A Crença das Bruxas

Gerald Gardner

Acho difícil dizer exatamente no que crêem as bruxa de nossos dias. Conheço uma que vai à Igreja de vez em quando, embora seja apenas uma conformista ocasional. Acredita firmemente em reencarnação, assim como muitos cristãos. Não sei como ela ou eles reconciliam isso com os ensinamentos da Igreja. Mas, para começar, a crença em muitos paraísos diferentes, cada um com seu deus diferente, não é incomum. O deus do culto é o deus do próximo mundo, da morte e da ressurreição, ou da reencarnação, o consolador, o confortador. Após a vida, você vai alegremente a seu reino para o descanso e o alívio, tornando-se jovem e forte, esperando a época de renascer na terra de novo, e você pede a ele que mande de volta os espíritos de seus mortos queridos para que se regozijem com você em suas festas.

Torna-se claro que elas acreditam em algo desse tipo, por causa do mito da deusa que forma a parte central de um de seus rituais. É um tipo de espiritualismo primitivo.

Bruxas não têm livros de teologia, então para mim é difícil descobrir em que elas realmente acreditam. Com todos os milhares de livros escritos sobre a cristandade, ainda acho difícil definir as crenças cristãs. Transubstanciação, por exemplo. Por outro lado, é fácil fornecer a idéia central ou mito, que em minha opinião pode-se definir como uma história que afeta as ações das pessoas. Estritamente falando, nesse sentido o mito da cristandade está na crucifixão e na ressurreição, e poucos cristãos discordam disso. O mito da bruxaria parece ser a história da deusa aqui citada. Estou proibido de fornecer seu nome, então vou chamá-la G.

G. nunca amou, mas ela resolve todos os mistérios, mesmo o mistério da Morte, e assim ela viajou às terras baixas. Os guardiões dos portais a desafiaram. “Despe teus trajes, tira tuas jóias, pois nada disso podes trazer contigo em nossa terra. “Assim, ela pôs de lado seus trajes e suas jóias e foi amarrada como o eram todos os que entravam nos reinos da Morte, a poderosa.

Tal era a sua beleza que a própria Morte se ajoelhou e beijou seus pés, dizendo: ”Abençoados sejam esses pés que te trouxeram por estes caminhos. Permanece comigo, mas deixa-me pôr minha mão fria sobre teu coração “. E ela respondeu: “Eu não te amo. Por que fazes com que todas as coisas que eu amo e que me alegram se apaguem e morram? ” “Dama, ” respondeu a Morte, “isto é a idade e o destino, contra os quais não sou de nenhuma ajuda. A idade faz com que todas as coisas feneçam; mas, quando o homem morre ao fim de seu tempo, eu lhe dou descanso e paz e força para que ele possa retornar. Mas tu és adorável. Não retornes; permanece comigo. ” Mas ela respondeu: “Eu não te amo “. Então a Morte disse: “Como não recebes minha mão em teu coração, receberás o açoite da Morte”. “Esse é o destino, que seja cumprido, ” disse ela, ajoelhando-se. A Morte açoitou-a e ela gritou: “Conheço os sofrimentos do amor “. E a Morte disse: “Abençoada sejas ” e lhe deu o beijo quíntuplo, dizendo: “Que possas atingir a felicidade e o conhecimento”.

E ela lhe contou todos os mistérios e eles se amaram e se tornaram um; e ela lhe ensinou todas as magias. Por isso, há três grandes eventos na vida do homem – amor, morte e ressurreição no novo corpo – e a magia os controla a todos. Para realizar o amor, você deve retornar na mesma época e lugar que os entes amados e deve lembrar-se e amá-lo ou amá-la novamente. Mas, para renascer, você deve morrer e ficar pronto para um novo corpo; para morrer, você deve ter nascido; sem amor você não pode nascer e eis toda a magia. Esse mito sobre os quais os membros baseiam suas ações é a idéia central do culto. Talvez seja trabalhoso explicar idéias e rituais já concebidos e explicar por que o deus mais sábio, mais velho e poderoso deveria dar seu poder à deusa por intermédio da magia.

Havia um costume céltico de amarrar cadáveres; a corda com a qual um deles fora amarrado era de grande valia na obtenção da segunda visão. Mas no Mundo Antigo parece ter sido difundida a idéia de que uma pessoa viva deve ser amarrada para chegar à presença dos Senhores da Morte. Tácito, em Germânia XXIX, fala de bosques sagrados onde homens se juntam para obter augúrios ancestrais, para entrar nesses domínios sagrado dos Senhores da Morte. “Todos são atados com correntes para mostrar que estão em poder da Divindade e, se lhes acontecesse cair, não tinham ajuda para levantar. Deitados como estão, devem rolar pelo caminho da melhor forma possível. ” Isso mostra que eles eram amarrados bem forte, de forma que não podiam erguer-se; logo, é claro que não era uma amarração “simbólica”.

Luciano, em sua obra Vera Historia, que, embora seja um romance, trata de crenças populares, fala de pessoas vivas desembarcando na Ilha dos Abençoados, sendo instantaneamente atados com correntes e levados à presença do Rei dos Mortos.

A idéia de pessoas vivas, ou recém-mortos, sendo amarrados com correntes logo que chegam à terra dos mortos pode ser, em minha opinião, a origem da idéia de fantasmas arrastando correntes; mesmo no Limbo eles permaneceriam amarrados. apenas a história de Ishtar descendo aos infernos, mas o ponto principal da história é outro. Pode-se dizer também que é simplesmente Shiva, o deus da Morte e da Ressurreição; mas novamente a história é diferente. É bastante possível que as histórias de Ishtar e Shiva tenham influenciado o mito, mas acho que sua origem é mais provavelmente céltica. Nas lendas célticas, os Senhores do Submundo preparavam a pessoa para o renascimento; dizia-se que muitos vivos haviam entrado em suas regiões, formado alianças com eles e retornado em segurança, mas era preciso grande coragem; apenas um herói ou um semideus se arriscaria desse modo. Os mistérios célticos certamente continham rituais de morte e ressurreição e possivelmente visitas ao submundo com um retorno em segurança. Acho que o purgatório de São Patrício em Lough Derg é uma versão cristianizada dessa lenda.

O homem primitivo temia a idéia de renascer em outra tribo, entre estranhos, de forma que rezava e realizava ritos para se assegurar de que nasceria novamente na mesma época e no mesmo lugar que seus amados, que o conheceriam e o amariam em sua nova vida. A deusa do culto das bruxas é obviamente a Grande Mãe, a que dá a vida, o amor encarnado. Ela comanda a primavera, o prazer, a festa e todos os deleites. Mais tarde, ela foi identificada com outras deusas e tinha uma especial afinidade com a lua.

Antes de uma iniciação, lê-se uma declaração que começa assim:

Ouça as palavras da Grande Mãe, que antigamente foi chamada pelos homens de Artemis, Astartéia, Diana, Melusina, Afrodite e muitos outros nomes. Em meus altares a juventude da Lacedemônia fez o devido sacrifício. Uma vez por mês, de preferência quando a lua está cheia, encontrem-se em algum lugar secreto e me adorem. Pois sou a rainha de todas as magias… Pois sou uma deusa graciosa, dou alegria à terra, certamente, não a fé, durante a vida; e após a morte, a paz inexprimível, o descanso e o êxtase da deusa. Nada peço em sacrifício…

Essa declaração vem, eu acho, da época em que romanos ou estrangeiros chegaram; isso explicaria o que nem todos sabiam em épocas passadas e identifica a deusa com deusas de outras terras. Imagino que uma declaração similar era uma característica nos antigos mistérios.

Estou proibido de revelar algo mais; mas, se você aceitar a regra dela, tem a promessa de vários benefícios e é admitido no círculo, apresentado à Morte Poderosa e aos membros do culto.

Há também um pequeno “susto”, uma “prova” e um “juramento”; mostram-lhe algumas coisas e lhe dão alguma instrução. Tudo é muito simples e direto.

Entre as declarações mais comuns contra as bruxas está a de que elas repudiam ou negam a religião cristã. Tudo o que posso dizer é que eu e meus amigos jamais ouvimos algo sobre tais negações e repúdios. Minha opinião é de que em tempos primitivos todos pertenciam à velha crença e adoravam regularmente os antigos deuses antes de serem iniciados. Para as pessoas como os romanos e romano-bretões, eles estariam apenas adorando seus próprios deuses, identificados com os célticos; logo, nada haveria para ser repudiado.

Possivelmente, durante a perseguição, se pessoas desconhecidas apareciam em um encontro religioso, seriam questionadas para se descobrir se eram espiões; provavelmente lhes pediam para negar o cristianismo, como uma espécie de teste. Eles nunca iniciariam alguém, não o trariam ao círculo, a menos que soubessem com certeza que era pertencente à velha crença. Quando a perseguição aumentou, o culto escondeu-se e praticamente só as crianças nascidas e criadas no culto eram iniciadas. Acredito que algumas vezes, quando alguém que não fosse do sangue desejasse ingressar, ele era questionado; mas daria na mesma pedir ao postulante médio que negasse o cristianismo ou que negasse uma crença em Fidlers Green, sobre o qual os velhos marinheiros costumavam falar: o paraíso para onde os velhos marinheiros iam, que ficava bem longe do Inferno.

Logo, penso que, embora houvesse casos de pessoas que negavam o cristianismo, estas foram bem poucas. Dizer que isso é “provado” porque muitas bruxas foram torturadas para admitir que repudiavam o cristianismo é a mesma coisa que dizer que tal testemunho prova que elas voavam em vassouras. Meu grande problema para descobrir quais foram suas crenças reside no fato de elas terem esquecido praticamente tudo sobre seu deus; tudo o que posso saber é por meio dos ritos e orações dirigidos a ele.

