Eliphas Levi

Eliphas Levi Zahed é tradução hebraica de Alphonse Louis Constant, abade francês, nascido no dia 8 de fevereiro de 1810 em Paris. O maior ocultista do século XIX, como muitos o consideram, era filho de um modesto sapateiro, Jean Joseph Constant e de Jeanne-Agnès Beaupurt, de afazeres domésticos. Possuía uma irmã, Paulina-Louise, quatro anos mais velha do que ele. Apesar de mostrar desde menino aptidão para o desenho, seus pais encaminharam-no para o ensinamento religioso.

Foi assim que aos dez anos de idade ingressou na comunidade do presbitério da Igreja de Saint-Louis em L´lle, onde aprendeu o catecismo sob a direção do abade Hubault selecionava os garotos mais inteligentes, que demonstravam alguma inclinação para a carreira eclesiástica. Desse modo, Eliphas foi encaminhado por ele ao seminário de Saint-Nicolas du Chardonnet, para concluir seus estudos preparatórios(1). A vida familiar cessou para ele a partir desse momento. No seminário, teve a oportunidade de aprofundar-se nos estudos lingüisticos e aos dezoito anos já era capaz de ler a bíblia em seu texto original.

Em 1830, foi transferido para o seminário de Issy para cursar Filosofia. Dois anos mais tarde, ingressou em Saint-Sulpice para estudar Teologia. Foi em Issy que escreveu seu primeiro drama bíblico, intitulado Nemrod; no grande seminário de Saint-Sulpice criou seus primeiros poemas religiosos, dotados de uma grande beleza.

Após seu curso de Teologia, Eliphas ingressou nas ordens maiores, sendo ordenado sub-diácono e encarregado de ministrar o catecismo para meninas. “Esse ministério, diz Eliphas, tão poético e tão suave, foi para mim muito agradável; parecia-me que eu era um anjo de Deus, enviado a essas crianças para iniciá-las na sabedoria e na virtude; as palavras tornavam-se abundantes para elas em meus lábios, pois meu coração estava repleto e tinha necessidade de expandir-se(2)”.

Nosso jovem Alphonse são tardou a sentir o despertar em seu interior da força de sua juventude asceticamente reprimida desde a adolescência. Um dia, quando estava ensinando o catecismo às meninas, alguém chamou-o à sacristia. Era uma senhora, com uma jovem pálida e tímida, que pediu a Eliphas que a preparasse para a primeira comunhão. Outros padres tinham recusado por ser ela pobre e a filha doente e tímida. Eliphas não só aceitou a tarefa, como prometeu tratá-la como filha. A menina, que se chamava Adele Allenbach, de uma beleza pura e cândida, pareceu a Eliphas ser a imagem da própria Virgem Maria. Essa beleza juvenil correspondeu para ele a uma “iniciação a vida”, pois amou-a ternamente como se fosse uma deusa.

Eliphas Levi foi ordenado diácono em 19 de dezembro de 1835; em maio de l836 teria sido ordenado sacerdote se não tivesse confessado a seu superior o amor que devotava à jovem. Suas convicções religiosas receberam um choque tão grande, que Eliphas sentiu-se jogado fora da carreira eclesiástica.

Após 15 anos de estudos, Eliphas deixou o grande seminário para ingressar no mundo, tinha então vinte e seis anos de idade. Sua mãe, ao saber disso, suicidou-se. Abalado, sem experiência do mundo, teve muitas dificuldades para encontrar um emprego. Essa dificuldade aumentava ainda mais pelo boato que correu, segundo o qual teria sido expulso do seminário. Após ter percorrido o interior da França, trabalhando em um circo, Eliphas encontrou em Paris alguns trabalhos como pintor e jornalista. Fundou, com seu amigo Henri-Alphonse Esquirros(3), uma revista denominada “As Belas Mulheres de Paris”, na qual aplicava-se como desenhista e pintor e Esquirros como redator.

Mas, apesar desse pequeno parêntese em sua vida, Eliphas não tinha perdido sua inclinação para a vida religiosa. Despedindo-se de Esquirros, partiu em 1839 para o convento de Solesmes, dirigido por um abade rebelde. Eliphas aí encontrou uma biblioteca com mais de 20.000 volumes, iniciando-se na leitura dos antigos Padres da Igreja, dos Gnósticos e de alguns livros ocultistas, principalmente os da Senhora Guyon: “A vida e os escritos dessa mulher sublime, diz-nos Eliphas, abriram-me as portas de inúmeros mistérios que ainda não tinha podido penetrar; a doutrina do puro amor e da obediência passiva de Deus desgostaram-me inteiramente da idéia do inferno e do livre arbítrio; vi Deus como o ser único, no qual deveria absorver-se toda personalidade humana. Vi desvanecer o fantasma do mal e bradei: um crime não pode ser punido eternamente; o mal seria Deus se fosse infinito!”(4).

Eliphas vislumbrou, através do Spiridion e de outros escritos dessa autora, o reino futuro do Espírito Santo, o trabalho do homem de amanhã. O Cântico dos Cânticos lhe foi revelado; compreendeu por que em teologia a esposa tinha preferência em relação a mãe. Ficou imensamente feliz ao compreender que todos os homens poderiam ser salvos.

Partiu de Solesmes sem dinheiro, sem roupas, mas com uma profunda paz no coração. Não acreditava mais no inferno!(5).

Eliphas Levi passou, então, de emprego em emprego, sempre perseguido pelo clero que via nele um apóstata. Foi então que escreveu sua Bíblia da liberdade, desejando dividir com seus irmãos as alegrias de suas descobertas (1841). Essa publicação custou-lhe oito meses de prisão e 300 francos de multa! Foi acusado de profanar o santuário da religião, de atentar contra as bases da sociedade, de propagar o ódio e a insubordinação.

Foi mais ou menos por essa época que conheceu os escritos de Swedenborg. Segundo Eliphas, tais escritos não contêm toda a verdade, mas conduzem o neófito com segurança na senda.

Saindo da prisão, realizava pequenos trabalhos, principalmente pintura de quadros e murais de igrejas e colaborações jornalísticas. Apesar dos contratempos materiais, não deixou jamais de aperfeiçoar seus conhecimentos e enriquecer sua erudição. Foi após Swedenborg que encontrou os grandes magos da Idade Média, que o lançaram definitivamente no Adeptado: Guillaume Postel, Raymond Lulle, Henry Corneille Agrippa. Assim em 1845, aos trinta e cinco anos de idade, escreveu sua primeira obra ocultista, intitulada O livro das Lágrimas ou o Cristo Consolador.

Em 13 de julho de 1846 casou-se com Marie Noémi Cadiot, matrimônio que durou sete anos. Esse casamento foi para ele um suplício. Instigado pela mulher, lançou-se a escrever panfletos políticos, resultando-lhe um segundo período de cárcere. Em 3 de fevereiro de 1847, foi condenado a um ano de prisão e ao pagamento de mil francos de multa, acusado de levar o povo ao ódio e ao desprezo do governo imperial. Sua mulher, grávida, percorreu os mistérios a fim de obter a redução da pena imposta a seu marido, o que conseguiu após seis meses.

Em 1847, sua esposa deu à luz uma menina, que faleceu em 1854, para desespero de seu pai, que a adorava. Era uma criança muito doente e esteve várias vezes à morte. “Um dia, diz o Mestre, trouxeram-me essa pobre criança agonizante, porque não ouso dizer morta, por uma estúpida mulher que Noemi, incapaz de ser mãe, tinha admitido como ama-de-leite. A criança estava fria; o coração e o pulso não batiam mais. Noemi, que não soube cuidar dela como devia, estava furiosa, dizendo que mataria o filho da ama-de-leite (que mulher eu tinha, grande Deus!). Para apaziguá-la, jurei-lhe que a menina não estava morta. Transportei o pobre corpo para a cama e coloquei-o sobre meu peito; assoprei ao mesmo tempo em sua boca e em suas narinas; senti que ela começava a se destorcer. Peguei em seguida um pouco de água morna e bradei: Maria! Si quid est in baptismate catholico regenerationis et vitae, vive christiana! Ego enim te baptizo en nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti. Meu amigo, não vos conto um sonho: a criança abriu imediatamente seus grandes olhos azuis espantados e sorriu… Levantei-me precipitadamente com um grande grito de alegria e conduzi-a aos braços de sua mãe, que não podia acreditar no que estava vendo”. (6)

A Vontade, a Fé, o poder do Verbo Humano, juntos, operam as maravilhas da Natureza que os profanos denominam milagre…

Em l848, Eliphas Levi fundou um clube político, denominado Clube da Montanha, com fins eleitorais, no qual era presidente; Noemi Constant era a Secretária e Esquirros um dos vice-presidentes. Para sorte dos ocultistas, somente Esquirros foi eleito Deputado para a Assembléia Nacional (1849). Em 1851, Esquirros partiu para o exílio, na Inglaterra, onde escreveu uma série de obras, sendo uma delas de cunho ocultista, apesar de seu título (O Evangelho do Povo). Entre os discípulos de Esquirros contava-se Henri Delaage, Iniciador de Papus, em 1882 na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, entidade que provém de Louis Claude de Saint-Martin. Foi a partir desse episódio que Eliphas Levi abandonou integralmente sua obra social, para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo.

“Na Bíblia da Liberdade, explica-nos Eliphas, saudamos o gênio da revolução, do progresso e do futuro. Na festa de Deus, Assunção da Mulher e Emancipação da Mulher procuramos explicar nossa religião materna. Na Última Encarnação demonstramos o papel do Cristo sobre a terra e saudamos o gênio do Evangelho, marchando à frente do progresso. Agora, nossa obra social está concluída; não pedimos por ela, indulgência nem severidade. Escrevemos o que ditou nossa inteligência e nosso coração”(6).

Sabemos a origem dos estudos ocultistas de Eliphas Levi, mas permanece obscura sua origem iniciática. Sabemos de suas relações de amizade com Hoene Wronski e com Edward Bulwer Lytton. O polonês Wronski, falecido no dia 9 de Agosto de 1853, em Paris, deixou setenta manuscritos catalogados por sua esposa, à Eliphas Levi e outros, os quais foram doados à Biblioteca Nacional de Paris.

Em 1854, um ano após a morte de Wronski, Eliphas viajou à Londres, onde se encontrou com inúmeros ocultistas ingleses, que lhe pediram revelações e prodígios. Longe de querer iniciá-los na magia cerimonial, isolou-se no estudo da Alta Cabala.

Havia um, contudo, Adepto de primeira linha, que se tornou grande amigo de Eliphas Levi: Bulwer Lytton, autor de Zanoni, Os Últimos Dias de Pompéia, A Raça Futura, etc. Os dois Mestres teriam trocado informações iniciáticas dos mais altos interesses para as sociedades ocultistas, das quais certamente eram os chefes. Haveriam inclusive, realizado trabalhos espirituais entre 20 e 26 de julho de 1854, em Londres. As anotações relacionadas com esses eventos foram parar nas mãos de Papus, sendo publicadas, em parte, em um dos números da Revista L´Initiation. Registram três visões, de São João, de Jesus e de Apolônio de Tiana, os quais lhes teriam revelado os mistérios dos Sete Selos do Apocalipse; alguns enigmas do futuro, que desejavam saber; detalhes da Magia Celeste (revelados pelo livro do Rabino Inaz que lhes indicaram onde encontrar), as chaves dos milagres, bem como o sagrado dever de honrar a Coroa, uma vez conquistada.

Retornando a Paris, instalou-se no atelier do pintor e discípulo Desbarrolles, uma vez que estava separado de sua esposa Noemi (fato ocorrido antes de partir para Londres). Desenrolou-se nova etapa em sua vida. Foi a fase do Adeptado. Em 1855 fundou a Revista Filosófica e Religiosa (cujos artigos principais encontram-se em seu livro A Chave dos Grandes Mistérios). Nesse mesmo ano publicou seu Dogma e Ritual da Alta Magia e o poema Calígula, identificado no personagem, o imperador Napoleão III. Foi preso imediatamente. No fundo da prisão escreveu uma réplica, o Anti-Calígula, retratando-se. Foi posto em liberdade.

Em 1859 veio à luz sua História da Magia, formando com A Chave e o Dogma a Trilogia ocultista tida como bíblia por seus discípulos, entre os quais, nessa época, figuravam Desbarrolles, Delaage e Rozier. Os dois últimos vieram a transmitir a Papus e aos demais ocultistas do fim do século XIX o precioso depósito da Tradição, proveniente de Martinez de Pasqually, Willermoz, Saint-Martin e vivificada por Eliphas Levi.

O círculo de amigos de Eliphas Levi era constituído por uma elite de homens de Desejo, que se reuniam na casa de Charles Fauvety. Constavam-se entre os discípulos parisienses, além dos mencionados acima, Louis Lucas (autor de Química Nova), Louis Ménard (tradutor de Hermes Trismegistro), o conde Alexandre Branicki, Littré, Considérant, Reclus, Leroux, Caubet, Eugène Nus, Constantin de Branicki. O Conde Alexandre de Branicki, polonês, amigo pessoal de Bulwer Lytton, era tido como o principal discípulo de Eliphas Levi, “o mais avançado em Cabala”(8).

Mas nem todos os discípulos do Mestre habitavam em Paris, como era o caso do Barão Nicolas-Joseph Spedalieri, nascido em 1812, na Sicília. Iniciado desde os vinte anos na Sociedade dos Martinistas de Nápoles, era leitor assíduo de Louis Claude de Saint-Martin, o Filósofo Desconhecido. Aos trinta anos, fixou residência na França (Marselha). Em 1861, entrou em contato com o autor do Dogma e Ritual de Alta Magia, tornando-se seu discípulo. A correspondência entre Eliphas e Spedalieri, iniciada em 24 de Outubro de 1861, prolongou-se até 14 de Fevereiro de 1874.

Apesar de cultivar relações de amizade com pessoas ricas, que freqüentava, Eliphas levava uma vida bastante simples. Suas regras eram: “uma grande calma de espírito, um asseio com o corpo, uma temperatura sempre igual, de preferência um pouco mais fria do que quente, uma habitação arejada e bem seca, onde nada lembre as necessidades grosseiras da vida, refeições regulares e proporcionais ao apetite, que deverá ficar satisfeito e não excitado. Uma alimentação simples e substanciosa; deixar o trabalho antes do cansaço; fazer um exercício moderado e regulado; jamais aquecer-se ou excitar-se à noite, para que a maior calma preceda o sono. Com uma vida regulada assim, pode-se prevenir todas as doenças, que se apresentam sempre sob a forma de indisposições, fáceis de combater com remédios simples e brandos… uma xícara de vinho quente para o enfraquecimento e o resfriado, alguns copos de hidromel! como purgativo, infusão de borragem(9) e leite para a gripe, muita paciência e alegria farão o resto”(10).

Em agosto de 1862 editou seu livro Fábulas e Símbolos, considerado por ele mesmo como o mais profundo que escreveu. Ao elaborar essa obra, conta-nos Eliphas, o Espírito projetou-se em sua alma, de sorte que via todo o conteúdo do livro na Luz, antes de ser escrito. Toda a obra foi feita de um só fôlego, sem qualquer rasura. As idéias brotavam espontaneamente e coisas simples e belas emergiam da Luz, admirando o próprio autor. “Que a Vontade de Deus seja feita! Exclamou Eliphas. Estou maravilhado e espantado pelas grandes obras que Ele me faz executar. Se soubésseis como meu mérito é pequeno… Sou um verdadeiro cadáver que o Espírito Santo anima”.(11)

Suas obras causavam impacto no mundo ocultista da França e do exterior. Recebia visitas de toda espécie: curiosos, ocultistas, estudantes sinceros, aprendizes de feiticeiro … “Um dia, diz Eliphas, entre três e quatro horas da tarde, ouvi alguém bater a minha porta. Eram sete batidas secas, assim espaçadas: 00-0-00-00. Abri a porta e um rapaz muito bem vestido e de boa apresentação entrou lentamente, rindo, com um ar um pouco sarcástico, dizendo-me em um tom familiar: “meu caro Senhor Constant, estou encantado por encontrá-lo em casa”. Tendo dito isso, passou para meu escritório como se estivesse em sua própria casa e sentou-se em minha poltrona.

