Método Científico, Idealismo e Materialismo

Vivemos numa época em que vigora o paradigma materialista. Atualmente a ciência possui status e credibilidade semelhante ao que possuía a Igreja na Idade Média. A visão materialista em si não é incorreta ou negativa. É apenas mais um modelo dentre tantos outros, que não possui nada de especial, fora o fato de estar em voga nos dias de hoje. Nós somos um produto do tempo em que vivemos. O fato de grande parte das pessoas da atualidade acreditarem que a matéria é tudo que existe, ou que todos os fenômenos, incluindo os mentais, podem ser explicados em termos fisiológicos (a mente como subproduto do cérebro) não é acidental.

Enxergar o mundo a partir de uma perspectiva materialista é uma prática antiga, observada em diferentes sociedades. Na Índia, essa escola de pensamento se chamava Charvaka e coexistiu com o bramanismo e o budismo. Não foi tão popular por lá. Na Grécia Antiga, pensadores como Leucipo e Demócrito defendiam ideias materialistas, como a teoria atômica. Claramente, o idealismo de Platão e o neoplatonismo de Aristóteles (como estudante da Academia Platônica, alguns estudiosos já veem traços de neoplatonismo no Estagirita) fizeram muito mais sucesso.

Pode-se dizer que o idealismo foi a doutrina mais aceita no mundo ocidental ao longo da Idade Média, propagada pela Igreja Católica (evidentemente, os católicos não chamam a si mesmos de “idealistas”), se considerarmos que o Mundo das Ideias de Platão foi uma forma de idealismo. Ironicamente, as ideias de Descartes deram brecha tanto para que o idealismo florescesse em novas formas, cores e sabores quanto para que o materialismo renascesse das cinzas com força total, para exaltar a noção de progresso do Iluminismo. O dualismo cartesiano separou mente e matéria. O ato de pensar passou a ser condição de existência (racionalismo) e o corpo passou a ser visto como uma máquina.

Tanto o materialismo quanto o idealismo são formas de monismo: ou seja, a ideia de que todas as coisas derivam de uma única substância. No materialismo, a mente é tida como derivada do corpo físico, enquanto no idealismo é o oposto: o psicológico é o fator primordial (ou a razão, mais especificamente) e dele deriva a nossa realidade. Há também o monismo neutro, que não dividiria o ser em corpo e mente, mas em elementos neutros que não se encaixariam em nenhuma das duas categorias, posição defendida por Hume e Spinoza.

No momento em que é estabelecido um dualismo, é natural do ser humano desejar criar uma hierarquia entre seus elementos, estabelecendo um reino monista que reinaria soberano: a mente é superior ao corpo (idealismo)? Ou o corpo é superior à mente (materialismo)? No período em que vivemos quem está vencendo essa guerra ideológica é o materialismo. Por isso, é natural que os defensores de ideias idealistas se manifestem para mostrar um novo modo de encarar a realidade, que no fundo seria o resgate de ideias que já estiveram em voga no passado.

É normal que os ocultistas contemporâneos se deparem com esse dilema: eles foram educados numa época que defende que o materialismo é a verdade: ou seja, que só existe matéria, não existem coisas como espírito, alma, Deus ou vida após a morte. Ao estudarem grimórios antigos, eles se deparam com conceitos que foram formulados dentro do paradigma no qual viviam seus autores, como é o caso do modelo idealista.

O resultado é que o magista iniciante pode ficar confuso e não saber como trabalhar com aquele sistema de magia. No pior dos casos, o magista pode considerar o grimório como apenas uma superstição boba e julgar seu autor como um charlatão por enganar as pessoas com esse tipo de “bobagem” ou simplesmente considerá-lo pouco instruído por acreditar “nessas coisas”.

Porém, em geral quem se interessa por ocultismo vai pelo menos experimentar um feitiço ou ritual “para ver se dá certo mesmo” antes de concluir que “realmente, era tudo uma grande invencionice, pois magia não existe”. O problema é que o magista contemporâneo, que se encontra no paradigma materialista, irá testar uma magia de um grimório medieval, que foi escrito no paradigma idealista. Resultado? Ele vai duvidar. Vai pensar coisas como: “É claro que não vai aparecer um demônio aqui, pois seres espirituais não existem, só a matéria é real. Acho que Descartes estava drogado quando falou sobre os gênios malignos. É claro que tudo isso é só uma metáfora. Ou é tudo psicológico! Já chega, vou largar essa espada e ir jogar videogame, pois os demônios do meu jogo são mais reais do que esses demônios imaginários… será que existem diferentes níveis de realidade? Deixa pra lá”.

E já que mencionamos Descartes, podemos também observar que além de toda a respeitável bagunça epistemológica que ele gerou, ainda sobrou um tempo para que ele fosse um dos fundadores do método científico. Já podemos até imaginar que tipo de metodologia foi criada em meio a todos esses dualismos, gênios malignos e especialmente da visão do corpo como mera máquina orgânica. Felizmente, Francis Bacon socorreu o bom Descartes dando uns toques de empirismo ao seu racionalismo.

O embate de racionalismo versus empirismo é antigo; é fundamentalmente o mesmo que se encontra no idealismo versus materialismo; Platão versus Aristóteles; Descartes versus Bacon. E por aí vai. Em suma, podemos explicar isso parcialmente pelo fato de Platão ter se baseado na geometria e Aristóteles na biologia, de modo que um se fundamentou mais na razão e outro mais na experiência como critério de verificação da verdade.

Bacon chama de “ídolos” os erros que se pode cometer ao longo do processo de pesquisa científica. Os ídolos da tribo são as limitações dos sentidos físicos e do intelecto. Os ídolos da caverna envolvem o aspecto subjetivo da pesquisa, em função de características individuais do estudioso. Os ídolos do foro seriam as falhas proveniente do uso da linguagem e comunicação. Os ídolos do teatro seriam teorias fruto de mera especulação, que não buscam um resultado experimental para se apoiar. Interessante que esse quarto ídolo se fundamenta no primeiro: a limitação da razão humana para bolar teorias que correspondam à verdade. No entanto, já que nossos sentidos físicos também são ídolos da tribo, por que colocar mais peso no empirismo do que no racionalismo?

Nesse ponto surge a questão do realismo científico versus experimentalismo. Enquanto o primeiro defende que a ciência descreve a realidade tal como ela é, no experimentalismo é dito que a ciência apresenta apenas modelos e não a realidade em si. Afinal, como diria Kant, a coisa em si seria incognoscível.

