A Diferença entre Magia e Magia Negra

Por Adi.

Muitos acreditam que praticar magia está relacionado a criar efeitos mágicos como fazer chover, enriquecer, parar uma tempestade, ou seja, controlar os elementos da natureza, obter poder e controle até mesmo sobre outras pessoas, entre outras proezas. Por isso os ingênuos e iludidos e também os mal intencionados participam dos muitos grupos de magia espalhados pela net com o único intuito de tais proezas.

Depois da febre que o livro “O Segredo” causou por ter disseminado que tudo é possível de se criar nesse nosso universo material, e de que querer é poder, partindo do pressuposto de que se seguir determinadas fórmulas e práticas mágicas que eram de conhecimento dos bem sucedidos, sábios e ricos homens do passado, práticas essas que pertenciam à determinadas ordens herméticas e secretas, é indiscutível que muito do interesse na prática da magia atualmente, esteja voltado pra esses interesses materiais citados acima.

Uma das primeiras coisas que se ensina na prática da magia é como criar uma forma pensamento bem definida, associada com a vontade e com o sentimento, porque o quanto mais ela for definida muito maior a probabilidade dela se materializar. E nunca antes as pessoas gastaram tantos neurônios e tempo visualizando a “ferrari” na garagem e uma casa dos sonhos.

E só pra ficar claro, eu não estou dizendo que sonhar com essas coisas seja errado, ou que pensar em ganhar dinheiro e ficar rico seja errado também. Não é esse o sentido do post, mas é sobre a utilização da magia com esse intuito.

Ainda assim, já que a fórmula do “segredo” não é mais assim, digamos, o “segredo”, se hoje magia está disponível pra todos, porque ainda as dificuldades financeiras continuam as mesmas e também não se obteve poder mágico ?

É muito interessante que as pessoas falam que não existe magia negra, que existe “a magia”, e que pode ser usada pra tudo na vida, sem entender de fato o que é magia, sem compreensão nem do básico do principal fundamento da “magia” que é a imaginação e de como ela realmente funciona e porque funciona.

Notamos como determinados conhecimentos foram distorcidos ao ponto de se adequarem as intenções pessoais de cada um, e o fundamento principal se perdeu há muito, muito tempo. Os novos estudantes começam a praticar magia e acham que já vão direto às evocações da goetia, pensam que já vão direto aos poderes dos elementos, e sequer tem capacidade de realizar o ritual do pilar do meio, nem sequer fazem invocação ao Deus interior como suporte e proteção. E ainda se gabam de que “magia funciona mesmo sem o fundamento espiritual”. Balela.

Essas pessoas, iludidas, estão praticando magia negra sim, sem se darem conta do porque há essa diferença, ou onde está essa diferença. Em seus anseios pela busca de sucesso, poder, controle e dinheiro, não se importam de onde vem ou de onde são retirados as energias criadoras que irão concretizar ou materializar o “sonho”. E para não assumirem responsabilidades, alegam que magia é magia e que não existe magia negra ou magia branca.

Existe diferença sim, e eis o porque dessa diferença, que considero muito importante ser do conhecimento, caso o estudante sério não queira assimilar mais karma ou se envolver ainda mais nas teias da ilusão.

O fundamento principal da magia, é a Divina Imaginação que brota/emergi da “FONTE” infinita da VIDA. Ela é água da vida, o Si-mesmo, o Deus interior e está disponível pra todos, é também a própria vida manifesta e tudo o que existe. Mas essa fonte de poder só atua na vida de cada indivíduo de forma inconsciente e, muito, muito limitada e distorcida. Na maioria dos indivíduos os principais chacras e os canais, ou nadis espalhados pelo corpo estão praticamente fechados, se encontram bloqueados por formas pensamento distorcidas e limitadas, adquiridas de vidas passadas e germinando de acordo com nossa cultura, família, etc. Nem preciso dizer que se trata do tão mal afamado “ego”. Lógico que ele se “mantém” e sobrevive da “estrangulação e limitação” do fluir incessante da “Fonte”, pois este fluir destruiria o ego. Claro que também já sabemos que até um certo ponto do desenvolvimento isso se faz totalmente necessário para o fortalecimento da consciência.

O problema com relação à pratica da magia ocorre quando, ao invés do indivíduo se utilizar da magia pra desfazer esses bloqueios, que são as formas pensamentos limitantes, se utiliza da magia pra adquirir poderes que reforçam ainda mais os laços do ego. Nem preciso dizer que magia pra satisfazer os desejos do ego é magia negra sim.

O ego pensa que pode controlar a força divina através da magia e utilizá-la ao seu bel prazer, e o grande engano dos estudantes é confundir a Verdadeira Vontade descrita por Crowley, com a pequena vontade e desejo do ego.

O que se adquire baseado na pequena “vontade do ego” ou do “eu”, se cria/adquire à partir de um poder que o ego não tem. Se cria à partir da energia que já está manifestada e materializada na vida, se cria à partir das energias astrais da esfera de maya, dos planos das personalidades humanas, daquilo que já está manifesto, e nesse sentido é “usurpar” poderes já existentes, porque de um modo geral, quando o indivíduo cria uma forma pensamento, mas ainda este não tem um canal de comunicação aberto com a energias primordiais, ou o Si-mesmo, estas formas pensamento desconectadas da FONTE, carecem da energia primordial infinita, e usurpam seu poder do que já está manifestado e criado.

E esse é o motivo e unica razão de se criar cascas à partir de cascas, de “usurpar” poderes já estabelecidos, e se chama “usurpar” sim, porque se faz em nome de algo (ego/eu) que não tem poder por si próprio. É criar a partir do que já está criado, é destampar um buraco pra tampar outro. E nesse sentido é magia negra, se emaranhar muito mais na ilusão sem buscar o essencial, é lutar contra a natureza, é um preço muito alto a pagar, usar de força e lutar contra os princípios, é sem moral. É a mesma ação dos governos, das grandes corporações e de todo o sistema de aprisionamento, no sentido que o poder que eles têm é usurpado do povo, e de tudo o que existe. Aqueles que não tem energia ou poder próprios sugam a energia e o poder dos outros.

Por isso, o melhor sempre mesmo é usar do tempo que temos disponível e de nossas energias pra praticar a magia com a unica intenção do nosso aprimoramento pessoal, do auto conhecimento e da busca da condição espiritual. A transformação pessoal do chumbo em ouro divino é a maior magia que pode existir e também o seu real propósito.

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-diferen%C3%A7a-entre-magia-e-magia-negra

Ejaculação e controle do orgasmo

Para conseguir fazer todas as posturas do tantra, é preciso desenvolver a flexibilidade. As figuras requerem força e elasticidade, especialmente na parte inferior do corpo, a raiz que nos conecta à terra. Por isso, exercitar-se é essencial: isto intensifica a descarga de energia orgásmica pelo corpo inteiro.

Mas mesmo que para o homem pareça uma condição fundamental, não é necessário que seu pênis esteja sempre ereto nas brincadeiras sexuais nem durante a relação sexual. Uma ereção que perca a força não deve implicar na interrupção da atividade: ao contrário, deveria estimular a volta com mais intensidade.

Para o homem, existe uma técnica chamada Mula Bandha, que possibilita segurar a ejaculação. Antes do contato genital, ele deverá agachar a cabeça e centralizar a atenção na área pélvica. Inspirando profundamente, deve contrair o músculo que rodeia o ânus e fazer três séries de dez contrações. Antes de sair, o sêmen passa pelo períneo, que fica entre o escroto e o ânus. A vontade de ejacular também é contida relaxando os músculos das nádegas e respirando harmoniosa e conscientemente. Esta é uma técnica que faz parte da proposta tântrica de que o homem deve aprender a controlar sua ejaculação.Realizando esta técnica, consegue-se bloquear o períneo e aumentar o prazer.

Não só os homens devem aprender a controlar seu orgasmo para aumentar o prazer de ambos. A mulher também deve aprender a fazê-lo, principalmente se sente que quando está chegando, nada o segura…Diminua o ritmo, distraia a mente e respire profundamente. Uma técnica tântrica recomenda, neste momento, apertar a língua contra o céu da boca enquanto esvazia a mente de tudo.

Para atrasar o orgasmo ou prolongar a relação, existe uma técnica tântrica que, pelo papel dominante do homem, traz ótimos resultados. Durante a penetração e, na clássica posição de “papai-e-mamãe”, faça o seu parceiro conter o movimento quando ainda não tenham chegado ao auge da excitação. Retire o pênis deixando apenas a glande na vagina e respirem profundamente levando o ar ao abdômen. Os músculos genitais de ambos relaxarão e poderão voltar a encarar o movimento sem a necessidade de acabar imediatamente.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/ejaculacao-e-controle-do-orgasmo/

A Thelema e a FRA

Por Irmão Raphael

No início do século XX, a Lei da Thelema, sistema de filosofia e magia desenvolvido por Aleister Crowley (1875-1947) – To Mega Therion – teve grande influência filosófica na cultura esotérica, na cultura pop e também foi precursora do pensamento pós-moderno. No meio esotérico, a Lei da Thelema também influenciou outras ordens que não estavam ligadas diretamente a Crowley, ordens ligadas pelo fenômeno da O.T.O. (Ordo Templi Orientis), como a FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) do Dr. Krumm-Heller (1876-1949) – Mestre Huiracocha – foco do nosso estudo. Muitos argumentam que os ensinamentos do Dr. Krumm-Heller eram antagônicos com do Aleister Crowley, e que não possuíam nenhuma ligação esotérica, principalmente na questão da magia sexual. Mestre Huiracocha revela em seu livro, Logos Mantram Magia, ele afirma: “declaro que, para mim, a vocalização, o uso dos mantras e a oração, mediante o despertar das secreções sexuais, é o único caminho de chegar a meta, e o resto é, infelizmente, uma perda de tempo”.

Diante disso, Peter Koenig, classifica o ensinamento do Dr. Krumm-Heller como Gnosticismo Homeopático, já que há uma ideia de retenção inclusa; e classifica de Gnosticismo Libertino do Crowley, na qual não há nenhuma restrição quanto ao sexo.

Aparentemente, essas duas ordens não parecem ter muitos pontos em comum. No entanto, Crowley recomenda o estudo da Fórmula da Rosa-Cruz. O que leva muitos a considerar uma alegoria somente à magia sexual. Como ele mesmo escreve: “não precisamos nos sentir surpresos se a Unidade do Sujeito com o Objeto na Consciência é Samadhi, que é a unificação da Noiva e do Carneiro é o Céu (…), a união do Lingam e da Yoni, a da Cruz com a Rosa”. No entanto, James Eshelman escreve, que isso, na verdade, seria o trabalho mágico da união dos opostos em sua Natureza, que muitos místicos cristãos descrevem como no aniquilamento de si mesmo no Amado.

O Dr. Krumm-Heller foi membro da O.T.O., apesar de que recebeu seu grau, em 1908, de Theodor Reuss, antes da reformulação da ordem por Crowley. Mas após 1930, o Dr. Krumm-Heller e Crowley se encontram pessoalmente em Berlim onde Huiracocha foi presenteado com uma edição de Liber Aleph assinada pelo inglês, e trocaram uma extensa correspondência. O Mestre Huiracocha não foi discípulo do Mestre Therion, na verdade, Crowley em uma correspondência, considera o Dr. Krumm-Heller um maçom igual a ele, na qual tinha muito a ver com a realização da “Grande Obra”, e a divulgação da Lei da Thelema. E o Dr. Krumm-Heller escreve:

“Meus mestres foram Eliphas Levi e Papus, e graças a eles eu poderia decifrar os segredos da Magia. Dr. Hartman tem nos ensinado na Alemanha, a parte esotérica da Bíblia e da Igreja Cristã. Outro mestre que teve maior influência sobre mim foi o Mestre Therion, ele me deu a sua obra “Liber Aleph Vel CXI (O Livro da Sabedoria ou da Tolice)”.

E após esse encontro, o Dr. Krumm-Heller aceitou a Lei da Thelema, sendo que nos rituais de congregação da FRA é dito: “A nossa divisa é Thelema”. Apesar das muitas influências, o Dr. Krumm-Heller diz também em seu Logos Matram e Magia ter alçado aos últimos graus da Astrum Argentum (ordem esotérica desenvolvida por Aleister Crowley e George Cecil Jones), mas não ha documentação a respeito e nem há algum estudo aprofundado da doutrina thelêmica no currículo da FRA.

Diante disso, surge uma questão, como a Lei da Thelema se adequou ao ensinamento das ordens, como a FRA – uma ordem de tradição gnóstica rosacruciana.

THELEMA E O CRISTO

Para os seguidores de Crowley, a Lei da Thelema possui o objetivo de descobrir sua Verdadeira Vontade, através da Conversação com o Sagrado Anjo Guardião e, após isso, dedicar sua vida inteira ao seu cumprimento. A necessidade do cumprimento da Vontade se demonstra através daquele que é considerado o único mandamento em Thelema: “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. O amor é a lei, amor sob vontade”. A Lei da Thelema prega uma ética individual, na qual nenhuma regra externa pode interferir, ou seja, o cultivo e satisfação plena das próprias vontades. Mas qual é a visão do Dr. Krumm-Heller acerca da Lei da Thelema.

Para entender essa visão, peguemos o artigo do Dr. Krumm-Heller: CHRISTO-ABRAXAS-BAPHOMET- THELEMA, na qual é dito que há quatro forças – Cristo, Abraxas, Bafomet e Thelema – são uma só coisa: LUZ. Para o Dr. Krumm-Heller, o cristianismo adotou a ideia gnóstica de que o Cristo simboliza o Sol, conforme a Cristologia Gnóstica. E a Luz Solar atua de diversos modos. Ela é o Cristo, aspecto derivado do Pai, como parte do Sol Central. Para os gnósticos seria Abraxas. Outro aspecto desta Luz seria Baphomet, um aspecto mais grosseiro, porque é a força astral. E por fim, outro aspecto desta Luz é Thelema que significa a Vontade atuante na Luz.

Todas essas diferentes variações da Luz são denominadas pelos Gnósticos como Força Cristônica.

