Breve relato sobre a seriedade

“Se um homem pudesse entender todo o horror que é a vida das pessoas comuns que estão girando em torno de um círculo de interesses insignificantes e objetivos insignificantes, se ele pudesse entender o que está perdendo, ele entenderia que só pode haver uma coisa que é séria para ele – escapar da lei geral, ser livre. O que pode ser sério para um homem na prisão condenado à pena de morte? Só uma coisa: Como salvar-se, como escapar: nada mais é sério “.

Tenho a teoria de que um dos avatares da era de aquário é a internet. Como ferramenta de comunicação e transmissão de conhecimento nada representa tão bem o espírito da Aeon quanto a grande rede. Com a ab-rogação dos rituais, ordálias e sinais, os mistérios foram horizontalizados e qualquer um com uma conta no occult.ez pode ter acesso ao material escrito de todos os graus de todas as ordens.

E sendo nosso maior poder nossa maior fraqueza, ao mesmo tempo em que todo conhecimento fica disponível o tempo todo, esse mesmo conhecimento não é levado “a sério”. Não tendo sido provado, testado e diligentemente buscado o conhecimento, tendo-o recebido pelo único mérito de ter uma conexão de banda larga e como propósito da busca a mera curiosidade, o resultado é uma prática mágica que não é levada a sério.

Então o que é ser sério ? Seriedade é colocar um ideal acima de qualquer coisa, não se trata de deixar de fazer outras coisas, mas quando se leva algo a sério suas atividades quando não relacionadas diretamente ao propósito, deveriam sempre levar em conta o propósito. Como uma espécie de filtro de realidade, como isso serve ao meu propósito ? Como isso poderia serivr ao meu propósito que forma de fazer, de pensar, de agir me levará ao meu propósito ?

Existem níveis de seriedade, ela deveria ser absoluta, mas em geral a desenvolvemos aos poucos, é a seriedade que fornece o foco necessário para resultados efetivos. É possível ter resultados sem seriedade ? Eu acredito que não acredito que todo resultado sólido é fruto de um trabalho sério, ainda que de uma seriedade efêmera, de momento. É imprescindível portanto uma atitude séria em relação ao seu trabalho mágico e desenvolvimento, longe da seriedade que chance tem o homem de escapar da prisão ?

Tudo começa com a atitude mágica, levar magia a sério é saber que ela é algo que você É e não algo que se faz. Se você quer levar a sério o estudo do ocultismo, deve levar em conta que é um processo que se sobrepõe sobre suas atividades. Como Sócrates em Peaceful Warrior coloca de maneira excepcional: Você treina ginástica, eu treino tudo.

Adquirir seriedade não significa tornar-se uma pessoa sisuda ou desconectada, significa que em dado momento até sua descontração estará ligada ao propósito, seja ele qual for, dessa forma não desperdiçamos nem o tem e nem o espaço de D´us.

Sugiro que você leve a sério alguma coisa pequena, como um ritual de tomar água ou realizar uma meditação de um minuto acada uma hora, mas sugiro que você leve a sério e experimente a sensação que ela proporciona, a coerência e a força que só uma atitude séria podem trazer. Um amuleto pode ajudar nessa busca, algo que lembre a você constantemente de seu propósito. A princípio algo que você possa carregar sem medo de perder, como um anel ou corrente, quando se sentir pronto ou se quiser arriscar logo de cara, sugiro que pegue algo como uma runa a sua escolha e ande com ela sempre em sua mão. Perder a runa ou esquecer-se que ela está com você deixa claro o quão pouco a sério você esta levando, a lembrança constante reforçado pelo toque do objeto carregado de propósito pode lhe servir como uma poderosa ferramenta mágica para sua prática mágica.

Se os irmão quiserem podemos expandir o assunto na direção que desejarem dentro dos comentários.

Chay !

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/breve-relato-sobre-a-seriedade

Desvendando o Onmyoudou

Aoi Kuwan

O Onmyoudou (leia-se onmyodo) é um sistema de magia oriental que abrange princípios do taoísmo, do budismo, do shungendou e do xintoísmo. Eu já havia comentado brevemente sobre ele aqui.

Sei que fiquei devendo em falar um pouco mais sobre essa arte, já que as informações são escassas e nada confiáveis. Ao invés de explicar os conceitos pouco a pouco, decidi fazer o contrário: reuni uma lista de grandes bobagens que circulam da internet sobre Onmyodou, e agora vocês saberão como surgiram essas esquisitices e a como filtrar melhor as informações que procuram.

Shikigami

São entidades criadas e ou evocadas pelo magista para determinado fim. Diferente dos seres elementais/familiares parecem depender muito da capacidade do magista em questão nos quesitos energia e controle dessa energia, assim sendo sempre dependentes de alguma forma do mago que os ‘gerou’. Os Shikigamis “básicos” que protegem, auxiliam e até emprestam poder para o onmyoji são os chamados Zenki e Goki (ou ainda há uma tradução Kouki para esse último, embora não seja utilizada), cada um feito de uma polaridade Yin-Yang oposta.

A.K. A primeira parte do texto está parcialmente correta. Shikigamis são entidades criadas pelos magistas para determinado fim. Se assemelham aos elementais artificiais dos sistemas ocidentais e, exatamente por serem criados pelos onmyouji, dependem de sua capacidade e de sua energia.

A segunda parte do texto já é um completo FAIL. Novamente, exatamente pelo fato de serem criados, é muito difícil um onmyouji possuir mais do que UM shikigami. Dizem que Abe no Seimei chegou a possuir 12 shikigamis ao longo de sua existência, mas, de qualquer forma, é necessário ser um onmyouji muito avançado para possuir mais do que um.

Os shikigamis são criaturas pessoais e recebem o nome que o magista der para eles. Zenki e Goki são dois onis que passaram a servir Ozunu, tido como fundador do Shugendou. Ou seja, eles não são shikigamis, quanto mais shikigamis “básicos”. Esse hoax de que seriam shikigamis e que protegeriam onmyoujis surgiu do anime Shaman King. O personagem principal, Yoh Asakura, é de uma família de onmyojis. Seu irmão gêmeo, Hao Asakura, é a reencarnação de um poderoso onmyoji, antepassado da família que possuía dois shikigamis chamados Zenki e Koki.

Para saber mais sobre a lenda de Ozunu, Zenki e Goki: http://dungeon.taisa-labs.com/facts/ask_ozunu_who_zengoki.htm (em inglês)

Onmyoujutsu é uma técnica de magia baseada nos conceitos do Yin-Yang que utiliza vários “encantamentos” e invocação de shikigamis (espiritos demoníacos), para defender ou libertar pessoas.

A.K. Shikigamis são criaturas criadas da energia do e pelo próprio onmyoji. Não há nada de demoníaco num shikigami.

Alguns exemplos de Onmyoujutsu e suas respectivas traduções:

A.K. Jura que você vai encontrar onmyoujutsu na internet em pleno século XXI, sendo que o Onmyouryou (espécie de secretaria a qual todo onmyouji estava vinculado) foi extinto no início da era Meiji devido ao poder que os onmyoujis exerciam, razão pela qual é tão difícil achar informações mesmo em japonês.

Enfim… já adiantando o que vem por aí, os “onmyoujutsus” abaixo foram todos usados pelos personagens do mangá X/1999, da CLAMP. Ou seja, são fantasia, não são encantamentos verdadeiros. Eles funcionam tanto como os encantamentos de Harry Potter, os do seu livro de RPG, ou os de qualquer obra FICCIONAL, de LITERATURA ou ENTRETENIMENTO, fui clara?

“On vajra dharma kiri shawa” – Invoca ou sela um espírito.

“Rin pyo to sha kai chin retsu zai zen” – Exorciza espíritos consumidos por demônios ou outras criaturas ocultas.

A.K. Essas palavras são os nomes dos mudras do Kuji-In, usadas também no Kuji-Kiri. Simplesmente recitá-las não faz absolutamente NADA, ainda mais se não se tem o devido preparo, sem saber o seu significado, nem nada. Recitá-las tendo uma idéia do que fazer, mas sem saber o que fazer exatamente, causa um baita desequilíbrio nos chakras.

“On abokya beiroshanam” – Cria uma barreira espiritual (kekkai).

A.K. hauahuahauahauhaauhauahauaha. Momento para me recompor. Criar uma kekkai é algo extremamente complexo que leva anos de treinamento! Ela é muito mais forte do que o Ritual Menor do Pentagrama, que era ensinado aos neófitos da Golden Dawn. Jura que recitar um simples mantra irá construir uma kekkai!

“Makabodara… Manihandomajin… Parahara paritayanam” – Liberta espíritos presos dentro de objetos. Normalmente usado em espíritos irritados ou perigosos.

“On batarei yo sowaka” – Liberta espíritos presos dentro de objetos. Normalmente usado em espíritos pacíficos.

“On sanmaji handomei kiriku” – Convoca espíritos assombrando uma área.

“Noumaku shamandra bastra donkam” – Cria chamas para engolir um espírito ou outra criatura oculta.

“Rin pyo to sha… Kai chin retsu zai… Zen…” – Cria uma luz espiritual que ajuda a acalmar os espíritos.

A.K. Olha o Kuji-In aí de novo. Ele é muito utilizado em mangás e animes como base para “encantamentos”. Em Sailor Moon (episódio 10 da primeira fase), Rei Hino (Sailor Marte) recita essas mesmas palavras no episódio em que ela recebe seus poderes para ter visões em uma fogueira.

Link do You Tube para os preguiçosos: http://www.youtube.com/watch?v=vR-M6elRTYg (a partir de 1:02)

“On kirikyara harara futaranbaswoha” – Desmorona uma barreira espiritual ou queima o espírito de vigilância ausente (ofuda).

“Nouboua-kyasha… Kalabhaya-on-arikya… Maribhori-showaha…” – Permite que o espírito de quem a usa possa entrar em outro corpo e interagir com a alma que anima este. Comumente usado para entrar no Chakra do Coração de outra pessoa.

A.K. Depois as pessoas desequilibram seus chakras, ficam doentes, tudo começa a dar errado para elas e elas não sabem por quê.

“On sowahanba shuda saraba tamara sowahanba shudo kan… On tatagyato dohanbaya sowaka… On handobo dohanbaya sowaka… Onbazoro dohanbaya sowaka… On basaragini harajihattaya sowaka… On barodaya… sowaka” – Cria uma Kekkai (barreira) poderosa usando um ofuda molhado para proteger de energias mágicas já estabelecidas dentro de uma área.

A.K. Um simples mantra não cria uma kekkai, um mantra mais “encorpado” tampouco irá criar. Um ofuda só funciona com a sua respectiva kotodama e, ainda assim, um ofuda também não é capaz de criar uma kekkai. Pelo amor dos deuses! Quer saber por que não cria? Primeiro, procure saber como é o Ritual Menor do Pentagrama, depois, considere que uma kekkai é muito mais forte do que ele. Agora, leia meus posts “Os três mistérios do Shingon” e “Como funciona um Ofuda” que você vai entender.

“On boku ken” – Usado como uma Kekkai-barreira- para parar energias mágicas dentro de uma área. Normalmente destrói a Kekkai-barreira- no processo.

“Shuku… Dou… Shou…” – Invoca um espírito cerimonial (Shikigami).

“Hikuu” – Normalmente usado depois de invocar um Shikigami para fazê-lo atacar.

“Rin… pyou… tou… sha… kai… jin… retsu… zai… zen” – Utilizado em conjunto com uma faca cerimonial para controlar um shikigami para atacar outra criatura oculta em áreas distantes da redondeza.

A.K. Mais uma vez o Kuji-In. Sério, a CLAMP bem que podia ser mais original, não é?

