Ordem Demolay

Salve,

A Ordem DeMolay é a maior organização juvenil do mundo, de fins filosóficos, filantrópicos, e sem fins lucrativos, já tendo iniciado desde de sua origem, mais de 2,5 milhões de jovens. Trabalha alicerçada na máxima de que “educando-se o jovem estaremos nos eximindo da tarefa de ter que castigar o adulto”. Fundada em 18 de março de 1919 em Kansas City, Missouri, EUA, tem como objetivo formar jovens de 12 à 21 anos de idade, melhores cidadãos e líderes através do desenvolvimento e fortalecimento da personalidade e enfatizando virtudes indispensáveis para a boa conduta social.

Como as pessoas envelhecem e a Ordem Demolay é para estudantes até os 21 anos de idade (depois disto, tornam-se “Senior Demolays”), todos os anos precisamos buscar por novos iniciáticos para repor nossas fileiras. O Capítulo Arcanum Arcanorum está à procura de novos candidatos.

Se você é homem, tem entre 13 e 20 anos, mora em São Paulo e gosta de Kabbalah, Hermetismo, Alquimia, Cavalaria e outros temas abordados aqui no Teoria da Conspiração, ou conhece alguém que esteja nestas condições, entre em contato comigo no email marcelo@daemon.com.br que passarei os dados dos coordenadores do Capítulo para os testes de seleção.

PS: Se você não for de São Paulo, mas gostaria de participar, entre em contato que eu procuro algum Capítulo na sua cidade.

#Demolay #Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-demolay

O Rito Moderno na Maçonaria do Brasil

A Maçonaria se introduziu no Brasil quando este era Província da Monarquia Portuguesa. Por isso é importante voltar à Maçonaria em Portugal.

Remonta até cerca de 1730 a fundação em Portugal das primeiras Lojas sob a influência da França e Inglaterra (Clavel, 1843).

Em 1738 o Papa Clemente XII proíbe aos católicos exercerem atividades nas Lojas Maçônicas e o rei de Portugal D. João V ameaçava com penalidades os maçons. (Thory – “Histoire de La Fondation du Grand Orient de France”). Na verdade, nem a Bula do Papa, nem o Decreto do Rei, impediram as atividades maçônicas em Portugal.

Posteriormente, durante governo do del-rei D. José I (1750-1777) as Lojas Portuguesas funcionavam sigilosamente.

Daí em diante, até a Revolução Francesa, Portugal recebia grande influência das Lojas de Paris, de nada valendo as proibições de D. João VI e de D. Maria I.

Ao redor de 1793, existiam em Coimbra e em Porto e delas fizeram parte vários estudantes das províncias ultramarinas inclusive do Estado do Brasil (Lívio e Ferreira, 1968).

O Grande Oriente Lusitano foi construído em 1800, tendo como Grão-Mestres o desembargador Sebastião de São Paio e em seguida, em 1803, o general Gomes Freire de Andrade (O Regresso da Maçonaria, Angel Maria de Lera; prefácio de Armando Adão e Silva, 1986).

Em 1807, Junot conquista Portugal obrigando a Corte portuguesa procurar abrigo no Brasil. “Assim a Maçonaria do Brasil desde o século XVIII esteve ligada a Portugal. Enquanto a sede da Monarquia Portuguesa foi em Lisboa, a Maçonaria sentia ser mais fácil os movimentos revolucionários no Brasil, daí as Inconfidências Mineira (1789) e Baiana (1799). Com a transferência da sede da Monarquia Portuguesa para o Rio de Janeiro, já surgiu em 1817 uma revolução simultaneamente no Brasil (em Pernambuco) e em Portugal (chefiada por Gomes Freire de Andrade)”, (Lívio e Ferreira, 1968).

A revolução liberal triunfante nas colônias inglesas da América do Norte, na França, na América Espanhola, estão também prestes a explodir na Nação Portuguesa.

Nos primeiros anos do século XIX, as Lojas Maçônicas espalharam-se consideravelmente nas províncias de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. Umas sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano, outras sob o de França. A Loja “Virtude e Razão”, por exemplo, foi instalada em Salvador, em 1802, atuando no Rito Moderno.

“De lembrar que a Independência do Brasil, longe de consistir apenas no Grito do Ipiranga em 7 de setembro de 1822, antes teve o seu início com a Revolução Constitucional em 1820, no Porto, Portugal, por via de protesto contra as medidas recolonizadoras”. (Armando Adão e Silva, prefácio; O Regresso da Maçonaria, 1984).

O Grande Oriente do Brasil foi fundado em 17 de junho de 1822. Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira foram líderes destacados nesse movimento, ambos da Loja Comércio e Artes, fundada em 15 de novembro de 1815.

Assim, as Lojas “Comércio e Artes”, que se subdividiu em “União e Tranqüilidade” e “Esperança de Nictheroy”, formaram a base do Grande Oriente do Brasil, que recebeu a Carta Constitutiva do Grande Oriente Lusitano de Portugal. Seu primeiro Grão-Mestre Geral foi José Bonifácio de Andrada e Silva.

“A Loja Comércio e Artes e as que dela se derivaram trabalharam inicialmente no Rito Adonhiramita” e o “Grande Oriente do Brasil foi logo reconhecido pelos Grande Oriente de França, da Inglaterra e dos Estados Unidos” (Melo, Livro Maçônico do Centenário).

De acordo com Lima (Nos Bastidores do Mistério): “A Maçonaria Brasileira é filha espiritual da Maçonaria Francesa. Da França, veio o Rito Moderno com que o Grande Oriente atingiu a maioridade e, dez anos mais tarde, o Rito Escocês Antigo e Aceito.”

O Grande Oriente do Brasil foi fechado por D. Pedro I, Príncipe Regente, sendo restaurado em 1832 por José Bonifácio de Andrada e Silva.

O Grande Oriente do Brasil, restaurado em 1832, adotou o Rito Moderno e a Constituição do Grande Oriente de França de 1826, adaptada por Gonçalves Ledo e promulgada em 24 de outubro de 1836 (Viegas, 1986). O Rito Moderno, portanto, passou a ser o Rito Oficial do Grande Oriente do Brasil, nos trabalhos de seus Corpos Legislativo e Administrativo, ou seja, para o funcionamento de seus Altos Corpos.

A Loja Comércio e Artes nº 1, a partir daí, adota o Rito Moderno (posteriormente, através do Decreto 2405, de 13 de agosto de 1974, esta Loja mudou do Rito Moderno para o Rito Escocês Antigo e Aceito).

A Loja “Seis de Março de 1817”, de Pernambuco, se regularizou em 7 de outubro de 1832 junto ao GOB, também trabalhando no Rito Francês (Albuquerque, A Maçonaria e a Grandeza do Brasil).

Datam de 1834 os manuais do Rito Francês publicados pelo GOB e de 1835 o estabelecimento de Capítulo neste Rito.

Em 1º de setembro de 1839 foi redigida outra Constituição, sendo logo substituída por outra de 1842. Em 1841, o Grande Oriente do Brasil foi de novo reconhecido pelo da França (Viegas, 1986).

Já na República, entre 1891-1901, o Grão-Mestre Antonio Joaquim de Macedo Soares, tendo como Secretário-Geral Henrique Valadares, deram à Maçonaria grande influência francesa e, “julgando-se dentro do espírito da lei da separação entre a Igreja e o Estado, conseguindo dar ênfase ao Rito Francês, o qual eliminava a Bíblia do Altar dos Juramentos e suprimia as referências ao Grande Arquiteto do Universo” (Viegas, 1986). A reforma constitucional de 1877 só alcançava a jurisprudência do Grande Oriente de França, mas o Grande Oriente do Brasil, onde se praticava o Rito Francês, acompanhou àquela Potência.

Em 1927 houve uma grande cisão no GOB com a formação das Grandes Lojas, sendo que estas últimas mantiveram o Rito Escocês.

“A Grande Loja da Inglaterra que considera condições indispensáveis para a vida maçônica a crença em Deus e em uma vida futura, e que rompeu com os Grandes Orientes da França e da Bélgica em defesa desses princípios, fez com o Grande Oriente do Brasil, em 1935, um tratado de aliança indissolúvel, firmando-se as relações cordiais entre os dois corpos”. (Viegas, 1986).

Hoje (1994), o Grande Oriente do Brasil possui 33 Lojas e 11 Capítulos, atualmente no Rito Moderno. Até o momento, não existem na América do Sul, dominada pelas Grandes Lojas, exceto no Brasil, Lojas que atuem no Rito Moderno.

O Rito Moderno desempenhou um importantíssimo papel no Brasil, de caráter positivo nas transformações nacionais, na fase da Independência, durante o Reinado Brasileiro e na Proclamação da República, em busca de uma sociedade mais perfeita e pelo triunfo do ideal fraternal.

Supremo Conselho do Rito moderno, 1994

#Maçonaria

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Aspectos Ocultos da Pedofilia no Catolicismo Romano

Mais uma vez nos deparamos com denúncias envolvendo padres supostamente envolvidos com pedofilia. O nome de Júlio Lancelotti pode ser encontrado dia sim outro também em jornais, revistas, internet, no rádio, na TV; ora sendo acusado ora sendo defendido.

Mais uma vez as pessoas se perguntam o por quê; homens que vivem a falar e pregar a palavra de Deus são capazes de cometer tais atrocidades ? E qual a razão da igreja católica simplesmente não puní-los; dificultar investigações e dar abrigo em Roma a cada um dos acusados ao invés de simplesmente entregá-los a polícia ?

Dentre os padres que não respeitam o celibato (entre 40% e 65%), uma ínfima parte é praticante de pedofilia no termo mais comum associado a estes casos; o que sempre mostrou que a batina jamais foi um problema pois a maioria opta pelo heterossexualismo. Opta ? Então vamos ver:

Em abril de 2002, em Ohio, Estados Unidos, um padre foi encontrado morto com um tiro na cabeça dentro do próprio carro. Don Rooney então com 48 anos, cometeu suicídio e deixou um bilhete que teve seu conteúdo não revelado para o público.

Meses antes de sua morte, Rooney vinha sendo investigado por acusações de supostas vítimas, entre elas, um menino de 13 anos chamado Richard Carson, coroinha na paróquia onde atendia o padre Rooney. Ninguém jamais se deu ao trabalho de perguntar a razão pela qual em um dos depoimentos, Carson teria feito menção a uma estranha prática do padre Rooney:

“Ele pedia para que eu me despisse depois de me dar vinho. Quando eu ficava zonzo ele começava a me molestar. Então trazia um cálice com mais vinho e que continha um cheiro muito forte de ervas; então ele me masturbava até que eu ejaculasse dentro daquele líquido. Uma vez ele me esbofeteou porquê eu não tinha esperma o suficiente. Quando questionado sobre o que ocorria depois, Carson diz não se lembrar de nada, exceto de que isso ocorria sempre após as missas noturnas dominicais”.

Não se sabe por qual razão, os depoimentos da mãe e do padrasto de Richard Carson não foram levados em consideração; quando Rooney recebeu uma intimação judicial para se apresentar no tribunal dia 11 de Maio de 2002. Aos próximos, Rooney parecia deprimido e apavorado, mas não em relação as acusações e suspeitas de que era alvo e sim, pela proibição do prelado regional de que nunca mais voltasse a realizar missas negras na paróquia. Esse parecia ser o conteúdo do bilhete que jamais foi revelado para o público. O caso como sempre acontece, foi tratado como lenda e que na verdade, os crimes dos padres tinham e têm a ver unicamente com o celibato.

Chegamos então, ao ponto crucial da história que parece ter sido enterrado pelo tempo e pela descrença; como pura fantasia ou mera objeção de demonólogos nos processos de perseguição ao catolicismo. Em 1580, o respeitabilíssimo Jean Bodin publica um grosso volume intitulado Demonomania dos Feiticeiros. O livro é uma magistral coletânea de material retido pela Igreja Católica durante os tribunais da Inquisição. Nele Jean Bodin, como católico, não apenas desmascara o sacerdócio; padres, bispos, madres superiores e freiras em suas mais variadas práticas de feitiçaria no interior da igreja, como também derruba a tese falsa de que Roma foi a maior inimiga da bruxaria.

Bodin nos deixa claro que a prática da Missa Negra pelo catolicismo é muito mais comum do que podemos imaginar, e que para a igreja, os abusos não existem já que não há a prática sexual em si. Os rituais são “necessários” na liturgia da igreja e por isso não há expulsão nem condenação prevista. Os padres aprendem a realizar a missa negra antes mesmo dos votos de obediência, pobreza e castidade.

É um fato real que na ampla maioria dos casos não há realmente relações sexuais na prática; mas tão somente a manipulação dos órgãos genitais: seja para a obtenção de esperma e outras secreções ou o uso do corpo da criança como altar, semelhante ao que ocorre nas Missas Negras convencionais praticadas por satanistas tradicionalistas, em que uma virgem ou um menino na puberdade é utilizado.

Em Dogma e Ritual de Alta Magia, Eliphas Lévi faz uma menção do livro em que  detalha um horrendo ritual chamado Oráculo Sangrento; em que um menino é degolado sob um altar católico enquanto se preparava para a primeira comunhão; praticado por um bispo francês sob encomenda do Rei Carlos IX e Catarina de Médici. Embora naquela época o uso de secreções corporais como suor, urina, sangue e principalmente esperma e secreções vaginais já fossem de uso corrente, do século VII para cá, os rituais foram ficando cada vez menos violentos, onde a magia sexual substituiu gradativamente os sacrifícios sangrentos. Qualquer domonologista moderno sabe que atualmente, via regra litúrgica do cripto-catolicismo, a violação de um corpo puro, virgem, é tão agradável aos demônios quanto um sacrifício sangrento.

A igreja obviamente não foi a criadora dos rituais e sim os roubou de livros e grimórios confiscados durante a inquisição, principalmente dos magos de origem semita e babilônica onde rituais utilizando crianças como oráculos são encontrados aos montes, especialmente para necromancia. Para aqueles que questionam os rombos financeiros que a igreja tem de arcar por causa dos processos por pedofilia contra ela, o Arcebispo Emmanuel Milingo, exorcista e autor do best seller “Cara a Cara com o Diabo” afirma:

“A terceira dimensão do mal na Igreja é a adoração a Satanás e as Missas Negras que profanam nossa santidade. Desde que a igreja passou a flertar com a Maçonaria, parece que estamos a trilhar um caminho sem volta. Para cada dólar perdido em processos, a igreja ganha três em lucrativos acordos espirituais com grandes industriais, empresários e políticos maçons.”

Os acordos espirituais a que Milingo se refere são Missas Negras encomendadas e realizadas numa mistura com rituais tão antigos quanto secretos de lojas maçônicas tradicionais. Claramente nem todos os padres trabalham para estes meios e fins, a maioria pratica Missas Negras em proveito próprio, o elixir dos elixires sexuais como dizia o marquês de Sade; dezenas de exemplos podem ser encontrados em obras como “O Livro Negro dos Demônios”, Dicionário Diabólico” e “Demonomoania dos Feiticeiros”.

Lamentavelmente não há uma tradução decente para o português desta magnífica obra; essencial para quem quer e precisa se aprofundar nos estudos ocultos. Quanto as denúncias, a igreja mostra que não tem sido o suficientemente hábil em manter a excitação e o silêncio de seus homens. Conventos e mosteiros são antros de feitiçaria, capazes de fazer inveja aos mais sábios dos iniciados. Mas sua saúde financeira também comprova que a suposta união com a maçonaria denunciada pelo arcebispo Milingo, têm sido altamente saudável a seus cofres.

É por razões como essas e outras, que um dos comportamentos mais tolos daqueles que seguem o caminho da mão esquerda, é atacar gratuitamente o Catolicismo, como já apregoava Aleister Crowley. Podemos e devemos questioná-los, aproveitarmos seus segredos e aquilo que realmente nos diz respeito e nos interessa, e deixar que os membros das religiões ditas divinas acusem-se e matem-se uns aos outros.. Atirar para todos os lados neste caso, simplesmente seguindo o que a TV e os concorrentes de fé falam seria matar a nossa própria galinha dos ovos de ouro, ou pior ainda, é imolar o nosso cordeiro de ouro.

Paulie Hollefeld

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/aspectos-ocultos-da-pedofilia-no-catolicismo-romano/

As mulheres na Maçonaria

Como se sabe, a maçonaria tida como regular é restrita a homens, não aceitando, em hipótese alguma, mulheres em suas colunas. Mas desde o surgimento dos movimentos igualitários e do feminismo, muitos são os questionamentos e críticas sobre a Maçonaria por essa restrição, considerada por muitos como conservadora e machista.Não há aqui a intenção de imprimir opiniões favoráveis ou contrárias ao ingresso de mulheres na maçonaria. O objetivo é de compartilhar informações e colaborar com a reflexão sobre o tema.

Nas últimas décadas, as Obediências têm apresentado diferentes justificativas para tal restrição. Sem entrar no mérito de cada uma, é importante conhecê-las, seja para defendê-las ou para criticá-las:

CUNHO HISTÓRICO

A maçonaria atual originou-se da maçonaria operativa, ou seja, dos pedreiros de ofício. Esses pedreiros eram, evidentemente, homens. Daí, em respeito às tradições e costumes do chamado “Antigo Ofício”, as Obediências mantém tal regra.

CUNHO SOCIAL

A maçonaria especulativa consolidou-se na Inglaterra, de onde surgiu a primeira Grande Loja Maçônica. As Lojas daquela época se reuniam, principalmente, no fundo de tabernas, as quais eram restritas a homens. A presença duma mulher de bem numa taberna era inaceitável e, consequentemente, nas Lojas também. Com o tempo, as Lojas criaram seus próprios espaços, mas a tradição permaneceu e foi formalizada nas Constituições de Anderson.

CUNHO OCULTISTA

Existem Ordens Solares e Ordens Lunares. As Ordens Solares são voltadas aos homens, à razão, possuem juramentos e segredos, o Sol está presente no simbolismo, e são baseadas no compromisso.  As Ordens Lunares são voltadas às mulheres, à emoção, possuem menos hierarquia, a Lua está presente no simbolismo, e são baseadas na devoção. A maçonaria é tipicamente uma Ordem Solar. Por isso, o ingresso de mulheres seria incoerente.

CUNHO SEXUAL

A maçonaria é uma fraternidade, e uma fraternidade com reuniões que exigem concentração. O ingresso de mulheres poderia desviar a atenção de alguns maçons durante as reuniões, o que prejudicaria no bom andamento das mesmas. Além disso, a partir do momento em que um homem e uma mulher maçons tivessem uma relação sexual, a fraternidade entre eles estaria prejudicada.