“Mas Senhor, disse-lhe, não vos conheço”! Ele soltou uma gargalhada: “Sei perfeitamente disso: é a primeira vez que me vedes, pelo menos sob esta forma. Mas eu vos conheço muito bem! Conheço toda vossa vida passada, presente e futura. Ela está regulada pela lei inexorável dos números. Sois o homem do Pentagrama e os anos terminados pelo número cinco sempre vos foram fatais. Olhai para traz e julgai: em 1815 vossa vida moral começou, pois vossas recordações não vão além, em 1825 ingressastes no seminário e entrastes na liberdade de consciência; em 1845 publicastes A Mãe de Deus, vosso primeiro ensaio de síntese religiosa, e rompestes com o clero; em 1855 vós vos tornastes livre, abandonado que fostes por uma mulher que vos absorvia e vos submetia ao binário. Notais que se houvésseis continuado juntos, ela vos teria anulado completamente ou teríeis perdido a razão. Partistes em seguida para a Inglaterra; ora, o que é a Inglaterra? Ela é o Iod da Europa atual; fostes temperar-vos no princípio viril e ativo. Lá vistes Apolônio, triste, barbeado e atormentado como estáveis naquele período. Mas esse Apolônio, que vistes era vós mesmo; ele saiu de vós, entrou em vós e em vós permanece”.

“Vós o revereis neste ano de 1865, mais bonito, radioso e triunfante. O fim natural de vossa vida está marcado (salvo acidente) para o ano de 1875(12); mas se não morrerdes neste ano, vivereis até 1885. Apolônio, quando o vistes, temia as pontas das espadas; vós as temeis como ele, pois neste momento, me tomais por um louco. Como um dia alguém quis assassinar-vos(13), perguntais inquietamente se não vou terminar minha extravagante alocução com um gesto semelhante (aqui começou a rir). Sim, sou louco, acrescentou, retomando seu ar sério, mas não sou a loucura morta, sou a loucura viva; ora, a loucura viva é o inverso da sabedoria de Deus. Sabeis vós o que é Deus? Deus sois vós, pois Satã é Deus visto ao contrário.

“Existem atualmente dois grandes escritores, continuou o estranho visitante, que são úteis à Ciência, Mirville e Eliphas Levi. A todo tempo são necessárias duas colunas; vós sois Jakin, ele é Boaz. Sabeis bem que nenhuma força se produz sem resistência, nenhuma luz sem sombra, nenhuma afirmação sem negação”. Calou-se por alguns instantes e eu lhe perguntei:

– Sois Espírita? Respondeu-me gravemente:

“Os espíritas são escorpiões que inoculam um veneno cadavérico sob as pedras tumulares. Atraem os mortos, mas não os ressuscitam. Em breve a terra estará coberta de cadáveres que andam. Estamos em uma época de morte. Louis-Philippe era um Mercúrio sem asas na fronte; ele as tinha nos pés e foi-se. Napoleão III é um Júpiter sem estrela; após ele virá o Saturno coxo e o rei dos padres. O Senhor Conde de Chambord… “O visitante refletiu um instante, olhou-me fixamente e disse de repente:

“Por que não quereis ser papa”? Dessa vez fui eu quem soltou uma gargalhada. Respondi-lhe:

– Porque não quero ser despropositado. “Ah! disse-me ele, ainda tendes um véu para rasgar e não conheceis vossa força toda-poderosa, acrescentou, retratando-se. Nós dois já criamos e destruímos muitos mundos e vós não ousais aspirar a governar um. Esperai, então, a derrota, o esmagamento dos tímidos, a cruz desse pobre homem que se chamava Jesus Cristo”.

“Mas, finalmente, quem sois vós?”, perguntei-lhe, então, levantando-me.

“Vós negastes minha existência, respondeu-me ele; chamo-me Deus. Os imbecis denominam-me Satã. Para o vulgo chamo-me Juliano Capella. Meu envelope humano tem vinte e um anos; ele nasceu em Bordéus; tem pais italianos”.

“Enquanto esse rapaz falava, eu sentia um peso extraordinário na cabeça; parecia-me que minha testa iria explodir. Observava meu interlocutor com surpresa. Seu rosto lembrava os retratos de Lord Byron, com menos correções nos traços; possuía as mãos muito brancas e carregadas de anéis, o olhar seguro e crepitante de sarcasmos, a boca vermelha, os dentes regulares”. (14)

O curioso visitante partiu e jamais os biógrafos de Eliphas Levi encontraram qualquer traço dele. O ano de 1865, como ele tinha predito, foi triunfal para Eliphas, pois a publicação de sua Ciência dos Espíritos trouxe-lhe enorme reputação entre os ocultistas de seu tempo.

No dia 31 de maio de 1875 faleceu Eliphas Levi. Aqueles que o acompanharam até o último momento testemunharam sua grande coragem e resignação. No momento de expirar, estava bastante calmo. Sua vida tinha sido plena de realizações espirituais. Havia cumprido a missão de iniciado e de iniciador. Acima de seu leito, estava fixado um crucifixo, que olhava seguidamente nos últimos momentos. Disse antes de expirar: “Ele prometeu o Consolador, o Espírito. Agora espero o Espírito, o Espírito Santo”. O Mestre faleceu logo em seguida.

Dedicando praticamente todo seu tempo à pesquisa da verdade e ao apostolado perante seus discípulos, Eliphas Levi levou uma vida bastante humilde. Os bens materiais que possuía não passavam de muitos livros e algumas obras de arte, como prova seu testamento, redigido em uma quarta-feira, no dia 26 de maio de 1875, cinco dias antes de sua morte:

“Em nome da Justiça e da Verdade, este é meu testamento:

Lego ao Conde Georges de Mniszech meus manuscritos, livros e instrumentos de ciência, particularmente uma dupla esfera metálica portanto um resumo de todas as ciências.(15)

Desejo que ninguém toque em meus; manuscritos, a não ser o Conde de Mniszech, a condessa sua esposa, o Conde Branicki e a senhora Gustaf Gebhard, que reside na rua Koenigstrasse, 64, em Esberfeld.

Meu amigo Edouard Pascal, que se ocupou de mim com o maior devotamento, escolherá dentre meus livros não científicos e entre meus objetos de arte e de curiosidade o que lhe interessar.

Lego à minha irmã Pauline Bousselet, que sou forçado a deserdar, por causa de meu cunhado, todos os meus quadros e objetos de devoção.

Desejo, ademais, que todas minhas vestes e roupas em geral sejam legadas às irmãs de caridade da rua Saint-Jacques.

O que resta de móveis, curiosidades, tapeçarias, vasos, pratos de cobre, etc., será vendido e o resultado dividido entre as pessoas que se ocuparem de mim até os últimos momentos; não me refiro a mercenários, mas a amigos”.

O Conde de Mniszech faleceu em 1885. Os manuscritos de Eliphas Levi foram vendidos e dispersos; mas graças a Stanislas de Guaita foram reencontrados. Cabe salientar que a Condessa de Mniszech era prima da Condessa Keller, esposa de Saint-Yves d´Alveydre, o Mestre intelectual de Papus, fato que certamente facilitou a recuperação dos preciosos manuscritos.

Edouard Pascal ficou também com a espada mágica de Eliphas Levi e com a famosa caderneta de anotações referentes aos trabalhos mágicos de Londres. Em 1894 esses objetos caíram nas mãos de Papus, graças a intercessão de amigos que conheciam a viúva de Pascal.

O Filho de Eliphas Levi que só viu o pai no dia de sua morte, acompanhou-o até a sua última morada.(16) M.A.C. foi visto em 1914 por Chacornac, que ficou admirado com sua extrema semelhança com Eliphas Levi. Era um velho de estatura média, de cabelos brancos e que exalava bondade. Mostrou-lhe sua biblioteca, com quase todas as obras de seu pai, cuidadosamente encadernadas. Presenteou-o com um busto de Eliphas e com um de seus manuscritos, denominado O livro de Hermes. Compunha-se de 294 folhas, com 47 figuras no texto e com 78 lâminas do Tarot, em anexo, desenhadas pelo próprio autor. Em 1919, Chacornac encontrou-se com o neto de Eliphas Levi, filho de M.A.C.

M.A.C. legou em 1914, a amigos de Papus, manuscritos inéditos de Eliphas, e objetos pessoais do Mestre. A Tradição Ocultista continuou através dos discípulos póstumos de Eliphas Levi Zahed. A vida continua depois da vida; o sol parte e vem a noite; mas ele não deixa de renascer no dia seguinte, para aquecer e iluminar todos os recantos da Natureza.

Notas

1-) Eliphas Levi tinha 15 anos de idade. Cf. CONSTANT, A.L. Livre des Larmes ou le Christ Consolateur. Paris, Paulier, 1845, p.214.

2-) Cf. CHARCONAC, P. Eliphas Levi, Rénovateur de I´Occultisme em France. Paris, Charconac Freres, 1926, p.17.

3-) Nasceu em Paris em 1814; foi autor de Magicien (1834), Charlotte Corday (1840), Evangile du Peuple(1840); exilado na Inglaterra em 1851, retornou à França em 1869, após a queda do império. Foi nomeado administrador da região de Bouches-du-Rhone, onde tomou medidas enérgicas do ponto de vista econômico e administrativo. Suspendeu o jornal La Gazette du Midi e dissolveu a congregação dos Jesuítas de Marselha; esses atos foram desfeitos pela administração superior, o que culminou com sua demissão. Foi reeleito deputado para a Assembléia Nacional em 1871. O papel que desempenhou como político à partir desta data, foi sem expressão.

4-) CONSTANT,A.L. L´Assomption de la Femme ou le livre de L´Amour. Paris, Le Gallois, 1841, p. XIX.

5-) CONSTANT, A. L. Op. Cit., p. XXI.

6-) Carta de Eliphas Levi ao Barão Spedalieri, Correspondência, t. IX. Essa correspondência entre os dois ocultistas comporta mais de mil cartas. A presente tradução engloba apenas o tomo I (Citado por CHACORNAC, p. op. cit., p. 108).

7-) CONSTANT,A.L. Le Testament de la Liberté. Paris, Frey,1848, p. 218-9.

😎 ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.

9-) Planta de Largas flores azuis, que crescem em regiões temperadas. Suas infusões são sudoríferas, diuréticas e depurativas.

10-) ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.

11-) ELIPHAS LEVI. Correspondência, tomo I.
12-) Todas essas observações estão admiravelmente corretas.

13-) Em 1862, com efeito, um alucinado procurou Eliphas Levi durante dezoito meses, para assassiná-lo. Um dia ele apareceu com um punhal em uma mão e um exemplar do Dogma e Ritual da Alta Magia em outra. O mestre encarou-o com brandura. Falou-lhe com docilidade e ele foi embora tremendo.

14-) ELIPHAS LEVI, Correspondência, vol. V, citado por CHACORNAC, p. op. cit. p. 242 a 244.

15-) Trata-se do famoso Prognóstico de Wronski, aparelho reencontrado por Eliphas Levi em um antiquário de Paris.

16-) M.A.C. era filho de Eliphas Levi e de Eugene C.. Em 1867, Eliphas quis ocupar-se de seu filho, mas não se entendeu com Eugene. Até sua morte não mais avistou Eugene e o filho. Este, informado por um amigo, conseguiu rever o pai sobre seu leito de morte. Cf. CHARCONAC,P.ELIPHAS LEVI, op.cit.p.192.

Original foi retirado do site da Sociedade das Ciências Antigas.

1810 – 1875

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/eliphas-levi/

O caso Happy Camp

Raramente é possível , encontrar um episódio isolado, genuinamente, onde todas as facetas do fenômeno OVNI se concentrem. Happy Camp constitui um verdadeiro laboratório do problema estudado, além de ter oferecido a oportunidade para uma experiência direta, embora breve , do fenômeno. Ele também mostra um caso raro de sequestro múltiplo.

Happy Camp é uma pequena cidade madeireira na fronteira setentrional da Califórnia, a cerca de 60 quilometros do Estado de Oregon. Uma única estrada , seguindo de leste para oeste, atravessa a cidade, a 100 quilometros da via expressa que liga os dois Estados. A cidade tem um bar e um café . Localiza-se em um cenário magnifico, com regatos que descem da montanha, florestas de pinheiros e sequóias e canions profundos. As serrarias servem como principal ocupação profissional. A maior parte das testemunhas de OVNIs trabalham direta ou indiretamente para as serrarias. Existem muitos indios na área . Vale destacar , também, que o principal meio de transporte é a caminhonete com tração nas quatros rodas . Os moradores locais comunicam-se através de rádios faixa cidadão, e geralmente carregam rifles nos veículos.

Soube do caso no final de 1975, através de quatro independentes, inclusive um representante regional da Mutual UFO Network (Rede Mútua de OVNI — MUFON ) , que visitou o local . Posteriormente artigos razoavelmente factuais surgiram nos jornais de San Francisco . Contudo, os pesquisadores suspeitavam que algumas testemunhas não revelaram a história toda. Na metade de 1978, quando o interesse pelos eventos diminuiu e Happy Camp voltou a rotina da vida, carreguei meu Cheyenne com equipamentos e viajei até o local , o que demorou um dia inteiro. Tres investigadores tarimbados — Paul Cerny , Tom Gates e Mark Uriate — seguiram comigo. repassamos os fatos divulgados a respeito do caso.

No dia 25 de outubro de 1975 , dosi eletricistas da serraria , Stan Gayer , na época com 19 anos , e Steve Harris , então com 26 anos , estavam em uma caminhonete , na área de Shivar Saddle m testando seus rádios faixa cidadão , quando viram dois objetos em forma de estrela, excepcionalemte brilhantes. Um dos objetos moveu-se subitamente para a parte superior da montanha , oscilando como se “lutasse conta o vento”. Depois desceu , caindo como “uma ponta de charuto acesa ” . Seu brilho era avermelhado . Eles seguiram adiante e em seguida viram um objeto grande, vermelho, brilhando no solo , na encosta do monte Cade.

Dois dias eles retornaram ao local, com um terceiro homem, oficial mecânico , que se considera um “cético interessado” no assunto. Eles estavam equipado com um detetor de metais e uma lanterna . Conhecedores da montanha, exploraram a área , encontrando uma pilha de material estranho , parecido com mica, no local do primeiro pouso, e continuaram a procurar outros sinais . A mica , ao ser analisada, não passava do tipo comum , usado em antigos fogões a lenha.

Eles não esperavam encontrar um par de olhos prateados no meio do mato, nem ouvir um som de sirene . Iluminaram o local com a laterna , mas não conseguiram ver absolutamente nada , apenas escuridão , onde deveria haver moitas e arbustos. Neste momento, eles consideraram que seria mais prudente voltar para a caminhonete e retornar à cidade , onde contaram a história para um estudanete de 17 anos e para Helen White , que se transformou na protagonista principal dos eventos subsequentes.

Na época das visões, Helen White estava com 62 anos . Ela morava em Happy Camp desde 1949, tendo trabalhado durante dezenove anos na serraria . Um reporter a descreveu bem dizendo que “usava óculos, tinha olhos meigos e uma mecha de cabelos grisalhos que lhe davam um ar de vovó , o que realmente era “.

Este grupo de cinco pessoas tão diferentes resolveu ir novamente resolveu ir novamente até as montanhas. Ao chegar no local onde os olhos haviam sido avistados , Steve Harris ficou um tanto nervoso . Por frustração, ou em uma tentativa de impressionar os outros , ele começou a disparar a esmo, contra as moitas , sem dúvida um modo pouco convencional de se investigar um fenomeno desconhecido. Embora eu não aprove este método, sou forçado a admitir que era uma maneira eficiente de assustar qualquer pessoa que estivesse fazendo uma brincadeira, protegida pelas moitas de uva-ursina.

