A Sombra e a Luz

A alternância entre a Sombra e a Luz sem dúvida tem fascinado o homem desde a aurora da humanidade, primeiro na natureza terrestre, depois em sua própria natureza.

Na busca da sua verdadeira identidade nesta terra do exílio, o homem hoje se reconhece sombra por sua densidade corporal e se reconhece a luz “porque é aquele que traz em si o que é maior do que ele”.

Este é o ensinamento do Martinista. Mas quantos seres percebem a centelha luminosa que brilha em seu interior? O homem deve necessariamente tomar consciência da essênsia divina em si, se quiser descobrir Deus.

Quer se aperceba disso ou não, o homem é uma chave da Natureza divina e do Universo. Embora Deus se manifeste em suas obras, o homem não pode conhecê-lo perfeitamente em si mesmo, a não ser pela contemplação. Conseqüentemente, o homem tem como futuro tornar-se luz e, como meio, a sabedoria que é a visibilidade de Deus. Essa sabedoria “preside a todos os nascimentos espirituais”, como escreveu Jacob Boehme. Se ele está destinado a se tornar luz é porque seu estado, ou melhor, seus limites o compelem a se elevar para o seu estado primeiro. No mundo manifesto, o homem é limitado por suas próprias esperanças e seus próprios desesperos. Ele não é luz nem trevas, mas uma sombra que tende a se desfazer na medida em que ele se abre para a espiritualidade.

Diz o místico que uma “claridade não luminosa não é percebida”. Os iniciados são atraídos pelos mistérios, ou seja, pela Luz da Verdade, as outras pessoas são atraídas pelas imagens e parábolas, ou seja, pela sombra da Verdade. Essa sombra afeta os pensamentos e os sentimentos, no sentido de que ela é a oposição das virtudes divinas. Por exemplo, a sombra da alegria é a tristeza congelando a vida, como a máscara congela a expressão. Os maus pensamentos são, de algum modo, pensamentos de sombra, onde as virtudes não conseguem se expressar.

O “homem da torrente” é essa claridade não luminosa, porque leva a vida nutrindo-se de pensamentos em grande parte centralizados em sua própria pessoa. Ele tem uma visão incorreta da situação presente e do destino humano, utilizando sua energia e talentos para a finalidade de alimentar sua inquietude. O homem da torrente possui autoridade material, mas não tem a autoridade espiritual, que é o fato de sentir e ouvir a verdadeira Palavra em seu ser. A Palavra divina equilibra a luz e as trevas no corpo do homem, sem o que este seria envenenado pela angústia e aniquilado pelo sofrimento.

A cegueira interior conduz forçosamente às trevas. A vida sempre perde o viço quando não se apoia nos fundamentos divinos. O homem vivencia um inferno passivo quando seus pensamentos não são mais purificados na fonte interior, ou um inferno ativo quando suas paixões o impelem a ações demoníacas.

É importante não confundir o que está oculto com o que está na sombra. A sombra pode ser definida como uma solidão. Somos sós porque nos separamos de Deus. Por extensão, quando nos separemos dos outros homens, freqüentemente é para nos descobrirmos, ou seja, para descobrirmos Deus. A respeito dos mistérios, nosso Venerado Mestre Louis Claude de Saint-Martin dizia que “a origem oculta das coisas é um testemunho de sua eterna e invisível fonte”. Assim, os mistérios são uma chave que aproxima o homem de Deus, enquanto que a sombra é um meio importante para encontrar essa chave. Aliás, tudo que compõe a Criação possui uma sombra, pois “cada coisa deve fazer sua própria revelação”.

Como habitante do mundo, o homem deve sua salvação à misericórdia divina. Estando colocado entre a Divindade e a obscuridade, sua tarefa é espalhar a Verdade para que sejam dissolvidas as sombras que se misturam à Luz. Ele está encarregado de ser um auxiliar de Deus no plano terrestre, para pacificar e aperfeiçoar, ali onde o Divino age através do homem. Consciente, o ser humano tanto tem condições de manifestar grandeza pelo desenvolvimento de suas faculdades nos mais diversos campos, como obscurecer-se na ignorância e na ruína, que são o caminho dos vícios mais odiosos que conduzem às trevas. A inocência infantil irradia todos os elementos benfazejos para a construção de uma vida espiritual, mental e física harmoniosas. Mas esses elementos do bem são com muita freqüência aniquilados por um livre arbítrio e uma vontade que se encontram fechados às leis eternas.

Atravessar caminhos é um estado mental para os homens que ignoram que sua alma é um pensamento de Deus e que, portanto, o destino humano só pode ser espiritual. Em outras palavras, existe um caminho traçado para todos aqueles que sentem o chamado da Verdade, embora não estejam livres de passos em falso e pensamentos negativos. Esses não se desgarram porque se mantêm na estrada real, e só se atrasam devido aos seus erros quando, por exemplo, geram suas angústias e as vivenciam.

No interior do homem, a misericórdia divina se expressa na força que lhe é concedida para poder resistir as fraquezas e às coisas fáceis. Em outras palavras, a Fé o afasta da tentação e suas conseqüencias. Assim como o sangue dissolve e assimila os alimentos, evitando uma intoxicação, assim também essa força, que age sem cessar, decompõe e transforma os pensamentos mais viciosos. Sua eficácia é tanto maior quanto mais prisioneiros do Ego sejam os pensamentos. Essa marca divina, esse princípio universal, é uma fonte da vida eterna que une Deus e o homem numa aliança sagrada ou, como escreve nosso venerado Mestre Louis Claude de Sant-Martin: “Deus e o homem podem se conhecer na luz”. Essa aliança existe em todos os homens, seja qual for seu nível de consciência. E por isso que as sombras turvam o pensamento, mas não podem cristalizá-lo numa forma tenebrosa. É fácil observar sua dissipação e até mesmo seu desaparecimento quando preces e meditações são expressadas em locais tornados sagrados pelo verdadeiro Desejo. O espargimento do sopro divino é então favorecido e banha nossos pensamentos. Estes respiram a pureza ao se eriquecerem com as virtudes mantidas secretas pela mente. Os raios de luz ficam então quase que deslumbrar a consciência.

O verdadeiro Desejo se reveste de uma importância particular para o Martinista. Ele é, na verdade, a passagem obrigatória do cavaleiro para sua reintegração. A luz que não pode ser compreendida, a não ser pela revelação, está no final do caminho. A sombra se revela então sob uma nova forma. Ela não aparece mais como barreira desprezível, e sim como um meio de compreender os homens, e melhor entender suas dúvidas e infelicidade. A angústia talvez não seja mais do que a “oposição entre o desejo tenebroso e o desejo luminoso” enquanto a natureza divina não tiver sido compreendida como uma entidade viva no homem.

A consciência humana é como uma árvore que cresce simultaneamente por obra de suas raizes subterrâneas e também por obra das folhas que absorvem a luz, uma fazendo sombra às outras; o conjunto, entretanto, desenvolve a harmonia.

Analogamente, a adversidade e a riqueza dos pensamentos e experiências constituem o cadinho de evolução da humanidade. Entre sua própria consciência e a dos outros, surgem no homem menos zonas de sombra do que entre seu corpo físico e de outrem, embora estejamos todos infundidos com a Verdade divina. Na consciência, a sombra e a luz parecem não se excluir. Pelo contrário, parecem se misturar para preparar a expanção de um sentimento misterioso: o Sagrado.

O Sagrado está em estado latente em todo o ser humano. Tomas consciência e também fazer tomar consciência é ser esclarecido pelos valores morais universais que não podem nem devem ser ignorados. É, acima de tudo, o meio de aproximar os homens, para que estes se aproximem de Deus. Dedicar-se às consciências, este é o dever exterior do Martinista, desde que ee saiba que seu dever interior é orar.

Quando a luz e sombra se defrontam em seu interior, o homem vive momentos dramáticos, pois existe a incomunicabilidade com Deus, ou seja, a perda total da língua original que o liga a Ele. Os pontos de referência humanos são a ilusão, a idolatria e as iniqüidades. Mas, se pode acontecer do homem não ser capaz de se comunicar com o Divino, o mesmo acontece com o Divino em relação ao Homem. Constantemente um raio de sabedoria penetra na sombra que está no ser, infundindo seus pensamentos e ações. Esse raio luminoso é sentido pelo homem da torrente através de sua densidade corporal e mental. É no seu exterior, entretanto, que ele procura uma correspondência que o ajude a compreender. Neste situação é que acontece de um homem da torrente prestar atenção a um Martinista. Essa ressonância existe porque o Desejo se instala ou se expande no coração do místico.

Em busca da sabedoria, o Martinista tem condições de captar a oposição construtiva entre luz e sombra pela contemplação de sua própria dualidade. O desejo de conhecer Deus torna-se o desejo de servir a Deus, na medida em que ele descobre o Ser Supremo e Seu amor pelo homem. Desse forma, fica predisposto a compreender os homens mais desfavorecidos.

O fardo do Martinista é difícil de carregar, mas seu ardor recebe o auxílio da Mão Divina, unindo sem cessar a vontade humana ao Desejo profundo. Esse Desejo faz do verdadeiro servidor de Deus um gerador de energia, cuja missão é espargir luz para melhor dissolver a angústia e a dúvida que o cercam, transmutando em outros a energia obscura em energia luminosa.

Toda a obra do Martinista se encontra na maneira de administrar os assuntos de Deus e não legislar em Seu lugar, pois em conseqüência disto o homem paga hoje um pesado tributo. Por isso, ele não deve se preocupar com seu progresso na senda divina, nem limitar-se na ação ao seu nível de consciência, pois a luz se harmoniza com seu ser. A única necessidade assume a forma do Desejo de serviço, ao longo de toda sua evolução.

O estudante Martinista desenvolve suas virtudes na sombra, ou seja, sobre uma base da mesma natureza que a dele, pois seus pensamentos ainda estão alterados pelas nuvens da ignorância, a despeito de uma vontade serena e uma esperança viva. Sua alma deve ser reanimada pela iniciação e forjada pela experiência.

O homem de desejo a luz velada. Ele sai da sombra e vive na claridade, tendo descoberto o fogo da virtude que o harmoniza e lhe confere a missão de mostrar Deus no coração dos outros homens.

O novo homem é o pensamento de Deus. Ele está na luz. O reino de seu amor e de sua ação ali se encontra doravante, tendo ele cessado de acreditar na barreira imaginária da consciência dos homens. Suas convicções mentais deram lugar a revelação e Deus se expressa através de suas palavras.

Assim, ao tornar-se um “obreiro” de Deus, o Martinista prepara a reintegração de seus semelhantes e participa da elevação de outras criaturas viventes. Sua menssagem não é simplismente fazer sentir que a luz está no homem? Jacob Boehme disse que a luz é “o símbolo da expansão de um ser por sua elevação, enquanto que a obscuridade simboliza o estado depressivo da ansiedade e de seu rebaixamento”.

Se toda luz pressupõe uma sombra, não há qualquer dúvida de que é a sombra que deve servir à luz e não o inverso. O homem não poderá se desgarrar se seguir com o olhar interior o raio que une sua sombra com a claridade, o qual ele é suscetível de ver em seus momentos de meditação e elevação espiritual. Em harmonia consigo mesmo, ele não pode recusar a Palavra luminosa. Ele tem tudo para reconhecê-la, não como um possível substituto para os seus sentidos, mas como um princípio de sua natureza. A visão ensombrada, velada, dos sentidos não é o intervalo entre a cegueira das Trevas e o olhar luminoso para o Absoluto? Neste sentido, lembremo-nos sempre das palavras de São João: “A luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a compreenderam”.

Texto da revista “O Pentáculo da Ordem Tradicional Martinista, ano IV nº IV, achado no blog do Mathayus

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-sombra-e-a-luz

A história da humanidade segundo os chineses

MIN TZU, excerto de CHINESE TAOIST SORCERY

Deuses, demônios e espíritos são imortais. Eles não morrem, eles duram para sempre. Compostos de energia Chi, eles não precisam respirar, não têm forma definida e não projetam sombra.

Uma vez que o homem está posicionado de forma única entre o céu e a terra, ele naturalmente possui a intuição e os poderes extra-sensoriais necessários para se comunicar com os deuses. Ele usa muitos métodos para entrar em contato com as divindades, como meditação, oração, feitiçaria e adivinhação. Mas, infelizmente, nem todos acreditam nos efeitos da feitiçaria, o método mais rápido e eficaz de todos. Este lamentável ceticismo tem perseguido a humanidade desde o início de sua história e impedido muitas pessoas de desfrutar da felicidade que a feitiçaria pode conceder a elas.

Se a felicidade significa alcançar tudo o que o coração deseja, então a feitiçaria chinesa é capaz de tornar as pessoas felizes. A feitiçaria é um ramo do taoísmo religioso cujos princípios esotéricos foram compilados para ajudar aqueles que encontraram o infortúnio. Agravados e enfurecidos pelas injustiças da vida, esses indivíduos sofrem a cada dia, esperando um alívio de sua ansiedade. Este alívio é possível para aqueles que recorrem ao uso de feitiçaria.

A feitiçaria pode ser facilmente colocada em prática e foi testada e comprovada sem sombra de dúvida. Por milhares de anos, muitas pessoas experimentaram a feitiçaria chinesa em sua busca para provar o leite e o mel da vida, confiando nela para ajudá-los a alcançar seus objetivos. Deu-lhes a oportunidade de mudar suas vidas e obter os poderes esotéricos com os quais transformaram seus sonhos em realidade.

A feitiçaria, sem dúvida, existe, mas o processo invisível pelo qual ela funciona não foi desvendado por cientistas, filósofos ou antropólogos porque não pode ser totalmente explicado apenas pela lógica científica. Como resultado, quando confrontados com os mistérios divinos, os intelectuais só podem disfarçar sua falta de conhecimento sobre tais assuntos desprezando-os com desprezo como superstições primitivas. Mas o fato é que o homem pode manipular as forças divinas por meio de rituais.

Muito antes de Shakespeare expressar admiração pelo número infinito de coisas inexplicáveis ​​que existem no mundo, os feiticeiros chineses compilaram uma grande quantidade de informações sobre fenômenos místicos. Eles entenderam que poucas pessoas e ainda menos empresas poderiam ter sucesso sem a ajuda da feitiçaria. Eles também sabiam que era um sinal da generosidade do Céu para a humanidade que de todas as criaturas vivas, o homem é o único capaz de invocar deuses e demônios à vontade.

No entanto, aqueles que entram no reino da magia e feitiçaria pela primeira vez devem manter alguns princípios esotéricos em mente. Em primeiro lugar, os rituais têm uma natureza dupla: podem ser usados ​​para ajudar as pessoas ou para destruí-las. Orações aos deuses trazem coisas boas para o feiticeiro e maldições lançadas sobre os inimigos trazem sua ruína. Os antigos professores de metafísica advertiram contra o uso de rituais e feitiços para fins egoístas e desonestos. Idealmente, a feitiçaria deve ser empregada para manter a boa saúde, obter riqueza e contentamento e alcançar uma vida longa. Em segundo lugar, diz-se que a maneira mais segura de alcançar a autodestruição é contar ao seu pior inimigo ou melhor amigo sobre a fonte do seu sucesso. Afinal, os amigos de hoje podem ser os inimigos de amanhã.
Existem nove níveis progressivos de feitiçaria chinesa. Seus rituais fornecerão às pessoas poder oculto mais do que suficiente para permitir que lidem com a maioria das dificuldades da vida.

