Onde origina-se a Melodia

 “O Todo é Mente; o Universo é Mental”

Definimos melodia como uma combinação de sons sucessivos, mas ninguém diz que uma poesia consista numa sucessão de palavras. Embora seja óbvio que ambas sejam constituídas por esses elementos, não é a sucessão de sons que gera a melodia, e sim o pensamento que ordenou essa sucessão.
Grandes magos, como Bach, Mozart, Beethoven, ouviam nitidamente a música em sua mente, antes de materializarem no papel e em vibrações aéreas, ou seja, não pode existir melodia sem antes sua origem no plano mental.

Idéias musicais vão surgindo na mente do compositor que as passa para o instrumento até encontrar “algo” que goste e registrá-la em papel ou gravador. Este “algo” os alemães descrevem com uma frase – “Est fält etwas eln” – que significa “algo o invade”.

Tais idéias não podem ser forçadas, mas também nada poderá invadir um aspirante à composição musical se ele não se tornar receptivo para abrir sua mente e captar esse “algo”.

O material da música é o som e a melodia é o fluir desses sons que se sucedem de maneira ascendente e descendente. Mas não é só isso, a melodia é também, a expressão de um pensamento produzido pela “inspiração”, pelo “algo que invade”, traduzido pelas leis do sistema musical. Todas as melodias existem dentro dos limites de algum sistema de escalas, que por sua vez consiste num arranjo de uma série particular de notas, no entanto tais “arranjos” não são arbitrários.

Exemplo de construção melódica

Não é possível aprender a construir uma melodia, o que se estuda são as ferramentas e os meios que proporcionam a transformação desse “algo” que se origina na alma do compositor, em material musical.

“A música não cria, mas sim intensifica, como um ressoador, o que já existe em cada um de nós”

A percepção sensível da música provoca alterações em nosso estado de consciência e é na melodia, simples ou complexa, que reside o elemento mais propício para determinar estes diferentes estados.

No âmbito psicológico, vários efeitos foram identificados através do estímulo sonoro, entre outros, podemos destacar: o aumento ou a diminuição dos estados de tensão, depressão, exaltação, alegria, a catarse das emoções, levar o indivíduo à comunicação, à imaginação, à fantasia, ao conhecimento de si mesmo, a interação social, o aumento da concentração, tudo segundo as características da música utilizada.
Experimento

Escutem cada uma destas três músicas, analise os sentimentos que elas provocam, as lembranças que veem na mente, estados emocionais, espirituais, etc cada pormenor é importante. Se quiserem, utilizem os comentários para descrever o que sentiram em cada música.
Bach – Concerto de Brandenburgo no. 3
Mozart – Requiem – 1. Introitus
Vivaldi – Tempestade

O blog Sinfonia Cósmica vai um pouco além da música e fala também de espiritualidade, filosofia, cosmologia, dentre outras divagações.

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#hermetismo #Música

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A Consagração de Materiais Mágicos – Durso

O Boteco do Mayhem (Marcelo Del Debbio, Thiago Tamosauskas, Rodrigo Elutarck, Ulisses Massad, Barbara Nox, Jesse Puga, Tales Azevedo e Robson Belli) conversam com Durso sobre consagrações de objetos e ferramentas mágicas.

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Morte Súbita inc.

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Mapa Astral de Anita Garibaldi

Homenagem do TdC aos Bons Primos que acompanham o blog!

Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi (Laguna, 30 de agosto de 1821 — Mandriole, Itália, 4 de agosto de 1849) foi a companheira do revolucionário Giuseppe Garibaldi, sendo conhecida como a “Heroína dos Dois Mundos”. Ela é considerada, até hoje, uma das mulheres mais fortes e corajosas da época.

Durante a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, o herói italiano Giuseppe Garibaldi, a serviço da República Rio-Grandense, participa da tomada do porto de Laguna, na então província de Santa Catarina, onde conheceu Anita, que se apaixonou e decidiu lutar pela independência gaúcha e de outros territórios. Eles Ficaram juntos pelo resto da vida de Anita, que seguiu Garibaldi em seus combates em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai (Montevidéu) e Itália. Eles tiveram quatro filhos . Anita e Giuseppe passaram a andar a cavalo e lutar em guerras, sem ter lugar fixo para morar.

Com Sol em Virgem, Lua e Vênus em Libra-Virgem (Rainha de Espadas), Ascendente, Júpiter e Saturno em Áries; Mercúrio em Leão; Marte em Câncer; Urano e Netuno em Capricórnio-Sagitário (Rainha de Moedas) e Caput Draconis em Peixes, o Mapa de Anita mostra uma pessoa extremamente séria, rígida com seus princípios e voltada para a liderança e coragem. Mercúrio em Leão indica a capacidade de pensar grande, trabalhar na venda de idéias e ideais para outras pessoas.

A Rainha de Espadas reúne a energia equilibrada e da justiça de Libra com a metodologia e frieza de raciocínio virginiana. Normalmente, no tarot, é visto como um arcano frio e calculista, o raciocínio lógico, preciso e sério.

Quando equilibrado com os aspectos de liderança e coragem arianos (Ascendente e a Conjunção de Júpiter e Saturno, que já vimos que auxilia no controle dos extremos das energias do signo onde estão, tem-se uma pessoa com coragem, determinação e justiça; um mapa adequado perfeitamente à posição de uma líder revolucionária!

O perfil militar muito bem definido está caracterizado por Netuno e Urano em Capricórnio (os planetas mais fortes do mapa, com nada menos do que NOVE aspectações cada um!). Anita Garibaldi foi praticamente uma Sarah Connors no mundo real…

#Astrologia #Biografias

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Marosia: Assassinatos, papas e crucifixos

Após Bento III ter estreado a famigerada “cadeira papal” e mostrado os culhões para ganhar o direito de usar a Mitra, começou o processo de fortificação de Roma por conta da ameaça dos muçulmanos. Bento III enfrentou vários problemas internos na Igreja, que culminaram com a eleição do antipapa Anastácio III durante alguns meses, quando a população de Roma tirou o concorrente do trono e recolocou Bento III no poder. Seu conturbado papado durou apenas alguns meses, tendo sido “esticado” oficialmente quando suprimiram a papisa Joana das fontes oficiais.
Nicolau I foi papa de 858 a 867 e seu governo foi marcado por conflitos com a dinastia dos Carolíngios (a dinastia que sucedeu os Merovíngios no sul da França – falarei mais sobre eles nas próximas colunas), em especial o imperador Lotário II.
O papa Adriano II (867-872) tentou novas reconciliações com os cristãos do sul da França, sem sucesso. O papa João VIII sofreu finalmente o ataque dos muçulmanos, que enfrentaram as forças italianas no sul do país. Durante seu papado, o sul da Itália passou por maus bocados nas mãos dos muçulmanos.
A partir de 872, as disputas internas pelo poder em Roma tornaram-se extremamente acirradas. Tanto João VIII (envenenado) quanto Marinho I (envenenado), Adriano III (esfaqueado, talvez porque não quis tomar o veneno…), Estevão VI (estrangulado), Formoso I (circunstâncias misteriosas) e Bonifácio VI foram assassinados em menos de 12 anos, devido a disputas internas pelo poder do papado.

O Sínodo do Cadáver
Não contente em matar seu antecessor, Estevão VII também resolveu sacanear Formoso I, seu inimigo pessoal, convocando o que ficou conhecido como o “Sínodo do cadáver”. O Sínodo do cadáver, também conhecido como Julgamento do Cadáver ou ainda, em latim Synodus Horrenda é o nome pelo qual ficou conhecido o episódio do julgamento póstumo do papa Formoso que se deu na basílica de São João de Latrão em janeiro de 897. À presença de Lamberto de Espoleto (governador de Roma) e da imperatriz-mãe, rodeados de eclesiásticos, foi trazido o cadáver mumificado de Formoso, retirado sacrílegamente de seu ataúde. Foi o corpo assentado num trono e acusado do grande crime de haver aceito ser Papa (os Papas são Bispos de Roma), quando já era Bispo de Porto. Intimado a se defender, e logicamente nada respondendo, foi o morto julgado criminoso, despojado das insígnias pontificais; cortaram-lhe os dedos da destra que abençoara as multidões; o corpo foi depois atirado ao rio Tibre.

