O Caminho Sinistro – Parte 1

Preparação

Diante da crescente torrente de absurdos vistos na internet envolvendo o Caminho da Mão Esquerda (que prefiro chamar de Caminho Sinistro, por motivo fonético e abreviativo apenas, vide adiante), nasceu a necessidade de trazer luz ao tema. E não se trata de mero jogo de palavras, há uma errônea associação compulsória do caminho sinistro com as trevas e a malignidade que deve ser desfeita durante a nossa caminhada juntos.

Não tenhamos pressa, contudo. Vamos lidar aqui com temas e conceitos que se opõem ao status quo e elementos fortemente enraizados no inconsciente coletivo, e isto NÃO é sinônimo de lesar a integridade física, a humanidade, as leis básicas ou a propriedade, de si mesmo ou de outrem. Se você entende a associação a uma ordem ou culto sinistro como um facilitador para a prática de más ações, saiba que o Código Penal brasileiro prevê tal intenção em seu artigo 288. E se você tem inclinação criminal, peço encarecidamente que pare por aqui.

Uma coisa que talvez decepcione alguns de vocês é que eu não vou dar carteirada. Não vou me esconder atrás de um nome mágico de demônio milenar, nem apresentar cargos, graus iniciáticos e títulos, pois creio ser desnecessário nesse momento. Espero que você se contente, por hora, em saber que sou uma pessoa relativamente acessível, apesar de introvertido.

Bom, vamos ao que interessa.

Meta-Percepção

Antes de qualquer coisa pare e se pergunte por que você está aqui, lendo isso. O Ego destreinado tende a responder que está aqui “porque quer”, porque assim o decidiu baseado em uma escolha pessoal qualquer, e a estes eu surpreendo dizendo que estão aqui porque eu quero. Claramente não escolhi cada leitor deste artigo, mas escolhi ter leitores, escolhi transmitir um conhecimento, escolhi a forma, o conteúdo, o veículo, enfim, criei este instante, este continuum do qual você agora faz parte para, apenas posteriormente, existir algum exercício da sua vontade. Não se trata, neste caso, de um conflito de vontades, visto que elas não se contrapõem, mas curiosamente a minha se faz manifesta e predominante desde antes da existência da sua.

Essa diferença sutil em como percebemos as coisas e seus significados é a forma que escolhi para começar nossa caminhada, pois dela vai depender não só nossa compreensão como nosso sucesso no caminho sinistro. E eis aqui a primeira grande oportunidade de exercitar a semântica.

O Caminho Sinistro
Sinistrum, forma neutra do latim clássico, significando apenas… esquerdo. Oposto a destro. As sinonímias referentes a “impróprio”, “adverso”, “desafortunado”, “funesto” e congêneres são do período pós-clássico. É perfeitamente possível um caminho sinistro ser ensolarado, florido e cheio de vivacidade, como também é perfeitamente possível que seja desolado, pútrido e nefasto. Sinistro, neste caso, apenas alude ao fato dele se encontrar à esquerda de outro.

Mas porque estamos falando de esquerda mesmo?

O ocultismo moderno pegou emprestados os termos usados no Tantra indiano para caracterizar duas correntes doutrinárias: O Caminho da Mão Direita (Righ-Hand Path; RHP; Dakshinachara) refere-se a doutrinas e/ou grupos que seguem princípios éticos, morais e filosóficos mais rígidos e conservadores, com forte tendência ortodoxa e o Caminho da Mão Esquerda (Left-Hand Path; LHP; Vamachara) refere-se a doutrinas e/ou grupos com práticas heterodoxas em sua maioria, que reforçam e induzem o questionamento e a oposição moral, não adotando estruturas éticas e filosóficas complexas.

Contudo, perceba que é um erro grotesco presumir e associar de imediato o caminho destro ao bem e o caminho sinistro ao mal, cabendo aqui lembrar que a prática do bem ou do mal é uma escolha humana individual, independente do caminho trilhado.

Os Aghori

Muitas definições em pouco tempo, certo? Para bem entender o termo, vamos evoluir com ele in loco, com praticantes do Vamachara, o caminho sinistro tântrico.

Os Aghori são devotos de Kala Bhairava, uma manifestação de Shiva associada à aniquilação… do mal. Eles se submetem em sua rotina ritualística à necrofagia, coprofagia, urofagia, caminham entre cadáveres e fazem utensílios com ossos humanos, justificando tal comportamento como uma prática não-dual, o contato com o Advaita Vedanta, o verdadeiro Eu, transcendendo através dos tabus sociais. Apesar de não serem considerados “hindus” pelos indianos em geral, os Aghori têm curandeiros reconhecidos por seus poderes ditos milagrosos. Pense na prática Aghori como uma vacina, em que você se contamina com o que quer evitar e a diferença entre imunização e infecção está simplesmente na dose e na manipulação do agente.

Fatores Históricos

Note, caro leitor, não haver menção sobre o caminho sinistro em época anterior à adoção do termo pelos textos védico e simplesmente não há outros fatores que definam com firmeza a existência da corrente antes das definições tântricas.

Mas não teriam Ahriman ou Baal seus cultos bem antes disso? Por certo que sim, mas neste momento peço encarecidamente que, se ainda não entendeu o motivo da minha pergunta, volte a ler este artigo do início. Um culto a Ahriman pode ser extremamente organizado, ortodoxo, conservador e fundamentalista (nenhuma dessas características se opõe às da entidade e, na verdade, até fazem sentido no contexto histórico e social), classificando-o na corrente doutrinária da Mão Direita. Insisto que, na grande maioria das vezes, “bem” e “mal” são definições e escolhas humanas.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que o Caminho Sinistro não é exatamente uma “tradição”. Pra ser bem franco, é um caminho ainda em exploração e formação. Não existem ordens medievais assumidamente sinistras, por exemplo. Faço pequena ressalva para stregheria, druidismo e semelhantes, de forte inclinação heterodoxa que ainda hoje vivem se escondendo por causa dos traumas da… bom, você sabe porque.

Existem pouquíssimas ordens e/ou cultos sinistros que transpuseram ou sequer se aproximaram do seu primeiro século de existência, como a controversa Ordem Tifoniana, antiga O.T.O. Tifoniana (T.O.T.O.), que tem como base o mesmo Thelema e graus iniciáticos de outras ordens Crowleyanas não-sinistras.

Portanto, atenção redobrada com o termo “tradição sinistra” e seus semelhantes, em geral eles não são literais e não são usados para nossa geração, mas embasam e fundamentam a credibilidade dos textos para gerações futuras, quando a tradição de fato existir. Ou não.

Fatores Antropológicos

O ser humano, especialmente o moderno, tem uma forte tendência ao oportunismo, e isso é lamentavelmente notável na área do ocultismo sinistro. O conceito de oposição moral acabou por fazer pessoas de moral intrínseca duvidosa aderirem às fileiras da corrente doutrinária (vide observação sobre crime em Preparação), e fatores psicológicos e sociais deram continuidade a essa prática transformando-a em uma espécie de tendência. Hoje não é completamente errado afirmar que o caminho sinistro é trilhado por outcasts, proscritos e misantropos.

As ordens muitas vezes abraçam alguma espécie de fundamentalismo injustificado, às vezes disfarçado, o que separa ainda mais seus probandos, neófitos e (sic) adeptos do convívio social saudável. Tenha em mente neste ponto, caro leitor, que a misantropia mística exige um nível de concentração, dedicação e domínio mental altíssimos, sendo totalmente contra-indicada para o caminho sinistro sem rígida supervisão.

De uma forma geral, as pessoas buscam o caminho sinistro pelos motivos errados, buscando os objetivos errados e são, invariavelmente, enganadas. Isso tem corroborado para a rápida degeneração da corrente original, desaparecimento das ordens sérias (p.e. O.T.O. Tifoniana deixar de usar o nome O.T.O., círculos internos de outras ordens se desassociarem, recrutamento cancelado, atividades públicas canceladas, etc…), multiplicação de pequenas ordens e cultos oportunistas, crescimento e migração de egrégoras nefastas e a invariável ridicularização geral dos praticantes.

Considerações

Por hora, caro leitor, eu o convido a ficar com a imagem dos Aghori na mente para reflexão. Um povo religiosamente proscrito? Sim. Com hábitos sanitários perigosos? Sem dúvida. Mas qual é o valor prático disso? Note que eu ainda não me atenho ao valor místico, mas o prático mesmo. Quanto sabe de anatomia um Aghori em relação a um hindu que nada faz além de orar? Qual tem melhor sistema imunológico? Qual tem medo do escuro? Qual é o real valor da contaminação física e moral a que se expõem os praticantes? E talvez a questão mais pertinente de todas: você se imagina um Aghori ou ficaria satisfeito em conhecer um curandeiro Aghori quando um familiar adoecesse?

Como este é o nosso primeiro contato, vou ser breve e deixar o que está aqui pra ser digerido e debatido. Procurei usar exemplos de fácil pesquisa para aqueles que queiram se aprofundar em quaisquer dos elementos abordados no artigo.

