Batendo na porta do céu: Rituais Básicos de Feitiçaria Taoísta

MIN TZU, excerto de CHINESE TAOIST SORCERY

Para realizar um ritual de feitiçaria, o mago monta um altar em sua casa, em uma sala usada exclusivamente para esse fim. A cerimônia pode então ser aberta e encerrada adequadamente em plena conformidade com os princípios religiosos taoístas. Durante a realização de um ritual, as portas e janelas são mantidas fechadas e as janelas cobertas com cortinas azuis ou vermelhas. Também é tomado cuidado para que as pessoas não entrem ou saiam com frequência da sala; caso contrário, as divindades convocadas poderiam partir e ou mesmo se irritar.

O próprio altar, também chamado de mesa de sacrifício, é quadrado e representa de forma simbólica a terra. Ele é colocado no centro da sala ou contra a parede norte e coberto com um pano amarelo. Quando
o mago fica na frente do altar, ele também estará virado para o norte. Duas velas vermelhas são colocadas na parte superior da mesa, uma em cada canto. As curvas e a luz das velas representam o Céu e juntando a  mesa e o oficiante, eles formam uma trindade simbólica que se funde com aquela formada pelas forças Chi, Yin e Yang. Este é o símbolo chave necessário para entrar no mundo metafísico.

O mago pode colocar no em cima do altar qualquer ícone de sua preferência. Outros objetos colocados sobre a mesa incluem: uma espada de madeira ou faca de tamanho médio usada para expulsar fantasmas malignos, um pequeno incensário, uma xícara contendo uma pequena quantidade de arroz cru, uma tigela pequena cheia de água e outra de vinho, uma grande cinzeiro em que o dinheiro espiritual é queimado e uma tigela cheia de frutas frescas. O feiticeiro está ciente de que até que ele acenda as velas e queime o dinheiro espiritual, as portas do mundo espiritual permanecerão fechadas e os deuses não poderão ouvir suas súplicas ou aceitar suas oferendas.

Quando o oficiante abre a cerimônia, ele se torna parte do triângulo taoísta de poder formado pelo Homem, Terra e Céu. Neste triângulo, ele representa a humanidade de pé ou ajoelhado na terra e eleva suas oferendas ao céu. Desta forma, ele atrai divindades benevolentes para o seu lado, aquelas mais inclinadas a oferecer assistência bondosa às pessoas que as chamam. O tipo e a cor das roupas que ele veste são menos importantes do que a atitude que ele demonstra em relação ao Céu durante o ritual. No entanto, ele evita usar roupas brancas, cor ligada ao luto. O uso de uma touca pequena e redonda é opcional.

Uma vez no meio de um ritual, sua eficácia geralmente depende do nome da divindade invocada pelo mago. Se ele não invocar um deus em particular, a identidade dos espíritos que respondem às suas invocações será desconhecida para ele.

ABERTURA DA CERIMÔNIA

No dia em que faz seu ritual, o oficiante primeiro seleciona a hora correta para abrir a cerimônia. O momento ideal é durante o dia, quando a influência do sol é mais forte na Terra. Rituais realizados à noite, quando a terra está sob a influência da lua, apelam para entidades malignas.

Para iniciar a cerimônia, o oficiante lava as mãos e veste roupas limpas. Ele despeja água fresca e vinho nas xícaras sobre a mesa e coloca frutas frescas na tigela. As portas e janelas do recinto são fechadas ou cobertas para evitar que estranhos interrompam a cerimônia e perturbem a aura pacífica do ritual. Ele então se aproxima da mesa e acende as velas. Ele escreve a palavra “Tao” em tinta vermelha em uma folha de papel branco e a coloca entre as velas.

Tao

Ele junta as palmas das mãos à sua frente em posição de oração e respeitosamente se curva três vezes em direção ao altar.
Neste exato momento, a cerimônia é considerada aberta. Uma ponte metafísica foi construída entre este mundo e o além. O oficiante usa a ponte para unir-se aos bons espíritos, ou para separá-lo dos maus.
Para permanecer no controle total dos poderes sobrenaturais sob seu comando, o oficiante se concentra totalmente no ritual. Nenhum outro pensamento passa por sua mente durante o restante da cerimônia – nenhum pensamento sobre sua família, seu trabalho, sua agenda para o dia ou qualquer outra coisa. Sua mente está absolutamente focada em
Céu acima e terra abaixo.

Em seguida, o oficiante dedica o ritual a um deus específico através da petição escrita. Este é um aspecto importante da feitiçaria porque uma vez que ele tenha entrado no mundo espiritual, ele não receberá ajuda de seus habitantes se apenas vagar sem rumo. Esta situação é semelhante a entrar em uma nova cidade neste mundo. Uma pessoa não pode esperar receber ajuda em nenhum lugar, a menos que conheça alguém que resida lá. Com isso em mente, o oficiante dirige sua cerimônia a um deus amigo que estará disposto a ouvir suas súplicas e receber suas orações. Isso o ajuda a centrar seus pensamentos naquela divindade em particular.

Uma divindade importante no panteão chinês cujo nome é frequentemente usado é “Kuan Ti (ou Guan Yu)”. Se ele for escolhido, o feiticeiro escreve seu nome em um pedaço de papel amarelo separado ou escreve com tinta vermelha em papel branco, e também coloca esse papel entre as velas.

關羽 – Guan Yu

É importante que o feiticeiro entenda uma coisa sobre divindades: como acontece com as pessoas, quando um deus é invocado inesperadamente, ele pode não estar em casa. No entanto, outros deuses menores já são designados como seus ajudantes e geralmente assumem a responsabilidade de prestar ajuda a quem o invoca Só assim uma única divindade pode cuidar de todas as invocações que lhe venham de todas as partes do mundo. Ele não precisa responder a todas elas sozinho.

Depois que o ritual foi endereçado ao deus apropriado, o feiticeiro escreve uma petição. Uma petição é uma carta escrita em um pedaço de papel amarelo, na qual o feiticeiro expressa todos os desejos que deseja que sejam atendidos. Há petições para purificar um lugar ou pessoa, para ajudar os espíritos dos ancestrais do oficiante, para pedir saúde e amor, e até para pedir sucesso financeiro aos deuses. Não há limites para o que uma pessoa pode pedir, exceto aqueles ditados por sua própria consciência. Ele pode escrever sobre qualquer coisa que o perturbe, seguro de que receberá uma resposta rápida e positiva do deus.

Depois de descrever seus desejos por escrito, o mago usa tinta vermelha para escrever o nome do deus que ele escolher (ou seja, o Deus da Riqueza, o Deus da Saúde, etc..), em letras grandes sobre toda a petição. Na parte inferior da petição, ele escreve seu próprio nome, data de nascimento e assinatura.

Se nenhuma solução para seus problemas surgir em breve isso pode significar que o deus específico que ele invocou não é capaz de responder às orações naquele momento. Se isso acontecer, o oficiante reza para outras divindades até que uma finalmente responda aos seus apelos e seu caso chegue a uma conclusão favorável.

Depois de escrever a petição, o oficiante prepara uma oferta em dinheiro para os espíritos. Além das oferendas de água, vinho e frutas, esta é a oferenda mais importante que ele fará porque o mundo do além é estruturado de forma muito parecida com este mundo e os espíritos que ajudam os deuses também precisam de dinheiro. Esses espíritos são os fantasmas de pessoas mortas, então eles devem comprar sua passagem de um nível para um mais alto do pós-vida. Se seus parentes não lhes dão dinheiro, sua melhor esperança é recebê-lo regularmente ajudando deuses conhecidos a responder às orações de suplicantes que também queimam dinheiro espiritual. Por esta razão, os chineses dizem que “Até os deuses amam o dinheiro”.

Os deuses permitem que certos espíritos usem o dinheiro queimado que vem deste mundo. A fumaça desse dinheiro queimado cruza a fronteira entre os dois mundos e pode ser  recebida e usada pelos ajudantes fantasmagóricos que aparecem na sala do altar para ouvir as orações da pessoa.

Para garantir que os espíritos malignos não se apressem para pegar o dinheiro destinado aos espíritos bondosos, o oficiante escreve o nome do deus a quem ele está sacrificando no dinheiro espiritual para ser queimado. Uma nota pequena como um dólar, ou seu equivalente, é suficiente como oferta. Em países onde é ilegal queimar moeda nacional (Como no Brasil), o dinheiro fantasma é usado.

Para reduzir as despesas, alguns feiticeiros preferem oferecer dinheiro fantasma aos espíritos, mesmo que seja legal queimar dinheiro real. Mas os espíritos não podem ser enganados. Se eles receberem dinheiro de mentira sem necessidade, eles concederão favores de mentira também. Afinal, se dinheiro real deve ser trocado por bens e serviços neste mundo, os feiticeiros não podem esperar que seja diferente no outro.

Para fazer a oferenda em dinheiro, o oficiante fura uma nota com a espada ou faca de madeira, acende-a com a chama da vela à sua direita e a segura sobre o cinzeiro até que esteja totalmente queimada. Só então o deus invocado, ou os espíritos que o representam, entrarão na sala para recolher as oferendas e ouvir a petição do oficiante.

Inevitavelmente, alguns espíritos malignos também conseguirão entrar na sala neste momento, mas por enquanto o feiticeiro não deve se preocupar com eles, veremos isso a seguir. Ele continua a cerimônia queimando a petição sobre o cinzeiro. Neste momento, o oficiante tornou-se um com a eternidade, aquecendo-se em uma luz invisível, irradiada por um verdadeiro deus que se torna como um sol no altar. Tudo o que resta é que o ritual seja devidamente encerrado, ou finalizado.

ENCERRAMENTO DA CERIMÔNIA

Durante o encerramento da cerimônia, a sala do altar deve ser limpa de quaisquer espíritos malignos que tenham entrado durante o ritual. Essas entidades devem ser enviadas de volta para onde vieram para que não escapem para o mundo exterior e incomodem outras pessoas.
Para conseguir um final perfeito para sua cerimônia, o oficiante escreve uma última petição pedindo a todos os espíritos ao redor do altar, bons e maus, que retornem imediatamente aos seus lugares de origem porque a cerimônia está prestes a ser encerrada.

A água e o vinho no altar já foram abençoados pelo grande poder do ritual; portanto, o oficiante borrifa algumas gotas de cada uma sobre as petições. Ele então perfura as petições com a ponta da espada de madeira, acende-as com a vela do lado esquerdo do altar e as segura sobre o cinzeiro até que estejam completamente queimadas.

Depois de se curvar três vezes em direção ao altar, o oficiante apaga as chamas de ambas as velas e descarta a água e o vinho nas taças. As portas e pontes que conectam este mundo com o futuro estão agora totalmente fechadas e o ambiente protegido. A cerimônia está oficialmente encerrada.

Ao se preparar para um novo ritual, o oficiante pode reutilizar as velas, frutas, grãos e flores de cerimônias anteriores, mas o vinho, a água e o dinheiro espiritual devem ser novos a cada vez. Idealmente, cada cerimônia é feita para atender uma necessidade do oficiante.

Uso do rito para Culto aos Ancestrais

O desejo consciente de realizar rituais pelos mortos coloca o homem bem acima dos animais e o permite encontrar  paz no mundo além. Os mortos ainda gostam das coisas terrenas de que desfrutavam enquanto estavam vivos e, embora não precisem de itens como comida ou roupas no sentido que as pessoas vivas precisam, ainda podem usá-las à sua maneira. Por exemplo, mesmo que não tenham mais bocas ou corpos, eles ainda sentem fome e sede e, embora só possam absorver o cheiro da comida e bebida que lhes é oferecida em rituais, isso é suficiente para satisfazer seus desejos.

Os bons filhos nunca permitem que seus pais falecidos fiquem famintos ou desamparados e assim ofereçam comida aos seus antepassados. Orações e flores são boas oferendas, mas não são suficientes.

É fato que a boa sorte das pessoas pode ser consolidada se elas fizerem oferendas aos seus parentes falecidos e receberem em troca sua ajuda sobrenatural. Tais demonstrações de piedade filial também ajudam a diminuir o número de fantasmas famintos que vagam pela terra.
Como o taoísmo é a religião mais antiga praticada no mundo e existe há pelo menos cinco mil anos, pode-se dizer que os chineses sabem uma ou duas coisas sobre assuntos religiosos profundos. Se eles acreditam no culto aos ancestrais é útil, deve haver algo ai. Seria tolice descartar essa crença como simples superstição.

O ritual realizado para adorar os ancestrais requer o mais simples dos altares. Para fazer o altar, o oficiante coloca uma pequena mesa sob uma foto de seus pais falecidos ou sob uma tabuinha ou papel com seus nomes, e a cobre com um pano vermelho. O altar pode ser instalado em qualquer parte da casa, incluindo a sala de estar, e uma vez instalado, pode ser deixado no mesmo local permanentemente. Um par de castiçais ou um incensário é colocado sobre a mesa.

Quando uma pessoa deseja fazer uma oferenda a seus parentes falecidos, ela traz comida recém-preparada para o altar e a coloca sobre a mesa entre as velas, acende uma vela ou incenso e curva-se três vezes em direção às imagens enquanto oferece mentalmente a eles e deixa a comida no altar por alguns minutos para que os espíritos possam apreciá-la, depois disso leva a comida a mesa de jantar para ser consumida pela família. Até os céticos desse método perceberão que a comida perderá um pouco do sabor porque foi absorvido.

Por mais simples que seja esse ritual, ele garante alegria e bênçãos para o oficiante e sua família se praticado continuamente. Se as oferendas são feitas dessa forma, nenhuma outra cerimônia é necessária.
Se o oficiante também deseja escrever petições para seus ancestrais, uma cerimônia formal é aberta. Nesta cerimônia, ele oferece comida e dinheiro espiritual para seus ancestrais, então queima uma carta na qual ele fala sobre problemas particulares e pede que eles o ajudem a resolver Essa prática traz paz tanto para os espíritos quanto para seus descendentes vivos.

É preferível que o filho mais velho conduza a cerimônia de culto aos antepassados, mas quando uma pessoa ou casal morre sem filhos, qualquer parente pode assumir esse dever. Há também outras alternativas, como quando um aluno cultua seu professor se este morrer sem filhos. Em outros casos, as pessoas adoram os espíritos daqueles a quem são gratos mesmo que não sejam parentes, como quando um indivíduo é adorado por admiradores. É o caso de Confúcio, que ainda é homenageado milhares de anos após sua morte.
De qualquer forma, o que importa é a devoção que o oficiante demonstra pelo falecido em seus rituais, independente do tipo de relacionamento que mantinham.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/bate-a-porta-do-ceu-rituais-basicos-taoistas/

A Definição de “Magia” No Século 21

Por Aaron Leitch

Espere! Não vase ainda! Eu sei que este assunto – a definição de magia – foi refeito um bilhão de vezes ao longo dos anos. Tem sido o foco de debates acalorados e até mesmo de guerras de fogo e gelo – e nunca (nem uma vez!) um consenso foi alcançado.

Francamente, este debate está acontecendo há mais tempo do que você pensa. Foi uma pergunta feita durante o renascimento oculto do século 19. É até antes disso foi abordado pelos autores dos grimórios medievais. Ora, eu apostaria dinheiro real que os sacerdotes egípcios e sumérios costumavam se sentar em seus templos e discutir os mesmos malditos pontos.

Mas esse não é realmente o objetivo deste blog. Não sou ingênuo o suficiente para pensar que vamos chegar a um consenso aqui. No entanto, acho que podemos acrescentar algo à conversa – especialmente agora que entramos no século 21, e nosso relacionamento com a magia está mudando drasticamente. À medida que esse relacionamento muda, também muda nossa compreensão da magia e o que ela significa em nossa cultura.

Nos anos anteriores, o debate foi tema do ocultismo do final de 1800. A Era do Iluminismo havia despontado, a Revolução Industrial… rodado?… e a disciplina da Ciência (ou seja, divorciada de todas as preocupações místicas) havia ascendido à supremacia. A psicologia era um estudo novo e em desenvolvimento e absolutamente qualquer coisa que parecesse à mente ocidental como “ooga-booga oculto” (leia-se: praticamente qualquer forma de magia popular indígena, vodu , hoodoo , etc.) foi firmemente expulsa da casa.

Assim, as pessoas que foram criadas naquele ambiente buscaram uma explicação para a magia que se encaixasse em seu paradigma. Daí nasceu a definição “psicológica” de magia: tudo é apenas uma forma de psicologia primitiva. Magia está tudo na sua cabeça. Os espíritos e deuses são meros “nomes e rostos” que colocamos em nossos próprios instintos e complexos mentais. Ferramentas e considerações mágicas são apenas “acessórios” que ajudam sua mente a se envolver com a magia. A magia do caos surgiu neste ambiente, e também nos deu a definição frequentemente citada de Aleister Crowley :

“Magia é a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a Vontade.”

Tomada pelo valor nominal, acho essa definição inútil. Se qualquer mudança que eu fizer (de propósito) no mundo ao meu redor for “magia”, então “magia” deixará de ser uma palavra útil. Se eu sair, estou realizando magia porque abri uma porta e mudei minha localização? Claro que não! No entanto, da forma como muitos estudantes interpretam a definição acima, a magia deixa de ser uma disciplina ou ofício específico. Eletricistas estão realizando magia. Os carpinteiros estão realizando magia. O sorveteiro está fazendo mágica (e ele ainda traz sorrisos para os rostos das crianças)!

Claro, Crowley acrescentou nessa palavra “Vontade”, o que significa que há muito mais em sua definição do que a maioria dos alunos imagina. Ele quer dizer fazer mudanças de acordo com sua Verdadeira Vontade (seu Destino ou Karma ), e sua definição está dizendo que qualquer ação que você toma para cumprir sua Verdadeira Vontade é um ato mágico. Isso é melhor… mas ainda nega a “magia” como uma disciplina em si mesma. Eu usei muita magia em busca da minha Verdadeira Vontade, mas também tive que fazer muitas coisas mundanas.

Hoje, estamos deixando para trás as visões do século 19 sobre magia. Embora a definição psicológica ainda tenha seus adeptos – alguns deles bastante apaixonados em defesa de sua posição – há agora um contra-movimento de praticantes de Velha Magia que acham essa visão insatisfatória. À medida que o mundo em que crescemos continua a desmoronar, as economias continuam a entrar em colapso, a medicina e outras necessidades tornam-se indisponíveis e as guerras mal definidas continuam acontecendo em todo o mundo, as pessoas não estão procurando mais por “ocultismo de auto-ajuda” da maneira que foram há vinte anos. Eles querem o negócio real: magia que pode fazer uma mudança real no mundo real. Eles querem magia que possa manter comida na barriga de suas famílias, um teto sobre suas cabeças e todos vivos e saudáveis.

Eu me enquadro nessa categoria. Nós somos os caras que veem espíritos, deuses e anjos como objetivamente reais. Achamos que as ferramentas e considerações mágicas são importantes para a tecnologia, não apenas um monte de adereços que podem ser substituídos ou dispensados inteiramente. E por causa disso, vemos as cerimônias mágicas como protocolos vitais ao lidar com espíritos, não superstições ultrapassadas que deveriam ser simplificadas, reinterpretadas ou deixadas para trás. E quanto a essas formas indígenas de magia e feitiçaria , em vez de torcer o nariz e pensar que somos de alguma forma melhores do que tudo isso, na verdade estamos nos voltando para elas e aprendendo o máximo que podemos.

Então, como esse novo movimento define a magia? Boa pergunta, e é por isso que estamos tendo essa discussão agora.

Para fazer a bola rolar, vou compartilhar com vocês a definição pela qual eu trabalho. Na verdade, é uma definição mais antiga que existia há milhares de anos antes do mundo moderno. Os grimórios salomônicos (uma especialidade minha) foram escritos sob essa definição, e acho que é hora de todos darmos uma nova olhada nele. (Encontrei isso originalmente descrito no livro Ritual Magic , de Elizabeth Butler. )

Primeiro, o ocultismo em geral é dividido em três categorias:

  1. Astrologia : O estudo das estrelas e outros corpos celestes (originalmente incluindo a astronomia) e sua influência no mundo e nos indivíduos. Havia muitas aplicações para isso — a adivinhação era primária, mas também incluía coisas como a cura.
  2. Alquimia : Isso não era apenas transformar chumbo em ouro. Abrangia toda metalurgia, mistura de remédios, fabricação de tinturas, infusões, etc. Os alquimistas se interessavam muito por alquimistas que prometiam encher seus cofres de ouro, mas o verdadeiro foco da alquimia sempre foi a cura. Nossas ciências modernas da medicina e da química começaram bem aqui.
  3. Magia ou Magick: A arte de trabalhar com espíritos. (Também chamado de feitiçaria. )

Obviamente, essas categorias são fornecidas por conveniência e não representam linhas rígidas. De fato, qualquer sistema de Magia Antiga incluirá aspectos de todos os três misturados. Por exemplo, se você não sabe muito sobre astrologia e nada sobre simbolismo alquímico, a magia espiritual descrita nos velhos grimórios não fará o menor sentido para você.

O que as categorias acima nos mostram é que, classicamente falando, a definição de “magia” era trabalhar com entidades espirituais. Quando você invoca Nomes Divinos, deuses, anjos, espíritos, familiares, heróis ou ancestrais, você está se engajando na arte e na ciência chamada “magia”.

Agora, estou ciente de que muitos de vocês vão ficar com raiva dessa definição. E quanto a encantamentos, talismãs e magia popular que não invocam nenhum desses caras? De repente eles não são mágicos? Claro que eles são mágicos! Mas você tem que perceber que todas essas coisas não foram inventadas apenas por bruxas com muito tempo em suas mãos. Aquele talismã de dinheiro que você encontrou em um livro antigo foi, de fato, entregue a um aspirante por uma entidade espiritual. Aquele encantamento para lhe trazer um amante? Foi revelado por um anjo a alguém que pediu. Aquela dança da chuva que você está fazendo? Adivinha quem a transmitiu aos xamãs ?

É assim que a Velha Magia funciona. Você pede ajuda a um espírito, e ele responde dando-lhe algum tipo de hoodoo/eitiçaria ou outra coisa para fazer para alcançar o objetivo. Faça este talismã e enterre-o ali. Recite esse encantamento em um lugar e tempo específicos. Vá deixar uma oferenda aqui em um dia específico. Os exemplos são infinitos – mas todos começaram com um xamã, bruxa ou mago fazendo contato com seus espíritos guardiões e fazendo com que eles lhe ensinassem a arte mágica.

