Om Gam Ganapataye Namaha

Este mantra é um dos mais conhecidos da tradição hindu e é muito fácil de pronunciar. É uma invocação a Ganapati (outro nome de Ganesha) e serve para remover os obstáculos, tanto materiais como espirituais. Este mantra atua muito rápido, vale a pena experimentar.

O texto que se segue é de Thomas Ashley Farrand no livro “Mantras que Curam”

Ao longo dos anos, aprendi muitos mantras para resolver os problemas que a vida criou para mim. Para que você tenha uma idéia de como isso pode funcionar, vou contar como a prática de um mantra me ajudou num período particularmente difícil.

Em 1980, ocorreram muitas mudanças na minha vida. Durante oito anos, eu havia sido ministro-residente de um centro espiritual filiado a uma organização espiritual da Índia, mas sediada em Washington, D.C.

Eu gostava de ser útil e minhas responsabilidades em geral eram agradáveis. Entretanto, a forma como o líder indiano estava conduzindo a organização passou a me incomodar cada vez mais, por apresentar um comportamento inadequado em questões referentes a sexo, dinheiro e poder. Eu vacilava entre permanecer ou abandonar a organização e essa preocupação me deixava nervoso.

Um dia, numa de minhas habituais sessões de duas horas de meditação, eu vi um relógio que marcava um quarto para as doze horas. Aquela visão mostrava-me que às doze horas, a relação pela qual eu vinha esperando desde muito tempo atrás chegaria. Resolvi esperar um pouco mais antes de tomar a decisão de deixar o centro. Na realidade, aqueles quinze minutos acabaram sendo mais de seis meses. Depois de seis meses, uma mulher chamada Margalo chegou à organização. Em duas semanas, deixei o centro para ir morar com ela. Um ano depois, já casados, decidimos juntos abandonar totalmente a organização.

Quando me envolvi com a organização, eu trabalhava como produtor de televisão. Logo depois de entrar para ela, passei a lecionar radiofusão, por tempo integral, na George Washington University. Em 1980, entretanto, vencido o prazo do meu contrato temporário e, recém-casado, eu refletia sobre minhas opções profissionais. Margalo sugeriu que deixássemos Washington, D.C., e fôssemos morar em sua antiga casa no sul da Califórnia. Eu não vi nenhum motivo para recusar. Uma vez lá, eu sabia que teria de iniciar uma nova carreira. Mas, apesar de todos os meus esforços para encontrar um trabalho em Los Angeles, a capital da mídia do mundo ocidental, as portas da televisão mantiveram-se fechadas e eu fui obrigado a aceitar trabalhos esporádicos. Eu lutava para encontrar algum tipo de equilíbrio entre minha procura desestimulante de uma nova profissão e minha nova vida feliz com minha mulher.

Durante meus anos de sacerdócio, eu havia usado mantrans quase exclusivamente durante as sessões de meditação para aumentar a concentração e estimular a introversão espiritual. Para qualquer problema secular, eu recorria às orações que havia aprendido em minha formação judaico-cristã nas igrejas Presbiteriana e Metodista. A prática de mantras não requer o abandono da organização religiosa a que pertencemos, nem das nossas raízes ou de outras práticas espirituais. Embora continue me considerando cristão, eu já estudei muitas tradições religiosas e, com o passar dos anos, fui acrescentando novas práticas religiosas de origens hinduísta e budista a meus hábitos diários, para compor uma espiritualidade pessoal voltada para a compaixão e o serviço. O mantra é uma prática espiritual complementar incrivelmente eficaz, que pode enriquecer a sua vida.

No meu caso, os resultados obtidos por meio de orações eram esporádicos, mas eu os havia aceito. Naquele período profissionalmente difícil de minha vida, entretanto, decidi aplicar um mantra à minha situação para ver se me ajudava. Escolhi um mantra que me pareceu apropriado para as minhas dificuldades no plano material e decidi dedicar-me a ele por quarenta dias. Escolhi uma prática de quarenta dias porque quarenta é um número recorrente na literatura religiosa. Jesus andou no deserto por quarenta dias. Noé flutuou sobre as águas por quarenta dias. Moisés errou pelo deserto por quarenta anos. Com Buda foi um pouco diferente, pois permaneceu sentado sob a Árvore Bodhi por 43 dias até alcançar a iluminação. No hinduísmo védico, quarenta dias é o período estipulado para a prática concentrada de um mantra. No catolicismo romano, a novena, uma disciplina diária de oração utilizada pelos fiéis em busca de solução para seus problemas, é, às vezes, praticada durante cinco, quarenta e 54 dias, embora tradicionalmente seja uma prática de nove dias.

Eu achei que precisava de uma quantidade considerável de tempo para que a prática do meu mantra atuasse sobre quaisquer que fossem as forças que estavam me impedindo de encontrar trabalho. A intenção que criei na minha mente era de encontrar um emprego estável no qual eu pudesse dar uma contribuição aos outros e me rendesse um salário para viver. Como muitos mantras para a solução de problemas são genéricos por natureza, o mantra que escolhi foi para a remoção de obstáculos:

Om Gam Ganapataye Namaha

“Om e saudações àquele que remove obstáculos do qual Gam é o som seminal.”

Entre as seitas védicas e hinduístas, este mantra é universalmente reconhecido como extremamente eficaz para a remoção de todos os tipos de obstáculo. Como eu não sabia o que estava me impedindo de encontrar um emprego fixo e remunerado, meu objetivo era remover qualquer obstáculo, interno ou externo, espiritual ou físico, que estivesse no meu caminho.

Nos quarenta dias seguintes, repeti o mantra o máximo de vezes possível, algumas vezes em silêncio, outras em voz alta. Enquanto realizava tarefas domésticas, eu repetia o mantra. Dirigindo, eu ia entoando o mantra no carro. Enquanto comia ou preparava a comida, eu o repetia. Enquanto adormecia, continuava repetindo o mantra pelo máximo de tempo possível. Ao despertar, começava imediatamente a recitá-lo. Se estava com outras pessoas, recitava-o em silêncio. Se estava sozinho, entoava-o em voz moderadamente alta. Tornei-me uma máquina de entoar o mantra Om Gam Ganapataye Namaha.

Eu gostava da sensação que o mantra me proporcionava. Seu ritmo instalou-se rapidamente em minha consciência e, depois de duas semanas, constatei que o mantra se iniciava sozinho quando eu estava ocupado com alguma outra coisa. Quando acordava no meio da noite, podia ouvi-lo ressoando fracamente em algum compartimento nas profundezas da minha mente. Ele se integrara ao meu corpo e à minha mente como um alimento espiritual.

Depois de três semanas trabalhando com o mantra, fui convidado para realizar uma cerimônia védica para um grupo em Santa Ana. A cerimônia durou cerca de uma hora e, quando acabou, circulei entre os convidados para conversar e comer petiscos. Com um pequeno grupo, a conversa acabou indo parar na pergunta “E o que você faz para viver?” Expliquei, um pouco constrangido, que tinha vindo recentemente para a Costa Oeste e que ainda não havia me fixado em nada.

O bate-papo continuou e depois de um tempo uma mulher do grupo disse que sua empresa estava procurando alguém para trabalhar num projeto de marketing pelos próximos três meses. Perguntei o que a empresa fazia e ela respondeu que um serviço de assistência médica que se ocupava de medicina familiar, medicina ocupacional e atendimento de emergência. Eu não tinha nada a ver com a área de saúde e disse isso a ela.

Sem se importar com isso, a mulher insistiu para que eu lhe telefonasse para marcar uma hora na semana seguinte. Concordei, mais por educação e com a consciência de que devia explorar as possibilidades – mas sem nenhuma esperança real de que aquilo resultaria num emprego para mim.

Quando cheguei à empresa, fui recebido pelo chefe da mulher que eu havia conhecido, Rick, que me entrevistou por cerca de dez minutos. Eu achei que estava descartado, uma vez que mostrara não entender nada daquele ramo, mas para grande surpresa minha, ele finalizou sua breve entrevista com: “Eu acho que você vai se dar bem. Mas preciso que os médicos aprovem. Por favor, espere aqui.”

Os médicos me aprovaram e, dentro de alguns minutos, eu já havia preenchido alguns formulários e me tornado um representante de marketing da clínica deles, para realizar trabalho de campo com base num contrato provisório de três meses. O salário era modesto, mas era melhor do que trabalhar esporadicamente ou aguardar o telefone tocar, de maneira que fiquei agradecido. Durante todo o tempo, eu continuei recitando o mantra em silêncio.

Depois de vários dias dando telefonemas de negócios, eu aprendi o suficiente para perceber que o material de marketing de que dispunha para sustentar meus telefonemas era péssimo. Eu não conseguia tirar isso da cabeça e comecei a me sentir cada vez mais estúpido toda vez que fazia uma chamada. Finalmente, percebi que eu tinha de fazer algo.

Nessa altura, eu estava no trigésimo dia de prática do meu mantra. Nessa noite, refiz todo o material, resumindo-o em três desenhos e usando as cores do prédio e o familiar caduceu, símbolo da medicina. Quando cheguei ao escritório na manhã seguinte, procurei o médico a quem relatei e expus rapidamente o que tinha em mente. Ele parou de repente, fitou-me e disse para encontrá-lo na sala de reunião dentro de uma hora. Quando entrei na sala de reunião, lá estava Rick, junto com a mulher que havia sugerido que me candidatasse ao emprego, o médico que havia me entrevistado e dois outros médicos que eram sócios da empresa. Inseguro, percebi que teria de fazer uma apresentação. O médico que havia convocado a reunião disse, “Mostre-nos o que você fez”.

Depois de dez minutos de apresentação improvisada, os médicos me pediram para deixar a sala por alguns minutos. Nervoso, aquiesci. Quando fui chamado de volta, meu chefe disse, “Parabéns, você é nosso novo diretor de marketing. Mande imprimir alguns cartões e também esse material que você desenhou o mais rapidamente possível”. Eu estava em estado de choque, mas continuava interiormente repetindo o mantra Om Gam Ganapataye Namaha.

Concluí meus quarenta dias de prática do mantra sem nenhum outro incidente. Dentro de trinta dias, eu estava envolvido num projeto de marketing com a participação de um hospital local. A enfermeira que era diretora de marketing do hospital era amistosa e tecnicamente muito competente. Trabalhamos bem juntos. Quando estava quase no final do projeto, ela me perguntou se eu não me importaria em dizer quanto eles me pagavam. Não me importei e disse a verdade. Ela franziu o cenho e disse, “Eles estão lhe pagando uma bagatela”.

Quando o projeto em conjunto foi concluído, meu chefe nos parabenizou a ambos pelo ótimo trabalho. Depois de apertar a mão dele, a enfermeira apontou na minha direção e disse, “Você sabe que esse cara é muitíssimo mal pago. É melhor você tomar alguma providência antes que alguém lhe faça uma proposta e ele vá embora”. Fiquei espantado, mas meu chefe respondeu como o bom profissional que era. Deu uma risadinha e disse: “Não se preocupe, cuidaremos bem dele”. Em trinta dias, tive um aumento de 40%.

Isso foi no início de 1983. Trabalhei nessa empresa durante quase sete anos. Tive inúmeros aumentos e sentia que meu trabalho era valorizado. Finalmente, eu saí quando meu supervisor decidiu abrir seu próprio negócio e fez-me uma proposta para ir com ele.

Eu atribuí o meu êxito na procura de emprego ao mantra que pratiquei. Sua eficácia causou uma profunda impressão em mim e comecei a dar um novo valor ao poder das fórmulas espirituais para a solução de problemas cotidianos. Comecei a recomendar o uso de mantras a outras pessoas com problemas e funcionou surpreendentemente bem.

Indiquei esse mesmo mantra a um amigo meu de Washington, que havia acabado de deixar sua carreira no exército. Ele havia estudado gemologia e estava a fim de encontrar um trabalho nessa área. Entretanto, depois de meses de procura em muitas cidades, ele não conseguira encontrar o emprego que queria. Recomendei a ele que começasse a repetir o mantra Om Gam Ganapataye Namaha o máximo de vezes possível durante dez dias. No décimo primeiro dia, realizei uma cerimônia de limpeza energética para ele. Dentro de três dias, ele recebeu várias propostas de emprego e começou bem sua nova carreira.

#Hinduismo #Mantras

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/om-gam-ganapataye-namaha

O Caso do Dr. X

O episódio foi mencionado em tantos livros e revistas sobre OVNIs  que a maioria dos leitores assíduos do assunto provavelmente presumem que todos aspectos do caso foram estudados  em detalhe, e que nada de novo poderia ser acrescentado a esta altura. Mesmo assim a história completa jamais foi registrada.

O Dr. X. nasceu na França , em 1930 . Depois de concluir seus estudos com êxito , especializou-se em um campo relacionado com a medicina , encontando tempo também para cultivar um talento musical notável. Mora com a esposa e um filho, numa grande vila localizada em uma colina , de onde  se pode ver uma paisagem deslumbrante.

Sua história médica registra um fato importante : no dia 18 de maio de 1958, ele foi ferido pela explosão de uma mina na Argélia, quando servia no Exército frances. Isso causou uma deficiencia permanente no lado direito do corpo, provocando dores quando ficava muito tempo em pé ou apoiando o corpo no pédireito. Ele praticamente abandonou o piano, por causa das dores na mão direita. Três dias antes da visão, o Dr. X cortava lenha com um machado, fez um movimento em falso e se feriu na perna , cortando uma veia. Segiu-se uma hemorragia, o local ficou inflamado. Ele foi tratado imediatamente , mas ainda sentia dores na noite de 2 de novembro de 1968, qunado ocorreu o incidente com o OVNI.

Na noite em questão ele foi acordado, depois da meia-noite, pelo choro de seu filho de 14 meses. Sem acender a luz , levantou-se e foi ao quarto do menino, percebendo  clarões do lado de fora da casa. Seu filho estava em pé no berço, apontando para a janela: uma luz brilhante se movia atrás da venisiana. Ele não deu muita atenção ao fato, preparando uma mamadeira para a criança, que voltou a dormir. Como os efeitos de luz prosseguiam, o Dr. X aproximou-se de uma das janelas e a abriu, para investigar a causa. Quando resolveu sair na sacada, ficou visivel para qualquer um que observasse sua casa, do lado de fora. O relógio maracava 4:00.