E já que falamos de Kant, iremos usar o exemplo de seu sistema epistemológico para demonstrar no que consistiria de fato o idealismo. Existem diferentes tipos de idealismo e Kant inaugurou um bem divertido chamado “idealismo transcendental”. Transcendente é o “sublime”; seria aquilo que é domínio da razão, conhecimentos a priori (que vem antes da experiência), para se opor a imanente, que é aquilo que é inerente ao sujeito, do domínio material ou da experiência.

Para Kant, existiam dois mundos (mais dualismo, hã?): o mundo numênico, que é o mundo real das “coisas em si” (basicamente o Mundo das Ideias de Platão) e o mundo fenomênico, que seria a realidade tal qual ela nos aparece (o mundo das cavernas de Platão). Os sentidos físicos não seriam capazes de captar o mundo real. O mais próximo que se poderia chegar disso seria através dos conhecimentos a priori: a razão pura. O racionalismo!

Interpretemos da seguinte forma: a “coisa em si” (a verdade por trás das aparências) de um indivíduo seria sua alma. E será que Deus seria a Grande Coisa Em Si? Bem, para entender o Deus kantiano devemos espiar o sistema ético que ele apoiou sobre sua metafísica.

Digamos que o materialismo encontra um pouco de base na doutrina ética utilitarista de John Stuart Mill: a ação deve conduzir ao máximo bem-estar para o número máximo de pessoas. Ou seja, o foco do materialismo é a felicidade e o bem-estar do indivíduo (e da sociedade); o conforto da mente e do corpo. É nesse paradigma ético que vivemos, que também se fundamentou em parte no materialismo histórico de Marx e Engels, para contrapor o idealismo absoluto de Hegel.

Contudo, o paradigma da felicidade como busca máxima não é o único que existe. A ontologia idealista de Kant aponta uma direção diferente. Para ele, a busca máxima é o cumprimento do dever e isso estaria acima da felicidade. E para explicar isso ele formulou o imperativo categórico: “age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através de tua vontade, uma lei universal”. Ou seja, para saber se uma ação é boa ou ruim, deve-se aplicar ao universal: se todos mentissem, seria bom ou ruim para a sociedade? Ruim, então mentir não é ético e não devemos mentir em nenhuma circunstância. Esse é o raciocínio.

Caso uma pessoa mentisse em dada ocasião tendo em vista uma felicidade temporária para si ou para outra pessoa, estaria colocando a felicidade acima do dever e isso vai contra a ética kantiana. Isso significa que para o idealismo transcendental importa mais a razão pura por trás do processo do que a razão prática que a ação irá gerar. A filosofia de Kant pode ser resumida numa frase de um imperador romano citada por ele em seu livro: “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”:

“Que a justiça seja feita, ainda que o mundo pereça”

Em muitas religiões existe diferença entre “ajudar o próximo” e “louvar a Deus”, sendo que em muitas delas a fé em Deus seria superior a ajudar diretamente uma pessoa. Como se traduz isso em termos kantianos? Servir a Deus seria o cumprimento do dever, do imperativo categórico, dos mandamentos.

No livro “Crítica da Razão Pura” Kant diz:

“Por mais longe que a razão prática tenha o direito de nos conduzir, não consideraremos nossas ações obrigatórias por serem mandamentos de Deus, mas as consideraremos mandamentos de Deus porque temos para com elas uma obrigação interna”

Isso tornaria a existência de Deus necessária ao sistema moral e não somente contingente (acidental). Na obra “Crítica da Razão Prática” temos esse outro trecho interessante:

“Se indagarmos pelo fim último de Deus na criação do mundo, não se deve responder que seja esse fim a felicidade dos seres racionais neste mundo, mas o sumo bem que acrescenta àquele desejo dos seres racionais ainda uma condição, a saber, a de ser digno da felicidade, isto é, a moralidade de todos esses seres racionais, que contém a única medida segundo a qual eles podem aspirar à participação da felicidade por mão de um sábio autor do mundo.”

Pode-se dizer que através dessa explicação Kant daria uma resposta à velha pergunta: “Se Deus tudo sabe, tem todo o poder e é completamente bom, por que existe mal no mundo e por que ele permite esse mal?” A resposta kantiana seria porque como Deus tudo sabe a respeito do que seja o melhor, ele coloca o imperativo categórico (cumprimento do dever moral universal) acima da felicidade humana, que seria apenas uma felicidade relativa, enquanto o agir em conformidade com a razão pura prática e moral seria o fim último da existência.

Outro tipo de idealismo curioso (o meu favorito) é o idealismo imaterialista, de Berkeley, que defende que os seres e as coisas só existem quando são percebidas (ser é ser percebido). Isso significa que não há essência nas coisas ou “coisa em si”. As coisas só não desapareceriam instantaneamente quando não as olhamos porque Deus estaria sempre observando tudo.

Evidentemente, o método científico que usamos hoje (que consiste em modificações de pensadores posteriores nas ideias de Descartes e Bacon) é baseado no materialismo. Isso não significa que ele está errado; e nem que está certo. Um método não pode ser construído fora de um paradigma e, uma vez no interior de um, ele terá que lidar com as limitações inerentes de tal paradigma.

Aqui vão algumas citações sobre ciência, extraídas do livro “Filosofia da Ciência” de Rubem Alves (curioso que o autor foi um dos fundadores da Teologia da Libertação, que seria uma interpretação do cristianismo sob uma perspectiva mais utilitarista e materialista, por assim dizer):

“O místico crê num Deus desconhecido. O pensador e o cientista creem numa ordem desconhecida. É difícil dizer qual deles sobrepuja o outro em sua devoção não racional”

L.L. Whyte

“Não será verdade que cada ciência, no fim, se reduz a um tipo de mitologia?”

De uma carta de Freud a Einstein, 1932

“Contra o positivismo, que para perante os fenômenos e diz: ‘Há apenas fatos’, eu digo: ‘Ao contrário, fatos é o que não há; há apenas interpretações”

Nietzsche

“Não existe coisa alguma mais danosa ao avanço da ciência que a ilusão de que ela marcha para frente pelo acréscimo de fatos novos”

Rubem Alves

Sobre essa última colocação, poderíamos até dizer: não é verdade que os planetas giram em torno do Sol. O sistema heliocêntrico não está “mais correto” do que o geocêntrico, como se a ciência progredisse cada vez mais derrubando as ideias anteriores. São somente dois paradigmas diferentes que têm objetivos práticos. No futuro, se for criado um novo modelo que tenha resultados práticos melhores, o sistema heliocêntrico poderia vir a ser eliminado, hipoteticamente falando. Isso não significa que se descobriu alguma verdade nova, mas que a teoria simplesmente adequou-se para se encaixar a determinado pragmatismo.