Gostaria de aproveitar o ensejo e agradecer ao Marcelo pelo espaço e pela oportunidade, e a você leitor pela companhia.

Até breve.

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caminho-sinistro-parte-1

Ghost B.C. e o Diabo na Música

Ghost BC

Por Malachi Azi Dahaka

Ghost é uma banda sueca, formada em 2008, que conta até agora com dois CDs (Opus Eponymus e Infestissuman) e alguns EP´s.  O som da banda se destaca por remeter aos anos 80, e indo na contramão de outras bandas com temática “Satanista”, sendo bem suave e tranquilo, com vocais limpos e instrumental muitas vezes calmo.

A banda é formada por Papa Emeritus (Atualmente pelo Papa Emeritus II – valendo lembrar “Emeritus”, do Latim “Aquele que foi eleito, que mereceu”) e pelos “Ghouls sem nome”, que se identificam apenas pelos símbolos alquímicos dos 5 elementos (incluindo o Éter).  Não, eles nunca disseram e nem pretendem dizer quem são. Isso, a meu ver, cria uma atmosfera ainda mais voltada ao Satanismo – não pelo “mistério” das identidades, mas pela ausência total de Ego. Todos sendo iguais e anônimos, destruindo o Ego e gerando uma coletividade que achei muito digna de determinadas correntes satanistas…

Não posso afirmar que a banda de fato é ocultista, mas duas coisas são fato: A primeira é que as letras devem ser cuidadosamente analisadas, pois a banda realmente estudou o que diz. E a segunda, ocultistas/satanistas ou não, Ghost BC passa uma mensagem por si mesmos, criticando a Igreja Católica e religiões em geral e sobre o medo que o homem possui do Sobrenatural.

E é justamente a carga de peso ocultista na banda que fez render uma certa repercussão após o show da banda no Rock In Rio 2013.  A “missa satânica” como o próprio Papa intitulou o show, recebeu vaias, foi chamada de “chata e tediosa”, teatral demais e – segundo alguns repórteres da Rede Globo, a banda foi tida como “nada assustadora, sem nenhuma exigência extravagante nos camarins, pedindo até comida vegetariana”.

Ora, caímos aí na mesma questão que abordei em meu texto “Satanismo Tradicional” publicado no Teoria da Conspiração: Um Satanista deve render-se a estereótipos comportamentais e ser um mau educado, imprestável e exercer de má fé sua função? Críticas infundadas a parte, o visual e as letras da banda, que são bem explícitas, levaram revolta aos “metaleiros que resolveram bancar bons cristãos” enquanto se entorpeciam de maconha durante o show.  E mais revolta ainda nas redes sociais  evangélicas/ católicas. É, dessa vez pisaram no pé dos católicos brasileiros também.

Honestamente eu já esperava por algo assim, em uma sociedade hipócrita a ponto de sexo com menores ser algo incentivado e explicitado, mas meramente dizer as palavras “Hail Satan” em um refrão deva ser totalmente censurado sem piedade! De fato, o Ghost B.C. é a última coisa nisso que realmente assusta.

Há de se mencionar a reação contrária do público, em geral. Enquanto eu (e mais grande parte a minha volta) entoávamos as letras, eu podia ouvir um ou dois a volta dizendo absurdos como “eles só pagam de satanistas pra imitar o Ozzy”, “Slayer que é satanista de verdade” e outras coisas do mesmo valor absurdo.  Ainda assim, essa interferência estúpida e a falta de etiqueta (já esperada) do povão brasileiro não interferiu no grande concerto que aconteceu.  Ver a banda ao vivo é uma experiência muito agradável, realmente.

Quase uma missa satânica verdadeiramente, causando revolta em muitos e agradando a poucos – Exatamente como o Satanismo deve ser!  Se o Ghost queria ser o “Diabo na música“, definitivamente conseguiram essa atenção. A banda mais odiada, comentada e censurada no RiR. Definitivamente, eles merecem os títulos que apresentam.

Eu, aproveitei para durante algumas músicas, erguer um sigilo que pintei em uma folha, para da mesma forma que feito anteriormente em um show do Metallica durante a criação de uma Egrégora, eu captasse a gnose/energia necessária nesse show e canalizasse a um sigilo de intento. O fiz (obviamente de forma discreta) no momento que achei o ápice da apresentação (coincidentemente enquanto Papa Emeritus também ergueu suas mãos em forma de “benção”).

No fim, a noite valeu a pena. Uma ótima apresentação, com muito psicodrama, um som que valeu a pena curtir e uma banda perfeita de se assistir ao vivo. Nota 10 pra essa experiência e – tenho certeza, para este experimento que realizo pela primeira vez em uma oportunidade épica.

Malachi Azi Dahaka

Textos da coluna Música & Magia

#LHP #Música #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ghost-b-c-e-o-diabo-na-m%C3%BAsica

Chá com Feitiços e Rosas

Magia+do+Caos

impressa e PDF.

Falo sobre magia de Abramelin, religião, meditação, divinação, evocação, teoria do caos, alimentação, paradigmas, magia criativa, feitiços e muitas outras coisas. O sumário é apenas uma amostra. Vou e volto nos mais diversos temas entre os capítulos.

O livro é colorido, assim como meu anterior, A Noite Escura do Caos.

E na semana passada escrevi um livrinho sobre a Índia: Casa do Coração Puro.

Boas leituras!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ch%C3%A1-com-feiti%C3%A7os-e-rosas

Resultados da Hospitalaria – Junho 2009

Ao todo, em Junho, foram 23 mapas e 19 sigilos. Fiquei feliz que as pessoas que fizeram seus mapas estão indicando outras pessoas de fora do círculo de leitores do blog.

Entidades auxiliadas este mês:

– Grupo de assistência à criança com câncer (GAAC) – São José dos Campos
http://www.gaac.com.br

– COELCE – Juazeiro do Norte (ainda auxílio aos desabrigados).

– Poiesis, de Santos, que provê suporte para crianças em situação de risco nos cortiços da área portuária. É uma população total estimada em quase dez mil pessoas. Seu blog é http://ongpoiesis.blogspot.com/.

– Lar dos Desamparados

(rod. Marechal Rondon, km332 – Agudos)

– Vila São Cotolengo (Goiânia)

– Instituto Beneficiente “Viva a Vida”.

– Educandário Lar do Caminho

Via de Acesso Professor Paulo Donato Castellani, s/n- Jaboticabal-SP

– Federação de Resistênciade da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da 5a regional GOSP
http://www.redecolmeia.com.br/mason/beneficencia.htm

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-junho-2009

A Cruz Cabalística

Praticamente toda cerimônia esotérica ou ritual de magia começa com a limpeza do ambiente onde se vai operar. Da mesma maneira que um médico não vai fazer uma cirurgia em um local contaminado, um magista não fará uma cerimônia em um ambiente astralmente sujo.

Um dos rituais mais importantes de todos, se não for “O” mais importante de todos, é o chamado Cruz Cabalística. É este ritual que demarcará no Plano Físico, espiritual, emocional e mental os limites do trabalho magístico e da vontade do mago naquele momento.

A Cruz Cabalística serve como elo de ligação entre o Magista e o Universo, buscando energias de todas as sephiroth para abastecer todos os rituais que serão realizados em seguida. Provavelmente este será o post mais importante que escreverei este ano.

Começando

– Fique de pé, no centro do local onde você irá traçar o círculo, voltado para o LESTE.

– Feche os olhos, respire fundo e devagar por três vezes, sentindo todo o seu corpo e o ambiente ao seu redor.

– Com a mão direita fechada, os dedos indicador e médio estendidos e o dedão sobre o anular e mindinho, formando a chamada “posição de Athame” (ou, se você estiver responsável pela abertura do círculo, pode ser o próprio athame mesmo).

– Visualize um raio de luz intenso, descendo do topo da Árvore da Vida, descendo do alto do macrocosmos sobre você. esta luz tem de ser tão forte que ilumine o local onde você estiver, fazendo sombra nas paredes ao redor e banhando totalmente o magista.

– Toque o Ajna Chakra (frontal, terceiro olho, etc…) com a ponta dos dedos e pronuncie de maneira vibrante “ATAH” (“para ti”).

Visualize agora este raio de luz atravessando o chão, formando um pilar de luz que passa através do corpo do magista, até o centro da Terra.

Este pilar, assim formado, ficará encarregado de trazer a energia que for necessária de Keter para o ritual, e ao mesmo tempo dissipar qualquer excesso negativo em Malkuth.

– Enquanto imagina este pilar de luz descendo, desça também com a mão da testa até o ventre/genitais, posicionando a mão na forma de uma figa e vibre “Mal-kuth” (“O Reino”).

Visualize agora, um dos braços da cruz (no mesmo formato da imagem que eu coloquei ao lado), expandindo-se para a direita enquanto o magista desloca a mão direita para ombro direito, formando um dos braços da cruz (a cruz dourada luminosa deve ter a altura aproximada do magista, e seus braços o mesmo tamanho dos braços abertos).

