Hércules e o Cinturão de Hipólita

A missão do herói era conseguir o cinturão da rainha das amazonas, mulheres conhecidas por sua bravura. Mas não poderia obtê-lo pela força: precisaria ganhá-lo conquistando o coração da guerreira. Esse trabalho fala sobre a importância de construirmos laços afetivos duradouros. Ensina que a arte de conquistar uma pessoa não se faz pela força nem criando ilusões e falsas aparências, mas pelo respeito ao outro e pela coragem de mostrar quem verdadeiramente somos.

Mitologia

Este trabalho leva Hércules até às praias onde vivia a grande rainha, que reinava sobre todas as mulheres do mundo conhecido. Elas eram suas vassalas e guerreiras ousadas. Nesse reino não havia homens, só as mulheres reunidas em torno da sua rainha, Hipólita.

A ela pertencia o cinturão que lhe fora dado por Vénus, a rainha do Amor. Aquele cinturão era um símbolo da unidade conquistada através da luta, do conflito, da aspiração, da maternidade e da sagrada Criança para quem toda a vida humana está verdadeiramente voltada.

“Ouvi dizer”, disse Hipólita às guerreiras, “que está a caminho um guerreiro cujo nome é Hércules, um filho do homem e no entanto um filho de Deus; a ele eu devo entregar este cinturão que eu uso. Deverei obedecer a ordem, oh Amazonas, ou deveremos combater a palavra de Deus?” Enquanto as Amazonas reflectiam sobre o problema, foi passada uma informação, dizendo que ele se havia adiantado e estava lá, esperando para tomar o sagrado cinturão da rainha guerreira.

Hipólita dirigiu-se ao encontro de Hércules. Ele lutou com ela, combateu-a, e não ouviu as palavras sensatas que ela procurava dizer. Arrancou-lhe o cinturão, somente para deparar-se com as mãos dela estendidas e lhe oferecendo a dádiva, oferecendo o símbolo da unidade e amor, de sacríficio e fé.

Entretanto, tomando-o, ele, matou quem lhe dera o que ele exigira. E enquanto estava ao lado da rainha agonizante, consternado pelo que fizera, ele ouviu a voz do mestre que dizia: “Meu filho, por que matar aquilo que é necessário, próximo e caro? Por que matar a quem você ama, a doadora das boas dádivas, guardiã do que é possível? Por que matar a mãe da Criança sagrada?

Novamente registamos um fracasso. Novamente você não compreendeu. Ou redimirá este momento, ou não mais verá a minha face.”

Hércules partiu em silêncio deixando as mulheres lamentando a perda da liderança e do amor. Quando ele chegou às costas do grande mar, perto da praia rochosa, ele viu um monstro das profundezas trazendo presa em suas mandíbulas a pobre Hesione. Os seus gritos e suspiros elevavam-se aos céus e feriram os ouvidos de Hércules, perdido em remorsos e sem saber que caminho seguir. Dirigiu-se prontamente em sua ajuda quando ela desapareceu nas cavernosas entranhas da serpente marinha.

Esquecendo-se de si mesmo, Hércules nadou até o monstro e desceu até o fundo do seu estômago onde encontrou Hesione. Com a sua mão esquerda ele agarrou-a e segurou-a junto a si, enquanto com a sua espada se esforçou para abrir caminho para fora do ventre da serpente até a luz do dia. E assim ele salvou-a, equilibrando seu feito anterior de morte.

Pois assim é a vida: um ato de morte, um ato de vida, e assim os filhos dos homens, que são filhos de Deus, aprendem a sabedoria, o equilíbrio e o caminho para andar com Deus.

Simbologia

Este trabalho está associado à Virgem, signo onde a consciência de Cristo é concebida e nutrida através do período de gestação até que por fim em Peixes, o signo oposto, o salvador mundial nasce.

Note-se que nos dois Trabalhos onde Hércules vence, na verdade, são os dois onde ele se saiu mal justamente com os seus opostos, femininos (as éguas bravias e a rainha das Amazonas).

Assim a guerra entre os sexos é de origem antiga, na verdade, está inerente na dualidade da humanidade. O Leão é o rei dos animais. Nele alcançamos a personalidade integrada; mas em Virgem é dado o primeiro passo para a espiritualidade, a alma é chamada de filho da mente, e Virgem é regida por Mercúrio, que leva a energia da mente.

É em virgem que, o mau uso da matéria representa o maior erro de toda a peregrinação de Hércules: atentar contra o Espírito Santo; quando ele não compreendeu que a rainha das Amazonas devia ser redimida pela unidade, e não morta, e foi aí que ele sentiu a dor do signo de Peixes, diante do sofrimento humano provocado pela violência e pela agressividade, criada muitas vezes pela falta de diálogo ou até mesmo de compreensão.

O cinto é o símbolo da união e do amor, e ele mata quem lho quisera entregar por amor a Deus. Aqui o herói é abatido pela depressão e pena que sente de si mesmo, característica de Peixes.

Ao salvar Hesione da boca do monstro, Hércules compreende que tudo o que se faz, se reflecte no universo eternamente, e que para que o ser pare de sofrer, deve compreender que a dor é uma forma de redenção e aprendizagem que nos conduz ao crescimento. Que a aceitação da imperfeição do mundo é um caminho para atingir a perfeição.

Enquanto nos martirizamos com a culpa do mal feito, não assumimos a responsabilidade dos erros, mas quando aceitamos esta responsabilidade, transformamos esta dor em atitude, fazemos o bem e libertamo-nos das amarras do sofrimento. É neste momento e com esta tomada de consciência que passamos do trabalho ao serviço à humanidade.

Caminho de Iniciação

Na Mitologia Esotérica, o Nono Trabalho de Hércules corresponde à conquista do Cinto de Ouro de Hipólita – a Raimnha das Amazonas – viva alegoria do aspecto psíquico feminino oculto e mais delicado de nossa íntima natureza.

Durante este trabalho, o Iniciado é atacado naquilo que ele tem de mais fraco: o sexo. As Amazonas, suscitadas por Hera (um dos aspectos de nossa Mãe Divina), assediam com seus encantos femininos o caminhante que adentra seus domínios; usam de todas as artimanhas da sedução para infligir fatal derrota ao nobre e valente guerreiro que está prestes a conquistar sua rainha com seu precioso cinto, uma vez que o cinto sem a rainha não possui nenhuma beleza…

Mas infeliz do Hércules que se deixa cair ou seduzir por essas beldades dotadas de beleza enfeitiçadora. Apoderar-se do Cinto de Hipólita consiste, justamente, em não se deixar seduzir ou cair sob o hipnotismo de tais provocações sexuais femininas; significa dominar totalmente os sentidos, a mente e as sensações físicas e psíquicas. O Hércules que tem total domínio sobre si acaba conquistando a Rainha das Amazonas, não pela força, mas pelo amor, pelo respeito e pela veneração ao Feminino Cósmico.

Netuno é o Senhor da Magia. Portanto, torna-se evidente que o inferno de Netuno é habitado pelos magos negros mais terríveis e pela magas tenebrosas de beleza fatal e maligna.

Durante este Trabalho, o alegórico Castelo do tenebroso Klingsor, autêntico templo de magia negra, deve ser totalmente destruído. Quando o castelo cair em pedaços, o Iniciado, vencedor da terrível batalha contra si mesmo, ganha o direito de ingressar no Céu do Senhor Netuno, o Empíreo, a região dos Serafins, criaturas do amor e expressões diretas da Unidade Divina.

#Hércules #Mitologia

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Ahriman e Angra Mainya – As Origens do Mal

Ahriman, o princípio do mal na religião da Pérsia, atual Irã, foi personificado como Angra Mainya, “o espírito destrutivo”, que introduziu a morte no mundo.

Ele liderou as forças do mal contra o exército de Spenta Mainya, “o espírito santo”, que ajudou Ahura Mazdah, “o sábio senhor” e o vencedor final na guerra cósmica. “No princípio”, disse o profeta Zoroastro, “os espíritos gêmeos eram conhecidos como um gêmeo bom e o outro gêmeo mau, em pensamento, palavra e ação. Entre eles, os sábios escolheram sabiamente, não os tolos”.

E quando esses espíritos se encontraram eles estabeleceram a vida e a morte para que no final os seguidores do engano encontrassem a pior existência, mas os seguidores da verdade com o senhor sábio.”

Ahura Mazdah disse a Zoroastro que Angra Mainya havia atrapalhado seus planos de transformar a Pérsia em um paraíso terrestre. Todas as criaturas do “sábio senhor” foram criadas com livre arbítrio: tanto seres espirituais quanto humanos.

Angra Mainya, o irmão gêmeo do “espírito santo”, simplesmente tinha prazer em “escolher as piores coisas”. A fim de frustrar Ahura Mazdah, ele introduziu geada no inverno, calor no verão, todos os tipos de desastres e outros males que a humanidade tem que suportar. Ele também criou o dragão Azhi Dahaka, que trouxe ruína à terra.

Quando Ahura Mazdah criou as estrelas no céu, ele “saltou para o céu como uma serpente” e em oposição a essas luminárias celestiais ele formou os planetas, cuja influência funesta então caiu sobre o mundo. Ao longo da criação houve uma clivagem e antagonismo tão profundos que sob o governo dos sassânidas (226-632) surgiu um mito para suavizar o dualismo.

Os espíritos gêmeos tornaram-se descendentes de um ser primordial pré-existente, Zurvan Akarana, o “tempo infinito”. Porque Zurvan jurou que o primogênito deveria governar como rei e Ahriman “rasgou o ventre” para reivindicar o título, o maligno recebeu o reino do mundo por um período limitado.

“Depois de nove mil anos”, insistiu Zurvan, “Ohrmazd reinará e fará tudo de acordo com sua boa vontade”.

A principal arma de Ahriman era “az”, a concupiscência, presente de Zurvan. “Por meio desse poder”, observou o doador, “tudo o que é seu será devorado, até mesmo sua própria criação”. Ahriman aceitou porque era “como sua própria essência”.

A demoníaca Az, um princípio feminino, incluía mais do que desejo sexual: igualmente era dúvida, um enfraquecimento do intelecto.

Possivelmente a ideia representa um empréstimo do budismo, que via em avidya, “ignorância”, e sua manifestação, o desejo, a razão para o ciclo interminável do ser condicionado. Az também estava ligado ao demônio maniqueísta de mesmo nome, “a mãe de todos os espíritos malignos”. No zoroastrismo, no entanto, o papel da mulher definitivamente não é claro.

O homem era quase santo, uma criação destinada a desempenhar o papel principal na destruição do mal. Quando Ahriman viu o homem justo, ele desmaiou. Por três mil anos ele ficou desmaiado… até que a prostituta acusada, Jeh, o despertou.

Jeh, a prostituta, cobiçou o homem e “contaminou-se” com o “espírito destrutivo” para obter seu desejo. Mas esse conceito apareceu apenas em textos posteriores; originalmente o papel da mulher parecia ser para a propagação da espécie.

Os Gathas, que são os hinos ou canções que se considera terem sido escritos pelo próprio Zoroastro, dizem que no início Ahriman (Angra Mainya), o Espírito Maligno, estava amplamente separado do Bom. No entanto, Ahriman é tomado de curiosidade e inveja e tenta invadir o território do bem, que é luminoso e puro.

Ele é repelido e a vitória é atribuída ao efeito infalível da oração (o Ahuna Vairya) proferida por Ohrmazd, que entretanto decide permitir a Ahriman um período de semi-vitória, para melhor conquistá-lo de uma vez por todas no final.

Este último tema pode soar familiar, pois é proeminente no cristianismo: o diabo reinará na terra antes do fim do mundo e depois será lançado de volta ao inferno para sempre. Ahriman, que se diz ter vivido em um lugar escuro sob a terra, é considerado por alguns como o antecessor do diabo, ou Satanás.

De acordo com outra lenda, um pouco embutida na doutrina oficial do Mazdaísmo (outro nome do Zoroastrismo), a origem de Ahriman, embora incerta, decorre das dúvidas de Zurvan (o Tempo Infinito), que também gerou Ohrmazd. Zurvan, gerado do deus supremo, ofereceu sacrifícios por mil anos para ter um filho e, no final, duvidou da eficácia de seus próprios atos.

Ahriman foi o resultado da dúvida de Zurvan, enquanto Ohrmazd foi gerado a partir dos méritos dos sacrifícios de Zurvan.

A mitologia em torno dos gêmeos, os irmãos espirituais, Ahriman e Ohrmazd, gerados por Zurvan, foi incorporada nas religiões do Zoroastrismo, Maniqueísmo e Budismo. A mitologia tornou-se teologia, ou em alguns casos vice-versa.

No entanto, o tema, ou crença, existe atualmente: o bem contra o mal, e no final o bem inevitavelmente vencerá o mal.

Talvez esse mito seja mais fato do que parece, os gêmeos do bem e do mal eram filhos do próprio Tempo já que o conceito de uma guerra entre o bem e o mal parece ter obcecado o pensamento da humanidade desde tempos imortais. A.G.H.

Referências:

Cotterell, Arthur, A Dictionary of World Mythology, New York, G. P. Putman’s Sons, 1980, p. 63

Grimal, Pierre, Larousse World Mythology, Secaucus, New Jersey, Chartwell Books, 1965, pp. 194-195

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Fonte:

https://www.themystica.com/ahriman/

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/ahriman-e-angra-mainya-as-origens-do-mal/

Marcelo Del Debbio no Astrotheme

Salve,

Descobri hoje que, por conta da repercussão do Relançamento da Enciclopédia de Mitologia e o seu reconhecimento como uma das mais importantes fontes de pesquisa do gênero em língua portuguesa, meu perfil foi colocado no Astrotheme, junto com todas as outras celebridades do site rsrsrsrs.

Assim como o TdC, o Astrotheme disponibiliza todos os dias os perfis que se destacam nas artes, cinema, televisão, música, teatro, política e literatura. Aliás, eu recomendo que os fãs de Astrologia se cadastrem, pois ele permite que você possa armazenar cerca de 600 mapas para consulta e estudos.

Se você se registrar, não esqueça de me colocar nos seus favoritos!

– Marcelo Del Debbio

E, como eu sou chique, tenho perfil em Francês também hauahauahaua

#Astrologia #Blogosfera #Pessoal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/marcelo-del-debbio-no-astrotheme

A Espiritualidade Queer na Europa Pagã: Os Celtas e Os Vikings

A CULTURA QUEER NA EUROPA PAGÃ:

Gênero e sexualidade na Europa pagã são frequentemente vistos hoje com emoções misturadas. Existem muitas evidências sobre as tendências LGBT+ das tribos e pessoas originais do continente, mas muitas dessas evidências vêm de fontes externas e observadores terceirizados. Normalmente, esses historiadores estrangeiros eram os gregos e os romanos, que relacionavam a natureza queer da Europa “bárbara” em termos de sua própria rígida dicotomia “ativo/passivo”, ou eram os cristãos imperiais, que difamavam qualquer forma de sexo não procriativo que testemunhassem. pagãos fazendo.

Ainda assim, há pouca menção às tendências LGBT+ dos próprios indígenas. Isso significa que sexualidade e gênero não eram um grande problema e eles estavam vivendo em uma utopia queer? Isso significa que qualquer coisa queer era um tabu tão terrível que ninguém ousava registrar sua existência em detalhes? Bem, ninguém realmente sabe com 100 por cento de certeza. Mas, como a maioria das histórias maculadas escritas por rivais e conquistadores, a verdade provavelmente está em algum lugar no meio. O que se preserva, no entanto, é a inegável natureza queer nas religiões de várias tribos pagãs, especialmente as dos celtas e dos vikings. Então, vamos novamente levar alguns grãos de sal conosco e começar olhando para os celtas.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS CELTAS:

Os vários grupos de europeus pré-cristãos nativos fora da Grécia e Roma clássicas são comumente agrupados e conhecidos como os celtas (pronuncia-se “kelts”). Nesse sentido da palavra, os celtas eram as tribos da Europa que não falavam nem grego nem latim e adoravam divindades não greco-romanas. Em sua maior extensão, o povo celta compreendia muitas culturas e vivia em uma grande faixa de terra que se estendia desde os atuais Portugal e Espanha até a França, as Ilhas Britânicas, a Alemanha, a Escandinávia, as fronteiras da Europa Oriental do Mar Negro e até bolsões de Peru. Em vez de um único povo unificado, os celtas eram compostos por numerosas tribos que compartilhavam certos graus de semelhança cultural, e uma grande semelhança era o uso predominante da tradição oral para transmitir lendas, ensinamentos e modos de vida. Hoje em dia, porém, os celtas são principalmente associados ao povo da Irlanda, Escócia, País de Gales e à província francesa da Bretanha, onde suas culturas sobrevivem de forma mais vibrante.

Como mencionado anteriormente, muitos dos escritos sócio- e antropológicos sobreviventes que temos dos celtas vêm de outras pessoas que os encontraram. E no mundo clássico, os líderes militares gregos e romanos eram as principais pessoas a ter esses encontros múltiplos e contínuos. Com certeza pode ser esse o motivo pelo qual os celtas da antiguidade sempre foram descritos como guerreiros, já que era através da guerra que essas culturas se encontravam, mas o jeito do guerreiro também aparece bastante em sua própria mitologia. Na mitologia irlandesa em particular, figuras masculinas lendárias muitas vezes tinham um irmão de armas masculino especial ao lado de quem lutavam e com quem amavam ternamente.

As culturas celtas, como as sociedades humanas ao longo do tempo, tinham um sistema de classes estratificado da elite aristocrática e subdivisões de praticamente todo mundo. As classes superiores da sociedade celta masculina, de acordo com os gregos e romanos que os encontraram, eram conhecidas por terem relações sexuais com outros homens, mas como os gregos e romanos não queriam parecer semelhantes a esses “bárbaros”, os escritores da época enfatizavam que a aristocracia celta preferia outros homens a mulheres e até se envolvia em três vias masculinas. 112 Aristóteles até fez menção especial para apontar como essa homossexualidade preferida também tinha um viés para os homens dentro da mesma classe social – um severo não-não na sociedade grega. 113 Novamente, no entanto, a verdade está em algum lugar no meio.

Outra verdade intermediária é o desdém social deles por homens homossexuais “no fundo”. A suposição moderna para isso vem de como a cultura machista predominante dominou a sociedade celta. Ser fraco era ruim e, portanto, para um homem agir como o sexo fraco era ruim. Na verdade, ser um “passivo” homossexual era uma das piores coisas de que se poderia acusar um homem celta. Ironicamente, a frequência dessa acusação (especialmente no norte da Europa) prova que a homossexualidade era uma coisa na Europa pagã, uma vez que tal insulto só poderia ser entendido se fosse praticado com bastante frequência para que as pessoas comuns pudessem reconhecer a acusação.

