Magia, Multiverso e Função de Onda

Esse artigo constitui uma jornada especulativa a respeito dos seguintes temas: Magia Caótica, Mecânica Quântica, Cosmologia e Neurologia. Eu não pretendo ser mais do que um leigo bem informado nos 3 últimos campos, no entanto, a respeito da Magia, expertise é um julgamento subjetivo. Na Cosmologia e nas Neurociências, estamos passando por revoluções incríveis. Esses últimos 10 anos praticamente reconstruíram nosso entendimento sobre às macro-estruturas cósmicas e as micro-estruturas do nosso cérebro. A Mecânica Quântica, que já tem quase 100 anos desde a sua formulação, é tão contra-intuitiva (mas também demonstrada repetidamente por meio de experimentos) que ainda estamos tentando compreende-la e interpretá-la corretamente. Eu tentei escrever um texto relativamente simples, mas sem algum conhecimento nessas ciências você poderá achá-lo muito complicado. Não tão complicado, pelo menos, quanto alguns cientistas considerariam as bases teóricas da Magia Caótica.

Teoria do Multiverso

Esse ensaio trata, para propósitos místicos, do modelo cosmológico e quântico designado de Multiverso. Esse modelo foi formulado originalmente por Hugh Everett III, enquanto era um estudante de graduação. Em 1957, preocupado pela divergência entre os modelos Newtoniano e Quântico da Mecânica, Everett sugeriu a interpretação dos Muitos-Mundos, que ajuda a resolver os problemas conceituais envolvidos na definição da Função de Onda.

Podemos entender por analogia a Função de Onda da Mecânica Quântica. Um dos princípios fundamentais dessa teoria (o Principio da Incerteza de Heisenberg) afirma que é impossível saber ao mesmo tempo a posição e a velocidade de determinada partícula. Em outras palavras, dá pra saber a velocidade de um elétron mas não onde ele se encontra, e vice versa. Imagine que seus amigos te telefonam do Rio de janeiro e que você vive na cidade de São Paulo.. A incerteza da Mecânica Quântica afirma que, numa analogia extrema, não se pode prever quanto tempo vai durar a viagem, eles só sabem onde estão e não tem idéia qual sua velocidade. Se eles telefonam e dizem que estão se movendo a 100 quilómetros por hora, isso implica que a sua localização exata é desconhecida, então só podemos
estimar probabilisticamente quanto tempo a viagem vai levar.

O argumento mais comum é que essa analogia se refere ao nível macro-molecular, onde opera a Física Newtoniana, não no nível micro-molecular, onde opera a Mecânica Quântica, mas isso é uma escapada patética da maioria dos cientistas, ou então seriamos forçados a crer que as Leis da Física operam de modo diferente em escalas distintas de magnificação da realidade?

A Função de Onda é uma equação baseada na probabilidade de que determinada partícula, que esteja se movendo em certa velocidade, vai estar em um lugar a tal instante. Mas é claro que ela é muito mais complexa..

Aqui vai outra definição pra ela:

A Função de Onda, também chamada de Equação de Schroedinger, é a descrição matemática de todos os estados probabilísticos de determinado objeto ou sistema físico. Por exemplo, imagine-a como um baralho, onde cada carta corresponde a um estado quântico não observado. O baralho possui 52 possíveis configurações de estado, de forma que a Função de Onda que o descreve possui 52 cristas ou depressões.

Segundo a perspectiva formal da Mecânica Quântica, qualquer um desses eventos é possível (porque as condições iniciais do sistema são indeterminadas), mas alguns são mais prováveis que os outros. Mesmo os físicos possam dizer muito pouco sobre a probabilidade de cada evento em particular, a Física Quântica funciona – é possível fazer predições a partir dela por causa da aparição de padrões probabilísticos, após a realização de um numero suficiente de medições. É mais provável que alguns eventos ocorram em vez de outros, e depois de muitos experimentos, um padrão de resultados se torna previsível. De forma que, para que seu método funcione, o físico quântico atribui uma probabilidade a cada uma das configurações alternativas de estado representadas pela Função de Onda.

Por analogia, sabemos que leva umas 4-5 horas de carro entre o Rio e São Paulo. Fazemos essa predição porque padrões de probabilidade emergiram como resultado do número de vezes em que realizei essa viagem, também porque o mapa confirma essa informação e todos concordam com essa expectativa. Em outras palavras, porque podemos acumular informações sobre uma quantidade significativa de eventos é que se torna possível fazer previsões probabilísticas.

Até ai tudo bem. Todavia, as equações da Mecânica Quântica só funcionam se aceitarmos que todos os outros estados possíveis de determinado evento são reais e existem verdadeiramente. Ela provou, experimento após experimento, que a perspectiva Newtoniana do mundo é inadequada, sugerindo também que – para que uma probabilidade se manifeste na realidade observada por seres humanos – a existência de todas as outras probabilidades, em algum lugar, é requerida. Nesse local, por exemplo, interruptores podem estar ligados e desligados ao mesmo tempo, elétrons estão em mais de um lugar ao mesmo tempo, articulas subatômicas são capazes de se comunicar instantaneamente a distancia (aparentemente violando a Teoria Relativística), um gato pode estar 1/2 vivo e 1/2
morto.

De fato, todos esses resultados foram demonstrados empiricamente, exceto pelo experimento do gato, de forma que o aparecimento de evidencias empíricas dessas anomalias não foi somente contra-intuitivo, mas extremamente problemático, minando a visão Newtoniana e (de certo modo) também a visão Relativística da realidade. Em outras palavras, continuando a metáfora automobilística, existem historias alternativas onde meus amigos nunca conseguem chegar à minha casa, onde essa trajetória demora 24 ou 36 horas, ou onde eles desencanam de andar de carro e simplesmente vem voando ou se teletransportam imediatamente pra cá. Essas não são exatamente probabilidades irreais, nós podemos facilmente imaginá-la, e segundo a Mecânica Quântica, não há nenhuma razão para descarta-las.

A maioria dos cientistas está acostumada a raciocinar de acordo com a Navalha de Occam, ou seja, consideram desnecessária a multiplicação de entidades empregadas na explicação de fenômenos, em linguagem comum pode-se
dizer que preferem soluções simples em vez de soluções complicadas. Então, por muitos anos, especialistas na Mecânica Quântica, cosmólogos e até mesmo neurologistas, tentaram desviar o foco da discussão, o que requeria a postulação de entidades matematicamente muito complexas para serem examinadas por leigos, como o Espaço de Hilbert. Esse espaço possui um numero infinito de dimensões, é abstrato e real (o que geralmente é dito em sussurros), servindo como o local de existência de todas as probabilidades descritas pela Função de Onda. Decoerência é o termo técnico empregado para descrever o processo através do qual eventos se manifestam em nosso cantinho do Espaço de Hilbert. Esses eventos de algum modo sofrem uma desestabilização, tornando-se observáveis para nós. Como a Mecânica Quântica tem sido um campo tão rico de estudos, gerando muitos desenvolvimentos tecnológicos, somente recentemente é que outras partes do espaço de Hilbert tem sido mais discutidas, adentrando
vagarosamente no conhecimento popular.

O que deixa tudo mais difícil é o fato de que o estado probabilístico se manifesta para nós aleatoriamente. A Ciência, e também o nosso próprio modo de perceber a vida, se baseia em regras que se repetem e na Ordem. Ao afirmarmos que uma probabilidade se manifesta porque é observada parece ser um raciocínio circular que não nos leva a lugar nenhum. O Universo deve então ser ao mesmo tempo caótico e coordenado, mas definitivamente controlado pelas Leis da Física. Até mesmo na Teoria do Caos, que está em moda atualmente, define o Caos como um tipo de Ordem pertencente a uma escala de magnitude muito elevada para o nosso domínio instrumental. A Magia Caótica, apesar desse nome, está estruturada sobre esta condição (de outro modo ela só funcionaria de modo inesperado). A verdadeira aleatoriedade, fenômenos que não possuem qualquer lógica implícita, é tão impossível quando a Ordem absoluta. Conseqüentemente, o fundamento da Ciência é que o funcionamento da Natureza faça sentido.

A contradição entre as visões de mundo Newtoniana e Quântica decorre na suposição de que os fenômenos diferem em suas escalas micro e macro. Esse blefe intelectual apresenta certos problemas: ela divide a totalidade do Universo entre 2 conjuntos de regras mutuamente incompatíveis. Pior do que isso, porque dados cosmológicos atestam as observações quânticas, por exemplo, a radiação cósmica de fundo. A Função de Onda é completamente determinística, habitando numa dimensão infinitamente abstrata – o Espaço de Hilbert – e todo evento não passa de uma dessas probabilidades que colapsa, tornando-se observável através de nossos aparelhos de medição.. Everett sugeriu então que a melhor interpretação para o que ocorre com todos os outros estados probabilísticos que são reais, de acordo com a Função de Onda, mesmo que não possam ser observados, era considerar o Universo, ou mais
precisamente o Espaço de Hilbert, como infinito.

Essa teoria, que foi reformulada de um modo ou de outro, é praticamente convenção entre os cientistas de hoje. Supõem-se a existência de um numero infinito de universos semelhantes ao nosso, todos coexistindo simultaneamente e contendo todo possível arranjo estrutural de matéria permitido estatisticamente pela Mecânica Quântica. A passagem do tempo é um processo acarretado pela simples sucessão desses universos em seqüência. Cada Universo também é estático, como se fosse um instantâneo de determinada organização de elementos constituintes. Mudanças, ou seja, transições de estado, não ocorrem realmente, mas as infinitas combinações e maneiras de se colocar em seqüência esses segmentos de realidade tornam tudo isso muito interessante. O que nos parece real é apenas uma
travessia por um pedaço infimo do Multiverso. Com a consciência cósmica, todas as possibilidades seriam
observadas indistintamente.