CUNHO LEGAL

As normas de muitas instituições possuem cláusulas “pétreas”, que são cláusulas imutáveis. Isso ocorre em alguns artigos da Constituição brasileira, por exemplo, em que mesmo se todos os Deputados e todos os Senadores aprovassem por unanimidade uma mudança, mesmo assim esses artigos não poderiam ser modificados. Na maçonaria também é assim, possuindo seus “Landmarks”, imutáveis, mesmo se for o desejo da maioria dos maçons.

CUNHO MORAL

O maçom, quando ainda candidato, durante sua iniciação, presta um juramento de seguir os Landmarks maçônicos, os quais incluem o ingresso apenas de homens. Ele poderia se recusar a prestar tal juramento, e assim não ingressar na maçonaria. Mas, ao prestar o juramento e tornar-se maçom, ele assume o compromisso de observá-lo, mesmo que não concorde plenamente com o mesmo.

CONCLUSÃO

Essas são as justificativas mais comuns apresentadas e defendidas pelas Obediências Regulares e autores maçons. Há maçons que acreditam em uma dessas justificativas; outros que acreditam em mais de uma; e há ainda os que não acreditam em nenhuma, mas observam moralmente o compromisso assumido.

Todas essas justificativas são bastante coerentes, ao mesmo tempo em que sempre cabe questionamentos às mesmas. Afinal de contas, numa instituição como a maçonaria, pesquisadora da verdade, nada é indiscutível. Porém, há duas questões distintas:  a regra e o respeito à regra. Como maçons regulares, todos têm a liberdade de refletir, debater, questionar. Mas como maçons regulares, todos também têm o dever de, enquanto a lei existir, respeitá-la.

É interessante observarmos que instituições tradicionais e antes restritas a homens, como Rotary e Lions, abriram suas portas às mulheres. Para o Rotary, a decisão veio por força judicial em 1987. Já o Lions aprovou em sua Conferência Internacional a mudança estatutária no mesmo ano, permitindo o ingresso de mulheres.

No caso da Maçonaria, não existe uma autoridade internacional, pois cada Obediência é soberana em seu território. Até mesmo a Conferência Mundial das Grandes Lojas Regulares não possui autoridade sobre a legislação das Obediências participantes. O que se tem é um entendimento de muitas Obediências de que a Grande Loja Unida da Inglaterra, sendo a Obediência mais antiga do mundo, é a fiel guardiã das antigas tradições, e por isso muitas dessas Obediências seguem suas recomendações.

Sobre o tema da mulher na maçonaria, a Grande Loja Unida da Inglaterra se pronunciou em 1999 no sentido de que reconhece a existência da Maçonaria Feminina e de que essas instituições são “regulares na prática”, apesar de não serem “regulares na origem”. Assumiu também que, de tempos em tempos, tem realizado diálogos informais com as autoridades das Grandes Lojas Femininas da Inglaterra sobre assuntos de “interesse mútuo”. No mesmo comunicado, a Grande Loja Unida da Inglaterra se declarou contrária à Obediência Mista presente na Inglaterra, a Grande Loja Direitos Humanos, mas talvez não pelo fato de ser mista, e sim pelas práticas daquela Obediência.

Apesar da Grande Loja Unida da Inglaterra ter dado um sinal que pode ser positivo a longo prazo e que pode vir a influenciar as demais Obediências mundiais, a maior resistência não vem do “Velho Mundo”, e sim do novo: a maçonaria americana representa ¼ das Obediências Regulares e quase a metade de todos os maçons do mundo. E o conservadorismo americano, também presente na maçonaria, indica que o mais próximo de uma mulher adulta se reunir em um templo da maçonaria regular dos EUA é e será através da Ordem da Estrela do Oriente.

De qualquer forma, esse sempre será o grande paradoxo da maçonaria: acompanhar a evolução da sociedade, se modernizar, sem abrir mão das antigas tradições que tanto defende e preconiza. O que pode ser modernizado? O que deve ser mantido? Talvez esse seja o grande mistério da maçonaria de hoje.

#Maçonaria

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Ritos Maçônicos no Brasil

Rito de origem francesa, foi substituído na França pelo Rito Moderno EM 1785, mas continuou sendo praticado no Brasil, onde foi o primeiro Rito a ser adotado.

O Rito Adonhiramita é considerado irregular por boa parte da comunidade maçônica internacional pelo fato de modificar a Lenda do Grau 03, o que fere um dos principais Landmarks maçônicos (3º Landmark de Mackey, por exemplo) que considera a lenda do Grau 03 imutável.

Se não fosse pelo fato do Rito ter sido descontinuado na França, quando da adoção do Rito Moderno, o Adonhiramita seria o mais antigo ainda em prática no mundo. Porém, ele se viu encerrado em 1.773, e só foi reativado, já no Brasil, em 16/01/1838, sofrendo então grande influência do Rito Moderno, e trabalhando apenas nos Graus Simbólicos. Os Graus Superiores desse Rito só entraram oficialmente em atividade em 02/06/1973, quando da fundação de seu Supremo Conselho, aqui no Brasil, único no mundo.

O Rito Adonhiramita somente é praticado no Brasil e, mais recentemente, por algumas poucas Lojas em Portugal.
RITO BRASILEIRO

Sonho antigo do Grande Oriente do Brasil, o Rito Brasileiro somente tornou-se realidade em 1914, pelas mãos do então Grão-Mestre do GOB, Lauro Sodré. Sobreviveu até meados de 1940, quando entrou em desuso. Somente em 13/03/1968, no auge da Ditadura Militar e de sua propaganda nacionalista, o Rito foi reativado e permanece ativo até hoje.

Considerado uma cópia abrasileirada do Rito Escocês, ele também trabalha com sistema de 33 graus, sendo os 03 simbólicos e 30 graus superiores, além de também adotar a cor púrpura do REAA.

O Rito Brasileiro só é praticado no Brasil.

RITUAL DE EMULAÇÃO & SISTEMA INGLÊS MODERNO

O Ritual de Emulação só trabalha nos 03 graus simbólicos. O Emulação é um dos vários rituais praticados por Lojas da GLUI, sendo o mais popular deles. Há outros como: Bristol, Stability, Oxford, Taylor’s, Humber, Logic, West End. Todos são similares entre si, visto que a GLUI apenas determina que se observem os antigos costumes por ela adotados.

 O GOB adotou o Emulação para reforçar seu tratado de amizade e mútuo reconhecimento com a GLUI. Porém, quando da tradução para o português, o Ritual ficou erroneamente conhecido como “de York”.

Podemos chamar de “Sistema Inglês Moderno” os corpos ingleses de aperfeiçoamento, que possuem origens diferentes e trabalham de forma totalmente independente dos Rituais Simbólicos lá praticados. Entre eles, podemos citar: Mestre de Marca e Santo Arco Real, Nauta, Templários e Malta.

RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

O Rito Escocês Antigo e Aceito é o mais praticado no Brasil e na maioria dos países da América Latina nos graus simbólicos, e é o Rito mais praticado no mundo nos Graus Superiores. Apesar de muitos autores e Irmãos declararem que o Rito teve origem na França, isso é algo discutível. O Rito foi realmente consolidado na França, mas sua origem pode se dizer escocesa, visto que teve origem quando Carlos I, rei da Inglaterra e de origem escocesa, exilou-se com sua família e famílias nobres mais próximas (também de origem escocesa) na França. Desse nicho originou-se na França o Rito de Heredom, composto de 25 graus. Mas apenas nos EUA o Rito passou a ter 33 graus e a ser chamado de Rito Escocês Antigo e Aceito.

Digamos então que é um rito criado nos EUA sobre uma base francesa com raízes escocesas.

Os 33 graus do Rito Escocês são concedidos em Loja Simbólica, Loja de Perfeição, Capítulo Rosa Cruz, Conselho Kadosh e Consistório.

A data-marca do REAA é 31/05/1801: fundação do 1º Supremo.

RITO FRANCÊS OU MODERNO

Apesar de declarar ter sido criado em 09/03/1773, o que o tornaria o Rito mais antigo ainda praticado no mundo, o Rito Moderno foi totalmente reformulado e reescrito, e somente tomou a forma com que é praticado atualmente quando da chamada “Reformulação”, ocorrida em 1877, quando se suprimiu a crença em um Grande Arquiteto do Universo e na Imortalidade da Alma de toda simbologia, filosofia e frases do Rito. O nome foi mantido, mas a Reformulação praticamente criou um novo Rito, diferente do seu original. Essa atitude em relação ao GADU, ao Livro da Lei e à Imortalidade da Alma promovida na ritualística e leis do Grande Oriente de França foi interpretada pela GLUI como um desrespeito aos antigos Landmarks, ocasionando no rompimento das relações entre a GLUI e o GOdF, rompimento este que dura até os dias de hoje.
RITO SCHRODER

O Rito Schroder é um rito de origem alemã e surgiu no Brasil através da colonização alemã no sul do país. O Rito surgiu na Alemanha para substituir o Rito da “Estrita Observância” que possuía forte influência da cavalaria templária, distanciando-se assim do simbolismo da maçonaria operativa, o que, com o tempo, gerou grande descontentamento dos líderes e estudiosos maçônicos.

Foi então que o Irmão Schroder começou a escrever o Rito que acabou ficando conhecido pelo seu nome. O novo Rito foi aprovado por unanimidade na assembléia dos Veneráveis Mestres de Hamburgo no dia 29/06/1801, sendo, portanto, apenas poucos dias mais velho do que o REAA.

O Rito trabalha apenas nos três graus simbólicos, e busca se desvencilhar de influências de outras doutrinas, filosofias, ordens e símbolos que não sejam oriundos da Maçonaria Operativa.

RITO DE YORK

O Rito de York é algumas vezes chamado de Rito Americano, ou mesmo de Rito Inglês Antigo. Além dos 03 graus simbólicos, ele possui mais 10 Graus, divididos nos organismos: Capítulo do Real Arco (Mestre de Marca, Past Master, Mui Excelente Mestre e Maçom do Real Arco); Conselho Críptico (Mestre Real, Mestre Escolhido e Super Excelente Mestre); Comandaria Templária (Ordem da Cruz Vermelha, Ordem da Cruz de Malta, Ordem dos Cavaleiros Templários).

O Rito de York é o rito mais antigo praticado no mundo, tendo como data-marca 24/10/1797.Também é o Rito com mais membros praticantes no mundo: mais de 60% dos maçons no mundo adotam o “Monitor de Webb”, como são conhecidos os graus simbólicos do Rito de York, em homenagem ao seu autor. Já suas Comandarias Templárias são tidas como os únicos Corpos Maçônicos fardados da atualidade.

Alguns irmãos brasileiros confundem o Rito de York com o Sistema Inglês Moderno, o qual possui alguns graus similares. Porém, o Sistema Inglês é bastante diferente, não possuindo um formato de escada como ocorre no Rito de York, Escocês e vários outros ritos.

#Maçonaria

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Carta a um Maçom

Rio de Janeiro, 9 de julho de 1963.

Caro Dr. G.:

Faze o que tu queres há de saer tudo da Lei.

Li, com maior prazer, a entrevista concedida ao Diário de Notícias, através da qual o Grande Oriente do Brasil manifesta à nação a sua intenção de, finalmente, fazer com que a Maçonaria venha a ocupar na vida brasileira o papel que lhe cabe e sempre lhe coube desde a Independência – que, como todos sabemos, foi feita por maçons.

Relembrei nessa ocasião minha conversa com o senhor, e as nossas palavras de despedida, nas quais buscou o senhor gentilmente trazer à minha atenção o fato de que (na sua opinião) a Igreja Católica Romana é uma boa introdução à vida adulta para crianças. Eu lhe disse então: “Mas a Maçonaria é infinitamente melhor”, e aproveito esta oportunidade para repetir e ampliar estas palavras.

Eu não quis discutir a validade ou falta de validade da Igreja Romana como campo de treino para crianças, porque não é assunto que se possa, propriamente, discutir. É assunto que deve — repito, deve – – ser pesquisado por todo homem consciencioso e responsável, principalmente por maçon de alto grau e no Brasil, onde essa Igreja teve tanta influência na formação psíquica do povo — com os resultados que estamos vendo no presente.

Para esta pesquisa, vitalmente necessária a todos os maçons neste momento de transição, é necessário uma análise cuidadosa da evidência espalhada pelas obras de muitos pesquisadores imparciais e fidedignos; e isto não pode ser resumido numa breve discussão. Eu estou a par dos fatos; o senhor não estava, na ocasião; e afirmativas de minha parte teriam forçosamente de parecer ao senhor opiniões arbitrárias e caprichosas, principalmente por o senhor, com certeza, suspeitar de mim e de minhas intenções. Thelemitas não são mais benquistos no momento do que o foram os gnósticos e os essênios em seu tempo! A finalidade desta carta é expor, de maneira mais ordeira e clara, minhas conclusões, e citar as obras nas quais me baseio; de forma que o senhor possa, se quiser, consulta-las e tirar suas próprias conclusões, que podem ou não virem a coincidir com as minhas. Peço-lhe apenas que, tendo lido a minha carta; examinado, se lhe aprouver, as fontes nela citadas; e chegado, porventura, à conclusão de que são ambas de valor a seus irmãos maçons, transmita-lhes a carta assim como as fontes, para que, por sua vez, tenham a oportunidade de examinar, ponderar, e julgar.

Devo começar por repetir-lhe o que lhe disse por ocasião de nossa conversa, e que tanto chocou seus bons sentimentos e sua honesta devoção: que o homem chamado “Jesus Cristo” nos Evangelhos nunca existiu. Suas peripécias são fictícias; não padeceu sob nenhum Pôncio Pilatos; não foi nem poderia jamais ser a única Encarnação do Verbo; e qualquer Igreja, seita ou pessoa que diga o contrário ou está enganada ou enganando. Não quero dizer com isto que um homem assim não pudesse ter nascido, pregado, e padecido. Pelo contrário: tais homens nascem continuamente, e continuarão a nascer por todos os tempos: Encarnações do Logos, Templos do Espírito Santo, Cruzes de Matéria coroadas pela chama do Espírito.

Direi mais: houve, em certa ocasião, um homem que alcançou no mais alto grau a consciência de sua própria Divindade; e este homem morreu em circunstâncias análogas (porém não idênticas!) àquelas narradas nos Evangelhos. Seu nascimento perdeu-se na noite dos tempos: ele foi o original do “Enforcado” ou “sacrificado” no Taro, e os egípcios o conheciam pelo nome de Osiris. Foi esse Iniciado quem formulou na carne a fórmula do Deus Sacrificado. Esta é a fórmula da Cerimônia da Morte de Asar na Pirâmide, que foi reproduzida nos mistérios de fraternidades maçônicas da tradição de Hiram, das quais o exemplo mais perfeito foi o Antigo e Aceito Rito Escocês. O Graus 33º desse rito indicava uma Encarnação do Logos; a descida do espírito Santo; a manifestação, na carne, de um Cristo; a presença do Deus Vivo.

Para os fatos que servem de base às asserções acima, indico ao senhor as seguintes obras, de maçons ilustres e merecedores:

LA MISA Y SUS MISTERIOS, de J.M. Ragón.

THE ARCANE SCHOOLS, de John Yarker.

DO SEXO À DIVINDADE, do Dr. Jorge Adoum.

CURSO FILOSÓFICO DE LAS INICIACIONES ANTIGUAS Y MODERNAS, de J.M.Ragón.

ISIS DESVELADA, de Helena Blavatsky, seção sobre o Cristianismo. Mme Blavatsky não era dos vossos, mas era dos Nossos…

Na minha opinião, Dr. G., um maçon de alto grau, com tempo a seu dispor, faria um grande benefício a seus irmãos ao traduzir para o português as obras acima citadas, principalmente as duas primeiras.

Os documentos incluídos no assim-chamado “Novo Testamento” (a saber, os Quatro Evangelhos, os Atos, as Cartas e o Apocalipse) são falsificações perpetradas pelos patriarcas da Igreja Romana na época de Constantino, por eles chamado “o Grande” porque permitiu esta contrafação, colaborando com ela. Constantino não teve sonho algum de “In Hoc Signo Vinces”. Tais lendas são mentiras desavergonhadas inventadas pelos patriarcas romanos dos três séculos que se seguiram, durante os quais todos os documentos dos primórdios da assim- chamada “Era Cristã” existentes nos arquivos do Império Romano foram completamente alterados.

O que realmente aconteceu na época de Constantino foi que, aliados, os presbíteros de Roma e Alexandria, com a cumplicidade dos patriarcas das igrejas locais, dirigiram-se ao Imperador, fizeram-lhe ver que a religião oficial era seguida apenas por uma minoria de patrícios, que a quase totalidade da população do Império era cristão ( pertencendo às várias seitas e congregações das províncias ); que o Império se estava desintegrando devido à discrepância entre a fé do povo e a dos patrícios; que as investidas constantes das seitas guerreiras essênias da Palestina incitavam as províncias contra a autoridade de Roma; e que, resumindo, a única forma de Constantino conservar o Império seria aceitar a versão Romano-Alexandrina do Cristianismo. Então os bispos aconselhariam o povo a cooperar com ele; em troca, Constantino ajudaria os bispos a destruírem a influência de todas as outras seitas cristãs! Constantino aceitou este pacto político, tornando a versão romano- alexandrina de Cristianismo na religião oficial do Império.

Conseqüentemente, a liderança religiosa passou às mãos dos patriarcas romano-alexandrinos, que, auxiliados pelo exército do Imperador, começaram uma “purgação” bem nos moldes daquelas da Rússia moderna. Os cabeças das seitas cristãs independentes foram aprisionados; seus templos, interditados; e congregações inteiras foram sacrificadas nas arenas das províncias de Roma e Alexandria. Os gnósticos gregos, herdeiros dos Mistérios de Eleusis, foram acusados de práticas infames por padres castrados como Orígenes e Irineu (a castração era um método singular de preservar a castidade, derivado do culto de Atis, do qual se originou a psicologia romano-alexandrina). Os essênios foram condenados através do hábil truque de fazer dos judeus os vilões do Mistério da Paixão; e com a derrota e dispersão finais dos judeus pelos quatro cantos do Império, a Igreja Romano- Alexandrina respirou desafogada e pode dedicar-se completamente ao que tem sido sua especialidade desde então: ajudar os tiranos do mundo a escravizarem os homens livres.

Para o escrito acima, indico ao senhor os seguintes livros:

ISIS DESVELADA, de Blavatsky, seção sobre o Cristianismo OUTLINES ON THE ORIGIN OF DOGMA, de Adolf von Harnack.

DECLINE AND FALL OF THE ROMAN EMPIRE, de Gibbon.

THE AGE OF CONSTANTINE THE GREAT, de Burckhardt.