Evidências semelhantes da semelhança da homossexualidade celta foram escritas nas Leis Brehon dos celtas irlandeses do século VII como uma razão legal pela qual uma mulher pode se divorciar de seu marido. A lei não menciona a homossexualidade em si, mas concede o divórcio legal a mulheres cujos maridos preferem fazer sexo com outros homens do que com ela. Estudiosos modernos acreditam que isso não é uma punição legal para homens gays, pois é uma garantia legal para as mulheres terem o direito de ter filhos, como evidenciado pela lei que continua a listar uma série de outros fundamentos legais para o divórcio, todos os quais giram em torno da incapacidade de um homem de engravidar sua esposa, como ser muito obeso para fazer sexo e infertilidade masculina total. Ainda assim, um homem preferindo a cama de outro homem deve ter ocorrido com frequência suficiente para que os celtas irlandeses o incluíssem em seu código de leis. 114

Quanto às próprias mulheres, não há muita evidência de lesbianismo romântico entre senhoras celtas. O mesmo vale para indivíduos transgêneros e bissexuais. A razão para isso é, novamente, os romanos. A maior parte da história sobrevivente dos celtas que nós, pessoas modernas, temos que continuar são os escritos dos militares romanos, que, em geral, tiveram contato principalmente com homens guerreiros celtas. E, além de não interagir muito com as mulheres celtas, os generais e historiadores romanos não teriam interesse particular nos assuntos privados dessas mulheres “bárbaras”, como evidenciado pela pouca estima que tinham por suas próprias mulheres “civilizadas”.

Há, é claro, uma exceção, embora controversa: Boudica, a lendária rainha guerreira ruiva dos celtas britânicos que liderou uma revolta bem-sucedida contra os exércitos romanos invasores. A polêmica está no fato de sabermos muito pouco sobre ela. O que sabemos é que Boudica era casada com o rei de uma tribo celta aliada de Roma. Após a morte de seu marido, o exército romano saqueou suas terras, estuprou suas filhas e a açoitou impiedosamente. Agora um inimigo declarado de Roma, ela foi eleita líder de uma resistência celta unida contra os invasores. Sob sua liderança, os celtas britânicos obtiveram sucesso militar após sucesso militar contra a máquina de guerra da Roma Imperial até que o exército romano obteve uma vitória decisiva em um local estratégico na Watling Street (principal rodovia de Roma na Grã-Bretanha). Após esta derrota irrecuperável, os relatos divergem quanto ao destino da rainha celta. Alguns escritos dizem que ela adoeceu na campanha e morreu, e outros dizem que ela cometeu suicídio por envenenamento auto-ingerido para não ser capturada e se tornar uma escrava romana. 115

Além das associações óbvias e estereotipadas de lesbianismo possuídas por Boudica, como ser um líder marcial, um guerreiro agressivo e impiedoso e dominar os homens tanto por comando direto quanto por conquista, os historiadores modernos acreditam que é bastante lógico que, após a morte de seu marido, Boudica tenha tido relações sexuais com outras mulheres, embora não cheguem a dizer que ela realmente o fez. O raciocínio é que, como líder de jure de sua tribo, o costume celta britânico de seu povo ditava que ela se deitasse com mulheres. 116 É verdade que esse costume foi provavelmente estabelecido com a suposição de que todos os seus líderes seriam homens, então era possível que o costume fosse ignorado devido ao gênero dela? Sim, é uma possibilidade. Mas também era possível que Boudica seguisse esse costume para manter as aparências como líder de seu povo? Sim, isso também é uma possibilidade. A verdade pode nunca ser totalmente conhecida.

O único outro relato da sexualidade feminino-feminina, além da suposta bissexualidade de Boudica, vem em uma breve passagem do antigo conto irlandês de “Niall Frossach” como escrito no Livro de Leinster do século XII. No conto, há menção direta de duas mulheres fazendo sexo uma com a outra, e é descrito como “acasalamento brincalhão”. Nada é dito sobre isso ser algo abominável ou mesmo estranho e incomum, e os personagens dentro do conto não reagem a isso de nenhuma maneira particular além de uma questão de fato/ ou um tipo de atitude de é-o-que-é-é. atitude. 117

A CONTRIBUIÇÃO CELTA:

A Comunicação Intrapessoal e Interpessoal:

A história queer dos vários povos celtas é escassa devido ao uso predominante da tradição oral, mas aí também está a lição: comunicar-se com as pessoas diretamente. Somos tímidos muitas vezes na magia e na vida queer. Não sabemos como alguém pode reagir se dissermos que praticamos magia ou que somos queer. Além disso, tanto praticantes de magia quanto pessoas queer são minorias, então há menos de nós com quem conversar. Isso leva a muita prática de magia solitária e aprendizado sobre a vida queer através de várias mídias. Agora, não me entenda mal, essas duas coisas são ótimas, mas não há nada como ser capaz de falar sobre coisas com pessoas reais ali mesmo.

O povo celta tinha uma grande consideração pela comunicação oral direta, mas hoje em dia a vemos como uma espécie de último recurso. Por que lidar com outras pessoas e suas falhas quando podemos obter todas as informações do mundo no conforto do nosso próprio quarto? Bem, a razão é porque a interação humana é uma parte mágica da vida. Além de sermos animais sociais, há uma certa sensação mágica e “saber” em falar diretamente com as pessoas. Comumente é chamado de “vibe” – aquele sentimento sutil e inexplicável que você tem sobre uma pessoa que só pode ser recebido pessoalmente. Você também pode pensar em qualquer data que você teve.

Conversando on-line por meio de texto, fotos ou vídeos, todos eles não podem dizer tanto sobre uma pessoa quanto estar na sala com ela em uma conversa. É aí que nossos sentidos mágicos entram em ação e nos permitem conhecer verdadeiramente uma pessoa.

Então, para sua próxima atividade mágica, saia e teste o quão bem você pode ler magicamente as vibrações de uma pessoa. Escolha uma pessoa aleatória que você vê e faça uma avaliação rápida de sua personalidade com base nas vibrações que você capta. Em seguida, converse com eles cara a cara. Uma escolha segura é fazer isso em uma loja e abordar um funcionário com o pretexto de ter algumas perguntas.

Aproximar-se de pessoas aleatórias pode colocá-las em um clima defensivo ou desdenhoso, mas um funcionário espera isso e tecnicamente terá que responder a você. Quanto mais você fizer isso, melhor você se tornará em captar instintivamente e com precisão as energias das pessoas.

Consequentemente, ser capaz de ler essas energias irá ajudá-lo a fazer feitiços para outras pessoas, bem como dar-lhe um aviso na vida diária sobre em quem confiar e quem está apenas jogando.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS VIKINGS:

Durante os séculos VIII a XI, as sociedades escandinavas da Europa pagã eram um povo belicoso. Famosos por seus ataques, ferocidade na batalha e agressão extrema, esses guerreiros do norte valorizavam a masculinidade alimentada pela testosterona e o poder físico que a acompanhava. Então, sem surpresa, eles não pareciam muito favoráveis à natureza queer. Muito parecido com os celtas ao sul, os vikings eram uma sociedade machista que valorizava a dureza masculina e desprezava a efeminação. Em certo sentido, não era a natureza queer em si que os nórdicos odiavam, mas sim a feminização de seus homens, que eles equiparavam à fraqueza.

No entanto, sabemos que a homossexualidade masculina era praticada pelos vikings. Além do fato óbvio de que pessoas LGBT+ existiram ao longo do tempo em todas as sociedades, o escárnio comum de homens homossexuais pelos vikings prova que eles estavam cientes disso e que era comum o suficiente para ser um insulto entendido. De fato, duas palavras em particular foram usadas como tal insulto: ergi e argr. Traduzidas grosseiramente, elas significam “não-masculinidade” e “não-masculinidade”, respectivamente. Em uma cultura tão machista, a masculinidade carregava consigo poder e influência social, então ser chamado desses nomes era um insulto extremo que poderia destruir permanentemente a reputação de um homem. Tão severas eram essas acusações que ser chamado assim era motivo para um duelo conhecido como holmganga. Se o acusado ganhou, então ele obviamente não era “não-masculino” e tinha direito a compensação, mas se ele perdesse, então era supostamente sua falta de masculinidade que o havia perdido no duelo. 118

Claro, porém, havia exceção à regra. Se você fosse o “ativo” penetrante durante uma rodada de relações sexuais masculinas, então você não era considerada feminina. E no rescaldo de uma batalha, esperava-se que um nórdico penetrasse sexualmente em seus inimigos derrotados. Nas conquistas vikings, o estupro era uma arma de guerra. Afirmava o domínio sobre o perdedor e efetivamente o feminizava, além de quebrar psicologicamente seu espírito. Fora da guerra, também era visto como certo que os machos vikings fizessem sexo com seus escravos/servos do sexo masculino, uma vez que afirmava seu domínio masculino, desde que fossem os “ativos”. Assim, não era a homossexualidade que os vikings abominavam, mas sim a falta de masculinidade associada a assumir o papel feminino durante o sexo e ser dominado por outro homem.

E não nos esqueçamos das senhoras. Assim como as outras culturas que discutimos anteriormente, não se sabe muito sobre a vida sexual privada das mulheres vikings porque as mulheres não eram vistas como importantes o suficiente para documentar suas vidas com tanta profundidade. Mas há evidências indiretas que sugerem que as mulheres vikings se envolveram no amor feminino do mesmo sexo com frequência suficiente para que os homens decretassem leis contra a masculinização das mulheres. Os sociólogos dizem que isso se deve ao valor escasso das mulheres; a proporção de mulheres para homens era drasticamente desigual, com muito menos mulheres e uma superabundância de homens — um importante efeito colateral de uma sociedade que valorizava fortemente os filhos em detrimento das filhas.

Semelhante à notoriedade outrora causada pela política do filho único da China moderna, as famílias vikings que davam à luz meninas muitas vezes as deixavam no deserto para morrer de exposição como uma maneira de apagar o “erro” e tentar novamente um filho. tendo poucas mulheres, e se algumas dessas escassas mulheres tinham aversão ao sexo heterossexual, isso deixava ainda menos mães em potencial para os homens se casarem e engravidarem. 119 Assim, foram promulgadas leis que desencorajavam as mulheres de assumir características masculinas, como cortar o cabelo curto, usar roupas masculinas, portar armas, etc. Basicamente, as mulheres precisavam agir como o sexo mais fraco para atrair um companheiro e gerar filhos, já que nenhum homem viking macho iria querer uma mulher que fosse mais masculina e dominante do que ele. Por outro lado, isso significava que as mulheres detinham muita autoridade no casamento, pois se se divorciassem do marido, a escassez de mulheres disponíveis dificultava encontrar outra esposa, um poder sobre os homens refletido em inúmeras sagas vikings. 120

Mas, novamente, do ponto de vista lógico da política sexual, se uma mulher viking realmente era lésbica ou mesmo bissexual, realmente não havia nada que seu marido pudesse fazer sobre isso. Afinal, seria imprudente divorciar-se dela devido à escassez de mulheres casáveis por aí. E se ele reclamasse disso, ela poderia ameaçá-lo com o divórcio, efetivamente calando-o. Realisticamente, desde que a mulher cumprisse seu dever de gerar os filhos do marido, quaisquer outras ligações que ela tivesse com mulheres eram sua prerrogativa. 121

Quanto aos indivíduos bissexuais e transgêneros na sociedade viking, quase nada se sabe. A noção viking de natureza queer não é a mesma que a nossa hoje. Para eles, a sexualidade era uma questão de posicionamento sexual e domínio psicológico, não os anseios internos e a identidade de um indivíduo. No entanto, é seguro presumir que, apesar da efemifobia desenfreada exibida na cultura nórdica, todos provavelmente eram um pouco bissexuais. Se você considerar que os guerreiros vikings machistas eram socialmente esperados para gerar filhos e dominar sexualmente seus inimigos de batalha, bem como a permissividade generalizada de escravos/servos masculinos sexualmente “passivos para os ativos”, então a bissexualidade era a norma para os homens vikings, pelo menos. Ainda assim, as façanhas e aventuras dos deuses nórdicos revelam uma boa quantidade de transexualismo e natureza queer geral, como testemunharemos daqui a pouco.

A CONTRIBUIÇÃO VIKING:

A Sacralidade do Masculino Divino:

Agora, antes que você dê um pulo e comece a gritar que sou um agente do patriarcado, é importante entender que qualquer coisa levada ao extremo é ruim, mas isso não significa que a coisa em si seja ruim. O culto da masculinidade reverenciado pelos vikings ainda está conosco em nossa cultura moderna, e a feminilidade ainda é vista como fraca. Embora isso seja lamentável e não seja uma coisa boa para a sociedade, temos que ter em mente que ser masculino ou gostar de pessoas e coisas masculinas não é ruim. Como falamos sobre juventude e beleza, a posse e atração pela masculinidade não é ruim, mas a expectativa de ser masculino certamente é.

No nível do dia-a-dia, temos que estar bem com a afinidade pessoal das pessoas pela masculinidade, seja em sua identidade ou no que as atrai. Hoje em dia, como um movimento reacionário ao patriarcado, homens queer envergonham outros homens queer que têm preferência sexual por homens masculinos. Supõe-se erroneamente que gostar de algo significa automaticamente não gostar de seu oposto. Afinal, um homem gay pode ter uma forte preferência por homens com barba, mas isso não significa que ele odeia ou não se sente atraído por caras barbeados. E uma lésbica pode ter preferência por mulheres com cabelo comprido, mas isso não significa que ela odeie ou não seja atraída por mulheres de cabelo curto.

Se um homem heterossexual prefere mulheres masculinas, isso não significa que ele tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma mulher heterossexual prefere homens efeminados, isso não significa que ela tenha desdém por homens masculinos. Se uma lésbica prefere sexualmente mulheres masculinas, isso não significa que ela tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma pessoa bissexual tem uma leve preferência sexual por homens, mesmo que ainda haja atração sexual por mulheres, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um transexual de mulher para homem prefere sexualmente homens, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um homem gay prefere sexualmente homens masculinos, isso não significa que ele tenha desdém por homens efeminados. Você vê onde eu estou indo com isso?

Todo mundo gosta de alguma coisa, e envergonhar nossa própria família queer por gostar do que eles gostam só nos derruba como um todo. E só porque alguém é atraído pela masculinidade não significa que odeia a efeminação; os dois não estão de mãos dadas. Desde que não prejudique ninguém, deixe as pessoas gostarem do que elas gostam. E magicamente, não seja adverso ao masculino divino só porque as religiões monoteístas dominantes mostram desdém pelo feminino divino.

Então, para sua próxima atividade mágica, faça um ritual com sua tradição que honre e adore a divindade mais estereotipada masculina em seu panteão. O próprio paganismo atrai muitas pessoas porque sua adoração ao feminino divino é uma lufada de ar fresco em um mundo que cultua o culto da masculinidade tóxica, mas o masculino divino é igualmente importante e não deve ser ignorado ou visto com aversão. Todas as divindades, mesmo as ultra-masculinas, podem nos ensinar algo se estivermos abertos ao aprendizado.

DIVINDADES E LENDAS QUEER:

Cú Chulainn:

Cú Chulainn é sem dúvida a mais homoerótica das divindades celtas irlandesas na consciência moderna, apesar de tecnicamente nunca ter sido oficialmente descrita como tal na tradição sobrevivente. O que o torna um membro do panteão internacional de divindades queer é seu relacionamento com o melhor amigo e irmão adotivo, Ferdiad. Eles cresceram juntos, treinaram juntos, experimentaram o amor físico juntos, e dizem que eram iguais em todas as coisas, exceto que Cú Chulainn era mais naturalmente adequado para “ofensiva” em batalha devido ao seu talento com uma lança, enquanto Ferdiad era mais natural. “defensivo” devido à sua pele dura e dura como armadura.

Através de uma série de eventos, eles são forçados a lutar uns contra os outros em uma batalha até a morte. A batalha se arrasta por dias até que um dia Cú Chulainn desfere o golpe mortal, enfiando sua “arma misteriosa” no ânus de Ferdiad, uma parte de seu corpo onde Cú Chulainn convenientemente sabia que a pele impenetrável de Ferdiad não cobria. Depois de sacar sua arma, Cú Chulainn lamenta muito o cadáver de seu querido amigo, uma cena imortalizada em inúmeras obras de arte. 122

Na adoração, os cães são sagrados para Cú Chulainn, assim como a lança e os aspectos do masculino divino.

Loki:

De todos os deuses nórdicos, Loki é talvez o mais reconhecido por possuir traços queer. Nas lendas, ele é frequentemente descrito como uma divindade trapaceira mercurial e que muda de forma e um agente do caos. A primeira coisa reveladora sobre ele é seu nome completo, Loki Laufeyjarson, que é único, pois mostra que ele recebeu o nome de sua mãe, em oposição à tradição machista viking de crianças recebendo o nome de seus pais.

Sua aparência é descrita como muito bonita, mas muitas vezes ele é encontrado se metamorfoseando em vários animais e, em três ocasiões, uma mulher. Uma história específica conta como Loki se transformou em uma égua e se permitiu engravidar do garanhão Svadilfari, eventualmente dando à luz o cavalo de Odin, Sleipnir. Diz-se também que ele engravidou comendo o coração meio cozido de uma mulher e deu à luz os demônios que atormentam a humanidade.

Em muitos outros contos, Loki vai além de mostrar sua habitual indiferença pelos papéis de gênero e revela seu desrespeito por sua própria identidade de gênero. Um dos exemplos mais populares disso conta como, em um esforço para fazer a giganta Skadi rir, Loki amarrou seus genitais à barba de uma cabra e começou a se castrar. Na cultura machista viking, onde o pênis de um homem era seu símbolo de poder, a tentativa de Loki de se castrar fisicamente para rir resume perfeitamente sua atitude em relação ao sexo e ao gênero. 123

Na adoração, as correspondências de Loki são cobras, sabugueiros e faias, chumbo, azeviche, incenso apimentado, a cor preta e participando de brincadeiras práticas e transgressoras.

Odin:

Uma das divindades escandinavas mais populares, Odin é principalmente um deus xamânico da batalha, morte e sabedoria espiritual que é cego de um olho e é o mestre da vida após a morte do guerreiro paradisíaco de Valhalla. Suas associações com a natureza queer são basicamente duplas. Primeiro, ele é frequentemente considerado um patrono dos párias por estar ideologicamente em desacordo com outros deuses devido ao seu apoio à amoralidade frenética, seja no campo de batalha como um berserker através da ingestão de plantas psicotrópicas ou mesmo como um fora-da-lei. Em segundo lugar, ele pratica as artes mágicas das mulheres. Em um conto famoso, Odin ridiculariza a efeminação de Loki chamando-o do insulto proibido argr, mas Loki então contra-ataca apontando que Odin também não é masculino porque ele é um praticante de seidr (um tipo de magia feminina), efetivamente colocando Odin em seu lugar porque era verdade. Embora as lendas não entrem em detalhes sobre o envolvimento ativo de Odin em seidr, o verdadeiro impulso do contra-ataque de Loki foi uma implicação irônica de que Odin não apenas abraçou sua feminilidade interior, mas também “foi passivo” durante o sexo. 124

Na adoração, suas correspondências são lobos, corvos, as cores preto, laranja e vermelho, incenso de sangue de dragão, samambaias, mandrágoras, teixos, cornalina, ônix e participando das artes de cura, bem como atos de altruísmo.