VER O SOL PELA PRIMEIRA VEZ

A teoria taoísta sobre o início do universo explica que originalmente nada existia além de um Grande Vazio. O Criador Perfeito preencheu o vazio com a energia Chi fundamental até que a luz emergiu da escuridão. Eventualmente, a matéria foi formada e o nascimento do que conhecemos como nosso universo ocorreu. Sob as influências do tempo, do espaço, da energia Chi e das forças Yin e Yang, tudo começou a ocupar seu lugar no vazio gigantesco. Galáxias, constelações, estrelas e planetas assumiram suas posições no espaço.
Neste planeta, a matéria estava dividida em um céu etéreo acima e uma terra sólida abaixo, mas todo o resto estava um caos. Vulcões constantemente entravam em erupção, cobrindo a superfície da terra com lava, e o mar se movia de um lugar para outro sem restrições enquanto a terra se inclinava para frente e para trás. Terremotos sacudiram a massa sólida de terra fazendo com que se separe em continentes e forme montanhas e vales. Fogo, terra e água constantemente contra-atacavam em ciclos de turbulência violenta.

Depois de milhões de anos, os elementos desencadeados deram forma ao nosso mundo e a Terra começou a se acalmar à medida que seu campo magnético se tornava mais estável. Orbitando em torno do sol, a terra agora era acompanhada por uma lua que dava ritmo e estabilidade aos movimentos do mar. Esse equilíbrio possibilitou que formas elementares de vida aparecessem na água. Iniciou-se um ciclo positivo-negativo dos elementos água, fogo, madeira, metal e terra que acabaria por gerar as Quatro Estações, formando florestas e desertos e fazendo a vida a florescer na terra e no mar.

Para os seres humanos, a vida na Terra começou de forma dura. A tradição chinesa sustenta isso há muito tempo, quando os ancestrais do homem abandonaram sua vida nas árvores por uma nas cavernas, a energia Chi da terra ainda estava perturbada e instável. A superfície da terra estava coberta por montanhas maciças, pântanos e uma densa neblina cuja escuridão não podia ser perfurada pela luz do sol. A névoa sempre presente impedia que a luz do sol aquecesse o solo e produzia uma umidade entorpecente. Vários tipos de seres semi-humanos evoluíram das primeiras criaturas semelhantes a macacos que deixaram as árvores para viver no chão. Alguns tinham duas cabeças, um rosto de macaco ou três olhos. Outros tinham apenas um olho ou a cabeça de um animal. Havia também gigantes e anões, assim como vários outros seres igualmente estranhos.

Muitas dessas criaturas foram vítimas do mau clima, das feras e pássaros predadores e das batalhas pela supremacia que travavam entre si. Nessas escaramuças, a maioria dos gigantes foi morta pelos
homens mais engenhosos nascidos do cruzamento que estava ocorrendo entre os grupos.

Esse novo tipo de ser humano era mais aguçado do que seus predecessores e não era nem muito alto nem muito baixo. Um dos princípios chineses da natureza afirma que um homem pequeno e compacto sobreviverá melhor do que um superdimensionado, e esse tipo de homem menor, mas mais robusto, sobreviveu a todos os outros.

Essa criatura primitiva buscou alívio do frio construindo fogueiras grosseiras. Ele acendeu os fogos com as faíscas geradas por fogos naturais, esfregando pedaços de madeira ou batendo uma pederneira com uma pedra. Dessa maneira, ele duplicou a espantosa maravilha dos incêndios que viu produzidos por erupções vulcânicas e relâmpagos. Estes foram os primeiros incêndios provocados pelo homem na história. Eventualmente, ele foi capaz de fazer tochas
que ele usava enquanto vagava pelo mundo sem luz ao seu redor.
O homem enfrentou um perigo adicional na forma de animais e pássaros monstruosos que governavam a terra. As florestas eram habitadas por feras com garras que provaram ser inimigas mortais do homem. Os pântanos estavam cheios de répteis de todos os tipos que matavam qualquer um que tropeçasse neles. Serpentes voadoras ferozes, agora conhecidas como dragões, abundavam, juntamente com inúmeros outros tipos de predadores, como cobras gigantes e criaturas que eram metade pássaros e metade animais. Sua presença forçou o homem primitivo a buscar a segurança em cavernas ou lugares elevados. Ele também aprendeu a se reunir em pequenos grupos para se defender desses predadores. Ainda hoje, essa luta entre o homem e a fera continua.

A presença de animais, a falta de luz do dia e os rigores das condições climáticas incontroláveis ​​impediam as pessoas de migrar à vontade. Eles viviam em um estado permanente de semi-escuridão e era impossível para eles acompanhar o tempo. Durante esse período, deuses e demônios ocasionalmente se revelavam ao homem de maneiras que, infelizmente, não são possíveis no mundo brilhante de hoje. Através desses encontros, ele aprendeu um pouco sobre a natureza e a forma de divindades e demônios menores, e também sobre Deus e o Diabo.

Eras mais tarde, quando as energias Chi do céu e da terra estavam um pouco estabilizadas, os vulcões entraram em erupção com menos frequência e os terremotos diminuíram. A espessa neblina que cobria o mundo desapareceu gradualmente, o sol brilhou com todo o esplendor, o ciclo rítmico das Quatro Estações foi estabelecido, as florestas começaram a crescer e os rios a fluir.

Neste agradável mundo novo, muitas formas de vida começaram a florescer e o homem até aprendeu a migrar. Quando ele se espalhou por todo o mundo, a raça humana havia se dividido em cinco categorias com base na cor da pele: amarelo, marrom, branco, preto e vermelho. Uma vez que o homem começou a migrar e viajar, ele foi submetido a mudanças na vegetação e no clima que nem sempre eram boas para sua saúde e muitas vezes ele ficava doente depois de comer vegetais crus e carne crua. Felizmente, sua dieta tornou-se mais diversificada depois que ele dominou a culinária. A subsequente invenção das panelas possibilitou métodos mais sofisticados e criativos de cozinhar e permitiu que ele viajasse longas distâncias porque conseguia se alimentar com uma dieta melhor.

Este homem antigo era engenhoso. Ele inventou ferramentas que usou para tornar seu ambiente mais habitável. Como suas mãos eram menos poderosas que as patas de um animal, ele inventou armadilhas e armas afiadas. Como não tinha pelos, cobria-se com peles de animais que o protegiam do frio e da chuva.

Na China, o homem começou a medir o tempo e o espaço. Ele também descobriu a maneira de plantar e colher muitos tipos de grãos. Ele aprendeu a prever o tempo observando os movimentos das estrelas e planetas, e do sol e da lua. Ele inventou a roda e foi capaz de calcular peso e medida usando sistemas elementares de matemática e geometria. Ele desenvolveu um método básico de registro de incidentes usando um cordão com nós. Ele também começou a perceber que ele tinha uma natureza especial que o diferenciava de todos os outros seres vivos e começou a enterrar seus mortos para evitar que seus cadáveres fossem expostos à selvageria de animais e aves de rapina. Em suma, o homem tornou-se o rei de todas as criaturas da terra e estava a caminho de se tornar civilizado.

A Infância Religiosa da Humanidade

Na China, o progresso do homem primitivo foi potencializado pelo desenvolvimento de uma cultura baseada na vida em grupo. Dentro dessa ordem cultural, diferentes clãs foram formados, cada um elegendo seu próprio líder. Essa prática continuou até que os chineses desenvolveram o conceito de governo imperial que propunha que o país fosse unificado sob um homem que atuaria como seu líder político, religioso e militar. Ele seria considerado o Primeiro Filho do Céu, o Pai do Povo.

Quando o Primeiro Imperador da China chegou ao poder, ele reuniu todos os clãs separados em uma nação. A monarquia começou com este imperador, há cerca de cinco mil anos, e terminou em 1912 com o governante manchu Pu Yi, o último imperador da China.

O Primeiro Imperador foi sucedido pelo Imperador do Céu, que promoveu o aprendizado entre as massas. Ele ensinou as pessoas a calcular as horas do dia usando uma variedade de dispositivos, como o relógio de água. Quando a duração exata da noite e do dia pode ser determinada, as pessoas podem organizar melhor seus horários de trabalho e descanso.

O Imperador do Céu foi sucedido pelo Imperador da Terra, que foi seguido pelo Imperador do Homem. O governante seguinte, o Imperador do Fogo, ensinou as pessoas a usar o fogo para limpar terras agrícolas, forjar metais, e para muitos outros fins. Depois, o Imperador da Madeira ensinou seus súditos a construir casas, barcos, ferramentas e muitos outros objetos de madeira.

O calendário lunar foi inventado durante o reinado do imperador Fu Hsi, combinando cálculos de tempo, o ciclo das quatro estações e os movimentos dos planetas. A partir daí, as constelações
foram descritos como figuras e animais conhecidos pelo homem. Fu Hsi também produziu a primeira versão do I Ching, ou Livro das Mutações, e inventou a rede de pesca. Ele instituiu os princípios básicos da propriedade privada e promoveu a criação do primeiro sistema de escrita. As regras do casamento e da família também foram estabelecidas nessa época, para fortalecer a sociedade.

O Imperador Dragão da Água promoveu o desenvolvimento e classificação de ervas medicinais. Esse conhecimento provou ser uma das maiores bênçãos já concedidas à humanidade. O bordado também foi inventado durante seu reinado, para embelezar a arte da confecção de tecidos. De fato, as vestes imperiais do Imperador Dragão da Água foram as primeiras a serem bordadas com símbolos astrológicos que mostravam um conhecimento de princípios astronômicos. Os governantes posteriores promoveram invenções como o arado, métodos agrícolas cada vez mais sofisticados, como irrigação, e comércio em pequena escala com base na troca.

O reinado do Imperador Amarelo foi caracterizado por grande progresso em todos os níveis. Foi uma época de grandes invenções, como a vela, e de avanços culturais, como fundição de metais, produção de seda, tiro com arco militar, criação e uso de moedas de metal como dinheiro, pesquisa e uso de substâncias químicas (ou alquimia) e o desenvolvimento dos princípios taoístas. Este imperador foi o primeiro a criar o cargo hereditário de Historiador da Corte, que era obrigado a registrar os bons e maus eventos que ocorreram dentro do Império, e as ações justas ou más do próprio imperador. Esses registros deveriam ser usados ​​para ajudar as gerações seguintes, permitindo-lhes aprender com os erros de seus ancestrais.

Tudo estava indo bem para a raça humana, mas por causa de alguma reviravolta cósmica, nove sóis adicionais se juntaram ao próprio sol da Terra e seu calor abrasador atingiu a terra com grande intensidade. Os horríveis e enormes animais e pássaros morreram com a dramática mudança de temperatura e clima. O pântanos secos pelo calor avassalador, plantações e vegetação queimadas, e fizeram com que a água evaporasse em alta taxa, causando secas maciças.

Para sobreviver às temperaturas de fogo, as pessoas tiveram que buscar a proteção e o frescor das cavernas profundas. Eles também aprenderam a arte de construir túneis para que pudessem viver no subsolo e escapar do calor assassino. Nesses túneis, eles aprenderam a cultivar sob a terra, minerar metais, construir poços e preservar alimentos.

Com o tempo, os sóis adicionais desapareceram e as pessoas puderam emergir de suas habitações subterrâneas. Em gratidão aos deuses, eles erigiram altas pirâmides nas quais adoravam o único sol remanescente que permitiu que a vida voltasse a prosperar na superfície da Terra.
Após a calamidade dos dez sóis, seguiu-se um período de chuvas intensas. As chuvas incessantes inundaram a terra. A elevação e o deslocamento do nível do mar causados ​​pelas chuvas torrenciais quase exterminaram a população e perturbaram o clima da Terra. Poucas pessoas escaparam deste desastre e quando as chuvas pararam, ficou óbvio para os sobreviventes que o eixo da terra havia mudado. Eles perceberam isso quando perceberam que as estrelas e constelações no céu não estavam mais em suas antigas posições.

As pessoas restantes dedicaram suas vidas a drenar a água deixada pelas chuvas. Depois, eles construíram barragens e diques e pântanos secos. Este trabalho continuou sem interrupção por centenas de anos.
Entre as pessoas que sobreviveram ao Dilúvio, algumas eram sensíveis à presença de divindades. Era mais fácil para essas pessoas talentosas contatar os deuses e demônios. Os chineses chamaram esses indivíduos de “os escolhidos”. Esses poucos homens foram educados com o único propósito de sacrificar diretamente às divindades e receberam treinamento especial para desenvolver suas habilidades sobrenaturais desde tenra idade. Suas vidas eram totalmente dedicadas à religião. Eles se comunicavam com o mundo dos espíritos por meio de cerimônias religiosas e atuavam como intermediários sagrados entre as pessoas e os deuses.

Quando os deuses se comunicaram com esses primeiros médiuns sacerdotes, eles lhes deram informações sobre o submundo. Os sacerdotes receberam detalhes sobre as origens da humanidade e a existência de forças poderosas no mundo além. Os deuses também revelaram os nomes e graus de divindades menores e maiores e seu grau de influência sobre o mundo do homem.

Em geral, o relacionamento pacífico que existia entre o homem e os deuses nessa época refletia as influências celestiais benevolentes predominantes na Terra. Nenhum lado exigia muito do outro; os deuses recebiam sacrifícios cerimoniais das pessoas e concediam seus desejos prudentes em troca.

Há cinco mil anos, durante o reinado do Imperador Amarelo, surgiu uma escola de conhecimento chamada Taoísmo. Continha informações sobre alquimia, religião e muitos outros ramos do conhecimento. O taoísmo religioso ensina que existem três forças principais que governam o mundo espiritual. Eles são os dois grandes poderes opostos, mas complementares – Deus e o Diabo – e seu governante, o Ser Supremo.

Deus é uma expressão benevolente da força universal do Chi, que deseja o bem ao homem e mantém a paz na terra. O Diabo é negativo por natureza, odeia a paz e só quer guerra, desordem e luta para reinar neste planeta. Essas duas forças divinas, também chamadas de Yin e Yang pelos antigos, travam uma batalha eterna, cada uma tentando vencer a outra. O Ser Supremo é o poder inigualável que mantém o equilíbrio entre Deus e o Diabo. Deus, o Diabo e todos os outros deuses e demônios menores estão subordinados a esse poder augusto e singular. Este Criador Perfeito é o começo e o fim de tudo que existe.

De acordo com o taoísmo, o bem e o mal não podem destruir um ao outro, caso contrário o equilíbrio universal seria rompido e a terra destruída. Esses dois poderes divinos possuem igual força e influência sobre o mundo do homem e se um se tornasse superior ao outro, ambos desapareceriam e o universo desapareceria junto com eles.

O Ser Supremo, Deus e o Diabo formam um Triângulo Sagrado que preside o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Homem, Terra e Céu formam outro triângulo que, quando combinado com o primeiro, cria a estrela de seis pontas. Este duplo triângulo é um dos símbolos mais conhecidos do misticismo taoísta.

Antigamente, as pessoas aprendiam rituais com os sacerdotes e tudo ia bem entre os homens e os deuses. Mas o Príncipe das Trevas ficou com ciúmes desse relacionamento acolhedor e começou a perturbar a harmonia espiritual prevalecente. Os primeiros sinais de sua influência perniciosa foram vistos quando algumas das pessoas que antes se contentavam com sua sorte egoisticamente começaram a usar rituais sagrados para pedir aos deuses poder pessoal, aparentemente sem medo da retribuição divina. Como as pessoas já possuíam alguns rituais de grande valor, os sacerdotes não conseguiram fazê-los exercer a prudência uma vez que provaram seu poder. A desordem religiosa se seguiu e durou muitos séculos.

Naquela conjuntura da história, cerca de dois mil anos atrás, os sacerdotes taoístas codificaram todos os rituais para evitar que caíssem nas mãos de indivíduos ambiciosos, fechando assim as portas do alto aprendizado religioso para todos, exceto alguns monges e sacerdotes. Ao fazê-lo, eles conseguiram centralizar o poder religioso, mas também geraram uma desordem religiosa inesperada porque, sem a devida direção, leigos inexperientes começaram a realizar rituais taoístas incompletos que apenas trouxeram espíritos malignos para este mundo.

