Nada a temer, nada a duvidar

Yorgana era médium firme, experiente, daquelas que parece já ter ido ao inferno e retornado para contar história, sempre com um sorriso, ou um meio sorriso, pela face nem mais tão jovial. Tomé estava ali, apreensivo, para observar e aprender…

Após a oração inicial, as luzes foram apagadas e as pessoas entraram em meditação, tanto na mesa grande quanto nas cadeiras em torno. Tudo o que se ouvia, a princípio, era o barulho dos dois ventiladores velhos e desgastados, que já aliviavam o calor daquele centro espírita há uma boa década ou mais. Tomé ansiava pelo que estava por vir, e logo alguns começaram a gemer e se contorcer e reclamar. Como sempre, Yorgana estava lá para oferecer conforto aqueles que foram convidados, de tão longe, aquele recinto de luz:

“Está tudo bem minha filha, quer me dizer alguma coisa?” – Dirigiu-se, sussurrante, a senhora que meditava na cadeira a sua frente.

De início não houve resposta, e exatamente por isso que alguma coisa parecia estar a ocorrer… Logo, aquela senhora pacata e serena tinha ido embora, alguém irrequieto e angustiado tomou o seu lugar:

“Ai! Ai! O que eu estou fazendo aqui? Que lugar é esse? Tá dolorido… Minha cabeça dói, tem insetos no meu corpo, tira isso, tira eles, me tira daqui!!”

Yorgana trouxe suas mãos para próximo da cabeça da senhora (ou quem quer que estivesse ali agora), e continuou serena, quase carinhosa:

“Calma… Calma! Vamos respirar mais devagar, assim, comigo, vamos…”

E o que se seguiu foi uma verdadeira luta para que a senhora conseguisse passar a respirar mais lentamente, no ritmo que a médium demonstrava, expirando e inspirando profundamente o ar seco do ambiente.

“Vamos, vamos… Assim comigo. Inspira, segura um pouco, expira… Calma que aqui são todos seus amigos…”

“Amigos? Não, eu não tenho amigos… Não aqui, principalmente aqui… Que lugar estranho é esse, por que me trouxeram? Por que, isso não tem nada a ver comigo… Eu não pertenço aqui, ninguém vai me aceitar aqui…”

“Isso já é contigo. Primeiro, você é quem precisa se aceitar… Você está aqui, é verdade, só por um tempo, e pode ficar tranquila que logo logo volta para onde veio… Você foi convidada… É, digamos assim, um certo privilégio, pois nem todos têm a oportunidade de vir a essa casa de cura.”

“Cura? Mas como você vai me curar de toda essa dor? E esses malditos insetos que não me largam! Me ajude então, se gosta de mim…”

“Só se você também abrir uma brecha para gostar de si… Vamos, esqueça o que te deixou nesse estado, há sempre tempo de recomeçar… Vamos, inspire comigo e imagine a cor azul, o ar sendo de um azul tão puro, que entra na sua cabeça e ajuda a limpar, e limpando vai levando a dor embora, e daí você expira essa dor, essa coisa ruim aí dentro, e isso tudo sai de você na cor vermelha… Deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… Deixa entrar, deixa sair… Isso… Isso, tá melhorando não tá?”

“Tá melhorando a dor, sim… Que coisa incrível, há tanto tempo que doía que eu nem sabia mais como era estar assim… Os insetos não picam mais meus braços, minhas pernas…”

“Isso, isso mesmo… Mas continua, continua imaginando as cores, continua inspirando, expirando… Eu poderia te ajudar só aqui, mas não sei quando vai poder voltar, e pode continuar fazendo isso onde quer que esteja, basta lembrar: deixa o azul entrar, deixa o vermelho sair… E se acalma, e se perdoa, e dê uma chance a si mesma de recomeçar.”

“Isso… Isso é maravilhoso! Mas eu não sei se vai funcionar onde eu moro… Lá é tudo tão gelado e úmido, o ar é ruim, o céu é escuro, não tem ar azul por lá…”

“Tem ar azul em tudo quanto é lugar… Vou te contar: o que você acha que é o ar que entra azul e sai com sua dor vermelha?”

“Algum ar que só existe aqui nessa casa de santos… Eu preciso ficar aqui, me deixa, me deixa ficar!!”

O atendimento estava acabando, e Yorgana tinha só alguns segundos:

“O ar azul, é Deus. Ou você imaginou que nalgum dia estranho poderia realmente estar fora Dele? Ele está em todo lugar, mais próximo que o seu pensamento mais querido, porém tão distante quanto a sua culpa mais profunda… Se perdoe, vá em paz, há sempre tempo de recomeçar. Adeus!”

***

Após a cantoria ao final da sessão, Tomé estava ainda enxugando as lágrimas. Ele havia sentido de perto, bem de perto, toda a dor e angústia, todo o caos mental naquela senhora, ou no que quer que a tenha visitado ali. Alguém que sofria imensamente, mas que foi consolada. Alguém que pareceu, depois de muito tempo, enxergar uma vez mais a luz ensolarada da esperança…

Ele tinha de perguntar a Yorgana:

“Nossa, como você atendeu bem, firme! Como você faz para ter as palavras certas nesse momento? Você não fica com medo do que pode aparecer? Você não… Duvida do que está ocorrendo?”

“Eu nunca sei o que virá, e certamente fico apreensiva, e certamente tenho dúvidas acerca do ocorrido… Se foi realmente alguém que apareceu, se era uma memória antiga, algum distúrbio mental, alguma personalidade trancafiada que pôde finalmente vir a tona… Quem vai saber?”

“Mas, na hora você…”

“Na hora, não era eu. Era algo acima de mim, algo que me toma e que me faz ser alguém maior, alguém que tão somente deixa a luz do alto passar, o mais límpida possível… Na hora, não há nada a se temer, nem nada a se duvidar. Na hora, eu apenas amo, e o amor faz o resto. E, Tomé, não há como se temer o amor, não há como se duvidar dele.”

raph’12

***

Crédito da imagem: Fraternidade Espírita Monsenhor Horta

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nada-a-temer-nada-a-duvidar

O Livro Enochiano dos Amuletos e Talismãs

Pesquisa, tradução e adaptação feita
POR ROBSON BÉLLI
abril de 2022

Sumario

Origem deste material
Teoria dos Amuletos e Talismãs
Correspondências.
Geometria Talismanica da Golden Dawn.
Gematria Enochiana.
Magnetizando um Talismã.
Teoria dos quadrados mágicos.
Usos dos quadrados mágicos.
Ritual para magnetizar os talismãs.
O que fazer?
Perguntas para este material
Bibliografia.

Origem deste material

Este material tem origem no livro “The Enochian workbook” e no livro “Advanced Enochian Magic” dos autores Gerald & Betty schueller, obra recomendadíssima para aqueles que desejam entender mais sobre o assunto aqui apresentado, foram usadas inúmeras outras referencias tanto pelos autores quanto por mim (Robson Bélli) para a composição deste material.

Este material se refere a pratica da magia neo-enochiana, não sendo usado em outras vertentes, quaisquer outras duvidas pergunte no grupo, estamos sempre prontos em melhor aconselhar o grupo em suas praticas.
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Teoria dos Amuletos e Talismãs

Talismãs e amuletos são dispositivos bem conhecidos que são usados ​​por praticantes de magia há milhares de anos. Amuletos e talismãs geralmente têm o mesmo design; a principal diferença entre os dois dispositivos é como eles devem ser usados.

Amuletos são geralmente usados ​​no corpo como uma forma de proteção mágica – para afastar forças indesejadas ou entidades hostis. Eles podem ser feitos e usados ​​no corpo sem ser previamente magnetizados. O material de que são feitos influencia você diretamente. Um amuleto deve durar muito tempo, um cristal, um orgonite.

Os talismãs geralmente não são usados ​​no corpo e são construídos e carregados com força mágica para um propósito específico. Um talismã pode ser usado uma vez – então geralmente é cuidadosamente destruído ou recarregado (assim como uma bateria deve ser recarregada periodicamente).

Na Magia Enochiana, amuletos e talismãs são usados ​​como uma expressão física de sua Vontade Mágica. Eles são usados ​​para lembrá-lo do poder de sua Vontade Mágica. Além disso, outros que o virem também serão movidos consciente ou inconscientemente para realizar a sua vontade ou intento.

Correspondências

A construção de um amuleto ou talismã depende de sua função e como será usado. Seu propósito geralmente determina o material do qual é feito, as inscrições que são colocadas nele e o tipo de força ou poder que é invocado nele. Vários metais, cores, pedras preciosas e os dias da semana têm correspondências mágicas com os corpos sutis e planetas. Essas correspondências, mostradas na Tabela a seguir, devem ser consideradas ao projetar/desenhar um amuleto ou talismã.

Correspondências do Talismã

Corpo Planeta Metal Cor Dia Pedra
1 Físico Sol Ouro Amarelo Domingo Topázio, Jade amarelo
2 Etéreo Marte Ferro Vermelho terça-feira Rubi, Hematita
3 Astral Lua Prata Violeta segunda-feira Quartzo, pedra da lua
4 Mental Saturno Chumbo Preto Sábado Onix, Turmalina
5 Causal Vênus Cobre Verde sexta-feira Jade, esmeralda
6 Espiritual Mercúrio (não usar) Laranja quarta-feira Cornalina, Berilo
7 Divino Júpiter Estanho Azul quinta-feira Ametista, Lapis-Lazuli

Outras correspondências

Símbolo Incenso Animal
1 Cruz, candelabro, mandala Olibano, arruda, louro Leão, águia. Ecaravelho, veado
2 Espada, lança, açoite, escudo Café, alho, lavanda, cravo Lobo, Javali, Carneiro
3 Arco e flecha, taça, meia lua Jasmin, Canfora, Acacia Serpente, sapo, peixe
4 Foice, Cranio, Cruz Tau Mirra, Almiscar, Salsa Morcego, Coruja, Corvo
5 Rosa, Pomba, cruz ansata Rosa, Sandalo, Baunilha Pomba, Pavão, Borboleta
6 Caduceu, Livro, Pluma Benjoin, Estoraque, Alecrim Íbis, Macaco, Cão
7 Sino, Flor de liz, Quadrado Hortelã, Olibano, Eucalipto Bufalo, Alce, Elefante

Todas as correspondências aqui descritas foram conferidas no 777 e no livro Kabbalah Hermetica do Marcelo Del Debbio

Geometria Talismanica da Golden Dawn

Na Golden Dawn temos formas geométricas especificas para cada talismã e isso pode ser encontrado no livro “Self Initiation in the Golden Dawn Tradition” do Chic Cicero e Sandra Tabatha Cicero, na realidade a Golden Dawn oferece modelos de talismãs prontos para cada planeta especifico, a seguir algumas informações que podem ajudar você a compor seus proprios talismãs:

Planeta Arestas Nome da forma geométrica
Sol 6 Hexágono
Lua 9 Eneogono
Marte 5 Pentágono
Mercúrio 8 Octogono
Júpiter 4 Quadrado
Venus 7 Heptagono
Saturno 3 Triangulo

Gematria Enochiana

Os dados de origem a partir dos quais as tabelas de gematria foram calculadas são tão preciso quanto várias revisões rápidas poderiam fornecer, mas é não é garantido que seja preciso além da expectativa razoável, e sem dúvida contém pelo menos um erro. Alerta Mago!

VALORES DE GEMATRIA DOS CARACTERES ENOQUIANOS

GOLDEN DAWN CROWLEY ULISSES MASSAD
A 1 6 1
B 2 5 2
C 20 300 10
D 4 4 4
E 5 7 8
F 6 300 9
G 3 9 3
H 8 1 5
I 10 60 10
J 0 0 10
K 0 0 10
L 30 40 11
M 40 90 12
N 50 50 13
O 70 30 15
P 80 8 16
Q 90 40 17
R 100 100 20
S 200 10 14
T 300 400 22
U 0 0 6
V 400 70 6
W 0 0 6
X 60 400 21
Y 0 0 10
Z 7 1 7

Para maiores relações entre cabala, arvore da vida e magia enochiana, recomendo a leitura atenta ao Liber Arphe de Ulisses Massad, As demais gematrias podem ser encontradas através de estudos no Liber 777 e The Golden Dawn de Israel Regardie.

Magnetizando um Talismã

Os talismãs devem ser recarregados periodicamente. Os passos necessários para construir e carregar um talismã enoquiano são os seguintes:

1. No dia indicado na Tabela de correspondencias, faça um talismã em forma de pantáculo de preferencia com o metal mostrado na mesma tabela. Se os metais não estiverem disponíveis, use um substituto, como madeira ou papel pintado na cor apropriada, conforme indicado na Tabela. Esta cor serve como a cor de fundo do talismã e não da tinta.

2. No mesmo dia, inscreva o talismã com os números e símbolos apropriados. Por exemplo, se invocar uma divindade, use o número de gematria do nome do deus e sigilo, se conhecido.

3. No dia apropriado (veja a Tabela de correspondencias), realize um ritual de invocação para carregar o talismã (um ritual típico para este propósito é dado mais adiante).

4. Após carregar o talismã com a força adequada, enrole-o em linho branco ou seda e guarde-o cuidadosamente em sua própria caixa para ajudar a manter a carga até que seja usado.

5. Use o talismã quando e onde for necessário para obter o resultado desejado.

Geralmente isso feito é durante um ritual apropriado onde o talismã é usado para enfatizar o propósito desejado e garantir um resultado favorável.

Exemplo:

Vejamos um exemplo, mas lembre-se de que não existem regras rígidas e rápidas. Use os símbolos/sinais disponíveis neste e em outros livros e coloque-os juntos de uma maneira que seja do seu agrado. Uma regra da Golden Dawn era “Na construção de um talismã, o simbolismo deve ser exato e em harmonia com as forças universais”.

Exemplo:

A Figura acima mostra um talismã que pode ser usado para obter riqueza, fertilidade, abundância e prosperidade geral. Ele emprega o poder mágico de ALHKTGA, o quarto Sênior da Terra. Este talismã é projetado com um heptágono de sete lados que tem uma letra do nome do Sênior em cada espaço. Deve ser feito de cobre e pintado de verde (o metal e a cor de Vênus porque este Sênior está associado a Vênus.

O centro do talismã contém um pentagrama verde com o número 338 no centro. O verde esmeralda é a cor especial do ALHKTGA. O pentagrama simboliza o número 5. (O valor da gematria do nome deste Sênior é 338 que se reduz a 5 por adição teosófica. Ou seja, você adiciona os três números que compõem o valor da gematria, 338, (3+3+8=14) e, em seguida, some os números que compõem o resultado, 14, (1+4=5), para obter um valor de 5.

Os principais símbolos deste Sênior também estão incluídos: uma rosa vermelha e um amuleto vermelho de cinco faces. O vermelho é usado porque é o complemento do verde, a cor de ALHKTGA. Ao lado da parte superior da estrela está o signo mágico do elemento Terra (elemento deste Sênior); e abaixo do pentagrama temos o símbolo de vênus.

Teoria dos quadrados mágicos

 

Um antigo texto egípcio diz: “A vida de uma pessoa é investida em seu nome”. Esse antigo ensinamento expressa a ideia de que os nomes têm poder no sentido de que, se você souber o verdadeiro nome de algo, terá um grau de controle sobre ele. Nomes e palavras sempre foram considerados importantes na magia.

A Magia Enoquiana usa nomes e palavras enoquianas. Algumas palavras podem ser colocadas juntas de uma maneira especial para formar um quadrado. Estes são chamados de Quadrados Mágicos.

As tabelas abaixo mostram dois típicos Quadrados Mágicos Enochianos.

 

N E M O
E M O A
M O A D
O A D O

NEMO. Este quadrado soma 516, o número para MIKA-SOESA que significa “o poderoso salvador interior”.

Também 516 = 129×4 onde 129 é o número para MOZ que significa “alegria”. Além disso, 516 = 12×43 onde 43 é o número para BALT-ZA que significa “na justiça”. AIK BKR reduz 516 e 129 para 12 que reduz a 3, “o filho ou soma de um” (o pai supremo) e “dois” (a mãe suprema). Esta é a praça de NEMO, o Magister Templi ou Mestre do Templo.

 

B A B A L O N
A D A N O D O
B A H A N O Q
A N A N A E L
L O N A S M I
O D O R M N A
N O Q L I A D

BABALON. Este quadrado soma um total de 1183, o número de KA-KAKOM-ZORGE que significa “fazer o amor florescer”. Também 1183=169×7, onde 169 é o número para RIT que significa “misericórdia” e PIR, “brilhante”. AIQ BKR reduz 1183 para 4, o número para definição através da memória.

BABALON é a corrente feminina encontrada nos Aethyrs, ADNA-ODO implica abrir-se ao conceito de obediência; BAHA [L]-NOQ [01 é “o clamor de um servo fiel”; ANANAEL significa “a sabedoria secreta”; LONSA-MI sugere o poder ou energia que está latente em todos; ODO-EMNA pode significar “abrir-se a partir de agora” e NOQ[01-L-IAlD pode significar “o servo supremo (ou ministro) de Deus”.

Uma interpretação deste Quadrado Mágico é:

Ó BABALON

Reverências a você.

Receba-me,

Seu servo fiel

Quem proclama sua Sabedoria Secreta.

Você é o poder que reside em todos.

Receba-me,

Por agora e para sempre.

Usos dos quadrados mágicos

O uso de tais quadrados é variável. Por exemplo, muitos, se não todos, os Quadrados Mágicos podem ser transformados em talismãs, devidamente carregados, e então usados ​​em rituais mágicos. De acordo com o livro da  magia de Abramelin, simplesmente ter tal quadrado em sua pessoa e tocá-lo, enquanto faz um desejo correspondente, ajudará a tornar esse desejo realidade.

Muitos magos, especialmente aqueles que praticam Magia Enochiana, os usam para meditação. Cada letra representa uma ideia mágica especial, conforme mostrado na Tabela abaixo.

