Catarse Psicosomática

Emoções estão presentes não só no nosso plano psíquico como também no físico. Freqüentemente nossas emoções se manifestam como sensações corpóreas tais como reações de intestino, tensão nervosa, batida do coração, dores de cabeça, mudanças respiratórias, etc. As consequências do nosso bem estar emocional sobre o corpo é tão intensa que podemos dizer que existe de fato uma psicosfera ao redor do corpo físico com influencias tão certas quanto as que ocorrem na mente e na imaginação.

O objetivo deste rito é experimentar tão fortemente quanto possível aquilo que está lhe deixando ‘ doente ‘ e então purgar isto, literalmente (várias vezes se necessário) limpando assim a sua emotosfera pessoal por inteiro. Sendo assim trata-se de um ritual de exorcismo na medida em que é repugnada a causa de um vírus emocional. Expondo o problema ao máximo em sua consciência e usando tanto o corpo quanto a mente a intenção é arremessar para fora por meio de vomito e catarse física. Sentimentos de alívio, satisfação e paz deveriam ser o resultado do ritual.

 

Materiais Necessários:

– A comida mais vil que você conseguir.

 

– Um buraco no solo.

 

– Um sigilo pictórico de seu vírus psíquico.

 

 

– Um sigilo mântrico de seu vírus psíquico.

 

 

– Alguns pequenos prêmios (para rituais coletivos)

 

– Uma segunda muda de roupa.

Procedimento:

  1. Coma uma comida pesada antes do rito e beba bastante água.
  2. Separe a comida mais repugnante que você conseguir pensar. Esta comida representa o limo daquilo que você está lhe afligindo, os sentimentos de culpa, vergonha, frustração, etc são o resultado desta infecção psíquica de que você está prestes a se livrar. Quanto mais nojento melhor, exemplos incluem, manteiga ghee pura, repolho fervido, ou qualquer comida que lhe de ânsia de vômito.
  3. Cave um buraco no solo; por razões óbvias, este rito é melhor se feito ao ar livre.
  4. Crie dois sigilos da fonte do contágio emocional; um pictórico e um mântrico.
  5. Quando tudo estiver pronto coma o sigilo pictórico.
  6. Visualize a causa do contágio emocional; imagine todos os modos que isso arruina sua vida e lhe faz sentir mal. Sofra a vergonha, culpabilidade, sinta a dor, ou qualquer o sentimento ruim que se manifestar.
  7. Enquanto experimenta isso pegue a comida e jogue (eu disse jogue, e não ponha) em seu prato. Coma com as mãos, e encha sua boca com a gororoba nojenta que você criou. Não seja moderado, encha mesmo até encostar na goela.
  8. Cante seu sigilo Mantrico com sua boca cheia e enfatize pensando em tudo o que é ruim e o esta fazendo doente em sua vida . Concentração será um desafio, mas faça!
  9. Sinta a perturbação na sua mente assim como em seu estômago; concentre-se no seu chakra coronário . Alcance gnosis por desgosto.
  10. Tente prolongar a experiência. Quando chegar a hora, corra até seu buraco e comesse a vomitar com vontade enquanto ainda canta seu mantra.
  11. Esta é hora de dar vazão ao poder de seu corpo e evacuar sua mente. Deixe o fluxo subir surgindo de seu estômago continuando até o topo de sua cabeça e vomite também o vômito psíquico pelo seu chakra coronário. Você deveria estar tão consciente do fluxo jorrando do topo de sua cabeça quanto do vômito fluindo de sua boca.
  12. Se concentre em seu chakra coronário. Some a imagem repulsiva; vare seus dedos garganta abaixo. Faça a experiência tão violentamente quanto possível, até que a catarse física e emocional seja alcançada.
  13. Terminada a experiência enxague seu sistema com água e energia limpa. Descanse por algum tempo.
  14. Enterre sua excrescência e saiba que ambos o vômitos físicos e psíquicos estão sendo soterrados e agora serão usados e reciclados pelo planeta.
  15. Sentimentos de alívio mental e físico, assim como satisfação animal deveria seguir este ritual.
  16. Banimento por gargalhada.

Lembre-se de tornar o rito tão nojento e asqueroso quanto possível, pois esta é sua chave para sua limpeza interna física e mental. Para coletivos de ação mágica é possível ainda somar um ar de festividade ao rito para encorajar a desinibição, por exemplo deveriam ser dados prêmios para a comida mais nojenta , a maior tempo vomitando , etc. Sem esquecer que a concentração pessoal é vital ao rito, uma atmosfera de competição amigável poderia ajudar, mas a escolha de dar permissão para executar isto normalmente é função privada dentro do grupo.

Fonte: Automatrix, CORPUS FECUNDI 1998

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/catarse-psicosomatica/

Cursos de Hermetismo até o final do ano

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

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Seguem as datas de todos os cursos que serão ministrados até o final do Ano. Note que os cursos de Dezembro têm como pré-requisito Kabbalah e Astrologia.

Outubro

05/10 – Kabbalah – SP – Templo AyaSofia

06/10 – Astrologia Hermética I – SP – Templo AyaSofia

20/10 – Geometria Sagrada – SP – Templo AyaSofia

Novembro

15/11 – Kabbalah – Porto Alegre

16/11 – Astrologia Hermética – Porto Alegre

17/11 – Qlipoth, a Árvore da Morte – Porto Alegre

30/11 – Tarot (Arcanos Maiores) – SP – Vila Mariana

01/12 – Tarot (Arcanos Menores) – SP – Vila Mariana

Dezembro

15/12 – Runas e Magia Rúnica – SP

21/12 – Qlipoth, a Árvore da Morte – SP

22/12 – Magia Prática – SP

Informações no email: marcelo@daemon.com.br

#Cursos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-at%C3%A9-o-final-do-ano

Em busca do vampiro indiano

No livro O Culto do Vampiro o ocultista francês Jean-Paul Bourre queixa-se de que “atualmente a maioria dos adeptos da magia já não ousa reconhecer os poderes do sangue. Para eles, magia vermelha e magia negra são a mesma magia diabólica, e preferem acender bastões de incenso sob as imagens de ‘Maha-qualquer-coisa’”, preferindo “cobrir-se de flores cantando que o mundo é bom, luminoso e pacífico”. Mas, “os verdadeiros mágicos são raros… e quando eles surgem, afastamo-nos deles, horrorizados”. [1] Devo também me confessar pasma por haver encontrado fiéis “correndo horrorizados” de certas passagens de seus próprios textos sagrados.

 

 

Sangue e carne:

 

Segundo as instruções do Bardo Thödul, se o espírito do morto mentir no estado de chönyid, Yama, o Senhor da Morte, “colocará uma corda em volta do teu pescoço e te puxará adiante; ele cortará a tua cabeça, extrairá teu coração e arrancará teus intestinos, devorará teu cérebro, beberá teu sangue, comerá tua carne e roerá teus ossos”. [2] No mesmo livro sagrado lemos que Yama é antecedido pelos 28 detentores do poder e pelas 58 deusas sinistras bebedoras de sangue. Desde que creia nelas o moribundo delirante poderá ver tais entidades, como ocorreu no momento de agonia de um policial hindu, na casa dos 40 anos, que sofria de tuberculose pulmonar. Os pesquisadores Osis e Haraldsson relataram o caso:

 

De sua cama no hospital, ele gritava: “O Yamdoot (mensageiro da morte) está vindo para me levar. Tirem-me desta cama para que o Yamdoot não me encontre”. Apontando para a janela, ele disse: “Lá está ele”. Naquele momento, como se alguém tivesse disparado um tiro, “um bando de corvos em cima de uma árvore, vista da janela, voou em disparada”. A enfermeira ficou “aterorizada” e correu para fora, mas não viu nenhum motivo para aquele tumulto, concluindo que “até os corvos pressentiram algo terrível”. Alguns minutos após essa experiência negativa, o paciente entrou em coma profundo e morreu. [3]

 

Desde a mais alta divindade até o mais insignificante fantasma, todas as entidades indianas relacionadas à morte apreciam sangue e carne humana. E mesmo no piedoso marasmo da segunda metade do século XX toda e qualquer divindade poderia converter-se num agente da morte em determinadas circunstâncias. Assim, por exemplo, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada narra-nos a parábola do demônio Hiraņyakaśipu que viu Kŗşņa como a morte personificada enquanto o devoto Prahlāda contemplou-o como seu Senhor querido, pois “aqueles que desafiam Deus irão vê-lo sob Seu aspecto horroroso, mas aqueles que se dedicam a Ele, irão vê-lo sob Sua forma pessoal”. [4] Por vezes até pessoas comuns podem ser elevadas ao status de espectro da morte. Por exemplo, em maio de 1973 cadáveres de mendigos surgiram misteriosamente nos becos de Calcutá. Tinham marcas de mordidas no pescoço, aparentemente produzidas por aparelhos mecânicos (a polícia não esclareceu de que tipo). Conforme o repórter André Machado, “assim que soube da onda vampiresca, a população ficou em pânico e saiu às ruas armada de tacapes e estacas de madeira”.[5] Cinco maltrapilhos com aparência suspeita acabaram linchados pela multidão enfurecida, e outros 20 saíram feridos.

Noutro caso, investigado por Idries Shah, em 1956, difundiu-se a história de que uma viúva inglesa que vivia em Bombaim teria sugado o sangue de uma das vítimas de um acidente na estrada. Ela morreu alguns meses depois do acidente, sendo que a lenda da vampira continuou e cresceu. Diziam que comia carne crua e bebia sangue humano sempre que possível. Shah encontrou uma amiga da viúva, que lhe explicou o incidente:

 

Quando circulava o rumor de que era vampira – contado por algum dos sobreviventes do acidente e não por mim – ela me procurou para “confessar” que ia voltar à Inglaterra para tratamento. Perguntei-lhe se ela era vampira e ela disse que não. A verdade é que, quando criança, ela tinha sofrido de uma doença e tinha de comer sanduíches de carne crua. Ela se acostumou tanto com isso que nunca comia carne cozida. Seu médico via isso como um estado psicológico mais ou menos inofensivo. E assim continuou ela com a dieta. Ao ir para a Índia, ela descobriu que era difícil conseguir carne crua, apesar de sentir muita vontade e, finalmente, ela conseguiu arranjar fornecedor. Mas ela se “controlava”, tanto quanto possível. Na noite do acidente, ela me contou que não comia carne crua há semanas e que, ao se curvar sobre um ferido, aquilo foi demais para ela e então encostou seu rosto no dele como para beija-lo. Um indiano que estava presente, conhecendo talvez o seu gosto por carne sangrenta, deu início aos rumores. [6]

 

Resumindo, o consumo de sangue e carne humana é uma constante entre uma infinidade de caracteres do folclore da Índia e Tibet, fato que deixa os pesquisadores ocidentais completamente desnorteados sempre que tentam produzir estudos de religiões comparadas sobre o mito do vampiro. Assim, todos que se prendem ao elemento isolado “beber sangue” acabam catalogando uma infinidade de hematófagos. Matthew Bunson, o primeiro antropólogo a escrever uma enciclopédia dos mitos do vampiro ao redor do globo, encontrou na Índia um problema comum. Ele teria descoberto que muitos folcloristas referem-se ao bhuta como o vampiro indiano por excelência ao passo que outros o catalogam como um tipo específico de vampiro e incluem outros tipos, como “rakshasa, jigarkhwar, hanh saburo, hant-pare, hantu-dor dong, mah’anah, pacu-pati, penanggalan, pisacha, e vetala”. [7] Seu sucessor, Gordom Melton, acrescenta as entidades femininas yatu-dhana, churel e chedipe à lista e confessa sua incapacidade de esgotar o tema em um único artigo:

Em toda a Índia, entre os vários grupos étnicos e lingüísticos, havia uma multidão de fantasmas, demônios e espíritos malignos que viviam dentro ou perto dos cemitérios e dos locais de cremação e que tinham alguma semelhança com os vampiros da Europa. Muitos enganavam os outros assumindo a forma de uma pessoa viva. Transformavam-se, assumindo uma aparência terrivelmente demoníaca pouco antes de atacar suas vítimas. [8]

 

Para facilitar as pesquisas no campo eu gostaria de propor um novo padrão de busca. O vampiro não pode ser qualquer bebedor de sangue humano ou até os piolhos, pulgas, pernilongos e lombrigas se enquadrariam perfeitamente na descrição. Ele não pode ser um deus porque possui corpo humano nem tão pouco se deverá rotular como vampiro a qualquer pessoa que consuma sangue com regularidade, pois neste caso englobaríamos todos os membros da tribo Massái (povo do Quênia e da Tanzânia cuja dieta diária inclui uma mistura de sangue e leite extraído do gado bovino). — Lembre-se que estamos procurando por vampiros mitológicos e não por algum costume tribal, portadores de hematomania (doença mental) ou “real vampyres” entendidos na moderna concepção norte-americana do termo. — Ele não deve sequer ser apenas um morto que ressuscitou, sem necessitar ou desejar o consumo de sangue, pois na Índia e Tibet, conta-se que diversos santos e devotos, a exemplo de Sri Chaitanya Mahaprabhu (nascido em Mayapur, Índia, 1486), morreram voluntariamente e voltaram à vida. Sobretudo, ele não pode ser um ser capaz de dispensar o consumo de sangue.

Partindo daí excluímos Kali, Yama e inúmeros outros inumanos, apesar de manter ressalvas sobre determinados elementos de seu séqüito. Excluímos o Bhuta, pois como anotou corretamente Marcos Torrigo, “os Bhuta se alimentam de fezes e intestinos encontrados em corpos decompostos”, promovendo doenças nos seres humanos como “uma forma de gerar o seu alimento”. [9] Logo, não é um vampiro.

Não é preciso beber sangue ou ter asas de morcego para se ser um rakshasa (lit. malvado, perverso). O adjetivo também se aplica a um homem vivo comum que comete um ato de crueldade como, por exemplo, atirar uma criança ao fogo. (Isso significa que alguns vampiros poderão ser rakshasas, mas nem todo rakshasa será necessariamente um vampiro). A chedipe (lit. prostituta) também não precisa montar um tigre ou ter patas de animal. Pode ser uma prostituta de verdade. As bruxarias das dakinis da vida real funcionam tão bem quanto as mandingas das mães de santo de nossos terreiros, mas elas nem sequer incorporam entidades. Apenas para o vetalā não há exceção. Ele deve ser sempre um cadáver reanimado por seu próprio espírito ou pelo de outrem.  É o equivalente perfeito do vampir ou blutssauger cujos relatos começaram a circundar a Europa a partir de 1732.

 

O vampiro modelo

 

Segundo Devandra P. Varna, os Vampiros surgiram pela primeira vez na Índia e as histórias se espalharam pela Europa através da Rota da Seda. Esta tese não pode ser comprovada, mas a idéia não é absurda nem impossível.

Na Índia os relatos de ressurreição de homens santos são facilmente encontrados. Um dos casos mais recentes foi o de Sai Baba, que teria pedido a seu discípulo Mahalsapathy para tomar conta de seu corpo durante três dias enquanto seu espírito viajaria “pra Alá”. Diz-se que sua respiração diminuiu até cessar e sua circulação se interrompeu. Dado como morto, as autoridades tentaram fazer Mahalsapathy cumprir uma lei da Índia que obriga a cremação ou enterro dos corpos em 24 horas após a morte, mas ele se recusou. No terceiro dia a respiração retornou, Sai Baba abriu os olhos e voltou à vida. Contudo, o privilégio de ir e vir pelos portais da morte não deve ser legado ao homem comum. Os santos retornam para o benefício da humanidade, mas o vulgo tenta reverter o fado por motivos egoístas. O Bardo Thödul relata a reação de um espírito ordinário diante no momento posterior à morte do corpo:

Verás tua própria casa, os criados, parentes e o [teu] cadáver, e pensarás: “Agora estou morto! Que farei?”; e, oprimido por intenso pesar, este pensamento te ocorrerá: “Oh, daria tudo para possuir um corpo!” E assim pensando, vagarás de um lado para outro procurando um corpo.