China: O Reino do Meio

Desde o início da história chinesa até a virada do século XX, duzentos e oitenta imperadores governaram o Império Celestial. Durante esse tempo, uma incrível riqueza de conhecimento foi acumulada, conhecimento que teve uma influência significativa em outras nações.
Os chineses chamam seu país de Chung Kuo, ou Reino do Meio. Este nome é representado por escrito por dois ideogramas, um significando o centro de algo, como o alvo de um alvo, o segundo significando país. O nome indica que, pela riqueza de sua cultura, os chineses há milhares de anos consideram seu país o centro do universo.

Há muito tempo, Confúcio restabeleceu o conceito de ritual e estabeleceu as regras de conduta adequada a serem seguidas por todos os oficiais civis, militares e religiosos. Os deveres de todos os funcionários do governo foram claramente delineados dentro da hierarquia. Ele também separou as práticas puramente religiosas dos rituais de feitiçaria. Antes de seu tempo, os sacerdotes praticavam tanto a religião quanto a feitiçaria. Ele foi o primeiro a traçar uma linha de distinção entre os dois, afirmando: “Não vou falar de assuntos sobrenaturais. Respeito os espíritos, mas também mantenho distância deles”. Com base em seu ponto de vista profundo e pragmático, a prática da feitiçaria foi separada da prática da religião. Daquele ponto em diante, os sacerdotes tiveram que seguir uma ética religiosa claramente declarada.

Os princípios confucionistas de cerimônia também reafirmavam a estrutura da unidade familiar. Esse conceito enfatizou a importância do pai e dos membros mais velhos da família e esclareceu que o papel da família é permitir que todos os indivíduos consanguíneos com o mesmo sobrenome se reúnam e forneçam amor e apoio mútuos, protegendo uns aos outros do mundo exterior sem coração.

Princípios confucionistas de cerimônia também eram evidentes nos aspectos religiosos do protocolo real. Eles ditaram que apenas um homem que fosse o primeiro entre iguais poderia oferecer sacrifícios ao Céu em nome da nação. Como Filho do Céu, o imperador era o único mortal que podia oferecer sacrifícios diretamente ao Ser Supremo.
Como o imperador liderava seus súditos em todos os assuntos relativos ao céu, à terra e ao homem, ele se chamava “Pai do Povo”. Ele nunca se referia a si mesmo como um indivíduo, mas usava humildemente o pronome “nós”.

No passado distante, a maioria dos países fora da China não era muito esclarecida. Por exemplo, apenas alguns séculos atrás, a Inglaterra era uma nação bastante atrasada, enquanto agora é considerada um país avançado. Quando os primeiros marinheiros chineses começaram a viajar para o exterior há alguns milhares de anos, descobriram que, comparados ao progresso que os chineses haviam alcançado nas artes e nas ciências, os povos estrangeiros ainda estavam literalmente “vivendo em árvores”. Esses marinheiros plantaram as sementes da cultura em lugares tão distantes quanto o México. Muitos séculos depois, pessoas do Japão, Coréia, Pérsia e outros países muçulmanos foram para a China em busca de conhecimento. De acordo com registros chineses, mesmo os antigos gregos e romanos tiveram contato com a China há mais de dois mil anos.

Os europeus foram apresentados à sabedoria chinesa relativamente recentemente, inicialmente através dos escritos de árabes e persas. Quando os mouros invadiram a Espanha no século VIII d.C., trouxeram livros sobre ciência e literatura que haviam sido influenciados pelo pensamento chinês. Quando os espanhóis estudaram essas obras árabes e se tornaram filósofos famosos, eles habilmente atribuíram suas fontes aos escritos gregos.

No Oriente Médio, sacerdotes e mercadores também sabiam sobre a China há séculos, mas mantinham silêncio sobre isso. Quando seus colegas do Mediterrâneo viajaram para a China, perceberam que esse país era, na verdade, o “Poço do Conhecimento”. Naturalmente, eles também tentaram desviar a atenção do país que se tornaria a fonte do esclarecimento intelectual ocidental. Lembre-se, naqueles dias, a China era como os Estados Unidos são hoje, um país em que há uma convergência de grande riqueza e conhecimento.

Os historiadores modernos continuam a atribuir muitas coisas de origem chinesa a outras culturas, especialmente às culturas mediterrânea e japonesa. Desta forma, a importância da China em fornecer o elo perdido entre a Idade das Trevas Europeia e o Renascimento foi obscurecida.

O estudo mais superficial da história e da arte europeias revela até que ponto a China influenciou o Ocidente e quantas ideias e invenções chinesas foram incorporadas à cultura ocidental. Nos séculos passados, os europeus adotaram, entre outros, os princípios da fitoterapia, da carpintaria, dos uniformes militares, do uso da pólvora para fins militares, dos sistemas de classificação civil e militar, dos sinais e formações militares, da destilação do vinho, moda, bordados, alfaiataria, tinturaria e perfumaria. Eles aprenderam a construir casas com telhados triangulares elevados e juntas em cauda de andorinha, e a usar ferramentas como esquadro, compasso, martelo e carrinho de mão. Também copiaram brinquedos chineses como pião, pernas de pau, ioiô, balanço, pipa e carrossel, e brincadeiras infantis como pular corda e brincar de amarelinha.

No início do mundo europeu da moda, os estilos das dinastias Tang e Ming inspiraram muitos dos designs de roupas religiosas, militares e civis. A peça superior de gola alta Manchu mais tarde teve um grande impacto na moda européia que ainda pode ser visto hoje no estilo clássico dos uniformes militares europeus.

Sabe-se também agora que a astrologia ocidental não se baseia no antigo ensinamento “babilônico” e seus princípios de negociação foram combinados para agilizar e aumentar os negócios correntes.

Para os chineses, um dos benefícios de poder trocar ouro por papel-moeda era que lhes permitia queimar dinheiro espiritual verdadeiro para seus ancestrais. Antes dessa época, as pessoas colocavam moedas de ouro e outros tesouros nos caixões das pessoas para que seus espíritos tivessem dinheiro para pagar suas despesas no outro mundo.
De qualquer forma, como a China não tinha um escritório de patentes, qualquer coisa que os estrangeiros vissem naquele país era deles. Muitos europeus, de comerciantes a reis, dependiam do fluxo de invenções que vinham da China para manter e aumentar suas fortunas.
Nos primeiros dias, a maioria dos estrangeiros que visitavam a China podia obter facilmente a maior parte do conhecimento possuído pelas pessoas comuns, embora alguns métodos, como os usados ​​para fazer seda e porcelana, nunca fossem dados voluntariamente a estrangeiros.

Os chineses detinham o monopólio mundial na fabricação e comercialização desses itens e guardavam zelosamente as técnicas usadas para produzi-los. Invejosos de tais lucros, os governantes e mercadores europeus ofereciam grandes recompensas a qualquer um — comerciantes, diplomatas, padres ou outros espiões com destino à China — que conseguisse obter esses métodos secretos. Dois monges católicos foram os primeiros a trazer o cobiçado método de fabricação de seda para a Europa. Eles fizeram isso contrabandeando vários bichos-da-seda para fora da China dentro de seus cajados ocos. Uma vez que os ocidentais começaram a produzir seda, eles foram capazes de quebrar o domínio chinês no mercado. Até então, os chineses forneciam ao Ocidente a seda usada por todos que podiam pagar. Os registros mostram que até Júlio César usava mantos feitos de seda chinesa.

Com o passar do tempo, inúmeras outras invenções, ideias, costumes, objetos e ferramentas chegaram à Europa. Eles incluíam: a imprensa; desenhos de armas de fogo; a ideia de usar impressões digitais para identificar indivíduos; o tear; passaportes para controlar a circulação de pessoas através das fronteiras; o esporão; o arreio do cavalo; os princípios de tributação, papel e fabricação de livros, hipnotismo, marionetes e patologia forense; a teoria da terra esférica; o conceito de circo e teatro de palco; métodos de fabricação de tinta; a ideia de usar o sal como moeda; o guarda-chuva; técnicas de construção de pontes; a ideia de que cidadãos comuns poderiam escrever memoriais de censura ao trono; os desenhos de jardins vistos em jardins europeus; técnicas de irrigação e meios de construção de poços e rodas d’água; instrumentos musicais de cordas; entrega de correio expresso; a lista de animais que poderiam ser domados para servir ao homem; técnicas de criação e equitação – ainda evidentes na escola espanhola de equitação; os princípios da perspectiva na pintura; e muitos outros.

A lista de maneiras pelas quais a China mudou a direção da civilização européia poderia continuar, mas o que foi dito é suficiente para permitir que se entenda por que a China significa “o centro da
universo.”

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-humanidade-segundo-os-chineses/

HermetiCAOS – Meditação, Treino Mental

Parte 1: Concentração.

O Caibalion é um pequeno livro de gigantesco conteúdo. Nele afirma-se estar reunida a sabedoria do Antigo Egito e da Grécia, que, no fim das contas, é o cerne do ensinamento de praticamente todas as Escolas da chamada WMT (Western Mystery Tradition), ou seja, o Ocultismo ocidental. O Caibalion nos explica os Sete Princípios sobre os quais se baseia toda essa Sabedoria. O primeiro desses Princípios nos diz: “O TODO é MENTE; o Universo é Mental”. Vou extrair uma pequena possível interpretação desse princípio, para falar sobre o treinamento mental. Pois bem, se o nosso Universo é moldado pela nossa mente, aquilo que se passa na nossa mente constrói a nossa realidade, o nosso Universo. O problema é que não estamos no controle da nossa mente; ela produz pensamentos, dinâmicas e complexos que nos atrapalham e nos levam ao fracasso.

O processo de ganho de consciência de nossa própria mente é semelhante ao do corpo. Para termos maior controle sobre nosso corpo, precisamos praticar exercícios físicos. Qualquer exercício físico nos dá a mesma consciência corporal? Não, alguns parecem ser particularmente eficazes nesse quesito, enquanto outros parecem mais nos desviar do objetivo do que nos conduzir até lá. Existem exercícios que promovem bem-estar, saúde e condicionamento físico; por outro lado, há os que lesionam, desgastam e podem causar enfermidades.

E o treinamento mental? Esse se dá através do exercício que comumente chamamos de “meditação”. Qualquer maneira de “meditar” produz o mesmo resultado? Basta que se sente em silêncio e já se estará criando uma realidade melhor para si? Dificilmente. Somente sentar em silêncio pode não te levar a lugar nenhum. Existem basicamente duas maneiras de meditar. Neste texto vamos tratar da primeira e mais fundamental delas, que podemos inocentemente chamar de “concentração”.

A Concentração ajuda a desenvolver o foco, a capacidade de manter sua atenção no momento presente e é um pré-requisito para desenvolver habilidades mais avançadas em Magia. É como a resistência cardiorrespiratória: sem ela, qualquer atividade física fica mais difícil. Então, assim como, para conseguir bons resultados em atividades físicas, é necessário desenvolver a resistência cardiorrespiratória, para obter bons resultados em Magia, que é necessariamente uma atividade mental, é necessário treinar Concentração. Todo treinamento mágico que eu já conheci começa com esse tipo de exercício. Desde “Magia Prática — O Caminho do Adepto”, do Franz Bardon, até o “Liber Null” de Peter Carroll. Acredito que você irá concordar comigo, a partir de sua própria experiência, quando eu digo que este treino vai servir não só pra Magia, mas pra tudo na vida: melhora sua capacidade de se concentrar no trabalho, nos estudos, no que quer que você queira fazer que envolva a capacidade de estar focado numa atividade mental.

Essa forma de meditação consiste em manter a mente exclusivamente ocupada com uma coisa e uma coisa apenas. Que coisa? Qualquer. Pode ser desde algo material, como um objeto (uma caneta, uma estatueta, uma ilustração, a chama de uma vela, uma parede branca), até a respiração, ou uma imagem mental, qualquer coisa MESMO. Minha única impressão aqui é que, quanto mais simples é o objeto no qual tento me concentrar, mais fácil é. Experimente e veja o que serve melhor para você.

Uma vez que tenha escolhido com o que meditar, sente-se em uma posição confortável. Eu sugiro a postura egípcia, que consiste em apoiar as costas retas no encosto de uma cadeira, com as pernas dobradas em noventa graus e as palmas das mãos apoiadas sobre as coxas. Vou explicar por quê: a posição na qual seu corpo se encontra não importa. Não faz muito sentido, nesse momento, querer sentar em posição de lótus, trançando as duas pernas, segurando as costas eretas apenas pela contração dos músculos do abdômen. Os músculos tendem a se cansar, você perderá a postura e ficará dolorido. Por isso, escolher uma postura na qual não é necessária a preocupação com sua sustentação é sempre uma boa pedida.

Estando na posição correta, concentre-se no seu objeto. Se for uma caneta, uma estatueta, uma ilustração ou uma vela, coloque-a numa superfície lisa à sua frente, ou pregada na parede. Ou simplesmente coloque-se de frente a uma parede branca. Ou então, preste atenção à sua respiração, conforme você inspira e expira. Se escolher uma imagem mental, terá que fechar os olhos; o risco aqui é adormecer. Se você cair no sono, não colherá os benefícios da meditação.

Ok, você está concentrado no seu objeto. E agora? Sempre que passar um pensamento na sua cabeça que desvie sua atenção, simplesmente recupere o foco voltando a atenção para onde ela não deveria ter saído. Procure não sentir nada de ruim pelo pensamento que veio. Apenas recobre a atenção, como se dissesse: “nossa, viajei… onde eu tava mesmo?”. Encare seus pensamentos numa boa, não force nada, deixe as coisas acontecerem naturalmente. Se você se forçar a NÃO PENSAR em algo, aí é que aquilo vai aparecer de novo e de novo na tua paisagem mental; portanto, não precisa se preocupar com o que você NÃO DEVE pensar. Isso virá e, em seguida, irá embora. Ocupe-se com o seu objeto. Concentre-se nele.

Faça isso todos os dias. Comece com pouco tempo e, em seguida, vá aumentando. Tem mínimo e máximo? Não. Comece com o quanto conseguir e vá até quanto conseguir. Assim como no treino físico, você vai perceber que, com a prática, tudo vai ficando mais fácil e mais natural.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermeticaos-medita%C3%A7%C3%A3o-treino-mental

Brahma, Vishnu, Shiva, os Muçulmanos e o Zero

Retornando aos nossos posts históricos, estamos chegando às vésperas da Primeira Cruzada e das origens secretas dos Templários, Hospitalários e Teutônicos (e também das histórias do Rei Arthur, com suas dezenas de versões e adaptações, e a chegada do Tarot na Europa… sim, todos estes assuntos estão interligados e veremos isso em breve).
Hoje falaremos dos hindus, muçulmanos e da origem espiritual do número Zero.

Seja no oriente ou no ocidente, a imagem circular de uma mandala (ou diagrama sagrado) é uma das mais intensas e utilizadas formas presente na história da arte.
A Índia, o Tibete, o Islã e a Europa Medieval produziram círculos em abundância, assim como todas as culturas mais antigas, seja através da pintura, seja através das danças circulares.
A imensa maioria destes diagramas está baseado na divisão dos quatro quadrantes, com todas as partes internas inter relacionadas de uma maneira ou de outra. Estas obras de arte são de alguma maneira cosmológicas; representam um símbolo que é a própria estrutura do universo: o zero.
Para os antigos, a própria arte de edificar estava intimamente ligada com o ser humano e com sua percepção do macrocosmos e do microcosmos; os quatro elementos, as quatro estações, os doze signos atravessados pelo sol em seu percurso nos céus, os círculos de divindades que representam o próprio homem e seus múltiplos aspectos… mas o que mais impressiona nestes diagramas é a expressão da noção do Cosmos, ou seja, da realidade como algo organizado e completo dentro de si mesmo.
A geometria antiga dependia de alguns axiomas; ao contrário da geometria euclidiana e outras mais recentes, o ponto de partida do pensamento geométrico antigo não é uma rede de abstrações intelectuais, mas uma meditação dentro de uma unidade metafísica, seguida de uma tentativa de simbolizar através do visual a ordem pura que brotava através destas experiências divinas e incompreensíveis.

