Arte, Literatura e Psicologia: O Tarot Interminável – Com Joao Caldeira

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Bruce Dickinson e Aleister Crowley

Por Adriano Camargo.

Todos sabem que o mago inglês Aleister Crowley (1875-1947) tem influenciado o mundo do rock (e as artes em geral). E todos sabem também que o cantor inglês Bruce Dickinson é um cara multitalentoso e uma das personalidades mais inteligentes do heavy metal. Mas é possível que nem todos saibam que Bruce Dickinson sempre teve um grande interesse por história da magia, ocultismo e… Aleister Crowley!

E, ao contrário do que a maioria pensa, Crowley não era satanista, mas sim um filósofo e ocultista praticante assíduo envolvido em diversos ramos da magia (magick) e da filosofia oculta, desde a bruxaria europeia e o paganismo até a cabala, alquimia, magia sexual, hinduísmo, budismo, etc. Contudo, Crowley ficou muito conhecido e mal-afamado devido ao seu comportamento “inadequado” e “chocante” para a época (a Era Vitoriana) e às difamações de fundamentalistas religiosos; nos dias de hoje provavelmente ele não chamaria tanta atenção…

Por outro lado, nos dias de hoje, certamente que Bruce Dickinson chama muita atenção devido ao seu trabalho artístico e suas outras habilidades, interesses e inteligência. Como músico e letrista, o trabalho de Bruce é repleto de referências ao mago inglês e a diversas áreas da filosofia oculta, desde as letras de sua carreira solo e do Iron Maiden até o seu filme Chemical Wedding (2008).

Do álbum solo de Bruce Dickinson Accident of Birth, a música Man of Sorrows fala do próprio Crowley quando menino, profetizando o seu futuro quando iria então estabelecer a vinda de um Novo Mundo, de uma Nova Era. Em Man of Sorrows, podemos encontrar também a frase “do what thou wilt”, que significa “faze o que tu queres”, uma referência mais direta e explícita a Crowley e à sua Lei de Thelema. Entretanto, tal lema thelêmico tem uma origem anterior a Crowley, remontando à obra Gargântua e Pantagruel, do escritor francês François Rabelais (1494-1553), na qual uma abadia fictícia chamada Abadia de Thelema apresenta esse lema como uma de suas “leis”. Esse famoso lema posteriormente também foi adotado por um dos clubes ingleses pseudo-satanistas do século XVIII chamados de Hellfire Club (“Clube do Fogo do Inferno”), no qual se reuniam os aristocratas para praticar orgias, bebedeiras, comilanças, jogatinas e discutir arte e literatura. Porém, na filosofia de Crowley, e de acordo com a letra de Man of Sorrows, “faze o que tu queres” se refere à Vontade do Eu Superior de cada indivíduo e não a meros desejos descontrolados. Esse Eu (ou a Individualidade, o Logos individual, o SAG, o Daimon socrático, etc.), de acordo com a letra da música, supostamente sofre por estar preso em um corpo carnal e por não se fazer conhecido pelo indivíduo que também sofre perdido, desorientado na vida, sem conhecer a Si mesmo e seu verdadeiro destino.

The Chemical Wedding, seguinte álbum de Bruce, é em parte baseado na obra literária e artística do poeta inglês William Blake (1757- 1827), que por sua vez também influenciou a filosofia de Crowley a ponto deste acreditar ser uma reencarnação daquele. Contudo, o título do álbum se refere à outra obra, um manifesto rosacruz intitulado The Chemical Wedding of Christian Rosenkreutz (“O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz”) publicado em 1616 e que narra o casamento alquímico de um rei e uma rainha. Esse “casamento” é basicamente uma alegoria para a união sexual do masculino com o feminino (Sol e Lua; Fogo e Água; Espada e Cálice) por meio da magia sexual devidamente ritualizada a fim de expandir a consciência, assim como a união das duas partes da alma (psique) conhecidas na psicologia junguiana como animus (masculino) e anima (feminino); a magia sexual era uma prática central na filosofia thelêmica de Aleister Crowley.

Na letra de The Chemical Wedding encontramos no refrão:

“We lay in the same grave/ Our chemical wedding day”

(Nós nos deitamos no mesmo túmulo/Nosso dia do casamento alquímico”).

O túmulo é uma representação para o caldeirão na alquimia, no qual a matéria-prima densa é putrefata, desintegrada, ou seja, transformada, para em seguida dar surgimento a algo novo; ou seja, o casamento do homem e da mulher (os alquimistas) que “morrem” no êxtase alquímico-sexual para dar surgimento a uma nova consciência, expandida, cheia de alegria e livre no infinito.

The Tower, também do álbum The Chemical Wedding, é uma das letras do álbum mais ricas em referências alquímico-sexuais e relativamente crowleyanas. Sendo assim, vamos analisar alguns pontos. A música fala especialmente sobre as imagens alquímicas do tarô e do zodíaco (ambos de suma importância no sistema de Crowley). O próprio título da música se refere a uma das cartas mais “sinistras” do tarô: A Torre, que é referida no Livro da Lei (Liber AL), de Crowley. Na letra da música os versos “There are twelve commandments/ There are twelve divisions” (“Há doze mandamentos/ Há doze divisões”) aludem aos doze signos astrológicos dispostos divididos em casas de 30º no cinturão (imaginário) do zodíaco com seus “mandamentos”. A frase “The pilgrim is searching for blood” (“O peregrino está à procura de sangue”) diz que o alquimista buscador, em sua senda solitária está buscando sua iluminação; o sangue é uma referência à fase “vermelha” da alquimia chamada rubedo. Nessa última fase alquímica a Pedra Filosofal é “encontrada” e o alquimista (ou qualquer iniciado) se torna um sábio “imortal” autoconsciente, realizando sua própria Vontade livre, uma referência direta à Lei de Thelema e que está presente no seguinte verso da letra: “To look for his own free Will” (“Buscar por sua própria Vontade livre”).

E no refrão temos os versos:

“Lovers in the tower/ The moon and sun divided/ the hanged man smiles/ Let the fool decide/the priestess kneels/ the magician laughs”

(“Amantes na Torre/ A Lua e o Sol divididos/ o Enforcado sorri/ Deixe o Louco decidir/ a Sacerdotisa se ajoelha/ o Mago dá risada”),

nos quais podemos encontrar referências diretas a várias cartas do tarô: The Lovers (Os Amantes), The Tower (A Torre), The Moon (A Lua), The Sun (O Sol), The Hanged Man (O Enforcado), The Fool (O Louco), The Priestess (A Sacerdotisa) e The Magician (O Mago). Para não nos alongarmos demais na letra de The Tower, podemos dizer que ela contém alguns segredos alquímico-ritualísticos de magia sexual.

Há outras músicas interessantes em The Chemical Wedding, incluindo aquelas inspiradas diretamente por William Blake: Book of Thel, Gates of Urizen e Jerusalem. Do álbum Tyranny of Souls, podemos destacar alguns versos. O título da música Navigate the Seas of the Sun significa a libertação de restrições e a expansão da consciência, já que o Sol é um símbolo da cabeça humana, da inteligência e da consciência. Nessa letra, encontramos “Our children will GO on and on to navigate the seas of the sun” (“Nossas crianças continuarão a navegar os mares do sol”), que na filosofia thelêmica diz respeito ao arcano d’O Sol no qual duas crianças gêmeas, inocentes e livres “navegam” os raios solares, representando a humanidade em mais uma fase evolutiva, com seus aspectos masculinos e femininos assimilados e harmonizados pelo Eu.

Na música-título A Tyranny of Souls, encontramos os versos

“Who rips the child out from the womb?/ Who raise the dagger, who plays the tune?/At the crack of doom on judgment day”

(Quem arranca a criança do útero?/ Quem ergue a adaga, quem toca a música?/ À beira da condenação no dia do julgamento”).