Ao invés de gozadores ou fraudadores , as cinco testemunhas viram duas silhuetas , usando capacetes como a de soldadores circundadas por uma luz peculiar. O som de sirene foi ouvido novamente. Helen White , que portava sua camara , foi incapaz de tirar uma foto .

As criaturas aproximaram-se parando a uns 15 metros do grupo . As pessoas sentiram um calor estranho no ar. Steve recorda-se de ter tossido , como se o ar estivesse pesado demais para se respirar.

— Era como uma sauna , ou um banho turco, onde o ar fica quente , só que muito pior — disse

Helen White comparou s sensação a um aperto no peito . Steve pensou que estavam sendo atingidos por gás. O grupo fugiu em pânico, perseguidos durante a descida da montanha por um objeto vermelho luminoso. O evento principal ocorreu cinco dias depois , a 2 de novembro de 1975, com os mesmos protagonistas ( Steve, Stan e Helen ) , e duas outras pessoas que passavam de carro por uma estradinha de terra no canion, no sopé do monte Cade. Eles ainda estavam tentando encontrar uma explicação para o que viram , e exploravam a área de maneira mais ou menos sistemática.

No canion , entretanto, passaram por um trecho coberto de neblina densa, que os forçou a recuar , e todos se confundem com relação aos eventos subsequentes. Eles se lembram de que pedras imensas caíram do alto do canion, dos lados da caminonete. Eles se recordam de que as portas foram abertas, e um ser estranho surgiu, dizendo a Steve , que empunhavam a arma:

— Não vai precisar disso.

Eles acreditam ter visto um objeto pairando no ar. Helen lembra , inclusive , de ter sido conduzida para uma sala , mas não tem certeza da sequencia temporal dos acontecimentos . Um dos ocupantes manteve um dialogo com ela, no decorrer do qual descreveu um objeto transparente , dizendo que era de ouro. Helen respondeu que conhecia o aspecto do ouro , e certamente não era transparente. O ser respondeu apenas : “Existem coisas como um ouro através do qual se pode ver. Está em sua Bíblia”.

Steve acredita que esteve em um aparelho com uma janela transparente no topo, através da qual pode ver a montanha China. A lembrança seguinte , a nivel consciente , foi de que se encontravam na caminhonete , descendo a montanha , cantando uma antiga canção religiosa. Eles entoavam , todos juntos , o hino Há Poder no Sangue do Cordeiro.

Depois deste incidente principal , diversas testemunhas tiveram visões na área, até a época de nossa visita. Tais incidentes incluem outros episódios com neblina esquisita contendo um humanóide, sons agudos tão penetrantes que incomodaram as testemunhas e diversos tipos de objetos esféricos ou oblongos sobrevoando a cidade , por vezes perseguidos tenazmente por um jato da Força Aérea americana.

No dia 8 de fevereiro de 1976 , dois dos meus amigos pesquisadores encontravam-se em Happy Camp, entrevistando testemunhas , quando ouviram uma pessoa , na faixa do cidadão , relatando a presença de uma luza alaranjada sobre Slater Butte. Eles viram a luz sobre a montnha , descendo e subindo duas vezes . O objeto era brilhante , laranja-escuro , e seu fulgor lembrava o de “um fogo na floresta , atrás do morro”.

No outono de 1977 duas pessoas , na Estrada de Benjamin Creek, viram um pinheiro Douglas ser partido em dois, enquanto uma força desconhecida puxava a perua deles, em marcha a ré, por mais de 15 metros. Os ultimos 25 metros da imensa arvore foram atirados a 20 metros de distancia , e uma esfera branca brilhante sobrevoava a área. Uma das testemunhas , profundamente abalada com o incidente , recusava-se a voltar ao local.

Meus amigos e eu chegamos a Happy Camp numa sextafeira, dia 23 de junho de 1978, e nos hospedamos em um hotel apropriadamente batizado de Rustic Inn. Embora eu ( Jacques Vallée ) esteja familiarizado com as estradinhas da Califórnia , do deserto de Mojave a Yolla Bolly, até a costa de Mendocino, devo admitir a imensa beleza da região do rio Klamath , que combina precipicios rochosos com matas baixas e florestas magnificas , tirando o folego de qualquer um.

Jantamos no unico restaurante da cidade , o Lois Café . Diversas testemunhas locais aproximaram-se de nossa mesa e se apresentaram . Conhecemos Lorraine, que em companhia da filha vira um aparelho em forma de disco no dia 6 de setembro de 1977.

— Estava todo iluminado — disse Lorraine.

Pat, uma senhora com seus 40 anos, muito animada , sentou-se e disse que estava intrigada com uma série de eventos tipo “poltergeist”, ocorrido na época das visões. Certa noite ela escutou passos pesados no forro da casa. Em outra , viu um imenso pássaro voando, iluminado pela luz da rua. No dia 17 de julho de 1977 , ela avistou uma esfera luminosa perto da cama , e na manhã seguinte descobriu que todas as portas da casa encontravam-se escancaradas.

Durante os dois dias seguintes inspecionamos toda a area , inclusive o pinheiro Douglas na estrada de Benjamin Creek . Os lenhadores não perderam tempo, retirando a parte aproveitável da madeira. A parte superior da arvore, contudo, ainda continuava na ravina , do outro lado da estrada. A noite estava calma, no momento do incidente, sem tempestades ou nuvens de trovoada.

Também visitamos o local do sequestro , seguindo pela estradinha que leva ao canion Realente , há um penhasco ingreme do lado oeste , as pedras poderiam ter caído na estrada e na área vizinha. Mark encontrou no local filamentos prateados de um material resistente, semelhante a cabelo, parecido com as fibras encontradas em Colusa. Fibras identicas também estavam presentes no local de um terceiro caso de contato imediato em Happy Camp . Apesar de nossas esperanças de haver encontrado um elemento comum a diversos casos envolvendo entidades, o exame posterior feito em microscópio , por um laboratório da policia técnica , mostrou que o material não era anormal.

O objeto em forma de disco , avistado por Helen, Stan e Steve, havia pairado sobre as moitas , perto de uma curva fechada da estrada. Neste local , como em diversos outros que visitamos, notamos um toque violento , emdesacordo com a beleza plácida da floresta. Encontramos cartuchos detonados nagrama, e muitas placas da estrada estavam cheias de furos de tiros, algumas praticamente ilegíveis. Só nos restava meditar sobre as fustrações e a necessidade de se demonstrar poder sobre a natureza que provocavam tais violencias. Talvez isso fosse exarcebado pela magnificencia da paisagem, pelos penhascos e grotas profundas, pelo céu imenso. O ser humano pode facilmente se sentir encurralado, insignificante. Caso esta interpretação seja correta, ela é relevante para a analise do terror e do fascínio provocados pela visão dos OVNIs , e com os confrontos com seres altos , que não se intimidaram com o rifle de grosso calibre de Steve. Também vale notar que as montanhas vizinhas abrigam , segundo relatos, uma estranha criatura parecida com um macaco ou com o Sascuatch canadense. Há ainda lendas locais sobre o Puduwan, um ser estranho com poderes paranormais.

As testemunhas entrevistadas em profundidade confessaram que ocorreram muitos incidentes que não foram relatados. A primeira visão na área havia sido relatada por um policial, Dick McIntyre , que posteriormente desmentiu e negou sua história. A maioria das testemunhas preferiu se calar , soubemos, depois da publicação de um artigo de página inteira sobre Happy Camp no San Francisco Chronicle. Vários policiais rodoviários foram seguidos por estranhas luzes na região, mas não comunicaram oficialmente o fato.

Entre os casos não revelados está a visão do filho de Lorraine: um objeto grande , brilhante , de cor azulada como aço , com uma luz vermelha. Objetos menores voavam em torno dele, de um modo que lembrava as visões de “charuto de nuvem” descritas por Aimé Michel . Tivemos um encontro com Helen White, e a oportunidade de conversar com ela longamente, enquanto assistíamos ao jogo de beisebol amador do qual seu neto participava. Ela fornecu detalhes dos incidentes, confirmando e explicando diversos aspectos das observações . Ela insistiu, na entrevista , que no momento do sequestro “tudo acontecia em camara lenta”.

Outros aspectos do episódio me intrigavam, pois não pareciam fazer muito sentido . Durante o sequestro ela conversou com um homem vestido com uma capa longa, flutuante. Estavam no meio de uma avalanche de pedras.

— Cuidado com as pedras ! — Ela alertou o ser.

— Não se preocupe, pedras não podem me ferir — foi a resposta.

Ao subir para o objeto, ela sentiu que uma luz a banhava. Queria levar algo , como prova, e recebeu permissão para tanto. Mais tarde os seres a proibiram de levar qualquer coisa, ela reclamou, frustada:

— Voces mentiram para mim.

O ponto mais enigmático da experiencia foi o tamanho do objeto. Como no caso da Sra. Victor , o aparelho para onde Helen White foi conduzida era maior do lado de dentro do que de fora. Embora os engenheiros aeronáuticos possam zombar de uma constatação tão bizarra, os leitores topologistas podem ficar tão intrigados quanto eu pelas possiveis interpretações que se descortinam. Se existirem mais de quatro dimensões , como muitos físicos teóricos atualmente suspeitam , cabe especular : uma hipernave, capaz de inversão topológica em nosso espaço-tempo contínuo pode muito bem ser maior por dentro do que por fora.

Naquela noite transferimos para nossa caminhonete os equipamentos trazidos de São Francisco por Tom Gates e Paul Cerny e seguimos para o local da visão , parando primeiro em Saddle, indo depois para o ponto mais alto na trilha , antes de fazer o retorno.

Era 23h15 quando o avistamos. Tratava-se apenas de uma luz brilhante, branca , com reflexos vermelhos, e a visão não durou mais do que dez segundos. A luz estava bem na nossa frente, vários quilometros além do vale, na encosta do monte China, um local onde nenhum veículo conseguiria chegar. Infelizmente a visão foi curta demais para permitir que parassemos e mostassemos o telescópio de Tom. A luz permanece como um detalhe imprevisto em nossa investigação.

Os eventos de Happy Camp incluem sequestro, neblina sufocante, pássaros imensos , pequenosa seres com capacetes , perseguições realizadas por jatos, “poltergeists” , anomalias gravitacionais e arvores derrubadas. Partindo de uma cidade isolada , que nem sequer tem um cinema, esta concentração de casos é notavel. Mas não estaria completa sem o episódio do Homem de Preto. Assim sendo, fiquei quase aliviado ao saber que no inicio de 1976 um estranho, que jamais estivera na cidade , entrou no Lois Café . Helen e Pat encontravam-se lá, jantando calmamente em mesas diferentes.

Todas as conversas cessaram quando o sujeito entrou. Ele pediu um filé, mas não sabia usar garfo e faca, e acabou saindo sem pagar , o que o tornou inesquecivel para a população local. Pat declarou que ele tinha pele pálida e olhos “orientais” . Usava uma espécie de camisa estranha , e não possuia casaco, embora estivessem no meio do inverno americano. Sorria constantemente para as pessoas , de um modo forçado , esquisito. Entre as atitudes peculiares que tomou durante seu jantar extraordinário , inclue-se uma corajosa tentativa de beber um pote de gelatina.

Extraido do livro “Confrontos” de Jacques Vallée – Editora Best Seller

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-happy-camp/

Eu não acredito em idade

Sim, esta é uma frase que sempre digo as pessoas quando o assunto envolve o tema “idade”. A maior parte delas apenas desconversa ou ignora completamente o que foi dito. Algumas ficam admiradas e me olham com uma aparência confusa: “Hmm, isto deve ser algo muito profundo, melhor não perguntar nada”. E somente umas poucas chegam a me perguntar: “O que você quer dizer com isso?”. Penso que está na hora de responder…

Primeiramente, é importante frisar que esta é uma das conclusões puramente intuitivas que trago de minha infância. “Eu não acredito em idade, eu nunca acreditei em idade” – é algo que simplesmente “nasceu comigo”, se é que é possível dizer. Não foi algo que li nalgum lugar, e nem mesmo algo que, somente pelo fato de haver lido em algum lugar, se tornaria parte da minha essência. Eu não acredito em idade, é parte da minha essência, e desde minha infância tenho tentado descobrir o que exatamente isto significa.

Quando pensam em idade, a maioria das pessoas pensa – conscientemente ou não, quer admita ou não – em uma espécie de relógio de areia onde cada grão que escorre pela fresta abaixo é um dia a menos, um dia que ficou para trás. E, da mesma forma, quanto menos grãos de areia restam na parte superior do relógio, menos tempo há para viver. Neste sentido, falar em idade é basicamente falar em morte: quanto maior o número, quanto mais próximo dos 70, 80, 100 anos, mais próxima estará a morte.

Eu ainda vou retornar ao assunto, mas por agora gostaria apenas de deixar claro que o fato de eu não crer em idade não significa que ignore a existência da morte. Da mesma forma que não ignoro que, com o passar das horas do dia, e com o pôr do sol e a chegada da noite, eventualmente irei deitar minha cabeça num travesseiro e dormir (ah não ser que esteja jogando RPG ou numa rave, mas isto têm sido cada vez mais raro em minha vida, para o bem ou para o mal).

Dito isto, após muito refletir cheguei a conclusão de que para mim existem em realidade três tipos distintos de “idades”. Embora eu creia nas três, talvez percebam que nenhuma delas tem relação direta com o que as pessoas usualmente chamam de idade.

A primeira idade em que tenho fé é a idade fisiológica. Ora, seja lá o que seja o “eu” ou a alma, é certo que, ao menos neste mundo, habitamos um corpo humano. E este corpo humano possuí diversas características, físicas e mentais, que são desenvolvidas ao longo da infância e da juventude, até a chamada idade adulta. Diz-se que um adulto é um ser humano que vive numa sociedade onde o texto de algum pedaço de papel afirma que, de acordo com sua idade, ele pode se casar, ter relações sexuais, votar, dirigir um automóvel, etc. O valor numérico destas idades varia de acordo com a região e a cultura do planeta. Na África há muitos adultos com 13 anos, enquanto que na maior parte do globo a idade da maioridade é 18 (19 na Coréia do Sul, 20 no Japão e 21 nos EUA). Como eu sou um sujeito que segue a maior parte das leis, sou obrigado a concordar e botar fé em tais números.

Mesmo o cérebro humano, dizem os neurologistas, têm suas “idades”. Por hora do nascimento, um cérebro humano pesa cerca de 350 gramas e têm ¼ do tamanho de um cérebro adulto. Com um 1 ano de idade, já têm o dobro do peso, 700 gramas, e metade do peso da versão adulta. Aos 6 anos, já têm 90% do tamanho final. Aos 12 anos, o córtex pré-frontal atinge sua fase final de desenvolvimento, que abrange toda a adolescência. Recentemente, cientistas têm discutido se este desenvolvimento não ultrapassaria em muito a idade dita adulta, geralmente os 18 anos, para terminar ainda muitos anos depois – o que estenderia, teoricamente, o tempo da adolescência, pois somente um “adulto com o córtex pré-frontal plenamente formado” teria condições de pensar com “toda a racionalidade condizente a fase adulta”…

Desta forma, ainda que eu acredite na idade fisiológica, isto por si só não me dá certezas se este ou aquele jovem já é mesmo adulto, se têm sua racionalidade “plena”, ou se ainda está em fase de desenvolvimento. Por via das dúvidas científicas, digamos que alguém na casa dos 30 anos estaria plenamente desenvolvido. Este sou eu: plenamente desenvolvido e, segundo uma amiga minha bem mais jovem, “já meio velhinho”.

E isto me leva para a segunda idade em que acredito, a idade espiritual. Bem sei que muitos aqui não irão concordar, mas fato é que também, desde minha infância, apesar de crer na morte, também creio na existência pós-morte e, da mesma forma, na existência pré-nascimento. Ou seja, não é que eu creia em vida após a morte, mas creio, isto sim, em vida após a vida, e em vida antes da vida. Creio em muitas e muitas vidas, enfim, e isto também está intimamente associado a intuições e lembranças de minha infância.

