Black Sabbath (1970)

Chocando o mundo inteiro com este primeiro álbum lançado em 1970, para muitos Black Sabbath é apenas uma banda que se destacou por fazer “músicas de terror” numa época em que praticamente só se falava de amor. Isso é verdade também, mas para quem sabe o que está escutando, Black Sabbath é muito mais do que isso, eles de fato revolucionaram o rock e inventaram um novo estilo, mas também foram os pioneiros a ganhar extrema popularidade ao levar a magia negra para as grandes massas e a primeira grande banda a encher estádios para falar sobre o Diabo.

A origem do nome da banda é motivo de controvérsias. Dependendo de quem contar a história você poderá ouvir que “Black Sabbath” é uma homenagem aos Sabás Negros, rituais medievais de magia negra, uma referência a um filme italiano homônimo da época ou apenas o título de uma música que o baixista Terry Geezer Butler fez inspirado num suspense de Denis Wheatley. Reforçando a hipótese do conhecimento de magia negra, Geezer relata em entrevista de 2001 para a revista Guittar  World:

“Havíamos mudado para esse quarto pintado de preto e cheio de cruzes invertidas. Eu havia emprestado um livro antigo, do século 16 do (Ozzy) Osbourne naquela tarde que ele havia roubado de alguma biblioteca. Naquela noite eu acordei e vi esta figura sombria no pé de minha cama. Uma presença horrível que me assustou até a alma. A figura aos poucos desvaneceu no ar. Eu procurei o livro para jogar ele fora, mas ele já havia desaparecido. Contei aquilo para o Ozzy e isso ficou nas nossas mentes. Então quando comecei a tocar “Black Sabbath” ele apareceu com aquela letra. Veio do nada, e então sabíamos que só havia um nome possível para a banda.

Questionado sobre seus primeiros envolvimentos com o oculto, Geezer, continua:

“Eu cresci como católico então eu realmente acreditava no demônio. Havia esta revista chamada “Man, Myth and Magic” que eu lia e ela tratava sobre Satã e coisas assim. Essas foram minhas primeiras influências assim com os livros de Aleister Crowley e Dennis Wheatley, especialmente a obra “The Devil Rides Out” que foi concebida para ser apenas um conto de terror, mas que pode ser lido como um manual de como ser um satanista.”

Ao contrário de muitas bandas anteriores que ganharam a fama por flertarem com o diabo, Black Sabbath usou isso como parte de sua identidade como Banda. Não existe uma ideologia unificadora nas músicas do grupo, e muitas vezes o Satã é até retratado com um medo cristão sob um ponto de vista quase gnóstico, a saber, de que Deus está morto ou dormindo e que sua contraparte maligna é um deus muito mais ativo e provável. “Nós estamos com Deus”, disse Tony Iommi, o guitarrista para a revista Circus, em 1984, “Mas muitas vezes sentimos que Satã é esse Deus.” A presença infernal na música era tão intensa que Bill Ward, o baterista admitiu em testemunho para o livro  “Black Sabbath An Oral History” que sempre sentiu uma presença sobrenatural nas execuções. Tão real, enfatizou ele, que era como se de fato houvesse um quinto membro na banda.

Mas o grande catalisador da veia satânica do grupo é sem dúvida Ozzy Osbourne, como não deixaria dúvidas posterioremente com sua carreira solo. Identificando a si mesmo como o “Principe das Trevas”, Ozzy, embora sem uma educação formal neste campo sempre foi um grande interessado em magia e demonologia. Interesses estes que muitas vezes, sem uma orientação mais apropriada colaboraram para o deixar ainda mais descontrolado. Em 1984 declarou a revista Hit Parader: “Eu realmente gostaria de saber porque fiz algumas das coisas que fiz em todos estes anos. As vezes acho que estou possuído por algum tipo de espírito. Há alguns anos eu estava convencido de que eu realmente estava possuído pelo diabo. Eu me lembro de assistir o filme Exorcista e eu me identificava muito com tudo aquilo.”

Assim, da mesma maneira que o livro de Dennis Wheatley foi lido pelos membros da banda como um guia para o satanismo, embora o autor original não tivesse essa intenção, igualmente as músicas do grupo foram como um grande chamado para o lado sombrio da existência. Quando nos anos 70, inspirado por seus gostos obscuros, Black Sabbath começou a produzir músicas com o objetivo de assustar as pessoas e dar prazer nos moldes dos livros e filmes de terror, o velho adágio satânico se confirmou. É impossível contemplar o abismo sem que o abismo olhe de volta para você. Black Sabbath fez milhares de pessoas olharem para o abismo. Desta maneira, ao falar de magia, medo, morte, sexo, sangue, diabo e terror, eles tornaram-se a porta de entrada para as hordas infernais entrarem na indústria da música e para que muitos apreciadores de música entrarem para as hordas infernais. Sem querer ou não, graças a eles hoje o inferno está cheio de  boas intenções e de boa música.

Black Sabbath

 

What is this that stands before me?
Figure in black which points at me
Turn around quick and start to run
Find out I’m the chosen one, oh nooo!Big black shape with eyes of fire
Telling people their desire
Satan’s sitting there, he’s smiling
Watches those flames get higher and higher
Oh no, no, please God help me!

Is it the end, my friend?
Satan’s coming ’round the bend
People running ’cause they’re scared
The people better go and beware!
No, no, please, no!

Tradução de Black Sabbath
Sabá NegroO que é isso que se levanta a minha frente?
Um vulto preto que aponta para mim
Viro rapidamente, e começo a correr
Descobri que eu sou o escolhido
Oh não!

Uma grande figura negra com olhos de fogo
Dizendo às pessoas seus desejos
Satã está sentado lá, ele está sorrindo
Observem aquelas chamas crescendo cada vez mais
Oh não, não, por favor Deus me ajude!

Esse é o fim, meu amigo?
Satã está vindo lá na curva
As pessoas correm pois elas estão assustadas
Pessoal, é melhor correr e tomar cuidado!
Não, não, por favor, não!

 

 

Nº 4 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/black-sabbath-black-sabbath/

A Medula da Alquimia

Contendo Três Livros, Elucidando a Prática

O Primeiro Livro

A Alquimia – que alguns chamam de Arte Dourada – trata-se não de uma fábula, como muitos quereriam, mas de uma verdadeira Ciência, como ficou por nós provado e por exemplos demonstrado na parte anterior deste tratado, Ciência esta cuja prática passaremos a elucidar nesta Segunda Parte, através da qual será possível obter grande provisão de prata e ouro. E para uma boa compreensão das nossas intenções considera correctamente, e com justeza pesa bem a razão da nossa Obra, caso contrário é mais certo que percas o teu tempo e dinheiro em vão, encontrando apenas esforço e despesa, tal como muitos já o fizeram.

De maneira que a Pedra que procuras, como já o dissemos e voltamos a afirmar é apenas ouro levado à máxima perfeição possível; pois embora se trate de um corpo firme e compacto é no entanto, através do engenho da Arte e operação da Natureza transformado num Espírito tingente que nunca se esgota que a Natureza, por si nunca teria conseguido produzir pois o ouro em si não possui o poder de se elevar a tal grau de perfeição antes se mantendo eternamente na sua constância.

Aquele que se presta a encontrar tal Essência deverá então, através da Arte, transformar o seu ouro em pó e fazer com que se converta numa água mineral, que então circulará com um bom fogo até que quando toda a humidade se seque esta seja fixada; a qual será com frequência embebida e fixada de modo a que o infante quede selado no ventre da sua mãe, e sendo alimentado até que se fortaleça e se torne suficientemente capaz de resistir aos seus robustos oponentes: então fermentando, deve por longo tempo residir em repetida negrura até que a Natureza apodreça e morra, que deves logo revificar, sublimar e exaltar, e de novo retornar à terra onde o deves deixar no calor o tempo necessário para que a negritude se transforme na mais pura brancura; o Rei, sendo então colocado sobre o seu Selo Real, brilhará como a chama faíscante e a pedra escondida a que chamamos enxofre. Isto tu deves multiplicar até que se transforme no elixir espiritual; que será então como juiz no Dia do Juízo Final, condenando ao fogo toda a escória que aderir à mais pura substância nos metais imperfeitos.

Donde que, sendo o nosso Sujeito o ouro, teremos que procurar o agente adequado para o abrir, o qual, se souberes procurar a variedade mais adequada, pouco trabalho terás a preparar; este será vil à vista e grandemente desprezado pelo seu aspecto exterior. Deste assunto poucos autores tratam e os que o fazem obscurecem esta chave o mais que podem, mas eu, querido leitor, serei de uma sinceridade como nunca viste; garanto-te no entanto que este não é trabalho para mentes opacas nem para aquele que desdenha trabalhar, pois a ociosidade é um verdadeiro obstáculo para esta Arte; mas se possuis uma mente tranquila e és trabalhador presta bem atenção ao que irei declarar, e que trata primeiramente daquilo que jaz escondido no nosso Agente ígneo.

A substância que tomamos primeiro em mãos é um mineral semelhante ao Mercúrio que coze na Terra um enxofre cru. Este é chamado de Filho de Saturno, parece de facto vil à vista mas o seu interior é glorioso. É cor de sable, com veios prateados misturados com o corpo cuja linha cintilante mancha o enxofre inato; é todo volátil e não fixo, no entanto, quando tomado na sua crueza nativa purgou o Sol de toda a sua superfluidade. A sua natureza é venenosa e muitos abusaram dele medicinalmente. Se pela Arte soltamos os seus elementos o seu interior aparece resplandecente, o qual então flui no fogo como um metal, embora nada exista de natureza metálica assim tão frágil.

Este é o nosso Dragão, que o Deus da guerra assaltou com uma armadura do aço mais robusto, mas em vão, pois logo uma Estrela nunca vista apareceu, de modo que quando Cadmus primeiramente sentiu esta força não conseguiu aguentar um tal poder, mas do seu corpo a sua Alma se separou. Oh força poderosa! Pois quando os Sábios a avistaram grandemente se surpreenderam e assim a chamaram o seu Leão Verde, cuja fúria com encantos esperaram com o tempo domar. Pelo que, deixando-o presa dos sócios de Cadmus, verificaram que pelo seu poder os derrotou e tendo a luta terminado, olhai, uma Estrela matutina foi vista a sair da Terra e após as carcaças terem sido removidas logo apareceu uma fonte corrente, onde se disse que a Besta saciou a sede até que o seu ventre estoirou. Mas pareceu-lhes deveras estranho que logo que este Dragão se tivesse aproximado da Fonte, as Águas se retirassem como que assustadas, pese embora o esforço de Vulcano em reconciliá-las. Então apareceram as Pombas de Diana com adornos ofuscantes, com cujas asas prateadas o ar se acalmou, no qual o Dragão dobrado para dentro perdeu a sua picadura. Então as Águas como uma inundação logo voltaram e engoliram a Besta, cuja cor se tornou negra como o carvão, e nisto o nosso Dragão fez com que a fonte exalasse um cheiro fétido onde ele morreu e que lhe serviu de sepultura. Mas com a ajuda de Vulcano este Dragão voltou à vida e recebeu dos Céus uma Alma, pelo que ambos se reconciliaram, aqueles que antes eram inimigos, sendo as suas almas agora unidas, deixaram os seus corpos e transformaram-se no verdadeiro banho das ninfas, e no nosso Leão Verde, pelo que nunca nada assim tinha sido visto antes.

Mas para não te manter mais em suspenso, iremos agora explicar claramente o significado destas alegorias, desatando estes nós cujo sentido obscuro poderá deixar perplexo o leitor.

Pelo que agora observa que o nosso Filho de Saturno deve ser unido a uma forma metálica e mercurial, pois é apenas azougue o agente que a nossa obra requer, mas o azougue comum não serve para a nossa Pedra; estando morto, presta-se no entanto a ser animado pelo sal da Natureza e verdadeiro enxofre que é o seu único cônjugue. Este sal, que se encontra no rebento de Saturno e é puro interiormente, tem o poder de penetrar o centro dos metais, e tem em abundância as qualidades necessárias para entrar no corpo do Sol, o qual divide em elementos e no qual reside após a dissolução. O Enxofre deves procurá-lo na casa de Aries, é este o fogo mágico dos sábios para aquecer o banho do Rei (que deves preparar numa semana). Este fogo está estreitamente escondido, mas podes revelá-lo numa hora e depois lavá-lo em chuva prateada.

Parecia deveras estranho que um metal suficientemente robusto e fixo para suportar o golpe atordoante de Vulcano e que não se abrandará em nenhum calor nem se misturará em fluxo com nenhum metal seja no entanto pela nossa Arte retrogradado neste penetrante licor mineral. Este trabalho real foi selado pelo Todo-Poderoso para ensinar os prudentes que o Infante Real é aqui nascido, a quem eles diligentemente procuram sendo pela Estrela guiados, mas os tolos procuram os nossos segredos em coisas sórdidas e sem sentido e o que encontram é apenas a própria ruína.

Esta substância tem uma natureza estrelada e completamente espiritual, sendo totalmente inclinada a fugir do fogo; a razão é que a alma de cada um é como um íman para o outro, e a isto nós chamamos a urina do velho Saturno. Este é o nosso aço, o nosso verdadeiro hermafrodita, a nossa Lua, assim chamada pelo seu brilho: este é o nosso ouro imaturo, que à vista é um corpo frágil e quebradiço, mas é domado por Vulcano e cuja alma se sabes misturar com Mercúrio nenhum segredo te será ocultado.

Não tenho necessidade de citar qualquer autor, pois eu vi e com as minhas mãos trabalhei este mistério, e por constantemente seguir a sabedoria da Natureza fui levado a tornar brando o corpo mais sólido e do corpo mais grosseiro fazer uma Terra tingente e fixa, que nunca se desvanecerá. E não sou o único que o diz, pois muitos outros o fizeram, cujos segredos aqui vos revelo. Artephius nomeou-o, mas o outro segredo não o revelou, antes disse que este deveria ser pedido a Deus, a não ser que o ensinasse um sábio Mestre.

Este é o enigma que tanto tem deixado perplexos os estudantes desta Arte. Assim Zeumon na Turba p.18, Ars Aurif: Vol.2, disse: A nossa Pedra é vil e no entanto é combinada com o mais precioso. É aquilo que é deitado à rua, nos caminhos, nas estrumeiras e nos lugares impuros que é a matéria que deveremos tomar como verdadeiro fundamento da nossa Arte. Ninguém pode viver sem ela, e há quem a aplique em usos sórdidos, o que demonstra que apenas com Marte ela pode ser associada. Em barcos ela flutua sobre os oceanos, e sem ela não há barco ou casa que possa ser construído, ou mercadoria que possa ser transportada; com ela aramos a nossa terra, ceifamos o nosso milho, vestimos, fervemos e cortamos a nossa carne, e com ela são ferrados os cavalos. Muitos mais usos ela tem os quais seria fastidioso enumerar e no entanto encontra-mo-la frequentemente num estado contemplativo sobre a terra, em velhos pregos sem cabeça, que pouco valem o achado, e que por isso como vil é estimado.

Para mais, Aries é conhecido da casa do robusto Marte, pelo qual todos os artistas dizem que deves começar a tua obra, o que pode ser mais claro? Dificilmente pode existir alguém tão ignorante que julgue que estas palavras ocultam ainda um outro significado, pois nunca até agora isto tinha sido tão claramente explicado. Belus na Turba, p.27, Ars Aurif: Vol.2, insta-nos a combinar o lutador com aquele que não deseja lutar; pelo qual a Marte o Deus da Guerra ele atribui Saturno em união, que se deliciava na paz e cujo reino não é necessário revelar uma vez que é de todos tão conhecido.

