Jan Amos Cornelius

❝Queremos que todos os seres humanos, juntos ou separados, jovens ou velhos, ricos ou pobres, nobres ou plebeus, homens ou mulheres, possam receber uma educação completa e se tornem pessoas bem sucedidas. Queremos que recebam ensinamentos perfeitos e que sejam treinados não apenas em um ou outro assunto, mas também em todas as leis que lhe permitem compreender sua essência, para aprender a verdade, para não serem enganados por pretensões, para amarem o bem, não serem tentados pelo mal, fazerem o que têm de fazer e distingui-los do que devem evitar, para falar com propriedade de causa sobre tudo com qualquer pessoa e finalmente a sempre tratar todas as coisas, humanos e Deus, com cuidado e não precipitadamente e para nunca se desviarem de sua meta de felicidade.❞

— Jan Amos Comenius —

#Biografias

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Perdurabo, a biografia de Aleister Crowley – Richard Kaczinsky

Bate-Papo Mayhem 209 – gravado dia 26/07/2021 (Segunda) 21h Com Richard Kaczinsky – Perdurabo, a biografia de Aleister Crowley

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Queima ele, Jesus! – parte I

Postado no Sedentário em 24.09.2008.
Depois destes últimos meses estudando a origem dos demônios inventados pela Igreja Católica e fartamente utilizados pelas evangélicas, vamos retornar no Tempo e passar para dois temas que vocês estavam aguardando: Templários e Rei Arthur. Como veremos a seguir, estas duas histórias estão diretamente associadas aos descendentes de Jesus e Maria Madalena, bem como a guerra política, religiosa e mágica que Roma travou com os ocultistas/cientistas por mais de 1.600 anos.
Para quem chegou agora, eu recomendo ler os posts antigos Bota o Natal na conta do Papa, Yod-He-Shin-Vav-He e Maria Madalena, Pitágoras e Buda, os professores de Jesus e finalmente Seria Yeshua um x-men?
Continuemos, então, com um pouco de história antiga…

Terminamos nossa narrativa histórica no resgate de Yeshua da crucificação, quando os iniciados Essênios conseguem, através de acordos políticos com Pilatos, remover o corpo de Yeshua para o sepulcro (o “Santo Sepulcro”) e curá-lo através de imposição de mãos. Jesus reúne-se com seus apóstolos mais algumas vezes, e isto ficou retratado no Novo Testamento como se fosse uma “ressurreição”.

Mais tarde, ainda temendo a revolução, seus discípulos precisaram separar sua família e enviá-los para locais seguros. Maria Madalena, grávida, foi enviada sob proteção para o Egito, onde permaneceu durante quase um ano, quando se reencontrou com Yeshua no Sul da França. Falaremos sobre a Madonna Negra em posts futuros.
Outro dos filhos de Yeshua foi para Glastonbury, acompanhado de José de Arimatéia, seu tio. O terceiro filho de Yeshua, Barrabás (Barr Abas significa “filho de uma pessoa muito importante”), permaneceu com ele e muitos dizem que acabou se tornando um dos mentores intelectuais da Primeira Grande Revolta dos Judeus, que começa em 66DC. Yeshua termina seus dias na Caxemira.

A revolução começou na Cesárea, quando os judeus atacaram uma guarnição da legião romana em frente a uma sinagoga de Jerusalém, em reação à provocação de alguns gregos. Naquela época, era muito comum a disputa religiosa e filosófica entre Helenistas e Judeus: um grupo de gregos sacrificou pássaros em frente à sinagoga como uma provocação e, como os soldados romanos nada fizeram para impedir, os judeus começaram uma revolta atacando os gregos e os soldados. Esta primeira batalha ficou conhecida como a Batalha de Beth-Horon.
Os romanos estavam em vantagem de 5 homens para cada judeu, mas através de uma guerrilha bem planejada, os soldados treinados de Yeshua conseguiram matar uma legião inteira romana.
Muito puto da vida, o Imperador Nero decidiu acabar com os judeus de uma vez por todas.

Aliás, a vida de Nero não foi fácil: ele teve de lidar com revoltas na Inglaterra (60-61) orquestradas por guerreiros ligados a Boudicea, a rainha das tribos de Iceni e provavelmente pertencente aos clãs que acolheram os descendentes de Yeshua. As tribos daquela região estavam em relativa paz com os romanos, até a morte de Presutagus, marido de Boudicea. Como os romanos não reconheciam mulheres como legítimas herdeiras, o governador das Ilhas não quis reconhecer a autoridade de Boudicea, invadindo seu castelo. Boudicea foi chicoteada e suas filhas estupradas pelos romanos.
Como retaliação, os guerreiros celtas atacaram e destruíram 3 das mais importantes cidades romanas, incluindo Londinun (L0ndres) matando mais de 70.000 invasores no processo. Os rebeldes só retrocederam quando a legião comandada por Gaius Suetonius Paulinus conseguiu derrotá-los na batalha de Watling Street.

Boudicea serviu como uma das bases da heroína celta chamada Gwenhwyfach que muitos séculos depois se tornaria Guinevere, esposa do Rei Arthur. Assim como as outras rainhas celtas, Boudicea possuía concubinos (homens encarregados de lhe dar prazer sexual enquanto o rei estivesse longe em batalhas). Este costume celta irá horrorizar os púdicos católicos muitos séculos depois, e Guinevere terá um “amante” para “consertar” esta narrativa. É uma história interessante que contarei mais para a frente, mas adianto que o termo “carregar chifres” como sinônimo para adultério veio deste costume celta.

No meio destas confusões, Nero fazia o que todo Imperador e Papa romano faz melhor: mandava matar os judeus/cristãos (note que o termo “cristãos” usado aqui se refere aos judeus discípulos e seguidores de Yeshua, não aos católicos apostólicos romanos, como a Igreja mentirosamente quer que você acredite quando chama estes caras de “mártires do catolicismo”). As pessoas que iam para os leões eram judeus, maniqueístas, marcionistas, setianos, essênios, ofitas, bogomilos, valentinos e outras seitas judias.

Em 64, um incêndio de enormes proporções devastou 4 dos 14 bairros de Roma e destruiu severamente outros 7 bairros. Nero acusou os cristãos de cometerem este crime e utilizou todo este processo para dar as desculpas necessárias para inaugurar as festividades de jogar os cristãos na arena com os leões.

Flavio Josefus
Outro personagem importante em nossa história é Mattitiyahu ben Yosef ha-Kohen, fariseu que nasceu em 37 EC (Era Comum ou Depois de Cristo); a data da sua morte não é exata – algo entre 95 e 100 EC. Líder da revolta dos judeus contra o domínio de Roma na década de 60 EC e depois da derrota entregou-se aos romanos, caindo nas graças de Vespasiano – comandante das legiões romanas – ao profetizar que este se tornaria imperador. Como sua profecia se confirmou, ele tornou-se protegido do imperador romano, recebeu o título de cidadão e foi nomeado Flávio, o nome da dinastia romana dominante na época. Flávio Josefo – como é conhecido hoje – passou a residir em Roma e escreveu algumas obras históricas, entre elas “As Guerras Judaicas”, “Antiguidades Judaícas” e “Contra Apião”, fornecendo pormenores da destruição de Jerusalém em 70 EC, da qual foi testemunha ocular, e detalhes sobre outros aspectos da história dos hebreus não registradas na Bíblia.

Sei que esta parte será um pouco chata, mas é necessária para entendermos o que aconteceu com a doutrina de Yeshua após seu exílio. Enquanto o Império romano entrava em guerras cada vez mais violenta contra os judeus, sua expansão em direção às Ilhas Britânicas.

Masada

A única fonte histórica para o episódio é a obra do judeu romanizado Flavius Josephus, “Guerra dos Judeus“. Entretanto, os historiadores modernos concordam que realmente um grupo de Zelotes matou a si e às próprias famílias e incendiou algumas construções em Masada. Vocês lembram quem era um dos líderes dos Zelotes, não? Isso mesmo! Judas, o melhor amigo de Jesus.