“Noubu aratannou tarayaaya… Nou makuariya mitabaya… Tatagyataya arakatei sanmyaku sambodya…” – Magia poderosa que purifica uma área de feitiços e criaturas ocultas, bem como criar uma Kekkai para proteção adicional.

“Saraba arata sadanei… sarabakyara kishougyarei…” – Usado para exorcizar espíritos ou outras criaturas ocultas.

“Amirita gyarabi… Amirita shiddi… Amirita teisei… Amirita beki andei… Kisha yogyarei sowaka…” – Magia poderosa que ataca e defende contra magia ofensiva.

“Namah samanta buddhanam Indraya svaha…” – Uma magia de ataque que invoca um raio do relâmpago(?).

A.K. Repetindo, já que repetir nunca é demais: esses “encantamentos” foram todos retirados do mangá X/1999, da CLAMP. Ainda que sejam baseados em mantras de verdade, eles não são técnicas verdadeiras do Onmyoudou, eles não funcionam! Nem preciso lembrar que recitar palavras em sânscrito (ou em qualquer idioma) sem saber o seu significado é a mesma coisa do que brincar com fogo, não é?

Observações:

*Os textos aqui em maioria são traduções do japonês, chinês para o inglês, e do inglês para português, então algumas falhas de tradução são comuns de serem encontradas.

A.K. Volta e meia eu procuro por informações sobre Onmyodo na internet em chinês e em japonês (e, apenas para constar, eu tenho nível intermediário em língua japonesa – o tradutor do Google até que dá uma mão, mas ele é uma porcaria em língua japonesa, para não dizer coisa pior) e eu NUNCA li nada parecido nessas línguas. Muito menos em inglês.

Não vou divulgar de onde eu tirei esses textos porque meu objetivo não é “atacar” ninguém. Qualquer pessoa com o mínimo de juízo e bom senso, que estude qualquer tipo de sistema de magia, sabe que esses textos são fantasia.

Acontece que, como vocês podem observar, a maioria das informações que circulam pela internet sobre o assunto são retiradas de animes e mangás por alguém sem mais o que fazer, e reproduzida por pessoas interessadas que, sem ter fontes confiáveis, acaba acreditando por ser a única coisa que encontrou.

Só que o problema começa quando alguém resolve pegar algum desses “encantamentos” aí de cima para ver “se funciona mesmo”, faz alguma besteira e se prejudica, tal qual fazem os satanistas de Orkut.

Muito pior, na verdade, porque um encosto ocidental é mais fácil de se livrar do que um encosto oriental. Quero ver encontrarem um sacerdote taoísta ou xintoísta para se livrar da criatura. Por essas e outras que vocês jamais verão um post meu ensinando como fazer ofuda.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/desvendando-o-onmyoudou/

Abramelin vs. os Grimórios: A Magia Sagrada substituirá todos os outros sistemas?

 Aaron Leitch

“Todos os livros que tratam de caracteres, figuras extravagantes, círculos, convocações, conjurações, invocações, e outros assuntos semelhantes, mesmo que qualquer pessoa possa ver algum efeito por meio deles, devem ser rejeitados, sendo obras repletas de invenções diabólicas; e vós deveis saber que o demônio faz uso de uma infinidade de métodos para prender e enganar a humanidade. Isto eu mesmo provei, porque quando operei com a verdadeira sabedoria, todos os outros encantamentos que eu havia aprendido cessaram, e eu não podia mais operar com eles…” [Livro a Sagrada Magia de Abramelin o Mago, Livro II, Capítulo 4: “Que o maior número de livros de magia são falsos e vãos”].

A citação acima do Livro de Abramelin levou alguns estudantes a questionar como a Operação se relaciona com outros sistemas de magia, especialmente os grimórios salomônicos. Não pode haver dúvidas de que Abraão, o judeu, está repudiando esses mesmos grimórios em sua diatribe acima – o que com todos os seus personagens e círculos e conjugações. É claro que, como indiquei em meu último blog, não é raro que um grimório se declare imaculado enquanto decodifica todos os outros textos (em grande parte similares) como falsos e diabólicos. Entretanto, o que torna a declaração de Abraão acima única é que ele afirma que a Magia Verdadeira e Sagrada fará com que todos esses outros sistemas deixem de funcionar para você. Isso é verdade?

Na maioria dos casos em que Abraão acrescentou seu próprio comentário à Operação de Abramelin, eu achei necessário levar sua opinião com cautela. As realidades de trabalhar com seu Sagrado Anjo Guardião (SAG) não são muitas vezes tão negras e brancas (ou dualistas) como ele gostaria que fossem. O mesmo é verdade neste caso: a relação entre Abramelin e seu outro trabalho mágico é um pouco mais complexa do que a simples dispensa proferida na citação acima.

Antes de executar (a Operação de) Abramelin, eu havia passado muitos anos aprendendo magia por conta própria. Eu havia passado pelas lições (do livro Modern Magick) de Don(ald Michael) Kraig (eram apenas onze na época) e devorei cada pedaço de material da Golden Dawn em que pude deitar minhas mãos, sem mencionar minha experiência no Neopaganismo/Wicca. Eu tinha, até aquele momento, construído meu próprio sistema pessoal de ocultismo que funcionava muito bem para mim. Então empreendi Abramelin e, com certeza, esse sistema pessoal deixou de ter qualquer relevância para mim. Agora ele está consagrado em meus antigos livros de sombra, reunindo poeira em uma prateleira.

Entretanto, foi depois de Abramelin, e sob a tutela de meu Sagrado Anjo Guardião, que fui levado a estudar outros sistemas. Mais do que qualquer outra coisa, fui levado ao Gnosticismo, ao Xamanismo e a algumas partes do Budismo – tudo o que me foi dito representa (em partes) a verdadeira religião da humanidade. Foi também durante este período que finalmente compreendi os grimórios e os coloquei em uso – novamente com a ajuda de meu SAG. No final, acredito que Abraão estava indo longe demais ao fazer uma declaração tão genérica. Talvez tudo mais tenha parado de trabalhar para ele, mas fui ativamente levado a outros sistemas e áreas de estudo.

No que diz respeito a este assunto, os estudantes também trazem muitos conceitos errados sobre Abramelin e os grimórios salomônicos para a mesa. Onde os grimórios são infames para os procedimentos complexos que se deve seguir para estabelecer contato com os anjos e os espíritos, pensa-se que Abramelin seja muito simplificado. Por exemplo, o Livro de Abramelin instrui a pessoa a fazer uma série de talismãs mágicos, que podem ser mostrados aos espíritos a qualquer momento para (sem palavras) ordená-los a realizar uma tarefa específica. Na verdade, chega ao ponto de dizer que os talismãs não são necessários, e você pode dar instruções aos espíritos através de algumas palavras inteligentemente codificadas durante as conversas com outras pessoas:

“Você deve então compreender que uma vez que aquele que opera tem o poder, não é necessário (em todos os casos) usar símbolos escritos, mas pode ser suficiente nomear em voz alta o nome do espírito, e a forma na qual você deseja que ele apareça visivelmente; porque uma vez que eles tenham prestado juramento, isto é suficiente. Estes símbolos, portanto, devem ser feitos para que você os utilize quando estiver na companhia de outras pessoas; também deve tê-los sobre você, para que ao tocá-los ou manuseá-los simplesmente, eles possam representar seu desejo. Imediatamente, aquele a quem o símbolo pertence lhe servirá pontualmente; mas se você desejar algo especial que não esteja de forma alguma ligado ou nomeado no símbolo, será necessário significar o mesmo, pelo menos mostrando seu desejo por duas ou três palavras. E aqui é bom observar que, se você usar de prudência, muitas vezes poderá raciocinar com aquelas pessoas que estão com você de tal forma que os espíritos, tendo sido previamente invocados por você, entenderão o que eles devem fazer”. [Livro da Sagrada Magia de Abramelin, o Mago, Livro II, Capítulo 20: “Como as Operações devem ser realizadas”].

Com base nestas afirmações, muitos assumem que o método de Abramelin de trabalhar com os espíritos é simples em comparação com os textos salomônicos. Parece não haver conjurações ou procedimentos ritualizados – basta mostrar ao espírito o talismã e dizer uma ou duas palavras.

Entretanto, esta não é uma imagem completa de Abramelin, e que leva os estudantes a assumir que é muito mais simples do que realmente é. Muitos parecem perder uma frase chave na citação acima, onde os espíritos devem ter sido “…invocados de antemão por você”. E caso você pense que isso é simplesmente uma referência à sua invocação original desses espíritos durante a própria Operação, vamos ler o próximo parágrafo do livro:

“Mas quando se trata de um assunto grave e importante, você deve se retirar para um lugar secreto à parte… Lá, dê-lhes sua comissão a respeito do que você deseja que eles executem, o que eles executarão então ou nos dias seguintes”.

Aí você a tem. Ao trabalhar com os espíritos de Abramelin, você tem que encontrar um local privado onde realizar um ritual formal de evocação para chamar os espíritos e dizer-lhes o que você deseja. Só então você pode levar o talismã deles para o mundo e exibi-lo quando você quiser que eles ajam. Eles não ficam ao seu redor 24 horas por dia, 7 dias por semana, na chance de você tirar o talismã deles e acená-lo para o ar.

De fato, o Livro de Abramelin tem muito mais em comum com os textos salomônicos do que se vê pela primeira vez. Em ambos os casos, você recebe métodos elaborados para estabelecer o primeiro contato com os espíritos. Depois que esse contato é feito, fazer mais trabalho com os mesmos espíritos torna-se muito mais fácil (ou seja, o ritual elaborado torna-se desnecessário). O que você vê, por exemplo, na Chave de Salomão não é o procedimento que você usa toda vez que quer falar com esses espíritos.

Eles também são semelhantes, pois se concentram quase inteiramente nesse procedimento de primeiro contato, mas dizem ou pouco (como em Abramelin) ou nada (como na maioria dos textos salomônicos) sobre como trabalhar com os espíritos depois. Em ambos os casos, assume-se corretamente que os anjos ou espíritos estarão lhe ensinando esses detalhes. Assim, o trabalho ritual com os espíritos não está ausente em Abramelin, é apenas que Abraão assume que seu SAG lhe ensinará como fazê-lo, e assim não fornece o ritual em si.

No entanto, ele nos dá muitos procedimentos a serem seguidos. (Se você não tem uma cópia de The Holy Guardian Angel (O Sagrado Anjo Guardião) da Nephilim Press, recomendo fortemente que o faça – especialmente para meu ensaio “After Abramelin (Depois de Abramelin)…”) Há um ritual a seguir se você quiser novos espíritos/talismãs de seu Anjo, e um a seguir se você os quiser dos espíritos menores. As instruções são generalizadas, mas seu Anjo preencherá quaisquer lacunas.

Quanto ao meu uso dos grimórios salomônicos, meu Anjo Guardião também desempenha um papel direto nisso. Ela me ensinou muito do que torna os grimórios utilizáveis. Além disso, sempre que executo qualquer trabalho salomônico, começo abrindo meu Altar de Abramelin e invocando meu SAG antes de tudo. Ela é meu espírito intermediário, que não só me dá permissão para realizar qualquer operação mágica, mas também a facilita e a torna possível. Ah, e Abraão à parte, Ela nunca teve problemas com o meu uso de sigilos e caracteres.

E sim, os espíritos listados em Abramelin são os mesmos que os mesmos espíritos listados em outros grimórios. E, não, o processo de contato e trabalho com eles não é essencialmente diferente dos outros grimórios. A diferença é que outros grimórios lhe dão instruções passo a passo, enquanto o Livro de Abramelin deixa os detalhes para o SAG ensinar-lhe, diretamente ou conduzindo-o a fontes de conhecimento já existentes.