Repara na segunda figura do Rosarium Philosophorum Irne, p.212, Ars Aurif, Vol.2, na qual o Rei e a Rainha em vestes reais seguram entre ambos a nossa verdadeira Lunária que contém oito flores e no entanto não tem raiz. Entre ambos há um pássaro. Sob os seus pés o Sol e a Lua. O Rei tem na mão uma flor e a Rainha outra e o pássaro segura com o bico numa terceira, tendo também na cauda uma estrela que representa o nosso grande segredo, pois o pássaro alado representa Mercúrio combinado com a Terra Estrelada até que ambos se tornem voláteis e alados.

Assim parece que os antigos Sábios escolheram antes instruir o olho por imagens do que o ouvido por palavras. No entanto alguns dos seus discursos são tão simples que qualquer palerma poderá perceber o sentido que eles contêm, e para o mesmo propósito, sendo eu um filho da Arte, tenho na Cabala Sapientum a mesma explicação, para a qual remeto o leitor aplicado. Prosseguirei agora com o objectivo deste curso mostrando como obter esta Água, que tão poucos encontram, de onde retiramos a mais secreta semente do Sol, pelo que aplica-te diligentemente em aprender a obter esta Água, pois ela é o fundamento da nossa Quintessência.

Sabe então que todos os metais têm apenas uma matéria, que não é senão o Mercúrio; que como fundamento possibilitou primeiro a transmutação e por isto nós concluímos que a nossa muito secreta Água tem a mesma matéria que o vulgar Mercúrio. E se o Mercúrio bruto e todos os cinco metais imperfeitos se podem transformar em ouro, (sendo neste processo, e devido à sua crueza consumidos pelo fogo), a razão é então como todos os Sábios ensinam que todos os metais contêm em si o Mercúrio e todos são por conseguinte igualmente transmutáveis. Se o nosso Mercúrio, ao qual chamamos a nossa Água viva, for outro que não o ouro imaturo, então qualquer metal que seja pela Arte convertível em ouro deverá conter em si essa natureza, da mesma forma que pela Arte é feita o nosso Azougue.

Assim, se chumbo, estanho ou cobre fossem convertidos num verdadeiro Mercúrio, então poderia a Arte causar essas Águas, pois seriam já tão diferentes na forma que qualquer um deles se poderia enquadrar no nosso Mercúrio Filosófico. Mas para que precisaríamos disso se a natureza produz já uma Água ao alcance do artista, na qual através da Arte uma forma pode ser induzida de modo a comandar os nossos segredos? Atenta então bem para o que deverá ser o nosso Mercúrio que deseja ser o nosso mais secreto Menstruum, pois nós garantimos que ambos são Metálicos de peso e cor semelhante, e que ambos são fluídicos e voláteis sob o fogo mas, no nosso, deverá existir um Enxofre que não encontras no das minas, e este Enxofre purifica a matéria, torna-a ígnea e no entanto não deixa de ser uma Água. Pois a Água, que é o ventre, não tendo calor é totalmente inútil para a verdadeira geração, nem o nosso corpo será reduzido a um humor, nem produzirá a sua semente, enquanto não estiver sob a circulação do fogo, combinado pela Arte com um mercúrio que tenha em si Enxofre.

Este Enxofre deverá ter uma força, ou virtude, magnética, pelo que deverá ser ouro verdadeiro, embora imaturo, como também da mesma origem tanto a matéria como a forma, apenas com esta diferença, que é que enquanto o outro é fixo este deve ser volátil e alado, tendo o poder de abrir e soltar o primeiro. E só há um corpo na Terra suficientemente próximo do Mercúrio para o poder preparar para a nossa pedra secreta e para poder esconder o corpo sólido no seu ventre e este, como disse anteriormente, é o rebento de Saturno sobejamente conhecido por todos os magos, e que eu aqui te mostrei.

E embora alguns metais possam ser fixados com Azougue não penetram uns nos outros mais que à vista, e pelo calor podem facilmente ser separados, pois verás que eles nunca penetram o centro, nem são por isso melhorados. A razão é que o Enxofre que se encontra nos metais perfeitos encontra-se selado, ou nos outros partilha das fezes terrestres e impurezas que o Mercúrio abomina e com as quais nunca se unirá embora pareça à vista com eles se misturar. Se separares estas fezes encontrarás Mercúrio fluídico e um Enxofre cru que endureceram a humidade pela congelação bem como um Sal aluminoso mas todos eles são de natureza demasiado distante do ouro.

Mas o mineral que tanto estimamos, excepto as suas escórias (que são totalmente separáveis) contém um Mercúrio mais puro, que fará reviver os Corpos mortos de forma a que estes possam como todas as outras coisas gerar a sua espécie. Mas em si não contém nenhum Enxofre, embora, sendo quebradiço e negro com veios brilhantes esteja congelado num Enxofre ardente. Este Enxofre não tem nada de metálico, mas se correctamente separado segundo a Arte, as escórias sendo removidas, aparece uma noz de aspecto metálico (que poderás moer em pó) na qual se encontra fechada uma alma terna que se mostra como fumo sob um fogo suave, semelhante ao Azougue, levemente congelado, e que o fogo de facto evapora.

É isto que dá penetração à nossa Água e lhe permite penetrar até ao centro dos corpos, invertendo-os completamente e reduzindo-os à sua verdadeira matéria primeira e isto deseja ser reunido com um verdadeiro Enxofre, que deverá ser procurado na casa de Aries. Através deste mineral apenas e com a habilidade do artista, é Marte retrogradado num mineral; como por muitos foi já ensaiado. Esta é a nossa verdadeira Vénus, a esposa do coxo Vulcano, e que é amada por Marte.

Primeiramente então faz com que Marte abrace este mineral, de forma que ambos se libertem das suas características terrenas, e em pouco tempo a substância metálica deverá brilhar como os céus, e como prova do teu sucesso deverás seguramente nela encontrar a impressão do selo de um rei estrelado. Este é o selo real, a marca que o Todo-Poderoso afixa neste estranho corpo. Este é o fogo celestial, no qual ao fazer despertar uma centelha, grandes mudanças ocorrerão nos corpos, de tal modo que a negritude é feita brilhar como uma gema cintilante, com a qual como um diadema o nosso jovem rei é coroado. A isto adiciona Vénus na proporção adequada, cuja beleza é admirada por Marte e que é conhecida por lhe ter grande amor e desejo de com ele se unir, assim que logo é inclinada ao movimento, sendo ela afim do ouro, Marte e da brilhante Diana, com quem ele concilia o amor e a verdadeira união.

Mas Vulcano ficará cada vez mais ciumento e é com desgosto que o coxo cornudo sente os cornos adornarem-lhe a cabeça, e na esperança de os destruir atira a sua rede sobre os amantes apanhando a esposa e Marte durante o acto, exibindo-os desta forma aprisionados.

No entanto, que isto não seja tomado como mera Fábula. Primeiro observa como Cadmus é devorado pela nossa besta feroz a quem Cadmus depois de a ter intrepidamente perfurado fez merecer nome de campeão, pois esta Serpente (de poder inquestionável) ele com a sua lança mortal trespassou contra um carvalho, perante o qual todos sentiram temor. Observa também a Estrela, que na realidade é Solar, como se pode provar, pois o ouro unido intimamente com o filho de Saturno cujas fezes foram purgadas quando tudo o que era perfeito se abateu no fundo, depois de fundido e vertido, ao arrefecer nos mostra uma Estrela, assim como faz Marte. Mas Vénus fornece uma substância metálica que só por si é desprezível, mas que ao ser unida com Marte, como que dobrados numa rede, aparece como agradável à vista, como descreveram os poetas misteriosos de vista apurada, de forma velada mas no entanto suficientemente clara para o Sábio.

De forma que a alma de Saturno, e Marte, são através da nossa Arte e com a ajuda de Vulcano intimamente misturados, mas ambos são semelhantes e voláteis, não sendo divisíveis até que a alma de Marte seja fixada e então deixe Saturno, e então um ensaio revelará o mais puro ouro, e uma tintura da mais pura e verdadeira. Mas esta mediação deve ser feita através de Vénus, caso contrário nenhum artifício humano seria capaz de os separar, nem os poderia reduzir a pó. No entanto após a sua união serão reduzidos apenas pela associação de Vénus, da qual Diana produz neles a separação.

Alguns para preparar esta Água usam as Pombas de Diana, o que é um trabalho tedioso em que por cada vez que o artista acerta há sempre duas em que falha: mas a outra forma (que é a mais secreta) nós recomendámos a todos os que desejam ser verdadeiros artistas.

Pelo que deverás assegurar que o vapor mais subtil da Água seja longa e repetidamente circulado, até que as almas de cada (deixando a matéria grosseira) se unam e voem juntas para o alto; onde não as deves deixar residir durante muito tempo, para que não congelem, pois de contrário laboras em erro.

Assim tira do Filho do velho Saturno duas partes, de Cadmus uma parte e estas purifica com a ajuda de Vulcano até que (sendo liberta das suas fezes) a parte Metálica seja a mais pura; o que deves fazer em quatro reiterações, cujas operações perfeitas te serão ensinadas pela Estrela.

Faz com que AEneis seja igual ao seu amado, purgando-os com arte até que a rede de Vulcano os envolva a ambos, pelo que deves então molhá-los bem com a água e mantê-los em calor e humidade até se tornem perfurados e a suas Almas sejam ambas glorificadas. Este é o Orvalho celeste, que deve ser alimentado durante tanto tempo quanto seja requerido pela natureza, pelo menos três vezes, ou até sete, assim os guiando através das ondas e chamas como a razão ordenará, mas atenta para que a terna natureza não fuja pela força de um fogo demasiado forte.

Sabe também com certeza que o Mercúrio, com o qual a obra deve ser iniciada, deve ser líquido e branco, mas toma cuidado para que não seques a humidade em pó devido a um fogo muito forte, de modo que se mostre vermelho, pois nesse caso o teu esperma feminino estaria corrompido e falharias o teu desejado objectivo. Nem faças com que o Azougue se torne numa clara e transparente goma, óleo ou unguento, pois caso tenhas perdido a proporção certa nunca chegarás a uma verdadeira dissolução mas serás obrigado a suspender o teu trabalho já sem esperança, e a adiá-lo para outra altura, pois procedeste de forma contrária às regras da Arte.

Preocupa-te apenas então em aumentar um espírito que falta ao Azougue comum, sublimar o grosseiro no firmamento e separar as escórias segundo a Arte; o que reiterado sete vezes deves então desposar com o ouro até que quedem ambos perfeitamente combinados.

Assim através da Arte e com a ajuda da Natureza é a verdadeira Donzela preparada, a qual sendo separada das fezes se faz um rebento celeste que tornou macio o corpo sólido do Sol e ao ser separado em átomos se tornou negro e putrefacto, que depois no entanto revive e se torna volátil.

Mas se eu aqui revelasse todos os segredos do fabrico desta nossa Água seria desprezado por todos os verdadeiros artistas, pois apenas àqueles a quem Deus deseja ensinar estes devem ser comunicados, enquanto que outros devem permanecer perdidos num labirinto de erros. Mas aquele que com sofrimentos e orações dedicadamente procurar este segredo, sem nessa busca ser excitado por desejos de cobiça, mas procurar apenas o conhecimento com candura, resolverá certamente este mistério, sobre o qual ninguém em nenhuma altura falou tão claramente.

Há alguns que através da Arte sabem preparar um maravilhoso Licor, que os Adeptos chamaram Fogo do Inferno, e cujas virtudes são tão estranhas e poderosas que (pela sua força) são capazes de resolver qualquer composto na sua Matéria primeira, ou Água; isto numa suave dissolução de Azougue tão uniforme que como gotas de cristal possa ser dela separado sem que nada seja depositado no fundo do vaso nem a sua virtude de qualquer maneira enfraquecida. Pois sendo repetidamente destilada deixa para trás o Azougue que como verás se assemelha a um sal fixo, de odor lembrando o almíscar, ou aroma, e de sabor semelhante ao mel tal é a sua doçura, que podes pulverizar como ferrugem e que nenhum fogo pode consumir, isto no ensaio com Saturno aparece tão fixo como a mais pura Luna.

Esta substância ao ser coobada cinco ou seis vezes com a dita Água (com digestão prévia) aparecerá como que um Óleo, e pouco tempo depois destila como um Espírito, que pela adição de um pequeno sujeito pouco a pouco se separa em duas substâncias distintas, que estando prontas serão guardadas separadamente, sendo a primeira um Óleo ou Tintura solúvel em Licor; a outra (se a fazes ferver) é através da Arte redutível em Mercúrio, cujo Azougue é uma substância tão maravilhosa que não se encontra igual debaixo dos céus.

Esta nem com sais ou água forte poderá ser corroída em precipitado, ou por circulação frequente pelo fogo ser combinada, ou sublimada, ou seca em pó, nem tão pouco ser fixada mas para sempre se manterá volátil. O grande Elixir não conseguirá transmutar mas de facto dissolve e destrói; é de tal forma estranha que todos os artistas surpreende, pois nenhum tem poder ou mestria para a alterar: e através da forma mencionada, poderá ser produzida de todos os corpos Metálicos.

No entanto na nossa Arte isto não serve de nada, pois nós procuramos multiplicar o Enxofre que é uma Hematina Solar e cuja cauda é lunar; são estes os únicos planetas que consideramos no nosso céu terrestre, rejeitando todos os outros e todas as outras artes. Pois se Ouro, que pela natureza é feito puro e perfeito puder através deste nosso fogo secreto ou Água ser retrogradado em Mercúrio e Enxofre, sendo completo em substância, e que antes não podia ser separado pela força do fogo mas firmemente nele residia. Quem não vê que tal Mercúrio está distante da nossa obra? Pois nós procuramos aumentar uma Tintura e apenas o Enxofre, que como uma capa envolve o Mercúrio e é agradável à natureza Metálica e sem o qual a Água não poderá reclamar o nome de um metal.

Este Enxofre encontra-se mais ou menos em toda a coisa Metálica, mas em algumas uma certa escória inquina a substância pura, pelo que deve ser destruída pelo fogo, pois tudo o que é grosseiro e inútil neste é consumido. Mas dos metais o Sol e a Lua são revestidos tão intimamente por um puro Enxofre que suportam grandemente a maior força de Vulcano, e nenhum Artifício humano poderá alguma vez dividir este Enxofre da sua Água exceptuando o mencionado licor, cuja virtude é tão poderosa que reduzirá até o Sol e a Lua do seu estado fixo e os tornará voláteis. Não apenas ele, mas também o nosso admirável Fogo podem fazer o mesmo ao ouro, e de uma forma directa e gentil forçar a sua retrogradação, e no entanto sem dividir o Enxofre do seu centro, antes o vestindo com uma veste Mercurial para que ambos habitem combinadas numa Água Dourada.

Mas o mencionado Licor estranho ao dissolver destrói a homogeneidade Metálica, pois ao separá-los causa um desentendimento e desunião, de modo que nenhum pode desfrutar do outro e portanto o Mercúrio Central ao ser separado do Licor tingido mantém-se em baixo de forma que a Hematina que antes no ouro tinha o Pondus de um Metal se encontra agora tão alterada que se torna num Azougue mais leve, à vista como que um Óleo ou mesmo um Sal untuoso, que é uma nobre medicina para os enfermos.

E assim parece que tanto mais uma substância Metálica seja dissolvida nesta humidade tanto mais é transformada de uma natureza Metálica cujo Enxofre, pela força deste Licor poderá (embora contra-vontade) ser pelo menos trazido até uma Água elementar; tal é o poder que este Licor tem sobre qualquer matéria.

Com isto todos os Filósofos concordam, e todos concluem que o nosso Mercúrio é apenas um, que humidifica apenas aquilo que é homogéneo nos metais, e que é a mãe da nossa Pedra e cujo segredo, se já não ignoras, deves calar; pois ninguém alguma vez sobre isto escreveu mais claramente.

Fim do Primeiro Livro

Por Ireneu Filaleto, Londres 1654. Tradução de Paulo Cruz.