As Samodivi:

As Samodivi são divindades celtas da Europa Oriental que podem ser melhor descritas como um cruzamento entre uma ninfa, uma sereia e uma harpia. Visualmente, elas são altos, atraentes, loiros e usam vestidos longos, esvoaçantes e etéreos, semelhantes aos de Stevie Nicks da era Rumours, exceto cravejados de penas. Elas têm nomes diferentes dependendo de onde você está: Samodivi na Bulgária, Iele na Romênia, Vila na Polônia e Veelas nos Balcãs.

Elas são conhecidas por serem muito bonitas e muitas vezes são retratadas como bissexuais que flertam abertamente umas com as outras para atrair os homens para sua perdição.

As lendas folclóricas variam, mas geralmente contam como sua beleza e dança sedutora sem fim encantam os homens para se tornarem seus servos luxuriosos. Elas também são conhecidas por atrair mulheres propositalmente com sua linguagem corporal sáfica e sugestiva, mas ao contrário de suas vítimas masculinas, as vítimas femininas ficam tão ciumentas (por nunca possuir tanta beleza ou por alguém com tanta beleza) que se matam. Quem conhece a série Harry Potter vai ver que é das Samodivi que J. K. Rowling tirou sua inspiração para as personagens das Veela. A personagem Fleur Delacour, que representa a Escola de Beaubattons no Torneio Tribruxo é neta de uma Veela. 125

Bibliografia:

  1. From https://historicromance.vvordpress.com/2011/ 01/28/warrior-lovers-ancient-ireland/ireland/ (accessed Sept. 9, 2016).
  1. Philip Freeman, War; Women, and Druids: Eyewitness Reports and Early Accounts of the Ancient Celts (Austin: University of Texas Press, 2008).
  1. Fergus Kelly, A Guide to Early Irish Law (Dublin: Dublin Institute for Advanced Studies, 2005).
  1. Tacitus, The Annals, trans. Alfred John Church and William Jackson Brodribb, Internet Classics Archive, http://classics.mit.edu/Tacitus/annals.html (accessed Sept. 13, 2016).
  1. Carolyn D. Williams, Boudica and Her Stories: Narrative Transformations of a Warrior Queen (Newark: University of Delaware Press, 2009).
  1. Richard Irvine Best, The Book of Leinster: Formerly Lebar na Nuachongbala (Dublin: Dublin Institute for Advanced Studies, 1954).
  1. Marlene Ciklamini, ‘The Old Icelandic Duel,” Scandinavian Studies 35:3 (1963): 175-194.
  1. Jenny Jochens, Women in Old Norse Society (Ithaca: Cornell University Press, 1995).
  1. Carol J. Clover, “The Politics of Scarcity: Notes on the Sex Ratios in Early Scandinavia,” Scandinavian Studies 60 (1988): 147-188.
  1. From http://www.vikinganswerlady.com/ gayvik.shtml (accessed Sept. 14, 2016).
  1. Nora Chadwick, The Celts (London: Folio Society, 2001).
  1. Roscoe, Queer Spirits.

 

  1. Snorri Sturluson, The Poetic Ecida, trans. Lee M. Hollander (Austin: University of Texas Press, 1986).
  1. Ronesa Aveela, “Samodivi—Witches of Darkness or Thracian Goddesses?” Mystical Emona, June 22, 2015, http://mysticalemona.com/2015/06/22/samodiviwitches-of-darkness-thracian-goddesses/goddesses/ (accessed Sept. 16, 2016).

Fonte: Queer Magic, por Tomás Prower.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/queer/a-espiritualidade-queer-na-europa-paga-os-celtas-e-os-vikings/

Mapa Astral de Bram Stoker

Abraham “Bram” Stoker (Dublin, 8 de Novembro de 1847 — Londres, 20 de Abril de 1912) foi um escritor romancista, poeta e contista irlandês, mais conhecido atualmente por seu romance gótico Drácula, a principal obra no desenvolvimento do mito literário moderno do vampiro. Sempre estudando em Dublin, escreveu seu primeiro ensaio aos 16 anos e, em 1875 concluiu seu mestrado. Conseguiu se tornar crítico de teatro, sem remuneração, no jornal Dublin Eventing Mail. Em 1878 Stoker casou-se com Florence Balcombe, cujo ex-pretendente foi Oscar Wilde. Com a mulher, mudou-se para Londres, onde passou a trabalhar na companhia teatral Irving Lyceum, assumindo várias funções e permanecendo nela por 27 anos.

Em 31 de Dezembro de 1879 nasceu seu único filho, Irving Noel Thornley Stoker. Trabalhando para o ator Henry Irving, Stoker viajou por vários países, apesar de nunca ter visitado a Europa Oriental, cenário de seu famoso romance. Enquanto esteve no Lyceum Theatre de Londres, começou a escrever romances e fez parte da equipe literária do jornal londrino Daily Telegraph, para o qual escreveu ficção e outros gêneros. Antes de escrever Dracula, Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros. Depois de sofrer uma série de derrames cerebrais, Stoker faleceu em Londres em 1912.

Mapa Astral

O Mapa Astral de Bram possui Sol e Mercúrio em Escorpião; Lua em Virgem; Vênus e Júpiter em Sagitário-Escorpião (Rei de Bastões); Marte e Saturno em Leão (sendo Marte seu planeta mais forte) e Urano em Gêmeos. A primeiras palavras que me vêm em mente ao observar este mapa são: “pesquisador, estudioso, metódico, profundo”, pois a combinação de Lua em Virgem e Mercúrio em Escorpião denotam alguém com a capacidade muito acima da média de se aprofundar e pesquisar qualquer algum assunto e a capacidade acima da média de catalogar e organizar estes estudos. Júpiter e Vênus acentuam esta característica de “acumulador de conhecimentos”, facilitando a conclusão e a síntese das pesquisas realizadas. Urano em Gêmeos e Marte em Leão o levaram para os palcos e peças teatrais. Como possuía Saturno em Leão, não seria como ator, por conta da timidez, mas como escritor e roteirista.

Acumulando as funções de pesquisador de folclore, escritor, roteirista e mitologia, além de ter em sua companhia diversos membros da Golden Dawn e suas pesquisas no ocultismo e hermetismo, Bram Stoker acabou se tornando um dos escritores mais famosos do planeta, com sua obra eterna “Drácula”.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-bram-stoker

Carta a um evangélico

Olá Sr. Evangélico, aqui quem fala sou eu, o Sr. Espiritualista.

Antes de mais nada, preciso lembrar-lhe de que somos irmãos, ou pelo menos não há nada explícito em nossas doutrinas que afirme o contrário…

Vejamos, então, a questão da espiritualidade africana. Tenho visto o senhor dizer que os orixás são demônios e que toda macumba é necessariamente coisa do Capeta… No entanto, é preciso que saiba: para o pessoal lá dos terreiros, macumba é só um instrumento musical, tipo reco-reco, sabe como é? Nem tem tanta importância assim, o som dos tambores é bem mais importante no ritual deles; E, já que falamos nos rituais, são coisas bem antigas, bem antigas mesmo! Muito antes dos termos “demônio” e “Capeta” terem sido inventados, já se faziam rituais para os orixás na África. Se ler um pouco de ciência e antropologia, saberá o que os cientistas já dão por quase certo: que viemos todos da África, o homo sapiens surgiu em algum ponto entre a parte sul e central do continente mãe.

O próprio deus bíblico deve muito ao deus que era cultuado na Mesopotâmia por povos que já eram bisnetos milenares dos primeiros africanos que batiam tambores em homenagem a Natureza. Sem El, Javé não seria muito mais do que o espírito ancestral de alguma tribo de hebreus perambulando por Canaã. Javé foi cultuado como um patriarca de homens, El foi compreendido como um deus cósmico, criador de tudo o que há [1]… Mais ou menos como Olorun, que criou o mundo, mas está tão acima de nosso plano de existência que não há nenhum xamã africano que tenha tido coragem de tratar diretamente com ele [2].

Foi muita engenhosidade dos hebreus esta que associou Javé a El, e com isso criou a ideia de um deus cósmico que, não obstante, poderia ser contatado como qualquer outro grande patriarca. O problema é supor que somente os rabinos podiam contatá-lo… Não foi exatamente por isto que Lutero lutou toda sua vida? Para que as pessoas comuns pudessem ler os textos sagrados e conhecer a Deus por si mesmas, sem a intermediação de Roma? Pois bem, pois os nossos irmãos africanos já falavam com Deus há muito mais tempo que a gente, e nem precisavam de livros para isso.

Quer dizer que todo o ritual que evoca orixás é coisa do bem? Claro que não, mas a maioria é. Maçãs podres, temos em qualquer pomar, e tenho certeza de que mesmo o neopentecostalismo tem as suas… Ou o senhor acha que abençoar talismãs com óleo ungido, ou derrubar fileiras inteiras de pessoas ao chão, é algo perfeitamente baseado nas Escrituras?

Tudo bem, vamos ser honestos: o que achamos um barato é essa tal experiência religiosa. Decerto Pentecostes foi uma loucura do Espírito Santo, mas quem garante que foi a primeira? Se até hoje os senhores procuram falar a língua dos anjos, porque encrencar com o caboclo que fala a língua dos espíritos da Natureza? Por mim, anjos e rios, cachoeiras e carruagens de fogo, florestas e sarças ardentes, se foram vistas pelas mentes que creem, se fizeram o bem para elas, que mal há? Onde o senhor vê o Capeta nessa história toda?

Por mim, se existe um ser assim, condenado a ser mal por toda a eternidade, ele não iria atuar sobre os verdadeiramente religiosos, mas antes optar pela via mais simples: tentar aqueles que já não creem, que não se dedicam, que nunca se arriscaram realmente a mergulhar neste Oceano de Amor que permeia todo o espaço e todos os tempos…

Me perdoe, eu tenho certeza que não é o seu caso, mas acaso nunca viu um cristaozão desses que bate no peito dentro da Igreja e diz: “Sou de Cristo!”, mas que começa a falar mal da sogra 5 minutos depois de terminar a oratória do pastor? De que adianta se achar um grande cristão ao chutar imagens de santos e orixás por aí, se ao chegar em casa chuta o seu cachorro e esbofeteia sua esposa? Será que Cristo falou numa espada para matar os infiéis, ou em oferecer a outra face para o agressor?

Os índios das Américas, coitados, também nunca tinham ouvido falar em Cristo. Os colonizadores europeus não deram muitas escolhas para eles: ou se convertiam, ou eram exterminados [3]. Até mesmo muitos que disseram ter se convertido foram exterminados do mesmo jeito, pois não serviam para o trabalho escravo… E o que há de cristão nisso tudo? Nas Cruzadas, o general francês perguntou ao representante do Papa como iriam identificar os cristãos dos não cristãos, na invasão de uma cidade onde cristãos, judeus e cátaros viviam em harmonia; Ele apenas disse isto: “Matem todos, que Deus escolherá os seus”… Ao que lhe pergunto: e quais deles não eram “de Deus”?

Ainda hoje, no Centro-Oeste do Brasil, há tribos indígenas sendo evangelizadas. Evangelizar não é o problema, pois ao menos estão dando a oportunidade para que esses indígenas se tornem parte de alguma outra comunidade que não a sua, e não vivam isolados, como párias, em um país construído sobre a invasão e o extermínio de suas terras ancestrais… O problema, este sim, é proibi-los de pintar o corpo de vermelho. “Vermelho é a cor do Capeta!”, seus colegas dizem… Mas, e o que diabos os índios tem a ver com o Capeta? Na maioria das mitologias indígenas, sequer existe um ser representante do mal, quanto mais um anjo caído… Eles nem sabem o que é um anjo! Se não podem se pintar de vermelho, vão se pintar de branco? Ou de verde? Ou lilás? Convenhamos, isso não faz o menor sentido.

Vamos tentar ser mais seguidores de El, e menos seguidores de Javé. Javé era um espírito ancestral, e precisava de barganhas e favores, e tinha ciúmes dos cultos de espíritos e deuses alheios, como foi o caso com Baal. Mas El não, El não tinha um oposto, pois o Tudo não tem oposto – o Nada não existe.

Dessa forma, se existe um Capeta, seria injustiça da parte de Deus que ele pudesse controlar a mente dos seres puros, corrompendo-os… Acho que faz mais lógica, além de estar mais de acordo com o que vemos na Natureza e na psicologia humana, considerarmos que o mal existe na alma de cada um de nós, e que é somente lá, precisamente lá, que precisamos fazer uso desta espada de que Cristo falou…

Para cortar a trave que obstruí nosso próprio coração. Para que nossa luz de amor transborde, e englobe os irmãos a nossa volta. Para que evangelizemos realmente uma boa nova, uma notícia de uma nova era, de uma nova sociedade, uma nova espiritualidade, uma nova religião… Assim, quem sabe, também poderemos ler, dentro de nossa alma, conectada a Alma do Mundo: “também eu sou da raça dos deuses, também eu trago o Pai dentro de mim, também eu farei tudo aquilo que o Cristo realizou, e talvez até mais”. E nem sequer precisaremos de um livro para guardar tal Verdade.

Cristo salva, afinal, todos aqueles que o encontram dentro de si mesmos… Mas Cristo é apenas uma palavra. O que salva é a fé, e não há fé mais profunda do que a fé no Amor. Pense nisso meu amigo, meu irmão. Pense, e reflita esta boa nova adiante!

***

[1] Maiores detalhes na série A roda dos deuses (esta teoria não é minha, mas de Mircea Eliade, um dos maiores especialistas em mitologia do séc. XX).

[2] Na mitologia Iorubá, talvez a de maior influência no Brasil, Olorun ou Olodumare é o criador do universo e mora no Orun (Céu). Embora reconhecido como Ser Supremo, não existe um culto ou templo que lhe é dedicado exclusivamente. Os orixás são os seus representantes em Aiye (Terra).

[3] Michel de Montaigne dá sua opinião, bem mais embasada do que a minha, nesta série de Reflexões sobre o sexo.

***

#Cristianismo #Candomblé #sabedoriaindígena #Protestantismo #UmbandaSagrada #ecumenismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/carta-a-um-evang%C3%A9lico

John Keats

Filho de um cavalariço enriquecido, órfão a partir de 1804, muito jovem entusiasmou-se pela Grécia Antiga. Trabalhou como aprendiz de cirurgião durante cinco anos e depois foi nomeado externo do Guy’s Hospital.

Keats estudou para ser farmacêutico, chegando mesmo a licenciar. Porém, seu interesse por idiomas (sabia latim e francês), por história e mitologia o levou a exercer a literatura. O trabalho de Keats raramente foi bem recebido pelo público e pela crítica. Indiferente a isso, ele escreveu com abundância e qualidade em sua breve vida. Entre 1818 e 1819, concentrou-se em dois poemas importantes: Hyperion (inacabado), em versos brancos sob a influência de John Milton, e Ballad La Belle Dame Sans Merci.

Dedicava todo tempo livre à leitura. Seus primeiros versos não mostravam o grande poeta que se tornaria mas, mesmo contra o conselho de amigos, publicou seus Poemas em 1817. Abandonou a carreira médica para dedicar-se à literatura e começou a escrever seu longo poema Endymion em 1818, que foi violentamente criticado. Tais críticas, no entanto, estimularam o poeta a aprimorar seu talento.

No ano em que se publica Endymion, Keats encontrou Fanny Brawne, a grande paixão de sua vida. Teve que separar-se dela em 1820, devido à tuberculose que ele havia contraído. Foi para Itália, onde morreu poucos meses depois. Sobre seu túmulo, no cemitério protestante de Roma, foi esculpida a inscrição que ele mesmo redigira: Here lies one whose name was writ in water (Aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água). Em sua memória, Shelley escreveu o célebre poema Adonais

Poucos poetas escreveram obras tão importantes em tão pouco tempo como Keats. Em 1820 são publicados Lamia, Isabelle, A vigília de Saint Agnés, Hyperion e cinco Odes. Os erros e imperfeições de seus poemas iniciais haviam desaparecido totalmente. Apesar de Keats nunca ter publicado nada em prosa, suas cartas ao irmão demonstram uma penetração crítica e filosófica verdadeiramente notáveis.

Keats, o último e maior dos poetas românticos ingleses, exerceria uma profunda influência sobre Tennyson, Robert Browning, pré-rafaelitas e outros.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/john-keats

Afinal de contas, o que torna o TdC Especial?

Por Frater Dybbuk,, Zelator do AA

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta oito anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de celebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde naquela época se estudava magia prática e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança ).

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos coordenado pelo prof. Edmundo Pellizari (Ras Adeagbo). Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais da Golden Dawn “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Filme baseado nos estudos da Kabbalah Hermética (“Supernova”).

E o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os doze anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afinal-de-contas-o-que-torna-o-tdc-especial

A Escola de Elêusis

Os mais antigos mistérios gregos parecem ser os de Elêusis, pequena povoação, hoje Lefsina, do noroeste de Atenas, pois eles datam dos tempos pré-micênicos, como o demonstram as pesquisas arqueológicas realizadas no local.

Um hino homérico do século VII antes da nossa era conta, sob a forma de lenda, a fundação do santuário.

Zeus e a deusa mãe Deméter tinham uma filha querida, Cora, que um dia foi raptada por Hades, deus dos Infernos.

Deméter, louca de dor, procurou a filha por toda a parte, mas em vão, certa vez, disfarçada de velha, foi recolhida na corte do rei Chélios e pediu para beber uma mistura de cevada, água e erva-dormideira. Atenderam ao seu desejo. Como agradecimento, ela encarregou-se de cuidar do filho recém-nascido da rainha e, para torná-lo imortal, ungia-o de dia com ambrósia e à noite submetia-o às chamas purificadoras de um fogo sagrado.

A rainha, surpreendendo este ritual, ficou deveras assustada, mas então a deusa revelou-lhe a sua identidade: «Sou», disse, «Deméter, a Venerada, a que regenera os homens e faz crescer as plantas. É meu desejo que se erga aqui um templo onde eu própria ensinarei os mistérios.»

Em seguida, desapareceu, deixando atrás de si uma claridade divina e os aromas maravilhosos de todas as flores da Primavera.

Zeus acabou por conceder a sua esposa o privilégio de tornar a ver Cora durante um terço do ano, ficando outro terço reservado a Hades que desposara aquela que ele raptara.

É este o primeiro mito de Perséfone.

Tranqüilizada, Deméter revelou aos soberanos de Elêusis: Triptoleme, Diocles, Emuope e Cheleos, os mitos que viriam a tornar-se célebres (Existem tantas versões como autores).

Alguns dão um lugar quase primordial a Dioniso, ou Baco (o deus Soma dos Arianos = bebida de iniciação), o que bastante associa os Mistérios aos mais antigos cultos arianos da Gália e das Índias.

Noutra versão, dada por Clemente de Alexandria, o Mistério começa com Afrodite (Vênus) e os Coribantas, ou Cabiros. Uma descrição da cena da bebida pedida por Deméter esclarece o rito do cesto (cofre) na tradição completamente falsificada.

Eis o texto de Clemente de Alexandria, que torna ridículo o que ele considera uma fábula de mau gosto:

«Contudo, Baubo (a rainha) recebe Deo (Deméter) na sua casa e apresenta-lhe a bebida chamada cyceon. Mas a deusa, dominada pela dor, afasta a taça e recusa-se a beber. Então Baubo, triste com este desprezo, despe-se e mostra-se em toda a sua nudez.