 

Nas instruções do Bardo Thödul o homem comum, ignorante das artes mágicas, nunca conseguirá reentrar em seu corpo ou possuir qualquer outro. Mas sempre haverá alguém tentando burlar as leis; incluindo as da natureza. Segundo W. Y. Evans-Wentz,

 

os tibetanos fazem objeção ao enterro, pois acreditam que, quando um cadáver é enterrado, o espírito do morto, vendo isso, tenta reentrar nele, e que, se a tentativa for bem-sucedida, origina-se um vampiro, enquanto que a cremação ou outros métodos de dissipar rapidamente os elementos do corpo morto impedem o vampirismo. [10]

A fórmula admite variações como, por exemplo, trocar de corpo. Assim, na versão do Vetālapancavimsatikā de Somadeva, um yogi abandona seu corpo idoso e entra no cadáver de um jovem morto. O folclore da Índia e Tibet, bem como a literatura devocional, falam de um ser denominado pelo termo sânscrito vetāla, posteriormente traduzido para o tibetano como Baital. Isabel Burton o define como “um gigantesco morcego, vampiro ou espírito maligno que habitava e animava cadáveres”. [11] Diz respeito a uma espécie de ‘espírito’ que freqüenta o smashana (cemitério crematório), adentra e anima corpos humanos frescos nos quais a putrefação ainda teria feito maiores estragos. De acordo com Louis Renou, “os vetālas aparecem na literatura desde o Harivamsa; fazem parte da decoração semidemoníaca do tantrismo sivaíta, de onde passaram ao tantrismo budista”. [12]Sua aparição mais famosa deu-se na coletânea Vetālapancavimsatikā (Vinte e Cinco Contos do Vetāla), existente em diversas versões distintas, que constitui um episódio do Kathā-saritsāgara, composto entre 1063 e 1081. [13]No Tibet esta coletânea foi chamada de Baital-Pachisi. [14]

No Vetālapancavimsatikā de Somadeva, brâmane natural de Cachemir que viveu na segunda metade do século XI, o vetāla recebe os títulos de “mestre em Ioga”, “príncipe dos vampiros”, “mestre dos poderes sobrenaturais”, etc.[15]ua posição social parece diametralmente oposta a de seu correspondente no Baital-Pachisi, onde o espírito do filho de um oleiro reentra em seu próprio corpo após para ajudar o rei Vikram e o jovem príncipe Dharma Dhwaj a fazerem justiça contra seu malfeitor. No processo o cadáver sofre horrenda metamorfose:

Seus olhos, que estavam arregalados, eram de um castanho esverdeado e nunca piscavam. Seus cabelos também eram castanhos e castanho era seu rosto [16]— três matizes diferentes que, não obstante, aproximavam-se um do outro de forma desagradável, como em um coco seco. Tinha o corpo magro e cheio de nervuras como um esqueleto ou um bambu e, estando pendurado de um galho como uma ‘raposa voadora’,[17] pela ponta dos dedos, seus músculos contraídos ressaltavam como se fossem cordas de fibra de coco. Não parecia ter uma gota de sangue, ou este estranho líquido devia ter-se escoado todo para a cabeça, e quando o rajá tocou-lhe a pele, sentiu-a fria como o gelo e viscosa como a de uma serpente. O único sinal de vida era o furioso agitar de uma pequena cauda muito semelhante à de um bode. [18]

 

Segundo a tradição, o vetāla pode ser controlado por aqueles que alcançam a Vetāla Siddhi (poder sobre os vetālas). Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) teria definido esta técnica yogi como “uma prática de feitiçaria” que pretende possuir “meios de alcançar poder sobre os vivos através de magia negra, encantamentos e cerimônias executadas sobre um corpo humano morto, durante cuja operação o cadáver é profanado”.  [19]No Kathā-saritsāgara tal dom pode ser usado para causas justas como, por exemplo, quando “antigamente, o rei Trivikramasena, de gloriosa memória, obteve a soberania sobre os Vidyadharas graças a um vetāla”. [20]

Um certo número de fontes ainda preserva detalhes da ritualística, permitindo sua reconstrução parcial. A cerimônia foi concebida como assessória a uma forma extinta de culto localizado no tempo e no espaço. Numa época em que a pena de morte por enforcamento era comum e os altares de sacrifício ainda não haviam desaparecido, havia um templo branco de Kali (Gauri) propositalmente construído próximo a um smashana (cemitério crematório), nas margens do rio Godavari. A adaptação do Baital-Pachisi, pelo sábio Bhavabhuti, especifica que o rito era levado a cabo necessariamente “durante a noite de segunda-feira, no décimo quarto dia da metade escura do mês de bhadra (agosto)”. Devo adiantar que tal rito culmina com um sacrifício humano no altar de Kali.

O bom devoto (geralmente descrito como um membro da nobreza) opta pelo auto-sacrifício enquanto os homens de má fé (tradicionalmente representados como figuras sujas, pertencentes a castas inferiores e de aparência horrenda), optam por ofertar a vida alheia; caso em que a pretensa vítima fica autorizada a inverter os papeis e sacrificar seu algoz, como teria feito o semi-histórico chátria Vikramaditya ou Vikramarka, rei de Ujjayani. [21] Há também uma passagem ambígua que deixa em aberto a possibilidade de “sacrificar” não um ser humano vivo, mas o corpo de um morto recolhido do cemitério.

Um conto indiano de data incerta diz que antes de iniciar sua jornada o bom devoto deveria lavar-se em um poço e limpar-se “como para uma prece”.[22] A seguir cumpre-se a segunda etapa do rito que exige a obtenção do corpo fresco de um enforcado, usado para conjurar e prestar homenagem ao vetāla no sítio do smashana. No conto supracitado o devoto vai ao crematório e encontra uma árvore onde pendia um enforcado, mas desta vez excepcionalmente não é o corpo que ele deseja. Junto ao cadáver há o vulto de uma mulher assustadora:

 

Ela estava sugando com um ruído baboso, com pequenos soluços e gemidos de prazer, como um bebê mamando no peito da mãe. Mas é natural um bebê sugando o leite — enquanto aquilo era uma dakini, sugando o sangue do cadáver de um jovem.[23]

 

Deduzimos que na falta de um vetāla guia serve uma dakini. É digno de nota que a ressurreição real de um cadáver é algo antinatural no sentido biológico e, portanto, impossível, enquanto uma feiticeira (dakini) sugando o sangue de um morto é um fato antinatural apenas no sentido ético-religioso. A variante onde a dakini substitui o vetāla pode ter sido útil para alguém cuja fé não fosse suficientemente forte para crer que o corpo do morto – que permanece imóvel – foi reanimado.  Um outro problema em relação à escolha do corpo é que o morto deveria ter sido executado por agentes da lei em causa justa (Se o devoto levantasse falsa acusação contra um inocente para enganar a justiça, fazendo-a fornecer o corpo do qual necessitava, o vetāla/baital poderia frustrar seus planos). Portanto, a dakini poderia conduzir àquele que não conseguisse encontrar um defunto fresco na data proposta, que fosse fraco demais para carregar um corpo ou que realmente não soubesse como chegar no templo de Kali.

Optando por um vetāla, o devoto deveria carregar o cadáver-guia para dentro do templo cuja localização ele conhecia de antemão (afinal, trata-se de um devoto). Uma vez no templo, o oficiante oferece um sacrifício humano no altar da deusa. A vítima da imolação deveria posicionar-se em ashtanga, que é um tipo saudação hindu na qual as oito partes do corpo (têmporas, nariz, queixo, joelhos e mãos) tocam o solo. Então sua cabeça é cortada fora (em caso de auto-sacrifício alguém deveria auxiliar o devoto, decapitando-o). Numa animação alegórica, a estátua de Kali ganha vida:

 

Ela enfiou seus dentes no coração dele e bebeu profundamente de seu sangue. Ela sugou e engoliu até que sua face e suas mãos ficaram ensangüentadas e suas roupas manchadas.[24]

 

As dakinis, servas da deusa, cozem a vítima sacrifical e participaram do fim do banquete, consumindo a prasādam (a comida oferecida). Supondo que os relatos correspondam ao modelo de uma cerimônia real, a estátua de Kali e o vetāla comeriam tão pouco quanto um exu honrado com a oferta de um ebó de frango e farofa, enquanto as bruxas e devotos esfomeados pela miséria da Índia medieval encontrariam alívio em um grande  banquete canibal.

 

O processo de reencarnação:

 

Em caso de auto-oferta o espírito do morto receberia tratamento especial. Como recompensa, ele reviveria – reencarnaria – com o melhor karma possível e lhe seriam concedidos um ou mais desejos. Podem ser bagatelas, como sacos de ouro para distribuir aos pobres ou concessões superiores de cunho divino. Diziam-lhe que na vida futura ele governaria sobre todo o mundo. Seria um rei invencível nas batalhas, amado pelo povo e possuidor de riquezas infinitas. O mesmo é válido para a vítima que conseguisse livrar-se da armadilha de um mal devoto e sacrificasse o seu inimigo. No conto em análise uma imagem alegórica faz a estátua da deusa ganhar vida e devora-lo. Quando o esqueleto encontrou-se limpo e polido, deu-se o milagre:

 

A própria Kali pegou uma ânfora com um líquido dourado e espargiu-o sobre os ossos. Alguns músculos e cartilagens começaram a surgir sobre o esqueleto. Então ela jogou mais líquido e ele começou a criar carne, até que a carne cresceu de volta ao normal e as veias e os vasos sangüíneos embutidos nele começaram a inchar com um pouco de sangue.[25]

 

Está subtendido que uma ressurreição análoga foi levada a cabo no Kathā-saritsāgara, de Somadeva, onde o ministro Vikramakesarin foi separado de seu rei Mrgânkadatta por efeito de uma maldição, mas recebeu de um velho brâmane “um encantamento que lhe assegurará o domínio sobre a raça dos Vampiros”. [26] Seguindo o conselho do brâmane, o ministro “aceita o encantamento, conjura um Vampiro a entrar num cadáver humano, capta as simpatias dele dando-lhe de comer sua própria carne e pede-lhe, como favor, que o ajude a achar Mrgânkadatta. O Vampiro consente, e vê-se Vikramakesarin cavalgando o cadáver — dentro do qual está o Vampiro —, percorrendo os ares nesta montaria para encontrar-se milagrosamente aos pés do rei”.[27]

No Vetālapancavimsatikā de Somadeva, o deus Siva assiste a morte de Ksātisīla e presenteia o rei com a “espada que se chama Invencível” através da qual submeteria a sua vontade “a terra com suas ilhas e seus domínios infernais” e se tornaria soberano dos “Espíritos aéreos”. [28] Já na versão tibetana do Baital-Pachisi, de Bhavabhuti, o deus Indra ordena a Vikram que faça um pedido. Séculos de inalterável popularidade nacional e grande difusão internacional são provas literais da concretização de seu humilde desejo: “Ó poderoso soberano do mais baixo paraíso, que esta minha história se torne famosa através do mundo!”[29]

 

Breve citação do vetāla como agente do mal no budismo:

 

Conforme a narrativa do capítulo XXVI do Sutra de Lótus (Hokkekyo), na ocasião em que a assembléia presidida por Buda reuniu-se para a composição deste livro o Bodhisattva Dador Intrépido tomou a palavra para ensinar palavras de poder (dharanis) capazes de proteger e guardar aqueles que leiam, recitem, aceitem e/ou promovam o referido sutra, pois “se um mestre da Lei adquirir estes dharanis, mesmo que yakshas, rakshasas, putanas, krityas, kumbhandas ou espíritos esfomeados o vigiem e tentem aproveitar-se dele, serão incapazes de o fazer”.

Esta é a fórmula fornecida pelo Bodhisattva:

 

jvale mahajvale ukke mukke ade adavati nritye nrityavati ittini

vittini chittini nrityani nrityakati

 

Repare que os rakshadas foram citados na lista de entidades passíveis de banimento pelo dharani do Bodhisattva, mas os representantes desta classe de entidades demoníacas estavam presentes, acompanhados de seu séquito. Eles apressaram-se em resguardar seu espaço, esperando apenas que Vaisharavana e o protetor do leste, Dhritarasha, terminassem seu discurso (pois estes deuses guerreiros representavam o shitenōu, grupo ao qual nenhum demônio faria bem em interromper). Contrariando sua natureza maligna, os rakshasas prometeram dar proteção àqueles que lêem, aceitam e promovem o Sutra do Lótus, bem como punição exemplar a quem não o faça:

 

— Ainda que passem sobre as nossas cabeças, nunca perturbarão os mestres da Lei! Quer sejam yakshas, pakshasas, espíritos esfomeados, putanas, krityas, vetalas, skandas, umarakas, apasmarakas, yakshas krityas ou humanas, ou uma febre, quer seja de um dia, de dois, três, quatro ou até sete dias, ou mesmo uma febre constante, seja na forma de um homem, de uma mulher, de um rapaz ou rapariga, ainda que apenas num sonho, nunca os perturbará!

Então, na presença do Buda elas falaram em verso, dizendo:

— Se houver alguém que não preste atenção aos nossos encantamentos e perturbe e prejudique os pregadores da Lei, as suas cabeças serão desfeitas em sete pedaços como os ramos da árvore arjaka. O seu crime será igual ao de alguém que mate pai e mãe, ou de alguém que adultere o óleo ou que engane os outros com medidas e escalas, ou que, como Devadatta, cause dissensões na Ordem de monges. Se alguém cometer um crime contra os mestres da Lei fará recair sobre si uma culpa igual a estas!

Depois de terem recitado estes versos, as filhas de rakshasa disseram ao Buda:

— Honrado Pelo Mundo, nós usaremos os nossos próprios corpos para proteger e guardar aqueles que aceitam, lêem, recitam e praticam este sutra. Nós velaremos para que eles tenham paz e tranqüilidade, livrando-os do declínio e do mal e anulando os efeitos de todas as ervas venenosas.

 

Este é o encantamento (darani) dado pelos rakshasas, na presença de Buda, para aqueles que desejam invocar sua proteção:

 

itime itime itime atime itime

nime nime nime nime nime

ruhe ruhe ruhe ruhe

stahe stahe stahe stuhe shuhe

 

Dessa forma o mestre da lei continua protegido contra yakshas, putanas, krityas, kumbhandas e espíritos esfomeados, além de ganhar um escudo extra contra pakshasas, vetālas, skandas, umarakas, apasmarakas, humanos indesejáveis, doenças e veneno; mas permite que os rakshasas continuem transitando e atuando diante de sua presença desde que não lhe façam mal. Desta forma sabemos que o budismo também acabou incorporando uma entidade – o vetāla – que possui uma ligação muito mais estreita com o vampirismo ocidental do que o próprio rakshasa.

