Dez Conselhos de Magia Prática

Esclareço logo que: Não tenho a intenção de ensinar a ninguém como viver a própria vida. A única intenção é compartilhar lições importantes sobre compreensão de si e da vida no sentido amplo, e espero que isso venha a servir como uma fonte de inspiração para você.

Acredito honestamente que uma das melhores coisas da vida é saber que sempre podemos nos desenvolver mais e adquirir maior consciência de nós mesmos e assim expandir nossa realidade e percepção. Podemos ser melhores, mas felizes e mais sábios a hora que desejarmos. É apenas questão de escolha.

Cada uma das lições possui um valor único. Os conceitos aqui compartilhados são anotações pessoais, trabalhos de grandes pensadores e consultores de desenvolvimento pessoal e motivação.

“A vida é uma conseqüência das escolhas que fazemos diariamente. A combinação dessas escolhas é que define nossa realidade e influencia nosso modo de lidar com nós mesmos e com o resto do mundo.” – Ulisses Freitas

1• Aprenda a ter consciência daquilo que é importante em sua vida e o que não é. Não desperdice seu precioso tempo e energia em coisas que não irão te levar a lugar nenhum. (Não falo de Hobbies, e sim de coisas que não possuem direcionamento). Procure entender o poder de escolha que você tem em sua vida e saiba decidir quais portas abrir e quais fechar e, assim, quando tomar um caminho errado, será humilde o suficiente para assumir seu erro e refazer as coisas com cabeça erguida.

2• Não projete sua força ou fraqueza nos outros. Elabore uma lista de todas as pessoas que você admira e as características que você admira nelas. Elabore outra lista com as pessoas que você odeia e coloque nessa lista as características que você menospreza nessas pessoas. Após isso, observe as características que você admira e também as que você menospreza e perceberá que estará olhando num espelho. As características que você deprecia são aquelas que você menos gosta em si, as que você teve/tem. As características que você admira são as que você não está permitindo desenvolver em você. Não projete isso nas outras pessoas, torne-se responsável por isso.

3• Você nem sempre irá conseguir aquilo que quer. Como Mick Jagger disse: “Você nem sempre consegue o que quer, mas se tentar, algumas vezes você encontra o que você precisa.” Olhe ao seu redor e aprenda a valorizar tudo que tem em sua vida, aprecie as coisas que você tem agora, sim você pode não ter tudo, mas algumas pessoas não tem nada.

4• Não rebaixe alguém para outra pessoa. Um Homem honrado não tem um comportamento infantil como esse. Se você tem problema com alguém, tome coragem e fale.

5• Sorria, mesmo quando tudo for tristeza. David Deida diz: “A man should lie with a hurting heart rather than a closed one”. Normalmente abraçamos o prazer e nos fechamos para a dor. Isso é um erro, pois “quando a casa cair” e só restar uma dor profunda, abrace-a inteiramente, mantenha o peito aberto. Encare diretamente seu sofrimento, sem medo, sem esperança. Aquele que se fecha para seu sofrimento próprio trava-se também para a alegria, para o êxtase, para o amor e, principalmente, para a dor e sofrimento de sua(s) parceira(s).

6• Valorize seus amigos da mesma forma que eles te valorizam, lute por aqueles que lutarem por ti, reconheça-os e defenda-os quando necessário, mas para aqueles que não fazem o mesmo por você, afaste-se, pois esses não são seus amigos e alguns nem sabem o que é amizade verdadeira.

7• Orgulhe-se de quem você é e de onde veio, pois ninguém é melhor que você e nunca será, pois cada um tem seu valor. Como homem, amigo, irmão, filho, pai e etc, você é e sempre será insubstituível.

8• Jamais compare sua vida ou seu nível de sucesso com outras pessoas, pois você não tem idéia do que eles têm feito e eles não sabem o bem que você faz e o mal que você evita fazer, compare sua vida e sucesso apenas com seu passado, tudo aquilo que já fez e deixou de fazer para chegar onde está hoje.

9• Mostre quem você realmente é sendo honesto com si mesmo e com aqueles que te cercam, não tenha medo de dizer aquilo que DEVE ser dito, aquilo que pensa e aquilo que os outros pensam, mas ninguém tem coragem de falar, mas saiba expressar-se de modo justo, seja em relacionamentos familiares, relacionamentos amorosos ou amizades, isso é realmente manifestar seu caráter, e acredite as pessoas gostam e irão respeitá-lo ainda mais por isso.

10• Descubra seu propósito de vida e continue nele. Nesse tempo onde a tecnologia reina e com explosão demográfica, opções, possibilidades e escolha são milagres e ao mesmo uma agonia. Estamos vivendo em uma época em que as escolhas são simplesmente infinitas, vários objetivos, metas, influencias externas o tempo todo e isso costuma causar uma confusão mental enorme em nós, pois diante de tantas possibilidades não conseguimos fazer uma escolha e permanecer nela, muitas vezes pensamos: “Nossa! O fulano está fazendo isso, talvez eu devesse seguir esse caminho também…” E mudamos totalmente nosso rumo, por diversas vezes acabamos por nos perder. “O homem que caça dois coelhos não pega nenhum.” – Confúcio.

#Arte

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dez-conselhos-de-magia-pr%C3%A1tica

Resultados da Hospitalaria – Novembro 2015

Em Novembro, tivemos 32 mapas, 13 sigilos e 8 Mapas Sephiroticos, além de 6 doações de sangue. Entidades ajudadas este mês:

– Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba

– Sociedade Espírita Joanna de Angelis

– Casa de Palha, APAE Piauí

– ADEP – Associação de Apoio aos Excepcionais de Palhoça

– APADESC – Associaçao palhocense de Beneficencia Social e caridade

– Associaçao Beneficente N Sra de Azambuja

– Associação Social pela Vida

– Medicos sem fronteiras

E continuamos com o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

AVISO IMPORTANTE – Se você pretende dar Mapas de presente de Natal para alguém, recomendo que faça os pedidos da Hospitalaria até no máximo dos máximos dia 15, pois entrarei em férias no dia 19 e ai provavelmente só entregarei os Mapas e Sigilos que receber depois desta data no começo de 2016.

#Hospitalaria

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Drácula Histórico

Em um sentido geral, Stoker estava absolutamente certo ao situar sua história de Drácula na Transilvânia, embora localizando seu castelo de ficção a nordeste, muitos quilômetros distante do verdadeiro, na fronteira ao sul. O Drácula de verdade nasceu em 1431 na Transilvânia, na cidade fortificada alemã de Schassurg (Sighsoara, na Romênia). Um dos burgos saxônios mais encantadores, certamente o mais medieval, Schassburg está localizado cerca de quarenta quilômetros ao sul de Bistrita.

Esse castelo fica no local estratégico que domina o vale do rio Tirnava. É circundado por finas muralhas de defesa em pedra e tijolos, de novecentos metros de comprimento, e quatorze torres na muralha, cada uma delas com o nome da guilda que a custeou – as dos alfaiates, joalheiros, peleteiros, açougueiros, ourives, ferreiros, barbeiros, cordoeiros. Com suas ruas estreitas, tortuosas e de paralelepípedos, suas escadas`ligando a famosa torre do relógio às torres mais altas na crista da colina, a cidade fortificada servia às necessidades de uma próspera comunidade de comerciantes alemães que negociavam com Nuremberg e outras cidades alemãs Ela funcionava como depósito de mercadorias que eram levadas e trazidas entre a Alemanha ocidental e Constantinopla; além disso, servia de rota comercial pelo nordeste para a Polônia, o mar Báltico e as cidades germânicas ligadas à União Aduaneira Hanseática.

A casa em que Drácula e seu irmão Radu nasceram é identificada por uma pequena placa mencionando o fato de que seu pai, Drácul, morou ali de 1431 a 1435. O edifício é uma construção de pedra de três andares em tom amarelo-escuro, com um teto de telhas e pequenas janelas, e aberturas apropriadas para a pequena guarnição que servia a Vlad Dracul. Recente restauração do segundo andar revelou uma pintura mural representando três homens e uma mulher sentados a uma mesa. Somente a figura central sobreviveu inteiramente intacta. O retrato de um homem rotundo com um queixo duplo, um longo bigode bem untado, sobrancelhas arqueadas e nariz bem torneado. A semelhança dos olhos castanhos e amendoados com os do famoso retrato de Drácula preservado no Castelo Ambras, sugere que esse pode ser o único retrato sobrevivente do pai de Drácula, Vlad Dracul. A mãe de Drácula, princesa Cneajna, da dinastia Musatin da vizinha Moldávia, criou o jovem Drácula com o auxílio de suas damas de companhia dentro de casa. A amante de seu pai, Caltuna, deu a Dracul um filho também chamado Vlad. Ela finalmente entrou para um mosteiro e ali tomou o nome de Eupráxia. Seu filho mais tarde tornou-se conhecido como Vlad o Monge, porque seguiu os passos de sua mãe e encaminhou-se para a vida religiosa. Drácula passou sua juventude numa atmosfera tipicamente germânica; seu pai exerceu autoridade sobre todas as cidades alemãs da região e defendia a Transilvânia inteira contra ataques potenciais dos turcos. Vlad Dracul recebia sua autoridade do sacro imperador romano Sigismundo de Luxemburgo, em cuja corte em Nuremberg foi educado por monges católicos. Suas ambições políticas ganharam forma quando em 8 de fevereiro de 1431 dois importantes eventos tiveram lugar em Nuremberg: sua entrada na prestigiosa Ordem do Dragão, juntamente com o rei Ladislau da Polônia e o príncipe Lazarevic da Sérvia, e sua investidura como príncipe da Valáquia. O imperador germânico Sigismundo de Luxemburgo e sua segunda mulher, Bárbara von Cilli, haviam fundado a Ordem do Dragão em 1387 como uma fraternidade secreta militar e religiosa com o fim de proteger a Igreja Católica contra heresias tais como as dos hussitas, que punham em perigo a Europa Central.

Outro objetivo da Ordem era a organização de uma cruzada contra os turcos que haviam invadido grande parte da península balcânica. A segunda investidura, presidida pelo próprio imperador, encarregou Dracul da tarefa arriscada de buscar o inseguro trono valáquio (que incluía os ducados transilvanos de Amlas e Fagaras), governados na época pelo príncipe Alexandru Aldea, meio-irmão de Drácula. Isso marcaria o começo de uma prolongada contenda entre membros rivais da família principesca Besarab, dela decorrendo inúmeros crimes.

Quando o há pouco investido “dragão” estava enfim apto a fazer valer o seu título de príncipe expulsando Alexandru Aldea da Valáquia durante o inverno de 1436/37, a sede do poder valáquio continuava próxima da fronteira da Transilvânia, onde Dracul tinha sua base. Historicamente, a Transilvânia sempre foi ligada à Moldávia e aos principados valáquios. Depois que as legiões romanas evacuaram a mais recentemente conquistada província da Adácia, em 271 d.C., a maioria da população romanizada retirou-se para as montanhas, tentando escapar das desordens decorrentes da invasão pelo leste do planalto da Transilvânia. Desse modo, os dácio-romanos sobreviveram intocados pelas avalanches gótica, huna, eslava ou mesmo húngara e búlgara, que teriam certamente destruído sua língua e seus costumes latinos, tivessem permanecido na região. Só depois que a torrente de invasões diminuiu puderam os romenos descer para a planície, mas cautelosamente, conservando seu abrigo na montanha. Cada geração de romenos do século XIII avançou um pouco mais na planície. Finalmente eles alcançaram o Danúbio e o mar Negro ao sul, o Prut e o Dniester a nordeste – em outras palavras, os limites da moderna Romênia e também parte dos limites anteriores da antiga Dácia. No caso da Valáquia, nada mais típico da sua tendência em se voltar para a Transilvânia em busca de segurança, e nada demonstra melhor a excitação em abandonar as montanhas como um abrigo Seguro do que a escolha de antigas capitais do principado. A primeira, antiga capital do século XVI, Cimpulung, limita-se com os Alpes da Transilvânia.

A capital de Drácula, Tirgoviste, fica a baixa altura nas colinas, mas ainda assim permite um acesso fácil às montanhas. A escolha desse sítio marca um período de crescente autoconfiança na história do país. Boatos diziam que o mais jovem irmão de Drácula, Radu o Belo, devido a sua longa permanência na capital turca, também queria estar perto de Constantinopla, uma vez que ele não era imune aos prazeres do harém do sultão. Mexericos o acusavam, muito por causa de sua boa aparência, de ser um dos favoritos do harém masculino de Mehemed, herdeiro do trono otomano, o que o obrigava a ficar constantemente à disposição do seu mestre. Em todo caso, o reino de Radu marcou o recuo do período heróico da história da Valáquia e o começo da rendição condicional ao sultão. Condicional porque a relação da Valáquia com Constantinopla continuava a ser regulada por um tratado, com os príncipes locais como vassalos do sultão.

Quando seguro do seu trono, Dracul, um político esperto, sentiu que a tênue balança do poder estava rapidamente oscilando a favor do ambicioso sultão Murad II. Os turcos haviam então destruído sérvios e búlgaros, e o sultão estava planejando um ataque final contar os gregos. Assim, Dracul promoveu a primeira de suas numerosas imposturas, assinando traiçoeiramente um acordo com os turcos contra os sucessores de seu protetor, o sacro imperador romano Sigsmundo, que morreu em 1437. Em 1438, em circunstâncias inegavelmente difíceis, Dracul e seu filho Mircea, acompanharam o sultão Murad II numa de suas freqüentes incursões na Transilvânia, assassinando, pilhando e queimando pelo caminho, como era da tradição turca. Essa foi a primeira das muitas ocasiões em que os Dráculas, que se consideravam transilvanos, voltaram a sua pátria como inimigos ao invés de amigos. Mas as vilas e cidades da Transilvânia, embora cruelmente devastadas e pilhadas, ainda acreditavam num acordo melhor com um cidadão seu do que com os turcos. Isso serviu de justificativa para a avidez do administrador e dos cidadãos de Sebes em se renderem especificamente aos Dráculas, com a condição de que suas vis seriam poupadas e eles não acabariam escravizados pelos turcos. Dracul, que havia jurado proteger os cristãos, pôde ao menos nessa ocasião salvar uma cidade da destruição completa.

Muitos desses incidentes fizeram com que os turcos suspeitassem da lealdade do príncipe romeno. Em conseqüência, o sultão Murad II levou Dracul a um confronto pessoal na primavera de 1442. Sem perceber a armadilha, Dracul atravessou o Danúbio com seu segundo filho Drácula e seu filho mais moço Radu, sendo em seguida “preso em cadeias de ferro” e levado à presença de quem o acusara de deslealdade. Para salvar seu pescoço e recuperar seu trono, após um breve aprisionamento em Gallipoli Dracul jurou renovar fidelidade a Murad II, e como prova de sua lealdade deixou Drácula e Radu como reféns. Os dois meninos foram colocados sob prisão domiciliar no palácio do sultão em Gallipoli e mais tarde foram mandados, por razões de segurança, à distante Egrigoz, na Ásia Menor. Drácula permaneceu cativo dos turcos até 1448; Radu tornou-se aliado de Murad II e, devido ao seu caráter fraco, submeteu-se mais facilmente às técnicas de doutrinação daqueles que eram, até certo ponto, seus carcereiros. Radu se tornou um favorito do futuro sultão Mehmed II e eventualmente candidato oficial turco ao trono da Valáquia, no qual, na devida ocasião, sucedeu seu irmão Drácula.

A reação de Drácula há esses anos perigosos foi exatamente oposta. De fato, esse tempo como prisioneiro dos turcos ofereceu um bom estímulo à sua personalidade ardilosa e perversa. A partir dessa época, Drácula passou a ter a natureza humana em baixa estima. A vida era coisa desprezível – além do mais, sua própria vida estaria em perigo se seu pai se mostrasse desleal ao sultão – e a moralidade não era essencial em assuntos de estado. Ele não precisou de Maquiavel para se informar sobre a amoralidade dos políticos. Os turcos ensinaram a Drácula a língua turca, entre outras coisas, e ele a manejava como um nativo; ele foi aproximado dos prazeres do harém, porque suas condições de confinamento não eram tão estritas; e completaram seu treinamento no cinismo bizantino, que os turcos herdaram dos gregos. Como foi relatado por seus carcereiros turcos durante aqueles anos, ele também desenvolveu uma reputação como trapaceiro, manhoso, insubordinado e brutal, inspirando medo aos seus próprios guardas. Isso em contraste agudo com a dócil subserviência de seu irmão. Dois outros traços se entrincheiravam na pisque de Drácula devido à trama em que pai e filho se enrascaram. Um era a suspeição; nunca de novo ele confiaria nos turcos ou em homem algum. O outro era o sabor da vingança; Drácula jamais se esqueceria ou perdoaria os que o traíram – esse fato tornou-se um traço da família.

Em dezembro de 1447, Dracul pai morreu, vítima de sua própria trama. Seu assassínio foi ordenado por João Hunyadi, que ficou irritado com as relações do Dragão com os turcos. A política de Dracul a favor dos turcos era facilmente explicável, se não por outro motivo, para salvar seus filhos de uma inevitável vingança e possível morte. O filho mais velho de Dracul, Mircea, fora cegado com ferro em brasa e queimado vivo por seus inimigos políticos em Tirgoviste. Essas mortes e as circunstâncias traiçoeiras que cercaram a morte de seu irmão revelaram ter deixado fortes marcas no príncipe Drácula, logo após a sua ascensão ao poder. O assassínio de Drácul teve lugar nos pântanos de Baltenir, próximos a um velho monastério que ainda existe ali. Houve, no entanto, alguma justificativa para a premeditação desse assassínio por Hunyadi.