“(…) Outro aspecto desta força é Thelema que significa a vontade atuante na Luz. O discípulo não deve esquecer que todos esses nomes e símbolos representam forças e nos Mistérios usavam-se símbolos para objetivar essas forças. (…) Assim, pois a força de Abraxas manifesta-se de modo distinto da força de Baphomet; porém, todas derivadas da força espiritual da Luz, que os Gnósticos chamam FORÇA CRISTÔNICA. O discípulo precisa aprender o manejo de todas essas forças”.

CRISTOLOGIA GNÓSTICA

A Cristologia Gnóstica diz que o Sol visível é o mediador do Sol Central. E o Crestos Cósmico é o meio astral que liga o homem ao Pai Solar. A força de Cristo pode manifesta-se de diferentes modos, seja como Baphomet, Abraxas ou Thelema, porém, todas derivadas da força espiritual da Luz do Sol Central. Podemos inferir, assim, que Thelema é Cristo. Ou que a Vontade do Crestos é Thelema.

Como símbolo, Cristo se liga aos deuses solares, Mitra, Abraxas e Dionísio. Mas também é um fato histórico, na pessoa de Jesus. O corpo de Jesus de Nazaré foi utilizado para que a entidade divina do Cristo, no momento do batismo, pudesse tomar a forma que lhe era necessária para, daí em diante, estar em comunhão com as almas humanas. Os acontecimentos na Palestina foram necessários para o nascimento da vida terrena do Cristo que aconteceu a partir do Mistério do Gólgota, esse acontecimento é denominado por Rudolf Steiner (1861-1925) de “Impulso do Cristo”.

Para os Gnósticos há uma diferença sensível entre os as personalidades de Buda, Zoroastro, Confúcio, Maomé e a divindade do Cristo. Os primeiros foram certamente grandes filósofos e grandes Iniciados a quem lhes foi dada a incumbência de pregar e instalar uma região em sua época. No entanto, Cristo tem uma personalidade diferente.

Ele é Deus, é o Logos Solar ou a Essência Solar, a força do Espírito que está fundida no Sol.

O Dr. Krumm-Heller diz que a Força Cristônica de Jesus, se propagou pelo mundo (Impulso do Cristo) e transformou seu ambiente, perpetuando-se até nossos dias. Para vida terrestre, o Sol possui grande importância para nosso planeta, por sua vez, o Sol físico depende de outro Sol espiritual. O Sol espiritual é algo prático e real, como também é o Logos. Cristo é a Luz do Sol física e espiritual.

O Dr. Krumm-Heller reúne na figura do Cristo uma força de consciência e uma substância material. Isso pode parecer estranho, mas nas próprias palavras do Dr. Krumm-Heller, a realidade é formada pelo trio de matéria, energia (força) e consciência. Deste modo, o Crestos Cósmico é uma substância, uma força, uma consciência atuante. Os gnósticos aprendem a manejar Crestos e sua força mediadora.

CRISTO EM CONSCIÊNCIA

Seguindo a linha de pensamento, na qual o Dr. Krumm-Heller entendia Cristo e Thelema como forças impessoais, inferimos, então que a Força Consciencial Cristônica também é impessoal. Podemos entender melhor esse conceito Vontade Universal estudando a obra “Uma Aventura entre os Rosacruzes”, de Franz Hartmann. A Vontade apresentada por Hartmann não é a Vontade individual, apesar de atuar no individuo, é um princípio universal, análogo a Divina Providência. Desta forma, podemos entender a Vontade como uma Força Impessoal, como é invocada na Missa

Gnóstica do Mestre Huiracocha: “Vem, Santo Querer, Divina Energia Volitiva. Transforma a minha vontade fazendo-a una com a Tua”. Assim, para o Dr. Krumm-Heller, Thelema é a Vontade Divina Universal, na qual atua sobre toda existência. Como escrito por ele mesmo, Thelema é a Vontade atuante na Luz. E a Luz é o Cristo. A Vontade provém do Crestos Cósmico, a fonte universal que todos podem beber. A diferença entre Crowley e o Dr. Krumm-Heller é a origem dessa Vontade.

Para Crowley, a Thelema brota no próprio homem, mas em sua particular “alma imortal”: “Todo homem e toda mulher é uma estrela” (AL I:3). Frater Achad escreveu o ensaio Passando do Velho ao Novo Aeon, no qual explica que a partir do momento em que o homem passar a se identificar com o Sol, ele passará a ser um Deus, pois será a fonte de luz:

“Você sabe o quão profundamente nós sempre ficamos impressionados com as ideias de Sol nascente e Sol poente, e como os nossos antigos irmãos, vendo o Sol desaparecer à noite e nascendo novamente na manhã seguinte, basearam as suas ideias religiosas neste conceito de um Deus Moribundo e Ressuscitado. Essa á a ideia central da religião do Velho Æon (…). O Sol não morre, como acreditavam os antigos, ele está sempre brilhando, sempre irradiando Luz e Vida. Pare por um momento e tenha uma clara concepção deste Sol, como Ele está brilhando já cedo pela manhã, brilhando ao meio-dia, brilhando à tarde e brilhando à noite. Você percebeu esta ideia claramente em sua mente? Você acabou de sair do Velho Æon e entrar no Novo. Agora consideremos o que aconteceu. O que você fez para obter essa imagem mental do Sol sempre brilhante? Você se identificou com o Sol. Você saiu da consciência deste planeta; e por um momento você teve que se considerar um Ser Solar”.

No novo Aeon de Hórus, a era thelêmica, da criança conquistadora, todo homem e toda mulher passam a serem deuses, co-criadores do Universo. E a Fraternitas Rosicruciana Antiqua é uma mediadora entre o antigo e o novo Aeon.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-thelema-e-a-fra

Amigos de Hekate

Tonye Newton enquanto escrevia seu livro – A Demonic Connection – conseguiu o que parecia impossível; arrancar algumas declarações de ex-líderes do movimento Friends of Hekate, (Amigos de Hekate, em português ) e o que estes pensam dos novos agregados da Hekate século XXI como está sendo chamada, ou The Mauve Zone como eles mesmos preferem

Friends of Hekate (FOH) operaram por toda a Inglaterra entre os anos de 1960 e 1980. Considerado extinto por muitos, o grupo continua a operar sob nomes diferentes, como The Mauve Zone e Hekate Disciples em locais como o Norte da Europa, México e até mesmo em recantos escondidos da América do Sul como Colômbia e Brasil, mas neste lugares, o pecado dos Hekates está mais associado com o tráfico de drogas e movimentos pretensamente sociais do que com o ocultismo em si.

Logo que surgiu, em Aston, na cidade britânica de Birmingham, o grupo sempre têm sido associado a uma série de desaparecimentos e mortes que ocorreram em Sussex, também na Inglaterra durante os anos de 1970 e 80. No total, as mortes de cinco pessoas foram conectadas as oferendas ritualísticas oferecidas por eles em rituais de magia negra: um policial, um vigário, um aposentado e duas mulheres desapareceram sob circunstâncias misteriosas durante esse espaço de tempo.

Os desaparecimentos ocorreram sempre nas datas de 31 de outubro – o fato estranho era que os corpos das vítimas eram encontrados em locais onde havia estrita vigilância policial, como se tratasse de uma provocação à Scotland Yard, responsável por monitorar o caso.

O vigário usado no ritual era reitor de duas vilas em Sussex; onde uma série de demonolátras costumavam se reunir para praticar rituais no final dos anos 60. Tonye Newton, examina rigorosamente as atividades dos Amigos de Hekate e faz uma ligação estreita da espécie de satanismo praticado por eles e uma conspiração internacional Satânica, cujas idéias estavam claramente embebidas de Marxismo, Stalinismo e idéias comunistas que vingavam facilmente numa Inglaterra que vivia uma cruel recessão e altos índices de desemprego e violência ao final dos anos 60 até meados da década de 80.

Curiosamente, foi nessa época que os Hekate perderam força nas terras da rainha, para só retomarem suas atividades no século XXI. Outros indícios e acusações de sacrifício humano praticados pelos Hekate, vem de uma carta dirigida a Tonye, então redator da Revista Unexplained.  Nesta carta, o escritor anônimo praticamente confirma que o Reverendo foi ritualmente sacrificado pela Friends of Hekate:

“Há alguns anos atrás um amigo meu se juntou a eles (…) são chamados de amigos de Hekate, se reúnem em vários lugares: bosques, matas, celeiros e até mesmo na igreja e fazem rituais que envolvem sacrifícios humanos ou animais em honra a Orion e ao arqueiro. (sic)”

O escritor anônimo prolonga-se para dizer que o seu amigo:

“… Ficou muito assustado quando a polícia efetuou as primeiras buscas para encontrar o vigário (Rev. Harry Neil Snelling) e quando eu disse que ia ajudar nas buscas ele disse ele não precisava mais, já tinham encontrado-o.”

Embora todos os indícios apontem para os típicos sacrifícios ritualizados pela FOH, pouco se conhecia de seus ritos embora acreditava-se centrar especificamente sobre o culto da antiga deusa grega Hekate.

Se as informações relativas a respeito dos Amigos de Hekate envolvendo sacrifícios humanos e animais sejam tão escassos e hipotéticos, eles jamais foram desacreditados quando sua área de influência se expandiu para além da terra da rainha.

Amigos de Hekate no México

Depois da grande caçada protagonizada pela Scotland Yard contra os líderes da FoH, sabe-se que eles migraram para o Canadá, então movendo-se para os E.U.A até atingirem o norte do México onde se estabeleceram, e lá criaram a primeira cidade verdadeiramente satânica ( nos termos deles ) do Ocidente.

Em Ciudad Juárez, norte do México que faz fronteira com o Texas, mais de 300 mulheres foram assassinadas com um mesmo ritual macabro: seqüestro, tortura, sevícias sexuais, mutilações e estrangulamento. Rituais satânicos? Orgias perversas de narcotraficantes? De sacrifícios humanos ? Uma rápida olhada na história dos amigos de Hekate pode nos dar todas as respostas que procuramos.

Estado de Chihuahua, fronteira com os Estados Unidos. Sua população de 1,3 milhão de habitantes é refém de assassinos sem rosto. Desde 1993, (logo após o desbaratamento da FoH na Inglaterra ) mais de 300 mulheres foram seqüestradas, violentadas e assassinadas.

A maioria não pôde ser identificada: todas foram vítimas de violências sexuais, e, sem exceção, foram todas estranguladas e supostamente usadas em rituais de magia negra levados a cabo pela Amigos de Hekate.

O modus operandi dos assassinos é idêntico ao dos matadores em série. Os assassinatos repetem-se, assemelham-se, as sevícias são as mesmas, e atingem não só mulheres adultas, mas também adolescentes e até meninas de apenas 10 ou 12 anos.

Por que razão os cadáveres são desfigurados e mutilados? Por que razão uma tal brutalidade contra as vítimas, um tal sadismo bárbaro? Será que se trata de rituais satânicos? De orgias perversas de narcotraficantes?

Diversos depoimentos indicam que os assassinos teriam sido protegidos, num primeiro momento, pelos policiais de Chihuahua. Depois, teriam se beneficiado do apoio dos meios do poder ligados ao tráfico de drogas.

Como é sabido, membros da Hekate são ligados ao tráfico de drogas há muito tempo, especialmente em países como Bélgica e Holanda, além de manterem estreitas relações com membros das Farc Colombianas.

Mas conheça um pouco mais sobre eles em suas próprias palavras:

“Bem-vindo ao Amigos de Hekate: Prestem atenção e aprenda. O FoH é a única grande ordem magicka satanista em Birmingham, Inglaterra. Nós somos o OCULTO aqui!

Formados, ou re-formados, em meados dos anos 90; o FoH começou como um núcleo de adesão de não mais de cinco pessoas iniciadas nas artes satânicas, representando um número que cada grupo afiliado não pode ser ultrapassar em membros. Gostaríamos muito de lhes oferecer nossos rituais praticados em Wichbury Hill, os pseudo-satanistas ainda estão tentando ser tão bons como nós somos em magia negra.

O nosso “magcikprop”, o ato de executar rituais aos olhos de quem quiser é uma lenda entre os que recordam de nossos gloriosos dias. Lúcifer em carne, osso e sangue no museu de Birmingham, poucos vão esquecer!

Mas agora o FoH está de volta, mais fortes do que antes, temos enclaves em Manchester e Londres. Estamos crescendo. Isso sem contar nossos poderosos contatos no exterior. Eles nos deixam orgulhosos.

Conheçam a Colheita Maldita – um momento em que o mundo será mudado por quem tiver a vontade Magicka de fazer essa mudança. O FoH têm a Magicka e a Vontade.

Bem-vindo ao verdadeiro Novo Aeon. Estamos tendo sinais do nosso Apocalipse e cada um de vocês é bem-vindo. Lembrem-se daqueles que já conhecem a nossa verdade: 2012 se aproxima mais rápido do que nunca pude imaginar.

 

Manifesto dos amigos de Hekate

Todo homem e mulher é uma estrela, mas algumas estrelas são mais brilhantes do que outras.

Magicka é a Arte e a Ciência de causar mudanças de acordo com a Vontade.

As únicas regras são aquelas que se aplicam a nós.

Apenas aqueles que sentem que precisam ser governados deveriam tomar nota do que o governo lhes diz para fazer.

Faça o que for divertido para você, e esse será o todo da lei.

Este é o nosso credo (sujeito a mudanças a qualquer momento)

Nós somos parte da IOT, mas ela não pode conter tudo aquilo que verdadeiramente somos agora e aquilo que devemos nos tornar até 2012. Procuramos não membros, apenas aliados.

Durante muito tempo, temos sido tratados como loucos por aqueles que por sorte, fortuna, ou atos criminosos adquiriram poder sobre nós. Esta é a hora de voltar a lutar, a pegar em armas da nossa escolha, para derrubar todos os governantes do Mundo.

Nossas armas podem ser, música, cinema, arte, mas principalmente magicka. Essa nossa arma é o poderoso ESOTERRORISMO. Esta é a forma de ruptura através de ações concretas e rituais mágicos.

Os membros da nossa “igreja” podem parecer parte do sistema, mas em nossas mentes, procuramos formas de consumo de droga; injetando Caos e perturbações no sistema que tenta governar nossas vidas.

Nós escrevemos cartas a imprensa, nós criamos distúrbios que causam preocupação para as massas acomodadas, forçando os poderes constituídos a entrarem em ação.