Em minha experiência, meu Anjo Guardião nunca tratou meu trabalho com Ela[1] como se ele existisse dentro de algum tipo de vácuo Abramelin. Ela me levou a muitas fontes de sabedoria não-Abrameliniana. Afinal, é a Verdadeira e Sagrada Sabedoria que Ela está ensinando, e que existe espalhada pelas perseguições espirituais da humanidade. Como na maioria dos grimórios, o Livro de Abramelin só se preocupa em fazer você passar pela porta para iniciar uma jornada muito maior.

Tenha uma boa viagem, Aspirante!

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Nota:

[1] Aaron Leitch identifica o seu Sagrado Anjo Guardião (SAG) como sendo feminino, de modo que no original em inglês ele se refere ao SAG pelo pronome inglês “She”, que em português significa “Ela”, como na seguinte frase do texto: “In my experience, my Guardian Angel has never treated my work with Her (Ela) as if it existed within some kind of Abramelin vacuum. She (Ela) has led me to many founts of non-Abramelin wisdom. After all, it is the True and Sacred Wisdom that She (Ela) is teaching, and that exists scattered throughout mankind’s spiritual pursuits. As with most grimoires, the Book of Abramelin is only concerned with getting you through the doorway to begin a much larger journey.”

Tradução: “Em minha experiência, meu Anjo Guardião nunca tratou meu trabalho com Ela como se ele existisse dentro de algum tipo de vácuo Abramelin. Ela me levou a muitas fontes de sabedoria não-Abrameliniana. Afinal, é a Verdadeira e Sagrada Sabedoria que Ela está ensinando, e que existe espalhada pelas perseguições espirituais da humanidade. Como na maioria dos grimórios, o Livro de Abramelin só se preocupa em fazer você passar pela porta para iniciar uma jornada muito maior.”

Não traduzi o SAG (HGA) de Aaron Leitch  como Sagrada Anja Guardiã, devido ao fato de que, no Brasil, o SAG é amplamente conhecido como Sagrado (ou Santo) Anjo Guardião.

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Por Aaron Leitch, autor de vários livros, incluindo Secrets of the Magickal Grimoires (Segredos dos Grimórios Mágicos), The Angelical Language Volume I and Volume II (A Linguagem Angélica Volume I e Volume II), e o Essential Enochian Grimoire (Grimório Enoquiano Essencial).

Fonte: https://www.llewellyn.com/blog/2015/8/abramelin-vs-the-grimoires-will-the-sacred-magic-replace-all-other-systems/

COPYRIGHT (2015) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/abramelin-vs-os-grimorios-a-magia-sagrada-substituira-todos-os-outros-sistemas/

Criação de Sistemas na Chaos Magick

Peço desculpas por lançar um livro de caoísmo tão seguido do outro. Quis aproveitar que eu estava com tempo para escrevê-lo, e também porque achei importante acrescentar neste informações que não constavam no meu primeiro livro de MC: Agracamalas, O Grimório das Casas.

Em Agracamalas eu apresento um sistema mágico criado por mim, que possui diversas aplicações, especialmente visualizações que promovem efeitos mágicos diversos. Já a proposta do Grimório da Insolência é ser um guia para que você mesmo crie o seu sistema. Afinal, a Magia do Caos é sobre isso: que você mesmo desenvolva seus próprios feitiços e mundos (o que é diferente da magia eclética, que mistura sistemas preexistentes).

E como se faz? Primeiro é bom você ter alguma base de magia tradicional, embora, como diz Phil Hine, você possa encontrar inspiração mágica em muitos outros lugares. Ele mesmo afirma que aprendeu mais sobre magia em outros tipos de livros do que propriamente em livros de ocultismo. Aqui vai um pensamento interessante de Hine:

“Há um equívoco comum de que antes de praticar magia apropriadamente, você tem que ter lido um monte de livros. Enquanto não há nada errado em ler amplamente sobre magia, isso pode levar a problemas. Um deles é que você passa tanto tempo lendo que nunca chega a tentar nada por si mesmo. Outro é que você pode inconscientemente adquirir todos os tipos de opiniões/limitações sobre o que você pode ou não pode fazer a partir deles”

Na MC você é incentivado a realizar suas próprias experiências e anotar os resultados, utilizando o que funciona para você e descartando o que não lhe serve. Para descobrir isso, nenhum livro será melhor do que a experiência própria. E para atuar livremente com uma magia totalmente sua, nada melhor do que desenvolver um sistema mágico fortemente seu do que utilizar algo já pronto.

Eis uma boa colocação de Stephen Mace:

“Nós trabalhamos como deuses para criar nossos próprios universos, de acordo com nossas vontades, ao invés de brincar com os detalhes da criação de Outro Alguém, numa patética tentativa de ganhar um pouco de vantagem”.

A criação de sistemas trabalha com alguns truques da mente humana para promover resultados deliciosos, muitas vezes difíceis de alcançar com sistemas já prontos. Você realiza os ajustes, tornando-se o arquiteto do seu universo.

Alguns leitores do Agracamalas estranharam a proposta exótica do livro e seu formato incomum, repleto de metáforas artísticas. No Grimório da Insolência prezamos uma maior clareza e objetividade de informações, apresentando importantes conceitos da Magia do Caos, que prometem agradar tanto caoístas iniciantes como avançados. Por ser um livro pequeno, foquei-me nas dicas para você montar os seus sistemas, mostrando apenas alguns exemplos. Em compensação, comento brevemente alguns outros escritos meus, que pretendem demonstrar essa aplicação criativa de forma mais intensa e abrangente.

Quem quiser saber mais sobre Magia do Caos ou busca dicas de livros de caoísmo para ler, sugiro checar algumas resenhas que fiz nesse link.

Não é fácil escrever um livro de ocultismo e lidar com as críticas. Tenho a certeza de que esse livro não está perfeito, nunca irei chegar à perfeição e não a busco. No entanto, eu espero que este livro possa ajudar algumas pessoas e torço para que muitos continuem apoiando a produção nacional de material de caoísmo, para que possamos ter cada vez mais escritores dessa linha de magia no nosso país.

Confira também o Liber PPP de Ian Morais, mais um livro brasileiro de Magia do Caos!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cria%C3%A7%C3%A3o-de-sistemas-na-chaos-magick

A Missa do Caos H

Este curto rito pode ser usado como uma ferramenta de aterramento para encerrar algum trabalho mágico pesado. O seu objetivo é promover o riso expondo os perigos de se achar o ban-ban-ban.

Os discordianos há muito tempo identificaram Harpo Marx como um avatar contemporâneo de Harpócrates, o Deus do Silêncio. Harpo é o Senhor do Silêncio, Trikster (N. do t.: Malandro, Bufão), e Palhaço Sagrado. (N. do T.: HARPO não fala)

Harpo MarxPreparação:

O Sacerdote (MT) que manifestará HARPO poderá ser adornado com uma peruca colorida (de carnaval), cartola e uma buzina. Quaisquer outros adereços para uso do Deus poderão ser colocados no altar, tais como um espanador de pó ou uma vareta para cutucar os outros. (& bombinhas :D)

Declaração de Intento:

“É nossa Vontade invocar HARPO, o Louco Sagrado e Lorde do Escárnio Silencioso, para que todo o glamour da magia seja disperso, e que a Anarquia Gargalhante preencha nossos corações”

Rito:

Sacerdote: “Que a pomposidade comece!”

Os participantes começam a se pavonear pela sala, fazendo declarações importantes sobre si próprios e acerca dos caminhos “sérios” e “sagrados” da magia, e afirmar em alto e bom tom que como magos, devem ser adorados e respeitados por todos.

Enquanto isso, o Sacerdote (MT), no centro da sala, começa a se admirar e girar em volta de si enquanto faz gestos e caretas apropriadas (se visualizando como Harpo, um bufão sagrado) até que o avatar, atraído até esse espaço de tamanha pomposidade e prestígio, escolha se manifestar.

Quando o Sacerdote (MT) sentir o avatar incorporando, ele eleva a buzina e começa a litania:

Honk, Honk, Honk, Honk (ad infinitum)

Quando os participantes escutarem a buzina, devem congelar em estátuas de pompa e vaidade. HARPO então tem o domínio da cena para realizar quaisquer brincadeiras e sacanagens que quiser, com o objetivo de provocar a gargalhada em geral. Uma forma de fazer isso é assim que uma pessoa começar a rir, se juntar ao Palhaço e tentar puxar os outros para a gargalhada.

O Rito pode terminar aqui, ou Harpo pode escolher dar um sacramento (Torta na cara?) aos participantes de algum jeito. Se um banimento for necessário, o Sacerdote (MT) deverá tirar os adereços e passar do silêncio à fala.

Phil Hine. Tradução e Adaptação: Laurent Gabriel

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-missa-do-caos-h/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-missa-do-caos-h/

O Círculo Mágico

Todos autores de livros que lidam com magia cerimonial que dão relatos sobre conjuração e invocação de seres de qualquer espécie apontam que o círculo mágico tem nisto o mais importante papel. Centenas de instruções podem ser encontradas de como fazer círculos mágicos para alcançar os mais variados objetivos, por exemplo com Albertus Magnus, na Clavícula Salomonis, na Goethia, em Agripa, na Magia Naturalis, na Magia Naturalis de Fausto e nos velhos grimórios. É dito em todos lugares que quando invocando ou chamando um ser, deve-se ficar dentro do círculo mágico. Mas uma explicação do simbolismo esotérico do círculo mágico é raramente dada. Conseqüentemente eu tenho a intenção de dar ao estudioso e ao mago impaciente uma descrição completa e satisfatória do círculo mágico de acordo com as leis e analogias universais.

Um verdadeiro círculo mágico representa o layout simbólico do macrocosmo e do microcosmo, ou seja, do homem perfeito. Ele fica para o início e o fim como para o alfa e o Omega, assim como para a eternidade, que não tem início nem fim. O círculo mágico, conseqüentemente, é um diagrama simbólico do infinito, da divindade em todos seus aspectos, e pode ser compreendida pelo microcosmo, i. e. pelo adepto verdadeiro, o perfeito mago.

Desenhar um círculo mágico significa simbolizar o divino na sua perfeição, para obter contato com ele. Acontece, acima de tudo , no momento que o mago está no centro do círculo mágico, pois por este ato o contato com a divindade está demonstrada graficamente. É o contato do mago com o microcosmo em seu “maior passo” de consciência Conseqüentemente, do ponto de vista da magia verdadeira, é muito lógico que ficar no centro do círculo mágico é equivalente a ser, na consciência de quem fica, em unidade com a divindade universal. Disto pode-se ver claramente que um círculo mágico não é somente um diagrama para proteção de influências negativas não desejadas, mas segurança e inviolabilidade são trazidas através desta consciência e contato espiritual com o altíssimo.

O mago que fica no centro do círculo mágico é protegido de qualquer influência, não importa que seja má ou boa, pois ele próprio está, de fato, simbolizando o divino no universo. Adicionalmente, por permanecer no centro do círculo mágico, o mago também representa a divindade no microcosmo e controla e governa os seres do universo em um modo totalitário.

A essência esotérica do mago que permanece no centro do círculo mágico é, conseqüentemente, muito diferente da qual os livros de evocação usualmente mantém. Se um mago que está no centro do círculo mágico não estiver consciente do fato que ele está, no momento, simbolizando Deus, o divino e o infinito, ele não estará apto a praticar qualquer influência em qualquer ser de qualquer espécie. O mago é, naquele momento, uma perfeita autoridade mágica a quem todos poderes e seres devem obedecer de modo inquestionável, definitivo e completo.