Estêvão VII, aliás, acabou seus dias aprisionado por seus ex-amigos e estrangulado, para variar. O papa Romano I o substituiu: inimigo mortal de Estêvão VII, o primeiro ato que fez ao chegar no pontificado foi mandar encontrar o cadáver de Formoso e erigir um magnífico mausoléu para ele, redimindo-o de todas as “injustas acusações” feitas por seu antecessor. Alguém imagina como Romano I morreu? Certo… envenenado em novembro de 879 e foi substituído pelo papa Teodoro II, cujo papado durou apenas vinte dias… alguém quer chutar a causa de sua morte?

O século da corrupção
A partir de Teodoro II, a situação em Roma estava complicada para o pontificado. Cada vez que um papa morria, seus opositores saqueavam suas riquezas e atacavam a memória do papa e dos aliados anteriores. Também a corrupção generalizada e a venda de indulgências estavam causando muitos problemas para a Igreja.
Bento IV reinou de 900 a 903 e, além destes problemas, ainda teve de enfrentar os húngaros no norte da Itália e os muçulmanos no sul. O papa Leão V o substituiu mas foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas menos de 5 meses após sua posse. Foi substituído em 904 por Sérgio III, cujos historiadores da época o acusam de ter envenenado Leão V. Com Sérgio III começa o período conhecido como Pornocracia.

Pornocracia
A pornocracia (do grego porne, prostituta e kratein, governo) foi um período na história do Papado que se estendeu da primeira metade do século X, com a instalação do Papa Sérgio III em 904 por sessenta anos, e terminou após a morte do Papa João XII em 963.
Sérgio III possuía o apoio do Imperador Teofilacto, que era casado com uma mulher chamada Teodora (não confundir com a outra Teodora de Constantinopla) e tinha uma filha chamada Marosia. Marosia é gente que faz.
A belíssima Marosia começou sua carreira política aos quinze anos, quando tornou-se amante do papa Sérgio III (com 45 anos, na época). Mais tarde, quando completou 19 anos, casou-se com o nobre Alberico I de Espoleto (em 909). Marosia teve um filho com o papa em 910, chamado Alexandre de Tusculum (que nós conheceremos daqui a pouco com o titulo de papa João XI).

Sérgio III governou até 911, quando foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas e foi substituído por Anastácio III, cujo papado durou dois anos e também foi encerrado por um assassinato. Lando I permaneceu seis meses no papado e também foi envenenado.
O papa João X, que substituiu Lando, era amante de Teodora (a mãe de Marosia) e foi considerado um papa enérgico. O maior problema enfrentado pelos italianos nesse período foi(surpresa!) os ataques muçulmanos, que continuavam tocando o terror no sul da Itália. No período de seu papado, os árabes destruíram os grandes mosteiros de Subiaco e de Farfa, além de assaltarem os peregrinos que iam a Roma, vendendo-os como escravos.
De saco cheio dos cabeças de turbante, João X organizou uma coalizão de ducados e, auxiliado pela esquadra bizantina, expulsou os infiéis do sul da Itália.
O ambicioso Alberico I, marido de Marosia, que comandara as tropas da coalizão, por influência de sua esposa, comandou uma revolução para tomar o controle de Roma, na qual morreu combatendo em 924.
Marosia se torna amante de João X, mas este se recusa a ceder aos seus comandos, tratando-a apenas como mais uma de suas concubinas.

Irritada, Marosia casou-se, então, com Guido de Túscia, com cujas tropas atacou Roma, fez trucidar o comandante pontifício, Pedro (o irmão de João), diante dos olhos do pontífice. Em seguida, mandou prender João X e torturá-lo durante um ano, até que este veio a falecer.

Marosia escolhe, então, um de seus amantes, Leão VI, como novo papa (enquanto o papa ainda estava vivo e sendo torturado na prisão). Leão VI dura exatos sete meses no papado, sendo assassinado por aliados de João X.
Estêvão VIII foi colocado no lugar de Leão VI e governou sob o controle de Marosia durante dois anos e dois meses, quando foi assassinado. Em 931, Marosia decidiu colocar seu próprio filho, Alexandre de Tusculum, como papa João XI, na época com cerca de 21 anos, no poder papal.

Quando o segundo marido de Marosia faleceu em 929, Marosia negociou um casamento com o meio-irmão de Guido, Hugo de Arles, autoproclamado Rei da Itália, para continuar no poder, mas Alberico II, filho de Alberico I e legítimo sucessor do trono, irritou-se com a tentativa de traição da mãe e depôs os dois picaretas, aprisionando-a em um castelo por cerca de 8 anos, até sua morte em 937 (Hugo conseguiu escapar da cidade antes de ser preso).

Por influência de Alberico II, o próximo papa, Leão VII, foi escolhido entre os monges beneditinos. Para apaziguar a iminente guerra entre Alberico II e Hugo, ele consegue uma aliança que culmina no casamento de Alberico II com Alda, filha de Hugo. Seu papado ficou conhecido pela perseguição aos judeus e também aos bruxos, cabalistas e adivinhos, que eram expulsos das terras cristãs.
Estêvão IX (939-942) entrou em conflito com os interesses de Alberico e terminou seus dias confinado no Palácio de Latrão, sendo substituído por um papa mais agradável aos interesses do rei, Marino II (942-946). Após este, Agapito II tentou por dez anos colocar ordem na promiscuidade que estava tomando conta dos palácios católicos. Também tentou, em vão, reestabelecer o celibato obrigatório e organizar a comunicação entre as igrejas. Morreu em 955 e, quando as coisas pareciam que voltariam ao normal no Vaticano, Alberico II faz os cardeais colocarem Otaviano, seu filho de apenas 18 anos de idade, como sucessor de Agapito II…
Otaviano (ou melhor, papa João XII), que ficou conhecido por violar virgens e viúvas e promover verdadeiras orgias no palácio papal, acabou assassinado pelo marido de uma de suas amantes em 964. Assim terminava a pornocracia em Roma.

Papas fantoches e o celibato
O 132º papa, Leão VIII, teve problemas com o imperador Oto I, da Alemanha, que, sob ameaça de invadir Roma, o exilou e colocou papas fantoches no comando do bispado de Roma, que nada mais faziam do que obedecer às suas ordens. Neste período, seus domínios ficaram conhecidos como “Sacro Império Romano-Germânico”. Tanto Leão VIII quanto Bento V, João XIII e Bento VI foram indicados por Oto I.
Em 974, após a morte de Oto I, Bento VI, o papa escolhido pelo Imperador foi capturado e estrangulado na prisão em uma revolução anti-germânica e substituído por um bispo romano novamente, Bento VII.
Neste papado o celibato entre os clérigos é novamente reestabelecido, desta vez por conta da farra de compra e venda de títulos eclesiásticos, que resultavam em dioceses se tornando “propriedades” de famílias através da compra do cargo de sacerdote por filhos e netos. A partir de agora, todas as igrejas retornavam ao domínio de Roma, deixando os padres e bispos sem direito a repassar suas heranças para esposas ou filhos. Esta é a verdadeira razão pela qual a Igreja Católica exige o celibato dos seus membros eclesiásticos.

João XIV (983-984) foi indicado pelo Imperador Oto II e também foi assassinado por opositores. João XV, também indicado pelo imperador, ficou mais dez anos no papado, sendo substituído por Gregorio V (que foi assassinado) e posteriormente Silvestre II (999 a 1003).

Silvestre II foi um papa diferente: monge beneditino francês, passou muito tempo no sul da Espanha, onde teve muito contato com a cultura árabe. Antes de se tornar papa, foi um dos principais divulgadores dos numerais indo-arábicos na Europa. Foi o inventor do primeiro relógio mecânico.
Atendendo a um pedido do imperador Oto II, dirigiu por um breve período a abadia de São Columbano em Bobbio e depois voltou a Reims (983), onde, como atuou como conselheiro do arcebispo Adalberon, deteve o controle da política francesa, favorecendo a ascensão ao trono de Hugo Capeto (Capeto… capeta… guarde este nome e esta dinastia, ela vai explicar mais para a frente a origem do termo “capeta” como sinônimo do tinhoso).
Protegido pelo imperador Oto III, que, vinte anos antes, havia sido seu discípulo em Roma, Oto III levou-o consigo, como conselheiro, à Itália, onde fez com que fosse nomeado primeiramente arcebispo de Ravena (998), e depois, com a morte de Gregório V, favoreceu sua eleição ao papado (999).
Os ideais iluministas do papa francês e do imperador alemão, contudo, não eram compartilhados pela população romana; ambos foram expulsos da cidade em fevereiro de 1001. O papa pôde voltar a Roma alguns meses depois, mas, nos dois últimos anos de vida e de reinado, toda sua vontade reformadora desaparecera: suas últimas esperanças foram destruídas com a morte de Oto III (1002).

