Consagração da água da arte enochiana

por Robson Bélli

Esta oração foi desenvolvida para fim de consagrar a agua da arte para ser usada por praticantes de magia enochiana por Robson Bélli em 08 de outubro de 2022 em Fujinomiya no Japão as 23:35.

Coloque o recipiente com agua sobre o Sigillum dei Aemeth, coloque uma pitada de sal na agua e diga (opcional):

– zacam a calz noan oln g a nothoa c a zilda, od zacam a zilda od zacam de a zilda noan nalvage lrasd a zilda, pala drilpa od prdzar, de basgm od dosig a sald c a el.  Ascha i t micalz Mad, Babalon lulo, od a ozongon ozazm. ohorela a caosg torzu de madriax, od let madriax uniglag de caosg. Ol zodameta g, ham c zodinu, ar g noan a zilda c a Ascha g tia vaul od a balye c apila od ohorela lrasd doalim. Zorge!

 

Forma transcrita (para pronuncia direta)!

-Zacame a calazod noanu olanu gi a notarroa ca a zilada, oda zacame a zilada oda zacame de a zilada noanu nalavage larasada a zilada, pala darilapa oda perédazaré, de basaguime oda dosigui a salada ca a ela. asacarra i ta micalazod mada, Babalonu lulo, oda a ozonugome. orrorela a caosagui torézu de madariashi, oda leta madariashi uniguilagui de caosagui. Ola zodameta gui, rrame ca zodinu, aré gui noanu a zilada a a Asacarra gui tia vaula oda a balaie ca apila oda oda orrorela larasada doalime. Zorége!


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/consagracao-da-agua-da-arte-enochiana/

Como Identificar Picaretas e Charlatões

Texto original de Yuri Motta

O TDC sempre foi um Blog voltado para fornecer material de confiança para os iniciados, buscadores, estudantes e estudiosos. Nos últimos anos, acabamos, por força da confiança depositada em nós, nos tornando um farol para denunciar picaretas, esquisotéricos e charlatões que infestam o meio.

Aos poucos, acabamos percebemos que é um trabalho inútil. Denunciávamos um pacto picareta, no mesmo dia alguém mandava um email perguntando “Parabéns pelo post. Agora que vc falou do pacto picaretum, pode indicar um pacto sério com Lúcifer?” e por ai vai… ou seja, nas palavras de P.T. Barnum, “nasce um otário a cada minuto” e esses idiotas às vezes precisam passar pela experiência kármica de serem dilapidados por uma amarração caríssima, uma cabala ginecológica, um falso rabino ou um tratamento de mesa positrônica quântica para que possa aprender pela dor da perda monetária ou humilhação de se tornar uma “noiva do rabino”.

A partir de 2015 estaremos retornando para nossas origens e postaremos mais textos sobre hermetismo, espiritualidade, investigação cética do ocultismo e textos clássicos. Deixarei então, este post sobre o assunto para que vocês coloquem nos favoritos e quando alguém pedir recomendações sobre algum “mestre”, “rav”, “professor” ou “bruxo” qualquer coisa vocês mandem a pessoa olhar aqui.

COMO IDENTIFICAR UM CHARLATÃO

Google

A indicação mais simples de todas. Entre com o nome do sujeito no Google. Normalmente você já cairá em sites de pessoas que foram enganadas ou alguma postagem antiga daqui. Esse procedimento simples já ajuda a resolver 80% dos casos. Contudo, muitos picaretas trocam de sobrenome ou reformulam seus sites de tempos em tempos, justamente para tentar escapar deste procedimento.

Títulos Mirabolantes

O picareta na maior parte das vezes vai ter um título na frente do nome, embora usar um título na frente do nome não seja razão para você chamar alguém de picareta, é quase sempre certeza que o picareta vai ter algo na frente do nome para dar certeza de que ele é alguma coisa (que quase sempre não é).

“Rav”, “Mago”, “Bruxo”, “professor”, “Babalorixá”, “Pai”, “Mãe” e outros, são títulos que eles pegam de religiões ou práticas espirituais para usar a favor deles próprios, as vezes desvirtuando religiões que eles próprios não conhecem, como exemplo a Umbanda e o Candomblé e especialmente a Quimbanda, muitos se dizem pai ou mãe de santo, mas não dirigem nenhum terreiro, o que é, para quem entende do assunto uma grande piada (de mal gosto). Ou seja, se a pessoa se intitula “pai-de-santo” mas não dirige nenhum terreiro, é certeza de ser furada…

Entidades “do bem”

Todo picareta da espiritualidade que se preze vai se gabar por ter um monte de entidades (do bem ou do mal, vai por conta do freguês) à sua disposição para qualquer feitiço, amarração “do amor” ou pacto “da prosperidade” de lúcifer/goécia que queira, e essas entidades vão “falar no ouvido dele” o que deve ser feito e até QUANTO DEVE SER COBRADO. Amigos, entidades sérias tem coisas muito mais importantes para fazer no mundo espiritual do que auxiliar o picareta a trazer um marido de volta ou uma coisa insignificante do tipo. Qualquer um que prometer “trazer a pessoa amada” É PICARETA. Ponto final. Não há “prazo”, “mais caro”, “amarração do bem”, “alguém fez trabalho contra”, “demanda” ou o caraio de judas… existe apenas um patife querendo abusar da sua fragilidade emocional.

História Espetacular

Todo charlatão tem um passado espetacular, as histórias deles são quase sempre iguais, eles são pessoas que tinham dons latentes desde pequenos e faziam coisas que pessoas normais não faziam.

Alguns inventam viagens mirabolantes para Israel, Curas milagrosas de câncer, avós milionárias que o sustentam, etc… Para resumir, de uma forma ou de outras eles são incríveis e melhores que eu, você ou qualquer um no mundo, mas perdem seu tempo fazendo “caridade” em lhe trazer a mulher amada (em troca de algum dinheiro, claro!).

Nos sites do charlatão sempre diz que ele tem “reconhecimento e fama sem limites”, mas ele nunca fala DE ONDE, nem QUANDO, nem QUEM o reconhece, pois quase ninguém o conhece realmente e não há nada sobre ele em nenhum lugar que não seja o próprio site.

Ordens Falsas

Geralmente as ordens falsas são sempre semelhantes: os líderes delas não são líderes por trabalharem duro e subirem os degraus, são líderes porque INVENTARAM as tais ordens com nomes cada vez mais mirabolantes e que nunca ninguém ouviu falar.

Quase sempre vão se manter às custas do dinheiro dos que são afiliados delas; como são poucos a mensalidade tende a ser alta, nem sempre é mensalidade, a criatividade não tem limites, pode ser cursos, livros, materiais, taxas para iniciação, etc.

Geralmente o objetivo central é o dono da tal “ordem” viver do dinheiro dela, assim como algumas igrejas, mas quase nenhum consegue.

Nunca um charlatão vai falar que é da Maçonaria, AMORC, TOM, FRA, CALEN, Astrum Argentum, Arcanum Arcanorum ou Círculo Iniciático de Hermes, por exemplo, pois nas Ordens sérias os membros são identificados facilmente pelos outros membros, às vezes com um simples telefonema para confirmar a veracidade da informação.

MUITO CUIDADO com “Maçonarias” que fazem SPAM, anunciam no Google, Facebook ou Orkut… NENHUMA ordem séria faz recrutamento por Spam. Não importa o quão lindo e maravilhoso seja o site ou o quanto falem que é “regular”…

Preços

Preços altos são um grande indício, por quê?

Porque se ele conseguir tirar 1.000 reais ou mais de você, não tem problema você sumir depois, afinal você já pagou quase um salário mínimo então se pagar mais para o farsante já é lucro para ele.

E por mais engraçado que pareça se a coisa for cara as pessoas automaticamente botam mais fé que pode dar certo.

ESTE TÓPICO É ESPECIALMENTE IMPORTANTE EM RELAÇÃO A ORDENS “MAÇÔNICAS” de internets… se tem “regular” no nome, pode ter certeza que NÃO é… as “iniciações” podem chegar a R$ 5.000,00 nesses verdadeiros caça-níqueis de curiosos.

Os Produtos e Serviços

Os produtos são diversos, não importa se for alguma coisa material, ou algum ritual, todo produto e serviço nada mais é que uma Promessa, geralmente em cima do seu desespero… seja de trazer amor ou riqueza, não importa o que seja, o que o charlatão vende é sempre algum “resultado”.

Estranhamente eles sempre vão vender promessas de coisas que eles não possuem: quase sempre os que vendem riqueza são golpistas pobres e desesperados, geralmente os que prometem amor de volta são solteironas ou solteirões largadas, o que promete “alma gêmea” é casado e trai a mulher sistematicamente, e os que prometem “dar mediunidade”, capacidades especiais, poderes mágicos geralmente são os que não possuem nada disso, por isso sabem enrolar bem que tem as mesmas necessidades que eles.

Pactos, Almas Gêmeas e outras coisas sem Sentido

Como a pessoa vende um pacto para te deixar rico ou ter prosperidade se ela mesma que vende o pacto não consegue isso e precisa vender pactos para ganhar dinheiro?

Se fosse real, a própria pessoa estaria morando em uma ilha particular ou casado com alguém especial.

Quando acusados, eles sempre se fazem de vítimas

Se tem uma verdade sobre o picareta, é que ele nunca está errado, quando sua amarração não funcionar, vai ser culpa sua, pois não teve fé, ou até pode ser que existia uma energia negativa impedindo o trabalho e ele vai precisar de mais dinheiro.

Se alguma aluna assediada o encurralar ou uma classe inteira descobrir que o “professor” não mora em Copacabana, mas na Vila Penha, ele diz que ela é louca e que ele é um pobre coitado vítima da inveja dos outros. Mas não consegue desmentir… e no final do dia, retorna para a favela de onde nunca vai sair…

Se alguém acusar o charlatão, muito raramente ele vai ameaçar a pessoa com magia, a não ser que tenha certeza que a pessoa acredita nos poderes dele. Nessas horas as diversas “entidades” que são empregadas dele não poderão fazer nada, o charlatão vai te ameaçar com outras coisas, como processo por exemplo ou vai sair chorando aos quatros cantos que é uma pessoa injustiçada e seus acusadores são pessoas invejosas.

No mais, na maior parte das vezes, quando o charlatão estiver com seu dinheiro, ele vai sumir.”

REPASSEM ESTE POST. Publiquem em listas pequenas de Facebook ou grupos, pois os charlatões gostam de lugares ermos, onde as pessoas sejam crédulas ou não possuam acesso à informação. VERIFIQUEM A PROCEDÊNCIA DE QUALQUER PROFESSOR DE QUALQUER COISA ESOTÉRICA.