As bruxas não conhecem a origem de seu culto. Minha própria teoria é, como já disse, que é um culto da Idade da Pedra, dos tempos matriarcais, quando a mulher era líder; mais tarde, o deus homem se tornou dominante, mas o culto das mulheres, por causa de seus segredos mágicos, continuou como uma ordem distinta. O grande sacerdote do deus homem às vezes compareceria aos encontros delas e os lideraria; quando estivesse ausente, a grande sacerdotisa era sua representante.

Deve-se notar também que há certos ritos em que um homem deve liderar, mas, se um homem do grau requisitado não está disponível, uma sacerdotisa chefe veste uma espada e é vista como um homem para a ocasião. Mas embora a mulher possa ocasionalmente tomar o lugar do homem, o homem nunca pode tomar o lugar da mulher. Isso deve vir da época da associação das Druidesas, que os romanos tratavam de bruxas. Se eram druidesas verdadeiras, eu não sei. Essa parece ter sido uma organização religiosa separada, possivelmente sob o comando do druida líder, da mesma forma que havia um sacerdote ou alguém que num encontro de bruxas era reconhecido chefe. Ele era chamado “o Diabo” na época medieval.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-crenca-das-bruxas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-crenca-das-bruxas/

A Rosa de Paracelso

Por Jorge Luiz Borges,

Em sua oficina, que abarcava os dois cômodos do porão, Paracelso pediu a seu Deus, a seu indeterminado Deus, a qualquer Deus, que lhe enviasse um discípulo.

Entardecia. O escasso fogo da lareira arrojava sombras irregulares. Levantar-se para acender a lâmpada de ferro era demasiado trabalho. Paracelso, distraído pela fadiga, esqueceu-se de sua prece. A noite havia apagado os empoeirados alambiques e o atanor quando bateram à porta. O homem, sonolento, levantou-se, subiu a breve escada de caracol e abriu uma das portadas. Entrou um desconhecido. Também estava muito cansado. Paracelso lhe indicou um banco; o outro sentou-se e esperou. Durante um tempo não trocaram uma palavra.

O mestre foi o primeiro que falou:

— Lembro-me de caras do Ocidente e de caras do Oriente — falou, não sem certa pompa — Não me lembro da tua. Quem és e que desejas de mim?

— O meu nome não importa — replicou o outro — Três dias e três noites tenho caminhado para entrar em tua casa. Quero ser teu discípulo. Trago-te todos os meus bens — e tirou um taleigo que colocou sobre a mesa. As moedas eram muitas e de ouro.

Fê-lo com a mão direita. Paracelso lhe havia dado as costas para acender a lâmpada. Quando se voltou, viu que na mão esquerda ele segurava uma rosa, que o inquietou. Recostou-se, juntou as pontas dos dedos e falou:

— Acreditas que sou capaz de elaborar a pedra que transforma todos os elementos em ouro e ofereces-me ouro. Não é ouro o que procuro, e se o ouro te importa, não serás meu discípulo.

— O ouro não me importa — respondeu o outro. — Essas moedas não são mais do que uma parte da minha vontade de trabalho. Quero que me ensines a Arte; quero percorrer a teu lado o caminho que conduz à Pedra.

Paracelso falou devagar:

— O caminho é a Pedra. O ponto de partida é a Pedra. Se não entendes estas palavras, nada entendes ainda. Cada passo que deres é a meta.

O outro o olhou com receio. Falou com voz diferente:

— Mas, há uma meta?

Paracelso riu-se.

— Os meus difamadores, que não são menos numerosos que estúpidos, dizem que não, e me chamam de impostor. Não lhes dou razão, mas não é impossível que seja uma ilusão. Sei que há um Caminho.

— Estou pronto a percorrê-lo contigo, ainda que devamos caminhar muitos anos. Deixa-me cruzar o deserto. Deixa-me divisar, ao menos de longe, a terra prometida, ainda que os astros não me deixem pisá-la. Mas quero uma prova antes de empreender o caminho.

— Quando? — falou com inquietude Paracelso.

— Agora mesmo — respondeu com brusca decisão o discípulo.

Haviam começado a conversa em latim; agora falavam em alemão. O garoto elevou no ar a rosa.

— É verdade — falou — que podes queimar uma rosa e fazê-la ressurgir das cinzas, por obra da tua Arte. Deixa-me ser testemunha desse prodígio. Isso te peço, e te dedicarei, depois, a minha vida inteira.

— És muito crédulo — disse o mestre — Não és o menestrel da credulidade. Exijo a Fé!

O outro insistiu.

— Precisamente por não ser crédulo, quero ver com os meus olhos a aniquilação e a ressurreição da rosa.

Paracelso a havia tomado e ao falar, brincava com ela.

— És um crédulo — disse. — Perguntas-me se sou capaz de destruí-la?

— Ninguém é incapaz de destruí-la — falou o discípulo.

— Estás equivocado. Acreditas, porventura, que algo pode ser devolvido ao nada? Acreditas que o primeiro Adão no Paraíso pode haver destruído uma só flor ou uma só palha de erva?

— Não estamos no Paraíso — respondeu teimosamente o moço — Aqui, abaixo da lua, tudo é mortal.

Paracelso se havia posto em pé.

— Em que outro lugar estamos? Acreditas que a divindade pode criar um lugar que não seja o Paraíso? Acreditas que a Queda seja outra coisa que ignorar que estamos no Paraíso?

— Uma rosa pode queimar-se — falou, com insolência, o discípulo.

— Ainda fica o fogo na lareira — disse Paracelso — Se atiras esta rosa às brasas, acreditarías que tenha sido consumida e que a cinza é verdadeira. Digo-te que a rosa é eterna e que só a sua aparência pode mudar. Bastar-me-ia uma palavra para que a visse de novo.

— Uma palavra? — perguntou com estranheza o discípulo — O atanor está apagado e estão cheios de pó os alambiques. O que farías para que ressurgissem?

Paracelso olhou-o com tristeza.

— O atanor está apagado — reiterou — e estão cheios de pó os alambiques. Nesta etapa de minha longa jornada uso outros instrumentos.

— Não me atrevo a perguntar quais são — falou o moço, deixando Paracelso na dúvida se foi com astúcia ou com humildade. E continuou — Falastes do que usou a divindade para criar os céus e a terra. Falastes do invisível Paraíso em que estamos e que o pecado original nos oculta. Falastes da Palavra que nos ensina a ciência da Cabala. Peço-te, agora, a mercê de mostrar-me o desaparecimento e o aparecimento da rosa. Não me importa que operes com alambiques ou com o Verbo.

Paracelso refletiu. Depois disse:

— Se eu o fizesse, dirías que se trata de uma aparência imposta pela magia dos teus olhos. O prodígio não te daria a Fé que buscas: Deixa, pois, a Rosa.

O jovem o olhou, sempre receoso. O mestre elevou a voz e lhe disse:

— Além disso, quem és tu para entrar na casa de um mestre e exigir um prodígio? Que fizeste para merecer semelhante dom?

O outro replicou, temeroso:

— Já que nada tenho feito, peço-te, em nome dos muitos anos que estudarei à tua sombra, que me deixes ver a cinza, e depois a Rosa. Não te pedirei mais nada. Acreditarei no testemunho dos meus olhos.

Tomou com brusquidão a rosa encarnada que Paracelso havia deixado sobre a cadeira e a atirou às chamas. A cor se perdeu e só ficou um pouco de cinza. Durante um instante infinito, esperou as palavras e o milagre.

Paracelso não havia se alterado. Falou com curiosa clareza:

— Todos os médicos e todos os boticários de Basiléia afirmam que sou um farsante. Talvez eles estejam certos. Aí está a cinza que foi a rosa e que não o será.

O jovem sentiu vergonha. Paracelso era um charlatão ou um mero visionário e ele, um intruso que havia franqueado a sua porta e o obrigava agora a confessar que as suas famosas artes mágicas eram vãs.

Ajoelhou-se, e falou:

— Tenho agido de maneira imperdoável. Tem-me faltado a Fé que exiges dos crentes. Deixa-me continuar a ver as cinzas. Voltarei quando for mais forte e serei teu discípulo e no final do Caminho, verei a Rosa.

Falava com genuína paixão, mas essa paixão era a piedade que lhe inspirava o velho mestre, tão venerado, tão agredido, tão insigne e portanto tão oco. Quem era ele, Johannes Grisebach, para descobrir com mão sacrílega que detrás da máscara não havia ninguém? Deixar-lhe as moedas de ouro seria esmola. Retomou-as ao sair.

Paracelso acompanhou-o até ao pé da escada e disse-lhe que em sua casa seria sempre bem-vindo. Ambos sabiam que não voltariam a ver-se. Paracelso ficou só. Antes de apagar a lâmpada e de se recostar na velha cadeira de braços, derramou o tênue punhado de cinza na mão côncava e pronunciou uma palavra em voz baixa. A Rosa ressurgiu.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-rosa-de-paracelso

As Prostitutas da Antiguidade

Em determinadas épocas do ano, sacerdotisas e mulheres de todas as classes sociais uniam-se sexualmente a reis, sacerdotes ou a estranhos.

Para os povos antigos, a lua era andrógina, como disse Plutarco, “chamase a Lua (Artemis) a mãe do universo cósmico; ela possui uma natureza andrógina”. Na Babilônia, o deus-lua Sin é andrógino e quando foi substituído por Istar, esta conservou seu caráter de androgismo. Igualmente no Egito, Ísis é denominada Ísis-Neit, enquanto andrógina.

Pelo mesmo fato de a lua ser andrógina, o homem-lua, cujo representante na terra era o rei ou o chefe tribal, passava a primeira noite de núpcias com a noiva, a fim de provocar a fertilização dela, da tribo e da terra. Tal hábito, permaneceu na França até a Idade Média com o nome de Le Droit du cuissage du Seigneur.

