O Livro Que Leva À Loucura: Excalibur

No momento em que escrevemos, um iate luxuosíssimo percorre os oceanos do globo. Traz bandeira que não é de nenhum país conhecido ou desconhecido. Tem a bordo um certo número de guardas armados, pois muitas vezes tentou-se forçar o cofre-forte do capitão; esse cofre-forte contém um livro muito perigoso cuja leitura torna louco o que lê e se chama Excalibur.

Para que essa história seja compreensível, é preciso referir-se à vida do proprietário do iate, um americano chamado Lafayette Ron Hubbard, e à suas duas descobertas, a dianética e a cientologia. A história de Hubbard foi, geralmente, contada de forma humorística por Martin Gardner no livro “Os mágicos desmascarados” e por mim mesmo em “Rir com os Sábios”. Mas um certo número de fatos novos, aparecidos no curso dos dois últimos anos, tendem a fazer admitir que tal história não é apenas extravagante. Tentarei contá-la de maneira a mais neutra possível.

Lafayette Ron Hubbard é, indiscutivelmente, um explorador e um oficial da marinha americana, extremamente corajoso. Foi também – não escreveu muito no gênero – um dos melhores autores americanos de ficção científica e do fantástico. Entre seus romances traduzidos em francês, citamos Le bras droit de la mort (Hachette).

A melhor parte de sua obra, no que concerne à ficção científica e ao fantástico, foi escrita antes da guerra de 1940. durante essa guerra, em virtude de um ferimento que recebeu num combate com os japoneses, Hubbard sofreu a experiência da morte clínica. Foi reanimando, mas parece ter-se conscientizado que não o fora por vias normais, e ter tido percepções e sensações que nunca pôde suficientemente explicar.

Assim é que, depois da guerra, ele passou a meditar, sistematicamente, sobre o sistema nervoso humano. Acabou concebendo uma nova teoria que batizou de dianética, que comunicou a John Campbell, célebre editor de ficção-científica.

A dianética era uma espécie de psicanálise própria para seduzir os americanos. Estes são, com efeito, ávidos pelo “Faça você mesmo”, e a dianética permitia exercer seus talentos sobre qualquer um, sem necessidade de qualquer prévio estudo.

A teoria geral da dianética admite, como Freud, um inconsciente, mas enquanto o inconsciente freudiano é extremamente astucioso – era copiado do diabo – o inconsciente de Hubbard é sobretudo estúpido. Ele nos obrigava a fazer as piores asneiras, pois era totalmente literal e incapaz de transcender o significante, e composto de registros ou engramas (Hubbard usa esse termo científico num sentido que não lhe é dado normalmente).

O inconsciente de Hubbard forma muito cedo, notadamente durante a vida do feto. E basta, sempre segundo Hubbard, que se diga à uma mulher gestante “você se obstina em andar à esquerda” para que a criança, tornada adulta, cai, sem resistência, para um esquerdismo extremado!

Se chegássemos a desembaraçar um cérebro de todos esses significantes, anuncia triunfalmente Hubbard, produziríamos um sujeito perfeitamente “claro”. Esse sujeito “claro”, desprovido de qualquer complexo, inteiramente são espiritualmente, constituiria o embrião de uma espécie humana nova, próxima ao sobre-humano. Isto poderia ser conseguido através de simples conversa com o sujeito, utilizando técnicas que Hubbard descrevia em seus artigos de “Astounding Science-Fiction” ou em seu livro “Dianetices”, que, imediatamente aparecido, se tornou um best-seller.

Hubbard começou por tratar sua mulher. Logo que se tornou “clara”, ela pediu o divórcio, o que obteve. Tratou, em seguida, de um amigo, que logo que ficou “claro”, matou sua mulher e se suicidou. Então, a popularidade da dianética tornou-se imensa. Por volta de 1955, os americanos que se tratavam pela dianética eram milhares. Os resultados não foram tão sensacionais como no começo, mas esse pequeno jogo de salão fez logo concorrência à psicanálise.

A psicanálise tem, evidentemente, a vantagem de aplicar-se aos animais. Há nos Estados Unidos psicanalistas para cães, e não se conhecem técnicos da dianética para cães. A dianética, ao contrário, tem a vantagem de ser rápida, pouco custosa, e de apresentar a “psique” humana, não em termos complicados, mas segundo diagramas bastante iguais àqueles que permitem a qualquer um instalar em casa uma campainha elétrica. E antes de tudo, é mais reconfortante.

Certos psicanalistas foram também tratados, e sem tornar-se absolutamente “claros”, reconheceram que a tal dianética lhes fazia bem. Quando se lê Hubbard, não se tem a impressão de que ele é mais louco que Reich ou Ferenczi. Talvez menos. E no que concerne às lembranças formadas durante a vida do feto, Hubbard parece ter razão. O fenômeno parece ter sido clinicamente verificado, e põe um problema que não foi resolvido: como o feto, que não tem ainda um sistema auditivo, pode entender o que se diz ao seu redor? No entanto, ele o faz, isto é certo.

O que quer que seja, não se pode dizer que a dianética seja mais ou menos louca que a psicanálise. Todas as duas “caminham” menos bem que os métodos do sacerdote budista primitivo, mas caminham. Há em todo psíquico um tal esforço para o equilíbrio, que não importa qual a técnica usada para amenizar provisoriamente um psiquismo defeituoso. Tal amenização, evidentemente, não é durável, só os métodos químicos realmente podem curar.

A dianética parecia destinada a ser apenas um desses métodos curiosos como existem tantos, e foi assim que todos a consideraram. Somente que a história só estava começando. Tendo refletido sobre os defeitos da dianética, Hubbard chegou à conclusão de que esta não tratava senão das cicatrizes psíquicas devidas aos acontecimentos dessa vida terrestre, e em nenhum caso as feridas adquiridas em vidas anteriores. Criou uma nova disciplina: a cientologia.

A dianética foi um fogo de palha, mas a cientologia, com um desenvolvimento lento e progressivo, conheceu um crescimento constante que fez com que, em 1971, o movimento cientologista constituísse uma força mundial que inquietou muita gente. Tal movimento tem muito dinheiro, não se sabe de que fonte. As partes de Hubbard no trabalho original lhe trouxeram uma riqueza enorme, fala-se em dezenas de milhões de dólares.

Hubbard escreveu outros livros além de “Scientology”. Notou pela informação de amigos próximos, algumas lembranças de suas vidas anteriores. Tais lembranças, segundo ele, provinham de uma grande civilização galáctica da qual somos uma colônia perdida.

Reuniu essas lembranças num livro chamado Excalibur, que deu a ler a alguns voluntários. Estes ficaram loucos e estão, segundo o que sei, internados.

Nem a dianética, nem a psicanálise, nem a cientologia, nem mesmo os medicamentos que se conhece puderam fazer algo por eles. Hubbard continuou a navegar nos oceanos e a tomar notas, enquanto desconhecidos tentavam forçar seu cofre e ler o Excalibur. Durante esse temo, a cientologia desenvolveu-se a um ponto tal que chegou a inquietar. Foi assim que Charles Manson, assassino de Sharon Tate, declarou que era o representante local da cientologia. Os cientólogos negaram e Hubbard mesmo afirmou que denunciara Manson ao FBI como sendo um perigoso diabolista. Os cientólogos são acusados de dominar pessoas, de controlá-las, de teleguiá-las e de visar, com isso, à possessão do mundo.

Respondem com calma, que se dizia a mesma coisa dos primeiros cristãos.

São extremamente numerosos, sem que se possam citar cifras. Mas em 1969, uma associação inglesa que lutava por uma medicina mais racionalista e por uma condenação mais severa às medicinas paralelas, denunciou-os logo todos os cientólogos ingleses se inscreveram na associação e ficaram sendo a maioria rapidamente. O que prova serem eles bastante numerosos.

Certos países falam em proibir a cientologia, mas, pelo que sei, isto nunca foi feito em parte alguma. Os meios materiais enormes de que dispõem os cientólogos lhes permitem inundar literalmente o mundo de jornais, revistas, documentos. A inscrição em um curso de cientologia não é onerosa e não é isto que dá recursos ao movimento. O conselho administrativo da sociedade que, em diversos países, é registrado conforme as leis locais, reconhece que é um bom negócio. Mas sem precisar exatamente como funciona esse bom negócio.

Um dos dirigentes da cientologia inglesa declarou à imprensa: “Se alguém procura atacar-nos, investigamos sobre ele, e encontraremos algo de desfavorável que traremos ao conhecimento público”. Isto efetivamente se produz, o que significa que a cientologia ou possui excelentes recursos de espionagem, ou meios para utilizar as melhores agências de detetives privados.

A cientologia não parece ser política, se bem que se denuncie, periodicamente, tal organismo como um novo nazismo ou, pelo menos, como uma variedade do rearmamento moral. Isto não parece estar provado. O que parece certo é que a cientologia drena para si clientes não somente de cultos marginais e pequenas seitas ocultas, mas de religiões tão bem estabelecidas, como o cristianismo, ou do marxismo. Ela está em progresso no plano do número e no plano do poder. Os que zombaram de Hubbard, e eu me coloco entre esses, estão, talvez, rindo muito cedo. O fenômeno da cientologia é muito curioso, e não foi ainda suficientemente estudado.

A cientologia atraiu muitos escritores de ficção-científica, mormente Van Vogt (autor do famoso best-seller “Le Monde des Ô) que, durante certo tempo, abandonara a ficção-científica para se ocupar, exclusivamente, da cientologia. Esta não renega a dianética, mas acrescenta um conteúdo suplementar que não se pode qualificar senão como visionário. E evidentemente Hubbard, sob seu aspecto exterior de aventureiro positivo e de engenheiro instruído, é um visionário. Parece que teve uma visão quando esteve sob morte clínica, e que teve outras depois. Infelizmente, não disse grande coisa sobre os dirigentes da cientologia, que parecem acolher no movimento homens de negócios, mas também outros personagens.

Ao nível do contato com o público, ao nível, igualmente, do ensinamento elementar da cientologia, encontram-se pessoas extremamente convencidas e, ao que parece, sinceras. Não saberia dizer exatamente o que se passa em nível superior. Em conseqüência da filosofia de Max Weber, chama-se geralmente “efeito carismático” a influência de um ser humano sobre outro. A cientologia agrupa pessoas que possuem efeito carismático muito elevado.

O que quer que seja, a reunião de membros de um grupo de cientologia ao redor de seu chefe, e por causa de cientologia geral, é de uma natureza fanática. A tal ponto que muitas queixas apareceram contra os grupos.

Contrariamente à Golden Dawn, a cientologia tornou-se uma central de energia que exerce um poder real passavelmente inquietante. O que não aconteceu com a dianética. Qualquer coisa foi injetada na estrutura de um movimento que estava declinando e que parecia uma seita dissidente e simplificadora da psicanálise; e esse movimento foi transformado em instrumento utilizado para fins que não sabemos ainda. O período da diversão acabou e podemos perguntar o que foi introduzido na dianética para criar um movimento assim tão dinâmico como é a cientologia.

Como no início de todas as religiões há um Livro, a esta cabe o livro Excalibur que, ao invés de ser difundido, é cuidadosamente guardado como o talismã secreto da nova religião. O fenômeno é curioso, pois em casos análogos como os Mórmons ou os Babistas, o livro-base – livro de Joseph Smith para os Mórmons, Profecias de Bab para os Babistas – foi largamente difundido. No que concerne à cientologia, assiste-se, ao mesmo tempo a um esforço extremamente moderno de propaganda e a uma organização que esconde um livro secreto que se poderia dizer maldito. Não se sabe o que aconteceu às pessoas que o leram: tornaram-se loucos simplesmente lendo-o, ou tentaram certas experiências?

(Respondo aqui à uma questão que me é feita com freqüência: por que não tentei transformar o movimento nascido do “Despertar dos Mágicos” e de “Planète” numa espécie de pára-religião? Responderia simplesmente que num estado de ignorância total da dinâmica dos grupos humanos, pareceu-me extremamente perigoso lançar novos movimentos pára-religiosos. Numa admirável novela de Catherine Mac Lean, “O efeito bola de neve”, que traduzi para o francês para o “Nouveau Planète nº 2”, vê-se um grupo de senhoras que se ocupam, numa pequena vila americana, de coletar vestimentas, arrumá-las e dá-las aos pobres. Sociólogos imprudentes lançaram a esse grupo uma estrutura dinâmica que acabou virando uma bola de neve que foi pegando outros grupos. E esse microcorpúsculo acabou conquistando o mundo… Esse tipo de coisa é, ao meu ver, inteiramente possível, e por isso cuidadosamente cortei qualquer tentativa de formação de uma pára-religião a partir do movimento Planète.)

