Origens do Espiritismo

Neste trabalho procuraremos reunir alguns dados importantes da história do Espiritismo, especialmente os referentes a Allan Kardec e ao Espiritismo nascente. Nossa fonte básica será a obra Allan Kardec, em três volumes, da autoria de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, dada a público pela Federação Espírita Brasileira em 1979/80. Qualquer estudioso do Espiritismo reconhecerá prontamente que ela representa o mais completo e rigoroso estudo já publicado sobre a vida e a obra de Kardec. Os volumes 2 e 3 contêm ainda análises e comentários de grande justeza e profundidade sobre muitos tópicos referentes à Doutrina e ao movimento espíritas.

Os três volumes dessa obra apresentam uma massa de informações bastante densa. Dispõem de índices e antroponímicos e analíticos, mas não remissivos. Nos dois últimos volumes, os capítulos são de amplas proporções, contendo muitas seções. Os autores optaram, com razões ponderáveis, por não fazer uma apresentação cronológica dos fatos. Tudo isso torna um tanto difícil a localização rápida de determinados assuntos. Por tais motivos, julgamos útil compilar aqui, de forma mais simples e direta, alguns dos acontecimentos mais importantes. Fomos motivados por nossa experiência pessoal, de muitas vezes querermos citar datas e lugares precisos e não conseguirmos encontrar de pronto as referências. Também pode ser de alguma utilidade dispor de um painel sucinto dos fatos, que permita sua visualização global.

Naturalmente, sabemos que o que mais importa não são os nomes, as datas e os lugares, mas a sua significação histórica, científica e filosófica. O pesquisador cuidadoso não poderá dispensar a respeitável obra de Thiesen e Wantuil. Também deve-se lembrar que a segunda parte das Obras Póstumas de Allan Kardec consiste de textos de enorme relevância para a história do Espiritismo, repletos, como não poderia deixar de ser, de preciosas considerações doutrinárias. O mesmo vale para os volumes da Revue Spirite editados por Kardec.

Há algumas outras fontes sobre o Espiritismo e sua história, que podem ser consultadas, embora nem de longe se aproximem, em abrangência e precisão, da que nos legaram Thiesen e Wantuil. Entre elas encontram-se:

* Moreil, André. La vie et l’Œuvre d’Allan Kardec. Paris, Vermet, sem data.[2]

* Sausse, Henri. Biographie d’Allan Kardec. 4a ed., Paris, Éditions Jean Meyer, 1927. A Federação Espírita Brasileira faz figurar uma tradução dessa biografia em sua edição de O que é o Espiritismo, sem indicação do tradutor.[3]

Para facilidade de referência, adotaremos as seguintes abreviaturas:

* AK I, AK II e AK III ¾ respectivamente volumes I, II e III da obra Allan Kardec.

* OP ¾ Obras Póstumas

* Revue ¾ Revue Spirite

* SPES ¾ Société Parisienne des Études Spirites

* FEB ¾ Federação Espírita Brasileira

Os números que aparecerão diante desses símbolos referem-se a páginas das obras, salvo indicação em contrário. Utilizamos a 1a edição de Allan Kardec e a 18a edição da tradução febiana de Obras Póstumas, traduzida por Guillon Ribeiro (o texto em francês, em versão fiel à edição original de Leymarie, está hoje disponível na Internet, na “página” do Centre d’Études Spirites Léon Denis (http://perso.wanadoo.fr/charles.kempf/).

2. Hippolyte-Léon Denizard Rivail

1804 – (3/10) – Nascimento de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, o futuro Allan Kardec, em Lyon, a segunda maior cidade francesa depois de Paris. Seus pais foram Jean-Baptiste Antoine Rivail, homem de leis, e Jeanne Louise Duhamel, residentes à Rue Sale, 76; essa casa foi demolida ainda em meados do século XIX. (AK I 29)

1815 – Rivail segue para o Instituto de Johann Heinrich Pestalozzi para continuar seus estudos. O Instituto ficava na cidade de Yverdon, Suíça, e funcionava em regime de internato. Os alunos recebiam ali educação integral esmerada, segundo inovador método pedagógico do famoso professor, baseado na convicção de que o amor é o eterno fundamento da educação. (AK I caps. 2 a 11 e 15)

1822 – Rivail deixa Yverdon e instala-se em Paris. Não há segurança completa sobre essa data. Sabe-se que em janeiro de 1823 já residia à Rue de la Harpe, 117. Confirma-se também que pelo menos de 1828 a 1831 morou na Rue de Vaugirard, 65. (AK I , caps. 12, 21 e p. 184)

1824 – Rivail publica o seu primeiro livro didático, o Cours pratique et théorique d’arithmétique, concebido segundo o método pestalozziano. Foi publicado em Paris na Imprimerie de Pillet Ainé, Rue Christine, 5. (AK I caps. 14 e 16)

1825 – Rivail abre sua primeira escola, a École de Premier Degrée. (AK I cap. 18)

1826 – Rivail funda a Institution Rivail, instituto técnico, sito à Rue de Sèvres, 35; funcionou até 1834. Neste mesmo local existiria depois o Lycée Polymathique, dirigido também por Rivail, até 1850, quando foi cedido a A. Pilotet. A partir dessa data o Prof. Rivail não mais exerceria atividades didáticas. (AK I cap. 19 e pp. 131, 145 e 146)

1828 – Rivail dá a público o “Plan proposé pour l’amélioration de l’éducation publique”, sugerindo diretrizes para a educação pública, à venda com o autor e com Dentu (que mais tarde publicaria diversas obras espíritas de Kardec; ver AK I cap. 21 e p. 184).

1831 – Aparece, da autoria de Rivail, a Grammaire Française Classique sur un nouveau plan. (AK I cap. 22)

1832 – Casa-se com Amélie-Gabrielle Boudet (1795-1883), que seria sua dedicada companheira e apoio de todos os momentos, até a sua desencarnação. Conhecida mais tarde entre os espíritas como “Madame Allan Kardec”, Amélie-Gabrielle era professora e colaborou com o esposo em suas atividades didáticas. Não tiveram filhos, conforme explicitamente se lê na Revue Spirite de 1862. (AK I cap. 20, III 45)

Rivail e sua esposa foram pessoas dignas, de moralidade inatacável, dedicando-se integralmente aos ideais superiores da cultura, da educação, do bem. Lutaram a favor das causas da liberdade de ensino e da educação para meninas. Rivail ministrou por muitos anos cursos gratuitos para crianças pobres. Além de mestre, foi sempre amigo dos alunos. (AK I cap. 23 a 29)

Do ponto de vista material, o casal Rivail levou vida simples, não raro enfrentando dificuldades econômicas. Na fase espírita, seus parcos recursos seriam empregados na publicação das obras iniciais e em outras despesas referentes ao Espiritismo. Nos anos de maiores limitações, Rivail complementou sua receita com empregos temporários modestos, como o de guarda-livros. (AK I cap. 33)

Há referências seguras de cerca de 21 textos publicados pelo Prof. Rivail, entre livros didáticos e opúsculos diversos referentes à educação. (AK I cap. 37)

Rivail possuía sólida erudição, conhecendo bastante bem as diversas ciências, a filosofia e as artes. Traduziu, preferencialmente, obras alemãs para o francês, e vice-versa. Foi membro de diversas academias culturais, possuindo vários diplomas. (AK I caps. 22, 30, 35)

Contrariamente ao que afirmou Henri Sausse, e alguns mantém até hoje, Rivail não foi médico (AK I cap. 31). Também não há evidência de que tenha sido maçon, sendo mais razoável assumir que não o foi (AK I cap. 32).

3. Das observações iniciais à primeira edição de O Livro dos Espíritos

1848 – Início dos famosos fenômenos espíritas que envolveram a família Fox, em Hydesville (EUA). A 28 de março verificam-se as primeiras manifestações físicas; três dias após, estabeleceu-se a primeira comunicação tiptológica. Em poucos anos, fenômenos semelhantes passaram a chamar a atenção pública, não somente nos Estados Unidos, mas também na Europa. Foi a fase das chamadas “mesas girantes”. (AK II 49-60; ver também As Mesas Girantes e o Espiritismo, de Zêus Wantuil, publicado pela FEB.)

1854 – Rivail é informado pelo Sr. Fortier, magnetisador seu conhecido, acerca da ocorrência dos fenômenos das mesas girantes. Embora estranhando-os, não os julgou impossíveis, já que poderiam ter alguma causa física ainda não bem determinada. No entanto, algum tempo depois esse mesmo Sr. Fortier lhe disse que as mesas também “falavam”, isto é, davam sinais de inteligência. A reação agora foi cética: “Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula.” (OP 265; AK II 62)

1855 – No início desse ano, o Sr. Carlotti lhe faz longo relato dos singulares fenômenos. Embora Rivail o conhecesse havia 25 anos, mais uma vez expressa reservas, dado o temperamento exaltado do amigo, tão em oposição ao seu. (OP 266; AK II 124)

1855 – Em maio, Rivail vai, em companhia de Fortier, à casa da Sra. Roger, sonâmbula, onde conhece o Sr. Pâtier e a Sra. Plainemaison. Este lhe fala dos fenômenos, mas com seriedade e frieza, o que o predispõe, finalmente, a observar os fatos. (OP 266)

1855 – Assim foi que, ainda em maio, a convite de Pâtier, Rivail assiste a algumas experiências na casa da Sra. Plainemaison, sita à Rue Grange-Batelière, 18. Rivail impressiona-se com os fenômenos, declarando que se verificavam em condições “que não deixavam lugar para qualquer dúvida. […] Minhas idéias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia naquelas aparentes futilidades […] qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.”(OP 267; AK II 64)

1855 – Numa dessas reuniões, conhece a família Baudin, então residente à Rue Rochechouart (a partir de 1856 iria para a Rue Lamartine; ver AK II 64). Convidado pelo Sr. Baudin, passou a freqüentar assiduamente as sessões semanais que se realizavam em sua casa. Os médiuns eram as filhas do casal, Caroline e Julie, que no início escreviam com o auxílio de uma cestinha.[4] De numerosas e frívolas que eram, sob a influência de Rivail as reuniões passaram a reservadas e sérias, dedicadas à pesquisa racional e metódica do novo domínio. “Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controverso do passado e do futuro da Humanidade […]. Era, em suma, toda uma revolução nas idéias e nas crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspeção, e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir” (OP 267-68; AK II 64). Rivail submetia aos Espíritos séries de questões visando a elucidar problemas relativos à filosofia, à psicologia e à natureza do mundo invisível. Um grupo de intelectuais encarregou-o de analisar e joeirar cerca de 50 cadernos com comunicações espirituais diversas. (AK II 71, 68 e 125)

1856 – Nesse ano passou a freqüentar também as reuniões espíritas da casa do Sr. Roustan, na Rue Tiquetonne, 14. O médium era a Srta. Japhet, sonâmbula. As anotações de Rivail, provenientes em grande parte das comunicações obtidas pelas Srtas. Baudin, tomaram as proporções de um livro, embora se saiba que por volta de abril ainda não estava claro para ele que deveria ser um dia publicado (OP 276). Depois que isso se tornou evidente, foi por intermédio da Srta. Japhet que os Espíritos auxiliaram Rivail a fazer uma revisão completa do texto já elaborado. Era O Livro dos Espíritos. (OP 270, 276 e 277; AK II 72)

1856 – A 30 de abril, pela mediunidade da Srta. Japhet, Rivail tem a primeira notícia de sua missão, em linguagem bastante alegórica. Outras se seguiram, de cunho mais positivo. O conjunto dessas comunicações e, principalmente, os comentários de Rivail indicando sua reação, constituem leitura obrigatória para todo espírita, por sua beleza e elevada significação. (OP 277-87; AK II 69 e 72)

1857 – No início desse ano o texto manuscrito de O Livro dos Espíritos está concluído; o editor, E. Dentu, envia-o à Imprimerie de Beau, em Saint-Germain-en-Laye, que dista 23 km de Paris, a oeste (AK II 73 e 75). As despesas correm inteiramente por conta de Rivail (AK II 257). O casal Rivail residia então à Rue des Martyrs, 8, no segundo andar, nos fundos do pátio, onde estava pelo menos desde março de 1856 (OP 273).

