Magia Sexual: uma visão caótica

Phil Hine

Para começar, algumas definições:

“Magia Sexual tenta unificar paixão com consciência.”

“Magia Sexual é Amor sob o direcionamento da Vontade.”

Ambas as definições foram retiradas do trabalho do Dr. Christopher S. Hyatt, que combina prática mágica com psicoterapia e técnicas de trabalho corporal.

“O aproveitamento da própria experiência sexual com intencionalidade, para trazer a vontade da mudança.”

Esta terceira definição é minha tentativa inicial de encapsular as características essenciais da magia sexual. No mais, todas as três definições colocam a ênfase na Vontade. Dr. Hyatt salienta a importância do Amor e da Paixão, considerando a minha forma de ampliar todos os aspectos da nossa experiência sexual. Então, para resumir, magia sexual se trata de explorar e utilizar a própria consciência e a experiência da sexualidade com o intuito de provocar mudanças, de acordo com a vontade. Isto ajuda, se você for capaz de se apaixonar, em todos os sentidos da palavra, por todo este processo, pois sem o Amor é difícil haver mudanças.

Isto implica muito mais do que a simples ondulação de varinhas, bastões, taças e as rosas que alguns autores ocultistas sugerem. A decisão de manter o celibato por um tempo pode ser tanto um ato de magia sexual quanto qualquer ritual de cópula ou o ato da masturbação. Há uma tendência entre os magistas modernos em enxergar a magia 148sexual apenas como um meio ‚mais poderoso‛ de entrar em transe (gnose) na intenção de provocar mudanças. É mais ou menos como diz Zachary Cox em Aquarian Arrow ,  usar um computador como peso de porta.

Além disso, é muito fácil ficar preso em uma definição estreita, ou limitar as impressões do que a magia sexual envolve. Uma das invocações mais intensas de‚tensão erótica‛ que eu já participei aconteceu em uma sala lotada de pessoas festejando. Tudo começou com olhares se trocando pela sala. Nós seguramos o olhar de cada um por longas rajadas. Esta ‚dança‛ de estímulos não-verbais progrediu lentamente, com o estudo das mudanças corporais, grifos vocais de palavras significativas, um não-muito-toque dos dedos,até que a tensão sexual na sala começasse a aumentar, até a maioria das pessoas começarem a se afagar, de alguma maneira, que a atmosfera se tornou propícia, e então eles foram embora.Entre nós foi ‚levantada‛ uma intensa atmosfera erótica, ‚altamente carregada‛, sem que qualquer coisa sexual tivesse acontecido. Visto que nós todos tínhamos dividido um mesmo amante no passado (sem que as pessoas na sala soubessem), nós pudemos fazer isso como um jogo lúdico, reconhecendo o poder de sedução um do outro, mas confortavelmente por saber que não tínhamos a intenção de transar. Isto, para mim, é um ato de magia sexual tanto quanto copular enquanto se recita um mantra ou se concentra em um sigilo.

Sexo é poderoso e perigoso. É um dos aspectos mais intimidadores da experiência humana e, assim como um cavaleiro inexperiente que monta em um cavalo arisco, nós sentimos com freqüência que nossa sexualidade pode, de repente, deslizar do nosso controle e nos carregar, engasgados, para o caos do desconhecido.Às vezes, a  sexualidade pode ser tão escorregadia como uma enguia –justamente quando pensamos que entendemos tudo sobre isso, ela se reviravolta e nos surpreende. A sexualidade é caótica de forma que poucas pessoas são capazes de admitir. Afinal de contas, a cultura ocidental é obcecada pela ordem –experiências lineares e tudo cuidadosamente etiquetado. Mas o caosnos énatural, incluindo, é claro, a nossa própria natureza intrínseca,que nos cantos é bagunçada e meio ‚blobby‛. Nossa sexualidade pode, aparentemente e a qualquer momento, se tornar borbulhante, sem limites,mesmo quando tentamos contê-la –instituições sociais, preferências de gênero e teorias psicológicas. Vamos encarar que a Sexualidade é uma coisa esquisita. Magia é uma coisa esquisita.Portanto, quando damos início à Magia Sexual, a dose é dupla.Sexo e mágica são experiências entrelaçadas –sexo é um tipo de magia (e pode se tornar ainda mais mágico ao não se preocupar com o sexo-mágico toda hora), e a magia, enquanto erótica e excitante,não precisa sernecessariamente sexual do modo como entendemos isto. Há uma crença comumente aceita de que aqueles que praticam magia sexual incluem a si mesmos em ritos orgásticos selvagens emqualquer oportunidade que surgir. Isto é raramente o caso. Depois de tudo isso, se você precisar passar por toda essa baboseira ocultista apenas pra transar, então a sua vida é um pouco triste, não é? Ea subcultura ocultista é abarrotada de pessoas TRISTES, desesperadas pra conseguir transar eque tentamtransformar a magia sexual em um último recurso pra isso

Nesta última metade do século XX, houve um aumento pelo interesse em magia sexual. Isto tem conseqüências negativas e positivas. Sim, um interesse renovado em magia sexual significa que haverá uma nova geração de livros e escritores, saindo dos velhos clichês e explorando tabus, mas isto também significa que o sexo-mágicko se torna algo como um tendência, e tendências tendem a se tornar, em algum ponto, trivializadas. Disciplinas esotéricas resumiam-se em oficinas de final de semana. Tudo tinha o rótulo ‚Xamânico‛ –travestis eram‚ xamãs‛, rainhas do couro eram ‚xamãs‛, qualquer um com mais de um piercing era um ‚xamã‛–até que o termo ‚xamã‛ se desassociou do seu significado, e,pior ainda, as pessoas começaram a pensar que tudo que eles precisavam fazer para ganhar o respeito e o status de um xamã era ter um par de piercing e usar um vestido. Pat Califia ilustrou espirituosamente, na revista Skin Two, onde esta situação poderia chegar:

“Onde está o Altar? Vocês nunca me deram tempo para meditar antes de me amarrarem. Podemos fazer uma respiração tântrica e cantar juntos antes de começar a brincar? É o Equinócio Primaveril, sabe. As velas deveriam ser amarelas e azuis… Se você vai me mumificar, você deve colocar cristais sobre os meus chakras. E se você vai me bater, eu realmente gostaria de dedicar a minha dor à Kali, porque ela é minha deidade tutelar durante este ciclo lunar. Isto são grampos de plástico? Eu nunca vou deixar plástico tocar o meu corpo. Madeira absorve a vibração aural muito melhor. Espera, deixe-me olhar pra tatuagem no seu braço. Ó. Não tem muito, bem, a aparência de tribal, não é mesmo?”

Não se deve nunca esquecer que a magia sexual é uma disciplina, e qualquer coisa que venha da exploração das técnicas de magia sexual surge como conseqüência da sua disciplina.Deveria ser óbvio que para chegar a qualquer lugar com magia sexual, você deve praticar com todos os outros aspectos da obra mágicka.

PORQUE FAZER MAGIA SEXUAL?

Há uma suposição comum de que todos os magistas realizam práticas indizíveis por trás das portas fechadas. Mas só por isto ser uma crença popular não a torna verdadeira, nãoé? Quando as pessoas começam a manifestar interesses pela magia sexual, eu costumo questioná-la do ‚Por quê?‛. Geralmente, assume-se que todo mundo está interessado em magia sexual, do mesmo modo como se assume que todo mundo está extremamente curioso e interessado sobre sexo. Assim, todos os magistas sexuais precisam ser magistas, mas nem todo magista precisa ser um magista sexual.

PONTOS GERAIS A SEREM CONSIDERADOS

A)Você está ‚fazendo‛ magia sexual quando você começa a entender e explorar seus próprios sentimentos e comportamentos sexuais a partir de uma perspectiva mágica.

B)Você está ‚fazendo‛ magia sexual quando você começa a desembaraçar as suas atitudes, hábitos e projeções sobre suas experiências sexuais com outras pessoas.

C)Magia sexual se preocupa tanto com a aprendizagem do ‚deixar ir‛ como com a do ‚controlar‛.

D) Se você não pode praticar magia sexual com você mesmo, então provavelmente não se sairá bem com um parceiro.

E) Você é o responsável por suas próprias emoções.

F) Assim como qualquer outro tipo de magia, a sexual pode, em alguns casos, ser inapropriada, entediante ou não ser o melhor método para alcançar o intento.

G) Cuidado com os Adeptos ou Bruxas-Rainhas que fazem ofertas para acordar o seu Kundalini, elas podem atiçar seus chakras ou borrar sua aura!

H) Nunca faça magia sexual com alguém mais louco do que você mesmo.

Muito bom

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/magia-sexual-uma-visao-caotica/

O Necronomicon e a Antiga Magia Árabe

Os relatos de HPL do Necronomicon fornecem um número de paralelos dramáticos com mitos árabes verdadeiros e técnicas mágicas (Magick). Estes paralelos são muito específicos e detalhados para serem considerados um caso de coincidência. Muito do material nesta seção NÃO estava disponível em livros publicados em inglês antes de 1930. Isso parece significar que ou a informação foi dada à Lovecraft por alguém iniciado em tradições mágicas árabes ou Lovecraft tinha uma fonte escrita de informação sobre mitos e magia árabes não publicamente disponível. A segunda opção é um tanto plausível já que Lovecraft era um bibliófilo extraordinariamente erudito que amava mitologia árabe quando jovem.

Lovecraft quase que certamente tinha um livro não publicado, provavelmente raro, sobre mitos e magia árabes. Esta é a explicação mais econômica de como informações TÃO OBSCURAS sobre magia árabe podem ter aparecido em suas histórias. Lovecraft provavelmente possuiu um livro muito parecido com o Al Azif (Necronomicon) em conteúdo se não no título. Para algumas pessoas isto pode soar uma declaração difícil de se aceitar sem provas. Eu sou este tipo de pessoa. O motivo de eu estar fazendo esta declaração é porque eu sinto que é bem comprovada. Eu espero que você tenha esse sentimento quando terminar de ler este texto. Eu vou agora detalhar algumas destas raras informações, referidas acima, que conectam os relatos de HPL do Necronomicon e seus mitos com tradições místicas árabes reais.

HPL escreveu que o Necronomicon foi escrito por Abdul Alhazred, que era chamado de “Poeta Louco”. Alhazred visitou a cidade perdida “Irem dos Pilares” (o centro ou o culto de Cthulhu) e lá encontrou muitas coisas estranhas e mágicas. Lovecraft localizou Irem em Rub al Khali. Quando velho, Alhazred registrou o que ele lembrava em seu livro de poesia “Al Azif” (depois renomeado como Necronomicon).

Irem é muito importante para a magia árabe. “Irem Zhat al Imad” (Irem dos Pilares) é o nome da cidade em árabe. É popularmente acreditado pelos árabes que Irem foi construída pelo Jinn sob a direção de Shaddad, Senhor da tribo de Ad. A tribo de Ad, de acordo com a lenda, foi uma raça aproximadamente equivalente aos “Nefilins” (gigantes) hebraicos. Em uma versão deste mito Shaddad e o Jinn construíram Irem antes da época de Adão. Os Muqarribun (magos árabes) tem crenças importantes a respeito de Irem e seu significado. Os Muqarribun, cujas tradições pré-datam o Islamismo, acreditam que Irem é um local em outro nível de realidade, em vez de um lugar físico como Nova York ou Tóquio. (Porquê Irem é tão importante para os Muqarribun e como eles a usam será melhor explicado logo). Os pilares em “Irem dos Pilares” têm um significado secreto. Entre os místicos árabes, “pilar” é um nome-código para “ancião” ou “antigo”. Deste modo “Irem dos Pilares” é na verdade “Irem dos Antigos” (é digno de nota que vários estudiosos de Lovecraft erroneamente afirmam que HPL criou Irem, assim como dizem que ele criou o Necronomicon, como parte de sua ficção).