– Toque o ombro direito e vocalize “Ve-Geburah” (“O Poder”).

Visualize o outro braço da cruz luminosa, traçando a trave de luz enquanto desloca a mão direita do ombro direito para o ombro esquerdo.

– Toque o ombro esquerdo e vocalize “Ve-Gedulah” (“e a Glória”). Neste momento, visualize a cruz cabalistica completa, brilhante em um dourado quase branco, iluminando toda a sala onde você estiver. Sinta a sombra que esta fonte de luz faz nos objetos ao seu redor.

– Abra os dois braços até formar por um segundo a cruz com o seu corpo, depois junte as duas mãos sobre o chakra cardíaco em posição de prece. Este movimento é acompanhado da vocalização “LE OLAM” (“Para todo o mundo”). O timing é importante nesta parte do ritual. Enquanto você abre os braços, vocalize o “LEeeeee” até esticá-los. Então começe a vocalizar “OLAaaaammm” enquanto junta as mãos em prece sobre o chakra cardíaco.

Com a cruz dourada brilhando sobre o magista, é o momento de se fazer a conexão com as egrégoras que irão trabalhar. Os iniciados na senda rosacruz podem visualizar a rosa vermelha no centro da cruz, os maçons visualizam o esquadro e compasso aberto no grau em que estão (como disposto sobre o L:. L:.), os membros de ordens martinistas visualizam a cruz Patté e assim por diante. Todas as egrégoras nas quais você foi iniciado podem ser invocadas para que estas energias protejam o ambiente e façam a esterilização astral do recinto em conjunto com o magista. Esta visualização dura aproximadamente um ou dois segundos, seguindo o timing.

– Por fim, junte seus dedos polegar, indicador e médio da mão direita no kubera mudra, como se estivesse segurando um “giz invisível” e trace o seu sigilo pessoal na sua frente, na altura do chakra cardíaco, na cor verde esmeralda (a mão esquerda permanece na posição de prece). Não esqueça de fazer as respirações de acordo com o traçado!

– Junte novamente as duas mãos em prece e vocalize “AMEM”.

Parece complicado, mas não é. A parte difícil é fazer a vocalização (tem de sentir o som vibrando na garganta) e o timing da visualização e desenho da cruz no formato certo… Com a prática, você vai memorizar tudo em menos de uma semana.

Este ritual é a origem do famoso “sinal da cruz” dos cristãos, que seria uma versão bem mais simples e reduzida de poder deste ritual de proteção e invocação de energias. A Cruz começa e termina qualquer trabalho dentro da Árvore da Vida, inclusive os rituais do pentagrama, hexagrama, rubi estrela e safira, além do exercício do pilar central e outras meditações.

Quem for fazer o Sefirat ha Omer, pode fazer a cruz cabalística Antes e Depois da meditação noturna, para abrir e fechar os trabalhos na egrégora.

#Kabbalah #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-cruz-cabal%C3%ADstica

Contextualizando os Textos Mágicos Clássicos e Antigos

Por Kayque Girão

A crítica mais comum ao tradicionalismo mágico proveniente da magia dos séculos XVII e XVIII diz respeito a interpretação, viabilidade e funcionalidade dos textos mágicos. O caro leitor certamente já deve ter lido ou ouvido alguma opinião desse tipo, o que revela muitas vezes um grande desconhecimento baseado no senso comum acerca da a tradição clássica que o tempo todo procura se renovar e, principalmente, se reinventar diante das diversas circunstâncias temporais, políticas, religiosas e étnicas. Mas antes de partirmos para o assunto principal se faz necessário antes compreender o que são exatamente esses textos e manuscritos antigos.

O que são Grimórios?

Grimórios são textos antigos, copiados à mão, com fórmulas mágicas para os mais diversos fins, da consagração talismânica a conjuração infernal. Receberam esse nome a partir da palavra “grimoar” por se assemelharem a “gramática”, uma disciplina que envolve linguagem e nomes, aspectos principais desses textos místicos e fantásticos.

Os mais antigos textos com “voces magiae” – os assim chamados “nomes bárbaros de evocação” – documentados até então remontam da Antiguidade tardia, durante os períodos de helenização de parte da Europa assim como do fenômeno de cristianização a que passavam esses povos com a influência romana até a queda do Império com a cisão entre o Ocidente católico e o Oriente ortodoxo bizantino.

Então textos comuns como “Higromanteia” (termo ligado a “clarividência pela água” ou por superfícies refletoras) e uma coletânea esparsa do que ficou conhecido como “Papiros Mágicos Greco-Egípcios” (conhecida mais pela sigla “PGM” entre os estudiosos) foram cooptados pelo clero como resquícios do antigo paganismo clássico e da influência tardia da escrita, que ia do antigo cóptico, aramaico e hebraico arcaico. Esses textos possuíam fórmulas místicas e mágicas de consecução espiritual que não eram reconhecidos por nenhuma religião hegemônica, estando ligado a praticantes marginais à Civilização de então.

Com a expansão cristã e o fenômeno de conversão dos povos pagãos por sobre a Europa, esses textos ficaram restritos ao controle religioso do clero quando não eram destruídos pelo fundamentalismo religioso. Alguns integrantes religiosos foram pagãos convertidos ou religiosos muito estudiosos que conseguiram perpetuar seus textos e copiá-los para outras bibliotecas a fim de servirem de estudo por parte da própria Igreja (o leitor iria se surpreender bastante com o quanto o clero ainda hoje sabe mais de magia).

Então, como não poderia deixar de ocorrer, alguns desses religiosos também incorreram no risco da prática clandestina desses textos pagãos impondo sobre eles a influência litúrgica cristã sem quebrarem diretamente as regras clericais de sua classe, por mais heréticas que parecessem aos olhos da hierarquia religiosa temporal.

Sendo assim, isso explica o anonimato de grande parte dos textos atribuídos ao mítico “Salomão” e tantos outros magos desconhecidos e de origens bíblicas ou egípcias, bem como da limitação textual dos procedimentos descritos nos textos referidos, dado que em sua grande parte foram escritos, copiados e mantidos por padres, rabinos e monges que tinham noções básicas de liturgia, o que deixavam escrito nos textos apenas o essencial a ser praticado.

Se um desses livros fosse pego por alguma autoridade ao revistar um praticante, o mesmo ainda poderia tentar “escapar” sob o argumento de que se tratavam somente de textos de orações, tão comuns da época por devotos. Basta observar essa semelhança de textos como “Liturgia Diária” para com “Liber Juratus” (o “Livro Jurado” atribuído ao Papa Honório, um dos textos mais antigos textos da tradição salomônica, datado de meados do Séc. XIV) : ambos são textos predominantemente organizados com orações.

Grimórios podem ser adaptados?

Antes de responder essa pergunta, temos de entender o contexto do qual os grimórios foram escritos. Eles são resultado inquestionável de um determinado pensamento sobre um determinado período em uma determinada localidade.

Sendo assim, quem os escreveu e os perpetuou foram religiosos ou estudiosos, mas ambos ligados a centros de conhecimento vinculados ao poder da Igreja. O maior de seus mecenas intelectuais fora o próprio Abade Johanes Trithemius (1462-1516), que administrava a maior biblioteca hermética de seu tempo, servindo de ponto de encontro para estudiosos como Marcílio Ficino (1433-1499) e Cornelius Agrippa (1486-1535), autor dos “Três Livros de Filosofia Oculta”, o maior compilado de conhecimento hermético disponível na época.

Então pode ser percebida três camadas de influência desses textos:

1ª Camada: a influência pagã com entidades celestes e telúricas, provenientes em grande parte do paganismo tardio e da goécia mais arcaica;

2ª Camada: a influência religiosa cristã, com a inserção de elementos litúrgicos dentro da ritualística mágica dos textos, com recomendações de purificação e até de orações, quase todos esses procedimentos tento intertextualidade direta com textos sacros, como a Bíblia e a Liturgia das Horas;

3ª Camada: A influência acadêmica escolástica e hermética, que tentou reorganizar esse conhecimento e justificá-lo sob a chancela cristã em detrimento da “magia natural” pagã, como que legitimados pela autoridade religiosa e mágica de Cristo. Grande parte dos hermetistas do período assim se posicionaram para organizarem a sua “prisca theologia”;

Também não deixamos de mencionar uma influência contínua da cultura judaica e rabínica sobre os referidos textos, com procedimentos que são muito pertinentes a visão do Velho Testamento e inteiramente parte da visão religiosa judaica, como o sacrifício de animais e o “holocausto ao Senhor”, de modo que parte das analogias pagãs a pedaços de couro de animais vem da curtição de cabra, bode, boi e leão, por exemplo.

E pode parecer hoje algo terrivelmente horroroso ao pensamento moderno sacrificar um animal para curtir o couro para a feitura de talismãs, considerando esse ato como de extrema brutalidade e selvageria, impactando a psiquê do magista quando isso era visto como natural por quem o fazia nos tempos idos onde não havia açougue e tecnologia de refrigeração e se comia carne o mais fresca possível.

