O Tridente e a Psicologia

“Num tempestuoso mar de emoções em movimento, lançado como um navio no oceano”

– Kansas

Resolução CFP Nº 002/2006

Art. 2º – Define-se a cor azul para a faixa da beca dos formandos do curso de graduação em psicologia, a pedra lápis-lazúli para o anel de formatura e a letra grega “psi” (Ψ) para símbolo da psicologia.

Qual é a relação entre o deus dos Mares e a psicologia? Vamos fazer um levantamento mitológico e simbólico para entender essa correlação.

Muitos dizem que o tridente da psicologia é uma analogia a teoria freudiana das pulsões: Ego, Id e Superego. Ou então que o tridente representa as três ‘correntes’ da psicologia: comportamental, psicanálise e humanismo. Já li até que representa as três pulsões humanas principais: sexualidade, espiritualidade e auto-conservação. Mas acho que essas explicações individuais não são o suficiente.

A palavra psicologia vem do grego ψυχή (significando psiche, alma) e λόγος (significando logos, estudo/saber). Psicologia, portanto, é a representante científica do estudo da alma. Como é possível perceber na própria raiz da palavra, encontramos o prefixo “Ψ”, literalmente o símbolo utilizado para representar a psicologia. Além disso, o mesmo símbolo “Ψ” é utilizado para representar o potencial hídrico, que na física, representa a energia livre que as moléculas de água têm para realizar trabalho.

E essa não é a única associação com água que encontramos neste símbolo. Vale a pena frisar que, para algo ser definido como um símbolo, o mesmo necessita apreender pelo menos três diferentes significados. Jung (1964) introduz a noção de símbolo como um conjunto de significados que transcendem sua própria imagem concreta. Um símbolo remete a algo maior que o próprio símbolo, um conjunto de ideias orientadas através de um sutil emaranhado de padrões.

O símbolo psi (“Ψ”) está intimamente ligado ao tridente do deus grego Poseidon, cujo equivalente romano é Netuno. Num dos principais mitos de Netuno, o mesmo e seus dois irmãos, Júpiter e Plutão, se reuniram para destronar o pai, Saturno. Cada um dos irmãos munido de um artefato especial, Júpiter do raio do trovão, Netuno do tridente e Plutão do capacete da invisibilidade conseguiram juntos subjugar Saturno e enterrá-lo nas profundezas do inferno. Como herdeiros do Universo, os irmãos o repartiram, sendo de responsabilidade de Júpiter os céus, de Netuno, os mares, e de Plutão, o mundo dos mortos.

Netuno representa, arquetipicamente, o grande regente dos mares e das águas, principalmente as subterrâneas e submarinas, o que nos remete ao conceito de profundidade, sendo fácil realizar uma associação simbólica entre os oceanos e nosso inconsciente, pois como ressalta Jung (1964) “nos sonhos ou nas fantasias, o mar ou toda extensão vasta de água designa o inconsciente”. No mito deste “Senhor dos Mares”, o tridente era utilizado como uma arma de guerra que, quando cruzava o coração do inimigo, Poseidon ganhava o controle sobre a alma do indivíduo.

Ser atravessado pelo simbolismo do tridente nos permite adquirirmos mais consciência sobre nossa própria alma, e que forma melhor de se obter tal auto-conhecimento, se não através da psicologia, que como vimos anteriormente significa o “estudo da alma”? Era dito também que o tridente, quando fincado na terra, podia manipular as águas, tornando-as calmas ou agitadas.

No hinduísmo, em que é chamado de “Trishula”, o tridente é utilizado por Shiva e representa a trindade da constância, da destruição e da criação. Encontramos também o tridente nos culto afro-brasileiros, como um artefato utilizado por Exu, uma entidade do movimento e da comunicação. Neste panteão, o tridente representa a busca espiritual, através dos quatro elementos, sendo fogo, ar e água orientados para cima e terra para baixo.

O tridente representa, portanto, uma chave para a compreensão da imensidão do ‘oceano’ inconsciente, que, através de uma canalização correta de forças e pulsões, pode orientar essas forças inconscientes para a consciência, resultando em insights sobre o si-mesmo, e permitir que cada um encontre e conheça sua própria essência e a manifeste!

Aquele que busca a totalidade, que deseja conhecer desde o α (alpha) até o Ω (ômega), talvez tenha que passar pela penúltima letra do alfabeto grego, o Ψ (psi), que nos convida a olhar para nós mesmos . Como diria Sócrates: “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.”

Inutilmente Parecemos Grandes

O mar jaz; gemem em segredo os ventos

Em Eolo cativos;

Só com as pontas do tridente as vastas

Águas franze Netuno;

E a praia é alva e cheia de pequenos

Brilhos sob o sol claro.

Inutilmente parecemos grandes.

Nada, no alheio mundo,

Nossa vista grandeza reconhece

Ou com razão nos serve.

Se aqui de um manso mar meu fundo indício

Três ondas o apagam,

Que me fará o mar que na atra praia

Ecoa de Saturno?

Ricardo Reis, in “Odes”

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. 

Imagens:

“Double Exposure”, fotografias de Antonio Mora

“Tridente” Encontrada na internet

“The Return of Neptune” ca. 1754. John Singleton Copley (American, 1738–1815)

Shiva e Exú com seus respectivos tridentes encontrados na internet

Bibliografia:

JUNG, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1964

CAMPBELL, Joseph. As máscaras de Deus, vol. 3 – Mitologia Ocidental. São Paulo. Palas Athena. 1990

#Simbolismo #símbolos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-tridente-e-a-psicologia

John Dee e o despontar de “Christian Rosencreutz”

FRANCES A. YATES

excerto do livro O Iluminismo Rosa-Cruz

A palavra “rosa-cruciano” é derivada do nome “Christian Rosencreutz” ou “Rosa-Cruz”. Os chamados “manifestos rosa-crucianos” são dois pequenos panfletos ou folhetos, publicados primeiramente em Cassel, nos anos de 1614 e 1615, cujos títulos extensos podem ser abreviados para Fama e Conjessio. O herói desses manifestos é um certo “Padre C.R.C.” ou “Christian Rosencreutz”, que consta como tendo sido o fundador de uma Ordem ou Irmandade, atualmente restaurada, e para a qual os manifestos convidam a ingressar. Eles provocaram um imenso alvoroço, e uma terceira publicação em 1616 aumentou o mistério. Tratava-se de um singular romance alquímico, cujo título em alemão traduzido para o inglês é The Chemical Wedding of Cbristian Rosencreutz. O herói dessa obra também parece estar associado a alguma Ordem que usa como símbolos uma cruz vermelha e rosas dessa mesma cor.

O autor de The Chemical Wedding foi certamente Johann Valentin Andreae. Os manifestos estão indubitavelmente relacionados com esse livro, embora provavelmente não tenham sido da autoria de Andreae, mas de alguma outra pessoa ou pessoas desconhecidas.

Quem era esse “Christian Rosa-Cruz” que aparece inicialmente nessas publicações? Infinitas são as mistificações e lendas tecidas em redor desse personagem e de sua Ordem. Vamos tentar cortar caminho através’ dele, por uma trilha completamente nova. Mas, permitam-nos começar este capítulo com esta pergunta mais fácil: “Quem foi Johann Valentin Andreae?”

Johann Valentin Andreae, nasceu em 1586, original de Württemberg, o Estado Luterano que se ligou intimamente ao Palatinado. Seu avô foi um  eminente teólogo luterano, algumas vezes chamado “o Lutero de Wurttemberg . O Intenso Interesse pela situação religiosa contemporânea foi a principal inspiração de seu neto johann Valentin, que também tornou-se um pastor luterano, porém com um interesse liberal pelo Calvinismo. Apesar dos infindáveis malogros, Johann Valentin foi encorajado durante toda sua vida, pelas esperanças de alguma solução a longo prazo, relativa ao desenlace religioso. Todas as suas atividades – seja como pastor luterano devoto com interesses socialistas, seja como propagador das fantasias “rosa-crucianas” – estavam orientadas para tais esperanças. Andreae era um escritor de futuro, cuja imaginação foi influenciada pelos atores itinerantes ingleses. No que concerne ao início de sua vida e às influências por ele sofridas, temos informações autênticas em sua autobiografia.

Por ela ficamos sabendo que em 1601, com a idade de 15 anos, sua mãe viúva levou-o para Tübingen, para que continuasse seus estudos naquela famosa universidade de Württemberg. Enquanto estudante em Tübingen – assim nos conta ele – desenvolveu seus primeiros trabalhos juvenis como autor, aproximadamente durante os anos de 1602 e 1603. Esses trabalhos incluíram duas comédias sobre os temas de “Esther” e “Jacinta” – que ele afirma ter escrito “por rivalidade com os atores ingleses” – e um trabalho chamado Chemical Wedding) o qual define depreciativamente como um ludibrium ou uma ficção, ou ainda uma pilhéria de pouco mérito.

A julgar pelo Chemical Wedding, de Andreae, que ainda existe, a publicação de 1616, tendo Christian Rosencreutz como herói – versão prematura do assunto – teria sido um trabalho de simbolismo alquímico, empregando o tema do casamento como um símbolo dos processos da alquimia. Não pode ter sido igual ao Chemical Wedding de 1616, que contém referências aos manifestos rosa-crucianos de 1614 e 1615, ‘ao Eleitor Palatino e sua corte em Heidelberg, e ao seu casamento com a filha de Jaime 1. A primeira versão do Chemical Wedding) que não é conservada, deve ter sido atualizada para a publicação de 1616. Não obstante, a versão inicial perdida deve ter proporcionado a parte essencial desse trabalho.

Podemos fazer uma boa conjetura sobre quais foram as influências e acontecimentos em Tübingen, que inspiraram esses primeiros trabalhos de Andreae.

O Duque de Württemberg então reinante, era Frederico I, alquimista, ocultista e anglófilo entusiasta, cuja paixão predominante fora estabelecer uma aliança com a Rainha Elisabete e obter a Ordem da Jarreteira. Visitara várias vezes a Inglaterra com esses desígnios e parece ter sido uma figura conspícua. A Rainha chamava-o “primo Mumpellgart” , que era seu nome de família, e muitas discussões foram travadas em torno do problema para saber se as referências crípticas em Merry Wives o/ Windsor , de Shakespeare, aos “velhacos (garmombles)”, e aos cavalos alugados no “Garter Inn” (Estalagem da Jarreteira) pelos servidores do duque alemão, poderiam ter alguma relação com Frederico de Württemberg . A Rainha autorizou a sua eleição para a Ordem da Jarreteira em 1597 , mas a verdadeira cerimônia de sua investidura não teve lugar senão em novembro de 1603, quando lhe foi conferida a Jarreteira em sua própria capital, a cidade de Stuttgart, por uma embaixada especial de Jaime L

Por conseguinte, mediante esse ato logo no primeiro ano de seu reinado, Jaime fez um gesto para continuar a aliança elisabetana com os poderes protestantes alemães, embora após alguns anos devesse rejeitar as esperanças assim originadas . Mas no ano de 1603, em Württemberg, o reinado de um novo soberano da Inglaterra parecia abrir-se mais auspiciosamente para as esperanças alemãs, e verificou-se uma efusão de entusiasmo à volta da embaixada que viera conceder a jarreteira ao Duque, e dos atores ingleses que a tinham acompanhado.

A cerimônia da Jarreteira em Stuttgart e as festividades a ela associadas são descritas por E . CeIlius numa narrativa em latim, publicada em Stuttgart em 1605, parte da qual é citada numa tradução inglesa por Elias Ashmole em sua história da Ordem da Jarreteira

As procissões nas quais tomaram parte solene os oficiais da Jar· reteira Inglesa, carregando a insígnia da Ordem, com os dignitários alemães, causaram uma esplêndida impressão. A aparência do Duque era a mais suntuosa, estando coberto de jóias que lançavam de um lado para outro “uma mistura radiante de diversas cores”. Um dos oficiais da Jarreteira Inglesa era Robert Spenser, que segundo afirmou Cellius era parente do poeta. 8 A parte interessante desse comentário é a que ouviram de Spenser, e talvez de seu Faerie Queene, em Stuttgart

Assim, suntuosamente vestido, o Duque entrou na igreja, na qual ao som de uma música solene, foi investido na Ordem. Após um sermão, a música recomeçou, consistindo nas “Vozes de dois Adolescentes, vestidos de branco com asas iguais às dos Anjos, e postados frente a frente”

Quando os convidados voltaram ao ball, participaram do Banquete da Jarreteira, que se prolongou até as primeiras horas do dia seguinte. Cellius tem alguns detalhes sobre o banquete que não estão citados por Ashmole, incluindo referências à parte do entretenimento proporcionado por “músicos, comediantes, artistas trágicos e outros atores ingleses talentosos”. Os músicos ingleses deram um concerto em conjunto com seus colegas de Württemberg, e os atores da Inglaterra aumentaram a hilaridade do banquete apresentando dramas. Um deles foi a ‘História de Susana’, “que representaram com tal arte e desempenho histriônico e tal engenhosidade, que foram profusamente aplaudidos e recompensados”.