Portanto, sinta-se à vontade para postar seus próprios pensamentos na seção de comentários. O que você acha dessa definição de magia? Qual é a sua definição? Por quê? (E, para manter as coisas simples, tenha em mente que estamos definindo a prática da magia, não a “força” intangível que muitas vezes nos referimos como magia. Esse é um debate totalmente diferente! )

Fonte: The Definition of “Magick” in the 21st Century.

COPYRIGHT (2014) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-definicao-de-magia-no-seculo-21/

A cultura gótica

Alguém não é dito gótico por estar de preto da cabeça aos pés, ter infindável amor pela literatura gótica, “spleen”, regar suas noites em cemitérios ao vinho, ou por ser fanático pelo obnóxio Marilyn Manson; este alguém é gótico porque em seu âmago arde uma fria chama gótica. O goticismo está profundamente ligado à psique humana, às reações, ao modo de filtrar os fatos ao seu redor. Toda produção artística tenebrosa e qualquer outro aspecto ligado ao goticismo é apenas a expressão da visão e do pensamento, manifestação da essência, e não o oposto.

O goticismo não é um estado de “depressão”, “síndrome do pânico” ou qualquer outra doença; alguém que acha que é gótico porque ouve Manson, ou porque é depressivo, ou porque gosta de coisas obscuras, ou suas roupas preferidas são pretas, ou Lorde Byron é seu ídolo ou qualquer fator análogo a esses é um poser. Não devemos, nem podemos, julgar alguém por isso ou por aquilo, mas, sim, acabei de fazê-lo e não há retorno.

O gótico é uma alma corroída, um ser recluso, uma mente brilhante e tenebrosa, não alguém com um rosto amargo que incessantemente atira no esgoto de pobres mentes palavras sobre a morte, lascivas, ou clichês e outras meras “reflexões” superficiais que leu em algum lugar; goticismo é um modo de ver a vida, uma linha de pensamento, é refletir e apurar toda dor e todo riso, é olhar para si mesmo e perguntar-se o porque de cada coisa, é extrair sabedoria de onde as pessoas só extraem lágrimas, extrair das lágrimas força e consciência para não dobrar os joelhos perante toda agonia que a existência os traz e ainda assim resistir diante da consciência da sina universal. Todo pensamento extrato da essência gótica reflete a experiência pessoal de cada indivíduo e não uma generalização, de uma linha em um ponto [quanto aos pensamentos extratos, isso varia de pessoa a pessoa, por isso cada um tem sua própria visão do que é goticismo; porque ele é algo essencial e não imposto].

O gótico, em relação à sociedade, é mais dissimulado do que expressivo, principalmente quando tratamos do sofrimento consciente; o gótico é retraído e isso não quer dizer que ele não fala com ninguém, nunca ri ou sofre de algum tipo de timidez excessiva. O gótico é retraído porque ele esconde sua real natureza, ele é retraído e é tímido, porque não quer que ninguém o conheça, ele é retraído porque ele sabe que as outras pessoas não suportariam seu fardo: o sofrimento consciente, a agonia existencial, o angst – isto é – o conhecimento adquirido nas longas e frias noites regadas às lágrimas, em que todos estavam acamados em aconchegantes leitos e somente ele estava no escuro, calado e sentado na dura e fria pedra, pensando sobre a vida, o amor, a injustiça, o ódio e a morte [pode ser que um dia aquele serelepe ser que você sempre viu acompanhado de raios de sol se revele uma mente extremamente reflexiva, forte, consciente e mórbida]. Não estou falando de ser falso ou mentir, mas existem certas coisas que não devem ser mencionadas, principalmente quando não se está em meio a amigos e iguais.

Se o gótico acredita em Deus, ou Satã, ou Wicca ou Set, Lóki, Zeus? Ou se ele deve ser ateu e adverso a qualquer crença ou religião? Tudo é uma mera questão de consciência. Muitos “góticos” dizem que o gótico deve ser ateu, “se não é ateu não é gótico”, mas eles mesmos se contradizem ao dizer que o gótico é um pensador livre. Que tipo de pensador livre é este que tem seus alicerces manipulados e para ser enxertado num estereótipo deve abandonar seus pensamentos? Que tipo de gótico abandona sua consciência em nome de um estereótipo?! O gótico é uma mente livre, cabe a ele e como ele vê a vida a decisão de servir a Satã, a Deus, Gautama Buda ou qualquer outra nume ou divindade! Esses “góticos” criam inúmeras regras para o goticismo, todas refletem sua experiência pessoal e jamais regra geral; e apenas tolos e posers seguem-nas, pessoas de mente realmente fraca, e de certo modo irracionais. Se não é ateu, não é gótico?! Afirmamos, se segue regrinhas e estereótipos tolos e irracionais não é gótico!

Na realidade, os godos (góticos) foram os povos que mais rapidamente assimilaram o cristianismo a sua cultura; sabe-se que os góticos do século XVIII eram cristãos, por mais que alguns deles fizessem menção à Satã ou a Natureza, e a maior parte dos góticos de hoje em dia veio de lares cristãos, querendo ou não, o cristianismo exerce uma grande influência em sua mentalidade. Para mim, o cristianismo é a religião que mais se liga ao goticismo, sendo o sonho concreto de cada gótico, mas falo disso depois.

Quanto a só vestir preto, ouvir música gótica, e ser depressivo; tudo está ligado ao gosto, estilo e personalidade de cada um. Devemos ressaltar apenas que a cultura é um subproduto da mente, da essência gótica; um gótico real sabe ser prudente no que busca. Em outras palavras, poderíamos ditar a regra: “nada de perder tempo com coisas que não vão desenvolver seu pensamento, sua visão, seus modos, sua cultura”; mas não devemos fazê-lo, pois poderíamos esquecer de nossa essência gótica, convertendo assim o goticismo num mero conjunto de regras tolas e irracionais, apenas a fim de enxertar ou enxotar pessoas de uma “tribo urbana”, formada por mentes medíocres.

Todos os motivos pelos quais alguns góticos só vestem roupas pretas, escutam este ou aquele estilo de música, são depressivos, fumam aquela marca de cigarro, bebem vinho, fazem tatuagens, são bissexuais, são homofóbicos ou jogam rpg, são considerações pessoais e jamais devem ser vistos como regras e etc., em contra partida, se não há um motivo real, considerando o seu agrado como um, não é subproduto da essência e sim regra manipulada, e isso é ser poser…
Muitos góticos carregam horríveis cicatrizes, mas, e é aí que se encontra a ironia, são motivados a continuar a busca por algo, justamente por isso alguns externam seus sentimentos, externam marcos que devem ser memoráveis, marcos que os motivam, ou fazem tudo de modo a fugir da realidade, tudo para esquecer: fazem tatuagens, escrevem poesia, bebem vodka, ou só vestem preto…

Justamente pelos incontáveis e inimagináveis motivos que assombram a consciência de cada um, não podemos tratar ninguém com preconceito. Seja por sua religião, sexualidade, estilo de música favorito, ideologia ou qualquer outra fator. Que tipos de pensadores são os góticos que desprezam o pensamento e a consciência dos outros? Onde está o respeito pela “liberdade” [mesmo que pela liberdade de escolha de ser manipulado] pelos outros? E pela natureza de cada um? Que divirjamos, e toleremos, jamais defendamos, mas respeitemos!

O goticismo pode ser resumido em uma pequena frase: “é a essência reflexiva, consciente, trágica e mórbida que faz do gótico o real gótico” a subcultura gótica é formada pelas produções e expressões de góticos reais, sendo residual.

Quanto ao suicídio, o gótico que suicida, ao meu ver, se revela um fracassado; não foi capaz de resistir diante do negro da vida e sucumbiu ao seu outono. Esta vida jamais deve ser o mais importante, mas desfazer-se dela é desfazer-se de sua natureza gótica; suicidar é destruir a essência gótica.

A Origem do Movimento Gótico

Era o final dos anos Setenta, o cenário era extremo. De um lado encontrava-se a contestação ao sistema de extrema direita, feita pelos punks. Do outro lado uma cultura jovem alienada e psicodélica das discotecas. Neste conturbado período os jovens que procuravam pela arte e a cultura, estavam desfalcados e procurando por um espaço próprio de expressão de suas idéias. Este espaço começou a surgir com o aparecimento do estilo musical “coldwave” (onda fria, em inglês), era um som mais frio, gelado e apropriado para estes jovens que se reuniam em casas abandonadas, cemitérios para discutirem sobre cultura, realizarem saraus literários e apreciarem um bom vinho ou absinto.

O “coldwave” aos poucos começou a atrair músicos de outros estilos, algumas bandas originalmente punks e os chamados ultra-românticos, desse modo formando os primeiros Darks nos primórdios dos anos oitenta. Neste período a coldwave se espalhou pelo mundo, originando bandas como Siouxie and the Banshees, Bauhaus, Joy Division, The Cure, Xmal Deutschland, The Sisters of Mercy e tantos outros.

Na virada dos anos oitenta para noventa, os primeiros darks saíram de cena e abriram espaço para os góticos. Estes chegaram com um visual mais complexo e estiloso, buscando ainda mais por um refinamento musical e assumindo uma atitude de estilo de vida sombrio.

A cultura gótica sempre esteve ligada com a arte. Não importando qual fosse essa, música, poesia, pintura, escultura, e vem manifestando-se ora como um sentimento nostálgico, ora melancólico, ás vezes tenebroso e sempre celebrando um lado sombrio da vida e da arte. Você não se torna gótico, você nasce como um desde o primeiro dia de sua vida, encontrando a arte na escuridão.

Literatura Gótica

Na literatura o termo gótico se refere a uma forma peculiar de romance popular do século XVIII. Romances góticos continuaram a serem escritos no século XIX e reapareceram com maior intensidade no século XX. É também conhecida como a “literatura do pesadelo”.

Esse tipo de literatura emergiu como uma forma de romantismo, mas procurando mostrar o lado mais negro e obscuro do ser. A literatura gótica impõe o sentido do pavor, uma fusão entre o medo, dor e melancolia.

A literatura Gótica faz uma grande distinção entre o bem e o mal. São muito citados nos textos góticos a noite, o pessimismo, a loucura, os sonhos, as sombras, as quedas, o medo, a decomposição, a atração pelo abismo, sem se esquecer da principal a morte e a vida.

Podemos citar diversos autores, não só aqueles obvimente citados entre os autores góticos, como também aqueles mais classificados como romancistas, expressionistas, surrealistas, etc… Anne Rice, H.P Lovecraft, Álvares de Azevedo, Adous Huxley, George Orwell, Edgar Allan Poe, Lord Byron… são apenas alguns nomes da extensa lista de autores do estilo gótico.

Entre as obras mais famosas desse gênero podemos citar: Frankenstein (Mary Shellley),
As Flores do Mal, Drácula (Bram Stoker), A Rainhas dos Condenados e Entrevista com o Vampiro (Anne Rice), entre muitos outras.

No Brasil, a literatura gótica foi conhecida como Segunda Geração do Romantismo, ou Geração do Mal-do-Século. Podemos destacar nela, autores como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela, ambos influenciados por Lord Byron e Musset, chamada também de geração byroniana. Suas principais características, assim como a literatura gótica européia, era o egocentrismo, negativismo, pessimismo, dúvidas, desilusão adolescente e tédio constante. O tema preferido desses autores era a fuga da realidade, uma forma de manifesto e repúdio a sociedade da época e na exaltação da morte, outra forma de repúdio, mas através da liberdade que a morte traz em nos tirar desse mundo.

A Música Gótica

No final dos anos 70 e início dos anos 80, a raiva e a agressividde que incendiavam o movimento punk começam a ceder lugar a uma profunda depressão e um sentimento de insatisfação de um lado e falta de perspectiva do outro.

Na Inglaterra Margareth Tatcher assume o poder, triplica-se o desemprego e aumenta a inflação. Este é o cenário triste da chamada década perdida. Nas paradas musicais domina a pose e o “glamour” do pop inglês e da dance music com seus artistas poseurs e cintilantes.

Entretanto algo estava para acontecer em uma cidadezinha chamada Manchester, onde havia muita gente morando em subúrbios cinzentos recusando-se a enterrar o legado punk, e achando que aquele “pop poseur” tinha muito pouco a ver com a vida real na Inglaterra.

E é na mesma Manchester que surge o porta voz ideal destes angustiados de quarto, na figura de Ian Curtis, um dos primeiros a transformar toda essa melancolia e desilusão em música, através da sua banda Joy Division, que apesar da curta duração devido ao suicídio de Ian, seu vocalista, deixou como legado o rock mais melancólico e desesperado já feito, sendo uma das bandas mais representativas do movimento pós-punk, como ficou conhecido este substilo musical do rock, que apresentava elementos musicais do punk mas com uma dose de melancolia mais acentuada. E é dentro do pós-punk que encontramos as mais representativas bandas do chamado estilo gótico, que no Brasil também foi chamado de “dark”, devido a preferência por roupas pretas de seus adeptos.

É nos anos 80 que a morte será o tema mais recorrente nas canções, sendo igualmente comuns temas como melancolia, desespero, abandono, decepções amorosas e falta de perspectivas. Estes temas se fazem presentes nas músicas de um certo grupo suburbano de Crowley, Sussex, Inglaterra, chamado The Cure, cujo vocalista Robert Smith com seu jeito soluçante de cantar, cabelos desgrenhados e olhos pintados de preto, fez a “alegria” dos cultuadores de deprê em suas canções.

Entretanto a cristalização do gótico enquanto gênero esteve a cargo de um quarteto de Northampton (Inglaterra), que em seu primeiro single fala de um tal Bela Lugosi, famoso vampiro dos anos 30, e cujo vocalista Peter Murphy delirava pesadelos com sua voz soturna sob um baixo pesadão e efeitos macabros de guitarra, falando de temas como morte, vampiros, morcegos e rituais pagãos. O nome do grupo, Bauhaus era uma referência a escola alemã de arquitetura que na década de 1930 teve suas portas fechadas pelos nazistas devido a ligações com o expressionismo alemão, considerado por Hitler uma “arte degenerada”.

A voz igualmente soturna de Andrew Eldritch foi o selo definitivo do movimento gótico, sendo seu grupo, “The Sister of Mercy” considerado, com toda razão,um dos maiores representantes do gênero, além de possuirem até hoje uma influência marcante em tudo que diga respeito ao estilo. Dois ex-membros do SOM formaram ainda um outro grupo seminal do gótico em 1985, “The Mission”.

Não se pode também esquecer as musas, pra ser mais exata duas musas, madrinhas, divas e rainhas máximas do gótico: Siouxsie Sioux e Anja Howe.

Comecemos por Siouxsie, com seu estilo misto de diva dos anos 20 e de prostituta nos seus belos olhos extremamente maquiados. Siouxsie e seus banshees eram majestades únicas do reinado gótico. Guitarras distorcidas, batida tribal, harmonias fluidas e climas mórbidos se traduziam em pérolas como “A Kiss in the Dreamhouse”, “Kaleidoscope” e “Nocturne”. Siouxsie também foi uma das primeiras cantoras a liderar uma banda “mais pesada”. Nascidos no movimento punk,”Siouxsie & The Banshees” souberam fazer a perfeita transição para o gótico, sendo um dos precursores do estilo.

Quanto a sua majestade loira, Anja Howe, a vocalista da banda underground alemã “X-Mal Deutschland”, pode ser considerada pioneira do estilo gótico na terra de Goethe, com sua voz inconfundível, acompanhada de guitarras e baixo linha serra elétrica. Eram também comuns na banda o uso de recursos eletrônicos, criando sons viajantes que mesclados ao vocal sedutor criavam texturas delirantes num perfeito clímax lírico-depressivo, levando os “mortos vivos” à loucura através de obras primas como “Incubus Succubus”,”Tocsin” e a maravilhosa “Matador”.

Seria ainda uma grande injustiça da minha parte deixar de citar outras bandas igualmente seminais do estilo gothic e do darkwave como Clan of Xymox, Mission, Opera Multi Steel, Poesie Noire, Cult, Switchblade Symphony, Love is Colder than Death…bem são tantas que fica até difícil citar todas, em mais uma prova do quanto o estilo é prolífico.

No finalzinho da segunda metade da década de 1980 porém, o clima começa a tornar-se inóspito para morcegões e afiliados, e o estilo gótico começa a entrar em decadência, significando o fim de muitos grupos que consagraram o gênero, deixando orfãos e famintos de sangue muitos “nosferatus”, e fazendo as noites enevoadas de Londres perder muito de seu charme.

Por Beatrix Algrave

Gothic Metal

Quem disse que o gótico morreu no final da década de 80 estava muito enganado. Aqui está o gothic metal para provar o contrário.

Como uma fênix nascida das cinzas de um estilo praticamente acabado, a música gótica ganhou peso e uma nova roupagem, mas sem deixar de lado a melancolia e obscuridade que caracterizavam o estilo.

Na década de 90, várias bandas começam a fazer um som mais voltado para o lado do peso, mas ao mesmo tempo sem deixar de lado a raiz negra que caracterizava o estilo anos atrás. A melancolia, a depressão, a angústia, o clima mórbido das canções, tudo estava lá, ainda mais completo, contando com elementos da música clássica, tudo isso sem esquecer dos contrastes dos vocais líricos e os guturais.

Aliado a novos fatores agora a música gótica, em sua versão século XXI, vem acompanhada de outros estilos que completam ainda mais a sonoridade de cada banda. Podendo ser misturada ao black metal, ao death metal, ao power metal, a música gótica atual deixou de ser apenas um filho bastardo do movimento punk para ganhar seu próprio espaço dentro da música.

Uma das principais inovações do gothic metal é o famoso metal “Bela e a Fera”, que é uma característica muito comum na maioria das bandas góticas. Representando a ambivalência presente nesse estilo, é o mais perfeito contraste entre os doces e belos vocais líricos e dos nervosos vocais guturais.

After Forever, Within Temptation, Tristania, The Sins of Thy Beloved, Theatre of Tragedy, Sirenia, Epica, etc. são apenas algumas das diversas bandas que possuem os vocais “bela e fera”, claro que cada uma possui diversas outras características que tornam sua sonoridade única.

A banda sueca Therion também possui vozes masculinas e femininas, mas na fase atual da banda, esses vocais dividem-se em soprano e tenores.

A Finlândia é um dos países onde mais nascem bandas com influências góticas, talvez o clima frio seja propício para isso… Sendo a finlandesa Nightwish o mais perfeito exemplo disto. Eles fazem um metal gótico misturado ao power metal, sendo uma das mais influentes do estilo. Mas isso já era de se imaginar, a banda possui o belíssimo vocal lírico de Tarja Turunen, aliado as profundas composições de Tuomas Holopainen e ainda conta com músicos de altíssima qualidade para complementar ainda mais a sonoridade do Nightwish.

Saídos do mesmo território que o Nightwish não poderíamos deixar de lado o love metal das bandas HIM e To/Die/For.
Também não podemos esquecer do For My Pain, do tecladista do nightwish e músicos da extinta Eternal Tears of Sorrow, do Poisonblack de Ville Laihiala ex-sentenced, do próprio Sentenced, dos veteranos do The 69 Eyes, do Entwine, entre muitas outras, afinal as bandas finlandesas nunca param de aparecer…

O Brasil também possui diversas bandas que fazem um som de altíssima qualidade, apenas ainda não caíram nas graças das grandes gravadoras, mas esbanjam competência para isso. Bons exemplos de bandas góticas nacionais podemos ter com a Simphonia Nocturna e a santista Master of Darkness, que além de covers possuem trabalhos próprios e estão apenas esperando ser descobertos para compartilhar seu talento com o resto do mundo.

Portugal já contribuiu com o cenário gótico mundial com a maravilhosa Moonspell, que vem presenteando o mundo com as composições de Fernando Ribeiro desde 1989.

Dos países latinos a Itália também gerou o Lacuna Coil, que agora encanta ao mundo com a belíssima voz de Cristina Scabbia.

Recentemente temos ouvido falar muito de duas bandas, cujos líderes deixaram suas antigas bandas que já tinham conquistado seu lugar na cena gótica, para partirem para novos projetos.

É esse o caso do recém surgido Epica, do ex-After Forever Mark Jansen, com seu som inovador repleto de influências árabes, e a mais perfeita harmonia entre o vocal gutural e o lírico. Possui apenas um álbum full-length lançado, o The Phanton Agony, mas já conquistou inúmeros fãs em todos os cantos do mundo. É o caso também do Sirenia, que surgiu logo depois de Morten Veland deixar o Tristania. Morten sentiu se realizado com a banda, tanto como compositor quanto como músico. Compôs, arranjou e tocou os dois álbuns da banda, que existe deste 2001.

Por Daniele Ferreira
16 de Junho de 2004.

A arquitetura Gótica

A arquitetura gótica, em termos de estética, qualidade, estrutura e acabamento, é considerada uma das mais belas e fascinantes de todo o mundo.

O estilo gótico é identificado como o período das grandes catedrais. De fato, com suas construções começaram a ser definidos os princípios fundamentais desse estilo. O gótico teve início na França, novo centro de poder depois da queda do Sacro Império, emmeados do século XII, e terminou aproximadamente no século XIV, embora em alguns países do resto da Europa, como a Alemanha, se entendesse até bem depois de iniciado o século XV.

O gótico era uma arte imbuída da volta do refinamento e da civilização na Europa e o fim do bárbaro obscurantismo medieval. A palavra gótico, que faz referência aos godos ou povos bárbaros do norte, foi escolhida pelos italianos do renascimento para descrever essas descomunais construções que, na sua opinião, escapavam aos critérios bem proporcionados da arquitetura.

Foi nas universidades, sob o severo postulado da escolástica – Deus Como Unidade Suprema e Matemática -, que se estabeleceram as bases dessa arte eminentemente teológica. A verticalidade das formas, a pureza das linhas e o recato da ornamentação na arquitetura foram transportados também para a pintura e a escultura. O gótico implicava uma renovação das formas e técnicas de toda a arte com o objetivo de expressar a harmonia divina.