Nas lendas árabes, Irem está localizado em Rub al Khali assim como HPL disse que estaria. Para os Muqarribun, o Rub al Khali tem um significado “secreto” (incidentemente a arte de codificar e decodificar significados “secretos” na escrita árabe mística ou mágica é chamada de Tawil). Rub al Khali se traduz como “Quarteirão VAZIO”. Neste caso “Vazio” se refere à VAZIO como em AIN nas tradições cabalísticas. Rub al Khali é a porta “secreta” para o Vazio nas tradições mágicas árabes. É o exato equivalente árabe para DAATH na Cabala. Para os Muqarribun, o Rub al Khali é o portal (Daath) secreto para o Vazio (Ain) no qual se encontra a “cidade dos Antigos”. Isto é incrivelmente próximo de Lovecraft, que fez muitas referencias a um portal de conexão com os “Antigos”. Mais, Lovecraft, afirma que os Antigos vieram do Exterior (outra dimensão de realidade) e os ligou ao “vazio infinito”. Ao fazer essas afirmações a respeito dos “Antigos” e conectá-los ao Irem e ao Rub al Khali penetrou na justa essência de uma quase desconhecida (porém importante) área da antiga magia árabe. O que faz disso ainda mais interessante é que não há forma de saber sobre o significado “secreto” de Irem, a não ser que você faça alguma pesquisa séria sobre tradições místicas e mágicas árabes.

Desta forma Lovecraft ou fez uma das suposições mais sortudas da história ou de fato fez alguma pesquisa sobre os aspectos mais profundos das tradições mágicas dos Muqarribun (pelo que eu saiba não havia nenhum livro publicamente disponível com esta informação na época de Lovecraft). O “Rub al Khali” (não o deserto físico, mas o equivalente árabe de Daath) foi penetrado em um estado alterado de consciência pelos Muqarribun. Irem representa aquela parte do “Quarteirão Vazio” que age como uma conexão para O Vazio. É desse lugar (Irem) que a comunhão com o Vazio e no que ele habita acontece. Os “monstros da morte” e espíritos protetores que Lovecraft menciona são os Jinns (veja abaixo). O Muqarribun pode interagir com essas entidades quando ele está no “Rub al Khali” ou “Irem”. Quando o Muqarribun passa através de Irem para o Vazio ele alcança a Aniquilação (fana). Aniquilação é a suprema realização nos misticismos Sufi e Muqarribun. Durante a Aniquilação, o ser inteiro do mago é devorado e absorvido para dentro do Vazio. O “eu” ou a “alma” (nafs i ammara) é totalmente e completamente destruída no processo. Essa é provavelmente a fonte de histórias à respeito de demônios comedores de alma (associados à Irem) nas lendas árabes. Isso deve ser comparado à Lovecraft em “Through the Gates of the Silver Key” no qual Irem é um tipo de portal para o Exterior. Uma comparação próxima desta história com as idéias dos Muqarribun, discutidas acima, mostrará novamente que HPL tinha um conhecimento de magia árabe não disponível publicamente. Agora vamos considerar o título designado à Alhazred. HPL escreveu que o título de Alhazred era “Poeta Louco”. “Louco” é normalmente escrito como “majnun” em árabe. Majnun significa “louco” atualmente. Entretanto, no século oitavo (época de Alhazred) significava “Possuído por Jinn”. Ser chamado de Louco ou Possuído por Demônios era altamente ofensivo para um muçulmano ortodoxo. Os Sufis e os Muqarribun consideravam “Majnun” um título lisonjeiro. Eles até chegavam a ponto de chamar certos heróis Sufi de “Majnun”.

Os Jinns eram criaturas poderosas dos mitos árabes. Os Jinns, de acordo com a lenda, desceu do paraíso (o céu) antes do tempo de Adão. Portanto, eles existiram antes da humanidade e conseqüentemente são chamados de “Pré-adamitas”. “Pagãos gentios” veneravam estes incrivelmente poderosos seres. Os Jinns podem “gerar filhos com a humanidade”. Os Jinns são comumente invisíveis aos homens normais. Eles aparentemente querem grande influência na Terra. Muita da magia praticada concerne os Jinns (feitiços para se proteger deles, ou feitiços para chamá-los). Os Jinns são deste modo virtualmente idênticos aos Antigos de Lovecraft. Vamos analisar o título “Poeta Louco” um pouco mais. Os Jinns inspiram poetas nos mitos árabes populares. Por isso que Maomé foi tão veemente em negar que ele era um poeta. Ele queria sua revelação fosse compreendida como vinda de “Deus” e não dos Jinns. Então o título “Poeta Louco” indica que Alhazred fez “Contato” com os Jinns (Os Antigos).

Isso também sugere que seus escritos foram diretamente inspirados por eles. Isso é inteiramente consistente com o que Lovecraft escreveu sobre Alhazred. Qualquer um que não está familiarizado com magia e misticismo árabes não poderia saber o significado de “O Poeta Louco” em árabe. Isso de novo parece indicar que Lovecraft provavelmente teve uma fonte de informações raras sobre magia árabe. Lovecraft escreveu que o Necronomicon de Alhazred era um livro de poesia originalmente intitulado “Al Azif”. Isto também mostra uma conexão profunda com magia e misticismo árabes que não seriam aparentes à alguém não familiarizado com estes assuntos. Al Azif traduzido é “o livro dos uivos dos Jinns”. Este título é notavelmente consistente com o significado de “Poeta Louco” em árabe (Aquele Possuído pelos Jinn e Cujas Escritas São Inspiradas Pelos Jinns). É também importante que o Al Azif foi dito ser escrito em verso poético. O Necronomicon (Al Azif) dizia a respeito de assuntos religio-mágicos e místicos. Quase todos o livros em árabe sobre religião ou misticismo foram escritos como poemas. Isso inclui trabalhos ortodoxos (como o Alcorão) assim como escritos Sufistas e Muqarribun. O nome Cthulhu provê um paralelo importante e fascinante com a prática mágica árabe. Cthulhu é muito parecido com a palavra árabe Khadhulu (também soletrada “al quadhulu”). Khadhulu (al qhadhulu) é traduzido como “Desertor” ou “Abandonador”. Muitos Sufis e Muqarribun fazem uso deste termo (Abandonador). Em escritos Sufistas e Muqarribun, abandonador refere ao poder que estimula as práticas de Tajrid “separação externa” e Tafrid “solidão interior”. Tajrid e Tafrid são formas de “yoga” mental, usados em sistemas árabes de magia, para ajudar o mago a livrá-lo (abandonar) da programação imposta por sua cultura. Nos textos Muqarribun, Khadhulu é o poder que faz as práticas do Tafrid e Tajrid possíveis para o mago. Apesar de eu estar familiarizado com o uso de “abandonador” nos escritos árabes místicos e mágicos, eu não sabia que (até dois anos atrás) que Khadhulu aparece no Alcorão. Eu devo o conhecimento de que Khadhullu aparece no Alcorão à William Hamblin. No Alcorão, cápitulo 25 verso 29 (“Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!”), está escrito. “Humanidade, Shaitan é Khadhulu”. Este verso tem duas interpretações ortodoxas.

A primeira é que Shaitan vai abandonar os homens. A outra interpretação ortodoxa é que Shaitan causa os homens à abandonarem o “caminho correto do Islão” e aos “bons” costumes de seus ancestrais. O muçulmano ortodoxo veria esquecer a cultura Islâmica como algo pecaminoso e afrontoso. Entretanto, os Muqarribun e os Sufis, como já discutido, sentem que abandonar sua cultura é vital para o crescimento espiritual. A identificação de Shaitan da tradição Islâmica é muito importante. No tempo em que Maomé escrevia, Shaitan era chamado de “a Velha Serpente (dragão)” e o “Senhor das Profundezas”. A Velha Serpente ou Velho Dragão é, de acordo com especialistas como E.A. Budge e S.N. Kramer, Leviatã. Leviatã é Lotan. Lotan é ligado até Tietan. Tietan, como nos é falado pelas autoridades em mitologia do Antigo Oriente, é uma forma tardia de Tiamat. De acordo com especialistas o Dragão das Profundezas chamado Shaitan é o mesmo Dragão das Profundezas chamado Tiamat. Estudiosos especializados em mitologia do Antigo Oriente já declararam isso dessa vez e novamente. Porque isso é importante? Sua importância jaz no fato de que HPL descreveu Cthulhu como uma criatura draconiana e que está dormindo nas profundezas (oceano). Leviatã/Tiamat é também falado estar dormindo ou hibernando. A identificação de Shaitan, o Senhor Dragão das Profundezas, com Khadhulu no Alcorão é deste modo um paralelo muito fascinante com Lovecraft. A conexão de o “Abandonador” com o Dragão é um tanto fortalecido por uma linha do “Book of Anihilation”, um texto em árabe sobre magia. Esta linha traduz “o dragão é um abandonador pois ele abandona tudo que é sagrado. O dragão vai para lá e para cá sem pausa.” Enquanto esta linha é obviamente simbólica (provavelmente se refere à prática do Tafrid) ela de fato serve para estabelecer uma conexão entre o mito do Dragão do Antigo Oriente e Khadhulu na magia árabe. O antigo dragão das profundezas (Tiamat) tem origens que chegam até à Suméria. Suméria foi a mais antiga civilização que se saiba ter existido.

Se Khadhulu do misticismo árabe é sinônimo do Dragão da mitologia (cuja evidência sugere que possa ter sido) então Khadhulu foi venerado por um longo tempo. O numerosos paralelos entre Cthulhu e Khadhulu dos Muqarribun são fortes o bastante para sugerir que Lovecraft expandiu-se nos mitos árabes para criar sua divindade Cthulhu. Existem outras informações interessantes relacionadas ao Dragão das Profundezas (que se originou na Suméria) e Khadhulu. Esta informação possivelmente é uma simples coincidência. Por outro lado, pode não ser coincidência; simplesmente não há como confirmar ainda. É sobre um dos títulos do Dragão, nomeado Senhor das Profundezas. O título Senhor das Profundezas traduzido para o sumério é “Kutulu”. Kutu significa “Submundo” ou “Profundezas” e Lu é sumério para “Senhor” ou “Pessoa de Importância”. Vamos considerar isto por um momento: o Kutulu sumério é bem similar ao Khadhulu em árabe. Khadulu é associado com o Dragão em textos mágicos árabes.

Khadhulu também é identificado com o Antigo Dragão (Shaitan) no Alcorão. Um dos títulos deste Dragão (Senhor das Profundezas) é Kutulu em sumério. A palavra Kutu (“profundezas” ou “abismo”) é conectada com o dragão da mitologia suméria. De fato, o governante das Profundezas (kutu) na Suméria era o Antigo Dragão Mumu-Tiamat. Existe, como deve parecer, um bocado de conexão aqui e talvez isso indique que Kutulu e Khadhulu estejam na mesma categoria. Eu fiquei ciente pela primeira vez da similaridade “Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!” de Cthulhu e “Kutulu” lendo uma publicação de L.K. Barnes. Eu estava um pouco cético no começo, mas não descartei a informação. Em vez disso, eu pesquisei até eu conseguir confirmar todas as informações acima, relacionadas á palavra Kutulu. O fato de que a informação acima sobre Kutulu é exata e bastante sugestiva não PROVA nada. Isso, entretanto, por via de regra APÓIA a idéia que Kutulu /Khadhulu fez parte das tradições mágicas do Antigo Oriente por um longo tempo. A única coisa que poderia ser aceita como prova seria a descoberta, em um texto sumério, de uma menção direta do nome ou palavra Kutulu no contexto discutido. Até onde eu saiba, isso ainda não aconteceu. Até que aconteça (se acontecer) a equivalência Kutulu/Khadhulu terá que permanecer como tentativa.

Vamos examinar melhor o material sobre magia árabe.

Eu acredito isso leva a uma conclusão. Lovecraft tinha acesso à material raro sobre magia e mitos árabes. Ignorando a possível equivalência coincidente de Kutulu e Khadhulu, ainda existem evidências esmagadoras que sustentam essa proposta. Lovecraft empregou Irem de uma maneira que forma paralelos com o modo como os Muqarribun a empregavam antes desta informação estar geralmente disponível. O Rub al Khali (Roba al Khalye) é de verdadeira importância para os Muqarribun. Os Jinns são as exatas parelhas dos “Antigos”. A descrição de Lovecraft de Alhazred é BEM consistente com o significado árabe de “Poeta Louco” mesmo isso sendo geralmente desconhecido nos anos 1930. O Al Azif (o uivado dos Jinns) é obviamente relacionado ao título de Alhazred: “Aquele que é Possuído pelos Jinns e Cujos Escritos São Inspirados Pelos Jinns”. Al Azif sendo um livro de poesia é consistente com o fato de que quase todo escrito árabe místico ou profético eram poesias. A associação de Khadhulu com o adormecido Dragão das Profundezas é MUITO próxima do Cthulhu e Lovecraft que se deita Sonhando nas Profundezas (oceano). Até aonde eu sei, não havia nada disponível (impresso) sobre Khadhulu em inglês nos anos 1930. Tudo isso parece indicar que Lovecraft tinha uma fonte de informação sobre magia e mitos árabes não comumente acessível.