Quanto às falsificações da Igreja Romano-Alexandrina, indico ao senhor as palavras do grande erudito americano Moses Hadas, em suas notas à tradução do livro de Burckhardt, à página 367, que passo a traduzir:

“A História Augusta apresenta biografias de imperadores, cézares e usurpadores, de Afriano a Numério (117-284), com uma lacuna no período de 244 a 253. Pretende ser o trabalho de seis autores (Aelius Spartianus, Vulcacius Gallicanus, Aelius Lampridius, Julius Capitolinus, trebellius Pollius e Flavius Vopiscus), e ter sido escrita entre os reinados de Diocleciano e Constantino, ou cerca de 330. Alguns estudiosos creêm tais asserções verdadeiras, mas outros mantêm que a obra foi escrita um século mais tarde, e por uma só pessoa. Em tal caso o nome dos seis autores terá sido adicionado para tornar mais convincente o que foi escrito.

Trocando em miúdos, o que ele quer dizer é o seguinte: os patriarcas romanos, ansiosos por esconder seus crimes (especialmente a perseguição a cristãos de outras seitas ou igrejas) e por se declararem os únicos cristãos verdadeiros, destruíram todos os documentos autênticos nos quais conseguiram por as mãos. (Isto lhes era particularmente fácil já que, desde a era de Constantino, eles foram os guardiães de tais manuscritos.) Feito isto, substituíram os destruídos por outros, forjados, que descreviam a sua clique como oprimida pelos imperadores e outras seitas cristãs como inexistentes ou obscenas. (Na realidade, ela bajulara os imperadores desde o começo: o culto de Átis era o único em Roma ao qual os patrícios podiam ir legalmente.) Um pouco mais tarde, Romanos e Alexandrinos brigaram. Isto porque cada facção queria fazer de sua cidade o centro político e religioso do Império. Foi então que um dos poucos historiadores pagãos que escaparam à atenção dos Patriarcas escreveu: “As atrocidades dos cristãos uns contra o outros ultrapassa a fúria das bestas selvagens contra o homem.”(Ammianus Marcellinus) O capítulo final da disputa foi a divisão do Império em Romano e Bizantino. Desde então, a Igreja Romana tem se chamado “Católica”, e a Bizantina, “Ortodoxa”.

Ambas, é claro, um amontoado de mentiras.

Qual o motivo, o senhor perguntará, para essa perseguição impiedosa às seitas gnósticas e essênias? No caso dos essênios, as razões foram políticas e dogmáticas.

Aproximadamente um século antes do assim-chamado “Ano Um” nascera na Palestina um rabi, cujo nome é desconhecido (embora alguns estudiosos presumam ter sido Ionas, ou Jonas). Ele criou um novo sistema de Essenismo, fundando muitos ramos dessa fraternidade judeo-cóptica, e adquirindo um grande número de seguidores na Ásia Menor. Muitos documentos foram escritos acerca dos incidentes de sua vida e doutrina. Foi um Adepto Cristão, ou seja, defendeu a tese de que todo homem é um Templo do Deus Vivo; deu testemunho do Logos e do Espírito Santo, e tal foi seu impacto no pensamento religioso de sua época que os patriarcas romano-alexandrinos, ao escreverem a “história de Jesús Cristo”, foram forçados a incluí-lo, para evitar suspeitas. Chamaram-no de “João Batista”…

Acerca deste: THE DEAD SEA SCROLLS, AN INTRODUCTION, de R.K.Harrison.

Também este livro deveria ser traduzido para o português por um maçon! Abaixo, cito uma passagem atribuída a esse iniciado, extraída de um manuscrito cóptico intitulado “Evangelho de Maria”, apócrifo, desde 1896 no Museu de Berlim. Depois de haver explicado vários pontos de sua doutrina, ele se despede de seus discípulos:

“… Quando o Abençoado havia dito isto, ele saudou a todos, dizendo: ‘Paz seja convosco. Recebei minha paz para vós mesmos. Cuidai-vos de que nenhum vos desvie com as palavras “olha alí” ou “olha lá”, pois o Filho do Homem está dentro de vós. Seguí-o: aqueles que o buscam o encontrarão. Ide, pois, e pregai a Boa Nova do Reino. Eu não vos deixo nenhuma regra, salvo o que vos recomendei (Amai-vos uns aos outros), e eu não vos dei nenhuma lei, qual fez o legislador (Moisés), para evitar que vos sentísseis obrigados por ela.’ E quando acabou de dizer isto, ele foi embora.” (Gnosticism, An Anthology, ed. Robert M. Grant, Collins, London, pp.65-66, “The Gospel of Mary”)

Esta passagem pode ser comparada a muitas outras nos Evangelhos nas quais, quando interrogado, “Jesús” diz explicitamente: “O Reino de Deus está dentro de vós.” E que razão tinham os Romanos e Alexandrinos para perseguir e exterminar os gnósticos gregos? Desta feita o motivo era puramente dogmático. Na época posteriormente atribuída pelos patriarcas ao “nascimento de Jesús Cristo”, um iniciado grego deu vida nova aos mistérios de Apolo e Diôniso, restabeleceu o culto ao Sol Espiritual e ao Logos, praticou maravilhas taumatúrgicas e, em suma, causou tal impressão que os Romano-Alexandrinos foram forçados a incorporar diversos “milagres” em sua miscelânia evangélica, de forma que o seu “Jesus” pudesse igualar os prodígios atribuídos a Apolônio de Tyana. Ao mesmo tempo, afirmaram que Apolônio de Tyana havia sido enviado por “Satã” para reproduzir os milagres de “Jesús” e assim desviar as pessoas do “verdadeiro Cristo”. destruíram também, sistematicamente, todos os documentos autênticos da vida de Apolônio, salvo um, a fantástica e inacreditável Vita, atribuída a um pretenso “discípulo” desse grande Adepto.

Novamente lhe indico ISIS DESVELADA, e o artigo “Apollonius” na Enciclopédia Britânica.

Devo aqui, Dr. Gastão, apender um parêntese um pouco prolongado, de forma a estabelecer a maneira pela qual o Catoliscismo Romano difere do verdadeiro Cristianismo. Para este fim, começarei por apresentar um dos poucos textos que nos chegaram quase sem alterações cometidas pelos patriarcas de Roma e Alexandria. As modificações relevantes vão comentadas entre parênteses, e o texto, apresento o original, intacto. É o Intróito do Evangelho de “São João”:

“No princípio era o Verbo. E o verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

“Ele estava no princípio com Deus.

“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

“A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens.

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não o escondem ( isto é, não escondem o fato que a luz brilha nelas!).

“Houve um homem enviado por Deus, cujo nome foi Jonas (Johannes no original em grego).

“Ele veio como testemunha da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.

“Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: a saber, a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina todo homem.

“Estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dela, mas o mundo não a conheceu ( no masculino na Vulgata, para sugerir “Jesús”).

“Veio para o que era seu, e os seus não a receberam ( idem).

“Mas, a todos quanto a (idem) receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus ( e aqui os Romanos-Alexandrinos acrescentaram: a saber, os que crêem no seu nome, isto é, no “Jesús” que eles inventaram para servir aos seus propósitos), os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

“E o Verbo se fez carne, e habitou em nós ( a Vulgata aqui põe “entre”, o que muda totalmente o sentido da passagem) cheio de graça e verdade, e vimos a sua glória, glória como a do primogênito do Pai ( o primogênito do Pai é, claro, Chokmah, o Verbo Espiritual, a Primeira Emanação do Ancião dos Dias, Kether. “Primogênito” também traz à lembrança o “mais velho dos filhos de Deus”, Lúcifer ou Satã.” Na versão acima, original, desse documento cristão, e nas interpolações introduzidas pelos romanos-alexandrinos, Dr. G., tem o senhor o sumário e a base do dógma católico romano.

Jonas, Apolônio, Simão ( Simão Pedro e Simão o Mago; a isto aludiremos depois), Adeptos cristãos, ensinaram todos os três: “Vós sois o Templo do Deus Vivo. Contemplai a Luz dentro de vós, e sabei que sois Filhos da Luz!” Repetidamente esta mensagem é encontrada nos Evangelhos; mas sempre deformada, condicionada ou “explicada” pelas interpolações e teologismos romano- alexandrinos. O resultado é que, algumas vezes, “Jesús” fala como um santo, como uma verdadeira Encarnação do Verbo; o mais das vezes, porém, como fanático e sectarista.

Contradições deste tipo abundam.

Este é o resultado das alterações a interpolações dos romanos e alexandrinos. Copiaram, adaptando-os às suas necessidades político- financeiras, os documentos essênios que descreviam as pregações de Jonas ( entre outros, o “Sermão da Montanha”). Inseriram “milagres” do tipo atribuído a Apolônio de Tyana. Arranjaram um Mistério da Paixão em drama nos moldes dos cultos de Mitras, de Adonis, de Átis, de Diôniso e de Oannes — o que era necessário para tornar o seu “Jesús” numa Encarnação do Logos do Aeon de Osiris, o Deus Sacrificado. Tão cuidadosamente misturaram a verdade e mentira que durante quase mil e seiscentos anos todo cristão que procurou encontrar o Verbo em si mesmo — o único lugar onde pode ser encontrado — deparou, nos portais de sua alma, com este fantasma insidioso, esta blásfema quimera, este pesadelo teológico: “Nosso Senhor Jesus Cristo”.

“Adora-me!” — diz o Egrégora — “Eu sou o filho de Deus. Tu não és nada mais que uma criatura sem valor e pecadora, condenada desde o nascimento e destinada ao inferno não fosse por meu sacrifício; e sem mim nunca alcançarás o céu.” Talvez o senhor comece a compreender agora, Dr. G., a natureza daquilo a que nós chamamos a Grande feitiçaria? Após mil e seiscentos anos de vitalização por multidões de adorantes, e a absorção das cascas vazias de padres, freiras e fanáticos que se deixaram vampirizar por ele, o Egrégora existe no assim-chamado plano astral; e é um demônio, quer dizer, uma entidade ilusória. Não é um verdadeiro Microcosmo, mas uma gestalt de cascões vitalizados, um foco para tudo que há de negativo, derrotista, piegas, preconceituoso e introvertido na natureza dos cristãos: um lodaçal completamente hostíl ao progresso e á evolução espiritual deles.

E, no entanto, nada há mais sagrado ou puro do que está oculto neste nome, “Jesus Cristo”… É um híbrido dos títulos pelos quais os cabalistas essênios e os gnósticos gregos, respectivamente, chamavam o Iniciado que alcançasse a esfera de Tiphareth, o Filho — ou seja, a “sephira”, ou “plano” de consciência que em Nosso sistema corresponde ao grau de Adeptus Minor, e, no Rito Escocês, ao 33º grau.

Cristo, Chrestos, significa “Bom” e “ungido”. Este era um título nobre nos Mistérios de Eleusis. O Iniciado tem sempre sido um sacerdote-rei desde a antiguidade; a superstição absurda do “direito divino hereditário” dos reis foi outra adulteração dos romanos- alexandrinos para ajudar aos tiranos que os apoiavam. Seria realmente fácil se a verdadeira realeza, dura recompensa da Iniciação, pudesse ser transmitida por métodos dinásticos, ou conferida por um papa! Para fazer justiça a este tema um volume inteiro seria necessário; diremos apenas que os símbolos tradicionais da realeza são os símbolos da completa iniciação. O Cetro representa o Falo, a imagem material do Verbo; o Globo e a Cruz são formas da Cruz Ansata, o símbolo da imortalidade conferida pela Iniciação ( mostra a mulher “dominada” pelo homem, ou seja, satisfeita pelo homem….); a Coroa é Kether, o Sahashara Cakkram em completo funcionamento, a Primeira Sephira, o Ancião dos Dias, o Pai; o Manto Púrpura ornado de estrelas ou flores representa o Céu Noturno, a Aura do Sacerdote de Nuit; e finalmente, as roupagens rubro-douradas são o símbolo do Corpo Solar, o Corpo de Glória do Iniciado — vermelho e ouro sendo as cores heraldicas do sol.

Quanto ao nome “Jesús”, é escrito em hebraico IHShVH ( pronuncia- se Jehêshua). Note que isto é IHVH ( Tetragrammaton ) com Shin (Sh) intercalada. Shin é a letra que representa a um só tempo os elementos Fogo e Espírito, e, estando no centro de IHVH, equilibra as Quatro Forças Elementais Cegas do Demiurgo. Jeová — a Palavra de Moisés — torna-se Jeheshua — a Palavra de Jonas. Nesta Palavra o senhor tem o Deus Crucificado, Dr. G.: nela o Pentagrama, o Sinal do Homem, a Estrela Flamejante do Santuário; nela a chave cabalistica do Tetragrammaton Cristão, INRI, que significa, entre outras coisas, Igne Natura Renovatur Integra, ou seja: Pelo Fogo (do Espírito Santo) a natureza se Renova Inteiramente…

A diferença básica entre o Cristianismo e as religiões que o precederam é que o Mistério de Osíris, até então revelado apenas a aspirantes cuidadosamente selecionados nos mais profundos recônditos dos mais remotos santuários, foi abertamente oferecido ao mundo.

Antes do Aeon de Osíris, no Aeon de Isis, os homens adoravam a Deus em uma de Suas múltiplas imagens (adaptadas à visão espiritual de indivíduos diversos em nações diversas) da mesma forma que uma criança ama e adora sua mãe: como Alguém que protege, alimenta, conforta e ocasionalmente corrige e castiga, mas sempre como alguém exterior a si mesmos.

Foi a revelação do Mistério da Morte de Osíris que acordou os homens para a consciência de que eles, em si mesmos, são a divindade encarnada. Tampouco podemos ir muito longe neste assunto, pois é matéria para outro volume. O Aeon de Virgo-Pisces, com suas vibrações, adaptava-se às idéias de devoção e auto-sacrifício, tornando a Iniciação Racial possível em larga escala; mas é necessário que o senhor compreenda, Dr.G., que o Mistério de Osíris data da mais remota antiguidade. O Deus Sacrificado é fórmula anterior à destruição da Atlântida, quando o verdadeiro significado dos símbolos, até então geralmente conhecido, tornou-se o privilégio de alguns poucos iniciados. Um sacrifício humano anual, para ajudar a colheita, era um rito genérico entre todas as tribos agricultoras da Europa e da Ásia Menor há cinco mil anos atrás; e mesmo nos primórdios do Romanismo ainda era praticado por tribos indo- européias. O sacrificado era, originalmente, o rei da tribo; reinava durante o ano, e era executado nos Ritos da Primavera, ou Páscoa (em ingles Easter, corruptela de Ishtar). Era tratado como encarnação do deus tribal, e adorado até o momento de sua morte. Com seu sangue os campos de cultivo eram salpicados; sua carne era comida por nobres e sacerdotes; e o povo tinha de contentar-se em respirar a fumaça de certas partes queimadas e oferecidas à divindade que ele havia encarnado (estas partes variavam: algumas tribos queimavam os órgãos sexuais, outras o coração).

Eventualmente, com o desenvolvimento da inteligência, a fórmula tornou-se mais conveniente para os reis: algum gênio tribal concebeu a idéia de um vicário; e desde então, um rei substituto era simbolicamente ungido para a ocasião, para ser sacrificado no lugar do rei verdadeiro. Primeiro usaram voluntários, depois velhos e doentes ou criancinhas, a seguir inimigos, e por último animais.

Em muitas tribos os pais, em vez de se sacrificarem, sacrificavam seus primogênitos (neste caso eram os pais os chefes ou patriarcas das tribos). Na Bíblia, a história do primogênito de Abraão é uma hábil fábula que marca a transição, entre os primeiros judeus, do sacrifício dos primogênitos a Jeová para aquele dos bodes expiatórios.

Sacrifícios humanos, acompanhados de antropofagia ritual, eram costume no continente indoeuropeu, na Austrália, no continente africano e no Novo Mundo. A presença universal de tal rito, numa época em que a arte da navegação era praticamente nula, indica uma origem comum na Antiguidade, Esta foi a Atlantida, se bem que o senhor deva notar que seus habitantes não praticavam sacrifícios humanos. Foi precisamente a destruição desta civilização (devida não a “castigo divino”, mas a um dos grandes movimentos periódicos da crosta terrestre a intervalos de vinte mil anos) que, havendo deixado apenas algumas colônias em outras terras, resultou na volta à barbárie que ali ocorreu quando o símbolos passaram a ser interpretados da forma mais grosseira. Alguns mais avançados da cultura atlante mantiveram o verdadeiro significado. Entre eles, o Egípto, onde os Mistérios Menores ( de Isis e Osíris ) eram celebrados com pleno conhecimento de seu significado verdadeiro (é suficiente que o senhor recorde que no Livro dos Mortos a alma do morto ou da morta é sempre chamada Osíris), e os Mistérios Maiores ( de Nuit-Hadit-Hoor ) preservados com o máximo segredo.

Foi do Egito que veio a Corrente de Osíris, a qual, devido à diversidade de povos e línguas, e às dificuldades de comunicação no plano material, manifestou-se em pontos diferentes do continente indoeuropeu sob formas diversas, embora seguindo sempre a fórmula do Deus sacrificado. A corrente começou aproximadamente no ano 500 A.C.

Um estático da Ásia Menor, cujas aventuras tornaram-se lendárias, e que eventualmente ficou conhecido pelo nome de Diôniso, viajou pela Grécia, Ásia Menor e India, ensinando a nova fórmula de Iniciação Racial. Este iniciado, o original verdadeiro do “Jesús Cristo” evangélico, foi um filho espiritual de Krishna, ou antes, de Vishnu, de quem foi Krishna o principal avatar; e sua Palavra era INRI, que é uma modificação da Palavra de Krishna, AUM. Citamos aqui o Capítulo 71 de LIBER ALEPH, um dos mais profundos trabalhos do Mestre Therion: “Krishna tem inumeráveis nomes e formas, e não conheço seu verdadeiro Nascimento humano. Pois sua Fórmula é de alta Antiguidade. Mas Sua Palavra espalhou- se por muitas terras, e hoje a conhecemos como INRI com o IAO secreto aí oculto. E o significado desta Palavra é a Maneira de Trabalho da Natureza em Suas Mutações: isto é, é a Fórmula de Magia pela qual todas as Coisas se reproduzem e recriam a si mesmas. Porém, esta Extensão e Especialização foi antes a Palavra de Diôniso; pois a verdadeira Palavra de Krishna era AUM(OM), implicando antes numa asserção da Verdade da Natureza do que numa Instrução prática sobre Operações Detalhadas de Magia. Mas Diôniso, pela palavra INRI, estabeleceu a fundação de toda Ciência, da forma como hoje entendemos a palavra Ciência em seu senso particular, ou seja, o de causar a Natureza externa a mudar em Harmonia com nossas Vontades.” Este Iniciado, cujo nome carnal é hoje desconhecido, mas que conhecemos por Diôniso (o qual pode ter sido seu nome, pois se tornou bastante comum na Ásia e na Grécia depois de sua morte), viveu e trabalhou aproximadamente quinhentos anos antes da assim-chamada “era cristã”. Foi mencionado por um dos profetas judeus — Isaias — em várias passagens do Livro de Isaías. Estas eram estudadas com veneração profunda pelos velhos Essênios, que sabiam do seu sentido oculto. A passagem principal é citada aqui (parênteses meus):

“Quem acreditou em nossa pregação? A quem foi mostrado o braço de Adonai? (braço é um eufemismo para o falo, o órgão material do Verbo.