Nos últimos dias, os ingleses foram convidados a visitar alguns dos principais lugares do Ducado, incluindo a Universidade de Tübingen, “na qual se distraíram assistindo comédias, música e outros passatempos”

Certamente a visita da embaixada da Jarreteira e os atores, que dela participavam, devem ter representado um acontecimento incrivelmente estimulante e emocionante para o jovem e imaginativo estudante de Tübingen, Johann VaIentin Andreae. O seu Chemical Wedding, de 1616, está repleto de impressões brilhantes relativas ao suntuoso cerimonial e às festas de alguma Ordem ou Ordens, contendo comentários sobre as representações dramáticas. Ele se torna mais compreensível enquanto uma obra artística, quando observado como o resultado das primeiras influências em Andreae, tanto do drama como do cerimonial, associando-se para inspirar um trabalho de arte novo, original e imaginativo.

Em 1604 , um ano após a cerimônia da Jarreteira, um trabalho muito singular foi dedicado ao Duque de Württemberg. Tratava-se de Naometria, por Simon Studion, um manuscrito inédito constante da “Landesbibliothek” , em Stuttgart. 11 É um trabalho apecalíptico-profético de grande extensão, usando de uma numerologia complexa sobre as descrições bíblicas das medidas do Templo de Salomão, e argumentos complicados relativos a datas expressivas na história bíblica e européia, preparando o caminho para as profecias sobre datas de acontecimentos futuros. O escritor interessa-se particularmente pelas datas relacionadas à vida de Henrique de Navarra, e o trabalho todo parece refletir uma aliança secreta entre Henrique, no momento Rei da França, Jaime I da Grã-Bretanha e Frederico, Duque de Württemberg. Esta suposta aliança (da qual não encontrei provas em nenhum lugar) está descrita muito pormenorizadamente, e o manuscrito até contém várias páginas de músicas que devem ser cantadas em versos, sobre a eterna amizade da Flor-de-lis (o Rei da França), o Leão (Jaime da Grã-Bretanha) e da Ninfa (o Duque de Württemberg) .

De acordo com a evidência apresentada por Simon Studion poderia parecer, portanto, que em 1604 existia uma aliança secreta entre Jaime, Württemberg, e o Rei da França, talvez uma continuação do rapprocbement com Jaime através da cerimônia da Jarreteira no ano anterior. Encontramo-nos ainda na parte inicial ,do reinado de Jaime, durante o qual ele ainda estava persistindo nas alianças do reino precedente e trabalhando de acordo com Henrique de Navarra, na época rei da França.

A Naometria é um curioso espécime daquela obstinação por profecias, baseado na cronologia, que era uma obsessão característica cUt época. Entretanto, essa obra contém um relato interessante e aparentemente real sobre algo que, segundo dizem, ocorreu em 1586. De acordo com o autor da Naometria, houve uma reunião em Luneburg no dia 17 de julho de 1586, entre “alguns Príncipes e Eleitores evangélicos”, e representantes do Rei de Navarra, o Rei da Dinamarca e a Rainha da Inglaterra. Consta que o objetivo dessa reunião foi formar uma “Liga Evangélica” de defesa contra a “Liga Católica” (que estava progredindo na França, a fim de evitar a ascensão de Henrique de Navarra ao trono da França). Essa Liga foi chamada “Confederatio Militiae Evangelicae”

Ora, de acordo com alguns primitivos estudantes do mistério rosa-cruciano, a Naometria de Simon Studion e a “Milícia Evangélica”, aí descrita, representam uma origem básica para o movimento rosacrucíano. A. E. Waite, que examinara o manuscrito, acreditara que o desenho de uma rosa toscamente delineado com uma cruz no centro, contido na Naometria, é o primeiro exemplo do simbolismo rosa-cruciano da rosa e da cruz. Não posso afirmar que esteja totalmente convencida da importância dessa pseudo-rosa, mas a idéia de que o movimento rosa-crucíano foi implantado à maneira de aliança dos simpatizantes protestantes, formada para anular a Liga Católica, poderia harmonizar-se bem com as interpretações a serem desenvolvidas neste livro. A data de 1586 para a formação dessa “Milícia Evangélica” far-nos-ia retroceder ao reinado da Rainha Elisabete, ao ano de intervenção de Leicester junto aos neerlandeses, ao ano da morte de Philip Sidney, à idéia da formação de uma Liga Protestante, que era tão cara a Sidney e a John Casimir do Palatinado.

Os problemas suscitados por Simon Studion, em sua Naometria, são demasiadamente complexos para aqui serem introduzidos com detalhes, mas eu estaria inclinada a concordar em que esse manuscrito de Stuttgart é certamente de importância para os estudantes do mistério rosa-cruciano. O que nos incentiva quanto a essa opinião, é o fato de que Johann Valentin Andreae, evidentemente conhecia a Naomeiria, pois a menciona em sua obra Turris Babel, publicada em 1619. Nela está interessado não em quaisquer datas anteriores mencionadas na Naometria, mas sim em suas datas para os futuros acontecimentos, suas profecias. Simon Studion mostra-se muito enfático em insistir que o ano de 1620 (lembrem-se de que ele está escrevendo em 1604) será grandemente significativo, pois ele verá o fim do reinado do Anticristo na derrocada do Papa e de Maomé. Este colapso prosseguirá nos anos subseqüentes e aproximadamente em 1623 começará o milênio. Andreae mostra-se muito obscuro no que diz a respeito das profecias da Naometria, que ele associa com as .do Abade Joaquim, S. Brígida, Lichtenberg, Paracelso, Postel e outros illuminati. Contudo, é possível que as profecias desse tipo possam realmente ter influenciado nos acontecimentos históricos, bem como ajudado o Eleitor Palatino a tomar aquela decisão precipitada de aceitar a coroa da Boêmia, ao acreditar que o milênio estava próximo.

Os movimentos obscuros, vislumbrados através do estudo do Duque de Württemberg e da Jarreteira, e os mistérios da Naometria pertencem aos primeiros anos do século, quando a União Protestante estava sendo formada na Alemanha, e os defensores dos Reis da França e da Inglaterra neles depositavam sua confiança. Naqueles anos mais distantes, Jaime I pareceu simpático a esses movimentos. O assassinato do Rei da França em 1610, às vésperas de fazerem uma intervenção importante na Alemanha, destroçou as esperanças dos ativistas durante algum tempo, e alterou o equilíbrio dos negócios europeus. Todavia, Jaime parecia continuar ainda a política antiga. Em 1612, ingressou para a União dos Príncipes Protestantes, cujo chefe no momento era o jovem Eleitor Palatino; no mesmo ano autorizou o noivado de sua filha Elisabete com Frederico, e em 1613 foi realizado o famoso casamento, com a promessa evidente de apoio pela Grã-Bretanha ao chefe da União Protestante Alemã, o Eleitor Palatino

Na época em que essa aliança estava em seu apogeu, antes que Jaime I tivesse iniciado sua tomada de posição, objetivando retirar seu apoio, o enérgico Christian de Anhalt começou a trabalhar com o fito de fortalecer o Eleitor Palatino, como sendo o chefe ideal das forças anti-habsburgas na Europa. Os líderes mais antigos depositários das esperanças tinham desaparecido; Henrique de França fora assassinado; Henrique, Príncipe de Gales, morrera. A escolha caiu sobre o jovem Eleitor Palatino.

Anhalt, por via de regra, foi considerado responsável pela malograda aventura de Frederico da Boêmia, e foi contra ele que a propaganda virou-se após seu desastroso fracasso. Possuía muitos contatos na Boêmia; e, segundo poderia parecer, talvez tivesse sido através de seus esforços persuasivos que os rebeldes da Boêmia foram influenciados para oferecerem a coroa a Frederico. A figura de Anhalt representava uma influência importante e dominadora durante os anos em que a aventura do povo da Boêmia estava evoluindo para seu clímax, e portanto é indispensável levar em consideração a natureza dos interesses desse homem, e a natureza de suas ligações na Boêmia.

Teologicamente falando, Christian de Anhalt era um calvinista entusiasta, mas como muitos outros príncipes protestantes alemães da época viu-se profundamente envolvido nos movimentos paracelsistas e místicos. Ele era o patrono de Oswald Croll, cabalista, paracelsista e alquimista, e suas relações na Boêmia eram de caráter semelhante. Era amigo íntimo de Peter Wok de Rosenberg ou Roãmberk, um opulento nobre da Boêmia com imensas propriedades nas imediações de Trebona ao sul daquele país, um liberal da antiga escola rodolfiana, e um patrono da alquimia e do ocultismo.

Os contatos de Anhalt com pessoas da Boêmia eram de um gênero que poderiam levá-lo a ingressar na esfera de uma extraordinária corrente de influências oriundas da Inglaterra, e que tinham surgido com a visita à Boêmia de John Dee e de seu companheiro Edward Kelley. Como é sabido, Dee e Kel1ey encontravam-se em Praga em 1583, quando o primeiro tentou despertar o interesse do Imperador Rodolfo II para seu misticismo imperialista de grande alcance e seu vasto círculo de estudos. A natureza do trabalho de Dee, atualmente, é melhor conhecida através do recente livro da autoria de Peter French. Dee, cuja influência na Inglaterra fora tão intensamente importante, e que tinha sido o professor de Philip Sidney e seus amigos, tivera a oportunidade de formar um grupo de adeptos na Boêmia, embora, por enquanto, tenhamos poucos meios para estudar o assunto. O centro principal das influências de Dee, na Boêmia, teria sido Trebona, na qual ele e KelIey haviam estabelecido sua sede após a primeira visita a Praga . Dee residiu em Trebona como hóspede de Villem Roãmberk, até 1589, quando regressou à Inglaterra. Villem Rozrnberk era o irmão mais velho de Peter, que foi amigo de Anhalt e que herdara as propriedades em Trebona após a morte de seu irmão.  Dada a tendência da mente de Anhalt e a natureza de seus interesses, é evidente que teria sido atingido pelas influências de Dee. De mais a mais, é provável que as idéias e perspectivas emanadas originalmente de Dee – o filósofo inglês e elisabetano – tenham sido empregadas por Anhalt ao fortalecer a imagem do Eleitor Palatino na Boêmia, como uma pessoa que dispunha de recursos maravilhosos, devido à influência inglesa em sua retaguarda.

A ascendência de Dee estivera difundindo-se, muito anteriormente, da Boêmia para a Alemanha. Segundo os comentários sobre Dee, feitos por Elias Ashmole em seu Theatrum Chemicum Britannicum (1652). a viagem de Dee pela Alemanha em 1589, ao regressar da Boêmia para a Inglaterra, foi um tanto sensacional. Ele passou perto daqueles territórios que, vinte e cinco anos mais tarde, deveriam ser o cenário da explosão do movimento rosa-cruciano. O Landgrave de Hesse apresentou seus cumprimentos a Dee, que por sua vez “presenteou-o com doze cavalos húngaros que comprara em Praga para sua viagem”. 26 Por ocasião dessa etapa em sua viagem para a Inglaterra, Dee também entrou em contato com seu discípulo Edward Dyer (um dos amigos mais íntimos de Philip Sidney) que estava seguindo para a Dinamarca como embaixador, e que “no ano anterior estivera em Trebona e levara cartas do Doutor (Dee ) para a Rainha Elisabete”. 21 Dee deve ter causado uma forte impressão nessas duas pessoas acima meneio- ‘nadas, como sendo um homem muitíssimo erudito e alguém representando o centro de grandes negócios.

Ashmole afirma isso em 27 de junho de 1589 quando, em Bremen, Dee recebeu a visita do “famoso filósofo hermético ou alquímico, Dr. Henricus Khunrath, de Hamburgo”. 22 A influência de Dee é um fato evidente na extraordinária obra de Khunrath (co Anfiteatro da Sabedoria Eterna, publicada em Hanover, em 1609. 23 “Monas” – o símbolo de Dee, um emblema complexo por ele explicado em seu livro Monas Hieroglyphica (publicado em 1564 com uma dedicatória ao Imperador Maximiliano II), tão significativo pela sua forma peculiar da filosofia alquímica – pode ser observada numa das ilustrações do “Amphiteatre”, e tanto a Monas de sua autoria, quanto seus Aphorisms estão mencionados no texto de Khunrath. O “Anfiteatro” forma um elo entre a filosofia influenciada pôr Dee e a filosofia dos manifestos rosa-crucianos. Na obra de Khunrath deparamo-nos com a fraseologia característica dos manifestos, a ênfase permanente sobre o macrocosmo e o microcosmo, a insistência sobre a Magia, a Cabala e a Alquimia, como que combinando-se para criar uma filosofia religiosa que promete um novo alvorecer para a humanidade.