Naquele momento o Dr. X viu nítidamente dois discos grandes, identicos, em posição perfeitamente horizontal. A parte superior de cada disco era branca, prateada, e o fundo tinha a cor do sol poente. No topo de cada objeto encontrava-se uma antena vertical alta. Na lateral de cada disco havia uma antena menor, horizontal. Um facho de luz branca iluminava o solo. Ele identificou elementos conhecidos  . Um facho de luz branca iluminava o solo. Ele identificou elementos conhecidos, como árvores e arbustos , o que lhe permitiu clacular com precisão a distancia  do fenomeno , quando o reconstituiu nos dias seguintes. Ele avaliou o tamanho dos discos: tinham diametro de 65 metros e espessura de 17 metros. Estavam a cerca de 250 metros da casa.

Os dois objetos se moveram lentamente , aproximando-se um do outro, emitindo pequenas faíscas comas antenas horizontais e finalmente fundiram-se em um unico objeto, que mudou de curso e seguiu na direção dele. Parando abrupatamente, o facho de luz na parte iluminou o teto de uma casa vizinha. O Dr. X reparou que a parte de baixo estava dividida em onze partes, percorridas por uma linha horizontal que lembrava a varredura de um televisor . A testemunha ficou fascinada pelo movimento da linha dentro do brilho vermelho do objeto.

O disco finalmente executou um movimento, que o colocou acima de sua cabeça, na vertical, e a luz branca pegou o doutor exatamente na sacada onde se encontrava. Ele ouviu um estalo, e o objeto desapareceu, deixando apenas uma forma esbranquiçada , como algodão doce, que foi carregado pelo vento. Um “fio brilhante” saiu do centro do objeto quando este se desmaterializou , subindo em direção ao céu, onde transformou-se em um ponto que explodiu como um rojão. Ficou tudo escuro novamente. O doutor santiu um choque nervoso e entrou. O episódio inteiro durara apenas dez minutos.

  O Dr. X  acordou a esposa e relatou a observação, andando excitado  pelo quarto, sem aparentemente sentir nenhuma dor na perna.Não só o hematoma desaparecera , como também todos os vestígios de seu ferimento de guerra.

Retornando a sua cama , pegou no sono rápidamente, mas falou enquanto dormia. Ele só parou de falar  às 7 horas , e dormiu até 14 horas . Relatou o incidente a uma única pessoa, Aimé Michel , que o visitou no dia 8 de novembro, encontrando-o enfraquecido e um pouco mais magro . O doutor sentia dores no estomago. No dia 17 de novembro ele notou uma descoloração estriada curiosa, em volta do umbigo. No dia seguinte a área adquiriu forma triangular avermelhada, cujos lados mediam cerca de 15 centimetros. Aimé Michel suspeitou de um efeito psicossomático, pois a testemunha sonhara que o objeto avistado tinha relação com uma forma triangular. Mas quando o mesmo triangulo surgiu no abdome do menino, e o mesmo fenomeno repetiu-se nos anos seguintes, a versão do efeito psicossomático foi descartada. Vale dizer que Steven Michalak também relatou a existencia de uma marca em V em seu peito.

Quando realizei minha primeira visita ao Dr. X e sua familia , em maio de 1979, junto com Aimé Michel, passamos um dia reconstituindo os acontecimentos e as experiencias posteriores descritas pela testemunha, sendo que nenhuma delas fora mencionada nas publicações sobre OVNIs.

Entre as experiencias posteriores há várias menções a cicatrizações inexplicadas. Não só os problemas anteriores desapareceram completamente, apesar de terem sido comprovados e verificados sem possibilidade de erro por médicos militares anteriormente, como o Dr. X passou tempos depois pela cura espontanea de uma fratura exposta. Neste caso, ele ficou tão embaraçado pelo rápido desaparecimento da ferida que saiu da cidade por alguns dias, de modo que um médico, seu colega, que tratou da fratura não fizesse perguntas ao ve-lo caminhar normalmente. O Dr. X também revelou que um especialista em dermatologista foi consultado, com referencia ao triangulo da pele. Ele disse que a descarnação ( pele ressecada) consistia de células mortas, mas não pode identificar sua causa provável.

Quando fiz perguntas sobre pessoas incomuns que pudesse ter encontrado desde a observação, o doutor revelou uma sequencia inteira de eventos tão fantásticos que desafiam a credulidade , apesar de confirmados por outros membros da familia.

O primeiro contato aconteceu quando o Dr. X passava férias no sul da França, cerca de um ano após a visão . Ele escutou repentinamente um assovio “dentro da cabeça” e sentiu “um impulso” para voltar ao quarto no hotel. Quando retornou o gerente disse que uma pessoa desejava falar com ele ao telefone. Era uma voz masculina, afirmando veemente que em pouco tempo eles “se encontrariam em sua cidade para discutir sua visão”.

Algum tempo depois, de volta a sua casa, o Dr. X ouviu um assobio similar. Ele pegou o carro e saiu, sendo “guiado”
misteriosamente para um determinado local, onde um estranho o esperava, parado perto de um Citroen CX, na época o carro francês mais moderno e caro. Ele era alto, tinha olhos azuis impressionantes e cabelos castanhos, vestindo um terno comum.

O sujeito deixou o Dr. X espantado quando iniciou a conversa desculpando-se pelos estranhos acontecimentos em sua casa.  Na verdade, desde a visão, o Dr. X e a esposa declararam ter sido atormentados por atividades tipo “poltergeist” e disturbios inexplicáveis nos circuitos elétricos. Nos encontros seguintes o homem instruiu o Dr. X sobre vários assuntos paranormais, levando-o a participar de experiencias de teletransporte e viagem no tempo, incluindo-se um episóio tenso em paisagens alternativas e uma estrada que “não existia” , segundo o Dr. X, que não tem explicação para estes episódios.

O estranho nunca disse seu nome, mas o Dr. X o chamava mnemonicamente de Sr. Bied. Ele surgia frequentemente em uma curva de um caminho poeirento que sai do lado norte da casa e vai dar nas colméias.

Em certa ocasião o Sr. Bied chegou acompanhado de uma humanóide de 1 metro de altura e pele mumificada, que permaneceu imóvel, enquanto seus olhos examinavam rapidamente a sala. Tais episódios possuem semelhanças com ocorrencias da vida de testemunhas norte-americanas , como no caso de Whitley Strieber, sempre provocando tensões familiares.

—    A presença de alienígenas nas proximidades da casa era sentida por ele    —   disse a esposa do Dr. X , que enfrentava
momentos dificeis quando isso acontecia. Ela precisava cuidar do filho pequeno, apesar dos medos e tensões resultantes de tais eventos. Embora nem Aimé Michel nem eu estivéssemos em condições de verificar a existencia de tais alienigenas , tivemos uma prova do incrivel talento musical do Dr. X, quando ele foi para o piano e executou uma admirável versão de Dies Irae  de Liszt.

  No mês seguinte o Dr. X visitou os Estados Unidos com a esposa e o filho, então com 12 anos. Eles vieram a nossa casa , na Califórnia. Janine e eu tivemos uma conversa longa e calma com eles, na qual o doutor revelou detalhes adicionais de suas experiencias . O episódio mais assombroso ocorreu em 1971, quando ele a esposa esperavam amigos para o almoço. Ele disse que ia tirar o carro do sol   —  e não voltou.

Ao entrar no carro, sentiu um “impulso” para ir até a cidade, onde novamente encontrou o misterioso Sr. Bied. O estranho disse que eles “precisavam ir a um certo lugar“. Em seguida o Dr. X se viu deitado em uma cama, numa cidade desconhecida. Quando ergueu-se e chegou perto da janela, percebeu que estava em Paris, perto do Ministério do Interior. Ele viu o carro do Dr. Bied passando na rua e entrando no prédio. Os guardas o saudaram. Ele pegou o telefone no quarto e ligou para a esposa: vinteminutos haviam passado, os convidados tinham chegado. Mais vinte minutos transcorreram, o carro do Sr. Bied saiu e o Dr. X descobriu que estava de volta a sua cidade. Ele voltou em segurança para casa, completamente atônito com o ocorrido.

Tais episódios de fugas não são raros em pessoas normais e inteligentes. Sei do caso de um importante cientista de computadores que desapareceu totalmente e inocentemente durante uma semana inteira, para desespero de uma grande empresa que o contratara, e dos orgãos governamentais com os quais desenvolvia projetos secretos de alto nivel. Mas não há indicações de que o Dr. X seja dado a tais fugas. Sua esposa confirma o telefonema de Paris. Mas a melhor indicação de que o Dr. X foi atingido por um fenomeno inexplicado deriva das provas médicas. A cura espontanea e permanete do ferimento de guerra e do hematoma foi confirmada, e a volta da descoloração triangular no abdome foi verificada durante anos seguidos.

Recentemente , em novembro de 1984, meu amigo Jean-Yves Casgha, reporter radiofonico da France-Inter, observou e filmou o aparecimento gradual do triangulo. Ele foi mais longe, providenciando exames termográficos durante o episódio ( no dia 2 de novembro ) , e quando a pele voltou ao normal ( no dia 16 de novembro ). As fotos foram tiradas com e sem resfriamento, nas duas ocasiões.

Os comentáriso feitos pelo médico encarregado, no dia 2 de novembro , incluem o seguinte:

Exame Clinico: Intenso eritema, em forma triangular, centrado no umbigo; ausencia de vaso superficial visível.
Termografia : Numerosas áreas hipertémicas curvilíneas, espalhadas sobre a região umbilical e bilateral ilíaca , correspondentes a vasos profundos, cuja topografia pode ser sobreposta à do eritema cutâneo, e que se mostram resistentes aos esfriamento.

No dia 11 de novembro o mesmo médico fez as seguintes observações no acompanhamento do caso:

Exame Clinico: A área cutânea tem aspecto normal, um pouco mais “queimada de sol” no nível do eritema de 2 de novembro .
Termografia: Hipertemia subumbilical difusa , em um setor correspondente ao aspecto termografia usual ao plano cutâneo.

O desaparecimento dos ferimentos sofridos na Argélia foi documentado novamente , em 1985. Um diagnóstico feito em 1958 pelos médicos do Departamento de Veteranos indicava “deficiencia motora dos membros superior e inferior direitos, com síndrome de Babinski e parestesia acompanhada de pontadas e entorpecimento”. O relatório médico realizado em 8 de janeiro de 1985 concluía:

O exame neurológico é normal ; não existe nenhum sinal da sindrome de Babinski, nem deficiencias no senso de equilíbrio.

Os outros fenomenos são intrigantes , mas não exclusivos. A 9 de dezembro de 1968 ( cinco semanas após a visão do Dr. X ) um funcionário da alfândega de Lima , no Peru, declarou ter visto um OVNI quando na varanda de sua casa , e que uma  luz purpura o “atingiu” no rosto. Ele ficou atônito ao descobrir que não precisava mais usar óculos, que corrigiam sua miopia. Seu reumatismo desapareceu. Um engenheiro chamado Emmano Manurio, ao pesquisar o caso para a APRO, calculou a distancia do objeto em cerca de 2,5 quilometros. A testemunha, segundo ele, sentiu um “medo paralisante” que o deixou em um estado próximo ao êstase por dois ou três minutos.

A observação de “paisagens alternativas”  tampouco é uma experiencia exclusiva do Dr. X . Whitley Strieber descreveu vividamente seu espanto ao descobrir campos com  flores anarelas onde não deveriam estar. Em outubro de 1982 um ingles , depois de ler meu livro Mensageiros da Fraude, residente a poucos quilometros da base da Força Aérea norte-americana de Wethersfield , escreveu a seguinte carta, dizendo que conhecia

um jovem que me contou ter conseguido, durante seu período de treinamento, como piloto, acesso para leitura apenas de um documento sobre OVNIs abrangendo até a década de 1940. Ele não disse ter passado por nenhuma experiencia pessoal com OVNIs. A maior parte das informações passadas por ele constava da literatura sobre OVNIs, com a qual eu já estava familiarizado , embora a êfase fosse diferente : eles reagiam quando atacados; decolavam “na vertical” ; “mudavam de forma “. Ele também menciona alguns efeitos psicológicos.

Ao que parece havia casos onde os pilotos , ao tentar interceptar os objetos, encontravam-se em paisagens ilusórias. Em um dos casos o piloto precisou ser alertado quando retornava à base, navegando a partir de marcos terrestres familiares. Na verdade, ele seguia diretamente para o mar.

Um documento muito censurado relatava um caso de caças que tentaram interceptar OVNIs; os aviões retornaram à base praticamente ao mesmo tempo, como resultado de uma espécie de amnésia coletiva, concluiu-se. Em vários casos de contatos imediatos os pilotos sofreram danos psicológicos de modos obscuros, e foram transferidos para outras unidades. Após a leitura de seu livro, achei este detalhe final particularmente interessante.

A peculiar descoloração geométrica da pele tampouco é unica. Um médico especialista da Força Aérea dos Estados Unidos me contou detalhes de um caso investigado por ele em Tyler, no Texas , em 1979. Um jovem universitário chamado Greg manteve contato com uma luz  verde brilhante, e viu “duas naves com uma luz vermelho-violeta indo e vindo“. O médico o examinou e encontrou uma marca vermelha em forma de diamante com 12 centimetros, no peito, e pequenos sinais de picadas nas pernas. A marca no peito levou meses para desaparecer. Os sinais tinham o tamnho aproximado de uma agulha hipodérmica, mas tais marcas teriam desaparecido com mais rapidez.

Em anos recentes médicos e cientistas ligados ao governo da França realizaram um estudo especial dos fenomenos biologicos ligados a observação de OVNIs. Em particular, eles investigaram os casos de paralisia frequentemente relatados por testemunhas obviamente confiaveis como o Sr. Masse. O conceito de “paralisia” na verdade não se aplica ao efeito , que seria melhor definido como acinesia: dificuldade ou impossibilidade de realizar determinados movimentos.