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[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-medula-da-alquimia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-medula-da-alquimia/

Chá com Feitiços e Rosas

Magia+do+Caos

impressa e PDF.

Falo sobre magia de Abramelin, religião, meditação, divinação, evocação, teoria do caos, alimentação, paradigmas, magia criativa, feitiços e muitas outras coisas. O sumário é apenas uma amostra. Vou e volto nos mais diversos temas entre os capítulos.

O livro é colorido, assim como meu anterior, A Noite Escura do Caos.

E na semana passada escrevi um livrinho sobre a Índia: Casa do Coração Puro.

Boas leituras!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ch%C3%A1-com-feiti%C3%A7os-e-rosas

As palavras de Abremelin, o Mago

 Este manuscrito – disponível na biblioteca do Arsenal de Paris é um documento essencial para aqueles que desejem compreender a doutrina e a prática do vampirismo, às quais se dedicavam algumas das grandes famílias da Europa central.

Segismundo, imperador da Hungria, utilizou as revelações de Abremelin, o mágico para tentar roubar à morte bárbara Cillei. Ele fundou a Ordem do Dragão usufruindo para tal dos conselhos do seu mágico, Eleazar, a quem Abremelin teria confiado os seus segredos. Drácula tornou-se ponta de lança dessa Ordem misteriosa, seguido por outros príncipes romenos como Hermann de Cillei, Minéa Garaï, Erzsébet Bathory que se isolaram nos seus ninhos de águia para perpetuar obscuras alianças com os poderes da noite.

Apresentamos ao leitor uma página inédita do manuscrito de Abremelin o Mágico, um dos textos importantes escritos por Aléazar – este manuscrito pode também ser visto na Biblioteca Marciana de Veneza.

No dia seguinte apresentei-me a Abremelin, que sorrindo me disse: «quero-te sempre assim…» e conduziu-me ao seu apartamento privado onde copiei dois manuscritos. Ele então perguntou-me se na verdade e sem receios eu desejava aprender a Ciência Divina e a Magia Negra. Respondi-lhe que, se empreendera tão longa e fatigante viagem, o motivo fora o de querer saber toda a verdade.

«E eu», disse Abremelin, «forneço-te esta Ciência Sagrada, permitindo que a pratiques respeitando as leis destes dois pequenos livros, sem omitir a mais pequena coisa, por mais inconcebíveis que elas possam parecer-te. Servir-te-ás desta Sagrada Ciência para reencontrar os antigos poderes, e voltar a ser um deus imortal, vencedor da vida e da morte.

»Então as trevas não te vencerão porque tu serás o vencedor, e hás de entrar na cadeia das trevas que habitam a Eternidade. Não ofereças esta ciência senão àqueles cujo olhar pode desafiar a obscuridade sem tremer aqueles cujo coração é tão forte que suportam a força do infinito sem que sobre o fardo se dobrem. Mas quero que saibas que esta verdadeira Ciência não durará em ti nem na tua geração para além de setenta e dois anos e tão pouco se manterá na nossa seita. Outras virão e, retomando o facho, hão de levá-lo cada vez mais longe, através do mundo, em nome do Supremo Senhor detentor da Pedra Sagrada. Que nunca a curiosidade te arraste a saberes os porquês de tudo isto, a não ser que o teu coração seja suficientemente forte para receber a vida infinita nos seus vastíssimos limites. Imagina tu que a nossa maldade fez da nossa seita uma seita insuportável, não a todo o ser humano como também aos deuses venerados pelos homens.»

Fiz menção de me ajoelhar ao receber os livros mas, repreendendo-me, Abremelin avisou-me de que apenas perante o Senhor deveria fazê-lo. «Estes dois livros estão escrupulosamente escritos, e depois da minha morte poderás lê-los, meu querido Lamech.» Instruído por Abremelin, despedi-me dele e parti pelo caminho de Constantinopla depois de receber a sua bênção. Em Constantinopla surgiu-me uma estranha doença que me esgotou. Foi como se num sonho a alma saísse e fosse substituída por uma luz forte. Retomando as minhas forças, espantado com a minha transformação, com a vitalidade de um jovem e o saber de Abremelin, tomei um barco e parti para Veneza.

Cheguei a esta cidade onde amigos meus me receberam… e foi nesta mesma cidade que invoquei os quatro espíritos superiores, que me entregaram um espírito familiar, a chave e o número que permite prodígios!

Seguidamente na Hungria dei ao imperador Segismundo, príncipe muito clemente, um espírito também familiar da segunda hierarquia satisfazendo assim um seu anterior pedido.

Ele queria dominar toda esta operação, mas foi prevenido de que essa não era a vontade do Senhor, pelo que teve de contentar-se que tudo acontecesse como se se tratasse de uma pessoa simples, e não de um imperador.

Esse espírito facilitou o casamento com uma mulher linda. E foi ainda o mesmo que ajudou a encontrar bárbara de Cillei, ainda mais bonita que a primeira. Mas bárbara de Cillei morreu e foi enterrada no castelo de Vazradin. Confidenciei ao meu imperador que a morte não existe para aquele que possui a Ciência Sagrada de Abremelin. Pediu-me então o imperador para que lhe ressuscitasse a bela e maravilhosa jovem. Assim o fiz, invocando de novo os quatro espíritos já invocados em Veneza, em circunstâncias diferentes e segundo a Ciência Mágica de Abremelin.

Informei o imperador sobre o perfume que deveria fazer parte da cerimônia do despertar do cadáver: uma porção de incenso, uma meia parte de Stoelas do Levante, e uma quarta parte de madeira do bosque de Aloés.

Estes produtos, reduzidos a pó, deveriam ferver numa caçoleta, perto do cadáver. Expliquei em seguida ao imperador que seria necessário invocar os quatro espíritos do décimo terceiro quadrado mágico: Oriens, Paymon, Ariton, Amaymon, porque só eles poderiam conseguir o regresso do morto à vida, tirando-o das trevas que acorrentam corpo e espírito.

 No fim do manuscrito de Abremelin, o mágico Eléazar conclui:

A sagrada magia que Deus deu a Moisés, Aarão, David, Salomão e a outros profetas ensina a verdadeira sapiência divina, deixada por Abraão a seu filho Lamech, traduzido do hebraico em Veneza no ano de 1458.

É estranho que se veja este texto tomar as suas raízes na Bíblia, uma vez que servia de manual prático aos adeptos do vampirismo da Europa central. Uma vez mais o culto do vampiro aparece como uma blasfêmia organizada e uma magia anti-Deus, reclamando-se o poder dos profetas com fins puramente materiais.

Este desvio da força espiritual é obsessivo em todos os praticantes de magia negra, que vêem Jesus Cristo como um mágico, capaz de ressuscitar Lázaro, de multiplicar os pães, as riquezas, e de ultrapassar a morte num corpo que fica incorruptível.

Este desafio não pode trazer senão ódio, a desagregação e finalmente um vazio de alma como diz Simeão, o grande místico ortodoxo, nos Capítulos Teológicos.

 Cada vez que a inteligência é arrastada pela presunção mergulhando nela, e quando imagino que o que é a si o deve, logo a graça que invisivelmente irradia a alma parte deixando-a vazia.

(Centúria capo 75)

Jean Paul Bourre

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-palavras-de-abremelin-o-mago/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-palavras-de-abremelin-o-mago/

Contextualizando os Textos Mágicos Clássicos e Antigos

Por Kayque Girão

A crítica mais comum ao tradicionalismo mágico proveniente da magia dos séculos XVII e XVIII diz respeito a interpretação, viabilidade e funcionalidade dos textos mágicos. O caro leitor certamente já deve ter lido ou ouvido alguma opinião desse tipo, o que revela muitas vezes um grande desconhecimento baseado no senso comum acerca da a tradição clássica que o tempo todo procura se renovar e, principalmente, se reinventar diante das diversas circunstâncias temporais, políticas, religiosas e étnicas. Mas antes de partirmos para o assunto principal se faz necessário antes compreender o que são exatamente esses textos e manuscritos antigos.

O que são Grimórios?

Grimórios são textos antigos, copiados à mão, com fórmulas mágicas para os mais diversos fins, da consagração talismânica a conjuração infernal. Receberam esse nome a partir da palavra “grimoar” por se assemelharem a “gramática”, uma disciplina que envolve linguagem e nomes, aspectos principais desses textos místicos e fantásticos.

Os mais antigos textos com “voces magiae” – os assim chamados “nomes bárbaros de evocação” – documentados até então remontam da Antiguidade tardia, durante os períodos de helenização de parte da Europa assim como do fenômeno de cristianização a que passavam esses povos com a influência romana até a queda do Império com a cisão entre o Ocidente católico e o Oriente ortodoxo bizantino.

Então textos comuns como “Higromanteia” (termo ligado a “clarividência pela água” ou por superfícies refletoras) e uma coletânea esparsa do que ficou conhecido como “Papiros Mágicos Greco-Egípcios” (conhecida mais pela sigla “PGM” entre os estudiosos) foram cooptados pelo clero como resquícios do antigo paganismo clássico e da influência tardia da escrita, que ia do antigo cóptico, aramaico e hebraico arcaico. Esses textos possuíam fórmulas místicas e mágicas de consecução espiritual que não eram reconhecidos por nenhuma religião hegemônica, estando ligado a praticantes marginais à Civilização de então.

Com a expansão cristã e o fenômeno de conversão dos povos pagãos por sobre a Europa, esses textos ficaram restritos ao controle religioso do clero quando não eram destruídos pelo fundamentalismo religioso. Alguns integrantes religiosos foram pagãos convertidos ou religiosos muito estudiosos que conseguiram perpetuar seus textos e copiá-los para outras bibliotecas a fim de servirem de estudo por parte da própria Igreja (o leitor iria se surpreender bastante com o quanto o clero ainda hoje sabe mais de magia).

Então, como não poderia deixar de ocorrer, alguns desses religiosos também incorreram no risco da prática clandestina desses textos pagãos impondo sobre eles a influência litúrgica cristã sem quebrarem diretamente as regras clericais de sua classe, por mais heréticas que parecessem aos olhos da hierarquia religiosa temporal.

Sendo assim, isso explica o anonimato de grande parte dos textos atribuídos ao mítico “Salomão” e tantos outros magos desconhecidos e de origens bíblicas ou egípcias, bem como da limitação textual dos procedimentos descritos nos textos referidos, dado que em sua grande parte foram escritos, copiados e mantidos por padres, rabinos e monges que tinham noções básicas de liturgia, o que deixavam escrito nos textos apenas o essencial a ser praticado.

Se um desses livros fosse pego por alguma autoridade ao revistar um praticante, o mesmo ainda poderia tentar “escapar” sob o argumento de que se tratavam somente de textos de orações, tão comuns da época por devotos. Basta observar essa semelhança de textos como “Liturgia Diária” para com “Liber Juratus” (o “Livro Jurado” atribuído ao Papa Honório, um dos textos mais antigos textos da tradição salomônica, datado de meados do Séc. XIV) : ambos são textos predominantemente organizados com orações.

Grimórios podem ser adaptados?

Antes de responder essa pergunta, temos de entender o contexto do qual os grimórios foram escritos. Eles são resultado inquestionável de um determinado pensamento sobre um determinado período em uma determinada localidade.

Sendo assim, quem os escreveu e os perpetuou foram religiosos ou estudiosos, mas ambos ligados a centros de conhecimento vinculados ao poder da Igreja. O maior de seus mecenas intelectuais fora o próprio Abade Johanes Trithemius (1462-1516), que administrava a maior biblioteca hermética de seu tempo, servindo de ponto de encontro para estudiosos como Marcílio Ficino (1433-1499) e Cornelius Agrippa (1486-1535), autor dos “Três Livros de Filosofia Oculta”, o maior compilado de conhecimento hermético disponível na época.

Então pode ser percebida três camadas de influência desses textos:

1ª Camada: a influência pagã com entidades celestes e telúricas, provenientes em grande parte do paganismo tardio e da goécia mais arcaica;

2ª Camada: a influência religiosa cristã, com a inserção de elementos litúrgicos dentro da ritualística mágica dos textos, com recomendações de purificação e até de orações, quase todos esses procedimentos tento intertextualidade direta com textos sacros, como a Bíblia e a Liturgia das Horas;

3ª Camada: A influência acadêmica escolástica e hermética, que tentou reorganizar esse conhecimento e justificá-lo sob a chancela cristã em detrimento da “magia natural” pagã, como que legitimados pela autoridade religiosa e mágica de Cristo. Grande parte dos hermetistas do período assim se posicionaram para organizarem a sua “prisca theologia”;

Também não deixamos de mencionar uma influência contínua da cultura judaica e rabínica sobre os referidos textos, com procedimentos que são muito pertinentes a visão do Velho Testamento e inteiramente parte da visão religiosa judaica, como o sacrifício de animais e o “holocausto ao Senhor”, de modo que parte das analogias pagãs a pedaços de couro de animais vem da curtição de cabra, bode, boi e leão, por exemplo.

E pode parecer hoje algo terrivelmente horroroso ao pensamento moderno sacrificar um animal para curtir o couro para a feitura de talismãs, considerando esse ato como de extrema brutalidade e selvageria, impactando a psiquê do magista quando isso era visto como natural por quem o fazia nos tempos idos onde não havia açougue e tecnologia de refrigeração e se comia carne o mais fresca possível.

A analogia não era somente literal, mas por verossimilhança, de modo que se um texto como “Grimorium Verum” (o documento mais antigo sobre Goécia) exigia o couro de bode e o das “Clavículas de Salomão” (e suas inúmeras versões latinas, gregas ou hebraicas) o de leão, havia uma equiparação e funcionalidade orgânica em tais trabalhos que os diferenciavam profundamente em significado e simbolismo.

Na visão do Lemegenton, o couro de leão era uma proteção e chancela espiritual sobre o domínio do bestial. Daí pode se considerar os mais diversos níveis de interpretação e analogia, do astrológico ao mitológico. O mesmo para o couro de bode, numa aproximação ao ctônico e bestial, propriamente pagão e mortuário.

Sendo assim, se pudesse-mos sintetizar a praticidade de um grimório, seria sob o raciocínio de etapas descrito a seguir:

“Etapa A”. Um homem com faculdades sensíveis e noção mística/religiosa de mundo entra em contato com um espírito;

“Etapa B”. O espírito mantém contato com o homem e ensina seus conhecimentos sobre a natureza das comunicações e como melhorá-las, prescrevendo materiais acessíveis a este de modo que a comunicação possa tornar-se cada vez mais estreita;

“Etapa C”. O homem alfabetizado anota para deixar registrada a receita para uso frequente e transmite a outros indivíduos, que copiam o texto e passam pra frente, ora incorrendo em erros de tradução ou deturpações conforme suas próprias visões de mundo;

Nenhum grimório, em tese, deveria ser visto como um texto escrito em pedra, mas assim como em todas as vertentes, existirão sempre os fundamentalistas e dogmáticos que farão tudo à risca e com a maior exatidão de detalhes descritos por esses textos.

Como adaptar os Grimórios?

Não existe fórmula pronta e perfeita, que fique claro. Entretanto, à luz dos tempos atuais, faz-se necessário ter uma visão mais aberta ao estudo acadêmico e entender com alteridade tais textos e culturas distintas sob um olhar mais “antropológico”.

Isso porque ao longo da história esotérica muitos se propuseram a adaptar conforme as conveniências pessoais ou filosofias místicas do período, como a própria “Ordem Hermética da Aurora Dourada” MacGregor Mathers (1854-1918), que incorporou diversos textos em sua ritualística e estrutura maçônica e rosacruz. Mesmo Mathers não sendo o melhor dos exemplos, deve ser reconhecido pelas diversas traduções que fez da “Magia Sagrada de Abramelin, o Mago” (Séc. XV apróximadamente) e da “Chave Menor”, do qual, apesar dos erros, soube adaptar tão bem à luz de outras fontes de consulta, como dos livros do Agrippa e do Francis Barret (1770-…) e seu “Magus – A Milícia Celeste”.

