O Livro Enochiano dos Amuletos e Talismãs

Pesquisa, tradução e adaptação feita
POR ROBSON BÉLLI
abril de 2022

Sumario

Origem deste material
Teoria dos Amuletos e Talismãs
Correspondências.
Geometria Talismanica da Golden Dawn.
Gematria Enochiana.
Magnetizando um Talismã.
Teoria dos quadrados mágicos.
Usos dos quadrados mágicos.
Ritual para magnetizar os talismãs.
O que fazer?
Perguntas para este material
Bibliografia.

Origem deste material

Este material tem origem no livro “The Enochian workbook” e no livro “Advanced Enochian Magic” dos autores Gerald & Betty schueller, obra recomendadíssima para aqueles que desejam entender mais sobre o assunto aqui apresentado, foram usadas inúmeras outras referencias tanto pelos autores quanto por mim (Robson Bélli) para a composição deste material.

Este material se refere a pratica da magia neo-enochiana, não sendo usado em outras vertentes, quaisquer outras duvidas pergunte no grupo, estamos sempre prontos em melhor aconselhar o grupo em suas praticas.
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Teoria dos Amuletos e Talismãs

Talismãs e amuletos são dispositivos bem conhecidos que são usados ​​por praticantes de magia há milhares de anos. Amuletos e talismãs geralmente têm o mesmo design; a principal diferença entre os dois dispositivos é como eles devem ser usados.

Amuletos são geralmente usados ​​no corpo como uma forma de proteção mágica – para afastar forças indesejadas ou entidades hostis. Eles podem ser feitos e usados ​​no corpo sem ser previamente magnetizados. O material de que são feitos influencia você diretamente. Um amuleto deve durar muito tempo, um cristal, um orgonite.

Os talismãs geralmente não são usados ​​no corpo e são construídos e carregados com força mágica para um propósito específico. Um talismã pode ser usado uma vez – então geralmente é cuidadosamente destruído ou recarregado (assim como uma bateria deve ser recarregada periodicamente).

Na Magia Enochiana, amuletos e talismãs são usados ​​como uma expressão física de sua Vontade Mágica. Eles são usados ​​para lembrá-lo do poder de sua Vontade Mágica. Além disso, outros que o virem também serão movidos consciente ou inconscientemente para realizar a sua vontade ou intento.

Correspondências

A construção de um amuleto ou talismã depende de sua função e como será usado. Seu propósito geralmente determina o material do qual é feito, as inscrições que são colocadas nele e o tipo de força ou poder que é invocado nele. Vários metais, cores, pedras preciosas e os dias da semana têm correspondências mágicas com os corpos sutis e planetas. Essas correspondências, mostradas na Tabela a seguir, devem ser consideradas ao projetar/desenhar um amuleto ou talismã.

Correspondências do Talismã

Corpo Planeta Metal Cor Dia Pedra
1 Físico Sol Ouro Amarelo Domingo Topázio, Jade amarelo
2 Etéreo Marte Ferro Vermelho terça-feira Rubi, Hematita
3 Astral Lua Prata Violeta segunda-feira Quartzo, pedra da lua
4 Mental Saturno Chumbo Preto Sábado Onix, Turmalina
5 Causal Vênus Cobre Verde sexta-feira Jade, esmeralda
6 Espiritual Mercúrio (não usar) Laranja quarta-feira Cornalina, Berilo
7 Divino Júpiter Estanho Azul quinta-feira Ametista, Lapis-Lazuli

Outras correspondências

Símbolo Incenso Animal
1 Cruz, candelabro, mandala Olibano, arruda, louro Leão, águia. Ecaravelho, veado
2 Espada, lança, açoite, escudo Café, alho, lavanda, cravo Lobo, Javali, Carneiro
3 Arco e flecha, taça, meia lua Jasmin, Canfora, Acacia Serpente, sapo, peixe
4 Foice, Cranio, Cruz Tau Mirra, Almiscar, Salsa Morcego, Coruja, Corvo
5 Rosa, Pomba, cruz ansata Rosa, Sandalo, Baunilha Pomba, Pavão, Borboleta
6 Caduceu, Livro, Pluma Benjoin, Estoraque, Alecrim Íbis, Macaco, Cão
7 Sino, Flor de liz, Quadrado Hortelã, Olibano, Eucalipto Bufalo, Alce, Elefante

Todas as correspondências aqui descritas foram conferidas no 777 e no livro Kabbalah Hermetica do Marcelo Del Debbio

Geometria Talismanica da Golden Dawn

Na Golden Dawn temos formas geométricas especificas para cada talismã e isso pode ser encontrado no livro “Self Initiation in the Golden Dawn Tradition” do Chic Cicero e Sandra Tabatha Cicero, na realidade a Golden Dawn oferece modelos de talismãs prontos para cada planeta especifico, a seguir algumas informações que podem ajudar você a compor seus proprios talismãs:

Planeta Arestas Nome da forma geométrica
Sol 6 Hexágono
Lua 9 Eneogono
Marte 5 Pentágono
Mercúrio 8 Octogono
Júpiter 4 Quadrado
Venus 7 Heptagono
Saturno 3 Triangulo

Gematria Enochiana

Os dados de origem a partir dos quais as tabelas de gematria foram calculadas são tão preciso quanto várias revisões rápidas poderiam fornecer, mas é não é garantido que seja preciso além da expectativa razoável, e sem dúvida contém pelo menos um erro. Alerta Mago!

VALORES DE GEMATRIA DOS CARACTERES ENOQUIANOS

GOLDEN DAWN CROWLEY ULISSES MASSAD
A 1 6 1
B 2 5 2
C 20 300 10
D 4 4 4
E 5 7 8
F 6 300 9
G 3 9 3
H 8 1 5
I 10 60 10
J 0 0 10
K 0 0 10
L 30 40 11
M 40 90 12
N 50 50 13
O 70 30 15
P 80 8 16
Q 90 40 17
R 100 100 20
S 200 10 14
T 300 400 22
U 0 0 6
V 400 70 6
W 0 0 6
X 60 400 21
Y 0 0 10
Z 7 1 7

Para maiores relações entre cabala, arvore da vida e magia enochiana, recomendo a leitura atenta ao Liber Arphe de Ulisses Massad, As demais gematrias podem ser encontradas através de estudos no Liber 777 e The Golden Dawn de Israel Regardie.

Magnetizando um Talismã

Os talismãs devem ser recarregados periodicamente. Os passos necessários para construir e carregar um talismã enoquiano são os seguintes:

1. No dia indicado na Tabela de correspondencias, faça um talismã em forma de pantáculo de preferencia com o metal mostrado na mesma tabela. Se os metais não estiverem disponíveis, use um substituto, como madeira ou papel pintado na cor apropriada, conforme indicado na Tabela. Esta cor serve como a cor de fundo do talismã e não da tinta.

2. No mesmo dia, inscreva o talismã com os números e símbolos apropriados. Por exemplo, se invocar uma divindade, use o número de gematria do nome do deus e sigilo, se conhecido.

3. No dia apropriado (veja a Tabela de correspondencias), realize um ritual de invocação para carregar o talismã (um ritual típico para este propósito é dado mais adiante).

4. Após carregar o talismã com a força adequada, enrole-o em linho branco ou seda e guarde-o cuidadosamente em sua própria caixa para ajudar a manter a carga até que seja usado.

5. Use o talismã quando e onde for necessário para obter o resultado desejado.

Geralmente isso feito é durante um ritual apropriado onde o talismã é usado para enfatizar o propósito desejado e garantir um resultado favorável.

Exemplo:

Vejamos um exemplo, mas lembre-se de que não existem regras rígidas e rápidas. Use os símbolos/sinais disponíveis neste e em outros livros e coloque-os juntos de uma maneira que seja do seu agrado. Uma regra da Golden Dawn era “Na construção de um talismã, o simbolismo deve ser exato e em harmonia com as forças universais”.

Exemplo:

A Figura acima mostra um talismã que pode ser usado para obter riqueza, fertilidade, abundância e prosperidade geral. Ele emprega o poder mágico de ALHKTGA, o quarto Sênior da Terra. Este talismã é projetado com um heptágono de sete lados que tem uma letra do nome do Sênior em cada espaço. Deve ser feito de cobre e pintado de verde (o metal e a cor de Vênus porque este Sênior está associado a Vênus.

O centro do talismã contém um pentagrama verde com o número 338 no centro. O verde esmeralda é a cor especial do ALHKTGA. O pentagrama simboliza o número 5. (O valor da gematria do nome deste Sênior é 338 que se reduz a 5 por adição teosófica. Ou seja, você adiciona os três números que compõem o valor da gematria, 338, (3+3+8=14) e, em seguida, some os números que compõem o resultado, 14, (1+4=5), para obter um valor de 5.