O fato de todos dependerem dos préstimos da lua para a propagação da espécie, da fertilização dos animais e das plantas, enfim, da boa colheita anual, em todos os sentidos, é que provocou, desde a mais remota antiguidade, um tipo especial de hieròs gámos, de casamento sagrado, uma união sagrada, de caráter impessoal. Trata-se das chamadas hierodulas, literalmente, “escravas sagradas”, porque adjudicadas, em princípio, a um templo, ou ainda denominadas “prostitutas sagradas”, mas sem nenhum sentido pejorativo.

Em determinadas épocas do ano, sacerdotisas e mulheres de todas as classes sociais uniam-se sexualmente a reis, sacerdotes ou a estranhos, todos simbolizando o homem-Lua, com o único fito de provocar a fertilização das mulheres e da terra, bem como de angariar bens materiais para o templo da deusa (Lua) a que serviam. Tudo isso parece muito estranho para nossa mentalidade ou para nossa ignorância das religiões antigas.

Puta, em latim, era uma deusa muito antiga e muito importante. Provém do verbo putare, “podar”, cortar os ramos de uma árvora, pôr ordem, “pensar”, contar, calcular, julgar, onde Puta era a deusa que presidia à podadura. Com o sentido de cortar, calcular, julgar, ordenar, pensar, discutir, muitos são os derivados de putare em nossa língua, como deputado, amputar, putativo, computar, computador, reputação. O sentido pejorativo, ao que parece, surgiu pela primeira vez num texto escrito entre 1180-1230 d.e.c. Não é difícil explicar a deturpação do vocábulo. É que do verbo latino mereri, receber em pagamento, merecer uma quantia, proveio meretrix, “a que recebe seu soldo”, de cujo acusativo meretrice nos veio meretriz, que também, a princípio, não tinha sentido erótico. Mas, como putas e meretrizes, que se tornaram sinônimos, se entrevam não só para obter a fecundação da tribo, da terra, das plantas e dos animais, mas também recebiam dinheiro para o templo, ambas as palavras, muito mais tarde, tomaram o sentido que hoje possuem.

Não eram, todavia, apenas mulheres que “trabalhavam” para a deusa-Lua. Homens igualmente, embora fosse mais raro, após se emascularem, entregavam-se ao serviço da deusa. Na Índia, segundo W. H. Keating, os homens de Winnipeck consideram o sol como propício ao homem, mas julgam que a lua lhes é hostil e se alegra quando pode armar ciladas contra o sexo masculino. Desse modo, os homens de Winnipeck, se sonhassem com a lua, sentiam-se no dever de tornar-se cinaedi, quer dizer, homossexuais. Vestiam-se imediatamente de mulher e colocavam-se ao serviço da lua.

Cibele era a grande deusa frígia, trazida solenemente para Roma entre 205 e 204 a.e.c., durante a segunda Guerra Púnica. Identificada com a lua, protetora inconteste da mulher, seus sacerdotes, chamados Coribantes, Curets ou Galos e muitos de seus adoradores, durante as festas orgiásticas da Bona Mater, Boa Mãe, como era chamada em Roma, se emasculavam e cobriam-se com indumentária feminina e passava a servir à deusa-Lua Cibele.

No Egito e na Mesopotâmia as deusas-Lua Ísis e Istar sempre tiveram um grande número para os templos, para elas trabalhavam infatigavemnte. No judaísmo, as hierodulas causaram problemas sérios. Para Astarté, deusa-lua semítica da vegetação e do amor (a Afrodite do Oriente), as hierodulas,, sobretudo em Canaã, operevam, quer ao longo das estradas, quer nos próprios santuários da deusa. O dinheiro arrecadado, a que se dava o nome de “salário de meretriz” ou “de cachorro”, era entregue aos santuários. Sob a influência cananéia, o abuso penetrou também no culto israelítico, embora a Lei se opusesse energicamente a isso e proibisse que o dinheiro fosse aceito pelto Templo. Sob Manassés e Amon (séc. VII a.e.c.), as prostitutas sagradas instalaram-se no próprio Templo de Jerusalém. Foi necessário que Josias mandasse demolir suas habitações. Mais tarde, à época da desordem total, até pagãos as procuravam no Templo da Cidade Santa.

Na Grécia, à época histórica, emludar de oferecer seu corpo e sua virgindade em honra da deusa-lua, as mulheres ofereciam sua cabeleira.

A Afrodite, divindade do prazer pelo prazer, do amor universal, que circula nas veias de todas as criaturas, porque, antes de tudo, Afrodite é a deusa das “sementes”, da vegetação, estavam ligadas, à maneira oriental, as célebres hierodulas, as impropriamente denominadas prostitutas sagradas. Essas verdadeiras sacerdotisas entregavam-se nos templos da deusa aos visitantes, com o fito, primeiro de promover e provocar a vegetação e, depois, para arrecadar dinheiro para os próprios templos. No riquíssimo (graças às hierodulas) santuário de Afrodite no monte Érix, na Sicília, e, em Corinto, a deusa era cercada por mais de mil hierodulas, que, à custa dos visitantes, lhe enriqueciam o santuário. Personagens principais das famosas Afrodísias de Corinto, todas as noites elas saíam às ruas em alegres cortejos e procissões rituais. Embora alguns poetas cômicos, como Aléxis e Eubulo, ambos do século IV a.e.c., tivessem escrito a esse respeito alguns versos maliciosos, nos momentos sérios e graves, como nas invasões persas de Dario (490 a.e.c) e Xerxes (480 a.e.c.) se pedia às hierofuldas que dirigissem preces públicas a Afrodite. Píndaro, talvez o mais religioso dos poetas gregos, celbrou com um (skólion), isto é, com uma canção convival, um grande número de jovens hierodulas que Xenofonte de Corinto ofertou a Afrodite, em agradecimento por uma dupla vitória nos Jogos Olímpicos.

por Prof. Junito de Souza Brandão

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/as-prostitutas-da-antiguidade/ […]

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A Velha Magia Conjura

Por Aaron Leitch

Saudações, fiéis buscadores! Como este é meu primeiro post aqui no site, acho que devo aproveitar para me apresentar. Meu nome é Aaron Leitch, e sou estudante e praticante das Artes Salomônicas. Esse é um estilo de magia que era popular na Europa durante a Idade Média e o Renascimento, e de onde tiramos nossas concepções populares de grimórios , ou livros de feitiços mágicos. Se você leu meus Segredos dos Grimórios Mágicos e A Linguagem Angélica, Volumes I e II , então você já tem uma compreensão firme do que é esse tipo de magia.

Então, você pode perguntar, o que há nessa Velha Magia que me chama? Tudo começou anos atrás – na década de 1990 – em Denver, Colorado. Eu era um neopagão , vivendo e trabalhando com outros neopagãos de uma infinidade de origens diferentes. Quando meus amigos descobriram que eu tinha interesse em anjos, demônios e vários pedaços de conhecimento oculto de orientação bíblica , um deles decidiu me emprestar um de seus livros. Ele disse que a magia que ela continha – chamada de Cabala – parecia estar bem no meu beco. Esse livro era Modern Magick de Donald Michael Kraig, e de fato capturou meu interesse!

No entanto, o livro do Sr. Kraig concentra-se principalmente na Cabala Hermética Ocidental, influenciada especialmente pela Golden Dawn e Thelema . Meus amigos me garantiram que havia algo mais, algo muito mais antigo, mais poderoso e muito mais perigoso. Ninguém sabia exatamente como se chamava – eles só sabiam que era magia séria do Antigo Testamento. Seus segredos estavam contidos em um Livro Branco (que ensinava a convocação de Arcanjos ) e em um Livro Negro (que ensinava a conjuração de demônios). A própria ideia me encheu de admiração e admiração, e decidi naquele momento que encontraria esses livros!

Ao longo dos anos que se seguiram, eu os encontrei. Eles não eram preto e branco, nem eram tão antigos quanto os profetas bíblicos. Na verdade, eram manuscritos medievais chamados Chave Maior de Salomão e Chave Menor de Salomão — e eram apenas dois exemplos de um gênero muito maior de literatura oculta medieval.

Esses livros — os grimórios mágicos — não eram o que eu tinha sido levado a acreditar, mas eram muito mais do que eu poderia esperar! Eles desencadearam o Burning Times , viajaram com imigrantes para o Novo Mundo e se tornaram fundamentais para o American Hexcraft e o Hoodoo . Eles até tiveram uma influência importante na fundação das principais correntes de magia de hoje: a Golden Dawn, Thelema, Wicca e outras.

Em suma, esses livros são a fonte do ocultismo ocidental e a herança mágica de nossa cultura. E quando você coloca suas técnicas em prática, elas funcionam – muito bem! No mundo cada vez mais perigoso de hoje, tem havido um ressurgimento do interesse por esses manuscritos antigos e pela Velha Magia em geral. Estou muito honrado por ter um papel a desempenhar neste novo renascimento ocultista. Até a próxima, continue lendo e continue praticando!

Zorge,
Aaron Leitch

Fonte: The Old Magick Calls to Aaron Leitch.

COPYRIGHT (2010) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-velha-magia-conjura/

A Origem da Palavra Exu

Por Aluízio Fontenelle

Por desconhecer completamente qualquer livro ou tratado que esclarecesse ao público, o que de fato existe nas diversas práticas do Espiritismo sobre as Entidades do Mal, que com a denominação de “EXUS” (Nas Leis de Umbanda e Quimbanda), representam o que os Católicos, Protestantes, etc., denominam de Demônios ou Anjos Maus, e que na Doutrina de Kardec são chamados De Espíritos do Mal (também conhecidos como espíritos obsessores), invocados nos trabalhos de MAGIA NEGRA; resolvi tornar público mais esta obra, verdadeiramente completa, sobre tudo quanto diz respeito a essas entidades.