Quero lembrar que não é minha intenção “evangelizar” esta crença adiante, mas apenas explicar os motivos de minha descrença em idade – motivos, portanto, subjetivos. Dessa forma, para não me alongar muito, basta dizer que, quando lembramos de outras vidas e outras mortes, quem sabe da mesma forma que lembramos de viagens de nossa infância, ou do dia em que desmaiamos durante nosso primeiro porre alcóolico (embora eu não tenha tido tanta sorte, pois tenho uma grande dificuldade em perder a consciência), toda a vida atual é vista por um outro aspecto, um outro ângulo.

Dessa forma, se alguém me diz que estou “meio velhinho”, isto para mim faz tanto sentido quanto dizer que eu estou “a muito tempo nesta viagem de trem”. Não importa se os outros cismam em contar as horas até a próxima estação, eu não preciso mais me preocupar com isso, pois sei que a próxima estação é somente isso: mais uma estação nesta viagem infinita pelo Cosmos. Estação Terra, estação anos-luz da Terra – tanto faz, são todas estações.

Eu não sei se consegui me fazer compreender, pois isto é difícil de explicar com palavras fora de poemas, mas em todo caso acredito que a próxima idade ainda será esclarecedora…

Finalmente, creio na idade das montanhas.

Cícero dizia que “filosofar é aprender a morrer”. Há muitos que se admiram até hoje com Sócrates mais por sua serenidade ante a morte do que propriamente com suas ideias (“Mas eis a hora de partir: eu para morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo ninguém o sabe, exceto os deuses” [1]).

Já Schopenhauer, influenciado pelas ideias religiosas do Oriente, afirmava que “para seu enorme espanto, um homem se vê de repente existindo, após milhares de anos de não existência; vive por algum tempo, e então transcorre de novo um período igualmente longo em que ele não existe mais. O coração rebela-se contra isso, sentindo que não pode ser verdade.” [2]

Há muitos pensadores modernos, como Jim Holt, que não têm tanta fé na existência pós-morte, e admitem a plenos pulmões o seu grande medo do Nada: “O medo da morte vai além da ideia de que o fluxo da vida continuará sem nós […] É a perspectiva do Nada que provoca em mim certa náusea – senão puro e simples terror. Como encarar esse Nada?”. [3]

Epicuro, apesar de tampouco crer na existência após a morte do corpo, lidava com o tema de forma muito natural: “Quando a morte está, eu não estou. Quando eu estou, ela não está. A morte, o dito mais terrível dos males, não significa nada para mim”. [4]

Dessa forma, não é bem a crença em existências anteriores e posteriores a esta vida, a esta estação, que nos alivia do peso da morte, do peso do Nada. Este peso não tem propriamente a ver com um medo paralisante de algo que um dia chegará, e que está neste momento sendo contado no relógio de areia que chamamos idade; este peso tem a ver com uma falta de sentido existencial, um vácuo aberto dentro do peito, um grande tédio, um Nada que pela lógica jamais pode haver existido, mas que não obstante pode nos atormentar por cada momento da vida.

Filosofar pode, de fato, ser aprender a morrer. Tanto quanto aprender a morrer é aprender a subir montanhas…

Uma outra coisa que trago da minha infância é a Serra da Mantiqueira, ao sul de Minas Gerais. Isto já não tem nada ver com lembranças de outras estações, mas com a suprema sorte de haver, nesta mesma estação, tido a oportunidade de passar proveitosos períodos de férias em um hotel fazenda de minha família.

Foi na Mantiqueira que aprendi a subir e subir, por entre florestas antigas que estão por lá há centenas de estações, pisando em rochas que sobrevivem há milhares, há milhões!

Foi na Mantiqueira que aprendi a olhar para baixo do topo do mundo, e observar (mesmo antes de voar de avião) como há tantos e tantos homens e mulheres e crianças brincando em seus terrenos pequeninos, em suas fazendas pequeninas, em suas casas de brinquedo, em suas caixas de areia.

Eles juntam montes de areia, colocam seus enfeites e um telhado para proteger das chuvas. Eles vivem lá boa parte de suas vidas. Eles guardam por lá boa parte do que amontoaram em suas viagens. Eles mal sabem quantas montanhas e estações existem pelo Cosmos…

O que a idade das montanhas me ensinou, e têm até este momento me ensinado, é que não devemos por certo entrar em pânico ante ao Nada. Se iremos dormir para não mais acordar, ou se iremos sonhar com outras viagens e outras estações, fato é que nada do que somos, nem mesmo do que nos forma, pode de fato ser aniquilado, arremessado ao Nada.

Pois as montanhas são a prova de que o Nada não existe. Elas estão lá, imponentes, acima de todos nós, nos lembrando de que há coisas maiores, bem maiores, cósmicas, que existiram e continuarão a existir muito após esta nossa pequena viagem.

E se vamos acordar para um novo sonho ou não, pouco importa. O que importa é não deixar o entusiasmo escapar por entre os dedos da alma. Que se vamos ou não deixar de existir um dia, isto não é algo que seja definido, de forma alguma, por nossa idade. E eu não acredito em idade.

***
[1] Platão. Fédon.
[2] Arthur Schopenhauer, O vazio da existência.
[3] Jim Holt. Por que o mundo existe? (Intrínseca).
[4] Epicuro. Carta a Meneceu (UNESP).

Crédito da foto: raph + instagram (Serra da Mantiqueira)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#existência #Filosofia #morte #Vida

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/eu-n%C3%A3o-acredito-em-idade

Há Vagas no Céu

O sociólogo Domenico de Masi defende uma abordagem mais lúdica e prazeirosa do trabalho. Segundo ele, não é próprio da espécie humana gostar de trabalhar, e os tempos modernos nos trazem a possibilidade de que todos trabalhem meio expediente, ganhando menos mas nos dedicando mais ao tempo ocioso de forma criativa, e principalmente abrindo mais vagas para quem está desempregado. Domenico apontou um ponto de convergência em todas as religiões: em nenhuma delas se trabalha no Paraíso. “Tenha o Paraíso sido criado por Deus, tenha sido inventado pelos homens, se o trabalho fosse um valor positivo, no Paraíso se trabalharia”, afirma.

Especulam os analistas que em uma década terá havido uma verdadeira revolução na forma como encaramos o trabalho, como informa este trecho da interessante reportagem da revista Galileu de Julho de 2009:

“Para começar, esqueça essa história de emprego. Em dez anos, emprego será uma palavra caminhando para o desuso. O mundo estará mais veloz, interligado e com organizações diferentes das nossas. Novas tecnologias vão ampliar ainda mais a possibilidade de trabalhar ao redor do globo, em qualquer horário. Hierarquias flexíveis irão surgir para acompanhar o poder descentralizado das redes de produção. Será a era do trabalho freelance, colaborativo e, de certa forma, inseguro. Também será o tempo de mais conforto, cuidado com a natureza e criatividade.

A globalização e os avanços tecnológicos (alguns deles já estão disponíveis hoje) vão tornar tudo isso possível. E uma nova geração que vai chegar ao comando das empresas, com uma presença feminina cada vez maior, vai colocar em xeque antigos dogmas. Para que as empresas vão pedir nossa presença física durante oito horas por dia se podem nos contatar por videoconferência a qualquer instante? Para que trabalhar com clientes ou fornecedores apenas do seu país se você pode negociar sem dificuldades com o mundo inteiro? Imagine as possibilidades e verá que o mercado de trabalho vai ser bem diferente em 2020. O emprego vai acabar. Vamos ter que nos adaptar. Mas o que vai surgir no lugar dele é mais racional, moderno e, se tudo der certo, mais prazeroso.”

Por ocasião dos eventos de minha vida, tenho trabalhado de casa (ou home office, como queiram chamar) aproximadamente desde 2005. Moro em Mato Grosso do Sul e trabalho para uma empresa do Rio de Janeiro – no entanto, o fato de trabalhar com web talvez explique o fato de eu ter, sem querer, “chegado mais cedo ao futuro”. De qualquer forma, fato é que existem vantagens e desvantagens de se trabalhar de casa. Entre as desvantagens temos, principalmente, a falta de contato humano, a sensação de se estar “o dia todo enfurnado em casa”, e uma maior cobrança e desconfiança de quem lhe pede o trabalho – afinal eles não estão do seu lado para ver o que está fazendo. Entre as vantagens temos, principalmente, um ambiente com menos stress para se trabalhar, o fato de não precisarmos nos deslocar fisicamente pela cidade e evitar o trânsito, e a possibilidade de desenvolver a disciplina e a qualidade do trabalho – o que reduz a desconfinaça de quem lhe contrata quanto a este método ainda heterodoxo no país. Em relação a esta breve descrição, tenho duas dicas importantes: a primeira é que uma ida a cafeteria após o almoço é psicologicamente essencial, pois evita a sensação de estarmos o dia todo em casa, e faz com que vejamos o sol, vejamos pessoas, etc; a segunda é que a disciplina é vital: sem ela, ou sem a intenção genuína de desenvolve-la, é praticamente impossível manter um emprego à distância (a não ser que o seu empregador seja realmente disperso).

Mas retornemos ao Paraíso de Domenico: será que, como ele afirma, todas as religiões compreendem que não há trabalho no céu? Não é preciso ser muito estudioso de teologia para encontrar diversos autores, e mesmo doutrinas religiosas, que defendem que há sim trabalho no céu, inclusive porque este “céu” seria, antes de mais nada, uma condição conquistada por nossa própria consciência e paz de espírito. Ora, diz-se que Deus trabalhou por alguns dias para construir todo o Cosmos, e depois descansou – mas será que ele está até agora “sentado no trono”, esperando-nos para ficar lá, parados, admirando-o em êxtase por toda a eternidade? É esta a “mais profunda idéia de perfeição” que conseguimos extrair do entendimento de Deus?

Eu posso falar por mim: se entendemos toda a natureza como um sistema construído e mantido por Deus, isso significa que ele não só trabalhou naqueles dias iniciais, como decerto nunca “descansou”, nunca deixou de trabalhar – afinal, as simetrias espaciais e temporais do Cosmos estão aí para nos provar isso. Se sábios disseram que “o trabalho dignifica o homem” e que “devemos ser julgados por nossas obras”, porque esperar que justamente o Paraíso, justamente o Reino de Deus, seja um jardim onde ninguém precisa aparar a grama? Será que não existe jardineiro no céu?

Acredito eu que há duas idéias para o trabalho. Para uns, o trabalho é tudo o que fazemos para garantir o sustento e a manutenção meterial, uma espécie de mal necessário, talvez mesmo uma “escravidão consentida”, para que possamos desfrutar de nosso tempo livre. E, como “tempo é dinheiro”, marchamos apressadamente, como formigas desnorteadas em um grande formigueiro humano; Trabalhamos apressadamente, comemos apressadamente, interagimos com as pessoas (e conosco mesmo) apressadamente. Tudo para que, lá no final, percebamos que vivemos também apressadamente: todo nosso “tempo livre” escorreu pelas mãos, e ao invés de termos realizado obras das quais nos orgulhar, tudo o que conquistamos foi, quando muito, números em uma conta bancária.

Já para outros, e talvez sejam hoje a grande minoria, o trabalho é uma obra viva. É a essência do que são, o grande objetivo de estarem por aqui. Não trabalham para acumular migalhas eletrônicas em uma tela de home banking, mas para realizar algo, e de preferência contribuir para que a comunidade, a cidade, o país, enfim – para que toda a humanidade realize algo de bom. Estes não vêem a sua frente chefes carrascos ou gerentes mesquinhos, mas apenas seres, com maior ou menor ignorância, que tocam a vida da melhor forma possível. Não trabalham para eles, não seguem ordens: trabalham para si mesmos, e para o mundo. Da mesma forma, não vêem os que lhe estão abaixo na escala salarial como seres inferiores, mas apenas como seres iguais a ele, realmente iguais, e extremamente importantes no contexto do sistema global. Se não existissem lixeiros, nossa vida seria um lixo. Se não existissem condutores, não sairíamos do lugar. Se não existissem pequenos comerciantes, não teríamos onde comprar. Ou seja: não é uma lógica tão difícil de ser compreendida.

Foi preciso a grande ameaça do aquecimento global para que finalmente o mundo empresarial se conscientiza-se de que a ecologia deve fazer parte do objetivo a médio e longo prazo de toda empresa. É um tanto desalentador que a humanidade ainda precise de pressões do sistema-natureza para que volte a caminhar na passada correta. Mas, se somos realmente um bando de preguiçosos aniosos por achar um céu onde encostar, pelo menos a natureza nos demonstra que ainda pode, talvez por mais algumas décadas, nos esperar para essa caminhada conjunta. Deste trabalho conjunto entre homo sapiens e natureza, há muito mais a se comemorar do que temer. Afinal, se o homem não destruir a si próprio, é bem possível que saia dessa crise compreendendo enfim que em todo o Cosmos, em todas as suas infinitas moradas, tudo o que há é trabalho!

Será que, quando chegarmos enfim ao céu, não serão os jardineiros os grandes beneficiados? Para eles, haverá sempre vaga no céu. Para todos os outros, talvez tenham de retornar para a terra e arranjar outro trabalho. Pois que se Deus trabalha sem cessar, ele não poderia esperar que entrássemos em seu Reino de outra maneira que não de mãos dadas, cada qual sabendo sua divina função a empenhar, cada qual compreendendo que embora não passe de mais uma formiga do imenso formigueiro divino, não deixa de ser essencial para Deus, e para todo esse sistema infinito.

***

Crédito da foto: FAROOQ KHAN/epa/Corbis

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#ecologia #Religiões #trabalho

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Pirâmides, Pirâmides… – parte II

Olá crianças,

Hoje falaremos sobre a matemática das pirâmides. Recomendo ler o Post sobre as Pirâmides submersas no Japão e Astrologia para não pegar o bonde andando…

Em primeiro lugar, a palavra “pirâmide” vem do grego Pyramidos, ou “medida de luz”. Dentre a centena de pirâmides egípcias, vou começar pelo complexo de Gizé (ou Giza), considerado o mais importante deles, mais especificamente pela pirâmide de Khufu (ou Queops).

Todas as pedras de mesmo peso possuem também o mesmo tamanho, com erro menor que 0,025cm em qualquer medida adotada; possuem ângulos perfeitamente retos em suas 6 faces, com precisão de 0,1 grau e encaixe entre elas que não deixa espaço suficiente para passar uma lâmina de canivete (0,04cm). A precisão de encaixe destas pedras, considerando o conjunto, é de 0,015cm/100m (nem os mais modernos construtores de submarinos chegam neste grau de precisão – a precisão de projeto de um submarino nuclear é de 0,08cm/100m na mesma escala).

Ainda sobre esta estrutura principal, estavam encaixadas 144.000 placas polidas de limestone branca, idênticas em tamanho (precisão de 0,25cm), pesando cerca de 2 toneladas cada, deixando espaço de 0,025cm entre elas. Estas pedras foram recortadas e arrastadas de Tura ou Masada, pedreiras localizadas a cerca de 15-20km do Cairo. Apenas o bloco de granito que forma o piso da Câmara do Rei, com 80 toneladas, e o “sarcófago”, tiveram de ser arrastados de Aswan, que fica a 800km do Cairo.

A pirâmide de Khufu é um quadrado perfeito, com erro de 58mm (em 230 metros!) e erro de ângulo reto de 1 minuto (1/60 de um grau), alinhada perfeitamente com o norte do Planeta. A base da pirâmide é perfeitamente plana, com desnível de apenas 0,075cm/100m (para quem não é arquiteto ou engenheiro esses números não dizem muita coisa, mas para ter uma idéia comparativa do quão preciso foi o nivelamento das pirâmides, basta dizer que edifícios modernos de alta tecnologia chegam a 15-20cm/100m em desnível).

As 3 pirâmides alinham-se com a constelação de Orion com margem de erro de 0,001% quando comparadas com a posição destas estrelas no céu em 10.500 AC.