Os principais símbolos deste Sênior também estão incluídos: uma rosa vermelha e um amuleto vermelho de cinco faces. O vermelho é usado porque é o complemento do verde, a cor de ALHKTGA. Ao lado da parte superior da estrela está o signo mágico do elemento Terra (elemento deste Sênior); e abaixo do pentagrama temos o símbolo de vênus.

Teoria dos quadrados mágicos

 

Um antigo texto egípcio diz: “A vida de uma pessoa é investida em seu nome”. Esse antigo ensinamento expressa a ideia de que os nomes têm poder no sentido de que, se você souber o verdadeiro nome de algo, terá um grau de controle sobre ele. Nomes e palavras sempre foram considerados importantes na magia.

A Magia Enoquiana usa nomes e palavras enoquianas. Algumas palavras podem ser colocadas juntas de uma maneira especial para formar um quadrado. Estes são chamados de Quadrados Mágicos.

As tabelas abaixo mostram dois típicos Quadrados Mágicos Enochianos.

 

N E M O
E M O A
M O A D
O A D O

NEMO. Este quadrado soma 516, o número para MIKA-SOESA que significa “o poderoso salvador interior”.

Também 516 = 129×4 onde 129 é o número para MOZ que significa “alegria”. Além disso, 516 = 12×43 onde 43 é o número para BALT-ZA que significa “na justiça”. AIK BKR reduz 516 e 129 para 12 que reduz a 3, “o filho ou soma de um” (o pai supremo) e “dois” (a mãe suprema). Esta é a praça de NEMO, o Magister Templi ou Mestre do Templo.

 

B A B A L O N
A D A N O D O
B A H A N O Q
A N A N A E L
L O N A S M I
O D O R M N A
N O Q L I A D

BABALON. Este quadrado soma um total de 1183, o número de KA-KAKOM-ZORGE que significa “fazer o amor florescer”. Também 1183=169×7, onde 169 é o número para RIT que significa “misericórdia” e PIR, “brilhante”. AIQ BKR reduz 1183 para 4, o número para definição através da memória.

BABALON é a corrente feminina encontrada nos Aethyrs, ADNA-ODO implica abrir-se ao conceito de obediência; BAHA [L]-NOQ [01 é “o clamor de um servo fiel”; ANANAEL significa “a sabedoria secreta”; LONSA-MI sugere o poder ou energia que está latente em todos; ODO-EMNA pode significar “abrir-se a partir de agora” e NOQ[01-L-IAlD pode significar “o servo supremo (ou ministro) de Deus”.

Uma interpretação deste Quadrado Mágico é:

Ó BABALON

Reverências a você.

Receba-me,

Seu servo fiel

Quem proclama sua Sabedoria Secreta.

Você é o poder que reside em todos.

Receba-me,

Por agora e para sempre.

Usos dos quadrados mágicos

O uso de tais quadrados é variável. Por exemplo, muitos, se não todos, os Quadrados Mágicos podem ser transformados em talismãs, devidamente carregados, e então usados ​​em rituais mágicos. De acordo com o livro da  magia de Abramelin, simplesmente ter tal quadrado em sua pessoa e tocá-lo, enquanto faz um desejo correspondente, ajudará a tornar esse desejo realidade.

Muitos magos, especialmente aqueles que praticam Magia Enochiana, os usam para meditação. Cada letra representa uma ideia mágica especial, conforme mostrado na Tabela abaixo.

Letra ZODIACO/ELEMENTO Tarô
A Touro Hierofante
B Aries Estrela
C, K Fogo Julgamento
D Espirito Emperatris
E Virgem Eremita
F Cauda Mago
G Cancer Carruagem
H Ar Louco
I, J, Y Sagitario Temperança
L Cancer Carroagem
M Aquario Imperador
N Escorpiao Morte
O Libra Justiça
P Leão Força
Q Agua Pendurado
R Peixes Lua
S Gêmeos Amantes
T Leão Força
Caput Draconis Alta sacerdotiza
U, V, W Capricornio Diabo
X Terra Universo
Z Leão Força
Caput draconis Alta sacerdotiza

Quadrados de letras podem fornecer a base para meditações poderosas simplesmente concentrando-se nos significados das letras e sua disposição dentro dos quadrados.

Os três exemplos a seguir são fornecidos.

Exemplos

Exemplo 1. O quadrado LAMA.

L A M A
A A I T
M I A O
A T O L

Este quadrado contém as palavras enoquianas, LAMA-AAI-T-MI-AOA-TOL, que podem ser traduzidas como “o caminho que está dentro de você leva ao poder que está dentro de todos”, ou “o caminho em você é o poder em todo.” Este quadrado contém a ideia de que todos nós temos uma fonte interna de poder que podemos usar para superar quase todos os problemas que podem surgir se soubéssemos como. O valor da gematria de todas as 16 letras é 430 e isso se reduz a 7 (4+3+0=7), o número para integridade e completude. Este quadrado deve ser usado sempre que nos sentimos indignos ou mal sucedidos para aumentar nossa auto-estima e otimismo.

Exemplo 2. O quadrado PAHS.

P A S H S
A B R A M
S R O R N
H A R G A
S M N A D

Este quadrado contém as palavras enoquianas, PASHS-ABRAM-S-ROR-NHARG-A-SMNAD, que significam “As crianças são providas pelo Sol. Posso conceber uma assim”, ou “As crianças são preparadas pelo Sol. Que eu semear outro.” Este quadrado contém a ideia de que as crianças são um presente da divindade criativa porque o Sol foi ensinado pelos antigos a ser a mais alta divindade criativa em nosso sistema solar. O valor da gematria de todas as 25 letras é 802 que a adição teosófica reduz a 1 (8+0+2=10, 1+0=1). O número 1 é o número para a mônada, unidade e para masculino e feminino conjugados. Tomado em conjunto, este quadrado deve ser usado para garantir a fertilidade ao tentar produzir um filho.

Exemplo 3. O quadrado ZORGE.

Z O R G E
O I L
R I T Z
G A
E L Z A P

Este quadrado representa um tipo popular de quadrado, um quadrado incompleto, pois nem todas as posições contêm letras. O quadrado contém três palavras enoquianas: ZORGE, que significa amor; RIT, significando misericórdia; e ELZAP, significando o caminho. Sugere que a maneira correta de viver é com misericórdia e amor. As 19 letras enoquianas têm um valor total de gematria de 489 que reduz para 3 (4+8+9=21 e 2+1=3), o número de palavras usadas. O número 3 indica inteligência e manifestação. Sugere que a maneira inteligente de viver neste mundo é expressar amor e misericórdia. Este quadrado deve ser usado por qualquer pessoa que queira ver mais amor e misericórdia em suas vidas.

Ritual para magnetizar os talismãs

Talismãs

Ritual para Carregar o Talismã

PASSO 1.

Faça um círculo mágico. Coloque uma mesa ou altar no centro. Coloque o Talismã de no altar. Entre no círculo.

PASSO 2.

Conduza o Ritual de Invocação do Pentagrama e depois o Ritual de Invocação do Hexagrama para invocar as forças necessárias da Torre de Vigia.

PASSO 3.

Vire a face para a respectiva Torre de Vigia (direção).

PASSO 4.

Entre no seu Corpo de Luz (conforme ensinado no Livro do Mochileiro dos éteres).

PASSO 5.

Trace o Hexagrama de Invocação de (do planeta da entidade).

PASSO 6.

Vibre os nomes:

(nome divino de 12 letras da torre adequada)

(nome do rei da torre adequada)

(nome do sênior da torre adequada)

PASSO 7.

Assuma o caráter e a forma divina da entidade enochiana que vai atuar no talismã. Deixe seu Corpo de Luz assumir a aparência deste anjo.

PASSO 8.

Recite uma invocação:

Ó (nome do anjo), (titulo) da atalia do (elemento), Venha a mim e me ajude.

Ajude-me a eliminar tudo o que se opõe ao meu progresso.

Conceda-me sua grande dádiva de (campo de atuação da entidade).

Ajude-me em minha Vontade Mágica E dilacere meus inimigos.

PASSO 9.

Assuma o caráter do anjo (veja-se como se fosse o mesmo).

PASSO 10.

Agindo como se fosse o anjo, estenda sua mão direita sobre o Talismã e veja uma névoa das cores do sigilo da atalaia correspondente. Deixe sua mão e entre no Talismã carregando-o com seus poderes e habilidades.

PASSO 11.

Retorne a sua própria forma. Retorne ao seu corpo físico.

PASSO 12.

Trace o Hexagrama de Banimento de (do planeta da entidade).

PASSO 13.

Conduza o Ritual de Banimento do Pentagrama e depois o Ritual de Banimento do Hexagrama para banir as forças da Torre de Vigia.

O que fazer?