Letra ZODIACO/ELEMENTO Tarô
A Touro Hierofante
B Aries Estrela
C, K Fogo Julgamento
D Espirito Emperatris
E Virgem Eremita
F Cauda Mago
G Cancer Carruagem
H Ar Louco
I, J, Y Sagitario Temperança
L Cancer Carroagem
M Aquario Imperador
N Escorpiao Morte
O Libra Justiça
P Leão Força
Q Agua Pendurado
R Peixes Lua
S Gêmeos Amantes
T Leão Força
Caput Draconis Alta sacerdotiza
U, V, W Capricornio Diabo
X Terra Universo
Z Leão Força
Caput draconis Alta sacerdotiza

Quadrados de letras podem fornecer a base para meditações poderosas simplesmente concentrando-se nos significados das letras e sua disposição dentro dos quadrados.

Os três exemplos a seguir são fornecidos.

Exemplos

Exemplo 1. O quadrado LAMA.

L A M A
A A I T
M I A O
A T O L

Este quadrado contém as palavras enoquianas, LAMA-AAI-T-MI-AOA-TOL, que podem ser traduzidas como “o caminho que está dentro de você leva ao poder que está dentro de todos”, ou “o caminho em você é o poder em todo.” Este quadrado contém a ideia de que todos nós temos uma fonte interna de poder que podemos usar para superar quase todos os problemas que podem surgir se soubéssemos como. O valor da gematria de todas as 16 letras é 430 e isso se reduz a 7 (4+3+0=7), o número para integridade e completude. Este quadrado deve ser usado sempre que nos sentimos indignos ou mal sucedidos para aumentar nossa auto-estima e otimismo.

Exemplo 2. O quadrado PAHS.

P A S H S
A B R A M
S R O R N
H A R G A
S M N A D

Este quadrado contém as palavras enoquianas, PASHS-ABRAM-S-ROR-NHARG-A-SMNAD, que significam “As crianças são providas pelo Sol. Posso conceber uma assim”, ou “As crianças são preparadas pelo Sol. Que eu semear outro.” Este quadrado contém a ideia de que as crianças são um presente da divindade criativa porque o Sol foi ensinado pelos antigos a ser a mais alta divindade criativa em nosso sistema solar. O valor da gematria de todas as 25 letras é 802 que a adição teosófica reduz a 1 (8+0+2=10, 1+0=1). O número 1 é o número para a mônada, unidade e para masculino e feminino conjugados. Tomado em conjunto, este quadrado deve ser usado para garantir a fertilidade ao tentar produzir um filho.

Exemplo 3. O quadrado ZORGE.

Z O R G E
O I L
R I T Z
G A
E L Z A P

Este quadrado representa um tipo popular de quadrado, um quadrado incompleto, pois nem todas as posições contêm letras. O quadrado contém três palavras enoquianas: ZORGE, que significa amor; RIT, significando misericórdia; e ELZAP, significando o caminho. Sugere que a maneira correta de viver é com misericórdia e amor. As 19 letras enoquianas têm um valor total de gematria de 489 que reduz para 3 (4+8+9=21 e 2+1=3), o número de palavras usadas. O número 3 indica inteligência e manifestação. Sugere que a maneira inteligente de viver neste mundo é expressar amor e misericórdia. Este quadrado deve ser usado por qualquer pessoa que queira ver mais amor e misericórdia em suas vidas.

Ritual para magnetizar os talismãs

Talismãs

Ritual para Carregar o Talismã

PASSO 1.

Faça um círculo mágico. Coloque uma mesa ou altar no centro. Coloque o Talismã de no altar. Entre no círculo.

PASSO 2.

Conduza o Ritual de Invocação do Pentagrama e depois o Ritual de Invocação do Hexagrama para invocar as forças necessárias da Torre de Vigia.

PASSO 3.

Vire a face para a respectiva Torre de Vigia (direção).

PASSO 4.

Entre no seu Corpo de Luz (conforme ensinado no Livro do Mochileiro dos éteres).

PASSO 5.

Trace o Hexagrama de Invocação de (do planeta da entidade).

PASSO 6.

Vibre os nomes:

(nome divino de 12 letras da torre adequada)

(nome do rei da torre adequada)

(nome do sênior da torre adequada)

PASSO 7.

Assuma o caráter e a forma divina da entidade enochiana que vai atuar no talismã. Deixe seu Corpo de Luz assumir a aparência deste anjo.

PASSO 8.

Recite uma invocação:

Ó (nome do anjo), (titulo) da atalia do (elemento), Venha a mim e me ajude.

Ajude-me a eliminar tudo o que se opõe ao meu progresso.

Conceda-me sua grande dádiva de (campo de atuação da entidade).

Ajude-me em minha Vontade Mágica E dilacere meus inimigos.

PASSO 9.

Assuma o caráter do anjo (veja-se como se fosse o mesmo).

PASSO 10.

Agindo como se fosse o anjo, estenda sua mão direita sobre o Talismã e veja uma névoa das cores do sigilo da atalaia correspondente. Deixe sua mão e entre no Talismã carregando-o com seus poderes e habilidades.

PASSO 11.

Retorne a sua própria forma. Retorne ao seu corpo físico.

PASSO 12.

Trace o Hexagrama de Banimento de (do planeta da entidade).

PASSO 13.

Conduza o Ritual de Banimento do Pentagrama e depois o Ritual de Banimento do Hexagrama para banir as forças da Torre de Vigia.

O que fazer?

  1. Faça seu próprio Talismã de um anjo a sua escolha e necessidade de acordo com as regras dadas na Lição.
  2. Faça um talismã do quadrado LAMA ou de qualquer outro a sua escolha e necessidade.

Perguntas para este material

  1. Qual é a diferença entre um talismã e um amuleto?
  2. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​como talismãs mágicos.
  3. Verdadeiro ou Falso: A construção de um amuleto ou talismã depende do seu uso.
  4. Verdadeiro ou Falso: Quadrados Mágicos podem ser usados ​​para meditação.

 

Bibliografia

Self Initiation of the Golden Dawn Tradition. By Chic Cicero and Sandra Tabatha Cicero, Llewellyn.

Kabbalah Hermetica. By Marcelo Del Debbio, Daemon editor.

Liber Arphe, By Ulisses Massad, V0.15 2015

Liber 777, Aleister Crowley, Weiser Books

The Golden Dawn. Ed by Israel Regardie, Llewellyn.

The Sacred Magic of Abramelin the Mage. Trans, by S.L. Macgregor Mathers, Dover.

The Magus. Francis Barrett, Citadel.

The Book of the Goetia of Solomon the King. Ed. by Aleister Crowley, Magical Childe.

Amulets and Superstitions. E.A. Wallis Budge, Dover.

Egyptian Magic, E.A. Wallis Budge, Citadel.

The Complete Book of Spells, Ceremonies & Magic. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Secret Lore of Magic. Idries Shah, Citadel.

The Book of Ceremonial Magic, a Complete Grimoire. A.E. Waite, Citadel.

The Legend ofAleister Crowley. RR. Stephensen and Israel Regardie, Llewellyn.

The Eye in the Triangle. Israel Regardie, Llewellyn.

A Pictorial History ofMagic and the Supernatural. Maurice Bessy, Spring Books.

The Complete Book ofAmulets & Talismans. Migene Gonzalez-Wippler, Llewellyn.

The Book of Ceremonial Magic: A Complete Grimoire. A. E. Waite. Citadel.

Techniques of High Magic; A Manual of Self-Initiation. Francis King and Stephen Skinner, Doubleday.

Applied Magic. Dion Fortune, Weiser.

The Swordand the Serpent. Denning & Phillips, Llewellyn.

The New Magus. Donald Tyson, Llewellyn.

The Golden Dawn. Ed. by Israel Regardie, Llewellyn.

The Key ofSolomon the King. S. Liddell MacGregor Mathers, Weiser.

The Secret Rituals ofthe O.T.O. Ed. by Francis King, Weiser.

The Book of the Goetia of Solmon the King. Trans, by Aleister Crowley, Magickal Childe.

Buckland’s Complete Book of Witchcraft. Raymond Buckland, Llewellyn.

A Witches Bible Compleat. Janet and Stewart Farrar, Magical Childe.

Planetary Magick. Denning and Phillips, Llewellyn.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-livro-enochiano-dos-amuletos-e-talismas/

Ordem Hermética dos Martinistas (HOM)

O Martinismo é uma forma de cristianismo iniciático esotérico ou místico que diz respeito a Jesus Cristo como o Reparador e visa à reintegração do homem para atingir um estado idealizado.

O Martinismo reflete a filosofia e a mística cristã esotérica do filósofo francês Louis Claude de Saint-Martin (1743 – 1803), que era um discípulo do maçom do século 18 e teurgo, Martinez de Pasqually (1727-1774). Escritos de Saint-Martin espiritual foram publicados sob o pseudônimo de Le philosophe Inconnu, ou o Filósofo Desconhecido.

A Ordem Hermética dos Martinistas (HOM) é uma Ordem Martinista que só está aberta a Mestres Maçons de uma Loja sob a autoridade da Grande Loja Unida da Inglaterra ou de uma Grande Loja reconhecida por eles, que são membros pelo menos o primeiro Grade (Zelator) da Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA).

Por um processo de iniciação, meditação, estudo, discussão esotérica e contemplação, os membros da Ordem objetivo de descobrir e entender a presença de Jesus Cristo dentro de si.

ORGANIZAÇÃO

A Ordem é governada por um Grão-Mestre e a administração diária é feita pelo gravador Grande. A Ordem é organizada em um sistema de Loja semelhante à maçonaria. A Heptada é composta por um mínimo de sete membros e uma Loja tem um mínimo de 21 membros. Um círculo tem menos de sete membros. As reuniões são conhecidas como conventículos.

Existem três classes ou graus no sistema da Ordem Hermética de Martinistas:

Primeiro Grau: Livre Iniciado.

Segundo Grau: Associado.

Terceiro Grau: Supérieur Inconnu, SI ou Superior Desconhecido.

Para se tornar um Irmão Mestre de sua Loja, ele recebe a cerimônia de PI (Philosophe Inconnu). Isso só pode ser dada por um Filósofo Desconhecido, como o Grão-Mestre, o Inspetor Geral ou do Inspetor Principal, bem como alguns inspetores Past Grão.

A regalia consiste de um manto negro com capuz e um frade franciscano. O frade franciscano é composto de cabo preto para um membro, corda vermelha de PI, dois cabos vermelham e branco para um Filósofo Desconhecido e vermelho e duas cordas brancas para o Grande Mestre.

O ponto culminante é a celebração do membro a ser avançado para o grau de SI. Durante esta cerimônia, o membro é agraciado com um belo colar branco com bordados de ouro.

História

O Martinismo moderno surgiu no final do século 19 na França e foi fundado como L’Ordre Martinista pelo médico espanhol nascido francês, hipnotizador e espiritualista Papus (Dr. Gérard Encausse). Ele também foi membro do Rito Esotérico de Memphis-Misraïm, que é uma forma egípcia da Maçonaria desenvolvidos pelo conde Alessandro di Cagliostro.

Sob a liderança de Papus, a Ordem cresceu rapidamente. No entanto, Papus morreu em 1916 e foi sucedido por Carlos Detre (Teder), que cultivava uma Ordem (conhecido como L’Ordre Martinista-Martinéziste de Lyon), que tornou-se mais na sua filosofia maçônica.

O Patriarca da Igreja Gnóstica Universal, Jean Bricaud, conseguiu convencer Teder a ser Grão-Mestre e mudou a sede da Ordem para Lyon, onde se tornou conhecido como L’Ordre Martinista de Lyon. Bricaud desenvolveu a conexão Maçônica, garantindo que a filiação maçônica era um requisito para ser membro da Ordem.

Em 1921, com Victor Blanchard (Sar Yesir) como Grão-Mestre, um grupo de Martinistas fundou uma ordem separada, L’Ordre et Martinista Synarchique (OMS), que não esta ligada a uma sociedade maçônica.

Durante a tirania da II Guerra Mundial, a luz do Martinismo foi quase extinta na Europa, mas as tradições iniciáticas foram mantidas em segredo, na Suíça, que se manteve neutro durante estes anos. Blanchard permaneceu Grão-Mestre da OMS até sua morte em 1953 e foi sucedido pelo Dr. Edouard Bertholet (Sar Alkmaion) da Suíça.

Posteriormente, em 1958, Louis Bentin (Sar Gulion) recebeu uma carta de Bertholet para formar um ramo da OMS na Inglaterra e tornou-se Grão-Mestre da Grande Loja Britânica da OMS.

A Ordem Hermética da Martinistas (HOM) foi re-inaugurada por um grupo de Martinistas britânicos em 14 de Março de 1978, com o britânico maçom e ocultista, Bourke Desmond (Sar Olibius) como o primeiro Grão-Mestre.

Bourke era um importante membro da Societas Rosicruciana em Anglia e membro da OMS. Através de sua forte amizade com Bentin, Bourke foi concedida uma carta para o restrito HOM pelo SAR Gulion. Os ensinamentos do HOM acompanham de perto os da OMS.

Nossos Grão-Mestres são os seguintes:

Sar Olibius (1978 – 1984)

Sar Tutela (1984 – 1993)

Sar Benevolentia (1993 – 2005)

Sar Fidentia (2005 – 2007)

Sar Perseverando (2007 -)

@MDD – É SAR mesmo, é um título Martinista que significa “príncipe” em hebraico.

PS.: Existem outras inúmeras Ordens Martinistas, tais como:

– TOM – Tradicional Ordem Martinista (Ligada a Ordem Rosa Cruz)

– Ordem Martinista dos Filósofos Desconhecidos

– Ordem Martinista de Ellus Cohens

– Ordem Martinista Sinarquica

– Ordem Martinista Martenezista

Marco A. Queixada – VM.’.

ARLS Sublime Imprensa Maçônica, 3999

#Martinismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ordem-herm%C3%A9tica-dos-martinistas-hom

As Mulheres Místicas de Safed

Por Yael Levine Katz

Além dos grandes estudiosos e místicos associados a cidade de Safed, fontes testemunham algumas personalidades femininas extraordinárias que viveram lá. Aqui está um breve esboço de três deles.

Francesa Sarah

O caso de Francesa Sarah é único nos anais da história judaica. A revelação de maggidim – espíritos angélicos – é conhecida por ter sido concedida apenas a alguns poucos selecionados. Por exemplo, tais poderes foram atribuídos ao rabino Yosef Caro, cabalista e autor de O Código da Lei Judaica. Francesa Sarah, que também viveu em Safed no século 16, é a única mulher conhecida por possuir um maguid para prever o futuro.

Ela é mencionada no Livro das Visões pelo rabino Chaim Vital, (título hebraico, HaChezyonot, Jerusalém 1954, pp. 10-11) o principal discípulo do Ari, bem como em uma crônica hebraica do século XVII publicada recentemente, que lança mais luz sobre sua personalidade e atividades. [O segundo título é Sefer Divrei Yosef, de Yosef Sambari, editado por Shimon Shtober, Jerusalém 1994, pp. 364-366.] Em ambos os livros, ela é retratada como uma mulher extremamente sábia e justa.

Em um exemplo, ela mandou chamar os sábios, advertindo-os de que, a menos que declarassem um dia de jejum, orassem e fizessem caridade, pereceriam em uma praga. Os rabinos a atenderam e imediatamente decretaram um jejum. Quando todos estavam reunidos no dia de jejum e um dos rabinos se levantou para falar, ela recebeu a revelação de que ele morreria em oito dias como expiação pelos pecados da congregação. Exatamente oito dias depois, ele faleceu.

Um estudioso de Safed, embora cético em relação aos poderes dela, a consultou para saber se ele teria sucesso em um determinado empreendimento. Ao reconhecer a veracidade de sua visão, “ele se curvou em homenagem a D’us, que transmitiu Sua sabedoria a tal mulher de valor”.

O Rabino Vital observa, no entanto, que enquanto a maioria de suas visões se tornou realidade, sua revelação de que o Mashiach viria não se materializou.

Fioretta de Modena

No passado, a maioria dos judeus idosos que imigraram para a Terra de Israel optou por se estabelecer em Jerusalém, mas uma mulher que optou por Safed foi a italiana Fioretta de Modena, ancestral de um estudioso exemplar. Seu neto, o estudioso, cabalista e autor Rabi Aaron Berechiah de Modena (d.1639), prestou homenagem a ela nas introduções de dois de seus livros (Seder Ashmoret HaBoker Mechavurat Me’eirei Shachar, Mantua 1624 e Ma’avar Yabbok , Veneza 1626.) “Que meu bom nome seja lembrado diante de D’us”, escreveu ele, “juntamente com o mérito da mãe de minha mãe, a virtuosa mulher Fioretta… viúva do rabino Solomon de Modena”.

Fioretta absorveu-se no estudo do Tanach (Bíblia), Lei Oral e trabalhos haláchicos, em particular Maimônides, bem como o Zohar. Ela aderiu a um curso semanal de estudo sobre cada um desses assuntos que ela mesma havia traçado.

Fioretta criou o neto e foi responsável por sua educação, viajando de cidade em cidade em busca dos melhores professores. O rabino Aaron afirmou que era, portanto, incumbência dele dar-lhe o respeito devido a um pai e rabino.

Donzela de Ludomir

Outra mulher fascinante com uma conexão Safed é a lendária “Donzela de Ludomir”. Channah Rochel Werbemacher nasceu em Ludomir, Polônia, em 1815, de pais que não tinham filhos há mais de dez anos. Seu pai era um seguidor do mestre chassídico, Reb Mottele de Chernobyl. Em tenra idade, ela demonstrou uma sede insaciável de aprendizado e adquiriu um amplo conhecimento de Tanach, Aggada e literatura ética.

