Mozart, O Grande Arquiteto da Música

Em 5 de dezembro de 1784 era proposto o nome de Wolfgang Amadeus Mozart à Loja Maçônica “A Beneficência”. Entretanto, analisando o teor esotérico da sua obra, nota-se que Mozart era ligado a egrégora maçônica muito antes do seu ingresso na fraternidade. Aos 11 anos, Mozart musicou o poema maçônico “Andie Freude“. Aos 16, compôs uma ária para o hino ritual “Oh heiliges Band“. E aos 17, compôs o drama maçônico “Thamos, König in Ägypten”.

Mozart escreveu aproximadamente 30 obras destinadas exclusivamente à maçonaria. Dedicou à congregação cantatas com textos que falam em igualdade entre seres humanos, seres livres de jugos impostos por determinadas religiões, melodias compostas para atos solenes, para acompanhar os ritos e até mesmo concertos beneficentes abertos ao público.

É interessante o fato que Mozart não encontrava incongruências entre a Maçonaria e a igreja. Para ele, ambos os sistemas se complementavam, na Maçonaria ele faria a busca pelo autoconhecimento, a transformação do chumbo do Ego no ouro da Essência, no catolicismo reconheceu a busca do aperfeiçoamento espiritual, o perdão dos pecados, e a consolidação da redenção na vida após a morte.

Óperas

A iniciação era o centro do pensamento mozartiano. Suas obras refletem os aspectos mais profundos da Maçonaria e da via alquímica, porém imperceptível ao grande público. Suas óperas foram concebidas como verdadeiros rituais, possuindo vários níveis de percepção e significado.

“Descobrimos o mistério: não há nada a acrescentar.” (As Bodas de Fígaro ato II, cena 2)

Le Nozze di Figaro (As Bodas de Fígaro), ópera dividida em três atos, tem como tema a Igualdade, ela representa a jornada do Aprendiz, Fígaro. Há também alusões ao casamento alquímico, sagrada geometria, enfim uma obra de várias camadas.

“Não se alimenta de alimentos mortais aquele que se alimenta de alimentos celestes” (Don Giovanni ato II, cena 15)

Don Giovanni tem como tema a Liberdade e trata do drama vivido pelo companheiro em busca do grau de Mestre. O próprio Mozart confirmou o caráter iniciático desta obra. Don Giovanni representa o companheiro, o Comendador a encarnação do Mestre-de-Obras Hiram, Leporello o Primeiro Vigilante, isso se descrevermos apenas os principais. Ao longo de todo o ritual, Leporello fará a formação de Don Giovanni e o levará na direção das provas até ser engolido pela terra.

Cosi fan Tutte (Todas elas são assim), aparentemente representa o comportamento das mulheres, mas Mozart a concebeu pensando nas Lojas. Todas elas agem de maneira ritualística se desejam viver a tradição iniciática. Sob a óptica da alquimia, Cosi fan Tutte aborda o segredo do pilar da Sabedoria. Don Alfonso, detentor dos segredos, representa o Venerável Mestre. Ao atravessar a morte alquímica sob a conduta do Venerável Alfonso, os dois casais atingem a verdade do amor autêntico, em outras palavras, a Grande Obra.

“Se a virtude e a Justiça espalharem a glória pelo caminho dos Grandes, então a Terra será um reino celeste, e os mortais, semelhantes aos deuses.” (A Flauta Mágica, ato I, cena 19)

Die Zauberflöte (A Flauta Mágica), tem como tema a Fraternidade, com o simbolismo muito mais explícito que as anteriores, é uma das obras mais ricas em conteúdo iniciático da história da música, não por acaso o filósofo e dramaturgo alemão Johann Wolfgang Goethe afirmou: “É suficiente que a multidão tenha prazer em ver o espetáculo; mas, ao mesmo tempo, seu significado elevado não vai escapar aos iniciados”.