Um dos médicos especialistas, o Dr. Daniel Mavrakis, notou que em tais episódios de OVNIs “a tonica da postura não é afetada, o paciente mantém o equilibrio e não cai. O coração não é afetado “. Ele concluiu que a acinésia provocada pela experiencia com um OVNI agia sobre o sistema nervoso central.

Alguns experimentos realizados com campos magnéticos também são relevantes neste aspecto. Um trabalho de Hodgkin mostrou que as células produzem e absorvem diferentes íons quando liberam energia. Um trabalho realizado por um pesquisador francês sobre o “impacto biológico das instalações eletromagéticas” pesquisou a possibilidade de campos magnéticos intensos influenciarem a trajetória destes íons. Uma série de experimentos feitos e camundongos por Guiot, com campos variando entre 12 mil oersteds e 23 mil oersteds produziram efeitos variando da inibição dos reflexos defensivos à indução ao sono, criação de estados convulsivos e mesmo a morte.

Outros modelos , mais sofisticados, foram recentemente desenvolvidos por pesquisadores franceses, que estudaram a ação direta da radiação eletromagnética pulsante nas células musculares, mas não tenho autorização para divulgar resultados deste trabalho.

Vale notar que os efeitos das microondas no sistema nervoso central podem levar as testemunhas a alucinações, um fato que pode ser importante na interpretação de muitos casos de contatos imediatos ou sequestros com fatores absurdo. O mesmo fenomeno pode também induzir mudanças a longo prazo no conjunto de crenças do individuo, contribuindo para a explicação de acontecimentos aparentemente miraculoso que as testemunhas descrevem com frequencia de boa-fé . Mesmo assim uma interpretação física deixa de explicar a totalidade das observações registradas na literatura.
Em uma revisão cuidadosa dos efeitos dos OVNIs nas pessoas, James McCampbell notou que os fenomenos frequentes de queimaduras solares não pode ser causado apenas por radiação ultravioleta   —   uma vez que ocorre muito em áreas de pele cobertas por roupas, que barram os raios ultravioletas  —, sendo melhor explicadas por exposição a microondas . Um comprimento de onda de 1 centimetro causa a sensação clara de calor, com menos de um décimo do fluxo de energia do Sol . Conforme notado por McCampbell, “queimaduras só seriam causadas, naturalmente por intensidades muito maiores

No dia 23 de janeiro de 1976 a garota Shelley McLenaghan, 17 anos , viu uma luz “estranha” no céu, verde e vermelha , perto de Bolton, no norte da Inglaterra. Ela acabara de descer do ônibus, às 17h15. O objeto era do tamanho de uma casa pequena, chato no topo , com lados em declive e três pernas.

—   Senti uma terrivel pressão na cabeça e no ombro, e um gosto estranho na boca. Meus dentes pareciam vibrar. Quando tentei correr, parecia que estava dentro de um pesadelo. Só conseguia mover braços e pernas lentamente. Tentei gritar. Não saiu nenhum som   — declarou a testemunha.

Shelley ficou doente no final de semana: manchas púrpureas cobriram o pescoso, peito , ombros e a parte de cima das costas. Seus olhos e juntas doiam. As obturações do maxilar superior caíram, e as do inferior se esfarelaram.

Um oficial do Exército que serviu na Guerra da Coréia descreveu um incidente ainda mais notável, no qual um objeto luminoso alaranjado sobrevoou uma aldeia quando esta era bombardeada por uma unidade completa de artilharia na área do Triangulo de Ferro. Ele pairou a baixa altitude, aparentemente sem se importar com as explosões poderosas. Quando subiu a colina, aproximando-se das peças de artilharia, foi dada permissão para se atirar contra ele com um rifle de precisão. O objeto foi visivelmente deslocado com o impacto da bala. Depois começou a varrer a colina com uma estranha luz, segundo o oficial:

Não se podia ver a luz, a não ser quando ela passava pela gente”, ele declarou. No dia seguinte toda a unidade de artilharia ficou muito doente e precisou ser removida da linha de frente, mas nenhum relatório oficial foi feito para identificar a fonte da estranha doença.

Os dados clínicos foram coletados por investigadores sérios dos fenomenos de OVNIs, e portanto formam uma coleção
impressionante de fatos empíricos. Várias explicações foram propostas variando de campos magnéticos a microndas pulsantes. Elas abrangem alguns efeitos, mas nenhuma explicação, por si só, esclarece o fenomeno como um todo.

Dada a complexidade das observações existentes, eu proponho que se adie a analise destes efeitos, e que se considere
cuidadosamente as provas dos casos mais extremos: aqueles que resultaram em danos permanentes ou morte.

Extraido do livro Confrontos de Jacques Vallée  – Editora Best Seller  – 1990

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-do-dr-x/

Tempo de Despertar

Escrevi isso exatos dez anos atrás.. fiquei muito relutante em publicar, mas várias “indicações” ao longo do caminho me fizeram ter a certeza de que devo publicar sim. Espero que ninguém se sinta particularmente ofendido, pois não escrevi pensando em ninguém em especial:

Sabe, eu sempre procurei aliar meus estudos esotéricos a um objetivo prático. De nada adianta toda a teoria se não há um impacto aqui e agora em nossas vidas. Isso não quer dizer que ao ler “Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra” eu vá passar a aplicar isso automaticamente, mas tenho de ter um mínimo de bom-senso de que aquele deve ser meu objetivo. Então eu fico realmente cabreiro com o monte de teoria inútil que é distribuída por aí e que não fazem diferença alguma na vida de ninguém!! São em sua maioria canalizações, que espalham de forma indiscriminada coisas como duplicação de DNA, transmutação em corpo de luz, fim dos tempos, chegada dos extraterrestres, etc.

Ora, de que me adianta saber destas coisas que não têm nenhum paralelo com o mundo real e não servem nem como abstração para a evolução do meu espírito? Por exemplo, quando estudo sobre corpo astral (que é um troço abstrato) essa informação vai ter um impacto em minha vida. Como? Sabendo que eu tenho um corpo astral, que me interpenetra e é susceptível às energias circundantes, saberei que ele também precisa de limpeza e proteção, como o meu corpo físico, e ainda MAIS que ele, por não haver as limitações físicas de alcance e interação com outros corpos. Como posso comprovar essa teoria na prática? Conversando com aquele chato sanguessuga do trabalho, indo a um “inferninho”… Enfim, em pessoas sensíveis os efeitos são gritantes. Se eu fosse clarividente até me interessaria pelas cores da aura, que denotam a intenção do pensamento da pessoa, mas não sou, então essa informação não me interessa (mas pode ser útil pra milhares de outras pessoas!). Se eu me projetasse (saísse do corpo) com facilidade, a informação de que o corpo se subdivide em 7 corpos cada vez menos materiais poderia me ser útil, mas eu mal consigo sair do primeiro corpo!! Não me adianta querer fazer uma tese de mestrado se eu ainda não saí do primário!

Há alguns anos tais informações só estavam acessíveis a quem realmente precisasse delas, pois a obtenção era difícil e exigia real interesse. Com a Internet e o modismo esotérico, fala-se em “salto quântico” como se fosse falar de novela, em contextos totalmente incoerentes, e muitas vezes a pessoa que usou o termo mal sabe o que é um quanta!

Onde estou tentando chegar? No samba do esotérico doido que se tornou o ocultismo hoje, que mistura ufologia, ciência, todas as religiões possíveis (preferencialmente o judaísmo, porque estudar Cabalá “é muito chique”) e previsões catastróficas do futuro. Nem os Santos Católicos escapam: tem um site que traz supostas canalizações de uma Nossa Senhora da Aparecida que diz o tempo todo que “O que digo não é para causar-vos medo”, mas não tem uma mensagem sequer que ela não fale uma dúzia de desgraças como “Atenas tropeçará e perderá sua fama. O Braço forte de Deus agirá. Grande sofrimento experimentarão os habitantes da Dinamarca, Bélgica e Alemanha. A morte passará pelo Ceará. Arrependei-vos.” Tudo isso numa só linha! Não sabia que a mãe de Jesus era porta-voz do Apocalipse… Ora, o que se pode tirar de útil disso? Será que a Santa está insinuando que devemos nos converter pelo medo, como na Idade Média? Será que Jesus pregava através do medo? Considerando que o site não parece ter fins lucrativos (embora tenha doações envolvidas no meio) é de se pensar que seja alguma doença mental, ou então devemos aceitar que a mãe de Jesus tenha uma péssima assessoria de comunicação e tenha de descer sua vibração dos mais altos planos a cada dois dias para contatar pessoalmente alguém no Brasil pra ficar repassando mensagens vazias (A morte passará em tal local…), redundantes (ela já ameaçou o Japão três vezes) e intimidadoras.

Sei que eu não devia estar falando essas coisas das crenças dos outros, mas existe uma grande diferença entre respeito e covardia. Eu estaria sendo omisso comigo mesmo se, dentro do meu próprio blog não alertasse as pessoas que vêm em busca de informações de cunho espiritual. Jesus disse para olhar primeiro para a trave em nosso próprio olho, mas não deixava de criticar os hipócritas e aproveitadores da fé de sua época. Estaria sim, sendo desrespeitoso se entrasse no site deles para criticá-los.

Dito isso, vamos a outro tópico que me dá nos nervos: A tal da mudança do DNA. Isso surgiu em algum canto dos EUA e foi traduzido em diversas línguas, onde um tal de Dr. Berrenda Fox, com “doutorado em Fisiologia e Naturopatia” sugere (sem evidência científica alguma, claro) que o nosso DNA está mudando… e MUITO. Isso se espalhou como fogo pelas comunidades esquisotéricas. Um MÍNIMO de formação acadêmica já descartaria tal teoria como um absurdo, afinal, muitos sabem que a diferença entre o DNA do homem e do macaco é de apenas 1,5%, e como eu acredito que em tais comunidades existam médicos e professores, me parece ser mais uma questão de constrangimento que cria um véu de “tabu” ao redor desse assunto. Vejamos alguns trechos do artigo, onde vocês verão as inconsistências do texto:

Pergunta: Quais são as mudanças que estão ocorrendo neste momento no planeta, e como nossos corpos têm sido afetados?
Berrenda Fox: Existem grandes mudanças, mutações que não ocorriam, de acordo com geneticistas, desde quando, supostamente, saímos da água. Há alguns anos atrás, na cidade do México, houve uma convenção de geneticistas de todo o mundo e o tópico principal foi a mudança no DNA. Nós estamos fazendo uma mudança evolucionária, embora não saibamos em no que vamos nos transformar.

Pergunta: Como está mudando o nosso DNA?
Berrenda Fox: Todas as pessoas têm uma hélice dupla de DNA. O que estamos descobrindo é que existem outras hélices que estão sendo formadas. Na hélice dupla, existem duas seqüências de DNA enroladas em uma espiral. Meu entendimento é o de que iremos desenvolver doze hélices. Durante este tempo, que parece ter começado talvez entre 5 e 20 anos atrás, temos sofrido uma mutação. Esta é a explicação científica. É uma mutação da nossa espécie em algo para o qual o resultado final ainda não é conhecido.
As mudanças não são conhecidas publicamente, porque a comunidade científica sente que isso iria amedrontar a população. De qualquer forma, as pessoas estão mudando a nível celular. Estou trabalhando atualmente com três crianças que possuem três hélices de DNA.

E tem mais:

DNA, MUDANÇAS CORPORAIS E RECOMENDAÇÕES
Extraído do artigo “A imagem superior” por Susanna Thorpe-Clark

Nós estamos sendo mudados fisicamente de seres basicamente carbônicos com duas seqüências de DNA para seres cristalinos com 1.024 seqüências de DNA (eventualmente), porque apenas substâncias cristalinas podem existir em níveis dimensionais mais elevados.
Na verdade, estamos fundindo nossos corpos com seqüências de DNA dos Sírios, já que este formato é suficientemente próximo ao nosso para que nos integremos com relativamente poucos efeitos colaterais…

_____________
Agora sim, uma explicação satisfatória… Eu bem que desconfiava que esses ETs de Sírios estavam querendo fundir com a gente… Eles que fundam a mãe, porque comigo não!

Se o bom-senso não for satisfatório pra descartar estes textos, então faço uso de uma réplica supostamente escrita por um PHD na comunidade “Biologia” do Orkut:

“Nunca me vi perdendo tanto tempo numa leitura absurda como esta de Berrenda Fox! As mutações acontecem, mas elas são postas em cheque quanto à letalidade do fenótipo apresentado ou sua implicação fisiológica geral no indivíduo.

Por exemplo:
1) Se o novo caractere for inócuo à sobrevivência do portador, ele pode se perpetuar com suas descendências em F1, F2, etc, ou poderá se combinar com os genes de seus compares, consortes ou se diluir depois de gerações e desaparecer por completo.

2) Se o novo caractere apresentar letalidade, então dificilmente apresentará uma variabilidade crescente (culminando depois em presença dominante genética) como conta o texto.

Absurdo! É até um paradoxo pensar nesta segunda hipótese, sem dúvida contra a herança genética como a conhecemos, e implicando diretamente em aberração à lógica da partilha de genes e sua recessividade/dominância.

NÃO, o nosso ADN (DNA) não está mudando como diz o texto. 12 hélices? Acho que o autor leu muito as histórias de Gene Roddenberry e quer passar algumas das idéias dos episódios de Star Trek em forma de ciência para fazer sucesso imediato nas revistas de pasquim, boletins via email da internet, manchetes de supermercados ou para deslumbrar o leigo com fantasias destoantes.

Mutação é uma ocorrência no ADN que pode ser transmitida para futuras gerações, dependendo do tamanho da seqüência do ADN que modificou, levando o portador daquela mudança a manifestar caracteres lesivos ou não a sua saúde, anatomia ou comportamento.

Algumas mutações são benéficas – como as que aconteceram com certos seres aquáticos quando evoluíram de uma vida totalmente aquática para uma semi-aquática e semi-terrestre, vindo a surgir assim os anfíbios, certos répteis e quelônios. Muitas espécies surgiram assim, através de mutações genéticas, muitas delas mantiveram a capacidade natural de se autopreservar e outras acabaram mal por falta de mecanismos de adaptação ao ambiente.

Outras mutações são inofensivas, como a perda de funcionalidade de nosso apêndice vermiforme (que se suspeita ser parte ativa de um intestino mais largo em pitecantropos – antepassados da espécie humana há centenas de milhares de anos).