E agora fiquemos com alguns trechos inspiradores do livro “A Lógica da Pesquisa Científica” de Karl Popper:

“Teorias são redes para capturar aquilo que chamamos de mundo”

“Instrumentalismo, que foi representado em Viena por Mach, Wittgenstein e Schlick é a visão de que uma teoria não é nada mais que uma ferramenta ou um instrumento para predição”

Na Magia do Caos se costuma dizer: “A crença é uma ferramenta”. Afinal, a metodologia do caoísmo tem inspiração no método científico.

Vamos a mais trechos da mesma obra:

“A ciência não é um sistema de certezas, ou afirmações bem estabelecidas; nem é um sistema que constantemente avança para um estado de finalidade. Nossa ciência não é conhecimento (episteme): ela nunca pode clamar ter atingido a verdade, e nem mesmo um substituto para isso, como probabilidade”.

“Como e por que nós aceitamos uma teoria em detrimento de outras? A preferência certamente não é devido a uma justificação experimental das afirmações que compõem a teoria; não é devido a uma redução lógica da teoria à experiência. Nós escolhemos a teoria que melhor se mantenha em competição com outras teorias; aquela que, por seleção natural, se mostra a mais adaptada a sobreviver. […] De um ponto de vista lógico, testar uma teoria depende de afirmações básicas cuja aceitação ou rejeição, por sua vez, depende das nossas decisões. Então são decisões que definem o destino de teorias. […] A escolha [de uma teoria] é em parte determinada por considerações de utilidade”.

O método científico é uma poderosa ferramenta; uma ferramenta viva, em constante transformação. Não estou dizendo todas essas coisas para que não se acredite nele e sim para que tenhamos consciência de suas limitações e tomemos o devido cuidado para não confundir um modelo com a verdade.

Sobre idealismo, materialismo, dualismo, monismo, etc, nenhum é melhor que outro, por natureza. Novamente, são apenas modelos. Um pode ser mais útil que outro para objetivos diferentes. É importante que todos eles coexistam e sejam debatidos, pois muitas vezes quando cristalizamos um pensamento por muito tempo (ou seja, trabalhamos dentro de somente um modelo) corremos o risco de considerá-lo a verdade e passar a julgar como errado o paradigma do outro.

Alguns defendem que para definir se uma posição é certa ou errada devemos baseá-la na ética. Contudo, devemos lembrar que até a construção do que seja ética e moral muda de tempos em tempos e a definição de moralidade é estabelecida no interior de um modelo ontológico, como foi demonstrado no caso da ética kantiana.

Uma das maiores vantagens da Magia do Caos é ter a mobilidade de poder trabalhar sob diferentes paradigmas e adquirir a habilidade de saltar de um para outro. Mais do que uma brincadeira, isso abre a mente. Você tem toda a liberdade de trabalhar usando somente um modelo e poderá ter muito sucesso seguindo esse método.

Contudo, os caoístas apreciam novas experiências e emoções em lugares inusitados de todos os mundos possíveis. E o mais divertido de tudo: após estudar e experimentar diferentes modelos, você poderá criar os seus, seja usando um caminho epistemológico semelhante ao método científico, seja baseado no idealismo, no materialismo ou em qualquer outra coisa que você optar por criar.

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Tarot dos Papiros Mágicos Gregos – Jason Augustus Newcomb

Bate-Papo Mayhem 205 – 19/07/2021 (Segunda) Com Jason Augustus Newcomb – Tarot of the Greek Magical Papyri IMPORTANTE: Selecionem “legendas” e nas configurações: “Traduzir automaticamente para Português”. O Youtube gerará as legendas.

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Jason Augustus – https://jasonaugustusnewcomb.com/

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#Batepapo #Tarot

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Dia de Balarama, o irmão mais velho

O Senhor Balarama é o irmão mais velho de Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus. Quando o Senhor Krishna veio a Terra há 5 mil anos atrás, Ele veio acompanhado de toda Vrndavana, Sua terra natal, e todos Seus associados, incluindo o Senhor Balarama. O Senhor Balarama (ou Baladeva, ou Balabhadra) é o grande companheiro de aventuras do Senhor Krishna, e os dois irmãos se divertem nas florestas e bosques de Vrndavana, pastoreando os bezerros, brincando com os outros vaqueirinhos Seus amigos, lutando contra as pessoas e/ou animais que venham a pertubar a paz e ameaçar os habitantes da encantadora Vrndavana, e aprontando outras travessuras infantis.

O Senhor Balarama carrega um arado e uma maça (uma espécie de arma), e é conhecido pela Sua grande força, usada sempre de forma correta e justa. Quando o Senhor Sri Krishna aparece como Jagannatha, o Senhor Balarama também se manifesta ao Seu lado, e pode ser visto com Sua pele alva à esquerda no altar. O Senhor Balarama veio como Lakshmana quando o Senhor Krishna apareceu como o grande rei Ramacandra. Esta foi a única vez em que Balaram se manisfestou como irmão mais novo de Krishna, e não mais velho, e, porque tinha sempre que obedecê-lO, mesmo contra Sua vontade, disse que jamais realizaria outro passatempo desta forma! Quando o Senhor Krishna veio como o Senhor Caitanya Mahaprabhu (Gauranga), foi como Nityananda que Sri Baladeva se apresentou, encantando a todos há 520 anos atrás com Seu comportamento impulsivo, doce, cativante, e pleno de amor a Deus. Ele é a primeira expansão pessoal do Senhor Krishna, e todas as outras encarnações se expandem d’Ele. Ele é a representação do Guru Supremo, sem o qual não se pode alcançar a transcendência e a realização de amor puro por Deus.

Aconteceu algo curioso comigo já faz algum tempo, como todos sabem minha família e amigos pertencem a Umbanda e Candomblé.

Eu frequentava durante algum tempo e tinha um conhecimento básico da religião, até que um dia tive um sonho.

Sonhei que estava andando por um vila, um vilarejo e eu dizia algo sobre Balarama……

E tenho o costume de anotar em um caderno os meus sonhos, anotei o sonho e nome e fiquei encucado com aquilo…..

Acabei esquecendo do nome e de ter anotado, até que tive outro sonho e outro e outro……

Perguntei para um amigo que mora em Santos sobre Balarama se ele já tinha escutado falar, ele disse sim, já escutei sim, hoje é o dia do aparecimento dele.