Quando os zelotes tomaram a fortaleza em 66, após eliminar uma coorte da Legio III Gallica ali estacionada, encontraram um bem sortido estoque de armas, bem como quantidade de ferro, bronze e chumbo para o fabrico de armas e munição. Os armazéns estavam completos com grãos, óleos, tâmaras e vinho; as hortas forneciam alimentos frescos; os canais, escavados na pedra de calcário, coletavam e conduziam as águas pluviais para grandes cisternas subterrâneas, com capacidade superior a 200 mil galões.
Na Primavera de 73, a fortaleza encontrava-se ocupada por 960 zelotas, incluindo mulheres e crianças, sob o comando de Eleazar ben Yair. Outro comandante zelota, um dos envolvidos na defesa de Jerusalém, era Judas, que havia retirado para Masada após a queda de Jerusalém. A guarnição vinha resistindo por dois anos a um assédio das legiões romanas, constituindo-se no último foco de resistência judaica.
Nesse momento, o governador romano, general Flavius Silva, reassumiu as operações militares no sul da Judéia. Em fim de março, à frente da Legio X Fretensis, marchou de Jerusalém para o Mar Morto.
As tropas tomaram posição diante de Masada, passando a construir oito acampamentos de campanha na planície do lado Oeste da elevação. Foi principada ainda uma muralha de circunvalação ao redor de Masada, com cerca de três metros de altura, que se estendia por mais de duas milhas de comprimento, amparada por fortes e torres.
No lado Oeste, 137 metros abaixo do topo de Massada, e separado por um vale rochoso, havia um promontório chamado de Penhasco Branco. Os engenheiros militares romanos decidiram que, a partir desse promontório, seria construída uma única rampa para o topo do monte, iniciando-se a movimentação de terras.
A rampa assim construída, apresentava um gradiente de 1:3 e uma base de 210 metros. Em pouco tempo alvançou os 100 metros de altura e, em sua extremidade foi montada uma plataforma de 22 metros de altura por 22 de largura. Em seguida, uma torre de cerco de 28 metros de altura foi posicionada contra a muralha. Do seu alto, os artilheiros romanos faziam disparos com os escorpiões e balistas, enquanto que na sua base, um aríete golpeava a base da muralha.

Quando a muralha foi rompida, os legionários que penetraram pela brecha constataram a existência de uma segunda muralha, interna. Ao atacá-la, por sua vez, com o aríete, constatou-se que esta fora construída com vigas de madeira alternadas com pedra, técnica que absorvia os golpes de aríete. Desse modo, a 2 de Maio, promoveu-se o incêndio desta muralha, iniciando-se os preparativos para o assalto final no dia seguinte.
Enquanto isso, na fortaleza, os zelotas acompanhavam os preparativos romanos, constatando a iminência do assalto romano. Durante a noite, decidiram que preferiam morrer a ser escravizados ou mortos pelos romanos. Sacrificaram assim as mulheres e crianças, e depois os próprios defensores, até que restaram apenas dez e o comandante Eleazar ben Yair. Tiraram sortes para ver qual deles sacrificaria os demais. Após cumprir a sua tarefa, o último homem ateou fogo ao palácio, e lançou-se sobre a própria espada, ao lado da família morta.
Na manhã do dia 3 de Maio, os legionários ultrapassaram a brecha aberta na muralha interna, encontrando a fortaleza em silêncio. Chamando os rebeldes à luta, apresentou-se uma anciã seguida por uma mulher jovem, parente de Eleazar, e cinco crianças pequenas, que haviam se escondido em um dos condutos de água subterrâneos.
Masada era conhecida como uma das principais bases de resistência dos judeus. Um dos líderes deste agrupamento não era outro senão Barrabás. De acordo com as lendas templárias, Barrabás foi um dos dez últimos homens a se sacrificar, mas que seus filhos estariam a salvo fora da fortaleza antes do ataque romano. Esta lenda é interessante, porque ela explica a origem de outra lenda que surgiu na Idade Média a respeito dos romanos estarem procurando o “Santo Graal” em Masada, mas que os judeus conseguiram retirá-lo de lá antes do derradeiro ataque. Neste caso, o “Cálice Sagrado” (San Graal, Sangreal, ou simplesmente “sangue real” eram os descendentes de Jesus que estavam em Masada com os zelotes).
Estava encerrada assim a Primeira Revolta dos Judeus.

A Gnose
Gnosticismo designa o movimento histórico e religioso cristão que floresceu durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga Gnose (palavra grega que significa conhecimento), com influências do neoplatonismo e dos pitagóricos. Este movimento revindicava a posse de conhecimentos secretos (a “gnose apócrifa“, em grego) que, segundo eles, os tornava diferentes dos cristãos alheios a este conhecimento. Originou-se provavelmente na Ásia menor, e tem como base as filosofias pagãs, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia. O gnosticismo combinava alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas, como os mistérios de Elêusis, com as doutrinas do Cristianismo. Em seu sentido mais abrangente, o Gnosticismo significa “a crença na Salvação pelo Conhecimento”.
Entre 100 e 300 DC surgiram muitos grupos cristãos que traziam o conhecimento pregado por Yeshua, derivado tanto da ritualística egípcia quanto dos conhecimentos do oriente.
Entre eles podemos destacar:

Mandeísmo
Mandeísmo é uma religião pré-cristã classificada por estudiosos como gnóstica.
Os mandeístas são assim classificados devido à etimologia da palavra manda em mandeu: conhecimento, que é a mesma palavra gnosis em grego. É considerada uma das religiões gnósticas remanescentes até os dias atuais, junto com o gnosticismo de Samael Aun Weor (que alguns segmentos gnósticos não aceitam).
Os mandeístas veneram João Baptista como o Messias e praticam o ritual do batismo. Possuem cerca de 100.000 adeptos em todo o mundo, principalmente no Iraque.
A religião mandeísta tem uma visão dualística mais estrita que a maioria dos gnósticos. Ao invés de um grande pleroma, existe uma clara divisão entre luz e trevas. O senhor das trevas é chamado de Ptahil (semelhante ao Demiurgo gnóstico) e o gerador da luz (Deus) é conhecido como “a grande primeira Vida dos mundos da luz, o sublime que permanece acima de todos os mundos“. Quando esse ser emanou, outros seres espirituais se corromperam, e eles e seu senhor Ptahil criaram o nosso mundo.
A escritura mandeísta mais importante é o Ginza Rba. A linguagem usada por eles é o mandeu, uma sub-espécie do aramaico.

Basilismo ou Basilíades
Basílides (circa de 117-138) foi um Filósofo gnóstico de Alexandria, possivelmente originário de Antioquia, atual cidade turca na província de Hatay. Admitiu um princípio incriado, o Pai, cinco hipóteses emanadas dele e trezentos e sessenta e cinco céus, um dos quais é o nosso mundo, comandado por YHVH (Yahweh, Jeová ou Javé). Santo Irineu e Santo Hipólito refutaram as suas doutrinas. Basílides foi, com Valentino o mais célebre dos gnósticos.

Carpocratos
Carpócrates de Alexandría foi o fundador de uma seita gnóstica na primeira metade do Século II
Filósofo e teólogo do Século II, suas opiniões são uma mescla de cristianismo e platonismo. Sustentava que o mundo foi criado por anjos caídos. Por isso, esta criação era ruim e somente poderia o homem liberar-se dela através da Gnose, ou ciência divina.
Algumas fontes ligam Carpócrates ao Mandeísmo.