Coxa, braço, quafril, chifre, etc., são eufemismos para penis, usados tanto no Novo quanto no Velho Testamento para apaziguar as mentes prurientes dos tradutores que, projetando seus próprios traumas psíquicos, acharam que o povo ficaria chocado ao ouvir uma pica chamada de pica. Este tipo de “censura bem intencionada” ainda hoje é praticado: os cristãos todos parecem achar-se capazes de “proteger a virtude” de seus semelhantes!) . Porque foi subindo como um rebento novo ( ou seja, como uma Palavra nova, necessariamente mal-entendida e temida a princípio) perante Ele, e sua raiz em uma terra seca; não tinha presença nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza tinha ele que nos agradasse.

“Foi desprezado, o mais rejeitado entre os homens; homem que sofrera, e sabia o que é padecer; como um de quem os homens se desviam, foi desprezado, e dele não fizemos caso.

“Em verdade ele tomou sobre si nossas mazelas; as nossas dores carregou sobre si; e por isto o considerávamos, aflito, ferido de Deus, e opresso; “Ele foi golpeado, mas por nossas transgressões; moído, mas por nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz caíu sobre ele, e pelas suas pisaduras nós fomos sarados.

“Andávamos todos desgarrados, como ovelhas; cada um se desviava do caminho, mas Adonai fez caír sobre ele a iniquidade de nós todos”.

“Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e como ovelha, muda perante seus tosquiadores, manteve silêncio.

“Por decreto tirânico nos foi arrebatado, e sua linhagem, quem dela cogitou? Pois ele foi cortado da terra dos vivos; por causa da transgressão do meu povo foi ele ferido.

“Deram-lhe sepultura com os perversos, mas com o rico habitou em sua morte; pois nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca.

“Todavia, a Adonai agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando ele deu a sua alma (a Vulgata tem der , para sugerir que isto é uma profecia sobre — claro — “Jesús Cristo”) como oferta pelo pecado, viu a sua posteridade ( isto é, seus filhos mágicos ) e prolongará seus dias; a vontade de Adonai prosperará em sua mãos.

“Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com a sua compreensão ( isto é, Binah; a “entrega da alma” corresponde à Passagem do Abismo ) justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.

“Por isso eu lhe darei muitos como a sua parte ( isto é, como seus discípulos ), e com os poderosos (isto é, os Reis ou Potestades — uma das hierarquias celestiais ) repartirá ele os despojos; porquanto derramou a sua alma ( isto é, o seu sangue — vinho de IAO — na Taça de BABALON, que contém o sangue dos santos ) na morte; foi contado com os transgressores ( isto é, considerado malígno ); contudo levou sobre si os pecados de muitos, e pelos transgressores ( isto é, os malígnos entre os quais foi contado, os quais eram na realidade os que o condenavam ) intercedeu.”

LIVRO DE ISAÍAS, III, vv. 1 – 12.

Talvez o senhor compreenda melhor o acima se eu citar aqui alguns raros versos de um dos Livros Santos de Télema:

“46. Ó meu Deus, mas o amor em Me rebenta sobre os laços de Espaço e Tempo; meu amor é derramado entre aqueles que não amam o amor.

“47. Meu vinho é servido àqueles que nunca provaram vinho.

“48. Os fumos dele os intoxicarão, e o vigor do meu amor engendrará bebês pujantes em suas virgens.”

LIBER VII, vii, vv. 46 – 48.

Há certos segredos iniciáticos, Dr. G., que não podem ser revelados pela simples razão que apenas aqueles que os experimentaram em si mesmos são capazes de compreender referências a eles feitas.

Portanto limitar-me-ei a dizer que a história simples contada nos versos de Isaías descreve a carreira de todo Adepto Cristão. Isto, em teoria, seria também a história de todo maçon do grau 33º; mas na prática, embora não tenham os srs. perdido a Palavra, mantêm a letra mas não o espírito. Os senhores maçons caíram bem aquém do que era intencionado por seu sistema — isto principalmente devido ao constante ataque da Igreja de Roma.

Os patriarcas romanos-alexandrinos que escreveram o Novo Testamento copiaram palavras de verdadeiros Iniciados; resulta que, encerradas em seus evangelhos adulterados, ainda há várias chaves que aqueles que “tiverem ouvidos de ouvir” (isto é, percepção espiritual: o sentido da audição corresponde ao Akasha hindu, o Elemento do Espírito) podem usar para encontrar a Medicina Universal e o Elixir da Vida …

No entanto, os romanos-alexandrinos erraram tristemente ao tentar usar de métodos profanos para expandir um cristianismo viciado por interpretações dogmáticas e ambições temporais de poder político e financeiro. Falharam por não fazerem o preconizado por Jonas aos essênios: “Dar a Cesar o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Invariavelmente, quando quer que na história da humanidade um sistema de teurgia é conspurcado e se torna uma religião organizada, sofrem os elos entre o sistema e sua fonte espiritual. Os planos não podem ser misturados, e acreditando-se movidos pelas melhores intenções, os romanos-alexandrinos foram na verdade impelidos por vaidade e orgulho — sentimentos enraizados no ego, precisamente a faculdade que o homem deve destruir na passagem do Abismo.

O resultado foi que, perdendo contato com o Logos do Aeon de Osíris, a igreja romano-alexandrina tornou-se instrumento de forças demoníacas — isto é, de forças ilusórias, egóicas — e deu-se desde então a erros espantosos, a crueldades indizíveis.

Consequentemente, os verdadeiros cristãos retiraram-se daquela igreja no momento mesmo em que ela triunfava sobre suas “rivais” gnósticas e essênias, e aliava-se aos príncipes do mal deste mundo.

Retiraram-se, e silenciosamente continuaram seu trabalho através de todo o abuso e perseguição que se seguiram; e eventualmente, para contrafazer mais eficientemente os efeitos da Grande Feitiçaria, criaram a Maçonaria.

O senhor sabe, é claro, que o Rito Antigo, ou melhor, a Grande Loja da Inglaterra, foi organizada ( e o Rito inteiro reformado ) por um certo Elias Ashmole, judeu, e Irmão da R.C. A R.C. (que só existe neste mundo com este nome desde que o grande iniciado que se ocultou sob o nome de “Cristian Rosenkreutz” começou o movimento que resultou na Renascença, na Reforma e nas revoluções Francesa e Americana ) é responsável pelo Mistério do Logos — o Mistério do cristo. É tarefa dela zelar para que este Mistério jamais seja perdido pela humanidade. Quando quer que, por erros humanos, por oscilações do karma terrestre, ou pelas leis do acaso, a transmissão da Palavra e do Sinal (isto é, a sucessão apostólica) é ameaçada, é a R.C., sob um de seus muitos véus (ela nunca usa abertamente o nome de R.C.!), através de um ou mais de seus Irmãos, que lembra a humanidade o significado espiritual da Encarnação; da promessa da Ressurreição; da Grande Obra, isto é: o estabelecimento do Reino de Deus sobre a Terra.

A R.C. nunca interfere de forma alguma com a organização ou direção de ritos maçônicos; nem seus Adeptos, necessáriamente, ingressam em tais ritos. Apenas, informação em quantidades suficientes é outorgada, e fontes de pesquisa são sugeridas ao exame dos maçons, para que o significado espiritual dos ritos seja reestabelecido pelos próprios maçons.

A R.C. está abaixo do Abismo: a Grande Ordem que não tem nome é simbolizada pelo Olho no Triângulo, e este é o Collegium Summum, ou a S.S., da A.•.A.•.

A A.•.A.•. é apenas uma das Fraternidades Iniciáticas, e abaixo do Abismo é das mais novas. Foi organizada em sua forma presente na primeira década deste século.

Quanto à S.S., é a mesma para todas as fraternidades iniciáticas.

Isto é fonte de surpresa, às vezes, para iniciados de graus mais baixos, pois, chegando a certas consecuções, verificam que Mestres que pareceram pregar doutrinas completamente opostas ( como, por exemplo, Maomé e Jonas ) estão sentados lado a lado no Areópago dos Adeptos.

Recapitulando: Quem é “São João Batista”? É Jonas, Ionas, Jon, Johannes, João, o Mestre de retidão dos essênios, cujos sermões são postos nos Evangelhos na boca de “Jesús”.

Quem é “Jesús”? É qualquer indivíduo que tenha atingido o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, o Paracleto.

Quem é “Jesús Cristo”? É o nome dado pelos Romano-Alexandrinos à sua versão fictícia do Logos do Aeon de Osíris, cuja Palavra foi INRI, e a quem Nós conhecemos por Diôniso.

Quem é o “Pai” a quem “Jesús” sempre se refere nos Evangelhos? É o Logos, a LVX, o Verbo, cuja Sephira é Chokmah, o Primogênito de Kether.

Quem é o Cristo? Tecnicamente é todo e qualquer Adepto, desde que, no simbolismo grego, o nome corresponde ao essênio Jeheshua; mas na prática o título é usado para designar o LOGOS AIONOS.

Do ponto de vista místico, “ninguém atinge o Pai a não ser pelo Filho”; consequentemente, desde que todo Adepto Cristão é uma Encarnação do Verbo, a distinção entre o Cristo Solar e o Cristo Interno é mera ilusão do profano. Ego sum qui sum, diz o Iniciado: AHIH, EU SOU O QUE SOU.

Quando Aleister Crowley estava sendo “julgado” (foi nesta ocasião que o juiz presidindo o chamou de “o pior homem do mundo”), o promotor lhe perguntou: “Não é verdade que o senhor se chama a si mesmo de A Besta do Apocalipse?” Crowley, que já estava acostumado a esperar o pior de seus semelhantes, respondeu com a paciência e agudeza de humor que lhe eram característicos: “Esse nome significa apenas O Sol. O senhor pode me chamar de Raio-de-Sol, se quizer.” Isto é: chamá-lo de Adepto, ou seja, Jeheshua, ou seja, Maçon 33º, Dr. G.: Sol em miniatura, isto é, Tiphareth…

Esta confusão entre o Adepto e seu Pai aparece até em “João Batista”, quando ele diz: “Eu sou a Voz (ou seja, o Verbo) que clama no Deserto ( isto é, no Abismo).” O mais antigo símbolo conhecido para o Logos é o Olho dos Egípcios; e o Olho está no Abismo; este é o Olho no triângulo, e este é o verdadeiro Baphomet, o Chefe Secreto de todos os maçons.

Abaixo do Abismo, Ele é representado por dois Adeptos, um do Pilar Branco, o outro do Pilar Negro. O do Pilar Branco é o Adepto Exempto, e ele promulga a Lei; o do Pilar Negro é o Adepto Maior, e ele faz com que as promulgações do Adepto Exempto sejam cumpridas.

Os judeus, depois que pararam de sacrificar primogênitos, tinham dois bodes sagrados para os festivais, um branco e outro negro. O branco era sacrificado a IAO ( o nome mais antigo de Jeová); o negro, carregado com as maldições dos sacerdotes, era impelido para o deserto…

Compreende o senhor melhor agora, Dr. G., por que razão a Sala dos Maçons é chamada a Sala do Bode Preto? O Olho no Abismo é o Olho do Sol, o Olho de Hoor, que, por certas razões ocultas, é identificado com o anus. É por isto que se dizia, dos iniciados de Satã, que eles “beijavam o anus de um bode preto”…. No Egito antigo, em certo ritual onde cada parte do corpo do Iniciado era colocada em relação com cada parte correspondente de algum ser divino, o Iniciado dizia em dado momento: “Minhas nádegas são as Nádegas do Olho de Hoor.” Mas quem diabo — perdoe o trocadilho — é na verdade este notório Satã que os padres romanos nos acusam de adorar, e a quem eles culpam por seus fracassos (ao invés de culparem a sua estupidez preconceituosa)? Quando a Igreja Romana começou a “catequização” das províncias, encontrou continuamente deuses locais. Aprendendo as peripécias lendárias de tais deuses, os engenhosos padres romanos fabricavam um “santo” com as mesmas proezas, e diziam aos ignorantes pagãos: “Esse seu deus não é mais que um demônio que tenta lhes desviar de Nosso Senhor Jesús Cristo, e para este fim imita as façanhas de nosso amado mártir Fulano. E se vocês não me acreditam, ouçam a história da vida de nosso santo mártir…” Desta forma, a Igreja Romana assimilou em sua liturgia um panteão inteiro de deuses pagãos que eram transformados em santos e santas e mártires imaginários — os únicos mártires cristãos do início do cristianismo foram os essênios e os gnósticos, a quem os romanos- alexandrinos acusaram, caluniaram, e denunciaram aos imperadores.

Exemplos: aqueles que adoravam o Cristo sob a forma de um asno ( Príapus ), os que adoravam o Cristo sob a forma de um peixe ( Oannes ); os que adoravam o Cristo sob seu nome de Baco ou Diôniso…

Mas houve um deus pagão que os romanos não conseguiram absorver, porque suas peripécias eram por demais virís para serem atribuídas a um “santo romano”, que era necessariamente um castrado, no corpo ou no espírito. Por outro lado, seus ritos eram tão vitais, tão universalmente populares nas províncias, que era impossível esperar que o povo o esquecesse: depois de seis séculos de tirania romano- alexandrina, ele ainda era conhecido e adorado: o deus PÃ, o deus de chifres e de cascos de bode…

Portanto, não podendo fazer dele um santo, Dr.G.’fizeram dele o diabo.

Uma profusão de dados sobre tudo o que foi escrito acima pode ser encontrado nos seguintes livros:

THE GOD OF THE WITCHES, de Margaret Murray O LIVRO DOS MORTOS, trauzido do egípcio por Sir Wallis Budge.

THE GOLDEN BOUGH, de Sir James Frazer, na edição completa em vários volumes. Neste trabalho monumental o senhor encontrará um estudo detalhado dos deuses pagãos tornados em “santos” e “mártires” do calendário romano…

Mas voltando ao deus PÃ: a igreja Romana lutou contra os ritos deste deus durante vários séculos. Os festivais de Pã eram orgiásticos — daí sua popularidade — e celebrados nos Equinócios e Solstícios. Eventualmente, a Igreja Romana foi forçada a incorporar estes rituais em sua liturgia, visto ser impossível eliminá-los; e sabiamente fez deles os festivais mais importantes do culto a “Nosso Senhor Jesus Cristo”: a Páscoa ( com Corpus Christi ), o “Natal”, o dia de “São João Batista” e o dia de “São João Apóstolo”.

Eventualmente, a reforma gregoriana mudou o “Natal”, que a princípio era oscilável como a Páscoa e Corpus Christi, e caía no Solstício; e tendo finalmente absorvido o rito orgiástico que então tinha lugar, os padres fixaram a data de 25 de dezembro (dava muito na vista, um aniversário oscilante…). Então os católicos romanos, seus derivados posteriores e muitas ordens ocultistas espúreas celebram nessa data a “ressurreição” ou “nascimento” do Sol: isto porque o solstício de inverno é o momento em que o Sol, tendo alcançado seu máximo declínio meridional na eclítica, começa sua volta para o Norte, levando o calor que renovará a vida da vegetação na Primavera.

Mas, do ponto de vista iniciático, quem era este Pã? Como qualquer deus de toda e qualquer terra em todo e qualquer período da história do mundo, era uma das formas pelas quais ou o Sol espiritual, que é o Pai verdadeiro, ou o seu primogênito, que é a “Bêsta”, são adorados. Esta Besta varia segundo a precessão dos equinócios, pois o Equinócio de Primavera se move ( devido ao deslocamento de ponto vernal ) de signo para signo no Zodíaco aproximadamente em cada dois mil e quinhentos anos; e no Zodíaco os signos são alternadamente representados sob a forma humana e animal.

No Aeon Passado, os pontos vernais caíam respectivamente em Virgo e Pisces, a Virgem e o Peixe; no que lhe antecedeu, caíam em Áries e Libra, o Carneiro e a Justiça (a mulher com a espada e a balança dos romanos antigos); no presente os pontos vernais caem em Aquarius, ou seja, a Mulher com a Taça (BABALON) e em Leo, ou seja, a Grande Besta Selvagem (THERION).

O deus Pã é simplesmente a fórmula do Logos que data do Aeon de Câncer- Capricórneo. Aí está o “diabo” dos padres romanos reduzido a suas verdadeiras proporções. Reduzido?… Bem, é uma questão de ponto de vista…

Não podemos nos aprofundar nesta questão do deus Pã, nem no simbolismo dos chifres, nem mesmo na história completa da luta da Igreja Romana contra o culto do “Diabo”; um culto que, diga-se de passagem, Roma jamais conseguiu destruir, a despeito de seus esforços sinistros. O senhor encontrará os dados fundamentais para tal estudo num livro precioso, publicado pela primeira vez no Século XVIII, mas recentemente republicado nos Estados Unidos e Inglaterra:

TWO ESSAYS ON THE WORSHIP OF PRIAPUS, de Payne Knight.

Limitar-nos-emos a dizer aqui que este era o deus adorado por “bruxos” e “feiticeiros”, que preservaram seus ritos orgiásticos apesar de toda a perseguição implacável, das calúnias absurdas e do terrível risco de tortura e morte na fogueira, alem de outras punições impostas pela Igreja de Roma não só na Idade Média como até ao Século XVIII — e que só não são impostas até hoje devido ao trabalho paciente e silencioso dos maçons, representantes dos verdadeiros cristãos…

Depois que Romanos e Alexandrinos estabeleceram seu domínio teológico no Concílio de Nicéia (disto falaremos depois) e instituiram o dógma de “Jesus Cristo” como personagem histórico e “única” encarnação do Verbo, os poucos essênios e gnósticos que sobreviveram à “purgação” continuaram, sob o maior segredo, a tradição pura e original dos Mistérios Menores do Egito e da Fórmula de Diôniso.