Quando ela tinha apenas nove anos, sua mãe morreu. Certa vez, enquanto visitava o túmulo de sua mãe, ela foi atingida por uma doença grave. Quando ela finalmente se recuperou, ela era uma pessoa transformada. Ela começou a cumprir também os mandamentos que são obrigatórios apenas para os homens, como talit e tefilin, e passou seu tempo em meditação, aprendizado e oração. Com o dinheiro da herança que recebeu com a morte de seu pai, ela construiu uma bela sinagoga.

Multidões acorreram a ela, buscando seus conselhos e bênçãos. Por modéstia, ela falou com eles por trás de uma porta ou divisória. Como um mestre chassídico, ela conduzia um tish (mesa aberta) nas tardes de Shabat, onde expunha a Torá.

Mais tarde, ela imigrou para a Terra de Israel, estabelecendo-se no bairro Me’ah She’arim de Jerusalém. Ela caminhava todas as manhãs até o Muro das Lamentações para rezar, acompanhada por muitos que desejavam receber suas bênçãos. Na véspera de Simchat Torá, muitos peregrinos de Hebron, Safed e Tiberíades frequentavam sua casa. Channah Rochel teve um interesse constante na vida judaica em Safed, e até deixou Jerusalém em seu favor por vários anos. Ela faleceu em Jerusalém em 1892. Um romance baseado em sua vida foi publicado recentemente. (Chamaram-na Rebe, Gershon Winkler, Nova York; Judaica Press, 1991)

Fonte: Mystical Safed Women

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/as-mulheres-misticas-de-safed/

Devo Estudar Chi, Psi ou Magia?

Texto do grupo Veritas, traduzido por Jeff Alves

Todos os sistemas compartilham fundamentos em comum e, sendo assim, é mais benéfico progredir em uma para que depois se possa em outra arte. Desta forma, escolher focar uma arte metafísica é, de forma alguma, uma escolha exclusiva, mas é, muitas vezes, uma escolha que devemos fazer para que possamos dedicar tempo suficiente para entender um paradigma específico.

A escolha de qual arte se concentrar é também algo muito pessoal, pois depende fortemente de seus traços de personalidade e aspirações. Os três paradigmas, ou sistemas, apresentados aqui tem suas próprias virtudes e as suas próprias visões de mundo.

Temos trabalhado em conjunto para trazer-lhe este artigo contendo perspectivas distintas em cada um desses três sistemas, para que possamos compartilhar com vocês as nossas próprias opiniões pessoais e as razões para valorizar cada arte. Que sua jornada seja próspera!

Por que estudar Chi ? (por kobok)

Chi é o nome dado à “energia vital” em muitas culturas asiáticas, sob uma variedade de grafias como chi, ki, e qi. Na cultura hindu, o termo “prana” é usado para esta energia e Yoga é o nome dado à arte hindu associada. Segundo a lenda, as idéias de Yoga foram fundamentais para a formação de Qigong, o sistema chinês de cultivo chi.

A maioria das artes marciais incluem alguma instrução em chi, embora o grau de foco neste estudo varia muito. Algumas apenas vêem o chi como uma manifestação das propriedades físicas e estruturais do corpo, mas muitas outras incluem o aspecto da energia espiritual para ele. O chi pode ser um aspecto importante da consciência, velocidade, força, equilíbrio e estabilidade nas artes marciais e pode ter efeitos físicos reais. A meditação relacionada ao Chi é um aspecto importante de muitas dessas artes marciais e, nos níveis superiores, a maioria das artes que estudam o Chi também incluem o estudo da cura através do mesmo.

Há também artes de manipulação energética que incidem de forma mais completa sobre a cura, como o Reiki, um contemporâneo sistema de cura japonês em que os praticantes canalizam sua energia com intenção de cura. Em suma, a arte da Manipulação Energética sinergicamente reúne corpo, mente e espírito para alcançar a meta da evolução.

Por que estudar Psiônica? (por Kobok)

Psiônica é a arte de causar mudança ou sentí-las por esforço de foco mental/psíquico. Há também uma grande profundidade filosófica e espiritual para os estudos psi, que moldam a busca em um caminho de auto-aperfeiçoamento. Psi inclui todas as habilidades que foram enquadradas como habilidades psíquicas, como, por exemplo, Percepção Extra-sensorial, Clarividência, Pré-Cognição, Psicocinese e Visualização Remota.

Abordagens modernas para Psi normalmente giram em torno da consciência e manipulação de energia para fins de detecção ou obtenção de mudanças. As habilidades assim concedidas incluem movimentação de objetos, comunicação mental, escaneamento de personalidades, visualização de lugares remotos, (pre)sentir o futuro, curar a si mesmo e aos outros, escolher um futuro e fazer com que ele ocorra, criar construções complexas usando energia psi e muitas outras. A busca constante de psi também concede uma profundidade incomparável de foco mental e disciplina, acompanhado por uma profunda compreensão e consciência de sua própria natureza espiritual. Esta consciência tem um impacto profundo na vida do psion (praticante de psiônica) e sobre a interação do psion com os outros.

Psiônica tenta fazer uma abordagem mais direta e fundamental para as artes energéticas, com ênfase em ganhar foco e controle intencional sobre os detalhes de suas próprias habilidades inerentes. O Psion, após dominar isto, usa esse controle cuidadoso para construir uma matriz de habilidades mais complexas e avançadas, mantendo o mesmo nível de concentração mental.

Por que estudar Magia? (por Prophecy)

Magia é, no que diz respeito à religião, um caldeirão de credos e abordagens. Não importa se você é budista, hindu, taoísta, xamã, judeu, cristã ou qualquer outra denominação essencialmente religiosa – você poderá utilizar magia para progredir em seu caminho espiritual, no âmbito do seu dogma existente, já que a espiritualidade é a base fundamental sobre a qual a maioria das ideologias de magia se baseiam.

Magia dá ao aspirante meios de escolher seu próprio destino e criá-lo. Através da auto-mestria, do avanço espiritual e do conhecimento harmonioso de como utilizar as Leis deste universo, o adepto pode alterar as coisas em sua vida para criar o destino que ele vê condizente em seu caminho. Não há nada fora do alcance para um mago e o progresso espiritual através da sabedoria e do poder é prometido para aqueles que dedicam a este caminho o tempo que for necessário, através de algum sistema legítimo das artes metafísicas. O caminho de recompensas das ciências ocultas não é apenas prático, mas também muito teórico, para que o estudante possa buscar as verdades mais profundas do mundo interior e do que ele vive (exterior).

Finalmente, a magia engloba todas as coisas consideradas místicas e metafísicas. As leis da magia são as leis do universo, e todas as coisas encontram-se representadas aqui. As potências da alma, da mente e do corpo são treinadas desde o início do caminho escolhido. Se o mago aspirante estudou qualquer sistema oriental (como Yoga) ou ocidental (como Psiônica), ele tem dado mais um passo no caminho da magia e agora pode ver como tudo o que ele aprendeu até agora pode ser aplicado para conquistar o que busca no mundo, decidindo por si mesmo como fazer isto.

#Exercícios #MagiaPrática #Ocultismo #psiônica

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/devo-estudar-chi-psi-ou-magia

A Moderna Feitiçaria

Os paroquianos da respeitável igreja da rua Arlington, em Boston, viram e ouviram muita coisa ao longo dos anos. Afinal, é em seu altar que o evangelho unitário de um deus único, e não tríplice, tem sido transmitido de geração em geração. Foi ali também, numa crise agora remota, que o abolicionista William Ellery Channing protestou contra os malefícios da escravatura. E, um século depois , seria nessa mesma igreja que vários manifestantes externariam seu protesto contra a intervenção americana no Vietnã.

Contudo, é possível pensar que nem mesmo paroquianos com tanta tradi­ção e audácia teriam sido capazes de prever a incrível cena que ocorreu nessa igreja numa sexta-feira de abril, no ano de 1976. Naquela noite, quando as luzes da igreja diminuíram e o som cristalino de uma flauta se espalhou por entre mais de mil mulheres ali reunidas, quatro feiticeiras, cada uma delas empunhando uma vela, colocaram-se ao redor do altar. Com elas encontrava-se uma alta sacerdotisa da magia, Morgan McFarland, filha de um ministro protestante. Numa voz clara e firme, McFarland proferiu um longo encantamento cujos místicos ecos pareciam realmente muito distintos da doutrina que os paroquianos unitaristas estavam habituados a ouvir: “No momento infinito antes do início do Tempo, a Deusa se levantou em meio ao caos e deu a luz a Si Mesma (…) antes de qualquer nascimento (…) antes de seu próprio nascer. E quando separou os Céus das Águas e neles dançou, a Deusa, em Seu êxtase, criou tudo que há. Seus movimentos geraram o vento, o elemento Ar nasceu e respirou.”

Enquanto a alta sacerdotisa prosseguia em seu cântico, descrevendo sua própria versão da criação do mundo, suas companheiras de altar começaram a acender as velas, uma após a outra — a primeira para o leste, depois para o sul, o oeste e, por fim, para o norte. As palavras de MacFarland repercutiam, ressoando diante de todos como se fossem ditas pela voz de uma antiga pitonisa, uma voz que invocava a grande divindade feminina que, segundo afir­mavam as sacerdotisas, havia criado os céus e a terra. No ápice de seu canto, MacFarland rememorava o dia em que a deusa criara a primeira mulher e lhe ensinara os nomes que deveriam ser eternamente pronunciados em forma de oração: “Sou Ártemis, a Donzela dos Animais, a Virgem dos Caçadores. Sou ísis, a Grande Mãe. Sou Ngame, a Deusa ancestral que sopra a mortalha. E serei chamada por milhares de nomes. Invoquem a mim, minhas filhas,  e saibam que sou Nêmesis.”

Tudo isso ocorreu durante uma convenção de três dias, cujo tema era a espiritualidade feminina. Apesar de recorrer a elementos familiares tais como velas, túnicas e música, essa foi a prece menos ortodoxa que já ecoara pelas paredes de arenito da igreja da rua Arlington. A cerimônia deve ter sido contagian-te, pois no final a nave da igreja estava repleta de pessoas dan­çando e quase mil vozes preenchiam aquele local majestoso e antigo unidas em uma só cantilena que dizia: “A Deusa vive, há magia no ar. A Deusa vive, há magia no ar.”

Para muitos especialistas que pesquisam a história da feiti­çaria, aquela deusa invocada durante a cerimônia, uma deusa cuja dança arrebatada teria urdido o vento, o ar e o fogo e cujo riso, afirmava-se, instilara a vida em todas as mulheres, não poderia, de modo algum, ter existido no momento da criação, porque nasceu e re­cebeu sua aparência, tanto quanto sua personalidade, de uma imaginação absoluta­mente moderna. Sua origem histórica, afirmam os céticos, limita-se a poucos traços co­lhidos de concepções um tanto nebulosas relacionadas com divindades da Europa pré-cristã, concepções estas que teriam sido intencional­mente rebuscadas com deta­lhes teatrais para adequar-se aos ritos e cerimônias.

Porém, para muitos praticantes da feitiçaria, sua Grande Deusa é realmente um ancestral espírito criador, cultuado na Europa e no Oriente Próximo muito antes da intro­dução do Deus cristão. Acreditam que a deusa tenha sobrevivi­do aos séculos de perseguição ocultando-se nos corações de seus adoradores secretos, filhos e filhas espirituais que foram condenados ao ecúleo e à fogueira da Inquisição devido a suas crenças. E agora, dizem, a deusa emerge mais uma vez, aberta­mente, inspirando celebrações nos redutos daquela mesma reli­gião organizada que anteriormente tentara expurgar tudo que estivesse relacionado com ela e seus seguidores.

Seus modernos adeptos não têm a menor dúvida quanto à antigüidade de sua fé. Ser um feiticeiro, afirma um deles, é “en­trar em profunda sintonia com coisas que são mais antigas do que a própria espécie humana”. E, realmente, até certos não-iniciados declaram perceber nesse movimento dos praticantes de feitiçaria uma força invisível que anima o universo. Uma mulher que classificou os ensinamentos e ritos da feitiçaria como “meras palavras, sem qualquer significado”, disse no en­tanto que, quando compareceu ao local no qual as feiticeiras se reuniam, sentiu uma força que parecia pairar além dos limites da razão. “Sinto uma corrente”, confessou em carta a uma ami­ga, “uma força que nos cerca. Uma força viva, que pulsa, flui e reflui, cresce e desaparece como a lua (…) não sei o que é, e não sei como usá-la. É como quando se está bem perto de uma corrente elétrica, tão perto que se pode até ouvir seu zumbido, seu estalo, mas sem conseguir conectá-la.”

Hoje, contudo, milhares de homens e mulheres que levam uma vida comum, afora essa busca, acreditam estar conectando essa corrente e extraindo energia daquilo que Theo-dore Roszak define como “a fonte da consciência espiritu­al do homem”. No decorrer desse processo, estes que se proclamam neopagãos des­cobrem — ou, como dizem alguns deles, redescobrem — o que afirmam ser uma reli­gião ancestral, uma religião cuja linguagem é a do mito e do ritual, cuja fé professa a realidade do êxtase e é difícil de ser definida, uma religião de muitas divindades e não de apenas um só Deus.

Esses modernos adora­dores da natureza, tal como os pagãos de eras passadas, não separam o natural do so­brenatural, o ordinário do extraordinário, o mundano do espiri­tual. Para um neopagão, tudo pertence a um mesmo todo. Cal­cula-se que o número de neopagãos alcance um número aproximado de 100 mil ou mais adeptos nos Estados unidos, formando uma irmandade que se reflete na verdadeira explo­são de festivais pagãos iniciada na década de 70. Mo final da década de 80, havia mais de cinqüenta desses festivais nos Estados Unidos, atraindo uma platéia que reunia desde os adeptos mais radicais até meros curiosos. Segundo Margot Adler, autora de Atraindo a Lua, um livro que documenta a ascensão do neopaganismo, tais festivais “mudaram comple­tamente a face do movimento pagão” e estão gerando uma comunidade paga nacional. Adler afirma que esse grupo abrange pessoas cujo perfil social inclui desde tatuadores e estivadores até banqueiros, advogados e muitos profissionais da área de informática.

Nem todos os neopagãos da atualidade podem ser chama­dos de bruxos ou feiticeiros, pois nem sempre associam o culto neopagão à natureza e a antigas divindades com a prática da magia ritualística, como fazem os feiticeiros. Mas um número desconhecido de neopagãos adota os princípios de uma fé popularmente chamada de feitiçaria e conhecida entre os iniciados como “a prática”. Essa religião também é conhecida pelo nome de Wicca, uma palavra do inglês antigo que designa “feiticeiro”; esse termo pode estar relacionado com as raízes indo-européias das palavras wic e weik, que significam “dobrar” ou “virar”. Portanto, aos olhos dos modernos adeptos da Wicca, as bruxas nunca foram as megeras ou mulheres fatais descritas pelo populacho, mas sim homens e mulheres capazes de “dobrar” a realidade através da prática da magia. Eles acreditam que os feiticeiros da história se­riam os curandeiros das aldeias, senhores do folclore e da sabedo­ria tradicional e, portanto, os pilares da sociedade local.

Apesar da moderna popularidade da feitiçaria como religião, a crença medieval no poder das bruxas para convocar malefícios nunca desapareceu completamente. E era ainda bem forte em 1928, no condado de York, na Pensilvânia, a ponto de provocar mortes. Dois homens e um menino confes­saram o assassinato de Nelson Rehmeyer, um fazendeiro soli­tário que se dizia feiticeiro, para apanhar um cacho de seus cabelos. Precisavam do cacho, afirmaram, para quebrar o fei­tiço que ele lhes jogara. John Blymyer, o mais velho, decla­rou que ele também era bruxo e que durante quinze anos buscara o responsável por seus infortúnios. Logo após sua detenção, declarou: “Rehmeyer está morto. Não me sinto mais enfeitiçado. Agora consigo comer e beber.”

Blymyer e seus amigos não estavam sozinhos em suas crenças. Os jornais mencionavam outras pessoas preocupa­das com feitiços; um barbeiro contava que alguns fregueses levavam consigo o cabelo cortado, para evitar “dores de ca­beça”. Depois do médico-legista do condado de York ter se lamentado de que metade do condado acreditava em magia negra, as sociedades locais de médicos anunciaram uma “cruzada contra a prática de feitiçaria e suas crendices maléficas”.

Mas o estereótipo persiste, e as bruxas continuam a ser objeto de calunia, lutando para desfazer a imagem de companhei­ras do diabo. Para muitos, a bruxa era, e ainda é, a adoradora do demônio. Bem recentemente, em 1952, o autor britânico Pennethorne Hughes classificou algumas feiticeiras da história como “lascivas e pervertidas”, atribuindo-lhes uma longa lista de peca­dos reais ou imaginários. “Elas faziam feitiços”, escreveu, “cau­savam prejuízos, envenenavam, provocavam abortos no gado e inibiam o nascimento de seres humanos, serviam ao diabo, parodiavam os rituais cristãos, aliavam-se aos inimigos do rei, copulavam com outros bruxos ou bruxas que chamavam de íncubos ou súcubos e cometiam abusos com animais domésticos.”

Diante de tantas acusações, não chega a ser surpreendente o fato de que as palavras “mago”, “feiticeiro” ou “bruxo” e “ma­gia”, “feitiçaria”, ou “bruxaria” continuem a despertar profundas reações. “A feitiçaria é uma palavra que assusta a uns e confun­de a outros”, observa uma escritora radicada na Califórnia, tam­bém praticante de feitiçaria, conhecida pelo nome de Starhawk. “Na mente do povo”, ela observa, as bruxas do passado são “me­geras horrendas montadas em vassouras, ou maléficas satanistas que participavam de rituais obscenos.” E a opinião contem­porânea não tem demonstrado bondade maior para com as feiti­ceiras atuais, considerando-as, como aponta Starhawk, “mem­bros de um culto esquisito, que não tem a profundidade, dignida­de ou seriedade de propósitos de uma verdadeira religião”.