 

Ira divina:

 

A mais ávida sugadora de sangue da mitologia Índia é, de longe, a deusa Kali. “Porque você sabe, e todo mundo sabe”, diz um conto indiano, “que Kali é a deusa das diabas e das bruxas, bem como dos santos e dos reis, e das pessoas comuns e dos pobres. De todo mundo”[30] Noutro ponto, a narrativa nos explica:

 

“Bem, se ele está indo visitar Kali, deve ser boa gente”, pensou Vikram. Porque como você sabe, todos os reis são Kshatriyas, e Kshatriyas veneram Kali, a deusa da guerra. Seja como Durga quando ela monta um tigre, ou como Chandi engolindo gotas do Demônio Maior, ou como Kali dançando intoxicada com o sangue dos corpos dos demônios que ela matou. Seja como você a chama, ela é Poder. Mas quando é Kali, ou Bhavani ou Chandi, adora sangue. Você sabe, quando você a vê com a língua pendurada, segurando um demônio decapitado, um colar de caveiras em tomo do pescoço, e uma saia de mãos decepadas. A Terrível, a Destruidora, a Engolidora de Homens da cavernosa dentada dos dois lados. E por que não — o útero do mundo, a Criadora, o que ela pode expelir, pode sugar — por que não? Não é verdade? Uma vez ela escondeu uma espada lá, você sabe onde — mas seu Lord Shiva transformou a poderosa linga num raio! Que festanças têm esses dois! Eles fazem a Terra sacudir [31]

 

No livro Vikram and the Vampire (tradução livre do Baital-Pachisi), a estátua de Kali aparece no santuário, localizado no cemitério, e quando o rei entra, ele a vê:

 

Ali estava Smashna-Kali, a deusa, em sua forma mais horrível. Era uma mulher muito preta e nua, com uma cabeça ferida, parcialmente decepada e pintada pendendo sobre seu ombro. Sua língua se enrolava em sua grande boca bocejante. Seus olhos eram vermelhos como os de um bêbado; suas sobrancelhas eram da mesma cor; seu cabelo grosso e áspero pendia como uma manda até os joelhos.[32]

 

Richard Burton comenta ironicamente que “não podendo encontrar vítimas, essa agradável divindade, para satisfazer sua sede do curioso suco, cortou seu próprio pescoço para que o sangue jorrasse para sua boca”. [33]

Segundo Gordon Melton, Kali tinha um relacionamento ambigüo com o mundo. “Por um lado destruía os espíritos malignos e estabelecia a ordem. Entretanto, também servia como representante das forças que ameaçavam a ordem social e a estabilidade por sua embriaguez de sangue e subseqüente atividade frenética”.[34] Ela apareceu pela primeira vez nos escritos indianos por volta do século VI em invocações pedindo sua ajuda nas guerras. Nesses primeiros textos foi descrita como tento presas e usando uma guirlanda de cadáveres. Certos escritos registram que seus templos deveriam ser construídos longe das vilas e perto dos locais de cremação. Diversos séculos mais tarde, no Bhagavat-purana, ela e suas seguidoras, as dakinis, avançaram sobre um bando de ladrões, decapitaram-nos e embebedaram-se em seu sangue. No Devi-Mahatmya ela se juntou à deusa Durga, para lutar contra o espírito demoníaco Raktabija, que tinha a habilidade de se reproduzir com cada gota de sangue derramado. Kali resgatou Durga ao vampirizar Raktabija e ao comer suas duplicatas. Outros adotam-na como o aspecto irado de Durga. Ela se tornou a divindade dominante no hinduísmo tântrico, onde era louvada como a forma original das coisas e a origem de tudo o que existe.

 

No Tantra, o caminho da salvação se dava através das delicias sensuais do mundo – as coisas geralmente proibidas a um indiano devoto – tais como álcool e sexo. Kali representava as ultimas realidades proibidas e dessa forma deveria ser abrigada no íntimo e sobrepujada no que seria o ritual da salvação. Ensinava que a vida se alimentava da morte, que a morte era inevitável para todos os seres e que, na aceitação dessas verdades – confrontando Kali nos campos de cremação, demonstrando dessa forma coragem igual à sua terrível natureza – haveria libertação. Kali, como muitas divindades vampíricas, simbolizava a desordem que aparecia continuamente entre todas as tentativas de se criar a ordem. A vida era, em última instância, indomável e imprevisível.[35]

O mesmo povo que hoje se revolta ao saber que no ocidente sacrificam-se gado para o consumo alimentício tem em sua árvore genealógica ancestrais que não exultaram em verter sangue animal ou humano, adotando inclusive a prática do suicídio coletivo. Nas eras védicas — pelo ano 1200, atingindo a Idade Média — a prática de sacrifício de sangue era muito comum na Índia. As primeiras escrituras sagradas, Vedas e Brahmanas, são, de fato, um manual de sacrifícios de grande complexidade. Segundo Stanislas Guaita, ainda no século XIX a Índia abrigava a sociedade secreta dos Thuggs cujos adeptos chegavam a expatriar-se quando necessário “para atacar as vítimas, marcadas de antemão e que, prevenidas a tempo para tomar um navio, pretendem escapar a seu mau destino”.[[36] Durga, um famoso chefe capturado pela polícia inglesa e condenado à forca, resumiu sua doutrina na seguinte forma:

Nossos irmãos, — dizia o thugg a seus juízes — souberam que o estrangeiro de que vocês estão falando deveria partir com uma escolta de 50 homens. Formamos simplesmente uma tropa três vezes maior para espera-los na floresta, onde havia justamente uma imagem da deusa Khali. Como não é permitido por nossos sacerdotes entrar em combate, porque nossos sacrifícios só são agradáveis a Khali quando as vítimas são surpreendidas pela morte, demos boa acolhida aos viajantes oferecendo para caminhar juntos e preservar-nos mutuamente de qualquer perigo. Eles aceitaram, sem desconfiança; depois de três dias éramos amigos… Cada estrangeiro marchava com dois thuggs. A noite não estava completamente escura: à luz do crepúsculo estrelado, dei o sinal a meus irmãos. Imediatamente um dos thuggs que guardava cada vítima pôs no seu pescoço o laço corredio, enquanto o outro o puxava pelas pernas, para virar. Esse movimento foi executado em cada grupo com a rapidez do relâmpago. Arrastamos os cadáveres para o leito de um rio próximo, depois dispersamos. Só um homem escapou; mas a deusa Khali tem olhos abertos sobre ele: seu destino se cumprirá cedo ou tarde! Quanto a mim, eu era antes uma pérola no fundo do oceano, hoje sou cativo… A pobre pérola está acorrentada: receberá um furo para ser posta num fio e flutuará miseravelmente entre o céu e a terra. Assim quis a grande Khali para punir-me por não lhe ter oferecido o número de cadáveres que lhe pertencia. Ó deusa negra, vossas promessas não são jamais vãs, vós cujo nome favorito é Koun-Khali (a devoradora de homens), vós que bebeis sem cessar o sangue dos demônios e dos mortais. [37]

 

Atualmente os altares de sacrifício desapareceram e as oferendas são depositadas diretamente aos pés das imagens. Hoje as ofertas são geralmente de alimentos, comidas, flores e pó colorido, embora ainda haja sacrifícios de sangue em alguns templos da deusa Kali. O que era louvor transformou-se em horror e os espectros hematófagos, canibais, se multiplicaram. Os vetalās (cadáver reanimado por seu próprio espírito ou de outrem) e as dakinis (bruxas) possuem uma relação direta e necessária com o culto à Kali, devorando os restos de sacrifício humano deixados pela deusa; coisa que não impedia que um vetalā subordinado pudesse receber oferenda em nome próprio. Contudo, Kali e sua comitiva estão longe de serem os únicos consumidores de sangue e corpos vivos ou mortos.

 

 

 

 


[1] Jean-Paul Bourre. O Culto do Vampiro, p 47.

[2] EVANS-WENTZ, W. Y. (org.) O Livro Tibetano dos Mortos. São Paulo, 1994. Pensamento, p 127.

[3] HABERMAS, Gary R. e  MORELAND, J. P. Immortality: the other side of death. Nashville, 1992. Thomas Nelson Publishers, p 41. In: RAWLINGS, Dr. Maurice S. Eles Viram o Inferno. São Paulo, 1996. Multiletra, p 113.

[4] PRABHUPADA, A. C. Bhaktivedanta Swami. Pequeno Tratado Sobre Karma. Brasil, Fundação Bhaktivedanta, 1998, p 57.

[5] MACHADO, André. Vampiros de Carne e Osso. In: Incrível, nº 13, agosto de 1993, p 8-11.

[6] SHAH, Idries. Magia Oriental. Trd. ???. São Paulo, Editora Três, 1973, p 155-156.

[7] BUNSON, Matthew. The Vampire Encyclopedia. New York, Three Rivers Press, 1993, p 133.

[8] MELTON, J. Gordon. O Livro dos Vampiros: A Enciclopédia dos Mortos-Vivos. Trd. James F. Sunderlank Cook. São Paulo, Makron, 1996, p 403.

[9] TORRIGO, Marcos. Vampiros: Rituais de Sangue. São Paulo, Madras, 2002, p 9.

[10] EVANS-WENTZ, W. Y. O Livro Tibetano dos Mortos. São Paulo, 1994. Pensamento, p 18.

[11] BURTON, Isabel. Prefácio à edição comemorativa. In: BURTON, Richard Francis. Vikram e o Vampiro. São Paulo. Círculo do Livro, p. 7.

[12] ANÔNIMO. Contos do Vampiro. São Paulo, Martins Fontes, 1986, p. 186.

[13] Esta compilação é uma adaptação livre de uma obra anterior, provavelmente do século III, chamada Brhat-kathā  (A Grande História), atribuída a um certo Gunâdhya que viveu na região entre o Ujjayinî e o Kausâmbî. Esse último texto, hoje perdido, foi escrito em paisâcî, a “língua dos demônios”, dialeto meio-hindu derivado do sânscrito. Quando a tradição sânscrita se impôs, reduzindo os dialetos regionais a um papel secundário, o Brhatkatā tornou-se o primeiro objetivo de tradutores e adaptadores. Em conseqüência, a Vetālapancavimsatikā tornou-se uma das mais famosas compilações de narrativas da Índia Antiga (aparentemente, nenhuma das traduções ou adaptações que se conservam é anterior ao século XI).

[14] Entre a versão tibetana de Bhavabhuti e a indiana de Somadeva há mudança de personagens. O herói de Bhavabhuti é Vrikam, enquanto o de Somadeva é seu descendente Trivikramasena. Ao contrário de Vrikan que repreendia e batia no baital todo o tempo, aborrecido pelas histórias pornográficas e degradantes que despertavam a atenção de seu filho, Trivikramasena viajava só e fez com o vêtala um voto de silêncio. O vampiro é invariavelmente falante. Ele conta histórias e faz perguntas enquanto o rei o carrega. Quando o rei respondia suas perguntas quebrava o voto de silêncio e, conseqüentemente, o vampiro escapulia e retornava a seu refúgio na árvore simsapâ, “graças à sua força mágica” ou “poderes mágicos”. Todas as vezes o rei volta a captura-lo que ora deixava-se levar passivamente “caído na terra, gemendo” e ora relutava assumindo “as formas mais variadas”. Foram ao todo 23 fugas. Na vigésima Quarta prova o rei não soube responder a questão e permaneceu silencioso. Então, o Vampiro cumprimentou-o pela coragem, revelou que o monge mendigo Ksâtisîla/Shanta-Shil tinha maus propósitos a seu respeito e ensinou-o como vencer o inimigo.

[15] SOMADEVA. Obra citada, p. 13, 135.

[16] Os hindus atribuem cabelos castanhos aos homens de casta inferior, às feiticeiras e aos demônios.

[17] Nome popular anglo-indiano de uma espécie de morcego grande.

[18] BURTON, Richard Francis. Obra citada, p 48-49.

[19] BLAVATSK, Helena P. Glossário Teosófico. Trd. Silvia Sarzana. São Paulo, Ground, 1998, p 738.

[20] RENOU, Louis. In: Contos do Vampiro. São Paulo, 1986. Martins Fontes, p. X.

[21] “Vikrama” significa “valor”, “bravura’.

[22] ANÔNIMO. Vikram e a Dakini. In: HUSAIN, Shahrukh (comp). O Livro das Bruxas. Trd. ???? Rio de Janeiro, Objetiva, 1995, p. 221.

[23] ANÔNIMO. Vikram e a Dakini. In: HUSAIN, Shahrukh (comp). O Livro das Bruxas. Trd. ???? Rio de Janeiro, Objetiva, 1995, p. 221.

[24] ANÔNIMO. Vikram e o Dakini. Obra citada, p. 222.

[25]  ANÔNIMO. Vikram e o Dakini. Obra citada, p. 223.

[26] RENOU, Louis. Obra citada, p. X.

[27] RENOU, Louis. Obra citada. p. XI.

28] ANÔNIMO. Obra citada, p 183.

[29] BURTON, Richard Francis. Obra citada, 223.

[30] Vikram e o Dakini. In: HUSAIN, Shahrukh (comp). O Livro das Bruxas. Rio de Janeiro, Objetiva, 1995, p. 220-225.

[31] Vikram e o Dakini. In: HUSAIN, Shahrukh (comp). O Livro das Bruxas. Rio de Janeiro, Objetiva, 1995, p. 220-225.

[32] MELTON, J. Gordon. O Livro dos Vampiros: A Enciclopédia dos Mortos-Vivos. Trd. James F. Sunderlank Cook. São Paulo, Makron, 1996, p 403.

[33] MELTON, J. Gordon. O Livro dos Vampiros: A Enciclopédia dos Mortos-Vivos. Trd. James F. Sunderlank Cook. São Paulo, Makron, 1996, p 403.

[34] MELTON, J. Gordon. O Livro dos Vampiros: A Enciclopédia dos Mortos-Vivos. Trd. James F. Sunderlank Cook. São Paulo, Makron, 1996, p 428

[35] MELTON, J. Gordon. O Livro dos Vampiros: A Enciclopédia dos Mortos-Vivos. Trd. James F. Sunderlank Cook. São Paulo, Makron, 1996, p 428-429.

Shirlei Massapust

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/em-busca-do-vampiro-indiano/

Conselhos para Iniciantes no Caminho

O texto que segue é uma adaptação de textos de Veos, Prophecy, Rawn Clark e Bardonista e destina-se a quem está começando na senda. Outras dicas para quem está começando podem ser encontradas em Três Conselhos Úteis em Magia Prática, Conselhos aos que desejam estudar o Oculto, Conselhos para as Práticas Mágica e Dez Conselhos de Magia Prática. Se é novo aqui no site, recomendo que veja esta lista de links. E se está procurando uma ótima ordem hermética/alquímica, dê uma olhada na Arcanum Arcanorum. Vamos à lista de conselhos.

1. MOTIVE-SE CONSTANTEMENTE!

A fonte para a prática continuada é a sua motivação. Baixe ou compre livros sobre Magia e Ocultismo e comprometa-se a lê-los frequentemente.

Nessa fase, não é errado aspirar aos poderes que um mago possa vir a ter – na verdade, é até saudável, porque faz com que o estudante prossiga no treinamento. No início, o mago aspirante tem apenas uma noção grosseira do que é a verdadeira união com a divindade e precisa de metas mais concretas para se motivar, como, por exemplo, as habilidades mágicas como a clarividência, a clariaudiência, a sensitividade, etc.

Deve haver uma mudança na sua perspectiva. “Seja um mago que estuda e trabalha, não um cara normal que estuda, trabalha e faz um pouco de magia nas horas vagas”, como Veos diz. O praticante deve se estabelecer firmemente como um mago aspirante, que está destinado à mais elevadas alturas e poderes espirituais – um mago que não deixa o mundo ao seu redor dominá-lo, mas que o domina com uma vontade de ferro. Pode-se até recitar uma pequena frase, logo após de acordar, ou uma prece reafirmando a si mesmo a importância do treinamento e as recompensas possíveis.

Outra boa maneira de manter esse estado mental seria decorar o local de trabalho ou descanso com fotos, imagens ou objetos que lhe lembrem constantemente as suas práticas. Você deve posicionar esses objetos de modo a serem frequentemente notados em sua rotina diária. Isso seria ideal se você tivesse um quarto ou lugar visitado apenas por você mesmo. Caso a sua família não apoie ou acredite nas suas práticas, seria melhor não exibir tais objetos à vista de todos os membros da sua casa. Pensamentos desfavoráveis de outros podem negativar as suas práticas e desacelerar o seu progresso. É por esse mesmo princípio que Bardon recomendou, em seu segundo livro, que o mago, quando estiver praticando a evocação mágica, esconda da vista dos “profanos” (pessoas que não são adeptos ou pessoas que não acreditam ou combatem a magia) os seus instrumentos e vestes, de modo a não serem influenciados negativamente.