É uma descrição do Aeon (Era, Idade, Tempo) de Crowley, retratado no arcano O Aeon (no tarô comum é conhecido como O Julgamento). Esse Aeon é marcado pela destruição do velho Aeon de Osíris e pelo nascimento do novo Aeon de Hórus. A criança arrancada do útero, conforme a letra da música, é Hórus, filho de Osíris e Ísis; a adaga erguida significa a morte do Aeon passado, o Aeon de Osíris ou Era de Peixes, considerado tirano, repressor, restritivo e opressor; a música referida nos versos é tocada por meio de uma trombeta tradicionalmente por um ser angélico que anuncia a Nova Era, o Novo Aeon, com o julgamento e condenação do velho. Mas no Novo Aeon, Hórus mantém silêncio para representar a “perfeição” do Novo Tempo. Com relação ao Iron Maiden, Bruce Dickinson tem colaborado razoavelmente nos processos de composição. Do álbum Piece of Mind, a letra de Revelations apresenta alguns “mistérios”. O verso “Just a babe in a Black abyss” (“Apenas um bebê em um abismo negro”) é um referência ao conceito crowleyano de “bebê do abismo”, um termo para designar aquele que mergulha e atravessa o Vazio. Trata-se de um abismo metafísico e psíquico entre o universo real e o universo ilusório, entre a “insana” dimensão do espírito e a igualmente insana (e aparentemente segura) dimensão da matéria; o magista ou iniciado que fracassa em cruzar o Abismo (e em assimilar o conhecimento nele contido) geralmente enlouquece. O verso

“No reason for a place like this”

(“Nenhuma razão para um lugar como este”)

mostra que, uma vez no Abismo, a razão humana como se conhece é completamente abolida.

Do álbum Powerslave a música-título fala sobre um faraó, tido como um deus, que não quer morrer, mas continuar governando no mundo material. Na filosofia thelêmica de Crowley, Osíris representa a Era decadente que insiste em continuar, mas que deve ser destruída para dar lugar ao Aeon de Hórus (filho de Osíris). Por outro lado, o faraó é uma representação de todo mago que fracassa em cruzar o Abismo, tornando-se assim um “escravo do poder da morte” (como diz a letra), psicoespiritualmente. Isso pode ser visto especialmente nos versos

“Into the abyss I’ll fall – the eye of Horus/ Into the eyes of the night – watching me go”

(“no abismo eu cairei – o olho de Hórus/ Nos olhos da noite – olhando-me ir”).

E no verso

“Shell of a man god preserved”

(“A casca de um homem-deus preservado”)

o faraó/deus/magoestá morto fisicamente, com seu cadáver mumificado ou não, ao mesmo tempo em que ele se torna um ser vazio e insano, sem conexão com o seu Eu, ou seja, uma “casca” no mundo qliphótico (do hebraico “qlipha”, que significa “casca”, “concha”) cujos portais estão no próprio Abismo, segundo outro verso: “But open the gates of my hell” (“Mas abra os portais de meu inferno”).

Moonchild, do álbum Seventh Son of a Seventh Son, é uma referência direta a uma das obras de Crowley de mesmo nome. A letra da música fala sobre a união de dois magistas (homem e mulher) e o nascimento de um ser supra-humano (entendido também como uma supraconsciência). Na letra, o homem é representado por Lúcifer, o Portador da Luz, o não-nascido, e a mulher é a Prostituta Escarlate, Babalon (nome derivado de Babylon), como aparece nos versos “The fallen angel watching you/ Babylon, the Scarlet whore” (“O anjo caído observando você/ Babilônia, a prostituta escarlate”).

Os nomes Babalon e Mulher Escarlate, apesar de derivados da Bíblia, são próprios do sistema mágico thelêmico de Crowley e equivalentes à deusa Lilith (mesopotâmica), Hécate (grega), Kali (hindu), entre outras, representando ainda os aspectos femininos da Natureza e a Grande Mãe do universo, livre dos dogmáticos conceitos morais sobre bem e mal. O álbum Seventh Son of a Seventh Son é todo “profético”, com colaborações de outros membros da banda em torno de temas como magia, alquimia, ocultismo, bem e mal, etc.

Por fim, vamos falar sobre alguns trechos do último álbum do Iron Maiden, The Final Frontier, que novamente traz alguns temas sobre alquimia, magia crowleyana e expansão da consciência. Na música Starblind, podemos ler o verso “Let the elders to their parley meant to satisfy our lust” (“deixar os anciãos às suas barganhas significa satisfazer nosso desejo”). Lust é o título de uma das cartas do tarô de Crowley, que se refere, entre outras coisas, a tudo o que é dos sentidos e que provoca êxtase, pois, nas palavras de Crowley, “não tema que deus algum lhe negue isso.” Os anciãos representam a religião dogmática e repressora do Aeon passado, que oferecem “liberdades de carcereiros” e que “parlamentam” aquilo que lhes traz vantagens ilícitas.

Enquanto eles falam e negociam e ficam no passado, os desejos (lust) do novo Aeon, ou seja, a Vontade livre e o desejo pela vida são satisfeitos naqueles que se libertaram do dogmatismo e que estão sem “o dispositivo cruel da religião”, conforme o verso “Religion’s cruel device is gone”. A frase “You are free to choose a life to live” (“Você é livre para escolher uma vida para viver”) é outra referência à Lei de Thelema, ao cumprimento da Vontade. Ainda do álbum The Final Frontier, a letra da música The Alchemist pode parecer óbvia, mas ela fala sobre algo mais do que um mero alquimista. O trecho “My dreams of empire from my frozen queen will come to pass” (“Os sonhos de império da minha rainha congelada irão passar”) refere-se à rainha inglesa Elizabeth, que protegia o também multitalentoso, suposto espião e mago John Dee (1527-1608), citado no verso “Know me, the Magus I am Dr. Dee” (“Conheça-me, o Mago Dr. Dee sou eu”). John Dee é conhecido especialmente por seu trabalho sobre magia enochiana e por sua associação com o alquimista e clarividente Edward Kelley (1555-1597), com quem “criou” esse poderoso sistema de magia, posteriormente praticado por Crowley (que acreditava ser também a reencarnação de Edward Kelley).

A letra da música de modo geral descreve as práticas de John Dee e Edward Kelley com a magia enochiana, considerada um sistema angélico, descrevendo também os contatos com os anjos, isto é, os “demônios”. Enquanto Edward Kelley se comunicava com os seres enochianos, conforme o verso da letra “Know you speak with demons” (“Sei que você fala com demônios”), John Dee ia anotando todo o sistema. O termo “angélico” aqui, entretanto, não diz respeito às imagens populares de anjinhos rechonchudos ou anjos esbeltos e delicados, mas a seres considerados alienígenas terríveis e demoníacos (no sentido original da palavra grega “daimonos”, quer dizer, “espírito”, “gênio”), conhecidos popularmente como “anjos caídos”, os supostos instrutores e doadores do conhecimento nos primórdios da espécie humana. Tais anjos enochianos foram contactados por Crowley, que fez as invocações pelas chaves enochianas, resultando em sua obra chamada Liber 418 – A Visão e a Voz. As invocações enochianas de Dee/Kelley e Crowley são referidas no seguinte verso de Bruce: “Hear the master summon up the spirits by their names” (“Ouça o mestre chamar os espíritos por seus nomes”)…

O Iron Maiden sempre carregou uma forte aura de intelectualismo, profetismo e mistério, contando muitas vezes com as inteligentes e valiosas contribuições de Bruce Dickinson. Por afinidades intelectuais e de interesses, independentemente do tempo cronológico, Crowley sempre esteve presente, ou apenas “pairando”, no trabalho de Bruce. E diferentemente do trabalho de Ozzy Osbourne, cuja letra da música Mr.Crowley é um tanto sarcástica e superficial, Bruce Dickinson tem se interessado muito mais seriamente pelas questões que envolvem a magia de Aleister Crowley. Ambos, Bruce e Crowley, sempre buscaram ir mais além, demonstrando que é possível chegar à “última fronteira” entre a consciência e a supraconsciência…

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/bruce-dickinson-e-aleister-crowley

Sincronicidades: Física Quântica e Psicologia Analítica

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor”

– Goethe

Quem nunca passou por uma situação na qual parecia que o universo estava tentando falar alguma coisa? Você pensa em alguém e essa pessoa te liga. Você sonha com alg

uém e depois esbarra com ela na rua. Na mesma semana te falam de uma música, filme ou livro e parece que ele está em todos os lugares. E aquela ligação estranha entre irmãos gêmeos, exploradas pelo cinema, em que um sofre um acidente e o outro sente dor? Esse tipo de situação normalmente é chamada de coincidência. Mas será que é só isso,

um evento arbitrário?

Esse tipo de fenômeno está sendo cada vez mais estudado dentro dos campos da parapsicologia e afins, e parece que agora a ciência começa a entender um pouco melhor isso e explicar essas coisas de forma ‘científica’. Mas se voltarmos um pouco na história, essas situações já eram vividas e entendidas pelos místicos.