Nessa mesma esteira, também é devida a menção honrosa a Papus (Vincent Encausse, 1865-1916), Eliphas Levi (Alphonse Louis Constant, 1810-1875) e Arthur Edward Waite (1857-1942) por seguirem a mesma linha de conduta. Até Aleister Crowley (1875-1947) soube adaptar conforme suas conveniências pessoais aspectos de sistemas pregressos como a Magia Enochiana e o próprio “PGM” na construção de sua carreira mágica com Thelema.

Até aí, Ok. Todos os poucos citados são europeus. Falar que eles puderam adaptar é fácil porque, excluindo-se as devidas diferenças, seguiam uma mesma linha cultural, o que não seria viável para pessoas inseridas em outras culturas que nunca tiveram o contato íntimo com essas tradições, certo?

Então…

A questão é que talvez não tenhamos feito a pergunta certa. Não caberia “adaptar os grimórios” porque eles se consolidaram num contexto específico e local e que dificilmente encontraria a mesma abordagem em outra circunstância. Sendo assim, a pergunta que poderia ser feita de forma mais fortuita seria em “como adaptar as práticas dos grimórios”. E é aí que podemos perceber “o pulo do gato”.

O melhor exemplo que posso dar com base em estudo e vivência é a questão da popularização da leitura. Isso foi crucial com a industrialização e a invenção da imprensa, de modo que muitos desses textos deixaram de ser exclusivos do clero e de uma aristocracia pedante e caíram ao gosto popular e mais informal de uma plebe e burguesia menos intelectuais e mais técnicas, voltadas ao consumo e a busca por alívio espiritual em tempos de materialismo da era moderna.

Esse processo não foi de imediato, claro. Em muitos casos demorou gerações. Imaginemos a situação de um camponês da Irlanda semi-letrado que se tornou monge franciscano e teve acesso a uma Bíblia e textos mais “heterodoxos” como “Galinha Preta” (“Black Chicken”, no original, pouco conhecido do público). O que ele vai contextualizar não vai ser a cosmovisão de um clérigo que está no topo da liturgia rebuscada cristã, mas de um sacerdote popular. Sendo assim, a adaptação dessas práticas vão encontrar uma aproximação com a cultura popular camponesa de sua região.

A leitura e prática do “Galinha Preta” foi corrompida? Não, de maneira alguma. Fora adaptada às circunstancias, necessidade e entendimentos práticas da “magia popular”.

Agora, peguemos o mesmo exemplo, desse monge. Chamemos o gajo de “Willie”. Willie alfabetiza Patrick, jovem mancebo que era literato tanto quanto o monge, e ganha de presente o “Galinha Preta”, numa confidência entre eles. Patrick vivía em tempos difíceis e também tinha o desejo de se aventurar por aí, então ele se arrisca a virar marujo e enfrentar os mares a comerciar nos portos especiarias e produtos diversos, como cana-de-açúcar e algodão.

Patrick, que era um pouco menos inteligente que seu padrinho e mentor de sua terra natal, aprendeu diversas coisas em seu intercâmbio comercial. Num desses portos negreiros do Haiti e da América travou contato com diversos escravos alforriados e letrados e trocou seus textos por diversas outras coisas.

Então o “Galinha Preta” passa das mãos de um Irlandês semi-letrado alfabetizado por um monge popular para as de um escravo liberto que não entende absolutamente nada de Teologia e religiosidade cristã, mas reconhece o poder daqueles espíritos de tão longe, e os trata sob sua mentalidade pagã e ancestral a ponto de adaptar o que aprendeu aqui e acolá, com magia popular, magia de índio, magia de europeu e o que restou da sua religião natal.

Entendem onde quero chegar? Ocorre a mesma coisa.

Em meus estudos pessoais sobre Voodoo e Hoodoo, dentre outras tradições africanas e ameríndias, encontrei muitas aproximações cerimoniais que em nada devem a hegemonia do pensamento católico/protestante de uma elite aristocrática e clerical. E mesmo com suas diferenças conceituais, o texto em prática continua funcionando.

Então, mais uma vez reitero: fazemos as perguntas erradas e por isso deixamos de nos integrar a tradição mágica.

Engenharia Espiritual Reversa e a Prática Hoje

“Certo, você provou seu ponto, mas isso é a sua opinião! Me mostre mais alguém que considera esse raciocínio como válido”

Ok, desafio aceito. Alguns exemplos que me fazem concordar com essa visão reconstrucionista:

Se os grimórios são resultados do desenvolvimento de práticas místicas e mágicas, é natural que aqueles que os escreveram não pensaram e tornarem funcionais para outras pessoas, achando que as condições de vida de seus praticantes se manteriam com o passar das gerações, o que é um erro comum.

Alguns desses textos tem erros grosseiros de tradução dado os inúmeros fragmentos, rasuras e rudimentos de preservação dos textos. Acaba sendo a mesma coisa que sua avó faz ao copiar as receitas que a Palmirinha dá no programa matinal, muitas vezes naquele caderno velho e quase apagado, já amarelado pelo tempo.

Se isso não fosse verdade, não existiriam trabalhos acadêmicos e compilações ou mesmo novas traduções, como as de Joseph H. Peterson, o que implica sempre em novas descobertas que não limitam a interpretação de um texto sob uma chancela de uma única tradição religiosa, a menos, claro, que você pense da mesma maneira que Joseph Lisiewiski e ache que só cristão pode praticar a magia dos grimórios.

Os erros também não são só de linguagem, também dizem respeito a outros conhecimentos dos quais o grimorista poderia não conhecer com profundidade. O autor de Abramelin, por exemplo, tava se lixando para astrologia e deu uma visão simplista e mais gnóstica do tema. Astrólogos como Christopher Warnock chegaram a peitar muito “devoto” ao afirmar que “As Clavículas estão erradas!” pelo simples fato de que, na sua visão de astrólogo, o texto continha erros conceituais e os retificou segundo o que aprendeu.

Mas o derradeiro exemplo que guardo sempre como citação honrosa são de dois autores dos quais tenho grande respeito e admiração: Humberto Maggi (e suas atuais traduções compiladas dos grimórios conhecidas como “Thesaurus Magicus”) e Jake Stratton-Kent. Maggi possui diversos artigos nos quais mostrou um senso de adaptação muito prático e acessível, seguindo a mesma linha original de Jake, que fora capaz de afirmar que “preferia desobedecer os grimórios a desrespeitar os espíritos” e em diversas entrevistas relatou o desagrado de algumas entidades com o tratamento de algumas orações mais tradicionais, demonstrando que é possível uma cordialidade de tratamento mútuo entre o homem e os espíritos.

Sendo assim, e usando o bom senso, eu não vejo a recusa a contatar os espíritos usando adaptações sensatas e aplicadas a vida prática a fim de reduzir esse distanciamento entre teoria e resultados. No mais das vezes, tudo vai se resolver com a mão na massa e na boa e velha “tentativa e erro”. Seria muita ingenuidade não tratar tais textos apenas como tábuas de convocação em vez de listas telefônicas acessíveis as entidades.

Afinal de contas, se elas deixaram por os nomes delas num pedaço de papel, é porque elas desejam ser comunicadas também e receber um chamado para irem de encontro ao “karcista” (outro termo pouco conhecido para o espiritualista que trabalha com evocação de espíritos). Por isso se faz tão necessário tentar ver o tema sob diversos matizes a fim de construir o melhor contato possível, e isso só é possível tentando atender não a forma, mas a essência de tais fontes e seus objetivos: o contato com os espíritos e a formação de vínculos espirituais.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/contextualizando-os-textos-m%C3%A1gicos-cl%C3%A1ssicos-e-antigos

Afinal de contas, o que torna o TdC Especial?

Por Frater Dybbuk,, Zelator do AA

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta oito anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de celebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde naquela época se estudava magia prática e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança ).

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos coordenado pelo prof. Edmundo Pellizari (Ras Adeagbo). Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais da Golden Dawn “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Filme baseado nos estudos da Kabbalah Hermética (“Supernova”).

E o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os doze anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afinal-de-contas-o-que-torna-o-tdc-especial

A origem secreta do Skull & Bones

A história começa em Yale, onde três tópicos da história social Americana – espionagem, tráfico de drogas e sociedades secretas – se entrelaçam em uma.

Elihu Yale nasceu perto de Boston, educado em Londres, serviu com a Companhia das Índias Ocidentais Britânica, eventualmente se transformou em governador no Forte São Jorge (Fort Saint George), Madras, em 1687. Ele acumulou uma grande fortuna com as trocas de mercadorias e retornou a Inglaterra em 1699. Yale ficou conhecido como um grande filantropo; recebendo um convite da Escola Collegiate (Collegiate School) em Connecticut, ele mandou uma doação e uma grande quantia de livros. Subsequentemente, por causa de suas heranças e doações, Cotton Mather sugeriu que a escola fosse nomeada Universidade de Yale (Yale College), em 1718.

A estátua de Nathan Hale esta erguida no Antigo Campus na Universidade de Yale. Existe uma cópia desta estátua na frente do quartel-general da CIA em Langley, Virginia. E ainda outra na frente da Academia Phillips em Andover, Massachusetts (onde George H.W (’48) estudou na infância e se juntou a sociedade secreta com doze anos).

Nathan Hale, junto com três outros graduados de Yale, foi um membro do “Culper Ring, ” uma das primeiras agencias de inteligência americana. Estabelecida por George Washington, na qual foi um grande sucesso na Guerra Revolucionaria. Nathan foi um dos operantes investigados pelos britânicos, e após seu famoso discurso de remorso, ele foi enforcado em 1776. Desde então a fundação da Republica, o relacionamento entre Yale e a “Comunidade de Inteligência” foram únicas.

Em 1823, Samuel Russell estabeleceu a Russell & Companhia com propósitos para adquirir ópio na Turquia e contrabandear para China. Russell & Companhia emergiu com o sindicato Perkins (de Boston) em 1830 e virou o líder número um de contrabando na américa. Muitas das grandes fortunas americanas e europeias foram construídas através da troca de ópio com a China.

Um dos chefes de operação da Russell & Companhia em Canton foi Delano Jr., Avô de Franklin Roosevelt. Os outros parceiros de Russell eram John Cleve Green (que financiou Princeton), Abiel Low (que financiou a construção de Columbia), Joseph Coolidge e as famílias Perkins, Sturgis e Forbes. (O filho de Coolidge organizou a United Fruit Company (Companhia das frutas unidas), e seu neto Archibald C. Coolidge, foi co-fundador do Conselho das Relações de Estrangeiros.

William Huntington Russell (’33), primo de Samuel Russell, estudou na Alemanha entre 1831-1832. Alemanha era o centro de novas ideias. O “método cientifico” estava começando a ser aplicada em todas as formas de estudos humanos. Prússia, que culpou napoleão pela derrota em 1806 começaram a pesquisar sobre o stress em campo de batalha, elevou os princípios estabelecidos por John Locke e Jean Rousseau e criaram um novo sistema educacional. Johan Fitche, em seu “ Endereço para o povo alemão, ” (Address to the German People) declarou que as crianças deveriam ser educadas e assumidas pelo Estado.

Georg Wilhelm Friedrich Hegel tomou posse da cadeira da Universidade de Berlim em 1817 após Fitche, e foi professor até sua morte em 1831. Hegel foi o culminar da ideologia filosófica alemã sobre a escola de Immanuel Kant.

Para Hegel, nosso mundo é o mundo da razão. O estado é Razão Absoluta e o cidadão se torna livre somente com admiração e obediência ao estado. Hegel chamou isso de “marcha de Deus no mundo” e “seu ápice final” (final end). Esse final, disse Hegel, “ tem direito supremo contra o indivíduo, o dever supremo é ser membro do estado”. Ambos o fascismo e comunismo tem suas raízes filosóficas nos trabalhos de Hegel. A filosofia de Hegel foi muito influente na Alemanha durante o tempo de William Russell.

Quando Russell retornou para Yale em 1832, ele formou uma sociedade sênior com Alphonso Taft (’33). De acordo com informações adquiridas de um furto a “tumba” (o salão de encontro do Skull & Bones) em 1876, “ Bones é um capítulo sobre corporações na Universidade da Alemanha…General Russell, seu fundador, estava na Alemanha antes de completar seu último ano como Sênior e lá formou grandes amizades com os líderes da sociedade alemã. Ele trouxe consigo para a universidade, autoridade para fundar uma organização aqui”. William H. Russell, junto com outros quatorze amigos, foram os membros fundadores da “ A Ordem da Caveira e Ossos, ” (The Order of Scull and Bones).

A secreta Ordem da Caveira e Ossos (Order of Skull and Bones) existe somente em Yale. Quinze iniciantes (Juniors na universidade) são escolhidos todos os anos pelos veteranos (Sêniores na universidade) para iniciarem no grupo do ano seguinte. Alguns dizem que o iniciado ganha 15.000 dólares, após escolhido, e o relógio do avô. Longe de ser uma casa para diversão dentro do Campus, o grupo é voltado ao sucesso de seus membros no mundo pós-universitário.

Os nomes das famílias tradicionais e conhecidas da sociedade secreta seguem abaixo:                                        Lord, Whitney, Taft, Jay, Bundy, Harriman, Weyerhaeuser, Pinchot, Rockfeller, Goodyear, Sloane, Stimpson, Phelps, Perkins, Pillsbury, Kellogg, Vanderbilt, Bush, Lovett e entre outros.

William Russell se tornou general o legislador do estado em Connecticut. Alphonso Taft foi apontado como Ministro da Justiça dos EUA, Secretario de Guerra (um posto que muitos membros possuíram), Embaixador da Áustria, e Embaixador da Rússia (outro posto que muitos membros possuíram). Seu filho, William Howard Taft (’87), é o único homem a ocupar a Presidência dos Estados Unidos e chefe de Justiça da Suprema Corte.

 

Segredos da “Tumba”

A Ordem floresceu desde de o começo graças as ocasionais controvérsias. Existe uma discórdia entre alguns professores, que não gostavam do sigilo e da exclusividade. E existe uma discrepância dos estudantes, mostrando preocupação sobre a influência da Ordem sobre as finanças de Yale e o favoritismo de seus membros, os “Bonesmen”.

Em outubro de 1873, Volume 1, Número 1, do “O iconoclasta” (The iconoclasta) foi publicado em New Haven. Só foi publicado uma vez e foi um dos poucos artigos publicado para o “publico” sobre a Ordem Skull and Bones.

De O Iconoclasta:

“ Nós falamos através desta nova publicação, porque a imprensa universitária está fechada para aqueles que pretendem mencionar o “Bones” livremente…

De todas as classes a Skull and Bones aceita só homens. Eles foram para o mundo e tornaram-se, em muitas instancias, lideres dentro da sociedade. Eles obtiveram o controle sobre Yale. Os negócios são feitos por eles. O dinheiro pago para a Universidade passa por suas mãos, e você está sujeito a vontade deles. Sem dúvida alguma são homens de poder, mas muitos que os admiram, enquanto estão na Universidade, não esquecem que financiam a Ordem livremente. Os homens em Wall Street reclamam que os estudantes vêm a ajuda deles, dos homens de Wall Street, ao invés de pedir a sua parte para a universidade. A razão disto é um comentário feito por um dos primeiros estudantes de Yale e da Ordem: “Poucos vão dar, mas os homens da Ordem. E eles se preocupam muito mais com a sociedade do que a universidade…”

Ano após ano o mal mortal está crescendo. A sociedade nunca foi tão desagradável para a universidade quanto hoje, e é justamente este sentimento de doença que fechamos o bolso para os não-membros. Nunca antes foi visto tanta arrogância e sentimento de superioridade. O domínio da Imprensa Universitária e seus empreendimentos para dominar e fazer as regras. Não tem a dignidade de mostrar suas credenciais, mas agarram o poder com uma silenciosa consciência de culpa.