1857 – A 18 de abril, vem à luz a primeira edição de O Livro dos Espíritos (Le livre des Esprits). Contendo os princípios da doutrina espírita sobre a natureza dos Espíritos, sua manifestação e suas relações com os homens; as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade; escrito sob o ditado e publicado por ordem de Espíritos Superiores por Allan Kardec. Paris, E. Dentu, livreiro, Palais Royal, Galerie d’Orléans, 13.[5]

Essa primeira edição contém 501 questões, distribuídas em 3 partes (176 pp.). Afora a tábua dos capítulos, há um útil índice remissivo (“Table alphabétique”). Não há conclusões; apenas um Epílogo, de menos de uma página. As notas de Rivail, em número de 17, vêm todas no final, ocupando 12 páginas. Ao longo de toda a primeira parte (“Livre premier. ¾ Doctrine spirite.”) adota-se uma forma de exposição dupla: na coluna da esquerda, perguntas e respostas; na da direita, o texto corrido equivalente. É nesta obra que Rivail adota o pseudônimo de Allan Kardec, nome que teria tido em antiga encarnação entre os druidas, sacerdotes do povo celta, que ocupou a Gália, a Grã-Bretanha e a Irlanda (AK II 74-80). No Epílogo, anuncia-se para breve a publicação de um suplemento, contendo novos ensinos. No entanto, Kardec acaba desistindo da idéia, elaborando, em seu lugar, uma se­gunda edição “inteiramente refundida e consideravel­mente aumentada”, que viria a público em março de 1860 (ver seção 6 deste nosso trabalho). Em 1957 Canuto Abreu publicou edição bilíngüe da primeira edição de O Livro dos Espíritos, sob o título O Primeiro Livro dos Espíritos (São Paulo, Companhia Editora Ismael).

4. A Revue Spirite

1858 – A 1o de janeiro Kardec lança o primeiro número da Revue Spirite (Revista Espírita), jornal de estudos psicológicos. Contendo o relato das manifestações materiais ou inteligentes dos Espíritos, aparições, evocações, etc., assim como todas as notícias relativas ao Espiritismo. ¾ O ensino dos Espíritos sobre as coisas do mundo visível e do mundo invisível; sobre as ciências, a moral, a imortalidade da alma, a natureza do homem e seu porvir. ¾ A história do Espiritismo na Antigüidade; suas relações com o magnetismo e o sonambulismo; a explicação das lendas e crenças populares, da mitologia de todos os povos, etc. Paris; bureau à Rue des Martyrs, 8.

O primeiro número, com 36 páginas, foi impresso na Imprimerie de Beau, em Saint-Germain-en-Laye, a mesma que já imprimira O Livro dos Espíritos; as despesas, como no caso desse livro, também ficaram por conta e risco de Kardec (AK III 21-33; II 76). A Revue era de periodicidade mensal e durante a vida de Kardec funcionou em sua própria residência, ou seja:

· 1o /1/1858 – Rue des Martyrs, 8.

· 15/7/1860 – Passage Ste.-Anne (Rue Ste.-Anne, 59)).

· 1/4/1869 – Nessa data estava programada a transfferência dos Escritórios e do Expediente para a Librairie Spirite, Rue de Lille, 7, que também sediaria provisoriamente a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas; a Redação iria para a Villa Ségur (Av. de Ségur, 39), casa de propriedade de Kardec pelo menos desde 1860, para a qual se mudaria com a dedicada esposa. (AK III 21-24, 35-37, 118-19; II, pp. 24-25). Kardec desencarnou na véspera.

Era Kardec quem redigia integralmente a revista e cuidava de toda sua correspondência e expedição, trabalho hercúleo suficiente para consumir todo o tempo de uma pessoa ordinária. E isso era apenas uma parte de seus trabalhos, havendo ainda os livros, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, as centenas de visitantes anuais, as viagens…[6]

A Revue Spirite constitui rico manancial doutrinário, pouco explorado pelos espíritas. Os originais franceses, necessários para pesquisas cuidadosas, são raríssimos em todo o mundo. Em feliz iniciativa, motivada pela comemoração do 140o aniversário da fundação da Revue, o Centre d’Études Spirites Léon Denis, de Thann, França, está inserindo o precioso material em seu “site” na Internet (http://perso.wanadoo.fr/charles.kempf/), à razão de um fascículo por mês.

Kardec discorre sobre a idéia da criação da Revue em OP 293-94. Em suas própria palavras, ela tornou-se-lhe “poderoso auxiliar” na elaboração da doutrina e na implantação do movimento espírita (AK III 22; OP 294).

A partir da declaração de propósitos do primeiro número da Revista e do exame dos volumes escritos por Kardec (ver também AK III 21-33; II 24-25), podem-se identificar os seus objetivos principais, entre os quais destacam-se:

1. Manter o público atualizado quanto à evolução da ciência espírita;

2. Alertá-lo acerca dos excessos de credulidade e ceticismo;

3. Servir de meio de comunicação entre as pessoas que compreendem a doutrina “sob seu verdadeiro ponto de vista moral”;

4. Veicular relatos de fenômenos espíritas, psicológicos e antropológicos que contribuam para a elucidação da natureza espiritual do ser humano;

5. Fazer a “apreciação racional” desses fenômenos e examinar-lhes as conseqüências;

6. Publicar e analisar criticamente produções mediúnicas selecionadas, obtidas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas ou enviadas por correspondentes;

7. Sondar a opinião dos homens e Espíritos sobre princípios em elaboração;

8. Examinar, à luz do Espiritismo, as crenças, lendas e tradições referentes aos Espíritos;

9. Comentar artigos de jornais, obras literárias, filosóficas e científicas à luz do Espiritismo.

Kardec editou a Revue até o número de abril de 1869, inclusive. Após a morte de Kardec (31/3/69) ela continuou sendo publicada, graças ao idealismo da Senhora Allan Kardec, de Pierre-Gaëtan Leymarie e de Jean Meyer, principalmente (AK III 153-57; Reformador, 09/1990, p. 286). A partir de 1913, aditou-se ao título da revista o artigo ‘la’ (‘a’), a qual ficou, desde então ‘La Revue Spirite’ (AK III 32 e 47).

Em lamentável decisão, a publicação foi extinta em 1976 por André Dumas, junto com a Union Spirite Française,[7] para dar lugar a Renaître 2000 e a Union des Sociétés Fran­cophones pour l’Investigation Psychique et l’Étude de la Survivance (USFIPES), ambas de cunho não-espírita. Sob a lúcida e firme direção de Francisco Thiesen, a FEB envidou esforços para salvá-la em 1977, não obtendo sucesso (AK III 45-57). Felizmente, em 11 de maio de 1989 a Union Spirite Française et Francophone, com sede em Tours, conseguiu judicialmente recuperar o título, retomando a publicação da Revue, com periodicidade trimestral.[8]

5. A Société Parisienne des Études Spirites

1857 – Por volta de outubro desse ano iniciaram-se reuniões espíritas na residência do casal Allan Kardec, à Rue des Martyrs, 8. Aconteciam às terças-feiras à noite e o médium principal era a Srta. Ermance Dufaux. Com o número crescente de freqüentadores, fez-se indispensável encontrar um local mais amplo. A solução encontrada foi alugar uma sala, cotizando-se as despesas entre as pessoas. (OP 294-95; AK III 34)

1858 – A 1o de abril é fundada legalmente a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, ou, em francês, Société Parisienne des Études Spirites (SPES), cujo título Kardec freqüentemente abreviava para ‘Societé Spirite de Paris’, ‘Societé des Études Spirites’, ou mesmo ‘Societé de Paris’.

Foi nas reuniões semanais da Société que boa parte das atividades mediúnicas e de estudo supervisionadas por Kardec se desenvolveram. As portas da SPES não eram abertas ao público, conquanto houvesse “reuniões gerais” em que visitantes apresentados por membros da Société podiam ser admitidos; essas reuniões se alternavam, semanalmente, com as “reuniões particulares”, às quais somente os sócios tinham acesso. Isso se compreende perfeitamente, dados os objetivos das reuniões, ligados essencialmente à pesquisa teórica e experimental dos fenômenos. A Société era, assim como a Revue, um terreno de elaboração da doutrina espírita. (OP 294-95; AK III 34-44; II 36-37)

Durante a vida de Kardec, a SPES esteve em três endereços (OP 295; AK III 35-37 e 118):

· 1o /4/1858 – Galerie de Valois, 35, no Palais Royal. As reuniões eram às terças-feiras. O Palais Royal é importante edifício histórico situado ao lado do Louvre. Foi construído pelo Cardeal Richelieu no século XVII. Suas elegantes galerias externas, que circundam o jardim (Galeries Montpensier, de Beujolais e de Valois), foram mandadas construir por Louis-Philippe d’Orléans, na segunda metade do século seguinte. Na Galerie d’Orléans (do séc. XIX) ficavam as livrarias de Dentu (no 13) e Ledoyen (no 31), que editaram várias das obras espíritas de Kardec (ver adiante).

· 1o /4/1859 – Galerie Montpensier, 12, no Palais Royal (num salão do restaurante Douix). Nesse local SPES reunia-se às sextas-feiras.

