Banho de purificação para Magia Salomonica

Robson Belli

I. Salmos penitenciais

Antes de entrar na banheira e diga os seguintes salmos nesta mesma ordem 27, 14, 69, Êxodo 15:1, Salmo 106:

Salmo 27

 O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei temor? O Senhor é o meu forte refúgio; de quem terei medo?

Quando homens maus avançarem contra mim para destruir-me, eles, meus inimigos e meus adversários, é que tropeçarão e cairão.

Ainda que um exército se acampe contra mim, meu coração não temerá; ainda que se declare guerra contra mim, mesmo assim estarei confiante.

Uma coisa pedi ao Senhor, é o que procuro: que eu possa viver na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a bondade do Senhor e buscar sua orientação no seu templo.

Pois no dia da adversidade ele me guardará protegido em sua habitação; no seu tabernáculo me esconderá e me porá em segurança sobre um rochedo.

Então triunfarei sobre os inimigos que me cercam. Em seu tabernáculo oferecerei sacrifícios com aclamações; cantarei e louvarei ao Senhor.

Ouve a minha voz quando clamo, ó Senhor; tem misericórdia de mim e responde-me.

A teu respeito diz o meu coração: “Busque a minha face! ” A tua face, Senhor, buscarei.

Não escondas de mim a tua face, não rejeites com ira o teu servo; tu tens sido o meu ajudador. Não me desampares nem me abandones, ó Deus, meu salvador!

Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá.

Ensina-me o teu caminho, Senhor; conduze-me por uma vereda segura por causa dos meus inimigos.

Não me entregues ao capricho dos meus adversários, pois testemunhas falsas se levantam contra mim, respirando violência.

Apesar disso, esta certeza eu tenho: viverei até ver a bondade do Senhor na terra.

Espere no Senhor. Seja forte!

Coragem! Espere no Senhor.

 Salmo 14

Diz o tolo em seu coração: “Deus não existe”. Corromperam-se e cometeram atos detestáveis; não há ninguém que faça o bem.

O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus.

Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer.

Será que nenhum dos malfeitores aprende? Eles devoram o meu povo como quem come pão, e não clamam pelo Senhor!

Olhem! Estão tomados de pavor! Pois Deus está presente no meio dos justos.

Vocês, malfeitores, frustram os planos dos pobres, mas o refúgio deles é o Senhor.

Ah, se de Sião viesse a salvação para Israel! Quando o Senhor restaurar o seu povo, Jacó exultará! Israel se regozijará!

Salmo 69

Salva-me, ó Deus!, pois as águas subiram até o meu pescoço.
Nas profundezas lamacentas eu me afundo, não tenho onde firmar os pés. Entrei em águas profundas; as correntezas me arrastam.
Cansei-me de pedir socorro; minha garganta se abrasa. Meus olhos fraquejam de tanto esperar pelo meu Deus.

Os que sem razão me odeiam são mais do que os fios de cabelo da minha cabeça; muitos são os que me prejudicam sem motivo, muitos, os que procuram destruir-me. Sou forçado a devolver o que não roubei.
Tu bem sabes como fui insensato, ó Deus; a minha culpa não te é encoberta.

Não se decepcionem por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exércitos! Não se frustrem por minha causa os que te buscam, ó Deus de Israel!

Pois por amor a ti suporto zombaria, e a vergonha cobre-me o rosto.

Sou um estrangeiro para os meus irmãos, um estranho até para os filhos da minha mãe;
pois o zelo pela tua casa me consome, e os insultos daqueles que te insultam caem sobre mim.
Até quando choro e jejuo, tenho que suportar zombaria; quando ponho vestes de lamento, sou motivo de piada.

Os que se ajuntam na praça falam de mim, e sou a canção dos bêbados.

Mas eu, Senhor, no tempo oportuno, elevo a ti minha oração; responde-me, por teu grande amor, ó Deus, com a tua salvação infalível!
Tira-me do atoleiro, não me deixes afundar; liberta-me dos que me odeiam e das águas profundas.
Não permitas que as correntezas me arrastem, nem que as profundezas me engulam, nem que a cova feche sobre mim a sua boca!
Responde-me, Senhor, pela bondade do teu amor; por tua grande misericórdia, volta-te para mim.

Não escondas do teu servo a tua face; responde-me depressa, pois estou em perigo.

Aproxima-te e resgata-me; livra-me por causa dos meus inimigos.
Tu bem sabes como sofro zombaria, humilhação e vergonha; conheces todos os meus adversários.

A zombaria partiu-me o coração; estou em desespero! Supliquei por socorro, nada recebi, por consoladores, e a ninguém encontrei.

Puseram fel na minha comida e para matar-me a sede deram-me vinagre.

Que a mesa deles se lhes transforme em laço; torne-se retribuição e armadilha.

Escureçam-se os seus olhos para que não consigam ver; faze-lhes tremer o corpo sem parar.

Despeja sobre eles a tua ira; que o teu furor ardente os alcance.

Fique deserto o lugar deles; não haja ninguém que habite nas suas tendas.

Pois perseguem aqueles que tu feres e comentam a dor daqueles a quem castigas.

Acrescenta-lhes pecado sobre pecado; não os deixes alcançar a tua justiça.

Sejam eles tirados do livro da vida e não sejam incluídos no rol dos justos.

Grande é a minha aflição e a minha dor! Proteja-me, ó Deus, a tua salvação!

Louvarei o nome de Deus com cânticos e proclamarei sua grandeza com ações de graças;
isso agradará o Senhor mais do que bois, mais do que touros com seus chifres e cascos.

Os necessitados o verão e se alegrarão; a vocês que buscam a Deus, vida ao seu coração!
O Senhor ouve o pobre e não despreza o seu povo aprisionado.

Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo o que neles se move, pois Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de Judá. Então o povo ali viverá e tomará posse da terra; a descendência dos seus servos a herdará, e nela habitarão os que amam o seu nome.

Êxodo 15:1

Então Moisés e os israelitas entoaram este cântico ao Senhor: “Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro!

Salmo 106

Aleluia! Dêem graças ao Senhor porque ele é bom; o seu amor dura para sempre.

Quem poderá descrever os feitos poderosos do Senhor, ou declarar todo o louvor que lhe é devido?

Como são felizes os que perseveram na retidão, que sempre praticam a justiça!

Lembra-te de mim, Senhor, quando tratares com bondade o teu povo; vem em meu auxílio quando o salvares, para que eu possa testemunhar o bem-estar dos teus escolhidos, alegrar-me com a alegria do teu povo, e louvar-te junto com a tua herança.

Pecamos como os nossos antepassados; fizemos o mal e fomos rebeldes.

No Egito, os nossos antepassados não deram atenção às tuas maravilhas; não se lembraram das muitas manifestações do teu amor leal e rebelaram-se junto ao mar, o mar Vermelho.

Contudo, ele os salvou por causa do seu nome, para manifestar o seu poder.

Repreendeu o mar Vermelho, e este secou; ele os conduziu pelas profundezas como por um deserto.
Salvou-os das mãos daqueles que os odiavam; das mãos dos inimigos os resgatou.

As águas cobriram os seus adversários; nenhum deles sobreviveu.
Então creram nas suas promessas e a ele cantaram louvores.

Mas logo se esqueceram do que ele tinha feito e não esperaram para saber o seu plano.

Dominados pela gula no deserto, puseram Deus à prova nas regiões áridas.

Deu-lhes o que pediram, mas mandou sobre eles uma doença terrível.

No acampamento tiveram inveja de Moisés e de Arão, daquele que fora consagrado ao Senhor.

A terra abriu-se, engoliu Data e sepultou o grupo de Abirão; fogo surgiu entre os seus seguidores; as chamas consumiram os ímpios.

Em Horebe fizeram um bezerro, adoraram um ídolo de metal.

Trocaram a Glória deles pela imagem de um boi que come capim.

Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que fizera coisas grandiosas no Egito, maravilhas na terra de Cam e feitos temíveis junto ao mar Vermelho.

Por isso, ele ameaçou destruí-los; mas Moisés, seu escolhido, intercedeu diante dele, para evitar que a sua ira os destruísse.

Também rejeitaram a terra desejável; não creram na promessa dele.

Queixaram-se em suas tendas e não obedeceram ao Senhor.

Assim, de mão levantada, ele jurou que os abateria no deserto
e dispersaria os seus descendentes entre as nações e os espalharia por outras terras.

Sujeitaram-se ao jugo de Baal-Peor e comeram sacrifícios oferecidos a ídolos mortos; provocaram a ira do Senhor com os seus atos, e uma praga irrompeu no meio deles.

Mas Finéias se interpôs para executar o juízo, e a praga foi interrompida.

Isso lhe foi creditado como um ato de justiça que para sempre será lembrado, por todas as gerações.

Provocaram a ira de Deus junto às águas de Meribá; e, por causa deles, Moisés foi castigado; rebelaram-se contra o Espírito de Deus, e Moisés falou sem refletir.

Eles não destruíram os povos, como o Senhor tinha ordenado,
em vez disso, misturaram-se com as nações e imitaram as suas práticas.

Prestaram culto aos seus ídolos, que se tornaram uma armadilha para eles.

Sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios.

Derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e filhas sacrificados aos ídolos de Canaã; e a terra foi profanada pelo sangue deles.
Tornaram-se impuros pelos seus atos; prostituíram-se por suas ações.
Por isso acendeu-se a ira do Senhor contra o seu povo e ele sentiu aversão por sua herança.

Entregou-os nas mãos das nações, e os seus adversários dominaram sobre eles.

Os seus inimigos os oprimiram e os subjugaram com o seu poder.

Ele os libertou muitas vezes, embora eles persistissem em seus planos de rebelião e afundassem em sua maldade.

Mas Deus atentou para o sofrimento deles quando ouviu o seu clamor.

Lembrou-se da sua aliança com eles, e arrependeu-se, por causa do seu imenso amor leal.

Fez com que os seus captores tivessem misericórdia deles.

Salva-nos, Senhor, nosso Deus! Ajunta-nos dentre as nações, para que demos graças ao teu santo nome e façamos do teu louvor a nossa glória.
Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, por toda a eternidade. Que todo o povo diga: “Amém! ” Aleluia!

II. O exorcismo da Água

Com a mão estendida sobre a agua:

Eu lhe exorcizo, oh criatura água, pelo que lhe criou e lhe reuniu em um lugar para que a terra seca aparecesse, para que descubra todos os enganos do inimigo e para que afastem de você todas as impurezas e sujeiras de todos os espíritos do mundo dos fantasmas, para que não me provoquem dano, pela virtude de Deus Todo-Poderoso que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

III. O Banho

Então poderá começar a se lavar completamente no banho dizendo:

MERTALIA, MUSALIA, DOPHALIA, ONEMALIA, ZITANSEIA, GOLDAPHAIRA, DEDULSAIRA, GHEVIALAIRA, GHEMINAIRA, GEGROPHEIRA, CEDAHI, GILTHAR, GODIEB, EZOIIL, MUSIL, GRASSIL, TAMEN, PUERI, GODU, HUZNOTH, ASTACHOTH, TZABAOTH, ADONAI, AGLA, ON, EL, TETRAGRAMMATON, SHEMA, ARESION, ANAPHAXETON, SEGILATON, PRIMEUMATON.

IV. Aspersão

Pegue o hissopo e faça a aspersão de agua da arte em si mesmo após o banho enquanto recita o salmo 51:7.

Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

Depois disto se pega o sal para o (segundo) banho (agora com agua da arte) e o abençoa dizendo:

A BENÇÃO DO SAL

A benção do Pai Todo-Poderoso esteja sobre esta criatura sal, e que toda a malignidade e impedimento sejam afastados daqui, e que todo o bem entre aqui, porque
sem você não pode viver o homem, pelo que o abençoo e lhe invoco para que me ajude.

Em seguida deve recitar sobre o sal o:

Salmo 103

           Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.

Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, Que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia, Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.

O Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos.

Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel.

Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade.

Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira.
Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades.

Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.

Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.

Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.

Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó.
Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce.

Passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não será mais conhecido.

Mas a misericórdia do Senhor é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos;
Sobre aqueles que guardam a sua aliança, e sobre os que se lembram dos seus mandamentos para os cumprir.
O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.

Bendizei ao Senhor, todos os seus anjos, vós que excedeis em força, que guardais os seus mandamentos, obedecendo à voz da sua palavra.
Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais o seu beneplácito.

Bendizei ao Senhor, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio; bendize, ó minha alma, ao Senhor.

Êxodo 15

            Então cantou Moisés e os filhos de Israel este cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.

O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei.

O Senhor é homem de guerra; o Senhor é o seu nome.

Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; e os seus escolhidos príncipes afogaram-se no Mar Vermelho.

