9 Pecados Satânicos

Anton Szandor LaVey

Por anos as pessoas têm perguntado aos representantes da Igreja de Satã: “Muito bem: sua filosofia é baseada na indulgência dos instintos humanos mas vocês tem alguma espécie de pecados como outras religiões?”. Categoricamente, nossa resposta tem sido: “Não”. Mas é chegado o momento de melhorar esta resposta. Após 21 anos de forte crescimento achamos ser apropriado traçar algumas diretrizes, não somente daquilo que somos a favor, mas também sobre aquilo que trabalhamos para evitar e que desaprovamos. A diferença é que diferente das outras religiões , que desenvolvem pecados que as pessoas não podem evitar, nós consideramos “pecaminosas” apenas algumas coisas que as pessoas certamente podem evitar se trabalharem um pouco.

1 – ESTUPIDEZ

O primeiro de todos os Pecados Satânicos. O Pecado Capital do  Satanismo. É uma pena que a estupidez não seja dolorosa. Ignorância é uma coisa, mas nossa sociedade prospera graças à estupidez. Ela cresce e se alimenta das pessoas que simplesmente aceitam tudo o que lhes é imposto sem nenhum questionamento. A mídia cultiva a estupidez como uma postura que não é apenas aceitável mas louvável. Satanistas precisam aprender a enxergar além dessa superficialidade e não podem se dar ao luxo de serem estúpidos.

2 – PRETENSÃO

Uma postura vazia pode ser muito irritante além de ir contra todas as regras da Baixa Magia. Quanto o assunto é aquilo que mantém o dinheiro circulando hoje em dia a pretensão está em pé de igualdade com a estupidez. Fazem todos se sentirem muito importantes, independente da capacidade de cada um de arcar com as conseqüências de seus próprios atos.

3 – SOLIPSISMO

Pode ser muito perigoso para o Satanista. É a doutrina segundo a qual a única realidade no mundo é o eu. Projetar suas reações, respostas e sentimentos em alguém que provavelmente não está tão sintonizado com você quanto você pensa. É o erro de esperar que os outros demonstrem por você a mesma consideração, a mesma cortesia e respeito que você demonstra naturalmente por eles. Eles simplesmente não o farão. Por isso Satanistas devem se empenhar em viver pela máxima: “Trate os outros como eles tratam você!” Para muitos de nós isso é uma tarefa difícil e demanda muita atenção, a não ser que você caia em um estado confortável e ilusão em que todo mundo é como você. Como já foi dito, algumas utopias seriam os ideais em uma nação de filósofos, mas infelizmente (ou talvez felizmente, de um ponto de vista Maquiavélico) nós estamos muito longe disso.

4 – AUTO ENGANO

Está presente nas “Nove Declarações Satânicas” mas merece ser repetido aqui. Outro pecado capital. Nós não devemos prestar homenagem a  nenhuma das vacas sagradas que nos são apresentadas, incluindo as do papeis que representamos para nós mesmos. O único tipo de auto-engano aceitável é aquele que nos diverte, e somente quando temos plena consciência de sua natureza. Mas então já não é auto engano!

5 – CONFORMISMO

Isto é óbvio do ponto de vista Satânico. Não há problemas em se submeter à vontade de uma pessoa se isto lhe trouxer benefícios. Mas apenas os tolos se satisfazem sendo parte do rebanho, aceitando ser guiados por uma entidade impessoal. O segredo é escolher sabiamente um mestre ao invés de ser escravizado pelo capricho da multidão.

6 – FALTA DE PERSPECTIVA

Esta é outra falta que pode resultar em um monte de desgosto para o Satanista. Você nunca deve perder o rumo, nunca se esquecer de quem você é e do que você é, e da ameaça que você pode se tornar simplesmente por existir. Nós estamos escrevendo a história neste momento, a cada novo dia. Sempre tenha em mente todo o quadro histórico e social. Este é um dos segredos mais importantes para prática da Alta e da Baixa Magia. Enxergue os padrões e os combine as peças para que as coisas se encaixarem. Não se deixe influenciar pelas limitações da grande massa – saiba que você está trabalhando em um nível completamente diferente do resto do mundo.

7 – NEGLIGÊNCIA ÀS ORTODOXIAS DO PASSADO

Eis aqui uma das melhores formas de se fazer lavagem cerebral nas pessoas, esteja avisado! É quando algo que já foi amplamente conhecido e aceito recebe uma nova roupagem e é apresentado como inovador e diferente. Um novo gênio é adorado ao passo que o criador original cai no esquecimento. Este é o caminho para se criar uma sociedade descartável.

8 – ORGULHO CONTRA PRODUTIVO

A segunda palavra é muito importante aqui. O orgulho é uma ferramenta muito importante desde que você não comece a entornar a água suja do banho se esquecendo de tirar o bebê de dentro de sua banheirinha. A regra do Satanismo é: se funciona com você, ótimo! Mas quando para de funcionar, quando você se colocou em uma sinuca de bico e a única maneira de sair da complicação for dizer “Me desculpe, eu pisei na bola, eu sinceramente espero que possamos de alguma forma nos entender”, então diga!

9 – FALTA DE SENSO DE ESTÉTICA

Esta é a aplicação física do Fator de Equilíbrio. O senso de estética é muito importante na Baixa Magia e deveria ser cultivado. É óbvio que ninguém consegue mais ganhar tanto dinheiro explorando os padrões clássicos de forma e de beleza, então eles são desencorajados em uma sociedade consumista, mas saber identificar a beleza e o equilíbrio é uma importante ferramenta Satânica e deve ser utilizada para se atingir resultados mágicos cada vez mais eficazes. Não se trata do que deveria ser agradável – é o que é agradável de fato! Senso de estética é algo pessoal, um reflexo da natureza de cada indivíduo, mas existem combinações que são universalmente agradáveis e harmoniosas e elas não deveriam ser negadas.

Muito bom o site em geral , estou surpreendido com tamanho conhecimento, os artigos são topzeira, vou refletir mais sobre esses pecados !

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/os-nove-pecados-satanicos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/os-nove-pecados-satanicos/

O Traidor, O Enforcado, o Pendurado

Texto de Vera Chrystina:

O Enforcado. Outro arcano que gera muitas controvérsias.

No Tarô Cary – Yale ( 1420 1460), no trunfo da Esperança, existe a figura de um homem com uma corda no pescoço e a palavra Judas Traidor escrita em suas vestes. “A virtude da esperança superou o traidor Judas, que representa a deslealdade e hipocrisia.” Kaplan LWB. LWB Kaplan.

Até 1750, mais ou menos, o nome da carta era o Traidor, em vários baralhos existentes. Ou Traidor ou Enforcado, referindo-se a Judas.

Só em 1781, no volume 8 de Le Monde Primitf , Court de Gébelin, modifica o nome do Enforcado para Prudência.

Court de Gébelin, considerando que faltava no baralho uma carta relativa à Prudência, decidiu que o (Traidor ou Enforcado) seria esta. Ela será encontrada em seu devido lugar, entre a Fortaleza e a Temperança – um homem suspenso pelo seu calcanhar. E por que está assim?

É uma obra de um fabricante de baralhos presunçoso que, não entendendo a beleza da alegoria resolveu corrigi-la. A Prudência só pode ser representada de maneira inteligível, por um homem ereto, que tendo posto um pé à frente, ergue o outro e então examina o chão onde colocá-lo com segurança. Esta carta, então, é o homem com o pé suspenso, o fabricante dos baralhos, em sua ignorância, o fez como um homem suspenso pelo pé.