Ao tempo de sua prisão em Adrianópolis, Dracul havia jurado que jamais tomaria armas contra os turcos, uma flagrante violação de seu juramento anterior como membro da Ordem do Dragão. Uma vez seguro na sua posição de príncipe, e não obstante o fato de seus filhos serem reféns dos turcos, Dracul reavaliou in extremis seu juramento ao sacro imperador romano, e junto-se à luta contra os turcos, sendo ele mesmo absolvido do seu juramento a vafor dos turcos, pelo papa. Isso significava que podia participar das cruzadas dos Balcãs organizadas por Hunyadi contra o sultão Murad II. O príncipe sérvio Brankovic teve seus dois filhos cegados pelos turcos quando fora desleal com o sutão, e Dracul temeu o mesmo destino trágico para seus próprios filhos. Ele escreveu desconsolado aos chefes de Brasov no fim de 1443: “Por favor entendam que permiti que meus filhos fossem massacrados em favor da paz cristã, de modo que eu e meu país pudéssemos continuar vassalos do Sacro Império Romano”. De fato, foi quase um milagre que os turcos não tenham decapitado Drácula e Radu. O irmão mais velho de Drácula, Mircea, não Dracul, teve efetivamente o papel mais ativo no que foi descrito como “a longa campanha” de 1443. Do ponto de vista valáquio, essa campanha teve imenso sucesso. Ela permitiu a captura da cidade de Giurgiu (construída a um alto custo para a Valáquia pelo avô de Drácula), e ameaçou o poder turco na Bulgária. No entanto, a campanha de Hunyadi em Varna em 1444, que foi organizada em escala muito ambiciosa e chegou até o mar Negro, acabou em desgraça. O jóvem e inesperiete rei da Polônia, Ladislau III, e o núncio papal Juliano Cesarini morram na ocasião.

Hunyadi conseguiu fugir e sobreviveu apenas porque os valáquios conheciam suficientemente o terreno para conduzi-lo em segurança. Nas inevitáveis recriminações que se seguiram, Dracul e Mircea atribuem pessoalmente a Hunyadi a responsabilidade pela magnitude da derrota. Um conselho de guerra reunido em algum lugar na Dobrogea julgou Hunyadi responsável pelo fracasso cristão, e por maioria, embora parte devido à insistência de Mircea, sentenciou-o à morte. Mas os servissos prestados por Hunyadi e sua grande reputação como cavaleiro branco das forças cristãs poupara-lhe a vida e Dracul assegurou sua passagem a salvo para a Transilvânia.

Todavia, a partir do momento em que os Hunyadis contrariaram os Dráculas, particularmente Mircea, surgiu um grande ódio entre eles. A sede de vingança que decorreu de tudo isso foi afinal aplacada com as mortes de Drácula e Mircea. Depois de 1447, Hunyadi pôs a coroa valáquia nas mãos mais confiáveis de um pretendente Danesti, Vladslav I (a família rival Danesti tinha ligações de sangue com o príncepe Dan, um dos tios-avós de Drácula.)

O mais difícil de entender é a atitude de Drácula na sua fuga do cativeiro turco em 1448. Sabemos que os turcos, inegavelmente impressionados com a ferocidade e a bravura de Drácula, e obviamente adversários dos príncepes Danesti, que eram identificados com a corte húngara, tentaram colocar Drácula no trono valáquio a partir de 1448, enquanto Vladislav II e Hunyadi combatiam ao sul do Danúbio. Esse golpe corajoso foi eficaz por apenas dois meses. Drácula, então com cerca de vinte anos, temeroso dos assassinos transilvanos de seu pai e igualmente relutante em voltar para os seus captores turcos, fugiu para a Moldavia, o mais ao norte possível dos principados romenos, governada nesse tempo pelo príncepe Bogdan, cujo filho, príncipe Estêvão, era primo de Drácula. Durante esses anos de exílio moldavio, Drácula e Estêvão desenvolveram uma estreita e duradoura amizade, cada um deles prometendo ao outro que aquele que primeiro ascendesse ao trono do seu principado levaria o outro imediatamente ao poder – à força de armas, se preciso. A sede do principado moldávio era então em Suceava, uma antiga cidade onde Drácula e Estêvão continuavam sua educação eclesiástica bizantina sob a supervisão de monges eruditos.

Dracula permaneceu na Moldávia até 1451, quando Bogdan foi brutalmente assassinado por seu rival Petru Aron. Talvez devido à falta de alternativa, Drácula então reapareceu na transilvânia, onde se entregou à misericórdia de João Hunyadi. Estava então tentando a sorte, embora nessa época, devido à pressão turca, o príncepe Danesti da Valáquia, Ladislau II, estivesse adotando uma política favorável aos turcos, distanciando-se dos seus protetores húngaros.

Era interessante para os Hunyadis, uma vez mais, ter um instrumento flexível, um príncepe de reserva, para o caso de o príncipe Danesti voltar-se para os turcos completamente. Assim, interesses mútuos em lugar de qualquer confiança, aproximaram Drácula e João Hunyadi de 1451 a 1456, quando Hunyadi morreu em Belgrado. Durante esse tempo, Hunyadi foi o último tutor de Drácula, seu mentor político e mais importante educador militar. Hunyadi introduziu seu protegido na corte do rei absburgo da Hungria, Ladislau V. Ali ele conheceu o filho de Hunyadi, Matias Corvinus, seu futuro adversário político. Drácula não podia ter melhor preparação de campo da estratégia antiturca. Como nobre vassalo, tomou parte pessoalmente em muitas das campanhas de Hunyadi contra os turcos nas regiões onde no século XX surgiria a Iugoslávia. E ele se envolveu, como seu pai o fizera, com os ducados de Fagaras e de Almas. Além disso, Drácula também se fez pretendente do trono valáquio. Foi por essa razão que ele não acompanhou seu suserano na campanha de Belgrado de 1456, quando Hunyadi foi finalmente vencido pela peste. Por esse tempo, Drácula recebeu afinal permissão para atravessar as montanhas da transilvânia e desalojar o infiel príncipe Danesti do trono valáquio.

Durante os anos 1451-56, Drácula residiu novamente na Transilvânia. Abandonando a casa da família em Sighisoara passou a residir em Sibiu, principalmente para ficar próximo da fronteira valáquia. Em Sibiu, Drácula foi informado pelo administrador da cidade e por muitos outros refugiados da capital do império grego sobre um acontecimento que teve o efeito de uma bomba no mundo cristão: Constantinopla havia sido tomada pelos turcos e o imperador Constantino XI Paleólogo (em cuja corte Drácula viveu temporariamente como pajem em 1430), morrera no combate corpo a corpo, defendendo as muralhas da capital. Um refugiado romeno, bispo Samuil, informou Drácula de que o próximo objetivo do sultão Mehmed II era a conquista da Transilvânia e que ele planejava um ataque à própria Sibiu, local estratégico que podia servir de base a uma conquista posterior do reino húngaro. Drácula pelo menos podia sentir-se confortado com o fato de Sibiu ser considerada a mais inexpugnável das cidades da Transilvânia. Isso pode ter influído na sua decisão de lá permanecer. Mas numa daquelas decisões que tornaram ainda mais misteriosa sua personalidade, em 1460, apenas quatro anos depois que ele deixara a cidade de Sibiu, Drácula devastou impiedosamente essa região com um contingente valáquio de vinte mil homens e matou, mutilou, empalou e torturou cerca de dez mil de seus antigos vizinhos. Ele achava que os alemães de Sibiu haviam se envolvido em práticas de comércio desonesto às expensas dos mercados valáquios. A pilhagem e o saque tiveram lugar em escala mais feroz do que a feita pelos turcos em 1438.

Isso nos leva a considerar um dos aspectos mais ambivalentes da carreira de Drácula na Transilvânia, onde de amigo ele se transformou em inimigo para os seus companheiros e aliados. (Isso será descrito em detalhes na análise das histórias de horror alemães.) Essa rixa vai durar três anos violentos, de 1458 a 1460, durante os quais Drácula foi príncipe na vizinha Valáquia. A primeira investida relâmpago na área de Sibiu teve lugar em 1457, quando Drácula queimou e pilhou cidades e vilarejos, destruindo tudo no seu caminho. Somente a própria cidade de Sibiu, assim mesmo uma pequena parte dentro de suas poderosas muralhas de defesa, escapou da destruição. O propósito do ataque pode ter sido a captura do meio irmão de Drácula e rival político Vlad o Monge, e para servir de advertência aos cidadãos de Sibiu para não darem abrigo e proteção a candidatos rivais. Outra cidade ligada ao nome de Drácula é Brasov (Kronstadt para os alemães). Brasov tinha a duvidosa honra de haver testemunhado em suas colinas próximas mais vítimas de empalamento ordenado por Drácula, apodrecendo no sol e mutiladas pelos abutres dos Cárpatos, do que outro lugar do principado. Conta-se que foi numa dessas colinas que Drácula jantou e tomou vinho entre cadáveres. E foi numa dessas ocasiões que Drácula deu prova do seu senso de humor pervertido. Uma narrativa russa fala de um boiardo que tendo chegado para uma festa em Brasov, e não suportando o horrível cheiro de sangue coagulado, fechou com os dedos suas narinas num gesto de repulsa. Drácula mandou que se trouxesse uma grande estaca e a exibiu ao visitante, dizendo: “Fica ali, bem afastado, onde o mau cheiro não vai incomodar-te”. E mandou empalar imediatamente o boiardo. Depois do ataque a Brasov, Drácula continuou queimando e aterrorizando outros vilarejos na vizinhança da cidade, mas ele não foi capaz de capturar a fortaleza de Zeyding (Codlea em romeno), ainda hoje existente em parte, tendo então mandado executar o capitão responsável pelo fracasso. Durante o inverno de 1458-1459 as relações de Drácula com os saxões da Transilvânia mudaram para pior na Valáquia. Drácula decidiu aumentar as tarifas dos bens na Transilvânia, a favor de manufatureiros locais, em violação do tratado por ele assinado no início do seu reinado. Obrigou também os alemães a voltarem ao antigo costume de expor seus produtos apenas em determinadas cidades, como Cimpulung, Tirgoviste e Tirgsor. Essa decisão fechou subitamente muitas cidades ao comércio alemão onde os saxões tinham feito negócios proveitosos, inclusive na tradicional estrada para o Danúbio. Quando os habitantes de Brasov ignoraram essas medidas, Drácula iniciou outra ação terrorista.

A vingança e a violência de Drácula se estenderam pela primavera e o verão de 1460. Em abril, ele pôde finalmente pegar e matar seu oponente Dan III; somente sete dos segidores de Dan puderam escapar. No começo de julho, Drácula capturou a fortaleza de Fagarras e empalou seus cidadãos – homens mulheres e crianças. Embora as estatísticas desse período sejam muito difíceis de estabelecer, na cidade de Almas vinte mil pessoas foram mortas na noite de São Bartolomeu de 24 de agosto de 1460, mais do que foram assassinadas por Catarina de Médices em Paris, cerca de um século depois. O massacre de São Bartolomeu de Drácula escapou, de certo modo, da atenção dos historiadores, enquanto o de Catarina de Médicis fez dela alvo de grande reprovação moral.

Depois de 1460, os ataques e ações na Transilvânia contra os alemães da Valáquia diminuíram, e a renovação de tratados permitiu aos alemães privilégios comerciais, quando assinados juntamente com obrigações prévias ou quando outros acontecimentos concorriam para preencher a atenção de Drácula em outro lugar. No entanto, os saxões exercitaram sua vingança contribuindo para a prisão de Drácula como “inimigo da humanidade”, no outono de 1462, e a mais longo prazo arruinando sua reputação para a posteridade.

Reexaminando esse catálogo de horrores, percebe-se que havia dois lados na personalidade de Drácula. Um era o do torturador e inquisidor que aterrorizava deliberadamente como método político, às vezes inclinando-se à piedade para aliviar a própria consciência. O outro revelava um precursor de Maquiavel, um racionalista pioneiro e um surpreendente estadista moderno que justificava suas ações de acoedo com alguma raison d’état. Os cidadãos de Brasov e de Sibiu eram afinal estrangeiros que tentavam perpetuar seu monopólio de comércio com os principados romenos. Gostavam, a seu modo, também de uma intriga. Os saxões, conscientes do autoritarismo de Drácula, estavam ansiosos para subverter sua autoridade na Transilvânia e garantir asilo a possíveis contestadores do trono valáquio. É fácil demais explicar a personalidade de Drácula, como alguns fizeram, com base só na crueldade.

Havia um método na sua aparente loucura.

Embora Drácula tivesse governado o principado romeno da Valáquia em três diferentes ocasiões e morrido perto da cidade de Bucareste, seu lugar de nascimento, sua propriedade familiar e os dois ducados feudais a ele sujeitos, Almas e Fagaras, ligaram seu nome à Transilvânia. Drácula amava seu lugar de nascimento e finalmente se instalou em Sibiu, após Ter feito as pazes com os alemães. Mesmo seu famoso castelo no rio Arges, embora tecnicamente localizado no lado valáquio da fronteira, era vizinho dos Alpes da Transilvânia. Nesse sentido a tradição confirma que a história de Stoker é absolutamente correta. O nome de Drácula está inexorável e historicamente ligado à romântica Transilvânia.

Um Cruzado Contra os Turcos

Durante o inverno de 1461, Drácula lançou um desafio a ninguém menos do que o orgulhoso conquistador de Constantinopla, o sultão Mehemed II. As campanhas que se seguiram no Danúbio e na Valáquia, e que duraram do inverno de 1461 até o outono de 1462, inegavelmente constituem o episódio mais discutido na carreira de Drácula. Sua habilidade, seus feitos de valor, suas táticas e estratégia, trouxeram-lhe tanta notoriedade na Europa quanto o horrível tratamento que dava a seus súditos. Enquanto seus empalamentos eram evocados nas narrativas populares, os atos de heroísmo a ele atribuídos na luta contra os turcos foram preservados nos registros oficiais da época.

Com a morte do grande Hunyadi em 1456, as forças remanescentes cristãs precisavam desesperadamente de uma liderança. As disputas amargas que haviam ficado desde o assassínio do pai de Drácula ainda não estavam superadas. Essa ausência de unidade dos cristãos contribuiu muito para a causa turca e ajudou na captura de Constantinopla em 1453, três anos antes da segunda subida de Drácula ao trono da Valáquia. Com o desaparecimento dos últimos vestígios da independência sérvia e búlgara, e a queda do império grego, circunstâncias geográficas colocaram a Valáquia na vanguarda da cruzada antiturca. A Moldávia, aliada da Valáquia, estava salva nas mãos de Estêvão, primo de Drácula que surgiu como herói no mundo cristão depois de Hunyadi. Após o assassínio de seu pai, Bogdan, Estêvão acompanhou Drácula no seu exílio na Transilvânia. Lá, enquanto ambos residiam no castelo dos Hunyadis em Hunedoara, Drácula fez um pacto com Estêvão: Quem subisse ao trono primeiro, ajudaria o outro a ganhar o principado irmão. Em 1457, exatamente um ano após sua subida ao trono, Drácula coerente com sua promessa, mandou um contingente valáquio para ajudar Estêvão a reconquistar a coroa de seus antepassados. Desse modo, Drácula ajudou a iniciar a brilhante carreira do maior soldado, estadista e homem de cultura que a Renascença romena produziu. Porque Estêvão o Grande, ou Santo Estêvão como é ele hoje chamado após a sua canonização pela Igreja Ortodoxa em 1972, foi soldado e amante das artes. O número de mosteiros que sobreviveram na região de Suceava, capital de Estêvão, é eloqüente testemunho do brilho cultural e arquitetônico da sua época.

Quando Drácula finalmente ascendeu ao trono em julho de 1456, os astrônomos chineses e europeus documentaram uma aparição celestial incomum – um cometa “tão grande quanto a metade do céu, com duas caudas, uma apontando o Ocidente e a outra o Oriente, cor de ouro e parecendo uma chama ondulante no horizonte noturno”. O cometa tornou-se mais tarde tema de estudo do astrônomo Edmund Halley, e tornou-se conhecido então como Cometa de Halley.

No século XV, como hoje, as pessoas supersticiosas viam nos cometas anúncios de catástrofes naturais, pestes ou ameaças de invasão. Com a morte de Hunyadi em Belgrado, esses augúrios aumentaram muito. Mas os videntes e astrólogos de Drácula interpretaram o cometa como um símbolo de vitória. Um especialista romeno em numismática descobriu recentemente uma pequena moeda de prata cunhada pelo príncipe, mostrando a águia Valáquia de um lado e a estrela puxando seis raios ondulantes de outro, uma representação tosca do famoso cometa.

Após a queda de Constantinopla, os poderes remanescente da Europa Central e Oriental dedicaram-se a libertar as terras dos Bálcãns conquistadas pelos turcos. Uma das grandes figuras da Renascença, Enea Silvio Piccolominio, um astuto diplomata e especialista em Europa Ocidental, tornou-se o papa Pio II em 1458. Ele percebeu o imenso perigo para todo o mundo cristão das ambições imperialistas do sultão Mehmed II. Pio II lançou sua cruzada no Concílio de Mântua em 1459, advertindo os governantes incrédulos de que, a menos que os cristãos se unissem todos para se opor a Mehemed, o sultão destruiria seus inimigos um a um. O papa pedia aos cristãos que tomassem a si a cruz e angariassem cem mil ducados de ouro.