As gravuras simbólicas no “O Anfiteatro da Sabedoria Eterna” são dignas de um estudo, como uma introdução visual à linguagem figurada e à filosofia que encontraremos nos manifestos rosa-crucianos. Exceto no título, a palavra “Anfiteatro” não aparece nesse trabalho, e podemos apenas supor que Khunrath com esse título deve ter tido em mente algum pensamento de um sistema oculto de memória, através do qual ele estava apresentando suas idéias visualmente. Uma das gravuras mostra uma grande caverna com inscrições nas paredes, através das quais os adeptos de alguma experiência espiritual estão se dirigindo para uma luz. Isso também pode ter sugerido uma linguagem figurada na Fama rosa-cruciana. E a gravura de um alquimista religioso é sugestiva tanto do ponto de vista de John Dee como dos manifestos rosa-crucianos. À esquerda, um homem numa atitude de profunda adoração está ajoelhado na frente de um altar, no qual constam símbolos cabalísticos e geométricos. À direita, vê-se um grande forno com todo o aparelhamento para o trabalho de um alquimista. No centro, instrumentos musicais estão empilhados sobre uma mesa. E a composição no conjunto está num ball, desenhada com toda a perícia de um perspectivista moderno, demonstrando o conhecimento daquelas artes matemáticas, que se harmonizavam com a arquitetura da Renascença. Essa gravura é uma demonstração visual do tipo de concepções que john Dee sintetizou em sua Monas hieroglyphica, uma combinação de disciplinas cabalística, alquímica e matemática, por meio das quais o adepto acreditava que poderia alcançar um profundo discernimento da natureza e a visão de um mundo divino para além da natureza.

Ela também poderia servir como manifestação visual dos temas principais dos manifestos rosa-crucianos, Magia, Cabala e Alquimia, unidos numa concepção profundamente religiosa, que abrangia um enfoque religioso de todas as ciências dos números.

Portanto, deveríamos procurar uma influência de John Dee nos manifestos rosa-crucianos? Sim, deveríamos, e sua influência deve ser neles encontrada sem sombra de dúvida. Farei agora uma breve exposição relativa às descobertas que serão desenvolvidas mais detalhadamente nos capítulos subseqüentes.

O segundo manifesto rosa-cruciano, a Confessio de 1615, foi publicado com um opúsculo em latim, chamado “Uma Breve Consideração da Mais Secreta Filosofia”.  Esta “Breve Consideração” é baseada na Monas hieroglypbica, de John Dee, e grande parte dela consta, palavra por palavra, de citações da Monas. Essa dissertação está associada indissoluvelmente ao manifesto rosa-cruciano que o sucedeu, a Conjessio. E a Conjessio está indissoluvelmente vinculada ao primeiro manifesto, a Fama, de 1614, cujos tópicos nela se repetem. Assim, a “mais secreta filosofia” por trás dos manifestos era a filosofia de John Dee, conforme sintetizada em sua Monas hieroglyphica.

Além disso, a obra Cbemical Wedding, de 1616, da autoria de johann Valentin Andreae – na qual ele ofereceu a manifestação alegórica e romântica dos assuntos dos manifestos – tem, na página do título, a “monas”, o símbolo de Dee, que é repetido no texto ao lado do poema com o qual inicia a alegoria.

Conseqüentemente, não pode haver dúvidas de que deveríamos considerar o movimento ‘oculto sob as três publicações rosa-crucianas, como sendo definitivamente proveniente de John Dee. Sua influência poderia ter entrado na Alemanha vinda da Inglaterra com os amigos ingleses do Eleitor Palatino, e poderia ter-se expandido da Boêmia. onde Dee propagara a sua missão inspiradora nos anos anteriores.

Por que deveriam essas influências ter sido anunciadas desse modo estranho, através de sua difusão nas publicações rosa-crucianas? Como uma tentativa para responder a essa pergunta – sobre a qual os capítulos subseqüentes fornecerão mais evidência – deve ser lembrado que as publicações rosa-crucianas pertencem aos movimentos em torno do Eleitor Palatino, movimentos esses que o estavam fortalecendo para a aventura da Boêmia. O principal espírito estimulante, por trás desses movimentos, foi Christian de Anhalt, cujas ligações na Boêmia pertenciam diretamente aos oráculos nos quais a influência Dee teria sido exercida e fomentada.

A sugestão estranhamente excitante é que o movimento rosa-cruciano, na Alemanha, representou o resultado retardado da missão de Dee na Boêmia vinte anos antes, cujas influências vieram a ser associadas com o Eleitor Palatino. Sendo Cavaleiro da Jarreteira, Frederico herdara o culto da cavalaria inglesa inerente ao movimento, e como chefe da União Protestante ele representava as alianças que Anhalt estava tentando fortalecer na Alemanha. Do ponto de vista político-religioso, o Eleitor Palatino atingira uma situação preparada nos anos anteriores, e surgira como o líder político-religioso destinado a resolver os problemas do século. Durante os anos de 1614 a 1619 – aqueles do entusiasmo veemente originado pelos manifestos – o Eleitor Palatino e sua esposa reinavam em Heidelberg, e Christian de Anhalt estava elaborando a aventura do povo da Boêmia.

E essa aventura não era simplesmente um esforço político anti- -habsburgo, Era a manifestação de um movimento religioso que durante muitos anos estivera concentrando energias, alimentado por influências secretas verificadas na Europa, um movimento para solucionar os problemas religiosos, paralelamente com as normas místicas sugeridas pelas influências hermética e cabalística.

A estranha atmosfera mística, na qual Frederico e sua esposa foram envolvidos pelos entusiastas, pode ser verificada numa gravura alemã, publicada em 1613. Frederico e Elisabete estão cobertos por raios provenientes do Nome Divino acima de suas cabeças. Essa gravura deve ter sido a primeira das que circularam na Alemanha, relacionadas com o assunto Frederico-Elisabete; muitas outras deveriam seguir-se. A história de Frederico nessas estampas proporciona maior diretriz de evidência no que se refere à sua ligação com os movimentos contemporâneos.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee-e-o-despontar-de-christian-rosencreutz/

A Lenda do Sr. Ganesha

Dizem que o Sr. Shiva saiu para um retiro nos Himalaias e pediu ao seu filho Ganesha para tomar conta da casa. Pediu que ele não deixasse ninguém entrar durante sua ausência. A seguir, ele voou e foi praticar suas austeridades (em sânscrito, tapas) no topo do mundo. Ocorre que suas disciplinas espirituais prolongaram-se demasiadamente e ele permaneceu nas montanhas sagradas por mil anos.

Quando ele voltou para casa, estava barbudo e com um aspecto um tanto quanto severo. Na porta, tomando conta da residência, estava Ganesha. Ele não reconheceu o pai e barrou sua entrada. Os dois discutiram muito, pois Shiva dizia que era seu pai e Ganesha argumentava que seu pai não tinha barba e o tinha alertado de que um demônio disfarçado tentaria passar por ali disfarçado. Os dois entraram em um combate de proporções energéticas incríveis. No decorrer da luta, Shiva levou a melhor e subjugou seu filho. Com raiva, cortou a cabeça do menino e jogou o corpo no mato.

A seguir, foi fazer a barba, tomar um banho e descansar da longa viagem. Quando sua esposa, Párvati, chegou e percebeu a bagunça na entrada da casa e não viu o filho de plantão, logo percebeu que algo terrível havia acontecido. Daí, Shiva disse-lhe o que tinha acontecido. Ela ficou furiosa e ameaçou separar-se dele (sabe como é, fazer uma grevezinha, hehehehe…) caso ele não trouxesse o filho de volta à vida. Temeroso de perder sua consorte divina, a rainha da formosura e da alegria, ele disse-lhe: “Está bem, vou trazê-lo de volta, mas se o seu corpo ainda estiver em boas condições, a cabeça já era, pois um chacal da floresta devorou-a ainda agora. Sei disso porque o meu olho espiritual a tudo vê. O que posso fazer é energizar o cadáver e colocar uma outra cabeça no lugar. Entrarei na floresta e deceparei a cabeça do primeiro animal que eu encontrar. Colocarei sua cabeça no corpo do menino e farei com que o seu corpo espiritual entre na carne novamente. Ele viverá no plano físico mais uma vez, mas com a cabeça de um animal.”

Shiva entrou na floresta e o primeiro animal que ele encontrou foi justamente o elefante. Cortou a cabeça do paquiderme, colou-a no corpo e fez o espírito entrar nele. Daí, a figura do Ganesha passou a ser a do menino com cabeça de elefante. Baseados nisso, os hindus reverenciam a Ganesha como o divino protetor das casas e removedor dos obstáculos.

Se ele não deixou nem o pai entrar, com certeza não deixará nada pernicioso entrar na casa do devoto.

A outra lenda, mais suave, mas sem a intensidade da primeira, conta que Ganesha era um menino muito bonito. Sua beleza era tão mágica e sua presença tão doce, que as pessoas não prestavam atenção na sua sabedoria e nem escutavam seus ensinamentos. Ficavam cativadas pela sua beleza sobrenatural.

Para evitar isso, Shiva cortou sua cabeça e colocou a do elefante no lugar. Dessa forma, todos os que se aproximassem dele seriam libertados por sua sabedoria e não ficariam encantados pela aparência sedutora, mas ilusória. Quem buscasse seu concurso seria pelo objetivo do crescimento espiritual e não mais pelas firulas da vaidade.

As duas lendas revelam lições de sabedoria espiritual e são bem interessantes.

#Hinduismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-lenda-do-sr-ganesha

Mapa Astral do Winston Churchill

Sir Winston Leonard Spencer-Churchill (Oxfordshire, 30 de novembro de 1874 — Londres, 24 de janeiro de 1965[1]) foi um político conservador e estadista britânico, famoso principalmente por sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi primeiro-ministro britânico por duas vezes (1940-45 e 1951-55). Orador e estadista notável, ele também foi oficial no Exército Britânico, historiador, escritor e artista. Ele é o único primeiro-ministro britânico a ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura e a cidadania honorária dos Estados Unidos.

Durante sua carreira no exército, Churchill pôde assistir à ação militar na Índia britânica, no Sudão e na Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902). Ganhou fama e notoriedade como correspondente de guerra através dos livros que escreveu descrevendo as campanhas militares. Ele serviu brevemente no Exército britânico no Fronte Ocidental, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), comandando o 6º Batalhão dos Fuzileiros Reais Escoceses.

Churchill nasceu em uma família da nobreza britânica, da família do duque de Marlborough. Seu pai, Lorde Randolph Churchill, foi um carismático político, tendo servido como ministro da Fazenda do Reino Unido. Antes de alcançar o cargo de primeiro-ministro britânico, Churchill esteve em cargos proeminentes na política do Reino Unido por quatro décadas. Notavelmente sua eleição para o parlamento em 1900; sua ascensão a secretário para os Assuntos Internos em 1910; e sua estadia no Ministério da Fazenda do Reino Unido entre 1924 e 1929. Em 2002 foi eleito pela BBC o maior britânico de todos os tempos.

Mapa Astral

O Mapa de Churchill possui Sol e Vênus em Sagitário; Lua cravada em Leão-Virgem (Rei de Ouros); Mercúrio em Escorpião, Marte, Júpiter (seu planeta mais forte) em Libra e Ascendente em Virgem-Libra (Rainha de Espadas) cravado. Possui Saturno em Aquário-Capricórnio (Cavaleiro de Espadas) e Urano em Leão. Convergindo para o Caput Draconis em Áries (liderança).

Sol e Vênus em Sagitário indicam alguém com capacidade acima da média para observar o mundo ao seu redor e estabelecer regras. Mercúrio em escorpião facilita a compreensão destas idéias, pois é uma energia racional extremamente profunda, de detetive/investigador/cientista. Some-se a isso o planeta mais forte, Júpiter, de diplomacia libriana e teremos um mapa perfeito para um estadista/diplomata. Saturno em Cavaleiro de Espadas (regente de ambos os signos) dá a ele a capacidade acima da média de compreender as regras e transcendê-las, gerando resultados muito maiores e inovadores do que conseguiria de maneira natural. Esta combinação de Mercúrio e Saturno lhe facilitou a genialidade e inteligência. Finalmente, a energia da Lua em Rei de Ouros, do rei próspero que não tem medo de colocar a mão na massa e trabalhar duro, guiando todos os outros aspectos do mapa.

O Mapa de Churchill é um relógio perfeito, com Aspectações fortes e precisas que ele soube utilizar com maestria e em todas as potencialidades na sua Verdadeira Vontade: Um líder preparado para ser Primeiro-Ministro, Estadista e Diplomata.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-do-winston-churchill

Minta Para Mim: guia rápido para detectar mentiras

A mentira conseguiu se libertar do Primeiro de Abril e se tornou uma pop star. Seriados como House – “todo mundo mente!” – ou Lie To Me popularizaram a mentira nos últimos anos mais do que as revistas de fofoca nas últimas décadas. Quem mente mais, o homem ou a mulher? Por que mentimos? Esse tipo de pergunta se tornou obsoleto, não porque de fato todos somos capazes de mentir e sim porque somos praticamente incapazes de viver só de verdades. E isso não é algo ruim como pode parecer, inclusive coloca na verdade um peso, um valor, que lhe dá um status: contamos a verdade para quem merece e não a disperdiçamos com qualquer um a qualquer hora.