Em outras palavras, para Court Gebelin, a carta está de cabeça para baixo e, da maneira como ele descreveu, parece ter pertencido a um baralho belga do século XVIII. Esta mesma carta, no baralho Gringonneur , é de um homem ruivo, pendurado por um pé à trave horizontal de uma forca. Esse é o Judas traidor que com 30 peças de prata que ganhou a trair Cristo e, como diz na Bíblia, ela apanhou uma corda e se enforcou. É esta carta conhecida como Traidor.

Como podemos ver, o nosso querido Gébelin começou a confusão, por que queria que a Prudência ficasse no meio das virtudes como a Força e a Temperança.

O que representa essa atitude do Gébelin?

Representa que desde 1781, o homem tem tendência de invadir os saberes existentes e modificá-los ao seu bel – prazer, para caber dentro de suas crenças e dogmas. Por causa desse tipo de vaidade o saber é desfragmentado, alterado, mutilado, de sua concepção original. Um dos problemas quando não se entende o símbolo. Haja paciência!

Em 1789, Etteilla segue Court de Gébelin e denomina a carta do Traidor, também como Prudência.

Em 1855, Eliphas Levi, no seu livro Ritual de Alta Magia, inventa que a forca é o Tau hebraico e que o Enforcado é a carta do Adepto. Ele começa a fazer a confusão do tarô com a Cabala.

Em 1865, Edmond Billaudot’s ( Madame Lenormand foi sua aluna) publica o Belline Tarot e diz que o Enforcado significa abnegação, prudência, paciência. Ele diz: dedique-se ao outro, esta é a lei divina, mantenha sua alma sempre pronta para prestar contas ao eterno, porque via no Enforcado, uma morte violenta e imprevista (Ross Caldwell).

Ross Caldwell acredita que ele fez uma mistura dos conceitos de Levi, Paul Christian e Gébelin, mesclando várias tradições.

Em 1889 Papus continua com a mesma visão, em seu Tarô dos Boêmios.

“Este Enforcado serve como um exemplo para o presunçoso, e sua posição indica a disciplina, a submissão absoluta que o ser humano deve ao Divino”.

Em 1890 a Golden Dawn faz referência ao Enforcado, no ritual do adepto: Se tu, não nascer da água e do espírito, não podereis entrar nos reinos dos céus. Na verdade esse ritual simbolizava uma morte mística, onde o adepto era salvo e renascia, traduzindo em letras miúdas.

Matters em seu ritual, coloca o Enforcado na posição horizontal e faz analogia com o simbolismo egípcio ( o renascimento de Osíris)

Em 1922, TS Elliot refere-se ao homem enforcado como Odin.

Em 1927, Oswald Wirth, no tarô dos magos, diz: o Enforcado é o signo alquímico da Grande Obra. O Enforcado é inativo e impotente, mas sua alma é liberada. Ele não representa uma crença cega, mas, um homem prudente, que aprendeu a diferença da vaidade e da ambição individual e compreendeu as riquezas do sacrifício heróico que aspira ao esquecimento total de si mesmo. O herói mitológico que melhor se relaciona com o Enforcado parece ser Perseus…

Isso é um breve relato histórico das mudanças feitas no arcano o Pendurado.

#Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-traidor-o-enforcado-o-pendurado

A Bruxaria na Velha Itália

E quando um padre causar-te mal com suas bênçãos,
deves imputar a ele males duas vezes piores.
-Mito da Vinda de Aradia

Charles G. Leland no século XIX apresentou para o mundo em seu livro Aradia: Evangelho das Bruxas, a obra que cem anos mais tarde inspiraria Gardner junto com os escritos de Crowley a tecer a Wicca ou Bruxaria Moderna. Mas a crença das Bruxas da Itália, nem de longe se limitaria a ele. Outro historiador e escritor, Raven Grimassi, dedicou sua vida a explorar os mistérios da Bruxaria da Velha Europa.

Altamente influenciado pela Wicca, Grimassi manteve em seus livros um paradigma cerimonial básico para a estrutura da Bruxaria, isto é, celebrações de lua cheia, oito festivais ligados a roda do ano (as treguendas), e adoração a Diana e estranhamente Dianus. Dianus não é outro senão Lúcifer, que utilizando seu outro nome, tornava seu material mais viável e menos diabólico. Afinal, as bruxas do século XXI fazem de tudo para se afastar da imagem de adoradores do Diabo. Talvez mais ligadas ao cristianismo do que eram as bruxas de antigamente, a palavra diabo sequer é mencionada em livros de bruxaria. Ou totalmente repugnada.

É interessante que a palavra diabo vem de diabolus, em latim, “o adversário”. Assim como a palavra Bruxaria e Witchcraft, a Stregheria era um culto marginal. Era encontrado mais nas beiras da comunidade, com mulheres que jogavam cartas ou faziam poções. E um aborto ou outro de vez em quando.

E uma das coisas que mantinha a fé na Stregheria era a Sagrada Strega – Aradia.

Aradia, a Filha de Lúcifer

E deves ser a primeira das bruxas conhecidas;
E deves ser a primeira de todas no mundo;
E deves ensinar a arte do envenenamento,
-Aradia, Evangelho das Bruxas

Na Itália, a Inquisição foi fundada para reprimir a seita dos cátaros e começou a funcionar em 1224 quando o Papa Honório III incumbiu vários bispos para proceder contra os hereges; como tribunal, oficialmente começou a funcionar, como nos demais países, no ano de 1232 pela bula do Papa Gregório IX. Ela era responsável por julgar indivíduos acusados de um vasto leque de crimes relacionados com a heresia, incluindo a feitiçaria, a imoralidade, blasfêmia, e bem como para a censura da literatura impressa.

A Igreja não imaginava que no meio de toda sua diversão – o roubo de terras, estupros, saques, abuso de poder dos papas e tudo que só o Catolicismo faz por você – iria nascer uma contra cultura, uma mulher que mudaria os rumos daquela terra. No norte da Itália na região de Toscana, no dia 11 de agosto de 1313 iria nascer uma das figuras mais peculiares da Bruxaria: Aradia.

Foi dito que Aradia ouvia vozes desde pequena. E em um certo dia, ela escutou Diana a chamando e então começou a aprender com Ela a arte da Stregheria. E nem de longe era essa bruxaria regada a borboletas e unicórnios que vemos atualmente. Diana ensinava a ela evocar tempestades, envenenar pessoas, amaldiçoar padres. Padres eram os alvos mais claros de toda bruxaria italiana. Em um dos seus vários mitos, um padre após ter insultado uma imagem de Diana, é acordado várias vezes com assombrações e então decepado.

Lúcifer, o pai de Aradia e filho/irmão de Diana tem um mito interessante. Ele foi criado pela própria Diana logo no inicio, que em seguida se apaixonou pela sua criação. Tão grande era a beleza de Lúcifer que fez Diana fazer o primeiro de todos os feitiços de amor: e então prende-lo a si para gerar toda a criação.