Eu fiquei sem saber o que dizer, ele me contou sobre Balarama, e depois deste dia comecei a conhecer sobre a religião Vaisnava, e estou até agora.

Compartilho este mail com os irmãos.

Lembrando que….. Cada um na sua religião, este mail é só para o conhecimento dos irmãos.

#Festividade #Hinduismo #Mitologia

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Os Mistérios de Eleusis

Todos os anos, próximo do Equinócio de Outono (Hemisfério Norte) eram celebrados na Grécia os chamados “Mistérios de Eleusis”.

Primeiro Dia

Início dos Grandes Mistérios de Eleusis, os “Mistérios da Mãe e da Filha”, oriundos de um antigo festival da colheita de cereais. Neste dia, fazia-se a proclamação oficial, excluindo-se todos aqueles que tinham cometido algum delito ou não falavam grego.

Na véspera, os “sacra”, objetos sagrados, de Deméter eram trazidos de Eleusis pelas sacerdotisas que percorriam em silêncio os trinta quilômetors que separavam a cidade de Atenas, com as cestas sobre suas cabeças. Os “sacra” eram depositados no Eleusinion, o santuário de Deméter na Ágora (templo) de Acrópolis, até o dia seguinte, quando eram purificados no mar.

Segundo Dia

“Holade Mystai”, segundo dia dos Mistérios Eleusínios, com a purificação no mar dos objetos sagrados, levados pelas sacerdotisas escoltadas por rapazes adolescentes (epheboi).

Os candidatos à iniciação, vestidos com túnicas brancas, eram chamados pelos sacerdotes com tambores e gritos de “Para o mar, iniciantes”. A purificação era uma característica essencial dos Mistérios, conhecida como “renovação” ou “expurgo”, separando com esse ritual a pessoa de sua vida profana anterior. Cada pessoa levava consigo para o mar um leitão que precisava ser purificado também antes de ser sacrificado. Os leitões eram considerados animais puros, consagrados à deusa Deméter, simbolizando a fertilidade e promovendo, assim, a abundância na Terra. Festa de São Cornélio, na Bretanha, reminiscência das antigas celebrações do Deus Cornífero, considerado o padroeiro dos animais com chifres. Neste dia, benze-se o gado em seu nome.

Terceiro Dia

“Hiereia devro”, o terceiro dia dos Ministérios Eleusínios dedicado às orações e oferendas de leitões. Os iniciados ficavam recolhidos em suas casas, jejuando e orando, preparando-se para serem dignos de iniciação.

Quarto Dia

“Asclepia”, o quarto dia dos Mistérios Eleusínios, com procissões e oferendas para Asclepios. o deus da cura e Dionísio, o protetor dos vinhedos. Por meio de libações de vinho, chamadas “trygetos”, invocava-se a proteção das divindades masculinas. Os sacedortes preparavam “kykeon”, a bebida sagrada e os iniciados continuavam recolhidos e jejuando.

Quinto Dia

“Agyrmos” ou “Pompe”, o quinto dia dos Mistérios Eleusiníos com a reunião dos iniciados para começar a procissão, percorrendo a pé os trinta quilômetros que separam Atenas de Eleusis. Eles vestiam roupas novas, eram coroados com guirlandas de murta e carregavam os “bacchus”, cajados feitos de galhos entrelaçados, símbolos da morte do velho e do nascimento do novo. Entoando cânticos, a procissão parava em certos lugares para deixar oferendas sob as figueiras sagradas , “hiera syke”, consagradas à Deméter. Na ponte sobre o rio Kefisos, os sacerdotes expunham, publicamente, os vícios e verdades vergonhosas dos iniciantes, que deveriam ouvri com humildade e não protestar. A intenção era expor o velho Eu para que ele morrese de vergonha e pudesse renascer. À noite, ao chegar em Eleusis, apesar do cansaço, os iniciados coeçavam as cerimônias à luz das tochas, honrando com danças e cânticos as deusas Deméter e Perséfone.

Sexto Dia

Sexto dia dos Mistérios Eleusinos, com a preparação dos peregrinos para a iniciação, assimilando o significado do mito e o simbolismo de “synthema”, a senha recebida dos sacerdotes. Por ter sido extremamente bem fuardado, o conhecimento verdadeiro dos segredos dos Mistérios desapareceu com a morte do último iniciado. Para a posteridade, sobrou apenas o conhecimento exotérico e as deduções dos historiadores e antropólogos, baseadas nas inscrições e gravuras. A mais famosa inscrição resume, de forma enigmática, o que os iniciados faziam: “Eu jejuei, eu bebi o kykeon, eu peguei algo no cesto, eu coloquei algo de volta no cesto e depois passei do cesto para o meu peito”. As explicações são repletas de diversas especulações e interpretações. A mais óbvia sugere que o “kykeon” era a bebida de cevada germentada com ervas, o “retirar do cesto” referia-se aos onjetos sagrados (uma esfera, um cone e um espelho), o “colocar de volta no cesto” designava as oferendas e a menção ao peito assinalava a complementação de um ciclo: tirar, devolver e se preparar para o novo, com orações e encantamentos.

Sétimo Dia

“Epopteia”, o sétimo dia dos Mistérios, a Noite da Iniciação dentro do recinto mais sagrado e oculto do templo, o Telesterion. Pouco se sabe sobre esses ritos sagrados, reservados apenas àqueles que tinham pasado pelos Mistérios Menores, celebrados em Agra no início da primavera. Os iniciados juravam manter sigilo absoluto sob pena de morte. Sabe-se apenas que, antes da entrada no Telesterion, eram feitas oferendas de cereais e sacrifícios de leitões na gruta de Hades, no templo Plutonion. Uma pedra da entrada da gruta, chamada “omphalos”, o umbigo do mundo, assinalava a transição da luz para a escuridão, a descida de perséfone ao mundo subterrâneo, revivida pelso iniciados que encarariam os fantasmas de seus medos da morte e as aparições tenebrosas dos espíritos dos mortos. Após esses momentos de sofrimento, os iniciados presenciavam o “hieros gamos”, o casamento sagrado, a união ritualística dos sacerdotes e a encenação do nascimento de Iacchos, a criança divina, simbolizada por uma única espiga de trigo elevada pelo sacerdote no meio de luzes e ao som de címbalos. Em seguida, havia a revelação dos objetos da “cista mystica”, a cesta sagrada de Deméter e a celebração da continuidade da vida após a morte com os gritos de Ye (chuva) e Kye (nascimento), ou seja, “flua e conceba”, a chuva celeste fertilizando a Terra.