Sua vontade e as ordens que ele dá a seres e poderes são equivalentes à vontade e ordens do infinito, do Divino, e devem conseqüentemente ser incondicionalmente respeitada por todos os seres e poderes que o mago conjurou.

Se o mago, durante tais operações, não tiver a atitude correta sobre seus atos, ele degrada a si mesmo para um feiticeiro, um charlatão, que simplesmente gesticula e não tem contato verdadeiro com o mais elevado. A autoridade do mago, em tal caso, seria certamente duvidosa.

Além disto, ele estaria em perigo de perder seu controle sobre tais seres e poderes, ou , o que seria pior, ser zombado por eles, não falando das outras surpresas não desejadas e previstas e dos fenômenos acompanhantes que ele estaria exposto, principalmente se forças negativas estiverem envolvidas. O modo no qual o círculo mágico é formado depende do grau de maturidade e da atitude individual do mago. O diagrama, que é o desenho pelo qual a divindade é expressa no círculo, é sujeito aos conceitos religiosos do Mago.

O procedimento seguido por um mago oriental quando forma um círculo mágico não tem utilidade para um mago ocidental, porque suas idéias de divino e infinito são bem diferentes daquelas de um mago do Oeste. Se um iniciado ocidental desenha um círculo mágico de acordo com instruções orientais, com todos nomes divinos correlatos a este sistema, se tornaria inefetivo e completamente deficiente de seu propósito.

Um mago cristão nunca deve desenhar um círculo mágico de acordo com os indianos ou quaisquer outras religiões se ele quer salvar a si mesmo de um esforço desnecessário. A construção do círculo mágico depende, desde o princípio, das idéias e crenças individuais e da concepção individual das qualidades da Divindade, que deve ser simbolizada graficamente por este círculo. Este é o motivo pelo qual um mago autêntico nunca desenhará um círculo, procederá com rituais, ou seguirá instruções sobre magia cerimonial com as quais ele próprio não esteja identificado em sua prática individual. Isto seria semelhante a vestir roupas orientais no ocidente.

Conduzindo-se com estes fatos em mente, torna-se natural que o círculo mágico deve ser desenhado em completa concordância com os pontos de vista e maturidade do mago. O iniciado que está consciente da harmonia do universo e sua hierarquia exata irá, certamente, fazer uso de seu conhecimento quando estiver desenhando o círculo mágico.

Tal mago pode, se desejar, e se a circunstancia permitir, desenhar dentro de seu círculo mágico diagramas representando a inteira hierarquia do universo e assim entrar em contato (acordando sua consciência do fato) com o universo muito mais rapidamente.

Ele é livre para desenhar, se necessário, muitos círculos a uma certa distância um do outro de modo a usá-lo para representar a hierarquia do universo na forma dos nomes divinos, gênios, príncipes, anjos e outras potências.

Deve-se, com certeza, meditar apropriadamente e levar o conceito dos aspectos divinos em questão na consideração quando do desenho do círculo. O mago verdadeiro deve conhecer que os nomes divinos são designações simbólicas das qualidades e poderes divinos.

Isto é devido ao motivo de que enquanto desenha o círculo e entra os nomes divinos o mago deve também considerar as analogias correspondentes ao poder em questão, tais como cor, número e direção, se ele não quiser permitir que uma brecha em sua consciência venha à existência devido a ele não apresentar o universo em sua completa analogia.

Cada círculo mágico, não importando se um desenho simples ou um complicado, sempre servirá ao seu propósito, dependendo, claro, na faculdade do mago de trazer sua consciência individual em completa concordância com a universal, à consciência cósmica. Mesmo um largo barril de madeira faria o trabalho, com a condição de o mago ser capaz de encontrar o relevante estado mental e estar completamente convencido que o círculo em cujo centro ele está permanecendo representa o universo, o qual é em conseqüência, uma representação de Deus.

O mago irá perceber que quanto mais extensas suas leituras, maior sua capacidade intelectual e maior sua bagagem de conhecimento será, mais complicado seu ritual e seu círculo mágico será de modo a construir o suporte suficiente para sua consciência espiritual, a qual então tornará possível uma conexão mais facilitada do microcosmo e do macrocosmo no centro do círculo. Para os círculos propriamente ditos, eles podem ser desenhados de vários modos para adequar-se às circunstancias, à situação prevaleceste, ao propósito, as possibilidades, não importando se eles são simples ou se eles seguem um complicado sistema hierárquico.

Quando trabalhando ao ar livre, uma arma mágica, adaga ou espada deve ser usada para desenhar o círculo no chão. Quando trabalhando em uma sala, o círculo pode ser desenhado no chão com um pedaço de giz. Uma grande folha de papel pode ser usada para o círculo. O circulo mais ideal, entretanto, é o bordado ou costurado em um pedaço de tecido, flanela ou seda, pois tal círculo pode ser posto no chão de uma sala ou fora da casa. Os círculos desenhados em papel tem a desvantagem que o papel logo irá gastar-se e rasgar-se em pedaços.

De qualquer modo, o círculo deve ser largo o suficiente para habilitar o mago mover-se nele livremente.

Quando desenhar o círculo, o estado mental apropriado e completa concentração são essenciais. Se um círculo fosse desenhado sem a concentração necessária, o resultado seria um círculo sem dúvida, mas não seria mágico.

O círculo mágico que foi feito em um pedaço de tecido ou seda deve ser redesenhado simbolicamente com o dedo ou bastão mágico, ou com outra arma mágica; não esquecendo a necessária concentração, meditação e estado mental. O mago deve, em tal caso, estar totalmente consciente do fato que não é a arma mágica em uso que desenha o círculo, mas as faculdades divinas simbolizadas por aquele instrumento mágico. Além disso, ele deve estar ciente que não é ele que está desenhando o círculo mágico no momento de concentração, mas o Espírito Divino que está realmente guiando sua mão e instrumento para desenhar o círculo.

Entretanto, antes de desenhar o círculo mágico, um contato consciente com o todo poderoso, com o infinito, tem de ser trazido à tona pelo auxílio da meditação e identificação.

O mago treinado, tendo um comando através dos exercícios práticos da primeira carta de taro, como explicado em meu primeiro trabalho “Iniciação ao hermetismo”, aprendeu durante os passos daquele livro como se tornar totalmente consciente do espírito e como agir conscientemente como um espírito.

Não é difícil para ele imaginar que não foi ele, mas o espírito divino em todos seus aspectos elevados que está realmente desenhando o círculo mágico que ele deseja ter. O mago tem conseqüentemente aprendido também que no mundo do invisível não é o mesmo embora duas pessoas possam estar fazendo fisicamente o mesmo, pois um feiticeiro, que não possui a maturidade necessária, nunca estará apta a desenhar um verdadeiro círculo mágico.

O mago que está também familiarizado com Cabala pode desenhar outro círculo assemelhado a uma cobra dentro do círculo interior e dividi-lo em 72 campos, dando a cada um destes o nome de um gênio. Estes nomes de gênios, juntamente com suas analogias, deve ser desenhado magicamente através da pronúncia correta.

Se estiver trabalhando com um círculo bordado em um pedaço de tecido, os nomes inseridos nos vários campos devem também estar em latin ou hebreu. Eu deverei dar detalhes exatos sobre os gênios e suas analogias, uso e efeito no meu próximo trabalho chamado “A chave para a verdadeira cabala”.

Um círculo bordado tem a vantagem de que pode ser facilmente estendido e dobrado novamente sem ter que ser desenhado e carregado novamente cada vez que deve ser usado.

A cobra presente no centro não é somente a cópia de um círculo interior, mas acima disto, é o símbolo da sabedoria. Além disto, outros significados podem ser atribuídos a este símbolo da cobra, por exemplo, a força de uma cobra, o poder da imaginação, etc. Não é possível dar uma completa descrição disto, pois iria muito além do objetivo deste livro. Um mago budista desenhando sua mandala, colocando suas cinco deidades na forma de figuras ou diagramas no topo da emanação relevante, está, no momento, meditando sobre cada deidade única cuja influência ele está tentando evocar. Esta cerimônia mágica é também em nossa opinião equivalente ao desenhar um círculo mágico, embora realmente seja uma oração autêntica às divindades budistas.

Dizer mais sobre este assunto neste livro é certamente desnecessário pois material suficiente já foi publicado na literatura oriental sobre este tipo de práticas mágicas, tanto em manuscritos exotéricos ou secretos.

Um círculo mágico pode servir a muitos propósitos. Pode ser utilizado para evocações de seres ou como meio protetivo contra influências invisíveis. Não é necessário em todos os casos que seja desenhado ou posto no chão. Pode ser desenhado no ar com uma arma mágica, como a espada mágica ou bastão mágico, sobre a condição de que o mago esteja completamente consciente da qualidade universal de proteção, etc. Se nenhuma arma mágica estiver à mão, o círculo pode também ser efetuado com o dedo ou com a mão somente, considerando que isto é feito com o espírito reto, em concordância com Deus. É mesmo possível formar um círculo mágico através da mera imaginação.

O efeito de tal círculo no plano mental ou astral, indiretamente e também neste mundo material depende, neste caso, no grau e força de tal imaginação. A força agregante do círculo é geralmente conhecida na magia magnética. Além disso, um círculo mágico pode ser produzido pela acumulação de elementos ou pela condensação de luz. Quando praticando evocação ou invocação de seres, é desejável desenhar dentro do círculo em que se deve ficar outro círculo menor ou pentagrama com uma de suas pontas para cima, o símbolo que representa o homem. Isto é então o simbolismo do pequeno mundo, do homem como mago autêntico.

Os livros que lidam com a construção do círculo mágico claramente sustentam que durante o ato de invocação o mago nunca deve deixar o círculo, o qual, em seu senso mágico, significa nada mais do que a consciência ou contato com o Absoluto (i. e . o macrocosmo) não deve ser interrompida.

Desnecessário dizer que o mago, durante sua operação mágica com o auxílio do círculo mágico e com os seres ficando em pé em sua frente, não deve pisar fora do círculo com seu corpo físico ao menos que ele tenha terminado seu experimento e dispensado o ser relevante.

Tudo isto claramente mostra que o verdadeiro círculo mágico é realmente o melhor para praticar magia cerimonial. O mago irá sempre descobrir que o círculo mágico é, em cada aspecto particular, o mais elevado símbolo à mão.

É dificilmente necessário mencionar que o specimen de um círculo mágico, desde que cada mago irá agora saber do que o que eu disse acima como ele tem que proceder, e é agora por sua conta fazer uso das instruções dadas aqui.

Ainda ele nunca deve esquecer o principal, que é a orientação que ele precisa quando trabalha com um círculo mágico, pois somente se ele alcançou o contato cósmico necessário através da meditação e imaginação, i.e. a conexão pessoal com seu deus, estará ele qualificado para entrar no círculo e começar a trabalhar dentro dele.