Parece que HPL se expandiu nesse material, dessa fonte, em sua ficção. Por favor, note que isso de jeito algum diminui sua considerável criatividade. As histórias de HPL são ótimas não por causa de poucos elementos isolados mas por causa do modo como Lovecraft pode juntar pedaços individuais em um só. Em adição do material acima, existem numerosas outras instâncias em que Lovecraft apropria-se das mitologias Árabe e do Antigo Oriente. Lovecraft provavelmente se expandiu sobre mitos Árabes e orientais quando criou seus Profundos e Dagon. Mitos árabes mencionam misteriosos homens-peixe vindos do mar de Karkar. Estes homens-peixe são provavelmente derivados dos mitos relacionados com o real deus do Antigo Oriente, Dagon. Dagon é a divindade filistina que se apresenta como um gigante homem-peixe. Dagon é a versão posterior do Oannes babilônio. Oannes (Dagon) era o dirigente de um grupo de homens-peixe divinos. O zoótipo do homem-peixe ainda tem um grande papel em alguns sistemas mágicos. Claramente Dagon e os Profundos são expansões diretas das mitologias Árabe e orientais que eram familiares à Lovecraft.

O Ghoul é outro óbvio exemplo de mitologia árabe inserida na ficção de Lovecraft. O Ghoul é derivado do Ghul árabe. O Ghul é uma criatura humanóide com traços faciais monstruosos. Habitam lugares desertos e desolados como cemitérios. Os Ghuls que habitam cemitérios se banqueteiam de cadáveres do local. Isso obviamente é a fonte dos Ghouls de Lovecraft. Até este dia o Ghoul comedor de cadáveres tem um papel dinstinto em práticas mágicas dos Árabes e outros.

A Cabra Negra dos Bosques com Mil Jovens pode ser traçada até o antigo Egito e Suméria. Enquanto tanto Egito como Suméria tiveram cultos à bodes, provavelmente a versão egípcia foi a mais influente. A então chamada Cabra de Mendes era uma encarnação “negra” de Asar. O culto era baseado na fertilidade. Aspectos destes cultos caprinos foram absorvidos por sistemas mágicos árabes. Por exemplo, a tribo Aniz era designada como a Cabra Anz. (Anz e Aniz são cognatos). Os Aniz eram chamados de Cabra porque seu fundador praticava magia baseada na fertilidade. O Símbolo deste culto é uma tocha entre dois chifres de Cabra. Este símbolo se torno importante para tradições mágicas ocidentais.

Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/o-necronomicon-e-a-antiga-magia-arabe/

Os Espíritos e Os Espelhos

Espelhos sempre foram fonte de mistério e magia, no imaginário popular foram sempre alvo de encantamento, primeiramente por reconhecimento, encanta-se ao reconhecimento, encanta ao trazer a tona o desejo de ser e de estar. Em “A Branca de Neve” a Madrasta usa um espelho como ferramenta de comunicação entre mundos, um espírito é seu aliado e oráculo; em versões mais recentes como “Espelho, espelho meu” o oráculo é o próprio reflexo, de maneira mais verdadeira e autentica.

O plano astral assim como o próprio inconsciente está ligado intimamente com o símbolo da água e da lua, ambas ligadas entre si, pelo fluxo e refluxo das marés, com isto o próprio espelho sintetiza as características mágicas e físicas dos elementos a ele relacionados. Seu brilho prateado os conecta com a lua, espelho do sol, e seu reflexo o liga a água, o primeiro espelho dos humanos.

Para se trabalhar com espelhos e e magia eu preciso ter um espelho consagrado e especial para este fim? Sim e não… Tudo é ferramenta mágica na mão daquele que sabe usar, ou seja, todo espelho pode ser utilizado com fins mágicos, mas magicamente falando, tudo carrega em si impregnações de ações passadas, por isso uma limpeza física e energética se faz necessária antes de seu uso, principalmente quando o objetivo é acessar o mundo dos espíritos.

Sem mais delongas, partindo para a parte prática, neste texto vou colocar um pouco da minha prática e experiência com espelhos e o contato com os espíritos e planos espirituais, os fins são os mais diversos: conselhos, favores, contato, ajuda, investigação e etc. Eu costumo usar um espelho negro, por estar afinado com a lenda de criação Feri “A Grande Deusa Estrela ao olhar seu reflexo no espelho negro do Universo, fez amor consigo mesma e deu origem a tudo e a todos…” (Resumidamente), e onde consigo um espelho negro? Bem, pegue um porta retrato de vidro, tire a foto e coloque um pano negro atrás do vidro, pronto! Seu espelho negro está pronto. Caso não tenha porta-retratos em casa, use uma tigela de vidro com água e um pano preto em baixo, apague as luzes, deixe o ambiente somente a luz de velas e Voilá! Seu espelho negro está pronto!

Bem, antes de mais nada, criar um clima é sempre muito necessário para acessar nosso self jovem. Acenda velas, incensos, apague as luzes, coloque um som ambiente legal, tenha em mente que vamos adentrar planos onde nem sem existem seres amigáveis então tenha consigo um amuleto de proteção, trace o círculo e abra os portais entre-mundos. Eu gosto de trabalhar com Hécate neste processo, normalmente na lua nova, Ela por ser uma Deusa do entre-mundos e por estar ligadas a chaves, estradas e a orientação, acaba sendo uma Deusa de proteção, já que seu nome e encantos eram amplamente usados em exorcismos. Crie um encanto simples, altere seu estado de consciência e deixe que seu inconsciente aflore, ele é a ponte entre o real e o surreal. Isto acaba sendo percebido por sinais sutis: sono, frio, lembrança de sonhos… mas não deixe sua mente vagar, a mente sem controle é como uma carruagem sem cavalheiro, deixa-se ser conduzida por qualquer um que tiver um pouco de experiência, e numa destas um destes espíritos podem conduzir seu transe para um local nem um pouco agradável e fazer coisas que sua mãe não iria gostar, rs.

Antes de mais nada tenha um propósito, a curiosidade matou o gato e você não quer ser a bola da vez, quer? Com um objetivo em mente, explore e questione, investigue. Reconheça os sinais de seu corpo e uma vez o portal aberto, certifique-se de fechá-lo ao terminar, você não quer nenhum espírito com livre acesso ao seu quarto ou casa. Você pode convidar um espirito a ser seu familiar no espelho, te ajudar com feitiços e viagens, mas eles sempre querem algo em troca e seus acordos são sempre nas entrelinhas. Caso decida utilizar-se deste meio, certifique-se de selar seu espelho e de reservá-lo para esta prática somente.

Alguns símbolos desenhados na parte de trás do espelho ajudam a prática a se tornar mais focada: Triângulo, olho, espirais. Óleo de sândalo, mirra e almíscar também aguçam os sentidos, água de arruda é ótimo para abrir os sentidos.

O lance com espelhos é especial, uma vez que você abre sua consciência para o trabalho com eles todo espelho acaba se tornando uma porta, um olhar para outro mundo. Olhe fixamente para eles ou coloque um espelho no chão e circule por sua volta, mude o foco, explore, aos poucos não existirão barreiras que você não poderá adentrar se tiver um espelho por perto.

Por Pythio

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/os-espiritos-e-os-espelhos/

Bathin – um ritual moderno de demonologia

A demonologia de certa maneira perdeu parte de sua força nos dias de hoje. Talvez o problema seja que com o tempo a “razão” tenha reinvidicado parte do território que antes pertencia à magia. Talvez em um mundo onde Freddy Kruegers, Aliens & Predadores ou Pazuzus estejam a 5 reais de distância de qualuqer pessoa disposta a ir a uma locadora, homens com rabos de pássaro que realizam desejos não tenham mais aquele apelo de horror. Talvez em uma sociedade global onde o humor vem de programas que repetem de novo, de novo, de novo, de novo, de novo e de novo, de novo, de novo, a mesma piada – e o salário ó! – ninguém tenha entendido a piada que Crowley fez na sua introdução às Chaves Menores de Salomão quando disse que o trabalho de evocações demoníacas são meramente uma forma de auto-descoberta psicológica.

Mas não vamos nos prender a explicações que apenas se tornariam mais uma forma de masturbação intelectual, vamos nos atentar aos fatos. A demonologia de fato perdeu parte de sua força nos dias de hoje; mas não perdeu seu poder. E assim começa nossa breve jornada.

24 horas atrás recebi uma notícia interessante que poderia ser traduzida na língua horoscopal:

“Vênus está regendo seu signo. Peso das responsabilidades e limitações quanto aos seus objetivos podem deixar você bem exausto. O dia pode ser exaustivo no setor profissional, muita dedicação para poder segurar as coisas a seu favor. Uma viagem inesperada pode mudar sua rotina.”

Isso acabou se concretizando como tudo o que o horóscopo afirma. Dizem que os astrólogos de hoje fazem suas previsões de maneira tão vaga que tudo o que acontece num dia pode ser visto como a concretização de sua conversa com os astros. Algumas pessoas dizem que isso é o charlatanismo em sua forma mais descarada. Eu digo que se alguém descobre como descrever um evento de forma que ele possa se refletir em qualquer desdobramento que possa acontecer então essa pessoa está fazendo magia.

Há tempos estou trabalhando com demonologia e uma forma não de trazê-la para os dias de hoje, mas de usar o conhecimento contemporâneo para expandi-la e fazê-la crescer. A notícia da viagem me ajudou a colocar a coisa em prática. Veja, os meus problemas eram simples, em uma mão uma maneira de ver como usar na prática uma forma não medieval de demonologia, na outra precisava viajar para a terra do ouro e mel e crises econômicas e não tinha um visto americano no passaporte. Assim pensei, vamos unir a fome com a vontade de comer.

Diferente de outros textos onde lemos como desenhar coisas no chão, ficar pelados, gritar nomes e pedir coisas, vamos ver agora como colocar na prática um ritual de evocação de um demônio e como colher os resultados práticos e diretos.

Antes de prosseguirmos, vamos responder a pergunta daquela linda garota de mini-saia lá no meio da sala: mas por que usar demonologia para conseguir um visto americano?

Ótima pergunta, ótima saia, pode ficar mais à vontade na cadeira se desejar.

Quando o seu chefe vira para você e te diz que você está com uma viajem marcada para Providência, na Ilha de Rhodes, para resolver o que quer que a empresa onde você trabalha quer que seja resolvido, você não simplesmente diz: “escolha outra pessoa, eu não tenho visto!” você se lembra do que o horóscopo previu e pensa, hora da dedicação para segurar as coisas a meu favor! E sai da sala do chefe e entra no site: www.visto-eua.com.br para ver como agendar a sua entrevista para conseguir o visto. E lá descobre que o consulado de São Paulo tem uma espera de pelo menos 112 dias – a entrevista para o visto sairia no início de janeiro de 2012. O consulado de Recife tem uma fila de espera de pelo menos 92 dias, e por ai a fora. Assim a maneira “legal” de se conseguir um visto que possibilite minha viajem para daqui a 12 dias já foi por água a baixo. Vamos ver a maneira ilegal de se fazer isso. Depois de uma hora falando com os mais diversos despachantes “ponta-firme-esse-faz-milagres”, termino sabendo que mesmo que pagasse R$700,00 reais não conseguiria nada para antes da segunda quinzena de outubro. Bem, outubro é bem depois de setembro, então não me adianta. Então chegamos em um ponto interessante da história, a magia.

Bem, o que temos hoje quando falamos de magia? Wiccans que se reúnem em parques e continuam realizando os festivais e trabalhando com suas plantas. Eventualmente realizando esse ou aquele feitiço. Magistas do Caos que buscam fazer rituais tão confusos que nunca vão saber se obtiveram êxito, ou então se mobilizando em mind fucks coletivos de cunho anti-social. Satanistas tentando incrementar a própria vida com sua baixa-magia social. Terreiros de macumba. Trago a pessoa amada em 7 dias. Contato com Chorozon ou meses tentando descascar a árvore da vida para poder batizar as novas cascas que surgem. De fato a magia pode ser usada para o crescimento individual, trazer maturidade, auto-tranformação e sabedoria, e quem sabe uma trepada de vez em quando. Mas onde é que estão os feiticeiros? Onde está a magia para confundir caixas eletrônicos, para fazer luzes de farol de trânsito mudar? Onde estão os mestres que dançam não para trazer a chuva, mas para fazer sua banda favorita por acaso vir para a sua cidade para um show inesperado?