Em seguida à morte de Hunyadi e ao assassinato de seu filho mais velho, Ladislau, a luta pela coroa húngara continuou entre os Hunyadi e os Habsburgos. Drácula permaneceu leal aos Hunyadis em suas lutas com os alemães da Transilvânia, inicialmente a Ladislau e após sua morte ao filho mais jovem de Hunyadi, Matias, e ao cunhado Michael Szilagy. Do lado oposto estavam os Habsburgos: Albert I, que governou pouco tempo, sua esposa Elizabete e Ladislau V. A coroa sagrada de Santo Estêvão, guardada na fortaleza de Visegrad, esperava ser reclamada pelo próximo legítimo Habsburgo. O sacro imperador romano Frederico III estava tão preocupado com seus assuntos internos que o império não se animou a responder ao apelo do papa. O filho de Hunyadi, Matias, manobrou para tornar-se rei da Hungria em 1458. Drácula, que conheceu Matias ainda jovem, esperava que ele se juntasse à cruzada. Quanto a isso ele se desapontou, tal como o papa. Matias nunca deu seu inteiro apoio à cruzada papal contra os turcos, devido ao seu vacilante apoio ao trono da Hungria. O sacro imperador romano Frederico III; George de Podebrady, rei da Boêmia; Casimir IV, da Polônia; o Grão-Duque de Moscou, Ivan III; os governantes das repúblicas italianas; e um número de potentados orientais que participaram do concílio, limitou-se a enviar palavras de encorajamento ao papa. Estavam todos envolvidos em suas pequenas querelas e preferiram descartar logo o apelo papal.

Drácula foi o único soberano que respondeu imediatamente à conclamação do papa. Sua ação corajosa foi reconhecida nos comentários favoráveis dos representantes oficiais de Veneza, Gênova, Milão e Ferrara e mesmo do papa Pio II. Embora ainda desaprovasse algumas das cruéis táticas que ele usava, todos admiravam a coragem de Drácula e elogiavam sua disposição de combater pela cristandade.

Apesar do seu juramento ao rei húngaro e ao papa, as relações de Drácula com os turcos permaneciam acomodadas. Ele cumpria suas obrigações de vassalagem, que incluíam pagamento de tributo e uma visita ocasional a Constantinopla. A primeira indicação de que podia haver problemas na preservação de relações amigáveis veio do próprio Drácula. Em carta datada de 10 de setembro de 1456, dirigida aos dignitários de Brasov, Drácula revelou seu real pensamento, apenas alguns dias depois da sua investidura como príncipe:

Estou vos dando notícias… de que o embaixador dos turcos veio agora até nós. Tende no espírito e o conservai com firmeza o que tratei previamente convosco acerca de fraternidade e paz… O tempo e a hora chegaram afinal, a respeito do que antes vos havia dito. Os turcos querem pôr em nossos ombros… responsabilidades insuportáveis e… compelir-nos a não mais viver em paz (convosco)… Eles estão buscando um modo de saquear nosso país passando sobre nós. Além disso, eles nos forçam a trabalhar contra nossa fé católica. Nosso desejo é nada fazer contra vós, nem vos abandonar, como vos disse e jurei. Asseguro-vos que continuarei vosso irmão e amigo fiel, e por isso retive os enviados turcos aqui, de modo a que tivesse tempo de mandar-vos essas notícias.
Seguem-se aqui preceitos típicos que antecipam Maquiavel:

Tendes de refletir … quando um príncipe é poderoso e valente ele pode fazer a paz como desejar. Se, no entanto, ele foi enfraquecido, alguém mais poderoso que ele há de conquista-lo e ditar-lhe sua vontade.

Levando em conta sobretudo à tensa situação turco-valáquia resultante da dupla posição de Drácula, as causas do corte final de relações e do início das hostilidades devem ser buscadas nas tentativas turcas de se beneficiar da infringência dos tratados. Os tributos foram pagos regularmente por Drácula apenas durante os primeiros três anos do seu reinado. De 1459 a 1461. Daí por diante, no entanto, porque estava preocupado com os problemas dos saxões da Transilvânia, Drácula violou o contrato e deixou de comparecer à corte turca. Por isso, quando as negociações foram retomadas, os turcos exigiram o pagamento dos tributos devidos.

Havia uma outra nova exigência que nunca fora estipulado antes e que representava uma clara violação dos trados anteriores. Ela envolvia a cobrança do tributo infantil – nada menos do que quinhentos jovens destinados aos regimentos de janízaros. Essa infantaria de elite era composta de recrutas de várias províncias dos Nálcãs, sob o controle do sultão. De fato, oficiais recrutadores de vez em quando invadiam as planícies da Valáquia, onde sentiam que a qualidade dos jovens era melhor.

Drácula havia resistudo a tal incursão pela força das armas, e cada turco que fosse pego nessa tarefa podia ser levado à estaca. Tais violações do território por ambos os lados somaram-se às provocações e contribuíram para azedar as relações turco-valaquias. Ataques, pilhagem e saques tornaram-se endêmicos, de Giurgiu até o mar Negro. Os turcos conseguiram assegurar o controle de várias fortalezas e comunas no lado romeno do Danúbio.

Para complicar as coisas, Radu o Belo, que fielmente residira em Constantinopla desde sua libertação em 1447, foi encorajado pelos turcos a se considerar candidato ao trono da Valáquia. Antes do corte de relações, o sultão Mehemed II deu a Drácula uma última opotunidade. Ele o convidou a ir a Niocópolis, no Danúbio, para se encontrar com Isaac Pasha, o governante da Rumélia e representante do sultão, que foi intruido a persuadir Drácula de ir pessoalmente a Constantinopla e explicar suas violações de vassalagem dos últimos anos.Drácula respondeu que estava preparado para viajar, levando presentes, até Constantinopla, e concordou em discutir o não-pagamento dos tributos e até ajustamentos de fretes na fronteira, mas continuava inflexível a respeito do recrutamento de crianças pelos turcos.

Na verdade, em hipótese nenhuma ele viajaria até a corte do sultão, porque se lembrava de como seu pai fora traído. O pretexto oficial para sua recusa de ir a Constantinopla era o receio de que se fizesse isso seus inimigos na Transilvânia ficariam mais fortes na sua ausência.

Uma vez que não havia base sincera e genuína para as negociações, pode se entender melhor a reação do sultão. A recusa de Drácula de viajar até Constantinopla confirmava as suspeitas dos turcos de que ele estava negociando simultaneamente uma aliança com os húngaros. Por isso, os turcos planejaram uma emboscada. Os homens encarregados de levar avante o plano não podiam ter sido mais bem escolhidos – um demônio de esperteza grego, Thomas Catavolinos, e Hamza Pasha, chefe dos falcoeiros da corte, governador de icópolis e homem conhecido por sua mente sutil. O pretexto ostensivo era encontrar Drácula para discutir uma fronteira mutuamente aceita e para persuadi-lo a ir a Constantinopla. Logo que eles souberam que Drácula recusaria esta última proposta, suas instruções secretas eram de capturar o príncipe Valáquio morto ou vivo. Temos a sorte de possuir um relato claro e dramático das precisas circunstâncias nas quais Drácula venceu seus oponentes. A história é contada pelo próprio Drácula em carta datada de 11 de fevereiro de 1462, dirigida ao rei Matias Corvinus: Em outras cartas que enviei a Vossa Alteza, narrei o modo pelo qual os turcos, cruéis inimigos da Cruz de Cristo, mandaram seus emissários até mim visando quebrar nossa mútua paz e aliança, e destruir nossa união, de forma que eu me aliasse com eles e viajasse até o soberano turco, o que equivale dizer sua corte, e a menos que eu recusasse a abandonar a paz e os tratados e a união com Vossa Alteza, os turcos não manteriam a paz comigo. Eles também enviaram um importante conselheiro do sultão, Hamza Pasha, de Nicópolis, para determinar a fronteira do Danúbio, com o intento de que Hamza Pasha, se pudesse, me tomasse de algum modo por engano ou boa-fé, ou de alguma outra maneira, levando-me para o porto, ou então tentando me manter cativo. Mas pela graça de Deus, quando eu viajava pela fronteira descobri suas intenções e astúcia, e fui eu quem capturou Hamza Pasha num distrito e numa terra turca, próxima a uma fortaleza chamada Giurgiu. Quando os turcos abriram os portões da fortaleza, a pedido dos nossos homens, imaginando que apenas os seus entrariam, nossos soldados se misturaram com eles e invadiram a fortaleza, conquistando a cidade que em seguida mandei incendiar.

Nessa mesma carta, Drácula descreve a campanha que se seguiu e que teve lugar ao longo do Danúbio até o mar Negro durante o inverno de 1461, que se constituiu no começo real das hostilidades, sem que tenha havido uma declaração formal de guerra. Desse modo, Drácula pode ser visto como agressor. A campanha do Danúbio foi a bem-sucedida fase inicial da guerra turco-valáquia. Drácula estava na ofensiva, tentando duplicar a bem-sucedida guerra anfíbia de Hunyadi na decada de 40 daquele século. A maior parte da campanha teve lugar em solo búlgaro controlado pelos turcos. Pela menção de nomes de locais é possível reconstituir o avanço das forças de Drácula ao longo do Danúbio, e Drácula conta com precisão o número de baixas infligidas:

Matei homens e mulheres, velhos e jovens que viviam em Oblucitza e Novoselo, onde o Danúbio flui para o mar até Rahova, que fica perto de Chilia desde o baixo (Danúbio) até lugares como Samovit e Ghighen (ambos localizados na moderna Bulgária). (Matamos) 23.884 turcos e búlgaros sem contar aqueles que foram queimados em suas casas ou aquelas cabeças que não foram cortadas por nossos soldados… E assim Vossa Alteza deve saber que quebrei a paz com o sultão.

Seguem-se algumas espantosas estatísticas de pessoas assassinadas: em Oblucitza e Novoselo, 1.350; em Dirstor (Durostor, Silistria), Cirtal e Dridopotrom, 6.840; em Orsova, 343; em Vectrem, 840; em Turtucaia, 630, em Marotim, 210, na propria Giurgiu, 6.414; em Turnu, Batin e Novigrad, 384, em Sistov, 410; em Nicóplis, Samovit e Ghighen, 1.138; em Rahova, 1.460. Para melhor impressionar o rei Matias com os detalhes do seu relato, Dracula mandou até ele seu enviado Radu Farma, com dois sacos contendo cabeças, narizes e orelhas.

A campanha de inverno terminou na costa do mar Negro, sob as vistas da poderosa força dos turcos que havia atravessado o Bósforo para uma invasão em grande escala da Valáquia. Com seu flanco desprotegido, Drácula fora obrigado a abandonar a ofensiva. Ele havia queimado todas as fortalezas turcas que não conseguira de fato ocupar. Não tinha muito mais o que fazer; o ponto alto da ofensiva tinha se esgotado.

A campanha do Danúbio havia estabelecido a reputação de Drácula como cruzado e guerreiro da cristandade. Através da Europa Central e Ocidental, e de um eram cantados e os sinos tocavam de Gênova a Paris em gratidão pela cruzada, com um novo ânimo de viver e a louvação da liderança de Hunyadi. A corajosa ofensiva de Drácula enviou também uma nova esperança de liberdade aos povos escravizados da Bulgária, Sérvia e Grécia. Em Constantinopla pairava uma atmosfera de consternação, melancolia e medo, e alguns dos chefes turcos, temendo o Empalador, consideravam a hipótese de fuga pelo Bósforo para a Ásia menor. Mehmed II decidiu lançar sua invasão da Valáquia na primavera de 1462; Drácula não havia dado ao sultão outra alternativa. Desafiar o sultão com o fracasso de um provável plano de assassínio era uma coisa; ridiculariza-lo e instilar esperanças de libertação entre os súditos cristãos era outra, muito mais perigosa para seu império recentemente estabelecido. Em cada movimento que fez dali em diante, Mehmed quis reduzir a Valáquia a uma província turca. Com esse formidável desafio em mente, o sultão reuniu as mais poderosas forças que até então tinham se juntado desde a queda de Constantinopla em 1453. Um imenso contingente comandado pelo próprio sultão foi transportado ao longo do Bósforo por uma vasta frota de barcaças. Outra força poderosa, reunida em Nicópolis, na Bulgária, devia cruzar o Danúbio, recapturar a fortaleza de Giurgiu e então se unir com o contingente principal num ataque combinado a Tirgoviste.

Drácula esperava reforços de Matias da Hungria, de maneira a equilibrar a disparidade dos números. De acordo com as narrativas eslavas, ele não dispunha de mais de 30.900 homens. Drácula apelou aos seus compatriotas. Como era costume a independência do país era ameaçado, todo o homem válido, inclusive meninos de mais de doze anos, e até mulheres eram convocados. Uma testemunha ocular turca afirma que a travessia do Danúbio foi completada na noite do sexto dia do jejum de Ramadã (sexta-feira, 4 de junho de 1462), os soldados turcos sendo transportados em setenta barcos e barcaças. Outras testemunhas oculares turcas dão-nos conta em detalhes e gráficos de toda a operação. A travessia tornou-se possível graças ao fogo dos canhões turcos dirigidos contra posições valáquias na margem direita: (Quando a noite começou a cair) subimos nos barcos e descemos pelo Danúbio e chegamos à outra margem, muitas léguas abaixo do lugar onde o exército de Drácula havia estacionado. Ali cavamos nós mesmos trincheiras instalando os canhões ao nosso redor. Escondemo-nos nas trincheiras de modo que os cavaleiros não nos atingissem. Depois disso cruzamos de volta para a outra margem e aí transportamos soldados através do Danúbio. E quando o conjunto de nossa infantaria havia atravessado, preparamo-nos e saímos aos poucos em direção ao exército de Drácula, juntamente com a artilharia e outros componentes que trouxéramos também. Havendo parado, acertamos os canhões, mas antes que pudéssemos usá-los, trezentos dos nossos foram mortos. O sultão ficou muito entristecido com o fato, vendo aquela batalha do outro lado do Danúbio e sentindo-se incapaz de chegar até nós. Ele temia que todos os soldados fossem mortos, uma vez que o imperador não podia pessoalmente cruzar o rio. Depois disso, vendo que nosso lado foi muito enfraquecido e tendo conosco cento e vinte armas, defendemo-nos e atiramos repetidamente com elas, repelimos o exército do príncipe nesse local e nos fortalecemos a nós mesmos. Então o imperador, tendo ganhado a confiança, transportou outros soldados. E Drácula, vendo que não podia evitar a travessia, retirou-se das nossas proximidades. Então, depois de o imperador haver cruzado o Danúbio seguindo-nos com todo o exército, distribuiu entre nós trinta moedas de ouro.

Pouco depois houve escaramuças preliminares ao longo dos pântanos do Danúbio, que visavam basicamente retardar a junção dos dois grandes exércitos turcos. Drácula abandonou o rio e iniciou sua retirada para o norte. A partir desse ponto, Drácula recorreu ao que é conhecido como retirada estratégica, um recurso invariavelmente usado pelos exércitos com inferioridade numérica. Os romenos dependiam da variedade do terreno para sua defesa: o solo pantanoso perto do Danúbio, a densa floresta de Vlasi aprofundando-se na planície e as montanhas impenetráveis. De acordo com a tradição romena, era a floresta “louca” e as montanhas “irmãs do povo” que haviam assegurado a sobrevivência da nação através das épocas. À medida que as tropas Valáquianas deixavam seu território aos turcos, Drácula usava táticas de terra devastada, e esgotava seus inimigos criando um vasto deserto no caminho das forças invasoras. Enquanto o exército de Drácula batia em retirada para o norte, abandonando território aos turcos, ele despovoava a área, queimava seus próprios vilarejos e punha fogo nos grandes centros, reduzindo-os a cidades-fantasmas. Boiardos, camponeses e citadinos acompanhavam os exércitos em retirada, a menos que encontrassem refúgios em montanhas isoladas ou mosteiros inacessíveis, como os de Snagov, onde os mais ricos buscavam proteção. Além disso, Drácula ordenou que as colheitas fossem sistematicamente queimadas; e envenenados todos os poços e exterminado o gado e todos os outros animais domésticos que não pudessem ser levados para as montanhas. O povo cavara longos buracos e havia coberto com galhos e folhas, de maneira a fazer grandes armadilhas para homens, camelos e cavalos. Drácula determinou mesmo que represas fossem construídas para secar a água de pequenos rios e para criar pântanos que pudessem impedir o avanço dos canhões turcos, atolando-os todos em lama. Fontes contemporâneas confirmam o cenário de desolação que esperava os exércitos turcos. Um historiador grego, por exemplo, conta: “Drácula escondeu as mulheres e crianças numa área muito pantanosa, protegida por defesas naturais, cobertas por uma densa floresta de carvalhos e ordenou a seus homens que se ocultassem nessa floresta de carvalhos e ordenou a seus homens que se ocultassem nessa floresta, que era inacessível a qualquer estranho que a penetrasse”. Do lado turco, os comentários são exatamente os mesmos. Um veterano da campanha queixava-se de que “o melhor dos homens entre os turcos não encontrava fontes… (nenhuma) água potável”. Mahmud Pasha, um dos comandantes que foram mandados à frente do exército principal com um pequeno contingente, pensou ter encontrado finalmente um lugar para descansar. “Mas mesmo ali”, escreveu o veterano, “numa distância de seis léguas não era encontrada uma gota de água. A intensidade de calor causado pelo sol ardente era tão grande que a armadura parecia derreter numa forja. Na planície ressecada, rachavam os lábios dos combatentes do Islã. Os africanos e asiáticos, acostumados a condições do deserto, usavam seus escudos para cozinhar carne ao sol.”
Certamente um fator que contribuiu para o sofrimento e a morte que atingiu o exército turco foram o fato de o verão de 1462 ter sido um dos mais quentes já registrados. Ao lado das medidas de terra devastada, Drácula usou táticas de guerrilha nas quais o elemento surpresa e o íntimo conhecimento do terreno eram as chaves do sucesso. Um viajante italiano relatou que a cavalaria de Drácula podia freqüentemente surgir de trilhas relativamente desconhecidas e atacar saqueadores turcos distanciados das forças militares. Às vezes Drácula atacava mesmo o grosso das tropas, quando elas menos esperavam, e antes que pudessem se recuperar ele voltava para a floresta sem dar ao inimigo a oportunidade de combater em igualdade de condições. Os desgarrados do principal corpo das forças turcas que ficavam para trás eram invariavelmente isolados e mortos, a maioria por empalamento. Uma tática mais insidiosa, quase desconhecida nesse período, era uma versão do século XV da guerra bacteriológica. Drácula teria encorajado todos os doentes vítimas de lepra, tuberculose e peste bubônica a se vestirem como os turcos e a se misturarem com os soldados. Se de algum modo sobrevivessem depois de contaminar e matar os turcos com sucesso, os Valáquios infectados seriam ricamente recompensados. Do mesmo modo, Drácula libertava criminosos empedernidos que eram encorajados a assassinar os turcos desgarrados.