Curiosamente, o cenário do Multiverso também aparece na cosmologia, que é estritamente regulada pela Teoria da Relatividade. Quando Everett sugeriu sua interpretação da Mecânica Quântica, o Universo parecia ser, cosmologicamente, bem menor do que é hoje. As imagens do Telescópio espacial Hubble nos mostram um número incontável de galáxias, o que significa que a distribuição da matéria no Universo é basicamente uniforme. A partir dessa observação, podemos deduzir que provavelmente não há nenhuma fronteira entre o Universo e o Nada. A teoria do Einstein sugere que o Universo possa curvar-se sobre si mesmo, o que implicaria em um Universo fechado, mas poucas evidências foram encontradas em suporte a essa hipótese. Em um Universo infinito, novamente todas as
probabilidades, todos os arranjos estruturais de seus elementos constituintes, são igualmente prováveis e devem existir. A maior diferença entre os dois cenários está apenas na distancia que a sua copia mais próxima esta de você. Na teoria cosmológica, suas cópias viveriam alem do universo observável, e na teoria do Multiverso, elas estão ocupando o mesmo espaço físico, estando em outra realidade paralela, ou vibrando numa freqüência dimensional distinta.

Magia Caótica, Budismo e o Multiverso

Então, já que a maioria dos cientistas agora acredita que cada um de nós possui múltiplas cópias, a maioria bem semelhante a nós, mas muitas radicalmente distintas, o estilo especifico de Magia Caótica que utilizo usa essa teoria para concretizar minhas intenções em atos.

Toda Magia pode ser considerada como o método através do qual manipulamos as probabilidades a nosso favor.

No cenário do Multiverso, o resultado desejável para um ato de Magia, a realização de sua vontade, está exatamente em alterar a minha percepção de uma linha de probabilidade para outra. Eu sei que existo, assim como acredito na existência de todo e qualquer outro fenômeno imaginável, que se estende pela vasta seqüência de realidades paralelas. É claro que existem muitos Universos em que eu nunca nasci, mas como existem infinitos destes no Multiverso, é seguro que podemos encontrar ao menos um onde minha vontade se concretizou. Tendo sido condicionado pela linha narrativa da minha vida até esse instante, ou pelo modo como escolhi perceber o segmento de realidades paralelas pelas quais já transitei, tenho uma tendência menor de vislumbrar realidades paralelas na
qual sou, por exemplo, uma nuvem de vapor..

A maioria das pessoas que são terríveis magos e feiticeiras foram tão condicionados pela sua narrativa pessoal que não conseguem nem imaginar o resultado que gostariam de realizar. A Magia Caótica, portanto, pode ser compreendida como um método de descondicionamento das nossas próprias historias. Também existe uma historia mundial, criada e modificada pelos outros seres humanos, uma falta de sensibilidade de se levar isso em consideração também leva a muitos fracassos nessa área (ou seja, devemos contar com certa resistência proporcional ao número de vidas que afetamos com nosso desejo). Não adianta dizer-se capaz de desligar o sol por alguns minutos, isso não significa nada se as outras pessoas não forem persuadidas a acenderem as luzes, não passaria de auto-ilusão. Porém é possível que isso ocorra, teoricamente, mas está tão fora da realidade
consensual que é até difícil de acreditar. A realidade consensual é constituída por uma serie de regras de observação com as quais concordamos, e isso sustenta a integridade da realidade que compartilhamos. Existem
argumentos, no entanto, que outros animais possuam aparatos sensoriais, como os morcegos com sua eco-localização, podendo perceber segmentos bem maiores do Espaço de Hilbert do que nós. Posso até mesmo argumentar que todos nós usamos o Espaço de Hilbert bem mais rotineiramente do que podemos imaginar.

Por exemplo, quando escolhemos uma dentre um grande numero de ações possíveis. Não costumamos reconhecer que cada um dos resultados realmente ocorre, mas de acordo com a teoria do Multiverso elas existem. A nossa relação com o Iniverso é que está sendo limitada pela instrumentação orgânica, nossos órgãos sensoriais. Mas as estruturas corticais superiores que interpretam essa informação o fazem pela seleção por semelhança. A linguagem da mente é simbólica – padrões de neurônios em atividade. Os padrões desses impulsos neurais que são tanto químicos quanto elétricos, são rapidamente comparados com os moldes abstratos em estão armazenados nos níveis corticais superiores. Essa informação que chega também pode ser emitida para os nossos órgãos sensoriais – sonhos, síndrome do membro fantasma e etc são evidencias disso. A teoria do Multiverso parece indicar que essas imagens realmente existem concretamente em algum lugar.

De modo que a realização da Magia, nesse modelo, decorre da observação de determinado estado probabilístico. Da multiplicidade de realidades paralelas para cada resultado, escolhe-se um. Por observação, quero dizer: interação, crença, força de vontade, e todo tipo de estímulo sensorial, intelectual, emocional ou instrumental que cria o mundo como percebo, e espera-se que o resultado colapse. As circunstancias da narrativa pessoal e a estrutura do regime de crenças consensuais da qual participamos pode limitar ou impedir que a vontade se
cumpra.

O regime de crenças consensuais é percebido individualmente e comparado com a auto-narrativa que cada um de nós consolida em nossas mentes. A informação de nossos sentidos deve fazer referencia a esses padrões pra ser compreendida, uma vez que eles são indissociáveis de uma resposta emocional, elas despertam tanto sensações intelectuais quanto emocionais. A Magia Caótica afirma que tanto as mudanças pessoais quanto ambientais que experimentamos são limitadas pelo sistema de paradigmas, ou de crenças que possuímos, e que estes podem ser alterados pela intencionalidade.

É difícil compreender o que realmente ocorre quando um desejo se concretiza através da utilização do modelo do Multiverso. Será que um Universo inteiro é criado conforme a nossa vontade? Aparentemente sim. Será que a consciência do praticante de Magia passa a habitar o corpo de sua cópia em uma realidade paralela, ou ela se torna o praticante? Acho que isso nem importa, mas por que parto de uma perspectiva budista sobre o assunto não posso justificar uma distinção fundamental entre mim e qualquer outro arranjo estrutural de matéria  suficientemente similar. Isso quer dizer que o principal ai é a questão da identidade. Seria o eu do Universo onde a vontade é concretizada o mesmo daquele em que formulou-se o desejo? Essas questões sobre identidade rapidamente revertem para o problema do essencialismo e à impossibilidade de se definir qualquer entidade sem fazer referencia a sua correlação com outras. As teorias cientificas foram provadas empiricamente, mas questões sobre a alma continuam sem resolução.

No sistema de crenças do Budismo, já se especulava sobre uma realidade infinita, o que pode até mesmo ter influenciado o desenvolvimento cientifico nessas áreas, e é também possível que a nossa noção atual de Magia tenha partido dessas questões. As entidades do panteão budista, com seus múltiplos braços e membros, provavelmente se referem não somente a seus múltiplos poderes, mas também a sua hiperdimensionalidade, sua
presença em um número ilimitado de realidades.

Uma maneira de compreender essas divindades seria supor que vivem no Estado de Hilbert, colapsando onde desejarem em diferentes ramos probabilísticos. Esse seria o principal motivo para alguem resolver trabalhar com elas, seriam como canais de comunicação pelo Multiverso – o praticante pode duvidar da sua própria capacidade, portanto elas facilitariam principalmente o seu enfrentamento das estruturas do regime consensual de crenças. Poderíamos duvidar de nossa capacidade de realizar isso sem qualquer assistência, mas parece claro que, pela ação de uma
divindade, isso se tornaria muito mais provavel. A Magia Caótica é, portanto, um método para desconstrução de estruturas de  crenças consensuais, selando a parte do ego que duvida de nossascapacidades. Sigilos, servidores e rituais também auxiliam o praticante a se comunicar através do Multiverso, como essas divindades. Cada uma dessas
técnicas parece ajudar os praticantes de Magia a se mover conscientemente pelo Espaço de Hilbert, ao relaxarmos os rígidos padrões de pensamento do hemisfério esquerdo do cérebro que definem o que é real e o que é plausível.

Pura especulação

Nos últimos 10 anos, cosmólogos descobriram que o Universo é primariamente composto de energia e matéria escura, com a porcentagem de matéria visível sendo em torno de 10% do conteúdo energético total do Universo. A matéria escura é um tipo não radiante de matéria que estrutura a formação de galáxias e aglomerados filamentosos. A energia escura nem sabemos o que pode ser, mesmo que esta componha a maior porção daquilo que existe, tendo inclusive acelerado a expansão cósmica. Tudo está se distanciando de qualquer outra coisa, sendo preenchido por essa energia escura. Talvez isso esteja relacionado ao Espaço de Hilbert, basta pensar que a emergência da vida, nesses últimos bilhões de anos, se deve ao aumento da complexidade estrutural do universo. Consciência seria apenas um outro modo de nos referirmos à vida. Talvez seja isso que acelere a expansão cósmica, ao criar uma matriz observacional que acelera a expansão cósmica, aumentando o numero de probabilidades a serem observadas. Aprecio o fato de que o Universo tenha a aparência de ser isotrópico e homogêneo, e que há mais conexões cerebrais do que partículas no universo observável. Fenômenos como o ponto cego, a síndrome de Charles Bratton e etc, nos dão uma pequena indicação de tudo que nossas estruturas neurais são capazes de realizar. Creio ser obvio que a incrível complexidade do cérebro humano esteja integralmente relacionada ao Multiverso de modos que quase não percebemos, talvez porque elas ocorram a nível inconsciente.

Uma manual prático

Sendo um fã de teorias complicadas, e de técnicas fáceis que funcionem, quer entendamos ou não as teorias que as fundamentem, fica claro que, na Magia Caótica o que importa é a crença, e já foram realizadas inúmeras discussões sobre a necessidade de sinceridade nessa crença para se obter o resultado. Em minha opinião, o mecanismo seria mais bem descrito como a suspensão de descrença. De qualquer forma, a Magia Caótica depende da transformação psicológica ou pessoal, de modo que essas técnicas, em união com o modelo do Multiverso, sirvam para nos convencer que o resultado que foi sendo manifestado era o esperado.  O que faço é me isolar, tento chegar num estado alterado de consciência, onde a atividade mental se torna mais difusa. Minha intenção era a de trocar de
lugar com uma cópia que tivesse uma auto-narrativa mais consistente.

Foi basicamente o que fiz, e sabia o que estava fazendo mesmo que não possa colocar em palavras, pois como todo ato de Magia bem sucedido está além da descrição simbólica. De qualquer maneira, é bem fácil, considere que existe uma copia sua que habita uma realidade paralela onde seu desejo foi realizado, Troque de lugar com a cópia, e torça para que ninguém perceba o que aconteceu. A sua própria memória se tornará meio confusa, mas é grande a probabilidade de que ela já seja assim, e somos nós que não percebemos isso.