· 20/4/1860 – Passage Ste.-Anne (Rue Ste.-Anne, 59). Nesse mesmo endereço, a partir de 15 de julho, passa a residir Kardec, que levou consigo a Revue Spirite. Embora nessa época já possuísse a casa da tranqüila Villa Ségur, Allan Kardec viu-se na contingência de se alojar nesse apartamento com a abnegada esposa, dividindo espaço com a Revue e a SPES, para economizar seu minguado tempo.

· 1/4/1869 – Estava programada para essa data a trransferência provisória da Société para a Librairie Spirite, Rue de Lille, 7. Com a desencarnação de Kardec, a transferência ainda se verifica, mas a SPES não se sustenta por muito tempo.

6. As outras obras importantes de Allan Kardec

Fornecemos a seguir alguns dados sobre as principais obras de Allan Kardec (além de O Livro dos Espíritos, de que já tratamos; para uma lista possivelmente completa, ver AK III 15, 18 e 19). Algumas das informações referentes a dias e meses das publicações foram colhidas nas edições da FEB. Quanto às edições em francês atuais, indicamos as que pessoalmente possuímos; em alguns casos, há nas livrarias outras edições.[9] Abreviaremos os dados referentes aos editores originais segundo estas convenções (note-se que várias das obras saíram por mais de um editor):

* Dentu ¾ E. Dentu, Libraire. Palais Royal, Galerie d’Orléans, 13.

* Ledoyen ¾ Ledoyen, Libraire. Palais Royal, Galerie d’Orléans, 31.

* Didier ¾ Didier et Cie., Libraires-Éditeurs. Quai des Augustins, 35.[10]

1858 – Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas (Instruction pratique sur les manifestations spirites). Contendo a exposição completa das condições necessárias para se comunicar com os Espíritos, e os meios de se desenvolver a faculdade mediadora nos médiuns. Paris, bureau da Revue Spirite, Rue des Martyrs, 8; Dentu; Ledoyen.

Com a publicação de O Livro dos Médiuns, em 1861, Kardec deixou de imprimir a Instrução (152 pp.), à época já esgotada, considerando-a superada, quanto à abrangência, pela nova obra. O livro é, porém, de significativo valor histórico; hoje está novamente disponível em francês (Paris, La Diffusion Scientifique) e em português, em tradução de Cairbar Schutel (in: Iniciação Espírita, 6a ed., São Paulo, Edicel, 1977; foi também publicado pela Casa Editora O Clarim, de Matão, em 1987).

1859 – O que é o Espiritismo (Qu’est-ce que le Spiritisme). Introdução ao conhecimento do mundo invisível pelas manifestações dos Espíritos, contendo o resumo dos princípios da doutrina espírita e respostas às principais objeções.[11] Ledoyen. [100 pp.]

Edição francesa corrente: Paris, Dervy-Livres. Tradução brasileira recomendada: Rio, FEB (não se indica o tradutor).

1860 – (março) – Segunda edição de O Livro dos Espíritos. Contendo os princípios da doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens; as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade. Segundo o ensino dado pelos Espíritos Superiores com o auxílio de diversos médiuns, recolhidos e ordenados por Allan Kardec. Segunda edição, inteiramente refundida e consideravelmente aumentada. Didier; Ledoyen.

Acima do título, aparece agora a frase “Filosofia espiritualista”. Essa nova edição, que se tornou definitiva, tem 1019 questões, distribuídas em quatro partes. É acrescentada a Conclusão, mas o índice alfabético infelizmente não mais existe. A forma de exposição dupla não aparece em nenhuma das partes. As notas vêm agora logo após as respostas dos Espíritos, sendo muitíssimo mais numerosas; é fácil ver que muitas delas provêm do texto corrido da primeira parte da primeira edição.[12]

1861 – (15 de janeiro) – O Livro dos Médiuns (Le livre des médiums), ou guia dos médiuns e dos evocadores. Contendo o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de se comunicar com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos com que se pode deparar na prática do Espiritismo. Para fazer seqüência ao Livro dos Espíritos. Didier; Ledoyen. [498 + iv pp.; AK III 173]

1861 – Segunda edição de O Livro dos Médiuns. Revista e corrigida com o concurso dos Espíritos, e acrescida de grande número de instruções novas. Didier; Ledoyen. [510 + viii pp.]

Edição francesa corrente: Paris, Dervy-Livres. Edição brasileira recomendada: FEB, tradução de Guillon Ribeiro, inteiramente revista a partir da 59ª edição.

1862 – (fevereiro) – O Espiritismo na sua expressão mais simples (Le Spiritisme à sa plus simple expression). Exposição sumária do ensino dos Espíritos e de suas manifestações. Ledoyen. [36 pp.]

Em 1994 esse opúsculo foi recentemente reeditado pelo Centre d’Études Spirites Allan Kardec, de Paris. Existem várias traduções para o vernáculo, sendo hoje disponíveis as de Dafne R. Nascimento, publicada pela Federação Espírita do Estado de São Paulo em 1984, e a de Joaquim da Silva Sampaio Lobo (in: Iniciação Espírita, 6a ed., São Paulo, Edicel, 1977).[13]

1862 – Viagem Espírita em 1862 (Voyage spirite en 1862). Contendo: 1. As observações sobre o estado do Espiritismo; 2. As instruções dadas por Allan Kardec nos diferentes grupos; 3. As instruções sobre a formação dos grupos e das sociedades, e um modelo de regulamento para o uso deles e delas. Ledoyen. [64 pp.]

Esse livro é atualmente publicado em Paris pela Éditions Vermet; no Brasil, em Matão, pela Casa Editora O Clarim, em tradução de Wallace Leal Rodrigues. Nenhuma dessas edições trazem dizeres após o título; tomamo-los de AK III 18.[14] Afora as mencionadas instruções e regulamento, o corpo da obra consiste de três discursos proferidos por Kardec aos espíritas de Lyon e Bordeaux em sua famosa viagem.

1864 – (abril) – Imitação do Evangelho segundo o Espiritismo (Imitation de l’Évangile selon le Spiritisme). Contendo a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas posições da vida. Por Allan Kardec, autor do Livro dos Espíritos. Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade. Paris, os editores do Livro dos Espíritos; Ledoyen, Dentu, Fréd. Henri, livreiros, no Palais Royal, e no escritório da Revue Spirite, Rue e Passage Sainte-Anne, 59.

Essa obra, impressa na Imprimerie de P.-A. Bourdier et Cie, Rue Mazarine, 30, possui 444 + xxxvi páginas. É precursora de O Evangelho segundo o Espiritismo. No entanto, é de grande valor histórico, sendo essa a razão pela qual em 1979 a FEB reeditou-a em reprodução fotográfica. Não temos notícia de outras edições recentes, nem de traduções. Naturalmente, ‘imitação’ aqui não se deve entender no sentido hoje popular, de ‘cópia’, mas no de ‘prática’ (ver as anotações de Hermínio Miranda à edição febiana para esclarecimentos adicionais).

1865 – (1o de agosto) – O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo (Le ciel et l’enfer, ou la justice divine selon le Spiritisme). Contendo o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, as penas e recompensas futuras, os anjos e os demônios, as penas eternas, etc.; seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte. “Por mim mesmo juro, disse o Senhor Deus, que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva.” (Ezequiel, 33:11). Paris; os editores de O Livro dos Espíritos, Librairie Spirite.

Em nossos dias, está disponível edição belga da Éditions de l’Union Spirite. A tradução da FEB é, neste caso, de Manuel Quintão. (AK III 108 faz menção à “21a edição, revista, 1974, FEB.”)

1866 – O Evangelho segundo o Espiritismo (L’Évangile selon le Spiritisme).

Os dizeres da página de rosto são idênticos aos de Imitation, exceto pela data e pela frase “Terceira edição, revista, corrigida e modificada”. Segundo se infere do que é dito no prefácio de Thiesen à edição febiana de Imitation (página 15, não numerada), a segunda edição, de 1865, seria apenas outra tiragem da edição princeps. No entanto, em AK III 18 está escrito: “Da 2a ed. – 1865 – em diante, essa obra tomou novo título…”, querendo-se com isso dizer que já na 2a edição o título fora mudado para O Evangelho segundo o Espiritismo, tal como consta na coluna 322 do tomo II do Catalogue Général des livres imprimés de la Bibliothèque Nationale (Auteurs), Paris, Imprimerie Nationale, MDCCCXCIX, edição essa assim catalogada na referida Biblioteca: R 39901. Na Revue de 1865, meses antes do lançamento da 3a edição, já se fazia referência, em artigos, a O Evangelho segundo o Espiritismo, certamente da 2a edição.[15]

De qualquer modo, é a terceira edição que se tornou definitiva, servindo de base para as edições posteriores em francês e nos vários idiomas em que foi traduzida. Também devido à sua raridade e seu valor histórico, a FEB lançou, em 1979, uma reprodução fotográfica dessa edição. Na França, é hoje em dia publicada por La Diffusion Scientifique. Em português, a tradução clássica recomendada é a de Guillon Ribeiro (FEB), inteiramente revista a partir da 104a edição.

1868 – (6 de janeiro) – A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo (La genèse, les miracles et les prédictions selon le Spiritisme). Paris, Librairie Internationale.

Esse foi o último livro publicado por Kardec. Pode ser encontrado hoje em edição da La Diffusion Scientifique, de Paris. A corrente edição da FEB foi traduzida por Guillon Ribeiro, da 5a edição francesa, “revista, corrigida e aumentada”.

1890 – Obras Póstumas (Œuvres Posthumes). Paris, Société de Librairie Spirite. [450 pp.]

Organizado e editado por Pierre-Gaëtan Leymarie, esse livro reúne importantes textos de Kardec, quer de caráter teórico, sobre diversos assuntos, quer sobre fatos relativos às atividades espíritas do mestre. Em AK III 19 lê-se que uma segunda edição veio a lume ainda no mesmo ano de 1890. Guillon Ribeiro traduziu o livro para a FEB, a partir da primeira edição francesa. Hoje está disponível, em francês, a edição parisiense da Dervy-Livres, em que, no entanto, as matérias foram rearranjadas e renomeadas relativamente à edição original de Leymarie. Um aprofundado estudo sobre a história dessa obra pode ser lido no artigo “No centenário de Obras Póstumas”, de Zêus Wantuil, estampado em Reformador de janeiro de 1990, pp. 3 e 4.

Consoante o objeto deste nosso trabalho, a lista que acaba de ser dada menciona somente os textos mais importantes, dando, a seu respeito, apenas algumas informações básicas. O volume III da obra Allan Kardec é de consulta obrigatória para o estudioso que queira acercar-se da fonte mais extensa e segura de dados sobre o conjunto da produção de Kardec.