No trabalho de Raven Grimassi, o nome Lúcifer foi substituído por Dianus, “Divino”. Dianus Lucifero, o nome correto do Deus da Luz e do Esplendor da Itália, que mais adiante se tornou o temido Lúcifer, rei do inferno.  É interessante que no livro do Leland, Lúcifer e Diana são tidos tanto como reis do céu como do inferno. Charles Godfrey Leland (18241903) escritor de diversas obras sobre folclore e ocultismo, entre as mais conhecidas Aradia, or The Gospel of the Italian Witches, Etruscan and Roman Remains e Legends of Florence, obras que falam sobre Stregheria, a Bruxaria Italiana. O evangelho das bruxas, foi lançado em 1899 através de umas cartas que ele recebeu de uma bruxa chamada Madalena, que jogava tarot e ocasionalmente, passava uma parte dos mistérios para ele.

Aradia então passou a ensinar as pessoas a cultuar Lúcifer e Diana. A própria figura de Aradia é muito discutida entre historiadores e poucos realmente acreditam que ela viveu. Ela supostamente foi capturada pela inquisição e então, após seduzir os guardas e escapar desapareceu pela velha Itália. Sua magia, que na época passou para seus treze discípulos, foi então espalhada em vários outros grupos e sobreviveu a fogueiras, torturas e missas nauseantes.

O Elo Perdido do Catolicismo e a Stregheria

 

Se há algo que as bruxas italianas entendem, é de missas e santos. É dito que quem é do sangue, nasce vendo e usando o poder em cada oportunidade. A missa é a base da magia cerimonial cristã – é o encontro entre o céu e a terra, a purificação e a iluminação. É aonde as bruxas buscam para amaldiçoar nomes, enfiando-os na agua benta.

Os movimentos da streghe são sempre delicados. O terço nas mãos é usado antes de qualquer ritual, que muito diferente da cerimônia atualmente praticada em grupos modernos, se baseia tradicionalmente em se sentar na cozinha, com algumas velas acesas e um terço na mão. E então evocando enquanto conta o terço, o streghe começa a dar vida a Chama – o elo espiritual entre as bruxas da Velha Europa.

A Chama é um conceito espiritual erroneamente tido como um fogo no meio da cerimônia, por grupos que tentam modernizar a stregheria. A Chama, é a palavra Fé, é o espírito da própria bruxaria, que é pedido enquanto o praticante reza “Diana , bella Diana , pensa a me in questo momento”, é acreditado dentro da Stregheria que a Chama, é algo que deve ser alimentado, através da pratica de adoração aos antigos. Segundo contam as lendas, no dia que não houver mais um streghe para para alimentar a Chama, nem o Sol, nem a Lua irão brilhar mais.

As Bruxas da Velha Itália mantém uma vela acesa ao San Michele Arcangelo, que assim como San Pietro e Santa Luzia, tem papel fundamental. Ele não é visto como um arcanjo guerreiro pronto para combater Satã. Pelo contrario, ele é visto como um antigo espírito de guerra, que foi usurpado pelo catolicismo e ganhou a forma de anjo; o mesmo ocorreu com San Pietro que é um espírito que prende, amarra ou libera as pessoas e situações.

Por nascer em uma terra fortemente católica, a bruxaria italiana mantém essas raízes. Tanto católicas, como etruscas. Os etruscos são povos que viveram na região da Península Itálica. O período exato em que houve a ocupação não se sabe, mas acreditam que ela ocorreu por volta dos anos de 1200 a 700 a.C. A região cuja qual eles habitavam equivale o que é hoje a Toscana, com partes no Lácio e Umbria, na Itália.

A Bruxaria se espalhou pelo mundo e aqui no Brasil também tem fortes representantes. Obviamente, cada grupo de bruxaria incorpora sua visão, suas praticas e acaba alterando um pouco o conteúdo recebido. É importante que a tradição se mantenha viva, mesmo que não nos tornemos fanáticos pela mesma, mas mantendo um respeito pela sua beleza e sua manifestação.

A Stregueria é uma das manifestações da Bruxaria, carregando consigo a riqueza de um povo apaixonado, fervoroso e forte. Que Aradia abençoe a cada um de nós.

 

 

por King

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-bruxaria-na-velha-italia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-bruxaria-na-velha-italia/

A Visão Tântrica Do Relacionamento

Por Keith Sherwood

A sexualidade humana não pode ser entendida fora do conceito de Yin e Yang. Na visão tântrica, um ser humano e suas relações são um espelho do universo – ou melhor ainda, do universo inteiro em microcosmo. O próprio universo é visto como uma união dos princípios masculino e feminino, representados pelo casal divino Shiva e Shakti.

No tantra, o Shiva masculino e a Shakti feminina são reverenciados tanto como o casal divino quanto como os arquétipos de consciência (Shiva) e energia (Shakti). Os antigos textos védicos, que são sagrados para a ioga e o tantra, descrevem através de metáforas e mitos a relação de uma pessoa com seu campo energético e a relação do campo energético com outras pessoas e com o cosmo. Os textos védicos mais conhecidos, os Upanishads e o Bhagavad Gita, nos dizem que depois que o universo foi criado, Shiva e Shakti emergiram da singularidade chamada Consciência Universal através dos tattvas, que são passos na evolução do universo físico e não-físico.

Trinta e seis tattvas são responsáveis pela incrível diversidade do nosso universo. O primeiro tattva foi o mundo original que emergiu da Consciência Universal, um mundo sem forma. A partir daí, surgiram Purusha e Prakriti. Purusha, o predecessor de Shiva, foi a consciência primordial e Prakriti, a predecessora de Shakti, a fonte primordial de poder (energia sexual). O tattva seguinte, que resultou de sua união, foi chamado de Mahatattva. Foi nesta fase que o equilíbrio perfeito no universo primordial, não-físico, foi perturbado e a evolução – como os seres humanos podem conceber – começou. No tattva seguinte, surgiram Shiva e Shakti, e foi neste ponto que o êxtase sexual apareceu pela primeira vez.

No tantra, a evolução é considerada como um processo contínuo através do qual Shakti (Yin) é continuamente impregnada por Shiva (Yang). Este ato constante de criação e seu deleite sexual associado são centrais para a experiência tântrica e para a visão tântrica da transcendência (esclarecimento). O universo está sendo criado continuamente através da união de opostos: Yin/Yang, Shiva/Shakti.

O casal divino serve como o arquétipo para o amor sexual (Eros) e uma relação transcendente. O êxtase sexual que dois indivíduos experimentam juntos é visto como sendo fundamentalmente o mesmo que o experimentado pelo casal divino. É por isso que, no tantra, a sexualidade humana é elevada para além do mero ato de procriação, ela se torna um veículo para alcançar a transcendência. O sexo é usado para quebrar as barreiras que fazem as pessoas se sentirem separadas e as transporta para um estado de união entre si e com a Consciência Universal.

Como os antigos mestres tântricos, você pode experimentar estados semelhantes de êxtase sexual. Você pode usar os poderes anteriormente adormecidos de seu campo energético para alcançar transcendência ou iluminação, onde prazer, amor, intimidade e alegria emanam espontaneamente de dentro de você, e você pode compartilhar essas qualidades edificantes com seu parceiro.

Do livro Sex and Transcendence (Sexo e Transcendência), por Keith Sherwood

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-visao-tantrica-do-relacionamento/

HermetiCAOS – Sobre a Disciplina

Eu acordo de manhã completamente disfuncional. Demoro algum tempo para pegar no tranco, caso não tenha nenhuma obrigação agendada. Se eu não tomar café, demora mais.