A flauta sintetiza todo o simbolismo iniciático. No decorrer da ópera Pamina diz que ela foi esculpida em madeira numa noite de tempestade (água e escuridão) repleta de sons de trovões (terra) e de relâmpagos (fogo), e a própria flauta representando o elemento ar. Maçonaria, Hermetismo, Rosacrucianismo, Astrologia, Magia, Tarot,  Kabbalah, Mitologia, está tudo lá. E como vocês já perceberam, dá pra fazer um post pra cada ópera, e desta eu já fiz AQUI.

“Todos os esforços que fizemos para conseguir expressar a profundidade das coisas se tornaram inúteis depois do aparecimento de Mozart.” (Goethe)

A Gruta

Mozart era mais inclinado aos elementos místicos da Maçonaria do que o seu racionalismo ético, e sua música procurava refletir esse espírito místico. Naquela época houve o surgimento de interesse em ritos iniciáticos do Antigo Egito e a introdução do simbolismo egípcio em alguns rituais maçônicos. A Loja de Mozart praticava a “Estrita Observância”, um rito que dava atenção às influências dos Cavaleiros Templários, sendo descrita como uma mistura de “simbolismo maçônico, práticas alquímicas e tradições rosacruzes.

Em 1791, ano da sua morte, Mozart decide fundar uma nova Ordem iniciática, a qual iria se chamar “Gruta”. Como é demonstrado na ópera-ritual “A Flauta Mágica” a Gruta seria uma ordem “celestial”, permitindo a iniciação feminina com rituais inspirados na tradição dos mistérios egípcios. Entretanto, poucos sabiam dessa intenção de Mozart, como revelou sua esposa Constanze numa carta “A respeito da Ordem ou Sociedade denominada Gruta, que ele queria criar”, escreveu ela, “não posso dar maiores explicações. O antigo clarinetista da corte, Stadler, que redigiu o resto dos estatutos, poderia fazê-lo, mas ele confessa que tem medo, pois sabe que as Ordens e as sociedades secretas são odiadas.”

Última Obra

Curiosamente a última obra terminada por Mozart, anotada no seu catálogo, foi uma pequena cantata maçônica intitulada “Laut verkünde unsre Freude” (Em alta voz anuncia nossa Alegria). Finalizada no dia 15 de novembro de 1791 à apenas três semanas do dia da sua morte (05 de dezembro), o espírito de despedida ressoa por estas melodias. Mozart dirigiu a cantata pessoalmente em sua Loja, foi a sua última aparição pública.

“Em alta voz anuncia nossa alegria

O alegre soar dos instrumentos.

O coração de cada Irmão sente

O eco destes muros.

Portanto, consagremos este lugar,

Pela cadeia de ouro da fraternidade,

E com verdadeira humildade de coração,

Hoje, o nosso Templo.”

(Trecho da letra de “Laut verkünde unsre Freude”)

Referências:

Tetralogia: Mozart, o grande mago, Christian Jacq

A Flauta Mágica, Ópera maçônica de Jacques Chailley

Música e Simbolismo de Roger J.V. Cotte

Mozart e a Música Maçônica, SCA.

Links
A Flauta Mágica e a Kabbalah
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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mozart-o-grande-arquiteto-da-m%C3%BAsica

Os Quatro Níveis de Compreensão

Um texto que está circulando nas Redes Sociais causou a maior guerra entre religiosos, ateus fanáticos e místicos estes dias. Uma fábula extremamente interessante a respeito de Livros Sagrados, Contos de Fadas e a história da humanidade:

Hoje, em uma de nossas aulas eu apresentei às crianças duas maçãs (as crianças não sabem disso, mas antes da aula eu tinha repetidamente jogado uma das maçãs no chão, mas não dava pra notar, as duas maçãs pareciam perfeitas). Falamos sobre as maçãs e as crianças descreviam como ambas pareciam iguais. Eram vermelhas, eram de tamanhos semelhantes e pareciam suculentas o suficiente para comer.