7. A partida de Allan Kardec e alguns acontecimentos posteriores

1869 – (31 de março) – Desencarna subitamente Allan Kardec, enquanto atende a um caixeiro de livraria, no seu apartamento da Rue Ste.-Anne, muito provavelmente vitimado pela ruptura de um aneurisma de aorta (AK III 110, 116 e 119). No dia seguinte, deveria desocupar esse imóvel, indo para a casa da Villa Ségur; os escritórios da Revue iriam para a Rue de Lille, 7 (onde funcionava a Librairie Spirite), que sediaria também a SPES.

O corpo foi sepultado ao meio-dia de 2 de abril, no cemitério de Montmartre. Estima-se que mais de mil pessoas acompanharam o cortejo, que seguiu pelas ruas de Grammont, Laffitte, Notre-Dame-de-Lorette, Fontaine e pelo Boulevard de Clichy. À beira da sepultura, Camille Flammarion, astrônomo e médium da SPES, pronunciou o seu importante discurso, que a FEB fez figurar na sua edição de Obras Póstumas. Na primeira reunião da SPES após esse fato, os membros presentes lançaram a idéia de se levantar um monumento ao mestre, que logo recebeu adesão de espíritas de muitas cidades. Foi assim que se fez construir o famoso dólmen do cemitério Père-Lachaise, para onde os restos mortais de Kardec foram transladados a 29 de março de 1870.

1870 – (31 de março) – Inaugura-se o monumento druida do Père-Lachaise. Esse famoso cemitério é considerado museu, tendo sido ali sepultados inúmeros dos grandes vultos franceses e mesmo de outros países. O de Kardec é o túmulo mais visitado e o mais florido de todos.[16]

Quando de sua inauguração, o dólmen não registrava a célebre frase “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir continuamente, tal é a lei”, que foi insculpida ainda em 1870. Ao contrário do que muitas vezes se afirma, essa frase não se deve textualmente ao próprio Kardec, não obstante represente corretamente o pensamento espírita (AK III 118-152).

1871 – ( junho) – Pierre-Gaëtan Leymarie assume a gerência da Revue e da Librairie Spirite (AK III 157).

1875 – Vêm à público as primeiras edições brasileiras de livros de Kardec (excetuando-se o já citado opúsculo O Espiritismo na sua Expressão mais simples, publicado em São Paulo em 1862; ver nota no 10, acima): O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Céu e o Inferno, traduzidos pelo Dr. Joaquim Carlos Travassos. No ano seguinte, 1876, também apareceria, pelo mesmo tradutor, O Evangelho Segundo o Espiritismo. O Editor dessas obras foi B. L. Garnier, do Rio de Janeiro. (AK III 175-80)

1883 – (21 de janeiro) – Desencarna Madame Allan Kardec. Dois dias após seu corpo é sepultado junto ao do esposo, no Père-Lachaise, saindo o féretro de sua casa na Villa Ségur. Amélie-Gabrielle Boudet nascera em 1795, a 23 de novembro, e não a 21, como se insculpiu no túmulo. (AK III 158-60)

1883 – (21 de janeiro) – Fundação, por Augusto Elias da Silva, da revista Reformador.

1884 – (2 de janeiro) – Fundação da Federação Espírita Brasileira, também por Augusto Elias da Silva, à qual Reformador passa a pertencer.

1898 – A Revue muda-se da Rue du Sommerard, 12 para a Rue St.-Jacques, 42, onde permaneceu por um bom tempo; no local existe hoje a Librairie Leymarie, que pertenceu a Pierre-Gaëtan Leymarie. (AK III 226-27)

1923 – Jean Meyer funda a Maison des Spirites, na Rue Copernic, 8 (AK I 172; cf. porém AK III 203 ). Continha arquivos importantes que foram destruídos pelos nazistas. Sediou a Éditions Jean Meyer (B.P.S), que publicou muitas das obras clássicas do Espiritismo, bem como a Revue, de 1923 a 1971, quando morreu Hubert Forestier (AK III 227).

8. Relação dos endereços:

Fornecemos abaixo uma relação dos principais endereços ligados ao Espiritismo na França, destinada a facilitar visitas e a localização em mapas:

1) Rue Sale, 76 (Lyon) – Local onde nasceu Rivail.

2) Rue de la Harpe, 117 – Rivail estava nesse endereço em janeiro de 1823.

3) Rue Vaugirard, 65 – Rivail esteve nesse endereço pelo menos de 1828 a 1831.

4) Rue Christine, 5 – Imprimerie de Pilet-Ainé, que em 1824 publicou o primeiro livro de Rivail.

5) Rue de Sèvres, 35 – Institution Rivail, de 1826 a 1834; Lycée Polymathique, até 1850.

6) Rue Grange-Batelière, 18 – Casa da Sra. Plainemaison, onde Rivail fez as primeiras observações, em maio de 1855.

7) Rue Rochechouart – Família Baudin, 1855. Aqui começaram as pesquisas sistemáticas de Rivail.

8) Rue Lamartine – Novo endereço dos Baudin, a partir de 1856. Grande parte do trabalho inicial de Kardec desenvolve-se nesse local.

9) Rue Tiquetonne, 14 – Casa do Sr. Roustan. Com a médium Srta. Japhet, Rivail realizou aí importantes trabalhos, como a revisão de O Livro dos Espíritos.

10)Rue des Martyrs, 8 (segundo andar, ao fundo do pátio) – Residência de Rivail pelo menos desde março de 1856, ficando até 14/7/1860. Em outubro de 1857, começaram aí as reuniões de estudo que dariam origem à SPES. No local foi lançada 1a edição de O Livro dos Espíritos (18/4/57) e a Revue Spirite (1/1/58).

11)Saint-Germain-en-Laye (23 km oeste de Paris) – Imprimerie de Beau, que imprimiu a 1a ed. de O Livro dos Espíritos e a Revue Spirite.

12)Galerie d’Orléans, 13 (Palais Royal) – Dentu, editor da 1a edição de O Livro dos Espíritos, da Instrução Prática, da Imitação e de O Evangelho.

13)Galerie d’Orléans, 31 (Palais Royal) – Ledoyen, editor da 2a ed. de O Livro dos Espíritos, da Instrução, de O Livro dos Médiuns, de O Espiritismo em sua expressão mais simples, da Viagem Espírita, da Imitação, de O Evangelho e de O Céu e o Inferno.

14)Galerie de Valois, 35 (Palais Royal) – primeiro endereço da SPES, a partir de 1/4/58 (reuniões às terças-feiras)

15)Galerie de Montpensier, 12 (Palais Royal; restaurante Douix) – segundo endereço da SPES, a partir de 1/4/59.

16)Quai des Augustins, 35 – Didier et Cie, editor da 2a edição de O Livro dos Espíritos, de O Livro dos Médiuns e de O Céu e o Inferno.

17)Rue Mazarine, 30 – Imprimerie de P.-A. Bourdier et Cie, que imprimiu L’Imitation de l’Évangile, em abril de 1864.

18)Passage Sainte-Anne (Rue Sainte-Anne, 59) – SPES, a partir de 20/4/60; domicílio de Kardec e Revue Spirite, a partir de 15/7/60;

19)Villa Ségur (Av. de Ségur, 39) – casa de propriedade de Kardec pelo menos desde 1860, para a qual se mudaria definitivamente em 1/4/1869. O casal por vezes usava a casa para recepcionar visitas e para realizar trabalhos que exigiam recolhimento. Amélie-Gabrielle ficou nela até sua morte, em 1883. Era desejo de Kardec que a casa se transformasse, quando não mais estivessem encarnados ele e a esposa, em abrigo para espíritas desvalidos.

20)Rue de Lille, 7 – Revue e SPES depois da morte de Kardec (31/3/69); aí já funcionava a Librairie Spirite.

21)Rue du Sommerard, 12 – Sediou a Revue por breve período, de 1897 (quando foi liquidada a Librairie Spirite ) a 1898 (AK III 202, 227 e 262).

22)Rue Saint-Jacques, 42 – Librairie Leymarie, que abrigou a Revue de 1898 até 1923 (AK III 227); existe ainda hoje como livraria espiritualista.

23)Rue Copernic, 8 – Maison des Spirites, fundada em 1923 por Jean Meyer (AK I 172), funcionou até a década de 1970.

24)Rue Jean-Jacques Rousseau, 15 – Union Spirite Française, fundada em 1919 por Jean Meyer e Gabriel Delanne; substituída em 1976 pela U.S.F.I.P.E.S.

25)Rue du Docteur Fournier, 1, 37000 Tours – Union Spirite Française et Francophone, que atualmente publica La Revue Spirite.

26)Rue de Flandre, 131, Résidence Île de France, bâtiment E1, 75019 Paris, tel.: (01)42090869- Centre d’Études Spirites Allan Kardec (em funcionamento).

27)Cemitério de Montmartre (região norte de Paris) – Sepultamento de Kardec a 2/4/69.

28)Cemitério do Père-Lachaise (região leste de Paris) – Sepultura definitiva de Kardec, a partir de 29/3/70; o dólmen é inaugurado dois dias depois.