Ao longo do dia, tenho que conciliar a vida de pai, marido, eterno mestrando, minhas tentativas esporádicas de me enveredar pelas vias literárias, o trabalho como professor de filosofia e, agora, como coordenador, e a busca por dimensões superiores de existência. É muita coisa. Pra mim, é. Muitas vezes, algumas dessas coisas ficam comprometidas. Às vezes, todas elas ficam, pois o nosso mundo contemporâneo parece construído com o objetivo de nos afastar o máximo possível da excelência (areté), de sermos o melhor que podemos ser. E minha mente, com frequência perturbadora, se envereda por caminhos de procrastinação autodestrutiva, de recompensas e prazeres imediatos, que me distanciam de mim mesmo.

Assim, o que deveria ser disciplina, se torna preguiça e o que deveria ser motivação, se torna autoindulgência. Eu sei exatamente o que fazer. A disciplina mágica que eu tenho intenção de seguir se descortina perante mim e a sabedoria da Antiguidade me eleva a patamares mais altos, de maneira que eu possa vislumbrar meu Destino, lá longe, lá no final. Mas, como disse o Morpheus, “há uma diferença entre conhecer o Caminho e trilhar o Caminho”. Existe um tanto de Fé para que se trilhe esse caminho, porque há que se ter confiança na palavra dos Mestres quando eles dizem: “É pra lá”.

Quem não consegue desenvolver essa confiança, rapidamente se desfaz desses ensinamentos, acusando-os de charlatanismo, de ingenuidade infantil, de sei lá mais o quê. Mas, de alguma maneira, meu envolvimento com Magia, e Ocultismo de uma maneira geral, vem de um sentimento interior de que há Razão nesse trajeto. De que caminhar nessa direção de fato liberta, eleva, nos transforma em pessoas melhores. Esse é, de fato, o caminho que leva à Iluminação. E ele foi atestado por várias pessoas que se dispuseram a seguí-lo, e elas nos dizem: “Venha, você também pode”.

De minha parte, já vivi intensamente essa disciplina, pelo menos por algum tempo. Sei dos benefícios que ela traz. Posso dizer que a Magia é responsável por me tornar uma pessoa melhor. Mas e se eu não houvesse trilhado esse caminho, senão outro? Não seria tão bom quanto sou hoje? Sei lá. Pode ser que sim, pode ser que eu chegasse onde estou por inúmeras outras vias: psicoterapia, biodanza, coaching… Mas a Magia foi o método que eu escolhi, ou talvez, aquele que me escolheu. É o que eu achei mais divertido e o que inunda minha existência de Sentido. E sei que ainda tenho muito a caminhar, não sou uma pessoa iluminada, senão apenas mais um buscador, como tantos outros. A perspectiva adequada, conforme aprendi, é a de que “não somos seres materiais buscando uma experiência espiritual, mas sim seres espirituais vivendo uma experiência material”.

Entretanto, viver na matéria é um grande desafio, tanto mais difícil quanto mais se compreende o que significa isso e o que está em jogo. Transcender a matéria somente se dá através da própria matéria, não de sua negação. A disciplina do trabalho mágico leva a essa compreensão, que é fundamental ao caminho, mas é fugidia. Se a disciplina esmorece, a consciência desvanece. E parece que, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica manter a disciplina. Dura uma semana, duas, três… na seguinte, eu falho. Outras coisas entram na frente. Obrigações, responsabilidades, cansaço, a consciência perdida em pequenos prazeres inúteis feitos sob medida para roubar toda a nossa energia. Daí, quando percebo a armadilha, me forço a reiniciar. Começo de novo. Quantas vezes forem necessárias. Foi quando eu entendi uma coisa fundamental.

Deixar de meditar, de conduzir rituais, de desenvolver trabalhos mágicos, enfim… largar a disciplina por um tempo, não é falhar. Falhar é parar de fazer para sempre. Falhar é abandonar o Caminho. Na estrada para o desenvolvimento da disciplina, pular um dia ou dois — ou uma semana ou duas, que seja — não significa que eu fracassei, pelo contrário: faz parte do processo. Se eu já fosse uma pessoa disciplinada, não precisaria praticar a disciplina. Se já fosse uma pessoa iluminada, não precisaria buscar a Iluminação. Se a pressa é inimiga da perfeição, então a senda deve ser seguida com calma. Porque sentar na beira do caminho para descansar não é desistir do caminho. E eu não estou apostando corrida com ninguém. O outro extremo da autoindulgência é a cobrança excessiva que desmotiva. Para nos tornarmos pessoas melhores, o primeiro passo é sermos melhores conosco mesmos. Aliás, aprendi também que só se pode ser verdadeiramente honesto consigo mesmo. O resto é ilusão. Venho corroborando isso com o passar dos anos. Talvez seja assim também com você.

Dessa maneira, todas as vezes que me esforço para recomeçar, mesmo acreditando que possa ter jogado toda minha dedicação anterior no lixo, percebo que é ali que se encontra minha força. Quando a luz na fresta da janela bate dentro do meu olho, quando falta energia em casa e me vejo refletido na tela desligada da TV, quando a angústia da existência vazia começa a querer cobrar seu preço, aí eu me levanto e começo de novo. Esse é o meu maior sucesso.

No mais, não faz muito tempo, “recebi” um certificado como o abaixo. Apareceu pra mim na leitura do livro “O Manual do Messias”, de Richard Bach. Acredito que você possa tomá-lo também como seu. Está à disposição de todo mundo, na verdade.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermeticaos-sobre-a-disciplina

Ordálias, Moedas e Consagrações

Estou bem feliz com o alto nível dos comentários; acho que seria o caso de abrir alguns Posts para as perguntas mais pertinentes ou que dariam respostas mais longas para debatermos.

Mglls disse: Oi Marcelo essas “Ordálias” chegam a nos levar p/a Noite Negra da alma, fazem um tsunami em nossas vidas???? isso é muito cruel….quantos impedimentos …tô chocada…eu estava em busca de conhecimento e os meus exs-irmãos diziam “Cuidado voce está mexendo nos Mistérios de Deus” ele vai tocar no que vc mais ama…e…tocou mesmo e agora depois de tres anos de sofrimento abro mão do conhecimento e gostaria muito de voltar no tempo essa busca custou a minha familia e é muito triste pq a minha intenção era compartilhar, ajudar as pessoas a deixarem de viver como gado…pq eu não costumava comer de tudo que era servido eu examinava, pesquisava e via que nem tudo era comestível e me entristecia de ver as pessoas nem se preocuparem com o que estavam comendo, simplesmente engoliam e inclusive eu era discriminada nesse meio porém eu não me importava, e quando alguém necessitava de esclarecimento eu ajudava…ah se eu soubesse. Por favor tem como reverter essa situação e reaver o que foi perdido????? e na Biblia tá escrito “Aquele que é de Deus o Maligno não lhe toca”????

Oi, mglls,

As Ordálias são as maiores e mais perigosas provas de um ocultista de verdade. São elas que separam as crianças dos magistas. As Ordálias podem ser simplificadas como sendo a resposta direta da Mente Coletiva contra o Iniciado desperto, em sua tentativa de despedaçá-lo antes que ele consiga forças suficientes para se defender. Fazendo uma analogia, é como os veteranos surrando Noobs no World of Warcraft… Não é porque você começou agora que o lado negro vai pegar leve com você…

Este texto do Aleister Crowley ajuda a entendê-las melhor:

Essas ordálias cegas, presumivelmente, referem-se a tais testes de aptidão, como os referidos a pouco. Nos mistérios antigos, era possível distinguir as ordálias formais.