A analogia não era somente literal, mas por verossimilhança, de modo que se um texto como “Grimorium Verum” (o documento mais antigo sobre Goécia) exigia o couro de bode e o das “Clavículas de Salomão” (e suas inúmeras versões latinas, gregas ou hebraicas) o de leão, havia uma equiparação e funcionalidade orgânica em tais trabalhos que os diferenciavam profundamente em significado e simbolismo.

Na visão do Lemegenton, o couro de leão era uma proteção e chancela espiritual sobre o domínio do bestial. Daí pode se considerar os mais diversos níveis de interpretação e analogia, do astrológico ao mitológico. O mesmo para o couro de bode, numa aproximação ao ctônico e bestial, propriamente pagão e mortuário.

Sendo assim, se pudesse-mos sintetizar a praticidade de um grimório, seria sob o raciocínio de etapas descrito a seguir:

“Etapa A”. Um homem com faculdades sensíveis e noção mística/religiosa de mundo entra em contato com um espírito;

“Etapa B”. O espírito mantém contato com o homem e ensina seus conhecimentos sobre a natureza das comunicações e como melhorá-las, prescrevendo materiais acessíveis a este de modo que a comunicação possa tornar-se cada vez mais estreita;

“Etapa C”. O homem alfabetizado anota para deixar registrada a receita para uso frequente e transmite a outros indivíduos, que copiam o texto e passam pra frente, ora incorrendo em erros de tradução ou deturpações conforme suas próprias visões de mundo;

Nenhum grimório, em tese, deveria ser visto como um texto escrito em pedra, mas assim como em todas as vertentes, existirão sempre os fundamentalistas e dogmáticos que farão tudo à risca e com a maior exatidão de detalhes descritos por esses textos.

Como adaptar os Grimórios?

Não existe fórmula pronta e perfeita, que fique claro. Entretanto, à luz dos tempos atuais, faz-se necessário ter uma visão mais aberta ao estudo acadêmico e entender com alteridade tais textos e culturas distintas sob um olhar mais “antropológico”.

Isso porque ao longo da história esotérica muitos se propuseram a adaptar conforme as conveniências pessoais ou filosofias místicas do período, como a própria “Ordem Hermética da Aurora Dourada” MacGregor Mathers (1854-1918), que incorporou diversos textos em sua ritualística e estrutura maçônica e rosacruz. Mesmo Mathers não sendo o melhor dos exemplos, deve ser reconhecido pelas diversas traduções que fez da “Magia Sagrada de Abramelin, o Mago” (Séc. XV apróximadamente) e da “Chave Menor”, do qual, apesar dos erros, soube adaptar tão bem à luz de outras fontes de consulta, como dos livros do Agrippa e do Francis Barret (1770-…) e seu “Magus – A Milícia Celeste”.

Nessa mesma esteira, também é devida a menção honrosa a Papus (Vincent Encausse, 1865-1916), Eliphas Levi (Alphonse Louis Constant, 1810-1875) e Arthur Edward Waite (1857-1942) por seguirem a mesma linha de conduta. Até Aleister Crowley (1875-1947) soube adaptar conforme suas conveniências pessoais aspectos de sistemas pregressos como a Magia Enochiana e o próprio “PGM” na construção de sua carreira mágica com Thelema.

Até aí, Ok. Todos os poucos citados são europeus. Falar que eles puderam adaptar é fácil porque, excluindo-se as devidas diferenças, seguiam uma mesma linha cultural, o que não seria viável para pessoas inseridas em outras culturas que nunca tiveram o contato íntimo com essas tradições, certo?

Então…

A questão é que talvez não tenhamos feito a pergunta certa. Não caberia “adaptar os grimórios” porque eles se consolidaram num contexto específico e local e que dificilmente encontraria a mesma abordagem em outra circunstância. Sendo assim, a pergunta que poderia ser feita de forma mais fortuita seria em “como adaptar as práticas dos grimórios”. E é aí que podemos perceber “o pulo do gato”.

O melhor exemplo que posso dar com base em estudo e vivência é a questão da popularização da leitura. Isso foi crucial com a industrialização e a invenção da imprensa, de modo que muitos desses textos deixaram de ser exclusivos do clero e de uma aristocracia pedante e caíram ao gosto popular e mais informal de uma plebe e burguesia menos intelectuais e mais técnicas, voltadas ao consumo e a busca por alívio espiritual em tempos de materialismo da era moderna.

Esse processo não foi de imediato, claro. Em muitos casos demorou gerações. Imaginemos a situação de um camponês da Irlanda semi-letrado que se tornou monge franciscano e teve acesso a uma Bíblia e textos mais “heterodoxos” como “Galinha Preta” (“Black Chicken”, no original, pouco conhecido do público). O que ele vai contextualizar não vai ser a cosmovisão de um clérigo que está no topo da liturgia rebuscada cristã, mas de um sacerdote popular. Sendo assim, a adaptação dessas práticas vão encontrar uma aproximação com a cultura popular camponesa de sua região.

A leitura e prática do “Galinha Preta” foi corrompida? Não, de maneira alguma. Fora adaptada às circunstancias, necessidade e entendimentos práticas da “magia popular”.

Agora, peguemos o mesmo exemplo, desse monge. Chamemos o gajo de “Willie”. Willie alfabetiza Patrick, jovem mancebo que era literato tanto quanto o monge, e ganha de presente o “Galinha Preta”, numa confidência entre eles. Patrick vivía em tempos difíceis e também tinha o desejo de se aventurar por aí, então ele se arrisca a virar marujo e enfrentar os mares a comerciar nos portos especiarias e produtos diversos, como cana-de-açúcar e algodão.

Patrick, que era um pouco menos inteligente que seu padrinho e mentor de sua terra natal, aprendeu diversas coisas em seu intercâmbio comercial. Num desses portos negreiros do Haiti e da América travou contato com diversos escravos alforriados e letrados e trocou seus textos por diversas outras coisas.

Então o “Galinha Preta” passa das mãos de um Irlandês semi-letrado alfabetizado por um monge popular para as de um escravo liberto que não entende absolutamente nada de Teologia e religiosidade cristã, mas reconhece o poder daqueles espíritos de tão longe, e os trata sob sua mentalidade pagã e ancestral a ponto de adaptar o que aprendeu aqui e acolá, com magia popular, magia de índio, magia de europeu e o que restou da sua religião natal.

Entendem onde quero chegar? Ocorre a mesma coisa.

Em meus estudos pessoais sobre Voodoo e Hoodoo, dentre outras tradições africanas e ameríndias, encontrei muitas aproximações cerimoniais que em nada devem a hegemonia do pensamento católico/protestante de uma elite aristocrática e clerical. E mesmo com suas diferenças conceituais, o texto em prática continua funcionando.

Então, mais uma vez reitero: fazemos as perguntas erradas e por isso deixamos de nos integrar a tradição mágica.

Engenharia Espiritual Reversa e a Prática Hoje

“Certo, você provou seu ponto, mas isso é a sua opinião! Me mostre mais alguém que considera esse raciocínio como válido”

Ok, desafio aceito. Alguns exemplos que me fazem concordar com essa visão reconstrucionista:

Se os grimórios são resultados do desenvolvimento de práticas místicas e mágicas, é natural que aqueles que os escreveram não pensaram e tornarem funcionais para outras pessoas, achando que as condições de vida de seus praticantes se manteriam com o passar das gerações, o que é um erro comum.

Alguns desses textos tem erros grosseiros de tradução dado os inúmeros fragmentos, rasuras e rudimentos de preservação dos textos. Acaba sendo a mesma coisa que sua avó faz ao copiar as receitas que a Palmirinha dá no programa matinal, muitas vezes naquele caderno velho e quase apagado, já amarelado pelo tempo.

Se isso não fosse verdade, não existiriam trabalhos acadêmicos e compilações ou mesmo novas traduções, como as de Joseph H. Peterson, o que implica sempre em novas descobertas que não limitam a interpretação de um texto sob uma chancela de uma única tradição religiosa, a menos, claro, que você pense da mesma maneira que Joseph Lisiewiski e ache que só cristão pode praticar a magia dos grimórios.

Os erros também não são só de linguagem, também dizem respeito a outros conhecimentos dos quais o grimorista poderia não conhecer com profundidade. O autor de Abramelin, por exemplo, tava se lixando para astrologia e deu uma visão simplista e mais gnóstica do tema. Astrólogos como Christopher Warnock chegaram a peitar muito “devoto” ao afirmar que “As Clavículas estão erradas!” pelo simples fato de que, na sua visão de astrólogo, o texto continha erros conceituais e os retificou segundo o que aprendeu.