Mas trata-se de fato de uma religião, tanto para quem a re­ligião é “uma necessidade humana de beleza”, como no sentido que figura no dicionário: “sistema institucionalizado de atitudes, crenças e praticas religiosas”. Até mesmo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos cedeu às reivindicações dos praticantes da Wicca para que esta fosse considerada como religião váli­da e, em meados da década de 70, o Pentágono recrutou uma feiticeira, Lady Theos, para revisar o capítulo referente a bruxaria no Manual dos Capelães do exército. As contribuições de Lady Theos foram atualizadas em 1985, por uma erudita neopagã chamada Selena Fox. Outro sinal dos tempos pode ser visto nos cartões de identidade dos membros das forças armadas, nos quais as palavras “pagão” e “wiccan” agora aparecem com fre­qüência, embora certamente em menor número, do que os no­mes de outras afiliações religiosas.

Apesar desse reconhecimento e embora a Constituição americana — tal como a brasileira — garanta o direito à liberda­de de crença, a prática de feitiçaria ainda enfrenta duras críticas e até mesmo uma perseguição premeditada. Esses ataques natu­ralmente não se comparam, em escala e em violência, com o prolongado reinado de horror que predominou do século XIV ao XVII, período descrito pelas feiticeiras contemporâneas como “a época das fogueiras”, ou “a grande caçada às bruxas”. De fato, a perseguição atual é comparativamente até benigna — demissões de empregos, perda da custódia dos filhos, prisão por infrações aos bons costumes —, mas causa prejuízos que levaram a alta sacerdotisa da ordem Wicca, Morgan McFarland, a rotular estes tempos como ua era das fogueiras brandas”.

Pelo menos em parte, a fonte da relativa tolerância atual, bem como as raízes desse renascimento da Wicca, podem ser encontradas nos trabalhos elaborados no início do século XX pela antropóloga inglesa Margaret Murray. As pesquisas de Murray sobre as origens e a história da feitiçaria começaram, como ela posteriormente registrou em sua autobiografia, com “a idéia comum de que todas as feiticeiras eram velhas pade­cendo de alucinações por causa do diabo”. Mas ao examinar os registros dos julgamentos que restaram da Inquisição, Murray logo desmascarou o diabo, segundo suas próprias palavras, e descobriu em seu lugar algo que identificou como o Deus Chi-frudo de um culto à fertilidade, uma divindade paga que os inquisidores, em busca de heresias religiosas, transformaram em uma incorporação do diabo. À medida que aprofundou o es­tudo daqueles registros ela se convenceu de que esse deus pos-

suía um equivalente feminino, uma versão medieval da divina caçadora das épocas clássicas, que os gregos chamavam de Ártemis e os romanos de Diana. Ela supunha que as feiticeiras condenadas reverenciavam Diana como líder espiritual.

Na visão de Murray, a feitiçaria seria o mesmo culto a ferti­lidade anterior ao cristianismo, que ela denominou culto a Diana, e seria “a antiga religião da Europa ocidental”. Vestígios dessa fé, segundo ela, poderiam ser rastreados no passado a ate cerca de 25 mil anos, época em que viveu uma raça aborígine com­posta de anões, cuja existência permaneceu registrada pelos conquistadores que invadiram aquelas terras apenas nas lendas e superstições sobre elfos e fadas. Seria uma “religião alegre”, como a descreve Murray, repleta de festejos, danças e abandono sexual e incompreensível para os sombrios inquisidores, cujo único recurso foi destruí-la até as mais tenras raízes.

Em 1921, Murray divulgou suas conclusões em O Culto a Feiticeira na Europa Ocidental, o primeiro dos três livros que ela publicaria sobre o assunto, em um trabalho que outorgaria cer­ta legitimidade à religião Wicca. Outros estudiosos, contudo, imediatamente atacaram tanto os métodos utilizados por Murray como suas conclusões. Um crítico simplesmente classi­ficou seu livro como “um palavrório enfadonho”. Embora o tra­balho de Margareth Murray nunca tenha desfrutado de muito prestígio nos círculos acadêmicos, recentes estudos arqueológi­cos induziram alguns historiadores a fazer ao menos uma releitura mais criteriosa de algumas de suas teorias mais polê­micas. Mesmo que a seu modo, Murray realmente conseguiu, através de uma reavaliação favorável da feitiçaria, abrir uma porta para um fluxo de interesse pelo culto a Diana.

queles que acataram a liderança de Murray e se aventuraram a penetrar por aquela porta logo descobriram que estavam também na trilha de um escritor e folclorista americano chamado Charles Leland. Em 1899, mais de duas décadas antes de Murray apresentar suas teorias, Leland havia publicado Aradia, obra que ele descreveu como o evan­gelho de La Vecchia Religione, uma expressão que desde então passou a fazer parte do saber “Wicca”. Ao apresentar a tradu­ção do manual secreto de mitos e encantamentos de um feiti­ceiro italiano, o livro relata a lenda de Diana, Rainha das Feiti­ceiras, cujo encontro com o deus-sol Lúcifer resultara numa fi­lha chamada Aradia. Esta seria Ia prima strega, “a primeira bru­xa”, a que revelara os segredos da feitiçaria para a humanidade.

Aradia é no mínimo uma fonte duvidosa e provavelmente uma fraude cabal; contudo, terminou servindo de inspiração para inúmeros ritos praticados por feiticeiros contemporâneos, inclusive para a Exortação à Deusa, que convoca seus ouvintes a “reunir-se em lugares secretos para adorar Meu Espírito, a Mim que sou a Rainha de todas as Feitiçarias”. Embora a obra conte com poucos, ou raros, defensores no círculo acadêmico, em oposição aos que lhe lançam duras críticas, Aradia de certo modo reacendeu as chamas desse renascimento da feitiçaria, e sua ênfase no culto à deusa tornou o livro muito popular nas assembléias feministas.

Um trabalho mais recente com enfoque similar, porém de reputação mais sólida, é o livro de Robert Graves, A Deusa Branca, publicado pela primeira vez em 1948. Em estilo lírico, Graves apresenta argumentos que revelam a existência de um culto ancestral centrado na figura de uma matriarcal deusa lu­nar. Segundo o autor, essa deusa seria a única salvação para a civilização ocidental, substituta da musa inspiradora de toda criação poética. Mas, se por um lado muitos entre os primeiros leitores encontraram nesse livro fundamentos para a prática de feitiçaria e se mais tarde ele continuou a inspirar os seguidores da Wicca, o próprio Graves expressou profundas reservas com relação à bruxaria. Sua ambivalência torna-se aparente num ensaio de 1964, no qual o autor sublinha a longevidade e a for­ça da religião Wicca, mas também faz críticas ao que ele consi­dera como uma ênfase em jogos e brincadeiras. Na verdade, o ideal para a feitiçaria, escreve Graves, seria que “surgisse um místico de grande força para revestir de seriedade essa prática, recuperando sua busca original de sabedoria”.

A referência de Graves era uma irônica alfinetada em Gerald Brosseau Gardner, um senhor inglês peculiar e caris­mático, que exerceria profunda — embora frívola, do ponto de vista de Graves — influência no ressurgimento do interesse pela feitiçaria. Gardner, que nascera em 1884 nas proximidades de Liverpool, tivera diversas carreiras e ocupações: funcionário de alfândega, plantador de seringueiras, antropólogo e, finalmente, místico declarado. Pouco afeito às convenções, era um nudista convicto, professando um perpétuo interesse pela “magia e as­suntos do gênero”, campo que para ele incluía tudo: desde os pequenos seres das lendas inglesas até as vítimas da Inquisição e os cultos secretos da antiga Grécia, Roma e Egito. Pertenceu, durante certo tempo, à famosa sociedade dos aprendizes de magos chamada Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Gerald Gardner enfureceu os círculos acadêmicos quando anunciou que as teorias de Margaret Murray eram verdadeiras. A feitiçaria, declarou, havia sido uma religião e continuava a ser. Ele dizia saber isso simplesmente porque ele próprio era um bruxo. Seu surpreendente depoimento veio à luz em 1954, com o lançamento de A Feitiçaria Moderna, o livro mais impor­tante para o renascimento da feitiçaria. Sua publicação teria sido impossível antes de 1951, ano no qual os frágeis decretos de 1753 contra a feitiçaria foram finalmente revogados pelo Parlamento britânico. Curiosamente, o Parlamento rescindiu es­ses decretos cedendo às pressões das igrejas espíritas, cujas tentativas de contato com as almas dos que já se foram tam­bém haviam sido reprimidas pela lei. A revogação contou com pouquíssimos oponentes, porque os legisladores imaginavam que certamente após mais de três séculos de perseguição e 200 anos de silêncio, a feitiçaria era assunto morto e enterrado.

Se a prática não havia desaparecido, como A Feitiçaria Moderna tentava provar, o próprio Gardner admitiu ao menos que a feitiçaria estava morrendo quando ele a encontrou pela primeira vez, em 1939. Gardner gerou muita polêmica ao afirmar que, após a catastrófica perseguição medieval, a bru­xaria tinha sobrevivido através dos séculos, secretamente, à medida que seu saber canônico e seus rituais eram transmiti­dos de uma geração para outra de feiticeiros. Segundo Gardner, sua atração pelo ocultismo havia feito com que se encontrasse com uma herdeira da antiga tradição, “a Velha Dorothy” Clutterbuck, que supostamente seria alta sacerdoti­sa de uma seita sobrevivente. Logo após esse encon­tro, Gardner foi iniciado na prática, embora mais tarde tenha afirmado, no trecho mais improvável de uma história inconsistente, que desconhecia as intenções da velha Dorothy até chegar ao meio da cerimônia iniciática, ouvir a palavra “Wicca” e perceber “que a bruxa que eu pensei que morrera queimada há centenas de anos ainda vivia”.

Considerando-se devidamente preparado para tal função, Gardner gradualmente assumiu o papel de porta-voz informal da prática. Assim, lançou uma nova luz nas atividades até então secretas da bruxaria ao descrever em seu livro, por exemplo, a suposta atuação desses adeptos para impedir a invasão de Hitler na Inglaterra. De acordo com Gardner, os feiticeiros da Grã-Bretanha reuniram-se na costa inglesa em 1941 e juntos produziram “a marca das chamas” — uma intensa concentração de energia espiritual, também conhecida como “cone do poder”, para supostamente enviar uma mensagem mental ao Führer: “Você não pode vir. Você não pode cruzar o mar”. Não se pode afirmar se o encantamento produziu ou não o efeito desejado mas, como Gardner salientou prontamente, a história realmente registra o fato de Hitler ter reconsiderado seu plano de invadir a Inglaterra na última hora, voltando-se abruptamente para a Rússia. Gardner declara que esse mesmo encantamento teria, aparentemente, causado o desmoronamento da Armada Espa­nhola em 1588, quando muitos feiticeiros conjuraram uma tempestade que tragou a maior frota marítima daquela época.

O poeta inglês Robert Graves inadvertidamente incentivou o ressurgimento da feitiçaria ao divulgar em seu livro de 1948, “A Deusa Branca”, sua visão da divindade feminina primordial. Ele acreditava que, apesar da repressão dos primeiros imperadores cristãos, esse culto havia sido preservado.

Quando não reescrevia a história, Gerald Gardner assumia a tarefa de fazer uma revisão da feitiçaria. Partindo de suas próprias extensas pesquisas sobre magia ritual, ele criou uma “sopa” literária sobre feitiçaria feita com ingredientes que incluíam fragmentos de antigos rituais supostamente preserva­dos por seus companheiros, adeptos da prática, além de ele­mentos de ritos maçônicos e citações de seu colega Aleister Crowley, renomado ocultista que se declarava a Grande Besta da magia ritual. Gardner decidiu então acrescentar uma pitada de Aradia e da Deusa Branca e, para ficar no ponto, temperou seu trabalho incorporando-lhe um pouquinho de Ovídio e de Rudyard Kipling. O resultado final, escrito numa imitação de inglês elisabetano, engrossado ainda com pretensas 162 leis de feitiçaria, foi uma espécie de catecismo da Wicca, ressusci­tado por Gardner. Assim que completou o trabalho, seu com­pilador tentou fazê-lo passar por um manual de uma bruxa do século XVI, ou um Livro das Sombras.

Apesar dessa origem duvidosa, o volume transformou-se em evangelho e liturgia da tradição gardneriana da Wicca, como veio a ser chamada essa última encarnação da feitiça­ria. Era uma “pacífica e feliz religião da natureza”, nas pala­vras de Margot Adler em Atraindo a Lua. “As bruxas reuniam-se em assembléias, conduzidas por sacerdotisas. Adoravam duas divindades, em especial, o deus das florestas e de tudo que elas encerram, e a grande deusa tríplice da fertilidade e do renascimento. Nuas, as feiticeiras formavam um círculo e pro­duziam energia com seus corpos através da dança, do canto e de técnicas de meditação. Concentravam-se basicamente na Deusa; celebravam os oito festivais pagãos da Europa, bus­cando entrar em sintonia com a natureza.”

Como indaga o próprio Gardner em seu livro, “Há algo de errado ou pernicioso nisso tudo? Se praticassem esses ritos dentro de uma igreja, omitindo o nome da deusa ou substituin­do-o pelo de uma santa, será que alguém se oporia?”

Talvez não, embora a nudez ritualística recomendada por Gardner causasse, e ainda cause, um certo espanto. Mas para Gardner as roupas simplesmente impedem a liberação da for­ça psíquica que ele acreditava existir no corpo humano. Ao se desnudarem para adorar a deusa, as feiticeiras não só se des­piam de seus trajes habituais, como também de sua vida coti­diana. Além disso, sua nudez representaria um regresso sim­bólico a uma era anterior à perda da inocência.

Gardner justifica a nudez ritualística em sua adaptação da Exortação à Deusa, de Aradia, na qual a prima strega reco­menda a suas seguidoras: “Como sinal de que sois verdadeira­mente livres, deveis estar nuas em seus ritos; cantai, celebrai, fazendo música e amor, tudo em meu louvor.” A recomendação da nudez, acrescentada à defesa feita por Gardner do sexo ritualístico — o Grande Rito, como ele o chamava —, virtual­mente pedia críticas. Rapidamente o pai da tradição gardneriana ganharia reputação de velho obsceno.

as, sendo um nudista e ocultista vitalício, Gardner  estava habituado aos olhares reprovadores da socie­dade e em seu livro A Feitiçaria Moderna, parecia  antever as críticas que posteriormente recebe­ria. Contudo, angariou pouquíssima simpatia entre seus detratores ao optar por caracterizar a nudez ritua­lística como “um grupo familiar tentando fazer uma experiência científica de acordo com o texto do livro”. Pior ainda, alguns de seus críticos pensaram ter sentido um cheiro de fraude após o exame minucioso de seus trabalhos, começando então a ques­tionar a validade do supostamente antiquíssimo Livro das Som­bras, bem como de sua crença numa tradição ininterrupta de prática da feitiçaria.

Entre seus críticos mais ferrenhos encontrava-se o historia­dor Elliot Rose, que em 1962 desacreditou a feitiçaria de Gardner, afirmando que era um sincretismo, e aconselhando ironicamente àqueles que buscassem alguma profundidade mística na prática da bruxaria que escolhessem uns dez “amigos alucinados” e formassem sua própria assembléia de bruxos. “Será um grupo tão tradicional, bem-instruído e autêntico quanto qualquer outro desses últimos milênios”, observava Rose acidamente.

Os críticos mais contumazes mantiveram fogo cerrado ate mesmo após 1964, quando Gerald Gardner foi confinado em segurança dentro de seu túmulo. Francis King, um destacado cronista britânico do ocultismo, acusou Gardner de fundar “um culto às bruxas elaborado e escrito em estilo romântico, um culto redigido de seu próprio punho”, um pouco para escapar do tédio. King chegou até a declarar que Gardner contratara seu amigo, o mágico Aleister Crowley, para que este lhe redigisse uma nova liturgia.

Aidan Kelly é outro crítico, o fundador da Nova Ordem Orto­doxa Reformada da Aurora Dourada, uma ramificação da prática da magia. Kelly declarou trivialmente que Gardner inventara a fei­tiçaria moderna e que ele, em sua tentativa desorientada de reformar a velha religião, formara outra, inteiramente nova. Segundo Kelly, a primazia da deusa, a elevação da mulher ao status de alta

sacerdotisa, o uso do círculo para concentração de energia e até mesmo o ritual para atrair a lua, no qual uma alta sacerdotisa se transforma temporariamente em deusa, eram contribuições de Gardner à prática. Além disso, em 1984, Kelly assegurou em um jornal pagão que não há base alguma para a declaração de Gardner segundo a qual sua tradição de feitiçaria teria raízes no antigo paganismo europeu. No mesmo ar­tigo, Kelly forneceu detalhes acerca das origens do polêmico Livro das Sombras, de Gardner. O trabalho não teria sido ini­ciado, desconfiava Kelly, no século XVI, como Gardner afirmava, mas sim nos primórdios da Segunda Guerra Mundial.

Gardner teria começado a registrar em um livro de anotações vários rituais que havia pilhado de outras tradições ocultistas, bem como passagens favoritas dos textos que lia. Quando encheu seu primeiro livro de anotações, segundo Kelly, Gardner considerou que tinha em mãos a receita do primeiro Livro das Som­bras. Kelly também chamou atenção para uma profunda revisão daquilo que se tornara a “tradição” de Gardner, demonstrando que não se tratava da continuidade de uma religião cujas raízes remontavam a milênios, mas sim de uma invenção recente e, como tal, um tanto inconsistente. Em seus primeiros anos, a Wicca de Gardner estivera centralizada no culto ao equivalente masculino do deus principal, registrava Kelly. Por volta da década de 50, contudo, o Deus Chifrudo fora eclipsado pela Grande Deusa. Uma mudança equivalente havia ocorrido na própria prática das assembléias, durante as quais o alto sacerdote fora subitamente relegado a segundo plano, substituído por uma alta sacerdotisa. Como Kelly demonstrou, essas mudanças só aconteceram depois que Doreen Valiente, a primeira alta sacerdotisa da linha de Gardner, começou a adotar o mito da Deusa Branca de Robert Graves como sistema oficial de crenças. Na verdade, Valiente é, na vi­são de Kelly, a verdadeira mentora da grande maioria dos ri­tuais gardnerianos.