Várias vezes, no curso destes mil e quinhentos anos, os Iniciados tentaram reconstituir abertamente os ensinamentos essênios e gnósticos. Em toda ocasião em que isto aconteceu, a Igreja Romana interveio com fúria demoníaca, assassinando homens, mulheres, velhos e até criancinhas, sem a mínima compunção; ao ponto mesmo ( como no caso dos Albigenses ) de capitães medievais, homens supostamente embrutecidos pela violência das batalhas selvagens da época, terem ficado tão fartos da chacina que foram perguntar ao papa se, por ventura, não estariam exterminando inocentes com os culpados (essa gente morria tão virtuosamente, o senhor compreende!). E foi em tal ocasião que o Bispo de Roma honrou a tradição cristã de sua igreja com as seguintes palavras: “Matai a todos; Deus distinguirá os seus.”

A matança, Dr. G.. incluía até recém-nascidos.

E não é que se tratasse de fé cega, por parte do Bispo de Roma, na crassa teologia do seu credo. Não é que ele acreditasse realmente na existência de um “salvador” chamado “Jesus”, e no fato dos Albigenses serem “criaturas do Diabo”. Não, DR. G., não havia sequer a justificativa do fanatismo – se de justificativa podemos chamá-la – pois os papas romanos sabem, e sempre souberam, que nunca houve nenhum “Jesus Cristo!”.

Talvez lhe seja difícil crer no que digo? Pois lembre-se das palavras históricas, proferidas num momento de descuido por um dos mais cínicos e mais prósperos dos papas, Leão X:

“Quantum nobis prodeste haec fabula Christi!”.

Ou seja: “Quanto nos ajuda esta fábula de Cristo!”.

O senhor deve se lembrar de que os documentos originais daquilo que os Romanos chamavam de “Cristianismo” estão preservados na Biblioteca Secreta, do Vaticano. É bastante simples para os pouquíssimos prelados a quem a Cúria dá acesso aos documentos mais antigos, verificarem onde acabam os fatos e começa a ficção.

Creio que já falamos suficientemente da história passada da Igreja de Roma. Não deve ser necessário que eu lhe lembre Joana D’Arc, nem Gilles de Rais (contra o qual foram feitas as acusações mais horrendas, mas contra o qual jamais apresentaram evidências – nem sequer um ossinho! – das centenas de crianças que ele havia, supostamente, sacrificado; e seus acusadores, e juizes, dividiram entre si, seus consideráveis bens), nem os Templários, nem o Imperador Frederico Hohenstaufen, nem João Huss, nem Michel Servent, nem Henrique IV (assassinado por ordem dos Jesuítas), nem os Cátaros, nem os Albigenses, nem os Huguenotes, nem os Judeus e Árabes de Portugal e Espanha, nem os Gnósticos franceses, alemães, escoceses, irlandeses e ingleses que foram chamados de “feiticeiros” e forçados a confessar obscenidades sob torturas diabólicas, nem Cagliostro, nem uma quantidade imensa de Maçons cujos ossos branquejam a estrada que leva à Roma. Creio que, a um Maçon, não deve ser necessário falar mais do passado dessa igreja infame.

Falemos então do presente – desta época de “reforma” e do “Papa da Paz”. Mudou a Igreja de Roma? Dr. G., o senhor acha, certamente que essa propalada reforma romana, que esse muito propagandizado concílio ecumênico, que as duas bulas de João XXIII (na realidade João XXIV: houve uma época, entre outras da história do papado, em que havia três papas. Um deles chamou-se João XXIII, foi forçado a renunciar ao papado quando os dois outros fizeram um pacto contra ele, e pouco após morreu envenenado – por quem, deixamos ao senhor ponderar) – o senhor acha que tudo isso fará da Igreja de Roma algo mais humano, mais próximo de Deus e do Seu Logos? Muito bem; tenho diante de mim, neste instante em que lhe escrevo, um catecismo católico romano chamado “Doutrina Cristã”. É publicado pelas Edições Paulinas e leva o nº. 1; é destinado, portanto, ao condicionamento das mais tenras criancinhas. O senhor me disse que, na sua opinião, a Igreja Romana era uma boa introdução à vida adulta para crianças. Se assim é. Considere as seguintes passagens que transcreverei desse livreto infame (os parênteses são meus):

“Eu gosto do meu catecismo.” (Auto-sugestão inconsciente).

“O catecismo me ensina o caminho do céu.”(Do outro lado, o inferno).

“O caminho do céu é: conhecer a Deus”(pela boca dos padres), “amar a Deus” (de acordo com a definição de “amor” por parte dos homens que evitam todas as manifestações sadias desse sentimento), “e obedecer a Deus”(pela boca dos padres, seus únicos representantes legítimos; os demais são servos do diabo, e se alguém tentar definir por si mesmo a obediência a Deus, esse alguém na Idade Média era queimado vivo, e hoje em dia é culpado de orgulho, um dos pecados mortais).

“Eu irei sempre ao catecismo para conhecer o caminho do céu” (a ameaça velada é que, se a criança não for ao catecismo para aprender o caminho do céu, acabará no inferno).

“Estudarei sempre direitinho o meu catecismo”(e há quem diga que os comunistas inventaram a lavagem cerebral!).

Isto, apenas como introdução. Seguem-se as seguintes notáveis “verdades”: “Jesus morreu na cruz para nos salvar” (falsidade histórica; mas a implicação dogmática é que, desde que somos criaturas condenadas ao inferno desde o nascimento não fosse por “Jesus”, precisamos, mesmo na infância, de salvação. Que distância entre isto e “Deixai virem a mim as criancinhas, pois delas é o reino dos céus…”.

“As criancinhas gostam muito de Nossa Senhora” (se isto fosse uma cartilha usa, e em vez de “Nossa Senhora” estivesse Lênin, nós chamaríamos este tipo de propaganda de atentado contra a mente humana; no entanto, Lênin, pelo menos, realmente existiu!…) “Nossa Senhora é a mãe de Jesus”. (De fato, BABALON é a Mãe de Adepto; mas não é assim que eles interpretam!…) Mais adiante, o “Credo”, com a nota: “O Credo é o resumo da religião que Jesus nos ensinou.” Isto é uma mentira deslavada, pois nem Jon nem Dioniso, os originais de “Jesus Cristo” evangélico, ensinaram religiões. Buda não pregou o Budismo, nem Lao-Tsé o Taoísmo, nem Maomé o Islamismo; nenhum guia espiritual de vulto estabeleceu qualquer dogma formal, com exceção de Moisés; e ele, ao menos, tinha a desculpa de precisar criar uma cultura do nada, de fazer uma nação daquela multidão de ex- escravos superticiosos e rebeldes que o seguia. São sempre os sucessores dos Magos (diga-se de passagem, os falsos sucessores) que organizam religiões e dissociam o Espírito da Letra, mais cedo mais tarde comportando-se de forma completamente oposta àquela recomendada pelo Instrutor.

No entanto, no caso presente, a mentira é dupla; pois além do fato de que Jon não deixou “religião” a ser seguida, o Credo de Nicéia, que é o credo a que o catecismo em questão se refere, não era sequer um sumário da religião que começava a se cristalizar em redor dos ensinamentos de Jon. Este credo era antes um códice dos dogmas que os Romano- Alexandrinos consideravam essenciais ao estabelecimento de sua dominação política, material, temporal, sobre as muitas congregações – igrejas – fundadas na Ásia Menor e na península romana por seguidores e discípulos de Jon, cada qual com variações de doutrina e temperamento determinadas por condições locais e idiossincrasias do discípulo fundador. Estes discípulos foram os originais dos “apóstolos” dos “Atos” (os “Atos” são uma antologia cuidadosamente censurada; e deturpada pela introdução de incidentes e nomes altamente imaginários, de alguns dos discípulos de Jon. As mais gritantes falsidades lá se encontram misturadas a fatos históricos. O propósito de tais falsificações foi a afirmação da autoridade da Igreja Romana, a qual, longe de ser a mais velha das igrejas Cristãs, era a mais nova e certamente a menos Cristã, de todas. Um exemplo interessante é “Simão Pedro”, que é o mesmo “Simão o Mago” que a ele se opõe nos Atos… Era um Gnóstico a quem a Igreja Romana teve que atribuir a sua fundação, pois ele pregara em Roma e era universalmente respeitado por todas as congregações; mas ao mesmo tempo, teve que ser atacado devido as doutrinas que tinha em comum com os Gnósticos Gregos e os Essênios Hebreus. “Pedro” e “Paulo” são, possivelmente a mesma pessoa, mas só pesquisas futuras, empreendidas por investigadores sem preconceitos que tenham acesso a verdadeira documentação, poderão esclarecer tal ponto). A história da maneira pela qual os Romano-Alexandrinos forçaram o Concílio de Nicéia a votar neste Credo é um pântano de horrores. Tal era a situação que os patriarcas visitantes não ousavam andar pelas ruas de Nicéia, Roma ou Alexandria, sem terem ao menos uma dúzia de guarda-costas, por medo de serem assassinados por ordem dos patriarcas Romano-Alexandrinos.

(Vide OUTLINES ON THE ORIGIN OF DOGMA, DECLINE AND FALL OF THE ROMAN EMPIRE e LA MESSE ET SES MYSTERES para uma discussão detalhada deste assunto).

Mas examinemos esse “resumo da religião que Jesus nos ensinou”! “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra…” (Já começa deturpado, pois o “Pai” a quem Jon se refere em seus sermões era Dionísio, o Logos do Aeon, o pai espiritual de Jon. O Criador do Céu e da Terra” era, na verdade, “Criadores”, no plural. A Gênese, um trabalho cabalístico, é sempre mal traduzida. Os “Elohim”, criadores do céu e da terra, eram literalmente “deuses macho-fêmea”, ou seja, uma hoste divina andrógina. Então, o senhor talvez perguntará, quem era Jeová? Era o Pai de Moisés, da mesma forma que Dionísio era o Pai de Jon!…) Mas continuemos: “…e em Jesus Cristo, um só seu filho, Nosso Senhor…” (Estas dez palavras causaram mais mortes no Concílio de Nicéia do que quaisquer outras. Houve ocasiões em que patriarcas Romano- Alexandrinos provocaram com insultos pessoais outros patriarcas que se opunham a este “um só seu filho” ou a este “Nosso Senhor” até que os ofendidos reagissem – e fossem imediatamente apunhalados por assassinos previamente instruídos. Quanto a parte de “Jesus Cristo” ninguém a ela se opôs seriamente, visto que os verdadeiros Iniciadores Cristãos nem sequer se deram ao trabalho de ir ao Concílio, sabendo tratar-se de caso fraudulento, como quaisquer outros concílios convocados pelos Romano-Alexandrinos antes ou depois deste. Os Iniciados Cristãos já começavam a organizar (prevendo a necessidade premente que para eles haveria) as irmandades secretas que apareceriam abertamente na Idade Média, como Franco-Maçonaria – o grêmio maçon que construiu as grandes catedrais Góticas. Esses franco- maçons formavam uma classe social a parte, pois, não sendo nobres nem padres, nem militares, não eram camponeses ou vassalos, tampouco. A Igreja Romana os protegia porque deles precisava para a construção – sendo ela, até hoje, incapaz de construir coisa alguma… E foi através dessas associações de pedreiros que o verdadeiro Cristianismo foi transmitido de reino a reino, de cidade a cidade, e isto, ironicamente, sob a proteção dos romanos… Veja-se THE ARCANE SCHOOLS, ou qualquer bom compêndio de história da maçonaria para maiores detalhes).

“…o qual foi concebido do Espírito Santo…” (Outra fonte de muitos assassinatos foi este dogma. Sobre ele não faremos comentários: padres romanos certamente lerão esta carta, e não temos qualquer intenção de dar a eles quaisquer dados sobre a natureza do Espírito Santo. Já que eles o invocam tanto, devem saber o que Ele é!…) “…nasceu da Virgem Maria…” (esta Virgem Maria é também a Grande Puta do Apocalipse. É a Grande puta porque Ela se dá a tudo o que vive; e é a Virgem porque permanece intocada por tudo a que se entrega. Quem é Ela? É a Casa de Deus, a Natureza, a Grande Mãe, e as leis naturais são as únicas leis realmente divinas… Ísis-Urânia, NUIT, Nossa Senhora das Estrelas, é a concepção dessa Mãe Grande e Eterna, copulando desavergonhadamente e avidamente com todas as suas criaturas, pois em cada uma delas Seu Senhor se manifesta e A ocupa.

É também a mais alta e mais verdadeira forma de PÃ. A Ísis eternamente inviolada e esta Virgem Imaculada, e as imagens de Virgem com o Menino Jesus nas Igrejas Romanas são cópias das múltiplas imagens de Ísis com o Menino Hoor, que podem ser examinadas na seção de Egiptologia de qualquer museu).

“…padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos…”(pessoa altamente questionável esse Pôncio Pilatos, do ponto de vista histórico.

Recentemente foram “descobertas” e “reveladas” nos E.U.A umas “cartas da mulher de Pilatos a uma amiga”. Estas relatam como a vida do casal tornou-se puro melodrama depois de haverem lavado as mãos no caso “Cristo Jesus”. Mais conversa fiada jesuítica, sem dúvida…) “…foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos, está sentado a mão de Deus Pai Todo Poderoso donde há de vir julgar os vivos e os mortos” (Tudo isto tem um significado esotérico, e é verdade de todo Cristo, de todo Adepto; mas os padres de Roma profanam estes símbolos quando os interpretam da forma mais crassa).

“Creio no Espírito Santo… (eles nem sabem o que Ele é, não tendo merecido Sua presença sequer uma vez, ao longo de mil e seiscentos anos!) “…na Santa Igreja Católica… ” (esta é a única e verdadeira Igreja acima do Abismo, e inclui todos os cultos dos homens; mas os padres romanos querem aludir, naturalmente a igreja de Roma).

“…na remissão dos pecados…”(esta “remissão dos pecados”, que faz da humanidade uma raça suja e maldita é, de todas as blasfêmias deste credo, a menos perdoável. Esta é precisamente a razão pela qual a Igreja de Roma nunca mereceu a manifestação do Espírito Santo!) “…na ressurreição da carne…” (isto se refere a doutrina da regeneração, isto é, da Medicina Universal; mas tendo este e outros segredos do Cristianismo primitivo sido perdido pelos romanos, eles interpretam esta frase da forma mais grosseira. Veja-se o RITUAL DA MAÇONARIA EGÍPCIA de Cagliostro para maiores detalhes.) “…na vida Eterna…”(isto se refere ao Elixir da Vida, novamente mal interpretado).

“…Amém”.

Agora, por favor, atente bem para esta passagem que se segue: “Um dia, alguns anjos fizeram pecado.” (Mais adiante explicam o que é pecado.) “Os anjos maus são chamados demônios.” “Os anjos maus foram para o inferno.” (É necessário que haja inferno. Pondere como essas criancinhas eram felizes, sem saberem que havia inferno antes de entrarem em contacto com a Igreja de Roma!…) “Para que Deus nos criou? Deus nos criou para conhecê-Lo… (na versão de Roma) “…para amá-lo e serví-lo neste mundo… (os pais têm filhos porque precisam de admiradores e escravos, nenhum ser sobrehumano poderia ter outra motivação…) “… e depois ir com Ele ao Céu.” (todo cachorro bem treinado merece uma recompensa) Convenhamos: a versão romana do Criador mostra bem pouca imaginação criadora! Mas a insensatez continua:

“Adão e Eva eram felizes no Paraíso.

“Um dia, porém, fizeram pecado.

“Que é pecado? “O pecado é uma desobediência voluntária à lei de Deus ou LEI DA IGREJA.” (a ênfase é nossa. Note, por gentileza, que os astuciosos roupetas estão duplamente assegurados: primeiro, porque foram eles que escreveram “a lei de Deus”; segundo, porque são eles que escrevem a lei da igreja!) “Jesus morreu na cruz para nos salvar do pecado.” (eles nem sabem mais o que é “Jesus”, e nunca souberam o que é a Cruz) “Deus dá o prêmio aos bons e o castigo aos maus.

“O prêmio para os bons é o céu.

“O castigo para os maus é o inferno.

“O céu e o inferno NÃO TERÃO FIM. (a ênfase é nossa. Deus não é apenas destituído de imaginação, é também destituído de misericórdia, para não falar em senso de humor. Este “Deus” é um demônio — feito à imagem daqueles que o promovem!) “Quem vai para o céu? “Vai para o céu quem morre sem pecado grave.” Note que não é necessário ser virtuoso, alegre, corajoso, honrado, para ir para o céu. As virtudes positivas não têm sentido para as criancinhas “cristãs” à moda romana: é suficiente “morrer sem pecado grave”. Veja o senhor, no Apocalípse, o que o Amém tem a dizer à Igreja em Laodicéia, Cap. III, vv. 14-22.

“Quem vai para o inferno? “Vai para o inferno quem morre em pecado grave.” Desta forma, os cavaleiros de Roma podem manter seu bolo e comê-lo ao mesmo tempo. Se o senhor não é batizado ( por eles ) ao nascer, está destinado ao menos ao purgatório (favor lembrar que o purgatório é uma invenção relativamente recente, promulgada quando o povo começou a reclamar que Roma mostrava pouca caridade para com os homens: no começo, o inferno era a única alternativa para o céu). A vida do senhor, do nascimento à morte, é completamente subordinada a eles: comunhão, sacramento, confirmação, casamento, confissão….

Lembre-se, dr. G., que toda esta teologia que ameaça de tormento eterno aos que não a aceitam, toda esta síndrome de repressão, de escravidão psíquica e social, toda esta maquinação, está baseada nas mentiras deliberadas e conscientes dos patriarcas de Roma e Alexandria! Verdadeiramente, eles podem se gabar: “Quantum nobis prodest haec fabula Christi!” Mas, infelizmente para eles, Dr. G., o Cristo não é uma fábula.

E o Verbo se fez carne, e habitou em nós.

Tu que és eu mesmo, além de tudo meu; Sem natureza, inominado, ateu; Que quando o mais se esfuma, ficas no crisol; Tu que és o segredo e o coração do Sol; Tu que és a escondida fonte do universo; Tu solitário, real fogo no bastão imerso, Sempre abrasando; tu que és a só semente; De liberdade, vida, amor e luz, eternamente; Tu, além da visão e da palavra; Tu eu invoco, e assim meu fogo lavra! Tu eu invoco, minha vida, meu farol, Tu que és o segredo e o coração do Sol E aquele arcano dos arcanos santo Do qual eu sou veículo e sou manto Demonstra teu terrível, doce brilho: Aparece, como é lei, neste teu filho!

Os versos acima, Dr. G., foram escritos por Aleister Crowley, o “pior homem do mundo” de acordo com a opinião dos padres que organizaram a campanha difamatória que o seguiu por toda a vida.