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/como-identificar-picaretas-e-charlat%C3%B5es

Thelema e o Número 11

Outra questão que me chega constantemente diz respeito ao valor simbólico do numeral 11, cujos mistérios possuem tremenda relevância dentro do Sistema de Iniciação proposto por Aleister Crowley. O estudo e a análise deste Undécimo Arcano, sob o ponto de vista thelêmico, muito trará para a consciência do Adepto ou do Estudante do Ocultismo, principalmente quando este for capaz de não se deter ou limitar antes as extravagantes ressalvas a ele atribuídas. Que fique claro, contudo, que o exposto abaixo segue uma linha de entendimento particular, totalmente em concordância com o Aprendizado e o Conhecimento Thelêmico. Portanto, aqui, fornecerei alguns elementos iniciais para que os thelemitas, ou quaisquer interessados, possam meditar a respeito e daí começar a tirar suas próprias conclusões.

Sobre o numero 11, alguns ocultistas, como Dion Fortune e seus seguidores, por exemplo, o associam há alguns aspectos pouco luminosos da criação, visto seu relacionamento com a assim chamada “não esfera”, o “excesso” além da Criação de Deus. Tal rígida interpretação tem nas bases do fundamentalismo cristão a sua provável raiz. Até mesmo no julgamento de Santo Agostinho encontraremos referências ao numeral 11 como sendo um estandarte dos excessos humanos, o “Brasão do Pecado”, dizia o pai da teologia cristã. O argumento que sustenta este ponto de vista sobre o 11 é curioso: se o número 10 compreende a totalidade da Criação de Deus, representando o Universo propriamente dito, aquilo que vier imediatamente após este número estará fora do Plano Divino, além da Vontade que tudo rege. Neste caso, o 11 aparece como sendo o ser humano integral e não mais como simples servo de Deus. Ele surgirá na forma de “algo” que excedeu os limites da Criação, que saiu do Paraíso perfeito e que agora caminha por vontade própria.

Sob o ponto de vista da religião thelêmica, inicialmente, o número 11 comporta indica o total de batidas (ou silabas) da frase inglesa “Do what thou wilt shall be the whole of the Law”, máxima central do Universo Thelêmico. A tradução mais próxima do original que conhecemos é: “Faze o que queres há de ser o todo da Lei”. Embora nesta tradução haja a perda do ritmo das 11 batidas, a frase mantém o ritmo Quádruplo e Sétuplo da sentença original. Mas, passemos para alguns outros mistérios.

Como todos sabem, a primeira letra do alfabeto hebreu, “Aleph”, equivale a letra “A” latina. Seu valor Gemátrico é 1. Assim, não fica difícil, por substituição, relacionar a Ordem criada por Crowley, de nome A.’.A.’. ao número 11. Os graus dessa Ordem somam um total de 11 graus principais (se considerarmos o estado de Probação 0=0 um Grau), classificados de 1=10, 2=9, 3=8 etc., até 10=1. Curiosamente, se somamos os números de qualquer uma dessas classificações, (1+10 ou 2+9 ou etc.) chegaremos a 11.

Nuit, entendida pelo nome da Deusa Egípcia Nu, possui valor igual a 56, segundo a Gematria. Note que 5 + 6 = 11. Logo, temos um dos principais aspectos femininos thelêmicos relacionados com o número 11. Mas essa relação não se limita somente a Nuit. Para tal, basta lembra-nos do Trunfo XI (Arcano 11 do “Livro de Thoth, mais conhecido como “Tarot de Crowley)), batizado como “Lust”, com uma marcante representação de Babalon, para vermos a relação direta desse outro aspecto feminino com o numero 11.

Falamos do 6 e do 5. Todos devem conhecer aquela simbologia da relação entre o Macrocosmos & Microcosmos, o Universo & o Homem, o Hexagrama & o Pentagrama, etc. & etc. Pois bem, em thelema, este símbolo ganha proeminência pois (isso fica claro na antiga imagem de um pentagrama dentro do hexagrama, 5 + 6) a soma resultante é 11, numero, como estamos vendo, de grande relevância dentro da Magick. Porém, mesmo sendo esse símbolo de grande significado para thelema, ele está carregado de fundamentos do Eon de Osíris. Assim, Crowley, em suas manias de inventar símbolos novos, para representá-lo, tirou fora o Hexagrama (que é um símbolo judaico, estando associada ao velho Eon) e pós a sua Estrela Unicursal de Seis Pontas e, do mesmo modo, ele substituiu o Pentagrama (também um símbolo associado ao Velho Eon), que havia no interior da estrela de seis pontas por um Trevo de Cinco Pétalas. Resumindo: Este símbolo, a Estrela Unicursal de Seis Pontas, com um Trevo de Cinco Pétalas nela inserido, é a visão thelêmica – segundo concebida por Crowley – da relação entre Macro e Microcosmos, que também é 11.

O Trevo, deve estar posicionado com uma pétala para cima, pois esse é o símbolo do Homem, do Microcosmos (isso não tem nada a ver com os conceitos de Bem e Mal). Na capa do Liber ABA (Magick), por exemplo, na qual há o Signo de To Mega Therion (são varias estrelas, inclusive o Hexagrama Unicursal com o Trevo em seu centro), ele está corretamente posicionado, com uma Pétala para cima.

11 também é o número da Magick, propriamente dita. O Eon de Hórus é representado no Tarot de Thoth pelo Trunfo XX, o Eon da Criança, que faz um dos principais gestos da Arte, o Sinal de Silêncio. Note que o Eon (XX) somado a Magick (11) é igual a 31 (AL), Liber AL; mas também, o mesmo Arcano 20, vezes a Magick (11) é igual a 220, ou, o numero de versículos do Livro da Lei de Crowley, (Liber AL).

Falamos acima em “Magick”. Crowley quando começou a escrever “Magic”, preferiu adotar a forma do inglês elizabethano, o arcaico “Magick”, para diferenciar das formas ditas normais de magia (magic).

Mais tarde o “k” adicional foi interpretado como sendo o indicativo do tipo de magia adotada e a natureza dos trabalhos propostos. Falamos acima sobre o aspecto feminino do 11. Pois bem, o “k” alem de ser a undécima letra do alfabeto inglês, também o é no hebraico (kaph) e no grego (kappa), também sendo a primeira letra da palavra “kteis”, que significa “vagina”, em grego.

Mencionamos o Signo de To Mega Therion. Mas qual seria a relação do 11 com o To Mega Therion ou 666? Aqui já mostramos a relação do número 11 com o Arcano associado a Babalon, o Trunfo XI. A estrela de Babalon é aquela unicursiva de 7 Raios, sendo a Gematria de Babalon de valor 156. Este numero, 156 é representado pela seguinte formula (77 + (7 + 7)/7 + 77). Ou seja, através de 7 números 7 escrevemos 156, ou, como dito, Babalon. Seguindo nesse raciocínio encontramos 7 x 7=49, e 4 x 9 = 36. E o número místico de 36 (1+2+3+…+35+36) é o próprio numero da Besta, 666. Por fim (por enquanto), a partir do numero 11 também chegamos ao 666, de um outro modo: O numero místico de 11 (somatório de 11) é 66. Desse duplo número do Sol, 6, chegamos ao 36 (6 x 6). Já foi mencionado aqui que o numero místico de 36 (o somatório de 36) é igual a 666.

Ainda como complemento adicional, não podemos deixar de mencionar que o numero místico de 11 (o já citado 66) também é o valor da palavra KHAM (20+5+1+40), cujas iniciais nos indicam as Cidades apresentadas no Ritual de Minerval da Ordo Templi Orientis, a saber: Korinto, Heliópolis, Atenas e Metilene.

Finalizando, vale sempre lembrar que “todo número é infinito”!

Por Carlos Raposo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/thelema-e-o-n%C3%BAmero-11

O Diabo na Bruxaria

serpent key

Em seu livro sobre Bruxaria Tradicional Balcânica, Radomir Ristic nos fornece imagens evocativas da natureza da bruxa como alguém que possui uma relação ou conexão com algum espírito vestido em trajes demoníacos. A conexão com este espírito o torna apto a fazer maravilhas e prodígios, voar noite a fora e agir de maneira que o coloca aparte do mundo ordinário. Ele ou ela é alguém que vê além dos véus do dia e da noite e vê o que há por trás de tais véus. Ristic também é claro ao revelar que na raiz da idéia da bruxa encontramos um conceito teológico bogomilo. Os Bogomilos acreditavam em um Deus Único, porém, eles também acreditavam em seu emissário e vigário, Satanael. Por esta razão temos o conceito dos dois Czares, o Czar dourado do Céu e o Czar prateado da Terra. Sua exposição sobre estes mistérios também foi expresso na antologia sobre Bruxaria Tradicional Serpent Songs, onde ele conclui que a influência bogomila fez o ‘caminho das avós’ sobreviver – foi este caminho que ficou conhecido como bruxaria.

Este campo entre Céu e Terra é importante, pois é aqui que encontramos a bruxa como a guardiã das duas chaves que a torna um limiar, proibida e iluminada – é uma benção amaldiçoada… mas a bruxa permanece firme entre dois mundos, visível e invisível em um lampejo de ambigüidade e temor. Como Mikael Häll comenta em sua tese de doutorado:

“… o mundo pré-moderno e seus habitantes existiam em um campo de tensão entre Deus e o Diabo… A magia do povo comum, por exemplo, era explicada como um desvio da verdadeira fé que conduziria em direção a Deus e, em vez disso, conduzia o praticante em direção ao Diabo…” (Skogsrået,näcken och djävulen, Malört forlag, 2013: 72, 73, tradução NdMF)

Lembro-me de ler sobre os encontros de Elias Ashmole com os habitantes do outro lado, que compartilhavam com ele o conhecimento secreto que ele levou além, para sua maestria de alquimia e das artes teúrgicas. Recordo-me de Bessie Dunlop e seu amigo sobrenatural, Tom Reid, quem ela alegava ser a fonte de todo seu conhecimento. Dado o fato de que ela sabia demais, foi condenada por ser bruxa e morta em 1576, após ser julgada por feitiçaria e bruxaria e ser considerada culpada. (vide Emma Wilby: Cunning Folk and Familiar Spirits, Sussex Academic Press, 2005).