Existem ainda as mutações danosas, como as que acontecem no aparecimento de cânceres, em aneuploidias diversas que acontecem entre nós (propiciando doenças e síndromes que dificultam a sobrevivência da espécie, incapacitando os portadores sexualmente, psicologicamente, imunologicamente, socialmente e patologicamente).

As mutações podem modificar o ADN de todas as células humanas sim, pelo menos daquele portador e seus descendentes (vide o que eu escrevi acima, sob certas circunstâncias), mas NÃO VÃO MODIFICAR TODO O ADN.

As mutações podem desequilibrar células somáticas (de todo o corpo) e/ou germinativas (nossos gametas, espermatozóides nos homens e óvulos nas mulheres), e freqüentemente apresentam estas falhas de código no ADN, negando a captação ou síntese de proteínas pelos genes, ou podem passar despercebidas caso atingirem áreas do ADN que não sejam hábeis a traduzir sequência de proteínas (íntrons).

Além disso, existem outros certos tipos de mutações que ocorrem apenas em células especializadas, ou em áreas localizadas como o que acontece em mosaicos durante alguma malformação na meiose ou em heterotopias subcorticais (o que acontece com algumas desordens de migração neuronal com a ativação parcial do gene LIS1).

Algumas dessas mutações são corrigidas pelo próprio ADN, a nível molecular através de uma rede de sinais celulares, enzimas diversos, ou equipamento regulador do ARN, etc, outras não precisarão ser corrigidas por caírem em regiões neutras do ADN, conforme descrito antes.

Mas o que acontece com mutações num período curto? Num período de 6 anos ou menos, a poluição poderia influenciar no aparecimento de novas mutações, assim como radiação, medicamentos, substâncias tóxicas administradas como drogas ou aditivos alimentares, respostas à infecção viral e bacteriana, cânceres e combinação deletéria de uma série de doenças genéticas em uma pequena população.

O resultado que possa se apresentar diferente do normativo (num indivíduo adulto) em decorrência da alteração genética de seus cromossomos por alguma mutação é conseqüência de alguma doença, síndrome ou aparecimento de debilidades diversas de cunho anatômico, comportamental, etc, isoladamente.

Acho muito difícil que isso venha implicar em uma total reestruturação biológica populacional com o escopo de criar uma nova espécie daquele ponto em diante somente em 6 anos, conforme o texto se coaduna, ou até mesmo em 50 anos!

Para se criar uma espécie é preciso muito mais tempo, muitos mais descendentes, todos funcionalmente interativos e cooperativos para a transmissão dos novos caracteres (cientes ou não deste fim) para as futuras gerações, e se possível em algum ambiente isolado e sem participação de fatores que permitam descontinuar o desenvolvimento próprio destes novos caracteres. Ou seja, algo como que ocorreu nas ilhas Galápagos, ao longo de séculos, seria um exemplo mais apropriado para que isso desse certo.

Seremos os mesmo no futuro, porém melhores…

Existem textos mais brilhantes que aventam a possibilidade da espécie humana estar mudando, acrescendo-se de novas características funcionais, eliminando aquelas nocivas, prejudiciais e deletérias, e fazendo aos poucos uma nova espécie que se acomode aos desafios do ambiente, aprenda a manipular melhor as diferentes facetas da natureza, adaptando-se ao meio melhor e enriquecendo a massa encefálica com novas e mais amplas conexões sinápticas. Eu vejo o homem do futuro, um ser com um ADN muito próximo ao atual (com pouquíssimas modificações), mas com uma anatomia muito mais adaptada ao mundo do que a que temos hoje – com maior volume encefálico, maiores defesas epiteliais, maior eficácia cárdio-respiratória, vascular, óssea, com maiores habilidades carpo-cinéticas, visuais, degustatórias, e de percepção… e menos pilosidade corporal.

Sem dúvida seremos humanos, mas é duvidoso que seremos uma espécie nova com outro ADN, ou com um ADN exógeno (a não ser que encontremos melhores espécies fora deste planeta, e com isso decidamos incorporar ou combinar nosso ADN com os da espécie mais talentosa, com devido indulto e reverência à astrobiologia, claro, heheheh).”

Bem, vamos passar a outro tópico: Mestres Ascensionados. Taí um assunto que já foi interessante, há alguns anos, quando estava vinculado tão-somente aos Sete Raios. Até fiz um post a respeito. Os Sete Raios podiam servir como “teste vocacional espiritual”, algo como um guia, um horóscopo, mas já naquela época estava se iniciando um movimento de glorificação do Saint-Germain como uma espécie de “Jesus da Nova Era”. E os outros Mestres ganharam status de santos, da mesma forma que na Igreja Católica. Se você quer ter sucesso em certa área da vida, reze ou acenda uma vela pra o Mestre tal, na cor tal (à venda nos shoppings e nas tendas esotéricas de duendes e bruxinhas).

Temos também o Ashtar Sheran, um ser alto, louro e nórdico das galáxias, protetor do planeta Terra e comandante-em-chefe das tropas estrelares da Confederação Intergaláctica da Grande Fraternidade Branca Universal, a serviço de Jesus (que é conhecido nesses meios por Sananda)! Pra quem não conhece, essa é a Ufologia mística, que aterroriza todos os pesquisadores SÉRIOS do estudo ufológico e contribui para que o fenômeno UFO seja ridicularizado. A idéia de Ashtar é antiga (1952), e sua missão é enviar mensagens aos habitantes do Planeta Terra, para que estes tomassem consciência de suas ações; orientar e ajudar durante os períodos de transição da Terra para uma “dimensão superior” e resgatar seres-humanos que estivessem “preparados” ou em perigo, para serem novamente recolocados na Terra, após um inevitável cataclismo que estaria se aproximando (há mais de 50 anos!). Ou seja, é mais uma seita apocalíptica de “eleitos” que prevê uma forma new-age de arrebatamento. Isso é mais velho do que andar para frente, só que, para as pessoas de hoje, insatisfeitas com o catolicismo e ainda dependentes de mitos e grupinhos fechados, isso cai como uma luva para suas aspirações, afinal, basta entrar para o grupo (e ler todas as mensagens) para se tornar uma pessoa especial, que vai ser “salva” nessa espécie de “juízo final”. Não precisa nem pagar dízimo! Mas é preciso ter cuidado os Greys, aqueles alienígenas cinzentos do cabeção. Tudo o que lhe acontecer de ruim você pode pôr a culpa neles, afinal, você agora é um trabalhador da luz, e os demônios da nova era irão persegui-lo. Por isso, NÃO SAIA DO NOSSO GRUPO ou você estará vulnerável! Perceberam?

Claro, devido a quantidade de grupos espalhados pelo Brasil que lidam com Ashtar e Mestres Ascensionados, é impossível não estar cometendo uma injustiça com alguns deles. É como se eu pegasse um centro espírita onde se faz charlatanismo e dissesse que todos são assim. Mas é preciso SIM ficar de olhos bem abertos. O Fantástico desse domingo vai começar uma série que visa desmistificar aqueles “gurus” que se fazem passar por místicos, seres iluminados com percepção extra-sensorial, e tal, mas que são na verdade aproveitadores cujo “poder” é apenas ler as mensagens que as próprias pessoas passam no dia-a-dia, com roupas, gestos, expressões, etc.

#Espiritualidade #espiritualismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/tempo-de-despertar

[parte 5/7] Alquimia, Individuação e Ourobóros: Símbolos e Imagens Arquetípicas

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Vivo minha vida em círculos cada vez maiores que se estendem sobre as coisas. Talvez não possa acabar o último, mas quero tentar.”

– Reiner Rilke

Símbolo

Esta é a quinta parte da série de sete artigos “Alquimia, Individuação e Ourobóros”, que é melhor compreendida se lida na ordem. Caso queira acompanhar desde o começo, leia as parte 1, 2, 3 e 4

A palavra símbolo remete ao do grego symbolon, derivado do verbo sym-ballein, que significa “lançar com, pôr junto com juntar”. A etimologia da palavra remete que símbolo é, a priori, uma dualidade, que se forma uma. A própria definição da palavra já remete a integração dos opostos e pode ser associada com a imagem do Ourobóros.

Os conceitos simbólicos foram desenvolvidos em diversas religiões como reflexo de diferentes concepções do mundo e de novas linguagens.

“No seio da multiplicidade de crenças desenvolvidas pelo ser humano, a primeira distinção efetuada pelo homem foi entre o Bem e o Mal. Nas culturas pagãs, este conceito de dualidade moral poderia ser identificado nos símbolos positivos com o lado masculino, o Sol ou o céu, e nos símbolos negativos como o preto, o lado feminino, a Lua, a água ou o inferno. Da mesma forma, nas religiões, como por exemplo o cristianismo, o poder do Bem encontra-se simbolizado em Deus e em Cristo, e a força do Mal em Satanás. No que respeita a mitologia, tal como acontece no hinduísmo, a luta travada entre as forças superiores e as força inferiores é representada através do conflito entre a ave solar Garuda e as serpentes Nagas, hindus e, na tradição ocidental, entre a águia e o dragão. Na maioria das culturas a verdadeira perfeição apenas poderá ser alcançada através da conciliação e da união das forças opostas do universo. Nesta sequência, o símbolo taoista de Yin-Yang e, na alquimia, a figura do Andrógino representam ambos estes ideais, à semelhança do que acontece na psicologia.” (CHEVALIER, 2008, 10)

Jung (1964) introduz a noção de símbolo como um conjunto de significados que transcendem sua própria imagem concreta. Um símbolo remete a algo maior que o próprio símbolo; um conjunto de ideias orientadas através de um sutil emaranhado de padrões. Como possível gênesis de símbolos, Jung compreende que os sonhos revelam através de suas férteis imagens arquetípicas, grande parte do mistério do símbolo, e que, ao sonhar, o homem bebe da fonte do desconhecido e inicia sua jornada pelo conhecimento.

Compreendendo os sonhos como manifestados também por conteúdos inconscientes, logo se percebe que a busca de conhecimento através dos sonhos, nada mais é do que buscar conhecer a si mesmo. Através de sua consciência, o homem aprendeu a viver através da parcial previsibilidade das coisas, mas seu inconsciente demonstra ao menos metade de um grande escopo de possibilidades antes fora do seu campo de compreensão.

Jung rompe com a escola psicanalítica quando define que o valor do conceito de “libido não está em sua definição sexual, mas no seu ponto de vista energético” (JUNG, 1989, p. 127-8), ou seja, define como energia psíquica todas as pulsões provenientes da psique e do inconsciente, estabelecendo que a libido freudiana é só mais um dos canais de expressão desta energia. O que difere empiricamente na interpretação do fenômeno é que na teoria freudiana parte-se da causa para o efeito, engessando a percepção interpretativa num molde teórico, a teoria da sexualidade. Ao partir dos efeitos para depois compreender as causas, Jung consegue analisar a psique de forma dinâmica, e superar a teoria sexual. A energia psíquica é a fonte de toda a movimentação humana em busca de crescimento.

Ourobóros

Mas o que é um Ourobóros? Quem nunca ouviu a expressão ‘morder a própria cauda’? É normalmente utilizada para descrever o momento em que alguém, inconsciente de si, repete ações sem atingir os objetivos estabelecidos, e por isso, exige um olhar para si, reavaliando seus métodos de ação.

O Ourobóros é a resolução do conflito dialético atingido na busca da individuação à unidade da separação, ou solve et coagula (dissolve e solidifica), representando metaforicamente todo o processo alquímico descrito no capítulo anterior. É uma imagem alquímica presente em diversas esferas sociais e religiosas, na qual uma cobra, ou dragão, morde a sua própria cauda num movimento circular. A imagem revela o paradoxo do infinito, onde tudo se inicia em seu próprio fim, e acaba em seu próprio começo.

Se reduzirmos o símbolo em imagens ainda mais primordiais, como o círculo, o dragão e a serpente começamos a desvelar o significado deste símbolo. Seguem transcrições do “Dicionário de Símbolos”, de Nadia Julien:

Círculo

– Representa “o desenvolvimento contínuo da criação”. E mais, ele representa o ciclo do tempo, o movimento perpétuo de tudo que se move, os planetas em torno do sol (círculo do zodíaco) que se projeta nos tempos circulares, a arena, o circo, a dança circular.

– Símbolo da perfeição para o Islamismo, da divindade (disco solar) e da luz no Egito, expressão do que não tem começo nem fim, simbolizando a eternidade representada pela serpente que morde a cauda, cuja divisa é um, o todo, a substância universal rarefeita até a imperceptibilidade para constituir a essência íntima das coisas, o fundamento imaterial de toda a materialidade, ou a prima matéria dos alquimistas.

– O círculo é também o zero de nossa numeração e representa as potencialidades, o embrião. Comportando um ponto central, o círculo é a representação do ser manifestado, evocando o conceito de ordem, de cosmo e de harmonia. Nos sonhos o círculo é um símbolo do Eu, e indica o fim do processo de individuação, da evolução da personalidade para a sua unidade.

Dragão

– Para os alquimistas, as atitudes do dragão simbolizam as etapas da grande obra.

– Imagem arcaica das energias mais primitivas, o dragão representa o inconsciente durante tanto tempo enquanto não possuirmos acesso a ele, onde as paixões os complexos inconscientes, os desejos ocultos conduzem a uma vida arcaica. Isto que se explica a fundo com os poderes do psiquismo, que luta com o dragão, pode recuperar uma parte das energias inconscientes que pode utilizar para dominar sua vida.

– A luta com o dragão é um símbolo do amadurecimento… então, ele terá ganho o tesouro que os dragões guardam em quase todas as mitologias. Libertará sua alma, esta virgem que o dragão mantinha prisioneira.

Serpente

– A serpente representa o conjunto dos ciclos da manifestação universal. No processo de criação, rodeando o ovo cósmico (o caos), simboliza a fecundação pela incubação do espírito vital divino, semente de todas as coisas, assim liberadas dos elos da matéria inerte pelo poder divino.