A arquitetura gótica se apoiava nos princípios de um forte simbolismo teológico, fruto do mais puro pensamento escolástico: as paredes eram a base espiritual da Igreja, os pilares representavam os santos, e os arcos e os nervos eram o caminho para Deus. Além disso, nos vitrais pintados e decorados se ensinava ao povo, por meio da mágica luminosidade de suas cores, as histórias e relatos contidos nas Sagradas Escrituras.

O século X encontra a Europa em crise. O poder real, enfraquecido, foi substituído pelo feudalismo. Invasões ameaçam a França. Desprotegidos, o povo se organiza em torno dos castelos feudais, únicas – e precárias – fortalezas. A tensão popular conttribui para que se espalhe a crença propagada pela Igreja de que se aproxima o juízo final: o mundo vai acabar no ano 1000. A arte românica, expressão estética do feudalismo, reflete o medo do povo. Esculturas anunciam o apocalipse, pinturas murais apavorantes retratam o pânico que invade não só a França mas toda a Europa Ocidental. Chega o ano 1000 e o mundo não acaba. Alguma coisa precisa acontecer.
Em 1905, surgem as primeira Cruzadas. O feudalismo ainda permanece, mas tudo indica que não poderá resistir por muito tempo. Novos pensadores fazem-se ouvir, propagando suas idéias. Fundam-se as primeiras Universidades. Subitamente, a literatura cresce em importância. Muitos europeus, até então confinados à vida nas aldeias, passam a ter uma visão mais ampla do mundo. Profunda mudança social está a caminho.

Pressentindo a queda do feudalismo, a arte antecipa-se aos acontecimentos e cria novo estilo, que irá conviver durante certo tempo com o românico, mas atendendo às novas necessidades. Verdadeiro trabalho de futuristas da época, o estilo gótico surge pela primeira vez em 1127, na arquitetura da basílica de Saint-Denis, construída na região de Ile-de-France, hoje Paris.

As Catedrais Góticas

A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. Enquanto, de modo geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja gótica tem três portais que dão acesso à três naves do interior da igreja a nave central e as duas naves laterais.

A arquitetura expressa a grandiosidade, a crença na existência de um Deus que vive num plano superior; tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas agulhadas das torres de algumas igrejas góticas.

A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.

Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e os vitrais coloridíssimos que filtram a luminosidade para o interior da igreja.

As catedrais góticas mais conhecidas são Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

A Pintura Gótica

A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e no início do século XV, quando começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Sua principal particularidade foi a procura o realismo na representação dos seres que compunham as obras pintadas, quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano celeste.

Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do Renascimento.

Giotto é um dos maiores e melhores representantes desse estilo, a principal característica do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos com ar de homem comum eram o ser mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento.

Suas maiores obras são os Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim entre os Pastores.

O pintor Jan Van Eyck procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva, procurando mostrar os detalhes e as paisagens.

Suas maiores obras são: O Casal Arnolfini e Nossa Senhora do Chanceler Rolin.

A ilustração gótica

Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos (a gravura não fora ainda inventada, ou então é um privilégio da quase mítica China). O desenvolvimento de tal genero está ligado à difusão dos livros ilustrados patrimônio quase exclusivo dos mosteiros: no clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica, os manuscritos também eram encomendados por particulares, aristocratas e burgueses. É precisamente por esta razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas góticos em formatos manejáveis.

Durante o século XII e até o século XV, a arte ganhou forma de expressão também nos objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos textos sobre as páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem as ilustrações, os cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciava um texto.

Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois destinava-se aos poucos possuidores das obras copiadas, a segunda é que os artistas ilustradores do período gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão analítica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores.

Os vitraios

O efeito milagroso dos vitrais, que foram usados em quantidades cada vez maiores à medida que a nova arquitetura começava a comportar mais janelas, de dimensão cada vez maiores. No entanto, a técnica do vitral já havia sido aperfeiçoada no período românico, e os estilo dos desenhos demorou a mudar, embora a quantidade de vitrais exigida pelas novas catedrais fizesse com que as iluminuras deixassem de ser a forma principal de pintura. Criar uma figura verdadeiramente monumental com as técnicas dos escultores, em si é algo como um milagre: os primitivos métodos medievais de manufatura de vidros não permitiam a produção de grandes vidraças, de modo que essas obras não de pintavam sobre vidro, mas sim “pintura com vidro”, com exceção dos traços em preto ou marrom que delineavam os contornos das figuras. Sendo mais trabalhosa que a técnica dos mosaicistas bizantinos, a dos mestres-vidreiros envolvia a junção, por meio das tiras de vidro, dos fragmentos de formas variadas que acompanhavam os contornos de seus desenhos. Sendo bastante adequado quando ao desenho ornamental abstrato, o vitral tende a resistir a qualquer tentativa de se obter efeitos tridimensionais.

O uso do arcobotante e dos contrafortes tornou possível o emprego de grandes aberturas preenchidas com belíssimos vitrais.

A função dos vitrais não se reduz à de mero complemento decorativo da igreja gótica. O vitral – parede translúcida – adquire caráter estrutural ao contribuir decisivamente para a configuração de um determinado sentido da arquitetura; mais exatamente do espaço interior.
Após 1250, houve um declínio da atividade arquitetônica, o que reduziu as encomendas de vitrais. Nessa época, entretanto, a iluminura adaptara-se ao novo estilo, cujas origens remontavam às obras em pedra e vidro.

Giotto

Giotto di Bondone, 1267-1337. O revolucionário tratamento que dava à forma e o modo que representava realisticamente o espaço “arquitetônico” (de maneira que as dimensões das figuras eram proporcionais às das construções e paisagens circundantes) assinalaram um grande passo adiante na história da pintura. A opinião generalizada é que a pintura gótica chegou a seu ápice com Giotto, o qual veio a ordenar, abarcar e revigorar tão esplendidamente tudo que se fizera antes.Pela primeira vez temos na pintura européia o que o historiador Michael Levey denomina “uma grande personalidade criativa”. No entanto, a verdadeira era das personalidades criativas foi a Renascença, e não sem motivo que os estudiosos desse período começam sempre por Giotto.Um gigante, ele encompassa as duas épocas, sendo homem de seu tempo e, simultaneamente, estando à frente dele.As datas, porém coloca-nos firmemente no período gótico, com sua ambiência de graça espiritual e um deleite primaveril no frescor das cores e na beleza do mundo visível. A realização das artistas góticos foi representar solidez da forma, ao passo que pintores anteriores mostravam um mudo essencialmente linear, carente de volume e pobre de substância (a despeito de seu vigor espiritual).

Para Giotto, o mundo real era a base de tudo. O pintor tinha verdadeira intuição da forma natural, criando uma maravilhosa solidez escultórica e uma humanidade sem afetações, características que mudaram os rumos da arte.

A Capela degli Scrovegni, em Pádua, Itália, está adornada com a maior das obras de Giotto que chegaram até nós, um ciclo de afrescos pintado por volta de 1305 para mostrar cenas da vida da Virgem e da Paixão.Os afrescos dão volta às paredes da capela.

Outros artistas sobressaíram na pintura gótica, sendo eles: Simone Martini (discípulo de Duccio), os irmãos Lorenzetti Pietro e Ambrogio (identificaram com Giotto).

Escultura Gótica

De modo geral a escultura do período gótico estava associada à arquitetura. Nos tímpanos dos portais, nos umbrais ou no interior das grandes igrejas, os trabalhos de escultura enriqueceram artisticamente as construções e documentaram na pedra, os aspectos da vida humana.

Os portais da fachada de Saint-Denis e os admiráveis portais principais da Catedral de Chartres trata-se, provavelmente, dos mais antigos e completos exemplos da escultura gótica. A simetria e a clareza substituíram os movimentos frenéticos e as multidões; as figuras não são mais emaranhadas entre si, mas eretas e independentes, de modo que se visualiza muito melhor o conjunto a grande distância. É particularmente admirável o tratamento dado às ombreiras da porta, onde se alinham os de alinham figuras esguias adossadas a colunas. Em vez de serem tratadas essencialmente como relevos esculpidos na cantaria, ou projetando-se a partir dela, são na verdade estátuas, cada qual com seu próprio eixo; pelo menos em teoria, poderiam ser destacadas das colunas que lhes servem de suporte. As suas cabeças já possuem uma suavidade humana que evidencia a busca por uma maior realismo.

Na Alemanha a arte gótica como a conhecemos até o presente, reflete um desejo de conferir aos temas tradicionais do cristianismo, um apelo emocional cada vez mais intenso, mas destinada a devoções particulares. A escultura gótica italiana, assim como a arquitetura, ocupa um lugar a parte em toda a Europa. Iniciou-se provavelmente no extremo sul, na Apúlia e na Sicília, que tinham preferências que favoreciam ao estilo clássico.

Cinema Gótico

A sétima arte está repleta de obras-primas do gênero terror-suspense, filmes que de uma forma ou de outra expressam e exibem a face obscura e irracional da imaginação humana.

O gênero de cinema gótico nos remete as mais diversas sensações, desde o horror até os mais profundos sentimentos humanos.

Os filmes de terror nasceram praticamente junto com a cinematografia. O primeiro filme do gênero surgiu em 1896 e chamava-se “Escamotage d’Une Dame Chez Robert Houdin”, e em 1912 veio “A conquista do pólo” no qual um expedicionário era devorado pelo abominável homem das neves.

Passando por clássicos como O gabinete do Dr. Caligari de Weine e Nosferatu de Murnau, até o sádico Freddy Krueger nos anos 80, o gênero é um dos mais prolíficos já inventados.

Dentre os muitos filmes do gênero gótico famosos em todo o mundo, podemos citar entre os mais antigos “Frankenstein” e “Nosferatu”, que se transformaram em mitos do cinema gótico através dos anos. Entre os filmes mais atuais, podemos citar “A Lenda do cavaleiro sem cabeça”, “Entrevista com o vampiro”, “A Rainha dos Condenados”, entre muitos outros.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-cultura-gotica/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-cultura-gotica/

O Pavimento Mosaico e a Orla Dentada na Maçonaria

Primeiramente, o que é mosaico? Ao contrário do que muitos já registraram, mosaico não tem origem em Moisés. Conforme a etimologia dessa palavra já confirmou, sua origem é a mesma da palavra “museu”. Mosaico é o trabalho feito através da união de diferentes pedras.

Em Loja, diz-se que o Pavimento de Mosaico, constituído de pedras brancas e pretas, simboliza a diversidade do ser humano, mas sempre levado à dualidade das forças: bem e mal, rico e pobre, sábio e ignorante, saudável e doente, virtude e vício, feliz e triste. Muitos autores concordaram sobre isso. Será que essa é a verdadeira interpretação?

Também se diz que o Pavimento Mosaico está presente em nossos templos porque assim era o piso do Templo de Salomão. Será mesmo verdade?

Outra importante questão sobre o Pavimento Mosaico é quanto ao seu formato. Qual é o correto? Aquele pequeno retângulo na área do Altar dos Juramentos, ou todo o piso da Loja?

Para encontrar as respostas corretas para tais questionamentos, deve-se por um momento esquecer dos nossos Rituais atuais e voltar os olhos para a história:

Mosaicos faziam parte da arte e da arquitetura romana. Tem-se no livro João, Capítulo 19, versículo 13, que os julgamentos do governante romano Pilatos ocorriam em um lugar chamado pelo termo grego de “Litóstrotos”, e em hebraico chamado de “Gabatah”. Litóstrotos significa calçado por pedras, e Gabatah significa pavimento. Plínio utilizava o termo Litóstrotos para se referir a um Pavimento Mosaico.

Convencionou-se imaginar que o “Santo dos Santos” do Templo de Salomão, por também ser um local de juízo, possuía um Pavimento Mosaico. Essa teoria não tem fundamentos na Bíblia, onde consta que todo o piso do Templo era de madeira de cedro, mas é baseada em uma breve passagem do Talmud, que permite uma interpretação de que os lugares mais sagrados dos templos tinham o Pavimento Mosaico. As escrituras e tradições também dão notícia de que o Santo dos Santos, mais alto do que o restante do Templo, era delimitado por véus com franjas e borlas (almiazar). Franjas e borlas eram usadas em sinal de respeito e devoção na época. Por borlas, entende-se um adorno pendente. Uma herança dessa tradição ainda está presente, por exemplo, nos populares lenços palestinos.

Até o final da Idade Média, não se sabia quais as cores desses antigos Pavimentos Mosaicos. Porém, no século XVI, o Rei Henrique VIII autorizou a confecção de um bíblia em inglês, surgindo então a chamada “Bíblia de Genebra”, por ter sido feita naquela cidade. Essa versão traduzida trazia como novidade diversas ilustrações. Entre elas, a do Templo de Salomão, que era ilustrado com um Pavimento Mosaico de quadrados intercalados em preto e branco. É evidente que não havia outra forma de ilustrar um pavimento colorido, pois a impressão na época era apenas em preto e branco. Porém, com pouco tempo a visão do Pavimento Mosaico do Templo de Salomão em preto e branco firmou-se como realidade. Dessa forma, quando do surgimento dos templos maçônicos, inspirados no Templo de Salomão, o Pavimento Mosaico em preto e branco foi adotado.

Enfim, as cores não tinham a simbologia da dualidade das forças. As cores eram apenas porque essa era a ideia que se tinha do piso do Templo de Salomão. O próprio Mackey, um dos maiores escritores sobre maçonaria de todos os tempos, confessou isso em sua Enciclopédia Maçônica, declarando que, apesar de equivocada, é adequada a interpretação do Pavimento Mosaico como a dualidade entre o bem e o mal.

Você pode estar se perguntando: “E a Orla Dentada?” Essa é uma questão interessante. Quando do registro dos primeiros rituais em inglês, o que era uma orla (borda, margem) com franjas e borlas (adornos pendentes) nas extremidades… tornou-se simplesmente “indented tessel” que, em tradução livre, significa “orla dentada”. Mas o que seria então uma verdadeira “orla dentada”? Trata-se do que hoje vemos sobre o trono do Venerável Mestre, em que a borda da cobertura do trono possui “dentes” com franjas, sendo comum atualmente serem feitos de gesso.

Como se sabe, os primeiros templos maçônicos eram planos e sua ornamentação precária. Por esse motivo, o retângulo onde se encontra o Altar dos Juramentos, o qual simbolicamente representa o Santo dos Santos, não era elevado, o que impedia de se ter uma Orla Dentada real. Por isso, a Orla Dentada precisava ser desenhada ou pintada no chão, ao redor do Pavimento Mosaico. Com o tempo e a forte presença do triângulo na simbologia maçônica, convencionou-se desenhar os “dentes” da orla em formato de triângulos, e assim surgiu o que atualmente se vê na maioria dos templos maçônicos espalhados pelo mundo.

Nos Ritos que adotam o Pavimento Mosaico como um retângulo central, os maçons não devem pisar no Pavimento, a não ser aquele que irá abrir e fechar o Livro da Lei, assim como ocorria no Santo dos Santos, onde apenas o Sumo Sacerdote podia ingressar e para realizar um fim específico relacionado ao GADU. A circulação então é feita em ângulo reto, tendo como parâmetro o Pavimento Mosaico.

Já no REAA, prevaleceu o entendimento de que todo o piso do Templo de Salomão era um Pavimento Mosaico, baseado nas ilustrações medievais. Por isso, todo o piso nos templos do REAA é em mosaico alvinegro, e a Orla Dentada, que circula todo o pavimento, está representada pela “Corda de 81 nós”, da qual pendem 04 borlas nos 04 cantos do Templo.

Porém, com a perda de tal compreensão e do conhecimento da origem de tais símbolos, além da influência de outros Ritos, é comum encontrar templos do REAA no Brasil que possuem o Pavimento Mosaico restrito ao retângulo central, constituído também de Orla Dentada, ao mesmo tempo em que vemos a Corda de 81 nós sobre as colunas zodiacais, algo totalmente redundante. Onde se vê Orla Dentada não deveria existir Corda de 81 nós, e vice-versa. Dessa forma, não é de se surpreender com as dezenas de significados inventados para cada um desses símbolos:

Rizzardo da Camino chegou a escrever que o Pavimento Mosaico representa a união das doze tribos de Israel, os dentes da Orla Dentada são os planetas que giram no Cosmos, e que a Corda de 81 nós absorve as vibrações negativas e as transforma em positivas. Castellani preferiu escrever que o Pavimento Mosaico representa a mistura de raças, a Orla Dentada é a união dos opostos, e a Corda de 81 nós representa a comunhão de ideias e objetivos de todos os maçons, tendo suas borlas o papel de representar que a Maçonaria é “dinâmica e progressista”. Não somente discordaram um do outro como suas suposições estavam erradas.

Apesar desses dois grandes autores discordarem um do outro em suas teorias, eles têm algo em comum: criatividade.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-pavimento-mosaico-e-a-orla-dentada-na-ma%C3%A7onaria

O mito da caverna comentado, parte 2

Texto de Platão em “A República”. Os comentários ao final são meus.

continuando da parte 1

Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco – Com toda a certeza.

Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz [5].

Glauco – Sem dúvida.

Sócrates – Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco – Necessariamente.

Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna [6].

Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates – Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco – Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia? [7]

Glauco – Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco – Por certo que sim.

Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? [8] E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco – Sem nenhuma dúvida.

Sócrates – Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível [9], não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco – Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la [10].

(Platão, A República, v. II p. 105 a 109)

***
[5] Na metáfora Sócrates discorre sobre o processo de evolução do conhecimento, e como ele necessita ocorrer passo a passo, gradativamente.
[6] Buscar o que sustenta a Criação, ou “porque existe algo e não nada”, é o estágio primordial da evolução do conhecimento – onde ela também pode ser confundida, não sem razão, com uma evolução espiritual. Não importa o que dizem os materialistas atuais, foi buscando a Deus que os grandes cientistas comporam suas equações e os grandes filósofos pautaram sua lógica. Qual Deus buscavam eles, entretanto, é algo próprio de cada um deles…
[7] Lembremos que não se trata de mudar de uma realidade para outra, e sim de retroceder a uma vida de ignorância. Ainda que quisesse, entretanto, já não mais conseguiria. Quem vê a luz uma vez e a compreende, jamais voltará a enxergar sombras.
[8] Aquele que compreende a essência das coisas – que sai da caverna – se torna um ser modificado. O que antes lhe interessava na vida dentro da caverna, não lhe interessa mais… Dessa forma, mesmo seus familiares e amigos mais próximos vão estranhar seu comportamento.

É isso precisamente o que ocorre com todos aqueles que “se iniciam” nos estudos mais profundos em filosofia, religião ou ciência. Um físico não conseguirá mais ignorar o baile de partículas do Cosmos, um budista não conseguirá mais ignorar o que compreende em suas meditações, e um filósofo não conseguirá mais viver sem o eterno exercício dos questionamentos existenciais… E todos esses serão agora “estranhos no ninho”, “excêntricos”, “loucos”, “nerds”, etc.
Isso não quer dizer que todo louco seja sábio. Muitas vezes, é apenas louco mesmo. Eis que os sábios são ainda muito poucos, e esta é a razão do mundo ser como é. Tolstói já dizia: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”.
[9] O “mundo inteligível” não é um céu localizado fisicamente em algum lugar. Nem a “subida da alma” é uma elevação a esse céu mítico. O céu está na consciência de cada um, assim como a ascenção da alma corresponde a ascenção do conhecimento de si mesmo e da essência das coisas. Repito: não é o mundo que muda, somos nós!
[10] Platão nunca afirmou que compreendeu totalmente Sócrates. Eu não afirmo que compreendi totalmente este mito. Da mesma forma, Krishna, Lao Tsé, Buda, Jesus e tantos outros sábios jamais foram compreendidos totalmente, exceto pelos seres de igual estatura espiritual – muito provavelmente não estamos ainda entre eles.

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Crédito da foto: Diana Oliveros

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Filosofia #Mitologia #Platão #Sócrates

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-da-caverna-comentado-parte-2

23 Perguntas para Robert Anton Wilson

Robert Anton Wilson “é” aquele que não é “é”. Talvez possamos descrevê-lo como um filósofo psicodélico, um trapaceiro pós-moderno, um comediante intelectual, um tornado que atravessa a psique. Ele ganhou destaque como editor da Playboy na década de 1960. Durante esse tempo de magia ele se envolveu com os Discordianos, uma “nova religião disfarçada de uma piada complicada”, ou “uma piada complicada disfarçada de uma nova religião”. Junto com Robert Shea, ele é co-autor do Illuminatus! trilogia de romances, um trabalho alucinante (de ficção?) que teceu várias teorias da conspiração e elevou o Discordianismo a um verdadeiro status de culto. Amigo próximo de Timothy Leary, ele compartilhava as paixões do Dr. Leary pela psicologia radical e pelo futurismo. Seu livro Prometheus Rising fundiu o agnosticismo ao modelo ao modelo de 8 circuitos do cérebro de Leary para criar um sistema que ensinou as pessoas a desconstruir sistemas dogmáticos de crenças pessoais. Seus inúmeros outros livros exploraram tópicos como mecânica quântica, universos alternativos, sistemas lógicos não aristotélicos, magia sexual, Wilhelm Reich, James Joyce e Orson Welles. Sua abordagem do modelo agnóstico para a investigação o torna um escritor único, um dos poucos que podem escorregar perfeitamente do pensamento científico racionalista para a especulação metafísica não materialista.

Embora tenha lutado contra a síndrome pós-pólio nos últimos anos, ele continua ativo na propagação de suas várias paixões (N.T RAW morreu em 2007) O filme de 2003 Maybe Logic de Lance Bauscher, Cody McClintock e Robert Dofflemyer, explorou e apresentou conceitos wilsonianos envoltos em cores e ritmos sutis, mas explosivos, um tributo adequado às suas ideias. Este projeto deu origem à Maybe Logic Academy, um instituto de aprendizagem que é
“baseada na filosofia e na perspectiva da lógica do talvez, uma abordagem que enfatiza a falibilidade e a relatividade da percepção e tende a abordar informações e observações com perguntas, probabilidades e múltiplas perspectivas em vez de verdades absolutas.” A New Falcon Publications pretende publicar em breve seu novo livro Email To The Universe (N.T: Publicado em 2005).