Ao nível do público, o ensinamento cientológico parece-me bastante com a dianética primitiva, sob uma forma mais razoável. Pretende-se aumentar a intensidade da consciência em pessoas tratadas, e talvez o consiga. Isto não acontece sempre. Por exemplo, o autor de ficção-científica americano Barry Malzberg conta no início de 1971 como tendo visto no metrô de New York, cartazes de propaganda de cientologia, decidiu tomar lições. Isto não o levou adiante, mas talvez não tivesse boas vibrações iniciais…

O que é ensinado em nível superior, ignoro-o. A literatura de promoção diz respeito a informações provenientes de épocas em que a Terra não era ainda uma colônia perdida, mas fazia parte da humanidade galáctica. Isto parece ficção-científica, mas a bomba de hidrogênio e a viagem à Lua pareciam também. Seria preciso ver a coisa mais de perto.

É interessante notar igualmente que a cientologia se declara perseguida por pessoas bastante análogas no fundo, àquelas que chamo Homens de Preto, cuja existência postulo neste livro.

Deixando de lado Hubbard, que parece fora de circuito, voluntariamente ou não, não se sabe muito bem o que está atrás da cientologia. Cai-se num paradoxo bastante curioso: por que os homens e mulheres da Golden Dawn, tão brilhantes e por vezes geniais, não chegaram a criar um centro de energia? E por que os indivíduos anônimos da cientologia conseguiram isto?

Pode-se tirar razões da dinâmica dos grupos. Não se pode, talvez, formar um grupo juntando gente de personalidade poderosa. É preciso, quem sabe, uma hierarquia que parece existir na cientologia e que não parece ter existido de maneira marcante na Golden Dawn.

Pode-se dizer ainda, com certa ironia, que a Golden Dawn dirigia-se a uma elite muito limitada de pessoas excepcionais, enquanto que a cientologia se dirige a pessoas medianas.

Os membros dos grupos cientologistas me sugerem uma terceira resposta: para eles, a cientologia se mantém porque é científica, enquanto a Golden Dawn era um amontoado de superstições e práticas mágicas.

É-me difícil considerar esta resposta válida, pois a leitura de documentação que a própria cientologia difunde, mostra que não se trata de uma ciência, ao menos no sentido habitual do termo. É uma mística análoga ao freudismo. Como o freudismo, é preciso aceitar sem discutir afirmações das quais não se tem nenhuma prova. Ademais, enquanto a Golden Dawn parece ter resolvido o grande mistério do despertar, não se vê nada análogo na cientologia. E, contudo, esta prospera e prospera, segundo uma estrutura que parece aquela pra a qual tendia a Golden Dawn.

Como na Golden Dawn, trata-se de um apelo às forças profundas e desconhecidas que existem nos domínios que a psicologia corrente, mesmo aperfeiçoada por Jung, não pode alcançar e dos quais nega a existência. Para a Golden Dawn, eram os “planos superiores” existentes acima do despertar. Para a cientologia, trata-se de um super-hiper-inconsciente estendendo-se ao passado até épocas que nenhum código genético razoável pode dar conta. Certos documentos cientológicos falam de setenta e dois milhões de anos. Parece muito.

Evidentemente, é fácil taxar esse tipo de idéia de aberração, o que estou tentado a fazer. Entretanto, a existência do fenômeno não é duvidosa, e pode-se perguntar até onde se desenvolverá.

A dinâmica marxista da História não tem mais base científica como o Prêmio Nobel Jacques Monod acaba de mostrar pela nona vez no “O Acaso e A Necessidade”. O que não impede que um homem, em cada dois, viva em regimes marxistas.

Numa mesa-redonda sobre as viagens à Lua, ouvi um erudito do Islão dizer que a Lua era habitada. A viagem lunar não o provou, mas isto não abalou o Islão.

Uma vez que um grupo humano tenha começado a fazer bola de neve sob o efeito de forças dinâmicas das quais tudo ignoramos, é extremamente difícil, e talvez impossível, pará-la. Não está, em todo caso, excluído que a cientologia dá a uma certa juventude o que o esquerdismo e o LSD não puderam dar, e não se vê expandir-se eventualmente sustentada pelas armas.

Por isso, essa questão de saber o que existe exatamente do Excalibur, de saber até que ponto a doutrina secreta da cientologia, se há uma, deriva de um livro maldito, merece ser examinada. E não penso que se possa elucidar esse gênero de problema dizendo simplesmente que Deus está morto, e que é preciso qualquer coisa ou alguém que o substitua. Penso que houve químicos, antes que se descobrisse o átomo e a teoria exata da química baseada sobre a mecânica ondulatória.

Da mesma maneira, estou persuadido de que há praticantes da dinâmica de grupo, incapazes de explicar o que fazem, no entanto obtém resultados, enquanto que um sociólogo médio seria incapaz de eleger-se numa vila de cinqüenta habitantes.

Penso que Hitler ou Hubbard fazem parte desses sociólogos amadores que obtém de maneira empírica resultados espantosos.

No meu entender, entretanto, esses praticantes só podem funcionar se atrás deles houver um grupo de organizadores ou de planificadores. Sabemos muito bem qual o grupo que se encontrava atrás de Hitler, ignoramos tudo sobre o grupo que se encontra atrás de Hubbard, e notadamente sobre o financiamento das operações, e seus objetivos definitivos. Se há, realmente, atrás de Hubbard um livro maldito, seria desejável que ele tivesse feito dele muitas fotocópias e que as tivesse colocado em lugar seguro, espalhando-as pelo mundo. Se não, eu não ficaria surpreso se um dia o seu iate sofresse um acidente.

A teoria de Hubbard é falsa certamente, mas dá, talvez, resultados justos. Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece.

Não se fez, ainda, estudo sociológico sobre as pessoas atraídas pela cientologia. A dianética, como a psicanálise, atraiu principalmente loucos. Freud mesmo, numa primeira fase de sua carreira, ao que indica, parece ter ficado louco furioso: praticava a numerologia, e acreditava nas piores superstições. Diz-se que ele ficou são em sua segunda fase, depois que fez sua auto-análise, mas tenho dúvidas.

Como diz, justamente, G. K. Chesterton: “O louco não é aquele que perdeu a razão; o louco é aquele que perdeu tudo, menos a razão”. A cientologia começou a entrar numa fase em que atrai em massa pessoas que poderíamos chamar de normais? Em que proporção? Isto seria interessante saber.

Gostaria muito, correndo os devidos riscos e perigos, de dar uma olhada no Excalibur.

por Jacques Bergier

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/o-livro-que-leva-a-loucura-excalibur/

Análise das Religiões

Acredita-se que ela (a religião) consiste em um sistema de idéias, exprimindo, mais ou menos adequadamente, um sistema de coisas. Mas esta característica da religião não é a única nem a mais importante. Antes de tudo, a religião supõe a ação de forças sui generis, que elevam o indivíduo acima dele mesmo, que o transportam para um meio distinto daquele no qual transcorre sua existência profana, e que o fazem viver uma vida muito diferente, mais elevada e mais intensa. O crente não é somente um homem que vê, que conhece coisas que o descrente ignora: é um homem que pode mais.

(Durkheim, 1977)

Não é novidade nenhuma que a religião tem um papel transformador nas pessoas, que vencem desafios impostos pela classe social com dignidade e obstinação. Isso é chamado resilência, e pode ser conferido in loco por quem for ao Coque, uma enorme comunidade marginalizada pela violência, onde a ONG Neimfa (Núcleo Educacional dos Irmãos Menores de Francisco de Assis) se instalou e, através das religiões (católica, evangélica, espírita, budista, hinduísta e umbandista) e da ciência (psicólogos, médicos, professores), fornece suporte físico, psicológico e espiritual para mais de 300 famílias, com resultados visíveis.
Max Weber (1864-1920) tem uma visão mais pragmática e funcional da religião, imaginando-a não como um sistema de crenças, mas sim “sistemas de regulamentação da vida que reúnem massas de fiéis”, voltando-se para o sentido que o ethos religioso atribui à conduta. Em seus textos Weber visa expor como as religiões geram ou constituem formas de ação e disposições gerais, relacionadas a determinados estilos de vida. Na análise do protestantismo, por exemplo, vemos essa relação, quando Lutero usa a palavra Beruf tanto pra se referir à vocação religiosa como ao trabalho secular (embora o autor diga que a afinidade do protestantismo com o espírito do capitalismo e do progresso como o entendemos hoje só remonta ao início do séc. XVIII). Assim, o pedreiro passa a servir a Deus construindo casas, o padeiro, fazendo pães, o comerciante, vendendo e comprando. Nessa linha, Deus não solicitava mais imagens ou templos ornados, mas determinada disposição em relação à vida cotidiana, à inserção e ao trabalho no mundo secular; trata-se do ascetismo intramundano, que nos lembra um pouco a filosofia zen budista de procurar estar dentro do mundo (não procurando algo fora dele), praticando sua religiosidade através das ações (mesmo as mais mundanas).

A ética protestante representa uma ruptura em relação à ética católica tradicional. A negação da devoção aos santos e seus milagres, a recusa a certos sacramentos e uma nova perspectiva de relação com o sagrado e com as ascese configuraram uma religiosidade menos ritualista e mágica e mais intelectualizada. O fiel protestante, racional, disciplinado e, fundamentalmente, previsível, é também o operário capitalista, necessariamente previsível e disciplinado. Assim, Weber busca articular o ethosreligioso com o ethos econômico no decurso da história. Segundo ele, pra cada formação religiosa há tipos específicos de “comunalização religiosa” e de “autoridade”. Dois tipos formulados por Weber são a “igreja” e a “seita”. A igreja implica um certo projeto universalista, que a coloca para além de laços tribais, familiares ou étnicos, assim como um corpo sacerdotal profissional, dogmas e cultos fundamentados em escrituras sagradas que se racionalizam e se institucionalizam progressivamente. Já a “seita” diz respeito a tipos de associações voluntárias de fiéis, que se caracterizam por uma certa ruptura com a sociedade mais geral. Os fiéis não seguem “profissionais religiosos”, mas autoridades carismáticas. Interessante notar como a Igreja católica entrou num movimento de reafirmação onde está cada vez mais distante da sociedade geral, admoestando os “católicos de fim de semana” e procurando valorizar os dogmas dentro de um núcleo doutrinário, excluindo o aculturamento… Quase uma seita.

Weber também se preocupa com as relações entre religiosidade e os diferentes grupos sociais. Assim, para as classes oprimidas politica, social ou economicamente, as crenças preferidas estariam relacionadas à possibilidade de “redenção” ou “compensação”, enquanto as classes privilegiadas e dominantes buscam formas de religiosidade que permitam “legitimação” das relações sociais estabelecidas. O espiritismo cumpriu muito bem ambos os papéis no Brasil quando, em plena ditadura militar, foi bem aceito pelos dois lados (militares e a população oprimida pela ditadura).
Peter Berger (1985) acredita que os homens são congenitamente forçados a impor uma ordem sinificativa à realidade, e aí entra o sentido da religião, como um escudo contra o terror.

Em um certo nível, o antônimo de sagrado é o profano (…) Em um nível mais profundo, todavia, o sagrado tem outra categoria oposta, a do caos. (…) A oposição entre o cosmo e o caos é frequentemente expressa por vários mitos cosmogônicos. (…) Achar-se em uma relação “correta” com o cosmos sagrado é ser protegido contra o pesadelo das ameaças do caos.Pode-se dizer que a religião desempenhou uma parte estratégica no empreendimento humano da construção do mundo. (…) A religião supõe que a ordem humana é projetada na totalidade do ser. Ou por outra, a religião é a ousada tentativa de conceber o universo inteiro como humanamente significativo.

Sigmund Freud (1856-1939) vê a religião como uma ilusão infantil, um sistema de defesa socialmente contruído com o qual o homem lida com sua condição fundamental de desamparo e sentimentos ambíguos em relação à figura paterna. Freud, assim, ignora o sentimento de transcendência e resilência que a religião aparentemente proporciona, preferindo colocar a experiência religiosa de eternidade e fusão como o Todo como um sentimento que não teria origem transcendental, mas sim algo intelectual/afetivo, como um retorno à experiência primeva do bebê, fundido com sua mãe. Embora Freud reconheça a religiosidade como vivência humana importante, tende a considerá-la derivada de outras experiências, não sendo, assim, uma experiência primária. Já a relação do Homem com Deus é apenas a projeção da relação com o pai (aimago paterna). Daí as relações intensas e ambíguas que surgem, como o Pai/Deus poderoso, dominante, protetor, onipresente, punitivo, odiado, vítima do ódio dos filhos e redentor.