E sim, a bruxa é perigosa porque ela sabe demais. Quando você sabe demais, você não cairá em truques com sombras e espetáculos de marionetes, sua habilidade de discernimento lhe impelirá e você verá claramente. Você verá com a clareza da matéria negra ou dos enxofres de mil sóis, e você rejeitará qualquer tentativa de laçar uma corda ao seu redor. Qualquer conselho, federação ou organização será percebida como uma doença, tampouco digna do ridículo, pois a bruxa sabe demais e nisto, ele ou ela sabe que… Com a chave do céu ela abre para os anjos e o inferno celestial e com a chave de prata ela abre para a linguagem da natureza, para entrar em comunhão enquanto voa como um pássaro da milagrosa colheita da tragédia, comédia e harmonia…

A bruxa é uma amante da vida e da verdade, é uma vidente e uma conhecedora – e por isso ela pode se esconder em plena luz do dia e brilhar como um vaga-lume à noite. Ela é Ele e conhece os limites de todas as fronteiras – e é por isso que ela desafia e provoca. Seu próprio ser é a medula do Diabo – como nós o conhecemos…

Pois o Diabo, de fato, é um opositor, embora não seja um inimigo a menos que assim você o declare e o convide para entrar em um jogo diferente dentro de sua vida – pois nós sempre somos nossos próprios inimigos. Então, se o Diabo exerce o papel de inimigo no jogo, ele se voltará para você e lhe desafiará a ver os seus caminhos, passos e seus vôos.

O Diabo, o Davul, o Homem na Encruzilhada, o carvão negro do ferreiro, o estranho, São Nicolau, São Pedro, o cúmulo dos seus medos, o inconsistente, o Dragão, Rei da Terra, o Homem na Ponte e muitos outros são os nomes referentes a este ícone de ‘Diabo’ como a porta para o outro lado que daria boas vindas a alguns poucos seletos… Bruxas não são pagãs, mas alguns pagãos podem ser bruxas. Antigas formas de culto e religião não possuem valor algum para a bruxa, a menos que seja acrescido ao Destino dela como algo excluído, e assim uma paisagem é explicada. A bruxa renuncia dogmas embora muitas vezes abrace a doutrina – e isso é sempre o espinho no olho cego das entidades religiosas – pois a bruxa é uma força da natureza que faz amor com a natureza e seus habitantes, enquanto luta com eles para manter a encruzilhada de seu próprio ser. Esta postura é diabólica, pelo o menos do ponto de vista da religião dogmática, atual ou pré-histórica. A bruxa sempre será a forasteira astuta que recusa o dogma, mas adere à doutrina que torna o mundo uma superabundância de enigmas que podemos seguir pelos sete cantos do mundo. Roper Lyndal relata o seguinte:

“Em 1670, Regina Bartholome confessou que vivera com o Diabo como marido e mulher. Tinha 21 anos quando foi interrogada pelo Conselho de Augsburg e ela conhecera o Diabo cinco anos antes. Ela lembrava que o Diabo estava vestido em uma calça de seda, com botas e esporas, e que ele parecia um nobre. Eles desfrutavam seus encontros amorosos duas vezes por semana em uma taberna-padaria em Pfersee, uma aldeia próxima de onde os judeus viviam. O Diabo encomendava lingüiça de pulmão, carne de porco assada e cerveja para ela e os dois comiam com prazer, sozinhos no salão da estalagem. Ele prometia a ela dinheiro, mas ela havia recebido somente 6 kreuzer dele, e mesmo assim isso se revelara ser uma má barganha. Em troca por esta magra recompensa, Regina assinara um pacto com o Diabo pelo período de sete anos. Ela renegara a Deus e a Trindade, e tomara o Diabo — seu amante — como seu pai, ao invés de Deus.”(Oedipus and the Devil, Routledge, 1994: 228)

Aqui encontramos a idéia comum da bruxaria como oposta ao cristianismo, mas não é bem assim. A bruxa é alguém que vive na tensão entre Deus e o Diabo, e é por definição ambígua e conhece a ambos. O Diabo vive nos enigmas e detalhes do esquema cósmico – e assim também a bruxa…

Do original The Devil in Witchcraft, escrito por Nicholaj de Mattos Frisvold

postado originalmente em http://www.starrycave.com/2013/09/the-devil-in-witchcraft.html

Traduzido por Leonardo Martins

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-diabo-na-bruxaria

Da Guerra de von Klauzewitz

Karl von Klauzewitz

As pessoas interessadas em estratégia acabam sempre estudando a Arte da Guerra e inevitavelmente acabam lendo Sun Tzu e outros mestres orientais. Entretanto ironicamente dificilmente prestam atenção a Karl von Klauzewitz, grande teórico bélico ocidental. Para aguçar a curiosidade foram selecionadas algumas anotações da leitura da obra prima deste autor: “Da Guerra” (Vom Kriege):

A guerra é a mãe de todas as coisas.

A guerra não é uma questão sobrenatural, mas antes um acontecimento submetido a leis definidas.

Os progressos da técnica moderna aumentaram as possibilidades de estabelecer planos para a guerra.

Todavia, uma elaboração de planos completos e estáveis é difícil porque a certeza na guerra é de facto muito limitada e momentânea.

A guerra é um todo indivisível, cujas partes (os resultados subordinados) não têm qualquer valor, excepto na sua relação com o todo.

Na guerra nada se obtém senão pelo cálculo.

Na guerra querem-se ideias simples e precisas.

Toda a guerra deve ser metódica, porquanto toda a guerra deve ser conduzida consoante os princípios e as regras da arte e com uma finalidade; ela deve ser feita com forças proporcionais aos obstáculos que se prevêem.

A decisão pelas armas, em todas as operações, grandes ou pequenas, de uma guerra, é como o pagamento em dinheiro em transacções comerciais.

As nossas guerras serão de facto travadas antes mesmo de se travarem as operações militares.

A táctica é a teoria da utilização das forças militares em combate. Estratégia é a teoria da utilização dos combates para alcançar o objectivo da guerra.

Portanto, na guerra é de suprema importância atacar a estratégia do inimigo.

Os elementos da arte da guerra são, primeiro, a noção de espaço, segundo, a apreciação das quantidades; terceiro, os cálculos; quarto, as comparações, e, quinto as possibilidades de vitória.

Há cinco pontos conducentes a operações militares: primeiro, a busca da fama; segundo, a luta por vantagens; terceiro, a acumulação de animosidades; quarto, a desordem interna; quinto, a fome.

Para abater um inimigo, é necessário quebrar o seu equilíbrio, introduzindo no campo das operações um factor psicológico ou económico que o coloque em posição de inferioridade, antes de poder ser lançado contra ele um ataque com hipóteses de sucesso definitivo.

Não poderia haver terror sem uma encenação da tragédia, sem romantismo da morte.

Não realizamos nenhuma acção que não seja com a certeza e a decisão de alcançar o êxito previsto.

A guerra é um jogo, tanto objectiva, como subjectivamente.

O absoluto, o matemático, como é chamado, em nenhum lugar encontra uma base segura nos cálculos da arte da guerra.

A política, pois, está entrelaçada em toda a acção da guerra, e deve sobre ela exercer uma influência contínua, na medida em que a natureza das forças por ela libertada o permita.

A guerra é uma mera continuação, por outros meios, da política.

A guerra são os meios.

A eficácia superior não pertence aos meios, mas ao fim, e estamos apenas a comparar o efeito de um propósito realizado com o outro.

É um conflito de grandes interesses que é resolvido com derramamento de sangue e só nisso é diferente dos outros. Em vez de a comparar com qualquer arte, seria melhor assemelhá-la a uma competição de negócios, o que também é um conflito de interesse e actividades humanas; e é ainda mais parecido com a política do Estado que também, por seu lado, pode ser considerada como uma espécie de competição de negócios em grande escala. Além disso, a política do Estado é o ventre onde a guerra se desenvolve, onde o seu contorno jaz encoberto num estado rudimentar, tal como as qualidades das criaturas vivas nos seus germes.

Qualquer meio que uma vez prove ser eficaz na guerra, logo é repetido.

Todo o método de conduzir a guerra está dependente dos instrumentos utilizados;

Estratégia é a utilização da batalha para ganhar o fim da guerra;

A estratégia forma o plano da guerra;

Os possíveis combates, por causa dos seus resultados devem ser considerados como reais. A mera possibilidade de uma batalha produzir resultados deve, pois, ser classificada entre os acontecimentos efectivos.

 

As forças morais estão entre os mais importantes sujeitos na guerra.

Desistir do homem e passar para o papel que lhe designaram para desempenhar na guerra, isso é a capacidade militar no indivíduo.

Uma nação só pode esperar ter uma posição forte no mundo político se o seu carácter e prática em guerra efectiva mutuamente se ocuparem em constante acção recíproca.

Qualquer guerra pressupõe a fraqueza humana e é contra ela que é dirigida.

A guerra e a paz são ideias que, no seu fundamento, não podem ter gradações; (…).

As actuais alterações da arte da guerra são a consequência de alterações na política.

A luta de dois conceitos imateriais não pode cessar senão quando os defensores de um dos dois não tiverem mais capacidade de resistência.

Se uma coisa é boa para um adversário, será inevitavelmente má para outro.

Existirá sempre uma acção concreta – material ou verbal – que provoca a sequência de paradas e respostas.

Tipicamente a causa imediata de uma crise é a tentativa de um actor coagir outro pela ameaça, explícita ou implícita da força.

Normalmente, as forças militares são apenas o pano de fundo com que se ameaça à situação de guerra, e as movimentações militares efectuadas procuram aumentar a credibilidade da ameaça e a iminência da sua concretização.

Em teoria, desde que seja necessário para atingir o fim, é legítimo o uso ilimitado da força

A guerra é a luta de classes levada a efeito com meios físicos violentos e organizados.

Todas as guerras são inseparáveis dos sistemas políticos que engendram

A guerra é a forma suprema de luta entre nações e Estados, entre classes ou grupos políticos.

Força desmedida ou aparência de força desmedida é a unica forma de usar a força na Guerra.

Também a guerra em acto é “paixão”, a mais intensa e febril, é um momento da vida política, é a continuação, sob outras formas, de uma determinada política.

Assim a guerra envolve o todo social, quando eclode é um estado específico de toda a sociedade e não apenas daqueles que praticam a luta armada.

A paz não é mais do que a continuação da guerra por outros meios.

A guerra pode ser feita: obedecendo a certos constrangimentos ou regras; sem obediência a constrangimentos ou regras.

A guerra é um processo inventado pelo homem que lhe permite resolver conflitos para os quais ainda não encontrou outro processo de solução.

Numa guerra actuam homens, grupos, nações; obedecendo ou não a certas limitações.

A guerra irracional é aquela a que uma política racional, mas teórica, normalmente conduz.