Ceritios (não confundir com Coríntios)
Cerinto (c 100) foi um dos primeiros líderes do antigo gnosticismo que foi reconhecido como herético pelos primeiros Cristãos devido aos seus ensinamentos sobre Jesus Cristo e suas interpretações sobre o cristianismo. Ao contrário dos ensinamentos da Cristandade ortodoxa, a escola gnóstica de Cerinto seguiu a lei Judaica, negando que o deus supremo tinha feito o mundo físico e negando a divindade de Jesus. Na interpretação de Cerinto, o espírito de “Cristo” veio a Jesus no momento do seu batismo, guiando-lhe em todo o seu ministério, mas abandonando-o momentos antes de sua crucificação.
Cerinto, assim como os ebionitas, usava apenas uma versão do evangelho de Mateus como escritura, rejeitando os demais escritos, principalmente os do apóstolo Paulo por o considerarem apóstata da lei. Esforçava-se e se sujeitava aos usos e costumes da lei judaica e à maneira de viver dos judeus. Venerava a cidade de Jerusalém como se fosse a casa de Deus.
Cerinto ensinou numa época em que a relação do Cristianismo com o Judaísmo estava se tornando irreconciliável. Para definir o criador do mundo como Demiurgo, combinou a filosofia grega com os ensinos sincréticos dos gnósticos. Sua descrição de Cristo como um espírito sem corpo que residido temporariamente no homem Jesus combina com o gnosticismo de Valentim.
A tradição Cristã antiga descreve Cerinto como um contemporâneo e oponente de João, o Evangelista, que escreveu o Evangelho segundo João contra ele. Tudo que nós sabemos sobre Cerinto vem da escrita de seus oponentes teológicos.

Maniqueísmo
Filosofia religiosa sincrética e dualística ensinada pelo profeta persa Mani (ou Manes), combinando elementos do Zoroastrismo, Cristianismo e Gnosticismo, condenado pelo governo do Império Romano, filósofos neoplatonistas e cristãos ortodoxos.
Filosofia dualística que divide o mundo entre Bem, ou Deus, e Mal, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.
A igreja cristã de Mani era estruturada a partir dos diversos graus do desenvolvimento interior. Ele mesmo a encabeçava como apóstolo de Jesus Cristo. Junto a ele eram mantidos doze instrutores ou filhos da misericórdia. Seis filhos iluminados pelo sol do conhecimento assistiam cada um deles. Esses “epíscopos” (bispos) eram auxiliados por seis presbíteros ou filhos da inteligência. O quarto círculo compreendia inúmeros eleitos chamados de filhos e filhas da verdade ou dos mistérios. Sua tarefa era pregar, cantar, escrever e traduzir. O quinto círculo era formado pelos auditores ou filhos e filhas da compreensão. Para esse último grupo, as exigências eram menores.
Mais tarde, no Sul da França, os maniqueístas e o druidismo formariam as bases do Catarismo.

Menandritas
Menandro foi um patriarca gnóstico da corrente caldeu-síria, uma das figuras mais importantes do Gnosticismo. Como Simão Mago, era da mesma cidade de seu Mestre e transmitiu os ensinamentos Gnósticos e como também mágicos. A sua doutrina afirmava que a Gnose podia entender e controlar as forças da Natureza. O centro de suas atividades era a cidade de Antioquia. Menandro e seus discípulos afirmavam que havia uma entidade superior ao Demiurgo, o Inefável, na administração do mecanismo Universal. Foi o primeiro Gnóstico a separar as duas entidades.

Marcionismo
Fundado em 144 DC. em Roma por Marcião de Sinope (110-160), um religioso cristão do segundo século, e um dos primeiros a serem denunciados pelos cristãos como um herético.
O Marcionismo rejeita o Antigo Testamento. Alguns cristãos julgam mesmo que os marcionistas sejam Anti-Semitas. A palavra marcionismo é mesmo por vezes usada para referir as tendências anti-judaicas nas igrejas cristãs. Seus textos foram uma das bases que muitos e muitos séculos depois serviram de inspiração para a filosofia da Thulegesselshaft (ordem secreta por trás da filosofia nazista).
Mas Marcião tornou-se famoso em sua época, o que acabou tornando os judeus muito impopulares em Roma (anote isso no seu caderno: naquela época, os judeus eram muito impopulares em Roma! Isto ajudará a entender o porquê de Constantino deturpar tanto a história de Yeshua para se adaptar aos anseios de um povo que desejava um messias mais parecido com Apolo/Mithra do que com um “rei judeu”).

Saturninos
Saturnino de Antioquia: (séc. II DC) foi outro renomado teólogo, foi também um grande Cabalista e profundo conhecedor do Zend Avesta e do Gnosticismo. Seus ensinamentos eram tão conhecidos que até mesmo Papus confessou haver tomado muitas de suas fórmulas como base de estudos. Ele pregava a castidade e abstinência sexual como forma de religação com deus.

Setitas ou Setianitas
O Setianismo foi um grupo de antigos gnósticos, que datam sua existência antes do cristianismo . São assim chamados devido à sua veneração à Sete, que teria sido o escolhido de Deus para a promessa de se organizar uma sociedade humana perfeita . Apesar de ter uma origem judaica ,suas doutrinas tem uma forte influência do platonismo.
Tome cuidado para não confundir: em inglês, este culto é chamado de Sethianism. As vezes muitos confundem com Set, Deus egípcio, a sua veneração em inglês é chamada de Setianism.
Existe um trecho de um texto gnóstico descoberto em 1945 em Nag-Hammadi, no Egito, nomeada “A Revelação de Adão“, onde Adão é referido como pai de Seth e que passou todo o conhecimento secreto a ele: “Estas são as revelações que Adão desvelou ao seu filho Seth; e o seu filho ensinou a seus descendentes. Este é o conhecimento secreto que Adão entregou a Seth; é o santo de batismo daqueles que adquirem o conhecimento eterno…”

Lá pelo século III, havia cerca de 80 a 90 seitas cujos ensinamentos variavam por toda uma gama do Budismo ao Judaísmo ortodoxo, passando pelo Helenismo clássico, com todas as variações possíveis e imaginárias a respeito da divindade de Yeshua, da virgindade de Maria, de Reencarnação e Karma até o Olimpo e Hades (que mais tarde se transformarão no “Céu e Inferno” no catolicismo), sobre a traição ou não de Judas, sobre o culto à Madonna Negra, sobre o Sangue Real, sobre o sexo sagrado e sobre o uso de magia e teurgia, além de debates intermináveis sobre quais textos sagrados cada uma destas facções adotava como verdadeiros.

Na próxima semana: O Imperador Constantino botando ordem no galinheiro.

#ICAR

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Baal! O Senhor das… Moscas?!

E deixaram todos os mandamentos do SENHOR seu Deus, e fizeram imagens de fundição, dois bezerros; e fizeram um ídolo do bosque, e adoraram perante todo o exército do céu, e serviram a Baal. 2 Reis 17:16

Baal é uma palavra em hebraico que significa Senhor, Lorde, Marido ou Dono. Numa época longínqua houve confusão quanto ao significado real da palavra em relação a adoração de algum deus. Pois muitos aparentemente adoravam o mesmo deus, porém com nomes diferentes. A confusão estava formada. Bamote-Baal, Bete-Baal-Meom, Baal-Melkart, Meribe-Baal, Quiriate-Baal e até o famoso Baal-Zebube, conhecido como O Senhor das Moscas (já, já explico isso) eram alguns dos nomes dos deuses que por confusão, ou não, eram adorados nas terras dos povos semíticos.

Pra variar, o povo semítico que estava por surgir, lançou-se numa guerra santa contra a adoração de “falsos deuses”. Partindo da premissa que seu Senhor era o verdadeiro. No Livro Sagrado desse povo, em algumas traduções e na boca do povo, Baal é conhecido mais por Belzebu, o Baal-Zebube que eu falei ainda a pouco.

Na tradução do Rei James da Bíblia, Baal-Zebube é descrito com o epíteto de O Senhor das Moscas. Explicando que isto se dava ao modo que eram “sepultados” os mortos. Coisa que chocou e muito os Judeus. Pois dizia-se que a Terra é Sagrada e os animais não enterravam cadáveres nela. Os corpos dos mortos eram lançados em grandes áreas abertas para serem devorados pelas aves de rapina.