Estes versos deveriam ser cantados com orgulho por todo Filho da Luz, ou seja, por cada ser humano, cada Filho de Deus! O senhor ainda acha que a Igreja Romana pode ser encarregada, por homens responsáveis, honrados e ajuizados, da educação de crianças? Dr. G., enquanto esta igreja não reconhecer publicamente seus crimes contra Deus e a humanidade; enquanto não renunciar para sempre a essa ameaça de inferno e a esse dógma de pecado com os quais forças negativas, que se opõem à evolução da humanidade, tentam impedir ao homem e à mulher que se tornem Deus por meio do ato sexual (veja o Evangelho de “João”, Cap. IV, vv. 13-16); enquanto ela for a causadora de masturbação e autismo entre os seus assim-chamados monges e freiras, em vez de permitir que se expressem livremente como homossexuais (qual são frequentemente) ou como heterosexuais (qual são algumas vezes); enquanto o Bispo de Roma não admitir que ele é um entre muitos, e herdeiros de uma história acumulada de erros; em suma, enquanto a Igreja de Romana existir (pois no dia em que renunciar a todas as suas infâmias não será mais “Romana”, mas finalmente parte da verdadeira Igreja Católica, a Humanidade), a ela se aplicam as palavras de Jon, o filho da Luz, copiadas por ela em seus assim-chamados “Evangelhos”: “Cuidado com os falsos profetas, que a vós se mostram como cordeiros, mas que internamente são lobos vorazes.

“Pelos seus frutos os conhecereis.

“Nem todo aquele que me diz Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus, mas só aqueles que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus.

“Muitos, naquele dia, me dirão: Senhor! Senhor! Não temos nós profetizado em Teu nome, não temos expelido demônios em Teu nome, e em teu nome não realizamos muitos milagres? “Então eu lhes direi claramente: nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquiade.” – Mateus”, VIII, vv. 15-23.

Francamente, Dr.G., não posso entender como um maçon, como um homem sensato e honrado pode, por um momento, defender uma instituição que é uma nódoa na história da humanidade. Nós, verdadeiros herdeiros do Cristo, temos sido acusados de odiar a Igreja de Roma. Sabe Deus que não a odiamos: nós a abominamos e desprezamos com a intensidade devida àquilo que não só é vil em si mesmo, como aviltante para tudo que é sagrado e valoroso no homem.

Dizem que o diabo corre da Igreja de Roma, e é verdade. Mas não é que nós a temamos: ela nos enoja. É inútil proclamar o efeito maravilhoso que o Romanismo tem exercido sobre a civilização ocidental. A verdade é precisamente o oposto. Roma tem combatido toda reforma e todo progresso a cada passo, aceitando-os apenas no último minuto, e então fingindo — aos incautos — tê-los inventado. A renovação das artes, das ciências, da liberdade humana, jamais veio de Roma; veio dos maçons, dos árabes, dos judeus, da herança pagã redescoberta na Renascença, dos protestantes alemães, franceses e ingleses, das invasões dos piratas normandos e até das hordas de tártaros e turcos: nunca de Roma.

Considere a evidência histórica, Dr. G.! Durante mil anos, o sistema feudal, tornado odioso justamente pelos abusos decorridos da aliança da igreja com os senhores feudais, oprimiu a população da Europa. Veio a reforma — e em um século o sistema havia praticamente desaparecido. A Inglaterra católica romana era uma ilhota insignificante perdida no mapa da Europa: veio Henrique VIII, expulsou os jesuítas, criou o Anglicanismo — e em duas gerações a Inglaterra derrotava a Espanha católica romana, tornava-se o maior poder naval do mundo e estava prestes a construir um império mais poderoso do que o dos Césares. A França decaíu com os Valois católicos romanos: veio Henrique IV, protegeu os huguenotes, foi assassinado por isto, mas em um século a França de Luis XIV deslumbraria o mundo. Os protestantes colonizaram a América do Norte; compare o progresso da civilização da América do Norte com a situação das Américas Central e do Sul, colonizadas por padres jesuítas! Os países onde, no momento, prevalece o dógma romano, estão atrasados de cinquenta a cem anos em progresso material, e moralmente, em certa áreas, o atraso é de quinhentos a mil anos. Os países protestantes têm sina muito melhor. Mas infelizmente, mesmo os protestantes não estão livres da mancha do “pecado original” e do complexo de culpa, como tampouco de crença na necessidade de “salvação”, já que usam os textos evangélicos fabricados pelos romano-alexandrinos; e não foi à toa que Ambrose Bierce, por muitos considerado um dos maiores iniciados americanos, escreveu, como parte da definição da palavra “cristão” em seu impagável e realista “O Dicionário do Diabo”:

“Sonhei-me no alto dum morro, e vejam só: Em baixo, pias multidões, com ar de dó

Triste e devoto, andavam de cá para lá, Domingadas em suas roupas de sabá, Enquanto na igreja os sinos gemiam Solenes, alertando os que em falta viviam.

Foi então que pessoa alta e magra eu vi Vestida de branco, a olhar para ali Com a face tranquila, suave, simbólica, E os olhos repletos de luz melancólica.

‘Deus te abençoe, estranho!’ — exclamei.

‘Inda que, por teu diverso traje, bem sei Que vens sem dúvida de longínquo cantão, Espero sejas, como essa gente, cristão.’ Ele os olhos ergueu, com tão severo ardor Que senti meu rosto a queimar de rubor, E respondeu com desdém: ‘Como! O que é isto?! Eu um cristão? Na verdade não! Eu sou cristo.’”

Se o senhor quiser ler um magnífico estudo psicológico do Romanismo, leia “O Anticristo” de Nietzsche, e quando quer que o senhor encontre escrita a palavra “cristão”, substitua-a por “católico romano”. O senhor terá a Igreja de Roma exatamente como é.

Resumindo o conteúdo desta carta: Todos os homens são filhos de Deus. Todos os homens são capazes de realizar sobre a terra o Reino dos Céus, que está dentro de nós.

Somos todos membros do Corpo de Deus, todos Templos do Espírito Santo, e basta limpar o Templo — o que não significa castrar- se física ou psicologicamente! — para que a Presença se manifeste.

Não há nenhum “Jesús, Filho Único de Deus” para ser adorado; e quaisquer pessoas que afirmem o contrário ou estão enganadas ou estão enganando.

Está escrito nos “Evangelhos”: Vós conhecereis a verdade, e a verdade vos fará livres.

E também está escrito, nos originais santos, blasfemados e traídos pelas perpetrações romano-alexandrinas, que Jon olhou sorridente para a multidão e, abrindo os braços, lhes bradou:

“Vós sois o Caminho, a Ressurreição e a Vida!

Pois é eternamente verdade que o Verbo se faz carne; e neste exato momento, habita em nós.

Amor é a lei, amor sob vontade.

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NOTA BIBLIOGRÁFICA E ADDENDUM

Esta carta foi originalmente escrita no dia 9 de julho de 1963 e.v., endereçada a um maçom osiriano, médico, o Dr. Luiz Gastão da Costa e Souza, clinicando em Petrópolis, RJ. Foi-nos posteriormente dito, por outro maçom osiriano e ex-aspirante, Euclydes Lacerda de Almeida, que o Dr. Gastão cuidadosamente guardou a carta, mas se absteve por completo de mostrá-la a outros maçons.

Após o Primeiro de Abril de 1964 e.v., a carta foi copiada a carbono pelo autor, e distribuída livremente nas ruas do Rio de Janeiro a pessoas a quem ele se sentia impulsionado a entregá-la. A segunda versão foi consideravelmente ampliada na parte bibliográfica e histórica. O presente documento representa a terceira, e, esperamos, final versão.

A carta original terminava com os seguintes dizeres: “Doutor Gastão, este momento é dos mais graves da história da humanidade. Dos quatro cantos do mundo, forças das mais hediondas, das mais diabólicas, forças desalmadas se concentram em um ataque ao Homem, a Deus, à Justiça e à Verdade. Os comunistas encarnam um dos aspectos destas forças; as religiões organizadas do Aeon passado encarnam outros. No momento presente, são pouquíssimos os homens que conservam contacto com os planos espirituais; e no entanto eu levanto a minha voz em profecia e lhe digo:

Esta é a escuridão da Passagem dos Aeons.

No Novo Aeon, serão os bodes que organizarão a Igreja.

A maçonaria é a chave do Templo de Deus.

Eu avisei o senhor quando nos vimos: se os maçons brasileiros tentarem honestamente limpar a maçonaria das forças malignas que tentam infiltrar-se nela; se eles se despertarem novamente para a luta espiritual e para a luta cívica, eles terão todo o auxílio que for necessário. O Olho ainda está no Triângulo. MAS SE VÓS FIZERDES PACTOS COM DEMÔNIOS O OLHO SE FECHARÁ SOBRE VÓS.

Não é possível ser maçon e ser católico romano.

Não é possível ser marxista e ser maçon.

Não é possível ser maçon sem ser cristão.

Limpai as Lojas! Ou o Olho se fechará sobre vós.

Calafatai as Lojas! Ou a energia espiritual que nelas se acumula se escoará (esta é a razão pela qual o vosso segredo é a vossa força).

Serví o Brasil antes de mais nada; acima de toda outra nação; sois brasileiros, e o progresso como a caridade começa em casa.

Daí aos pobres do vosso excesso, mas não da vossa substância.

Sede verdadeiros maçons: maçons dignos dos que vos precederam, maçons dignos dos que fizeram a Independência, o Segundo Império e a República.

Nunca tenhais medo de lutar pela Verdade e pela Justiça, e perdoai os vossos adversários mas vencei-os, antes! Não agradeçais à Igreja de Roma as concessões que ela vos “faz”. Ó meus Irmãos pois como homens, somos todos Irmãos essas “concessões”, vós já as conquistastes: não ouvis os gemidos de dor? Não vedes os oceanos de sangue, não percebeis a legião de mártires maçônicos, não sentis ainda o cheiro e o clarão das fogueiras? A Igreja de Roma nunca fez concessões de ordem teológica a não ser por razões econômicas e políticas; ela sempre se aliou aos tiranos contra os oprimidos, e aliar-se-á aos marxistas, se necessário, para combater-vos; mas sede fiéis ao olho e o olho vos servirá.

Todo o progresso humano; toda lei humanitária; toda proteção à ciência pura; toda tolerância religiosa que existe no mundo presente foi o resultado do trabalho dos maçons! Nunca vos esqueçais disto! Não deveis agradecer ao inimigo oculto aquilo que ele nunca te concedeu, mas que vós conquistastes pelo sacrifício de muitos e pelo paciente trabalho de incontáveis outros.

Repito-vos: sede dignos do Olho, ou o Olho se fechará sobre vós.” O Primeiro de Abril de 1964 e.v. não teria ocorrido se os maçons tivessem cumprido as condições desta profecia. Em vez de fazer isto, a maçonaria brasileira deu os seguintes passos para trás nos anos que se seguiram a esta carta:

1) – Dividiu a sua direção em duas facções antagônicas.

2) – Permitiu a publicação em jornais de fotografias do interior das Lojas, inclusive em funcionamento.

3) – Promoveu declarações públicas de aliança com a Igreja de Roma.

4) – Espionou-nos e cooperou em armar-nos ciladas e na busca por desvendar os nossos “segredos”. Infelizmente, não temos segredos.

Ponde um tratado sobre o cálculo tensorial nas

mãos de um estudante primário e deixai-o ler o livro a vontade: de nada lhe adiantará.

O “esoterismo” é uma farsa: verdadeiros segredos NÃO PODEM ser revelados, pela simples razão que sem vivência é impossível compreende-los, mesmo quando são explicados da forma mais simples e mais franca.

Devido ao desleixo ou a inércia dos maçons, a profecia da carta se cumpriu e continua se cumprindo. Como consequência, a maçonaria brasileira só está viva agora na O.T.O. e na Ordem de Télema. Nós não reconhecemos nenhum movimento maçônico do Velho Aeon.

A bom entendedor, meia palavra basta; aos maus entendedores, milhares de discursos não surtirão efeito.

Não existe Lei além de faze o que tu queres.

Fraternalmente

Marcelo Motta

#Maçonaria #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/carta-a-um-ma%C3%A7om

O Santo Graal e a Linhagem Sagrada

Publicado no S&H em 04/03/09

Na Semana anterior começamos finalmente uma das séries mais empolgantes aqui no Teoria da Conspiração: Os Mitos do Rei Arthur e suas relações com a Mitologia, o Ocultismo, a Alquimia e com os Cavaleiros Templários.
Semana passada falamos sobre Excalibur e o simbolismo da Espada dentro da Alquimia e ocultismo, bem como das origens de uma das mais famosas armas mágicas de todos os tempos. Esta semana, nos aventuraremos na origem e significado do Cálice Sagrado.

A Cornucópia
Um dos amuletos mais comuns e conhecidos no mundo são os pedaços de chifres e cornos (ou metais e corais moldados à forma de um chifre). Este amuleto é também chamado de Cornucópia de Amaltea e sua origem data das celebrações gregas.
E quem era Amaltea?
Amaltea era uma cabra descendente do Sol que vivia numa gruta no monte Ida, em Creta. Ou segundo outras fontes, era uma ninfa, filha de Meliseo, que alimentou Zeus com o leite de uma cabra.
Segundo as lendas, quando Zeus era pequeno e estava escondido de seu pai, Saturno (Chronos) e era tratado por Amaltea, num ataque de ira, o deus menino agarrou com força o corno da cabra, puxou-o e arrancou-o, produzindo uma enorme dor à sua cuidadora. Quando Zeus ficou adulto, ele concedeu ao chifre arrancado o dom da abundância; a partir desse momento o chifre estaria sempre cheio de alimentos e bens que o seu dono possa desejar.
Quando Amaltea morreu, foi levada a Zeus, que a transformou na constelação de Capricórnio. O chifre ficou conhecido como “a cornucópia” ou “o corno da abundância”. Desta maneira, ao mesmo tempo, este símbolo representava o poder fálico dos deuses criadores e o ventre gerador da vida feminino. Traçando um paralelo com a Kabbalah hermética, temos o Caminho de Daleth, entre Hochma e Binah.

Cornu Copiae
Já na mitologia romana, a cornucópia deriva do latim “Cornu copiae”. A cornucópia ou corno da abundância é um dos cornos do deus-rio Aqueloo, metamorfoseado em touro, que lhe foi arrancado por Hércules, quando lutava contra ele.
Segundo outros textos romanos, a lenda segue a original grega: é um chifre da cabra com cujo leite, a ninfa Amaltea, amamentou Júpiter na sua infância, quando se escondeu de seu pai, Saturno, para que este não o devorasse. Diz-se que Júpiter arrancou o corno à cabra enquanto brincava, e ofereceu-o a Amaltea, asseguran-do-lhe que o corno se encheria de frutos cada vez que ela o desejasse. A cornucópia é um atributo muito mostrado nas moedas romanas, nas mãos de divindades benéficas, como Ceres e Cibeles, ou de alegorias como a Abundância e a Fortuna.
Como curiosidade, a cornucópia é usada atualmente como símbolo do Mestre de Banquetes em algumas ordens cavaleirescas e na maçonaria.

O Chifre de Epona e o Unicórnio
Entre os povos gauleses, a principal divindade relacionada com os equídeos é a deusa gaulesa, ou melhor, galo-romana, chamada Epona (ou Epona Regina), cujo nome deriva do gaulês epo, que significa cavalo. O seu culto difundiu-se até à Bretanha e ao leste da Europa, especialmente na região de Borgonha. Na Península Ibérica foram documenta dos alguns vestígios epigráficos que testemunham o seu culto.
Epona possui diversas referências e numerosas imagens da deusa, geralmente montada sobre um cavalo. A deusa era representada muitas vezes com uma série de atributos, como a cornucópia ou a patera (espécie de bacia de cerâmica onde eram feitas as oferendas, semelhante a um caldeirão raso), que a relacionam com a abundância e a prosperidade. Também estava vinculada com as fontes e ao mundo espiritual.
Da fusão destas duas características da mesma deusa surgem os primeiros relatos medievais de uma criatura encantada que vocês já devem estar imaginando quem seja: o Unicórnio. O Cavalo Branco, símbolo sagrado para a Deusa Epona, associado ao chifre mágico que tudo produz. Claro que esta criatura não existe no Plano Físico, embora muitos picaretas ao longo dos milênios tenham tentado forjar unicórnios com esqueletos de cavalos e narvais, além de rinocerontes e de uma criatura particular chamada Orix.
Até então, o Unicórnio estava associado a um BOI de um único chifre, não a um cavalo. Na Bíblia, em Números 23:22 e no Deuteronômio 33:17, é citado o unicórnio como um animal de força extraordinária. Nos ritos antigos, era costume cortar um dos chifres do maior e mais viril touro do rebanho para ser usado como taça cerimonial para beber o vinho sagrado ao final dos rituais egípcios, junto com o Pão (e qualquer semelhança com a Santa Ceia e o Cálice Sagrado NÃO é mera coincidência!).
O Touro, agora considerado sagrado, era chamado de Uni-corno. Somente com os gauleses e com Epona esta associação passou a ser feita com cavalos. Uma curiosidade é que durante todo este tempo, na história grega, o unicórnio não aparecia em textos de Mitologia, mas sim em textos de biologia, pois os gregos estavam convencidos de que era uma criatura real.
E desta relação surgem as lendas a respeito da pureza necessária para se tocar o chifre de um unicórnio. Embora o primeiro escritor a descrever que “somente uma virgem poderia cavalgar um unicórnio” foi o Grão Mestre Leonardo DaVinci, em suas anotações datadas de 1470, para o quadro “Jovem sentada com unicórnio”.

Mimisbrunnr
Um dos chifres que também é famoso na mitologia é o Gjallarhorn, narrado nas Prosas Eddas do século XIII, que originalmente é o chifre usado por Odin para beber a água da sabedoria da fonte que fica debaixo de Yggdrasil, a Árvore da Vida. De acordo com a história, qualquer um que seja capaz de beber deste chifre terá vida eterna e abundância material. Para vocês terem uma idéia de como este conhecimento é valioso, de acordo com a lenda, Odin sacrificou um de seus olhos em troca da oportunidade de beber destas águas (a razão pela qual Odin sempre é retratado com um tapa-olhos nas imagens nórdicas).
Este chifre acaba se tornando a posse de maior valor de Heimdall, o guardião da Ponte do Arco-Íris que liga Aasgard à Terra (que simbolicamente representa o caminho de Tav na Kabbalah, unindo Yesod a Malkuth, com todas as simbologias associadas a este caminho). O Gjallahorn é a trombeta que será tocada no dia do Juízo Final para anunciar o Ragnarok.