Os abismos os cobriram; desceram às profundezas como pedra.
A tua destra, ó Senhor, se tem glorificado em poder, a tua destra, ó Senhor, tem despedaçado o inimigo;
E com a grandeza da tua excelência derrubaste aos que se levantaram contra ti; enviaste o teu furor, que os consumiu como o restolho.

E com o sopro de tuas narinas amontoaram-se as águas, as correntes pararam como montão; os abismos coalharam-se no coração do mar.

O inimigo dizia: Perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos; fartar-se-á a minha alma deles, arrancarei a minha espada, a minha mão os destruirá.

Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu; afundaram-se como chumbo em veementes águas.

Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?

Estendeste a tua mão direita; a terra os tragou.

Tu, com a tua beneficência, guiaste a este povo, que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade.

Os povos o ouviram, eles estremeceram, uma dor apoderou-se dos habitantes da Filístia.

Então os príncipes de Edom se pasmaram; dos poderosos dos moabitas apoderou-se um tremor; derreteram-se todos os habitantes de Canaã.
Espanto e pavor caiu sobre eles; pela grandeza do teu braço emudeceram como pedra; até que o teu povo houvesse passado, ó Senhor, até que passasse este povo que adquiriste.
Tu os introduzirás, e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que tu, ó Senhor, aparelhaste para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.
O Senhor reinará eterna e perpetuamente;
Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as águas do mar sobre eles; mas os filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar.
Então Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças.
E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou; e lançou no mar o cavalo com o seu cavaleiro.
Depois fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur; e andaram três dias no deserto, e não acharam água.
Então chegaram a Mara; mas não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas; por isso chamou-se o lugar Mara.
E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?
E ele clamou ao Senhor, e o Senhor mostrou-lhe uma árvore, que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces. Ali lhes deu estatutos e uma ordenança, e ali os provou.
E disse: Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o Senhor que te sara.
Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas.

 Em seguida deve deixar o banho e se vestir com as vestimentas de linho branco e
limpo, e sobre ela porá as vestimentas das que falaremos no capítulo próprio, e vestido
desta maneira irá completar o trabalho.

V. Exorcismo das vestes

Com a mão estendida sobre as vestes:

Pelo mistério figurativo desta vestimenta vestir-me-ei com os paramentos da salvação na força do mais elevado, AMIDOS THEODINIAS ANITOR de ANCOR AMACOR; que meus desejos possam ser cumpridos pela vossa mão, ó ADONAI!
A quem pertencem o louvor e a glória para sempre e sempre mais!
Amém!

Enquanto se veste você deve recitar os seguintes salmos: 102

Salmo 102

ADONAI, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.

Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.

Porque os meus dias se consomem como a fumaça, e os meus ossos ardem como lenha.

O meu coração está ferido e seco como a erva, por isso me esqueço de comer o meu pão.

Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam à minha pele.
Sou semelhante ao pelicano no deserto; sou como um mocho nas solidões.

Vigio, sou como o pardal solitário no telhado.

Os meus inimigos me afrontam todo o dia; os que se enfurecem contra mim têm jurado contra mim.

Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lágrimas a minha bebida,

Por causa da tua ira e da tua indignação, pois tu me levantaste e me arremessaste.

Os meus dias são como a sombra que declina, e como a erva me vou secando.

Mas tu, Adonai, permanecerás para sempre, a tua memória de geração em geração.

Tu te levantarás e terás piedade de Sião; pois o tempo de te compadeceres dela, o tempo determinado, já chegou.

Porque os teus servos têm prazer nas suas pedras, e se compadecem do seu pó.

Então os gentios temerão o nome do Adonai, e todos os reis da terra a tua glória.

Quando o Adonai edificar a Sião, aparecerá na sua glória.

Ele atenderá à oração do desamparado, e não desprezará a sua oração.

Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se criar louvará ao Adonai.

Pois olhou desde o alto do seu santuário, desde os céus o Adonai contemplou a terra,

Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados à morte;
Para anunciarem o nome do Adonai em Sião, e o seu louvor em Jerusalém,
Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao Adonai.
Abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.

Dizia eu: Meu Deus, não me leves no meio dos meus dias, os teus anos são por todas as gerações.

Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos.
Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.

Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.

Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada perante ti.

Salmo 51

 Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.

Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.

Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.

Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.

Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.

Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.

Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.

Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo.

Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.

Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão.

Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua louvará altamente a tua justiça.

Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor.

Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos.

Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém.

Então te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos sobre o teu altar.

Salmo 111

Louvai ao SENHOR. Louvarei ao SENHOR de todo o meu coração, na assembléia dos justos e na congregação.
Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que nelas tomam prazer.

A sua obra tem glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre.

Fez com que as suas maravilhas fossem lembradas; piedoso e misericordioso é o Senhor.

Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua aliança.

Anunciou ao seu povo o poder das suas obras, para lhe dar a herança dos gentios.

As obras das suas mãos são verdade e juízo, seguros todos os seus mandamentos.

Permanecem firmes para todo o sempre; e são feitos em verdade e retidão.

Redenção enviou ao seu povo; ordenou a sua aliança para sempre; santo e tremendo é o seu nome.

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre.

Salmo 119:97

Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.

 Salmo 114

Quando Israel saiu do Egito, e a casa de Jacó de um povo de língua estranha, Judá foi seu santuário, e Israel seu domínio.

O mar viu isto, e fugiu; o Jordão voltou para trás.

Os montes saltaram como carneiros, e os outeiros como cordeiros.

Que tiveste tu, ó mar, que fugiste, e tu, ó Jordão, que voltaste para trás?

Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros?

Treme, terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó.
O qual converteu o rochedo em lago de águas, e o seixo em fonte de água.

Salmo 126

Quando o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham.

Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes.

Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres.

Traze-nos outra vez, ó Senhor, do cativeiro, como as correntes das águas no sul.

Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria.

Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.

Salmo 139

SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.

Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.

Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.

Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão.
Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.

Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?
Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.

Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim.

Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa;

Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.

E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!

Se as contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de mim, homens de sangue.

Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.

Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?
Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.

E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.

VI. Encerramento

 Depois do qual recitará a seguinte oração:

ORAÇÃO
EL, forte e maravilhoso, eu lhe bendigo, lhe adoro, lhe glorifico, lhe invoco, lhe dou as graças deste banho para que esta água possa ter a possibilidade de afastar de mim todas as impurezas e concupiscência de coração, por você, oh santo ADONAI, e possa lograr todas as coisas, por você que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos e  colaborador fixo do projeto Morte Súbita inc.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/banho-de-purificacao-para-magia-salomonica/

A Corrupção da Magia – parte II

Continuando a segunda e última parte deste manifesto sobre a magia Moderna; semana que vem seguiremos com a programação normal.

Neste final de Semana, enquanto preparava o post da semana que vem, li a notícia de que uma falsa-vidente-picareta roubou 55 mil de um infeliz em Santa Catarina. Quando não são os religiosos, ateus, céticos e pesudo-céticos espinafrando e atacando o ocultismo, são os esquisotéricos, charlatões, Juscelinos da Luz e estelionatários queimando o filme… depois perguntam por quê os verdadeiros conhecimentos herméticos permanecem ocultos…

A Sexta Razão

A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo

A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a, lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua alma normalmente não.

Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru. Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.

Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível. Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.

Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele “lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.

Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz), que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glória de seu corpo astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.

Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez, mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente, para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a Kundalini Cósmica superior.

É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente, voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o adepto que se tornou.

A Sétima Razão

A Remoção de Deus da Situação

Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele, tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.

Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado. Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade, fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo, existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma, etc, etc.

É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.

Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim. Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar onde estávamos!

Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente “maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos, e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente. Eu não consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou. Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser real.

Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.

Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se tornarem magos reais.

A Oitava Razão

Charlatões

À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.

Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria, ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer, falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.

Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.

Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada, achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de quais autores eu estou falando.

O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É, portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor, mas o sim mago impostor.

O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual, igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus leitores.

Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito, e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão suas mentes a buscarem algo mais elevado.

A Nona Razão

O Silêncio dos Adeptos

Durante o período do Renascimento, e por um tempo após, houve um número de adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.

Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura sobre aspirantes das gerações futuras.

Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.

Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores. Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.

Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro próximo, isso comece a mudar.

A Décima Razão

A Falta de Expansão da Consciência

A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.

Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:

1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.

2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos sexuais até o córtex cerebral.

Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.

Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.

“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinha pode ser considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes, quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos; ele é um deus.

Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-corrup%C3%A7%C3%A3o-da-magia-parte-ii

Dois Caminhos

Por Gilberto Antônio Silva

Ao entrarmos em uma seção de “filosofia oriental”, ou como geralmente se encontra, “esoterismo” e “auto-ajuda”, seja em uma biblioteca, livraria ou sebo, nos deparamos com uma infinidade de obras que mostram caminhos para o ser humano se conhecer e viver melhor, com mais “espiritualidade”. Isto causa uma certa confusão na pessoa que busca este tipo de conhecimento. Afinal, qual caminho devo escolher dentre esta miríade de escolas, linhas, culturas, filosofias, religiões?

Para ajudar a selecionar o que é melhor para você mesmo, mostrarei que praticamente todo este conhecimento se divide em dois caminhos principais que levam à “Iluminação”: a sabedoria e a devoção.

Estes dois caminhos são tratados por todas as grandes culturas do mundo, seja de modo claro, seja de modo disfarçado. Para os indianos os dois caminhos principais são o Jnana, sabedoria, e o Bhakti, devoção. No Taoismo temos o Daojia (taoismo filosófico) e o Daojiao (taoismo religioso). Qualquer um destes dois caminhos pode ser a escolha principal de cada pessoa, de acordo com sua constituição e necessidade espiritual. Existe um debate dentro do Taoismo, onde muitos afirmam que não existe essa separação, religião e filosofia são uma coisa só. Eu concordo, em parte. Filosofia e religião não são uma mesma coisa, simplesmente, mas ênfases diferentes em um mesmo caminho. Uma pessoa que siga um dos ramos não é melhor nem pior que outra que se sinta amparado pela outra via, pois ambas levam ao mesmo destino. Mas é inegável que existe uma atitude diferente às duas trilhas.

A sabedoria é o caminho dos filósofos, daqueles que não abrem mão do raciocínio lógico. Para estes um bom livro e uma boa reflexão são as melhores ferramentas para a evolução espiritual. Compreender como o Universo funciona é seu principal estímulo. Santos e deuses são secundários em sua busca, pelo menos até um determinado nível de compreensão. Não é necessário participar de alguma linha específica de pensamento.

A devoção é o caminho dos crentes, daqueles que procuram a experiência arrebatadora da fé como princípio de espiritualidade. Para estes, acender uma vela e fazer uma oração são as melhores ferramentas para evoluir. Sentir a presença de um Ser Superior e estar integrado às forças do Universo é seu principal estímulo. A mera abstração lógica carece de interesse em contraste com o colorido dos estados alterados de consciência causados pela experiência religiosa, até um certo nível de compreensão. Aqui também não é necessário participar de alguma religião estabelecida.

Quando corretamente orientados, ambos os caminhos conduzem ao mesmo destino, pois se encontram em um dado momento. Portanto não existe necessariamente um correto e outro errado, mas sim o mais adequado a cada pessoa. Ela possui grande fé ou descrença nas Forças Superiores? Possui um raciocínio afiado e grande intelectualidade ou prefere experimentar sensações? Veja que optar por um dos caminhos é questão de escolha pessoal, com base em suas aptidões naturais. E essa opção pode ser reconsiderada a qualquer momento. Pode, inclusive, optar por estabelecer um equilíbrio entre ambas, ciente de que são partes integrantes da mesma Verdade.

No Taoismo, propriamente dito, existe uma convergência de interesses. Várias práticas são utilizadas por ambas as vias, como meditação e qigong, além de manterem profundo respeito pelo Universo e suas manifestações, sejam do mundo visível ou do invisível. A diferença, noto novamente, fica apenas na ênfase. Isso deixa o praticante bastante à vontade para perambular pelos meandros do Tao, da maneira como for melhor para sua compreensão. Sempre me refiro ao Taoismo como “a filosofia espiritualista da liberdade”.

Note que possuir um raciocínio lógico não significa ser um cético incurável, nem possuir um profundo sentimento religioso significa ser um místico fanático. Ambos são extremos que devem ser evitados, pois não conduzem a nada que seja útil. Apenas distorcem sua percepção, envenenam seu espírito e o direcionam contra outras pessoas.