Além disto, as câmaras interiores foram projetadas ANTES da pirâmide ser construída, sendo deixadas como “buracos” na estrutura da pirâmide (e não “escavadas posteriormente”!), ou seja, os construtores iam empilhando os blocos de pedra e deixando os espaços vazios que seriam cada câmara enquanto iam erguendo as pirâmides.

E eu nem comecei ainda a falar sobre a Câmara do Rei, cuja configuração e proporção das pedras do chão refletem as medidas/translações dos seis primeiros planetas do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno).

Também não falei ainda do “sarcófago” do faraó, que é grande demais para passar pelos dutos da pirâmide, ou seja, ele foi colocado na câmara do rei ANTES da pirâmide ter sido “fechada”. Como disse acima, esta pedra, esculpida em um ÙNICO bloco de 30 toneladas, foi arrastado por 800km de Aswan até o Cairo durante a construção da pirâmide, de modo a poder ser encaixado na posição correta.

(Mais tarde falaremos em detalhes sobre como a Câmara dos Reis e o Templo de Salomão possuem as mesmas proporções, e de como o “sarcófago” possui as mesmas proporções da arca da Aliança).

Um último detalhe é que, apesar de todo este cuidado milimétrico de projeto da pirâmide, o “sarcófago” é PEQUENO DEMAIS para caber uma pessoa deitada dentro dele (pausa para rir).

É importante lembrar disto porque, quando falarmos mais pra frente sobre os ALINHAMENTOS dos dutos das câmaras internas com as principais estrelas e constelações da época, durante determinados períodos do ano, temos de ter em mente que toda a estrutura é um gigantesco observatório astronômico, PROJETADO como tal e não fruto de mero “acaso”. Os dutos são alinhados com perfeição de um centésimo de grau em duas câmaras principais de observação.

Também preciso dizer que as pirâmides não possuem entradas externas. As entradas eram todas subterrâneas, vindas de uma câmara que ficava sob a esfinge, fazendo com que todo o complexo só pudesse ser acessado por dentro. Quando os exploradores ingleses penetraram nas câmaras internas, o fizeram DINAMITANDO os dutos externamente (pois as entradas subterrâneas encontravam-se soterradas). Então nomearam aquilo de “dutos de ventilação” (em uma “tumba”, mas tudo bem… ).

Bom… acho que já deu para ter uma idéia bem clara que mesmo com a tecnologia de HOJE seria quase impossível erguer pirâmides com a qualidade técnica e construtiva das pirâmides egípcias.

A quantidade de “coincidências” matemáticas e sobre a precisão com que as pirâmides foram construídas poderia consumir textos e mais textos. Quem quiser mesmo ver as principais relações matemáticas da pirâmide, pode olhar este site aqui.

Mas afinal de contas, como as pirâmides foram construídas?

Antes de começar com teorias de conspiração, vamos perguntar direto para as otoridades egípcias. E que melhor otoridade que o próprio departamento de turismo egípcio?

Segundo eles, as pirâmides foram construídas durante a 4ª dinastia, para servirem como tumba para o faraó Khufu. Demoraram ao todo cerca de 20 anos para ficarem prontas.

Ok…  Vamos começar com uma conta básica: são 590.712 pedras para serem colocadas em 20 anos (8.760 dias). Fazendo as contas, temos que seria necessário para os egípcios encaixarem aproximadamente 1 pedra a cada 17 minutos (24 horas por dia, 7 dias por semana sem parar um segundo).

Embora experimentos feitos pela universidade Obayashi, no japão, tenham demonstrado que 18 homens conseguem empurrar um bloco de 2,5 toneladas com velocidade máxima de 15m/minuto (demorando, assim, em teoria, 17 horas para empurrá-los da pedreira até a pirâmide, SEM DESCANSO). Claro que esta teoria está furada, pois se arrastassem os blocos por tanto tempo, o atrito com a areia lixaria o fundo das pedras, tornando-as incompatíveis com a precisão matemática que elas apresentam.

A teoria de arrastar sobre troncos de palmeiras também está furada. Os mesmos alunos demonstraram que as palmeiras existentes no Egito seriam esmagadas se submetidas a blocos de mais de 1,5 toneladas.

E isso porque nem entramos no quesito dos quase 5.000 blocos de SETENTA toneladas…

E sempre é bom lembrar, estes valores são para UMA pirâmide… o conjunto é formado por TRÊS pirâmides (e somado a outras 6 pirâmides menores, a esfinge, as mastabas, templos e outras edificações).

As otoridades egípcias afirmam que a pirâmide é a tumba de um faraó.

Embora NUNCA se tenha encontrado sequer uma múmia em NENHUMA das 111 pirâmides catalogadas. Também nunca foram encontrados NENHUM tesouro de faraó algum. Nada, Nicht, Niet, Zero. Todas as múmias foram encontradas em cemitérios localizados aos pés das pirâmides ou em templos adequados para tal (Mastabas). Todos os tesouros encontrados estavam nos templos e antecâmaras, mas nunca dentro das estruturas.

A explicação oficial é que “ladrões de tumbas” saquearam todos os tesouros e as múmias. Embora, voltando a Khufu, os exploradores tiveram de DINAMITAR a passagem para entrar, e nada encontraram lá dentro. Ou seja, se houvessem “ladrões de tumba” eles entraram, levaram TUDO (tudo tudo tudo) e ainda tiveram a paciência de recolocar todas as pedras na entrada de modo a deixá-la do mesmo modo que ela estava antes deles chegarem, com direito a mesma precisão milimétrica dos encaixes (mais uma pausa para rir).

Se você fosse um faraó e gastasse 20 anos da sua vida para construir o seu túmulo, o mínimo que você iria fazer seria colocar o seu nome bem visível em todos os lugares possíveis e imaginários, certo? ERRADO. Não existe NENHUM hieróglifo ou símbolo dentro de NENHUMA das principais pirâmides. Os únicos símbolos encontrados dentro das pirâmides foram colocados lá milhares de anos após sua construção.

As otoridades egípcias afirmam que os dutos que conectam a câmara do rei às laterais da pirâmide são, na verdade, “dutos de ventilação” (mas para que precisamos de dutos de ventilação em uma tumba?). O fato destes dutos alinharem-se perfeitamente com estrelas e constelações que tem profundo simbolismo na mitologia e religião Egípcia é, como tudo mais, uma “coincidência”.

Agora, um pouco de teoria de conspiração.
E se… o faraó, na verdade, não construiu as pirâmides em 20 anos (como demonstramos ser impossível), mas sim REFORMOU algo que já estava pronto, mas parcialmente destruído pelo dilúvio, nesses 20 anos?
E se… as pirâmides escalonadas (aquelas mais toscas e sem grande precisão), que foram construídas em 4.000 AC foram, não “testes de construção” como as otoridades dizem, mas sim IMITAÇÕES das verdadeiras pirâmides, feitas realmente com o máximo que seria possível de tecnologia da época?

Semana que vem, Círculos de Pedra, Pirâmides, Astrologia.e o Dilúvio.

E pra que diabos servem as pirâmides???

Tenet Nosce, Crianças!

#Pirâmides

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pir%C3%A2mides-pir%C3%A2mides-parte-ii

Para os devotos de São Dawkins

“Then there are the fanatical atheists whose intolerance is of the same kind as the intolerance of the religious fanatics and comes from the same source. They are like slaves who are still feeling the weight of their chains which they have thrown off after hard struggle. They are creatures who—in their grudge against the traditional ‘opium for the people’—cannot bear the music of the spheres. The Wonder of nature does not become smaller because one cannot measure it by the standards of human moral and human aims.”

– Albert Einstein

#ateísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/para-os-devotos-de-s%C3%A3o-dawkins

Marosia: Assassinatos, papas e crucifixos

Após Bento III ter estreado a famigerada “cadeira papal” e mostrado os culhões para ganhar o direito de usar a Mitra, começou o processo de fortificação de Roma por conta da ameaça dos muçulmanos. Bento III enfrentou vários problemas internos na Igreja, que culminaram com a eleição do antipapa Anastácio III durante alguns meses, quando a população de Roma tirou o concorrente do trono e recolocou Bento III no poder. Seu conturbado papado durou apenas alguns meses, tendo sido “esticado” oficialmente quando suprimiram a papisa Joana das fontes oficiais.
Nicolau I foi papa de 858 a 867 e seu governo foi marcado por conflitos com a dinastia dos Carolíngios (a dinastia que sucedeu os Merovíngios no sul da França – falarei mais sobre eles nas próximas colunas), em especial o imperador Lotário II.
O papa Adriano II (867-872) tentou novas reconciliações com os cristãos do sul da França, sem sucesso. O papa João VIII sofreu finalmente o ataque dos muçulmanos, que enfrentaram as forças italianas no sul do país. Durante seu papado, o sul da Itália passou por maus bocados nas mãos dos muçulmanos.
A partir de 872, as disputas internas pelo poder em Roma tornaram-se extremamente acirradas. Tanto João VIII (envenenado) quanto Marinho I (envenenado), Adriano III (esfaqueado, talvez porque não quis tomar o veneno…), Estevão VI (estrangulado), Formoso I (circunstâncias misteriosas) e Bonifácio VI foram assassinados em menos de 12 anos, devido a disputas internas pelo poder do papado.

O Sínodo do Cadáver
Não contente em matar seu antecessor, Estevão VII também resolveu sacanear Formoso I, seu inimigo pessoal, convocando o que ficou conhecido como o “Sínodo do cadáver”. O Sínodo do cadáver, também conhecido como Julgamento do Cadáver ou ainda, em latim Synodus Horrenda é o nome pelo qual ficou conhecido o episódio do julgamento póstumo do papa Formoso que se deu na basílica de São João de Latrão em janeiro de 897. À presença de Lamberto de Espoleto (governador de Roma) e da imperatriz-mãe, rodeados de eclesiásticos, foi trazido o cadáver mumificado de Formoso, retirado sacrílegamente de seu ataúde. Foi o corpo assentado num trono e acusado do grande crime de haver aceito ser Papa (os Papas são Bispos de Roma), quando já era Bispo de Porto. Intimado a se defender, e logicamente nada respondendo, foi o morto julgado criminoso, despojado das insígnias pontificais; cortaram-lhe os dedos da destra que abençoara as multidões; o corpo foi depois atirado ao rio Tibre.

Estêvão VII, aliás, acabou seus dias aprisionado por seus ex-amigos e estrangulado, para variar. O papa Romano I o substituiu: inimigo mortal de Estêvão VII, o primeiro ato que fez ao chegar no pontificado foi mandar encontrar o cadáver de Formoso e erigir um magnífico mausoléu para ele, redimindo-o de todas as “injustas acusações” feitas por seu antecessor. Alguém imagina como Romano I morreu? Certo… envenenado em novembro de 879 e foi substituído pelo papa Teodoro II, cujo papado durou apenas vinte dias… alguém quer chutar a causa de sua morte?

O século da corrupção
A partir de Teodoro II, a situação em Roma estava complicada para o pontificado. Cada vez que um papa morria, seus opositores saqueavam suas riquezas e atacavam a memória do papa e dos aliados anteriores. Também a corrupção generalizada e a venda de indulgências estavam causando muitos problemas para a Igreja.
Bento IV reinou de 900 a 903 e, além destes problemas, ainda teve de enfrentar os húngaros no norte da Itália e os muçulmanos no sul. O papa Leão V o substituiu mas foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas menos de 5 meses após sua posse. Foi substituído em 904 por Sérgio III, cujos historiadores da época o acusam de ter envenenado Leão V. Com Sérgio III começa o período conhecido como Pornocracia.

Pornocracia
A pornocracia (do grego porne, prostituta e kratein, governo) foi um período na história do Papado que se estendeu da primeira metade do século X, com a instalação do Papa Sérgio III em 904 por sessenta anos, e terminou após a morte do Papa João XII em 963.
Sérgio III possuía o apoio do Imperador Teofilacto, que era casado com uma mulher chamada Teodora (não confundir com a outra Teodora de Constantinopla) e tinha uma filha chamada Marosia. Marosia é gente que faz.
A belíssima Marosia começou sua carreira política aos quinze anos, quando tornou-se amante do papa Sérgio III (com 45 anos, na época). Mais tarde, quando completou 19 anos, casou-se com o nobre Alberico I de Espoleto (em 909). Marosia teve um filho com o papa em 910, chamado Alexandre de Tusculum (que nós conheceremos daqui a pouco com o titulo de papa João XI).

Sérgio III governou até 911, quando foi encontrado morto em circunstâncias misteriosas e foi substituído por Anastácio III, cujo papado durou dois anos e também foi encerrado por um assassinato. Lando I permaneceu seis meses no papado e também foi envenenado.
O papa João X, que substituiu Lando, era amante de Teodora (a mãe de Marosia) e foi considerado um papa enérgico. O maior problema enfrentado pelos italianos nesse período foi(surpresa!) os ataques muçulmanos, que continuavam tocando o terror no sul da Itália. No período de seu papado, os árabes destruíram os grandes mosteiros de Subiaco e de Farfa, além de assaltarem os peregrinos que iam a Roma, vendendo-os como escravos.
De saco cheio dos cabeças de turbante, João X organizou uma coalizão de ducados e, auxiliado pela esquadra bizantina, expulsou os infiéis do sul da Itália.
O ambicioso Alberico I, marido de Marosia, que comandara as tropas da coalizão, por influência de sua esposa, comandou uma revolução para tomar o controle de Roma, na qual morreu combatendo em 924.
Marosia se torna amante de João X, mas este se recusa a ceder aos seus comandos, tratando-a apenas como mais uma de suas concubinas.

Irritada, Marosia casou-se, então, com Guido de Túscia, com cujas tropas atacou Roma, fez trucidar o comandante pontifício, Pedro (o irmão de João), diante dos olhos do pontífice. Em seguida, mandou prender João X e torturá-lo durante um ano, até que este veio a falecer.

Marosia escolhe, então, um de seus amantes, Leão VI, como novo papa (enquanto o papa ainda estava vivo e sendo torturado na prisão). Leão VI dura exatos sete meses no papado, sendo assassinado por aliados de João X.
Estêvão VIII foi colocado no lugar de Leão VI e governou sob o controle de Marosia durante dois anos e dois meses, quando foi assassinado. Em 931, Marosia decidiu colocar seu próprio filho, Alexandre de Tusculum, como papa João XI, na época com cerca de 21 anos, no poder papal.

Quando o segundo marido de Marosia faleceu em 929, Marosia negociou um casamento com o meio-irmão de Guido, Hugo de Arles, autoproclamado Rei da Itália, para continuar no poder, mas Alberico II, filho de Alberico I e legítimo sucessor do trono, irritou-se com a tentativa de traição da mãe e depôs os dois picaretas, aprisionando-a em um castelo por cerca de 8 anos, até sua morte em 937 (Hugo conseguiu escapar da cidade antes de ser preso).

Por influência de Alberico II, o próximo papa, Leão VII, foi escolhido entre os monges beneditinos. Para apaziguar a iminente guerra entre Alberico II e Hugo, ele consegue uma aliança que culmina no casamento de Alberico II com Alda, filha de Hugo. Seu papado ficou conhecido pela perseguição aos judeus e também aos bruxos, cabalistas e adivinhos, que eram expulsos das terras cristãs.
Estêvão IX (939-942) entrou em conflito com os interesses de Alberico e terminou seus dias confinado no Palácio de Latrão, sendo substituído por um papa mais agradável aos interesses do rei, Marino II (942-946). Após este, Agapito II tentou por dez anos colocar ordem na promiscuidade que estava tomando conta dos palácios católicos. Também tentou, em vão, reestabelecer o celibato obrigatório e organizar a comunicação entre as igrejas. Morreu em 955 e, quando as coisas pareciam que voltariam ao normal no Vaticano, Alberico II faz os cardeais colocarem Otaviano, seu filho de apenas 18 anos de idade, como sucessor de Agapito II…
Otaviano (ou melhor, papa João XII), que ficou conhecido por violar virgens e viúvas e promover verdadeiras orgias no palácio papal, acabou assassinado pelo marido de uma de suas amantes em 964. Assim terminava a pornocracia em Roma.