A entrevista que segue foi concedida a revista MungBeih entre 2004-2005.

Você tem um novo livro saindo chamado “Tale of the Tribe”. Sobre o que será?

Mudei o título para EMAIL TO THE UNIVERSE. É sobre James Joyce, taoísmo, internet e Aleister Crowley, além da minha loucura de sempre.

Parece que muitos de seus escritos se conectaram com as pessoas e talvez até influenciaram seus pensamentos e atividades. Por causa desse efeito em sua base de fãs, alguns sugeriram que você se tornou uma “figura cult”. Isso parece apropriado, dada sua participação inicial na Sociedade Discordiana e seus muitos escritos sobre os Illuminati (um culto secreto que pode ou não existir), referências a Eris, maçãs douradas, a Lei dos Cincos, o número 23, bem como outras ideias relacionadas. Os memes que você enviou ao mundo vinte, trinta anos atrás continuam a prosperar e florescer. Como você se sente sobre esse legado de ter semeado uma diversidade de memes ecléticos?

É ao mesmo tempo agradável e lisonjeiro, é claro, mas me sentirei muito mais feliz quando a Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico forem semeadas tão amplamente, ou até mais amplamente.

Vamos semeá-los mais amplamente aqui! Você pode explicar aos nossos leitores o que (Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico) são?

A Lógica do Talvez é um rótulo que ficou preso entre minhas ideias pelo cineasta Lance Bauscher. Eu decidi que se encaixa. Eu certamente reconheço sua importância central em meu pensamento – ou em meus esforços vacilantes e desajeitados para pensar em sistemas não-aristotélicos. Isso inclui a lógica de três valores de von Neumann [verdadeiro, falso, talvez], a lógica de quatro valores de Rappoport [verdadeiro, falso, indeterminado, sem sentido], a lógica multivalorada de Korzybski [graus de probabilidade.] e também o paradoxo lógico do Budismo Mahayana [É A, não é A, é A e Não-A, Não é A nem Não-A]. Mas, como um sujeito extraordinariamente estúpido, não posso usar tais sistemas até reduzi-los a termos que uma mente simples como a minha possa lidar, então apenas prego que todos nós pensaríamos e agiríamos com mais sensatez se usássemos o “talvez “com muito mais frequência. Você pode imaginar um mundo com Jerry Falwell gritando “Talvez Jesus seja o filho de Deus e talvez ele odeie os gays tanto quanto eu” – ou os minaretes do Islã ressoando com “Talvez Não exista Deus exceto talvez Alá e talvez Maomé seja seu profeta”?

A lei Snafu (NT: S.N.A.F.U: “Status Nominal: All Fucked Up”) afirma que, quanto maior o seu poder de punir, menos feedback factual você receberá. Se você pode demitir pessoas por dizerem o que você não quer ouvir, você só vai ouvir o que você quer. Esta lei parece se aplicar a todas as engenhocas autoritárias, especialmente governos e corporações. Concretamente, suspeito que Bozo (NT. Robert chamava George Bush de Bozo) saiba menos sobre o mundo do que qualquer caçador de cães em Biloxi (Mississipi).

A lei do Babaca Cósmico (N.T: Cosmic Schmuck) afirma que [1] quanto mais frequentemente você suspeitar que pode estar pensando ou agindo como um Babaca, menos Babaca Cósmico você se tornará, ano após ano, e [2] enquanto você nunca suspeitar que pode pensar ou agir como um Babaca, você permanecerá sendo um Babaca Cósmico por toda a vida.

O E-prime pode revolucionar a língua inglesa?

Espero que sim, mas precisa de ajuda, como mais computadores online e mais maconha. MUITO mais maconha. (N.T: E-prime é a versão revisada da língua inglesa que exclui todas as formas do verbo to be, incluindo todas as conjugações, contrações e formas arcaicas.)

Qual é o propósito da sua Maybe Logic Academy e quem mais está envolvido? E o que diabos está acontecendo lá?

Quero usar a Internet para acelerar a evolução humana substituindo decisões baseadas na fé por decisões baseadas em pesquisa. Os demais têm objetivos semelhantes ou compatíveis. Nossos líderes de classe incluem R.U. Sirius, ciberfilósofo; Patricia Monaghan, pesquisadora da deusa; Alan Clements, monge budista e ativista; Peter Caroll, matemático e inventor da magia do Caos; Douglas Rushkoff, especialista em mídia; e outros se juntarão em breve.

Você escreveu extensivamente (e encontrou novas aplicações para) várias teorias científicas, particularmente no campo da mecânica quântica. No entanto, você manteve uma distância crítica do establishment científico, uma espécie de voz herética e um cético em relação ao ceticismo. Você costuma citar a história do Dr. Wilhelm Reich como um exemplo de autoridade enlouquecida. O governo dos Estados Unidos destruiu grande parte do trabalho controverso do Dr. Reich, e ninguém, especialmente colegas cientistas, deu um passo à frente em protesto ou defesa. A ciência deveria ser sobre inovação, mas poucos cientistas parecem capazes de revisar suas teorias favoritas uma vez que tenham sido aceitas. Acho que é por isso que muitos acharam chocante quando Stephen Hawking recentemente saiu e disse: “Eu estava errado sobre os buracos negros”. Ninguém está acostumado a ver figuras respeitadas revisando ou descartando suas crenças arraigadas. Qual é a importância da heresia, ceticismo e ideação heterodoxa para o avanço da ciência?

Deixe-me fazer uma diferença entre o método científico e a neurologia do cientista individual. O método científico sempre dependeu do feedback [ou flip-flop, como os czaristas chamam]; Portanto, considero-a a forma mais elevada de inteligência de grupo até agora desenvolvida neste planeta atrasado. Já o cientista individual parece ser um animal completamente diferente. Os que conheci parecem tão apaixonados e, portanto, tão egoístas e preconceituosos quanto pintores, bailarinas ou mesmo, Deus salve a classe, escritores. Minha esperança está no próprio sistema de feedback, não em qualquer suposta santidade dos indivíduos no sistema.

Com seu auto-entitulado modelo agnóstico você desconstruiu todos os tipos de sistemas de crenças (BS) em seus livros. Em Prometheus Rising você encorajou as pessoas a entrar conscientemente em tantos túneis de realidade diferentes quanto possível, para examinar suas crenças de múltiplos pontos de vista. A cultura humana está repleta de pessoas zelosamente apegadas a várias ortodoxias e ideologias. O choque de sistemas de crenças fundamentais muitas vezes provou ser destrutivo para a humanidade. O que será necessário para sacudir as pessoas de seus dogmas?

Em uma palavra, Internet. Desde que li Cybernetics: Control and Communication in the Animal and the Machine, de Wiener, em 1948, pensei em “inteligência” como uma função de feedback. Quanto mais feedback, maior a “inteligência” mensurável, e quanto menos feedback, menos “inteligência”. À medida que o computador deu origem à Net e à Web, o feedback aumentou exponencialmente. Como R. U. Sirius escreveu recentemente: “A ascensão da Net e da Web representa uma vitória para a contracultura e a subcultura. A próxima geração, criada na Net como seu principal meio, nem mesmo saberá o que é a realidade consensual.” Em outras palavras, feedback e Lógica do Talvez formam um círculo que gira cada vez mais rápido. Os czaristas temem e odeiam – eles chamam de “flip-flopping” – mas caracteriza todos os sistemas de alta inteligência, eletrônicos ou protoplasmáticos.

Concordo que a internet parece ser um produto de um sistema de feedback tão acelerado. Isso é algo que podemos testemunhar em cada interação online. Mas, tem havido muita conversa após o 11 de setembro de um sinistro espectro totalitário pairando sobre nós, que o Grande Irmão de Orwell está finalmente aqui. Existem conspirologistas que acreditam que a internet, tendo surgido do Pentágono, nunca foi nada mais do que uma trama do Big Brotherista, e que pessoas como RU Sirius, John Perry Barlow e outros filósofos da Era da Informação são tolos (in)conscientemente fornecendo uma fachada libertária para esta vasta conspiração. E se a internet não for nada mais do que o mais recente método czarista de controle e coleta de informações?

Bem, então estamos afundados, não é? Felizmente, não existe nenhuma razão lógica ou factual para acreditar nessa fantasia paranóica, e ela é diretamente contrariada pela matemática difícil de Wiener e Shannon sobre “redundância de controle” em sistemas de feedback. O que Juang Jou disse sobre o universo há 2.400 anos é ainda mais verdadeiro nas 4.285.199.774 URLs de computador online hoje – [21 de agosto de 2004] – “não há governador em lugar nenhum”.

Falando em 11 de setembro e no Pentágono, um dia depois que o avião abriu um buraco na lateral do prédio, imediatamente pensei no livro Illuminatus que você escreveu com Robert Shea. Nele, o Pentágono de cinco lados aprisiona uma besta sobrenatural chamada Yog Sothoth. Se esse ghoul escapasse, a humanidade testemunharia a imanentização escatológica. Esta parece ser a metáfora mais adequada para o atual clima cultural milenar que eu já vi. Então, de certa forma, Yog Sothoth foi eliminado naquele dia?

Não tomemos metáforas muito literalmente. Admito que Bozo tem muito em comum com Yog Sothoth, e que ele até tem as mesmas iniciais de GWB666 em Schrödinger’s Cat, mas considero isso como acertos acidentais. Não me considero um profeta adormecido.

Quão perto estamos da imanentização escatológica?

O escaton foi imanentizado há 5 anos, quando os Supremos cancelaram a eleição e nomearam GWB – a Grande Besta Selvagem – para a Casa Branca.

Você escreveu um artigo convincente após a eleição presidencial de 2000 nos EUA, no qual apontou uma daquelas coisas óbvias que a maioria das pessoas não percebeu: enquanto 50% dos eleitores elegíveis dividem seus votos entre Bush e Gore, os outros 50% conscientemente escolheram votar em Ninguém. (Na verdade, tenho argumentado que, como crianças, prisioneiros, estrangeiros e outras pessoas desprivilegiadas não podiam votar, Bush só conseguiu um mandato de cerca de 14% do povo americano. Chega de “metade do país” apoiando-o, Você também teorizou que um nefasto e neo-autocrático “Governo de Ocupação Czarista” (TSOG) controla o aparelho do Estado. Foda-se o velho debate democrata versus republicano. Diga-me, como você acha que o Ninguém e o TSOG se sairão nas próximas eleições presidenciais?

Presumo que as pessoas mais inteligentes continuarão a votar em Ninguém, e a maioria idiota dividirá seus votos igualmente, dependendo de qual dos dois multimilionários Skull-and-bones tem mais sex appeal. Isso realmente não parece importar: se as pessoas preferem marginalmente o candidato “errado”, a Suprema Corte certamente os “corrige” novamente. O TSOG parece uma doença confortável, como a morte por doença do sono. Após 7000 anos de ‘Authoritaria’.

No patriarcado, a maioria das pessoas aceita o czarismo e, na América aquela constituição incômoda imposta a eles por alguns maçons intelectuais.

Esta declaração lembra a Psicologia de Massa do Fascismo de Reich. Parece que há uma desconfiança pública massiva e generalizada e desgosto na política e no governo, não apenas nos EUA, mas em muitas partes do mundo. Por que os cidadãos são tão leais a sistemas e líderes pelos quais reconhecidamente não têm respeito?

Raymond Chandler, que serviu como tenente de infantaria na Primeira Guerra Mundial, apontou o mesmo paradoxo em menor escala: ao atacar um inimigo, as tropas são estatisticamente mais seguras se espalhadas amplamente, mas todas mostram uma tendência a se agrupar perto do tenente, aumentando assim o risco. Isso parece um programa de vertebrados [mesmo pré-mamífero] programado. Além disso, temos mais de 7.000 anos de condicionamento autoritário documentado por Reich. Parece bastante sombrio, não é? Meu otimismo se baseia no fato de que, historicamente, em situações de emergência, as pessoas muitas vezes sofrem mutações de maneiras imprevisíveis e criativas. Como disse John Adams, a Revolução Americana ocorreu “nas mentes das pessoas nos 15 anos antes do primeiro tiro ser disparado”. Suspeito que uma revolução semelhante esteja ocorrendo nas mentes de pessoas educadas em todo o mundo.

Em todo o cenário pós-eleitoral, tem-se falado muito de uma “América dividida”, com especialistas traçando uma linha dura entre “estados azuis” e “estados vermelhos”. Esta linha é ilusória?

Suspeito que todas as linhas existam apenas em nossas mentes – especialmente linhas políticas. O universo parece mais um caos dançante do que um caderno pautado.

Estamos vivendo na Roma de Phillip K. Dick?

Bem, Phil certamente morava lá. Sinto-me mais como se vivesse na Rússia czarista. Às vezes penso em mim como o último dezembrista – e se isso parece obscuro ou muito esquisito, basta definir seu mecanismo de busca para “dezembristas + Illuminati” e grok em sua plenitude as URLs que aparecem. De qualquer forma, certamente não vivemos em uma democracia constitucional. Tenho quase 99.999999999999999999999999999999% de certeza disso.

Quando estou severamente deprimido, ou severamente chapado, sou capaz de realmente *sentir* a Roma de Dick, não apenas grocá-la como um conceito intelectual. Para mim, este túnel da realidade está cheio de emoção, paranóia, ilusão, sincronicidade, simbologia, metáfora, consciência aumentada. Alguma vez vai além da teoria para você? Você *sente* a Rússia czarista?

Freqüentemente — especialmente quando testo meu desapego budista tentando ouvir “nossos” líderes sem rosnar ou xingar baixinho. Sinto-me como os dezembristas, de forma muito pungente. Mas também identifico muito os fundadores desta República moribunda. Eles sabiam que a Constituição sozinha não poderia conter os desejos de poder de Certos Tipos e avisaram que precisávamos de vigilância eterna – – mas eles só poderiam nos dar a Constituição, não a vigilância. Infelizmente!

Parece, então, que a democracia é uma capa para a autocracia. Foi sempre assim? Ou a história está retrocedendo, traímos coletivamente o Iluminismo?

Primeiro, minha paixão se volta para a democracia CONSTITUCIONAL, não apenas a “democracia” em geral, que temo tanto quanto nossos fundadores. Eu quero LIMITES no governo, claramente definidos e virtualmente “gravados em pedra”. Como John Adams escreveu: “Meu credo é que despotismo ou poder absoluto é o mesmo na maioria de uma assembléia popular, em um conselho aristocrático, em uma junta oligárquica ou em um único imperador – igualmente arbitrário, sangrento e em todos os aspectos diabólico”. Eu concordo totalmente. Sim, acho que perdemos muita luz ultimamente – e por “nós” quero dizer tanto os políticos quanto as massas.

Você teve que lutar pelo seu direito de usar maconha medicinalmente. Como você se tornou ativista?

Desde 1959 eu “ativo” por várias causas, porque tenho esse tipo de temperamento. Eu me envolvi ativamente na causa da maconha medicinal muito antes de meus sintomas pós-pólio tornarem a maconha necessária no meu próprio caso. Agora, preso em uma cadeira de rodas a maior parte do dia, me sinto não apenas ativado, mas superativado. Sustentei uma esposa e quatro filhos a maior parte da minha vida. Tenho 35 livros impressos. NEW SCIENTIST chamou minha trilogia CAT de “o mais científico de todos os romances de ficção científica”. Agora, aos 73 anos, sou tratado como uma criança pelo TSOG – assim como meu médico, um médico totalmente qualificado.  Se consultando algumas organizações baseadas na fé que para citar George Carlin são “incrivelmente cheios de merda.” Se você quiser a visão de organizações baseadas em pesquisa terá que se esforçar.

Você fundou recentemente o Guns & Dope Party para combater os excessos do czarismo. Quais são alguns dos princípios centrais da plataforma do seu partido?

– Armas para quem as quer; sem armas impostas a quem não as quer [Quakers, Amish, pacifistas em geral etc.]
– Drogas para quem as quer; sem drogas impostas a quem não as quer [Cientistas Cristãos, herbalistas, homeopatas etc]
– União Bípede – direitos iguais para avestruzes
– Tributação voluntária: você paga pelos programas governamentais que deseja; você não paga um centavo por nenhum programa que não queira.

Você acha que as Zonas Autônomas Temporárias ou Utopias Piratas têm potencial para serem paraísos livres do TSOG?

Temporariamente. Somente a Internet cria a possibilidade real de uma Zona Autônoma Global. Acho que todos os problemas foram resolvidos e serão resolvidos por [a] mais informações e [b] transmissão de informações mais rápida e onipresente.

O conceito de conspiração tem se destacado em seus escritos por décadas. O que mais te fascina no conceito de teoria da conspiração?

Meu maior interesse permanece, como eu disse, na área de lógica não-aristotélica, e por volta de 1969 Bob Shea e eu tivemos a ideia de escrever um romance engraçado aplicando A Lógica do Talvez à arena da conspiração. O resultado, ILLUMINATUS foi tão longe fora dos túneis de realidade de consenso que levamos cinco anos para publicá-lo, e agora, há 30 anos, continuo recebendo feedback de dois grupos que não conseguem lidar com o conceito de “talvez”, de forma alguma. O primeiro grupo acredita fervorosamente, sem sombra de dúvida, que endossei as ideias mais loucas que discuti e, portanto, me considera um maluco perigoso. O segundo grupo tem uma crença igualmente ardente de que eu trabalho para o departamento de desinformação da CIA e quero fazer todas as teorias da conspiração parecerem igualmente malucas. Já escrevi dezenas de livros sobre outros assuntos, mas essas duas gangues provocam continuamente meu senso de humor chapado, então sempre me rendo à tentação de me divertir um pouco mais com eles…

A Conspiriologia está muito grande nos dias de hoje. Por que você acha que as pessoas são tão atraídas por ideias especulativas?

Como um Baba Cósmico confesso, não afirmo “saber” a resposta para isso – ou qualquer outra coisa – mas tenho certas suspeitas persistentes. Suspeito, por exemplo, que “o establishment” – ou seja, o TSOG e a mídia corporativa – contaram tantas mentiras ultrajantes que ninguém realmente confia mais neles. As armas de destruição em massa no Iraque ainda permanecem escondidas da percepção humana. Depois que essa mentira desmoronou, o TSOG não apareceu apenas cheio de merda; parecia, para citar Carlin novamente, que parece incrivelmente cheio de merda. Então, naturalmente, cresceu um mercado para explicações sobre o que diabos realmente motiva Bozo e sua gangue. Considero meu trabalho como aplicar a mesma crítica mordaz a todos os modelos que tentam insinuar que o modelista realmente sabe mais do que eu e não apenas adivinha, especula e tateia no escuro, como admito que faço.

Você é bem conhecido por seu trabalho explorando teorias especulativas e esotéricas. Em livros como Sex and Drugs e na série Cosmic Trigger, você escreveu sobre experimentação com magia oculta. Refletindo sobre suas inúmeras incursões nesses mundos estranhos onde a Ciência teme pisar, quais são os “segredos” mais interessantes que você descobriu?

O mesmo que descobri simultaneamente no budismo e na física quântica: ou seja, a suposta “muralha” entre “eu” e “o mundo” não existe. Limpar o pensamento e a linguagem dessa divisão fictícia aumenta imensamente a clareza. Ah, sim, e melhora seu senso de humor também!

Vamos encerrar com um pouco de humor. Você pode me contar uma boa piada?

Três caras estão bebendo e discutindo em um bar. “Eu lhe digo que deve ser escrito W-O-O-O-M”, diz o primeiro dogmaticamente.
“E eu ainda digo que W-H-O-O-M soa melhor”, o segundo conta.
“Não, não, não”, diz o terceiro. “É definitivamente W-H-O-M-B-B.”
“Vocês todos entenderam errado”, diz a ginecologista na mesa ao lado. “É W-O-M-B.” (NT: Útero) Eles a encaram friamente. “Senhora”, diz o primeiro, “é óbvio que você nunca ouviu um elefante peidar.”

Bônus: Maybe Logic (documentário completo)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/23-perguntas-para-robert-anton-wilson/

A Boca do Abutre

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden, Capítulo Onze.

A PALAVRA do Aeon de Maat que os iniciados afirmam ter sido recebida enquanto em comunicação com inteligências extraterrestres,392 é IPSOS, significando ‘a mesma boca’. No segundo capítulo de AL (verso 76) surge uma cifra críptica que contém um grupo de letras possuindo o valor de IPSOS. De fato, duas grafias diferentes de Ipsos resultam em números equivalentes a um grupo de letras em AL. O criptograma em AL é RPSTOVAL, que tem o valor cabalístico de 696 ou 456 conforme ou a letra ‘S’ é lida como um shin ou como um samekh. Similarmente, IPSOS = 696 ou 456 conforme se o primeiro ‘s’ é tomado como um shin ou um samekh. IPSOS é portanto o equivalente cabalístico de RPSTOVAL. O significado deste grupo de letras não é conhecido, mas Ipsos a boca, o órgão da Palavra de Expressão (saída_?), de Alimentação, Sucção, Beberagem, etc., é o órgão não apenas de expressão mas também de recepção da Palavra.

A fórmula RPSTOVAL compartilha com IPSOS, pois a fórmula da Torre393 é aquela do Falo em erupção, e a ejaculação394 da Palavra do Aeon de Maat, a Palavra que se estende até ‘o fim da terra’.395 A terra está sob o domínio do Príncipe do Ar (i.e. Shaitan), mas os espaços além estão sob o domínio do Senhor do Aethyr, cujo símbolo é o abutre.

Nenhuma fórmula pode ser cósmica que não seja essencialmente microcósmica, pois uma contém a outra. É portanto sugerido que a fórmula de RPSTOVAL é aquela de um processo especificamente fisiológico que envolve a boca (útero) em sua fase mais recôndita.

A boca enquanto Maat, a Verdade, a Palavra; Mat, a Mãe; Maut, o Abutre; e Mort, o Morto,396 está implícita no simbolismo da Torre. A erupção ou expressão da Torre (falo) é a saída (?) da Palavra para dentro dos espaços além da terra que são um com os aethyrs397 representada por el Mato, o Louco, o Mat ou O Louco, e Le Mort, o Morto.