No hermetismo, um antigo sistema filosófico e mágico atribuído ao misterioso Hermes Trismegisto, autor da famosa “Tábua de Esmeralda” entre outros textos, existem algumas concepções que explicam o funcionamento do Universo. Segundo o livro Caibalion, um clássico da literatura her

mética, a primeira dessas concepções é a lei do mentalismo: “O todo é mente, e o Universo é mental”. Se considerarmos essa concepção da natureza, tudo esta interligado, como se fosse uma grande mente universal.

O psiquiatra suíço Carl Jung desenvolveu, em sua teoria Analítica, um conceito que pode ajudar a explicar esses tipos de fenômenos e essa realidade de interconectividade: o “Inconsciente Coletivo”. Grosso modo, para Jung, além do nosso consciente, subconsciente e inconsciente (postulado por Freud), existe uma camada ainda mais profunda compartilhada por todos os indivíduos, portanto coletiva, a qual todos estamos sujeitos. É como se fosse uma grande rede, que está presente em cada um de nós, e em todos nós.

“Uma camada mais ou menos superficial do inconsciente é indubitavelmente pessoal. Nós a denominamos inconsciente pessoal. Este porém repousa sobre uma camada mais profunda, que já não tem sua origem em experiências ou aquisições pessoais, sendo inata. Esta camada mais profunda é o que chamamos inconsciente coletivo. Eu optei pelo termo “coletivo” pelo fato de o inconsciente não ser de natureza individual, mas universal; isto é, contrariamente à psique pessoal ele possui conteúdos e modos de comportamento, os quais são ‘cum grano salis’ os mesmos em toda parte e em todos os indivíduos. Em outras palavras, são idênticos em todos os seres humanos, constituindo portanto um substrato psíquico comum de natureza psíquica suprapessoal que existe em cada indivíduo”. (JUNG, 2000, p.15)

Considerando este conceito, podemos entender o fenômeno das coincidências como algo que o próprio Jung denominou sincronicidade, que seria a “simultaneidade de um estado psíquico com um ou vários acontecimentos que aparecem como paralelos significativos de um estado subjetivo momentâneo e, em certas circunstâncias, também vice-versa” (JUNG, 1991, par. 818). Em outras palavras, é a percepção de um fenômeno que contém geralmente um significado simbólico, através de situações que não compartilham nenhum tipo de relação aparente, ou seja, acausais, e exprimem um estado psíquico interno compartilhado com um evento objetivo e externo.

O interesse de Jung por esse tipo fenômeno sempre causou certo desconforto para a comunidade científica, no entanto, as novas concepções de realidade apresentadas pela moderna física quântica começam a explicar essa interligação de forma científica, corroborando com as concepções Junguianas destes fenômenos. Vale a pena dizer que Jung era amigo de Wolfgang Pauli, um dos primeiros estudiosos da física quântica*.

Em resumo, a física quântica trabalha com partículas atômicas e sub-atomicas, ou seja, átomos, moléculas, elétrons, prótons, nêutrons, etc, e estuda as dinâmicas interações destas partículas. Dentre essas partículas, podemos citar os fótons, que são as menores partículas envolvidas numa radiação eletromagnética. Aparentemente, fugimos um pouco do tema, mas cientistas contemporâneos já realizaram experimentos nos quais, apesar de separados por grandes distâncias, dois fótons interagem entre si, mesmo sem apresentar uma conexão causal, ou seja, é como se houvesse algo que os conecta, que vai além da realidade física e observável.

“Se utilizarmos o exemplo de dois fótons correlacionados, onde é possível alterar o estado de um deles, alterando-se o estado do outro e de modo instantâneo, então seria possível haver uma correlação não-local entre os inconscientes de todos os seres humanos, o que resultaria no Inconsciente Coletivo de Jung e na sua Psicologia Analítica”. (NUNES, 2009, p.8)

Toda essa interconexão da consciência já não é mais teórica e esta sendo comprovada. Existe um experimento, realizado em entre os anos de 1993 e 1994 por Jacobo Grinberg, um neurofisiologista da Universidade do México que consistiu em colocar duas pessoas para meditar juntas, com a intenção de se comunicarem diretamente, sem troca de sinais ou conversa. Essas pessoas eram isoladas uma da outra em “gaiolas Faraday”, câmaras eletromagneticamente impermeáveis, e seus respectivos cérebros conectados a máquinas de eletroencefalograma.

Após um breve tempo de meditação, foram mostrados flashes de luz para apenas um dos sujeitos, cuja atividade elétrica cerebral era alterada em resposta aos flashes. É ai que a coisa fica interessante. No eletroencefalograma do outro sujeito que não recebeu nenhum flash de luz, foi constatado que seu cérebro recebeu um potencial, virtualmente igual em intensidade e força, variando em atividades elétricas de 65% a 75%. Esse é um valor muito substancial e a conclusão do experimento é que a atividade elétrica de um cérebro se transfere para outro cérebro, sem conexão ou contato elétrico nenhum. Este experimento foi replicado por Peter Fenwick em Londres e Leanna Standish e seu grupo na universidade de Bastyr, em Seattle. Todos concluíram a mesma coisa: existe uma transferência de informação de cérebro a cérebro, sem nenhuma conexão eletromagnética.

Essas conclusões são muito interessantes e significativas, e acabam por explicar, mesmo que parcialmente, os fenômenos de sincronicidades. No entanto, apesar de explicarem uma comunicação não-local entre sujeitos, pouco se sabe sobre o motivo destas manifestações acontecerem em determinados momentos, ou com determinadas pessoas. No romance best seller americano “A Profecia Celestina”, James Redfield conta a história de um manuscrito encontrado no Peru que contém nove visões, ou nove etapas, que os seres humanos precisam desenvolver afim de evoluir individualmente como sujeitos e coletivamente como espécie. A primeira etapa deste processo é descrita como a tomada de consciência das “coincidências” que nos cercam. É defendido, que para evoluirmos, o primeiro passo a ser dado é perceber essas sincronicidades e não considerá-las como mero acaso, mas uma forma intuitiva de buscar informações no dia-a-dia que nos impulsionam a melhorar e expandir a consciência.

Acho pertinente, por tanto, encerrar dizendo que devemos prestar atenção a nossa volta e analisar essas coincidências, entender o que elas nos dizem e para onde elas apontam. Quando fazemos isso, cada vez mais essas situações acontecem e nos indicam que estamos no caminho certo. Aos poucos, vamos integrando destino e livre arbítrio, expandindo nossa consciência e nos aproximando dos horizontes da jornada da alma.

* Para saber mais sobre essa amizade, leia “A permuta dos sábios: um estudo sobre as correspondências entre Carl Gustav Jung e Wolfgang Pauli” de Cesar Rey Xavier

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

Imagens:

Representação de Hermes Trismegisto de Viridarium chymicum, D. Stolcius von Stolcenbeerg, 1624

Encontrada na internet

Encontrada na internet

Bibliografia:

CAMAYSAR, R. O Caibalion. São Paulo, Pensamento. 2000.

JUNG, C. G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis, Vozes. 2000.

JUNG, C. G. Sincronicidade. Petrópolis, Vozes. 1991.

NUNES, A. L. Física e Psicologia: Um diálogo interdisciplinar. XVIII Simpósio nacional de ensino de Física. 2009.

#físicaquântica

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Aspectos Psicológicos do Ritual de Abramelin – Richard Amm

Bate-Papo Mayhem 189 – gravado dia 17/06/2021 17h (Quinta) Com Richard Amm – Aspectos Psicológicos do Ritual de Abramelin

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Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #MagiaPrática

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A Psicologia das Religiões – Com Maycon Rodrigo Torres

Bate-Papo Mayhem 124 – Com Maycon Rodrigo Torres – A Psicologia das Religiões.

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A Ciência do Sonho Lúcido: Entrevista com Dr. Keith Hearne

Dr Keith Hearne é um psicólogo britânico conhecido como a primeira pessoa a conseguir provar cientificamente a existência de sonhos lúcidos. Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre como fez para conseguir sua prova, bem como as descobertas fisiológicas e psicológicas que o seguiram até a conquista do seu PhD sobre sonhos lúcido

Pergunta: Como foi que você conseguiu captar sinais vindos de uma mente desperta dentro de um corpo que dorme?