E você? Procure descobrir suas características pessoais e se aprofunde no seu próprio caminho. Sem medo e sem culpa.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dois-caminhos

Austin Osman Spare, H.R.Giger e Rosaleen Norton: Três Artistas Malditos

Se a arte visionaria brota dos íntimos refolhos assombrados da consciência, não nos surpreende que alguns artistas também sejam magos. Sua arte se torna uma espécie de invocação, um chamado uterino ‘as energias arquetipicas a “presenças” que povoam a imaginação. Para esses artistas, as imagens que conjuram provêem uma espécie de espiada ‘as profundas – e talvez mais ameaçadoras – realidades que se acotovelam alem dos limites de nossa consciência conhecida.  É mágico como artistas dessa estirpe  nos “relembram”  de potencialidades visionarias que filtram através do psíquico, como ecos do Grande Vazio. Os três artistas que vamos tratar aqui são exemplos exponenciais desses gênios criativos e excêntricos; artesãos visuais que, de alguma forma, conseguiram explorar estas realidades inomináveis, mantendo-se no contexto da cultura ocidental do século XX e, sobretudo, preservando a sua sanidade.  Os três podem ser considerados “marginais”, ou alternativos. E somente um, o suíço H.R.Giger, conseguiu atrair a si considerável notoriedade do establishment, alem de ser o único ainda vivo: Austin Osman Spare morreu abandonado em Londres em 1956 e Rosaleen Norton – a Bruxa de King Cross – deixou esta vida em um hospício de Sidney, Austrália, em 1979.  Mas o que especificamente nos desperta o interesse nestes três artistas? Penso que o trio consubstancia justamente o conceito de Arte como Magia, de artista como mago. Eles nos mostraram, através de suas imagens fantásticas, que o Universo realmente é algo misterioso, milagroso e ‘às vezes, aterrorizante, e que a nossa consciência existe e transita em vários níveis. O artista-mago é pois, por definição, um avatar de diversos mundos paralelos.

Austin Osman Spare

O visionário do transe britânico Austin Osman Spare (1886-1956) nos legou exemplos intrigantes da fusão  criativa da Magia com a Arte. Valendo-se de um sistema todo seu de encantamentos e civilizações (mandingas), ele era capaz de focar determinada e controladamente a sua consciência, que evocava energias primais poderosas de sua psique, na técnica que ele cunhou de ressurgencias atavistica.  Ele foi alem dos conhecidos rituais práticos da Magia, ao ponto de suas peças-de-arte representarem uma desapaixonada confrontação com o próprio Universo – ou, como ele próprio gostava de descrever o ato, “roubavam o fogo dos céus”.  Inspirado nos deuses egípcios clássicos e também em sua ligação intima com uma velha bruxa chamada apenas de Sra. Paterson – e com uma entidade dos círculos interiores apelidada de Águia Negra – Spare evoluiu rapidamente de uma arte figurativa conhecida para um estilo inspirado de surrealismo mágico.  Sua carreira iniciou-se de um modo impressionante, mas ortodoxo, quando ele conseguiu uma bolsa para estudar no famoso Colégio Real de Arte, com apenas 16 anos de idade.  Admirado por Augustus John, George Bernard Shaw e John Sargent, ele foi considerado um prodígio artístico e foi logo depois contratado para ilustrar uma porção de livros expressivos, inclusive “Atrás do Véu”, de Ethel Wheeler (1906) bem como um livro de aforismos intitulado “Lodo Queimado nas Estrelas” (1911).

No inicio dos anos 20 ele já era o co-editor de um excelente jornal literário ilustrado, O Golden Hind (Corça de Ouro), junto com Clifford Bax, que atingiu oito números quadrimestrais (1922-24), estampando artigos de verdadeiros papas da cultura de então, como Aldous Huxley, Alex Waugh e Havelock Ellis.  Os desenhos de Spare para o jornal eram em sua maioria de mulheres nuas e suntuosas, apenas levemente insinuando todo o mundo mágico que já começava a inspirá-lo. Se ele tivesse continuado no metier, trafegando meio aos círculos literários convencionais, certamente que se tornaria bem mais conhecido como artista – pelo menos ao nível de outro notado ilustrador, Edmund J.Sullivan, autor das imagens que embelezava O Rubaiyat de Omar Khayyam e cujo estilo gráfico assemelhava-se ao estilo inicial de Spare.  Mas Spare já estava decidido a auto-publicar seus escritos e desenhos, que lidavam com a exploração da consciência mágica. Na verdade, suas inclinações esotéricas  o encaminharam mesmo foi  para longe do mainstream cultural.  Sua cosmologia é complexa, mas instrutiva. Ele acreditava na Reencarnação e afirmava categoricamente que todas as suas pretéritas vidas, seja humana ou até animal, estiveram igualmente imersas na mente subconsciente.  O propósito místico do homem seria justamente rastrear todas essas existências até  ‘a sua fonte primal, e isto poderia ser feito num estado de transe, no qual estaria se sujeito a ser possuído pelos atavismos de algumas dessas vidas.  Ele chegou a nomear essa fonte primal e universal do ser como “Kia” e se referia ao corpo humano como “Zos”. Para ele, este era o veiculo ideal para a manifestação das energias espirituais e ocultas desse universo que, em assim não sendo, permaneceria “oculto”.  Considerava este nível mental como “a epítome de toda experiência e maravilhamento, encarnações passadas como homem, animal, passaro, vida vegetal…tudo o que existe, existiu ou existira´  Sua técnica para fazer aflorar essas imagens primais – a ressurgencia atavistica – envolvia focar sua vontade ferrenhamente em sigilos mágicos que ele própria criava – um simples anagrama gráfico composta por letras de uma sentença que manifestava uma vontade.  Atingido o ponto maximo da sigilizaçao, Spare então fechava seus olhos e concentrava-se tanto no sigilo quanto na vontade a ele associada. De acordo com seu amigo e colega ocultista Kenneth Grant, o efeito era dramático: quase que imediatamente ele percebia a “resposta interior”. Sentia então uma tremenda efusão de energia a percorrer o seu corpo, as vezes com a força até de uma ventania a dobrar uma vara de bambu. Com um esforço supremo, ele se mantinha firme e conseguia canalizar essa energia ao seu objetivo.  Spare visitou o Egito durante a Primeira Guerra e ficou sensivelmente impressionado pelo magnetismo imanado dos deuses clássicos ali representados por esculturas monumentais. Para ele, os egípcios da antiguidade já demonstravam um grande conhecimento da complexa mitologia da mente subconsciente: “Eles simbolizaram este conhecimento em um grande monumento, a Esfinge, a qual retrata pictograficamente o homem evoluindo de uma existência animal”.  Seus numerosos deuses, todos parcialmente animal, passaro, peixe…constatam a totalidade de seus conhecimentos da ordem evolucionaria, os complexos processos iniciados apenas num simples organismo”.

Para Spare, lembranças e até impressões de encarnações previas bem como todos os impulsos míticos, podiam ser despertados da mente subconsciente:” Todos os deuses já viveram na Terra, sendo nos próprios” – escreveu – ” e quando mortos, suas experiências, ou Karma, comandam nossas açoes em parte”.  O artista aprendeu sua técnica de atavismo ressurgente da Sra. Paterson, que por sua vez creditava uma ligação intima com o Culto das Bruxas de Salem.  Ele também começou a fazer “desenhos automáticos” em transe, através da mediunidade de uma manifestada presença que ele chamava de Águia Negra e que tomava a forma de um índio americano.. Afirmava que o via muitas vezes, e até que já vivia em um mundo perceptual em que  se misturavam a realidade circundante, as alucinações e o mundo do transe.  Certa vez, viajando num  ônibus de dois andares, ele afirmou se ver cercado de repente por um grupo de passageiros imaginários, uma turma de bruxas indo para um Sabbath.  A sua atração pela idosa Sra. Paterson era compreensível se levarmos em conta o contexto mágico da relação do casal. Para Spare, ela era capaz de transformar-se perceptualmente de uma encarquilhada feiticeira a uma atraente sereia. Sua concepção de mulher sem uma forma fixa, finita, lhe era de grande apelo – e a Deusa Universal era, acima de tudo, um aspecto central de sua cosmologia mágica. E não abria mão de sua crença de que essa deusa não podia ser limitada nem cultural nem miticamente e nem também nomeada como Astarte, Isis, Cybele, Kali, Nuit, já que, em assim procedendo, estaríamos desviando-nos do “caminho” e,  idealizar um conceito tão sagrado seria falso porquanto incompleto, irreal porquanto temporal.   Spare usou diversas técnicas para entrar em estados de transe; algumas vezes, a exaustão absoluta, como um meio para lhe “abrir o estado de vácuo total”; outras, o orgasmo, para atingir a mesma espécie de êxtase místico. Acreditava que a sigilizaçao, a mandinga, representando um ato de vontade consciente, podia ser plantada como uma semente na mente subconsciente durante estes estados de pico do êxtase, momentos especiais quando o ego e o espírito universal se fundem: “Nesse momento, o qual ocorre a geração do Grande Desejo “ – escreveu – “ a inspiração flui livremente da fonte do sexo da deusa primordial , que existe no coração da matéria…a inspiração vem sempre do grande momento do vazio”.  Diversos dos desenhos mágicos de Spare exibem a Dama Divina guiando o artista pelo labirintico mundo da magia. Um dos seus mais importantes e singulares trabalhos, “ A Ascençao do Ego do Êxtase ao Êxtase” – o qual foi incluso em sua obra-prima auto-publicada , “O Livro dos Prazeres”, em 1913 – mostra a Deusa dando as boas vindas ao próprio artista que, na ocasião,  era apropriadamente provido de asas brotadas de sua cabeça.  Seu ego, ou identidade pessoal, e´ mostrada emergindo na forma de uma encarnação primal animalesca e as duas formas transcendem a si mesmas conjuradas numa caveira atávica – união com Kia.  Em outro  trabalho igualmente importante , “Agora pela Realidade”, a Dama aparece novamente, levantando o véu que revela a misteriosa realidade alem. No primeiro plano, pululam toda forma de criatura – uma coruja, um rato do mato, um diabo com chifres – mas, claramente, a realidade esta´ alem, nas regiões inferiores reveladas pela Deusa.  Indubitavelmente, um dos principais intentos de Spare ao usar os seus transes era liberar energias as quais ele acreditava serem a fonte de genialidade. E ele próprio comentava “ êxtase, inspiração, intuição e sonho…cada estado destampa memórias latentes e as apresenta na imagética de suas respectivas linguagens”. O  gênio, de acordo com ele, era justamente  experimentar diretamente o “atavismo ressurgente” durante” o êxtase da Serpente de  Fogo do Kundalini.

Rosaleen Norton

Nascida na Nova Zelândia e criada na Austrália, a artista Rosaleen Norton (1917-1979) e´ uma das poucas a  fazerem par com Austin Spare. Boemia, excêntrica e extraordinariamente talentosa, ela marcou indelevelmente o folclore urbano de Sidnei como “ a Bruxa de Kings Cross”, por suas pinturas sobrenaturais, prenhas de satanismo e pornografia, numa presumida era de conservadorismo social moralistico, nos anos 50. Mas este era apenas um julgamento estreito que a cercou e que, infelizmente, a perseguiu durante toda a vida.  Seu pai foi um capitão da marinha mercante e primo do compositor Vanghan Williams, que emigrou com a família para a maior cidade da Austrália em 1925. Enquanto eles  comungavam de crenças religiosas ortodoxas, a jovem Rosaleen já fazia seus primeiros contatos com o mundo da magia.

Seu talento para o desenho se revelou precoce, pois aos 3 anos já rabiscava fantasmas com cabeças de animais e aos cinco jurou ter visto um dragão brilhante voando na cabeceira de sua cama.  Mais tarde, na escola secundaria, ilustrou “Dança Macabra” do conjunto Saint Saens, completo com vampiros, lobisomens e gárgulas.  Sua orientação pagã  foi logo notada pela direção da escola que não tardou em expulsá-la, sob a alegação de que “sua natureza depravada poderia corromper as outras garotas inocentes”.  Na adolescência, depois de curta temporada como escritora do Semanario Smith, Rosaleen estudou arte com o famoso escultor Rayner Hoff,  se tornou a primeira artista australiana de rua e começou a saltar de trabalho em trabalho – desenhista para uma industria de brinquedos, “assistente” em clubes noturnos, e até recepcionista e modelo. E foi nessa época que começou a se interessar e pesquisar Psicologia, Magia e Metafísica, indo fundo nas obras de Carl Gustav Jung, William James e ocultistas como Eliphas Levi, Madame Helena Blavatsky, Dion Fortune e Aleister Crowley.  Também descobriu técnicas para elevar a sua percepção artística: através da auto-hipnose, por exemplo, aprendeu a transferir voluntariamente a sua atenção para “planos interiores de excitamento místico”. Esses experimentos, como escreveu mais tarde, “produziram um numero de resultados peculiares e inesperados…e culminaram num período de percepção extra-sensorial  mesclado a uma prolongada serie de visões simbólicas”.  A seguir, algumas passagens de uma entrevista de Rosaleen ao psicologo L.J.Murphy, conduzida na Universidade de Melbourne em 1949, que  provê fascinante insight de sua exploração visionaria de estados alterados da consciência.