O Caminho do Louco (décimo primeiro caminho) é a extensão secreta do Caminho da Torre (Atu XVI) e uma compreensão iniciática deste simbolismo apresenta uma chave para a fórmula do Aeon de Maat que está resumido pelo número 27 (11 + 16), o número do Caminho do Morto e do Atu XVI, A Torre.398 É significativo que o Caminho da Torre seja de fato o 27o Caminho. Este número é atribuído ao Liber Trigrammaton, um Livro Santo, embora ainda não compreendido, recebido por Crowley de Aiwass. Crowley suspeitava que ele continha o segredo da cabala ‘Inglesa’, e em seus Comentários sobre o AL ele tentou equacionar os trigramas com as letras do alfabeto Inglês de modo a descobrir a cabala Inglesa tal como ele estava ordenado a cumprir no AL.399 Mas as equações estavam longe de serem convincentes, mesmo para ele mesmo. O que ele parecia não compreender era que a cabala que ele buscava pertencia a uma dimensão completamente diferente, e que a boca que iria comunicar esta cabala era a boca cujas emanações são os próprios kalas. Portanto, como eu sugeri em Cultos da Sombra (capítulo 7) com relação à palavra RPSTOVAL, com igual probabilidade pode a palavra IPSOS ocultar uma fórmula de kalas psicossexuais que podem ser compreendidos com relação a uma interpretação tantrica da polaridade sexual.

A interação da vagina e do falo (i.e. a boca e a torre) está resumida sob a fórmula eroto-oral conhecida na linguagem popular como o soixante-neuf (69). Mas o assunto é um pouco mais recôndito do que aquele geralmente implicado por esta prática. Os números 6 e 9 denotam o sol e a lua, Tiphareth e Yesod, e, em termos dos 32 kalas o 6 e o 9 se referem àqueles de Leo400 e Pisces401 A enumeração total resulta 109, o número de NDNH, uma palavra Hebraica significando ‘vagina’402. Deduzindo a cifra, 109 se torna 19, que é o ‘glifo feminino’.403 109 mostra portanto o ovo ou esfera – 0 – do Vazio, o ain do infinito em sua forma feminina. O significado mágico deste simbolismo está colocado numa categoria mais ampla sob o número 69: a radiante energia (relâmpago) solar-fálica do Anjo404 correndo veloz para dentro da boca, cálice ou útero da Lua para misturar-se com o qoph kala.405 A bebida resultante é o vinum sabbati, o Vinho do Sabá das Feiticeiras que pode ser destilado, segundo os antigos grimórios, ‘quando o finial(???) da Torre está oscurecido (ou velado) pela asa do abutre’.

Diz-se que um grito peculiar é emitido da boca do abutre. Em O Coração do Mestre,406 Crowley observa que este grito ou palavra é Mu. Seu número, 46, é a ‘chave dos mistérios’, pois ele é o número de Adam / Adão (Man / Homem). Mu é a semente masculina,407 mas ela é também a água (i.e. sangue) da qual o homem foi moldado. 408 O abutre é um pássaro de sangue e seu grito penetrante é expressado no momento de retalhar(?)409 que acompanha o ato de manifestação: ‘Pois estou dividida por causa do amor, para a chance de união’. (AL. I. 29).

O número 46 também implica o véu divisor (Paroketh), previamente explicado. MAH, 46, é o hebraico para 100, o número de qoph e portanto da ‘parte de trás da cabeça’, o assento das energias sexuais no homem. O cem implica na totalização ou realização de um ciclo de tempo.410 O pleno significado do simbolismo é portanto que quando o abutre abre suas asas para receber o golpe fálico no silêncio e discrição da nuvem,411 seu grito penetrante de êxtase, hriliu412, é MU (46).413

Neste estágio é necessário fazer uma digressão aparentemente irrelevante caso a total importância do simbolismo da Torre deva ser entendida.

Numa construção dilapidada anteriormente situada no local atualmente ocupado pelo Centre Point414 ocorreu, em 1949 um rito mágico curioso. Ele aconteceu por instigação de Gerald Gardner.415 O aposento no qual o rito ocorreu estava alugado naquela ocasião por uma ‘bruxa’ a qual eu chamarei de Sra. South. Ela era realmente uma cafetina(?) e prostituta que temperava suas atividades com um sabor ‘oculto’ calculado para apelar à um certo tipo de clientela. Acompanhado por minha esposa e Gerald Gardner, nós três nos dirigimos ao apartamento da Sra. South após passarmos uma tarde com Gardner em seu apartamento em Ridgemount Terrace afastado da Tottenham Court Road. O rito exigia cinco pessoas e só poderia começar após a chegada de uma jovem senhora a quem a Sra. South estava aguardando para aquele propósito. Supunha-se que a jovem senhora era – como a própria Sra.South – bem versada nos aspectos mais profundos da feitiçaria. Eu não vou negar o fato de que sua feitiçaria provou ser genuína, mas que ela sabia menos ainda sobre a arte do que a Sra.South eu também não vou negar.

Gardner explicou que o propósito do rito era demonstrar sua habilidade em ‘trazer para baixo o poder’. Ele pretendia elevar uma corrente de energia mágica com o propósito de contatar certas inteligências extraterrestres com as quais eu estava, naquela ocasião,416 em rapport quase constante. O rito deveria consistir na circunvolução de nós cinco ao redor de um grande sigilo gravado em papel pergaminho que foi especialmente consagrado. O sigilo foi desenhado para meu uso por Austin Osman Spare que também estava, naquele tempo, ocupado em contatar extraterrestres. O sigilo seria mais tarde consumido na chama de uma vela disposta sobre um altar no quadrante norte do apartamento. À parte deste equipamento mágico, o aposento da Sra.South continha apenas duas ou três estantes de livros sobre feitiçaria e o ‘oculto’ em geral; eles foram sem dúvida importados por ela para emprestar um ar de autenticidade à suas buscas mais usuais.

Se o rito teria sido eficaz ou não fica aberto para questionamento. Ele foi interrompido antes da invocação inicial ter sido concluída. Esta consistia de uma circunvolução horária ao redor do altar com rapidez crescente em círculos que iam diminuindo. A campainha da porta da frente tocou subitamente nas profundezas da construção no restante deserta, primeiramente fraca, então de forma penetrante e insistentemente. O determinado visitante provou ser o proprietário de uma livraria ‘oculta’ situada numa distância não muito grande do apartamento da Sra.South. Contudo ao saber que eu estava no alto da escadaria o visitante decidiu não subir.417 Ele saiu e então meteu-se na vaga névoa de Novembro que mais tarde naquela noite se desenvolveu em um bom fog (nevoeiro) Londrino à moda antiga.

O objetivo deste relato é ilustrar um fato curioso característico da estranha maneira na qual a magia(k) freqüentemente funciona. O sigilo que deveria ter formado o foco da Operação aquela noite era o de um espírito particularmente potente, que teria sido indubitavelmente descrito por Gardner e a Sra. South como essencialmente ‘fálico’. Este fato é importante, pois logo após a cerimônia abortada a Sra. South morreu sob circunstâncias misteriosas; o casamento do dono da livraria se desintegrou violentamente e ele também morreu logo após. O próprio Gerald Gardner não demorou em seguir o exemplo(?). Mas o alto edifício mais tarde erguido sobre o local que estes magos frequentavam é no meu entender um monumento adequado à futilidade daquela Operação noturna.

Fui induzido à lembrar de fazer este relato sobre um rito mágico que deu errado devido à uma declaração feita por Ithell Colquhoun que reconhece na Torre do Correio um monumento à magia de MacGregor Mathers, algumas de cujas atividades foram concentradas naquela região de Londres.418 A premissa pode ser absurda, mas deve ser lembrado que os surrealistas, dos quais Ithell Colqhoun era um, penetraram muitos mistérios mágicos que escaparam aos praticantes e investigadores mais prosaicos. Os casos de Centre Point e a Torre do Correio (ambas formas da Torre Mágica discutida no presente capítulo) conduzem logicamente ao simbolismo da Torre que penetra os Trabalhos de vários ocultistas contemporâneos que operam independentemente uns dos outros.

Durante os últimos anos recentes o presente escritor tem recebido cartas de pessoas e grupos mágicos de todo o mundo, e talvez não seja surpreendente – em vista da natureza comum de nossas pesquisas – que certos símbolos dominantes devam recorrer. Por exemplo, o Liber Pennae Praenumbra que foi recentemente recebido por Adeptos em Ohio, EUA, está permeado com os símbolos mostrados no vívido delinear de Allen Holub de O Abutre na Torre do Silêncio (vide ilustração 8): O Abutre de Maat, a Abelha de Sekhet, a Torre do Silêncio, e a Serpente cujas espirais formam a palavra IPSOS.

Um outro grupo independente de Adeptos em Nova Iorque, conduzido por Soror Tanith da O.T.O., também recebeu símbolos idênticos, dos quais a Torre do Silêncio e a Abelha de Sekhet são os predominantes. A transmissão à Soror Tanith foi emitida por uma entidade extraterrestre conhecida como LAM que foi anteriormente contatada por Crowley em 1919.419

O líder do Culto da Serpente Negra, Michael Bertiaux, também contatou LAM enquanto operava com a Corrente Bön-Pa Tibetana nos anos sessenta.420 Em todas estas invocações e operações mágicas, o simbolismo acima descrito tem sido predominante, o que sugere que em todos os três locais (i.e. Ohio, Nova Iorque e Chicago) uma idêntica energia oculta, entidade ou raio, está irradiando vibrações em conformidade com os símbolos de Mu ou Maat e podem portanto proceder daquele aeon futuro. Isso tende à confirmar a teoria de Frater Achad de que existe uma sobreposição provocada por uma ‘curvatura no tempo’ que está manifestando seu enrolar espiral conforme a antiga sabedoria,421 onde era simbolizada pelo abutre com o pescoço em espiral e pelo pescoço torto cujas peculiaridades físicas fizeram dele um totem ou símbolo senciente similarmente apto.

Outro totem, menos facilmente explicável, é a hiena. Como o abutre, a hiena é uma ‘besta de sangue’, mas apenas isso não responde por seu uso como um glifo zoomórfico na Tradição Draconiana. Segundo a antiga sabedoria a hiena só pode enxergar à direita ou à esquerda girando(?) ao redor de todo o seu corpo; i.e. ele não consegue virar sua cabeça. Ele é portanto de igual valência, simbolicamente, como o pescoço torto. Como um totem do abismo, a atribuição da hiena é por si evidente à respeito de esta povoar as criptas e tumbas do antigo Egito e se alimentar dos mortos. O simbolismo do deserto também se aplica. Na Índia o abutre e a hiena estão entre as bestas associadas com os ritos de Kali. O elemento tântrico do rito está então implícito.

Existem similaridades próximas entre os ritos Afro-Egípcios de Shaitan celebrados na Suméria e Acádia, e os posteriores ritos tântricos Indianos de Kali. O sabor distintamente mongol desses ritos observados por estudiosos422 é evidente no ethos(?) peculiar que permeia muito da literatura conectada aos Kaulas, que usam o bode, o porco, o abutre, a serpente, a aranha, o morcego, e outras bestas tipicamente Tifonianas em suas cerimônias sacrificiais. Existem também uma confraternidade secreta na América do Sul atualmente que mantém entre os devotos de seu círculo interno aqueles que atravessaram os Portais Intermediários(?) na forma-deus do morcego. Este é o zoótipo da besta de sangue vampira que está ligada ao simbolismo do abutre e da hiena. O morcego se pendura de ponta cabeça para dormir após se alimentar; a hiena é retromingent423; e o abutre, cujo pescoço torto sugere uma forma de ‘visão’ para trás, são determinativos ocultos daquela retroversão dos sentidos que torna possível o salto por cima do abismo. Este salto é um mergulho para trás através do vazio tempo-espaço de Daäth com o resultado de que o fundo salta fora do mundo do Adepto que o ensaia. Sax Rohmer, que foi uma vez um membro da Golden Dawn,424 faz uma alusão de passagem à este culto em seu romance Asa de Morcego (Batwing), e embora ele prejudique o efeito de sua estória ao recorrer ao truque literário vulgar de uma solução mecanicista, ele não obstante se refere à um culto real quando ele diz:

Enquanto que serpentes e escorpiões tem sido sempre reconhecidos como sagrados por cultuadores do Voodoo, o real emblema de sua religião impura é o morcego, especialmente o morcego vampiro da América do Sul.425

Rohmer, como H.P.Lovecraft, tinha experiência direta e contínua dos planos internos, e ambos estabeleceram contato com entidades não-espaciais. Além do mais, estes dois escritores recuaram – em seus romances e em suas correspondências privadas respectivamente – do atual confronto com entidades que são facilmente reconhecíveis como os enviados de Choronzon-Shugal. As máscaras destas entidades adquiriram uma qualidade de tal clareza forçada que nem Rohmer nem Lovecraft eram capazes de encarar o que jaz abaixo. Ainda assim o repúdio insuperável inspirado por tais contatos ocultavam potencial mágico, comprimido e explosivo, o que tornou estes dois escritores mestres em seus respectivos ramos de ocultismo criativo.

Não há dúvidas que escritores como Sax Rohmer, H.P.Lovecraft, Arthur Machen, Algernon Blackwood, Charles Williams, Dion Fortune, etc., trouxeram influências poderosas para serem ostentadas sobre o cenário ocultista através de seus vários esboços das Qliphoth. A fórmula do abismo, por exemplo, tem sido incomparavelmente expressa em alegoria pelo simbolismo do salto mortal psicológico descrito por Charles Williams (em Descida ao Inferno) que usa as linhas assombrosas:

O Mago Zoroastro, meu filho morto,
Encontrou sua própria imagem caminhando no jardim.

como um tema para sua estória.

O ato de girar ou virar para trás é a fórmula implícita na antiga simbologia da bruxaria.426

Os familiares das bruxas, não menos que as formas-deuses assumidas pelos sacerdotes egípcios, foram adotadas de modo à transformar os praticantes, não nos animais em questão, mas em um estado de consciência que eles representavam no bestiário psicológico de poderes atávicos latentes no subconsciente. A fórmula é resumida por Austin Spare em seu sistema de feitiçaria sexual e ressurgência atávica que são os temas do Zoz Kia Cultus.427 Ithell Colquhoun situa corretamente este culto em seu arranjo contemporâneo como um ramo da O.T.O. e da ‘Feitiçaria Tradicional’,428 mas o Zoz Kia Cultus comporta um outro fio que se origina de influências mais antigas que qualquer uma que possa ser atribuída meramente à ‘feitiçaria tradicional’, o que quer que aquele termo possa significar. Estas influências emanam de cultos tais como aqueles que Lovecraft contatou na Nova Inglaterra via Feitiçaria de Salem que – por sua vez – tinha contato com correntes vastamente antigas que se manifestaram no complexo astral Ameríndio como as entidades ‘eldritch’(?) descritas por Lovecraft em seus contos de horror.

Tais também eram as entidades que Spare contatou através de ‘Black Eagle’.429 Black Eagle induziu em Spare a extrema vertigem que iniciou um pouco de sua mais fina obra. Spare ‘visualizou’ esta sensação de vertigem criativa num quadro entitulado Tragédia do Trapézio (ilustração 15) cujo tema ele repetiu em várias pinturas. A fórmula é essencial à sua feitiçaria.

O trapézio ou balanço era o vahana430 de Radha e Krishna, cujo jogo amoroso está associado à vertigem induzida pelo balançar das emoções e do cair (loucamente) em amor. Com Spare, contudo, o êxtase alcança sua apoteose através de uma sensação catastrófica de opressão esmagadora, de ser empurrado para baixo e mergulhar no abismo.

O balanço é idêntico ao berço que desempenha papel tão proeminente nos mistérios do Culto de Krishna Gopal.431 Porém muito antes de pré datar os ritos da criança negra, Krishna, haviam os ritos da criança negra Set, ou Harpocrates, o bebê dentro do ovo negro do Akasha.432 O Aeon da Criança433 é o Aeon do Bebê do Abismo, sendo que um de seus símbolos é o berço que simboliza o balanço ou travessia para o Aeon de Maat (Mu). Mu, 46, a Chave dos Mistérios, é também o número de MV (água, i.e. sangue) que é tipificado pelo abutre, a hiena, e outras ‘bestas de sangue’. Em termos mágicos, a sensação induzida no trapezista mergulhador é resumida por Spare numa fórmula pictórica à qual ele não deu nenhum nome particular, mas que pode ser descrita como a Fórmula da Vertigem Criativa. No seu quadro do trapezista a executante é feminina pois ela representa a personificação humana da Serpente de Fogo despertada. É o pé,434 e não a mão que é escolhido para instigar os meios da queda.

No Zoz Kia Cultus Spare exaltou a Mão e o Olho como os principais instrumentos de reificação. Isto quer dizer que ele exaltava uma fórmula mágica similar àquela que caracteriza o oitavo grau da O.T.O.435 Ainda assim ele percebeu que a suprema fórmula eficaz na transição do abismo é aquela que envolve não a mão, mas o ‘pé’. O pé está sob ou embaixo da mão e assim, simbolicamente, a mão ‘esquerda’ tipificada pela Mulher Escarlate, de cujos pés a poeira é o pó vermelho celebrado pelos Siddhas Tamil.436 A poeira vermelha, ou poeira do fogo, é a emanação nuclear da Serpente de Fogo em seu veloz deslocamento para cima, e ela conduz à iluminação em um sentido cósmico. Mas é necessário um processo adicional para admitir o Adepto às zonas do Não-Ser representadas pelo outro lado da Árvore da Vida que aterroriza o não-iniciado como sendo a Árvore da Morte.

Além do Abismo, sexualidade ou polaridade perdem todo o sentido. Isto explica porque, segundo a doutrina da Golden Dawn, os Adeptos além do Grau de 7o=4437 não eram mais encarnados. Por não existir nenhuma terminologia adequada (na Tradição Ocidental) para este estado de ocorrência podemos não mais do que nos referirmos, por meio de analogia, aos Mahapurusas da Tradição Hindu. Mahapurusas são seres não humanos que aparecem para os Adeptos no caminho espiritual. Um exemplo recente bem documentado de tal manifestação ocorreu na vida de Pagal Haranath.438 Ele era considerado como sendo uma encarnação de Krishna e uma reencarnação de Sri Caitanya, o bhakta439 do século 15 que inspirou os habitantes de Bengala pela intensidade e fervor de sua devoção à Krishna (Deus). À Pagal Haranath um Mahapurusa apareceu como uma forma radiante com luz gigantesca. O único paralelo ocidental (de anos recentes) que vem à mente é o relato muito citado do encontro de MacGregor Mathers com os ‘Chefes Secretos’ que ocorreu no Bois de Boulogne.440

Aleister Crowley em contradição à MacGregor Mathers, sustentava que os Adeptos de suprema realização algumas vezes permanecem de fato na carne; quer dizer, a experiência conhecida como ‘cruzar o abismo’ não comporta necessariamente a morte física. Isto é, naturalmente, bem conhecido no oriente, onde, em nosso próprio tempo, tem havido exemplos excepcionais tais como Sri Ramakrishna Paramahamsa, Sri Ramana Maharshi, Sri Sai Baba (de Shirdi), Sri Anandamayi Ma e Sri Anusaya Devi,441 para mencionar apenas uns poucos.

Tem sido refutado [o fato de] que Crowley não cruzou o Abismo com sucesso.442 Seja como for, certos iniciados ocidentais indubitavelmente conseguiram fazer esta travessia e isso está evidente em seus escritos. Embora um caso de opinião – e isto é aqui declarado como tal, e não mais – o mais importante dos Adeptos Ocidentais nesta categoria é aquele que escreve sob o pseudônimo de Wei Wu Wei. Seus livros devem ser elogiados como as excursões mais ricas, mais sutis e mais vivamente potentes para dentro do Vazio da Consciência Sem Forma, ainda assim reduzidas em palavras.

Notas:

392 Vide Página 116, nota 36.

393 Associada com a fórmula de IPSOS; vide Figura 8.

394 Via o meatus, uma boca inferior.

395 Maat = 442 = APMI ARTz = ‘o fim da terra’.

396 i.e. o subconsciente (Amenta).

397 IPSOS grafado como 760 é equivalente à ‘Empyreum’, o empíreo.

398 Em alguns maços de Taro este atu é conhecido como A Torre Destruída.

399 Tu obterás a ordem & valor do alfabeto Inglês; tu encontrarás novos símbolos aos quais as atribuirá’. (AL. II. 55).

400 O kala do Sol, atribuído à letra Teth, significando um ‘leão-serpente’.

401 O kala da Lua, atribuído à letra Qoph, significando ‘a parte de trás da cabeça’.

402 O número 109 é também aquele de OGVL, ‘círculo’, ‘esfera’; BQZ, ‘relâmpago’; e AHP, ‘Ar’.

403 Vide 777 Revisado: Significado dos [Números] Primos de 11 a 97.

404 Tiphareth; a Esfera do Santo Anjo Guardião.

405 Vide Diagrama 1, Cultos da Sombra.

406 Reeditado em 1974 pela 93 Publishing, Montreal.

407 Compare a palavra egípcia mai.

408 A-DM ou Adam foi feito da ‘terra vermelha’ (i.e. DM, sangue).

409 HBDLH (retalhando_?) = 46.

410 Compare com a palavra egípcia meh, ‘encher’, ‘cheio’, ‘completar’.

411 Paroketh também significa ‘uma nuvem’; uma referência à invisibilidade tradicionalmente assumida pelo deus masculino ao impregnar a virgem.

412 Em sua cópia pessoal do Liber XV (A Missa Gnóstica), Crowley explica hriliu como o ‘êxtase metafísico’ que acompanha o orgasmo sexual.

413 É interessante observar juntamente com o significado da palavra IPSOS, que Frater Achad chegou muito próximo à uma interpretação similar de sua própria fórmula do Aeon de Maat, a saber: Ma-Ion. Numa carta datada de 7 de Junho de 1948, ele escreve: ‘Por gentileza observe que em Sânscrito Ma = Not (Não). Na mesma linguagem ela também significa: ‘Mouth’ (‘Boca’).