É esta aproximação com o divino que separa a geometria antiga (ou sagrada) da moderna (ou mundana). A geometria antiga começa pelo número um, enquanto a matemática moderna começa pelo número zero.
Antes de avançar até os muçulmanos, eu gostaria de falar mais um pouco sobre estes dois começos simbólicos: Um e Zero, porque eles proporcionam um exemplo fantástico de como os conceitos matemáticos nada mais são do que dinâmicas de pensamento, de estruturas e de ações.

Primeiramente, vamos considerar o zero, que é uma idéia relativamente recente na história do pensamento, apesar de estar tão integrado a nossos pensamentos que mal podemos conceber um mundo sem zero. As origens deste símbolo datam aproximadamente do século VIII depois de Cristo, quando aparecem os primeiros registros em textos matemáticos na Índia. É interessante notar que, paralelamente a estas anotações, florescia na Índia neste mesmo período uma Escola de Pensamento decorrente do hinduísmo (através de Shankhara) e do budismo (através do Navarana). Esta Escola tinha ênfase no objetivo de obter a transcendência através da meditação e escapar do Karma através da renúncia ao mundo material, até mesmo através da mortificação dos corpos físicos através do auto-flagelamento.
Este estado de Nirvana era atingido através do “nada”, um cancelamento total dos movimentos e dos pensamentos dentro da consciência concreta, um estado “zen”. Este aspecto de meditação era o objetivo máximo do desenvolvimento espiritual, a fusão com o “todo” e com o “nada” ao mesmo tempo.
Muitos consideram este período da historia indiana como um retrocesso, um declínio das tradições tântricas que pregavam a união e a harmonização do material e do espiritual.

Foi neste período da devoção ao “vazio” que o conceito do zero apareceu. O resultado disto foi uma manifestação tanto através de um nome específico quanto de um símbolo, tanto na matemática quanto na metafísica. Na matemática, ele acabou se tornando um número, com implicações que falarei mais adiante. Seu nome em sânscrito é “Sunya”, que significa “vazio”.

Até então, como as pessoas se viravam sem o zero?
Na Antiga babilônia, Egito, Grécia e Roma, eram utilizados símbolos que representavam quantidades, como por exemplo, I, V, X, L, C, D e M. Em valores como 1005 (MV) ou 203 (CCIII), não havia a necessidade de um zero pois os numerais eram formados por “caixinhas” que representavam uma determinada quantidade de elementos. V melancias eram 5 melancias… XII camelos eram 12 camelos e ninguém questionava os números. O conceito de “zero” camelos era marcado com um símbolo parecido com duas barras paralelas [ // ] mas existia apenas como resultado de contas, por exemplo XII – XII = // representando “todos os camelos foram vendidos”.
Mas anotar um carregamento vazio é muito diferente de tratar o zero como uma entidade tangível.
Aristóteles e outros matemáticos discutiram o conceito do zero filosoficamente, mas a matemática grega, fortificada pelas influências pitagóricas vindas do Egito, recusavam-se a incorporar o zero em seu sistema.

E chegamos aos muçulmanos…
Os árabes, que do século VI ao XIV funcionaram como os grandes transmissores do conhecimento do oriente para o ocidente, trouxeram com eles o conceito do zero, além de nove outros números que também haviam sido desenvolvidos na Índia. Os números, como os conhecemos, são baseados nos ângulos formados entre os traços, como na figura abaixo:

O responsável pela transformação dos números indianos em arábicos foi o matemático e alquimista Al-Khwrizmi, cujas obras serviram de base para os trabalhos do ocultista, astrólogo, alquimista e matemático chamado Al-Gorisma (da onde vem a palavra Algoritmo), que trouxe estes numerais para os acampamentos árabes na Espanha. Seus trabalhos foram traduzidos para o latim por volta do século XII. Gradualmente, este sistema “árabe” foi introduzido na Europa e começou a alavancar progressos na ciência e no pensamento filosófico. A mente menos mística e mais prática dos comerciantes árabes transformou o conceito espiritual do zero em algo que poderia ter aplicações práticas para facilitar os cálculos, especialmente envolvendo números grandes ou cheios de colunas vazias, como 155.521.972 ou 4.815.162.342 ou 2012, por exemplo.

Silvestre II (que foi papa de 999 a 1003), inventor do relógio mecânico, bem que tentou introduzir os algarismos na Europa, mas foi severamente reprimido e, após sua morte, seus sucessores papais consideravam o zero como sendo o “número do diabo” e mantiveram os números romanos como oficiais até meados do século XII. Apenas com a força dos comerciantes, que achavam o zero muito prático para fazer contas, é que seu uso foi definitivamente implementado na Europa.
As conseqüências para a ciência foram enormes, especialmente na aritmética. Até aquele momento, as adições de números necessariamente resultavam em números maiores que os originais. A partir do zero, chegava-se a operações como

3 + 0 = 3
3 – 0 = 3
30 = 3 x 10

Até que alguém chegou a 0 – 3 = -3… MENOS TRÊS ?!?!?
O que poderia significar aquilo? A lógica começava a quebrar. Matemáticos, rosacruzes e alquimistas se reuniram ao redor desta incrível curiosidade. Apesar de não fazer sentido no mundo real, estes “números negativos” tinham toda uma coerência dentro do sistema e despertaram uma nova gama de artifícios. Estes números eram chamados originalmente de “números espirituais”, pois não poderiam ser verificados materialmente, apesar de seus efeitos serem sentidos dentro da aritmética.
A matemática, que até então estava associada à forma e à geometria, passava a se tornar algo abstrato, mental. Originalmente, o impulso espiritual dos hindus não permitiu que o zero ficasse no início das contagens, então nos textos antigos, o zero é sempre colocado após o nove.

Somente no século XVI, quase na Era da Razão, é que o zero foi finalmente colocado antes do um.
A partir destes conceitos, foram desenvolvidos os números irracionais (como a raiz de dois, que até então era considerado um número mágico usado na geometria sagrada), logaritmos e finalmente os números imaginários (a raiz quadrada de um número negativo), números complexos (um número real adicionado a um número imaginário) e finalmente números literais (substituir números por letras).

Não apenas o zero se tornou indispensável para nossas vidas como seu uso transformou a maneira como vemos a natureza e nossas atitudes a respeito de nós mesmo. Originalmente, o zero representava o vazio (Sunya) mas foi traduzido para o latim como Chiffra (que significava “nada”), mas os conceitos intrínsecos do “vazio” hindu/zen é muito diferente do conceito materialista de “nada”. Naquele período, a palavra “Maya” em sânscrito passou de seu conceito original “véu que divide a realidade” para “ilusão” ou o aspecto ilusório do Plano Material. Durante o materialismo da matemática na Revolução Industrial, o zero tornou-se um objeto material e o Plano Espiritual tornou-se “ilusório”.
A mente racionalista começou a negar o conceito espiritual da unidade. A unidade perdeu sua posição para o zero e o advento do zero permitiu a extrapolação para as bases do ateísmo, ou “zero Deus”, a negação do espiritual.

A noção do zero também teve um efeito em nossos conceitos. Idéias como a finalidade da morte ou o medo da morte, e todas as filosofias baseadas na não-existência após a morte devem sua origem ao zero.

Al Mamum, Al-Hakim
Quando o assunto é história da arte, eu acabo me empolgando e sempre escrevo mais do que pensei a princípio… e acabei desviando do assunto…
Bem… a relação entre o início das cruzadas e a expansão dos conceitos matemáticos estão interligadas na figura dos estudiosos muçulmanos. Esta integração começa em 830 quando o califa Al-Mamum tem um sonho na qual Aristóteles conversa com ele e a partir disso, decide traduzir do grego para o árabe todos os livros de matemática e ciência que conseguissem pilhar na guerra contra os bizantinos.
Desta mistura de textos gregos, árabes e hindus, somado ao uso mais prático possível destas descobertas, que eram controle de estoques dos próprios exércitos muçulmanos… armas, comidas, saques, divisões, etc, etc, etc… sem contar a geometria, afinal de contas, os muçulmanos precisam rezar voltados para Meca, e alguém tem de calcular o ângulo correto durante as marchas dos soldados todos os dias… já parou para pensar nisso? E sem calculadoras…
Todos estes fatores fizeram com que os escribas e sábios acompanhassem a expansão do islã, chegando até a Espanha e até Jerusalém.

Como vimos nos posts anteriores, os muçulmanos tomam Jerusalém em 638, oito anos após a morte do profeta Maomé, com os exércitos do califa Omar. Jerusalém, naquele período, tornou-se um centro de estudos, pois era um ponto intermediário entre Alexandria e o oriente, servindo de passagem dos conhecimentos entre o oriente e o ocidente. Durante mais de 300 anos, a cidade tornou-se um movimentado centro de comércio e estudos.

Jerusalém é considerada a terceira cidade mais sagrada do Islamismo (atrás apenas de Meca e Medina) e neste período chegou a ter mais de 70.000 habitantes. Jerusalém estava atrás apenas de Alexandria e Bagdá em termos de estudos de matemática, astronomia, astrologia e geometria.

O começo do fim ocorre quando o califa Al-Hakim ordena a destruição dos templos e sinagogas não muçulmanos, a partir de 1009, quando ordena a destruição do Santo Sepulcro. A destruição dos outros templos cristãos acabou adiada por conta das revoltas sunitas e, ironicamente, das revoltas xiitas posteriores, que acabaram fazendo com que sua atenção ficasse voltada para as próprias mesquitas destas duas facções. Mas isto foi suficiente para acender uma “luz vermelha” nas Ordens protetoras da Arca da Aliança (ou assim diz a lenda).
Uma noite, em 1021, Al-Hakim saiu para passear nos jardins de seu palácio e desapareceu. No dia seguinte, foram encontrados apenas sua montaria e seu manto, com manchas de sangue. Seu desaparecimento nunca foi solucionado…

Curiosamente, a primeira decisão de seu sucessor, Al-Zahir, foi permitir aos monges que viviam próximos ao Santo sepulcro a reconstrução do que havia sido destruído em 1009. Seu governo durou até 1036, quando faleceu vítima de uma praga. Al-Mustansir, seu filho, tornou-se califa com a idade de 6 anos, sendo assessorado por 40 vizires até atingir a idade adulta. Al-Mustansir teve altos e baixos… no começo de seu reinado, os árabes tiveram um período de prosperidade e expansão, até 1065, quando uma seca terrível, seguida de pestes e fome assolou o Egito de 1065 a 1072, somada à guerra com os turcos e a derrota e perda de diversas cidades na região.
Com a morte de Mustansir e a tomada do poder por Al-Mustali (que muitos consideravam apenas um usurpador do verdadeiro califa, que seria Na-Nizar). Com os turcos ameaçando invadir Jerusalém a qualquer momento e a ameaça de destruição total dos templos, a guerra civil prestes a explodir e a expansão dos fatimidas pelos territórios bizantinos, a região da palestina tornou-se um problema.
A qualquer momento, algum habibs maluco iria tomar o poder e provavelmente mandar destruir todas as relíquias cristãs da cidade.
Estava na hora de fazer alguma coisa…

Semana que vem

Nove homens e um segredo…

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Para quem prefere ler textos mais esotéricos e menos históricos:
– O Bode na Maçonaria
– Biografias: Theodore Reuss, o verdadeiro fundador da OTO
– Inventário da Normalidade, um texto do Paulo Coelho.
– Paganalia
– Faça sua própria pirâmide dos Illuminati
– The Mindscape of Alan Moore
– Arcano 12 – O Enforcado
– Consagrando objetos Mágicos
– A Noite Negra da Alma (alquimia)
– Biografia: Karl Kellner, o fundador da OTO

#Hinduismo #Matemática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/brahma-vishnu-shiva-os-mu%C3%A7ulmanos-e-o-zero

‘SubGenius, o Livro

uma subsidiária Templo do Bezerro Solar

“Quando mais idiota uma pessoa parece, mais importante ela deve ser.” – J.R “Bob” Dobbs

“A Conspiração foi criada de um jeito que qualquer pessoa dizendo a verdade automaticamente parecerá alguém bem bobão, bobão demais, do tipo ‘Por favor riam, eu imploro’” – J.R “Bob” Dobbs

A Igreja do SubGenius é uma pan-religião satírica pós-moderna dedicada ao total Slack e ao combate à Grande Conspiração. Foi fundada em 1954 por J.R “Bob” Dobbs. E quem seria ele? Simplesmente o cara mais legal que já existiu! Ponto final. Além disso somos a primeira religião com fins descarada e declaradamente lucrativos, o que já de cara deixa claro que nós também não mentimos, pelo menos não da forma que você está acostumado a mentir.

Nossa premissa é que já que vamos invariavelmente nos enganar em busca de conforto e significado para nossas vidas, por que não deixar que os profissionais cuidem disso? Imagine! Tudo o que já funcionou nas religiões anteriores é elevado por nós ao estado de arte (além de vários truques novos que você nunca viu!) para que você tenha uma vida completa, gratificante e divertida e conquiste o seu tão merecido Slack!

ATENÇÃO:

Devemos dizer que este não é o famoso “Livro de SubGenius“, (provavelmente o último e mais importante livro que você lerá na vida!), mas sim “SubGenius, o Livro“. Fizemos isso de propósito para atrair todos os interessados. Objetivo desta nano-obra é semelhante ao das primeiras doses grátis que os traficantes dão aos viciados em potencial ou aos sachés de xampu que supermercados distribuem. Queremos que você veja como nossa religião é legal e então envie seu dinheiro voluntariamente para nós. Quem sabe logo você não se torne também um iReverendo e possa até gerar uma renda extra?

Prepare-se para entrar no culto mais perfeito que você jamais ousou conhecer.

Se você é especialmente crédulo e não possui discernimento finalmente achou sua ÚLTIMA RELIGIÃO. Pare de pular de uma fé para outra e abrace logo esta que foi feita para ser sempre nova e empolgante! Mas, se por outro lado, você é uma pessoa sensata e ponderada, deve urgentemente estudar os extremistas para poder ter uma opinião própria, e adivinhe? NÓS SOMOS OS EXTREMISTAS DOS EXTREMISTAS. Quanto mais sensato você for, mais precisará de nós.  Agora pare o que quer que esteja fazendo. Você precisa de equilíbrio. Seu pobre cérebro deve estar exausto de suas vinte e quatro horas do que quer que seja.


O MUNDO ACABA AMANHÃ! e você…

Bem, não, provavelmente não… mas faça o que fizer, continue lendo!

SOMOS CONTROLADOS POR FORÇAS ESTRANHAS?

ESTÃO OS MONSTROS ESPACIAIS NOS TRAZENDO UM MUNDO TOTALMENTE NOVO?

AS OUTRAS PESSOAS ACHAM QUE VOCÊ É ESTRANHO?

VOCÊ TAMBÉM ACHA??

… ENTÃO VOCÊ PODE ESTAR NO CAMINHO CERTO!

“Os Não-Predestinados” não estão sozinhos e possuem incríveis poderes!

Você É Anormal? 

 

NOSSA ESPÉCIE TRIUNFARÁ!

Índice:

se ainda não está confuso comece por aqui

Sermões do Templo do Bezerro Solar:

bônus:

ATENÇÃO: Enquanto você lê este livro letras especiais foram estrategicamente dispostas ao longo do texto de maneira a enviar uma programação mental ao seu inconsiente. É por isso que você não consegue parar de ler. É por isso que sente-se tão bem conosco. É por isso que agora você está se coçando para fazer uma doação. Você é um de nós agora. Se você vive nos anos 80 como alguns de nós, envie seus cheques agora, senão simplesmente clique aqui.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/subgenius-o-livro/

A Fraternidade Rosacruz

A FRATERINIDADE ROSACRUZ – FRC (inglês, The Rosicrucian Fellowship)  foi fundada por Max Heindel entre 1909 e 1911, sua sede internacional está localizada em Mount Ecclesia, Oceanside, Califórnia (EUA); tem uma sede central e centros de estudo no Brasil e centros em Portugal. No Brasil, na cidade de São Paulo, além de uma Sede Central da Fraternidade Rosacruz, funciona também desde 1929 a Fraternidade Rosacruciana São Paulo, instituição independente, mas seguindo o modelo da escola de Max Heindel, destinada à exposição da mesma doutrina, fundada por Lourival Camargo Pereira. Não é uma dissidência, por ser mais antiga do que a filial brasileira da escola de Max Heindel, e também não mantém vínculos administrativos.

