A Santa Ceia e os Símbolos Astrológicos

O que chamamos de “signo” nada mais é do que a posição do SOL no céu, no momento de nascimento de cada pessoa, mas para termos uma idéia das energias que estão presentes (e que precisam ser desenvolvidas ou utilizadas) na encarnação de cada um, precisamos observar também os planetas (lua, mercúrio, vênus, marte, júpiter, saturno, urano, netuno e plutão), bem como em qual casa astrológica estas energias se encontram. O princípio básico sobre o qual tudo isto está edificado chama-se SINCRONICIDADE ou ACAUSAL (voltarei a falar sobre isso em próximas colunas) mas, por enquanto, para vocês viajarem até a semana que vem, fica o seguinte pensamento:

Se acreditarmos que todos os planetas seguem órbitas perfeitamente mensuráveis, com ciclos matematicamente ordenados e previsíveis (ou seja, você pode prever com exatidão onde cada planeta estará posicionado no céu em qualquer data e em qualquer local da superfície da terra);
Se acreditarmos que existe reencarnação e que, pela lei da afinidade, grupos de pessoas precisam desenvolver e trabalhar suas essências de acordo com determinadas energias;
Podemos assumir, por absurdo, que os seres responsáveis por organizar estas encarnações (os chamados “Engenheiros de Karma”) precisariam de um sistema que fosse ao mesmo tempo preciso e confiável o suficiente para posicionar o nascimento de cada espírito em determinado lugar em determinado dia/mês/ano. Por que não utilizar um “computador celeste” que já funciona com precisão absoluta?
Supondo-se que esta estrutura exista, hackeando este computador, obtém-se a astrologia.

Sem mais delongas, vamos à Santa Ceia:

“E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar e passou a noite em oração a Deus. E quando já era dia, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze deles a quem também deu o nome de apóstolos: Simão, ao qual também chamou Pedro, e André seu irmão; Tiago (menor) e João, Filipe e Bartolomeu; e Mateus e Tomé, Tiago (maior) filho de Alfeu e Simão chamado o Zelador e Judas (Tadeu) filho de Tiago e Judas Iscariotes, que foi o traidor”. LC:6 12-16

Para compreender melhor, colocamos Aqui uma reprodução da imagem.
Os apóstolos devem ser observados da direita para a esquerda.

Quem está na cabeceira da mesa é São Simão, que corresponde ao signo de Áries (Signo de fogo e de ação). Simão indica com as mãos a direção a tomar. Áries rege a cabeça na anatomia astrológica, e a testa de Simão é bem realçada na pintura. Sua prontidão ariana também é mostrada pelas mãos desembaraçadas, para agirem conforme a vontade e coragem dos arianos.

Ao seu lado direito, Judas Tadeu, representando Touro. Seu semblante é sereno enquanto escuta Simão (Áries) e vai digerindo lentamente suas impressões, suas mãos na postura de quem recebe algo, caracterizando a possessividade de Touro (que é terra/receptivo, o signo que acumula). No corpo humano, Touro rege o pescoço e a garganta, e o de Judas Tadeu está bem destacado.

Mateus vem em seguida, correspondendo à Gêmeos, signo duplo que rege a interação com as pessoas e a habilidade de colher informações. Mateus tem as mãos dispostas para um lado e o rosto para o outro, revelando o hábito geminiano de falar e ouvir à todos ao mesmo tempo. Mateus era escriba e historiador da vida de Jesus (escreveu um dos 4 livros aceitos como verdadeiros pela Igreja Católica) e Gêmeos rege a casa III, setor de comunicação e conhecimento.

Logo após está São Filipe, representando Câncer. Suas mãos em direção ao peito mostram a tendência canceriana para acolher, proteger e cuidar das coisas. Regido pela Lua, Câncer trabalha com o sentir. Filipe está inclinado, retratado como se estivesse se oferecendo para realizar alguma tarefa.

Ao seu lado está Tiago Menor, o Leonino, de braços abertos, revelando nesse gesto largo o poder de irradiar amor (Leão rege o coração e o chacra cardíaco), ele se impõe nesse gesto confiante, centralizando atenções.

Atrás dele, quase que escondido, está São Tomé, o Virginiano, o famoso “ver para crer”, que, apesar de modesto, não deixa de expressar o lado crítico e inquisitivo de Virgem – com o dedo em riste ele contesta diante de Cristo.

Libra é simbolizado por Maria Madalena, esposa de Jesus. Com as mãos entrelaçadas, ela pondera e considera todas as opiniões antes de tomar posições – Libra rege a casa VII, é o setor do casamento e parcerias, deixado também como mais uma evidência de que os templários possuíam conhecimento sobre o casamento de Jesus e seus descendentes.

Ao seu lado, está Judas Iscariotes, guarda-costas de Jesus, representando Escorpião. Com uma das mãos ele segura um saco de dinheiro (Escorpião rege a casa VIII, que trata dos bens e valores dos outros) e com a outra mão ele bate na mesa, protestando.

Em seguida, Pedro, o Pescador de Almas, representando o alegre Sagitário. Foi ele quem fez o dogma e instituiu a lei da Igreja – Sagitário rege a casa IX, setor das leis, religiões e filosofia. Seu dedo aponta para Jesus – a meta de Sagitário é espiritual. Ele se coloca entre Maria e Judas, trazendo esclarecimentos (luz) à discussão (Sagitário é o “alto-astral” do zodíaco).

Ao seu lado está Santo André, Capricórnio. O signo mais responsável do zodíaco, que com seu gesto restritivo, impõe limites. Seu rosto magro e ossos salientes revelam o biotipo capricorniano. Seus cabelos e barbas brancas e seu semblante sério mostram a relação de Capricórnio com o tempo e a sabedoria.

Ao lado, Tiago Maior, Aquariano, que debruça uma de suas mãos sobre seus ombros, num gesto amigável, enquanto a outra se estende aos demais. Ele visualiza o conjunto, percebendo ali o trabalho em grupo liderado por Jesus. Aquário rege a casa XI, que é o setor dos grupos, amigos e esperanças.

Finalmente, sentado à esquerda, temos São Bartolomeu, o viajante, representando Peixes. Seus pés estão em destaque (que são regidos por Peixes na anatomia astrológica). Ele parece absorvido pelo que acontece à mesa e, com as mãos apoiadas, quase debruçado, revela devoção envolvido pelo clima desse encontro.

Como já disse anteriormente, os iniciados possuem diversas maneiras de passar mensagens uns para os outros bem debaixo das barbas dos profanos. Como disse o Mestre, “quem tiver ouvidos que ouça”.

Até a próxima semana, crianças,
Votos de paz profunda.

Marcelo Del Debbio

#Astrologia #Conspirações

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13 Conselhos de Chuck Palahniuk sobre como Escrever

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Ela disse o comentário perfeito no momento perfeito, e eu lembro disso duas décadas depois porque isso me fez rir. Aquelas outras vitrines bonitas… Estou certo de que elas eram estilosas e de bom gosto, mas eu não tenho recordações claras de como elas eram.

Para este ensaio, minha meta é colocar mais. Reunir um estoque de ideias ao estilo do Natal, com a esperança de que algo seja útil. Ou como se estivesse empacotando caixas de presentes para os leitores, colocando doces e um esquilo e um livro e alguns brinquedos e um colar, estou na esperança de que variedade o bastante é garantia de que algo aqui vai soar completamente estúpido, mas também de que alguma outra coisa poderá ser perfeita.

1: Dois anos atrás, quando escrevi o primeiro desses ensaios tratava-se do meu “método do cronômetro” de escrever. Você nunca viu esse ensaio, mas eis o método: Quando você não quiser escrever, programe um cronômetro para uma hora (ou meia hora) e sente-se para escrever até que o alarme toque. Se você ainda detesta estar escrevendo, estará livre em uma hora. Mas geralmente, ao momento em que o alarme tocar, você estará tão envolvido no seu trabalho, divertindo-se tanto com ele, que vai seguir em frente. Ao invés de um cronômetro, você pode colocar algumas roupas na máquina de lavar ou de secar e usá-los para cronometrar seu trabalho. Alternar entre o trabalho cerebral de escrever com o trabalho não-pensante da máquina de lavar roupas ou pratos te dará os intervalos que você precisa para que novas ideias e epifanias ocorram. Se você não sabe o que vem a seguir na estória… limpe seu banheiro. Troque os lençóis. Pelo amor de Cristo, tire a poeira do computador. Uma ideia melhor surgirá.