O novo Milênio
João XVII foi um “papa de transição”… seu papado durou 4 meses. João XVIII ficou 5 anos e finalmente Sérgio IV dois anos. Mas nenhum deles foi assassinado: eram velhinhos quando assumiram o papado. Bento VII enfrentou novamente os muçulmanos no sul da Itália e, ao final do seu mandato (1024), começou a articular os príncipes europeus em um movimento para a expulsão dos muçulmanos do “santo sepulcro”. João XIX, irmão de Bento VII, deu continuidade a este movimento.

Bento IX, o homem que foi papa 3 vezes
Quando João XIX faleceu em 1032, a aristocracia romana colocou no papado Bento IX, um rapaz de 20 anos cuja função era atender aos interesses da classe campestre de Roma, que não aceitava os outros candidatos mais velhos. Por não conhecer os protocolos do papado, sua vida era um escândalo para a Igreja. Foi removido da cátedra e substituído por Silvestre III, mas em pouco tempo, os lordes de Roma o colocaram novamente como papa. Foi deposto uma segunda vez, em 1045, onde foi substituído por Gregório VI e posteriormente Clemente II, mas os lordes não desistem nunca, e Bento IX voltou a ser eleito papa em 1047. Pena que faleceu tão jovem, vítima de “intoxicação alimentar”… Foi substituído pelo papa Damaso II, cujo pontificado durou exatos 23 dias, vindo a falecer de “intoxicação alimentar” também.

O papa Leão IX também pegou um belo abacaxi para descascar… durante seu pontificado ocorre a Cisma do Oriente, que foi a divisão entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Romana. As relações entre as duas Igrejas nunca foi lá essas coisas, mas teve a gota d´água com uma discussão teológica sobre a natureza do Espírito Santo, em 1054, que terminou na excomunhão de todo mundo por todo mundo e a ruptura formal entre as Igrejas.

Tanto Bento IX quanto Damaso II, Leão IX, Vitor II, Nicolau II e Alexandre II lutaram contra uma das maiores pragas dentro da Igreja Católica: a simonia, ou comercialização das coisas sagradas. Os três papas tentaram, em vão, lutar contra a venda de indulgências, badulaques sagrados e relíquias (a coisa era tão absurda que existia até mesmo o “prepúcio sagrado”, que era exatamente isso que você está pensando… de Jesus!!! ). E antes de achar isso absurdo, saiba que o “prepúcio sagrado” ficou em exposição na catedral de Calcata até 1983 (século VINTE), quando foi ROUBADO. Eu fico pensando… quanto valeria um prepúcio sagrado no mercado negro de relíquias?

As cruzadas
Gregório VII, sucessor de Alexandre II em 1073, foi um dos papas mais influentes da história. Em 1075, Gregório VII publica o Dictatus Papae, que são 27 axiomas onde expressa as suas ideias sobre o papel do Pontífice na sua relação com os poderes temporais, especialmente com os imperadores do Sacro Império. Estas ideias poderão resumir-se em três modestos pontos principais:
1 – O Papa é senhor absoluto da Igreja, estando acima dos fiéis, dos clérigos e dos bispos, e acima das Igrejas locais, regionais e nacionais, e acima dos concílio;
2 – O Papa é senhor único e supremo do mundo, todos lhe devem submissão incluindo os príncipes, reis e imperadores.
3 – A Igreja romana não cometeu nunca erros.

No período de 1059 até 1087, as batalhas entre o chamado “Exército do Pontificado” contra os muçulmanos no norte da África foram se tornando cada vez piores e mais sangrentas. Finalmente, quando Vitor III falece em 1087 e o papa Urbano II assume o papado. No Concílio de Clermont-Ferrand (1095) Urbano II convocou os cristãos a uma guerra contra os “infiéis” muçulmanos, a fim de reconquistar Jerusalém. Iniciaram-se assim as cruzadas, expedições militares que partiam da Europa cristã a fim de combater os muçulmanos no Oriente.

Nos próximos capítulos:
“salvação a todos os mortos em combate contra os infiéis”
E as catedrais dedicadas a Maria Madalena, “Notre Damme”.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/marosia-assassinatos-papas-e-crucifixos

Cursos de Hermetismo – Carnaval 2016

160206 - kabbalah

Como já se tornou uma tradição aqui no TdC, o pessoal que odeia Carnaval e quer tirar os 4 dias para Estudar pode fazer os Cursos de Hermetismo agora neste final de semana.

Para quem mora longe de São Paulo ou tem problemas para estudar nos finais de semana, começando dia 06/02 teremos o mesmo Curso de Kabbalah Hermética e o Curso de Astrologia Hermética em Ensino à Distância com a mesma qualidade do curso presencial, mas que você pode organizar seu tempo de estudo conforme suas necessidades.

06/2 – Kabbalah

07/2 – Astrologia Hermética

08/2 – Runas e Magia Rúnica

09/2 – Magia Pratica (pre-requisitos Kabbalah e Astrologia)

Horário: Das 10h00 as 18h00

próximo ao metrô Vila Mariana.

Informações sobre os Cursos de Carnaval.

Reservas e Valores: marcelo@daemon.com.br

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

ASTROLOGIA

A Astrologia é uma ciência que visa o Autoconhecimento através da análise do Mapa Astral de cada indivíduo. Conhecido pelos Astrólogos e Alquimistas desde a Antigüidade, é um dos métodos mais importantes do estudo kármico e um conhecimento imprescindível ao estudioso do ocultismo.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– Introdução à Astrologia,

– os 7 planetas da Antigüidade, Ascendente e Nodos

– os 12 Signos,

– as 12 Casas Astrológicas,

– leitura e interpretação básica do próprio Mapa Astral.

Cada aluno recebe seu próprio Mapa Astral (precisa enviar antecipadamente data, hora e local de nascimento) para que possa estudá-lo no decorrer do curso.

RUNAS

O tradicional oráculo nórdico. A palavra Runa quer dizer: segredo.

As runas são pequenas pedras que têm gravadas sobre a sua superfície desenhos que representam as letras de um antigo alfabeto germânico. Através delas, os antigos faziam previsões, falavam com os deuses e sondavam as profundezas da alma humana. O curso Inclui:

– História da mitologia Nórdica.

– Yggdrasil, a Árvore da Vida.

– Explicação detalhada das 24 runas (normais e invertidas).

– Posicionamento de cada Runa dentro da Árvore da Vida.

– Métodos: 1 pedra, 3 pedras, Leitura associada às Casas Astrológicas

– Leitura tradicional: Freyir, Heimdall, Odin e 9 Pedras.

– Tela Rúnica.

– Alfabeto Rúnico e Escrita Rúnica para ritualística.

Total: 8h de curso.

MAGIA PRÁTICA

Pré-requisitos: Astrologia Hermética I e Kabbalah.

O curso aborda aspectos da Magia Prática tradicional, desde suas tradições medievais até o século XIX, incluindo os trabalhos de John Dee, Eliphas levi, Franz Bardon e Papus. Engloba sua utilização no dia-a-dia para auto-conhecimento, ritualística e proteção. Inclui os exercícios de defesa astral indispensáveis para o iniciado.

– O que é Magia.

– O que é o Mago.

– Advertancias a respeito da Magia.

– Qualidades do Mago.

– Os instrumentos do Mago.

– Os planos e suas vibrações.

– Sobre o Astral.

– O Magnetismo.

– Os chakras.

– Horas magicas.

– Lunario Magico.

– Os sete planetas e seus espiritos de influência.

– Os pantaculos e os quadrados magicos.

– Sobre a purificação.

– Disciplina corporal e mental.

– A visualização.

– A viagem astral.

– Obsessão, possesão, larvas e exorcismos.

– Exercicios de Proteção.

– Os mantras e a oração.

– Ritual Menor do Pentagrama.