Papas fantoches e o celibato
O 132º papa, Leão VIII, teve problemas com o imperador Oto I, da Alemanha, que, sob ameaça de invadir Roma, o exilou e colocou papas fantoches no comando do bispado de Roma, que nada mais faziam do que obedecer às suas ordens. Neste período, seus domínios ficaram conhecidos como “Sacro Império Romano-Germânico”. Tanto Leão VIII quanto Bento V, João XIII e Bento VI foram indicados por Oto I.
Em 974, após a morte de Oto I, Bento VI, o papa escolhido pelo Imperador foi capturado e estrangulado na prisão em uma revolução anti-germânica e substituído por um bispo romano novamente, Bento VII.
Neste papado o celibato entre os clérigos é novamente reestabelecido, desta vez por conta da farra de compra e venda de títulos eclesiásticos, que resultavam em dioceses se tornando “propriedades” de famílias através da compra do cargo de sacerdote por filhos e netos. A partir de agora, todas as igrejas retornavam ao domínio de Roma, deixando os padres e bispos sem direito a repassar suas heranças para esposas ou filhos. Esta é a verdadeira razão pela qual a Igreja Católica exige o celibato dos seus membros eclesiásticos.

João XIV (983-984) foi indicado pelo Imperador Oto II e também foi assassinado por opositores. João XV, também indicado pelo imperador, ficou mais dez anos no papado, sendo substituído por Gregorio V (que foi assassinado) e posteriormente Silvestre II (999 a 1003).

Silvestre II foi um papa diferente: monge beneditino francês, passou muito tempo no sul da Espanha, onde teve muito contato com a cultura árabe. Antes de se tornar papa, foi um dos principais divulgadores dos numerais indo-arábicos na Europa. Foi o inventor do primeiro relógio mecânico.
Atendendo a um pedido do imperador Oto II, dirigiu por um breve período a abadia de São Columbano em Bobbio e depois voltou a Reims (983), onde, como atuou como conselheiro do arcebispo Adalberon, deteve o controle da política francesa, favorecendo a ascensão ao trono de Hugo Capeto (Capeto… capeta… guarde este nome e esta dinastia, ela vai explicar mais para a frente a origem do termo “capeta” como sinônimo do tinhoso).
Protegido pelo imperador Oto III, que, vinte anos antes, havia sido seu discípulo em Roma, Oto III levou-o consigo, como conselheiro, à Itália, onde fez com que fosse nomeado primeiramente arcebispo de Ravena (998), e depois, com a morte de Gregório V, favoreceu sua eleição ao papado (999).
Os ideais iluministas do papa francês e do imperador alemão, contudo, não eram compartilhados pela população romana; ambos foram expulsos da cidade em fevereiro de 1001. O papa pôde voltar a Roma alguns meses depois, mas, nos dois últimos anos de vida e de reinado, toda sua vontade reformadora desaparecera: suas últimas esperanças foram destruídas com a morte de Oto III (1002).

O novo Milênio
João XVII foi um “papa de transição”… seu papado durou 4 meses. João XVIII ficou 5 anos e finalmente Sérgio IV dois anos. Mas nenhum deles foi assassinado: eram velhinhos quando assumiram o papado. Bento VII enfrentou novamente os muçulmanos no sul da Itália e, ao final do seu mandato (1024), começou a articular os príncipes europeus em um movimento para a expulsão dos muçulmanos do “santo sepulcro”. João XIX, irmão de Bento VII, deu continuidade a este movimento.

Bento IX, o homem que foi papa 3 vezes
Quando João XIX faleceu em 1032, a aristocracia romana colocou no papado Bento IX, um rapaz de 20 anos cuja função era atender aos interesses da classe campestre de Roma, que não aceitava os outros candidatos mais velhos. Por não conhecer os protocolos do papado, sua vida era um escândalo para a Igreja. Foi removido da cátedra e substituído por Silvestre III, mas em pouco tempo, os lordes de Roma o colocaram novamente como papa. Foi deposto uma segunda vez, em 1045, onde foi substituído por Gregório VI e posteriormente Clemente II, mas os lordes não desistem nunca, e Bento IX voltou a ser eleito papa em 1047. Pena que faleceu tão jovem, vítima de “intoxicação alimentar”… Foi substituído pelo papa Damaso II, cujo pontificado durou exatos 23 dias, vindo a falecer de “intoxicação alimentar” também.

O papa Leão IX também pegou um belo abacaxi para descascar… durante seu pontificado ocorre a Cisma do Oriente, que foi a divisão entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Romana. As relações entre as duas Igrejas nunca foi lá essas coisas, mas teve a gota d´água com uma discussão teológica sobre a natureza do Espírito Santo, em 1054, que terminou na excomunhão de todo mundo por todo mundo e a ruptura formal entre as Igrejas.

Tanto Bento IX quanto Damaso II, Leão IX, Vitor II, Nicolau II e Alexandre II lutaram contra uma das maiores pragas dentro da Igreja Católica: a simonia, ou comercialização das coisas sagradas. Os três papas tentaram, em vão, lutar contra a venda de indulgências, badulaques sagrados e relíquias (a coisa era tão absurda que existia até mesmo o “prepúcio sagrado”, que era exatamente isso que você está pensando… de Jesus!!! ). E antes de achar isso absurdo, saiba que o “prepúcio sagrado” ficou em exposição na catedral de Calcata até 1983 (século VINTE), quando foi ROUBADO. Eu fico pensando… quanto valeria um prepúcio sagrado no mercado negro de relíquias?

As cruzadas
Gregório VII, sucessor de Alexandre II em 1073, foi um dos papas mais influentes da história. Em 1075, Gregório VII publica o Dictatus Papae, que são 27 axiomas onde expressa as suas ideias sobre o papel do Pontífice na sua relação com os poderes temporais, especialmente com os imperadores do Sacro Império. Estas ideias poderão resumir-se em três modestos pontos principais:
1 – O Papa é senhor absoluto da Igreja, estando acima dos fiéis, dos clérigos e dos bispos, e acima das Igrejas locais, regionais e nacionais, e acima dos concílio;
2 – O Papa é senhor único e supremo do mundo, todos lhe devem submissão incluindo os príncipes, reis e imperadores.
3 – A Igreja romana não cometeu nunca erros.

No período de 1059 até 1087, as batalhas entre o chamado “Exército do Pontificado” contra os muçulmanos no norte da África foram se tornando cada vez piores e mais sangrentas. Finalmente, quando Vitor III falece em 1087 e o papa Urbano II assume o papado. No Concílio de Clermont-Ferrand (1095) Urbano II convocou os cristãos a uma guerra contra os “infiéis” muçulmanos, a fim de reconquistar Jerusalém. Iniciaram-se assim as cruzadas, expedições militares que partiam da Europa cristã a fim de combater os muçulmanos no Oriente.

Nos próximos capítulos:
“salvação a todos os mortos em combate contra os infiéis”
E as catedrais dedicadas a Maria Madalena, “Notre Damme”.

#ICAR

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/marosia-assassinatos-papas-e-crucifixos

Jainismo – A Religião do Protesto e da Não-Violência

O Jainismo, a religião do protesto e da não-violência na Índia, é originária do século VI a.C. Um de seus líderes foi Jina, o Vencedor, outro foi Mahavira, o Grande Herói. A religião protestava contra o complicado ritualismo e a impessoalidade do Hinduísmo.

Entre as afirmações do Jainismo que ainda existem está a coexistência de duas categorias eternamente independentes conhecidas como Jiva (animado, alma viva: o desfrutador) e Ajiva (objeto inanimado, não vivo: o desfrutado).

Os jainistas acreditam fortemente no karma. Eles afirmam que as ações da mente, fala e corpo produzem sutis partículas infra-atômicas de matéria que causam a escravidão da alma individual. Para evitar essa escravidão ou aprisionamento, a pessoa deve abster-se da violência para não causar sofrimento na vida. Alcança-se a salvação praticando as três “joias”: da fé correta, do conhecimento correto e da conduta correta.

Os espíritos conhecem sua identidade passando por sucessivas encarnações. Depois de nove encarnações vem a obtenção do Nirvana.

Os Yatis (ascetas) atingem o Nirvana com os cinco votos, panca-mahavrata: ahimsa, nunca infligir dano a qualquer criatura; satya, ser sempre verdadeiro; asteya, nunca roubar; brahmacarya, para praticar a contenção sexual; e aparig-raha, para desistir de bens mundanos. Esses votos ajudam a promover o autodomínio.

Os jainistas adoravam muitos dos deuses hindus, além de dois grandes profetas Mahavira e Jina. Eles acreditam que uma sucessão de 24 Tirthankaras (santos) originou sua religião com Mahavira o grande herói e Jina, figuras históricas, sendo o último desses santos.

As duas principais seitas dos jainistas, os monges de Digambara (vestidos de espaço ou nus) e os monges de Svetambara (vestidos de branco, ou vestindo roupas brancas), produziram grandes quantidades de literatura secular e religiosa nas línguas prácrito e sânscrito.

A maior parte da arte jainista foi encontrada principalmente em templos de cavernas elaboradamente decorados com pedras esculpidas e manuscritos ilustrados. Esta arte foi modelada após o budismo, mas era mais rica em textura e fertilidade. A maioria foi destruída no século 12, quando algumas seitas rejeitaram a adoração de imagens. As invasões muçulmanas saquearam muitos dos tesouros de arte também. No século 18, a inspiração da iconoclastia foi rejeitada ainda mais na adoração no templo. Rituais complicados foram substituídos por práticas de culto mais austeras.

Atualmente a religião está localizada principalmente na parte mais ao norte da Índia, na região de Bombaim (Mumbai) e nas maiores cidades da península indiana. Na década de 1960, os jainistas somavam apenas 1.500.000, mas influenciaram predominantemente a religião hindu. Os jainistas são principalmente comerciantes, e sua riqueza e autoridade os tornam muito influentes.

A maioria, se não todos, os jainistas praticam o ahimsa, a não violência, o que levou a referências extremas para a vida animal. Isto é especialmente verdadeiro para os ascetas, os Yatis. Exemplo desses extremos são usar um pano sobre a boca da pessoa para evitar que insetos voem e entrem nela e assim morram, carregar uma escova ou vassoura para varrer o local onde ela está prestes a se sentar e remover o risco de fazer mal a qualquer criatura viva.

Essas práticas de não-violência dos ascetas Yatis influenciaram muito o líder nacionalista indiano Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma Gandhi, cujas ações geraram ainda o maior movimento não-violento em todo o mundo e continuam influenciando outros movimentos não-violentos até os dias de hoje.

A.G.H.

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Jainism, by A.G.H.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/jainismo-a-religiao-do-protesto-e-da-nao-violencia/

O Caso do Dr. X

O episódio foi mencionado em tantos livros e revistas sobre OVNIs  que a maioria dos leitores assíduos do assunto provavelmente presumem que todos aspectos do caso foram estudados  em detalhe, e que nada de novo poderia ser acrescentado a esta altura. Mesmo assim a história completa jamais foi registrada.

O Dr. X. nasceu na França , em 1930 . Depois de concluir seus estudos com êxito , especializou-se em um campo relacionado com a medicina , encontando tempo também para cultivar um talento musical notável. Mora com a esposa e um filho, numa grande vila localizada em uma colina , de onde  se pode ver uma paisagem deslumbrante.

Sua história médica registra um fato importante : no dia 18 de maio de 1958, ele foi ferido pela explosão de uma mina na Argélia, quando servia no Exército frances. Isso causou uma deficiencia permanente no lado direito do corpo, provocando dores quando ficava muito tempo em pé ou apoiando o corpo no pédireito. Ele praticamente abandonou o piano, por causa das dores na mão direita. Três dias antes da visão, o Dr. X cortava lenha com um machado, fez um movimento em falso e se feriu na perna , cortando uma veia. Segiu-se uma hemorragia, o local ficou inflamado. Ele foi tratado imediatamente , mas ainda sentia dores na noite de 2 de novembro de 1968, qunado ocorreu o incidente com o OVNI.

Na noite em questão ele foi acordado, depois da meia-noite, pelo choro de seu filho de 14 meses. Sem acender a luz , levantou-se e foi ao quarto do menino, percebendo  clarões do lado de fora da casa. Seu filho estava em pé no berço, apontando para a janela: uma luz brilhante se movia atrás da venisiana. Ele não deu muita atenção ao fato, preparando uma mamadeira para a criança, que voltou a dormir. Como os efeitos de luz prosseguiam, o Dr. X aproximou-se de uma das janelas e a abriu, para investigar a causa. Quando resolveu sair na sacada, ficou visivel para qualquer um que observasse sua casa, do lado de fora. O relógio maracava 4:00.

Naquele momento o Dr. X viu nítidamente dois discos grandes, identicos, em posição perfeitamente horizontal. A parte superior de cada disco era branca, prateada, e o fundo tinha a cor do sol poente. No topo de cada objeto encontrava-se uma antena vertical alta. Na lateral de cada disco havia uma antena menor, horizontal. Um facho de luz branca iluminava o solo. Ele identificou elementos conhecidos  . Um facho de luz branca iluminava o solo. Ele identificou elementos conhecidos, como árvores e arbustos , o que lhe permitiu clacular com precisão a distancia  do fenomeno , quando o reconstituiu nos dias seguintes. Ele avaliou o tamanho dos discos: tinham diametro de 65 metros e espessura de 17 metros. Estavam a cerca de 250 metros da casa.

Os dois objetos se moveram lentamente , aproximando-se um do outro, emitindo pequenas faíscas comas antenas horizontais e finalmente fundiram-se em um unico objeto, que mudou de curso e seguiu na direção dele. Parando abrupatamente, o facho de luz na parte iluminou o teto de uma casa vizinha. O Dr. X reparou que a parte de baixo estava dividida em onze partes, percorridas por uma linha horizontal que lembrava a varredura de um televisor . A testemunha ficou fascinada pelo movimento da linha dentro do brilho vermelho do objeto.

O disco finalmente executou um movimento, que o colocou acima de sua cabeça, na vertical, e a luz branca pegou o doutor exatamente na sacada onde se encontrava. Ele ouviu um estalo, e o objeto desapareceu, deixando apenas uma forma esbranquiçada , como algodão doce, que foi carregado pelo vento. Um “fio brilhante” saiu do centro do objeto quando este se desmaterializou , subindo em direção ao céu, onde transformou-se em um ponto que explodiu como um rojão. Ficou tudo escuro novamente. O doutor santiu um choque nervoso e entrou. O episódio inteiro durara apenas dez minutos.

  O Dr. X  acordou a esposa e relatou a observação, andando excitado  pelo quarto, sem aparentemente sentir nenhuma dor na perna.Não só o hematoma desaparecera , como também todos os vestígios de seu ferimento de guerra.

Retornando a sua cama , pegou no sono rápidamente, mas falou enquanto dormia. Ele só parou de falar  às 7 horas , e dormiu até 14 horas . Relatou o incidente a uma única pessoa, Aimé Michel , que o visitou no dia 8 de novembro, encontrando-o enfraquecido e um pouco mais magro . O doutor sentia dores no estomago. No dia 17 de novembro ele notou uma descoloração estriada curiosa, em volta do umbigo. No dia seguinte a área adquiriu forma triangular avermelhada, cujos lados mediam cerca de 15 centimetros. Aimé Michel suspeitou de um efeito psicossomático, pois a testemunha sonhara que o objeto avistado tinha relação com uma forma triangular. Mas quando o mesmo triangulo surgiu no abdome do menino, e o mesmo fenomeno repetiu-se nos anos seguintes, a versão do efeito psicossomático foi descartada. Vale dizer que Steven Michalak também relatou a existencia de uma marca em V em seu peito.

Quando realizei minha primeira visita ao Dr. X e sua familia , em maio de 1979, junto com Aimé Michel, passamos um dia reconstituindo os acontecimentos e as experiencias posteriores descritas pela testemunha, sendo que nenhuma delas fora mencionada nas publicações sobre OVNIs.