Mas o derradeiro exemplo que guardo sempre como citação honrosa são de dois autores dos quais tenho grande respeito e admiração: Humberto Maggi (e suas atuais traduções compiladas dos grimórios conhecidas como “Thesaurus Magicus”) e Jake Stratton-Kent. Maggi possui diversos artigos nos quais mostrou um senso de adaptação muito prático e acessível, seguindo a mesma linha original de Jake, que fora capaz de afirmar que “preferia desobedecer os grimórios a desrespeitar os espíritos” e em diversas entrevistas relatou o desagrado de algumas entidades com o tratamento de algumas orações mais tradicionais, demonstrando que é possível uma cordialidade de tratamento mútuo entre o homem e os espíritos.

Sendo assim, e usando o bom senso, eu não vejo a recusa a contatar os espíritos usando adaptações sensatas e aplicadas a vida prática a fim de reduzir esse distanciamento entre teoria e resultados. No mais das vezes, tudo vai se resolver com a mão na massa e na boa e velha “tentativa e erro”. Seria muita ingenuidade não tratar tais textos apenas como tábuas de convocação em vez de listas telefônicas acessíveis as entidades.

Afinal de contas, se elas deixaram por os nomes delas num pedaço de papel, é porque elas desejam ser comunicadas também e receber um chamado para irem de encontro ao “karcista” (outro termo pouco conhecido para o espiritualista que trabalha com evocação de espíritos). Por isso se faz tão necessário tentar ver o tema sob diversos matizes a fim de construir o melhor contato possível, e isso só é possível tentando atender não a forma, mas a essência de tais fontes e seus objetivos: o contato com os espíritos e a formação de vínculos espirituais.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/contextualizando-os-textos-m%C3%A1gicos-cl%C3%A1ssicos-e-antigos

Afinal de contas, o que torna o TdC Especial?

Por Frater Dybbuk,, Zelator do AA

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta oito anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de celebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde naquela época se estudava magia prática e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança ).

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos coordenado pelo prof. Edmundo Pellizari (Ras Adeagbo). Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais da Golden Dawn “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Filme baseado nos estudos da Kabbalah Hermética (“Supernova”).

E o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os doze anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afinal-de-contas-o-que-torna-o-tdc-especial

Salomão, o Grande Iniciado

Grande parte dos conhecimentos secretos oriundos da Civilização da Atlântida acompanhou o povo Hebreu quando de sua saída do Egito para a Terra da Promissão. Os Hebreus conservaram aqueles conhecimentos e deles extraiu uma parcela baseados na qual estruturaram a face esotérica da religião, a qual posteriormente veio a se chamar Cabala. Este termo, em essência, significa Conhecimento.

Com certeza os hebreus se constituíram um grupo que conservou certos conhecimentos elevados de uma forma pura, e que eram inicialmente transmitidos de uma para outra pessoa considerada digna do saber. Mas isto fez com que a conjura decretasse perseguições àquele povo cuja história está repleta de perseguições, guerras, injustiças – sofridas e praticadas – e que ainda vêm ocorrendo. O que não tem sido dito é o fato daqueles conhecimentos haverem sido alterados por ordem de Jeová, e também perseguidos pela “conjura do Sillêncio” – obscurantismo – assim como por algumas “Escolas Iniciáticas”. Estas não permitiam o conhecimento fora do controle que exerciam, e por sua vez a conjura primava para que conhecimento algum fosse cultivado. O intento de Jehová era idêntico ao da conjura, porém por um motivo diferente. Essa situação só veio a ser modificada quando veio à terra uma Centelha da Consciência Cósmica na pessoa de Salomão.

Devemos sentir o quanto uma ciência secreta existia entre os hebreus e a política oculta que operava nos bastidores. Visando tal entendimento, antes já expomos, agora analisaremos alguns dos aspectos da natureza do Rei Salomão. Evidentemente existe muita fantasia, muita lenda em torno dele, mas isto não invalida a acertiva de que ele entre os Reis de Israel foi o mais sábio, o portador de maior cabedal de conhecimentos gerais e também dos “proibidos.”

Salomão destaca-se ainda na atualidade tanto pelo História Bíblica quanto pelas tradições maçônicas e de outras escolas místicas. Mas, não é só isto, Ele também é reconhecido de forma preponderante pelo Islamismo, que têm aquele rei entre os mais importantes seres que já estiveram na terra. Mas, o que é mais curioso, Salomão também é respeitado e admirado por todos os seguidores do ocultismo. Até hoje o Seu nome impera entre os adeptos de inúmeras seitas, chegando mesmo a ser aceito e respeitado pela magia negra. É precisamente em Salomão e na construção do Templo de Jerusalém que se fundamentam muitas histórias ligadas a inúmeras Ordens Iniciáticas.

Por que Salomão se tornou tão importante perante tão heterogênea massa? Por que nele confluem pensamentos tão díspares e tantas religiões e seitas? – Quando se fala de Salomão torna-se difícil separar o que é verdade do que é lenda ou mesmo calúnia. Torna-se quase impossível se estabelecer os limites onde termina a verdade histórica e onde começa o mito e a fantasia, haja visto ao tamanho número de coisas sensacionais que lhes são atribuídas.

Com a morte de David, pai de Salomão, quem normalmente deveria assumir o trono seria Adonias. A Bíblia cita uma luta política que se estabeleceu entre os sacerdotes a respeito de qual dos dois deveria assumir o trono de Israel, cabendo a vitória a Salomão. É deveras incompreensível o porquê de Salomão, que pelo direito de progenitura não era o herdeiro da coroa, foi ungido Rei de Israel. O Primogênito era Absalão que por haver morrido em batao direito de progenitura cabia então a Adonias – o segundo na escala de sucessão – mas o escolhido por David para sucedê-lo foi Salomão.

Adonias foi apoiado para ser proclamado Rei por alguns sacerdotes, sendo o principal deles Abiatar. Quando David estava para morrer Adonias já se auto-proclamou rei e exaltava-se dizendo: “Eu reinarei.” Bíblia cap. 1 ver. 5 e seguintes: “Mandou fazer par si um coche, e tomou cavaleiros e seu pai nunca disse: Por que fazes isto? Mas nem o pontífice Sadoc, nem Banaias, nem o profeta Natan, nem Semei, nem Rei, nem o grosso do exército era por Adonias” Adonias, pois, tendo imolado carneiros, novilhos e toda sorte de vítimas gordas, ao pé da pedra de Zoelet, que está fundo da fonte de Rogel, convidou todos os seus irmãos, filhos do rei e todos os de Judá, criados do rei. Mas não convidou nem o profeta Natan, nem Banaias, e nem os soldados mais valentes, nem Salomão, seu irmão. (Note-se o festival se sacrifícios com sangue )

“Disse pois Natan a Betsabéia, mãe de Salomão: Tu não ouviste que Adonias, filho de Hagit, se fez rei e que David, nosso senhor, ignora isto? Vem pois agora, toma o meu conselho e salva a tua vida e a do teu filho Salomão. Vai, apresenta-te ao rei David e diz-lhe: Porventura tu, ó rei, meu senhor, não mo jurastes a mim tua escrava, dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e ele se sentará no meu trono? Porém quem reina, pois Adonias? E estando tu ainda falando com o rei, eu sobrevirei depois de ti, e apoiarei as tuas palavras“.

Apresentou-se, pois, Betsabéia ao rei no seu quarto. O rei era já muito velho e Abisag de Sunam o servia.

Inclinou-se Betsabéia profundamente e fez uma profunda reverência ao rei. O rei disse-lhe: Que queres tu? Ela, respondendo, disse: Meu senhor, tu jurastes à tua escrava pelo Senhor, teu Deus: Salomão, teu filho, reinará depois de mim e ele se sentará no meu trono. Agora, eis que Adonias reina sem tu, ó rei meu senhor, o saberes. Ele imolou bois, toda a sorte de vítimas gordas e muitos carneiros, convidou todos os filhos do rei, o pontífice Abiatar e Joab, general do exército; mas não convidou Salomão, teu servo. ToDavida, todo o Israel, está com os olhos em ti esperando que declares quem é que deve sentar-se depois de ti no trono, ó rei meu senhor. Porque, logo que o meu senhor dormir com seus pais, eu e meu filho Salomão seremos tratados como criminosos.

Enquanto ela falava ainda com o rei, eis que chegou o profeta Natan. E avisaram o rei, dizendo: Eis aqui está o profeta Natan. Tendo entrado à presença do rei, e, tendo-lhe feito uma profunda reverência, prostrando-se em terra disse Natan: Ó rei, meu senhor, porventura disseste tu reine Adonias depois de mim e seja ele o que se sente no meu trono? Porque ele desceu hoje, imolou bois, vítimas gordas, muitos carneiros, convidou todos os filhos do rei, os generais do exército e o pontífice Abiatar; e comeram e beberam diante dele dizendo: Viva o rei Adonias! Mas não convidou a mim, que sou teu servo, nem ao pontífice Sadoc, nem a Banaias, filho de Jojada, nem a teu servo Salomão. Porventura saiu essa ordem do rei meu senhor? Mas não é assim que tu me declaraste a mim, teu servo, quem era o que devia, depois do rei meu senhor, sentar-se sobre o seu trono?