Para dizer o bem que a Universidade de Yale fez seria impossível. Para dizer o bem que ela fará seria ainda mais difícil. A questão, então, é reduzida a isto – em uma mão está a fonte de um bem incalculável – não outra uma sociedade culpada por seus crimes. Seria a universidade de Yale contra a Ordem Skull and Bones!!  Perguntamos a todos os homens, como uma questão de direito, quem deveria ter o direito de viver? ”

Primeiramente, a sociedade fazia suas reuniões em salões privados. Então em 1865, a “tumba”, foi construído um salão de pedra marrom, coberto de vinha e sem janelas, onde desde então os “Bonesmen” sustentam seus “ estanhos ocultistas” ritos de iniciação e se encontram todas Quintas e Domingos.

Em 29 de setembro de 1876, um grupo autodeclarado “ A Ordem do Arquivo e Garra” (The Order of File and Claw) invadiram o salão do Skull and Bones. Na “tumba” eles acharam um deposito – quarto 324 “ encoberta por veludos pretos, até mesmo as paredes eram cobertas com o material”. No andar de cima era o quarto 322, “ O santuario do templo…decorado com veludo vermelho com um pentagrama na parede”.  Na parede do salao estão “pinturas de fundadores da Bones em Yale, e membros da Sociedade na Alemanha, onde uma organização foi estabelecida em 1832”. O grupo de jovens encontrar outra cena interessante na sala de estar perto do quarto 322.

De A caída da Skull And Bones :

Na parede oeste, pendurada entre outras pinturas e fotografias, uma velha gravura representava um tumulo aberto, no qual, a tabua de pedra, continha quatro crânios humanos, agrupados sobre chapéus e sinos, um livro aberto, inúmeros instrumentos matemáticos, um velho papel, e uma coroa real. Nas paredes arqueadas sob o tumulo palavras significativas, em letras romanas, “ ‘We War Der Thor, Wer Weiser, Wer Bettler Oder, Kaiser?'(1) e abaixo do tumulo está gravado, in caracteres alemães, a sentença; ‘Ob Arm, Ob Beich, im Tode gleich.’ (2)

Nós era o Thor , que sabio , que mendigo Ou , o Imperador (1)

Se armar Se Beich , igual na morte (2)

A pintura é acompanhada por um cartão no qual está escrito, “ Da Organização Alemã. Presente de D.C Gilman de D. 50.”

Daniel Coit Gilman (‘52), junto com outros dois “Bonesmen, ” formando a troika na qual ainda a influencia na vida americana nos dias de hoje. Logo após suas iniciações na Skull and Bones, Daniel Gilman, Timothy Dwight (’49) e Andrew Dickinson White (’53) foram estudar filosofia na Europa na Universidade de Berlin. Gilman retornou da Europa e incorporou Skull and Bones assim como Russell Trust, em 1856, com ele mesmo exercendo a profissão de tesoureiro e William H. Russell como presidente. Ele passou os próximos quatorze anos em New Haven consolidando o poder da Ordem.

Gilman foi apontado como bibliotecário em Yale 1858. Através de uma manobra política perspicaz, ele adquiriu fundos para o Departamento Cientifico de Yale (Sheffield Scientific School) e foi capaz de introduzir a Morrill Bill no Congresso, passada a lei e finalmente assinada pelo Presidente Lincoln, depois de ter sido vetada pelo Presidente Buchanan.

Esta Morril Bill, “ doando terras públicas para o Estado Universitário para agricultura e ciências”, é agora conhecido como Land Grant College Act. Yale foi a primeira escola na américa a terras graças a esta lei federal e rapidamente se apossou de toda parte possível de Connecticut em seu tempo. Agradecidos pelas aquisições, Yale fez Gillman, o professor de Física Geográfica.

Daniel foi o primeiro Presidente na Universidade da Califórnia. Ele também ajudou a fundar, e foi o primeiro presidente de, John Hopkins. (Universidade de medicina).

Gilman foi o primeiro presidente na Instituição Carnegie e estava envolvida com a criação do Peadbody, Slater e Russell Sage fundações.

Seu amigo, Andrew D. White, foi o primeiro presidente da Universidade de Cornell (na qual recebeu toda parte de terras de New York pela Land Grant College Act), ministro dos Estados Unidos pela Rússia a Embaixador de Berlin e primeiro americano da Associação Histórica Americana (American Historical Association). White também foi Ministro da delegação americana para a Primeira conferência em Hague em 1899, na qual estabeleceu um judiciário internacional.

Timothy Dwight, um professor de Yale Divinity School, foi instaurado como presidente de Yale em 1886. Desde então todos os Presidentes, eram ou “Bonesmen” ou diretamente ligado a Ordem e seus interesses.

O trio Daniel/Gilman/White foram responsáveis por fundar a Associação Econômica Americana, a Sociedade de Química Americana, e a Associação Psicológica americana. Através de suas influencias sobre John Dewey e Horace Mann, este trio continua tendo um impacto enorme na educação, nos dias atuais.

 

Rede de Poder

Em seu livro Estabelecimento secreto da América (America’s Secret Establishment), Antony Sutton nos diz que a habilidade da Skull and Bones de estabelecer “correntes de influencias” tantos verticais quanto horizontais são enormes, assim assegurando a continuidade dos esquemas conspiratórios da Ordem.

O Link Whitney-Stimson-Bundy representa a “corrente vertical”.

W.C. Whitney (’63), que casou com Flora Payne (da Dinastia Oil Payne), foi Secretário da Marinha. Seu advogado foi um homem chamado Elihu Root. Root contratou Henry Stimson (’88), após ele terminar a escola de direito. Stimsom tomou o cargo de Root como Secretario de Guerra em 1911, apontado por seu amigo Bonesmen William Howard Taft. Stimson depois virou Governador de Coolidge – General das Ilhas Filipinas, Secretario do Estado de Hoover, e Secretario de Guerra durante a administração de Roosevelt e Truman.

Hollister Bundy (’09) foi o assistente

Os dois irmãos, de suas posições na CIA, no Departamento de Defesa e Departamento do Estado, e Assistentes Especiais dos Presidentes Kennedy e Johnson, exerceram um significante impacto no fluxo de informações e inteligência durante a Guerra do Vietnam. especial de Stimson e uma importante figura no Pentágono durante o Projeto Manhattan. Seus dois filhos, também membros da Skull And Bones, onde foram – William Bundy (’39) e McGeorge Bundy (’40) — dois membros muito ativos no governo americano.

William Bundy foi editor dos Negócios de Estrangeiros, que influenciou o Conselho de Negócios de Estrangeiros (CFR). McGeorge virou o Presidente da Fundação Ford.

Outro grupo interessante dos “Bonesmen” é o grupo Harriman/Bush. Averil Harriman (’13) “Ancião do Estado” do Partido Democrático, e seu irmão Roland Harriman (’17) foram membros ativos. De fato, quatro amigos de Roland que participavam da Ordem da classe de 1917 foram os diretores Brown Brothers, Harriman, incluindo Prescott Bush (’17), pai de George Bush.

Desde da virada do século, duas firmas de Investimentos – Fundo de garantia & Brown Brothers (Guaranty Trust & Brown Brothers), Harriman – foram ambas dominadas pelos membros da Skull and Bones. Estas duas firmas estavam fortemente envolvidas no financiamento do Comunismo e do Regime Nazista de Hitler.

Os “Bonesmen” compartilham uma afinidade pelas ideias de Hegel e sua dialética histórica, que debate o uso do conflito controlado – Thesis v.s Anti-Thesis- para criar uma pré-determinada síntese. A síntese de sua criação, onde o estado é absoluto e aos indivíduos são garantidas suas liberdades baseada na obediência do estado – Nova Ordem Mundial.

Financiamento e manobras políticas praticadas pela Ordem e seus aliados ajudaram os Bolcheviques a prevalecerem na Rússia.  Em provocação as leis federais, a indústria de finanças, bancos e depósitos de minerais e óleos (petróleo) uma parte de seus lucros eram revertidos em dinheiro para ajudar a USSR.

Depois, Averil Harriman, como ministro da Grã-Bretanha responsável pelo empréstimo para a Bretanha e Rússia, foi responsável por enviar fabricas inteiras para a Rússia.  De acordo com alguns pesquisadores, Harriman também supervisionou a transferência de segredos nucleares, plutônio e a falsificação de dólares para a USSR.

Em 1932, a Corporação Bancaria Unida (Union Banking Corporation) na Cidade de New York, alistou quatro diretores da central (’17) e dois banqueiros nazistas associados com Fritz Thyssen, que estava financiando Hitler desde 1924.

De George Bush: a Biografia Não-Autorizada:

“ Custodia da propriedade estrangeira do Presidente Franklin Roosevelt, Leo T. Crowley, assinou a Ordem de Carência Número 248 [17/11/1942] apreendendo a propriedade de Prescott Bush abaixo do Ato de Trocas Inimigas. A Ordem, publicada no livro de registros fora das notícias pelo governo obscuro, Nora #4 explicando nada sobre o envolvimento com os nazistas; somente que a Corporação dos Bancos Unidos (Union Banking Corporation) era comandada pela família Thyssen da Alemanha e/ou Hungria – “Nacionais…inimigas do pais”.

Decidindo que Prescott Bush e outros diretores da Corporação de Bancos Unidos (Union Banking Corporation) eram legalmente “os porta-vozes dos nazistas”, o governo evitou outras questões históricas importantes: No qual “ os nazistas de Hitler eram contratados, armados e instruídos por grupos exclusivos de New York e Londres no qual Prescott Bush era gerente executivo…

  1. New York Times, 16 de dezembro de 1944, na página 25 do artigo sobre o Departamento Bancário do Estado de Nova York. Somente a última sentença refere-se aos bancos nazistas, a frase se segue: “A Corporação de Bancos Unidas (Union Banking Corporation), na rua 39 Broadway, em Nova Iorque, recebeu autoridade para trocar sua instituição de lugar para a rua 120 Broadway. ” 

O Times omitiu o fato de que a Corporação do Bancos Unidos (Union Banking Corporation) foi apreendida pelo governo por suas trocas com o inimigo, e o fato que 120 Broadway tinha o endereço da Custodia de Propriedade Estrangeira do Governo. ”

Após a guerra, Prescott virou o Senador de Connecticut e se parceiro de golf era o Presidente Eisenhower. Prescott clama responsabilidade por ter colocado Nixon na política e recebe credito pessoal por trazer Dick a bordo assim como Ike como parceiro de campanha em 1952.

Motivos para a Conspiração

Então, por que uma agência de inteligência/sociedade secreta quer contrabandear drogas e assassinar O presidente Kennedy?

Bem, dessa forma, eles poderiam arrecadar grandes quantias financeiras, e ainda armazenar recursos de inteligência ao longo de sua participação nesses eventos. Ainda há uma análise racional de que o mundo é um lugar desagradável e inapropriado, e se você quer ser ‘o cara’ do pedaço, é melhor estar ciente do que está acontecendo ao redor. E qual a melhor maneira de saber o que está acontecendo além de controlar isso você mesmo? Ainda há aqueles que teorizam que o encoberto tráfico de drogas está de acordo com o plano de desestabilizar famílias americanas e a sociedade.  De forma desmoralizante e através da quebra do corpo político, eles poderiam impor suas vontades usando técnicas de desestabilização psicológica e a alquimia política da dialética Hegeliana para tal.

O artigo de James Shelby Downard  chamado Feitiçaria, Sexo, Assassinato e a Ciência do Simbolismo, um clássico ocultista, liga eventos históricos americanos com um bárbaro, numerológico e grandioso plano oculto “para nos tornar zumbis cibernéticos do mistério”. O assassinato do presidente estadunidense Kennedy, ao que o artigo alega, teria sido uma performance de um ritual ocultista público chamado O Extermínio do Rei, projetado para gerar um trauma em massa, um atentado de controle mental contra o corpo político nacional dos Estados Unidos.

Durante a Operação Sunrise , Operação Blowback e a Operação Paperclip , dentre outras, milhares de cientistas nazistas, pesquisadores e administradores foram trazidos para os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Muitos foram “contrabandeados” para o país contra ordens diretas, por escrito, do Presidente Harry S. Truman.

O Projeto Monarca ou Programação Monarca foi uma retomada de um projeto de controle mental chamado Marionette Programming, que começou na Alemanha nazista. O componente básico do Projeto Monarca é uma sofisticada manipulação da mente, usando traumas extremos para induzir ao Transtorno de Personalidade Múltipla.

James Downward presume que os responsáveis propositalmente assassinaram o Presidente Kennedy de modo a afetar a identidade nacional e a coesividade americana – para despedaçar a alma Estadunidense. Mesmo com a banalidade gritante de sua conspiração, ela foi projetada para mostrar a “superioridade deles” e “futilidade estadunidense”.

Ainda é possível que haja estudos que mostram a correlação entre o assassinato de Kennedy e o aumento de violência na sociedade, desconfiança em relação ao governo e outras extensões de patologias sociais.

Os Illuminati: Subvertendo o Corpo Político

Por que isso é um ataque ao corpo político estadunidense?

Em 1785, um relâmpago atingiu um mensageiro na rota de Paris à Frankfort. Um trato escrito por Adam Weishaupt, fundador dos Illuminati, Original Shift in Days of Illuminations , foi recuperado do mensageiro morto, contendo o plano de longo alcance da sociedade secreta para a “Nova Ordem Mundial através da revolução mundial”.

O governo da Bavaria declarou a sociedade como fora a da lei e em 1787 publicou os detalhes da conspiração Illuminati em The Original Writings of the Order da Sect of the Illuminati .

Nas palavras de Adam Weishaupt:

“Com esse plano, nós devemos direcionar toda humanidade sob essa conduta. E, pelas formas mais simples, devemos colocar tudo em movimento e em chamas. Os ofícios devem ser tão alocados e maquinados que nós devemos, em segredo, influenciar todas as transações políticas”. 

Existe uma discordância entre os intelectuais quanto ao fato ou não dos Illuminati terem sobrevivido ao seu banimento. Ainda assim, o grupo tem sido bastante êxito em atrair membros e ter se aliado com uma extensiva rede Massônica.

A Ordem Illuminati foi fundada publicamente no dia primeiro de maio de 1776 na Universidade de Ingolstadt, por Weishaupt, professor de Lei Canônica. Ela foi uma sociedade bastante erudita na época; Weishaupt atraiu primeiramente alguns dentre seus estudantes para se tornarem membros de sua nova ordem.

No dia 5 de dezembro de 1776, estudantes do William and Mary College  fundaram a sociedade secreta Phi Beta Kappa. Um segundo capítulo seria formado, em Yale, em 1780. O movimento anti-Massônico nos Estados Unidos manteve grupos como o Phi Beta Kappa na penumbra. Em razão da pressão sofrida, a sociedade se tornou pública. Isso é evidenciado por alguns pesquisadores como uma causa direta do aparecimento da Ordem Skull and Bones.

Em The Cyclopedia Of Fraternities , um gráfico genealógico geral das fraternidades universitárias influenciadas pela literatura grega nos Estados Unidos, mostra a Phi Beta Kappa como “um fonte antecessora de todas os sistemas de fraternidade na educação superior estadunidense”. Há apenas uma “vertente” linear de descendentes: O capítulo Yale de 1780. A linha depois continua para a Skull and Bones em 1832, e segue até as outras, também de Yale, sociedades seniores Scroll & Key e Wolf’s Head.

Phi Beta Kappa são as primeiras três letras gregas, para ‘Philosophia Biou Kubernetes’ ou ‘Amor pelo saber, o timoneiro da vida’. Um homófono para caveira (skull no inglês) é crânio (scull), um rápido e suave movimento, e parte da primeira nomenclatura da Skull & Bones.