Nós roubamos terras de grandes proprietários de terras, através de nossos direitos. Nós sabotamos grandes empresas, forçando-os a nos pagar grandes quantias de dinheiro para não precisarem se opor a nós. Mas também podemos ser o mendigo na esquina, que vai dormir com a esposa do patrão, o nosso nome é Legião será sempre assim.

O nosso templo é o Mauve Zone. Nossa Magicka está por todo lugar.

Somos a favor de usar a tecnologias para construir nossa utopia, mas não somos dominados por ela. Apoiamos a engenharia genética para a substituição de órgãos. Embora apoiemos os chamados partidos Verdes, Liberais e afins, fazemos-lo apenas porque ele nos dá oportunidades para injetar o vírus do Caos nos sistemas políticos.

Entrevista com Tonye Newton a rádio BBC 6 de Londres

BBC: O que é ou o que foi os Amigos de Hekate ?

Newton: Nos anos 60, 70 e 80 foram um temido grupo de satanistas extremistas com idéias comunistas. Hoje são um bando de garotos pervertidos que utilizam o nome deles para se promoverem.

BBC: O que há de verdade sobre sua conexão mexicana ?

Newton: Que temos membros deles em Ciudad Juarez é inegável, mas atribuir todos os assassinatos de mulheres que lá acontecem a eles é pura bobagem. A questão é que terras de ninguém, terras sem leis como Juarez oferecem a esse tipo de gente, local e ambiente adequado para esse tipo de crime, eles são muito mais esquerdóides machistas do que satanistas. Não vejo muito de satanismo no que estes caras fazem hoje.

BBC: O que os antigos membros, os originais dizem sobre o assunto ?

Newton: Hekate virou uma lenda macabra que ainda apavora muitas mentes no Reino Unido, mas aquele pessoal envelheceu, casou teve filhos e hoje faz parte da classe média acomodada. Tudo aquilo que eles combatiam em seu início.

BBC: Como conheceu membros deles ?

Quando trabalhava na Unexplained, alguns caras frequentavam seus cultos; todos mascarados, ninguém conhecia e jamais conheceu a verdadeira identidade dos líderes. Eram grupos de 5 membros por templo. Todos agregados mas com liberdades para fazerem o que bem entendessem.

BBC: Você os leva a sério hoje ?

Newton: Não aqueles que atuam na Inglaterra, mas os que estão fora do país fazem uso do nome Hekate para ter um certo status, seja no México ou com as Farc. Na verdade os traficantes pouco ligam se eles se dizem satanistas ou zapatistas, o que interessa é que são campo fértil para o crime organizado.

BBC: Mas o próprio site deles:http://www.paganassociationisevil.org.uk/ indica que fazem parte de um grupo de criminosos não ? O tal Satanismo esquerdóide.

Newton: Eles simplesmente repercutem aquilo que ouvem do que vem de fora. Repito, não levo esses moleques idiotas a sério, mas teria o maior prazer em entrevistar os membros da Hekate na América Latina.

BBC: Seria uma aventura perigosa.

Newton: Seria a chance de esclarecer de uma vez por todas o que é lenda e o que é fato sobre eles. Mas se a Scotland Yard não os pegou, quais são as minhas chances ? Até lá,

Ciudad Juárez continuará sendo um local seguro para membros da Hekate, e para os velhos satanistas sanguinolentos da Idade Média.

Paulie Hollefeld

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/amigos-de-hekate/

John Dee: Anjo para Uns, Demônio para Outros

Por Dave Evans.

As tensões religiosas dentro da heresia cristã de John Dee.

Dee viveu em meio a mudanças religiosas e científicas extremas, e esteve na vanguarda do movimento que empurrou os limites da ciência e da magia. Isto foi feito com a grande dificuldade de não ser pego pela lei, o que ele provou dentro da própria Corte Real. Feiticeiros, astrólogos, bruxas e profetas estavam todos em perigo de serem processados naquela época. John Dee foi sem dúvida um deles, e mais; ele viveu mais de 80 anos, viu cinco monarcas e experimentou três mudanças de religião estatal.

Esta sobrevivência pode se dever particularmente ao fato de que as elites eram mais seguras do que as bruxas da aldeia pobre. Dee nasceu em uma pequena família na Corte, e teve uma excelente educação, o que ajudou a protegê-lo; embora outros ocultistas de nota tenham tido menos sorte: John Lambe, por exemplo, foi apedrejado até a morte por uma multidão enfurecida.

Entretanto, Dee teve a distinção de alienar as autoridades protestantes e católicas durante sua vida, e é provável que tenha sobrevivido, pelo menos na Inglaterra, por causa dos serviços especiais que prestou à Coroa, inclusive sendo espião no continente.

Para Dee, tudo era uma busca pelo conhecimento, e ele era em grande parte responsável pela qualidade da ciência na Inglaterra, tão pouco estudo parece ter sido feito fora de seu próprio círculo. Ele usou a magia como um meio simples de se esforçar para conseguir:

“Um conhecimento mais profundo de todas as ciências, passadas, presentes ou futuras”.

E sua concepção de iluminação viu a ciência e a magia como uma só. Isto foi difícil de racionalizar, e Dee tem sido criticado por historiadores modernos por sua inconsistência, “pensamento eclético e flutuante”. Isto dificilmente parece ser inevitável em toda uma carreira em pelo menos sete disciplinas diferentes praticadas ao longo de cerca de 60 anos, um período de incalculável mudança intelectual.

Dee obteve seus diplomas em Cambridge e em Leuven, onde foi aluno do geógrafo Mercator. Esta relação duradoura permitiu a realização de exploradores britânicos como Raleigh e Frobisher. Dee também recebeu Ordens Sacras na Igreja da Inglaterra, apesar de suas raízes católicas. Ele viajou e estudou muito em sua juventude e aos 23 anos já era famoso na Europa como filósofo, recebendo inúmeras ofertas de monarcas estrangeiros. Ele os recusou, no entanto, permanecendo leal à Inglaterra e retornou em 1550 para aconselhar o governo sobre navegação, cargo que ocupou por 30 anos, auxiliado por seu primo, William Aubrey.

Durante o reinado de Eduardo VI, ele já ocupava um alto cargo na corte como matemático. Quando Maria chegou ao trono, foi-lhe pedido pela curiosa Isabel que elaborasse um horóscopo para ela e sua irmã, a rainha Maria. Isto era uma traição potencial, pois aplicar meios mágicos para prever eventos como a morte de um governante poderia ser politicamente muito perigoso; previsões mágicas poderiam levar a eventos induzidos magicamente. Ele foi, portanto, preso por três meses; depois foi absolvido depois de se defender.

Foi um caminho teológico desconfortável que Dee teve que tomar. Ele escreveu a Maria em 1556, alegando que os escritos e monumentos antigos fossem preservados; mas ele teve que escrever sua carta de tal forma que não podia ser visto como promovendo a sobrevivência dos escritos heréticos protestantes.

Apesar de criado como católico, as crenças de Dee poderiam hoje ser chamadas de Cientificismo Cristão, mas com uma grande parte reservada à magia cerimonial. Pode não haver conflito entre ser um cristão devoto e conversar com anjos; na verdade, talvez seja por isso que se possa conversar com anjos, porque a crença neles é tão forte. Entretanto, o cristianismo puro parece errado quando meios mágicos não cristãos são usados para chamar anjos, especialmente em uma época em que não havia como distinguir os anjos dos demônios.

Dee era bibliófilo e antiquário, ampliando sua casa várias vezes para acomodar uma coleção sempre em expansão (e para abrigar vários estudantes de ciência e magia) e tinha a maior biblioteca da Inglaterra com cerca de 4000 livros. Foram estas que foram confiscadas de bruxas suspeitas. Tais livros, os ‘livros de círculos’, podem ter sido livros de geometria, mas veja a Heptarchia (a referência on-line é dada no final deste artigo) e especialmente a página 32, para mais exemplos ocultos; e considere que o policial médio pode se concentrar em imagens enquanto as investiga.

Em todos os casos, matemática, astrologia e bruxaria estavam fortemente associadas a temas mágicos, e a ciência era fumaça e espelhos.

Numa inversão de atitude, sob a rainha Elizabeth, Dee foi designada para selecionar a data mais favorável para a coroação, via precisamente a mesma astrologia para o monarca pelo qual ele havia sido anteriormente encarcerado. Imagine seu constrangimento. Tal mudança abrupta de atitude, de certa forma, sublinha a forma como a sociedade define os criminosos.

Elizabeth também empregou Dee para combater a bruxaria usada contra ela, e ele tinha editos especiais de Elizabeth que o protegiam de :

“Quem em seu reino deveria procurar, em razão de seus valiosos estudos e exercícios filosóficos, derrubá-lo injustamente”.

Isto deve ter sido necessário porque, apesar de uma reputação muito alta na corte, muitos nobres e alguns da população o viam como um feiticeiro perigoso. Isto desenha paralelos com o teatro contemporâneo e o mágico de Marlowe no Doutor Fausto, a quem o Imperador promete que “o que quer que você faça, não será prejudicado ou abusado de forma alguma”. A proteção seria igualmente vital na espionagem; onde Dee seria frequentemente incapaz de explicar um comportamento suspeito por medo de exposição. Infelizmente não posso discutir aqui as possíveis ligações com Marlowe, que também era um espião.

Dee viajou muito e na sua ausência Elizabeth foi uma forte defensora; como seus livros publicados no continente muitas vezes chegavam à Inglaterra antes dele, a fim de reter os clérigos e acadêmicos que não os entendiam.

Inusitado para a época, Dee escreveu principalmente em inglês, alcançando assim mais da classe educada do que o latim teria feito.

Além de seus trabalhos científicos, Dee continuou suas experiências ocultas, usando bolas de cristal, mas achando-as difíceis de usar. Ele empregava um médium de Lancashire, Edward Kelly. Kelly já foi condenada por fraude, perdendo um ouvido por tal crime.

Durante as sessões psíquicas, Kelly se comunicou com inúmeros anjos que lhe deram profecias e ditaram uma nova linguagem que Dee chamou de ‘Enoquiano’. Tem sido sugerido que Kelly fez o próprio Enoquiano, mas um homem jovem e semialfabetizado nunca teria sido capaz de construir uma linguagem coerente e consistente que não tivesse nenhuma conexão com as línguas existentes. É mais provável que tenha sido a Dee polimática que o fez.

Em 1583 havia rumores de que eles estavam fazendo ouro por alquimia. Isto gerou grande interesse entre a realeza europeia e um nobre polonês, Laski, os convidou para trabalhar em sua casa. Dee e Kelly deixaram a Inglaterra e realizaram experiências alquímicas e mediúnicas caras que colocaram as finanças de Laski em risco. Apesar das profecias políticas angélicas, que previam a realeza de Laski, ele decidiu enviá-las e seus custos ao Imperador Rudolph II, que estava fascinado pela alquimia.

Rudolph ficou muito impressionado, porém, sua alquimia logo levou a queixas de bruxaria e heresia, com o Papa exigindo sua prisão. Rudolph permitiu que eles escapassem. Dee e Kelly tornaram-se então astrólogos independentes, viajando pela Europa, trabalhando para o Rei da Polônia e a nobreza bávara, enquanto espionavam os interesses espanhóis.

As sessões mediúnicas continuaram, mas Kelly, que de repente ficou muito agitada, estava convencida de que o cristal não estava mostrando anjos, mas demônios. Kelly tentou sair, mas foi forçado por Dee a ficar e explicar. Kelly confessou então, relutantemente, que os anjos tinham ordenado que compartilhassem suas esposas, sexualmente.

Eles estavam tão envolvidos no trabalho angélico e, como sua saúde financeira dependia em grande parte das comunicações angélicas para os patrões ricos, eles trocaram esposas. Isto, apesar das próprias mulheres, a grande diferença de idade entre os quatro indivíduos e a imoralidade da situação. Isso seria psicologicamente muito difícil para os cristãos devotos contemporâneos, então o que dizer disso no século XVI

O “ménage à quatre” não durou muito tempo. Dee retornou à Inglaterra em 1589. Kelly continuou como ocultista itinerante. Ele foi preso em várias ocasiões por várias atividades ocultistas e fraudulentas e morreu por ferimentos recebidos durante uma tentativa de fuga em 1595.

Quando ele voltou para casa, quase falido após seis anos de viagem, Dee encontrou sua casa saqueada e muitas de suas obras destruídas ou roubadas. A ausência do tribunal também havia reduzido sua popularidade. Tendo estado a favor da Rainha, ela agora estava fora de contato e lhe deu um posto de ensino longe de Londres, um insulto a um acadêmico como Dee. Para sobreviver, ele teve que vender seus livros restantes e continuou suas experiências ocultas até sua morte em 1608.

Meu primeiro artigo, Heptarchia (referências on-line no final do artigo) é uma fascinante mistura de magia cerimonial e panteísmo com uma tentativa de cristianização. Não foi publicado durante a vida de Dee, mas foi usado como material didático em cópias manuscritas, e como tal pode muito bem ter caído nas mãos das autoridades. Ao longo do texto há referências ao poder de Deus, orações a Deus, etc., que podem ser lidas como cristãs, mas há muitas passagens, apenas uma delas seria suficiente para acusar Dee de bruxaria, heresia ou traição:

“Pois somos deuses”. Criaturas que governaram, que governam e que governarão sobre você”, Heptarchia página 1.

Uma pluralidade de deuses eternos não é uma singularidade cristã, e como tal é uma heresia grave.

“Estes (anjos) estarão sujeitos a você”, Heptarchia página 3.

Dee recebe poder sobre os anjos – uma blasfêmia, pois somente Deus deveria ser capaz de fazer isso. Da mesma forma:

“…o Príncipe Geral, Governador ou Anjo que é o Principal neste mundo”, Heptarchia página 7.

Este não é o Deus cristão, e pode ser o Diabo. Se eles não são anjos, então podem ser demônios ou espíritos familiares, ter relações sexuais com eles é um crime.

“Através delas você fará maravilhas”, Heptarchia página 3.

“A alteração da Corrupção da Natureza, em Perfeição”, Heptarchia página 28, “obras maravilhosas”, Heptarchia página 29.

Estes são milagres, que só Deus pode fazer, e na doutrina protestante eles simplesmente não existem mais.

“Eles são reis caídos e iníquos, cujo poder foi quebrado por Mim, assim farás”, Heptarchia página 3.