“Eu decidi experimentar o transe auto-induzido com o fito de atingir um estado anormal de consciência e poder manifestá-lo, representá-lo de alguma forma, de preferência, desenhando. Queria ir fundo nesses estados da mente subconsciente, explorá-la totalmente e se possível ir ainda mais alem. Tinha a sensação, mais intuitiva que intelectual , de que em algum lugar das profundezas do inconsciente, o individuo contem, em essência, todo o conhecimento acumulado da humanidade; da mesma forma que o nosso corpo manifesta o somatório de nossas experiências como raça, na forma de instintos e de reação automática a estímulos.  No sentido de” contatar” essa fonte hipotética do saber, decidi aplicar estímulos psíquicos ao subconsciente; estímulos que a razão consciente poderia rejeitar, mas que apelaria aos instintos enterrados há gerações, e os quais, eu esperava, causariam reflexos psíquicos automáticos (cultos religiosos usam rituais, incensos, musicas etc,como mesmo objetivo).   Conseqüentemente juntei uma variedade grande de “instrumentos” como folhas, vinho,  uma pata mumificada, etc…e um fogareiro , todas potentes estímulos a parte do inconsciente que eu desejava invocar. Deixei o quarto no escuro, foquei meus olhos na pata, esmaguei as folhas, bebi algum vinho e tentei exaurir minha mente de todo e qualquer pensamento. Assim foi o começo de tudo – e eu fiz varias outras experiências progressivamente bem sucedidas.  Seguindo uma corrente de curioso excitamento, meu cérebro ficou limpo de todo pensamento consciente e, de olhos fechados, comecei simplesmente a desenhar na folha de papel branco a minha frente…me senti liberada do mundo a minha volta, para um estado onde não havia tempo, experimentei uma considerável intensificação de minhas faculdades intelectuais, criativas e intuitivas, e comecei a ver coisas com muito mais clareza e encantamento do que no “meu normal”.

Quando eu próprio entrevistei Rosaleen Norton em 1977, ela me contou que seus visionários encontros com as criaturas mágicas que passaram a povoar as suas pinturas eram extremamente reais. Mesmo sendo entidades como Zeus, Júpiter e Pan, usualmente associados a mitos e lendas da mitologia, portanto bem “longínquos” da realidade da maioria das pessoas, para ela eles representavam forças sobrenaturais, passiveis inclusive de casualidades, não eram simplesmente uma projeção da mente subconsciente ou da imaginação criativa.  Rosaleen inclusive veio a ter uma especial reverencia ao Grande Deus Pan, ao qual ela considerava ” a totalidade de todo o ser , o verdadeiro Deus do Mundo e o Super-Deus do Equilíbrio da Natureza”. Haviam outros também, Lúcifer, Bafomet, Ecate e até  Júpiter, mas de acordo com ela, esses somente se manifestavam em suas visões de transe ao seu próprio bel prazer. “Não atendiam a qualquer invocação ou aceno de qualquer um”, explicou .  Também haviam as chamadas “forças menores”  na sua hierarquia do oculto, incluindo certo numero de demônios, seres espirituais e formas astrais. Algumas das entidades mágicas que apareciam em seus trabalhos artísticos parecem representar híbridos atávicos – metade humano, metade animal, quase sempre nus –  revelando os aspectos primevos da evolução espiritual da humanidade.

Certa vez, como Austin Spare, Rosaleen Norton começou a considerar sua arte como um veiculo para apresentar uma realidade alternativa e potencialmente muito mais impressionantes do que o mundo de aparências familiares. Numa de suas primeiras citações em seu diário oculto, ela chegou a marcar: “ Há sentidos, formas de arte, atividades e estados de consciência que não tem nenhum paralelo na experiência humana…verdadeiro cataclismo envolvente tanto do auto-conhecimento  como do conhecimento universal, presentes (quase sempre em forma alegórica) em todo e quaisquer aspectos concebíveis..metafísico, matemático, cientifico, simbólico…. Compõem um desconcertante espectro de experiências, cada uma completa em si própria, embora ainda assim interdependentes em significância com todas as outras facetas.  Uma experiência dessas poderia ser comparada a assistir e simultaneamente tomar parte de uma peça teatral em que todas as formas de arte estão presentes, a musica, o drama, os rituais cerimonialisticos, formas, sons e padrões, tudo formando um todo sinergistico  Grande parte da arte de Rosaleen foi influenciada pelas escolas cubistas e modernistas, mas detêm uma imagética visionaria muito forte e singular.  Suas imagens foram publicadas inicialmente em 1952, num volume controverso intitulado “A Arte de Rosaleen Norton”, de co-autoria do poeta Gavin Greenles.  Embora atualmente seus desenhos não pareçam tão “confrontacionais”, na época causaram furor nos meios tradicionais e tradicionalistas dos anos 50, já que seu editor, Wally Glover, chegou a ser convocado as barras da Lei e processado por tornar publico “imagens ofensivas a castidade e decência humanas”.  Examinado atualmente esta situação, fica claro que a admitida arte pagan de Rosaleen atingiu fundo toda a estreita e reacionária sensibilidade  judaica-crista de então  O que e´ indubitável e´que  seu melhor trabalho  emanava todo um poder arquétipo e próprio. Nos estudos esotéricos, por exemplo, um demônio furioso olha com lascívia a partir de uma realidade Qliptica, contrabalançado por uma forma de diamante de radiante brilho, enquanto que em Individualização, somos confrontados com um ser mítico resultado de uma fusão de elementos humano, animal e divino.  Similarmente, suas representações de Gebura´ – um vortex de poder dinâmico da Cabala – mostra um poderoso torso humano com uma cabeça alada de um falcão. Esse deus tem ainda um rabo de escorpião e patas  providas de garras, emanando uma agressividade crua e guerreira. Segura uma esfera em sua destra, que bem poderia ser o débil globo terrestre – envolvido pelo seu domínio.  Como Austin Spare, Rosaleen Norton foi uma adepta da exploração de estados alterados de consciência nos quais ela teria seus visionários encontros com deuses. Quando morreu em 1979, entrou para a lenda, embora por razoes errôneas. Em seus dias, perseguida por acusações de obscenidade – e também de “manipular massas negras” em seu abrigo da rua Kings Cross – Rosaleen Norton foi considerada uma marginal pagã e sua arte julgada bizarra e pornográfica.  Mas hoje podemos reavaliar seu trabalho sobre uma nova luz.  Sua imagistica nos parece querer escapar de nossos parcos limites, dar forma a realidades visionarias e arquetipicas que, para a maioria das pessoas, não pertencem a estados conscientes. Talvez foi esta a característica que fez sua arte tão chocante nos anos 50: ela ousou trazer a luz imagens vindas das camadas mais profundas do nosso psíquico, imagens que, para a maioria de nos, seria muito melhor que fossem reprimidas ou esquecidas.

H.R.Giger

hrgiger.jpgMais conhecido por ser o criador do Alien, O Oitavo Passageiro, Han-Ruedi Giger é nativo de Chur, na  Suíça, onde veio ao mundo em 1940.   Diferente de Spare e de Rosaleen,  não desenvolveu inicialmente sua arte visionaria a partir de um tradicional  conhecimento esotérico consciente.   Ao invés disso, as formas artísticas evocadas de sua psique e´ que o guiaram crescentemente em direção a realidade mágica.  As imagens conjuradas por Giger freqüentemente tomam forma sob uma iluminação nebulosa e etérea, levando o observador a cavernas de pesadelo ou espaços mágicos de onde não há nenhum meio tangível de se escapar.  Nos últimos anos, Giger vem se transformando num mago de grande intuição, com sua arte provendo  um assombrado testemunho das potentes energias que nascem do mais profundo da psique.

Quando criança, Giger costumava construir esqueletos de papelão, arame e gesso e tinha “um considerável mal gosto por e vermes e serpentes” – repugnância esta que até  hoje se manifesta em sua pintura. Depois, já aluno da Escola de Artes Aplicadas de Zurique, ele começou a ficar fascinado por imagens de tortura e terror – um fascínio estimulado pela precoce visão de fotografias tétricas do cadáver do Imperador da China, assassinado em 1904,   e ainda pelas lendas de Vlad, o Impalador – a figura histórica na qual Drácula, o Príncipe das Trevas, foi baseado  Mais tarde, o artista foi impressionado indelevelmente pelos textos macabros de H.P;Lovecraft, especialmente seu Mito de Cthulhu e o Necronomicon.  Parte desse apelo, como ele mesmo admite, e´ que o Necronomicon,  clamava ser “…um livro de magia  que ocasionaria grande sofrimento a humanidade se caísse em mãos erradas. Isso inclui a lenda de grandes deuses de nomes impronunciáveis, como Cthulhu e Yog-Sothoth,  adormecidos nas profundezas da terra e dos oceanos, esperando o alinhamento de certas estrelas para despertarem e tomarem posse de seus domínios, o nosso mundo”.  O amigo e mentor de Giger, Sergius Golowin, foi quem sugeriu mais tarde justamente o titulo de Giger´s Necronomicon ao seu primeiro livro de arte,  uma coleção de suas imagens visionarias e esotéricas, inicialmente publicado pela Basle, em 1977 – e depois com outras edições na Inglaterra.  Muitas das mais distintas pinturas de Giger retratam sua modelo principal, a linda atriz Li Tobler, com quem ele se encontrou em 1966, quando ela tinha 18 anos e vivia com outro homem. Giger foi morar no apartamento de sótão dela e se tornaram amantes. Ele recorda que ela “tinha enorme vitalidade e um grande apetite pela vida” e que ela também desejava “uma  vida curta, mas intensa”.  Li Tobler e´ o protótipo para as muitas mulheres torturadas, mas etéreas, que habitam suas pinturas, fazendo par atormentado a serpentes, agulhas e sufocantes cavernas-prisão formada por estruturas ósseas – já prenunciando seu estilo “biomecânico” que o tornou famoso mais tarde.  O próprio e belo corpo jovem e voluptuoso de Li serviu varias vezes de tela aos aerógrafos de Giger e existem diversas fotos mostrando a posando nua, como uma mulher misteriosa emergindo de um pesadelo que possuiu a sua alma.  Infelizmente, a vida de Li Tobler foi realmente curta. Atormentada por uma estressante vida de viagens com seu grupo de teatro por todo o pais e perturbada emocionalmente pela sucessão de outros amantes, ela interrompeu tragicamente sua vida numa segunda-feira de 1975, com um tiro de revolver.  Quando eu encontrei Giger em sua casa de Zurique  em 1984, para filmar uma seqüência ao documentário de TV “A Experiência do Oculto”, ficou claro para mim o quanto ele ainda estava assombrado por Li Tobler: a simultânea agonia e trabalho de viver com ela, contribuiu para impingir  uma dinâmica de medo e transcendência   em suas pinturas, como um legado perene da tumultuada relação que mantiveram.