«Este gesto alegra a deusa e a vontade de rir que ela sente decide-a a tomar a bebida!

«Eis pois o que Atenas esconde nos seus mistérios, não o negueis, viso que tenho a meu favor a descrição feita por Orfeu.

«Citar-vos-eis os seus versos a fim de reproduzir, contra essa infâmia, o testemunho do próprio mistagogo: «Proferindo estas palavras, ela ergueu a sua túnica e desnudou as partes baixas do seu corpo, que se escondem aos olhares; a seu lado estava o pequeno Iaco que, com a mão, acariciava, rindo, a parte inferior do seio de Baubo; ao ver isto, Deo teve vontade de rir, e ela pegou então na taça decorada com pinturas na qual deitara o cyceon.»

«Eis um espetáculo admirável e muito conveniente para uma deusa!…

«Não há nada mais ímpio do que os mistérios… é uma lei sem valor, uma opinião vã, e o mistério do dragão não passa de uma mentira, como o resto.

«A iniciação que se lhe associa é o contrário da iniciação verdadeira.»

É certo que Clemente de Alexandria (160 D. C.) era um filósofo grego cristão e parcial por princípio, contudo não podemos senão aprovar as suas conclusões.

Incontestavelmente, os mistérios egípcios, há 4.000 anos, e os mistérios gregos, há 2.000 anos, eram paródias da iniciação autêntica, dos conhecimentos que a classe sacerdotal tinha completamente esquecido.

Daremos, adiante, um apanhado dos ritos de Elêusis, mas há boa razões para se crer que o mistério do cofre, tornado simples cesto, se referia a um falo de madeira ou de pedra, e a uma vulva, consistindo o «trabalho» na introdução de um na outra.

Compreende-se então toda a ironia do bom Clemente de Alexandria, num século em que o cristianismo, novinho em folha, não era senão pureza e espírito de sacrifício!

Aliás, devemos recordar-nos de que os Gregos eram fundamentalmente anti-religiosos, dando que a sua mitologia não era, em suma, mais do que uma sucessão de relações licenciosas, de incestos, de adultérios, de raptos e de outras brincadeiras de velhos guerreiros e de deuses olímpicos!

Na lenda de Elêusis, a aventura inicia-se com uma nota escabrosa: « Júpiter uniu-se a Deo, sua própria mãe, e depois a Prosérpina, sua filha. depois de tê-la gerado, desflorou Core.»

A propósito de um desses objetos encerrados no cesto, o falo, o bom Clemente indigna-se!

Evidentemente, ele ignorava que a sua própria religião cristã iria venerar a virgem de Airão, a amêndoas mística em forma de vulva irradiante que envolve as imagens da Virgem.

Amadores do erotismo, estetas e incrédulos por natureza, os Gregos tiravam o caráter sagrado às divindades integrando-as nas fábulas, como se, sabendo que os deuses tinham sido simples anjos iniciadores de forma humana, viris e por vezes sem escrúpulos, tivesse sido sacrílego assimilá-los a criaturas celestes…

O que, de resto, também não teria sido sério!

Para mais, o Olimpo dos Gregos era terrestre e tudo estava genialmente imaginado para atrair os deuses à Terra e abolir a distância que os separava dos mortais. Neste estado de espírito, a iniciação não podia ter um caráter religioso, pelo menos nas épocas historicamente conhecidas.

Os mistérios de Elêusis eram fundamentalmente os mesmos que os de Delos, consagrados a Apolo, e os de Samotrácia, dedicados aos Cabiros.

Em todos eles eram transmitidos os segredos dos Iniciadores vindos do céu, a sua identidade, a crença em outra pátria situada em uma estrela, a ciência da astronomia, da física, da química, dos encantamentos, da serpente voadora, do dilúvio, a lei infringível da preservação do patrimônio biológico humano e a necessidade de uma transmissão secreta.

Tais foram os segredos iniciais dos Mistérios, disto temos a certeza absoluta.

É de notar que, como acontecia com os Celtas (e no livro de Enoch), a iniciação a Elêusis é dada por uma mulher: Deméter, com o ritual da bebida mágica: ambrósia ou cyceon.

Os Druidas Eumolpe e Musée, que foram grandes Mestres, ensinavam, de preferência, mulheres.

Consideram-se por vezes os Mistérios de Elêusis como provenientes dos Mistérios Cabiros Fenícios, os quais descendiam dos Mistérios Druidas votados a Taliesin, filho de Korrigan ou Gwyon, e de Koridwen.

No rito, o «cofre» tinha dupla importância: intrínseca, primeiro, e depois por encerrar o segredo «dos objetos».

Como os mistérios foram instituídos para transmitir o conhecimento depois do dilúvio julgamos que o cofre representava a arca, o barco que salvou alguns seres humanos.

Nos arredores de Roma, em 1696, descobriu-se um vaso que tinha a forma de um pequeno barril. Datava de uma época grega muito antiga, e continha vinte casais de animais e mais de trinta e cinco figurinhas humanas, todas elas na postura de pessoas que procuram escapar a uma inundação. As mulheres eram representadas aos ombros dos homens.

Pensa-se que este vaso servia para as festas chamadas Hidroforias, as quais, segundo Apolônius citado por Suedas, se celebravam em memória dos que tinham perecido no dilúvio.

Vasos semelhantes teriam servido nos mistérios de Elêusis.

Tudo isto se tornou bastante compreensível, muito razoável para o nosso espírito de homens do século XXI, mas há dois ou três mil anos a Criação do Mundo (Omphalos), a refração da luz e as funções da glândula pineal constituíam mistérios tão grandes que só os iniciados os conheciam, não sendo conveniente revelá-los à «maioria».

Os ritos Eleusinianos do período decadente eram tidos pelos sacerdotes tanto mais secretos quanto a Verdade é que em nada os compreendiam. Assim, entendiam ser indispensável, para manter uma aparência de dignidade, adotar ares misteriosos e dar aos objetos um significado nebuloso.

As Eleusínias, celebradas, originalmente, de cinco em cinco anos, tinham por oficiantes os sacerdotes, ou Hierofantes, e as sacerdotisas, ou Tisíades, coroadas de mirto e portadoras de uma chave, símbolo dos mistérios.

Decorriam durante, pelo menos, duas semanas, sendo nove os dias principais:

1º – dia da reunião dos neófitos.

2º – chamado «alaze, mystoï» (para o mar, mistos!): purificação pela água.

3º – jejum = preparava-se o leito nupcial da virgem divina. À noite, interrompia-se o jejum comendo bolos de cevada e dormideira, e bebia-se cyceon, bebida sagrada.

4º – procissão do calathus (cesto).

5º – dia dos archotes, com procissão noturna.

6º – dia da partida de Atenas para junto de Elêusis. Cultos de Ceres, de Iaco e de Dionísio.

7º – dia do regresso ao templo, com cerimônias da figueira sagrada e brincadeiras da ponte. Esta ponte era a Cephise, por onde passava a procissão por entre a gozação e brincadeiras maliciosas da multidão. Aliás, a procissão tomava parte nelas.

8º – Cerimônias dedicadas a Esculápio que, em tempos tendo chegado nesse dia a Atenas, vindo de Epidauro, depois das cerimônias, foi iniciado à noite, costume que se perpetuou para todos os que se encontravam nas mesmas circunstâncias.

9º – e último dia, chamado plémochoé, do nome de dois vasos que se enchiam de vinho colocando-os um a ocidente e outro a oriente. Depois do que eram quebrados, ao mesmo tempo que se pronunciavam palavras mágicas.

O sentido deste símbolo é claro: «O conhecimento (os vasos) vinha do ocidente através dos Pélagos – Celtas, e do Oriente, pelos indo-europeus e os Persas. Os vasos podem ser partidos, a sabedoria foi já transmitida ao iniciado.»

As Eleusínias celebravam-se na Primavera e no Outono, os dois períodos de sementeira dos grãos, correspondentes aos pequenos e grandes Mistérios obrigatórios para todos os iniciados.

Existia também um grau superior, a Epóplia ou Autópsia (do grupo autos = ele próprio, e opsis = vista), isto é, visão interior, êxtase, pondo em comunicação com Deus e buscando um poder paranormal.

A iniciação era pois dada no templo de Deméter, situado no lado da colina, sob uma fonte; a entrada do santuário era proibida aos profanos, sob pena de morte.

O jejum incidia principalmente sobre a carne de aves domésticas, peixe, favas, romãs e maçãs (fruta do conhecimento).

Os Hierofantes a fim de melhor suportarem a abstinência, tinham autorização para beber sumo de cicuta (a cicuta é um veneno, mas dosada, possui virtudes medicinais e alucinógenas).

Na ilha de Céos, no mar Egeu, na antigüidade, os anciães inúteis à pátria deixavam habitualmente a vida bebendo cicuta.

Perto do fogo do sacrifício estava «o filho do lar», que tinha de ser de puro sangue ateniense, nos últimos tempos, iniciavam-se os homens, as mulheres e as crianças, com excepção dos bárbaros, dos assassinos, e dos cristãos.

Os ritos misteriosos tinham lugar durante vigílias sagradas, em Elêusis: percursos nas trevas, provas de terror e de ansiedade, visões de objetos aterradores, vozes misteriosas e desconhecidas, e depois fulgor e fantasmas que desapareciam por alçapões… numa palavra, todo o arsenal bem conhecido da Iniciação!

O momento mais importante e sem dúvida o menos afastado da verdade primitiva era o confronto dos objetos misteriosos e a revelação das palavras sagradas.

Clemente de Alexandria dá um resumo desses Mistérios:

«Eis», diz, «na fórmula Eleusiana: jejuei, bebi cicuta, peguei no que havia dentro do cesto e, depois do meu trabalho, coloque tudo na bolsa; em seguida, pegando outra vez naquelas coisas, coloque-as dentro do cesto.»

A cicuta não é a bebida simples reclamada por Deméter: água, cevada, dormideira, embora semelhante mistura se revele, a priori, nitidamente alucinógena.

Segundo os autores antigos, essa bebida compunha-se principalmente de cevada primitiva, leite, mel, azeite ou vinho, mas há tantas receitas quantos os autores!

Aquele que a bebia devia adquirir o conhecimento do passado e responder de às perguntas do Hierofantes.

Quanto aos «objetos misteriosos» encerrados no cofre, temos uma lista que certamente seria maior ainda com a superstição, a ignorância dos sacerdotes e a deturpação do segredo inicial: as seis cores do arco-íris, as seis plantas «eficazes», um falo, uma vulva, um Omphalos (ovos primordial), uma serpente (a iniciadora), trigo, mel, uma pinha (símbolo da glândula pineal, ou 3º olho), um torrão de terra, um «maná» e os xoanon (Parece haver uma aproximação etimológica a fazer-se entre o xoana, pedra negra, e o xoarcam, o primeiro dos cinco paraísos da mitologia hindu. No xoarcam, trinta e três milhões de deuses e quarenta e oito mil penitentes julgados dignos da felicidade vivem uma existência paradisíaca entre mulheres maravilhosamente belas, sensuais e sábias) pedras negras milagrosamente caídas do céu no reinado de Cécrops e às quais estava ligada a fortuna de Atenas.

A tudo isto acrescentar-se-iam ainda os bustos de deuses e deusas, «ídolos de madeira mal talhados», dizia Tertuliano, dos quais alguns estavam enlaçados por serpentes, comemorando assim a união fecunda das mulheres terrestres com os Iniciadores do Céu. A manipulação desses objetos devia, na crença geral, transmitir as forças misteriosas que os habitavam e estabelecer uma espécie de filiação divina.

Uma Iniciação era custeada pelo neófito devido aos custos da Escola e custava trinta dracmas, mais um porco e ainda uma gratificação aos Sacerdotes de Elêusis.

Flávio Lins

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-escola-de-eleusis/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-escola-de-eleusis/

Curso de Projeciologia – Viagem Astral

Este curso é promovido pela Fundação Cultural e Educacional Aun Weor, instituição de utilidade pública sem fins lucrativos cuja finalidade é levar à sociedade conhecimentos há muito esquecidos e que, só agora, recentemente, têm voltado ao panorama mundial.

Ainda que o homem tenha construído máquinas voadoras, foguetes para leva-lo ao espaço, computadores e uma medicina capaz de até mesmo transplantar corações, paradoxalmente podemos observar a multiplicação dos sofrimentos humanos causados pelas doenças, pela violência e pela quebra dos princípios básicos sociais e morais.

Dessa forma fez-se necessário trazer à luz conhecimentos ancestrais, outrora herméticos, mas que, devido à condição humana, precisam ser colocados a fim de mostrar ao homem que a resposta para todos seus dramas, sejam eles quais forem, tem origem em um só ponto, ou seja, nos afastamos de nós mesmos para procurar a felicidade externamente, onde nunca poderemos encontrá-la.

Por isso elaboramos um curso que visa levar as pessoas a se projetarem para fora de seu corpo material, já que nesta condição cada um poderá por si mesmo entender melhor a situação atual do homem e seu estado de evolução.

Com empenho e dedicação, o estudante poderá travar contato com outra realidade, acendendo em seu interior uma ansiedade de caráter espiritual que o impulsionará na busca de novos (ou antigos) valores.

Além de cursos rápidos a FUNDASAW oferece cursos de longa duração, visando ao estudo e aprofundamento nas doutrinas esotéricas através do conhecimento teórico e, principalmente, prático em tudo aquilo que é ensinado, pois somente a experiência direta das realidades supra-sensiveis pode nos livrar das terríveis dúvidas que assolam nossa mente.

Seja bem-vindo e esperamos que este Curso lhe seja bastante proveitoso.

Daniel Ruffini

INTRODUÇÃO

As viagens fora do corpo têm sido uma constante na história da humanidade. Muitos homens do saber as têm descrito conforme seus campos de experiência, e outros, por uma razão qualquer, a ignoraram completamente. Aqueles empenhados em desenvolver um estudo científico e acadêmico ortodoxo fecharam seus olhos para não se incomodarem com assuntos impalpáveis e quase impossíveis de serem medidos através de aparelhos; por outro lado, um novo ramo da ciência moderna, ainda precariamente estabelecido e intitulado Parapsicologia, catalogou as experiências fora do corpo dentro da vastíssima gama de fenômenos paranormais como Projeciologia; muitas linhas psiquiátricas e psicológicas, sem terem onde encaixar estes estados de consciência inexplicáveis para seus estudos acadêmicos, simplesmente a definiram como distúrbios psíquicos ou alucinações. Finalmente, os místicos e religiosos de todas as doutrinas e religiões do mundo nos relatam serem tais experiências uma ponte entre o divino e o eterno.

Afinal, onde devemos nos enquadrar para podermos ter maior compreensão desses estudos?

A resposta para essa pergunta é simples de ser dada, mas, ao mesmo tempo, extremamente complexa de ser obtida, haja vista a demanda de tempo e de esforços que cada pessoa terá que dispor para chegar à resposta por si mesma, e não através de opiniões emitidas por pessoas que nem sequer tiveram a bem-aventurança de ver com outros olhos e ouvir com outros ouvidos (metafísicos). Oral! Não devemos seguir nenhuma das direções isoladamente, mas sim empreendê-las holisticamente, ou seja, integralmente. Sem dúvida não será um trabalho fácil, mas o risco de dogmatismo, em qualquer área, também será afastado. Por isso faz-se necessário conhecermos todas as visões: a psicológica, a cientifica, a paracientifica, a mística e a religiosa, pois todas elas, isoladamente, são apenas fragmentos da verdade; no entanto, numa visão superior do conjunto, complementam-se umas às outras em suas limitações e impropriedades.

Sabemos que os primeiros passos serão confusos, pois muitas informações se chocarão umas com as outras, mas será deste caos que haverá de nascer a compreensão das realidades que constatam a multiplicidade dimensional presente em todo o universo.

Não podemos trilhar por você os caminhos capazes de o levarem à vivência de outra realidade além desta já conhecida, mas podemos lhe indicar para onde deve caminhar e até mesmo como deve fazê-lo; a caminhada, por si mesma, ficará por sua conta. Ainda que devamos buscar a compreensão deste conhecimento através do holismo, conforme citamos, somos obrigados a afirmar que, ainda sim, para iniciarmos este labor, precisamos ter em mãos algo prático, real, o qual nos será a prova da existência de possibilidades múltiplas em nosso interior.

Por isso, somos enfáticos em afirmar a necessidade de vivenciarmos diretamente a realidade de estar “acordado” do outro lado, pelo menos num primeiro estágio, para então, mais adiante, ocupar-nos de desenvolver completamente o sentido integral, o qual nos levará ao nosso completo autodomínio nas diferentes dimensões descobertas.

Vivenciar, expandir e dominar são três estágios diferentes para o iniciante. Neste curso tratamos apenas de possibilitar as primeiras vivências, dando-lhe pequenas pinceladas possíveis de serem expandidas, caso você se eleve até elas. Já o terceiro estágio não pode lhe ser oferecido por ninguém, a não ser por você a si mesmo.

Por último, de todo o abordado neste curso, aquilo que realmente terá validade será a parte prática. É ilusão e auto-engano perder seu tempo apenas virando páginas e decorando frases, ou mesmo ouvindo atentamente as palavras do instrutor. Sem dúvida é importante o conhecimento teórico das possibilidades a serem encontradas, mesmo porque é o caminho holistico que nos interessa, mas é somente a prática com afinco que ativará os centros responsáveis em tirar da letargia seus potenciais mais interiores. Enfim, somente as práticas constantes poderão lhe proporcionar as experiências fora do corpo.

O HOMEM METAFÍSICO

Matéria é energia em estado condensado e energia é matéria em estado radiante. Deste postulado podemos deduzir o universo em suas inumeráveis formas, do macrocosmo ao microcosmo, como variações do estado vibracional da matéria. O homem (microcosmo) não será diferente. Tal qual as ondas sonoras, luminosas e demais ondas ultra-sensíveis (energias variando em seu estado de radiação), o homem também é formado de diferentes categorias de energias, cada qual ocupando uma determinada gama que o alimenta e serve de meio de expressão. Assim sendo, os alimentos sólidos pertencem à matéria cuja gama vibracional é densa e serve para preservar o corpo físico e suas funções biológicas. Todavia, existem outros “alimentos energéticos” tão ou até mais importantes que os tradicionalmente conhecidos, logicamente servindo para nutrir outros corpos conforme o grau vibracional correspondente.

Logo, as emoções e os pensamentos também são matéria, só que radiantes, cuja função é alimentar, como falamos, outros corpos: o emocional e o mental. O corpo emocional (corpo astral) e o corpo mental não possuem o designativo corpo por acaso. Eles realmente têm a forma de nossa parte física, variando em perfeição dependendo do nível evolutivo de cada um, e podem ser usados como veículos para deslocarmos nossa consciência desperta, tal como fazemos quando esta consciência está sendo transportada pelo corpo físico, tendo o cérebro como instrumento de manifestação neste mundo de três dimensões.

Quando falamos em experiências fora do corpo estamos a nos referir à possibilidade de projeção da consciência através desses dois veículos, o emocional e o mental. Além desses dois existem outros veículos altamente refinados chamados de Causal, Búdico e Átmico, impossíveis de serem acessados pelas pessoas comuns.