O rei David respondeu, dizendo: Chamai-me Betsabéia. Tendo ela se apresentado ao rei e estando de pé diante dele o rei jurou e disse: Viva o Senhor, que livrou a minha alma de toda a angústia, pois que assim como te jurei pelo Senhor Deus, dizendo: Salomão teu filho reinará depois de mim, e ele se sentará em meu lugar sobre o meu trono, assim o cumprirei hoje. Betsabéia, prostrando-se com o rosto em terra, fez uma profunda reverência ao rei, dizendo: Viva David, meu senhor, para todo o sempre. Disse mais o Rei David: Chamai-me o pontífice Sadoc, o profeta Natan e Banais, filho de Jojada. E todos eles entrando à presença do rei, disse-lhes: Toma convosco os servos do vosso amo, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão, e levai-o a Gion. O pontífice Sadoc com o profeta Natan o ungiram ali como rei de Israel, vós fareis soar a trombeta e direis? Viva o rei Salomão! E voltareis atrás dele, e ele virá, e sentar-se-á sobre o meu trono, e reinará em meu lugar e eu lhe ordenarei que governe Israel e Judá.

Desceram, pois, o pontífice Sadoc, o profeta Natan e Banaias filho de Jojada, com os cereteus e os feleteus e fizeram montar Salomão na mula do rei David, e levaram-no a Gion. O pontífice Sadoc tomou do tabernáculo o vaso do óleo e ungiu Salomão; tocaram a trombeta e disse todo o povo: Viva o rei Salomão! Subiu toda a multidão após ele e o povo, ecoando ao som das flautas, e mostrando grande regozijo, e a terra retiniu com suas aclamações” ( Vejam o contraste entre o festival de Salomão e o festival de sacrifícios de sangues promovido por Adonias.)

Assim prossegue a descrição. No versículo 50 se lê: Adonias, pois, temendo Salomão, levantou-se e foi abraçar-se com os chifres do altar. Noticiaram a Salomão dizendo: Eis que Adonias, temendo o rei Salomão, está refugiado a um lado do altar, dizendo: O rei Salomão, me jure hoje que ele não fará morrer o seu servo à espada. Salomão respondeu:? Se ele se houver como homem de bem, não cairá em um só cabelo da sua cabeça, mas, se nele se encontrar maldade, morrerá. Mandou, pois o rei Salomão que o fossem tirar do altar, e Adonias, tendo entrado, fez uma profunda reverência ao rei Salomão, o qual disse-lhe: Vai para tua casa.

Neste ponto vamos fazer algumas apreciações. Porque David quando do nascimento de Salomão jurou para Betsabéia que este seria o rei quando na realidade por direito de progenitura isto não lhe caberia? David era um rei sábio, por que razão ele tomara aquela decisão? Com certeza podemos acreditar que David tinha consciência de que Salomão não era como os seus demais filhos, que não era uma pessoa qualquer e sim uma entidade de natureza extremamente elevada. Um ser com uma sabedoria sem par em toda a terra, como veio a se comprovar depois quando ele reinou sobre Israel. Se a decisão de David fosse apenas em decorrência de uma paixão carnal por Betsabéia porque haviam de concordar com a escolha o profeta Natan e outros sacerdotes e militares de Israel? por que nunca fizeram David revogar a promessa feita durante muitos anos enquanto Salomão ainda era criança e sim o contrário fazer Betsabéia cobrar do rei quando este estava próximo a desencarnar, o cumprimento da promessa de fazer Salomão o seu sucessor? Só tem uma explicação possível, eles conheciam a verdadeira identidade espiritual de Salomão, sabiam QUEM É SALOMÃO.

Enquanto Salomão era proclamado, e simplesmente desfilava montado na mula do Rei David, Adonias promovia banquete com sangue, com carne, sacrifícios cruentos, espetáculo bem mundano. Sacrifícios de animais foram realizados, espetáculos de sangue, exalação de energia vital ( energia sutil ) dos seres imolados.

Adonias não empreendeu qualquer luta direta contra Salomão e sim se abrigou no templo e se abraçou com os chifres do altar, numa atitude temerosa, com medo de ser morto por Salomão. Por que Adonias temeu Salomão se por direito de progenitura o trono era dele desde que o primogênito David, Absalão, havia anteriormente sido morto numa revolta contra o próprio rei David? Depois de Absalão, o herdeiro por direito era Adonias o legítimo herdeiro do trono pela escala de progenitura? Ele contava com parte do exército, mas não enfrentou diretamente Salomão, por que? Não enfrentou e ficou pedindo para que a sua vida fosse poupada? Por que isso se ele não havia cometido crime algum aparentemente? Pelo direito de progenitura o usurpador do trono poderia ser considerado Salomão e não Adonias. Somente Absalão é que poderia acusar Adonias de usurpador do torno de Israel e não Salomão, mas aquele já havia morrido.

Outro ponto importante a ser considerado diz respeito à velhice de David.

Bíblia 1-1 e seguintes: Ora, o rei David tinha envelhecido, e achava-se numa idade muito avançada, e por mais que o cobrissem de roupa, não aquecia. Disseram-lhe, pois, os seus criados: Busquemos para o rei nosso senhor uma jovem virgem, que esteja diante do rei, o esquente, durma ao seu lado e preserve do grande frio o rei nosso senhor. Buscaram, pois, em todas as terras de Israel uma jovem formosa, acharam Abisag de Sunam e levaram-na ao rei. Era esta uma donzela de extrema beleza, dormia com o rei, e o servia, mas o rei deixou-a sempre virgem.

Os seres dos planos inferiores, dependendo da disponibilidade de energia sutil, tanto podem influenciar, induzir, ou inspirar as pessoas da terra fazendo o jogo de interesse deles, induzindo pessoas à consciente ou inconscientemente a agirem de acordo com o que eles querem, ou é possível até mesmo assumirem e se apresentarem diretamente numa estrutura ponderável, num determinado tipo de corpo físico.

Depois de Salomão haver assumido o trono Adonias fez um pedido que lhe custou a vida. Sem que se tenha conhecimentos ocultos é difícil se entender a razão da decisão de Salomão de tirar a vida de Adonias se o rei era considerado o mais justo de todos os reis. Só se pode entender aquela atitude sabendo-se do envolvimento do reino das sombras e as ingerências dos palácios da impureza sobre o plano terreno e no caso em estudo, sobre o povo hebreu.

Vejamos o que diz a os livros sagrados : Bíblia: Cap. 1 ver 12 e seguintes:

Salomão tomou posse do trono de David seu pai, e o seu reino consolidou-se sobrema­neira. Adonias, filho de Hagit, foi ter com Betsabéia, mãe de Salomão. Ela disse-lhe: É porventura de paz a tua entrada? Ele respondeu-lhe: Sim. Fala e ele disse: Tu sabes que o reino era meu e que todo o Is­rael me tinha escolhido de preferência para ser rei. Mas o reino foi transferido e pas­sou para meu irmão, porque o Senhor o destinou para ele. Agora, pois, uma só coisa de peço, não me faças passar pela vergonha de ma recusares.

Ela disse-lhe: Fala, Adonias disse: Peço-te que digas a Salomão, visto que Ele não pode negar-te nada, que me dê Abisag sunamita por mulher. Betsabéia respondeu: Está bem, eu falarei por ti ao rei. Foi, pois, Betsabéia ter com o rei Salomão, para lhe falar em favor de Adonias. O rei levantou-se para a vir receber, saudou-a com profunda reverência e sentou-se no seu trono; e foi posto um trono para a mãe do rei, a qual se sentou à sua mão direita. Então disse-lhe: Eu só te peço uma pequena coisa, não me envergonhes, com a resposta. O rei disse-lhe: Pede, minha mãe, porque não é justo que vás descontente. Disse Betsabéia: Dê-se Abisag sunamita por mulher a Adonias, teu irmão. O rei Salomão respondeu e disse à sua mãe: Por que pedes tu Abisag sunamita para Adonias? Pede também para ele o reino, porque ele é meu irmão mais velho e tem por si o pontífice Abiatar e Joab, filho de Sarvia. Jurou, pois o rei Salomão dizendo: Deus me trate com todo o seu rigor, se não é verdade que Adonias por esta palavra falou contra a sua própria vida. E agora juro pelo Senhor, que me confirmou e que me colocou no trono de David, meu pai, e que estabeleceu a minha casa como tinha dito, que Adonias será hoje morto. O rei Salomão deu ordem a Anaias, filho de Jojada, o qual o matou e assim morreu. Disse também o rei a pontífice Abiatar: Vai para Anatot, para as tuas terras; na verdade és digno de morte, mas eu não te matarei hoje, porque levaste a arca do senhor Deus diante de meu pai David, e acompanhaste meu pai em todos os trabalhos que padeceu. Salomão decretou, pois, Abiatar, para não ser mais pontífice do senhor…”

Chegou essa notícia a Joab, por que Joab tinha seguido o partido de Adonias, e não o de Salomão, fugiu pois, Joab para o tabernáculo do senhor e agarrou-se aos chifres do altar. Foram dizer ao rei Salomão que Joab tinha ido para o tabernáculo. Mandou Banais, filho de Jojada, dizendo: Vai e mata-o e sepulta-o. Com isto lavará a mim e a casa de meu pai do sangue inocente, que Joab derramou. O senhor fará recair o seu sangue sobre a sua cabeça. Salomão ordenou que Semei fizesse uma casa em Jerusalém e de não saísse. pois seria morte de tal fizesse.