Dee tem o poder de realizar mudanças políticas; material imensamente perigoso para escrever sobre. Embora ele tenha sido avisado:

“Grande cuidado deve haver para aquele que se intromete nos assuntos dos príncipes”, Heptarchia página 4.

E ele é informado mais adiante:

“Você está entrando em novos mundos, novas pessoas, novos reis e novos conhecimentos de um novo governo”, Heptarchia página 30.

Dinamite política e traição.

“… espíritos… que guardam a terra e seus tesouros”, Heptarchia página 22.

Magia para descobrir um tesouro enterrado foi um crime e parece que Dee adivinhou ou procurou adivinhar a localização de um tesouro enterrado por vários meios.

“Seu poder está sobre as águas”, Heptarchia página 30.

Isto se refere ao controle mágico da terra. Uma tempestade repentina que destruiu a Armada tem todas as marcas do sobrenatural, e Dee usou tanto suas habilidades de espionagem, navegação e ocultismo contra os navios espanhóis. Sua capacidade de alterar o tempo seria perigosa para Dee em sua vida posterior, quando James tornou-se rei, pois as bruxas de Bernwick foram executadas em 1591 por levantar uma tempestade contra os navios de James.

O principal anjo na Heptarchia (e outros manuscritos da Dee) é Uriel. Na Tempestade de Shakespeare, o anjo chefe é Ariel. A cena de abertura envolve uma tempestade mágica que leva um navio até a ilha de Prospero e ele também tem uma biblioteca fantástica. Há muitos outros paralelos entre Próspero e Dee, que Shakespeare pode ter encontrado já que Dee fez vários efeitos especiais para o Globe Theater. A Tempestade foi realizado três anos após a morte de Dee.

Como vimos, na Europa a Dee poderia entrar em todas as escolas de prestígio como um colega intelectual. Na Inglaterra ele era considerado com medo e desconfiança. No entanto, foi talvez apenas com a sua morte e os retratos simpáticos subsequentes, juntamente com a liberalização religiosa e uma compreensão crescente do valor de seu trabalho em matemática, navegação, filosofia e ciência em geral, que a sociedade inglesa naquela época foi capaz de aceitá-lo como algo mais do que um objeto de superstição, e sua imagem foi reabilitada.

Notas:

NB/ meu título: ‘Anjos para uns, demônios para outros’ é uma frase emprestada de uma ficção de terror, ‘The Hellbound Heart’ de Clive Barker, que é o roteiro do filme ‘Hellraiser’, onde esta frase é uma das partes centrais do diálogo.

Há pelo menos quatro biografias de Dee em papel, nenhuma delas é verdadeiramente abrangente.

Referências on-line: John Dee, De Heptarchia Mystica, (Diuinis, ipsius Creationis, stabilis legibus) Collectaneorum 1582. (On-Line) Peterson. J.H. (ed) versão, 1997, British Library Ms. Sloane 3191. <http://www.esotericarchives.com/dee/hm.htm>.

E seu Mysteriorum Libri Quinque ou, Five Books of Mystical Exercises de John Dee.

Uma Revelação Angélica da Magia Cabalística e outros Mistérios Ocultistas e Divinos revelados ao Doutor John Dee e Edward Kelly, 1581 – 1583. <http://www.esotericarchives.com/dee/sl3188.htm>.

Um site muito útil: The John Dee Society. <http://www.johndee.org/>

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EVANS, Daves. John Dee : Ange pour certains démon pour d’autres.
Traduction française par Spartakus FreeMann, Zénith de Libertalia, février 2004 e.v. EzoOccult, 2004, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/42/anges-pour-certains-demons-pour-d-autres/>. Acesso em 15 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee-anjo-para-uns-demonio-para-outros/

Neuroeconomia

A sociedade deriva do sexo, das relações reprodutivas. Enquanto unidades de trabalho, os primeiros bandos tribais humanos mantiveram-se unidos pelos laços entre casais e grupos mamíferos (as emoções impressas de afeição e confiança). No centro, o eixo central, encontrava-se a ternura orgásmica – ato partilhado, no acasalamento, do amor genital. Dele irradiou a ternura “sublimada” da relação entre pai e filho, irmão e irmã, e tios, tias e avós, toda a “família alargada”, ou bando caçador/coletor de alimentos.

O Estado conquistador, e a subsequente fissão da sociedade em classes distintas de privilegiados e carentes, criou a pobreza. Enquanto instituição humana, a pobreza deriva da conquista, da formação de governos (o bando guerreiro invasor que ficava para reger as suas conquistas) e da instituição de “leis” perpetuando a divisão classista entre Invasores e Invadidos.

Como qualquer outro primata, o ser humano contém circuitos neurogenéticos prontos para serem impressos por laços de casal e laços de bando. O objetivo evolucionário destes laços continua a ser classicamente mamífero: assegurar a biossobrevivência e o status do bando, além de programar a maioria das sementes com os comportamentos heterossexuais reprodutivos necessários à sobrevivência do bando, o que assegura por sua vez a biossobrevivência das gerações futuras.

A ascensão do Estado conquistador, o Estado feudal, e eventualmente do Estado capitalista moderno, minou e subverteu progressivamente os laços tribais de bando (“a família alargada”). Na nação capitalista mais avançada, os EUA, restam muito poucos destes laços tribais. Muito poucos cidadãos americanos se deterão para dar boléias ou esmolas aos pobres, não confiando sequer nos vizinhos. A maioria nem sequer conhece os vizinhos. Os comportamentos normais de bando, como a confiança, a solidariedade, a afeição, etc., passíveis ainda de serem encontrados nas nações feudais, encontram-se aqui atrofiados. A raiz das célebres “anomias”, “ansiedades”, “alienações”, etc., da sociedade capitalista encontra-se nesta ausência de normais laços de bando.

Falando em termos etológicos, os circuitos onde normalmente são impressos os laços de bando sobrevivem ainda. (Poderíamos exprimir o mesmo pensamento em linguagem psicológica dizendo que a necessidade de assegurar a biossobrevivência se mantém ainda). Esta constante mamífera deve ser satisfeita, e numa sociedade abstrata essa satisfação torna-se também abstrata.

Na sociedade capitalista, o dinheiro de papel torna-se a impressão da biossobrevivência.

William S. Burroughs comparou o capitalismo ao vício da heroína, assinalando os terríveis paralelos: o junkie precisa de doses regulares; o cidadão capitalista precisa igualmente de receber injeções regulares de dinheiro. Se não tiver droga, o viciado transforma-se num feixe espasmódico de ansiedades; se não tiver dinheiro, o cidadão capitalista atravessa um trauma de carência em tudo semelhante. Quando a droga escasseia, os junkies comportam-se de forma desesperada, chegando ao ponto de roubar e mesmo matar. Se o dinheiro escasseia, o cidadão capitalista também é capaz de roubar e matar.

Segundo o dr. Timothy Leary, as drogas opiáceas funcionam como neurotransmissores do circuito da biossobrevivência, isto é, ativam as redes neuronais relacionadas com os laços mãe-filho. (Em termos de psicologia freudiana pré-neurológica, o junkie regressa ao êxtase infantil no regaço da

Mãe Ópio). Numa sociedade desprovida dos normais laços mamíferos de bando, o dinheiro é sujeito a uma impressão semelhante, através do condicionamento, sobre os reflexos infantis, de uma série de associações aprendidas. O cidadão capitalista aprende neurologicamente que dinheiro equivale a segurança e falta de dinheiro equivale a insegurança.

Muito cedo na evolução hominídea, a ansiedade da separação infantil (o medo de perder a Mãe toda-importante) generalizou-se à ansiedade da separação tribal. Quem fosse expulso da tribo por comportamento delinqüente ou anti-social experimentava verdadeira ansiedade de biossobrevivência. (Em condições primitivas, uma tribo possui uma capacidade de sobrevivência muito superior à de um indivíduo só. À época, o ostracismo significava geralmente a morte, assim como o ostracismo da mãe pode significar a morte da criança.)

Já que, na sociedade capitalista, o dinheiro substituiu a tribo, a maioria dos cidadãos imprimiu no dinheiro as emoções mamíferas tradicionalmente associadas aos laços de sobrevivência filho-mãe e dos bandos individuais. Esta impressão é mantida por associações condicionadas criadas por experiências de privação real. Nas sociedades capitalistas, antes de surgir a segurança social [no Brasil, assistência social] as pessoas morriam mesmo, e em grande número, por carência de dinheiro; ainda hoje isso sucede ocasionalmente entre os muito ignorantes, os muito tímidos ou os muito velhos. (Por exemplo, há alguns anos, um casal idoso da cidade de Buffalo morreu congelado no mês de janeiro, quando a companhia local lhes corou o aquecimento por falta de pagamento da conta de eletricidade.)

A observação, que fazem os europeus, de que os americanos são “loucos por dinheiro” significa simplesmente que a abstração capitalista e o declínio da tribo se encontram mais avançados aqui do que nos estados capitalistas europeus.

Carente de dinheiro, o americano vagueia como um lunático possesso. A “ansiedade”, a “anomia”, a “alienação”, etc., vão crescendo exponencialmente, reforçadas por reais privações de segurança. Nas sociedades menos abstratas, os pobres partilham os laços de bando e “amam-se” uns aos outros (a nível de aldeia). Carentes de quaisquer laços de bando, e viciados apenas em dinheiro, os americanos pobres odeiam-se uns aos outros. Isto explica a observação paradoxal, que muitos comentaristas fizeram, de como nas sociedades tradicionais a pobreza conserva ainda a sua dignidade e mesmo algum orgulho, mas surge na América como desonrosa e vergonhosa. Na realidade, os americanos pobres não se odeiam apenas uns aos outros; freqüentemente, e talvez em geral, eles odeiam-se a si próprios.

Esses fatos da neuroeconomia encontram-se de tal forma carregados de dor e embaraço que a maioria dos americanos se recusa pura e simplesmente a discuti-los. O puritanismo sexual do século XIX transformou-se no puritanismo monetário. Pelo menos entre o terço mais avant da população, as pessoas conseguem falar muito explicitamente sobre as vertentes fetichistas das suas impressões sexuais (“Sinto-me pleno quando uso a roupa interior da minha mulher”, ou coisas do gênero), mas uma fraqueza equivalente sobre as nossas necessidades monetárias faz gelar a conversa, podendo mesmo esvaziar a sala.

Por detrás do embaraço e dor superficiais encontra-se o terror mamífero máximo: a ansiedade da biossobrevivência.

A mobilidade das sociedades modernas faz aumentar ainda mais esta síndrome de ansiedade monetária. Durante a depressão dos anos 30, por exemplo, muitas mercearias e outras “lojas de esquina” permitiram aos seus clientes a acumulação de grandes contas, por vezes durante meses a fio. Este procedimento baseava-se nos últimos farrapos dos tradicionais laços tribais e no fato de, nessa altura, há 40 anos, quase toda a gente das mesmas redondezas se conhecer. Hoje isso não aconteceria. Vivemos, como diz um romance, “num mundo cheio de estranhos”.

No primeiro capítulo de The Confidence Man, Melville contrasta o “fanático religioso” que carrega um cartaz dizendo “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS” com os comerciantes cujos avisos dizem “NÃO FAÇO FIADO”. A ideia desta ironia era fazer-nos refletir sobre a inquieta mistura de cristianismo e capitalismo na América do século XIX – cristianismo esse que, como o budismo e as outras religiões pós-urbanas, parece ser em grande medida uma tentativa, a nível místico, de recriação dos laços tribais no seio da era “civilizada” (isto é, imperialista). A segurança social representa a tentativa de falsificação desses laços por parte do Estado (de forma mesquinha e paranóica, de acordo com o espírito da lei capitalista). O totalitarismo surge como a erupção, possuída de fúria assassina, da mesma tentativa de converter o estado num nexus tribal de confiança mútua e apoio à biossobrevivência.

Quando a filosofia libertária surgiu na América, ela representava duas tendências principais, que os libertários modernos parecem ter esquecido – imprudentemente, caso se provar a justeza da análise acima feita. Refiro-me à ênfase na associação voluntária – a retribalização a um nível superior, através de objetivos evolucionários partilhados – e nas moedas alternativas. As associações voluntárias, ou comunas, desprovidas de moeda alternativa são rapidamente absorvidas pelo nexus da moeda capitalista. As associações voluntárias dispondo de moeda alternativa, abertamente declarada, são empurradas para os tribunais e destruídas. É possível que, tal como acontece em Illuminatus!, existam realmente associações voluntárias usando moedas secretas ou dissimuladas, a julgar por indícios ou códigos em algumas publicações libertárias de direita.

Nas condições presentes, nenhuma forma de libertarianismo ou anarquismo (incluindo o anarco capitalismo e o anarco-comunismo) pode competir eficazmente com o estado do bem estar social [welfare state, aqui no Brasil representado pelo Governo Lula] ou o totalitarismo.

As práticas atuais do bem estar social resultaram de 70 anos de lutas entre liberais e conservadores, tendo estes últimos vencido a maioria das batalhas. O sistema funciona de modo a fazer crescer a síndrome do vício. O desempregado recebe uma pequena dose de dinheiro no princípio do mês, muito bem calculada para sustentar um avarento extremamente frugal até por volta do dia 10 desse mês. Mediante a dura experiência, o beneficiário do bem estar social aprende a fazer render a dose até o dia 15, ou talvez mesmo até o dia 20. O resto do mês é passado sofrendo de aguda ansiedade de biossobrevivência. Como qualquer traficante ou condicionador comportamental sabe, este período de privação é que sustenta o ciclo todo. No primeiro dia do mês seguinte vem outra dose de dinheiro, e todo o drama recomeça.

O rol de beneficiários do desemprego não para de crescer, já que – apesar da maior redundância e ineficácia – a tendência do industrialismo continua a ser, como diz Buckminster Fuller, fazer-mais com-menos e a tudo-tornar efêmero (omni-ephemerize,[2]). A cada nova década, haverá cada vez menos empregos e cada vez mais pessoas dependentes do bem estar social. (Já hoje, 0,5 por cento da população detém setenta por cento da riqueza, deixando os outros 99,5 por cento para competirem violentamente pelo restante). O resultado final poderá muito bem ser uma sociedade totalmente condicionada, motivada apenas pelo vício neuro-químico do dinheiro.