Ninguém antes tinha testemunhado o que vi naquele laboratório de pesquisas do sono da Universidade de Hull, Inglaterra. Era por volta de 08:00 da manhã do dia 12 de abril de 1975.

Na noite anterior, eu havia conversado o voluntário, um indivíduo chamado Alan Worsley que relatara ter com muita frequência os chamados sonhos lúcidos (nos quais o sonhador se torna plenamente consciente e tem faculdades cognitivas completas). Esse indivíduo foi instruído para que fizesse sete movimentos com os olhos no sentido esquerda-direita, no momento em que despertasse dentro do sonho.

Entenda, ao dormir nosso sistema nervoso desliga certas funções motoras para que não saiamos andando ou nos mexendo demais. Esse estado é conhecido como atonia do sono, mas não afeta nosso controle do diafragma nem dos olhos. Além disso, tenha em mente que o período do sono em que os sonhos ocorrem é conhecido como REM (Rapid Eye Movement) e se caracteriza justamente pelo movimento errático dos globos oculares.

Disso eu inventei o método de sinalização em uma tentativa de contornar a profunda paralisia corporal e assim criar um meio de comunicação entre o mundo dos sonhos e o mundo real. O indivíduo foi também equipado com registradores encefálicos gráficos sensíveis que garantiram que ele estava dormindo e registradores capazes de captar e registrar o movimentos dos olhos.

Com grande expectativa, eu observei cada um dos  vários períodos REM que ele teve durante a noite. E então pouco antes das 8:00 o indivíduo já tinha entrado em vários REM ‘s e sonhado por cerca de meia hora.

Houve então uma explosão de um longo período de REM, quando, de repente, fora da aleatoriedade esperada deste estado, houve uma seqüência deliberada de sete grandes movimentos de zig zag dos olhos da direita para a esquerda, exatamente como combinado. O movimento foi registrado graficamente por nossos equipamentos:

 

A sequencia dos sinais oculares no sentido direita e esquerda está em exposição na Liverpool University.
EEG – Eletroencefalograma
EOG – Eletroftalmograma (movimento dos olhos)
EMG – Eletromiograma (atividade muscular)

 

Ao acordar, o indivíduo confirmou o fato e descreveu como ele, de repente, percebeu que estava sonhando e então conscientemente fez os sinais esperados. E assim foi que temos hoje a prova, já repetida em laboratório de que é realmente possível tornar-se plenamente consciente enquanto se está sonhando.

Para mim foi como receber sinais do SETI de inteligências de outro sistema solar. Eu estava em êxtase, mas tive que manter a calma para não acordar o sujeito! Foi uma situação incrível. Eu estava testemunhando a primeira comunicação de uma pessoa que estava dormindo em outro quarto, sonhando, em seu próprio mundo mas perfeitamente consciente e capaz de interagir. Ele estava em sua realidade e eu estava em minha realidade. Mas fizemos um canal de comunicação entre estas duas realidades.

O registro gráfico original, assim como minha Máquina dos Sonhos2 estão agora em exposição permanente no Museu de Ciência de Londres. A propósito , toda a tese de PhD e meu livro The Dream Machine pode ser baixado gratuitamente no meu site KeithHearne.com.

 

 

Dr Keith e seu protótipo da Máquina do Sonho

 

A técnica abriu uma porta para toda uma nova área na pesquisa. Um sonhador foi capaz de enviar informações em tempo real e portanto podia agora realizar experimentos conduzidos no estranho ambiente do seu universo particular.

Poucos meses depois, ganhei meu próprio laboratório de pesquisas do sono na Universidade de Liverpool, com o qual três anos depois descobrimos vários fenômenos fisiológicos e psicológicos básicos por trás dos sonhos lúcido que culminou em meu PhD1.

Entre estas descobertas estão:

  • Os sonhos lúcidos são reais.
  • Os sonhos lúcidos ocorrem durante o a fase REM (até então essa era apenas uma hipótese).
  • Os eventos do sonhos lúcidos acontecem em tempo real (descobrimos isso comparando o testemunho dos indivíduos pesquisados com os registros gráficos do maquinário)
  • A lucidez  nos sonhos é geralmente precedido por uma explosão REM.
  • Experimentos podem ser realizados dentro dos sonhos e os resultados enviados para fora do sonho. (Inclusive realizei o primeiro experimento em telepatia no laboratório do sono em minha pesquisa de doutorado).
  • Muitos fenômenos físicos estão correlacionados com o sonho lúcido e foram revelados a partir dos dados fisiológicos coletados e questionários.
  •  A criação da “máquina dos sonhos”, capaz de produzir estímulos artificiais nos sonhos e induzir a lucidez onírica
  • A descoberta do ‘efeito interruptor de luz “(abordado no filme seminal de Richard Link, Waking life3).

Enviei o resumo da minha descoberta a dois bem conceituados pesquisadores do sono: Professor Allan Rechtschaffen da Universidade de Chicago, e Professor William Dement na Universidade de Stanford. Rechtschaffen enviou uma resposta bastante encorajadora. Em 1978 uma outra pesquisa realizada em Standford confirmou minhas conclusões. Estou muito honrado aquele 12 de abril está agora está sendo reconhecido por algumas pessoas como o Dia do Sonho Lúcido como uma forma de marcar esta pesquisa sem precedentes.  Curiosamente assim como Alan Worsley mandou seu sinal em 1975, em outro 12 de abril, em 1961, Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a se comunicar de fora do nosso planeta Terra.

P: Você pode nos contar um pouco sobre o seu trabalho paralelo sobre premonições?

Sou fascinado por premonições. Ao lado de meu trabalho principal com sonhos lúcidos eu já havia realizado alguns experimentos em parapsicologia com equipamentos bem avançados aos quais tive acesso com o laboratório. Estes porém sempre no muito artificial ambiente do laboratório – e mesmo assim já tinha alguns resultados interessantes – até que um dia tive uma experiência na “vida real”.

Eu estava prestes a fazer uma viagem de rotina bastante familiar pela Humber quando eu “soube” com toda a certeza que algo desagradável ia acontecer naquele navio. Eu nunca tinha tido essa sensação antes. Parei e pensei, mas decidiu ir a bordo. Na viagem ficou escuro, e depois houve um grito de ‘Homem ao mar! ” Alguém tinha realmente caído na água. Depois de um longo tempo de busca, o passageiro foi arrastado a bordo. Eu assisti reanimação sendo realizada. O evento me estimulou a investigar premonições da vida real. Mais tarde, eu escrevi um livro sobre minha pesquisa bastante extensa chamado Visions of the Future4.

Na análise dos casos identificamos um sub-grupo de premonições que parecem ser muito preciso, que eu denominei ‘Tipo de Anúncio de Mídia’ – ou seja anúncios feitos pela TV, rádio, jornal que são vistos ou ouvidos antes do evento inesperado. Um desses casos dizia respeito à Flixborough o desastre fábrica de produtos químicos no Reino Unido. Estes tipos são bastante interessantes pois por sua natureza são sempre documentados e registrados.

Essas anomalias devem ser considerados em nossas tentativas de dar sentido a esse incrível mundo em que nos encontramos. Explicações simples não são mais suficientes.

P: O que sua investigação lhe disse sobre a interpretação dos sonhos não-lúcidos?

Eu acho que os sonhos comuns pode ser efetivamente entendidos como “metáforas em movimento” (5,6,7) uma maneira pela qual inconsciente fornecer informações úteis para o sonhador.

Eu recomendaria os leitores o livro The Dream Oracle8 que escrevi com David Melbourne. David veio com essa técnica extraordinária, que é baseado nas letras do alfabeto, e fornece um método completamente novo – facilitando em muito a comunicação.

P: Como um compositor prolífico você encontra inspiração musical em seus sonhos?

Gosto de escrever música – e me diverti muito compondo a música para um ballet de longa-metragem chamado a Princesa do Povo, em conjunto com Dame Gillian Lynne (que coreografou fantasma de Andrew Lloyd Webber de The Opera e Cats). Algumas peças foram gravadas para um CD pela Orquestra Sinfônica de Moscou.

Outras composições incluem um Requiem completo, um musical, uma concerto de guitarra, uma peça Memorial do Holocausto, um hino para a Arménia, e várias músicas (incluindo peças religiosas separadas do Requiem – Ave Maria, Pie Jesu, Nunc Dimittis, Magnificat, Nosso Pai), e um concerto para ‘Cello’. Atualmente estou trabalhando em uma ópera bastante emocionante.