– Exercicio da pilastra mediana.

– A sigilação.

– Como fazer água lustral.

– Consagrações.

Total: 8h de curso.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-carnaval-2016

Om Gam Ganapataye Namaha

Este mantra é um dos mais conhecidos da tradição hindu e é muito fácil de pronunciar. É uma invocação a Ganapati (outro nome de Ganesha) e serve para remover os obstáculos, tanto materiais como espirituais. Este mantra atua muito rápido, vale a pena experimentar.

O texto que se segue é de Thomas Ashley Farrand no livro “Mantras que Curam”

Ao longo dos anos, aprendi muitos mantras para resolver os problemas que a vida criou para mim. Para que você tenha uma idéia de como isso pode funcionar, vou contar como a prática de um mantra me ajudou num período particularmente difícil.

Em 1980, ocorreram muitas mudanças na minha vida. Durante oito anos, eu havia sido ministro-residente de um centro espiritual filiado a uma organização espiritual da Índia, mas sediada em Washington, D.C.

Eu gostava de ser útil e minhas responsabilidades em geral eram agradáveis. Entretanto, a forma como o líder indiano estava conduzindo a organização passou a me incomodar cada vez mais, por apresentar um comportamento inadequado em questões referentes a sexo, dinheiro e poder. Eu vacilava entre permanecer ou abandonar a organização e essa preocupação me deixava nervoso.

Um dia, numa de minhas habituais sessões de duas horas de meditação, eu vi um relógio que marcava um quarto para as doze horas. Aquela visão mostrava-me que às doze horas, a relação pela qual eu vinha esperando desde muito tempo atrás chegaria. Resolvi esperar um pouco mais antes de tomar a decisão de deixar o centro. Na realidade, aqueles quinze minutos acabaram sendo mais de seis meses. Depois de seis meses, uma mulher chamada Margalo chegou à organização. Em duas semanas, deixei o centro para ir morar com ela. Um ano depois, já casados, decidimos juntos abandonar totalmente a organização.

Quando me envolvi com a organização, eu trabalhava como produtor de televisão. Logo depois de entrar para ela, passei a lecionar radiofusão, por tempo integral, na George Washington University. Em 1980, entretanto, vencido o prazo do meu contrato temporário e, recém-casado, eu refletia sobre minhas opções profissionais. Margalo sugeriu que deixássemos Washington, D.C., e fôssemos morar em sua antiga casa no sul da Califórnia. Eu não vi nenhum motivo para recusar. Uma vez lá, eu sabia que teria de iniciar uma nova carreira. Mas, apesar de todos os meus esforços para encontrar um trabalho em Los Angeles, a capital da mídia do mundo ocidental, as portas da televisão mantiveram-se fechadas e eu fui obrigado a aceitar trabalhos esporádicos. Eu lutava para encontrar algum tipo de equilíbrio entre minha procura desestimulante de uma nova profissão e minha nova vida feliz com minha mulher.

Durante meus anos de sacerdócio, eu havia usado mantrans quase exclusivamente durante as sessões de meditação para aumentar a concentração e estimular a introversão espiritual. Para qualquer problema secular, eu recorria às orações que havia aprendido em minha formação judaico-cristã nas igrejas Presbiteriana e Metodista. A prática de mantras não requer o abandono da organização religiosa a que pertencemos, nem das nossas raízes ou de outras práticas espirituais. Embora continue me considerando cristão, eu já estudei muitas tradições religiosas e, com o passar dos anos, fui acrescentando novas práticas religiosas de origens hinduísta e budista a meus hábitos diários, para compor uma espiritualidade pessoal voltada para a compaixão e o serviço. O mantra é uma prática espiritual complementar incrivelmente eficaz, que pode enriquecer a sua vida.

No meu caso, os resultados obtidos por meio de orações eram esporádicos, mas eu os havia aceito. Naquele período profissionalmente difícil de minha vida, entretanto, decidi aplicar um mantra à minha situação para ver se me ajudava. Escolhi um mantra que me pareceu apropriado para as minhas dificuldades no plano material e decidi dedicar-me a ele por quarenta dias. Escolhi uma prática de quarenta dias porque quarenta é um número recorrente na literatura religiosa. Jesus andou no deserto por quarenta dias. Noé flutuou sobre as águas por quarenta dias. Moisés errou pelo deserto por quarenta anos. Com Buda foi um pouco diferente, pois permaneceu sentado sob a Árvore Bodhi por 43 dias até alcançar a iluminação. No hinduísmo védico, quarenta dias é o período estipulado para a prática concentrada de um mantra. No catolicismo romano, a novena, uma disciplina diária de oração utilizada pelos fiéis em busca de solução para seus problemas, é, às vezes, praticada durante cinco, quarenta e 54 dias, embora tradicionalmente seja uma prática de nove dias.

Eu achei que precisava de uma quantidade considerável de tempo para que a prática do meu mantra atuasse sobre quaisquer que fossem as forças que estavam me impedindo de encontrar trabalho. A intenção que criei na minha mente era de encontrar um emprego estável no qual eu pudesse dar uma contribuição aos outros e me rendesse um salário para viver. Como muitos mantras para a solução de problemas são genéricos por natureza, o mantra que escolhi foi para a remoção de obstáculos:

Om Gam Ganapataye Namaha

“Om e saudações àquele que remove obstáculos do qual Gam é o som seminal.”

Entre as seitas védicas e hinduístas, este mantra é universalmente reconhecido como extremamente eficaz para a remoção de todos os tipos de obstáculo. Como eu não sabia o que estava me impedindo de encontrar um emprego fixo e remunerado, meu objetivo era remover qualquer obstáculo, interno ou externo, espiritual ou físico, que estivesse no meu caminho.

Nos quarenta dias seguintes, repeti o mantra o máximo de vezes possível, algumas vezes em silêncio, outras em voz alta. Enquanto realizava tarefas domésticas, eu repetia o mantra. Dirigindo, eu ia entoando o mantra no carro. Enquanto comia ou preparava a comida, eu o repetia. Enquanto adormecia, continuava repetindo o mantra pelo máximo de tempo possível. Ao despertar, começava imediatamente a recitá-lo. Se estava com outras pessoas, recitava-o em silêncio. Se estava sozinho, entoava-o em voz moderadamente alta. Tornei-me uma máquina de entoar o mantra Om Gam Ganapataye Namaha.

Eu gostava da sensação que o mantra me proporcionava. Seu ritmo instalou-se rapidamente em minha consciência e, depois de duas semanas, constatei que o mantra se iniciava sozinho quando eu estava ocupado com alguma outra coisa. Quando acordava no meio da noite, podia ouvi-lo ressoando fracamente em algum compartimento nas profundezas da minha mente. Ele se integrara ao meu corpo e à minha mente como um alimento espiritual.

Depois de três semanas trabalhando com o mantra, fui convidado para realizar uma cerimônia védica para um grupo em Santa Ana. A cerimônia durou cerca de uma hora e, quando acabou, circulei entre os convidados para conversar e comer petiscos. Com um pequeno grupo, a conversa acabou indo parar na pergunta “E o que você faz para viver?” Expliquei, um pouco constrangido, que tinha vindo recentemente para a Costa Oeste e que ainda não havia me fixado em nada.

O bate-papo continuou e depois de um tempo uma mulher do grupo disse que sua empresa estava procurando alguém para trabalhar num projeto de marketing pelos próximos três meses. Perguntei o que a empresa fazia e ela respondeu que um serviço de assistência médica que se ocupava de medicina familiar, medicina ocupacional e atendimento de emergência. Eu não tinha nada a ver com a área de saúde e disse isso a ela.

Sem se importar com isso, a mulher insistiu para que eu lhe telefonasse para marcar uma hora na semana seguinte. Concordei, mais por educação e com a consciência de que devia explorar as possibilidades – mas sem nenhuma esperança real de que aquilo resultaria num emprego para mim.

Quando cheguei à empresa, fui recebido pelo chefe da mulher que eu havia conhecido, Rick, que me entrevistou por cerca de dez minutos. Eu achei que estava descartado, uma vez que mostrara não entender nada daquele ramo, mas para grande surpresa minha, ele finalizou sua breve entrevista com: “Eu acho que você vai se dar bem. Mas preciso que os médicos aprovem. Por favor, espere aqui.”