Oitavo Dia

Oitavo dia das celebrações de Eleusis, “Myteriotides Nychtes”, a noite dos mistérios. Reencarnava-se o mito de Deméter e Perséfone em três estágios:”legonema”, coisas faladas, “dromena”, coisas encenadas, e “deiknymena”, coisas reveladas. Ao final, os iniciados se reuniam no grande salão do templo, inde, à luz de tochas, celebrava-se a volta de Perséfone do mundo subterrâneo e sua transformação de Kore, a donzela, em Perséfone, a Rainha das Sombras, esposa de Hades, senhor do mundo escuro dos mortos. A essência dos Mistérios representava a esperança da vida renovada, a coragem em enfrentar as sombras e o medo da morte e a confiança no eterno ciclo das reencarnações.

Nono Dia

“Plemo Choai”, o nono e último dia dos Mistérios Eleusiníos, a celebração dos vasos sagrados, feitos em barro e representando o ventre fértil de Deméter, a fonte da abundância na Terra. Reverenciavam-se os ancestrais com libações de vinho e oferendas.

Os sacerdotes levavam as oferendas para as frestas da terra e despejavam o conteúdo misterioso de dois vasos sagrados, um para o leste, outro para o oeste. As pessoas gritavam “hye, kye! (flua e conceba) e os sacerdotes invocavam o princípio paternal (para fluir) e a origem maternal (para conceber). As pessoas comiam, depois, de forma ritualísticva, romãs e maçãs, consideradas as frutas do renascimento, comemorando a continuidade da vida e encarando a morte como uma simples pausa entre as vidas.

Mirella Faur.

#Mitologia

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Como assim, Zeus nunca traiu Hera?

Zeus: o homem; a lenda. O Deus mais poderoso de todos os deuses, senhor do Olimpo e chefe do Panteão grego, capaz de fulminar qualquer mortal que desejasse com um raio. Filho do Titã Crono e da deusa Réia, Irmão de Poseidon, Rei dos Mares e de Hades, Rei do Subterrâneo. Assim como Cronos era o deus mais novo dos Titãs, assim Zeus também era o mais novo de todos os deuses olímpicos.
Hoje veremos porque, apesar de inúmeras alegações de adultério, o Zeus original nunca traiu Hera e, mais importante… Como isso explica muita coisa a respeito da história de Jesus Cristo.

Esta semana eu deveria continuar a história que comecei AQUI e AQUI sobre o Yeshua ben Yossef, mas achei melhor deixar algumas coisas melhor explicadas antes de prosseguir, pois vi que muita gente estava com dificuldades em entender as razões pelas quais a bíblia é tão confusa em alguns pontos. Semana que vem continuamos…

Zeus

Como todos vocês sabem (ou deveriam saber), Zeus foi o filho mais novo de Saturno (também chamado Cronos, filho de Urano e Gaia). Quando destronou seu pai e chegou ao poder, um oráculo o havia instruído que, assim como ele havia destronado seu pai, seu filho o destronaria também. Para impedir que isto acontecesse, ele decidiu devorar todos os seus filhos. Assim, conforme eles iam nascendo, ele ia devorando-os: Hestia, Demeter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus. Mas quando chegou a vez de Zeus, Réia entregou a Cronos uma pedra embrulhada em trapos, que ele engoliu.
Enquanto isso, Zeus estava a salvo, sendo cuidado pelos dáctilos e alimentando-se do leite da cabra Amaltéia e de mel de abelhas até atingir a idade adulta.
Antes de enfrentar seu pai, Zeus pediu a Metis (a prudência) que lhe desenvolvesse um remédio que passaram secretamente para Cronos, fazendo com que ele vomitasse os outros 5 irmãos de Zeus. Com o auxílio de seus irmãos, Zeus ataca Cronos e os titãs em uma luta que demora dez anos. Ao final da batalha, vencedor, Zeus divide com seus irmãos o Reino das Águas, dos Céus e do Subterrâneo, tornando-se assim o Senhor do Olimpo.
Zeus casou-se sete vezes: A primeira com a Oceanida Metis, que ele acabou engolindo para evitar ter um filho com ela (pelo mesmo motivo que não queria ser destronado por um filho homem, como foram seus pai e avô). Mas ele ficou com uma tremenda dor de cabeça quando fez isso e teve de pedir a Prometeus que abrisse um talho em sua cabeça para que a dor passasse. Quando ele fez isso, Atenas nasceu do rasgo que foi feito (em versões posteriores, Hefesto é quem abre um talho em sua cabeça).
A segunda esposa foi Themis, com a qual teve as três Horas (Eunomia, Dike e Eirene) e as três Moiras (Kloto, Lachesis e Atropos).
A terceira esposa foi Eurynome, com a qual teve as três graças,
A quarta esposa foi Demeter, com a qual teve Perséfone,
A quinta esposa foi Mnemosine, com a qual teve as nove Musas (Kleio, Euterpe, Thaleia, Melpomene, Terpsikhore, Erato, Polymnia, Urânia e Calíope).
Sua sexta esposa foi Leto, com a qual teve Apolo e Ártemis,
E finalmente, sua sétima e última esposa foi Hera, com a qual teve Hebe, Ares, Enyo, Hephastios (Hefesto) e Eileithya.

E a história termina aqui. Sem amantes. Como vocês já devem ter percebido, este é um texto iniciático. Os deuses remetem aos planetas (que remetem às virtudes da Alquimia), as sucessões remetem às Eras da humanidade e os casamentos de Zeus são um texto preparatório para o Hieros Gamos. Cada uma de suas esposas remete a um dos sete Chakras que devem ser abertos, bem como cada uma das histórias de suas filhas reflete uma das características que ocorrem com o aflorar destas energias. Por isso são apenas e tão somente SETE esposas e por isso que até a sexta esposa Zeus não possui nenhum filho homem. Apenas Apolo (o Deus-Sol) é o filho que vai destrona-lo (que representa a dualidade atingida pela abertura do sexto chakra na magia sexual).
Com Hera estão abertos todos os sete chakras e montados os seis casais olimpianos do culto Dionísico, para a celebração do Hieros Gamos. Com os outros seis deuses que vão sendo introduzidos ao longo da narrativa, formam-se os 6 casais necessários para a cerimônia.
Independente de se “acreditar” ou não em chakras e Hieros Gamos, creio que todos concordam que estamos falando de uma religião e, portanto, de algo que possui uma liturgia e ritualística própria e, como tais, precisam ser ensinadas para os próximos iniciados.