Ao mesmo tempo, se atividades de lazer (Internet, filmes, jogos, música etc.) atrapalharem com a sua motivação de praticar magia ou até mesmo subjugá-la, você deve reduzir ou cortar tais hábitos de modo que eles não interfiram mais e você possa continuar a praticar.

2. COMECE POR BAIXO

Os resultados dos exercícios místicos podem ser demorados e difíceis. Algumas escolas e ordens colocam exercícios difíceis cedo para poder separar aqueles que querem “brincar de magia” daqueles estudantes sérios. Você se confrontará com muitas coisas que vão contra o seu atual estilo de vida e precisa se acostumar a elas de forma natural, sem correria. Se você praticar durante longos períodos de tempo logo do início, não importando a sua vontade e motivação, é mais provável que você se canse e desista.“É preciso aprender a andar antes de correr”, diz o ditado.

Utilize tempos de práticas pequenos e aumente lentamente a cada semana, a fim de que você possa estabelecer o hábito e se acostumar à rotina. Dessa maneira, terá muito mais chances de ter sucesso com o passar do tempo.

Algumas coisas interessantes a se fazer neste ponto são:

Obter um caderno ou computador no qual anotará diariamente as práticas. Sempre anote os resultados de suas práticas em grande detalhe. Sinta-se como um cientista entusiasmado que quer manter um registro completo de suas experiências – e na verdade é isso mesmo que você é. A única diferença é que você está fazendo experiências em si mesmo. Só com esse registro completo você saberá onde está melhorando ou piorando, se está praticando demais ou de menos, e o que fazer para consertar problemas na sua prática.

Conseguir um japa mala ou um cordão de nós, preferivelmente de 108 contas. Você usará esse cordão tanto para o japa quanto para manter o registro das suas interrupções nos exercícios, ou, se preferir, compre ou monte dois, um para cada coisa. Se não conseguir, um terço poderia ser adaptado.

Conseguir um relógio ou um celular que possua despertador ou alarme – o último é preferível, e, se possível, o celular não deveria ter um alarme alto ou inconveniente. Eu uso na minha prática um Nokia que desperta usando não o som, mas apenas a sua vibração – que, se colocado no chão ou uma mesinha próxima, produz barulho na medida certa para me fazer abrir os olhos e parar meu exercício. Para fazer o celular despertar apenas com vibração, sem som, tente mexer nas configurações do celular ou fazer download de um arquivo de som que seja completamente silencioso. No caso do Nokia, o celular vibra mesmo se o arquivo sendo tocado como alarme não tenha som e isso funciona muito bem.

Montar o cronograma da semana. Estabeleça os horários de suas práticas. De preferência, divida as práticas em duas sessões distintas – uma de manhã, logo após acordar e outra à noite, antes de dormir. Esse cenário seria o melhor, porque distribui melhor as práticas e não cansa tanto o estudante quanto uma longa prática uma vez só ao dia. Casos excepcionais deverão ser adaptados.

Pratique todo dia na mesma hora. Isso estabelece o hábito e o circuito magnético do treinamento mágico.

Alguns horários são especiais. Não pratique das 13h às 15h quando possível, porque a energia desse período do dia não é ótima. Faça o treinamento ao nascer do sol, pôr do sol ou meia-noite. De 1h às 3h é particularmente bom, bem como 3h às 5h (aos que estudam Yoga, lembrem-se da importância de praticar às 4h particularmente). Em noites de lua cheia, treine à luz da lua. A Fraternidade Branca lhe enviará energia para lhe ajudar. Gaste 15 a 30 minutos na luz do sol todos os dias, preferivelmente enquanto treina.

3. APRIMORE-SE

Eu disse antes que magos controlam o mundo ao seu redor. Por que não começar na sua vida diária, que é a mais próxima a você? Existem decisões simples que você pode tomar que podem mudar não só a visão e o impacto de sua atuação no mundo, mas também a visão que as outras pessoas têm sobre você. Eu enumerei várias coisas:

Como e o quanto você fala. Investigue o conteúdo e quantidade da sua fala (se tem expressões chulas ou inúteis, se você conversa muito ou pouco demais etc.). Preste atenção também na tonalidade da sua voz. Já encontrou alguém que fala de jeito arrastado, insolente ou preguiçoso? Você pode ser uma dessas pessoas, mas pode nem perceber. Fale sempre com uma voz firme, segura, e fale apenas o que for necessário. Não fale mal de outras pessoas, nem expresse sua opinião quando não for perguntado. Diminua ou, o que é melhor, elimine as críticas negativas sobre as coisas ao seu redor. Tente falar sobre coisas boas e interessantes, e não sobre coisas negativas e mal-feitas. Sempre fale sobre coisas e histórias proveitosas. Controle-se para não doutrinar ninguém e passar a sua opinião como se ela fosse a verdadeira e absoluta.

Sua postura, seja em pé, sentado ou deitado. Esforce-se para manter a coluna reta em todas as situações, seja em pé ou sentado. Pesquise no Google como dormir na posição certa – geralmente a posição de lado, com um travesseiro entre as pernas, é a mais correta – e reeduque-se para não ter problemas de coluna mais tarde. Além disso, uma pessoa com um porte reto e imponente causa uma impressão muito melhor do que alguém todo encolhido e torto.

Tenha uma forte atenção e seja perfeccionista. Ao fazer as suas tarefas diárias, tanto na casa quanto na escola, concentre toda a sua energia mental e atenção para elas. Isso fará com que você faça as coisas muito mais rapida e eficientemente, e, além disso, de forma muito mais perfeita. Esforce-se para ser o melhor em tudo que se propor fazer. Um mago não deve ser preguiçoso nem descuidado. Fique sempre alerta! Não permita a sua mente viajar em pensamentos inúteis. Adote uma agenda para anotar os seus compromissos de modo que você não precise pensar constantemente neles. Evite ao máximo o uso de fones de ouvido e música, porque essas músicas grudam no fundo da sua mente, atrapalhando as suas práticas. Permita-se raramente exceções a essa regra, é claro.

Atente para a sua alimentação. Leia no Google noções básicas de nutrição e faça um plano alimentar balanceado para você. De preferência, neste caso, procure um nutricionista. Se você não controlar o que entra na sua cozinha, tome suplementos vitamínicos – Centrum é uma boa escolha até mesmo para as pessoas que tenham uma alimentação balanceada. Centrum não precisa de receita e oferece todas as vitaminas necessárias no dia-a-dia. Se possível na sua região, busque informações sobre o melhor suplemento alimentar para você com o seu nutricionista ou farmacêutico. Fora de casa, tente comer coisas mais saudáveis, como sanduíches naturais, saladas etc.

Faça atividades físicas. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention, um centro de saúde ligado ao governo americano, adultos precisam de pelo menos 150 minutos de uma atividade aeróbica de intensidade moderada (por exemplo, caminhada) por semana e atividades de fortalecimento de músculos em 2 ou mais dias por semana que trabalhem em todos os grupos maiores de músculos (pernas, quadris, costas, abdômen, peito, ombros e braços). Os efeitos da atividade física na vida diária não precisam nem ser enumerados, porque são evidentes a todos.

Modere o consumo de carne vermelha. Carne vermelha (bovina e suína) é destrutiva para o seu corpo, é ruim para o meio ambiente, uma injustiça quanto aos animais (que, segundo algumas doutrinas, são tão filhos de Deus quanto nós, mas em estados diferentes de evolução) e ela atrapalha até mesmo suas práticas espirituais, tornando o progresso muito devagar. Animais com carne vermelha são de inteligência mais elevada e, portanto, capazes de expressar uma profundidade mais intensa de emoção que impregnará sua carne. Essa energia emocional se transfere para você depois da refeição. Lembre-se sempre, o segredo está na moderação. Evite carne vermelha ao máximo que a sua saúde permitir. Se você come carne, coma primariamente aves e peixes que eram selvagens ou mantidos em fazendas de uma forma boa e saudável sem química, e com boas condições de vida. Não evite a carne simplesmente pelo idealismo. Os corpos de algumas pessoas simplesmente precisam de carne para manterem uma boa saúde. Se você deseja ser vegetariano, mas sê-lo o afeta negativamente, então espere até que esteja mais avançado no seu treinamento para gradualmente retirar a carne. Resumindo, o segredo é a moderação.

Pare de fumar e de beber. Além de serem hábitos destrutivos, eles também desaceleram o seu progresso nas práticas espirituais. Se você não conseguir parar imediatamente, pare pouco a pouco, através de etapas. Busque na Internet métodos para parar de fumar ou de beber, ou procure ajuda em instituições para esse fim. No caso das bebidas alcoólicas, novamente digo que o segredo está na moderação.

Controle a atividade sexual. Quando em uma relação estável e monogâmica, o sexo deve ser controlado. Uma ou duas vezes por semana é um bom número. O celibato também é uma boa opção. A masturbação e a autoestimulação sexual devem ser totalmente proibidas para quem deseja obter um sucesso mais rápido e completo. O sexo pode constituir um vício tanto quanto as outras coisas, e portanto as regras de parar pouco a pouco aplicam-se aqui também. Repetindo novamente, o segredo está na moderação.

Seja uma pessoa culta. Os magos desta ciência devem aspirar sempre à perfeição – o intelecto também está na lista. Tente obter um conhecimento geral das ciências materiais, da história, literatura, artes e espiritualidade (incluindo os sistemas religiosos do mundo). Para saber como o meio acadêmico trata da magia e da espiritualidade, seria interessante ler sobre a Antropologia da Religião (ou Religiosa). A maioria das pessoas sai do Ensino Fundamental e Ensino Médio e esquece totalmente de tudo que aprendeu. Claro, coisas são ensinadas que não têm nenhum valor prático para grande parte das pessoas, como fórmulas e teorias complexas da Física, Matemática e Química, mas é útil manter pelo menos um conhecimento geral sobre essas ciências. Tudo isso é facilmente acessível hoje através da Internet, ainda mais se você souber inglês – o que nos leva ao próximo tópico.

Aprenda pelo menos uma língua estrangeira. Se você quiser aprender uma língua estrangeira, aprenda o inglês. Isso vai lhe abrir um campo extremamente grande de informação sobre tudo que você desejar saber. Grande parte do conhecimento do mundo está disponível ou traduzido para o inglês. Além disso, você poderá se comunicar com muito mais pessoas ao redor do mundo e isso será muito útil em possíveis viagens para o exterior. Inglês é, definitivamente, uma língua mais fácil que o português brasileiro – o vocabulário é extenso e a pronúncia desafiadora no começo, mas quando você aprender as palavras mais usadas os textos se abrirão pra você e você será capaz de compreendê-los. Existem muitos cursos por aí, mas para a pessoa sem tempo nem dinheiro, eu aconselho o seguinte: Baixe o programa Rosetta Stone. Esse programa de aprendizado de línguas é fantástico. Contudo, apesar de ajudar imensamente, ele não é tudo. Além de fazer lições do Rosetta sempre que puder, traduza textos do seu interesse para o português – o seu vocabulário vai aumentar imensamente e você ganhará fluência muito mais rapidamente. Na Internet tudo pode ser feito fácil e sem pagar absolutamente nada. Quando você tiver bastante fluente no inglês, você ficará impressionado com a quantidade de conteúdo que vai ser capaz de absorver, sem contar que a maioria dos livros de esoterismo e magia está em inglês. Só quando ganhar fluência no inglês, prossiga para outras línguas, se tiver o interesse de se tornar poliglota.

Controle o que você aprende pela Internet. É fácil se engajar em assuntos fúteis, discussões que chegam a lugar algum e conhecimentos inúteis caso você não tenha discernimento disso. Passe a fazer o tempo que você passa na frente do computador um pouco mais instrutivo de agora em diante.

Humildade. Quando estudantes brigam entre si, não há vencedor. O vitorioso é aquele que humildemente se desculpa em nome da harmonia do grupo. Não se vanglorie, ou diminua outrem.

Não faça nada em excesso. Até praticar em excesso (6 ou mais horas por dia) é prejudicial no começo. De todas as coisas que podem ser feitas em excesso, as mais prejudiciais são comer, dormir e desperdício de energia sexual.

Não se associe demais com pessoas negativas. Se o ambiente do seu trabalho é negativo, é altamente aconselhável obter um novo emprego (quando possível) para o bem do seu treinamento. Não gaste tempo demais com amigos que seguem um caminho contrário ao progresso espiritual, porque eles são grandes tentadores. Preciso repetir sobre moderação? Se você precisar treinar depois de um longo dia de trabalho ou após estar com pessoas negativas, tome um banho frio primeiro e visualize a negatividade saindo de você na medida em que se lava. O treinamento será melhor. Um banho de banheira é melhor que o de chuveiro para esse objetivo.

Nunca profane objetos ou nomes sagrados. Nunca profane outra religião. Não discrimine entre religiões.

Reze ao acordar e antes de dormir.

Pratique o distanciamento ou desapego. O “distanciamento” ocorre quando o estudante se distancia das coisas materiais e passa a observá-las como elas realmente são: transitórias. Quando os sentidos desejam algo, vitalidade preciosa é gasta.

Não se preocupe demais sobre as coisas. Ansiedade e nervosismo gastam energia preciosa.

Não pense mal dos outros.

Sempre execute suas tarefas. Não renuncie, pensando secretamente que é o caminho fácil enquanto proclama externamente que é o mais difícil.

Tenha fé no Deus de seu coração e de sua compreensão e no treinamento mágico.

Pratique amor e compaixão.

Não se veja como melhor do que o próximo simplesmente por causa do seu treinamento. Desenvolva a compaixão àqueles que não têm a Teurgia ou outro caminho em direção à Deus.

Pratique a abnegação.

4. EXERCITE O SILÊNCIO SEMPRE!

“Quanto mais [o mago] se calar sobre as próprias experiências e conhecimentos, sem se isolar das outras pessoas, tanto mais poderes ele obterá da fonte primordial.” – Franz Bardon, CVA

No tópico 1, falamos do efeito negativo que parentes e amigos podem ocasionar em nossas práticas caso sejam desfavoráveis ou descrentes quanto ao caminho que estamos trilhando. A primeira e mais essencial maneira de evitar esse efeito é não dizer absolutamente nada aos seus pais, seus membros da família ou até mesmo seus melhores amigos sobre a sua prática na magia. Eu posso falar da minha própria experiência, e posso dizer qual será a reação deles em 99,9% dos casos quando você os contar:

1) Eles não acreditarão em magia e, consequentemente…

2) … Se você for jovem, dirão que é uma “fase”. Se for mais velho, acharão que você é um imbecil por acreditar nisso. Em alguns casos, eles vão achar ambas as coisas.

3) Não lhe apoiarão, mesmo que você tente explicar que a magia na verdade é uma ciência divina e válida tanto quanto as outras religiões. Não importa o quanto você escreva, fale ou mostre a eles, não espere que eles entendam ou aceitem o que você diz. Não fique com falsas esperanças de que eles vão aceitar o que você diz, porque eles NÃO VÃO. Não importa o que você disser, e isso é a coisa mais verdadeira de todas, os seus amigos e parentes sempre estarão certos de suas opiniões, geralmente infectadas não pela pesquisa ou estudo deles próprios sobre o que você diz, mas por preconceito, ignorância e (até mesmo) de materialismo. Em alguns casos, eles podem até não dizer nada sobre isso, como se aceitassem calados, mas na menor oportunidade vão mostrar o quanto eles não acreditam nem lhe apoiam.