– Símbolo da imortalidade, enrolada em torno da árvore de maçãs de ouro do jardim das Hespérides; rodeia o Ônfalo, ou a montanha cósmica (eixos do mundo), simbolizando o conjunto de ciclos da manifestação universal, o Samsara, a cadeia do ser no ciclo indefinido de renascimentos, o percurso indefinido e renovado das existências.

– A serpente do paraíso é o símbolo do conhecimento perigoso (descoberta da sexualidade). Daí transformar-se num símbolo fálico e sexual (a serpente tentadora, portadora de forças perigosas e maléficas cuja a arma é a sedução empregada por Eva, a Anima).

– Em suas relações com o inconsciente coletivo, o ofídio representa num nível inferior a agressividade, e num nível superior o poder e a sabedoria. É a representação do inconsciente, onde se acumulam todos os fatores rejeitados, recalcados, desconhecidos ou ignorados e as possibilidades desmedidas em nós.

– São estas forças muito primitivas, aglomeradas em constelação, que colocam em jogo a serpente no sonho. É a manifestação de uma energia psíquica dormente pronta a se tornar concreta, em positivo ou negativo, em razão da ambivalência do simbolismo deste animal de sangue frio (pavor, angústia), como do melhor (propriedades curativas e salvadoras).

Segundo Erik Hournung (1999), a primeira aparição conhecida do símbolo Ourobóros está no Netherworld, um texto funerário egípcio encontrado na tumba de Tutancâmon, no século 14 AC. Referindo-se a união do deus Ra e Osíris no submundo. Em uma ilustração deste texto, duas serpentes, mordendo as caudas. Ambas as serpentes são manifestações da divindade integrada que representa o início e o fim do tempo.

O texto alquímico “Chrysopoeia de Cleópatra”, datado do século está grafado com o os dizeres ‘hen to pan’, em tradução livre: “o um é o todo” além de uma imagem de uma cobra, metade branca, metade preta, mordendo a própria cauda. Novamente a figura circular ofídia como uma dinâmica polarizada, cíclica que se integra tornando-se Um. O Ourobóros de Chrysopoeia poderia ser interpretado como o equivalente ocidental do símbolo taoista Yin-Yang.

“El signo del Yin-Yang, según la filosofía oriental, simboliza un concepto fundamentado en la dualidad de todo lo existente en el universo. Describe las dos fuerzas fundamentales, aparentemente opuestas y complementarias que se encuentran en todas las cosas” (BADANO, 2010).

Outra alegoria religiosa que podemos associar com a simbologia da serpente e seus movimentos circulares estão na cultura Hindu, através da serpente Kundalini, que em sânscrito significa “serpente enrolada”. Nesta cultura yogue, o corpo humano é divido em sete centros básicos de manifestação de energia, ou Chakras, e Kundalini, a origem desta manifestação energética, estaria ‘adormecida’ no primeiro centro, abaixo da coluna vertebral.

Conforme o indivíduo se purifica e pratica as técnicas que envolvem controle da respiração, postura e meditação, ele ‘desperta’ a ‘serpente’ que sobe pelos centros de energia, fazendo com que o praticante atinja a iluminação, ou individuação. A figura da esquerda representa este processo enquanto a figura da direita ilustra os centros de energia:

Esse mesmo simbolismo pode ser encontrado no Caduceu de Hermes, símbolo da medicina, visto no capítulo anterior. Curioso a correspondência entre as cores dos sete centros de energia com as sete etapas alquímicas que vimos aqui.

Limitemos nossa análise a simbologia religiosa Alquímica, apesar de todos os sincretismo encontrados em diversas culturas religiosas acerca da imagem do Ourobóros. Quem sabe os posts futuros não possam tratar desses assuntos.

“O Ourobóros é um símbolo dinâmico para a integração e assimilação de opostos, i.e., da sombra… Simboliza o Um, que resulta no conflito do opostos, e portanto constitui o segredo da prima matéria…” (JUNG, 2008, 365)

Esta é uma imagem arquetípica bastante rica, contextualizado sob o paradigma de integração, ou conjunção, de aspectos opostos. Fica evidente que a figura representa não só a união dos opostos complementares da psique como todo o potencial do processo alquímico.

“Os alquimistas, de sua própria maneira sabiam mais sobre a natureza do processo de individuação que nós modernos, expressavam este paradoxo através do símbolo do Ourobóros, a cobra que morde a própria cauda. Do Ourobóros é dito ter o significado do infinito ou completude. Na antiga imagem do Ourobóros está o pensamento de se devorar e se transformar em um processo cíclico, pois era claro para os alquimistas mais astutos que a arte da matéria prima era o próprio homem. O Ourobóros é um símbolo dramático para a integração e assimilação dos opostos, ou seja, da sombra. Este processo de “feed-back” é ao mesmo tempo um símbolo da imortalidade, uma vez que é dito dos Ourobóros que ele mata a si mesmo e se traz à vida, fertiliza a si mesmo e dá a luz a si mesmo. Ele simboliza o Um, que procede do choque de opostos, e, portanto, constitui o segredo da prima matéria que […] decorre, sem dúvida, do inconsciente do homem.”(JUNG, 2008, 513)

No livro “A tábua de esmeralda: Alquimia para transformação pessoal”, Dennis Hauck explícita sobre o símbolo ourobórico e o associa com etapas alquímicas:

“Descrições mais alegóricas abundam na literatura medieval e representações, entre as quais estão aqueles que compreendem tanto aspectos “esotéricos”, quanto “exotéricos” da Alquimia. Tal símbolo, cujas origens podem ser traçadas de volta para o Egito Antigo é a dos Ourobóros, a serpente mordendo a cauda, simbolizando a imortalidade, e os ciclos eternos de mudança do mundo. Isso também pode ter significado para refletir a integração e reversibilidade de certas transformações alquímicas como a “destilação” e “condensação”. (HAUCK, 1999, 156)

Ou ainda nas palavras de Von Franz, no livro Introdução a Alquimia:

“O que tem luz se cria na escuridão da luz. Mas quando alcança sua perfeição, recupera-se de suas enfermidades e debilidades e então aparecerá esta grande corrente da cabeça e da cauda. […] É uma luz nova que nasce na escuridão, e então se vão todos os sintomas neuróticos e a enfermidade e a debilidade […]. Aqui é mister recordar ao Ouroboros, que come a cauda, onde os opostos são um: a cabeça está em um extremo e a cauda no outro. São um, mas têm um aspecto oposto e quando a cabeça e a cauda, os opostos, encontram-se, nasce uma corrente, que é ao que os alquimistas se referem […] como uma manifestação do Si mesmo. Tal é o resultado da coniunctio neste caso. Em muitos outros o descreve como a pedra filosofal, mas, como dizem também muitos textos, a água da vida e a pedra são uma mesma coisa” (VON FRANZ, 1985, 134).

A partir deste levantamento bibliográfico e imagético da simbologia do Ourobóros, é possível perceber correspondências encontradas entre a imagem e o processo de individuação, porém, tais associações serão melhor elaboradas no capítulo seguinte, assim como os paralelos dos temas individuação e Ourobóros com os processos alquímicos.

Referências Bibliográficas:

BADANO, Federico. Signo del Yin-Yang. Rev. argent. Radiol., 2010, vol.74, no.4, p.403-405. ISSN 1852-9992

CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Rio de Janeiro. Ed. José Olympo. 2008

HAUCK, Dennis Willian. The Emerald Tablet: Alchemy for Personal Transformation. Arkana. Ed.Pengun Group. 1999.

Hornung, Erik. Conceptions of God in Egypt: The One and the Many. Cornell University Press, 1982.

JULIEN, Nadia. Dicionário dos Símbolos. São Paulo. Ed. Rideel. 1989

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião Oriental. Petrópolis: Vozes. 1989.

JUNG, Carl Gustav. Mysterium Coniunctionis. Obras Completas. Vol. XIV/I. Petrópolis. Ed. Vozes. 2008.

JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos. São Paulo. Ed. Nova Fronteira. 9 edição. 1964.

VON FRANZ, Marie Louise. A Alquimia: Introdução ao Simbolismo e a Psicologia. São Paulo. Ed. Cultrix. 1993.

Imagens:

Primeira gravura do “Uraltes chymisches Werck” de Abraham Eleazar

Cosmic, arte de Geometria Sagrada de Daniel Martin Diaz

Exemplo de um Dragão Ourobóros

Diagrama em círculos dos planetas alquímicos

O Dragão Smaug protegendo seu tesouro na gravura “There He Lay” de Justin Gerard

“De Zondeval” de Cornelis van Harleen

Ourobóros de Chrysopoeia comparado ao símbolo oriental do Yin e Yang

Ilustração da subida de Kundalini e a referência do trajeto pelo “Chakras”

Gravura de “Uma Coleção de Emblemas Antigos e Modernos” de George Whiters (1635)

Gravura encontrada no Castelo de Ptuj, Slovênia (Séc XII)

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. 

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-5-7-alquimia-individua%C3%A7%C3%A3o-e-ourob%C3%B3ros-s%C3%ADmbolos-e-imagens-arquet%C3%ADpicas

Frank Sherman Land, 100 anos de maçonaria

“Se trabalharmos sobre o mármore, um dia ele se acabará. Se trabalharmos sobre o metal, um dia o tempo o consumirá. Se erguermos templos, um dia se tornarão pó. Mas se trabalharmos sobre almas jovens e imortais, se nós a imbuirmos com os princípios do justo temor ao criador e amor à humanidade, nós gravaremos sobre essas almas algo que brilhará eternamente. Daqui a cem anos pouco importará o quanto tenhamos acumulado no banco, que tipo de casa, palacete ou carro possuímos. Mas o mundo poderá ser diferente, talvez porque fomos importantes na vida dos jovens.” – Frank Sherman Land.
Quando jovem, Frank Sherman Land, ainda não conhecia o Tao The King,Lao Tse ou o I Ching, pouco difundidos no ocidente na época, porém é um exemplo de homem que desde criança seguiu o caminho que não pode ser melhor identificado do que com o Hexagrama 8 do I Ching, que significa Solidariedade, nem melhor descrito do que com o verso 49 do Tao The King. Como vamos ver durante toda a biografia desse homem e da história da Ordem DeMolay, Frank S. Land foi uma pessoa que não se limitou em transmitir, durante toda sua vida, a sabedoria e a bondade.

Lao Tse, sec IV a.C., antiga China.

No primeiro passo vimos o que levou Louis a procurar ajuda da maçonaria, e aqui vamos acompanhar os aspectos da infância de Frank S. Land até sua grande inspiração, que foi o encontro com esse garoto. Os fundamentos de sua vida que o levou a estruturar toda ideologia DeMolay e ser reconhecido como Pai (“Dad” em inglês, como era chamado) por milhares de jovens.

Frank, o Pequeno Ministro

Elizabeth Lottie em 1889 era uma garota de 15 anos dentro de uma família autoritária, e se apaixonara por um rapaz mais velho chamado William Sherman Land. Apesar da oposição de sua família, se casaram. No ano seguinte, no dia 21 de junho de 1890 em Kansas City no estado de Missouri, nascia seu primeiro filho, batizado com o nome Frank Sherman Land.

Já aos nove anos Frank S. Land possuía o dom da oratória, liderança que usava para incentivar seus amigos, tanto mais velhos como mais novos. Nessa idade pediu ajuda a sua mãe para iniciar uma “Escola de Domingo” que reunisse seus amigos nas tardes de domingo para que pudessem aprender sobre a Bíblia. Elizabeth reformou o porão de sua casa para atender ao desejo de Frank. Um ano depois a fama de Frank já havia se espalhado e ele era conhecido como o Pequeno Ministro. Não só seus amigos frequentavam o porão de sua casa, mas também estavam sendo acompanhadas por suas mães, que o escutavam atentamente. Nessa época a família Land morava em St. Louis no estado de Missouri.

Uma mãe expôs a Elizabeth toda a curiosidade de todas as outras mães presentes: como tudo isso havia começado? A resposta de Elizabeth foi: “Ele constantemente lê a Bíblia. Ele já a leu toda, possivelmente mais de uma vez. Ele pode citar capítulos de memória. Eu me pergunto sobre Frank, ele é muito interessado no que os outros meninos fazem. Ele brinca com os outros garotos, mas existe uma profunda parte espiritual nele que eu não consigo explicar.”

Desde cedo Frank demonstrou seu espirito cuidadoso e companheiro, cuidando dos seus amigos e os instruindo através de histórias bíblicas, sobre o amor filial e sobre o patriotismo. Num de seus sermões no domingo a tarde, Frank compartilharia o ensinamento que em alguns anos se tornou a virtude central da Ordem DeMolay: “Amigos são muito importantes! Nós devemos ter amigos. Nós devemos partilhar com eles. Ajudar uns aos outros. Eu vou lhes contar uma história do Antigo Testamento sobre dois amigos, Davi e Jônatas”. E assim começou seu sermão com tom profético, que aos seus 10 anos já implantava idéias de virtudes e cidadania a todos que os escutavam.

Dos 12 aos 21 anos

Assim como toda família, a dos Land também tinham problemas. Os desentendimentos e dificuldades cresceram ao nível de conflitos pessoais e a única solução foi o divorcio. William ficou na cidade de St. Loius e Elizabeth, que na época tinha Frank com 12 anos e a caçula Sissy com 7, voltou para sua cidade natal Kansas City para morar com sua mãe. Foi uma época perturbada para Frank, pois ele perdera sua figura masculina em uma importante parte do seu desenvolvimento pessoal, o que transformou o Pequeno Ministro em alguém recolhido e tímido, a ponto de dar a volta no quarteirão para evitar encontrar com as garotas de sua classe.

Nesse tempo de timidez de sua adolescência, Frank preenchia seu tempo com leituras que o fez conhecer e passar a aceitar a responsabilidade individual que cada ser humano possui, aprendeu o dever do jovem crescer e se tornar um “herói” honesto em meio a sociedade, e um de seus sonhos foi de se tornar um bombeiro. Seus autores favoritos eram Horatio Alger e G. A. Henty.

Em 1907 Frank, sua mãe e avô montaram um restaurante. As mulheres cozinhariam e Frank seria o administrador. No ano seguinte Frank entrou no Kansas City Art Institute (Instituto de Arte) por seu interesse na arte e na pintura, e nesse instituto expandiu seu conhecimento artístico adquirindo amor e apreciação por todas as formas de artes. E esse conhecimento cultural adquirido na juventude foi o que lhe garantiu um grande conhecimento e destaque dentro os ritos da Maçonaria.