A magia é um modo de encarar o mundo, não uma fita isolante que fica numa gaveta esperando algo despedaçar para que possamos fazer um remendo. Então obviamente, se a solução dos homens não resolve, vamos ver o que podemos fazer apelando para o código fonte da realidade.

Em 1563 um livro foi publicado. Um livro muito interessante de fato, chamado de De Praestigiis Daemonum et Incantationibus ac Venificiis. Seu escritor foi um médico e psiquiatra, a seu modo, originário dos países baixos, o título do livro quer dizer Sobre a Ilusão de Demônios, Feitiços e Venenos. Na introdução do livro lemos em latim:

<tecla sap>
Meu objetivo não é apresentar para as pessoas as blasfêmias daqueles homens enfeitiçados que não tem vergonha de chamarem a si mesmos de magi, nem de expor suas curiosidades, suas decepções, vaidade, imposturas, delírios, sua capacidade de enganar a mente e suas mentiras óbvias mas, ao invés disso, mostrar que eles se mostram relutantes, quando são vistos sob a ofuscante luz do dia, em deixar suas mentes correrem em disparada alucinada, nesta época infame, onde o reino de Cristo é constantemente atacado pela tirania, imensa e impune, daqueles que abertamente realizam os sacramentos de Belial e que, não resta dúvida, em breve receberão sua recompensa justa.
</tecla sap>

O escritor de tal obra, Johann Weyer, havia sido um discípulo de Agrippa. E ele acreditava em magia, e ele acreditava no demônio, mas acreditava também, de forma discreta, que ele não era tão ruim quanto a igreja fazia o povo acreditar. Talvez aquilo fosse apenas uma forma de oferecer um inimigo tão grandioso que as pessoas não tivessem como enfrentar, uma forma de marketing medieval. Assim, dentro de seu livro sobre a ilusão dos demônios, acrescentou um trabalho entitulado Pseudomonarchia Daemonum (Liber officiorum spirituum) <tecla sap> Falsa Monarquia dos Demônios (Livro dos ofícios dos espíritos) </tecla sap> – e você achando que só Lovecraft bolava livros com nomes legais – neste texto, Wier listou e hierarquizou os nomes de diversos demônios acompanhando-os as horas apropriadas e os rituais para invocar-los.

Assim, diante de meu problema na mão esquerda e no da mão direita resolvi seguir o conselho de um dos grandes Reis ocultos deste mundo e bater palmas. Buscando minha biblioteca favorita achei o livro de Wier e passei a ler rapidamente suas páginas xerocadas fui fazendo nota mental dos poderes de cada um dos seres ali descritos. Dos 69 espíritos listados um me chamou a atenção:

Bathym, alibi Marthim Dux magnus & fortis: Visitur constitutione viri fortissimi cum cauda serpentina, equo pallido insidens. Virtutes herbarum & lapidum pretiosorum intelligit. Cursu velocissimo hominem de regione in regionem transfert. Huic triginta subsunt legiones.

Organizando o padre que vive em minha mente pude tirar que isso implicava algo aproximado de:

Bathym, um duque poderoso e forte: ele é visto como um homem de constituição forte, com cauda de serpente, cavalgando um cavalo branco. Ele compreende a virtude das ervas e pedras preciosas. E pode transportar um homem de maneira súbita de um pais para outro. Ele lidera 30 legiões do inferno.

Isso soou como música para meus ouvidos. Vejam, algo que muita gente não compreende é que demônios não são como botões dentro de uma caixa esperando que alguém abra a tampa, escolha o que acha mais adequado e então o costure num casaco enquanto usa um dedal de ferro para se proteger do ato de se trabalhar com ele. Borhs disse que o contrário de grandes verdades é verdade também. Assim se hoje grande parte das pessoas que se envolve com demonologia são pessoas sem cérebro nenhum, o inverso é real, demônios são cérebros sem pessoa nenhuma. Eles estão ao nosso redor o tempo todo.

Lembre-se que eu estava no escritório. Cada segundo vale uma eternidade de vidas. Não podia esperar para ir para casa e tentar chamar Bathym e ver o que negociar com ele, assim me concentrei na praticidade. Se eles estão ao nosso redor o tempo todo, basta conseguir entrar em contato com eles.

Um ritual de evocação mágica consiste de alguns pontos básicos:

1- Ir para um lugar onde ninguém interrompa a comunicação;
2- Entrar no estado de espírito correto de se contactar algo não físico;
3- Entrar no estado mental necessário para conseguir se comunicar com este algo;
4- Ter um assunto que seja interessante para ambos os lados;
5- Conseguir despachar essa coisa de forma que ela não fique puta com você, afinal quem está recebendo o chamado tem o número de que está chamando.

Bem, tendo já prática e experiência com rituais isso não é diferente de usar seu celular para ligar para alguém. Com isso em mente parti para o primeiro passo: descobrir quem é essa pessoa, e qual o número do “celular” dela.

PASSO 1

O livro de Weyer não foi o único a tratar de demônios de forma tão direta e clara então busquei a Goetia. O décimo espírito do Pseudomonarchia aparece também como o décimo oitavo espírito da clavícula de Salomão. A descrição do espírito é a mesma, mas traz uma informação extra:

“seu selo deve então ser feito e deve ser usado diante de você”

A versão de MacGregor Mathers e de Crowley da Goetia trazem duas versões mais modernas do selo e uma grafia diferente do nome do espírito, assim temos que Bathym também é chamado de Bathin, de Mathim e de Marthim. COmo essa informação é muito pouca para criar um programa mental que sirva para me conectar com o espírito resolvi apelar para o tarô. Bathym surge como o décimo e o décimo oitavo demônio dos dois maoires tratados de demonologia que sobrevivram ao tempo. Assim parti para os arcanos maiores:

A roda da Fortuna

Resumidamente a roda da fortuna está ligada à necessidade, ao acaso, mudança e a um objetivo. Esta é uma das cartas mais expressivas da sorte, fortuna e oportunidade. Mas não é necessariamente uma carta positiva, já que pode informar que adiante virá sorte mas não especifica se boa ou má. Tudo irá depender das suas decisões e atitudes, pois estas irão decidir para que lado penderá a balança, se para a boa sorte ou para a má sorte.

A Lua

A famosa luz no fim do túnel, mas não sem antes um monte de dores de cabeça. Uma carta ligada a guiar-se pelos seus instintos, sonhos utópicos, dificuldade em aceitar a realidade.

Não me lembro aonde, mas ainda descobri em algum lugar uma relação entre Bathym e o dez de espadas, já que estava no mundo do tarô parei para analisar a carta. Obviamente é uma carta de merda, mas isso para quem vive uma vida regular e tranquila, apesr de todo o mau agouro o dez de espadas representa a luz no fim do túnel também. Essa carta indica que o seu presente atingiu o tal ponto de mudança que lhe era tão necessário e tendo em mente que a realidade não gosta de mudanças, já que tudo busca permenecer na forma que é, parece que as coisas não podem piorar muito mais, o mundo parece que está virado contra si e parece que apenas lhe resta lamentar-se pelo seu infortúnio. Quando chegamos neste ponto em que não há nada a perder o melhor a fazer é parar de lutar contra a correnteza e se aproveitar dela

Lição de casa feita em quarenta minutos. Agora com o estado mental e de espírito necessários para se comunicar com o espírito decidi usar o sigilo da Goétia para contactá-lo. Como disse, a versão de Mathers/Crowley oferece duas opções, assim como Bathyn é o demônio 18 desta obra, escolhi o sigilo que tem o desenho de uma lua.

Como devemos usá-lo diante de nós o tempo todo, e como resolvi usar a analogia do telefone celular, desenhei ele nas costas da mão esquerda, a mão que uso para segurar o telefone quando trabalho, e me preparei para o passo 2, descobrir como encontrá-lo.

PASSO 2

Aproveitei a hora do almoço e sai para dar uma volta. Agora era o momento de esvaziar a mente de tudo e sintonizá-la em Bathin (grafia do nome no sigilo goético). Depois de caminhar, passei por acaso diante de uma agência de viagens de bairro, pequena e enfiada entre duas lojas. Na porta uma moto branca. Passei perto da vitrine e lá dentro um homem com botas de pele de cobra estava sentado atrás de uma mesinha de madeira. Ótimo sinal. Encostei as costas da mão contra o vidro e pressionei com força, apenas sentindo a psicologia do local se misturar com a de Bathin em minha mente. Quando tirei a mão do vidro havia um decalque fraco do sigilo no vidro. Ótimo sinal.

Voltei para o escritório.

É importante frisar que a partir do momento em que deixei minha mesa minha mente buscava a vacuidade, e me concentrava apenas nas sensações sugeridas pelas cartas do tarô. A agência de viagens é um símbolo de uma viajem rápida, onde você faz o mínimo e eles te levam de um lugar para o outro desde que se pague. Nada racional, apenas a loucura da magia queimando de um neurônio para outro.

Feito o contato e estabelecido uma linha entre mim e o espírito, voltei para o escritório para o passo 3, fazer a ligação.

PASSO 3

Em um ambiente de trabalho só há um lugar que você encontra paz: o banheiro. Mas o banheiro, logo depois do almoço é o local menos calmo de uma empresa.

Novo paralelo com a arte de evocação clássica. Assim que escolhe um local para o ritual, distante dos olhos profanos, você deve realizar um ritual de  banimento para limpar a área de energias contrárias à sua vontade. Resolvi isso com uma folha de papel e uma caneta hidrográfica preta. Sem mudar meu estado mental, desenhei os seguintes sigilos na folha:

BANHEIRO EM MANUTENÇÃO – DESCULPE O TRANSTORNO

e prendi com durez do lado de fora da porta, me trancando dentro.

PASSO 4

Momento de discar para o demônio.

Simplesmente precisei apagar a luz, me sentar no chão de pernas cruzadas, o melhor que pude no pouco espaço, e deixar a mente trabalhar. Ergui a mão até a orelha como se segurasse o celular e imaginei o tom de chamando.

Curiosamente ao invés de ouvir uma voz mental de alô, veio a impressão de deixe o recado após o sinal. Foi neste momento que expus o problema e pedi uma solução:

“Preciso de um visto americano em cinco dias úteis!”

PASSO 5

Agradeci a atenção e pedi para entrar em contato o mais rápido possível, desliguei o celular colocando a mão no bolso. Me levantei, lavei o rosto e sai do banheiro.

CONCLUSÃO

Como disse, o objetivo do texto é mostrar como a demonologia se aplica hoje de forma prática, nada de ficar imaginando como vem uma resposta ou analizar objetivamente fatos subjetivos.

Voltei para a minha mesa e comecei a pensar como a colocar em prática o visto, afinal trabalhar com Bathin aparentemente não me livraria de estress e dificuldades. Vinte minutos depois de me sentar alguém atrás de mim comenta: “é o alimento vivo da chama que ilumina”. Me voltei e pedi para ele repir que não estava prestantando atenção, ele repetiu: “O poeta é o alimento vivo da chama que ilumina”, e completou dizendo que era uma frase de Martí, um poeta cubano. Martí é próximo o suficiente, voltei a checar a previsão para o agendamento de visto. Curiosamente a data para as entrevistas em Recife de 3 meses sumiram e havia uma data para 2 dias. Marquei.

Passei o dia seguinte tentando descobrir como viajar para Recife para ir à entrevista e correndo com a papelada como responder formulários do site de visto, levantar coisas como imposto de renda e todo tipo de documento necessário.

Para alimentar o sigilo que estava em minha mão, perguntava para as pessoas se elas sabiam se era possível tirar o visto em outro estado em dois dias, as risadas delas eram o Big Mac de Bathin.