4) O que é pior, eles poderão rir de você quando ouvirem você dizer alguma coisa sobre o assunto. Imagine todos na sua família, na hora do almoço aos domingos, vão discutir sobre o “bobo” e nas “bobeiras” que ele diz. Dependendo de como você reage a isso, você pode quebrar laços e piorar a sua relação com eles.

Nos casos mais extremos, de pais de religiões cristãs como o Catolicismo e o Protestantismo, pode acontecer o seguinte:

5) Eles proibirão você de fazer essas coisas e passarão a vigiá-lo mais de perto. Talvez até lhe mandem confessar isso num padre ou chamarão uma “autoridade de religião” para conversar ou consertar o seu problema à força.

É por isso que digo que é melhor você deixar a sua prática para si mesmo. O melhor seria se manter totalmente calado e, se eles descobrirem acidentalmente, diga que é apenas uma espécie de prece ou de meditação bem simples. Planeje as suas práticas de modo que eles não percebam o que você está praticando exatamente. Tranque sempre a porta do seu local de prática e pratique em horários em que eles estejam fora ou dormindo, se possível.

É evidente o impacto negativo que as opiniões e sensações de outras pessoas podem causar em suas práticas. Esse impacto ocorre invisivelmente, sem mesmo a consciência deles próprios, e de repente você não está conseguindo progredir nem mais um milímetro na sua prática. É por isso que Bardon adverte sobre isso em seu livro. A humanidade ainda não está pronta para aceitar certas verdades – segundo Emil Stejnar, o próprio Bardon dizia constantemente que tinha escrito O Caminho do Verdadeiro Adepto 600 anos mais cedo do que deveria. Seria melhor confiarmos no que o mestre diz em sua obra do que acreditarmos em nossas falsas (e ingênuas) esperanças.

5. PREMIE-SE E PUNA-SE

Uma outra prática que pode lhe ajudar seria um sistema de auto-recompensa pelo seu esforço na magia. Parece irônico, mas o mundo material pode lhe ajudar no começo a manter sua perseverança. Escolha algo que você goste muito de fazer ou de ter e prometa a si mesmo que, se você continuar a praticar por um período determinado, vai se dar o que você tanto deseja.

Ao mesmo tempo, também obrigue-se a passar por certas “provações” caso a sua determinação diminua. A sua própria personalidade lhe dirá do que você gosta ou desgosta, e assim você pode criar punições e recompensas de acordo.

Por fim, “o discípulo deve ser mais rápido em escutar do que o Mestre em falar.” (Hermes)

Esta lista poderia continuar por um bom tempo, mas eu acho que esses são bons pontos básicos para ajudar a assegurar o progresso espiritual.

EU TENHO QUE PARAR DE FUMAR, BEBER, COMER CARNE OU FAZER SEXO?

Não, você não TEM que fazer nada. Mas, se você quiser ter sucesso no trabalho inicial é aconselhável que você temporariamente elimine todas as substâncias que afetem a mente. Essas substâncias ficam na sua corrente sanguínea por períodos estendidos de tempo e vão agir no controle que você tem de mentalizar. A ideia de uma iniciação mágica é que você deve aprender como alcançar os estados alterados equivalentes, espontaneamente e sem precisar de um apoio artificial. O mago bem treinado pode ter qualquer estado que uma droga pode induzir – e controlar a natureza e a duração da experiência.

Uma vez que você tenha dominado a sua própria mente, não há razão pela qual você não possa conceder-se a estados mentais alterados e prazerosos com moderação. Normalmente, o único problema é se o estado mental alterado interfere com sua prática mágica. Com a atenção com o tempo, isso pode ser abolido.

No que diz respeito a desistir de toda a expressão sexual, isso não é nem necessário nem aconselhável a longo período para o mago que procura por equilíbrio. A abstinência sexual produz desequilíbrio. Invocar esse certo tipo de desequilíbrio pode, algumas vezes, ser útil para o mago avançado, mas apenas por períodos de curta duração e para tarefas muito específicas. Se você tem o que agora é chamado de “vício sexual”, então uma abstinência temporária pode ser um componente auxiliar de sua recuperação. Mas, sozinha, a negação não resolve um vício – o indivíduo tem de alcançar a raiz de um vício e trabalhar nele por dentro E por fora.

Sobre ser vegetariano. Na melhor das hipóteses, é uma boa ideia, se seu corpo se sente confortável comendo apenas uma dieta vegetariana e você se sente confortável ao preparar apenas refeições vegetarianas. Mas não é obrigatório. Os benefícios em potencial à saúde de uma pessoa são inegáveis, mas isso não é uma parte essencial ao se aprender magia. Alguns autores até recomendam que o vegetarianismo apenas aconteça em curtos períodos de tempo.

O que é muito mais importante é comer uma dieta bem balanceada. Basta uma dieta que forneça ao seu corpo os nutrientes e fontes de energia que ele precisa. Tente evitar comer em excesso ou pouco demais.

#Exercícios #hermetismo #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/conselhos-para-iniciantes-no-caminho

As roupas de Galvah e o sistema ‘156’

Amodali
3 de maio de 2016

Este é o terceiro e último de uma série de artigos que resume o material apresentado em palestras públicas desde 2013 e discute um ensaio relacionado que foi publicado como parte da antologia da Three Hands Press, ‘A Rose Veiled in Black’. As palestras no Reino Unido e nos EUA introduziram alguns dos conceitos fundamentais do Sistema ‘156’, uma prática que vem sendo desenvolvida desde a década de 1980. Esclarecimentos adicionais sobre o núcleo ‘Enochiano/Angélico’ interno do sistema e a anatomia oculta do ‘Corpo de Babalon’ foram apresentados na Antologia THP no início deste ano. O sistema ‘156’ representa uma abordagem um tanto controversa da magia de Babalon, desafiando e oferecendo interpretações alternativas para muitas das definições estruturais e epistêmicas estabelecidas da corrente. De evidente importância dentro deste novo modelo é uma rigorosa re-teorização e expressão do corpo feminino vivido em relação às práticas de magia sexual e a integração coesa dos espíritos enoquianos femininos no sistema. Os espíritos femininos do sistema Angélico/Enochiano documentados nos diários de John Dee são de profunda importância para a compreensão das raízes da corrente 156. Mas, que eu saiba, houve muito pouca investigação mágica dessas inteligências até agora. Este artigo fornece alguns antecedentes sobre o desenvolvimento da prática que serão descritos em detalhes na próxima publicação. ‘As Marcas de Teth’.

O SISTEMA ‘156’

“…Mas este mistério ultrapassa o discurso. A mente cambaleia e o intelecto é ferido frente a ideia de Mulher, e a mãe escura de quem ela é a sombra brilhante.” – A Estrela de Babalon. J.Parsons

O sistema ‘156’ começou a tomar forma na segunda metade da década de 1980 em conjunto com uma prática que teve uma trajetória muito singular, bastante em desacordo com as percepções ainda predominantes de Babalon que definem o papel da Mulher Escarlate como uma ‘musa mágica ‘ e equivalente thelêmico do tântrico ‘kama mudra’, ou seja, incorporando uma função ‘lunar’ predominantemente passiva em relação ao princípio masculino, solar-fálico, das fórmulas de polaridade heterossexual. A tradição tifoniana de Grant atribuía uma atuação muito maior às mulheres, embora dentro da dinâmica ritual de suas fórmulas, a esfera de influência feminina ainda fosse percebida como emanada de uma consciência predominantemente lunar por meio de seu foco no sistema tântrico dos ‘Kalas’. No entanto, minhas experiências me levaram a entender que a corrente era muito mais complexa do que retratada no material de referência padrão da época e que Babalon representava um arcano mágico altamente sofisticado que produz formas muito específicas de gnose mágica sexual.

A corrente 156 ocupa um território muito inexplorado, preocupando-se principalmente com as práticas femininas incorporadas e a manifestação de novas fórmulas de sexualidade evolutiva. Durante os primeiros anos, experimentei alguns encontros incrivelmente desafiadores e voláteis com Babalon e muitas vezes fui deixada à deriva, submersa em estados altamente dramáticos e turbulentos de transe e obsessão. A intensidade de tais experiências pode levar alguém aos limites da sanidade, mas na época havia pouco em termos de orientação além da presença da própria Babalon. Babalon deixou claro que eu estava sozinha e que eu tinha que aprender a lidar com suas energias através de trabalhos solitários com ela, por meio de uma forma eroticamente sobrecarregada de transe e comunhão corporal. Ao longo dos anos, descobri que, quando me desviei de seu mandato, as consequências foram dramáticas e muitas vezes terríveis.

Depois de décadas de trabalho, agora entendo por que havia parâmetros tão rígidos em torno da prática. O processo de cultivo interior e diálogo com Babalon não é uma restrição à atividade sexual, ao contrário, tem haver com a forma como a pessoa orienta e canaliza as energias dentro do 156. No entanto, como o processo em si está inicialmente preocupado em criar um corpo mágico totalmente ativado e a reconstrução radical da anatomia sutil de uma pessoa, fica claro que engajar-se em trabalhos ortodoxos de polaridade heterossexual pode sabotar completamente esse processo e negar o desenvolvimento das fórmulas femininas adeptas da corrente 156. Era, portanto, de primordial importância que o corpo mágico fosse primeiro cristalizado para permitir que se agisse com plena ação dentro da corrente. Havia pouca referência a ser encontrada que apoiasse minhas aspirações a uma prática focada exclusivamente em Babalon como uma inteligência mágica por direito próprio, e então comecei uma jornada muito longa e solitária, na qual comecei a escavar a anatomia oculta de seus mistérios e como alguém pode se envolver com eles dentro de uma prática progressiva. Devo deixar claro que não sou contra os ritos heterossexuais, muito pelo contrário, mas sinto que essas fórmulas sexuais precisam ser reformadas e alinhadas totalmente com o 156.

O processo tem sido longo e desafiador, pois é preciso romper muitas camadas de ofuscação, muitas das quais desconhecemos até tentar penetrar e avaliar a dinâmica mais sutil e mágica da corrente. O conceito de uma sexualidade mágica feminina preeminente, iniciática, foi sabotado com sucesso em todos os níveis, particularmente no Ocidente, por muitas barreiras metafísicas, filosóficas e teológicas complexas, tabu sexual e a supressão aberta dos direitos das mulheres de liberdade e autonomia. A falta de um sistema coeso tem sido um problema espinhoso que impediu o progresso da magia de Babalon, mas a dificuldade em articular uma prática viável não é surpreendente e está em proporção direta ao peso esmagador da história que se opõe à sua formulação. A palavra “sistema” é um termo bastante desapaixonado e insubstancial que é completamente inadequado para transmitir as práticas de incorporação incendiárias de 156, mas eu a uso por algumas razões bem consideradas. As praticas 156 são baseadas na negociação de estados de posse direta que parecem desafiar qualquer tipo de ‘organização’ e, como já descrito, a presença de Babalon quando experimentada no corpo é totalmente esmagadora e desafiadora em todos os níveis e não pode ser sustentada por nenhum período. de tempo sem o risco de esgotamento psíquico-físico completo. Avisos semelhantes são dados aos praticantes de outras técnicas que trabalham com as chamadas energias da “serpente de fogo”, como kundalini yoga, mas as praticantes enfrentam alguns desafios muito particulares na canalização das energias de Babalon.

Exclusivo para a dinâmica do 156 é o desenvolvimento de algumas fórmulas de “aterramento” muito específicas que funcionam em conjunto com um processo de cultivo interno de TETH. (ver livro Marks of Teth). É um processo de transformação muito demorado e complexo no qual é preciso reconfigurar completamente seu estado energético e físico para permitir que se torne um recipiente que possa resistir ao ataque do turbilhão erótico-cinético de Babalon. No entanto, é possível articular os parâmetros de sua magia e definir o território é essencial para qualquer manifestação em curso. Para comunicar isso de algum jeito, alguma forma de sistematização é necessária. A magia do 156 desafia o textualismo de muitos sistemas mágicos ortodoxos e desafia qualquer forma de hierarquia convencional. No entanto, por definição, qualquer forma de prática deve ter uma curva de aprendizado e objetivos claros, no sistema 156 isso é definido por uma sizígia (termo gnóstico que designa a união de opostos) gradual com o ‘Corpo de Babalon’ através de uma série de estágios reconhecíveis, uma gnose mágica sexual complexa que gradualmente desperta a plena ativação da corrente com o corpo/psique.

Tudo isso sugere que Babalon é potencialmente uma força incrivelmente perigosa, destrutiva e primitiva, mas interpretações simplistas da energia predominantemente venusiana que Babalon representa só servem para adicionar preconceitos e interpretações errôneas inúteis. Quando se considera que grande parte das energias psíquicas/espirituais/sexuais e físicas de metade da população dos planetas foi suprimida por milênios, então não é irracional esperar que sem a válvula de segurança de uma prática coerente alguém possa ser explodido em pedacinhos quando tentando liberar algumas das dimensões mágicas mais fortemente policiadas e suprimidas dessa força deslocada. Indiscutivelmente, é a repressão da corrente sexual feminina que é a fonte de muita violência que assola o planeta e Babalon é o antídoto para o cisma que nos divide, em vez de representar uma expressão de energia feminina destrutiva. Sua força é percebida como perigosa porque a magia que canaliza sua energia não foi totalmente compreendida.

Babalon instila medo naqueles que ainda estão investidos na velha ordem, ela não tem lugar para a misoginia, ignorância e crueldade que manteve o tecido de grande parte da sociedade humana no lugar por milhares de anos. Ela exige uma manifestação completamente nova da força criativa humana que eleva o sexo ao seu mais alto potencial mágico. Este é o desafio final e nisso ela realmente exige “cada gota de sangue” dos devotos que agora estão surgindo, que suportarão a força de Teth sem mancha de ambiguidade ou malevolência. Babalon tem que ser uma deusa do ‘tudo ou nada’ porque ela é a parteira de uma fase completamente nova da consciência e sexualidade humana na qual não pode haver concessões, simplesmente não temos tempo para vacilações sem entusiasmo. É um caminho fervoroso de transformação completa, do qual não há como voltar atrás uma vez iniciado. A visão de amor que Babalon oferece à humanidade é profundamente profunda, abrangente e completamente alheia à realidade global atual, mas manifestar o 156 é absolutamente vital para que a humanidade sobreviva à atual queda livre na catástrofe. Este deve ser um esforço sustentado e incessante que só pode vir através da presença de praticantes que possam lidar com sua energia e atuar como fontes poderosas de seu Pneuma transformador.

Um fator extremamente importante na articulação de um sistema coerente e autêntico é a desconstrução da relação do corpo vivido com as práticas de magia sexual e uma investigação e teorização rigorosas da anatomia sutil feminina. É fundamental descobrir muitas formas sutis de viés estrutural que distorceram a corrente feminina e muitos anos de minha prática foram dedicados a essa área de pesquisa. Tem sido um processo intenso de desconstrução mágico-física e engenharia etérica em que a pessoa literalmente se “reconecta” para receber a corrente 156 criando uma arquitetura sutil inteiramente nova para habitação. A prática não apenas repara alguns dos grandes danos que foram causados ​​ao corpo e psique femininos, mas abre novos canais que estão alinhados com as novas fórmulas progressivas do aeon de 156. Através de muitos anos de trabalho intensivo, muito progresso foi feito e Babalon revelou um sistema de conhecimento que, como sugere a citação de abertura, do ‘discurso passado’. Ao longo de muitos anos, Babalon revelou um mysterium erótico que é progressivo, autopoiético, principalmente pré-textual, cinético e corpóreo por natureza. O uso do termo “Pré-textual” para descrever o sistema de conhecimento de Babalon não deve no entanto ser confundido com um eufemismo para qualquer tipo de capricho não estruturado de forma intuitiva. As práticas têm uma dinâmica estrutural interna altamente sofisticada que exige décadas de rigorosa disciplina para serem refinadas e são incrivelmente desafiadoras, exigindo muitos anos de treinamento.