Já Erik Erikson (1902-1994) relaciona a religião com a imago materna, ou seja, a experiência primeva com a mãe, a separação e a tentativa sempre recorrente de reencontro.
Carl Gustav Jung (1875–1961), como sempre, vai além do seu mestre e postula a religiosidade como elemento natural do psiquismo humano, uma parte constitutiva e essencial da natureza do próprio homem. Dessa forma, a religiosidade seria, por assim dizer, um instinto. Mas isso não quer dizer que as representações de Deus e dos elementos sagrados de cada cultura não sejam fenômenos socialmente construídos, mas sim baseadas num fundamento religioso humano universal.

Quando, por exemplo, a psicologia se refere à concepção da virgem, trata apenas do fato de que existe essa idéia, mas não da questão de estabelecer se essa idéia é verdadeira ou falsa em determinado sentido. A idéia é psicologicamente verdadeira na medida mesma em que existe.O pressuposto da existência de deuses e demônios invisíveis é, na minha opinião, uma formulação do inconsciente psicologicamente adequada, embora se trate de uma projeção antropomórfica. (…) tudo quanto se acha fora, quer seja de caráter divino ou demoníaco, deve retornar à alma, ao interior desconhecido do homem, de onde aparentemente saiu.Não é Deus que é um mito (como podem sugerir as ciências), mas o mito que é a revelação de uma vida divina no homem. Não somos nós que inventamos o mito, é ele que nos fala como Verbo de Deus.

Mas, para Jung, nem tudo na religiosidade é expressão dos recônditos da alma humana. Determinadas crenças, dogmas e ritos podem ser, de fato, recursos sociais protetores contra a experiência religiosa originária, imediata e, potencialmente, avassaladora:

A experiência imediata do arquétipo da divindade representa um impacto tão violento que o ego corre o perigo de desintegrar-se. Com os meios de defesa face a esses poderes, a essas existências mais fortes, o homem criou os rituais. Poucos são aqueles capazes de aguentar impunemente a experiência do numinoso. As cerimônias religiosas coletivas originam-se de necessidades de proteção, funcionam como anteparos entre o divino e o humano, isto é, entre o arquétipo da imagem de Deus – presente no inconsciente coletivo – e o ego.

Como vimos, a religião cumpre os mais diversos (e importantes) papéis na humanidade. Ela é social, é psíquica, é estruturadora, reguladora, é instintiva, projetiva, espelhada, transformadora, é cultural, espiritual, etc. Todos os pensadores acima não conseguiram englobar a multitude de aspectos da religião em uma teoria, mas a soma deles nos dá uma boa idéia de como precisamos encarar com respeito a religiosidade, não no aspecto do outro, mas de nós mesmos (que aspecto dela estamos trabalhando em nós nesse momento?).

#Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/an%C3%A1lise-das-religi%C3%B5es

O Hexagrama

Figura composta de dois triangulos equiláteros superpostos, um com a ponta para cima, outro com a ponta para baixo, formando assim a figura de uma estrela de seis pontas, com um hexágono regular em sua interceção, é um dos simbolos mais universais. É um símbolo mandálico chamado satkona Yantra ou sadkona Yantra encontrado nos antigos templos hindus do Sul indiano construído há milhares de anos. A tradição indiana vê no hexagrama a união de Xiva e Xácti, ou seja, o hierograma fundamental. Ele simboliza a Nara-Narayana, na meditação é o estado de perfeito equilíbrio entre o homem e Deus, e caso se mantenha alcança-se “moksha“, ou “Nirvana“.

Entre os Hebreus e , cristãos e muçulmanos é conhecido como Selo de Salomão, Escudo Supremo de Salomão, ou, na transliteração do hebraico: Magen David, onde Magen significa broquel, defesa, governante, homem armado. O Substantivo Magen refere-se a um objeto que proporciona cobertura e proteção ao corpo durante o combate.

Há uma teoria sobre a origem da forma é que se trata simplesmente de 2 a 3 letras no nome David: hebraico, na sua grafia, David é transliterados como ‘DW-D ». Na bíblia hebraica, a letra “D” (Dalet) foi escrito em uma forma muito mais como um triângulo, semelhante à letra grega “Delta” (?). O símbolo pode ter sido uma simples família crista formada por justaposição e lançando os dois mais proeminentes letras no nome.

Alguns pesquisadores têm teorizado que o hexagram representa o gráfico astrológico no momento do nascimento de David ou anointment* como rei. O hexagram também é conhecido como o “Rei da Estrela” nos círculos astrológicos.

No campo da psicologia, na escola de Jung, essa união de contrários simboliza a ‘união dos mundos pessoal e temporal do Eu com o mundo nõa-pessoal e intemporal do não-Eu’. É em definitivo a união da alma com Deus, alvo de todas as religiões.

Entre as muitas obras de Aleister Crowley, há o chamado Hexagrama Unicurso, ao contrário do hexagrama tradicional, traçado pelo desenho de dois triangulos, este é traçado, como seu nome já diz, com uma unica linha, podendo ser desenhado sem retirara caneta do papel.

Também chamados hexagramas – figuras completamente diferentes – certos simbolos chineses típicos. Estão todos reunidos em um livro, o I-Ching, conhecido sob o nome de O Livrod as Mutações. Os hexagramas são compostas de seis traços cada uma, sendo esses traços ou linhas podendo ser contínuos ou descontínuos. Representam um tao ou princípio universal, que rege a ordem. São formados por dois trigramas, compostos cada um de três linhas, simbolizando o homem entre o céu e a terra. São ao todo 8 trigramas, e suas combinações resultando em 64 hexagramas.

Fonte:
Ocultura – Hexagrama
CHEVALIER, Jean, Dicionário de Símbolos

Leia também:
Do Coração do Magista
Suástica
Coelestium
Histórico Vampirico
O Muro de Cristal

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-hexagrama

Defesa contra as Ataques Psíquicos

Excerto de Magia Moderna de Donald Michael Kraig

Tradução: Yohan Flaminio

Um dos maiores medos de muitos ocultistas é o “ataque psíquico”. No entanto, o fato é que os verdadeiros ataques psíquicos são muito raros. A razão pela qual eles são tão raros é que no momento em que uma pessoa tem habilidades e talentos suficientes para atacar psiquicamente, ela também tem conhecimento místico suficiente para saber que não deve atacar alguém por causa das repercussões negativas que inevitavelmente, seguem o ataque. Nos últimos vinte anos, pelo menos duzentas pessoas pediram minha ajuda porque sentiram que estavam sob ataque psíquico. Também conheço muitos professores metafísicos e médiuns que me contaram suas experiências com pessoas que os procuraram alegando estar sob ataque psíquico. Das centenas de alegações de ataque psíquico que ouvi, talvez cinco casos fossem reais, enquanto o resto eram imaginários.

Seja como for, a sensação de estar sob ataque psíquico pode ser uma sensação muito real. A mente inconsciente não sabe a diferença entre realidade ou imaginação, então a sensação de que você está sob ataque psíquico pode realmente resultar na experiência de todos os sintomas de tais ataques. Isso torna difícil a tentativa de determinar se um ataque psíquico está realmente vindo de uma fonte externa.

Além disso, nossa psique está constantemente sob ataque da sociedade: os vendedores nos mandam comprar; Anúncios de TV nos mandam comprar; amigos, familiares e até estranhos, sabendo ou não, tentam nos manobrar e influenciar psicologicamente. Sempre que estamos em contato com outras pessoas, direta ou indiretamente, há tentativas quase contínuas de nos manipular.

Portanto, precisamos estar cientes das tentativas diárias de tipos sutis de lavagem cerebral que estamos recebendo, além de saber o que fazer se um verdadeiro ataque psíquico ocorrer. Embora a crença comum seja que um ataque psíquico real envolve um operador de magia treinado lançando um feitiço, a realidade é que raramente esse é o caso. Em vez disso, a causa é uma pessoa ou pessoas que, por algum motivo, estão com raiva de você. A raiva delas faz com que elas, sem saber, dirijam um fluxo de energia cheio de raiva para você. Elas provavelmente nem mesmo estão cientes de que seus pensamentos e emoções estão se combinando para ter um efeito negativo sobre você (embora elas possam apreciar a ideia). O que é ainda mais provável, entretanto, é que você simplesmente acredita que alguma negatividade está vindo em sua direção. Em ambos os casos, você ainda se sentirá como se estivesse sob ataque e ambos os casos podem ser tratados da mesma maneira.

Sinais de um Ataque Psíquico

Antes de determinar se você deve agir contra um ataque psíquico – real ou imaginário – você precisará determinar se realmente está sob ataque psíquico. Várias autoridades fornecem uma ampla seleção de sintomas que indicam um ataque psíquico. Dion Fortune, em sua autodefesa psíquica quase paranoica, lista coisas como atividade poltergeist ou sentimentos de medo e paranoia. Infelizmente, a atividade poltergeist pode ter várias causas além do ataque psíquico, e os medos e a paranoia podem ser causados por falsas crenças e pela incapacidade de lidar com elas. Alguns dos livros com listas de sintomas parecem deprimentemente semelhantes às afirmações de alguns cristãos de que os demônios são responsáveis por todos os seus problemas, desde o fumo e o peso até o jogo e o dinheiro.

Uma Dica Simples se o seu Quarto for Confuso

As lojas maçônicas são frequentemente projetadas para serem alinhadas nas quatro direções. O mesmo ocorre com algumas sinagogas, catedrais, templos indianos, edifícios asiáticos e muitos outros. No passado, e em muitas tradições espirituais, as pessoas entendiam a importância de se alinhar com as energias da Terra.

Mas na maioria das casas de hoje, esse luxo não é pensado e pode ser raro. Como, então, você organiza uma pequena sala que está a doze graus de estar verdadeiramente alinhada com as quatro direções? Se você tem algumas estantes de livros e móveis encostados nas paredes, tentar alinhar as coisas de acordo com as direções verdadeiras não deixará espaço, a menos que você remova todos os móveis. E mesmo se você fizer isso, enfrentar vários graus fora de um quadrante para olhar para o leste pode parecer esquisito e até mesmo totalmente estranho. Já estive lá e fiz isso com as pessoas, e depois dos rituais, as pessoas passam mais tempo falando sobre como as coisas pareciam “erradas” do que os efeitos espirituais do ritual ou outros tópicos metafísicos.

Então, o que pode ser feito? Fácil. Lembre-se, a magia cerimonial, com todas as suas decorações e itens rituais, ainda é prática. Tem que estar focada na obtenção de resultados. Portanto, aqui está o que você pode fazer:

  1. Se a sala tiver alguma janela, use cortinas para que, quando estiver pronto para fazer o ritual durante o dia, você não possa dizer onde está o
  2. Selecione um lado da sala para ser o “Oriente Espiritual” e declare-o como tal. Execute o RMBP, e após a Evocação dos Arcanjos, e antes da repetição da Cruz Cabalística, diga: “Diante de Deus e de todos os seres espirituais reunidos aqui, declaro que este lado da sala é agora, e em todo o futuro será, o Oriente Assim seja.”

A partir deste momento, trate aquele lado da sala como se fosse o Leste em todas as situações, especialmente durante os rituais.

Existe uma regra simples para entender os ataques psíquicos:

Ataques psíquicos sempre perseguem seu elo mais fraco.

Você tem problemas para dormir? Um ataque psíquico atingirá seus padrões de sono. Você tem asma grave? Um ataque psíquico atingirá sua respiração. Você tem problemas de estômago? Um ataque psíquico atingirá sua digestão. Você tem certos medos? Um ataque psíquico os tornará mais fortes. Você acha que não é tão brilhante quanto os outros? Um ataque psíquico o deixará mais inseguro. Você duvida da fidelidade do seu parceiro romântico? Um ataque psíquico aumentará suas dúvidas e pode prejudicar o relacionamento.