Para medir o seu progresso em direção a este estado, tente o leitor imaginar vividamente o que faria se amanhã todo o seu dinheiro e fontes de rendimento desaparecessem.

É importante termos bem presente que estamos aqui a discutir comportamentos mamíferos tradicionais. Em pesquisas recentes, alguns chimpanzés foram ensinados a usar dinheiro. Indicam os relatórios que eles desenvolveram atitudes “americanas” normais para com esses ícones misteriosamente poderosos. A Pirâmide dos Illuminati, que vem impressa nas notas de um dólar, e similares emblemas “mágicos”, como a Fleur de Lys, a suástica, a águia bicéfala, estrelas, luas, sóis, etc., com que outras nações acharam por bem decorar as suas notas e documentos de estado, são intrínsecos à “fantasmagoria” do monopólio que o Estado detém sobre o maná, ou energia psíquica. Temos aqui dois pedaços de papel verde; um é dinheiro, o outro não. A diferença é o primeiro ter sido “abençoado” pelos feiticeiros do tesouro.

O trabalhador capitalista vive num estado de ansiedade perpétua, em tudo semelhante ao do viciado em opiáceos. Originalmente, a segurança da biossobrevivência, a neuroquímica da sensação de segurança, encontra-se sempre ligada a um poder externo. Esta cadeia condicionada dinheiro equivale a segurança, falta de dinheiro equivale a terror é reforçada sempre que vemos alguém ser “despedido” ou vivendo na miséria. Psicologicamente, este estado pode se caracterizar como paranóia clínica de baixo grau. Politicamente, a manifestação deste desequilíbrio neuroquímico é conhecida por Fascismo: a mentalidade Archie Bunker(3)/Arnold Schickelgruber(4)/Richard Nixon.

Como diz Leary, “A nossa vida social é agora dominada por restrições que o medo e a raiva impõem à liberdade (…). O medo e a violência restritiva podem tornar-se prazeres viciantes, reforçados por dirigentes esquizofrênicos e um sistema econômico que depende da restrição da liberdade, da produção de medo e do incitamento ao comportamento violento”.

Na metáfora perfeita de Desmond Morris, o macaco nu comporta-se tal qual um animal de zoológico: a essência da experiência da jaula é o desespero. No nosso caso, as grades da jaula são as intangíveis regras impressas no jogo: os “grilhões forjados pela mente” de Blake. Somos literalmente o ceguinho que está a ser roubado. Abandonamos literalmente os nossos sentidos. O ícone incondicional, o dinheiro-símbolo, controla totalmente o nosso bem estar mental.

Era aparentemente isto o que Norman O. Brown tentava explicar nas suas obras oculto-freudianas sobre a destruição da nossa “natureza polimorfa” (o êxtase natural do corpo) no processo de condicionamento do sexo sublimado (os laços de bando) em jogos sociais como o dinheiro. A Ressurreição do Corpo prevista por Brown só poderá acontecer através da mutação neurossomática, ou, como lhe chama Leary, engenharia hedônica. Historicamente, os únicos grupos que lograram libertar-se efetivamente da ansiedade do jogo social foram: 1) as aristocracias absolutamente seguras, livres para explorar os vários prazeres “mentais” e “físicos”; e 2) as comunas de pobreza voluntária, uma forma de retribalização alcançada através da pura força de vontade.

À semelhança dos outros idealistas de Esquerda e de Direita, os libertários sofrem geralmente de uma dolorosa percepção do horrendo fosso que separa os seus objetivos evolucionários da presente e triste realidade. Esta sensação complica enormemente a resolução da sua própria síndrome de ansiedade monetária. Como resultado, virtualmente todas essas pessoas sentem uma culpa intensa relativa ao modo como adquirem o dinheiro necessário para sobreviver no mundo de macacos domesticados que nos rodeia.

“Ele se vendeu”, “Ela se vendeu”, “Eu me vendi”, são acusações ouvidas diariamente em todas os grupos idealistas. Qualquer processo de “fazer dinheiro” expõe-nos automaticamente às vibrações culpabilizantes de uma das facções, da mesma forma que, paradoxalmente, nos livra de mais vibrações culpabilizantes oriundas da outra facção. O Catch-22 (5), a Ligação Dupla, O Princípio SNAFU (6), etc. não passam de extensões da ratoeira neuroeconômica básica: Não É Possível Viver Sem Dinheiro.

Como concluiu Joseph Labadie, “A pobreza transforma-nos a todos em covardes”.

Em última análise, existe um certo prazer em suportar a pobreza. É como o prazer de sobreviver ao desgosto e luto causados pela morte de um ente querido; o prazer que sentia Hemingway em manter se firme e continuar a disparar sobre o leão que carregava; o prazer que sente o santo em perdoar aos seus perseguidores. Não se trata de masoquismo mas sim de orgulho: fui mais forte do julgava possível. “Não chorei nem desatei aos gritos”. Foi esta a alegria sentida por Nietszche e Gurdjieff ao ignorarem as suas doenças dolorosas para só escreverem sobre os estados “despertos”, ultrapassando todos os laços e emoções.

A paranóia direitista sobre o dinheiro de papel (as várias teorias conspiratórias sobre a manipulação da oferta e a retirada de moeda) será sempre epidêmica nas sociedades capitalistas. Os junkies nutrem mitos do gênero sobre os traficantes.

São alimentos autênticos, roupas autênticas e abrigos autênticos que são ameaçados quando o dinheiro é suprimido, ainda que por pouco tempo, assim como é autêntica a privação que ocorre quando o dinheiro é suprimido durante qualquer período de tempo. O macaco domesticado é apanhado num jogo de símbolos mentais, e a armadilha é mortal.

Existe uma espécie de prazer masoquista em analisar um assunto doloroso em profundidade, em todas as ramificações e complexidades dos seus labirínticos tormentos. Existe algo deste gênero subjacente à “objetividade” de Marx, Veblen, Freud, Brooks, Adams. Estes autores parecem querer assegurar-nos, e a si próprios também, que “Por pior que a coisa seja, pelo menos conseguimos enfrenta-la sem gritar”.

“Só aqueles que beberam da mesma taça nos conhecem”, disse Solzhenitsyn. Referia-se à prisão e não à pobreza, mas as duas experiências assemelham-se enquanto castigos tradicionais para a dissidência. Enchemo-nos de orgulho por havermos conseguido suportá-los, caso consigamos sobreviver.

Uma crença muito difundida sugere que a contracultura dos anos 60 foi espancada até a morte pelos bastões da polícia, rusgas antidroga e outros tipos de violência direta. A minha impressão é que a deixaram simplesmente morrer de fome. O fluxo de dinheiro foi cortado e, após privações suficientes, os sobreviventes treparam no primeiro salva-vidas capitalista que passou por perto.

Jack London escreveu que o capitalismo tem o seu próprio céu (a riqueza) e o seu próprio inferno (a pobreza). “E o inferno é bem verdadeiro”, escreveu, baseando-se na sua amarga experiência pessoal.

Se, na melhor das hipóteses, a paternidade é uma tarefa problemática, então no capitalismo ela se torna um trabalho de herói. Atualmente, quando o fluxo de dinheiro é cortado, o pai de família americano experimenta ansiedade múltipla: medo por si e medo pelos que o amam e nele confiam. Só o capitão de um navio que naufraga conhece esta vertigem, esta chaga.

Sobreviver ao terror constitui a essência da verdadeira Iniciação. Porque os que vivem mais felizes são os que mais perdoaram e, como disse Nietszche, aquilo que não me mata, me torna mais forte.

1. Este texto faz parte da coletânea de artigos reunida sob o título de The Illuminati Papers, tradução portuguesa: O livro dos Ilumunati, ed. Via Optima, de onde este foi retirado. R.A.W. assina aqui como Hagbard Celine. O capitão Hagbard Celine, para quem não sabe, é um personagem fictício dos romances da trilogia Illuminatus!, de Robert Anton Wilson e Robert Shea. Ele luta contra os Illuminati com seu submarino dourado. É uma espécie de Capitão Nemo discordiano e filósofo anarquista (Nota do Rizoma).

2. Neologismo de Buckminster Fuller (N. do Rizoma).

3. Archie Bunker é um famoso personagem conservador da sitcom americana All in the Family (N. do Rizoma).

4. Arnold Schickelgruber é um trocadilho com o nome do ator Arnold Schwarzenegger e o verdadeiro nome de Hitler, Adolf Schickelburger Hiedler (N. do Trad.).

5. Termo militar, nos EUA, cujo significado básico é: se há uma regra, não importa o que seja essa regra, há sempre uma exceção para ela. É uma espécie de misterioso mecanismo regulador que forma, em essência, um argumento circular (N. do Rizoma).

5. SNAFU é o acrônimo de Situation Normal All Fucked Up (Situação Normal Está Tudo Fodido), aludindo a uma situação de confusão e desorganização provocada por excesso de regulamentações e rotinas. (N. do Rizoma).

por Robert Anton Wilson – Tradução de Luís Torres Fontes

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/neuroeconomia/

Aleister Crowley: o Homem Mais Perverso do Mundo

Por Mike Karn

Revista The Square, volume 43, n° 2, junho 2017, páginas 32-34.

Aleister Crowley é considerado uma das figuras mais notáveis e sinistras do século passado. Ele foi um renomado estudioso que usou seu incrível intelecto para se tornar um especialista e praticante do ocultismo e da magia negra. Tão grande era o seu domínio que, para muitas pessoas, ele se transformou na personificação absoluta do mal. Seus ritos, orgias e cerimônias profanas chocaram até mesmo os mais cínicos e despertaram curiosidade, fúria e ódio nas outras pessoas.

​Ele sempre insistiu que seu nome fosse pronunciado como “Crow-ly” – muitas vezes acrescentando, com um sorriso malicioso: “para rimar como holy [sagrado]!”. No entanto, provavelmente é difícil, para quem desconhece a reputação de Crowley, imaginar a controvérsia que seu nome incitou no público em geral – e o ódio e medo que sentiram.

​Crowley nasceu no auge da era vitoriana, em 1875, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. Proveniente de uma família próspera adepta da seita dos Irmãos de Plymouth, ele foi devidamente batizado como Edward Alexander Crowley. Foi criado para acreditar que Deus era todo-poderoso e que o livre-arbítrio não era uma opção. Seu pai, Edward, era de uma rica família quaker, e ele e sua esposa, Emily, eram fanáticos religiosos que se juntaram aos Irmãos de Plymouth na fundação da seita.

​Para Crowley, o Cristianismo assumiu proporções extremas e se tornou o inimigo. Em seu tormento, ele procurava ajuda e conforto em outras fontes – essa direção por fim levava ao inimigo natural: o demônio. Ele se rebelou totalmente contra a religião de sua família e posteriormente mudou seu nome para Aleister, para não partilhar do mesmo nome de seu pai, Edward.

​Crowley teve uma infância muito infeliz. Seu pai viajava pelo país pregando, enquanto sua mãe rezava, lamentava e atormentava o filho. O pior ainda estava por vir: seu pai faleceu quando ele tinha 11 anos de idade, e sua guarda foi concedida à mãe de seu irmão, que o tratava com crueldade. Isso só foi ultrapassado por um mestre sádico de uma escola dos Irmãos Plymouth, à qual foi confiado.

​Portanto, quando criança, Crowley rezou para o demônio em segredo, para se manter protegido de sua mãe, de seu tio, do mestre e dos garotos que o maltratavam na escola. Seus sentimentos em relação ao Cristianismo e à sua família eram de puro ódio, e ele não foi criado como uma criança normal. No início de sua adolescência, como seu comportamento comum era não aceitar a doutrina dos Irmãos Plymouth, a mãe de Crowley o amaldiçoou e passou a chamá-lo de “a besta”, cujo número era 666, conforme o Livro do Apocalipse no Novo Testamento da Bíblia. Em vez de ficar ofendido com isso, ele adotou o nome e agiu como se não houvesse mais nada a fazer a não ser aceitá-lo.

Crowley frequentou a Malvern College como uma criança oprimida e mentalmente perturbada. Uma escola pública não era lugar para um garoto tão tímido e estranho, e ele sofria agressões físicas e psicológicas, a ponto de ser retirado da escola e transferido para a Tonbridge School. Mas então houve uma transformação nele. Crowley tinha crescido e se tornou forte física e mentalmente. Ele passou por uma mudança completa, como se algo tivesse sido despertado dentro dele. Deixando de lado toda a sua insegurança, superou os intimidadores e se transformou em um deles.

Nessa época, ele começou a praticar alpinismo. O cabo de Beachy Head e as montanhas galesas foram os cenários de suas primeiras expedições, mas então ele começou a escalar penhascos que ninguém jamais havia ousado, e realmente obteve muitas experiências na escalada.

Em 1895, aos 20 anos de idade e denominando-se Aleister, foi para a Trinity College, em Cambridge, como graduando do curso de ciência moral. Ele também escreveu, estudou poesia e continuou a praticar alpinismo. Crowley era considerado um jovem com um futuro promissor, mas enveredou pelo ocultismo e por todas as formas de imoralidade. Ele vivia como um aristocrata privilegiado e mantinha uma vida sexual vigorosa, conduzida com prostitutas e mulheres que ele escolhia nos bares locais, mas isso posteriormente se estendeu a atividades homossexuais. Ele também começou a publicar poesia explicitamente sexual.

Quando frequentava a Trinity College, conheceu Allan Bennett. Os dois se interessaram pelo ocultismo e começaram a experimentar rituais mágicos. Ao que tudo indica, eles obtiveram resultados impressionantes, incluindo a manifestação de uma hoste de seres sobrenaturais e de atividades de espíritos.

Em 1898, Crowley e Bennett se juntaram à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) em Londres, que praticava magia ritualística, alquimia, astrologia, tarô e outras ciências ocultas. A ordem foi fundada em 1887 por três membros da Maçonaria: Samuel MacGregor Mathers, William Robert Woodman e dr. William Wynn Westcott. Todos eles também foram membros da Sociedade Rosacruciana.

A Golden Dawn afirma que sua origem remonta de documentos codificados na posse de Wynn Westcott, segundo os quais o grupo era uma ramificação da Ordem Rosacruz alemã. Eles conceberam cinco rituais nos moldes maçônicos, que foram expandidos por Mathers. Sua influência no desenvolvimento do ocultismo moderno ocidental foi profundo, e muitos grupos afirmam serem originados da Golden Dawn.