Como disse acima, a realidade reluta qualquer mudança, isso se traduz na lei da inércia: é necessário sempre mais força para iniciar uma mudança de estado (de parado para se movendo ou de movendo apra parado) do que para se manter esse novo estado. Assim não demorou duas horas para que as sereias começassem a surgir. Pessoas com despachantes milagrosos, ou conhecidos com esquemas. Sabe quando você decide mudar ou pede algo e milagrosamente algo acontece para te empurrar nesse direção, e então parece que outras portas aparecem, que ou te mostram que continuar na mesma é a melhor opção (decide mudar de emprego e recebe uma proposta de aumento neste) ou que esperar é melhor (quero um carro novo, surge um dinheiro do nada e de repente posso usar esse dinheiro em outras coisas e depois financiar um carro)? Isso é a realidade lutando para parmanecer no mesmo estado que se encontra. Muitas vezes é quase impossível resistir. Mas quando lidamos com demônios onde a maior parte do tempo você acha que está louco ou não tem garantia nenhuma de que a coisa vá funcionar, é melhor abraçar o abismo.

No fim do dia havia conseguido milhas de um conhecido para comprar uma passagem para Recife (para facilitar meu cartão precisaria de 10 dias para converter os pontos em milhas e liberá-las, eu precisava estar em recife em 36 horas úteis). Consegui levantar a papelada ontem. Achei meu antigo passaporte que havia desaparecido. Alimentei o sigilo com mais algumas dúzias de: “você vai perder a ciagem e o dinheiro” regado com molho de “se mete nessas loucuras a troco de nada, se fosse fácil assim todo mundo faria, você vai quebrar a cara”.

E assim, ontem à noite, acabando de preencher o formulário virtual que precisa ser preenchido com 48 horas de antecedência, parti para Recife. Hoje às 7:30 da manhã estava no consulado americano. O sigilo quase desbotado em minha mão me alertava do prazo de validade do acordo. Assim que a tinta sumisse de vez, a ligação seria cortada.

Durante a entrevista foram feitas dez perguntas simples. Mesmo morando em São Paulo pareceu não haver problemas de eu estar em Recife pedindo o visto. Depois de alguns minutos o homem com sotaque me falou que enviariam meu passaporte por Sedex para mim.

E assim aconteceu. Vida, magia, demonologia, rituais, resultados.

A demonologia tem poder até hoje, basta saber como se conectar com ela. Há sempre um preço a ser pago, mas nada tão dramático quanto uma alma ou uma vida. É tudo questão de se negociar.

Agora, claro, os correios entram em greve geral. E tenho que receber meu passaporte com o visto até o começo da semana que vem, quando vou embarcar.

Se Bathin deu resultado com o visto, vejamos com quem vou tentar trabalhar para conseguir contornar esse problema. Em breve talvez isso vire um segundo artigo.

Texto escrito 14-09-2011

Por LöN Plo

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Projeto Mayhem – 22 – Magia Enochiana

Neste episódio, Pri Martinelli, Rodrigo Grola e Marcelo Del Debbio conversam com Ulisses P. Massad sobre Magia Enochiana. No Século XVI o alquimista John Dee, em conjunto com o vidente Edward Kelley conseguiram contatar entidades de outros planos de existência, que receberam o nome de Anjos Enochianos. Saiba mais sobre como foram estruturados estes rituais e o processo ritualístico que resultou em um dos Sistemas Mágicos mais interessantes da Golden Dawn.

https://projetomayhem.podbean.com/e/projeto-mayhem-22-magia-enochiana/

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#Batepapo #Enochiano #Podcast

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Os últimos segredos da Magia Enoquiana

Por Donald Michael Kraig

Em meu livro, Modern Magick (Magia Moderna), fiz uma breve introdução a uma das pessoas mais importantes da história da magia, o Dr. John Dee (1527-1608 ou 1609). Mais do que um mago, Dee foi também uma das figuras mais interessantes e fascinantes da Era Elizabetana. Quando ele morreu, sua casa em Mortlake (um distrito de Londres na margem sul do rio Tâmisa) tinha a maior biblioteca de toda a Inglaterra. Além de mago, ele era também astrônomo e astrólogo, geógrafo, viajante mundial, matemático, acadêmico e…espião.

Sua fama lhe permitiu ser um conselheiro ocasional e astrólogo da Rainha Elizabeth I da Inglaterra. Quando outros a aconselharam a enviar a frota britânica para atacar a muito maior Armada espanhola, ele usou a astrologia para determinar que ela deveria esperar e aconselhou-a a fazê-lo. Ela seguiu seu conselho, e o atraso permitiu que a frota britânica sobrevivesse com segurança a uma tempestade que destruiu grande parte da Armada (alguns até dizem que Dee conjurou a tempestade). Os espanhóis, derrotados pela tempestade (e outras causas), estavam exaustos, e os britânicos conseguiram derrotá-los. O resultado mudou a face do mundo e começou a dominação dos mares pelos militares britânicos.

Por causa do conhecimento e sabedoria de Dee, ele foi bem-vindo em muitos países. Viajante e procurado conselheiro da realeza, ele foi capaz de voar sob o radar da observação na época e funcionar como um agente – um espião para Elizabeth. Quando ele obteve informações que achava valiosas, ele as enviava de volta para ela, muitas vezes por meio de pombo-correio. Ele acrescentou um símbolo especial para indicar que a mensagem era legítima. O símbolo era de três números: 007.

(Não, Ian Fleming, criador do superespião James Bond, não usou o código de Dee para simbolizar a “licença para matar” de Bond. Acontece que aquele agora famoso número de três dígitos, 007, era os últimos três dígitos do número de telefone do agente de Fleming. Ainda assim, John Dee/James Bond, ambos nomes monossilábicos, ambos numerados 007… é uma coincidência interessante).

A Magia de Dee

Dee tinha a capacidade de ver outros planos mas ele não era muito bom nisso. E, ao acrescentar isso ao trabalho de realizar rituais e invocações, bem como o uso de sua clarividência, Dee achou que era trabalho demais para um mago medieval para garantir o sucesso. Ao invés disso, ele fez propaganda para um médium. Ele tentou trabalhar com várias pessoas antes de finalmente se estabelecer em Edward Kelly (seu sobrenome às vezes se soletra Kelley).

Kelly eramais do que um levemente malandro. Ele geralmente usava um chapéu puxado para baixo sobre os lados da cabeça; acredita-se que ele fazia isso para disfarçar a falta de ambas as orelhas, que haviam sido cortadas como punição por algum crime. Ele acabou morrendo depois de quebrar um osso enquanto tentava escapar de um empregador furioso que descobriu que o ouro que Kelly havia feito para ele através do suposto uso da alquimia era falso. O ferimento foi infectado, resultando no falecimento de Kelly.

Dee usou Kelly como clarividente em uma série de experiências mágicas nos anos 1580, nas quais foram instruídos por entidades que ele chamou de anjos, incluindo o arcanjo Enoque. Os registros dessa comunicação deram origem à linguagem e ao sistema mágico que Dee simplesmente chamou de “angélico”, mas que agora são comumente conhecidos como enoquiano.

A Improvável Preservação do Trabalho de Dee

No ano de 1659, meio século após a morte de Dee, um homem chamado (Florence Estienne) Méric Casaubon (1599-1671), um erudito clássico franco-inglês, publicou os diários de Dee desde a época de seu trabalho com Kelly. Eles eram na verdade uma coleção de notas, diagramas e notas marginais; Casaubon deu a ele o título pouco atraente, A True and Faithful Relation of What Passed for Many Years Between Dr. John Dee and Some Spirits (Um Relato Verdadeiro e Fiel do que Passou por Muitos Anos entre o Dr. John Dee e Alguns Espíritos).

Casaubon havia encontrado os diários de Dee (por um tempo eles haviam sido enterrados e estavam se desfazendo) e ele queria usá-los para realizar algumas coisas. Primeiro, ele queria o condenar por aquilo que ele chamava de práticas de “obras das trevas” e destruir a reputação de Dee. Isso também teria um efeito colateral de atacar os puritanos que, na época, estavam dirigindo o governo e com os quais Casaubon discordava. Parte da crença Puritana era que você podia se comunicar diretamente com fontes divinas, e Casaubon não aceitava isso. Ao mesmo tempo, ele queria usar o livro para provar a existência de espíritos aos ateus, talvez esperando convertê-los em crentes.

Na sua maior parte, a tentativa de Casaubon de desacreditar Dee foi bem sucedida. Seu sucesso neste resultado fez os principais historiadores ignorarem Dee, durou três séculos. No entanto, para os ocultistas isso teve o efeito oposto. A magia e a linguagem enoquianas foram mantidas vivas e “subterrâneas” por místicos e magos que usaram este livro como fonte Ele manteve viva a magia enoquiana até seu renascimento na segunda metade do século 20. Este é o livro que tornou a magia enoquiana famosa… bom mais ou menos.

Os próprios registros de Dee mudaram e foram atualizados à medida que ele recebia novas informações dos anjos. As pessoas interessadas na magia escolhiam o que achavam certo, às vezes modificando-o para atender às suas necessidades. Na maioria das vezes, eles simplesmente usavam o que os outros escreviam. Eles achavam os originais tão complexos (e raros!) que, na maioria das vezes, os ignoravam. Embora a magia enoquiana tenha desenvolvido a reputação de ser a magia mais poderosa disponível, a maioria das pessoas simplesmente copiou e praticou o que encontraram em outros livros, como The Golden Dawn (A Aurora Dourada) ou entre os escritos de Aleister Crowley.

Isto continuou por décadas. Nos anos 70, estudantes e praticantes de magia queriam saber mais. Eles queriam o original, mas era impossível de obter. Em 1973, Stephen Skinner realizou este desejo e estimulou o interesse moderno em Dee e na magia enoquiana, republicando ‘A True and Faithful Relation’. Pela primeira vez em mais de três séculos, os magos contemporâneos tiveram fácil acesso às informações originais sobre a magia enoquiana. Como resultado, o interesse moderno por esta poderosa forma de magia explodiu. Apareceram interpretações e modificações populares bem como livros com precisão acadêmica sobre o sistema e a linguagem, e o enoquiano se tornou mais popular do que nunca. O pobre Casaubon deve estar rolando em seu túmulo sabendo que sua tentativa de difamar Dee havia resultado em manter vivo o seu legado.

Quase quatro décadas após essa publicação, Skinner voltou para examinar esse trabalho. Em 2012 ele publicou uma edição completamente reformulada, reorganizada e corrigida deste livro. intitulado Dr. John Dee’s Spiritual Diaries (Os Diários Espirituais de John Dee), é uma edição corrigida e reescrita, agora comparada com o manuscrito original de Dee para verificar a exatidão. A primeira versão “de fácil leitura” de todo o livro, inclui o prefácio de Casaubon, notas de rodapé extensas, escritos suplementares, ilustrações e, talvez o mais importante, seções que estavam faltando na edição original de Casaubon. Este é simplesmente o livro mais importante para estudantes e praticantes da magia enoquiana. Mas, francamente, há um pequeno problema com ele, ou melhor, mais de 50.000 pequenos problemas com ele.

Segredos Perdidos nos Diários de Dee

Algumas pessoas acreditam que Kelly, vigarista e trapaceiro, simplesmente tirou vantagem de Dee. Isto apesar do fato de que os anjos enviaram mensagens para Dee através de Kelly, soletrando palavras em sua língua ao contrário. Isso significa que Kelly não só teria que inventar uma linguagem totalmente nova, como teria que conhecê-la tão bem que poderia literalmente soletrar as coisas ao contrário. Talvez isto fosse possível, mas é altamente improvável.

Mesmo que suponhamos que Kelly pudesse fazê-lo, havia outras salvaguardas contra Kelly fazer qualquer outra coisa além de agir como um meio de comunicação entre os anjos e Dee. Em numerosas ocasiões, por exemplo, os anjos falaram com Dee através de Kelly usando o latim. Dee era um estudioso que sabia latim, e Kelly não. Desta forma, Kelly não saberia o que os anjos e Dee estavam dizendo.

Os registros de Dee mantinham o latim como comunicado a ele. O latim também é mantido na publicação de Casaubon e em ambas as edições de Skinner. Para completar a partilha do que Dee escreveu, Skinner publicou agora uma tradução completa chamada ‘Key to the Latin of Dr. John Dee’s Spiritual Diaries’ com todo latim dos Diários Espirituais do Dr. John Dee.

