Mapa Astral de Austin Osman Spare

Austin Osman Spare (30 de dezembro de 1886 – 15 de Maio de 1956) foi um artista inglês que desenvolveu diversas técnicas mágicas, incluindo a escrita automática , desenho automático e sigilização baseado em suas teorias sobre a relação entre o subconsciente e consciente. Seu trabalho artístico é caracterizado por desenhos complexos, exibindo um domínio completo da utilização da linha e, muitas vezes emprega figuras monstruosas, mágicas e sexuais.

O Mapa de Spare possui Sol e Vênus em Capricórnio, Lua em Peixes (na verdade, Aquário-Peixes), Marte e Ascendente em Aquário (alguém achava que seria diferente?), Caput Draconis em Leão-Virgem e Júpiter em Escorpião. Seu Planeta mais forte é a Lua em Aquário-Peixes, com 6 Aspectações fortes.

A Lua espiritualizada pauta o mapa de Austin. Seu Trigono de 1 grau com Júpiter em Escorpião fazem uma combinação preciosa para quem deseja estudar ocultismo, pois faz com que a intuição (Lua/Yesod) esteja mergulhada em energias espirituais e seu facilitador (Júpiter) esteja diretamente em conexão com as profundidades e o poder escorpiano. Some isso a um aspecto disciplinar de Sol e Vênus em Capricórnio e tem-se uma base muito apropriada para um grande magista do caos: Capricórnio e Aquário fortes no Mapa.

Um Aspecto interessante de apontar neste mapa é o fato que Spare, que é tido por muitos como o pai da Magia do Caos, na verdade, possuía uma Disciplina acima da média (que foi vital para que conseguisse recuperar o movimento dos braços, após o acidente que destruiu seu estúdio). Apenas não gostava de Magia Ritualística (o que realmente seria cada vez mais complicado para alguém com Marte e Ascendente em Aquário e Lua em Peixes-Aquário).

Suas técnicas de Sigilização, desenvolvimento de um alfabeto pessoal e sua vasta galeria de imagens relacionadas ao ocultismo são o legado dessa combinação muito interessante e poderosa de energias.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-austin-osman-spare

TRINTA E DOIS MILHÕES de Conspiradores!!!

Acabamos de chegar à marca de TRINTA E DOIS FUCKNG MILHÕES de Pageviews neste blog… Nada mal para um blog de Hermetismo e Espiritualismo no país da Kabbala Crioula, Teurgia Quântica e Magia do Caos Goetica! Como de costume, para quem gosta dos números ou estava procurando pelos links de tudo o que fazemos, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 3.636 posts publicados e 51.256 comentários.

Você deve ter percebido que nos últimos meses voltamos à marca de pelo menos 2 ou 3 publicações diárias. Isso aconteceu graças ao retorno do . Estamos reorganizando todas as postagens antigas do site, selecionando as melhores e organizando o conteúdo. Todos os dias olhamos os 2-3 posts mais antigos que sejam interessantes e os jogamos direto para a primeira página (e já os reviso e adiciono alguma imagem bacana), trazendo todos os dias novos posts clássicos do TdC. Isso me dá mais tempo para poder voltar a escrever posts sem o stress do “preciso algo pra postar hoje” e faz com que sempre tenhamos coisas novas pelo menos 2 vezes ao dia no site. Para quem nunca leu os posts, serão novidades; para quem já os leu, agora é hora de reler com olhos 8 anos mais experientes!

Além destes canais, temos o Facebook e até mesmo uma Conta no Instagram onde publico pequenas dicas de magia prática. Também gravamos 22 Videos com Entrevistas e bate-papo sobre Hermetismo.

Post sobre como tudo começou.

Nosso Projeto de Hospitalaria continua funcionando a todo vapor!

Faça parte de nosso grupo dentro do e tenha acesso a comentários exclusivos das postagens, grupo fechado no Facebook, Telegram e Discord para acompanhamento ritualístico, plantão de dúvidas e um grupo de estudantes e estudiosos prontos para te ajudar com suas principais dúvidas nos estudos herméticos.

Oito vezes ao ano realizamos os rituais de Roda do Ano em conjunto, onde ensinamos os membros a preparar suas ferramentas e instrumentos magickos.

A cada 3 meses, organizamos uma publicação com as melhores matérias, que os membros recebem em casa; além de instruções para realizar os rituais de Sabbat e consagrações junto com nosso grupo (cerca de 350 pessoas realizando os rituais ao mesmo tempo!) e de quebra ter descontos em todos os nossos financiamentos coletivos.

E temos agora um PODCAST onde falamos quinzenalmente sobre Magia, Hermetismo e Kabbalah.

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Cada feito destes não seria possível sem a participação de todos vocês!

Sucesso é a Única Possibilidade!

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Jesus Adolescente no Século XXI

Capítulo 1: Jesus estuda na minha classe!

Meu nome é João. Meu sobrenome é Ninguém. Sou João Ninguém no nome e na vida. Moro numa favela, sou feio, vou mal nos estudos e não tenho nenhuma habilidade especial. Como se isso não bastasse, tenho outros três colegas que se chamam João e todos eles são muito populares. Então toda vez que alguém chama:

– Ô, João!

Eu já nem me viro. Nas primeiras três vezes eu me virei, só para ouvir essa adorável resposta:

– Não é com você não, seu idiota!

Por isso, tento ficar na minha. Na boa, eu realmente detesto os outros três Joões. Não sei o que o pessoal enxerga nesses caras. São uns esquisitões.

Tem o João Batista. O sujeito é totalmente antissocial. Ele se veste com pelos de camelo e cinto de couro, mesmo no calorão de quarenta graus. Só come mel e gafanhotos. Tá certo que a gente aqui na favela é pobre, mas também não é pra tanto.

Ele só fica lá paradão do lado do esgoto, batizando todo mundo que passa, e a galera acha o máximo. Sorte dele que o esgoto passa bem no meio do nosso colégio. Assim ele pode continuar os batismos nos intervalos.

– Eu batizo com água! Mas depois vai vir um cara mais forte do que eu que vai batizar com fogo a rapaziada, e eu não vou ser digno nem de desamarrar os tênis dele.

O Batista não para de falar esse negócio e tira notas muito baixas. Ele sempre pega recuperação em biologia, mas o prof Mendel é bonzinho e arredonda a nota. Os dois gostam de conversar sobre mel e abelhas, sabe-se lá o porquê.

Já o João da Cruz tira notas melhores, mas também não é muito sociável. Só quer saber de rezar, ou “contemplar” seja lá o que for isso. Ele não para de falar sobre a “noite escura” mesmo quando está dia.

Ele e um tal de João Clímaco (sim, outro João! Ainda bem que é de outra turma, para não gerar ainda mais confusão) são muito amigos e vivem subindo e descendo juntos os dez degraus da escada da entrada principal do colégio. Não param de filosofar sobre a subida da escada, que chamam de “escada de Jacó”. O Jacó era um aluno antigo que uma vez pegou no sono e dormiu nessa escada. Não vi nada de mais nisso, mas nesse colégio o pessoal cria caso com as menores coisas.

Dizem que o Cruz gosta da Teresa de Ávila, que é outra colega nossa, mas eu acho que eles são apenas amigos. Também está cheio de “Teresas” na nossa classe. Tem a Teresa de Lisieux, que todo mundo chama de “Teresinha”, porque ela é pequena, delicada e não para de falar de flores. E tem a Teresa de Calcutá, que é muito boazinha e sempre quer ajudar todo mundo.

Nenhuma das três se destaca em termos de notas, mas a Calcutá sempre faz uns estudos extras. Não porque quer aumentar as próprias notas, mas para ajudar quem precisa.

O sobrenome do terceiro João é Evangelista. Ele é um aluno modelo: tira ótimas notas e é extremamente educado com todos. Seus hobbies são pescar e escrever. Todos gostam dele, porque é simplesmente impossível não simpatizar com o sujeito. Eu digo que o detesto apenas para manter a minha reputação, já que considero uma questão de princípio desprezar os três Joões.

A estranheza do Evangelista é ao menos respeitável: ele não sai gritando por aí como o Batista e nem fica subindo degraus como o Cruz. Ele anuncia o Juízo Final, mas faz isso de maneira discreta. Ele escreve histórias sobre anjos com trombetas, jogando fogo e sangue na Terra e matando todo mundo.

As histórias dele são muito populares na sala. Todos estão sempre aguardando o próximo capítulo.

– Quando é que sai o próximo capítulo, João?

– O quê? – perguntei.

– Não tô falando contigo, ô abobado! – retrucou Judas, com aspereza – por que é que você acha que todo mundo sempre quer falar com você, hein?

Resolvi deixar quieto. Eu às vezes respondia por reflexo. Uma falha minha.

Não era uma boa ideia bater boca com o Judas Iscariotes. Ele era o bad boy da turma e comprava briga com qualquer um. Se bobear, até com o Evangelista ele brigava. Havia boatos de que ele já havia metido uns socos no Simão e no Francisco, outros colegas nossos, por um motivo banal: eles eram felizes. Judas não.

– Também quero ler a continuação! – exclamou Francisco de Assis, com alegria – adorei os quatro animais cheios de olhos! O que eles significam?

– Somos eu, Mateus, Marcos e Lucas – respondeu João Evangelista, com um sorriso amigável.

Esses três eram grandes amigos de João, mas eram da outra turma. Também gostavam de escrever. Lucas não andava escrevendo muito ultimamente, já que estava estudando que nem um condenado para o vestibular. Ele queria fazer medicina. Era um dos poucos no nosso colégio que pretendia fazer curso superior.

Mas os melhores amigos do Evangelista eram Simão e Tiago. Os três gostavam de pescar juntos.

– O meu primo vai se transferir para nosso colégio na semana que vem – comentou Tiago.

– Qual o motivo da transferência? – perguntou Simão.

– Jesus disse que não pode realizar milagres em sua própria terra, porque lá as pessoas não têm fé, devido à dureza de seus corações – respondeu Tiago.

– Pensei que Jesus fosse seu irmão e não seu primo – observou Martinho Lutero.

– Você sempre adora uma boa polêmica, hein, Martinho! – exclamou Tiago, aborrecido – eu já cansei de dizer que ele é meu primo e não meu irmão. Quantas vezes terei que repetir isso?

– Está bem, está bem! – disse Martinho, com urgência – não precisa ficar zangado. E não é verdade que eu adoro uma boa polêmica. Erros devem ser apontados quando são encontrados.

– Eu concordo plenamente com sua afirmação, meu caro – disse Jerônimo Savonarola – nesse momento, por exemplo, vocês estão conversando em aula, o que é proibido. É melhor que sigam as regras. Não veem que estão sendo rudes com o professor Tomás?

– Estou mais preocupado com outra coisa – comentou o professor Tomás de Aquino.

– Deixe-me adivinhar – disse Jerônimo – o senhor está preocupado que o seu colega, o professor Giordano Bruno, está nos ensinando um monte de heresias nas aulas de física! Eu acho que chegou a hora de conversarmos sobre fogueiras. Ou será que devo denunciar o romance imoral do professor Abelardo com a professora Heloísa?

Jerônimo adorava acender fogueiras nos intervalos, que ele chamava de “Fogueiras da Vaidade”. Mas ele nunca queimava pessoas, apenas objetos que ele considerava ilícitos. As garotas da sala o odiavam, porque ele mandava que elas jogassem os brincos, pulseiras e maquiagem lá dentro, porque aquelas coisas eram do demônio.

– Eu só estou me perguntando o que são essas… criaturas que Francisco está segurando – disse Tomás.

– São apenas nossos irmãos vermes, professor – explicou Francisco – eles estavam num local perigoso do pátio do colégio e poderiam ser pisados a qualquer momento. Então eu os protegi.

Hildegarda de Bingen, a aluna mais inteligente da classe, deu um grito.

– Professor, há hora e lugar para isso – argumentou Hildegarda – não questiono as boas intenções de Francisco, mas isso já é um exagero. Sabemos que os animais devem ser respeitados, mas as Escrituras nos dizem com clareza que eles não estão em primeiro lugar na hierarquia da criação.

– Minha querida irmã Hildegarda – sorriu Franscisco – em respeito à senhorita e ao professor Aquino, irei encontrar uma morada adequada aos nossos irmãos e devolvê-los à natureza. Tenho a sua autorização, mestre?

– Pode ir – disse o professor Aquino, com um aceno de mão.

E Francisco saiu da sala aos pulos e com imensa alegria, cantando.

– Espere! – exclamou Rosa de Lima – deixe alguns deles aqui para usarmos em nossa penitência. Prometo que não irei machucá-los.

– A senhorita pode usar o meu cilício em vez disso – disse Francisco lá da porta, amavelmente – tenho um para você e outro para a sua amiga Catarina. Podem pegar na minha mochila.