Franz Bardon

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-c%C3%ADrculo-m%C3%A1gico

As raízes judaicas da Magia Sexual

Excerto de “Modern Sex Magick” de Donald Michael Kraig

Para aqueles que não estão familiarizados, a história da magia sexual começa com os Cavaleiros Templários. Fundado em 1118 EC, o propósito declarado dos Templários era proteger os peregrinos que iam para o Oriente Médio durante a Segunda Cruzada. A história dos Templários é bastante fascinante, mas para nossos propósitos basta dizer que eles foram suprimidos em 1312 por autoridades religiosas e temporais que tinham inveja de seu poder e riqueza. Vários dos seus membros foram presos ou mortos. Seu líder, Jacques DeMolay, foi queimado vivo. Os Templários, como outros acusados ​​de heresia, feitiçaria e prática de magia, foram acusados ​​de uma litania de crimes. Essas acusações provavelmente foram apenas um ardil perpetuado pela igreja e pelo estado para obter a imensa riqueza e amplas propriedades que os Templários possuíam. A história aceita é que os templários aprenderam magia sexual com os sufis do Oriente Médio, que a aprenderam com os tântricos da Índia. Os alquimistas medievais receberam esta informação dos Templários e a codificaram em alguns ensinamentos em suas obras. Eventualmente, Aleister Crowley, que aprendeu sobre magia sexual em suas viagens à Índia e à África, começou a experimentar tanto as técnicas tradicionais quanto as suas próprias técnicas recém-criadas.

Enquanto isso, um homem chamado Pascal Beverly Randolph havia descoberto os segredos da magia sexual ou inventado algumas novas técnicas também. Nascido em 1815, era filho de um médico e de uma dançarina de salão. Tornou-se grumete e aprendeu o ofício de marinheiro, tornando-se em seguida mestre de embarcação. Ser marinheiro permitiu-lhe viajar muito. Aos vinte e cinco anos, foi iniciado na Irmandade Hermética de Luxor. Em 1868 (depois de várias viagens à França), fundou a Irmandade de Eulis, que acabou tendo muitos seguidores. Ele publicou um livro (Magia Sexual) que postulava um tipo de bissexualidade espiritual junto com a ideia de que o orgasmo era mágico e sagrado. Randolph influenciou as pessoas que recriaram os Cavaleiros Templários na forma da Ordo Templi Orientis (OTO). Crowley se juntou a esta Ordem e, eventualmente, após uma batalha divisória, tornou-se seu chefe. Hoje, assim como a maioria dos ensinamentos sobre magia cerimonial foi filtrada pelas lentes dos membros da Golden Dawn, também a maioria dos ensinamentos sobre magia sexual foi filtrada através da lente de Aleister Crowley e da OTO.

A história acima é precisa, mas representa apenas uma parte da corrente. É uma versão um tanto quanto limitada da história da magia sexual ocidental – uma visão de túnel que ignora a realidade mais ampla e falha em duas áreas:  Primeiro, não identifica onde e como a magia sexual se desenvolveu originalmente. Em segundo lugar, implica que a magia sexual permaneceu relativamente inalterada ao longo do tempo (especialmente no último século) e simplesmente transportada para o presente. De fato, há ampla evidência de que a magia sexual tem uma história muito mais ampla do que é comumente reconhecida. Para entender essa história mais profunda, no entanto, devemos primeiro examinar a natureza da Cabala.

Nos últimos anos, tive a sorte de dar palestras em todos os EUA, da Flórida a São Francisco e de San Diego a Nova York. Uma das coisas que faço agora perto do início de cada palestra, não importa o assunto, é escrever as seguintes letras no quadro-negro: T F Y Q A

As letras representam as palavras em inglês para “Pense por si mesmo. Questione a autoridade”. Continuo explicando que simplesmente porque eu ou qualquer outra “autoridade” ou autor escreve ou diz algo não o torna verdadeiro. Eu sempre peço aos meus alunos que ouçam o que eu tenho a dizer, mas depois que verifiquem. Encorajo as pessoas a confiar em si mesmas em vez de acreditar em um líder ou professor, mesmo quando esse professor seja eu.

Muitos de vocês, sem dúvida, estão familiarizados com a Cabala. São os fundamentos místicos do judaísmo, do cristianismo e até, até certo ponto, do islamismo. Aqueles de vocês familiarizados com a Cabala usada em grupos ocultistas conhecem suas teorias sobre a Árvore da Vida com suas correspondências, bem como os sistemas numerológicos como a gematria. Na minha biblioteca, tenho bem mais de 1.000 livros especificamente relacionados à Cabala ou associados a ela. A maioria deles são semelhantes em conteúdo, simplesmente expressando as mesmas coisas de maneiras diferentes. Todos eles alegam explicar as bases do que é a “A” Kabalah.

Todos eles estão errados.

Para aqueles de vocês que foram estudantes da Cabala, eu lhes peço que reflitam sobre estas questões: Não é possível que a Cabala seja muito mais do que gematria, notarikon, temurah e a Árvore da Vida e suas correspondências? Se sim, então por que tão pouco se sabe de outros aspectos da Cabala? Para responder isso temos que olhar um pouco de história.

Nos anos 1700, um grupo de judeus ortodoxos e piedosos se formou na Europa Oriental. A palavra para “piedoso” em hebraico é Hasid (pronuncia-se: “RASSID”). Assim, essas pessoas ficaram conhecidas como os “Piedosos” ou os Hasidim.

Anteriormente, o judaísmo místico incluía muitas maneiras de desenvolver poder sobre o ambiente: o que hoje chamaríamos de magia. Mas os hassidim não queriam nada disso. Eles buscavam a exaltação espiritual, não a capacidade de mudar o mundo. Eles queriam aumentar o poder de suas orações, não o poder sobre as coisas ao seu redor. Como resultado, eles se concentraram nos aspectos mentais da Cabala, incluindo correspondências sobre a Árvore da Vida, meditação sobre como Deus criou o mundo e as manipulações de letras e números, uma versão moderna (para a época) de formas místicas mais antigas do que é chamado de “magia das letras”.

Como essa informação era mística, era inevitável que ela chegasse ao mundo oculto local (alemão), onde se tornou parte da tradição maçônica daquele país. Esses ensinamentos foram posteriormente traduzidos para as línguas românicas e acabaram se tornando, para muitas pessoas, os ensinamentos centrais da Cabala.

Mesmo depois dessa história, muitas pessoas vão duvidar do que estou dizendo sobre a Cabala. Peço-lhe, então, que olhe para o único trabalho publicado que é aceito como talvez o texto cabalístico mais importante – o Zohar. Há muito pouco lá sobre tal numerologia. O mesmo ocorre no pequeno mas importante livro cabalístico primitivo, o Sepher Yetzirah.

Para resumir, a versão da Cabala que é mais amplamente aceita entre os ocultistas hoje é basicamente nada mais do que parte dos ensinamentos místicos dos hassidim alemães. Isso não torna tais estudos de forma alguma “ruins” ou “errados” ou mesmo incompletos. Em vez disso, simplesmente indica que tais estudos são apenas uma abordagem em um tipo ou escola da Cabala,  e não na coisa toda.

Quando comecei a estudar a Cabala, ou melhor, o que é comumente conhecido entre os ocultistas ocidentais por esse nome, eu era como um cachorro faminto na loja de um açougueiro de bom coração. Eu queria provar e experimentar tudo.

Para quem não conhece a gematria, sua ideia básica é simples. Cada letra hebraica está associada a um número. Soma-se os números das letras de uma palavra e, se forem iguais ou tiverem relação com os números de outra palavra, há uma relação entre as duas palavras. Em Magia Moderna dei o famoso exemplo que mostrava como, em hebraico, a enumeração da palavra “amor” era igual ao valor numérico da palavra “unidade” e como, quando suas numerações são somadas, o total é igual a o valor numérico de uma palavra hebraica para “Deus”. É um sistema numerológico simples que, neste caso, indica que Deus é uma unidade e que Deus é amor.

Muitas noites eu ficava acordado até as primeiras horas da manhã seguinte me debruçando sobre cálculos para tentar provar alguma coisa. Analisei meu nome mágico de três letras escolhido em um papel que tinha várias páginas. Da mesma forma, tenho visto pessoas analisando seções das obras de Aleister Crowley, rituais da famosa Ordem Hermética da Golden Dawn, seções da Bíblia, etc., por mais páginas do que gostaria de lembrar.

Mas um dia percebi que faltava algo. Fiquei com a pergunta atormentadora que Peggy Lee fez em sua música: “Isso é tudo o que existe?” Depois de anos de manipulação numerológica cabalística, cheguei à conclusão de que – para mim, pelo menos – uma exploração mais aprofundada já não provava nada de importante. Percebi que havia se tornado uma estrada falsa, como um falso vidente que parece dar muitas informações, mas na verdade fala pouco.

Claro, eu poderia passar horas provando que as palavras estavam relacionadas. Esse tipo de trabalho ainda é feito hoje (veja, por exemplo, os livros de Kenneth Grant) e pode ser de grande valia para pessoas que sentem que precisam desse tipo de prova. Para eles, esse trabalho é importante e valioso. Eu também precisei disso no passado e recebi isto muitas recompensas e insights espirituais.

Mas para mim, os ensinamentos comumente considerados o núcleo da Cabala agora pareciam nada mais do que uma forma de masturbação mental. Para o exemplo de “amor mais unidade é igual a Deus”, eu disse: “E daí? Isso já não é aceito por muitos (inclusive eu)?” Eu já sabia disso. Eu não precisava “provar” isso para mim ou para qualquer outra pessoa. Sei que a Declaração da Independência foi assinada em 1776. Não preciso passar horas tentando provar que esse evento aconteceu. Não preciso ler centenas de livros para saber que esse evento ocorreu em um determinado ano. Fazer tal estudo neste momento da minha vida seria chato e uma perda de tempo. Um dos tipos de pessoas que encontramos no caminho oculto é o “mago de poltrona” que fará alguma magia assim que “acabar com mais um livro” ou “construir mais uma ferramenta mágica”. Ele não consegue nada prático porque nunca faz mágica. Sim, ele ganha conhecimento, o que certamente é um objetivo digno em si. Mas o conhecimento por si só não é o objetivo de um mago praticante. Para todos os efeitos práticos, ele está fazendo o mesmo trabalho que os do místico hassídico do século XVIII. Isso não era o suficiente para mim. Um mágico de poltrona não era alguém que eu queria ser. Esta foi uma grande crise. Eu estava prestes a perder completamente meu interesse pela Cabala – algo que havia me transformado e tinha sido o maior interesse da minha vida por mais de vinte anos. Eu hibernei, fiz leituras de tarô para mim mesmo e meditava. Então, um dia, ficou claro.

Experiência! Era isso que faltava em todas as manipulações numerológicas. Cheguei à conclusão de que pensar em algo não era suficiente para mim. Eu sou ação. E embora muitas das técnicas cabalísticas que usam a numerologia cabalística para fazer talismãs bem-sucedidos, por exemplo, proporcionassem uma gratificação tardia quando o talismã atingia seu objetivo, eu queria algo mais imediato. Eu conhecia apenas uma técnica que forneceu a aventura, ação e experiência que eu desejava: Pathworking cabalístico.

Devido a muitos trabalhos publicados, o termo pathworking perdeu seu significado original. Hoje, pathworking significa qualquer tipo de meditação guiada em que se faz uma viagem mental ou astral visualizada ou algum tipo de viagem. Eu uso a expressão “pathwork cabalístico para representar o significado original da palavra pathworking: andar na Árvore da Vida cabalística enquanto estiver no plano astral. A chave aqui é ser capaz de separar a consciência do corpo e viajar no plano astral. Em outras palavras, esta técnica cabalística requer que você alcance um estado alterado de consciência. Exceto pelos métodos fornecidos em fontes como The Golden Dawn de Regardie e as várias versões dessas instruções que foram publicadas, pouca informação apareceu de um antigo ponto de vista cabalístico. Se o pathworking cabalístico requerer acesso ao plano astral através de um estado alterado de consciência, segue-se que deve haver métodos cabalísticos tradicionais para alcançar tal estado.