O ataque conhecido como a Noite do Terror foi um exemplo da ousadia e da mestria de Drácula em táticas de surpresa. Em um dos muitos vilarejos próximos de Tirgoviste, perto do acampamento dos turcos na floresta, Drácula reuniu um conselho de guerra. A situação de Tirgoviste era desesperada e Drácula apresentou um plano corajoso para salvar sua indefesa capital. O conselho concordou em que somente o assassínio do sultão poderia desmoralizar suficientemente o exército turco, a ponto de produzir uma retirada rápida.

A execução desse plano foi admiravelmente registrada por um soldado sérvio que experimentou todo o impacto da investida audaciosa de Drácula. Seu relato descreve o complexo acampamento turco: o som dos guardas vigilantes gritando ordens ocasionais, o cheiro do carneiro assado na brasa, a conversa de soldados que partem, as risadas das mulheres e de outros visitantes, o cântico lamentoso dos escravos dos turcos, o ruído dos camelos, as incontáveis tendas e finalmente aquela bordada em ouro em que dormia o sultão, bem no centro do acampamento. Menhemed havia acabado de se retirar depois de uma pesada refeição. De repente, ouviu-se o pio de uma coruja, sinal de Drácula para o ataque, seguido do tropel da cavalaria. Os invasores atravessaram o círculo de defesa dos guardas galopando livremente entre as tendas dos soldados mal despertos. A espada e a lança valáquias – com Drácula à frente – abriam um atalho sangrento. “Kaziku Bey!, o Empalador”, gritava fieiras de soldados turcos, gemendo e morrendo na trilha da avalanche romena. Os clarins turcos finalmente chamaram os homens às armas. Um corpo de guarda aos poucos se formou, determinado, em torno da tenda do sultão. Drácula havia calculado que a abrupta surpresa e o ímpeto do ataque podiam levar sua cavalaria até a cama do sultão. Mas enquanto ele buscava essa meta, a guarda do sultão reuniu-se, deteve a ofensiva valáquia e de fato começou a fazer recuar os atacantes. Percebendo que corria o risco de ser envolvido e capturado, Drácula, embora com relutância, deu ordens de retirada. Ele havia matado vários milhares de turcos; ferido muito mais, criado pânico, caos e terror dentro do acampamento turco, mas havia perdido muitas centenas de seus guerreiros mais corajosos e o ataque havia fracassado. O sultão Mehemed tinha sobrevivido e a estrada para Tirgoviste estava aberta.

O grande vizir Machumet prendeu um valáquio e sob tortura começou a interroga-lo sobre a localização e os planos de Drácula. O prisioneiro permaneceu em silêncio e foi provavelmente cerrado em dois. Admirado com esta demonstração de coragem, o vizir disse ao sultão: “Se este homem estivesse no comando de um exército, poderia ter conquistado grande poder”. Os turcos chegaram finalmente a Tirgoviste mas não encontraram homem ou gado; comida ou bebida. A capital valáquia apresentava de fato um aspecto desolador aos turcos que chegavam. Os portões da cidade foram deixados abertos e um véu leve de fumaça se confundia com a luz da madrugada. A cidade fora esvaziada de praticamente todas as suas relíquias sagradas e tesouros, do palácio fora levado tudo que havia ali de aproveitável, e o resto queimado. Por toda parte, os poços estavam envenenados. Os turcos foram recebidos por uns poucos disparos de canhão feitos por alguns valáquios que ainda se escondiam nas ameias. Mehemed II resolveu não se deter na capital mas continuou sua marcha atrás do ardiloso Empalador. A umas tantas milhas ao norte, o sultão foi surpreendido por um espetáculo ainda mais desolador: numa estreita garganta de cerca de um quilômetro e meio ele encontrou uma verdadeira “floresta de cadáveres empalados, talvez 20.000 ao todo”. O sultão examinou o que restava dos homens, mulheres e crianças, sua carne devorada pelos corvos que faziam ninhos em seus crânios e entre suas costelas. Entre eles o sultão encontrou os cadáveres de prisioneiros que Drácula havia conservado desde o começo da campanha, no inverno anterior. Num pico mais alto estavam as carcaças dos dois assassinos que haviam tentado apanhar Drácula antes do início das hostilidades. Ao longo de muitos meses os elementos da natureza e os corvos haviam feito o seu trabalho. Era uma cena horrível o bastante para desencorajar até mesmo o homem mais frio. Impressionado por esse espetáculo, Mehemed II ordenou que o acampamento turco fosse cercado por uma profunda trincheira naquela mesma noite. Logo, pensando sobre o que tinha visto, o sultão perdeu o ânimo. Como registra um historiador, “mesmo o sultão, tomado de pasmo, admitiu que ele não podia tomar a terra de um homem que faz tais coisas, e acima de tudo lida com seus súditos desse modo. Um homem capaz de fazer tais coisas seria capaz de coisas mais terríveis!” O sultão deu então ordens de retirada para a maior parte das forças turcas, e pôs-se em marcha para o leste em busca de um porto no Danúbio onde sua frota havia ancorado.

Após a retirada do contingente de Mehemed, o caráter da guerra mudou radicalmente. de fato, esse último capítulo pode ser descrito com maior propriedade como uma guerra civil, ao invés de uma guerra estrangeira, muito embora soldados turcos ainda continuassem envolvidos. Antes da partida, o sultão Mehemed nomeou formalmente Radu comandante-em-chefe, com a missão de destruir Drácula e tomar conta oficialmente do principado. O contingente turco, sob o comando do paxá de Cilistria, apoiaria as relações de Radu, mas o novo comandante devia confiar principalmente no apoio dos valáquios. Os turcos alimentavam deliberadamente esse conflito de modo a confundir os valáquios e a evitar a impressão de uma guerra nacional contra um adversário comum, de fato abandonando seu plano anterior de conquistar a Valáquia para converte-la num estado vassalo obediente. O que eles deixaram de conseguir pela força das armas obtinham pela diplomacia. Assim, em última análise, era menos uma questão de tática do que de política. As últimas batalhas opunham Drácula não tanto aos turcos, mas aos poderosos boiardos romenos que afinal apoiavam decisivamente a causa de Radu. “Os boiardos romenos, entendendo que os turcos eram mais fortes, abandonaram Drácula e se associaram a seu irmão que chegava como sultão turco.” Terminava assim o relato de um janízaro sérvio. Havia uma outra razão mais forte para a retirada turca. A peste havia aparecido nas hostes do sultão e as primeiras vítimas da terrível doença foram registradas em Tirgoviste. Talvez a tentativa de Drácula de fazer guerra bacteriológica tivesse funcionado. O pedido desesperado de ajuda feito por Drácula a seu parente Estêvão foi respondido com a traição. Em junho o governante moldavo atacou a importante fortaleza valáquia de Chilia, vindo do norte, enquanto poderosos contingentes turcos atacavam-na simultaneamente pelo sul. Apesar disso, esse extraordinário duplo assalto fracassou. Os turcos levantaram o sítio. Estêvão foi ferido por um tiro disparado pela fortaleza e retirou-se para a Moldávia. Ele não renovou o ataque a chilia até 1465. E então ele a capturou, enquanto seu primo Drácula vivia em segurança numa prisão húngara, alguns quilômetros Danúbio acima, em Visegrad. Durante a última fase da guerra turco-valáquia, Drácula governou de seu castelo no Arges superior, o ponto final do refúgio do príncipe quando os turcos avançavam. Uma vez que os cronistas da campanha turca haviam retornado a Constantinopla com o sultão e o grosso do exército, só restava aos historiadores confiar nas baladas populares da região do castelo pra obter suas informações. Os camponeses dos vilarejos vizinhos do Castelo Drácula relatam histórias relativas ao fim do segundo reinado no outono de 1462. Todas essas histórias terminam quando Drácula atravessa a fronteira da Transilvânia e se torna prisioneiro dos húngaros. Elas recomeçam em 1476, quando Drácula volta à Valáquia para seu terceiro reinado. Uma das narrativas mais clássicas dos últimos momentos da resistência de Drácula aos turcos em 1462 apresenta-se assim: Após a queda de Tirgoviste, Drácula e uns poucos fiéis seguidores seguiram para o norte; evitando os passos mais conhecidos que levavam à Transilvânia, chegaram ao seu retiro na montanha. Os turcos que foram mandados em sua perseguição acamparam no escarpado de Poenari, que domina uma vista admirável do Castelo Drácula na margem oposta do Arges. Ali eles instalaram seus canhões de cerejeira. O grupo de soldados turcos desceu para o rio e o atravessou a vau, acampando do outro lado. O bombardeio ao Castelo Drácula começou, mas sem sucesso, devido ao pequeno calibre dos canhões turcos e à solidez das muralhas do castelo. As ordens para o assalto final ao castelo foram preparadas para ser dadas na manhã seguinte.

Naquela noite, um escravo romeno dos turcos, de acordo com uma narrativa local, que era um parente distante de Drácula, advertiu o príncipe valáquio sobre o grande perigo em que se encontrava. Sem ser percebido na noite sem lua, o escravo subiu as escarpas do Poenari e fazendo cuidadosa pontaria disparou uma flecha para uma das janelas da torre principal, onde ele sabia que ficavam os aposentos de Drácula. Presa à flecha ia uma mensagem advertindo Drácula para escapar enquanto ainda era tempo. A flecha apagou um candelabro dentro da torre. O escravo pôde ver a sombra da mulher de Drácula e conseguiu talvez perceber que ela lia a mensagem. O resto dessa história só pode ter sido transmitido por conselheiros íntimos de Drácula dentro do castelo. A esposa de Drácula informou o marido sobre o aviso. Ela lhe disse que preferia ter seu corpo devorado pelos peixes lá em baixo no rio Arges a ser capturada pelos turcos. Drácula sabia por sua própria experiência em Egrigoz o que, no caso, significava ser prisioneiro. Percebendo o quanto era desesperadora sua situação, e antes de qualquer outra interferência, a mulher de Drácula subiu correndo as escadas e se atirou da torre. Esse ponto do rio é hoje conhecido como Riul Doannei, rio da Princesa. Essa narrativa trágica é praticamente a única menção à primeira mulher de Drácula. Drácula imediatamente fez planos para sua própria fuga; não importava o quanto as circunstâncias fossem desfavoráveis, o suicídio não era uma opção. Ele ordenou que os seus líderes mais corajosos do vilarejo vizinho de Arefu fossem trazidos ao castelo, e durante a noite eles discutiram as várias rotas de fuga para a Transilvânia. Drácula tinha esperança de que Matias da Hungria, ao qual havia enviado muitos apelos desde uma primeira carta de fevereiro de 1462, pudesse acolhê-lo como um aliado e assegurar sua volta ao trono valáquio. De fato, sabia-se que o rei húngaro, dispondo de um poderoso exército, havia estabelecido quartéis além das montanhas, em Brasov. Chegar até ele supunha o desafio de atravessar os Alpes da Transilvânia num ponto onde não havia estradas ou passos. Os despenhadeiros no alto dessas montanhas são rochosos e traiçoeiros, em geral cobertos de neve e gelo mesmo durante o verão. Drácula não poderia ter tentado essa travessia sem o auxílio de guias locais. As narrativas populares ainda identificam vários rios, clareiras, florestas e mesmo rochedos junto aos quais passou Drácula em sua fuga. Tentamos usar essa narrativa para reconstituir o verdadeiro caminho de Drácula, mas a tarefa mostrou-se difícil, porque os nomes dos lugares mudaram com o passar dos anos.

Tão longe quanto conseguimos saber, Drácula, uma dúzia de subordinados, seu filho ilegítimo e cinco guias deixaram o castelo antes da madrugada pela escada em espiral que desce para o seio da montanha e leva até uma caverna na margem do rio. Ali, o grupo de fugitivos podia ouvir os ruídos do acampamento turco e cerca de um quilômetro ao sul. Algumas das montarias mais rápidas haviam sido trazidas do vilarejo; os cavalos eram equipados com ferraduras invertidas de modo a deixar as marcas aparentes de uma cavalaria que chegava. Para distrair a atenção da fuga, durante a noite os canhões do castelo dispararam repetidamente. Os turcos em Poenari respondiam quase automaticamente. Devido ao ruído, assim conta à história, a montaria do próprio Drácula mostrou-se nervosa, e seu filho que estava amarrado na sela caiu ao solo e se perdeu na confusão. A situação era desesperadora demais para que alguém iniciasse uma busca e Drácula estava acossado demais e tinha o coração frio o bastante para se deixar perder por seu filho.

Essa pequena e trágica vinheta teve, entretanto,um final feliz. O menino, por volta de seus dez anos, foi encontrado na manhã seguinte por um pastor, que o tomou e o levou até sua cabana, onde cresceu como se fosse alguém de sua família. Quando Drácula voltou como príncipe quatorze anos depois, o camponês que havia descoberto a verdadeira identidade de seu adotado, levou o rapaz até o castelo. A essa altura ele havia se transformado em um esplêndido jovem. Contou a seu pai tudo o que o pastor havia feito por ele, e como prova de gratidão Drácula compensou o camponês com o oferecimento de terras nas vizinhanças e eventualmente se tornado governador do castelo. Quando o grupo fugitivo finalmente atingiu a crista das montanhas, pôde presenciar o assalto final dos turcos ao sul, que destruiu parcialmente o Castelo Drácula. Ao norte ficavam as muralhas fortificadas de Brasov, onde se esperava que os exércitos do rei Matias estivessem manobrando para vir em auxílio a Drácula. Em um lugar chamado Plaiul Oilor, ou planície do Carneiro; o grupo de Drácula, agora salvos dos turcos, reuniram-se e fizeram planos para a descida pelo norte.

Convocando seus corajosos companheiros, Drácula lhes perguntou de que modo ele poderia recompensá-los por lhe ter salvado a vida. Eles lhe disseram que apenas haviam cumprido seu dever com o príncipe e com o país. O príncipe, no entanto, insistiu: “O que desejais? Dinheiro ou terras?” E eles responderam: “Dai-nos terras, alteza”. Em um bloco de pedra conhecido como Mesa do Príncipe, Drácula atendeu seus desejos escrevendo em algumas peles de lebres caçadas no dia anterior. Entregou aos cinco guias vastas glebas de terra nas montanhas e um rico suprimento de florestas, pescado e ovelhas, tudo por volta talvez de oitenta mil metros quadrados. Drácula mais tarde estipulou a respeito que nenhuma dessas terras podia jamais ser tirada deles por príncipe, boiardo ou chefe eclesiástico. Eram de suas famílias, para ser usufruídas através das gerações.

Diz uma antiga tradição que essas peles de lebre são ainda carinhosamente guardadas pelos descendentes daqueles cinco homens, mas a despeito de muitos esforços e persuasão, nenhum descendente quis esclarecer o paradeiro exato de tais documentos. Ainda assim temos razões para supor que, escondidas em algum sótão ou enterradas num subterrâneo, as peles de coelho de Drácula ainda existem. Um historiador romeno tentou encontrar os pergaminhos, mas os camponeses da área permaneceram reservados e intratáveis. Nem mesmo grandes somas em dinheiro puderam persuadi-los a partilhar tais preciosas lembranças dos tempos heróicos de Drácula.

por Shirley Massapust

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/dracula-historico/

Os Mantras e Bija Mantras

Mantras

A palavra mantra provém do sânscrito e tem muitas diferenças sutis de significado “instrumento da mente”, “linguagem divina” e “linguagem da fisilogia espiritual humana” são apenas algumas de suas conotações. O mantra é um instrumento para curar os problemas que todos nós enfrentamos na vida. Como afirma o mestre místico sufi Vilayat Inayat Khan: “A prática do mantra literalmente amassa a carne do corpo com a repetição de sons. As células delicadas dos complexos feixes de nervos são submetidas a um martelar constante, um ataque à carne pelas vibrações do som divino”.