– Agradeço imensamente – disse Catarina de Siena.

Rosa e Catarina gostavam muito de fazer penitências rigorosas, a ponto de sangrar. Sinceramente, eu tinha um pouco de medo delas e preferia ficar bem longe. Não entendia como, apesar de tanto sangue, parecia emanar uma grande paz e amor daquelas duas.

A próxima aula foi com o professor Agostinho. Simão sussurrou para Tiago:

– Quando o seu primo chega mesmo?

– Ele acabou de me mandar uma mensagem pelo celular – sussurrou Tiago em resposta – ele chega amanhã.

– Seu primo tem celular? – perguntou Simão, surpreso – pensei que ele havia feito um voto de pobreza.

– Ah, mas o celular dele é um modelo muito antigo – disse Tiago – então não conta. O único jogo que tem nele é o da cobrinha.

Tiago e Simão foram atingidos na cabeça por duas pêras.

– Vocês estão muito barulhentos! – exclamou o professor Agostinho – e estão usando celular no meio da aula?

– Professor, estamos falando sobre algo muito importante – argumentou Simão – é sobre a vinda de Jesus!

– Eu não já avisei a vocês que quem usa celular em aula vai para o inferno? – perguntou Agostinho.

– Nunca li nada disso em seus livros – observou Hildegarda.

– Bem, isso somente porque na época em que eu os escrevi ainda não havia celular – justificou-se o professor – ou de outra forma esse artigo de fé certamente estaria lá.

No dia seguinte, estávamos muito empolgados aguardando a vinda do primo de Tiago. João Batista não se continha de felicidade e batizou muita gente no esgoto naquele dia.

Até que ele adentrou pelos portões do colégio.

Usava calça jeans e tênis. Tinha uma barba respeitável e invejável, rara de se encontrar em adolescentes como nós. Ele vinha acompanhado de outros três rapazes de roupas brancas.

Ele cumprimentou Tiago e cada um apresentou os amigos para o outro.

– Esses são Miguel, Gabriel e Rafael – disse Jesus – eles ficarão um tempo conosco.

Leia a continuação no PDF ou pelo livro impresso.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/jesus-adolescente-no-s%C3%A9culo-xxi

Crises mágickas, ordens, desordens, Linces e lobos solitários

por 999 Choronzon (1991)

Tradução Leonardo Gracina

Senti-me muito feliz uma década ou mais atrás para ser rotulado como um mágico de “crise”. A caracterização definitiva, de acordo com Peter J. Carroll, é que de um indivíduo que dedica maior parte de suas energias a atividades diárias normais, recorrer apenas para “A Varinha em tempos de crise”. O melhor de meu conhecimento, Carroll nunca foi publicado sobre o assunto, mas de seu tom pejorativo quando conversar sobre um assunto pode reunir esse tal de ‘modus operandi’ é pensado como impróprio para um sério praticante de ocultismo. Pessoalmente, eu iria contrastar a vida relativamente ordenada de muitos ocultistas que recorrem a táticas praeter-naturais somente em casos de extrema emergência, com a experiência de muitos mágicos habituais cujas vidas parecem balançar inexoravelmente de um cenário grotesco para outro. Talvez o tempo esteja suficientemente maduro para uma redefinição!

Consumidores regulares de meus artigos e palestras podem reconhecer aqui algum desenvolvimento de ideias que introduziu nos meus documentos “So-Called Magick”, “Fraud or Bullshit” e “The History and Development of Secret Societies”, chamada “Magick, ou fraude ou besteira” e “a história e desenvolvimento das sociedades secretas”, bem como uma atualização sobre questões levantadas em “Magical Conflict – The Corporate Adversary.” “Conflito mágico – o adversário corporativo”, não proponho perder tempo, considerando se magick funciona ou não, ou o que é, mas sim para examinar as maneiras indescritíveis em que pode trabalhar, para olhar para o tipo de relações associativas que praticantes de ocultismo podem formar entre si e as vantagens e desvantagens da participação em tais grupos de trabalho mágico.

“Ordens” e “Transtornos” neste contexto são diferentes espécies de agrupamentos estruturados ou não, dos mágicos, enquanto Linces (Lynxs) é a contraparte feminina dos “Lobos solitários”. (Sim, eu sei que existem lobos femininos, mas se um diz “Lone Wolf”, no sentido de um praticante mágico que prefere trabalhar sozinho, a percepção do público poderia interpretar o termo que se aplica exclusivamente para o gênero masculino).

A BUSCA SOLITÁRIA

Em culturas ocidentais muitos praticantes mágicos começam em, ou gastam uma parte importante de sua carreira oculta no modo “Lince” ou “Lobo solitário”. Os indivíduos desenvolvem um interesse inicial em magia, geralmente como resultado de uma experiência pessoal, ou porque algum livro, ou mesmo um registro, parece estar dizendo algo a eles que significa mais do que os dogmas hipócritas da moralidade ortodoxa e religião. Claro, pode haver alguma influência de um amigo, um parente ou até mesmo um professor, mas um período solitário, que muitas vezes assume a forma de algo pessoal pela “busca da verdade”, é uma característica dos anos de formação na maioria dos ocultistas.

Algumas pessoas se contentam com esse estado de solidão filosófica, embora muitos simplesmente sintam que eles são as únicas pessoas no mundo que veem as coisas de uma forma particular, ou que já foram um objeto de uma experiência absolutamente única, que, se ele contasse para outras pessoas, o chamariam de louco. A este respeito as famílias frequentemente são percebidas como sendo adversas, ou, em casos extremos, francamente hostis. Abertura de espírito para opiniões e pontos de vista infantis da vida nunca foi uma característica importante da vida familiar, na nossa cultura, não importa quantos anos a criança pode vir a ter!

Outros praticantes comprometidos com o caminho solitário são aqueles que tenham trabalhado mais e sidos roubados por alguns falsos cultos ou “gurus”, e que sobreviveram à “programação” e/ou “conversão” para alguma outra suposta revelação da verdade suprema. Tais experiências resultam em uma atitude poderosamente aversiva e bastante compreensível, com grupos de ocultismo em geral e, em casos de sorte, podem engendrar o cepticismo profundo enraizado que é absolutamente essencial isso se a petição falida ao pai como um pedinte dentro de um pote, integrante de um sistema auto consistente ou uma hipótese irrefutável. Qualquer pessoa motivada pelo cepticismo para evitar todos os grupos religiosos, o ocultismo tem meu apoio incondicional e sincero que é uma inteiramente honrosa posição e para o qual tenho simpatia considerável.

O verdadeiro Cepticismo, porém, exige um grau de abertura de espírito, e não estender o elogio acima para incluir aqueles fanáticos neo-fóbicos da instituição científica que transformaram o modelo determinístico do universo em uma religião em seu próprio direito, e que buscam reforçar essa estrutura de crença escolhendo examinar apenas tais provas como suporta sua preconcebida não da maneira como as coisas deveriam ser. Para essas autoridades digo “estudar as provas ou fatos dos teoremas de Godel, e se você não compreendê-los, aconselho a ficar calado até você entendê-los!”

MOTIVAÇÕES PARA O ESTUDO MÁGICO

A multiplicidade de razões que as pessoas possam ter para embarcar em um programa de estudos mágicos parecem-me ser livremente em três temas básicos:

  1. A vontade desse modo de ganhar alguma questão pessoal “iluminação espiritual”.
  2. A vontade ganhar poder para influenciar os acontecimentos externos.
  3. A vontade ganhar poder sobre outras pessoas.

No caso de qualquer indivíduo determinado, muitas vezes haverá algum componente de cada uma dessas motivações primárias exibidas.

No entanto, no nebuloso conceito de “iluminação espiritual” pode ser, para pessoas quem a sua realização fornece a motivação dominante frequentemente levou à crença de que melhor podem ser fornecido por outra pessoa que já alcançaram tal estado. Esta convenientemente fornece para aqueles que desejam ganhar poder sobre outras pessoas com uma fonte pronta dos sujeitos, e não é nenhuma surpresa encontrar pessoas em quem tais motivações dominam juntas. Nas relações de mestre/aluno e, em maior número, em hierarquia estrutural rígida, dentro do qual tanto buscadores e mestres derivam um cumprimento de sua motivação, mas onde as maquinações internas dentro da relação ou estrutura frequentemente substituem a intenção original.

Poder de influenciar os acontecimentos externos, sugiro, é algo diferente, não menos porque há um componente de objetividade envolvida. Um telecomando para um televisor concede algum poder objetivamente para transformar a realidade externa; e John Dee, Agrippa ou até mesmo Isaac Newton, sendo apresentados com tal dispositivo pode bem ser classificado entre artefatos mágicos. O ponto é que uma técnica ou tecnologia que pode fazer algo tão aparentemente simples como cruzar um pequeno pedaço de metal em uma superfície lisa, ou algo tão devastador como induzindo a combustão espontânea em cima de alguém que causou a ofensa. Tais técnicas também funcionam ou não; (no âmbito de um universo estocástico), há uma maior ou menor probabilidade de um resultado eficaz perceptível ocorrendo que acordos com a intenção original.

A dificuldade é que na prática, raramente se trata com qualquer efeito tão claramente demonstrável como realmente sendo capaz para assistir a um objeto mover-se de um lugar para outro, ou aplaudir enquanto alguns conseguem acender como um maçarico. Onde magia é encontrada para trabalhar mais eficazmente, é no Reino da manipulação de coincidência, onde o resultado final pode ter vindo aproximadamente como uma questão de puro acaso.

A vida se torna ainda mais confusa quando se percebe que aqueles que procuram o objetivo nebuloso ou desconhecido de “iluminação espiritual” não têm como objetivo o meio de julgar as qualificações daqueles que possivelmente seriam capazes de ensinar ou concedê-la. No entanto supõe-se que aqueles que realizam a prática avançada “espiritual” têm a capacidade de realizar atos “milagrosos” (a Igreja Católica ainda faz com que tais performances num pré-requisito essencial para canonização de alguém como um Santo), e o campo é, portanto, aberto para carismáticos, com pessoas e fraudadores para entregar até sensacionalistas fenômeno-ilusionistas para convencer os ingênuos para pagar parte com seu dinheiro. Em alguns casos, o que é perpetrado é pouco mais do que um jogo do pseudo- metafísico de “Encontrar a dama”.

Não é difícil ver porque muitas pessoas com um interesse pelo ocultismo mantem-se  eles mesmos e seguem seus próprios caminhos e experiências com essas técnicas sentem que funciona melhor para eles pessoalmente.

O problema com essa abordagem individual em um contexto mais amplo é que não é provável que consiga avançar as fronteiras do conhecimento humano, muito bem. Dado que a matéria em apreço tem a aparência de uma espécie de desdobramento ciência e/ou tecnologia, alguns avanços importantes nas disciplinas ao longo dos anos foram feitos por indivíduos trabalhando totalmente sozinho. A fertilização cruzada de ideias e experiências que inevitavelmente resulta de trabalhar em conjunto com outros membros de uma equipe é um componente importante na produção de saltos quânticos em compreensão e percepção que caracterizam os grandes avanços. Assim, há alguma motivação adicional para aqueles profissionais que se tornam convencidos, de sua própria experiência, que efeitos “mágicos” têm algum fundamento na realidade, a aliar-se com outros indivíduos como o espírito e de formar grupos a fim de reunir conhecimentos e combinar seus esforços.

CONTEMPORÂNEO DE IGREJAS, CULTOS E GRUPOS MÁGICOS

A maioria das igrejas, cultos e grupos mágicos aderiram a algum tipo de estrutura de crença que apresenta sua organização como os guardiões da “Verdade final”. Em alguns casos, esta “verdade” deriva de tradição histórica, como com, digamos, do grosso da população segue cristianismo ou Maçonaria, em outros casos a nascente é totalmente moderna (como com a base racionalista na ‘Energia Nuclear Dogma’), ou consiste em uma reinterpretação moderna do material de origem mais antiga.

maioria dessas religiões, para em um sentido ou outro, isso é o que são, publica sua hipótese irrefutável de domínio público, então que ele pelo menos está disponível para adeptos e buscadores (praticantes ou leigos) a considerar e discutir abertamente. Uma minoria, sobretudo entre as organizações orientadas mais ocultas, apresentar um conceito de uma “verdade” que é tão maravilhoso ou fantástico que tem que ser ocultado o “profano” (ou seja, pessoas de fora) e em alguns casos restringidos para os mais altos escalões de uma estrutura hierárquica, com divulgação proibida por juramentos de sigilo.

Uma única categoria de persuasão oculta, o mágico de caos, de uma filosofia e um ponto de vista matemático, tem objetivo de argumentar que “não pode haver nenhuma verdade suprema” e tratar a “crença” como um expediente técnico que pode ser temporariamente útil na realização de objetivos particulares dos mágicos.