Exemplo de brasão heráldico Templário.

Frank admirava secretamente Nell, uma menina do instituto. E certa vez Nell foi a Frank perguntar o que ele estava desenhando, e sua resposta foi: “Estou pintando um Escudo da Cavalaria”, e explicou “Eu sempre fui interessado nas Cruzadas e nos tempos da história em que os cavaleiros lutavam em batalhas e resgatavam belas damas do perigo. Esse emblema que estou desenhando é do século quatorze. Foi nessa época que espadas foram sobrepostas por escudos. Era a época de ouro da Heráldica. Eu acrescentei um elmo também. Você sabia que os elmos só eram usados por cavaleiros, e só podiam ser usados nos brasões  das famílias de cavalaria? Você se interessa por isso?”

Assim começou seu diálogo com Nell, e uma semana depois Frank tomou coragem para convidá-la para tomar sorvete e conversar sobre escudos, espadas e a época da cavalaria. Mas nesse encontro, Frank nunca mencionou quaisquer desses assuntos, simplesmente perguntou a Nell quem era ela, e pedindo para ela falar sobre ela mesma. Três anos mais nova que Frank, descendente polonês, nascera em 5 de fevereiro de 1893 em Kansas City, batizada como Nell Madeline Swiezewski. Não demorou muito para os dois se sentirem bem juntos e iniciarem o romance.

Dessa maneira a família Land ia aumentando, pois a mãe de Frank, Elizabeth se casou com um rapaz um ano mais velho que ela em 1909. Dando a Frank uma nova irmã, Elizabeth Irene, que Frank chamava de “Princesa Irene”, e que foi a grande inspiração materna que ele precisou para futuramente colocar o Amor Filial como a primeira das virtudes DeMolay por observar o amor de sua mãe com sua irmã mais nova.

Tomando conta do restaurante, de sua própria educação, e de Nell, Frank desenvolveu ainda mais seu senso de liderança e organização. No dia 21 de junho de 1911 ao chegar na maioridade, Frank recebeu o presente mais importante da sua vida de sua avó, através de algumas palavras e um envelope: “Frank, você agora tem 21 anos. Eu estou orgulhosa de você e do que você fez. Seu avô era Maçom. Eu ficaria feliz se você se unisse a Fraternidade que ele tanto amou. Em sua memória, e como um presente meu, você achará nesse envelope o dinheiro necessário para apresentar uma petição para ingresso na Maçonaria. Faça como seu coração ordenar, mas me agradaria muito ver você fazendo isso.”

Encontro com Louis Gordon Lower

Sua petição foi aceita na Ivanhoe Lodge 446 (clique aqui para ver a Loja no Google Street View) e sua iniciação ao Grau de Aprendiz aconteceu no dia 25 de maio de 1912. Alcançando o Grau de Companheiro em 17 de junho do mesmo ano, e alguns dias depois já tinha autorização para ser exaltado ao Grau de Mestre Maçom, cerimônia ocorrida no dia 29 do mesmo mês.

Uma nova porta foi aberta para Frank S. Land, que ao iniciar na maçonaria percebeu que havia encontrado algo a mais, algo que sempre procurara. A Maçonaria proveu meio que ele pôde expressar seu amor aos seus novos irmãos, sua compaixão aqueles que se encontravam em dificuldade, e sua vontade de ajudar seus companheiros, tudo através das lições aprendidas nos três graus simbólicos da maçonaria. Dessa maneira sentiu vontade de entrar em todos os grupos e ritos que tivesse acesso para absorver seus ensinamentos e filosofias. Começou a cavalgar os graus do Rito de York, Rito Escocês Antigo e Aceito, se tornando Grau 32 no Kansas City Scottish Rite, e participou do Ararat Temple se iniciando no Ancient Arabic Order of the Nobles of the Mystic Shrine, dentro de alguns anos alcançando todos os graus e recebendo diversos cargos dentro dos ritos. É importante relembrar que Frank sempre esteve em destaque apesar de sua jovem idade dentro da Maçonaria devido aos estudos que fez durante sua juventude e pelo seu interesse em ajudar o próximo.

Se casou com Nell no dia 15 de setembro de 1913. Em 1914 Frank recebeu uma nova oportunidade e precisou da ajuda de Nell para tomar essa decisão, que era de vender o restaurante e dedicar-se em tempo integral a se tornar administrador e secretário em um novo projeto no Templo do R.E.A.A. Ao invés de insegurança com o futuro, Nell mais uma vez contribuiu para que as coisas na vida de Frank tomassem um novo rumo: “Frank, aceite essa oferta. Assuma esse trabalho. Você nunca será feliz enquanto não achar meios de servir as pessoas. Acredito que isso abrirá um novo mundo para você. É o limite da sua vida de trabalho. Eu sinto que disso virá uma grandeza para você e para os outros”. E como uma profecia, entre 1914 e 1919, Frank trabalhou em projetos que o incentivaria a criar a Ordem DeMolay, só precisando de mais um empurrão, que viria a seguir.

Em janeiro de 1919 Frank recebeu uma ligação de San Freet, Primeiro Vigilante de sua Loja Mãe, Ivanhoe 446, com um pedido: “Um de nossos membros, Elmer E. Lower, que foi iniciado ao grau de Companheiro, morreu ano passado, acredito que no dia 3 de janeiro. Ele deixou sua esposa e quatro filhos que agora estão entre seis e 17 anos. A mãe tem feito um grande trabalho para sustentar a família. Ela achou um emprego como inspetora no hospital, mas isso não é suficiente para sustentar a família.Você conseguiria achar um emprego de meio expediente para o garoto, Louis? Ele é um dos melhores jovens que eu já conheci.”

Assim aconteceu a fundação da vida de Frank. Sua dedicação a vida religiosa o fez ser uma pessoa carismática e profética desde criança, estudando simbolismo bíblico, conhecendo a cultura medieval, e adentrando nos estudos e ensinamentos dos diversos graus da maçonaria que concretizaram e expandiram ainda mais todo seu conhecimento e interesse. Junto ao seu amor a Deus, a pátria, ao próximo, e o ao amor materno, dentro de alguns meses iniciou um projeto para mudar para sempre a vida de Louis e de mais oito de seus amigos.

É dever de um DeMolay conhecer o Pai e o objetivo de sua Ordem. Aqui conhecemos o caráter e um pouco da jornada desse homem. Conhecer nos faz pensar e refletir sobre nosso propósitos, valores e verdadeiros objetivos. No próximo passo veremos o nascimento do nosso tesouro, o Ritual dos Trabalhos Secretos.

Em homenagem a Frank Sherman Land, o homem que com sua bondade e sabedoria mudou, muda e continuará mudando, a vida de milhares de jovens. O Pai da Ordem DeMolay que hoje completa 100 anos de maçonaria.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda

Leonardo Cestari Lacerda é Sênior DeMolay do Cap. Imperial de Petrópolis, nº 470, e Maçom da A.’.R.’.L.’.S.’. Amor e Caridade 5ª, nº 0896.

Virtude Cardeal é uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

#Demolay

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Tragédia e Fortuna

Por Livio Nakano e Igor Teo

Existe um viés permanente de entendimento ao se imaginar que a realidade do filósofo ou das ideias estudadas equivaleria à sua própria, cidadão do século XX ou XXI. Na verdade, quando lemos um autor medieval, persa, romano ou helenístico, a ideia de historicidade não é apenas útil – é indispensável! Se não, caímos em lugares comuns, confundimos alhos com bugalhos e perdemos o fio da meada que estaríamos procurando encontrar. Foi tendo isto em mente que nós iniciamos uma interessante conversa que rendeu algumas reflexões.

Há uma linha de estudos acadêmicos conhecida como história da psicologia. Ao contrário do que o nome possa sugerir, ela não trata apenas do estudo da história da psicologia em si (como, por exemplo, em qual ano Freud escreveu seu último texto ou quando se abriu um cérebro pela primeira vez). Estudar história da psicologia é, sobretudo, estudar a história das ideias psicológicas, como estas surgiram, sobreviveram e cambiaram com o passar do tempo. Ideias psicológicas são, por sua vez, todas as concepções que o homem cria sobre si próprio, isto é, ideias que o homem construiu ao longo da história sobre emoção, razão, alma, e todas estas demais questões pertinentes que hoje são temas da recente psicologia científica. Pensar em termos da história da psicologia é entender a história e as motivações de nosso pensamento. Entender que ideias diferentes têm origens diferentes e razões diferentes, e essas diferenças refletem, sobretudo, o contexto socio-histórico das mesmas.

 Ao pensarmos nos rumos da história, o seu desenrolar óbvio e ao mesmo tempo incerto,  questionamentos nos podem vir à mente. Até que ponto somos produtos de um passado se projetando ao futuro? Até que ponto somos livres para reinventar o porvir? Que peso damos a própria noção de Livre-Arbítrio enquanto valor necessário e capaz de libertar qualquer mortal das tramas sórdidas do destino ou de criar crescimento e evolução a partir de dificuldades, dor e desgraças, ignorando até rumos mais fortes como circunstâncias ambientais e geográficas, ciclos celestes e até a providência divina?

 Na Grécia Antiga, por exemplo, salvo raras exceções, acreditava-se que o destino dos homens pertencia aos deuses e não cabia aos mortais o poder de mudá-lo A história de Édipo é um exemplo de que por mais que se tente fugir do seu destino, você ainda estará o executando. E mesmo os primeiros filósofos cristãos não eram partidários do livre-arbítrio. Agostinho de Hipona, uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente, já falava em predestinação divina muito antes de Calvino e da Reforma Protestante. No mundo moderno, por sua vez, é comum a crença de que somos capazes de tudo e só não obtemos por mera e talvez momentânea falha nossa. Estão aí os livros de autoajuda para todo mundo que quer abrir uma empresa e ser o próximo Eike Batista.

 Para quem se ergue é fácil compor todas as dificuldades da vida em uma sequência narrativa inevitável. Assim como para quem desaba.  Até onde nosso presente foi só fruto de nossas decisões e acordos, até que ponto foi fruto de um destino, e até que ponto, isto foi ou seria negociável? Isto lembra muito ao excelente filme “De Volta para o Futuro”, onde todo o futuro do protagonista dependia de um simples baile de formatura de ginásio nas mais variadas e diferentes direções – o presente original, o futuro alterado do primeiro filme, do segundo, e etc. E se tais momentos cruciais existem, seriam a todo o momento e a toda hora, e talvez, tão lábeis assim, como no filme? Afinal, para cada baile de formatura, existem centenas de tardes e noites que passamos no sofá de nossa casa (e talvez, nosso “livre arbítrio”, muitas vezes, se limite a escolher o passivo momento da inércia, em detrimento de uma trabalhosa e incerta oportunidade, que pode tanto oferecer tragédia como fortuna).

Indo na contracorrente de uma ciência determinista, que procura a medição e o controle absoluto de variáveis para determinar exatamente os possíveis resultados, Jean-Paul Sartre vai construir uma filosofia da liberdade. O filósofo não vai negar as determinações que condicionam uma realidade, mas ao mesmo tempo vai defender veemente a liberdade pessoal, ainda que condicionada aos determinantes. Dizia ele que a todo o momento nós estamos fazendo escolhas, e dizer que as determinações nos coagem a optar por algo, ignorando o nosso próprio poder de decisão sobre as mesmas, é o tipo de atitude que ele vai chamar de má-fé. A frase sintetizadora de sua filosofia é “o importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós“. Para Sartre, não posso evitar que alguém escolha me dar um tapa, mas eu posso escolher revidar ou me abster. Mas foi essa uma escolha verdadeira ou ela existiu apenas por causa de uma pré-disposição que eu já tinha em mim, produto de minha própria história pessoal, para revidar ou abster? Pois e se realmente não houver liberdade, dizer que alguém é responsável por seu sofrimento não seria culpar a vitima?

 Sartre resume bem o dilema: um mesmo fato, dividido em pessoas diferentes, pode resultar em traumas de infância, em perversões sexuais, em obras artísticas plásticas ou musicais, em anos e anos de análise ou em religiosidade e transcendência. Só que talvez não dependa unicamente de uma crucial decisão, mas sim, da estrutura e das ferramentas que o mesmo possuiria.

 Um limite da ciência, é que ela não tem como avaliar uma hipótese onde se observe múltiplas variáveis oscilando durante o período de estudo. Outra é que deve haver um limite para o período de observação. Mas uma coisa possível é reconhecer que pessoas são e serão diferentes. Há pessoas que toleram o treinamento do BOPE e outras que trincam e nunca mais se levantam na primeira decepção romântica. Não é todo o mundo que nasceu para ser caveira. E aquela criatura que carrega eternamente uma mágoa do bullying de infância pode não ser necessariamente apenas um “bunda mole”.

 Este tipo de questionamento pode estar presente na paternidade ou maternidade. Quando nossos filhos nascem, podemos querer que sejam doutores, meritíssimo e excelências, mas não dá para saber se eles serão revolucionários ou conservadores, homossexuais ou heterossexuais, hereges ou fanáticos, mesmo com todo nosso esforço, exemplo e educação doméstica. Ou seja, nossos amados filhos terão um destino próprio a cumprir, que podemos e iremos ajudar, mas jamais determinar. Que podemos oferecer valores, limites, disciplina, mas não temos como interferir na sua soberana escolha de exercício de sua afetividade (seja em gênero, classe social, raça, religião).

 E pensar seletivamente, em critérios de exclusão, pode ser legal em vestibular, em concursos, em atletas olímpicos, especialmente se você é um dos ungidos, um dos vencedores – mas não quando procuramos inclusão e abraçar ao todo, à humanidade em si, a valores como fraternidade, e quando queremos dividir tudo o que conquistamos com pessoas que “não se encaixariam” em extremos de meritocracia, mas que você tanto ama.