414 Londres WC1.

415 O autor de dois livros sobre Feitiçaria que atraiu alguma atenção no tempo de sua publicação nos anos 50.

416 O incidente ocorreu durante o estágio formativo de uma loja da O.T.O. que eu havia fundado para o propósito de canalizar influências mágicas específicas desde uma fonte transplutoniana simbolizada por Nu-Isis.

417 Minha associação com Aleister Crowley não era desconhecida à ele.

418 Vide a Espada da Sabedoria: MacGregor Mathers e a Golden Dawn, por Ithell Colquhoun, Nevile Spearman, 1975. A Srta.Colqhoun observa que W.B.Yeats e outros foram iniciados na Rua Fitzroy, e comenta: ‘Hoje a Torre do Correio ofuscando a rua poderia, eu suponho, ser vista como uma projeção do poder de Hermes, aqui substituindo o de Isis- Urania’.(p.50).

419 Crowley também estava em Nova Iorque na ocasião em que ele estabeleceu contato com esta entidade. Uma gravura de LAM desenhada por Crowley aparece em O Renascer da Magia, ilustração 5. O desenho foi exibido originalmente em Greenwich Village em 1919 e publicada em O Equinócio Azul.

420 Vide Cultos da Sombra, capítulo 10.

421 Zoroastro (circa 1100 A.C.) estava bem consciente da misteriosa dobra do tempo que exercitou o talento de alguns dos mais perspicazes pensadores modernos. Ele descreveu Deus como tendo uma ‘força espiral’ e associou o hiato de tempo com a progressão dos aeons que retornavam à sua fonte de origem, assim reativando os atavismos primais da consciência primeva.

422 Vide Estudos sobre os Tantras , de Prabodh Chandra Bagchi.

423 Nota do Tradutor: Micção realizada ao contrário.

424 Segundo Cay Van Ash & Elizabeth Sax Rohmer. Vide Mestre da Vileza , capítulo 4. Ohio Popular Press, 1972.

425 Asa de Morcego, p.92.

426 Esta fórmula é equivalente ao nivritti marga hindu ou ‘caminho do retorno’, ou inversão dos sentidos à sua fonte em pura consciência. Ela é tipificada nos tantras como viparita maithuna, simbolizada pela união sexual de ponta cabeça.

427 Vide Imagens & Oráculos de Austin Osman Spare, Parte II.

428 Espada da Sabedoria (Colquhoun), capítulo 16.

429 Para uma imagem desta entidade, vide O Renascer da Magia, ilustração 12.

430 Este termo em Sanscrito denota um ‘veículo’ ou foco de força.

431 Culto da Criança Krishna.

432 Akasha, significando ‘Espírito’ou ‘Aethyr’(Éter), é o quinto elemento.

433 i.e. o Aeon de Hórus. Hórus ou Har significa a ‘criança’.

434 O simbolismo dos pés da deusa é explicado em Aleister Crowley & o Deus Oculto , capítulo 10.

435 A fórmula é aplicada por meio de auto-erotismo manual.

436 Vide A Religião e Filosofia de Tevaram, de D.Rangaswamy.

437 O Grau imediatamente precedente ao Abismo.

438 Sri Pagal Haranath, o ‘Louco’ ou ‘Doido’, viveu na Bengala Ocidental de 1865 a 19 27. Um relato da visita está contido em Shri Haranath: Seu Papel & Preceitos, de Vithaldas Nathabhai Mehta. Bombay, 1954. Tais manifestações ocorrendo nos tempos primitivos poderiam ter dado início ao conceito dos NPhLIM ou Gigantes. Vide capítulo 9, supra.

439 Devoto de Deus.

440 Citado em Aleister Crowley & o Deus Oculto, capítulo 1.

441 Os dois últimos Sábios estão, felizmente, ainda encarnados e na extensão do que sei, estão disponíveis para
darshan.

442 Frater Achad. Vide Cultos da Sombra, capítulo 8.

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-boca-do-abutre/

A Grande Conspiração Universal

Entrevista efetuada por Daniel Rebisso e publicada na Revista Realismo Fantástico número 6 de Curitiba. Ernesto Bono, autor de A Grande Conspiração Universal, faz incríveis revelações em entrevista concedida a Realismo Fantástico. Pesquisador italo-brasileiro, naturalizado, radicado no Rio Grande do Sul, o ufólogo Ernesto Bono é um dos pioneiros na abordagem filosófica do fenômeno OVNI. Nesta entrevista concedida ao também famoso ufólogo Daniel Rebisso, Bono fala de suas últimas descobertas sobre a grande conspiração dos extraterrestres que estariam dominando planeta.

Realismo Fantástico — Primeira curiosidade: como a Ufologia entrou em sua vida?

Ernesto Bono — Muitos anos antes de me tornar médico e psiquiatra. Foi por volta dos meus 14 anos que comecei a interessar-me profundamente pelo tema e, desde então, nunca mais abandonei essa temática fantástica ou essa manifestação do insólito.

RF – Como conferencista e escritor, observamos que a sua principal preocupação em relação aos OVNIs tem-se voltado para as questões filosóficas ou, como poderíamos dizer, para o aspecto epistemológico e que envolve o conhecimento das coisas. A seu entender, o que a realidade ufológica freqüentemente impõe aos homens?

EB – Eu suspeito que a presença dos UFOs, entre outras coisas, visa modificar nosso modo de sentir, perceber e entender a Vida e o mundo. Eles estariam aí para que, de algum modo, o homem abandone seus velhos esquemas de mal conhecer, esquemas instituídos no Ocidente pela filosofia e epistemologia de Aristóteles e fortalecida por Tomás de Aquino.

Tanto esses velhos filósofos como René Descartes, também filósofo e precursor da Ciência Moderna estabeleceram a primazia da dualidade perceptual. Para eles, sem qualquer dúvida – e para nós também, condicionados pelas idéias deles – existe uma realidade material que se estende e que dura, a qual pode ser encarada por outra realidade que pensa, o corpo-ego-homem, no caso. Esse dualismo ou multiplicidade perceptual acredita, por exemplo, que o homem é um ser à parte, separado, criado por alguém – Deus bíblico ou Acaso científico –, dotado de sentidos e capaz de sentir, pensar e perceber. O homem confrontar-se-ia então com um mundo que estaria à sua frente, mundo que precisa ser bem enfocado, bem percebido, decifrado. Ou melhor, teríamos que raciocinar em cima do que se enxerga e se percebe. Malgrado a impecabilidade dessa postura, ela infelizmente é um modo de conscientizar ou perceber totalmente errôneo e que vem prevalecendo há milhares de anos. Sem qualquer dúvida é prático e cômodo ao Status Quo, mas não passa de uma safadeza e desonestidade da lógica-razão em nós. Tal gnoseologia ou epistemologia é ótima para que os donos do poder alcancem seus fins, e é ótima principalmente para subjugar e dominar os inocentes e desavisados. Os orientais há milênios deram-se conta das mentiras do pensamento comum e da lógica-razão. Esse é o motivo profundo de os sábios orientais nunca se terem permitido criar uma ciência moderna, por exemplo, com seu modo de mal conhecer e de atuar pior. Embora os UFOs nada tenham a ver com a Sabedoria Oriental, talvez estejam tentando romper com nosso esquema enganador de mal conhecer, perceber, senão todos os UFOs, pelo menos boa parte. A presença anômala e escorregadia dos UFOs quiçá esteja sugerindo que conhecer corretamente não é exatamente aquilo que Aristóteles, Ciência e todos os demais filósofos do Ocidente estabeleceram, porque lhes convinha.

RF – Seria então necessário ver ou interpretar o fenômeno OVNI por um outro ângulo que não o científico?

EB – Aprofundando-me no tema, descobri que as humanas possibilidades de conhecer são somente duas: ou prevalece a Direta ou Sentir (do Sábio Autêntico), ou prevalece a Indireta ou pensar (do homem comum, do ignorante, do cientista confuso e conformado). Explico-me melhor: Conhecimento Direto é quando a Mente em SI – ou a Mente num Homem livre do mal pensar – não se separa do dado, ou daquilo que está à sua frente, isto é, a objetividade, que não precisa ser só e sempre material. Tal Mente Pura (ou SENTIR Primevo) comunga com a Objetividade Primordial – ou com o “ISTO” ou também com o Cosmo Verdadeiro. Em tal Saber-e-Sentir há uma interfusão, interpenetração, intercâmbio constante entre o Ser e a Coisa e que em verdade não são dois, mas sim são uma não-dualidade perfeita… No Conhecimento Direto se Sente, se Sabe e se Intui, se Comunga, mas não se rumina a respeito (raciocínio) ou não se discorre propositadamente sobre o percebido, sobre o que se conscientiza. Não existe um ego, ladrão, salteador e mentiroso para tal, e que se meta a distorcer tudo, a ocultar ou a acrescentar lorotas e enganos perceptuais. No conhecimento indireto se pretende que haja um ego-pensante aqui, que se confronta com determinada coisa, lá e que independeria dele, mas que em verdade é só e totalmente pensada. O ego-pensamento em todos nós sempre acha que sente, que sabe, que intuí, que compreende, que atua etc, quando em verdade só pensar em sentir, pensa em agir, pensa em compreender, mas mais mal conhece do que sabe de fato, mais mal lucubra do que intui; tudo raciocina e nada compreende; só pensa em agir, sem conseguir atuar e contento, livremente e alcançar fins verdadeiros. O que o ego-pensamento alcança é exatamente o fruto pensado ou aquilo que se propôs fazer. Longe porém está de usufruir daquele Saber-Sentir Puro, ou de alcançar aquele Isto Primordial, os quais não são tão transcendentes assim nem tão metafísicos. Os discos voadores autênticos são um ISTO Primordial que só o Saber-e-Sentir no Homem vivencia ou senão surpreende e com eles comunga. Há momentos, porém, que certos OVNIs, como uma concessão deles mesmos, transformam-se em objetos vulgares, fugazes, em aparelhos e que qualquer reconhecimento humano ou mal conhecer discursivo pode captar. Só que as experiências que a testemunha-ego tiver sempre serão precárias, confusas, enganadoras, traumatizantes ou até mesmo sofridas. E toda conclusão que de tal experiência o ego quiser retirar sempre será aparências, enganos ou mentiras.

RF – Mas esse tipo de apreensão ufológica nos parece quase um estado de Iluminação Interior. Será preciso tanto?

EB – E por que não poderia ser assim? Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel e a ciência moderna inventaram estórias a respeito da objetividade, do viver cotidiano, do Cosmo, onde os UFOs parecem caber. E quem pode nos garantir que o mundo ou a objetividade tem que ser exatamente como eles disseram? E além de ser assim, quem pode nos garantir que uma objetividade tipo UFO tem que se acomodar às leis e dogmas que a ciência inventou, estabeleceu para resultar em PODER. Ou um UFO tem que se comportar conforme a previsibilidade dos preconceitos humanos?

RF – Mas e o conhecimento indireto de que o amigo fala seria só um fornecedor de aparências e ilusões?

EB – Ele é o pai da própria ilusão e tem como base a própria lógica-razão, mãe de todas as aparências e contradições bipolares e polivalentes! A lógica-razão sempre polariza o que nós acreditamos conhecer por meio dela, ou seja sempre resulta num certo e errado, num longe e perto, num alto e baixo, num longo e curto, num duro e mole etc. –, ou senão oculta a Verdade-Isto, ou ainda distorce o Sentir Primevo e Puro, esconde o Real e em seu lugar engendra substitutos enganadores tipo falso mundo, falso universo, falso objeto. O REAL em si, por sua vez, não é nem material nem anímico, não é nada acrescentado nem dependente, nem é algo que o pensamento comum possa decifrar. Na verdadeira VIDA, em cujo seio os OVNIs também pode caber, e com eles outros Cosmos – e não só o modelo de universo científico – não existe “um homem aqui” e “um mundo lá”. O que nessa Vida talvez prevaleça é exatamente uma não-dualidade vivenciável, indescritível para a lógica pura, mas descritível para os sentidos e emoções. Digamos, é um todo em que homem-e-meio são algo completo. Sol-e-Raios, Raios-e-Sol. Aí, portanto, não haveria nenhuma necessidade de o homem na condição calhorda de ego-pensante separar-se desse meio e depois tentar conhecê-lo para dele tirar ou não proveito e implantar o PODER institucionalizado. Bastaria a esse homem comungar com seu meio, reconquistando aquela unidade ou aquela não-dualidade sensorial e que sempre é uma união afetiva e inteligente.

RF – A idéia é interessante, mas como se aplicaria esse Conhecimento Direto à pesquisa ufológica, ou senão ao seu correto entendimento?

EB – Para se aplicar o Conhecimento Direto não existe nem como nem porquê. O fato é que, sempre que se levantam os “como” e os “por quê?” em seguida passa a prevalecer o conhecimento indireto, o grande enganador e distorcedor de verdades simples e imediatas, como certos UFOs, às vezes podem ser. A presença UFO não oferece um “o quê” ou um “como” pensar. De algum modo, apenas sugere que o teu modo de conhecer é precário ou está errado e que tens que te modificar. Sua realidade, quando presentes se fazem, em termos aparentemente objetivos e materiais, é sempre um desafio para um ufólogo honesto e livre de escolas. Parece que eles vivem a nos dizer: Pára de pensar tanto e tão mal e começa a sentir-e-saber de outro modo! Esse teu outro modo de sentir-e-saber pode perfeitamente transformar-se num caminho que te conduzirá até nós”. E aí voltaremos a ser aquela não-dualidade, Isto-Sentir e Sentir-Isto, em que tanto os homens de boa vontade como os homens cósmicos, seus irmãos mais velhos, acabarão se confundindo e se abraçando no seio de um mesmo PAI-MÃE, de onde tudo surge, mas nada se cria.

RF – Acreditas que todos os UFOs ou melhor, os ufonautas seriam capazes de tal gesto?

EB – É claro que todos não, mas boa parte sim. E é exatamente contra esta boa parte que o Governo Invisível humano e os ETs nefastos do além estão lutando. Boa parte dos ETs devem ser positivamente neutros ou benevolentes; e quem sabe estejam inseridos nesse modo de conhecer direto ou não-dualista. Estes talvez estejam tentando atrair alguns homens inteligentes para levá-los de volta às suas origens, o centro de tudo, onde tudo converge e também desde onde tudo diverge, sem que nada nem ninguém perca aquela condição primordial de Consciência-EU.

RF – E dos demais extraterrestres, dos ETs nefastos, o que poderias no dizer?

EB – Que são velhos aliados de humanos também nefastos daqui mesmo. Tanto a esses ETs velhacos como os seus compadres terrestres do Governo Invisível interessa e convém que prevaleça o famoso conhecimento indireto e indiretíssimo, ou seja, o conhecimento tipo comum ou tipo científico, a moral gananciosa e mesquinha do materialismo niilista, a falsa religiosidade. Esses ETs bandidos ou até mesmo neutros negativos visam o PODER, no além e no próprio mundo, como também o Governo Invisível visa este PODER ou a hegemonia mundial. Ambos não têm qualquer emoção, amor e sentimentos. São máquinas trituradoras e destruidoras sem o emocional-cardíaco, e que é exatamente a alma humana. Eles são os famosos emissários da morte!

RF – Em seu livro A Grande Conspiração há um capítulo inteiro dedicado às revelações de John Lehar e Milton William Cooper a respeito do Majestic-12 e do governo secreto do mundo. O que te levou a crer na validade dessas denúncias?

EB – Exatamente os pormenores das denúncias que ambos fizeram. Como diz William Moore, que os contra-ataca, ambos podem ser apenas simples paranóides, fascistas, farsantes ou quem sabe agentes da CIA disfarçados. Suspeito que William Moore é muito mais do que eles. Para não ter amor à verdade e ao próximo sofrido, Milton William Cooper estaria se expondo demais, pode até correr risco de vida. Nem ele mesmo se dá conta da incrível e espantosa gravidade de suas denúncias. Põe a nu as manobras de um Governo Invisível que efetivamente existe, encabeçado por uma CIA, MJ-12, CFR, TC, Bilderburger, Sociedade Jason, Alternativas l, 2 e 3 etc. como nunca ninguém o fez. John Lear é muito mais prudente e comedido. Mostra o crime, sim, mas acha que ninguém é criminoso. Só os ETs safados é que seriam. M.W.Cooper prova que a maior culpa cabe não aos ETs, mas ao Governo Invisível, que tem atormentado o mundo inteiro, visando o Poder Máximo… O que mais me deixou pasmo foi saber que desde 1947, atrás de um Truman ou de um Eisenhower, já existiam assessores presidenciais humanos, manipulando o governo norte-americano e soviético, constituindo inclusive e com toda felicidade organizações ocultas e prejudiciais aos homens e aos ETs, digamos bem intencionados, como o MJ-12 (ou melhor, projeto Grudge, Sign, Projeto Grudge, Projeto Bluebook, Projeto Yellowbook, Sociedade Jason etc. etc). O que me deixou abismado foi ver como esses humanos em absoluto nada honestos – alguns dos quais representam exatamente a anti-raça humana – se levantaram em bloco, tentando de todas as maneiras possíveis ocultar e bloquear toda e qualquer difusão de verdades ufológicas que não conviessem aos interesses deles. Eles não podiam deixar transparecer que sociedades secretas ou eles próprios, o Governo Invisível, já lidavam com ETs nefastos há milhares de anos. Também não podiam deixar transparecer que sempre houve uma Grande Conspiração Universal, e que, após a Segunda Guerra Mundial, ou após a Segunda Grande Derrota Mundial – pois não foi o homem quem ganhou tal guerra – outros tipos de UFOs e ETs haviam irrompido no mundo, numa tentativa desesperada de alertar os homens ou de ajeitar o que ainda podia ser ajeitado.

RF – Mas então o que tens a dizer da falsa alegação de que os governos mundiais manteriam o fenômeno UFO em sigilo a fim de manter a ordem social e perpetuar o bem estar de todos?

EB — Essa tese de manter a ordem social, malgrado as histerias que o programa radiofônico de Orson Welles em 1938 causou, é completamente falsa. Os poderosos que Milton William Cooper denuncia, e que eu julgo extremamente prejudiciais para o gênero humano, foram os que se levantaram após o segundo conflito mundial (ou derrota mundial), tentando esconder e sufocar uma coisa que havia resolvido intervir desde fora, desde o Insólito, e com o qual eles não contavam. Ou seja, as aparições em massa de OVNIs neutros e quem sabe benevolentes, não aliados de certos humanos safados e não ligados à Conspiração Universal. Esta última talvez atinja seu ápice neste fim, de século ou no novo.

RF – Acreditas realmente que seres extraterrestres tenham firmado algum pacto ultra-secreto com as grandes Potências da Terra?

EB – Não que assinaram, mas foram induzidos a firmar pelo Governo Invisível, e que manda em todas essas grandes potências aparentes. Por conseguinte, foram enganados tanto pelos ETs nefastos como por certos humanos safados daqui mesmo. Ao assim me exprimir, estou me baseando em dados históricos, filosóficos, religiosos, espirituais e ocultistas. A Grande Conspiração não abrange somente a área política e econômica, mas abrange tudo, principalmente o pretenso lado religioso, espiritual, ocultista e paranormal da humanidade.

RF – Independentemente de Cooper e Lear, de onde tiraste a tua convicção do pacto entre ETs e humanos safados?

EB – Conhecendo bastante bem um plano geral que está em andamento há milhares de anos. Tenho me apercebido dos interesses em jogo e que são da ordem econômica, militar, política, religiosa, filosófica, científica, mágica, ocultista, sociológica etc. A partir da manipulação disso tudo, pode-se conhecer o que o Governo Invisível pretende e sempre pretendeu: a hegemonia mundial absoluta. E para tal, nada melhor do que os alienígenas aliados deles! Sempre confundimos esse Governo Invisível ou clandestino com uma Fraternidade Branca com uma Shamballa, com Agartha, mas essas não tem nada a ver com isso. Forças ocultas nefastas do além e do aquém movem o mundo há centenas, senão há milhares de anos. E essas forças tanto pertencem aos falsos deuses, a Golem, Moloch, Molokron, a ETs tenebrosos, como pertencem a humanos, em momentos senhores e em outros servos daqueles. É a velha luta entre Deuses inseridos na Lei e Demiurgos fora da Lei, ambicionando o Poder. O homem comum infelizmente, fica no meio, como nas duas últimas guerras mundiais, e sempre leva a pior. Não poucos humanos gananciosos são aliados dos demiurgos há já muito tempo.

RF – Mas esse acordo secreto justificaria toda uma série de fatos aterradores, supostamente causados por determinados extraterrestres, como as desaparições misteriosas de seres humanos, mutilações inexplicáveis de animais, abduções de mulheres e homens por OVNIs e que depois são devolvidos totalmente perturbados.

EB – Que o acordo propriamente dito tenha a culpa do que vem acontecendo na Ufologia, duvido; mas que ele entreabriu a porta, entreabriu. Só que os poderosos dos governos não suspeitavam – e quem sabe sequer os líderes do governo invisível suspeitavam – que com essa abertura de leve, as portas iriam se escancarar, favorecendo as patifarias de certos notórios ETs vampiros, de certas larvas, de certas “máquinas” ávidas de sangue. Muitos estudiosos do assunto sabem que esses acordos não somente permitiram que alguns ETs, e que depois se revelaram insidiosos, se instalassem no nosso meio, como inclusive lhes foi concedida certa liberdade para fazer as experiências que lhes conviessem, em troca de favores e avanços técnicos. Esses mesmos ETs, aliás, velhos aliados do Governo Invisível ou clandestino, sempre estiveram aí. O que faz pensar então que tais coisas já vinham acontecendo há muito tempo, só que de modo mais brando e bem disfarçado. As velhas bruxarias e os diabos teológicos levavam a culpa. Tais ETs nos tempos que correm, infelizmente, estão exagerando na medida. Ninguém mais os segura. Entrementes, o que o Governo Invisível está fazendo com suas Alternativas l, 2 e 3, com sua franca difusão das drogas, com o contrabando de armas sofisticadas, com corrupções generalizadas, com desgovernos provocados no terceiro mundo, com inflações totalmente camufladas, com recessões, com misérias agudas, com fome generalizada como as da África, com futuras leis marciais etc. etc. isso meu amigo é muito pior.