Como muitos de vocês sabem, há uma certa regra quanto ao tratamento que se dá com os mortos e a ligação que o deus adorado, pelos sacerdotes mortuários. Seria o sepultamento para a Terra; o lançar de corpos em rios e mares para a Água; o despedaçar de corpos por aves de rapina em montanhas ou lugares abertos para o Ar; a cremação para o Fogo; e a mumificação para o Espírito/Éter/Akasha.

Nisso vocês já sacaram que Baal-Zebube era então um deus ligado ao elemento Ar. E no inglês, Fly quer dizer tanto mosca, quanto vôo. Talvez indo por uma lógica simples, Baal-Zebube seria o deus das coisas que voam ou que estão pelo ar. Sejam sílfides ou as próprias aves. O que também não exclui as moscas, já que estas eram vistas nos cadáveres que os Judeus encontraram e os horrorizavam tanto.

E o que são deuses de raça?

Bom, a confusão provocada não é tão difícil de explicar da forma ocultista também. Da mesma forma que acontece com os animais, plantas e minerais, e seus espíritos-grupo, nós temos espíritos superiores que nos guiam pelo modo mais denso que eles podem. O ar. Através da respiração, adquirimos o éter, que é o veículo que eles usam para entrar em contato conosco. Essa relação é chamada entre os gregos de Theos Pneumaton. E entre os cristãos de Alento de Deus. Por isso que se diz que “o Senhor soprou a Vida pelas narinas de Adão”.

Estes seres foram enviados em uma época imemorial para dar prosseguimento com a evolução consciencial da humanidade até que pudessemos adiquirir por nós mesmos a capacidade de andarmos com os próprios pés. A individualidade propriamente dita. Por que vocês acham que a vida fica mais dura e cheia de ordálias quanto mais nós nos aproximamos da Verdade? É mais ou menos o “vai trabalhar, vagabundo!” que nossos pais fazem muitas vezes por amor, mas quase ninguém entende.

As guerras tolas, quero dizer… Santas, que aconteciam, era devido ao fato de muitos desses tais deuses terem evoluído de uma humanidade que até a época deles ainda mantinha traços de individualismo inferior e desejos fúteis de ego e poder. O que resulta nessas lendas de guerras entre os deuses. Também cada um deles (vamos chamá-los de Inteligências Arcangélicas), como acontece com os espíritos-grupo estava responsável pela parcela da humanidade que lhe cabia. Aí entra naquela história de raça ariana e povo escolhido de Deus…

À medida que o homem vai se afastando da influência das Inteligências Arcangélicas e das egrégoras delas, e vai adquirindo individualidade, prosegue com os planos para este novo Aeon. A idéia de que “todo homem e mulher é uma estrela” e que “sois deuses”. Portanto não tenham medo do que pode acontecer a vocês caso trilhem os Caminhos da Santa Árvore da Vida, pois amigos não faltarão nesta jornada.

Que as vossas Rosas floresçam na tua Cruz.

#Mitologia

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Referencias Hermeticas em Promethea – Parte 1

por Octavio Aragão

“Nomeio a palavra ‘memória’ e reconheço o que nomeio. Onde o reconheço senão na própria memória? Mas então está ela presente a si mesma, pela sua imagem, e não por si própria?“
Santo Agostinho, Confissões

Um golem para Mr. Moore
Há um bom motivo para que os cânticos religiosos e as rezas sejam entoadas em voz alta. Segundo a cabala [1], energias cósmicas entrariam em movimento assim que certos sons fossem proferidos por voz humana, transformando a realidade em massa moldável e nossa vontade em espátula capaz de formatar o continuum.

Alan Moore tomou uma decisão radical no momento em que completou 40 anos: optou por estudar esoterismo, mais especificamente a magia das palavras, em lugar de sofrer uma crise de meia-idade.Para quem acompanha o trabalho do roteirista de Northampton, tais influências ficam claras em algumas das HQs produzidas nos últimos 10 anos para o mercado norte-americano, mais especificamente a mini Judgement Day, de 1997, para a Awesome Entertainment, Glory, lançada incompleta pela Avatar Press em 2001, e Promethea, publicada pelo selo America’s Best Comics, da DC, onde o escritor aproveita o imaginário dos super-heróis para fundamentar uma série de conceitos que mergulham fundo em referências místicas, cruzando técnica narrativa e um certo didatismo cabalístico numa mistura nem sempre agradável ao grande público, acostumado ao imediatismo maniqueísta dos vilões monomaníacos e dos protagonistas bidimensionais.

Apesar de nutrir alguma simpatia sociológica pelos colantes coloridos e de já ter feito um bom dinheiro graças a eles, Moore mantém um saudável pé atrás quando se vê obrigado a atuar no mercado estadunidense. Não é de se estranhar, já que, aparentemente, o autor havia dado sua última palavra ao gênero com a muito falada série Watchmen, sem contar com as anteriores Miracleman, V For Vendetta e Captain Britain, mas pode-se dizer que Moore recebeu uma proposta faustiana, ao ser convidado pelo polêmico Rob Liefeld, – ilustrador americano de qualidades dúbias em termos de desenho e narrativa mas dono de disposição empreendedora digna de nota – para construir do zero todo um universo ficcional para o selo Extreme, da editora Image Comics.

A Extreme era um golem de papel [2] e a proposta, no mínimo, constrangedora. Apenas alguém sem auto-crítica poderia convidar um dos maiores roteiristas dos quadrinhos do mundo para assumir uma editora cheia de personagens derivativos como Supreme, claramente uma cópia do Superman, da DC Comics, e Badrock, um homem de pedra baseado no Coisa, da Marvel, onde Liefeld trabalhou durante muito tempo e tornou-se um jovem astro. Moore, porém, gosta de golens, principalmente quando permitem que ele escreva a palavra Emeth [3] na testa do monstro e sopre vida em suas narinas.

O deus da mentira e o livro de todas as histórias
Moore assumiu Supreme a partir do número 41 e transformou a série num sucesso de crítica, com indicações ao prêmio Eisner e comentários elogiosos de seus pares, como Neil Gaiman, se referindo às hqs de super-heróis:

“(…) existem as narrativas mais ou menos pulp que são feitas a toque de caixa por profissionais que estão dando o melhor de si, ou não. (…) Mas há preciosas exceções – Supreme, de Alan Moore, um exercício de reescritura dos 50 anos do Superman visando torná-lo em algo que valha a pena.”[4]

Com tanta repercussão positiva, Rob Liefeld ignorou as baixas vendas da série e oficializou o convite a Moore para que esse assumisse todos os títulos da editora, rebatizada como Awesome Entertainment, com uma minissérie de abertura. A idéia do desenhista era uma mega saga que reunisse todos os personagens da antiga Extreme, coalhada de mortes e cenas de impacto, sob o nome de Judgement Day. É sempre bom lembrar que na época a dupla formada por Mark Waid, texto, e Alex Ross, arte, havia acabado de anunciar outra série mais ou menos no mesmo formato para a DC batizada de Kingdom Come. Não é difícil imaginar de onde Liefeld tirou a idéia para seu gotterdamerung[5] particular… Moore, como era de se esperar, odiou e acrescentou que, se fosse obrigado a escrever uma cópia de Crise nas Infinitas Terras, romperia o contrato com a Awesome. Porém, se tivesse liberdade para desenvolver o conceito embutido no título Judgement Day, poderia pensar em alguma coisa. Liefeld, num rasgo de bom-senso, deu carta branca ao escritor e este desenvolveu um script retratando uma espécie de julgamento de O. J. Simpson versão super-herói.

O plot era o seguinte: no início dos tempos, o deus Hermes[6] concebeu um tomo que tornaria real tudo aquilo que se escrevesse em suas páginas. O livro indestrutível passou de mãos em mãos através dos séculos, sendo sempre manipulado por seus portadores- vilões ou heróis – que visavam lucro pessoal. Uma das características interessantes do volume era que a realidade poderia ser alterada retroativamente caso se arrancasse páginas ou se apagasse escritos anteriores e, usando esse truque como recurso narrativo, Moore emprestou uma profundidade insuspeita aos personagens bidimensionais de Liefeld, tornando-os maquiavélicos, conspiradores, egoistas e icônicos, sendo capazes de assassinar uns aos outros para deter a posse do livro. Além disso, criou toda uma mitologia para formatar o universo, povoando-o com bárbaros celtas, cavaleiros andantes, caubóis renegados, selvagens a la Tarzan e soldados da Segunda Guerra Mundial.