Você já arrumou seu quarto? Terminou de estudar? Enviou o relatório? Falou mal da fulana? Psiquiatras e psicólogos tratam o ato de mentir como uma defesa, dizem que mentimos para quem amamos muitas vezes para evitar confusão desnecessária – “fico gorda com essa roupa?”, ou para não cair em discussões em cima de algo que uma das pessoas dá valor mas que não tem peso para a outra – “você estava falando com o seu ex?”. Isso tudo nos mostra apenas uma coisa: que até quando falamos de mentiras, mentimos para nós mesmos. Não mentimos para nos proteger, evitar brigas nem nada assim, mentimos porque a mentira é uma força real que existe não em nós, mas em praticamente todo ser vivo.

Certa tarde Koko, a gorila, foi confrontada por seus treinadores depois de uma explosão de raiva na qual ela arrancou uma pia de aço do lugar onde ela estava presa. Não se sabe neste caso quem é mais estúpido, se a “pessoa” que tenta esconder um fato óbvio ou a pessoa que vai tirar satisfações com uma gorila capaz de arrancar uma pia de aço da parede onde estava chumbada, mas ao ver que seus treinadores estavam chateados – para dizer no mímino – com o acontecido, a gorila sinalizou na Língua de Sinais Americana, “o gato fez isso, ” apontando para seu pequeno gato de estimação.

E a coisa não para por ai, cientistas descobriram que bebês humanos com apenas seis meses de idade já fingem que estão chorando para conseguir algo. É isso ai, você já aprende a mentir antes mesmo de aprender a falar. E não é apenas isso, eles – nós – também fingem estar rindo para receber atenção, se a coisa parasse por ai ainda poderíamos dizer que o bebê não está mentindo, ele é apenas inocente, mas a coisa não pára. Bebês humanos – nós – são capazes inclusive de, ao perceber que fizeram algo errado, criarem distrações para desviar a atenção dos adultos da área.

Pense nisso, em um mundo onde gorilas e bebês fazem isso, há como realmente atribuir algum valor moral para a mentira?

 

Como se tornar um detector de mentiras

As pessoas dizem que a ignorância é uma bênção. Mas as pessoas geralmente são ignorantes. E muitas vezes ser capaz de mentir bem se torna tão crítico quanto conseguir saber quando estão mentindo para você. Mentiras nem sempre tem um objetivo, quantas vezes você já não respondeu que fez ou deixou de fazer algo que nem afetaria seu dia ou sua vida caso tivesse mesmo feito ou não? “Alguém ai tem uma borracha?” – vários nãos vem de gente que nem quer parar para pensar se tem ou não uma – “Você sabe quem fez isso?” – e a resposta vem sem que você pare de pensar o que é isso, apenas responde a primeira coisa que vem à mente. Quantas vezes mentiu que não gostava de algo quando simplesmente não queria aquele algo naquele momento? Em contrapartida existem momentos que uma mentira pode ter um valor estratégico que vai além de manter um relacionamento, evitar uma briga ou não levar uma bronca. Em uma entrevista de emprego um “claro que estou familiarizado com isso!” pode ser a diferença entre uma contratação ou mais dias indo de um lugar ao outro, e mesmo que você não saiba do que o seu futuro contratante está falando em alguns dias você pode se familiarizar com o processo e até mesmo ficar muito bom nele. Uma mentira pode salvar vidas ou evitar perdas. Já foi dito inclusive, que uma mentira repetida muitas vezes se torna uma verdade e que os maiores magos são os maiores mentirosos.

Se não consegue ser com mais ninguém, tente ser sincero ou sincera consigo mesmo/a agora, não tem mais ninguém dentro da sua cabeça além de você. Muitas vezes algo tem tanto valor que deve ser escondido atrás de uma mentira certo? E é ai que você tem que saber se está escondendo algo muito bem ou se algo está sendo escondido de você.

A mentira é uma energia tão poderosa que causa reações em nosso corpo que nem mesmo nós somos capazes de notar, e são essas reações que podem entregar quando alguém está mentindo ou sendo sincero. Antes de começarmos tenha duas coisas em mente:

1- Nenhum sinal desses é uma garantia de mentira, achar que alguém está mentindo quando está apenas nervoso é um grande erro quando você precisa de uma certeza, explicaremos a cada passo o que mais pode causar tal reação.

2- As técnicas apresentadas não são usadas apenas pela polícia, psicólogos forenses e experts em segurança, mas em muitas áreas da vida profissional. Gerentes de negócios, vendedores, funcionários, pessoas abordadas por desconhecidos, etc…

 

Primeiro Passo – Estabelecendo uma Base

Chamamos de Base a maneira como uma pessoa se comporta quando não está mentindo, ou seja quando está sendo sincera. É importante que você estabeleça uma base antes de dar início às suas observações. Para descobrir qual a base de uma pessoa, conhecida ou não, faça perguntas simples, como qual o nome dela ou onde vive. Além disso é importante desconstruir qualquer barreira que a pessoa tenha inserindo perguntas simples mas aparentemente sem sentido, aqui vão algumas:

1- Você já comeu guacamole?

2- Você prefere banho de chuveiro ou de banheira?

3- Se pudesse ter um super poder, qual seria?

4- Você já fez aulas de dança?

5- Você tem medo de alturas?

6- Você já foi picado por uma abelha?

7- O que almoçou ontem?

8- Qual a comida que você mais odeia?

9- Você já pediu comida chinesa por telefone?

10- Qual seu seriado favorito na televisão?

11- Você sabe quantos anos a Hebe tem?

12- Qual o seu Muppet favorito?

13- Qual o seu récorde de tempo sem dormir?

14- Quando você precisa de um conselho, quem procura?

15- Prefere Cindy Lauper ou Madonna?

16- Como comemorou seu 13o aniversário?

17- Torce para o Papa-Léguas ou para o Coiote?

Essas perguntas são importantes por que obrigam a pessoa a pensar e geralmente elas não tem que mentir a esse respeito. Como você verá, saber distinguir quando alguém está tentando se lembrar de algo de quando alguém está inventando algo será muito importante. Caso você não tenha a necessidade de prescrustar algum desconhecido imediatamente, você pode fazer essas perguntas para as pessoas aleatóriamente e ir criando uma base de dados mental de como elas se comportam quando as respondem. Caso a necessidade se faça na hora, não se acanhe, pergunte e veja como a pessoa reage a cada uma delas, e preste muita atenção a como o corpo dela se comporta, veremos agora o que você deve procurar.

 

Segundo Passo – A Linguagem Corporal da Mentira

Por mais que a pessoa tente esconder uma mentira, o corpo dela sabe que está mentindo e se comporta como tal. É preciso muito treino para condicionar o seu corpo para mentir também e caso acredite que mentiras importantes para pessoas importantes terão um papel fundamental em algum momento de sua vida, você deve condicioná-lo.

Para sermos extremamente claros sobre o que queremos dizer por linguagem corporal aqui vai uma lista de reações de um corpo para uma mentira sendo dita:

– Expressões físicas que se tornam limitadas e rígidas, com poucos movimentos de braços e mãos;

– Movimentos de mãos, braços e pernas são feitos em direção ao próprio corpo;

– As mãos ficam tocando o rosto, garganta ou boca;

– Tendência a coçar o nariz, a nuca ou atrás da orelha;

– Dificilmente tocam o peito ou o “coração” com a mão aberta;

– Pessoas que mentem suam mais;

– Pessoas que mentem evitam encarar nos olhos.

Evidentemente esses sinais também são indicadores de que a pessoa está nervosa, e nem sempre alguém fica nervoso por estar mentindo. Existem casos em que a pessoa não sabe o que responder ou como responder a pergunta. Também em caso de pessoas tímidas muitos desses sinais podem surgir.

 

Os Olhos são a Janelas da Alma

Embora uma pessoa que sabe que foi pega em uma mentira tente a todo custo evitar contato visual – olhos nos olhos – existem muitas razões para que uma pessoa sincera também não encare seu interrogador. Quando está tentando se lembrar de algo as pessoas tendem a tentar encarar o vazio, diminuindo a quantidade de informação em que tem que se concentrar. É normal também que pessoas que se sintam constrangidas tentem desviar o olhar. Naturalmente conversas que tem contato visual prolongado tendem a ficar mais intensas ou violentas, assim case se sinta indimidada uma pessoa mais dócil interromperá o contato.

Mesmo assim ainda há como usar os olhos como indicadores de mentiras. Tente se lembrar quando foi a última vez que leu um gibi da mônica. Agora tente se lembrar a última vez que comeu algo que nunca havia provado antes. Repare que seus olhos se movem. Qual era o telefone da casa que morou quando era criança? Repare novamente. Geralmente pessoas destras viram os olhos para a própria esquerda – a direita para quem observa. Agora tente imaginar qual seria o gosto de um smurf frito, ou tente criar um slogam para uma marca qualquer de preservativos. Normalmente os olhos das pessoas destras se viram para o próprio lado direito – o lado esquerdo de um observador – quando elas estão imaginando algo, ou seja pensando em algo que não existe ou, para nossos propósitos práticos, mentindo. Em pessoas canhotas acontece o inverso, elas olham para a esquerda – a sua direita – quando se lembram e para a direita – a sua esquerda – quando estão inventando algo.

Um alerta! Geralmente pensamentos associados com sensações (como olfato e tato) fazem a pessoa destra olhar para a direita, da mesma forma quando alguém acessa o seu diálogo interno – falam consigo mesmas – tendem a olhar para a esquerda, No primeiro caso elas estão se lembrando de algo e não inventando algo, no segundo elas não necessariamente estão pensando na verdade. (em canhotos a resposta é invertida).

Logo de cara é necessário descobrir se a pessoa sendo questionada é canhota ou destra para você poder afinar as reações oculares delas.

Outro fato interessante sobre os olhos é a dilatação e contração das pupilas. Pense agora no gato de botas do filme Shrek. Sempre que desejava desarmar alguém, crescia os olhos e dilatava suas pupilas até que se tornassem quase negras. Geralmente quando estamos sendindo prazer nossas pupilas se dilatam e curiosamente somos atraídos por coisas que sentem prazer, por isso pupilas dilatadas são consideradas atraentes por quase todas as pessoas. Pense em mangás, cartões de bebês animais, no filme bambi… pupilas dilatadas amolecem nosso coração. Um fato histórico curioso era o uso de extrato de belladonna por mulheres, elas o pingavam nos olhos para dilatar as pupilas e se tornar mais atraentes de um minuto para o outro e assim conseguir a atenção de seus alvos. Caso encontre uma pessoa e perceba que suas pupilas se dilataram ao te ver pode apostar que ela está se sentindo atraída por você, mesmo que ainda não tenha percebido – nossa que pupilas grandes! É pra te ver melhor! Uma aplicação óbvia disso é perceber quando uma situação está dando prazer a alguém que diz não estar sentindo nada ou estar se sentindo horrorizado com o que está sendo descrito.

 

Gestos Emocionais 

Tente procurar por micro expressões. Micro expressões são expressões faciais que surgem e desaparecem num piscar de olhos e podem revelar as emoções reais que a pessoa está sentindo no momento. Uma pessoa que mente geralmente se sente angustiada quando interrogada, mas obviamente vai tentar se mostrar calma e despreocupada. Certas questões podem aumentar a angústia de ser apanhada e isso pode fazer, por exemplo, com que suas sobrancelhas se ergam para se tocarem no topo do nariz. Por mais que a pessoa tente parecer calma e forçar uma aparência despreocupada, rugas podem surgir e desaparecer em sua testa.

Além disso outras evidências de uma mentira são:

– Timing e duração de gestos emocionais fora do normal. A demonstração de uma emoção demora para acontecer, perdura por mais do que seria normal e então, subtamente, desaparece;

– Expressões e gestos emocionais parecem estar fora de sincronia com o que a pessoa responde, ela diz algo para então expressar a emoção do que está dizendo ou demonstra uma emoção de algo que ainda nem sequer começou a falar;

– Gestos e expressões não coincidem com o que está sendo dito;

– Quando alguém está fingindo emoções, suas expressões se concentram apenas nos movimentos da boca e não no rosto todo;

– Algumas pessoas quando mentem, inconscientemente mexem em objetos de forma a colocá-los entre os interrogadores e si mesmas;

– Não é incomum a pessoa que mente não apenas evitar contato visual como se virar de lado ou de costas para não ficar de frente com o acusador.

Um outro fator que surge também é o corpo dizer a verdade enquanto a boca mente. Em perguntas que a resposta é um simples sim ou não, observe a cabeça da pessoa, se ela diz sim e a cabeça se mexe discretamente de um lado para o outro, o corpo está contestando a resposta, se ela responde não e a cabeça se move sutilmente para cima e para baixo também.

 

A Voz da Razão

Da mesma forma que o corpo reage, a maneira com que a pessoa se comunica também é afetada pela mentira.