Um jovem entraria num templo para ser iniciado, e ele saberia bem que sua vida dependia de provar-se merecedor. Hoje o candidato sabe que as iniciações não são fatais, e que qualquer ordália proposta a ele, obviamente, aparecem apenas como pura formalidade. Na sala da Maçonaria por exemplo, ele pode jurar absolutamente disposto a manter o silêncio sob pena de ter sua garganta cortada, sua língua arrancada, e tudo mais e o juramento ser quebrado mais tarde.

Em uma Ordem Mágica genuína, não existem juramentos extravagantes. O candidato aceita o compromisso por si só, e sua obrigação é apenas “obter um conhecimento científico da natureza e forças do meu próprio ser”. Não há punições relacionadas a violação da obrigação, porém, como esta resolução está em contraste com os juramentos de outras Ordens no tocante a simplicidade e naturalidade, assim também com relação as punições. O rompimento com a egrégora atualmente envolve os mais assustadores perigos para a vida, liberdade e razão. A menor negligência é encarada com a mais implacável justiça.

O que acontece é isso: quando um homem afirma cerimoniosamente sua ligação com a Ordem (A verdadeira Iniciação), ele adquire, toma contato, com todas as forças daquela Ordem (egrégora).

Ele é capacitado, a partir desse momento, a fazer sua verdadeira vontade, da melhor forma possível, sem interferência. Ele adentra uma esfera em que cada perturbação é, direta e instantaneamente, compensada. O indivíduo colhe a conseqüência de cada ação imediatamente. Isso é porque ele entrou no que posso chamar de mundo fluídico, onde cada distúrbio é ajustado automática e instantaneamente.

Assim, normalmente, supõe-se um homem como Sir Robert Chiltern (“Um Marido Ideal”) que age de forma corrupta. Seu pecado sempre o assombra, não diretamente, mas depois de muitos anos, de modo a não manifestar uma conexão lógica com seu ato.

Se Chiltern fosse um probacionista da A.’.A.’. seus atos seriam respondidos imediatamente. Ele vendeu um segredo oficial por dinheiro. Ele teria descoberto , dentro de poucos dias, que um de seus próprios segredos foi revelado, com desastrosas conseqüências pessoais.

Além disso, tendo iniciado uma corrente de deslealdade, por assim dizer, ele seria vítima de uma torrente da mesma até conseguir eliminar a possibilidade de vir a agir desse modo novamente. Seria prematuro classificar este aparente exagero de punições como injustas. Não seria suficiente para cumprir a regra de pagar um “olho por um olho”.

Se você perdeu sua visão, você não tropeça em alguma coisa uma vez só, mas continuaria tropeçando de novo até recobrar o sentido perdido.

As punições não são aplicadas deliberadamente pelos Chefes da Ordem, elas ocorrem respeitando o curso natural dos eventos. Eu não deveria me conter em dizer que esses eventos foram arranjados pelos Chefes Secretos. O método, se eu o compreendo corretamente, pode ser ilustrado por uma analogia: suponha que eu tivesse sido avisado por Eckenstein, a testar a firmeza das rochas numa escalada, antes de me apoiar nelas. Eu negligencio a instrução. É desnecessário a ele, percorrer o mundo todo e enfraquecer as rochas em meu caminho – elas estarão lá. E eu começo a escalar, e as falhas ocorrerão ou não, à medida que eu as encontrar. Da mesma maneira, se eu esquecer de alguma instrução mágica, ou cometer alguma falha de magia, minha própria fraqueza me punirá à medida que as circunstâncias determinarem o apropriado método.

Pode se dizer, que essa doutrina não seja uma questão de Magia(k), mas de bom senso. Verdade. Mas Magia(k) é bom senso. Qual é a diferença então, entre o Magista e o profano? A diferença, é que o Magista determinou que a natureza será para ele, um modo fenomenal de expressar sua realidade espiritual. As circunstâncias, portanto, de sua vida são uniformemente adaptadas à sua obra.

Outro exemplo: O mundo revela-se ao advogado de modo totalmente diferente do que o faz ao carpinteiro e, o mesmo evento, ocorrendo aos dois homens, sugerirá dois diferentes treinos de pensamento e conduzirá os dois, a diferentes resultados.

Meus erros de julgamento, devido a aniquilação de meu ego e a conseqüente falta de direção sentida por meu corpo e mente, produziram seu efeito imediato. Eu não compreendi a extensão do meu erro e até sua real causa, porém, senti-me forçado a voltar à minha própria órbita.

As Ordálias afetam TODOS os despertos ou aqueles que estão começando a emanar alguma luz. Gosto muito do filme Matrix, quando o Morpheus explica para o Neo que “Até que todos os aprisionados sejam libertados, eles são potenciais agentes do outro lado”. Não há exceções. Vocês não fazem idéia das torrentes de problemas e privações que eu passei até conseguir publicar a Enciclopédia, que é um verdadeiro trabalho de tributo às Egrégoras dos Deuses. Todos os tipos de problemas que vocês puderem imaginar ocorreram; de divórcio à falta de grana à perda de arquivos à escolha entre retornar para uma vida acadêmica ortodoxa confortável (ensinando Semiótica e História da arte em uma faculdade) ou dedicar meus últimos recursos e esforços para enfrentar alguns MESES de problemas até a publicação da obra…

Nos relatos da Consagração, vi que ocorreram todos os tipos de problemas… de gente que perdeu a hora porque o despertador não tocou, até criança chorando, esposa reclamando, falta de materiais, falta de condições, falta de local, etc, etc, etc… todos os tipos de problemas para impedir que a consagração fosse feita… justamente porque ela funciona e o outro lado não está a fim simplesmente de te deixar ter um objeto desses sem nenhum problema.

No Sefirah ha Omer, muitos de vocês estão sendo testados, e vai ficar pior ainda antes de melhorar… quanto mais potencial você tiver, mais vai apanhar para verem se você desiste e volta para a vidinha confortável.

Mglls, não tem como “reaver” o que foi perdido porque estas pessoas não estão mais no mesmo grau de consciência que você. A única maneira de haver um reencontro é se eles atingirem o mesmo padrão de pensamentos que você. E isso é uma ordália apenas deles. Ninguém ajuda quem não quer ser ajudado.

#Consagrações #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ord%C3%A1lias-moedas-e-consagra%C3%A7%C3%B5es

Bençãos Enochianas sobre o Alimento

Robson Belli

Antes de comer qualquer alimento, é dita a L URBS  (bênção preliminar). Há seis diferentes bênçãos, cada qual começando com as mesmas palavras:

“URBS I TA, ENAY, APILA MAD, GE IAD DE TOF GLO…”

(Bendito és Tu, senhor, o Eterno Deus, Rei do Universo…”) e concluindo com as palavras relacionadas ao tipo de alimento que vai ser ingerido.

Segue-se uma transliteração de cada bênção em enochiano, com exemplos dos alimentos que a requerem:

1. Exemplos para pães e massas

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, CASARM GI GI PAH.
(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, que extrai o sopro divino.)

2. Exemplo para vegetais

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, SOBAM EL HARG.
(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus Rei do Universo quem primeiro tem plantado)

3. Exemplos para bebidas em geral

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, URBS TALHO.