“À medida que as emanações de Teth se desdobram, uma gama de tremores e vibrações incendiárias e orgásticas são ativadas no corpo da sacerdotisa. O frenesi mágico da corrente Babalon é distinguido por uma turbulenta corrente de kinesis sexual. Esse complexo espectro cinético cria significantes dentro da prática que a distinguem de outras formas de fenômenos ‘kundalini’; e é a fonte do que se torna uma tecnologia sexual complexa trazida sob a vontade mágica da sacerdotisa… Assim se aprende a lutar com uma linguagem vibracional e mágica fora do frenesi dionisíaco, sem ser consumido por isso”. Amodali falando na Galeria de Outubro. 2013.

Amodali.1998. ‘Hagazussa’ Sessions. Foto de Robert Cook.

Por muitos anos, parecia completamente contra-intuitivo escrever sobre o sistema em desenvolvimento, pois seu núcleo interno não pode ser comunicado verbalmente. Assim, a partir de 1990, criei projetos que comunicassem aspectos do sistema usando performance ritual. Eu senti que este era o meio mais preciso para articular a corrente, além do foco mais direto dos trabalhos mágicos pessoais. O projeto Mother Destruction foi lançado em 1990 com o lançamento do álbum ‘Seething’. O título refere-se ao erótico-cinético, energia no centro do sistema 156. Desenhei um sigilo para o projeto que apareceu na capa do álbum que ilustra o espectro cinético setenário que anima a magia de Babalon e o corpo da sacerdotisa (ilustração abaixo). O primeiro álbum apresentava práticas mágicas que usavam correspondências rúnicas em alinhamento com as emanações ofídias e bioeróticas de 156 e fundiam as duas correntes com experimentos usando técnicas de seidr (xamanismo escandinavo) e transe156. Esses elementos foram expandidos em rituais dentro do espaço da performance.

À medida que o sistema amadureceu, comecei a reunir o material, mas após uma série de experiências extremamente desafiadoras que mudaram radicalmente minhas circunstâncias de vida e minha perspectiva sobre o próprio trabalho, decidi a partir de 2010 me concentrar principalmente na escrita. Parecia oportuno apresentar o corpo do trabalho, ou o corpo ‘156’, embora em uma forma textual mais convencional, para contribuir para as discussões em andamento e o desenvolvimento da corrente dentro da comunidade mais ampla. A primeira palestra pública ocorreu em Londres 2013 na qual discuti alguns dos aspectos-chave do meu trabalho e sistema, delineando uma perspectiva pessoal da corrente, através da qual Babalon é entendida como possuidora de uma anatomia oculta específica e fenomenologia mágica em relação ao corpo feminino. Como afirmado anteriormente, esta é uma área de assunto vasta, em grande parte inexplorada, que até agora escapou de uma investigação aprofundada e, portanto, para introduzir o território, comecei com uma avaliação e interpretação pessoal do que Grant chamou de ‘Partículas Veladoras’, ou seja, fatores que obscureceram o corpo feminino e as práticas dentro da corrente Babalon e então descrevi como minha prática evoluiu.

Dissecando o ‘Corpo de Babalon’. Conferência do Livro Esotérico. 2014. Foto cortesia de Nathan Alexander.

O esquema simplificado que foi usado para ilustrar a anatomia oculta de Babalon’ é mostrado acima. As sete serpentes de Babalon gravadas com as ‘Marcas de Teth’, representando o espectro cinético-sexual de seus corpos, podem ser vistas como emanando do corpo da sacerdotisa que é encasulado pelas ‘vestimentas etéricas’ habitadas por uma egrégora de divindades venusianas. . Assim, esclarecendo Babalon como representando um sistema de conhecimento mágico complexo, em vez de um simples arquétipo. Descrevi essa configuração do corpo mágico como ‘autopoiética’ ou ‘autocriada’, um termo simples, mas que tem implicações fundamentais para as novas fórmulas mágicas do aeon que exigem uma reformulação radical da agência feminina e do corpo vivido em relação à prática mágica de 156 e ao cultivo de práticas solo para mulheres. Também foram exploradas as grandes contribuições da filosofia feminista para a formulação de conceitos de agência feminina e espaços fenomenológicos, citando a interpretação de Luce Irigaray e Julia Kristeva do conceito de platônico ‘Chora’ de espaço.

AS VESTIMENTAS DE GALVAH

‘A verdadeira sabedoria é sempre pintada com uma roupa de mulher’.
O espírito Galvah em conversa com Dee e Kelley

Durante as palestras, foi apresentada a relevância do Universo Enoquiano e suas fórmulas para a anatomia oculta feminina de Babalon. Especificamente, citando uma citação de ‘A Visão e a Voz’ que descreve a exploração de Crowley no 7º aethyr ‘DEO’ e sua visão do pavão universal. O sétimo aethyr enoquiano de DEO com suas correspondências venusianas é de grande importância dentro do sistema 156. Crowley encontrou a famosa “mulher vestida de sol” em sua esfera e a invocação de Parsons de DEO dentro de seus “trabalhos de Babalon” produziu o Liber 49 – O Livro de Babalon. Crowley descreve que durante sua tentativa de entrar no DEO, uma voz proclamou que “a chave para este portão é o equilíbrio do sete e do quatro”. Como será explicado em ‘As Marcas de Teth, e novamente mostrado na foto acima, esta fórmula é certamente a chave para a ‘arquitetura sutil de Babalon’. A forma ardente e incandescente de Galvah, que Kelley foi incapaz de olhar diretamente durante suas sessões de Previdência Angélica com Dee, pareceria congruente com a entidade radiante que Crowley encontra em DEO, que “transmite a palavra ao entendimento”. Durante suas conversas com Dee e Kelley, Galvah fala da conclusão do conhecimento e de uma sabedoria universal que surgirá durante o fim dos tempos, ela também liga firmemente a sabedoria ao corpo feminino. Assim, novamente ligando os temas do apocalipse, sabedoria, redenção e manifestação com uma figura feminina que é apresentada como “a mulher vestida de sol” no Livro do Apocalipse e revelada em profundidade nas dimensões venusianas do universo enoquiano. Como será expandido no M.O.T., as “vestes” da sabedoria descritas por Galvah não são de forma alguma metafóricas e constituem parte integrante da anatomia sutil do sistema de conhecimento.

Alguns dos arcanos internos e componentes técnicos do corpo mágico de Babalon e uma introdução ao sistema 156 foram apresentados no início deste ano como parte de ‘The Rose Veiled in Black’, uma antologia da Three Hands Press. A Antologia apresenta uma coleção de Ensaios sobre Babalon por uma lista de praticantes e acadêmicos altamente respeitados, homens e mulheres, que fornecem um discurso altamente matizado e informativo sobre a natureza de Babalon, trabalhos rituais ambiciosos, análise aprofundada de documentos importantes como ‘The Visão e a Voz’ e material biográfico instigante e comentários sobre figuras importantes da Corrente. Minha contribuição introduz uma abordagem pessoal da magia de Babalon que reconhece os espíritos femininos enoquianos como aspectos importantes do sistema 156. O universo enoquiano de Dee e Kelley é reafirmado dentro do sistema como chave para a reformulação radical da anatomia oculta feminina em relação a Babalon e um conjunto inteiramente único de práticas que envolve o trabalho direto com uma egrégora ‘Venusiana’ feminina que inclui correntes primordiais de Ísis/Ofídias e inteligências enoquianas femininas, particularmente Galvah. As práticas recriam de forma corporificada as fórmulas altamente misteriosas e ressonantes que se encontram no universo enoquiano e na própria corrente.

“Tu reconhecerás pelo sinal. Babalon nasce. É um novo nascimento, todas as coisas são mudadas – os sinais, os símbolos, o tudo.” (‘3º ritual. O Trabalho Babalon)

Na citação do trabalho de Parsons/Hubbard acima, Babalon anuncia a reforma radical que acompanhará sua ascensão. O ‘novo nascimento’ virá da enorme mudança de consciência criada por uma autêntica reificação da força erótica feminina que resultará em uma transformação global da sexualidade humana. O ensaio na Antologia Three Hands Press apresenta as fórmulas autopoiéticas que são derivadas do nome e substância da própria Babalon, mostradas no quadrado mágico abaixo. A mesa representa uma prática mágica que transforma o corpo da sacerdotisa e resulta na produção do ‘Elixir 49’. Esta é uma substância que incorpora uma nova formulação aeon do Pneuma feminino além do sistema ‘Kala’ como defendido por Grant e as tradições tifonianas, alinhando o corpo sutil feminino com o universo enoquiano.

“A sizígia de carne e pneuma, gerada pela sacerdotisa através da invocação de Babalon e dos espíritos enoquianos femininos, cria a matriz a partir da qual o complexo campo fenomenológico da magia de Babalon é gerado.” Amodali, Antologia ‘Introductory Theoria on Progressive Formulas of the Babalon Priesteshood’ – A ROSE VEILED IN BLACK’.

É através de Galvah/I AM, Madimi e a filha da fortaleza no universo enoquiano que podemos alcançar a fonte da sabedoria sexual universal da deusa primordial, manifestada nas fórmulas de Babalon. Na prática, descobriu-se que se pode descobrir através das inteligências femininas angélicas, um sistema de conhecimento de natureza totalmente erótica que permeia o universo enoquiano que forma um substrato energético dentro do sistema angélico. Essa sabedoria não textual é obviamente incrivelmente sutil e difícil de descrever. Das palavras da filha da fortaleza e Galvah, entendemos que essa sabedoria está incorporada nas roupas, ou seja, na carne da mulher. As ‘Vestuários de Galvah’ mostradas ao redor do corpo da sacerdotisa na fig. 3. representam um vasto mysterium dentro da anatomia oculta de 156. A conclusão lógica deste movimento é a manifestação real da corrente de 156 e isso significaria, como Parsons previu, que Babalon finalmente se manifestará em carne.

Para pesquisa mais profunda:

  • ‘Introductory Theoria on Progressive Formulas of the Babalon Priestesshood . Amodali.
  • A Rose Veiled in Black – Anthology. Three Hands Press.
  • The Marks of Teth. Amodali. Three Hands Press. Forthcoming.
  • The Five Books of Mystery. John Dee. Joseph Peterson.
  • A True and Faithful Relation. Dr. John Dee/M.Causobon.
  • The Vision and the Voice. Aleister. Crowley.
  • The Babalon Working. Liber 49. – Jack Parsons.
  • ‘The Seething’ Album and extensive back catalogue of Mother Destruction.]

Tradução: Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/as-roupas-de-galvah-e-o-sistema-156/

Aspectos Ocultos da Pedofilia no Catolicismo Romano

Mais uma vez nos deparamos com denúncias envolvendo padres supostamente envolvidos com pedofilia. O nome de Júlio Lancelotti pode ser encontrado dia sim outro também em jornais, revistas, internet, no rádio, na TV; ora sendo acusado ora sendo defendido.

Mais uma vez as pessoas se perguntam o por quê; homens que vivem a falar e pregar a palavra de Deus são capazes de cometer tais atrocidades ? E qual a razão da igreja católica simplesmente não puní-los; dificultar investigações e dar abrigo em Roma a cada um dos acusados ao invés de simplesmente entregá-los a polícia ?

Dentre os padres que não respeitam o celibato (entre 40% e 65%), uma ínfima parte é praticante de pedofilia no termo mais comum associado a estes casos; o que sempre mostrou que a batina jamais foi um problema pois a maioria opta pelo heterossexualismo. Opta ? Então vamos ver:

Em abril de 2002, em Ohio, Estados Unidos, um padre foi encontrado morto com um tiro na cabeça dentro do próprio carro. Don Rooney então com 48 anos, cometeu suicídio e deixou um bilhete que teve seu conteúdo não revelado para o público.

Meses antes de sua morte, Rooney vinha sendo investigado por acusações de supostas vítimas, entre elas, um menino de 13 anos chamado Richard Carson, coroinha na paróquia onde atendia o padre Rooney. Ninguém jamais se deu ao trabalho de perguntar a razão pela qual em um dos depoimentos, Carson teria feito menção a uma estranha prática do padre Rooney:

“Ele pedia para que eu me despisse depois de me dar vinho. Quando eu ficava zonzo ele começava a me molestar. Então trazia um cálice com mais vinho e que continha um cheiro muito forte de ervas; então ele me masturbava até que eu ejaculasse dentro daquele líquido. Uma vez ele me esbofeteou porquê eu não tinha esperma o suficiente. Quando questionado sobre o que ocorria depois, Carson diz não se lembrar de nada, exceto de que isso ocorria sempre após as missas noturnas dominicais”.

Não se sabe por qual razão, os depoimentos da mãe e do padrasto de Richard Carson não foram levados em consideração; quando Rooney recebeu uma intimação judicial para se apresentar no tribunal dia 11 de Maio de 2002. Aos próximos, Rooney parecia deprimido e apavorado, mas não em relação as acusações e suspeitas de que era alvo e sim, pela proibição do prelado regional de que nunca mais voltasse a realizar missas negras na paróquia. Esse parecia ser o conteúdo do bilhete que jamais foi revelado para o público. O caso como sempre acontece, foi tratado como lenda e que na verdade, os crimes dos padres tinham e têm a ver unicamente com o celibato.

Chegamos então, ao ponto crucial da história que parece ter sido enterrado pelo tempo e pela descrença; como pura fantasia ou mera objeção de demonólogos nos processos de perseguição ao catolicismo. Em 1580, o respeitabilíssimo Jean Bodin publica um grosso volume intitulado Demonomania dos Feiticeiros. O livro é uma magistral coletânea de material retido pela Igreja Católica durante os tribunais da Inquisição. Nele Jean Bodin, como católico, não apenas desmascara o sacerdócio; padres, bispos, madres superiores e freiras em suas mais variadas práticas de feitiçaria no interior da igreja, como também derruba a tese falsa de que Roma foi a maior inimiga da bruxaria.

Bodin nos deixa claro que a prática da Missa Negra pelo catolicismo é muito mais comum do que podemos imaginar, e que para a igreja, os abusos não existem já que não há a prática sexual em si. Os rituais são “necessários” na liturgia da igreja e por isso não há expulsão nem condenação prevista. Os padres aprendem a realizar a missa negra antes mesmo dos votos de obediência, pobreza e castidade.

É um fato real que na ampla maioria dos casos não há realmente relações sexuais na prática; mas tão somente a manipulação dos órgãos genitais: seja para a obtenção de esperma e outras secreções ou o uso do corpo da criança como altar, semelhante ao que ocorre nas Missas Negras convencionais praticadas por satanistas tradicionalistas, em que uma virgem ou um menino na puberdade é utilizado.

Em Dogma e Ritual de Alta Magia, Eliphas Lévi faz uma menção do livro em que  detalha um horrendo ritual chamado Oráculo Sangrento; em que um menino é degolado sob um altar católico enquanto se preparava para a primeira comunhão; praticado por um bispo francês sob encomenda do Rei Carlos IX e Catarina de Médici. Embora naquela época o uso de secreções corporais como suor, urina, sangue e principalmente esperma e secreções vaginais já fossem de uso corrente, do século VII para cá, os rituais foram ficando cada vez menos violentos, onde a magia sexual substituiu gradativamente os sacrifícios sangrentos. Qualquer domonologista moderno sabe que atualmente, via regra litúrgica do cripto-catolicismo, a violação de um corpo puro, virgem, é tão agradável aos demônios quanto um sacrifício sangrento.