Giger vive hoje numa atmosfera que evoca simultaneamente um senso de magia e de paranóia. A sala principal de escadarias em sua casa de dois andares e terraço, tem as paredes cobertas por telas impressionantes, exibindo  mulheres tipo Medusa, de peles fantasmagoricamente alvas, cabelos de serpente e com seres estranhos se enroscando em volta de seus voluptuosos corpos.  Garras, agulhas, metralhadoras, espinhas e outras estruturas ósseas também constituem o aspecto central da iconografia visual de Giger.  No meio da mesa monumental que ocupa o seu living, esta´ gravado um pentagrama, bruxuleantemente iluminados pela luz de velas compridas  de um conjunto de castiçais próximos.  Uma fileira de altíssimas estantes em um canto, revela um amontoado de crânios, caveiras e até autenticas cabeças encolhidas e mumificadas de uma tribo canibal.  Uma prateleira exibe o Oscar que premiou H.R. Giger  pelos efeitos especiais de Alien, num verdadeiro tributo a sua bizarra imaginação.  Escada acima e chegamos ao seu estúdio, verdadeiro caos de tintas, pinceis e trabalhos inacabados e descartados.  Aqui, ele experimenta suas técnicas de aerografia, espreiando tinta através de grades e peças de metal funcionando como mascaras –  para obter padrões repetidos de design, luz e sombra, e texturas, tonica de sua imagistica biomecanoide tão característica.  Ao final de uma comprida sala toda aberta existe uma enorme mesa negra, sustentada por pernas em bulbo, com tampo de impressionante polimento, quase um espelho. Modelada em plástico pesado, ela e´ ladeada por cadeiras altas, decoradas com caveiras e construídas para darem a impressão de vértebras distorcidas. Na cabeceira, a cadeira principal, cor cinza grafite, esta sim, construída de ossos verdadeiros.  Pairando sobre todo o cenário, um grande painel apresentando um demônio com chifres, um pentagrama prateado e muitas serpentes negras e hostis.  Indagado sobre suas “afiliações com o ocultismo” ele confirmou que, embora tenha estudado os escritos de Aleister Crowley, não pratica rituais nem se envolve com invocações de espíritos.  De toda forma ninguém poderia encontrar um templo para pratica de magia melhor que esta sala de Giger e os seres astrais que habitam suas pinturas compõem por si mesmos verdadeira legião de demônios.  Parece na verdade e´que Giger pratica a magia espontânea .  “Eu tento ir o mais próximo possível da minha imaginação” expressa o artista em seu inglês gaguejante. “Tenho alguma coisa na mente e tento trabalhar isto, numa espécie de exorcismo”.  E´ quando o débil véu que cobre sua mente e´ levemente descortinado que supitam as visões tempestuosas e impressionantes, como se os deuses da escuridão mais uma vez emergissem dos pesadelos de seu passado.

Conclusão

Como destacado desde o inicio, existe distintivos paralelismos entre Austin Osman Spare e Rosaleen Norton. Ambos foram influenciados por feitiçaria e tradições ocultas da magia oriental, ambos valeram-se de estados de transe e ambos acreditavam que o mundo dos deuses tem a sua própria intrínseca existência – servindo o artista apenas como veiculo de manifestação das energias arquetipicas, um canal inspirado. E e´ interessante que ambos empregaram técnicas de enfoque mental – usando mandingas e objetos físicos específicos para induzir o estado de transe. Como nas tradições de meditação oriental,  que utiliza um enfoque centralizado da mente e  da consciência numa intenção, como uma valorosa pratica para liberar energias psíquicas armazenadas.  H.R.Giger por sua vez,  nos prove com uma orientação de alguma forma diferente. Sua arte não deriva de estados transe  per si, mas flui de toda forma, de um tipo de exorcismo da alma.  Na Introdução a uma recente coleção de trabalhos de Giger publicada em 1991, o guru do LSD Timothy Leary confirmou o impacto da arte evocativa do pintor suíço: “ Giger, você retalha com navalha partes do meu cérebro e os molda, ainda pulsantes, sobre suas telas…Gostemos disto ou não, nos somos todos alienígenas insetóides encravados dentro de nossos corpos urbanóides. Seus cenários, seus slides microscópicos, são sinais para mutação”.

Nota: este é um trecho traduzido de  “Echoes from the Void: Writings about Magik, Visionary Art and the New Counsciousness”. Shadowplay zine – Austrália
Cortesia: www.alanmooresenhordocaos.hpg.com.br

Por Nevill Drury, Tradução: José Carlos Neves

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/austin-osman-spare-h-r-giger-e-rosaleen-norton-tres-artistas-malditos/

Katarsis e Miasmas

miasma

Miasma significa poluição, mas não no sentido que hoje lhe damos. Miasma é toda a sujidade associada ao mundano, a sujidade que este gera: quando corremos e transpiramos estamos a criar miasma, quando sangramos temos miasma, se caímos numa poça de lama geramos miasma.

Mas o miasma não se limita à sujidade física, incluindo também a sujidade espiritual, ética e mental. Assim, quando matamos algo de forma injusta criamos miasma, se ofendemos alguém também é miasma, se cometemos um crime aos Deuses fizemos miasma, os próprios pensamentos geram miasma.

Em suma, o miasma resulta da actividade humana. Situações especiais que geram miasma são o contacto com a morte, quer sejamos nós a matar ou morra alguém próximo de nós, um familiar ou amigo, e o sexo e nascimento. De realçar que nem o nascimento nem o sexo são considerados menos sagrados, mas quando acontecem as pessoas envolvidas ficam fisicamente sujas, pelo que é necessário um banho.

No caso do nascimento e da morte são também efectuados rituais especiais porque ambos representam as duas transições mais importantes da vida e, como tal, podem comportar forças que geram poluição.

De referir ainda que o miasma e as actividades que o geram não são consideradas negativas, profanas ou más, antes pelo contrário, há Deuses que estão directamente envolvidos nelas e muitos participam nelas e tanto o nascimento como a morte são simultaneamente as maiores geradoras de miasma e duas das coisas consideradas mais sagradas. O que se passa é que ir limpo a um ritual é uma espécie de etiqueta e os Deuses podem ficar ofendidos se desrespeitamos a etiqueta, porque isto mostra que os desrespeitamos a eles.

Finalmente, para as mulheres, a gravidez e a menstruação não são consideradas miasma, pelo que não há qualquer restrição nessas alturas – apenas se deve realizar a katarsis normal, incluindo um banho para remover a sujidade física que se acentua nessas ocasiões se não forem tomadas precauções.

Katarsis são todas as acções rituais que realizamos para nos livrarmos do miasma, quer seja porque vamos a um templo ou ritual e, portanto, não queremos desrespeitar os Deuses, quer porque apanhámos uma dose muito grande e queremos livrar-nos dela. Por vezes o miasma que temos é tão grande que é transmitido a outras pessoas, como acontece com os assassinos, e, por isso, devem realizar-se rituais para nos livrarmos dele.

Mas a katarsis não é apenas uma forma de remover a sujidade, ela também prepara a nossa mente e o nosso espírito, para além do corpo e do espaço, para um ritual, focando os nossos pensamentos e distinguindo a situação ritual de outras.

Ir a um ritual sem katarsis é um enorme desrespeito: seria como ir a um casamento sujo, ou a uma reunião de escritório com calções de banho e bikini. Tanto a sujidade como os calções de banho e o bikini não são negativos em si – é a sua presença em determinado contexto que os torna negativos, que os torna miasma. Realizarmos a katarsis, nestes exemplos, seria tomar banho e vestir roupas lavadas para o casamento e vestir algo formal para a reunião.

Por outro lado, se um dos noivo nos encontrar no dia a dia e nós formos mecânicos não se ofenderá da sujidade, do mesmo modo que um chefe que encontre o subordinado na praia não tomará por ofensa ele estar com fato de banho: até é provável que ele mesmo esteja.

Também os Deuses não se ofendem se no dia a dia os contactarmos com preces ou devoções espontâneas e tivermos miasma, mas em rituais a situação é mais distinta pelo que devem ser tomadas precauções.

Antes do Ritual

Limpeza da Pessoa

Antes de ir para o ritual devem-se efectuar acções específicas para se purificar a si mesmo, numa espécie de transição do mundano para o ritual. A principal acção é o banho, a limpeza física da pessoa através da água e, no caso moderno, dos sabonetes, champôs, géis de banho, perfumes, etc. Para festivais e grandes rituais é sempre necessário que a pessoa se arranje, tomando banho e perfumando-se e também vestindo roupas limpas ou especiais. Para devoções mais pequenas convém sempre lavar as mãos e a cara e os dentes, enquanto que para simples preces no momento não é necessário tomar qualquer destas atitudes.

Relativamente às roupas, estas podem ser especiais para nós, quer sejam roupas que só usamos em ocasiões especiais, ou mesmo exclusivas para os rituais, quer sejam gregas, latinas, ou modernas. Roupas normais também servem, desde que nos esmeremos para causar “boa impressão” é suficiente. O único requisito é que, tal como a pessoa, as roupas sejam limpas: não serve a roupa com que andámos no dia anterior, por exemplo.

Actualmente muitos helenistas gostam de acrescentar outras formas de preparação para o ritual que não eram praticadas na antiguidade, mas que preparam melhor a mente e acalmam o espírito, permitindo que nos foquemos apenas no ritual e nos Deuses. Refiro-me, é claro, a meditações. Estas são inteiramente opcionais, mas na minha opinião acrescentam muito valor e profundidade a um ritual.

Na antiguidade existiam muitas formas de katarsis, incluindo o jejum, total ou parcial, purificação pelo sangue, purificação pelo fogo, banhos no mar ou rios, purificação pelos cereais, entre outras, quer realizadas antes quer depois do ritual, mas não vou referir-me a elas mais neste artigo.

Limpeza do Espaço

A limpeza do espaço antes do ritual era efectuada pelo neokoros que mantinha o templo sempre limpo, literalmente, varrendo-o e esfregando-o. Antes de um grande ritual a divisão deve sempre ser meticulosamente limpa, mas para rituais normais basta a limpeza normal, não é preciso que a divisão esteja “um brinco”. Para além disso, existem técnicas de limpeza rituais, hoje praticadas pela pessoa que efectuará o ritual.

Várias horas antes efectua-se a fumigação com enxofre. Esta consiste em queimar enxofre e deixar que este encha o ar, purificando-o. Pode ser feita uma prece a Apolo, Deus da purificação. Pessoalmente, quase nunca uso enxofre porque os meus rituais são de manhã e não dá tempo para que o cheiro do enxofre desapareça completamente, isto para além de os fumos serem tóxicos e se entranharem, especialmente em sofás ou camas. Eu prefiro usar o incenso, deixando o quarto completamente às escuras com vários paus de incenso acesos para que o encham completamente, abandonando-o depois das acções rituais para que fique numa espécie de incubação, que é o método porque Apolo mais se manifesta. O quarto permanece assim, completamente fechado, sem que nada nem ninguém lá entre antes do ritual, e a luz só volta aquando do ritual, nomeadamente da segunda acção purificante antes do ritual, para que se possa ver o que se faz, quer seja através de luz solar, de lâmpadas ou de velas.

Antes dos convidados chegarem, ou antes de entrar no quarto com as oferendas para fazer o ritual, a pessoa entra carregando consigo o khernips, uma taça com água. Então acende-se a chama sagrada e prepara-se o khernips, tornando a água sagrada. As formas de o fazer são muito variadas, pois não se conhece a forma usada na antiguidade, e não estão no propósito deste artigo. Após acender a chama e se preparar o khernips, coloca-se este à entrada para que todos os participantes se limpem antes de entrar.

Em rituais solitários costumo sair com o khernips, após o ter usado para me limpar a mim e ao espaço ritual, em sentido oposto ao do ponteiro dos relógios, e salpico todas as oferendas, deixando depois o khernips fora do quarto e entrando com as oferendas. No caso de rituais colectivos é normal que o khernips seja salpicado sobre os outros pela pessoa que o preparou e também sobre as oferendas, sendo depois novamente depositado fora do local do ritual, já que absorveu todas as impurezas e miasma e convém que esteja fora do espaço e das pessoas agora sagrados.

Durante o Ritual

Limpeza da Pessoa

A limpeza da pessoa durante o ritual propriamente dita é efectuada por ela mesma antes de entrar no espaço sagrado e pelo sacerdote, que a salpica novamente com khernips. Depois a pessoa é que se deve esforçar por manter os pensamentos centrados no ritual e por dar o melhor de si.

Limpeza do Espaço

Quando as pessoas entram no espaço sagrado, percorrem-no no sentido oposto ao ponteiro dos relógios, às vezes sob a forma de uma dança, que demarca claramente o espaço sagrado. Depois dá-se a oferta inicial de grão, em que cada pessoa tira um pouco de grão do cesto onde a faca sacrificial se encontra escondida, e segurando o grão todos o atiram para o chão, ficando em completo silêncio. O efeito é demarcar claramente o começo do sagrado e é fantástico, principalmente se foi antecedido por música e depois só se ouve o salpicar dos grãos que gradualmente é substituído por silêncio.

Então, o ritual propriamente dito começa.

Depois do Ritual

Quando o ritual acaba o espaço fica cheio de grão no chão e com as ofertas. Caso seja numa floresta deixa-se a área e o ritual está concluído. Mas quando o ritual se dá em espaços do interior convém que o espaço seja limpo, algumas horas depois, para que os Deuses possam apreciar totalmente as ofertas antes de as retirarmos. As ofertas perecíveis e libações são deixadas numa floresta ou parque, sendo as ofertas enterradas. Quando não há hipótese de o fazer podem ser simplesmente deitadas fora, mas embrulhadas num saco em separado.

Outras ofertas podem ficar no local por mais tempo, como por exemplo flores, estátuas, jóias, entre outras.