Mas o tempero principal de Judgement Day era a utilização de preceitos de Cabala inseridos na história. Ao apresentar Hermes, deus grego da comunicação, do verbo e, não coincidentemente, dos ladrões e das mentiras, como o principal narrador da saga, Moore abriu a caixa de Trismegisto[7] aos fãs de quadrinhos, fazendo uma ponte insuspeita entre magia e técnica literária. Hermes serve como contraponto e encarnação da própria história, a Cabala personificada, verbo feito personagem, com carne de papel e pele de nankim. É sempre bom lembrar que, em grego, hermes significa “intérprete” e daí deriva a ciência da hermenêutica, além da denominação do hermetismo, raiz de todo ocultismo.

O Hermes de Moore é sedutor, melífluo, enganador. Uma entidade feita de ouro e para quem as leis da física se dobram, podendo estar representado em movimentos variados dentro de um mesmo requadro. O deus se expressa em estrofes e, num tom apocalítico, dissemina os preceitos cabalísticos enquanto introduz a mini-série:

“Frantic we Thumb our Memories, Stage by Stage,
For some Clue Overlooked Upon the Way
Yet Read on, Line by Line, Page after Page,
To our Denouement; to our Judgement Day.

Spellbound, Forget Amidst the Laughs and Thrills
That Words may Change a World…

…and Language Kills.” [8]

Essa, porém, não será a última vez que Alan Moore utilizará Hermes como seu porta-voz. Ainda há muitas histórias a contar.

continua…

Notas
1. Cabala ou Qabalah é a tradição mística do Judaísmo emersa por volta do anoem Provence, França, que busca ordenar o universo por meio de múltiplas combinações de números e letras, como uma “receita” para a Criação. Graças ao Sepher Yetsirah, Livro da Criação, séculos II e IV, alcançou grande prestígio entre os estudiosos, postulando o princípio que a letra, emanação do poder divino, é também a assinatura das coisas e as combinações entre várias letras remeteriam à estrutura do cosmo.

2. “A palavra golem figura pela primeira vez no Livro dos Salmos, Salmo 139, versículo 16. Interpreta-se em geral esse salmo como sendo as palavras do homem que agradece a Deus por havê-lo criado e que rememora para si as diferentes fases de sua criação : ‘Meu golem, Teus olhos o viam’. O termo golem toma aqui simplesmente o significado de ’embrião’, que é o significado que tem em hebraico. Mas pode-se também conceber que é Adão quem fala(o que não tardou em ser feito pelos exegetas) e que ele revive os episódios correspondentes do Gênesis. Nesse caso, o golem recebe uma carga de determinações suplementares. Ele é uma massa de terra inerte do corpo de Adão antes de lhe ser insuflado o pneuma divino, a terra ainda não habitada pelo espírito e que aguarda ser vivificada pelo soprovital.” MATIERE, Catherine. Golem, in Dicionário de Mitos Literários; BRUNEL, Pierre (org). Rio de Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora S.A., 1998 – 2ª edição, p. 407/408

3. “Jeremias e seu filho Ben Sira, com a ajuda do Livro da Criação, puseram no mundo um Golem e sobre sua fronte estava escrito: emeth, “verdade”, como o nome que Deus pronunciou diante da criatura para mostrar que sua criação estava consumada. Mas o Golem apagou a primeira letra (aleph), para mostrar que somente Deus é verdade, e morreu.”
——-op. cit., p. 408

4. GAIMAN, Neil. Introduction, in Kurt Busiek’s Astro City: Confession. USA: Image Comics, 1907. 1ª edição, p. 10/11.

5. Gotterdamerung, o Crepúsculo dos Deuses, é, entre outras coisas, a última parte da tetralogia wagneriana O Anel dos Nibelungos, e conta como os deuses nórdicos – Wotan, Freya, Brunhilde, Sigfried, Logé – encontram seu trágico fim, enredados numa trama de mentiras e traições.

6. “(…) não há necessidade de resumir aqui as histórias de que o Hermes grego, o Mercúrio latino, é o protagonista, o herói ou o figurante. Basta lembrarmos algumas passagens que põem em destaque certos traços constantes (…). Dois dentre eles ressaltam de um fato conjunto: por um lado, sua função de guia, ligada à sua mobilidade; por outro, seu domínio do discurso e da interpretação, garantia de um certo tipo de saber”.
FAIVRE, Antoine. Hermes, in Dicionário de Mitos Literários; BRUNEL, Pierre (org). Rio de Janeiro, RJ: Livraria José Olympio Editora S.A., 1998 – 2ª edição, p. 452

7. Hermes Trismegisto, que significa “três vezes grande”, teria sido o nome de um mortal, filho de Agatodêmon, descendente de Thot, a divindade egípcia do conhecimento. Veremos mais tarde que ambas divindades podem ser percebidas como duas vertentes do mesmo mito, mas outras genealogias são consideráveis. Santo Agostinho, por exemplo, afirma ser o Trismegisto o tataraneto de um contemporâneo de Moisés em A Cidade de Deus, e Brunetto Latini coloca-o lado a lado com Moisés, Sólon, Licurgo, Numa Pompílio e o rei grego Foromeu como um dos principais legisladores da antiguidade.

8. MOORE, Alan. Judgement Day Sourcebook. USA: Awesome Entertainment, 1997 – 1ª edição, p. 8

#HQ #Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/referencias-hermeticas-em-promethea-parte-1

O Louco no Tarot de Rider-Waite e Thoth

Breve descrição dos símbolos nas imagens do Arcano do Louco em dois tarots: Rider-Waite e Thoth (Crowley). Vale lembrar que no curso de Tarot e História da Arte, discutiremos 18 decks diferentes (desde o Visconti Sforza, Marselha e Boêmios até os mais modernos como o Mitológico, Golden Dawn e Egipcio) e as comparações simbólicas entre cada Arcano.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-louco-no-tarot-de-rider-waite-e-thoth

O software angélico que roda no eixo do mundo (parte 2)

« continuando da parte 1

E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou. (Gênesis 5:23-24).

Seriam os anjos e demônios seres como nós?

Se até agora tendemos a concluir que os deuses e orixás não poderiam ser seres pessoais, conquanto não poderiam haver passado por alguma espécie de evolução, o mesmo não necessariamente se aplica aos anjos e demônios.

É claro que nos mitos monoteístas, diz-se que os anjos foram criados como seres já perfeitos, servos eternos dos desígnios de Deus. Neste caso, seriam algo similar aos deuses, que operam as forças naturais. Mas o problema desta linha de pensamento é que esses mesmos mitos também nos contam que há alguns anjos que se rebelaram contra o Criador, e que desde então foram condenados a habitar o Inferno e, quem sabe, serem sempre maus, por toda a eternidade.

Com isso se quer dizer que o livre-arbítrio foi inventado, precisamente quando um anjo chamado Lúcifer (portador da luz) decidiu se rebelar contra a “programação” do Criador. Afinal, qualquer ser criado “já perfeito, pronto e acabado”, não passou por evolução alguma e, dessa forma, não é “perfeito” pelo seu próprio mérito, mas antes por alguma forma de “programação”. Tais anjos seriam então como robôs, autômatos sem vontade própria. Mas, se não teriam vontade, como diabos Lúcifer teve a vontade de contrariar seu Pai?
Eu penso que este problema tem duas soluções lógicas, e não mais do que duas: (a) Lúcifer na realidade também foi “programado” para contrariar a Deus, e tudo o que têm feito desde então, em realidade, é tão somente o que foi “programado” para fazer [1]; (b) Lúcifer na verdade seria um ser como nós, e sua decisão de contrariar ao Criador denota, metaforicamente dentro deste mito profundo, o estágio em que o ser se torna autoconsciente, que “desperta” para o conhecimento do bem e do mal, da vida e da morte, e para o fato de que possuí uma alma capaz de interpretar o mundo e fazer escolhas [2].