Desde o início da magia do caos, foi uma forma moderna na década de 1970, houve um debate considerável entre seus adeptos relativos à estrutura coletiva mais adequada para o desenvolvimento da filosofia e técnicas mágicas associadas e perseguição.

ORDENS E DESORDENS

Quem estiver interessado em magia cerimonial/ritual em Londres na década de 1970, onde tinha pouca alternativa para seguir o caminho do lobo solitário. O músico de blues Graham Bond tinha feito uma tentativa de introduzir uma marca thelêmica. Maçonaria para jovens membros da subcultura Notting Hill no final dos anos 60, mas qualquer vestígio morreu com ele em 1974, enquanto os maçons mainstream, na medida em que eles estavam recrutando, estava concentrando-se em escola pública, associações de Old Boy (reformatórios) e seus campos de caça usuais na polícia e outros serviços públicos, informados se qualquer das ordens cerimoniais de antes da guerra, a Golden Dawn, a OTO, A.’. A.’., M.’. M. ‘., ou Aurora Dourada ainda existisse, em seguida, sua associação de envelhecimento era manter um perfil baixo. Livros de Crowley estavam fora de catálogo, difíceis de encontrar e muito caro; de fato o único sistema publicado por auto iniciação mágico foi a edição de McGregor Mathers “A sagrada magia de Abra-Melin o mago”, que, embora talvez eficaz, não foi popular devido à sua polarização masculina e exigência por meses de abstinência sexual. Reimpressões ocasionais de Austin O Spare, trabalhos foram avistados, principalmente de terceira geração de  fotocópias.

Se você queria envolver-se em trabalhar com um grupo que foi até as teosofistas, Antroposofia de Rudolph Steiner, White Eagle Lodge ou os Rosacruzes da AMORC, em tudo o que “sexo, drogas e rock and roll” foram definitivamente desaprovadas. Alternativamente havia Cientologia, do Guru Maharaji ‘Luz divina’, Maharishi Mahesh Yogi Meditação Transcendental e Hare Krishna, que foram todos amplamente sentidos para serem referências de um tipo ou outro.

Neste terreno mágico de Londres em novembro de 1974, foi onde de repente projetou o agora famoso anúncio de classificados na revista Time Out:

MAGIA. Estudante sério de ocultismo tem acesso a Golden Dawn Records e desejos a sociedade semelhantes de forma mais adequada para as tendências atuais – mas talvez reter muitas das notas da Ordem e iniciação de processos. Convida para escrever e discutir o projeto mais plenamente aberto a todos com um mais do que passar o interesse em cerimônias mágicas e instruções práticas, está disponível para o novato ou iniciante. Por favor, sinta-se livre para escrever o que quer que sua interpretação da verdade essencial. O estudo combinado de magia para o bem comum só pode ser benéfico para a humanidade. Caixa 247/20.

Cerca de 20 lobos solitários (todos masculinos) responderam e ficaram desapontados ao descobrirem que o anunciante não era o que eles pretendiam, e que ele tinha pouco interesse em organizar uma ordem reconstituída da Golden Dawn. Numa reunião dos entrevistados, porém, vários deles, incluindo Peter J. Carroll e eu, decidiram reunirem-se regularmente e contribuírem com ideias para o ritual que outros participantes conseguissem unir-se em trabalho.

O grupo nunca teve um nome formal do trabalho ao tempo – o arquivo correspondência original está marcado “Grupo de estudo mágico” -, mas chegou a ser referida como “Stoke Newington Sorcerors” (SNS), desde que a maioria das reuniões teve lugar em uma casa em algum lugar de Londres.

Embora houvessem muitas discussões sobre instituir algum tipo de estrutura formal, geralmente resistiu, em parte porque nenhum dos membros originais estava disposto a ceder a superioridade de qualquer um dos outros, e apesar de chegadas mais tarde tentaram usurpar um papel de liderança, habitualmente receberam pouca atenção. Um núcleo de membros do SNS eventualmente acabou morando nas proximidades durante 1977/8 na casa do notório Speedwell (em Deptford, sudeste de Londres) onde eles se tornaram entrelaçados na anarquia nascente da explosão da moda ‘Punk’. Os nomes mágicos de rua “Cred” como Frater Autonemesis e Frater Choronzon data deste período, e, em termos de estilo de vida, o caos era rei; a dimensão filosófica desenvolvida a partir desse ponto.

Peter Carroll e eu ambos escrevíamos para a, de circulação pequena, revista “novo Equinox” que estava sendo publicada por Ray Sherwin fora Morton East Yorkshire, e foi nesta época que Pete produziu um mágico currículo baseado em exercícios que ele estava usando-se e que foram extraídas em parte de fontes de yoga, bem como tendo alguma influencia de Crowley, Reposição e Castañeda. A essência do trabalho do próprio Carroll havia em despir as besteiras e as técnicas mais úteis em um livreto de não mais que 7, encapsulando digitado em folhas A4, intituladas “LIBER MMM” em classe “A” publicação da ordem mágica do IOT – sendo as instruções iniciais no controle da mente, metamorfose e magia para os candidatos para o IOT.”

IOT é claro, “Iluminação de Thanateros”; o nome em si, talvez devido uma dívida de inspiração não só para reposição, mas também para Robert Shea e Anton Wilson, cuja trilogia teórica da conspiração “Illuminatus” tinha beneficiado de uma medida de aclamação, juntamente com seu estágio de adaptação. Devido à natureza de curto prazo do domicílio do Speedwell, casa e a exigência para os candidatos ao trabalho “Liber MMM” pelo menos seis meses antes de submeter um registro mágico para a consideração, o endereço de correspondência foi o de “Morton Press” de Ray Sherwin. O imprimatur mesmo é para ser encontrado nas primeiras edições do primeiro livro de Carroll “Liber Null”, que inclui “Liber MMM” como o capítulo de abertura.

Existem algumas interessantes características sobre as primeiras versões do “Liber MMM” que são relevantes para as questões discutidas neste artigo, em primeiro lugar, o IOT é apresentado como uma ordem de mágica. Em segundo lugar, não há nenhuma menção de todo do caos; e, em terceiro lugar, sob o título “Estrutura”, Carroll afirma “Não há nenhuma hierarquia no muito”. Embora que ele passa a delinear “uma divisão da atividade baseado na capacidade”, com funções para os alunos, iniciados, adeptos e mestres sendo detalhados. Destaco aquelas características do conceito original porque pequenas alterações foram feitas em versões posteriores do “Liber MMM” e porque o preâmbulo que inclui o material sobre “Estrutura” desapareceu da seção na edição posterior Weiser do “Liber Null e Psychonaut” combinados.

O ponto-chave sobre essa fase inaugural na história de todos é que IOT, embora ela foi apresentada como uma ordem, a estrutura (como a do SNS antes) era uma desordem não -hierárquica, apesar de que não havia nenhuma referência explícita ao caos.

Durante os cinco anos, mais ou menos depois da demolição da casa do Speedwell, “Liber Null” foi seguido por “Psychonaut” e o locus da magia do caos mudou-se para West Yorkshire. Apareceu uma tradução alemã e algum contato foi estabelecido com alguns indivíduos resistentes que tinha trabalhado através do programa “Liber MMM” e quem apresentaram os honrosos registros de suas experiências.

Eventualmente em 1986, a primeira edição do “Caos internacional” apareceu sob a editoria de polícia de Brown e Ray Sherwin. Um olhar sobre o primeiro Editorial mostra que a postura anti hierárquica de magia do caos tinha sobrevivido intacta desde os primeiros dias de IOT. O extrato seguinte faz a posição filosófica naquele momento bastante claro:

“Hierarquia falha por várias razões, não menos do que é que é eminentemente corruptível. Do ponto de vista mágico, hierarquia, exceto quando seus líderes têm verdadeiramente os interesses de seus aspirantes no coração, é sufocante e inercial, o desenvolvimento de indivíduos tendo quarto lugar para poder jogar, política interna e das finanças. ”

Por esta altura a magia do caos estava sendo comercializada com entusiasmo em países de língua alemãs da Europa continental através dos esforços de Ralph Tegtmeier, que tinha publicado as traduções da obra de Carroll. Algum ímpeto estava construindo, em grande parte da moeda, para o muito a reestruturação de uma forma mais formal e eventualmente no Outono de 1987, “Caos internacional” questão #3 realizados dois artigos por Peter Carroll respectivamente intitulado “O Pacto” e “The Magical pact of The Iluminato of Thanateros” que estabelecem um sistema de graus formais que intimamente correspondeu a “divisões de atividade” do parágrafo “Estrutura” na recensão de Speedwell casa original de “Liber MMM”; embora com a adição do post do Mago Supremo grau 0. (Estes artigos são reimpressos, mais ou menos textualmente, sob o título geral ‘Liber Pactionis’ como parte do apêndice ao livro mais recente de Carroll ‘Liber Kaos, The Psychonomicon’.)

Talvez para aplacar os sentimentos do Inglês falando a seguinte passagem de anti-hierarquia foi incluído com destaque:

“As funções principais da estrutura de classe são para fornecer um mecanismo para a exclusão de certos misanthropes psicóticas e neuróticos velhacos que às vezes são atraídos para as referidas empresas e garantir que que precisa organizar que devidamente atendidos.”

As principais características de um pensamento cuidadosamente acordo são discerníveis. Em particular um “escritório de insubordinado” é introduzido para forçar “um fluxo constante de feedback negativo para surgir pela institucionalização rebelião.” O objetivo de contornar um dos mais notórios inconvenientes de hierarquia onde “aqueles no topo estão condenados para cair nas enganosas reflexões de suas próprias expectativas e emitir diretivas ainda mais inapropriadas. Esse gabinete é compreendido para ter algum precedente em Amerindian e outras sociedades xamânicas (referencia Neonfaust – carta em caos internacional #4).

Que havia algumas dúvidas sobre a ideia de uma ‘ordem’ dedicada ao ‘Caos’ entre os profissionais de destaque é claro o artigo de Ray Sherwin que imediatamente segue aqueles por Carroll em caos internacional #3. Sob o título “Filosófico e prático objeções a hierárquicas estruturas em Magick”, ele escreve: “Hierarquias são abertas a abusos” e, ecoando o editorial no “Caos internacional #1”, “mesmo se eles são criados com as melhores intenções são eminentemente corruptível e inevitavelmente corrompidas por razões de poder pessoal ou ganância”.

Sherwin, em seguida, faz uma distinção clara entre ordens mágicas e consenso baseado em grupos mágicos:

“Trabalhando em um meio de base de consenso que os indivíduos não competir com os outros como eles são mais propensos a fazer dentro de uma estrutura hierárquica, muitas vezes lutando por um outro para títulos e privilégios, e rankings, tendo precedência sobre magia e sobre as outras pessoas em causa. A emissão de cartas, no pior dos casos, é simplesmente uma extensão do presente – os requerentes de poder em busca de grupos, ao invés de indivíduos.”

Na mesma peça Sherwin carrega para fazer pontos válidos sobre a feiúra de hierarquias para as fêmeas, e ele comenta que “sem mulheres, magick perde 50% de seu potencial”. Ele conclui: “Se você está interessado em magia, mas não quer se envolver em estruturas hierárquicas, ‘Caos desorganizado’ podem ser de seu interesse” e refere-se a leitores para um endereço de contato noutros países a revista.

O debate continua em questão #4 de ‘Caos internacional’ que apareceu na Primavera de 1988 carregando uma carta a partir de um ‘ Nefasto eu ‘ quem proclama-se como 1º grau IOT da Alemanha Ocidental. Ele introduz o assunto assim:

“Enquanto eu vejo a Ray Sherwin ponto em geral, ainda acho que sua oposição filosófica e prática para estruturas hierárquicas em magia é puramente de fato os argumentos de um infiltrado trabalhando dentro de um grupo bem estabelecido.”

Este é um fato – Sherwin foi um dos membros mais proeminentes da originária, a Internet das coisas!

‘Neonfaust’ continua:

“Trabalhando em semelhante linhas, por um lado, mas ativamente participantes em uma ordem mágica altamente e hierarquicamente estruturada, bem, eu sinto que ele não fez a hierarquia completa justiça. Por um lado, hierarquia é basicamente estrutura e como tal pode ser uma das armas mais fortes contra as muitas armadilhas de magia que tem sido, eu concederei, altamente superestimado no passado, mas que estão aí para ser enfrentada, no entanto. ”

Entre os exemplos de tais armadilhas, ‘Neonfaust’ dá destaque as “auto ilusão” e “megalomania individualista”.

Pode ser, quando o ‘a Saga do gelo’ é enviado para análise crítica semelhante, que a iluminação é convertida na medida em que o abuso de poder hierárquico serviu para mascarar a realidade que este indivíduo foi realmente chafurdar aquelas armadilhas muito ele tanta precisão identifica.