Lista

E aqui fica uma pequena lista para verificar antes do ritual:

– Fumigação do Espaço

– Ocasião especial (morte e nascimento) = purificação especial (jejum, ritual, entre outros)

– Banho e roupas novas/especiais

– Outras formas de preparação: meditação

– Khernips e Chama Sagrada

– Circumbalação

– Purificação por cereais e silêncio

Está em Português de Portugal, mas é muito bom. Espero que não tenham problemas em entender.

#Rituais

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/katarsis-e-miasmas

Magia Enochiana: Um breve resumo

Visa este trabalho uma breve introdução ao sistema magicko conhecido como Magia Enochiana, direcionado aos iniciantes que desejam conhecer as bases do mesmo antes de lançar-se a um estudo mais profundo do mesmo. Serão apresentados um breve histórico, o alfabeto, técnicas de pronúncia, as Tábulas, uma visão geral das entidades envolvidas e um rápido resumo das técnicas.

Histórico

A Magia Enochiana é um poderoso sistema mágico (não uma Tradição, deve-se notar) que utiliza uma antiga linguagem apresentada ao homem moderno pelo mago John Dee e pelo sensitivo Edward Kelly no século XVI. Utilizando-se de uma coleção de cristais e pedras Kelly comunicou-se com formas de inteligência angélicas, enquanto Dee dirigia os experimentos, cuidava dos procedimentos e anotava os resultados de cada seção. Desta forma a linguagem Enochiana – base deste sistema mágico – foi descoberta (ou talvez, redescoberta). Posteriormente este sistema foi ampliado por Aleister Crowley pela revelação de suas correspondências planetárias e numéricas, o que possibilitou a criação da Gematria Enochiana.

É importante ressaltar que as entidades angéllicas com as quais se lida na Magia Enochiana não correspondem per si nem à concepção popupar de anjos nem à cabalística. Não podemos pensar nos Anjos Enochianos como as figuras contemplativas e sem Vontade que são os anjos cabalísticos. E sob hipótese nenhuma pode-se pensar neles como as criaturas patéticas ditas “anjos” de certos ramos dos movimentos “New Age”. Para todos os meios e fins são consideradas entidades particulares com cuja lida deve ser cuidadosa. Um Anjo Enochiano é uma inteligência antiqüíssima,.estas entidades representam energias poderosas as quais não se devem tratar levianamente.

O Alfabeto Enochiano

Este representa a linguagem angélica que foi transmitida a Dee e Kelly, sendo tão poderosa que teve seus nomes anunciados de trás para diante, de modo a prevenir a conjuração acidental de algumas entidades. Acreditava-se que a simples pronúncia do nome desta entidade seria suficiente para conjurá-la, ou pelo menos algum aspecto seu. Esta linguagem foi denominada “Enochiano” por causa do patriarca bíblioco Enoch, o qual dizia-se ter “caminhado com Deus”. Este também era o nome de um grupo de adeptos que praticavam o ocultismo durante a Idade Média. Segue abaixo uma tabela apresentando este alfabeto:

 

Deve-se perceber que, de conformidade com o trabalho de Crowley conforme já dito, cada letra apresenta sua correspondência planetária, elemental e nos Arcanos Maiores, além de seu valor Gematrico.

Para a utilização deste sistema mágico é imprescindível a correta pronúncia dos nomes e fórmulas. Há uma certa semelhança entre a pronúncia deste idioma e a do Hebraico, sendo quem, por uma facilidade (muitas vezes gráfica) normalmente utilizam-se os caracteres latinos correspondentes. As dez principais regras de pronúncia são:

1. A maioria das consoantes possuem um e ou um eh adicional. Por exemplo, a letra b (B) pronuncia-se beh e a letra k (K) é pronunciada como keh.

2. A maioria das vogais pronuncia-se com um suave h ao final. Exemplos: a (A) é pronunciada ah e e (E) pronuncia-se eh.

3. A palavra enochiana sobha (SOBHA) é pronunciada em três sílabas:

*

 

*

SO (SO)– soh

*

B (B)– beh

*

HA (HA)– hah

Esta é uma regra geral para as palavras.

1. A letra g (G) tanto pode ser pronunciada como um gu (como em “gato” ou “guerra”) ou como um j (como em “gelo” ou “giz”).

2. As letras I e Y possuem o mesmo caractere: i. Desta forma elas podem ser trocadas por terem a mesma pronúncia. O mesmo ocorre com as letras V e U (v). Quando em representação latina, as letras J e W raramente são utilizadas.

3. A letra x (X) pode possuir o som de um s (como em “samekh”) ou de tz (como em “tzaddi”).

4. A letra s (S) tanto pode ser pronunciada como ess quanto como seh.

5. A letra r (R) possui tanto a pronúncia de rah quanto a de reh e de ar.

6. A letra z (Z) é pronunciada como zeh mas pode ser trocada com a letra s (S).

7. A vogal i (I) pronuncía-se í, como no Português.

De uma forma genérica, quando se trata de Enochiano a pronúncia das palavras assume uma forma fluida, passando de sílaba para sílaba sem uma sensação de “quebra”. Há quase que a idéia de uma canção, um ritimo. Raramente uma palavra Enochiana possuirá um som áspero. Quando se tratam de nomes de entidades o ideal é que cada nome flua em um único fôlego.

Algumas palavras possuirão mais de uma pronúncia possível. Isto ocorre por serem proveniente das Tábulas Enochianas, que contém mais de uma letra em cada uma das células. Como uma regra geral, a pronúncia deverá incluir todas as letras. Caso não seja possível fazê-lo, deve-se utilizar a letra de cima.

Alguns nomes não deverão ser apenas pronunciados, mas sim “vibrados” – especialmente durante invocações. Esta “vibração” deve ser efetuada como o som ocupando não apenas a boca do invocador mas todo o seu peito, extendendo-se para os membros e a cabeça. Quando verbalmente “vibrados” os nomes devem também possuir uma projeção mental e espiritual. Para que tal se de, o invocador deve estar em plena concentração.

Procedimentos

Dentro do sistema de magia Enochiano compreende basicamente dois tipo de operações mágickas: a invocação dos espíritos e a viagem astral. Ambos os tipos têm sido utilizados com a mesma eficácia. Deve-se lembrar que este sistema funciona por ser esta a Vontade do magista; ou seja faz-se aqui necessária uma intensa disciplina de forma a que a determinação da Vontade possa ser apartada do capricho.

Estas invocações ou viagens astrais, de uma forma ou de outra, envolvem o deslocamento através dos Planos Cósmicos. O conhecimento destes Planos é um ponto central no estudo de Magia Enochiana, complementar ao da linguagem. Tal como na doutrina cabalística, no sistema Enochiano a divindade expressa-se dos Planos mais altos para os mais baixos, “adensando-se” ao descer. Esta estrutura é apresentada na tabela seguinte, que apresenta as divisões cabalísticas dos Planos e suas correspondentes Enochianas (com os corpos nelas assumidos).

 

 

Um lembrete interessante é que não necessitamos, por quaisquer operações especiais, criar os corpos usados em cada plano, uma vez que já os possuímos todos.

Mais do que as divisões de Planos encontradas nos sistemas mágicos tais como o da Cabalá, que vê estes Planos como esferas concêntricas, o sistema Enochiano divide-as em treze sub-planos ou zonas, denominadas Aethyrs.

O Sistema Enochiano define que em cada um dos planos existe a presença de uma chamada Torre de Vigia. As quatro Torres de Vigia correspondentes aos quatro elementos físicos (terra, água, ar e água) circundam nosso plano, cada uma em um diferente Plano Cósmico. Por sobre estas Torres há uma área chamada de Tableta da União, que ocupa o Plano Espiritual acima do Abismo.

De forma a permitir o estudo das Torres e sua hierarquia, Dee e Kelly criaram um tábulas quadrangulares, representativas de cada uma das Torres e da União. Estas tábulas representam o fio condutor do sistema de magia Enochiana, sendo uma representação do Cosmo, tal como a Árvore da Vida. Todos os nomes de todos os Anjos e suas hierarquias podem ser encontradas nestas tábulas. Os Aethyrs podem ser vistos como quadrados concêntricos circundando as Torres, sendo que cada quadrante possui uma complexa representação interna dos entrelaçamentos dos elementos físicos.

Um estudo completo destas estruturas vai muito além do propósito deste resumo, entretanto deixaremos aqui uma pequena idéia deste todo.

As Tábulas

Deve-se saber que assim como cada uma das tabletas representa um dos elementos físicos, estas quatro podem ser unidas em uma Grande Tábula, através de uma cruz unificadora. Esta cruz, quando rearranjada na forma de um quadrado forma a Tableta de União, representando o Espírito. Devido a esta estrutura interna, forma-se uma hierarquia de entidades relativas a cada elemento. Os graus hierárquicos são: Nomes (ou Nomes Sagrados), Reis (ou Grandes Reis) e Senhores.

Os Nomes Sagrados são obtidos na coluna central, chamada “Linea Spiritus Sancti”. Os nomes dos Grandes Reis são obtidos a partir do centro de cada tableta e formando-se uma espiral. E os nomes dos Senhores são obtidos na linha central e nas duas colunas centrais de cada quadrante, lendo-se de dentro para fora. Por uma questão de precaução estes nomes serão omitidos deste estudo. Há de se saber, entretanto, que não basta o conhecimento dos nomes destas entidades angélicas. Para um efetivo uso da Magia Enochiana é fundamental o conhecimento das características de cada uma destas entidades, obtidas através da Gematria Enochiana e do conhecimento do significado de cada um dos nomes. Tal conhecimento proporciona não apenas a ciênca de qual das entidades deve ser contatada mas quais as imagens mentais deverm ser utilizadas durante a operação mágica.

Através de estudos mais aprofundados das Tábulas, outras hierarquias podem ser encontradas. A estas hierarquias, por uma questão de conveniência foram dados os nomes de: Kerúbicos (Querubins), Arcanjos e Anjos Menores. Foram também encontradas evidências de criaturas às quais denominaram-se Demônios Enochianos.

Rituais de Invocação

Cada grupo de entidades angélicas possui uma forma ritual própria para invocação/banimento, baseadas nos hexagramas elementais. Por exemplo, um ritual de invocação Enochiano para as Entidades Superiores segue a seguinte base:

Preparação

1. Determinação do Rei ou Senhor a ser invocado (tradicionalmente não se invocam Nomes), dependendo do propósito do ritual de Invocação.

2. Determinação, na Tábula correspondente, do elemento e signo planetário relativos à entidade (no caso de Reis, todos os seis signos planetários são utilizados).

3. Memorização da pronúncia de todos os nomes envolvidos (Nome, Rei e, dependendo, Senhor).

4. Verificação do(s) hexagrama(s) a serem utilizados.

5. Posicionamento face à Torre de Vigia adequada (ar = leste, água = oeste, terra = norte, fogo = sul).

Invocação

1. Traçagem no ar dos hexagramas apropriados com a Varinha, começando no vértice correspondente ao planeta daquele Senhor ou no topo se for um Rei fazendo o movimento em sentido horário.

2. Como os hexagramas completos, repetir o Nome e o nome do Rei envolvidos e, conforme o caso, do Senhor. Conçentração nas características daquela entidade

Banimento

1. Trace os mesmo hexagramas do ritual de invocação, mas agora em sentido anti-horário.

Há também formas rituais para invocação de Querubins, Arcanjos e Anjos Menores, que não apresentaremos para não extender por demais este trabalho.

Rituais Astrais – Visão Espiritual

Muitas vezes um magista fica frustrado por não perceber manifestações mais diretas da entidade sendo invocada. Isto deve-se ao fator limitante do Paradigma. Entretanto há uma forma de se eliminar este fator. Para isto deve-se reduzir o âmbito de realidade ao próprio magista. Ou seja, ao invés de se invocar uma entridade não-terrena para nosso plano o magista vai até o plano da entidade. A isto Dee e Kelly chamaram “Visão Espiritual”; ou como dir-se-ia hoje, viagem astral.

Três formas de trabalho podem ser utilizadas, a saber:

1. Visualização: método mais recomendado a iniciantes, lembra a clarividência. Basicamente utiliza simbolismos e meditação para ativar a visão interior, de forma a se obter as visões correspondentes às Tábulas e quadrantes.

2. Viagem astral: utiliza as técnicas de projeção astral para lançar o magista aos Aethyrs.

3. Ascenção: forma mais avançada da técnica anterior, é fortemente recomendada apenas para magistas de grande experiência. Similar à projeção astral mas com uma vivência mais profunda.

Para facilitar o trabalho mágico, Dee e Kelly prepararam também uma série de Chamadas (ou Chaves), a serem utilizadas. São em número de 49, sendo que a primeira (numerada como 0) não possui palavras e é usada com o intento de se limpar a mente para o ritual. A mesma chave é utilizada para todos os Aethyrs, sendo apenas acrescentado o nome do Aethyr que se deseja alcançar. Na Chamada este nome costuma ser deixado em branco para que o magista preenchao-o com o nome adequado às suas necessidades.