Será que eu realmente tive sucesso, trocando de lugar com a minha copia? Ou apenas me convenci de que isso ocorreu? Segundo a magia Caótica, isso nem importa, pois ela se preocupa mais com resultados. Desde então tenho sido muito mais feliz, e tenho estado muito mais alerta para alterações de comportamento que comprometam esse estado de graça. Considero que tenha tido sucesso, mas apenas o tempo dirá; espero que  minha cópia nunca apareça por aquipra reclamar de seu paraíso perdido.

Suspeito que qualquer estilo de Magia poderia ser modificado pela perspectiva do modelo do Multiverso, o que responderia a muitas perguntas:

– Como a Magia funciona?

Ao fazer uma outra parte do estado probabilístico do Multiverso se manifestar pela observação, ou se preferir, ao trocarmos de lugar com uma cópia de uma realidade paralela.

– O ritual é necessário?

Apenas enquanto ferramenta para transformação de seu sistema de crenças.

– Existem deuses e/ou demônios de dimensões obscuras da realidade?

Sim, com tanta validade quanto a sua própria existência, já que mais pessoas acreditam nesses mitos do que em você eles podem ser até mais reais. Mas não creio nisso, suspeito que a qualidade da observação acaba vencendo sobre a quantidade de observadores. De qualquer forma, não faz sentido perguntar essas
coisas.

Não existe nenhuma razão para considerarmos a Ciência e a Magia como contraditórias. A Primeira categoria é grande o suficiente pra abranger a segunda, mesmo que a mente da maioria dos cientistas ainda seja muito streita. Uma questão mais interessante, do meu ponto de vista, é se os praticantes da Magia estão  finalmente prontos para aceitar que o Multiverso é a melhor explicação para o fenômeno da conformidade da realidade com as nossas expectativas.

por Mark Defrates, trad. Dr. Clandestino:

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/magia-multiverso-e-funcao-de-onda/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/magia-multiverso-e-funcao-de-onda/

Adiando o Orgasmo

O sexo tântrico é uma forma de adiar ao máximo o orgasmo, para obter prazer prolongado. Segundo os praticantes, este é um processo que vai elevar o nível do sexo, segurando o orgasmo cada vez mais. Toda a energia retida, quando liberada, será uma explosão nuclear. Adeptos à prática dizem ter conseguido até 24 horas de contato sexual ininterrupto.

O tempo de uma relação com sexo tântrico deixa as pessoas “comuns” de queixo caído, já que a média brasileira é de 15 minutos para se atingir o ápice. Para se iniciar na prática do prazer sem limites, não importa a idade nem as condições de saúde.

Quando se fala em sexo tântrico, a primeira coisa que vem à cabeça é a inevitável tortura de ficar horas e horas adiando o orgasmo. Não desista. Afinal, isso é só uma pequena parte de uma filosofia muito mais abrangente, que requer uma mudança profunda no modo de vida e no jeito de encarar o sexo.

Literalmente, “tantra” significa instrumento de expansão. É um processo que deve ocorrer nos planos mental, espiritual e físico. O objetivo é atingir a realização pessoal e espiritual. E o sexo entra aí como um ritual sagrado de troca de energia. Segundo o livro Sexo Tântrico – Como prolongar o prazer e atingir o êxtase espiritual, da médica inglesa Cassandra Lorius, a união sexual tântrica é um meio de alcançar o êxtase divino.

O primeiro passo para se iniciar no tantra é esquecer o relógio. Aborte a idéia de querer chegar logo na penetração. Beije, toque o corpo da(o) parceira(o), explore as zonas erógenas. Se não der certo da primeira vez, não se preocupe. Tente novamente. Para os adeptos do tantra, o sexo nunca chega ao fim.

As mulheres também são aconselhadas a segurar seus próprios líquidos, conhecidos no tantra como rajas. Uma técnica simples consiste em pressionar a língua fortemente contra o céu da boca pouco antes do orgasmo.

Da preparação do terreno ao orgasmo, conheça as etapas do sexo tântrico:

1º passo: preparar o ambiente

Esta primeira etapa é fundamental para que a circulação da energia aconteça. O casal pode tomar um banho e deixar a pele o mais natural possível. Acender um incenso antes de começarem limpa o ambiente. Prefira os de sândalo e canela. Coloque flores ou frutas e velas no local. Escolha uma música calma e sensual. Se tiver, espalhe cristais pelo quarto.

2º passo: despertar os sentidos

Eles devem estar aguçados para que a entrega seja total. Para isso, um dos parceiros venda o outro com um pedaço de seda. Os dois devem estar nus. Pouco a pouco quem está sem a venda passa vários odores perto do nariz do parceiro. Isso desperta o olfato. Depois pode-se oferecer alguns licores de sabores diferentes ou frutas para aguçar o paladar. Em seguida, deve-se tocar o corpo inteiro do outro. No final, tira-se a venda para que se olhem profundamente nos olhos. Assim, as sensações ficarão à flor da pele. Encerrem com um longo abraço que toque o corpo todo do outro.

3º passo: ativar o ponto de energia sexual

Agora é importante ativar a energia kundalini. Poderosa, ela fica escondida e adormecida no chackra básico ou seja, na região pélvica. Você e seu parceiro podem fazer juntos. Fiquem de pé, com os pés paralelos abertos mais ou menos na largura dos quadris. Mantenham a coluna reta e as mãos dadas. Flexionem os joelhos. Ao inspirar, mexam a pélvis para trás e quando expirarem coloquem a pélvis para frente. Não movimentem o corpo inteiro, apenas essa região. A penetração começa nesse momento. Olhem-se nos olhos durante o movimento.

4º passo: distribuir a energia

Agora vocês devem espalhar essa energia para todo o corpo. Colocando uma das mãos sobre o peito do outro, a a energia “sobe” para o chackra do coração. Vocês podem ficar na posição clássica do tantra com as pernas entrelaçadas, um de frente para o outro, sentados. Almofadas podem ser usadas para acomodar. Parem com o movimento dos quadris. Sintam a energia subindo. Passem as mãos nas costas do parceiro de baixo para cima para levar a energia dos genitais para o chackra frontal, na cabeça. Ao distribuir assim a energia, vocês estarão “imersos” por completo no ato sexual. Quando sentirem que é o momento, reiniciem os movimentos dos quadris para “bombar” mais energia. Mas mantenham sempre olhos nos olhos para a energia circular. Assim é possível atingir o objetivo do sexo tântrico que é o êxtase, o orgasmo cerebral. “É um patamar de orgasmo em que se pode ficar por horas a fio”, descreve o terapeuta Savian.

5ª passo: finalmente, o orgasmo

No tantra, o orgasmo é diferente. São picos de êxtase. cada vez que vocês chegarem mais perto do orgasmo, adiem um pouco, parem os movimentos e recomecem depois. Quando não aguentarem mais, os especialistas garantem: vocês terão o mais intenso e prolongado orgasmo da vida.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/adiando-o-orgasmo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/adiando-o-orgasmo/

As Forças das Trevas

Por Konstantinos

Acusar-me de ser obcecado pela escuridão. Vá em frente. Só lhe peço que use uma palavra mais forte, e lhe digo que não estou sozinho. Não, eu não estou me referindo aqui à legião da humanidade noturna que vê as coisas na mesma, aham, luz. Deixei claro o quanto estes adultos e crianças são queridos para mim, mas não é deles que eu falo.

Acontece que os cientistas também são muito pendurados na escuridão. Ah, sim, verdadeiros e respeitados cientistas. Na verdade, na última década, mais ou menos, o trabalho mais fascinante que vem sendo feito na Mecânica Quântica e na Cosmologia tem sido o estudo da matéria escura e da energia escura. A primeira é um tipo de matéria que é invisível, mas que se acredita ocupar até noventa e cinco por cento do universo conhecido. A segunda é uma energia que se acredita estar acelerando o crescimento do universo.

O que temos nestes conceitos deliciosamente denominados são os segredos do verdadeiro poder oculto, sendo finalmente compreendido pela comunidade científica aceita. Uma peça de cada vez, a ciência do oculto, ou oculto, está sendo encontrada e quantificada, mais frequentemente sob os fenômenos bizarros que abundam na Mecânica Quântica. É um grande momento para ser um estudante das artes negras.

Como a compreensão da matéria escura e da energia escura ajuda a alcançar o domínio sobre o mundo invisível? Como isso não acontece? Estamos lidando aqui com uma forma de matéria que toca a maior parte da criação, e um tipo de energia que comprovadamente acelera o processo contínuo de criação – a expansão contínua do universo a partir do Big Bang. Coisas poderosas, de fato.

Tão perto quanto os cientistas estão chegando de quantificar a escuridão que permeia tudo, eles não estão muito perto de aproveitar seu poder. Provavelmente teremos carros movidos a fusão antes que um microwatt de energia escura seja usado de qualquer forma em um laboratório, ou seja.

Você pode usar a matéria escura e a energia em seu benefício nesta mesma noite. O ocultista já tem as ferramentas necessárias para chamar e aplicar forças cósmicas, sejam elas escuras ou claras. Mais uma vez, eu escolho a escuridão. Ao lidar com coisas complicadas como, oh, alterar a realidade, é melhor ater-se ao que é mais confortável.

As ferramentas são bastante simples, na verdade: psicodrama e elos simpáticos. Esqueça os anos de treinamento de concentração. Esqueça os estudos nos calcanhares dos chamados mestres ascendidos, que estão mais interessados em ter um servo indistinto do que em passar a sabedoria. Domine a arte de usar o psicodrama e ligá-lo a uma força universal, e essa força universal está à sua disposição.

O psicodrama é o “vestir” em um ritual: velas, incenso, cânticos, símbolos místicos ou outros métodos preparatórios – o que for preciso para que você possa ativar a parte de sua mente que está em sintonia com a energia invisível do universo. Andamos no mundo desperto muito adormecidos. O psicodrama desperta as partes de nosso cérebro que podem fazer coisas mais surpreendentes do que digitar e fazer pedidos na Starbucks, por mais importantes que essas coisas possam ser.