Um sumo sacerdote veste um adereço de pele com chifres para representar o lado masculino da divindade Wicca, durante um ritual. Os adeptos da Wicca dizem que seu Deus Chifrudo, vinculado ao grego Pã e ao celta Cernuno, corporifica o princípio masculino e é simbolizado pelo sol.

Kelly no entanto contrabalançou suas virulentas críticas a Gardner ao creditar-lhe não só uma criatividade genial, mas também a responsabilidade pela vitalidade da feitiçaria contem­porânea. O mesmo fez J. Gordon Melton, um ministro meto­dista e fundador do Instituto para o Estudo da Religião Ameri­cana. Numa entrevista recente, comentou que todo o movimen­to neopagão deve seu surgimento, bem como seu ímpeto, a Gerald Gardner. “Tudo aquilo que chamamos hoje de movimen­to da feitiçaria moderna”, declarou Melton, “pode ser datado a partir de Gardner”.

Dúvidas e polêmicas sobre suas fontes à parte, a influên­cia de Gerald Gardner no moderno processo de renascimento da Wicca é indiscutível, assim como seu papel de pai espiritual dessa tradição específica de feitiçaria que hoje carrega seu nome. Embora os métodos de Gardner revelassem um certo to­que de charlatania e seus motivos talvez parecessem um tanto confusos, sua mensagem era apropriada para sua época e foi recebida com entusiasmo dos dois lados do Atlântico. Quer ele tenha ou não redescoberto e resgatado um antigo caminho de sabedoria, aparentemente seus seguidores foram capazes de captar em seu trabalho uma fonte para uma prática espiritual que lhes traz satisfação.

Além do mais, na condição de alto sacerdote de seu gru­po, Gerald Gardner foi pessoalmente responsável pela iniciação de dúzias de novos feiticeiros e pela criação de muitas novas assembléias de bruxos. Estas, por sua vez, geraram outros gru­pos, num processo que se tornou conhecido como “a colméia” e que, de fato, resultou numa espécie de sucessão apostólica cujas origens remontam ao grupo original criado por Gardner. Outras assembléias gardnerianas nasceram a partir de feiticei­ras autodidatas, que formaram seus próprios grupos após ler as obras de Gardner, adotando sua filosofia.

Contudo, nem todas as feiticeiras estão vinculadas ao gardnerianismo. Muitas professam uma herança anterior a Gardner e desempenham seus rituais de acordo com diversos modelos colhidos das tradições celta, escandinava e alemã. Além disso, alguns desses pretensos tradicionalistas declaram-se feiticeiros hereditários, nascidos em famílias de bruxos e destinados a transmitir seus segredos aos próprios filhos.

Zsuzsanna — ou Z — Budapest é uma famosa feiticeira feminista e alta sacerdotisa da Assembléia Número Um de Fei­ticeiros de Susan B. Anthony, nome atribuído em homenagem à famosa advogada americana, defensora dos direitos da mulher. Z Budapest afirma que a origem de seu conhecimento remonta a sua pátria, a Hungria, e ao ano de 1270. Mas diz ter sido educada acreditando que a prática da feitiçaria era apenas uma prática, e não uma religião, cujos fundamentos lhe foram trans­mitidos pela própria mãe, uma artista que previa o futuro e su­postamente usava seus poderes mágicos para acalmar os ven­tos. Somente muitos anos depois, quando migrou para os Esta­dos Unidos, Z teria descoberto os trabalhos de escritores como Robert Graves e Esther Harding, e passou a reconhecer-se como a praticante de Wicca que era na realidade.

utras feiticeiras que também se declaram herdeiras de uma tradição descrevem experiências semelhan­tes às de Z. Budapest. Contam que, para elas, a prá­tica era um assunto de família até lerem, acidental­mente, a literatura sobre a Wicca — geralmente li­vros escritos por Gerald Gardner, ou Margaret Murray, ou por autores contemporâneos como Starhawk, Janet e Stewart Farrar, ou Margot Adler. Só então teriam compreendido que pertenciam a um universo mais amplo. Lady Cibele, por exem­plo, uma bruxa de Wisconsin, afirma que cresceu acreditando que a prática se limitava ao círculo de seus familiares. “Foi só na universidade que descobri que havia mais pessoas envolvi­das com a prática”, confessou a Margot Adler, “e eu não sabia que éramos muitos até 1964, quando meu marido veio corren­do para casa, da biblioteca onde trabalhava, murmurando mui­to animado que Tem mais gente como nós no mundo!’.” O ma­rido de Lady Cibele havia encontrado A Feitiçaria Moderna e, quando leram o livro juntos, emocionaram-se com a sensação de familiaridade que sentiram pelas idéias e práticas descritas por Gerald Gardner.

Mesmo que todos esses depoimentos sejam verdadeiros, o nascimento no seio de uma família de feiticeiros não repre­sentaria uma garantia de que uma criança em especial se tor­naria posteriormente especialista nos segredos da prática. Em alguns casos o dom pula uma geração, na maioria das vezes porque um feiticeiro decide que nenhum de seus próprios filhos possui o temperamento adequado para iniciar-se na prática. O resultado é que a Wicca geralmente se vincula às tais “historias da vovó”, nas quais, como aponta J. Gordon Melton, “aparece alguém que diz: fui iniciado por minha avó que era bruxa, des­cendente de uma linhagem ancestral”. Pouquíssimas histórias dessa natureza sobrevivem a um exame minucioso e muitas parecem até ridículas. Os próprios praticantes da Wicca sen­tem-se um tanto constrangidos com a proliferação de histórias da vovó. “Depois de algum tempo”, comentou um sacerdote Wicca, “você percebe que, se ouviu uma história de avó, já ou­viu todas. Você percebe que o além deve estar lotado de vovozinhas assim.”

Entre as “histórias da vovó” mais interessantes está a que foi contada pelo suposto Rei das Feiticeiras, Alexander Sanders, que declarou ter sido iniciado na prática por sua avó, em mea­dos de 1933, com apenas 7 anos de idade. Mas os céticos rapi­damente salientam o fato de que a linha de feitiçaria de Sanders, conhecida como Tradição Alexandrina, guarda profun­da semelhança com a de Gardner. De fato, muitos dos rituais de Sanders são virtualmente idênticos aos de Gardner e isto le­vou alguns observadores a desprezar essa tradição, consideran­do-a como uma simples variante, e não um legado deixado por uma avó misteriosa e convenientemente falecida.

Muitos desses mesmos céticos encararam com igual des­confiança a história da famosa feiticeira inglesa Sybil Leek, que também afirmava ter se iniciado na prática ainda no colo da avó. Na opinião de Melton, Leek, como Sanders, simplesmente exage­rou alguns acontecimentos de sua infância. No entanto, os ata­ques dos incrédulos pouco fizeram para diminuir a enorme popu­laridade da feiticeira-escritora e na época de sua morte, em 1983, Sybill Leek era uma das bruxas mais famosas dos dois lados do Atlântico. Leek era uma autora prolífica, e durante sua vida produ­ziu mais de sessenta livros que espalharam pelo mundo o evange­lho da fé Wicca — e, não por acaso, sua própria fama.

Porém, ainda mais do que os livros de Leek, o que levou a Wicca da Inglaterra para os Estados Unidos foi a própria tra­dição de Gardner, que cruzou o Atlântico em 1964 como parte da bagagem espiritual de dois expatriados britânicos. Raymond e Rosemary Buckland já estavam prontos para pas­sar dois anos em Long Island, Nova York, quando, movidos pelo interesse por ocultismo, decidiram escrever a Gardner em sua casa em Isle of Man. Tal correspondência resultaria poste­riormente em um encontro e um curso rápido de feitiçaria na casa de Gardner. Nesse breve período o casal Buckland foi sa­grado respectivamente sacerdote e sacerdotisa gardnerianos. Foram uns dos últimos feiticeiros iniciados e ungidos pessoal­mente por Gardner antes de sua morte.

Assim que regressaram ao lar nova-iorquino, os Bucklands rapidamente puseram em prática tudo que haviam apren­dido. Formaram a primeira assembléia gardneriana nos Estados Unidos e esta por sua vez, com o passar do tempo, gerou mui­tos outros grupos. Esses grupos propagaram o evangelho gardneriano de uma costa a outra, tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá. Durante certo tempo, Rosemary Buckland, ou Lady Rowen, como era conhecida entre os praticantes da Wicca, foi coroada a rainha das feiticeiras pelos grupos aos quais dera origem. Enquanto isso, Ray Buckland, ou Robat, nome que havia adotado, seguindo o exemplo de Gerald Gard­ner, seu mentor, publicou o primeiro de uma série de livros que produziria sobre feitiçaria. Seus trabalhos fizeram com que a prática se tornasse acessível para muitos aspirantes a iniciados, especialmente em seu novo lar, onde o interesse pela Wicca floresceu na atmosfera tolerante do final da década de 60 e iní­cio dos anos 70.

No mesmo período em que Ray e Rosemary Buckland se dedicaram a propagar esse renascimento da feitiçaria na Ame­rica do Norte, o ocultismo começou a se transformar em algo que a antropóloga cultural Tanya M. Luhrmann descreveu como “uma contracultura sofisticada”. Em seu livro Atrativos da Feiti­çaria publicado em 1989, Luhrmann apresenta uma teoria se-qundò a qual “a contracultura da década de 60 voltou-se para o ocultismo – astrologia, tarô, medicina e alimentação alternati­va – porque eram alternativas para a cultura estabelecida; muitos descobriram as cartas do tarô ao mesmo tempo que descobriram o broto de feijão”.

Ray Buckland recorda esse período como uma época ex­citante durante a qual veio a luz um número crescente de as­sembléias de bruxos, bem como as mais diversas expressões da crença Wicca. Feiticeiras detentoras de estilos altamente personalizados eram estimuladas pela permissividade daqueles dias  sentindo-se finalmente livres para expor-se. Ao mesmo tempo, a tradição gardneriana frutificava, espalhando as se­mentes de novas assembléias e gerando dissidências em todas as direções.

Certos grupos, tais como os que professavam a tradi­ção de Alexandria e ainda um híbrido mais recente chamado de tradição de Algard, eram crias perfeitas do grupo anterior, isto é, assemelhavam-se aos progenitores gardnerianos em tudo, menos no nome. Outros eram parentes mais afastados, baseando-se nos ensinamentos de Gerald Gardner, mas acrescentando idéias novas. Entre estes figuram a Nova Wicca de Illinois, a Wicca Georgiana sediada na Califórnia e a Wicca de Maidenhill, da Filadélfia. Outras, tais como a igre­ja de Y Tylwyth Teg, a Pecti-Wita, e o Caminho do Norte, ins­piram-se no passado mágico das lendas celtas, escocesas e nórdicas.

As variações da Wicca não terminam por aqui: na verda­de, elas apresentam uma diversidade que reflete a natureza in­dividualista da prática da feitiçaria. A Wicca é tão aberta quanto eclética. “Todos nós conectamos com o Divino de maneiras di­ferentes”, afirma Selena Fox, fundadora de uma tradição pró­pria. “Muitos caminhos levam à verdade.” De fato, o próprio grupo de Fox, o Santuário do Círculo, reconhecido como uma igreja Wicca pelo governo fede­ral, estadual e local, tenta for­necer um substrato comum a todos esses caminhos. O San­tuário do Círculo define-se co­mo um serviço de troca e inter­câmbio internacional para prati­cantes de diferentes estirpes de Wicca. Muitas feministas, no entanto, envolveram-se em al­gum dos inúmeros cultos a Diana que proliferaram na dé­cada de 70. Essas assembléias assumiram seu nome a partir do culto a Diana, com base na concepção de Margaret Murray, e enfatizam em suas práticas a veneração à deusa. Há até mes­mo um curso por correspon­dência para aspirantes à Wicca que já conseguiu atrair aproximadamente 40 mil alunos.

Mas essa onda de bruxos autodidatas passou a preocupar alguns dos antigos adeptos da Wicca, inclusive Ray Buckland, que certa vez lamentou o advento dessa religião “feita em casa”. Em 1973, contrariado com algo que ele considerava como a corrupção da feitiçaria, Buckland rompeu seus vínculos com o gardnerianismo e criou um novo conjunto de práticas, retomando a tradição da Seax-Wicca, ou Wicca saxã. Ao fazer isso, produziu também sua própria versão de uma feitiçaria au­todidata e em sua obra A Árvore, seu primeiro produto na linha Seax-Wicca, incluía instruções detalhadas que permitiam a qualquer leitor “iniciar-se como feiticeiro e gerar sua própria Assembléia”.

Com o anúncio aparentemente contraditório de uma “nova tradição” espalhando-se aos quatro ventos, a Wicca in­gressava numa fase de contendas entre os novos e os antigos. Ao romper com a tradição gardneriana, Ray Buckland tentava distanciar-se das querelas. “Enquanto os outros brigam para definir qual seria a mais antiga das tradições”, anunciou orgulhosamente, “declaro pertencer à mais jovem de todas elas!”.

Isso ocorreu em 1973. Depois, surgiu uma grande profu­são de assembléias e correntes da Wicca nas quais a honra de ser a novidade do dia às vezes confere uma importância passa­geira. Além disso, essa abundância de ritos e nomes transfor­mou a própria Wicca numa fé um tanto difícil de ser definida. Até agora foram inúteis as tentativas de formular um credo aceitável por todos que se proclamam seguidores da Wicca, apesar da necessidade profunda de seus seguidores no sentido de tornar público um conjunto de crenças que os distinga ofi­cialmente dos satanistas. Em 1974, o Conselho dos Feiticeiros Americanos, um grupo de representantes de diversas seitas Wicca, formulou um documento que se intitulava corajosamen­te “Princípios da Crença Wicca”. Porém, assim que se ratificou o documento, o conselho que o produzira se desfez devido a desavenças entre seus membros, pondo fim a esse breve con­senso. No ano seguinte, uma nova associação, que hoje englo­ba cerca de setenta grupos de seguidores da Wicca, ratificou o Pacto da Deusa, um decreto mais duradouro propositalmente redigido nos moldes do documento da igreja Congregacional. Embora o pacto incluísse um código de ética e garantisse a au­tonomia das assembléias signatárias, está longe de definir o que seria a Wicca. “Não poderíamos definir com palavras o que é Wicca”, admite o pacto, “porque existem muitas diferenças.”

Muitos bruxos alegam que essas diferenças apenas fazem aumentar os atrativos da Wicca. De fato, mesmo no seio de uma tradição específica, distintos grupos podem ater-se a cren­ças contrastantes e praticar rituais dessemelhantes. Essa situa­ção é satisfatória para a maioria dos feiticeiros, que não vêem por que a Wicca deveria ser menos diversificada do que as inú­meras denominações cristãs.

Porém, até mesmo na ausência de um credo oficial, um grande número de feiticeiros acata um pretenso conselho, ou lei da Wicca: “Não prejudicarás a terceiros.” Não se sabe ao certo, mas aparentemente essa adaptação livre da regra de ouro do cristianismo tem vigorado pelo menos desde a época de Gerald Gardner. Nas palavras do Manual dos Capelães do Exército dos Estados Unidos, a lei da Wicca geralmente é interpretada como se dissesse que o praticante pode fazer o que bem desejar com suas capacidades psíquicas desenvolvidas na prática da feitiçaria, contanto que ja­mais prejudique alguém com seus poderes. Como mais uma medida de precaução contra o mau uso desses po­deres mágicos, a maioria das assembléias também apela para uma lei chamada “lei do triplo”, que consiste em uma outra máxima antiga. O provérbio adverte os bruxos, prevenindo: “Todo bem que fizerdes, a vós retornará três vezes maior; todo mal que fizerdes, também a vós re­gressará três vezes maior.”

Dada a dificuldade em clas­sificar a feitiçaria, ou estabe­lecer uma lista concisa com as crenças comuns a todos os adeptos da Wicca, uma descrição completa das ca­racterísticas de um bruxo moderno necessariamente é apenas aproximativa. Toda­via, pode-se afirmar com segurança que a maioria dos feiticeiros acredita na reencarnação, reverencia a natu­reza, venera uma divindade  onipresente e multifacetada e incorpora a magia  ritualística em seu culto a  essa divindade. Além disso, poucos feiticeiros questiona­riam os preceitos básicos re­sumidos por Margot Adler em Atraindo a Lua. “A pala­vra é sagrada”, ela escreveu. “A natureza é sagrada. O corpo é sagrado. A sexuali­dade é sagrada. A mente é sagrada. A imaginação é sa­grada. Você é sagrado. Um caminho espiritual que nãoestiver estagnado termina conduzindo à compreensão da pró­pria natureza divina. Você é Deusa. Você é Deus. A divindade está (…) tanto dentro como fora de você.”

Três pressuspostos filosóficos fundamentam essas cren­ças e estes, mais do que qualquer outra característica, vincu­lam a feitiçaria moderna e o neopaganismo às práticas corres­pondentes do mundo antigo. O primeiro pressuposto é o animismo, ou a idéia de que objetos supostamente inanimados, tais como rochas ou árvores, estão imbuídos de uma espiri­tualidade própria. Um segundo traço comum é o panteísmo, se­gundo o qual a divindade é parte essencial da natureza. E a ter­ceira característica é o politeísmo, ou a convicção de que a di­vindade é ao mesmo tempo múltipla e diversificada.