Um método que descobri nas obras de Aryeh Kapi era simplesmente colocar a cabeça entre os joelhos. Isso muda o fluxo de sangue para o cérebro, resultando em um estado alterado. No entanto, ao investigar mais, descobri outro método para alcançar um estado alterado, uma técnica que Marsha Schuchard chama de transe sexual. Este método faz parte da teoria cabalística, embora tenha sido ignorado pela maioria dos pesquisadores e praticantes, pois não era uma parte publicada do movimento hassídico alemão. E enquanto esta chave cabalística para o mistério tem estado no subsolo por mais de 2.500 anos, ela vazou ou foi redescoberta de tempos em tempos e formou a base da magia sexual ocidental, em todas as suas formas, como existe hoje. Eu precisava daquilo.

Se você ler a Bíblia como um tipo de história, verá que os profetas de todas as gerações criticaram os hebreus por não adorarem os deuses e deusas de outras culturas. A implicação disso é que os hebreus não eram monoteístas desde a época de Abraão, mas eram tão politeístas quanto suas culturas vizinhas. De fato, em The Hebrew Goddess, o respeitado antropólogo Raphael Patai mostra que os hebreus adoravam uma deusa tanto em suas casas quanto no templo sagrado em Jerusalém até a destruição do segundo templo em 70 EC, você encontrará frequentemente nos artigos sobre as práticas religiosas dos primeiros hebreus, práticas que incluíam a adoração tanto de um Deus quanto de uma Deusa.

Na maioria dos templos judaicos de hoje, o local onde reside a Torá – os primeiros cinco livros da Bíblia em forma de pergaminho – está localizado em uma plataforma elevada. Essa plataforma geralmente tem a forma de um tipo de palco onde o Rabino (o líder das orações) e o Cantor (o líder dos cantos ) também têm suas posições rituais. Esta área é conhecida como bimah (pronuncia-se: bee-mah). A palavra “bimah” significa uma plataforma ou palco. No entanto, a origem da palavra é bamah (bah-mah) que se refere à ideia de um “lugar alto”. No Oriente Médio, uma área elevada era comumente onde várias divindades, não apenas o Deus judeu, eram adoradas. Outros resquícios de tempos pagãos anteriores – incluindo a adoração da Lua como uma forma da Deusa Lunar Levanah (que agora é o próprio nome da Lua em hebraico) – também são encontrados em várias tradições folclóricas judaicas.

As primeiras formas de paganismo tinham vários propósitos, talvez o mais importante fosse a fertilidade. Os primeiros pagãos praticavam ritos para garantir a fertilidade das colheitas, rebanhos e pessoas. Freqüentemente, esses ritos incluíam comportamento sexual. Por exemplo, em algumas culturas, os pagãos teriam ritualizado a relação sexual em cima de colheitas recém-plantadas. Acreditava-se que a energia levantada durante seu rito, através da imitação de sua magia sexual elementar, ajudaria as plantações a crescer.

Existe alguma evidência de que os primeiros hebreus, como seus vizinhos politeístas, tinham ritos e mistérios sexuais? A resposta é sim. Na verdade, alguns desses ritos têm até versões modernas.

Um exemplo é a prática da circuncisão. Antes que essa prática fosse fixada no judaísmo para oito dias após o nascimento de um menino, provavelmente fazia parte dos ritos da puberdade. Em outras palavras, era realizada quando um menino atingia a maioridade como sinal de maturidade sexual. Os ritos de puberdade para meninos e meninas são comuns nas culturas pagãs. Em algumas culturas, os ritos de circuncisão masculina na puberdade ainda são praticados como parte dos “Mistérios Masculinos”. No judaísmo, os meninos ainda têm um tipo de tal rito (embora sem a circuncisão) quando passam pelo ritual de entrada na idade adulta conhecido como Bar Mitzvah. Mais recentemente, as meninas foram adicionadas a essa tradição quando passam por um Bat Mitzvah semelhante.

Na Torá, a circuncisão é um sinal de um pacto entre Deus e os judeus. Nisto se insinua a ligação entre sexualidade e espiritualidade. Outras vezes, você lerá sobre situações em que colocar a mão na “coxa” é sinal de acordo, geralmente entre um humano e o Divino. “Coxa” é um eufemismo para “pênis” (assim como a Bíblia usa o verbo “conhecer” para significar “coito”). Essa ideia foi adotada ou emprestada de outras culturas onde um homem juraria colocando a mão sobre os testículos do outro. De fato, nossa palavra “testemunhar” (derivada, é claro, da palavra “testes”) vem dessa prática.

Há mais evidências de ritos sexuais no antigo judaísmo. O livro de Raphael Patai, “The Hebrew Goddess “, mostra claramente que não havia apenas um forte componente sexual no misticismo judaico mais antigo, mas que era algo muito importante.

Desde a realização do filme Caçadores da Arca Perdida, muitas pessoas se familiarizaram com a forma da Arca da Aliança. Em cima dela estavam dois Querubins. De acordo com Patai, há uma tradição talmúdica de que “… enquanto Israel cumpriu a vontade de Deus, os rostos dos querubins estavam voltados um para o outro: no entanto, quando Israel pecou, ​​eles viraram os rostos um do outro. ” O que isso pode significar?

A Arca da Aliança foi mantida no “Santo dos Santos”, a parte mais privada e sagrada do templo em Jerusalém. Já o famoso historiador primitivo dos judeus, Flávio Josefo (37 D.C.–100 D.C.), escreveu que não havia nada no Santo dos Santos. Por quê? É bem aceito que ele queria representar o judaísmo como “anti-icônico”, uma religião livre da adoração de ídolos ou ícones. Mas haveria algo mais? Algo que Josefo poderia até ter vergonha de mencionar?

A resposta vem de um historiador ainda mais antigo, Filo (30 A.C-45 D.C ). Ele escreveu que na parte mais interna do templo, na parte mais sagrada do local judaico mais sagrado, havia as estátuas dos Querubins. E esses Querubins estavam “entrelaçados como marido e mulher”. Ou seja, eles foram mostrados tendo relações sexuais.

Isso foi verificado mais tarde pelo relato de um talmudista conhecido como Rabi Qetina, que afirmou que nos dias santos, quando as pessoas iam em peregrinação para ir ao templo, os sacerdotes realmente mostravam os Querubins a eles e diziam: “Vejam! o amor diante de Deus é como o amor do homem e da mulher”. Várias centenas de anos depois, o famoso Rashi escreveu: “Os Querubins estavam unidos, agarrados e abraçados, como um macho que abraça uma fêmea”.
Em outras palavras, o segredo final do Santo dos Santos não era que ele continha a Arca da Aliança, a Torá ou as tábuas dos Dez Mandamentos. Em vez disso, era a natureza espiritual do sexo. A tradição talmúdica mencionada anteriormente implicaria que os querubins estariam envolvidos em relações sexuais constantes enquanto Israel cumprisse a vontade de Deus, mas eles se separariam de seu abraço se Israel pecasse. Além disso, acreditava-se que Deus “falava” entre os Querubins.

Lembre-se, de acordo com a Torá e a Cabala, Deus cria através da fala: “E o Senhor disse: “Haja luz.” E eis que havia luz.” Esta, então, é a revelação do segredo cabalístico da magia sexual: profecia, adivinhação e invocação que podem resultar do sexo espiritualizado.  De fontes talmúdicas também sabemos que um dos maiores feriados para os antigos judeus ocorreu cerca de duas semanas após o Ano Novo Hebraico. Os peregrinos vinham ao templo em Jerusalém de todas as partes para este feriado que era considerado uma festa alegre. No entanto, ao final dos sete dias desta festa, que era celebrada tanto por homens como por mulheres, as festividades se tornariam tão intensas que homens e mulheres se misturariam e cometeriam atos que eufemisticamente chamavam de “vertigem”. Em termos modernos, a multidão corria sexualmente desenfreada. Este comportamento terminou algo entre cerca de 100 AEC. e 70 d.C.

Outra fonte que indica que o judaísmo primitivo tinha ritos sexuais é encontrada no livro O Cântico dos Cânticos, de Carlo Suares, que é sua interpretação desse pequeno texto bíblico (conhecido também por seu título mal traduzido, Cantares de Salomão). Na introdução, Suares descreve brevemente o honrado Rabi Akivah (também conhecido como Akiba), que nasceu em 40 D.C e foi executado no ano 135.
D.C. depois de passar muitos anos na prisão por ser um apoiador da guerra judaica contra Roma. Hoje, Rabi Akivah é homenageado por judeus em todo o mundo. Poemas e orações atribuídos a ele são recitados por judeus fiéis. Ainda me lembro da bela e ritmada oração cantada que começa com “Amar Rabi Akivah…” (assim falou Rabi Akiba…). Ele é considerado o pai da versão escrita das leis orais judaicas conhecidas como Mishná. Ele também é considerado por muitos como o pai da Cabala.

Assim como as principais seitas cristãs têm divisões entre si, também houve divisões no judaísmo. No primeiro século EC, o rabino Ismael assumiu uma posição semelhante à de alguns cristãos fundamentalistas modernos de hoje. Ele e seus apoiadores sustentavam que os escritos sagrados judaicos foram escritos em uma linguagem que falava diretamente aos homens e deveriam ser aceitos literalmente. Rabi Akivah discordou e sustentou que as palavras eram apenas a forma da mensagem. O verdadeiro significado da Torá deveria ser encontrado em sua interpretação mística, sua essência interior. Assim, quando uma discussão sobre quais livros deveriam ser considerados parte da Bíblia judaica estava ocorrendo entre os principais Rabinos, a maioria deles queria excluir o aparentemente profano poema de amor que é o Cântico dos Cânticos. Afinal, como poderia um judeu hoje em dia ter frases como “beije-me com os beijos de sua boca” e “seus seios são como dois filhotes” em seu livro sagrado?

Rabi Akivah foi um dos rabinos mais honrados de seu tempo e assim permanece até os dias atuais. Em seu tempo, ele foi mantido em grande respeito e era considerado uma autoridade poderosa no judaísmo. Akivah exerceu sua reputação e autoridade para mudar a atitude dos outros rabinos. “O universo inteiro não vale o dia em que aquele livro… [foi] dado a Israel”, disse ele, “porque todas as escrituras são sagradas, mas o Cântico dos Cânticos é o mais sagrado”.

Quando li pela primeira vez esta citação, fiquei fascinado e intrigado. Não é estranho que um dos rabinos mais importantes da história judaica tenha defendido a canção de amor não apenas como um bom livro, não (como alguns diriam) porque é Deus dizendo como Ele ama Israel (ou vice-versa), mas porque é a “santíssima” de todas as escrituras?

Lembre-se, Akivah é considerado o pai da Cabala. Não poderia a razão para a defesa do livro de Akivah ser que ele retinha o segredo sagrado do judaísmo, o segredo da magia sexual? Este segredo teria então sido passado para seus seguidores e de lá para muitas das escolas da Cabala.

Mesmo o bastante enfadonho e pedante AE Waite, em The Holy Kabbalah, refere-se ao fato de que os judeus místicos consideravam o casamento um sacramento e que praticavam um “ensino em caminhos pouco freqüentados, algo herdado do passado … [dos quais ] há algum vestígio de ensino no Oriente.” Isso aparece na seção do livro de Waite intitulada “O Mistério do Sexo”, e indica que entre os cabalistas havia um ensinamento de magia sexual que era de certa forma semelhante aos ensinamentos sexuais dos taoístas e tântricos. Em uma nota de rodapé ele diz que os magos sexuais cabalísticos:

… tinham um ideal interior, espiritual e divino, no qual eles habitavam, e pelo qual eles parecem ter realizado transmutações abaixo. Isto é, sua magia sexual (que era tanto um ato físico quanto espiritual) e produzia mudanças – magia – no plano físico.