Mas tio Marcelo, e o Hércules? E as amantes?
Devagar, crianças…
Para entender como tudo isso aconteceu, é muito importante levarmos em conta o TEMPO e o LOCAL em que as coisas acontecem.

As lendas de Hércules não começam com ele se chamando Hércules. Em sua origem, elas narram as histórias de Alcides (sim… não riam… o nome verdadeiro do Hércules é Alcides!) e um ciclo de histórias narrando a passagem do sol através dos doze signos (calma de novo… esses textos NÂO se chamavam “os doze trabalhos de Hércules” ainda!).
Com o tempo, Alcides (cujo nome significa “aquele que possui grande força”) tornou-se tão popular que alguns escritores (profanos) decidiram que um herói deste calibre não poderia ser filho de um mortal, e compilaram estas aventuras colocando que Alcides deveria ser filho de Zeus. Alcides era filho originalmente de Anfitrião e Alcmena. Para burlar a história original, fizeram com que Zeus se disfarçasse de Anfitrião enquanto seu marido estava fora em uma guerra. Deste modo, não iriam irritar os fãs de Alcides maculando sua pobre mãezinha. Note que estas histórias foram escritas cerca de DUZENTOS anos depois do texto sobre o casamento de Zeus e Hera ter sido escrito. Para justificar o novo nome e a nova ascendência divina, Eurípides escreveu “Herakles Furioso” em 460 AC (ou seja, DUZENTOS E QUARENTA anos depois do texto original) onde Alcides se casava com Megara, filha da rainha de Tebas, e tinham filhos, mas que quando Hera descobria da “infidelidade” de Zeus, lançava uma maldição sobre Alcides e fazia com que ele enlouquecesse e matasse sua esposa e filhos. O oráculo de Pítia diz a Alcides que a única maneira de voltar à sanidade seria pedir desculpas a Hera e dedicar-se a ela como servo. Daí o nome: HERA-KLES (ou “Glória de Hera”) e somente então ele realizava os doze trabalhos (astrológicos), conforme conhecemos hoje.
Aescius escreveu “Prometeus” no qual Herakles liberta Prometeus de suas correntes, entre outras aventuras, em cerca de 450 AC (dez anos depois) e vários e vários e vários escritores começaram a contar aventuras de Herakles. Ele se tornou mais famoso que os Beatles e todas as Cidades Estados inventavam histórias sobre ele. Herakles esteve por todas as cidades, derrotou todos os monstros, caçou todos os javalis, participou de todas as batalhas no lado vencedor, comeu todas as menininhas e foi pai de todos os Imperadores e Príncipes. Até duas histórias onde ele tem colegas gays existem… A morte de Herakles é contada por Ovídio em “Metamorfoses”, em 30 AC, ou seja, SEISCENTOS anos depois do texto original sobre o casamento de Zeus e Hera e QUATROCENTOS anos depois da própria história do Alcides!.

MAS… lembremos que estamos na Grécia Antiga… não existe internet, jornais ou televisão. O que REALMENTE acontecia era que cada escritor ou filósofo de cada vilazinha onde Judas perdeu as botas (ops, Judas não tinha nascido ainda… sorry) achava a história do Herakles o máximo e decidia inventar uma lenda local que envolvesse o herói. O ponto é que para todos os efeitos, para aquela Cidade, existia UMA aventura do Herakles, talvez uma segunda aventura narrada por algum comerciante vindo de outro local. Para se ter uma idéia, até em Barcelona existem narrativas de aventuras do herói. Mas estas narrativas NÃO circulavam…
Quando os historiadores europeus passaram a estudar a literatura grega, no século XVIII, eles fizeram o que chamamos de “Empilhamento”, que foi compactar todas as histórias de diferentes tempos e locais como se fossem uma coisa só, procurando uma cronologia coerente… MAS NÃO ERA PARA SER COERENTE !!! NUNCA FOI !!! Por isso este bando de amantes e filhos e aventuras ao redor do mundo.

O mesmo aconteceu com Zeus. Herakles se tornou famoso e, a partir dele, todo mundo queria que o seu herói da sua cidade também fosse “filho de Zeus”. Todo rei queria dizer que sua dinastia era descendente de Zeus… Até o Leônidas dos 300 de Esparta dizia que era da linhagem de Zeus, oras bolas! E ai temos a galeria de amantes: Antiope, Calisto, Danae, Egina, Electra, Europa, Io, Laodamia, Leda (cuja filha com ela foi Helena de Esparta, mais conhecida como Helena de Tróia), Maia, Niobe, Pluto, Semele e outras. Juntando tudo, Zeus deve ter tido uns 50 a 60 filhos).
Mas, assim como Herakles, na cabeça de cada escritor em cada Cidade Estado, suas histórias eram a “única” escapada de Zeus. E os estudiosos empilharam as histórias, tentando juntar algum sentido ou cronologia onde não deveria existir nenhuma.

(estão começando a entender onde eu quero chegar em relação à Bíblia?)

O que chamamos de “Bíblia” é, na verdade, uma coleção de inúmeros textos iniciáticos, históricos, narrativos e astrológicos reunidos pelo critério chamado “Interesses da Igreja Católica”. Ela inclui o Tanak judaico, que por sua vez consiste de três partes: os Ensinamentos (compostos do Pentateuco ou Torah que, como já falamos, trata-se de textos iniciáticos relacionados com a Kabbalah – Gênesis, Exodus, Leviticus, Numerus e Deuteronômio), as Profecias (que vai da chegada dos judeus à Terra Prometida até os Profetas – de Joshua até os 12 profetas) e as Escrituras (Salmos, provérbios, o livro de Jó até Crônicas). O Livro dos Salmos é praticamente um Livro de Magias… cada Salmo é parte de um ritual diferente de Magia Teúrgica, com um poder mântrico ENORME, além de invocações de anjos, proteções, ataques e defesas astrais e afins. Por isso, antes de se achar o revoltadinho e xingar a bíblia, pense duas vezes… TODO ocultista sério que se preze precisa obrigatoriamente conhecer muito bem a bíblia, porque ela traz um monte de coisas legais escondidas. Ela ensina até mesmo a montar o seu próprio deck de tarot !

Já o Novo Testamento é uma salada de frutas criada ao longo de 500 anos de “ajustes” da Igreja. Ele inclui trechos sérios, trechos inventados, trechos truncados, trechos apagados, trechos mexidos… existem até referências a capítulos de livros que NÃO EXISTEM.
Graças a isso, existem mais de DOIS MIL… isso mesmo crianças… DOIS MIL erros históricos, contradições, erros científicos, profecias que não se realizaram, absurdos e injustiças na Bíblia. Pode conferir todos eles AQUI.

Tudo isso porque a Igreja Católica dos séculos III até VIII tentou “consertar” e “encaixar” textos que foram feitos por pessoas diferentes em tempos diferentes falando sobre coisas diferentes para formar uma única história que parecesse coerente.

Só achei necessário fazer esta coluna intermediária para explicar o porquê eu cito as falhas da Bíblia usando a PRÓPRIA bíblia sem que isso seja uma contradição. Porque, por exemplo, os Salmos explicam como é o Casamento Dinástico e mais tarde, quando Constantino e seus bispos pegaram os trechos que explicavam o casamento de Yeshua e Maria Madalena nas Bodas de Caná e nos episódios do óleo e foram apagá-los, provavelmente não sabiam o que fazer com eles, porque Constantino era um SACERDOTE PAGÂO e não tinha a menor idéia das tradições hebraicas ou do que significava aquilo. Tanto que basta olhar o Novo Testamento com calma para ver como os textos das mulheres (oficialmente são duas mulheres diferentes) que lavam os pés de Jesus com óleo não fazem sentido algum… dá pra ver nitidamente que estão truncadas ou jogadas ali no meio sem nexo.

As razões pelas quais a Igreja precisou fazer estas adaptações serão explicadas tim tim por tim tim em colunas futuras. Semana que vem voltamos à nossa programação normal.

Além da Bíblia, as Histórias do REI ARTHUR sofreram o chamado “empilhamento”, mas não vou falar sobre ele agora… quero dedicar umas 2 ou 3 matérias só para Camelot e Avalon, onde explicaremos o por quê da maçã só ter se tornado o fruto proibido a partir do século XVII, porque Guinevere também não traiu Arthur e qual a ligação disto tudo com o Graal…

Marcelo Del Debbio

#Gnose #Mitologia

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Lendas, Mitos e Folclores, a cultura de cada tempo e lugar

Bate-Papo Mayhem #021 – gravado dia 21/05/2020 (quinta) Marcelo Del Debbio bate papo com Com Leonardo Tremeschim – Lendas, Mitos e Folclores e suas relações com a cultura de cada tempo e lugar. Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

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#Batepapo #Mitologia #Podcast

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Richard Wagner: Conceitos Herméticos na obra “o Anel dos Nibelungos” – Flavio Apro

Bate-Papo Mayhem #078 – gravado dia 19/09/2020 (Sabado) 21h Marcelo Del Debbio bate papo com Flavio Apro – Richard Wagner: Conceitos Herméticos na obra “o Anel dos Nibelungos”

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Dia de Atargatis

Celebração de Atargatis, a deusa síria do céu, do mar, da chuva e da vegetação, também cultuada pelos romanos como Dea Syria. Deusa poderosa com atributos muito complexos, Atargatis podia ter várias representações. Como deusa celeste, ela surgia cercada de águias, viajando sobre as nuvens. Como regente do mar, poderia ser uma deusa serpente ou peixe. Podia ainda ser a essência fertilizadora da chuva, com a água vindo das nuvens e das estrelas. Ainda podia aparecer como a própria deusa da terra e da vegetação, cuidando da sobrevivência de todas as espécies.

Um mito antigo descreve a descida de Atargatis do céu como um ovo, do qual surgiu uma linda deusa sereia. Por ser considerada a Mãe dos Peixes, os sírios recusavam-se a comer peixes ou pombos, considerados seus animais sagrados.

Festa celta do Pão Fresco, reverenciando a Deusa Mãe. Em fogueiras feitas com madeira de árvores sagradas (carvalho, bétula, freixo, espinheira e sorveira), assava-se o pão feito com o trigo recém-colhido. As pessoas agradeciam a colheita com cânticos, orações e oferendas para as divindades da Terra.

Trung Thu, celebração vietnamita da Lua. As famílias se reúnem, as ruas são decoradas com lanternas coloridas e as crianças, usando máscaras variadas, seguem em procissão pelas ruas. Os dançarinos realizam a dança dos unicórnios e todos comem doces em forma de lua ou de peixe. Os adultos homenageiam os familiares falecidos queimando incenso e notas falsas de dinheiro para enviar boa sorte pela fumaça.

Na Polônia, festa de Nossa Senhora de Czestochowa, a Virgem Negra, cujo mosteiro era um antigo local de culto à Matka Boska Zielna, a Deusa das Ervas.

A Igreja Católica aproveitou a egrégora formada nesta data pelas antigas celebrações dos dias doze, treze e quatorze e criou a comemoração da morte e assunção de Maria, o aspecto “cristão” da Grande Mãe.

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Mito e Sagrado nas Historias em Quadrinhos – O aspecto religioso dos Super-herois

Bate-Papo Mayhem #043 – gravado dia 11/07/2020 (sabado) Marcelo Del Debbio bate papo com Felipe Cazelli – Mito e Sagrado nas Historias em Quadrinhos – O aspecto religioso dos Super-herois Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

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Noé – o que merece ser salvo? (parte final)

« continuando da parte 1

O mito moderno

De acordo com Richard Saul Wurman, em seu livro Ansiedade de Informação, uma edição de domingo do jornal The New York Times tem cerca de 12 milhões de palavras e contém mais informação do que aquela que um cidadão do século 17 recebia ao longo de toda a vida. A capacidade de computação mundial aumentou 8 mil vezes nos últimos 40 anos. Com esse ritmo, especialistas calculam que produzimos mais informação na última década do que nos 5 mil anos anteriores. E todo esse acúmulo causa ansiedade.

A velocidade com que a informação viaja o mundo é algo muito recente, com o qual os seres humanos ainda não sabem lidar – e muito menos aprenderam a filtrar. Já foram cunhados até alguns termos para definir a ansiedade trazida pelos novos meios de comunicação: technologyrelated anxiety (ansiedade que surge quando o computador trava, que afeta 50% dos trabalhadores americanos), ringxiety (impressão de que o seu celular está tocando o tempo todo) e a ansiedade de estar desconectado da internet e não saber o que acontece no mundo, que já contaminou 68% dos americanos [1].

Uma outra consequência de tamanha “globalização da informação” é a de que hoje somos prontamente informados de todos os grandes desastres naturais, genocídios e conflitos armados que ocorrem ao redor do globo. Certamente o seu bisavô, por mais bem informado que fosse, não estaria muito preocupado com um acidente de trem na Espanha, um estupro coletivo na Índia ou um ataque de algum esquizofrênico numa universidade americana. E, mesmo as notícias da Primeira Guerra Mundial não eram tão impactantes quanto as notícias das guerras de hoje – na sua época a guerra era descrita em alguns parágrafos de jornal, hoje ela muitas vezes é filmada ao vivo com câmeras de alta definição.

Dessa forma, se no mito de Noé o fim do mundo era um anúncio divino que nem todos levaram a sério (exceto Noé e sua família), nos dias atuais o fim do mundo parece ocorrer de tempos em tempos no noticiário, ao ponto de sermos obrigados a nos tornar, de certa forma, “insensíveis” a tanta desgraça anunciada nas dezenas ou centenas de canais de notícia de nossa TV a cabo e em nossos portais favoritos da web.

Não é que hoje o mundo esteja mais violento do que há milênios atrás, pelo contrário: hoje vamos a um estádio ver jogadores praticando esportes, e não se matando; hoje não há mais escravidão, ao menos oficialmente; hoje as mulheres que apanham de seus maridos têm uma opção de escolha que antes lhes era absolutamente negada. O mundo melhorou fora das zonas de guerra, sem dúvida, mas o problema é que hoje podemos saber de tudo (ou quase tudo) de catastrófico e violento que ocorre nos quatro cantos do globo.

Como sobreviver a essa época tão fluida e tão cheia de atrativos, a esse verdadeiro “dilúvio de informações”? Talvez, quem sabe, a Arca de Noé possa ser uma possibilidade de salvação. Afinal, se a construção de nossa Arca pode ser tão difícil e custosa, ela nos traz um grande consolo, um grande alento, em sua conclusão: teremos, enfim, uma embarcação só nossa, onde guardamos a informação que nos importa de verdade, assim nos livrando de todo um mar revolto de irrelevâncias.

A Arca moderna nada mais é, portanto, do que o pensamento próprio, livre de dogmas de crença ou descrença, livre da enxurrada de informações que nada acrescentam ao nosso autoconhecimento e ao nosso caminho espiritual. Para sobreviver no mundo moderno como um indivíduo de pensamento livre, sem dúvida precisaremos aprender mais acerca das técnicas de construção de Noé.

O que merece ser salvo?

Se o mito pode ser reinterpretado à luz da era moderna, nada nos impede de voltar atrás e interpretá-lo a nossa maneira também no contexto da época bíblica. Afinal, há certamente uma boa parte do mito que se encontra mesmo fora do tempo, que é eterna…

Uma lição que sempre me saltou aos olhos é que o Criador não pediu a Noé para que salvasse alguma relíquia, algum plano de construção de templos, e tampouco algum livro sagrado. Nem ouro, nem prata nem joias – o que havia de mais valioso para ser salvo do Grande Dilúvio era a vida, a vida!

E não somente os seres vivos em si, mas a sua simbologia. Afinal, já na época de Noé os animais eram também símbolos, informações vivas que representavam a Criação. Não bastaria, portanto, salvar somente o elefante macho, era preciso salvar também a fêmea, para que a continuidade da espécie, a continuidade do símbolo “elefante”, fosse garantida.

Nesse sentido, a Arca de Noé era, de certa forma, a Igreja sonhada por nosso querido Francisco de Assis: uma casa não somente de homens e mulheres, mas de vida, de toda a vida.

Quantas vilas, cidades e templos já existiam na época de Noé? Quantas estátuas dedicadas as mais diversas divindades? Quantos manuscritos sagrados e poemas épicos? Nada disso passou do Dilúvio. Nada sobrou, exceto a vida ela mesma…

Aquilo que ultrapassa vidas

Há algo que permeia todos os mitos referentes a um Grande Dilúvio nas mais variadas culturas ancestrais: com Arca ou sem Arca, fato é que somente um herói, ou um casal, ou um grupo muito pequeno de pessoas, sobrevive para repovoar o mundo todo após as águas aplainarem.

Ora, se formos transportar esta metáfora para o conceito de reencarnação, tão antigo quanto as primeiras religiões e mitologias, temos que o Dilúvio, o fim do mundo pelas águas, nada mais é do que a “morte”; e o mundo novo, a espera de ser povoado, nada mais é do que a “próxima vida”.

Nesse contexto, o que seria capaz de cruzar a fronteira entre uma e outra vida, senão tudo aquilo que conseguimos trazer para a nossa Arca?

É bem verdade que a maioria de nós sequer começou a aprender a construir uma Arca – mas quem disse que não somos capazes? Ainda que de início nosso barco seja pequeno e quebradiço, facilmente virado pelas ondas, o que importa é que iniciamos a aprendizagem.

E é precisamente esta aprendizagem, de construção de arcas, aquilo que ultrapassa vidas, a ciência mais preciosa e primordial de toda a existência… Não importa se hoje não acreditamos que seja realmente possível construirmos uma Arca tão grande quanto a de Noé. Não importa se nos parece inverossímil que ela pudesse mesmo carregar todas as espécies não marinhas do planeta. Pois há algo de sobrenatural nesta ciência, algo que escapa a lógica usual de todas as ciências…

Tudo é natural, e assim está bom. Mas há algo que salta por sobre, que ultrapassa as maiores barreiras; algo que é capaz de vencer até mesmo a morte; algo atemporal, eterno, infinito.

É precisamente esta Arca de Amor a única coisa que realmente possuímos, a única coisa que realmente importa, a única coisa que vale a pena construir… E cada martelada, cada tábua posta no lugar, cada gota de suor a escorrer de nossa testa, terão valido a pena.

Até que ela, a Grande Arca, consiga abarcar o mundo todo. De modo que o mundo todo será nossa Arca, e nossa Arca será todo o mundo. E somente assim poderemos, de verdade, estabelecer nossa Aliança com o Tudo. Somente assim poderemos ser carregados pelas marés internas da alma até atracarmos, um dia, nas praias do Reino de Deus:

“Senhor, árdua foi a construção da minha Arca, e longa foi a minha navegação; mas eu cheguei, eu finalmente cheguei!”

***

[1] Os dois primeiros parágrafos desta parte do artigo foram retirados de Sobre a ansiedade, por Karin Hueck para a Revista Superinteressante (Novembro de 2008).

Bibliografia: Guia Ilustrado Zahar de Mitologia (Philip Wilkinson e Neil Philip); Enciclopédia de Mitologia (Marcelo Del Debbio); O Poder do Mito (Joseph Campbell e Bill Moyers)

Crédito da imagem: Noé – O filme (Divulgação)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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