– Uma pessoa culpada assume uma postura defensiva, uma pessoa inocente se torna ofensiva;

– Um mentiroso normalmente precisa de tempo para elaborar sua história, por isso geralmente repetem suas questões para ganhar tempo. “Você quer saber se fui eu que matei a prostituta que vocês acharam morta no porta-malas do meu carro? Não… não fui eu. Nunca ví ela antes”. Da mesma forma, uma resposta que repete as palavras da pergunta podem indicar uma mentira: “Foi você que comeu aquele sanduiche que estava com uma etiqueta de ‘não coma’ na geladeira?”, “Não, não fui eu que comeu aquele sanduiche que estava com uma etiqueta de ‘não coma’ na geladeira!”. Geralmente um simples “não” é mais honesto;

– Uma das maneiras mais simples de se evitar mentir e assim não ser pego mentindo é evitar dar respostas diretas que sejam mentiras, o mentiroso apenas dá respostas indiretas e implícitas;

– Pessoas que mentem também podem acabar dando mais informações do que são necessárias, enchendo suas respostas de detalhes desnecessários para tentar convencer de que estão falando a verdade;

– Muitas vezes uma mentira é apresentada de forma que a resposta acaba sendo mais confusa do que deveria, sua entonação e sua gramatica tropeçam uma na outra fazendo a pessoa parecer que está resmungando ou não fazendo sentido;

– Pessoas mentirosas se sentem extremamente desconfortáveis com pausas longas ou momentos de silêncio na conversa, pois isso dá a impressão que algo do que disseram está sendo analizado e não confere com a realidade, esses momentos de silêncio devem ser introduzidos sempre que possível na conversa para usar o desconforto contra o mentiroso.

O tempo da resposta também é importante. Em alguns casos a pessoa pode estar desconfortável em simplesmente falar o que sabe, ou então a resposta precisa de alguns detalhes que precisam de algum tempo para serem organizados na cabeça da pessoa interrogada, mas a regra dita que perguntas que pedem uma resposta simples não precisam de tempo para serem respondidas, aqui a estratégia de repetir a pergunta como se estivesse tentando entendê-la, de forma lenta ou repetitiva mostra que a pessoa está tentando ganhar tempo e não simplesmente preocupada em responder ou em se lembrar de todos os detalhes.

Outra estratégia interessante são mudanças bruscas no assunto. Um mentiroso consegue mudar de assunto e se mostra interessando e dar as novas informações como se continuasse falando da mesma coisa, uma pessoa culpada quer que o assunto da conversa mude, enquanto uma pessoa inocente muitas vezes se torna confusa com a mudança e vai querer voltar ao assunto que estava sendo tratado.

Além disso todos nós falamos em um padrão de voz próprio e identificável. Quando ficamos nervosos ou angustiados ou começamos a mentir, esse padrão se altera sem que nos apercebamos disso. Sua voz faz isso automaticamente, geralmente a voz espontaneamente se torna mais aguda e aflita, então quando percebemos a mudança é natural começarmos a falar mais pausadamente do que o normal e em um tom mais gutural e mais baixo, numa tentativa de controlarmos a velocidade e o tom, tentando trazê-los de volta ao normal.

Uma pessoa que está mentindo também tem uma tendência de assumir um tom sarcástico ou divertido tanto para evitar o assunto discutido quanto para poder mudar constantemente o tom de voz para não ser apanhado.

Por Stella Maris

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/minta-para-mim-guia-rapido-para-detectar-mentiras/

Meditação é tão eficaz contra depressão quanto remédios

Um tipo de meditação é tão eficaz em evitar a recaída dos portadores de depressão quanto antidepressivos, revelou um estudo publicado no inicio de dezembro pela Archives of General Psychiatry.

A pesquisa foi feita pelo Centro de Saúde Mental e Dependência (CAMH, na sigla em inglês), no Canadá, em parceria com o Departamento de Psiquiatria do St Joseph’s Healthcare, a Universidade de Toronto e Universidade de Calgary, todas também no país canadense.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram pacientes tratados inicialmente com o medicamento até o desaparecimento dos sintomas da doença e, posteriormente, separados em três grupos.

O primeiro continuou com a medicação tradicional, o segundo seguiu tomando placebos e o terceiro adotou a Psicoterapia Cognitiva Baseada na Atenção Plena (MBCT, na sigla em inglês).

Aqueles que seguiram à técnica participavam de oito sessões em grupo semanais e praticavam a meditação em casa, como parte de seu tratamento.

As avaliações clínicas foram realizadas em intervalos regulares e durante um período de 18 meses de estudo, as taxas de recaída dos pacientes no grupo MBCT não diferiram dos índices de pacientes que recebem antidepressivos (ambos na faixa de 30%).

Por outro lado, 70% dos pacientes que receberam placebos voltaram a apresentar sintomas da depressão.

Opção de tratamento

De acordo com o diretor do Departamento de Terapia Cognitiva da CAMH, Dr. Zindel Segal, muitos pacientes com depressão interrompem o tratamento com medicação antes do período indicado devido aos efeitos colaterais ou à indisposição de tomar um remédio durante anos.

“Com o reconhecimento crescente de que a depressão é um transtorno recorrente, os pacientes precisam de opções de tratamento para prevenção da doença e assim voltarem às suas vidas”, disse o Dr. Segal. Com isso, a Psicoterapia Cognitiva Baseada na Atenção Plena torna-se uma opção eficiente de tratamento de longo prazo.

Ainda de acordo com Segal, a terapia é uma abordagem não farmacológica que ensina como controlar as emoções para que o paciente possa monitorar possíveis desencadeadores de recaídas, bem como adotar mudanças de estilo de vida favoráveis ao equilíbrio do humor.

“As implicações destes resultados tem relação direta com o tratamento de linha de frente da depressão. Para esse grupo considerável de pacientes que estão relutantes ou são incapazes de tolerar o tratamento de manutenção, o MBCT oferece proteção igual contra a recaída”, afirma o Dr. Zindel Segal.

Essa não é a primeira vez que os benefícios da meditação no combate à depressão são comprovados cientificamente. Outro estudo, publicado em Londres, em 2008, sugere que a mesma técnica pode ser tão eficiente quanto os antidepressivos na prevenção de recaídas e mais eficaz na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

Além disso, a MBCT é uma alternativa de baixo custo se comparada com as drogas antidepressivas. Ao contrário da maioria das terapias psicológicas, a MBCT pode ser ensinada em grupos por um único terapeuta, e os pacientes podem continuar a praticar as habilidades que aprenderam em casa, sozinhos.

Muitos dos exercícios realizados durante o estudo foram baseados em técnicas de meditação budista e ajudaram o indivíduo a focar no presente, em vez de dedicar a atenção a acontecimentos passados, ou tarefas futuras. Os exercícios impactaram de forma diferente cada paciente, mas muitos relataram maior aceitação e mais controle sobre os pensamentos e sentimentos negativos.

Fonte: Archives of General Psychiatry

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/medita%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-t%C3%A3o-eficaz-contra-depress%C3%A3o-quanto-rem%C3%A9dios

Cowboys form Hell, Pantera

O editor musical James Rotondi já disse tudo: “Mesmo aqueles que zombam da idéia de que o rock’n’roll é a música do diabo vão pensar duas vezes quando ouvirem Pantera. O álbum é voltado a  um rumo diferente da proposta original da banda, onde praticava um som mais Heavy/Power e onde começou a adotar mais um estilo Thrash/Groove. Apresentando o grande Dimebag Darrell, Como um dos maiores guitarristas da história do metal, que tinha como inflûencias bandas como Iron Maiden, Black Sabbath, Van Halen, Judas Priest, Metallica entre outros grandes nomes da cena metalica.

A agressividade do grupo é usada como combustível para a criação de um verdadeira obra de arte. Em Satanomicon Lord Ahriman aponta para esse processo como uma das bases da alquimia negra: “Não é fácil controlar as emoções, principalmente porque as emoções não são para serem controladas, mas canalizadas” e em outro momento o autor ainda diz “Reprimir emoções  negativas é a maior causa das doenças psicossomáticas, que muitas vezes explodem da pior forma possível.” Infelizmente alguns fãs não conseguiram aprender nada com o exemplo do uso criativo da agressividade da banda e um deles deixou sua emoção explodir em compulsão. Cinco vezes, no peito do guitarrista.

Em dezembro de 2004 Dimebag foi baleado em pleno palco e faleceu em pleno palco onde atuava com um dos seus projetos, os Damageplan. O criminoso está preso e esquecido, mas este álbum se imortalizou. Faziam parte dos Pantera também, o excelente baterista Vinnie Paul Abbott, irmão de Dimebag, o poderoso e controverso vocalista Phil Anselmo e ainda o baixista Rex Brown.

A faixa título é um clássico como poucos. Desde o início, marcando satanicamente seu poderio de domínio entre uma rajada e outra, com a fenomenal ‘Cowboys From Hell’ onde ficamos delirados com a sonoridade da guitarra de Dimebag e o ritmo de Vinnie Paul com suas saraivadas e técnicas de bumbo, os excelentes vocais de Anselmo ou então o espetacular uso do baixo por parte de Rex Brown. Lançado em 1990, Cowboys from Hell trouxe Pantera para o topo da lista do Trash Metale foi um dos grandes responsáveis por manter o próprio metal vivo e agressivo numa época em que o próprio metal passou eclipsado pelo rock alternativo.

Cowboys from Hell

 

Under the lights where we stand tall

Nobody touches us at all

Showdown, shootout, spread fear within, without

We’re gonna take what’s ours to have

Spread the word throughout the land

They say the bad guys wear black

We’re tagged and can’t turn back

You see us comin’

And you all together run for cover

We’re takin over this town

Here we come reach for your gun

And you better listen well my friend, you see

It’s been slow down below,

Aimed at you we’re the cowboys from hell

Deed is done again, we’ve won

Ain’t talking no tall tales friend

‘Cause high noon, your doom

Comin’ for you we’re the cowboys from hell

Pillage the village, trash the scene

But better not take it out on me

‘Cause a ghost town is found

Where your city used to be

So out of the darkness and into the light

Sparks fly everywhere in sight

From my double barrel, 12 gauge,

Can’t lock me in your cage

You see us comin’

And you all together run for cover

We’re takin over this town

Here we come reach for your gun

And you better listen well my friend, you see

It’s been slow down below,

Aimed at you we’re the cowboys from hell

Deed is done again, we’ve won

Ain’t talking no tall tales friend

‘Cause high noon, your doom

Comin’ for you we’re the cowboys from hell

Revolution, IDK the rest

Here we come reach for your gun

And you better listen well my friend, you see

It’s been slow down below,

Aimed at you we’re the cowboys from hell

Deed is done again, we’ve won

Ain’t talking no tall tales friend

‘Cause high noon, your doom

Comin’ for you we’re the cowboys from hell

ahhh step aside for the cowboys from hell

Tradução de  Cowboys from Hell
(Cowboys do Inferno)

Sob as luzes em que estamos, altosNinguém nos toca de maneira alguma

Duelo, tiroteio, nós espalhamos o medo dentro e fora

Nós vamos pegar o que é nosso

Espalhar a palavra por toda parte

Eles dizem que caras maus se vestem de preto

Somos procurados e não podemos voltar

Vocês nos vêem chegando

E todos correm juntos para o abrigo

Estamos tomando essa cidade

Aqui chegamos, alcance sua arma

E é melhor você ouvir bem meu amigo, você vê

A descida tem sido devagar

Mirados em você nós somos os cowboys do inferno

Contrato cumprido novamente, nós vencemos

Chega de conversa fiada amigo

Porque bem ao meio dia, seu destino

Está chegando pra você, nós somos os cowboys do inferno

Saqueio a vila, destruo o lugar

Mas é melhor não me matar

Porque tem uma cidade fantasma

Onde sua cidade costumava ficar

Então saia da escuridão e entre na luz

Faíscas voam em todo lugar à vista

Da minha espingarda cano duplo, calibre 12

Você não consegue me trancar em sua jaula

Vocês nos vêem chegando

E todos correm juntos para o abrigo

Estamos tomando essa cidade

Aqui chegamos, alcance sua arma

E é melhor você ouvir bem meu amigo, você vê

A descida tem sido devagar

Mirados em você nós somos os cowobys do inferno

Contrato cumprido novamente, nós vencemos

Chega de conversa fiada amigo

Porque ao meio dia, seu destino

Chegará para você, nós somos os cowobys do inferno

Abra caminho nós somos os cowobys do inferno

 

Nº 25 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/cowboys-form-hell-pantera/

A origem do Caduceu ☤

Thiago Tamosauskas

O caduceu é o principal emblema ligado a divindade grega conhecida como Hermes, e consequentemente à Mercúrio, seu correspondente romano. Este símbolo que é tão antigo que pode ser encontrado em um vazo de libação dedicado ao deus Ningishzida por volta de 2100 aC ( imagem abaixo), tem uma origem mítica entre os gregos que o tornou símbolo da alquimia.

Contam os poetas que um vidente chamado Tiresias caminhava pelo monte Monte Kyllene e se deparou com duas cobras copulando ao longo da estrada. Ele achou que era uma boa ideia separar as cobras e enfiou seu cajado entre elas. Ao fazer isso, imediatamente ele trocou de sexo e transformou-se em uma mulher. Como mulher casou-se, teve filhos e se tornou sacerdotisa de Hera. Sete anos depois, encontrou mais uma vez duas serpentes copulando e tentou novamente separá-las. Ao fazer isso, transformou-se em homem.