Será necessário entretanto, que se faça um paralelo, antes de entrarmos no assunto em causa, para que não surjam dúvidas quanto a veracidade das minhas afirmativas, de vez que, o que aqui foi inserido, não é objeto da minha imaginação, e sim, uma exposição real e verdadeira de como agem esses espíritos das trevas, pelo fato de que, foram as próprias Entidades Espirituais que me trouxeram através das suas explanações filosóficas e doutrinárias, os ensinamentos necessários para a organização deste trabalho.

Orientado em grande parte pelos meus GUIAS ESPIRITUAIS, pelos próprios EXUS, e ainda: aliado ao meu profundo conhecimento sobre a MAGIA, como sacerdote que sou dos diversos cultos da Umbanda; além de conhecedor real de todas as práticas que se exercem nos diversos “terreiros” onde se praticam os “Batuques”, “Candomblés”, “Cangerês”, etc., posso perfeitamente como catedrático no assunto, mostrar-lhes o que é verdadeiramente um EXU.

Como complemento deste livro, baseei-me nos conhecimentos obtidos através de literaturas sobre ALTA MAGIA, para que ficasse completa a exposição que pretendi dissertar, bem como, procurei orientação em obras religiosas que bem definem a verdade sobre as atividades dos “GÊNIOS DO MAL”.

A palavra EXU nunca veio do latim e nem tampouco se originou de qualquer língua africana, bantu, jeje, ameríncio, etc. Essa palavra foi pronunciada por Deus na língua IJUDICE (língua dos espíritos) quando por ocasião da revolta havida nos páramos celestiais, entre os anjos que faziam parte da suprema Corte do Céu; Lúcifer, o anjo belo, pretendendo a supremacia dos direitos que lhe outorgara o Criador, como chefe dos seus subordinados, julgou-se no direito de ser maior que o próprio Deus.

Por ocasião, foi-lhe imposto a pecha de “EXUD” (que quer dizer: povo traidor), e, enxotado, foi condenado a habitar as profundezas da terra, tornando-se esse o seu reinado.

Aos demais anjos maus que acompanharam o seu chefe na revolta contra Deus, foi-lhe dada por imposição, a situação de permanecerem sob as ordens do próprio Lúcifer, sendo-lhes apontado como habitação o lado oposto ao ÉDEN (Paraíso Terrestre), situado no Oriente — Ilha Ceilão — permanecendo como espírito em estado embrionário de formação.

Entretanto, a designação de EXUD foi sofrendo modificações, e já no original Páli bem como no original Hebraico, passou a denominar-se EXUS, com a significação de “POVOS”.

Nota-se entretanto, que a significação de EXU nesses dois idiomas, era empregada especialmente para significar um povo menos protegido, isto é: um povo sobre o qual caíra o castigo Divino, e que hoje, a concepção desse termo é empregado atualmente nas Leis de Umbanda e Quimbanda, para, distinguir as entidades do mal, que dominam os seres quer incarnados quer desencarnados que trafegam pelas sendas tumultuosas da provação.

Com o aparecimento de: Adão e Eva, querendo estes conhecer justamente o outro lado do ÉDEN, cuja proibição lhes havia sido imposta pelo Criador, foi que se originou o “PECADO ORIGINAL”, pois, ao travarem conhecimento com o mundo dos Exus, foram por eles iniciados na maldade, e a seguir, sentindo-se envergonhados da sua nudez, procuraram cobrir seus corpos.

Expulsos como foram do Paraíso, ficaram Adão e Eva, bem como todos o seus descendentes, a mercê dos Exus, e daí, surgiram na face da terra todos os males que atualmente nos afligem.

Querendo Deus compensar aqueles que na terra desejassem alcançar a redenção de suas almas, impôs ao homem o voto de reger-se a si próprio, procurando no sacrifício, no sofrimento e na dor, elevar-se no seu conceito, até que pudesse atingir novamente a plenitude de sua forma, como espírito perfeito.

Os filhos de Adão e Eva, multiplicando-se por ordem do Divino Criador, espalharam-se pela terra, e hoje, desconhecedores de tudo quanto encerra o mistério da criação do mundo, entregam-se completamente cegos a tudo quanto julgam poder dominar, sem a mínima noção de que o livre arbítrio que pensam possuir, é apenas uma modalidade de se afundarem cada vez mais na inconsciência e no desespero.

Ninguém faz tudo aquilo que quer, pois, uma força Superior nos domina; e, se conseguimos muitas vezes um certo objetivo, o resultado final está aquém da nossa verdadeira compreensão, pelo fato de desconhecermos o dia de amanhã.

É preciso que se saiba que os Exus exercem desde os primórdios da criação do mundo, um domínio intenso sobre os homens, e, pela Lei da Compensação, Deus permitiu aos descendentes de Adão e Eva, que outros elementos mais fortes os dominassem, porém esses elementos, cuja denominação é conhecida com diversos nomes tais como: Entidades, Guias Espirituais, Orixás, etc, lutam tenazmente contra os elementos do mal, para livrar-nos das perseguições e de tudo quanto nos retarda o progresso espiritual.

Os Exus possuem força poderosíssima, e se não tomarmos cuidado e não nos apegarmos aos nossos guias espirituais, fracassaremos redondamente na senda perigosa que é a existência humana.

Podem os Exus dar-nos forças suficientes para com o mal prejudicarmos os nossos semelhantes, porém, provindo essa força dos gênios do mal, se nos descuidarmos, iremos forçosamente integrar a poderosa falange dos elementos das trevas.

— Eles atuam da maneira mais variada possível. Mostram-se mansos como cordeiros, porém, o seu íntimo é uma gargalhada demoníaca de gozo.

Poderemos usá-los também como arma contra os malefícios que nos fizeram, pois, interesseiros como são, tanto se lhes dá que seja nossa ou de outrem, a alma ou espirito que pretendem arrastar.

Todo aquele que desconhece as Leis Espirituais, e, iludido pelas pregações católicas, protestantes, etc, de que os praticantes do Espiritismo lidam com Demônios, está cometendo um grande erro, pois, não possuindo o homem força suficiente para controlar os seus maus instintos, aí sim, é denominado facilmente por esses elementos, e o resultado é sofrer ainda mais as perseguições das falanges de Exus, fato esse que raramente acontece a quem, cultuando a verdadeira prática do Espiritismo, e, tendo a seu favor a proteção dos Guias Espirituais que os dominam e trazem sujeitos às suas vontades, podem perfeitamente dominar esses Exus, utilizando-os como escravos e não como obsessores.

Na Quimbanda, os Exus são invocados para os- trabalhos de Magia Negra, e os resultados são sempre funestos, de vez que a inconsciência dos homens é de molde a procurar apenas o prejuízo para o seu semelhante.

É muito comum hoje em dia, mesmo entre os ele- mentos da alta sociedade, verem-se casos de larga procura aos Quimbandeiros, para que estes, realizem trabalhos de “macumbas”, “feitiçarias”, “despachos”, etc., com a finalidade de conseguirem desmanches de casamentos, aproximações de amantes, enfim, uma série de “trabalhos” próprios dos Exus, num crescer constante de maldade, perversidade e falta de bom senso.

Para que o leitor conheça verdadeiramente tudo quanto encerra na realidade a composição da arte diabólica do mal, descreverei a seguir, a escala hierárquica, os rituais, as indumentárias, as manifestações, os pontos cantados e riscados, enfim, tudo o que se conhece e desconhece em se tratando dos trabalhos executados pelo Rei das Trevas e do seu poderoso exército.

Diversos motivos levaram-me a escrever este livro, pois, não poderá um verdadeiro Umbandista, deixar de conhecer profundamente a vida destas entidades, uma vez que são elas o motivo Ge tantas lutas, tantas celeumas, e, muitas vezes também, são elas que salvam muitas vidas humanas, o que veremos com o desenvolvimento dos capítulos que se seguirão.

Assim sendo, “salvemos” portanto a UMBANDA com todas as suas entidades:

SARAVÁ A UMBANDA!…

SARAVÁ O POVO DE EXU!…

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Fonte:

Aluízio Fontenelle. Origem da Palavra Exu. Capítulo X do Livro Exu, 1954.
Gráfica Editora Aurora, Ltda. Rua Vinte de Abril, 16. Rio de Janeiro.

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Texto adaptado, revisado e editado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-origem-da-palavra-exu/

Dragões: Parceiros Míticos no Poder

Por Llewellyn.

Então você tem pensado sobre magia e seu papel em sua vida. Talvez você queira levar seu interesse por magia a um nível mais profundo, mais profundo. Talvez você esteja pronto para experimentar a magia que é criativa, amorosa, risonha. Ou talvez você esteja pronto para essas duas coisas. Se você estiver, então você está pronto para ler o livro Dancing with Dragons (Dançar com Dragões), de D. J. Conway.

Por que tantas histórias foram escritas e histórias contadas sobre uma criatura que nunca existiu? Como as crianças podem dar descrições vívidas de algo que nunca viram? Imaginação? As ilusões imaturas de uma mente criativa? Ou será que a liberdade que nos permitiu na infância e na contação de histórias nos conecta à energia de uma espécie que realmente existe e interagiu com a humanidade ao longo da história?

Certamente parece que sim, pois os dragões têm um papel real em nossas lendas e culturas atemporais. Em todo o mundo, o dragão e a serpente sempre foram fortes símbolos de energia vital. Os sacerdotes do Egito e da Babilônia chamavam-se Filhos do Deus-Serpente ou Filhos do Dragão. A palavra galesa para dragão, Draig, era usada para denotar um líder ou um herói. Os chineses conhecem há muito tempo o dragão e seu poder, e ainda é uma característica proeminente na arte e celebração chinesas. Essa conexão íntima permitiu que eles vissem os dragões como uma espécie inteira, que eles dividiram em mais de vinte subespécies, cada uma com suas características e propósitos próprios. Bastante complexo para uma fantasia sem sentido, você não concorda?