O conceito de ligação simpática tem sido usado para aplicar a consciência elevada a algum objetivo útil. Os bonecos Voodoo permitem enviar energia ao caminho de alguém, com o boneco atuando como um elo de ligação com a pessoa. Mas é aqui que o ocultismo pode ser extra potente. E se, em vez de aplicarmos apenas o princípio da magia simpática a um objetivo ou objeto, o aplicássemos ao acesso a uma força poderosa? Para acessar a matéria escura que permeia toda a criação, e para ter o poder enérgico da energia escura à sua disposição, tudo o que você precisa é de algo que aja como um elo de simpatia com a escuridão.

Entre na noite doce. Saia e você pode quase sentir isso como um campo etérico. Este é o melhor elo de simpatia com a matéria escura e a energia que existe. Por que se preocupar com conceitos físicos como a velocidade da luz e tentar enviar sua magia a um ritmo tão intenso? A escuridão é mais rápida que a luz. Já está lá!

Os ritos escuros que apresento em Nocturnicon permitem acesso total às forças que podem ter afugentado os exploradores do invisível no passado. O mago da morte, os seres Lovecraftianos, os demônios úteis e o próprio Lúcifer esperam por vocês em suas páginas. O psicodrama está lá para criar mudanças surpreendentes no resto de suas noites.

Ao contrário das explorações obscuras da Bruxaria Noturna e do Grimório Gótico, a magia do Nocturnicon não depende de um sistema de crenças específico da deidade. Na verdade, estes rituais nem sequer mencionam ou utilizam um ser supremo. A única coisa em que você estará confiando é na habilidade divina latente em todos nós. Sendo feitos da mesma energia e matéria invisível que o cosmos, podemos acessá-la e manipulá-la.

Corajoso o suficiente para experimentá-la? Ninguém, que eu saiba, tem sido levado a gritar pelas forças que você vai chamar. Pelo menos, ninguém que tenha vivido para contar sobre isso…

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Fonte:

KONSTANTINOS. Dark Forces. The Llewellyn’s Journal, 2005. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/909>. Acesso em 8 de março de 2022.

COPYRIGHT (2005). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/as-forcas-das-trevas-2/

Um Exercício simples de Relaxamento

(Este exercício pode ser feito sozinho, em grupo ou ou com um parceiro. Comece deitando de costas. Não cruze braços ou pernas. Afrouxe qualquer roupa que estiver causando algum tipo de compressão.)

“A fim de conhecermos o relaxamento, em primeiro lugar, devemos experimentar a tensão. Vamos tensionar todos os músculos do corpo, um por um, e mantê-los tensos até relaxarmos todo o nosso corpo em uma só respiração. Não aperte os músculos para que não tenha cãibra, somente retese-os ligeiramente.

“Comece com os dedos do pé. Tensione os dedos do pé direito… e, agora, do pé esquerdo. Tensione o pé direito… e o pé esquerdo. O calcanhar direito… e o calcanhar esquerdo…

(Continue passando por todo o corpo, parte por parte. De vez em quando, relembre o grupo para que tensione quaisquer músculos que deixaram soltos.)

“Agora, tensione seu couro cabeludo. Todo seu corpo está tenso… sinta a tensão em cada parte. Tensione quaisquer músculos que estejam afrouxados. Agora, respire fundo… aspire… (pausa)… expire… e relaxe!

“Relaxe completamente. Você está completa e totalmente relaxado.” (Em tom de melopéia:) “Os dedos de sua mão estão relaxados e os dedos do seu pé estão relaxados. Suas mãos estão relaxados e seus pés estão relaxados. Seus pulsos estão relaxados e seus calcanhares estão relaxados.”

(E assim por diante, por todo o corpo. Periodicamente, pare e diga:)

“Você está completa e totalmente relaxado. Completa e totalmente relaxado. Seu corpo está leve; como se fosse água, como se estivesse desmanchando na terra.

“Permita-se ser levado e vagar tranqüilamente em seu estado de relaxamento. Se quaisquer preocupações e ansiedades perturbarem a sua paz, imagine-as escoando do seu corpo como água e fundindo-se à terra. Sinta-se sendo purificado e renovado.”

(Permaneça em estado de relaxamento profundo por uns 10 ou 15 minutos.É bom praticar esse exercício diariamente, até que seja capaz de relaxar completamente só pela razão de deitar-se e soltar-se, sem necessidade de passar por todo o processo. Pessoas que têm dificuldade para dormir verificarão a eficácia desse exercício. No entanto, não se permita adormecer. A sua mente está sendo treinada para ficar relaxada mas alerta. Posteriormente, você utilizará esse estado para trabalhos de transe, que é muito mais difícil se você não tem o hábito de permanecer acordado. Se você pratica à noite, antes de dormir, sente-se, abra os olhos, e, conscientemente, termine o exercício antes de dormir.)

#Exercícios

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-exerc%C3%ADcio-simples-de-relaxamento

A Dança dos Paradigmas

Peter J. Carroll, Liber Null

É impossível viver completamente fora de um paradigma. Até mesmo a magia do caos, que é tida como um metassistema, no fundo também é um “sistema de criar sistemas” (já que poderiam ser criados outros metassistemas além da proposta do caoísmo). Por isso, se você considerar como verdade que “nada é verdadeiro, tudo é permitido” em vez de encarar esse pensamento como mais um paradigma dentre muitas outras opções, ele também poderá aprisioná-lo.

É mais ou menos como os cegos diante do elefante: você pode dizer que cada crença ou paradigma toca uma parte do elefante e todas elas, de certa forma, estão certas, dentro de seu respectivo ponto de vista. Mas essa forma de pensar também é um paradigma e você pode correr o risco de considerar que só você está certo ao pensar assim, se tomar isso como verdade absoluta.

Peter Carroll nos diz que é um erro considerar qualquer crença como mais libertadora do que outra, mas isso também é uma crença. Você tem o direito de questionar o pensamento de que uma crença liberta mais que outra, contanto que não considere que essa sua crença liberta mais que as outras. É uma pegadinha, mas a magia do caos está cheia delas. O livro Principia Discordia descreve bem as contradições que permeiam pensamentos como esses. Mas na maior parte das vezes os caoístas vivem à vontade com contradições, principalmente se geram uma boa piada.

Os magistas do caos são extremamente pragmáticos e usam o que funciona. Eles se importam com os resultados, embora possa haver debates sobre o que os termos “funcionar” e “resultados” significam, pois eles dependem do objetivo de cada um.

Os caoístas são artistas, mas eles também possuem um espírito investigativo que flerta com a ciência. Eles gostam de realizar testes e anotar resultados. Em geral, eles não estão em busca da verdade, mas de sensações.

Em Liber Kaos, Peter Carroll nos diz:

“A crença é uma ferramenta para atingir qualquer coisa que se considere importante e prazeroso, e a sensação não tem outro propósito além da sensação”.

O objetivo de criar um sistema não seria simplesmente inventar algo belo e inteligente para ser apreciado, mas para ser sentido: “Como eu me sinto dentro desse sistema que criei? Ele me faz sentir bem? Ele me faz sentir mal? Eu prefiro sempre me sentir bem ou percebo que me sentir mal em certos momentos pode gerar amadurecimento? Então devo incluir sensações ruins no meu sistema? Quais outros resultados ele me traz no mundo mental e material?”

Ninguém nasce com uma mente em branco. Todos somos educados dentro dos sistemas vigentes na época e no lugar em que vivemos. Por exemplo, muitos de nós fomos criados para acreditar no secularismo e no materialismo. Por isso é tão difícil para a maior parte de nós acreditar que magia existe e que ela funciona.

Carroll nos diz em Liber Kaos:

“Muito da parafernália e teoria da magia, incluindo essa teoria, existe parcialmente para convencer o magista de que ele ou ela é um magista, e magia é possível num clima cultural que é fortemente antagonista a tais noções”

O velho rebelde se revoltava contra o paradigma judaico-cristão e se tornava um ateísta. E, de fato, existem muitas possibilidades dentro do paradigma ateísta que o paradigma judaico-cristão não possui. Talvez a questão principal seja enxergá-los pelo que são: paradigmas diferentes, com suas vantagens e desvantagens em vez de classificá-los numa hierarquia e vê-los como um melhor do que outro ou como a verdade. A questão é se perguntar: “O paradigma X é melhor para quê?”. Dependendo do que você quer fazer, dos resultados que busca, pode escolher um deles, depois abandoná-los ou alterná-los, como ferramentas.

O novo rebelde descobre que o paradigma do ateísmo pode ter lá suas utilidades, mas também possui suas limitações, como qualquer outro. Talvez ele esteja entediado e ache mais divertido viver num mundo com unicórnios e fadas do que num universo frio e cinzento. E principalmente se ele é jovem, talvez nem esteja pensando numa religião que lhe dê consolo na morte e na dor. Pode ser que ele deseje fazer experimentos como um cientista, ou queira imaginar como um artista, e para isso deseje testar outras realidades e outros mundos possíveis.

Sendo assim, o novo rebelde é aquele que estuda cabala, tarot, religiões indianas, chinesas, ocultismo ocidental, talvez até qualquer coisa da Nova Era e simplesmente acha que acreditar em Deuses e fadas na vida real é mais interessante do que apenas fingir que eles existem jogando videogames e vendo filmes, sempre sonhando com uma aventura imaginária. Ele pode realmente vivê-la e existem muitos paradigmas inteligentes e interessantes que lhe permitem aceitar essa possibilidade.