Conclusão

O sistema de Magia Enochiana é uma forma poderosa de experiência mágicka. Seu estudo é compensador a todos aqueles que desejam ampliar seus conhecimentos neste campo. Muitas outras correlações podem ser encontradas nos estudos das Tábulas, como aquelas entre Aethyrs e a Árvore da Vida ou as correspondências entre as entidades angélicas e o panteão egípcio.

Não é uma forma de estudo simples mas com certeza é surpreendente a cada descoberta e pode ser uma ferramenta inestimável para o magista.

Fra. Horus Episkopos, O.T.O. – Brasil / Oasis Quetzalcoatl

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/magia-enochiana-um-breve-resumo/

Deus não é um Ser

Este texto originalmente foi um comentário de um leitor (o Phanta) sobre o texto “A Corrupção da Magia Moderna” mas foi tão coerente com o que eu penso e com a maneira como os ocultistas vêem o universo que vale a pena ser transformado em um post para debate.

Dá pra ver claro as boas intenções por trás do texto. Dá pra ver que muito do que está aí é consonante com o que nossas mentes percebem. A questão da necessidade do professor é extrema, e não se aplica só ao ocultismo. Mas o texto tem um problema grande pro leitor médio do blog:

O texto foi escrito pra quem é parte da FR, ou entende parte do que ela prega. Por isso, ele usa conceitos que quem está de fora não vai entender de jeito nenhum, e um é extremamente doloroso: Deus.

Eu até hoje não conheci uma pessoa que tenha realmente negado a existencia de um sistema, uma lei, que rege todo o universo. Os “ateus” que eu conheço, são grandes entusiastas da ciencia básica, que é a tentativa, por teste e observação de compreender parte dessas leis. Eles estão mais próximos de Deus do que a grande maioria dos teístas, e qualquer bom obervador pode notar isso.

O problema é o nome.

A ideia de Deus evoca um “ser superior”, que remete a autoridade, paternidade, moralidade. As religiões organizadas tratam a moral, que é uma criação da sociedade, do homem, como uma lei, tão ou mais importante que as leis naturais. E tratam as violações dela como “karma”, ou pecado, ou o que quer que seja, como se o universo estivesse preocupado com como voce usa seu dinheiro, ou com seus hábitos sexuais.

Ele não está. O universo não está. Deus não está.

O nerd estranho que está estudando matemática, procurando a resposta pra aquela questão ali na mente dele, está mais próximo da iluminação que quem está desehando sigilos, ou que passa 20 minutos em suposta meditação, esperando que algo se manifeste.

Deus não é um “ser”. A essência do homem não é o lado moralmente bondoso, ou o que segue leis morais. O homem bom é o que vive e cria novos homens, e passa o que pode de seu conhecimento pra eles. É pra isso que nós existimos. É isso que o universo, que Deus, espera de nós.

As regras, e hierarquias, convenções sociais, “ordens”, são o exemplo maior do que afasta os homens de sua essência, de Deus.

Saia! Fale com estranhos! Converse, ensine, aprenda! É o que todo homem quer.

“Faça o que tu queres há de ser o todo da lei”

Dar o passo pra frente é mais fácil do que parece!

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/deus-n%C3%A3o-%C3%A9-um-ser

Feliz Ano Novo Egípcio!

26/07 é considerado o Ano Novo no calendário do Antigo Egito. O Casamento de Ísis e Osíris,

Esse dia TAMBÉM corresponde com a ascenção, no ressurgimento da estrela SÍRIUS, a principal estrela da Constelação do Cão Maior (Canis Major), e a mais brilhante nos céus da terra, minutos antes do nascer do Sol no amanhecer do dia 26 de julho, fenômeno conhecido como o nascimento HELÍACO DE SÍRIUS o que ocorre anualmente EM TODAS AS MANHÃS DO DIA 26 de Julho e que era celebrado como o início de um novo ano no antigo EGITO e TAMBÉM pelos MAIAS.

No caso de Sírius, o intervalo entre um desses aparecimentos conhecido como o nascimento HELÍACO DE SÍRIUS e o seguinte equivale a exatamente 365,25 dias – um número matematicamente harmonioso, sem complicação de mais casas decimais, e que é apenas doze minutos mais longo do que a duração do ano solar. O curioso sobre Sírius é que entre umas 2.000 estrelas visíveis a olho nu, ela é a ÚNICA a erguer-se heliacalmente nesse intervalo preciso e belamente redondo de 365 dias e um quarto de dia – um produto único de “seu movimento próprio” (a velocidade de seu próprio movimento através do espaço), combinado com os efeitos da precessão dos equinócios aqui na Terra.

No calendário Maia os dias 23 e 24 de julho, que antecedem o dia-fora-do-tempo, são propícios para meditação, transformação e renovação, sobre o que devemos jogar fora, ao nos desapegarmos do que não nos serve mais, abandonar o que é falso em nossa vidas, e ao mesmo tempo, buscar na essência de nosso ser real aquilo que vale a pena para consolidarmos a presença do espírito divino cada vez mais presente em nossas vidas durante o próximo ano!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/feliz-ano-novo-eg%C3%ADpcio

Magia Enochiana

Visa este trabalho uma breve introdução ao sistema magicko conhecido como Magia Enochiana, direcionado aos iniciantes que desejam conhecer as bases do mesmo antes de lançar-se a um estudo mais profundo do mesmo.

 

Serão apresentados um breve histórico, o alfabeto, técnicas de pronúncia, as Tábulas, uma visão geral das entidades envolvidas e um rápido resumo das técnicas.

Histórico

A Magia Enochiana é um poderoso sistema mágico (não uma Tradição, deve-se notar) que utiliza uma antiga linguagem apresentada ao homem moderno pelo mago John Dee e pelo sensitivo Edward Kelly no século XVI. Utilizando-se de uma coleção de cristais e pedras Kelly comunicou-se com formas de inteligência angélicas, enquanto Dee dirigia os experimentos, cuidava dos procedimentos e anotava os resultados de cada seção. Desta forma a linguagem Enochiana – base deste sistema mágico – foi descoberta (ou talvez, redescoberta). Posteriormente este sistema foi ampliado por Aleister Crowley pela revelação de suas correspondências planetárias e numéricas, o que possibilitou a criação da Gematria Enochiana.

É importante ressaltar que as entidades angéllicas com as quais se lida na Magia Enochiana não correspondem per si nem à concepção popupar de anjos nem à cabalística. Não podemos pensar nos Anjos Enochianos como as figuras contemplativas e sem Vontade que são os anjos cabalísticos. E sob hipótese nenhuma pode-se pensar neles como as criaturas patéticas ditas “anjos” de certos ramos dos movimentos “New Age”. Para todos os meios e fins são consideradas entidades particulares com cuja lida deve ser cuidadosa. Um Anjo Enochiano é uma inteligência antiqüíssima,.estas entidades representam energias poderosas as quais não se devem tratar levianamente.

O Alfabeto Enochiano

Este representa a linguagem angélica que foi transmitida a Dee e Kelly, sendo tão poderosa que teve seus nomes anunciados de trás para diante, de modo a prevenir a conjuração acidental de algumas entidades. Acreditava-se que a simples pronúncia do nome desta entidade seria suficiente para conjurá-la, ou pelo menos algum aspecto seu. Esta linguagem foi denominada “Enochiano” por causa do patriarca bíblioco Enoch, o qual dizia-se ter “caminhado com Deus”. Este também era o nome de um grupo de adeptos que praticavam o ocultismo durante a Idade Média. Segue abaixo uma tabela apresentando este alfabeto:

Carac.

Nome

Equiv.

Corresp.Planetaria ou Elemental

Corresp. no Tarot

Valor Gematrico

A

Un

A

Touro

Hierofante

6

B

Pe

B

Áries

Estrela

5

C

Veh

C | K

Fogo

Julgamento / Aeon

300

D

Gal

D

Espírito

Imperatriz

4

E

Graph

E

Virgem

Heremita

10

F

Orth

F

Cauda Draconis

“Juggler”

3

G

Ged

G

Câncer

Carro

8

H

Na-hath

H

Ar

Louco

1

I

Gon

I | Y | J

Sagitário

Temperança / Arte

60

L

Ur

L

Câncer

Carro

8

M

Tal

M

Aquário

Imperador

90

N

Drun

N

Escorpião

Morte

50

O

Med

O

Libra

Justiça

30

P

Mals

P

Leão

Força / Desejo

9

Q

Ger

Q

Água

Enforcado

40

R

Don

R

Peixes

Lua

100

S

Fam

S

Gêmeos

Amantes

7

T

Gisa

T

Leão

Força / Desejo

9

Caput Draconis

Alta Sacerdotiza

3

U

Vau

U | V | W

Capricórnio

Demônio

70

X

Pal

X

Terra

Universo

400

Z

Ceph

Z

Leão

Força / Desejo

9

Caput Draconis

Alta Sacerdotiza

3

Deve-se perceber que, de conformidade com o trabalho de Crowley conforme já dito, cada letra apresenta sua correspondência planetária, elemental e nos Arcanos Maiores, além de seu valor Gematrico.

Para a utilização deste sistema mágico é imprescindível a correta pronúncia dos nomes e fórmulas. Há uma certa semelhança entre a pronúncia deste idioma e a do Hebraico, sendo quem, por uma facilidade (muitas vezes gráfica) normalmente utilizam-se os caracteres latinos correspondentes. As dez principais regras de pronúncia são:

1 – A maioria das consoantes possuem um e ou um eh adicional. Por exemplo, a letra b (B) pronuncia-se beh e a letra k (K) é pronunciada como keh.

2 – A maioria das vogais pronuncia-se com um suave h ao final. Exemplos: a (A) é pronunciada ah e e (E) pronuncia-se eh.

3 –  A palavra enochiana sobha (SOBHA) é pronunciada em três sílabas:

SO (SO)– soh 

B (B)– beh

HA (HA)– hah

Esta é uma regra geral para as palavras.

4 – A letra g (G) tanto pode ser pronunciada como um gu (como em “gato” ou “guerra”) ou como um j (como em “gelo” ou “giz”).

5-  As letras I e Y possuem o mesmo caractere: i. Desta forma elas podem ser trocadas por terem a mesma pronúncia. O mesmo ocorre com as letras V e U (v). Quando em representação latina, as letras J e W raramente são utilizadas.

6 – A letra x (X) pode possuir o som de um s (como em “samekh”) ou de tz (como em “tzaddi”).

7 – A letra s (S) tanto pode ser pronunciada como ess quanto como seh.

8 – A letra r (R) possui tanto a pronúncia de rah quanto a de reh e de ar.

9 – A letra z (Z) é pronunciada como zeh mas pode ser trocada com a letra s (S).

10 – A vogal i (I) pronuncía-se í, como no Português.

 

De uma forma genérica, quando se trata de Enochiano a pronúncia das palavras assume uma forma fluida, passando de sílaba para sílaba sem uma sensação de “quebra”. Há quase que a idéia de uma canção, um ritimo. Raramente uma palavra Enochiana possuirá um som áspero. Quando se tratam de nomes de entidades o ideal é que cada nome flua em um único fôlego.

Algumas palavras possuirão mais de uma pronúncia possível. Isto ocorre por serem proveniente das Tábulas Enochianas, que contém mais de uma letra em cada uma das células. Como uma regra geral, a pronúncia deverá incluir todas as letras. Caso não seja possível fazê-lo, deve-se utilizar a letra de cima.

Alguns nomes não deverão ser apenas pronunciados, mas sim “vibrados” – especialmente durante invocações. Esta “vibração” deve ser efetuada como o som ocupando não apenas a boca do invocador mas todo o seu peito, extendendo-se para os membros e a cabeça. Quando verbalmente “vibrados” os nomes devem também possuir uma projeção mental e espiritual. Para que tal se de, o invocador deve estar em plena concentração.

Procedimentos

Dentro do sistema de magia Enochiano compreende basicamente dois tipo de operações mágickas: a invocação dos espíritos e a viagem astral. Ambos os tipos têm sido utilizados com a mesma eficácia. Deve-se lembrar que este sistema funciona por ser esta a Vontade do magista; ou seja faz-se aqui necessária uma intensa disciplina de forma a que a determinação da Vontade possa ser apartada do capricho.