2: Seu público é mais esperto do que você imagina. Não tenha medo de experimentar com formatos de narrativa e mudanças temporais. Minha teoria pessoal é de que os jovens leitores se enjoam da maioria dos livros – não porque estes leitores sejam mais estúpidos que os leitores antigos, mas porque o leitor de hoje é mais esperto. Filmes nos tornaram muito sofisticados no quesito narrativa. E seu público é muito mais difícil de chocar do que você jamais poderia imaginar.

3: Antes de sentar e escrever uma cena, pondere sobre ela em sua mente e saiba o propósito daquela cena. Para quais tramas anteriores esta cena vai ser vantajosa? O que isso criará para as cenas seguintes? Como esta cena levará seu enredo adiante? Conforme você trabalha, dirige, se exercita, tenha apenas esta questão em sua mente. Tome algumas notas conforme tiver ideias. E apenas quando você decidiu a ‘coluna vertebral’ daquela cena – então, sente e escreva-a. Não vá até aquele computador chato e empoeirado sem algo em mente. E não faça seu se esforçar ao longo de uma cena na qual pouco ou nada acontece.

4: Surpreenda-se. Se você pode levar a história – ou deixar que ela o leve – a um lugar que te maravilha, então você pode surpreender seu leitor. No momento em que você visualizar qualquer surpresa bem planejada, muito provavelmente, o seu sofisticado leitor também o fará.

5: Quando você ficar preso, volte e leia suas cenas anteriores, procurando por personagens abandonados ou detalhes que você pode ressuscitar como “armas enterradas”. Quando terminava de escrever Clube da Luta, eu não tinha a menor ideia do que fazer com o edifício do escritório. Mas, relendo a primeira cena, eu encontrei um comentário aleatório sobre misturar nitroglicerina com parafina e como era um método duvidoso de fazer explosivos plásticos. Este detalhe bobo (… parafina nunca funcionou comigo…) criou a “arma escondida” perfeita para se ressuscitar no final e salvar meu rabo contador de histórias.

6: Use a escrita como sua desculpa para lançar uma festa toda semana – mesmo se você chamar aquela festa de “workshop.” Sempre que você puder passar tempo em meio a outras pessoas que valorizam e apoiam a escrita, isso vai balancear aquelas horas que você passou sozinho, escrevendo. Mesmo se algum dia você vender seu trabalho, nenhuma quantia de dinheiro vai compensá-lo pelo seu tempo gasto sozinho. Então pegue seu cheque adiantado, faça da escrita uma desculpa para estar entre pessoas. Quando você alcançar o fim da sua vida – confie em mim, você não vai olhar para trás e saborear os momentos que passou sozinho.

7: Deixe-se em companhia do Não Saber. Este pequeno conselho parte de centenas de pessoas famosos, de Tom Spanbauer até mim e agora você. O quanto mais você puder permitir que uma história tome forma, melhor ficará esta forma final. Não se apresse ou force o fim de uma história ou livro. Tudo o que você tem de fazer é a cena seguinte, ou as próximas cenas. Você não precisa saber de cada momento até o final. De fato, isso será chato para caramba de se executar.

8: Se você precisa de mais liberdade ao longo da história, rascunho a rascunho, mude os nomes dos personagens. Personagens não são reais, e eles não são você. Por mudar arbitrariamente seus nomes, você consegue a distância de que precisa para realmente torturar um personagem. Ou pior, apague um personagem, se é disso que a história realmente precisa.

9: Há três tipos de discurso – eu não sei se isso é VERDADE, mas ouvi em um seminário e fez sentido. Os três tipos são: Descritivo, Instrutivo e Expressivo. Descritivo: “O sol se ergueu bem alto…” Instrutivo: “Caminhe, não corra…” Expressivo: “Ai!” A maioria dos escritores de ficção usará apenas uma – no máximo, duas – dessas formas. Então use todas as três. Misture-as. É assim que as pessoas falam.

10: Escreva os livros que você deseja ler.

11: Tenha suas fotos de autor de livro vestindo jaqueta tiradas agora, enquanto você é jovem. E obtenha os negativos e direitos de imagem dessas fotos.

12: Escreva sobre os assuntos que realmente te desagradam. Estas são as únicas coisas sobre as quais vale a pena escrever. Neste curso, chamado “Escrita Perigosa”, Tom Spanbauer enfatiza que a vida é preciosa demais para passá-la escrevendo histórias mansas e convencionais com as quais você não tem nenhuma ligação pessoal. Há tantas coisa sobre as quais Tom falou mas que eu apenas me lembro parcialmente: a arte da “manumissão”, que eu não sei de cor, mas entendo que se refira à preocupação que você tem em mover um leitor ao longo dos momentos de uma história. E “sous conversation”, que eu interpretei como a mensagem escondida, enterrada dentro da história óbvia. Por eu não me sentir confortável descrevendo tópicos que eu apenas entendo pela metade, Tom concordou em escrever um livro sobre sua oficina literária e as ideias que ele ensina. O título é “Um buraco no coração”, e ele planeja ter um rascunho lido em Junho de 2006, com data de publicação no começo de 2007.

13: Outra história sobre uma janela no Natal. Quase todas as manhãs eu tomo meu café no mesmo restaurante, e nesta manhã um homem estava pintando as janelas com ilustrações de natal. Bonecos de neve. Flocos de neve. Sinos. Papai Noel. Ele ficou do lado de fora na calçada, pintando no frio congelante, sua respiração fazendo vapor, alternando pinceladas e passadas de rolo com diferentes cores de tinta. Dentro do restaurante, os clientes e garçons observavam conforme ele passava camadas de tinta vermelha, branca e azul na parte de fora das grandes janelas. Atrás dele a chuva se transformou em neve, caindo lateralmente com o vento.

O cabelo do pintor tinha todas as diferentes cores de cinza, e seu rosto era frouxo e enrugado como o bolso vazio de seu jeans. Entre cores, ele parava para beber alguma coisa num copo de papel.

Assisti-lo de dentro, comendo ovos e torradas, alguém disse que aquilo era triste. Um cliente disse que o homem era provavelmente um artista fracassado. Era provavelmente uísque no copo. Ele provavelmente tinha um estúdio cheio de pinturas fracassadas e agora ganhava a vida decorando janelas cafonas de restaurantes e lojas de doces. Apenas triste, triste, triste.

Um garçom passou pelo local, servindo café às pessoas, e disse, “Isso é tão bacana. Eu queria poder fazer isso…”

E a despeito de nós invejarmos ou sentirmos pena desse cara no frio, ele continuou pintando. Adicionando detalhes e camadas de cor. Eu não estou certo sobre quando aconteceu, mas em algum momento ele não estava lá. As figuras sozinhas eram tão ricas, elas preencheram as janelas tão bem, as cores eram tão vibrantes, que o pintor havia sumido. Fosse ele um fracasso ou um herói. Ele desapareceu, sumiu para qualquer lugar, e tudo o que nós estávamos vendo era seu trabalho.

Como lição de casa, pergunte a sua família e amigos como você era quando criança. Melhor ainda, pergunte a eles como eles eram quando crianças. Então, simplesmente escute.

#Arte #Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/13-conselhos-de-chuck-palahniuk-sobre-como-escrever

A História do RPG no Brasil

historia-do-rpg-no-brasil

Pensando nas comemorações de 20 anos de ARKANUN, a Daemon Editora tomou a iniciativa de organizar uma Wiki contendo toda a história do RPG no Brasil. Aos poucos, estamos adicionando todos os livros, sistemas, autores, desenhistas, editoras, eventos, posters, fotos, notícias de jornal e tudo mais que conseguirmos arquivar. Ainda há MUITA COISA a ser adicionada, principalmente de eventos fora do eixo SP-RJ, então precisamos da ajuda de todos vocês. Se perceberem que falta alguma informação lá, enviem para daemon@daemon.com.br que adicionaremos ao projeto.

A História do RPG no Brasil

Sucesso é a única possibilidade!

#RPG

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Exercícios Práticos – 01

Estes são os exercícios básicos dos básicos preparatórios, que são ensinados em qualquer curso de reiki, chi kung, chakras e na imensa maioria das ordens iniciáticas. Aleister Crowley dizia que as bases da magia são a Vontade e a Imaginação. Estes exercícios vão começar a trabalhar com a sua mente para preparar algo mais elaborado no futuro.