A prática do mantra pode ajudar você a se sentir mais calmo e energizado. Pode ajudá-lo a lidar com situações difíceis ou desagradáveis, propiciando uma ideia do que fazer ou ajudando-o a ter paciência e perspectiva para simplesmente deixar que as coisas aconteçam. Pode ajudá-lo a realizar seus desejos e transformar seus sonhos em realidade. O mantra é um método pessoal ativo e pacífico de enfrentar as situações que você deseja mudar. São fórmulas antigas de sons divinos registrados pelos antigos sábios da Índia e mantidos em confiança e segredos durante séculos, tanto na Índia como no Tibete.

Mas o mantra não é nenhuma panaceia. Não é o único nem o melhor meio de resolver todos os problemas humanos. Sua vida e seu karma – o efeito acumulado de todos os pensamentos e atos de muitas encarnações – são demasiadamente complexos para serem dominados inteiramente por algumas semanas de trabalho com fórmulas espirituais, por mais poderosas que elas possam ser. Mas a prática do mantra pode solucionar totalmente muitos dos problemas que enfrentamos e proporcionar alívio considerável a outros.

A prática de mantras pode ajudar você a lidar com os problemas e necessidades materiais da vida. Todos nós queremos ou necessitamos de algo, ou desejamos realizar mudanças em nossa vida. Algumas pessoas querem encontrar um parceiro. Outras estão em busca de um novo trabalho ou carreira. Muitos de nós já tivemos problemas de saúde ou conhecemos alguém que tenha. Todos nós passamos por dificuldades financeiras em uma ou outra fase da vida. Temos desejos que podem ser tão simples como a compra de um carro novo ou tão complexo como aparar das arestas nas relações familiares.

Muitos de nós também queremos ajuda para lidar com emoções e conflitos interiores. Deparamo-nos com situações que provocam reações automáticas que gostaríamos de evitar. Ficamos frustrados, tristes, furiosos e enciumados. Às vezes, nossas reações podem ser mais problemáticas do que as situações que as provocaram. Algumas palavras ditas com raiva podem causar danos enormes a uma relação de amizade ou de amor. A depressão pode tornar-se tão profunda que afasta todos e tudo de nós. Os anseios e as obsessões nos isolam. A prática dos mantras pode ajudá-lo a obter clareza tanto com respeito ao propósito da sua vida quanto de si mesmo.

Às vezes, gostaríamos simplesmente de poder ajudar os outros, mas não sabemos exatamente como. Um membro da família ou colega de trabalho passando por alguma dificuldade, ou gostaríamos de poder dar uma contribuição para melhorar a comunidade ou o mundo em que vivemos – se apenas soubéssemos o que fazer. A prática de mantras pode ajudá-lo a encontrar o meio certo de promover mudanças efetivas.

Bija Mantras

Existem certos mantras, de uma única sílaba, que são extremamente potentes. Eles são conhecidos como mantras seminais, sem nenhuma conotação específica. Em sânscrito, são conhecidos como mantras bija e, na literatura védica, são abundantes os contos e lendas de seres que os praticaram e conquistaram elevados níveis de poder espiritual e material. No Rig Veda, por exemplo, o espírito da terra Kubera tornou-se o rei da prosperidade simplesmente por ter recitado alguns desses poderosos mantras seminais por um longo (sobrenaturalmente longo) período de tempo.

Diferentemente das palavras da fala corriqueira, os mantras bija são por si mesmos experiências de energia. Não são símbolos de outros objetos ou experiências do mundo. A palavra “cadeira” denota um objeto de quatro pernas, mas os mantras seminais não representam objetos e nem mesmo sentimentos. São como o perfume de uma flor ou o sabor de uma maça. Não existem palavras para definir essas experiências. As experiências é que definem as palavras.

Existem mantras bija de gênero neutro para ajudar a ativar cada um dos chakras e prepará-lo para lidar com a energia que é processada e usada em seu respectivo centro.

Lam

É o som seminal do chakra Muladhara, localizado na base da coluna. Ele é regido pelo elemento terra e tem a qualidade do olfato. Quando um devoto medita sobre o som Lam, diz-se que surge uma fragrância mística como indício de progresso espiritual.

Vam

É o som seminal do Chakra Swadhisthana, localizado no centro genital. Seu elemento é a água e sua qualidade é o paladar. Ao recitar o bija Vam visualiza uma lua crescente sobre a água. A paciência começará a se manifestar, bem como um maior controle sobre o apetite e outros sentidos.

Ram

É o som seminal do Chakra Manipura, localizado no plexo solar. É regido pelo elemento fogo e sua qualidade é a forma. Concentre-se no Ram e você verá um fogo “amigável” que é parte de você. Quando essa energia é equilibrada, desaparecem os distúrbio estomacais e problemas digestivos.

Yam

É o som seminal do Chakra Anahata, situado no centro do coração. O elemento que o rege é o ar e sua qualidade predominante é o tato. Se você concentra-se no som Yam, o som seminal do elemento ar, você poderá ouvir música ou vozes de seres divinos. (como diz a Bíblia, se você encontrar espíritos, não deixe de testá-los) A prática deste mantra bija pode ajudar a aliviar muitos os sintomas de asmas e de outras doenças pulmonares.

Ham

É o som seminal do Chakra Vishuddha, situado na região da garganta. Seu elemento é o éter e sua qualidade o som. Quando você se concentra no Hum, os problemas da garganta são curados e fica fácil aprender outras línguas.

Om (Aum)

É o som seminal correspondente ao Chakra Ajna, localizado no centro da terceira visão. As energias masculina e feminina encontram-se no centro da terceira visão. Portanto, este som seminal contém o Princípio da Unidade. Este mantra seminal está relacionado a uma qualidade de inteligência cósmica. Pela prática do Om, elimina-se as preocupações e a mente fica serena.

Cada mantra seminal tem um poder único que você mesmo terá de descobrir. Os modos como eles podem funcionar e manifestar-se para você são muito diferentes dos modos como funcionam para outros praticantes; isso é de se esperar em função das muitas e profundas diferenças kármicas pessoais. Seja receptivo a quaisquer imagens ou resultados que o mantra lhe proporcionar. Quaisquer mudanças que ocorram em sua vida podem conter o germe para a solução do problema ou o motivo pelo qual você decidiu praticar o mantra.

#Chakras #Espiritualidade #karma #Mantras

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-mantras-e-bija-mantras

Existe diferença entre Felicidade e Paz Interior?

Retirado do livro O poder do agora, de Eckhart Tolle:

Existe diferença entre felicidade e paz interior?
Existe. A felicidade depende de circunstâncias consideradas positivas, ao passo que a paz interior não precisa delas.

Há possibilidade de só atrairmos coisas positivas para as nossas vidas? Se a nossa atitude e o nosso pensamento forem sempre positivos, só haverá situações e acontecimentos positivos, não é mesmo?
Você pode afirmar, com certeza, o que é positivo e o que é negativo? Já fez o levantamento completo? Muitas pessoas devem ter aprendido bastante com as suas próprias limitações, seus fracassos, suas perdas, suas doenças e sofrimentos. Tudo isso ensinou-as a se desfazer das imagens falsas que tinham de si mesmas, dos desejos e objetivos superficiais ditados pelo ego e lhes deu profundidade, humildade e compaixão. Fez delas pessoas mais reais. Sempre que acontece alguma coisa negativa, há sempre uma lição embutida, embora nem sempre se perceba isso na hora. Uma doença ou um acidente pode mostrar o que há de real ou irreal em uma situação, aquilo que é importante e o que não é.

De uma perspectiva mais elevada, as circunstâncias são sempre positivas. Para ser mais preciso, elas não são positivas nem negativas. São do jeito que são. E quando aceitamos as coisas como são, o “bem” ou o “mal” deixam de existir em nossas vidas. Só o que existe é um bem supremo, que inclui o “mal”. Mas, pela perspectiva da mente, existe o bem e o mal, o igual e o diferente, o amor e o ódio. É por isso que no Livro do Gênesis está escrito que Adão e Eva não tiveram mais permissão para habitar o “paraíso” quando “comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal”.

Lembre-se de que não estamos aqui tratando de felicidade. Por exemplo, quando a pessoa amada acabou de morrer, ou se sentimos a nossa própria morte se aproximar, não podemos nos sentir felizes. É impossível. Mas podemos estar em paz. Pode até haver tristeza e lágrimas, mas, se deixarmos de resistir, conseguiremos perceber uma profunda serenidade por baixo da tristeza, uma calma, uma presença sagrada. Isso é a emanação do Ser, isso é a paz interior, o bem que não tem opositores.

Parece que a maioria das pessoas precisa vivenciar uma grande carga de sofrimento antes de abandonar a resistência e aceitar, isto é, antes de perdoar. Com o perdão, acontece o milagre do despertar da consciência do Ser, através do que aparenta ser o mal: a transformação do sofrimento em paz interior. Todo o mal e todo o sofrimento do mundo vão nos forçar a descobrir quem somos realmente. Assim, aquilo que, de uma perspectiva limitada, percebemos como o mal é, na verdade, parte de um bem maior que não tem opositores. Entretanto, isso só se torna uma verdade através do perdão. Sem ele, o mal permanece como mal.
Através do perdão – que significa reconhecer a falta de consistência do passado e permitir que o momento presente seja como é -, acontece o milagre da transformação, não só no lado de dentro, mas também do lado de fora. Um espaço silencioso de uma presença intensa surge dentro de nós e à nossa volta. Quem quer e o que for que penetre no campo da consciência será afetado, algumas vezes de forma clara e imediata, outras em níveis mais profundos, com mudanças só notadas algum tempo depois. Você dissolve a discórdia, cura o sofrimento, desfaz a inconsciência, sem fazer nada, simplesmente sendo e sustentando essa freqüência de presença intensa.

A impermanência e os ciclos da vida

Enquanto permanecermos na dimensão física e em conexão com a psique humana coletiva, o sofrimento, embora raro, ainda pode acontecer. Não devemos confundi-lo com o sofrimento emocional. Todo sofrimento é criado pelo ego e fruto de uma resistência. Além disso, nessa dimensão, ainda nos sujeitamos à natureza cíclica e à lei da impermanência de todas as coisas, mas já não vemos mais o sofrimento como uma coisa “má”. Ele simplesmente é.

No nível da forma existe nascimento e morte, criação e destruição, crescimento e dissolução de espécies aparentemente independentes. Podemos ver isso em tudo: no ciclo da vida de uma estrela ou de um planeta, em um corpo físico, em uma árvore, em uma flor. Existem ciclos de sucesso, como quando as coisas acontecem e dão certo, e ciclos de fracasso, quando elas não vão bem e se desintegram. Você tem de permitir que elas terminem, dando espaço para que coisas novas aconteçam ou se transformem. Se nos apegamos às situações e oferecemos uma resistência nesse estágio, significa que estamos nos recusando a acompanhar o fluxo da vida e que vamos sofrer. Não é verdade que o ciclo ascendente seja bom e o ciclo descendente seja ruim, a não ser no julgamento da mente. O crescimento é, em geral, considerado positivo, mas nada pode crescer para sempre. Se o crescimento nunca tivesse fim, poderia acabar em algo monstruoso e destrutivo. É necessário que as coisas acabem, para que coisas novas aconteçam.

O ciclo descendente é absolutamente essencial para uma realização espiritual. Você tem de ter falhado gravemente de algum modo, ou passado por alguma perda profunda, ou algum sofrimento, para ser conduzido à dimensão espiritual. Ou talvez o seu sucesso tenha se tornado vazio e sem sentido e se transformado em fracasso. O fracasso está sempre embutido no sucesso, assim como o sucesso está sempre encoberto pelo fracasso. Nossa energia física também está sujeita a ciclos. Não consegue estar sempre no máximo. Teremos momentos de baixa e de alta energia. Em alguns períodos, estaremos altamente ativos e criativos, mas em outros tudo vai parecer estagnado, teremos a impressão de não estarmos indo a lugar nenhum, nem conseguindo nada. Um ciclo pode durar de algumas horas a alguns anos e dentro dele pode haver ciclos longos ou curtos. Muitas doenças são provocadas pela luta contra os ciclos de baixa energia, que são fundamentais para uma renovação. Enquanto estivermos identificados com a mente, não poderemos evitar a compulsão de fazer coisas e a tendência para extrair o nosso valor de fatores externos, tais como as conquistas que alcançamos. Isso torna difícil ou impossível para nós aceitarmos os ciclos de baixa e permitirmos que eles aconteçam. Assim, a inteligência do organismo pode assumir o controle, como uma medida autoprotetora, e criar uma doença com o objetivo de nos forçar a parar, de modo a permitir que uma necessária renovação possa acontecer.

A natureza cíclica do universo está intimamente ligada à impermanência de todas as coisas e situações. Buda fez disso uma parte central de seu ensinamento. Todas as circunstâncias são altamente instáveis e estão em um fluxo constante, ou, como ele colocou, a impermanência é uma característica de cada circunstância, de cada situação com que vamos nos deparar na vida. Elas vão se modificar, desaparecer, ou deixar de proporcionar prazer. A impermanência também é um ponto central dos ensinamentos de Jesus: “Não acumule tesouros na terra, onde as traças e a ferrugem arruínam tudo, onde os ladrões arrombam as paredes para roubar…”

Enquanto a mente julgar uma circunstância “boa”, seja um relacionamento, uma propriedade, um papel social, um lugar, ou o nosso corpo físico, ela se apega e se identifica com ela. Mas nada dura muito nessa dimensão, onde as traças e a ferrugem devoram tudo. Tudo acaba ou se transforma: a prosperidade de hoje se torna o consumismo vazio de amanhã. O casamento feliz e a lua-de-mel se transformam no divórcio infeliz ou em uma convivência infeliz. A mente não consegue aceitar quando uma situação com a qual ela tenha se apegado muda ou desaparece. Ela vai resistir à mudança. É quase como se um membro estivesse sendo arrancado do seu corpo. Buda ensinou que até mesmo a felicidade pessoal é dukka – uma palavra da língua páli que significa “sofrimento” ou “insatisfação”. Ela é inseparável do seu oposto. Significa que a felicidade e a infelicidade são, na verdade, uma coisa só. Somente a ilusão do tempo as separa. Isso não significa uma negatividade. É simplesmente reconhecer a natureza das coisas, para não viver atrás de uma ilusão pelo resto da vida. Nem quer dizer que você não deva mais apreciar os objetos e as circunstâncias agradáveis e bonitas. Porém, usá-los para procurar aquilo que não podem dar – uma identidade, um sentido de permanência e satisfação – é uma receita para a frustração e o sofrimento.

Toda a indústria da propaganda e a sociedade de consumo entrariam em colapso se as pessoas se tornassem iluminadas e deixassem de tentar encontrar as suas identidades através dos objetos. Quanto mais usarmos esse caminho para encontrar a felicidade, mais estaremos nos iludindo. Nada lá fora vai conseguir nos trazer satisfação, exceto por um tempo e de modo superficial. Mas talvez você precise passar por muitas decepções antes de perceber a verdade.

Nada é o que parece ser. O mundo que você criou e vê através da mente pode parecer um lugar bem imperfeito, até mesmo um vale de lágrimas. Mas o que quer que você perceba é somente uma espécie de símbolo, como uma imagem em um sonho. É o jeito pelo qual a sua consciência interpreta e interage com a dança de energia molecular do universo. Essa energia é o material bruto da assim chamada realidade física. Você a vê em termos de corpos e de nascimento e morte, ou como uma luta pela sobrevivência. Existe um número infinito de interpretações diferentes, de mundos completamente diferentes, tudo dependendo do que a consciência percebe. Cada ser é um ponto focal da consciência e cada ponto focal cria o seu próprio mundo, embora todos esses mundos se interliguem. Existe um mundo humano, um mundo das formigas, um mundo dos golfinhos, etc. Existem incontáveis seres cuja freqüência de consciência é tão diferente da nossa que provavelmente não temos consciência da existência deles, assim como eles não têm da nossa. Seres altamente conscientes da ligação que mantêm com a Fonte habitam um mundo que para nós pareceria com um domínio celeste. Mas ainda assim todos os mundos são basicamente um só.

A alegria não tem uma causa e brota dentro de nós como a alegria do Ser. É uma parte essencial do estado de paz interior, conhecido como a paz de Deus. É o nosso estado natural, não algo por que tenhamos de lutar para conseguir. As pessoas, em geral, não percebem que a “salvação” não está em nada do que façam, possuam ou consigam. Aquelas que percebem ficam, muitas vezes, enfastiadas do mundo e deprimidas. Se nada pode lhes dar um verdadeiro prazer, será que resta alguma coisa por que se empenhar? Com que objetivo? O profeta do Velho Testamento deve ter chegado a essa conclusão quando escreveu: “Tenho visto tudo o que se faz debaixo do sol e eis que tudo é vaidade e uma luta contra o vento”. Quando você chega a esse ponto, está a um passo do desespero e um passo mais longe da iluminação.