Os médicos me aprovaram e, dentro de alguns minutos, eu já havia preenchido alguns formulários e me tornado um representante de marketing da clínica deles, para realizar trabalho de campo com base num contrato provisório de três meses. O salário era modesto, mas era melhor do que trabalhar esporadicamente ou aguardar o telefone tocar, de maneira que fiquei agradecido. Durante todo o tempo, eu continuei recitando o mantra em silêncio.

Depois de vários dias dando telefonemas de negócios, eu aprendi o suficiente para perceber que o material de marketing de que dispunha para sustentar meus telefonemas era péssimo. Eu não conseguia tirar isso da cabeça e comecei a me sentir cada vez mais estúpido toda vez que fazia uma chamada. Finalmente, percebi que eu tinha de fazer algo.

Nessa altura, eu estava no trigésimo dia de prática do meu mantra. Nessa noite, refiz todo o material, resumindo-o em três desenhos e usando as cores do prédio e o familiar caduceu, símbolo da medicina. Quando cheguei ao escritório na manhã seguinte, procurei o médico a quem relatei e expus rapidamente o que tinha em mente. Ele parou de repente, fitou-me e disse para encontrá-lo na sala de reunião dentro de uma hora. Quando entrei na sala de reunião, lá estava Rick, junto com a mulher que havia sugerido que me candidatasse ao emprego, o médico que havia me entrevistado e dois outros médicos que eram sócios da empresa. Inseguro, percebi que teria de fazer uma apresentação. O médico que havia convocado a reunião disse, “Mostre-nos o que você fez”.

Depois de dez minutos de apresentação improvisada, os médicos me pediram para deixar a sala por alguns minutos. Nervoso, aquiesci. Quando fui chamado de volta, meu chefe disse, “Parabéns, você é nosso novo diretor de marketing. Mande imprimir alguns cartões e também esse material que você desenhou o mais rapidamente possível”. Eu estava em estado de choque, mas continuava interiormente repetindo o mantra Om Gam Ganapataye Namaha.

Concluí meus quarenta dias de prática do mantra sem nenhum outro incidente. Dentro de trinta dias, eu estava envolvido num projeto de marketing com a participação de um hospital local. A enfermeira que era diretora de marketing do hospital era amistosa e tecnicamente muito competente. Trabalhamos bem juntos. Quando estava quase no final do projeto, ela me perguntou se eu não me importaria em dizer quanto eles me pagavam. Não me importei e disse a verdade. Ela franziu o cenho e disse, “Eles estão lhe pagando uma bagatela”.

Quando o projeto em conjunto foi concluído, meu chefe nos parabenizou a ambos pelo ótimo trabalho. Depois de apertar a mão dele, a enfermeira apontou na minha direção e disse, “Você sabe que esse cara é muitíssimo mal pago. É melhor você tomar alguma providência antes que alguém lhe faça uma proposta e ele vá embora”. Fiquei espantado, mas meu chefe respondeu como o bom profissional que era. Deu uma risadinha e disse: “Não se preocupe, cuidaremos bem dele”. Em trinta dias, tive um aumento de 40%.

Isso foi no início de 1983. Trabalhei nessa empresa durante quase sete anos. Tive inúmeros aumentos e sentia que meu trabalho era valorizado. Finalmente, eu saí quando meu supervisor decidiu abrir seu próprio negócio e fez-me uma proposta para ir com ele.

Eu atribuí o meu êxito na procura de emprego ao mantra que pratiquei. Sua eficácia causou uma profunda impressão em mim e comecei a dar um novo valor ao poder das fórmulas espirituais para a solução de problemas cotidianos. Comecei a recomendar o uso de mantras a outras pessoas com problemas e funcionou surpreendentemente bem.

Indiquei esse mesmo mantra a um amigo meu de Washington, que havia acabado de deixar sua carreira no exército. Ele havia estudado gemologia e estava a fim de encontrar um trabalho nessa área. Entretanto, depois de meses de procura em muitas cidades, ele não conseguira encontrar o emprego que queria. Recomendei a ele que começasse a repetir o mantra Om Gam Ganapataye Namaha o máximo de vezes possível durante dez dias. No décimo primeiro dia, realizei uma cerimônia de limpeza energética para ele. Dentro de três dias, ele recebeu várias propostas de emprego e começou bem sua nova carreira.

#Hinduismo #Mantras

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/om-gam-ganapataye-namaha

Papa Legba

No Voodo haitiano, Papa Legba (guardião das encruzilhdas) é o intermediário entre os loa (divindades) e a humanidade.

Ele está em uma encruzilhada espiritual e dá (ou nega) permissão para falar com os espíritos.

Ele é sempre o primeiro e o último espírito invocado em qualquer cerimônia, porque a sua autorização é necessária para qualquer comunicação entre os mortais e os loa – ele abre e fecha as portas.

No Haiti, ele é a grande elocução, a voz de Deus.

Facilita a comunicação, a fala e compreensão.

Ele é muito poderoso, ele é o primeiro a abrir as portas para o mundo espiritual, quando solicitado, e tem o poder de remover obstáculos.

Suas cores são o vermelho e o preto, e algumas de suas coisas favoritas que podem ser usadas ??como oferendas incluem: doces, charutos, rum, tabaco e óleo de palma.

Seu número é três e o seu dia da semana é segunda-feira.

É sincretizado com São Pedro que carrega as chaves do céu.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/papa-legba

O dia em que a Terra parou (parte final)

« continuando da parte 1

Artigo original em inglês por Lynn Picknett e Clive Prince (para a revista Fortean Times), tradução de Rafael Arrais. Algumas das notas ao final também são minhas.

“Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes.” (Bernard de Chartres).

A revolução hermética

Voltando a Bruno, em 1592 ele se mudou para Veneza – e conforme as coisas ocorreram após, foi uma decisão equivocada. A república era um viveiro de oposição a autoridade papal, e inclusive haviam movimentos no sentido de se forjar uma aliança política e religiosa com a Inglaterra. As figuras chaves neste plano estavam todas associadas a Bruno, incluindo Traiano Boccalini, autor de Novidades do Parnaso que, explicitamente modelado numa das obras de Bruno, pedia uma “reforma geral de todo o mundo” [1]. Bruno também visitou um antigo contato em Pádua, na República da Veneza, Gian Vincenzo Pinelli, o distinto erudito no centro da rede de intelectuais e pensadores radicais da Europa. Ele hoje é mais conhecido como o mentor de Galileu.

Entretanto, Bruno foi traído e entregue a Inquisição, tendo permanecido na prisão, em Roma, por oito anos, antes de ser queimado na fogueira em Fevereiro de 1600. Seu julgamento final e execução foram presididos pelo Cardeal Inquisidor Roberto Bellarmino, mais tarde um personagem chave do drama envolvendo Galileu.

A saída de cena de Bruno deixou um vazio no palco central, uma grande oportunidade para um intelectual aspirante. Bruno havia aplicado para a cadeira de matemática na Universidade de Pádua, mas após sua detenção o emprego caiu no colo de outro candidato – chamado Galileu Galilei [2]. No entanto, algo de maior impacto imediato foi a chegada, alguns meses após a partida de Bruno, de seu herdeiro no Hermetismo.

As impressionantes similaridades entre as carreiras, filosofias e objetivos de Bruno e Tommaso Campanella (1568-1639) sugerem um plano compartilhado. De fato, a chegada do jovem Campanella (então com apenas 23 anos) na cena hermética italiana, logo após a prisão de Bruno, sugere que ele estava dando continuidade ao que o napolitano foi forçado a largar. Assim como Bruno, Campanella era um napolitano e dominicano que tornara-se um cruzado do Hermetismo. Chegando a Pádua logo após a saída de cena de Bruno, Campanella encontrou-se com Pinelli e Galileu. Foi também em Pádua que ele foi preso pela Inquisição, no início de 1594, e transferido para Roma – para a mesma prisão onde esteve Bruno. Comparado a Bruno, Campanella teve uma pena bem mais branda: após haver abjurado toda sua obra, foi levado a um monastério dominicano e então, logo após, enviado de volta a Nápoles.