1) Concentração

A base da magia prática é a concentração. É impossível realizar qualquer tipo de atividade prática sem dominar sua mente objetiva e elevar sua concentração a um outro nível de consciência.

Você vai precisar de uma vela e de uma sala com pouca luminosidade. Tenha certeza que não será perturbado (desligue telefones e celulares). Posicione a vela a cerca de 1,5m de você, mais ou menos na altura dos olhos, de preferência contra uma parede branca, e acenda a vela. Sente-se com as costas eretas e fixe o olhar na chama da vela, com a vista relaxada. Mantenha a respiração calma e relaxada, sem se afobar. O exercício consiste em permanecer olhando para a vela sem piscar, mantendo a concentração até que todas as sensações externas sejam eliminadas e as duas únicas coisas que existam no universo sejam você e a chama da vela.

Caso você não tenha como usar uma vela por algum motivo, você pode fazer um pequeno ponto preto com 1cm de diâmetro e gruda-lo com durex na parede, ou focar em um ponto fixo distante.

Mantenha essa concentração (sem piscar) pelo tempo máximo que conseguir. A razão para isso é que este exercício desenvolve sua visão intuitiva e, quando você estiver se ajustando a esta visão, sua mente objetiva fará você “piscar” para reajustar a visão ao plano objetivo. Se estiver fazendo certo, conseguirá afastar TODOS os pensamentos poluidores da sua mente e ficar no que os orientais chamam de “estado zen”, absolutamente concentrado na chama da vela. Os sons e até mesmo as imagens da sala podem desaparecer (é a sensação de relaxamento do “sonhar acordado”). Quando estiver dominando este exercício, o relaxamento que você faz da sua mente em 5 minutos neste estágio equivale a uma soneca de duas horas.

Dificuldades:

1) manter os olhos sem piscar. Muita gente arregala os olhos e força para que eles fiquem abertos; não é isso. Deixe os olhos semicerrados e relaxados. No começo é MUITO difícil, você vai tender a piscar ou desconcentrar facilmente, não chegando a 1 minuto de concentração… mas com treino, é fácil de chegar a até 20 minutos neste estágio zen.

2) afastar os pensamentos mundanos. Como você perceberá, sua mente objetiva vai tentar te atrapalhar de todas as maneiras possíveis e é bem provável que você seja inundado de pensamentos inúteis e caóticos (na verdade, você faz isso o tempo todo, só não percebe, mas este exercício deixa isto bem evidente).

Exercício 2: Imaginação e chakras

Comece pelo primeiro chakra (Muladhara). Visualize um disco de luz vermelha, com cerca de 4cm de raio, com 4 pétalas, girando no sentido horário sobre a região do cócix.

Quando INSPIRAR, imagine uma energia vindo do centro da terra, subindo pelas plantas dos seus pés, passando por dentro das suas pernas e alimentando este círculo. Conte dez respirações lentas até conseguir VISUALIZAR com o máximo de nitidez possível a energia entrando no seu corpo e este chakra girando (sentido horário)… sinta a energia subindo e fazendo este disco de luz girar…

Em seguida, imagine o segundo chakra, laranja (Svadisthana), do mesmo tamanho, sobre a região do ventre, pulsando e girando no sentido horário, em sincronia com o primeiro, e um filete de luz branca unindo os dois… permaneça com os DOIS chakras bem nítidos na sua mente, com as cores vivas, por dez respirações relaxadas.

Imagine agora o terceiro chakra (Manipura), amarelo, com o mesmo tamanho que os outros, girando em sincronia e um filete de luz branca unindo os três discos… mais dez respirações visualizando o conjunto e imagine o quarto chakra (Anahata), verde, sobre o centro do seu peito, unido aos 3 outros chakras por filetes de luz… mais dez respirações e vamos para o quinto chakra (Vishuda), azul, sobre a sua garganta e unido aos outros por esta corrente de luz.

Mantenha TODO o conjunto nítido girando na sua mente por dez respirações… a cada respiração, mais um “gole” da energia da terra que faz todo o sistema permanecer em movimento, sem esquecer de todos os outros discos… mantenha a ponta da língua no céu da boca… mais dez respirações e o filete de luz branca chega ao disco índigo localizado alguns centímetros na frente da sua testa… não esqueça de imaginar TODA a energia subindo do centro da terra até o sexto chakra… finalmente, mais dez respirações e o filete de luz imaginário sobe até o topo da sua cabeça, no sétimo chakra, formando uma “fonte” de energia branca se espalhando pela sala.

Pessoas comuns normalmente não conseguem chegar no terceiro chakra… sua mente destreinada começa a divagar sobre besteiras, ele perde a concentração, perde a imaginação, não consegue focar, não consegue visualizar, se atrapalha todo com a sincronia dos giros e discos, fica ansioso, com pressa, a mente objetiva o deixa irritado… e ele/ela vai assistir a novela ou um jogo de futebol… enfim…

Efeitos esperados: formigamento por todo o corpo, especialmente na ponta dos dedos, devido ao acúmulo e limpeza da energia do corpo. É comum formar uma “bola” de energia nas palmas das mãos. Relaxamento completo físico e mental em algumas pessoas… outras experimentam euforia e ficam “ligadas”… Isso varia de acordo com o seu estado mental e quais chakras estavam mais ativos ou inativos durante o processo… com o tempo e novos exercícios, aprenderemos a ESCOLHER os efeitos desejados em nosso corpo.

Altamente recomendado para se fazer quando se está doente (focar especificamente no 3º chakra) ou com aquelas cólicas de menstruação (neste caso, dar atenção especial ao segundo chakra – Svadisthana).

Se você conseguir fazer este exercício e ficar bastante relaxado, pode fazer imediatamente antes de dormir e depois me conta o que aconteceu com os seus sonhos…

Se puder fazer esse exercício na grama/terra, ao ar livre, com os pés descalços, o efeito será muito maior.

Exercício 3: manifestação desta energia

Assim que você conseguir dominar o exercício 2, o que deve demorar cerca de uma semana ou duas (varia absurdamente de pessoa para pessoa – já vi gente acertar na primeira tentativa, já vi gente demorar um mês para ter algum efeito), repita o exercício 2 mas com as mãos dispostas à sua frente, como se estivesse “abraçando uma árvore”, de acordo com a figura abaixo:

Mantenha os dedos semifechados, como se segurasse um delicado balão de ar entre seus dedos. Quando inspirar, imagine a energia entrando pela sola dos seus pés e alimentando este circuito. Quando EXPIRAR, imagine esta energia fluindo deste circuito para a palma das suas mãos. Em alguns minutos, você deverá sentir uma “bola de energia” entre seus dedos… tente afasta-los ou aproxima-los BEM DEVAGAR e você irá sentir esta energia Chi. Ela atua nos planos sutis (Mental, Emocional, Astral e, com outros treinos, no Físico… ) mas não pode ser detectada por nenhum aparelho de nossa ciência moderna.

Com o tempo, pode fazer experiências como afastar suas mãos devagar até que esta bola de energia fique com o tamanho máximo que você conseguir, ou pressionar até sentir uma força física sutil impedindo que suas mãos se encontrem.

Ok, eu senti o chi… e quais os efeitos práticos disto?

Calma, pequeno gafanhoto… um passo de cada vez… primeiro crie sua bola de energia, depois vamos passar mais exercícios práticos sobre o que fazer com ela… da onde você está até entortar uma barra de aço na sua garganta ainda vão seis anos de treino…

Por enquanto, como disse, esses exercícios são o básico do básico.

O importante, por enquanto, é sentir que esta energia existe e pode ser detectada pelo ser humano.

#Exercícios #MagiaPrática

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Segunda e Terceira Cruzadas

Publicado no S&H dia 2/11/09,

Continuando a nossa saga pelas primeiras cruzadas e a Origem das Ordens de Cavalaria, seguimos com um texto rápido segunda e terceira cruzadas, apenas para dar entrada na parte que realmente interessa ao templarismo: A Quarta Cruzada, ou a Cruzada na qual cristãos matavam cristãos!

A Segunda e especialmente a Terceira Cruzadas são importantes porque marcaram a presença de duas figuras muito conhecidas e lendárias: Saladino e Ricardo Coração de Leão. Para situar os leitores, os acontecimentos narrados neste post são também retratados no filme “A cruzada” (Kingdon of Heaven) de Ridley Scott.
A Segunda Cruzada

Durante a Primeira Cruzada os nobres peregrinos europeus criaram estados cruzados no chamado “Levante”, forjados em guerras, conquistas e massacres contra os povos muçulmanos que dominavam estas regiões.