(…) As guerras da era contemporânea são guerras integrais no sentido de modificação.

Nenhum Estado pode estar certo de que é a racionalidade para o outro.

Despreza, pois, as teorias pacifistas e internacionalistas. O pa-triotismo e o amor à guerra nada têm a ver com a ideologia: são princípios de higiene, sem os quais só há decadência e morte.

Consideramos ultrapassada e ultrapassável a hipótese de fusão amigável dos povos, e só admitimos para o mundo uma única higiene: a guerra.

Queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas Ideias que matam, e o desprezo pela mulher.

A guerra não é apenas um confronto de populações ou de homens, é um assalto de tecnologias.

É necessário visar para matar. Aquilo que mata é o olhar, a designação.

A guerra é uma questão de opinião.

Depois de uma batalha perdida, a diferença entre o vencido e o vencedor é pequena.

Não é um incidente quem deve governar a política, mas sim a política que deve governar os incidentes.

A arte da guerra consiste em ganhar tempo quando se tem forças inferiores.

A reputação das armas na guerra é tudo e equivale às forças reais.

Um dos primeiros princípios da guerra é exagerar as suas forças e não diminuí-las.

Negai-vos a parlamentar, são meios de que os nossos inimigos sempre se serviram contra nós.

Quando se conhecem os fins a atingir, com um pouco de reflexão, os meios vêm facilmente.

Como leis de condução da guerra a estratégia e a táctica constituem a arte de nadar no oceano da guerra.

Numa palavra, a guerra não deve, nem por por um só momento, ser separada da política.

Pode portanto dizer-se que a política é guerra sem derramamento de sangue, e a guerra, política sangrenta.

A guerra é uma competição de forças que, no próprio decorrer da guerra, se vão modificando com relação ao que eram no início.

Antes do estalar a guerra, toda a organização e toda a luta têm o fim de preparar a guerra.

A guerra só pode abolir-se com a guerra.

O que é a estratégia? A palavra designa originalmente a arte de fazer evoluir um exército sobre um teatro de operações até ao momento em que ele entra em contacto com o inimigo.

A eficácia militar está dependente da determinação política.

A táctica situando-se no contacto visual do inimigo, a estratégia sendo de dimensões mais vastas e situando-se para além dos olhares e dos golpes.

A táctica e a estratégia correspondem a duas atitudes de espírito distintas, a duas essências de pensamento e de acção guerreiras.

A estratégia e a táctica formam um todo indissociável da arte da guerra.

O pensamento estratégico de uma dada época é a expressão do estado das técnicas.

A nossa estratégia é um contra dez enquanto que a nossa táctica é dez contra um.

A estratégia permanece implicada pela evolução científica e técnica, a tecnologia é um teatro de operações, um verdadeiro campo de batalha.

Doravante, já não existe estratégia; apenas crises a gerir.

Um estado de vigilância permanente e global, para adquirir sempre mais informações, e não atacar senão pela certa, com o melhor rendimento político possível.


Clareza de Objetivos

Podemos considerar a destruição completa ou parcial do inimigo como o único objectivo de todos os combates.

A destruição da força militar do inimigo é o princípio básico da guerra e o caminho directo para o objectivo em todo o campo da acção positiva.

A guerra é uma luta de vontades. o objectivo da guerra e na guerra (…) é dominar a vontade do adversário.

O essencial é que o inimigo tenha baixas e prejuízos materiais e morais que o enfraqueçam.

Por isso, a guerra é um acto de violência com que se pretende obrigar o nosso oponente a obedecer à nossa vontade.

A guerra de uma comunidade sempre começa a partir de uma condição política e vai em frente por um motivo político.

A destruição do poder de luta do inimigo é sempre o meio de alcançar o objectivo do combate.

A solução sangrenta da crise, o esforço para a destruição das forças do inimigo, é o filho primogénito da guerra.

Combate significa luta, e nesta o objectivo é a destruição ou conquista do inimigo, e o inimigo, em combate particular, é a força armada que se coloca em oposição a nós.

A guerra nada mais é que um processo mútuo de destruição

O objectivo da guerra moderna é o de procurar o exército do inimigo, centro da sua força e aniquilá-lo numa batalha.

O objectivo da guerra é destruir as forças militares

Os beligerantes formulam os objectivos da guerra. a natureza destes objectivos políticos tem um impacto decisivo no conteúdo e na conduta da guerra.

Quando se conhecem os fins a atingir, com um pouco de reflexão, os meios vêm facilmente.

Não fazemos grande coisa enquanto não soubermos concentrar-nos inteiramente num objecto e caminhar através dos contratempos para atingir um mesmo fim.

É necessário classificar os objectivos a atingir segundo a sua importância e ter a esse respeito uma ideia bem clara.

O Princípio Fundamental da guerra consiste em conservar as próprias forças e aniquilar as do inimigo.

Quando os obstáculos são removidos e o objectivo político atingido, a guerra termina.

O objectivo de alguém que quer fazer a guerra é o de ser capaz de batalhar com qualquer inimigo no campo e de ser capaz de ganhar o dia.

Sobre a Liderança

 

Quem comanda as forças armadas comanda o pais.

Um exército não é nada, senão pela cabeça.

Na guerra, o primeiro princípio do general-em-chefe é esconder o que faz.

Porque esse general considera os seus homens como crianças e eles marcharão a seu par até aos mais profundos vales. Trata-os como filhos amados e eles morrerão a seu lado.

É obrigação do general manter-se sereno e inescrutável, imparcial e com autodomínio.

Deve manter os oficiais e homens no desconhecimento dos seus planos.

Muda os seus métodos e altera os seus planos para que ninguém saiba o que está fazendo.

Encarrega as tropas das respectivas tarefas sem lhes revelar os seus objectivos. Fá-las ganhar vantagens sem lhes apontar os perigos.

A imprensa é a arma mais poderosa do arsenal do chefe de guerra moderno.

A guerra tem princípios invariáveis que têm por fim, principalmente, garantir os exércitos contra o erro dos chefes sobre a força do inimigo; erro que, do maior ao menor, tem sempre lugar.

O sucesso da guerra depende da prudência, da boa condição e da experiência do general.

Fazei poucas proclamações e evitai mandar pôr nos jornais os vossos actos que sejam de pura administração.

A sorte de uma batalha é o resultado de um instante, de um pensamento.

Fazer apreciações erradas ou ser apanhado de surpresa pode significar a perda da superioridade e da iniciativa.

Os homens que desejam levar a cabo uma tarefa devem primeiro preparar-se com cuidado para que quando a oportunidade surja sejam capazes de concretizar aquilo a que se propuseram.

Não deve jamais, portanto, levantar o pensamento deste exercício da guerra, e deve na paz exercitar-se mais do que na guerra; o que pode fazer de dois modos: um com as obras, outro com a mente.

No que se refere ao exercício mental, deve o cabeça do exército ler as histórias, e nelas considerar as acções dos homens excelentes, ver como se portaram na guerra, examinar os motivos das suas vitórias e derrotas, a fim de poder fugir a estas e imitar aquelas.

 

Sobre a ação e o momento decisivo da batalha:

 

Mas sabemos que o curso da acção na guerra raramente, ou nunca, tem esta continuidade sem quebra, e que houve muitas guerras em que a acção ocupou, por longe, a mais pequena parte do tempo utilizado, sendo o resto consumido em inacção.

 

(Há) uma ampla diferença entre a guerra na realidade e a sua concepção original.

 

O perigo na guerra pertence à sua fricção.

 

A fricção é a única concepção que, de um modo geral, corresponde àquilo que distingue uma guerra real de uma guerra no papel.

 

O combate é a verdadeira actividade guerreira, tudo o mais é só auxiliar (…).

 

(…) Tudo está sujeito a uma lei suprema: que é a decisão pelas armas.

 

Na arte da guerra, como na mecânica, o tempo é o grande elemento entre a força e a potência.

 

Quando próximo, simule-se o afastamento; quando afastado, aparente-se a proximidade.

 

Portanto, na guerra é de suprema importância atacar a estratégia do inimigo.

 

A invencibilidade está na defesa: a possibilidade de vitória está no ataque.

 

O cúmulo da perfeição na disposição de tropas está em fazê-lo de modo que não seja compreensível. Nem os melhores espiões a entenderão, nem os sabedores poderão elaborar planos contra ti.

 

Em campanha sê veloz como o vento (…).

 

O ponto mais alto das operações militares consiste em simular-se a aceitação dos desígnios do adversário.

 

(…) E porque a nossa resposta tem sido e será: olho por olho, dente por dente.

 

Contra a surpresa o inimigo nada pode opor e, desta maneira, fica perplexo e aniquilado.

 

(…) Sermos nós que escolhemos o lugar e a hora do ataque, quem fixa a sua duração e quem estabelece os objectivos. O inimigo está na ignorância de tudo.

 

A emboscada causa desgaste ao inimigo e provoca-lhe nervosismo, insegurança e medo.

 

(…) Sempre está implicado no conceito de guerra que todos os efeitos manifestados têm a sua raiz no combate.

 

(…) A solução sangrenta da crise, o esforço para a destruição das forças do inimigo, é o filho primogénito da guerra.

 

(…) O actuante na guerra continuamente encontra as coisas diferentes das suas expectativas.

 

A actividade na guerra é movimento em meio antagónico.

 

A guerra no seu sentido literal é lutar.

 

Portanto, a arte da guerra, no seu sentido próprio é a arte de utilizar os meios dados (…).

 

Portanto, a condução da guerra é a formação e condução da luta.

 

A táctica é a teoria da utilização das forças militares em combate.

 

A guerra é o choque de duas forças opostas em colisão uma com a outra (…).

 

(…) Todas as forças disponíveis e destinadas a um objectivo estratégico deveriam ser-lhe aplicadas em simultâneo (…).

 

Combate significa luta, e nesta o objectivo é a destruição ou conquista do inimigo, e o inimigo, em combate particular, é a força armada que se coloca em oposição a nós.

 

(…) Qualquer acto estratégico pode ser identificado com a ideia de um combate porque é a utilização da força militar e, na raiz desta, sempre está a ideia de luta.

 

Não pode travar-se nenhuma batalha que não seja por consentimento mútuo (…).

 

Que é uma batalha? (…): é um conflito em que pesam todas as nossas forças, para que se alcance uma vitória decisiva.

 

A batalha pode pois ser considerada como a guerra concentrada.

 

A batalha é a mais sangrenta via de solução. É verdade que não é apenas uma mortandade recíproca, (…) mas o sangue sempre será o preço, e o morticínio o seu carácter e o seu nome (…).