Há, eu sinto, uma desvantagem para o estabelecimento de uma estrutura hierárquica, que não é mencionada em qualquer material fonte citado aqui. A estrutura constante no ‘Liber Pactionis’ pode funcionar bem se visto como um ambiente de processual estabelecido em curso para o trabalho mágico. O que ele não cobre adequadamente é o processo para a criação da hierarquia em primeiro lugar.

Minhas dúvidas sobre hierarquias são geradas em parte porque eu me sinto não necessariamente restringir informações sobre trabalho mágico útil sendo realizado. No ambiente social prevalecente, sobrecarregado, como estamos com uma imprensa intrusiva procuram qualquer desculpa para publicar histórias sensacionais de ‘ocultistas’, estou completamente de acordo com a necessidade de preservar o sigilo sobre as identidades das pessoas envolvidas no trabalho mágico privado. Eu não sinto que este segredo necessariamente deve ser alargado para o trabalho em si – especialmente se avanços significativos no conhecimento e/ou técnicas que estão sendo feitos. Por essa razão, eu fiz um hábito de conduzir uma parte significativa do meu trabalho mágico fora dos limites das definições formais do templo, se não sempre completamente em domínio público. Vejo tais atividades como uma extensão lógica do tipo de trabalho que estava fazendo quando outros escolheram caracterizar-me como um mágico de crise.

UMA VEZ UM MÁGICO DE CRISE – SEMPRE UM MÁGICO DE CRISE

Se se enfrenta alguns terríveis fatais de emergência, em termos físicos, o corpo produz uma descarga de adrenalina que pode conceder um impulso físico para capacitar um para sair da situação. Este tipo de circunstância vai ser familiar para qualquer um que já tenha sido em um arranhão estranho enquanto pote-buraco, por exemplo. Minha forte impressão é que algo semelhante acontece quando um aplica-se uma solução mágica para alguma circunstância de prensagem, ameaçando a vida e a segurança ou a de uns seus dependentes. Se um trabalho tão mágico se torna necessário, é a minha experiência, que é sempre bem-sucedido – Gnose através da crise.

Com o sucesso recente de uma longa e complexa legal e mágico operação contra um Golias de um adversário corporativo, pode fazer essa afirmação categoricamente.

Já não vou tolerar ser arrancado ou trabalhado junto a grandes corporações, que consideram que eles têm algum direito na lei natural se comportar assim, simplesmente por causa de seu tamanho. Tenho que permitir que a situação de proceder a um ponto onde minha posição torna-se suficientemente perigosa que a vaga de ‘adrenalina mágica’ lacra o resultado, mas funciona no final. Essa é a essência da magia de crise.

NO SENTIDO DE PRECISÃO EM MAGIA

Na minha recente análise do livro de Peter Carroll ‘Liber Kaos, o Psychonomicon’, eu era solicitado a estabelecer uma comparação entre o progresso no entendimento dos chamados ‘magia’ e a história da compreensão da radiação eletromagnética pela ciência do século XIX. O físico dinamarquês Hans Oersted notou em 1820 que uma faísca de alta tensão gerada através de uma abertura em um loop metálico poderia induzir uma faísca semelhante, embora menor, ocorrem através de uma abertura em um loop semelhante do outro lado de sua oficina. Você pode observar que o mesmo tipo de efeito no trabalho hoje, quando você está tentando gravar alguma coisa fora do rádio, e seu vizinho começa a trabalhar com sua antiga furadeira elétrica, faíscas causam emissões de rádio de “ruído branco” em toda a inteira gama de frequências. Foi cerca de vinte anos antes de Faraday começar a chegar a um entendimento coerente do que estava acontecendo e não até 1865 que James Clark Maxwell apresentou suas famosas equações de onda que descreveu o processo em termos matemáticos precisos. Depois de mais de 30 anos, Marconi construiu o primeiro conjunto de rádio confiável que pode enviar e receber informações coerentes carregando sinais em comprimentos de onda discretos.

Minha opinião é que, em termos de magia, estamos passados da fase de ‘Oersted’, no qual podemos fazer coisas simples – o equivalente de transmissão faísca indiferenciadas – em uma base razoavelmente consistente e quantificável. Agora, as primeiras tentativas estão sendo feitas para propor um modelo quantitativo de Carroll “equações de magia” no ‘Liber Kaos’, e pode ser que essas equações, em tempos vindouros, irão assumir tanta importância na ciência emergente e tecnologia de ‘magia’, como aqueles de Maxwell feito em engenharia de rádio.

Se nós somos agora, em comparação, apenas um pouco mais adiante do que ser capaz de enviar faíscas de um gerador de Van Der Graaf, acho que o que poderia ser realizado quando os análogos ‘mágicos’ de comprimentos de onda separados, modulação de frequência e/ou tecnologia de radar vem a ser compreendido. Sinto que não é razoável afirmar que talvez estejamos no limiar de alguma grande descoberta, e felizmente para todos nós, o estabelecimento científico/técnico é olhar para o lado por causa de sua crença servil em um universo determinístico e sua recusa em aceitar a realidade de quaisquer fenômenos que ameaçam essa crença – e isto apesar de teoremas de Godel, tendo sido publicadas há meio século!

A chave para o progresso, a meu ver, é se esforçar para alcançar maior precisão em ações mágicas, com cada vez mais precisas declarações de intenções, possivelmente sigilizadas para diagramas de sistemas de mapeamento detalhado de efeitos. Por exemplo, se você se sentir comovido mágisticamente a agir contra um banco para, digamos deduzindo as despesas bancárias de sua conta sem aviso e então saltando um cheque apresentado por seus advogados (que podem ser muito embaraçoso); então você deseja garantir que a maldição é eficaz contra todos os elevadores em sua sede e não todas as suas máquinas de multibanco em um raio de 6,66 milhas; especialmente se o trabalho tiver sido realizado publicamente. Alternativamente, em um nível mais pessoal, você quer ter a certeza de que é o Gerenciador de ofender quem sofre o ajuste de vômitos projétil e não o Secretário infeliz que chances de abrir a carta com as runas desenhadas sob o selo postal.

Aconteça o que acontecer, nunca deixe a vida ficar em cima de você – sempre mantenha a varinha e o raio útil em tempos de crise.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/crises-magickas-ordens-desordens-linces-e-lobos-solitarios/

Sobre a Magia do Caos

Faz bastante tempo que não escrevo aqui, então resolvi dar um alô, mesmo que eu não tenha nenhuma notícia. O objetivo do post de hoje é dizer: “Magia do Caos é muito foda e aqui vão algumas das razões e faltas de razões disso; obrigada, de nada”. Tentemos fazer isso de uma maneira breve e pouco dolorosa para os miolos. Não quero meter no meio coisas como filosofia, teologia, cálculos ou qualquer coisa tirada da cartola do demônio da epistemologia.

Há aquele negócio chamado magia tradicional, que costuma ser qualquer coisa entre astrologia, cabala e tarot. Muitas outras coisas podem ser “magia clássica”, como diferentes sistemas de magia dos grimórios famosos, alguns dos quais muito me encantam. E vem a velha questão: “Por que dividir magia em ortodoxa e heterodoxa, esquerda e direita, branca e negra, cor-de-rosa e cor de capim?” Só para sistematizar, meu filho. Algumas sistematizações são mais úteis que outras. Certos agrupamentos já estão bem ultrapassados como “pessoas boas e pessoas ruins”, mas cada um com suas preferências de linguagem (contanto que se compreenda que termos adquirem diferentes conotações através dos tempos).

Eu não concordo completamente com a divisão de magia velha e magia nova, ou qualquer coisa parecida. Eu só uso esses termos quando não encontro outros melhores. A linguagem está cheia de termos inapropriados e se quisermos uma comunicação realmente eficiente vamos todos meditar e conversar nos outros planos sem usar palavras, já que, como dizia Wittgenstein “a filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento da nossa inteligência por meio da linguagem” (bosta, eu disse que não ia citar filósofos!!)

Então agora que estamos entendidos que eu só uso o termo “magia tradicional” e outros termos ainda piores por falta de termos melhores, vamos seguir em frente.

Vantagens da magia tradicional: confiança/fé na eficácia do sistema devido à sua antiguidade e tradição. Se já foi usado com sucesso no passado, e por tanta gente, por que falharia no presente? A egrégora provavelmente só se tornou mais forte. Esse argumento é bom e compreensível. Eu concordo com ele. Contudo, a proibição de não modificar algumas fórmulas clássicas, embora por um lado preserve as minúcias que as tornam fortes, pode torná-las não tão adequadas aos tempos atuais.

Desvantagens da magia tradicional: alguns sistemas são meio ultrapassados e monótonos (leia-se, velhos e chatos). O enfoque está em preservar a tradição e não em adaptá-los para torná-los divertidos e atraentes. Se parar para pensar, qual é a graça de assistir a uma missa católica tradicional, além de presenciar o poder da tradição? Por isso tantos jovens são atraídos para o espiritismo ou igrejas evangélicas. São adaptações que condizem mais com a onda new age de “eu tenho uma espiritualidade, mas quero segui-la do meu jeito”. Essa postura, é claro, tem seus lados positivos e negativos. Para seguir algo do seu jeito é bom estudar. Por isso os caoístas estudam tanto e fazem tantos experimentos: para realmente entender como a coisa toda funciona. Ou desvendar/inventar novos meios de fazê-la funcionar.

Um caoísta deve estudar magia tradicional? É bom ter algumas noções. Muitos caoístas apoiam seus trabalhos em sistemas tradicionais. Caso ele resolva apoiar em qualquer outra área (física, geologia, videogames ou o que valha) é esta área que deve ser explorada com cuidado e adaptada à magia.

Vantagens do caoísmo: uma magia pessoal e sob medida, como uma roupa sob encomenda. Uma magia divertida, que te dá prazer de fazer e de vivenciar. Em suma, é magia da nossa época. Por isso nós nos identificamos com as propostas. Claro, algumas pessoas se identificam com elementos de outras épocas. Isso também não impede de praticar magia do caos. O magista pode adaptar esses elementos com outras coisas que lhe agrade. Além disso, a minha parte preferida do caoísmo não é somente misturar sistemas, mas criar seus sistemas. Você não somente repete o que já foi dito (“como um papagaio”, diria Frater Xon), mas também contribui criando algo original.

Desvantagens do caoísmo: apenas leia as vantagens da magia tradicional e inverta. Muita gente não se adapta à magia do caos porque, lá no fundo de sua mente, ainda há um teimoso cujo cérebro foi moldado pelo “certo” e “errado” da sociedade, pelo que é real e imaginário, pelo que é permitido ou proibido. Em suma, algumas pessoas “não se adaptam à ideia de que adaptações são possíveis”. “Só posso realizar essa magia no horário de Saturno” ou “vermelho é melhor para uma magia de amor do que azul” ou qualquer outro dogma que a magia tradicional te fez acreditar. Isso significa que todas as regras da magia ortodoxa são mentiras? Não! Elas funcionam muito bem. Pode haver alguma verdade nelas quando utilizadas da forma correta, mas isso não significa que a magia é algo fixo, uma rocha inquebrantável, que nunca possa ser modificada sem autorização de Deuses (se acha mesmo, vá lá chamar o tal Deus, tome um chá com ele e altere as regras, diabos!). Então eu diria que provavelmente as desvantagens do caoísmo estão na nossa própria cabeça.

A Magia do Caos poderia ser um sistema totalmente divertido e eficiente se ao menos nós permitíssemos a nós mesmos toda essa liberdade e prazer. Alguns são muito rigorosos consigo mesmos. Há quem considere que existe magia verdadeira e falsa, a baixa e a alta magia. E, convenhamos: pode ser que exista. O ponto é que não faz diferença se essas coisas existem ou não. O nosso objetivo é trabalhar com esses conceitos e aplicá-los não para nos trazer angústia, mas momentos especiais. O foco não é alterar a realidade em si (que pode ser real ou uma Matrix, não sabemos e pouco importa), mas nossa percepção da realidade. O copo está pela metade (partindo do pressuposto de que o copo existe), mas você escolhe se ele está meio cheio ou meio vazio.

O objetivo da magia não é necessariamente absoluto. Cada um tem seus objetivos com magia. Quem tem paixão por história e mitologia, por exemplo, não resistirá a pesquisar a magia tradicional e experimentá-la. Isso também pode ser fantástico. Mas a magia ortodoxa e a heterodoxa não são totalmente contraditórias. Podem coexistir.

Muitos dizem que o objetivo da magia, espiritualidade ou religião é a evolução espiritual, que temos que ajudar os outros (ou, no caso do budismo Theravada, libertar-se tanto do bom karma quanto do ruim), amar, servir a sociedade e às pessoas próximas e que através disso iremos atingir um grau superior ao que nos encontramos agora.