John Robison, um professor de Filosofia da Natureza na Universidade de Edinburgh na Escócia e membro de uma Loja Macônica, disse que ele foi convidado a se juntar aos Illuminati. Depois de muitas pesquisas, ele concluiu que os propósitos dos Illuminati não eram para ele.

Em 1798, ele publicou um livro chamado Proofs Of A Conspiracy :

“Uma associação vem sendo formada com o propósito evidente de extirpar todos os estabelecimentos religiosos e derrubar todos os governos existentes…. Os lideres iriam reger o Mundo com poderes incontroláveis, enquanto todo o resto seria empregado como ferramentas da ambição de seus regentes desconhecidos”.

Proofs of A Conspiracy foi enviado a George Washington. Respondendo ao remetente do livro com uma carta, o presidente Americano disse que ele estava ciente que os Illuminati haviam ido para os Estados Unidos. Ele imaginava que os Illuminati tinham “princípios diabólicos” e que seu objetivo era “a separação das pessoas de seus governos”.

Em Proofs Of A Conspiracy, Robinson publicou a cerimônia de iniciação do “grau Regente” no Illuminismo . Nele, um esqueleto é apontado para ele [o iniciado], no pé, onde é colocada uma coroa e uma espada. Ele é questionado ‘se o esqueleto é de um rei, de um nobre ou de um mendigo’. Como ele não pode decidir, o presidente do encontro diz ao iniciado, ‘O caráter de um ser humano é a única coisa de valor”.

Isto é, essencialmente, o mesmo que está escrito na “sepultura” da Ordem Skull & Bones:

“Wer war der Thor, wer Weiser, Bettler oder Kaiser? Ob Arm, ob Reich, im Tode gleich.”

Onde se lê:

“Quem foi tolo, quem foi homem sábio, mendigo ou rei? Quer seja pobre ou rico, todos serão o mesmo na morte”

Skull & Bones = Illuminati?

Seria a Ordem Skull & Bones parte dos Illuminati?

Quando uma pessoa é iniciada na Skull & Bones, elas são dadas um novo nome, prática que é similar ao dos Illuminati. E muitos membros Illuminatis registrados podem ser evidenciados como tendo contato e/ou fortes influências com muitos dos professores que ensinaram os “Bonesmen ” em Berlim.

Quando uma sociedade secreta conspira contra a soberania de um rei, eles precisam se organizar, levantar fundos, fazer seus planos operacionais, e esperançosamente, trazê-los à fruição.

É possível ter, nos Estados Unidos, uma sociedade secreta que usou o “Estado de Segurança Nacional” para dar cobertura para seus planos nefastos?

De George Bush: The Unauthorized Biography :

“Esse setembro [1951], Robert Lovett  substituiu Marshall  como Secretário de Defesa. Enquanto isso, Harriman  foi nomeado diretor da Agência Mútua de Segurança , tornando ele o líder dos Estados Unidos na aliança militar anglo-americana. Dessa forma, a Brown Brothers , através de Harriman, era tudo, apenas não era comandante chefe.

O foco central do regime de segurança de Harriman em Washington (1950-53), foi a organização de operações de encobrimento e ‘guerra psicológica’. Harriman, junto a seus advogados e sócios de negócios, Allen e John Foster Dulles, queriam que o serviço secreto do governo conduzisse extensivas campanhas publicitárias e experimentos de psicologia de massas dentro dos Estados Unidos, e campanhas paramilitares no exterior… 

O regime de segurança de Harriman criou o Conselho de Estratégias Psicológicas  em 1951. O homem apontado para ser o diretor do PSB [foi] Gordon Gray … O irmão de Gordon, Bowman Gray Jr., presidente da R.J. Reynolds  na época, foi também um oficial da inteligência naval estadunidense, conhecido em Washington como o ‘fundador da inteligência operacional’. Gordon Gray se tornou um amigo próximo e aliado político de Prescott Bush ; e o filho de Gray posteriormente, se tornou advogado e um escudo da política de encobrimento de George, filho de Prescott.”

Então temos o clã Whitney/Stimson/Bundy e os rapazes Harriman/Bush empunhando uma quantia tremenda de influência na política, economia e nos assuntos sociais dos Estados Unidos e no mundo. Depois você tem o companheiro de Prescott e Bush, Richard Nixon como um vice-presidente ativista. Depois, um assassinato deprimente para a nação, um tempo sob LBJ  com os Bundy mantendo as coisas na linha, depois Nixon como presidente com os assessores “Bonesmen” Ray Price (’51) e Richard A. Moore. Após isso, um tempo fora para um presidente democrata trilateralista leviano, seguido pelo filho de Prescott como um vice-presidente ativista inferior a Regan. Depois, temos um presidente Skull and Bones que declara a “Nova Ordem Mundial” enquanto ataca fortemente seu parceiro de negócios, Saddam Hussein.

Depois de doze anos de administrações republicanas, Bush passa seu reinado para seu companheiro contrabandeador de drogas do Arkansas, Bill Clinton, que estudou na Escola de Legislação de Yale. De acordo com alguns pesquisadores, Clinton foi recrutado como um operário para a CIA enquanto ainda estava na Escola Rhodes em Oxford. Poderia esse ser o “velho processo histórico dialético hegeliano?

História Mundial: Plano ou Acidente?

Iremos nós ter outra fracassada administração democrática? Um escândalo tão vergonhoso como a queda de Nixon? Quando Robert P. Jonhson (William Barr)  disse a Clinton, num bunker no Arkansas, que “você é nosso rapaz louro, mas você tem competição para o emprego que você procura. Nós nunca iriamos botar todas as nossas fichas numa única máquina. Você e seu estado tem sido nossa maior posse…. O sr. Casey queria que eu te passasse que, a menos que você ferre com tudo ou faça algo estupido, você é o número um de nossa pequena lista para te lançar ao emprego que você sempre quis.

Então, você tem William Casey – Diretor da CIA, gerente de campanha de George Bush e Cavalheiro Soberano da Malta – falando direto como representante do último procurador geral George Bush para o rival de Bush, nas eleições federais estadunidenses de 1992. Isso é tudo apenas uma demonstração fraudulenta para a plebe estadunidense?

Talvez então, se de fato existe um tipo de controle sobre o processo eleitoral como dito por Mae Brussell e o livro reprimido VoteScam, escrito por Jim e Ken Collier:

“… Seu voto e o meu podem agora ser um bocado de energia sem sentido direcionado por computadores pré-programados que podem ser fixados para selecionar certos candidatos pré-ordenados e sem deixar pegadas ou rastros de papel.”

Em resumo, computadores estão reciprocamente roubando seu voto.

Por quase três décadas o voto estadunidense tem sido objeto para o roubo eletrônico patrocinado pelo governo.

O voto tem sido roubado do povo pelo cartel de burocratas da “segurança nacional” federal, que inclui seus superiores na Agência Central de Inteligência (CIA), dentre os líderes de partidos políticos, dentre os congressistas, jornalistas cooptados – e os donos e gerentes – da maioria dos estabelecimentos de notícias e da mídia, que tem decidido em acordo o como o voto estadunidense é contado, por quem ele é contado e como o resultado é verificado e entregue ao público é, como um deles coloca, ‘Não é uma área adequada de inquérito’.

Por meio de uma não-oficial corporação privada chamada News Election Service (NES), a imprensa tem atualmente controle físico da contagem e disseminação do voto, e se recusa a deixar o púbico saber como isso é feito”

Seria o eleitorado estadunidense sujeitado à cíclica propaganda, candidatos e vencedores pré-selecionados e campanhas psicológicas para alienar o país das instituições estabelecidas para servi-los pela constituição? Seriam os partidos Democratas e Republicanos usados como um experimento hegeliano num conflito controlado?

Pamela Churchill Harriman, esposa de Averil, é uma das maiores arrecadadoras de fundos para o partido dos Democratas. Ela uma vez deu a Bill* um emprego como o diretor de sua “PAM PAC” , quando ele perdeu a disputa para governador em 1980. Bill retribuiu o favor designando ela como sua Embaixadora na França mais tarde.

Outro amigo de Harriman/Bush, Eugene Stetson (’34), foi um assistente de gerencia de Prescott Bush na Brown Brothers, o escritório de Nova Iorque de Harriman. Ele organizou a fundação H. Smith Richardson. Fundação esta que no fim dos anos 1950, participou do MKULTRA, a criada doméstica da CIA que buscava cobrir a operação campanha psicológica. A fundação Richardson ajudou a financiar os testes de drogas psicotrópicas, incluindo LSD, no hospital Bridgewater em Massachusetts, o centro de alguns dos mais brutais experimentos da MK-ULTRA.

Durante as operações contra o Irã, a fundação H. Smith Richardson foi um “comitê de direção de doadores privados”, trabalhando com o Conselho Nacional de Segurança para coordenar o Escritório de Diplomacia Pública*. Esse foi um esforço para enfatizar as propagandas em favor e uma rápida cobertura para as operações contra o Irã, e para sincronizar os ataques publicados para os oponentes do programa.

A fundação H. Smith Richardson também comanda o Centro de Liderança Criativa em Langley para “treinar líderes da CIA”, bem como um outro centro perto de Greensboro, na Carolina do Norte, que treina agentes da CIA e do Serviço Secreto. Quase todos que chegam uma classificação militar de general também recebem esse treinamento.

Isso é apenas a ponta do iceberg. Também existe eugenia e controle de população, história e tecnologia suprimidas, toques de recolher anuais, sociedades lucrativas com ditadores brutais, acordos com “terroristas”, o envolvimento dos Cavalheiros da Malta, guerras de tráfico e exploração, controle de mentes, sociedades secretas para jovens, magia ritualística e mais – tudo girando em fios negros de uma teia de conspiração que nossa girante bola azul foi capturada.

Ainda há toda uma nova colheita de “Bonesmen” chegando, incluindo o filho de George H. W. Bush, George W. Bush (’68), que foi governador do Texas e presidente estadunidense.

Quando Don Schollander (’68), medalhista de ouro olímpico e o único membro da Skull & Bones conhecido vivo em Portland, foi contatado pelo repórter da Willamette Week, Jonh Schrang a respeito do seu envolvimento com a Ordem, ele disse, “isso é realmente algo que eu não posso falar sobre”.

Não é que não iria, mas sim que não “podia”.

Na vigilância das primeiras exposições inovadoras de Antony Sutton da Ordem, a autêntica Biblioteca de Yale se recusou a permitir qualquer outros acessos à pesquisas relacionadas aos documentos Russell Trust.

Daniel Gilman, como a maioria dos Bonesmen, não faz menções da Skull & Bones ou ao Russell Trust em suas memórias ou biografias.

Então, seria o povo estadunidense apenas uma “forragem” para uma sociedade secreta com sobretons satânicos que está tentando formar um governo mundial com eles mesmos no governo? Ou seria a Ordem Skull & Bones apenas um bando de garotos da fraternidade de Yale? Quer apostar seu futuro nisso?

Referências

[1] James Shelby Downard, foi um teórico da conspiração estadunidense, publicou muitos trabalhos pela Feral House sobre a sincronia entre eventos ocultistas e históricos no século XX.

[2] A Operação Sunrise é descrita como um conjunto de operações secretas entre a Alemanha Nazista e o Bloco Capitalista, no intuito de fazer a inimiga chegar a redenção no período da Segunda Guerra Mundial.

[3] A Operação Paperclip foi um conjunto de ações da política estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial para levar secretamente cientistas da Alemanha Nazista aos Estados Unidos.

[4] Algo como Mudança Original em Dias de Iluminação.

[5] Algo como Os Escritos Originais da Ordem e Seita dos Illuminati.

[6] Atualmente uma universidade estadunidense renomada, dentre seus alunos passaram os presidentes Thomas Jefferson e James Monroe.

[7] Uma compilação de informações autenticas e resultados das investigações existentes de mais de 600 sociedades secretas nos Estados Unidos.

[8] Algo como Os Escritos Originais da Ordem e Seita dos Illuminati.

[9] Atualmente uma universidade estadunidense renomada, dentre seus alunos passaram os presidentes Thomas Jefferson e James Monroe.

[10] Uma compilação de informações autenticas e resultados das investigações existentes de mais de 600 sociedades secretas nos Estados Unidos.

[11] Algo como Os Escritos Originais da Ordem e Seita dos Illuminati.

[12] Atualmente uma universidade estadunidense renomada, dentre seus alunos passaram os presidentes Thomas Jefferson e James Monroe.

[13] Uma compilação de informações autenticas e resultados das investigações existentes de mais de 600 sociedades secretas nos Estados Unidos.

[14] Numa tradução livre George Bush: Uma Bibliografia Não Autorizada.

[15] Roberto Lovett foi o 4º Secretário de Defesa dos Estados Unidos, durante o governo de Harry S. Truman.

[16] George Marshall foi o 3º Secretário de Defesa dos Estados Unidos, substituído por Lovett durante o governo Truman.

[17] William Averell Harriman, foi um político e empresário do Partido Democrata estadunidense, foi também governador de Nova Iorque de 1951 a 1958.

[18] A Agência Mútua de Segurança foi estabelecida pelo congresso americano em 1951 e tinha o intuito de dar forças aos aliados dos Estados Unidos na Europa, através de assistência miliar e econômica, que renderia benefícios a longo prazo para o país.

[19] Brown Brothers Harriman & Co. é o maior e mais antigo banco privado americano. Geralmente apontado como tendo muita influência política e de interesses nos governos estadunidenses.

[20]  Psychological Strategy Board, ou PSB no inglês.

[2] Gordon Gray foi um oficial estadunidense associado à defesa nacional durante os governos de Harry Truman e Dwight Eisenhower.

[22] R. J. Reynolds é a segunda maior empresa de tabaco estadunidense.

[23] Prescott Bush foi senador dos Estados Unidos pelo estado de Connecticut e banqueiro de Wall Street junto com os Brown Brothers Harriman, ele também é pai do ex-presidente estadunidense George H. W. Bush.

[24] Lindon B. Johnson, ou popularmente chamado LBJ, foi o 36º presidente estadunidense, tendo assumido logo após a morte de Kennedy.

[25] William P. Barr foi um

[26] Pam Pac Machines Ltd. Empresa de embalagens estadunidense.

RantBrso, tradução Max Quintanilha Barison

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-origem-secreta-do-skull-bones/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-origem-secreta-do-skull-bones/

Salomão, o Grande Iniciado

Grande parte dos conhecimentos secretos oriundos da Civilização da Atlântida acompanhou o povo Hebreu quando de sua saída do Egito para a Terra da Promissão. Os Hebreus conservaram aqueles conhecimentos e deles extraiu uma parcela baseados na qual estruturaram a face esotérica da religião, a qual posteriormente veio a se chamar Cabala. Este termo, em essência, significa Conhecimento.

Com certeza os hebreus se constituíram um grupo que conservou certos conhecimentos elevados de uma forma pura, e que eram inicialmente transmitidos de uma para outra pessoa considerada digna do saber. Mas isto fez com que a conjura decretasse perseguições àquele povo cuja história está repleta de perseguições, guerras, injustiças – sofridas e praticadas – e que ainda vêm ocorrendo. O que não tem sido dito é o fato daqueles conhecimentos haverem sido alterados por ordem de Jeová, e também perseguidos pela “conjura do Sillêncio” – obscurantismo – assim como por algumas “Escolas Iniciáticas”. Estas não permitiam o conhecimento fora do controle que exerciam, e por sua vez a conjura primava para que conhecimento algum fosse cultivado. O intento de Jehová era idêntico ao da conjura, porém por um motivo diferente. Essa situação só veio a ser modificada quando veio à terra uma Centelha da Consciência Cósmica na pessoa de Salomão.

Devemos sentir o quanto uma ciência secreta existia entre os hebreus e a política oculta que operava nos bastidores. Visando tal entendimento, antes já expomos, agora analisaremos alguns dos aspectos da natureza do Rei Salomão. Evidentemente existe muita fantasia, muita lenda em torno dele, mas isto não invalida a acertiva de que ele entre os Reis de Israel foi o mais sábio, o portador de maior cabedal de conhecimentos gerais e também dos “proibidos.”