RF – Duas raças supostamente extraterrestres, os reticulianos e os rigelianos (além dos reptilianos) estariam atrás dessas operações e acordos secretos. Quem te garante que sejam elas mesmas as que estão fazendo tudo isso?

EB – As palavras reticulianos, rigelianos, reptilianos, e até mesmo procionianos (ou tipo humano, nórdicos) foram inventadas pelos homens, por certos estudiosos de Ufologia. Não sei quantas raças de ETs nefastos existem, mas um tipo cinzento, e que o homem chamou de reticuliano, é o que geralmente prevalece quando se trata de descrever horrores e circunstâncias desagradáveis na Ufologia. Suspeito que dentre as centenas de tipos de ETs já vistos – (vistos pelo conhecimento indireto e enganador do homem e, portanto, ETs mal descritos; ou quem sabe, alienígenas que nos enganam por causa de nossa precariedade perceptual) – possível seria formar três grupos, sem cair no maniqueísmo do bem e do mal, ou seja: os benevolentes, tolerantes e que talvez tentem nos ajudar (os procionianos, quem sabe!), Os neutros e que às vezes se confundem com máquinas, robôs, andróides, clones, e os nefastos que precisam nos vampirizar e sugar tudo o que fortaleça e garanta a sobrevivência deles… Temo que estes últimos sejam a maioria… O relatório Matrix aponta os reticulianos, os rigelianos e os procionianos como sendo os extraterrestres que mais nos visitam e atuam no nosso meio. Suspeita-se também que as potências mundiais do primeiro mundo foram levadas a fazer acordos com reticulianos e rigelianos,. Os procionianos ou os tipo venusino de George Adamski sempre foram rechaçados pelos governos em geral, não se sabe porque e sempre foram vistos como seres criados pela imaginação humana. (É que esses tais se confundem com os alemães, e por conseguinte com os nazistas que fugiram após a WW2). Adamski, no caso, era o pai dessa imaginação, com propensões místicas. É claro que atrás desse rechaço forçado e imposto estava o próprio Governo Invisível… Por outro lado, levando em consideração os diversos relatos  e raptos acontecidos, as vítimas geralmente ou descrevem extraterrestres tipo reticuliano, ou senão tipo rigeliano, mas estes bem menos, reforçando sobremaneira a tese das experiências terríveis que tais alienígenas estariam levando a cabo com homens e animais. Por outro lado, não se tem notícias de encontros com procianianos (ou tipo venusino) e que para o contatado tenha resultado em violências e traumas… Posso estar enganado, pois não é possível memorizar todos os contatos de terceiro, quarto e quinto grau que já aconteceram com ETs, no mundo inteiro.

RF – Esses reticulianos e rigelianos teriam eles entrado no cenário terrestres somente após a Segunda Guerra Mundial? Ou melhor dito, somente depois de 1947?

EB – Ai amigo, indiretamente estás me obrigando a tocar num assento delicado. Bem, lá vai, paciência! De fato, certas coisas precisam ser ditas! Como antes sugeri, muito antes de 1947, digamos milhares de anos atrás, certos membros ativos do que hoje mal se suspeita existir como governo invisível já eram aliados de certos extraterrestres. Quero crer que eram aliados de ETs nefastos. Só que estes dificilmente se faziam presentes na superfície do globo. A modo de dizer, viviam invisíveis ou semi-invisíveis em planos imediatos ao plano-Terra. Eles, tranqüilamente sempre efetuaram o comércio do troca-troca… Ou seja, certos bruxos, certos religiosos de mau caráter, sempre estiveram fazendo sacrifícios, geralmente sanguinários, sempre praticavam rituais a favor de tais ETs e que eram vistos como pretensos santos, deuses, guias, líderes de falanges, de egrégoras etc. E estes, em troca, obsequiavam favores e poderes para os seus eleitos, escolhidos ou ritualistas. Talvez alguns do Governo Invisível atuassem assim e tirassem proveito disso. Assim que os pactos ou acordos entre ETs nefastos, necessitando de sangue, hormônios, órgãos, humores, sentimentos, emoções dos seres vivos já são bem antigos. Eles sugam tudo.

RF – Por que razão esse acordo entre ETs cinzentos e grandes Potências, direcionadas por um pretenso governo invisível só foi posto em prática mais intensamente nos últimos anos, digamos, após a Segunda Guerra Mundial.

EB – Vou contar uma piada que parece verdade ou uma verdade que parece uma piada. Conforme ensina a tradição milenar e o próprio Apocalipse, milhares de anos atrás houve um terrível confronto de ETs no céu, confronto que se refletiu na superfície terrestre, de modo catastrófico. Um grupo de ETs benevolentes ou da Luz, capitaneados por alguém, e obedecendo ordens do Centro da Vida, vieram dispostos a eliminar (ou a expulsar) dos céus e da superfície da Terra o Demiurgo usurpador,  e seu 1/3 de estrelas (ou ETs nefastos, asseclas, seguidores ou até mesmo outros demiurgos mais). Este Demiurgo usurpador, tomando o lugar do Absoluto, do Ser Primevo, do Deus Pai-Mãe, muito antes fez-se passar pelo deus único, criador do céu e da terra, e que todos deviam obedecer e temer. Em verdade sempre foi e é um farsante, um Titã inimigo dos homens. E tal como conta o Gênesis, em que Abel é atraído para fora por Caim e depois é traído e morto, esse mesmo líder e seus ETs de boa vontade, de algum modo, foram enganados pelo Demiurgo. Tiveram que parar de guerrear contra as hordas do Demiurgo, porque quem estava sendo prejudicado, como de hábito era o homem da superfície terrestre. E, bloqueados,  não puderam voltar às suas origens. Para evitar o pior, “esses ETs benevolentes tombaram na superfície terrestre”, em pontos especiais e se esconderam por um tempo ou Era. Esses mesmos que se esconderam em algum lugar da terra, como os tempos haviam chegado, por amor ao homem, resolveram reaparecer na superfície. Determinados extraterrestres não derrotados, mas que por força das circunstâncias se ocultaram em mundos subterrâneos e plataformas submarinas, simplesmente resolveram voltar. Juntamente com o retorno à superfície desses, também voltaram a aparecer outros ETs cósmicos, Filhos da Luz, que se situavam muito além do escudo isolador que o Demiurgo havia levantado ao redor da Terra. Com esse aparecimento repentino de ETs positivos do muito além, e os aqui escondidos, o Governo Invisível ou clandestino se apavorou, pois estes, mais, digamos os reticulianos do além, aliados destes, eram inimigos milenares de todos esses outros ETs provavelmente positivos e inclusive inimigos da própria humanidade, que por eles todos sempre foi considerada um pasto aprazível.

RF – Na semana passada, saiu uma grande entrevista na Revista Veja, com Peter Ward, famoso astrônomo, astrofísico norte-americano, o qual afirma, após profundos estudos e pesquisas científicas, que fora do Planeta Terra não existe vida. Sendo ele um renomado cientista que fala assim, num quase coro com os demais colegas de astronomia, o que sobra então para os leigos, para quem não é especialista de astronomia, para os que pretendem ser exobiologistas etc? Por um mero acaso, só a Terra teria vida? E se não existe vida em parte alguma, para que a ciência astronômica, astrofísica vem gastando tanto dinheiro com pretensas conquistas do espaço, viagens para a Marte, para a Lua, com radiotelescópios tipo Arecipo e outros mais?

EB –  Sinceramente, malgrado a pretensa seriedade, certos astrônomos deveriam se aposentar ou deveriam ser aposentados. Que nessa visão científica de Marte ou nesse modelo de universo científico não existe vida até dá para acreditar. No caso contudo também se deveria dizer que o que de fato não existe é exatamente esse universo científico, malgrado o falso universo sempre aparece, e que no seu lugar desse universo há Algo mais, o Desconhecido, por exemplo. Conheço bem a pretensa seriedade científica, conheço bem as aludidas provas, a metodologia utilizada para arrancar verdades de um perfeito faz-de-conta.

Por exemplo, eu, feito um cientista ou feito um astrônomo não posso afirmar categoricamente que na minha versão de um Marte científico, ou seja qual for o planeta, não exista vida, e sequer restos de vida que talvez possa ter se existido milhares ou senão milhões de anos atrás. Feito um ufólogo também não posso afirmar categoricamente que no planeta Marte, sinceramente descrito por um pressuposto alienígena autêntico,  existe vida por que ele mo disse. Tampouco posso afirmar que num hipotético Marte astralino há vida só porque um pretenso espírito do além, tipo Ramatis, descreveu tal vida, por meio de um médium ou sensitivo. Mas então, se nem o cientista, nem o ufólogo e nem o místico têm razão quem a tem? Digo eu, como a nossa percepção comum e científica está distorcida, como a nossa possibilidade de conhecer não leva a coisa alguma, e quando muito forja ficções e inventa estórias, então ninguém tem razão de coisa nenhuma. Só terá razão aquele que vivenciar o fato e se Aqui e Agora nesse fato couber um planeta Marte, nessa vivência estará a razão.

Os radiotelescópios foram forjados para que a ciência moderna provasse aos contribuintes otários, aos pagadores de impostos, que ela faz alguma coisa de útil, ou senão para pretensamente provar que existem planetas com vida inteligente, planetas que emitem sinais de vida, que existe atividade inteligente perfeitamente captável por meios luminosos e sonoros. Para os UFOs que rolam aos milhares, por aí e inclusive se comunicam, tais astrônomos não dão a mínima importância, mas para captarem falsos sinais de vida a bilhões ou trilhões quilômetros de distância, esses gênios da ciência moderna tudo gastam, em tudo se aplicam. Eles acham que tais radiotelescópios lá pelas tanta inclusive poderiam permitir um intercâmbio de inteligência e informações, pois sim. Custaram uma fortuna, e no entanto, qualquer gaiato em ciência, num paradoxo completo, vem e afirma que não há vida igual a da Terra em nenhum outro planeta. Face a esse paradoxo, as opiniões dos ufólogos são bem menos dispendiosas.

RF –  Existe uma imensa presença diante de nossos olhos extasiados que chamamos céu estrelado. Até quinhentos anos atrás, de todo  este céu a Terra era o ponto central. Todo o resto girava ao redor. Depois vieram os precursores da ciência, Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, e a Terra de central passou à condição periférica. Transformou-se num insignificante terceiro planeta de um banal sistema solar qualquer. O Sol ficou central. De lá para cá, o universo foi-se complicando até o infinito. Bem, mas o Atual modelo científico de universo é de absoluta confiança? Pode-se crer absolutamente nele, ou alguma coisa aí nos estaria enganando, como no tempo do geocentrismo?

EB – Para escândalo de alguns, o atual modelo científico de universo não é algo absolutamente verdadeiro, no qual se possa confiar. Meus amigos, o universo científico nunca falou de por si, nunca provou nada por si mesmo, quem fala por ele é sempre o homem mal pensante, seja este uma pessoa comum, seja este um cientista, seja um contatado, seja um místico, seja um sensitivo. E mesmo que se tente provar que o universo científico é verdadeiro, em realidade aí apenas estão se armando causas e condições que resultam numa ilusão perceptual. Tudo obedece à Lei da Geração Condicionada. (Isto sendo, em pensamento, aquilo aparecem, aquilo se objetiva, aquilo se concretiza se para tal eu executar o ato intencional… E mais) Sou eu que te vejo, ó universo de araque, e vendo-te, me vejo, e vendo-me te faço! Por outro lado, no nosso íntimo existe uma poderosa ferramenta pretensamente perceptora chamada avidya (ou ignorância-ego-pensamento primordial) mas que em verdade distorce tudo o que se coloca na frente dela. Por sua vez, fora de nós existe uma Realidade Desconhecida e que Aqui e Agora só se revela àquele que consegue Vivenciá-la, num Saber-Sentir-Intuir autêntico. E se não for assim, quando a ignorância em nós encara Realidade Cósmica a transforma em mentira, num faz-de-conta, em aparência, ilusão ou em Maya, como dizem os orientais. É por isso que o universo objetivado não é uma realidade lá adiante, em sejam quais forem as versões, não importa se geocentristas, heliocentristas, materialistas, idealistas, animistas etc. etc. Tal máquina universal é um embuste total, é  uma completa  interdependência entre pessoa pensante e objeto pensado.

RF –  A Astronáutica moderna mandou foguetes e sondas para todo o sistema solar, e conforme informam os donos do poder e, por conseguinte os donos da verdade científica, da “verdade conveniente” não há vida nos demais planetas do sistema solar. Parece não haver vida também no tal sistema solar próximo da terra, chamado Alfa Centauro e que estaria a uma distância de 4,3 ou 4,5 anos luz.. Mas e aí de onde vem os tais de discos voadores? Ou será que tais discos não existem e nunca existiram?

EB – Pergunta inteligente mas capciosa. Por causa dela serei obrigado a fazer afirmações diferentes, terei que apresentar teses a respeito da eventual origem dos UFOs. No fundo porém abomino teses, antíteses e sínteses. Mas apesar disso, os discos voadores têm que provir de algum lugar ou senão teriam que provir.

Amigos, um lugar nos dá uma idéia quase clara de espaço e, por conseguinte de tempo. Com isso esses dois embustes universais chamados espaço e tempo físicos se assentariam em termos absolutos, como vêm fazendo a milhares ou milhões de anos. Nós seres humanos vivemos na Terra que seria um pequeno lugar do universo científico. Eles, ETs morariam em outro lugar, em outro planeta desse mesmo universo científico. Segundo a ciência, o Universo científico é constituído e trilhões de trilhões de lugares geométricos-espaciais. Mas será mesmo? Paradoxalmente, porém a ciência, para desgraça nossa, prova que não há planetas habitados. Tal “maravilhosa” conclusão, evidentemente é alcançada por um modo de pensar vergonhosamente deturpador, ou seja, pela inferência, pela elucubração adoidada e por conclusões estapafúrdias. Mas e se os UFOs não viessem  de nenhum lugar do universo científico? Digamos que eles não conhecessem os lugares geométrico-espaciais do conhecimento humano!? E se eles simplesmente vêm de outros planos de vida, que não planetas, que não lugares falsamente físicos? Se tais UFOs vierem de outras dimensões que nada tem a ver com a nossa pobre e miserável prisão tridimensional? E se eles são um ponto-instante, ou seja, moram num ponto-instante luminoso, num Aqui e Agora suis generis, que de repente vira um plano existencial, um planeta, um palco de vida etc, a partir do qual eles saem e conseguem se intrometer no nosso meio, manipulando para tal a nossa triste e porca tridimensionalidade, adaptando-se a ela? Tudo isso é delírio minha gente? Delírio absoluto e total, porém, é o modelo científico de universo vigente por meio do qual cientistas e astrônomos arrotam à vontade. Não estou impondo nenhuma tese, e nem quero que tomem defesa do que sugiro ou digo, pois não vale a pena. Minhas palavras, como as de qualquer um “são fantasmagóricas rainhas que criam e matam a outros fantasmas” Amigos, face à evidência gritante dos UFOs e suas intromissões ininterruptas no nosso meio, há já milhares ou milhões de anos, só se pode sugerir, sem nada impor, que eles são extra-situacionais e não extraterrestres. Ou seja, quem sabe, quem sabe, o Cosmo verdadeiro, ao invés de ser constituído de planetas, satélites, sistemas solares, galáxias, nebulosas, buracos negros, quasars, anos luz a serem suplantados e o escambau, pode ser constituído de situações existenciais especiais e que chegam até nós sob a forma de ponto luminoso. Este ponto contudo dilata, encolhe, se aproxima, se afasta, se funde com o nosso meio, simplesmente desaparece etc.etc. Nenhuma certeza amigos, nenhum dogma, apenas conversa bem temperada ou papo de maluco, como diria um senhor Renato Azevedo

RF – Newton, com sua pretensa descoberta da Lei da Gravidade e seu implante, já no seu tempo, transformou o Universo numa verdadeira máquina. E preocupado com isso, arremedou que o Deus, ele a  pessoa bíblica, o criador de tudo, estava fora dessa máquina astronômica, daí ele ou os companheiros dele terem dito que Deus é um Deus ex-máchina. Isto é, que Deus estava  fora da máquina, estava  fora da engrenagem que o pensamento de Newton & Cia forjou. A objetividade universal atualmente se complicou de tal maneira e ficou tão imensa que as idéias, as concepções humanas de Deus criando universos de fato não cabem mais. Quem criou esse universo, deus ou o pensamento humano, pretencioso e delirante?

EB – Escândalo dos escândalos! “Prendam esse homem pois ele está maluco e quer prejudicar nossas instituições tão sagradas e tão proveitosas, pois nos propiciam tanta riqueza e fama!” Qualquer falso puritano, falso cientista, verdadeiro cientificista, cientificóide poderia pensar assim ou poderia gritar assim. Amigos, nunca houve uma criação do mundo, do universo, no espaço e no tempo, primeiro porque estes dois últimos não existem como a astronomia e a física humanas acreditam que sejam. Não existindo espaço, tempo, matéria, energia, plasma, nunca houve também um recipiente prévio, no qual um deus pessoa, barbudo e decorador de bíblias, por meio de taumaturgias começasse a criar o mundo, o sol, a lua, a vida e o homem. Tampouco houve um muito mais ridículo deus acaso da ciência que por meio de uma brutal mentira tipo Big-Bang tenha dado origem à vida, graças ao funcionar de leis físico-químicas-matemáticas que ninguém sabe como vieram a ser,  a existir,   nem como conseguem criar e conseguem fazer funcionar alguma coisa. Sem impor tese nenhuma, nem conceitos, nem proposições, sugira-se apenas sugira-se, sussurrando, que o Absoluto, que Deus Vivo, Aqui e Agora, livre de espaço, tempo, livre de falsa matéria, falsa energia e falso plasma, Manifesta-se feito Vida, feito Cosmo, e que Aqui e Agora toda essa Manifestação Divina e Extraordinária, também escondida no Coração do Homem, se renova de momento a momento. Por conseguinte nessa Manifestação em constante renovação nada há que uma ciência possa descobrir a nível físico, a nível astronômico, químico, bioquímico, biológico, existencial. E o que a ciência diz descobrir em verdade ela apenas forja, engendra. Tudo o que é descoberto e provado, isso sempre é inventado pelo pensamento humano, o que já é um grande mérito, mormente se determinada forjação manifestar algo positivo e construtivo.

RF – A cada dois minutos ou segundos na superfície da Terra são vistas ou constatadas as mais diferentes presenças celestes, entre as quais os Objetos Voadores não Identificados. Digamos que só 10% disso sejam discos voadores. Se a Terra é o único planeta habitado e está isolado do resto do cosmo, de onde vem tantas presenças anômalas que longe estão de se igualarem a aviões de carreiras?

EB – Essas presenças vêm das infinitas possibilidades do Cosmo Verdadeiro e não necessariamente do universo científico e respectivo modelo. Copérnico-Kepler-Galileu, no século XVII apenas forjaram seu próprio universo quantitativo, Newton o sacramentou por meio de fórmulas físico-matemáticos, e depois disso tal modelo de universo se complicou e entrou em inflação galopante. O universo proposto por esses gênios do pensamento humano é apenas um universo quantitativo e este tinha que entrar em inflação. Brevemente entrará em colapso. A Ciência Moderna se implantou no século XVII graças a essa pretensa revolução astronômica, e eu acho que haverá de modificar-se ou tornar-se uma Ciência científica-filosófica-espiritual graças a outra modificação da concepção astronômica. Certamente quando Jesus, o Mestre da Galiléia disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas ou muitos quartos”  estava-se referindo a um Cosmo Autêntico, a um universo qualitativo e não quantitativo, malgrado a frase de Jesus também sugira o lado quantitativo. Sucede porém que “casa e quartos” é algo muito íntimo, muito emocional, muito qualitativo e não quantitativo. Não há nada mais sagrado do que o próprio lar. Só uma casa paterna com muitas moradas encerra infinitas possibilidades cósmicas e existenciais. E desta devem provir os UFOs benevolentes, neutros e até mesmo prejudiciais. E a propósito, os monstros que há milhões de anos tomaram conta da Terra vieram de um anti-universo, vieram da sombra da vida, de um horroroso poço sem fundo, e esses dominam o mundo, e para desgraça nossa, inclusive se intrometem e nos insuflam arremedos de sabedoria, para que essa coisa notável chamada ciência, que derrotou em definitivo as proposições da teologia católica e de alguma maneira eliminou a inquisição, acabe se deturpando até o extremo por simples exageros, falsas certezas absolutas e distorções..

RF –  Dr. Bono, em seu livro A Grande Conspiração Universal, o senhor escreve: Eles estão aqui há muito tempo e brigam entre si. O ser humano desavisado está inserido entre dois fogos. Precisamos surpreender quem são os extraterrestres realmente favoráveis ao homem, quais são os neutros e quais os alienígenas nefastos, sem nos comprometer e sem sairmos prejudicados nessa investigação. E principalmente, para que melhor se entenda a temática ufológica, ela tem que se divorciar das idéias científicas de espaço, tempo, matéria, energia, plasma, evolução, porque os paradigmas ou os modos de conhecimento de que os alienígenas se valem são completamente outros. Os ETs não abusam do pensamento como nós. Sentem-e-Sabem que podem fazer determinadas coisas e simplesmente as fazem. Talvez de modo mais mágico do que lógico. Todos esses aspectos têm que ser levados em conta na Ufologia para que alguma luz vingue numa temática tão ambígua. A Ufologia não pode fundamentar-se nos erros da astronomia.

EB -Está muito bem dito, nada a acrescentar.

RF – Os grandes inimigos das viagens espaciais ou astronáuticas são o espaço e o tempo. A matéria, a energia e o plasma até que não são tanto. As distâncias entre os planetas do sistema solar são enormes. Contam-se em bilhões ou trilhões de quilômetros e até em quatrilhões. Entre sistemas solares, então as distâncias são um horror. São medidas em anos luz. A distância que permeia o sistema solar e outro sistema solar mais próximo, e que é o Alfa-Centauro é de 4,3 a 4,5 anos luz.

Um ano luz tem aproximadamente 39 trilhões de quilômetros. Os sistemas solares de nossa galáxia via láctea, digamos as plêiades, ou zeta retículo estão a mais de 100 anos luz de distância. De que maneira ETs ou até mesmo terrestres superariam essas distâncias impossíveis de suplantar?