Não reivindica o título de “Ordem Rosacruz”. Considera-se apenas uma escola de exposição de suas doutrinas e de preparação para o indivíduo para ingresso em caminhos mais profundos na Ordem espiritual, sendo que a verdadeira Ordem Rosacruz funciona apenas nos mundos espirituais. Ao contrário da maioria das demais organizações rosacruzes, as escolas de Max Heindel se consideram indissociáveis do Cristianismo considerando-o como a única verdadeira religião universal e Cristo como o único salvador, daí ser mais propriamente chamada de Cristianismo Rosacruz, ou, por vezes, Cristianismo Esotérico. Outras organizações rosacruzes também se consideram cristãs, mas não com este ênfase.

A Fraternidade, edificada por Max Heindel como (suposto) arauto da Era de Aquário, realiza Serviço de Cura Espiritual e proporciona gratuitamente cursos por correspondência em Cristianismo Esotérico e Filosofia, Astrologia Espiritual e Interpretação da Bíblia; e os seus estudantes encontram-se por todo o mundo organizados em Centros e Grupos de Estudo.

Max Heindel

Diz-se que em 1908 o seu fundador, Max Heindel, teria sido escolhido e preparado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, com o objetivo de revelar publicamente os preceitos da doutrina rosacruciana. Em Novembro de 1909, Max Heindel publicou o “Conceito Rosacruz do Cosmos” (que tem como subtítulo: “Tratado elementar sobre a evolução passada do homem, sua constituição atual e seu futuro desenvolvimento”), uma exposição da doutrina originalmente escrita em alemão e posteriormente traduzida para outros idiomas. Algum tempo depois, foram desenvolvidos em outros livros, conferências e lições.

A Fraternidade recomenda a seus membros sobriedade na comida, abstinência de carne, de bebidas alcoólicas, pratica de jejum, meditação, etc. Essa instituição funciona de forma gratuita, segundo o preceito: “dái de graça o que de graça recebeste”. Todas as suas despesas são custeadas com as dádivas voluntárias dos seus membros, que o possam e queiram fazer, e pelas daquelas pessoas que, não sendo membros, simpatizam com ela. Lema da missão R+C: Mente pura, coração nobre, corpo são.

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7 dicas para reconquistar seu poder de atenção

Tamosauskas

Muitos cientistas modernos defendem que a atenção é algo que pode ser exercitados, entre eles Susan Blackmore, Albert Wojciech Adamkiewicz, Herman Boerhaave, Charles-Édouard Brown-Séquard, Johann Nepomuk Czermakh Wilhelm, Joganna Kintee, Octavio Stevaux, Heinrich Wilhelm Gottfried von Waldeyer-Hartz, Ryuta Kawashima, János Szentágothai, Louis Sokoloff, Samuel Thomas von Sömmerring, Félix Vicq-d’Azyr, Terrence J. Sejnowski e Heinrich Obersteiner.

Se você pulou a lista de nomes acima, por preguiça ou praticidade não se preocupe, você é um ser humano normal. A todo tempo tentamos otimizar nossos recursos cognitivos e isso é ótimo. O problema é que o excesso de atalhos do mundo moderno está causando um dano em nossa espécie. De acordo com testes em massa feitos pela Microsoft em 2015 o tempo médio de atenção do ser humano é hoje de oito segundos, enquanto que o de um peixinho dourado é de nove segundos. Esse valor é ainda menor que o de pesquisas nos anos 90, que ja eram menores do que o de pesquisas anteriores. A conclusão da gigante de tecnologia é que é uma redução do nosso poder de concentração é um dos efeitos da revolução da internet móvel.

O poder de atenção pode ser um diferencial no mundo moderno. Confira abaixo algumas praticas tradicionais e/ou científicas que poderão fazer de você o peixinho mais poderoso do aquário.

1. Use sua rotina para aumentar seu foco

Se você leu até aqui, parabéns! Seu foco não é tão horrível quanto poderia ser. No entanto, o caminho para recuperar o controle de sua atenção é longo. Estudos demonstraram que, para reconstruir o músculo da atenção, é melhor dividir o dia de trabalho em partes administráveis, com intervalos regulares entre elas.

Depois de analisar 5,5 milhões de registros diários de como os funcionários de escritório estão usando seus computadores (com base no que os usuários identificaram como trabalho “produtivo”), a equipe da DeskTime descobriu que os 10 por cento dos trabalhadores produtivos trabalharam em média 52 minutos antes de fazer uma pausa de 17 minutos. Se 52 minutos soa como uma maratona para você tente a Técnica Pomodoro, comece devagar com 20 minutos focados, cinco minutos desligados e vá aumentando.

2. Crie uma lista de “não-fazer”

As distrações estão por toda parte em nosso mundo. Na rua, no trabalho ou em casa. Os pesquisadores descobriram que depois de perder o foco levamos até 25 minutos para recupera-lo. Uma solução fácil é criar uma lista de “não-fazer”: sempre que sentir vontade de verificar o Facebook ou o Twitter ou seguir qualquer outro pensamento aleatório que vier à sua cabeça, escreva-o. O ato de simplesmente transferir esse pensamento da mente para o papel permite que você mantenha o foco na tarefa em questão.

3. Leia livros longos sem pressa

De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center , a leitura de conteúdo online aumentou quase 40%. Mesmo assim, 26% dos americanos não leram um único livro no ano passado. Ler apenas  conteúdos curtos está acabando com nossa capacidade de enfocar e treinar nossas mentes para buscar apenas respostas rápidas, em vez de explorar conceitos complexos. Não leve sua ânsia de produtividade para sua leitura de lazer. Pegue um clássico e experimente.

4. Como nossos pais

Não se engane, o declínio da capacidade de atenção é apenas um problema dos dias modernos. Em 1959, Mouni Sadhu, abismado com a desvantagem dos ocidentais em termos de atenção, escreveu um poderoso livro chamado Concentration com várias práticas para recuperar esse talento perdido. (Os poderes ocultos que essas práticas dizem despertar são um bônus). Cinquenta anos antes, em 1900, Theron Q. Dumont publicou um livro chamado The Power of Concentration também destacou uma série de práticas para desenvolver sua capacidade de atenção. Aqui estão algumas delas :

  • Sente-se quieto em uma cadeira por 15 minutos

  • Concentre-se em abrir e fechar lentamente os punhos por cinco minutos

  • Siga o ponteiro dos segundos de um relógio por cinco minutos

Eles podem parecer um pouco malucos, e desafiadores, mas são uma boa forma de medir a evolução de seu poder de foco.

5. Traga mais atenção ao seu dia

Atenção Plena (Mindfullness) está na moda e por um bom motivo: Pesquisadores da Universidade de Washington mostraram que apenas 10 a 20 minutos de meditação por dia podem ajudar a melhorar seu foco e estender sua capacidade de atenção. Além do mais, você verá melhorias em sua atenção após apenas quatro dias. Existem muitos apps hoje que se propõem a dar a mão os iniciantes e ajudá-los a dar seus primeiros passos.

6. Adicione exercícios físicos à sua rotina de exercícios de atenção

Malhar não é bom apenas para o corpo. Os pesquisadores descobriram que adicionar exercícios físicos à sua rotina ajuda a desenvolver a capacidade do cérebro de ignorar distrações. Em um estudo, os alunos que se envolveram apenas em exercícios físicos moderados antes de fazer um teste que mediu sua capacidade de atenção tiveram um desempenho melhor do que os alunos que não se exercitaram.

7. Pratique a escuta ativa

Se há um lugar em que nossa atenção limitada é incrivelmente perceptível, é quando estamos conversando com outras pessoas. Em vez de deixar a mente divagar enquanto o outro fale, pratique a escuta atenta , não interrompendo, recapitulando o que a outra pessoa disse regularmente e usando palavras de ligação como “OK”, “Entendi” e “Sim” para permanecer envolvido e mostrar que você está ouvindo. Essa prática não apenas fará bem para sua capacidade de atenção, mas também para seus relacionamentos.

* Conheça também o Principia Alchimica, um manual simples e prático dos principais conceitos da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/7-dicas-para-reconquistar-seu-poder-de-atencao/

O Poder dos Mitos

Joseph Campbell, no livro O poder do Mito, explica que Mitos não são algo pra dar sentido a uma vida vazia, mas sim pistas para as potencialidades espirituais da vida humana, aquilo que somos capazes de conhecer e experimentar interiormente. Pra isso é preciso captar a mensagem dos símbolos. Leia mitos de outros povos, não os da sua própria religião, porque aí você começará a interpretar sua própria religião não mais em termos de fatos – mas de mensagem. O mito o ajuda a colocar sua mente em contato com essa experiência de estar vivo. Ele lhe diz, através de símbolos, o que a experiência É.

O casamento, por exemplo. É a reunião da díade separada. Originariamente, vocês eram um. Agora são dois, no mundo, mas o casamento é o reconhecimento da identidade espiritual. É diferente de um caso de amor, não tem nada a ver com isso. É outro plano mitológico de experiência. Quando pessoas se casam porque pensam que se trata de um caso amoroso duradouro, divorciam-se logo, porque todos os casos de amor terminam em decepção. Mas o matrimônio é o reconhecimento de uma identidade espiritual. Se levamos uma vida adequada, se a nossa mente manifesta as qualidades certas em relação à pessoa do sexo oposto, encontramos nossa contraparte masculina ou feminina adequada. Desposando a pessoa certa, reconstruímos a imagem do Deus encarnado, e isso é que é a mitologia do casamento. O ritual, que antes representava uma realidade profunda, hoje virou mera formalidade. E isso é verdade nos rituais coletivos assim como nos rituais pessoais, relativos a casamento e religião. Quantas pessoas, antes do casamento, recebem um adequado preparo espiritual sobre o que o casamento significa? Você pode ficar parado diante do juiz e se casar, em dez minutos. A cerimônia de casamento na Índia dura três dias. O par fica grudado! Isso é primordialmente um exercício espiritual, e a sociedade deveria nos ajudar a tomar consciência disso.

O homem não devia estar a serviço da sociedade, esta sim é que deveria estar a serviço do homem. Quando o homem está a serviço da sociedade, você tem um Estado monstruoso, e é exatamente isso o que ameaça o mundo, neste momento, pois a sociedade não nos fornece rituais pelos quais nos tornamos membros da comunidade. Por isso que as religiões conservadoras, hoje, estão apelando para a religião dos velhos tempos, numa tentativa de parar este trem desgovernado, e vemos bizarrices, como a volta na crença do Criacionismo com uma interpretação ipsi literis da Bíblia. Isso é um erro terrível, pois estamos voltando a algo atrofiado, algo que não serve mais ao desenvolvimento da vida. Os mitos oferecem esses modelos de vida, mas eles têm de ser adaptados ao tempo que estamos vivendo. Acontece que o nosso tempo mudou tão depressa que, o que era aceitável há cinqüenta anos não o é mais, hoje. As virtudes do passado são os vícios de hoje. E muito do que se julgava serem os vícios do passado são as necessidades de hoje. A ordem moral tem de se harmonizar com as necessidades morais da vida real, no tempo, aqui e agora. A religião dos velhos tempos pertence a outra era, outras pessoas, outro sistema de valores humanos, outro universo. Voltando atrás, você abre mão de sua sincronia com a história. Nossos jovens perdem a fé nas religiões que lhes foram ensinadas, e vão para dentro de si, quase sempre com a ajuda de drogas (uma experiência mística mecanicamente induzida). Existe uma grande diferença entre a experiência mística e o colapso psicológico: Aquele que entra em colapso imerge sem estar preparado nas águas onde o místico nada.

As máquinas já fazem parte da nossa mitologia, dos nossos sonhos. O vôo da aeronave, por exemplo, atua na imaginação como libertação da terra. É a mesma coisa que os pássaros simbolizam, de certo modo, assim como a serpente simboliza o aprisionamento à terra. Pessoas usando armas, hoje em dia, atuam no inconsciente da mesma forma que a “Dona Morte” com sua foice atuava no passado. Diferentes instrumentos assumem o papel para o qual os instrumentos antigos já não se prestam.

O computador proporciona uma revelação sobre a mitologia: Você compra um determinado programa e ali está todo um conjunto de sinais que conduzem à realização do seu objetivo. Se você começa tateando com sinais que pertencem a outro sistema de programas, a coisa simplesmente não funciona. É o que acontece na mitologia: ao se defrontar com uma mitologia em que a metáfora para o mistério é o pai, você terá um conjunto de sinais diferentes do que teria se a metáfora para a sabedoria e o mistério do mundo fosse a mãe. E ambas são metáforas perfeitamente adequadas. Nenhuma delas é um fato. São metáforas. É como se o universo fosse meu pai, ou como se o universo fosse minha mãe. Jesus diz: “Ninguém chega ao Pai senão através de mim”. O pai de que ele falava é o pai bíblico. Pode ser que você somente chegue ao pai através de Jesus. Por outro lado, suponha que você escolhesse o caminho da mãe. É simplesmente outro caminho para chegar ao mistério de sua vida. É preciso entender que cada religião é uma espécie de programa com seu conjunto próprio de sinais, que funcionam. Se uma pessoa está realmente empenhada numa religião e realmente construindo sua vida com base nisso, é melhor ficar com o programa que tem. A chave para encontrar a sua própria mitologia é saber a que sociedade você se filia.

Toda mitologia cresceu numa certa sociedade, num campo delimitado. Mas elas precisam evoluir de acordo com as circunstâncias da época. No início, Deus era apenas o mais poderoso entre vários deuses. Era apenas um deus tribal, circunscrito. Então, no século VI, quando os judeus estavam na Babilônia, foi introduzida a noção de um Salvador do mundo, e a divindade bíblica migrou para uma nova dimensão. Quando a noção de mundo se altera, a religião tem que se transformar. Mas o que vemos são as três grandes religiões do Ocidente, judaísmo, cristianismo e islamismo, com três têm nomes diferentes para o mesmo deus bíblico, e incapazes de conviver. Cada uma está fixada na própria metáfora e não se dá conta da sua referencialidade. Nenhuma permite que se abra o círculo ao seu redor. São círculos fechados. Cada grupo diz: “Somos os escolhidos, Deus está conosco”.

A irmandade, hoje, em quase todos os mitos, está confinada a uma comunidade restrita. Nessas comunidades a agressividade é projetada para fora. Por exemplo, os Dez Mandamentos dizem: “Não matarás”. Aí o capítulo seguinte diz: “Vai a Canaã e mata a todos os que encontrar”. É um campo cercado. Os mitos de participação e amor dizem respeito apenas aos do grupo, os de fora são totalmente outros. Esse é o sentido da palavra “gentio” (a pessoa que não é da mesma espécie). E, a menos que você adote minha indumentária, não seremos parentes.

Veja a Irlanda. Um grupo de protestantes foi removido para lá no século XVII, por Cromwell, e nunca se abriu para a maioria católica que ali encontrou. Católicos e protestantes representam dois sistemas sociais totalmente distintos, dois ideais diferentes, cada qual necessitando de seu próprio mito, durante toda a trajetória. Ama teu inimigo. Abre-te. Não julgues. Todas as coisas têm a natureza do Buda. Está ali, no mito. Já está tudo ali.