O ateísta pode argumentar que a pessoa está “fugindo” da realidade em todos esses paradigmas fantásticos, mas não é a arte também tanto uma fuga quanto uma realização? E que realidade é essa, afinal? Não permite diversas interpretações em vez de apenas uma? E mais de uma interpretação pode permitir que em vez de fugir conheçamos melhor o universo em que vivemos, sob diferentes pontos de vista, um complementando o outro e aprendendo com o outro. E paradigmas diferentes permitem que possamos atingir sensações e objetivos materiais diversos na prática. Isso jamais fica somente na imaginação. Ramsey Dukes diz em SSOTBME:

“É inútil perguntar a um magista se Deus, anjos ou demônios ‘realmente existem’. Simplesmente por dizer as palavras você os fez existir. Pergunte de novo se essas entidades abstratas podem produzir qualquer efeito no mundo físico e elas já fizeram: – elas fizeram você fazer perguntas”

O caoísta não está muito preocupado se Deus existe ou não, ou se ele/ela é monoteísta, panteísta ou politeísta. Ele pode ser um ateísta na segunda-feira, um budista na terça e um wiccano na quarta. Assim como teorias científicas, umas podem ser mais úteis que outras para objetivos diferentes, dependendo do paradigma em que foram criadas. Independente de se aceitar ou não que exista uma verdade, ela está aberta à interpretação. É verdade que eu estava usando um vestido vermelho e curto, mas quão vermelho e quão curto para que eu crie meu paradigma no qual nascerão meus comentários? É verdade que eu estou sentindo dor, mas eu fui criado para esconder minha dor e resistir a ela ou para mostrá-la abertamente em público e reclamar dela? Isso interfere na minha percepção objetiva da dor? E por que raios eu deveria envolver espíritos nessa discussão? Dukes explica:

“Senhor Dukes, por que nesse e em outros escritos você insiste em personificar problemas complexos como ‘demônios’ ou ‘espíritos’? Isso não é um retrocesso a superstições do passado? Isso depende se você acredita que o cérebro do homo sapiens foi desenvolvido para lidar com ferramentas ou relacionamentos sociais. Se você acredita que os processos mais complexos com os quais temos que lidar são nossos companheiros humanos, então um maior poder cerebral está disponível quando você os antropomorfiza”

Diz Peter Carroll em Liber Null:

“Ao buscar ideias que parecem bizarras, loucas, extremas, arbitrárias, contraditórias e nonsense, você irá descobrir que as ideias às quais você previamente se agarrava como razoáveis, sensíveis e humanitárias são na verdade tão bizarras, loucas e assim por diante”

“O intelecto é uma espada, e seu uso é para evitar identificações com qualquer fenômeno particular encontrado. As mentes mais poderosas se apoiam no menor número de princípios fixos. A única visão clara é a do topo da montanha de seus egos mortos”

Talvez a noção de que as coisas se encaixem e tenham um sentido (como na cabala e na magia tradicional em geral, fortemente influenciada pelo sistema judaico-cristão e pelo paganismo) pode ser útil, nem que seja como um jogo. Caso adotemos a perspectiva de que vivemos num mundo caótico e que é nossa mente que nos inclina a pensar que as coisas se encaixem (ou que as coisas tenham causa, como questiona Hume) também é possível fazer coisas divertidas com isso.

Mas esses dois são paradigmas. Pode ser que eu descubra uma teoria científica interessante num paradigma em que acho que as coisas se encaixam, e eu posso descobrir outra teoria ótima num paradigma em que elas não se encaixam. Ou, como costuma se dizer: onde havia ordem, encontrou-se caos; e onde havia caos, achou-se ordem.

Existem vantagens em se optar por permanecer um longo tempo num paradigma só (numa religião, num sistema de crença ateísta, etc) e tomá-lo como verdade. Uma dessas vantagens é que sua fé nesse sistema aumenta e você se torna muito bom em trabalhar nele. Quando você salta de um paradigma para outro não será tão habilidoso em cada um deles individualmente, mas você irá se acostumar a vestir diferentes peles e isso também possui lá suas vantagens, como ajudar a impedir que nosso pensamento se cristalize por muito tempo.

Você quer ser um cristal, uma flor ou uma batata? Fique à vontade para montar sua salada.

“Para aquele treinado por ‘Bob’, a Verdade pode ser encontrada numa batata” (O Livro do SubGenius).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-dan%C3%A7a-dos-paradigmas

Símbolo da Lua

Por Hamal

Existem manifestações visíveis e invisíveis que acontecem com todos os planetas e seus ciclos ao redor do Sol. As manifestações visíveis são as fases planetárias, as constelações que eles percorrem, etc, as invisíveis são os efeitos causados na Terra em determinadas etapas dessas fases e ciclos.

Todos os planetas e constelações têm seus papeis especiais dentro das Escolas de Mistérios, sendo que dois deles se destacam: o Sol e a Lua.

Tal como o Sol, a Lua é um dos principais objetos de adoração e culto de todos os tempos. E assim como vimos no texto Símbolo do Sol, a Lua também possui um simbolismo central dentro da Ordem Maçônica e DeMolay.

Não devemos aceitar significado de nenhum símbolo se este não estiver fundamentado. Dizem que a Lua representa o segredo a ser descoberto, o feminino, etc. Se estão corretas essas afirmações, por que estão?

Vamos primeiro conhecer a Lua para fundamentar a importância do seu símbolo.

SÍMBOLO LUNAR

A Lua é um satélite natural da Terra que não possui brilho próprio, mas por sua superfície ser pálida reflete a luz do Sol durante a noite e torna a escuridão mais clara. Essa pequena observação faz do Sol um símbolo de luz fecundante, se tornando assim o Pai fecundador, e da Lua o símbolo da Mãe que recebe os raios de luz e emite de volta para Terra.

Existem muitas espécies cujo ciclos de reprodução estão ligados ao ciclo lunar, desde crustáceos, à corais e plantas. Coincidência ou não, também existe essa ligação com as mulheres, onde foram realizados estudos que demonstraram a ligação das fases lunares com os ciclo menstrual da mulher (referência – The regulation of menstrual cycle and its relationship to the moon).

Responsável pela reprodução e fertilidade na natureza, a Lua desde a mais remota antiguidade foi associada a figuras femininas, sempre enfatizando a pureza e a capacidade de gerar a vida, que é o papel da Mãe. Dessa maneira a Lua também é o símbolo do nascimento e da iniciação.

As fases lunares tem um total de sete dias (que é a origem dos dias da semana), e é por esse motivo que a criação do universo, segundo a mitologia judaica, foi feita em uma fase lunar. Seu ciclo completo é de aproximadamente 28 dias (7 x 4 = 28), e como já vimos no texto Altar DeMolay, quatro são os elementos que compõe a matéria e sete é o número da perfeição.

Está acompanhando? São através desses fenômenos visíveis como as fases e os ciclos da lua, da sua influência com a fertilidade da natureza e dos aspectos numéricos, que é fundamentado o símbolo da lua. Como vimos no texto Simbolismo e a Liberdade Religiosa: “O homem não inventa símbolos, assim como não inventa as Leis Físicas, ele apenas observa a vida e o universo ao seu redor e identifica os símbolos correspondentes a cada acontecimento ou fato existente”, e assim foi feito com a Lua como símbolo da Mãe, fertilidade, pureza, e representa também o inconsciente, onde estão os segredos da mente.

Quando formos começar a estudar mitologia veremos como os antigos filósofos juntaram todas essas características em seus contos. Aprenderemos que a mitologia é um portal para o estudo espiritual, rico em símbolos e imagens que se referem a nós.

Devido a essas características lunares, não é difícil entender o porque das “Grandes Mães” nos contos mitológicos serem frequentemente tratadas como virgens e puras que dão a luz a grandes heróis, ou junto com seu aspecto solar, criam todo o Universo. Sendo que “virgem” não se refere a mulher casta, e sim outro símbolo que fica de lição de casa e trataremos em outra oportunidade.

Na belíssima mitologia nagô, vemos o aspecto lunar representado como Yemanjá, a rainha das águas do mar, que junto com seu aspecto solar Oxalá, manifestou todo o universo e todos os outros deuses ou orixás. Na mitologia egípcia vemos Ísis, a deusa da magia, maternidade e fertilidade, que junto com seu aspecto solar Osíris, dá a luz a Hórus (quando ainda era virgem), o Falcão Dourado, Filho do Sol ou Iluminado. Qualquer semelhança desses dois mitos com Casamento Alquímico do Sol com a Lua, não é mera coincidência. As referências são enormes e devemos entender a lógica para podermos trabalhar e identificar esses aspectos.

De alguma forma, como vemos na mitologia nagô, os antigos já identificaram o mar como origem da vida e fizeram essa relação com lua (que guia as marés) e com a Mãe, transformando essas características no mito de Yemanjá. Assim como os egípcios identificaram a Lua como o astro do segredo e da magia devido a sua “face escura”, personificando-a como Ísis.

No budismo, a mãe de Buda (Desperto, Filho do Sol ou Iluminado), Maya, engravida após ver um elefante branco em seu sonho, e passado nove meses, Sidharta nasce da lateral da sua mãe na altura do coração. No cristianismo, Maria a mãe de Jesus (Cristo, Filho do Sol, Iluminado), engravida pela concepção do Espírito Santo (cujo símbolo é uma pomba branca) no seu ventre (ventre = lua). Tanto Maya quanto Maria, segundo a mitologia, engravidaram, tiveram seus filhos e continuaram virgens. Mas claro que devemos tratar isso como um símbolo.

Temos um mistério sobre os animais e a cor deles nessas duas mitologias, pensem sobre esses símbolos.

A geração é a manifestação maior da lua, é um processo envolto de mistérios e magia, pelo qual a vida surge. Outro número relacionado com a lua é o número nove, uma vez que nove meses são o tempo entre a concepção e o nascimento do feto humano, portanto nove é também o número da iniciação.

No DeMolay a Lua ocupa o centro do seu brasão e podemos ver usa influência no que é a Primeira Virtude. Na Maçonaria a Lua faz um par com o Sol (Alquimia). Mas isso é papo para outro momento. Será que esses símbolos estão nas Ordem a toa, ou será que não? Estamos apenas fundamentando, por enquanto pegue as chaves e vá desenvolvendo a utilização dos símbolos nos rituais.

E se você não é familiarizado com mitologia, alquimia, cabala, astronomia ou astrologia, não se preocupe que tocaremos em todos esses pontos com o tempo.

Alguma dúvida?

#Alquimia #Demolay

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/s%C3%ADmbolo-da-lua

Caixa Enochiana

Frater Iustus (Robson Bélli)

 CONFORME REVELADO EM SONHO, PELO ANJO ARZL

Eu recebi esta caixa em resposta a minha incredulidade a respeito de uma coisa que eu via como uma caixinha de oração, contudo após receber fiz usos diversos desta caixa, pude perceber que a ideia havia sido recebida também por Vladimir G. da Silva, aluno do Frater Goya em 2012, e era na realidade uma manifestação legitima e real dos anjos enochianos, para nosso uso e bem estar dentro do sistema que ao meu ver, ainda esta sendo revelado!