Juntas, essas crenças compreendem uma concepção ge­ral do divino que permeou o mundo pré-cristão. Nas palavras do historiador Arnold Toynbee, “a divindade era inerente a to­dos os fenômenos naturais, inclusive àqueles que o homem do­mara e domesticara. A divindade estava presente nas fontes, nos rios e nos mares; nas árvores, tanto no carvalho de uma mata silvestre como na oliveira cultivada em uma plantação; no milho e nos vinhedos; nas montanhas; nos terremotos, no tro­vão e nos raios.” A presença de Deus ou da divindade era senti­da em todos os lugares, em todas as coisas; ela seria “plural, não singular; um panteon, e não um único ser sobre-humano e todo-poderoso”.

A escritora e bruxa Starhawk reproduz em grande parte o mesmo tema ao observar que a bruxaria “não se baseia em um dogma ou conjunto de crenças, nem em escrituras, ou em al­gum livro sagrado revelado por um grande homem. A feitiçaria retira seus ensinamentos da própria natureza e inspira-se nos movimentos do sol, da lua e das estrelas, no vôo dos pássaros, no lento crescimento das árvores e no ciclo das estações”.

Mas Starhawk também reconhece que o aspecto politeísta da Wicca — o culto à “Deusa Tríplice do nascimento, do amor e da morte e a seu consorte, o Caçador, que é o senhor da Dança da Vida”— constitui a grande diferença entre a feitiçaria moder­na e as principais religiões ocidentais. Mesmo assim, muitos adeptos da Wicca discordam quanto ao fato de seu deus ou deusa serem meros símbolos, entidades verdadeiras ou poderosas imagens primárias — aquilo que Carl Jung alcunhou de ar­quétipo —, profundamente arraigadas no subconsciente huma­no. Os feiticeiros também divergem quanto aos nomes de suas divindades. Como se expressa no cântico da alta sacerdotisa Morgan McFarland na igreja da rua Arlington, são inúmeros os nomes para o deus e a deusa. Abrangem desde Cernuno, Pã e Herne no lado masculino da divindade, a Cerridwen, Arianrhod e Diana, no aspecto feminino. Na verdade, há tantos nomes di­ferentes provenientes de tantas culturas e tradições que McFarland não se afastava da verdade quando dizia a sua pla­téia que a deusa “será chamada por milhares de nomes”.

Seja qual for seu nome, a deusa, na maioria das seitas da Wicca, tem precedência sobre o deus. Seu alto status reflete-se em títulos tais como a Grande Deusa e a Grande Mãe. De fato, para Starhawk e para muitas outras feiticeiras, o culto a uma suprema divindade feminina constituiu, desde tempos re­motos, a própria essência da feitiçaria, uma força que “per­meia as origens de todas as civilizações”.

Starhawk comenta que “A Deusa-Mãe foi gravada nas pa­redes das cavernas paleolíticas e esculpida em pedra desde 25 mil anos antes de Cristo.” Ela argumenta ain­da que as mulheres com freqüência tinham papel de chefia em culturas centradas na deusa, há milhares de anos. “Para a Mãe”, escreve, “foram erguidos grandes círculos de pedra nas Ilhas Britânicas. Para Ela foi escavada a grande passagem dos túmulos na Irlanda. Em Sua honra as dançarinas sagradas saltaram sobre os touros em Creta. A Avó Terra sus­tentou o solo das pradarias norte-americanas e a Grande Mãe do Oceano lavou as costas da África.”

Na visão de Starhawk, a deusa não é um Deus Pai distan­te e dominador, principal arquiteto da terra e remoto gover­nante no além. Ao contrário, a deusa é uma amiga sábia e pro­fundamente valiosa, que está no mundo e a ele pertence. Starhawk gosta de pensar na deusa como o sopro do universo e, ao mesmo tempo, um ser extremamente real. “As pessoas me perguntam se eu creio na deusa”, escreve Starhawk. “Res­pondo: ‘Você acredita nas rochas?’.”

Certamente, a força e a permanência são as analogias mais óbvias da imagem da deu­sa enquanto rocha. Contudo, é essa deusa de aspectos eterna­mente mutantes e multifaceta-dos, a misteriosa divindade fe­minina que aos poucos se revela.

Dicionário do Feiticeiro

Antigos, ou Poderosos: aspectos das divindades, invocados como guardiães durante os rituais.

Assembléia, ou “Coven”: reunião de iniciados na Wicca.

Balefire: fogueira ritualística.

Charme: objeto energizado; amuleto usado para afastar certas energias ou talismã para atraí-las.

Círculo mágico: limites de uma esfera de poder pessoal den­tro da qual os iniciados realizam rituais.

Deasil: movimentos no sentido horário, que é o do sol, reali­zados durante o ritual, para que passem energias positivas.

Divinação: a arte de decifrar o desconhecido através do uso de cartas de tarô, cristais ou similares.

Elementos: constituintes do universo: terra, ar, fogo e água; para algumas tradições, o espírito é o quinto elemento.

Encantamento: ritual que invoca magia benéfica.

Energizar: transmitir energia pessoal para um objeto.

Esbat: celebração da lua cheia, doze ou treze vezes por ano.

Familiares: animais pelos quais um feiticeiro sente profundo apego; uma espécie de parentesco.

Força da Terra: energia das coisas naturais; manifestações visíveis da força divina.

Força divina: energia espiritual, o poder do deus e da deusa.

Instrumentos: objetos de rituais .

Invocação: prece feita durante uma reunião de feiticeiros pedindo para que os altos poderes se manifestem.

Livro das Sombras: livro no qual o feiticeiro registra encantamentos, rituais e histórias mágicas; grimoire.

Magia: a arte de modificar a percepção ou a realidade por outros meios que não os físicos.

Neopagão: praticante de religião atual, como a Wicca.

Pagão: palavra latina que designa “morador do campo”, membro de uma religião pré-cristã, mágica e politeísta.

Poder pessoal: o poder que mora dentro de cada um, que nasce da mesma fonte que o poder divino.

Prática, A: feitiçaria; a Antiga Religião; ver Wicca.

Sabá: um dos oito festivais sazonais.

Tradição Wicca: denominação ou caminho da prática Wicca.

Wicca: religião natural neopagã.

Widdershins: movimento contrário ao do sol, ou anti-horá­rio. Pode ser negativo, ou adotado para dispersar energias negativas ou desfazer o círculo mágico após um ritual.

Implementos Ritualísticos

Tradicionalmente, os bruxos preferem encontrar ou fabricar seus próprios instru­mentos, que sempre consagram antes de utilizar em trabalhos mágicos. A maioria dos iniciados reserva seus instrumentos estritamente para uso ritual; alguns dizem que os instrumentos não são essenciais, mas ajudam a aumentar a concentração.

Embora pouco usados para manipular coi sas físicas, estes implementos primários mostrados nestas páginas são chamados de instrumentos de feitiçaria. Jamais são utilizados para ferir seres vivos, declaram os iniciados, e muito menos para matar. Os bruxos dizem que eles estão presentes em rituais inofensivos e até benéficos, ce­rimônias desempenhadas para efetuar mu danças psíquicas ou espirituais.

Recipientes como a taça e o caldeirão simbolizam a deusa e servem para captar e transformar a energia. Os instrumentos longos e fálicos — o athame, a espada, o cajado e a varinha — naturalmente repre­sentam o deus; são brandidos para dirigir e cortar energias. Para cortar alimentos durante os rituais, os feiticeiros utilizam uma faca simples e afiada com um cabo branco que a diferencia do athame.

O athame, uma faca escura com dois fios e cabo negro, transfere o poder pessoal, ou energia psíquica, do corpo do feiticeiro para o mundo.

A espada, como o athame, desempenha o corte simbólico ou psíquico, especialmente quando é usada para desenhar um círculo mágico, isolando o espaço dentro dele.

A taça é o símbolo da deusa, do princípio feminino e de sua energia. Ela contém água (outro símbolo da deusa) ou vinho, para uso ritual.

O cajado pode substituir a espada ou varinha para marcar grandes círculos mágicos.

Uma tiara com a lua crescente, símbolo da deusa, é usada pela suma sacerdotisa para retratar ou corporificar a divindade no ritual.

Um par de chifres pode ser usado na cabeça do sumo sacerdote em rituais ao Deus Chifrudo.

Com a varinha mágica, feita de madeira sagrada, invoca-se as divindades e outros espíritos.

Símbolo do lar, da deusa e do deus, a vassoura é um dos instrumentos favoritos dos iniciados, usada para a limpeza psíquica do espaço do ritual antes, durante e após os trabalhos mágicos.

O caldeirão é pote no qual, supostamente, ocorre a transformação mágica, geralmente com  a ajuda do fogo. Cheio de água, é usado para prever o futuro.

O tambor tocado em alguns encontros contribui para concentrar energia.

A Roda do Ano Wicca

Os seguidores da Wicca falam do ano como se ele fosse uma roda; seu calendário é um círculo, significando que o ciclo das estações gira infinitamente. Espaçadas harmonicamente pela roda do ano Wicca estão as oito datas de festas, ou sabás. Es­tas diferem dos “esbás”, as doze ou treze ocasiões durante o ano em que se realizam assembléias para celebrar a lua cheia. Os quatro sabás menores, na verdade, são feriados solares, marcos da jornada anual do sol pelos céus. Os quatro sabás maiores celebram o ciclo agrícola da terra: a semeadura, o crescimento, a colheita e o repouso.

O ciclo do sabá é uma recontagem e celebração da ancestral história da Grande Deusa e de seu filho e companheiro, o Deus Chifrudo. Há entre as seitas Wicca uma grande diversidade em tomo desse mito. Segue-se uma dessas versões, que in­corpora várias crenças sobre a morte, o renascimento e o fiel retorno dos ciclos, acompanhando o ciclo do ano no hemisfério norte.

Yule, um sabá menor, é a festa do solstício de inverno (por volta de 22 de dezembro), marcando não apenas a noite mais longa do ano, mas também o início do retorno do sol. Nessa época, narra a história, a deusa dá à luz a deus, representado pelo sol; depois, ela descansa durantes os meses frios que pertencem ao deus-menino. Em Yule, os iniciados acen­dem fogueiras ou velas para dar boas-vindas ao sol e confeccionam enfeites com azevinho e visco — vermelho para o sol, verde pela vida eterna, branco pela pureza.

Imbolc (1º de fevereiro), um sabá importante também chamado de festa das velas, celebra os primeiros sinais da primavera, o brotar invisível das sementes sob o solo. Os dias mais longos mostram o poder do deus-menino. Os iniciados encerram o confinamento do inverno com ritos de puri­ficação e acendem todo tipo de fogo, desde velas brancas até enormes fogueiras. Durante o sabá menor do equinócio da primavera (por volta de 21 de março), a exuberante deusa está desperta, abençoando a terra com sua fertilidade. Os iniciados da Wicca pintam cascas de ovos, plantam sementes e planejam novos empreendimentos.

Em Beltane, 1º de maio, outro grande sabá, o deus atinge a maturidade, enquanto o poder da deusa faz crescerem os frutos. Excitados pelas energias da natureza, eles se amam e ela concebe. Os adeptos desfrutam um festival de flores, o que geralmente inclui a dança em volta do mastro, um símbolo de fertilidade.

O solstício de verão (por volta de 21 de junho) é o dia mais longo e requer fogueiras em homenagem à deusa e ao deus. Tam­bém é uma ocasião para pactos e casamentos, nos quais os recém-casados pulam uma vassoura. O sabá mais importante da estação é Lugnasadh (pronuncia-se “lun-sar”), em 1º de agosto, que marca a primeira colheita e a promessa de amadurecimento dos frutos e ce­reais. Os primeiros cereais são usados para fazer pãezinhos em forma de sol. À medida que os dias encurtam o deus se enfraquece e a deusa sente o filho de ambos crescer no útero. No equinócio do outono (por volta de 22 de setembro), o deus prepara-se para morrer e a deusa está no auge de sua fartura. Os iniciados agradecem pela colheita, simbolizada pela cornucópia.

Na roda do ano, opondo-se às profusas flores de Beltane, surge o grande sabá de Samhain (pronuncia-se “sou-en”), em 31 de outubro, quando tudo que já floresceu está perecendo ou adormecendo. O sol se debilita e o deus está à morte. Oportuna­mente, chega o Ano Novo da Wicca, corporificando a fé de que toda mor­te traz o renascimento através da deusa. Na verdade, a próxima festa, Yule, novamente celebra o nascimento do deus.

A coincidência desses festivais com os feriados cristãos, bem como as semelhanças entre os símbolos da Wicca e os do cristianismo, segundo muitos antropólogos, não seria apenas acidental, mas sim uma prova da pré-existência das crenças pagãs. Para as autoridades cristãs que reprimiam as religiões mais antigas durante a Idade das Trevas, converter os feriados já estabelecidos, atri­buindo-lhes um novo significado cristão, facilitava a aceitação de uma nova fé.


Cerimonias e Celebrações

A cena está se tornando cada vez mais comum: um grupo se reúne, geralmente em noites de luar, em meio a uma floresta ou em uma colina isolada. Às vezes trajando túnicas e máscaras, outras inteiramente nus, os participantes iniciam uma cerimônia com cantos e danças, um ritual que certamente pareceria esquisito e misterioso para um observador casual, embora seja um comportamento indiscutivelmente religioso.

Assim os bruxos praticam sua fé. Como os adeptos de religiões mais convencionais, os iniciados em feitiçaria, ou Wicca, usam rituais para vincular-se espiritualmente entre si e a suas divindades. Os ritos da Wicca diferem de uma seita para outra. Vários rituais da Comunidade do Espírito da Terra, uma vasta rede de feiticeiros e pagãos da região de Boston, nos Estados unidos, estão representados nas próximas páginas.

Algumas cerimônias são periódicas, marcando as fases da lua ou a mudança de estações. Outras, tais como a Iniciação, casamentos ou pactos, só ocorrem quando há necessidade. E há também aquelas cerimônias que, como a consagra­ção do vinho com um athame, a faca ritualística (acima), fazem parte de todos os encontros. Seja qual for seu propósito, a maioria dos rituais Wicca — especial­mente quando celebrados nos locais eleitos eternamente pelos bruxos — evoca um estado de espírito onírico que atravessa os tempos, remontando a uma era mais romântica.


Iniciação: “Confiança total”

Para um novo feiticeiro, a iniciação é a mais significativa de todas as cerimônias. Alguns bruxos solitários fazem a própria iniciação, mas é mais comum o ritual em grupo, que confere a integração em uma assembléia, bem como o ingresso na fé Wicca. Trata-se de um rito de morte e renascimento simbólicos. A iniciação mostrada aqui é a praticada pela Fraternidade de Athanor, um dos diversos grupos da Comunidade do Espírito da Terra. Lide­rando o ritual — e a maioria das cerimônias apresentadas nestas páginas — está o sumo sacerdote de Athanor, Andras Corban Arthen, trajando uma pele de lobo, que ele crê confe­rir-lhe os poderes desse animal. A iniciação em uma de suas assembléias ocorre ao cabo de dois ou três anos de estudo, durante os quais o aprendiz passa a conhecer a história da Wicca, produz seus próprios implementos ritualísticos, pratica a leitura do tarô e outros supostos métodos divinatórios e se torna versado naquilo que eles chamam de técnicas de cura psíquica.

Como a maioria dos ritos da Wicca, a iniciação começa com a delimitação de um círculo mágico para definir o espaço sagrado da cerimônia. Aqui, há um largo círculo, cheio de inscrições, depositado na grama, mas o bruxo pode traçá-lo na terra com o athame, ou apenas riscá-lo no ar com o indicador.

A candidata é banhada ritualisticamente, e então conduzida para o círculo mágico, nua, de olhos vendados e com as mãos amarradas nas costas. Tais condições devem fazê-la sentir-se vulnerável,’ testando sua confiança em seus companheiros. Cima interpeladora dá um passo em sua direção, pressiona o athame contra seu peito e lhe pergunta o nome e sua intenção. Em meio a um renascimento simbólico, ela responde com seu novo nome de feiticeira, afirmando que abraça sua nova vida espiritual e vem “em perfeito amor e em total confiança”.

Ao término da cerimônia, o sacerdote segura seus pulsos e a faz girar nas quatro direções (à direita), apresentando-a para os quatro pontos cardeais. Então ela é acolhida pelo grupo e todos celebram sua vinda bebendo e comendo. Como diz Arthen, “os pagãos gostam muito de festejos”.


Para Captar a Energia da Lua

Os praticantes da Wicca identificam a lua, eternamente mutante — crescente, cheia e minguante —, com sua grande deusa em suas diversas facetas: donzela, mãe e velha. É por isso que a cerimônia destinada a canalizar para a terra os poderes mágicos da lua está na essência do culto à deusa, sendo um rito chave na liturgia da Wicca.

Quando se encontram para um dos doze ou treze esbás do ano, que são as celebrações da lua cheia, os membros da Frater­nidade de Athanor reúnem-se em um círculo mágico para direcionar suas energias psíquicas através de seu sumo sacerdote — que aqui aparece ajoelhado np centro do círculo — e para sua suma sacerdotisa, que está de pé com os braços erguidos em direção aos céus. Acreditam que a concentração de energia ajudará a sacerdotisa a “atrair a lua para dentro de si” e transformar-se em uma; corporificação da deusa.

“Geralmente, a época da lua cheia é sempre; repleta de muita tensão psíquica”, explica Arthen, o sumo sacerdote. Esse ritual tenta utilizar essa tensão. “Ele ajuda a sacerdote a entrar em um transe profundo, no qual terá visões ou dirá palavras que geralmente são relevantes para as pessoas da assembléia”.

As taças nas mãos da sacerdotisa contêm água, o elemento que simboliza a lua e é governado por ela. Os membros dizem que essa água se torna “psiquicamente energizada” com o poder que a trespassa. Cada feiticeiro deve beber um pouco dela ao término do ritual, na cerimônia que o sumo sacerdote Arthen chama de sacramento.