Salomão destaca-se ainda na atualidade tanto pelo História Bíblica quanto pelas tradições maçônicas e de outras escolas místicas. Mas, não é só isto, Ele também é reconhecido de forma preponderante pelo Islamismo, que têm aquele rei entre os mais importantes seres que já estiveram na terra. Mas, o que é mais curioso, Salomão também é respeitado e admirado por todos os seguidores do ocultismo. Até hoje o Seu nome impera entre os adeptos de inúmeras seitas, chegando mesmo a ser aceito e respeitado pela magia negra. É precisamente em Salomão e na construção do Templo de Jerusalém que se fundamentam muitas histórias ligadas a inúmeras Ordens Iniciáticas.

Por que Salomão se tornou tão importante perante tão heterogênea massa? Por que nele confluem pensamentos tão díspares e tantas religiões e seitas? – Quando se fala de Salomão torna-se difícil separar o que é verdade do que é lenda ou mesmo calúnia. Torna-se quase impossível se estabelecer os limites onde termina a verdade histórica e onde começa o mito e a fantasia, haja visto ao tamanho número de coisas sensacionais que lhes são atribuídas.

Com a morte de David, pai de Salomão, quem normalmente deveria assumir o trono seria Adonias. A Bíblia cita uma luta política que se estabeleceu entre os sacerdotes a respeito de qual dos dois deveria assumir o trono de Israel, cabendo a vitória a Salomão. É deveras incompreensível o porquê de Salomão, que pelo direito de progenitura não era o herdeiro da coroa, foi ungido Rei de Israel. O Primogênito era Absalão que por haver morrido em batao direito de progenitura cabia então a Adonias – o segundo na escala de sucessão – mas o escolhido por David para sucedê-lo foi Salomão.

Adonias foi apoiado para ser proclamado Rei por alguns sacerdotes, sendo o principal deles Abiatar. Quando David estava para morrer Adonias já se auto-proclamou rei e exaltava-se dizendo: “Eu reinarei.” Bíblia cap. 1 ver. 5 e seguintes: “Mandou fazer par si um coche, e tomou cavaleiros e seu pai nunca disse: Por que fazes isto? Mas nem o pontífice Sadoc, nem Banaias, nem o profeta Natan, nem Semei, nem Rei, nem o grosso do exército era por Adonias” Adonias, pois, tendo imolado carneiros, novilhos e toda sorte de vítimas gordas, ao pé da pedra de Zoelet, que está fundo da fonte de Rogel, convidou todos os seus irmãos, filhos do rei e todos os de Judá, criados do rei. Mas não convidou nem o profeta Natan, nem Banaias, e nem os soldados mais valentes, nem Salomão, seu irmão. (Note-se o festival se sacrifícios com sangue )

“Disse pois Natan a Betsabéia, mãe de Salomão: Tu não ouviste que Adonias, filho de Hagit, se fez rei e que David, nosso senhor, ignora isto? Vem pois agora, toma o meu conselho e salva a tua vida e a do teu filho Salomão. Vai, apresenta-te ao rei David e diz-lhe: Porventura tu, ó rei, meu senhor, não mo jurastes a mim tua escrava, dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e ele se sentará no meu trono? Porém quem reina, pois Adonias? E estando tu ainda falando com o rei, eu sobrevirei depois de ti, e apoiarei as tuas palavras“.

Apresentou-se, pois, Betsabéia ao rei no seu quarto. O rei era já muito velho e Abisag de Sunam o servia.

Inclinou-se Betsabéia profundamente e fez uma profunda reverência ao rei. O rei disse-lhe: Que queres tu? Ela, respondendo, disse: Meu senhor, tu jurastes à tua escrava pelo Senhor, teu Deus: Salomão, teu filho, reinará depois de mim e ele se sentará no meu trono. Agora, eis que Adonias reina sem tu, ó rei meu senhor, o saberes. Ele imolou bois, toda a sorte de vítimas gordas e muitos carneiros, convidou todos os filhos do rei, o pontífice Abiatar e Joab, general do exército; mas não convidou Salomão, teu servo. ToDavida, todo o Israel, está com os olhos em ti esperando que declares quem é que deve sentar-se depois de ti no trono, ó rei meu senhor. Porque, logo que o meu senhor dormir com seus pais, eu e meu filho Salomão seremos tratados como criminosos.

Enquanto ela falava ainda com o rei, eis que chegou o profeta Natan. E avisaram o rei, dizendo: Eis aqui está o profeta Natan. Tendo entrado à presença do rei, e, tendo-lhe feito uma profunda reverência, prostrando-se em terra disse Natan: Ó rei, meu senhor, porventura disseste tu reine Adonias depois de mim e seja ele o que se sente no meu trono? Porque ele desceu hoje, imolou bois, vítimas gordas, muitos carneiros, convidou todos os filhos do rei, os generais do exército e o pontífice Abiatar; e comeram e beberam diante dele dizendo: Viva o rei Adonias! Mas não convidou a mim, que sou teu servo, nem ao pontífice Sadoc, nem a Banaias, filho de Jojada, nem a teu servo Salomão. Porventura saiu essa ordem do rei meu senhor? Mas não é assim que tu me declaraste a mim, teu servo, quem era o que devia, depois do rei meu senhor, sentar-se sobre o seu trono?

O rei David respondeu, dizendo: Chamai-me Betsabéia. Tendo ela se apresentado ao rei e estando de pé diante dele o rei jurou e disse: Viva o Senhor, que livrou a minha alma de toda a angústia, pois que assim como te jurei pelo Senhor Deus, dizendo: Salomão teu filho reinará depois de mim, e ele se sentará em meu lugar sobre o meu trono, assim o cumprirei hoje. Betsabéia, prostrando-se com o rosto em terra, fez uma profunda reverência ao rei, dizendo: Viva David, meu senhor, para todo o sempre. Disse mais o Rei David: Chamai-me o pontífice Sadoc, o profeta Natan e Banais, filho de Jojada. E todos eles entrando à presença do rei, disse-lhes: Toma convosco os servos do vosso amo, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão, e levai-o a Gion. O pontífice Sadoc com o profeta Natan o ungiram ali como rei de Israel, vós fareis soar a trombeta e direis? Viva o rei Salomão! E voltareis atrás dele, e ele virá, e sentar-se-á sobre o meu trono, e reinará em meu lugar e eu lhe ordenarei que governe Israel e Judá.

Desceram, pois, o pontífice Sadoc, o profeta Natan e Banaias filho de Jojada, com os cereteus e os feleteus e fizeram montar Salomão na mula do rei David, e levaram-no a Gion. O pontífice Sadoc tomou do tabernáculo o vaso do óleo e ungiu Salomão; tocaram a trombeta e disse todo o povo: Viva o rei Salomão! Subiu toda a multidão após ele e o povo, ecoando ao som das flautas, e mostrando grande regozijo, e a terra retiniu com suas aclamações” ( Vejam o contraste entre o festival de Salomão e o festival de sacrifícios de sangues promovido por Adonias.)

Assim prossegue a descrição. No versículo 50 se lê: Adonias, pois, temendo Salomão, levantou-se e foi abraçar-se com os chifres do altar. Noticiaram a Salomão dizendo: Eis que Adonias, temendo o rei Salomão, está refugiado a um lado do altar, dizendo: O rei Salomão, me jure hoje que ele não fará morrer o seu servo à espada. Salomão respondeu:? Se ele se houver como homem de bem, não cairá em um só cabelo da sua cabeça, mas, se nele se encontrar maldade, morrerá. Mandou, pois o rei Salomão que o fossem tirar do altar, e Adonias, tendo entrado, fez uma profunda reverência ao rei Salomão, o qual disse-lhe: Vai para tua casa.

Neste ponto vamos fazer algumas apreciações. Porque David quando do nascimento de Salomão jurou para Betsabéia que este seria o rei quando na realidade por direito de progenitura isto não lhe caberia? David era um rei sábio, por que razão ele tomara aquela decisão? Com certeza podemos acreditar que David tinha consciência de que Salomão não era como os seus demais filhos, que não era uma pessoa qualquer e sim uma entidade de natureza extremamente elevada. Um ser com uma sabedoria sem par em toda a terra, como veio a se comprovar depois quando ele reinou sobre Israel. Se a decisão de David fosse apenas em decorrência de uma paixão carnal por Betsabéia porque haviam de concordar com a escolha o profeta Natan e outros sacerdotes e militares de Israel? por que nunca fizeram David revogar a promessa feita durante muitos anos enquanto Salomão ainda era criança e sim o contrário fazer Betsabéia cobrar do rei quando este estava próximo a desencarnar, o cumprimento da promessa de fazer Salomão o seu sucessor? Só tem uma explicação possível, eles conheciam a verdadeira identidade espiritual de Salomão, sabiam QUEM É SALOMÃO.

Enquanto Salomão era proclamado, e simplesmente desfilava montado na mula do Rei David, Adonias promovia banquete com sangue, com carne, sacrifícios cruentos, espetáculo bem mundano. Sacrifícios de animais foram realizados, espetáculos de sangue, exalação de energia vital ( energia sutil ) dos seres imolados.

Adonias não empreendeu qualquer luta direta contra Salomão e sim se abrigou no templo e se abraçou com os chifres do altar, numa atitude temerosa, com medo de ser morto por Salomão. Por que Adonias temeu Salomão se por direito de progenitura o trono era dele desde que o primogênito David, Absalão, havia anteriormente sido morto numa revolta contra o próprio rei David? Depois de Absalão, o herdeiro por direito era Adonias o legítimo herdeiro do trono pela escala de progenitura? Ele contava com parte do exército, mas não enfrentou diretamente Salomão, por que? Não enfrentou e ficou pedindo para que a sua vida fosse poupada? Por que isso se ele não havia cometido crime algum aparentemente? Pelo direito de progenitura o usurpador do trono poderia ser considerado Salomão e não Adonias. Somente Absalão é que poderia acusar Adonias de usurpador do torno de Israel e não Salomão, mas aquele já havia morrido.

Outro ponto importante a ser considerado diz respeito à velhice de David.

Bíblia 1-1 e seguintes: Ora, o rei David tinha envelhecido, e achava-se numa idade muito avançada, e por mais que o cobrissem de roupa, não aquecia. Disseram-lhe, pois, os seus criados: Busquemos para o rei nosso senhor uma jovem virgem, que esteja diante do rei, o esquente, durma ao seu lado e preserve do grande frio o rei nosso senhor. Buscaram, pois, em todas as terras de Israel uma jovem formosa, acharam Abisag de Sunam e levaram-na ao rei. Era esta uma donzela de extrema beleza, dormia com o rei, e o servia, mas o rei deixou-a sempre virgem.

Os seres dos planos inferiores, dependendo da disponibilidade de energia sutil, tanto podem influenciar, induzir, ou inspirar as pessoas da terra fazendo o jogo de interesse deles, induzindo pessoas à consciente ou inconscientemente a agirem de acordo com o que eles querem, ou é possível até mesmo assumirem e se apresentarem diretamente numa estrutura ponderável, num determinado tipo de corpo físico.

Depois de Salomão haver assumido o trono Adonias fez um pedido que lhe custou a vida. Sem que se tenha conhecimentos ocultos é difícil se entender a razão da decisão de Salomão de tirar a vida de Adonias se o rei era considerado o mais justo de todos os reis. Só se pode entender aquela atitude sabendo-se do envolvimento do reino das sombras e as ingerências dos palácios da impureza sobre o plano terreno e no caso em estudo, sobre o povo hebreu.

Vejamos o que diz a os livros sagrados : Bíblia: Cap. 1 ver 12 e seguintes:

Salomão tomou posse do trono de David seu pai, e o seu reino consolidou-se sobrema­neira. Adonias, filho de Hagit, foi ter com Betsabéia, mãe de Salomão. Ela disse-lhe: É porventura de paz a tua entrada? Ele respondeu-lhe: Sim. Fala e ele disse: Tu sabes que o reino era meu e que todo o Is­rael me tinha escolhido de preferência para ser rei. Mas o reino foi transferido e pas­sou para meu irmão, porque o Senhor o destinou para ele. Agora, pois, uma só coisa de peço, não me faças passar pela vergonha de ma recusares.

Ela disse-lhe: Fala, Adonias disse: Peço-te que digas a Salomão, visto que Ele não pode negar-te nada, que me dê Abisag sunamita por mulher. Betsabéia respondeu: Está bem, eu falarei por ti ao rei. Foi, pois, Betsabéia ter com o rei Salomão, para lhe falar em favor de Adonias. O rei levantou-se para a vir receber, saudou-a com profunda reverência e sentou-se no seu trono; e foi posto um trono para a mãe do rei, a qual se sentou à sua mão direita. Então disse-lhe: Eu só te peço uma pequena coisa, não me envergonhes, com a resposta. O rei disse-lhe: Pede, minha mãe, porque não é justo que vás descontente. Disse Betsabéia: Dê-se Abisag sunamita por mulher a Adonias, teu irmão. O rei Salomão respondeu e disse à sua mãe: Por que pedes tu Abisag sunamita para Adonias? Pede também para ele o reino, porque ele é meu irmão mais velho e tem por si o pontífice Abiatar e Joab, filho de Sarvia. Jurou, pois o rei Salomão dizendo: Deus me trate com todo o seu rigor, se não é verdade que Adonias por esta palavra falou contra a sua própria vida. E agora juro pelo Senhor, que me confirmou e que me colocou no trono de David, meu pai, e que estabeleceu a minha casa como tinha dito, que Adonias será hoje morto. O rei Salomão deu ordem a Anaias, filho de Jojada, o qual o matou e assim morreu. Disse também o rei a pontífice Abiatar: Vai para Anatot, para as tuas terras; na verdade és digno de morte, mas eu não te matarei hoje, porque levaste a arca do senhor Deus diante de meu pai David, e acompanhaste meu pai em todos os trabalhos que padeceu. Salomão decretou, pois, Abiatar, para não ser mais pontífice do senhor…”

Chegou essa notícia a Joab, por que Joab tinha seguido o partido de Adonias, e não o de Salomão, fugiu pois, Joab para o tabernáculo do senhor e agarrou-se aos chifres do altar. Foram dizer ao rei Salomão que Joab tinha ido para o tabernáculo. Mandou Banais, filho de Jojada, dizendo: Vai e mata-o e sepulta-o. Com isto lavará a mim e a casa de meu pai do sangue inocente, que Joab derramou. O senhor fará recair o seu sangue sobre a sua cabeça. Salomão ordenou que Semei fizesse uma casa em Jerusalém e de não saísse. pois seria morte de tal fizesse.

Vemos a justiça de Salomão recair sobre os três principais envolvidos no incidente da escolha do sucessor do rei David. Muitas pessoas não compreendem o porquê daquela atitude de Salomão, por desconhecerem a natureza do GRANDE REI e a sua missão na terra.

Como já deixamos transparecer em outras palestras o lado negativo da natureza havia se infiltrado no seio da divina religião hebraica desde o tempo de Abraão, modificando os ensinamentos, alterando a história e estabelecendo convênios.

Grande número de vezes o Poder Superior enviou, em todos os ciclos de civilização, projeções do mais alto nível a fim de dar seguimento ao desenvolvimento espiritual na terra. Entre estes, podemos afirmar ser Salomão um deles.

A presença de Salomão na terra teve como uma das metas por fim à influência dos mundos negativos dentro da religião hebraica e aquelas que lhe sucederiam. Haviam desde a civilização egípcia três interesses diferentes ligados à problemática humana, como já mostramos em outra palestra na qual enfatizamos os Três Poderes que governam a terra.