Dancing with Dragons (Dançar com Dragões) é especial porque não apenas nos diz o “o quê” e o “porquê” da magia do dragão – também nos diz o “como”. D. J. Conway tem um amor especial por dragões e procurou seu significado e propósito ao longo de sua vida. Incluído em Dancing With Dragons (Dançar com Dragões) está uma explicação completa dos diferentes tipos de dragões e seus propósitos específicos, juntamente com rituais eficazes para invocar cada um. Existem dragões que governam cada um dos elementos – ar, fogo, água, terra, luz e escuridão. Existem dragões guardiões, bem como dragões para o caos.

Junto com cada propósito do dragão vem uma personalidade, com gostos e desgostos específicos que estão incluídos. Os tipos de especiarias e ervas que cada energia de dragão prefere estão listados. Os óleos, cores, pedras e horários dos eventos com os quais cada personalidade do dragão funciona melhor são fornecidos neste livro. Um “script de dragão” para escrita simbólica em uma linguagem de entrada é incluído até mesmo para interações efetivas.

Antigamente, os dragões eram retratados nas bordas dos mapas para denotar território desconhecido. A maioria aceitou, e voltou quando chegaram à borda. Depois, havia os poucos que foram compelidos por essa linha tênue e a curiosidade do que estava além. Eles não podiam deixar de se perguntar o que esses dragões estavam guardando. Eles queriam conhecer o desconhecido e tiveram fé para ir onde nunca estiveram antes. Felizmente, esses buscadores existiram ao longo do tempo, mapeando novos horizontes para o resto da humanidade. Estas são as almas que dançam com dragões.

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Fonte:

Dragons: Mythical Partners in Power, by Lllewellyn.

https://www.llewellyn.com/journal/article/85

COPYRIGHT (2001) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/dragoes-parceiros-miticos-no-poder/

Criando Falsas Memórias

Em 1986, Nadean Cool, uma ajudante de enfermagem em Wisconsin, procurou ajuda terapêutica de um psiquiatra para auxiliá-la a superar um evento traumático experimentado pela sua filha. Durante a terapia, o psiquiatra usou hipnose e outras técnicas sugestivas para trazer à tona recordações de abuso que Cool supostamente teria experimentado. No processo, Cool foi convencida de que ela tinha memórias reprimidas de ter estado em um culto satânico, de comer os bebês, de ser estuprada, de ter sexo com animais e de ser forçada a assistir o assassinato da sua amiga de oito anos. Ela chegou a acreditar que teve mais de 120 personalidades – crianças, adultos, anjos e até mesmo um pato – tudo isso porque lhe foi dito que ela havia passado por severo abuso sexual e físico na infância. O psiquiatra também executou exorcismos nela, um dos quais durou cinco horas e incluiu o uso de água benta e gritos para Satanás deixar o seu corpo.

Quando Cool percebeu finalmente que aquelas falsas recordações foram implantadas, ela processou o psiquiatra por negligência profissional. Depois de cinco semanas de julgamento, o caso dela foi resolvido fora do tribunal por 2,4 milhões de dólares em março de 1997. Nadean Cool não é a única paciente a desenvolver falsas recordações como resultado de uma terapia questionável. Em 1992 no Missouri, um conselheiro de igreja ajudou Beth Rutherford a se lembrar, durante terapia, que o seu pai, um clérigo, a tinha estuprado regularmente dos sete aos catorze anos e que a sua mãe às vezes o ajudava segurando-a. Sob a direção do terapeuta, Rutherford desenvolveu recordações de seu pai engravidando-a duas vezes e forçando-a a abortar o feto ela mesma com um cabide. O pai teve que resignar do posto de clérigo quando as alegações se tornaram públicas. Mais tarde um exame médico da filha revelou, porém, que ela ainda era virgem aos 22 anos e nunca tinha estado grávida. A filha processou o terapeuta e recebeu 1 milhão de dólares de indenização em 1996.

Aproximadamente um ano antes, dois júris apresentaram vereditos desfavoráveis a um psiquiatra de Minnesota, o qual foi acusado de implantar falsas recordações pelos seus ex-pacientes Vynnette Hamanne e Elizabeth Carlson que submetidos à hipnose e ao amytal sódico1, e depois de serem mal informados sobre os funcionamentos da memória, vieram a se lembrar de horroroso abuso por membros da família. Os jurados compensaram Hammane com 2,67 milhões e Carlson com 2,5 milhões de dólares pelos seus sofrimentos.

Em todos os quatro casos, as mulheres desenvolveram recordações sobre abuso infantil na terapia e posteriormente negaram a sua autenticidade. Como nós podemos determinar se recordações de abuso infantil são verdadeiras ou falsas? Sem corroboração, é muito difícil de diferenciar entre falsas e verdadeiras recordações. Também, nestes casos, algumas recordações eram contrárias à evidência física, como memórias explícitas e detalhadas de estupro e aborto quando o exame médico confirmava virgindade. Como é possível as pessoas adquirirem falsas recordações tão elaboradas e seguras? Um número crescente de investigações demonstra que sob circunstâncias adequadas falsas recordações podem ser instiladas muito facilmente em algumas pessoas.

Minha própria pesquisa em distorção de memória remonta ao início dos anos 70, quando iniciei os estudos do “efeito da informação incorreta”. Estes estudos mostram que quando as pessoas que testemunham um evento são posteriormente expostas a informação nova e enganosa sobre ele, as suas recordações freqüentemente se tornam distorcidas. Em um exemplo, participantes viram um acidente de automóvel simulado em um cruzamento com um sinal de Pare. Depois do ocorrido, metade dos participantes recebeu uma sugestão de que o sinal de tráfego era um sinal de passagem preferencial. Quando perguntados posteriormente que sinal de tráfego eles se lembravam de ter visto no cruzamento, os que haviam sido sugestionados tendiam a afirmar que tinham visto um sinal de passagem preferencial. Aqueles que não tinham recebido a falsa informação eram muito mais precisos na lembrança do sinal de tráfego.

Meus estudantes e eu administramos até agora mais de 200 experiências envolvendo mais de 20.000 indivíduos que documentam como a exposição à informação enganosa induz à distorção de memória. Nestes estudos, pessoas “recordaram” um celeiro digno de nota numa cena bucólica que não continha nenhum edifício; vidro quebrado e gravadores de fita que não estavam nas cenas que viram; um veículo branco em vez de azul na cena de um crime; e Minnie Mouse quando eles na verdade viram Mickey Mouse. Considerados em conjunto, estes estudos mostram que a informação enganosa pode mudar a memória de um indivíduo de um modo previsível e às vezes muito poderoso.

A informação enganosa tem o potencial de invadir nossas recordações quando falamos com outras pessoas, quando somos interrogados sugestivamente ou quando lemos ou vemos a cobertura da mídia sobre algum evento que podemos ter experienciado nós mesmos. Depois de mais de duas décadas explorando o poder da informação enganosa, pesquisadores aprenderam muita coisa sobre as condições que fazem as pessoas suscetíveis à modificação da memória. As recordações são mais facilmente modificadas, por exemplo, quando a passagem de tempo permite o enfraquecimento da memória original.

Falsas Memórias Infantis

Uma coisa é mudar um detalhe ou dois numa memória intacta mas outra totalmente diferente é implantar uma falsa memória de um evento que nunca aconteceu. Para estudar a falsa memória, eu e meus estudantes tivemos de achar um modo de implantar uma pseudomemória que não causasse nos nossos participantes tensão emocional imprópria, tanto no processo de criá-la quanto na revelação de que eles tinham sido enganados intencionalmente. Nós quisemos ainda tentar implantar uma memória que seria pelo menos ligeiramente traumática se a experiência tivesse ocorrido de fato.

Eu e minha parceira de pesquisa, Jacqueline E. Pickrell, concordamos em tentar implantar uma memória específica de estar perdido em um shopping center ou em uma grande loja de departamentos ao redor dos cinco anos. Aqui está como fizemos isto. Nós perguntamos para nossos participantes, 24 indivíduos dos 18 aos 53 anos, para tentarem se lembrar de eventos de infância que tinham sido contados a nós por um pai, um irmão mais velho ou outro parente próximo. Nós preparamos uma brochura para cada participante contendo estórias de um parágrafo sobre três eventos que haviam acontecido de fato a ele ou a ela e um que não havia. Nós construímos o falso evento sobre um possível passeio ao shopping usando informação provida por um parente, o qual verificou também se o participante não havia estado, de fato, perdido aos cinco anos. O enredo de “perdido no shopping” incluiu os seguintes elementos: perdido durante um período prolongado, choro, ajuda e consolo por uma mulher idosa e, finalmente, a reunião com a família.

Depois de ler cada história da brochura, os participantes escreveram sobre o que eles se lembravam do evento. Se eles não se lembrassem dele, eram instruídos a escrever, “eu não me lembro disto”. Em duas entrevistas seguidas, nós falamos aos participantes que estávamos interessados em examinar o quanto de detalhe que eles podiam se lembrar e comparar as recordações deles com as dos seus parentes. Os parágrafos sobre o evento não foram lidos literalmente a eles, em vez disso foram fornecidos trechos para sugerir a lembrança. Os participantes recordaram aproximadamente 49 dos 72 eventos verdadeiros (68 %) logo depois da leitura inicial da brochura e também em cada uma das duas entrevistas seguidas. Depois de lerem a brochura, sete dos 24 participantes (29 %) lembraram-se tanto parcialmente como totalmente do falso evento construído para eles, e nas duas entrevistas seguidas seis participantes (25 %) continuaram afirmando que eles se lembravam do evento fictício. Estatisticamente, havia algumas diferenças entre as verdadeiras e as falsas recordações: participantes usaram mais palavras para descrever as verdadeiras recordações, e eles avaliaram as verdadeiras recordações como estando um pouco mais claras. Mas se um espectador fosse observar muitos de nossos participantes descreverem um evento, seria realmente difícil para ele dizer se a estória era uma recordação verdadeira ou falsa. Claro que, estar perdido, por mais assustador, não é o mesmo que ser molestado. Mas o estudo de “perdido no shopping” não é sobre experiências reais de estar perdido; é sobre implantar falsas memórias de estar perdido. O modelo mostra um modo de instalar falsas recordações e dá um passo em direção ao entendimento de como isto poderia acontecer no mundo real. Além disso, o estudo fornece evidência de que as pessoas podem ser conduzidas a se lembrarem do seu passado de modos diferentes, e elas podem até mesmo serem persuadidas a se “lembrar” de eventos completos que nunca aconteceram.