Estas invocações ou viagens astrais, de uma forma ou de outra, envolvem o deslocamento através dos Planos Cósmicos. O conhecimento destes Planos é um ponto central no estudo de Magia Enochiana, complementar ao da linguagem. Tal como na doutrina cabalística, no sistema Enochiano a divindade expressa-se dos Planos mais altos para os mais baixos, “adensando-se” ao descer. Esta estrutura é apresentada na tabela seguinte, que apresenta as divisões cabalísticas dos Planos e suas correspondentes Enochianas (com os corpos nelas assumidos).

Plano No

Sistema Cabalista

Sistema Enochiano

Plano

Corpo

1

Os 3 Planos do Mundo Divino

Divino

Divino

2

Espiritual

Espiritual

3

O GRANDE ABISMO EXTERIOR

4

Arquetípico

Mental

Mental

5

Intelectual (criativo)

6

Substancial (formativo)

Astral

Astral

7

Físico

Físico

Físico

Um lembrete interessante é que não necessitamos, por quaisquer operações especiais, criar os corpos usados em cada plano, uma vez que já os possuímos todos.

Mais do que as divisões de Planos encontradas nos sistemas mágicos tais como o da Cabalá, que vê estes Planos como esferas concêntricas, o sistema Enochiano divide-as em treze sub-planos ou zonas, denominadas Aethyrs.

O Sistema Enochiano define que em cada um dos planos existe a presença de uma chamada Torre de Vigia. As quatro Torres de Vigia correspondentes aos quatro elementos físicos (terra, água, ar e água) circundam nosso plano, cada uma em um diferente Plano Cósmico. Por sobre estas Torres há uma área chamada de Tableta da União, que ocupa o Plano Espiritual acima do Abismo.

De forma a permitir o estudo das Torres e sua hierarquia, Dee e Kelly criaram um tábulas quadrangulares, representativas de cada uma das Torres e da União. Estas tábulas representam o fio condutor do sistema de magia Enochiana, sendo uma representação do Cosmo, tal como a Árvore da Vida. Todos os nomes de todos os Anjos e suas hierarquias podem ser encontradas nestas tábulas. Os Aethyrs podem ser vistos como quadrados concêntricos circundando as Torres, sendo que cada quadrante possui uma complexa representação interna dos entrelaçamentos dos elementos físicos.

Um estudo completo destas estruturas vai muito além do propósito deste resumo, entretanto deixaremos aqui uma pequena idéia deste todo.

As Tábulas

Deve-se saber que assim como cada uma das tabletas representa um dos elementos físicos, estas quatro podem ser unidas em uma Grande Tábula, através de uma cruz unificadora. Esta cruz, quando rearranjada na forma de um quadrado forma a Tableta de União, representando o Espírito. Devido a esta estrutura interna, forma-se uma hierarquia de entidades relativas a cada elemento. Os graus hierárquicos são: Nomes (ou Nomes Sagrados), Reis (ou Grandes Reis) e Senhores.

Os Nomes Sagrados são obtidos na coluna central, chamada “Linea Spiritus Sancti”. Os nomes dos Grandes Reis são obtidos a partir do centro de cada tableta e formando-se uma espiral. E os nomes dos Senhores são obtidos na linha central e nas duas colunas centrais de cada quadrante, lendo-se de dentro para fora. Por uma questão de precaução estes nomes serão omitidos deste estudo. Há de se saber, entretanto, que não basta o conhecimento dos nomes destas entidades angélicas. Para um efetivo uso da Magia Enochiana é fundamental o conhecimento das características de cada uma destas entidades, obtidas através da Gematria Enochiana e do conhecimento do significado de cada um dos nomes. Tal conhecimento proporciona não apenas a ciênca de qual das entidades deve ser contatada mas quais as imagens mentais deverm ser utilizadas durante a operação mágica.

Através de estudos mais aprofundados das Tábulas, outras hierarquias podem ser encontradas. A estas hierarquias, por uma questão de conveniência foram dados os nomes de: Kerúbicos (Querubins), Arcanjos e Anjos Menores. Foram também encontradas evidências de criaturas às quais denominaram-se Demônios Enochianos.

Rituais de Invocação

 

Cada grupo de entidades angélicas possui uma forma ritual própria para invocação/banimento, baseadas nos hexagramas elementais. Por exemplo, um ritual de invocação Enochiano para as Entidades Superiores segue a seguinte base:

Preparação

  1. Determinação do Rei ou Senhor a ser invocado (tradicionalmente não se invocam Nomes), dependendo do propósito do ritual de Invocação.
  2. Determinação, na Tábula correspondente do elemento e signo planetário relativos à entidade (no caso de Reis, todos os seis signos planetários são utilizados).
  1. Memorização da pronúncia de todos os nomes envolvidos (Nome, Rei e, dependendo, Senhor).
  2. Verificação do(s) hexagrama(s) a serem utilizados.
  3. Posicionamento face à Torre de Vigia adequada (ar = leste, água = oeste, terra = norte, fogo = sul).


Invocação

  1. Traçagem no ar dos hexagramas apropriados com a Varinha, começando no vértice correspondente ao planeta daquele Senhor ou no topo se for um Rei fazendo o movimento em sentido horário.
  2. Como os hexagramas completos, repetir o Nome e o nome do Rei envolvidos e, conforme o caso, do Senhor. Conçentração nas características daquela entidadeBanimento
  1. Trace os mesmo hexagramas do ritual de invocação, mas agora em sentido anti-horário. Há também formas rituais para invocação de Querubins, Arcanjos e Anjos Menores, que não apresentaremos para não extender por demais este trabalho.

Rituais Astrais – Visão Espiritual

Muitas vezes um magista fica frustrado por não perceber manifestações mais diretas da entidade sendo invocada. Isto deve-se ao fator limitante do Paradigma. Entretanto há uma forma de se eliminar este fator. Para isto deve-se reduzir o âmbito de realidade ao próprio magista. Ou seja, ao invés de se invocar uma entridade não-terrena para nosso plano o magista vai até o plano da entidade. A isto Dee e Kelly chamaram “Visão Espiritual”; ou como dir-se-ia hoje, viagem astral.

Três formas de trabalho podem ser utilizadas, a saber:

  1. Visualização: método mais recomendado a iniciantes, lembra a clarividência. Basicamente utiliza simbolismos e meditação para ativar a visão interior, de forma a se obter as visões correspondentes às Tábulas e quadrantes.
  2. Viagem astral: utiliza as técnicas de projeção astral para lançar o magista aos Aethyrs.
  3. Ascenção: forma mais avançada da técnica anterior, é fortemente recomendada apenas para magistas de grande experiência. Similar à projeção astral mas com uma vivência mais profunda.

Para facilitar o trabalho mágico, Dee e Kelly prepararam também uma série de Chamadas (ou Chaves), a serem utilizadas. São em número de 49, sendo que a primeira (numerada como 0) não possui palavras e é usada com o intento de se limpar a mente para o ritual. A mesma chave é utilizada para todos os Aethyrs, sendo apenas acrescentado o nome do Aethyr que se deseja alcançar. Na Chamada este nome costuma ser deixado em branco para que o magista preenchao-o com o nome adequado às suas necessidades.

Conclusão

O sistema de Magia Enochiana é uma forma poderosa de experiência mágicka. Seu estudo é compensador a todos aqueles que desejam ampliar seus conhecimentos neste campo. Muitas outras correlações podem ser encontradas nos estudos das Tábulas, como aquelas entre Aethyrs e a Árvore da Vida ou as correspondências entre as entidades angélicas e o panteão egípcio.

Não é uma forma de estudo simples mas com certeza é surpreendente a cada descoberta e pode ser uma ferramenta inestimável para o magista

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/magia-enochiana/

A Máquina Humana

A Máquina Humana não tem liberdade de movimentos, funciona unicamente por múltiplas e variadas influencias e choques exteriores. Pode-se levar esta máquina da alegria a tristeza em segundos, com uma palavra bela, toca-se o orgulho e esta sorri satisfeita, ao ouvir uma palavra que desagrada, como se tivéssemos pressionado um botão vem a tristeza, o desânimo.

Uma Máquina é formada por sistemas, onde cada parte cumpre com uma função especifica, os quais todos estão interligados.

Possuímos Cinco Centros na Máquina Humana, são estes:

O Intelectual que se encontra no cérebro;

O 2º sendo o centro Motor, localizado na parte superior da espinha dorsal;

O 3º conhecido como Emocional que se localiza no plexo solar;

O 4º chamado Instintivo, encontrado na parte inferior da espinha dorsal;

Oo 5º é o centro Sexual, localizado nos órgãos sexuais.

O Centro Intelectual tem como função processar os pensamentos e raciocínios e tem como dualidades opostas a Afirmação e Negação, Tese e a Antítese, Sim e Não. É desgastado por leituras prolongadas, excesso de pensamentos e ociosidade. É equilibrado pela Meditação, leitura de algo útil, que se possa praticar.

O Centro Motor tem como função coordenar os movimentos, as ações físicas, tem como dualidade o Movimento e Repouso. É desgastado pelo excesso de movimentos, a inércia, bem como por hábitos nocivos e mecânicos. É equilibrado quando fazemos caminhadas, relaxamento, natação e exercícios equilibrados. Vemos que muitas pessoas utilizam o centro motor de forma exagerada, fazendo em alguns casos que deixe de funcionar, da mesma forma o sedentarismo que atrofia músculos e causa uma série de danos ao organismo.

O Centro Emocional tem como função processar os sentimentos e emoções, tem como dualidade a Alegria e a Tristeza. É desgastado por emoções negativas, conflitos, sentimentalismos, músicas desarmônicas. É equilibrado com músicas harmônicas, inspiração, paisagens naturais, correta respiração. Vemos casos de pessoas que de tanto receber fortes estímulos a nível emocional, deixam de sentir emoções, e cada vez precisam de aventuras mais perigosas, alguns chegando a expor sua vida em busca de algo que lhe de alguma sensação, eis a morte do centro emocional.

O Centro Instintivo coordena as funções de assimilação, digestão, circulação e outros no organismo, tem como dualidade sensações de Prazer ou Dor, agradáveis e desagradáveis que estão relacionadas com os cinco sentidos: ver, ouvir, tocar, cheirar, degustar. É desgastado pelo excesso de toda índole, desequilibro alimentar e do sono, descontrole dos impulsos instintivos. É equilibrado com alimentação balanceada, bom descanso, exercícios equilibrados e outros.

O Centro Sexual tem como função a criação e a regeneração, tendo como dualidade a Atração e a Repulsão. É desgastado pelo desequilíbrio dos centros anteriores, abuso sexual, má utilização das energias criadoras. É equilibrado pelo equilíbrio dos demais centros, exercícios respiratórios e sábio manejo das energias sexuais. Bem vemos que uma pessoa que tem preocupações a nível intelectual, problemas a nível emocional, cansaço no centro motor, alguma doença que influa no próprio instinto, ou abusos no centro sexual, não conseguem utilizar o centro sexual, demonstrando que o mal uso dos centros influencia diretamente na parte sexual. Os outros centros chegam a roubar energia do centro sexual quando a deles se esgota, mas por ser uma energia de voltagem muito diferente, vem a causar dano a estes centros.

Um centro não deve ser utilizado por mais de duas horas seguidas, pois vem um desgaste e este deixa de atuar de forma adequada. Bem vemos uma pessoa que de tanto pensar e raciocinar sobre um problema não consegue resolve-lo, e uma pessoa que chega, não estando anteriormente utilizando este centro, resolve o problema com tamanha facilidade. Quando um centro está cansado, devemos utilizar os outros centros. Por exemplo, se uma pessoa está emocionalmente abalada, pode utilizar os centros motor e instintivo, fazendo uma caminhada forçada. Caso o problema for o cansaço do centro Pensante, pode utilizar os centros emocional e motor, ouvindo uma música ou quem sabe caminhando e admirando uma paisagem.

Centro

Função

Localização

Pensamentos e Raciocínios

Cérebro

Afirmação / Negação

Motor

Movimentos e Hábitos

Alto da cabeça (nuca)

Movimento / RepousoEmocionalEmoções e Sentimentos

Plexo solar

Alegria/TristezaInstintivo

Orgânicas e Vegetativas

Cóccix

Prazer / DorSexualCriação e Regeneração

Aparelho sexual

Atração / Repulsão

Comumente nossos agregados psicológicos manejam esta máquina humana, fazendo com que a mesma sofra uma série de desgastes que fazem com que o homem venha a ter menos tempo de vida, já que uma vez esgotado totalmente o capital vital que possui determinado centro, este deixa de atuar. Por exemplo, existem pessoas que perdem o movimento, relacionando-se ao uso extremo deste centro; quantos loucos abundam nos manicômios, fruto do uso indevido do centro pensante.

É urgente que deixemos de ser Máquinas e nos convertamos em Homens Verdadeiros.

#Gnose

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-m%C3%A1quina-humana