Como nota final para esta seção, eu acrescentaria que entre os judeus devotos de hoje é uma mitsvá (uma palavra que significa tanto um mandamento de Deus quanto uma bênção) fazer sexo com seu cônjuge no sábado. Isso porque Deus é considerado um andrógino Divino e ao fazer sexo, unindo homem e mulher, eles estão simulando Deus. Uma interpretação alternativa é que eles estão imitando Deus em união com sua consorte, a Shekhina (semelhante à noção pagã ocidental do Deus unido à Deusa ou à noção hindu de Shiva unida a Shakti).

A Disseminação da Cabala Após a destruição do Segundo Templo no ano 70 d.C., os judeus foram dispersos por toda a Ásia e Europa. Muitos judeus consideravam isso um castigo de Deus sobre eles por não seguirem as tradições do judaísmo. Especificamente, eles não estavam seguindo as muitas leis judaicas e estavam adorando outros deuses e deusas. Mas os cabalistas alegaram que, ao dispersar os judeus, a sabedoria da Cabala se espalhou por todo o mundo. Deste ponto de vista, a diáspora não era uma maldição para os judeus, mas uma bênção para o resto do mundo. E essa bênção, a Cabala, consistia, pelo menos em parte, nos segredos da magia sexual. À medida que os judeus se moviam pela Europa, formavam pequenas comunidades. Em alguns deles havia escolas de cabalistas. A separação entre as comunidades acrescentou diversidade, e muitos dos ensinamentos cabalísticos, incluindo aqueles relativos à magia sexual, devem ter mudado e evoluído. Mas como os ensinamentos foram além das escolas do judaísmo místico? A resposta, acredito, vem da própria natureza do judaísmo e sua longa tradição de judeus sendo o povo do livro. À medida que a Igreja Católica se fortaleceu, a educação secular (incluindo leitura, escrita e matemática) dos fiéis foi desaprovada e limitada à realeza, aos ricos, escribas da Igreja e certos membros das forças armadas. Mas porque muitos judeus sabiam ler, escrever e sabiam matemática, agiam como mensageiros viajantes ou como cobradores de impostos para os ricos. Com alguns deles veio junto Cabala e a magia sexual.

Eles se comunicavam com outros que viajavam, incluindo os músicos errantes conhecidos por nomes como trovadores, menestreis, bardose os posteriores minicantores e meistersingers que vagavam por partes da Europa ocidental nos séculos XII e XIII d.C.  Não eram apenas homens como como registrado por historiadores do sexo masculino que, durante séculos, subestimaram a importância das mulheres na história, algumas mulheres também atuavam assim.

No século XIII, um livro pouco conhecido chamado Iggeret Ha Kodesh (A Carta Sagrada) foi difundido entre os judeus na Espanha. Foi por muitos anos atribuído ao famoso rabino chamado Nachmanides, mas os estudiosos hoje concordam que o rabino provavelmente não foi o autor. O livro era tão popular que três manuscritos variados deste livro são conhecidos. Foi dito que todos os livros verdadeiramente sagrados podem ser lidos em três níveis: físico, espiritual e místico. No nível físico, este livro parece ser um manual de casamento judaico. Em um nível espiritual, este livro é visto como uma “obra cabalística que descreve o relacionamento de Deus” com os judeus. Mas em um nível místico revela virtualmente todos os mistérios e técnicas de magia sexual que estão em uso até hoje. É minha opinião que os menestréis errantes medievais tinham alguma familiaridade com este livro ou com aqueles que usaram suas técnicas e ajudaram a difundir o conhecimento.

Até então, os casamentos não eram muito conhecidos. As pessoas viveriam juntas e se chamariam de marido e mulher. Eles eram considerados casados ​​mesmo sem um ritual de casamento. Nas Ilhas Britânicas, as regras para proteger as mulheres tornaram-se parte do que era conhecido como “lei comum [principalmente não escrita]”. Assim, após um certo período de tempo de convivência e alegando ser marido e mulher (e aceito como tal pela comunidade), uma mulher seria legalmente reconhecida como esposa de direito comum de um homem. Daquele ponto em diante, ele não poderia simplesmente jogá-la na rua quando estivesse cansado dela. Ela tinha direitos sob as leis do divórcio, embora eles não tivessem passado por uma cerimônia formal de casamento. O direito comum é inda hoje uma das bases do sistema jurídico americano.

Geralmente, na sociedade ocidental, controlada pelos cristãos, eram apenas os ricos e a realeza que se casavam. O objetivo dessa exibição pública era mostrar a todos que apenas os filhos dessa mulher seriam os herdeiros legítimos de um determinado homem. Na verdade, o casamento era mais um contrato legal do que um desejo de se unir por amor. Às vezes, pinturas eram feitas para mostrar a cena do casamento para provar que um casamento havia sido realizado.

Governantes e homens ricos queriam saber que seus filhos, na verdade, eram seus filhos de sangue. Acreditava-se que o sangue tinha qualidades mágicas inatas. Existe até uma crença hoje entre alguns bretões no “Toque do Rei” – que o próprio toque de um rei (que também foi aprovado pelo Deus cristão, ou então como ele poderia ser rei?) poderia curar várias doenças. Para garantir uma linhagem contínua, a monogamia tornou-se a regra para as esposas dos ricos e da realeza. Mesmo assim, há ampla evidência de que tanto as esposas quanto os maridos costumavam fazer sexo fora do casamento.

Eventualmente, a ideia de amor tornou-se um acessório do casamento. Foi uma conseqüência da noção de “amor cortês” que foi difundida pelos bardos viajantes. Eles até tinham regras para o amor cortês, algumas das quais escondiam os segredos da magia sexual. Por exemplo, a regra 30, de acordo com Andreas Capellanus cerca de 1.500 anos atrás, diz: “Um verdadeiro amante é continuamente é ininterruptamente obcecado pela imagem de sua amada”.

Dentro dessas palavras está um segredo de magia sexual que alguns dizem ter sido “descoberto” por A. O. Spare neste século. Como pode ser visto, este aspecto da magia sexual antecedeu Spare em mais de um milênio!

Outro grupo de viajantes eram os comerciantes, artesãos capazes de muitas habilidades valiosas. Eles vieram desde os primeiros tempos (quando cada ofício também estava associado a uma divindade) e continuaram no Renascimento. Na Roma antiga, essas guildas eram conhecidas como collegia (a fonte de nossa palavra “faculdade”). Eles tinham seus próprios edifícios onde eles compartilhariam os segredos de sua guilda. Os membros realizavam festas conhecidas como ágape, provavelmente a fonte das festas ágape cristãs do primeiro século. Para identificar outros membros ou permitir entrada nos limites das casas de guildas, eles tinham sinais de mão, gestos e toques especiais, incluindo beijos especiais e ritualísticos. Dessa forma, eles eram os elos entre as antigas escolas de mistérios e as modernas lojas ocultistas. De fato, os collegia foram influenciados pelos gregos, que, por sua vez, foram influenciados por uma variedade de culturas do Oriente Médio, incluindo os ensinamentos dos egípcios, dos sírios e dos antigos Hebreus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/as-raizes-judaicas-da-magia-sexual/

Chamando Cthulhu: O Realismo Fantástico de H.P. Lovecraft

“Neste livro falaremos sobre […] espíritos e conjurações; em deuses, esferas, levitação, e muitas outras coisas que podem ou não existir. Isto é imaterial, o fato de existir ou não. Agindo-se de certas maneiras, certos resultados irão surgir; estudantes são seriamente alertados sobre não atribuir realidades objetivas ou validações filosóficas para qualquer um destes.”

– Aleister Crowley, Liber O

 

Consumido pelo câncer em 1937, com 46 anos de idade, o último descendente de uma decadente família aristocrática da Nova Inglaterra, o escritor de ficção fantástica Howard Phillips Lovecraft deixou um dos legados literários mais curiosos da América. A maior parte de seus contos apareceram na revista Weird Tales, uma publicação dedicada a histórias a respeito do sobrenatural. Mas preso nesses limites modestos, Lovecraft trouxe a fantasia sombria gritando para dentro dos séculos XX e XXI, levando o gênero, literalmente, a uma nova dimensão.

Em nenhum lugar isso é mais evidente do que no ciclo de histórias interligadas conhecido como o Mito de Cthulhu – batizado assim em homenagem a um monstro tentacular alienígena que espera sonhando sob o mar na cidade submersa de R’lyeh. O Mito abrange a trajetória cósmica de uma variedade de entidades extraterrestres horríveis que incluem Yog-Sothoth, Nyarlathotep, e o deus cego e idiota Azazoth, que se esparrama no centro do Caos Derradeiro, “cercado por sua horda contorcida de dançarinos estúpidos e amorfos, e embalado pelo sibilo monótono de flautas demoníacas ostentadas por patas inomináveis”. Sempre espreitando, nas margens de nosso continuum espaço-tempo, este grupo alegre de Deuses Exteriores e Grandes Antigos estão tentando, neste exato momento, invadir o nosso mundo através da ciência, de sonhos e rituais abomináveis.

Como um escritor popular marginal, trabalhando no equivalente literário da sarjeta, Lovecraft não recebeu muita atenção durante sua vida. Mas enquanto a maioria dos escritos de ficção pulp dos anos 1930 se tornaram insonsos e intragáveis nos dias de hoje, Lovecraft continua a atrair a atenção. Na França e no Japão, seus contos sobre fungos cósmicos, cultos degenerados e pesadelos realmente ruins são reconhecidos como obras de um gênio transtornado, e os célebres filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari, elogiam seu abraço radical de multiplicidade em sua obra prima “A Thousand Plateaus”. Já, em território anglo-americano, uma cabala apaixonada de críticos preenche revistas como Lovecraft Studies e Crypt of Cthulhu com suas pesquisas quase talmúdicas. Enquanto isso, tanto hackers quanto talentosos discípulos continuam a criar histórias que desenvolvem ainda mais o Mito de Cthulhu. Há até uma convenção de Lovecraft – a NecronomiCon, que recebeu seu nome do mais famoso de seus grimórios proibidos. Assim como o escritor de ficção científica gnóstico Philip K. Dick, HP Lovecraft se tornou o epítome do autor cult.

A palavra “fã” se deriva do latim Fanaticus, um termo antigo para um devoto do templo, e os fãs de Lovecraft exibem a devoção incansável, fetichismo e debates sectários que caracterizaram as seitas religiosas populares ao longo das eras. Mas o status “cult” de Lovecraft tem uma dimensão curiosamente literal. Muitos magos e ocultistas tomaram seu Mito como fonte de material para a suas práticas. Atraídos das regiões mais obscuras da contracultura esotérica – Thelema, Satanismo e Magia do Caos – estes magos Lovecraftianos buscam ativamente gerar os terríveis e atávicos encontros do tipo que os protagonistas de Lovecraft parecem tropeçar compulsivamente, cegamente ou contra a própria vontade.

Fontes ocultas secundárias para a magia lovecraftiana incluem várias edições “falsas” do Necronomicon, rituais presentes no livro de Rituais Satânicos de Anton Szandor LaVey – criador da Igreja de Satã -, obras de magos britânicos como Kenneth Grant, Phil Hine, Peter Carroll e outros. Além da O.T.O. Tifoniana de Grant e da Ordem do Trapezóide do Templo de Set, outros grupos mágicos que também trabalham com a corrente Cthulhiana incluem A Ordem Esotérica de Dagon, a Cabala Bate, o Coven Lovecraftiano de Michael Bertiaux e o grupo da Sabedoria Estrelar, nomeado assim em homenagem ao grupo homônimo do século XIX presente no conto “O Assombro das Trevas”. Magos Caóticos se uniram às fileiras, costurando na internet retalhos de mistérios arcanos lovecraftianos remixando o Mito em seus (anti) trabalhos ctônicos de código aberto.