Peguei a maçã que tinha caído no chão e comecei a dizer às crianças como eu não gostava dela, que eu a achei nojenta, era uma cor horrível. Disse-lhes que, porque eu não gosto dela, eu não queria que eles gostassem, e pedi pra todos fazerem alguma crítica àquela maça. Algumas crianças olharam para mim como se eu fosse louco, mas nós passamos a maçã ao redor do círculo e todos apontaram um defeito nela, ‘você é uma maçã fedida”,”Eu nem sei por que você existe’, ‘você provavelmente tem vermes dentro de você “, etc.

Em seguida, passei a outra maçã pelo círculo e começamos a dizer palavras gentis a ela: ‘Você é uma linda maçã’, ‘Sua pele é linda’, ‘Que bela cor você tem”, etc.
Eu, então, levantei as duas maçãs, e de novo, falamos sobre as semelhanças e diferenças, não houve mudança, as duas maçãs ainda pareciam as mesmas.

Eu, então, cortei as maçãs ao meio. A maçã que tinha sido elogiada estava fresca e suculenta por dentro. A maçã que tinha sido criticada estava ‘machucada’ e toda mole por dentro.

A ficha caiu para as crianças imediatamente. Elas perceberam que os pedaços quebrados é o que acontece dentro de cada um de nós quando alguém nos maltrata com suas palavras ou ações. Quando as pessoas são intimidadas, especialmente crianças, elas se sentem horríveis por dentro e às vezes não mostram ou dizem aos outros como eles estão se sentindo. Se não tivéssemos cortado aquela maçã, nunca saberíamos o quanto de dor tinhamos causado.

Eu compartilhei minha própria experiência com a classe, sobre sofrer com palavras duras de alguém na semana passada. Por fora eu parecia OK, eu ainda estava sorrindo. Mas, do lado de dentro eu estava sofrendo.

Ao contrário de uma maçã, que não tem a capacidade de impedir que isso aconteça. Nós podemos ensinar as crianças que não é ok dizer coisas desagradáveis uns aos outros. Podemos ensinar nossos filhos a lutar pelos outros e a evitar qualquer forma de assédio moral, assim como uma menina fez hoje, quando ela se recusou a dizer palavras duras para a maçã.

Mais e mais dor será sentida, se ninguém fizer nada para parar o bullying. A língua não tem ossos, mas é forte o suficiente para quebrar um coração. Portanto, tenha cuidado com suas palavras.

Rosie Dutton

O entendimento da Kabbalah sobre os contos, histórias, narrativas, textos mitológicos e escrituras sagradas chega a quatro níveis (não por coincidência associados aos quatro elementos: Terra, Ar, Água e Fogo); toda a interpretação da Torá depende muito da forma como os Judeus estudam a Torá e o Tanach, que nas Bíblias Cristãs equivale ao Antigo Testamento; toda a interpretação que os magos adquirem dos textos do Aleister Crowley ou Arthur Waite ou Israel Regardie dependem de seu próprio nível intelectual, espiritual e moral. Compreendendo os princípios da Alquimia, é possível chegar ao nível mais profundo de interpretação chamado: Pardês.

Pardês na tradução literal significa Jardim, porém, em hebraico, também significa um acróstico de um método de estudo das Sagradas Escrituras, cada uma delas atendendo a capacidade da pessoa naquele momento. Em outras palavras Pardês representa quatro diferentes abordagens de um Texto dentro da Kabbalah. Vamos a eles:

1 – Pshat – o “simples significado”, ou significado LITERAL. Elemento TERRA. Assim é ensinado para as crianças e adultos que ainda não estão familiarizados com a Literatura da Torá. O ensinamento Literal é o mais apropriado neste caso. Conta-se uma historia mística e fantasiosa, cheia de milagres ou de efeito surpreendente, que pode trazer dentro de si a Jornada do Herói. Neste nível encontramos dragões, fadas, gente que caminha sobre a água, multiplica pães ou até mesmo leva um par de animais para dentro de um barquinho durante 40 dias e 40 noites em um dilúvio!