  1. Faça seu próprio Talismã de um anjo a sua escolha e necessidade de acordo com as regras dadas na Lição.
  2. Faça um talismã do quadrado LAMA ou de qualquer outro a sua escolha e necessidade.

Perguntas para este material

  1. Qual é a diferença entre um talismã e um amuleto?
  2. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​como talismãs mágicos.
  3. Verdadeiro ou Falso: A construção de um amuleto ou talismã depende do seu uso.
  4. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​para meditação.

 

Bibliografia

Self Initiation of the Golden Dawn Tradition. By Chic Cicero and Sandra Tabatha Cicero, Llewellyn.

Kabbalah Hermetica. By Marcelo Del Debbio, Daemon editor.

Liber Arphe, By Ulisses Massad, V0.15 2015

Liber 777, Aleister Crowley, Weiser Books

The Golden Dawn. Ed by Israel Regardie, Llewellyn.

The Sacred Magic of Abramelin the Mage. Trans, by S.L. Macgregor Mathers, Dover.

The Magus. Francis Barrett, Citadel.

The Book of the Goetia of Solomon the King. Ed. by Aleister Crowley, Magical Childe.

Amulets and Superstitions. E.A. Wallis Budge, Dover.

Egyptian Magic, E.A. Wallis Budge, Citadel.

The Complete Book of Spells, Ceremonies & Magic. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Secret Lore of Magic. Idries Shah, Citadel.

The Book of Ceremonial Magic, a Complete Grimoire. A.E. Waite, Citadel.

The Legend ofAleister Crowley. RR. Stephensen and Israel Regardie, Llewellyn.

The Eye in the Triangle. Israel Regardie, Llewellyn.

A Pictorial History ofMagic and the Supernatural. Maurice Bessy, Spring Books.

The Complete Book ofAmulets & Talismans. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Book of Ceremonial Magic: A Complete Grimoire. A. E. Waite. Citadel.

Techniques of High Magic; A Manual of Self-Initiation. Francis King and Stephen Skinner, Doubleday.

Applied Magic. Dion Fortune, Weiser.

The Swordand the Serpent. Denning & Phillips, Llewellyn.

The New Magus. Donald Tyson, Llewellyn.

The Golden Dawn. Ed. by Israel Regardie, Llewellyn.

The Key ofSolomon the King. S. Liddell MacGregor Mathers, Weiser.

The Secret Rituals ofthe O.T.O. Ed. by Francis King, Weiser.

The Book of the Goetia of Solmon the King. Trans, by Aleister Crowley, Magickal Childe.

Buckland’s Complete Book of Witchcraft. Raymond Buckland, Llewellyn.

A Witches Bible Compleat. Janet and Stewart Farrar, Magical Childe.

Planetary Magick. Denning and Phillips, Llewellyn.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-livro-enochiano-dos-amuletos-e-talismas/

Ordem Hermética dos Martinistas (HOM)

O Martinismo é uma forma de cristianismo iniciático esotérico ou místico que diz respeito a Jesus Cristo como o Reparador e visa à reintegração do homem para atingir um estado idealizado.

O Martinismo reflete a filosofia e a mística cristã esotérica do filósofo francês Louis Claude de Saint-Martin (1743 – 1803), que era um discípulo do maçom do século 18 e teurgo, Martinez de Pasqually (1727-1774). Escritos de Saint-Martin espiritual foram publicados sob o pseudônimo de Le philosophe Inconnu, ou o Filósofo Desconhecido.

A Ordem Hermética dos Martinistas (HOM) é uma Ordem Martinista que só está aberta a Mestres Maçons de uma Loja sob a autoridade da Grande Loja Unida da Inglaterra ou de uma Grande Loja reconhecida por eles, que são membros pelo menos o primeiro Grade (Zelator) da Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA).

Por um processo de iniciação, meditação, estudo, discussão esotérica e contemplação, os membros da Ordem objetivo de descobrir e entender a presença de Jesus Cristo dentro de si.

ORGANIZAÇÃO

A Ordem é governada por um Grão-Mestre e a administração diária é feita pelo gravador Grande. A Ordem é organizada em um sistema de Loja semelhante à maçonaria. A Heptada é composta por um mínimo de sete membros e uma Loja tem um mínimo de 21 membros. Um círculo tem menos de sete membros. As reuniões são conhecidas como conventículos.

Existem três classes ou graus no sistema da Ordem Hermética de Martinistas:

Primeiro Grau: Livre Iniciado.

Segundo Grau: Associado.

Terceiro Grau: Supérieur Inconnu, SI ou Superior Desconhecido.

Para se tornar um Irmão Mestre de sua Loja, ele recebe a cerimônia de PI (Philosophe Inconnu). Isso só pode ser dada por um Filósofo Desconhecido, como o Grão-Mestre, o Inspetor Geral ou do Inspetor Principal, bem como alguns inspetores Past Grão.

A regalia consiste de um manto negro com capuz e um frade franciscano. O frade franciscano é composto de cabo preto para um membro, corda vermelha de PI, dois cabos vermelham e branco para um Filósofo Desconhecido e vermelho e duas cordas brancas para o Grande Mestre.

O ponto culminante é a celebração do membro a ser avançado para o grau de SI. Durante esta cerimônia, o membro é agraciado com um belo colar branco com bordados de ouro.

História

O Martinismo moderno surgiu no final do século 19 na França e foi fundado como L’Ordre Martinista pelo médico espanhol nascido francês, hipnotizador e espiritualista Papus (Dr. Gérard Encausse). Ele também foi membro do Rito Esotérico de Memphis-Misraïm, que é uma forma egípcia da Maçonaria desenvolvidos pelo conde Alessandro di Cagliostro.

Sob a liderança de Papus, a Ordem cresceu rapidamente. No entanto, Papus morreu em 1916 e foi sucedido por Carlos Detre (Teder), que cultivava uma Ordem (conhecido como L’Ordre Martinista-Martinéziste de Lyon), que tornou-se mais na sua filosofia maçônica.

O Patriarca da Igreja Gnóstica Universal, Jean Bricaud, conseguiu convencer Teder a ser Grão-Mestre e mudou a sede da Ordem para Lyon, onde se tornou conhecido como L’Ordre Martinista de Lyon. Bricaud desenvolveu a conexão Maçônica, garantindo que a filiação maçônica era um requisito para ser membro da Ordem.

Em 1921, com Victor Blanchard (Sar Yesir) como Grão-Mestre, um grupo de Martinistas fundou uma ordem separada, L’Ordre et Martinista Synarchique (OMS), que não esta ligada a uma sociedade maçônica.

Durante a tirania da II Guerra Mundial, a luz do Martinismo foi quase extinta na Europa, mas as tradições iniciáticas foram mantidas em segredo, na Suíça, que se manteve neutro durante estes anos. Blanchard permaneceu Grão-Mestre da OMS até sua morte em 1953 e foi sucedido pelo Dr. Edouard Bertholet (Sar Alkmaion) da Suíça.

Posteriormente, em 1958, Louis Bentin (Sar Gulion) recebeu uma carta de Bertholet para formar um ramo da OMS na Inglaterra e tornou-se Grão-Mestre da Grande Loja Britânica da OMS.

A Ordem Hermética da Martinistas (HOM) foi re-inaugurada por um grupo de Martinistas britânicos em 14 de Março de 1978, com o britânico maçom e ocultista, Bourke Desmond (Sar Olibius) como o primeiro Grão-Mestre.

Bourke era um importante membro da Societas Rosicruciana em Anglia e membro da OMS. Através de sua forte amizade com Bentin, Bourke foi concedida uma carta para o restrito HOM pelo SAR Gulion. Os ensinamentos do HOM acompanham de perto os da OMS.

Nossos Grão-Mestres são os seguintes:

Sar Olibius (1978 – 1984)

Sar Tutela (1984 – 1993)

Sar Benevolentia (1993 – 2005)

Sar Fidentia (2005 – 2007)

Sar Perseverando (2007 -)

@MDD – É SAR mesmo, é um título Martinista que significa “príncipe” em hebraico.

PS.: Existem outras inúmeras Ordens Martinistas, tais como:

– TOM – Tradicional Ordem Martinista (Ligada a Ordem Rosa Cruz)

– Ordem Martinista dos Filósofos Desconhecidos

– Ordem Martinista de Ellus Cohens

– Ordem Martinista Sinarquica

– Ordem Martinista Martenezista

Marco A. Queixada – VM.’.

ARLS Sublime Imprensa Maçônica, 3999

#Martinismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-herm%C3%A9tica-dos-martinistas-hom

Mapa Astral do Marquês de Sade

Mapa Astral

O Mapa de Donatien possui Sol e Júpiter em Gêmeos; Lua em Virgem (seu Planeta mais forte, com 7 aspectações fortes); Vênus, Saturno, Netuno e Caput Draconis em Câncer (Casas 8 e 9); Ascendente e Plutão em Escorpião. Em um resumo, uma pessoa muito comunicativa e com facilidade para trabalhar com palavras e emoções, que ao longo da vida vai aprofundando-as cada vez mais para, ao final do processo, tomar conta da emoção dos que estão ao seu redor. Win?