Estudos em outros laboratórios usando um procedimento experimental semelhante produziram resultados semelhantes. Por exemplo, Ira Hyman, Troy H. Husband e F. James Billing da Western Washington University pediram para estudantes de faculdade que recordassem experiências de infância que haviam sido contadas pelos seus pais. Os pesquisadores disseram aos estudantes que o estudo era a respeito de como as pessoas se lembram das mesmas experiências de modo diferente. Além de eventos reais reportados pelos pais, foi dado a cada participante um evento falso, seja uma hospitalização à noite devido a uma febre alta e a uma possível infecção de ouvido, ou uma festa de aniversário com pizza e palhaço que supostamente aconteceram aos cinco anos. Os pais confirmaram que nenhum desses eventos ocorreu de verdade.

Hyman descobriu que os estudantes recordaram completa ou parcialmente 84 % dos eventos verdadeiros na primeira entrevista e 88 % na segunda entrevista. Nenhum dos participantes recordou o evento falso durante a primeira entrevista, mas 20 % disseram na segunda entrevista que se lembravam de algo sobre o evento falso. Um participante que foi exposto à história da hospitalização de emergência mais tarde se lembrou de um médico, de uma enfermeira e de um amigo da igreja que veio visitá-lo no hospital. Em um outro estudo, Hyman apresentou junto com eventos verdadeiros, diferentes eventos falsos, como derramar acidentalmente uma tigela de ponche nos pais da noiva numa recepção de casamento ou ter que abandonar um supermercado quando o sistema de irrigação contra fogo ativou-se acidentalmente. Novamente, nenhum dos participantes recordou o falso evento durante a primeira entrevista, mas 18 % se lembraram de algo a respeito na segunda entrevista. Por exemplo, durante a primeira entrevista, um participante, quando perguntado a respeito do casamento fictício, declarou, “eu não tenho nenhuma idéia. Eu nunca ouvi isso antes”. Na segunda entrevista, o participante disse, “era um casamento ao ar livre, e eu acho que estávamos correndo e derrubamos alguma coisa como uma tigela de ponche ou algo parecido e fizemos uma grande bagunça e, é claro, fomos repreendidos por isto.”

Inflação da Imaginação

A descoberta de que uma sugestão externa pode conduzir à construção de falsas recordações infantis nos ajuda a entender o processo pelo qual as falsas recordações surgem. É natural querer saber se esta pesquisa é aplicável em situações reais como a de ser interrogado por um oficial da lei ou na psicoterapia. Embora uma sugestão enfática pode não acontecer habitualmente em um interrogatório policial ou na terapia, a sugestão na forma de um exercício imagético às vezes o faz. Por exemplo, quando tentando obter uma confissão, oficiais da lei podem pedir para um suspeito que imagine ter participado de um ato criminoso, e alguns profissionais de saúde mental encorajam os pacientes a imaginar eventos infantis como um modo de recuperar memórias supostamente escondidas.

Pesquisas de psicólogos clínicos revelam que 11 % deles instruem seus clientes “a deixarem a imaginação correr solta” e 22 % dizem para seus clientes “dar rédea livre à imaginação”. A terapeuta Wendy Maltz, autora de um livro popular sobre abuso sexual infantil, defende que se dê a seguinte recomendação ao paciente: “Gaste tempo imaginando que você foi abusado sexualmente, sem se preocupar que a exatidão prove qualquer coisa, ou ter que fazer suas idéias terem sentido….Pergunte a si mesmo…estas questões: Que hora do dia é agora? Onde você está? Em um lugar fechado ou ao ar livre? Que coisas estão acontecendo? Há uma ou mais pessoas com você?” Maltz adicionalmente recomenda que os terapeutas continuem fazendo perguntas como “Quem teria sido o provável responsável? Quando você foi mais vulnerável ao abuso sexual em sua vida?”

O uso crescente de tais exercícios de imaginação conduziu a mim e a vários colegas a se perguntarem sobre as suas conseqüências. O que acontece quando as pessoas imaginam experiências infantis que não aconteceram? Imaginar um acontecimento na infância aumenta a convicção de que realmente aconteceu? Para explorar isto, nós projetamos um procedimento de três fases. Nós primeiro pedimos aos participantes que indicassem a probabilidade de que certos eventos aconteceram a eles durante a infância. A lista contém 40 eventos, cada um classificado numa escala variando de “definitivamente não aconteceu” a “sem dúvida aconteceu”. Duas semanas mais tarde nós pedimos aos participantes que imaginassem que haviam experienciado alguns destes eventos. Foi pedido a diferentes indivíduos que imaginassem diferentes eventos. Algum tempo depois foi pedido aos participantes que respondessem à lista original de 40 eventos infantis novamente, indicando quão provável estes eventos realmente aconteceram a eles. Considere um dos exercícios de imaginação: é dito aos participantes que imaginem brincar dentro de casa depois da escola, ouvindo então um ruído estranho do lado de fora, correndo para a janela, tropeçando, caindo, e alcançando e quebrando a janela com as suas mãos. Além disso, nós perguntamos aos participantes coisas como “No que você tropeçou? Como você se sentia?” Em um estudo 24 % dos participantes que imaginaram a cena da janela quebrada relataram mais tarde um aumento de confiança de que o evento havia acontecido, enquanto que aqueles aos quais não foi pedido imaginar o incidente apenas 12 % relataram um aumento na probabilidade de que havia ocorrido. Nós descobrimos este efeito da “inflação da imaginação” em cada um dos oito eventos que os participantes imaginaram a nosso pedido. Várias explicações possíveis vêm à mente. Uma óbvia é de que o ato de imaginar simplesmente faz o evento parecer mais familiar e essa familiaridade é relacionada erroneamente às recordações de infância ao invés de ser relacionada ao ato de imaginar. Tal confusão de fonte, quando uma pessoa não se lembra da fonte de informação, pode ser especialmente intensa para as distantes experiências da infância.

Os estudos de Lyn Giff e de Henry L. Roediger III da Universidade de Washington sobre recente experiências ao invés de experiências infantis, conectam de forma mais direta as ações imaginadas à construção da falsa memória. Durante a sessão inicial, os pesquisadores instruíram os participantes a imaginar a ação proposta ou apenas escutá-la sem fazer mais nada. As ações eram simples: bata na mesa, erga o grampeador, quebre um palito, cruze seus dedos, e rode seus olhos. Durante a segunda sessão, foi pedido aos participantes que imaginassem algumas das ações que eles não haviam executado anteriormente. Durante a sessão final, eles responderam perguntas sobre quais ações eles executaram de fato durante a sessão inicial. Os pesquisadores descobriram que quanto mais os participantes imaginavam uma ação não executada, mais provável era que eles se lembrassem de tê-la executado.

Recordações Impossíveis

É altamente improvável que um adulto possa se recordar de lembranças incidentais verdadeiras do primeiro ano de vida, em parte porque o hipocampo, que desempenha um importante papel na criação de recordações, não amadureceu o bastante para formar e armazenar recordações duradouras que possam ser recuperadas na fase adulta.

Um procedimento para implantar “recordações impossíveis” sobre experiências que ocorrem logo após o nascimento foi desenvolvido pelo falecido Nicholas Spanos e seus colegas da Universidade de Carleton. Pessoas foram levadas a acreditar que elas tinham habilidades de exploração visual e de movimento ocular bastante coordenados provavelmente porque elas nasceram em hospitais que penduravam coloridos mobiles oscilantes em cima dos berços das crianças. Para confirmar se eles tiveram tal experiência, metade dos participantes foi submetida à hipnose e conduzida até o dia posterior ao nascimento e então foram questionadas sobre o que elas se lembravam. A outra metade do grupo participou de um procedimento de “reestruturação mnemônica dirigida” que usou regressão de idade assim como um vívido encorajamento para se recriar as experiências infantis imaginando-as. Spanos e seus colegas de trabalho descobriram que a vasta maioria dos participantes era suscetível a estes procedimentos de implante de memória. Tanto os participantes hipnóticos quanto os dirigidos relataram recordações infantis. Surpreendentemente, o grupo dirigido recordou um pouco mais (95 % contra 70 %). Ambos os grupos se lembravam do móbile colorido numa taxa relativamente alta (56 % do grupo dirigido e 46 % do hipnótico). Muitos participantes que não se lembravam do móbile, se recordavam de outras coisas, como médicos, enfermeiras, luzes brilhantes, berços e máscaras. Também, em ambos os grupos, daqueles que relataram recordações de infância, 49 % sentiam que as recordações eram reais contra 16 % que reivindicavam que elas eram apenas fantasias. Estas descobertas confirmam estudos prévios de que muitas pessoas podem ser levadas a construir falsas recordações complexas, vívidas e detalhadas por meio de um procedimento bastante simples. A hipnose claramente não é necessária.

Como as Falsas Memórias se Formam

No estudo de perdido-no-shopping, a implantação da falsa memória aconteceu quando outra pessoa, normalmente um membro da familia, afirmou que o incidente aconteceu. A corroboração de um evento por uma outra pessoa pode ser uma técnica poderosa para induzir a uma falsa memória. De fato, só de afirmar ter visto uma pessoa fazendo algo errado já é o suficiente para conduzí-la a uma falsa confissão.