Todos os males são efeito da inconsciência. Podemos aliviar os efeitos da inconsciência, mas não podemos eliminá-los, a menos que eliminemos sua causa. A verdadeira transformação acontece no interior, não no exterior. Sem uma profunda mudança na consciência humana, o sofrimento é um buraco sem fundo. Se você quiser realmente ajudar, atue no efeito, mas principalmente na causa.

Se quiser impedir que os seres humanos destruam uns aos outros e acabem com o planeta, lembre-se de que, assim como não consegue combater a escuridão, você também não pode combater a inconsciência. Se tentar fazer isso, a oposição polar vai se tornar fortalecida e mais profundamente arraigada. Você vai se identificar com uma das polaridades, vai criar um “inimigo” e será conduzido ao seu eu interior inconsciente. Eleve a consciência ao disseminar a informação, ou melhor, pratique a resistência passiva. Mas tenha a certeza de que você não carrega nenhuma resistência interior, nenhum ódio, nenhuma negatividade. “Ame os seus inimigos”, disse Jesus. O que, obviamente, significa: não tenha inimigos.

Uma vez um monge budista me disse: “Tudo o que aprendi nos vinte anos em que sou monge pode ser resumido em uma frase: Tudo o que surge, desaparece. Isso eu sei”. O que ele quis dizer foi o seguinte: aprendi a não oferecer qualquer resistência ao que é; aprendi a permitir que o momento presente aconteça e a aceitar a natureza impermanente de todas as coisas e circunstâncias. Foi assim que encontrei a paz.

A felicidade que provém de alguma coisa secundária nunca é muito profunda. É apenas um pálido reflexo da alegria do Ser, da paz vibrante que encontramos dentro de nós ao entrarmos no estado de não-resistência. O Ser nos transporta para além das polaridades opostas da mente e nos liberta da dependência da forma. Mesmo que tudo em volta desabe e fique em pedaços, você ainda sentirá uma profunda paz interior. Você pode não estar feliz, mas vai estar em paz.

#espiritualismo

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A Religião dos Índios Brasileiros

Não é fácil definir o sistema religioso dos indígenas do Brasil, primeiro porque se trata de vários povos, com culturas diversas, segundo porque, devido à grande movimentação destes povos pelo vasto território brasileiro, os seus costumes e, portanto, também a sua religião sofreram contínuas e profundas modificações através do tempo.

Os antropólogos admitem em geral que se trata de povos de origem mongólica (mongóis siberianos), que teriam atravessado do estreito de Behring, povoando o continente americano desde o Canadá até a Terra do Fogo. É possível que algumas levas de semitas, talvez de fenícios, tenham navegado até o México, e mesmo que povos da Melanésia tenham abordado a costa do Pacífico, penetrando no interior da América do Sul. Mas trata-se de hipóteses sem fundamento consistente, e, em todo o caso, não foram tão importantes que alterassem de modo sensível a etnia mongólica de nossos indígenas.

As aparentes diferenças de cor da pele e de estatura corporal podem muito bem ser explicadas pelo ambiente em que os nossos indígenas viveram e ao regime alimentar que adotaram. Assim, os indígenas protegidos pela densa floresta conservaram-se mais claros do que os dos cerrados, mais expostos ao sol, e os que se alimentaram de caça se desenvolveram fisicamente mais do que os que só tinham peixe por dieta.

Os etnólogos admitem também quatro grandes áreas culturais: a Andina, que se desenvolveu a partir do Paraná, com intensa agricultura, produzindo a urbanização, a arquitetura, a indústria de tecidos e cerâmica, cujo expoente máximo é o Império dos Incas; a do Círculo das Caraíbas (Antilhas, Colômbia, Venezuela), de agricultura menos intensa e de organização social menos refinada, mas com uma cerâmica expressiva; a da Grande Floresta, com agricultura de subsistência, caça e pesca; a dos Cerrados, a mais pobre culturalmente, caracterizada pela coleta de frutos, raízes, pequenos animais. A arqueologia, por sua vez, admite que os primitivos habitantes da América do Sul se tenham concentrado, primeiramente, em certas áreas verdes das cabeceiras dos grandes rios, e só aos poucos povoaram o resto do continente sul-americano, à medida em que a floresta progredia pelas savanas e pelas margens fluviais. Este fato esclarece até certo ponto que os indígenas da América do Sul, em particular do Brasil, tenham formado desde tempos remotos grandes grupos lingüísticos distintos, pois os primitivos habitantes destas regiões tiveram de viver milênios segregados em suas ilhas verdes, criando costumes próprios. Esclarece igualmente o fato de nos últimos milênios se terem dado a uma grande movimentação pelo território brasileiro, a ponto de o grupo Tupi-Guarani, originário do território da atual Rondônia brasileira, se ter espalhado por todo o território brasileiro atual, desde o Estado do Rio Grande do Sul até o atual Amapá.

Acresce que o estudo da religião de nossos indígenas foi bastante descurado pelos sábios e mesmo frontalmente mal interpretado. Os antigos missionários católicos, no afã de reduzir os indígenas à fé cristã, interpretavam apressadamente as suas figuras míticas nos padrões da teologia católica, identificando, por exemplo, Tupã com Javé e Anhangá com o demônio. De sua parte, os antropólogos modernos, interpretam freqüentemente as crenças dos nossos indígenas dentro de padrões socioeconômicos atuais, que tira todo o sentido original da religião de nossos aborígines.

Os Sistemas Religiosos Indígenas

Desta forma, é muito difícil definir, como foi dito, o sistema religioso de nossos indígenas, e só muito por alto podemos enquadrá-lo nas formas estereotipadas de animismo, totemismo, xamanismo.  Preferimos, por isso, descrever os elementos religiosos que mais chamam a atenção dos estudiosos, sem lhes dar uma interpretação definitiva. No entanto, não podemos deixar de ressaltar os elementos xamãnicos, como a crença em um Ser Superior, de caráter celeste, em espíritos também celestes, que intervêm na vida dos homens e nas atividades do pajé, lembrando de perto as atividades do xamã siberiano (transes extáticos, invocação e domínio dos espíritos).

Os ritos são de tipo socioeconômico (ritos de caça, de pesca, de guerra), notando-se a ausência de um culto especifico a alguma figura divina, a não ser entre os Aruaque e Caraíba, talvez por influência de povos vizinhos, como os Chibcha, de cultura superior.

Resumindo, podemos dizer que os grupos indígenas, que povoaram o Brasil antes do advento dos portugueses, não chegaram a um conceito claro da divindade, menos ainda a cultuar publicamente um deus único, mas certamente tenderam a um monoteísmo implícito na figura de um Ser Superior.

A menor ou maior manifestação deste monoteísmo primitivo está condicionada ao sistema de vida que os diversos grupos tiveram de adotar conforme o ambiente em que viveram: a de simples colhedores, em plena floresta tropical; a de caçadores, nos cerrados; e a de incipiente agricultura nas regiões mais férteis.

A vida errante, a que foram compelidos pelas condições adversas do clima e pelas continuas lutas entre os grupos, impediram a elaboração mais refinada de suas crenças e o desenvolvimento de um culto específico.

 

Grupo Tupi-Guarani

Segundo uma lenda muito antiga, Tupi e Guarani eram dois irmãos que, viajando sobre o mar, chegaram ao Brasil e com seus filhos povoaram o nosso território; mas um papagaio falador fez nascer a discórdia entre as mulheres dos dois irmãos, donde surgiram a desavença e a separação, ficando Tupi na terra, enquanto Guarani e sua família emigraram para a região do Prata.

No entanto, a pesquisa científica afirma que o grupo Tupi-Guarani é originário da região hoje chamada de Rondônia, donde o ramo Guarani emigrou para o sul, penetrando no Paraguai, enquanto o ramo Tupi penetrava no Brasil, estendendo-se por todo o seu litoral, desde o Rio Grande do Sul até o atual território do Amapá.

Esta notável movimentação dos Tupi-Guarani prende-se à busca de uma espécie de Paraíso, onde os homens poderiam refugiar-se quando chegasse o fim do mundo, e que estaria colocado na direção leste, além do grande mar (Atlântico). Por isso, cada vez que a situação se tornava calamitosa, os Tupi, sob o comando de um pajé ou de um profeta, empreendiam a longa caminhada em busca da “terra-sem-mal”. O Mito, recolhido entre os Apapocuva, guaranis originários do Mato Grosso mas estabelecidos no Estado de São Paulo, diz o seguinte: Nyanderuvusu, “nosso pai grande”, ser principal da mitologia apapocuva, criou o mundo e a primeira mulher, Nyandesy, “nossa mãe”, que concebeu dois gêmeos, mas foi devorada por uma onça, que respeitou as duas crianças, Nanderykey e Tyvyry, identificados com o sol e a lua. Nyandesy sobrevive na “terra-sem-mal”, onde os homens vivem eternamente felizes. Pode-se pensar em uma influência da escatologia cristã, mas o mito motivou já antes da vinda dos portugueses as grandes emigrações do grupo Tupi-Guarani.

Como se vê neste mito, a concepção de um Ser Supremo não é muito clara, mas muitos outros mitos falam de um formador do mundo (da terra, do sol, da lua, dos homens, dos animais…) e fundador dos costumes humanos, de modo que não se pode duvidar da crença geral em um monoteísmo implícito. Muitas vezes o Ser Supremo dá existência, diretamente ou por meio de uma “Grande Mãe”, a dois gêmeos, que assumem as funções de “heróis civili- zadores”, identificados, como vimos acima, com o sol, a lua. Aliás, o solarização (fenômeno da identificação do Ser Supremo com o sol) é uma constante em toda a mitologia dos indígenas brasileiros.

Entre os Mundurucu, tupis do Tapajós, Caro Sacaibu é um deus criador onisciente e herói civilizador, pois ensinou aos homens a caça e a agricultura. Maltratado pelos mundurucu retirou-se ao mais alto do céu, onde se confunde com a cerração. No fim do mundo, queimará os homens no fogo. Mas é benévolo e atende as preces dos que a ele recorrem (antes da caça, da pesca, nas doenças). Castiga os maus e acolhe benignamente os bons.
Entre os Tupinambás (Estado da Bahia), Monan é um Ser Superior que criou o céu, a terra, os pássaros, os animais. Mas os homens mostraram-se maus e, por isso, Monan enviou Tatá (Tatá-manha = Mãe-Fogo) que consumiu tudo. Só se salvou Irin-Magé, que Monan tinha levado ao céu, e que se tornou o “herói civilizador” da nova geração de homens, com o nome de Maire-Monan, do qual descende Sumé, o grande pajé, que gerou os dois gêmeos Tamendonaré (Tamandaré) e Aricute, que se odiavam de morte, donde a constante rivalidade entre as duas tribos que deles descendem, Tupinambá e Tomimi.

Segundo Couto de Magaiháes (O Selvagem, 1874), os Tupi faziam descender de um Ser Superior antigo as três grandes divindades: Guaraci, o sol; Jaci, a lua; e Ruda, o amor. Guaraci criou os homens e dominava sobre as seguintes entidades sobrenaturais: Guairapuru,protetor dos pássaros; Anhangá protetor da caça dos campos; Caapora, protetor da caça da floresta. Jaci criou os vegetais e dominava sobre as seguintes entidades sobrenaturais: Saci Cererê, espírito zombeteiro; Mboitatá, a serpente de fogo; Urutau, pássaro de mau agouro; Curupira, guardião da floresta. De Ruda, guerreiro que reside nas nuvens, dependem Cairê, a lua cheia, e Catiti, a lua nova.

Infelizmente, os sábios deram em geral mais atenção aos costumes dramáticos dos indígenas do que aos seus ritos secretos, do que resulta conhecermos muito bem os costumes canibalescos dos Tupi, mas muito pouco as suas verdadeiras crenças religiosas.

No entanto, uma coisa é certa: Os Tupi-Guarani possuíam na figura do pajé um elemento religioso de primeira plana, como o xamã dos mongóis siberianos. Estruturalmente, o fenômeno é o mesmo: assim como o xamã siberiano, o pajé é ao mesmo tempo médico, sacerdote, psiquiatra, pois ele cura, dirige as preces, aconselha, empregando não só ervas medicinais como também o transe extático, no qual entra em contato com os espíritos em benefício de seus clientes. Notemos que o pajé não se deixa possuir dos espíritos, como no Candomblé africano, mas, como no xamanismo siberiano, apossa-se dos espíritos e às vezes sai em busca da alma do enfermo, que o abandonara, causando-lhe o estado doentio, para fazê-la retornar ao corpo e restituir-lhe a saúde.

Certamente, podemos encontrar entre os pajés a esperteza dos charlatães e a maldade dos feiticeiros, mas estes elementos são antes deturpações do verdadeiro significado da pajelança, pois esta tem por intento precípuo ajudar o indígena em suas aflições.
Outro elemento típico do xamanismo é a crença na “alma” humana, como entidade espiritual, a qual não se extingue com a morte corporal, mas, transformando-se em “anguera”, empreende uma longa viagem em busca da “terra-sem-mal”.

Afora os ritos de dança, que serviam para comemorar todos os acontecimentos sociais, como o casamento, a guerra, a morte, o que mais impressionou os antigos autores foi o “canibalismo ritual” dos Tupi-Guarani. Referimo-lo aqui para esclarecer que não se trata de um fenômeno religioso, como acontece entre os Astecas, mas de um rito puramente social, muitas vezes ligado ao rito da iniciação dos jovens guerreiros, os quais, sacrificando um prisioneiro, mostravam a sua maturidade tribal.

Aliás, alguém já sustentou que o canibalismo é um fenômeno socioeconômico, pois aparece sempre onde falta a caça abundante para suprir o grupo de proteínas. De fato, nas Américas o fenômeno está mais ou menos restrito aos Astecas, que não dispunham de grande caça, e aos Tupis, que se estendiam pelo litoral brasileiro.

Grupo Gé (Tapuias)

Outro grande grupo de indígenas do Brasil é o chamado grupo Gê, constituído pelos indígenas que habitavam o planalto brasileiro, desde o Estado de São Paulo até o Pará.  Culturalmente, era o mais atrasado, pois vivia da coleta de frutos, da pesca, da caça e só esporadicamente, por influência dos Tupi, praticavam uma agricultura de subsistência. Em conseqüência, os seus utensílios caseiros eram os mais primitivos e pobres.

O nome Gê quer dizer: chefe – pai – ascendente, enquanto o nome Oran, que também é dado a este grupo, significa: filho – descendente. Os Tupi chamavam-no de Tapuia, que quer dizer: inimigo.

Quanto à religião, podemos encontrar a idéia generalizada de um Ser Supremo, muitas vezes com características de herói civilizador, e não raro identificado com o sol.  Assim, os antigos Aimorés, estabelecidos no Estado do Espírito Santo, acreditavam no “pai de cabeça branca” (Yekankreen Yrung), que habitava no céu. Nunca fora visto, a não ser por alguns homens da era primitiva. Era benévolo e invocado pelo pajé em casos de doença e caristia com cantos e preces, intervindo nas coisas humanas por meio dos “maret” (espíritos), de que se achava cercado. Punia os maus, mandava a chuva, matava os inimigos com flechas, produzia as fases da lua etc.

Os Apinagé, do rio Tocantins, cultuavam o sol, que era objeto de preces e de danças nas ocasiões do plantio e da colheita. Era o autor da organização dual da tribo. Era representado pela forma circular com que a aldeia era construída, pela cor vermelha com que os guerreiros se pintavam. Ao lado do sol, estava a lua, e ambos criaram os antepassados dos Apinagé, mas em grupos separados, e por isso ao norte da vida ficavam os homens do sol e no sul os homens da lua. Também entre os Xavantes se encontra o culto do sol, que é chamado “nosso criador”. O mesmo entre os Canela e os Xerente.

São numerosos os mitos sobre o sol, a lua e o dilúvio, bem como a atividade dos irmãos gêmeos.

É geral, igualmente, a crença nas almas dos homens, dos animais, das plantas etc. As almas dos homens não sobem ao céu, depois da morte, mas vivem na terra, nos lugares em que os corpos foram enterrados, transformando-se em outros seres ou em fantasmas.

Os ritos são mais simples do que entre os Tupi, mas não faltam os ritos de passagem e os funerários.  Os pajés têm funções semelhantes como entre os Tupi, curando doenças com ervas, mas também com transes extáticos, nos quais vão em busca da alma que abandonou o enfermo.

Grupo Aruaque

 

Ao norte do Brasil, encontramos o grupo Aruaque (arwak), oriundo da Venezuela e das Guianas. Essencialmente agrícolas, atribui à lua, astro por excelência das culturas agrícolas, característica de força cósmica, impessoal, existindo antes de todas as coisas e manifestando-se por uma série de emanações. Na origem, porém, está o ar, que assopra nas nuvens provocando a chuva e fecundando a terra. Reina sobre os homens, punindo-os com os elementos desencadeados. Não é invocando pessoalmente, mas por meio dos seres intermediários: vento, fogo, terremoto, trovão… Assume vários nomes e mesmo funções diversas, segundo os vários povos do grupo aruaque. Nas margens do rio Negro, tem o nome de Poré; entre os Maipuri, chama-se Puramínari; entre os Waica, do curso superior do Orinoco, chama-se Omana etc. Entre os Pareci do Mato Grosso, tem o nome de Enoré e entre os Nambiquara, é o Trovão.

São numerosos os mitos que se referem aos elementos agrícolas, como o aparecimento da mandioca.

Mas o mito característico deste grupo é o do Jurupari (aruaque do rio Negro). Jurupari (nascido junto ao rio) foi concebido por uma mulher assexuada depois que ela tomou caxiri (licor de mandioca), e nasceu quando a mulher foi mordida por um peixe enquanto se banhava. Cresceu rapidamente e, adulto, convida todos a beber caxiri, mas como as mulheres não o quisessem preparar, amaldiçoou-as. E como os seus filhos tivessem comido do fruto da árvore uacu, que lhe era consagrada, devorou-os todos. Irritados, os homens aprisionaram-no e atearam-lhe fogo, mas das cinzas nasceu a palmeira paxiuba, de cujos ramos (seus ossos) os homens fizeram flautas, que não podem ser vistas pelas mulheres, sob pena de morte. Este mito tem importância capital nos ritos de iniciação e representa o domínio dos homens sobre as mulheres.

 

Grupo Caraíba

Os Caraíba estão estabelecidos no Estado do Pará à margem esquerda do Amazonas, com alguns grupos disseminados ao longo do rio Madeira (Arara) e outros nas cabeceiras dos rios Tapajós e Xingu (Nahuque e Bacairi).

Inserido no território dos Gê, existia ainda o grupo Pimenteira. O núcleo originário, porém, está nas Guianas e na Venezuela.  Adversários implacáveis dos Aruaque, os Caraíba adotaram, porém, muitos de seus costumes, inclusive a religião.

A idéia de um Ser Supremo é muito difusa entre os diversos povos deste grupo, com tendência ao henoteísmo, ou seja, ao culto de uma divindade determinada com sentido de único deus, sem descartar-se das outras divindades.

Entre os Arikens, do Pará, o Ser Supremo é Purá, identificado com o sol, enquanto o seu companheiro, Murá, se identifica com a lua. Ambos moram na montanha do céu, donde observam todas as coisas: não morrem, não envelhecem, não têm pais nem parentes. Purá criou os homens, esculpindo-os em madeira. Fê-los imortais, mas como não quiseram seguir suas ordens, foram consumidos por um incêndio, do qual só poucos escaparam. Sobre estes, Purá mandará no fim do mundo um incêndio total.

Para os Caraíba do Suriname (Guiana Holandesa), a divindade central é Amana, deusa-mãe, virgem, com cauda de serpente. É o símbolo do tempo e a raiz de todas as coisas: não nasceu, nem morre, porque se renova constantemente. Gerou dois gêmeos: um na aurora, Tamusi, e outro no crepúsculo, Yolokan-tamulu. Tamusi criou todas as coisas boas, é o antepassado dos Calma, mora na luz fria da lua, é o senhor do Paraíso, ao qual vão os bons, que, porém, não o poderão contemplar por causa de seu esplendor. Tamusi combate todas as forças negativas. Yolokan-tamulu (yolokan = natureza; tamulo = avô) é o senhor dos espíritos da natureza, criou a escuridão e o mal, mora no deserto do céu, em uma ilha chamada “país-sem-manhã”: não é propriamente o opositor do bem, mas a face destruidora da natureza.

Os Caraíba do rio Barama, ao norte das Guianas, crêem em um “deus ocioso”, cujo nome é ignorado. É o criador do universo, teve trato com os homens, mas depois afastou-se deles. Seu auxiliar, Komakoto, intervém no universo e nas coisas humanas.

Os Caraíba das nascentes do Xingu crêem no “senhor dos animais”, Kagatopuri, que é a mais sutil das almas humanas, a qual, separando-se do corpo pela morte, tornou-se um espírito (kadopa) e, depois de longa peregrinação, chegou à vila do herói civilizador Nakoeri, transformando-se então em “iamura” (verdadeiro senhor dos animais).

Os ritos agrícolas são numerosos: danças com sentido orgiástico, oferta de bebidas inebriantes (caxiri) etc. Há também ritos de caça, com danças de máscaras, que representam os espíritos dos animais.

Mas a figura central é o pajé, cuja função exige treinamento ascético, técnicas de êxtase, contato com o mundo celeste, conhecimento das ervas medicinais etc. Até o vôo extático, que é próprio do xamanismo siberiano, encontra-se na pajelança dos Caraíba.  Os mitos são também numerosos, principalmente com referência aos irmãos gêmeos, Keri e Kame, nomes de origem aruaque, significando sol e lua. São heróis civilizadores.

Mas o mito mais notável é o de Macunaíma, deus criador dos Macuxi, Arecuna, Acavais, da Venezuela. Macunaíma quer dizer, literalmente, “aquele que trabalha bem à noite”. Para vingar a mãe, morta por uma onça, mete-se em muitas aventuras, transformando-se em herói astuto e desinibido.

Afora estes quatro grandes grupos lingüísticos, há outros grupos menores, como os Borôro do Mato Grosso e os Caigangues do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os quais, porém, afinam mais ou menos pelas mesmas idéias religiosas e pelos mesmos ritos.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-religiao-dos-indios-brasileiros/

Arrebatamento e a Experiência Religiosa

“Você realmente acredita que um dia você vai ser julgado?”

Relato do meu colega Rodrigo Ferreira.

Há uns poucos meses atrás assisti a um vídeo que consistia num trecho de um sermão de um pastor de uma igreja batista dos Estados Unidos. O vídeo era muito bem editado, com efeitos visuais de qualidade e tudo o mais, e o sermão do pastor muito bem executado. A entonação da voz, os recursos visuais, tudo colaborando para alcançar certas reações no expectador. Eu não sei bem o que eu estava fazendo assistindo aquele vídeo, mas quando eu ligo o computador e acesso a internet normalmente é assim que funciona: eu começo com uma página e vou navegando… Em algum ponto eu já estou com mais de 20 páginas abertas sem fazer a menor ideia do que eu estava querendo em primeiro lugar.

Antes de continuar meu relato preciso esclarecer: não sou cristão, não sou sequer religioso e só não sou ateu porque acho um pouco demais afirmar que Deus não existe considerando o pouco que sei sobre o que há lá fora. Então não esperava que minha reação ao vídeo fosse nada além do usual “Ai, quanta bobagem… Isso não faz o menor sentido.”

Comecei, então, a assistir ao vídeo muito cético e qual não foi a minha surpresa quando, mais ou menos no meio do vídeo, comecei a me debulhar em lágrimas. Eu chorava feito uma criança, soluçante, as lágrimas descendo pelo meu rosto copiosamente e cada nova frase do pastor me fazia chorar mais.

Por alguma razão parecia que aquele choro estava entalado em mim há muito tempo e devia ter muita coisa contida porque eu não conseguia parar de chorar. Mesmo depois do término do vídeo eu continuei chorando. Se você perguntar por que eu chorava, eu simplesmente não sei responder, mas sentia como se algo muito maior do que eu tivesse me acertado em cheio e feito transbordar em mim um sentimento de pequenez para o qual a minha única reação era me encolher e chorar. Eu pensava nas mazelas do mundo e chorava; eu pensava na vida e chorava; eu pensava em mim mesmo e nas pessoas que eu amo e chorava. Era um choro de felicidade, misturado com um choro de deslumbramento… Era um choro de arrebatamento. Eu me sentia, de fato, arrebatado. Tomado por algo muito maior do eu e posto frente a frente com a minha insignificância.

Provavelmente, se eu estivesse em uma igreja ouvindo o sermão, ao invés de estar em casa sentado na frente do meu computador, eu seria recolhido para o grupo dos “tocados pelo Espírito Santo”. Mas ao invés de ir procurar um líder religioso de qualquer natureza, fui ao encontro de um grande amigo meu que acredita em Deus, mas que tem um senso crítico muito apurado, uma clareza mental que eu admiro muito e que me conhece muito bem. Eu pensei “Se tem alguém que pode me ajudar a colocar a cabeça no lugar, é ele”. Fui andando pela rua em direção a casa dele ainda chorando. Eu já nem me lembrava do vídeo exatamente, mas as portas estavam abertas, minhas guardas foram suspensas e eu estava completamente vulnerável. Chorando sem parar no meio da rua, no melhor estilo novela mexicana eu seguia andando em direção a casa do meu amigo com um questionamento na cabeça “Será que eu sou Cristão sem saber?”.

Agora eu faço uma pausa no meu relato pra me explicar: não quero parecer nem extremamente idiota e nem extremamente cético. Não gosto de extremos, acho sempre que o bom caminho é o do meio. Pois bem, quando eu disse que não sou religioso, isso não quer dizer que religiões não me interessam. Pelo contrário, me interessam e muito. Todas as questões existenciais profundas que as religiões procuram responder são questões que também ocupam bastante a minha cabeça, só que eu nunca encontrei até hoje uma religião que as responda de uma forma suficientemente satisfatória para mim. Algumas respostas até me satisfizeram durante certo tempo, mas não demorou muito para que elas se juntassem ao monte de verdades não tão verdadeiras assim. O fato é que eu nunca cheguei a sentir que eu estava certo de nada. Talvez a busca por certezas seja a busca errada, mas isso é papo pra outra reflexão… Enfim, o que quero dizer é que eu não sou tão cético assim a ponto de achar que não existe nada metafísico por aí, mas também não sou tão idiota a ponto de acreditar em qualquer fantasma de lençol.

Alguma coisa naquele vídeo me acertou em cheio por alguma razão e o meu amigo me ajudou a vislumbrar o que poderia ser. Quando cheguei à casa dele, sentei-me ao sofá e contei o que havia acontecido. Eu falava ainda chorando, na expectativa de que depois de me ouvir ele me dissesse algo que fizesse sentido, porque o que eu tinha vivenciado até então não fazia muito.

— Você tem consciência de que este tipo de material é feito exatamente com o objetivo de provocar esta reação nas pessoas? — ele disse.

Eu parei de chorar e pensei por uns instantes.

— Não sei… Acho que não. Quero dizer, eu achei que tinha assim que comecei a assistir ao vídeo, mas aí eu comecei a chorar e esqueci-me disso.

— Pois é, mas você sabe que conhecer o processo não te torna imune a ele, não é mesmo?

— É, eu acho que acionando os gatilhos certos, mesmo que nós conheçamos os gatilhos não dá pra evitar a reação. — minha cabeça começava a voltar para o lugar certo.

— Exatamente. Olha, se você me disser que essa sua reação ao vídeo realmente fez você sentir algo pelo que você estaria disposto a mudar a sua vida, a forma como eu vou tratar isso vai ser outra completamente diferente, mas eu duvido que este seja o caso…

— É, acho que concordo com você, mas… Mas você viu o vídeo? Você não sentiu nada?! Quer dizer, eu já vi vídeos assim e eu nunca reagi desta forma.

— É, mas você nunca havia visto vídeos deste tipo em inglês, né?

— É, acho que não. Você quer dizer que pelo fato do vídeo ser em inglês ele pode ter me acessado de uma forma diferente que as mesmas coisas ditas em português?

— Também. O fato é que o vídeo é criado exatamente com este intuito. Essas pessoas são treinadas para colocar outras pessoas exatamente neste estado em que você se encontra. Elas não fazem isso por acaso, elas sabem o que estão fazendo e fazem muito bem.

— Entendi.

— Assista ao vídeo de novo e me diga o que você sente, ok?

— Tá.

Um pouco hesitante, assisti novamente ao vídeo. Confesso que ainda senti alguma coisa, mas não com a mesma intensidade que antes. Não senti vontade de chorar. Minha cabeça já estava enxergando as coisas através de outro prisma.

— Você percebeu sobre o que é o vídeo? — meu amigo acrescentou assim que terminei de assistir.

— É… Não sei. Várias coisas, né?

— Não, este vídeo é sobre Julgamento Final. Agora, a pergunta interessante é: você realmente acredita que um dia você vai ser julgado?

Fiquei em silêncio refletindo durante algum tempo.

— Sei lá, parece que sim…

Fiquei mais um pouco lá na casa dele vendo uns vídeos besteirol no Youtube pra me distrair e voltei pra casa com a questão na cabeça. Será que eu realmente acredito que um dia serei julgado?

Aqui cabe uma diferenciação entre crença ostensiva e crença oculta, uma teorização minha, muito incipiente e baseada unicamente nas minhas próprias reflexões. Se alguém já escreveu sobre isso, eu ainda não li o suficiente pra saber.

Vou pegar emprestada a definição de “crença” do Houaiss:

Crença: sub. fem. ato ou efeito de crer. 1) estado, processo mental ou atitude de quem acredita em pessoa ou coisa. 2) fé, em termos religiosos. 3) convicção profunda. 4) opinião manifesta com fé e grande segurança.

A crença exite na esfera mental e se manifesta no domínio físico observável através das atitudes das pessoas. Sabemos que muitos dizem acreditar em certas coisas, mas não agem de acordo, então também é possível que alguém diga não acreditar em algo, mas aja como se acreditasse. Presumindo que são as crenças pessoais íntimas que norteiam as atitudes de uma pessoa, alguém que ostente uma crença, mas tenha atitudes em desacordo com esta, tem também uma crença oculta, ou seja, não ostensiva, que é mais verdadeira do que que a crença ostentada, já que é essa crença oculta que norteia as atitudes daquela pessoa. Essa crença oculta pode ser oculta somente para os outros, mas muito clara para a pessoa, que esconde conscientemente sua crença, seja lá por quais motivos. No entanto, esta mesma crença pode estar ocultada até mesmo do próprio crente, que não faz a menor ideia de que crê no que crê, até que algo aconteça e ele tome uma atitude automática que seja concordante com a crença oculta e esta se torne de algum modo evidente. Naturalmente, uma crença ostensiva pode estar de acordo com as atitudes, isto é o que se espera. Neste caso temos uma crença consistente por se manter coerente em face as atitudes daquele que a sustenta. No caso de crença e atitude discordantes, temos, analogamente, uma crença inconsistente.

Devemos entender essas relações entre crenças e atitudes como algo fluido e em perpétuo movimento. As crenças de uma pessoa mudam no decorrer da vida e as atitudes de alguém também são afetadas por outros fatores que não unicamente as crenças do ator. Minha análise equivale a análise de uma fotografia, que é uma paralização no fluxo usual do tempo. Do mesmo modo que analisar uma fotografia não implica na compreensão do tempo, minha análise não tem a pretensão de ser capaz de avaliar a complexidade do sistema de crenças humanas, mas me serve na compreensão deste caso pessoal em particular.

O que ocorreu comigo foi que eu me deparei com uma de minhas crenças ocultas. Assim como a pessoa que se diz supersticiosa e se desespera ao ver um chinelo virado, eu me professo não religioso, não cristão, mas acredito sim, em algum grau, que pode ser muito mais relevante do que eu imagino, que um dia serei julgado por Deus, ou por algo muito maior do que eu, que sabe tudo o que faço e o que penso o tempo todo.

A principal questão que surge a partir desta constatação é: que controle eu tenho sobre o que eu mesmo acredito?

Sinceramente, eu não sei. E acho que esta é uma daquelas perguntas que serão sempre perguntas. Algumas coisas simplesmente não tem resposta, ou não tem apenas uma resposta. Talvez a busca por certezas seja mesmo uma busca errada, mas, como eu já disse, isso é papo para outro reflexão.

Rodrigo Ferreira é programador visual e estudante de psicologia.

#Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arrebatamento-e-a-experi%C3%AAncia-religiosa

O Sagrado Feminino

Durante os milênios da supremacia patriarcal, refletida nos valores espirituais, culturais, sociais, comportamentais e amparada pela hierarquia divina masculina, foi negada e reprimida qualquer manifestação da energia feminina, divina e humana. Resultou assim em uma cultura exclusiva e destrutiva, centrada na violência, conquista e dominação, com o conseqüente desequilíbrio global atual. Os homens – como gênero – não foram os únicos responsáveis pelas agressões e atitudes extremistas a eles atribuídas; a causa pode ser atribuída à maneira pela qual a identidade masculina foi criada e reforçada pelos modelos e comportamentos de “heróis” e “super-homens”. Fundamentados em seus direitos “divinos”, outorgados inicialmente por deuses guerreiros e depois reiterados pela interpretação tendenciosa dos preceitos bíblicos, os homens foram inspirados, instigados e recompensados para desconsiderar e deturpar as milenares tradições matrifocais e os cultos geocêntricos. Em lugar de valores de paz, prosperidade e parceria igualitária, foram instaurados princípios e sistemas de conquista, exploração e dominação da Terra, das mulheres, crianças e de outros homens.

Pela sistemática inferiorização e perseguição da mulher, o patriarcado procurava apagar e denegrir os cultos da Grande Mãe, interditando os seus rituais, “demonizando” e distorcendo seus símbolos e valores. A relação igualitária homem-mulher foi renegada, a mulher declarada um ser inferior, desprovido de alma, amaldiçoado por Deus, responsável pelos males do mundo e por isso destinada a sofrer e a ser dominada pelo homem. Os princípios masculino e feminino – antes pólos complementares da mesma unidade – foram separados e colocados em ângulos opostos e antagônicos. Enalteceu-se o Pai, negou-se a Mãe e usou-se o nome de Deus para justificar e promover o código patriarcal, a subjugação e exploração da Terra e das mulheres. A tradição, os cultos e a simbologia da Deusa foram relegados ao ostracismo e paulatinamente caíram no esquecimento. Patriarcado e cristianismo se uniram na construção de uma sociedade hierárquica e desigual, baseada em princípios, valores, normas, dogmas religiosos, estruturas sociais e culturais masculinas.