2 – Remez – “dicas” de um significado Alegórico, um ensinamento mais profundo, e não apenas a expressão literal. Atingidos por pessoas com melhor nível cultural e científico, a pessoa consegue compreender a ciência (Elemento AR) e a explicação por trás daquela história (no caso, entender que a maçã ficava realmente machucada, mas não por causa do bullying, e sim pelo fato do professor ter jogado ela no chão repetidas vezes). Este nível de compreensão engloba entender os signos do zodíaco como representações das estações do ano e sua integração com o comércio das civilizações naquele período, por exemplo. No judaísmo, a troca de palavras com o mesmo valor numérico é largamente utilizada para este fim. Quando compreendemos que “Arca” e “Escola” possuem o mesmo valor gemátrico; “Dilúvio” e “Ignorância”; “Animais” e “Estudantes”; temos uma compreensão maior do que significa a lenda de Noé: “Escolas que reúnem ensinamentos de todos os lugares do mundo são úteis para combater a ignorância dos outros ao redor”. Antigamente chamávamos isso de Universidade.

3 – Drash – “interpretação”; descobrir o significado através da Emoção (Elemento ÁGUA), analisando as palavras, a colocação, os formatos das Letras, por comparação palavras e formas e também por ocorrências semelhantes noutros locais. Aqui aprendemos a conectar estas metáforas a nossa vida prática. Neste nível compreendemos as Óperas e as grandes peças de teatro, que nos tocam mais profundamente que apenas palavras. No exemplo da professora, as crianças, ao abrirem a maçã e verem o estado interno dela, ficaram com uma experiência que vai caminhar com elas para a vida com muito mais intensidade do que se a professora tivesse feito apenas uma leitura de um texto explicando o que é bullying. Drash é o nível de trabalho que utilizamos nos rituais e dramas iniciáticos e é a origem do teatro.

Infelizmente, assim como na Árvore da Vida, há um Abismo que separa os Alquimistas do restante da população. Até agora, podemos enxergar (e no quebra pau das Redes Sociais) alguns tipos de pessoas: os ateus fanáticos que acham que a professora é uma mentirosa enganadora, os místicos de bom coração que escolhem ficar na ignorância científica, os fãs do Masaru Emoto e Ashtar Sheron e finalmente os que acham que Arca de Noé e criacionismo são coisas literais.

4 – Sod – o “segredo” ou o significado místico e metafísico de uma passagem, é a compreensão pelo FOGO dos três significados anteriores. Trata-se aqui de um entendimento mais profundo e completo de que as lendas, fábulas e histórias possuem um significado mais completo que pode ser aproveitado em nossas vidas. Daí a TRANSMUTAÇÃO descrita nos textos alquímicos, que só pode ser atingida depois da compreensão dos três níveis anteriores.

O importante é que todas as quatro formas de estudo do Pardês nunca contradiz o significado base. Cada nível de conhecimento é revelado para quem está preparado para recebê-lo.

Não se pode subir uma escada saltando degraus. É preciso subir degrau por degrau, respeitando o tempo e as limitações momentâneas, para que, no momento certo, toda a verdade possa ser revelada sem causar danos psicológicos! Uma pena que a imensa maioria da humanidade ainda esteja abraçada nos níveis literais dos contos de fadas bíblicos…

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-quatro-n%C3%ADveis-de-compreens%C3%A3o

Richard Wagner: Conceitos Herméticos na obra “o Anel dos Nibelungos” – Flavio Apro

Bate-Papo Mayhem #078 – gravado dia 19/09/2020 (Sabado) 21h Marcelo Del Debbio bate papo com Flavio Apro – Richard Wagner: Conceitos Herméticos na obra “o Anel dos Nibelungos”

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/richard-wagner-conceitos-herm%C3%A9ticos-na-obra-o-anel-dos-nibelungos-flavio-apro