Este efeito foi demonstrado em um estudo de Saul M. Kassin e seus colegas da Williams College que investigaram as reações de indivíduos acusados falsamente de danificar um computador apertando a tecla errada. Os participantes inocentes inicialmente negaram a acusação, mas quando uma pessoa associada ao experimento disse que havia visto eles executarem a ação, muitos participantes assinaram uma confissão, absorveram a culpa pelo ato e continuaram a confabular detalhes que fossem consistentes com aquela convicção. Estas descobertas mostram que uma falsa evidência incriminatória pode induzir as pessoas a aceitarem a culpa por um crime que não cometeram e até mesmo a desenvolver recordações para apoiar os seus sentimentos de culpa.

As pesquisas estão começando a nos dar uma compreensão de como falsas recordações de experiências emocionalmente envolventes e completas são criadas em adultos. Primeiro, há uma exigência social para que os indivíduos se lembrem; por exemplo, num estudo para trazer à tona as recordações, os pesquisadores costumam exercer um pouco de pressão nos participantes. Segundo, a construção de memórias pelo processo de imaginar os eventos pode ser explicitamente encorajada quando as pessoas estão tendo dificuldades em se lembrar. E, finalmente, os indivíduos podem ser encorajados a não pensar se as suas construções são reais ou não. A elaboração de falsas recordações é mais provável de acontecer quando estes fatores externos estão presentes, seja num ambiente experimental, terapêutico, ou durante as atividades cotidianas.

Falsas recordações são construídas combinando-se recordações verdadeiras com o conteúdo das sugestões recebidas de outros. Durante o processo, os indivíduos podem esquecer a fonte da informação. Este é um exemplo clássico de confusão sobre a origem da informação na qual o conteúdo e a proveniência da informação estão dissociados.

Está claro que não é porque nós podemos implantar falsas recordações de infância em alguns indivíduos que todas as recordações que surgirem após a sugestão serão necessariamente falsas. Dizendo de outro modo, embora o trabalho experimental na criação de falsas recordações pode levantar dúvidas sobre a validade de recordações remotas, como um trauma recorrente, de nenhuma maneira os desmentem. Sem corroboração, há muito pouco que possa ser feito para ajudar até mesmo o mais experiente observador a diferenciar as verdadeiras recordações daquelas que foram sugestivamente implantadas.

Os mecanismos precisos pelos quais esses tipos de falsas memórias são construídos aguardam por novas pesquisas. Nós ainda temos muito a aprender sobre o grau de confiança e as características das falsas memórias criadas desta maneira, e nós precisamos descobrir que tipos de indivíduos são particularmente suscetíveis a estas formas de sugestão e que tipos são resistentes.

Enquanto continuamos este trabalho, é importante prestar atenção à advertência contida nos dados já obtidos: profissionais de saúde mental e outros devem estar atentos de quão enormemente eles podem influenciar a lembrança de eventos e da urgente necessidade de se manter a moderação em situações nas quais a imaginação é usada como um auxílio para recuperar memórias presumivelmente perdidas.

 

Artigo publicado na Scientific American, em setembro de 1997, vol 277 #3 páginas 70-75..

ELIZABETH F. LOFTUS é professora de psicologia e professora auxiliar de Direito na Universidade de Washington. Ela recebeu o Ph.D em psicologia da Universidade de Stanford em 1970. Sua pesquisa concentra-se em memória humana, depoimento de testemunha ocular e procedimentos de Tribunal. Loftus publicou 18 livros e mais de 250 artigos científicos e serviu como especialista ou assessora em testemunhas em centenas de julgamentos, inclusive no caso de molestamento na pré-escola McMartin2. Seu livro Eyewitness Testimony ganhou o National Media Award da Fundação Psicológica Americana. Ela recebeu doutorados honorários da Universidade de Miami, Universidade de Leiden e da Faculdade John Jay de Justiça Criminal. Loftus foi eleita presidenta da Sociedade Psicológica Americana recentemente.

Elizabeth F. Loftus

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/criando-falsas-memorias/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/criando-falsas-memorias/

Como montar um altar taoísta

KUMANTONG (Taoist Sorcery)

Dia a dia, mais e mais ocidentais estão se interessando em aprender mais sobre o taoísmo, ou já se proclamam taoístas e querem montar um altar taoísta em casa, ou instalá-lo em seu próprio salão de treinamento de Tai Chi ou Arte Marcial Chinesa .

Este artigo é destinado a ensinar as pessoas ocidentais, que estão planejando começar a orar para divindades taoístas, ou já estão orando, mas não tem certeza de como montar o altar taoísta corretamente.

Altar Taoísta – com estátuas de divindades não consagradas

A maioria dos ocidentais e chineses que migraram para os países ocidentais e os chineses filipinos, muitas vezes colocam as estátuas de divindades não consagradas em seus altares taoístas.

Não há nada de errado em montar este tipo de Altar Taoísta, mas é  bom notar que dentro do taoismo estas não tem poder espiritual e nem fornecem nenhuma proteção espiritual. Este tipo de altar é bom para você sentar perto  e ter ao lado enquanto lê alguns livros taoístas, ouve música taoísta e aprecia o Tao.

Montando um altar taoísta

1) Divindades Celestiais devem sempre ser colocadas juntas em Números Ímpares – 1 divindade, 3 divindades, 5 divindades etc. Deidades do Inferno, pode ser em Números Pares, exemplo: Tua Ya Peh e Di Yah Peh são sempre adorados juntos. Coloque a Divindade ou Divindades no meio do Altar. Se pretende rezar para Divindades Celestiais e também Divindades Infernais, separe-as. As divindades celestiais no topo e as divindades do inferno abaixo do altar ou divindades do inferno também podem estar no seu lado direito.

2) Postes de Iluminação ou Lâmpadas (formato de velas) são colocados em cada extremidade, à esquerda e à direita do Altar. E deve ser ligado 24 horas todos os dias. Quando as luzes de casa/escritório são desligadas, as luzes das lâmpadas no altar ainda devem brilhar.

3) A Urna de Incenso será colocada bem na frente e no meio do altar. Quando estiver de frente para o Altar, certifique-se de que a Urna de Incenso não cubra os corpos e rostos das Estátuas de Divindades. Se a urna de incenso cobrir a visão dos corpos e rostos das Estátuas da Divindade, adicione um bloco de madeira abaixo da Estátua da Divindade para levantá-las acima da urna de incenso.

4) Para orar às Divindades no Caminho Taoísta, o uso de incensos deve ser em números ímpares. 1 , 3 , 5… 3 incensos são a norma. Para a maneira budista, uma pequena urna de incenso pode ser usada para conter os incensos de forma circular ou cones de incenso.

Altar Taoísta com estátuas de divindades consagradas

O Altar Taoísta é espiritualmente fortalecido apenas quando as Estátuas da Divindade são consagradas. Altar taoísta espiritualmente fortalecido é obrigatório para pessoas que querem ter sua casa abençoadas pelas divindades. Somente o Altar Taoísta espiritualmente fortalecido pode proteger a família dos espíritos nefastos, livrá-los de ataques de magia negra e trazer prosperidade e riqueza para casa, escritório e negócios.

Antes de configurar seu altar taoísta, certifique-se de que as estátuas de divindades taoístas sejam consagradas. Um Altar Taoísta, sem Estátuas de Divindades consagradas, é apenas bonito de se olhar, mas não tem poder espiritual nem proteção espiritual.

Consagração de estátuas de divindades taoístas

Cerimônia de Abertura dos Olhos

Uma cerimônia de “abertura dos olhos” é uma 开光点眼 (Consagração de Estátuas de Divindades) realizada por um sacerdote taoísta ou diretamente pela Deidade (enquanto em transe de um médium taoísta) em esculturas recém-esculpidas de divindades para dotá-las de propriedades espirituais.

O mestre ou medium taoísta usará Cinnabar ou Sangue de Crista de galo branco de várias formas diferentes. Aqui temos alguns modelos de consagração:

1. Coletar o sangue da crista de um galo branco (cortando a crista do galo com uma espada ritual) ou apenas o cinábrio e pontilhar partes específicas da estátua da divindade, enquanto canta o encantamento de consagração e queima de talismãs.

2. A mistura de cinábrio e sangue de galo e então usar o processo de pontilhamento.

3. Inserir os “5 tesouros” e, em alguns casos, incluir insetos vivos (geralmente vespas) na estátua da divindade e, em seguida, pontilhar partes específicas da estátua da divindade com o sangue da crista de galo branco ou apenas cinábrio, enquanto canta o encantamento de consagração e queima de talismãs. Os zangões são inseridos principalmente apenas em estátuas de divindades guerreiras.

4. Use apenas o cinábrio para pontilhar partes específicas da estátua da divindade, enquanto canta encantamento de consagração e queima  talismãs, sem usar o sangue da coroa de galo branco e sem inserir insetos ou ingredientes sagrados na estátua.

Altar Taoísta Todo Consagrado

Os chineses no Sudeste Asiático (Cingapura, Malásia, Indonésia e Tailândia) podem trazer seus não-consagrados a um Mestre Taoísta ou Templo Taoísta para que suas Estátuas de Divindades não consagradas passem pela cerimônia de consagração. Você pode ter que pagar uma taxa pelo serviço de consagração por um Mestre Taoísta, ou, se você fizer isso por uma Divindade (enquanto estiver em transe de um médium taoísta) no templo, você pode simplesmente doar qualquer quantia que desejar.