Se colocarmos numa linguagem mais simples, podemos afirmar, ainda que de forma grosseira estarem todos esses corpos dentro da conhecida separação do homem em corpo (parte física), Alma (emocional e mental) e Espírito (Causal, Búdico e Átmico).

Não podemos deixar de citar a existência do que muitos chamam de corpo vital, etérico ou energético. Na verdade não é propriamente um corpo, pois permeia a matéria física, conduzindo as energias mais básicas para alimentar a vida orgânica e vegetativa, usando para isso cerca de 72.000 canais energéticos (etéricos) chamados de nadis. Hoje em dia, o que muitos chamam de AURA não passa da parte visível do corpo etéreo.

AS DIMENSÕES DA NATUREZA

Cada veículo de manifestação da consciência está vinculado a urna diferente dimensão. Como sabemos, a ciência cada vez mais admite a existência de universos paralelos presentes em todos os lugares ao mesmo tempo, ocupando espaços em mundos diferentes, sem interferência aparente sobre o homem. Por exemplo: você que agora está lendo esta frase está situado num determinado lugar (não importa qual), num determinado momento de tempo (não importa quando), onde existem, simultaneamente, diversas camadas de energia se interpenetrando. Essas energias são as diferentes dimensões da natureza, os diferentes planos existentes, aos quais somente podemos ter acesso (por enquanto) através de percepções ultra-sensoriais e desdobramentos da consciência nos respectivos planos. No ambiente em que você se encontra, mesmo que não possa ver, há uma infinidade de ondas energéticas diferentes (ondas de televisão, de rádio, raios cósmicos, etc.), ou seja, podemos traçar paralelos com as diferentes dimensões, elas estão lá (ou aqui), à espera de serem sintonizadas e captadas, e o que é melhor, o receptor é você, basta ajustar-se adequadamente.

O mesmo principio serve para os corpos sutis do homem: estão aqui e agora, só não os captamos com clareza devido a nossa pobreza de percepções. Somos capazes apenas de perceber aquilo que nos oferecem nossos sentidos, muitas vezes degenerados. As percepções já entram no campo da metafísica, e é neste campo que estamos interessados.

Dessa forma, habitamos com nossa parte física o mundo das três dimensões, o piano físico. Ao mesmo tempo coexistem em nós, apenas recebendo as percepções mais grosseiras, o corpo emocional numa dimensão superior e o corpo mental numa outra ainda mais refinada. Lembramos que a palavra superior refere-se á dimensão cuja vibração é mais sutil que outra, não querendo dizer com isso que uma está sobre a outra, como camadas de terra ou areia. Todas estão presentes aqui e agora.

O processo de projetar-se conscientemente para fora do corpo nos coloca diretamente em contato com as diferentes dimensões, ou seja, se nos projetamos com o corpo emocional estaremos tendo acesso à quarta dimensão; com o corpo mental teremos acesso à quinta dimensão.

A projeção com cada corpo dependerá do desenvolvimento do estudante, por isso é mais comum a projeção com o corpo emocional e, partindo do domínio deste, poderemos acessar a projeção com o corpo mais sutil e mais difícil, o mental.

VEÍCULOS DE DESDOBRAMENTO ASTRAL

Cada corpo é um veículo para a manifestação da consciência. Os corpos, nos planos correspondentes, possuem forma idêntica ao corpo físico. Entretanto, essas formas podem variar muito, desaparecendo inclusive a aparência semelhante ao físico, para dar lugar a uma luz opaca e sem vida nos casos de pessoas de baixa evolução espiritual, ou formas brilhantes e bastantes luminosos nos casos de pessoas evoluídas interiormente.

Por serem exatamente aquilo que temos cultivado para nós em vida, esses corpos refletem o estado interior de cada ser humano. As pessoas acostumadas a se alimentarem” de emoções inferiores e pensamentos distorcidos, dificilmente terão corpos suficientemente capazes de servir de veículo para a consciência, pois estes já estão deveras desvirtuados e não servirão para tal fim. Assim é fácil de entender o porquê da dificuldade existente em conseguir a projeção para fora do corpo.

Cada veículo absorve energias afins a sua gama de variação: o emocional se “alimenta” de emoções e o mental de pensamentos. Logo, o cultivo das emoções e pensamentos superiores será de fundamental importância para o êxito da projeção. As pessoas simples do campo, as pessoas que levam uma vida contemplativa ou que ainda não foram intoxicadas pelas impressões deturpadas pelos meios de comunicação e pelos preconceitos sociais e morais, geralmente têm maior facilidade em projetar-se, pois suas emoções e pensamentos mantêm-se puros e espontâneos.

Aqui chamamos a atenção do estudante realmente interessado. Há necessidade de aprofundamento em todos os setores necessários para o crescimento espiritual, diríamos melhor, há necessidade de uma verdadeira regeneração nas formas de pensar, sentir e agir. Como falamos no inicio, se não houver um desenvolvimento holístico do ser, tão logo comece seu aprendizado você ficará estagnado pelos primeiros obstáculos a serem encontrados. Quando falamos em regeneração, falamos em autoconhecimento, somente isto basta para que as portas em sua jornada sejam abertas.

PORTAS DIMENSIONAIS

Os chakras são as verdadeiras portas dimensionais que podem nos conduzir a outros universos. Esses centros ou vórtices de energias quando estimulados ou desenvolvidos em alto grau, alteram toda vibração atômica do corpo, projetando nossa consciência desperta através de outros veículos mais sutis. Por isso podemos afirmar que as portas para outras dimensões se abrem, onde quer que estejamos.

Mesmo que não possamos nos projetar para o “outro lado” por algum motivo, fazendo uso das faculdades extrafisicas podemos ver, ouvir e sentir coisas que estão além de nossos cinco sentidos.

Os chakras são em número de sete e estão distribuídos ao longo da espinha dorsal. Estão baseadas sobre órgãos muito importantes, quase todas glândulas endócrinas (secreções interna) do organismo: o chakra superior, situado no topo da cabeça, tem seu fundamento na glândula pineal ou epífase; o frontal fica no entrecenho sobre a glândula pituitária ou hipófise; o da garganta está ligado às glândulas tireóide e paratireóides; o do coração não fica exatamente sobre uma glândula, mas tem seu fundamento no coração e na timo; o chakra do plexo solar (umbigo) está vinculado ao fígado e ao baço principalmente; o chakra prostático fica na próstata no homem e no útero na mulher; por último o chakra fundamental baseado nas glândulas sexuais (testículos e ovários).

Nesses estudos precisaremos trabalhar com os chakras através de práticas especiais, principalmente com alguns deles, como veremos na parte prática do Curso.

É importante citar que os chakras tão comumente conhecidos na literatura esotérica estão relacionados somente ao corpo etérico ou energético. No entanto, cada corpo ou veículo superior possui seus chakras correspondentes. Se ainda formos mais longe podemos afirmar ser cada átomo ou molécula de nosso corpo um pequenino chakra ou vórtice de energia.

CORDÃO DE PRATA OU ANTAKARANA

Quando há a projeção para fora do corpo denso em outra dimensão, continua existindo um elo entre a consciência projetada num corpo mais sutil e seu veículo físico. Esse elo é conhecido corno cordão de prata ou cordão de ouro.

Como estamos abordando a projeção em dois veículos diferentes, geralmente usa-se o nome cordão de prata para o primeiro (emocional) e cordão de ouro para o segundo (mental).

Este fio de vida somente será rompido no momento da morte, e isso nunca ocorrerá devido á projeção. Ao mesmo tempo, este elo serve de proteção ao corpo físico abandonado momentaneamente, para não ocorrer o que muitas pessoas acreditam ser possível: a tomada do corpo físico por outras entidades quando não estamos de posse dele.

Cada cordão está ligado ao seu corpo pelo chakra correspondente, isto é, saindo do corpo denso temos o cordão de prata pelo plexo solar e o cordão de ouro pelo topo superior da cabeça, ambos conectados á parte de trás da cabeça nos veículos mais sutis.

Na verdade cada cordão é parte integrante do próprio veículo, desprendendo-se e sendo alongado no momento da projeção. Quando do retorno dos corpos eles são reabsorvidos normalmente.

Não é tão comum tomarmos contato com esses cordões e, inclusive, é possível nos projetarmos durante anos sem ao menos vê-los, já que nas experiências fora do corpo raramente iremos nos preocupar com eles. Eles estão lá e cumprem sua finalidade, isso é o que importa: conduzem do corpo fisico-etérico parte da energia necessária para ficarmos acordados “do outro lado”, e trazem, das dimensões onde a consciência se encontra desdobrada, as energias mais sutis e espirituais para engrandecer e sublimar o veiculo mais denso.

OS SONHOS

Devemos dar ênfase ao estudo dos sonhos. Muitas linhas psicológicas baseadas nas idéias de seus precursores, principalmente direcionados pelos estudos de um dos maiores psicólogos modernos (C.G. Jung), já fazem uso constante da análise dos sonhos. Sem exceções, todas as religiões do mundo, sejam elas primitivas ou não, sempre foram enfáticas ao afirmarem que o sonho reintegra o homem (micro) ao Cosmos (macro).

Tal qual somos hoje, o sonho nos proporciona um mergulho às memórias ancestrais e arquetípicas que cada homem, povo, raça ou humanidade traz dentro de si. O sonho nos leva ao inconsciente, e é no inconsciente que encontraremos as respostas para solucionarmos os grandes problemas e obstáculos que nós mesmos, via de regra inconscientemente, criamos.

Se não somos melhores do que somos hoje, se não somos felizes, se não conseguimos materializar nossos planos devido a nossas próprias fraquezas ou, aparentemente, devido às fraquezas e obstáculos do mundo e das pessoas que nos cercam, é porque não conhecemos nossos potenciais psíquicos mais profundos; é porque a origem de nossas ansiedades, traumas e bloqueios ficou perdida no passado imemorial, seja na infância inconsciente ou seja num passado mais distante ainda que se perde na esteira do tempo…

Por isso devemos, num primeiro passo, mergulhar em nós mesmos através dos sonhos. Posteriormente, as experiências conscientes fora do corpo nos proporcionarão meios mais eficazes e profundos, algo palpável para expandirmos aquilo que demos inicio através de nossos sonhos.

Não há uma só pessoa que não sonhe toda noite; aliás, é comum termos vários sonhos durante o período de sono. O problema é não nos lembrarmos deles, e isso ocorre por falta de preparo e exercício ou, o que é pior, por falta de interesse. No passado foram construídos grandes e belos templos para onde os reis e sacerdotes, governantes dos maiores impérios da humanidade, dirigia-se a fim de sonharem e, através de seus sonhos, liderarem povos e nações para as conquistas sociais e políticas que os aguardavam. Esperavam eles as indicações que sempre lhes vinham através dos sonhos, haja vista a ponte que os ligava à divindade. O homem se embruteceu e se materializou, perdeu-se nas maravilhas da tecnologia e começou a procurar fora de si as respostas para seu sofrimento. Assim afastou-se de Deus. Logo, é hora de recultivarmos a semente original da humanidade. Sem perdermos a visão do futuro, podemos reconquistar a sabedoria do passado.

OS TIPOS DE SONHOS

Desde o momento que nos deitamos para dormir, até levantarmos para o novo dia, o sono se passa em diversas fases. Primeiramente passamos pelo estado de transição da vigília para o sono leve; logo após entramos no sono profundo que pode ser interrompido algumas vezes; por último passamos do estado de sono profundo para o sono leve e entramos novamente no estado de vigília.

O sonho, genericamente falando, não passa de projeção para fora do corpo denso, onde nossa consciência usa os veículos ou corpos num profundo sono hipnótico. Logicamente existem outros tipos de sonhos variando até mesmo conforme o estágio do sono indicado linhas atrás, Vamos dividi-los em 03 (três):

1. O sonho de número 1 é o sonho leve. Não houve o desdobramento da consciência propriamente dito. O veículo astral ainda está em coincidência com o veículo físico. Este tipo caracteriza o estágio vigília-sono, sono leve e sono-vigília.

Ainda que não seja projeção, este estado é deveras importante, pois é o limiar ou a porta entre os mundos. Ora vemos imagens existentes do outro lado, ora percebemos as nossas projeções mentais provenientes dos reflexos passados. Aprender a distinguir essas imagens será de muita utilidade, já que, como nos sonhos, nelas encontraremos valiosos subsídios simbólicos.

2. No segundo caso o sonho é característico da projeção inconsciente, ou seja, estando fora do corpo o projetor se perde nas imagens externalizadas pela sua própria mente, ou as confunde completamente com os locais e seres existentes na dimensão onde se encontra. O homem já entrou no estágio de sono profundo e não sabe o que ocorre, bem como das possibilidades inerentes a si mesmo.

A maioria da humanidade experimenta diariamente esse estado de inconsciência. Pode-se tirar grande proveito das coisas que se passam. O passado, o presente e o futuro se unem completamente. Muitas mensagens nos são passadas. Se soubermos decodificar a linguagem simbólica contida nessas mensagens e imagens, teremos grande material de estudo e uma ótima oportunidade de começar a compreender melhor nossa própria vida.

3. O último tipo de sonho é ainda mais profundo que o segundo e também está ligado ao mesmo estágio de sono anterior. Nesses casos a pessoa começa a se fazer consciente de si mesma. Faz perguntas como essas: Onde estou? O que está acontecendo? Será isto realidade ou fantasia? Será que estou sonhando?

Quando entramos nesse estágio estamos a um passo de “despertarmos” nossa consciência numa dimensão superior. Muitos segredos nos podem ser revelados nessas condições, por isso devemos estar atentos aos acontecimentos ocorridos durante essa experiência. E difícil, mas não raro, encontrarmos pessoas que vivem esta situação.

Os sonhos, em verdade, são como válvulas de escape para nossa personalidade. Durante o dia vivemos muitas situações onde nosso desejo animal (depositado nas regiões inferiores do inconsciente) se vê aflorado. As máscaras que formam a personalidade impedem que eles dominem completamente nossos pensamentos e nossa parte motora. E, quando isso não ocorre, aparecem os casos de homicídio, estupro, etc. Todavia, ao dormirmos, nossas máscaras caem completamente e passamos a ser conduzidos pelo inconsciente. Somos projetados em outras dimensões e ali externalizamos e revivemos o produto mórbido de nossos desejos, já que nessas regiões a lei e a moral humana não imperam, e sim a verdadeira lei espiritual se faz presente.

Por conseguinte, acabamos por nos ver cometendo os atos mais absurdos, aqueles que acreditávamos (ou não queríamos aceitar) sermos incapazes de fazer. Por isso os sonhos nos mostrarão o que realmente somos, sem máscaras, mentiras e ilusões. Logo, aquelas pessoas que juram fidelidade ao seu cônjuge, se vêem adulterando constantemente. Aquelas que se dizem passivas e amorosas, se vêem matando e odiando como nunca imaginaram ou aceitaram.

Recomendamos aos estudantes o hábito de anotarem diariamente seus sonhos. Primeiramente isso forçará o trabalho com a memória onírica um tanto “enferrujada”. Posteriormente, o aluno terá, depois de certo tempo, vasto material de auto-estudo.

Para lembrarmos dos sonhos com mais facilidade existem algumas dicas importantes, as quais servem também para o desdobramento consciente propriamente dito:

a) Nunca devemos dormir de estômago cheio. A última refeição deve ser feita com 3 horas de antecedência. A fome antes de dormir também deve ser evitada, e se for este o caso, devemos ingerir alimentação bem leve.

b)Tanto o frio como o calor são prejudiciais. A temperatura deve estar agradável. O ambiente limpo e arejado. Faça um relaxamento antes de dormir, nada deve apertá-lo ou incomodá-lo.

c) Devemos despertar lentamente e nunca bruscamente. Ao se acordar é importante mantermos total imobilidade e permanecermos de olhos fechados. Relembraremos todos os sonhos possíveis, recriando-os mentalmente até fixa-los. Levantaremos de forma lenta e escreveremos tudo que nos lembrarmos. Não deixe nada para depois, você pode esquecê-los.

d) Se o problema é a falta de memória onírica, recomendamos, além das seqüências ‘a”, “b” e principalmente “c”, o mantra RAOM – GAOM? que é feito da seguinte maneira: RRRRAAAA0000MMMM GGGGAAAA0000MMMM mentalmente junto com o exercício “c”. Um desjejum com frutas ácidas e amêndoas moídas misturadas com mel de abelha possui propriedades que facilitam a lembrança dos sonhos.

AS LINGUAGENS E FORMAS DE SE TRANSMITIR E RECEBER O ENSINAMENTO

Existem, a saber, três linguagens ou formas diferentes para transmitir e receber conhecimentos.

A primeira delas é a linguagem comumente usada em nosso mundo regido pelos princípios Newtonianos ou mecânicos, ou seja, a didática.

Através da didática trocamos experiências e levamos informações através dos meios de comunicações para todo globo. A didática é o meio racional e lógico expresso pela linearidade da mente humana para passar todos os tipos de conhecimentos básicos. Para isso, acaba por abranger diversos setores de nossa sociedade e é aplicada desde os ensinos da pré-escola ao cursos mais avançados de pós-graduação nas universidades ou centros acadêmicos superiores.

A segunda linguagem é o Simbolismo Universal, presente em toda natureza, atuando nas dimensões mais elevadas e nas mais densas. Tem, inclusive, vias de manifestação dentro do próprio homem. Isto quer dizer que o simbolismo não somente serve de instrumento para descobrir os mistérios mais ocultos da natureza, como também nos guiará seguramente através da psique coletiva e individual.

Ainda que os meios de comunicação também façam uso da segunda linguagem, nem de longe se aproximam do verdadeiro significado da mesma, sendo ainda quase que invariavelmente distorcida em seu principio e conteúdo. Obviamente a mente humana desconhece e é incapaz de compreender os valores superiores da linguagem dos símbolos, já que estes pertencem à consciência e visam ter acesso á Alma de cada homem. Logo, o simbolismo, tal qual conhecemos hoje em sua parte externa, foi deturpado para atingir e alienar os sentidos e desejos facilmente manifestados pela fraqueza humana.

O Simbolismo também é expresso através da Dialética Superior ou, como diziam os antigos sábios pitagóricos, através de Matemática e da Música contidas nas Esferas Ascendentes.

A terceira e última linguagem é chamada de lniciática.

Se a humanidade no sentido geral já desconhece inteiramente a segunda linguagem, será muito raro encontrarmos homens despertos cuja altivez espiritual elevou suas consciências até esta terceira e mais sublime forma de passar e adquirir conhecimentos superiores. Esta está reservada aos grandes Mestres e Avataras.

O SIMBOLISMO DOS SONHOS

A linguagem simbólica deve ser estuda e compreendida pelas pessoas que realmente visam a sabedoria do ser. Mais especificamente, é deveras importante para os projetores iniciantes e avançados conhecerem profundamente a linguagem dos símbolos, pois ser’ a através dela que poderão subtrair maior número de informações nas experiências e chegar a compreender os grandes mistérios inacessíveis à razão e à palavra.