Em 1144, Zengi, o governador das cidades de Alepo e Mossul, que controlava as regiões da Síria e do norte do Iraque, conquistou o Condado de Edessa das mãos dos cristãos. As últimas palavras que Joscelino, o governador de Edessa, escutou de Zengi antes de sua expulsão da cidade em 24 de dezembro de 1144, de acordo com historiadores locais, foram: “Perdeu, Playboy”.

Foi imediatamente lançado um apelo ao papa e, por toda a Europa, imediatamente se ouvem vozes clamando pela retomada do condado pelos cruzados. O Papa Eugênio III achou que já era hora de empreender uma segunda cruzada e convocou-a por meio de uma bula especial em 1145. São Bernardo de Claraval, a pedido do Papa Eugênio III, antigo monge cisterciense e discípulo do Santo, lhe pede que convoque os cristãos a empreenderem uma nova cruzada. Eugênio III havia tomado o lugar do Papa Lúcio II, eleito a 12 de março de 1144, mas morrera em 15 de fevereiro de 1145 com uma pedrada na cabeça ao tentar apaziguar um distúrbio popular.

Na Páscoa de 1146, em Vezelay, são muitos os franceses que se reúnem para escutar as palavras de Bernardo. A nova convocação atraiu vários expedicionários, entre os quais se destacaram o rei Luís VII de França, o imperador Conrado III do Sacro Império Romano-Germânico, além de Frederico da Suábia, herdeiro do império germânico, e dos reis da Polônia e da Boêmia.

Homens não faltavam: soldados flamengos e ingleses tinham conquistado Lisboa das mãos dos sarracenos e voltavam para casa, agora estavam sem ter o que fazer.

A situação no Oriente, porém, tornara-se ainda mais perigosa em virtude da presença de Zangi, governador de Mosul e conquistador de Edessa, que então governava em Alepo e ameaçava Constantinopla.

A cruzada

O imperador Conrado III do Sacro Império Romano-Germânico partiu para Constantinopla, onde chegou em Setembro de 1147. Ignorando o conselho do imperador bizantino Manuel I Comneno, atravessou a Anatólia e, em 25 de outubro, seu exército foi esmagado em Doriléia pelos turcos.

O imperador alemão, contudo, conseguiu escapar e refugiou-se na Nicéia. No começo do mês seguinte, Luís VII, acompanhado da esposa, Leonor da Aquitânia, chegou a Constantinopla, alcançando Nicéia em novembro e ali soube da sorte de Conrado. O que sobrou do exército de Conrado juntou-se aos franceses, com o apoio dos templários.

Com algumas dificuldades de transporte, mais uma vez uma parte do exército teve de ser abandonado para trás (sobretudo os plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho contra os turcos.

Os franceses, entretanto, chegam a Antioquia em Março de 1148, rumando para Jerusalém com cerca de 50 mil soldados. Em Jerusalém, Luís VII e Conrado, depois de algumas discussões, decidem atacar Damasco. Em 28 de Julho de 1148, depois de cinco dias de cerco, concluíram tratar-se de uma missão impossível e acabaram tendo de recuar, terminando assim a segunda cruzada. Em mensagem enviada aos cruzados que se retiravam de volta à Europa, o governador de Damasco fez o seguinte comunicado: “Não sabe brincar, não desce pro Play”.

A Segunda Cruzada acabou se tornando uma autêntica fanfarronice, com os seus líderes regressando aos países de origem sem qualquer vitória. Porém, vale a pena notar que foi desta cruzada que saíram alguns dos líderes cruzados dos contingentes flamengos e ingleses para auxiliar Afonso Henriques na conquista de Lisboa em 1147, uma vez que eram concedidas indulgências para quem combatia na Península Ibérica, como relata nas suas cartas o cruzado inglês Osberno.

No final das contas, o resultado desta Cruzada foi algo próximo do miserável (se não considerarmos a conquista de Lisboa), tendo sucesso apenas em queimar ainda mais as relações entre os reinos cruzados, os bizantinos e os “amigáveis” governantes muçulmanos. O fracasso da segunda Cruzada permitiu a reunificação das potências muçulmanas com aquele ar de “Já ganhamos” e novas investidas contra algumas cidades na região.

Com a moral baixa, nenhuma nova cruzada foi lançada até que ocorreu um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Ficou no ar aquela sensação de “Ih, agora ferrou!” e desta vez os cristãos enfrentariam um adversário decidido: Saladino.

Crise no Reino Latino de Jerusalém

Na década de 1180, o Reino Latino de Jerusalém atravessava uma fase delicada. O rei Balduíno IV estava sendo devorado pela lepra e desafiado por um baronato cada vez mais petista. Os muçulmanos, pressentindo essa fraqueza, mantinham a pressão no máximo. Qualquer passo em falso seria catastrófico para os cristãos. E, claro, não tardou para que ele fosse dado, pelo cavaleiro Reinaldo de Châtillon, que atacou uma caravana na qual viajava a irmã do sultão Saladino. Até explicar para os muçulmanos o que estava acontecendo, na confusão que se seguiu, Saladino convocou uma jihad contra os infiéis…

Saladino captura Damasco em 1174 e Alepo, em 1183. Em 1187, avançou pela Galiléia e, nos Cornos de Hattin, travou a Batalha de Hattin contra um exército cristão. Do lado cristão, as tropas do francês Guy de Lusignan, o rei consorte de Jerusalém, e o príncipe da Galiléia Raimundo III de Trípoli. Ao todo, havia cerca de 60 mil homens – entre cavaleiros, soldados desmontados e mercenários muçulmanos. Já a dinastia aiúbida, representada por Saladino, contava com 70 mil guerreiros.

Quando os cruzados montaram acampamento em um campo aberto, forçados a descansar após um dia de exaustivas batalhas, os homens de Saladino atearam fogo em volta dos inimigos, cortando seu acesso ao suprimento de água fresca. A cortina de fumaça tornou quase impossível para os cristão se desviarem da saraivada de flechas muçulmanas. Sedentos, muitos cruzados desertaram. Os que restaram foram trucidados pelo inimigo, já de posse de Jerusalém (tomada em em Outubro de 1187).

Saladino poupou a vida de Guy, enquanto Raimundo escapou da batalha com sucesso. Isso desencadeou na cristandade uma nova onda de preocupação com a Terra Santa.

No cativeiro, Guy ouviu a frase mágica que se tornaria célebre: “Reis Verdadeiros não matam uns aos outros”, vindo de Saladino. Eventualmente, ele foi libertado em troca de um resgate.

Em 1189, Guy de Lusignan tentou reconquistar a cidade, num conflito que duraria anos e só seria resolvido com a chegada de um novo personagem: Ricardo Coração de Leão, o rei da Inglaterra.

Saladino e o começo da Terceira Cruzada

Saladino (1138 – 4 de março de 1193) foi um chefe militar muçulmano que se tornou sultão do Egito e da Síria e liderou a oposição islâmica aos cruzados europeus no Levante. No auge de seu poder, seu domínio se estendia pelo Egito, Síria, Iraque, Iêmen e pelo Hijaz. Foi responsável por reconquistar Jerusalém das mãos do Reino de Jerusalém, após sua vitória na Batalha de Hattin e, como tal, tornou-se uma figura emblemática na cultura curda, árabe, persa, turca e islâmica em geral. Saladino, adepto do islamismo sunita, tornou-se célebre entre os cronistas cristãos da época por sua conduta cavalheiresca, especialmente nos relatos sobre o sítio a Kerak em Moab, e apesar de ser a nêmesis dos cruzados, conquistou o respeito de muitos deles, incluindo Ricardo Coração de Leão; longe de se tornar uma figura odiada na Europa, tornou-se um exemplo célebre dos princípios da cavalaria medieval.