Algumas das minhas músicas originam-se da fonte maravilhosamente criativa que é o mundo dos sonhos. Ao acordar, eu corro para o sintetizador para gravar o fragmento que me veio!

P: O que fez você se interessar pela imaginação e sonhos?

Eu sei exatamente o gatilho que despertou o meu interesse por isso. Quando ainda uma criança de cerca de seis anos, minha professora me disse: “Você sabe quando sonha acordado, Keith e vê imagens …”. Fiquei intrigado com o que ela estava dizendo, porque eu nunca tinha isso e não tinha nenhuma imagem visual (em vigília) Outras crianças, porém, diziam “Sim senhorita!”. Percebi naquele idade precoce que existem grandes diferenças individuais nas pessoas.

A ideia ficou na minha mente. Mais tarde, quando uma irmã mais velha estava na faculdade, ela trouxe livros para casa de Freud, Jung, etc. Eu os li avidamente, de modo isso também cimentou meu interesse em sonhos.

Como estudante de graduação na Universidade de Reading, na Inglaterra, eu desenvolvi uma técnica de “rastreamento” que permita pessoas em hipnose, externalizar o que viam. Chamei o método de Hipno-Onirografia”

A pessoa se senta na frente de uma grande mesa de desenho em hipnose, e é instruída a ter um sonho hipnótico vívido (ou mesmo para explorar uma ‘vida passada’). As imagens dos sonho é interrompida por um comando e então o sujeito abre seus olhos, a imagem fica enquadrada-congelada na mesa e o desenho é feito. As cores são descritas, e depois as pintamos. Sequencias de imagens congeladas podem revelar cenas de toda uma experiência imagética.

A ‘Efeito Mudança de Cena” foi imediatamente descoberto assim. Parece que os ‘pixels’ da imagem anterior é quase sempre re-arranjada na formação de nova cena, como que seguindo uma “lei do mínimo esforço”. Este efeitos ocorrem em sonhos comuns também. Eu gostaria de ver o meu efeito em um filme de Hollywood!

 

Exemplo do Efeito Mudança de cena usando a Hipno-Onirografia

P: Existe alguma coisa que você gostaria de compartilhar com os interessados em sonhos lúcidos?

Quando alguém é pioneiro em um novo campo, alguns indivíduos muito entusiasmados vão tentar “pegar o bonde andando’, e fazer reivindicações de associação e até mesmo prioridade. Então, algumas pessoas (principalmente na América) têm uma ideia completamente errada sobre o início da pesquisa do sono em laboratório em sonhos lúcidos, e ignoram meu trabalho pioneiro. Jornalistas preguiçosos têm perpetuado sem querer esse tipo de desinformação.

As coisas estão mudando agora, tenho o prazer de dizer. A Internet tem sido boa para isso – toda a informação está lá, para que todos poderem ver. Esses novos escritores modernos que exigem mais precisão na história da ciência (como Daniel Amor) estão superando esse passado.

P: Com o que você está trabalhando agora?

Estou escrevendo um livro importante agora, que introduz novos conceitos. Ele vai perturbar algumas pessoas. Além disso, estou compondo uma ópera dramática baseado em uma pessoa real da história. Eu também estou contribuindo para a tradução em Inglês do livro marco Hervey St Denys ‘no sonho lúcido, um projeto chamado Traduzindo Sonhos, que está agora em fase de captação de recursos no Kickstarter. Eu tenho ainda algumas invenções que eu gostaria de trabalhar, também – mas preciso racionar o meu tempo!

Referências

1. Hearne, KMT (1978) Lucid-sonhos: um estudo eletrofisiológico e psicológica. Tese de doutorado da Universidade de Liverpool (Reino Unido). Submetido maio de 1978.
2. Hearne, K. (1990) The Dream Machine. Aquarian Press. Reino Unido
3. Hearne, KMT (1981) Um fenômeno Light-chave em sonhos lúcidos. Journal of Mental Imagery, 5 (2): 97-100.
4. Hearne, K. (1989) Visões do futuro. Aquarian Press. Reino Unido
5. Melbourne, D. & Hearne, K. (1997) Interpretação de Sonhos: The Secret. Blandford Press. Reino Unido
6. Melbourne, D. & Hearne, K. (1999) O significado dos seus sonhos. Blandford Press.
7. Hearne, K. & Melbourne, D. (2001) entendimento dos sonhos. New Holland Press.
8. Melbourne, D. & Hearne, K. (2002) The Dream Oracle. Foulsham Publishers. Reino Unido
9. Hearne, K. (1990) The Dream Machine. Aquarian Press. Reino Unido. Páginas 69-72.

Por Rebecca Turner. Tradução Tamosauskas

[…] aspectos do sonho, e até mesmo mover-se de lugar em lugar dentro dele. Hoje conhecemos isso como sonho lúcido, mas o termo não estava em uso quando Lovecraft sonhou com Cthulhu, Nyarlathotep, Yuggoth e o […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-ciencia-do-sonho-lucido-entrevista-com-dr-keith-hearne/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-ciencia-do-sonho-lucido-entrevista-com-dr-keith-hearne/

A psicologia das Religiões

Bate-Papo Mayhem 124 – gravado dia 22/12/2020 (terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Maycon Rodrigo Torres – A psicologia das Religiões

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-psicologia-das-religi%C3%B5es

Como Vencer Qualquer Debate Sem Precisar Ter Um Pingo de Razão

Toda verdade passa por três estágios:

No primeiro ela é ridicularizada.
No segundo é rejeitada com violência.
No terceiro é aceita como algo óbvio e evidente por si própria.

– Arthur Schopenhauer

 

ENtãO, vOCê QuRE sER o tROLLzÃo DA INTerNeT?
– Sr. Meias

 

Estou escrevendo isto na última semana de outubro de 2018, logo o primeiro parágrafo oficial começa com: “acabamos de passar pela cólica de diarréia mais estranha que a Realidade já teve, os incultos nas artes ocultas, os não ligados ao ocultismo, os prisioneiros do véu de Maya chamaram simplesmente de as eleições mais sinistras da democracia do Brasil…” Este parágrafo que você lê agora, então, não é o primeiro parágrafo do texto. Ele serve apenas para localizar o que você vai ler no tempo para não ter nenhum desavisado[1] pensando “mas do que ele está falando? Não teve eleição agora!” e pode ser ignorado! Vamos ao primeiro parágrafo de verdade agora:

Acabamos de passar pela cólica de diarréia mais estranha que a Realidade já teve, os incultos nas artes ocultas, os não ligados ao ocultismo, os prisioneiros do véu de Maya chamaram simplesmente de as eleições mais sinistras da democracia do Brasil. Além de qualquer importância histórica ou democrática, essas eleições tiveram uma importância fundamental para nos mostrar 2 coisas:

1- O Brasil não precisa ter medo de uma ditadura ou um governo autoritário psicopata de direita ou esquerda: o próprio povo já faz o papel do líder fanático torturando, atacando, desacreditando e massacrando a sim mesmo ANTES DE QUALQUER RESULTADO DE ELEIÇÃO!

E

2- Um deputado hoje ganha um salário de R$33.763,00 reais. Além disso, durante o exercício do mandato cada deputado tem mais uma cota para o exercício da atividade parlamentar (conhecida como Ceap). O valor depende do estado de cada deputado por causa dos valores das passagens aéreas, para ter ideia os representantes do Distrito Federal recebem a menor quantia (R$30.788,66) enquanto os de Roraima recebem a maior (R$45.612,53). Além disso cada um recebe mais R$106.866,59 por mês para gastar com a contratação de secretários para sí. Mais R$4.253,00 de auxílio moradia. Fora isso tem mais algumas regalias como Ajuda de custo: no início e no fim do mandato, o parlamentar recebe ajuda de custo equivalente ao valor mensal da remuneração. A ajuda é destinada a compensar as despesas com mudança e transporte. E no fim ainda ganham uma Aposentadoria: a lei do Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC – Lei 9.506/97) prevê aposentadoria com proventos proporcionais ao tempo de mandato.

Isso é o dinheiro que ganha um deputado. Não um senador, não um presidente não um milionário… um mero deputado. Pegue uma calculadora e faça a conta.