No verdadeiro esoterismo é impossível abordar os mais delicados e profundos estudos ligados à consciência e ao despertar do homem sem tal conhecimento.

Em conformidade com o principio da sicronicidade descrito por Jung, e da interação mútua entre todas as coisas, onde as partes se interagem com o todo e não pode haver perfeita compreensão das partes nem do todo sem a visão holística e abrangente das complementações, o homem se relaciona da mesma forma com o Universo e com a natureza. Em outras palavras, não se compreende o homem se não se compreende a natureza e seus símbolos; não se compreende o universo se não o interagimos com a própria natureza e com o homem.

Nos estudos sobre os sonhos e também nas projeções fora do corpo, bem como em grande parte das experiências extrasensoriais, sejam elas quais forem, necessariamente entraremos em contato com a linguagem simbólica.

Na medida em que nos aprofundamos na interpretação correta, percebemos a existência de diferentes graus de compreensão sobre o mesmo simbolismo. Isto quer dizer que cada homem compreende e interpreta um determinado símbolo de acordo com seu próprio nível de ser (espiritualidade). Por isso Jesus, o Cristo, difundiu seu ensinamento através de parábolas. Das mesmas palavras havia (e há) diversas interpretações: ao sábio as palavras traduzem sabedoria; ao homem grosseiro as palavras lhe parecem simples comparações; sendo que as crianças entendem como brincadeiras ou belas histórias.

Para se chegar à compreensão do Simbolismo Universal é necessário, num primeiro estágio, estudar profundamente as doutrinas que são os instrumentos para a veiculação dos símbolos. Assim é possível recebermos cátedras maravilhosas e inimagináveis onde só víamos figuras geométricas, letras e números aparentemente sem importância. Logo, não é possível compreender a Astrologia sem o estudo da Alquimia e da Magia. Não se admite cabalistas que não conheçam profundamente os Arcanos do Tarô e a interação destes também com a Astrologia. Também torna-se difícil e até mesmo inaceitável falarmos profundamente em experiências fora do corpo sem abordarmos as doutrinas citadas, pois são justamente esses entendimentos que nos possibilitam a compreensão em escalas superiores daquilo que vivemos fora do corpo físico.

Num caso mais preciso, ligado principalmente aos sonhos e às projeções conscientes, é preponderante, em determinado momento do desenvolvimento, perceber a profunda ligação entre os sonhos e as projeções com nossos processos psicológicos inconscientes. Somente dai poderão surgir então as projeções interiores, onde entraremos em contato com os deuses atômicos e siderais presentes no micro-universo que somos nós. Esta intraprojeção será descrita em capitulo à parte.

A INTERPRETAÇÃO DAS EXPERIÊNCIAS

Na Idade Média os textos alquímicos sempre estavam a se referir ao Mercúrio dos Sábios e á Pedra Filosofal. Será que estavam eles querendo falar de objetos e materiais físicos? Obviamente que não.

Esses exemplos e muitos outros estão espalhados por toda nossa civilização. Nas experiências fora do corpo e também nos sonhos constantemente entraremos em contato com a simbologia. O problema é como interpreta-la.

Antes de tudo, para a correta interpretação de nossas vivências, é necessário começarmos a desabrochar uma intuição aguçada. Muitas vezes compreendemos o que está ocorrendo pelo simples sentir. Não há palavras, não há pensamentos e nem há emoções. Você simplesmente sabe, como se alguma coisa tivesse nascido do mais profundo e enigmático vazio. A mente e as emoções só compartilharão mais tarde dessa descoberta.

Isto pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer momento, no mundo físico e mais ainda quando fora dele.

Para desabrochar a intuição fazem-se necessários a auto-atenção constante e uma seqüência de práticas esotéricas para o despertar dos chakras (assuntos abordados em tópicos posteriores).

A Lei das analogias dos contrários, dos acontecimentos paralelos e das comparações terá validade de acordo com cada pessoa. E assim vem a importância do estudante tornar-se seu próprio instrutor, familiarizando-se com os símbolos e relações existentes consigo mesmo.

As imagens e os símbolos religiosos ligados à cultura individual, bem como tudo que lhe foi passado na infância pelos pais e’ pela sociedade, são fundamentais. As experiências também estarão ligadas às crenças espirituais ou até mesmo às descrenças e ao ceticismo. Cada um terá como símbolo para sua compreensão aquilo que vem não plantando e colhendo durante a vida.

Quem nada plantou nada pode colher.

Logo, o estudante deverá, algumas vezes, compreender um símbolo pelo que ele lhe traz de recordações. E este símbolo poderá vir na figura de um animal, de um homem, de um objeto ou de uma ocorrência passada.

Em outras ocasiões será necessário buscar na Simbologia Universal a resposta para o sonho ou experiência consciente fora do corpo. Nos casos dos números e figuras matemáticas, bem sabemos a relação entre o divino e o humano através deles, pois como já dizia Euclides, “Deus geometriza”.

Como a interpretação dos números está ligada diretamente à Caballa e aos Arcanos do Tarô, colocaremos resumidamente a seguir o simbolismo numérico:

1. Espada, vontade, poder…

2. Ciência oculta; favorável…

3. Produção material e espiritual…

4. Mando, progresso, êxito e misericórdia.

5. Carma, Marte, guerra…

6. Vitória, boa sorte…

7. Guerras, lutas, expiação, amarguras, dor, porém finalmente o triunfo.

8. Sofrimentos, provas, dor…

9. Solidão, sofrimentos…

10. Bons negócios, mudanças…

11. A Lei favorece. Que não haja temor! … Marte.

12. Provas e dor. O amor e o sexo (Alquimia) tiram-nos da dor.

13. Transformações. Indica mudança total.

14. Longa vida, estabilidade, sem mudanças.

15. Fracasso amoroso. Anuncia perigos.

16. Castigo, queda terrível. Evite-se esta data.

17. Significa esperança e espera.

18. Os inimigos ocultos surgem em qualquer momento. Enfermidades, não fazer negócios…

19. Êxitos, boa sorte, A Pedra Filosofal…

20. Mudanças favoráveis. Aproveite-as para acabar com suas debilidades.

21. Desmoralização total para o mal. Antítese, inimigos.

22. Triunfo. Tudo sai bem. Poder, força, boa sorte…

A partir do número 23 (inclusive) somam-se os algarismos para que possamos encontrar a simbologia dentro dos 22 Arcanos Maiores do Tarô.

A seguir colocamos algumas interpretações oníricas ligadas ao símbolos que podem muito bem ser vividas em experiências fora do corpo (sonho ou projeção). Todavia, não devemos traduzi-las ao pé da letra, mesmo porque há que se ter afinidade com o mundo contido nesses símbolos. Mesmo assim, é fácil observarmos idéias valorosas implícitas em cada interpretação. A intuição pode e deve sempre falar mais alto do que qualquer informação proveniente do exterior.

Estes símbolos serão melhor interpretados pelas pessoas que tomam conhecimento da linguagem universal do Gnosticismo.

Aborto: Graves decepções. Ver um aborto: enfermidade séria.

Afogado: Ver um afogado: herança, avanço hierárquico no trabalho seja interior ou exterior.

Água que sai da pedra: Energia sexual.

Águia: Representa o Espírito. O avanço espiritual é indicado pela altura em que voa a águia. Vôo rápido: êxito na vida. Vôo lento: estancado na senda. Águia retida: fracasso, resultados nulos.

Árvore partida: Alguém vai ser atingido, mas poderá depois se recuperar.

Árvore arrancada: Alguém (nós mesmos) vai ser atingido e sem possibilidade de recuperação.

Banho em égua suja: Enfermidades, doenças, dor, tragédia. Deve-se ter muito cuidado.

Banho em éguas puras: Saúde, harmonia, tudo favorece.

Banho em piscina: (Ver água).

Barco, canoa: Necessidade de trabalhar na Alquimia.

Beijo: Benefícios e satisfações. Beijar a um morto conhecido: muitos anos de vida. O sonhador é beijado na testa: matrimônio, se for solteiro; felicidade, se for casado. O sonhador é beijado na boca: imprudência no amor.

Bicicleta: Equilíbrio espiritual, tolerância.

Burro: A mente.

Cachorro que ataca: Ataque de um amigo; se morde, haverá danos.

Cachorro manso: Amizade sincera, amigos que ajudarão a sair de dificuldades.

Carro: Observar como se dirige; de modo análogo dirigimos nosso corpo físico.

Carruagem: Também significa o corpo físico.

Casa: O nosso corpo físico ou a nossa condição interior.

Casamento: Se duas pessoas se vêem casando e vestidas de noivos é sinal de desencarnação.

Castelo: Vitórias e conquistas espirituais em vidas anteriores.

Cavalo: Corpo físico, também significa luxúria. Queda do cavalo significa abandono do caminho de evolução espiritual.

Cavalo desdentado: Má espiritualidade; o íntimo não pode governar o corpo físico.

Chacal ou lobo: Justiça, Lei Divina. Se ataca, a Lei está contra ou há karma para pagar.

Chapéu: Viagem e se deve partir.

Chuva: Lágrimas, sofrimento.

Cordeiro, ovelha. Símbolo do Cristo.

Cores:

Amarelo: avanço, conhecimento, progresso.

Azul: amor, satisfação, saúde.

Branco: pureza.

Cinza: temor, angústia, medo.

Escarlate: tragédias, violência, ira.

Laranja: criatividade, iniciativa.

Negra: negativo, diabólico, hostil

Preto: solenidade, seriedade, negativo, fracassos..

Rosa: bons sentimentos.

Verde: penetração, esperança, segredos desvelados.

Vermelho: força, algumas vezes paixão.

Corpo enredado: Calúnias, difamações, fofocas.

Coruja: Forças negativas, magos negros, ataques de tenebrosos.

Criança: Nossa parte espiritual e consciência.

Cruz: Transmutação.

Datas: Devem ser anotadas e interpretadas conforme a Cabala. Anunciam acontecimentos importantes. Ver também números.

Defecar: Eliminar defeitos.

Dente: Os dentes superiores referem-se á família. Os dentes inferiores referem-se aos amigos. Dentes sadios riquezas, poder, saúde e importância em aumento. Dentes sujos: vergonha na família Dentes cariados: morte de um parente. Dente novo: nascimento. Dentes que caem: enfermidade ou morte – tragédia espiritual.

Escada: Caminho iniciático (espiritual), deve-se seguir.

Escorpião: Larvas astrais que precisam ser eliminadas.

Escova: Há necessidade de se limpar psicologicamente.

Espinho: Vontade superior, sofrimento voluntário.

Estar na beira de um abismo: Pode-se cair espiritualmente.

Estar na cadeia: Karma a pagar.

Exército: Se contra, a Lei em ação; se a favor, tudo ajuda.

Flores: Atributos da Alma, qualidades, virtudes.

Fogo: Paixão, trevas, ódio, falta de calma. Renovação.

Gato que ataca: Traição de pessoas queridas (familiares).

Insetos: Larvas astrais, há necessidade de limpeza.

Jardim: Felicidade espiritual.

Látego (chicote): Representa a vontade.

Livro: Quando se recebe um livro de um Mestre, sinal de que nada se sabe nos mundos internos, ignorância espiritual. Necessidade de aprender, estudar.

Leão que ataca: Justiça, Lei em ação, karma. Se o leão é manso, a Lei está a favor.

Machado: Destruição.

Mar tormentoso: Não há domínio sobre as paixões.

Mar manso: Castidade, pureza, perfeito domínio sobre paixões sexuais.

Montanhas: A meta espiritual, o caminho, o plano astral.

Morte de um filho: Provas.

Mula: Involução, está se indo muito mal espiritualmente.

Nuvens: Mente opaca, fechada, presa a idéias fixas e dogmas.

Ouro: Resultados espirituais acumulados.

Ovos: Símbolo da vida e de nascimentos (espirituais).

Pavão: Orgulho, soberba.

Pedras: Contradições. Às vezes necessidade de melhoria interna.

Peixes (pesca): Peixes mortos: doença, problemas; Peixes vivos: vitalidade.

Pomba, pombinha: Pureza, castidade, símbolo do Espírito Santo.

Relógio: O tempo; é chegado o momento.

Sapatos: Viagens. Um só sapato, o caminho espiritual não está bem.

Semente: Nascimentos.

Sonhar que está morto: Morte do EGO, aniquilação budista.

Serpente que ataca: Mulher que nos seduzirá (ou vice-versa), perda de energia, traição.

Serpente mansa: Domínio sobre paixões sexuais, forças acumuladas, favorabilidade.

Tartaruga: Lentidão, preguiça, atraso, etc.

Tempestade: Destruição.

Tigres: Traição.

Tigres trabalhando: Mestres trabalhando a favor do estudante.

Tocha: Fogo sexual transmutado em energia.

Torre: Ver uma torre forte e sólida diante de uma tormenta: sairá vitorioso de uma dura prova. Torre rachada ou destruída: catástrofe, desgraça.

Touro: Inimigos. Às vezes representa a ira; outras vezes paciência e trabalho.

Tudo doce: Amarguras.

Vaca: Símbolo da natureza e da Mãe Divina. Ver-se morto: Mudança favorável, morte de um defeito, renascimento.

Ver-se nu: Amargura, dor, tragédias. Ver-se em trajes íntimos tem o mesmo significado.

Vestido de trapos: Espiritualmente muito mal.

Voar: Indica certo tipo de consciência desperta. Se interpreta o que se vê e o que se sente quando se está voando. Geralmente é um bom sintoma. Avanço espiritual.

POR QUE NÃO TEMOS CONSCIENCIA DESPERTA DURANTE O SONO?

Por que não temos experiências fora do corpo conscientemente? Existem muitos motivos, mas os principais nós podemos relacioná-los para que você, dentro de seu aprendizado, possa superá-los:

a) O primeiro deles e o mais importante é o fato de sermos extremamente mecânicos. Não temos consciência de nós mesmos durante o transcorrer normal dos dias. Quando acordamos ligamos o piloto automático” e passamos a nos conduzir como máquinas, robôs na forma de agir, sentir e pensar.

Quantas vezes durante o dia paramos para nos auto-recordarmos? Somos completamente condicionados pelos fatores externos, e isso ocorre em todos os sentidos, ou seja, não somos nunca nós mesmos, apesar de acreditarmos sinceramente no contrário. Podemos dizer, sem errar, algo que pode nos parecer absurdo, mas você verá que analisando cuidadosamente é realmente verdade: não só dormimos á noite, dormimos da mesma forma durante o dia. Não colocamos atenção em quase nada que fazemos; nossa mente perdeu a capacidade de concentrar-se; nossos pensamentos são dispersivos e pulam de segundo a segundo mudando seu foco de atenção; nossas emoções oscilam constantemente de acordo com as atitudes das pessoas e da situação em que estamos. Poderíamos citar dezenas de exemplos para ilustrar o que estamos afirmando, mas acreditamos ser bastante o já acima colocado.

Muito bem, mas o que tem a ver isso com projeção inconsciente?!

Os sonhos são os reflexos daquilo que acontece durante o dia, só que nas dimensões superiores não há limite de tempo e de espaço, como veremos mais adiante, e por isso mesmo tudo que fizemos no transcorrer do dia, seja ontem, na semana passada ou no ano passado, volta a se repetir como antes, mecanicamente.

Há, porém, uma profunda e significativa diferença: no mundo físico, devido à densidade da matéria, nossas emoções e pensamentos giram em torno de nós mesmos. Ficamos abstraídos, perdidos em nossas ilusões, agindo, como dissemos, como autômatos condicionados pelo meio. Estamos perdidos em pensamentos ou ocupados com nossas emoções e, num instante, acontece algo (alguém chama nosso nome, por exemplo) e nos tira de nossos devaneios e fantasias para, daqui a alguns segundos ou minutos, voltarmos a outras elucubrações até que a história volte a se repetir.

Nos mundos superiores o processo é diferente: quando começamos nossas elucubrações e devaneios, a substância astral ou mental, por ser de extrema sutileza, toma forma e se materializa. Na verdade cristaliza nossos pensamentos e emoções, independente de que tipo sejam , e ficamos presos nas imagens externalizadas, gerando, por sua vez, outras imagens sobre as anteriores, criando assim uma verdadeira bola de neve que somente acaba quando acordamos. Ninguém nos tirará das ilusões criadas por nós mesmos, como ocorre no plano físico. Ficaremos presos dentro de nosso mecanismo emocional e mental. Não viveremos o real, aquilo que lá existe, e sim a ilusão formada por nós ou por entidades que lá habitam.

b) O segundo grande problema é a capacidade de fabricação de energia psíquica e a conservação da mesma. A energia psíquica é a que nos mantém despertos nas outras dimensões, é o somatório de todas as energias produzidas pelo correto funcionamento dos chakras, bem como as captadas durante o transcorrer normal do dia.

Por que estamos sempre esgotados ao final de um simples dia de trabalho?

Aqui precisamos falar novamente sobre a mecanicidade e a falta de consciência em que vivemos. As energias produzidas pelo metabolismo através da ingestão de alimentos físicos, não é suficiente para nos manter conscientes fora do corpo físico. Ainda porque nossa constante identificação emocional e mental com as coisas do dia-a-dia esgotam completamente a reserva energética que por ventura possa existir. Dai faz-se necessário tomarmos uma atitude mais contemplativa, onde a auto-observação constante será o gerador e acumulador de energias para o desdobramento consciente. Mesmo assim, quase sempre é necessário uma série de práticas de conteúdo energético antes de efetuarmos o desdobramento. Essas práticas visam ao acúmulo das energias e podem ser respiratórias, de meditação, vocalização de mantras para ativar os chakras necessários e outras. Abordaremos esse assunto com maiores detalhes ao final deste Curso.

Essa dificuldade (captar e manter energias) é inversamente proporcional a capacidade que podemos adquirir de permanecer constantemente atentos e ‘despertos durante o dia. Isto é, quanto mais autoconscientes de nossos atos, emoções e pensamentos, menor será a dificuldade para a aquisição e reserva de energia psíquica. Somente com muito esforço e dedicação, através de um estudo mais abrangente de cunho holístico (integral) chegaremos a despertar para essa possibilidade.

c) Sem dúvida outro grande obstáculo, talvez o primeiro deles, é a preguiça. Esse tipo de conhecimento não pode ser comprado em lojas ou adquirido em livros. Por isso a primeira seleção é feita naturalmente através da falta de persistência e dedicação de cada pessoa. Sivananda, um grande mestre do Oriente, certa vez afirmou: “Somente os fortes chegam a Deus’’ O cultivo da força de vontade é fator essencial. Sem ela é melhor nem dar início a este processo, estancaremos no primeiro obstáculo encontrado, e a preguiça quase sempre estará se escondendo atrás de suas diversas facetas.

d) Outro obstáculo importante a ser vencido é o medo. O medo, corno a preguiça, se manifesta de várias formas. Muitas vezes não nos apercebemos dele, mas ele está ali, arrumando desculpas e aliando-se á preguiça para nos afastar logo nas primeiras etapas. Não há por que ter medo. Nunca estamos sozinhos onde quer que estejamos. Geralmente tememos o desconhecido e, neste campo, o que mais encontraremos é o desconhecido.