Entre as experiencias posteriores há várias menções a cicatrizações inexplicadas. Não só os problemas anteriores desapareceram completamente, apesar de terem sido comprovados e verificados sem possibilidade de erro por médicos militares anteriormente, como o Dr. X passou tempos depois pela cura espontanea de uma fratura exposta. Neste caso, ele ficou tão embaraçado pelo rápido desaparecimento da ferida que saiu da cidade por alguns dias, de modo que um médico, seu colega, que tratou da fratura não fizesse perguntas ao ve-lo caminhar normalmente. O Dr. X também revelou que um especialista em dermatologista foi consultado, com referencia ao triangulo da pele. Ele disse que a descarnação ( pele ressecada) consistia de células mortas, mas não pode identificar sua causa provável.

Quando fiz perguntas sobre pessoas incomuns que pudesse ter encontrado desde a observação, o doutor revelou uma sequencia inteira de eventos tão fantásticos que desafiam a credulidade , apesar de confirmados por outros membros da familia.

O primeiro contato aconteceu quando o Dr. X passava férias no sul da França, cerca de um ano após a visão . Ele escutou repentinamente um assovio “dentro da cabeça” e sentiu “um impulso” para voltar ao quarto no hotel. Quando retornou o gerente disse que uma pessoa desejava falar com ele ao telefone. Era uma voz masculina, afirmando veemente que em pouco tempo eles “se encontrariam em sua cidade para discutir sua visão”.

Algum tempo depois, de volta a sua casa, o Dr. X ouviu um assobio similar. Ele pegou o carro e saiu, sendo “guiado”
misteriosamente para um determinado local, onde um estranho o esperava, parado perto de um Citroen CX, na época o carro francês mais moderno e caro. Ele era alto, tinha olhos azuis impressionantes e cabelos castanhos, vestindo um terno comum.

O sujeito deixou o Dr. X espantado quando iniciou a conversa desculpando-se pelos estranhos acontecimentos em sua casa.  Na verdade, desde a visão, o Dr. X e a esposa declararam ter sido atormentados por atividades tipo “poltergeist” e disturbios inexplicáveis nos circuitos elétricos. Nos encontros seguintes o homem instruiu o Dr. X sobre vários assuntos paranormais, levando-o a participar de experiencias de teletransporte e viagem no tempo, incluindo-se um episóio tenso em paisagens alternativas e uma estrada que “não existia” , segundo o Dr. X, que não tem explicação para estes episódios.

O estranho nunca disse seu nome, mas o Dr. X o chamava mnemonicamente de Sr. Bied. Ele surgia frequentemente em uma curva de um caminho poeirento que sai do lado norte da casa e vai dar nas colméias.

Em certa ocasião o Sr. Bied chegou acompanhado de uma humanóide de 1 metro de altura e pele mumificada, que permaneceu imóvel, enquanto seus olhos examinavam rapidamente a sala. Tais episódios possuem semelhanças com ocorrencias da vida de testemunhas norte-americanas , como no caso de Whitley Strieber, sempre provocando tensões familiares.

—    A presença de alienígenas nas proximidades da casa era sentida por ele    —   disse a esposa do Dr. X , que enfrentava
momentos dificeis quando isso acontecia. Ela precisava cuidar do filho pequeno, apesar dos medos e tensões resultantes de tais eventos. Embora nem Aimé Michel nem eu estivéssemos em condições de verificar a existencia de tais alienigenas , tivemos uma prova do incrivel talento musical do Dr. X, quando ele foi para o piano e executou uma admirável versão de Dies Irae  de Liszt.

  No mês seguinte o Dr. X visitou os Estados Unidos com a esposa e o filho, então com 12 anos. Eles vieram a nossa casa , na Califórnia. Janine e eu tivemos uma conversa longa e calma com eles, na qual o doutor revelou detalhes adicionais de suas experiencias . O episódio mais assombroso ocorreu em 1971, quando ele a esposa esperavam amigos para o almoço. Ele disse que ia tirar o carro do sol   —  e não voltou.

Ao entrar no carro, sentiu um “impulso” para ir até a cidade, onde novamente encontrou o misterioso Sr. Bied. O estranho disse que eles “precisavam ir a um certo lugar“. Em seguida o Dr. X se viu deitado em uma cama, numa cidade desconhecida. Quando ergueu-se e chegou perto da janela, percebeu que estava em Paris, perto do Ministério do Interior. Ele viu o carro do Dr. Bied passando na rua e entrando no prédio. Os guardas o saudaram. Ele pegou o telefone no quarto e ligou para a esposa: vinteminutos haviam passado, os convidados tinham chegado. Mais vinte minutos transcorreram, o carro do Sr. Bied saiu e o Dr. X descobriu que estava de volta a sua cidade. Ele voltou em segurança para casa, completamente atônito com o ocorrido.

Tais episódios de fugas não são raros em pessoas normais e inteligentes. Sei do caso de um importante cientista de computadores que desapareceu totalmente e inocentemente durante uma semana inteira, para desespero de uma grande empresa que o contratara, e dos orgãos governamentais com os quais desenvolvia projetos secretos de alto nivel. Mas não há indicações de que o Dr. X seja dado a tais fugas. Sua esposa confirma o telefonema de Paris. Mas a melhor indicação de que o Dr. X foi atingido por um fenomeno inexplicado deriva das provas médicas. A cura espontanea e permanete do ferimento de guerra e do hematoma foi confirmada, e a volta da descoloração triangular no abdome foi verificada durante anos seguidos.

Recentemente , em novembro de 1984, meu amigo Jean-Yves Casgha, reporter radiofonico da France-Inter, observou e filmou o aparecimento gradual do triangulo. Ele foi mais longe, providenciando exames termográficos durante o episódio ( no dia 2 de novembro ) , e quando a pele voltou ao normal ( no dia 16 de novembro ). As fotos foram tiradas com e sem resfriamento, nas duas ocasiões.

Os comentáriso feitos pelo médico encarregado, no dia 2 de novembro , incluem o seguinte:

Exame Clinico: Intenso eritema, em forma triangular, centrado no umbigo; ausencia de vaso superficial visível.
Termografia : Numerosas áreas hipertémicas curvilíneas, espalhadas sobre a região umbilical e bilateral ilíaca , correspondentes a vasos profundos, cuja topografia pode ser sobreposta à do eritema cutâneo, e que se mostram resistentes aos esfriamento.

No dia 11 de novembro o mesmo médico fez as seguintes observações no acompanhamento do caso:

Exame Clinico: A área cutânea tem aspecto normal, um pouco mais “queimada de sol” no nível do eritema de 2 de novembro .
Termografia: Hipertemia subumbilical difusa , em um setor correspondente ao aspecto termografia usual ao plano cutâneo.

O desaparecimento dos ferimentos sofridos na Argélia foi documentado novamente , em 1985. Um diagnóstico feito em 1958 pelos médicos do Departamento de Veteranos indicava “deficiencia motora dos membros superior e inferior direitos, com síndrome de Babinski e parestesia acompanhada de pontadas e entorpecimento”. O relatório médico realizado em 8 de janeiro de 1985 concluía:

O exame neurológico é normal ; não existe nenhum sinal da sindrome de Babinski, nem deficiencias no senso de equilíbrio.

Os outros fenomenos são intrigantes , mas não exclusivos. A 9 de dezembro de 1968 ( cinco semanas após a visão do Dr. X ) um funcionário da alfândega de Lima , no Peru, declarou ter visto um OVNI quando na varanda de sua casa , e que uma  luz purpura o “atingiu” no rosto. Ele ficou atônito ao descobrir que não precisava mais usar óculos, que corrigiam sua miopia. Seu reumatismo desapareceu. Um engenheiro chamado Emmano Manurio, ao pesquisar o caso para a APRO, calculou a distancia do objeto em cerca de 2,5 quilometros. A testemunha, segundo ele, sentiu um “medo paralisante” que o deixou em um estado próximo ao êstase por dois ou três minutos.

A observação de “paisagens alternativas”  tampouco é uma experiencia exclusiva do Dr. X . Whitley Strieber descreveu vividamente seu espanto ao descobrir campos com  flores anarelas onde não deveriam estar. Em outubro de 1982 um ingles , depois de ler meu livro Mensageiros da Fraude, residente a poucos quilometros da base da Força Aérea norte-americana de Wethersfield , escreveu a seguinte carta, dizendo que conhecia

um jovem que me contou ter conseguido, durante seu período de treinamento, como piloto, acesso para leitura apenas de um documento sobre OVNIs abrangendo até a década de 1940. Ele não disse ter passado por nenhuma experiencia pessoal com OVNIs. A maior parte das informações passadas por ele constava da literatura sobre OVNIs, com a qual eu já estava familiarizado , embora a êfase fosse diferente : eles reagiam quando atacados; decolavam “na vertical” ; “mudavam de forma “. Ele também menciona alguns efeitos psicológicos.

Ao que parece havia casos onde os pilotos , ao tentar interceptar os objetos, encontravam-se em paisagens ilusórias. Em um dos casos o piloto precisou ser alertado quando retornava à base, navegando a partir de marcos terrestres familiares. Na verdade, ele seguia diretamente para o mar.

Um documento muito censurado relatava um caso de caças que tentaram interceptar OVNIs; os aviões retornaram à base praticamente ao mesmo tempo, como resultado de uma espécie de amnésia coletiva, concluiu-se. Em vários casos de contatos imediatos os pilotos sofreram danos psicológicos de modos obscuros, e foram transferidos para outras unidades. Após a leitura de seu livro, achei este detalhe final particularmente interessante.

A peculiar descoloração geométrica da pele tampouco é unica. Um médico especialista da Força Aérea dos Estados Unidos me contou detalhes de um caso investigado por ele em Tyler, no Texas , em 1979. Um jovem universitário chamado Greg manteve contato com uma luz  verde brilhante, e viu “duas naves com uma luz vermelho-violeta indo e vindo“. O médico o examinou e encontrou uma marca vermelha em forma de diamante com 12 centimetros, no peito, e pequenos sinais de picadas nas pernas. A marca no peito levou meses para desaparecer. Os sinais tinham o tamnho aproximado de uma agulha hipodérmica, mas tais marcas teriam desaparecido com mais rapidez.

Em anos recentes médicos e cientistas ligados ao governo da França realizaram um estudo especial dos fenomenos biologicos ligados a observação de OVNIs. Em particular, eles investigaram os casos de paralisia frequentemente relatados por testemunhas obviamente confiaveis como o Sr. Masse. O conceito de “paralisia” na verdade não se aplica ao efeito , que seria melhor definido como acinesia: dificuldade ou impossibilidade de realizar determinados movimentos.

Um dos médicos especialistas, o Dr. Daniel Mavrakis, notou que em tais episódios de OVNIs “a tonica da postura não é afetada, o paciente mantém o equilibrio e não cai. O coração não é afetado “. Ele concluiu que a acinésia provocada pela experiencia com um OVNI agia sobre o sistema nervoso central.

Alguns experimentos realizados com campos magnéticos também são relevantes neste aspecto. Um trabalho de Hodgkin mostrou que as células produzem e absorvem diferentes íons quando liberam energia. Um trabalho realizado por um pesquisador francês sobre o “impacto biológico das instalações eletromagéticas” pesquisou a possibilidade de campos magnéticos intensos influenciarem a trajetória destes íons. Uma série de experimentos feitos e camundongos por Guiot, com campos variando entre 12 mil oersteds e 23 mil oersteds produziram efeitos variando da inibição dos reflexos defensivos à indução ao sono, criação de estados convulsivos e mesmo a morte.

Outros modelos , mais sofisticados, foram recentemente desenvolvidos por pesquisadores franceses, que estudaram a ação direta da radiação eletromagnética pulsante nas células musculares, mas não tenho autorização para divulgar resultados deste trabalho.

Vale notar que os efeitos das microondas no sistema nervoso central podem levar as testemunhas a alucinações, um fato que pode ser importante na interpretação de muitos casos de contatos imediatos ou sequestros com fatores absurdo. O mesmo fenomeno pode também induzir mudanças a longo prazo no conjunto de crenças do individuo, contribuindo para a explicação de acontecimentos aparentemente miraculoso que as testemunhas descrevem com frequencia de boa-fé . Mesmo assim uma interpretação física deixa de explicar a totalidade das observações registradas na literatura.
Em uma revisão cuidadosa dos efeitos dos OVNIs nas pessoas, James McCampbell notou que os fenomenos frequentes de queimaduras solares não pode ser causado apenas por radiação ultravioleta   —   uma vez que ocorre muito em áreas de pele cobertas por roupas, que barram os raios ultravioletas  —, sendo melhor explicadas por exposição a microondas . Um comprimento de onda de 1 centimetro causa a sensação clara de calor, com menos de um décimo do fluxo de energia do Sol . Conforme notado por McCampbell, “queimaduras só seriam causadas, naturalmente por intensidades muito maiores

No dia 23 de janeiro de 1976 a garota Shelley McLenaghan, 17 anos , viu uma luz “estranha” no céu, verde e vermelha , perto de Bolton, no norte da Inglaterra. Ela acabara de descer do ônibus, às 17h15. O objeto era do tamanho de uma casa pequena, chato no topo , com lados em declive e três pernas.

—   Senti uma terrivel pressão na cabeça e no ombro, e um gosto estranho na boca. Meus dentes pareciam vibrar. Quando tentei correr, parecia que estava dentro de um pesadelo. Só conseguia mover braços e pernas lentamente. Tentei gritar. Não saiu nenhum som   — declarou a testemunha.

Shelley ficou doente no final de semana: manchas púrpureas cobriram o pescoso, peito , ombros e a parte de cima das costas. Seus olhos e juntas doiam. As obturações do maxilar superior caíram, e as do inferior se esfarelaram.

Um oficial do Exército que serviu na Guerra da Coréia descreveu um incidente ainda mais notável, no qual um objeto luminoso alaranjado sobrevoou uma aldeia quando esta era bombardeada por uma unidade completa de artilharia na área do Triangulo de Ferro. Ele pairou a baixa altitude, aparentemente sem se importar com as explosões poderosas. Quando subiu a colina, aproximando-se das peças de artilharia, foi dada permissão para se atirar contra ele com um rifle de precisão. O objeto foi visivelmente deslocado com o impacto da bala. Depois começou a varrer a colina com uma estranha luz, segundo o oficial:

Não se podia ver a luz, a não ser quando ela passava pela gente”, ele declarou. No dia seguinte toda a unidade de artilharia ficou muito doente e precisou ser removida da linha de frente, mas nenhum relatório oficial foi feito para identificar a fonte da estranha doença.

Os dados clínicos foram coletados por investigadores sérios dos fenomenos de OVNIs, e portanto formam uma coleção
impressionante de fatos empíricos. Várias explicações foram propostas variando de campos magnéticos a microndas pulsantes. Elas abrangem alguns efeitos, mas nenhuma explicação, por si só, esclarece o fenomeno como um todo.

Dada a complexidade das observações existentes, eu proponho que se adie a analise destes efeitos, e que se considere
cuidadosamente as provas dos casos mais extremos: aqueles que resultaram em danos permanentes ou morte.

Extraido do livro Confrontos de Jacques Vallée  – Editora Best Seller  – 1990

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-do-dr-x/

Tempo de Despertar

Escrevi isso exatos dez anos atrás.. fiquei muito relutante em publicar, mas várias “indicações” ao longo do caminho me fizeram ter a certeza de que devo publicar sim. Espero que ninguém se sinta particularmente ofendido, pois não escrevi pensando em ninguém em especial:

Sabe, eu sempre procurei aliar meus estudos esotéricos a um objetivo prático. De nada adianta toda a teoria se não há um impacto aqui e agora em nossas vidas. Isso não quer dizer que ao ler “Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra” eu vá passar a aplicar isso automaticamente, mas tenho de ter um mínimo de bom-senso de que aquele deve ser meu objetivo. Então eu fico realmente cabreiro com o monte de teoria inútil que é distribuída por aí e que não fazem diferença alguma na vida de ninguém!! São em sua maioria canalizações, que espalham de forma indiscriminada coisas como duplicação de DNA, transmutação em corpo de luz, fim dos tempos, chegada dos extraterrestres, etc.