Um ano depois, um fundo em depósito que foi estabelecido após a morte de seu pai lhe foi liberado. Crowley se tornou um homem rico, sem ter que depender mais de sua família. Ele abandonou a universidade sem concluir o curso, adquiriu um apartamento em Londres e começou a se dedicar a seus estudos ocultistas. Crowley tinha uma aptidão natural para a magia e logo fez avanços, tornando-se um mago poderoso, assim como seu amigo Allan Bennett.

Crowley não apenas se aprofundou no ocultismo, mas também foi promovido rapidamente pelos graus da Golden Dawn. Em 1889, ele completou os estudos necessários para obter o grau de Adeptus Minor. Entretanto, por causa de suas atitudes e de seu comportamento homossexual, o líderes em Londres o consideraram inadequado para avançar na Segunda Ordem. Então, Crowley foi para a França, onde o líder da Golden Dawn em Paris, MacGregor Mathers, o iniciou na Segunda Ordem.

Posteriormente, em 1900, a Golden Dawn foi fragmentada. Mathers, em uma tentativa de se unir à Loja londrina e se tornar um líder incontestável da ordem, mandou Crowley para a Inglaterra como seu “enviado especial”. Crowley fez uma tentativa frustrada de obter novamente o controle das propriedades da ordem em nome de Mathers. Ele surgiu em uma reunião ritualística vestido de maneira excêntrica com traje escocês completo e um capuz preto. Pouco tempo depois, Mathers e Crowley foram expulsos da ordem.

Crowley era maçom. Registros apontam que ele foi para a França em 1903, onde foi iniciado na Maçonaria na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris. Essa era uma Loja principalmente para expatriados e para aqueles que não podiam se afiliar à Maçonaria na Inglaterra por causa dos altos padrões da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Crowley afirmou ter sido recomendado por um Past Grão-Capelão Provinciano de Oxfordshire. No entanto, não existem evidências documentadas disso, e Crowley certamente nunca foi iniciado na Maçonaria inglesa. Posteriormente, ele continuou tentando ser admitido em reuniões de Lojas em Londres, mas frequentemente era recusado, pois pertencia a uma Ordem Maçônica ilegítima.

Em seu livro The Confessions of Aleister Crowley, uma auto-hagiografia, Crowley se explica:

Eu mencionei ter obtido o 33° na Cidade do México. Isso não acrescenta muita importância ao meu conhecimento dos mistérios, mas ouvi falar que a Maçonaria era uma irmandade universal e esperava ser recebido em todo o mundo por todos os Irmãos. Fui surpreendido com um considerável choque nos meses seguintes, quando, tendo a chance de discutir o assunto com um apostador arruinado ou agente de apostas – não me lembro exatamente –, descobri que ele não me “reconhecia”! Havia uma diferença simples em um dos apertos de mão ou alguma outra formalidade totalmente sem sentido. Demonstrei um desprezo imenso por todo o ritual. Eu fui admitido ao ser iniciado na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris.

Retornei à Inglaterra um tempo depois, após passar meu posto na minha Loja, e, esperando me juntar ao Arco Real, dirigi-me a seu venerável Secretário. Apresentei minhas credenciais. “Ó Grande Arquiteto do Universo”, o velho homem irrompeu de raiva, “por que não queimais este impostor no fogo dos céus? Senhor, vá embora. Você não é um maçom!”.

Pensei que isso seria um pouco difícil de meu Reverendo Pai em Deus, o criador, e percebi que, obviamente, todos os ingleses e norte-americanos que visitam uma Loja na França correm o risco de expulsão ou detenção instantânea e irrevogável. Então, eu não disse nada, mas fui para outra sala no Freemasons’ Hall sem seu conhecimento, e tomei meu lugar como um Past Master em uma das Lojas mais antigas e importantes de Londres.

Em 1905, Crowley voltou a se dedicar ao alpinismo e tentou conquistar o Kangchenjunga, no Nepal, a terceira montanha mais alta no mundo. Houve grande controvérsia durante a tentativa frustrada, e Crowley foi acusado de crueldade por agredir seus carregadores e deixar outro homem morrer na montanha. Era evidente que ele não conseguia tolerar qualquer tipo de fraqueza nas outras pessoas, mas essa viagem acrescentou muitas outras histórias terríveis à sua reputação crescente como um homem perverso.

Em 1906, Crowley fez uma viagem com sua esposa e sua filha para a China e depois para o Vietnã, onde as abandonou. A criança faleceu posteriormente, e sua esposa recorreu ao consumo de álcool para aliviar a dor, chegando à loucura. Tempos depois, Crowley a internou em um sanatório, e eles por fim se divorciaram em 1909.

Em 1910, Crowley conheceu John Yarker. Yarker era maçom, costumava escrever sobre assuntos relacionados à Maçonaria e era membro da Loja Quatuor Coronati. Em 1871, ele esteve envolvido com a fundação de um Grande Conselho do Rito Antigo e Primitivo em Manchester, uma ordem que se separou da GLUI e criou uma conexão com o Rito Antigo e Aceito e com outros ritos egípcios. Isso não era considerado comum pela maioria das Grandes Lojas. Crowley se juntou à ordem, da qual mais tarde se tornou Grão-Administrador Geral e também Mestre Patriarca Geral.

Em 1913, Crowley visitou o Secretário da Loja Quatuor Coronati e o Grande Secretário do Freemasons’ Hall, buscando uma forma de se juntar à Loja inglesa. Ele então escreveu à Grande Loja solicitando seu direito de se juntar a Lojas inglesas e participar delas, baseado em sua associação à Loja francesa. Seu pedido foi negado, devido à irregularidade de sua Loja-Mãe. A Grande Loja não identificou Crowley como um membro da Maçonaria. Todas as suas afiliações estavam ligadas a órgãos irregulares, portanto lhe negaram reconhecimento.

Crowley estava escalando montanhas na Suíça quando a Primeira Guerra Mundial irrompeu e ele retornou para a Inglaterra. Estava impossibilitado de se juntar às forças armadas por causa de sua saúde debilitada, mas ofereceu seus serviços: sua escrita e sua inteligência. Supostamente, sua oferta foi rejeitada com desprezo pelo Serviço de Inteligência Britânico, e, para um homem como Crowley, isso resultou em seu ressentimento e apoio subsequente à Alemanha. Ele foi para os Estados Unidos, onde escreveu e publicou propaganda antibritânica, o que o tornou um traidor e desertor na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, ele estudou com ocultistas norte-americanos, começou a pintar e escreveu muitos livros. Em 1919, enquanto vivia em Greenwich Village, conheceu Leah Hirsig, e os dois sentiram uma conexão imediata e instintiva. Em 1920, eles foram para a Sicília e criaram um templo em uma antiga fazenda. Eles tiveram uma filha e, sob a influência de ópio e cocaína, fundaram um novo culto religioso chamado Thelema. Com Crowley considerando-se um profeta da nova era, a famosa Abadia de Thelema foi fundada. Thelema era uma religião, e sua lei era: “Faze o que tu queres”. Rapidamente, circularam histórias sobre depravação. O povo italiano se ressentiu das atividades diabólicas de Crowley, e Benito Mussolini, o ditador italiano, determinou que ele fosse deportado. Como sempre, Crowley não negou as acusações feitas contra ele.

Crowley também foi membro da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e, em 1925, por fim assumiu liderança e revisou os ritos, estabelecendo rituais da ordem nos mesmos moldes da Maçonaria. A O.T.O. é uma sociedade secreta e, ao longo dos anos, ressurgiu diversas vezes. Atualmente, está em atividade em 25 países, com uma afiliação crescente de mais de 4 mil membros. Segundo consta, todos os homens e mulheres livres, com maioridade completa e bons precedentes, têm o direito de serem iniciados nos primeiros três graus dessa ordem.

Muitos livros ocultos foram escritos por Crowley, os quais, apesar de terem sido escritos com discernimento, são muitas vezes difíceis de serem acompanhados. Um deles é o sagrado Livro da Lei, que tem como princípio fundamental: “Faze o que tu queres há de ser o todo da lei”, que significa que todo homem e toda mulher deverão encontrar sua verdadeira vontade, seu propósito e seu sentido de vida, seguindo isso e nada mais. Dois de seus romances, The Diary of a Drug Fiend (1922) e Moonchild (1929), foram parcialmente baseados em sua vida pessoal e em suas alucinações egomaníacas. Acredita-se que Crowley tenha realizado muitas tentativas sem sucesso, com diferentes mulheres, de procriar uma “criança mágica”. Ele escreveu sobre essas tentativas em forma de ficção no livro Moonchild.

Crowley sempre atraiu um pequeno grupo de seguidores nos Estados Unidos e na Alemanha, talvez não mais de algumas centenas de pessoas por vez, e, por quatro anos, perambulou pela Alemanha e por Portugal, sendo financiado por seus seguidores fiéis. Ao retornar para a Inglaterra, em 1935, foi à falência após perder um processo judicial contra um jornal que o teria chamado de mago negro. A evidência contra ele era devastadora – e é de se imaginar que o caso só tenha sido levado à corte por mera publicidade!

Durante os anos seguintes, Crowley parou de viajar e permaneceu na Inglaterra, onde escreveu muitos outros livros. Ele passou seus últimos anos sozinho em uma pensão em Hastings, como um homem velho e debilitado, mal sobrevivendo por seu vício em heroína. Seu ato final foi amaldiçoar o médico que se negou a prescrever a quantidade de heroína que ele queria. Crowley morreu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos de idade, e foi cremado em Brighton. Suas cinzas foram enviadas a seus seguidores nos Estados Unidos. O médico que ele amaldiçoou teria morrido em menos de 24 horas depois.

Sem arrependimentos e sem se curvar, ele partiu deste mundo com um desprezo final pela sociedade. Crowley havia preparado seu próprio funeral e, em vez do serviço religioso comum, criou seu último ritual com suas obras. Amigos leram Hymn to Pan e Collects and Anthems, de Gnostic Mass. Passagens selecionadas do Livro da Lei também foram lidas. Houve tantas reclamações por parte do público a respeito do serviço funerário que o Conselho de Brighton decidiu tomar providências para prevenir que um incidente como esse nunca mais acontecesse.

Provavelmente, Crowley foi o mago mais famoso de sua época, tornando-se ainda mais influente após sua morte do que quando estava vivo. Ele foi muitas vezes odiado em vida, mas certamente causou influência e impacto no desenvolvimento da nova era do ocultismo moderno. Seu conhecimento sobre magia e bruxaria era certamente profundo, e ele transmitiu esse conhecimento por meio de seus diversos livros. Na sociedade liberal dos dias de hoje, seus livros estão sendo procurados e reimpressos, e algumas pessoas parecem apreciar seu estranho intelecto. Sua impiedade persistente era um traço de sua personalidade e influenciou homens e mulheres, mas Crowley deixou para traz um rastro de devastação em se tratando das mulheres e dos homens em sua vida. Alcoolismo, vício em drogas, insanidade e suicídio surgiram em seu caminho. Portanto, Crowley era um mago negro perverso? Provavelmente sim, mas tão importante quanto isso era o fato de ele querer que todo mundo acreditasse nisso.

Há uma reviravolta na história, pois, quando Crowley morreu, foi encontrada uma carta da Inteligência Naval Britânica endereçada a ele, requerendo o prazer de sua companhia em uma recepção. A história então revelada é a de que ele teria sido recrutado pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, quando queriam explorar as informações de que nazistas de alto posto estavam envolvidos com astrologia e ocultismo. Agente britânico por muito tempo, Ian Fleming (que escreveu os romances de James Bond) disse que Crowley foi recrutado pela primeira vez para a investigação de Rudolf Hess. Fleming também revelou que foi Crowley quem sugeriu o símbolo de “V” de vitória usado por Churchill – o símbolo com os dois dedos sendo o oposto direto e destrutivo do símbolo solar da suástica.

Atualmente, poucas pessoas irão refutar a ideia de que Crowley teria sido um agente britânico durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhando nos Estados Unidos e ajudando na campanha de desinformação, em vez de ter sido um traidor, como se acreditava.

Crowley foi chamado de “o homem mais perverso do mundo”. No entanto, talvez hoje em dia ele não fosse considerado assim. Ele possivelmente seria tratado como um excêntrico, com poucas pessoas se incomodando com seu comportamento – o que não seria de forma alguma apropriado para ele.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-o-homem-mais-perverso-do-mundo

Kappa

Robson Belli

Várias representações de Kappa do Período Edo

Kappa (Kappa, “criança do rio”), substituído por Kawatarō (Kawataro, “menino do rio”) ou Kawako (Kappa, ” criança do rio”), são criaturas lendárias encontradas no folclore japonês . A variação coberta de um Kappa é chamada de Hyōsube .

Kappa são semelhantes ao finlandês Näkki, escandinavo/germânico Näck/Neck, tcheco Vodník/Scottish Kelpie e japonês Hibagon em que todos foram usados ​​para assustar crianças de perigos à espreita nas águas.

Kappas são tipicamente descritos como aproximadamente humanoides em forma e do tamanho de uma criança. Sua pele escamosa e reptiliana varia de verde a amarelo ou azul. Apesar de suas características reptilianas, diz-se que Kappa tem rostos simiescos e cabelos verdes desgrenhados.

Os kappas supostamente habitam as lagoas e rios do Japão e possuem vários recursos para auxiliá-los nesse ambiente, como mãos e pés palmados. Dizem que às vezes cheiram a peixe e certamente podem nadar como eles. A expressão kappa-no-kawa-nagare (“um kappa se afogando em um rio”) transmite a ideia de que até os especialistas cometem erros.

Sua característica mais notável é uma reentrância no topo de sua cabeça que contém água chamada sara ; isso é considerado como a fonte de seu poder. Esta cavidade deve estar cheia sempre que um kappa estiver longe da água; se derramar, o kappa não poderá se mover. Embora seja relatado que eles habitam todo o Japão, muitas vezes se diz que são particulares da província de Saga.