Por volta de 1185, Saladino já havia capturado quase todas as cidades dos cruzados. Ele tomou Jerusalém em 2 de outubro de 1187, após um cerco. Saladino inicialmente não pretendia garantir termos de anistia aos ocupantes de Jerusalém, até que Balian de Ibelin ameaçou matar todos os muçulmanos da cidade, estimado entre três e cinco mil pessoas, e destruir os templos sagrados do Islã na Cúpula da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa se não fosse dada anistia. Saladino consultou seu conselho e esses termos foram aceitos. Um resgate deveria ser pago por cada franco na cidade, fosse homem, mulher ou criança. Saladino permitiu que muitos partissem sem ter a quantia exigida por resgate para outros. De acordo com Imad al-Din, aproximadamente sete mil homens e oito mil mulheres não puderam pagar por seu resgate e se tornaram escravos.

De todas as cidades, apenas Tiro resistiu. A cidade era então comandada pelo Conrado de Montferrat. Ele fortaleceu as defesas de Tiro e suportou dois cercos de Saladino. Em 1188, em Tortosa, Saladino libertou Guy de Lusignan e devolveu-o à sua esposa, a rainha Sibila de Jerusalém. Eles foram primeiro a Trípoli, e depois a Antioquia. Em 1189 eles tentaram reclamar Tiro para seu reino, mas sua admissão foi recusada por Conrado, que não reconhecia Guy como rei. Guy então começou o cerco de Acre.

Hattin e a queda de Jerusalém foram o estopim para a Terceira Cruzada, financiada na Inglaterra por um especial “dízimo de Saladino”. Essa Cruzada retomou a cidade de Acre. Após Ricardo I de Inglaterra executar os prisioneiros muçulmanos em Acre, Saladino retaliou matando todos os francos capturados entre 28 de agosto e 10 de setembro. Os exércitos de Saladino engajaram-se em combate com os exércitos rivais do rei Ricardo I de Inglaterra na batalha de Apollonia, em 7 de setembro de 1191, na qual Saladino foi finalmente derrotado. Apesar de nunca terem se encontrado pessoalmente, a relação entre Saladino e Ricardo era uma de respeito cavalheiresco mútuo, assim como de rivalidade militar; ambos eram celebrados em romances cortesãos. Quando Ricardo foi ferido, Saladino ofereceu os serviços de seu médico pessoal. Em Apollonia, quando Ricardo perdeu seu cavalo, Saladino enviou-lhe dois substitutos. Saladino também lhe enviou frutas frescas com neve, para manter as bebidas frias. Ricardo sugeriu que sua irmã poderia casar-se com o irmão de Saladino – e Jerusalém poderia ser seu presente de casamento.

Os dois finalmente chegaram a um acordo sobre Jerusalém no Tratado de Ramla em 1192, pelo qual a cidade permaneceria em mãos muçulmanas, mas estaria aberta às peregrinações cristãs; o tratado reduzia o reino latino a uma estreita faixa costeira desde Tiro até Jafa.

Saladino morreu no dia 4 de março de 1193, em Damasco, pouco depois da partida de Ricardo. Quando o tesouro de Saladino foi aberto não havia dinheiro suficiente para pagar por seu funeral; ele havia dado a maior parte de seu dinheiro para caridade.

Templários e o Xadrez

Uma curiosidade bacana a respeito da segunda cruzada foi que, durante este período, as regras do que se conhecia como Shatranj acabaram sofrendo algumas modificações, derivando o que hoje conhecemos como as regras modernas do Xadrez.

Como este era um jogo Persa, até esta época, as Torres eram conhecidas como “Elefantes”, não haviam Bispos, as peças que se movimentavam na diagonal eram conhecidas como “Navios de Guerra”; também não existia Rainha; a peça era conhecida como “Vizir” e os peões, quando chegavam até o lado oposto do tabuleiro, tornavam-se “conselheiros”, com capacidade de se movimentar uma casa na horizontal, vertical ou diagonal. Como os Templários adoraram este jogo e acabaram levando-o para a Europa, os termos acabaram sendo modificados para um gosto mais Europeu, dando origem aos nomes das peças tal quais as conhecemos hoje. Os Bispos foram a contribuição do Vaticano ao jogo, por acharem que os clérigos deveriam ter um papel de destaque no xadrez…

A Terceira Cruzada

A Terceira Cruzada (1189-1192), pregada pelo Papa Gregório VIII após a tomada de Jerusalém por Saladino em 1187, foi denominada Cruzada dos Reis. É assim denominada pela participação dos três principais soberanos europeus da época: Filipe Augusto (França), Frederico Barbaruiva (Sacro Império Romano Germânico) e Ricardo Coração de Leão (Inglaterra), constituindo a maior força cruzada já agrupada desde 1095. A novidade dessa cruzada foi a participação dos Cavaleiros Teutônicos.

O imperador Frederico Barbarossa, atendendo os apelos do papa, partiu com um contingente alemão de Ratisbona e tomou o itinerário danubiano atravessando com sucesso a Ásia Menor, porém, afogou-se na Cilícia ao atravessar o Sélef (hoje Goksu), um dos rios da Anatólia. A sua morte representou o fim prático desse núcleo. FAIL.

Os franceses e ingleses foram por mar até Acre. Em Abril de 1191 os franceses alcançam Acre, no litoral da Terra Santa, e dois meses depois junta-se-lhes Ricardo. Ao fim de um mês de assédio, os cruzados tomam a praça e rumam para Jerusalém, agora sem o rei francês, que regressara ao seu país depois do cerco de Acre. Ainda em 1191, em Arsuf, Ricardo derrotou as forças muçulmanas e ocupou novamente Jaffa.

Se Ricardo Coração de Leão conseguiu alguns atos notáveis – a conquista de Chipre (que se tornou um reino latino em 1197), Acre, Jaffa e uma série de vitórias contra efectivos superiores – também não teve pejo em massacrar prisioneiros (incluindo mulheres e crianças). Ao garantir a volta do Acre para a mão da cristandade, Ricardo conquistou o título de Coeur de Lion (Coração de Leão, em francês).

Os combates contra os exércitos de Saladino terminaram em 1192, num acordo: os cristãos mantinham o que tinham conquistado e obtiveram o direito de peregrinação (desde que desarmados) a Jerusalém, que ficava em mãos muçulmanas. Isso transformou São João de Acre na capital dos Estados Latinos na Terra Santa.

Se esse objetivo principal falhara, alguns resultados tinham sido obtidos: Saladino vira a sua carreira de vitórias iniciais entrar num certo impasse e o território de Outremer (o nome que era dado aos reinos cruzados no oriente) sobrevivera. Com isso terminou a terceira cruzada, que, embora não tenha conseguido recuperar Jerusalém, consolidou os estados cristãos do Oriente.

Comandantes Templários no período:
– Everard des Barres (1147-1149) – Preceptor dos Templários na França, ocupava o maior posto quando Robert de Craon morreu em 1147. Assim que ocupou o cargo, acompanhou o rei LouisVII na Segunda cruzada. De acordo com historiadores, era extremamente piedoso e nobre. Após a falha ao cerco de Damasco em 1148, Louis VII retorna À França e Everard tem de acompanhá-lo, pois era o guardião dos tesouros reais. Os templários ficaram em Jerusalém e auxiliaram na defesa da cidade contra os turcos em 1149. na França, Everard abdica do comando (que estava com Bernard de Tremelay desde 1149, na prática) e se torna um monge em Clairvaux.
– Bernard de Tremelay (1149-1153) – Tornou-se comandante dos Templários quando Everard precisou retornar à França. O rei Balduíno III deixou que ele utilizasse das ruínas de Gaza, que foram reconstruídas como base templária. Em 1153, os Templários participaram da Batalha de Ascalon, na qual Bernard e outros trinta e poucos templários acabaram sendo capturados pelos muçulmanos durante a queda do muro principal da cidade. Todos os templários capturados foram decepados, seus corpos foram expostos nos muros da cidade e suas cabeças enviadas ao sultão.

– André de Montbard o substituiu e, com o auxílio das tropas de Balduíno, conseguiram derrotar os muçulmanos em Ascalon em algumas das batalhas mais sangrentas das cruzadas. Montbard foi descrito como um dos cavaleiros mais nobres e valentes que já lideraram os Cavaleiros Templários. André faleceu em Jerusalém em 1156, de causa desconhecida.

– Bertrand de Blanchefort (1156-1169) – Foi conhecido por suas reformas na Ordem, tornando-os mais negociadores e menos agressivos. Também modificou as estruturas da ordem, tanto na parte administrativa quanto ritualística, dando menos poderes aos Grãos Mestres e criando conselhos de Senescais para auxiliarem nas decisões do comandante.