As Oitavas altas e baixas de Câncer

Câncer é um signo que geralmente os leigos consideram o “signo da mãe”, por conta das baixas manifestações emocionais da humanidade como um todo. Câncer, ou água Cardinal (as emoçoes voltadas para o espírito) representa energias que entendemos como tomar conta das emoções dos outros… mas isto se aplica desde as enfermeiras de uma unidade de UTI pré-natal, babás, médicos pediatras, maestros, poetas, fabulistas e mães/pais corujas até serial killers pedófilos… para um leigo, podem parecer coisas completamente díspares, mas se entendermos a Astrologia como matemática da psique, a única diferença é o sinal positivo ou negativo destas atitudes: todos os casos acima “conduzem o emocional do outro à sua vontade”. Tanto o bebê ou enfermo quanto a vítima do serial killer estão com suas vidas nas mãos do protagonista… o maestro conduz as emoções da pessoa através da música, para a alegria ou para a tristeza.

Com Mercúrio em Touro e Lua em Virgem (na casa 10, da disciplina), não é de se espantar em nada que Sade tenha sido um ateu materialista dogmático, lutando com cada fagulha de seu ser contra a Igreja. Some-se a isso uma facilidade enorme de lidar com as palavras e emoções e o sarcasmo do conjunto sendo influenciado por Escorpião. Sua aspectação mais forte, Urano em Capricórnio e Caput Draconis em Câncer, foi pervertida do “abraça e protege” para “amarra e bate”… matematicamente, não estão tão distantes assim: Vemos todos os dias nos jornais pessoas desequilibradas “matando por amor” ou “batendo para ensinar” (se quiser dar um passo maior pro Abismo, tem também os “estupros corretivos em lésbicas” ou “surras corretivas em gays” pregadas pelos doentes evangélicos, que são oitavas fundo-do-poço das energias completamente desfiguradas da oposição Câncer/Capricórnio (cuidar/proteger).

Com Marte em Áries, se Donatien fosse um sujeito religioso, daria um belo Inquisidor, mas estava do outro lado da balança e usou sua facilidade em escrever/trabalhar as palavras para chocar. Em suas obras, Sade usava-se do grotesco para tecer suas críticas morais à sociedade urbana. Evidenciava, ao contrário de várias obras acerca da moralidade – como por exemplo o “Princípios da Moral e Legislação” de Jeremy Bentham- uma moralidade baseada em princípios contrários ao que os “bons costumes” da época aceitavam; moralidade essa que mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas, por vezes bizarras, que não estavam distantes da realidade. Em seu romance “120 Dias de Sodoma”, por exemplo, nobres devassos abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos – verdadeiro mergulho nos infernos.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-do-marqu%C3%AAs-de-sade

Alquimia no Ritual de Iniciação Demolay

Texto do meu irmão Hamal,

O Ritual de Iniciação é de fato um dos momentos mais marcantes em toda Ordem DeMolay. É como se algo fosse implantado, ou despertado, dentro de nós.

A Sala Capitular contêm em si um simbolismo em tudo que há lá, esse simbolismo é herança do que Frank Marshall chamou de “nossos antepassados”. Não há nada que não exista uma ligação ou um motivo de estarem inseridos nos Rituais da Ordem DeMolay. Isso fica bem claro a todo estudante do simbolismo ritualístico, e foi exatamente o que Frank S. Land disse aos primeiros DeMolays antes de suas Iniciações.

A Iniciação tem por objetivo apresentar uma nova realidade ao Neófito. É uma experiência que propõe uma mudança em sua personalidade, para que este tome um novo rumo em sua vida diária com o juramento que lhe é proposto e as virtudes que lhes são apresentadas.

Nossos antepassados são os Hermetistas, são aqueles que criaram a ciência iniciática mais antiga na terra: a Alquimia. Vamos recorrer a seus legados para decifrar esse mistério dentro da Iniciação.

Será mesmo que existe isso na Ordem DeMolay? Vejamos…

ALQUIMIA

Já fizemos uma pequena descrição sobre a Iniciação e a Alquimia no texto Iniciação – Hermetismo e Alquimia, e recomendamos fortemente a releitura desse importante texto para a ideal compreensão do que é Alquimia e qual sua relação com as Ordens. Esse é talvez o assunto de maior importância do blog.

Ao procurarmos sobre “Alquimia” na internet nos deparamos com informações de quais seriam seus objetivos, sua história, alquimistas famosos, etc. Vamos tentar ser claros e rápidos, pois teremos textos específicos sobre o assunto.

Alquimia tem duas possibilidades de origens históricas, o antigo Egito dos Faraós e as primeiras eras da China, apesar de sabemos que foi praticada por todo o globo de maneira semelhante. O objetivo dos alquimistas eram diversos e se destacavam na construção da Pedra Filosofal, que daria sabedoria, saúde e vida eterna ao alquimista, e na transmutação dos metais em ouro.

Os alquimistas foram os primeiros cientistas. Estudavam e analisavam em seus laboratórios como o mundo funcionava, penetravam por trás das aparências procurando as Leis que regem a Terra e os Céus, procurando o porquê disso tudo existir da maneira que existe. E atribuíam um símbolo sagrado por trás de cada descoberta.

Da Alquimia surgiu a medicina como ciência de curar os enfermos com a manipulação dos produtos da natureza, a Astrologia como ciência de prever as mudanças na natureza pelos astros, a Geometria como ciência dos estudos matemático da Terra e seus componentes, o Hermetismo como síntese simbólica e linguagem da Alquimia, a Química como estudo dos elementos e suas interações, a Engenharia e Arquitetura como arte de construir com as mesmas proporções da natureza, entre outras.

Mas isso tudo era antigamente. Hoje, num mundo completamente diferente, devemos nos perguntar “qual o valor que teria a alquimia em nossas vidas além de um conhecimento histórico”?

O grande Carl Gustav Jung desvendou esse véu e percebeu que a Alquimia é fonte de estudo para a psique humana, mostrando que dentro das ciências Herméticas encontram-se as chaves para decifrar o Inconsciente. Destaquemos aqui suas próprias palavras do livro “Psicologia e Alquimia”:

“A alquimia movia-se de fato sempre no limite da heresia e era proibida pela Igreja. Ela desfrutou entretanto da proteção eficaz da obscuridade de seu simbolismo, que a qualquer momento podia ser explicado por uma alegoria inofensiva. Para muitos alquimistas, o aspecto alegórico se achava de tal modo em primeiro plano, que estavam totalmente convencidos de tratar-se apenas de corpos químicos. Outros, entretanto, consideravam o trabalho de laboratório relacionado com o símbolo e seu efeito psíquico. Tal como demonstram os textos, esses alquimistas tinham a consciência do efeito psíquico, a ponto de condenarem os ingênuos fazedores de ouro como mentirosos, trapaceiros ou extraviados. Proclamavam seu ponto de vista através de frases como esta: “aurum nostrum non est aurum vulgi” (nosso o ouro não é o ouro vulgar).

Seu trabalho com a matéria constituía um sério esforço de penetrar na natureza das transformações químicas. No entanto, ao mesmo tempo era – e às vezes de modo predominante – a reprodução de um processo psíquico paralelo; este podia ser mais facilmente projetado na química desconhecida da matéria, uma vez que ele constituía um fenômeno inconsciente da natureza, tal como a transformação misteriosa da matéria. A problemática acima referida do processo do desenvolvimento da personalidade, isto é, do processo de individuação, é expressa no simbolismo alquímico.”

O estudo de Jung sobre Alquimia destaca uma coisa importantíssima que deve ser atentada a todo estudante de Hermetismo. Demonstra a validade das ciências ocultas para com o entendimento do ser humano e sua evolução para o que Jung chamou de Individuação, que é a pessoa tornar-se Si Mesma, alguém inteiro e completo. Para Jung, “processo do desenvolvimento da personalidade, isto é, do processo de Individuação, é expressa no simbolismo alquímico”. Isso é a transmutação do Chumbo em Ouro dos alquimistas, é o processo psicológico de Individuação, é a maturação que devemos ser em vida.

Nossos antepassados bem sabiam o que faziam e estudavam, e temos em nossas mãos seus legados.

As etapas da Alquimia, sua relação com a psique, a transmutação dos metais, Pedra Filosofal, e toda essa “obscuridade do simbolismo” como referido por Jung, voltaremos a estudar e entender melhor, já que os Templários também são alvo de nosso estudo e estes refugiaram e patrocinaram muitas Guildas de Pedreiros-Alquimistas na Idade Média.