Conforme meu sonho a caixa enochiana deve ser confeccionada da seguinte forma:

  • A caixa precisa ter, no mínimo, 04 lados (ao ser questionado se a caixa poderia ter 07 lados, o anjo respondeu que não.)
  • O lado de dentro da caixa deve ser pintado de dourado.
  • O lado de fora deve ser preto ou dourado (o anjo recomenda que a caixa seja feita de metal, mas, dependendo das condições financeiras, esta, pode ser foleada e que tendo ouro na caixa, mesmo que de baixo quilate, a caixa seria como se feita de cera de abelha [alusão ao Sigillum Dei Aemeth, de mesmo material]).
  • O verso do Sigillum Dei Aemeth deverá ser colocado no fundo externo da caixa.
  • O fundo interno da caixa precisa conter o Sigillum Dei Aemeth
  • Não é necessário mais do que 01 Sigillum Dei Aemeth na caixa.
  • Recite uma oração à sua escolha durante o processo de confecção da caixa. (quanto mais orar, mais poderosa se torna a caixa.)

Modo de usar

• Coloque a caixa finalizada, sobre o Sigillum Dei Aemeth principal sobre o altar (esta estará protegida das influências da terra)
• Faça uma oração à sua escolha, antes de iniciar o procedimento.
• Escreva o pedido, de forma objetiva e completa, sem partes obscuras, em um papel sem pauta e que nunca tenha sido utilizado para outro fim e segure em sua mão.
• Recite a Primeira Chamada para questões no plano espiritual.
• Recite a Segunda Chamada para questões no plano físico.
• Recite as demais chamadas até um anjo que seja correspondente ao desejo escrito para aumentar a eficácia na realização.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/caixa-enochiana/

A Linha do Oriente na Umbanda

Texto de Edmundo Pellizari escrito para o Jornal de Umbanda Sagrada.

A Linha do Oriente é parte da he­rança da Umbanda brasileira. Ela é com­posta por inúmeras entidades, classi­ficadas em sete falanges e maiorita­riamente de origem oriental. Apesar dis­­so, muitos espíritos desta Linha po­dem apre­sentar-se como caboclos ou pretos velhos.

O Caboclo Timbirí (ca­bo­clo japo­nês) e Pai Jacó (Jacob do Ori­ente, um preto velho bastante ver­sado na Ca­bala Hebraica), são os casos mais co­nhe­cidos. Hoje em dia, ganha força o cul­to do Caboclo Pena de Pa­vão, enti­dade que trabalha com as for­ças espiri­tuais divinas de origem indiana.

Mas nem todos os espíritos são ori­entais no sentido comum da palavra. Es­ta Linha procurou abri­gar as mais di­ver­sas entidades, que a princípio não se encaixavam na matriz formadora do bra­sileiro (índio, português e afri­cano).

A Linha do Oriente foi muito popular de 1950 a 1960, quando as tradições bu­­­distas e hindus se firmaram entre o povo brasileiro. Os imigrantes chineses e japoneses, sobretudo, passaram a frequentar a Umbanda e trouxeram se­us ances­trais e costumes mágicos.

Antes destas datas, também era co­mum nesta Linha a presença dos que­ridos espíritos ciganos, que possuem ori­­­gem oriental. Mas tamanha foi a sim­patia do povo umbandista por estas en­­­tidades, que os espíritos criaram uma “Linha” independente de trabalho, com sua própria hierarquia, magia e ensi­na­mentos. Hoje a influência do Povo Ci­gano cresce cada vez mais dentro da Umbanda.

Existem muitas maneiras de classi­ficar esta Linha e este pequeno artigo, não pretende colocar uma ordem na ma­neira dos umbandistas estudarem es­ta vertente de trabalho espiritual. Dei­xo a palavra final para os mais ve­lhos e sábios, desta belíssima e diver­sificada religião. Coloco aqui algumas instruções que colhi com adeptos e mé­diuns afinados com a Linha do Oriente.

Namaste e Salve o Oriente!

CARACTERÍSTICAS DA LINHA DO ORIENTE:

• Lugares preferidos para ofe­rendas: As entidades gostam de co­linas descampadas, praias desertas, jar­dins reservados (mas também rece­bem oferendas nas matas e santuários ou congás domésticos).

• Cores das velas: Rosa, amarela, azul clara, alaranjada ou branca.

• Bebidas: Suco de morango, suco de abacaxi, água com mel, cerveja e vinho doce branco ou tinto.

• Tabaco: Fumo para ca­chimbo ou charuto. Tam­­bém utili­zam ci­gar­ro de cravo.

• Ervas e Flores: Alfa­zema, todas as flores que sejam bran­cas, palmas ama­relas, mon­senhor branco, monse­nhor amarelo.

• Essências: Alfazema, olíbano, ben­joim, mirra, sân­da­lo e tâmara.

• Pedras: Citrino, quart­zo rutilado, topá­zio im­perial (citrino tor­nado ama­relo por aque­ci­men­to) e topá­zio.

• Dia da semana recomen­dado para o culto e ofe­rendas semanais: Quinta-feira.

• Lua recomendada (para oferenda mensal): Se­gundo dia do quarto min­guante ou primeiro dia da Lua Cheia.

• Guias ou colares: Colar com cento e oito contas (108), sendo 54 brancas e 54 amarelas. Enfiar sequencialmente uma branca e uma amarela. Fechar com firma branca. As enti­dades india­nas também utilizam o rosá­rio de sân­dalo ou tulasi de 108 con­tas (japa ma­la). Algumas criam suas pró­prias guias, se­gundo o mis­tério que trabalham.

CLASSIFICAÇÃO DA LINHA DO ORIENTE:

Suas Falanges, Espíritos e Chefes:

01 – Falange dos Indianos:

Espíritos de antigos sacerdotes, mes­tres, yogues e etc. Um de seus mais conhecidos inte­gran­tes é Ramatis. Está sob a chefia de Pai Zartu.

02 – Falange dos Árabes e Turcos:

Espíritos de mouros, guerreiros nôma­des do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc… A maioria é mu­çulmana. Uma Legião está composta de rabinos, cabalistas e mestres judeus que ensinam dentro da Umbanda a mis­teriosa Cabala. Está sob a chefia de Pai Jimbaruê.

03 – Falange dos Chineses, Mon­góis e outros Povos do Oriente:

Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, etc. Curio­sa­men­te, uma Legião está in­te­grada por es­pí­ri­tos de origem esquimó, que tra­balham muito bem no desmanche de demandas e feitiços de magia ne­gra. Sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

04 – Falange dos Egípcios:

Espíritos de antigos sacerdotes, sacer­dotisas e magos de origem egípcia antiga. Sob a chefia de Pai Inhoaraí.

O5 – Falange dos Maias, Toltecas,Astecas e Incas:

Espíritos de xamãs, chefes e guer­rei­ros destes povos. Sob a chefia de Pai Itaraiaci.

06 – Falange dos Europeus:

Não são propriamente do Oriente, mas inte­gram esta Linha que é bas­tante sincrética. Espí­ri­­tos de sábios, ma­gos, mestres e velhos gue­rreiros de origem europeia: romanos, gau­leses, ingleses, es­can­dinavos, etc. Sob a che­fia do Impe­rador Marcus I.

07 – Falange dos Médicos e Sábios:

Os espíritos desta Falange são especiali­zados na arte da cura, que é integrada por médicos e tera­peutas de diversas origens. Sob a chefia de Pai José de Arimateia.

ALGUNS PONTOS CANTADOS E SUA MAGIA:

Aqui reproduzo alguns Pontos Can­tados, mas destaco a sua eficácia mân­trica e não somente invocatória. Ou seja, nesta Linha os Pontos podem ser usados como mantras com fina­lidades específicas, independente de servirem para chamar as entidades pa­ra o trabalho de caridade no Centro ou Terreiro. Neste caso, os Pontos de­vem ser acompanhados das res­pectivas oferendas (veja abaixo).

PONTO DO POVO HINDU:

• para afastar energias negativas diversas.

Oferenda: velas amarelas – 3, 5 ou 7, flores amarelas ou brancas e incenso de flores (rosa, verbena, etc…), coloca­dos dentro de uma estrela de seis pontas, hexagrama, traçada no chão com pemba amarela.

Ory já vem,

Já vem do oriente

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

PONTO DO POVO TURCO:

• para afastar os inimigos pessoais ou da religião umbandista.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7 e charutos fortes, dentro de uma estrela de cinco pontas, pentagrama, traçado no chão com pemba branca. Jamais ofereça bebida alcoólica a este Povo.

Tá fumando tanarim,

Tá tocando maracá.

Meus camaradas, ajudai-me a cantar,

Ai minha gente, flor de orirí

Ai minha gente, flor de orirí.

Em cima da pedra

Meu pai vai passear, orirí.

PONTO DO POVO ESQUIMÓ:

– para afastar os inimigos ocultos e destruir forças maléficas.

Oferenda: velas rosas – 3, 5 ou 7, pedacinhos de peixe defumado em um alguidar, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba rosa.

Salve o Polo Norte,

Onde tudo tudo é gelado,

Salve Povo Esquimó,

Que vem de Aruanda dar o recado.

Salve a Groenlândia,

Salve Povo Esquimó,

Que conhece a lei de Umbanda.

PONTO DO POVO GAULÊS:

• para as lutas e necessidades diárias.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7, cerveja branca ou vinho tinto, tudo dentro de uma cruz traçada no chão com pemba verde.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros gauleses.

Gauleses, Oh gauleses

São Miguel está chamando.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros de Umbanda,

Gauleses, Oh gauleses,

Vamos vencer demanda.

PONTO DO POVO ASTECA:

• para buscar a sabedoria espiritual.

Oferenda: nove velas alaranjadas, milho, fumo picado, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba branca.

Asteca vem, Asteca vai,

Nosso povo é valente,

Tomba, tomba e não cai…

(cantar nove vezes)

PONTO DO POVO CHINÊS:

• para proteção diante de situações muito graves.

Oferendas: sete velas vermelhas (é a cor preferida deste Povo), arroz cozido sem sal, vinho branco, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba vermelha.

