade internacional, como poderia participar de um “complô mundial”? Além disso, as únicas menções sobre essa tal “Nova Ordem Mundial” só são encontradas em sites de fanatismo religioso e em teorias conspiratórias sem qualquer indício aceitável.

Conclusão

Essas são apenas algumas das várias críticas sobre a sublime instituição, muitas delas heranças de campanhas difamatórias que a Ordem sofreu em outras épocas. A única culpa que a Maçonaria carrega é a de se basear no sigilo, enquanto é da natureza do ser humano recear o desconhecido, e divagar sobre ele.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ma%C3%A7onaria-responde-%C3%A0s-cr%C3%ADticas