– Phillipe de Milly (1169-1171) – O sétimo Grão Mestre Templário era filho de Guy de Mille, um cavaleiro que lutou na Primeira Cruzada e já era um dos lordes de Nablus. Phillipe, como sucessor de seu pai, participou de diversas batalhas naquele período, antes da morte de Bertrand, inclusive tendo sido voto vencido na infeliz idéia de atacar Damasco. Phillipe deixou o Grão mestrado em 1171, tornando-se monge (e acabou falecendo 3 anos depois).

– Odo de St. Armand (1171-1179) St. Armand tomou parte em diversas expedições, incluindo Naplouse, Jericó e Djerach, conquistando grandes vitórias junto aos Templários. Sua melhor conquista foi a vitória na batalha de Montgisard, onde seus cavaleiros derrotaram uma força três vezes maior de soldados de Saladino. Com ele, os Templários ganharam a fama de grandes guerreiros e conseguiram grandes doações para a Ordem na Europa. Odo acabou sendo capturado na batalha de Marj Ayun, onde Balduíno IV conseguiu escapar do cerco com a “Verdadeira Cruz de Cristo” (na verdade, era a cruz picareta que a mãe do Imperador Constantino disse que era a verdadeira, para que Constantino pudesse tomar conta da Bíblia em 312 DC… de qualquer maneira, não deixava de ser uma relíquia de quase 700 anos). Odo foi morto pelos muçulmanos em 1180.

– Arnold de Torroja (1179-1184) foi um grande líder militar, participando de diversas batalhas na Espanha e Portugal, tendo sido chamado como Grão mestre justamente porque estava além das politicagens de Jerusalém. Durante seu governo, os Hospitalários atingiram o pico de prestígio em Jerusalém, bem como as rivalidades entre as duas ordens. Mas com a presença constante dos muçulmanos, não havia espaço para disputas internas e Torroja sentou-se à mesa para negociar com o grão Mestre Hospitalário Roger de Moulin e conseguiram estabelecer um acordo entre as duas Ordens. Torroja faleceu em Verona, vítima de uma doença, em 1184.

– Gerard de Ridefort (1184-1189) – O décimo Grão Mestre Templário enfrentou diversos problemas políticos dentro de Jerusalém. Gerard participou, junto com Guy de Lusignan, da Batalha de Hattin (1187), onde ambos foram capturados pelos muçulmanos. Gerard ficou prisioneiro até 1188, enquanto a Ordem permaneceu sob o comando de Thierry de Tiro (alguns historiadores incluem Thierry como Grão Mestre Templário em suas listas, mas a lista mais comum inclui apenas os 23 Grãos Mestres tradicionais até Jacques de Molay). Em 1189, Gerald voltou a combater os muçulmanos no Cerco ao Acre, onde veio a falecer.

– Robert de Sablé (1189-1193) foi o Comandante Templário durante as batalhas finais do Cerco do Acre, recapturou diversas cidades que haviam caído sob o domínio muçulmano e participou da batalha de Arsuf, onde com a ajuda dos Hospitalários, conseguiu derrotar um dos maiores exércitos de Saladino. Ele foi o último Grão Mestre Templário a participar abertamente das batalhas, pois a exposição da cabeça de Ridefort como troféu nas frentes muçulmanas fez com que os Templários e Hospitalários votassem que seus Grãos Mestres não mais se arriscassem na linha de frente, porque o dano moral causado caso fossem capturados seria muito grande.

Pelo que eu vi, ele é um dos chefes de fase do jogo Assassins Creed…

Na semana que vem: “Matem todos, Deus escolherá os seus”

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The Shadow Tarot – Linda Falorio e Fred Fowler

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Instituto Infância Azul

IIA

O Instituto Infância Azul é um projeto da Hospitalaria da ARLS Arcanum Arcanorum, 4269 (GOSP-GOB) idealizado pelo irmão Márcio Amaro e localizada no Templo AyaSofia, cujo objetivo é oferecer para as crianças menos favorecidas a oportunidade de, desde pequenos, receberem a estimulação necessária para vencer as dificuldades que sua situação lhes impõe.

Publico alvo

Crianças com déficits nas áreas sensório-perceptiva, motora, cognitiva, emocional, de comunicação e de adaptação social, objetivando reduzir ou eliminar desvios de padrões de desenvolvimento.

Pacientes vinculados a programas de saúde e residentes dos bairros próximos a associação. A principio será realizado atendimentos nos setores de Fonoaudiologia, Psicologia e futuramente Terapia Ocupacional.

Procedimento

Os serviços prestados pela Associação vão caracterizar-se como serviço de proteção social especial para crianças com deficiência, (Serão atendidas crianças com diagnóstico de Deficiência Intelectual (DI) associada ou não a outras patologias (Síndromes, Encefalopatia Crônica Não Progressiva, Mielomeningocele entre outras) Proporcionando condições favoráveis e recursos necessários para o atendimento de diversos tipos de deficiência, A maioria dos usuários deste Projeto deve ser encaminhada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Policlínica, médicos e outros. Este processo inicia-se através de uma triagem com toda Equipe Multidisciplinar (Fonoaudióloga, Psicóloga e Terapeuta Ocupacional) para definição e conduta de tratamento.

FONOAUDIOLOGIA – O Trabalho de Fonoaudiologia tem por finalidade contribuir para o desenvolvimento da fala e da linguagem para melhoria de suas funções e processos de aprendizagem nos diferentes contextos de comunicação.
PSICOLOGIA – O Trabalho de Psicologia tem por função contribuir no processo de avaliação de forma interdisciplinar, fornecendo dados básicos para a organização dos atendimentos, orientação ao paciente, as famílias e aos professores, contribuindo para o equilíbrio e ajustamento nas relações entre paciente, professor, família, e comunidade.
TERAPIA OCUPACIONAL – Trabalha a independência da criança em suas atividades de vida prática e vida diária, promovendo maior autonomia como cidadão comum. Trabalha também a coordenação motora fina, coordenação viso motora integrada ao processo de alfabetização.

Conclusão

A idéia e ter uma instituição que trabalhasse estimulação essencial em crianças com algum comprometimento mental e neurológico, desde pequeno, para que o atraso no seu desenvolvimento fosse o menor e menos significativo possível.

Nosso Objetivo é ser uma entidade beneficente sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade Pública.

Juntaremos voluntários que acreditem na proposta e com dedicação, amor e comprometimento irão contribuir de forma decisiva para que o projeto seja uma referência no acolhimento, assistência e competência profissional dentro da área.

#Hospitalaria

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A Miosótis e a Maçonaria

Texto do meu querido ir.’. Ruy Luiz Ramires.

No início de 1934, logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, ficou claro que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer.

E breve, a maçonaria alemã, que conhecera dias gloriosos e que tivera, em suas colunas, os mais ilustres filhos da pátria alemã, com Goethe, Schiller e Lessingn, veria esmagado o espírito da liberdade sob o pretexto de impor a ordem e uma supremacia racial.

Quanto retrocesso desde que Friedrich Wilhelm III, Rei da Prússia, em 1822, impediu que os esbirros reacionários da Santa Aliança de Metternich fechassem as Lojas Maçônicas, declarando peremptoriamente que poderia descrever os Franco-Maçons prussianos, com toda a honestidade, como sendo os melhores dentre os seus súditos… (1)

As Lojas alemãs, na terceira década do século XX, estavam jurisdicionadas a onze Grande Lojas, divididas em duas tendências.

O primeiro grupo, de tendência humanista, seguindo os antigos costumes ingleses, tinha como base a tolerância, valorizando o candidato por seus méritos e não levando em consideração sua crença religiosa.

Constava de sete Grandes Lojas, a saber: Grande Loja de Hamburgo; Grande Loja Nacional da Saxônia, em Dresden: Grande Loja do Sol, de Bayreuth; Grande Loja-Mãe da União Eclética dos Franco-Maçons, em Frankfurt; Grande Loja Concórdia, em Darmstadt; Grande Loja Corrente Fraternal Alemã, em Leipzig; e, finalmente, a Grande Loja Simbólica da Alemanha.

O segundo grupo consistia das três antigas Lojas prussianas, que faziam a exigência de que os candidatos fossem cristãos. Havia ainda a Grande Loja União Maçônica do Sol Nascente, não considerada regular, mas que também tinha tendências humanistas e pacifistas.