Ora, se ficarmos com a última opção (que, no meu entendimento, faz mais sentido), temos que anjos e demônios nada mais são do que espíritos, como nós mesmos, em maior ou menor grau de evolução cognitiva, moral e espiritual. Certamente pode parecer complicado “classificar” aos seres por sua suposta “evolução moral”; mas, na prática, é isto o que tentamos fazer todos os dias. Sempre que conhecemos algum novo amigo (ou inimigo), uma de nossas primeiras preocupações é tentar situar em que “nível de moralidade” ele opera. Claro que, muitas vezes, temos julgado errado [3], mas isto não significa que não exista uma distinção clara entre seres amorosos, sábios e morais, e seres indiferentes, ignorantes e imorais.

Antes, porém, de habitarem reinos fantásticos, acima ou abaixo do mundo, anjos e demônios talvez devam ser classificados pelo estado em que se encontram suas mentes, sua consciência, sua paz de espírito. Anjos seriam, portanto, aqueles seres com maior consciência da própria liberdade, e maior controle da própria vontade; ao passo que demônios seriam o oposto, ou seja: seres atolados num charco de desejos desenfreados, facilmente manipulados por vontades alheias, perdidos de si mesmos.

O que isto tudo quer dizer é isto aqui: anjos e demônios habitam mesmo este mundo, e não poderia ser diferente.

Os exus e as pambu njilas

Nas mitologias africanas (e, particularmente, na dos iorubás), deuses são chamados orixás, conforme já vimos. Pois bem, ocorre que no caso da umbanda sagrada, religião de origem brasileira [4], anjos e demônios são chamados de exus e pambu njilas. Exus nada mais seriam que espíritos como nós, no período entre vidas, do gênero masculino. Pombagiras seriam exus do gênero feminino (seu nome é uma corruptela do pambu njila, de origem angolana) [5].

Dessa forma, na umbanda, nem todo exu é demônio. De fato, a imensa maioria dos praticantes desta doutrina lida mesmo é com exus de amor e moral elevados – anjos, portanto.

Em todo caso, não devemos confundir os exus anjos e demônios com o Exu orixá (um dos deuses iorubás)…

O axis mundi

Me disseram que o termo Exu é derivado de “Eixo”, mas isto não posso confirmar. Em todo caso, é algo que faz sentido: o orixá Exu é o deus mensageiro, o responsável por fazer a conexão entre um mundo que está no plano com um outro mundo que está acima ou abaixo. No nosso caso, costuma-se dizer que Exu forma o eixo entre a Terra e o Céu, mas também poderia formar um eixo, igualmente, entre a Terra e o Inferno, dependendo de nossa intenção e vontade ao invocá-lo.

Desnecessário dizer que estas ideias de um axis mundi (Eixo do Mundo), e de deuses mensageiros que o percorrem, trazendo e enviando mensagens entre um plano médio e um superior (ou inferior), são abundantes em diversas mitologias. Geralmente, os deuses inventores da escrita (Toth-Hermes; Odin-Wotan) encontraram esta incrível descoberta exatamente enquanto viajavam através do Eixo, indo e retornando de um plano superior. Odin, por exemplo, chegou a se enforcar neste Eixo, que era a própria Yggdrasil (“o eixo do mundo”), e após alguns dias de “transe xamãnico”, trouxe o conhecimento das runas (forma de escrita) aos homens nórdicos.

Entretanto, isto vocês devem lembrar: dizíamos há pouco que os deuses eram forças da natureza, e não seres pessoais, que evoluem, como nós. Ora, e não é exatamente disto que se trata o orixá Exu? Uma força natural, um instrumento pelo qual nossas mentes conseguem entrar em estados alterados e acessar informações que antes nos eram ocultas?

No fundo, não importa muito ao médium ou magista se os deuses existem fora ou dentro de suas mentes… Na prática, o axis mundi poderia ser um pé de feijão mágico cujo caule gigantesco toca o próprio céu, ou o eixo interno da própria alma, que liga o plano médio, consciente, ao plano oculto, inconsciente. Dessa forma, se em nosso inconsciente há um reino celeste, ou infernal, isto depende unicamente de onde sintonizamos nosso pensamento e nossa vontade.

» Em seguida, finalmente, o software angélico…

***
[1] Apesar de eu mesmo não acreditar na hipótese, admito que ela explicaria o fato de Lúcifer ser eternamente mau, sem a possibilidade de se arrepender: é que foi “programado” para assim o ser.
[2] Neste caso, o mito de Lúcifer teria vários outros paralelos na mitologia. Mesmo no próprio Gênese, o mito da Eva que comeu a fruta proibida da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, seria essencialmente uma metáfora muito parecida. Talvez surgido num tempo próximo, mas em outra parte do mundo, temos o mito de Prometeu, o titã que roubou o fogo dos deuses, e depois foi punido. Não obstante, houve tempo de presentear este fogo aos homens, o que os tornou “superiores” aos demais animais: ou seja, eram, conforme Adão e Eva, os primeiros seres humanos conscientes de si mesmos e da própria liberdade (vontade). Também haviam conquistado a ciência do bem e do mal (graças ao sacrifício de um ser “sobre-humano”, mas que foi punido pelos deuses por sua ousadia).
[3] O massacre dos indígenas da América pelos colonizadores vindos da Europa é um belo exemplo. Os colonizadores se julgavam “seres de moral superior”. Mas por tudo o que fizeram, pelo exemplo que foi dado, fica muito claro que os ditos “selvagens” estavam, muitas vezes, num estágio moral muito mais elevado do que os ditos “civilizados”.
[4] Surgida há pouco mais de um século, em Niterói, Rio de Janeiro.
[5] Muitas vezes a umbanda também lida com espíritos que, em sua última encarnação, não eram de origem africana, mas indígena. Normalmente são chamados de caboclos ou cabocladores, e não de exus. Eles são o que restou dos indígenas devastados pelos “homens civilizados”. E eles nos perdoaram: voltam para nos ajudar, sobretudo, por amor.

Crédito das imagens: [topo] Fantasy Flight Games; [ao longo] Tetra Images/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#espiritualismo #exu #Mitologia #Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-software-ang%C3%A9lico-que-roda-no-eixo-do-mundo-parte-2

O Julgamento de Sócrates

Sócrates foi, provavelmente, o maior filósofo de todos os tempos. Ele viveu em Atenas, na Grécia, por volta de 500 anos antes do nascimento de Jesus. Foi a mente mais iluminada do ocidente em sua época, enquanto no oriente, por volta da mesma época aparecia um tal de Buda, que causou uma revolução no modo de pensar e se relacionar com a vida. Durante os seus 70 anos de vida, Sócrates procurou ensinar, através da dialética (diálogos), as verdades espirituais eternas, questionando sempre as falsas tradições da cultura helenística. Acabou despertando ódio e inimizades entre os detentores do poder e da cultura, que o acusavam de estar corrompendo a juventude ateniense. Foi levado a julgamento e condenado à morte pela ingestão de cicuta, um poderoso veneno.

O texto a seguir foi condensado do livro Apologia de Sócrates, escrita por Platão (seu principal discípulo). Ele descreve o julgamento de Sócrates, apresentando a sua defesa e suas considerações finais, após a sentença de condenação.

A DEFESA

A acusação diz: “Sócrates comete crime, investigando indiscretamente as coisas terrenas e as celestes, e tornando mais forte a razão mais débil, e ensinando aos outros”. Mas nada disso tem fundamento, pois não instruo e nem ganho dinheiro com isso. Talvez pudessem dizer de mim: “Enfim, Sócrates, o que é que você faz? De onde nasceram essas calúnias? Se suas ocupações não fossem tão diferentes das dos outros, não teria ganho tal fama e não teriam nascido acusações”.