Existe a história sobre um selvagem nativo, que uma vez disse a um missionário: “Seu deus se mantém fechado numa casa como se fosse velho e decrépito. O nosso está na floresta, nos campos, e nas montanhas quando vem a chuva”. Não parece mais lógico? E ainda assim nos apegamos aos Templos, aos símbolos, aos livros sagrados, como se eles FOSSEM Divinos, e não só uma ponte para o Divino dentro de nós. O budismo coloca isso com clareza:

Entenda que as palavras de Buda são como um barco para cruzar o rio: Uma vez que o propósito tenha sido atingido, devem ser deixadas para trás, se quiser continuar a viagem

(Buda; Sutra do Diamante)

Uma coisa que se revela nos mitos é que, no fundo do abismo, desponta a voz da salvação. O momento crucial é aquele em que a verdadeira mensagem de transformação está prestes a surgir. No momento mais sombrio surge a luz. Este problema pode ser metaforicamente compreendido como a identificação com o Cristo, dentro de você. Esse Cristo em você sobrevive à morte e ressuscita. Ou você pode identificar isso com Shiva: “Eu sou Shiva” – essa é a grande meditação dos iogues, no Himalaia.

Céu e inferno estão dentro de nós, e todos os deuses estão dentro de nós. Este é o grande esforço conscientizador dos Upanixades, na Índia, nove séculos antes de Jesus. Todos os deuses, todos os céus, todos os mundos estão dentro de nós. São sonhos amplificados, e sonhos são manifestações, em forma de imagem, das energias do corpo, em conflito umas com as outras. Este órgão quer isto, aquele quer aquilo. O cérebro é um dos órgãos. Quando sonhamos, pescamos numa espécie de vasto oceano de mitologia que é muito profundo. Você pode ter tudo isso misturado com complexos, coisas desse tipo, mas na verdade, como afirma o dito polinésio, você está “em pé numa baleia, pescando carpas miúdas”. A baleia é a base do nosso ser, e, quando simplesmente nos voltamos para fora, vemos todos esses pequenos problemas, aqui e ali. Mas, quando olhamos para dentro, vemos que somos a fonte deles todos.

Por que os Mitos nos tocam, mesmo sabendo que são histórias inventadas? Porque SENTIMOS que elas, no íntimo, são Verdadeiras. Teria isso relação com os Arquétipos e o Inconsciente?

Nós temos o mesmo corpo, com os mesmos órgãos e energias que o homem de Cro Magnon tinha, trinta mil anos atrás. Viver uma vida humana na cidade de Nova Iorque ou nas cavernas é passar pelos mesmos estágios da infância à maturidade sexual, pela transformação da dependência da infância em responsabilidade, própria do homem ou da mulher, o casamento, depois a decadência física, a perda gradual das capacidades e a morte. Você tem o mesmo corpo, as mesmas experiências corporais, e por isso reage às mesmas imagens.

Por exemplo, uma imagem constante é a do conflito entre a águia e a serpente. A serpente ligada à terra, a águia em vôo espiritual – esse conflito não é algo que todos experimentamos? E então, quando as duas se fundem, temos um esplêndido dragão, a serpente com asas. Em qualquer parte da terra, as pessoas reconhecem essas imagens. Quer eu esteja lendo sobre mitos polinésios, iroqueses ou egípcios, as imagens são as mesmas e falam dos mesmos problemas. Apenas assumem roupagens diferentes quando aparecem em épocas diferentes, como se a mesma velha peça fosse levada de um lugar a outro, e em cada lugar os atores locais vestissem roupas locais. Surge aí a explicação para o Mito de Cristo. Ele é verdadeiro? Não tem nada mais verdadeiro. É inventado? Muito provavelmente. A confusão só se estabelece pra aquele que está preso ao materialismo, ao tempo, ao espaço. Coisas que, sabemos, só existem para nossos corpos, e não para nossa mente.

Texto extraído e adaptado do livro “O poder do Mito”, de Joseph Campbell

#Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-poder-dos-mitos

A Percepção e a Evolução (Parte 3)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia e depois definimos nossos termos técnicos em Signos.

Neste texto falarei um pouco mais sobre as divisões e classificações que são feitas para alguns dos diferentes planos do além físico, e citarei algumas técnicas que são utilizadas para a eliminação de interferências que podem atrapalhar a comunicação entre eles (outros planos) e nós, entre nós e eles.

A primeira parte dos processos de classificação é a percepção de padrões e, à partir da identificação, surgem os grupos em que cada participante tem pelo menos alguma coisa em comum. O que faz de mim um ser humano e não uma rocha? Por que chamam meu instrumento de escrita de notebook e não ipad? O que eu vejo para falar que o céu durante o dia é azul e não amarelo?

As respostas são bastante óbvias, mas enquanto alguém não se perguntou “qual a diferença entre o ser humano e uma rocha?”, não havia diferença entre a pessoa e a rocha. Esta ideia pode ser encontrada no Gênesis da Bíblia, livro que fala, de maneira metafórica, sobre os primórdios da vida do homem:

“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.

Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.”

Gênesis 3:6-7

“Olho” (em Hebraico Ayin) é por onde enxergamos, é por onde reconhecemos as diferenças entre as coisas e, assim, também os padrões. Conseguir reconhecer as diferenças é a grande maldição que “tirou o homem do paraíso”, quando sabemos que existe algo em melhor situação que a nossa sofremos. A ignorância é uma ‘benção’ neste sentido, o paraíso relatado no Gênesis é um estado mental em que se acha que está na melhor situação possível por não conhecer outra melhor.

Porém, essa abertura da visão não é de todo ruim. No próprio Gênesis isso é melhor explicado logo depois:

“Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente, o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.”

Gênesis 3:22-23

Se lembrarmos do clichê de que o homem havia sido feito “à Sua imagem e semelhança” (como citado no próprio livro citado, Gênesis 1:26), a única coisa que o separava de ser realmente um Deus era ter seu olho aberto e conhecer as diferenças entre cada coisa (Conhecimento ou Da’ath em Hebraico), poder perceber aquilo que não percebia.

Voltando à analogia da primeira parte desta série, do homem que dominou o fogo, o primeiro padrão que ele deve ter percebido é que sentia algum incômodo ao chegar muito próximo do fogo; um segundo é que o fogo precisava queimar algo para se manter vivo e aceso, e que não queimava tudo de uma vez… algumas coisas demoravam um pouco mais para serem queimadas ou nem queimavam ao ter contato com o fogo; uma terceira é que se ele colocasse um graveto próximo ao fogo sua ponta começava a queimar, porém, sem causar incômodo a ele enquanto o fogo estivesse só no graveto. A partir da observação, ele começou a conseguir transportar o fogo de um lugar para o outro.

Notem que a percepção de padrões está presente em qualquer processo de descoberta e essa é a principal ferramenta (como uma muleta para a Vontade, o Querer, citado no texto anterior) para a evolução do homem, para a escalada do abismo, indo de um simples animal até Deus.

Com a percepção de padrões, o homem passou a perceber que muitos deles se repetiam nas diferentes coisas do universo, por exemplo, Yin e Yang (contração e expansão) estão presentes no modo como a musculatura do ser humano se move para ele se mexer, no temperamento das pessoas (extrovertidas e introvertidas), no comportamento sexual (ativo e passivo), na presença e ausência e em infinitas outras coisas. A percepção das correspondências entre padrões é essencial para a expansão do conhecimento do ser humano, é a base do que no hermetismo chamam de ‘princípio da analogia’.

Este princípio fala que, ao começar a analisar algo, começamos a entendê-lo fazendo analogia com outros padrões previamente conhecidos; passada esta fase, começamos a fazer novas descobertas e assim o universo do conhecimento se expande.

Se antes tínhamos a ideia da Contração e Expansão que estava presente em tudo no Universo, estudando-as a fundo, tirando as cobertas, descobrimos que existe também contração dentro da Expansão e também uma expansão dentro da Contração, como foi abordado na parte 2. Podemos ir nos aprofundando cada vez mais, analisando os padrões e chegando a padrões cada vez mais precisos, como podemos notar na figura 7, que mostra como se chega aos signos astrológicos.

O total aprofundamento na precisão nem sempre é desejável, pois, muitas vezes, pode nos deixar mais perdidos do que nos ajudar. Vamos a um exemplo:

Das paletas de cores mostradas acima, qual a mais indicada para um pintor iniciante e qual a mais indicada para um pintor profissional? A paleta da esquerda normalmente é mais indicada para um pintor iniciante, pois ela é mais simples, está dividida em padrões mais fáceis de se perceber; porém, após o domínio do uso da primeira, geralmente é melhor passar a utilizar a da direita, que oferece uma diferenciação técnica maior, capaz de gerar detalhes melhores. Na maioria das vezes, o iniciante nem consegue perceber muito bem as diferenças entre uma cor e suas duas cores vizinhas na paleta da direita, o que pode atrapalhá-lo, deixá-lo perdido.

Gosto de dar o seguinte exemplo em minhas palestras: na engenharia classificamos grãos em vários grupos diferentes, como argila, silte, areia fina, areia grossa, etc. Já um pipoqueiro chama tudo isso de sujeira… e cada sistema funciona muito bem para ambos, mesmo sendo diferentes em precisão.

Voltando ao assunto, utilizaremos nesta série a divisão dos Quatro Elementos, e não outras mais precisas, por se tratar de uma apostila introdutória. Após o domínio do conteúdo apresentado aqui, sugiro o estudo de novas e mais precisas divisões, como as da Kabbalah Hermética, do Tarot, da Astrologia, da Umbanda, etc. Utilizando o padrão dos elementos para definir e classificar os diferentes planos com que o Homem consegue ter contato, fica mais ou menos assim (os nomes complicados vêm do hebraico, que é uma linguagem muito utilizada nesses meios de estudo):

– Fogo: Atziluth, o mundo arquetípico, onde estão as energias puras, fatorais, e sem combinações.

– Água: Briah, o mundo criativo, onde estão nossas emoções.

– Ar: Yetzirah, o mundo formativo, onde estão os símbolos e ideias, o plano astral.

– Terra: Assiah, o mundo ativo, onde vivemos.

Não existe uma divisão precisa destes mundos, tudo que existe em um plano pode existir nos outros como um continuum, a divisão, em teoria, é feita simplesmente para simplificar o entendimento do todo, mas as divisões têm uma certa precisão naquilo que exige mudanças bem marcantes de percepção para o entendimento. Então seria algo assim: tenho esse meu corpo físico, que está em Assiah, tenho o corpo astral (conjunto de todas as minhas ideias e conhecimentos puros) em Yetzirah, tenho meu corpo emocional (conjunto de todas as emoções que sinto ou já senti) em Briah e, por fim, meu corpo mais puro, livre de qualquer influência mundana (conjunto de utopias que persigo), que está em Atziluth. Mas, se olharmos de uma maneira geral, todos eles juntos formam a pessoa e não só uma das partes.

No primeiro texto de magia falamos do engenheiro que constrói um prédio baseado em ideias, não em simples força física. Quando ele recorre às ideias, está recorrendo a um outro “plano” e, quando isto é feito de forma consciente, é uma forma de magia.

Peço licença para propor um experimento prático e finalizar este texto.

Experimento prático – Organização e consagrações

Como foi citado no texto anterior, o mundo físico pode alterar o mundo intelectual e vice-versa. Tendo isso em mente, vamos a um experimento:

– Por uma semana deixe seu quarto, ou ambiente em que mais tempo costuma ficar, totalmente desorganizado, com as coisas todas jogadas e fora do lugar. Analise (sente e pare para observar, como uma meditação) seus pensamentos e sonhos e faça algumas anotações que achar pertinentes;

– Na semana seguinte arrume tudo, não deixe nem uma pequena sujeirinha, nada fora do lugar, tudo perfeitinho. Analise seus pensamentos e sonhos, faça algumas anotações que julgar pertinentes, e compare com as da semana anterior.

Uma semana pode ser pouco para algumas pessoas, mas a diferença será notável dependendo do tempo de cada um; se quisermos ter o corpo mental organizado e harmônico, precisamos dominar o meio físico de maneira que ele nos transmita a ideia de que estamos em um lugar organizado e harmônico. Arrumar o próprio quarto, lavar a louça, arrumar o jardim, são formas básicas de começar a controlar sua mente à partir do controle do mundo físico.

Note que desenhos, símbolos, frases, esculturas, objetos, tudo isto influencia a maneira como sua mente enxerga o ambiente: se você coloca uma escultura de um Deus que te faça sentir bem no seu quarto, sempre que entrar nesse local, ela irá modificar sua mente de maneira a ajudá-lo a se sentir bem naquele ambiente. Rezar antes de dormir pode colocar a pessoa em conexão com uma ideia com que gostaria de sonhar. Muitas são as formas de ação no mundo físico para modificar algo ou a nós mesmos no mundo das ideias.

Para finalizar este texto, podemos fazer algo para melhorar mais ainda esta força de modificação, o que é chamado de “consagração de um objeto”. A consagração é uma maneira de falar para você mesmo “Este objeto é isto e faz isso toda vez que eu olhar para ele”, por exemplo, posso consagrar uma vela para colocar no meu quarto para que me lembre, toda vez que olhar para ela, que existe um deus dentro de mim.

Existem muitas maneiras de se consagrar um objeto, uma delas é utilizando os Quatro Elementos que ajuda lembrar qual/quais será/serão o(s) plano(s) que a consagração visa atingir (existem outras melhores, esta é uma simples para quem não sabe nenhum tipo de consagração), por exemplo:

– Se quero que algo tenha um objetivo no mundo físico, como um ventilador que irá aliviar o calor, faço uma consagração jogando sal grosso (normalmente utilizado para representar o elemento Terra) nele. Passo o sal grosso nele e falo em voz alta: “Eu, Pessoa x, consagro esse ventilador com as energias de terra, com o intuito de aliviar um pouco do calor.”, ou pode-se fazer uma oração como “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador…” pedindo para seus guias consagrarem para você.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo das ideias, como uma pintura que sempre vai me lembrar de um grupo, faço uma consagração passando a fumaça (representa o elemento Ar) de um incenso pelo objeto e falo algo parecido com a consagração com a Terra (acima), mas trocando por “energias do ar”.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo emocional, como um quadro que me ajuda a lembrar de alguém de que gosto, faço uma consagração passando vinho (representa o elemento Água) pelo objeto (cuidado para não estragar o objeto) e falo o mesmo já mencionado para a Terra e o Ar, mas trocando por “energias da água”.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo arquetípico, como uma estatueta de um deus que me lembra dos meus objetivos mais importantes em vida, faço uma consagração passando o objeto perto da chama de uma vela (que representa o elemento fogo) e falo algo parecido, trocando por “energias do fogo”.

Não há problemas em usar um objeto para mais de um plano, para isso use mais de um elemento na consagração. Pode-se combinar com as energias astrológicas também para maior precisão na consagração, os métodos que o MDD ensina no TdC são ótimos.

Quando todos os objetos de seu quarto forem devidamente consagrados, sua mente se sentirá “em casa” e funcionará de maneira absurdamente bem e harmônica ali, mas note que se alguém que não seja você tocar seu objeto, a consagração será perdida, pois o objeto foi utilizado para algo que não era seu objetivo (objeto e objetivo são palavras bem parecidas não?!).

Vai dar certo!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-percep%C3%A7%C3%A3o-e-a-evolu%C3%A7%C3%A3o-parte-3

Artha Sutra (O Livro da Riqueza)

De acordo com a cosmovisão indiana, um ser humano para ser considerado bem sucedido em todos os aspectos da vida deve dominar três grandes áreas da atuação humana: Dharma, Artha, Kama. (Espiritualidade, Riquezas, Prazeres). Da mesma forma que temos o Kama Sutra como um guia para a maestria do Kama, e  obras como o Bhagavad Gita que nos orientam sobre o Dharma, a civilização hindu também nos legou o Artha Sutra, um valioso tesouro literário sobre a arte de ficar  e se manter rico.

Mas como veremos, estas três áreas não vivem isoladas.O Dharma é a mais conhecido e se refere ao mérito religioso, ao sentido de propósito espiritual, ou seja, a realização de nossa vinda na terra com sabedoria. Kama, é o segundo termos mais conhecido e refere a saber satisfazer os desejos pela maestria dos prazeres, em particular do sexo. O terceiro termo, Artha é menos conhecido. Se refere mais especificamente a administração dos bem terrenos, a aquisição das riquezas e bens materiais com os quais tanto a caridade como hedonismo são impossíveis.