Se você não pretende substituir suas estátuas de divindades taoístas não consagradas por novas consagradas, ou não tem acesso a templos e mestres, há um remédio simples para “ativar espiritualmente” todo o altar imediatamente: emoldurar e pendurar o Talismã multifuncional chamado “36 Guerreiros Celestiais”

O único revés é uma vez que depois de colocado, se o Talismã “36 Guerreiros Celestiais” for retirado do Altar Taoísta, torna-se espiritualmente impotente novamente. O Altar Taoísta portanto depende exclusivamente do Talismã para fortalecer seu Altar.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/como-montar-um-altar-taoista/

O Caos é do Bem

Usualmente usamos a palavra caos para nos referir a uma situação de desordem e confusão no mundo ou em nossas vidas. Em diversas tradições mitológicas o caos significa um vazio sem forma e ilimitado que propiciou o surgimento do universo. Na tradição platônica é um estado de desarmonia que precede uma nova ordem. O I Ching ensina que o caos traz a tempestade que permite a vida de novo florir. Na Física o termo é utilizado para explicar um sistema dinâmico que evolui de acordo com lei determinista, sensível a pequenas alterações iniciais. De certa maneira todas as definições se encaixam.

O caos é uma alavanca para a evolução. Pessoal e de toda a humanidade.

A lei da evolução é inexorável. Avançamos por gosto ou imposição, o que vai determinar o grau de dificuldade e o tempo do processo. O entendimento e as escolhas determinam a cada um as dores e as delícias da travessia.

A vida avança em ciclos. Ela é um grande ciclo composto de inúmeros outros ciclos menores, que se comportam como escalas de aprendizado na infinita travessia rumo a Luz. Se olharmos para trás e prestarmos um pouco de atenção não teremos dificuldade em identificar diversos ciclos que já vivemos. A casa dos pais, acadêmicos, profissionais, afetivos, paternidade ou maternidade, lugares diferentes que moramos, são exemplos fáceis de vislumbrar, sendo que cada um destes ciclos pode se subdividir em diversos outros. Cada ciclo encerra uma lição essencial para o novo trecho da jornada em que você precisa ser melhor e diferente para enfrentar novos desafios. Quando nos recusamos a aprender a lição o ciclo se repete infinitamente, como se o trem desse uma volta em círculo para retornar à mesma estação. Quem já teve a sensação de uma mesma situação se repetir muitas vezes, parecendo um livro já lido? E você se pega perguntando o porque daquele conflito ser tão recorrente? São sinais de que você está aprisionado àquele ciclo. A vida é antagônica a qualquer espécie de prisão. Para que a página seja virada de maneira definitiva é necessário que percebamos o que precisa ser aprendido e modificado. Então o ciclo será finalizado e um outro se iniciará. O fim de um ciclo necessariamente é o início de um novo.

Ocorre que muitas vezes permanecemos estacionados em um ciclo por conforto ou vício. Consciente ou inconscientemente sabemos o que precisa ser modificado, mas nos falta força, vontade ou dignidade. Então surge a figura maravilhosa do caos como que segurando um poderoso martelo a demolir as velhas formas e conceitos. O velho mundo resta destruído para que o novo possa ocupar o seu lugar nos empurrando para evolução.

No primeiro momento o desconhecido traz o medo instalando a desarmonia às mentes ainda infantis com a falsa e ingênua sensação de fim do mundo, quando na verdade é apenas a faxineira a arrumar a bagunça, jogar fora o lixo para reordenar a casa de maneira diferente e melhor. Um novo universo começa a se descortinar. Como os dedos do caos são longos, naquele momento não conseguimos entender exatamente o que ele nos traz, fazendo com que a insegurança domine as ações. Não raro as pessoas se desesperam.

No entanto, sabemos que graças à destruição provocada pelo caos relacionamentos com bases viciadas são desfeitos para abrir oportunidade a novos laços, construídos dentro de sentimentos e ideias mais nobres; empregos desaparecem para forçar o resgate de dons e talentos adormecidos, que despertado pelo barulho dos desmoronamentos, terminam por afastar a amargura ao apresentar novas e, até então, desconhecidas tintas que passarão a colorir a estrada do viajante; o convite feito pela morte traz o sentido da vida em mentes distraídas; o horror da guerra mostra o valor da paz. Basta que se preste atenção, as lições estão derramadas por toda a parte.

Entender e aceitar que tudo, absolutamente tudo, que acontece em nossas vidas é para o nosso bem é um conceito extraído de quase todas as tradições e é uma das lições embutidas no caos. Só o distanciamento propiciado pelo tempo e a clareza do olhar nos permite entender e agradecer o que a fogueira do caos incinerou em nossa vida.

A vida nunca vai compactuar com a estagnação.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/13/o-caos-e-do-bem/

#Alquimia #MagiadoCaos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caos-%C3%A9-do-bem

A Theurgia Egípcia

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

A doutrina esotérica da Theurgia contém toda a sabedoria arcana dos antigos.

No passado distante foi preservado no seio das religiões esotéricas onde fragmentos esparsos do esqueleto mágico foram retidos.

Ao longo dos séculos foi sendo aperfeiçoada e sistematizada por vários sábios e eruditos de diversas nações que cultivaram essa Magia da Luz.

Historicamente a palavra Theurgia surgiu a partir de Jâmblico – místico e filósofo neoplatônico que viveu no século IV d.C.

Sua origem, no entanto, é bem anterior ao século IV, e remonta aos mistérios Egípcios e Babilônicos. No Egito era considerada uma arte sagrada inseparável de sua religião.

A Theurgia era domínio dos Hierofantes que a ministravam nos diversos Templos. Muitos filósofos gregos viajavam até o Egito para estudar a sabedoria oculta dos sacerdotes Egípcios.

No Egito era considerada um conhecimento secreto, acessível a poucos escolhidos, os estudantes tinham que passar por duras provas de iniciação antes de terem permissão para sua aprendizagem. Como sempre ocorre na vida espiritual do mundo antigo, no Egito a prática da Magia se encontrava misturada com a religião.

O distanciamento e a separação da Magia e religião começa a surgir nos primeiros séculos do cristianismo e se torna cada vez mais evidente com o surgimento das Ordens Iniciáticas que absorveram parte de seus ensinamentos.

O aspecto que mais chama a atenção da religião mágica dos egípcios é a sua relação com os deuses.

Em vez de rogarem ajuda aos deuses, colocando-se como inferior aos mesmos, os Magos Egípcios tentavam comandar os deuses para fazer os seus trabalhos e obriga-los a aparecer segundo os seus desejos.

No texto hermético conhecido como Poimandres encontramos:

Não, se queremos falar verdade sem medo, aquele que é de fato um homem está acima dos deuses do céu e, de qualquer modo, tem o mesmo poder.

A religião egípcia ao contrário do que pensa a maioria, era simultaneamente politeísta e monoteísta. O deus Ptah é o pai dos deuses e criador do mundo e, como visto acima, acreditavam na superioridade da humanidade sobre os deuses.

Em outra passagem de Poimandres está escrito:

Querendo que o homem seja simultaneamente uma coisa terrena e capaz de imortalidade, Deus criou em duas substâncias: a divina e a mortal; e nisso ele foi criado como ordenado pela vontade de Deus que refere que o homem não só é melhor do que todos os seres mortais, mas também melhor do que os deuses que são feitos somente de substância imortal.

Os textos herméticos, como Poimandres, tiveram sua origem no Egito, apesar de serem bem posteriores e se situarem entre os séculos III a.C e II d.C. sob o disfarce de uma revelação procedente de uma única fonte Hermes três vezes grande – a literatura hermética e a Kabalah, fornecem as bases doutrinárias para a prática da Theurgia no Ocidente.

A Kabalah é um tratado hebraico de antigos ensinamentos e comentários místicos sobre a Bíblia escrito originalmente no século XII.

Para o Mago Kabalista a maior prática mágica consiste no aperfeiçoamento humano – fazer o homem à imagem de Deus na terra.

Agrippa (erudito e mago do século XVII) dizia que a magia era a verdadeira estrada para comunhão com Deus, associando-a portanto ao misticismo.

A Theurgia egípcia alcançou um nível muito elevado nas primeiras dinastias dos reis – sacerdotes que governavam o Egito. Após isso, o poder terreno os seduziu e, como conseqüência, caiu a qualidade de sua Magia. Em 332 a.C Alexandre Magno conquistou o Egito retirando-o das mãos dos ocupantes persas e colocando sob domínio grego durante três séculos.

Neste período existiu uma fusão completa entre a Theurgia Grega e a Egípcia. A Theurgia Grega, ou Magia dos Deuses, era originalmente Egípcia. É a raiz da Alta Magia ocidental moderna. A atração que os filósofos gregos tinham pelos Hierofantes Egípcios não residia apenas na sua reputação de concretizarem coisas maravilhosas.

A filosofia ocultista Egípcia continha a mais profunda e sutil sabedoria acerca da natureza dos deuses e da humanidade, da estrutura do universo, da hierarquia dos reinos espirituais, do funcionamento da mente humana, técnicas médicas avançadas, tanto físicas como psicológicas, química, botânica, história antiga, astronomia e toda uma gama de outros assuntos.

O conhecimento egípcio exercia o mesmo fascínio sobre os gregos que o conhecimento clássico exerceu sobre os europeus durante o Renascimento – abriu toda uma nova perspectiva para o conhecimento.

As doutrinas esotéricas do Egito formaram o coração da escola filosófica Grega conhecida por neoplatonismo e que se baseava numa visão mágica do mundo.

Surge então os cultos de Mistérios sob o influxo do pensamento místico e mágico então reinante.

Nessa época (por volta do século III a.C.) as realizações intelectuais do racionalismo grego estavam sendo questionadas e cultos de Mistérios Órficos e de Elêusis eram tidos em alta reputação, mesmo entre filósofos como Platão e Aristóteles.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fra. Samekh-Ra, 261 U IX° O.T.O. Diretor Geral da Escola Arcana

 

Samekh-Ra, Publicado em A Lança de Seth, OUTONO DE 2004 E.V.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-theurgia-egipcia/ […]

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