Sócrates responde: Acontece que Xenofonte, uma vez indo a Delfos, ousou interrogar o oráculo e perguntou-lhe se havia alguém mais sábio do que eu. Ora, a pitonisa respondeu que não havia ninguém mais sábio. Ao ouvir isso, pensei: “O que queria dizer o deus e qual é o sentido das suas palavras? Sei bem que não sou sábio, nem muito nem pouco.” E fiquei por muito tempo sem saber o verdadeiro sentido de suas palavras. Então resolvi investigar a significação do seguinte modo: Fui a um daqueles detentores da sabedoria, com a intenção de refutar, por meio deles, o oráculo e, com tais provas, opor-lhe a minha resposta: “Este é mais sábio que eu, enquanto você disse que sou eu o mais sábio”. Examinando esse homem – não importa o nome, mas era um dos políticos – e falando com ele, parecia ser um verdadeiro sábio para muitos e, principalmente, para si mesmo. Procurei demonstrar-lhe que ele parecia sábio sem o ser. Daí veio o ódio dele e de muitos dos presentes aqui contra mim.

Então, pus-me a considerar comigo mesmo, que eu sou mais sábio do que esse homem, pois que, nenhum de nós sabe nada de belo e de bom, mas aquele homem acredita saber alguma coisa sem sabê-la, enquanto eu, como não sei nada, também estou certo de não saber. Parece, pois, que eu seja mais sábio do que ele nisso: não acredito saber aquilo que não sei.

Fui a muitos outros daqueles que possuem ainda mais sabedoria que esse, e me pareceu que todos são a mesma coisa. Daí veio o ódio deste e de muitos outros. E então me aconteceu o seguinte: procurando segundo o critério do deus, pareceu-me que os que tinham mais reputação eram os mais desprovidos, e que os considerados ineptos eram homens mais capazes quanto à sabedoria.

Também procurei os artífices e devo dizer que os achei instruídos em muitas e belas coisas. Eles, realmente, eram dotados de conhecimentos que eu não tinha e eram muito mais sábios do que eu. Contudo, eles tinham o mesmo defeito dos poetas: pelo fato de exercitar bem a própria arte, cada um pretendia ser sapientíssimo, também, nas outras coisas de maior importância e esse erro obscurecia o seu saber.

Dessa investigação, cidadãos atenienses, tanto me originaram calúnias como também me foi atribuída a qualidade de sábio. E totalmente empenhado em tal investigação, não tenho tido tempo de fazer nada de apreciável, nem nos negócios públicos, nem nos privados, mas encontro-me em extrema pobreza, por causa do serviço do deus. Além disso, os jovens, seguindo-me espontaneamente, gostam de ouvir-me examinar os homens. Eles, muitas vezes, me imitam por sua própria conta e decidem também examinar os outros, encontrando grande quantidade daqueles que acreditam saber alguma coisa mas pouco ou nada sabem. Daí, aqueles que são examinados encolerizam-se e, por essa razão, dizem que há um tal Sócrates que corrompe os jovens.

Saibam, quantos o queiram, que por esse motivo sou odiado; e que digo a verdade, e que tal é a calúnia contra mim e tais são as causas.

Cidadãos de Atenas, creio que vocês não têm nenhum bem maior do que este meu serviço do deus. Por toda a parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se preocuparem exclusivamente com o corpo e com as riquezas, como devem se preocupar com a alma, para que ela seja o melhor possível. Absolvendo-me ou não, não farei outra coisa, nem que tenha de morrer muitas vezes. Dessa forma, parece que o deus me designou à cidade com a tarefa de despertar, persuadir e repreender cada um de vocês, por toda a parte, durante todo o dia. É possível que vocês, irritados como aqueles que são despertados quando no melhor do sono, levianamente me condenem à morte, para dormirem o resto da vida.

A CONDENAÇÃO

A minha impassibilidade, cidadãos de Atenas, diante da minha condenação deriva, entre muitas razões, que eu contava com isso, e até me espanto do número de votos dos dois partidos. Por mim, não acreditava que a diferença fosse assim pequena.

Os meus acusadores pedem, para mim, a pena de morte. Que pena ou multa mereço eu? O que convém a um pobre benemérito que tem necessidade de estar em paz para lhes poder exortar ao caminho reto? Para um homem assim conviria que fosse nutrido e mantido pelo Estado. Por não terem esperado um pouco mais, vocês irão obter a fama e a acusação de haverem sido os assassinos de um sábio, de Sócrates. Pois bem, se tivessem esperado um pouco de tempo, a coisa seria resolvida por si mesma: vejam vocês a minha idade.

Talvez, senhores, o difícil não seja fugir da morte. Bem mais difícil é fugir da maldade, que corre mais veloz que a morte. Eu, preguiçoso e velho, fui apanhado pela mais lenta: a morte. Já os meus acusadores, válidos e leves, foram apanhados pela mais veloz: a maldade.

Assim, eu me vejo condenado à morte por vocês; vocês, condenados de verdade, criminosos de improbidade e de injustiça. Eu estou dentro da minha pena, vocês dentro da sua.

E estamos longe de julgar retamente, quando pensamos que a morte é um mal. Porque morrer é uma destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja; ou, como se costuma dizer, a morte é uma mudança de existência e uma migração deste lugar para outro.

Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte é como um presente, porquanto todo o tempo se resume em uma única noite.

Se a morte, porém, é como uma passagem deste para outro lugar e se lá se encontram todos os mortos, qual o bem que poderia existir maior do que este? Quero morrer muitas vezes, se isso é verdade, pois para mim a conversação acolá seria maravilhosa. Isso constituiria indescritível felicidade.

Vocês devem considerar esta única verdade: que não é possível haver algum mal para um homem de bem, nem durante sua vida, nem depois de morto. Por isso mesmo, o que aconteceu hoje a mim não é devido ao acaso, mas é a prova de que para mim era melhor morrer agora e ser liberto das coisas deste mundo. Por essa razão não estou zangado com aqueles que votaram contra mim, nem contra meus acusadores.

Mas já é hora de irmos: eu para a morte, e vocês para viverem. Mas quem vai para melhor sorte é segredo, exceto para Deus.

#Filosofia

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Repartir a Chama

Vi no documentário National Geographic “A Estória de Deus” que na Igreja do Santo Sepulcro, em Jesusalém, na Páscoa, as 4 principais seitas de cristãos ortodoxos se reúnem para testemunhar um “milagre”: O acendimento espontâneo de uma vela (supostamente por um anjo) colocada na (suposta) tumba onde Jesus ficou sepultado. As pessoas se aglomeram naquele espaço apertado, se empurrado e brigando, pois os sentimentos nacionalistas se misturam com os religiosos, e aguardam o “milagre”, que ocorre há mais de 1.000 anos.

Para os mais céticos é um “milagre” de gosto duvidoso, já que em momento algum as velas ficam expostas para o público (e sim dentro de uma cripta), mas fui levado às lágrimas ao ver toda a simbologia, onde 3 a 5 velas acendidas pelo “anjo” se transformam rapidamente em milhares de pontos de luz, provindos do mesmo fogo. Na penumbra da capela, a luz se espalha entre gregos, armênios, coptas, sem fazer juízo de valor, e o último a recebê-la terá sua chama tão quente, tão vívida quanto a que incandesceu a primeira vela.