Artha Sutra (O Livro da Riqueza) nos veio pelas mãos de Chanakya, também chamado Kauitilya ou Vishnugupta, um antigo guru, filósofo, economista e jurista do subcontinente indiano. Em muitos sentidos suas ideias foram as responsáveis pela prosperidade do Império Mauria entre os séculos IV e II antes de cristo. De acordo com seu autor, suas lições são capazes de prover prosperidade material e consequentemente sucesso em todos os aspectos da vida.

Chanakya nos legou duas obras principais. A primeira Arthashastra voltada para os governantes e considerado uma obra pioneira no campo da ciência política. A segunda, voltada a população em geral e posteriormente batizada como Artha Sutra, é um tratado composto de mais de quatrocentos aforismos com o objetivo de ensinar as leis que regem as conquistas materiais. É este o texto que você encontra abaixo e cuja ordenação por subtítulos é uma inclusão ocidental tardia para facilitar a leitura.

Artha sutra de Chanakya

A base do Artha (meios de vida materiais)

  • O objetivo da vida humana é a busca da felicidade.
  • A felicidade reside na adesão ao Dharma.
  • A base do Dharma é a relação entre as pessoas.
  • A base da relação entre as pessoas é a economia da nação.
  • Nações são melhor administradas por pessoas que conquistaram a si mesmas.
  • As pessoas conquistam a si mesmas pela humildade.
  • A humildade é conquistada servindo aos mais sábios e experientes.
  • Ao servir os sábios e experientes, o conhecimento é obtido.
  • Por meio do conhecimento, você entende o mundo ao seu redor.
  • Por meio do conhecimento, você também obtém sabedoria.
  • Por meio da sabedoria, você atinge os objetivos.

Benefícios da Riqueza

  • Perseverar no caminho da prosperidade é uma jornada deliciosa.
  • A aspiração por riqueza é a causa de todas as profissões.
  • Todos os objetos materiais podem ser obtidos por meio da riqueza.
  • Até a feiura pode ser escondida por meio de jóias.
  • Os ricos podem alcançar muito com o mínimo esforço devido à sua riqueza.
  • O conhecimento de uma pessoa sem um tostão é considerado sem valor.
  • Mesmo a voz sensata de um pobre raramente é ouvida.
  • Com a riqueza do seu lado, até um homem vergonhoso é considerado gracioso.
  • Se até mesmo o rei dos deuses fosse um pobre, ele também seria visto com desprezo.
  • Uma pessoa sem um tostão é insultada até mesmo por sua própria esposa.
  • Uma planta sem flor raramente é visitada por abelhas.
  • Homens ricos são respeitados pelas massas.
  • Um homem rico é considerado bonito pelas massas.
  • Mesmo que um homem rico não dê esmolas, os mendigos não param de persegui-lo.
  • Uma pessoa em busca de flores raramente rega uma planta morta.
  • A riqueza de recursos leva à riqueza de pessoas.
  • Por meio da riqueza de pessoas, uma nação se torna próspera mesmo na ausência de um líder.

O Caminho da Riqueza

  • Conquistar riqueza, proteger o que foi conquistado e construir sobre o que foi conquistado são os três objetivos fundamentais de qualquer organização.
  • Rejeitar o que foi ganho ao acaso é considerado uma perda.
  • Se for o momento certo, a prosperidade pode simplesmente chegar à sua porta.
  • Mas aquele que se apóia totalmente no destino é estúpido e não consegue nada.
  • A prosperidade e a pobreza são devidas à ação de alguém.
  • Trabalhando de forma adequada, os lucros podem ser aumentados.
  • Deve-se acumular riqueza como se fosse viver para sempre.
  • É preciso sempre economizar dinheiro para amanhã.
  • É preciso salvar sua riqueza de ladrões e políticos.
  • Empréstimos, inimigos e doenças devem ser mantidos à distância.
  • A riqueza é freqüentemente alcançada assumindo riscos.
  • Quando esses sutras são seguidos, as fontes de renda aumentam.

Conhecimento é a primeira riqueza

  • Para uma pessoa sem riqueza, o conhecimento é sua riqueza
  • Aqueles destinados à destruição raramente ouvem palavras de sabedoria.
  • O envelhecimento não garante sabedoria.
  • Quando cheio de sabedoria, até mesmo as palavras de um ignorante devem ser ouvidas.
  • Nenhum ladrão pode roubar conhecimento.
  • Somente o conhecimento pode levar ao verdadeiro prazer.
  • O respeito conquistado pelo conhecimento de uma pessoa é verdadeiro e duradouro.
  • Quando uma pessoa experiente sai do caminho, seu próprio conhecimento é capaz de colocá-la de volta nos trilhos.
  • Pessoas más nunca devem receber conhecimento.
  • Homens sem conhecimento não valem nada.
  • As pessoas de saber não têm medo do mundo.
  • O conselho deve ser buscado exclusivamente com especialistas.
  • A capacidade de compreender o mundo é sabedoria.
  • Uma pessoa com conhecimento que não consegue entender o mundo é tola.
  • A utilidade da leitura é entender o mundo.
  • É apenas na aplicação que a utilidade do conhecimento é compreendida.
  • O conhecimento é um ornamento dos homens.
  • A obediência ao sábio é um ornamento para todos.
  • O ornamento entre os ornamentos é aquele conhecimento que transmite humildade.

Escolhendo subordinados

  • Depois de se equipar com conhecimento e sabedoria, um líder deve encontrar subordinados.
  • Sem subordinados competentes, os líderes nada alcançam.
  • Nunca se deve caminhar sozinho por um caminho deserto.
  • Uma carroça não vai a lugar nenhum com apenas uma roda.
  • O subordinados devem ser aqueles que entendem o bem-estar dos líderes.
  • Os líderes devem indicar como subordinados apenas as pessoas para quem tenha respeito e credibilidade.
  • O nepotismo e o favoritismo devem ser evitados durante a nomeação de subordinados.
  • Até mesmo um trapaceiro parece um cavalheiro no início.
  • Uma única vaca é melhor do que mil cães.
  • O pavão de amanhã não é melhor do que o pombo de hoje.
  • Os subordinados não devem apenas ser bem informados e informativos, eles devem ser igualmente sábios.
  • Pessoas imorais nunca devem ser consideradas, mesmo que tenham conhecimento.
  • Nunca confie em um indivíduo que ultrapassou seu limite.

Lidando com subordinados

  • Nunca insulte as pessoas, mesmo que sejam fracas.
  • Um rei observa seus súditos por meio de espiões.
  • A sobrecarga faz com que os gerentes fiquem exaustos e desanimados.
  • Aquele que anuncia as faltas dos outros em uma assembleia, declara as suas.
  • A raiva causada pelo ego pode destruir o eu.
  • Aquele que não desiste ou se opõe raramente deve ser desrespeitado.
  • Aqueles que mantêm seu compromisso geralmente são bem-sucedidos.
  • Líderes que não estão em contato com seus seguidores geralmente são fracassados ​​por seus súditos.
  • A opinião de uma pessoa verdadeira raramente deve ser minada.
  • Por estarem em contato, os líderes dão felicidade a seus seguidores.
  • Líderes tímidos raramente são obedecidos por subordinados.
  • Líderes rudes costumam ser tratados com desprezo pelas costas.
  • A punição deve ser dada como se merece.
  • A má conduta de seu pessoal deve ser corrigida.
  • Mesmo uma pequena doença do corpo humano pode causar destruição.
  • O líder nunca deve menosprezar ou insultar as pessoas.
  • Os líderes nunca devem ser vingativos.
  • A obediência excessiva daqueles que são familiares de muito tempo deve ser posta em dúvida.
  • A proximidade excessiva gera desrespeito.
  • É preciso conhecer seus limites, mesmo com seu próprio povo.
  • É preciso sempre fazer feliz uma pessoa prestativa.
  • Aqueles que ajudaram nunca devem ser traídos.
  • O pagamento é um dever.
  • A ira do povo é catastrófica.

Lidando com autoridades

  • Uma autoridade é como uma divindade.
  • Mesmo enfrentando uma fome terrível, um leão raramente come grama.
  • Servindo sob um líder capaz, até mesmo uma pessoa incapaz se torna capaz.
  • A água, depois de entrar no leite, torna-se o próprio leite.
  • Ao servir a um líder ganancioso, uma pessoa não faz bem a si mesma.
  • É bom servir a um líder sábio.
  • Ao se curvar, até mesmo uma tampa de panela esvazia um poço.
  • Nunca se deve visitar um rei ou seu guru com as mãos vazias.
  • Nunca se deve estar muito próximo da classe principesca.
  • Nunca se deve olhar diretamente nos olhos do rei.
  • Aqueles que mandam raramente são privados de dores e ganhos, felicidade e infelicidade.
  • Nunca se deve fofocar sobre grandes homens.
  • Sempre se refugie com um líder forte como uma fogueira no inverno.
  • Não é sensato agir contra seu próprio líder.
  • Não se vista mais suntuosamente do que seu líder.
  • Nunca se comporte com pompa na frente de seu líder.
  • Os trabalhadores raramente devem se gabar de seu mestre.
  • A ordem de um rei raramente deve ser desobedecida.
  • Um bom líder é como uma mãe para seus seguidores.
  • Se um mestre está zangado, o servo deve ser paciente.
  • Mesmo que seja punida, a criança deve buscar refúgio em sua mãe.
  • Os grandes homens nunca devem ser ridicularizados
  • Nunca se deve insultar grandes homens.
  • Nem uma vez se deve transgredir seu limite.
  • É melhor estar sem um líder do que sem moralidade.
  • A ira dos reis pode ser devastadora.

O Desejo

  • A riqueza raramente pode residir em uma pessoa desprovida de desejo.
  • Cada pessoa é limitada pelos limites de seu desejo.
  • Aqueles sem desejo nem a coragem é útil.
  • Por meio de esforços adequados, todos os desejos humanos são alcançados.
  • Desejo bom é aquele que não afasta ninguém de seus deveres.
  • O desejo de ser antiético indica autodestruição.
  • Os maus desejos podem sequestrar a dignidade.
  • Aqueles com uma mentalidade cada vez menor certamente enfrentarão fracassos.
  • Autoridade  respeitada é seguida por seu povo.
  • Na falta de coragem, o homem nada alcança.

O Planejamento

  • O trabalho não pode ser realizado exclusivamente com coragem.
  • O sucesso geralmente é melhor alcançado com planejamento.
  • Todos os esforços devem ser feitos para fazer o melhor uso dos recursos disponíveis para ganhar riqueza.
  • A riqueza permanece por mais tempo com aqueles que são cautelosos e calculistas.
  • Todos os esforços, com planejamento adequado, podem alcançar o sucesso.
  • Sem um planejamento adequado, todos os esforços estão fadados ao fracasso.
  • As políticas bem definidas para os subordinados são como lanternas para os homens caminhando no escuro.
  • Políticas e estratégias devem ser adotadas somente após reflexão e discussão substanciais.
  • É apenas mantendo boas políticas que os líderes podem cumprir seus objetivos.
  • Ao diminuir o comprometimento, os líderes certamente sofrerão o fracasso.
  • Por não ser vigilante e por descuido, um líder certamente será subjugado por seus adversários.
  • Por meio de todos os métodos e recursos, os líderes devem corrigir todas as lacunas em suas políticas.
  • Ao trabalhar em políticas corretas, uma nação está destinada a florescer.
  • O compromisso de uma organização com as políticas desempenha um papel fundamental em seu sucesso.
  • Ao proteger as políticas certas, as organizações e as nações se protegem da vulnerabilidade.
  • Deve-se evitar o ciúme pessoal e o ego ao trabalhar nas políticas.
  • Se todo mundo apoiar algo, deve-se desconfiar.
  • No interesse de um país, uma aldeia pode ser abandonada.
  • No interesse de uma aldeia, uma família pode ser abandonada.
  • Somente subordinados com sabedoria devem se envolver na formulação de políticas.
  • Políticas estruturadas por ouvir muitos estão fadadas ao fracasso.
  • Tarefas importantes nunca devem ser realizadas consultando astrólogos.

O Trabalho

  • A felicidade colhida sem esforços dura pouco.
  • Pessoas pacientes são capazes de realizar grandes feitos.
  • Deve-se empreender apenas aquele trabalho que, segundo ele, pode corresponder às suas capacidades.
  • Deve-se receber uma tarefa em que seja proficiente.
  • Se uma pessoa sem conhecimento e habilidade adequados realiza uma tarefa específica, ela deve ser considerada indigna.
  • Raramente se pode desviar de sua verdadeira natureza.
  • Aquele que desfruta do restante depois de satisfazer os dependentes desfruta da bem-aventurança.
  • A riqueza abandona aquele que trabalha sem pensar muito.
  • O trabalho que pode levar a consequências graves não deve ser procurado.
  • Quem está em sintonia com o tempo, com certeza cumprirá sua tarefa.
  • Perder tempo tem suas próprias consequências.
  • Ao perder tempo, surgem obstáculos.
  • Mesmo um segundo desperdiçado pode ter consequências.
  • Nenhum trabalho deve ser procurado sem considerar os fatores de tempo e lugar.
  • Às vezes, na falta de sorte, mesmo um trabalho / tarefa de aparência simples se torna difícil de realizar.
  • Homens sábios costumam monitorar os campos e o tempo.
  • Homens sábios e espertos podem tornar mais fácil até mesmo uma tarefa difícil de realizar.
  • Deve-se regozijar somente depois que uma tarefa específica for realizada.
  • Devido à má sorte, até mesmo pessoas habilidosas e instruídas podem falhar.
  • O trabalho de amanhã deve ser feito hoje.
  • O trabalho da tarde deve ser feito pela manhã.
  • É preciso se esforçar para cumprir seu dever.
  • O trabalho é mais importante do que a adoração.
  • É preciso pensar bem antes de embarcar em uma tarefa específica.
  • Uma vez decidida, uma tarefa não deve ser atrasada.

Superando adversidades

  • Trabalhar sem desafios é raro.
  • Como um bezerro atrás de uma vaca, o prazer e a dor seguem a vida.
  • Qualquer tarefa pode ser analisada a partir de três perspectivas: a própria perspectiva, a perspectiva dos outros e a perspectiva lógica.
  • As dificuldades podem ser resolvidas por meio de um exame adequado.
  • O destino adverso pode ser domado aderindo aos rituais védicos.
  • Todos os obstáculos criados pelo homem podem ser eliminados.
  • Quando surgem desafios ou quando se depara com fracassos, uma pessoa imatura recorre ao jogo da culpa.
  • Alguém com limitações procura limitações nos outros.
  • A falta de esforços aumenta a dificuldade em atingir os objetivos.
  • Os empreendedores, às vezes, precisam ser implacáveis.
  • Assim como um bezerro desejando o leite materno bate no peito de sua mãe.
  • Até mesmo uma poção pode ser derivada de veneno.
  • Melhor eliminar as dúvidas do que se empenhar em controlá-las.
  • Quando há várias tarefas, a tarefa com maior potencial deve ter prioridade.
  • As falhas devem ser admitidas no consolo e nunca por antecipação.
  • O medo eclipsa o senso de julgamento.
  • Com o julgamento correto, qualquer objetivo é alcançável.