Últimos Segredos Traduzidos Juntos pela Primeira Vez

Você pode se perguntar por que Skinner não incluiu isto em sua edição mais recente; isso é porque os Diários Espirituais do Dr. John Dee jpa tinham 666(!) páginas. Acrescentar esta tradução teria feito com que ela tivesse mais 250-300 páginas ou mais de comprimento, tornando o livro impossível de usar e muito caro para a maioria das pessoas. Você pode ler os Diários Espirituais do Dr. John Dee (ou outras edições de A True an Faithful Relation) para descobrir o sistema original da magia enoquiana. Entretanto, a Key to the Latin of Dr. John Dee’s Spiritual Diaries (Chave do Latim dos Diários Espirituais do Dr. John Dee) é uma adição vital para entender completamente o que Dee escreveu.

A tradução não foi fácil. O Latim de Dee não é clássico; é mais próximo do Eclesiástico. Além disso, não há regras estritas que governem a ordem das palavras em latim (exceto que o verbo é encontrado no final). Além disso, Dee usou uma ordem de palavras incomum e moderna que estava mais próxima do que é encontrado na gramática inglesa. Confundindo ainda mais as coisas, Dee algumas vezes traduziu uma palavra grega no meio de uma passagem em latim. Portanto, usar apenas um dicionário clássico de latim-inglês não seria suficiente. Skinner começou com tais dicionários, e também consultou dicionários especializados em latim eclesiástico e uma lista de adaptações do latim para o inglês medieval. Ele também fez algumas correções de erros, portanto o latim neste livro é mais preciso e fiel ao original de Dee do que em qualquer outra fonte.

Chave do Latim dos Diários Espirituais do Dr. John Dee é o livro que desvenda o último dos mistérios escritos da magia enoquiana. Uma das primeiras coisas que você vai notar é que ele está no que eu chamo de “formato borboleta”. O latim original está na página da esquerda de cada par de páginas. As páginas da direita do livro dão uma tradução precisa do que está à esquerda. Notas adicionais estão na parte inferior.

Note que coloquei em itálico a palavra “precisa”. Há dois tipos de tradução, literal e precisa. As traduções literais são simples, substituem palavra por palavra. As traduções exatas levam em conta coisas como metáforas, expressões populares, o contexto dos tempos, etc., dando os significados reais e não apenas uma simples troca de palavras. As décadas de estudo e experiência de Skinner lhe permitiram fazer a tradução mais precisa do latim da Dee que já foi publicada.

Você encontrará os números das páginas onde o latim aparece nos Diários Espirituais do Dr. John Dee ao lado do latim nas páginas à esquerda do Chave do Latim dos Diários Espirituais do Dr. John Dee. Desta forma, você pode facilmente ir a qualquer lugar nos Diários Espirituais do Dr. John Dee, encontrar uma passagem em latim e procurá-la rapidamente pelo número de página na Chave para o Latim dos Diários Espirituais do Dr. John Dee. Entretanto, mesmo que você tenha outra versão de A True and Faithful Relation (Uma Relação Verdadeira e Fiel), você não deve ter problemas para encontrar o latim e sua tradução precisa neste livro.

Além de ser o primeiro latim corrigido com tradução, é também a única fonte que traduz todo o latim do Dee combinado com comentários de especialistas em um único local.

Esse comentário de especialista torna este livro ainda mais valioso. Quando Skinner fez as traduções, ele descobriu muitos insights que nunca haviam sido captados ou comentados pelos biógrafos da Dee. Por exemplo, de uma nota de rodapé na página 101 dos Diários Espirituais do Dr. John Dee, o latim é: Imperium Brytanicum. Na página direita da Chave está a tradução, “O Império Britânico”. Isso é bastante simples. Entretanto, considerando a data em que esta entrada foi feita originalmente, Skinner acrescenta a nota perspicaz que muda a importância desta tradução de duas palavras em latim:

“Dee foi provavelmente responsável pela introdução da ideia de um Império Britânico à Rainha Isabel I, uma ideia que foi responsável por um vasto número de eventos históricos durante os quatrocentos anos seguintes”.

Dee não só foi responsável por dar informações que permitiram à marinha inglesa permanecer no porto e evitar as tempestades que destruíram grande parte da Armada espanhola, como também pode ter sido responsável por dar início à ideia de que a Inglaterra era um império, um conceito que, como Skinner observou, mudou o mundo.

Quer você tenha os Diários Espirituais do Dr. John Dee ou outra versão de A True and Faithful Relation, a Chave para o Latim dos Diários Espirituais do Dr. John Dee é de importância monumental, tornando os segredos dos diários de Dee completamente disponíveis para os leitores ingleses. Gostaria de agradecer publicamente a Stephen Skinner pelo trabalho que realizou e que finalmente tornará a forma original da magia enoquiana disponível a todos.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.


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Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/os-ultimos-segredos-da-magia-enoquiana/

Dogmas e Rituais da Kaballah – Conjuração e Evocação de uma Entidade

Por Aluizio Fontenelle, Exu, Capítulo XX, 2ed.

Todo o ritual que se pratica nas sessões chamadas espíritas, nada mais representam do que evocações e conjurações de espíritos ou de entidades espirituais.

A evocação de um espírito é feita, partindo do principio que regem os trabalhos nessas práticas, no qual se procura fazer uma concentração, com a finalidade de entrar no pensamento dominante desse espírito. Daí tiramos a conclusão de que, se o nosso pensamento for elevado moralmente mais alto ou no mesmo nível, esse espírito evocado estará conosco e nos servirá.

No caso contrário, se o nosso pensamento for maléfico, e nos colocamos abaixo do seu nível, ele então nos arrastará no seu círculo e aí então nós é que passaremos a servi-lo.

Já a conjuração a um espírito, é o ato de se opor a um espírito isolado, ou vários espíritos, a resistência de uma corrente ou cadeia, ou ainda: a concentração de forças idênticas de pensamentos, como ato de fé comum. Daí a conclusão que se tira de uma sessão espírita quando a corrente possui o mesmo entusiasmo e a mesma força, a conjuração ou também chamada força mental, é totalmente eficaz.

Deve o cristianismo de antanho, toda a supremacia com que faziam calar-se os oráculos, à inspiração e a força que lhes davam a fé, que nada mais é do que uma conjuração de ideias dirigidas ao Deus que haviam concebido e adorado.

Pode-se estar sozinho para a evocação de um espírito, porém, para conjurá-lo, necessário se torna que se fale em torno de um círculo ou de uma associação tal como no caso das sessões espíritas; pois, é preciso que essa corrente seja coesa, e que durante o período dessa concentração ninguém se retire, para evitar que se perca a força e o poder cessa conjuração.

Por outro lado, as falanges espirituais que num determinado “centro”, “terreiro”, “tenda”, etc., que estejam trabalhando para una finalidade qualquer, em contato com os seres vivos, incorporados ou não, firmam eles próprios essa conjuração, através dos seus pontos riscados, para evitar a intromissão de forças estranhas que possam vir a perturbar o perfeito equilíbrio das irradiações espirituais.

Tanto nos pontos cantados como nos pontos riscados, a Magia está presente, e por isso, os praticantes da Kaballah nos rituais da alta magia, têm por base como Dogma Mágico o triângulo de Salomão, representando o “ternário”, símbolo necessariamente observado em todas as evocações.

Nos casos de Magia Negra, as evocações são feitas por instituições e pedidos aos gênios do mal, e aí, os pontos riscados são na maioria das vezes representados pelos símbolos característicos das entidades do mal, sendo o principal, o conhecido nas Leis Kabalísticas com o nome de “TRIDENTE DE PARACELSO”, que é um pentáculo que exprime o resumo do ternário na unidade completando o que na alta magia se conhece como o “QUARTENÁRIO SAGRADO”.

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Fonte:

FONTENELLE, Aluizio. Exu. 2ª Ed. Rio de Janeiro, Gráfica Editora Aurora, Ltda, 1954.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/dogmas-e-rituais-da-kaballah-conjuracao-e-evocacao-de-uma-entidade/

Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei

O dicionário Webster classifica religião como “o serviço e veneração a Deus ou ao sobrenatural; um conjunto de leis ou um sistema institucionalizado de atitudes religiosas, crenças e práticas; a causa, princípio ou sistema de crenças efetuada com ardor e fé”. Ele também coloca a palavra Ritual como sendo “uma forma estabelecida de cerimônia; um ato ou ação cerimonial; qualquer ato formal ou costumeiro realizado de maneira seqüencial”.

Porém, nenhum dicionário vai conseguir dar a vocês a verdadeira definição de Magia. Magia é um processo deliberado no qual eventos do desejo do Mago acontecem sem nenhuma explicação visível ou racional. Os católicos/evangélicos chamam estes eventos de Milagres quando são produzidos por eles e de “coisas do demônio” quando são produzidos por outras pessoas. As religiões ortodoxas acabaram presas em uma armadilha que elas mesmas criaram a respeito dos rituais e da magia. Embora a Igreja Católica (e as Evangélicas por extensão, com seus óleos sagrados, águas do rio Jordão e círculos de 318 pastores) use e abuse de rituais de magia baixa em seus cultos, o mero comentário que seus fiéis estejam usando rituais de magia pode te arrumar confusão.

Então… como os magos definem magia? Um Ritual de Magia é apenas e tão somente a canalização de energias de outros planos de existência, através de pensamentos, gestos, ações e vocalizações específicas, em uma forma manifestada no Plano Físico. O nome que se dá a isso é Weaving (tecer), de onde se originam as palavras Witch (bruxa) e Wiccan (bruxo). Não confundir com a baboseira new age que se difundiu no Brasil e que chamam de “wicca” por aí. Estou falando de coisas sérias.

A idéia por trás da magia é contatar diversas Egrégoras (chamadas de Deuses ou Deusas) que existem em uma dimensão não material. Os magos trabalham deliberadamente estas energias porque as Egrégoras adicionam um poder enorme ao Mago para a manifestação de sua vontade (Thelema, em grego).

O primeiro propósito de um ritual é criar uma mudança, e é muito difícil realizá-las apenas com a combinação dos arquétipos e de nossa vontade solitária. Para isto, precisamos da assistência destas “piscinas de energia” que chamamos de Divindades.

Tudo o que é usado durante a ritualística é um símbolo para uma energia que existe em outro plano. O que define se o contato irá funcionar ou não depende do conhecimento que o Mago possui destas representações simbólicas usadas no Plano Material. O estudo e meditação a respeito da simbologia envolvida nas ritualísticas é vital para o treinamento de um mago dentro do ocultismo.

Para conseguir trazer estas energias das Egrégoras para o Plano Físico, os magos precisam preparar um circuito de comunicação adequado, de maneira a permitir o fluxo destas energias. Isto é feito através da ritualística, do uso de símbolos, da visualização e da meditação.

Para manter este poder fluindo em direção a um objetivo, é necessário criar um Círculo de Proteção ao redor da oficina de trabalho. Este circuito providencia uma área energética neutra que não permitirá que a energia trabalhada escoa ou se dissipe. Este círculo pode ser imaginário, traçado, riscado ou até mesmo representado por cordas (como a famosa “corda de 81 nós” usadas nas irmandades de pedreiros livres na Idade Média).

O círculo de proteção também pode ser usado para limpar um ambiente, para afastar energias negativas ou entidades astrais indesejadas.

Para direcionar este controle e poder, o mago utiliza-se de certas ferramentas de operação, para auxiliar simbolicamente seu subconsciente a guiar os trabalhos no plano mental e espiritual. É por esta razão que a maioria das escolas herméticas utiliza-se dos mesmos instrumentos, como taças, moedas, espadas, adagas, incensos, caldeirões, ervas e velas. O uso de robes e roupas consagradas especialmente para estas cerimônias também é necessário para influenciar e preparar a canalização das energias destas egrégoras.

Para contatar corretamente cada egrégora, o Mago necessita da maior quantidade possível de símbolos para identificar e representar corretamente a divindade, poder ou arquétipo que deseja. Apenas despertando sua mente subconsciente o Mago conseguirá algum resultado prático em seus experimentos. E como o subconsciente conversa apenas através de símbolos, somente símbolos podem atrair sua atenção e fazer com que funcionem adequadamente.