O Caldeirão de Dagda
O deus supremo do panteão celta é chamado de Dagda (esposo da deusa da natureza e prosperidade, Danu). O Dagda é uma figura paternal, protetor da tribo e o deus “básico” do qual outros deuses masculinos podem ser considerados variantes. Também associado com Cernunnos e outros deuses “chifrudos” tanto do panteão celta quanto do panteão grego. Os Contos irlandeses descrevem Dagda como uma figura de força imensa, armado de uma clava e associado a um caldeirão (o Caldeirão de Sangue, que continha diversas propriedades mágicas).
E adivinhem o que este caldeirão fazia?
O Caldeirão de Dagda estava sempre cheio de sopa, vegetais e frutas, providenciando abundância e alimentos para todos a seu redor, sem nunca se esgotar. Poderia servir a toda uma tribo durante um banquete e nunca estaria vazio. O Caldeirão de Dagda é considerado um dos quatro tesouros da Irlanda (os outros são a Espada de Nuada, a Lança de Lugh e a Pedra de Fal). Note que, mais uma vez, fazem-se referências aos quatro elementos da Alquimia e aos quatro naipes do Tarot, quase seiscentos anos antes do tarot aparecer “oficialmente” na forma de cartas. Mas falarei sobre isso depois que acabar esta série sobre o Rei Arthur.

O Mabinogion
Nas lendas posteriores, o Caldeirão de Cerridwen passa a ter sua localização nos Reinos Subterrâneos, mas mantém suas propriedades de sabedoria, vidência e prosperidade, culminando no famoso poema “The Spoils of Annwn”, onde o conhecemos como o “Caldeirão do rei Odgar”. Este caldeirão mágico é roubado do rei Odgar pelo Rei Arthur e seus homens, no poema “Culhwch and Owen” (onde estavam os celtas quando distribuíram as vogais?).
Neste poema, temos o primeiro contato com uma “jornada aos reinos Subterrâneos” em busca de um “Caldeirão Mágico”. O caldeirão é, então, levado por Arthur para a casa de Llwydeu, filho da deusa Rhiannon. Até ai tudo bem, mas Rhiannon é outro nome para Epona, “A Grande e Divina Rainha”, que se torna, então, proprietária do tal caldeirão mágico (que em algumas pinturas é retratado como uma espécie de vasilha rasa usada para oferecer comida aos deuses, a já mencionada patera). A mesma deusa Epona dos chifres mágicos, etc, etc etc.
Estas histórias acabam entrando em uma coletânea de livros galeses, que se tornaram famosas a partir do século XIII e traçam as bases das lendas mais conhecidas do rei Arthur.
A Jornada ao Reino Subterrâneo eu já descrevi em colunas anteriores, quando falei sobre Yesod e o Reino dos Mortos simbólico.

O Caldeirão e o Sangreal
A partir das cruzadas e dos Templários agindo mais abertamente, algumas destas lendas acabaram sendo recontadas sob o ponto de vista dos cavaleiros e dos cátaros, os protetores da linhagem Sagrada, que aproximaram as narrativas a respeito do Graal.
Para entender a próxima etapa, recomendo a leitura dos seguintes textos, na seguinte ordem:
– Perceval, de Chrétien de Troyes
– Lancelot ou le chevalier de la charrette, versos de Chrétien de Troyes
– Yvain ou le chevalier au lion, versos de Chrétien de Troyes
– Perceval ou le Conte du Graal, versos de Chrétien de Troyes
– Parzival, de Wolfram von Eschenbach
– Joseph d’Arimathie de Robert de Boron
– La Mort D´Arthur, de Thomas Malory

Eles foram publicados em um espaço de tempo relativamente curto e formataram a lenda do Rei Arthur e da Távola Redonda tal qual a conhecemos hoje. Sei que, como os 4 elementos da narrativa fluem juntos (o Graal, Excalibur, o Cajado de Merlin/Lança do rei Pecador e a Távola Redonda/Cavaleiros), talvez algumas partes deste texto ainda vão gerar dúvidas. Eu recomendo a vocês relerem cada matéria novamente antes de avançar para as próximas, e tudo vai fazer mais e mais sentido a cada novo elemento, ok?

Perceval ou Lê Conte du Graal
Nesta série de poemas, estamos finalmente dando uma forma para o Graal, da maneira como ele é mais conhecido pelo público leigo: A forma de um cálice ou, mais precisamente, o Cálice usado na Santa Ceia.
Perceval ou le Conte du Graal (Perceval, o Conto do Graal) é um romance inacabado de Chrétien de Troyes escrito provavelmente entre 1181 e 1191, dedicado ao patrono do escritor, Filipe da Alsácia, conde de Flandres e cavaleiro Templário. Chrétien havia trabalhado na obra a partir de escrituras iniciáticas fornecidas por Filipe e relata as aventuras do jovem cavaleiro Perceval.
O poema é iniciado com o jovem Perceval encontrando cavaleiros e percebendo que também gostaria de ser um. Sua mãe o havia criado fora dos domínios da civilização, nas florestas do País de Gales, desde a morte de seu pai. A contragosto de sua mãe, o garoto parte para a corte do Rei Artur, onde uma garota prevê grandes conquistas na vida dele. Ele é caçoado por Kay, mas torna-se cavaleiro e parte para aventuras. Perceval salva e apaixona-se pela jovem princesa Brancaflor, e treina com o experiente Gornemant.
Em um momento de sua vida conhece o Rei Pescador, que convida Perceval a permanecer em seu castelo. Enquanto estava lá, o cavaleiro presenciou uma procissão em que jovens carregam objetos magníficos entre cômodos, passando por ele em cada fase do evento. Primeiro aparece um jovem carregando uma lança coberta por sangue, e depois dois jovens carregando candelabros. Por fim, uma jovem aparece trazendo consigo um decorado cálice (o Graal). O objeto contém uma alimento que miraculosamente sustém o pai ferido do Rei Pescador.
Tendo sido aconselhado para tal, o jovem cavaleiro permanece em silêncio durante todo a cerimônia, apesar de não entender seu significado. No dia seguinte, ele volta para a corte do Rei Artur.
Antes de se manifestar no local, uma dama furiosa com trejeitos celtas entra na corte e clama a falha de Perceval em perguntar sobre o Graal, já que a pergunta apropriada curaria o Rei Ferido. Ela então anuncia que os Cavaleiros da Távola Redonda já haviam se prontificado a buscar o Cálice.
E o poema termina ai, sem um final…

O Rei Pescador aparece originalmente neste poema. Nem sua ferida nem a ferida de seu pai são explicadas, mas Perceval descobre posteriormente que os reis seriam curados se ele perguntasse sobre o Graal. Percival descobre que ele próprio é da linhagem dos Reis do Graal através de sua mãe, que é filha do rei ferido. Entetanto, o poema é terminado antes que Perceval retornasse ao castelo do Graal.
A associação entre “Pescador” e “Pecador” (no original Pêcheur e Pécheur respectivamente) é proposital, pois faz diversas associações entre o símbolo do Pescador, da linhagem de Yeshua e sua associação com a multiplicação dos peixes e com os apóstolos “pescadores” em diversas passagens do Novo Testamento.

Chrétien não chegou a usar o adjetivo “sagrado” para o Graal, assumindo que sua audiência (templária) já estaria familiarizada como o termo. Neste poema, Chrétien deixava implícito que havia uma dinastia descendente direta de Jesus, isso mais de 700 anos antes do Dan Brown!

Associação direta do Graal ao Sangue de Jesus
O próximo trabalho sobre o tema “Linhagem Sagrada” foi apresentado no poema Joseph d’Arimathie de Robert de Boron, o primeiro a associar diretamente o Graal à Jesus Cristo. Nesta obra, o “Pescador Rico” chama-se Bron, e ele é dito ser cunhado de José de Arimatéia, que havia usado o Graal para armazenar o sangue de Cristo antes de o deitar na tumba. José então encontra uma comunidade religiosa que viaja para a Bretanha, confiando o Graal à Bron (falarei sobre a relação entre José de Arimatéia, ou Yossef Rama-Teo e Merlin na próxima coluna).

Segundo a lenda, José de Arimatéia teria recolhido no Cálice usado na Última Ceia (o Cálice Sagrado), o sangue que jorrou de Cristo quando ele recebeu o golpe de misericórdia, dado pelo soldado romano Longinus, usando uma lança, depois da crucificação. Boron conta ainda que, certa noite, José é ferido na coxa por uma lança (perceba também, sempre presente, as referências às lanças, símbolos do fogo, tanto nas histórias de Jesus como de Arthur). Em outra versão, a ferida é nos genitais e a razão seria a quebra do voto de castidade (este fato mais tarde dará origem ao desenvolvimento literário do affair entre Lancelot e Guinevere, que precisa ainda ser mais detalhado).

Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal (ou SanGreal). Em um inciso, ele deduz que o artefato já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus: “eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (…) as coisas ditas e feitas pelos grandes sábios. Naquele tempo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome”.
Em outra versão do poema, teria sido a própria Maria Madalena, segundo a Bíblia a única mulher além de Maria (a mãe de Jesus) presente na crucificação de Jesus, que teria ficado com a guarda do cálice e o teria levado para a França, onde passou o resto de sua vida, dando origem à já conhecida “linhagem Sagrada”.

O cavaleiro e escritor Wolfram von Eschenbach baseia-se na história de Chrétien e a expande em seu épico Parzival. Ele re-interpreta a natureza do Graal e a comunidade que o cerca, nomeando os personagens, algo que Chrétien não havia feito; o rei pai é chamado de “Titurel” e o rei filho de “Anfortas”.

Sarras e São Corentin
Outro aspecto muito importante a respeito do Santo Graal é Sarras, a cidade mítica para onde o Graal é levado ao término do poema. A Cidade mítica de Sarras. Sarras é a “Cidade nos confins do Egito, onde está armazenada toda a sabedoria antiga”, que está associada às terras bíblicas de Seir. Porém, ao analisarmos o nome do rei de Sarras, Sir (Es)corant, chegamos a um personagem muito importante do século VI, chamado São Corentin.
Corentin, ou Corenti em alguns textos, foi um monge da Cornualha cujo monastério ficava justamente na península de Sarzeu Uma das lendas a respeito de Corentin é a de que ele teria vivido durante um período na floresta sendo alimentado apenas por um peixe. Ele comia um pedaço do peixe e, no dia seguinte, o peixe estava vivo e inteiro novamente. É muito simples perceber a associação entre Sarras/Sarzeu, Es-Corant/St Corentin e o rei pescador/monge pescador neste poema.

O Graal-pedra
Em “Parzifal”, o cavaleiro alemão Wolfram Von Eschenbach coloca na mão dos Templários a guarda do Graal que não é uma taça, mas sim uma pedra: o poema fala sobre uma gema verde esmeralda.

Ela trazia o desejo do Paraíso: era objeto que se chamava o Graal!
(Parzifal)

Para Eschenbach, o Graal era realmente uma pedra preciosa, pedra de luz trazida do céu pelos anjos. Ele imprime ao nome do Graal uma estreita dependência com as força cósmicas. A pedra é chamada Exillis ou Lapis exillis, Lapis ex coelis, que significa “pedra caída do céu”.

É a referência à esmeralda na testa de Lúcifer, que representava seu Terceiro Olho. Quando Lúcifer, o anjo de Luz, se rebelou e desceu aos mundos inferiores, a esmeralda partiu-se pois sua visão passou a ser prejudicada. Uma dos três pedaços ficou em sua testa, dando-lhe a visão deformada, que foi a única coisa que lhe restou. Outro pedaço caiu ou foi trazido à Terra pelos anjos que permaneceram neutros durante a rebelião. Mais tarde, o Santo Graal teria sido escavado neste pedaço.

Façamos agora uma comparação entre o Graal-pedra de Eschenbach com a não menos mítica Pedra Filosofal, que transformava metais comuns em ouro, homens em reis, iniciados em adeptos; matéria e transmutação, seres humanos e sua transformação. O alemão têm como modelo de fiéis depositários do cálice sagrado os Cavaleiros Templários (de novo!).

Seria Wolfran von Eschenbach um Templário? Certamente que sim. Era a época em que Felipe de Plessiez estava à frente da ordem quase centenária. O próprio fato de ser a pedra uma esmeralda se relaciona com a cavalaria. Os cavaleiros em demanda usavam sobre sua armadura a cor verde, sinônimo de vitalidade e esperança. Malcom Godwin, escritor rosacruz, refere-se a Parzifal da seguinte maneira: “Muitos comentadores argumentaram que a história de Parzifal contém, de modo oculto, uma descrição astrológica e alquímica sobre como um indivíduo é transformado de corpo grosseiro em formas mais e mais elevadas”.
Nesta obra, que é um retrato da Idade Média – feito por quem sabia muito bem sobre o que estava falando – reconhece-se uma verdadeira ordem de cavalaria feminina, na qual se vê Esclarmunda, a virgem guerreira cátara, trazendo o Santo Graal, precedida de 25 cavaleiros segurando tochas, facas de prata e uma mesa talhada em uma esmeralda (mais para a frente, voltarei a este assunto quando for falar de Joana D´Arc).

Na descrição do autor da cena de Parzifal no castelo do rei-pescador (que, assim como Jesus, saciara a fome de muitas pessoas multiplicando um só peixe) lemos:

“Em seguida apareceram duas brancas virgens, a condessa de Tenabroc e uma companheira, trazendo dois candelabros de ouro; depois uma duquesa e uma companheira, trazendo dois pedestais de marfim; essas quatro primeiras usavam vestidos de escarlate castanho; vieram então quatro damas vestidas de veludo verde, trazendo grandes tochas, em seguida outras quatro vestidas de verde (…). “Em seguida vieram as duas princesas precedidas por quatro inocentes donzelas; traziam duas facas de prata sobre uma toalha. Enfim apareceram seis senhoritas, trazendo seis copos diáfanos cheios de bálsamo que produzia uma bela chama, precedendo a Rainha Despontar de Alegria; esta usava um diadema, e trazia sobre uma almofada de achmardi verde (uma esmeralda) o Graal, ‘superior a qualquer ideal terrestre’”.

As histórias que fazem parte do chamado “ciclo do Graal” foram redigidas de 1180 até 1230, o que nos inclina a relacioná-las com a repressão sangrenta da heresia cátara (mas terei de fazer um post paralelo só sobre a Cruzada contra os Cátaros para explicar como tudo isto está intimamente relacionado).

Conta-se que durante o assalto das tropas do rei Filipe II de França à fortaleza de Montsegur, apareceu no alto da muralha uma figura coberta por uma armadura branca que fez os soldados recuarem, temendo ser um guardião do Graal. Alguns historiadores admitem que, prevendo a derrota, os cátaros emparedaram o Graal em algum dos muros dos numerosos subterrâneos de Montsegur e lá ele estaria até hoje.

A “Mesa de Esmeralda” evocada pelas histórias de fundo cátaro relacionam-se de maneira óbvia com outra “mesa”: a Tábua de Esmeralda atribuída a Hermes Trimegistos. A partir daí o Graal-pedra cede lugar ao Graal-livro.

O Graal-livro
O Graal-taça é tido como um episódio místico e o Graal-pedra como a matéria do conhecimento cristalizado em uma substância. Já o Graal-livro é a própria tradição primordial, a mensagem escrita. Em “José de Arimatéia”, Robert de Boron diz que “Jesus Cristo ensinou a José de Arimatéia as palavras secretas que ninguém pode contar nem escrever sem ter lido o Grande Livro no qual elas estão consignadas, as palavras que são pronunciadas no momento da consagração do Graal”. De fato, em “Le Grand Graal”, continuação da obra de Boron por um autor anônimo, o Graal é associado – ou realmente é – um livro escrito de próprio punho por Jesus, o qual a leitura só pode entender – ou iluminar – quem está nas graças de Deus. E por conta disso temos uma noção de que “segredos Templários” o Vaticano estaria atrás todo este tempo.

“As verdades de fé que este contém não podem ser pronunciadas por língua mortal sem que os quatro elementos sejam agitados. Se isso acontecesse realmente, os céus diluviariam, o ar tremeria, a terra afundaria e a água mudaria de cor”.

Semana que vêm, Merlin, Cajados, Lanças, José de Arimatéia e os Reis Pescadores.
Qualquer dúvida, mandem nos comentários que eu tento responder.

PS: o Sedentário está com a CSS zoada, então não aparece nem negrito e nem itálico nos textos.

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– O Tarot, a Kabbalah e a Alquimia
– Os Illuminati
– A História de Gilgamesh
– Belém institui o “Dia do Dizimista”
– História da Umbanda
– O Círculo Mágico
– Raul Seixas, Paulo Coelho e a Sociedade Alternativa
– Arcano 13 – a Morte
– Pai Nosso em Aramaico
– o Bode na Maçonaria

#ReiArthur

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-santo-graal-e-a-linhagem-sagrada

O Grau da Marca na Maçonaria

A cada um é dado um estojo de ferramentas

Uma massa disforme e um livro de regras,

E cada um deve fazer seu tempo fluir.

Uma pedra de tropeço, ou uma pedra de degrau.

(anônimo, século XVIII)

Esse é apenas um pequeno resumo escrito por Wagner Veneziani Costa, Grão Mestre da Grande Loja da Marca no Brasil, retirado das obras intituladas “O Grau da Marca” de David Mitchell e da obra: Conte-me Mais Sobre o grau da Marca do Rev. Neville Barker Cryer, ambas da Madras Editora, contando um pouco da História do Grau da Marca, agora apresento a Cronologia retirada da mesma fonte…

“Senhor, um homem deveria manter a sua amizade em constante reparo”.

(Dr. Samuel Johnson, 1755)

O Grau da Marca tornou-se uma Ordem Independente (Regular) na Inglaterra.

Podemos afirmar que o Grau da Marca é uma sequência do terceiro grau, contendo profundos significados simbólicos e filosóficos e esta ligado a construção do Templo do Rei Salomão. Apesar que a escolha da Marca era uma parte importante em acréscimo ao Grau de Companheiro.

Na construção do Templo do Rei Salomão foram empregados mais de 110 mil operários e para que eles pudessem ser identificados por seus Oficiais Superiores – para que cada porção de seu trabalho pudesse passar pelo mais cuidadoso exame e para que cada Artífice pudesse receber com pontualidade a recompensa pela sua obra e habilidade – esse grupo imenso de trabalhadores foi dividido em 1.100 Lojas de Companheiros e de Aprendizes, estando estes últimos sob a superintendência dos primeiros, que lhes ensinavam o ofício; e a todos estes presidiam 3.000 Menatschim, Supervisores ou Mestres – Três em cada Loja.