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[1] Gostaríamos de expressar nosso agradecimento a Zêus Wantuil, que leu com excepcional cuidado uma versão preliminar deste trabalho, contribuindo, com sua experiência e erudição, para que diversas falhas de conteúdo e de forma fossem eliminadas. Forneceu-nos ainda algumas informações históricas bastante relevantes, que não pudéramos haver obtido de outra forma; as principais delas são explicitamente indicadas nos locais pertinentes do texto.
[2] Na p. 79 do vol. I da obra Allan Kardec, encontra-se estampada a página de rosto de uma edição parisiense de 1961 do livro de Moreil, da editora Sperar. Em sua introdução a esse vol. I, Thiesen se refere, à p. 26, a uma tradução para o vernáculo, de Miguel Maillet, publicada sem data em São Paulo pela Edicel. Zêus Wantuil gentilmente informou-nos que tal tradução brasileira teve sua impressão concluída em junho de 1966.
[3] A primeira edição dessa biografia data de 1896 e aparecia traduzida na coletânea O Principiante Espírita, que a FEB publicava no passado; a quarta edição foi prefaciada por Léon Denis (ver Allan Kardec, vol. I, pp. 200, 198 e 29; vol. II, p. 15). Há referências a uma “nouvelle édition”, de 1910, com prefácio de Gabriel Delanne (ver ibid., vol III, p. 117 e vol II, p. 15).
[4] Em Obras Póstumas, p. 271, há uma comunicação atribuída à mediunidade da Senhora (“Mme” ) Baudin; teria sido uma falha tipográfica, ou ela também era médium? Embora na página 267 Kardec diga que os médiuns eram “as duas senhoritas Baudin”, nas comunicações mediúnicas transcritas nunca especifica qual serviu de médium, escrevendo simplesmente “Mlle Baudin”. Na Revue Spirite de 1858 (ver AK II 64-65) Kardec refere-se explicitamente a uma série de comuncações transmitidas por Caroline, notando, incidentalmente, que “mais tarde o médium se serviu da psicografia direta”. Em OP 271 Kardec relata que em fins de 1857 ambas se casaram e a família se dispersou, ficando implícito que não pôde mais contar com sua mediunidade. Em seus controversos comentários à edição bilíngüe da primeira edição de O Livro dos Espíritos (p. viii), Canuto Abreu avança que Caroline e a irmã tinham, em agosto de 1855, 16 e 14 anos, respectivamente, e que a mais velha era o médium principal; não pudemos confirmar essas informações em fontes independentes.
[5] Esses dizeres que se seguem ao título são os que constam da página de rosto da obra (ver fac-símile à p. 75 de AK II). Observações semelhantes valem para os demais livros de Kardec mencionados nas seções seguintes.
[6] Em 1866 sofreu séria crise de saúde, conseqüente à sobrecarga de trabalho e de preocupações, sendo assistido pelo Dr. Demeure, que o advertiu quanto aos limites das forças corporais. Por insistência desse Espírito, Kardec passou a contar, para a correspondência comum e a parte mais material das tarefas, com a ajuda de um secretário, o Sr. A. Desliens, médium e membro da SPES ( AK III 111, 286, 301, 302 e 42). Com a desencarnação do mestre em março de 1869, Desliens ficou como secretário-gerente da Revue, até junho de 1871 (AK III 157, 136).
[7] A Union Spirite Française foi fundada por Jean Meyer e Gabriel Delanne em 1919, não tendo relação direta com a antiga SPES, que encerrou suas atividades ainda no século passado, bem pouco tempo após a morte de Kardec. (AK II 16 e 17; III 156)
[8] Notícia veiculada em Reformador, abril e maio de 1990, pp. 128 e 130, respectivamente; ver também La Revue Spirite, janeiro de 1997 (no 30), p. 7. Assinaturas podem ser feitas escrevendo-se para o endereço da USFF: 1, Rue du Docteur Fournier, 37000 Tours, France. A USFF pode também ser contactada por e-mail (union.spirite@creaweb.fr), tendo recentemente inaugurado sua “página” na Internet (http://www.creaweb.fr/union-spirite). Além de editar La Revue Spirite, a Union, promove o intercâmbio entre os grupos espíritas da França (pouco mais de uma dezena, a maioria de criação recente), e tem representado o movimento espírita francês no plano internacional. Segundo se depreende de artigo da autoria de Affonso Soares publicado em Reformador de novembro de 1986 (p. 341), a USFF teria sido fundada em fins de 1985, junto com uma publicação oficial, a Revue des Spirites. No entanto, no número de junho de 1989 do periódico febiano, o mesmo autor diz que a fundação da Union ocorreu em 1987; este dado parece dever-se a um lapso. Neste artigo mais recente assevera-se ainda que a publicação trimestral se chama La Nouvelle Revue Spirite. Desse modo, antes de conseguir recuperar o título ‘La Revue Spirite’ o valoroso grupo espírita de Tours teria dado dois outros nomes à sua revista.
[9] No “site” da Federação Espírita Brasileira na Internet (http://www.febrasil.org.br) estão disponíveis diversas obras de Kardec, em francês, português, inglês e espanhol. Alguns outros originais franceses podem ser encontrados no “site” do Centre d’Études Spirites Léon Denis (http://perso.wanadoo.fr/charles.kempf/). No primeiro desses endereços também está a Livraria Virtual da FEB, com seu rico acervo de obras. Destacamos ainda que as exemplares traduções febianas das obras de Kardec foram recentemente lançadas em CD-ROM, que pode ser adquirido escrevendo-se para a FEB ou para info@apalavradigital.com.br .
[10] Pierre-Paul Didier foi um dos mais dedicados colaboradores de Kardec, membro fundador da SPES, tendo nela atuado como médium (AK III 377, 79, 323 e 82); desencarnou em 2/12/1865, mas como Espírito continuou diretamente envolvido nas atividades de Kardec (ibid. 85, 92, 289).
[11] Não vimos a primeira edição; nas edições a que tivemos acesso, há divergência quanto ao texto que segue ao título. O que traduzimos consta da edição atual da Dervy. Nas notícias da segunda edição de O Livro dos Espíritos (ver fac-simile no Reformador de abril de 1989, p. 105) está do seguinte modo: “Introduction à la connaissance du monde invisible ou des Esprits, contenant les principes fondamentaux de la doctrine spirite et la réponse à quelques objections préjudicielles.” O que se encontra em AK III 15 corresponde aproximadamente a esse texto.
[12] Constatou-se, em época relativamente recente (ver Reformador, abril de 1989, pp. 104-107), que Kardec anexou à segunda edição algumas notas e erratas, destinadas a complementar e corrigir o texto. Pôde-se também verificar que na oitava edição elas ainda apareciam; não se sabe a partir de qual edição deixaram de figurar, nem por que Kardec não conseguiu inserir as correções e acréscimos refundindo o texto. Lamentavelmente, nem as edições francesas atuais nem as traduções para o vernáculo incorporam ou sequer mencionam as modificações, que o próprio Kardec considerava imprescindíveis. Parece-nos de suma importância que esse material venha a público de forma completa, e que seja incorporado às novas edições.
[13] Em AK III 18, 176 e 353-54 informa-se acerca de três traduções antigas: uma por Alexandre Canu, colaborador da SPES, “que se achava à venda com J.P. Aillaud, Monlon e C…, em Lisboa, Rio de Janeiro e em Paris (1862); outra publicada em São Paulo, sem indicação de tradutor, pela Typographia Litteraria (1866); e finalmente outra da FEB, traduzida e anotada por Guillon Ribeiro (não se menciona a data da primeira edição, dizendo-se apenas que ainda há nos arquivos exemplares de 1921 e 1933).
[14] Zêus Wantuil gentilmente confirmou-nos que são os que constam na edição original da obra.
[15] As substanciais informações desse parágrafo foram-nos comunicadas por Zêus Wantuil, a quem agradecemos.
[16] Destaca-se esse ponto no próprio mapa do cemitério. Na madrugada 2 de julho de 1989 o túmulo sofreu um atentado a bomba, que o danificou parcialmente, sendo posteriormente restaurado pela Prefeitura de Paris. (Reformador, julho de 1989, p. 194, e setembro de 1990, p. 284.)

Texto fantástico e completo do Silvio Seno Chibeni.

#Espiritismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/origens-do-espiritismo

A Filosofia

O termo Filosofia, de origem grega, significa amor (Philo) à sabedoria (Sophia), ou seja, uma filiação, ou identidade, com o Conhecimento. Sophia é para os gnósticos uma entidade, um princípio, uma deidade. O homem pode aspirar a ela, vivenciando-a como um estado de sua consciência. Não esqueçamos que para a Cabala esta esfera é Hokhmah, Sabedoria, um dos princípios ontológicos do Ser, o que conjuntamente com sua parelha feminina, Binah, a Inteligência, conforma a base da primeira tríade da Árvore da Vida, e é atributo, ou nome, da divindade. A autêntica sabedoria, a Filosofia da Antigüidade, não só é uma Ontologia, e também uma Cosmogonia, senão que toda sua estrutura tende à Metafísica. Em verdade, poder-se-ia dizer que esta Filosofia é uma Teosofia.

Utilizaremos o termo “Teoria” em sua acepção etimológica, ou seja, o Conhecimento da deidade, ou o atributo de sua sabedoria, como estado vivido na própria consciência; e o de “Metafísica” (mencionado mais atrás) como aquilo que está mais além da física, incluindo não só o mundo material, senão o psicológico, e mesmo o dos princípios do Ser (ontologia), e que se acha desde logo muito longe do percebido pelos sentidos, e do expressado pelos fenômenos, segundo a apreciação corrente que costumamos ter dos mesmos. Este amor à Sabedoria, atributo do Ser Universal, leva à identificação com esse princípio, que se Conhece e que se percebe no interior da consciência. O mesmo é válido para a compenetração com a Inteligência Universal. Desgraçadamente, com o obscurecimento gradual dos tempos em que vivemos, a Filosofia tem perdido sua luz primigênia e terminou por se converter num mero jogo dialético, ou num exercício retórico e racional que não pode se evadir de sua própria sistematização.

#hermetismo

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Chico Xavier e a Homossexualidade

Hoje faz 10 anos que Chico Xavier se ausentou deste lado do véu, num dia feliz, conforme o prometido, quando a seleção brasileira venceu a Copa do Mundo…

Muitas pessoas tem um conceito pré-estabelecido sobre Chico. Muitas pessoas jamais se preocuparam em estudar a vida de Chico, pelo menos não mais do que 15 minutos no Google, buscando por textos que, em todo caso, apenas reafirmam seu conceito pré-estabelecido.

Agora eu lhe convido para ouvir o que Chico tem a dizer sobre a homossexualidade, por cerca de 4 minutos (no vídeo abaixo).

Poderia lhe trazer aqui inúmeros outros assuntos sobre o qual Chico não apenas falou, como foi um exemplo moral de conduta. Porque então a homossexualidade? Ora, porque se você tem um conceito pré-estabelecido sobre Chico, mas é um cético ou ateu, então provavelmente você também é um humanista, e defende o fim do preconceito contra os homossexuais. E se você é um “evangélico com asco de espiritismo”, em todo caso você provavelmente nem leu até esta linha…

Não é preciso acreditar em espíritos para compreender o que Chico disse sobre a homossexualidade. Mas é interessante lembrar do momento histórico em que esta pergunta foi realizada:

Alvo de muitas especulações por parte da mídia desde o final da década de 50, Chico havia decidido por se preservar. Foram 20 anos sem qualquer contato com a imprensa. O silêncio foi rompido em 1971, quando o médium mineiro apareceu ao vivo no programa de entrevistas Pinga- Fogo, da extinta TV Tupi. Foi um marco. A audiência chegou a 75% dos televisores ligados, a maior da história da televisão brasileira.

