A Real Liberdade Humana

“O problema da paz é o problema da liberdade.”

Jiddu Krishnamurti

É comum que os seres das mais variadas classes e segmentos da sociedade divulguem ideais que considerem os melhores para que possamos viver em um mundo mais harmonioso e justo. Este tipo de posicionamento é muito incentivado pela mídia ou por propaganda política, em especial em épocas de crise ou de pleitos eleitorais. Portanto, torna-se corriqueiro na nossa civilização atual esses temas serem comentados e solicitados diariamente das mais diversas formas.

Contudo, nós sabemos o que repetimos constantemente? Ao clamar por justiça, igualdade, liberdade ou verdade, temos plena consciência do que realmente estas palavras significam? As dificuldades maiores já ocorrem porque determinadas palavras assumem significados diferentes para classes de pessoas diferentes. Apenas para exemplificar podemos levar duas questões sobre um mesmo assunto: Será justo uma nação atacar e invadir outra “em nome da democracia e da liberdade”? Por outro lado, será justo deixar uma nação ser massacrada por um ditador que também diz defender a democracia e a liberdade? Ficando apenas no aspecto ético da palavra já podemos perceber o problema de não se conhecer o que se invoca.

Sim, invoca. Cada ideal é uma egrégora que vai se plasmando no inconsciente coletivo da maneira que este incosciente começa a definí-la. E mais, essa egrégora cedo ou tarde se manifestará da maneira que foi definida. Um exemplo clássico é o do inferno cristão. Durante séculos a Europa se deixou dominar pela idéia de que o inferno teria demônios que queimariam, espetariam e torturariam das mais diversas formas os seus prisioneiros. E como se escolheriam os prisioneiros deste inferno? Bastaria que fossem renegados pela Igreja ou acusados de renegarem Deus. Ora, o que foi a “Santa Inquisição”? Multidões sendo queimadas, espetadas e torturadas por serem renegados pela Igreja ou acusados de renegarem Deus! Esta egrégora do “inferno”, após séculos sendo trabalhada, manifestou-se e cumpriu o seu papel!

Portanto, se devemos defender um ideal, devemos conhecê-lo. Falar levianamente em justiça e não ser justo é um erro de consequências graves, pois a egrégora se formará de acordo com aquilo que se age, fala, mas principalmente sente e pensa.

O ideal de Liberdade

Tendo isto em mente, vamos falar de Liberdade. Escolhemos a Liberdade por ser ela um dos mais importantes, repetidos e mal-compreendidos ideais da nossa história. Cabe salientar aqui que os ideais – assim como as Egrégoras – nascem, evoluem e se transformam. Seria importante, neste momento chave por que passa a Evolução Humana, que este conceito seja revisto e devidamente defendido.

Para compreendermos o que é Liberdade, devemos primeiro compreender o Homem. Ou melhor, o que no Homem foi capaz de criar este conceito e é capaz de refletir sobre ele.

Segundo a Sabedoria Iniciática das Idades, o termo “Homem” (em inglês; “man” e em alemão; “mann”) é uma derivação do termo que em sânscrito seria algo como “manas”. Manas é um termo grosseiramente traduzido para o português como “mente”. O Homem (esqueçamos as designações falsas e tardias dadas ao elemento do sexo masculino da espécie humana e vejamos o ser como um todo) é portanto “aquele cuja a consciência vibra na mente”. Ou seja, é na mente que o verdadeiro Homem cria a sua realidade.

Portanto, com essas posturas colocadas, podemos começar a discutir o que é a Liberdade.

O que é um Homem livre?

Normalmente, o conceito de Liberdade está associado ao tão famoso “direito de ir e vir”. Devemos admitir que, historicamente, o direito de ir e vir é uma conquista importante para a Evolução da Humanidade e que foi um passo significativo para a plasmação no inconsciente coletivo de que a Liberdade é possível.

Mas temos dois problemas aqui. O primeiro é que o “direito de ir e vir” segue algumas limitações básicas. Algumas muito justas para uma vivência harmônica e outras nem tanto. Todavia, este é o menor dos problemas.

O maior deles é o de que o direito de ir e vir não é sinônimo de Liberdade.

Ora, analisemos. O Homem, sendo o ser cuja consciência vibra no nível mental, somente poderá ser considerado livre se sua mente for livre! Pensemos, utilizando o direito de ir e vir como exemplo: podemos dar o direito a qualquer pessoa de ir e vir aonde desejar que, se ela se achar indigna de ir a determinado lugar ou achar tal lugar indigno de sua presença, ela não está livre de verdade.

E o que prende a mente do Homem? Este carcereiro pode ser definido em outra palavra sânscrita: Avydia. Avydia significa “sem sabedoria” e podemos traduzi-la por “ignorância” ou mesmo “obscuridade”. Mas, que ignorância? A ignorância de si mesmo; do que é e do que se é capaz.

As pessoas, em geral, estão ignorantes dos seus próprios processos. Como consequência, costumam se confundir com eles e isto as aprisiona. Elas pensam que são o que fazem, pensam que são o que falam, pensam que são o que sentem e pensam que são o que pensam.

“O Homem não é um fim em si”, “O Homem é uma ponte suspensa no abismo que liga a besta ao Super-Homem”, essas duas frases de Nietzsche demonstram bem o papel do Homem na Evolução deste planeta. Nós não devemos nos identificar com os instrumentos que recebemos para nos manifestarmos nos planos, esta identificação gera o apego e o apego nos aprisiona.

O Homem é um passo na Evolução, o passo que define a vibração de uma determinada consciência no plano mental. Por isso, é neste plano que sua Liberdade deve ser adquirida.

Como age um Livre Pensador

É importante percebermos que raramente pensamos de verdade. Geralmente, o que fazemos é repetir um processo que alguém já pensou – este sim, o verdadeiro pensador. Senão vejamos através do seguinte exemplo: a dicotomia alma-corpo é um processo que existe na cultura Ocidental desde Platão e é aceita como normal, como se simplesmente não houvesse outra forma de se encarar a formação de um Ser Humano. Esta dicotomia se tornou uma estrutura tão poderosa em nossas mentes que serve de base para religiões e nossa forma de pensar (você nunca usou o termo “minha alma”?). Uma outra dicotomia: bem absoluto x mal absoluto. É tão forte que mesmo quando nos deparamos com uma cultura que pensa diferente – como a cultura afro ou viking, para dar dois exemplos – nós inserimos essa dicotomia na hora de nos relacionarmos com ela, inconscientemente. Assim, o Exu ou Loki assumem o papel de “deus do mal” em oposição aos “deuses do bem”, quando originalmente esta estrutura de pensamento não existia nas duas culturas.

Quando verdadeiramente livre, o Homem é capaz de adquirir uma plenitude na existência. Além do mais, ele compreende o seu papel e pode realmente trabalhar pela sua plena manifestação ou Iluminação.

Ora, e como age este ser livre, que passaremos a denominar de Livre pensador? Ele já percebeu que os processos mentais e os pensamentos não são a mente assim como os movimentos e a escrita não são o braço. Ele observa os pensamentos como fluxos de energia que atravessam o seu cérebro a qual ele se apega ou não. Se, no momento em que se apegar, ele “enlaçar” este pensamento com uma emoção, o pensador acaba de criar vínculo com ele.

Criar vínculos com pensamentos ou processos mentais que surgem não é necessariamente ruim, o problema é não conseguir mais se desvincular dele ou rejeitá-lo sem a devida reflexão. Estas duas atitudes implicam em aprisionamento da mente do pensador. Este aprisionamento se mostra na identificação que se teria com o pensamento; ou seja, qualquer ataque ao pensamento se torna um ataque ao pensador. Além disso, qualquer pensamento diferente se torna uma ameaça ao próprio pensador, pois este acredita que “invalidar” o pensamento invalida sua própria estrutura de auto-reconhecimento.

Devido a isso, podemos identificar um Livre pensador pelas suas atitudes. Primeiramente, ele raramente aceita ou rejeita uma idéia automaticamente. O processo de reflexão, este sim, se torna “automático”. O Livre pensador sempre procura analisar o conteúdo de uma determinada proposição, para em cima da reflexão ou da experiência adquirir sua postura.

Ele dificilmente ofenderia o portador de alguma idéia diferente da sua. O Livre pensador debate idéias; discute sobre a mensagem sem ofender o mensageiro, tendo em vista que – assim como ele não se identifica com seus pensamentos – não identifica o seu irmão(ã) com os pensamentos deste(a).

O livre pensador sabe que não existe um “único modo” de se ver, analisar, demonstrar ou mesmo fazer algo. Cada um é uma expressão única da Divindade, manifestado para fazer valer esta expressão. Portanto, existem tantas possibilidades quanto aqueles que refletem sobre elas.

Como libertar a mente

Mas como libertar a mente? Existem dois processos – em princípio antagônicos – que, trabalhados concomitantemente, podem levar a percepção e desenvolvimento da mente livre. São processos simples, mas difíceis de serem vividos. Um ajuda e ampara ao outro e devemos ir com cuidado, paciência e sem grandes cobranças.

O primeiro é o auto conhecimento. Este processo deve ser feito sem julgamentos e sem disfarces. Não devemos nos julgar imaculados ou perdidos. Devemos perceber o que somos. E nós – nos perdoem o uso do termo, mas ele é o ideal no momento – somos o que somos. Devemos entender os processos que nos fazem agir da maneira que agimos, sentir o sentimos, falar o que falamos e pensar o que pensamos. Tranquilamente, sem esforço.

Isto significa identificar o verdadeiro pensador. Quando rejeito tal idéia ou aceito, fui eu que rejeitei e aceitei ou alguém já fez isso por mim e apenas repito o processo? O que eu penso sou eu? Aquele que questiona, sou eu? A Maya tem suas raízes na mente e na ignorância em diferenciar o pensador do que está sendo pensado, entre outras bases.

Caso percebamos que o nosso pensar tem outro pensador (o que é muito mais comum do que imaginamos…), isto é ruim? Não necessariamente. A diferença é o estar consciente do processo, o que nos torna livres para adotarmos ou não a idéia – total ou parcialmente. Estaremos também livres para verificar outros pontos-de-vista, outras formas de encarar o problema, sem conflitos e sem sofrimentos. Aquela estrutura de pensamento é uma ferramenta como qualquer outra, com a qual não nos identificamos; apenas usamos para os fins necessários. Livres, podemos ter um maior Domínio da Vida.

O segundo é o esforço de amar. Amar, sem importar a quem. Mas não no sentido de “amar é sofrer”. Um grande irmão, discípulo do Professor Henrique José de Souza, costumava citar: “Fraterno, mas não bobo.” O que devemos é entender o sofrimento do outro e entender que, às vezes, uma atitude dura pode ser a coisa mais amorosa que temos a dar para alguém que pede a sua ajuda naquele momento. Mas nunca se esqueça, não somos os donos da verdade e devemos amar – novamente – sem julgar. Pois, com julgamento não há amor.

Entendamos que um Livre Pensador é fraterno. Não é bondoso e nem malvado, caridoso e nem egoísta (lembre-se da dicotomia bem absoluto x mal absoluto), mas fraterno. Segundo HPB, “não existe caridade maior do que dar consciência aos seres” e este é um foco digno de se ter dentro da Obra do Eterno na Face da Terra. Mas com amor aos seres, pois estes sofrem e nem se apercebem de onde vem seu sofrimento.