#Reflexão #história #Filosofia #liberdade #reflexões

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Hipátia e Sinésio (parte final)

« continuando da parte 1

A Herculiano,

[…] Nós vimos com nossos próprios olhos e ouvimos com nossos próprios ouvidos a Senhora [Hipátia] que presidia, com legitimidade, sobre os mistérios da filosofia. E se acaso aqueles que compartilham tal laço de união são chamados a se relacionar, daí uma lei divina nos incita, a nós que estamos unidos pela mente, a nossa melhor parte, a honrar as qualidades uns dos outros.

[…] Viver de acordo com a razão é o alvo de todos os homens. Busquemos, portanto, tal alvo em vida; supliquemos que Deus transforme nossos pensamentos em coisas divinas, e nos dediquemos, tanto quanto for possível, a colher a sabedoria de todos os lados.

Esta outra carta de Sinésio, da qual trago somente alguns trechos [1], foi endereçada a Herculiano em 395 d.C. Nesta época ambos eram alunos de Hipátia em Alexandria, porém Herculiano (de quem sabemos muito pouco além do nome e do fato de provavelmente se tratar de um membro de alguma família rica da região) foi obrigado a retornar a sua terra natal. Logo Sinésio seguiria o mesmo caminho, e após alguns anos inesquecíveis aprendendo com sua mestra, também retornaria para onde nasceu, Cirene.

Ele ainda teria viajado algumas vezes para visitar Hipátia nos anos seguintes, porém as visitas vinham se tornando cada vez mais raras e complicadas, primeiro porque Sinésio já havia e se casado e tido seu primeiro filho, e segundo porque sua capacidade intelectual o levou, ainda que provavelmente a contragosto, a atuar na esfera política.

Em 399 Sinésio chefiou uma comitiva até Constantinopla, para negociar uma redução de impostos para sua cidade junto ao imperador Arcádio. Foi obrigado a residir por cerca de 3 anos na cidade, mas finalmente retornou com sua missão cumprida. Talvez tenha conseguido visitar prolongadamente Alexandria durante os anos seguintes, mas logo foi obrigado a retornar a Cirene novamente, desta vez para uma tarefa ingrata: comandar a defesa de suas fronteiras contra invasores vindos do deserto.

Novamente foi vitorioso, tendo inclusive elaborado um novo modelo de catapulta para as defesas da cidade. Desta feita, seus concidadãos ficaram tão entusiasmados com seus serviços prestados que decidiram lhe conceder um presente que ele, na verdade, aceitou com muita relutância: o cargo de Bispo em Cirene.

Naquele século ainda não fazia muito tempo que o cristianismo tinha sido conclamado a “religião oficial” do Império Romano. Nesta aurora da igreja cristã, os cargos de liderança eclesiástica muitas vezes tinham mais a ver com os afazeres governamentais e políticos do que propriamente com a condução das práticas religiosas.

Noutra de suas cartas que sobreviveram aos séculos, Sinésio conversa com outro companheiro das aulas de Hipátia, Olímpio, sobre a necessidade de evitar a luta por cargos, honras e carreiras políticas que satisfaçam somente ambições superficiais, e não valores humanos autênticos. Nessa correspondência, Sinésio parece consciente de que não conseguirá mais se afastar das suas obrigações na vida pública, e fala acerca do prazer de ainda poder desfrutar de alguns períodos de tranquilidade nas paisagens rurais em torno de Cirene, inteiramente dedicados à reflexão: “Temos tempo para a filosofia, mas não para fazer o mal”.

Mas ah!, quem dera todos os bispos da igreja fossem homens como Sinésio, fosse assim não somente sua mestra poderia haver escapado de seu triste destino, como todo o mundo ocidental seria outro, melhor, mais justo e mais iluminado pelo sol… A história, infelizmente, não transcorreu dessa forma.

Os eventos que terminaram no brutal assassinato de Hipátia tiveram muito mais a ver com uma disputa política pelo poder em Alexandria do que propriamente com uma disputa religiosa, tanto mais com uma disputa entre o cristianismo e o helenismo. Não, a disputa mais incendiária, desde aquele tempo, já era entre cristãos e judeus…

Os dois atores principais que ansiavam estabelecer um poder hegemônico sobre o governo de Alexandria eram Orestes, o prefeito augustal e governador secular da cidade, e Cirilo, o Patriarca (espécie de arcebispo) alexandrino. Ora, muito embora um representasse diretamente a igreja cristã, e outro exercesse um cargo público, fato é que ambos eram batizados e professavam publicamente o cristianismo. Onde estava, portanto, a disputa entre cristãos, judeus e pagãos?

Ocorre que no início daquele século, Alexandria era uma das maiores cidades do mundo, e uma potência comercial onde residiam muitas comunidades de relativa riqueza. Dentre elas, a mais rica era certamente o grupo pagão, cuja ancestralidade helênica havia garantido nobres heranças. Logo após tínhamos a comunidade judaica e enfim a comunidade cristã, que exatamente por ser a mais pobre (em média), era também a mais numerosa.

Orestes, como governador astuto, tentava sustentar suas chances de ascensão à hegemonia praticando relações amistosas com todos os três grupos. Cirilo, por outro lado, sabia que a sua única chance de agaranhar o poder total sobre a cidade seria com a vitória do cristianismo sobre as demais crenças, assim eliminando de vez quaisquer chances que Orestes poderia ter de vencer aquele embate político. Vejam bem, “embate político”, pois naquele contexto a religião era usada como mera desculpa para manobrar o povo em direção a este ou aquele projeto de poder (como vemos, até hoje não mudou tanta coisa, não é mesmo?).

Pelos seus desentendimentos constantes com a comunidade judaica alexandrina, é presumível que Cirilo tivesse um ódio pessoal para com os judeus em geral. Após várias trocas de ameaças que evoluíram com os anos, os judeus organizaram um ataque que terminou por matar muitos monges armados (chamados parabolani, que eram uma espécie de “guarda armada do Patriarca”), assim como diversos cristãos desarmados, num incêndio criminoso numa igreja.

Cirilo respondeu duramente ao ataque, destruindo sinagogas, saqueando as casas dos judeus mais abastados, e enfim expulsando toda a comunidade judaica da cidade. Este foi um resultado catastrófico para as pretensões de Orestes, pois ao mesmo tempo perdera o apoio tanto de toda a comunidade judaica (que fora banida) como de muitos cristãos, que não perdoaram o ataque dos judeus e passaram a apoiar Cirilo.

Ao governador restava somente o apoio dos helênicos; e dentre eles, todos sabiam, a maior autoridade moral se centrava em Hipátia, que além de tudo era amiga pessoal de Orestes e muitas vezes lhe aconselhava diretamente… Ora, a luz de Hipátia era ofuscante demais para que Cirilo arriscasse um debate direto, era preciso se livrar da filósofa com uma artimanha mais suja e sorrateira, uma arma usada somente pelos homens mais mesquinhos e ignorantes, mas mesmo assim extremamente eficaz: a boataria.

Numa comunidade composta majoritariamente de iletrados e propensos as mais diversas crenças mágicas, não foi muito difícil “convencer” as pessoas de que aquela mulher pagã, de família nobre e antiga, que se atrevia não somente a ensinar aos homens assuntos “não religiosos”, como também a aconselhar diretamente o governador, decerto seria uma diabólica praticante de magia negra, uma bruxa que seduzia a todos que escutavam suas palavras!

Assim chegamos aos tenebrosos eventos do dia 8 de março de 415 d.C., que prefiro não descrever, então os deixo com as palavras de Sócrates Escolástico [2]:

Foi então que a inveja se irrompeu contra esta mulher. Sucedia que ela passava muito tempo com Orestes, o que deu procedência as calúnias que a condenavam entre o povo ligado à Igreja, como se ela fosse a culpada de Orestes haver se distanciado do Patriarca. Com efeito, alguns homens que lhe faziam iradamente a mesma acusação a seguiram quando voltava para casa. Então, a arrancaram de sua carruagem e a arrastaram para o interior da igreja chamada Cesarion. Rasgaram suas roupas e depois a mataram usando cacos de cerâmica [ostraka]. Quando terminaram seu esquartejamento, tendo dilacerado cada um de seus membros, levaram o corpo para um lugar chamado Cinaron e lá o queimaram.

***

Assim deixou este mundo a maior das filósofas, cuja vida foi ainda mais grandiosa por haver sido a vida de uma mulher em meio a um mundo de homens, um brutal mundo de homens…

Se nos serve de algum consolo, tal notícia nunca chegou aos ouvidos de Sinésio, que havia morrido pelo menos um ano antes, em meio à amargura de não receber mais nenhuma correspondência de sua mestra.

Não nos cabe dizer o motivo exato pelo qual Hipátia deixou de responder ao seu querido e fiel aluno. Na sua condição de bispo, o envolvimento de Sinésio na disputa em Alexandria provavelmente não teria a auxiliado em muita coisa, embora certamente colocasse o seu cargo e a sua própria vida em risco. A filósofa, em sua sabedoria, provavelmente estaria a par do fato, e preferiu deixar que Sinésio pensasse que ela o havia esquecido.

Mas se há uma coisa essencial nesta triste e grandiosa história, é que ela não pode e não deve, jamais, ser esquecida…

***
[1] Fonte original (em inglês): Livius.org. A tradução é de Rafael Arrais.
[2] Trecho de Historia ecclesiastica. Retirado do livro de Maria Dzielska.

Bibliografia
Hipátia de Alexandria, Maria Dzielska (Relógio D’Água); Wikipedia; Livius.org

Crédito da imagem: Ágora/Alexandria/Divulgação (apesar de se valer de diversas “licenças poéticas e românticas”, este filme estrelado por Rachel Weisz no papel de Hipátia é, no geral, bem intencionado, e certamente merece ser visto)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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Vire a Página

Você pode de fato nao estar escrevendo a história da sua vida, a menos que mantenha um registro diário. Mas está vivendo um capítulo por dia, mesmo permanecendo isolado e sozinho. Seu capítulo diário pode ser uma tragédia, uma farsa, uma aventura ou uma comédia. Seja lá o que for, ainda assim é sua experiência pessoal de vida, seja ela feliz ou não. Mas você é afinal o autor e, portanto, a vida é o que você faz dela.

E porque você é basicamente responsável por sua história, faça o que você quer que ela seja. Mas é aí que está a coisa…! Não grave simplesmente os capítulos como ditam as circunstâncias ou as outras pessoas. Se você sempre faz o que os outros querem e nunca faz o que você quer fazer, isso vai torná-lo uma pessoa realmente infeliz. Você não vai ser tão criativo quanto o Cósmico pretendia que você fosse, mas, em vez disso, vai se comportar como um boneco manipulado por outras pessoas que não se sentem felizes apenas controlando suas próprias vidas, mas precisam estender esse controle também sobre os outros.

A vontade forte vai sempre invadir e exercer sua força e poder onde existir um vácuo. Afinal de contas, é assim que a natureza atua. Mas toda pessoa é uma parte do Criador e recebe a mesma oportunidade de ser criativo. Com tempo e esforço suficientes, o sucesso ou o fracasso é, em última instância, uma decisão humana.

O Novo Dia

Apesar do passado, cada novo dia é o mesmo para todos. Ainda está por se fazer, está incriado; é como uma “página em branco” para você escrever sua própria história da maneira que quiser. Não importa se você é jovem ou velho, saudável ou doente, rico ou pobre, cada novo dia é seu para criá-lo como quiser! Você pode e deve rejeitar todos os pensamentos negativos, limitadores. Esqueça quaisquer vantagens que outras pessoas possam ter tido sobre você ontem. Isso foi ontem! Hoje você tem a mesma página em branco que eles! Esqueça o passado. Ele acabou e está encerrado. Pense no hoje. Ele está diante de você; ainda não tomou forma.

Então, o que você vai fazer com o dia de hoje? Dentro de você dormita a centelha criativa de Deus, portanto, descubra que Deus se manifesta através de você. Você tem um trabalho importante a fazer, então é tempo de começar! O primeiro passo é controlar e colocar em ordem os pensamentos. A maioria de seus fracassos passados foram autocriados por seus próprios pensamentos negativos. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que perceber e aceitar este fato. A consequência infeliz de seu próprio pensamento negativo vai se apresentar na sua vida muitas vezes até que, finalmente, você perceba que está se punindo. Então vai começar a pensar positivamente e sua vida vai começar a mudar. É assim que a Natureza ensina.

Controlar seu pensamento é uma questão de força de vontade. É tão fácil pensar que vai ter sucesso quanto pensar que vai cair de cara no chão. Não é mais difícil pensar que vai se sentir melhor do que pensar que vai se sentir pior. Você precisa decidir se quer que a felicidade e coisas boas aconteçam hoje, ou infelicidade e experiências decepcionantes. Lembre-se de que você cria, goste disso ou não!

Atração

O segundo passo é estudar e dominar a lei da atração. Você atrai para si o que cria mentalmente ao seu redor. Um bom experimento é observar as pessoas, digamos num clube noturno. Mesmo não se conhecendo, em pouco tempo você vai ver as pessoas extrovertidas, joviais e divertidas gravitando umas ao redor das outras; enquanto que pessoas azedas e queixosas vão atraindo umas às outras. Essa experiência é marcante, teste para ver!

Permanece o fato de que a atração é uma lei básica e inviolável da natureza. Você vai atrair aquilo que dominar seu pensamento porque você criou aquilo daquela forma. Se tiver pensamentos negativos, vai atrair circunstâncias negativas. Todos os sonhos e desejos que você tem e que são compatíveis com as leis naturais são possíveis. É por isso que você pode e deve criar!

Sintonia

O terceiro passo é a sintonia. Dentro de você está a sabedoria e o poder do Cósmico. É essa centelha criativa que pertence a Deus. Aprenda a subjugar o ego arrogante que existe dentro de você e deixe que o poder ilimitado e aprisionado do Cósmico venha à tona novamente e assuma sua vida. Descubra que ele pensa apenas positivamente. Ele tem a última palavra em confiança, fé e expectativa. Ele pode fazer tudo que é bom e construtivo. Ele se recusa a fazer qualquer coisa que seja destrutiva ou contrária à lei natural. Essa é a melhor versão de você mesmo!