Novamente, pode haver alguma verdade nessas palavras. Mas muito provavelmente essa não é toda a verdade, até porque, como dissemos antes, palavras são inapropriadas para expressar. Sempre haverá erros na comunicação que podem levar a desentendimentos. Sendo assim, podemos considerar que, sim, amar e ajudar é algo muito nobre, mas há outras coisas relacionadas que talvez o termo “evolução espiritual” não capte com precisão.

São João da Cruz, em seu livro “Noite Escura da Alma” descreve os “dez degraus da escada” e diz que aqueles que chegam ao último degrau serão “semelhantes a Deus”. Ele até mesmo diz que será “Deus por participação”, um termo também encontrado na Suma Teológica de Tomás de Aquino (e eu disse que não ia falar de teologia). Nesse momento quase temos um encontro entre RHP e LHP…

Mas a ideia de uma escada ainda me parece por demais metafórica. Isto é, sei lá, vai que tem mesmo uma escada! Mas não acho que para subir tal escada se deva colocar necessariamente um pé na frente do outro somente de um jeito correto, como robôs. Cada um tem características diferentes e sobe a escada do seu jeito, alguns mais rapidamente, outros tropeçando, mas cada um vai tricotando seu emaranhado de linhas até que forma seu cachecol personalizado! (eu falei tanto em tricotar no meu último livro, Sociedade do Sacrifício, que até fiquei com vontade de voltar a tricotar. Minha avó me ensinou a tricotar quando eu era criança e lembro que era uma das coisas mais relaxantes).

Magia do Caos é sobre isso: não é um ataque à magia tradicional. Ela usa a magia ortodoxa como aliada. Pega o que serve, tira o que não serve, mas não somente com base numa preferência sem reflexões e numa análise superficial. Muitos testes são realizados até que se descubra a melhor forma de fazer as coisas (a melhor forma para si, pois pode variar para cada praticante).

Que cada aranha construa sua própria teia. Não é à toa que o número 8 é celebrado no caoísmo. E mesmo que seja à toa, não nos importamos tanto assim. Há tantos números (reais, imaginários…) e tantas possibilidades que vale mais a pena viver experimentando um pouco de tudo em vez de continuar fechado na caixinha de sempre.

Existem muitas formas de viver. Não somente a forma que nos foi ensinada. E se as outras formas das quais ouvimos falar tampouco funcionam para nós, talvez seja melhor inventar uma outra: uma magia somente sua, sem cabimento: porque não “cabe” nesse universo ou nos outros; somente no universo que você criou.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sobre-a-magia-do-caos

Nove Anos do Teoria da Conspiração!

Hoje, 10/08, exatamente nove anos atrás, em 10/08/2007, era postado o primeiro texto do Teoria da Conspiração no Sedentário: A Santa Ceia e os Símbolos Astrológicos. Lembrando as palavras de um Exu amigo, “Quando vai ver, já foi!”.

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta dez anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de subcelebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde se estudava magia prática e que era formada por membros da OTO, Astrum Argentum, Arcanum Arcanorum, AMORC, TOM e SRIA, e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança kkkkk). A ARLS Crowley era tão engajada que até o Padre Quevedo palestrou uma vez sobre demonologia lá.

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos. Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais de Aleister Crowley. “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Seriado de TV baseado nos estudos da Kabbalah Hermética.

E agora esta em financiamento coletivo para um livro que deve elevar todos os paradigmas de Kabbalah hermética para outro patamar. O Livro bateu todos os recordes de arrecadação no Catarse e ainda há mais de um mês pela frente.

Quando sair publicado, o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os nove anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nove-anos-do-teoria-da-conspira%C3%A7%C3%A3o

Psicodelias, Relâmpagos e Catedrais

Continuando nossa série histórica a respeito das origens dos Cavaleiros Templários, dividimos nosso arco histórico em três facções: de um lado, a Igreja Católica e a história de seus papas, até chegar em Urbano II “Porque Deus quis” pode ser lida AQUI, AQUI, AQUI e AQUI. Do outro lado, a história paralela dos Construtores do Templo, as guildas de maçons detentores do conhecimento da geometria sagrada, preservado desde as pirâmides egípcias até os templos romanos (e até os dias de hoje).

Justamente quando estava escrevendo esta coluna, li um texto postado pelo amigo Kentaro a respeito de um estudo feito por cientistas a respeito de padrões psicodélicos encontrados em neurônios em curto-circuito. Por coincidência, acabei de ler um livro chamado “Girando a Chave de Hiram” onde o autor relaciona justamente estas conexões e a ritualística templária e maçônica. Nesta semana, traçarei a relação entre psicotrópicos, mantras, orgasmos, meditações, relâmpagos, limiares da dor, religião, da falta de sono e até mesmo experiências de pós-morte e sua conexão com o Plano Astral e com a estrutura das primeiras catedrais européias.

Antes de mais nada, vamos ao texto original:

Psicodelia explicada por neurônios em curto
“Está cheio de estrelas”, disse o astronauta Bowman enquanto era absorvido pelo Monolito Negro em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Uma sucessão de imagens psicodélicas (criadas com fotografia slit-scan) representavam então um contato com o Divino, ou o que quer que fosse, já que o próprio Kubrick nunca deixou claro o que diabos aquele final significava. Mas era algo grande, místico, mesmo religioso.
Imagens espirais e túneis de luz afins emergem repetidamente em experiências com drogas alucinógenas, e talvez não por mera coincidência, em iconografias religiosas resultantes de “visões”, como mandalas, arte islâmica ou catedrais cristãs. Não apenas isso, surgem também em experiências de “quase-morte”, alucinações de sinestésicos, cefaléias, epilepsia, distúrbios psicóticos, sífilis avançada, distúrbios do sono, tontura e mesmo em pinturas rupestres de milhares de anos.
Esta universalidade parece indicar algo maior, quiçá contato com planos superiores, ainda que cefaléias, sífilis avançada ou distúrbios psicóticos como meio de se aproximar de deus pareça um tanto bizarro. A neurociência aliada à matemática sugere uma explicação um pouco mais mundana. Porque a ciência já anda investigando o tema.
Nos anos 1920, o neurologista alemão Heinrich Klüver dedicou-se com afinco a estudar os efeitos da mescalina (peyote), e notou como tais padrões geométricos eram repetidamente relatados por diferentes sujeitos (incluindo ele mesmo, mas esta é outra história). Os padrões acabaram classificados no que ele chamou de “constantes de forma”, de quatro tipos: (I) túneis, (II) espirais, (III) colméias e (IV) teias.

Pois estudos recentes, aliando descobertas sobre o funcionamento do córtex visual a modelos do funcionamento de neurônios sugerem que tais padrões podem surgir simplesmente de uma espécie de curto-circuito no cérebro. Perturbações simples no córtex visual, quando mapeadas ao correspondente que o sujeito perceberia, podem gerar padrões notavelmente similares às constantes de forma psicodélicas.

À esquerda, a representação da alucinação de um maconhado. Ao lado, a simulação da percepção gerada pela perturbação do córtex visual. Simples assim. Nada de enxergar deus, e sim um produto da forma como nossos neurônios processam imagens, e como reagem assim a perturbações em seu funcionamento. “Está cheio de estrelas”, mas todas em seu cérebro.
Ou não tão simples, é preciso ressalvar. Neurocientistas, cientistas que são, admitem que ainda não conseguem explicar todas as alucinações relatadas. O próprio exemplo acima envolve uma complexidade maior do que os modelos usados, e a simulação envolve mais especulação. Mesmo o modelo utilizado para simular a percepção dos sujeitos frente às perturbações em seu córtex visual é, ainda, rudimentar, envolvendo diversas simplificações. É uma área ainda em exploração, mas pelo visto, extremamente promissora. Explicaria bem porque tanto religiosos em transe quanto drogados e sifilíticos em estado avançado poderiam partilhar as mesmas alucinações visuais. São seres humanos partilhando a mesma estrutura cerebral submetida a alguma perturbação.

By Kentaro Mori no 100Nexos.

Espirais, Relâmpagos e Teias de Aranha
Uma das sete leis de Hermes Trismegistrus diz que “Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso”.
Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento. Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares não é rígida ou imóvel, mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia. A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode parecer a nível material, mas cheia de movimento e ritmo. Ela dança.

Os primeiros contatos com o Divino muito provavelmente aconteceram por causa dos relâmpagos. Robert Lomas, em seu livro “Girando a Chave de Hiran” conta que, certa vez, estava passando de automóvel quando quase foi atingido por um raio. O raio havia passado tão perto que, por alguns segundos, não apenas a parte elétrica de seu carro teve problemas, mas ele teve uma “visão de Deus”. Naqueles pequenos instantes, que para ele pareceram uma enternidade, Lomas teve o contato direto com o Cósmico, fundindo-se ao todo, na sensação que os ocultistas chamam de Samadhi ou “pequeno mergulho no Nirvana”. O contato com Kheter.
Durante o livro, com a ajuda de diversos neurocientistas britânicos, ele traça paralelos experimentais entre o “curto-circuito” que experimentou graças ao raio e as descrições de êxtase religioso encontradas em diversas literaturas, bem como experiências de neurocientistas como Michael Persinger, Andrew Newberg e Eugene D´Aquili envolvendo o comportamento do cérebro humano.

Mas voltando aos trovões e relâmpagos… é muito provável que desde os tempos mais remotos, muitos homens tenham passado pela mesma experiência que Lomas. Este “curto circuito” e posterior expansão da mente do indivíduo pelo Cósmico certamente resultariam em uma experiência transcedental, divina. O contato com o TODO, o Grande Arquiteto do Universo. Não é de se estranhar, então, que alguns dos deuses mais importantes de todas as mitologias faziam uso do trovão como arma (Zeus fulminando seus adversários na mitologia grega, por exemplo). Ao quase ser alvejado por um raio e sobreviver, o indivíduo ou grupo de indivíduos passava a ter um legítimo contato com a divindade cósmica, e traduzia esta sensação indescritível com o melhor que seu vocabulário pudesse conceber. Enquanto isso, no plano material, os neurônios e sinapses expostos a campos elétricos causariam a sensação que Walter Leslie Wilmshurts chamou de “Consciência cósmica”. Não é de se estranhar que os antigos construtores de catedrais, trabalhando em campanários e outros locais elevados, sob tempo ruim, invocavam a ajuda de Santa Bárbara.

Tantra e Chakras
A experiência divina não é exclusividade do contato com raios e trovões. Paralelamente a isso, os iniciados conheciam técnicas de magias sexuais derivadas do tantra para atingir o MESMO estado de iluminação, ou Samadhi. Através de orgasmos cada vez mais fortes e intensos, e do fluxo de energias despertando cada um dos chakras dos amantes, através da Kundalini, os iniciados conseguem experimentar o mesmo estado divino descrito pelas experiências acima. Da mesma forma, outros exercícios de meditação, contemplação e masturbação têm sido utilizados para o mesmo fim. A energia canalizada durante este “curto circuito” é muito utilizada na chamada Magia do Caos, desenvolvida por Peter J. Carroll no começo do século XX e não é muito diferente das antigas magias sexuais celtas ou egípcias.
Aposto minhas adagas ritualísticas que, se os neurocientistas medissem o padrão do córtex visual em um casal de sacerdotes durante o Hieros Gamos ou de um casal iniciado tântrico durante o Maythuna, eles encontrariam o mesmo padrão descrito por Heinrich Klüver.

Meditação, Mantras e Mandalas
Outro caminho conhecido para se atingir este estado de “curto circuito” é através da meditação. Exercícios de “desligamento da mente” zen e técnicas envolvendo mandalas, mantras ou orações repetitivas, normalmente trabalhando em um padrão espiral, fazendo com que os sentidos objetivos sejam cada vez mais neutralizados, até que haja o travamento das faculdades objetivas e, como conseqüência, a conexão com os planos superiores.
O mesmo processo explica claramente porque muitos fiéis cristãos, ao envolverem-se demasiadamente com as orações (especialmente no terço, que é uma derivação do japamala budista), entram neste “curto-circuito” durante as orações e chegam ao mesmo estado de consciência. A diferença é que, para estas pessoas, por desconhecerem o que está acontecendo, acreditam que “Jesus falou com elas”, pois não são capazes de explicar este contato com o Cósmico e, assim como os selvagens nas cavernas, tentam explicar ao mundo o que sentiram através de seu vocabulário limitado.
Novamente, se estes padrões cerebrais fossem medidos, teríamos o mesmo padrão, tanto que eles se repetem nos desenhos das mandalas, só que de uma forma invertida. Nas experiências com psicotrópicos, o usuário enxerga os padrões depois de entrar em contato com a droga; nas mandalas, o iniciado procura os padrões ANTES de causar o “curto-circuito”.
Qual padrão é a causa e qual é a consequência?