Campanella compartilhava da visão de Bruno onde o heliocentrismo seria um gatilho para uma mudança de era – seu maior trabalho foi A cidade do Sol (La città del Sole, escrito antes de 1602; publicado em 1623), onde ele delineou sua visão de uma sociedade ideal amparada pelos princípios herméticos – que ele acreditava que iria se iniciar a partir de 1600 [3]. A aproximação do novo século o encorajou a ser muito mais proativo, politicamente, do que Bruno. Ele ajudou a organizar a Revolta Calabresa, tentando expulsar os regentes espanhóis do Reino de Nápoles para pavimentar o caminho ao estabelecimento de uma república baseada em princípios mágicos, um sistema que iria manter soerguida a tocha da nova era, para que o resto do mundo os seguisse.

Informantes traíram a insurreição em favor da Espanha, e após a organização haver sido impiedosamente esmagada em Novembro de 1599, Campanella e os outros líderes foram presos. Isto quase certamente explica o repentino desejo da Inquisição em se livrar de Bruno, que também protestava contra a regência espanhola e foi o inspirador espiritual da revolta; ele foi para a fogueira praticamente três meses depois. Stephen Mason, da Universidade de Cambridge, argumenta que ele foi executado como forma de exemplo aos rebeldes calabreses, por conta de sua conexão com Campanella [4]. Executando publicamente o líder espiritual dos insurgentes no início de seu ano especial, 1600, foi sem dúvida um movimento calculado [5].

Campanella escapou da pena de morte fingindo-se louco, e foi então sentenciado a pena perpétua em sua própria residência. Mas ele não apenas teve direito ao acesso a livros e materiais de escrita, como também recebia visitas de eruditos, que se asseguravam de que seus escritos fossem publicados na Alemanha. Presumivelmente propinas estavam envolvidas neste processo.

Vista sob a luz das maquinações políticas dos herméticos – especialmente a ameaça dos sombrios Giordanos – a evocação original do nome de Hermes Trimegisto, feita por Copérnico em seu Da Revolução das Esferas Celestiais, era algo que dificilmente teria escapado do olhar dos guardiões da Igreja. Os defensores da Igreja – a Inquisição e os Jesuítas – tinha todas as razões para estarem nervosos. Durante o século 16, a Igreja Romana havia experimentado seu maior trauma, o advento do Protestantismo. Quem poderia dizer o que poderia ocorrer a seguir? Talvez a Inquisição e os Jesuítas tenham reagido de forma desproporcional, mas aqueles tempos despertavam a paranoia.

Enquanto a ideia de Copérnico permanecesse como uma simples teoria, entretanto, as implicações herméticas poderiam ser contidas. Porém, quando um indivíduo declarou que ele havia encontrado uma prova, então a Igreja ficou seriamente preocupada. E a ansiedade eclesiástica cresceu ainda mais com tal ameaça de um associado direto dos místicos revolucionários, Tommaso Campanella e os outros Giordanos suspeitos – em outras palavras, Galileu.

O mensageiro das estrelas

A carreira de Galileu Galilei se iniciou em 1592 aos 28 anos – graças à prisão de Bruno –, quando ele se tornou professor de matemática na Universidade de Pádua. Lá, como vimos, ele se encontrou com Campanella, no que foi o início de uma colaboração de toda uma vida. Outra grande influência foi seu mentor Pinelli, que o introduziu a ciência emergente da ótica, que ajudou a formar sua reputação. Outro associado herege era Traiano Boccalini, autor de Novidades do Parnaso (inspirado em Bruno). Com amigos como esses, Galileu certamente já estava na lista negra da Inquisição desde o início.

Galileu também estava familiarizado com os escritos de Bruno. De fato, após a publicação do primeiro livro de Galileu que tocava esta controvérsia, o astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler o criticou por não deixar claro em sua obra o débito intelectual que ela tinha para com as ideias de Bruno.

Foi por volta de 1610, com a nova tecnologia do telescópio, que Galileu fez observações – a superfície acidentada da Lua, as luas de Júpiter, e particularmente as fases “quase lunares” de Vênus – que davam imenso suporte a teoria de Copérnico. Galileu reconheceu o potencial de suas descobertas, e rapidamente resumiu a primeira leva de observações em seu Sidereus Nuncius (O Mensageiro das Estrelas), de 1610. A intelligentsia (grupo de pessoas engajadas em trabalho intelectual) estava entusiasmada: ele rapidamente tornou-se matemático e filósofo da corte de Cosimo de Medici, Grade Duque da Toscana.

Entretanto, Galileu não usou suas descobertas para apoiar a teoria copernicana, mesmo em sendo um defensor ardoroso dela, conforme escreveu a Kepler em 1597, contanto que havia “sido convencido por Copérnico muitos anos atrás”. No Mensageiro das Estrelas, e noutro livro sobre suas descobertas acerca das fases de Vênus, ele meramente apresentou suas observações. Talvez já imaginasse que seria mais seguro não alardear as implicações copernicanas de seus livros.

É claro que o destino de Bruno estava gravado em sua mente como um conto ameaçador. Mas não há nenhuma dúvida de que ele estava totalmente a par da significância do Hermetismo no heliocentrismo. Um de seus mais firmes defensores durante a controvérsia, Campanella escreveu A Apologia de Galileu (Apologia pro Galileo) de sua cela prisional, em 1622. E – então vivendo como um homem livre em Roma sob a proteção do próprio Papa – Campanella ainda se correspondia com Galileu por toda a década seguinte, durante seu período mais difícil, o encorajando a permanecer firme e a lembrar da importância espiritual de seu trabalho [6].

Conforme escreveu Frances Yates, um historiador britânico: “Tanto na Apologia quanto nas cartas a Galileu, Campanella fala sobre o heliocentrismo como um retorno a verdade antiga e o início de uma nova era, usando de linguagem muito similar a de Bruno em A Cena de Le Ceneri [A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, onde ele defende a teoria de Copérnico e declara que o estabelecimento do heliocentrismo iria libertar o espírito humano]… E em outras cartas ele assegura a Galileu que estava construindo uma nova teologia que iria vingá-lo.” [7]

As coisas se encaminharam a uma decisão em 1615 quando Galileu finalmente foi a público, escrevendo: “Eu afirmo que o Sol está localizado ao centro da revolução das órbitas celestes e não se move, e que a Terra gira sobre si mesma e se move em torno do Sol” [8]. Ele tornou-se uma celebridade notória da noite para o dia.

Galileu, Campanella e o Papa

Quando, como resultado da declaração pública de Galileu, o Papa Paulo V ordenou uma investigação em bases teológicas do heliocentrismo, que concluiu que esta teoria era contrária às escrituras, o livro de Copérnico, Da Revolução das Esferas Celestiais, foi finalmente banido, juntamente com outras obras que defendiam o heliocentrismo [9]. Galileu foi chamado a Roma para ser repreendido. O Sol se movia em torno da Terra e não o contrário. Era verdade porque o Vaticano afirmava ser verdade.

Mas houve um subtexto não alardeado: o cardeal que recebeu a tarefa de repreender Galileu foi Roberto Bellarmino, o mesmo que havia interrogado Bruno, o mesmo que havia sido responsável por sua condenação e execução. Isto não foi uma coincidência; Bellarmino havia sido Arcebispo de Cápua desde 1602, porém foi chamado de volta a Roma especificamente para tratar do caso de Galileu.

Bellarmino, é claro, entendia, por experiência própria (tendo lidado com o caso de Bruno), a significância do heliocentrismo para a revolução hermética. Bruno estava morto e Campanella encarcerado em Nápoles, mas eles tinham seguidores – ninguém sabia quantos.  E agora aqui estava Galileu, associado com sujeitos como Campanella, se encaminhando para cada vez mais perto da prova que, segundo Bruno, iria iniciar uma nova era do Hermetismo. Galileu recebeu uma declaração escrita por Bellarmino dizendo que o Papa havia decretado que as ideias de Copérnico não poderiam ser “defendidas ou sustentadas”. Galileu concordou apressadamente.