(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, abençoado copo.)

4. Exemplo geral que não tenha sido incluído acima

URBS I TA, ENAY, APILA MAD GE IAD DE TOF GLO, QAAL TF GLO.

(Bendito és Tu, ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo, criador de todas as coisas.)


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/bencaos-enochianas-sobre-o-alimento/

E se a vida for um jogo?

Neste vídeo falo sobre como os sólidos platônicos sagrados foram terminar como dados de RPG (Role Playing Game), e como este jogo pode servir de profunda metáfora para a vida. Também veremos como nossas potencialidades podem estar se desenvolvendo ao longo de muitas vidas, ou seriam muitas partidas de RPG?

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!

#Reencarnação #RPG #Mitologia #Magia #Tolkien

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/e-se-a-vida-for-um-jogo

O Fumo e os Terreiros de Umbanda

O fumo é a erva mais tradicional da terapêutica psico-espiritual praticada na Umbanda. Originário do mundo novo, os nativos fumavam o tabaco picado e enrolado em suas próprias folhas, ou na de outras plantas, conhecendo o processo de curar e fermentar o fumo, melhorando o gosto e o aroma.

Durante o período físico em que o fumo germina, cresce e se desenvolve, arregimenta as mais variadas energias do solo e do meio ambiente, absorvendo calor, magnetismo, raios infravermelhos e ultravioletas do sol, polarização eletrizante da lua, éter físico, sais minerais, oxigênio, hidrogênio, luminosidade, aroma, fluidos etéreos, cor, vitaminas, nitrogênio, fósforo, potássio e o húmus da terra. Assim, o fumo condensa forte carga etérea e astral que, ao ser liberada pela queima, emana energias que atuam positivamente no mundo oculto, podendo desintegrar fluídos adversos à contextura perispiritual dos encarnados e desencarnados.

O charuto e o cachimbo, ou ainda o cigarro, utilizados pelas entidades filiadas ao trabalho de Oxalá são tão somente defumadores individuais. Lançando a fumaça sobre a aura, os plexos ou feridas, vão os espíritos atuando em benefício daqueles que os procuram com fé.

Os solos com textura mais fina, com elevado teor de argila, produzem fumos mais fortes, como os destinados a charutos ou fumos de corda, enquanto os solos mais arenosos produzem fumos leves, para a fabricação de cigarros. No fabrico dos charutos (palavra derivada do tâmil churutu), as folhas, após o processo de secagem, são reunidas em manocas de 15 a 20 folhas e submetidas a fermentação, destinada a diminuir a percentagem de nicotina, aumentar a combustividade do fumo e uniformizar a sua coloração. Os tipos de fumo mais utilizados na confecção dos charutos brasileiros são: Brasil-Bahia, Virgínia, Sumatra e Havana.

Nos trabalhos umbandistas é muito utilizado por Exu Bombogira. A cigarrilha de odor especial, quando utilizada por esta entidade, melhor se ajusta ao descarrego do magiado, por proporcionar-lhe mais tranquilidade. Os cigarros são utilizados para fins mais materiais, normalmente relacionados com negócios financeiros.

Os charutos de fumo grosseiro e forte são peculiares à magia dos Exus, enquanto os charutos de fumo de melhor qualidade são usados por Caboclos. Já os Pretos-Velhos dão preferência aos cachimbos, nos quais usam diversos tipos de mistura de ervas, como o alecrim, a alfazema e outros, além de utilizarem cigarros de palha, impregnando assim os elementos com a sua própria força espiritual, transformando o tradicional “pito” em um eficiente desagregador de energias negativas. Desta maneira, como o defumador, o charuto ou o cachimbo são instrumentos fundamentais na ação mágica dos trabalhos umbandistas executados pelas entidades. A queima do tabaco funciona como um defumador individual, próprio, dirigido ao objetivo do Guia, que não traz nenhum vício tabagista, como dizem alguns, representando apenas um meio de descarrego, um bálsamo vitalizador e ativador dos chakras dos consulentes. Vemos assim que, como ensinou um Pai Velho, “na fumaça está o segredo dos trabalhos da Umbanda”.

#Umbanda

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Alberto Magno

pesquisa & texto Ligia Cabús

albertomagno.gifO Grande Alberto ou Alberto Magno nascido na Bavária ─ Alemanha em data incerta, 1193 ou 1206, é um dos nomes mais citados entre os ocultistas de diferentes épocas, do fim da Idade Média à Renascença até o Iluminismo. Ele é um santo, [santo Albertus Magnus],  beatificado em 1622, canonizado pelo papa Pio XI e honrado com o título de Doutor da Igreja em 1931. Mestre de outros doutores, São Tomás de Aquino, figura notável da escolástica, foi seu pupilo e seus livros influenciaram fortemente a formação do abade Johannes Trithemius [1462-1516, nascido Johann Heidenberg] e Cornelius Agrippa [1486-1535].

Educado em Pádua, ali conheceu o pensamento de Aristóteles e foi um dos primeiros filósofos cristãos-católicos a se empenhar na tarefa de conciliar pensamento aristotélico e doutrina cristã. Entre 1221 e 1223 Alberto teria tido um encontro místico, uma visão com a Virgem Maria. Depois disso, contrariando a vontade paterna, decidiu se dedicar à vida religiosa. Dizem que antes da visão ele era um jovem completamente estúpido. A experiência com o sobrenatural teria resultado na “iluminação mental” que tomou conta do rapaz. Caso semelhante ocorreu com o padre Vieira no Brasil, completamente bronco até sofrer o “estalo de Vieira”, uma dor de cabeça acachapante, um desmaio e um despertar de gênio.

Albertus tornou-se membro da Ordem Dominicana e como monge dominicano foi estudar teologia em Bolonha. Em Colônia, foi pregador. Em 1254 foi designado para ser provincial, o mais alto posto regional da Ordem e, em 1260, o papa Alexandre IV ordenou-o bispo de Rosensburg. Em 1263, já beirando os 70 anos, renunciou a todos os cargos e retirou-se no convento de Wuzburg, [em Colônia], onde dedicou-se aos estudos pelo resto da vida.

Embora seja uma contradição, na Europa ocidental medieval muitos dos estudiosos proeminentes das ciências ocultas pertenceram ao clero da Igreja católica, o que deu origem a uma curiosa geração de ocultistas fervorosamente cristãos cuja herança aparece claramente nas obras de mestres como abade Thritemius, Paracelso, Agrippa, Eliphas Levi, Papus.

Na chamada Alta Idade Média ou nos primeiros tempos do cristianismo medieval os mosteiros eram centros de cultura onde a erudição da obras de cientistas e artistas clássicos era preservada em meio à treva intelectual que dominava o povo e mesmo parte da nobreza do período. Os monges, muitos dos frades enclausurados, escribas das bibliotecas, tornavam-se intelectuais que transcendiam a esfera doa teologia; eram poliglotas, estudiosos de ciências comparadas, tinham acesso aos textos pagãos e adquiriam um saber enciclopédico.