O limiar da dor
Também é conhecido que estes padrões são encontrados em cefaléias, epilepsia, distúrbios psicóticos, sífilis avançada e outras situações do limiar da dor extrema. Estes estados mentais também causam o “curto-circuito”, resultando os mesmos padrões descritos acima. Isto deu origem a uma série de rituais de iniciação e ritos religiosos envolvendo perfurações e suspensões por meio de ganchos, até os famosos faquires e devotos hindus, capazes de atravessar pregos pelo nariz, anzóis pela pele e ganchos por todo o corpo. Examine o córtex deles e teremos o mesmo padrão.
Este culto à dor pela iniciação existe até os dias de hoje, tanto em iniciações que envolvam suportar a dor, como o ritual de Gkol nas tribos de Vanuatu, que consiste em se jogar do alto de uma árvore ou penhasco amarrado em cipós como prova de iniciação da puberdade para a maioridade até talhar os próprios dentes para deixá-los pontudos ou perfurar a pele com piercings e anzóis, além das flagelações.

Durante a idade Média, existiram muitas ordens monásticas que cultuavam a auto-flagelação. Açoites e chicotes como forma de penitência foram trazidos para a Igreja católica dos templos hindus, que por sua vez traziam este costume da maneira a conectar-se com o divino através da penitência.
Podemos ver resquícios desta ritualística até mesmo no cilício, instrumento composto de espinhos que são amarrados na coxa e apertados de acordo com a vontade do usuário, causando uma dor contínua e muito forte. O cilício ainda é muito utilizado na Opus Dei e em outras ordens religiosas monásticas.

Sexo e a Dor
Os Etruscos possuíam templos destinados a ritos sexuais que envolviam prazer e dor (o mais conhecido é a Tombe de la Fustigazione), que deram origem à Lupercália romana e, mais tarde, ao dia de São Valentino (o “dia dos namorados” gringo). Até os dias de hoje, existem dentro de ordens do caminho da mão esquerda rituais de BDSM até o limiar da dor e do êxtase, onde se consegue chegar ao mesmo “curto circuito” da meditação zen. E aposto meu pantáculo saturnino que quando a iniciada estiver em êxtase, encontraremos nela os mesmos padrões descritos por Heinrich Klüver.

As drogas e os psicotrópicos
Outro aspecto muito comum nas iniciações é o uso de psicotrópicos e libertadores da consciência. Drogas como o haxixe, ópio, peyote, mescalina, folha de coca, LSD ou até mesmo o Santo Daime têm a finalidade de desligar os sentidos objetivos e abrir as portas da percepção. Como foi colocado acima, o efeito resultante no Plano Material é o mesmo das outras experiências. Da mesma maneira, Sinestetas enxergam sons, escutam cheiros, sentem cores e algumas delas (acabei de perguntar a uma amiga sinesteta pelo msn) enxergam espirais e estrelas no momento de um orgasmo. “Mas só dos mais fantásticos” segundo palavras dela. O que comprova nossa teoria a respeito dos orgasmos tântricos e curtos circuitos.

Dança de Roda
Outra maneira de se atingir este “curto circuito” é através da dança ou das artes marciais. Danças sagradas de roda e danças ritualísticas existem em todas as culturas e religiões, muitas das quais com extremos aspectos místicos. Entre as principais eu vou citar os Dervishes, do ocultismo muçulmano (epa, eu escutei certo? Ocultismo muçulmano? Sim crianças… chegaremos aos sufis e dervishes em breve) e suas danças de roda. Note como eles estão em estado de transe. Aposto meu cálice de prata que se você medir os padrões do córtex deles, obterá os MESMOS resultados supracitados.
Também posso citar as dançarinas de dança do ventre ou dança dos sete véus ritualística e, claro, os praticantes de kung fu ou tai chi (especialmente tai chi).

A Árvore da Vida
Dentro da Kabbalah, na Árvore da Vida (diagrama que mapeia todos os estados de consciência do ser humano, do mais mundano até o divino), este processo é o caminho que conecta a décima esfera Malkuth (o mundo da matéria) à nona esfera Yesod (o mundo astral, ou intuitivo e acausal), representado pela letra hebraica “Tav”, que também é o símbolo da Ordem dos Franciscanos. O Tau ou Tav representa a imaginação e todos os processos decorrentes da libertação da mente intuitiva da mente objetiva, que incluem todos os processos criativos e visionários. É o primeiro passo para a iluminação. Não é por acaso que todos os deuses representados em Yesod trabalhem com a intuição e com a conexão com a Consciência superior.

A Geometria Sagrada e os Rituais
Muitos dos Construtores de Templos conheciam as propriedades da geometria sagrada de induzir e promover estes estados psíquicos nos iniciados durante os rituais. Desde as proporções na Pirâmide, nos Templos Gregos e Romanos até chegarmos às catedrais cristãs e, posteriormente, às mesquitas muçulmanas e aos Castelos Templários.
Este conhecimento também permanece na África (o povo sempre se esquece que o Egito fica na África! Quando os muçulmanos tomam o Cairo e Alexandria, eles absorvem muito do conhecimento que estava disponível nas Escolas e bibliotecas), trazendo a geometria sagrada para a Arábia. Com as expansões, levam este conhecimento para o sul da Espanha também.

Mas isso já é outra história…

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/psicodelias-rel%C3%A2mpagos-e-catedrais

Chaos Magick

Magia do Caos tem suas raízes em toda tradição oculta e no trabalho de muitos indivíduos. Se alguma pessoa pode ser dita responsável , ainda que não intencionalmente, pela presente atmosfera de opiniões, esta pessoa seria Austin Osman Spare, cujo sistema mágico foi baseado inteiramente na sua imagem de si mesmo e sobre um modelo egocêntrico do universo. Ele não pretendia que o sistema que ele inventou para seu próprio uso pudesse ser usado por outros, uma vez que estava claro para ele que dois indivíduos não poderiam beneficiar-se do mesmo sistema. Nem caiu ele na armadilha de presumir que a informação revelada para ou por ele era pertinente para toda humanidade como todos os messias fizeram. Aleister Crowley veio a olhar para ele como um ´Irmão Negro´ puramente porque ele recusava-se a aceitar a Lei de Thelema de Crowley, preferindo ao invés disto  trabalhar além de dogmas e regras, baseando em intuição e informação levantada das
profundezas do ser.

Detalhar os métodos de Magia do Caos seria espúrio desde que eles são tratados adequadamente nas publicações disponíveis. Entretanto seria útil apontar uma popular mal concepção que tem sido desintencionalmente encorajada por pessoas escrevendo para revistas especializadas. Tem existido alguma confusão sobre a palavra ´Caos´, alguns escritores acreditando que a palavra tem sido usada neste contexto para descrever as próprias técnicas (da magia do caos). Nada pode estar mais distante da verdade. Enquanto é correto que alguns modos de gnosis são efetivos porque confundem as funções racionais, em última análise eles levam a clareza, e magistas envolvidos na corrente do Caos tendem a ser meticulosos na maneira que organizam seus programas de trabalho. Isto é um legado herdado do sistema ´93´.

Formulamos o termo ´Magia do Caos´ para indicar a aleatoriedade do universo e as relações dos indivíduos com ele. A antítese do Caos, cosmos, é o universo adequadamente definido pelo magista para seu próprio propósito e esta definição está debaixo de exame constante e pode ser mudada regularmente. Caos é expressão desta filosofia e reinforça a idéia que não existe um modelo permanente para as relações do indivíduo com tudo que ele não é. A palavra (Caos) encobre não somente as coisas que conhecemos serem verdades mas também aquilo que suspeitamos poder ser verdade tanto quanto o mundo de impressões, paranóias e possibilidades.

Se existisse algo como um credo do Caos, ele seguiria as seguintes linhas: Eu não acredito em nada. Eu sei que eu sei (gnosis) e eu postulo teorias que podem ou não entrar meu sistema de crenças adaptadas quando tais teorias estiverem sendo testadas. Não existem deuses ou demônios, exceto aqueles que eu tiver estipulado dentro de um reconhecimento e aqueles que eu tiver criado para eu mesmo. Eu crio e destruo crenças de acordo com sua utilidade. Nas palavras do sábio ´Nada é verdadeiro, tudo é permitido!´  – contanto que elas interfiram com ninguém.

Em nível de grupos obviamente um consenso de algum tipo deve ser alcançado. Eu uso a palavra ´consenso´ advertidamente pois outras descrições do tipo ´realidade compartilhada´ seriam desencaminhantes, desde que nenhuma noção além do que é concreto pode ser compartilhada. Ela (a realidade compartilhada) pode, no máximo, ser apreciada. Orientação em técnicas é sempre útil mas a confiança em livros, mesmo livros de Magia do Caos, é melhor ser deixada no mínimo em preferência do trabalho por instinto.

Trabalhos em grupo usualmente caem em quatro categorias – experimental, iniciatório, repetição de ritual e celebração (para o
qual muitos grupos podem juntar-se), embora de jeito nenhum  todos grupos incluam todas as quatro categorias em seus repertórios. Mais importante para um grupo trabalhando qualquer tipo de magia é criar e manter uma atmosfera que excite e inspire a imaginação. Os grupos já em existência tem, em larga escala, distanciado-se das idéias determinantes dos anos setenta de que armadilhas teatrais não são necessárias. Eles tendem a usar qualquer dispositivo que contribua com a atmosfera mágica que desejam criar. As armas mágicas tradicionais são usadas algumas vezes mas, mais freqüentemente, algumas novas armas peculiares para cada grupo são construídas. Máscaras e robes são eficazes e portanto largamente usados, embora nudez não seja rejeitada (Veja o ´Cardinal Rites of Chaos´). Até onde compete a magia experimental, sigilização tem sido o assunto mais amplamente pesquisado, mas telecinese, ESP e telepatia tanto quanto muitos métodos de angariar poder tem sido examinados dentro de vários níveis de detalhe.

Magia do Caos não é procurar por convertidos mas qualquer um que já está inclinado para aventura mágica e que está preparado para romper um novo terreno seria acaloradamente aceito pelos grupos existentes.

Livros em Magia do Caos:
LIBER NULL – Pete Carroll
PSYCHONAUT – Pete Carroll
THE THEATRE OF MAGICK – Ray Sherwin
THE BOOK OF RESULTS – Ray Sherwin
CARDINAL RITES OF CHAOS – Paula Pagani

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/chaos-magick/

Goécia

goecia

Uma das etapas mais importantes do desenvolvimento mágico na Tradição Esotérica Ocidental, mas também uma das mais incompreendidas, é o trabalho goético, ou invocação dos demônios. Foi sobretudo graças à Goécia que a magia adquiriu uma reputação tão sinistra no ocidente, especialmente em uma sociedade como a medieval, em que a palavra demônio evocava a noção de criaturas infernais, dotadas de chifres e rabo pontiagudo, sempre com um tridente na mão e envoltas em exalações sulfurosas. Essa idéia era compartilhada tanto pelo pio cristão quanto pelos pseudomagos que se aproximavam do trabalho goético ávidos por fama e poder, o que deu origem à lenda popular do pacto com o Diabo, que acabou se cristalizando na lenda de Fausto.

Foi só a partir das pesquisas de McGregor Mathers, um dos fundadores da Golden Dawn, que a Goécia começou a recuperar seu sentido original. Rato incansável de biblioteca, Mathers descobriu, traduziu e publicou a obra mais importante da tradição goética, a Clavícula de Salomão, cujas instruções serviram de base para a composição do Livro da Serpente Negra, o qual registra a versão Golden Dawn da Goécia. Na interpretação moderna adotada por Mathers e seus colegas, os demônios com os quais a Goécia trabalha são vistos como uma personificação das forças sombrias que agem nas profundezas da psique do próprio mago. Elas tornam-se demoníacas na medida em que são apartadas da consciência e, conseqüentemente, se voltam contra esta, o que não deixa de antecipar as teorias freudianas sobre o recalque e o retorno do recalcado. O objetivo do trabalho goético é recuperar essas forças e integrá-las à totalidade da psique, transformando-as em energias positivas que contribuem para a evolução interior do mago.

Com o costumeiro tom pragmático e pé-no-chão que adotava sempre que não estava preocupado demais em impressionar os basbaques com sua persona de Grande Mago, Crowley foi direto ao ponto, na célebre introdução que escreveu para a tradução de Mathers da Clavícula de Salomão: “Os espíritos da Goécia são parcelas do cérebro humano.”