No entanto, todo e qualquer um desses sintomas pode ter uma causa completamente natural e não ser devido a um ataque psíquico. Portanto, como prática comum, pense primeiro nas causas naturais e, por último, no ataque psíquico. Faça tudo o que puder para verificar esses sintomas por meios não mágicos. Consulte médicos, parapsicólogos, psicólogos e qualquer pessoa que possa ajudá-lo a resolver esses problemas. Lembre-se de que é provável que não sejam de um ataque psíquico real. Somente depois de eliminar todas as outras causas potenciais, você deve considerar que um ataque psíquico pode estar por trás da situação.

Técnica para Superar um Ataque Psíquico

Este excelente método de repelir ataques psíquicos é derivado do Guia Prático de Autodefesa Psíquica de Denning e Phillips.

  • PASSO UM. Feche os olhos e gire em um círculo até que você possa sentir a direção de onde o fluxo real ou imaginário de energia negativa está Permita que seus sentidos se espalhem enquanto você gira lentamente em um círculo. A sensação de energia pode ser leve ou forte. Pode parecer quente ou frio. Pode vibrar ou parecer ter uma cor ou cheiro específico que não deveria estar ali. Conforme você espalha seus sentidos astrais, use-os para ver, sentir, ouvir ou provar algo que não pertence a eles. Essa é a direção de onde vem o fluxo de energia negativa, real ou imaginária.
  • PASSO DOIS. Depois de encontrar, corajosamente encare essa direção! O caminho de um magista não é para covardes. Fique orgulhoso e ereto, e visualize em sua testa um pentagrama azul- elétrico brilhante com uma ponta para cima. Agora leve as mãos à testa para envolver a estrela As mãos devem estar planas com os polegares encontrando-se nas sobrancelhas e os dedos encontrando-se acima, com as palmas para fora. Portanto, você tem um triângulo, o chamado “Triângulo da Manifestação”, circundando o pentagrama com os polegares como a linha basal do triângulo (veja a figura acima).
  • PASSO TRÊS. Agora respire fundo e, ao expirar, dê um passo à frente com o pé esquerdo e estenda as mãos para a frente, ao mesmo tempo que visualiza o pentagrama em sua testa voando na direção para a qual você está voltado. Isso terá o efeito de mandar embora a negatividade do ataque psíquico real ou imaginário.
  • PASSO QUATRO. Para evitar que ele retorne, crie uma esfera de invulnerabilidade executando imediatamente todo o RMBP. (Esta é uma das razões pelas quais o RMBP deve ser )

Ataques Psíquicos e o Limão Que Não Existia

Algumas pessoas questionam meu comentário de que “a mente inconsciente não sabe a diferença entre realidade e imaginação”. Este é um conceito importante porque, se for verdade, fica mais fácil entender como simplesmente acreditar ou imaginar que você está sob um ataque psíquico pode ter os mesmos resultados de um ataque real.

Surpreendentemente, é realmente muito fácil mostrar como a imaginação pode controlar o corpo físico. Faça esta experiência: imagine-se entrando em sua cozinha. Veja as bancadas e ouça o som de seus pés enquanto caminha até a geladeira. Abra a geladeira e imagine que está sentindo o fluxo repentino de ar frio saindo de sua direção. Veja todos os alimentos na geladeira.

Agora, abaixe-se e abra a gaveta onde as frutas são guardadas. Ouça o som da gaveta ao puxá-la. Pegue nele e retire um limão. Sinta sua superfície fria, firme e irregular em sua mão. Traga-o ao nariz e imagine que pode sentir aquele cheiro ligeiramente doce e ácido. Feche a gaveta e a geladeira enquanto segura o limão.

Mentalmente, leve o limão ao balcão. Imagine que você abre a gaveta onde guarda suas facas e tira uma afiada. Agora, imagine que você cortou cuidadosamente o limão ao meio. É um limão muito suculento e parte do suco jorra. Pegue uma das metades e corte-a ao meio.

Com a imaginação, pegue um dos quartos do limão e leve-o ao rosto. Um pouco do suco escorre para sua mão e você pode senti-lo frio e adstringente. O cheiro é forte. E agora, leve a rodela de limão até a boca e…

Dê uma grande e suculenta mordida no limão!

Apenas mastigue. Prove aquele suco azedo.

Muito bem. Agora, concentre-se em sua boca real e física. Você percebe como ela produziu um aumento na quantidade de saliva? A produção de saliva é controlada por seu sistema nervoso autônomo. Você não pode simplesmente dizer: “Boca, me dê mais saliva!” e isso acontece. Algo precisa ser acionado. Normalmente, esse gatilho é o sabor da comida ou bebida.

Mas não há limão verdadeiro. É só sua imaginação. Ainda assim, seu inconsciente (que controla o sistema nervoso autônomo) reagiu como se fosse real. Produziu mais saliva.

Da mesma forma, se você acredita que um ataque psíquico está ocorrendo, seu corpo e sua mente consciente responderão como se fossem reais.

Assim como sua boca respondeu ao limão que não estava lá.

Por Que não Usar um “Feitiço de Espelho”?

Muitas vezes me perguntam: “Por que não usar um feitiço de espelho para reverter um ataque psíquico?” Um feitiço de espelho é bastante simples. Você visualiza um espelho para refletir qualquer energia negativa de volta para quem a enviou. Existem duas dificuldades nisso.

Em primeiro lugar, muitos ataques psíquicos são apenas nossa própria crença de que estamos sob ataque. Eles podem parecer reais, mas a energia vem de dentro de nós. Portanto, se você refletir a energia de volta para a pessoa que a enviou, você estará se atacando! Não é uma boa ideia.

É melhor se livrar da energia em vez de criar um ciclo infinito que envia energia de volta para você como resultado de seu auto ataque inconsciente, que, por sua vez, é enviado de volta para você. Ou você pode pensar que sabe quem está enviando a mensagem e refletir a energia para essa pessoa, mesmo que ela não esteja envolvida. Você estará prejudicando uma pessoa inocente.

A segunda razão é que a maioria dos ataques psíquicos não são dirigidos conscientemente. Eles são causados pela raiva de uma pessoa. Esse atacante não sabia o que estava fazendo e assim, eles enfrentariam um feedback cósmico (karma ou o “Ti-koon” cabalístico). No entanto, se você enviar de volta energia negativa para alguém e estiver ciente do que está fazendo, você também enfrentará os efeitos do karma. Não existem “Senhores do Karma” que verão que você está apenas devolvendo o ataque e que você não é responsável. Você é responsável por suas ações e, se agir para prejudicar alguém – mesmo que seja apenas refletindo o que essa pessoa lhe enviou – a resposta kármica será a mesma como se você mesmo tivesse iniciado o ataque.

Lidar com os ataques diários à sua psique de uma multiplicidade de fontes é outro assunto. Fazer o RMBP ajuda, mas o problema é realmente de conscientização. O fato é que a maioria de nós está virtualmente inconsciente – literalmente em transe ou dormindo – por até 95% do tempo em que estamos acordados. “Despertar os dormentes” foi o foco principal do trabalho de Georges Gurdjieff. Também recomendo que você leia o máximo de livros que puder sobre psicologia e Programação Neurolingüística (PNL), pois essas informações irão despertá-lo para como a mente funciona e como as pessoas manipulam umas às outras.

Magicamente, outra maneira de nos tornarmos mais despertos para o mundo ao nosso redor envolve nos tornarmos mais sintonizados com o universo. Uma maneira de fazer isso é registrar em seu diário mágico o dia, a data, as condições do tempo e a fase da Lua na hora de cada ritual que você realizar. Existem também quatro rituais breves (menos de trinta segundos cada) que o ajudarão a sintonizar você com o Sol conforme ele atravessa o céu diariamente.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/ataque-psiquico-protecao-identificacao-e-superacao/

[parte 5/7] Alquimia, Individuação e Ourobóros: Símbolos e Imagens Arquetípicas

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Vivo minha vida em círculos cada vez maiores que se estendem sobre as coisas. Talvez não possa acabar o último, mas quero tentar.”

– Reiner Rilke

Símbolo

Esta é a quinta parte da série de sete artigos “Alquimia, Individuação e Ourobóros”, que é melhor compreendida se lida na ordem. Caso queira acompanhar desde o começo, leia as parte 1, 2, 3 e 4

A palavra símbolo remete ao do grego symbolon, derivado do verbo sym-ballein, que significa “lançar com, pôr junto com juntar”. A etimologia da palavra remete que símbolo é, a priori, uma dualidade, que se forma uma. A própria definição da palavra já remete a integração dos opostos e pode ser associada com a imagem do Ourobóros.

Os conceitos simbólicos foram desenvolvidos em diversas religiões como reflexo de diferentes concepções do mundo e de novas linguagens.

“No seio da multiplicidade de crenças desenvolvidas pelo ser humano, a primeira distinção efetuada pelo homem foi entre o Bem e o Mal. Nas culturas pagãs, este conceito de dualidade moral poderia ser identificado nos símbolos positivos com o lado masculino, o Sol ou o céu, e nos símbolos negativos como o preto, o lado feminino, a Lua, a água ou o inferno. Da mesma forma, nas religiões, como por exemplo o cristianismo, o poder do Bem encontra-se simbolizado em Deus e em Cristo, e a força do Mal em Satanás. No que respeita a mitologia, tal como acontece no hinduísmo, a luta travada entre as forças superiores e as força inferiores é representada através do conflito entre a ave solar Garuda e as serpentes Nagas, hindus e, na tradição ocidental, entre a águia e o dragão. Na maioria das culturas a verdadeira perfeição apenas poderá ser alcançada através da conciliação e da união das forças opostas do universo. Nesta sequência, o símbolo taoista de Yin-Yang e, na alquimia, a figura do Andrógino representam ambos estes ideais, à semelhança do que acontece na psicologia.” (CHEVALIER, 2008, 10)

Jung (1964) introduz a noção de símbolo como um conjunto de significados que transcendem sua própria imagem concreta. Um símbolo remete a algo maior que o próprio símbolo; um conjunto de ideias orientadas através de um sutil emaranhado de padrões. Como possível gênesis de símbolos, Jung compreende que os sonhos revelam através de suas férteis imagens arquetípicas, grande parte do mistério do símbolo, e que, ao sonhar, o homem bebe da fonte do desconhecido e inicia sua jornada pelo conhecimento.

Compreendendo os sonhos como manifestados também por conteúdos inconscientes, logo se percebe que a busca de conhecimento através dos sonhos, nada mais é do que buscar conhecer a si mesmo. Através de sua consciência, o homem aprendeu a viver através da parcial previsibilidade das coisas, mas seu inconsciente demonstra ao menos metade de um grande escopo de possibilidades antes fora do seu campo de compreensão.

Jung rompe com a escola psicanalítica quando define que o valor do conceito de “libido não está em sua definição sexual, mas no seu ponto de vista energético” (JUNG, 1989, p. 127-8), ou seja, define como energia psíquica todas as pulsões provenientes da psique e do inconsciente, estabelecendo que a libido freudiana é só mais um dos canais de expressão desta energia. O que difere empiricamente na interpretação do fenômeno é que na teoria freudiana parte-se da causa para o efeito, engessando a percepção interpretativa num molde teórico, a teoria da sexualidade. Ao partir dos efeitos para depois compreender as causas, Jung consegue analisar a psique de forma dinâmica, e superar a teoria sexual. A energia psíquica é a fonte de toda a movimentação humana em busca de crescimento.

Ourobóros

Mas o que é um Ourobóros? Quem nunca ouviu a expressão ‘morder a própria cauda’? É normalmente utilizada para descrever o momento em que alguém, inconsciente de si, repete ações sem atingir os objetivos estabelecidos, e por isso, exige um olhar para si, reavaliando seus métodos de ação.

O Ourobóros é a resolução do conflito dialético atingido na busca da individuação à unidade da separação, ou solve et coagula (dissolve e solidifica), representando metaforicamente todo o processo alquímico descrito no capítulo anterior. É uma imagem alquímica presente em diversas esferas sociais e religiosas, na qual uma cobra, ou dragão, morde a sua própria cauda num movimento circular. A imagem revela o paradoxo do infinito, onde tudo se inicia em seu próprio fim, e acaba em seu próprio começo.

Se reduzirmos o símbolo em imagens ainda mais primordiais, como o círculo, o dragão e a serpente começamos a desvelar o significado deste símbolo. Seguem transcrições do “Dicionário de Símbolos”, de Nadia Julien:

Círculo

– Representa “o desenvolvimento contínuo da criação”. E mais, ele representa o ciclo do tempo, o movimento perpétuo de tudo que se move, os planetas em torno do sol (círculo do zodíaco) que se projeta nos tempos circulares, a arena, o circo, a dança circular.