Ainda mais indicativa foi sua reação imediata: ele pediu a permissão de seu patrono, Duque Cosimo, para viajar a Nápoles – mas esta foi negada. Porque Nápoles? Um ponto crucial do quebra cabeças se encaixou quando lemos num artigo de Olaf Pedersen, um especialista nos aspectos religiosos do caso Galileu, que a razão do pedido de seu pedido e da estranha recusa de seu patrono foi precisamente porque Galileu desejava visitar Tommaso Campanella em sua cela [10]. A Igreja traz de volta o homem que havia condenado Bruno para repreender Galileu, e sua primeira reação é tentar se consultar com o sucessor de Bruno, Campanella…

Ainda que a Galileu tenha sido negada sua viagem, Campanella escreveu A Apologia de Galileu, que foi publicada, em seguida, em Frankfurt, com a ajuda de seus seguidores. No entanto, em se considerando a reputação de Campanella – condenado por heresia e subversão – ele dificilmente ajudaria no caso Galileu. Isto é provavelmente a causa de, em Florença, Galileu ter mantido sua cabeça baixa. Nada no decreto papal proibia a discussão do heliocentrismo como uma hipótese, e muitos intelectuais estavam fazendo exatamente isso, entusiasmadamente. O próprio Galileu não mencionou a questão por muitos anos, embora estivesse claramente esperando por uma oportunidade mais apropriada para retornar a ela.

Então em 1623, um velho amigo, Maffeo Barberini, tornou-se o Papa Urbano VIII. Tomando isto como um sinal de que sua sorte finalmente havia mudado, Galileu foi até Roma visitá-lo pouco depois. A eleição de Urbano era também uma boa notícia para Campanella. Em 1626, Urbano requisitou que o rei da Espanha libertasse-o de sua prisão para que Campanella fosse até Roma realizar magias de proteção. Após 27 anos, Campanella não somente estava livre, como também era o mais novo conselheiro do Papa! Urbano chegou inclusive a lhe dar permissão para fundar uma universidade em Roma para treinar missionários que simpatizavam com suas ideias filosóficas e religiosas. Este favor papal garantido ao seu maior e mais controverso colaborador foi outro bom sinal aos olhos de Galileu.

Galileu decidiu que era seguro escrever seu Diálogo Acerca dos Dois Sistemas Principais do Mundo (Dialogo sopre i due massimi sistemi del mondo), uma discussão cerca do antigo sistema ptolomaico, e do novo sistema copernicano. Com a aprovação prévia da Inquisição, ele foi publicado em Florença em 1632. O Papa apenas pediu a Galileu para que suas próprias ideias anti-heliocêntricas fossem incluídas.

Era significativo, no entanto, que houvessem alguns conceitos próximos entre o Diálogo de Galileu e a obra de Bruno, A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, de 1584. Pode não ter sido uma coincidência, já que esta era exatamente a obra giordana favorita de Campanella. Apesar do mito da “batalha de egos”, ficou claro que Urbano teve de ser “incentivado” a entrar em ação. Seus diversos oponentes dentre os Cardeais Inquisidores estavam começando a sugerir que o aval papal a publicação do Diálogo era um sinal que endossava os crescentes rumores acerca de suas tendências heréticas. Não houve nenhuma batalha de egos. O Papa Urbano estava apenas ficando cada vez mais temeroso.

Um relutante Urbano instruiu a Inquisição a chamar um chocado Galileu até Roma, onde se apresentou diante da Inquisição em Abril de 1633. Ele declarou que seu livro apenas discutia brevemente a teoria de Copérnico, e que até o decreto de 1616 ele não havia considerado nem a hipótese copernicana nem a ptolomaica como definitivas (contradizendo o que escreveu a Kepler 36 anos antes), mas que desde então havia passado a considerar a visão ptolomaica como “verdadeira e além de questionamentos”. Enquanto poucos iriam condenar Galileu por tentar escapar – afinal, esta era a Gestapo do Vaticano – estas palavras dificilmente podem ser imputadas a um nobre defensor da liberdade intelectual, futuro “mártir da ciência”. E ainda assim, Galileu tampouco se pareceu com um velho arrogante que se recusava a admitir que estava errado [11].

Galileu perdeu. Os inquisidores declararam que o Diálogo era uma tentativa dissimilada de promover o heliocentrismo – e nisto provavelmente estavam certos – e que suas desculpas não haviam lhes convencido do contrário. Ele se encontrou “veementemente suspeito de heresia” – apenas um degrau inferior a ser formalmente acusado como herege. Sua única escapatória foi “abjurar e amaldiçoar” as ideias heréticas.

Ajoelhado ante o altar de Santa Maria, no mesmo local onde Bruno foi condenado 33 anos antes, Galileu renegou oficialmente o heliocentrismo. Todas as suas publicações passadas e futuras foram formalmente proibidas, e ele foi condenado a passar o resto de seus dias em prisão domiciliar, embora já tivesse mais de 70 anos na época. Uma de suas primeiras visitas na prisão foi de seu grande colaborador e apologista, Tommaso Campanella.

Conclusão

Apesar do julgamento de Galileu ser sempre citado como o momento onde as forças da razão e do dogma colidiram, o fator hermético é, nós argumentamos, mais importante. A reverência religiosa que os seguidores do Hermetismo davam ao heliocentrismo foi a principal razão que levou a Igreja a condenar tardiamente a teoria de Copérnico, e logo após, ao próprio Galileu. O fator hermético estava lá, mas no pano de fundo, o que é precisamente a causa deste senso de que falta alguma coisa na controversa história deste julgamento.

Entretanto, Galileu de forma alguma era tão inocente quanto parecia. Existem inúmeras questões válidas acerca de sua relação com o movimento undergroud da reforma hermética. Há sua contínua associação e correspondência com Campanella, especialmente seu desejo de visitá-lo logo após a primeira repreensão dada pela Inquisição, em 1616. Campanella dificilmente seria o tipo de companhia que Galileu gostaria de manter, há menos que tivesse relação com os Giordanos.

E há ainda o aparente uso das ideias de Bruno – que, em seu A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, fez a primeira menção ao Sol de Copérnico como o gatilho para uma nova era hermética – como modelo para o seu Diálogo Acerca dos Dois Sistemas Principais do Mundo. Seria esta a forma que encontrou para demonstrar aos Giordanos que era um simpatizante? Ou seria o próprio Galileu um dos membros ativos desta organização revolucionária?

***

[1] Nota dos autores: Esta é descrição da obra de Boccalini declamada no primeiro dos famosos manifestos rosacrucianos de 1614, que incluíam um trecho de Novidades do Parnaso (News from Parnassus), uma dos diversos exemplos da conexão estreita entre o movimento de reforma do Hermetismo italiano e os círculos germânicos de onde o rosacrucionismo surgiu.

[2] Nota dos autores: Timothy Ferris: Coming of Age in the Milky Way, The Bodley Head, 1989, p.85–86.

[3] Devemos levar em consideração que as mudanças de séculos (ao menos no calendário cristão) despertavam muitas ideias de “mudanças de era”. No entanto, há muitos espiritualistas que, como eu, enxergam tais mudanças como processos que levam muitos séculos. Ou, como diz a lei hermética: “Tudo flui, nada está parado”.

[4] Nota dos autores: Stephen Mason: Religious Reformation and the Pulmonary Transit of the Blood, History of Science, vol. 41, part 4, no. 134, Dec 2003, p.468.

[5] Tanto Bruno quanto Campanella eram, afinal, dominicanos, parte da Igreja. Bem ou mal, condená-los a fogueira era algo que “arranhava” a imagem do Vaticano. Desta forma, preferiram queimar apenas um, apenas o líder espiritual, Giordano Bruno. Campanella era somente o “líder de operações”, e por isso foi poupado da fogueira.

[6] Para os “mártires da ciência”, ironicamente, seu próprio trabalho tinha profundo significado espiritual. Campanella estava apenas a reafirmar o que Galileu já sabia desde muito cedo.

[7] Nota dos autores: Frances Yates: Giordano Bruno and the Hermetic Tradition, Routledge & Kegan Paul, 1964, p.383.

[8] Só muito tempo depois se descobriu que mesmo o Sol se move ao redor da Via Láctea, e que mesmo nossa galáxia se move em relação às galáxias próximas, e também em relação ao aglomerado de galáxias locais. Mas as implicações espirituais destas descobertas ainda estão um tanto quanto distantes de serem assimiladas. Talvez o novo guru tenha sido um agnóstico, e não um espiritualista.

[9] É aqui que fica muito claro o caráter de “guerra religiosa” na questão do heliocentrismo. Ainda que Copérnico não declarasse ter provas da teoria, se em sua época ela fosse associada a uma tentativa de derrubada da Igreja em favor de uma nova era espiritual com menos dogmas e mais investigações filosóficas e livre pensamento (o que desejavam os Giordanos), certamente já haveria sido banida muitos anos antes. É precisamente esta história que a Academia e o Vaticano não contam.