Cada um desses homens (Aprendizes, Companheiros e Mestres) recebia um salário. E para que não recebessem em duplicidade, ou que não recebessem mais do que lhes era devido, criaram uma Marca para cada um dos operários e esses por sua vez, tinham que esculpi-las ou gravá-las numa pedra talhada. Os Mestres da marca eram conhecidos como “Artífices Perfeitos”. Deste seleto grupo eram escolhidos os Supervisores. Adoniran, que era Supervisor, foi selecionado para preencher a vaga decorrente da morte de Hiram Abiff. Adonhiram era, de fato, o Supervisor Chefe dos operários empregados nas florestas do Líbano.

Tantos os Artífices como os demais, certamente, recebiam seus salários no Templo: Os Aprendizes recebiam seus pagamentos em trigo, vinho e óleo; os Artífices em espécie.

O Supervisor conhecia “bem” a Marca de cada um dos seus operários. Era assim, que o exame do trabalho apresentado era comparado com as plantas. Se a pedra estivesse correta e em conformidade às plantas, o Supervisor colocava sua própria Marca sobre a peça examinada e aprovada. Que logo era içada e instalada em seu lugar. Além da Marca do Supervisor indicar a exata localização da pedra, um malho de madeira era tudo o que era necessário para alinhá-la, firme e permanentemente, em sua devida posição.

Assim, as Marcas dos Maçons (pedreiros) representavam uma ajuda fundamental no gerenciamento das funções administrativas, financeiras, produtivas e de controle de qualidade. A Marca era portanto a identidade (assinatura) daquele operário específico. Os progressos e a eficiência na construção dependiam então, de uma boa comunicação e de bom relacionamento entre os trabalhadores, do respeito aos administradores, além do entusiasmo e prazer no trabalho. Todas estas qualidades dependiam, por sua vez, da Marca dos Maçons.

A história antiga nos dá conta de que a colocação de uma marca em um produto acabado não era uma prática restrita aos pedreiros. Podemos encontrá-las facilmente nas Cerâmicas gregas, egípcias, romanas; em obras de ouro e de prata etc. Na Irlanda, Inglaterra e País de Gales, Marcas de Maçons podem ser encontradas em pedras de Catedrais, Igrejas, Castelos e outras edificações medievais.

Douglas Knoop descreveu: “Ponte entre a Maçonaria (da Marca) Operativa e a Especulativa, com uma das pontas – a do lado Operativo – bem apoiada na Escócia, e a outra – a Especulativa – na Inglaterra.”

A herança da Maçonaria Operativa e da Maçonaria da Marca é tão brilhante e empolgante como uma Arte, principalmente devotada a propósitos religiosos e a criação de belas edificações, e sempre tendo em mente a perfeição. O Juramento feito pelos nossos antigos Irmãos nos Colégios ou Guildas em Roma, comprometendo-se a se ajudarem mutuamente e a socorrer qualquer Membro em ­necessidade ainda consta de nosso Ritual. Essa é a mensagem predominante dirigida a cada novo Mestre Maçom da Marca ao ser felicitado pelo Venerável Mestre por ocasião de seu Avançamento a esse respeitável e honroso Grau na Maçonaria.

O Grau de Mestre Maçom da Marca continua vivo como um perene monumento aos antigos operários e artífices que iniciaram a Obra do Grande Supervisor com a construção do Templo do Rei Salomão, e àqueles que assim ainda continuam fazendo, não apenas na Pedra, mas na construção e na consolidação nas relações entre homens de bem e nas amizades duradouras.

Pouquíssimos Maçons do Simbolismo conhecem a rica História do Grau da Marca e a sua legendária ligação com Jerusalém; ou por que esse Grau mereceu a reputação de “Grau Amigável”. Como Mestres Maçons da Marca, podemos ajudar na divulgação e na informação das razões que originaram esta merecida reputação, ao dedicarmos uma atenção especial ao nosso trabalho no Templo, tendo um bom conhecimento de sua História e desenvolvimento, e uma amistosa ânsia de oferecer respostas permissíveis àqueles verdadeiramente interessados.

Possivelmente, todos os Maçons que lerem este texto acharão bastante interessante a relação apresentada a seguir, que assinala alguns importantes eventos no Desenvolvimento e Progresso da Maçonaria a partir da construção do Templo do Rei Salomão até a formação da Grande Loja da Marca. Algumas datas são controversas; no entanto, elas se baseiam em confiáveis documentos escritos por ilustres Maçons, tais como: R. F. Gould, L. Vibert, R. C. Davies, D. Knoop e D. P. Jones, bem como no Masonic Year Book (o Anuário Maçônico) e, assim, podem ser aceitas como razoavelmente corretas.

Cronologia

a.C.

957 — Concluída a construção do Templo do Rei Salomão.

714 — Collegia Artificium — o Colégio dos Artífices, Guildas Romanas, ou Corporações de Artífices, instituída em Roma.

587 — Destruição do Templo do Rei Salomão por Nabuzardã sob ordens de Nabucodonossor. Ao todo, os cercos a Jerusalém somam um período de vinte anos. Estima-se que um total entre 500 mil e 1 milhão de israelitas tenham sido deportados para a Babilônia.

539 — Ciro liberta os judeus de seu cativeiro. De acordo com Josephus, somente 50 mil retornaram a Jerusalém, sob o comando de Zorobabel, para a reconstrução do Templo; destes, cerca de 30 mil eram homens adultos; os demais eram ­mulheres e crianças. Muitos teriam optado em ficar na Babilônia. Estima-se que 150 mil se dispersaram por todos os países vizinhos, onde haveriam de se estabelecer, construindo suas casas e Sinagogas.

169 — O Templo de Zorobabel literalmente destruído por Antiochus Epiphanes, irmão do rei da Síria.

d.C.

20-26 — Herodes – o Grande, pai de Herodes Antipas (sob quem sofreu Cristo), era um famoso construtor. Ele assumiu o ambicioso desafio de restaurar o Templo à sua antiga glória. O Segundo Templo reconstruído ficou conhecido como o Terceiro Templo e foi, finalmente, destruído pelos romanos, sob o império de Tito, em 70 d.C.

45-107 — Ocupação da Bretanha pelos romanos.

800-1500 — As Sociedades de Arquitetos Livres e Operativos, conhecidos como Franco-Maçons (não os Artesãos comuns), oriundos dos Collegia Artificium, surgiram como Freemasons na Inglaterra, como Steinmetzen na Alemanha, e como Compagnonnage na França. Essas Sociedades eram secretas e operativas, engajadas nas construções eclesiásticas e em outras construções. A Franco-Maçonaria, tal como hoje é praticada, remonta àquela Fraternidade.

Os Monges agiam conforme a capacidade dos Arquitetos e dos Mestres na planificação e planejamento dos edifícios, e supervisionavam a sua construção. Dessa forma, tanto os não-operativos, como os operativos, se tornaram “Aceitos”.

926 — Assembléia Anual de Maçons Operativos, realizada em York, sob a presidência de Edwin, filho de Athelstan. A Antiga Loja de York alega ter a sua origem nesta Assembléia. (vide 1726)

1292 — Primeira referência conhecida denominando como “Loja” o local de trabalho dos Maçons Ingleses.

1390 — (+/-) Manuscrito Regius (ou Poema Regius), contendo as “Antigas Instruções”. Primeira menção conhecida da palavra “Franco-Maçom”.

1410 — (+/-) Manuscrito Cooke, contendo as “Antigas Instruções”.

1530— Os Estatutos de Edward III mencionando a palavra “Franco- Maçom”.

1563 — Aparece, pela primeira vez, a palavra “Franco-Maçom” impressa um livro; livro este intitulado “Dives Pragmaticus”.

1598 — Descoberto o mais antigo registro da Franco Maçonaria no Livro de Atas da Loja Escocesa Aichison Haven,

1646 — Elias Ashmole feito Franco-Maçom uma Loja de Warrington. Ele escreve em seu diário que nas Guildas (Operativas) da Pedra e Franco-Maçons, o Candidato tinha de ser “Iniciado” antes de poder aprender o seu Ofício.

1650 — (+/-) O Manuscrito Sloane e o Manuscrito Harleian fazem referência à “Palavra de Maçom”.

1705 — Os Registros da Grande Loja de York mostram que, já naquela data, existia uma Constituição separada, com um Presidente e um Vice-Presidente.

1714 — Marca um período de transição, quando os Maçons Especulativos se tornaram tão numerosos e importantes, que chegaram a sobrepujar a Organização dos Operativos.

1717 — Citada e convocada a Grande Loja, tendo Anthony Sayer como Grão-Mestre. Esta Grande Loja ficou, mais tarde, conhecida como a dos “Modernos”.

1718 (+/-) — Os Graus de Aprendiz e de Companheiro reunidos em um só Grau, ou ambos os Graus trabalhando em conjunto. Estes dois Graus compondo toda a Maçonaria Simbólica.

1723 — Primeiro exemplar da Constituição (modernos), publicado pelo Dr. Anderson, no qual apenas dois Graus são mencionados: Primeiro, o de Aprendiz, e o Segundo, o de Companheiro ou Mestre. As Instruções e Preleções corrigidas, omitindo referências diretas ao Cristianismo e com uma visão mais ampla sobre as qualificações religiosas.

1725 (+/-) — Reconhecido o Terceiro Grau como um Rito Aceito, com os seus assuntos separados dos Graus anteriores e das suas lendas. Incorporação da lenda de Hiram Abiff ao Ritual. Criada a Comissão de Caridade.

1726 — Encontrados registros desse ano mostrando a Grande Loja de York reivindicando a sua origem a partir da Grande Assembléia de York, em 926 d.C.; portanto de maior antiguidade do que a Grande Loja de Londres (de Modernos), de 1717. A Antiga Loja de York precede a própria Grand Lodge of all England.

1738 — Edição revisada do Livro de Constituições (Modernos) publicada pelo dr. Anderson, no qual os três Graus são reconhecidos: Primeiro Grau, o de Aprendiz; Segundo Grau, o de Companheiro; Terceiro Grau, o de Mestre.

1744 — O Arco Real sendo trabalhado, pela primeira vez, como uma cerimônia em separado.

1751 — Uma “Grande Loja da Inglaterra” é formada em concordância à antiga Instituição. Os seus Membros se autodenominavam “York”, “Atholl”, ou “Antigos”. “York” porque diziam preservar as verdadeiras tradições, tal como os Maçons da velha Loja de York, das Lojas Operativas e das suas Antigas Instruções; “Atholl” em razão de seu Grão-Mestre, o Duque de Atholl; e “Antigos” por se declararem bem mais antigos do que os “Modernos”. Uma guerra aberta foi declarada pelos “Modernos” (Grande Loja original, de 1717) aos ­“Antigos”.

1755 — Publicada a Edição Revisada do Livro de Constituições (“Modernos”).

1756 — Laurence Dermott publica o primeiro Livro de Leis, ou Constituição dos “Antigos”, sob o título de Ahiman Rezon or a Help to a Brother (mais corretamente: Voluntary Brethren)

1766 — Edição revisada do Livro de Constituições (Modernos).

1769 — Primeiro Registro da Maçonaria da Marca em um Corpo de Maçonaria Especulativa; aparece nas Atas de Abertura do Capítulo da Amizade, ora com o nº 257, em Portsmouth; presente o Pró-Grão-Mestre Thomas Dunckerley, que investiu diversos Irmãos como Maçons da Marca, fazendo com que cada um deles fizesse a sua “Escolha da Marca”.

1776 — Sagração do ‘Freemasons’ Hall, na Great Queen Street, Londres.

1781 — HRH Henry Frederick – Duque de Cumberland, é eleito Grão-Mestre.

1789 — Os “Modernos” elaboram um detalhado Ritual de ensinamento moral, baseado no LSE e em seu primeiro Livro de Constituições.

1790 — HRH George – Príncipe de Gales (posteriormente, Rei George IV), é eleito Grão-Mestre.

1809 — Uma base de acordo encontrada entre “Modernos” e “Antigos”.

1813 — HRH George, príncipe regente (posteriormente, rei George IV) renuncia ao Grão-Mestrado, assumindo o título de Grão- Patrono. O HRH duque de Sussex é eleito Grão-Mestre. Sessão de União de “Modernos” e “Antigos”. Em 25 de novembro, o HRH Grão-Mestre duque de Sussex, e o HRH duque de Kent — Grão-Mestre da Grande Loja Antiga ou Atholl, assinam os Artigos da União.

1851 — A Loja de Mestres da Marca Bon-Accord realizam a sua primeira Sessão em Londres.

1856 — Formação da Grande Loja da Marca.

1857 — Lorde Leigh, Primeiro Grão-Mestre da Grande Loja da Marca.

Fraternalmente,

Wagner Veneziani Costa

Grão-Mestre da Grande Loja da Marca

do Grande Oriente do Brasil – GOB

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-grau-da-marca-na-ma%C3%A7onaria

A ARLS Madras, Maçonaria e Macumba – Fábio Atori

Bate-Papo Mayhem 183 – 03/06/2021 (Quinta) Com Fábio Atori – A ARLS Madras, Maçonaria e Macumba Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #Podcast

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Redes Sociais e as Qlipoth

Ainda sobre largar o Facebook.

Não recomendo “largar” o Facebook. Não vou excluir o perfil, vou simplesmente parar de alimentá-lo diretamente, senão em circunstâncias bem mais raras e específicas. Vou ainda divulgar coisas (principalmente o local onde vou passar a escrever, possivelmente, e preferencialmente, com amigos). Recomendo, isso sim, DIMINUIR SUA IMPORTÂNCIA. Radicalmente, de preferência. E recomendo que todos façam isso.

O fato é que o Facebook NOS PAUTA. Ele te encontra pela manhã, e te diz: “Olá, isso é o que vai te indignar hoje, isso é o que vai te mobilizar hoje, isso é o que vai te fazer compartilhar coisas hoje, e o que vai fazer você gerar mais conteúdo para mim”. Ele faz isso porque sabe MUITO sobre o seu comportamento e rede. Ele usa algoritmos complexos, cada vez mais refinados, para te manter girando com uma paixão maior em torno de um campo menor de assuntos. Faz isso selecionando coisas para aparecer, e o pior, coisas para SUMIR de sua visão.

Isso faz você girar em espiral, com um raio de curva cada vez menor, em velocidade cada vez maior.

O Facebook não é o problema, o problema é o modo como o Feed do Facebook é construído para cada um. É feito para estimular essa espiral, e nisso conta com a colaboração de uma mídia que não soube lidar muito bem com sua transformação e se rendeu ao sensacionalismo. Mídia que não está interessada em ter o “melhor jornal para vender”, mas que está interessada em ter a manchete que mais estimula o click, com a chamada mais apelativa. Ela quer o click. Note que o conteúdo em si é irrelevante, pois a decisão do click ocorre antes da apreciação do conteúdo. Quase sempre, a própria decisão de compartilhar ocorre antes da apreciação do conteúdo. Click, click, click. Milhares de anzóis jogados na água, a grande maioria com minhocas de mentira.

Em uma sociedade sadia temos que ter constante exposição a coisas que não queremos ver. Estamos virando crianças mimadas com esse mundinho feito por encomenda. Isso sempre existiu em algum grau, mas estamos nos aproximando perigosamente do não-diálogo.

E tem outra coisa. Nisso, nessa busca do click, quantas polêmicas falsas, quantas não-pautas, quantas guerras inventadas ajudamos a engrossar e transformar em realidade, como uma profecia auto-realizável? Alguém em sã consciência iria, no mundo real, no mundo das pessoas de carne e osso, dar ouvidos a uma estupidez como “apropriação cultural” se não fosse a máquina de potencializar conflitos do Facebook em ação? Até tentamos criar a noção de que várias desses conflitos eram pura besteira, mas parece que perdemos… de lavada.

Nestes últimos dois ou três anos presenciei o que sobrou do “Mundo do RPG” se esfacelar em bolhas de idiotices e brigas de egos gigantes, pautadas em “politicamente correto versus bolsomitos” onde não houve espaço para diálogo ou meio-termo; temos doentes mentais (literalmente, gente que está em tratamento psiquiátrico) ditando regras cada vez mais nonsense sobre abobrinhas que variam de tamanho de saia de personagem a apropriação cultural em um RPG sobre Egito escrito por um homem branco, passando por reclamações de que miniaturas (de plástico) não podem mais usar “peles de animais” porque é desrespeitoso e eventos de RPG cujo título é “nada a Temer”. A impressão que se tem acompanhando as listas e grupos é que o hospício faliu, abriram as portas do asilo de loucos e deixaram os pacientes tomar conta do hospital.

Nos Jogos de Tabuleiro não é diferente. Os grupos do Facebook se tornaram zonas de guerras tóxicas. Um jogo vem faltando uma pecinha e ao invés da pessoa dar um telefonema ou escrever um email para a devir ou galápagos conversando e resolver a situação em cinco minutos, manda textão com fotos xingando as companhias com algo completamente idiota, que é reproduzido dezenas de vezes e gera centenas de comentários. Quando uma companhia anuncia um jogo novo ou um projeto, parece que está às moscas (a menos que alguém apareça xingando, o que ocorre em menos de 24hs, ai o tópico vira primeira página de guerra). Todos os produtores e designers simplesmente desistiram de postar no local que seria o ideal para a expansão do hobby.

E o mesmo acontece com os foruns de HQ, RPG, grupos de Hermetismo, Kabbalah e Maçonaria… se os Moderadores do TdC não tivessem uma foice afiada, com certeza nosso Grupo também teria caído nesse Abismo.

E nem quero imaginar como devem estar os grupos de “coisas normais” como política, futebol, religião, esquisoterices e carnaval…

Faça este exercício amanhã de manhã e veja como é assustador: Abra o Facebook mas não dê like em nada. Não comente em nada. Não compartilhe nada. Apenas observe distantemente todos os Posts que aparecem na sua Timeline, um por um, e responda para você mesmo “Quantos destes posts são negativos, atacam coisas que eu não gosto ou ridicularizam algum tipo de pensamento, pessoa ou instituição”? Quantos dos posts você não tem uma tendência quase automática em divulgar? Quantos destes posts não criam uma raiva e sentimento de “não podemos deixar isso barato!!!”? Quantos são apenas para espezinhar ou para levantar alguma bandeira (que certamente não é algo positivo)?”

Se a TV aprendeu que Qlipoth vende mais do que Sephiroth (Jornais e notícias sangrentas que “evoluíram” para Datenas e programas de crimes do fim da tarde/hora do almoço), imagine o que uma Inteligência artificial com Algoritmos como o do facebook consegue fazer com as pessoas? “Black Mirror” já é documentário, não ficção.

Precisamos readquirir o hábito de visitar portais e fóruns e depender menos dessa máquina de ordenhar emoções baixas. Portais de notícias oferecem também conteúdo mais geral. Estarei postando mais aqui no Blog e Menos diretamente por lá. Para nos acompanhar, será preciso fazer um esforço.

#Blogosfera #Qlipoth

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/redes-sociais-e-as-qlipoth