– Símbolo da perfeição para o Islamismo, da divindade (disco solar) e da luz no Egito, expressão do que não tem começo nem fim, simbolizando a eternidade representada pela serpente que morde a cauda, cuja divisa é um, o todo, a substância universal rarefeita até a imperceptibilidade para constituir a essência íntima das coisas, o fundamento imaterial de toda a materialidade, ou a prima matéria dos alquimistas.

– O círculo é também o zero de nossa numeração e representa as potencialidades, o embrião. Comportando um ponto central, o círculo é a representação do ser manifestado, evocando o conceito de ordem, de cosmo e de harmonia. Nos sonhos o círculo é um símbolo do Eu, e indica o fim do processo de individuação, da evolução da personalidade para a sua unidade.

Dragão

– Para os alquimistas, as atitudes do dragão simbolizam as etapas da grande obra.

– Imagem arcaica das energias mais primitivas, o dragão representa o inconsciente durante tanto tempo enquanto não possuirmos acesso a ele, onde as paixões os complexos inconscientes, os desejos ocultos conduzem a uma vida arcaica. Isto que se explica a fundo com os poderes do psiquismo, que luta com o dragão, pode recuperar uma parte das energias inconscientes que pode utilizar para dominar sua vida.

– A luta com o dragão é um símbolo do amadurecimento… então, ele terá ganho o tesouro que os dragões guardam em quase todas as mitologias. Libertará sua alma, esta virgem que o dragão mantinha prisioneira.

Serpente

– A serpente representa o conjunto dos ciclos da manifestação universal. No processo de criação, rodeando o ovo cósmico (o caos), simboliza a fecundação pela incubação do espírito vital divino, semente de todas as coisas, assim liberadas dos elos da matéria inerte pelo poder divino.

– Símbolo da imortalidade, enrolada em torno da árvore de maçãs de ouro do jardim das Hespérides; rodeia o Ônfalo, ou a montanha cósmica (eixos do mundo), simbolizando o conjunto de ciclos da manifestação universal, o Samsara, a cadeia do ser no ciclo indefinido de renascimentos, o percurso indefinido e renovado das existências.

– A serpente do paraíso é o símbolo do conhecimento perigoso (descoberta da sexualidade). Daí transformar-se num símbolo fálico e sexual (a serpente tentadora, portadora de forças perigosas e maléficas cuja a arma é a sedução empregada por Eva, a Anima).

– Em suas relações com o inconsciente coletivo, o ofídio representa num nível inferior a agressividade, e num nível superior o poder e a sabedoria. É a representação do inconsciente, onde se acumulam todos os fatores rejeitados, recalcados, desconhecidos ou ignorados e as possibilidades desmedidas em nós.

– São estas forças muito primitivas, aglomeradas em constelação, que colocam em jogo a serpente no sonho. É a manifestação de uma energia psíquica dormente pronta a se tornar concreta, em positivo ou negativo, em razão da ambivalência do simbolismo deste animal de sangue frio (pavor, angústia), como do melhor (propriedades curativas e salvadoras).

Segundo Erik Hournung (1999), a primeira aparição conhecida do símbolo Ourobóros está no Netherworld, um texto funerário egípcio encontrado na tumba de Tutancâmon, no século 14 AC. Referindo-se a união do deus Ra e Osíris no submundo. Em uma ilustração deste texto, duas serpentes, mordendo as caudas. Ambas as serpentes são manifestações da divindade integrada que representa o início e o fim do tempo.

O texto alquímico “Chrysopoeia de Cleópatra”, datado do século está grafado com o os dizeres ‘hen to pan’, em tradução livre: “o um é o todo” além de uma imagem de uma cobra, metade branca, metade preta, mordendo a própria cauda. Novamente a figura circular ofídia como uma dinâmica polarizada, cíclica que se integra tornando-se Um. O Ourobóros de Chrysopoeia poderia ser interpretado como o equivalente ocidental do símbolo taoista Yin-Yang.

“El signo del Yin-Yang, según la filosofía oriental, simboliza un concepto fundamentado en la dualidad de todo lo existente en el universo. Describe las dos fuerzas fundamentales, aparentemente opuestas y complementarias que se encuentran en todas las cosas” (BADANO, 2010).

Outra alegoria religiosa que podemos associar com a simbologia da serpente e seus movimentos circulares estão na cultura Hindu, através da serpente Kundalini, que em sânscrito significa “serpente enrolada”. Nesta cultura yogue, o corpo humano é divido em sete centros básicos de manifestação de energia, ou Chakras, e Kundalini, a origem desta manifestação energética, estaria ‘adormecida’ no primeiro centro, abaixo da coluna vertebral.

Conforme o indivíduo se purifica e pratica as técnicas que envolvem controle da respiração, postura e meditação, ele ‘desperta’ a ‘serpente’ que sobe pelos centros de energia, fazendo com que o praticante atinja a iluminação, ou individuação. A figura da esquerda representa este processo enquanto a figura da direita ilustra os centros de energia:

Esse mesmo simbolismo pode ser encontrado no Caduceu de Hermes, símbolo da medicina, visto no capítulo anterior. Curioso a correspondência entre as cores dos sete centros de energia com as sete etapas alquímicas que vimos aqui.

Limitemos nossa análise a simbologia religiosa Alquímica, apesar de todos os sincretismo encontrados em diversas culturas religiosas acerca da imagem do Ourobóros. Quem sabe os posts futuros não possam tratar desses assuntos.

“O Ourobóros é um símbolo dinâmico para a integração e assimilação de opostos, i.e., da sombra… Simboliza o Um, que resulta no conflito do opostos, e portanto constitui o segredo da prima matéria…” (JUNG, 2008, 365)

Esta é uma imagem arquetípica bastante rica, contextualizado sob o paradigma de integração, ou conjunção, de aspectos opostos. Fica evidente que a figura representa não só a união dos opostos complementares da psique como todo o potencial do processo alquímico.

“Os alquimistas, de sua própria maneira sabiam mais sobre a natureza do processo de individuação que nós modernos, expressavam este paradoxo através do símbolo do Ourobóros, a cobra que morde a própria cauda. Do Ourobóros é dito ter o significado do infinito ou completude. Na antiga imagem do Ourobóros está o pensamento de se devorar e se transformar em um processo cíclico, pois era claro para os alquimistas mais astutos que a arte da matéria prima era o próprio homem. O Ourobóros é um símbolo dramático para a integração e assimilação dos opostos, ou seja, da sombra. Este processo de “feed-back” é ao mesmo tempo um símbolo da imortalidade, uma vez que é dito dos Ourobóros que ele mata a si mesmo e se traz à vida, fertiliza a si mesmo e dá a luz a si mesmo. Ele simboliza o Um, que procede do choque de opostos, e, portanto, constitui o segredo da prima matéria que […] decorre, sem dúvida, do inconsciente do homem.”(JUNG, 2008, 513)

No livro “A tábua de esmeralda: Alquimia para transformação pessoal”, Dennis Hauck explícita sobre o símbolo ourobórico e o associa com etapas alquímicas:

“Descrições mais alegóricas abundam na literatura medieval e representações, entre as quais estão aqueles que compreendem tanto aspectos “esotéricos”, quanto “exotéricos” da Alquimia. Tal símbolo, cujas origens podem ser traçadas de volta para o Egito Antigo é a dos Ourobóros, a serpente mordendo a cauda, simbolizando a imortalidade, e os ciclos eternos de mudança do mundo. Isso também pode ter significado para refletir a integração e reversibilidade de certas transformações alquímicas como a “destilação” e “condensação”. (HAUCK, 1999, 156)

Ou ainda nas palavras de Von Franz, no livro Introdução a Alquimia:

“O que tem luz se cria na escuridão da luz. Mas quando alcança sua perfeição, recupera-se de suas enfermidades e debilidades e então aparecerá esta grande corrente da cabeça e da cauda. […] É uma luz nova que nasce na escuridão, e então se vão todos os sintomas neuróticos e a enfermidade e a debilidade […]. Aqui é mister recordar ao Ouroboros, que come a cauda, onde os opostos são um: a cabeça está em um extremo e a cauda no outro. São um, mas têm um aspecto oposto e quando a cabeça e a cauda, os opostos, encontram-se, nasce uma corrente, que é ao que os alquimistas se referem […] como uma manifestação do Si mesmo. Tal é o resultado da coniunctio neste caso. Em muitos outros o descreve como a pedra filosofal, mas, como dizem também muitos textos, a água da vida e a pedra são uma mesma coisa” (VON FRANZ, 1985, 134).

A partir deste levantamento bibliográfico e imagético da simbologia do Ourobóros, é possível perceber correspondências encontradas entre a imagem e o processo de individuação, porém, tais associações serão melhor elaboradas no capítulo seguinte, assim como os paralelos dos temas individuação e Ourobóros com os processos alquímicos.

Referências Bibliográficas:

BADANO, Federico. Signo del Yin-Yang. Rev. argent. Radiol., 2010, vol.74, no.4, p.403-405. ISSN 1852-9992

CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Rio de Janeiro. Ed. José Olympo. 2008

HAUCK, Dennis Willian. The Emerald Tablet: Alchemy for Personal Transformation. Arkana. Ed.Pengun Group. 1999.

Hornung, Erik. Conceptions of God in Egypt: The One and the Many. Cornell University Press, 1982.

JULIEN, Nadia. Dicionário dos Símbolos. São Paulo. Ed. Rideel. 1989

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião Oriental. Petrópolis: Vozes. 1989.

JUNG, Carl Gustav. Mysterium Coniunctionis. Obras Completas. Vol. XIV/I. Petrópolis. Ed. Vozes. 2008.

JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos. São Paulo. Ed. Nova Fronteira. 9 edição. 1964.

VON FRANZ, Marie Louise. A Alquimia: Introdução ao Simbolismo e a Psicologia. São Paulo. Ed. Cultrix. 1993.

Imagens:

Primeira gravura do “Uraltes chymisches Werck” de Abraham Eleazar

Cosmic, arte de Geometria Sagrada de Daniel Martin Diaz

Exemplo de um Dragão Ourobóros

Diagrama em círculos dos planetas alquímicos

O Dragão Smaug protegendo seu tesouro na gravura “There He Lay” de Justin Gerard

“De Zondeval” de Cornelis van Harleen

Ourobóros de Chrysopoeia comparado ao símbolo oriental do Yin e Yang

Ilustração da subida de Kundalini e a referência do trajeto pelo “Chakras”

Gravura de “Uma Coleção de Emblemas Antigos e Modernos” de George Whiters (1635)

Gravura encontrada no Castelo de Ptuj, Slovênia (Séc XII)

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. 

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-5-7-alquimia-individua%C3%A7%C3%A3o-e-ourob%C3%B3ros-s%C3%ADmbolos-e-imagens-arquet%C3%ADpicas

Tragédia e Fortuna

Por Livio Nakano e Igor Teo

Existe um viés permanente de entendimento ao se imaginar que a realidade do filósofo ou das ideias estudadas equivaleria à sua própria, cidadão do século XX ou XXI. Na verdade, quando lemos um autor medieval, persa, romano ou helenístico, a ideia de historicidade não é apenas útil – é indispensável! Se não, caímos em lugares comuns, confundimos alhos com bugalhos e perdemos o fio da meada que estaríamos procurando encontrar. Foi tendo isto em mente que nós iniciamos uma interessante conversa que rendeu algumas reflexões.

Há uma linha de estudos acadêmicos conhecida como história da psicologia. Ao contrário do que o nome possa sugerir, ela não trata apenas do estudo da história da psicologia em si (como, por exemplo, em qual ano Freud escreveu seu último texto ou quando se abriu um cérebro pela primeira vez). Estudar história da psicologia é, sobretudo, estudar a história das ideias psicológicas, como estas surgiram, sobreviveram e cambiaram com o passar do tempo. Ideias psicológicas são, por sua vez, todas as concepções que o homem cria sobre si próprio, isto é, ideias que o homem construiu ao longo da história sobre emoção, razão, alma, e todas estas demais questões pertinentes que hoje são temas da recente psicologia científica. Pensar em termos da história da psicologia é entender a história e as motivações de nosso pensamento. Entender que ideias diferentes têm origens diferentes e razões diferentes, e essas diferenças refletem, sobretudo, o contexto socio-histórico das mesmas.