Os escritos de Alberto Magno, reunidos em 1899, somaram 38 volumes sobre os mais variados temas: lógica, botânica, geografia, astronomia, astrologia, mineralogia, química, zoologia, psicologia, frenologia (estudo da relação entre a configuração do crânio e traços de caráter e personalidade) e, naturalmente, sobre teologia. Possivelmente, foi o autor mais lido de sua época. Poucos séculos depois de sua morte, em 15 de novembro de 1280, surgiram rumores de que o bispo dominicano tinha sido um mago alquimista. Afinal, entre suas numerosas obras havia tratados como Alchemy, Metals and Materials, Secrets of Chemistry, Orign of Metals, Origns of Compounds e Theatrum Chemicum, esta, uma coleção de observações sobre a Pedra Filosofal, Sobre a pedra filosofal, um segredo que teria sido a ele transmitido pelos discípulos de São Domenico [1170-1221].

Estudava astrologia; tal como muitos intelectuais de seu tempo, Alberto Magno admitia que os corpos celestes influenciam a vida dos homens determinando características físicas e comportamentais. Escreveu sobre suas teorias astrológicas em Speculum Astronomiae. Acreditava que as pedras possuem propriedades ocultas conforme relata em De mineralibus. Atribui-se a Magno a descoberta do arsênico e diz a tradição que pouco antes de morrer em 15 de novembro de 1280 ele transmitiu o segredo da pedra filosofal para o discípulo Thomas de Aquino, a quem teria revelado que testemunhara a criação de ouro por meio de um processo de transmutação.

Bispo & Mago

É curioso que o religioso e santo Albertus Magnus, respeitado estudioso escolástico do século XIII tenha sido o mestre virtual, por meio de seus escritos, de alguns dos nomes mais destacados do ocultismo ocidental. Sua influência é evidente quando se conhece um pouco dos textos, que necessitam de uma urgente reedição em português; são títulos muito raros.

Collin Wilson, em The Occult, transcreve um ensinamento atribuído a Magno: “O alquimista deve viver em solidão, afastado dos homens. Deve ser silencioso e discreto… Deve saber escolher a hora certa para suas operações, isto é, quando os corpos celestes estão propícios”. Agrippa, Paracelso, Eliphas Levi, Papus, todos esses grandes mestres recomendam a mesma postura ao pesquisador da Magia.

É notório que Alberto Magno conhecia extensivamente as propriedades ocultas das pedras preciosas para influenciar a saúde do corpo e do espírito. a ametista, propiciando concentração; a esmeralda, inspiradora da virtude, castidade, temperança, abstenção; ágata, para a saúde dos dentes e para afastar fantasmas e serpentes.

Sobre ervas, diz que a betônica (Betônica Officinalis) produz o poder da profecia e a verbena, o encantamento do amor.  O Eupatório (Eupatorium perfoliatum) é usado no tratamento de febres, em quadros de dengue, por exemplo.

Alberto Magno, com toda a sua erudição, também ensinou sobre a eficiência da magia simpática ação à distância, indireta, sobre um objeto relacionado ao objetivo desejado. Trata-se de uma crença bastante difundida e é a base da magia que trabalha com roupas e objetos de indivíduos ou bonequinhos de cera representativos de uma pessoa.

O Grande Alberto acreditava ser possível tratar a lesão de um homem operando simultaneamente sobre o objeto/arma que o feriu: a faca, a pedra com que o golpe foi desferido ou aconteceu. A machadinha com a qual o açougueiro feriu a si mesmo em um momento de descuido deve ser “medicada” com o mesmo remédio que é ministrado ao doente.

Depois, o objeto assim “magnetizado” deve ser colocado atrás da porta do quarto. Em alguns casos, quando o paciente reclamava de dor verificava-se que o objeto tinha caído.  Outros ocultistas, nos séculos seguintes à época de Magno, repetiram o ensinamento e esforçaram-se para explicar este fenômeno. Apesar de, a primeira vista, “operar objetos” ou, ainda ─ operar as/nas secreções do paciente, no sangue ─ pareça uma providência absurda, sem lógica, o fato é que a magia simpática está na origem de todas as “técnicas” de auto-cura/auto-ajuda tão disseminadas nesta pós-modernidade doentia.

Embora as autoridades eclesiásticas insistissem em negar o teor ocultista dos escritos de Albertus classificando obras alquímicas a ele atribuídas como espúrias, em 1480, The Great Chronicle of Belgium referia-se a ele como “Grande em magia, grande em filosofia, grande em teologia”. Um escritor anônimo tenta desconstruir a imagem do monge mago alegando que Albertus jamais praticou a Arte Hermética sobre a qual escreveu.

O Andróide do Grande Alberto

Consta que uma das mais fantásticas proezas de Albertus Magnus foi a invenção de um andróide. A artefato teria consumido 30 anos de estudos das ciências ocultas e, muito evidentemente, ciências exatas. Foi confeccionado com metais cuidadosamente escolhidos sob as influências planetárias adequadas. O autômato era maravilhoso: falava e tinha a sabedoria de um oráculo infalível, respondendo a qualquer questão ou problema que lhe fosse proposto. Eliphas Levi relata o fim daquele que teria sido o primeiro robô dotado de inteligência artificial de todo o mundo:

Asseguram os cronistas que ele [Alberto Magno] … conseguiu depois de trinta anos de trabalho, a solução do problema do andróide, isto é, ele fabricou um homem artificial, vivo, falante, dizendo e respondendo a todas as questões com uma precisão e sutileza tal que Santo Tomás de Aquino [discípulo de Magno], aborrecido de não poder reduzi-lo ao silêncio, o partiu com uma cajadada. [LEVI, 2004 ─ p 208]

Eliphas Levi explica que a “lenda do andróide de Alberto, o Grande” é uma metáfora para o fanatismo aristotélico do monge, escolástico do tipo que pretendia promover a filosofia aristotélica a sustentáculo da teologia cristã-católica, fonte inesgotável de respostas para tudo com suas “palavras preparadas” pela “lógica do silogismo que argumentava em vez de raciocinar”. A filosofia de Aristóteles era o “autômato filosófico”, o “Andróide” de Alberto e a “Suma Theologica… foi o bastão magistral” que destruiu a aberração
[LEVI, 2004].

Segundo Clute e Nicholls a palavra andróide apareceu na língua inglesa em 1727 para referir-se justamente as supostas tentativas do alquimista Albertus Magnus (1200-1280) de criar o homem artificial(8) (apud Oliveira, op. cit. p. 9). …De Albertus Magnus era dito que tinha trato com o próprio diabo, pois tinha confeccionado uma cabeça de cobre que era capaz de falar e responder a estímulos. Seus inimigos o acusavam também de ter fabricado um autômato capaz de falar. [BOECHAT, , 2009]

Senhor do Tempo

Embora o Andróide seja incrível, o mais assombroso prodígio realizado pelo Grande Alberto entrou para a história da Universidade Paris. O religioso ocultista tinha convidado William II, Conde de Holanda e Rei dos Romanos para um jantar, uma ceia em sua sua casa monacal, em Colônia. Estavam em pleno inverno e Albertus mandou preparar as mesas no jardim do convento.

A terra estava coberta de neve e os cortesãos que acompanhavam William murmuravam sobre a imprudência do filósofo, expondo o príncipe ao desconforto do tempo. Porém, quando tomaram seus lugares, a neve subitamente desapareceu e todos sentiram o frescor de um dia primaveril. O jardim coloriu-se de flores perfumadas que desabrocharam, nas árvores e arbustos; pássaros voavam e cantavam sob o sol. Era uma metamorfose da natureza e espetáculo tornou-se ainda mais impressionante quando, ao fim do jantar, todas as maravilhas desapareceram em um instante e o vento frio voltou a soprar castigando o jardim invernal.