Podemos fazer uma analogia destas egrégoras como sendo cofres protegendo vastas somas de recursos, cujas portas só podem ser abertas pela chave correta. Rezas, orações, práticas mágicas e venerações “carregam” estes cofres e rituais específicos “abrem” estes cofres. Cada desenho, imagem, vela, cor, incenso, plantas, pedras, símbolo, gestos, movimentos e vocalização adicionam “dentes” para esta chave, como um verdadeiro chaveiro astral (qualquer semelhança com o Keymaker do filme Matrix NÃO é mera coincidência). De posse da simbologia correta do ritual e da realização precisa de cada passo da ritualística, o Mago é capaz “girar a chave”, contatar a egrégora e acessar estes recursos.

Ao final do ritual, estes deuses ou formas arquetipais são liberados para que possam manifestar o desejo para qual foram chamados durante o ritual e também permite que o Mago volte a funcionar no mundo normal. Manter os canais de conexão com os poderes ativos após o ritual ter sido completado tornaria impossível para uma pessoa viver uma vida normal.

Os magos enxergam o universo como um organismo infinito no qual a humanidade o moldou à sua imagem. Tudo dentro do universo, incluindo o próprio universo, é chamado de Deus (Keter). Por causa desta interação e interpenetração de energias, os iniciados podem estender sua vontade e influenciar o universo à sua volta.

Para conseguir fazer isto, o iniciado precisa encontrar seu próprio Deus interior (chamado pelos orientais de atmã e pelos ocidentais de EU SOU, ou seja, o seu verdadeiro EU). Este é o verdadeiro significado da “Grande Obra” para a qual nós, alquimistas, nos dedicamos. Tornar-se um mestre da Grande Obra pode demorar uma vida inteira, ou algumas vidas.

A magia ritualística abre as portas para sua mente criativa e para o seu subconsciente. Para conseguir realizar apropriadamente os rituais de magia, o magista precisa desligar o seu lado esquerdo do cérebro (chamado mente objetiva ou consciente, que lida com o que os limitados céticos chamam de realidade) e trabalhar com o lado direito (ou criativo) do cérebro. Isto pode ser conseguido através de meditação, visualização e outras práticas religiosas ou ocultistas para despertar.

O lado esquerdo do cérebro normalmente nos domina. Ele está conectado com a mente objetiva e lida apenas com o mundo material denso (chamado de Malkuth pelos cabalistas). É o lado do cérebro que lida com lógica, matemática e outras funções similares e também o lado do cérebro responsável pela culpa e por criticar tudo o que fazemos ou pretendemos fazer. Na Kabbalah chamamos este estado de consciência de Hod.

O lado criativo do cérebro pertence ao que chamam de “imaginação”. É artístico, visualizador, criativo e capaz de inventar e criar apenas através de uma fagulha de pensamento. Com o desequilíbrio entre as energias da Razão e da Emoção, o indivíduo pode pender tanto para o lado “cético-ateu” quanto para o lado “fanático religioso”. Os verdadeiros ocultistas são aqueles que dominam ambas as partes de sua consciência.

Uma das primeiras coisas que alguém que pretende enveredar por este caminho precisa fazer é aprender a eliminar qualquer sensação de falha, insatisfação ou crença materialista no chamado “mundo real”. Esta é a esfera do gado e dos rebanhos.

Diariamente, todos nós somos bombardeados com estas mensagens negativas na forma de “essas coisas não existem”, “imaginação é faz-de-conta”, “só acredito no que posso tocar”, “magia é coisa de filme”” e outras baboseiras, condicionando o gado desde pequeno a se comportar desta maneira. Esta é a razão pela qual amigos e companheiros devem ser escolhidos cuidadosamente, não importa a idade que você tenha. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Idéias a respeito de limitações ou falhas devem ser mantidas no nível mínimo e, se possível, eliminadas completamente. Para isto, existem certas técnicas de meditação que ensinarei nas colunas futuras.

Desligando o lado esquerdo

Durante um ritual, o lado esquerdo do cérebro é enganado para sua falsa sensação de domínio pelos cantos, gestos, ferramentas, velas e movimentações. Ele acredita que nada ilógico está acontecendo ou envolvido e se torna tão envolvido no processo que esquece de “fiscalizar” o lado direito. Ao mesmo tempo, as ferramentas se tornam os símbolos nas quais nosso lado direito trabalhará.

Existem diversas maneiras de se treinar para “desligar” a mente objetiva durante uma prática mágica. Os mais simples são a meditação, contemplação, rezas e mantras, mas também podemos usar a dança, exercícios físicos até a beira da exaustão, atividades sexuais e orgasmos, rodopios, daydreaming, drogas alucinógenas ou até mesmo bebedeira até o estado de semi-inconsciência. O exercício da Vela que eu passei em uma das primeiras matérias é um ótimo exercício para treinar este desligamento da mente objetiva.

Emoções

O lado esquerdo do cérebro não gosta de emoções (repare que a maioria dos fanáticos céticos parecem robozinhos, ao passo que os fanáticos religiosos parecem alucinados), pois emoção não é lógica. Mas as emoções são de vital importância na realização dos rituais. A menos que você esteja REALMENTE envolvido de maneira emocional e queira atingir os resultados, eu recomendo que você feche este browser e vá procurar uma página com mulheres peladas, porque não vai atingir nenhum resultado prático na magia. Emoções descontroladas também não possuem lugar na verdadeira magia, mas emoções controladas são VITAIS para a realização correta de rituais. O segredo é soltar estas emoções ao final da cerimônia (eu falarei sobre isso mais para a frente).

O primeiro passo para realizar magias é acreditar que você pode fazer as coisas mudarem e acontecerem. A maioria do gado do planeta está tão tolhido de imaginação e visualização que não é capaz nem de dar este primeiro passo, pois acreditam que “estas coisas não existem”. Enquanto você não conseguir quebrar a programação que as otoridades colocaram em você desde criança, as manifestações demorarão muito tempo para acontecer.

É o paradoxo do “eu não acredito que aconteça, então não acontece”.

Para começar a fazer as mudanças que você precisa, é necessário matar hábitos negativos. Falarei sobre a Estrela Setenária e os Sete defeitos capitais da alquimia (ou “sete pecados” da Igreja) mais para a frente. Conforme você for mudando seus hábitos, descobrirá que você gostará mais de você mesmo e os resultados mágicos começarão a fluir.

Esta é a origem dos famosos “livros de auto-ajuda” que nada mais são do que a aplicação destes princípios místicos travestidos de explicações científicas. O livro “O segredo” nada mais é do que uma compilação de ensinamentos iniciáticos desde o Antigo Egito. Ele não funciona para a maioria dos profanos simplesmente porque o gado não possui a disciplina mental, a imaginação e a vontade (Thelema) para executar o que deve ser executado.

O Bem e o Mal

Algumas Escolas iniciáticas, religiões judaico-cristãs e filosofias de botequim irão te dizer que realizar magias para você mesmo é egoísta e “magia negra”. Esqueça estas besteiras… se você não é capaz de operar e manifestar para você mesmo, você nunca conseguirá manifestar nada para os outros.

Não existe “magia branca” ou “magia negra”. O que existe é a INTENÇÃO. A magia é uma ferramenta, como um martelo. Você pode usá-lo para construir uma casa ou para abrir a cabeça de um inocente a pancadas. Quando Aleister Crowley disse “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei”, ele disse isso para iniciados que já tinham total noção do que deviam ou não fazer dentro da Grande Arte, não para um zé mané iniciante. Cansei de ver misticóides do orkut interpretando esta frase como sendo “vou fazer o que minhas paixões de gado me dizem para fazer”, usando as palavras do grande Crowley para justificar suas imbecilidades.

O Karma é uma Lei Imutável. Assim como a Lei da Gravidade, a Lei do Karma não dá a mínima se você acredita nela ou não, ela simplesmente existe: você sofrerá suas ações. Ponto final.

Por esta razão, é essencial pensar nisso quando se fala em magia. Normalmente, utilizar este tipo de conhecimento para causar o mal gratuito não vale o preço kármico a se pagar depois. Simples assim.

Willpower, baby

A força de vontade humana é uma força real e muito poderosa. Ela é possível de ser disciplinada e produzir o que a uma primeira vista parecem resultados sobrenaturais. A força de vontade é direcionada pela imaginação, que é o domínio do lado direito do cérebro. O universo não é aleatório. “Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo”. Ele é constituído de padrões e conexões, como um fractal multidimensional de ações. Através das correspondências, do conhecimento dos padrões e da força de vontade, você será capaz de utilizar as forças arquetipais para seus próprios propósitos, sejam eles bons ou malignos.

Os deuses, demônios, devas, elementais, anjos enochianos, djinns, exús, emanações divinas, qlipoths e entidades astrais são amorais. O poder simplesmente está lá. COMO você vai utilizá-lo é que se torna responsabilidade dos magos. Tanto a magia branca quanto a magia negra trazem resultados, mas no final das contas, todos teremos de nos acertar com a Balança de Anúbis e os preços devem ser pagos. Infelizmente, a maioria das pessoas tem esta idéia errada de que Karma significa “punição” ou “recompensa”. Isto vem de um sincretismo com as religiões judaico-cristãs. Karma significa apenas que cada ação traz uma reação de igual força. E que as pessoas são responsáveis por aquilo que fazem.

A simbologia dos deuses per se são apenas estímulos para serem usados pela humanidade como catalisadores para uma elevação da consciência e a melhoria do ambiente ao redor do mago. Os rituais, em seu senso mais puro, lidam com transformações no mundo. O conhecimento destas ações é o motivo pela qual as Ordens (a maioria delas) trabalha em ações globais além das ações locais. E esta também é a razão pela qual as otoridades tanto temem e perseguem os magos, bruxos e membros de ordens secretas. Eles não querem que o status quo se modifique, pois perderiam todo o poder e o controle sobre o rebanho que possuem.

Carl Jung disse que experiências espirituais são diferentes de experiências pessoais, sendo que a segunda estaria em um nível mais elevado. Isto acontece porque normalmente nem todos em um grupo possuem a concentração ou a dedicação necessária para elevar todo o grupo ao mesmo patamar de consciência (uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos). ESTA é a razão pela qual as ordens secretas (especialmente as invisíveis, já que as discretas já estão sendo contaminadas faz um tempo pelo gado de avental) escolhem com tanto cuidado seus membros.

Muita gente choraminga a respeito do porque as Ordens Iniciáticas serem tão fechadas, e do porquê este conhecimento ficar preso nas mãos de poucas pessoas, mas a verdade é que pessoas perturbadas ou cujo grau de consciência não esteja no mesmo nível do grupo acabarão agindo como sifões de energia ou criarão caos suficiente para estragar a egrégora das oficinas.

Meditação

O conceito de participar de um ritual ou entrar em um templo sagrado (seja ele um círculo de pedra, uma pirâmide ou uma igreja católica) é o de atingir um estado de consciência conhecido na Índia como “a outra mente”. Durante um ritual, todos os participantes são ao mesmo tempo atores e platéia, ativando áreas da mente que não são usadas durante o dia-a-dia. Através deste jogo, conseguimos libertar nossas mentes e espíritos destes grilhões e alcançar que está além.

93, 93/93

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/faze-o-que-tu-queres-h%C3%A1-de-ser-o-todo-da-lei

Sobre a Magia do Caos

Faz bastante tempo que não escrevo aqui, então resolvi dar um alô, mesmo que eu não tenha nenhuma notícia. O objetivo do post de hoje é dizer: “Magia do Caos é muito foda e aqui vão algumas das razões e faltas de razões disso; obrigada, de nada”. Tentemos fazer isso de uma maneira breve e pouco dolorosa para os miolos. Não quero meter no meio coisas como filosofia, teologia, cálculos ou qualquer coisa tirada da cartola do demônio da epistemologia.

Há aquele negócio chamado magia tradicional, que costuma ser qualquer coisa entre astrologia, cabala e tarot. Muitas outras coisas podem ser “magia clássica”, como diferentes sistemas de magia dos grimórios famosos, alguns dos quais muito me encantam. E vem a velha questão: “Por que dividir magia em ortodoxa e heterodoxa, esquerda e direita, branca e negra, cor-de-rosa e cor de capim?” Só para sistematizar, meu filho. Algumas sistematizações são mais úteis que outras. Certos agrupamentos já estão bem ultrapassados como “pessoas boas e pessoas ruins”, mas cada um com suas preferências de linguagem (contanto que se compreenda que termos adquirem diferentes conotações através dos tempos).