Vemos a justiça de Salomão recair sobre os três principais envolvidos no incidente da escolha do sucessor do rei David. Muitas pessoas não compreendem o porquê daquela atitude de Salomão, por desconhecerem a natureza do GRANDE REI e a sua missão na terra.

Como já deixamos transparecer em outras palestras o lado negativo da natureza havia se infiltrado no seio da divina religião hebraica desde o tempo de Abraão, modificando os ensinamentos, alterando a história e estabelecendo convênios.

Grande número de vezes o Poder Superior enviou, em todos os ciclos de civilização, projeções do mais alto nível a fim de dar seguimento ao desenvolvimento espiritual na terra. Entre estes, podemos afirmar ser Salomão um deles.

A presença de Salomão na terra teve como uma das metas por fim à influência dos mundos negativos dentro da religião hebraica e aquelas que lhe sucederiam. Haviam desde a civilização egípcia três interesses diferentes ligados à problemática humana, como já mostramos em outra palestra na qual enfatizamos os Três Poderes que governam a terra.

Um, o primeira era aquele representado pelos INICIÁTICOS, que visam dar ao homem o conhecimento segundo o merecimento. Assim, Para o cumprimento desta meta foram criadas as Escolas de Mistérios ( Escolas Iniciáticas ). O segundo, aquele representado pelos OBSCURANTISTAS visava uma vida singela sem conhecimento algum sobre as leis da natureza. O terceiro, aquele ligado diretamente aos mundos inferiores que não tinham para dar mas tudo exigia em troca por se considerarem deuses os seus elementos na terra. Aquele grupo na história agiu independentemente em algumas ocasiões, em outras apoiando uma ou outra das duas.

Dentro deste contexto, um dos três poderes atuou maciçamente dentro da religião e da comunidade hebraica se fazendo passar por Deus, fazendo acordos, estabelecendo pactos, exigindo obediência, promovendo guerras, incentivando o genocídio, cobrando oferendas com sacrifícios envolvendo sangue, elegendo raças e tudo aquilo que, como já vimos, é próprio dos mundos inferiores. Algo que se apresentou com resquícios de crueldade, punitivo, intolerante, irado e vingador… Tanto é assim que impiedosamente puniu o povo hebreu com uma peste horrível, por David haver simplesmente permitido um recenseamento. Por haver David autorizado o recenseamento o povo de Israel foi castigado impiedosamente punido por uma peste que dizimou 70 mil homens.

Em Samuel 24 -15 e seguintes vemos que houve uma terrível fome que durou três anos como conseqüência da ira de Jehová, e que somente foi aplacada mediante um holocausto de muitos bois. É estranho que a ira haja sido aplacada pelo derramamento de grande quantidade de sangue ( liberação de Força Vital ).

Salomão, embora educado dentro dos preceitos oficias da religião hebraica, tinha consciência bem clara, por isso todos os ensinamentos que dizem haver Ele recebido na realidade não os necessitava por ser detentor daquilo tudo e de muito mais.

A história cita a passagem de Salomão pelas Escolas Iniciáticas de Memphis no Egito. Na realidade ele ali esteve não para aprender, mas para se inteirar do ponto em que o as verdades históricas estavam sendo ministradas e quanto à organização daquelas instituições eram ministradas. Como não era possível ser admitido numa Escola de Mistérios sem passar pelo cerimonial de iniciação Salomão não foi exceção, também se submeteu às normas oficiais, embora não tivesse coisa alguma a aprender, e sim para ensinar. Ele certamente mostrou a sua colossal sabedoria nas Escolas Iniciáticas onde esteve.

A importância de Salomão foi tamanha naquele período que Ele chegou a desposar a filha do próprio Faraó, conforme conta a Bíblia.

Podemos dizer que a religião hebraica de então, inicialmente uma religião pura, estava totalmente minada desde a época de Abrão pelos conceitos de uma outra força. Sucessivamente três Patriarcas vieram, espíritos elevados com a missão de orientar o povo hebreu, de manter aquele núcleo de disseminação dos conhecimentos cósmicos, mas todos os três foram envolvidos pelo lado negativo da natureza. Em consequência disso houve a necessidade da própria Consciência Cósmica se destacar e animar um corpo físico para conseguir superar as interferências do lado negativo dominante. Assim foi o que ocorreu no que diz respeito a Salomão. Um ser humano com Consciência Cósmica clara, com a missão de restaurar a pureza da religião hebraica, de “dar um basta” no domínio dos “palácios da impureza”. Para isto foi preciso que Salomão agisse com firmeza. Existem muitas passagens da vida de Salomão que são difíceis de serem entendidas se a pessoa não ter ciência da sua MISSÃO CÓSMICA. Sendo ele o mais justo dos reis como poderia ter mandado matar o seu próprio irmão Adonias aparentemente sem uma causa justa, apenas por haver ele pedido através de Betsabéia, que Salomão lhe concedesse Abisag de Sunan, aquela jovem que havia convido com o seu pai David.

É de se estranhar não ter havido luta alguma quando Adonias tomou conhecimento de que Salomão havia sido proclamado rei. É estranho que ele simplesmente haja fugido e se abrigado no templo ficando ali abraçado com os chifres do altar e pedindo que Salomão poupasse a sua vida. Assim foi feito, até que Adonias pediu para casar com Abisag. Com o pedido Salomão disse. Em Reis 2.-23 Deus me trate com todo o seu rigor se não é verdade que Adonias por esta palavra falou contra a sua própria vida. Reis 2-24: E agora juro pelo Senhor, que me confirmou e me colocou no trono de David, meu pai, e que estabeleceu a minha casa com tinha dito, que Adonias será hoje morto. 25 – O rei Salomão deu ordem a Banaias, filho de Jojada, o qual o matou, e assim morreu. 26 – Disse também o rei ao pontífice Abiatar: Vai para Anatot, para as tuas terras; na verdade és digno de morrer, mas eu não te matarei hoje porque acompanhaste meu pai em todos os trabalhos que padeceu.- 27 – Salomão desterrou, pois Abiatar, para não ser mais pontífice do Se­nhor, a fim de se cumprir a palavra … 28 – Chegou essa noticia a Joab, porque Joab tinha seguido Adonias, e não a Salomão, fugiu, pois, Joab para o tabernáculo do senhor e agarrou-se aos chi­fres do altar. ( Novamente o agarrar-se aos chifres), Salomão manda que ele saia do templo e ele respondeu: Não sairei, mas morrerei neste lugar. Salomão disse a Banaias, fazei como ele te disse, mata-o e sepulta-o. Com isto lavarás a mim e a casa de meu pai do sangue inocente que Joab derramou. 2-36 Mandou também o rei chamar Semei e disse-lhe: Faze para ti uma casa em Jeru­salém e habita aí; não saias, andando de uma parte para outra em qualquer dia, pois, se daqui saíres e pas­ses a torrente do ebron que será morto…. Três anos depois Semei desobedeceu e Salomão lhe disse: Tu sabes de todo o mal que tua consciência te acusa de teres feito a David, meu pai, o senhor fez recair a tua malícia sobre a tua cabeça. 2-45 – O rei Salomão será abençoado e o trono de David será sempre estável diante do Senhor deu, pois, o rei ordem a Banaias, filho de Jojaba, o qual tendo saído, feriu Semei, e ele morreu.

Tudo isso que parece uma luta palaciana, na realidade é algo muitíssimo mais importante, não só para o povo de Israel como para toda a humanidade. A luta era entre duas forças a força inferior infiltrada na religião dos hebreus constituindo o seu lado exotérico e representado por muitas pessoas, especialmente por Adonias, Semei e o pontífice de Abiatar, e a Força Superior implícita no lado esotérico e fundamentalmente representada em Salomão.

A Salomão cabia restaurar a ordem, assim Ele teve que destruir os principais representantes da força negativa, especialmente Adonias.

Querendo Abisag como esposa ele tramava se colocar no lugar de David e usar tal condição como escada para chegar ao poder. Ter a “viúva” de David como esposa, especialmente pela natureza de Abisag era na realidade uma tentativa de se imiscuir dentro da direção do reino de Israel.

Abisag por haver vivido intimamente com David ela mantinha os padrões vibratórios do rei e isso seria usado por Adonias como meio de conseguir os seus intentos. Salomão com consciência clara se percebendo isso, e assim tomou a decisão de libertar de uma vez o povo daquela ameaça negativa.