Um, o primeira era aquele representado pelos INICIÁTICOS, que visam dar ao homem o conhecimento segundo o merecimento. Assim, Para o cumprimento desta meta foram criadas as Escolas de Mistérios ( Escolas Iniciáticas ). O segundo, aquele representado pelos OBSCURANTISTAS visava uma vida singela sem conhecimento algum sobre as leis da natureza. O terceiro, aquele ligado diretamente aos mundos inferiores que não tinham para dar mas tudo exigia em troca por se considerarem deuses os seus elementos na terra. Aquele grupo na história agiu independentemente em algumas ocasiões, em outras apoiando uma ou outra das duas.

Dentro deste contexto, um dos três poderes atuou maciçamente dentro da religião e da comunidade hebraica se fazendo passar por Deus, fazendo acordos, estabelecendo pactos, exigindo obediência, promovendo guerras, incentivando o genocídio, cobrando oferendas com sacrifícios envolvendo sangue, elegendo raças e tudo aquilo que, como já vimos, é próprio dos mundos inferiores. Algo que se apresentou com resquícios de crueldade, punitivo, intolerante, irado e vingador… Tanto é assim que impiedosamente puniu o povo hebreu com uma peste horrível, por David haver simplesmente permitido um recenseamento. Por haver David autorizado o recenseamento o povo de Israel foi castigado impiedosamente punido por uma peste que dizimou 70 mil homens.

Em Samuel 24 -15 e seguintes vemos que houve uma terrível fome que durou três anos como conseqüência da ira de Jehová, e que somente foi aplacada mediante um holocausto de muitos bois. É estranho que a ira haja sido aplacada pelo derramamento de grande quantidade de sangue ( liberação de Força Vital ).

Salomão, embora educado dentro dos preceitos oficias da religião hebraica, tinha consciência bem clara, por isso todos os ensinamentos que dizem haver Ele recebido na realidade não os necessitava por ser detentor daquilo tudo e de muito mais.

A história cita a passagem de Salomão pelas Escolas Iniciáticas de Memphis no Egito. Na realidade ele ali esteve não para aprender, mas para se inteirar do ponto em que o as verdades históricas estavam sendo ministradas e quanto à organização daquelas instituições eram ministradas. Como não era possível ser admitido numa Escola de Mistérios sem passar pelo cerimonial de iniciação Salomão não foi exceção, também se submeteu às normas oficiais, embora não tivesse coisa alguma a aprender, e sim para ensinar. Ele certamente mostrou a sua colossal sabedoria nas Escolas Iniciáticas onde esteve.

A importância de Salomão foi tamanha naquele período que Ele chegou a desposar a filha do próprio Faraó, conforme conta a Bíblia.

Podemos dizer que a religião hebraica de então, inicialmente uma religião pura, estava totalmente minada desde a época de Abrão pelos conceitos de uma outra força. Sucessivamente três Patriarcas vieram, espíritos elevados com a missão de orientar o povo hebreu, de manter aquele núcleo de disseminação dos conhecimentos cósmicos, mas todos os três foram envolvidos pelo lado negativo da natureza. Em consequência disso houve a necessidade da própria Consciência Cósmica se destacar e animar um corpo físico para conseguir superar as interferências do lado negativo dominante. Assim foi o que ocorreu no que diz respeito a Salomão. Um ser humano com Consciência Cósmica clara, com a missão de restaurar a pureza da religião hebraica, de “dar um basta” no domínio dos “palácios da impureza”. Para isto foi preciso que Salomão agisse com firmeza. Existem muitas passagens da vida de Salomão que são difíceis de serem entendidas se a pessoa não ter ciência da sua MISSÃO CÓSMICA. Sendo ele o mais justo dos reis como poderia ter mandado matar o seu próprio irmão Adonias aparentemente sem uma causa justa, apenas por haver ele pedido através de Betsabéia, que Salomão lhe concedesse Abisag de Sunan, aquela jovem que havia convido com o seu pai David.

É de se estranhar não ter havido luta alguma quando Adonias tomou conhecimento de que Salomão havia sido proclamado rei. É estranho que ele simplesmente haja fugido e se abrigado no templo ficando ali abraçado com os chifres do altar e pedindo que Salomão poupasse a sua vida. Assim foi feito, até que Adonias pediu para casar com Abisag. Com o pedido Salomão disse. Em Reis 2.-23 Deus me trate com todo o seu rigor se não é verdade que Adonias por esta palavra falou contra a sua própria vida. Reis 2-24: E agora juro pelo Senhor, que me confirmou e me colocou no trono de David, meu pai, e que estabeleceu a minha casa com tinha dito, que Adonias será hoje morto. 25 – O rei Salomão deu ordem a Banaias, filho de Jojada, o qual o matou, e assim morreu. 26 – Disse também o rei ao pontífice Abiatar: Vai para Anatot, para as tuas terras; na verdade és digno de morrer, mas eu não te matarei hoje porque acompanhaste meu pai em todos os trabalhos que padeceu.- 27 – Salomão desterrou, pois Abiatar, para não ser mais pontífice do Se­nhor, a fim de se cumprir a palavra … 28 – Chegou essa noticia a Joab, porque Joab tinha seguido Adonias, e não a Salomão, fugiu, pois, Joab para o tabernáculo do senhor e agarrou-se aos chi­fres do altar. ( Novamente o agarrar-se aos chifres), Salomão manda que ele saia do templo e ele respondeu: Não sairei, mas morrerei neste lugar. Salomão disse a Banaias, fazei como ele te disse, mata-o e sepulta-o. Com isto lavarás a mim e a casa de meu pai do sangue inocente que Joab derramou. 2-36 Mandou também o rei chamar Semei e disse-lhe: Faze para ti uma casa em Jeru­salém e habita aí; não saias, andando de uma parte para outra em qualquer dia, pois, se daqui saíres e pas­ses a torrente do ebron que será morto…. Três anos depois Semei desobedeceu e Salomão lhe disse: Tu sabes de todo o mal que tua consciência te acusa de teres feito a David, meu pai, o senhor fez recair a tua malícia sobre a tua cabeça. 2-45 – O rei Salomão será abençoado e o trono de David será sempre estável diante do Senhor deu, pois, o rei ordem a Banaias, filho de Jojaba, o qual tendo saído, feriu Semei, e ele morreu.

Tudo isso que parece uma luta palaciana, na realidade é algo muitíssimo mais importante, não só para o povo de Israel como para toda a humanidade. A luta era entre duas forças a força inferior infiltrada na religião dos hebreus constituindo o seu lado exotérico e representado por muitas pessoas, especialmente por Adonias, Semei e o pontífice de Abiatar, e a Força Superior implícita no lado esotérico e fundamentalmente representada em Salomão.

A Salomão cabia restaurar a ordem, assim Ele teve que destruir os principais representantes da força negativa, especialmente Adonias.

Querendo Abisag como esposa ele tramava se colocar no lugar de David e usar tal condição como escada para chegar ao poder. Ter a “viúva” de David como esposa, especialmente pela natureza de Abisag era na realidade uma tentativa de se imiscuir dentro da direção do reino de Israel.

Abisag por haver vivido intimamente com David ela mantinha os padrões vibratórios do rei e isso seria usado por Adonias como meio de conseguir os seus intentos. Salomão com consciência clara se percebendo isso, e assim tomou a decisão de libertar de uma vez o povo daquela ameaça negativa.

Muitas pessoas se chocam quando tomam conhecimento de situações sem que uma vida é dizimada. É bom que se tenha em mente que quando o Poder Superior precisa agir para libertar os espíritos das garras da força negativa Ela embora sendo a própria justiça age com de uma fora que segundo os padrões humanos parece ser uma crueldade. Consciência clara sabe a natureza daquelas supostas vitimas. Vejam quando a força negativa imperava na terra dominando a q quase totalidade das pessoas, os espíritos encarnavam, e reencarnavam sucessivamente sem se libertarem do domínio da forma inferior, então o Poder Superior determinou o dilúvio quando morreram quase todas as pessoas, independentemente de serem adultos, homens, mulheres, velhos ou crianças, num aparente ato de injustiça ou mesmo crueldade se analisado segundo a escala de valores da humanidade. Mas na realidade foi um ato de justiça um e uma forma de libertação espiritual porque a humanidade estava tão poluída que nenhum daqueles espíritos tinha mais condição de se desenvolver, estavam todos os espíritos estagnados por isso teria que haver um choque. Eles não mereciam mais do que aquilo.

Não foi um ato de vingança, ou de crueldade, mas para que o trauma do acontecimento pudesse agir como uma “terapia de choque” um grande impacto visando essencialmente o despertar daqueles espíritos, fazendo-os reconhecer que existe uma finalidade maior a ser cumprida. Um choque para acordar os que estavam dormindo.

Assim também não foi crueldade Salomão eliminar algumas pessoas quando em reali­dade Ele estava propiciando condições para aqueles espíritos se libertarem, se integrarem de que estavam sendo veículos dos intentos da força.

Autor: José Laércio do Egito – F.R.C.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/salom%C3%A3o-o-grande-iniciado

Longevidade e Mortalidade

Gilberto Antônio Silva

Os temas “longevidade” e “imortalidade” são recorrentes dentro do Taoismo. Há milênios que os antigos chineses se debruçam sobre esses problemas, buscando soluções muitas vezes pitorescas. Mas qual seria a real importância de se obter a longevidade? E, quando falha a busca pela imortalidade, como lidar com nossa própria mortalidade? São questões que muito importam aos taoistas do século XXI.

A pouco mais de um mês perdi um professor e amigo, alguém muito importante e que possuía um conhecimento tremendo de Medicina Chinesa, Qigong e artes marciais internas. Foi algo inesperado, súbito e decisivo do tipo “uma hora está aqui e na outra não está mais”. E o que mais me marcou nesse evento foi, mais uma vez, a certeza de que todos estamos nesse mesmo processo e podemos ter nosso cartão carimbado a qualquer momento.

Existe uma ideia equivocada, mas muito difundida, de que mestres em artes taoistas vivem muitos anos a mais que a média das pessoas. Isso não é necessariamente verdade. Embora existam mestres de grande longevidade, isso não é uma norma. No Brasil, Mestre Liu Pai Lin fez seu passamento com 93 anos, enquanto Mestre Wu Jhy Cherng nos deixou aos 45 anos. Na verdade, Paramahansa Yogananda afirmou que, em geral, os mestres yogues vivem cerca de 60 anos, pouco mais. Então devemos enxergar algo de muito importante nisso: a longevidade deve ter um motivo e a imortalidade é relativa.

Dediquei o último capítulo de meu livro “26 Dicas de Saúde da Medicina Oriental” à longevidade. E o que digo lá repito aqui: a longevidade, em si mesma, nada representa; o importante é o que fazemos com nossa longevidade. Qual meta temos, quais objetivos almejamos, o que pretendemos fazer com nossos muitos anos a mais. Isso é de total importância nesse assunto. Bruce Lee viveu apenas 33 anos, mas seu trabalho servirá de inspiração e ensinamento por muitas décadas. Swami Vivekananda morreu com 39 anos, mas seu trabalho foi fundamental na introdução do pensamento indiano e do Yoga no Ocidente no início do Século XX. Então o período de vida de uma pessoa é relativo e a longevidade, se adquirida, deve ser utilizada para algum objetivo.

Do mesmo modo a imortalidade é relativa. No início, há cerca de 2.200 anos, era uma busca pela imortalidade física por meio de elixires feitos com substâncias químicas muitas vezes venenosas. Muitos alquimistas e alguns imperadores chineses morreram dessa forma (esse conhecimento chegou à Europa través dos árabes e levou a outro contingente de vítimas). John Blofeld encontrou reclusos taoistas na década de 1930 que ainda acreditavam na obtenção da imortalidade física. Apesar disso, a partir do segundo século de nossa era os alquimistas chineses perceberam que a imortalidade tinha mais a ver com o espirito do que com o corpo e que se integrar ao Tao após a morte seria uma maneira mais consistente de obter a tão sonhada imortalidade. Nascia a Alquimia Interna, que busca obter a realização com o Tao ao mesmo tempo em que promove a longevidade. É aí que nossa busca se afunila.

Obter a imortalidade pelo aprofundamento no Tao é algo complicado e que demanda grande esforço por muito tempo. Nada mais natural, portanto, que se busquem práticas que acentuem a saúde e prolonguem a vida de modo a ter tempo hábil para finalizar esse projeto ou, ao menos, adiantar o máximo possível.

Como ninguém sabe exatamente quando sua validade vence neste planeta, procurar se cuidar e se adiantar no Caminho é a coisa mais lógica a se fazer. Porque morrer é parte do processo, parte integrante do fluxo ininterrupto de ciclos a que estamos submetidos assim como todos nesse Universo Manifestado, que o Yi Jing já explicava há 3.000 anos.

Encarar nossa própria mortalidade faz parte da busca pelo Tao e mostra o quanto próximo estamos deste objetivo. Uma de minhas histórias preferidas é de Zhuangzi, um dos mais claros taoistas do Período Clássico chinês.

“A mulher de Zhuangzi morreu e Huizi chegou a fim de o consolar, mas Zhuangzi permaneceu sentado de pernas cruzadas, a bater numa bacia surrada e a cantar.

Huizi disse: “Viveste com ela como homem e mulher, e ela criou-te os filhos. Na morte o que pelo menos devias fazer seria sentir vontade de prantear, em vez de estares por aí a fazer da bacia um tambor e a cantar – isso não está certo.”

Zhuangzi respondeu: “Certamente que não. Quando ela morreu, decerto que fiz o luto tal como toda a gente! Contudo, recordei que ela já existia antes, num estado anterior ao do nascimento. Na verdade, não só antes que nascer, mas antes do seu corpo ser sequer criado. Não só sem forma como sem substância, mas antes mesmo do seu sopro vital ser adicionado ao seu corpo. E por meio do maravilhoso mistério da mudança foi-lhe atribuído o alento de vida. Esse alento vital forjou uma transformação e ela passou a possuir um corpo. O seu corpo gerou outra transformação e ela morreu. Ela assemelha-se às quatro estações, na forma como a primavera, o verão, o outono e o inverno se sucedem. Agora encontra-se em paz, a repousar no seu ataúde, mas se eu me entregar aos soluços e ao pranto decerto parecerá que eu não compreenda o destino. É por isso que me abstenho.”

Vemos que Zhuangzi percebeu ser uma incoerência tentar compreender o funcionamento do Universo e não estender esse conhecimento à morte de um ente querido. Mas, mesmo assim, passou pelo luto normal. Quando percebemos, ainda que muito superficialmente, as ações do Tao, ampliamos nossa compreensão das coisas ainda que não percamos totalmente nossa natureza emocional humana. Muitas pessoas acham que um taoista não deve se emocionar com o mundo, mas isso é falso. Por mais iluminados que sejam, não conseguem deixar de serem humanos. E isso não é apenas no Taoismo. Consta que o grande iniciado tibetano Milarespa chorou copiosamente a morte de um filho. Uma importante Mestra Zen, Sul, perdeu sua neta e chorou copiosamente. Ao ser questionada, disse que suas lágrimas ”eram maiores que todos os Sutras, que todas as palavras dos Patriarcas e de todas as possíveis cerimônias”. As pessoas próximas não entenderam, mas ela falava sobre a própria alma humana.

O que nos torna humanos é nossa capacidade de almejar elevados níveis espirituais enquanto convivemos com nossas fraquezas e, eventualmente, as sobrepujamos. Ser humano é apontar nossa cabeça para o Céu enquanto plantamos firmemente os pés na Terra. Obter longevidade é uma ferramenta poderosa para ter tempo de superar o ego e poder atingir a imortalidade na fusão com todas as coisas.

A busca pela imortalidade espiritual passa pela superação de nossa própria mortalidade humana.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, Coordenador Editorial da Revista Brasileira de Medicina Chinesa e Editor Responsável da revista Daojia, especializada em filosofia e artes taoistas e cultura chinesa. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/longevidade-e-mortalidade

Vivendo Thelema: O Templo da Estrela de Prata – David Shoemaker

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