Vamos entender agora a relação da Alquimia com o processo da Iniciação DeMolay.

PRINCÍPIO DO GÊNERO

O Sétimo Princípio descrito no Caibalion é este: “O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e seu princípio feminino o gênero se manifesta em todos os planos”.

Esse ensinamento se baseia na seguinte observação do Universo: tudo existem a partir de dois gêneros, para todo positivo existe seu negativo, em todos os planos de existência há sua contra parte, no físico, emocional, racional, energético, etc. Temos o dia e a noite, o veneno e o antídoto, o bem o mal, o macho e a fêmea, o macro e microcosmo, o quente e o frio, o animo e anima na psique, a vida e a morte, até mesmo a gravidade tem sua oposição na energia escura e os átomos tem suas cargas opostas para poderem existir.

Segundo a Tradição é dito que Deus criou tudo em dualidade para que pudesse existir e evoluir, e isso só é possível através do Princípio do Gênero que tem como meta a união dos opostos para haver a criação. Sem oposição não há criação nem evolução!

O Sol e a Lua foram tomados pelos Alquimistas como símbolos opostos que representam o “Grande Pai” e a “Grande Mãe” criadores de tudo. Enfatizemos que isso são símbolos e não uma crença cega. Quando os antigos adoravam o Sol estes estavam adorando a energia da Criação em seu princípio Masculino, e a Lua como princípio feminino. E para quem acha que esses cultos Solares e Lunares acabaram, revejam a origem de festas como Natal, Páscoa, Festa Junina e da Missa. São as mesmas energias que invocamos em nossa Ritualística.

Esses dois astros são opostos em suas energias e finalidades, mas a atuação de ambos é o que mantêm a vida na terra possível de existir e evoluir (isso é estudar Astrologia!). Reveja seus simbolismos nos textos: O Símbolo do Sol e O Símbolo da Lua.

A união do Sol com a Lua, na Alquimia, recebe uma denominação especial: Casamento Alquímico. Assim é denominado a união entre macho e a fêmea de maneira sagrada. E a Iniciação é uma nova vida sendo criada: a vida como Iniciados. A Iniciação da Ordem DeMolay, em especial, explora muito esse simbolismo alquímico.

Vejamos como…

Sabemos que o Altar é o ponto simbólico onde o plano espiritual é invocado e se espalha por toda Sala Capitular, é onde colocamos os utensílios para a Invocação. O Altar é a representação do Sol na arquitetura sagrada. É no Altar onde o Iniciado recebe a Luz. Durante a Iniciação os 23 Oficiais formam um certo símbolo ao redor do altar, e esse símbolo contem em seu centro a Lua.

No momento em que somos consagrados como DeMolays há o Casamento Alquímico entre o Sol e Lua e uma nova vida é criada, recebemos a Luz como DeMolays. E há muito mais. Que essa pequena revelação possa servir de inspiração aos irmão a buscarem ainda mais do que não pode aqui ser dito.

Revejam a imagem do inicio da postagem. Esta imagem simboliza o exato momento da nova vida sendo criada, a união alquímica entre o Sol e a Lua e o Pombo, símbolo do Espirito Santo, descendo para implantar a vida ao produto dessa união. É o próprio momento da Iniciação. Lembrem-se do Oficial que conduz os Iniciados em suas 9 voltas que representam a Vida e o Dia de Trabalho…

Nossos antepassados bem sabiam. Isso é Magia Cerimonial da Ordem DeMolay, e isso é Alquimia.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alquimia-no-ritual-de-inicia%C3%A7%C3%A3o-demolay

Como fazer o Pacto com Lúcifer

“Nasce um otário a cada minuto”

– P.T. Barnum, 1890; Lúcifer, 2012.

Toda semana eu recebo pelo menos uns dois emails de completos idiotas que pagaram uma grana preta por um “pacto pactorum da felicidade e prosperidade” ou fizeram pactos com lucifer, diabo, lucifugo rocambole, maioral, belial, astaroth, sergulath, ONA, marmaduke, Hecate Regina, bafomet, andy panda, OFS, sacerdote edison, halelucifer, dissipulo eder, ze pilintra e o que mais a imaginação dos charlatões inventar. Em matéria de arrancar dinheiro de trouxas, só perdem para os pastores evangélicos. De R$30,00 a R$3.200,00… o inferno é o limite! e cada um se diz o “único e verdadeiro escolhido” e avisam para tomar cuidado com os outros “falsos sacerdotes”. Em quem confiar a sua alma? quem poderá nos defender?

Eu já havia comentado sobre Pactos com Lucifer e sobre Pactos com o Diabo, Perfumes mágicos de Templo, mas o povo das internets é muito retardado. Então explicarei mais uma vez como funciona o Pacto com Lúcifer.

Na menos pior da hipóteses, será apenas um charlatão roubando seu dinheiro sem dar nada em troca, como o “pai Bruno”, que prometia a pessoa amada em 3 horas e, depois que o idiota pagava, dizia que o novo namorado/namorada da fulana havia feito uma amarração poderosa e que seria necessário mais grana pra resolver e, quando a vítima pagava, ele dizia que o novo namorado lá havia se irritado e feito um trabalho de destruição contra o mané, e dá-lhe dinheiro…

Em uma hipótese mais pior, o charlatão faz parte de algum grupo de kiumbanda ou satanismo que serve de x-burguer de algum egun fora-da-lei, que precisa de energia para se manter invisível das forças dos Exús e com algum poder na egrégora. Estes oferecem algum tipo de “poder” para seus “sacerdotes” em troca de sacrifícios, sangue, novos adeptos na pirâmide, etc, em uma espécie de Amway ou Herbalife do Capiroto.

E, obviamente, o otário que está fazendo o pacto é a base da pirâmide e não vai receber nada em troca do seu dinheiro… que vai para a sacerdotisa/sacerdote como pagamento; este sim merecido, por ter trazido mais um x-burguer para o egun. E, uma vez que o zé ruela entra nessa roubada, dando sangue, nome, data de nascimento, etc, já era…

Vejam o email que recebi:
Vou ser direta ,fui para XXXXXX paguei r$3.000 fiz o pacto com XXXXXXXX XXXXXXXX com direito a dedo espetado. baqueta e invocacao com umas 9 pessoas em janeiro o pacto dura vinte anos e todo ano preciso dar 9.000 ou levar tres pessoas que equivalem a esse valor.Nao posso fazer nehum outro ritual de prosperidade porque quebro o pacto nao posso falar para ninguem porque quebro o pacto. Nao posso ir contra meus (mestres)porque quebro o pacto. quer dizer me ferrei?desde janeiro minha vida financeira virou uma bagunca ate protestada eu ja fui, meu negocio esta quase falindo.

Ai você que está lendo isso e que já fez um pacto, me pergunta “e ai? como eu saio dessa?” e faremos a seguinte analogia: Suponha que você tenha pego R$20.000,00 com um agiota e, depois que pegou o dinheiro, é assaltado por pessoas que você poderia jurar que trabalham para ele e fica sem nada, ou seja, não usufrui do que pegou emprestado. E ainda tem a dívida com o agiota. Vai reclamar com ele e ele diz que você é que não se protegeu direito, que ele não tem nada com isso e quer ser pago… Como é que você sai dessa?

A resposta é: se fudeu. Não adianta me mandar email que eu não vou te ajudar com a SUA dívida. E não adianta ficar bravinho comigo porque eu não vou ajudar… fique bravo com o 171 que levou seu dinheiro. Se o Pica-Pau tivesse ido à polícia, nada disso teria acontecido.

Ir a outro charlatão só vai deixar as coisas “mais pior ainda” (como diria o Pai Jacob). A solução é: procure um terreiro decente ou casa kardecista (em último caso) e passe a frequentar, cortando todo tipo de laço com os agiotas. A imensa maioria dos eguns que trabalham com os picaretas são espíritos fora-a-lei e os Exús dos terreiros acabarão dando cabo deles, se você tiver merecimento. NEM PENSE em ir a uma Igreja Evangélica da vida… é trocar um bandido pelo outro, e ainda ter de pagar dízimo em cima. Ai você terá de me perdoar pela sinceridade, mas você merece ser feito de trouxa.

Você pode aprender também o seguinte e repassar para seus amigos satanistas criados pela avó, vindo de alguém que já deu bastante porrada em maiorais, demônios, eguns e shaitanins de todos os tipos:

1) Demônios não tem discipulos, eles têm ESCRAVOS;

2) Demônios não precisam da sua alma, a não ser como x-burguer, e não vão te dar nenhum poder em troca de nada.

3) Qualquer tipo de Evocação Goetica ou Qlipothica é um duelo de VONTADES e ganha quem tiver mais. E se você não é um mago treinado em LVX, as chances são que você será a putinha do demônio e não vice-versa.