Eu não concordo completamente com a divisão de magia velha e magia nova, ou qualquer coisa parecida. Eu só uso esses termos quando não encontro outros melhores. A linguagem está cheia de termos inapropriados e se quisermos uma comunicação realmente eficiente vamos todos meditar e conversar nos outros planos sem usar palavras, já que, como dizia Wittgenstein “a filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento da nossa inteligência por meio da linguagem” (bosta, eu disse que não ia citar filósofos!!)

Então agora que estamos entendidos que eu só uso o termo “magia tradicional” e outros termos ainda piores por falta de termos melhores, vamos seguir em frente.

Vantagens da magia tradicional: confiança/fé na eficácia do sistema devido à sua antiguidade e tradição. Se já foi usado com sucesso no passado, e por tanta gente, por que falharia no presente? A egrégora provavelmente só se tornou mais forte. Esse argumento é bom e compreensível. Eu concordo com ele. Contudo, a proibição de não modificar algumas fórmulas clássicas, embora por um lado preserve as minúcias que as tornam fortes, pode torná-las não tão adequadas aos tempos atuais.

Desvantagens da magia tradicional: alguns sistemas são meio ultrapassados e monótonos (leia-se, velhos e chatos). O enfoque está em preservar a tradição e não em adaptá-los para torná-los divertidos e atraentes. Se parar para pensar, qual é a graça de assistir a uma missa católica tradicional, além de presenciar o poder da tradição? Por isso tantos jovens são atraídos para o espiritismo ou igrejas evangélicas. São adaptações que condizem mais com a onda new age de “eu tenho uma espiritualidade, mas quero segui-la do meu jeito”. Essa postura, é claro, tem seus lados positivos e negativos. Para seguir algo do seu jeito é bom estudar. Por isso os caoístas estudam tanto e fazem tantos experimentos: para realmente entender como a coisa toda funciona. Ou desvendar/inventar novos meios de fazê-la funcionar.

Um caoísta deve estudar magia tradicional? É bom ter algumas noções. Muitos caoístas apoiam seus trabalhos em sistemas tradicionais. Caso ele resolva apoiar em qualquer outra área (física, geologia, videogames ou o que valha) é esta área que deve ser explorada com cuidado e adaptada à magia.

Vantagens do caoísmo: uma magia pessoal e sob medida, como uma roupa sob encomenda. Uma magia divertida, que te dá prazer de fazer e de vivenciar. Em suma, é magia da nossa época. Por isso nós nos identificamos com as propostas. Claro, algumas pessoas se identificam com elementos de outras épocas. Isso também não impede de praticar magia do caos. O magista pode adaptar esses elementos com outras coisas que lhe agrade. Além disso, a minha parte preferida do caoísmo não é somente misturar sistemas, mas criar seus sistemas. Você não somente repete o que já foi dito (“como um papagaio”, diria Frater Xon), mas também contribui criando algo original.

Desvantagens do caoísmo: apenas leia as vantagens da magia tradicional e inverta. Muita gente não se adapta à magia do caos porque, lá no fundo de sua mente, ainda há um teimoso cujo cérebro foi moldado pelo “certo” e “errado” da sociedade, pelo que é real e imaginário, pelo que é permitido ou proibido. Em suma, algumas pessoas “não se adaptam à ideia de que adaptações são possíveis”. “Só posso realizar essa magia no horário de Saturno” ou “vermelho é melhor para uma magia de amor do que azul” ou qualquer outro dogma que a magia tradicional te fez acreditar. Isso significa que todas as regras da magia ortodoxa são mentiras? Não! Elas funcionam muito bem. Pode haver alguma verdade nelas quando utilizadas da forma correta, mas isso não significa que a magia é algo fixo, uma rocha inquebrantável, que nunca possa ser modificada sem autorização de Deuses (se acha mesmo, vá lá chamar o tal Deus, tome um chá com ele e altere as regras, diabos!). Então eu diria que provavelmente as desvantagens do caoísmo estão na nossa própria cabeça.

A Magia do Caos poderia ser um sistema totalmente divertido e eficiente se ao menos nós permitíssemos a nós mesmos toda essa liberdade e prazer. Alguns são muito rigorosos consigo mesmos. Há quem considere que existe magia verdadeira e falsa, a baixa e a alta magia. E, convenhamos: pode ser que exista. O ponto é que não faz diferença se essas coisas existem ou não. O nosso objetivo é trabalhar com esses conceitos e aplicá-los não para nos trazer angústia, mas momentos especiais. O foco não é alterar a realidade em si (que pode ser real ou uma Matrix, não sabemos e pouco importa), mas nossa percepção da realidade. O copo está pela metade (partindo do pressuposto de que o copo existe), mas você escolhe se ele está meio cheio ou meio vazio.

O objetivo da magia não é necessariamente absoluto. Cada um tem seus objetivos com magia. Quem tem paixão por história e mitologia, por exemplo, não resistirá a pesquisar a magia tradicional e experimentá-la. Isso também pode ser fantástico. Mas a magia ortodoxa e a heterodoxa não são totalmente contraditórias. Podem coexistir.

Muitos dizem que o objetivo da magia, espiritualidade ou religião é a evolução espiritual, que temos que ajudar os outros (ou, no caso do budismo Theravada, libertar-se tanto do bom karma quanto do ruim), amar, servir a sociedade e às pessoas próximas e que através disso iremos atingir um grau superior ao que nos encontramos agora.

Novamente, pode haver alguma verdade nessas palavras. Mas muito provavelmente essa não é toda a verdade, até porque, como dissemos antes, palavras são inapropriadas para expressar. Sempre haverá erros na comunicação que podem levar a desentendimentos. Sendo assim, podemos considerar que, sim, amar e ajudar é algo muito nobre, mas há outras coisas relacionadas que talvez o termo “evolução espiritual” não capte com precisão.

São João da Cruz, em seu livro “Noite Escura da Alma” descreve os “dez degraus da escada” e diz que aqueles que chegam ao último degrau serão “semelhantes a Deus”. Ele até mesmo diz que será “Deus por participação”, um termo também encontrado na Suma Teológica de Tomás de Aquino (e eu disse que não ia falar de teologia). Nesse momento quase temos um encontro entre RHP e LHP…

Mas a ideia de uma escada ainda me parece por demais metafórica. Isto é, sei lá, vai que tem mesmo uma escada! Mas não acho que para subir tal escada se deva colocar necessariamente um pé na frente do outro somente de um jeito correto, como robôs. Cada um tem características diferentes e sobe a escada do seu jeito, alguns mais rapidamente, outros tropeçando, mas cada um vai tricotando seu emaranhado de linhas até que forma seu cachecol personalizado! (eu falei tanto em tricotar no meu último livro, Sociedade do Sacrifício, que até fiquei com vontade de voltar a tricotar. Minha avó me ensinou a tricotar quando eu era criança e lembro que era uma das coisas mais relaxantes).

Magia do Caos é sobre isso: não é um ataque à magia tradicional. Ela usa a magia ortodoxa como aliada. Pega o que serve, tira o que não serve, mas não somente com base numa preferência sem reflexões e numa análise superficial. Muitos testes são realizados até que se descubra a melhor forma de fazer as coisas (a melhor forma para si, pois pode variar para cada praticante).

Que cada aranha construa sua própria teia. Não é à toa que o número 8 é celebrado no caoísmo. E mesmo que seja à toa, não nos importamos tanto assim. Há tantos números (reais, imaginários…) e tantas possibilidades que vale mais a pena viver experimentando um pouco de tudo em vez de continuar fechado na caixinha de sempre.

Existem muitas formas de viver. Não somente a forma que nos foi ensinada. E se as outras formas das quais ouvimos falar tampouco funcionam para nós, talvez seja melhor inventar uma outra: uma magia somente sua, sem cabimento: porque não “cabe” nesse universo ou nos outros; somente no universo que você criou.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sobre-a-magia-do-caos

Como Eu Aprendi Cabala

Por Ted Andrews

Eu sempre fui um leitor voraz. Durante a maior parte da minha infância, a biblioteca local tinha um limite no número de livros que você podia conferir a qualquer momento, e você tinha que devolvê-los dentro de duas semanas. Eu sempre verificava o limite e sempre os fazia ler dentro de três a quatro dias. Um dos meus momentos mais felizes foi quando a biblioteca me deu permissão especial para checar mais livros do que eles normalmente permitiam. Em uma dessas ocasiões, li um livro de contos e nele estava o conto de um grupo de homens. Estes homens usaram algo chamado Cabala para criar um monstro chamado Golem para se salvar dos nazistas.

Desde aquela época a Cabala (independentemente de sua grafia: Qabala, Cabala, Kabala, etc.) sempre teve um grande fascínio para mim. A palavra ressoava com uma parte de mim de uma forma misteriosa e assombrosa. Cresci em uma época em que os escritos metafísicos (fora de um contexto religioso tradicional) não estavam prontamente disponíveis. Sempre pude encontrar alguns sobre astrologia e yoga. Embora a ioga não me atraísse, fui capaz de ensinar a mim mesmo como erguer uma carta astrológica enquanto estava no ensino médio, incluindo como fazer as contas necessárias (isto foi muito antes de os computadores tirarem todo o trabalho tedioso).

Depois encontrei uma livraria no centro da cidade que começou a carregar livros esotéricos (como eram chamados naquela época). Eles estavam presos no canto mais distante, longe de tudo “normal”. Era uma miscelânea de literatura que não se enquadrava em nenhuma outra categoria. Foi aqui que eu sempre procurei mais informações sobre o reino místico e psíquico, especialmente sobre aquela coisa estranha chamada Cabala. Eu comprava qualquer livro que se assemelhasse a ele em seu título ou entre suas capas.

Naquela época, a maioria das informações sobre Cabala era tão vaga ou esotérica que nenhuma pessoa comum podia entendê-la ou supunha que você já tinha um conhecimento prático sobre ela. E certamente não havia nenhum professor por perto. Não seria até meu primeiro ano de faculdade que eu começaria a explorar seu significado e a experimentar maneiras de incorporá-lo em minhas próprias meditações e desenvolvimento psíquico.

Um sonho que muda a vida:

Foi então que surgiu o sonho. Este sonho se tornaria a chave para verdadeiramente compreender e aplicar a magia do Cabala na vida cotidiana. Este sonho me ajudou a perceber que as coisas mais poderosas do mundo são muitas vezes as mais simples. Parte deste sonho tornou-se a história introdutória encontrada no que seria meu primeiro livro, Simplified Magic: A Beginner’s Guide to the New Age Cabala (Magia Simplificada: Guia para Principiantes na Nova Era da Cabala), ou como é intitulado em sua mais nova edição, Simplified Cabala Magic (Magia Simplificada da Cabala). Através deste sonho, descobri que a Cabala não precisava ser tão complicada quanto muitos a tornaram.

Acabaria por descobrir na Cabala um sistema prático para despertar as qualidades necessárias para acelerar o crescimento espiritual. Descobri um sistema de desdobramento espiritual e mágico que é seguro e prático. Encontrei um sistema que permite a exploração de nosso potencial mais elevado e abre novas dimensões sem nos sobrecarregar no processo.

Seja desenvolvendo habilidades psíquicas, percorrendo um caminho de cura, explorando dimensões espirituais, conectando-se com totens e a Natureza, ou comunicando-se com anjos, o antigo e místico Cabala é um mapa que nos permite realizar estes esforços de forma mais segura e mais poderosa. Ele também nos permite enfrentar nossas maiores fraquezas.

Estudos Espirituais e a Cabala:

O objetivo dos estudos espirituais não é ganhar poder psíquico, mas desenvolver a capacidade de olhar além das limitações, de aprender as possibilidades criativas que existem dentro das limitações, ao mesmo tempo em que as transcende. O propósito dos estudos espirituais é nos ajudar a redescobrir a maravilha, o espanto e o poder do divino e aprender como esse poder se revela e se reflete dentro de cada um de nós.

A antiga Cabala é um guia intemporal que nos permite olhar para dentro de nós mesmos para nossas respostas – para nossa magia e nossos milagres. Não encontramos essas respostas nos livros ou nos professores – embora elas sirvam a seus propósitos – mas no poço da verdade que está dentro de nós. A Cabala nos ensina que o caminho espiritual não é um caminho que leva a alguma luz divina na qual todos os nossos problemas são dissolvidos. Ao contrário, ela nos ensina como despertar a luz interior para que a possamos irradiar para fora de nós.

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Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/495

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/como-eu-aprendi-cabala/