Veja bem, se até hoje ainda existe muito preconceito para com a pessoa de Chico, naquela época era tanto pior. O espiritismo no Brasil ainda crescia muito timidamente, e era muito mais comum encontrar pessoas com asco “daquela turma que fala com mortos, e que certamente vai para o inferno”. Porém, tanto pior que isso, muitos tinham Chico como um homossexual, já que não tinha filhos nem mulher, e parecia ser “muito gentil” (na verdade Chico foi virgem a vida toda, assexuado). Quando a pergunta vinda de uma das pessoas que ligavam de todo o país foi feita (“Chico, fale sobre o homossexualismo a luz da doutruna espírita”), seria normal esperar que Chico desviasse do assunto, ou que fosse vago, pois afinal de contas, Chico não tinha nenhuma experiência com sexualidade alguma!

Além disso, o preconceito contra homossexuais era obviamente muito maior no início da década de 70. Não preciso nem explicar porque, não é? Pois bem, considerando tudo isso, goste ou não da pessoa de Chico, conheça ou não sua história, creia ou não em espíritos, observe se ele não foi corajoso nesta resposta…

Lá pelo final, quando o mediador estava doido para entrar com o comercial e encerrar o assunto inesperado, veio este trecho aqui (resumido): “Se as potências do homem na visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro, nos recursos gustativos, nas mãos, nos pés; se todas essas potências foram dadas ao homem para a educação, potências consagradas para o bem e a luz, mereceria o sexo, e as várias manifestações sexuais onde há respeito e carinho de ambas as partes, serem sentenciados às trevas?”

***

“O Pinga-Fogo com Chico Xavier foi um marco na história do espiritismo [no Brasil], que crescia com timidez; depois das entrevistas, a doutrina espírita ganhou o justo respeito. Não é um exagero dizer que há este divisor de águas – o antes e o depois do Pinga-Fogo, que, com o poder de penetração da televisão e do rádio (a rádio Tupi também transmitiu o programa), contagiou milhões de pessoas, levando-lhes este autêntico representante do espiritismo, Chico Xavier”.

Saulo Gomes, jornalista que esteve presente no Pinga-Fogo (texto retirado de Pinga-Fogo com Chico Xavier, publicado pela Editora Intervidas, que traz a transcrição completa de tudo que foi dito no programa).

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Veja também:

» Passeios de aeróbus

» Animais, espíritos e deuses

» Chico Xavier: charlatão?

» Levítico: pedras não faltarão

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#ChicoXavier #homossexualidade

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A Cor Vermelha

A cor vermelha é predominante no oriente. Seja no Japão ou na China, sempre encontramos elementos tradicionais que marcam suas culturas pintados com essa cor. Os templos xintoístas geralmente são vermelhos; os nós chineses são preferencialmente atados com fio de seda vermelho, e no Feng Shui, três moedas chinesas amarradas com fio vermelho atraem prosperidade. O que significa a cor vermelha para os chineses e japoneses?

O fundamento vem da tradição taoísta, que posteriormente permeou as tradições japonesas do onmyoudou e do xintoísmo, eventualmente espalhando-se para outras escolas.

O vermelho é a cor do quadrante sul, regido por Zhu Qiao (ou Suzaku, em japonês), o Pássaro Vermelho do Sul, a região quente e luminosa na qual os seres percebem-se uns aos outros, correspondente ao Verão e ao movimento Fogo. Na Sequência do Céu Posterior, o trigrama do sul é Li, o Fogo. Por isso, os sábios se voltavam para o sul quando escutavam o sentido do universo, e os governantes sentavam em direção ao sul quando davam suas audiências, pois isso significa que governavam voltados para a Luz.

O princípio luminoso é o princípio Yang, o ativo, o gerador. O Sol brilhando no céu é uma das imagens do trigrama Li, e é também uma das representações da energia Yang.

Dessa forma, possui a cor vermelha, por conseguinte, a mesma capacidade calorosa e ativa, e o mesmo princípio forte, luminoso e gerador.

A título de curiosidade, especificamente no Japão, as crianças costumam pintar o sol em seus desenhos como uma grande bola vermelha, igual ao retratado na bandeira do Japão. Ademais, o vermelho, além de ser uma cor do sol e do fogo, da força da vida, e muito utilizada em talismãs e amuletos para afastar o mal, também é utilizado para designar recém nascidos e crianças muito pequenas. Para os que conhecem o idioma, “vermelho” em japonês é “akai”. As crianças, então, são chamadas de “aka-chan”.

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Originalmente publicado no blog Magia Oriental em 01/03/2012

Aoi Kuwan é autora do blog Magia Oriental, dedicado à divulgação das tradições e sistemas de magias orientais, especialmente daqueles ligados ao Japão.

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#MagiaOriental

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-cor-vermelha

Casamento em Beltane

O Sabbat de Beltane é celebrado no Hemisfério Norte em 1º de Maio e no Hemisfério Sul no dia 31 de Outubro e marca a união da Deusa e do Deus. É a união entre os princípios masculino e feminino da criação, a união dos meios de todos os poderes que trazem vida a todas as coisas.

Representa a fertilidade dos animais e as colheitas do próximo ano. Comemora-se a fertilidade, o amor que dá forças à tudo e o retorno do Sol com toda a sua intensidade.

A palavra Beltane vem do nome do Deus céltico Bel, Deus Celta do Sol e do Fogo, que era o senhor da vida, da morte e do mundo dos espíritos. Com grandes chifres, ao contrário dos dias de hoje, é sinônimo de poder, de masculinidade e de força. Tinne é uma palavra céltica que significa fogo. Assim, Beltane quer dizer Fogo de Bel.

Beltane é o tempo de fertilizar, nutrir e encorajar aquilo que plantamos em Ostara, que são nada mais nada menos que os nossos próprios desejos.

Essa é uma época propícia para as magias que celebrem a fertilidade e a sexualidade. Inúmeros encantamentos para a cura, amor e a prosperidade eram feitos nesta noite, colhendo e utilizando plantas sagradas como o espinheiro branco e preto e o salgueiro, purificando os campos e os animais. Celebra-se a vida, a paixão, a sensualidade e a fertilidade em todos os sentidos – seja a do solo, a do corpo, a das idéias, do dinheiro, etc.

É um ritual onde impera a excitação, a alegria e a volta da luz e do Sol.

Casamento de Um Ano e um Dia

Todo ano me perguntam como funciona esse lance de “casar uma vez por ano”. Os homens, desesperados com a fortuna que gastaram na Igreja, festa e buffet e que mal aproveitaram, não conseguem imaginar “todo esse pesadelo uma vez por ano”; já as mulheres, ficam mais preocupadas em “como vão conseguir segurar os maridos por mais de um ano?” pois, na concepção profana, “casou, tá casado… não precisa mais se esforçar…é até que a morte os separe”.

Casar em Beltane implica em conquistar a pessoa amada todos os dias e manter o casamento interessante o suficiente para que a outra pessoa queira casar com você novamente no ano seguinte. É um casamento verdadeiramente profundo, em uma cerimônia simples, porém extremamente simbólica e poderosa em termos de magia.

Coroas, Taças e Adagas

As guirlandas simbolizam, desde tempos antiqüíssimos, a eterna Roda do Ano e seus ciclos ininterruptos. Elas são utilizadas em Beltane como coroas estilizadas.

Esse costume é remanescente das celebrações de Beltane da Europa Antiga, quando o melhor dançarino era homenageado com uma coroa de folhagens (representando o Deus) e a donzela mais bonita era coroada com uma guirlanda de flores e homenageada como a Rainha das celebrações de Beltane (representando a Deusa).

Essa tradição continua até hoje e é por isso que em Beltane todos os participantes são ornados com guirlandas.

Depois de acabada a decoração das coroas, chegou o momento da coroação. Os casais passavam em frente a fogueira de mãos dadas e coroavam-se um ao outro.

A celebração é linda, As mulheres se vestem de preto e os homens de branco. Perto da fogueira, as mulheres seguram uma taça de vinho, que representa o receptáculo feminino e o sangue da criação da nova vida. Os homens seguram um punhal, que representa a força e o orgão sexual masculino.

Então o homem evoca o Deus sol e se entrega a mulher, colocando o punhal dentro da taça de vinho. A mulher evoca a Deusa Lua, recebe o homem e bebe o vinho, simbolizando a fecundação. Então o sacerdote, no caso, o Mestre, une as mãos dos noivos com fitas, representando a união feita pelo amor e pela vontade.

Os convidados, em seguida, pegam flores dos diversos buquês que estão espalhados pelo local (lembrem-se que ao mesmo tempo é a celebração de Beltane, então todo o altar e templo estão cheios de flores de todos os tipos), com rosas, margaridas, tulipas, damas-da-noite, ervas, ciprestes e todo tipo de flores do ritual e vão passando por entre os noivos dando flores de presente e desejando seus votos de felicidade. Cada noiva vai montando, assim, seu próprio buquê de casamento que é único e construído a partir dos desejos sinceros dos amigos e parentes.

Depois, todos, noivos e convidados fazem uma roda em volta da fogueira e dançam ao som de uma música celta.

O casamento tem duração de um ano e um dia e em cada Beltane é feito a renovação dos votos. O casal fica unido pelo amor e pela vontade.

#Sabbat

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/casamento-em-beltane

O Caos dos Iluminados

Magia+do+Caos

Dentre outros assuntos, são abordados: o Caminho da Mão Direita e o Caminho da Mão Esquerda (e onde a MC cabe no meio disso tudo? Isso tem mesmo “cabimento”?).

Magia antiga, moderna, pós-moderna e contemporânea. Magia, ciência e religião. Será que a matéria é mesmo inferior à mente ou ao espírito? Por que alguns magistas buscam efeitos materiais na magia e outros se focam na busca espiritual? E o que o neoplatonismo tem a ver com isso? Será que hierarquias são úteis? O que é o Slow Chaos? E o que a biologia tem a nos dizer sobre o suposto sentido da vida? Como disse Peter Carroll recentemente: “Precisamos talvez pensar como biólogos do que como físicos quando se trata de sistemas complexos”. Curiosa essa tendência de aplicar a Teoria da Evolução de Darwin para tudo; como se a ciência estivesse realmente evoluindo ou o espírito evoluísse cada vez mais. Que tal valorizar cada teoria e etapa dentro de seu modelo em vez de apenas dividi-las em “verdadeira” e “falsa”? Afinal, Lamarck não estava realmente errado, como nos mostra as atuais teorias sobre epigenética.

Não tive nem de longe a intenção de esgotar os assuntos quentes de magia ou de fornecer respostas definitivas. No entanto, após essa leitura espero que você possa se divertir com reflexões diversas, como essa: por que a Magia do Caos surgiu, qual foi a sua importância nos anos 70 e por que ela continua relevante até hoje. A intenção do caoísmo não é provar que está certo e nem mesmo questionar definitivamente se existe uma verdade, mas mostrar a utilidade de trabalhar olhando para a realidade com modelos e hipóteses, semelhante à abordagem do método científico. Ao mesmo tempo sugerindo que nem mesmo o método científico, popular em nossa época e com um status quase divino, é livre de falhas.