Os caminhos estão fechados,

Foi meu povo quem fechou,

Saravá Buda e Confúcio,

Saravá meu Pai Xangô.

Saravá Povo Chinês,

Que trabalha direitinho,

Saravá lei de Quimbanda,

Saravá, eu fecho caminho.

Curioso Ponto Cantado do Caboclo Tim­birí – onde ele afirma sua origem japonesa.

ANTIGO PONTO DE TIMBIRÍ:

Marinheiro, marinheiro,

olha as costas do mar…

É o japonês, é o japonês !

Olha as costas do mar.

Que vem do Oriente!

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-linha-do-oriente-na-umbanda/

Como Ler o Futuro… e Dar as Más Notícias

“Agnes foi a pior profetiza que jamais existiu. Ela estava SEMPRE certa.” – Neil Gaiman, Good Omens

 

Não é difícil ser um adivinho, mas isso não é o bastante. Ninguém quer simplesmente saber o futuro ou ouvir a verdade. Os bons videntes que dizem o que precisa ser dito são simplesmente ignorados ou acabam marginalizados. O ser humano medíocre não quer saber o próprio futuro porque sabe, no fundo, que este futuro é  tão medíocre quanto ele mesmo. Veja os profetas do antigo testamento sempre sendo perseguidos ou apanhando de alguém.  Quando você vai ler a sorte se coloca  numa encruzilhada entre a dura verdade e as ilusões agradáveis. As duas estradas tem seu preço, mas a da verdade costuma ser mais cara.

Por essa razão  este artigo é dividido em duas partes que se complementam. A primeira parte é dedicada ao que chamamos no satanismo de Alta Magia e vai mostrar como você realmente pode aumentar sua percepção por meio de certas técnicas e eliminando ao máximo esoterismos inúteis. Isso pode ser usado para você e seus amigos próximos e entes queridos. A segunda parte relaciona-se a Baixa Magia e mostra como você deve ler o futuro das pessoas que não tem um. Pessoas que têm medo do seu próprio destino e pessoas vulgares em geral. E porque você faria isso? Entre outras razões, porque com seus “poderes” você pode pode lucrar social e financeiramente e porque encaremos os fatos, as vezes você tem que mentir para dizer a verdade. Todo bom adivinho tem que ser também um bom trapaceiro.

Parte I. Como ler o futuro

 

Divinacão ou adivinhação são palavras com uma mesma raiz: divinare, do latim, “exercer a divindade” ou “ser divino”. É o conjunto de praticas com as quais alguém busca expandir sua percepção para adquirir conhecimentos privilegiados. Um investidor que sabe que uma empresa terá em breve um lucro estupendo será uma espécie de mago para seus companheiros de trabalho. Em outras sociedade um astrônomo pode ser como um profeta que prevê quando o sol ou a lua se apagarão. Um vidente assim é definido não tanto pelo que ele vê, mas por aquilo que as pessoas ao seu redor não enxergam. Portanto como as pessoas em geral não se conhecem e não se aceitam integralmente, todo satanista, por abraçar os aspectos ditos negativos da condição humana e não rejeitar a “parte ruim” é, ele mesmo, uma espécie de vidente. Ele sabe, entre outras coisas que apesar da suposta evolução espiritual o ser humano se comporta de modo animalesco a maior parte do tempo. Sabe que nem sempre pode confiar nas pessoas , mas sempre se pode confiar em seus vícios.  E nem é preciso ser satanista para saber que qualquer um que entenda um pouco de comportamento humano e saiba pensar de forma intuitiva já tem meio caminho andado para praticar divinação.

A questão da mente intuitiva é importantíssima. Arrisco dizer que a arte da divinação nada mais é do que uma forma de tornar a intuição mais eficiente e acessível. Existe um universo não explorado conhecimentos privilegiados dentro de nossa própria mente. Os antigos se referiam a isso como luz astral, ou arquivos akashicos, modernamente chamamos de mente inconsciente. Você pode imaginar que ele é formado de conclusões e relações não declaradas que a mente faz por si só ou que são ondas de possibilidades vibrando do caos primitivo da realidade. Não importa muito o nome que você dê ou a teoria que use.  O dogma que sugiro usar como ferramenta aqui nao precisa ser tão complicado, ele simplesmente afirma que:

A MENTE GUARDA MAIS CONHECIMENTOS DO QUE NOS DAMOS CONTA
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É por esta razão que os sonhos podem ser tão detalhistas e trazer memórias antigas que aparentemente tinha sido esquecidas. Diversas pesquisas publicadas mostram que esta parte de nossa mente tem inclusive um raciocínio mais rápido e elaborado do que achamos que temos. É por isso que as vezes quando dormimos com um problema para resolver acordamos com uma solução. De fato consciência as vezes parece atrapalhar o cérebro. Se você toca algum instrumento sabe que se prestar atenção demais nos dedos, a música é prejudicada. Da mesma forma travamos em jogos, na direção ou em esportes se racionalizarmos cada passo que dermos. É preciso fluidez.

Mas existe na mente humana algo que podemos chamar de Censor Psíquico. Um mecanismo que parece nos negar acesso a todo conhecimento que nossa mente guarda. Mas não se engane, não se trata de algo ruim. Pelo menos não tão ruim quanto um copo é para a água que contêm. Assim como o copo faz com a água, nosso Censor Psíquico evita que nossa mente se esparrame pelo chão. Ele ao mesmo tempo que nos garante a sanidade, limita o nosso poder de expressão mental. Se não existisse algo como isso teríamos que lidar a todo instante com todas as informações que nosso cérebro vai acumulando a cada segundo. Este é o mecanismo  que nos nega normalmente o acesso aos sonhos que temos a noite e durante o dia nos previne de uma sobrecarga cognitiva poupando-nos de todos os milhões de impressões sensoriais que nos bombardeiam o tempo todo. Embora dificilmente tenhamos uma vida sadia sem ele, pode ser útil poder desligar este Censor Psíquico de vez em quando. Fica claro assim porque durante o século 18 se utilizavam sonâmbulos para fazer previsões, porque no século 19 se hipnotizava pessoas para que fizessem profecias e porque por toda história os estados de transe ou êxtase tem acompanhado os oráculos da humanidade.

A tarefa do vidente é portando aprender a driblar as barreiras criadas por esse Censor Psíquico. Em primeiro lugar essas barreiras podem ser enfraquecidas pelo uso de algumas práticas cotidianas. Isso pode ser feito ao darmos ênfase e registrarmos (para nós mesmos) todas as vezes que nos depararmos com alguma forma de ‘coincidência’. O Censor Psíquico nos acostuma a negligenciá-las como mero acaso, mas ao passar a registrá-las você começara a perceber como são comuns. Sempre que percebemos que sabíamos que alguma coisa ia acontecer ou alguém ia falar ou fazer pouco antes dos fatos ocorrem devemos anotar isso de alguma maneira. Isso aos poucos enfraquecerá o Censor e fará com que as premonições se tornem cada vez mais comuns. O mecanismo é semelhante ao que usamos para fazer alguém lembrar dos sonhos que têm. Quem adquire o hábito de registrar num diário os próprios sonhos desenvolve gradualmente a capacidade de lembrar cada vez melhor deles. Da mesma forma, que, anota suas coincidências desenvolve uma capacidade cada vez melhor de lembrar do futuro.

Mas não apenas a acredite em mim, faça uma experiência de digamos um mês e comprove você mesmo os resultados. Esta prática permitirá você enfraquecer as barreiras mentais para que em seguida possa destruí-las ao menos temporariamente com alguma técnica de divinação. Sinceramente não importa muito qual ferramenta você vai utilizar. Existe um grande arsenal a sua disposição. Runas, bolas de cristal, mapas astrológicos. O importante é que seja um sistema que você conheça e com o qual sinta alguma afinidade. Na minha experiência notei que os meios que não sejam demasiadamente simbólicos nem completamente randômicos são os melhores pois deixam o praticante livre para expressar seu conhecimento inconsciente. Como exemplos deste tipo mais livre de divinacao temos a tabua ouija e a radiestesia. Ainda mais livres são as artes de interpretacao de sonhos e a psicografia (escrita automatica), mas por exigirem uma desenvoltura maior com a mente intuitiva não acho que sejam recomendados para quem estive começando. Se este é o seu caso nada melhor que um bom e velho Tarot, além de ter um bom equilibrio entre complexidade simbolica e liberdade de interpretacao ele é por si só algo que impressiona as pessoas, e se você vai ver na segunda parte deste artigo como isso é importante.

Para o momento da leitura é necessário criar um vínculo com o objeto de divinacao. Este vínculo existe naturalmente entre mãe e filho ou entre um casal que se ama. Obviamente é uma necessidade superada se estiver lendo o seu próprio futuro. Contudo na maioria das vezes este elo precisa ser criado. Isso pode ser feito por meio de uma forte concentração no alvo da divinação, na sua pergunta motivadora ou em uma representação análoga ao objeto de pesquisa como um sigilo sobre a pessoa ou assunto a ser pesquisado ou algo que pertença a esta pessoa ou situação.

Feito isso podemos passar para o próximo passo que é a seleção de respostas do sistema que se resolveu usar. Neste momento se jogas as moedas do I-Ching ou se lança os búzios. O ponto importante é que neste momento a mente intuitiva possa se expressar ao máximo prendendo, distraindo ou adormecendo a consciência normal mas sem cair na armadilha de permitir que o processo se torne puramente aleatório.  Por exemplo ao sortear as lâminas do Tarot você deve primeiro olhar a ordem das cartas e então embaralhá-las de leve ou ao tirar uma runa da bolseira deve apalpá-la antes para sentir se é ela que deve ser tirada. Além disso algumas pessoas podem acompanhar esse momento com alguma forma de gnosis, especialmente em sistemas abertos como cristalomancia, hidromancia ou skrying. Na verdade, qualquer espécie de transe pode ser transformado em um ritual de divinação se nos concentrarmos intensamente em um assunto e então permitirmos que impressões brotem do estado de vacuidade mental adquirido.