Voltando a 1934, a Grande Loja Alemã do Sol se deu conta do grave perigo que iria enfrentar. Inevitavelmente, os maçons alemães estavam partindo para a clandestinidade, devido à radicalização política e ao nacionalismo exacerbado. Muitos adormeceram e alguns romperam com a tradição, formando uma espúria Franco-Maçonaria Nacional Alemã Cristã, sem qualquer conexão com o restante da Franco-Maçonaria. Declaravam eles abandonarem a idéia da universalidade maçônica e rejeitar a ideologia pacifista, que consideravam como demonstração de fraqueza e como uma degeneração fisiológica contrária aos interesses do estado!

Os maçons que persistiram em seus ideais precisaram encontrar um novo meio de identificação que não o óbvio Compasso & Esquadro, seguramente um risco de vida.

Há uma pequenina flor azul que é conhecida, em muitos idiomas, pela mesma expressão: não-me-esqueças – o miosótis. Entenderam, nossos irmãos alemães, que esse novo emblema não atrairia a atenção dos nazistas, então a ponto de fechar-lhes as Lojas e confiscar-lhes as propriedades.

Miosótis

Vergissmeinnicht, em alemão; forget-me-not, em inglês; forglemmigef em dinamarquês; ne m’oubliez pás, em francês; non-ti-scordar-di-me, em italiano; não-te-esqueças-de-mim, em português. Diz a lenda que Deus assim chamou a florzinha porque ela não conseguia recorda-se do próprio nome. O nome miosótis (Myosotis palustris) significa orelha de camundongo, por causa do formato das pétalas.

O folclore europeu atribui poderes mágicos ao miosótis, como o de abrir as portas invisíveis dos tesouros do mundo. O tamanho reduzido das flores parece sugerir que a humildade e a união estão acima dos interesses materiais, porque é notada principalmente quando, em conjunto, forma buquês no jardim.

De acordo com uma velha tradição romântica alemã, o nome da flor está relacionado às últimas palavras de um cavaleiro errante que, ao tentar alcançar a flor para sua dama, caíra no rio, com sua pesada armadura e afogara-se.

Outra história diz que Adão, ao dar nomes às plantas do Jardim do Éden, não viu a pequena flor azul. Mais tarde, percorrendo o jardim para saber se os nomes tinham sido aceitos, chamou-as pelo nome. Elas curvaram-se cortesmente e sussurravam sua aprovação. Mas uma voz delicada a seus pés perguntou: “- E eu, Adão, qual o meu nome?” Impressionada com a beleza singela da flor e para compensar seu esquecimento, Adão falou: “ – Como eu me esqueci de você antes, digo que vou chamá-la de modo a nunca mais esquecê-la. Seu nome será não-te-esqueças-de-mim.”

Através de todo o período negro do nazismo, a pequenina flor azul identificava um Irmão. Nas cidades e até mesmo nos campos de concentração, o miosótis adornava a lapela daqueles que se recusavam a permitir que a Luz se extinguisse. (2)

O miosótis como símbolo foi objeto de um interessante estudo do irmão David G. Boyd, no Philaletes de abril de 1987. Ele conta, também, que muitos maçons recolheram e guardaram zelosamente jóias, paramentos e registros das Lojas, na esperança de dias melhores. O irmão Rudolf Martin Kaiser, VM da Loja Leopold zur Treue, de Karlsruhe, quebrou a jóia do Venerável Mestre em pequenos pedaços de tal modo que não pudesse ser reconhecida pela infame Gestapo.

Em 1945, o nazismo, com seu credo de ódio, preconceito e opressão, que exterminara, entre outros, também muitos maçons, era atirado no lixo da História. Nas fileiras vitoriosas que ajudaram a derrotá-lo, estavam muitos maçons – ingleses, americanos, franceses, dinamarqueses, tchecos, poloneses, australianos, canadenses, neozelandeses e brasileiros. De monarcas, presidentes e comandantes aos mais humildes pracinhas.

Mas, entre os alemães, alguns velhos maçons também sobreviveram, seu sofrimento ajudando a redimir, de alguma forma, a memória da histeria coletiva nazista. Eles eram o penhor da consciência alemã, a demonstração de que a velha chama da civilização alemã continuara, embora com luz tênue, a brilhar durante a barbárie.

Em 14 de junho de 1954, a Grande Loja O Sol (Zur Sonne) foi reaberta, em Bayreuth, sob um ilustre irmão o Dr. Theo Vogel, núcleo da Grande Loja Unida da Alemanha (VGLvD, AF&AM). Nesse momento, o miosótis foi aprovado como emblema oficial da primeira convenção anual, realizada por aqueles que conseguiram sobreviver aos anos amargos do obscurantismo. Nessa convenção, a flor foi adotada, oficialmente, como um emblema Maçônico, em honra àqueles valentes Irmãos que enfrentaram circunstâncias tão adversas.

Certamente, na platéia, estava o Venerável Mestre da Loja Leopold ZurTreue, agora nº 151, ostentando orgulhoso sua jóia recuperada e reconstituída, suas emendas de solda constituindo-se num testemunho mudo e comovente da história.

Finalmente, para coroar, quando Grão-Mestres de todo o mundo encontraram-se nos Estados Unidos, o Grão-Mestre da recém formada Grande Loja Unida da Alemanha (3) presenteou a todos os representantes das Grandes Jurisdições ali presente com um pequeno miosótis para colocar na lapela.

O miosótis também é associado com as forças britânicas que serviram na Alemanha, em especial na região do Rio Reno, logo após a guerra. Há uma Loja, jurisdicionada à Grande Loja Unida da Inglaterra, a Forget-me-not Lodge nº9035, Ludgershall, Wiltshire, que adotou a flor como emblema. Foi formada especialmente para receber os militares ingleses que retornavam do serviço na Alemanha.

Foi assim que essa mimosa florzinha azul, tão despretensiosa, transformou-se num significativo emblema da Fraternidade – talvez hoje o mais usado pelos maçons alemães.

Ainda hoje, na maioria das Lojas germânicas, o alfinete de lapela com o miosótis é dado aos novos Mestres, ocasião em que se explica o seu significado para que se perpetue uma história de honra e amor frente à adversidade, um exemplo para as futuras gerações Maçônicas de todas as nações.

1. Eugen Lennhoff, Die Freimaurer – The Freemasons, Lewis Masonic, edição em inglês, revisada, 1994.

2. O uso do miosótis como identificação secreta pelos Maçons alemães foi contestado no Square Magazine de setembro de 1988 pelo irmão Cyril Batham, Past Master da Loja Quatuor Coronati nº 2076, mas, em que pese toda a autoridade do irmão Batham, ele apenas negou a autenticidade da história, sem, entretanto, apresentar os motivos da negativa. Além disso, há anos que a casa Ian Alan Regalia, especializada em paramentos maçônicos, exibe o miosótis em gravatas, alfinetes de lapela e pendentes, em prata, ouro e bijuteria. Por que o fariam, se o miosótis não fosse importante?

3. Na formação da Grande Loja unida da Alemanha aparecem 3 das Grandes Lojas existentes antes da II Guerra Mundial: Grande Loja do Sol, em Bayreuth; Grande Loja de Hamburgo; Grande Loja de Hesse, em Frankfurt (antiga União Eclética); Grande Loja de Bremen; Grande Loja Unidade, em Baden-Baden; Grande Loja Nacional de Niedercachse, em Hanover; Grande Loja Nacional de Nordrhein-Westfalen, em Dusseldorf; Grande Loja Nacional de Schleswing-Holstein, em Luberck; e Grande Loja de Wurttemberg-Baden, em Stuttgart. De acordo com o List of Lodges, em 2001 contava com 14.000 irmãos distribuídos em 490 Lojas.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-mios%C3%B3tis-e-a-ma%C3%A7onaria

Os fogos de Copacabana

Já vi muitos fogos em Copacabana, belos, iluminados e multicolores a cortar a primeira noite do ano novo, mas o que me lembro é sobretudo a experiência visual, a água batendo em meus tornozelos, a areia úmida e os amores no entorno. Já não me lembro mais quais anos foram aqueles…

Em todo caso, um ano e um calendário são ficções do Ocidente, e dizem que nem se tratam das mais precisas. Não tenho dúvidas de que o mar jamais parou para contar por quanto tempo desaguou suas ondas nas rochas, até que virassem praias. E, se fosse o caso, o nosso calendário não passaria de um piscar de olhos deste outro tempo de mar, rochas e grãos de areia.