Ora, de que me adianta saber destas coisas que não têm nenhum paralelo com o mundo real e não servem nem como abstração para a evolução do meu espírito? Por exemplo, quando estudo sobre corpo astral (que é um troço abstrato) essa informação vai ter um impacto em minha vida. Como? Sabendo que eu tenho um corpo astral, que me interpenetra e é susceptível às energias circundantes, saberei que ele também precisa de limpeza e proteção, como o meu corpo físico, e ainda MAIS que ele, por não haver as limitações físicas de alcance e interação com outros corpos. Como posso comprovar essa teoria na prática? Conversando com aquele chato sanguessuga do trabalho, indo a um “inferninho”… Enfim, em pessoas sensíveis os efeitos são gritantes. Se eu fosse clarividente até me interessaria pelas cores da aura, que denotam a intenção do pensamento da pessoa, mas não sou, então essa informação não me interessa (mas pode ser útil pra milhares de outras pessoas!). Se eu me projetasse (saísse do corpo) com facilidade, a informação de que o corpo se subdivide em 7 corpos cada vez menos materiais poderia me ser útil, mas eu mal consigo sair do primeiro corpo!! Não me adianta querer fazer uma tese de mestrado se eu ainda não saí do primário!

Há alguns anos tais informações só estavam acessíveis a quem realmente precisasse delas, pois a obtenção era difícil e exigia real interesse. Com a Internet e o modismo esotérico, fala-se em “salto quântico” como se fosse falar de novela, em contextos totalmente incoerentes, e muitas vezes a pessoa que usou o termo mal sabe o que é um quanta!

Onde estou tentando chegar? No samba do esotérico doido que se tornou o ocultismo hoje, que mistura ufologia, ciência, todas as religiões possíveis (preferencialmente o judaísmo, porque estudar Cabalá “é muito chique”) e previsões catastróficas do futuro. Nem os Santos Católicos escapam: tem um site que traz supostas canalizações de uma Nossa Senhora da Aparecida que diz o tempo todo que “O que digo não é para causar-vos medo”, mas não tem uma mensagem sequer que ela não fale uma dúzia de desgraças como “Atenas tropeçará e perderá sua fama. O Braço forte de Deus agirá. Grande sofrimento experimentarão os habitantes da Dinamarca, Bélgica e Alemanha. A morte passará pelo Ceará. Arrependei-vos.” Tudo isso numa só linha! Não sabia que a mãe de Jesus era porta-voz do Apocalipse… Ora, o que se pode tirar de útil disso? Será que a Santa está insinuando que devemos nos converter pelo medo, como na Idade Média? Será que Jesus pregava através do medo? Considerando que o site não parece ter fins lucrativos (embora tenha doações envolvidas no meio) é de se pensar que seja alguma doença mental, ou então devemos aceitar que a mãe de Jesus tenha uma péssima assessoria de comunicação e tenha de descer sua vibração dos mais altos planos a cada dois dias para contatar pessoalmente alguém no Brasil pra ficar repassando mensagens vazias (A morte passará em tal local…), redundantes (ela já ameaçou o Japão três vezes) e intimidadoras.

Sei que eu não devia estar falando essas coisas das crenças dos outros, mas existe uma grande diferença entre respeito e covardia. Eu estaria sendo omisso comigo mesmo se, dentro do meu próprio blog não alertasse as pessoas que vêm em busca de informações de cunho espiritual. Jesus disse para olhar primeiro para a trave em nosso próprio olho, mas não deixava de criticar os hipócritas e aproveitadores da fé de sua época. Estaria sim, sendo desrespeitoso se entrasse no site deles para criticá-los.

Dito isso, vamos a outro tópico que me dá nos nervos: A tal da mudança do DNA. Isso surgiu em algum canto dos EUA e foi traduzido em diversas línguas, onde um tal de Dr. Berrenda Fox, com “doutorado em Fisiologia e Naturopatia” sugere (sem evidência científica alguma, claro) que o nosso DNA está mudando… e MUITO. Isso se espalhou como fogo pelas comunidades esquisotéricas. Um MÍNIMO de formação acadêmica já descartaria tal teoria como um absurdo, afinal, muitos sabem que a diferença entre o DNA do homem e do macaco é de apenas 1,5%, e como eu acredito que em tais comunidades existam médicos e professores, me parece ser mais uma questão de constrangimento que cria um véu de “tabu” ao redor desse assunto. Vejamos alguns trechos do artigo, onde vocês verão as inconsistências do texto:

Pergunta: Quais são as mudanças que estão ocorrendo neste momento no planeta, e como nossos corpos têm sido afetados?
Berrenda Fox: Existem grandes mudanças, mutações que não ocorriam, de acordo com geneticistas, desde quando, supostamente, saímos da água. Há alguns anos atrás, na cidade do México, houve uma convenção de geneticistas de todo o mundo e o tópico principal foi a mudança no DNA. Nós estamos fazendo uma mudança evolucionária, embora não saibamos em no que vamos nos transformar.

Pergunta: Como está mudando o nosso DNA?
Berrenda Fox: Todas as pessoas têm uma hélice dupla de DNA. O que estamos descobrindo é que existem outras hélices que estão sendo formadas. Na hélice dupla, existem duas seqüências de DNA enroladas em uma espiral. Meu entendimento é o de que iremos desenvolver doze hélices. Durante este tempo, que parece ter começado talvez entre 5 e 20 anos atrás, temos sofrido uma mutação. Esta é a explicação científica. É uma mutação da nossa espécie em algo para o qual o resultado final ainda não é conhecido.
As mudanças não são conhecidas publicamente, porque a comunidade científica sente que isso iria amedrontar a população. De qualquer forma, as pessoas estão mudando a nível celular. Estou trabalhando atualmente com três crianças que possuem três hélices de DNA.

E tem mais:

DNA, MUDANÇAS CORPORAIS E RECOMENDAÇÕES
Extraído do artigo “A imagem superior” por Susanna Thorpe-Clark

Nós estamos sendo mudados fisicamente de seres basicamente carbônicos com duas seqüências de DNA para seres cristalinos com 1.024 seqüências de DNA (eventualmente), porque apenas substâncias cristalinas podem existir em níveis dimensionais mais elevados.
Na verdade, estamos fundindo nossos corpos com seqüências de DNA dos Sírios, já que este formato é suficientemente próximo ao nosso para que nos integremos com relativamente poucos efeitos colaterais…

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Agora sim, uma explicação satisfatória… Eu bem que desconfiava que esses ETs de Sírios estavam querendo fundir com a gente… Eles que fundam a mãe, porque comigo não!

Se o bom-senso não for satisfatório pra descartar estes textos, então faço uso de uma réplica supostamente escrita por um PHD na comunidade “Biologia” do Orkut:

“Nunca me vi perdendo tanto tempo numa leitura absurda como esta de Berrenda Fox! As mutações acontecem, mas elas são postas em cheque quanto à letalidade do fenótipo apresentado ou sua implicação fisiológica geral no indivíduo.

Por exemplo:
1) Se o novo caractere for inócuo à sobrevivência do portador, ele pode se perpetuar com suas descendências em F1, F2, etc, ou poderá se combinar com os genes de seus compares, consortes ou se diluir depois de gerações e desaparecer por completo.

2) Se o novo caractere apresentar letalidade, então dificilmente apresentará uma variabilidade crescente (culminando depois em presença dominante genética) como conta o texto.

Absurdo! É até um paradoxo pensar nesta segunda hipótese, sem dúvida contra a herança genética como a conhecemos, e implicando diretamente em aberração à lógica da partilha de genes e sua recessividade/dominância.

NÃO, o nosso ADN (DNA) não está mudando como diz o texto. 12 hélices? Acho que o autor leu muito as histórias de Gene Roddenberry e quer passar algumas das idéias dos episódios de Star Trek em forma de ciência para fazer sucesso imediato nas revistas de pasquim, boletins via email da internet, manchetes de supermercados ou para deslumbrar o leigo com fantasias destoantes.

Mutação é uma ocorrência no ADN que pode ser transmitida para futuras gerações, dependendo do tamanho da seqüência do ADN que modificou, levando o portador daquela mudança a manifestar caracteres lesivos ou não a sua saúde, anatomia ou comportamento.

Algumas mutações são benéficas – como as que aconteceram com certos seres aquáticos quando evoluíram de uma vida totalmente aquática para uma semi-aquática e semi-terrestre, vindo a surgir assim os anfíbios, certos répteis e quelônios. Muitas espécies surgiram assim, através de mutações genéticas, muitas delas mantiveram a capacidade natural de se autopreservar e outras acabaram mal por falta de mecanismos de adaptação ao ambiente.

Outras mutações são inofensivas, como a perda de funcionalidade de nosso apêndice vermiforme (que se suspeita ser parte ativa de um intestino mais largo em pitecantropos – antepassados da espécie humana há centenas de milhares de anos).

Existem ainda as mutações danosas, como as que acontecem no aparecimento de cânceres, em aneuploidias diversas que acontecem entre nós (propiciando doenças e síndromes que dificultam a sobrevivência da espécie, incapacitando os portadores sexualmente, psicologicamente, imunologicamente, socialmente e patologicamente).

As mutações podem modificar o ADN de todas as células humanas sim, pelo menos daquele portador e seus descendentes (vide o que eu escrevi acima, sob certas circunstâncias), mas NÃO VÃO MODIFICAR TODO O ADN.

As mutações podem desequilibrar células somáticas (de todo o corpo) e/ou germinativas (nossos gametas, espermatozóides nos homens e óvulos nas mulheres), e freqüentemente apresentam estas falhas de código no ADN, negando a captação ou síntese de proteínas pelos genes, ou podem passar despercebidas caso atingirem áreas do ADN que não sejam hábeis a traduzir sequência de proteínas (íntrons).

Além disso, existem outros certos tipos de mutações que ocorrem apenas em células especializadas, ou em áreas localizadas como o que acontece em mosaicos durante alguma malformação na meiose ou em heterotopias subcorticais (o que acontece com algumas desordens de migração neuronal com a ativação parcial do gene LIS1).

Algumas dessas mutações são corrigidas pelo próprio ADN, a nível molecular através de uma rede de sinais celulares, enzimas diversos, ou equipamento regulador do ARN, etc, outras não precisarão ser corrigidas por caírem em regiões neutras do ADN, conforme descrito antes.

Mas o que acontece com mutações num período curto? Num período de 6 anos ou menos, a poluição poderia influenciar no aparecimento de novas mutações, assim como radiação, medicamentos, substâncias tóxicas administradas como drogas ou aditivos alimentares, respostas à infecção viral e bacteriana, cânceres e combinação deletéria de uma série de doenças genéticas em uma pequena população.

O resultado que possa se apresentar diferente do normativo (num indivíduo adulto) em decorrência da alteração genética de seus cromossomos por alguma mutação é conseqüência de alguma doença, síndrome ou aparecimento de debilidades diversas de cunho anatômico, comportamental, etc, isoladamente.

Acho muito difícil que isso venha implicar em uma total reestruturação biológica populacional com o escopo de criar uma nova espécie daquele ponto em diante somente em 6 anos, conforme o texto se coaduna, ou até mesmo em 50 anos!

Para se criar uma espécie é preciso muito mais tempo, muitos mais descendentes, todos funcionalmente interativos e cooperativos para a transmissão dos novos caracteres (cientes ou não deste fim) para as futuras gerações, e se possível em algum ambiente isolado e sem participação de fatores que permitam descontinuar o desenvolvimento próprio destes novos caracteres. Ou seja, algo como que ocorreu nas ilhas Galápagos, ao longo de séculos, seria um exemplo mais apropriado para que isso desse certo.

Seremos os mesmo no futuro, porém melhores…

Existem textos mais brilhantes que aventam a possibilidade da espécie humana estar mudando, acrescendo-se de novas características funcionais, eliminando aquelas nocivas, prejudiciais e deletérias, e fazendo aos poucos uma nova espécie que se acomode aos desafios do ambiente, aprenda a manipular melhor as diferentes facetas da natureza, adaptando-se ao meio melhor e enriquecendo a massa encefálica com novas e mais amplas conexões sinápticas. Eu vejo o homem do futuro, um ser com um ADN muito próximo ao atual (com pouquíssimas modificações), mas com uma anatomia muito mais adaptada ao mundo do que a que temos hoje – com maior volume encefálico, maiores defesas epiteliais, maior eficácia cárdio-respiratória, vascular, óssea, com maiores habilidades carpo-cinéticas, visuais, degustatórias, e de percepção… e menos pilosidade corporal.

Sem dúvida seremos humanos, mas é duvidoso que seremos uma espécie nova com outro ADN, ou com um ADN exógeno (a não ser que encontremos melhores espécies fora deste planeta, e com isso decidamos incorporar ou combinar nosso ADN com os da espécie mais talentosa, com devido indulto e reverência à astrobiologia, claro, heheheh).”

Bem, vamos passar a outro tópico: Mestres Ascensionados. Taí um assunto que já foi interessante, há alguns anos, quando estava vinculado tão-somente aos Sete Raios. Até fiz um post a respeito. Os Sete Raios podiam servir como “teste vocacional espiritual”, algo como um guia, um horóscopo, mas já naquela época estava se iniciando um movimento de glorificação do Saint-Germain como uma espécie de “Jesus da Nova Era”. E os outros Mestres ganharam status de santos, da mesma forma que na Igreja Católica. Se você quer ter sucesso em certa área da vida, reze ou acenda uma vela pra o Mestre tal, na cor tal (à venda nos shoppings e nas tendas esotéricas de duendes e bruxinhas).

Temos também o Ashtar Sheran, um ser alto, louro e nórdico das galáxias, protetor do planeta Terra e comandante-em-chefe das tropas estrelares da Confederação Intergaláctica da Grande Fraternidade Branca Universal, a serviço de Jesus (que é conhecido nesses meios por Sananda)! Pra quem não conhece, essa é a Ufologia mística, que aterroriza todos os pesquisadores SÉRIOS do estudo ufológico e contribui para que o fenômeno UFO seja ridicularizado. A idéia de Ashtar é antiga (1952), e sua missão é enviar mensagens aos habitantes do Planeta Terra, para que estes tomassem consciência de suas ações; orientar e ajudar durante os períodos de transição da Terra para uma “dimensão superior” e resgatar seres-humanos que estivessem “preparados” ou em perigo, para serem novamente recolocados na Terra, após um inevitável cataclismo que estaria se aproximando (há mais de 50 anos!). Ou seja, é mais uma seita apocalíptica de “eleitos” que prevê uma forma new-age de arrebatamento. Isso é mais velho do que andar para frente, só que, para as pessoas de hoje, insatisfeitas com o catolicismo e ainda dependentes de mitos e grupinhos fechados, isso cai como uma luva para suas aspirações, afinal, basta entrar para o grupo (e ler todas as mensagens) para se tornar uma pessoa especial, que vai ser “salva” nessa espécie de “juízo final”. Não precisa nem pagar dízimo! Mas é preciso ter cuidado os Greys, aqueles alienígenas cinzentos do cabeção. Tudo o que lhe acontecer de ruim você pode pôr a culpa neles, afinal, você agora é um trabalhador da luz, e os demônios da nova era irão persegui-lo. Por isso, NÃO SAIA DO NOSSO GRUPO ou você estará vulnerável! Perceberam?

Claro, devido a quantidade de grupos espalhados pelo Brasil que lidam com Ashtar e Mestres Ascensionados, é impossível não estar cometendo uma injustiça com alguns deles. É como se eu pegasse um centro espírita onde se faz charlatanismo e dissesse que todos são assim. Mas é preciso SIM ficar de olhos bem abertos. O Fantástico desse domingo vai começar uma série que visa desmistificar aqueles “gurus” que se fazem passar por místicos, seres iluminados com percepção extra-sensorial, e tal, mas que são na verdade aproveitadores cujo “poder” é apenas ler as mensagens que as próprias pessoas passam no dia-a-dia, com roupas, gestos, expressões, etc.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/tempo-de-despertar