[10] Nota dos autores: Olaf Pedersen: Galileo’s Religion, in CV Coyne (ed.): The Galileo Affair: A Meeting of Science and Faith – Proceedings of the Cracow Conference, May 24–27, 1984, Specola Vaticana, Vatican City, 1985, p.97.

[11] Galileu nunca teve um espírito revolucionário da altura de Giordano Bruno. A Inquisição havia queimado o sujeito certo. Mas, como vimos, as ideias de Bruno não puderam ser destruídas junto com seu corpo… Iriam ecoar ainda na mente do próximo gênio da história da ciência, o matemático, físico, alquimista, teólogo, filósofo e ocultista – Sir Isaac Newton. Mas esta é uma outra história.

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Crédito das imagens: [topo] National Geographic Society/Corbis (pintura de Jean-Leon Huens, onde Galileu explica a topografia lunar aos céticos); [ao longo] Gravura de autor anônimo, divulgada primeiramente em um livro de Camile Flammarion

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#Ciência #hermetismo #história

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-dia-em-que-a-terra-parou-parte-final

24/06 – São João Batista

Hoje, 24 de Junho, é dia de São João Batista.

Descendente de Abraão, patriarca hebreu que deu início à historia do povo de Israel, e primo da Virgem Maria, São João Batista teve como pai o sacerdote Zacarias, para quem o Arcanjo Gabriel apareceu anunciando-lhe que sua esposa Isabel, já idosa, teria um filho, e que o menino seria precursor de Jesus Cristo. Segundo Lucas, isso aconteceu no ano 5 a.C., no território onde habitava a tribo de Judá.

João preparou-se para a missão que lhe havia sido confiada passando sua juventude no deserto, e lá se dedicando ao jejum e às orações. Até que por volta do ano 25 ele finalmente iniciou sua vida de pregador às margens do rio Jordão, proclamando a chegada de Jesus como o Cordeiro de Deus que daria o batismo à humanidade. João também pregou na corte de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia, condenando a vida escandalosa do homem que tomara para mulher a esposa de seu irmão, chamada Herodíades. Por isso foi preso e encarcerado, só não sendo condenado à morte porque o governador conhecia a popularidade do pregador e temia a reação do povo diante dessa medida extrema. Porém, durante as comemorações pelo aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, chamada Salomé, dançou entre os convidados, agradando tanto ao aniversariante que este prometeu atender a qualquer pedido feito pela moça. E esta, instigada pela mãe, exigiu a cabeça de João Batista, que lhe foi trazida numa bandeja (ilustração abaixo).

O historiador judeu Flávio Josefo (37-95), autor de obras como A Guerra Judaica e Antiguidades Judaicas, entre outras, explica nesta última, que narra a história dos judeus desde a criação do mundo até a guerra com Roma, que a morte de João Batista aconteceu porque Herodes temia sua grande popularidade, acrescentando que o povo israelita passou a considerar a destruição do exército do governador pelos nababeus, em 36, como uma manifestação da cólera divina diante do sacrifício do pregador.

São João é chamado Batista pela importância que dava ao batismo, um ritual de purificação corporal onde a imersão na água simbolizava a mudança interior de vida. E de Precursor porque iniciou sua pregação antes de Jesus, mas anunciando sua chegada. Sua festa é comemorada em 24 de junho, data considerada pela Igreja Católica como sendo a do seu nascimento.

Sabe-se que foi a partir das sílabas iniciais dos versos da primeira estrofe do hino litúrgico em honra de São João Baptista. que se formaram os nomes das notas musicais. Veja-se como:

Ut queant laxis

Ressonare fibris

Mira gestorum

Famuli tuorum,

Solve polluti

Labii reatum,

Sancte Johannes.

O ut foi depois substituído por dó. O si é constituído pelas letras iniciais latinas de Sancte Johanes (São João: o j lia-se como i).

Herodes, o Grande, governador da Galiléia, morreu em 4 a.C. e era vivo na época do nascimento de Jesus e de João Baptista, tal como informam os registros. Quando Marco António morreu, Herodes colocou-se ao lado de Otaviano, que decretou o recenseamento de todo o império romano no 3º mês do ano 8 a.C., visando melhorar o processo de arrecadação de impostos e tributos. Os judeus sempre ofereceram resistência a este tipo de contagem do povo, e por este motivo, no reino de Herodes, ela foi protelada até ao 7 a.C..

Jesus nasceu no ano do recenseamento. José foi a Belém para recensear a sua família, e foi em Belém que Jesus nasceu. Em Belém, o registro da ocorrência do recenseamento do povo ocorre no oitavo mês do ano 31, do reinado de Herodes, tendo este morrido 2 anos depois, em 4 a.C.. Isto coloca o nascimento de Jesus em agosto de 7 a.C.. De acordo com o “Evangelho Segundo São Lucas”, Isabel, mãe de João Batista, estaria com seis meses de gestação quando foi visitada por Maria, e esta já sabia estar grávida, o que carecia de pelo menos um mês para se tornar conhecido por ela. Considerando estes dados, pode-se dizer que os meninos teriam cinco meses de diferença, o que remeteria o nascimento de João Batista para o segundo mês do mesmo ano, ou seja, fevereiro de 7 a.C..

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/s%C3%A3o-jo%C3%A3o-batista

Ninguém Evolui por Alguém!

por Vitor Manuel Adrião

«O Discípulo evolui pelos seus próprios méritos», isto é, pelo seus próprios esforços já que ninguém evolui por alguém. Quem pensa o contrário, recorrendo a santões, profetas, adivinhos, médiuns, promessas devocionalistas, crença em datas apocalípticas, etc., etc., inclusive pagando para afinal ser enganado, está caindo no maior logro prejudicando gravemente a seu evolução verdadeira desperdiçando tempo e vida em superstições puéris.

«A si mesmo transformando, transforma o mundo», ou seja, pelo EXEMPLO dando à prática o Bem, o Bom e o Belo influindo positivamente na Aura Colectiva dos seus semelhantes em Humanidade. Uma Mente no Bem influi beneficamente no anulamento do Mal na Mente alheia; um Sentimento de Bom ou Bondade impõe-se ao Mau Sentimento e emoções passionais de toda a espécie do próximo; um Corpo cultuando o Belo faz com que o imite o Corpo que cultua o Feio, criação dos vícios sociais. O Bem da Sabedoria, o Bom do Amor, o Belo da Vontade em servir desinteressadamente a favor dos seus Irmãos de Grupo e de todos seres viventes. Ademais, «Quem equilibrar a sua Mente e o Coração na Terra, alcançará as maiores venturas do Céu» (JHS).

Já agora, para terminar: nós não precisamos dos Mestres mas os Mestres de nós. Isto é, como criaturas limitadas sujeitas aos vícios corporais e que, sendo mais comum do que aparenta, por um desaire psicomental qualquer mandamos às urtigas a espiritualidade, de facto assim não precisamos dos Mestres Vivos que são Seres muitíssimo ocupados. Mas Eles precisam de nós para o cumprimento no Plano Físico denso do Desígnio de Deus em cada Ciclo. Por isso, os Mestres de Amor-Sabedoria procuram os verdadeiros Discípulos a guisa de Diogenes com a sua lanterna à procura de um Homem. Quem se torna Discípulo de um Mestre Verdadeiro tem tudo a ganhar e tudo a perder: ganha em Iniciação Verdadeira que é ampliação da Vida-Consciência e perde em Vida-Energia ou condição profana que ao comum da Humanidade abarca, esta que também tem tudo a ganhar em espiritualidade e tudo a perder, desaire após desaire, decepção após decepção, na vivência profana do dia-a-dia, colecionando ilusões e mentiras para um dia, à porta do túmulo, as perder todas, e continuar além vida em condição igual à corpórea. Nisto, o verdadeiro Iniciado, que é todo o verdadeiro Discípulo (aquele que é aceite pelo Mestre após o aceitar incondicionalmente em seu peito), «não está sujeito à lei da morte», citando Camões.

Espero ter feito entender-me. Saudações amigas.

#Teosofia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ningu%C3%A9m-evolui-por-algu%C3%A9m