Me emocionei ao pensar: Por que as pessoas não fazem isso no dia-a-dia? Por que brigam minutos antes e só confraternizam diante de um milagre?! O ser humano pauta sua conduta em função da religiosidade, quando a religiosidade é que deveria ser para o ajuste da conduta!!! Não deveria ser preciso Deus “descer do Céu” e dizer “Não matarás” para que saibamos que matar não é correto, e ainda assim vemos no mesmo livro dessa religião relatos de chacinas diversas em nome do mesmo Deus… vimos as cruzadas justificadas (não sei como) em Jesus, e enquanto escrevo outros tantos matam e morrem em nome de Allah…

Pensamos cada vez menos no semelhante, vivemos em um mundo que faz por onde reproduzir exatamente as características do “fim dos tempos” predito por Jesus. Quem pensa no outro é fraco, babaca. Até mesmo na espiritualidade há concorrência de grupos, seitas, integrantes. O conhecimento não é compartilhado, mas sim usado como moeda de troca, ou explicitamente vendido. Coleciona-se títulos como quem coleciona selos, ou moedas. Não percebem que, ao buscarem gradualmente a ILUMINAÇÃO, não perderão o “brilho da chama” ao compartilhá-la com o outro! Ao contrário, duas chamas trazem mais luz ao ambiente, e ambos poderão ver mais longe e melhor!

#Espiritualidade #Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/repartir-a-chama

Hércules e a Hidra de Lerna

Hércules teve de destruir um monstro de nove cabeças que soltavam fogo: oito renasciam quando cortadas e a nona era imortal. O herói decepou as oito cabeças enquanto um amigo as cauterizava com fogo. A nona foi enterrada, mas vigiada eternamente por Hércules. “As cabeças simbolizam os vícios. Lutamos contra eles, mas, como são imortais, se não estivermos atentos, renascem. Além dos vícios físicos, como drogas e álcool, temos de combater os vícios éticos, como a ganância.

Mitologia

Conta a lenda que na antiga terra de Argos ocorreu uma seca. Amímona que reinava nessas terras, procurou a ajuda de Netuno. Este recomendou que se batesse numa rocha, e quando isto foi feito, começaram a correr três correntes cristalinas; mas logo uma hidra fez ali a sua morada.

O mestre disse a Hércules: “Para além do Rio Amímona, fica o fétido pântano de Lerna, onde está a hidra, uma praga para as redondezas. Nove cabeças tem esta criatura, e uma delas é imortal. Prepara-te para lutar com essa asquerosa fera e não penses que os meios comuns serão de valia; se uma cabeça for destruída, duas aparecerão em seu lugar.”

Hércules estava ansioso e antes de partir, seu Mestre ainda lhe disse: “Uma palavra de aconselhamentos só posso dar. Nós nos elevamos, nos ajoelhando; conquistamos, nos rendendo; ganhamos, dando. Vai, oh filho de Deus e filho do homem, e conquista.”

Chegando ao estagnado pântano de Lerna, que era um charco que desanimava quem dele se aproximasse e cujo mau cheiro poluía toda a atmosfera em um raio de sete milhas; Hércules teve que fazer uma pausa pois o simples odor por pouco o derrotava. As areias movediças eram uma ameaça e mais uma vez Hércules rapidamente retirou seu pé para não ser sugado para dentro da terra que cedia. Finalmente ele descobriu onde se ocultava a hidra.

Numa caverna de noite perpétua vivia a fera, porém não se mostrava e Hércules inutilmente vigiava. Recorrendo a um estratagema, ele embebeu suas setas em piche ardente e as despejou directamente para o interior da caverna onde habitava a horrenda fera. Uma enorme agitação se seguiu e a hidra com as suas nove e zangadas cabeças emergiu, chicoteando a água e a lama furiosamente. Com três braças de altura, algo tão feio como se tivesse sido feito de todos os piores pensamentos concebidos desde o começo dos tempos. A hidra atacou, procurando envolver os pés de Hércules que saltou e lhe deu um golpe tão severo que logo decepou uma das cabeças, mas mal a horrorosa cabeça tocou o solo, duas cresceram em seu lugar. Repetidamente Hércules atacou o monstro, mas ele ficava cada vez mais forte. Então Hércules lembrou-se das palavras do Mestre: “nós nos levantamos ajoelhando”.

Pondo de lado a sua clava, Hércules se ajoelhou, agarrou a hidra com suas mãos nuas e ergueu-a. Suspensa no ar, a sua força diminuiu. De joelhos, então, ela sustentou a hidra no alto, acima dele, para que o ar purificado e a luz pudessem surtir o seu efeito. O monstro, forte na escuridão e no lodo, logo perdeu a sua força quando os raios do sol e o toque do vento o atingiram. As nove cabeças caíram, mas somente quando elas jaziam sem vida Hércules percebeu a cabeça mística que era imortal. Ele decepou essa cabeça e a enterrou, ainda sibilante, sob uma rocha.

Simbologia

Hércules foi incumbido de doze trabalhos, dentre eles, matar Hidra, o monstro de nove cabeças que trazia pânico à cidade de Lerna. Mas antes de enfrentar o monstro, Hércules recebe uma mensagem de seu mentor: – ” É ajoelhando que nos levantamos; é nos rendendo que conquistamos; é desistindo de algo que o ganhamos”.

Hércules parte em busca do monstro que se esconde numa caverna escura, de noite perpétua, à margem de um pântano de águas estagnadas; e simboliza uma parte de nós que permanece oculta e resiste à iluminação.

Representa o nosso interior ruim, nossas paixões e defeitos, ambições e vícios, o que existe de ruim dentro do nosso mundo interior. Enquanto a hidra, que representa esse monstro interior, não for dominada, enquanto nossas vaidades, futilidades e ostentações não forem dominadas, as cabeças continuam crescendo cada vez mais.

Hércules chega ao covil da Hidra e atira flechas flamejantes ao esconderijo do monstro. Indignada, Hidra emerge do seu covil com ímpeto vingativo – da mesma forma, também nos sentimos assim quando situações nos obrigam a confrontar a besta que existe em nós ou a besta que existe nas pessoas à nossa volta.

Hércules tenta esmagar as cabeças de Hidra mas cada vez que corta uma cabeça outras surgem – da mesma forma quando tentamos destruir nossas emoções bestiais, elas continuam aparecendo. Finalmente Hércules se lembra da mensagem de seu mentor: “é se ajoelhando que nos levantamos”.

Hércules se ajoelha no pântano e levanta o monstro á luz do dia e ela perde seu poder. Então ele corta-lhe as cabeças que não renascem mais. Porém nada disso acontece, senão enfrentarmos o lado bestial que vive em todos nós.

Caminho de Iniciação

A segunda tarefa encomendada à Hércules foi matar a Hidra de Lerna, o monstro simbólico de origem imortal dotado de nove cabeças ameaçadoras que voltavam a nascer logo após serem decepadas. A Hidra polifacética representa a mente e seus defeitos psicológicos. Quando o Iniciado que subir à Morada dos Arcanjos – o Plano Mental Superior – primeiro deve descer aos infernos de Mercúrio.

Como diz o mito, sempre que Hércules cortava uma das cabeças da Hidra, ela voltava a brotar, tornando a tarefa impossível. Assim como Arjuna é auxiliado por Krishna, também Hércules é auxiliado por Iolau (IAO, IEÚ ou JEÚ) – o qual aconselha Hérculesa queimar as cabeças após cortá-las para não renascerem. Isso quer dizer que não basta compreender um defeito; é preciso ir além e capturar o profundo significado do mesmo; do contrário, eles voltam a renascer.

Os defeitos psicológicos eliminados nos infernos da Lua, o Astral Inferior, certamente possuem ramificações nos mais diversos níveis mentais. Eliminar as cabeças da Hidra da Mente é possível quando, após decepá-las forem cauterizadas com o fogo da alquimia sexual. Portanto, compreendido um defeito, deve-se durante o ato alquímico suplicar à Divina Mãe para Ela elimina-lo até suas raízes mais profundas. Goethe, nesses momentos exclamava:

“Virgem pura no mais belo sentido

Mãe digna de veneração

Rainha eleita por nós

de condição igual aos Deuses”.

Anelando morrer em si mesmo, durantes as Bodas Alquímicas, o iniciado alemão exclamava:

“Flechas transpassai-me;

lanças, submetei-me;

maçãs, feri-me.

Tudo desapareça,

desvaneça-se tudo.

Brilhe a estrela perene,

foco do eterno amor.”

Biblioteca de Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-a-hidra-de-lerna