Mais prudente que Crowley, Israel Regardie evita atribuir uma base cerebral para os demônios goéticos, mas não deixa de insistir sobre o paralelo entre eles e os complexos inconscientes estudados pela psicanálise:

complexo, enquanto for um impulso subconsciente oculto, à espreita e destituído de configuração ou forma no inconsciente do paciente, ainda com força para romper a unidade do consciente, não pode ser adequadamente confrontado. A mesma base racional subjetiva estende-se ao aspecto goético da magia, a evocação dos espíritos. Enquanto na constituição do mago permanecem ocultos, descontrolados e desconhecidos esses poderes subconscientes, ou espíritos (…), ele é incapaz de enfrentá-los adequadamente, examiná-los ou desenvolvê-los visando modificar um e banir outro do campo total da consciência. Eles precisam assumir forma antes que possam ser usados. Mediante um programa de evocação, porém, os espíritos ou poderes subconscientes são convocados das profundezas, e sendo atribuída a eles forma visível no triângulo de manifestação, podem ser controlados por meio do sistema mnemônico de símbolos transcendentais e conduzidos ao terreno da vontade espiritualizada do teurgo.

Mesmo que Regardie use palavras com as quais os psicólogos contemporâneos não se sentem muito à vontade – como subconsciente, por exemplo -, sua descrição da Goécia é clara o suficiente para reconhecermos que o trabalho goético não é outra coisa senão o que os junguianos denominam de confronto com a sombra.

Sombra

Classicamente, a psicologia junguiana define a sombra como os aspectos da personalidade que o ego se recusa a reconhecer e que, dessa forma, são banidos para o inconsciente. Os motivos dessa recusa são vários mas, de um modo geral, têm uma base sociocultural: o indivíduo reprime aqueles traços que não são valorizados pela sociedade ou que, durante a infância, os pais o ensinaram a encarar como feios, maus ou indesejáveis. Alguns desses elementos foram simplesmente expulsos do campo da consciência. Outros nunca chegaram a fazer parte dele e foram barrados antes mesmo que tivessem condições de se desenvolver. Formam a base do que Jung descreveu como o inconsciente pessoal e que coincide mais ou menos com o conceito de inconsciente que Freud desenvolveu no início da psicanálise, antes que formulasse a célebre distinção entre ego, superego e id.

Nos sonhos e fantasias das pessoas, os componentes da sombra costumam aparecer sob a forma de figuras perturbadoras, más ou demoníacas. De fato, a interpretação junguiana tradicional identifica os demônios da religião aos complexos que constituem a sombra, e é esse o fundamento da explicação que Regardie dá para os demônios goéticos. No entanto, é importante frisar que esses complexos não são bons ou maus em si mesmos. São forças psíquicas, moralmente neutras, e é apenas à luz dos valores do ego que eles adquirem uma conotação maléfica.

Para dar um exemplo, durante boa parte da história, a sociedade patriarcal classificou os sentimentos como um atributo feminino e inferior. A expressão dos sentimentos pelos homens era vista como sinal de fraqueza, o que ainda persiste em ditados como o de que “homem não chora”. Para onde vão os sentimentos que os homens são proibidos de exprimir? Para a sombra, claro. Uma vez lá, tornam-se complexos inconscientes, em constante pé-de-guerra com o ego, e que exercem uma influência perturbadora sobre a consciência, apossando-se dela em determinadas circunstâncias – por exemplo, quando o homem explode em um ataque de raiva incontrolável. Essa raiva é um demônio porque possui a consciência, escapa ao seu controle e causa efeitos destrutivos para o próprio indivíduo e para os que o rodeiam. Mas ela não é essencialmente má. É uma força positiva, o sentimento, que só se tornou destrutiva devido à repressão que a impede de ser canalizada de uma forma mais construtiva. A mesma coisa vale para todos os elementos que constituem a sombra.

Os junguianos freqüentemente se referem à sombra no singular, como se fosse uma entidade única, mas não devemos nos iludir com isso. A sombra é uma instância múltipla, composta por diferentes forças que só têm em comum o fato de terem sido reprimidas pelo ego, e que muitas vezes, além de estarem em conflito com a consciência, também se opõem entre si. Imagine uma multidão de demônios, pequenos e grandes, em constante luta uns com os outros, uivando, berrando, e você vai ter uma boa idéia do que se passa no território da sombra. É esse quadro que está na origem do termo goécia, palavra que em grego significa um uivo feroz e inarticulado.

O desenrolar do processo de individuação – que, como foi dito em outra parte, é nada mais, nada menos do que a iniciação de que falam os esoteristas – leva a consciência a se identificar cada vez menos com o ego, alargando seu campo para integrar os conteúdos do inconsciente, tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo. É inevitável, portanto, que em determinada altura do caminho, ela se defronte com o problema de recuperar a sombra, trazendo seus demônios para a superfície, exorcizando o caráter destrutivo dessas forças e integrando-as a seu próprio campo.

No âmbito da psicologia junguiana, esse trabalho é feito com a ajuda do terapeuta. Antes que a psicologia fosse inventada, contudo, as religiões e escolas esotéricas desenvolveram uma bateria de rituais com o propósito de alcançar esse objetivo. A magia goética, tal como descrita pela Clavícula de Salomão, é um desses procedimentos.

A Sombra e a Sístase

Antes de continuar, consideremos a questão da sombra à luz do conceito gnóstico de sístase.

Quem vem acompanhando o Franco-Atirador há algum tempo deve se lembrar de que a sístase é o nome que os gnósticos davam para o sistema de dominação que aprisiona o ser humano, limitando seu potencial. Esse sistema tem ramificações que se estendem por todos os níveis, do cósmico ao psicológico, mas suas principais manifestações são:

1. Giger_bNo campo social, um conjunto de valores que determina o que é ou não aceitável, e inclusive o que deve ser considerado como real ou irreal. É o que o marxismo descreve sob a rubrica de ideologia.

2. No campo psicológico, padrões estereotipados de cognição e comportamento, que filtram as percepções das pessoas e moldam suas ações e interações. A psicanálise se refere a esses padrões como o superego.

3. No campo fisiológico, um sistema de tensões físicas – sobretudo musculares, mas não só – que impedem a energia de circular livremente pelo organismo. Reich batizou esse sistema de tensões de couraça caracteriológica ou couraça muscular.

Esses três níveis estão, obviamente, inter-relacionados. É a internalização da ideologia que está na origem do superego, e é o superego que se ancora no corpo sob a forma de um encouraçamento do organismo. Uma vez constituídos, superego, couraça e ideologia reforçam-se mutuamente em um circuito de retroalimentação (feedback). O circuito age como um filtro, que deixa passar algumas percepções, emoções e atitudes, com os quais a nossa realidade consensual (a visão que temos de nós mesmos e do mundo) é construída, enquanto outros, que não são considerados compatíveis com a realidade consensual, são sumariamente excluídos. O que mantém esse circuito funcionando é a energia dos próprios impulsos reprimidos, desviada e canalizada para alimentar o sistema.

Como o leitor deve ter percebido, a descrição gnóstica e a teoria junguiana da sombra descrevem a mesma coisa sob dois pontos-de-vista ligeiramente diferentes. A partir dessas duas visões, não é difícil perceber também que as relações entre o ego e a sombra são mais complexas, mais dialéticas, do que uma leitura superficial permitira supor. O mundo do ego rejeita a sombra mas, ao mesmo tempo, precisa da energia dela para existir. Nossa realidade consensual só se mantém à custa da força que extrai daquilo mesmo que ela exclui. Os impulsos reprimidos são transformados em demônios, mas são esses demônios que sustentam a estrutura que os reprime.

Conseqüentemente, é impossível superar a sístase enquanto ela for constantemente energizada pelo reprimido em nós. Daí que a integração da sombra, trazer os demônios do inconsciente à luz da consciência e, numa palavra, redimi-los, é uma condição sine qua non para a dissolução do estado de sístase. O que dá toda uma nova perspectiva ao trabalho goético.

A Clavícula de Salomão

Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. De acordo com os filólogos que estudaram a composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C., provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.

Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará inevitavelmente decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele imprudentemente evocar.

Mas não há motivo para susto. A razão pela qual a magia cerimonial antiga é tão abstrusa é a necessidade de mobilizar e canalizar as forças da imaginação, que são, afinal de contas, o único instrumento realmente necessário para a prática da magia. Todo o aparato que o mago é instruído a fabricar tem um significado acima de tudo simbólico, e espera-se que as dificuldades que ele vai encontrar ao fazê-los sejam suficientes para direcionar sua vontade em direção ao objetivo. Já no Renascimento, os criadores do que se tornou conhecido como magia hermética – Marsilio Ficino, Giordano Bruno e Pico della Mirandola, entre outros – compreenderam que uma capacidade de visualização bem-desenvolvida pode substituir com proveito essa tralha toda. A Golden Dawn aprofundou ainda mais essa trilha do uso mágico da imaginação, que consiste na visualização de símbolos e interação com eles em uma esfera puramente psíquica (o astral, como se costuma dizer). E AOSpare e a magia do caos levaram a tendência a seu limite extremo, substituindo até o simbolismo tradicional por símbolos e imagens que fossem eficientes e adequados à psicologia individual de cada mago.

(Por outro lado, para os que gostam da pompa e circunstância da magia cerimonial, Carroll “Poke” Runyon desenvolveu uma versão contemporânea da magia de Salomão que, embora eu não tenha testado na prática, me pareceu bem interessante e vale pelo menos uma olhada, apesar das horrendas ilustrações kitsch com que ele recheou seu livro…)

O Círculo Mágico e o Triângulo da Manifestação

Alegorias de escola de samba à parte, a magia goética se apóia sobre dois instrumentos: o círculo mágico e o triângulo da manifestação. Circle_goetiaO círculo mágico é um velho conhecido de todos os que estudam magia. É no interior dele que fica o mago e sua função tradicional é protegê-lo das forças que o ritual se destina a evocar. Autores contemporâneos, embora não neguem esse papel de proteção, tendem a ver o círculo mágico muito mais como a constituição de um espaço sagrado, separado da realidade quotidiana, no interior do qual a consciência se desloca para um estado alterado no qual a magia é possível. (Um exemplo dessa nova abordagem do círculo mágico pode ser encontrada aqui.) De qualquer forma, embora o mago medieval laboriosamente traçasse o círculo fisicamente no chão, não existe motivo pelo qual ele não possa ser simplesmente visualizado, que é a alternativa adotada por um bom número de adeptos nos dias de hoje.

A mesma coisa se aplica ao triângulo da manifestação, no interior do qual muitas vezes colocava-se um espelho mágico. De acordo com a Clavícula, ele deve ser feito de madeira, com as dimensões exatadas dadas pelo texto, mas pode-se perfeitamente visualizá-lo apenas na imaginação. Como o próprio nome diz, é no interior do triângulo que as entidades evocadas se manifestam. E as explicações dadas por Regardie e outros deixam bem claro que seu valor é antes de mais nada simbólico.

Identificando os demônios pessoais

Levando-se em conta o caráter simbólico de seus elementos, o ritual goético pode ser simplificado ao extremo, tornando-se uma forma de meditação voltada para a integração dos conteúdos que compõem a sombra.

O primeiro passo é identificar esses conteúdos. Você pode preferir trabalhar com os próprios demônios goéticos que, afinal, em última análise, são uma personificação das tendências sombrias da psique. Se optar por essa alternativa, vai encontrar uma descrição pormenorizada dessas entidades em qualquer edição da Clavícula de Salomão (no início do post, dei o link de uma). Eu, porém, não recomendo essa abordagem. Embora sejam uma representação arquetípica, os demônios da Goécia são também clichês elaborados em um contexto – o do cristianismo medieval – que tem pouca ou nenhuma relevância para a psique contemporânea. E apesar do núcleo da sombra ser constituído de partes arquetípicas, ela é também uma montagem altamente individualizada de impulsos reprimidos e traços negativos da sua personalidade. Ou seja, todo mundo tem uma sombra, mas a sombra não é igual para todo mundo. Por esse motivo, é preferível dar espaço para que seus demônios pessoais se revelem sob uma forma igualmente pessoal, em vez de tentar encaixá-los na marra em uma representação coletiva.

Normalmente, as partes da sombra podem ser identificadas através de suas manifestações emocionais. São emoções que se apoderam subitamente da consciência sem causa aparente ou com uma intensidade desproporcional a sua pretensa causa. Por exemplo, ataques de raiva cega ou destrutiva, sentimentos de opressão ou depressão não motivados (pelo menos, não inteiramente) pelas circunstâncias externas, inveja ou ciúme patológicos, etc.

Antes de proceder ao trabalho goético propriamente dito, é preciso mapear esses sentimentos. Uma forma simples de fazer isso é manter um registro escrito no qual se anota escrupulosamente todos os sentimentos que se quer trabalhar. Se preferir, você pode dar um nome a esses sentimentos (por exemplo, o Demônio da Raiva ou o Espírito da Depressão). Personalizar os conteúdos da sombra facilita a etapa seguinte, que é evocar sistematicamente seus demônios, com o objetivo de exorcizá-los.