Reputação Duvidosa

Apesar da fama de poderoso, há quem diga que “Magno”, no nome de Alberto não proveio, originalmente, de sua grandeza intelectual mas, antes, é um nome de família: Albert the Groot.  Para Eliphas Levi, que notoriamente não aprecia os escolásticos aristotélicos, o prestígio do monge é um folclore entre e somente entre a plebe ignara ele é considerado “o grande mestre de todos os Magos”. De sua extensa produção científica, poucos textos genuínos teriam chegados aos dias atuais e, ironicamente, suas obras mais conhecidas seriam “espúrias”. O ocultista Gerard Anacelet Vincent Encausse, o Papus, comenta os dois textos.

Os Admiráveis Segredos de Alberto, o Grande, publicado em 1791, “contém certos ensinamentos que podem ser utilizados, misturados com receitas bizarras e tradições da magia dos campos. O Grande Alberto compreende:

1º ─ Um tratado de embriologia…
2º ─  Um tratado de correspondências mágicas consagrado ao estudo das virtudes de ervas, pedras e animais, acompanhado de um quadro de influências planetárias.
3º ─  Um livro de “segredo” que se refere mais às práticas da feitiçaria que às da Magia.
4º ─  Um apêndice contendo noções fundamentais de fisionomia.

Pequeno Alberto

Segredos Maravilhosos da Magia Natural e Cabalística do Pequeno Alberto, Lion ─ 1758. O Pequeno Alberto é consagrados às tradições populares relativas à Magia. Encontram-se aí páginas inteiras inspiradas na Filosofia Oculta de Agrippa [Henry Cornelius Agrippa, 1486–1535]. São receitas ingênuas e curiosas sobre os processos empregados nos campos para inspirar e aumentar o amor… satisfação dos interesses materiais e resolução de questões de dinheiro. Relata processos mais ou menos pueris para conseguir ganhar no jogo e para a descoberta de tesouros. Este último capítulo só é interessante pelo estudo teórico que faz referente aos espíritos dos defuntos e aos que gnomos que guardam os referidos tesouros. [[PAPUS, 2003].

Sobre trechos “inspirados” na Filosofia Oculta de Agrippa, não é de se estranhar o fato: a biografia de Agrippa, [também alemão e também nascido em Colônia], mostra que este ocultista também estudou os textos atribuídos a Alberto Magno pouco mais de 200 anos depois da morte do monge, época em que, talvez, ainda fosse possível diferenciar os livros falsos dos verdadeiros. Deste modo, é muito difícil determinar se os livros de Agrippa influenciaram os “espúrios” de Alberto; se os originais de Magno influenciaram os “espúrios” de Magno; e seus originais [ou não], por sua vez, fizeram parte da formação de Agrippa.

O próprio Agrippa confessa em uma carta [epístola  23, I, I] que desde muito jovem era dominado por uma curiosidade pelos mistérios. Esse interesse pelas coisas secretas pode ter sido romantizado e exagerado pela sombra histórica do grande estudioso do oculto Alberto Magno. Ele [Agrippa] escreve a Teodorico, bispo de Cirene, que um dos primeiros livros de magia que estudou foi o Speculum, de Alberto. Devia ser fácil para um jovem corajoso e rico adquirir os grimórios de magia em um centro comercial e escolástico tão prolífero. [TYSON, 2008 ─  p 14]

O fato é que hoje a autenticidade das obras é colocada em dúvida. Em português, os títulos são raríssimos. Este articulista pesquisou e encontrou três exemplares de O Grande e o Pequeno Alberto, editado pela Edições 70 Lisboa em 1977, 458 páginas, listado em Estante Virtual, livros usados, aos preços salgadinhos de 180 e 200 reais. Online, outros poucos títulos como: O Composto dos Compostos ─ IV volume do Theatrum Chemicum  ─ e o suspeitíssimo Egyptian Secrets, White and Black Art for Man and Beast.

Os Admiráveis Segredos de Alberto, o Grande

Apesar da imensa obra deixada pelo dominicano seu nome foi eternizado justamente pelos livros considerados falsos, não escritos, de fato, por Magnus. O Grande Alberto e o Pequeno Alberto, mais se parecem com almanaques que reúnem receitas mágicas para enfrentar todo tipo de mazela ou infortúnio. O valor destes textos é conservar a memória de uma cultura que é a matéria prima de uma magia popular [magia exotérica, folclórica] que floresceu na Europa medieval, levou muita gente para a fogueira, atravessou eras e ainda se mostra presente em costumes e crenças hoje cultivados nas áreas rurais, pelas comunidades mais simplórias, especialmente no mundo ocidental.

Trata-se do conhecimento não científico mas tradicional das propriedades ocultas de plantas, pedras, animais e do poder dos rituais [e orações, pois é uma curiosa magia cristã] como forma de projeção da vontade. Algumas “receitas” são, atualmente, impensáveis, pelo tanto que ofendem aos princípios básicos da higiene e assepsia. Conforme assinala Marco Antonio Lopes em Princípios de ciência médica na época de Montaigne e Cervantes [2009]:

O pepino, por exemplo, figurava nessa farmacologia estritamente empírica como eficaz repelente de insetos. É o que afirma o tratado alemão de sabedoria médica popular intitulado Os admiráveis segredos de Alberto, o Grande, publicado em 1703, em finais da Idade Média. Para erradicar percevejos, o livro recomenda apanhar um pepino em forma de serpente, mergulhá-lo em água para, em seguida, esfregá-lo na cama infestada. Excremento de boi era recomendado para o mesmo fim, com a garantia expressa de que nenhum percevejo jamais seria encontrado nessa cama. Já o excremento de rato misturado com mel era recurso infalível para a calvície; a sua fricção tópica promovia a recomposição dos pêlos, em qualquer parte do corpo em que tinham existido [cf. Sallmann, 2002, p.172-173].

Fontes:
AUGHTERSON, Kate. The english Renaissence: Sources and Documents. Routledge, 2008. IN Google Books ─ acessado em 06/04/2009.
BOECHAT, Walter. Ficções do Corpo na Era Tecnológica: Mitologias da Ficção Científica. IN Revista Coniunctio nº 5 Volume 2 | SIZIGIA: Núcleo de Estudos em Psicologia Analítica ─ acessado em 06/04/2009.
Grimoires: Albertus Magnus.  In The Miskatonic University Library.
LEVI, Eliphas. História da Magia. [Trad. Rosabis Camayasar] São Paulo: Pensamento, 2004.
TYSON, Donald. A Vida de Agrippa IN Três Livros de Filosofia Oculta. [Trad. Marcos Malvezzi] ─  São Paulo: Madras, 2008.
WAITE, Arthur E.. Alchemists Through the Ages. In Google Books ─ acessado em 05/04/2009.

1193 – 1280

[…] dentro das paredes da Igreja. Todos os grandes alquimistas desta fase foram sacerdotes católicos. Albertus Magnus, Basilio Valentim e Roger Bacon são alguns desses nomes.  Foi apenas a partir de Nicolas Flamel […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/alberto-magno/ […]

[…] dentro das paredes da Igreja. Todos os grandes alquimistas desta fase foram sacerdotes católicos. Albertus Magnus, Basilio Valentim e Roger Bacon são alguns desses nomes.  Foi apenas a partir de Nicolas Flamel […]

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