Perceba que você é uma expressão singular de Deus, necessária para realizar algum trabalho único em favor do mundo. Que pensamento desafiador e extraordinário! Mas como você pode se sintonizar com essa força? Quem é você para merecer essa honra? Cuidado, aí está um pensamento negativo! Não é difícil praticar a sintonia. As coisas positivas nunca são colocadas fora do seu alcance. Simplesmente procure um local calmo e livre-se daquele ego dominante. Então, “Permaneça imóvel e saiba que eu sou Deus“. Não precisa de mais instruções.

Decisão

O quarto e último Passo é a decisão. Tendo sido apresentado a uma vida maior, decida mudar! Decida aceitar o privilégio e a responsabilidade! Decida ignorar ou eliminar as falhas e as limitações do passado! Decida que o hoje e o amanhã serão melhores porque você vai fazer com que eles sejam melhores.

Deixe claro que você não vai permitir que qualquer pensamento negativo entre em sua mente; que você não vai tomar parte de qualquer plano ou atividade má ou destrutiva; que você vai ver apenas o que há de bom em todas as pessoas com quem você entra em contato. Você vai se surpreender ao descobrir quantas pessoas vão ser atraídas a você e que vão querer se associar a você em sua determinação. A lei da atração não vai e nem pode falhar!

Talvez as páginas anteriores, no seu livro da vida, tenham sido menos que satisfatórias; é possível até que você se sinta envergonhado delas. Não precisa ficar, porque você viveu aquelas páginas da forma como entendia a vida então. Elas fazem parte de sua experiência. Mas acabou e você não pode mudar nada. Esqueça tudo aquilo! O futuro está diante de você…,ainda amorfo. Você vai criá-lo nas páginas em branco que restam. Portanto, simplesmente vire a página!

Texto de Fraser Lawson, FRC

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vire-a-p%C3%A1gina

Arcano 12 – O Enforcado – Mem

Um homem está suspenso, pelo pé, de uma trave de madeira que se apóia em duas árvores podadas. Os dois suportes são amarelos e cada um conserva seis tocos da poda, pintados de vermelho; terminam em forquilha, sobre as quais repousa o pau superior.

São verdes os dois montículos dos quais nascem as árvores da provação, e nos quais brotam plantas de quatro folhas. A corda curta que suspende o homem desce do centro da barra transversal.

O personagem veste uma jaqueta terminada em saiote marcado por duas meias-luas à direita e à esquerda, que podem ser bolsos. O cinto e o colarinho da jaqueta são brancos, assim como os dez (ou nove) botões – seis acima e quatro (ou três) abaixo da cintura.

A cabeça do Enforcado encontra-se no nível da base das árvores. Suas mãos estão ocultas atrás da cintura. Naturalmente, a perna pela qual está suspenso – a esquerda – permanece esticada, enquanto que a outra está dobrada na altura do joelho, cruzando por trás a perna esquerda.

Significados simbólicos

Abnegação. Aceitação do destino ou do sacrifício.

Provas iniciáticas. Retificação do conhecimento. Gestação.

Exemplo, ensino, lição pública.

Interpretações usuais na cartomancia

Desinteresse, esquecimento de si mesmo. Submissão ao dever, sonhos generosos. Patriotismo, apostolado. Filantropia, entrega a uma causa. Sacrifício pessoal. Idéias voltadas para o futuro. Semente.

Mudança de vida, iniciação, abertura espiritual, sacrifício por algo valioso. Paz interior, nova visão do mundo.

Mental: Possibilidades diversificadas, flutuações. Indica coisas em processo de amadurecimento; não define nem conclui nada.

Emocional: Falta de clareza, indecisão, particularmente no campo afetivo.

Físico: Abandono de algumas coisas, renúncias, projetos duvidosos. Impedimento momentâneo para a ação. Um assunto iniciado é abandonado e só poderá ser resolvido através de uma ajuda. Do ponto de vista da saúde: transtornos circulatórios.

Sentido negativo: Êxito possível, mas parcial, sem satisfação nem prazer, sobretudo em projetos de ordem sentimental.

Reticências, planos ocultos. Resoluções acertadas, mas que não se executam; projetos abortados; plano bem concebido que fica na teoria. Promessas não cumpridas, amor não correspondido.

Os bons sentimentos serão utilizados para maus empreendimentos. Impotência. Perdas. Auto-renúncia, passividade.

História e iconografia
Em 1591 – tomando como testemunho a História Eclesiástica de Eusébio – Galônio descreveu as torturas sofridas pelos mártires dos primeiros séculos da cristandade. “As mulheres cristãs – escreve – eram freqüentemente suspensas pelo pé durante todo um dia, e os algozes faziam de tal modo que suas partes mais íntimas ficavam a descoberto, de maneira a mostrar o maior desprezo possível à santa religião de Cristo”.

A suspensão pelo pé foi amplamente executada pelos supliciadores romanos e há testemunhos também de vítimas medievais. Uma canção de gesta do século XIII informa que este castigo foi aplicado a um trovador por um dos duques de Brabante, quando este o surpreendeu em diálogo mais que musical com a duquesa.

Mas o enforcamento pelo pescoço, mortal, tem histórias mais remotas e, no caso de Judas, trata-se de um gesto auto-imposto na sequência do sacrifício que fez para que se cumprissem as profecias.

Uma tradição que vem dos primórdios da Igreja cristã é a de que um outro apóstolo, Pedro, teria insistido em ser crucificado de cabeça para baixo por não se sentir digno de reproduzir o suplício de Cristo.

No que diz respeito às artes gráficas, há inúmeras miniaturas dos séculos XIII e XIV com reproduções de santos e mártires pregados pelos pés a uma barra elevada. Mas é preciso chegar aos fins do século XV para descobrir uma imagem análoga à do Enforcado do Tarô.

De outro ponto de vista, pode-se dizer que a Antigüidade nos deixou inúmeros testemunhos de figuras invertidas que em nenhum caso poderiam ser ligadas ao suplício. Esta postura é adotada com freqüência por divindades nuas assírio-babilônicas, nos cilindros de argila que reproduzem cenas de conjunto.

É possível imaginar que as deusas nesta posição significavam outra coisa: propunham uma leitura ritual que, agora, parece absurda ou incompreensível.

Alguns estudiosos lembram, a esse respeito, os ensinamentos que atribuem ao homem o papel de estabelecer a ligação entre o Céu e a Terra, numa zona que o preserva de influências e contaminações. “Toda suspensão no espaço participa deste isolamento místico, sem dúvida relacionado à idéia de levitação e de vôo onírico”.

Muitas lendas de origens diversas atribuem aos enforcados características mágicas e os dotam de vidência e mediunidade.

Para Wirth, preocupado com o simbolismo iniciático, o protagonista do Arcano XII é homólogo ao do Prestidigitador (I), já que também inicia uma das vias, mas partindo do extremo oposto do caminho. Neste sentido o vê como o princípio de intuição pelo qual o ser humano pode alcançar um resplendor de divindade: como colaborador da grande obra que mudará para o bem a carga negativa do universo; como a vítima sacrifical para a redenção.

Atribuem-se ainda ao arcano virtudes divinatórias e telepáticas; é com freqüência relacionado com a arte e a utopia. Alguns o vêem como arcano possessivo, mas é necessário compreendê-lo num sentido puramente idealista, como uma manifestação de amor que carece de objeto individual (amor ao próximo).

Uma especulação interessante pode ser feita partir de seu número na ordem do Tarô, que o relaciona ao décimo-segundo signo do zodíacao, Peixes ou ainda ao conjunto do simbolismo zodiacal e ao dodecadenário: os doze signos e os doze meses do ano, os doze apóstolos, as doze tribos de Israel…

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-12-o-enforcado-mem

Os Quatro Grandes Pilares do Conhecimento

Faz parte da busca pelo auto-aperfeiçoamento, pelo auto-conhecimento e pela liberdade psicomental a educação da Vontade, o exercício do livre-pensar, a psiconáutica, a criação visionária. Dentro do contexto draco-luciferiano, o indivíduo procura englobar em sua bagagem cultural superior as Ciências Arcanas e os quatro grandes pilares do conhecimento humano, a saber: Ciência, Religião, Filosofia e Arte em seus aspectos mais ocultos, criativos e práticos para a experiência da consciência individual.

Mas todo o conhecimento adquirido deve ser profundamente compreendido e internalizado para que se torne sabedoria. É importante “filtrar” com discernimento a cultura, o conhecimento, as informações que se adquire, pois todo e qualquer conhecimento internalizado pode ser néctar ou veneno. O néctar proporciona clareza de pensamento, organização intelectual e consciência iluminada (Luxfero); o veneno se espalha na constituição humana, dispersando e confundindo todo o conhecimento não compreendido e não assimilado, distorcendo a realidade, distorcendo o entendimento e podendo causar algum nível de insanidade.

A cultura pessoal de cada indivíduo auto-consciente deveria ser relativamente ampla e abrangente, dentro do possível. Mas não é o que ocorre. Há pessoas, ou grupos, com matéria mental ainda muito crua e rudimentar, mesmo na atualidade na qual existe tecnologia e informação acessíveis a muitos. Por outro lado, há também aqueles de inteligência mediana muito específica, condicionada, um tipo bastante comum de “inteligência de ofício”, útil somente para a atividade profissional estritamente mundana (mas muitos estendem essas características culturais “do trabalho profissional” para todas as esferas da vida, em todos os momentos, o que é muito chato e entediante para os outros).

O verdadeiro influxo mental expandido desce dos planos sutis e invisíveis (pode-se ver a mente?) e se manifesta como avançada compreensão interior naqueles que são naturalmente receptivos devido ao seu próprio grau evolutivo individual. Pessoas tais possuem inquietudes e vontade pelo saber, capacidade de descobrir as coisas por si mesmas e sede por conhecimentos. Essa arte de descobrir, de adquirir conhecimento e experiência, de solucionar problemas, etc., é o que se chama de heurística, seja na Ciência, na Religião, na Filosofia ou na Arte.

Assim, os quatro grandes pilares do conhecimento devem formar um todo na mente e na vida do indivíduo consciente.

O pilar da Ciência, ou Gnosis (Conhecimento), é o fundamento intelectual com a experiência direta das causas e efeitos das coisas, vivenciando as próprias verdades. Teoricamente, a Ciência é um conjunto de conhecimentos organizados e coordenados entre si acerca de determinadas coisas, e, geralmente, considerado como o conhecimento intelectual individual. Mas é também o auto-conhecimento, o verdadeiro Gnosis, o estudo de si mesmo pela contínua e concentrada auto-observação, para além do mero cientificismo “desumano”, mecanóide e materialista. Na Via Draconiana, a Ciência representa a mente elevada, o pensamento livre e esclarecido e o discernimento racional para a aquisição de cultura superior e de conhecimento científico útil e prático para o próprio indivíduo.

O pilar da Religião, ou Agape (Amor), representa a experiência direta da emoção superior consciente, algo apenas vivenciado no interior de cada um. É a união do espírito individual com a essência do universo. É o verdadeiro amor devocional por si mesmo enquanto entidade espiritual auto-consciente. Trata-se de uma experiência supranormal e extemamente marcante vivida e provada para si próprio e mais ninguém. A Religião pode ser considerada também um sistema das relações entre os seres humanos e os seres não-humanos de qualquer categoria divina (incluindo-se os assim chamados daemonos), no qual busca-se uma união espiritual. Na Religião verdadeira e digna busca-se sempre a limpeza do corpo e da alma, a auto-purificação, eliminando as escórias físicas e psicomentais que embotam o despertar da consciência e a evolução interior. A Religião do verdadeiro Agape certamente não é a religião das massas ignorantes; não é a religião do Je$u$ ($alva seu dinheiro) que cobra caro por seus “serviços de salvação”; não é a religião de um deus moribundo, agonizante que instila dor, sofrimento, tristeza e confusão mental em seus cegos cordeirinhos de abate; não é a religião da enfermidade da alma, da estagnação psicomental e da acídia, ou seja, da preguiça e desolação do espírito. Na Via Draconiana, a Religião é a viagem da alma em seu próprio interior, um mergulho em suas próprias emoções primitivas (e divinas!) que jazem no fundo microcósmico espiritual.

O pilar da Filosofia, ou Sophia (Sabedoria), é a busca da verdade individual que só tem fundamento e valor para o próprio buscador; é a busca pela realização do ideal fundamental latente no espírito. Ao contrário de muitos filósofos cartesianos estéreis, aprisionados em seus labirintos intelectuais, o filósofo draconiano pragmático emprega meios tais como sistemas metafísicos, entre outros, para a experiência da consciência, para a aquisição de Sabedoria acerca de si e do universo, na medida em que isso seja possível. Teoricamente, a Filosofia é o sistema que estuda a natureza de todas as coisas e suas relações. Por meio da reflexão, de questionamentos, de especulações e de análises, estuda os processos do pensamento e sua manifestação. Na Via Draconiana, Sophia conduz à paz ataráxica, impertubável, do espírito, ao bem-estar, à alegria, à satisfação, às dádivas do ideal que busca realizar-se.

O pilar da Arte, ou Thelema (Vontade) é o fundamento das idéias intuitivas, da vontade criadora, do espírito individual criativo e realizador. A Arte só pode expressar a criatividade se houver verdadeira vontade, impulso e ousadia, livre de limitações impostas e oriundas de diversas fontes tais como as repressões sócio-religiosas. Arte é a capacidade de realizar a Obra da Criação sobre si mesmo, de aperfeiçoá-la com vontade forte. Na Via Draconiana, Arte é o conjunto de conhecimentos, capacidades e talento para concretizar idéias, sentimentos e visões de maneira estética e “viva” por meio de imagens, música e literatura. A verdadeira Arte realizada através de Thelema (Vontade) está muito longe da pseudo-arte intelectualóide, moderninha, criativa e tecnicamente tosca, grosseira, anti-estética, de mau gosto e desonesta que “artistas” estereotipados produzem sem nenhuma inspiração autêntica. A verdadeira Arte se realiza sob Vontade para manifestar porções do próprio Ser.

Eis os quatro pilares do conhecimento que sustentam a Via Draconiana e que podem levar o indivíduo ao auto-aprimoramento, ao auto-conhecimento e ao desenvolvimento de poderes latentes em quatro planos de manifestação, o físico, o emocional, o mental e o espiritual.

Fr.’. Adriano Camargo Monteiro

#LHP #Luciferianismo

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