Muitas pessoas se chocam quando tomam conhecimento de situações sem que uma vida é dizimada. É bom que se tenha em mente que quando o Poder Superior precisa agir para libertar os espíritos das garras da força negativa Ela embora sendo a própria justiça age com de uma fora que segundo os padrões humanos parece ser uma crueldade. Consciência clara sabe a natureza daquelas supostas vitimas. Vejam quando a força negativa imperava na terra dominando a q quase totalidade das pessoas, os espíritos encarnavam, e reencarnavam sucessivamente sem se libertarem do domínio da forma inferior, então o Poder Superior determinou o dilúvio quando morreram quase todas as pessoas, independentemente de serem adultos, homens, mulheres, velhos ou crianças, num aparente ato de injustiça ou mesmo crueldade se analisado segundo a escala de valores da humanidade. Mas na realidade foi um ato de justiça um e uma forma de libertação espiritual porque a humanidade estava tão poluída que nenhum daqueles espíritos tinha mais condição de se desenvolver, estavam todos os espíritos estagnados por isso teria que haver um choque. Eles não mereciam mais do que aquilo.

Não foi um ato de vingança, ou de crueldade, mas para que o trauma do acontecimento pudesse agir como uma “terapia de choque” um grande impacto visando essencialmente o despertar daqueles espíritos, fazendo-os reconhecer que existe uma finalidade maior a ser cumprida. Um choque para acordar os que estavam dormindo.

Assim também não foi crueldade Salomão eliminar algumas pessoas quando em reali­dade Ele estava propiciando condições para aqueles espíritos se libertarem, se integrarem de que estavam sendo veículos dos intentos da força.

Autor: José Laércio do Egito – F.R.C.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/salom%C3%A3o-o-grande-iniciado

As Ervas e a Umbanda – Com Adriano Camargo Erveiro

Bate-Papo Mayhem 176 – Com Adriano Camargo Erveiro – as Ervas e a Umbanda

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/Bj9Qkg9wl-U

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-ervas-e-a-umbanda-com-adriano-camargo-erveiro

Longevidade e Mortalidade

Gilberto Antônio Silva

Os temas “longevidade” e “imortalidade” são recorrentes dentro do Taoismo. Há milênios que os antigos chineses se debruçam sobre esses problemas, buscando soluções muitas vezes pitorescas. Mas qual seria a real importância de se obter a longevidade? E, quando falha a busca pela imortalidade, como lidar com nossa própria mortalidade? São questões que muito importam aos taoistas do século XXI.

A pouco mais de um mês perdi um professor e amigo, alguém muito importante e que possuía um conhecimento tremendo de Medicina Chinesa, Qigong e artes marciais internas. Foi algo inesperado, súbito e decisivo do tipo “uma hora está aqui e na outra não está mais”. E o que mais me marcou nesse evento foi, mais uma vez, a certeza de que todos estamos nesse mesmo processo e podemos ter nosso cartão carimbado a qualquer momento.

Existe uma ideia equivocada, mas muito difundida, de que mestres em artes taoistas vivem muitos anos a mais que a média das pessoas. Isso não é necessariamente verdade. Embora existam mestres de grande longevidade, isso não é uma norma. No Brasil, Mestre Liu Pai Lin fez seu passamento com 93 anos, enquanto Mestre Wu Jhy Cherng nos deixou aos 45 anos. Na verdade, Paramahansa Yogananda afirmou que, em geral, os mestres yogues vivem cerca de 60 anos, pouco mais. Então devemos enxergar algo de muito importante nisso: a longevidade deve ter um motivo e a imortalidade é relativa.

Dediquei o último capítulo de meu livro “26 Dicas de Saúde da Medicina Oriental” à longevidade. E o que digo lá repito aqui: a longevidade, em si mesma, nada representa; o importante é o que fazemos com nossa longevidade. Qual meta temos, quais objetivos almejamos, o que pretendemos fazer com nossos muitos anos a mais. Isso é de total importância nesse assunto. Bruce Lee viveu apenas 33 anos, mas seu trabalho servirá de inspiração e ensinamento por muitas décadas. Swami Vivekananda morreu com 39 anos, mas seu trabalho foi fundamental na introdução do pensamento indiano e do Yoga no Ocidente no início do Século XX. Então o período de vida de uma pessoa é relativo e a longevidade, se adquirida, deve ser utilizada para algum objetivo.

Do mesmo modo a imortalidade é relativa. No início, há cerca de 2.200 anos, era uma busca pela imortalidade física por meio de elixires feitos com substâncias químicas muitas vezes venenosas. Muitos alquimistas e alguns imperadores chineses morreram dessa forma (esse conhecimento chegou à Europa través dos árabes e levou a outro contingente de vítimas). John Blofeld encontrou reclusos taoistas na década de 1930 que ainda acreditavam na obtenção da imortalidade física. Apesar disso, a partir do segundo século de nossa era os alquimistas chineses perceberam que a imortalidade tinha mais a ver com o espirito do que com o corpo e que se integrar ao Tao após a morte seria uma maneira mais consistente de obter a tão sonhada imortalidade. Nascia a Alquimia Interna, que busca obter a realização com o Tao ao mesmo tempo em que promove a longevidade. É aí que nossa busca se afunila.

Obter a imortalidade pelo aprofundamento no Tao é algo complicado e que demanda grande esforço por muito tempo. Nada mais natural, portanto, que se busquem práticas que acentuem a saúde e prolonguem a vida de modo a ter tempo hábil para finalizar esse projeto ou, ao menos, adiantar o máximo possível.

Como ninguém sabe exatamente quando sua validade vence neste planeta, procurar se cuidar e se adiantar no Caminho é a coisa mais lógica a se fazer. Porque morrer é parte do processo, parte integrante do fluxo ininterrupto de ciclos a que estamos submetidos assim como todos nesse Universo Manifestado, que o Yi Jing já explicava há 3.000 anos.

Encarar nossa própria mortalidade faz parte da busca pelo Tao e mostra o quanto próximo estamos deste objetivo. Uma de minhas histórias preferidas é de Zhuangzi, um dos mais claros taoistas do Período Clássico chinês.

“A mulher de Zhuangzi morreu e Huizi chegou a fim de o consolar, mas Zhuangzi permaneceu sentado de pernas cruzadas, a bater numa bacia surrada e a cantar.

Huizi disse: “Viveste com ela como homem e mulher, e ela criou-te os filhos. Na morte o que pelo menos devias fazer seria sentir vontade de prantear, em vez de estares por aí a fazer da bacia um tambor e a cantar – isso não está certo.”

Zhuangzi respondeu: “Certamente que não. Quando ela morreu, decerto que fiz o luto tal como toda a gente! Contudo, recordei que ela já existia antes, num estado anterior ao do nascimento. Na verdade, não só antes que nascer, mas antes do seu corpo ser sequer criado. Não só sem forma como sem substância, mas antes mesmo do seu sopro vital ser adicionado ao seu corpo. E por meio do maravilhoso mistério da mudança foi-lhe atribuído o alento de vida. Esse alento vital forjou uma transformação e ela passou a possuir um corpo. O seu corpo gerou outra transformação e ela morreu. Ela assemelha-se às quatro estações, na forma como a primavera, o verão, o outono e o inverno se sucedem. Agora encontra-se em paz, a repousar no seu ataúde, mas se eu me entregar aos soluços e ao pranto decerto parecerá que eu não compreenda o destino. É por isso que me abstenho.”

Vemos que Zhuangzi percebeu ser uma incoerência tentar compreender o funcionamento do Universo e não estender esse conhecimento à morte de um ente querido. Mas, mesmo assim, passou pelo luto normal. Quando percebemos, ainda que muito superficialmente, as ações do Tao, ampliamos nossa compreensão das coisas ainda que não percamos totalmente nossa natureza emocional humana. Muitas pessoas acham que um taoista não deve se emocionar com o mundo, mas isso é falso. Por mais iluminados que sejam, não conseguem deixar de serem humanos. E isso não é apenas no Taoismo. Consta que o grande iniciado tibetano Milarespa chorou copiosamente a morte de um filho. Uma importante Mestra Zen, Sul, perdeu sua neta e chorou copiosamente. Ao ser questionada, disse que suas lágrimas ”eram maiores que todos os Sutras, que todas as palavras dos Patriarcas e de todas as possíveis cerimônias”. As pessoas próximas não entenderam, mas ela falava sobre a própria alma humana.

O que nos torna humanos é nossa capacidade de almejar elevados níveis espirituais enquanto convivemos com nossas fraquezas e, eventualmente, as sobrepujamos. Ser humano é apontar nossa cabeça para o Céu enquanto plantamos firmemente os pés na Terra. Obter longevidade é uma ferramenta poderosa para ter tempo de superar o ego e poder atingir a imortalidade na fusão com todas as coisas.

A busca pela imortalidade espiritual passa pela superação de nossa própria mortalidade humana.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, Coordenador Editorial da Revista Brasileira de Medicina Chinesa e Editor Responsável da revista Daojia, especializada em filosofia e artes taoistas e cultura chinesa. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/longevidade-e-mortalidade