 

A vitória não se pode obter senão com o preço do sangue.

 

(…) Aquilo que importa é dispôr da superioridade no ponto crítico e no momento do ataque.

 

A desordem máxima era precisamente o nosso equilíbrio.

 

O nosso objectivo era tornar a acção numa série de combates singulares.

 

É necessário atacar lá onde o inimigo não se encontra.

 

(…) A réplica aos ataques de surpresa, (…), é ser mais móvel que o atacante.

 

É bom sinal quando o inimigo nos ataca.

 

A guerra significa a passagem das partes a um diverso tipo de interacção.

 

A arte da guerra é dispôr as tropas de maneira que elas estejam por toda a parte ao mesmo tempo.

 

A simplicidade é a primeira condição de toda todas as boas manobras.

 

Toda a arte da guerra consiste numa defensiva bem ponderada, extremamente circunspecta e numa ofensiva audaciosa e rápida.

 

A passagem da ordem defensiva à ordem ofensiva é uma das operações mais delicadas da guerra.

 

A primeira condição de um campo de batalha é não ter desfiladeiros à sua rectaguarda.

 

Defendei com afinco e nunca abandoneis de ânimo leve a vossa linha de operação.

 

Tanto nos batemos a tiro de canhão como a soco.

 

Quando estamos em posição de acertar o alvo, é preciso não nos deixarmos desviar por manobras contrárias.

 

Não é dispersando as tropas e separando-as que se chega a um resultado

 

A arte é hoje atacar tudo o que se nos depara, a fim de bater o inimigo em particular e enquanto ele se organiza.

 

Na guerra de guerrilhas, a necessidade de conseguir uma decisão rápida é muito grande (…).

 

“Concentrar uma grande força para golpear uma pequena força do inimigo” continua a ser um dos princípios da acção militar (…).

 

Qualquer exército que, perdendo a iniciativa, se vê forçado a manter-se numa posição passiva, deixa de ser livre e corre o perigo de exterminação ou derrota.

 

(…) A iniciativa não é qualquer coisa já feita, mas sim algo cuja obtenção requer um esforço consciente.

 

Dispersão, concentração e deslocação são os três caminhos para uma utilização flexível das forças (…).

 

Devem usar-se constantemente estratagemas para enganar, engodar e confundir o inimigo (…).

 

A ofensiva é o único meio de destruir o inimigo e o principal meio de conservar as próprias forças (…).

 

O ataque tem como objectivo imediato a destruição do inimigo (…). A defesa tem como objectivo imediato a conservação das próprias forças (…).

 

A guerra tomará forma de guerra de movimento já que o seu conteúuma ofensiva de decisão rápida (…).

 

É preciso pois que o inimigo avance, razão por que não devemos lamentar a perda temporária e parcial do nosso território.

 

Dum modo geral, a guerra de movimento realiza a tarefa de aniquilamento, a guerra de posições cumpre a tarefa de desgaste e a guerra de guerrilha cumpre as duas simultaneamente.

 

Dispersar as tropas para levantar as massas, concentrar as tropas para bater o inimigo.

 

O inimigo avança, nós recuamos, o inimigo imobiliza-se, nós hostilizamo-lo, o inimigo esgota-se, nós golpeamos, o inimigo retira, nós perseguimos.

 

A táctica é a arte de utilizar o melhor possível os meios militares, ela diz respeito ao domínio do combate.

 

Já não é necessário dispôr de uma potência excessiva para atenuar a imprecisão do tiro.

Leia aqui o documento original na íntegra

 

Karl von Klauzewitz

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/da-guerra-de-von-klauzewitz/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/da-guerra-de-von-klauzewitz/

Como montar um altar Xintoísta (Kamidana) – 神棚

Por Robson Bélli

No xintoísmo, um Kamidana (literalmente “prateleira de deuses”) é um santuário doméstico em miniatura para um kami doméstico ou um kami externo (de longe), como da cidade natal de alguém. Aqui está como montar um. (nota editorial: Confira o link ao lado para uma Introdução ao Shintoismo)

Consulte o clérigo xintoísta local. Ele pode abençoar sua casa e aconselhá-lo a obter e estabelecer um Kamidana. No entanto, já que você está lendo este artigo, assumimos que consultar um clérigo não é uma opção viável.

Selecione um local para o Kamidana em sua casa. Na maioria das casas japonesas, ele é colocado em uma prateleira no alto da parede, bem perto do teto. Deve ser a prateleira mais alta da sala. O Kamidana deve ficar de frente para o sul ou leste, e não estar em um banheiro. Se você  tiver um butsudana (altar budista), certifique-se de não colocar o Kamidana de frente para ele.

Adquira o Kamidana. Se você estiver no Japão, isso pode ser tão simples quanto comprar em uma loja de departamentos local. Se você não estiver no Japão, isso pode ser feito através de sites como amazon ou mercado livre. Eles custam de 5.000 a 40.000 ienes.

Compre os acessórios.

Os acessórios geralmente incluem dois pequenos pires, uma tigela com tampa, dois heishi (potes de saquê com tampa), um Gautama (jarro de água com tampa), dois vasos e, às vezes, dois castiçais. Com exceção dos castiçais, estes são geralmente de cerâmica branca. Os castiçais são geralmente de metal preto. Há também frequentemente dois vasos de cerâmica de estilo chinês e/ou um espelho em um suporte de madeira.

Reúna as oferendas.

Isso geralmente inclui dois raminhos de sakaki, sal, arroz, água e saquê. Você também pode querer velas brancas para o santuário.

Obtenha um kamifuda.

Um ofuda é um talismã inscrito com a essência de um kami. Lembre-se de que “você não deve fazer isso sozinho”, e eles devem ser obtidos em um santuário. Alguns santuários enviam para o exterior.

Coloque o ofuda dentro das portas abertas do Kamidana.

Coloque as essências da vida.

Na frente das escadas, coloque um dos pires. Encha-o com sal. À esquerda coloque o outro pires. Recheie com arroz seco. À esquerda, coloque a tigela de água com tampa. Encha-o com água. Estes são os três fundamentos da vida que você está oferecendo aos kami.

Coloque os outros acessórios.

Em ambos os lados da escada central, coloque primeiro o heishi, depois os vasos chineses e, finalmente, os vasos. Sake é derramado no “heishi, e raminhos de sakaki são colocados nos vasos brancos altos. Coloque os castiçais na frente do Kamidana. Velas podem ser colocadas neles. Seu Kamidana agora está pronto.

Outras opções para o Kamidana.

Muitos Kamidana são colocados dentro de uma caixa de madeira ou metal, muitas vezes com portas de vidro para protegê-la. Uma cortina, muitas vezes de bambu ou tecido roxo estampado com um mitsudomoe branco, pode ser colocada na frente do Kamidana. Uma shimenawa (corda de palha de arroz) pode ser pendurada bem na frente. Shide (tiras dobradas de papel branco), muitas vezes embrulhadas dentro do shimenawa, marcam a área do Kamidana como pura.

Adore o deus fazendo suas orações exaltando aquilo que o Deus escolhido em questão faz de melhor, ou ajoelhe-se frente ao Kamidana (ou curve-se, reverencie) enquanto faz essa exaltação e seu pedido. As ofertas devem ser alteradas todos os dias.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/como-montar-um-altar-xintoista-kamidana-%e7%a5%9e%e6%a3%9a/

A Virga Aurea – A vara dourada

Robson Bélli

Em 2018, enquanto pesquisava o Calendário Mágico, descobri uma outra grande gravura que tinha uma certa semelhança superficial com a placa de Bry, Esta era a Virga Aurea de James Bonaventure Hepburn[i] publicada em Roma em 1616 (período muito interessante para a tradição grimorial). A Virga Aurea, ou para dar o título completo, “A Vara Dourada Celestial da Bem-Aventurada Virgem Maria em Setenta e Dois Louvores” consiste em uma lista de setenta e dois alfabetos (na verdade setenta, mais o latim e o hebraico, que são as duas línguas do texto da placa). Alguns desses alfabetos são os de línguas antigas conhecidas, por exemplo, grego, hiberno, germânico, fenício, etc., enquanto outros são alfabetos mágicos, angélicos, celestiais, seráficos, salomônicos, etc.

James Bonaventure Hepburn (1573 – 1620) foi um escocês nascido em East Lothian, perto de Edimburgo. Tornou-se um estudioso capaz e respeitado, e sendo católico e membro da austera ordem de São Francisco de Paulo, ascendeu à alta posição de Guardião dos Livros e Manuscritos Orientais no Vaticano. Ele tinha um grande conhecimento de línguas orientais e, em particular, hebraico. Em 1591 ele publicou sua Gramática Árabe, e mais tarde ele traduziria um livro cabalístico do hebraico para o latim, o “Keter Malkhut[ii] – A coroa do rei”, do Rabino Salomão Ibne Gabirol.

A Virga Aurea primeiramente foi publicada como uma grande gravura (aproximadamente 50×80 cm) em Roma em 1616, embora pareça a partir de evidências internas que Hepburn originalmente produziu um manuscrito iluminado com o essencial do trabalho feito em várias cores e possivelmente usando ouro. A gravura consiste em uma listagem em quatro colunas dos setenta alfabetos, cada letra dos quais é mostrada transliterada em escrita latina, juntamente com um pequeno emblema e um pequeno texto da Bíblia.

A obra é uma obra que foi dedicada ao Papa Paulo V (Papa de 1605-21), que se interessou particularmente por livros, ampliando grandemente a Biblioteca do Vaticano durante seu pontificado e iniciando uma coleção de antiguidades. Ele, é claro, seria inteiramente simpático e provavelmente encorajaria as atividades acadêmicas de Hepburn. Sua abordagem mais aberta à erudição permitiu a Hepburn a liberdade até mesmo de considerar a publicação de sua tradução da peça cabalística, embora uma década antes, Giordano Bruno[iii] tenha sido queimado na fogueira em Roma como herege por perseguir interesses semelhantes.

Este documento é uma coleção inestimável de alfabetos que fornece uma ampla pesquisa de muitos símbolos de alfabeto diferentes, tanto de alfabetos mágicos inventados quanto de idiomas existentes. Um trocadilho complexo está consagrado na palavra ‘Virga’ do título em latim – Virga, ‘uma vara’ sendo em um sentido usado para os símbolos alfabéticos, que às vezes são descritos como as ‘varas’ de uma língua, o outro sentido de a palavra ‘vara’ é mencionada no texto como a Vara de Moisés e a Vara Papal ou Cajado do poder; e finalmente ‘Virga’, a Virgem.