O folclore japonês afirma que o kappa pode ser muito educado e pode ser desativado antes de atacar curvando-se. O kappa se curvava para trás e derramava a água, incapacitando-se. Kappa são geralmente vistos como encrenqueiros travessos. Suas travessuras vão desde as relativamente inocentes, como passar gás em voz alta ou olhar para os quimonos das mulheres, até as malévolas, como afogar pessoas e animais ou sequestrar crianças. Quando os kappas atacam as pessoas, eles geralmente puxam os intestinos da pessoa pelo ânus, a fim de chegar a um órgão mítico chamado shirikodama, que se diz conter a alma do ser humano. Dizem também que eles adoram pepinos, e as pessoas às vezes podem escapar de um kappa agressivo jogando um pepino em sua direção e fugir enquanto ele come o pepino. Se for necessário tomar banho na água em que um kappa vive, é possível jogar um pepino na água antes de entrar, após o que o kappa permitirá que você use sua água sem atacá-lo. Se alguém derrotar um kappa, ele pode se render, após o que ajudará na agricultura ou compartilhará conhecimentos médicos. Também é possível fazer amizade com um kappa trazendo pepinos, o que também fará com que ele ajude dessa maneira. Acreditava-se que a técnica de fixação óssea foi originalmente ensinada aos humanos por um kappa amigável. Kappas também frequentemente desafiam humanos para lutas de sumô, no qual eles estão quase garantidos para vencer, a menos que o humano os faça derramar a água em sua cabeça, após o que o kappa é forçado a recuar. Tem também um tipo de sushi que leva o seu nome de pepino, okapamaki .

Explicações

Uma possível explicação para essas criaturas é a salamandra gigante japonesa que, segundo rumores, cresce até dois metros e meio de comprimento e vive apenas em riachos limpos e claros (que infelizmente é onde as pessoas gostam de brincar).

Outra é que poderia ser um tipo novo ou pré-histórico de anfíbio, como um temnospondyl.

Também pode ser uma má interpretação de uma tartaruga marinha, ou talvez uma espécie desconhecida de tartaruga. Isso pode ser provável, já que algumas tartarugas são conhecidas por comer pepinos.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/kappa/

As Chaves Maiores e as Clavículas de Salomão

por Eliphas Levi Zahed

EDIÇÃO, ORGANIZAÇÃO, COMENTARIOS E TRADUÇÃO por Robson Belli

Creio ser de fundamental importância a tradução comentada deste material, por trazer uma visão magística diferenciada de um de seus grandes autores contemporâneos, Eliphas Levi um dos mais importantes autores da alta magia, e a sua visão de um dos principais grimórios medievais, as “Clavículas de Salomão”.

O fato desta obra ainda não ter uma tradução para o português em pleno ano de 2022, nos mostra o pouco ou nenhum interesse do nosso mercado editorial de nos servir com obras ótimas, e com as diferentes visões do mesmo tomo, estamos exaustos de ver traduções das clavículas traduzidas por Samuel Lidel “McGregor” Mathers, que apesar de ser um ótimo trabalho, expõe apenas uma visão embasada em algumas poucas fontes dos manuscritos das conhecidas Clavículas de Salomão que juntos somam mais do que 144 tomos manuscritos diferentes, só considerando os tomos das chaves maiores, tendo uma miríade muito maior quando consideramos as chaves menores.

Portanto não espere encontrar aqui os tradicionais pantáculos, este livro não é mais do mesmo, e justamente por isso vem a ser a minha primeira clavícula traduzida e publicada, a fim de quebrar os paradigmas impostos a esse tomo.

Muitos talismãs para invocação das forças celestiais estão descritos aqui, contudo é importante mencionar, que além de invocar estes poderes, nos sagrados e poderosos 72 nomes de Deus, esta clavícula nos ensina trabalhar também repelindo as forças malignas de nossas vidas, sendo, portanto, uma das mais puras clavículas no sentido de chamar para si a atenção do divino e do sagrado, afastando de si as forças negativas.

Este não é em definitivo, um tomo para membros do caminho da mão esquerda, este livro é para aqueles que entendendo que devem se ligar aos poderes elevados e aos nomes divinos, o fazem para expurgar de si os poderes das trevas, que apenas atrasam seu desenvolvimento enquanto ser humano e magista.

Este livro não pede sua aceitação ou concordância, ele apenas o é como deveria ser, peço apenas ao leitor a compreensão de obras como “Dogma e ritual da alta magia” e o livro “O grande arcano”, ambos de Levi, para entender melhor que este aqui é o livro referenciado na obra citada e não, as obras que Eliphas Levi considerava espúrias e impuras que visam chamar demônios para si, profanando assim o ideal Cabalístico de evolução do ser.

Esta é na opinião de Levi, a clavícula de Salomão retificada a sua gloria original, dentro de uma proposta muito mais próxima a ideia da cabala, e mesmo que tenha símbolos nos amuletos, a força deles provem na realidade dos nomes divinos e dos números gravados nos mesmos, sendo não um livro de evocação e dialogo com estas forças, este é um livro de magia talismanica, tal qual as Chaves Maiores de Salomão mais conhecidos do grande público, contudo faz uso dos 72 anjos ou 72 nomes divinos para atrair para si estes poderes benignos e afastar de si os 72 demônios, uma clara contra posição ao “Ars Goétia” do “Lemegeton” que Eliphas provavelmente considerou impuro e pagão, um livro corrompido.

Visão que pode ser bem compreendida por aqueles que adentram ao estudo da Cabala judaica, mesmo em seus níveis mais superficiais, creio ter bem referenciado o porquê desta obra ser o que é, e por que Eliphas Levi tentou retificar a tradição Salomônica escrevendo este livro.

Infelizmente este livro não se popularizou tanto quanto suas outras obras, mas finalmente chega agora ao leitor brasileiro que, espero sinceramente faça um maravilhoso uso desta obra a tanto tempo deixada de lado.

~Robson Bélli

23 de maio de 2022.

ADVERTENCIA

Este livro é uma reprodução fiel do manuscrito escrito e desenhado por Eliphas Levi para seu discípulo e amigo, Barão Spedalieri, que, de acordo com o desejo do Mestre, foi posteriormente entregue a J. Charrot, que o entregou a L. Chamuel para ser editado. A primeira edição apareceu em 1895; que está esgotado e raro.

Hoje, o número crescente de discípulos póstumos de Eliphas Levi nos obriga a reimprimi-lo.

As Clavículas de Salomão são um retorno da Doutrina Cabalística em sua pureza primitiva; baseado no Grande Nome Incomunicável, descrevendo com precisão e simplicidade setenta e dois ramos. Eles incluem as figuras de trinta e seis talismãs e os trinta e dois Caminhos da Sabedoria (os dez números e vinte e duas letras hebraicas); finalmente, o ritual é completado com instruções teúrgicas, profecias e um cânone para o uso das Clavículas.

Estas Clavículas são explicadas e discutidas através da correspondência do Mestre com o Barão Spedalieri.

Esta edição foi revisada e atualizada de acordo com o manuscrito original.

~P. Chacornac.

A COMPOSIÇÃO E O USO DESSAS CLAVÍCULAS

Estas clavículas, reestabelecidas em sua pureza original, e desenhadas pela primeira vez por mim, Eliphas Lévi, em 1860, se realizam em sua pureza e sem mescla de símbolos samaritanos ou egípcios, só com ajuda das cifras, dos símbolos hieroglíficos e dos números.

Os hebreus tinham horror ao uso de figuras em imagens sagradas, e é por este motivo que as imagens do Zohar são em sua maioria, quase todas traçadas apenas com letras.

O complemento perfeito deste livro é o jogo de Tarô italiano, cujos talismãs de Salomão explicam e resumem os símbolos.

Os talismãs podem, cada um em particular, servir de instrumento (magico) magnético e representar uma vontade análoga ao nome divino cuja explicação se encontra sob cada talismã.

É preciso observar que as dezenas que se encontram no tarô não são desenhadas nos talismãs porque, sendo a dezena a síntese da unidade, está contida virtualmente na unidade de cada número.

As imagens dos talismãs podem ser gravadas em sete metais ou desenhadas em pergaminho virgem, depois consagradas e magnetizadas segundo uma intenção muito precisa.

Desta forma, serão criados focos de luz astral, perfumados com os perfumes do ritual e mantidos em seda ou em recipientes de vidro para que não percam sua força.

Eles não devem ser emprestados ou dados, a menos que tenham sido feitos em nome de outra pessoa e de acordo com ela.

Servem para afastar ilusões e miragens de luz. Os espíritos errantes estremecem diante deles porque são símbolos fixos, personagens do verbo que é por si mesmo e que comanda vitoriosamente todos os espíritos.

Mas, para usar essas chaves corretamente, é necessário manter uma grande lucidez de espírito e uma grande pureza de coração. Caso contrário, eles se tornariam os instrumentos de uma maldição da qual o operador imprudente ou culpado seria a primeira vítima.

AS CHAVES MAIORES E CLAVÍCULAS

A TAU SAGRADA OU CHAVE UNIVERSAL.

COMENTARIO A RESPEITO DA CHAVE UNIVERSAL

Este símbolo de Levi vem aqui expor algumas questões importantes que podem ajudar ao leitor elucidar algumas ideias que Levi tinha a respeito das clavículas, em seu nível simbólico direto vemos as letras Yod, He, Vav, He, do tetragrama divino expostas cada uma em uma direção, com elementos mágicos bem conhecidos do público atual tanto pelo taro quando pela magia cerimonial.

Yod acima e ao lado da Baqueta representação do fogo e da autoridade divina do comando, o mundo de Aziluth ou ainda o mundo dos arquétipos, e graças a Taça que representa o elemento agua, sabemos que a ponta direita é a sequência e representa o mundo de Briah do mundo formativo ou da criação,  a próxima letra na sequência é Vav ao lado da espada que é um naipe e ferramenta mágica do ar, que também representa o mundo de Yetzirah, o mundo formativo e por fim nos temos ultimo He ao lado da moeda ou Pantáculo que são relacionados ao elemento terra, a realização material, ou ainda o muito material.

A cruz tau para Eliphas Levi estava associada ao Universo, sendo o seu criador (através do seu nome impronunciável) e principio e o universo o fim ou a sua manifestação material, Alfa e Ômega, sendo o magista então uma representação do próprio Deus que o criou sua imagem e semelhança, para dominar todas as coisas, por conta da representação dos quatro elementos que são todas estas coisas.

A seguir e a esquerda vemos um símbolo que parece uma cruz com um P e do seu lado na parte inferior a letra Alfa e Ômega, este símbolo chama-se Tau Rho que é um dos dois monogramas de cristo, sendo o Tau Rho a imagem de Moises com seus braços estendidos e o alfa e o ômega a representação do cristo ajudando o homem, vemos ao mesmo tempo um X pontilhado dando a ideia da transformação do estaurograma (sacrifício) no  cristograma (redenção) também conhecido por Chi Rho, que é o símbolo mais conhecido como monograma do Cristo.

Do lado direito da cruz Tau vemos o símbolo geomantico de conjunctio e dentro dele escrito Bara-Taish ( ) que é uma expressão cabalística que alude a baphometh ou o iniciado, o desperto e conhecedor dos mistérios ou ainda Bereshit ( ) que alude as primeira palavras do início do livro de gênesis “No princípio”, mas essa expressão aos judeus, que por sua vez alude ao bode que foi levado para ser sacrificado pelo patriarca Abraão e está ligada a uma ideia de lascívia (luxuria) divina em sua criação.

O SHEM HA MEPHORASH[1]

Toda a ciência está numa palavra e toda a força num nome.

A inteligência deste nome é a ciência de Salomão e a luz de Abraão.

Ninguém conhece Deus em sua essência, a não ser ele mesmo.

Mas a Ciência absoluta está no conhecimento dos nomes divinos que são todos formados a partir de um único nome.

Esta ciência é o que ela chama, o Shem Há Mephorasch ou nome explicado.

O Esquema ou nome incomunicável é composto de quatro letras.

  • Todo o poder (força) está em um, Yod.
  • Seu reflexo está em outro, He.
  • É explicado pelo terceiro. Vav.
  • É fertilizado pelo quarto. He

É formado com vinte e quatro pontos que são as vinte e quatro alegorias antigas de São João.

  • Cada ponto tem três linhas.
  • Há então sessenta e dois traços.

Sessenta e dois nomes são formados, que são escritos dois a dois em trinta e seis talismãs.

OS TRINTA E SEIS TALISMÃS

Estude cuidadosamente os hieróglifos e as letras sagradas dos trinta e seis talismãs e escreva ao redor de cada um deles um versículo bíblico de sua escolha, aquele que melhor expressa para você[2] a virtude das letras e dos nomes (números).

Esses talismãs fixam o espírito, fortalecem o pensamento e servem de sacramento à (verdadeira) vontade.

Os espíritos de todas as hierarquias estão em comunhão com aquele que entende e usa corretamente esses sinais.