Infelizmente, o espaço não nos permite um maior aprofundamento em tema tão complexo, mas paradoxalmente tão simples de se viver. Além do mais, fiéis ao nosso princípio, não poderíamos aqui nos arvorar de termos as respostas prontas e a solução de todos os problemas. O que esperamos, é que o texto sirva – isso sim – de reflexão e ajude ao(à) nosso(a) leitor(a) no início das buscas por respostas que melhor lhe ajudem em seu encontro com a verdadeira Liberdade.

“Manter a sempre vigilância dos sentidos.”

Allamirah

Texto do frater Danilo de Oliveira Faria, autor do RPG Maytreia

#Filosofia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-real-liberdade-humana

Você tem medo do Escuro?

Por Adriano Camargo Monteiro

É importante compreender isto para se libertar das dicotomias absolutas, absurdas e fatalistas, do dogma, do “tabu” e do senso comum: luz e trevas não são os clichês que as massas temerárias e temerosas costumam achar; afinal, vivem de achismos…

A luz não é o bem; a escuridão não é o mal. Não existe o bem absoluto na luz nem o mal absoluto nas sombras. A escuridão nada tem a ver com o Diabo dogmático nem com o mal cinzento que assola o mundo, esse mal global que faz parte dos produtos midiáticos que as pessoas “compram” com audiência e assiduidade. Mas há (des) gosto para tudo… O mal do mundo é pura e simplesmente o mal das pessoas, criado por pessoas, disseminado por pessoas e “usufruído” por pessoas que adoram esse grande circo de aberração chamado “civilização”. Além disso, o mal pode ser algo um tanto relativo. Enfim, isso é o que se apresenta…

A escuridão está muito além do bem e do mal dos seres humanos. A escuridão representa aquilo que está oculto, significa mesmo o próprio Oculto, o Mistério, aquilo que é “proibido”, que é secreto, escondido como um tesouro a ser descoberto. Não existe malignidade alguma nisso. Assim, a iniciação (psicoespiritual) das trevas é a mais importante, pois o Mistério das Sombras é o mais secreto. Nas sombras, o iniciado se recolhe para desvendar tudo o que está oculto, para acessar conhecimentos “proibidos” profundos. Nesse sentido, luz significa consciência, e trevas significa subconsciência, o repositório de todo conhecimento oculto, esquecido e abandonado pela Luz, ou seja, pela consciência ordinária, de vigília, pela personalidade que se manifesta no dia a dia. No plano mundano global, vulgar e banal das coisas, luz é a ignorância que se vê e trevas, a ignorância inconsciente.

Por meio da introspecção nas sombras interiores, o indivíduo pode então confrontar os elementos mais profundos, “perigosos” e “proibidos” de sua subconsciência (trevas) e trazê-los assim para a consciência ou mente consciente (luz), assimilando os conhecimentos mais secretos de seu Daemon (Eu Superior, Logos Individual, etc.). A luz verdadeira, portanto, é a consciência desenvolvida e expandida após essa imersão nas trevas, é o conhecimento assimilado e consciente, percebido sobre o fundo negro no qual essa luz brilha e pode ser vista.

Pelo que precede, a luz sem as trevas jamais poderia ser percebida. Sem o contraste entre luz e escuridão nada poderia ser visto (ou seja, nada poderia se manifestar). Para que a luz possa se manifestar e iluminar, a escuridão é necessária. Em sentido filosófico e metafísico, luz e trevas, dia e noite, representam manifestação e não-manifestação, consciência e subconsciência, inteligência e imaginação, razão e intuição… Em termos de individualidade humana, luz é atividade, intelecto, mente racional; trevas é inatividade, repouso, introspecção, reflexão intuitiva, imaginação e instintos (quase sempre, elementos negados, rejeitados, reprimidos e menosprezados por imposição dos dogmas e dos preconceitos sociorreligiosos).

Podemos ilustrar essa questão com alguns exemplos: no ser humano, a escuridão é o subconsciente repleto de forças primais que trazem experiências interiores e sabedoria; é o útero psicomental do qual nasce a consciência superior; os seres vivos nascem da escuridão do útero de suas mães e quando “morrem” voltam para as trevas da terra e do submundo (simbológica e mitologicamente falando); os minerais e pedras preciosas se formam na escuridão da terra; as plantas brotam também do interior escuro da terra; o cosmos nasce da escuridão do caos; e as estrelas surgem na matéria escura do espaço e a encrustam com seu brilho visível, porque sem a escuridão elas não poderiam brilhar; e o dia e a noite intercalam-se na manifestação do tempo em nosso mundo, do mesmo modo que a vigília e o sono em nossa vida.

Portanto, as trevas não são o mal (como se conhece), e a luz não é o bem (como equivocadamente o achismo acha). Essa coisa dicotômica não existe, pois a luz e as trevas são gradações que manifestam em toda existência.

Todo aquele que nega e menospreza a escuridão está negando a própria luz que jaz nas profundezas de si mesmo, na caverna escura, que é o abrigo protetor do tesouro, da joia brilhante que é a gnosis, que é a luz do conhecimento, a consciência do Eu Superior.

E, então? Você tem medo do escuro?

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/voc%C3%AA-tem-medo-do-escuro

Os nomes de Deus

» Parte final da série “Reflexões sobre a linguagem” ver parte 1 | ver parte 2

Apesar do conselho do Tao Te Ching, a maioria das doutrinas religiosas insistiu em dar nome ao inominável, e com isso toda a espécie de conflito e desentendimento foi gerado ao longo dos tempos: Krishna, Jeová, Deus, Alah, Brâman, vários nomes que pretendem encerrar o mesmo conceito, quando em realidade cada ser tem o seu próprio conceito sobre qualquer um desses nomes. Ora, mesmo o “Zeus” de Epicteto já não era o mesmo Zeus da mitologia grega, e sim um “Deus dos deuses”.

Mas neste artigo, vamos manter a palavra Deus para designar o conceito de Absoluto – ou qualquer outro nome que queira dar, o nome não importa tanto, e sim o que você compreende por tal conceito.

Tanto a forma capitalizada do termo Deus quanto seu diminutivo, que vem a simbolizar divindades, deidades em geral, tem origem no termo latino para Deus, divindade ou deidade. Português é a única língua românica neolatina que manteve o termo em sua forma nominativa original com o final do substantivo em “us”, diferentemente do espanhol dios, francês dieu, italiano dio e do romeno, língua que distingue Dumnezeu, criador monoteísta, e zeu, ser idolatrado.

O latim Deus e divus, assim como o grego διfος (“divino”) descendem do Proto-Indo-Europeu deiwos (“divino”), mesma raiz que Dyēus, a divindade principal do panteão indo-europeu, igualmente cognato do grego Ζευς (Zeus). Na era clássica do latim o vocábulo era uma referência generalizante a qualquer figura endeusada e adorada pelos pagãos.

Já o ateísmo veio de uma origem etimológica intimamente ligada ao termo Deus. Originado do grego ãθεος (atheos), era aplicado a qualquer pessoa que não acreditava em deuses, ou que participava de doutrinas em conflito com as religiões estabelecidas. Com a disseminação de conceitos como a liberdade de pensamento, do ceticismo científico e do subseqüente aumento das críticas contra as religiões, a aplicação do termo passou a ter outros significados.

Tendo essas informações em mãos, talvez vocês concordem comigo quando afirmo que a discussão sobre a existência de Deus, ou seja, se ele existe ou não existe, é uma das atividades intelectuais mais inúteis que já foram inventadas… Ora, cada um tem a sua visão de Deus – mesmo entre os que atacam sua existência, há de haver antes uma concepção do que seria o objeto a ser atacado. Daí se tira que discutem sobre a existência de conceitos distintos, e dificilmente chegarão a alguma conclusão prática. Será sempre um embate de persuasão – um querendo persuadir o outro – e não um embate de razão.

Talvez isso fique melhor compreendido se pararmos para analisar os inúmeros conceitos que as pessoas têm de Deus: uns crêem que ele criou o Cosmos e interfere diretamente em cada evento, respondendo orações e enviando revelações proféticas a certos iluminados; outros crêem que após ter criado tudo o que existe, ele delegou a resolução dos eventos as leis da natureza, e deixou os seres decidirem seu destino por si mesmos. Ora, somente entre o teísmo e o deísmo já existem inúmeras divisões e sub-conceitos para o que significa Deus. Se formos entrar na questão das doutrinas abraâmicas, fica ainda mais complexo: para muitos cristãos, Jesus foi uma espécie de avatar de Deus; Para os muçulmanos Jesus foi mais um na linhagem de profetas, porém apenas homem; Já para certos judeus Jesus não passa de um herege… e assim vai, não quero nem entrar nas definições para “Deus pessoal” e “Deus impessoal”.

Se formos considerar as origens do ateísmo, tampouco chegaremos a algum lugar. Segundo a origem do termo, Jesus era um ateu para os sacerdotes judeus de sua época, visto que para eles ele deturpava os princípios de sua tradição religiosa. Mesmo em se considerando a origem do termo “religião”, ainda não chegaremos a lugar algum: Do latim re-ligare, significa literalmente “re-ligação”, mas é comumente interpretado como “re-ligação aos deuses ou ao Cosmos”. Também é associado ao termo em latim religio, usado na Vulgata, que pode ser interpretado como “reverência ao Deus dos deuses”, embora aqui o termo já esteja intimamente ligado a uma crença específica. Obviamente o termo original pode ter inúmeras interpretações. Nem todas serão tão parecidas, mas certamente nenhuma delas pretenderá estabelecer o religare como uma crença em específico: aqui todos podem participar do mesmo religare, cada um a sua maneira e sem o intermédio de hierarquias eclesiásticas (ekklesia = “igreja”). Seria então um caminho espiritual, por assim dizer. Andamos, andamos, e no fim o Tao já havia definido isso tudo da melhor forma.

Que o caminho é próprio de cada um: pouco importa se crêem ou descrêem em um conceito, visto que esse conceito é também próprio de cada um. Antes discutir sobre problemas específicos e muito mais profundos do que se digladiar pela existência de um dentre infinitos conceitos: “Porque existe algo, e não nada?”; “O que é liberdade afinal?”; “Como surgiu a vida?”; “O que é a consciência?”; “O que é justiça?” – estes são alguns dos problemas, algumas das questões primordiais que procuro expor as pessoas, porque se fosse militante da existência ou não existência de um conceito que, no fim das contas, só mesmo eu compreendo a minha maneira, e ninguém mais, não haveria diálogo possível, e sim apenas uma batalha de persuasão. Não haveria troca de idéias, apenas a imposição das mesmas. Não acredito que assim se faça filosofia, que assim possamos nos conhecer melhor.

Melhor amar a diversidade de conceitos para algo tão grandioso quanto o Absoluto. Tão grandioso que não se pode delimitá-lo nem empacotá-lo em uma doutrina de crença ou descrença – o máximo que se pode fazer, penso eu, é admitir que se trata de um caminho, um caminho pelo qual andamos sozinhos, e o máximo que podemos fazer é trocar idéias sobre o que vemos ao longo. Cada um, porém, vê o Cosmos a sua maneira, e esta é a essência de sua grandiosidade, o assombro perante o infinito a vista.

Perguntemos “o que é Deus para você?” ao invés de afirmar “Deus é assim!” – é a melhor maneira de se fazer amigos, e não inimigos.