Pegue os beijos de amor, os abraços de amizade, as danças a noitinha, os pés descalços traçando mandalas passageiras, as orações ao horizonte, às brisas vindas sabe-se de onde, os milhões em procissão, vindos de todos os cantos deste planetinha, e onde haverá tempo para registrar a quantos anos Cristo subiu em sua cruz?

No entanto, ao contrário do que ocorre com a natureza, que não torna a noite subitamente dia, nem o inverno primavera, e nem mesmo o céu azul, tempestade, nesta meia-noite simbólica todos os fogos surgem repentinamente do oceano noturno, e como numa grandiosa sinfonia de Mozart, informam aos homens e as mulheres que o Cristo ainda está espalhado por todas as praias e rochas do mundo, embora raros sejam aqueles que percebam ou se lembrem disso…

E assim, como a vida breve de um grande astro de rock and roll, os fogos ascendem aos céus e se consomem em uma fugaz anunciação, e o que eles querem dizer é que, apesar de tudo, ainda há beleza neste mundo, ainda vale a pena vir, observar, aprender, sorrir e chorar, e depois se espalhar novamente por tudo o que há, contanto que nosso fogo possa servir para colorir a festa daqueles que ainda irão nos suceder.

Celebramos mais um giro de nossa imensa casa redonda em torno do mesmo deus de fogo que tem nos enviado luz e calor desde muito antes das praias terem surgido, e este deus é apenas mais um a rodopiar em meio às inúmeras galáxias que também seguem em procissão, sabe-se lá para que canto do universo.

Tudo isso é muito vasto e insondável para que possamos registrar em nossa mente, e talvez por isso, quem sabe, nos ocupemos tanto com as contas do início do ano, a situação da política, ou as contratações para a próxima temporada do campeonato…

No entanto, penso eu, ainda há um espaço em nosso dia, um tempo além do tempo que se conta nos ponteiros, para que possamos de vez em quando voltar a contemplar a inefável luminosidade de tais fogos que, tais quais planetas e sóis e galáxias e almas, foram lançados desde a eternidade, e nos preenchem em cada pensamento, em cada suspiro de espanto, em cada lágrima de êxtase, em cada sopro de misticismo e gratidão.

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Crédito da foto: Eduardo Naddar/O Globo

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Espiritualidade #Tempo

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História do GOB (Grande Oriente do Brasil)

Embora tenha, a Maçonaria brasileira, se iniciado em 1797 com a Loja Cavaleiros da Luz, criada na povoação da Barra, em Salvador, Bahia, e ainda com a Loja União, em 1800, sucedida pela Loja Reunião em 1802, no Rio de Janeiro, só em 1822, quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira Obediência, com Jurisdição nacional, exatamente com a incumbência de levar a cabo o processo de emancipação política do país.

Criado a 17 de junho de 1822, por três Lojas do Rio de Janeiro – a Commercio e Artes na Idade do Ouro e mais a União e Tranquilidade e a Esperança de Niterói, resultantes da divisão da primeira – O Grande Oriente Brasileiro teve, como seus primeiros mandatários José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro do Reino e de Estrangeiros e Joaquim Gonçalves Ledo, Primeiro Vigilante. A 4 de outubro do mesmo ano, já após a declaração de independência de 7 de setembro, José Bonifácio foi substituído pelo então príncipe regente e, logo depois, Imperador D. Pedro I (Irmão Guatimozim). Este, diante da instabilidade dos primeiros dias de nação independente e considerando a rivalidade política entre os grupos de José Bonifácio e de Gonçalves Ledo – que se destacava, ao lado de José Clemente Pereira e o cônego Januário da Cunha Barbosa, como o principal líder dos maçons – mandou suspender os trabalhos do Grande Oriente, a 25 de outubro de 1822.

Somente em novembro de 1831, após a abdicação de D. Pedro I – ocorrida a 7 de abril daquele ano – é que os trabalhos maçônicos retomaram força e vigor, com a reinstalação da Obediência, sob o título de Grande Oriente do Brasil, que nunca mais suspendeu as suas atividades.

Instalado no Palácio Maçônico do Lavradio, no Rio de Janeiro, a partir de 1842, e com Lojas em praticamente todas as províncias, o Grande Oriente do Brasil logo se tornou um participante ativo em todas as grandes conquistas sociais do povo brasileiro, fazendo com que sua História se confunda com a própria História do Brasil Independente.

Através de homens de alto espírito público, colocados em arcas importantes da atividade humana, principalmente em segmentos formadores de opinião, como as Classes Liberais, o Jornalismo e as Forças Armadas – o Exército, mais especificamente – O Grande Oriente do Brasil iria ter, a partir da metade do século XIX, atuação marcante em diversas campanhas sociais e cívicas da nação.

Assim, distinguiu-se na campanha pela extinção da escravatura negra no país, obtendo leis que foram abatendo o escravagismo, paulatinamente; entre elas, a “Lei Euzébio de Queiroz”, que extinguia o tráfico de escravos, em 1850, e a “Lei Visconde do Rio Branco”, de 1871, que declarava livre as crianças nascidas de escravas daí em diante. Euzébio de Queiroz foi maçom graduado e membro do Supremo Conselho da Grau 33; o Visconde do Rio Branco, como chefe de Gabinete Ministerial, foi Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. O trabalho maçônico só parou com a abolição da escravatura, a 13 de maio de 1888.

A Campanha republicana, que pretendia evitar um terceiro reinado no Brasil e colocar o país na mesma situação das demais nações centro e sul americanas, também contou com intenso trabalho maçônico de divulgação dos ideais da República, nas Lojas e nos Clubes Republicanos, espalhados por todo o país. Na hora final da campanha, quando a república foi implantada, ali estava um maçom a liderar as tropas do Exército com seu prestígio: Marechal Deodoro da Fonseca que viria a ser Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.

Durante os primeiros quarenta anos da República – período denominado “República Velha” – foi notória a participação do Grande Oriente do Brasil na evolução política nacional, através de vários presidentes maçons, além de Deodoro: Marechal Floriano Peixoto Moraes, Manoel Ferraz de Campos Salles, Marechal Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Wenceslau Brás e Washington Luís Pereira de Souza.

Durante a 1ª Grande Guerra (1914 – 1918), o Grande Oriente do Brasil, a partir de 1916, através de seu Grão-Mestre, Almirante Veríssimo José da Costa, apoiava a entrada do Brasil no conflito, ao lado das nações amigas. E, mesmo antes dessa entrada, que se deu em 1917, o Grande Oriente já enviava contribuições financeiras à Maçonaria Francesa, destinadas ao socorro das vítimas da guerra, como indica a correspondência, que, da França, era enviada ao Grande Oriente do Brasil, na época.

Mesmo com uma cisão, que, surgida em 1927, originou as Grandes Lojas Estaduais brasileiras, enfraquecendo, momentaneamente, o Grande Oriente do Brasil, este continuou como ponta-de-lança da Maçonaria, em diversas questões nacionais, como: anistia para presos políticos, durante períodos de exceção, com estado de sítio, em alguns governos da República; a luta pela redemocratização do país, que fora submetido, desde 1937, a uma ditadura, que só terminaria em 1945; participação, através das Obediências Maçônicas européias, na divulgação da doutrina democrática dos países aliados, na 2ª Grande Guerra (1939 – 1945); participação no movimento que interrompeu a escalada da extrema-esquerda no país, em 1964; combate ao posterior desvirtuamento desse movimento, que gerou o regime autoritário longo demais; luta pela anistia geral dos atingidos por esse movimento; trabalho pela volta das eleições diretas, depois de um longo período de governantes impostos ao país.

E, em 1983, investia na juventude, ao criar a sua máxima obra social; a Ação Paramaçônica Juvenil, de âmbito nacional, destinada ao aperfeiçoamento físico e intelectual dos jovens – de ambos os sexos, filhos ou não filhos de maçons.

Presente em Brasília – capital do país, desde 1960 – onde se instalou em 1978, o Grande Oriente do Brasil tem, hoje, um patrimônio considerável, e em diversos Estados, além do Rio de Janeiro, e na Capital Federal, onde sua sede ocupa um edifício com 7.800 metros quadrados de área construída.

O Grande Oriente do Brasil é, hoje, a maior Obediência Maçônica do mundo latino e reconhecida como regular e legítima pela Grande Loja Unida da Inglaterra, de acordo com os termos do Tratado de 1935. (Fonte GOB)

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