#Fraudes #LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/como-fazer-o-pacto-com-l%C3%BAcifer

Magia com os Arcanos do Tarot de Thoth – Marcia Seabra

Bate-Papo Mayhem 237 – gravado dia 30/09/2021 (Quinta) Com Marcia Seabra – Magia com os Arcanos do Tarot de Thoth

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #Tarot #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-com-os-arcanos-do-tarot-de-thoth-marcia-seabra

Os Cavaleiros Templários – parte 1

Publicado no S&H em 1/9/09

Retornando à nossa História das Ordens Iniciáticas, chegamos ao começo do século XII. Herdeiro da desintegração do Império Romano, o Ocidente Europeu do início da Idade Média era pouco mais que uma colcha de retalhos com populações rurais e tribos bárbaras. A instabilidade política e o definhar da vida urbana golpearam duramente a vida cultural do continente. A Igreja Católica, como única instituição que não se desintegrou juntamente com o extinto império, mantinha o que restava de força intelectual, especialmente através da vida monástica.
Com o tempo a sociedade foi se estabilizando e, em certos aspectos, no século IX o retrocesso causado pelas migrações bárbaras já estava revertido, mas nessa época os pequenos agricultores ainda eram impelidos a se proteger dos inimigos junto aos castelos. Esse cenário começa a mudar mais fortemente com a contenção das últimas ondas de invasões estrangeiras no século X, época em que o sistema feudal começa a ser definido. O período de relativa tranqüilidade que se segue coincide com um período de condições climáticas mais amenas. A partir do ano 1000, o Feudalismo entra em ascensão.

Os Templários e a Primeira Cruzada
Depois que Maomé morreu (632), as vagas de exércitos árabes lançaram-se com um novo fervor à conquista dos seus antigos senhores, os bizantinos e persas sassânidas que passaram décadas a guerrear-se. Estes últimos, depois de algumas derrotas esmagadoras, demoram 30 anos a ser destruídos, mais graças à extensão do seu império do que à resistência: o último Xá morre em Cabul em 655. Os bizantinos resistem menos: cedem uma parte da Síria, a Palestina, o Egito e o norte de África, mas sobrevivem e mantêm a sua capital, Constantinopla.
Num novo impulso, os exércitos conquistadores muçulmanos lançam-se então para a Índia, a Península Ibérica, o sul de Itália e França, as ilhas mediterrânicas. Tornado um império tolerante e brilhante do ponto de vista intelectual e artístico, o império muçulmano sofre de um gigantismo e um enfraquecer guerreiro e político que vai ver aos poucos as zonas mais longínquas tornarem-se independentes ou então serem recuperadas pelos seus inimigos, que guardavam na memória a época de conquista: bizantinos, francos e reinos neo-godos.
No século X, esse desagregar acentua-se em parte devido à influência de grupos de mercenários convertidos ao islã e que tentam criar reinos próprios. Os turcos seljúcidas (não confundir com os turcos otomanos antepassados dos criadores do atual estado da Turquia; nem com os Mamelucos, que só vão surgir em 1250; os Seljucidas seguiam o califa Seljucida), procuraram impedir esse processo e conseguem unificar uma parte desse território. Acentuam a guerra contra os cristãos, chutam a bunda das forças bizantinas em Mantzikiert em 1071 conquistando assim o leste e centro da Anatólia e finalmente tomam Jerusalém em 1078.

O Império Bizantino, depois de um período de expansão nos séculos X e XI está completamente ferrado e em sérias dificuldades: vê-se a braços com revoltas de nômades no norte da fronteira, e com a perda dos territórios da península Itálica, conquistados pelos normandos. Do ponto de vista interno, a expansão dos grandes domínios em detrimento do pequeno campesinato resultou em uma diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao estado. Como solução, o imperador Aleixo I Comneno decide pedir auxílio militar ao Ocidente para poder enfrentar a ameaça seljúcida.
E adivinha quem eles mandaram?

Errou. Ao invés de mandarem cavaleiros bem preparados, em 1095, no concílio de Clermont, o papa mané Urbano II exorta a multidão de esfomeados malucos religiosos a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob o domínio cristão, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de “penitência”. A multidão presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte em direção ao Oriente, tendo consigo uma cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido o nome de “cruzados”). Assim começavam as cruzadas. A idéia basicamente era “Vão lá e matem todo mundo, e Deus perdoará os seus pecados”.
Treinamento? Equipamento? Blá…

A Cruzada dos Pobres
A Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) foi um acontecimento extra-oficial que consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma multidão de mulheres, velhos e crianças.
Auxiliado por um cavaleiro, Guautério Sem-Haveres, os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando todo tipo de desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros. Ainda no caminho, seus seguidores tinham criado diversos tumultos, massacrando comunidades judaicas em cidades como Trier e Colônia, na atual Alemanha.
Chegaram em péssimas condições a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada, essa “Cruzada” massacrou judeus pelo caminho, matou, pilhou e destruiu tudo, como hordas assassinas de personagens de RPG. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno recebeu os seguidores do eremita em Constantinopla. Prudentemente, Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas… Mas a turba começou a saquear a cidade.

O imperador bizantino, desejando afastar esse “bando de personagens low level de world of warcraft” (ok, ele não os chamava assim, mas vocês entenderam a idéia) de sua capital, obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos, que tinham um level muito maior e melhores equipamentos… Noobs.
Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.

Durante um mês, mais ou menos, tudo o que os cavaleiros turcos fizeram foi observar a movimentação dos invasores, que se ocupavam apenas de badernar e saquear as regiões próximas do acampamento onde foram alojados. Até que, em agosto de 1096, o bando inquieto cansou-se de esperar e partiu para a ofensiva.
Quando parte dos europeus resolveu partir em direção às muralhas de Nicéia, cidade dominada pelos muçulmanos, uma primeira patrulha de soldados do sultão turco Kilij Arslan foi enviada, sem sucesso, para barrá-los. Animado pela primeira vitória, o exército do Eremita maluco continuou o ataque a Nicéia, tomou uma fortaleza da região e comemorou bebendo todas, sem saber que estava caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi só esperar que a sede se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los, o que levou cerca de uma semana.
Quanto ao restante dos cruzados maltrapilhos, foi ainda mais fácil exterminá-los. Tão logo os francos tentaram uma ofensiva, marchando lentamente e levantando uma nuvem de poeira, foram recebidos por um ataque de flechas. A maioria morreu ali mesmo, já que não dispunha de nenhuma proteção. Os que sobreviveram fugiram como galinhas amarelas.
O sultão, que havia ouvido histórias temíveis sobre os francos, respirou aliviado. Mal imaginava ele que aquela era apenas a primeira invasão e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir…

Os Cavaleiros e o Templo
No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, abrasados pelo fervor religioso e movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos muçulmanos a glória dos atos de bravura e a consagração da impavidez, abalaram rumo à Palestina levando no peito a cruz de Cristo e na alma um sonho de amor. Eram os Gouvains do Cristianismo, que se constituiam fiadores da fé, disputando as relíquias sagradas que os fanáticos do Crescente retinham e profanavam. Reinava em Jerusalém Balduíno II que os acolheu e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde os montões de escombros assinalavam as ruínas de um grande Templo. Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo.

Hugo de Payens (1070-1136), um fidalgo francês da região de Champagne, foi o primeiro mestre da Ordem dos Templários. Ele era originalmente um vassalo do conde Hugues de Champagne. Conde Hugues de Champagne visitou Jerusalém uma vez com Hugo de Payens, que ficou por lá depois de o conde voltar para a França. Hugo de Payens organizou um grupo de nove cavaleiros para proteger os peregrinos que se dirigiam para a terra santa no seguimento das iniciativas propostas pelo Papa Urbano II.
De Payens aproximou-se do rei Balduíno II com oito cavaleiros, dos quais dois eram irmãos e todos eram parentes de Hugo de Payens, alguns de sangue e outros de casamento, para formar a primeira das ordens dos Templários.
Os outros cavaleiros eram: Godofredo de Saint-Omer, Archambaud de Saint-Aingnan, Payen de Montdidier, Geofroy Bissot, e dois homens registrados apenas com os nomes de Rossal ou possivelmente Rolando e Gondamer. O nono cavaleiro permanece desconhecido, apesar de se especular que ele era o Conde Hugh de Champagne.