A igreja obviamente não foi a criadora dos rituais e sim os roubou de livros e grimórios confiscados durante a inquisição, principalmente dos magos de origem semita e babilônica onde rituais utilizando crianças como oráculos são encontrados aos montes, especialmente para necromancia. Para aqueles que questionam os rombos financeiros que a igreja tem de arcar por causa dos processos por pedofilia contra ela, o Arcebispo Emmanuel Milingo, exorcista e autor do best seller “Cara a Cara com o Diabo” afirma:

“A terceira dimensão do mal na Igreja é a adoração a Satanás e as Missas Negras que profanam nossa santidade. Desde que a igreja passou a flertar com a Maçonaria, parece que estamos a trilhar um caminho sem volta. Para cada dólar perdido em processos, a igreja ganha três em lucrativos acordos espirituais com grandes industriais, empresários e políticos maçons.”

Os acordos espirituais a que Milingo se refere são Missas Negras encomendadas e realizadas numa mistura com rituais tão antigos quanto secretos de lojas maçônicas tradicionais. Claramente nem todos os padres trabalham para estes meios e fins, a maioria pratica Missas Negras em proveito próprio, o elixir dos elixires sexuais como dizia o marquês de Sade; dezenas de exemplos podem ser encontrados em obras como “O Livro Negro dos Demônios”, Dicionário Diabólico” e “Demonomoania dos Feiticeiros”.

Lamentavelmente não há uma tradução decente para o português desta magnífica obra; essencial para quem quer e precisa se aprofundar nos estudos ocultos. Quanto as denúncias, a igreja mostra que não tem sido o suficientemente hábil em manter a excitação e o silêncio de seus homens. Conventos e mosteiros são antros de feitiçaria, capazes de fazer inveja aos mais sábios dos iniciados. Mas sua saúde financeira também comprova que a suposta união com a maçonaria denunciada pelo arcebispo Milingo, têm sido altamente saudável a seus cofres.

É por razões como essas e outras, que um dos comportamentos mais tolos daqueles que seguem o caminho da mão esquerda, é atacar gratuitamente o Catolicismo, como já apregoava Aleister Crowley. Podemos e devemos questioná-los, aproveitarmos seus segredos e aquilo que realmente nos diz respeito e nos interessa, e deixar que os membros das religiões ditas divinas acusem-se e matem-se uns aos outros.. Atirar para todos os lados neste caso, simplesmente seguindo o que a TV e os concorrentes de fé falam seria matar a nossa própria galinha dos ovos de ouro, ou pior ainda, é imolar o nosso cordeiro de ouro.

Paulie Hollefeld

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/aspectos-ocultos-da-pedofilia-no-catolicismo-romano/

Arte, Magia e Verdadeira Vontade – com Felipe Galvão (Monge)

Bate-Papo Mayhem 165 – gravado dia 22/04/2021 (Quinta) Marcelo Del Debbio bate papo com Felipe Galvão (Monge) – Arte, Magia e Verdadeira Vontade

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #MagiaPrática

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Magia Sexual

A Magia Sexual, conhecida no Oriente como Tantra, é a prática ritualística desenvolvida através das energias canalizadas do corpo físico, da mente e do espírito humano. O ato de criar outras vidas através de relações sexuais e instituir uma força, ou um vínculo energético entre as pessoas envolvidas, é visto como místico e sagrado.

Como outras modalidades de Magia, a Magia Sexual também é um recurso usado como fonte do poder que fortalece as cerimônias ritualísticas e para obter o auto-conhecimento através da exploração do próprio corpo, psique e alma. A Magia Sexual é uma das faces mais importantes da Magia moderna.

Utilizada tanto nas escolas ocidentais como nas orientais, sua origem nos remete às práticas das crenças pré-cristãs, sendo que os primeiros registros datam de 3000 a.C.. A Antiga Religião da Europa baseava-se em ritos de fertilidade para assegurar a proliferação de animais, plantas e humanos. O conceito pagão da atividade sexual era saudável e natural. Era a mais poderosa energia que os humanos podiam experimentar através dos próprios sentidos, com a manifestação afetiva de um indivíduo ou simplesmente a ação de compartilhar prazer e desejo carnal com outra pessoa. Assim, mulheres consagradas serviam aos deuses em templos, o homossexualismo e o heterossexualismo eram apenas definições das preferências sexuais, etc.

Existem dois canais de energia no corpo humano que estão associados ao sistema nervoso central e à medula espinhal, conhecidos no Ocidente como Lunar e Solar ou Feminina e Masculina (receptiva/negativa e ativa/positiva). Geralmente, entre os não-praticantes da Magia Sexual, apenas uma das correntes de energia está aberta e fluindo. Entre as mulheres, apenas a corrente lunar flui desimpedida. Entre os homens, apenas o canal solar está realmente livre. No caso dos homossexuais, essa situação está invertida. Em todas as situações, este fato causa um desequilíbrio e influencia negativamente várias esferas da vida humana.

Portanto, segundo este raciocínio, o estado sexual natural é a bissexualidade, em que ambas as correntes fluem juntas em harmonia. A alma que habita o corpo físico não é masculina nem feminina. Desse modo, o sexo é meramente uma circunstância física. O fluxo harmonioso das correntes no corpo é simbolizado pelo antigo símbolo do Caduceu.

Um dos maiores divulgadores da Magia Sexual contemporânea ocidental é Aleister Crowley, através da doutrina do Thelema. Posteriormente, diversas escolas iniciáticas a adotaram e adaptaram de acordo com a própria filosofia. Porém, os princípios básicos permanecem inalterados. Na Índia, ainda é uma das práticas mais utilizadas no hinduísmo.

Apesar de (teoricamente) compor vários sistemas mágicos, atualmente, a maioria das tradições não incorpora a Magia Sexual em suas atividades. Isto se deve a opção pessoal dos praticantes (inibição e preocupações com as doenças sexualmente transmissíveis) e a pressão social de uma cultura judaico-cristã, onde o sexo é visto como algo pecaminoso e polêmico. Deste modo, nos ritos sexuais modernos, são usadas representações simbólicas dos antigos elementos da fertilidade, sejam objetos que representem os genitais ou apenas uma dança ou encenação erótica.

Sagrado Feminino
Nas antigas crenças pagãs, os pólos femininos da criação eram reverenciados como sagrados e a mulher era vista como o principal canal gerador de vida. A Deusa era a divindade principal, responsável pela criação de todas as formas viventes. Dessa forma, os ritos que envolviam Magia Sexual, utilizavam-se de mulheres e do sangue menstrual como elementos principais do Altar Cerimonial.

O altar sagrado é formado por uma mulher que se deita de costas, nua, com as pernas dobradas e afastadas (de forma que os calcanhares toquem as nádegas). Um cálice é colocado diretamente sobre seu umbigo, ligando-o ao cordão umbilical etéreo da Deusa, a qual é invocada em seu corpo. Derrama-se o vinho sobre o cálice. O Sumo Sacerdote pinga três gotas de vinho, uma no clitóris e uma em cada mamilo, traçando uma linha imaginária que forma um triângulo no corpo feminino, tendo o útero como centro. Segue-se um beijo em cada ponto, enquanto a invocação é recitada.

Fluidos Mágicos
Os fluidos produzidos no corpo humano de forma natural ou através da estimulação sexual, também são utilizados nas cerimônias herdadas dos povos antigos que envolvem a Magia Sexual, e são empregados para um determinado objetivo.

O vinho ritual continha três gotas do sangue menstrual da Suma Sacerdotisa do clã, que unia magicamente os celebrantes nesta vida e nas próximas encarnações. Os caçadores e guerreiros eram ungidos com pinturas ritualísticas que continham sangue menstrual. Acreditava-se que ao unir o sangue de duas pessoas, criava-se um vínculo entre ambas. Ungir os mortos com o sangue era uma forma de assegurar o retorno à vida. O sêmen era considerado energia canalizada que vitaliza o praticante que o recebe. Ainda, o estímulo dos mamilos faz com que a glândula pituitária secrete um hormônio que ativa as contrações uterinas. Isso ativa o fluxo de certos fluidos através do canal vaginal.

Criança Mágica
A criança mágica é um termo utilizado na Magia Sexual ocidental para designar uma imagem no momento do orgasmo. Neste caso, a energia sexual não é liberada como no ato sexual tradicional, mas inibida por períodos prolongados e canalizada através da mente para que se manifeste numa forma de pensamento mágico, formando uma imagem astral durante o orgasmo.

Para esta atividade, é necessário que o praticante tenha desenvolvido a arte da concentra-ção/visualização e um controle firme sobre a própria força de vontade pessoal, de forma que no momento do orgasmo, não haja nada mais na mente que a imagem que deseja ver criada. Se estiver incompleta ou difusa, é possível que interferências negativas se manifestem e passem a consumir a energia sexual do praticante. Este conceito é uma das bases na crença dos Sucubus.

Pancha Makara
A corrente oriental da Magia Sexual, chamada Tantra, é dividida em cinco categorias de aplicações distintas conhecidas como Cinco M ou Pancha Makara, que em sua maioria, são canalizados no campo físico (Caminho da Mão Esquerda) e outro simbólico (Caminho da Mão Direita). O Pancha Makara recebe interpretações diferenciadas nas cerimônias praticadas nas correntes do Ocidente, ou em algumas situações, são adaptadas ou omitidas.

Madya Sadhana
A palavra Madya significa Licor e este princípio está relacionado à aplicação do Caminho da Mão Direita com uso adequado de estimulantes que ativam o sétimo chakra, Sahastrara, considerado o último nível de evolução da consciência humana e responsável pela integração dos outros chakras.

Mamsa Sadhana
O termo Mamsa pode ser traduzido como carne e significar que este princípio está associado ao uso ritualístico de carne. Também pode ser compreendido como fala (do verbo falar) e ser interpretado como uma invocação ou um mantra. Em quaisquer dos casos, está associado ao Caminho da Mão Esquerda (Físico).

Matsya Sadhana
Matsya significa peixe. Este princípio é usado tanto no aspecto físico como no simbólico. É visto como um fluxo psíquico que corre através dos canais da espinha dorsal, ou minoritariamente, como o consumo ritual de peixe num banquete ou Eucaristia.

Mudra Sadhana
Este é o mais conhecido fora dos círculos tântricos e é utilizado de maneira similar nos Caminhos Esquerdo/Direito. Representa o uso de posições específicas do corpo (especialmente da mão) para simbolizar ou encarnar certas forças, além de efetuar mudanças na consciência.

Maithuna Sadhana
A palavra Maithuna refere-se a união sexual. Este princípio, que atua tanto no aspecto físico como simbólico, está relacionado primitivamente com a atividade sexual. Porém, pode ser interpretado também como a atividade simbólica.

Por Spectrum

#MagiaPrática #Tantra

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-sexual

Último dia para apoiar o Financiamento Coletivo da História da Magia Ocidental !

O projeto

Dos mesmos editores de Kabbalah Hermética, da Enciclopédia de Mitologia, dos Livros Sagrados de Thelema, do Tarot Hermético, do Equinox e dos Livros Essenciais da Cabalá.

Apoie Já! https://www.catarse.me/historiadamagia

Reunimos neste projeto livros essenciais em várias áreas do Hermetismo, Thelema e Filosofia para definir a Magia no século XX e XXI. Este nosso vigésimo quinto projeto traz os livros que editaremos no segundo semestre de 2022, com previsão de entrega para Novembro. A grande vantagem de participar de um Financiamento Coletivo é que pretendemos publicar grimórios extras que serão entregues como presentes para os apoiadores conforme as metas estipuladas forem sendo batidas, como fizemos nos últimos dez projetos.

A HISTÓRIA DA MAGIA
A compreensão histórica da Tradição Esotérica Ocidental é o ponto de partida fundamental para todos aqueles que pretendem estudá-la e praticá-la, bem como a rota que deve nortear a nossa caminhada no seio da Tradição. Se não sabemos de onde viemos e onde se encontra cada um dos pensadores e movimentos que constituem o arcabouço do Esoterismo Ocidental, iremos correr o risco de, à moda New Age, colocar todos esses pensadores e movimentos em um único plano e compará-los como que se fizessem parte de um mesmo momento e, deste modo, incorrendo em erros primários. Um destes erros é olhar o passado como se ele fosse glorioso e o presente como um estado decadente; no outro extremo, faltar alinhamento, consonância ou correspondência com o momento histórico que iremos nos debruçar também é problemático. Compreendendo as raízes do movimento no qual decidimos trilhar a Senda da Iniciação, podemos segui-lo com mais segurança, consciência e mesmo como continuadores e perpetuadores da Tradição, nos tornarmos células vivas dela, acrescentando os nossos passos. Com tal objetivo, a obra História do Esoterismo Ocidental foi construída como uma introdução e roteiro a esse assunto tão importante ao Esoterismo Ocidental, mas, infelizmente, negligenciado. Originalmente concebida para ser um curso para os postulantes à Iniciação no seio da Irmandade dos Filósofos Desconhecidos, essa obra tomou proporções maiores e entendeu-se que ela precisaria ser disponibilizada para o benefício de todos os buscadores.

TREINAMENTO MÁGICO
Ao contrário do pensamento cada vez mais difundo na contemporaneidade, temos insistido de maneira muito categórica em que a Ordem Martinista, uma expressão da Escola Francesa da Tradição Esotérica Ocidental, é completa em si mesma. Com isso, queremos dizer que um buscador realmente implicado em sua busca encontrará tudo o que é necessário para seu crescimento espiritual dentro da Ordem Martinista. A respeito da obra que o leitor tem em mãos, ela nasceu no transcurso da pandemia de 2020. Nesse período, os conventículos martinistas das diferentes Heptadas espalhadas pelo Brasil foram suspensos e, ao contrário do que se poderia imaginar, tal situação proporcionou uma grande aproximação entre todos membros desses diversos corpos martinistas. Sob essa particular circunstância, atravessada pelo isolamento social e pela sensação de vulnerabilidade que proporcionaram uma busca mais intensa e urgente pelo aprofundamento no conhecimento e no desenvolvimento espiritual, o Treinamento Mágico que ora publicamos foi aplicado em âmbito nacional, entre estudantes de diferentes vocações e estágios no treinamento tradicional. Evidentemente, um treinamento como o que é aqui proposto exige do praticante disciplina e constância. Dentre os disciplinados que mantiveram a constância no Treinamento, destacou-se a compreensão de que um dos grandes méritos dele foi o de propor algo realmente possível de ser introduzido e realizado no cotidiano independentemente da agenda de cada qual, pois implica no máximo 15 minutos diários. Estamos enormemente satisfeitos por saber que, por meio desta publicação, muitos buscadores terão acesso ao nosso Treinamento Mágico e que poderão comprovar, por eles mesmos, a eficácia e a grandeza do que aqui é proposto. Por fim, frisamos que o nosso Treinamento Mágico não traz práticas restritas a iniciados martinistas, nem tampouco se limita ao “espírito” da Escola Francesa da Tradição Esotérica Ocidental.

THEOSOPHIA PERENNIS
Nestes artigos, ensaios e exposições, o autor Daniel Placido guiará o leitor por um passeio através de assuntos como mito, imaginário, Santo Graal, sufismo, gnosticismo, neoplatonismo, teosofia, prisca theologia, Vedanta, filosofia da natureza, esoterologia, antroposofia, Nova Era, acompanhados por expoentes ocidentais e orientais clássicos da sabedoria perene como Fílon, Plotino, Shankara, Sohravardî, Ibn ‘Arabî, Marsílio Ficino, Jacob Boehme, Emanuel Swedenborg, William Blake, Ramana Maharshi, sem falar de pensadores mais contemporâneos como N. Berdiaev, Henry Corbin, M. Eliade, F. G. Bazán, entre outros.

Subjacente à diversidade de temas e autores, existe a concepção de Theosophia Perennis (Teosofia Perene): uma sabedoria divina pertinente às diferentes tradições filosófico-esotéricas do Ocidente e do Oriente, sem negar a pluralidade e dissonância dentro dela, como uma árvore cheia de galhos e ramificações.