EB – Quando a ciência astronômica se depara com essas fantásticas distâncias em trilhões de quilômetros tem toda a razão em dizer que os UFOs não existem. Só que eles não se deram conta de que o espaço é uma mentira, o tempo físico também, de que a velocidade da luz em 300.000 km por segundo é um engodo, de que tais distâncias são um absurdo, de que o universo que eles enfocam é apenas uma recriação de suas próprias cabeças. Eles utilizam uma cabeça, um cérebro (tudo mentiras reinventadas), quando em verdade eles utilizam uma mente não material e um pensamento calhorda para perceber e conhecer o que no fundo e em última instância nunca souberam o que era isso. Confiaram em tal enigma perceptor e conhecedor e nunca quiseram ouvir os avisos de outras maneiras antigas de conhecer que já alertavam: “Homem, homem cuidado com o pensamento, porquanto ele é um ótimo servo, um ótimo criado, mas é um péssimo senhor. Se fizeres de teu pensamento (raciocínio, intelecto, falsa percepção) um senhor, ele virará um tirano e te esmagará sempre.” Sim, pois o homem não é só mal pensar, mas é principalmente Saber-Sentir-Intuir. “Homem, homem, antes de forjar lorotas e extrojetá-las diante de ti feito um cientista, conhece-te a ti mesmo! Porquanto se te autoconheceres em profundidades, Saberás quem és, de onde vieste e para onde vais. Surpreenderás o trapalhão e salteador ou o ego-pensamento, no teu próprio íntimo forjando mentiras e ilusões com a finalidade de subjugar e dominar o Verdadeiro Homem em ti. Autoconhecendo-te saberás quem é Deus e o que a Vida ou o Universo dentro e fora de ti!”

RF -Enrico Fermi, um dos pais da bomba atômica, pois foi o primeiro a fissionar o átomo em laboratório, como bom cientista descrente que era e em relação aos discos voadores, na década de 1950-1960 declarou: “Não existem seres inteligentes extraterrestres na Terra, agora. Se houvesse outras civilizações inteligentes na via láctea, mais cedo ou mais tarde, elas teriam dominado as viagens interestelares, tendo explorado e colonizado a Galáxia. Como eles não estão aqui e agora, eles não existem!” Este é chamado o paradoxo de Fermi, por meio do qual cientistas e astrônomos acreditam silenciar os argumentos dos ufólogos.

EB – Enrico Fermi não suspeitou o horror que ia desencadear com a sua maneira de pensar e de agir, e que dizem ter sido uma maneira científica de atuar.Ou seja, ele, grosso modo, teria conseguido fissionar o átomo de plutônio, urânio, ou sei lá qual, para que daí aparecesse  a explosão atômica. Em verdade ele apenas pôs a Lei da Geração Condicionada em funcionamento como nunca, e incidiu num campo virgem de forjações e manipulações mentais. Daí então saltou fora o seu átomo, as suas pretensas fissões, as suas explosões e tudo o mais, pois sou eu que te vejo, ó átomo de merda, e vendo-me, te vejo, e vendo-me, te faço!” Isto é, sou eu que te vejo, ó átomo de merda, pois eu e tu, em verdade somos não dualidade, não separação, somos unidade. Somos um imã, eu, a  parte pensante, sou o pólo A e tu, a  parte pensada,  és o pólo B. E vendo-me objetivado feito um tu, feito um falso átomo pensado, em realidade me vejo, e vendo-me diferenciado feito um tu, feito um falso átomo, vejo-me obrigado a agir por meio do método científico de experimentação e com isso te faço, te engendro, ó desgraceira, ó poluição máxima, ó imbecilidade atroz!

Enrico Fermi, estimulado pelas pretensas descobertas de Einstein e pela sua fórmula E = mC2 apenas pós a Lei da Geração Condicionada em funcionamento e alcançou um assombro de fruto. “Isto sendo, em pensamento, aquilo aparece, aquilo se sobrepõe, aquilo se objetiva, se concretiza, se para tal eu executar o ato intencional da metodologia científica experimental. Isto não sendo pensado, aquilo não aparece, não se objetiva, não se concretiza porque para tal não somente não penso como inclusive não faço absolutamente nada.”   “O Paradoxo Verbal de Enrico Fermi”,  por meio do qual não poucos astrônomos desavisados tanto se ufanam, é puro verbalismo fútil, conversa fiada extremamente requintada e intelectual. Minhas colocações também podem ser pura conversa fiada, por que não? Seres inteligentes em outros planetas, na via láctea, dominando o espaço e o tempo e superando distâncias impossíveis, para finalmente nos dominar é um absurdo total, é contradição completa,  é pura conversa fiada, malgrado haja alguns ETs safados, sim, ou extra-situacionais que nos dominam. Só que estes provêm de outras condições existenciais, e estão saturados por um espírito de porco incomparavelmente maldoso ou são verdadeiros demônio, sui generis.

RF – Se a presença dos UFOs na Terra é uma aberração, porque então os poderosos do mundo, o governo norte-americano, principalmente já em 1947, 1948 criaram o projeto Sign (projeto sinal), que evoluiu para o Projeto Grudge (projeto ressentimento), no qual foi elaborado o famoso livro Yellow Book onde se registraram as conversas dos ETs. Porque foi criado o Projeto Blue-book, com suas equipes idiotas, outrora tão conhecidas na televisão brasileira? Por que e para que foram criadas a antiga CIA e a atualíssima NSA (National Security Agency). Por que foram criados o Conselho de Segurança Nacional, o MJ-12, o projeto Red-Light, Snowbird etc.

EB – A hipocrisia das autoridades constituídas mais a do Governo Invisível é tamanha que preenche completamente o universo científico ou o seu pressuposto espaço físico. Por exemplo, a turma governamental do presidente Truman de 1947, quando o acontecimento de Rooswell escorregou e quase se tornou de público conhecimento, correram apressados para tapar o sol com a peneira e aí criaram o Projeto Sign, o Projeto Grude, que iam estudar o vôo das borboletas (ou UFO), igual à expedição da Antártida em que o almirante Bird foi caçar pingüins na Nova Suábia do Pólo Sul. Foi criada nada menos do que a CIA, existente na ocasião só para estudar o escândalo dos UFOs e capturar qualquer objeto voador caído e respectivo tripulante. Depois, a CIA evidentemente evoluiu e se transformou na atual agência de espionagem safada e criminosa. Foi criada essa coisa incrível que praticamente quase suga todas as verbas do mundo ocidental, (Verbas do terceiro mundo, de preferência), ou seja a SNA que lida com os mais incríveis aparelhos eletrônicos só para espionar as mensagens excepcionais saídas de UFOs, ou senão dos meios de comunicação antigos ou também de todos os meios eletrônicos atuais. Tal Security National Agency, via Mossad, pretende inclusive dominar completamente o mundo. E já falam em holocaustos psicotrônicos.

RF – Afinal, existe ou não existe vida fora deste nosso planeta de dor e sofrimento? Houve ou não houve um criador para o milagre chamado Vida? O Universo tem que ser realmente a gigantesca e absurda máquina apontada pela ciência, ou quem sabe ele é algo bem diferente. Ao invés de estar saturado de mundos-bola, opacos ou incandescentes, girando de lá para cá, ou de cá para lá não poderia estar saturado apenas de ilhas-situações existenciais? E se este outro universo não científico não dependesse nem do espaço nem do tempo, aí a impossibilidade de viajar pelo cosmo persistiria? Os ETs ao invés de extraterrestres não poderiam ser extra-situacionais?

EB – Bem,  mas esta última pergunta praticamente constitui um resumo de todas as respostas que eu dei. Não se diga porém que outra vida tem que existir fora deste nosso planeta de dor e sofrimento. Esse fora só pode traduzir o universo científico, e este último já ficou mais ou menos evidente que quem sabe não passe de um engano, de uma distorção e talvez sequer exista. Grosso modo, por nossa própria culpa e devido à nossa maneira de mal pensar e pior agir, é que parece estar lá fora, quando o Universo Real deveria estar centrado a Algo mais Verdadeiro. Assim que este nosso mundo supostamente situado nas trevas exteriores, de modo positivo e excepcional só poderia receber visitantes não de trevas mais exteriorizadas ainda (ou espaço científico) e sim de planos existenciais mais equilibrados, de situações cósmicas mais harmônicas e mais centralizadas ao Coração da Vida

Entrevista ufológica com Ernesto Bono, feita por Daniel Rebisso

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-grande-conspiracao-universal/

Questões Infernais

A palavra inferno, que hoje conhecemos, origina-se da palavra latina pré-cristã inferus, que significava “lugares baixos”; foi dela que surgiu o termo infernus. Na Bíblia latina, a palavra é usada para representar o termo hebraico Seol e os termos gregos Hades e Geena, sem distinção. A maioria das traduções ao português seguem o latim, e elas não fazem distinção do original hebraico ou grego.

Geena, do grego, se refere a um lago de fogo. Já o Seol hebraico e o grego Hades parecem se referir a uma mesma ideia, muito anterior à própria Bíblia: um reino dos mortos (que ficava abaixo da terra, daí a conexão com infernus).

Segundo a mitologia grega, os deuses olímpicos saíram vitoriosos da batalha travada contra os titãs (a titanomaquia), e Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre si o universo; Zeus ficou com os céus, Poseidon ficou com os oceanos e Hades ficou com o mundo dos mortos, que leva o nome deste deus (além disso, todos eles partilharam a terra igualmente, daí a ideia de que poderiam influenciar os vivos).

A influência de Hades no reino dos vivos é quase que estritamente negativa e maléfica, vinculada à pragas, doenças, destruições e guerras, mas também é tida como influência de desafios, afinal nas tradições antigas, para seguirem o “caminho do herói”, testes e provações físicas e psicológicas eram necessárias… Da mesma forma, o reino de Hades, o reino dos mortos, não é um conceito que poderia ser associado somente ao que o cristianismo passou a compreender por inferno.

No Hades as almas eram julgadas por três juízes [1], com responsabilidades específicas: Minos tinha o voto decisivo; Éaco julgava as almas europeias; e Radamanto julgava as almas asiáticas. Nem mesmo Hades interferia no julgamento deles, a não ser em raras ocasiões. Este tipo de julgamento moral se assemelha a concepção cristã do julgamento do final dos tempos, mas o que ocorre com as almas boas? Elas saem do Hades?

Aí é que está: não saem, pois o próprio Hades é um reino com o seu céu e o seu inferno. O céu é conhecido na mitologia grega como Campos Elíseos; o inferno, como Tártaro. Ambos ficam no reino dos mortos, no Hades. Dessa forma, apesar de a mitologia bíblica haver bebido da fonte da mitologia antiga, há algumas contradições importantes… O exegeta bíblico poderá dizer que o cristianismo é uma espécie de refinamento das ideias pagãs anteriores, mas será que isto se sustenta?

Por “refinamento”, quero dizer “interpretação mais espiritualmente aprofundada”. Porém, ocorre que, apesar de tanto a mitologia bíblica quanto a grega concordarem que os mortos são julgados pelas suas obras, o julgamento do deus bíblico me parece mais autoritário e implacável. Dependendo da interpretação, mesmo um ladrão de galinhas pode ser condenado ao inferno. Outro problema é a gradação de penas: na mitologia bíblica, o ladrão de galinhas e o assassino parecem destinados a receber a mesma pena (arder eternamente num lago de fogo); na mitologia pagã, pelo contrário, as penas são dadas de acordo com as faltas, como ocorre num tribunal de justiça terrena. Eu, sinceramente, não vejo refinamento algum nesta exegese bíblica.

Há, em todo caso, uma primeira questão infernal que se aplica ao inferno bíblico: Os bons, aqueles que chegarão ao céu, não ficariam tristes por saber que boa parte de seus familiares e amigos estarão condenados a arder num lago de fogo por toda a eternidade?

Ora, segundo a mitologia grega, no Hades os julgamentos ocorrem após a morte, e não após um juízo final. Ainda assim, a questão persiste… Mas no caso pagão, há muitas interpretações alternativas que dizem que o condenado ao Tártaro pode eventualmente cumprir sua pena e assim se elevar aos Elíseos; Ainda outras teorias, mais antigas, simplesmente afirmam que após o cumprimento da pena no Tártaro o condenado estaria apto a reencarnar na terra. Enfim, no paganismo não haviam dogmas infalíveis, e os mitos eram constantemente reinterpretados.

Mas no mito bíblico nada disso ocorre. Há um julgamento final, e depois cada grupo irá para o seu canto, por toda a eternidade… Ora, de fato, ainda que o inferno cristão não fosse um local de sofrimento eterno, o simples fato de familiares e amigos serem separados pela eternidade inteira seria um motivo de sofrimento… Eterno?

Como se não bastasse esta, há uma segunda questão infernal ainda mais complexa. Segundo a bíblia, o governante do inferno é um anjo que, por haver se corrompido e escolhido o caminho do mal, tornou-se ele próprio o supremo representante do mal – o anjo caído. Eis a questão: Seria este anjo incapaz de arrepender-se, por toda a eternidade? Um anjo, quando cai, e se corrompe, não tem nenhuma, nenhuma oportunidade de se arrepender, de remediar sua situação? Haveria justiça divina nesta ideia?

Se não houvesse o livre-arbítrio, todos seríamos fantoches nas mãos de Deus. Portanto, é preciso a liberdade para que um ser exista enquanto ser, e não enquanto autômato [2]. Dessa forma, se o anjo caído, Lúcifer, não tiver a liberdade para decidir se arrepender, isto significa que ele é mero fantoche nas mãos do deus bíblico – o que equivale a dizer que tudo o que Lúcifer faz seria, no fundo, decidido pelo Mestre dos Fantoches. Eu não sei quanto a vocês, mas acho esta uma ideia absurda.

O exegeta bíblico poderá responder a tais questões infernais de forma superficial, quem sabe: (a) Ao chegar no céu, Deus apaga da memória dos escolhidos todas as lembranças daqueles que foram para o inferno, e dessa forma não sentirão saudades nem sofrerão pelo que ocorre a eles; e (b) Lúcifer simplesmente não se arrependeu, e talvez jamais se arrependa, por isso ainda existe o mal no mundo. Pois bem, vocês acham, honestamente, que tais respostas vagas resolvem essas questões?

Os pensadores contemporâneos têm concepções bem mais profundas e interessantes do mito do céu e inferno. Sejam cristãos, não cristãos, agnósticos, existencialistas, espiritualistas, estudiosos de mitologia, não importa muito, pois este é um mito que toca a humanidade inteira [3]: Não poderíamos interpretar o céu e o inferno como estados da consciência humana?

Seguindo esta bela reflexão, devemos considerar que cada um constrói o seu próprio céu e inferno em sua própria consciência. Portanto, aquele que encontrou Deus dentro de si [4], mesmo no deserto mais árido e seco, estará ainda num Oceano de Amor em sua própria consciência, dentro da alma, que carrega consigo para todo lugar.

E, assim, chegando neste céu, não titubeará nem por um segundo em descer ao inferno [5] para convidar quem lá está a se aventurar neste vasto Oceano. A questão, no entanto, é que apenas um convite não basta: é preciso mergulhar. Somente o ser em si poderá decidir por abandonar os dogmas antigos, e dar este verdadeiro salto de fé no desconhecido, na imensidão da própria alma… Então, quem sabe, alcance o céu. Então, quem sabe, seja salvo – salvo da ignorância.

Mergulhe suave. Os mensageiros orientam!

***
[1] Os juízes não são deuses e sim mortos que devido à sua forte personalidade e seu senso de justiça tornaram-se juízes. Em algumas versões Hades seria o presidente do tribunal dos mortos.
[2] Fôssemos criados “já perfeitos”, não somente não haveria mérito algum de nossa parte em “sermos perfeitos”, como na prática seríamos autômatos, robôs “programados para a perfeição” por algum deus estranho. Isto é, seja lá o que for esta “perfeição”…
[3] A concepção de alguns ditos cristãos que afirma que somente aqueles que aceitam Nosso Senhor Jesus Cristo serão salvos é tão absurda que nem a incluí neste artigo. Para início de conversa, isto seria condenar todos que viveram antes do Cristo, e todos que jamais ouviram falar do Cristo, automaticamente ao inferno. Isto dá um montão de inocentes condenados!
[4] Ou “o amor”, ou “a iluminação”, ou “a vida”, ou “o Cosmos”, ou “o Verdadeiro Eu”, etc.
[5] Como Sartre já disse: “o inferno são os outros”.

Crédito da imagem: John Springer Collection/CORBIS (cena do filme Dante’s Inferno)

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Ad infinitum

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Natureza Imperfeita

» Parte 1 da série “Reflexões sobre a perfeição”

A perfeição é um estado de completude e ausência de falhas. Normalmente atribuímos a perfeição a um Criador, um Ser Perfeito ou as Leis da Natureza.

Ante a grandiosa perplexidade que a observação profunda da natureza nos imprime a alma, somos inexoravelmente levados a crer que o Cosmos – tudo o que há, que foi ou que será – é perfeito. Apesar de ser muitas vezes complexo para nós definir tal perfeição, quase sempre a associamos com a beleza, a simetria, a homogeneidade das formas naturais.

Na geometria a perfeição parece estar associada ao círculo: um espaço onde todos os pontos estão à mesma distância do centro, e conseqüentemente não temos nenhum ponto em posição privilegiada em relação aos demais. Essa igualdade nos parece sublime, e muitas vezes a tentamos traduzir para a realidade, tanto que muitos símbolos e signos da geometria sagrada se baseiam ou contém o círculo… Entretanto, ainda temos o ponto central do círculo – este está em posição privilegiada, na medida em que está a mesma distância de todos os demais. O centro é necessário para que os outros pontos se sintam em igualdade. Retire o centro e teremos novamente uma guerra em busca do ponto de superioridade. É mais simples supor que Deus está no centro. A mente de Deus, o motor inicial do Cosmos, a essência da natureza – aí está a perfeição!

Porém, quando aplicamos essa noção ao espaço-tempo, não temos o resultado que esperaríamos. Segundo a cosmologia, é impossível definir um “centro espacial” do universo. Certamente segundo a teoria do Big Bang, toda a matéria e energia cósmica foi catapultada de um mesmo “ponto inicial”, mas o espaço-tempo cresceu por igual em todas as direções. É como se o próprio centro crescesse ele mesmo, e não os pontos que estavam a sua volta… Nenhum ponto do universo está “em torno de algum centro”, pois que todo o espaço-tempo é ele mesmo um único ponto original que simplesmente cresceu rumo ao infinito. Não há nada fora nem além do universo – e, se é que há, haverá de ser o que o criou.

Costuma-se imaginar que a natureza é perfeita. Perfeita, simplesmente porque é o que havia já aqui muito antes de nós chegarmos (ou pelo menos, muito antes de nossa lembrança de estarmos conscientes da chegada). Como imaginar uma natureza imperfeita? Como imaginar falhas no projeto da criação? A ciência tem descoberto algumas…

Por exemplo: a grama é verde por causa do pigmento clorofila, que absorve as regiões azuis e vermelhas do espectro eletromagnético da luz solar. Por causa dessas absorções a luz que a grama reflete nos parece verde. Entretanto, as regiões verdes e amarelas do espectro da luz solar são as mais energéticas. Portanto, se formos pensar em perfeição no sentido de funcionalidade, a fotossíntese das plantas traria muito mais energia química caso a clorofila absorve-se as regiões verdes e amarelas do espectro, ao invés de absorver as regiões azuis e vermelhas. Seria isso um “erro de design” da natureza?

Não paremos por aqui. Se a grama parece ter “escolhido a cor errada”, mesmo o tão aclamado “projeto homo sapiens” parece ter os seus erros… Soluços, por exemplo, que variam de um aborrecimento passageiro a uma doença que pode durar meses ou, em raríssimos casos, anos. O soluço é provocado por um espasmo de músculos na garganta e no peito. O som característico é produzido quando inspiramos ar repentinamente enquanto a epiglote, uma aba de tecido macio localizada no fundo da garganta, se fecha. Todos esses movimentos são involuntários; soluçamos sem nem pensar no assunto. Os soluços revelam pelo menos duas camadas da nossa história evolutiva: uma parte compartilhada com os peixes e outra com os anfíbios, de acordo com uma teoria bem fundamentada [1].

Herdamos dos peixes os nervos principais usados na respiração. Um desses conjuntos de nervos (frênico) estende-se da base do crânio ao tórax e ao diafragma. Esse caminho sinuoso cria alguns problemas; qualquer coisa que interrompa o trajeto desses nervos pode interferir na respiração. Uma simples irritação pode deflagrar os soluços. Um projeto arquitetônico mais radical do homo sapiens teria colocado o início dos nervos frênicos em local mais próximo do diafragma e não do pescoço.

Já o soluço em si parece ter vindo do passado em comum com os anfíbios. Quando usam a respiração braquial, eles enfrentam um grande problema – precisam bombear água para a boca e garganta e depois para as brânquias, mas essa água não pode entrar nos pulmões. Como conseguem isso? Enquanto inspiram, eles fecham a glote, impedindo que a água escoe pelas vias respiratórias. Pode-se dizer que eles respiram com as brânquias usando uma forma estendida de soluço. Remexendo em nossa história evolutiva, vemos que uma boa parte dela se deu em oceanos, córregos e savanas – e não em cidades, igrejas ou academias.

Para muitos religiosos, essa “ousadia” em se criticar a natureza suscita um senso de ingratidão, de falta de respeito… Provavelmente são os mesmos que criticam qualquer tentativa dos biólogos e geneticistas de “intervir” na natureza – clonando, modificando, até mesmo adicionando informações a obra divina.

Louis Pasteur dizia que “uma pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”. Eu gostaria de estender essa citação a religião: “um pouco de religião nos esconde a Deus. Muito, nos mostra-O em todo o Seu esplendor”… Para tentar lhes demonstrar o que eu quero dizer com isso, é preciso primeiro falar sobre o paradoxo da perfeição…

» Na continuação, as imperfeições que geraram o Cosmos, e uma visão mais aprofundada do que é realmente a perfeição.

***
[1] Para saber mais consultar “A história de quando éramos peixes”, de Neil Shubin (Ed. Campus).

Crédito da foto: James L. Amos/Corbis

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