TALISMÃ 01 – O PRIMEIRO PRINCIPIO

01 VEHUIAH/ 04 ELEMIAH [3]

[4]

TALISMÃ 02 – AJUDA DO SALVADOR

02 JELIEL / 05 MAHASIAH

TALISMÃ 03 – ESPERANÇA DIVINA

03 SITAEL / 06 LELAHEL

TALISMÃ 04 – QUATRO VEZES PAI

07 ACHAIAH / 10 ALADIAH

TALISMÃ 05 – RAZÃO DE CULTO

08 CAHETEL / 11 LAOVIAH[5]

TALISMÃ 06 – CONSOLO DIVINO

09 HAZIEL / 12 HAHAIAH

TALISMÃ 07 – BASE DE TODA A GRANDEZA

13 YESALEL[6] / 16 HEKAMIAH[7]

TALISMÃ 08 – PROVIDENCIA

14 MEBAHEL/ 17 LAUVIAH[8]

TALISMÃ 09 – CONSOLADOR

15 HARIEL / 18 CALIEL

TALISMÃ 10 – O AMOR

19 LEUVIAH[9]/ 22 IEIAIEL[10]

TALISMÃ 11 – A SALVAÇÃO

20 PAHALIAH / 23 MELAHEL

TALISMÃ 12 – A BONDADE

21 NELCHAEL / 24 HAHEUIAH[11]

TALISMÃ 13 – A FORÇA DO BEM

25 NITH-HAIAH[12] / 28 SEHEIAH

TALISMÃ 14 – O ARCANO DO AMOR

26 HAAIAH / 29 REYEL[13]

TALISMÃ 15 – PACIENCIA

27 IERATHEL[14] / 30 OMAEL

TALISMÃ 16 – CIENCIA DO AMOR

31 LECABEL / 34 LEHAHIAH

TALISMÃ 17 – AMOR DO JUSTO

32 VASAHIAH[15] / 35 CHAVAKIAH

TALISMÃ 18 – HIERARQUIA DO AMOR

33 IEHUIAH[16] / 36 MENADEL

TALISMÃ 19 – FORÇA QUE FECUNDA

37 ANIEL / 40 IEIAZEL[17]

TALISMÃ 20 – EQUILIBRIO POLITICO

38 HAAMIAH / 41 HAHAHEL[18]

TALISMÃ 21 – PAZ UNIVERSAL

39 REHAEL / 42 MIKAEL[19]

TALISMÃ 22 – IMPERIO DO VERBO

43 VEULIAH[20] / 46 ARIEL[21]

TALISMÃ 23 – A NOVA JERUSALEM

44 YELAIAH[22] / 47 ASALIAH[23]

TALISMÃ 24 – HARMONIA

45 SEALIAH[24] / 48 MIHAEL[25]

TALISMÃ 25 – VITORIA

49 VEHUEL / 52 IMAMAIAH[26]

A PARTIR DESTE PONTO O LIVRO PÁSSA A SER UMA RECONSTRUÇÃO, POIS ESTA PARTE É AUSENTE NO ORIGINAL OS SIGILOS SÃO OS MESMOS USADOS NO LIVRO “the kabbalistic and occult tarot of eliphas levi” E EM “The Science of the Kabbalah” de Lazare Lenain

TALISMÃ 26 – O SEGREDO DO VEICULO

50 DANIEL / 53 NANAEL

TALISMÃ 27 – O SEGEDO DA CRIAÇÃO

51 HAHASIAH / 54 NITHAEL

TALISMÃ 28 – O MAIS SAGRADO

55 MEBAHIAH / 58 IEIALEL

TALISMÃ 29 – OS ANEIS DA ALIANÇA

56 POIEL / 59 HAHAEL

TALISMÃ 30 – OS TRES ANEIS LUMINOSOS

57 NEMAMIAH / 60 MITZRAEL

TALISMÃ 31 – VONTADE

61 UMABEL / 64 MEHIEL

TALISMÃ 32 – SABER

62 IAH-HEL / 65 DAMABIAH

TALISMÃ 33 – OCULTISMO

63 ANAUEL / 66 MANAKEL

TALISMÃ 34 – REALIZAÇÃO

67 AYEL / 70 YABAMIAH

 

TALISMÃ 35 – EQUILIBRIO

68 HABUHIAH / 71 HAIAIEL

TALISMÃ 36 – FORÇA CONTRA OS TERRORES DA MORTE

69 ROCHEL / 72 MUMIAH

A partir deste ponto o este livro volta a ser uma tradução fiel ao original.

AS LETRAS SAGRADAS

Correspondem as figuras simples do Tarô

(O rei de paus, o Pai)

(O rei de copas, o esposo da mãe)

(O rei de espadas, O principe do amor)

(O rei de ouros, o pai de criação)

(A rainha de paus, a esposa de seu pai)

(A rainha de copas, a mulher que é dona de si mesma)

(A rainha de espadas, A princesa do amor)

(A Rainha de ouros, a mãe dos seus filhos)

(O cavaleiro de paus, Conquistador de poder)

(O cavaleiro de Copas, o conquistador da felicidade)

(O cavaleiro de espadas, o conquistador do amor)

(O cavaleiro de ouros,  o conquistador de obras)

(O valete de paus, escravo do homem)

(O valete de copas, o escravo da mulher)

(O valete de espadas, escravo do amor)

(O valete de ouros, o escravo das crianças)

OS NÚMEROS SAGRADOS

Comentário: Eliphas Levi coloca algumas atribuições que para nós estudantes atuais de cabala são completamente estranhas, tal como o Sol e Kether, Chockmah a esquerda sendo a Lua, e Binah a direita sendo Vênus, e isso pode nos causar tamanha estranheza, contudo é exatamente o que está descrito aqui.

AS LETRAS SAGRADAS OU AS CHAVES MAIORES

Os dez nomes e as vinte e duas letras formam trinta e dois caminhos da ciência universal.

A LETRA ALEPH

(Hieróglifo- o menestrel)

(O PENTACULO DO EDEN, PROTOTIPO DAS LETRAS SAGRADAS)

A LETRA BEITH
(A alta sacerdotisa)

(o binário é o primeiro número, é a unidade somada a ela mesma[27])

A LETRA GUIMEL
(O Terciário —  a mãe (gravida) — a geração)

(O primeiro grande número sagrado.

O triangulo de Jeová.
O mercúrio dos sábios.)

A LETRA DALETH

(O quaternario – a quadratura)

(O número do ciclo perfeito.
A cruz filosófica.
O fogo Elemental dos sábios.)

A LETRA HE
(Número cinco das letras e quinze dos caminhos)

(O número da ciência do bem e do mal.
A letra da mulher da religião.
O pentagrama angelico ou diabolico.)

A LETRA VAV
LINGHAM
(A flecha do amor — O lingham[28])

(O número do antagonismo e da liberdade. A união. O trabalho. Semana da criação)

A LETRA ZAÏN
(O septenio sagrado)

(O número completo da cabala. O espirito e a Forma. As três potencias do Ternário e suas quatro relações)

A LETRA HETH
(O equilíbrio universal)

(O tetragrama com seu reflexo. A estaca dupla. O quaternário multiplicado pelo binário)

A LETRA TETH
(O número da hierarquia)

(Nove

O número do iniciado.
o grande número magico.)

A LETRA JOD

(O número da criação do reino)

(Malkuth. O reino de Deus. O universo visível. O princípio natural das coisas sobrenaturais)

A LETRA KAPH
(O número da força)

(A unidade sintética
o homem feito.
A virilidade.
A idade da razão.)

A LETRA LAMED
(O número do ciclo perfeito)

(A realização.
O sacrifício
A consumação.
A crucificação.
O espirito que se desprende da matéria.)

A LETRA MEM
(O número treze, a morte)

(O renascimento
A imortalidade pela mudança.
A transmutação.)

A LETRA NUN
(Os afetos — As misturas)

Fig112

(Formas temperadas pelo equilíbrio.
A harmonia das misturas.)

A LETRA SAMEKH

(O número quinze — a serpente astral)

(A vida física e mortal.
O movimento continuo. O grande agente magico.)

A LETRA GNAYN
(O número dezesseis, o grande equilíbrio)

(Destruição pelo antagonismo.
Equilíbrio dos grandes poderes.)

A LETRA PHE
(O número dezessete)

(A natureza imortal e uma em sua diversidade.
A fecundidade eterna.)

A LETRA TSADE
(O número dezoito)

(Distribuição hierárquica da luz.
O ocultismo.
O dogma.
Os misterios.
O esoterismo.)

A LETRA COPH

(O numero dezenove)

(A verdadeira luz.
A verdade.
A cidade santa.
O ouro filosófico.)

A LETRA RESCH
(O número vinte)

(O reconhecimento de todo o grande arcano da vida eterna.)

A LETRA SCHIN
(nenhum número)

(A fatalidade. A cegueira o louco. A matéria abandonada a si mesma)

A LETRA TAV
(O número vinte um)

(tres vezes o sete, o absoluto, o resumo de toda a ciencia universal.)

OS ESPIRITOS E AS CONJURAÇÕES

OS ESPÍRITOS

Os espíritos são as inteligências secundarias, ou seja, criadas. Eles são de três tipos, fixos, errantes e mistos. Os fixos são puros espíritos libertos das leis que regem a matéria. Os andarilhos são os que flutuam na luz astral. Os mistos são os andarilhos que trabalham e conseguem se fixar em parte. Entre os fixos, pode-se distinguir os muito puros, os mais puros e os mais puros.

Entre os mistos: os dominantes, os militantes e os dominados. Entre os andarilhos: os motoristas, os inconstantes e os animados.

Os fixos são os anjos.

Os mistos” são os homens inteligentes.

Os andarilhos são os homens brutos.

Os espíritos se atraem e se governam hierarquicamente.

Eles estão ligados por correntes e círculos. Entrar em um círculo é jurar com os espíritos do círculo. Ao conjurar espíritos superiores, você não os atrai para você, você se eleva até eles. A conjuração por evocações só pode ser exercida em relação a espíritos inferiores. Para conjurar os espíritos superiores é preciso dar-se a eles, para conjurar os espíritos inferiores por evocação, é preciso constrangê-lo. Para nos dar.

Os Espíritos superiores são evocados fazendo-lhes sacrifícios, ou melhor, comprometendo-se assim a nos evocar. Os espíritos inferiores são evocados ao lisonjear suas avidezes ou suas atrações. As palavras nada mais são do que fórmulas que servem para fixar à vontade.

Os espíritos inferiores ao homem são os elementais e os andarilhos de última ordem. Os antigos teurgistas os chamavam de demônios. Esses demônios são mortais e tentam viver às nossas custas, procuram o esperma e as efusões de sangue, o vapor da carne e temem a ponta e o fio das espadas.

A hierarquia dos espíritos é infinita. Rila começa em Deus que não tem começo em nada – ou seja, ela não começa. As estrelas têm almas astrais, os sóis têm almas solares, e os universos são governados pelos Elohim vivos, os deuses que estão em Deus. A vida dos espíritos é uma contínua ascensão e mutação, sobem e descem na grande escala simbólica de Jacó.

Os anjos, governantes espirituais das estrelas, ascendem ao governo dos sóis e são substituídos pelo chefe das almas.

As cabeças das almas são os sucessivos reis da humanidade. O chefe das almas da terra leva o nome de Métatron Sarpanim, que significa príncipe das luzes. O chefe das almas não morre, ele sobe vivo para o rio. Enoque foi, em tempos após a criação de Moisés, o primeiro elevado ao posto de Metatron Sarpanim.

Depois de Enoque, reinou Moisés.

Depois de Moisés, Elias.

Depois de Elias, Jesus.

Todos os Metatrons devem ter dois reinados, eles retornam à terra depois de passar por todas as esferas do nosso sistema solar. É por isso que o retorno de Enoque e Elias precederá a segunda vinda de Jesus.

Em seu primeiro advento, Jesus se revelou como sumo sacerdote. Em seu segundo advento, ele se revelará como Rei.

Ele era o Cristo.

Ele deve ser o Messias que os judeus têm razão para esperar. Foi Enoque quem, no Sinai, deu a lei divina a Moisés. Moisés e Elias, no Tabor, ensinaram a Jesus os grandes mistérios da revelação cristã. Jesus transmitiu a iniciação a São João Evangelista e é por isso que este apóstolo deve permanecer até o segundo advento de seu mestre. Em tempos de decomposição, os espíritos inferiores se manifestam como vermes em cadáveres.

Eles são evocados pela corrupção e sendo devorados por eles. Estes são os vampiros de almas insalubres. Essas decomposições sempre precedem e anunciam a chegada à terra de um espírito regenerador na pessoa do Metatron Solar. As mesas falantes e os espíritos se debatendo anunciaram o retorno de Enoque. Ele virá quando o papado perder sua autoridade no mundo e os cabalistas brilharem. O advento de Elias seguirá de perto o de Enoque e então Jesus, o Salvador do mundo, virá à terra pela segunda vez.

Ele será precedido pelo Anticristo, cuja missão será preparar o grande império temporal do revelador do Evangelho.

A luz astral formiga nos espíritos elementais, pois uma nova criação está sendo preparada. As chaves de Salomão são encontradas e os mistérios da alta Maçonaria são explicados.

Uma escola, cujos primórdios são ainda mais obscuros e quase invisíveis, será formada no império eslavo, na Alemanha e na França. Em um século, esta escola terá sete mil seguidores e seu último Grão-Mestre será Enoque.

Enoque aparecerá no ano dois mil do mundo cristão. Depois e! O messianismo fiel que ele será o precursor, florescerá na terra por mil anos. Essas previsões são o resumo de todas as profecias e de todos os cálculos cabalísticos… elas devem ser mantidas em segredo para não expor as mais respeitáveis ​​obras do gênio humano e da ciência divina às profanações da ignorância.

Terminou no dia quinze de novembro, o décimo sétimo das calendas de dezembro, o último mês do ano sagrado.

ELIPHAS LEVI

Paris, 1860.

 Notas

Copiado para uso exclusivo e pessoal do Sr. Barão de Spedalieri, em outubro e novembro de 1861.

[1] Eliphas Levi aqui comente um erro estranho a alguém tão letrado em cabala e diz que o shem do inicio do shem há mephorash significa esquema (schem).

[2] Foram usados os versículos originais dos salmos que compõe os nomes dos 72 nomes divinos em cada um dos talismãs, o significado e uso de cada um dos 36 talismas esta no apêndice no final do livro.

[3] Eliphas levi escreve este nome como Chalamiah

[4] Todos os amuletos devem ser feitos dupla face, e são para serem usados no pescoço, são talismãs e não sigilos evocatórios.

[5] Eliphas levi grafa este nome de maneira errada como:

[6] EZALEL segundo Levi

[7] HACKAMIAH segundo Levi

[8] LOVIAH segundo levi

[9] LEVIVIAH segundo Levi

[10] JEJAHEL segundo Levi

[11] HAHUIAH segundo Levi

[12] NITHAIAH segundo Levi

[13] REJAJEL segundo Levi

[14] JERATHEL segundo Levi

[15] VASARIAH segundo Levi

[16] JEHUJAH segundo Levi

[17] JEJAZEL segundo Levi

[18] HAHAEL segundo Levi

[19] MICHAEL segundo Levi

[20] VAVALIAH segundo Levi

[21] NGARIEL segundo Levi

[22] JELAIAH segundo Levi

[23] AZALIAH segundo Levi

[24] SEATHIAH segundo Levi

[25] MEHIEL segundo Levi

[26] IMAMIAH segundo Levi

[27] Em francês falava-se sobre multiplicação, mas no desenho vemos uma adição.

[28] Não encontrei o significado dessa palavra


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

As Chaves Maiores e as Claviculas de Salomão (pdf)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-chaves-maiores-e-as-claviculas-de-salomao/

Música e Magia – Larissa Conforto

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