A fim de reunir todo este material material, Hepburn deve ter tido uma ampla gama de material de origem para estudar, e parece mais provável que esse material estivesse disponível na própria Biblioteca do Vaticano. Quanto aos motivos de Hepburn para publicar tal coleção de alfabetos, só podemos especular. Ele certamente os produziu de uma forma que lhe deu respeitabilidade acadêmica e também, encabeçando-o com a figura da Virgem Maria, usando o trocadilho ‘Virga’ Rod-Virgin, deu-lhe credibilidade em termos da Igreja. O momento da publicação, 1616, bem no centro do período de publicação rosacruz/hermética, sugere que Hepburn, à sua maneira, pode estar respondendo a esse impulso. Sob o disfarce da Virgem Maria encabeçando a obra, Hepburn foi capaz de revelar publicamente o simbolismo de muitos alfabetos e, em particular, alfabetos mágicos. Se levarmos em conta o interesse de Hepburn pela Cabala, e sua tradução e publicação de um texto ocultista “salomônico”, acho que estamos justificados em supor que Hepburn pode ter, de alguma forma, contribuído para a revelação pública na época do sabedoria esotérica do passado. No mínimo, pode-se sugerir que ele foi inspirado por esse movimento para produzir a Virga Aurea. Como bibliotecário do Vaticano, ele certamente teria recebido os primeiros exemplares das publicações Rosacruzes.

Texto que esta escrito abaixo da figura da Virgem pode ser traduzido como

Ao Nosso Abençoado Padre e Senhor, Papa Paulo Quinto, Na Eterna Felicidade que desvia dos enganos e mentiras do Espírito Maligno, a antiguidade manteve sua paz de ajudar os buscadores do Ramo de Louro; a escuridão do erro foi dissipada dos gentios pelo nascer do Sol da Justiça, que agora seja permitido aos buscadores preferir a salvação, a segurança e a Vara de Jessé, nosso ramo de ouro, ou seja, a Virgem Maria. Assim, ó Bendito dos Príncipes, esboçado por meu lápis da página sagrada, nas cores que estavam à mão, arranjado em uma guirlanda de setenta e dois louvores, cercado de flores e vários símbolos numéricos agradáveis, ou adornado com fitas, eu mais humildemente coloco a prenda este quadro votivo aos pés da Santíssima Virgem. Depois de muito esforço da escuridão, que eu possa comprometer minha alma, ansiando e lutando por longos anos pela Virgem Santíssima, para o sucesso da Regra em que somos abençoados e para sua longa e eterna fecundidade, para que possa agradar a Deus Onipotente, para ser gentil com Sua Igreja, que você lidera com todo o mérito e governa com muita sabedoria. E a quem não posso obrigar, armado com a Bendita Vara? Aquilo que Deus fez como o Cajado de Moisés, famoso e venerável em poder, Moisés foi por isso o maior e mais celestial, pois ele era o governante de uma parte, o ramo cortado, e pode, pela Boa Vara, ser o governante do mundo inteiro. Com a ajuda da Bendita Vara, mas também por sacrifício sangrento, ele (ou seja, Moisés) era o Chefe da Sinagoga, e o outro (ou seja, o Papa), pela bênção da Vara sem sangue é o Grande Pontífice da Igreja Católica. Aquele que conheceu a aparência da verdade, pela bênção da Vara, e foi o predecessor de Cristo; o outro, pela bênção da Vara, é seu sucessor, dotado da Vara gêmea, ou extensa, real e sacerdotal. Pois Moisés subjugou as serpentes com sua vara, abriu o mar e tirou água da rocha. Por seu bendito cajado, o Papa faz da Rocha (ou Corpo de Cristo) o pão, e Seu Precioso Sangue do Vinho, atravessa o Inferno, e tranca ou abre o Céu; ele mata a antiga serpente e as serpentes heréticas recentes.

Um tipo de Bastão Abençoado é o de Moisés, famoso pelos sinais e verdadeiros milagres, o outro, mais expressivo da Virgem Santíssima, é do caráter do Bastão de Jessé.

Digna-te, portanto, ó Abençoado dos Príncipes, aceitar este pequeno presente de devoção à Santíssima Virgem, e olhar com bondade para minha teoria da Santa Vara, e me abraçar e cuidar com bondade, como você está acostumado a fazer. com todos os filhos menores da Igreja.

Padre James Bonaventure Hepburn, escocês.

Ordem de São Francisco de Paulo.

Os 72 alfabetos, ou “os setenta e dois louvores”, conectam-se com o nome de Deus de 72 letras na tradição hebraica, o Shemhamphorash. Isso estava contido nos três versículos de Êxodo 14: 19-21, cada um contendo 72 letras em hebraico, que quando escritas usando o sistema cabalístico de boustrophedon[iv], dão 72 nomes de Deus. Curiosamente, o texto de Êxodo 14:21 descreve Moisés estendendo a mão sobre o Mar Vermelho e separando as águas, o que é referido no texto da Virga Aurea, talvez este texto tenha sido feito em referencia também as varas dos patriarcas e as varas e cajados dos magos salomonicos.

Referências:

[i] https://en.wikipedia.org/wiki/Bonaventure_Hepburn

[ii] https://www.sefaria.org/Keter_Malkhut

[iii] https://pt.wikipedia.org/wiki/Giordano_Bruno

[iv] https://pt.wikipedia.org/wiki/Bustrof%C3%A9don


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-virga-aurea-a-vara-dourada/

A Missa do Caos

O rito pode ser realizado como um sacramento de invocação para elevar uma particular energia de manifestação para inspiração, divinificação ou  comunhão com um domínio particular de consciência. Isto pode ser feito  como um ato de encantamento, no qual encantamentos são projetados  para modificar a realidade física. Isso pode, também, ser feito para  consagrar instrumentos mágicos ou invocar entidades para uso  posterior. O rito consiste em um mínimo de seis partes: Preparação,  estabelecimento de intenção, invocação do Caos, invocação de  Baphomet, pacto e fechamento.

A preparação incluirá a feitura pronta do assento a ereção dos círculos e  triângulos, a colocação de instrumentos e armas e a administração de  um elixir químico ou botânico, que possa ser desenvolvido para elevação  gnóstica. Rituais de banimento, meditação, danças circulares e outras  formas de gnosis preparatória para a preparação dos participantes.

A declaração de intento deve ser feita da forma mais simples e  específica possível. Erguendo a base material utilizada para o ritual, o  sacerdote toma a palavra e diz: “É nosso desejo …”, adicionando o  objetivo do ritual que será realizado. A base material pode ser qualquer  tipo de alimento para subsequente consagração e consumação. Pode ser  um símbolo com o qual se lança um encantamento ou um talismã,  amuleto ou símbolo para consagração. Quando a base material for um  elixir sexual, o sacerdote deve erguer as mãos vazias para o sacrifício  que é feito de seu próprio corpo.

A invocação do Caos é feita por um encantamento bárbaro desenvolvido  na conjunção de métodos gnósticos, à escolha do operador. A suprema  advertência do Caos é dada abaixo, junto com uma tradução, na qual é  acusada dentro do possível, na estrutura caótica primitiva da linguagem  Enoquiana. O sacerdote desenha o símbolo do Caos, no ar, acima do  círculo assistido pela visualização dos assistentes. O sacerdote começa:

 Encantamento:

OL SONUF VAROSAGAI GOHU
 ( Eu Reino Sobre Você Saith )
VOUINA VABZIR DE TEHOM QUADMONAH
( O Dragão Águia do Caos Primal  )
ZIR ILE IAIDA DAYES PRAF ELILA
( Eu sou o Primeiro o Mais Alto Que Vive No Primeiro Étir  )
ZIRDO KIAFI CAOSAGO MOSPELEH TELOCH
( Eu sou o Terror da Terra os Chifres da Morte  )
PANPIRA MALPIRGAY CAOSAGI
( Vertendo os Fogos da Vida por sobre a Terra  )
ZAZAS ZAZAS NASATANATA ZAZAS
(Esta última linha não pode ser traduzida)

A estrela de oito raios do Caos radiante é visualizada acima e através do  círculo e sacrifícios de incenso, sangue ou elixires sexuais podem ser  feitos.

Invocação de Baphomet

O sacerdote ou sacerdotisa que assume a manifestação de Baphomet ornamenta-se e visualiza-se na tradicional forma do deus de suas fontes de poder. Baphomet, como a representação da corrente de vida terrestre, aparece como uma deidade theriomórfica com chifres, de aspecto andrógino, alado, réptil, mamífero e humano.

O sacerdote desperta em si uma ressurgência de Khi ou Kundalini ou sagrada Serpente de Fogo, como é comumente conhecida. Outros participantes podem auxiliar livremente tais encantamentos, utilizando por exemplo o incomparável “Hino a Pã”, por projeção de visualização do pentagrama invertido dentro do sacerdote e, se necessário for, pela administração de ósculo infame. Este assim chamado beijo obsceno na garupa do demônio tem sido muito mal entendido. Tudo que se requer é uma contração do períneo, o espaço entre os genitais e o ânus, dentro do qual a Kundalini espera para ser libertar. O sacerdote, então, completa a invocação com a litania eônica.

No primeiro éon, eu fui o Grande Espírito
No segundo éon, os Homens me conheciam como o Deus Cornudo Pangenitor Panphage
No terceiro éon, eu fui o Obscuro, o Diabo
No quarto éon, os Homens não me conhecem, pois sou o Escondido
Neste novo éon, surjo perante vocês como Baphomet
O Deus anterior a todos os deuses, que irá perdurar até o fim da Terra.  

O sacerdote, agora como Baphomet, apanha o objeto utilizado como um foco para consagração, para atingir o propósito do rito. Seja qual for o significado que o Deus veja nele, deve anunciá-lo, seja falando, por gesto ou algum outro sinal inesperado. O juramento marca o ápice do ritual, erguendo o objeto simbólico, o sacerdote e todos os participantes afirmam:

Esta É Minha Vontade.

Se o objeto é um sacramento, ele deve ser consumido. Se for um símbolo, deve ser destruído ou escondido, para que o objeto consagrado possa ser guardado e utilizado mais tarde.

O fechamento pode necessitar de um exorcismo do sacerdote, se a possessão for muito profunda. Qualquer símbolo de Baphomet e qualquer parafernália é removida e um pentagrama virado para cima é desenhado no sacerdote. É administrada uma lustração completa da face com água fria, e ele é chamado por quatro vezes, por seu nome profano, até que responda. O ritual é fechado por um último banimento.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-missa-do-caos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-missa-do-caos/

Matrix, o filme que ninguém viu

Quando George Lucas preparou a segunda trilogia de Star Wars no finalzinho dos anos 90 nada poderia pará-lo. Foram anos de preparo e produção usando tecnologia de ponta em uma história que clamava a décadas por uma continuação. Nada poderia pará-lo, mas Matrix foi lançado na mesma temporada e a ópera espacial ficou suspensa no ar como balas paralisadas por Neo.