Após sua morte, o cajado foi considerado perigoso demais para ser usado e foi escondido como um tesouro em uma caverna no Monte Kyllene, que posteriormente seria  o local de nascimento e primeiro lar do deus Hermes, filho de Zeus e Maia. Ainda criança Hermes encontrou o caduceu e com sua esperteza aprendeu a usá-lo para transformar qualquer coisa em qualquer outra coisa.

Existe uma confusão histórica entre o bastão de Asclépio e o Caduceu de Hermes. Ela se deve a Johan Froebe, um editor suíço do século XVI que adotou o caduce como um logotipo de seus livros de medicina. Seja como for hoje tanto o caduceu como o bastão são reconhecidos internacionalmente como um símbolo da profissão médica. E se ele poderia transformar qualquer coisa em qualquer coisa certamente poderia transformar também doença em saúde, tristeza em alegria, feiura em beleza e velhice em juventude.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-origem-do-caduceu-%e2%98%a4/

Arcano 11 – Justiça – Lamed

Uma mulher, sentada num trono, tem em sua mão direita uma espada desembainhada com a ponta virada para cima, e na esquerda uma balança com os pratos em equilíbrio. A mão que segura a balança encontra-se à altura do coração.

Este personagem, que é visto de frente, está vestido com uma túnica cujo panejamento sugere uma mandorla (como a do arcano 21 – O Mundo), espaço de conciliação das polaridades.

Não se vêem os pés da mulher nem a cadeira propriamente dita. Aparece, em compensação, com toda nitidez, o espaldar do trono: as esferas que o arrematam estão talhadas de maneira diferente.

Significados simbólicos

Justiça, equilíbrio, ordem.

Capacidade de julgamento.

Conciliação entre o ideal e o possível. Harmonia. Objetividade, regularidade, método.

Balança, avaliação, atração e repulsão, vida e temor, promessa e ameaça.

Interpretações usuais na cartomancia

Estabilidade, ordem, persistência, normalidade. Lei, disciplina, lógica, coordenação. Flexibilidade, adaptação às necessidades. Opiniões moderadas. Razão, sentido prático. Administração, economia. Obediência.

Soluções boas e justas; equilíbrio, correção, abandono de velhos hábitos.

Mental: Clareza de juízo. Conselhos que permitem avaliar com justeza. Autoridade para apreciar cada coisa no momento oportuno.

Emocional: Aridez, secura, consideração estrita do que se diz, possibilidade de cortar os vínculos afetivos, divórcio, separação. Este arcano representa um princípio de rigor.

Físico: Processo, reabilitação, prestação de contas. Equilíbrio de saúde, mas com tendência a problemas decorrentes de excessos (obesidade, apoplexia), devido à imobilidade da carta.

Sentido negativo: Perda. Injustiça. Condenação injusta, processo com castigo. Grande desordem, perigo de ser vítima de vigaristas. Aburguesamento.

História e iconografia
A representação da Justiça como uma mulher com balança e espada (ou livro) data provavelmente de um período remoto da arte romana.

Durante a primeira parte da Idade Média, espada e balança passaram a ser atributos do Arcanjo Miguel, comumente designado por Micael ou São Miguel, que parece ter herdado as funções do Osíris subterrâneo, o pesador de almas.

Mais tarde estes elementos passam para as mãos da impassível dama, da qual há figurações relativamente antigas na arte medieval: um alto-relevo da catedral de Bamberg, datado de 1237, a representa deste modo. Pelo que parece, a iconografia do Arcano VIII seguiu com bastante fidelidade a tradição artística.

A espada e a balança são, para Aristóteles, os elementos representativos da justiça: a primeira porque se refere à sua capacidade distributiva; a segunda, à sua missão equilibradora. Ao contrário das alegorias inspiradas na Têmis grega, a Justiça do Tarô não tem venda sobre os olhos.

É comum relacionar este arcano ao signo zodiacal de Libra. Ele representa, como aquele, nem tanto a justiça exterior ou a legalidade social, mas sim a função interior justiceira que põe em movimento todo um processo psíquico (ou psicossomático) para determinar o castigo do culpado, partindo já da idéia de que “a culpa não é, em si, diferente do castigo”.

Também se atribui à balança uma função distributiva entre bem e mal, e a expressão do princípio de equilíbrio. A espada, por sua vez, representa a sentença, a decisão psíquica, a palavra de Deus.

Na divisão do Tarô em três setenários, a ordem que Wirth estabelece é descendente, correspondendo aos arcanos I-VII a esfera ativa do Espírito; aos VIII-XIV, a esfera intermediária, anímica; aos arcanos XVI-XXI, a esfera passiva do Corpo.

O segundo setenário – que se inicia com a Justiça – corresponde à Alma ou ao aspecto psicológico da individualidade.

“O primeiro termo de um setenário – diz Wirth – desempenha necessariamente um papel gerador. Assim, o espírito emana da Causa Primeira (O Prestidigitador), a alma procede do Arcano VIII, e o corpo, do XV (O Diabo)”.

Examinado do ponto de vista dos ternários, a Justiça (8), ocupa o segundo termo do terceiro ternário, sendo precedida pelo Carro (7), que cumpre aí a função geradora, enquanto ela, a Justiça, passa a exercer a função de organizadora.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

@MDD – O Tarot de Marselha troca a numeração da Justiça (11) com a Força (8). De acordo com a Kabbalah, o caminho de Lamed / Libra, que conecta Tiferet a Geburah, é o correto para o Arcano do tarot da Justiça.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-11-justi%C3%A7a-lamed

Bibliografia nacional sobre lobisomens

João Ribeiro, em O Folklore, publicação de 1919, no capítulo VI, escreve que “O pan-animismo da natureza não distingue os seres, nem os classifica; nem os compreende senão como inteiramente humanos. A Lua, o Sol, a folha, a montanha ou a pedra, tudo é humano. Se um rochedo acaso afeta qualquer parecença com outro ser, logo surge uma história etiológica que nos explica a metamorfose. Dessas mutações que passaram depois à poesia e à ficção, algumas ficaram como superstições resistentes, tenazes e refratárias à morte. Tal é o caso do Lubisomem, da transformação do homem em lobo, que se funda realmente num estado de loucura melancólica e religiosa, caso patológico bem averiguado desde os médicos antigos. A licantropia ou a cinantropia é freqüentemente confessada pelos próprios doentes como uma possessão pelos demônios. No Brasil, certas vítimas do amarelão, quando esgotadas de anemia, são havidas por Lubisomens. Uivam, ladram, e amam as excursões noturnas fora de horas. Tal é o caso da legenda arcádica de Licaon entre os gregos. Na Índia, desde os Vedas, há a moléstia mental dos homens-tigres, homens-cobras, convictos da própria metamorfose. O licantropo acredita que vira a pele para dentro e a parte interna para fora, ficando ora homem, ora lobo, e por isso entre os latinos lhe chamavam versipellio… por essa inversão do tegumento. O Lubisomem começa a tremer, a ganir e a ladrar, no momento da transformação, com aquele ar estranho e hórrido do Dr. Jekill, o homem duplo, do terrível conto de Stephenson. Também Sachetti, numa das suas Novelle, 122, escreve: “E come io sona per diventare lupo, comincia a sbagliare e a tremare forte”.1… O povo acredita ainda nos que viram Lubisomem, durante a noite.”

Leoncio C. de Oliveira, em Vida Roceira, edição de 1918, SP., descreve o Lobisomem como “caboclo opilado, extremamente descorado, ressequido e de sombrio aspecto, produto de sétimo parto, que às sextas-feiras, à meia noite, procura os galinheiros, onde se espoja nas fezes e alimenta-se das mesmas, metamorfosea-se em um grande cão, de enormes e pendentes orelhas que estralam no calor da carreira na qual sai o desgraçado para percorrer sete cidades antes do nascer do dia, em cumprimento do seu triste fado

…Sendo uma mulher casada com um Lobisomem, só lhe soube a sina quando, certa noite, despertou sobressaltada com enorme cão dentro do quarto. Gritou apavorada pelo marido, que julgava a dormir e o cão, enfurecido, atacou-a, esfacelando-lhe a dentes a saia de baeta vermelha que vestia. Na manhã seguinte, ao surpreender entre os dentes do marido filamentos de lã de sua saia, compreendeu-lhe, horrorizada, o desgraçado destino. Abandonou-o e levou o resto da vida a penitenciar-se do tempo que coabitou com o horrível duende.”

Cornélio Pires, em 1927, apresenta o Lobisomem através da descrição de um caipira. “O Lubisóme é um cachorrão grande, preto, que sai tuda a sexta-fera comê bosta de galinha, ‘daquelas preta, mole, que nem sabão de cinza… Ele sai e garra corrê mundo nu’a toada, cabeça-baxa, esganado e triste… Você arrepare in tuda a casa de sítio; in baxo das jenela tá tudo ranhado de Lubisóme. Ele qué íntrá p’ra cumê as criança que inda num fôro batizado…”

Aluísio de Almeida, em 142 Histórias Brasileiras, relata uma variante paulista da Estória do Labisomem: “Uma moça casou-se com um rapaz que tinha o fadário de ser Lobisome; viviam em harmonia, porém ela, muito simples, nada percebia, porque o marido costumava sair sempre à noite dar uma prosa com amigos que moravam um pouco retirados, e a convidava. Às vezes, ela ia também; e de outras não, e quando não, ia deitar-se e quando o marido voltava a encontrava dormindo, de modo que às sextas-feiras ele saia cumprir o fadário sem que ela desconfiasse. Uma sexta-feira, sem pensar, ele a convidou para saírem, e ela eceitou; mas, quando foram passando por uma tapera, lembrou-se que era noite de cumprir o fadário, mas estava com a mulher. Que fez ele? disse para a mulher que o esperasse ali, porque precisava dar um recado a um amigo que morava ali perto; e seguiu por um trilhozinho que ficava no fundo da tapera. Como estava escuro e a mulher ficasse com medo de cobras ou aranhas, pois era um gramado, achou melhor trepar em um galho arcado de uma árvore, à pequena altura do chão. Já ia alta a noite, o marido não aparecia, ela com muito medo, pois nunca ficara assim sozinha em tapera. De repente, ela ouviu um bater de orelhas que vinha pela estrada para aonde deviam caminhar, e um cachorrão farejando o chão veio onde ela estava e, enxergando-a, começou a dar pulos para mordê-la, e nesses botés só conseguia pegar a barra da saia de baeta e tirava pedaços nos dentes.

Ela começou a gritar pelo marido, mas ele não aparecia; depois de muito tempo ele apareceu e perguntou o que eram aqueles gritos? ela disse: – você vai e não voltava mais; apareceu um bruto cachorrão e queria me morder, mas só alcançou o meu vestido e a saia de baeta. Não querendo descobrir-se, e para disfarçar, disse: – eu fui lá e convidaram-me para cear; eu aceitei e me entretive na prosa, e quando vinha vindo ouvi vossos gritos e vim depressa; como já é tarde, eles aonde nós iamos já estarão dormindo; voltaremos uma outra noite qualquer; é a mesma coisa. No outro dia ele não foi trabalhar; e quando o sol estava um pouco alto, disse: – fulana! ponha uma esteira no terreiro e traga uma tripeça, e você senta-se, e eu ponho a cabeça no vosso colo e me faz um cafuné. A mulher fez o que ele disse; e pondo a cabeça no seu colo e ela fazendo cafuné, começou a roncar com a boca aberta, e então a mulher viu os fiapos de baeta nos vãos dos dentes do marido, e ficou muito assustada, mas nada lhe disse. Chamou depois um seu irmão, e contou o caso todo muito direitinho. O irmão disse: fulana! teu marido é Lobisome; mas não se assuste, eu vou cortar-lhe o fadário; sexta-feira eu vou esperá-lo; levo meu facão folha de espada e quando ele passar, eu o cotuco com a ponta do facão para tirar sangue, e ficará cortado o fadário; não tenha medo, não vou matá-lo. No dia determinado o rapaz foi esperá-lo; levou o facão, uma garrucha de dois canos, vestiu o poncho e pôs um chapéu de abas largas, e ficou na beira da estrada. A horas tantas o rapaz ouviu o paca, paca, das orelhas e quando o Lobisomem ia passando, riscou-Ihe as costelas com a ponta do facão; ele deu um salto e virou homem outra vez; e encarando o cunhado disse: ah! você cortou o meu fadário, espere aí que eu vou em casa buscar um presente para te dar, em agradecimento! O rapaz, que sabia o que era o presente, tirou o poncho e o vestiu em uma arvorezinha, pôs o chapéu em cima e ficou do outro lado, esperando. Dai a pouco volta o homem e diz: – meu amigo! aí vai o presente! e descarrega os dois canos da espingarda, que só atingiu o poncho, e o rapaz respondeu: Amigo! quem dá presente recebe um ‘Deus Ihe pague’ – e descarregau ambém os dois canos da garrucha, mas sem intenção de atingi-lo.