Objetividade

  • Uma pessoa completamente direta por natureza é a mais rara entre as pessoas.
  • É preciso ser objetivo, mesmo com aqueles que o traíram no passado.
  • Não há riqueza sem responsabilidade.
  • Com o veículo certo, os esforços para viajar são limitados.
  • Não há maior vantagem do que ter a habilidade de meditar durante a angústia.
  • É preciso contemplar ao amanhecer.
  • Não é recomendado contemplar ao entardecer.
  • Não há penitência maior do que ser honesto com seus deveres.
  • A riqueza acumulada pelos pecadores é desfrutada por outros pecadores.
  • Um cisne raramente pode morar em um crematório.
  • As circunstâncias podem mudar os homens.
  • O ouro deve ser proporcional à riqueza de cada um.
  • O crime deve ser punido de forma adequada.
  • Uma resposta deve estar de acordo com a pergunta.
  • Deve-se agir de acordo com seu status.
  • Os esforços devem ser proporcionais ao trabalho.
  • A doação deve ser de acordo com a necessidade.
  • Deve-se vestir de acordo com sua idade.
  • Um servo deve atender às necessidades de seu mestre.
  • A esposa deve estar de acordo com o marido.
  • Um aluno deve estar de acordo com seu professor.
  • Um filho deve estar de acordo com os desejos de seu pai.
  • Nunca se deve mostrar parcialidade ao fazer justiça.
  • Uma árvore de nim raramente pode ser uma mangueira.
  • Aquele que é fiel a seu dever é feliz.
  • Como a semente, a colheita
  • Como o conhecimento, o intelecto.
  • Como a educação, a conduta.

Evitando empréstimos

  • Um favor deve ser devolvido.
  • Esperar a riqueza dos outros pode levar uma pessoa à ruína.
  • Não se deve esperar nem mesmo uma pequena soma de ninguém.
  • Mesmo um bom conhecimento de pessoas más não os ajudará a evitar seus maus hábitos.
  • Nunca se deve ter ciúme de pessoas generosas.
  • Aquele que cobiça a riqueza alheia é egoísta.
  • A prosperidade das pessoas que conhecemos pode causar dor pior do que a que sentimos durante a nossa pobreza.
  • Ao alimentar uma cobra com leite, não se pode esperar que a serpente evite seu veneno.
  • Não é uma virtude esperar a riqueza dos outros.
  • Qualquer coisa que impeça alguém de cumprir compromissos é um convite ao desastre.
  • Os traidores não têm culpa.

Evitando doenças

  • Comer uma dieta balanceada e regular leva ao ganho de saúde.
  • As doenças causadas por alimentos não saudáveis ​​não podem ser curadas comendo alimentos saudáveis.
  • Com uma digestão adequada, um corpo nunca é afetado por doenças.
  • É uma dor comer durante a indigestão.
  • Doença e enfermidade são piores do que um inimigo.
  • A penitência é uma virtude que acompanha a pessoa mesmo depois da morte.
  • Mesmo um bocado de comida pode salvar uma vida.
  • Mas mesmo o melhor remédio é incapaz de trazer os mortos de volta.
  • O vegetarianismo é bom para todos.

Evitando Inimigos

  • Nunca se deve insultar um inimigo, especialmente em uma assembléia.
  • É um prazer ouvir a dor de um inimigo.
  • Somente aqueles que são leais devem ser considerados amigos.
  • Ganhando amigos, ganha-se influência.
  • Homens fortes procuram ganhar o que não têm.
  • A arte da gestão faz parte da ciência política.
  • Os assuntos internos e externos de qualquer organização dependem do ambiente político.
  • Assuntos internos constituem aquilo que governa os recursos dentro de uma organização.
  • Os assuntos externos constituem a relação das organizações com o mundo exterior.
  • Os líderes devem compreender esses fatos com firmeza.
  • O vizinho imediato de um país costuma ser seu inimigo.
  • O outro vizinho de um inimigo geralmente é seu amigo.
  • Os inimigos e amigos são assim por suas necessidades e conveniências.
  • Pessoas inteligentes não têm inimigos.
  • Se um indivíduo tem muitos inimigos, ele não deve ser seguido.
  • Uma pessoa deve guardar seus segredos de todos, especialmente daqueles sem caráter e moral.
  • Nunca se deve revelar sua vulnerabilidade.
  • Aqueles que atingem pontos vulneráveis ​​são de fato inimigos.
  • A indignidade deve ser evitada.
  • Pessoas indignas não têm amigos.
  • As pessoas encontrarão falhas até mesmo em quem não conhecem.
  • As falhas podem ser facilmente encontradas, mesmo entre os sábios.
  • Nenhuma pedra preciosa é encontrada sem uma rachadura.
  • A parceria não deve ser feita com pessoas más.
  • Uma pessoa gentil não deve ter relacionamento com pessoas desagradáveis.
  • Muitas vezes, um inimigo pode ser confundido com um amigo.
  • Um estrangeiro benevolente é um irmão e amigo.
  • Raramente se deve ter ciúme da virtude de um inimigo.
  • Não reclame de um inimigo em uma assembléia.
  • As boas qualidades dos inimigos devem ser absorvidas.

Lidando com conflitos

  • O forte vencerá o fraco na guerra.
  • Um fraco deve fazer as pazes com o forte.
  • O forte não deve buscar amizade do fraco.
  • A necessidade é a única razão para os fortes e fracos buscarem colaboração e tratados.
  • Um ferro não aquecido nunca pode ser unido a um ferro aquecido.
  • Quando estiver sem energia, procure a ajuda de alguém que seja forte.
  • Ao refugiar-se nos fracos, certamente enfrentará a desgraça.
  • A paz e a guerra muitas vezes são devidas às condições econômicas e ambientais.
  • É estúpido lutar com alguém poderoso.
  • Lutar com os poderosos é inútil; como um indivíduo desarmado diante de um poderoso elefante, a condenação dos fracos é freqüentemente predestinada.
  • Quando dois potes de barro com qualidades semelhantes colidem, ambos são destruídos.
  • Os esforços e ações de um adversário devem ser monitorados e examinados de perto.
  • Depois de discordar de um inimigo, tome providências para se proteger.
  • A não violência é um sinal de grandes homens.

Perigo dos vícios

  • Aqueles com vícios muitas vezes enfrentam fracassos.
  • O preguiçoso, sem ambições, nada busca.
  • Os ociosos, mesmo com força substancial, nunca reterão o que possuem por muito tempo.
  • Os ociosos não conseguirão nem proteger sua herança.
  • Os ociosos nunca podem cuidar daqueles que dependem deles.
  • Homens preguiçosos raramente se beneficiam da sabedoria das escrituras.
  • Gastar dinheiro sem consideração não serve nem a si mesmo nem à sociedade.
  • Ao renunciar à raiva, o homem está no caminho certo para o sucesso.
  • Pessoas sob a influência da luxúria e das drogas certamente perderão tudo o que possuem.
  • Para uma pessoa viciada em jogos de azar, nenhum trabalho parece justo.
  • Os viciados em violência costumam evitar a ética.
  • O desejo de riqueza não deve ser considerado um vício.
  • A falta de vontade de trabalhar deve ser considerada um vício.
  • Um mulherengo é uma desgraça; ele raramente é respeitado.
  • Um mulherengo é desrespeitado até pelas mulheres com quem dorme.
  • Capacidade de controlar a si mesmo é uma marca registrada da meditação.
  • É muito difícil se livrar da luxúria.
  • A luxúria leva à desgraça do homem.
  • Um oceano raramente consegue matar a sede.

Perigos da estupidez

  • Uma pessoa gananciosa, mesmo que competente, pode ser facilmente enganada.
  • Pela ganância, a consciência é enganada.
  • Quando seu trabalho está corrompido, a pessoa deve se consertar.
  • Pessoas estúpidas costumam ser teimosas.
  • É estúpido ter conflito com amigos, professores e mestres inteligentes.
  • Vale mais ser inimigo dos sábios do que amigo dos estúpidos.
  • É preciso falar a linguagem dos estúpidos com pessoas estúpidas.
  • É estúpido discutir com pessoas estúpidas.
  • Somente o ferro pode cortar o ferro.
  • Pessoas estúpidas não têm amigos verdadeiros.

Palavras e discurso

  • Palavras ásperas podem causar dores piores do que queimaduras de fogo.
  • Os líderes serão odiados se usarem palavras ásperas com frequência.
  • Qualquer inimigo pode ser contido empregando-se habilmente tato e diplomacia.
  • Palavrões nunca devem ser praticados.
  • Não há mérito maior que a verdade.
  • A verdade é o caminho para a bem-aventurança.
  • A existência do mundo é verdade.
  • A verdade é a essência da vida.
  • Não há pecado maior do que a mentira.
  • Poção e veneno emanam de sua língua.
  • Aqueles com palavras doces não têm inimigos.
  • Com palavras doces, até os deuses ficam satisfeitos.
  • Palavrões, mesmo que em brincadeiras, vivem para a eternidade.
  • Nunca fale nada que não seja apreciado pelos reis.
  • Pessoas más nunca podem falar com o coração.
  • Nunca se deve falar de seus medos.
  • Nunca se deve dar falso testemunho.
  • O falso testemunho é um caminho para o inferno.
  • O corpo pode desafiar as palavras de alguém.
  • O inacreditável, mesmo se verdadeiro, não deve ser falado.
  • Homens ricos geralmente desprezam falatório.

Carisma e Prestígio

  • Para os líderes, seu carisma é riqueza.
  • Esforços para tornar gracioso um homem vergonhoso são uma tarefa assustadora.
  • A falta de entusiasmo pode levar ao fracasso.
  • Para os entusiastas, até os inimigos se tornam favoráveis.
  • Se algo bom é feito por alguém que se não gosta, isso não é apreciado.
  • Por uma falha menor, uma pessoa com muitas boas qualidades não deve ser sacrificada ou abandonada.
  • Muitas virtudes em um homem podem ser eclipsadas por uma única falha.
  • Até uma mãe é abandonada se for considerada vil, cruel ou corrompida.
  • Assim como um membro que enfrenta gangrena é amputado.
  • Uma pessoa pode ser adorada simplesmente por causa de sua posição.
  • Uma pessoa boa é respeitada mesmo quando perde sua posição.
  • O carisma de uma pessoa respeitável raramente é esquecido.
  • Ele é uma boa pessoa que trabalha para o interesse dos outros.
  • Quando o respeito não combina com o status de alguém, é um bom motivo para suspeitar.
  • A autoconfiança deve sempre ser preservada.
  • Mas o ego é o pior inimigo do homem.
  • Uma pessoa vergonhosa não tem medo de insultos.
  • Os homens sábios não têm medo da morte.
  • Para santos e sábios, não existem medos.
  • O mesmo é para qualquer pessoa que aprendeu a controlar seus sentidos.
  • Ele é uma pessoa generosa que considera os problemas dos outros como seus.
  • Não se deve vangloriar-se de si mesmo.
  • Um grande homem é inestimável.
  • Uma mulher elegante é incomparável.
  • O medo do desrespeito está entre os piores temores.
  • Não há dor maior do que cair em desgraça.

Respeito à Família

  • Uma pessoa que salva seus pais da miséria é um filho verdadeiro.
  • Ele é um filho que traz glória para sua família.
  • Para um chefe de família, um filho virtuoso é uma bênção.
  • É preciso garantir que seu filho seja excelente em educação.
  • Nunca se deve vangloriar-se do filho.
  • É impossível esconder suas limitações entre parentes.
  • Um líder maligno é insultado até mesmo por sua própria esposa e filhos.
  • A Mãe é a maior professora.
  • É preciso sempre cuidar da mãe.
  • O sábio não deve se casar com imprudente.
  • Ao se casar com uma mulher imprudente, o homem certamente perderá seu respeito, longevidade e carisma.
  • Nunca se deve engravidar uma mulher desconhecida.
  • As mulheres procuram companheirismo.
  • Quando um homem respeitado se casa com uma mulher sem personalidade, ele com certeza sofrerá uma vida de agonia.
  • Mesmo as pessoas com amor têm raiva.
  • Deve-se morar em um lugar pacífico.
  • Onde se pode viver em paz é um lugar onde se deve viver.
  • As pessoas que vivem ao redor devem ser boas.
  • Eles devem cumprir a lei.

Respeito às Leis

  • Ao roubar a riqueza de outra pessoa, uma pessoa corre o risco de colocar a sua própria em risco.
  • Não há pior armadilha mortal do que roubar.
  • Ao cumprir a lei, um líder é respeitado por seu povo.
  • A lei é bem governada durante a prosperidade.
  • Sem lei, a própria estrutura da sociedade certamente perecerá.
  • Por medo da punição, as pessoas evitam a violência e seguem a lei.
  • Ao proteger a lei, as pessoas se protegem.
  • Ao proteger a si mesmo, tudo está protegido.
  • O crescimento e a destruição são causados ​​pelas pessoas.
  • A aplicação da lei deve ser feita aplicando sabedoria.
  • Até mesmo o emprego de pessoas é protegido pela aplicação da lei.

Respeito ao Dharma

  • O mundo é ordenado por meio do Dharma.
  • A riqueza somente deve ser conquistada com justiça.
  • Riquezas ganhas com a perda de respeito próprio são humilhação
  • Tudo o que é ganho de forma injusta não deve ser considerado riqueza.
  • Empatia é a mãe da ética.
  • A verdade e a penitência estão enraizadas na ética.
  • Não existe inimigo igual ao egoísmo.
  • Homens bons raramente podem desfrutar da companhia dos ímpios.
  • Os líderes imorais destroem não apenas a si mesmos, mas também seus seguidores.
  • Os líderes éticos se protegem, como seus seguidores.
  • Um líder ético é o protetor das massas.
  • Um líder que gera felicidade para seus seguidores é feliz em todos os lugares.
  • Não é sensato se associar com pessoas más.
  • O mais valente é aquele que é caridoso.
  • A fidelidade aos deuses, homens eruditos e professores é uma virtude.
  • A bondade em qualquer pessoa é uma virtude.
  • Com bondade, uma pessoa de nascimento humilde também pode ser considerada digna.
  • Mesmo que seja agradável, uma má ação nunca deve ser cometida.
  • Para pessoas altruístas, a vida não é um negócio.
  • Bons presságios significam sucesso.
  • Os presságios têm maior valor do que as estrelas.
  • As escrituras devem ser seguidas.
  • Mas a boa conduta não está só nas escrituras.
  • Deve-se aprender e seguir as características graciosas de homens excelentes.
  • Quando as escrituras estão ausentes, os homens sábios devem ser seguidos.
  • O perdão leva à penitência e à divindade na pessoa.
  • Por penitência, grandes feitos se tornam possíveis.
  • Somente nossa consciência dá testemunho de nosso trabalho.
  • A consciência é a testemunha eterna de todas as nossas ações.
  • Aqueles que pecam em segredo, sua consciência ainda dá testemunho.
  • É preciso sofrer seus pecados mais cedo ou mais tarde.
  • Sob nenhuma circunstância um indivíduo deve violar seus limites.
  • Escrituras más são freqüentemente suportadas por pessoas más.
  • Pessoas compassivas se veem em todos.
  • A personalidade reflete o caráter de uma pessoa.
  • Homens excelentes consideram a dor dos outros como sua.
  • Uma pessoa necessitada nunca deve ser rejeitada.
  • Um favor feito àquele que é gracioso raramente é esquecido. Ele está sempre agradecido.
  • Pessoas ingratas não têm retorno do inferno.
  • A companhia de bons homens é como a do céu.
  • Por meio do bom comportamento, um indivíduo aumenta não apenas seu respeito, mas também sua riqueza.
  • Sem a apoio dos deuses mesmo os melhores esforços estão destinados ao fracasso.
  • A bênção dos deuses é importante.

Malefícios da pobreza

  • Quando a desgraça está predestinada, uma pessoa fará tudo contra seus próprio interesse.
  • Um desempregado raramente pode cuidar de seus dependentes.
  • Aquele que não consegue encontrar trabalho para si mesmo é pior do que um cego.
  • Uma pessoa sem trabalho certamente enfrentará a fome.
  • Não há inimigo como a fome.
  • Um homem faminto pode comer qualquer coisa por fome.
  • Ao sucumbir à fome, um homem pode perder o controle de si mesmo
  • Pessoas empobrecidas frequentemente sofrem obstáculos.
  • Os mendigos carecem de respeito.
  • A pobreza é pior do que a morte.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/artha-sutra-o-livro-da-riqueza/