 Ao pensarmos nos rumos da história, o seu desenrolar óbvio e ao mesmo tempo incerto,  questionamentos nos podem vir à mente. Até que ponto somos produtos de um passado se projetando ao futuro? Até que ponto somos livres para reinventar o porvir? Que peso damos a própria noção de Livre-Arbítrio enquanto valor necessário e capaz de libertar qualquer mortal das tramas sórdidas do destino ou de criar crescimento e evolução a partir de dificuldades, dor e desgraças, ignorando até rumos mais fortes como circunstâncias ambientais e geográficas, ciclos celestes e até a providência divina?

 Na Grécia Antiga, por exemplo, salvo raras exceções, acreditava-se que o destino dos homens pertencia aos deuses e não cabia aos mortais o poder de mudá-lo A história de Édipo é um exemplo de que por mais que se tente fugir do seu destino, você ainda estará o executando. E mesmo os primeiros filósofos cristãos não eram partidários do livre-arbítrio. Agostinho de Hipona, uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente, já falava em predestinação divina muito antes de Calvino e da Reforma Protestante. No mundo moderno, por sua vez, é comum a crença de que somos capazes de tudo e só não obtemos por mera e talvez momentânea falha nossa. Estão aí os livros de autoajuda para todo mundo que quer abrir uma empresa e ser o próximo Eike Batista.

 Para quem se ergue é fácil compor todas as dificuldades da vida em uma sequência narrativa inevitável. Assim como para quem desaba.  Até onde nosso presente foi só fruto de nossas decisões e acordos, até que ponto foi fruto de um destino, e até que ponto, isto foi ou seria negociável? Isto lembra muito ao excelente filme “De Volta para o Futuro”, onde todo o futuro do protagonista dependia de um simples baile de formatura de ginásio nas mais variadas e diferentes direções – o presente original, o futuro alterado do primeiro filme, do segundo, e etc. E se tais momentos cruciais existem, seriam a todo o momento e a toda hora, e talvez, tão lábeis assim, como no filme? Afinal, para cada baile de formatura, existem centenas de tardes e noites que passamos no sofá de nossa casa (e talvez, nosso “livre arbítrio”, muitas vezes, se limite a escolher o passivo momento da inércia, em detrimento de uma trabalhosa e incerta oportunidade, que pode tanto oferecer tragédia como fortuna).

Indo na contracorrente de uma ciência determinista, que procura a medição e o controle absoluto de variáveis para determinar exatamente os possíveis resultados, Jean-Paul Sartre vai construir uma filosofia da liberdade. O filósofo não vai negar as determinações que condicionam uma realidade, mas ao mesmo tempo vai defender veemente a liberdade pessoal, ainda que condicionada aos determinantes. Dizia ele que a todo o momento nós estamos fazendo escolhas, e dizer que as determinações nos coagem a optar por algo, ignorando o nosso próprio poder de decisão sobre as mesmas, é o tipo de atitude que ele vai chamar de má-fé. A frase sintetizadora de sua filosofia é “o importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós“. Para Sartre, não posso evitar que alguém escolha me dar um tapa, mas eu posso escolher revidar ou me abster. Mas foi essa uma escolha verdadeira ou ela existiu apenas por causa de uma pré-disposição que eu já tinha em mim, produto de minha própria história pessoal, para revidar ou abster? Pois e se realmente não houver liberdade, dizer que alguém é responsável por seu sofrimento não seria culpar a vitima?

 Sartre resume bem o dilema: um mesmo fato, dividido em pessoas diferentes, pode resultar em traumas de infância, em perversões sexuais, em obras artísticas plásticas ou musicais, em anos e anos de análise ou em religiosidade e transcendência. Só que talvez não dependa unicamente de uma crucial decisão, mas sim, da estrutura e das ferramentas que o mesmo possuiria.

 Um limite da ciência, é que ela não tem como avaliar uma hipótese onde se observe múltiplas variáveis oscilando durante o período de estudo. Outra é que deve haver um limite para o período de observação. Mas uma coisa possível é reconhecer que pessoas são e serão diferentes. Há pessoas que toleram o treinamento do BOPE e outras que trincam e nunca mais se levantam na primeira decepção romântica. Não é todo o mundo que nasceu para ser caveira. E aquela criatura que carrega eternamente uma mágoa do bullying de infância pode não ser necessariamente apenas um “bunda mole”.

 Este tipo de questionamento pode estar presente na paternidade ou maternidade. Quando nossos filhos nascem, podemos querer que sejam doutores, meritíssimo e excelências, mas não dá para saber se eles serão revolucionários ou conservadores, homossexuais ou heterossexuais, hereges ou fanáticos, mesmo com todo nosso esforço, exemplo e educação doméstica. Ou seja, nossos amados filhos terão um destino próprio a cumprir, que podemos e iremos ajudar, mas jamais determinar. Que podemos oferecer valores, limites, disciplina, mas não temos como interferir na sua soberana escolha de exercício de sua afetividade (seja em gênero, classe social, raça, religião).

 E pensar seletivamente, em critérios de exclusão, pode ser legal em vestibular, em concursos, em atletas olímpicos, especialmente se você é um dos ungidos, um dos vencedores – mas não quando procuramos inclusão e abraçar ao todo, à humanidade em si, a valores como fraternidade, e quando queremos dividir tudo o que conquistamos com pessoas que “não se encaixariam” em extremos de meritocracia, mas que você tanto ama.

#Reflexão #história #Filosofia #liberdade #reflexões

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O Não-Deus

Pergunta: Com Gautama Buda a religião deu um salto. Deus tornou-se sem sentido e somente a meditação era importante. Agora, vinte e cinco séculos após Buda, novamente a religião está dando o salto em sua presença e tornando-se religiosidade. Por favor, fale sobre este fenômeno.

O crédito de trazer um salto na religião regride vinte e cinco séculos antes de Gautama Buda para Adinatha, que foi quem pela primeira vez, pregou religião sem Deus. Isso foi uma tremenda revolução porque em nenhum lugar do mundo nunca havia sido concebido que a religião pudesse existir sem Deus. Deus era uma parte essencial – o centro – de todas as religiões: Cristianismo, Judaísmo, Maometismo. Mas para fazer de Deus o centro da religião torna o homem apenas uma periferia. Conceber Deus como criador do mundo torna o homem apenas um boneco. Eis porque em Hebreu, que é a língua do Judaísmo, o homem é chamado de Adão. “Adão” significa lama. Em Árabe o homem é chamado de “admi”; que vem da palavra Adão, novamente significa lama. Em inglês, que se tornou a língua do cristianismo, a palavra humano vem de “humus”, que significa lama. Se Deus é o criador, naturalmente, ele tem que criar a partir de alguma coisa. Ele teve que fazer o homem como uma estátua, assim, primeiro ele fez o homem da lama e depois soprou a vida nele. Mas se foi assim o homem perde toda sua dignidade e se Deus é o criador do homem e de tudo mais, a idéia toda é cômica porque o que ele esteve fazendo por toda a eternidade antes de criar o homem e o universo? De acordo com o Cristianismo, Deus criou o homem apenas quatro mil e quatro anos antes de Jesus Cristo. Assim, o que ele esteve fazendo por toda a eternidade? Isso parece cômico. Não pode haver nenhuma causa, porque para ter uma causa pela qual Deus tivesse que criar a existência significa que existem poderes acima de Deus, existem causas que podem fazê-lo criar. Ou existe a possibilidade de que subitamente brotou um desejo nele. Isso também não soa bem filosoficamente, porque por toda a eternidade ele sempre foi sem desejos. E ser sem desejos é tão glorioso que é impossível conceber que de uma experiência de eterna bem-aventurança um desejo de criar o mundo brote nele. Desejo é desejo, seja para querer fazer uma casa ou tornar-se primeiro ministro ou criar o mundo. E Deus não pode ser concebido como tendo desejos. Assim a única coisa que resta é que ele é cômico, excêntrico. Então não há necessidade de causa e nenhuma necessidade de desejo – apenas um capricho. Mas, se toda essa existência vem apenas de um capricho ela perde todo sentido, todo significado. E amanhã outro capricho pode surgir nele para destruir, para dissolver todo o universo. Assim somos simplesmente bonecos nas mãos de um Deus ditatorial que tem todos os poderes, mas que não tem uma mente sã, que é caprichoso.

Para conceber isso cinco mil anos atrás, Adinatha deve ter sido um profundo meditador, contemplativo e ele deve ter chegado à conclusão que com Deus, não há sentido no mundo. Se quisermos que o mundo tenha sentido então Deus tem que ser eliminado. Ele deve ter sido um homem de tremenda coragem. As pessoas ainda estão adorando Deus nas igrejas, nas sinagogas, nos templos; mesmo assim este homem Adinatha cinco mil anos atrás chegou a uma conclusão científica precisa de que não existe nada superior ao homem e qualquer evolução que venha a acontecer será no próprio homem e em sua consciência.

Este foi o primeiro salto – Deus foi eliminado. Adinatha é o primeiro mestre do Jainísmo. O crédito não vai para Buda porque Buda vem vinte e cinco séculos depois de Adinatha. Mas outro crédito vai para Buda. Adinatha eliminou Deus, mas não conseguiu pôr a meditação em seu lugar. Pelo contrário, ele criou asceticismo, austeridades, torturando o corpo, jejuando, despindo-se, comendo apenas uma vez por dia, não bebendo à noite, comendo apenas certos alimentos. Ele chegou a uma bela conclusão filosófica, mas parece que a conclusão era somente filosófica, não era meditativa. Quando você depõe Deus você não pode ter nenhum ritual, você não pode ter adoração, você não pode ter oração, algo tem que ser substituído. Ele substituiu por austeridades, porque o homem tornou-se o centro de sua religião e o homem tem que se purificar. Pureza em seu conceito era de que o homem tinha que se separar do mundo, tinha que se separar de seu próprio corpo. Isso distorceu a coisa toda. Ele chegou a uma conclusão muito significativa, mas isso permaneceu apenas um conceito filosófico.

Adinatha depôs Deus mas deixou um vácuo e Buda o preencheu com a meditação. Adinatha criou uma religião sem Deus; Buda criou uma religião meditativa. Meditação é a contribuição de Buda. A questão não é torturar o corpo; a questão é tornar-se mais silencioso, tornar-se mais relaxado, tornar-se mais pacífico. É uma jornada interior até alcançar nosso próprio centro da consciência e o centro de nossa própria consciência é o centro de todo o universo.

Vinte e cinco séculos se passaram novamente. Assim como o conceito revolucionário de Adinatha de uma religião sem Deus perdeu-se no deserto de austeridades e auto-torturas, a idéia de meditação de Buda – algo interior, que ninguém mais pode ver; só você sabe onde você está, só você sabe se você está progredindo ou não – perdeu-se noutro deserto e esse foi no da religião organizada. A religião diz que não pode confiar em simples indivíduos, estejam eles meditando ou não. Eles precisam de comunidades, mestres, monastérios, onde eles possam viver juntos. Aqueles que se encontram num nível mais elevado de consciência podem observar os outros e ajudá-los. Tornou-se essencial que a religião não deve ser deixada nas mãos de indivíduos, elas deveriam ser organizadas e deveriam estar nas mãos daqueles que atingiram o ponto mais elevado da meditação. No começo era bom; quando Buda estava vivo, muitas pessoas atingiram a auto-realização, a iluminação. Mas quando Buda morreu e estas pessoas também morreram, a própria organização que deveria ajudar as pessoas a medita, caiu nas mãos dos sacerdotes e em lugar de ajudar você a meditar eles começaram a criar rituais ao redor da imagem de Buda. Buda tornou-se outro Deus. Adinatha depôs Deus, Buda nunca aceitou a existência de Deus, mas esses sacerdotes não podem existir sem Deus. Assim pode não haver um Deus que seja um criador, mas Buda alcançou a divindade. Para os outros a única coisa é adorar o Buda, ter fé no Buda, seguir os princípios do Buda, viver a vida de acordo com sua doutrina; e Buda se perdeu na organização, na imitação. Mas todos eles esqueceram o básico, que era a meditação.

Todo meu esforço é criar uma religião sem religião. Temos visto o que aconteceu com as religiões que tinham Deus como centro. Temos visto o que aconteceu com o conceito revolucionário de Adinatha, religião sem Deus. Temos visto o que aconteceu com Buda – religião organizada sem Deus. Agora meus esforços são – assim como eles dissolveram Deus – dissolvam também a religião. Deixem apenas a meditação, então ela não poderá ser esquecida de maneira nenhuma. Não há nada que possa substituí-la. Não há nenhum Deus e não há nenhuma religião.