Não devemos esquecer que o homem é a morada de Deus. Por acaso você daria ao seu filho alguma coisa que ele pudesse se machucar? Da mesma forma o Pai que está em oculto também não o faria, a não ser que você já estivesse pronto para cuidar de si mesmo sozinho. Mesmo assim Ele estaria atento, observando seu aprendizado.

O medo será vencido na medida que o combatermos e verificarmos o quanto era infundada nossa atitude.

e) A ansiedade é o último tem de nossa pequena lista. Cabe ressaltar a existência de outros bloqueios, mas quase todos giram em torno dos colocados nesse tópico.

A ansiedade gera desequilíbrio emocional, fácil de observar pela taquicardia (o coração pulsa rapidamente). Se houver desequilíbrio de qualquer espécie já não é possível o desdobramento consciente, isto porque há perda de energia e bloqueios na circulação da mesma.

Para se vencer a ansiedade recomendamos a prática constante dos exercícios descritos no final deste Curso. De acordo com o avanço dentro de cada exercício o estudante será capaz de dominá-la perfeitamente.

O QUE HÁ DO OUTRO LADO?

Na verdade são infinitas as formas de vida e os lugares existentes Impossível descrever tudo que existe ou aquilo que você encontrará. Tudo dependerá muito de você mesmo, pois as experiências estão sempre relacionadas a cada ser humano. Queremos dizer que as pessoas têm acesso somente aquilo a que merecem. Há que se ter crédito, caso contrário, nada conseguiremos.

De qualquer forma vamos enumerar algumas possibilidades, as mais comuns, possíveis de serem vividas por qualquer um que se aventure a investigar a realidade da existência de vida além da matéria física.

CAEM AS BARREIRAS DO TEMPO E DO ESPAÇO

O tempo e o espaço nada significam nas dimensões superiores ao plano físico. Ainda que existam, são totalmente diferentes. Logo, 01 (um) minuto lá pode equivaler a O 1 (uma) hora neste plano ou vice-versa.

Quanto mais sutil for a dimensão, menor significado terão essas duas barreiras, ao ponto de chegarmos ao limiar da eternidade.

Em conseqüência dessa quebra de conceitos tradicionais, poderemos acessar tanto ao passado como ter vislumbres do futuro, ainda que muitas vezes nem percebamos isso.

Como dissemos, não basta querer para conseguir, há que merecer.

Como é comum ocorrer em toda natureza, os fatos sempre acontecem naturalmente, sem grandes festas ou exageros, tal qual um por do sol, belo! simples e resplendoroso. Nós, infelizmente, distorcermos os fatos c fantasiamos situações comuns tornando-as inexistentes, e acabamos por não perceber as verdades mais profundas por estarmos impregnados de conceitos e preconceitos irreais.

Quando menos esperamos nos vemos em ambientes e épocas passadas, com roupas antigas, vivendo cenas as quais nunca antes presenciamos. Se não estivermos atentos, ou se mantivermos em nossa mente idéias e conceitos já pré-estabelecidos, provavelmente não seremos capazes de compreender o real significado daquele momento. Muitas vezes apenas vemos os acontecimentos, como se estivéssemos à janela de nossa casa observando as pessoas e os carros passarem. Como dissemos, devido à nossa falta de atenção, podemos até mesmo receber cátedras completas e nem nos darmos conta.

O futuro se apresenta de mesma forma: podemos ver claramente situações futuras ou conversar com pessoas que nos dão informações acerca dele, mas isso não quer dizer que tudo irá acontecer, pois o futuro não passa de uma série de possibilidades que podem ser modificadas. Tudo dependerá do nível de compreensão e, principalmente, da intuição e percepção do estudante.


COMO É O MUNDO ASTRAL?

Existem, nos mundos superiores, cidades e templos desconhecidos a este mundo em que vivemos. Cadeias de montanhas, mares, lagos… enfim, ao que vemos neste plano físico podemos somar outros tantos lugares, onde a maioria deles não podem ser encontrados na terceira dimensão.

Como existem outras dimensões além da nossa, existirão também sete subdimensões para cada uma delas. Por exemplo: o plano astral, sendo mais sutil que o físico, ainda se subdivide em outros graus de matéria interior a ele mesmo, sem, no entanto, sair desse plano para passar para o acima (mental). As paisagens encontradas no mundo físico fazem parte também dos planos astral e mental; todavia, não existem nas subdimensões mais sutis desses dois planos. Novamente daremos um exemplo para que fique claro esta afirmação: uma cadeira ou uma cidade, no mundo físico, têm sua contrapartida astral e mental nas primeiras subdivisões dessas dimensões (1º, 2º, 3º e 4º). No entanto, nas últimas subdivisões de cada dimensão (5º, 6º e 7º) deixam de existir, somente estando presente suas vibrações por demais sutis.

Por isso, voltando aos ambientes, numa projeção no plano astral, se for efetuada dentro de nossa casa e numa subdimensão inferior, poderemos encontrar tudo aquilo que há normalmente dentro dela. Algumas vezes encontraremos até mesmo objetos inexistentes ou que ainda ali estarão no futuro. Lembremos a quebra da barreira tempo e espaço.

Algumas vezes podemos também, numa projeção dentro de nossa própria casa, não encontrar nada do esperado. Nos vemos em outro lugar totalmente diferente, numa situação exótica ou simplesmente incomum. Nesse caso a projeção se fez numa subdimensào superior do plano astral, sem que percebêssemos este fato.

Geralmente as projeções iniciais sempre se dão nas primeiras subdimensões da dimensão astral. Inclusive, para ter acesso à dimensão mental e mesmo às subdimensões superiores do plano astral, é necessário muito domínio de si e do corpo astral. Além disso, precisaremos méritos para tal.

Não é tão difícil o desdobramento, existem inclusive pessoas materialistas ou de índole inferior que o executam; entretanto essas pessoas ficarão restritas às dimensões e subdimensões inferiores do plano astral e mental, quando não ac limbo, como iremos explicar no tópico mais adiante.

Numa experiência fora do corpo, respeitando os requisitos necessários poderemos visitar cidades perdidas ou Templos de Mistérios. As maiores c verdadeiras Escolas Esotéricas existem nas dimensões superiores. O que temos hoje neste mundo é um pálido reflexo dessas Escolas. Aprende diretamente com os Mestres, ou entrar em contato com o Mestre Interno que cada um possui não é utopia nem demagogia, ainda que muitos assim pensem.

Deixar de teorizar sobre civilizações antigas e sim estudar suas cidades costumes, além de conversar com as pessoas que lá viviam e ainda vivem, é outra possibilidade.

Se uma cidade desaparece, sua contrapartida astral mental continua existindo, a não ser que seja construída outra no plano físico onde antes estivera a antiga.

FORMAS DE VIDA

As formas de vida são tão variadas que vão desde as criaturas mais inferiores geradas pela mente humana, até os mais elevados Devas (deuses da natureza), cada qual ocupando a dimensão de acordo com suas vibrações Aqueles que possuem vibrações elevadas em conseqüência da espiritualidade vivem nas dimensões mais sutis e nas subdimensões intermediárias superiores de cada plano. Já as criaturas de baixa evolução, tanto as criada pelo homem (elementares) como os invólucros grosseiros dos mortos que ainda não se desprenderam da matéria, habitam as subdimensões inferiores a região chamada de limbo.

Como cada experiência fora do corpo estará de acordo com nosso nível de vibração, ou seja, nos projetaremos para a dimensão ou subdimensão à que temos afinidade, poderemos estar sujeitos a entrar em contato com cada um desses seres.

Nada acontece por acaso, e qualquer experiência é direcionada para nosso aprendizado, ainda que sejam desagradáveis num primeiro instante.

Aliás, não devemos nos preocupar, pois nada ou ninguém poderá nos fazer mal, mesmo porque é raro os seres mais inferiores se preocuparem com iniciantes.

Há alguns casos esporádicos onde nos veremos em situações diferentes do normal, mas isso sempre ocorrerá pré-definidamente, com finalidades muito especiais de aprendizado.

Em outras ocasiões poderemos nos assustar com os elementais (espíritos da natureza), pois eles são como as crianças, estão além do bem e do mal e só querem brincar e se divertir conosco.

De conformidade com o abordado acima, sempre é importante efetuarmos uma constante higiene mental, principalmente antes de deitarmos para sonhar ou para tentar a projeção consciente, pois o estado psíquico ou físico é que será responsável pela boa ou má experiência. Se, durante o dia, entrarmos em graves desentendimentos, tendo como fruto dessas desarmonizações, explosões emocionais e mentais, quase certamente numa projeção consciente nos veremos em subdimensões densas. Ainda que seja desagradável estar em locais inferiores, presenciando o sofrimento dos habitantes dessas paragens teremos nessa experiência grande material de crescimento.

Um mal-estar causado por indigestão, ou mesmo deitar-se de estômago cheio pode provocar efeito semelhante, projetando-nos para locais mais densos.


OS ELEMENTARES

Elementares são formas de vida criadas pelo homem; na maioria das vezes sem intenções de fazê-lo, ou seja, inconscientemente. São chamados também de formas-pensamento.

Cada pensamento ou desejo ganha forma e se materializa nas dimensões e subdimensões correspondentes. Assim, um pensamento ou uma emoção sublime se cristaliza através de cores radiantes, ondas sonoras harmônicas e formas de beleza estética. Logicamente isso ocorrerá conforme a intensidade e a persistência de cada desejo e pensamento. Algumas vezes, nos pensamentos mais rápidos, surgem apenas formas luminosas também rápidas que logo se apagam. Outras vezes, as emoções e os pensamentos são tão intensos que perduram e acabam por fazer parte da aura humana.

O caso contrário também ocorre. Emoções e pensamentos negativos criam cores e sons feios e desarmônicos. Quando são intensos e constantes, materializam-se em formas de bestas e animais medonhos, permanecendo em volta da pessoa que a criou durante anos ou até mesmo por toda vida. Em outros casos essas formas-pensamento passam a não só obsidiar seu criador, mas sim todas as pessoas que estejam em seu raio de alcance. Muitas vezes sobrevivem durante anos e anos após a morte daquele que a gerou, pois seu alimento pode ser tirado de qualquer pessoa cuja afinidade vibracional se compatibilize com a de seu criador.

As pessoas cujo hábito de drogar-se é constante, acabam por criar meios artificiais para contato com esses e outros seres ainda piores, isso quando não acessam regiões proibidas ao homem comum. Forçam sua passagem para o mundo tenebroso e acabam sintonizando cada vez mais suas próprias vibrações com as vibrações rudimentares desses planos. Entram em contato com criaturas que realmente existem, quando não, partes obscuras de si mesmos. Os incubos e súcubos citados com freqüência nas histórias da Idade Média, são justamente essas formas obsessoras geradas pelo mau uso da energia sexual. Essas criaturas, algumas vezes horríveis e outras vezes aparentemente formosas, provinham dos recendidos mais escondidos do subconsciente, e eram engendradas pelo desejo sexual reprimido e distorcido por isso eram tão fortes ao ponto de se materializarem no mundo físico.

Existem formas de proteção simples que cada projetor deve saber, caso se veja em situações negativas e precise enfrentar formas-pensamento. A maioria dessas situações são facilmente contornáveis. Novamente realçamos a necessidade de tirar aprendizado de fatos como esses.

Assim sendo, colocamos 05 (cinco) precauções que todo projetor deve ter ciência:

1. A primeira precaução é não ter medo. O medo lhes alimenta e dá força.

2. Em caso de se deparar com qualquer entidade aparentemente negativa mantenha-se em estado passivo, como observador, procurando emitir-lhe pensamentos de amor e harmonia. Somente isto já seria suficiente para afastar essas criaturas, ou simplesmente fazer você mesmo se translada para outra subdimensão mais sutil, onde as formas-pensamento não podem incomodar.

3. Você pode transladar-se tanto das dimensões e subdimensões mais elevadas para as menos elevadas e também o contrário, da de menos vibração para a de maior; as formas-pensamento somente no sentido “de cima para baixo’.

4. Nunca parta para a agressão, pois isso fere o principio de que somente  pode se combater o ódio com amor. Mesmo porque você acabará por se identificar completamente, esquecendo-se de si mesmo e caindo no som hipnótico. E necessário manter-se atento e autoconsciente todo o tempo pois o risco de mecanizar-se novamente, adormecendo a consciência, maior que no mundo físico.

5. Existem certas frases mágicas, chamadas conjurações, cuja função é exatamente afastar as entidades nocivas do plano astral ou mental. Daremos algumas delas, mas elas devem ser decoradas e usadas com fé, imaginação e vontade, se é que você quer fazê-las funcionar. A oração possui um poder gigantesco e, muitas vezes, tem o mesmo efeito das conjurações.

a) KLIM, KRISHNAYA, GOVINDAYA, GOPIJANA, VALLABHAYA, SW(JAHA)

b) HELION, MELION, TETRAGRAMATON

o) EM NOME DO CRISTO, PELO PODER DO CRISTO, PELA FORÇA DO CRISTO, EU TE CONJURO … (dizer o que está conjurando)

d) EM NOME DE MICHAEL QUE JEHOVAH TE MANDE E TE AFASTE DAQUI, CHAVAJOTH. EM NOME DE GABRIEL QCIE ADONAI TE MANDE E TE AFASTE DAQUI, BAEL. EM NOME DE RAPHAEL DESAPARECE ANTE ELIEL, SANGABIEL. POR SAMAEL SABAOTH E EM NOME DO ELOHIM GIBOR, AFASTA-TE, ANDRAMELECK. POR ZACARIEL ET SECHELMELECH, OBEDECE ANTE ELVAH, SANAGABRIL. PELO NOME DIVINO E HUMANO DE SADAI E PELO SIGNO DO PENTAGRAMA QUE TENHO NA MINHA MAO DIREITA, EM NOME DO ANJO ANAEL E PELO PODER DE ADÃO E DE EVA, QUE SÃO JOTCHAVAH, RETIRA-TE LILITH; DEIXA-NOS EM PAZ, NAHEMAH. PELOS SANTOS ELOHIM E EM NOME DOS CIËNIOS CASHIEL, SEHALTIEL, APHIEL E ZARAHIEL, E AO MANDATO DE ORIFIEL, AFASTA-TE DE NÓS MOLOCH. NÓS NÃO TE DAREMOS NOSSOS FILHOS PARA QUE OS DEVORES. AMÉM. AMÉM. AMÉM.

O MUNDO DOS MORTOS

Numa subdimensão intermediária do plano astral existe uma região que alguns povos antigos chamavam de limbo ou orco. Na terminologia cristã chama-se purgatório.

Esta região pode ser comparada a um cone de penumbra intermediando a luz e as trevas. A Luz aqui é representada pelas dimensões superiores do mundo astral ou mesmo do mundo mental. As trevas, por sua vez, representam as regiões submersas ao planeta terra, onde a densidade da matéria chega a ser superior a existente no plano físico. Parece impossível conceber dimensões inferiores à terceira dimensão na qual vivemos, no entanto essas regiões existem e são conhecidas em todas as religiões como ‘infernos”. No Oriente a religião hindu a chama de avitchi.

É interessante traçarmos paralelo com a astrofísica, pois esta tem descoberto estrelas minúsculas, muito menores que o nosso sol, cuja densidade atômica equivale a densidade de diversos sistemas solares ou até mesmo galáxias.

Isto prova como é possível existirem mundos imensos comprimidos em espaços fisicamente pequenos, o que corresponde a constante descrição, pelas religiões de todo mundo, dessas regiões abismais. Aliás, como já vimos, o espaço físico praticamente inexiste quando falamos em dimensões.

Não podemos deixar de citar a profunda relação existente entre os mundos externos e internos ao homem. Assim descreve a grande Lei Oculta: “como é em cima é em baixo, e o que está dentro é igual ao que está fora”, logo, o homem possui em si mesmo a parte abismal da natureza, e podemos encontrá-la nas regiões infraconscientes da mente. Lembremos como as vibrações afins se atraem mutuamente. Por isso, aqui abrimos pequena lacuna para alguns questionamentos:

De onde mais poderia vir tamanha crueldade quando vimos os crimes mais infames provocados pelo homem? De onde poderia ter saído a música inferna e as pinturas que representam figuras grotescas e totalmente sem harmonia e estética? Se refletirmos um pouco compreenderemos como a natureza anima e infraconsciente tem se apoderado quase que completamente da humanidade no sentido geral. A inversão total dos valores mais sagrados e tradicionais da humanidade deixaram a mercê os instintos. Em outras palavras, o homen perdeu o controle sobre si mesmo, as portas de seus infernos foram abertas Assim, mais do que nunca, este curso insiste na necessidade de mudança radical em cada individuo. Recuperar os valores arquetipicos faz parte de grande aventura do homem quando pretende vencer as barreiras que o separam dos universos paralelos. É ilusão acreditar que, tal como estamos podemos ter acesso à sabedoria sagrada contida nesses mundos.

Dando continuidade ao exposto nos parágrafos anteriores, dentro das experiências fora do corpo, essas regiões inferiores somente podem sei acessadas pelo projetor em casos muito especiais, quando ele necessite aprender e é conduzido por seres inteligentes através de seus umbrais Temos na literatura de todos os tempos grandes exemplos que o mundo até hoje não chegou a compreender. Obras julgadas infantilmente como ficção pelos cépticos e materialistas: A Divina Comédia de Dante; os relatos da descida de Orfeu aos infernos; da mesma forma Hermes e (Ullisses tiveram que descer á morada de Plutão (regente do mundo subterrâneo); Hércules ac executar parte de seus doze trabalhos (principalmente a luta com Cérbero Guardião dos infernos na mitologia) e, enfim, tantos outros relatos antiqüíssimos e até mais recentes espalhados pelo mundo com roupagem religiosas, míticas, mitológicas, etc.

Já a região intermediária, aqui chamada de cone de sombra, é o limite para projetor comum. Ali ele se deparará com os invólucros dos mortos, como aqueles que morreram e ainda não sabem. Essas pessoas mortas ainda estão presas ao mundo pelo apego e pelo desejo de perpetuar as sensações físicas pela dor dos parentes e amigos que em vida choram, também desejando presença constante do morto neste mundo novamente; pelas sessões mediúnicas que levam ao morto tudo aquilo que tinha em vida, cedendo corpo humanos através de médiuns ou abrindo canais de comunicação com eles. Por essas e outras razões tais desencarnados permanecem perambulando a solta pelo limbo, atraídos e presos ao plano físico.

Quando nos projetarmos certamente poderemos entrar em contato com essas pessoas. Veremos que o corpo astral do desencarnado, sede do desejo inconsciente após a morte, vaga como um sonâmbulo pelo mundo astral, repetindo todas as atividades feitas durante a vida. Permanece revivendo seus sofrimentos e ampliando suas angústias, ansiando os prazeres antigos que os sentidos ofereciam e externalizando, como num pesadelo, suas cobiças e ambições. Poderemos tentar ajudar essas pessoas, mas pouco conseguiremos fazer, pois somente elas terão que se livrar dos fantasmas gerados pelo passado.

Poderemos ser vitimas de obsessões nessas regiões, assim como pode ocorrer com os elementares. Essas criaturas precisam de luz, de vida e amor. Uma pessoa projetada, ainda mais se estiver consciente, traz um campo energético considerável que atrai esses invólucros autômatos. Não o fazem por mal, muitas vezes, mas sim por necessidade. Em tais situações basta tomarmos as atitudes citadas no tópico sobre elementares.