O símbolo destes Templários era esta imagem ao lado: dois Cavaleiros “tão pobres que precisavam dividir um cavalo”… você escutou esta balela na escola, certo? Vamos aos fatos: FIDALGO Hugo de Payens; Godofredo de Saint Omer, nobre da Família de Saint Omer, cujos VASSALOS foram alguns dos primeiros cavaleiros recrutados; Payen de Montdidier, da casa nobre flamenca Montdidier; o CONDE Geofroy Bissot, da família Bissot, entre outros… tantos nobres reunidos e não tinham dinheiro sequer para comprar um cavalo para cada um? Fala sério…
O que o Símbolo dos Templários realmente representa é que eles eram guerreiros espirituais. Os dois corpos no cavalo representam a união do guerreiro físico com o guerreiro espiritual que eles ali representavam. Mas a idéia de falar que eles eram pobres não era ruim…
Outro ponto bizarro é dizer que a função dos Templários era “defender as rotas de Peregrinos dos Muçulmanos”… ora, o que nove cavaleiros de meia-idade poderiam fazer contra as hordas de muçulmanos que estavam tomando conta da região? O que estes nove cavaleiros fizeram foi escavar sob os estábulos do Templo durante nove anos (de 1109 a 1118), até que finalmente encontraram o que estavam procurando…

As ruínas do Templo
Destruído pelos caldeus e reconstruído por Zorobabel, fora ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo e, finalmente, arrasado pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela sensação do mistério que pairava sobre as veneradas ruínas, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Kabbalah. E entraram. Uma extensa galeria conduziu-os até uma porta chapeada de ouro por detrás da qual deveria estar o maior Segredo da Humanidade.

Sobre a porta, uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-SE DO MUNDO DOS VIVOS.

Hugh de Payens escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de figuras bizarras, delicadas umas e monstruosas outras, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD. Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão.

A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica da Kabbalah. Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Yetzira propõe ao entendimento humano. As chaves expostas sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dão aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE?

Entre as figuras mais bizarras que adornavam o majestoso Templo, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa, encantadora. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas.

Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já tinha uma concepção acerca da idéia de Deus que não era muito católica. A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência à inicial que, no centro do Triângulo, simbolizava a unidade perfeita: YOD.

Continua…

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-cavaleiros-templ%C3%A1rios-parte-1

Meu Semelhante

Um poema para se refletir sobre nossa imagem e semelhança…

Eu ando pelo mundo dentre olhares e expressões

Promessas de curas e maldições

Acordos de paz que não podem seguir adiante

Pois os homens em suas guerras

Por riquezas ou santificações

Já não o vêem mais, meu semelhante

Nem a vida que lhes oferta a fronte

Nem os peixes nem as aves nem as vacas sagradas

Nada que nade, caminhe ou voe pelo horizonte

Nada, apenas esse fétido ouro negro

A escravizar aqueles que lhe buscam lá fora

Pois que são como cascas vazias, meu semelhante

Quem dera pudessem olhar o céu noturno

E ver sua luz trazendo as boas novas

De épocas em que não participamos

Não como homens, mas como átomos

Como luz a cruzar o infinito

Quem dera vissem suas estrelas

Como quem vê poesia em quadro negro

Como quem se alegra, mas guarda segredo

Que nem todos estão preparados para enxergar

O que vêem a olho nu

Preferem se iludir ou se entreter com essas sombras

Essas cascas de sentimento

Esses manuais de verdades absolutas

Esses códigos de ciência infalível

E promessas e barganhas de um mundo melhor

Um céu que está sempre lá fora a ser alcançado

Nunca aqui dentro, a ser amado

Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante

Que estamos todos conectados:

Pela biologia, a vida.

Pela química, aos planetas.

Pelos átomos, as estrelas.

Mas é tão somente pelo agitar da mente

E pelas lentes claras do pensamento

Que percebemos que aqui sempre estivemos

Que sempre fomos semelhantes

Pois nunca um poderia estar fora do outro

Embora sua substância nos permeie a todos

Como o perfume dos amantes

Todo o turbilhão de partículas do cosmos

E todas as galáxias e estrelas

E todas as eras geológicas

E todas as poesias, e todas as equações

E todos os olhares e expressões

Todo amor e toda a gratidão para ti

A substância que não pode criar a si mesma

Mas que tudo o mais criou

Eu quero desvendar todos os mistérios e enigmas

Todos os códigos que nos ocultou

Dentre essa brisa de poeira vacilante

Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante

raph’10

#Espiritualidade #poesia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/meu-semelhante

O Senhor dos Anéis e a Kabbalah

Aproveito o começo da Campanha do RPGQuest, um Jogo Baseado na Jornada do herói, para publicar este texto que já estou devendo para vocês ha algum tempo e explicar a importância de se estudar Kabbalah hermética e sua aplicação direta na construção de histórias épicas.

Não vou entrar em detalhes sobre cada uma das Esferas porque nesta altura do campeonato vocês já estão mais carecas que o gollum de saber do que se trata o assunto (se não conhecem, recomendo este livro de Kabbalah Hermética para entender todas as nuances da Árvore da Vida), então vamos às Esferas:

Um dos erros que tenho visto o pessoal nas listas de thelema, kabbalah e mitologia cometer é achar que a “Jornada do herói” é apenas de UM herói por vez. Como mostramos no texto sobre o filme Animais Fantásticos, a Jornada do Herói pode ser construída em múltiplos níveis situacionais e ser dividida em diversos personagens.

Malkuth – O reino, o Início da Jornada do herói. O Shire. No começo da Jornada do herói, temos o famoso “Chamado à Aventura” onde Gandalf chega ao Shire para iniciar toda a Jornada que Frodo e seus companheiros terão de percorrer. Mas o Senhor dos Anéis não possui apenas UM Herói em sua narrativa. O Sol (Tiferet) está dividido na narrativa de três personagens: Frodo, o herói ordinário que é arrancado do seu cotidiano para entrar em um universo muito maior do que o que estava anteriormente, tal qual Harry Potter, Luke Skywalker e muitos outros que seguem a Kabbalah Hermética; Aragorn, o Rei que precisa da jornada para retomar seu local de direito no Reino, tal qual o Rei Arthur; e finalmente Gollum, a Sombra que acompanha o iniciado em sua Jornada e o Deus Solar do Sacrifício (veremos o Sacrifício em duas partes neste épico. O Sacrifício de Chesed para se tornar Hochma e o sacrifício da Sombra do herói para a destruição do lado qlifótico da alma, no qual Gollum encontra a redenção).

Yesod – A figura feminina representada por Galadriel, que faz as partes de Yesod (a figura materna), Netzach (como sedutora) e Hochma (como Senhora das tempestades). Cuida dos heróis na Jornada ao mesmo tempo em que é tentada pelo poder ilusório do anel.

Hod e Netzach – As partes do subconsciente do herói que representam a Razão e a Emoção, tal qual Ron e Hermione, R2-D2 e C3PO, acompanham o herói durante toda a jornada, lembrando-lhes sempre de sua mortalidade. Sam e Pippin acompanham tanto o Iniciado (Frodo) quanto sua Sombra (Gollum) até os limites do Abismo (Mordor, lar de Sauron, que não por acaso é representado na forma de um “olho que tudo vê”, a letra Ayin na Kabbalah e o Caminho do Diabo no Tarot). Arwen faz o papel de futura Rainha, como amante de Aragorn (Tiferet).

Tiferet – O Rei. Dividido em três níveis de consciência e três jornadas distintas: Frodo como o herói tradicional da jornada de Campbell, que é arrancado de sua paz e tranquilidade para viver uma jornada. Frodo representa os leitores que também são arrancados do conforto de suas poltronas para viverem uma aventura de seu ponto de vista; Aragorn como o SAG e a Essência, que já possui sua realeza mas precisa recuperá-la através da mesma jornada do iniciado e, finalmente, Gollum que vivia nas sombras pela tentação qlifótica e tem a oportunidade de redenção durante a jornada.

Geburah – Legolas e Gimli são os guerreiros que acompanham o Herói. Partes antagônicas (tal qual Bruce Banner e o Hulk, dr Jeckyll e mr. Hide e Han Solo e Chewbacca), a esfera marcial está sempre ancorada no rigor e na ira, com personagens extremamente precisos e/ou científicos e/ou heróicos e suas contrapartes brutais, bestializadas ou selvagens. Juntos também formam um par em um segundo nível entre a Beleza e o Rigor, duas das colunas do Templo Simbólico de Salomão.

Chesed – O mentor e o Guia, representado por Gandalf, o herói que já possui sua própria coroa de reconhecimento e que guia o protagonista através da Jornada (como Dumbleodore, Merlin ou o Mestre Yoda). O sacrifício maior em prol do grupo (letra NUN na Kabbalah e arcano da Morte no tarot) é necessário para que ele possa se tornar Gandalf, o Branco (Hochma, a figura que atravessa o Abismo em direção à Sabedoria e, ao final da Jornada, pode atravessar para o “outro lado”).

Daath – O Portal, representado no desafio primordial da Jornada, tal qual o Imperador, a bruxa malvada da Branca de Neve ou Valdemort, representa a causa principal do início da Jornada e a razão do herói existir (os 3 heróis e as três Jornadas, no caso). Tal qual um portal que nos impede de cruzar o abismo, o Conhecimento do bem e do mal fará a separação entre os heróis e o mundo ordinário.