Por religião quero dizer uma doutrina organizada, credo, ritual, sacerdócio. E pela primeira vez, quero que a religião seja absolutamente individual, pois toda a religião organizada, seja com Deus ou sem Deus, tem iludido a humanidade. E a única causa tem sido organização, porque a organização tem seus próprios meios que vão de encontro à meditação. A organização é realmente um fenômeno político, não é religioso. É outro caminho para o poder e de desejo pelo poder. Agora todo padre cristão espera algum dia tornar-se ao menos um bispo, depois tornar-se cardeal, depois tornar-se papa. Essa é a nova hierarquia, uma nova burocracia e porque é espiritual ninguém objeta. Você pode ser um bispo, você pode ser um papa, você pode ser qualquer coisa. Isso não é objetável porque você não vai obstruir a vida de ninguém. É apenas uma idéia abstrata. Meu esforço é para destruir completamente o sacerdócio. Isso permaneceu com Deus, isso permaneceu com a religião sem Deus, o único jeito é que deveríamos depor Deus e a religião juntos para que não haja possibilidade de nenhum sacerdócio.

O homem é absolutamente livre, totalmente responsável por seu próprio crescimento. Meu sentimento é que quanto mais o homem for responsável pelo seu próprio crescimento, mais difícil é para ele adiar o crescimento por mais tempo. Pois isso quer dizer que se você for miserável, você é o responsável. Se você for tenso, você é o responsável. Se você não está relaxado, você é o responsável. Se você está sofrendo, você é a causa disso. Não há nenhum Deus, não há nenhum sacerdócio que você possa ir e pedir algum ritual. Você é deixado sozinho com sua miséria e ninguém deseja ser miserável. Os padres continuam lhes dando ópio, eles vão lhes dando esperança. “Não se preocupem, é apenas um teste da sua fé, de sua confiança e se você pode passar por esta miséria e sofrimento silenciosa e pacientemente, no outro mundo além da morte, você será imensamente recompensado”. Se não existir nenhum sacerdócio você terá que compreender que o que quer que você seja, você é responsável por isso, ninguém mais. E o sentimento de que “Eu sou responsável pela minha miséria” abre a porta.

Depois você começa a procurar por métodos e meios de sair fora desse estado miserável e isso é o que a meditação é. É simplesmente o oposto do estado de miséria, sofrimento, angústia, ansiedade. É um estado de florescimento de um ser pacífico, feliz, tão silencioso e tão intemporal que você não pode conceber que algo melhor seja possível. E não há nada melhor que o estado de uma mente meditativa. Assim você pode dizer que esses são os três saltos: Adinatha depõe Deus porque ele descobre que Deus está ficando pesado demais para o homem; em lugar de ajudá-lo em seu crescimento, ele tornou-se um peso – mas ele esquece de substituí-lo com algo. O homem precisará de algo em seus momentos miseráveis, em seu sofrimento. Ele costumava orar para Deus. Você eliminou Deus, você eliminou a oração deles e agora quando ele se sentir miserável, o que ele fará? No Jainismo não há lugar para a meditação.

Foi um insight de Buda perceber que Deus foi deposto; agora o vazio deve ser preenchido, senão o vazio irá destruir o homem. Ele colocou a meditação – algo realmente autêntico, que pode transformar todo o ser. Mas ele não estava ciente – talvez ele não pudesse estar ciente porque existem coisas que você não pode estar ciente delas a menos que elas aconteçam – de que não houvesse nenhuma organização, de que não houvesse nenhum sacerdócio, de que assim como Deus se foi, a religião também teria que desaparecer. Mas ele pode ser perdoado porque ele não pensou sobre isso e não havia um passado para ajudá-lo a enxergar isso, aconteceu depois dele. O problema real é o sacerdote, e Deus é uma invenção do sacerdote. Se você eliminar o sacerdote, você pode eliminar Deus, mas os padres sempre encontrarão novos rituais, eles criarão novos deuses.

Meu esforço é deixá-lo só com a meditação sem nenhum mediador entre você e a existência. Quando você não está em meditação você está separado da existência e este é o seu sofrimento. É o mesmo que quando você fisga um peixe do oceano e o joga numa caixa – a miséria, o sofrimento e a tortura pela qual ele passa, o desejo e o esforço para voltar ao oceano porque ele é de lá. Ele é parte do oceano e não pode permanecer separado.

Qualquer sofrimento está simplesmente indicando que você não está em comunhão com a existência; que o peixe não está no oceano. A meditação não é nada senão a retirada de todas as barreiras, pensamentos, emoções, sentimentos, que criam um muro entre você e a existência. No momento em que estes são abandonados subitamente você descobre a si mesmo em sintonia com o todo; não somente em sintonia, você realmente descobre que você é o todo. Quando uma gota de orvalho escorrega de uma folha de lótus no oceano, ela não acha que é parte do oceano, ela acha que ela É o oceano. E achar isso é a meta suprema , a suprema realização, não há nada além disso. Portanto, Adinatha depôs Deus, mas não depôs a organização. E porque não havia nenhum Deus, a organização criou o ritual. Buda, vendo o que aconteceu ao Jainísmo, que tinha se tornado um ritualismo, abandonou Deus. Abandonou todos os rituais e simplesmente insistiu na meditação, mas ele esqueceu que os sacerdotes que criaram o ritual no Jainísmo iram fazer o mesmo com a meditação. E eles o fizeram, transformaram o próprio Buda em um Deus. Eles falam sobre meditação mas os Budistas são basicamente adoradores de Buda – Eles vão ao templo e ao invés de Krishna ou Cristo há uma estátua de Buda. Não havia nenhuma estátua de Buda por quinhentos anos depois de Buda. Nos templos budistas eles têm somente a árvore sob a qual Buda tornou-se iluminado, gravada no mármore, apenas um símbolo. Buda não estava lá, somente a árvore.

Você ficará surpreso de saber que a estátua de Buda que vemos hoje não possui nenhuma semelhança com a personalidade de Buda, se assemelha com a personalidade de Alexandre, o Grande. Alexandre, o Grande veio para a Índia trezentos anos depois de Buda. Até então não havia nenhuma estátua de Buda. Os sacerdotes estavam buscando pois não havia nenhuma fotografia, não havia nenhuma pintura, então como fazer uma estátua de Buda? E a face de Alexandre parecia realmente um super-homem, ele tinha uma bela personalidade, a face e a psicologia Grega; eles pegaram a idéia da face de Buda e o corpo de Alexandre. Assim todas as estátuas que estão sendo adoradas nos templos Budistas são estátuas de Alexandre, o Grande, elas não tem nada a ver com Buda. Mas os sacerdotes tinham que criar uma estátua – Deus não estava lá. Rituais eram difíceis. Em torno da meditação os rituais eram difíceis. Eles criaram a estátua e começaram a dizer – do mesmo jeito que todas as religiões estiveram fazendo – tenham fé em Buda, confiem em Buda, e vocês serão salvos. Ambas revoluções ficaram perdidas.

Eu gostaria que o que estou fazendo não se perca. Assim, estou tentando de todas as maneiras possíveis abandonar todas essas coisas que no passado foram barreiras para a revolução continuar e crescer. Não quero que ninguém fique entre o indivíduo e a existência. Nenhuma oração, nenhum sacerdote, você sozinho é suficiente para encarar o nascer do sol, você não precisa de alguém interpretar para você como o nascer do sol é belo.

Dizem que toda manhã Lao Tzu costumava passear nos montes. Um amigo lhe perguntou, Posso ir um dia com você? Eu particularmente gostaria de vir amanhã, porque tenho um hóspede que está muito interessado em você e ele será imensamente grato de ter a oportunidade de estar com você por duas horas nas montanhas. Lao Tzu disse: Não tenho objeções, apenas uma coisa simples deve ser lembrada. Não quero que coisa alguma seja dito porque tenho meus olhos, você tem seus olhos, ele tem os olhos dele, podemos ver. Não há necessidade de falar nada. O amigo concordou, mas no caminho, quando o sol começou a nascer, o hóspede esqueceu. Estava tão bonito ao lado do lago, o reflexo de todas as cores, os pássaros cantando e os lótus florescendo, brotando, ele não pode resistir, ele esqueceu. Ele disse, Que belo nascer do sol. Seu anfitrião ficou chocado porque ele havia quebrado a condição. Lao Tzu não disse nada, nada foi dito então. De volta em casa ele chamou seu amigo e lhe disse, “não traga mais seu hóspede. Ele é muito tagarela”.

O nascer do sol estava lá, eu estava lá, ele estava lá, você estava lá – qual a necessidade de dizer algo, qualquer comentário, qualquer interpretação? E esta é a minha atitude: você está aqui, todo indivíduo está aqui, toda existência está disponível. Tudo que você precisa é apenas ficar em silêncio e escutar a existência. Não há nenhuma necessidade de qualquer religião, não há necessidade de qualquer Deus, não há necessidade de qualquer sacerdócio, não há necessidade de qualquer organização. Eu confio categoricamente no indivíduo. Ninguém até agora tinha confiado no indivíduo dessa maneira. Depois todas as coisas podem ser removidas. Agora tudo que restou para você é um estado de meditação, que simplesmente significa um estado de silêncio absoluto. A palavra meditação a faz parecer mais pesada. É melhor chamá-la apenas de um simples, inocente silêncio, e a existência abre toda sua beleza para você. E à medida que isso vai crescendo, você vai crescendo, e chega o momento quando você alcançou o pico da sua potencialidade – você pode chamar isso de estado Búdico, iluminação, bhagwatta, divindade, qualquer que seja, isso não tem nome, então qualquer nome servirá.

Osho; The Last Testament, Vol. 5, Cap. 16

#Osho

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-n%C3%A3o-deus

Arcano 1 – Beth – O Mago

O Mago - Marselha Grimaud (1760)

O título francês desta carta, Le Bateleur, pode ser traduzido também como Prestidigitador, Malabarista, Pelotiqueiro, Bufão, Acrobata ou Cômico. O termo Prestidigitador talvez fosse o mais adequado ao simbolismo dinâmico do personagem, mas é comum que seu nome seja traduzido do inglês Magician (Mágico ou Mago).

Um prestidigitador, de pé, frente à mesa onde coloca os seus instrumentos, segura uma esfera ou um disco amarelo entre o polegar e o indicador da mão direita, enquanto com a mão esquerda aponta obliquamente para o chão uma vareta curta.

O personagem é representado de frente, com o rosto voltado para a esquerda. [Nas referências aos protagonistas de cada carta, será considerada sempre a esquerda e a direita do leitor]. Usa um chapéu cuja forma lembra o símbolo algébrico de infinito e seus cabelos, em cachos louros, escapam desse curioso chapéu. Veste uma túnica multicolorida, presa por um cinto amarelo.

Sobre a mesa, da qual se veem apenas três pernas, há diversos objetos: copos, pequenos discos amontoados, dados, uma bolsa e uma faca com a lâmina descoberta ao lado de sua bainha.

O prestidigitador está só, no meio de uma campina árida com três tufos de erva; no horizonte, entre as pernas da figura, uma árvore se desenha contra o céu incolor.

Significados simbólicos

Arcano da relação entre o esforço pessoal e a realidade espiritual. Domínio, poder, autorrealização, capacidade, impulso criador, atenção, concentração sem esforço, espontaneidade.

O ser, o espírito, o homem ou Deus; o espírito que se pode compreender; a unidade geradora dos números, a substância primordial. Ponto de partida. Causa primeira. Influência mercuriana.

Interpretações usuais na cartomancia

Destreza, habilidade, finura, diplomacia, eloquência, capacidade para convencer, espírito alerta, inteligência rápida, homem inquieto nas suas atividades e negócios.

Mental: Facilidade de combinar as coisas, apropriação inteligente dos elementos e dos temas que se apresentam ao espírito.

Emocional: Psicologia materialista; tende para a busca das sensações, do vigor, da qualidade criativa. Generosidade unida a cortesia. Fecundidade em todos os sentidos.

Físico: Muita vitalidade e poder sobre as enfermidades de ordem mental ou nervosa, neuroses e obsessões. Esta Carta indica uma tendência favorável para questões de saúde, mas não assegura a cura. Para conhecer o diagnóstico é necessário considerar outras cartas.

Sentido negativo: Charlatão persuasivo, sugestivo, ilusionista, intrigante, politiqueiro, impostor, mentiroso, explorador de inocentes. Agitação vã, ausência de escrúpulos. Discussões, brigas que podem se tornar violentas, dado o vigor do personagem. Mau uso do poder, orientação defeituosa na ação, operações inoportunas. Tendência à dispersão nas ações, falta de unidade nos processos e atividades. Duvida. Indecisão. Incerteza frente aos acontecimentos.