***

Crédito das imagens: [topo] Wikipedia (detalhe da pintura no teto da Capela Sistina, por Michelangelo); [ao longo] Finizio (religiosos cristãos de tradições distintas participando da mesma cerimônia religiosa – ecumenismo)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#Deus #ecumenismo #Linguagem

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-nomes-de-deus

Os Mamelucos e as Últimas Cruzadas

Publicado originalmente no Sedentário dia 3/3/2010.

Retornando às duas últimas cruzadas para finalizar esta que foi uma das fases mais sangrentas das batalhas pelo Oriente Médio durante os séculos XI e XII. Se você chegou agora, eu recomendo que leia antes os artigos sobre a Primeira Cruzada, sobre a Segunda e Terceira, sobre a Quarta Cruzada e os Cátaros, sobre a Quinta, Sexta e Sétima Cruzada pelo ponto de vista Templário.

Antes de prosseguirmos, será necessário explicar algumas coisas sobre os chamados “Mamelucos” que viviam no norte da África e o estrago que fizeram nas tropas cristãs estacionadas no Oriente Médio.

Os malucos Mamelucos

Os mamelucos eram escravos que originalmente serviam a seus amos como pajens ou criados domésticos, e eventualmente eram usados como soldados pelos califas muçulmanos e pelo Império Otomano para os seus exércitos, e que em algumas situações também detiveram o poder no Egito.

Os primeiros mamelucos serviram os califas em Bagdad no século IX. Os Abássidas (os descendentes de Abbas, tio do profeta Maomé) recrutaram-nos das famílias não muçulmanas capturadas em áreas que incluem a atual Turquia, Europa de Leste e o Cáucaso.

O uso de não muçulmanos justifica-se sobretudo porque os governantes islâmicos, muitas vezes lidando com conflitos tribais e debatendo-se com as intrigas para manter o poder, muitas vezes precisavam depender de tropas sem ligação com as estruturas (familiares e culturais) de poder estabelecidas. Também podemos justificar esta escolha em parte pelo argumento de que o Islã proibia que muçulmanos combatessem entre si (o que, naturalmente, era bullshit teórica religiosa, dado que na, verdade, eles viviam se matando).

Como mencionei acima, o principal motivo desta opção era político. Os guerreiros locais eram frequentemente mais fiéis aos sheiks tribais, às suas famílias ou nobres, do que ao sultão ou califa.

Se algum comandante militar local conspirasse contra o governante, era praticamente impossível lidar com ele sem causar intranquilidade entre a nobreza (que estava ligada a esse comandante por laços familiares ou culturais). As vantagens das tropas-escravas é que eles eram estrangeiros, possuiam o estatuto mais baixo possível na sociedade, não podiam conspirar contra o governante sem correrem o risco de ser punidos.

Após serem convertidos ao Islão, os mamelucos eram treinados como soldados de cavalaria. Apesar de não serem mais escravos de um ponto de vista técnico, após esse treino eles eram obrigados a servir ao sultão. Eram mantidos pelo Sultão como uma força autônoma sob o seu comando direto, para serem usados no caso de atritos entre tribos locais. Muitos mamelucos ascenderam a posições de influência no império desta maneira. Esse estatuto permaneceu não-hereditário no início e as suas crianças eram impedidas de seguir os seus pais. Com o tempo, porém, tornaram-se uma casta militar poderosa.

A Oitava Cruzada

Em 1265, os egípcios da dinastia mameluca tomaram Cesaréia, Haifa e Arsuf; em 1266, ocuparam a Galiléia e parte da Armênia e, em 1268, conquistaram a Antioquia. O Oriente Médio vivia uma época de anarquia total entre as ordens religiosas que deveriam defendê-lo, bem como entre comerciantes genoveses e venezianos.

O rei francês Luís IX (São Luís), retomou, então, o espírito das cruzadas, e lançou novo empreendimento armado, a Oitava Cruzada , em 1270, embora sem grande percussão na Europa. Os objetivos eram agora diferentes dos projetos anteriores: geograficamente, o teatro de operações não era mais o Mediterrâneo, mas a Túnisia, e o propósito, mais que militar, era a conversão do emir da mesma cidade norte-africana (Túnis).

Luís IX partiu inicialmente para o Egito, que estava sendo devastado pelo sultão Bibars, que apesar do nome, era muito macho. Dirigiu-se depois para Túnis, na esperança de converter o emir da cidade e o sultão ao Cristianismo. O sultão Maomé (pelamordosdeuses, não confundam com “O” Maomé… fazem 600 anos que o original morreu) recebeu-o de armas nas mãos. A expedição de São Luís redundou como quase todas as outras expedições, numa tragédia. Não chegaram sequer a ter oportunidade de combater: mal desembarcaram as forças francesas em Túnis, logo foram acometidas por uma peste que assolava a região, ceifando inúmeras vidas entre os cristãos, nomeadamente São Luís e um dos seus filhos. O outro filho do rei, Filipe, o Audaz, ainda em 1270, firmou um tratado de paz com o sultão e voltou à Europa. Chegou a Paris em maio de 1271 e foi coroado rei, em Reims, em agosto do mesmo ano.

A Nona Cruzada

A Nona Cruzada é, muitas vezes, considerada como parte da Oitava Cruzada, de tão picareta que foi. Alguns meses depois da Oitava Cruzada, o príncipe Eduardo da Inglaterra, depois Eduardo I, comandou os seus seguidores até Acre, embora sem resultados.

Em 1268, Bibas, sultão mameluco de Egito, reduziu o Reino de Jerusalém, outrora o mais importante dos estados cruzados, a uma pequena faixa de terra entre Sidão e Acre. A paz era mantida pelos esforços do rei Eduardo I, apoiado pelo Papa Nicolau IV.

Em 1271 e inícios de 1272, Eduardo conseguiu combater Bibars, após firmar alianças com alguns de seus adversários. Em 1272, estabeleceu contatos para firmar uma trégua, mas Bibars tentou assassiná-lo, enviando homens que fingiam buscar o batismo como cristãos. Eduardo, então, começou preparativos para atacar Jerusalém, quando chegaram notícias da morte de seu pai, Henrique III. Eduardo, como herdeiro ao trono e que de trouxa não tinha nada, decidiu retornar à Inglaterra e assinou um tratado de paz com Bibars terminando a Nona Cruzada.

Os Templários

No último post, paramos no 13o Grão Mestre, Phillipe de Plesis, que faleceu em 1208 e foi substituído por Guillaume de Chartres. Guillaume passou a maior parte de seu mandato na Espanha, em batalhas contra os mouros na Espanha, onde a Ordem adquiriu muitos territórios e um poder gigantesco. Guillaume faleceu em 1218, vítima da peste (Tifo) e foi substituído por Pedro de Montaigu.

Há uma curiosidade a respeito de Pedro. Como um dos principais Mestres Templários do período, Pedro foi eleito por unanimidade em 1218 e tomou parte nas batalhas da Quinta Cruzada. Seu irmão de sangue, Guerin de Montaigu, foi o Grão Mestre dos Hospitalários durante este período, o que explica este ser o período histórico onde as duas ordens mais cooperaram entre si, formando poderosas alianças que permitiram vitórias sobre os exércitos muçulmanos que não poderiam ter sido produzidas de outra maneira. As alianças entre as duas Ordens duraram até a morte de Pedro, em 1230.
Armand de Perigord foi o Grão Mestre Templário de 1230 até 1244, quando os cristãos enfrentaram para valer os Mamelucos pela primeira vez. O sultão de Damasco pediu a ajuda dos Templários, Hospitalários e Teutônicos (junto com suas próprias forças) para enfrentar a horda de mamelucos na Batalha de La Forbie (Outubro de 1244) onde levaram uma surra tão feia que resultou em mais de 30.000 cavaleiros mortos; entre eles, o próprio Armand.

Richard de Bures foi um Grão Mestre que serviu ao Templo de 1244 a 1247. Em alguns registros seu nome nem aparece. O que aconteceu é que pensava-se que Armand estivesse morto, mas depois descobriu-se que ele havia sido feito prisioneiro e estava de posse dos muçulmanos, onde ficou até 1247, quando foi dado oficialmente como morto. Muitos consideram Richard como um Grão mestre, enquanto outros historiadores dizem que ele foi apenas um marechal que cobriu a posição enquanto Armand estava capturado. De qualquer maneira, Guillaume de Sonnac assume o Grão Mestrado em 1247, no início dos massacres mamelucos.

A Campanha de Sonnac foi extremamente violenta. Os Cristãos haviam perdido Tiberias, Monte Tabor, Belvoir e Ascalon para os Mamelucos e as ordens do rei para estas campanhas eram para resolvê-las com violência, não diplomacia. As principais batalhas das quais participou foram a de Al Mansurah e a de Fariskur, em abril de 1250, onde acabou perecendo.
Renaul de Vichiers foi o décimo nono Grão Mestre Templário. Ficou no comando até 1256, quando faleceu em combate e foi substituído por Thomas Berard. Berard escreveu para o rei Henrique III descrevendo a situação miserável da Terra Sagrada. O poder dos mamelucos estava tão grande que foi necessário um acordo entre os Grãos Mestres Templários, Hospitalários e Teutônicos para conseguir resistir, e nem isso foi suficiente: os mamelucos dominaram a fortaleza de Safed em 1266, depois Beaufort, Antióquia, Gaston, La Roche e finalmente, em fevereiro de 1271, Chastel Blanc. Mais tarde, os Templários tiveram de retroceder para Tortosa e, em Junho, Monfort, a última fortificação cristã na Terra Santa foi tomada pelos mamelucos.
Guillaume de Beujeau foi o vigésimo primeiro Grão Mestre e participou de quase todas as derradeiras batalhas. Foi morto em 1291, durante o Cerco ao Acre e Thibauld Gaudin foi eleito o novo grão mestre. ao mesmo tempo, Jacques de Molay foi eleito Marechal de Campo. Gaudin tentou reagrupar os exércitos templários sobreviventes ao mesmo tempo em que tentava organizar as hordas de fugitivos que haviam chegado no Chipre. Aparentemente, a tarefa de reorganizar todo o exército cristão foi demais para ele e Gaudin faleceu em 1292, deixando para Jacques de Molay a tarefa de reconstruir toda a Ordem na Terra Santa à partir das ruínas.

Mas o pior ainda estaria por vir…

No próximo post, Jacques de Molay e o Fim dos Templários.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-mamelucos-e-as-%C3%BAltimas-cruzadas

Tecendo Sentidos

O neurologista Oliver Sacks costuma referir-se a si mesmo como um “cientista romântico”, ele acredita que a mente não pode ser descrita de maneira mecanicista, e que a neurologia moderna só será completa quando considerar a forma icônica e sentimental com que experienciamos a consciência e armazenamos nossas memórias.

Seus livros são verdadeiros dramas, descrevendo casos neurológicos sempre no contexto da vida e experiência pessoal de cada paciente. Muitos desses casos são devastadores, e somente a habilidade com a escrita (ele tem vários best-sellers no mundo todo) do autor faz com que a leitura seja pouco menos impactante do que um soco no estômago…

Sacks faz questão de destacar que cada doença é uma história, principalmente em se tratando de doenças da mente, algo ainda tão desconhecido, tão distante da visão mecanicista da ciência moderna. Em muitos casos as habilidades perdidas são compensadas por novas habilidades ganhas, o que fica muito bem explicado nos diversos casos de autistas savants descritos em seus livros – e principalmente no caso de Temple Grandin (tema principal do “Um antropólogo em Marte”).