As últimas décadas do século passado proporcionaram uma gradativa mudança de paradigmas nas relações e nos conceitos relativos ao masculino e feminino. No entanto, para que este avanço teórico se concretize em ações e modificações comportamentais e espirituais, é imprescindível reconhecer a união harmoniosa e complementar das polaridades e procurar novos símbolos e rituais para o seu fortalecimento e equilíbrio. Com o surgimento progressivo de uma dimensão feminina da Divindade na atual consciência coletiva, está sendo fortalecido o retorno à Deusa e a revalorização do Sagrado Feminino.

Somos nós que estamos voltando à Deusa, pois Ela sempre esteve ao nosso lado, apenas oculta na bruma do esquecimento e velada pela nossa falta de compreensão e conexão com seu eterno amor e poder.

A principal diferença entre o Pai patriarcal, celeste e a Mãe cósmica e telúrica universal é a condição transcendente e longínqua do Criador e a essência imanente e eternamente presente da Criadora, em todas as manifestações da Natureza.

A redenção do Sagrado Feminino diz respeito tanto à mulher quanto ao homem. Ao esperar respostas e soluções vindas do Céu, esquecemos de olhar para baixo e ao redor, ignorando as necessidades da nossa Mãe Terra e de todos os nossos irmãos de criação. Para que os valores femininos possam ser compreendidos e vividos, são necessárias profundas mudanças em todas as áreas: social, política, cultural, econômica, familiar e espiritual. Uma nova consciência do Sagrado Feminino surgirá tão somente quando for resgatada a conexão espiritual com a Mãe Terra, percebida e honrada a Teia Cósmica à qual todos nós pertencemos e assumida a responsabilidade de zelar pelo seu equilíbrio e preservação.

O reconhecimento do Sagrado Feminino deve ser uma busca de todos, porém cabe às mulheres uma responsabilidade maior, devido à sua ancestral e profunda conexão com os arquétipos, atributos, faces, ciclos e energias da Grande Mãe.

Uma grande contribuição na transformação da mentalidade do passado e na expansão atual da consciência coletiva são os encontros de homens e mulheres em círculos e vivências comunitárias, para despertar e alinhar mentes, corações e espíritos em ações que visem a cura e a transmutação das feridas da psique, infligidas pelo patriarcado. Apaziguar a si mesmo, harmonizar seus relacionamentos, vencer o separatismo, reconhecer e honrar a interdependência de todos os seres, evitar qualquer forma de violência, dominação, competição ou discriminação são desafios do ser humano contemporâneo, no nível pessoal, coletivo e global. Incentivando a parceria entre os gêneros e a interação dos planos energéticos (celeste, telúrico, ctônico) criam-se condições que favorecem a expansão da consciência individual e contribuem para a evolução planetária.

#SagradoFeminino

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-sagrado-feminino

Manifesto à Criatividade

O Manifesto à Criatividade é um texto de poder.

Ele pode ser usado como um ritual para acessar o poder criativo pessoal ou universal, pode ser usado para abertura do círculo, como uma forma de oração, para invocar a energia criativa para manifestações artísticas. Ler todos os dias de manhã, antes de iniciar um trabalho, antes de dormir, cabe a você experimentar, ousar e acima de tudo ser criativo.

Leia, declame, vibre, musique.

Mãos à obra, a Grande Obra !

– Qual é o seu maior sonho?

– Uma Ferrari Roxa.

– Como assim uma Ferrari roxa? Não existem Ferraris roxas.

– Viu? O mundo te moldou de tal forma que até mesmo seus sonhos estão industrializados, formatados, pré-moldados, em módulos prontos e de fácil digestão. Quando foi que viramos consumidores até de Sonhos? Por que sonhamos como quem vai ao supermercado ao invés de sonhar como uma criança com uma lata de tinta?

Criar é o mais belo atributo humano. Sua mais elevada capacidade. O ato de criar desperta nossa consciência Divina, quase sempre dormente soterrada por uma vida em piloto automático.

É difícil dizer se a criatividade vem de cima para baixo, ou de baixo para cima. Imagino que no final das contas talvez ela seja como um raio. Um relâmpago, ora de uma ponta, ora de outra, mas que quando corre, tem proporções colossais, unindo Céu e Terra, trazendo lampejos de luz na escuridão

O mundo carece de pessoas criativas.

E não estamos falando de reinventar a roda. Falamos, sim, da decisão consciente de buscar, não a solução mais fácil, simples ou encontrada na primeira página de resultados do Google.

Falamos de soluções criativas, de atitudes criativas.

E o que é uma solução criativa ?

A solução criativa é além do óbvio. É uma solução inteligente e ecológica. É ir além do que se apresenta e saber conceder e exigir na medida certa para encontrar uma síntese entre a tese e a antítese. Inteligente é se valer de forma diligente de todo o conhecimento e experiência adquirido, lendo e reescrevendo o que possa ser útil, criando e recriando. Ecológica é a solução que é energeticamente benéfica para todos.

A solução criativa é ativa e reativa. É um estado de espirito que existe para responder um problema existente, mas também busca transformar o meio antes que uma crise se instale. Propõe soluções para problemas que nem sabíamos que existiam.

É a integração entre inspiração, reflexão, sentir e manifestar.

Quando criamos, mudamos o mundo e a nós mesmos. Não existe mão única, sentido obrigatório ou contra-mão.

A Criatividade pode ser treinada e desenvolvida. Tal qual um músculo, precisa de estímulo e repouso adequados e, quando deixada por si mesma, vai sempre regredir a um estado natural.

Sejamos criativos, loucos e novos. Transformemos o mundo, ouçamos a musa e moldemos nosso mundo. É trabalhoso. Estamos desacostumados. Pode até ser difícil no começo, mas nada do que realmente vale à pena é fácil no início.

Se pudéssemos escolher viver em um mundo mais criativo ou menos criativo o que escolheríamos? Não é uma decisão difícil.

Mas nós podemos escolher. Basta escolher criar. O mundo tem críticos demais, analistas demais, estudiosos demais.

Precisamos de mais artistas, música, desenhos, textos, projetos, poemas, filmes, romances e soluções.

A criatividade às vezes bate à nossa porta, e por isso devemos deixar nossas portas abertas.

Às vezes devemos ir até ela e encontrar sua porta já aberta. Mas se estiver fechada, devemos bater, chamar e insistir.

Insista. Seja criativo até diante de sua falta de criatividade. Nada é permanente. Se permita escrever um texto mediano, leia-o novamente e encontre novas palavras. Encontre novas idéias. Encontre outras respostas. Novas notas, melodias e rimas. Permita-se questionar e melhorar, transforme e recrie o mundo. Seja mais, queira mais, ouse mais.

Arrisque-se. Saia do coro da platéia e suba no palco da vida.

A criatividade é mágica, e a Magia é a suprema criatividade. Por inspiração ou treino, exige do praticante que repense todo o seu universo de acordo com uma nova visão e a manifeste.

Não se acomode em sua passividade. Não se contente em ser leitor. Não passe o resto da sua vida, apertando F5, atualizando a página do facebook e dando refresh na sua caixa de entrada de emails.

Agora esqueça esse texto.

E escreva o seu.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/manifesto-%C3%A0-criatividade

Asmodeus – Adornado em Chamas

7 Aconteceu que, precisamente naquele dia, Sara, filha de Raguel, em
Ecbátana na Média, teve também de suportar os ultrajes de uma serva

de seu pai.

8 Ela tinha sido dada sucessivamente a sete maridos. Mas logo que eles  5
se aproximavam dela, um demônio chamado Asmodeu os matava.

9 Tendo Sara repreendido a jovem criada por alguma falta, esta
respondeu-lhe: Não vejamos jamais filho nem filha nascidos de ti sobre
a terra! Foste tu que assassinaste os teus maridos.

Livro de Tobias (3: 7-8-9)

asmodeus1Os três Sacerdotes do Templo de Satã, dedicam esse texto como uma homenagem a ti, Katlyn Babalon, nossa Musa do Apocalipse 

Parabéns e aprecie, e relembre tudo que Asmoday já te trouxe.

Quando falamos de demonologia, um dos principais nomes, é Asmodai, o trigésimo terceiro demonio da goetia, tão famoso por ter construído o templo de Salomão. Eu comecei a trabalhar com ele, no meio de 2008 e de lá pra cá, comecei a passar pra outras pessoas, sobre ele, e sobre como trabalhar com este demônio. Afinal, o inferno é free pass ? Ou não ?

Senhor de toda a Luxuria, ASMODAI, ASMODEUS, ACHENEDAY, SIDONAI, ASHMODAY, ASMODÉÉ, é o mais sedutor de todos os demônios, sem duvida alguma, por causa de seus domínios, acaba aprisionando os incautos em teus jogos de possessão. Ele é alimentado com álcool puro, fluidos sexuais, jóias masculinas, Absinto, maçã, enxofre, pimenta (todos os tipos) velas vermelhas e todos os incensos afrodisíacos podem ser dedicados á ele. Além de luxuria, ele trabalha fornecendo sabedoria, riquezas, une e desune casais, mata destrói, enlouquece, é um senhor da Loucura,  acendendo ou apagando paixões, causando dor e sofrimento, tornando homens ignorantes, perturbando-os.

É o senhor da Ira, do Caos.

Cuida também de virilidade, dando ou retirando de um homem, e de fertilidade, regendo a sensualidade, os jogos, o adultério, a homossexualidade, discórdia, engano. Um dos demônios mais intensos que já convoquei.

Em uma das minhas brincadeiras, eu e uma amiga, convocamos ele, ao meio da madrugada, na praia vazia, somente para acender a paixão de duas pessoas para nós. Ela morava comigo na época, e foi uma época rica de demonologia – que serão detalhadas aqui. Usamos apenas o que tínhamos, que era somente incenso de almíscar. Foi magnifico a invocação, olhando pro mar, pequenos globos de energia se formavam e desapareciam,  terminada a conjuração, os dois, se sentiam possuídos,  rindo a toa, e sentindo uma força sobrenatural dentro de si. Assim perdurou por dois dias. Quando estavamos brincando com o tarot, uns dias após, o telefone toca. Uma garota, a qual o demônio foi enviado, acabara de ligar desesperada. Ela acordou com um homem a sua frente, a sombra de um, se sentindo paralisada. Começou a ter crises de choro fortes, e só pensava em mim, no caso, e me ligou pedindo tanto ajuda como segundas intenções, reveladas somente mais tarde, no ápice da lascívia. E esta mania de se mostrar, é tipica do Asmoday, quando mandei ele separar duas pessoas, uma delas um amigo intimo e sua ex namorada, ele me contou que a sua ex, também acordou com esse homem, vestido de negro ao lado da sua cama, e a sensação de desespero também a fez ligar para seu namorado e contar. E ele me contou logo em seguida, sem saber que era uma brincadeira demoníaca minha.

Já pra ela, Asmoday agiu de outra forma. Ela o invocou para um rapaz a qual veio a namorar um tempo, ela ganhou fascínio com o Asmoday, por ver, que o rapaz falava exatamente, segundo ela, exatamente tudo que ela pediu pro Asmoday. Ele se tornou uma casca, com o Asmoday dentro, jogando com seus sentimentos. A cada vez que mantinham relações, ela mentalizava o nome do Asmoday, e assim alimentava o demônio. Até que a coisa perdeu o controle. Tudo se iniciou por sonhos perturbadores do rapaz, que ficava desordenado, e se rebatia na cama. Até o ponto, que numa madrugada ela me ligou me sem saber o que fazer. O garoto tava se rebatendo demais, além de gritar o tempo todo, falando em línguas que ela não entendia, ela não conseguia acorda-lo, e ele se batia violentamente, e em algumas vezes, parecia q ele se levantara meio sonambulo, quase vindo pra cima dela, e logo em seguida caindo. Ela estava assustada, me ligou. Em posse de fios de cabelo dele, eu comecei a exorcizar o demônio, ainda bêbado de sono, assim que desliguei o telefone com ela. Uma hora após, ela tornou-me a me ligar relatando que ele caíra num sono tranquilo. Asmodai foi embora, junto com ele, toda a obsessão amorosa que o rapaz tinha por ela.  Ela logo terminou o namoro, assim que notou a diferença gritante que aconteceu da noite pro dia, literalmente.

Já outro rapaz, Lipe, convocou para uma garota a qual estava interessado. Ele começou a invocar toda semana, dando fluidos sexuais para o demônio, depositando-os sobre o selo do mesmo. Em um mês e pouco, tudo mudou radicalmente. Em questão de dias, a garota começou a demonstrar uma paixão louca por ele. E enlouqueceu a ponto de ela ter visões dele pela casa, sonhar com ele diariamente, ter crises de choro sentindo a falta dele, ela perdia o sentido, tinha falta de ar, parecia que perdia a próprio controle. Ela tinha visões dele, alucinações com o rapaz, vindo e se envolvendo com ela. Ela sentia fisicamente isso.  Ele fazia apenas dois pedidos, cada vez que dava seus fluidos pro Asmodai – Enlouquece-la de paixão, traze-la até á ele.E as coisas aconteciam de modo brusco, se não, violento. Asmoday fez a garota delirar, literalmente, perder o próprio controle. Ele teve que mudar de demônio, quando ela começou a ter complicações respiratórias, além das alucinações mais frequentes.

Sexo com demônios não é um assunto novo, tão antigo quanto a minha própria bissexualidade, e por isso, em uma projeção astral eu o convoquei para tal proposito. Voltei completamente exausto, tonto, não conseguindo me manter em pé direito. As mesmas experiencias, uma amiga minha Hydra, teve com ele. As quais estarei descrevendo. Adiante no texto;

Eu conheci Asmodai através do meu amigo Inkubus e estava muito tentada a trabalhar com ele dentro da demonologia porque queria a aproximação de uma pessoa. Encontrei uma linda foto de Asmodeus e a imprimi, e trabalhava com energia sexual alimentando-o e buscando sua presença com fluidos sexuais. Em poucos das eu estava fascinada por Asmodeus, que se mostrou muito sedutor e comecei a buscar incessantemente sua materialização. Um belo dia eu acordo e vejo Asmodeus pairando sobre mim, como que flutuando… minha respiração estava ofegante e a excitação sexual muito intensa. Sentia que o corpo sutil dele ganhava forma e conteúdo enquanto ele penetrava em mim. Isso levou alguns poucos minutos e então ele se dissipou. Terminei por mim mesma este “ritual” sexual entre eu e ele e ofertei a energia desprendida desse ato à ele. Asmodeus respondeu positivamente aos meus pedidos e desse dia em diante se tornou um dos demônios com os quais eu mais me identifico. 

Lupus aeternos, me descreveu este cavalheiro desta forma;

Asmoday é um rei reservado e calmo, porem quando evocado ele pode deixar um rastro de discórdia e perversões sexuais. Na mitologia semítica encontramos que Asmodeus nasceu para se tornar o rei dos shedim (espíritos malignos) e na mitologia cristã cabalista ele pode ser identificado com o anjo Asmodel. Seu ofício é o confronto, a destruição e a luxuria. 

Sendo um demônio do fogo e marido da jovem Lilith(Na’amah mãe e esposa dele) ele foi conhecido por auxiliar feiticeiros no Negev e matar hebreus através de pragas, loucura e violência. 

A ele podemos associar animais como o galo, touro, serpente e o cão. 

Não posso dizer que tive experiencias tranquilas com ele mas algumas forma muito positivas e outras muito conturbadas. A energia dele leva a um estado de consciência que pode “simular” uma possessão  e as vezes nos induzir à momentos de insanidade, ao mesmo tempo que parece ser um estimulante sexual e também aumenta o vigor e a força física do mago ou feiticeiro.

Ele buscou no Asmoday outra coisa; queria vingança – untando uma vela em sangue, ele começou a fazer a seguinte invocação, de forma poética, expressando teu desejo;

“Abra a tua boca Asmodeus e deixa o enxofre sair,
Rei de toda ira e luxuria deixa tua força fluir,
Pela minha ira e meu desejo de vingança destroi o corpo deX,
Lança tuas legiões a cada hora de vida para para assolar “X” até que ele esteja morto!
Deixa tua discórdia fluir e destruir a vida e a mente deste que me feriu,
E tudo que ele mais gosta na vida se volte contra ele,
Eu invoco a tua ira e tua força e ordeno ao céu, a terra e aos mares que se voltem contra ele!
E por todos os shedim sobre o teu comando que a peste e a desgraça caiam sobre ele,
A loucura e a insanidade venha a tona, para que ele engasgue com os proprios ossos!
Asmodeus, pela minha voz destroi o corpo, a mente e o espirito de “X’ com  a tua ferocidade!”

Formas variadas de se trabalhar com esse demônio, nos levam a crer, que magia é mais pessoal que formal, que não existem receitas para que a magia aconteça, por que ela, simplesmente acontece. Asmoday nesses 4 anos ao meu lado, me mostrou claramente que demônios são vivos, tem personalidade, e muitas vezes além de pedir o que se deseja, deve –se pedir o que se não deseja – para que se evite resultados desastrosos.  Talvez o Inferno seja um grande professor, ou até mais que isso. Pouco importa hoje em dia a origem dos mitos, o que nos vale, é como usa-los. E aqui está Aeshma Daeva, em uma entrevista completa e participações em vidas pessoais. Usem bem.

Excitação, domínio e magia. Achenaday, um dos príncipes da Escuridão, este é um trabalho dedicado á ti.

Por Inkubus

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/asmodeus-adornado-em-chamas/