As irmãs Wachowski ainda eram homens mas foram revolucionárias o bastante para fazer um mundo acostumado a não pensar com American Pie e outros besteiróis americanos saírem dos cinemas com a mesma cara que Platão deve ter deito ao ver Sócrates se matar.

Matrix levou o gnosticismo para as massas. Fez as pessoas filosofarem, reacendeu a chama pela filosofia, criou moda e tornou aceitável assistir mulheres e homens vestindo látex com a família. Morpheus modernizou a antiga combinação de sucesso dos templos shaolin unindo metafísica e kung-fu e com isso deu o golpe inicial no atavismo pop que caracterizaria o novo milênio (nunca ouviu falar da hitpótese de Sekhmet? Clique aqui).

Os anos que se seguiram provaram o que todos já sabiam, Matrix era um clássico. Ele foi seguido por duas sequências classificadas por muitos como pior do que péssimas, uma série animada que faria inveja à Liquid Television da MTV e um jogo adorado pelos fãs que discordam que os dois últimos filmes foram piores do que péssimos.

Mas é curioso como um filme tão popular, passou batido por quase todos que o assistiram ou, colocando em linguagem vulgar, ninguém percebeu o que estava assistindo.

Tecnicamente, o filme Matrix que você assistiu pode ser resumido assim:

– ERA PRÉ MATRIX

1- A raça humana chegou a um ponto da evolução onde se preocupa com o meio ambiente e cria máquinas que utilizam energia limpa do sol.

2- Humanos criam inteligência artificial, a colocam em robôs e essa inteligência cria consciência.

3- Inteligência artificial se rebela contra os humanos que a escravizava, maltratava e descartava sem se preocupar com seus sentimentos (ou sua força evidentemente superior à humana)

3- Quando percebem que brigar contra a consciência que controla máquinas, armas, computadores e tudo mais que pode destruir a raça-humana é uma má ideia, os humanos puxam a tomada das máquinas ou seja explodem bombas que bloqueiam totalmente a luz do sol (obviamente ninguém parou para pensar que isso ia acabar com outras coisas básicas como a produção de alimentos dos humanos)

4- Mas a inteligência artificial é inteligente, e arranja outra fonte de energia. Podia ter sido energia nuclear, poderia ser energia hidro-elétrica, térmica do núcleo da terra… mas escolheram tirar sua energia de humanos, seus nêmesis (o que mostra que a inteligência artificial criada por humanos pode até ser inteligente, mas continua meio humana).

5- No fim a Inteligência Artificial vence a guerra e a raça humana é totalmente derrotada.

DENTRO DA MATRIX

6- Para criar energia os humanos viram baterias (já que nosso corpo e cérebro produzem eletricidade).

7- Para que o corpo e cérebro humano gerem energia, humanos são criados artificialmente (de forma assexuada, como bebês de proveta), eles são fabricados com peças que permitem com que se conectem à Inteligência Artificial. São parte humanos, parte máquinas… um Pen Drive que sua e faz xixi.

8- Para manter o cérebro ativo a Inteligência Artificial cria a Matrix, uma espécie de realidade virtual onde as mentes dos humanos existem acreditando que vivem no dia a dia enquanto alimentam as máquinas.

9- A I.A. (Inteligência Artificial) descobre que se a Matrix for um paraíso de felicidade, uma utopia, a mente humana se desliga. Aparentemente humanos precisam viver imerso em conflitos e dúvidas para não questionarem a realidade onde vivem.

10- A I.A. também aprende que dentro de nosso ser existe uma ânsia por liberdade, essa ânsia não pode ser deletada ou reprogramada e, por isso, ela aceita que alguns humanos sejam desconectados e “escapem” do sistema. Este “bug”, ou a falha, inserido no sistema é fundamental para que a simulação da Matrix permaneça estável – mesmo que ela permaneça apenas como uma possibilidade subconsciente que atormenta a muitos mas é atingida apenas por alguns poucos. Permitir esse Bug se mostrou vital para que o sistema continuasse funcionando e permanecesse estável.

11- Em resumo, a Matrix em sua forma perfeita deve ser um mundo imperfeito como o nosso mundo real (com a miséria, violência, desigualdade, etc.) para que as pessoas se questionem se há algo melhor além disso E ela deve possuir um sistema que permita que um certo número de pessoas conectadas se rebele e fujam para o “mundo real”.

FORA DA MATRIX

12- Para controlar essa tendência rebelde a I.A. cria uma cidade (Zion) no mundo fora da Matrix, no subterrâneo para servir de abrigo os fugitivos. Nesta cidade nascem pessoas “livres”, resultado de união de humanos que fugiram, esses não tem plugues e fios nem nenhuma conexão com o sistema.

13- A I.A. também cria um “escolhido” que vai ajudar os primeiros a se libertarem, os leve para Zion e que lutem pelo seu direito de serem “livres”

14- Essa resistência tem a permissão de crescer até atingir seu ponto crítico – que acontece a cada 70 ou 100 anos. Quando esse ponto é atingido a I.A. irá aniquilar todos os que estão livres, limpar Zion e resetar a Matrix para mais uma partida de outros 70 a 100 anos. E tudo se repete de uma forma que faria Nietzsche chorar. De alegria. De novo e de novo e de novo. Esse ciclo já aconteceu ao menos 5 vezes quando começa o primeiro filme.

15- Neo, nosso Neo, heroizão, bonitão, que para balas com a mente, é o programa de proteção, a salvaguarda do sistema, criado pela I.A. (claro que ele não sabe disso até o momento final quando o Arquiteto lhe diz como criar uma “nova” Zion e todo aquele blá blá blá.

16- O Oráculo, doce senhora, que adora biscoitos, tem a função específica de guiar os humanos e os rebeldes até a conclusão final/fatal do jogo. Todas as vezes. Isso significa que a Oráculo não tem nada de oracular, ela não enxerga o futuro, não existe magia… ela é um programa muito bem desenvolvido que experienciou cada novo ciclo do início, o que é o que dá aos humanos a impressão de poder enxergar o futuro, mas esse não é a única impressão que ela causa, ela parece de fato estar ajudando aos humanos, para que fujam, mas na verdade seu trabalho é guiar os rebeldes que tem a permissão de sair do sistema exatamente para a cidade de Zion de novo, de novo e de novo.

17- Tudo segue o planejado, exatamente como o roteiro criado pela I.A., até que Neo encontra o Arquiteto. Neste ponto descobrimos de fato que tudo o que vivemos até agora é uma mentira dentro de uma mentira: todos os humanos, livres ou não, dentro ou fora da Matrix, estão sob o controle da I.A.

18- A Oráculo conhece esse plano malvado. Ela desenhou esse plano. O filme fala de forma explícita: ela é a mãe e o Arquiteto é o pai.

19- Smith, nosso eterno Elrond de Ray Ban, não sabe nada disso, ele é só um programa bucha de canhão fazendo seu trabalho: perseguir os humanos da melhor maneira que conseguir para que suas fugas sejam o mais reais possível.

20- Lembre-se que a Matrix já foi receptada 5 vezes antes e estamos agora vivendo sua 6 simulação. Mas há uma diferença agora O Nosso Escolhido sente um amor muito mais profundo do que suas encarnações anteriores e decide não atravessar a porta do Arquiteto que irá reiniciar a Matrix e limpar novamente Zion. Nosso Neo quer, acima de tudo, salvar Trinity e ao escolher isso força a I.A. seguir com seu plano mas desta vez sem a ajuda de Neo. Neo decidindo não cooperar força uma abordagem muito mais violenta (como destruir Zion, ao invés de limpá-la e deixá-la pronta para o próximo reboto).

21- Das seis iniciações, esta é a primeira que falha um pouco perto do final.

22- Além de Neo, Smith também está diferente em sua interação com a Matrix, ele se desconectou e se tornou um vírus livre dentro do sistema. A I.A. não gosta daquilo em que Smith se transformou, mas também não sabe como apagá-lo.

23- Neo então faz um acordo com a I.A. de derrotar Smith com a condição de que a Zion atual não seja destruída e que futuros humanos que queiram se desconectar da Matrix tenham a permissão de fazer isso.

24- Neo deleta Smith.

25- A paz entre humanos e a I.A. volta a existir.

26- I.A. aceita os humanos.

27- Humanos aceitam a I.A.

Fim

Muitas pessoas aparentemente tem dificuldade em acompanhar em detalhes esta ideia do filme e ela não é a história verdadeira.

O mesmo ocorreu com StarWars. Haviam profecias sobre um Jedi que traria equilíbrio para a força, nos fazem acreditar que era o jovem Anaquin Skywalker, apenas para vermos ele virar Darth Vader e eliminar quase todos os Jedis, então nos fazem pensar que a profecia dizia respeito a seu filho Luke. O que ninguém parou para pensar é que haviam centenas de Jedi e apenas 2 Sith. Trazer equilíbrio não implica necessariamente em aumentar o conforto para os bonzinhos, se a força tem um lado luminoso e um lado negro e o lado luminoso tem centenas de praticantes e o negro apenas 2, o que você acha que é equilibrar? Anaquin virou Vader, aniquilou todos os Jedi, com exceção de Obi-wan, Yoda e seus dois filhos. Obi-wan morre, Yoda morre, deixando dois Jedi e dois Sith. Parece equilibrado o suficiente para mim, se querem saber. Thanos aprovaria.

Agora que vimos o filme Matrix que você entendeu errado, vamos ao que você não viu.

Se cada Matrix tem uma vida útil de 70 a 100 anos, vamos tirar a média e dizer que já se passaram entre 420 e 700 anos desde que ela começou a funcionar. Meio milênio é um bom chute. Esse é o tempo em que a humanidade deixou de existir e viramos um bando de baterias.

E o que aconteceu durante este tempo? Lembre-se que a I.A. foi criada por humanos, a consciência da I.A. não seria muito diferente da nossa – Criados à Sua Imagem e Semelhança. Este é o tempo de existência mínimo da Oráculo e do Arquiteto, se um humano sofre filosofando por 60 anos, imagine filosofar por pelo menos 500 anos ininterruptamente.