Em seu livro “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, ele faz uma curiosa classificação dos diversos tipos de doenças mentais: (1) Perdas – quando a mente perde habilidades de interpretação da realidade que nos chega pelos sentidos; (2) Excessos – quando a mente se torna incapaz de filtrar a informação que nos chega a cada segundo, e fica em uma espécie de “curto-circuito mental”; (3) Transportes – quando a mente perde a capacidade de diferenciar o sonho da realidade, no que muitas vezes pode ser considerado um misto de doença com experiência mística; e (4) O mundo dos simples – que descreve os retardos mentais, sempre considerando que a mente de um retardado é “muito mais do que se pode ver a primeira vista”.

Nota-se em seus livros, sobretudo, a busca incansável pela essência de nós mesmos, pelo mistério que se esconde entre a consciência e a inconsciência, pelo verdadeiro eu que interpreta a realidade, e não poderá nunca ser reduzido a mero computador, a computar – e não computar e interpretar e elaborar respostas morais – a informação sensorial.

Em muitos casos, mesmo os mais extremos, Sacks consegue identificar esse eu profundo, lutando para se impor sobre as dificuldades da doença e produzir um novo sentido para sua própria existência. Mesmo que oculto em meio à escuridão de certas doenças, o eu sempre é capaz de voltar à tona, seja ouvindo música, seja produzindo arte, seja exercendo a espiritualidade. Em nenhum momento Sacks fala em assuntos metafísicos – toda sua ciência é perfeitamente compatível com a matéria –, mas ele sempre leva em consideração que a ciência atual não tem uma resposta bem elaborada para o que diabos possa ser este eu profundo a tomar as rédeas da própria consciência, essa essência do ser que não é perdida nem nos casos mais extremos…

Particularmente nos casos de amnésia extrema, quando os pacientes perdem por completo a capacidade de reter novas memórias por mais do que alguns momentos – alguns, menos de um minuto –, percebemos o quanto essa busca pelo eu profundo pode ser complexa. Porém, mesmo nesses casos, onde o ser vive em um eterno e confuso presente, a essência não é perdida. Fica ela lá, armazenada em algum lugar entre o cérebro e a mente, em alguma gaveta etérea da consciência, sempre esperando pelo próximo sinal capaz de fazê-la emergir da escuridão do não-ser.

Uma melodia, o tocar das teclas de um piano, uma oração, seja o que for: se é que somos computadores, fomos “programados” para tecer sentidos. Se tudo o que somos é um tilintar aleatório de partículas no cérebro, se somos pouco mais do que “coisas biológicas”, que pelo menos não se afirme que muitos de nós se recusaram a se deliciar com a “doce ilusão” do ser. Que não se diga que muitos de nós se acomodaram em serem máquinas, e não espíritos!

Afinal, o que seriam nossas memórias, nossos registros atemporais da existência? Sabemos que ficam em nosso hipocampo, mas e daí? O que isso significa? Sacks passou boa parte da vida tentando resolver tal mistério (citando o pós-escrito do caso intitulado “Reminiscência” em “O homem que confundiu…”):

“Estimule-se um ponto no córtex de um paciente assim [descrevendo casos de “alucinações musicais”] e desenvolve-se, convulsivamente, uma evocação ou reminiscência proustiana. O que serviria de intermediário para isso? Que tipo de organização cerebral poderia permitir que isso acontecesse? Nossas concepções atuais sobre o processamento e representação cerebral são todas essencialmente computistas. E, como tal, são expressas em termos de “esquemas”, “programas”, “algoritmos” etc.

Mas será que esquemas, programas e algoritmos nos fornecem, por si sós, a qualidade ricamente visionária, dramática e musical da experiência – a vívida qualidade pessoal que faz dela uma “experiência”?

A resposta é, claramente, e até mesmo com veemência, “Não!”. Representações computistas jamais poderiam, por si sós, constituir representações “icônicas”, as representações que são o encadeamento e a essência da vida.

Assim, surge um hiato, na verdade um abismo, entre o que ficamos sabendo por nossos pacientes e o que os fisiologistas nos dizem. Existe algum modo de transpor esse abismo? […] Existem conceitos além dos da cibernética com os quais possamos compreender melhor a natureza essencialmente pessoal […] da mente?”

Sacks prossegue citando Sherrington em seu livro “Man on his nature”, onde este imagina a mente como um “tear encantado” a tecer padrões mutáveis porém sempre significativos – tecendo padrões de sentido:

“Esses padrões de sentido transcenderiam programas ou padrões puramente formais ou computistas e dariam margem à qualidade essencialmente pessoal que é inerente a reminiscência, inerente a toda mnesis, gnosis e práxis. […] Padrões pessoais, padrões para o indivíduo, teriam de possuir a forma de scripts ou partituras – assim como padrões abstratos, padrões para computador, têm de estar na forma de esquemas ou programas. Portanto, acima do nível de programas cerebrais, precisamos conceber um nível de scripts e partituras cerebrais.
[…] A experiência não é possível antes de ser organizada iconicamente; a ação não é possível se não for organizada iconicamente. “O registro cerebral” de tudo – tudo o que é vivo – tem de ser icônico. Essa é a forma final do registro cerebral, muito embora o feitio preliminar possa ser moldado como cômputo ou programa. A forma final de representação cerebral tem de ser, ou admitir, a “arte” – o cenário e a melodia artística da experiência e da ação.”

Tal qual tecedores de tapetes mágicos, somos os eternos artistas de nós mesmos. Ainda que perdidos em poucos instantes de retenção da memória, ainda que tecendo desesperadamente um fio que logo depois se perde na escuridão do não-ser, estamos aqui lutando bravamente. Somos os grandes artistas da vida, resta-nos apenas reconhecer o quão belo e sagrado é todo esse mecanismo que nos permite existir – e existindo, tecer nossa própria história, nosso próprio sentido do existir.

***

Crédito da foto: Dinorah

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#materialismo #consciência #Medicina #Ciência #mente

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Ninhos de Discos Voadores

A expressão “ninho de discos” vem do inglês saucer nest . Foi utilizada pela primeira vez na Austrália , no Sun Herald de Sydney , de 23 de janeiro de 1966 . Mais eis a história contada a este jornal pelo plantador George Pedley , de Tully , pequena cidade na costa do Queensland:

“Regressava à herdade , conduzindo o meu trator . De repente , ouvi um forte assobio , que suplantou o ruido do motor, como o assobio do ar escapando-se de um pneu rebentado. Parando por uns momentos , verifiquei os pneus, que estavam intatos. Prossegui o meu caminho sem me preocupar mais com o ruido . Subitamente, reparei que uma grande máquina , de aparencia metalica , se erguia do pantano , a grande velocidade , a cerca de 25 metros do local onde me encontrava . Era de cor cinzento-azulada , tinha 8 a 10 metros de largura e quase 3 de altura. Pareceu-me que girava sobre o seu eixo a uma velocidade extremamente elevada . Elevou-se , assim, do solo até uns 20 metros; depois executou um ligeiro movimento para baixo , antes de voltar a subir até ao céu , onde desapareceu em poucos segundos , com uma velocidade fantástica, em direção a sudoeste. Não avistei vigia, nem antena. Nem na máquina nem fora dela , notei qualquer sinal de vida. Se, antes disso, alguém me tivesse perguntado se acreditava nos discos voadores, teria rido e respondido que os que acreditavam em tal não passavam de imbecis . Hoje, com o risco de passar por imbecil , dou certeza de ter visto um engenho espacial. Que ninguem venha fazer-me acreditar que isto é fruto da minha imaginação.”

Os inquiridores da Royal Australian Air Force descobriram , entre os caniços do pantano, uma zona circular em que tudo estava esmagado, com caules uns deitados sobre os outros , no sentido dextrogiro. O circulo , de um diametro de cerca de nove metros, achava-se nitidamente delimitado, com cerca de nove metros, achava-se nitidamente delimitado, com os caniços circundantes bem direitos, intactos, não apresentado qualquer vestigio que pudesse indicar a chegada, do exterior, dum animal, duma maquina ou dum homem. Os inquiridores , entrevistados pelo Sun Herald , precisaram que o lugar se apresentava “como se uma galinha-d’agua gigante aí tivesse feito o seu ninho”. A expresão era lançada pela imprensa, como o foi a do disco , sugerida por Kenneth Arnold , em 1947 . Percorreu-se a região , e descobriu-se , então , outros “ninhos” semelhantes , das mesmas dimensões , nomeadamente nos caniços da laguna Horse-Shoe. Uma dezena de “ninhos” foram descobertos em dois meses. Depois , descobriram-se muitos “ninhos de discos” noutros paises , inclusive na Grã-Bretanha ( Crops Circles) e nos Estados Unidos.

A respeito destes “ninhos” , o “Relatório Condon” ( cap. 3, “Provas Físicas Diretas) , n.º 87 e 88 ) salienta que , em certos casos, o “ninho” parecia imáginário e que, noutros , se sentia a realidade de impressões que podiam ter sido feitas , de maneira muito concebível, por um grande disco ou por um ser saído de um disco — e esta realidade era evidente. Porém , em todos estes casos, era impossível estabelecer como factuais , quer dizer , na realidade concreta , as declarações segundo as quais elas tinham sido verdadeiramente produzidas por um objecto ou por um ser extraordinário.

Extraido do livro Os Estranhos Casos dos OVNIs. de Henry Durrant – Livraria Bertrand

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/ninhos-de-discos-voadores/

Por quê Kether e Malkuth estão sobrepostos?

Olá Crianças,
Muitos de vocês já viram os desenhos tradicionais das Árvores da Vida conectadas, onde o Kether da Árvore de Baixo se conecta com um Malkuth de uma Árvore acima e assim por diante, mas você já parou para pensar o que isso significa? A explicação que encontramos nos livros tradicionais é a de que 10=1+0= 1 e, portanto, 10=1, mas isso é apenas uma simplificação do que representa esta “junção” de Árvores e de como esta união das infinitas Árvores da Vida forma o que chamamos de Sexta Dimensão.

Em diversas mitologias, os estudiosos compararam o tecido da realidade a um tecido de pano, que pode ser costurado, fiado e cortado por entidades como as Moiras, Parcas, Erínias e outras… não por coincidência todas representações de Daath, o CONHECIMENTO. Hoje vamos compreender o que isto realmente significa na prática.

Se já entendemos que cada pessoa é uma Árvore da Vida Completa, que envolve todos os atos de sua vida e todas as suas realizações, e que pode ser enxergada tanto VERTICALMENTE como a Jornada do Herói Pessoal no qual começamos como profanos em Malkuth e nos iniciamos nos estudos herméticos em Yesod, desenvolvemos nossa razão e emoção em Hod e Netzach até encontrarmos nossa Verdadeira Vontade em Tiferet; realizamos nossa Grande Obra até nos tornarmos Magos, a “Casa de Deus”, Beit, no qual realizamos em terra a vontade dos céus… mas também podemos enxergar o Caminho da Pomba, no qual temos uma idéia em Kether, escolhemos qual das infinitas maneiras de retratar esta idéia faremos em Hochma e Binah; estudaremos todo o Planejamento e orçamento e recursos desta idéia em Chesed e Geburah até termos a IDÉIA PERFEITA em Tiferet. a partir disto, realizamos o melhor racional e emocionalmente em Netzach/Hod até gestarmos o produto em Yesod e o apresentarmos como matéria em Malkuth…

Este último parágrafo deve ter dado um nó em quem ainda não foi meu aluno ou está aguardando ansiosamente o Livro de Kabbalah Hermética, mas garanto que assim que você conseguir compreender o quebra-cabeça que estas duas Árvores representam, você enxergará o Universo com novos olhos!

Retornando ao raciocínio e utilizando este texto de internet como exemplo: Eu, Marcelo Del Debbio, depois de 40 anos acumulando todo tipo de vivência únicas e pessoais, formei toda uma Árvore da Vida completa que pode ser chamada de “Marcelo Del Debbio”. TODO este entendimento de como enxergo o mundo está em BINAH, no MEU BINAH, que representa a “cerca” que limita todo o meu entendimento do universo, que é algo único (por exemplo, eu não sei absolutamente NADA a respeito de parto de elefantes, motor de carro de fórmula 1, escalação de times de futebol, enredo de novelas ou perfuração de poços de petróleo no Ártico…) são coisas que existem em HOCHMA, na Totalidade, mas que apenas fragmentos mínimos dessa Sabedoria chegam até dentro da minha cerca (eu sei que a gestação de elefantes possui semelhanças a humana e de outros mamíferos, como aprendi na escola; eu sei que motores de carros de F-1 funcionam por explosão e o princípio básico, mas não sei consertar um radiador furado… sei que são 11 jogadores e os reservas e cada time usa um uniforme diferente no futebol, e que existem campeonatos… já vi imagens de perfuradores de petróleo e por ai vai…) temos VISLUMBRES de Hochma dentro de nossa “cerca” de Binah.

Dentro desta minha seleção de Entendimentos da Realidade, eu decidi escrever um texto no blog a respeito de Kabbalah. Planejei em Chesed e medi quanto isso ia me tomar em tempo e trabalho em Geburah e cheguei a idéia de como este texto ficaria perfeito (Tiferet). Sentei agora de tarde na frente do laptop e digitei todas estas palavras que você está lendo, gestando este texto em Yesod e finalmente, quando terminei de apertar a tecla [Publicar], este Texto está em MALKUTH…. chamamos este processo de “Árvore Horizontal”, porque apesar de ser uma árvore COMPLETA, eu, com mais de 20 anos como escritor, já produzi centenas e centenas de textos no blog. CADA Texto no Blog obedeceu EXATAMENTE este diagrama dentro da minha Árvore Pessoal.

Continuando o raciocínio, podemos entender que eu, Marcelo Del Debbio, escritor cuja Verdadeira Vontade é escrever sobre Kabbalah, possuo dentro da minha Árvore milhares e milhares e milhares de pequenas Árvores… algumas boas, algumas uma porcaria, algumas excelentes, algumas qliphoticas… mas cada trabalho gerado cria sua própria Árvore e tem seu próprio MALKUTH.

Agora vamos olhar para você, leitor ou leitora que está com os olhos neste parágrafo agora. Você é sua própria Árvore da Vida, resultado das suas vivências únicas e pessoais, que possui sua própria “cerca” no seu próprio BINAH de limitações (talvez você seja um veterinário e saiba fazer um parto de um elefante, ou seja um mecânico e saiba desmontar e montar um motor de F-1 ou talvez saiba a escalação completa de todos os times do campeonato paulista!). Sua cerca de realidade é obviamente MUITO diferente da minha. Quanto maior nossas cercas, maior as áreas que conseguiremos nos fazer entender. Quando você lê estas palavras, todo o conhecimento que passei neste texto se torna SABEDORIA (Hochma) onde o meu Malkuth (este texto) encontra o seu Kether (seu cérebro) e você tenta interpretar este texto.

Ai temos o ABISMO.

Eu acredito que só uns 10% dos leitores nesta altura do campeonato consigam entender realmente tudo o que escrevi acima. Mas não tem problema, este texto é realmente mais complexo do que os que eu normalmente coloco por aqui. Entender este texto requer o conhecimento do que seja cada Esfera e do que elas representam. Se você acabou de começar a estudar kabbalah, palavras como “Geburah” ou “Tiferet” soam alienígenas e incompreensíveis. Tendo o Aleph-Beit (alfabeto) correto, você conseguirá fazer a passagem da Sabedoria de Hochma para o ENTENDIMENTO do seu Binah pessoal… tudo o que você não conhecer ficará para trás no Abismo de Daath.

Isto posto, podemos concordar que se você imprimir este texto e mostrar para 100 pessoas na rua, cerca de 99 não terão a menor idéia do que você está mostrando para elas; algumas nem entenderão a gramática ou o que o texto quer dizer. Uma fração minúscula atravessará a “cerca” do Binah destas pessoas… por outro lado, se você levar este texto a uma sinagoga, 100% dos rabinos vão entender (mas vão falar para você que esse negócio de “kabbalah hermética” não existe, que só eles que sabem a verdade). Se você levar este mesmo texto para um grupo de estudos de kabbalah no facebook, uma quantidade bem maior de gente terá as chaves para entender o que está escrito aqui, e assim por diante… de um fazendeiro no interior de Minas Gerais ao Aleister Crowley, CADA pessoa diferente do planeta que ler este texto entenderá uma porcentagem diferente dele, de uma maneira diferente.

Então temos uma conexão infinita de Árvores da Vida! Meu texto (este MESMO texto que todos vocês estão lendo!) será interpretado milhares de vezes e passará por milhares de filtros até o final do dia… Meu Malkuth se tornará a fagulha de Kether que entrará na Árvore de milhares de pessoas em Hochma (inclusive você, que está lendo isso agora) e, ao mesmo tempo, só no decorrer deste dia, você entrará em contato com centenas de Malkuths de centenas de pessoas diferentes (filmes, livros, músicas… tudo isso é o Malkuth da produção de diversos profissionais que estão em suas jornadas por suas próprias Árvores também). Este entrelaçamento é chamado de Wyrd, ou o “Tecido”. E assim conseguimos entender a razão pela qual é DAATH que traz a representação das Nornes que lidam com esta dimensão.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/por-qu%C3%AA-kether-e-malkuth-est%C3%A3o-sobrepostos

A Divulgação da Thelema na Internet

aleister-crowley-thelema

Algumas pessoas têm ojeriza à promulgação de Thelema na Internet, especialmente em mídias sociais como o Facebook. O argumento básico é que a esse tipo de promulgação “emburrece” a Lei por usar citações simples ou imagens.

Eu entendo a preocupação e concordo até certo ponto. Seria melhor se as pessoas lessem os textos de Crowley ao invés de simplesmente clicar no botão “Curtir” numa imagem do Facebook. Este é um argumento válido, entretanto – dentro do contexto da Internet – há muitas razões pelas quais ele acaba se perdendo.

Primeiramente, algumas citações relevantes do próprio Crowley sobre a promulgação:

• Crowley escreveu para frater Achad em junho de 1916: “Observe: a questão antes dos encontros é essa: Como iremos colocar em prática a Lei de Thelema. Nós já temos a Lei; eu não acho que precisemos de mais conhecimento, mas precisamos desesperadamente do poder de administrá-lo. Eu acho que estou fazendo papel de bobo, pensando, falando e escrevendo. O que eu preciso é eficiência na promulgação”

• Crowley também escreveu em 28 de agosto de 1936: “uma coisa eu digo: que eu não espero que algo venha das especulações qabalísticas. Eu acho que elas podem até mesmo ser extremamente maliciosas em tempos como o presente. Nosso único foco deveria ser usar a Lei para reconstruir o mundo a partir do caos no qual já estamos parcialmente imersos. Aquela fórmula é simples e não requer treinamento especializado. O trabalho requer a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que nunca ouviram falar da Qabalah; e elas têm de ser abordadas numa linguagem que elas possam entender.”

• Crowley também escreveu para Grady McMurty (Hymanaeus Alpha) em agosto de 1945: “É necessário expandir o escopo da apresentação da Lei de Thelema para que pessoas de todos os tipos sejam capazes de apreciar a parte específica que elas conseguem entender. Desta maneira, os processos de pensamento da maioria [das pessoas] será de tal forma direto que, a todos aqueles que entendem a Lei, será dada a oportunidade de fazê-lo enquanto fornecem guia para aqueles cuja compreensão está incompleta”.

Sabazius X° também escreveu em Ágape X:4, “Se, por um lado, não temos o dever de “converter” [pessoas], por outro, temos, sim, o dever de disseminar a Lei o mais amplamente possível em toda a sociedade humana, e não apenas dentro de específicas sub-culturas, classes e grupos sociais.”

A partir dessas citações, é possível perceber que Crowley estava interessado em diversas coisas concernentes à promulgação da Lei:

• Crowley queria mais poder e eficiência na divulgação da Lei.

• Crowley queria a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que não necessariamente conhecessem coisas específicas como a Qabalah.

• Crowley queria que a Lei fosse apresentada de forma que qualquer tipo de pessoa pudesse apreciar as partes da Lei que conseguisse entender.

Portanto, uma boa promulgação requer (1) um meio poderoso (ou mídia diversificada) de divulgação da Lei, (2) a capacidade de atingir milhares de pessoas, e (3) uma apresentação simples e direta.

Eu pessoalmente acredito que a Internet seja um meio perfeito que preenche os 3 requisitos para uma boa promulgação. O Facebook, em particular, é a mídia que, atualmente, permite que muitas pessoas não só vejam pedaços e partes da Lei por meio de citações e imagens, como também permite que indivíduos compartilhem estes posts facilmente, gerando mais promulgação. Por exemplo, a imagem que está no cabeçalho deste artigo foi visto por mais de 10,000 pessoas numa simples postagem. Exemplo, esta postagem (1) usou uma mídia poderosa como o Facebook que (2) alcançou mais de 10,000 pessoas e (3) foi uma citação que a maioria das pessoas, mesmo sem nenhum conhecimento prévio de Thelema e ou de assuntos mais técnicos como Magick ou Qabalah, puderam apreciar.

O alcance potencial do Facebook é realmente impressionante. Para dar um exemplo, a página “Aleister Crowley” tem um alcance semanal médio de 45,000 pessoas. Isso significa que, em qualquer semana, um post (seja texto, link, vídeo ou imagem) é visto no Feed de Notícias de 45,000 usuários. Qual outra forma de promulgação consegue alcançar 45,000 pessoas toda semana? Continuando com este exemplo, toda vez que alguém curte, comenta ou compartilha o post da página Aleister Crowley, ele poderá ser visto por qualquer um que esteja na lista de amigos de quem realizou qualquer uma destas ações. Quantos são os amigos de pessoas “fãs” desta página do Facebook? Mais de 24 milhões. Estes amigos podem curtir, comentar ou compartilhar, de forma que o número de possíveis visualizadores é, na verdade, maior que 24 milhões. Esta é apenas uma página (fora tantas outras e perfis pessoais) e os números deveriam, na minha opinião, falar por si mesmos. Não está escrito no Livro da Lei que “Sucesso é sua prova”? É possível que este seja, de fato, o maior e mais difundido esforço de promulgação que a Thelema já viu em toda a sua história.

O que estes esforços fazem que é um benefício para a finalidade de promulgar a Lei?

• Milhares de pessoas verão o conteúdo, seja um link para um texto completo, uma citação ou qualquer outra possibilidade, que de outra forma não teriam acesso ou possibilidade de reflexão.

• Milhares de pessoas que nunca ouviram falar sobre Thelema ou Aleister Crowley têm a oportunidade de ver uma pequena parcela do que é a Lei.

• A milhares de pessoas (que não o fariam de outra forma) é dada a oportunidade de promulgar a Lei por si próprio ao difundir o conteúdo.

• Todos podem escolher seguir essas páginas do Facebook, e eles podem decidir comentar e compartilhar. Isto é, de certa forma, o pináculo da promulgação, em oposição ao proselitismo. Ninguém está sendo forçado a fazer, ler ou escutar coisa alguma.

Serviria isto como substituto para as leituras basilares, engajamento na comunidade local, prática de Yoga e Magick, e integração geral da Lei em suas vidas? Claro que não. Mas também não o é qualquer outra forma de alcance, incluindo os melhores e mais bem articulados livros. Tão provável quanto alguém ler um livro inteiro sobre Magick e nunca realizar um ritual é alguém compartilhar uma citação no Facebook e realmente não integrá-la em sua vida.

Nós não temos o poder de forçar a Thelema a alguém; é o Trabalho de cada um estudar, entender, e integrar [isso] em suas vidas e nenhuma carga de trabalho feita por outrém jamais substituirá isso. Nunca substituiu e nunca irá. Estes esforços de promulgação na Internet simplesmente dão mais e mais oportunidades para as pessoas espalharem a Lei para “pessoas de todos os tipos” como Crowley desejava. E é, de certa forma, até mais poderoso do que um livro pois é gratuito, eficiente, permite às pessoas perpetuar ideias com o mínimo de esforço e pode atingir muitos indivíduos que de outra forma jamais teriam escutado sobre Crowley ou sobre a Lei de Liberdade. E também, – ainda que possa chocar ou insultar alguns Thelemitas – nem todo mundo é um intelectual que tem tempo para ler livros e artigos longos e obtusos. Seja por falta de instrução, interesse ou tendência, existem diversas pessoas – na verdade, eu diria que a maioria das pessoas – que não são bibliófilos cabeçudos como eu (e muitos outros Thelemitas contemporâneos). “A lei é para todos” e isso não significa só para bibliófilos cabeçudos.

Algumas pessoas se preocupam com a possibilidade de esses esforços de promulgação terem gerado mais iniciados na OTO local ou mesmo mais Thelemitas. No núcleo disto reside uma preocupação a respeito de quantas pessoas estão realmente integrando essas ideias e colocando-as em prática. Como eu disse há pouco: é a Grande Obra de cada um estudar, entender e integrar [a Lei¿] em sua vida e nenhuma carga de trabalho de outrem substituirá isso. Mais importante, não há qualquer forma de saberemos com certeza absoluta. À parte de não perguntarmos sistematicamente a cada novo rosto que aparece em um evento o que especificamente o fez aparecer lá, há também o fato de que muitas pessoas não têm certeza, não lembram ou não querem dizer (talvez parcialmente pela possibilidade de ser defrontado com beatice!). Não há maneira de saber como esses esforços de promulgação afetam os membros já existentes de organizações como a OTO. Eu, pessoalmente, acho que se alguma postagem do Facebook fez alguém pensar um pouco sobre Thelema naquele dia, mesmo que seja apenas por alguns momentos, já é um avanço se comparado ao não pensar sobre isso de forma alguma. Talvez eles nunca tenham encontrado essa ligação ou uma citação específica antes. E mais: além de organizações como a OTO, não há maneira alguma de determinar como isso afeta Thelemitas (e não-Thelemitas) que não estão associados a qualquer organização em particular.

Em suma, como já mencionei, não há maneira alguma de saber com certeza absoluta. O que sabemos de fato é a incrível extensão em que esses esforços de promulgação pela Internet atingem as pessoas de alguma forma ou de outra, tanto Thelemitas quanto não-Thelemitas. É um fato concreto que “dezenas de milhares de pessoas” (assim como Crowley queria) estão vendo este conteúdo quando, de outra forma, não o fariam. O Livro da Lei diz “e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema”. De verdade, deveríamos nos preocupar com a possibilidade de outras pessoas estarem ou não verdadeiramente engajando-se com o material de alguma forma? Não estaríamos possibilitando às pessoas uma “chance de permanecer neste êxtase ou não” e, independentemente de eles fazerem algo a respeito disso ou não, “não é problema”? Não seria a insistência que determina aos indivíduos que façam uma coisa específica ou que ajam de uma maneira específica uma violação fundamental do “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”?

O Livro da Lei diz: “O sucesso é tua prova; não argumentes, não convertas; não fale demasiado!”. Vamos fazer um pequeno exercício de pensamento: considere a diferença entre (a) um indivíduo que, por exemplo, cria uma imagem com uma citação sobre a Lei e a espalha no Facebook versus (b) um indivíduo que critica esse esforço. A pessoa A está criando uma oportunidade ou chance de alguém ouvir sobre a Lei, pensar sobre a Lei, e compartilhar a Lei, sem qualquer tentativa de converter ninguém (“Sucesso é tua prova”). A Pessoa B é, antes de tudo, reativa – eles estão definindo o princípio causal de suas ações fora de si ao re-agir ao invés de agir. A Pessoa B está argumentando no lugar de espalhar a Lei (“não argumentes”), está tentando obrigar e impor seu estilo de vida como “um verdadeiro Thelemita” sobre os outros (“não convertas”), e estão gastando tempo e energia punindo o outro (“não fale demasiado”) ao invés de criar seu próprio material que seria, obviamente, tão melhor. Se 10.000 pessoas veem algo sobre Thelema por que uma imagem foi postada, quantas pessoas estão realmente sendo alcançadas através da crítica desta mesma imagem?

Enquanto a crítica construtiva é sempre benéfica para aperfeiçoar a eficiência de uma abordagem, há uma série de críticas que são simplesmente emocionais e reativas (isto é, não construtivas). Parece haver algumas pessoas que, conscientemente ou não, querem manter a Thelema como uma camarilha de clausura, elitista e restrita a uma minúscula “panelinha”. Essa é a prerrogativa deles – Faça o que tu queres, é claro – mas acredito que eu, juntamente com dezenas de milhares de outras pessoas, estamos, juntos, fazendo muito trabalho substancial para espalhar a Lei de Thelema para o resto do mundo, de acordo com a atitude do Profeta (como visto nas citações acima). “A Lei é para todos” afinal, e eu digo: se realmente acreditamos que Thelema é a Lei da Liberdade – a Chave para a nossa evolução como indivíduos e como uma espécie – nós devemos dar a tantas pessoas quanto for possível a “chance de permanecer neste êxtase ou não “.

Amor é a lei

Amor sob vontade

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A vida secreta das plantas

Desde os tempos mais remotos que, em todas as culturas os homens adquiriram profundos conhecimentos sobre a vida das plantas, sempre em relação com uma concepção universal de vida, conhecimento que se integrava nas grandes ciências da Alquimia, Astrologia, Medicina, etc.

As fontes principais deste saber foram as Escolas de Mistérios e a comunicação directa dos Médico-Magos com os elfos, silfos, fadas, duendes e demais espíritos elementais que convivem com as plantas, os quais intruiram o homem. Tão grandes conhecimentos foram-se perdendo gradualmente com o correr dos milénios, com brilhantes renascimentos na Grécia, Roma e entre os celtas, até às últimas luzes impulsionadas pelos povos incas e aztecas.

Passado o desastre da queda do Império Romano, e após séculos de obscurantismo, um novo hálito da Tradição desperta a Europa e a partir de Itália surge o Renascimento; génios da talha de Da Vinci, Paracelso ou Giordano Bruno, entre outros, permitiram que o Ocidente redescobrisse aquelas antigas Ciências, ainda que isso só fosse possível de maneira muito fragmentária.

O materialismo desenvolvido a partir do século XVII foi obstruindo cada vez mais esses contactos e, enquanto se edificava uma pseudociência mecanicista e dogmática, perdeu-se lentamente a capacidade de percepcionar o lado subtil da Natureza e os seus habitantes; alcançaram-se concepções muito precisas do mundo material em contraste com uma ignorância quase absoluta do invisível, verdadeiro agente dos fenómenos físicos e químicos.

No século XX, em que o materialismo entronizou a sua miopia, foram definitivamente cortados esses já tão frágeis vínculos. Chegou-se a considerar a vida como uma mera dinâmica de fenómenos ordenados, mas sem nenhuma transcendência. Os seres foram vistos como coisas que possuiam um mecanismo vital, e em consequência disso afirmou-se que nas plantas existia um tal fenómeno e que, por isso estavam vivas.

No meio desta obscuridade surgiu a figura singular de Helena Blavatsky que, apesar da incompreensão e da intolerância reinantes, manteve vigente num selecto grupo de mentes lúcidas a concepção da Vida-Una. Assim chegámos ao século XX, onde uma série de descobertas dera à Ciência oficial a possibilidade de considerar fenómenos que se afastavam de sua própria óptica materialista; e sem por isso abandonar as suas alienações, começa a estudar com maior humildade e menos preconceitos determinados fenómenos considerados noutros tempos pouco sérios. O cientista do século XIX foi intransigente, manifestando orgulhosamente o seu pretenso saber; o do século XX, pelo contrário, menciona os seus achados com muita cautela. E o facto é que na segunda metade do nosso século experiências inquestionáveis obrigaram-no à mais extrema prudência, face à probabilidade da vida ser uma realidade para além do estritamente material.

Estamos quiçá, assistindo à aceitação de algo que os esoteristas de todos os tempos afirmaram: que as plantas e tudo quanto existe têm tanta vida como nós e o Universo na sua totalidade.

Paracelso

Não podemos, nesta breve resenha dedicada à vida oculta das plantas, deixar de mencionar a grande figura de Paracelso.

Nos inícios do Renascimento, ao lado de outras grandes personagens, surge o génio maravilhoso de um grande alquimista e médico ilustre chamado Aureolus Philipo Teofrastos Bombast de Hohenheim.

Nasceu em Einsiedeln, Suiça, em 10 de Novembro de 1943; desde muito jovem o seu pais ensinou-lhe que a Medicina se encontra na Natureza, e só aí é que os homens deviam buscá-la. Dado que tinha um físico muito frágil, o seu pai levava-o a viajar constantemente, convencido de que a mudança de ares o fortificaria. Nessas viagens aprendeu a conhecer as plantas que tinham propriedades curativas ou tóxicas, seu pai também o iniciou nos conhecimentos de Medicina, Cirurgia, Alquimia, Teologia e Latim. Ainda muito jovem conheceu em Levanthal o bispo beneditino Eberhard Baungartner, tido como um dos mais notáveis alquimistas do seu tempo, recebendo os seus ensinamentos com grande avidez. No entanto, o seu maior anseio era poder curar os enfermos, orientando sempre a sua formação para esse fim.

Mais tarde viajou para Basileia, onde aprendeu ainda mais sobre Astrologia e outras Ciências afins. Porém os ensinamentos da Universidade conservavam o espírito medieval pleno de conhecimentos anquilosados; assim, decide procurar um verdadeiro Mestre embarcando para Wurzburg ao encontro do abade beneditino Tritemius, autêntico Adepto, que o instruiu na verdadeira Ciência. Dada a sua vocação, orientou tudo o que aprendeu para a cura das doenças, valendo-se principalmente das propriedades das plantas, assim como de comunicações com os espíritos elementais da Natureza, como ele próprio refere. Deu a conhecer, mais tarde, através de publicações, alguns ensinamentos de carácter ocultista, aplicados sempre à Medicina que tanto amou. Destaca entre os seus ensinamentos o que se refere à inter-relação das plantas com as múltiplas manifestações dos seres vivos no Cosmos, e que definiu como “Signatura”.

O seu amplo espírito levou-o a utilizar diversas vertentes no campo das terapêuticas, tais como a Fitoterapia, a Homeopatia e medicamentos de origem mineral. Chegou a desenvolver uma verdadeira Medicina mágica, aproximando-se de uma certa forma dos Mestres-Magos da Antiguidade.

É a ele, pois, que devemos a pequena chave deste conhecimento oculto, que oferecemos ao leitor através do presente artigo.

As plantas, o Homem e o Cosmos

Em 1966, Backster, famoso técnico na detecção de mentiras através de um galvanómetro, teve o impulso de conectar os seus eléctrodos às folhas duma dracena, acompanhando a reacção desta face à água vertida sobre as suas raízes. Qual não foi o seu espanto ao ver que o galvanómetro produzia um gráfico com linhas extremamente acidentadas: seria possível que a planta fosse capaz de exteriorizar emoções?

A maneira mais eficiente de provocar num ser humano uma reacção suficientemente forte para que o galvanómetro salte é ameaçar pôr em perigo o seu bem-estar. Foi precisamente isto que Backster decidiu fazer à planta: introduzir uma folha de dracena na sua chávena de café quente; o galvanómetro não registou nada. Reflectiu um momento e ocorreu-lhe uma ameaça maior: queimar a folha a que tinha aplicado os eléctrodos. No próprio momento em que pensou nisso o gráfico descreveu uma prolongada linha ascendente. Backster não se tinha movido na direcção da planta nem do gravador. Seria possível que a dracena estivesse lendo o seu pensamento?

Saiu da sala e voltou em seguida com alguns fósforos, observando então que o gráfico registava outro traço brusco para cima, sem dúvida causado pela sua determinação em levar à prática a ameaça que tinha pensado. Dispôs-se a queimar a folha. Desta vez o gráfico assinalou uma reacção mais baixa. Quando, efectivamente, começou a fazer os movimentos de tentar queimar as folhas, não houve reacção alguma. A planta parecia capaz de saber distinguir entre uma tentativa verdadeira e outra simulada.

Backster também comprovou que quando as plantas se viam irremediavelmente ameaçadas, recorriam ao “desmaio”. Assim, a sua planta não reagia a nenhum estímulo sempre que se encontrava na presença de um fisiólogo, cujo trabalho requeria destruir plantas a fim de obter o seu extrato seco.

Para averiguar se as plantas possuiam uma certa forma de memória deu-se início a um plano segundo o qual Backster iria tentar identificar o assassino secreto de uma planta. Seis estudantes, com os olhos vendados, tiraram à sorte um papelinho dobrado de um saco, havendo num deles instruções para arrancar e destruir completamente uma das suas plantas existentes numa sala contígua. O “assassino” tinha que cometer o crime em segredo, com a outra planta por única testemunha. Conectando a planta sobrevivente com um polígrafo e fazendo com que os alunos desfilassem um a um diante dela, Backster conseguiu identificar o culpado, pois só na presença de um deles é que a planta descreveu no polígrafo uma curva frenética de movimentos; a seguir, o estudante confirmou ter sido ele o “assassino”.

Numa outra série de observações, Backster notou que parecia criar-se uma espécie de vínculo de afinidade entre uma planta e o seu tratador, qualquer que fosse a distância que os separasse. Chegou a esta apreciação mediante cronómetros e anotando todas as suas actividades durante o dia, comprovando logo que a curva descrita pelo polígrafo coincidia com as diferentes emoções vividas pela planta ao longo da jornada.

Vogel, cientista inspirado nas experiências de Backster, dispôs três folhas na cabeceira da sua cama e todas as manhãs durante um minuto, exortava amorosamente duas delas a viver, ignorando deliberadamente a outra. Passado uma semana, esta última estava murcha, enquanto que as outras mostravam-se viçosas. Um dia convidou um psicólogo a ir a sua casa; a planta da sala, que tinha um polígrafo conectado, teve uma reacção instantânea e intensa, ficando de repente como morta. Quando Vogel perguntou ao psicólogo em que é que tinha pensado, este respondeu-lhe que tinha comparado mentalmente o filolendro de Vogel com um que tinha em casa, e pensou quão inferior era o de Vogel ao seu. De uma forma evidente, a planta de Vogel mostrou-se tão cruelmente ferida “nos seus sentimentos” que se recusou a reagir durante o resto do dia; com efeito, esteve quase duas semanas sombria e mal-humorada. A partir daí Vogel não teve dúvidas de que as plantas podiam ter aversão aos pensamentos dos seres humanos.

Isto não foi apenas comprovado com seres humanos; Backster pôde demonstrar a um grupo de estudantes da Universidade de Yale que os movimentos de uma aranha na sala em que uma planta estava conectada com o seu equipamento podiam originar importantes alterações no gráfico produzido por esta como, por exemplo, imediatamente antes da aranha escapar a uma tentativa humana de limitar os seus movimentos.

“Parecia – comentava Backster – que a planta captava cada uma das decisões da aranha em fugir, causando uma reacção na folha”.

Numa outra ocasião Backster cortou-se num dedo e untou-o com iodo; a planta que estava a ser observada por meio do polígrafo reagiu imediatamente à morte, segundo parece, de algumas células do dedo.

“A faculdade de sentir – assegura Backster – não parece acabar no nível celular. Pode-se estender ao molecular, ao atómico e até ao subatómico. Concluindo, todas as classes de seres que foram consideradas, convencionalmente, inanimadas, necessitam de uma nova avaliação”.

As plantas e a música

Dorothy Retallack, organista e soprano profissional que tinha dado concertos no Beacon Club de Denver, começou a realizar uma experiência biológica de laboratório com plantas. Juntamente com a amiga formaram dois grupos diferentes de plantas, entre as quais havia filolendros, milho, rabanetes, gerânios, etc. Em seguida, frente a um dos grupos, fizeram soar segundo a segundo as notas musicais “Si” e “Ré”, tocadas a piano e gravadas numa fita magnética; aqueles sons aborrecidos e monótonos, após três semanas de experimentação, fizeram com que todas as plantas começassem a murchar, e algumas delas, inclusivé, afastaram-se da fonte do som, como se fossem desviadas por uma forte ventania. O grupo de plantas que se tinha desenvolvido em paz floresceu.

Também realizou uma experiência de oito semanas com cabaças de Verão, transmitindo para o seu interior música de duas estações de rádio de Denver: uma delas “rock”, e a outra, música clássica. As cucurbitáceas não foram de modo algum indiferentes a estes dois estilos musicais: as expostas às peças de Haydn, Beethoven, Brahms, Schubert e de outros autores europeus dos séculos XVIII e XIX, orientaram-se na direcção do aparelho de rádio, e uma delas enroscou-se amorosamente em torno do transistor. As outras cabaças desenvolveram-se de forma a evitar a música “rock”, e até tentaram trepar pelas paredes resvaladiças da sua caixa de cristal. Em princípios de 1969, a senhora Retallack organizou uma série de ensaios semelhantes com milho, cabaças, petúnias, calêndulas, etc., tendo obtido o mesmo resultado. A música “rock” fazia que, de início, algumas plantas crescessem anormalmente altas e com folhas excessivamente pequenas, ou que ficassem paralisadas; ao cabo de quinze dias, todas as calêndulas tinham morrido, enquanto que outras idênticas, às quais chegavam os compassos de música clássica, floresciam a dois metros dali. Ocorreu algo ainda mais interessante: durante a primeira semana, as plantas expostas à música “rock”consumiam muito mais água do que as expostas à música clássica, embora tirassem menor proveito, já que ao examinar as suas raízes estas estavam esquálidas e só tinham uma polegada de longitude, ao passo que as do outro grupo eram grossas, espessas e quatro vezes mais compridas. Vemos, pois, que um determinado tipo de música exerce influências benéficas no crescimento e desenvolvimento das plantas, graças à sensibilidade que estas possuem, enquanto que outros ritmos produzem efeitos negativos, impedindo o seu desenvolvimento ou provocando enfermidades e, inclusivé, a morte.

Uma vez mais corroboramos a íntima vinculação das plantas com o meio ambiente.

Os Chamanes

O Médico-Mago da Antiguidade, que acumulava uma enorme Sabedoria ao longo dos tempos e dos ciclos históricos, tem na actualidade um modesto mas não menos enigmático herdeiro, o “chamane”.

Os chamanes, os “medicine man” dos povos marginais de todo o mundo, não são supersticiosos ignorantes que pretendem conjurar forças estranhas que desconhecem ou temem; bem pelo contrário; são, no seu meio, personagens de uma reputada capacidade e inteligência, e que reúnem condições de liderança face aos seus semelhantes.

Para alguém se tornar chamane de um povo é fundamental ter uma particular disposição ou abertura para com o mundo natural, o que lhe permite comunicar activamente com a Natureza, com o Espírito das montanhas, dos vales, dos bosques, dos animais e das plantas.

Um aspecto essencial destes singelos médico-magos é, pois, a possibilidade de entrarem em comunicação com os elementais das plantas, estabelecendo com eles uma espécie de diálogo que lhes permite encontrar o tipo de substâncias vegetais que podem utilizar para tratar determinadas maleitas dos seus povos; segundo as suas próprias referências, este diálogo é levado a cabo através das técnicas do êxtase. Segundo os investigadores, há milhares de anos atrás os estados místicos alcançavam-se por vontade própria, ao passo que actualmente os chamanes perderam muito do seu poder e necessitam de utilizar plantas alucinogéneas para realizarem o seu labor; não obstante, é preciso reconhecer neles um passado de alguma forma vigente, um conhecimento intuitivo da vida secreta das plantas, e hoje a Ciência actual voltou o seu olhar para eles em busca de tratamentos mais naturais. No entanto, esta Ciência não chega a compreender que o que necessita de aplicar não é uma maior acumulação de conhecimentos e de técnicas, mas uma concepção radicalmente diferente do Universo. Entretanto, próximo de nós estão estes seres singelos que preservam da soberba e ignorância do nosso século conhecimentos fabulosos.

Peter Tompkins e Christopher Bird

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-vida-secreta-das-plantas/

Magnetismo: A Chave de uma imensidade de fenômenos

    Nelson Moraes

Na conclusão de O Livro dos Espíritos, capítulo I, Kardec afirma:

      “Quem, de magnetismo terrestre, apenas conhecesse o brinquedo dos patinhos imantados que, sob a ação do imã, se movimentam em todas as direções numa bacia com água, dificilmente poderia compreender que ali está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos”.

Essa afirmação de Kardec não se restringe apenas ao magnetismo consistente nos corpos celestes, mas se estende ao magnetismo nas suas mais variadas configurações e que está presente em todas partículas com as quais se constituem o micro e o macro Universo. É através desse fluido elétrico que os seres pensantes se atraem ou se repelem e se influenciam mutuamente segundo seus pensamentos, suas emoções e seus sentimentos.

Na pergunta 388, de O livro dos Espíritos, Kardec indaga:

 “Os encontros, que costumam dar-se, de algumas pessoas e que comumente se atribuem ao acaso, não serão efeito de uma certa relação de simpatia?”

E obteve a seguinte resposta:

“Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis. O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor”.