 

Este fenômeno torna-se ainda mais intrigante pelo fato de que o próprio Lovecraft era um “materialista mecanicista”, filosoficamente contrário à espiritualidade e à magia de quaisquer espécie. Entender esta discrepância é apenas um dos muitos problemas curiosos levantados pelo poder aparente da magia Lovecraftiana. Por quê e como essas visões marginais “funcionam”? O que pode ser definido como um ocultismo “autêntico”? Como é que a magia se relacionam com a tensão entre fato e fábula? Como espero mostrar, a magia Lovecraftiana não é uma alucinação pop, mas uma “leitura” criativa e coerente posta em movimento pela dinâmica dos próprios textos de Lovecraft, um conjunto de estratégias temáticas, estilísticas e intertextuais que constituem o que chamo de Realismo Mágico Lovecraftiano.

 

O realismo mágico já denota uma cepa de ficção latino-americana – exemplificado por Borges, Gabriel Garcia Marquez, e Isabel Allende – em que uma lógica onírica fantástica mescla perfeitamente e deliciosamente com os ritmos do quotidiano. O Realismo Mágico Lovecraftiano é muito mais sombrio e convulsivo, já que nele forças antigas e amorais pontuam violentamente a superfície realista de seus contos. Lovecraft constrói e, em seguida, destrói uma série de polaridades intensas – entre o realismo e a fantasia, livro e sonho, razão e sua caótica contraparte. Ao jogar com essas tensões em sua escrita, Lovecraft também reflete as transformações que o ocultismo sinistro sofreu, uma vez que confronta a modernidade em formas tais como a psicologia, fa ísica quântica, e a falta de fundamento existencial do ser. E, incorporando tudo isso em um Mito intertextual de profundidade abismal, ele chama o leitor para o caos que se encontra “entre os mundos” de magia e realidade.

 

 

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/chamando-cthulhu-o-realismo-fantastico-de-h-p-lovecraft/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/chamando-cthulhu-o-realismo-fantastico-de-h-p-lovecraft/

What is the Matrix? com Lionel Snell

Bate-Papo Mayhem #121 – gravado dia 16/12/2020 (Quarta) 12h Marcelo Del Debbio bate papo com Lionel Snell – What is the Matrix?

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Lionel Snell/Ramsey Dukes – https://ramseydukes.co.uk/

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#Batepapo #MagiadoCaos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/what-is-the-matrix-com-lionel-snell

A verdade sobre as evocações

Por: Aaron Leitch

Fonte: https://aaronleitch.wordpress.com/2021/01/13/the-truth-about-evocation/ Tradução e notas: Frater Goya (Anderson Rosa)

Saudações caminhantes com espíritos!

Percebi que as pessoas tendem a ter um mal-entendido geral sobre o que é evocação e para que se destina. Muitas pessoas parecem acreditar que a evocação é o objetivo da Magia Salomônica. Não é.

Eu entendo por que essa visão existe. Em ocultismo e ficção de fantasia, é necessário fazer as coisas parecerem interessantes – então o padrão é sempre mostrar um mago em pé dentro de seu Círculo protetor, cercado por fumaça de incenso, varinha ou espada na mão, cantando em línguas misteriosas, evocando criaturas assustadoras ou inspiradoras das névoas astrais. Não é diferente de – por exemplo – um programa policial que apenas mostra as perseguições emocionantes e técnicas de detetive impressionantes, mas nunca mostra as horas de papelada e espera que realmente constituem a maior parte do trabalho. O mesmo ocorre com a representação popular da magia dos grimórios. E, como você só vê o mago fazendo aquela única coisa – evocação – ele tende a se tornar o que você imagina quando pensa no assunto.

Outro culpado, acredite ou não, são os próprios grimórios. Ou, devo dizer, a má interpretação popular dos grimórios. Como eu explico em Segredos dos Grimórios Mágicosi e em meu curso online para iniciantes, os grimórios de fato não apresentam toda a tradição salomônica. São apenas os manuais iniciais (por isso são chamados de “gramáticas”), que dão instruções sobre como estabelecer o primeiro contato com os anjos e espíritos da tradição. E como você faz isso é (em grande medida) realizando as evocações. Depois de estabelecer esse contato, não é necessário realizar a evocação repetidamente. A partir daí, os espíritos assumem e ensinam a magia real – e não é apenas mais evocação.

A evocação tem dois objetivos principais:

1) estabelecer contato com um ser espiritual (ou grupo de seres). Assim que tiver esse contato, você nunca mais precisará realizar a evocação daquele ser novamente. Claro, você precisará realizá-lo novamente para quaisquer novas entidades que deseja conhecer. Portanto, de forma alguma estou sugerindo que você nunca fará outra evocação! No entanto, você não precisará repetir para o(s) espírito(s) que você já contatou. Isto é, contanto que você vincule aquele ser a um talismã, anel, tábua, altar, etc. e tenha meios de continuar trabalhando com ele.

2) Para assuntos importantes que requerem questionar diretamente um ser espiritual. Mais especificamente quando você tem uma série de perguntas que precisam ser feitas. É por isso que os grimórios costumam usar a evocação com o propósito de descobrir informações ocultas, encontrar itens ou pessoas perdidas ou roubadas, receber instruções específicas para algo, para encontrar um tesouro enterrado, etc., etc. Eu disse no passado que a evocação – significando seu uso para este propósito específico – é em si uma forma de adivinhação. Você está falando com o espírito para aprender algo que não sabia anteriormente. Caso contrário – por que você pedindo informações?

Portanto, a evocação é algo que é feito muito mais raramente do que outros aspectos da Tradição. Para a maioria dos propósitos, você pode fazer uma petição a um anjo ou criar um talismã para o que for necessário, sem passar pelo processo de semanas ou meses de evocação completa. Isto é, se você já fez o trabalho de evocar os espíritos com os quais está trabalhando e dedicou seu tempo e esforço para construir uma relação de trabalho com eles. Em nossa casa, temos altares para todos os sete Arcanjos Planetários (os mesmos caras que você vê no Heptâmeronii), sem mencionar meu SAG e Familiares, as Prendas de Carrie, seu Altar Ancestral e alguns outros também. Não precisamos passar meses fazendo evocações completas deles quando precisamos pedir algo – porque já fizemos isso e agora eles moram aqui!

Outra coisa a se considerar: NÃO há necessidade de evocar dezenas de espíritos! Já vi pessoas se gabando de convocar todos os 72 espíritos da Goetiaiii. Ou que eles evocaram todos os Shem haMephoreshiv e / ou Anjos da Árvore da Vida. Mas, gente, não é assim que funciona essa tradição! Você poderia ser um mago salomônico de sucesso durante toda a sua vida e apenas contatar um ou dois espíritos. Você tem que encontrar um espírito que trabalhe bem com você, que goste de você e obtenha resultados – e continuar trabalhando com esse espírito. Esse espírito pode ou não ser capaz de fazer tudo que você precisa – e, se não, pode direcioná-lo (ou mesmo apresentá-lo a) outro espírito que pode, e agora esse espírito se torna parte de sua tripulação. Os anjos e espíritos dos grimórios não são Pokémons! Você não precisa coletar todos eles. Seu exército espiritual deve ser algo que você constrói muito lenta e deliberadamente ao longo dos anos, e não deve ser tratado como uma lista de chamadas em uma empresa de vendas de telefones.

Sim, temos MUITOS altares em nossa casa – principalmente porque fazemos isso profissionalmente. Mas, mesmo conosco, há um número menor de entidades às quais recorremos para a maioria das coisas. Para mim, é primeiro o meu SAGv, depois os meus familiares. Se instruído a fazer isso, posso levar um problema para um dos Sete Arcanjos – e que geralmente tende a ser Sachiel e Iophiel, porque em algum lugar ao longo do caminho me tornei um mago de Júpiter. Para Carrie, ela frequentemente irá para Anael ou Samael porque ela tem uma relação especial com eles. Isso não quer dizer que nunca vamos aos outros Arcanjos, apenas que é uma ocorrência mais rara em relação àqueles com quem mais trabalhamos.

E é ainda mais raro fazermos evocações completas para eles. Em vez disso, gastamos nosso tempo cuidando de seus altares e ícones, fazendo oferendas a eles, acendendo velas decoradas e fazendo petições a eles, e conversando com eles diretamente ou por meio de uma forma de adivinhação ou de outra. Desculpe se isso soa mais como trabalho do que a fantasia incrível de ser um mago – mas é a verdade. E agora você tem.

NOTAS

i No original Secrets of the Magickal Grimoires: The Classical Texts of Magick Deciphered https://www.amazon.com.br/Secrets-Magickal-Grimoires-Classical-Deciphered/dp/0738703036

ii O Heptâmeron é um dos quatro maiores livros de magia na história da humanidade. Acompanhada de “A chave de Salomão”, o Grimorium Verum e “A Constituição do Papa Honório”, forma uma linha de tratados sobre Magia Negra, escritos na Antiguidade e na Idade Média. Também é chamado de Quarto Livro de Cornélio Agrippa. Porém, a autoria foi atribuída a ele sem que, no entanto, fosse citado por seu pretenso autor em nenhuma outra obra. Este livro foi dividido em duas partes: a primeira ensina a comunicar-se com os espíritos do Ar, através de invocações a serem realizadas durante os sete dias da semana. Na Segunda parte, uma série de fórmulas ensina como conjurar entidades para descobrir tesouros, escutar segredos, fazer alguém se apaixonar, abrir cadeados e mais uma série imensa de utilidades práticas do cotidiano.

iii Goetia ou Goëtia é uma prática mágica que inclui a conjuração de demônios ou gênios. Apalavra grega antiga γοητεία (goēteía) significa “encanto, malabarismo, feitiçaria”, de γόης (góēs) “feiticeiro, mago” (plural: γόητες góētes). Durante a Renascença, a goëtia foi às vezes contrastada com magia, como “magia do mal” vs. “magia boa” ou “Magia natural”, ou às vezes com teurgia. Heinrich Cornelius Agrippa, em seus Três Livros de Filosofia Oculta, escreve “Agora, as partes da magia cerimonial são goetia e teurgia. Goetia é infeliz, pelos comércios de espíritos impuros compostos de ritos de curiosidades perversas, encantos iníquos, e depreciações, e é abandonado e execrado por todas as leis.”

iv O Shem HaMephorash (hebraico: שם המפורש, alternativamente Shem ha-Mephorash ou Schemhamphoras), significando o nome explícito, é um termo originalmente tannaítico que descreve um nome oculto de Deus na Cabala (incluindo variantes cristãs e herméticas), e em algumas mais discursos judaicos convencionais. O “nome dobrado 72 vezes ” é altamente importante para o Sefer Raziel, e um componente chave (mas frequentemente ausente) para as práticas mágicas na Chave Menor de Salomão. É derivado de Êxodo 14: 19–21, lido de forma a produzir 72 nomes de três letras. Este método foi explicado por Rashi. As lendas cabalistas e ocultistas afirmam que o nome 72 formado foi usado por Moisés para cruzar o Mar Vermelho, e que pode conceder aos santos mais tarde o poder de expulsar demônios, curar os enfermos, prevenir desastres naturais e até matar inimigos.

v Sagrado Anjo Guardião – considerado a própria Voz de Deus dentro do indivíduo. Uma vez obtida a cooperação do Santo Anjo da Guarda, o aspirante poderia passar a controlar todos os espíritos da natureza e infernais.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-verdade-sobre-as-evocacoes/