Ele fugiu, de carreira. No outro dia se encontraram, e o cunhado mostrou o poncho furado pelos bagos de chumbo e disse: eu tenho o corpo fechado; chumbo não cala no meu corpo, e nem bala também; vamos fazer as pazes, porque comigo você não pode; o outro acreditou e fizeram as pazes e o casal continuou vivendo em harmonia. Nota: Era crença que os Lobisomens, quando conheciam os seus desencantadores, tratavam de vingar-se, porquanto, desencantados daquela maneira, teriam de cumprir o fadário depois da morte com tempo dobrado. Contada por Eugênio Pilar França.”

Em 50 Contos Populares de São Paulo, o mesmo autor relata que “num certo lugar do qual não é preciso dizer o nome, houve há tempos um homem mau, que judiava muito da mulher, a ponto de causar-lhe a morte, por ruins tratos. O castigo que ele teve foi de virar Lobisomem todas as noites de sextas para sábados. Resolvendo casar-se de novo, tratou de ser melhor para a segunda mnlher, a ver se acabava o seu fadário. Era mesmo uma coisa triste paraele, sair à noite, chovesse ou fizesse frio, pelos caminhos silenciosos, com as grandes orelhas caídas, procurando baeta para mastigar. Depois do casório, continuou a mesma coisa. A mulher percebeu logo que nas noites de sextas-feiras ele saía, e voltava cedo, noutro dia, muito cansado e triste, amarelo, sem ânimo para o trabalho. Uma noite dessas, portanto, ficou acordada, e viu o marido, mastigando a baeta do cobertor, com uma cara tão feia que nem teve coragem para lhe dizer nada. Quando deu meia noite, ele procurou a chave, mas estava tudo bem trancado, por artes da mulher. Então, ele foi ficando fininho, que nem uma linha, e passou pelo buraco da fechadura. A mulher não pôde dormir mais. Chamou gente. O homem apareceu de madrugada com uns fiapos de baeta vermelha nos dentes e muito envergonhado. Era a hora. Mal ele acabava de entrar, a mulher, sem dizer nada, zás! joga-lhe água benta em cima. Depois fizeram sete rezas, sete noites, com sete velas acesas, e ele desecantou e viveu feliz”…

Ruth Guimarães, em Os Filhos do Medo, escreve que “não pode o Lobisomem ver os olhos nem as unhas de alguém, porque isso o irrita.” E conta que “um menino foi mordido por um grande cão negro. Um dia, quando o boi do carro que estava guiando, urinou, ele tirou a roupa e se espojou no chão sobre a urina. Na mesma hora virou Lobisomem.”

No Estado de São Paulo (Mogi das Cruzes e Laranjal Paulista) existe a versão do Lobisomem como homem que vem pedir ou aceita sal, na sexta-feira.

Quem nascer no dia 12 do mês 12, às 24 horas, quando tiver 12 e 24 anos, vira Lobisomem, escreve Geraldo Brandão, em Monografia Folçlórica – Mogi das Cruzes.

Em Minas Gerais, Hermes de Paula apresenta o Lobisomem como Fantasma da Quaresma, em Montes Claros: Sua História, Sua Gente E Seus Costumes.

“O nosso Lobisomem apresenta-se em duas formas: de cachorro; ou lobo e porco. Vagueia nas noites das sextas-feiras da Quaresma; os cachorros latem para ele de longe, mas de perto encolhem-se ganindo baixinho, transidos de medo. Eles não vêm do outro mundo; são homens que viram. Rolam na areia ou chiqueiro três sextas-feiras seguidas para conseguir a transformação; quando se utilizam da areia transformam-se em cachorro; no caso do chiqueiro viram porcos. Vários individuos daqui eram apontados, às escondidas, como viradores de Lobisomens. O cego Ventura mesmo era um deles; vivia amarelo… Em um sábado da Quaresma chegamos a enxergar entre seus dentes os fiapos da baeta vermelha – sinal insofismável de que ele virara Lobisomem. Contam que balas não lhe entram no corpo; o único lugar vulnerável é o dedo mindinho do pé (5° artelho); ferido neste ponto, o encanto se quebra e o Lobisomem vira homem, na mesma hora e fica com muita raiva. Antonio Xavier de Mendonça, passando pela vargem às duas horas da madrugada de uma sexta-feira da Quaresma, foi agredido por um porco enorme e alvejou o ponto fraco do animal. Foi a conta; o bicho desvirou e, para surpresa sua, era um seu compadre e amigo, que muito alegre se mostrou, reconhecido pelo bem a ele sucedido e pediu-lhe que esperasse ali, que ele iria em casa buscar-lhe um presente. O velho Mendonça desconfiou da pressa do compadre em lhe retribuir o favor; com o paletó e o chapéu vestiu um tronco seco de árvore existente ali e escondeu-se para observar melhor. Daí a pouco veio chegando o compadre com uma espingarda e tacou fogo no tronco vestido…”

Saul Martins, em Os Barranqueiros, dá o Lobisomem como “Bicho resultante da metamorfose de pessoa do sexo masculino condenada em razão da sua própria origem; ou em razão de transformação voluntária. Para tanto, despe-se numa encruzilhada ou debaixo de um pé de goiabeira, à meia noite, Sexta-feira da Paixão, espojando-se na roupa às avessas.”

O pé de goiabeira, como local propício à transformação; não apareceu, nesta pesquisa, em outro lugar. O mesmo com referência à transformação voluntária, no Brasil.

Em Folclore da Januária, Joaquim Ribeiro diz que “O Lubisono é o sétimo filho macho de um casal que só tinha fêmeas. Tem de cumprir sina. As sextas-feiras mete-se no chiqueiro, espoja-se e grunhe como porco. Para quebrar o encanto, é necessário tirar sangue. Quem é Lubisono é pálido, magro, sorumbático e tristonho. Quando vira bicho, os dentes aumentam, os pêlos crescem e o corpo toma a forma de um quadrúpede monstruoso. Não há uniformidade na descrição do Lubisono: é um monstro proteico, de várias formas.” Essa descrição é resultante de pesquisa em São João das Missões.

No Boletim Trimestral da Comissão Catarinense de Folclore Ano I n° l, lê-se que, no município de Caçador, “O sétimo filho quando não batizado, vira Lobisomem – ou quando casa será estéril” e em Biguaçu, “criança que nasce com os dedos tortos fica lobis-homem.” Na mesma publicação, Ano III n° 12 e em Aspectos Folclóricos Catarinenses, Walter F. Piazza denomina o Lobisomem Uma Velha Assombração e diz que no município de Tijucas, “se nascerem consecutivamente, numa família, sete filhos varões, o último deverá ser chamado Bento, do contrário ficará Lobisomem.”… ” Já em outros lugares são apontados como inimigos da honra, tal como nos afiançou velho caboclo: é indivíduo de má índole, autor de algum bárbaro crime, especialmente contra a honra ou contra gente fraca: crianças, mulheres grávidas e velhos.” No oeste catarinense, em Caçador, surge como “um horrendo Lobisomem-dragão, com cerca de três metros de comprimento, tem dorso de dragão e formidável boca provida de agudíssimos dentes. Pelas ventas dilatadas lança um bafio nauseabundo.” Esse monstro, conhecido como Lobisomem dos Correias, alimenta-se do sangue dos que morreram sem confissão e quem ouvir seus uivos morrerá dentro de curto prazo. A perversidade é característica desses amaldiçoados e “os cachorros uivam e o perseguem, latindo e mordendo; o gado, quando solto nos pastos, corre que nem louco e quando está preso torna-se inquieto e procura disparar das mangueiras… e toda a pessoa que tiver a infelicidade de ser mordido pelo excomungado do bicho, não tem que ver, na primeira sexta-feira de lua cheia, vira em seguidinha Lobisomem. Isso bem perto da capital catarinense, no município de Biguaçu.” E continua: “mas o nosso pescador de camarões da Ilha de Santa Catarina pede a Deus que o livre do coisa-ruim!” No interior catarinense dizem que ele “suga o sangue das criancinhas, especialmente das que, ainda, se amamentam. Desvirgina as donzelas.” E, para a maior parte do povo, do que ele gosta, mesmo, é de sangue. No município catarinense de Porto Belo, “se tem algum inimigo, homem, andando pela estrada; pega-o na certa para a sangria mais violenta no pé do ouvido. Ou na batata da perna.” Quanto à forma como se apresenta, informa o A., que, “em NovaTrento, parte do território catarinense, é um homem de olhos afogueados, pêlo eriçado, ventre aberto e sangrando, unhas aguçadas e que expele fogo pela boca.”

Em Santa Catarina o encantamento dá-se, de preferência, nos dias de lua cheia, principalmente durante a Quaresma e no dia 13; também em quarto-minguante. O Lobisomem desencanta no final da fase lunar, ou quando o galo canta no terreiro.

Walter Piazza, em Aspectos Folclóricos Catarinenses, apresenta o seguinte documento versificado sobre o Lobisomem:

I

Quando aqui era deserto
Poucos moravam neste sertão.
Existiam brancos e negros cativos
Era tempo de escravidão
Branco era batizado.
E preto morria pagão.

II

O povo já tinha mêdo
Que isto desse confusão
Apareceu logo um gritadô
Já viram que era visão,:
Era o tal do “Lubizóme”
Esprito de negro pagão.

III

Tinha uma negra sete filhos,
Todos os sete bem negrinhos
Se o mais velho não fosse batizado
O mais moço virava lubizomezinho;
O mais velho morreu sem batismo
E deu destino ao pequenininho.

IV

A mãe dos meninos – chorando
Sem êste destino podê cortá.
Viu o mais velho virá lubizôme
E o menorzinho boitatá:
O resto não digo nada
Tenho medo inté de contá!

V

Contando um pouco desta história
Ví êsse monstro aqui no sertão
Não sei se morto ou vivo
Só sei que horrível visão
Estava em um cemitério
Sexta feira da paixão.

VI

Eu fui pagá promessa.
Que há muitos anos devia:
Ir a um cemitério, em horas mortas
Quando todo o povo já dormia
E sem ouvir o cantar do galo
Perguntá ao morto o que queria.

VII

O povo já me prevenira
Uns quantos dias atrás
Que nestas encruzilhadas transitava
O Pé Redondo ou Satanaz;
Que por êstes lados à noite
Ninguém pode caminhar, em paz.

VIII

Eu devia essa promessa
E só tinha que pagar
Por mais que custasse a vida
Prá Deus não me castigar
Ir sozinho ao cemitério
Chamar mortos e ouvi êles falar

IX

Afinal foi chegando o tempo
Até chegou o dia –
Sexta feira da paixão,
Serrando as aves-marias;
Era noite, a noite de falá c’os mortos
De ir pagar o que eu devia
Promessa era de salvar minha vida,
Por outro nêste mundo eu não fazia.

X

A cidade já silenciosa dormia
Escura noite trovejando
Com meu aparelho de fotografia
Fui pouco a pouco caminhando;
Relâmpagos alumiavam; aos poucos
Do cemitério fui me aproximando.

XI

Abrí a porta do cemitério
E sobre cruz ajoelhei no chão,
Acendi umas velas; fechei os olhos
E silencioso pensei no Irmão;
Sepulto moveu-se e um gemido ouvi,
Estou perdido, Deus meu Deus, perdão!

XII

Que assombro, que medo, que horror
Um rosnar, um gemido escutei!
Uma estranha visão acenava
Qué isso, meu Deus, eu não sei.
No correr disparou-me uma chapa,
Corri pelo escuro e afinal escapei.

XIII

Eu contando direito esta história
Representa inté um sonho,
A fótografia é que lhe vai provar
Si é lubizôme ou demonho.
Não caminho mais de noite, e promessa não faço
Nestas embrulhadas nunca mais me ponho!

Caçador, 22 de Maio de 1946.

(ass.) Altino Bueno de Oliveira

Ainda na publicação citada, Ano 8 n ° 23/24, Carlos George du Pasquier em Notas ‘Folclóricas Sobre o Município de Biguaçu diz que “É difícil saber-se ao certo quando se encontra um Lobisomem, pois nem sempre ele toma a forma de um porco preto: dizem que a forma do primeiro animal em cuja cama ainda quente se rebola. Alguns afirmam que para mordida de Lobisomem não há cura, e na primeira sexta-feira de lua cheia, nas proximidades do anoitecer, a pessoa que foi mordida principia a mostrar-se inquieta até sair em desabalada carreira rumo ao mato, onde se embrenha para tomar a forma do maldito.” Conta ainda que há muitos anos existia no Alto Biguaçu uma família vinda da Alemanha, que não era completamente feliz, porque sabia o destino do caçula, sétimo filho: Certa noite; quando jantavam, foram surpreendidos pelos latidos de um cãozinho, que para eles avançou tentando mordê-los. A mãe, agoniada, correu ao berço do menino; mas encontrou-o vazio, como pressentia. Apanhou o cachorrinho nos braços e espetou um alfinete na sua patinha. O sangue brotou em pequenas gotas e então; aos poucos, entre gemidos e contorsões, o animalzinho retornou à forma humana, na figura do nenê da família. Para a mordida do Lobisomem não há cura, segundo dizem, mas para evitá-la, pode-se usar o alho”.