História e iconografia

Desde a antiguidade clássica são bem conhecidos esses personagens que ganhavam a vida com suas habilidades. Seu ofício se combinava frequentemente com a dança e o charlatanismo – passavam o seu tempo a vagabundear pelas feiras.

Não há muitas marcas literárias de sua passagem pela cultura europeia, mas, em compensação, foi um personagem de prestígio nas artes gráficas desde os primeiros tempos. As gravações medievais costumam mostrá-lo no desempenho de suas mágicas frente a um grupo de espectadores absortos.

O Tarô suprime as testemunhas e acrescenta detalhes originais (a mesa de três pernas, a posição das pernas e dos braços do protagonista, entre outros), mas o seu parentesco com os registros sobre as feiras é evidente.

Pode-se acrescentar que, no mundo islâmico, o Prestidigitador foi também um personagem de vasta popularidade.

Num sentido mais geral, o Prestidigitador é símbolo da atividade originária e do poder criador existente no homem. Como ponto de partida do Tarô, é também o primeiro passo iniciático, a vontade básica no caminho para a sabedoria, a matéria primordial dos alquimistas, o barro paradisíaco do qual será obtido o Adão Kadmon.

“Se o mundo visível não passa de ilusão – pergunta-se Oswald Wirth – o seu criador não será o ilusionista por excelência?”

Neste plano, o Prestidigitador identifica-se com a materialidade do ser criado, até que o demiurgo e a criatura tornam-se o mesmo: certamente há aqui um sentido psicológico, para o qual a identidade é produto da experiência pessoal (o homem é o resultado das suas próprias ações). Desta maneira, pode-se interpretar a supressão da quarta perna da mesa como representativa do ternário humano no mundo (espírito-psique-corpo).

Uma das especulações em torno do personagem do Arcano I pode ser estabelecida a partir da sua atividade intensa, de seu dinamismo sem repouso (produto de seu caráter de intermediário entre o sensível e o virtual), atributo que o relaciona de modo estreito ao simbolismo de Mercúrio.

Nesse sentido, a vareta que traz na mão esquerda seria a simplificação do caduceu, assim como seu estranho chapéu corresponde quase exatamente ao capacete alado da divindade. Seu nome grego significaria “intérprete, mediador”, o que confirmaria essa hipótese.

Muito já se estudou sobre o papel fundamental desempenhado por Hermes Trimegisto na história do ocultismo; os alquimistas desenvolveram boa parte de suas sutis investigações em torno do simbolismo de Mercúrio; não é absurdo, portanto, supor que o Tarô tenha sido colocado sob sua invocação.

O arcano do Mago é também relacionado ao Aleph, do alfabeto hebraico, e pode ser associado à ideia de princípio e também ao primeiro som articulável ( a ) que, segundo a tradição “expressa a força, a causa, a atividade, o poder” e seria o paradigma do homem em sua relação com as demais criaturas.

Por Constantino K. Riemma –

http://www.clubedotaro.com.br/

Nota MDD – Este último parágrafo está errado. A associação entre Mago e aleph foi feita por Eliphas Levi em seu livro “Rituais e Dogmas da Alta Magia” onde ele associou o arcano à letra porque a posição dos braços do mago lembra o desenho da letra, mas ao estudarmos a Kabbalah, vemos claramente que o Mago conecta Binah a Keter, sendo, portanto, representado pela letra Beth.

#Tarot

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O Caso de Baía do Sul

Foi nas ilhas de Belém, onde as águas do Tocantins e do Amazonas se encontram majestosamente com o o oceano, 1 grau ao sul do Equador, que em 1977 a onda brasileira atingiu o auge.  E foi ali que pela primeira vez se obteve a prova da existência do fenomeno. Mais especificamente, como revelou Daniel Ribeiro Giese, a onda concentrou-se em um período de três meses , entre julho e setembro de 1977, na ilha de Colares e na praia de Baía do Sul, na ilha de Mosqueiro.

Encontramos pescadores que testemunharam a presença dos objetos, e uma médica que tratou das doenças de dúzias de
pessoas atingidas pelas luzes dos chupas. Ela confirmou que um dos pacientes morreu  depois da  experiencia. Diversas
testemunhas  disseram ter visto dois grupos de militares brasileiros filmando os objetos e tentando contato com eles.

A pua verdade: ninguém pode negara onda de 1977. Ela começou em junho, perto do cabo Gurupi, ao norte da cidade de Vizeu, e prosseguiu em duas direções , pela costa. No sentido de São Luiz, a leste, e para Bélem, a oeste, durante os meses de junho  e julho. Atingiu o pico em setembro e outubro.

A razão para a impossibilidade de se negar o fenomeno é muito simples: os OVNIs apareciam todas as noites, vindos do norte. Em alguns casos, surgiam no céu. Em outros, emergiam do oceano. Vi uma foto de um objeto com um halo luminoso branco, saindo da água salobra ao entardecer.

Eles voavam sobre as ilhas a baixa altitude, circulando na área. Desciam, como se quisessem pousar. Faziam loops e aceleravam repentinamente. Pairavam sobre as casas e investigavam o interior com faróis. Saiam de objetos maiores e voltavam para dentro deles. E tudo isso aconteceu com hora marcada, todas as noites, durante três meses.

Era difícil imaginar o pânico na ilha de Colares, segundo uma testemunha ocular que acompanhou a tragédia. Os moradores com condições de ir embora fugiram , inclusive o dentista e os professores escolares, que abandonavam seus empregos. Quem tinha familia no continente mudou. O delegado fugiu.

Os objetos jamais chegavam sozinhos. Nas numerosas fotografias tiradas por jornalistas , apareciam acompanhados por luzes menores. Possuiam formas diversificadas, capazes de deixar maluco um engenheiro aeronáutico. Variavam de tamanho, desde pequenas estrelas até objetos maiores do que dois 737 juntos. Os avantajados eram mais frequentes do que os pequenos. Eles pairavam no céu, aparentemente seguros de que ali, no meio da neblina e dos mangues , na foz do Amazonas, ninguem iria perturba-los. Talvez soubessem que a Força Aérea Brasileira emitira um comunicado confidencial, desviando todo o tráfego aéreo para longe da região.

Não havia nada de enganoso nos objetos . Não se tratava de fenômenos rápidos frequentemente descritos nos livros
norte-americanos, ou manifestações fantásticas descritas por sequestradores , que se tornavam ainda mais incríveis no momento das regressões hipnóticas. Havia uma tecnologia superior em ação sobre Colares , e a única coisa que os observadores podiam fazer era filmar e acompanhar tudo boquiabertos.

A doutora Wllaide Cecim Carvalho de Oliveira, que permaneceu na ilha durante todo o período de duração da onda, concordou em falar comigo. Como diretora do centro de saúde no arquipélago de Marajó ( população 6 mil ) , ela havia sido citada no relatório de Daniel Rebisso Giesse. Ela detalhou as informações anteriores sobre os casos médicos na área.

A pura verdade: a dra. Carvalho trabalhava em Colares há oito meses, quando começou atender pacientes que se queixavam dos ataques de luzes estranhas. Até então ela considerava tais histórias produto de alucinações e bebedeiras. Foi obrigada a rever suas conclusões quando descobriu que os pacientes apresentavam sintomas similares:

  •   Sensação de fraqueza; alguns mal conseguiam  andar
  • Tonturas e dores de cabeça
  • Perda de sensibilidade em locais determinados. Confusão e tremores
  • Palidez
  • Baixa pressão arterial
  • Anemia, com níveis baixos de hemoglobina
  •  ele enegrecida nos pontos atingidos pela luz, com diversos circulos vermelho-arroxeados, quentes e doloridos, com      diametro entre 2, 5 e 2,7 cm
  •  Duas marcas de picadas dentro dos circulos vermelhos, como picadas de mosquito, duras no toque
  • Os pelos nas áreas escurecidas caíam e não cre3sciam novamente, como se os folículos tivessem sido destruidos
  • Náusea ou diarréia

A doutora declarou que na época não tinha acesso a laboratórios sofisticados para realizar exames complementares , mas
conseguiu detectar uma queda dos glóbulos vermelhos em todos os pacientes . Ela colocava as vítimas em observação por quatro ou cinco dias.

Cerca de vinte pacientes , com idades variando entre 18 e 50 anos, grande parte deles ainda jovens, foram tratados. Todos contaram a mesma história : estavam descansando na rede quando a luz veio de cima . Ficaram imobilizados imediatamente, como se houvesse um peso imenso sobre o peito. O facho tinha cerca de 8 centimetros de diametro e era de cor branca. Nunca os perseguia , aparecia de repente e os atingia.

Não conseguiam gritar , por mais que tentassem. Os olhos permaneciam abertos. A luz dava uma sensação de calor, “como uma queimadura de cigarro”, quase intolerável. Depois de alguns minutos a coluna de luz se retraía lentamente e desaparecia .

A luz nunca atingia as vitimas nos braços ou nas mãos , sempre acertava no torso e no pescoço. A descoloração e as marcas apareciam imediatamente. Os pelos do corpo caíam depois. E tudo costumava voltar ao normal depois de sete dias.

Houve várias exceções: em um dos casos uma mulher de 48 anos ficou seriamente ferida . Ela acordou durante a noite e foi fazer croche para passar o tempo, quando a luz repentinamente a atingiu no peito. Quando a luz foi embora, ela procurou os médicos militares, que lhe deram um tranquilizante  (Somalium) e 5 miligramas de Diazepan , o que a fez dormir. Na manhã seguinte foi ao centro de saude para ser tratada , mas nunca se recuperou totalmente, e apresenta os mesmos sintomas até hoje: tonturas e enjôos.

Em outro caso, um homem de 32 anos teve um destino semelhante . E uma mulher  morreu no dia seguinte à exposição, que parece ter agravado uma deficiência cardíaca preexistente.

A pura verdade: quando a série de relatos e problemas de saúde chegou ao centro da cidade, as pessoas entraram em panico. Não dormiam, com medo dos ataques noturnos . Sómente o padre, o prefeito e a médica ficaram para trás, quando as pessoas importantes da comunidade fugiram. Os ônibus partiam lotados de gente que se mudava . Os pescadores recusavam-se a sair para pescar. Em pouco tempo não havia o que comer. A população ficou restrita à comida enlatada e generos trazidos do continente.

As pessoas passavam a noite tomando café para não dormir. Quando viam algo anormal voando, soltavam rojões  e batiam panelas para afugentar o objeto. O governo federal enviou um grupo  de militares , com ordens estritas de observar sem interferir. Uma testemunha  com que conversamos conhecia todos os membros do grupo. Eles montaram uma base na praia e outra na estrada, em local mais alto. Faziam rodízio. Havia biologos, físicos , médicos , químicos  –  um total de quarenta homens, com barracas , gravadores , câmeras e telescópios . Vinham do sul, a patente mais alta era de capitão. Possuiam caminhões, remédios, termometros e medidores de pressão. Eles tratavam as pessoas durante a noite, quando estavam acordados, esperando pelos objetos.

A pura verdade : perguntamos sobre a observação feita  pela própria dra. Carvalho, que  aconteceu às 18 horas , e ela disse que foi a coisa mais linda que viu na vida. Mesmo agora, ao fechar os olhos, ela consegue fazer com que a imagem reapareça .

—    Esqueci de muitas coisas com o passar dos anos    —    declarou    —     , mas nunca esquecerei daquilo!

Era um cilindro grande, brilhante , com uma luz avermelhada no alto e no fundo, brilhando em anéis concêntricos . O objeto voava baixo pela rua , dançando, fazendo círculos majestosos durante o percurso. Não havia portas nem janelas. Sua empregada desmaiou quando viu o objeto, mas a dra. Carvalho a ignorou e seguiu a coisa em estado “quase de extase”, segundo sua descrição , devido à beleza da visão. Ela esperava que pousasse e a levasse embora.
Um grupo de pessoas chegou a cidade, batendo tambores e panelas , soltando fogos. O objeto continuou a danças , cada vez mais alto , e foi embora. Algumas noites depois, um dos objetos aproximou-se e pousou no campo de futebol. Os militares correram para lá, esperando fazer contato, mas a multidão chegou primeiro, batendo tambores, e o objeto decolou.

Quanta ironia. Tentamos a comunicação com seres alienigenas, e não conseguimos estabelecer a comunicação entre nós
mesmos. