Mapa Astral de Paulo Coelho

Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 24 de agosto de 1947. Filho do engenheiro Pedro Paulo Coelho e de Lígia Coelho. Fez seus estudos no Rio de Janeiro. É casado, desde 1981, com a artista plástica Christina Oiticica. Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, trabalhou com diretor e autor de teatro, jornalista e compositor. Escreveu letras de música para alguns dos nomes mais famosos da musica brasileira, como Elis Regina e Rita Lee. Seu trabalho mais conhecido, porém, foram as parcerias musicais com Raul Seixas, que resultou em sucessos como “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Gita”, “Al Capone”, entre outras 60 composições com o grande mito do rock no Brasil.

Seu fascínio pela busca espiritual, que data da época em que, como hippie, viajava pelo mundo, resultou numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc. O Alquimista é um dos mais importantes fenômenos literários do século XX. Chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países. Tem sido elogiado por pessoas tão diferentes como o Prêmio Nobel de Literatura Kenzaburo Oe, o prêmio Nobel da Paz Shimon Peres, a cantora Madonna e Julia Roberts, que o consideram seu livro favorito. A edição ilustrada pelo famoso desenhista Moebius (autor, entre outros, dos cenários de O Quinto Elemento e Alien) já foi publicada em vários países. The Graduate School of Business of the University of Chicago recomenda o romance no seu currículo de leitura. Também foi adotado em escolas da França, Itália, Brasil, Estados Unidos, dentre outros países.

Mapa Astral

Com Sol, Mercúrio e Vênus cravados na posição Leão-Virgem (Rei de Moedas); Lua em Sagitário; Ascendente em Touro e Caput-Draconis em Touro-Gêmeos (Rei de Espadas); Marte em Câncer; Júpiter em Escorpião e Saturno em Conjunção com Plutão em Leão.

A combinação das Energias de Leão e Virgem (Rei de Moedas), que são as mais fortes no Mapa de Paulo Coelho, foi descrita por Vicky Noble como “Uma pessoa que aprendeu a trabalhar no plano físico de tal maneira que será bem sucedido no que quer que faça. Saber aonde ir e como chegar lá”. Mistura o brilhar leonino com o trabalhar virginiano. Seu Planeta mais forte é Mercúrio (por que não estou surpreso?)

A Lua em Sagitário é a lua dos otimistas, das pessoas capazes de observar o mundo ao seu redor e formular regras, leis e interpretações a respeito dele. Paulo Coelho poderia ter sido um filósofo bem sucedido (na verdade, ele nunca deixou de sê-lo) mas a energia de Júpiter em Escorpião o levou para a área do hermetismo, magia e do ocultismo, onde provavelmente conseguiu travar contato com seu Sagrado Anjo Guardião.

Saturno em Leão nas oitavas mais altas implica em responsabilidade com o que se comunica; a restrição e o cuidado com que se trabalha a própria imagem e o que se quer expor… É uma energia indispensável a reis e pessoas que estarão servindo como exemplo para outras.

Seu Caput-Draconis é o resultado destas decisões e o que ele está realizando agora: o Rei de Espadas, senhor das palavras que reúne a curiosidade e comunicabilidade geminiana com a profundidade taurina. Posso afirmar com toda a certeza que ele conhece muito sobre magia e ordens iniciáticas. Muito mais do que 99% dos manés que o criticam…

Se a Alquimia é realizar a Verdadeira Vontade e ser bem sucedido no que se ama fazer; e magia é a arte de concretizar em Malkuth o que se projeta em Yesod, não resta a menor sombra de dúvida que Paulo Coelho é um dos maiores magos deste século. Os pseudo-céticos e babacas de plantão costumam xingar a sua obra sem ler (engraçado que só aqui no Brasil, reino da Igreja Católica e Evangélica, os criticos do resto do mundo sempre o elogiaram bastante) simplesmente porque ele teve a ousadia de se declarar mago em público.

Seus textos, em linguagem coloquial e facilmente compreensíveis, trouxeram milhões de pessoas em contato com o universo da espiritualidade (pessoas com bem menos oportunidades do que os leitores deste blog, diga-se de passagem, que de outra maneira nunca teriam sequer descoberto este caminho) e ajudaram muito a melhorar o karma do planeta.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-paulo-coelho

Dark Side Of The Moon, Pink Floyd

Ser um satanista não é necessariamente ser afiliado a algum grupo satânico, conhecer outros satanistas, praticar rituais, cerimônias complicadas, cultuar mitos ou adorar demônios. O satanista não adora nada nem ninguém. Ele demonstra respeito por quem conquistar o seu respeito, e isso soa cada dia mais difícil. Mas o que isso têm a ver com o Pink Floyd e Dark Side Of The Moon?

Imagine-se vivendo numa época em que todos ao seu redor dizem que você é um lixo, arrogante, presunçoso, elitista, esnobe e por aí vai… Que o legal é não tomar banho; legal é ser sujo e transar com garotas/garotos hemofílica(o)s.

O Pink Floyd viveu isso ! E deu um dedo do meio de cada um de seus integrantes para o movimento punk, gravando The Wall e enchendo ainda mais os seus cofrinhos.

Mas aí a banda já tinha gravado Dark Side Of the Moon: uma sarcástica visão sobre quem fomos, o que somos e o que queremos ser. O disco fala de vitoriosos e de derrotados. De saudades de Syd Barret e do conforto que as drogas às vezes trazem.

A canção Time representa isso melhor do que qualquer outra do disco, embora fazer uma analogia entre o lado escuro da lua e depois comprovar que na verdade, tudo é ou está em eterna escuridão, soa bem satânico. Filosófico. Mas Satânico ainda assim.

Time, Pink Floyd

 

Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an offhand way.
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way.

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain.
You are young and life is long and there is time to kill today.
And then one day you find ten years have got behind you.
No one told you when to run, you missed the starting gun.

So you run and you run to catch up with the sun, but it’s sinking
And Racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way, but you’re older
Shorter of breath and one day closer to death.

Every year is getting shorter, never seem to find the time.
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desparation is the English way
The time is gone the song is over, thought I’d something more to say

Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired,
It’s good to warm my bones beside the fire
Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

Tradução de Time
(Tempo)

As horas passam marcando os momentos
Que se vão, que formam um dia monótono
Você desperdiça e perde as horas
De uma maneira descontrolada
Perambulando num pedaço de terra
Na sua cidade natal
Esperando alguém ou algo
Que venha mostrar-lhe o caminho

Cansado de deitar-se na luz do sol
De ficar em casa observando a chuva
Você é jovem e a vida é longa
Há tempo de matar o hoje
E depois, um dia você descobrirá
Que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr
Você perdeu o tiro de partida

E você corre e corre para alcançar o sol
Mas ele está indo embora no horizonte
E girando ao redor da Terra para se levantar
Atrás de você outra vez
O sol permanece, relativamente, o mesmo
Mas você está mais velho
Com o fôlego mais curto
E a cada dia mais próximo da morte

Cada ano está ficando mais curto
Nunca você parece ter tempo.
Planos que tampouco deram em nada
Ou em meia página de linhas rabiscadas
Insistindo num desespero quieto
É a maneira inglesa
O tempo se foi, a canção terminou
Pensei que tivesse algo mais a dizer

Meu lar, meu lar de novo, eu gosto de estar aqui quando posso
Quando eu chego em casa com frio e cansado,
É bom esquentar meus ossos do lado do fogo
Muito longe atravessando o campo o badalar do sino de ferro
Chamam os fiéis para os seus pés
Para escutar as macias palavras magicas faladas.

Nº 48 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/dark-side-of-the-moon-pink-floyd/

Podcasts, Palestras e Bate-papo sobre Hermetismo

Conseguimos reunir em um único post boa parte das palestras, entrevistas e bate-papos sobre Kabbalah, Hermetismo, Maçonaria, Oráculos e Ordens Iniciáticas que estão espalhados pela net. Assim facilita a busca dos vídeos e fica mais tranquilo assistir aos que ainda não viram.

Palestras e Entrevistas sobre Hermetismo:

– A Kabbalah e os Deuses de Todas as Mitologias (Sociedade Teosófica)

– Astrologia Hermética (Sociedade teosófica)

– Bate papo sobre Oráculos no Conhecimentos da Humanidade

– Bate papo sobre Alquimia no Conhecimentos da Humanidade.

– Entrevista dada ao site Thelema.com

– Podcast sobre Hermetismo no Conversa entre Adeptus – parte 1

– Podcast sobre Hermetismo no Conversa entre Adeptus – parte 2

– O Louco no Tarot de Rider-Waite e Thoth

– Entrevista sobre Simbolismo e História da Arte dentro do Tarot.

– Entrevista no programa E-farsas sobre Maçonaria

– Entrevista sobre Ordens Iniciáticas e ocultismo

– Podcast sobre Maçonaria no Podcast “Descontrole”.

– Maçonaria e Ordens Iniciáticas no Podcast Mundo Freak Confidencial.

– Astrologia Hermética no Podcast Mundo Freak Confidencial.

– Entrevista sobre Teorias da Conspiração.

– Programa “Entre o Céu e a Terra” TVBrasil- Símbolos e Representações.

– Programa “Entre o Céu e a Terra” TVBrasil – Espiritualidade, Sexo e Prazer.

– Entrevista sobre Astrologia Hermética, no Podcast “Descontrole”.

– Entrevista sobre Ocultismo e Teoria da Conspiração no site E-Farsas.

– Entrevista sobre Filosofias Hermética, no Podcast Contos Acabados.

– Entrevista sobre Ocultismo e Magia Moderna no Occultacast.

– Entrevista sobre Origens do hermetismo – parte 1 com Fredi Jon.

– Entrevista sobre Origens do hermetismo – parte 2 com Fredi Jon.

– Brasileiros notáveis – Marcelo Del Debbio apresentado por Gastão Moreira.

– Palestra sobre a História dos Oráculos, na Sociedade Teosófica

– Mitologia e RPG, bate papo no “canal Roleplayers”.

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/podcasts-palestras-e-bate-papo-sobre-hermetismo

Mapa Astral de Dion Fortune

Dion Fortune, pseudônimo de Violet Mary Firth Evans (1890 — 1946), psicóloga e ocultista britânica.

Violet nasceu em Bryn-y-Bia (Llandudno, Gales), e cresceu no seio de uma família onde se praticava, rigorosamente, a Ciência Cristã. Por volta de 1910, após sofrer uma crise nervosa, interessou-se pelo Ocultismo. Em 1919, ela foi iniciada no Templo “Alpha e Ômega”, da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), onde adotou o nome-mágico de “Dion Fortune”, inspirado no lema de sua família: “Deo , non fortuna “(Deus, não o destino). Ao mesmo tempo, estudou Psicologia e Psicanálise na Universidade de Londres, onde se formou, passando a trabalhar como psicoterapeuta na Clínica Médico-Psicológica de Brunswick Square.

Com Sol, Vênus e Mercúrio em Sagitário; Lua em Libra; Caput Draconis, Plutão e Netuno em Gêmeos e Marte e Júpiter em Aquário (com um Saturno em Virgem para equilibrar), sendo o Sol seu planeta mais forte, com nada menos do que 8 Aspectações fortes, temos um Mapa bastante adequado para uma ocultista e muito voltado para o pensamento, a mente e o estudo/filosofia da magia.

Praticamente todos os Planetas deste Mapa estão ligados ao elemento AR ou aos aspectos Mutáveis dos Signos (que envolvem a mente).

A estrutura do Mapa sugere alguém que organiza e compila coisas estranhas; com dedicação tanto no campo da busca incessante por conhecimentos profundos e espirituais (Netuno e Plutão em Gêmeos) quanto na facilidade e seu dispêndio de energia em assuntos diferentes ou fora do padrão (Marte e Júpiter em Aquário – sorte nossa que ela escolheu a Magia como assunto exótico para se dedicar!) embasados por uma disciplina metódica e perfeccionista. Isso é percebido em sua obra mais valiosa: “A Cabala Mística”, bem como no livro “Autodefesa Psíquica” ambos recomendados por este que vos escreve.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-dion-fortune

Financiamento Coletivo dos Livros Sagrados de Thelema

93!

Começou hoje no Catarse o Projeto para trazer ao Brasil os livros mais importantes da Thelema, escritos por Aleister Crowley.

Quem apoiar com apoio “Minerval” (os 3 livros + nome nos agradecimentos) ou maior (“Templario”, “Tarot”, “Biblioteca do Alquimista” ou “Loja Patrocinadora”), nas primeiras 48h receberá uma réplica em mdf da “Stele of Ankh-ef-en-Khonsu” (Stella of Revealing).

Faça parte da história da Thelema no Brasil

Financiamento Coletivo dos Livros Sagrados de Thelema

Do what thou wilt shall be the whole of the law

É com muita honra e felicidade que anunciamos que a Daemon foi escolhida pela Ordo Saturni no Brasil para ser a editora que vai publicar a sua tradução dos LIVROS SAGRADOS DE THELEMA e do LIBER 333 (BOOK OF LIES) no Brasil. Eles ficaram impressionados com a qualidade, dedicação e carinho com que o livro KABBALAH HERMÉTICA foi produzido e queriam o mesmo tipo de tratamento para estes que são considerados obras primas da magia mundial.

Os Livros Sagrados de Thelema são os 15 principais e mais importantes livros de Magia escritos por Aleister Crowley, considerados como publicações classe A (textos sagrados) na Thelema, publicados originalmente entre 1907 e 1911.

São eles:

– Liber Causae (Narra a história da AA).

– Liber Tzaddi

– Liber Porta Lucis

– Liber LXV Liber Cordis Cincti Serpente

– Liber VII Liber Liberi vel Lapidis Lazuli

– Liber XXVII vel Trigammatron

– Liber DCCCXIII vel Ararita

– Liber CCCLXX – A’ash vel Capricorni Pneumatici

– Liber CLVI – Cheth vel Vallum Abiegni

– Liber B vel Magi

– Liber LXVI vel Stelae Rubrae

– Liber CCXXXI vel Arcanorum

– Liber CD vel Liber Tau vel Kabbalae

– Liber CCXX (AL vel Legis)

– Liber XXXI (Liber Legis)

Para a edição brasileira, todos os 15 Libri foram reunidos e organizados em um único volume de 336 páginas, capa dura e edição caprichada, contendo os textos originais de 1907-1911 e a tradução em paralelo.

O LIBER 333, nas palavras do próprio Crowley: “Esse livro lida com muitos assuntos em todos os planos da mais alta importância. Ele é uma publicação oficial para Bebês do Abismo, mas recomendado até mesmo para iniciantes como altamente sugestivo”

A pedidos, faremos o LIVRO DA LEI e o LIBER 333 no formato 14×21 capa dura (formato “octavo”, que vocês ja estão acostumados pois os melhores livros de ocultismo tem sido trazidos para o Brasil neste formato).

Ja temos algumas metas mas adianto que uma delas é o Liber 1, “das Buch der Null Stunde”, da Ordo Saturni.

Dê o seu 93 se você for fã do Crowley e avise seus amigos nos comentários.Tem muita meta sensacional ainda por vir!

Dia 5/fev, apoie nas primeiras 48hs!

Livros Sagrados de Thelema

93, 93/93

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/financiamento-coletivo-dos-livros-sagrados-de-thelema

Stairway to Heaven

There’s a Lady who’s sure,

All that glitters is gold,

And she’s buying a Stairway to Heaven.

Há uma senhora que está certa

De que tudo o que brilha é ouro

E ela está comprando uma escadaria para o Paraíso

Esta “Lady”, ao contrário do que as pessoas imaginam, não é a Shirley Bassed (essa idéia apareceu em uma referência de Leonard tale no CD Australiano). A “Lady” que Robert Plant fala é Yesod, a Qualidade Universal do Espírito, a Princesa aprisionada dos contos de fada, a vontade primordial que nos leva á meditação, ao auto-conhecimento e ao início da Escada de Jacob, que é a Starway to Heaven, (Caminho das estrelas), trocadilho com o nome da música e que também foi utilizado em outros contextos para expressar as mesmas idéias, como por exemplo, no nome “Luke Skywalker” na Saga do Star Wars. Um dia falo mais sobre isso…

Na Mitologia Nórdica, a Lady é Frigga, também conhecida como Ísis, Maria, A Mãe, Iemanjá, Diana, Afrodite, etc… um aspecto de toda a criação e presente em cada um de nós.

Robert plant fará novas referências a esta “Lady Who´s sure” em outras músicas (Liar´s Dance, por exemplo, que trata do “Book of Lies” do Aleister Crowley).

Ao contrário do senso comum, que diz que “Nem tudo que reluz é ouro”, esta Lady possui dentro de si a esperança e o otimismo para enxergar o bem em todas as coisas; ver que tudo possui brilho e que mesmo a menor centelha de luz divina dentro de cada um possui potencial de crescimento.

E dentro deste entendimento, ela vai galgando os degraus desta escada para os céus. Na Kabbalah, os 4 Mundos formam o que no ocultismo chamamos de “Escada de Jacob”, descrita até mesmo em passagens da Bíblia. Esta “escada” simbólica traz um mapa da consciência do ser humano, do mais profano ao mais divino, que deve ser trabalhada dentro de cada um de nós até chegar à realização espiritual.

Aqui que os crentes e ateus escorregam. Eles acham que deuses são reais no sentido de “existirem no mundo físico” e ficam brigando sobre veracidade de imagens que apenas representam idéias para um aprimoramento interior.
When she gets there she knows,

If the stores are all closed,

With a word she can get what she came for.

E quando chega lá ela sabe,

Se as lojas estão fechadas,

Com uma palavra ela consegue o que veio buscar

Aqui é mencionado o “verbo”, ou a “palavra perdida” capaz de dar criação a qualquer coisa que o magista desejar. A Vontade (Thelema) do espírito do Iniciado é tão forte que “quando ela chegar lá ela sabe que se todas as possibilidades estiverem fechadas, ela poderá usar a palavra para criar o que precisar”. Este primeiro verso coloca que a dama está trilhando o caminho até a Iluminação e tem certeza daquilo que deseja, ou seja, conhece sua Verdadeira Vontade..
There’s a sign on the wall,

But she wants to be sure,

’cause you know sometimes words have two meanings.

Há um sinal na parede,

Mas ela quer ter certeza,

Pois você sabe, às vezes as palavras têm duplo sentido

Ainda trilhando este caminho, a dama precisa ser cautelosa. Porque todo símbolo possui vários significados. Todas as Ordens Iniciáticas trabalham e sempre trabalharam com símbolos: deuses, signos, alegorias e parábolas. Os Indianos chamam estes caminhos falsos de Maya (a Ilusão) e em todos os caminhos espirituais os iniciados são avisados sobre os desvios que podem levá-los para fora deste caminho (ou o “diabo” na Mitologia Cristã).
In a tree by the brook

There’s a song bird who sings,

Sometimes all of our thoughts are misgiven.

Em uma árvore à beira do riacho

Há uma ave que canta

Às vezes todos os nossos pensamentos são inquietantes

A Árvore a qual ele se refere é, obviamente, a Árvore da Vida da Kabbalah, ou Yggdrasil, na Mitologia Nórdica, a conexão entre todas as raízes do Inferno (Qliphoth) e as folhas nos galhos mais altos (Runas). Brook (Riacho) também é um termo usado no Tarot para designar o fluxo das Cartas em uma tirada, e o pássaro representa BA, ou a alma em passagem, considerada também o símbolo de Toth (que, por sua vez, é o lendário criador do Tarot, ou “Livro de Toth”, segundo Aleister Crowley) então a frase fica com dois sentidos: literal, que é uma árvore ao lado de um rio onde há um pássaro; e esotérico, que trata de Toth, deus dos ensinamentos (Hermes, Mercúrio, Exú, Loki…) aconselhando o iniciado enquanto ele trilha a subida simbólica pela Árvore da Vida.
There’s a feeling I get when I look to the west,

And my spirit is crying for leaving.

Há algo que sinto quando olho para o oeste

E o meu espírito clama para partir

O “Oeste” na Rosacruz, na Maçonaria e em várias outras Ordens Iniciáticas, representa a porta do Templo, os profanos ou a parte de Malkuth, o mundo material (enquanto o Oriente representa a luz, o nascer do sol). Ela não gosta do que vê e seu espírito quer trilhar um caminho diferente.
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees

And the voices of those who stand looking.

Em meus pensamentos tenho visto anéis de fumaça através das árvores

E as vozes daqueles que estão de pé nos observando

Os anéis de fumaça são o símbolo usado para representar os espíritos antigos, os ancestrais dentro do Shamanismo. Os grandes professores e os Mestres Invisíveis que auxiliam aqueles que estejam dentro das ordens iniciáticas
And it’s whispered that soon if we all call the tune

Then the piper will lead us to reason.

And a new day will dawn for those who stand long,

And the forests will echo with laughter.

E um sussurro nos avisa que cedo, se todos entoarmos a canção,

Então o flautista nos conduzirá à razão

E um novo dia irá nascer para aqueles que suportarem

E a floresta irá ecoar com gargalhadas

O “piper” é uma alusão ao flautista, ou Pan. O “Hino a Pã” é uma poesia de 1929 composta por Crowley (e traduzida para o português pelo magista Fernando Pessoa) que trata do Caminho de Ayin dentro da Árvore, que leva da Razão à Iluminação e é representada justamente pelo Arcano do Diabo no Tarot e pelo signo de Capricórnio, o simbólico Deus Chifrudo das florestas. As “florestas ecoando com gargalhadas” sugere que aqueles que estão observando (os Mestres Iniciados) estarão satisfeitos quando os estudantes e todo o resto do Planeta chegarem ao mesmo ponto onde eles estão e se juntarem a eles.
If there’s a bustle in your hedgerow,

Don’t be alarmed now,

It’s just a spring clean for the May Queen.

Se há um alvoroço em sua horta

Não fique assustada

É apenas a purificação da primavera para a Rainha de Maio

Esta parte não tem nada a ver com garotas chegando à puberdade. As mudanças referem-se à morte do Inverno e chegada da Primavera, que representa a superação das Ordálias e caminhada em direção à Verdadeira Vontade.
Yes there are two paths you can go by,

But in the long run

There’s still time to change the road you’re on.

Sim, há dois caminhos que você pode seguir

Mas na longa jornada

Há sempre tempo para se mudar de estrada

A lembrança de que sempre existem dois caminhos, e também uma referência ao Caminho de Zain (Espada, que conecta o Iniciado em Tiferet à Grande Mãe Binah, representada pelo Arcano dos Enamorados no Tarot). Separa a parte dos prazeres terrenos (chamados de “pecados” na cristandade ou de “Defeitos Capitais” na Alquimia) e o caminho da iluminação espiritual. A escolha é nossa e é feita a cada momento de nossa vida em tudo o que fazemos, e qualquer pessoa, a qualquer momento pode mudar de caminho (espero que do mais baixo para o mais elevado…)
And it makes me wonder.

Oh, e isso me faz pensar e me deixa maravilhado (uso duplo de “wonder”)

Robert Plant coloca várias vezes esta frase na música, em uma referência ao Arcano do louco (e o Caminho do Aleph na Kabbalah), como o sentimento de uma criança que se maravilha com tudo no mundo pela primeira vez (no catolicismo “Vinde a mim as criancinhas”, Mateus 18:1-6 sem trocadilho desta vez). Este é a sensação que um ocultista tem a cada descoberta de uma nova galáxia ou maravilha do universo, ou novas invenções da ciência e a descoberta de novos horizontes. No hinduísmo, esta sensação tem o nome de Sattva (em oposição a Rajas/atividade ou Tamas/ignorância).
Your head is humming and it won’t go,

In case you don’t know,

The Piper’s calling you to join him.

Sua cabeça lateja e isto não vai parar,

Caso você não saiba

O flautista lhe chama para que se junte a ele

Nesta altura da música, já fica claro que quem a escuta está sendo guiado pela Lady através da Árvore da Vida em direção à Iluminação. O aspirante a Iniciado está sendo conduzido pelo caminho pelo soar da música. Ou, em um caso mais concreto, o mesmo tipo de música que o Blog do Teoria da Conspiração toca para vocês…
Dear Lady can you hear the wind blow, and did you know,

Your stairway lies on the whispering wind.

Querida senhora, não pode ouvir o vento soprar? Você sabia

Que a sua escadaria repousa no vento sussurrante?

Esta frase tem duas analogias com símbolos muito parecidos, de duas culturas. O primeiro é a própria Yggdrasil, em cujas raízes fica um dragão (a Kundalini) e em cujo topo fica uma águia que bate suas asas resultando em uma suave brisa. A Águia representa o espírito iluminado (daí dela ser o símbolo escolhido pelos maçons americanos como símbolo dos EUA) e o vento é o elemento AR (Razão). Na Kabbalah, em um significado mais profundo, tanto os caminhos de Aleph (Louco/Ar) quanto de Beth (Mago/Mercúrio) que conduzem a Kether (Deus) são representados pelo elemento AR – O Led Zeppelin fala sobre águias em outras canções, igualmente cheias de simbolismo… algum dia eu falo sobre elas.
And as we wind on down the road,

Our shadows taller than our soul,

E enquanto seguimos soltos pela estrada

Nossas sombras se elevam mais alto que nossas almas

As Sombras, no ocultismo e especialmente nos textos do Crowley, são os defeitos ou aspectos negativos de nossa personalidade que mancham a pureza de nossa alma.
There walks a lady we all know,

Who shines white light and wants to show

How everything still turns to gold,

Lá caminha uma senhora que todos nós conhecemos

Que irradia uma luz branca, e quer nos mostrar

Como tudo ainda vira ouro

O terceiro Caminho até Kether é Gimmel, a sacerdotisa, o caminho iniciado em Yesod (Lua) que passa novamente pelos Grandes Mistérios. A analogia com o Ouro é óbvia. O processo alquímico na qual transformamos simbolicamente o chumbo do nosso ego no ouro da essência.
When all are one and one is all,

Unity.

To be a rock and not to roll.

Quando todos são um e um é todos,

Unidade

Ser como uma rocha e não rolar

Quando finalmente ultrapassamos o Abismo, chegamos a Binah, que representa a Ordem (“rock” em oposição ao Caos, que é o “roll”, em um genial jogo de palavras). Na Umbanda, o orixá representado ali é Xangô, senhor das “pedreiras” e da certeza das leis imutáveis do Universo. Representa a mente focada no caminho, sem deixar-se levar por qualquer evento ou adversidade.
And she’s buying a Stairway to Heaven.

E ela está comprando uma escadaria para o Paraíso

Novamente, a mensagem de esperança… a Dama do Lago está sempre ali, criando oportunidades para todos os buscadores no Caminho da Libertação.

***

análise e comentários por Marcelo Del Debbio

tradução dos versos em inglês por Rafael Arrais

#Arte #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/stairway-to-heaven

Amigos de Hekate

Tonye Newton enquanto escrevia seu livro – A Demonic Connection – conseguiu o que parecia impossível; arrancar algumas declarações de ex-líderes do movimento Friends of Hekate, (Amigos de Hekate, em português ) e o que estes pensam dos novos agregados da Hekate século XXI como está sendo chamada, ou The Mauve Zone como eles mesmos preferem

Friends of Hekate (FOH) operaram por toda a Inglaterra entre os anos de 1960 e 1980. Considerado extinto por muitos, o grupo continua a operar sob nomes diferentes, como The Mauve Zone e Hekate Disciples em locais como o Norte da Europa, México e até mesmo em recantos escondidos da América do Sul como Colômbia e Brasil, mas neste lugares, o pecado dos Hekates está mais associado com o tráfico de drogas e movimentos pretensamente sociais do que com o ocultismo em si.

Logo que surgiu, em Aston, na cidade britânica de Birmingham, o grupo sempre têm sido associado a uma série de desaparecimentos e mortes que ocorreram em Sussex, também na Inglaterra durante os anos de 1970 e 80. No total, as mortes de cinco pessoas foram conectadas as oferendas ritualísticas oferecidas por eles em rituais de magia negra: um policial, um vigário, um aposentado e duas mulheres desapareceram sob circunstâncias misteriosas durante esse espaço de tempo.

Os desaparecimentos ocorreram sempre nas datas de 31 de outubro – o fato estranho era que os corpos das vítimas eram encontrados em locais onde havia estrita vigilância policial, como se tratasse de uma provocação à Scotland Yard, responsável por monitorar o caso.

O vigário usado no ritual era reitor de duas vilas em Sussex; onde uma série de demonolátras costumavam se reunir para praticar rituais no final dos anos 60. Tonye Newton, examina rigorosamente as atividades dos Amigos de Hekate e faz uma ligação estreita da espécie de satanismo praticado por eles e uma conspiração internacional Satânica, cujas idéias estavam claramente embebidas de Marxismo, Stalinismo e idéias comunistas que vingavam facilmente numa Inglaterra que vivia uma cruel recessão e altos índices de desemprego e violência ao final dos anos 60 até meados da década de 80.

Curiosamente, foi nessa época que os Hekate perderam força nas terras da rainha, para só retomarem suas atividades no século XXI. Outros indícios e acusações de sacrifício humano praticados pelos Hekate, vem de uma carta dirigida a Tonye, então redator da Revista Unexplained.  Nesta carta, o escritor anônimo praticamente confirma que o Reverendo foi ritualmente sacrificado pela Friends of Hekate:

“Há alguns anos atrás um amigo meu se juntou a eles (…) são chamados de amigos de Hekate, se reúnem em vários lugares: bosques, matas, celeiros e até mesmo na igreja e fazem rituais que envolvem sacrifícios humanos ou animais em honra a Orion e ao arqueiro. (sic)”

O escritor anônimo prolonga-se para dizer que o seu amigo:

“… Ficou muito assustado quando a polícia efetuou as primeiras buscas para encontrar o vigário (Rev. Harry Neil Snelling) e quando eu disse que ia ajudar nas buscas ele disse ele não precisava mais, já tinham encontrado-o.”

Embora todos os indícios apontem para os típicos sacrifícios ritualizados pela FOH, pouco se conhecia de seus ritos embora acreditava-se centrar especificamente sobre o culto da antiga deusa grega Hekate.

Se as informações relativas a respeito dos Amigos de Hekate envolvendo sacrifícios humanos e animais sejam tão escassos e hipotéticos, eles jamais foram desacreditados quando sua área de influência se expandiu para além da terra da rainha.

Amigos de Hekate no México

Depois da grande caçada protagonizada pela Scotland Yard contra os líderes da FoH, sabe-se que eles migraram para o Canadá, então movendo-se para os E.U.A até atingirem o norte do México onde se estabeleceram, e lá criaram a primeira cidade verdadeiramente satânica ( nos termos deles ) do Ocidente.

Em Ciudad Juárez, norte do México que faz fronteira com o Texas, mais de 300 mulheres foram assassinadas com um mesmo ritual macabro: seqüestro, tortura, sevícias sexuais, mutilações e estrangulamento. Rituais satânicos? Orgias perversas de narcotraficantes? De sacrifícios humanos ? Uma rápida olhada na história dos amigos de Hekate pode nos dar todas as respostas que procuramos.

Estado de Chihuahua, fronteira com os Estados Unidos. Sua população de 1,3 milhão de habitantes é refém de assassinos sem rosto. Desde 1993, (logo após o desbaratamento da FoH na Inglaterra ) mais de 300 mulheres foram seqüestradas, violentadas e assassinadas.

A maioria não pôde ser identificada: todas foram vítimas de violências sexuais, e, sem exceção, foram todas estranguladas e supostamente usadas em rituais de magia negra levados a cabo pela Amigos de Hekate.

O modus operandi dos assassinos é idêntico ao dos matadores em série. Os assassinatos repetem-se, assemelham-se, as sevícias são as mesmas, e atingem não só mulheres adultas, mas também adolescentes e até meninas de apenas 10 ou 12 anos.

Por que razão os cadáveres são desfigurados e mutilados? Por que razão uma tal brutalidade contra as vítimas, um tal sadismo bárbaro? Será que se trata de rituais satânicos? De orgias perversas de narcotraficantes?

Diversos depoimentos indicam que os assassinos teriam sido protegidos, num primeiro momento, pelos policiais de Chihuahua. Depois, teriam se beneficiado do apoio dos meios do poder ligados ao tráfico de drogas.

Como é sabido, membros da Hekate são ligados ao tráfico de drogas há muito tempo, especialmente em países como Bélgica e Holanda, além de manterem estreitas relações com membros das Farc Colombianas.

Mas conheça um pouco mais sobre eles em suas próprias palavras:

“Bem-vindo ao Amigos de Hekate: Prestem atenção e aprenda. O FoH é a única grande ordem magicka satanista em Birmingham, Inglaterra. Nós somos o OCULTO aqui!

Formados, ou re-formados, em meados dos anos 90; o FoH começou como um núcleo de adesão de não mais de cinco pessoas iniciadas nas artes satânicas, representando um número que cada grupo afiliado não pode ser ultrapassar em membros. Gostaríamos muito de lhes oferecer nossos rituais praticados em Wichbury Hill, os pseudo-satanistas ainda estão tentando ser tão bons como nós somos em magia negra.

O nosso “magcikprop”, o ato de executar rituais aos olhos de quem quiser é uma lenda entre os que recordam de nossos gloriosos dias. Lúcifer em carne, osso e sangue no museu de Birmingham, poucos vão esquecer!

Mas agora o FoH está de volta, mais fortes do que antes, temos enclaves em Manchester e Londres. Estamos crescendo. Isso sem contar nossos poderosos contatos no exterior. Eles nos deixam orgulhosos.

Conheçam a Colheita Maldita – um momento em que o mundo será mudado por quem tiver a vontade Magicka de fazer essa mudança. O FoH têm a Magicka e a Vontade.

Bem-vindo ao verdadeiro Novo Aeon. Estamos tendo sinais do nosso Apocalipse e cada um de vocês é bem-vindo. Lembrem-se daqueles que já conhecem a nossa verdade: 2012 se aproxima mais rápido do que nunca pude imaginar.

 

Manifesto dos amigos de Hekate

Todo homem e mulher é uma estrela, mas algumas estrelas são mais brilhantes do que outras.

Magicka é a Arte e a Ciência de causar mudanças de acordo com a Vontade.

As únicas regras são aquelas que se aplicam a nós.

Apenas aqueles que sentem que precisam ser governados deveriam tomar nota do que o governo lhes diz para fazer.

Faça o que for divertido para você, e esse será o todo da lei.

Este é o nosso credo (sujeito a mudanças a qualquer momento)

Nós somos parte da IOT, mas ela não pode conter tudo aquilo que verdadeiramente somos agora e aquilo que devemos nos tornar até 2012. Procuramos não membros, apenas aliados.

Durante muito tempo, temos sido tratados como loucos por aqueles que por sorte, fortuna, ou atos criminosos adquiriram poder sobre nós. Esta é a hora de voltar a lutar, a pegar em armas da nossa escolha, para derrubar todos os governantes do Mundo.

Nossas armas podem ser, música, cinema, arte, mas principalmente magicka. Essa nossa arma é o poderoso ESOTERRORISMO. Esta é a forma de ruptura através de ações concretas e rituais mágicos.

Os membros da nossa “igreja” podem parecer parte do sistema, mas em nossas mentes, procuramos formas de consumo de droga; injetando Caos e perturbações no sistema que tenta governar nossas vidas.

Nós escrevemos cartas a imprensa, nós criamos distúrbios que causam preocupação para as massas acomodadas, forçando os poderes constituídos a entrarem em ação.

Nós roubamos terras de grandes proprietários de terras, através de nossos direitos. Nós sabotamos grandes empresas, forçando-os a nos pagar grandes quantias de dinheiro para não precisarem se opor a nós. Mas também podemos ser o mendigo na esquina, que vai dormir com a esposa do patrão, o nosso nome é Legião será sempre assim.

O nosso templo é o Mauve Zone. Nossa Magicka está por todo lugar.

Somos a favor de usar a tecnologias para construir nossa utopia, mas não somos dominados por ela. Apoiamos a engenharia genética para a substituição de órgãos. Embora apoiemos os chamados partidos Verdes, Liberais e afins, fazemos-lo apenas porque ele nos dá oportunidades para injetar o vírus do Caos nos sistemas políticos.

Entrevista com Tonye Newton a rádio BBC 6 de Londres

BBC: O que é ou o que foi os Amigos de Hekate ?

Newton: Nos anos 60, 70 e 80 foram um temido grupo de satanistas extremistas com idéias comunistas. Hoje são um bando de garotos pervertidos que utilizam o nome deles para se promoverem.

BBC: O que há de verdade sobre sua conexão mexicana ?

Newton: Que temos membros deles em Ciudad Juarez é inegável, mas atribuir todos os assassinatos de mulheres que lá acontecem a eles é pura bobagem. A questão é que terras de ninguém, terras sem leis como Juarez oferecem a esse tipo de gente, local e ambiente adequado para esse tipo de crime, eles são muito mais esquerdóides machistas do que satanistas. Não vejo muito de satanismo no que estes caras fazem hoje.

BBC: O que os antigos membros, os originais dizem sobre o assunto ?

Newton: Hekate virou uma lenda macabra que ainda apavora muitas mentes no Reino Unido, mas aquele pessoal envelheceu, casou teve filhos e hoje faz parte da classe média acomodada. Tudo aquilo que eles combatiam em seu início.

BBC: Como conheceu membros deles ?

Quando trabalhava na Unexplained, alguns caras frequentavam seus cultos; todos mascarados, ninguém conhecia e jamais conheceu a verdadeira identidade dos líderes. Eram grupos de 5 membros por templo. Todos agregados mas com liberdades para fazerem o que bem entendessem.

BBC: Você os leva a sério hoje ?

Newton: Não aqueles que atuam na Inglaterra, mas os que estão fora do país fazem uso do nome Hekate para ter um certo status, seja no México ou com as Farc. Na verdade os traficantes pouco ligam se eles se dizem satanistas ou zapatistas, o que interessa é que são campo fértil para o crime organizado.

BBC: Mas o próprio site deles:http://www.paganassociationisevil.org.uk/ indica que fazem parte de um grupo de criminosos não ? O tal Satanismo esquerdóide.

Newton: Eles simplesmente repercutem aquilo que ouvem do que vem de fora. Repito, não levo esses moleques idiotas a sério, mas teria o maior prazer em entrevistar os membros da Hekate na América Latina.

BBC: Seria uma aventura perigosa.

Newton: Seria a chance de esclarecer de uma vez por todas o que é lenda e o que é fato sobre eles. Mas se a Scotland Yard não os pegou, quais são as minhas chances ? Até lá,

Ciudad Juárez continuará sendo um local seguro para membros da Hekate, e para os velhos satanistas sanguinolentos da Idade Média.

Paulie Hollefeld

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/amigos-de-hekate/

John Dee: Anjo para Uns, Demônio para Outros

Por Dave Evans.

As tensões religiosas dentro da heresia cristã de John Dee.

Dee viveu em meio a mudanças religiosas e científicas extremas, e esteve na vanguarda do movimento que empurrou os limites da ciência e da magia. Isto foi feito com a grande dificuldade de não ser pego pela lei, o que ele provou dentro da própria Corte Real. Feiticeiros, astrólogos, bruxas e profetas estavam todos em perigo de serem processados naquela época. John Dee foi sem dúvida um deles, e mais; ele viveu mais de 80 anos, viu cinco monarcas e experimentou três mudanças de religião estatal.

Esta sobrevivência pode se dever particularmente ao fato de que as elites eram mais seguras do que as bruxas da aldeia pobre. Dee nasceu em uma pequena família na Corte, e teve uma excelente educação, o que ajudou a protegê-lo; embora outros ocultistas de nota tenham tido menos sorte: John Lambe, por exemplo, foi apedrejado até a morte por uma multidão enfurecida.

Entretanto, Dee teve a distinção de alienar as autoridades protestantes e católicas durante sua vida, e é provável que tenha sobrevivido, pelo menos na Inglaterra, por causa dos serviços especiais que prestou à Coroa, inclusive sendo espião no continente.

Para Dee, tudo era uma busca pelo conhecimento, e ele era em grande parte responsável pela qualidade da ciência na Inglaterra, tão pouco estudo parece ter sido feito fora de seu próprio círculo. Ele usou a magia como um meio simples de se esforçar para conseguir:

“Um conhecimento mais profundo de todas as ciências, passadas, presentes ou futuras”.

E sua concepção de iluminação viu a ciência e a magia como uma só. Isto foi difícil de racionalizar, e Dee tem sido criticado por historiadores modernos por sua inconsistência, “pensamento eclético e flutuante”. Isto dificilmente parece ser inevitável em toda uma carreira em pelo menos sete disciplinas diferentes praticadas ao longo de cerca de 60 anos, um período de incalculável mudança intelectual.

Dee obteve seus diplomas em Cambridge e em Leuven, onde foi aluno do geógrafo Mercator. Esta relação duradoura permitiu a realização de exploradores britânicos como Raleigh e Frobisher. Dee também recebeu Ordens Sacras na Igreja da Inglaterra, apesar de suas raízes católicas. Ele viajou e estudou muito em sua juventude e aos 23 anos já era famoso na Europa como filósofo, recebendo inúmeras ofertas de monarcas estrangeiros. Ele os recusou, no entanto, permanecendo leal à Inglaterra e retornou em 1550 para aconselhar o governo sobre navegação, cargo que ocupou por 30 anos, auxiliado por seu primo, William Aubrey.

Durante o reinado de Eduardo VI, ele já ocupava um alto cargo na corte como matemático. Quando Maria chegou ao trono, foi-lhe pedido pela curiosa Isabel que elaborasse um horóscopo para ela e sua irmã, a rainha Maria. Isto era uma traição potencial, pois aplicar meios mágicos para prever eventos como a morte de um governante poderia ser politicamente muito perigoso; previsões mágicas poderiam levar a eventos induzidos magicamente. Ele foi, portanto, preso por três meses; depois foi absolvido depois de se defender.

Foi um caminho teológico desconfortável que Dee teve que tomar. Ele escreveu a Maria em 1556, alegando que os escritos e monumentos antigos fossem preservados; mas ele teve que escrever sua carta de tal forma que não podia ser visto como promovendo a sobrevivência dos escritos heréticos protestantes.

Apesar de criado como católico, as crenças de Dee poderiam hoje ser chamadas de Cientificismo Cristão, mas com uma grande parte reservada à magia cerimonial. Pode não haver conflito entre ser um cristão devoto e conversar com anjos; na verdade, talvez seja por isso que se possa conversar com anjos, porque a crença neles é tão forte. Entretanto, o cristianismo puro parece errado quando meios mágicos não cristãos são usados para chamar anjos, especialmente em uma época em que não havia como distinguir os anjos dos demônios.

Dee era bibliófilo e antiquário, ampliando sua casa várias vezes para acomodar uma coleção sempre em expansão (e para abrigar vários estudantes de ciência e magia) e tinha a maior biblioteca da Inglaterra com cerca de 4000 livros. Foram estas que foram confiscadas de bruxas suspeitas. Tais livros, os ‘livros de círculos’, podem ter sido livros de geometria, mas veja a Heptarchia (a referência on-line é dada no final deste artigo) e especialmente a página 32, para mais exemplos ocultos; e considere que o policial médio pode se concentrar em imagens enquanto as investiga.

Em todos os casos, matemática, astrologia e bruxaria estavam fortemente associadas a temas mágicos, e a ciência era fumaça e espelhos.

Numa inversão de atitude, sob a rainha Elizabeth, Dee foi designada para selecionar a data mais favorável para a coroação, via precisamente a mesma astrologia para o monarca pelo qual ele havia sido anteriormente encarcerado. Imagine seu constrangimento. Tal mudança abrupta de atitude, de certa forma, sublinha a forma como a sociedade define os criminosos.

Elizabeth também empregou Dee para combater a bruxaria usada contra ela, e ele tinha editos especiais de Elizabeth que o protegiam de :

“Quem em seu reino deveria procurar, em razão de seus valiosos estudos e exercícios filosóficos, derrubá-lo injustamente”.

Isto deve ter sido necessário porque, apesar de uma reputação muito alta na corte, muitos nobres e alguns da população o viam como um feiticeiro perigoso. Isto desenha paralelos com o teatro contemporâneo e o mágico de Marlowe no Doutor Fausto, a quem o Imperador promete que “o que quer que você faça, não será prejudicado ou abusado de forma alguma”. A proteção seria igualmente vital na espionagem; onde Dee seria frequentemente incapaz de explicar um comportamento suspeito por medo de exposição. Infelizmente não posso discutir aqui as possíveis ligações com Marlowe, que também era um espião.

Dee viajou muito e na sua ausência Elizabeth foi uma forte defensora; como seus livros publicados no continente muitas vezes chegavam à Inglaterra antes dele, a fim de reter os clérigos e acadêmicos que não os entendiam.

Inusitado para a época, Dee escreveu principalmente em inglês, alcançando assim mais da classe educada do que o latim teria feito.

Além de seus trabalhos científicos, Dee continuou suas experiências ocultas, usando bolas de cristal, mas achando-as difíceis de usar. Ele empregava um médium de Lancashire, Edward Kelly. Kelly já foi condenada por fraude, perdendo um ouvido por tal crime.

Durante as sessões psíquicas, Kelly se comunicou com inúmeros anjos que lhe deram profecias e ditaram uma nova linguagem que Dee chamou de ‘Enoquiano’. Tem sido sugerido que Kelly fez o próprio Enoquiano, mas um homem jovem e semialfabetizado nunca teria sido capaz de construir uma linguagem coerente e consistente que não tivesse nenhuma conexão com as línguas existentes. É mais provável que tenha sido a Dee polimática que o fez.

Em 1583 havia rumores de que eles estavam fazendo ouro por alquimia. Isto gerou grande interesse entre a realeza europeia e um nobre polonês, Laski, os convidou para trabalhar em sua casa. Dee e Kelly deixaram a Inglaterra e realizaram experiências alquímicas e mediúnicas caras que colocaram as finanças de Laski em risco. Apesar das profecias políticas angélicas, que previam a realeza de Laski, ele decidiu enviá-las e seus custos ao Imperador Rudolph II, que estava fascinado pela alquimia.

Rudolph ficou muito impressionado, porém, sua alquimia logo levou a queixas de bruxaria e heresia, com o Papa exigindo sua prisão. Rudolph permitiu que eles escapassem. Dee e Kelly tornaram-se então astrólogos independentes, viajando pela Europa, trabalhando para o Rei da Polônia e a nobreza bávara, enquanto espionavam os interesses espanhóis.

As sessões mediúnicas continuaram, mas Kelly, que de repente ficou muito agitada, estava convencida de que o cristal não estava mostrando anjos, mas demônios. Kelly tentou sair, mas foi forçado por Dee a ficar e explicar. Kelly confessou então, relutantemente, que os anjos tinham ordenado que compartilhassem suas esposas, sexualmente.

Eles estavam tão envolvidos no trabalho angélico e, como sua saúde financeira dependia em grande parte das comunicações angélicas para os patrões ricos, eles trocaram esposas. Isto, apesar das próprias mulheres, a grande diferença de idade entre os quatro indivíduos e a imoralidade da situação. Isso seria psicologicamente muito difícil para os cristãos devotos contemporâneos, então o que dizer disso no século XVI

O “ménage à quatre” não durou muito tempo. Dee retornou à Inglaterra em 1589. Kelly continuou como ocultista itinerante. Ele foi preso em várias ocasiões por várias atividades ocultistas e fraudulentas e morreu por ferimentos recebidos durante uma tentativa de fuga em 1595.

Quando ele voltou para casa, quase falido após seis anos de viagem, Dee encontrou sua casa saqueada e muitas de suas obras destruídas ou roubadas. A ausência do tribunal também havia reduzido sua popularidade. Tendo estado a favor da Rainha, ela agora estava fora de contato e lhe deu um posto de ensino longe de Londres, um insulto a um acadêmico como Dee. Para sobreviver, ele teve que vender seus livros restantes e continuou suas experiências ocultas até sua morte em 1608.

Meu primeiro artigo, Heptarchia (referências on-line no final do artigo) é uma fascinante mistura de magia cerimonial e panteísmo com uma tentativa de cristianização. Não foi publicado durante a vida de Dee, mas foi usado como material didático em cópias manuscritas, e como tal pode muito bem ter caído nas mãos das autoridades. Ao longo do texto há referências ao poder de Deus, orações a Deus, etc., que podem ser lidas como cristãs, mas há muitas passagens, apenas uma delas seria suficiente para acusar Dee de bruxaria, heresia ou traição:

“Pois somos deuses”. Criaturas que governaram, que governam e que governarão sobre você”, Heptarchia página 1.

Uma pluralidade de deuses eternos não é uma singularidade cristã, e como tal é uma heresia grave.

“Estes (anjos) estarão sujeitos a você”, Heptarchia página 3.

Dee recebe poder sobre os anjos – uma blasfêmia, pois somente Deus deveria ser capaz de fazer isso. Da mesma forma:

“…o Príncipe Geral, Governador ou Anjo que é o Principal neste mundo”, Heptarchia página 7.

Este não é o Deus cristão, e pode ser o Diabo. Se eles não são anjos, então podem ser demônios ou espíritos familiares, ter relações sexuais com eles é um crime.

“Através delas você fará maravilhas”, Heptarchia página 3.

“A alteração da Corrupção da Natureza, em Perfeição”, Heptarchia página 28, “obras maravilhosas”, Heptarchia página 29.

Estes são milagres, que só Deus pode fazer, e na doutrina protestante eles simplesmente não existem mais.

“Eles são reis caídos e iníquos, cujo poder foi quebrado por Mim, assim farás”, Heptarchia página 3.

Dee tem o poder de realizar mudanças políticas; material imensamente perigoso para escrever sobre. Embora ele tenha sido avisado:

“Grande cuidado deve haver para aquele que se intromete nos assuntos dos príncipes”, Heptarchia página 4.

E ele é informado mais adiante:

“Você está entrando em novos mundos, novas pessoas, novos reis e novos conhecimentos de um novo governo”, Heptarchia página 30.

Dinamite política e traição.

“… espíritos… que guardam a terra e seus tesouros”, Heptarchia página 22.

Magia para descobrir um tesouro enterrado foi um crime e parece que Dee adivinhou ou procurou adivinhar a localização de um tesouro enterrado por vários meios.

“Seu poder está sobre as águas”, Heptarchia página 30.

Isto se refere ao controle mágico da terra. Uma tempestade repentina que destruiu a Armada tem todas as marcas do sobrenatural, e Dee usou tanto suas habilidades de espionagem, navegação e ocultismo contra os navios espanhóis. Sua capacidade de alterar o tempo seria perigosa para Dee em sua vida posterior, quando James tornou-se rei, pois as bruxas de Bernwick foram executadas em 1591 por levantar uma tempestade contra os navios de James.

O principal anjo na Heptarchia (e outros manuscritos da Dee) é Uriel. Na Tempestade de Shakespeare, o anjo chefe é Ariel. A cena de abertura envolve uma tempestade mágica que leva um navio até a ilha de Prospero e ele também tem uma biblioteca fantástica. Há muitos outros paralelos entre Próspero e Dee, que Shakespeare pode ter encontrado já que Dee fez vários efeitos especiais para o Globe Theater. A Tempestade foi realizado três anos após a morte de Dee.

Como vimos, na Europa a Dee poderia entrar em todas as escolas de prestígio como um colega intelectual. Na Inglaterra ele era considerado com medo e desconfiança. No entanto, foi talvez apenas com a sua morte e os retratos simpáticos subsequentes, juntamente com a liberalização religiosa e uma compreensão crescente do valor de seu trabalho em matemática, navegação, filosofia e ciência em geral, que a sociedade inglesa naquela época foi capaz de aceitá-lo como algo mais do que um objeto de superstição, e sua imagem foi reabilitada.

Notas:

NB/ meu título: ‘Anjos para uns, demônios para outros’ é uma frase emprestada de uma ficção de terror, ‘The Hellbound Heart’ de Clive Barker, que é o roteiro do filme ‘Hellraiser’, onde esta frase é uma das partes centrais do diálogo.

Há pelo menos quatro biografias de Dee em papel, nenhuma delas é verdadeiramente abrangente.

Referências on-line: John Dee, De Heptarchia Mystica, (Diuinis, ipsius Creationis, stabilis legibus) Collectaneorum 1582. (On-Line) Peterson. J.H. (ed) versão, 1997, British Library Ms. Sloane 3191. <http://www.esotericarchives.com/dee/hm.htm>.

E seu Mysteriorum Libri Quinque ou, Five Books of Mystical Exercises de John Dee.

Uma Revelação Angélica da Magia Cabalística e outros Mistérios Ocultistas e Divinos revelados ao Doutor John Dee e Edward Kelly, 1581 – 1583. <http://www.esotericarchives.com/dee/sl3188.htm>.

Um site muito útil: The John Dee Society. <http://www.johndee.org/>

***

EVANS, Daves. John Dee : Ange pour certains démon pour d’autres.
Traduction française par Spartakus FreeMann, Zénith de Libertalia, février 2004 e.v. EzoOccult, 2004, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/42/anges-pour-certains-demons-pour-d-autres/>. Acesso em 15 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee-anjo-para-uns-demonio-para-outros/

A Origem das Sefirot

 Um artigo de Spartakus FreeMann sobre a origem das Sefirot.
Para Melmothia.

Uma discussão com Melmothia me desafiou sobre a origem das Sefirot. No início, a resposta a esta pergunta parecia tão óbvia que respondi com um truque cabalístico: “ó minha boa dama, as dez Sefirot, bem, são o Sefer Yetzirah“. Ao refletir melhor, este curto-circuito me desagradou, e percebi que nunca havia tentado dar nem mesmo uma breve história da doutrina das Emanações. Espero que este lapso seja retificado neste artigo.

Um dos conceitos mais importantes na Cabala é sem dúvida o das Emanações ou Sefirot (singular: sefira) através das quais Deus se revela. Estas Emanações são atributos ou caracteres arquetípicos que a literatura cabalística frequentemente descreve como “esferas”, “regiões” ou “vasos” contendo a energia que emana de Deus, o infinito e ilimitado En-Sof, incognoscível por natureza. É somente através destas Emanações que se pode ganhar conhecimento (parcial) de Deus e de Sua criação.

As 10 Sefirot são segundo a representação tradicional da Árvore da Vida:

  1. Kether ou Kether Elyon, a Coroa Suprema
  1. Hokhmah, Sabedoria
  1. Binah, Inteligência
  1. Gedullah ou Hesed, Grandeza ou Amor
  1. Gedulah ou Din, Poder ou Julgamento
  1. Rahamim ou Tifereth, Compaixão ou Beleza
  1. Netzach, Vitória
  1. Hod, Majestade
  1. Tzaddik ou Yesod Olam ou Yesod, os Justos, a Fundação do Mundo ou a Fundação
  1. Malkhuth, o Reino.
Árvore da Vida do Pardes Rimmonim de Moisés Cordovero (século XVI).

Origem das Sefirot

Os nomes das dez Sefirot parecem ter sua fonte em I Crônicas 29:11:

“Tua é, Senhor, a grandeza, e a força, e a glória e o esplendor, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, Senhor, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos.”

Estes são os 7 atributos associados com as 7 Sefirot inferiores. No século XIII, Isaac, o Cego de Narbonne, que alguns acreditam ser o pai da Cabala, fez a conexão com esta passagem da Escritura em seu Comentário sobre o Sefer Yetzirah, a fim de falar da doutrina das Sefirot.

O Sefer Yetzirah (ou Livro de Formação) é outra fonte da doutrina das Emanações. De fato, este pequeno tratado cabalístico nos fala dos “32 Caminhos da Sabedoria” pelos quais Deus criou o mundo. Estes Caminhos compreendem as 22 letras do alfabeto hebraico e 10 numerações, ou Sefirot, um termo derivado, segundo G. Scholem, do “sapar” hebraico, para a palavra “contar”.

Mais tarde, encontramos o Sefer ha-Bahir, um tratado no qual os Sefirot não são mais percebidos como números, mas como éons, logos ou atributos (middoth em hebraico) que servem como instrumentos de criação. O Bahir identifica estes atributos com as 10 ma’amoroth ou 10 Palavras pelas quais o mundo foi criado (ver Pirke Avoth 5:1. Tratado Avoth).

Esta visão ecoa o Talmude onde lemos: “Por dez coisas o mundo foi criado, pela sabedoria e compreensão, e pela razão e força, pelo rigor e poder, pela justiça e julgamento, pelo amor e compaixão” (Talmude: Tratado Haguiga, 12a).

A Árvore da Vida de Kircher. Origem das Sefirot.

Com Azriel de Girona (século XIII), obtemos um desenvolvimento filosófico do sistema das Emanações que pode ser resumido em três características fundamentais:

  1. As Sefirot são manifestações finitas de En-Sof ;
  1. En-Sof é Infinito, Perfeito, Incognoscível;
  1. As Sefirot e En-Sof são um só.

Além disso, as Emanações são dez em número porque são limitadas pelas expressões da existência do mundo “físico” da criação do qual participam: substância, comprimento, altura, profundidade, tempo, lugar, etc.

Esta última ideia é muito próxima da teoria aristotélica das categorias do ser. Se Deus é incognoscível, o mundo foi criado pelas Dez Palavras e de acordo com Luzzatto:

“En-Sof é a Vontade como Ele poderia ter querido, aquele que não tem termo ou medida ou fim; os Sefirot são o que Ele quis com limite e que constituem os atributos particulares que Ele quis”.

O Zohar, esse tratado volumoso e críptico da Cabala, não fala explicitamente das Sefirot, mas usa uma série de termos diferentes que podem ser relacionados às qualidades das Sefirot (no fólio 176b eles são mencionados por suas iniciais, no entanto, isto parece ser uma adição tardia – do século 16 – à versão do Codex de Mantoue). Entretanto, o Zohar oferece uma explicação da estrutura da Árvore da Vida: as Sefirot estão dispostas dentro dela na forma de um Mishkal, ou Equilíbrio, com suas duas panelas (as duas colunas à esquerda e à direita) e seu centro. Assim, cada Sefirah é um equilíbrio entre a força e a energia dos dois Sefirot anteriores.

A fonte mais clara parece ser a Patah Eliyahu – uma oração recitada em certas liturgias judaicas – encontrada no Tikkunei Zohar (fólio 19a), uma obra mais tardia que o próprio Zohar. As referências às Sefirot muitas vezes aparecem apenas em adições (tosafot) ou em comentários (como na tradução de Baal haSulam, por exemplo). Daniel Matt, autor de uma tradução contemporânea do Zohar em inglês, escreve:

“os comentadores gostam de encontrar referências às Sefirot que os ba’alei ha-Zohar (os autores do Zohar) nem sempre pretendiam. Mas os brilhos são ingênuos não acrescentando as Sefirot, mas reduzindo a poesia do Zohar ao persistir em nomear as diferentes Sefirot onde o texto original apenas alude a eles sutilmente”. Além disso, os estudiosos são quase unânimes em dizer que o Zohar “raramente usa o termo Sefirah ou o próprio nome das Sefirot” (Sperling e Simon, tradução de 1931, 384).

A doutrina das Sefirot será desenvolvida por Isaac Luria. Está além do escopo deste artigo para descrevê-la mais detalhadamente e remetemos o leitor ao nosso trabalho sobre a Cabala Luriânica. Basta dizer aqui que, segundo Luria, a criação de um mundo de natureza finita é uma indicação da autolimitação de Deus por meio de Tzimtzum, ou retração, contração. Por este ato, Deus preserva um espaço livre para Sua criação, que então se desdobra através do derramamento de Sua luz através dos “vasos” (Sefirot).

Este processo não ocorreu corretamente, levando à “quebra dos vasos” e à queda na materialidade, mas esta imperfeição deveria, segundo Luria, ser concluída em um tikkun, uma reparação que apareceria então como a realização de uma parousia de Deus dentro da criação restaurada a sua perfeição original.

Isaac Luria dá outra classificação das Sefirot, omitindo Kether e acrescentando Da’ath (Etz Chaim 23:5,8), como segue (Etz Chaim 23:1,2,5,8; 25:6; 42:1):

  1. Hokhmah ;
  1. Binah ;
  1. Da’ath ;
  1. Hesed ;
  1. Goborah ;
  1. Tifereth ;
  1. Netzach ;
  1. Hod;
  1. Yesod;

Moisés Cordovero, por outro lado, enfatiza uma estrutura baseada nos Quatro Mundos (Pardes Rimonim 3:1 e Or Ne’erav 6:1) e organiza as Sefirot na seguinte ordem:

  • Atziluth (Emanação) que inclui Kether e Hokhmah;
  • Briah (Criação) que inclui Binah;
  • Yetzirah (Formação) que inclui Tifereth, Hesed, Goborah, Netzach, Hod e Yesod (que são as 6 direções do mundo);
  • e finalmente Assiah (Ação) que inclui Malkhuth.

A cada um destes quatro níveis, modelados nos quatro mundos, é atribuída uma das letras do divino Tetragrammaton YHVH.

“As três primeiras Sefirot devem ser consideradas como uma e a mesma coisa”. A primeira representa “Conhecimento”, a segunda “Conhecedor” e a terceira “o que é conhecido”. O Criador é o próprio conhecimento, conhecedor e conhecido… Assim, todas as coisas no universo têm sua forma dentro das Sefirot e as Sefirot tem sua fonte no que emana deles” (Cordovero, Pardes Rimonim).

O diagrama abaixo representa a ordem das Sefirot de acordo com Cordovero. Cada Sefira é representado pela inicial de seu nome:

Moses Cordovero, Pardes Rimmonim, 1592. Origem das Sefirot.

Deve-se notar que as várias representações das Sefirot em forma de árvore, embora favorecidas pela tradição, não são as únicas. Além de Cordovero, há também uma representação chamada “Coração de Deus” onde Tifereth está no centro de uma roda composta de outras Sefirot, sem mencionar a Menorah ou o castiçal de sete ramos (veja abaixo). Em qualquer caso, a árvore continua sendo o diagrama mais revelador, quanto mais não seja por causa de seu simbolismo na Cabala e no Judaísmo.

En-Sof e as 10 Sefirot.
Representação retirada de um manuscrito anônimo.

Ao longo dos séculos, da Cabala Cristã de Reuchlin à angustiante e redutora Nova Era contemporânea, passando pelo ocultismo sincrético de Crowley, a doutrina das Sefirot foi enxaguada, traída, pervertida, embelezada, complexificada e distorcida. Cada um puxando o “manto” para si mesmo, acrescentando aqui e ali atributos angélicos ou mesmo demoníacos; discutindo as virtudes mágicas desta Sefira ou daquela; escrevendo páginas abstrusas sobre as interações mais ou menos difusas da energia (como se a Árvore da Vida fosse um quadro elétrico);, etc.. Em suma, de uma teoria límpida, de uma safira, se pudermos usar este trocadilho, uma torre trêmula foi construída para nós que ninguém hoje pode entender totalmente. O nevoeiro é tão espesso hoje que algumas pessoas limitam tudo que sabem sobre as Sefirot aos jogos de RPG.

Para concluir, convidamos o leitor a voltar à fonte, a mergulhar na simplicidade de um sistema que postula em seu coração que o mundo foi criado por 10 “numerações”, nem mais nem menos.

As Dez Sefirot na Menorah de Kether (1) a Malkhuth (10).

Para ir mais longe na origem das Sefirot e da Cabala, leia nosso livro Initiation to the Way of the Cabalah (Iniciação ao Caminho da Cabala).

The Origin of the Sefirot, Spartakus FreeMann, dezembro de 2008 e.v.

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Fonte: L’origine des Sephiroth, Spartakus FreeMann, décembre 2008 e.v.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-origem-das-sefirot/

Aleister Crowley: o Homem Mais Perverso do Mundo

Por Mike Karn

Revista The Square, volume 43, n° 2, junho 2017, páginas 32-34.

Aleister Crowley é considerado uma das figuras mais notáveis e sinistras do século passado. Ele foi um renomado estudioso que usou seu incrível intelecto para se tornar um especialista e praticante do ocultismo e da magia negra. Tão grande era o seu domínio que, para muitas pessoas, ele se transformou na personificação absoluta do mal. Seus ritos, orgias e cerimônias profanas chocaram até mesmo os mais cínicos e despertaram curiosidade, fúria e ódio nas outras pessoas.

​Ele sempre insistiu que seu nome fosse pronunciado como “Crow-ly” – muitas vezes acrescentando, com um sorriso malicioso: “para rimar como holy [sagrado]!”. No entanto, provavelmente é difícil, para quem desconhece a reputação de Crowley, imaginar a controvérsia que seu nome incitou no público em geral – e o ódio e medo que sentiram.

​Crowley nasceu no auge da era vitoriana, em 1875, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. Proveniente de uma família próspera adepta da seita dos Irmãos de Plymouth, ele foi devidamente batizado como Edward Alexander Crowley. Foi criado para acreditar que Deus era todo-poderoso e que o livre-arbítrio não era uma opção. Seu pai, Edward, era de uma rica família quaker, e ele e sua esposa, Emily, eram fanáticos religiosos que se juntaram aos Irmãos de Plymouth na fundação da seita.

​Para Crowley, o Cristianismo assumiu proporções extremas e se tornou o inimigo. Em seu tormento, ele procurava ajuda e conforto em outras fontes – essa direção por fim levava ao inimigo natural: o demônio. Ele se rebelou totalmente contra a religião de sua família e posteriormente mudou seu nome para Aleister, para não partilhar do mesmo nome de seu pai, Edward.

​Crowley teve uma infância muito infeliz. Seu pai viajava pelo país pregando, enquanto sua mãe rezava, lamentava e atormentava o filho. O pior ainda estava por vir: seu pai faleceu quando ele tinha 11 anos de idade, e sua guarda foi concedida à mãe de seu irmão, que o tratava com crueldade. Isso só foi ultrapassado por um mestre sádico de uma escola dos Irmãos Plymouth, à qual foi confiado.

​Portanto, quando criança, Crowley rezou para o demônio em segredo, para se manter protegido de sua mãe, de seu tio, do mestre e dos garotos que o maltratavam na escola. Seus sentimentos em relação ao Cristianismo e à sua família eram de puro ódio, e ele não foi criado como uma criança normal. No início de sua adolescência, como seu comportamento comum era não aceitar a doutrina dos Irmãos Plymouth, a mãe de Crowley o amaldiçoou e passou a chamá-lo de “a besta”, cujo número era 666, conforme o Livro do Apocalipse no Novo Testamento da Bíblia. Em vez de ficar ofendido com isso, ele adotou o nome e agiu como se não houvesse mais nada a fazer a não ser aceitá-lo.

Crowley frequentou a Malvern College como uma criança oprimida e mentalmente perturbada. Uma escola pública não era lugar para um garoto tão tímido e estranho, e ele sofria agressões físicas e psicológicas, a ponto de ser retirado da escola e transferido para a Tonbridge School. Mas então houve uma transformação nele. Crowley tinha crescido e se tornou forte física e mentalmente. Ele passou por uma mudança completa, como se algo tivesse sido despertado dentro dele. Deixando de lado toda a sua insegurança, superou os intimidadores e se transformou em um deles.

Nessa época, ele começou a praticar alpinismo. O cabo de Beachy Head e as montanhas galesas foram os cenários de suas primeiras expedições, mas então ele começou a escalar penhascos que ninguém jamais havia ousado, e realmente obteve muitas experiências na escalada.

Em 1895, aos 20 anos de idade e denominando-se Aleister, foi para a Trinity College, em Cambridge, como graduando do curso de ciência moral. Ele também escreveu, estudou poesia e continuou a praticar alpinismo. Crowley era considerado um jovem com um futuro promissor, mas enveredou pelo ocultismo e por todas as formas de imoralidade. Ele vivia como um aristocrata privilegiado e mantinha uma vida sexual vigorosa, conduzida com prostitutas e mulheres que ele escolhia nos bares locais, mas isso posteriormente se estendeu a atividades homossexuais. Ele também começou a publicar poesia explicitamente sexual.

Quando frequentava a Trinity College, conheceu Allan Bennett. Os dois se interessaram pelo ocultismo e começaram a experimentar rituais mágicos. Ao que tudo indica, eles obtiveram resultados impressionantes, incluindo a manifestação de uma hoste de seres sobrenaturais e de atividades de espíritos.

Em 1898, Crowley e Bennett se juntaram à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) em Londres, que praticava magia ritualística, alquimia, astrologia, tarô e outras ciências ocultas. A ordem foi fundada em 1887 por três membros da Maçonaria: Samuel MacGregor Mathers, William Robert Woodman e dr. William Wynn Westcott. Todos eles também foram membros da Sociedade Rosacruciana.

A Golden Dawn afirma que sua origem remonta de documentos codificados na posse de Wynn Westcott, segundo os quais o grupo era uma ramificação da Ordem Rosacruz alemã. Eles conceberam cinco rituais nos moldes maçônicos, que foram expandidos por Mathers. Sua influência no desenvolvimento do ocultismo moderno ocidental foi profundo, e muitos grupos afirmam serem originados da Golden Dawn.

Um ano depois, um fundo em depósito que foi estabelecido após a morte de seu pai lhe foi liberado. Crowley se tornou um homem rico, sem ter que depender mais de sua família. Ele abandonou a universidade sem concluir o curso, adquiriu um apartamento em Londres e começou a se dedicar a seus estudos ocultistas. Crowley tinha uma aptidão natural para a magia e logo fez avanços, tornando-se um mago poderoso, assim como seu amigo Allan Bennett.

Crowley não apenas se aprofundou no ocultismo, mas também foi promovido rapidamente pelos graus da Golden Dawn. Em 1889, ele completou os estudos necessários para obter o grau de Adeptus Minor. Entretanto, por causa de suas atitudes e de seu comportamento homossexual, o líderes em Londres o consideraram inadequado para avançar na Segunda Ordem. Então, Crowley foi para a França, onde o líder da Golden Dawn em Paris, MacGregor Mathers, o iniciou na Segunda Ordem.

Posteriormente, em 1900, a Golden Dawn foi fragmentada. Mathers, em uma tentativa de se unir à Loja londrina e se tornar um líder incontestável da ordem, mandou Crowley para a Inglaterra como seu “enviado especial”. Crowley fez uma tentativa frustrada de obter novamente o controle das propriedades da ordem em nome de Mathers. Ele surgiu em uma reunião ritualística vestido de maneira excêntrica com traje escocês completo e um capuz preto. Pouco tempo depois, Mathers e Crowley foram expulsos da ordem.

Crowley era maçom. Registros apontam que ele foi para a França em 1903, onde foi iniciado na Maçonaria na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris. Essa era uma Loja principalmente para expatriados e para aqueles que não podiam se afiliar à Maçonaria na Inglaterra por causa dos altos padrões da Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Crowley afirmou ter sido recomendado por um Past Grão-Capelão Provinciano de Oxfordshire. No entanto, não existem evidências documentadas disso, e Crowley certamente nunca foi iniciado na Maçonaria inglesa. Posteriormente, ele continuou tentando ser admitido em reuniões de Lojas em Londres, mas frequentemente era recusado, pois pertencia a uma Ordem Maçônica ilegítima.

Em seu livro The Confessions of Aleister Crowley, uma auto-hagiografia, Crowley se explica:

Eu mencionei ter obtido o 33° na Cidade do México. Isso não acrescenta muita importância ao meu conhecimento dos mistérios, mas ouvi falar que a Maçonaria era uma irmandade universal e esperava ser recebido em todo o mundo por todos os Irmãos. Fui surpreendido com um considerável choque nos meses seguintes, quando, tendo a chance de discutir o assunto com um apostador arruinado ou agente de apostas – não me lembro exatamente –, descobri que ele não me “reconhecia”! Havia uma diferença simples em um dos apertos de mão ou alguma outra formalidade totalmente sem sentido. Demonstrei um desprezo imenso por todo o ritual. Eu fui admitido ao ser iniciado na Loja Anglo-Saxônica nº 343, em Paris.

Retornei à Inglaterra um tempo depois, após passar meu posto na minha Loja, e, esperando me juntar ao Arco Real, dirigi-me a seu venerável Secretário. Apresentei minhas credenciais. “Ó Grande Arquiteto do Universo”, o velho homem irrompeu de raiva, “por que não queimais este impostor no fogo dos céus? Senhor, vá embora. Você não é um maçom!”.

Pensei que isso seria um pouco difícil de meu Reverendo Pai em Deus, o criador, e percebi que, obviamente, todos os ingleses e norte-americanos que visitam uma Loja na França correm o risco de expulsão ou detenção instantânea e irrevogável. Então, eu não disse nada, mas fui para outra sala no Freemasons’ Hall sem seu conhecimento, e tomei meu lugar como um Past Master em uma das Lojas mais antigas e importantes de Londres.

Em 1905, Crowley voltou a se dedicar ao alpinismo e tentou conquistar o Kangchenjunga, no Nepal, a terceira montanha mais alta no mundo. Houve grande controvérsia durante a tentativa frustrada, e Crowley foi acusado de crueldade por agredir seus carregadores e deixar outro homem morrer na montanha. Era evidente que ele não conseguia tolerar qualquer tipo de fraqueza nas outras pessoas, mas essa viagem acrescentou muitas outras histórias terríveis à sua reputação crescente como um homem perverso.

Em 1906, Crowley fez uma viagem com sua esposa e sua filha para a China e depois para o Vietnã, onde as abandonou. A criança faleceu posteriormente, e sua esposa recorreu ao consumo de álcool para aliviar a dor, chegando à loucura. Tempos depois, Crowley a internou em um sanatório, e eles por fim se divorciaram em 1909.

Em 1910, Crowley conheceu John Yarker. Yarker era maçom, costumava escrever sobre assuntos relacionados à Maçonaria e era membro da Loja Quatuor Coronati. Em 1871, ele esteve envolvido com a fundação de um Grande Conselho do Rito Antigo e Primitivo em Manchester, uma ordem que se separou da GLUI e criou uma conexão com o Rito Antigo e Aceito e com outros ritos egípcios. Isso não era considerado comum pela maioria das Grandes Lojas. Crowley se juntou à ordem, da qual mais tarde se tornou Grão-Administrador Geral e também Mestre Patriarca Geral.

Em 1913, Crowley visitou o Secretário da Loja Quatuor Coronati e o Grande Secretário do Freemasons’ Hall, buscando uma forma de se juntar à Loja inglesa. Ele então escreveu à Grande Loja solicitando seu direito de se juntar a Lojas inglesas e participar delas, baseado em sua associação à Loja francesa. Seu pedido foi negado, devido à irregularidade de sua Loja-Mãe. A Grande Loja não identificou Crowley como um membro da Maçonaria. Todas as suas afiliações estavam ligadas a órgãos irregulares, portanto lhe negaram reconhecimento.

Crowley estava escalando montanhas na Suíça quando a Primeira Guerra Mundial irrompeu e ele retornou para a Inglaterra. Estava impossibilitado de se juntar às forças armadas por causa de sua saúde debilitada, mas ofereceu seus serviços: sua escrita e sua inteligência. Supostamente, sua oferta foi rejeitada com desprezo pelo Serviço de Inteligência Britânico, e, para um homem como Crowley, isso resultou em seu ressentimento e apoio subsequente à Alemanha. Ele foi para os Estados Unidos, onde escreveu e publicou propaganda antibritânica, o que o tornou um traidor e desertor na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, ele estudou com ocultistas norte-americanos, começou a pintar e escreveu muitos livros. Em 1919, enquanto vivia em Greenwich Village, conheceu Leah Hirsig, e os dois sentiram uma conexão imediata e instintiva. Em 1920, eles foram para a Sicília e criaram um templo em uma antiga fazenda. Eles tiveram uma filha e, sob a influência de ópio e cocaína, fundaram um novo culto religioso chamado Thelema. Com Crowley considerando-se um profeta da nova era, a famosa Abadia de Thelema foi fundada. Thelema era uma religião, e sua lei era: “Faze o que tu queres”. Rapidamente, circularam histórias sobre depravação. O povo italiano se ressentiu das atividades diabólicas de Crowley, e Benito Mussolini, o ditador italiano, determinou que ele fosse deportado. Como sempre, Crowley não negou as acusações feitas contra ele.

Crowley também foi membro da Ordo Templi Orientis (O.T.O.) e, em 1925, por fim assumiu liderança e revisou os ritos, estabelecendo rituais da ordem nos mesmos moldes da Maçonaria. A O.T.O. é uma sociedade secreta e, ao longo dos anos, ressurgiu diversas vezes. Atualmente, está em atividade em 25 países, com uma afiliação crescente de mais de 4 mil membros. Segundo consta, todos os homens e mulheres livres, com maioridade completa e bons precedentes, têm o direito de serem iniciados nos primeiros três graus dessa ordem.

Muitos livros ocultos foram escritos por Crowley, os quais, apesar de terem sido escritos com discernimento, são muitas vezes difíceis de serem acompanhados. Um deles é o sagrado Livro da Lei, que tem como princípio fundamental: “Faze o que tu queres há de ser o todo da lei”, que significa que todo homem e toda mulher deverão encontrar sua verdadeira vontade, seu propósito e seu sentido de vida, seguindo isso e nada mais. Dois de seus romances, The Diary of a Drug Fiend (1922) e Moonchild (1929), foram parcialmente baseados em sua vida pessoal e em suas alucinações egomaníacas. Acredita-se que Crowley tenha realizado muitas tentativas sem sucesso, com diferentes mulheres, de procriar uma “criança mágica”. Ele escreveu sobre essas tentativas em forma de ficção no livro Moonchild.

Crowley sempre atraiu um pequeno grupo de seguidores nos Estados Unidos e na Alemanha, talvez não mais de algumas centenas de pessoas por vez, e, por quatro anos, perambulou pela Alemanha e por Portugal, sendo financiado por seus seguidores fiéis. Ao retornar para a Inglaterra, em 1935, foi à falência após perder um processo judicial contra um jornal que o teria chamado de mago negro. A evidência contra ele era devastadora – e é de se imaginar que o caso só tenha sido levado à corte por mera publicidade!

Durante os anos seguintes, Crowley parou de viajar e permaneceu na Inglaterra, onde escreveu muitos outros livros. Ele passou seus últimos anos sozinho em uma pensão em Hastings, como um homem velho e debilitado, mal sobrevivendo por seu vício em heroína. Seu ato final foi amaldiçoar o médico que se negou a prescrever a quantidade de heroína que ele queria. Crowley morreu em 1º de dezembro de 1947, aos 72 anos de idade, e foi cremado em Brighton. Suas cinzas foram enviadas a seus seguidores nos Estados Unidos. O médico que ele amaldiçoou teria morrido em menos de 24 horas depois.

Sem arrependimentos e sem se curvar, ele partiu deste mundo com um desprezo final pela sociedade. Crowley havia preparado seu próprio funeral e, em vez do serviço religioso comum, criou seu último ritual com suas obras. Amigos leram Hymn to Pan e Collects and Anthems, de Gnostic Mass. Passagens selecionadas do Livro da Lei também foram lidas. Houve tantas reclamações por parte do público a respeito do serviço funerário que o Conselho de Brighton decidiu tomar providências para prevenir que um incidente como esse nunca mais acontecesse.

Provavelmente, Crowley foi o mago mais famoso de sua época, tornando-se ainda mais influente após sua morte do que quando estava vivo. Ele foi muitas vezes odiado em vida, mas certamente causou influência e impacto no desenvolvimento da nova era do ocultismo moderno. Seu conhecimento sobre magia e bruxaria era certamente profundo, e ele transmitiu esse conhecimento por meio de seus diversos livros. Na sociedade liberal dos dias de hoje, seus livros estão sendo procurados e reimpressos, e algumas pessoas parecem apreciar seu estranho intelecto. Sua impiedade persistente era um traço de sua personalidade e influenciou homens e mulheres, mas Crowley deixou para traz um rastro de devastação em se tratando das mulheres e dos homens em sua vida. Alcoolismo, vício em drogas, insanidade e suicídio surgiram em seu caminho. Portanto, Crowley era um mago negro perverso? Provavelmente sim, mas tão importante quanto isso era o fato de ele querer que todo mundo acreditasse nisso.

Há uma reviravolta na história, pois, quando Crowley morreu, foi encontrada uma carta da Inteligência Naval Britânica endereçada a ele, requerendo o prazer de sua companhia em uma recepção. A história então revelada é a de que ele teria sido recrutado pela Inteligência Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, quando queriam explorar as informações de que nazistas de alto posto estavam envolvidos com astrologia e ocultismo. Agente britânico por muito tempo, Ian Fleming (que escreveu os romances de James Bond) disse que Crowley foi recrutado pela primeira vez para a investigação de Rudolf Hess. Fleming também revelou que foi Crowley quem sugeriu o símbolo de “V” de vitória usado por Churchill – o símbolo com os dois dedos sendo o oposto direto e destrutivo do símbolo solar da suástica.

Atualmente, poucas pessoas irão refutar a ideia de que Crowley teria sido um agente britânico durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhando nos Estados Unidos e ajudando na campanha de desinformação, em vez de ter sido um traidor, como se acreditava.

Crowley foi chamado de “o homem mais perverso do mundo”. No entanto, talvez hoje em dia ele não fosse considerado assim. Ele possivelmente seria tratado como um excêntrico, com poucas pessoas se incomodando com seu comportamento – o que não seria de forma alguma apropriado para ele.

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/aleister-crowley-o-homem-mais-perverso-do-mundo