Ele foi criado por Descartes alguns séculos atrás com base na lógica e na matemática, que também seriam meramente invenções humanas; sistematizações grosseiras de algo que supomos perfeito e regulado, pois é realmente decepcionante descobrir que o código genético parece menos engenhoso (e com repetições desnecessárias) do que códigos intrincados criados pela matemática. Até nos darmos conta que algumas repetições de códigos para aminoácidos podem ser úteis para evitar mutações danosas… ou podem estar lá como um apêndice que não serve mais! O pensamento de que algo pode estar ali simplesmente aleatoriamente nos dá uma grande agonia, já que nossa mente tem a mania de buscar sentidos ou padrões, como se só aquilo que se encaixa possuísse beleza ou verdade.

É importante lembrar que somos produto do tempo em que vivemos. Muitos acham hoje que uma magia “real” deve ter efeitos práticos mensuráveis e que depois da morte não há nada; só a matéria seria real. Contudo, esses pensamentos são somente um reflexo das visões dominantes de hoje (sejam elas capitalismo, materialismo ou qualquer outra que fique na moda). Então logo surge uma visão de reação a essa afirmando que o foco deve ser o espírito, que há uma verdade “maior”. É o nosso desejo por hierarquia: algo sempre tem que ser maior ou melhor. Por que as diferentes visões não podem ser conciliadas e coexistir? Até mesmo a visão de que as coisas não podem ser conciliadas pode ser conciliada (por mais paradoxal que pareça), se considerarmos que ela é verdadeira, mas somente dentro de seu respectivo paradigma.

A princípio, uma solução mais pragmática do que lógica. E por que não? Ser escravo do pensamento só é engraçado quando a bola rola e o jogo continua.

Que esses parágrafos fiquem como uma prévia do livro “O Caos dos Iluminados”. É uma obra pouco ambiciosa, um material curto, que não clama um direito de estar certa, mas somente de falar e existir, mesmo que por um breve instante. Talvez seja meramente um desejo de formar um replicador mais eficaz que os genes (os memes de Dawkins), mas achamos que nem mesmo isso é necessário e que mais divertido que espalhar um replicador de longa vida é cuspir uma piada ruim que não faz sentido, não se encaixa, logo se apaga e é esquecida. Afinal, também não há beleza nisso? Na falta de beleza e de sentido.

CAOS. Por favor, só mais uma segunda taça.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caos-dos-iluminados

15 Milhões de Conspiradores!

Acabamos de chegar à marca de 15 milhões de Pageviews neste blog (e virei celebridade no Astrotheme, com direito até a página em francês)… Nada mal para um blog de hermetismo e espiritualismo no país do Templo de Salomão… Como de costume, para quem gosta dos números, ao todo, nesta caminhada desde 7/5/2008, foram exatos 2.519 posts publicados e 45.550 comentários. Temos 4.400 followers no twitter , 15.011 subscribers no Facebook.

Nosso Projeto de Hospitalaria está funcionando perfeitamente e passamos de 3.400 mapas astrais e 2.400 sigilos (aproximadamente 9.200 cestas básicas ou equivalente distribuidas).

O Projeto Mayhem está com 3.849 membros. A Wikipedia de Ocultismo conta atualmente com 5.219 verbetes e 2.082 imagens.

O Arcanum Arcanorum já conta com 5.725 membros que passaram por seus atrios e 130 que chegaram ao grau de Probacionista, além de uma Loja Maçônica (ARLS Arcanum Arcanorum, 4269 – GOB), o projeto SOL, que já realizou 35 palestras públicas e três Terreiros irmãos, o que nos coloca como uma das egrégoras mais fortes dentro das Ordens Iniciáticas aqui no Brasil.

Ao longo destes seis anos (incluindo o TdC S&H que completou 7 anos em 7/Agosto/14), perdi a conta de quantas pessoas conseguimos iniciar nos estudos da Kabbalah, Astrologia, Tarot, Runas e Magia Prática, sem contar os leitores que se filiaram à FRA, AMORC, Lectorium, OKRC, CALEN, AA, SCA, CIH, Demolay, Eubiose, Circulo Egregore, Casa do filósofo, Pró-Vida, Sirius-Gaia, Gnose, Martinismo ou Maçonaria graças ao blog.

O Raph Arrais editou o Grande Computador Celeste que contém os 70 primeiros textos do TdC, distribuido em pdf gratuito ou versão impressa,

Fazemos anualmente uma das maiores correntes de meditação no Sefirat Ha Omer aqui no Brasil, três Encontros do Blog, ajudamos em três Simpósios Brasileiros de Hermetismo e temos conseguido organizar cursos pelo menos uma vez por mês e agora em dezembro começaremos o primeiro Curso de Kabbalah em Ensino à Distância.

E, como se não bastasse, publicamos o Tarot da Kabbalah Hermetica, feito em parceria por mim e pelo talentoso artista Rodrigo Grola, cuja primeira edição está praticamente esgotada, a nova impressão da Enciclopédia de Mitologia e agora os Posteres do Lamen e da Árvore da Vida.

E agora emplacamos o cardgame de protesto Pequenas Igrejas, Grandes Negócios!

Sucesso é a Única Possibilidade!

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/15-milh%C3%B5es-de-conspiradores

A Estrela Luciférica

Por Adriano Camargo Monteiro

Pentagrama é a estrela de cinco pontas e cinco linhas (“penta” = cinco; “grama” = linha), e não simplesmente um decágono em forma de estrela. Além de simplesmente representar os cinco Elementos da Alquimia – Ar, Fogo, Água e Terra, e a quintessência, o Espírito –, o pentagrama sempre foi, desde a Antiguidade, um símbolo da deusa Vênus e do planeta de mesmo nome; o outro símbolo estelar de Vênus é o heptagrama.

Os elementos associados ao pentagrama, que também são os elementos da Alquimia, estão relacionados às suas manifestações no iniciado, como segue, resumidamente:

– Ar ? inteligência, mente expandida, intelecto;

– Fogo ? animus, amor e ódio impetuosos, impulso sexual;

– Água ? anima, emoções, sentimentos, instintos;

– Terra ? corpo físico, força, resistência, veículo que carrega e suporta todas as consequências da inteligência (e também da inépcia que pode levar ao aprendizado pela dor indesejável), do amor, do ódio, das emoções caudalosas e dos sentimentos mais profundos;

– Espírito ? a Individualidade, o Eu Superior que assimila todas as experiências do indivíduo iniciado e sem sempre “se iniciando”.

O pentagrama também se tornou conhecido como um dos selos do lendário rei Salomão, pois sua mitologia o mostra como um fenício politeísta que cultuava Vênus (Ashtart), entre outros diversos deuses e deusas. Assim como muitos sacerdotes e “feiticeiros” do período mitológico de Salomão, os reis, que se consideravam filhos e esposos de Ashtart, também a cultuavam para se obter as dádivas da fertilidade (em seu sentido amplo), prosperidade para o povo, riquezas, ascensão social e êxito no amor, além de marcar as fases do ano, as celebrações e de empreender rituais de morte e renascimento – na Árvore cabalística do Conhecimento do Bem e do Mal o Túnel da Morte liga a qlipha (“concha”) A’Arab Zaraq (os “Corvos da Dispersão” de Odin) a Thagirion (o Sol Negro, o “Instigador”); na Árvore da Vida, o Caminho da Morte liga a sephira (esfera) Netzach/Vitória (Vênus) a Tiphareth/Beleza (Sol). Essa ligação entre Vênus e Sol ficará mais clara, a seguir.

Na grande Mesopotâmia e Oriente Médio, Vênus era conhecida por diversos outros nomes, tais como Asherah, Baalat, Ishtar, Shekinah, Baalat, Inanna, Anat e Astaroth e Ashtart.

Como planeta, Vênus é o terceiro corpo sideral mais brilhante no céu visto da Terra, tendo um albedo de 79 % (o “Portador da Luz”, Lúcifer), e aparece de manhã, ao leste, antes do nascer do Sol, sendo, portanto, chamado de Estrela da Manhã, Estrela d’Alva ou Estrela Matutina. Nos templos maçônicos, por exemplo, essa estrela flamejante deveria ficar ao leste, de fato (esse ponto cardeal pode ser facilmente localizado nos templos), contextualizando o selo de Salomão pentagramático e representando a luz do crepúsculo da manhã, a luz da Estrela Matutina, ou seja, o planeta Vênus-Eósforo que surge antes do Sol.

Desde a Antiguidade, Vênus tem sido observado e seu movimento estudado. O percurso que faz em sua órbita para formar conjunções com a Terra e o Sol descreve o pentagrama a partir do ponto inicial da primeira conjunção com a Terra; cada ponto de conjunção é uma ponta do pentagrama. E a cada oito anos um pentagrama invertido se forma no espaço sideral, com as conjunções entre Vênus, Terra e Sol, demonstrando uma relação “sexual” metafísica em nível astronômico. É claro que isso tudo pode ser “aproveitado” em trabalhos ritualísticos específicos.

As conjunções de Vênus

Do ponto de vista prático, algumas observações importantes sobre os pentagramas parecem ser necessárias, já que existe uma grande confusão sobre sua utilização e significado. Mas este texto será breve, pois há outros que abordam diferentes aspectos de tal questão pentagramática.

Antes, porém, será esclarecida brevemente a diferença entre pentáculo e pantáculo, já que confundir os dois é tão comum e corrente que até mesmo esse erro aparece em livros, etc., sem que ninguém note. “Penta” nos remete ao número cinco; “pan”, à ideia do todo e do completo (“pan” e “pantos”). Assim, pentáculo se refere apenas a um pentagrama inserido em um círculo (pois, para fins operativos, há uma diferença importante entre o pentagrama rodeado por um círculo e o pentagrama sem o círculo). Pantáculo é qualquer objeto de natureza talismânica, geralmente circular, no qual podem estar quaisquer símbolos, sigilos, selos, assinaturas, letras, números e diversas outras inscrições de modo contextualizado e pertinentes a determinados trabalhos, rituais, filosofias mágico-ocultistas, etc. Um pentáculo pode estar inserido em um pantáculo e pode ser um pantáculo, mas um pantáculo jamais significa pentáculo nem pentagrama.