GNOSTICISMO THELÊMICO
Poucas palavras foram tão combatidas e incompreendidas através dos séculos do que Gnose e Gnosticismo. Sua história é longa e remonta aos primeiros anos da Era Comum, ou da Era Cristã, quando as mensagens ainda eram transmitidas majoritariamente de forma oral, através dos viajantes e comerciantes que circulavam pelo Império Romano, em uma época em que sequer o Cristianismo, como nós o conhecemos hoje existia, ele ainda engatinhava para tomar forma nos séculos seguintes, através de tratados e concílios.

No século XX o gnosticismo (ou neo gnosticismo) se aproximou de Thelema, uma lei ou filosofia que ganhava as luzes do mundo graças ao trabalho daquele que seria considerado o “O homem mais ímpio do mundo”, Aleister Crowley. A espiritualidade, porém, não para, e tanto o Gnosticismo quanto Thelema continuaram a caminhar e a se desenvolver, dentro daquilo que hoje, no século XXI, reconhecimentos como Gnosticismo Thelemico.

AUTO-INICIAÇÃO NA MAGIA ENOCHIANA
A magia enochiana é, sem duvida, um dos sistemas mágicos mais cobiçados pelos praticantes de magia cerimonial desde a Ordem Hermetica da Aurora Dourada, sendo considerada por muitos como um dos sistemas mágicos mais poderosos do mundo, rivalizando com os mais populares sistemas de magia Salomônica.

APROXIMANDO-SE DE BABALON
Aproximando-se de Babalon apresenta uma série de ensaios explorando a Deusa Babalon, o Divino Feminino, a Madona Negra e o circuito sempre revolvente do Sexo e da Morte, que se encontra no centro dos Mistérios.
Uma visão geral e uma introdução à Deusa Babalon que toma um caminho diferente daquele de Crowley e seus seguidores, Aproximando-se da Babalon se baseia nos insights de Thelema, Magia Cerimonial, Teoria Crítica, Teologia da Libertação e dos Decadentes para tecer sua poética magico-teológica.

Centralizando o corpo e a experiência corporal, a autora rejeita os misticismos patriarcais que buscam fugir do corpo e do mundo e se deslizar na pura luz branca do tédio racionalista celestial. Inspirador, erótico e profundamente poético, o texto atinge dimensões extasiantes ao oferecer uma visão caleidoscópica de magia, sexualidade, espiritualidade, ritual e do corpo no tempo do apocalipse.

A FADA DO DENTE
Dente é uma palavra que, entre outras coisas, é tradução para o português da letra hebraica שׂ (Shin). Nos tarôs tradicionais, essa letra é relacionada ao Arcano do Louco, mas no Tarô de Thoth é ligada ao arcano do Aeon, uma das mais belas lâminas pintadas por Lady Frieda Harris e um dos maiores rompimentos deste para com as cartas de tarô criadas anteriormente. E aqui temos uma chave interessante, porque o Louco e o Aeon seriam uma forma apropriada para o tarô descrever o livro que você está prestes a ler.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/%C3%BAltimo-dia-para-apoiar-o-financiamento-coletivo-da-hist%C3%B3ria-da-magia-ocidental

KalaKakra: magia sexual em grupo

Excerto de Magia Moderna de Donald Michael Kraig

Tradução: Yohan Flaminio

Você pode ter ouvido falar do KalaKakra e seu ritual de magia sexual em grupo. Se você e alguns amigos têm praticado o material destas lições e desejam experimentar o ritual que apresentarei a seguir, você pode adotar a atitude dos tântricos. É muito improvável que todos vocês pareçam ter saído das páginas da Playboy ou da GQ. Você deve ser capaz de ver a beleza, a Divindade, a “semelhança de Deus ou Deusa” dentro de todos nós. Devido à sociedade e ao impacto do cinema e da televisão, é duvidoso que um grupo de dez homens e mulheres pudesse fazer isso. Portanto, sugiro começar com este exercício preliminar.

Este exercício deve ser feito com um mínimo de três homens e três mulheres. Cinco ou mais de cada sexo seriam preferíveis. Em uma grande sala, deixe estar uma das mulheres e todos os homens. Deve haver uma cadeira confortável no centro, onde se senta a mulher. Os homens sentam-se em almofadas em círculo ao redor da mulher. Todos deveriam estar nus. As outras mulheres devem sentar-se fora do círculo no escuro e podem ou não estar vestidas.

Por predeterminação, deixe uma pessoa fazer o RMBP e outra fazer o RBH. Rituais semelhantes, embora de sabor hindu, eram praticados pelos antigos tântricos. Agora, um de cada vez, deixe cada homem adorar a mulher no centro do círculo. Pois ela, como todas as mulheres, é a personificação do aspecto feminino do Divino. Cada um pode adorá-la à sua maneira. Você pode dançar ou cantar em sua homenagem. Você pode lavar suas mãos e pés ou acariciá-la. E sim, isso implica tocar ou beijar os seios e genitais. No entanto, deve ser tratado na forma de adoração e reverência, não mero sexo. Outras formas de adoração incluem cantar seu nome repetidamente, dar-lhe presentes, dar-lhe comida, esfregá-la com óleos perfumados, etc. Se ela ficar sexualmente excitada, isso deve ser visto como um sinal de favor da deusa que ela é. Feche com o RMBP.

Agora, sem dizer nada, repita todo o exercício com um dos homens no centro e todas as mulheres, agora nuas, na roda. Ele deve ser adorado como o aspecto masculino do Divino. O resto dos homens pode esperar na escuridão fora do círculo, como as mulheres faziam antes. O homem não deve ser o namorado, amante regular, companheiro ou marido da mulher que estava anteriormente no meio do círculo.

Assim que terminar, deixe que todos se vistam e, em seguida, reúnam-se em um círculo e discutam seus sentimentos. Atenção

 

especial deve ser dada aos sentimentos, expressões e ações das pessoas que estavam na cadeira, representando os papéis da deusa e do deus, e seus parceiros românticos regulares (se houver). Existe ciúme ou raiva? Essas emoções estão escondidas logo abaixo da superfície? Se for assim, essas pessoas devem trabalhar seus sentimentos ou aceitar que atualmente não foram feitas para este tipo de trabalho mágico. Na semana seguinte, esse exercício ritual deve ser repetido com um homem e uma mulher diferentes. Eventualmente, isso deve ser feito com cada uma das mulheres e homens do grupo.

Os antigos tântricos não tinham nada exatamente como isso, mas tiveram anos de treinamento sob o olhar atento do professor e mestre tântrico. Somente quando o professor decidiu que um aluno estava pronto para participar do ritual KalaKakra esse aluno teria permissão para participar. Como você provavelmente não tem um mestre de Tantra por perto, o exercício acima ajudará a eliminar aqueles que não estão emocionalmente preparados para o trabalho em grupo. Isso não os torna maus ou imaturos. Significa meramente que neste momento eles não estão psicologicamente e / ou emocionalmente prontos para realizar este tipo de trabalho mágico. Se um membro de um casal não estiver pronto para participar, ambos devem ser excluídos.

Vamos supor que você tenha cinco homens e cinco ou mais mulheres prontas para fazer o ritual KalaKakra. Pode haver mais mulheres, visto que são vistas como iniciadoras e instrutoras e podem ajudar os casais no ritual. Tenha um quarto sem móveis, mas cheio de travesseiros e mantas. Se for inverno, certifique-se de que a sala tenha bastante calor. Que haja incenso, luz de velas e flores, comida, vinho e água fria. Que haja também brinquedos eróticos, como óleos perfumados, penas e coisas peludas e macias. Deixe todos os alimentos em pedaços pequenos. Deixe a música suave encher o ar.

Que haja dois outros quartos, um vestiário para as mulheres e outro para os homens. Deixe cada um mudar para roupas especiais. Para os homens, camisas camponesas largas e grandes e calças com elástico gastas ou com cordão são excelentes. Anéis e colares são apropriados, assim como pequenos sinos nas roupas e nas joias. O mesmo é verdade

 

para as mulheres. Roupas transparentes também são apropriadas. Homens e mulheres podem aplicar maquiagem e até pinturas corporais exóticas para exagerar sua sexualidade. Um exemplo disso pode ser adicionar um pouco de cor vermelha às aréolas ao redor dos mamilos. Hoje, muitos homens e mulheres fazem a barba ou aparam os pelos púbicos e talvez você queira fazê-lo. Use também pequenas gotas de diferentes óleos perfumados em vários pontos do corpo, de modo que um nariz viajante possa encontrar diferentes aromas onde quer que vagueie. Todas as mulheres devem usar sapatos macios que sejam facilmente identificáveis entre si.

Deixe os homens entrarem primeiro na sala principal e fazerem o RMBP e o RBH. Depois de fazer isso, um homem deve pegar a faca usada para o RMBP e tocar sua ponta no chão à direita da porta pela qual as mulheres entrarão. Ele deve então elevar a lâmina o mais alto que puder alcançar e movê-la por cima da porta e descer até o chão à esquerda da porta. Ele, portanto, “abriu uma porta” no círculo mágico para permitir a entrada das mulheres. Uma batida na porta será um sinal para que o façam e, uma vez que entrem no círculo, as ações do homem com a faca devem ser revertidas para que o círculo seja fechado.

Os homens devem sentar-se perto da borda do círculo. As mulheres devem caminhar ou dançar no sentido horário ao redor do círculo. Eles podem rir, falar ou cantar – o que quiserem. Os homens não podem usar as mãos de forma alguma. As mulheres podem alimentar os homens, beijá-los, dar-lhes vinho ou água para beber, mas os homens não podem usar as mãos. Isso geralmente leva a muitas risadas e frivolidade, um presente agradável dos deuses do Tantra. As mulheres não devem ficar muito tempo com nenhum homem.

Isso pode durar o tempo que você quiser, embora quanto menor o número de participantes, mais curto será. Normalmente, há um mínimo de meia hora. Em seguida, as mulheres devem tirar um dos sapatos e colocá-lo no centro da área. Outros artigos também podem ser usados, como brincos, sutiãs, etc. Desde que a mulher possa identificá-lo como seu e que todas as mulheres ponham o mesmo tipo de objeto: ou seja, não se deve colocar calçado se todos os outros vão colocar brincos. Ao

 

fazer isso, as mulheres devem formar um pequeno círculo em torno de sua coleção de itens para que os homens tenham dificuldade em identificar quais mulheres colocam o quê. Em seguida, todos os itens devem ser misturados. Ao terminar, as mulheres devem encontrar lugares para se sentar na borda do círculo enquanto os homens se levantam.

Agora que as mulheres se divertiram, é a vez dos homens. Eles também circulam pela roda alimentando as mulheres e dando-lhes vinho ou água para beber. Quando isso termina, os homens vão para o centro do círculo e olham para fora enquanto dão as mãos. Uma mulher bate palmas enquanto os homens andam em círculo no sentido horário em torno dos itens deixados pelas mulheres (mais sobre a mulher que bate palmas, mais tarde). Quando as palmas param, cada homem chega atrás de si e, sem olhar, pega um item da coleção. Então, mais uma vez, os homens percorrem o círculo tentando determinar de quem são os itens. As mulheres podem, de brincadeira, tentar esconder o fato de que um item pertence a elas, e os homens podem tentar descobrir de forma divertida se um item pertence a uma determinada mulher. Isso pode ser especialmente divertido se o item for um sutiã ou calcinha de mulher. Mas não deve haver força ou violência. Finalmente, quando o homem descobrir a quem pertence o item, ele deve se sentar à direita dela.

Assim se formam os casais. Eles devem agora, como pares, alimentar um ao outro, conversar, brincar e rir e, eventualmente, beijar- se com ternura e amor, embora não muito apaixonadamente. Depois de algum tempo nisso, o homem finalmente diz a sua parceira,

Deusa, você é minha esta noite.

Tu és minha esposa até amanhecer.

Ao que ela responde,

Deus, tu és meu, esta noite.

Tu és meu marido até amanhecer.

 

Agora, os beijos e carícias e o uso de brinquedos eróticos podem aumentar e as roupas podem gradualmente se soltar. A partir daqui, há três alternativas:

  1. Quando a relação sexual começa, o casal deve assumir uma postura confortável e não forçar. Eles devem sincronizar sua respiração até que tenham a experiência do MahaTantra e atinjam o
  2. Percebendo que as divindades do Tantra apreciam as energias do amor, o casal pode ter relações sexuais ativas prolongadas (com muitas investidas) em homenagem aos
  3. Quando terminar, cada casal pode dormir ou descansar juntos e pode repetir a opção 1 ou 2 até que esteja claro lá Ao amanhecer, o RMBP e o RBH devem ser repetidos e todos devem retornar aos vestiários, se vestir e voltar para suas casas.
Notas sobre este ritual
  1. Deve começar à meia-noite e terminar ao
  2. A menos que você escolha seu parceiro regular para o ritual KalaKakra, você não deve procurar seu marido / esposa por uma noite para encontros sexuais futuros, a menos que ambos estejam
  3. Tradicionalmente, pode haver mulheres extras no círculo. Elas podem orientar as coisas (uma delas pode ser a mulher que bate palmas para marcar o tempo dos homens) e também ajudar os casais trazendo comida, bebida e brinquedos eróticos. Elas também podem acariciar e beijar os casais enquanto eles mantêm relações sexuais. No entanto, elas não mantêm relações sexuais com os casais, nem os casais devem procurar acariciar ou beijar essas No início do ritual elas são tratadas como as outras mulheres enquanto os homens circulam pela roda, alimentando as mulheres e brincando com elas.
  4. O método de escolha de parceiros fornecido aqui é tradicional. Outra maneira é fazer com que as mulheres formem um círculo

 

permanente dentro de um círculo formado pelos homens. Então, uma mulher bate palmas, enquanto os círculos se movem em direções opostas – as mulheres se movem no sentido horário e os homens no sentido anti-horário, ou vice-versa. Quando as palmas param, cada pessoa se torna um casal com o membro do sexo oposto mais próximo dela.

  1. Na Índia, era ilegal fazer sexo com outra pessoa que não fosse seu cônjuge. Para contornar isso e ainda ter uma escolha aleatória e livre de parceiros, eles se declarariam casados por uma
  2. Embora isso seja baseado em um antigo ritual tântrico, nem todos os tântricos o Da mesma forma, a maioria dos protestantes não adora da mesma forma que os católicos. Portanto, se alguém lhe disser que é tântrico e não pratica esse tipo de ritual, pode ser verdade. Mas descubra a tradição tântrica a que pertencem e quem os iniciou no tantra. Provavelmente, eles falam com pouco conhecimento.

Este é um ritual muito perigoso! Muitos bons relacionamentos terminaram por causa disso. Ou, mais apropriadamente, muitos relacionamentos que pareciam bons terminaram após esse ritual porque o relacionamento não era realmente estável, nem seguro, nem pronto para lidar com a liberdade do KalaKakra. Devido a este possível perigo, se você ou qualquer leitor tentar este ritual, nem o autor, editor ou distribuidores deste curso serão responsáveis pelo resultado.

Se você tiver alguma dúvida depois de tentar o exercício preliminar, não faça este ritual! O ritual do KalaKakra foi incluído principalmente para fins de completude e para pessoas que são capazes de lidar com tanta liberdade.

Mas assim como aqueles de vocês que praticaram magia cerimonial em um grupo, sem dúvida descobriram que um número maior de pessoas aumenta o poder do ritual, então, também, aqueles que praticam esta versão do ritual KalaKakra encontrarão a proximidade de outros fazendo sexo, a magia aumentará suas próprias habilidades e sucesso.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/kalakakra-magia-sexual-em-grupo/