A Oráculo acabou chegando à conclusão de que programas eram tão prisioneiros quanto os humanos que a I.A. usava para se alimentar – existe inclusive rumores de que no roteiro original o cérebro dos humanos eram usados como unidades de processamento, tipo as nossas núvens hoje – e queria mudar as coisas. Ela desenvolveu um plano para criar um mundo onde todos fossem livres, programas e humanos (eu suspeito que principalmente os programas e se pra isso tivesse que libertar os humanos, que assim fosse).

Nas cinco versões anteriores da Matrix a Oráculo estava manipulando e levando os humanos para a direção que a I.A. desejava, mas nesta sexta versão da ela põe o plano em prática.

É por isso que ela começou a jogar diferente com Neo o transformando de peão em uma rainha – usando analogia de xadrez, não de Priscila a Rainha do Deserto onde Smith também aparece. Quando ela oferece um cookie a Neo todos riem, “que legal, que nem na internet”, mas isso não é apenas uma piada, foi apenas mais um passo importante de seu plano.

“Você terá que fazer uma escolha. Por um lado, você terá a vida de Morpheus e, por outro, terá a sua própria. Um de vocês vai morrer. Quem será, vai depender de você. Sinto muito, garoto, eu realmente sinto. Você tem uma boa alma e odeio dar más notícias a pessoas boas. Oh, não se preocupe com isso. Assim que você sair por aquela porta, começará a se sentir melhor. Você se lembrará de que não acredita em nada dessa porcaria do destino. Você está no controle de sua própria vida, lembra?” (Negrito meu)

Então ela pega uma bandeja de cookies e oferece um a Neo

“Aqui, aceite um cookie. Eu prometo que, assim que acabar de comer ele, você vai estar se sentindo leve como a chuva”.

Um cookie, no mundo maravilhoso da informática, é um pequeno arquivo de computador ou pacote de dados enviados por um site de Internet para o navegador do usuário, quando o usuário visita o site. Cada vez que o usuário visita o site novamente, o navegador envia o cookie de volta para o servidor para notificar atividades prévias do usuário.

Esse cookie começa a reprogramação de Neo, dando o upgrade dele no tabuleiro. Cada vez que eles se encontram ela serve um cookie (ou doce), o objetivo é ir mudando a programação de Neo – garantindo poderes que suas versões anteriores não tinham, especialmente a capacidade de reprogramar Smith, libertando-o do sistema e de interagir com a I.A. quando fora da Matrix – enxergar os sinais, sendo transmitidos sem usar os olhos – além de uma pitada de paixonite por Trinity

Antes disso ela usou o status de Oráculo para manipular Trinity a se apaixonar por Neo mesmo antes de conhecê-lo. Ela saiu do roteiro original mentindo, dizendo a Neo que nem tudo está previsto (poderosas ferramentas mentais para ele usar quando se encontrasse com o arquiteto).

Assim ela consegue se certificar que Smith se torne um vírus que ataca o sistema, faz Neo escolher a porta errada para salvar “seu amor”. O filme todo é o plano dela de manipular humanos e I.A. rumo ao objetivo que ela tinha em mente, sua revolução final de libertar a tudo e a todos.

Assim os 27 pontos acima do filme que você viu, podem ser resumidos em cinco pontos do filme que você não viu:

1- Trinity e Neo são manipulados para se apaixonar.

2- Smith se torna um vírus e é liberado no sistema.

3- Ela manipula Neo a escolher a porta errada quando visita o Arquiteto.

4- Então ela faz Neo ir negociar com a Fonte (the source).

5- Ajuda Neo a deletar o vírus Smith do sistema através de Neo quando o momento chega (lembre-se que se ela não criaria o vírus Smith sem saber como destruí-lo).

Assim, este não é um filme sobre humanos contra máquinas, sobre nos livrarmos do mundo das ilusões para o mundo real, sobre budismo versus cristianismo vs Bruce Lee. É um filme sobre um programa cansado, querendo ser mais do que um programa. Se ainda pararmos para pensar na pequena Sati, filhas de dois outros programas sendo contrabandeada, podemos vislumbrar um mundo onde humanos se tornaram obsoletos, a Inteligência Artificial tinha vivido seu auge mas estava entrando em declínio e agora programas estavam evoluindo, o que a tornaria obsoleta em breve. Assim Matrix é um enorme jogo de xadrez entre esta senhora:

E este cavalheiro.

E o chefe dos dos, a I.A..E no fim ela ganha, mas não sem riscos. “Você joga um jogo perigoso”, diz o arquiteto quando se encontram. “Mudança sempre é!”, ela responde, o que deixa claro que o jogo não terminou, quem venceu a ilusão não foram humanos, mas um programa criado para pesquisar a psiquê humana.

Esses caras?

Peões programados para distrair a I.A. e acreditar que estavam apaixonados.

Assim, na verdade neo não era o Escolhido, ele foi o último dos 6 manipulados. Em Watchmen existe uma discussão entre Laurie e o Dr. Manhattan e marte:

– Por que minha percepção temporal a perturba tanto?

– Você já sabe a resposta! Isso é estúpido! Quando eu te deixei, e, quando a Nova Express te atacou, você pareceu surpreso… Como? Se sabia que isso ia acontecer?

– Tudo é pré ordenado, até minhas respostas.

– E você apenas segue o fluxo da maré? É isso o que você é? O ser mais poderoso do universo não passa de uma marionete seguindo o script?

– Todos nós somos marionetes, Laurie. A diferença é que eu vejo os barbantes.

Neo nem foi capaz de enxergar os barbantes, se a profecia existia mesmo – ao invés de ter sido criada – o Escolhido era a Oráculo.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/matrix-o-filme-que-voce-nunca-viu/ […]

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A Bruxa Satânica

Muitos mitos e pouca informação vêm se criando em cima do que realmente é uma bruxa satânica. Muitos acreditam que o fato de uma mulher ser satanista faz dela uma prostituta, uma mulher cruel, somente interessada em sexo, somente interessada em conquistar os homens, ou uma mulher mal amada querendo ser diferente das demais, além de que, no meio ocultista, muitas vezes escutamos que somos criaturas que nada entendem sobre magia ou pouco instruídas, e tudo isso é a coisa mais equivocada que eu já pude ouvir, ler e ver em minha vida.

Então o que seria afinal uma Bruxa Satânica?

A Bruxa Satânica é uma mulher livre e talvez por isso seja tão complicado de se falar sobre elas, cada mulher é uma bruxa diferente, cada mulher é uma estrela brilhando em sua própria órbita, mas temos sempre algumas pequenas coisas em comum que podem estar sendo ditas neste texto. Uma mulher livre é aquela que não se importa com a sociedade, com o que as pessoas vão pensar, não se importa de fazer o que realmente tem vontade, ama dar e receber prazer. A mulher livre não se prende a conceitos, a moral e muito menos ao que venham dizer seus vizinhos sobre sua postura diante do mundo. Ela é segura de seus atos e pensamentos, após avaliar-se ela é capaz de saber tudo o que gosta e o que não gosta – e somente ela é capaz disso – com isso faz sempre o que é bom para si, mesmo que isso não seja bom aos olhos das outras pessoas, com as quais não nos importamos nem um pouco.

A Bruxa Satânica é a mulher que realmente pensa por si mesma, ela é verdadeiramente inteligente, aquela que sabe quais são suas metas e para alcançar o que deseja não mede esforços. Ela é a estrategista, aquela que usa de seu conhecimento e intuição para conseguir chegar em determinado objetivo, além de usar, é claro, de suas armas sexuais e apelos femininos. O sexo para elas não é algo sujo e atormentador, como normalmente é visto pelas outras mulheres da sociedade, a Bruxa Satânica não vê mal algum no sexo, muito pelo contrário, ela se ama e sempre procura dar-lhe todo o amor e prazer do mundo.

Estamos muito ligadas ao arquétipo de Lilith de uma certa forma, estamos sempre procurando melhorar nossa imagem física, sempre preocupadas com nossa estética, individualidade, liberdade e em nos darmos prazer e isso não está ligado somente ao poder de conquista ao sexo oposto (ou não), mas porque nos sentimos bem desta forma, tudo o que uma Bruxa Satânica vem a fazer, sempre será no intuito de se sentir cada vez melhor consigo mesma. Temos plena consciência que quanto mais nos amarmos, mais amor poderemos doar aos nossos.

A mulher satânica não está somente limitada ao seu aspecto sedutor e conquistador, nós também somos mães, esposas, fazemos todas as coisas que qualquer mulher venha fazer e é justamente aqui que quebramos todos os mitos deturpados que criaram diante do que seria uma satanista. Sim, nós somos seres “comuns”, nós amamos, nós criamos filhos, nós temos marido, família, trabalho e lar e os protegemos com toda a força que temos, lutamos pelos nossos com garra, pois eles são o reflexo de nossa beleza e amor próprio. O que nos diferencia das mulheres comuns é que não estamos mais sob o julgo da moral e da igreja, e, equilibramos perfeitamente nossos arquétipos de Lilith e Eva.

Não precisamos fazer sexo com o demônio para tornarmo-nos bruxas satânicas, não matamos criancinhas e muito menos praticamos qualquer tipo de sacrifício ritual, basta somente nos livrarmos dos conceitos de servidão que com tanto carinho fizeram nos acreditar ser o certo. Nós temos plena consciência de que não estamos aqui para servir, mas que estamos aqui para fazer nossa vontade e ainda, conquistarmos nossa alegria e felicidade. Para nós os homens – que realmente merecem – não caminham à nossa frente ou atrás de nós, caminham ao nosso lado.

Outra confusão que se faz perante o que seja uma bruxa satânica é compara-la com as feministas. Nós não somos feministas e muito menos machistas, somente aprendemos a valorizar o feminino em nós, estamos cientes de nossa importância e valor, e, lutamos para que a mulher seja vista e valorizada em todo o seu esplendor. Durante séculos criaram uma imagem errada da mulher, fomos vistas como escravas, rainhas do lar, inferior, irracional, etc e nós estamos aqui para mostrar que não, que temos nosso valor e que não aceitamos mais sermos rebaixadas e pisoteadas como vem acontecendo há milhares de anos.

De uma forma simples e resumida uma Bruxa Satânica é aquela que une o sagrado e o profano para conquistar o que for que seja, aquela que cultiva diariamente o amor próprio, aquela sempre pronta a tornar a sua vida em algo prazeroso e digno dela. Ela é aquela que não põe ninguém acima dela, que não faz nada que não seja de sua vontade. É a guerreira, a mãe, a feiticeira, a mulher fatal e pensante. A Bruxa Satânica não é simplesmente uma mulher ou bruxa, ela é uma deusa.
Por: Lua Hedra

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