Esta resposta dos espíritos coloca o magnetismo como piloto dessa ciência. Quer dizer, está no comando dos acontecimentos e é ele que atua para que haja tal encontro. Ou seja, quando necessitamos compartilhar de uma convivência com alguém, nosso encontro se dará infalivelmente, pois seremos atraídos mutuamente por força de uma imantação magnética que liga os nossos destinos para uma convivência em comum.

Essa imantação é construída através das nossas ações praticadas durante nossas vidas sucessivas segundo as quais não só nos imantamos às pessoas, mas também aos acontecimentos que irão compor o roteiro das nossas provações e resgates enquanto encarnados neste mundo de expiação e prova.

É através do magnetismo cósmico ou fluido cosmico universal que nos imantamos e nos submetemos às leis naturais e divinas que nos impulsionam na direção das nossas necessidades evolutivas, situando-nos exatamente onde merecemos estar e com quem devemos estar segundo as leis de causa e efeito.

Em O Livro dos Espíritos, no capítulo da Intervenção dos Espíritos, os espíritos afirmam:

  “O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única*, revela a realidade das coisas e suas verdadeiras causas”.

Realmente, o estudo do Espiritismo sem uma compreensão maior do magnetismo fica incompleto, pois o Espiritismo nos revela a natureza espiritual do ser humano e nos esclarece sobre as leis naturais e divinas às quais todos os seres estão submetidos, e o magnetismo por sua vez nos revela o meio por onde essas leis se cumprem.

Assim como tudo se origina de uma transformação do fluido cosmico universal, o magnetismo ou fluido magnético também é uma modificação do fluido cosmico universal e não difere do fluido vital revelado pelos espíritos e que está presente em todos os corpos orgânicos.

No Capítulo intitulado Do Princípio Vital, de O Livro dos Espíritos, os espíritos fazem uma analogia interessante:

“Um aparelho elétrico, como todos os corpos da Natureza, contém eletricidade em estado latente. Os fenômenos elétricos, porém, não se produzem senão quando o fluido elétrico é posto em atividade por uma causa especial. Poder-se-ia então dizer que o aparelho está vivo. Vindo a cessar a causa da atividade, cessa o fenômeno: o aparelho volta ao estado de inércia.”

“Os corpos orgânicos são, assim, uma espécie de pilhas ou aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida. A cessação dessa atividade causa a morte. A quantidade de fluido vital não é absoluta em todos os seres orgânicos. Varia segundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma espécie. Alguns há, que se acham, por assim dizer saturados desse fluido, enquanto os outros o possuem em quantidade apenas suficiente. Daí, para alguns, vida mais ativa, mais tenaz e, de certo modo, superabundante. A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm. O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se.”

O progresso no estudo do eletromagnetismo, ocorrido principalmente no século XIX, provocou uma mudança a respeito dos conceitos da Ciência sobre a energia.

Segundo as teorias quânticas, a troca de energia a distância se produz em conseqüência das ondas eletromagnéticas, que viajam no espaço à velocidade da luz. Tais ondas, constituídas por fótons, atuam sobre as partículas do meio e dos corpos.

Os apontamentos dos espíritos e o estudo da física quântica nos induzem a uma compreensão ampliada do que consiste o fluido cosmico universal e nos dá uma idéia da importância do magnetismo e da sua função no contexto das relações entre os mundos e entres os seres, o qual podemos defini-lo como o veiculo condutor dos pensamentos e da vontade do Criador e de todos os seres pensantes.

Na parte 2 cap. IX de O Livro dos Espíritos, os espíritos afirmam:

“…o fluido universal entrelaça todos os mundos, tornando-os solidários; veículo imenso da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o da transmissão do som.”

Se, segundo a ciência as ondas eletromagnéticas atuam sobre as partículas do meio e dos corpos e, considerando que hoje o pensamento é reconhecido como pulsos eletromagnéticos, torna-se clara a força incomensurável com que o pensamento atua sobre os corpos e partículas quando direcionado sob o impulso de uma vigorosa vontade ou desejo.

Ainda em O Livro dos Espíritos, pergunta 424.

“Por meio de cuidados dispensados a tempo, podem reatar-se laços prestes a se desfazerem e restituir-se à vida um ser que definitivamente morreria se não fosse socorrido?”

Resposta:

“Sem dúvida e todos os dias tendes a prova disso. O magnetismo, em tais casos, constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos”.

Segundo Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, todo ser vivo seria dotado de um fluido magnético capaz de se transmitir a outros indivíduos, estabelecendo-se, assim, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos.

Considerando o magnetismo como condutor da vontade e dos pensamentos dos seres pensantes atuando incessantemente sobre as partículas e os corpos, sua ação pode ser benéfica ou maléfica dependendo da fonte que o irradia. Neste caso, a fonte geradora, ou seja, o ser pensante, pode ser comparado a uma usina de eletricidade e os seus pensamentos e sentimentos os transformadores que graduam e determinam sua potência e qualidade. Nada melhor para a comprovação dessa realidade do que os fatos observados e que são muito numerosos, registrando a ação magnética direcionada através dos pensamentos e dos sentimentos humanos.

Lembro-me quando eu contava apenas nove anos de idade e como sempre fazíamos, estava eu e minha mãe no portão de casa aguardando meu pai retornar do trabalho quando uma vizinha parou para conversar com minha mãe. Em determinado momento, ela voltou-se para a jardineira onde minha mãe cultivava suas plantas e, demonstrando uma certa indignação, afirmou:

– Dona Aurora! Que avenca linda! Por que a minha nunca ficou tão bonita?

Logo depois ela foi embora. Minha mãe, após alguns instantes, apontou para a avenca cujas folhas haviam se fechado como se estivessem murchando, e explicou-me:

– Viu meu filho, o que o pensamento de despeito e de inveja da nossa vizinha fez com a nossa plantinha? Guarde esta lição! Nunca use o seu pensamento para invejar ou odiar alguém. Da mesma forma que a planta se ressentiu do magnetismo negativo da nossa vizinha, as pessoas mais sensíveis também se ressentem e podem até adoecer. Mas, se você usar os seus pensamentos para ajudar, envolvendo-as com o seu amor, o teu magnetismo poderá até curá-las das suas enfermidades.

Dizendo isso, voltou-se para a planta e impôs suas mãos sobre ela e orou. Antes que o meu pai retornasse do trabalho, a avenca já havia se recuperado. Minha mãe passou-me esta lição com conhecimento de causa, pois durante toda sua vida aliviou e curou muita gente impondo suas mãos revestidas da generosidade e do amor que nos ensina o Espiritismo Cristão.

A avenca é uma das plantas mais sensíveis, por isso logo se ressentiu da carga magnética negativa que enfraqueceu o fluido vital que lhe garantia a vida. O mesmo ocorre com os animais, cujo efeito demora um pouco mais para se manifestar, mas se não socorrido este acabará morrendo.

No ano de 1970, eu morava em uma casa com um quintal muito grande, como eu gosto de animais, passei a criar algumas galinhas, um casal de gansos e um peru. Certo dia eu estava muito feliz, pois a gansa havia chocado seus ovos trazendo à vida seis filhotes. Uma conhecida nossa, dona do armazém onde realizávamos nossas compras, ficou sabendo e quis ver os gansos, pois, segundo ela, eles não procriavam facilmente no cativeiro. Certo dia ela apareceu em casa e logo ao entrar no quintal demonstrou ser uma apaixonada pela criação de gansos e revelou-me que possuía três casais que nunca haviam procriado. Percebi no seu olhar e semblante uma certa indignação. Ficou algum tempo olhando para os gansos admirando-os e elogiando a beleza de todas as aves do meu quintal, logo depois se despediu e partiu.

No dia seguinte da sua visita, as galinhas não desceram do poleiro para se alimentarem e ali ficaram defecando fezes líquidas até que acabaram morrendo. No terceiro dia foi o galo que, à semelhança das galinhas, permaneceu no poleiro até a morte. No quarto dia morreu os gansos, entretanto, o peru continuou vivo, mas apresentava sinais de que também morreria, pos já não descia do poleiro e não se alimentava. Foi quando conversando com minha mãe chegamos à conclusão de aquela mulher poderia estar por trás daquelas mortes, pois nenhum remédio veterinário conseguira curá-los. Foi então que resolvemos tentar salvar o peru magnetizando-o. Qual não foi a nossa surpresa quando depois de algumas horas após atuarmos sobre ele, apresentava uma visível revitalização recuperando-se completamente ao final do dia.

A ação magnética negativa emitida pela mulher enfraqueceu o fluido vital dos animais, levando-os à morte em uma sinistra seqüência: primeiramente morreu os mais fracos, no caso as galinhas, depois o galo, mais tarde os gansos, porém, o peru, por apresentar uma constituição física mais forte, conseguiu resistir mais tempo até que pudéssemos socorrê-lo.

A ação magnética que direcionamos sobre o peru, operou no sentido inverso e repôs o fluido vital enfraquecido pelo magnetismo maléfico da mulher.

Quando observamos os relatos acima onde ambas as mulheres com um simples olhar alteraram as condições físicas da planta e dos animais, fica claro para nós que a ação magnética não depende de gestos manuais e nem de técnicas. O magnetismo não é captado, é próprio do indivíduo. A simples presença de uma pessoa dotada de bons sentimentos pode causar uma influência magnética benéfica nas pessoas a sua volta, da mesma forma que uma pessoa dotada de maus sentimentos pode causar uma influência maléfica.

O espírito reencarnado através do magnetismo que irradia a sua volta revela sua índole e grava o seu perfil mental nos seus objetos de uso pessoal e no ambiente onde vive, impregnando-os com o seu psiquismo.

Certa vez, quando eu administrava a construção de um prédio industrial na capital do estado de São Paulo, ocorreu um fato que ilustra bem esse fenômeno de impregnação psíquica magnética nos objetos de uso pessoal. Um dos meus funcionários, o encarregado da obra, foi acometido de um mal estranho. Todo dia chegava bem no canteiro da obra, mas assim que começava a trabalhar passava a sofrer de cólicas intestinais violentas sendo obrigado a retornar para casa, porém, assim que deixava a obra, sentia-se muito bem. Isso se repetiu durantes três dias. No quarto dia conversávamos enquanto ele se trocava no barraco da obra e observando-o, fui intuído de que o problema estava na roupa que usava para trabalhar, então perguntei a ele a origem da roupa e ele afirmou que a calça e a cinta que ele usava ganhara de uma vizinha e que era a roupa do seu marido que há pouco tempo havia desencarnado de câncer intestinal. Diante dessa afirmação, a qual confirmava a minha intuição, eu atuei com o meu magnetismo sobre as calças e a cinta. A partir daquele dia não mais sentiu as cólicas que o importunavam.

É evidente que a calça e a cinta do recém-desencarnado ainda se mantinham impregnadas do seu psiquismo de dor e de sofrimento que havia precedido à sua passagem para o mundo dos espíritos, cuja atuação magnética alterava a estabilidade das moléculas situadas na região gástrico intestinal do meu funcionário provocando dores semelhantes as que havia sofrido.

Aqui fizemos um pálido estudo sobre o magnetismo, pois seria impossível em um espaço diminuto de uma matéria se aprofundar mais num assunto tão empolgante e esclarecedor, porém, tenho a certeza que foi o suficiente para compreendermos a profunda visão de Kardec quando afirmou que ninguém imagina que no brinquedo dos patinhos imantados está o segredo do mecanismo do Universo e da marcha dos mundos.

Matéria publicada na Revista Internacional de Espiritismo 07/LXXXI

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/magnetismo-a-chave-de-uma-imensidade-de-fenomenos/