De cara vemos que a primeira coisa só nos diz respeito a nossos vizinhos e parentes, colegas de trabalho e cônjuges. Já a segunda coisa nos diz respeito a podermos ganhar tanto dinheiro que a lei dos homens vai deixar de significar qualquer coisa para nós. É dinheiro no bolso e você nem precisa ser competente ou bom no que faz. Sério. Passa uma semana assistindo a TV Câmara e pense que cada tiozinho e tiazinha que você vê está com cara de saco cheio tem a conta bancária muito mais cheia do que o saco. Do que a sua 🙂

Nem terminou de ler o texto e já decidiu que quer entrar para a política junto com o tiozinho da borracharia, o dono da churrascaria e aqueles caras que fazem santinhos com a foto do Faustão e o número de chapa deles? Ótimo!

Vamos então te dar o curso completo de como entrar para vencer. Como vencer. Como virar um ator da TV Câmara!

 

LIÇÃO 1

Com quantos paus se elege um deputado?

Nas eleições para a Presidência, os governos estaduais, as prefeituras e o Senado, um voto corresponde a um voto. Nas eleições para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa, não é bem assim. O sistema proporcional adotado no Brasil faz com que um deputado federal por São Paulo, por exemplo, represente 432.000 habitantes, enquanto um colega eleito por Roraima representa 33.000 pessoas.

As distorções nas eleições proporcionais têm origem no chamado quociente (ou coeficiente) eleitoral e são agravadas pela existência de limites para as representações estaduais, que podem ser de no mínimo oito e de no máximo 70.

O quociente eleitoral indica quais partidos terão direito a ocupar vagas no legislativo e é obtido a partir da divisão do total de votos válidos – excluindo nulos e em branco – pelo número de cadeiras a serem preenchidas. São Paulo, por exemplo, tem direito à 70 vagas na Câmara. Caso 30 milhões dos 33 milhões eleitores do estado compareçam às urnas em 2010 (e não haja nenhum voto nulo ou em branco) o quociente será de 430 mil: ou seja, a cada 430 mil votos o partido elege um deputado, caso não atinja essa marca, não terá representantes.

Já, para saber quantas vagas caberão a cada legenda que atingiu o coeficiente eleitoral, calcula-se o quociente partidário: é só dividir o número de votos que o partido recebeu (soma dos votos de todos os seus candidatos, mais aqueles dados à legenda) pelo quociente eleitoral do estado.

A partir do exemplo descrito acima se um partido qualquer de São Paulo alcançar 900 mil votos, ele terá direito a duas vagas na Câmara. É por isso que, no Brasil, um candidato que recebe mais de 100.000 votos pode não se eleger, enquanto outro com menos de 100 consegue uma vaga.

Pronto. Fim da lição 1. Você achou que seria longa e chata e se deu mal. Foi curta e legal. Curta porque tem 5 parágrafos rápidos. Legal porque te mostra como traçar sua estratégia geográfica: se candidatar em uma área com menos habitantes significa que você precisa de menos votos, se for uma área pequena longe do DF significa que você vai ganhar uma Ceap maior.

Ótimo, agora vamos para a lição 2

 

LIÇÃO 2

Com quantos paus se faz uma eleição?

É claro que você encontrará concorrência, afinal não precisa ser muito inteligente para ver como ser um candidato eleito tem vantagens. E não falamos apenas das vantagens óbvias como poder fazer suruba sem se mexer, mas das vantagens financeiras! Assim muitas pessoas vão entrar na briga com você, mas quantas pessoas exatamente? Quantas pedras entram no seu sapato se você decidir abraçar a vida pública?

Nas eleições de 2018 o Acre teve 445 candidatos concorrendo a Deputado Estadual. São Paulo teve 2047. Roraima, os que recebem a maior Ceap: 458.

Você vê que mesmo no Acre teria que concorrer com 445 candidatos dos quais

24 foram eleitos – e desses 12 reeleitos. Numa linguagem jovem que todo mundo que já prestou vestibular entende, no acre seriam 18 candidatos por vaga.

Em São Paulo são 70 cadeiras, 46 a mais que o Acre, e você as disputaria com outros 2047 concorrentes: 29 candidatos disputando cada vaga.

Faça a lição então e busque a proporção mais interessante de candidatos por cadeira para ver onde você teria brigas mais interessantes e podemos ir para a lição 3.

 

LIÇÃO 3

Com quantos paus se faz uma suruba?

Em qualquer disputa eleitoral você vai depender de basicamente 2 coisas:

1- Seu plano de mandato, aquilo que você acredita e representa, sua integridade e sua moral, sua capacidade de exercer o cargo, etc. etc. etc.

e

2- Como você se sai em todo e qualquer debate.

Lembre-se que você vive em um mundo onde as pessoas preferem estar juntas do que estar certas. Lembre-se que a psicologia humana se utiliza de termos como “comportamento de manada”, “Olocracia” e “tirania da maioria” quando o assunto é viver a vida e votar em alguém.

Assim, antes de ser bom, bonito ou inteligente o vencedor é aquele que mostra o quão ruim, feio e burro são os seus oponentes e acredite isto não é exagero – a não ser que você ache que Alexandre Frota e Tiririca são mesmo exemplos de ótimos … não sei o que dizer aqui… bem a não ser que ache que Frota e Tiririca sejam ótimos exemplos que qualquer outra coisa além do que escrevi até aqui!

A lição 3, esta que você lê agora, então é a última e mais importante deste curso. Nela vou resumir em 23 estratagemas a arte de Como Vencer Qualquer Debate Sem Precisar Ter Um Pingo de Razão – dai tiro o nome do artigo.

Você não precisa ser culto. Você não precisa ser erudito. Você não precisa ser inteligente. Você não precisa ser um bom estrategista, nem um mal estrategista… diabos, você nem precisa saber o que “estrategista” significa!

O mais lindo é que você pode usar nossos pequenos estratagemas para ser simplesmente aquele chato com quem ninguém mais tem saco de conversar. O senhor ou senhora da Razão. Se dominar com maestria o que vou ensinar as empresas de telemarketing vão ter medo de ligar para você – mesmo a NET ou a VIVO ou o Santander!

Pois bem se prepara então e vamos cair de boca nos “principais esquemas argumentativos enganosos que os maus filósofos utilizam, com razoável sucesso, para persuadir o público de que 2 + 2 = 5.

De hoje em diante a “arte de discutir” vai se tornar, em suas mãos, “a arte de discutir de modo a vencer” – per fas et per nefas (por meios lícitos ou ilícitos)”. Como acima, usarei termos em latim não apenas para parecer mais inteligente do que você, mas porquê eles trazem significados importantes fáceis de serem pesquisados e mostram como um pouco de palavras diferentes podem tornar o seu discurso ainda mais potente! Pesquise-as se quiser.

 

ESTRATAGEMA 1

Ampliação indevida ou Expansão

Levar a afirmação do adversário para além de seu limite natural, interpretá-la da maneira mais genérica possível, tomá-la no sentido mais amplo possível e exagerá-la; inversamente, concentrar a própria afirmação no sentido mais limitado, no limite mais restrito possível; pois, quanto mais genérica se torna uma afirmação, a mais ataques ela fica exposta. O antídoto é a colocação exata dos puncti (Latim; pontos, terminação, fim) ou status controversiae (Latim; controvérsia, no caso, apontar a controvérsia, contradição)

Exemplo:
Candidato A diz que as drogas devem ser legalizadas. Você deve dizer que, como os traficantes usualmente cometem homicídios, sequestros, extorsões, etc, o candidato A está sugerindo os bandidos devem ser perdoados por todos esses crimes.

Comentário:
O argumento a favor da legalização propõe o fim de um único crime: o comércio de determinadas substâncias. Nada foi dito em relação aos demais crimes, pois supõe-se que estes devam permanecer proibidos.

Está percebendo como a coisa funciona? Está vendo para onde vamos te levar?

 

ESTRATAGEMA 2

Homonímia sutil

Homonímia são palavras que possuem a mesma grafia ou a mesma pronúncia, mas com significados diferentes entre si: manga a fruta e manga da camisa, sessão que indica período de tempo e seção que indica um departamento, etc.

Use a homonímia para tornar a afirmação apresentada pelo concorrente extensiva também àquilo que, fora a identidade de nome, pouco ou nada tem em comum com a coisa de que se trata; depois refutar com ênfase esta afirmação e dar a impressão de ter refutado a primeira.

Exemplo:
Candidato A diz que pretende combater o sistema que gera prejuízo à sociedade. Você deve dizer que a esquerda usa a palavra “sistema” para se referir ao “sistema capitalista” que consiste do livre mercado, propriedade privada, direito a emprego, busca do lucro, etc. Logo seu concorrente, obviamente o pior dos comunistas, deseja combater o seu direito ao emprego, à propriedade privada, etc…

Comentário:
Obviamente o concorrente está tratando da cultura da imoralidade e da impunidade, que permite que o crime se alastre, contando com o apoio de políticos e policiais corruptos, mas o público nem vai se atentar a isso se seu rosto ficar vermelho e suas veias saltarem enquanto você o critica.

 

ESTRATAGEMA 3

Mudança de modo

A afirmação que foi apresentada em modo relativo … é tomada como se tivesse sido apresentada em modo absoluto, universalmente …, ou pelo menos é compreendida em um sentido totalmente diferente, e assim refutada com base neste segundo contexto.” Isto faz com que “o adversário, na realidade, fala de uma coisa distinta daquela que se havia colocado. Quando nos deixamos levar por este ‘’estratagema’’, cometemos, então, uma ‘’ignoratio elenchi’’ (ignorância do contra-argumento).

Exemplo: 

Candidato A defende a descriminalização do aborto. Você deve argumentar que ao descriminalizar o assassinato de crianças dentro do útero da própria mãe o homicídio de qualquer natureza será descriminalizado.

 

ESTRATAGEMA 4

Pré-silogismos

Silogismos são a ‘conexão de ideias’ o ‘raciocínio’, necessários para a argumentação lógica perfeita.

Quando desejar chegar a uma certa conclusão, evite que esta seja prevista, e trabalhe de forma que o adversário, sem percebê-lo, admita as premissas uma de cada vez e dispersas sem ordem na conversação.

Para isso apresente as premissas dessas premissas e faça uso de pré-silogismos; fazer com que as premissas de vários desses pré-silogismos sejam aceitas de modo desordenado e confuso, ocultando, portanto, o próprio jogo até que tudo o que se necessita esteja admitido.

Quando o seu concorrente admitir que cada pedaço de coisa que você falou faz sentido, ordene sua lógica e agradeça a ele por concordar que sua ideia – por mais esdrúxula que seja – é melhor do que a dele próprio.

 

ESTRATAGEMA 5

Uso intencional de premissas falsas

Pode-se, para comprovar as próprias “proposições, fazer antes uso de proposições falsas, se o adversário não quiser aceitar as verdadeiras, seja porque percebe que delas a tese será deduzida como conseqüência imediata. Então adote proposições que são falsas em si mesmas mas verdadeiras ad hominem, e argumente ex concessis, a partir do modo de pensar do adversário.”

 

ESTRATAGEMA 6

Petição de princípio oculta

Petitio principii é uma retórica falaciosa que consiste em afirmar uma tese que se pretende demonstrar verdadeira na conclusão do argumento, já partindo do princípio que essa mesma conclusão seja verdadeira em uma das premissas.

Você deve ocultar uma petitio principii, ao postular o que deseja provar:

  1. usando um nome distinto ou ainda usando conceitos intercambiáveis;
  2. fazendo com que se aceite de um modo geral aquilo que é controvertido num caso particular;
  3. se, em contrapartida, duas coisas são consequência uma da outra, demonstraremos uma postulando a outra;
  4. se precisamos demonstrar uma verdade geral e fazemos que se admitam todas as particulares (o contrário do número 2).

ESTRATAGEMA 7

Perguntas em desordem

Quando a disputa é conduzida de modo rigoroso e formal e queremos fazer com que nos entendam com perfeita clareza, então aquele que apresentou a afirmação e deve prová-la procede contra o adversário fazendo perguntas para concluir a verdade a partir das próprias concessões do adversário. Simplesmente faça de uma só vez muitas perguntas pormenorizadas, e oculte o que, na realidade, quer que seja admitido.

 

ESTRATAGEMA 8

Encolerizar o adversário

Provoque a cólera do adversário, para que, em sua fúria, ele não seja capaz de raciocinar corretamente e perceber sua própria vantagem.

 

ESTRATAGEMA 9

Perguntas em ordem alterada

Dê uma de louco! Ouça o que seu concorrente diz e ao invés de começar a questioná-lo de forma lógica e racional faça perguntas numa ordem diferente da exigida pela razão que levaria à conclusão que dela pretendemos, com mudanças de todo tipo; assim, o adversário não conseguirá saber aonde queremos chegar e não poderá se defender de seus ataques.

 

ESTRATAGEMA 10

Pista falsa

Se percebemos que o adversário, intencionalmente, responde pela negativa às perguntas cuja resposta afirmativa poderia confirmar nossas proposições, então devemos perguntar o contrário da proposição que queremos usar, como se quiséssemos que fosse aprovada, ou então, pelo menos, por as duas à escolha, de modo que não se perceba qual delas queremos afirmar. Você não gosta de não colocar açúcar no seu café?

 

ESTRATAGEMA 11

Salto indutivo

Se o adversário já aceitar casos particulares, não “perguntar-lhe se admite também a verdade geral” derivada dos casos particulares; introduzi-la “como se estivesse estabelecida e aceita”.

 

ESTRATAGEMA 12

Manipulação semântica

Faça o concorrente trabalhar para você associando a um termo um conjunto de significados diferentes do original, significados que mostrem que você é a escolha certa. Com isso, o termo já conterá, em si, a conclusão a que se quer chegar de que até a concorrência te apóia.

 

ESTRATAGEMA 13

Alternativa forçada

Apresentar ao adversário uma alternativa menos provável que sua própria. Faça com que ele comece a debater essa alternativa como se a defendesse. Faça ele chegar à conclusão de que a sua alternativa é melhor do que a que ele estava discutindo como se fosse dele. Sorria para as câmeras.

 

ESTRATAGEMA 14

Falsa proclamação de vitória

Non causae ut causae – tratar como prova o que não é prova!

Uso as respostas tolas de seu concorrente – geralmente resultado de sua timidez ou ingenuidade – e passe a falsa certeza de que você venceu o debate.

Esta técnica também pode ser usada como castigo para o concorrente com uma leve modificação: faça muitas perguntas e, mesmo sem obter respostas favoráveis, ou mesmo mínimas respostas, proclame o reconhecimento da tese apresentada.

 

ESTRATAGEMA  15

Anulação do paradoxo

Para triunfar, faz-se uma redução ad absurdum.

Basta que você assuma uma ou mais hipóteses a partir de qualquer coisa que o concorrente diga e, a partir destas, deriva uma consequência absurda ou ridícula, e então conclui que a suposição original deve estar errada “como qualquer tolo pode ver”. Neste estratagema quanto mais criativo você for, melhores os resultados!

 

ESTRATAGEMA 16

Uso intencional da mutatio controversiae

Estratagema que consiste em “interromper o debate a tempo” quando se está ameaçado de ser abatido, sair do debate “ou desviá-lo e levá-lo para outra questão”.

 

ESTRATAGEMA 17

Fuga do específico para o universal

Por exemplo, “se temos de dizer por que uma determinada hipótese física não é crível, falaremos da incerteza geral do saber humano, ilustrando-a com toda sorte de exemplos.”

 

ESTRATAGEMA 18

Falsa reductio ad absurdum

É o estratagema 15 entupido de esteróides! Tire falsas conclusões absurdas dos argumentos do adversário. Com isso você refuta essas conclusões, fazendo tudo parecer uma reductio ad absurdum.

 

ESTRATAGEMA 19

Retorsio argumenti

Usar o argumento do adversário contra ele próprio, sempre que isso for possível. E acredite, SEMPRE É POSSÍVEL!

 

ESTRATAGEMA 20

Argumento ad auditores

Apresentar uma objeção falsa, mas cuja falsidade somente poderia ser percebida por um auditório capacitado no assunto em questão.

Exemplo:
Qualquer político que use qualquer ou todos os argumentos de ONGs e ambientalistas, que dizem que é preciso reduzir a emissão de gás carbônico a fim de reduzir o efeito estufa (e, consequentemente o aquecimento global).

Comentário:
Enquanto 50% dos cientistas defende que as causas e o próprio aquecimento global serão a ruína do planeta ou outros 50% dos cientistas questionam as causas e a própria existência do fenômeno. Ou seja, apesar de ser politicamente incorreto ou mesmo socialmente de mal gosto o aquecimento global ainda é uma incógnita, não sabemos o que o causa ou o que mesmo ele é. Mesmo assim o argumento é sempre apresentado à plateia leiga como se fosse consensual e o melhor é ainda encerrar afirmando que não há convergência científica sobre o assunto quando na verdade há.

Em resumo:
80% das pessoas costumam acreditar em qualquer dado seguido de um símbolo de ‘%’ sem se preocupar em checar a sua veracidade, inclusive neste resumo.

 

ESTRATAGEMA 21

Negação da teoria na prática

Aceite os fundamentos de um argumento apresentado, mas negue que eles possam ser colocados em prática. Se utilize do ESTRATAGEMA 20 sempre que precisar parecer melhor informado.

Exemplo:

Você diz que o Estado deve proibir a produção de anúncios que tem como público alvo crianças com menos de 14 anos porque elas não tem capacidade de discernir um anúncio publicitário de uma peça de entretenimento, e assim as empresas obrigam as crianças a se tornarem defensoras de suas marcas, etc.

Seu concorrente contesta dizendo que você está totalmente correto: “a infância é muito bela e importante para ser corrompida” mas… é dever dos pais fazer essa vigilância e explicar a diferença entre uma propaganda e um programa infantil. Os pais é que devem ensinar os filhos a serem consumidores conscientes.

Você simplesmente responde: “Ah, se na prática fosse assim…”

Obs.: O tom irônico é fundamental para dar força a este estratagema. O sarcasmo ajuda a esconder o sofisma: se na prática os pais não são capazes de cuidar de seus próprios filhos, tanto menos será o Estado, que tem provado consistentemente sua incompetência em toda as áreas, em particular na educação das crianças.

Este estratagema é ótimo porque pode, em muitos casos, cortar ataques que você pode receber do concorrente. “Ah claro… se o mundo fosse assim…”

 

ESTRATAGEMA 22

Discurso incompreensível

Desconcertar, aturdir o adversário com um caudal de palavras sem sentido. Isto baseia-se em que, ‘normalmente o homem, ao escutar apenas palavras, acredita que também deve haver nelas algo para pensar’ (Goethe, Fausto)

 

ESTRATAGEMA 23

Último estratagema: Ofensas pessoais

E, caso o debate se mostre totalmente uma perda de tempo: ataque seu concorrente pessoalmente, com grosseria e agressividade!

 

 

Conclusão

A maioria dos seres humanos, por terem uma inteligência mediana, recorrem a um ou mais desses estratagemas instintivamente! Ao invés de evitar o horário político nas épocas de eleição o abrace. Procure assistir debates atuais e antigos de candidatos. O Youtube está ai para isso. Como lição de casa tente desmontar cada embate discernindo que estratagema cada um usa em todos os momentos. Torne-se um mestre do ataque e da retórica.
Estude com afinco e logo você poderá se gabar de estar jogando no mesmo time que todos adoram xingar e criticar, mesmo continuando a lhes dar caminhões e mais caminhões de dinheiro todo mês!
Notas:
[1] Por “desavisado” quis dizer idiota, mas acharam que começar um texto chamando as pessoas de idiotas não era “educado”, então escrevi desavisado, mas quero dizer mesmo é idiota.

por Senhor Meias

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/como-vencer-qualquer-debate-sem-precisar-ter-um-pingo-de-razao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/como-vencer-qualquer-debate-sem-precisar-ter-um-pingo-de-razao/

Financiamento coletivo trás obra completa de Austin Osman Spare em português

Imagine um livro reunindo as obras (conhecidas e desconhecidas) de Austin Osman spare. E não estamos falando apenas dos textos mas dos desenhos e pinturas – todas em alta definição. Todos os textos traduzidos de maneira primorosa para o português em uma edição de mais de 500 páginas, capa dura e tudo mais que o avô da Magia do Caos merece.

livro spare

Calma, segurem seus sigilos, o livro já está em pleno processo de materialização através da Oficina Palimpsestus.

Eles reuniram uma equipe de profissionais que se dedicaram a uma pesquisa minuciosa para trazer para você, num volume único, os escritos de Spare sobre magia e suas reflexões filosóficas, além, é claro, de ilustrações, desenhos e pinturas.

desenho spare

O livro “Arte e magia do caos: obra reunida de Austin Osman Spare” terá encadernação em capa dura, será impresso em papel Pólen, que promove uma experiência suave de leitura, e em papel Couché, para destacar a qualidade das imagens, além das mais de 500 páginas. Uma obra que vai deixar a Bíblia da sua avó, e a sua própria avó, com inveja!

O projeto foi lançado no Catarse dia 10/10. Você pode ver mais detalhes e os valores visitando a página deles aqui.

A previsão de impressão para o livro e as recompensas de quem participar é o final de fevereiro de 2021.

Dividido em três partes, a primeira traz dois ensaios: um, escrito por Rogério Bettoni, introduz o leitor à vida e obra de Austin Osman Spare e o outro, assinado por Matt Lee, doutor em filosofia pela Universidade de Sussex e professor de filosofia da Universidade de Brighton, que faz uma aproximação entre o sistema mágico de Spare e a filosofia dos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari.

A segunda parte contempla toda a obra pública de Spare, tanto escrita quanto visual, e um caderno com ilustrações e reproduções de suas obras. A terceira parte é dedicada à cronologia e notas.

E não é só isso, como um bônus eles também estão publicando as CARTAS SURREALISTAS PARA PREVISÃO DE CORRIDAS [Obeah Cards], um baralho de 25 cartas feito por Spare para prever resultado de corridas de cavalo. As cartas foram feitas para sua amiga Ada Millicent Pain, que o acolheu depois que seu estúdio foi bombardeado pelos nazistas.

cartas obeah

As cartas serão uma recompensa exclusiva para os apoiadores do projeto no Catarse, e você terá a opção de escolher um conjunto de cartas numeradas de 25 a 50, como criadas por Spare, ou sem numeração para que você possa usá-las para prever resultados de diferentes eventos. Nas palavras de Phil Baker, biógrafo do autor: “As cartas surrealistas de previsão […] são uma obra de arte baseada no jogo; uma rara combinação. Nesse sentido, a única comparação real no cânone da história da arte – conceitual, um tanto jocosa, mas supostamente prática – só poderia ser o sistema de roleta de Marcel Duchamp”.

Mas o que exatamente você encontrará no livro?

* Terra Inferno [Earth Inferno] (1905)
* Livro dos sátiros [A Book of Satyrs] (1907)
* Livro dos prazeres (amor-de-si): psicologia do êxtase [The Book of Pleasure (self-love) – The Psychology of Ecstasy] (1909-1913)
* O foco da vida: murmúrios de Aaos [The Focus of Life: The Mutterings of Aaos] (1921)
* Anátema de Zos: sermão aos hipócritas [The Anathema of Zos] (1927)
* O livro do repugnante êxtase [The book of Ugly Ecstasy] (1996)
* Livro de desenhos automáticos [A Book of Automatic Drawing] (1972)
* O vale do medo [The Valley of Fear] (2008)
* Sabá das bruxas [The Witches’ Sabbath]
* Mente a mente e como [Mind to Mind & How] e Cartas de previsão de corridas surrealistas [Surrealist Racing Forecast Cards]
* O livro de Zos vel Thanatos [The Book of Zos vel Thanatos]
1. Logomaquia de Zos [The Logomachy of Zos]
2. Grimório zoético de Zos : a fórmula de Zos vel Thanatos [The Zoetic Grimoire of Zos (The Formulae of Zos vel Thanatos)]
3. A palavra viva de Zos [The Living Word of Zos]

O livro contará ainda com um caderno especial de imagens de alta resolução com dezenas de ilustrações e pinturas de Spare.

quadros spare

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👌

Puta merda!

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/financiamento-coletivo-tras-obra-completa-de-austin-osman-spare-em-… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/financiamento-coletivo-tras-obra-completa-de-austin-osman-spare-em-portugues/

Enteogenos e Magia – Priscilocibina

Bate-Papo Mayhem #249 – gravado dia 16/11/2021 (Terça) 21h30 – Com Priscilocibina – Enteogenos e Magia

Os bate-papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Priscilocibina https://www.youtube.com/channel/UCwZEmV0ZkVTztdN6gE9MDgw

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