Seguem-se estes versos:

1

“O povo do lugá
por valente conhecido,
tem medo que se pela
do bicho desconhecido

2

É sempre ao meio dia
que falam no danado;
quando anoitecer principia
fica tudo bem calado

3

Pois não é brincadeira
encontrar um lobisome
o bicho que morde gente
e inté criança come

4

O bicho só despenca
do alto da morraria
perseguido pelos cachorros
em terrível gritaria

5

Correndo como doido,
se cortando nos espinho,
ele não respeita nada
que encontra no caminho

6

Na sua triste sina
de correr a noite inteira,
Deus livre quem o encontra
numa escura sexta-feira

7

Mordido vira logo
lobisomem também
e na outra sexta-feira
é um outro que o mundo tem

Em Poranduba Catarinense, Lucas Alexandre Boiteux oferece esta variante da Estória do Lobisomem: “Os praieiros de Canavieira dizem que existia, no distrito de Ratones, uma senhora casada que tinha um filho. Todos os dias, logo que o marido se ausentava, ia ela banhar a criança numa gamela. Na ocasião, aproximava-se um cachorrinho que tentava morder o menino. Enxotava-o, mas ele teimava em voltar. Certo dia, bateu no animal que; enfurecido, avançou e estraçalhou-lhe a saia de baeta. Ao levantar-se, na manhã seguinte, viu com grande assombro os dentes do marido cheios de fiapos do tecido. Foi assim que ele, sendo um Lobisomem, perdeu o encantamento.” Lá, o Lobisomem ou Lambisome pode ser o primeiro ou o sétimo filho.

Em 1913, J. Simões Lopes Netto, em Lendas do Sul, descreve o Lobisomem segundo a voz do povo. “Diziam que eram homens que havendo tido relações impuras com as suas comadres, emagreciam; todas as sextas-feiras, alta noite, saíam de suas casas transformados em cachorro ou em porco, e mordiam as pessoas que a tais desoras encontravam; estas, por sua vez, ficavam sujeitas atransformarem-se em Lobisomens…”

No Guia do Folclore Gaúcho, Augusto Meyer descreve o homem que se transforma em Lobisomem como “magro, alto, macilento e doente do estômago. Metamorfosea-se em animal semelhante ao cachorro ou porco.”

Walter Spalding, em Tradições e Superstições do Brasil Sul, diz que “ser Lobisomem é conseqüência de pragas rogadas ou produto de maldades de homem ou mulher que nunca procuraram fazer o bem. Transforma-se em conseqüência de pragas rogadas ou malefícios feitos pela vítima.” É um grande cão negro que aparece às sextas-feiras, principalmente na primeira de cada mês.

Francisco Augusto Pereira da Costa, em Folk-lore Pernambucano, edição de 1908, escreve que “O Lobisomem, que no maravilhoso da imaginagão popalar é um homem extremamente pálido, magro e de feia catadura, é produto, ou de um incesto, ou nasceu logo depois de uma série de sete filhos. Este infeliz… cumpre o seu fadário em certos dias, saindo de noite e, ao encontrar com um lugar onde um cavalo ou um jumento se espojou, espoja-se também, toma a sua forma, e começa a divagar em vertiginosa carreira. Nesse tristíssimo fadário, que começa à meia-noite e se prolonga até quase o amanhecer do dia, ao ouvir o cantar do galo, percorre o Lobisomem sete cidades e chegando, de volta já ao lugar do seu encantamento, espoja-se de novo, retoma a sua forma humana e recolhe-se a casa, abatido e extenuado de forças…” Oferece ainda estas estrofes, mencionadas por Silvio Romero, de um conto intitulado O Lobisomem e a menina.

– Menina, você aonde vai?
..Eu vou à fonte.
– Que vai fazer?
..Vou levar de comer
..A minha mãezinha.
– O que levas nas costas?
..meu irmãozinho.
– O que levas na boca?
..cachimbo de cachimbar.
…………………………………..

Ai! meu Deus do céu,
O bicho me quer comer!
O galo não quer cantar,
O dia não quer amanhecer,
Ai, meu Deus do céu!

Escreve Câmara Cascudo, em Geografia das Mitos Brasileiros, que “Para o norte já não há razões morais. O Lobisomem uma determinante do amarelão (ancilóstomo), da maleita (paludismo). Todos os anêmicos são dados como candidatos à licantropia salvadora. Transformados em lobos ou porcos, cães ou animais misteriosos e de nome infixável, correm horas da noite atacando homens, mulheres; crianças, todos os animais recém-nascidos ou novos; como cachorros, ovelhas, cabrinhas, leitões etc. Derribada a vítima, o Lobisómem despedaça-lhe a carótida com uma dentada e suga-Ihe o sangue. Essa ração de sangue justifica, na impressão popular, a licantropia sertaneja. Se o hipoêmico não conseguir a dose de sangue necessária ao seu exausto organismo, morrerá infalivelmente.”

Citando, entretanto, Coriolano de Medeiros, o mesmo autor apresenta outro aspecto dessa assombração, na interpretação do povo, mencionando o Lobisomem paraibano, que conserva a característica da punição, pois é amaldiçoado por pais e padrinhos. “O Lobisómem, crê-se, é sempre um indivíduo excomungado pelos pais, ou por algum padrinho. Pelo fato da maldição, tem instinto de tornar-se animal; principia por segregar-se da sociedade, até que um dia de sexta-feira, à noite, vai na encruzilhada dum caminho, semeia o solo de cascas de caranguejo, tira a camisa, dá um nó em cada ponta, estende-a por sobre os restos dos crustâceos, formando um leito e começa a cambalhotar sobre ele murmurando: ‘encoura mas não enchuxa, diabo?’ repete o estribilho muitas vezes e à proporção que o repete, que dá cambalhotas, a voz vai se tornando átona, o corpo cobre-se de pelos compridos, as orelhas crescem, a cara se alonga tomando a forma de um morcego, as unhas se transformam em garras. Uma vez metamorfoseado sai a correr mundo e suga o sangue de todo menino pagão que encontra e na falta deste ataca qualquer indivíduo. Mas tem um medo terrível do chuço; casa que tem instrumento deste, Lobisomem não vai. As três horas da madrugada; quando o galo canta, o Lobisomem volta à primitiva forma.”

O Lobisomem da Paraíba do Norte aparece também na obra citada de Walter F. Piazza, que recolheu informações referentes ao litoral e sertão paraibanos em Ademar Vidal e referentes ao brejo, em José Leal. São apresentadas três versões da forma usada para a metamorfose. A do litoral: é “preciso procurar uma encruzilhada, cheia de mariscos de praia, onde se despe, dando vários nós na camisa e no lenço. Deita-se no chão; espojando-se como quadrúpede. Uns dizem que ele engole os mariscos do mar. Outros contestam essa versão. Depois entra a fazer desarticulações com as pernas e braços, encostando a cabeça nos pés, remexendo-se para a direita e esquerda, dizendo palavras à-toa. ‘- Encoura, desencoura, encoura, desancoura, encoura’. A do sertão. “Sai de casa à procura de algum recanto de estrada onde se deite. Espoja-se, requebra-se, faz trejeitos, até virar um bezerro negro de longas orelhas.” “……é bezerro negro . . . .. ostenta couro cabeludo de fazer cachos, além de cascos pequeninos, olhar fuzilante e; depois, dotado de força e agilidade extraordinárias.” A do brejo: “. . . rebolando-se o aspirante na cama de um animal, ainda quente do corpo deste, cuja forma tomará. É condição imprescindível para a transformação que, no momento, os raios de Lua incidam diretamente sobre o homem que estiver deitado na cama do irracional, manifestando-se, de início, pelo crescimento dos dentes que dão perfeita semelhança com o animal modelo: Adquire desde logo os instintos animalescos.” No brejo paraibano, “descrevem-no como homem normal, que, em certas horas e em dias determinados e sob determinadas condições, toma o aspecta de um animal e sai a correr o fado, cumprindo o castigo imposto pela Divina Providência, pelo pecado de adultério de compadre com comadre, de devota com padre, dos incestuosos e blasfemos.”

O escritor cearense Gustavo Barroso, mencionado por Câmara Cascudo na obra citada, diz que para se transformarem em Lobisomem; os homens “viram a roupa às avessas, espojam-se sobre o estrume de qualquer cavalo ou no lugar em que este se espojou.”

Um cão sem cabeça, é como a assombração aparece em Alagoas. Lá, para se transformar, “tira a camisa e dá-Ihe sete nós. Esconjura pai, mãe, padrinho e madrinha, o nome de Deus e de Nossa Senhora”, segundo informa Cascudo; calcado em Théo Brandão (Mitos Alagoanos).

Em Geografia dos Mitos Brasileiros, autor já mencionado, lê-se que “Na noite de quinta para sexta-feira, despido, o homem dá sete nós em sua roupa e, em algumas partes, urina em cima.” ‘”Se esconderem a roupa que o Lobisomem deixou na encruzilhada ou desfizerem os sete nós, ficará ele todo o resto da sua existência um bicho fantástico.” Quando corre na praia, evita molhar-se na água do mar, que é sagrada. “O Lobisomem é invulnerável a tiro. Só se a bala estiver metida em cera de vela de Altar onde se haja celebrado três Missas da Noite de Natal.” Na mesma obra, encontram-se dois relatos que, em resumo, vão transcritos:

Francisco Teixeira, apelidado seu Nô, declarava publicamente desacreditar de Lobisomem e até caçoava do assunto. Um seu companheiro de trabalho, João Severino, zangava-se com essa atitude e avisou-o de que qualquer dia se arrependeria. Os companheiros alertaram-no: João Severino virava; ele que se prevenisse e andasse armado. Seu Nô tinha a faca na cintura. Uma noite, atravessava uma pequena várzea, quando lhe pulou em cima um bicho preto, do porte de um bezerro: Lutou furiosamente, conseguindo esfaquear e tirar sangue do animal. Ferida no pescoço, a besta correu para o mato. O homem, morto de medo, voltou para casa. No dia seguinte, sentiu falta do companheiro João Severino. Indagando, soube que estava doente. Foi visitá-lo. Encontrou-o de cama, gemendo e tomando remédios, com a nuca ferida.

O outro é um caso contado pelo próprio protagonista, João Francisco de Paula, de Santa Cruz, RGN. Todas as semanas, na noite de quinta para sexta-feira, era aquele barulhão, ladrar e uivos de cão, assim que a Lua subia; lá pelas onze horas da noite: Certa vez abriu a janela para espiar e vislumbrou o vulto de um animal meio baixo, roncando e batendo as orelhas. Dias depois um comboio arranchou-se na fazenda. Era a noite propicia. Contou o que sabia e os companheiros se dispuseram a caçar o bicho. Um deles tinha, justamente, cera benta consigo. Bezuntou as balas da sua arma com elas e ficaram todos de tocaia. Quando a Lua ia alta, ouviram a trovoada dos cães de caça e o barulho do animal pesado, acuado por eles. O vaqueiro escondeu-se perto da barranca do rio, agora seco pelo verão. De repente, o bicho passou. Descarregou a espingarda; conseguindo atingi-lo. Correram todos para ver. O animal, com terrível ronco, caíra barranca abaixo: A luz dos archotes que levavam, viram um Lobisomem – ainda era meio animal – como um porco com garras, da cintura para baixo; da cintura para cima era um homem moreno claro, cabelos encaracolados. Ali mesmo o enterraram, sem cruz, sob um montão de pedras, marcando o lugar daquela tragédia inacreditável.

A bibliografia consultada declara a inexistência de Lobisomem feminino, nas Américas.

Na verdade, a forma mais comum é a do Lobisomem masculino. Mas não a única. Documento encontrado em Os Barranqueiros, autor citado (A onça cabocla) e o doc. n° 41, de Serra Pelada, MT, comprovam a existência da licantropia feminina, no Brasil e, portanto, nas Américas.

“A Onça Cabloca

Há muitos anos morava numa choça de cascas de pau, a alguns metros do barranco do Rio São Francisco, uma velha tapuia, feiticeira e má. Alimentava-se de sangue humano e comia o fígado de suas vítimas, quando não se fartava de sangue.

Lá um ou outro caçador surpreendia-a, ocasionalmente, no meio da catinga, ou à boca de uma furna, ao pé da serra.

Quando tinha fome, primeiro despia-se, estendendo os trapos no chão, às avessas; depois, deitando-se neles, espojava-se.

Virava onça.

Assim transformada marchava contra pobres criaturas indefesas, de preferência mulheres e crianças. Apaziguada a fome, volvia ao ponto de partida, rebolando-se de novo sobre os andrajos.

Virava gente.

Certa vez, porém, chegou-lhe o castigo, tendo então se arrenegado de quem inventou a mandinga. Um pé de vento arrebatou-lhe os molambos e os atirou nas águas do rio e ela não pôde desencantar-se. Ficou onça para sempre e lá existe.”

1- E como estou para me transformar em lobo, começo a me atrapalhar e a tremer fortemente.

Lobisomem: assombração e realidade
Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/bibliografia-nacional-sobre-lobisomens/