Na medida do desprendimento das emoções e apegos baixos, o invólucro astral mais denso começa a se desfazer, e essas pessoas mortas vão como que tirando as roupas mais pesadas para poderem transcender as subdimensões, chegando a realizarem o mesmo processo na dimensão mental. Assim, a certa altura, podemos entrar em contato com a essência divina que o ser humano carrega dentro de si, já livre de seu passado e apenas aguardando novo corpo para retornar. Quando falamos em essência divina não estamos nos referindo á personalidade, mas sim àquilo que já existia e sempre existiu num homem antes mesmo dele nascer. Poderíamos, por exemplo, entrar em contato com a essência de uma criança que está por vir e saber, diretamente dela, o que aqui veio fazer, qual sua missão e até mesmo quais foram suas existências passadas.

A essência humana é o verdadeiro ser imortal, é o fragmento divino que devemos despertar em nós, a fim de fazê-la fluir perfeitamente através dos valores transitórios da personalidade.

UBIQÜIDADE E ESTADO DE JINAS (4ª DIMENSÃO)

Este tópico foi incluído à parte, pois não podemos deixar de citar dois casos especiais relacionados, de certa forma, com as experiências fora do corpo.

O primeiro deles é o dom da ubiqüidade, ou seja, a capacidade que uma pessoa tem de deslocar-se, ao mesmo tempo, para dois ou mais locais diferentes com o corpo projetado. Este fenômeno é raro mais pode ser encontrado em algumas literaturas.

Na medida que o projetor aprende a dominar seus corpos sutis e a usar o poder da Vontade nas projeções, bem como na medida que ele cria para si corpos mais poderosos através da Alquimia, ele se vê livre das técnicas e pode projetar-se quando quiser e aonde estiver, mesmo que seu corpo físico não esteja repousando sobre uma cama ou cadeira. Isto quer dizer que é possível continuar trabalhando, estudando ou dando uma conferência e, ao mesmo tempo, estar projetado em outro lugar com o corpo sutil tendo uma entrevista com alguém sem que as demais percebam este fato. O próximo passo é adquirir a ubiqüidade, já que obteve total controle sobre os demais corpos Neste caso pode-se estar em diversos locais diferentes ao mesmo tempo, realizando também diversas tarefas sem ligações umas com as outras.

Logicamente estamos falando de pessoas muito desenvolvidas? verdadeiros super-homens dentro do esoterismo. Esta possibilidade, para ser exercida com total domínio, somente pode existir quando se chega ao estado de polividência ou elevado nível de consciência.

Tão fabuloso ou mais que a ubiqüidade é o estado Jinas. Colocar-se em Jinas é colocar o corpo físico na quarta coordenada (quarta dimensão).

Este fenômeno, também conhecido por Nagualismo ou Licantropia, foi muito usado pelos feiticeiros (Naguais) dos povos antigos da América Central (Astecas, Toltecas, Zapotecas, Maias, etc.).

Ainda hoje existem pessoas que dominam as técnicas do estado Jinas. Podemos encontrar referências nas obras de Carlos Castaffleda, antropólogo que travou contato com essa cultura. Isto só para citar obras e autores mais conhecidos e contemporâneos. Em Jinas é possível até mesmo mudar a forma física do corpo, dando a ele aspecto animal ou de outra criatura qualquer. Muitas lendas tenebrosas advém dos relatos de pessoas que viram essas transformações (lobisomem, por exemplo).

Em Jinas também é possível deslocar o corpo físico para qualquer lugar do planeta – sobrevoar rios e mares, atravessar rocha sólida e ainda caminhar sobre as águas, como fez o Mestre Jesus.

PROJEÇÃO INTERIOR

Quando falamos em experiências fora do corpo somente imaginamos o desdobramento da consciência para o mundo circundante (externo). Mais importante ainda é saber da possibilidade em projetar-se para dentro de si mesmo. Isso pode ocorrer de duas formas:

1. A projeção é efetuada dentro de nosso sistema vegetativo, ou seja, podemos ver o interior de nosso corpo. As veias, as funções vegetativas tais como o coração, o fígado e outros se tornam translúcidos para nós. Passamos, muitas vezes, a fazer parte desse sistema, como se fôssemos ele próprio, detectando possíveis doenças ainda não manifestadas.

2. O outro tipo é muito mais intrigante, pois a projeção ocorre dentro do universo psíquico que possuímos: nossos pensamentos, emoções e fantasias ganham vida e são materializados tal como são. O macro-universo e o micro-universo se fundem nesses momentos, por isso podemos entrar em contato com a divindade que existe dentro de cada ser humano. A frase Evangélica: “O homem é a imagem e semelhança de Deus” expressa muito bem o que acabamos de falar, e é essa divindade que buscamos. A essência a que nos referíamos no último tópico não passa de um fragmento da presença de Deus no homem.

Os arquétipos representam a perfeição de todos os valores sublimes cultuados pela humanidade. Tais arquétipos também se manifestam individualmente, por isso o Deus interior também manifestar-se-á através das imagens e símbolos por nós considerados perfeitos: o budista verá Buda, o cristão verá Cristo, o hinduísta verá Krishna. Na verdade, todos serão a mesma centelha divina manifestado na sua multiplicidade de formas.

Todavia, apesar de possuir a centelha divina, o homem a mantém imanifestada, pois a imperfeição humana não pode coexistir com a perfeição divina. Dai possuir em seu interior a semente do mal, a qual gerou uma série de artifícios para afastar o homem da pureza original. Assim, o orgulho, a vaidade, a luxúria, o ódio e outros também terão suas manifestações nas infradimensões do inconsciente humano, e serão vasculhados e encarados cara-a-cara nas projeções interiores.

Uma árvore, para lançar seus galhos o mais alto possível, deve projetar suas raízes no lodo mais profundo e sombrio da terra. Teremos que descer ao lodo mais profundo de nossa “terra psicológica” para projetarmos nossos galhos e nossos frutos acima das nuvens.

Quando nos deparamos com essas criaturas, que na verdade fazem parte de nós mesmos, veremos nossas imperfeições materializadas de acordo com a densidade correspondente a cada uma delas. Teremos que nos enfrentar diante de um espelho, e a visão, muitas vezes, não nos agradará nem um pouco.

O COMPORTAMENTO DURANTE A VIAGEM ASTRAL

Como comportar-se do outro lado? Em conformidade com nossas atitudes e comportamento é que poderemos tirar maior ou menor proveito das experiências realizadas.

Após a projeção consciente, seja através de qualquer técnica, deveremos tornar algumas atitudes importantes para nos manter conscientes durante maior tempo possível. Nossa consciência permanecerá “desperta” de acordo com a quantidade de energia psíquica armazenada anteriormente, e de acordo com a capacidade de não identificação com os acontecimentos em nossa volta. Isto, pois, a identificação leva a perda de energia, e esta a adormecimento e ao sono. Assim, uma experiência que pode começar lúcida acaba se tornando um sonho, podendo acontecer também o contrário como iremos colocar mais adiante.

Para permanecermos despertos será importante sempre a posição passiva, ou seja, contemplativa. O bom observador não julga, não analisa, não interfere apenas observa. Caso faça o contrário com certeza interferirá no: acontecimentos, inclusive externalizando e cristalizando pensamentos 4 emoções sem perceber, e estes colocarão em risco a autenticidade & experiência.

A percepção deve ser ampliada juntamente com a intuição, pois ambas terão papel fundamental na vida de todo projetor, inclusive não só durante a experiências fora do corpo, e sim também no estado de vigília. Para ias seremos obrigados, mais uma vez, frisar o estudo holístico de si mesmo, pois será necessário tomar contato com outras disciplinas esotéricas para obter que somente a Projeciologia não pode nos oferecer. De qualquer forma, num experiência fora do corpo, percebe-se certos poderes latentes com mais clareza, e podemos dizer até mesmo que fazemos uso deles naturalmente mas não adequadamente.

Para o projetor iniciante não é fácil dominar o veiculo recém descoberto. Não temos controle sobre ele e somos facilmente desviados de nosso objetivo pelas circunstâncias e maravilhas que encontramos numa experiência. Aprender a usar a Vontade superior como condição de deslocamento será importante, pois é justamente essa Vontade aliada ao autodomínio que nos conduzirá pelas dimensões e subdimensões.

É interessante traçarmos nossos objetivos antes de efetuarmos a projeção para não acontecer o acima citado, nos perdermos no emaranhado de coisas novas encontradas. Se anteriormente à projeção já sabemos o que queremos, após nos vermos do outro lado, fixaremos nossa idéia no objetivo e poderemos fazer da idéia motivo de meditação e profunda reflexão. O resto a própria natureza se encarregará de fazê-lo, pois somente o fato de nos concentrarmos naquilo desejado já acarreta um deslocamento dentro do tempo e do espaço.

Ainda assim não é tão fácil como parece. A verdade é que somos débeis e fracos, falta-nos atenção, concentração, persistência … por isso é importante ter humildade e solicitar à Divindade interior (alguns chamam de mestre interno) que nos transporte para o local desejado se assim merecermos. Devemos ter em mente que, em última análise, tudo, absolutamente tudo está nas mãos de Deus.

Se não tivermos traçado nenhum piano anterior ao desdobramento, poderemos simplesmente aguardar que os fatos ocorram, ou sair caminhando pelo local onde estivermos a fim de estudarmos detalhadamente tudo que houver no ambiente.

Além de caminharmos podemos nos deslocar da forma a qual nos agradar melhor. Podemos caminhar, flutuar, voar ou qualquer outra maneira de locomoção mais original, quanto menos esforços fizermos melhor, menos energias gastaremos.

A atenção deve estar sempre voltada para si mesmo (interiorizada) ao mesmo tempo que examinamos o local ou os seres com quem estivermos.

Nas projeções efetuadas nas subdimensões mais densas de cada plano nos depararemos com os objetos e obstáculos existentes no plano físico. Eles podem ser simplesmente atravessados com nosso corpo astral, isto é, podemos atravessar paredes, portas e coisas desse tipo, isso se não tivermos medo e dúvidas, porque nesses casos externalizaremos uma angústia imperceptível para nós, mas suficiente para bloquear essa possibilidade.

EXERCÍCIOS PREPARATÓRIOS

É impossível padronizarmos qualquer prática, técnica, exercício ou experiência. Cada pessoa deve encontrar aquela que lhe proporcione maior facilidade de projeção. No entanto existem alguns pontos básicos de onde podemos partir, e o resultado dependerá da dedicação exclusiva de cada estudante.

Recomendamos o cumprimento da seqüência abaixo para surgir o efeito desejado.

a) Os exercícios devem ser efetuados antes de dormir ou de manhã bem cedo Temos observado que pela manhã os resultados são melhores. Todavia estudante poderá adaptar seus horários conforme sua necessidade.

b) Exercícios de mantras, concentração e meditação para ativar os chakras e acelerar a vibração dos corpos mais sutis. Os chakras responsáveis pelo desdobramento são o superior, frontal, cardíaco e do plexo solar. A mantralização deve ser feita durante dez minutos para cada chakra, oi podemos estipular um número especifico (30 vezes para cada um, por exemplo).

• Para o chakra superior e frontal o mantra “1” (concentrando-se entre a sobrancelhas).

• Para o chakra cardíaco o mantra “0” (concentrando-se no coração).

• Para o chakra do plexo solar o mantra “1” (concentrando-se dois dedo acima do umbigo).

Aprender o correto uso da meditação, aliado ao poder da imaginação, será de grande valor para a ativação dos chakras e circulação das energias a fim d uma total harmonização. Podemos fazer os mantras na posição deitado em decúbito dorsal ou sentado. O importante é manter a coluna reta.

c) Ao deitarmos, o relaxamento completo sempre é recomendável, ainda mais se iremos tentar a projeção consciente. A música serve de estimulo ao relaxamento, no entanto somente músicas adequadas podem ser usadas: música sacra, erudita, new age ou especial para relaxamentos. Deve ser agradável e induzir introspeção. (Este item pode ser suprimido se desejar).

d) Exercício respiratório para oxigenação e energização. Quanto mais tenta e profunda for a respiração maior será o estado de interiorização do estudante. Esses exercícios respiratórios devem ser efetuados após o exercício ‘b”, durante o tempo necessário para se atingir o estado de completa concentração e relaxamento (20 minutos, por exemplo). Após o exercício a respiração pode normalizar-se.

e) É imprescindível a autopercepção constante, concentração e imobilidade completa.


TÉCNICAS

Os exercícios do tópico anterior são os pontos primários e qualquer pessoa que esteja se iniciando na Projeciologia deve passar por eles sem suprimir nenhuma das partes. A partir daqui entra a experiência individual de cada estudante. Mas, ainda assim, existem algumas técnicas possíveis de serem passadas.

Lembramos a necessidade de experimentar todas para descobrir a que mais se adaptará ao seu biótipo.

Na verdade existem muitas técnicas diferentes, mas elas giram todas em torno dos pontos abordados a seguir.

Qualquer técnica, para ser eficaz, deverá ser experimentada após o estudante ter seguido as dicas e exercícios abordados no item 13, e ainda sim durante o período de 30 dias consecutivos, no mínimo. Algumas pessoas conseguem êxito em poucas semanas, outras podem necessitar de meses.

a) Imaginação gradativa: o estudante usará o poder da imaginação aliada à concentração e à vontade para se induzir a um estado de projeção. Criará na sua tela mental o processo de desdobramento.

Primeiro sentirá torpor em todo corpo, depois sentirá seu corpo astral e sua consciência, nele centralizada, desligar-se lentamente do corpo físico. Depois se imaginará subindo e deslocando-se através das regiões superiores ac físico.

Este processo deverá ser feito muito lentamente, etapa por etapa, tantas vezes quanto necessário. É bom deixar claro que a projeção é algo distinto de imaginação, fácil de ser separado. Mesmo assim, no inicio, o estudante poderá ter dúvidas, mesmo porque, não possuindo energia suficiente pan estar completamente ‘desperto’ no plano astral, sua experiência poderá se confundir com o sonho lúcido, até adaptar-se à nova realidade. No entanto isso não é regra geral.

b) Meditação transitória: nutra técnica que será usada ao término dos exercícios de preparação é a meditação transitória.

Após os exercícios iniciais, o estudante deitar-se-á em decúbito dorsal, braços esticados (posição esta padrão para todas as técnicas) e relaxado.

Entrará em meditação profunda, contemplando sua mente e seus pensamentos. Não julgará e nem se identificará corri as idéias, apenas deve aguardar a hora em que o sono começa a se apoderar do corpo.

Quando perceber que chegou o limiar entre vigília e sonho, quando começar a observar na tela mental imagens desconexas, ele simplesmente usará sua vontade e levantará.

Terá saído de seu leito corri o corpo astral, por isso deverá se afastar da cama para não retornar ao corpo físico devido a forte atração exercida pelo cordão de prata. Após distanciar-se alguns metros, poderá começar a exploração do ambiente.

Para o estudante se certificar que está fora do corpo pode dar um pulo ou puxar seu dedo indicador, se sair voando no primeiro caso, ou se seu dedo esticar, não deve se espantar, pois está desdobrado. Caso não o esteja, deverá reiniciar o processo.

Na tentativa de levantar-se do leito no momento de transição vigília-sono, se sentir seu corpo pesado, poderá rolar ou engatinhar, o importante é afastar-se do leito conscientemente.

c) A técnica da pineal: pineal é uma glândula situada aproximadamente no centro de nosso crânio. Juntamente com a glândula pituitária rege todas as demais do corpo. Nos corpos sutis existem os chakras superior e frontal, ambos ativados com o mantra “1”.

Após os exercícios iniciais, tomaremos a posição padrão de meditação e nos manteremos concentrados o tempo inteiro na região do entrecenho, colocando, se possível, a ponta da língua na região superior do céu da boca para estimular esta glândula e este chakra. A partir daí é só aguardar e manter a consciência desperta o tempo todo, deixando que o sono se aproxime, mas sem sucumbir à sua força adormecendo completamente.

A estimulação dos chakras aumentará a freqüência vibratória do corpo astral, projetando-o para fora da matéria densa. Pode-se adaptar esta técnica à técnica da meditação transitória (“b”).

d) A projeção no corpo mental: para a projeção no corpo mental será necessário, quase sempre, completo domínio do corpo astral, haja vista ser o processo idêntico ao necessário para projetar-se no corpo astral. Todavia esta técnica se torna difícil devido a necessidade de realizá-la no plano astral, quando o estudante já está de posse deste veículo.

Neste caso o projetor deixará seu corpo astral repousando e se projetará com o corpo mental exatamente como fez para sair com o veículo anterior na técnica da meditação transitória.

e) Despertar no sonho: neste caso não temos propriamente uma técnica, mas sim conseqüência do processo de autopercepção diária abordado em alguns tópicos desse Curso.

Durante o sonho começaremos a nos dar conta que algo anormal está acontecendo (estamos conversando com uma lebre, por exemplo). Este fato será o catalisador para pararmos o que estivermos realizando e começarmos a simplesmente observar o local onde estamos, como estamos e o que estamos fazendo.

“Despertaremos” no astral e deixaremos de sonhar, tornando as rédeas dos acontecimentos e nos direcionando de acordo com a nossa vontade (se a tivermos).

Podemos usar três dicas durante o dia (quando em estado de vigília) para facilitar este fato:

A primeira delas é nos perguntarmos constantemente sobre o que estamos fazendo.

Nesses instantes focalizaremos atenção plena sobre nós e os acontecimentos ocorrendo em nossa volta. Em outras palavras, nos lembraremos de nós mesmos.

A segunda e a terceira das dicas nós faremos em qualquer local ou momento: pararemos nossas obrigações momentâneas, puxaremos nosso dedo indicador e daremos dois “pulinhos”. Como vimos, nossos atos diários são repetidos nos sonhos, se estivermos atento, estes pequenos fatos serão suficientes para nos darmos conta que estávamos sonhando.

Cuidado apenas para não mecanizar também esses atos. E necessário fazê-los atentamente, pois caso contrário o estudante também o repetirá no astral de forma mecânica, perdendo completamente a finalidade e não resultando em consciência desperta.

Finalizaremos as técnicas com dois manhas que são, por excelência, os mantras da projeção astral. Eles deverão ser feitos diariamente até obtermos resultados.

primeiro é o Mantra FARAON:

FFFAPAAAA-RRRRRAAAAA00000NNNNN. Deve ser pronunciado na medida que vem o sono e o adormecimento. Nesses momentos o estudante se concentrará nas pirâmides do Egito para que as forças elementais possam sacar a pessoa conscientemente fora de seu corpo.

O outro Mantra é conhecido como som do grilo, pois se parece com o silvo agudo deste pequenino inseto, O Mantra é a letra S, pronunciado assim:

SSSSSSSSSSSS. A concentração e a vontade aumentará a vibração que este som provoca em nosso corpo até que o mantra se confundirá com o próprio som do deslocamento do corpo astral.

Fundação Aun Weor

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/curso-de-projeciologia-viagem-astral/