Conclui-se a leitura com a interpretação das respostas obtidas do momento anterior. Por ser necessário colocá-las em palavras é impossível não racionalizarmos neste momento. Entretanto se o passo anterior for feito conforme a descrição acima isso não deverá apresentar nenhuma dificuldade ao processo.  Contudo mesmo assim é importante manter-se aberto neste momento para quaisquer impressões que possam surgir em especial se surgirem como uma conclusão que sintetiza todas as respostas e lhe der alguma espécie de conselho. Quem seguir a prática de registro de coincidências dada acima verá que isso é bastante comum. Por fim resta ponderarmos neste momento final o Fator de Equilíbrio. Ou seja, ter em mente que nenhuma técnica de divinação é perfeita e inquestionável. Quanto a isso acho que basta citar Crowley que em Magick, Book 4, cap 18 diz que “ao estimarmos o valor final de uma sentença divinatória, devemos lembrar das inúmeras  fontes de erro inerente ao próprio processo. É naturalmente impossível na maioria dos casos certificar-se que algum fator importante não foi omitido. Não se deve supor portanto que um oráculo seja onisciente.”

Os métodos acima me servem bem para consultas pessoais e de alguns poucos achegados. Não acredito que o futuro esteja escrito ou predeterminado por alguma entidade ou lei inexorável. Meus amigos próximos sabem que duvido até da existência de um tempo linear do tipo passado-presente-futuro. Como Peter Drucker ainda acho que a melhor forma de predizer o futuro é criá-lo. Por isso utilizo a divinação mais para ver os futuros possíveis desta ou daquela decisão e as tendências caso as coisas continuem ou passem por alguma mudança. Por exemplo, não é preciso ser um profeta para saber o que acontece se você destruir uma pessoa (seja lá como fizer isso) ou fizer alguém se apaixonar por você, mas é preciso mais do que mero planejamento para descobri quais as implicações destas mudanças em todos os aspectos da sua vida no longo prazo e em larga escala. Talvez em algum lugar obscuro no fundo da sua mente haja uma informação importante que se fosse trazida a tona mudaria todos os seus planos. Verificar é melhor do que se arrepender.

Parte II. Como dar as más notícias

Treine bastante lendo sua própria sorte. Para o bem da sua própria reputação não tenha pressa de tentar ler a sorte de conhecidos sem estar bastante seguro de sua capacidade. Apenas quando você tiver certeza de que não esta se enganando, estará pronto para enganar as outras pessoas. Não que você não ira lhes dizer a verdade, mas muito rapidamente vai perceber que terá que aprender a mentir para poder fazer isso. Eu disse antes que divinação é a arte de tornar o pensamento intuitivo mais eficiente e que isso pode ser feito enfraquecendo as barreiras do Censor Psíquico e então desviando os pensamentos conscientes de forma a acessar as informações não declaradas do seu objeto de pesquisa. Bom, essa não é toda a verdade, pelo menos não quando esta lendo o futuro de outras pessoas. Assim Divinação deve ser também a arte de dar credibilidade a própria intuição. É aqui que entra a Baixa Magia e talvez ela nunca tenha sido tão baixa.

Anton LaVey disse em The Satanic Witch que as “Forças do Mal” estão sempre perseguindo as pessoas que não são muito competentes como indivíduos. Isso é verdade. Também é verdade que as pessoas não gostam se ouvir que são incompetentes.  Eliphas Levi por exemplo era um mago que abominava as artes de adivinhação. Em Dogma e Ritual da Alma Magia ele diz que a adivinhação não convém ao caráter de um verdadeiro adepto porque ele seria muitas vezes obrigado a recorrer ao charlatanismo para convencer sua clientela e admirar seu público. Levi tinha razão, e é por isso que vou mostrar agora como ser um bom charlatão.

É essencial convencer a pessoa cujo futuro esta sendo lido para que ela acredite completamente no que esta sendo dito. Nos meus primeiros momentos infelizmente irritei algumas pessoas por ser cruelmente sincero no que via e felizmente elas se afastaram de mim por conta disso. Embora a ausência de censura seja importante para não haver bloqueios na mente intuitiva, isso costuma machucar os fracos. E se você deseja explorar os fracos existem métodos que podem ser usados para amenizar este tipo de problema, métodos utilizados há muito tempo por videntes profissionais, para passarem suas mensagens, mas principalmente para garantirem sua clientela.

A verdade geralmente ofende, mas os tolos são mais sensível a manipulação do ego do que a dor da verdade. Honestidade é essencial entre verdadeiros amigos, e mesmo assim com parcimônia, mas com todos os outros você não pode simplesmente ser honesto, precisa parecer honesto. A credibilidade é a melhor política. Para isso a melhor maneira de pescar um trouxa é nuca admitir a frase em letras maiúsculas na primeira parte deste texto. Para o público o futuro deve estar em qualquer outro lugar que não a própria humanidade. Eles não confiarão em outra pessoa mas colocarão toda sua fé em uma borra de café. As cartas não mentem e o futuro está escrito nas estrelas, lembre-se disso.

Felizmente isso não é um problema se a pessoa já esta pedindo sua ajuda. Estando com ela, deixe-a antes de tudo falar. Na maior parte das vezes elas não querem que você leia o futuro só querem que alguém lhes diga o que fazer. Para isso existe um roteiro bem simples, que é garantia de sucesso:

  1. Deixe a pessoa falar o que quiser e o quanto quiser.
  2. Faça sua leitura como sugerido na primeira parte do texto.
  3. Faça um elogio velado.
  4. Diga o resultado da leitura do passo 2
  5. Faça uma ameaça velada.
  6.  Ofereça alguma solução a ameaça do item 5.

Novamente, a partir do passo 2 mantenha tida sua atenção aparente nos seus instrumentos de trabalho e não na pessoa. Isso dará a ela a impressão de que as respostas estão vindo de algum lugar sagrado que ela não tem acesso. Não as machuca deixar que pensem isso. Além disso, isso mostra a importância do que você está fazendo e deixa a pessoa confortável no papel de espectadora em vez de sentir-se um paciente com a barriga aberta em um centro cirúrgico.

No passo 3 sorria e diga alguma coisa boa que ela queira ouvir. Isso amolecerá a pessoa, e a tornará simpática a tudo o que você disser. Veja alguns exemplos de frases quebra-gelo:

  • Há alguém romanticamente interessado em você no seu círculo de amizades. Você tem um senso muito próprio de Justiça e as vezes tem que se segurar para não dar uma de justiceiro.
  • Você não se deixa convencer facilmente e normalmente precisa de bons argumentos par acreditar em alguma coisa.
  • Vejo uma oportunidade se aproximando de você no campo financeiro.
  • Você é destes que gosta de se divertir, dar muita risada, falar bobagens…
  • Você sabe valorizar a amizade, por isso não é qualquer um que você aceita como amigo.

Esse passo 3 é importante para amolecer o ego da pessoa e torná-la receptiva ao que você vai dizer em seguida no passo 4. Como ela já aceitou o elogio as portas do seu intimo estão escancaradas para você e ela se tornará muito mais fácil de ser sugestionada. Nesse passo você pode fazer qualquer tipo de promessa que agrade a pessoa. Por incrível que pareça ela não lhe culpara se sua profecia não se cumprir pois não vai querer perder a esperança de todas as novas ilusões que você pode fornecer.

Depois da leitura normal do passo 4 temperada com massagem no ego, chegamos ao passo 5 da Ameaça Velada. Consulte de novo seus instrumentos e faça uma cara séria. Diga que existem forças atuando contra a pessoa. Isso dará a pessoa uma razão para fracassar. E isso é quase tudo o que elas querem. Diga que algo ruim e preocupante está acontecendo ou acontecerá em breve. Se a pessoa tiver até 20 anos diga que sua vida emocional corre risco. Se tiver até 30 coloque inimigos na carreira e no trabalho. Até os 40 mire no bolso, no patrimônio e na estabilidade familiar. Dos 50 para frente diga que a saúde passará por momentos complicados. E qualquer que seja a idade você pode alertar contra as forças ocultas e espirituais malignas assombrando a vida da pessoa.

Assim como ela não lhe culparia por uma boa profecia frustrada também não lhe culpará se esta maldição não der certo, pois você acabou de virar seu fornecedor oficial de bodes expiatórios. Além disso se nada de ruim aconteceu é porque ela seguiu os preciosos conselhos que você dará no passo 6 de nosso roteiro.

As pessoas não querem apenas ouvir ameaças, elas querem saber  o que devem fazer. O passo 6 dará ao mesmo tempo uma esperança a pessoa e algo para mantê-la ocupada, e mais importante ainda: e mais importante ainda, alguém para obedecer. Isso também de certa forma estreita a ligação com o vidente. É neste momento de fragilidade que os videntes profissionais vendem suas velas, ungüentos, e rituais sob encomenda. De fato, estes podem ser tão lucrativos para eles que a consulta em si pode sair como cortesia. Se em outra ocasião a pessoa disser que seguiu seus conselhos e mesmo assim a maldição ( que você inventou ) por alguma razão improvável virou realidade, não se preocupe. Se ela voltou para falar com você é porque quer ser enganada novamente. Diga que alguma nova força atuante se manifestou. Veja alguns exemplos de conselhos que podem ser usados:

  • Você é o agente das mudanças que quer para sua vida.
  • Você tem que deixar de ser um obstáculo para seus objetivos.
  • Você não precisa acreditar em nada, apenas em você.
  • Preste mais atenção as pessoas que convivem com você.

Os passos 5 e  6 podem ser ignorado caso seja uma pessoa com quem você realmente se importe. Por outro lado os passos 2 e 4 podem ser também ignorados caso você não se importe nem um pouco com a pessoa. O último truque sujo que tenho para ensinar é que a linha que separa a profecia da sugestão é tão tênue que em geral merece ser apagada. A mente do consultor via de regar é muito mais forte do que a do consultante de modo  que logo você perceberá que pode dar algumas ordens ao destino da pessoa.  É como aquela história da cigana que por um preço podia prever o sexo de uma criança que estava para nascer e devolvia o dinheiro caso errasse. Acertava metade das vezes e isso reforçava sua reputação de bruxa. Errava a outra metade e reforçava sua reputação de mulher honesta. E todos saiam ganhando.

Morbitvs

Morbitvs Vividvs é autor de Lex Satanicus: O Manual do Satanista e outros livros sobre satanismo.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/como-ler-o-futuro-e-dar-as-mas-noticias/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/como-ler-o-futuro-e-dar-as-mas-noticias/