Muitos grupos realizam essa cerimônia de atrair a lua em outras fases, além da lua cheia. Tentam conectar o poder da lua crescente para promover o crescimento pessoal e começo de novas empreitadas e conectam com a minguante, ou lua negra, para selar os finais de coisas que devem ter um fim.

A maioria dos grupos considera a cerimônia como uma maneira de honrar a Grande Deusa, mas muitos abdicam dos rituais, resumindo-se simplesmente a deter-se por um mo­mento quando a lua está cheia, para meditar sobre a divindade Wicca.


Para Elevar o Cone do Poder

“A magia”, diz o sumo sacerdote Arthen, “está se unindo às forças psíquicas para pro­mover mudanças.” Parte do treinamento de um feiticeiro, ele observa, é aprender a usar a energia psíquica e uma técnica primária com esse objetivo, um ritual praticado em quase todos os encontros e o de elevação do cone do poder. Como a maioria das atividades, isso acontece no centro de um círculo mágico. “Especialmente no caso deste ritual”, diz Arthen, “o círculo mágico é visualizado não apenas como um círculo, mas como um domo, uma bolha de energia psíquica — uma maneira de conter o poder antes de começar a usá-lo.”

Ao tentar gerar energia para formar o cone do poder, os bruxos recorrem à dança, à meditação e aos cânticos. Para “moldar” o poder que afirmam produzir, reúnem-se em torno do círculo mágico, estiram os braços em direção à terra e gradualmente os levantam, como se vê aqui, em direção a um ponto focal acima do centro do círculo. Quando o líder da assembléia sente que a energia atingiu seu ápice, ordena aos membros: “Enviem-na agora!” Então, todos visualizam aquela energia assumindo a forma de um cone que deixa o círculo e viaja até um destino previamente determinado.

O alvo do cone pode ser alguém doente ou outro membro do grupo que necessite de assistência em seu trabalho mágico. Mas seu destino também pode estar menos delimitado. Como a prática da feitiçaria está profunda­mente vinculada à natureza, o cone do poder pode ser enviado, diz Arthen, “para ajudar a superar as crises ambientais que atravessamos.


Festas do Ano Wicca

Nem todos os rituais da Wicca são solenes e taciturnos. “Misturamos a alegria e a reverência”, diz Arthen. Os oito sabás que se destacam no ano dos bruxos — homenageando a primeira jornada do sol e o ciclo agrícola rítmico da terra — são ocasiões para muitas festas animadas. O mais festivo de to­dos os sabás é Beltane, alegre acolhida à primavera que acontece no dia 19 de maio. Em Beltane, os pagãos do Espírito da Terra reú­nem-se para divertir-se com a brincadeira do mastro, como se vê aqui.

A dança do mastro, antigo rito da fertilidade, começa como um jogo ritualístico carregado do forte simbolismo sexual que caracteriza a maioria das cerimônias da Wicca. As mulheres do grupo cavam um buraco dentro do qual um mastro, obviamente fálico, deverá ser planta­do. Mas quando os homens se aproximam, carregando o mastro, são confrontados por um círculo formado por mulheres, que cercam o poste como se o estivessem defendendo.

Num ato de sedução simbólico, as mulheres brincam de abrir e fechar o círculo em lugares diferentes, enquanto os homens correm carregando o mastro e tentando penetrar naquele círculo.

“Finalmente”, conta o sumo sacerdote Arthen, “os homens têm a permissão de entrar com o mastro e plantá-lo na terra.” Em seguida, as feiticeiras começam a dança da fita, ao redor do mastro, cruzando e atravessando os carrinhos umas das outras até que as fitas brilhantes estejam todas entrelaçadas no mastro. “O ritual une as energias dos homens e das mulheres”, explica Arthen, “para que haja  muita fertilidade.”

Acreditando que cada sabá conduz a um ápice de energias psíquicas e terrenas, os feiticeiros praticam os rituais do sabá mesmo que estejam sós. Contudo, nos últimos anos, os adeptos da Wicca têm se reunido em número cada vez maior para celebrar os sabás; o comparecimento aos festivais do Espírito da Terra aumentou cerca de sete vezes, no período de quase uma década.


A Celebração das Passagens da Vida

Como outros grupos religiosos, as comunida­des Wicca celebram os momentos mais significativos na vida individual e familiar, inclusive nascimento, morte, casamento — que chamam de “unir as mãos” — e a escolha do nome das crianças. O Espírito da Terra é reconhecido como igreja pelo estado de Massachusetts, diz Arthen, e portanto seu ritual de “unir as mãos” pode configurar um matrimônio legal.

Muitas vezes o ritual não é usado para estabelecer um casamento legal, mas sim um vínculo reconhecido apenas pelos praticantes da Wicca. Se um casal que se uniu dessa forma decidir se separar, seu vínculo será desfeito através de outra cerimônia Wicca, conhecida como “desunião das mãos”.

Fundamental para essa cerimônia é a bênção dada à união do casal e o ritual de atar suas mãos — o passo que corresponde ao nome do ritual e que há muito tempo produziu a famosa metáfora que se tornou sinônimo de casamento, “amarrar-se”. A fita colorida que une o par é feita por eles, com três fios de fibra ou couro representando a noiva, o noivo e seu relacionamento. Durante as semanas ou até meses que antecedem o casamento, o casal deve sentar-se regularmente — talvez a cada lua nova — para trançar um pedaço dessa corda é conversar sobre o enlace de suas vidas através de amor, trabalho, amizade, sexo e filhos.

Os filhos de feiticeiros são apresentados ao grupo durante um ritual de escolha de nome chamado “a bênção da criança”, ou batismo. Essa cerimônia inclui com freqüência o plantio de uma árvore, que pode ser fertilizada com a  placenta ou com o cordão umbilical. Em uma cerimônia semelhante conhecida como batismo mágico, que geralmente ocorre antes da iniciação, o aprendiz de feiticeiro declara os nomes pelos quais deseja ser conhecido dentro de seu grupo de magia.

PAX DEORUM

Por Witch Crow

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-moderna-feiticaria/

Para ser feliz (parte 3)

« continuando da parte 2 | ler do início

Quando um rio é muito jovem, de modo que ainda corre por rochas sólidas, pouco desgastadas por sua passagem, em seu rumo ao mar há muitos trechos que, antes córregos pacatos, logo viram excitantes corredeiras, de água turbulenta, ideais para serem descidas por aventureiros em seus botes!

Imagine que você é um deles, em seu bote magnífico, quicando pela superfície enquanto mal há tempo de desviar dos pedregulhos maiores com seu remo. Enquanto tudo vai bem, o caminho é deveras divertido e cheio de adrenalina, e decerto não há muito tempo para se pensar e refletir sobre outra coisa que não aquela corredeira serpenteando morro abaixo. Mas, e se o seu bote é finalmente vencido pelas pedras pontiagudas no leito do rio? E se ele simplesmente fura, e você é obrigado a encostar na margem?

Há muitos que, nos dias atuais, correm para fazer pequenos remendos nos furos que, exatamente por terem sido feitos as pressas, logo logo estouram de novo, de modo que a tão sonhada descida até o mar, que era para ser uma grande brincadeira, logo se torna algo cruel e dolorido, e as pedras pontiagudas do rio passam a furar não somente o bote, como o próprio navegante desavisado.

Para prosseguir nessa corredeira que serpenteia pela vida, é preciso conhecer a arte de se remendar botes. Ou, como bem explicou meu amigo Caciano Camilo Compostela, um monge rosacruz:

Cuidado, a tristeza é uma esfinge estranha… Se você lhe decifra os enigmas ela te abençoa, caso não, lhe arranca a cabeça! Não tema, seu objetivo é lhe apontar o vazio, conduzir a reflexão e ao aprofundamento. Se no lugar do questionamento, meditação e reencontro, optar por tapar o buraco em romances imaginários, compras desnecessárias, diversões frívolas ou vícios alucinantes em vã tentativa de fugir de si mesmo, cuidado, pois ela lhe penetra mais fundo, se alastra, domina e consome.

Desnecessário dizer que a arte de se remendar botes também tem muito do estoicismo do qual vínhamos falando: ora, aqueles que não consertam seus botes são ainda mais afetados pelas corredeiras, de modo que, além de não conseguirem se guiar da melhor forma pelas águas turbulentas, geralmente são dilacerados por muitas das pedras pontiagudas no caminho.

Já aqueles que passam, quem sabe, a noitinha remendando seus botes, têm a divina oportunidade de contemplar as estrelas, e ver a neblina passar, e ouvir os primeiros pássaros a cantarolar para a manhã, e assim, observando ao mundo a sua volta, e percebendo a si mesmos como parte dele, acabam por reconhecer esta verdade: que o mundo inteiro, assim como os botes e seus navegantes, corre morro abaixo, rumo ao mar.

E assim, aquele que compreende e aceita tamanho fluxo incomensurável de vidas e seres, aceita também que há diversas formas de descer o rio, e diversos formatos de botes e remos, e inúmeras técnicas de remendo, e é impossível saber ao certo qual caminho é o mais rápido, em qual nos machucaremos menos, em qual seremos mais felizes…

Dizem os ocultistas que é nosso dever encontrar nossa verdadeira vontade, e alcançar a grande realização da vida. Mas para ser feliz não faz sentido pensar nesta vontade como algo extremamente oculto, precioso e único, que uma vez desvelado, nos conduzirá a alguma espécie de “iluminação instantânea”.

Não, meus irmãos, para ser feliz é preciso reconhecer que a verdadeira vontade é mais como esta corredeira que temos descido há tanto custo. Pode ser que as águas tenham sido turbulentas no início da queda, mas é certo que em algum momento mesmo este rio raivoso irá encontrar as grandes vias que rumam para o oceano há milênios, onde os pedregulhos já se verteram em areia, e onde o curso segue mais como uma procissão sagrada do que uma aventura esportiva.

Assim, é bem provável que nós todos já estejamos a navegar por tal vontade, embora muitos a contra gosto, seja porque não se dedicaram a arte de se remendar botes, seja porque um dia acreditaram piamente que o rio poderia ser parado, represado com dogmas e ideias fossilizadas, para que então pudessem subir no alto de alguma pedra e bradar:

É aqui, chegamos ao Paraíso, podem abandonar seus botes!

Mas a ânsia da vida por si mesma é como a corredeira que vence qualquer represa. Quando pensamos que enfim havíamos descoberto um paraíso, quando optamos por encostar nas margens e simplesmente descansar, logo ficou claro que aquele charco não era o mar, não era o oceano, mas tão somente um pântano de vontades que se dissociaram da verdade.

É por isso que os grandes profetas não são como viajantes cansados que já desistiram de brincar em seus botes, mas antes como aqueles que caminham sobre as águas, rompem todas as represas, fendem os maiores pedregulhos, e sorridentes, ainda nos dizem:

Dia virá em que farão tudo o que tenho feito, e ainda muito mais, pois sois navegantes divinos!

No fim, só há uma vontade, e todas as demais se tornam verdadeiras na medida em que a espelham, a refratam e refletem adiante: há esta corredeira morro abaixo, e há o mar para onde tudo corre – um está a buscar o outro, e não há nada que possa realmente ficar por muito tempo em seu caminho.

» Em seguida encerramos com quatro poetas convidados…

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Crédito da imagem: ki-rafting.com

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#Felicidade #Ocultismo #VerdadeiraVontade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/para-ser-feliz-parte-3

O Som do Silêncio

Por Gilberto Antônio Silva

Hoje estava estudando um livro sobre aperfeiçoamento pessoal. Ao longo da leitura me dei conta do ruído do relógio de parede: tique-taque-tique-taque. Quando você consegue escutar o barulhinho desse tipo de relógio você percebe que existe um grande silêncio ao seu redor. De fato, é frequente que não se ligue rádio nem tv em minha casa. Simplesmente desfrutamos de algum livro ou trabalhamos no computador, sem ruídos externos. Talvez você estranhe esse procedimento, pois nossa cultura atual procura encher nossas vidas de barulho. Em geral a primeira coisa que se faz ao chegar em casa é ligar o rádio, colocar um CD ou ligar a TV (mesmo que ninguém vá assistir diretamente a ela).

Nesse tipo de cultura barulhenta, ficar quieto parece coisa do outro mundo. Vários alunos já manifestaram sua surpresa quando mencionei isso em aula. Ficar sentado, lendo, sem nenhum aparelho ligado tocando música ou outra coisa, se tornou algo raro. Acredito que meu prazer pelo silêncio se deva em grande parte à minha dedicação à cultura oriental e ao Taoismo. Os orientais procuram no silêncio as respostas que não aparecem no barulho. Quando silenciamos os ouvidos, a mente começa a prestar atenção nos pensamentos. A introspecção é parte fundamental das práticas orientais, pois é mais fácil procurar a Verdade dentro de nós do que no mundo exterior. Se muitas pessoas se voltassem para dentro de si mesmas ao invés de procurar respostas fora, teriam vidas mais tranquilas e fáceis.

Quando eu digo “silêncio” não quero dizer uma ausência absoluta de sons. Sabemos que isso é quase impossível, especialmente em nossos dias. Os ruídos externos são naturais e tendem a desaparecerem quando deixamos de prestar atenção neles. Os barulhos que nós provocamos é que causam grande transtorno. Silêncio total é muito raro. Me lembro de algumas vezes, quando era pequeno e passava férias na fazenda de parentes, de ficar parado no campo já arado e pronto para o plantio, e meus ouvidos zumbiam de tanto silêncio. É interessante, mas quando existe um silêncio tremendo escutamos nosso próprio corpo. Foi uma experiência que me marcou muito essa ausência quase total de som. Uma plantação já crescida tem muitos barulhos, de folhas ao vento, por exemplo. Mas na terra nua, arada e ainda vazia, nada perturba o silêncio.

O silêncio é importante na compreensão do Tao, pois nos remete ao Wuji, o Vazio Primordial. Sempre que se começa e termina uma forma de Tai Chi Chuan ou de Qigong, se permanece alguns instantes em pé (semelhante à posição militar de “sentido” para os ocidentais), mas relaxado, com os braços soltos ao longo do corpo e os olhos mirando à frente. Isso se deve ao fato de que começamos e terminamos as formas a partir do Vazio, começo e fim de cada ciclo. Um de meus mestres dizia que se deve “ouvir atrás” quando se coloca nessa posição, querendo dizer para se prestar atenção no mundo ao nosso redor, uma atenção passiva, vazia, como se isso tudo nada tivesse a ver conosco.

Quando ficamos em silêncio podemos contemplar nossa mente e compreender melhor nossos pensamentos, sentindo-nos ao mesmo tempo mais próximos do Tao. A importância disso deveria ser óbvia, pois somos o que pensamos. Procure diminuir o barulho ao seu redor e fique alguns minutos por dia, sentado no silêncio. Não precisa “meditar” propriamente dito, mas uma simples contemplação de seus pensamentos. Meditação nada mais é do que a ausência de “ruídos” em nossa mente. Existem três níveis para se atingir a hiperconsciência, segundo a filosofia indiana, que se aplicam perfeitamente ao Taoismo: Dharánna, Dhyanna e Samádhi – sucessivamente contemplação, meditação e transcendência. Comece pelo começo. Será uma experiência bastante enriquecedora.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-som-do-sil%C3%AAncio

Controle Mental Vampírico

por Ferox

A maioria das pessoas não controlará suas mentes. Eles evitam freneticamente a dor física e emocional, muitas vezes sem perceber que estão fazendo isso. Eles se preocupam e se afligem, lamentam sobre o passado, tornam-se defensivos ou agressivos quando insultados e reclamam mecanicamente de suas vidas em vez de passar pelo desconforto de mudar sua situação. Eles raramente veem a realidade como ela é, em vez disso, julgam o que verão antes mesmo de a luz atingir seus olhos.

Apesar de não parecer, isso é realmente uma coisa muito sensata para os mortais fazerem.

O conhecimento comum sustenta que o envelhecimento e a morte são inevitáveis. Todas as pessoas apodrecerão primeiro em seus ossos e depois apodrecerão abaixo do solo. Isso é obviamente horrível, mas como é inevitável, faz sentido esquecer isso o máximo possível.

Infelizmente, tudo está contaminado por isso. Aconteça o que acontecer, a crença é que cem anos farão com que tudo o que um mortal faça não passe de uma memória. O que importa qualquer conquista em uma carreira se você deixar de existir? Por que aprender uma nova habilidade se essa habilidade simplesmente desaparecerá um dia, não fazendo diferença? Que sentido faz , fazer qualquer coisa se tudo chegará ao fim?

Os seres humanos abordaram esse horror de duas maneiras principais. A primeira é tentar se convencer de que a morte é realmente boa. Eles falam de viver em uma vida após a morte ou nas memórias daqueles que sobrevivem a eles, e muitas vezes argumentam que a imortalidade seria indesejável mesmo se fosse possível. Eles traem seus verdadeiros sentimentos sempre que suas vidas são ameaçadas, mas desde que seja uma questão intelectual eles falarão da morte como uma bênção. Referimo-nos a essa perspectiva como deathismo.

A outra maneira pela qual os humanos abordaram isso é se dedicando a alucinar constantemente. Enquanto não perceberem a realidade como ela é, não terão que enfrentar o horror do esquecimento eventual que é uma aparente inevitabilidade da vida.

No entanto, esse comportamento não faz sentido para os imortais. Podemos escolher focar nossa mente na realidade como ela é, e isso nos revela a glória e o prazer da vida eterna.

Isso fornece o núcleo da serenidade viva que ilude os mortais que buscam desesperadamente a paz mental enquanto se apegam ao seu deathismo.

Abaixo, fornecemos três Segredos para desenvolver um comando tão poderoso de sua mente. Detalhamos cada um deles nas seções posteriores deste capítulo.