Todas as bases dos roteiros acima são frutos do estudo da Jornada Arquetípica do herói dentro de cada um de nós, cujas fórmulas são derivadas da Kabbalah Hermética. George Lucas, J RR Tolkien, JK Rowlings e muitos outros autores beberam da mesma fonte, que também utilizamos na estrutura do RPGQuest, de modo que cada partida deste Jogo de Tabuleiro será uma Jornada Épica dos Heróis. Uma Campanha inteira de RPG em uma tarde!

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-senhor-dos-an%C3%A9is-e-a-kabbalah

Em crise no Éden

A origem do termo Éden, em hebraico, parece derivar da palavra acade edinu, que deriva do sumério edin. Em todas estas línguas a palavra significa “planície” ou “estepe”. No entanto, o Gênesis nos conta que o Éden era uma espécie de jardim das delícias, com os frutos mais variados e suculentos, onde Adão e Eva viviam em felicidade plena, sem envelhecer, ou trabalhar, ou adoecer. O mito nos conta que Deus havia feito este tal acordo com o primeiro homem e a primeira mulher: poderiam viver indefinidamente em seu jardim, sem conhecer a fome e a morte, contanto que jamais comecem do fruto do conhecimento do bem e do mal.

Mas, estranho de se pensar: seria a ignorância a razão de sua felicidade? Adão e Eva eram imortais, mas todo animal é imortal, na medida em que não desenvolveu a consciência e, dessa forma, não sabe que vai morrer. O mito nos conta que eles foram expulsos do Éden, que “tomaram conhecimento de sua própria nudez”, mas não seria este momento exatamente o grandioso despertar da consciência humana? O momento em que souberam que eram um ser a parte, com vontade própria? Quando compreenderam que eram como qualquer outro animal, exceto pelo fato de que sabiam que iriam morrer? Neste sentido, a questão da existência não é a morte em si, que é fato, mas sim o que faremos desta vida, desta angústia quase insustentável de termos uma alma, algo tão infinitamente belo e frágil, sem sabermos ao certo o que fazer dela…

Sigmund Freud certa vez disse que houveram três feridas narcísicas [1] na humanidade que tiveram como consequência uma mudança significativa na forma como o homem vê a si próprio. Os três pensadores responsáveis por elas foram Nicolau Copérnico, Charles Darwin e o próprio Freud. Eu tendo a ver a análise de Freud como a análise de uma crise da alma humana, mas todas as crises geram admiráveis oportunidades para a elevação de nossa consciência, ao menos para aqueles que tem olhos atentos nas leis da Natureza:

Não estamos no centro

Inspirado por ideias de manuscritos antigos, Copérnico foi o primeiro cientista moderno a contrariar a ideia comum de que a Terra estava situada no centro do Cosmos, e que mesmo o Sol girava em seu redor. Com o heliocentrismo, que foi posteriormente comprovado por observações de Galileu Galilei, o homem se viu destituído do centro mítico do universo. Assim como Narciso, que só conseguia admirar sua própria imagem refletida no lago, o homem antigo acreditava que habitava a morada central, algum ponto importante do infinito…

Mas, estranho de se pensar: como pode o infinito ter um centro? Que importa se é a Terra que gira em torno do Sol, ou o contrário, se hoje sabemos que tudo se encontra catapultado em direção a tal imensidão, e que mesmo o nosso Sol é somente um dentre bilhões de outros sóis? Ainda que a Terra gire em seu torno, o Sol não está fixado em centro algum, mas viaja pelo Cosmos como um pedaço de poeira ao vento matinal. No Cosmos, afinal, nada se perde, mas tudo flui, e se metamorfoseia, se transforma. Somos formados por poeira de estrelas, e nossos átomos são emprestados do mesmo conjunto de átomos que forma tudo o que há.

Dessa forma, todos os pontos estão igualados – o centro não existe, mas se encontra espalhado por todos os lugares.

Não fomos criados perfeitos

Diz o mito que uma bela ninfa, chamada Eco, estava perdidamente apaixonada por Narciso. Mas o belíssimo rapaz, embriagado pelo próprio reflexo, se julgava um deus e, dessa forma, indigno da afeição de uma mera ninfa… Talvez tenha sido um pensamento parecido que levou o homem a se julgar um ser superior em meio a natureza e aos demais animais. Havia sido criado perfeito, pelo próprio Deus, ainda no Éden, de onde havia sido expulso por desejar adquirir conhecimentos proibidos. Isto tudo foi questionado pela teoria de Darwin e Wallace, que postulava que o homem não havia sido criado como era hoje, mas que veio evoluindo pela árvore da vida, desde uma simples bactéria, por bilhões de anos, e por milhões de espécies distintas.

Mas, estranho de se pensar: como poderia o homem ser uma criação perfeita se, ainda no Éden, havia muitas coisas que desconhecia? Veja bem: o fruto que comeu, e que causou sua expulsão do jardim das delícias, trazia não somente o conhecimento do mal, como do bem. Se o homem não conhecia o mal, tampouco conhecia o bem. Era, dessa forma, um perfeito ignorante – como vimos, nem mesmo conhecia sua própria mortalidade.

Hoje sabemos, através da biologia, que o homem não surgiu do nada, nem tampouco é perfeito, mas que evoluiu através das adversidades, de sua relação com o meio ambiente a volta. Darwin disse que através da “guerra da fome e da morte”, a evolução das espécies “tendia a perfeição”. Mas a perfeição a que ele se referia não era uma perfeição final, derradeira, mas um eterno “vir a ser”, um aprendizado sem fim. Não há nada mais sinistro do que a perfeição, se o próprio universo fosse perfeitamente simétrico desde o início do espaço-tempo, matéria e anti-matéria teriam se aniquilado mutuamente, e nada mais haveria do que vácuo e vazio – nenhum lampejo de luz numa escuridão fria, simétrica. Para nossa sorte, a Natureza nunca foi totalmente perfeita. E, quem somos nós, senão crianças em constante aprendizado?

Dessa forma, todos temos de seguir nesta trilha ancestral – a perfeição está no caminho, e não na chegada.

Não conhecemos sequer nossa casa

Coube ao próprio Freud redescobrir o inconsciente humano, aquele mesmo que se mostrava, antigamente, nos mais variados mitos. Pois que mitos nada mais são do que os fatos da mente encenados em ficções, histórias que eram passadas adiante pelos contadores e menestréis… Diz ainda o mito de Narciso que Némesis, a deusa da vingança e da ética, condenou-o por haver ignorado solenemente o amor da ninfa, que terminou por definhar em desilusão. Mesmo o próprio Narciso, condenado a contemplar sua bela face no lago, terminou por definhar e morrer, assim como Eco. Mas, quando foram buscar seu corpo, encontraram apenas uma flor, a flor da alma que havia morrido para a beleza do ego, e agora contemplava uma beleza ainda mais profunda.

Se antes Narciso andava distraído por sua própria beleza, e não observava o mundo a volta, agora havia morrido, e renascido. Um belo mito, que demonstra que nem todas as punições divinas são aquilo que imaginamos a primeira vista. Némesis teve sim compaixão, mas sobretudo senso de justiça: todos, afinal, precisam reavaliar seus atos, até que se conheçam verdadeiramente, até que compreendam os meandros e os monstros de seu próprio inconsciente.

Se Freud encontrou tantos traumas e tanta escuridão nas mentes mais comuns, é porque a era moderna carece de seus mitos, de modo que somente alguns poucos conseguem ser, ainda, psicólogos de si mesmos. Toda a filosofia se encontra aí: autoconhecimento. A filosofia é a verdadeira autoajuda, e conhecer aos próprios pensamentos, sem medo, sem culpa, é a única forma de lapidar a alma, transformar chumbo em ouro, e renascer, como a lótus, em meio ao charco dos desejos desenfreados – agora, devidamente controlados pela vontade.

Dessa forma, foi preciso que uma grande crise se abatesse sobre a alma para que percebêssemos o que somos – hóspedes em nossa própria mente, mas sempre a procura do Anfitrião.

O despertar

Assim como Narciso, Adão e Eva despertaram para uma existência própria, e deixaram de contemplar a Deus – seja indiretamente, pelo amor a própria beleza, seja diretamente, pelo espanto ante tal imenso jardim. Estavam em crise em meio ao próprio Éden, mas tal crise lhes trouxe a oportunidade de serem, enfim, seres que possuem vontade. E assim que puderam, finalmente, escolher por conta própria, escolheram caminhar a frente, em Sua direção, para não somente contemplar, mas compreender… E, em compreendendo, tornarem-se nesta Criação, cocriadores!

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[1] Referência ao mito de Narciso, que ainda é revisitado ao longo do artigo.

Crédito da imagem: Robert Recker/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/em-crise-no-%C3%A9den