É preciso compreender que não existe um pentagrama “do bem” e um pentagrama “do mal”, etc. e tal. Tanto o pentagrama invertido como o outro são dispostos e usados segundo a perspectiva do operador. Se, por exemplo, desenhado e colocado na soleira da porta com uma ponta voltada para fora, o pentagrama parecerá invertido aos olhos de quem está chegando, de quem está do lado de fora do aposento, e parecerá “de pé” para quem está do lado de dentro. Em um caso tal, onde estará então o pentagrama “do mal” e o pentagrama “do bem”? Percebe-se que esses conceitos dicotômicos e maniqueístas de fato são ridículos. Quando traçado um caminho “oculto” da esfera/sephira de Binah (Compreensão) a Chesed (Misericórdia) e da esfera de Chokmah (Sabedoria) a Geburah (Severidade) na Árvore cabalística, poder-se-á notar que o desenho forma um pentagrama invertido (e isso na Árvore da Vida “convencional”); na Árvore do Conhecimento, ou da Morte, quer dizer, das Qliphoth, o mesmo também ocorre.

Ambos os pentagramas podem ser utilizados para qualquer propósito predeterminado. Só depende da Corrente com a qual esteja trabalhando, ou seja, Nox ou Lux, e não “do bem” e “do mal”, pois a ideia estereotipada de que as trevas são o mal e a luz é o bem absoluto é completamente equivocada, estúpida e ilusória. Por exemplo, os dois pentagramas (o invertido e o “normal”) podem ser usados para se trabalhar com as quatro principais forças da Corrente Draconiana, a saber: Lúcifer, Vênus, Samael e Lilith.

E essas forças arquetípicas não são maléficas, malignas, malévolas, malevolentes, malfazejas, malfeitoras, malditas, do mal, ou qualquer asneira semelhante, mas sim elas são mal-entendidas, intencionalmente ou não, por mentes maledicentes e maldosas. Essas são forças arquetípicas inerentes à vida e à evolução, são forças da inteligência, da razão, das emoções, do amor, do ódio, das paixões, dos instintos e dos prazeres sensoriais, materiais e psicomentais, tudo o que é necessário à vida, ao aprendizado e à evolução, especialmente a evolução deliberada e por livre vontade. O mal, como as pessoas o categorizam, só existe na mente humana maligna, malévola, malevolente, malfazeja, etc., e nada mais. Usar no pescoço ou no anel um pentagrama invertido ou “de pé” não tem qualquer conotação moral ou dogmática com relação ao que é “do mal” ou “do bem”. Alguns dizem que o pentagrama convencional protege contra magia negra. Isso parece um tanto incoerente, já que a magia não tem cor, não existe magia negra nem magia branca. Tanto o pentagrama convencional como o pentagrama invertido podem banir e resguardar o operador de forças intrusas, perturbadoras e inconvenientes ao trabalho que será empreendido, mas não necessariamente contra “forças do mal”, como a maioria das pessoas imagina. O próprio indivíduo tem em si elementos indesejáveis, ruins e nocivos aos outros e a ele mesmo, só que ninguém quer admitir isso.

Um exemplo da “isenção moral” do pentagrama está no sigilo ou selo de Astaroth, um espírito da Goécia, supostamente um “demônio”, mas que de fato era uma das deusas mesopotâmicas. Seu sigilo é formado por, entre outros símbolos, um pentagrama “convencional” e não por um pentagrama invertido. Já o pentagrama invertido é também a estrela de Set (Shiva, Samael, etc.), o deus arquetípico egípcio primordial representado pela estrela Sírius, o que indica sua relação metafísica com os mais altos níveis de manifestação “caósmica” e de consciência, muito além da vida comum e corrente.

Por outro lado, em nível mais próximo da realidade prosaica do ser hamano, o pentagrama invertido pode ser usado também em trabalhos que visam a objetivos materiais (afinal, estamos todos encarnados na matéria, e nem só de espírito é possível se viver neste mundo).

O pentagrama invertido traçado no ar significa que forças venusianas estão sendo invocadas para a Terra, que influências astrais e siderais de Vênus estão sendo “puxadas” para o nosso plano físico, para o magista e para o templo, para atuarem em seus rituais, especialmente de magia sexual, um elemento importante da filosofia oculta afrodisiana (ou venusiana). O pentagrama invertido pode ser traçado na direção dos quatro quadrantes e os nomes são vibrados devidamente e não simplesmente falados de qualquer jeito (cada nome tem sua vibração e pronúncia corretas, de acordo com o quadrante do Elemento), com concentração mental e comoção emocional, sentindo a vibração em si. O pentagrama invertido tem seu traçado de acordo com os quatro Elementos também. Quando se faz o pentagrama invertido traçando-o pelo Elemento Terra, o indivíduo estará também invocando a força da Terra (e tudo o que ela representa) e daqueles poderes arquetípicos para o seu real Ser encarnado na Terra, fazendo-os se manifestarem em si mesmo e na obra que se realizará, e não simplesmente banindo. Nos trabalhos de magia sexual o pentagrama invertido é particularmente usado para invocar a Serpente do Sexo e o Dragão de Sabedoria, além dos objetivos materiais (e o sexo, a princípio, não é realizado material e sensoriamente no plano físico?).

Como mencionado, o pentagrama invertido está associado à deusa Vênus (e ao planeta), à fertilidade, ao amor e ao sexo, além de representar de forma bastante estilizada os órgãos sexuais femininos.

No contexto da Filosofia Oculta e da Magia, a estrela luciférica é também um símbolo da Sabedoria e do Amor, pois Sophia é Vênus, a deusa do Amor e esposa/irmã do filósofo Portador da Luz, Lúcifer – Fósforo e Héspero. Aliás, consta que, entre os gregos, foi o sábio Pitágoras quem primeiro observou que Fósforo e Héspero eram o mesmo planeta, pois se acreditava que fossem planetas distintos, um surgindo pela manhã e o outro, à tarde.

A sabedoria sempre foi o ideal dos filósofos, e, novamente entre os gregos, foi Pitágoras quem cunhou o termo “filósofo”, referindo-se a si mesmo como um “amante da sabedoria”, ou de Vênus, em toda sua significância, incluindo, principalmente, a prática de magia sexual com a esposa-sacerdotisa que encarna Sophia-Vênus no ritual. Além disso, sua Escola Pitagórica, iniciática e semissecreta, tinha como símbolo o pentagrama, considerado como a representação da perfeição, do microcosmo (ser humano), da harmonia entre as forças opostas (homem e mulher, luz e trevas, positivo e negativo) e da natureza. Todos esses significados do pentagrama se justificam, pois ele próprio apresenta em suas medidas a razão áurea que está presente em tudo (Pan)…

Portanto, use e abuse dos abusadamente famosos pentagramas, mas com conhecimento e discernimento, logicamente. E para aqueles que sabem ler nas entrelinhas, aqui há alguns segredos operativos…

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-estrela-lucif%C3%A9rica

O que é Inferno Astral?

Por Roberta Tótora

O período conhecido popularmente como “Inferno Astral” é o mês que antecede o aniversário de alguém. Nesta época, muitas pessoas acreditam viver momentos de angústia, depressão ou até mesmo azar, atribuindo as turbulências a alguma configuração astrológica misteriosa. Será que ela realmente existe e é mesmo inevitável?

Existem algumas explicações para entender estes trinta dias temidos antes da inauguração de uma nova idade. O aniversário nada mais é do que o marco de um novo ciclo solar na vida de uma pessoa, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco que estava quando ela nasceu, sinalizando uma nova etapa para a sua consciência. Os dias que antecedem esta renovação são exatamente os últimos do ciclo anterior que a consciência vinha atravessando.

(@MDD – O termo hermético é “conjunção solar”. É quando o Sol do seu Mapa fica no mesmo ponto do Sol no Mapa do céu do dia)

Cid de Oliveira lembra que os ciclos representam na Astrologia os estágios de todo e qualquer processo de desenvolvimento e que “o final de um ciclo” se caracteriza por ter uma qualidade de tempo marcada pela agitação, mudança, instabilidade e desordem, somadas à insegurança em relação ao futuro que está por vir. “Isto acontece porque é no final do ciclo que se esgotam as possibilidades de expressão existentes no seu início e manifestam-se os resíduos responsáveis por sua dissolução. Em suma, o tempo que antecede imediatamente o final de qualquer ciclo caracteriza-se pela desordem e pela inversão dos valores admitidos no seu início”, explica.

Pela técnica da revolução solar, cada mês do ano, a contar a partir da data do aniversário, corresponde a uma determinada casa astrológica ou setor prático da vida de uma pessoa que estará sendo vivido mais intensamente. Assim, no primeiro mês a partir do aniversário, vive-se de forma enfática a casa 1: a pessoa fica mais centrada em si mesma e em seu comportamento. O décimo segundo e último mês do ano corresponde à casa 12, trecho do mapa que analisa os sacrifícios e doações que uma pessoa deve fazer aos outros, sem esperar recompensas para isto.

(@MDD – Casa 12 corresponde às energias de Peixes, a espiritualidade e doação ao outro. Daí vem a superstição de que nunca se comemora aniversário antes da data… é puxar a energia ariana para um momento onde a energia está fluindo de maneira pisciana).

Segundo o astrólogo Eduardo Maia, o “Inferno Astral” só acontece quando não percebemos que precisamos sair do palco para contemplar mais o mundo e nos desapegarmos, em benefício daqueles que precisam de uma ajuda emocional ou prática. “É um período de ser instrumento para o bem dos outros e não estar tão preocupado com causas próprias”, afirma. Como isto geralmente não acontece, vem a angústia, o vazio e a sensação de desorientação.

Apesar de não ser uma força misteriosa desenfreada como muitos imaginam, existem explicações simbólicas consistentes para a crise do último mês de uma idade, mas isto não significa que acontecerão apenas coisas negativas na vida de alguém ou que seja impossível lidar bem com este período de transição. Todos têm livre-arbítrio e podem, ainda mais compreendendo o ciclo no qual estão inseridos, dedicarem este momento à reflexão e avaliação da etapa terminada, preparando-se sem tantos atropelos para a próxima.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-%C3%A9-inferno-astral

Onigawara e máscaras Hannya

Muito além de ser um mero elemento arquitetônico, as Onigawara exercem um papel de proteção, prevenindo os intemperismos, afastando desastres naturais, fogo e espíritos malignos. Elas são colocadas estrategicamente nos cantos nordestes das construções. Como já vimos, a posição nordeste é conhecida o “Portão do Oni”, e, no Feng Shui, é uma direção nada auspiciosa…

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Originalmente publicado no blog Magia Oriental em 01/03/2012

Aoi Kuwan é autora do blog Magia Oriental, dedicado à divulgação das tradições e sistemas de magias orientais, especialmente daqueles ligados ao Japão. É Mestre Reiki, onmyouji, e professora do Instituto Seimei para Cultura e Religião.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/onigawara-e-m%C3%A1scaras-hannya