No entanto, é importante notar que isso apenas  funcionará apenas até um certo ponto caso você não saiba que viverá para sempre. Crença e fé não lhe farão bem. Você precisa tomar medidas para obter uma certeza razoável a fim de afetar as partes de sua mente que importam. Portanto, enfatizamos novamente que é vital que você tome as medidas descritas no fórum Segredos da Imortalidade para receber todos os benefícios do que oferecemos aqui.

  • Experimente o estado habitual de sua mente. Isso requer ir além da linguagem para um sentido somático de como você vive momento a momento e durante momentos de estresse. Isso é necessário para que você possa reconhecer o sentimento e escolher como responder.
  • Pratique meditações saudáveis. Isso fortalecerá seu domínio da mente e ensinará maneiras de pensar que são úteis para a vida eterna. Nem todas as formas de meditação são saudáveis, então vamos delinear o que procurar e dar alguns exemplos.
  • Desenvolva sua capacidade de usar a razão. Isso fornecerá uma ferramenta poderosa para criar os efeitos que você pretende em sua vida. A razão, na verdade, funciona um pouco diferente do que a maioria das pessoas imagina, como será explicado.

 

Estado mental habitual

As alucinações que a maioria das pessoas imaginam fazem com que acionem os instintos vitais do corpo. À medida que o corpo reage, várias sensações físicas tornam-se disponíveis para a experiência consciente. Isso significa que, se você puder reconhecer essas sensações físicas, poderá perceber quando está acionando esses instintos desnecessariamente.

Os instintos desencadeados vêm essencialmente em duas formas: excitação e rendição. A excitação ocorre quando a resposta de luta ou fuga é aproveitada até certo ponto. Isso se manifesta como medo, nervosismo, aborrecimento, raiva, júbilo, mania e uma série de outras experiências subjetivas que tendem a causar tensão física e agitação mental. Qualquer emoção que primeiro o energiza e depois o cansa é resultado desse instinto de excitação.

A rendição é um instinto social que torna o corpo flácido e a mente embotada e obediente. Isso evoluiu nos humanos para que os indivíduos que a comunidade condenasse à morte aceitassem seu destino em vez de representar qualquer ameaça. Desesperança, apatia, tristeza e vários outros estados que acompanham a lentidão física e mental são manifestações comuns desse impulso. Isso também é frequentemente desencadeado quando as pessoas “vai com calma”, resultando em exaustão após um dia de descanso manco.

É vital que você aprenda a reconhecer essas reações em seu corpo. Isso lhe dará uma maneira razoavelmente objetiva de discernir o estado de sua mente, proporcionando-lhe assim o poder de escolha.

  • Sinta seu corpo durante a reação de excitação. Encontre uma maneira de se agitar, como lembrar de algo frustrante ou preocupante. Pense no que poderia torná-lo ainda pior. Se você tem uma fobia ou sente ódio por alguém ou alguma coisa, pense no que inspira essa reação em você. Realmente sinta. Então observe como seu corpo se sente.

Quais músculos estão tensos? Qual é a sua postura? Como é a sua respiração?

Apenas tome nota dessas experiências. Você só precisa fazer isso uma vez para ter a sensação, embora deva retornar a ela sempre que tiver dificuldade em lembrar-se da sensação.

  • Sinta seu corpo durante a reação de rendição. Observe como você se sente quando desmaia de exaustão, como se jogar na frente da TV ou na cama depois de um longo dia. Se você consegue se lembrar de um momento em que se sentiu cansado por ter que admitir a derrota, pense nisso. Em seguida, preste atenção novamente à tensão muscular, postura e respiração. Tal como acontece com a tomada de consciência da resposta de excitação, uma vez deve ser suficiente, desde que você esteja consciente de como se sente fisicamente a rendição.
  • Observe essas reações físicas no seu dia-a-dia. Estes ocorrem em graus variados quase constantemente para a maioria das pessoas. É importante que você observe as reações do seu corpo em vez de se concentrar nas palavras que você diz a si mesmo ou em seu estado emocional. Esta é uma habilidade mental que levará tempo para se desenvolver. Não tente mudar esse estado quando ocorrer, pois isso tende a desencadear a reação de excitação na forma de lutar contra si mesmo. Basta observar. Isso combinado com os Segredos da meditação lhe dará força mental e paz ao longo do tempo.

 

Meditações eficazes

Boas meditações fortalecerão sua capacidade de relaxar em uma consciência de seu ambiente físico imediato. Os métodos de meditação que a maioria das pessoas usa dependem de fazer exatamente o oposto. Eles encorajam as pessoas a alucinar. Por exemplo, uma forma comum de meditação pobre é imaginar a luz dourada celestial derramando-se no corpo e acalmando toda a negatividade. No entanto, não existe essa luz dourada na experiência física imediata, portanto, fazer isso requer sintonizar o ambiente em favor da experiência imaginada. Isso é relaxante para aqueles para quem a realidade promete a morte, mas distraindo-os em vez de fortalecer suas mentes.

Em vez disso, qualquer meditação que você praticar deve ajudá-lo a se tornar mais consciente das informações que seus sentidos estão lhe dizendo. Também deve ajudá-lo a se estabelecer em um estado de relacionamento com a Vontade Vampírica que é distintamente diferente de excitação e rendição. A diferença entre a consciência calma e essas duas reações instintivas fica mais clara com a prática contínua ao longo do tempo.

Abaixo, fornecemos algumas boas meditações. Você está convidado a experimentar qualquer um ou todos eles. Você também pode praticar o seu próprio, mas nós o encorajamos a perguntar sobre eles neste fórum antes de fazer uma prática regular com eles.

Também é possível combinar meditações, mas certifique-se de que, ao fazer isso, você só precisa se concentrar em uma coisa de cada vez. Independentemente de quais práticas você escolher, você deve praticá-las no BTE todos os dias sem falhas. No mínimo, passe dez minutos logo pela manhã e dez antes de dormir fazendo uma boa meditação. Você pode achar mais fácil começar com apenas um minuto de cada vez e depois aumentar em um minuto por semana. Isso o ajudará a desenvolver o hábito sem tornar a exigência de tempo muito assustadora no início.

Esteja ciente de que você provavelmente não verá benefícios imediatos disso. Leva tempo para cultivar esse tipo de força interior. Comece agora e seja diligente. Você também pode reservar um momento durante os momentos estressantes de sua vida diária para praticar uma boa meditação para recuperar esse equilíbrio e acalmar a excitação e as respostas de entrega.

  • Simplesmente ficar parado pode ter um efeito poderoso quando feito BTE. Sente-se ereto com as costas sem apoio e a cabeça equilibrada na coluna vertebral. Role os ombros para trás para abrir o peito. Ajuste a pélvis para que o sacro fique perpendicular ao chão. Olhe para frente e um pouco para baixo.

Em seguida, relaxe em absoluta quietude. Não mova nada. Comece fazendo isso por apenas dez segundos e aumente dez segundos por dia. Não faça isso por mais de noventa segundos consecutivos, a menos e até que você tenha recebido instruções pessoais indicando o contrário. Geralmente é muito difícil ir mais de noventa segundos fazendo isso corretamente sem orientação.

  • Se você relaxar e se mover devagar o suficiente, há uma espécie de graça suave que aparece naturalmente. Esta é a velocidade na qual sua mente pode acompanhar seu corpo. Você aumentará essa velocidade se praticar esse movimento.

Passe algum tempo movendo-se dessa maneira para trabalhar o equilíbrio, carregando recipientes cheios de água até a borda ou praticando qualquer outra habilidade física que você ache que vale a pena desenvolver.

  • Qualquer prática que faça com que você continue focando em seu entorno através de um processo infinito pode ser bom. Um exemplo disso envolve a consciência espacial que permite que você saiba sem olhar onde estão seus dedos.

Comece respirando fundo e deixando de lado todo o excesso de tensão física na expiração. Então sinta a posição do seu corpo. Expanda essa consciência para observar as paredes, o teto, o espaço atrás de você e a estrutura sob o piso que o sustenta.

Expanda sua consciência novamente para estar ciente de toda a cidade, da terra abaixo de você e do céu acima de você. Expanda-o novamente para estar ciente do planeta flutuando no espaço. Expanda-o novamente para incluir o sistema solar.

Para fazer isso corretamente, a taxa na qual a consciência se estende ao seu redor deve aumentar a cada passo. Então, depois de um segundo você está ciente da sensação de estar em uma sala, depois de dois segundos de estar em uma cidade na superfície da Terra, depois de três segundos de estar em um planeta flutuando no espaço, e assim por diante. Essa expansão da consciência deve ocorrer muito rapidamente.

Você quer que sua experiência seja do BTE e não baseada na visualização. Você quer expandir sua consciência de onde você está. Os dois erros mais comuns são (1) visualizar sua consciência como uma esfera que você vê de fora em expansão e (2) imaginar a si mesmo em expansão. Não faça nenhum. Apenas esteja ciente de onde você está, e deixe essa consciência crescer.

Eventualmente, você chegará a um ponto em que não poderá mais pensar no processo de expansão porque é simplesmente muito grande e muito rápido. Apenas deixe a sensação de expansão da consciência continuar. Esse é o ponto em que sua mente está ficando mais forte e mais calma. Se você está ficando frustrado ou se preocupando se está fazendo certo, você parou. Apenas comece de novo e deixe o sentimento continuar.

 

Desenvolvendo a razão

Quase todas as tradições místicas, religiosas ou espirituais levam seus seguidores a acreditar no que é ensinado. Raramente há qualquer evidência fornecida para suas afirmações, mas eles ainda insistirão que sabem que o que dizem é verdade e que você deve confiar na palavra deles. Essa cerimônia ou essa meditação supostamente o aproximará de Deus, da iluminação ou da pureza. Jesus ou Buda ou seus ancestrais ou deuses mágicos supostamente irão protegê-lo como pais sobrenaturais.

Porque todos os outros nessa tradição dizem a mesma coisa, os recém-chegados à fé são varridos por um mar de crença cega. O que falta é razão. A razão é a disposição de reconhecer a evidência, independentemente das crenças que ela apóia ou desafia.

Em outras palavras, é a identificação não contraditória dos fatos da realidade. Esta é uma habilidade que esperamos que todos os membros aqui desenvolvam porque é a única maneira de você saber o que é útil para você. É também a ferramenta mais poderosa que você pode desenvolver para se defender contra o absurdo.

Doravante, sempre que encontrar uma perspectiva ou afirmação com a qual discorde, considere-a uma oportunidade de fortalecer sua capacidade de usar a razão. Esteja aberto à possibilidade de estar errado. Explore evidências para a posição com a qual você discorda ou contra a que você mantém. Preste atenção à natureza dos argumentos que você encontra, principalmente se eles apelam para a autoridade ou o que “todo mundo sabe”. Faça o seu melhor para provar que está errado. Se a sua posição original ainda faz sentido, então você tem uma confiança ainda maior de que está certa.

Se você mudar de ideia, então você aprendeu algo e descartou uma ideia que simplesmente não era tão útil. De qualquer forma você fez um favor a si mesmo. Agora, pense em algo sobre o qual você tem uma opinião, mas nem todos necessariamente concordam com você. Pode ser alguma questão política, uma afirmação sobre a realidade dos fenômenos psi, algo sobre a experiência de abdução alienígena, ou qualquer outra coisa sobre a qual você se posicione. Então procure provas contra sua posição. Leia os argumentos de um campo oposto. Esteja aberto para estar errado.

Isso pode resultar em você não saber mais o que é certo em sua situação escolhida devido ao reconhecimento de que não tem informações suficientes. Considere isso uma marca de sabedoria. Isso significa que você está aberto a aprender os fatos da realidade. Este é um exercício que deve ser repetido com frequência. É especialmente vital que você faça isso quando se sentir tentado a acreditar nas afirmações que este Templo faz. O sucesso ao longo da vida e especialmente no Vampirismo requer o desenvolvimento de conhecimento ao invés de crença.

Para isso, apresentamos a seguir três ensaios que pretendem ajudá-lo a assumir uma perspectiva que encoraje o uso da razão. A primeira aborda a religião, a segunda a filosofia e a terceira a própria razão.

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/controle-mental-vampirico/

O Caminho Alquímico do Tao

Definir ou delimitar o conceito do Tao (ou Dao) da filosofia oriental, é no mínimo uma tarefa paradoxal, afinal ‘O tao que pode ser expressado, não é o tao absoluto’. É um conceito muito antigo, adotado como princípio fundamental do taoismo.

Tao (em chinês: 道; Wade-Giles: tao; pinyin: dao) significa, traduzindo literalmente, o caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O tao não é só um caminho físico e espiritual; é identificado com o absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares Yin e Yang, a partir dos quais todas as “dez mil coisas” que existem no Universo foram criadas.

Quando pensamos numa substância única que dá forma a tudo que existe no Universo, lembramos do conceito alquímico da prima matéria, ou matéria prima. A prima materia é um conceito chave da Alquimia. Ela é como o nome sugere a matéria prima com a qual se realiza as operações e se extraem os elementos. Ela não está em tudo, ela é tudo.

“O termo prima matéria tem uma longa história, que remonta aos filósofos pré-socráticos. Esses antigos pensadores estavam presos a uma ideia arquetípica, que lhes dizia que o mundo é gerado de uma matéria única original, a chamada primeira matéria” (EDINGER, 2006, p.29)

Por esse motivo, a água, como símbolo, é associada à prima matéria, pois todos viemos da água (organismos unicelulares). A água também é um símbolo para o inconsciente, instância inicial que ‘gera’ a consciência. No entanto, a água é um símbolo alquímico ambíguo. Ao mesmo tempo em que representa um dos quatro elementos, representa todos os quatro indiferenciados. De novo, remontamos à filosofia oriental para facilitar e transcender nossa visão de mundo, como vemos neste vídeo de Bruce Lee:

E o que a Ciência pode aprender com esses conhecimentos milenares? Como é falado no vídeo, é preciso estar num ponto de equilíbrio entre instinto e controle, sendo que em demasia, este último pode te tornar um ‘homem mecânico’. Mas será que a comunidade científica acompanha este pensamento integral? No prefácio da segunda edição do livro “O Tao da Física”, Fritjof Capra diz o seguinte sobre os novos paradigmas científicos que se formavam a partir dentre outras coisas, da física quântica:

“A reacção da comunidade científica, previdentemente, tem sido mais cautelosa; mas, também aí, o interesse nas vastas implicações da física do século vinte tem aumentado. A relutância dos cientistas modernos em aceitar as profundas semelhanças entre os seus conceitos e os dos místicos não é surpreendente, já que o misticismo —pelo menos no Ocidente — tem sido tradicionalmente associado, de maneira errada, com coisas vagas, misteriosas, acientíficas. Esta atitude está, felizmente, a mudar. À medida que o pensamento oriental começou a interessar um número significativo de pessoas e a meditação deixou de ser ridícula ou suspeita, o misticismo tem sido tomado a sério mesmo na comunidade científica” (CAPRA, 1982, p.13)

Capra escreveu isso há 32 anos!!! Será mesmo que a visão de um mundo integrado estava tão próxima como o físico austríaco imaginara? De toda forma, estamos percebendo, mais agora do que nunca, que nossa sociedade está passando por um momento crítico. Vejamos nosso cenário político e a dicotomia batida de ‘petralha’ vs. ‘coxinha’. Ou então os casos absurdos, porém recorrentes, de estupros e violência contra a mulher, que expressam um evidente descompasso da energia masculina (yang) em relação a feminina (yin). As polaridades que nos dividem no coletivo, também nos dividem internamente, e o Casamento Alquímico, ou coniunctio oppositorum, parece uma metáfora pertinente para o trabalho que temos, individualmente e coletivamente, para executar.

“Estas discussões ajudaram-me muito na compreensão do abrangente enquadramento cultural, presente no grande interesse pelo misticismo oriental que surgiu no Ocidente nos últimos vinte anos. Agora entendo este interesse como integrante de uma tendência que visa contrariar um profundo desequilíbrio na nossa cultura—nos nossos pensamentos e sentimentos, valores e atitudes, e estruturas sociais e políticas. Achei a terminologia chinesa de yin e yang muito útil para descrever este desequilíbrio cultural. A nossa cultura tem consecutivamente favorecido valores e atitudes yang, ou masculinos, negligenciando as suas contrapartes complementares yin, ou femininas. Temos favorecido auto-asserções em lugar de integração, análise em lugar de síntese, conhecimento racional em lugar de sabedoria intuitiva, ciência em lugar de religião, competição em lugar de cooperação, expansão em lugar de conservação, e ‘ assim por diante. Este desenvolvimento unilateral chegou a um estado alarmante, a uma crise de dimensões sociais, ecológicas, morais e espirituais” (CAPRA, 1982, p.14)

Neste contexto, portanto, saudável é se atentar da responsabilidade em harmonizar-nos internamente, e seguir o fluxo natural da existência, em equilíbrio. A palavra Tao pode significar ‘caminho’, mas seu verdadeiro significado transcende a gramática, se tornando compreensível apenas em esferas abstratas. A arte, como sempre, pode nos ajudar. Como diria o poeta espanhol Antonio Machado:

Caminhante, são teus passos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se o caminho ao andar.

Se você gostou desse conteúdo, você pode assistir ao filme ‘O Ponto de Mutação’, baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, escrito após ‘O Tao da Física’. Mas se você gostou mesmo, participe do mini-curso de 4h sobre Alquimia Taoista, com prática de Tai Chi Chuan (气功 QiGong) que acontecerá em breve na Clínica Antharez. Dúvidas, críticas ou sugestões, nos comentários!

Referências Bibliográficas:

CAPRA, Fritjoc. O Tao da Física. Lisboa: Editorial Presença. 1975.

EDINGER, Edward. Anatomia da Psique: O Simbolismo Alquímico na Psicoterapia. São Paulo: Cultrix, 1990.

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caminho-alqu%C3%ADmico-do-tao