Exorcismo da sombra

Exorcizar os demônios, ao contrário do que o filme de William Friedkin e séculos de tradição católica dão a entender, não significa expulsá-lo. Isso seria o equivalente teológico da repressão e eles já estão mais do que reprimidos, obrigado. É por isso, aliás, que se tornaram destrutivos.

A palavra exorcismo vem do grego exos, exterior, e significa simplesmente trazer para fora o que estava oculto. Exorcizar um demônio significa apenas expor à luz da consciência um conteúdo que se encontrava reprimido no inconsciente.

Para isso, primeiro visualize a si mesmo no interior de um círculo de proteção ou visualize um círculo de proteção ao seu redor. Se achar necessário, pode traçar o círculo fisicamente, com giz ou que o valha, mas mentalizar um círculo de luz branca ao seu redor é o suficiente. Procure ver o círculo com a máxima nitidez possível. Sinta a proteção que ele oferece, isolando-o de todas as influências negativas, inclusive e sobretudo das forças que você vai evocar.

Em seguida, imagine um triângulo em frente a você, mas fora do perímetro do círculo. Ele corresponde ao triângulo da manifestação da Goécia clássica. Eu o vejo como um triângulo de luz vermelha, provavelmente porque a emoção característica da minha sombra é a raiva, mas a cor não é de fato importante. O essencial é imaginá-lo com nitidez e, de novo, se quiser, pode desenhar um triangulo concreto diante de seu círculo.

O passo seguinte é vivenciar a emoção que vai ser trabalhada. O momento ideal para isso seria quando ela surge espontaneamente, mas na maior parte das vezes isso é muito difícil, beirando o impossível. Um dos traços mais marcantes das emoções da sombra é seu caráter compulsivo e, no calor da emoção, não se pode censurá-lo por não conseguir parar para visualizar o círculo e o triângulo.

Evocando os Demônios Pessoais

Em vez disso, depois de confortavelmente instalado em seu círculo, defronte o triângulo da manifestação, procure se lembrar das ocasiões em que você experimentou a emoção da sombra. Escolha apenas uma emoção de cada vez, ou será impossível lidar com a horda de demônios que vai irromper pelas janelas da mente.

Tente se lembrar não das circunstâncias externas, que são irrelevantes, mas das sensações que você teve quando a sombra irrompeu. Trate de evocar nos mínimos detalhes como você se sentiu nessas ocasiões.

Quando perceber que conseguiu estabelecer contato com a emoção, visualize-a fluindo de você para o triângulo da manifestação, onde ela se acumula como uma massa luminosa de intensidade crescente. Depois de algum tempo, essa massa vai se coagular e assumir uma forma concreta. Pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto. Não tente antecipar ou impor uma forma, deixe que o processo seja espontâneo.

No entanto, caso ela surja sob o aspecto de uma pessoa real, de carne e osso, peça-lhe para adotar outra forma. Isso significa que você tende a projetar a emoção em questão sobre a pessoa que apareceu, e confundir as duas só vai trazer dor-de-cabeça para você e para a pessoa. Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra, e ele tinha toda a razão quanto a isso.

Pode ser que a imagem demore um pouco para se estabilizar, adotando várias formas seguidas, como se o conteúdo estivesse decidindo qual é a mais adequada. Mas, uma vez estabilizada, ela é o seu demônio. E está pronto para ser confrontado.

Agora eu tenho sua Atenção

Uma questão importante antes de sair evocando os espíritos goéticos é: o que fazer quando eles aparecem? Você está escancarando os porões do inconsciente para dar passagem a seus piores demônios. Agora que eles estão plantados diante de você, como lidar com esses visitantes infernais?

Os magos medievais e renascentistas que usavam a Goécia não tinham grandes problemas com isso. Como eles trabalhavam com um sistema de crenças objetivo, a integração dessas forças à consciência não se colocava. Suas finalidades eram práticas até o talo: queriam conhecimento, poder ou diversão, e ponto final. Quando os espíritos goéticos surgiam, eles os botavam pra trabalhar. Depois, se tivessem cumprido sua tarefa a contento, recebiam uma licença para partir e tornavam a mergulhar nos porões sulfúreos do inconsciente, autônomos e não-integrados. Ou, se o mago não tivesse cumprido sua tarefa a contento, invadiam o círculo de proteção e se apossavam de sua alma (um fenômeno que a psicologia analítica conhece como inflação do ego e ao qual os psicólogos junguianos se referem como possessão do ego por um conteúdo do inconsciente).

Não admira que a Goécia tenha adquirido uma reputação tão ruim, não só entre os leigos, mas entre os próprios adeptos. Sempre que questionados sobre as operações goéticas, os membros da Golden Dawn saíam pela tangente, e davam a mesma resposta do Jesus de South Park: “Meu filho, eu não tocaria nisso nem com uma vara de dois metros.” E isso a despeito de ter sido McGregor Mathers quem traduziu a Clavícula de Salomão para o inglês.

No entanto, é preciso tocar nisso, com ou sem uma vara de dois metros.

Psicologia do Ego

A resposta do necromante clássico é obviamente insatisfatória. Usar nossos demônios para atender desejos pessoais é colocar essas forças a serviço do ego. Seu equivalente contemporâneo poderia ser a ego psychology, que pretende drenar o inconsciente para criar um ego forte, plenamente adaptado ao princípio da realidade e capaz de submeter os “caprichos” do inconsciente ao domínio imperioso de sua vontade (que não deve ser confundida com a Verdadeira Vontade de Crowley e da Thelema).

Isso é o oposto da integração.

Os espíritos goéticos devem ser integrados à consciência, e não ao ego, e enquanto essa distinção não for compreendida, não importa o rótulo que se empregue, estaremos praticando magia negra da pior espécie.

O que fazer?, perguntaria o camarada Lênin, confiando seu cavanhaque com o olhar perdido no vazio.

O que fazer?

Diálogo com a Sombra

Os espíritas diriam que é preciso doutrinar os espíritos, isto é, esclarecê-los quanto à verdadeira doutrina de Kardec, tirá-los das trevas da inconsciência e permitir que eles se aperfeiçoem pela prática de obras de caridade.

Contenha o sorriso, meu caro leitor cínico. Eles estão certos.

Não da maneira que eles pensam, evidentemente. Os espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas – daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar – mas, talvez até por causa de sua inocência, descobriram um princípio importante.

Os espíritos são tirados do inconsciente através do diálogo.

Os espíritos são integrados à consciência estabelecendo-se uma conexão entre eles e alguma coisa maior que o ego.

Além do Ego

Esse eixo de referência maior que o ego é, evidentemente, o Self – ou o SAG, se você preferir o vocabulário mágico.

É isso que significa o círculo mágico de proteção. O círculo é o emblema geométrico do Self, e você vai notar que, na descrição da Clavícula, não é o nome do mago que está escrito em sua periferia, mas os nomes de Deus. Você notará também que mesmo a invocação goética tradicional conclama os espíritos a obedecerem em nome de Deus. É claro que invocar o poder divino para obrigar o espírito a encher seus cofres de ouro é uma traição do ego, mas o ponto não é esse. O ponto é que a força que submete os espíritos se origina de além do ego.

Desnecessário dizer, se o mago não tiver estabelecido ele próprio essa conexão entre a consciência e o Self, a evocação goética não passa de palavrório vazio. Pior que isso, é um blefe, porque o mago estará se apoiando em um poder que ele não possui. E um blefe que, com toda a probabilidade, não vai demorar a ser desmascarado, uma vez que, se a consciência não estiver solidamente ancorada no Self, não terá como fazer frente ao fascinium tremendum que emana dos complexos do inconsciente e que é descrito nos tratados tradicionais como a irresistível capacidade de sedução dos espíritos infernais.

O resultado disso, numa palavra?

Loucura.

Foi só porque teve o bom-senso de se amarrar ao mastro do navio que Ulisses pôde resistir ao canto das sereias.

É por esse motivo que, segundo Abramelin, o trato com os espíritos infernais vem depois da conversação com o Santo Anjo Guardião. Abramelin vai ainda mais longe e diz que é o próprio SAG quem ensina o mago a melhor maneira de evocar e controlar os espíritos. E adverte enfaticamente sobre o risco mortal que é a evocação dos espíritos infernais sem a imprescindível retaguarda fornecida pelo SAG. Esqueçam estes charlatões prometendo contato com kiumbas e eguns; eles não têm poder para nada, se tivessem, estariam ricos e não precisariam vender pactos para viver. Os verdadeiros demônios que podem ser negociados estão dentro de cada um de nós.

Por Lucio Manfredi.

#Goécia #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia

Caos sem preconceito

Recorrentemente vimos nos meios de comunicação matérias e reportagens que atribuem a ´satanistas´, a ´magistas negros´, a ´quimbandeiros´ e à outros grupos a responsabilidade por crimes praticados contra a vida e contra a liberdade sexual. Algumas destas notícias são verdadeiras, outras falsas. Todas contribuem para a formação de um pré-conceito. O de que estas sendas (satanismo, magia negra, quimbanda) são as formadoras das consciÊncias doentes, são formadoras de psicopatas. Isto é o núcleo da propaganda preconceituosa. Vemos o mesmo mecanismo dentro da IURD à cerca de outras crenças. O perigo é que a grande maioria (90%) das pessoas são levadas à crença por motivação emocional e acabam dando valor à esta formação pre-conceituosa. Doentes e criminosos são as pessoas que praticaram os crimes. Não as sendas.

Dentro do território da magia em vários ´recôncavos cibernéticos´ temos o mesmo mecanismo em ação, o pré-conceito, sobre magia do caos. Quando alguém quer parecer ´mau´ e ´perigoso´ abraça a bandeira da magia do caos e diz: sou caoísta. Como se fosse um repelente para manter os indesejados afastados. E isto pegou.Tem listas de discussão por aeh que expressamente dizem que  caoístas devem se manter afastados. O núcleo desta formação de imagem está nas idéias de que a magia do caos é a-ética
ou ´sem ética´, que o praticante destas técnicas desconhece regras e limites, que busca apenas o poder através da obtenção de resultados. É o mesmo que dizer que os satanistas são criminosos porquê uma reportagem de jornal de 5a. diz que um sacrifício humano foi cometido em um ritual satanista.

Para que serve a magia?

A resposta para esta pergunta é extramente pessoal. Uns podem dizer que serve para obter poder. Outros podem dizer que serve para se ter uma vida melhor. Ou para ser feliz. Ou que para se libertar das ilusões do mundo, um se torna o ´ilusionista´. As respostas e escolhas são individuais. O indivíduo que faz esta escolha é o responsável pelos seus atos. Atribuir responsabilidade dos atos deste indivíduo às técnicas que ele usar é acreditar em uma distorção da realidade.

Para que serve Magia do Caos?

Você poderá obter várias respostas diferentes, de indivíduos diferentes, que lhe irão mostrar não a serventia da Magia do Caos, mas as aspirações destes indivíduos. Como não posso responder por todos, nem por um outro indivíduo, responderei apenas por mim, ok?

Uso Magia do Caos como um cinturão do ´Batman´. Quais são as ´ferramentas´ escondidas neste cinturão?

– A construção de um sistema pessoal de crrença, que envolve partes ´boas´ (ou que funcionam) de outros sistemas de crença, algo como uma religião própria, individualizada.

– A capacidade de usar a ´crença´ como umaa ferramenta, passando a acreditar em algo que seja necessário para a obtenção de um resultado, durante o tempo que durar esta necessidade.

– Controle dos corpos físico, emocional e  mental, para aplicação das técnicas de operação mágica. Conhecimento de Técnicas de Gnose (produção voluntária de um estado ´alfa´ de ondas cerebrais).

– Conhecimento das técnicas de 5 tipos de  operação mágica: Encantamento (do Universo ou de pessoas), Invocação (de estados
emocionais interiores e/ou entidades), Evocação (de estados emocionais exteriores e/ou entidades), Adivinhação e Iluminação.

– Conhecimento destas técnicas em ao menos 4 níveis: usando base material; usando base instintiva; usando a plataforma astral; usando ritualisticamente um mix das plataformas anteriores.

– Contato com uma consciência mágica superrior (chamado por alguns de Augoeides).

A qualidade do que eu faço depende de minha ética pessoal. Às vezes leva para o bom e ao bem, às vezes leva para o mau e ao mal, mas todas as vezes de forma objetiva e responsável.

Pela minha experiência, te digo, que você pode conhecer as técnicas de magia do caos e ser um melhor satanista, thelemita, gnóstico, cristão (não ria), sufi, hindu, budista, taoísta, ou whatever you want to believe. Se você começar a buscar somente o poder, sem medir consequÊncias, de forma a-ética, isto será uma responsabilidade só tua.

Espero ter contribuído para uma melhor formação da idéia.

Zoakista

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/caos-sem-preconceito/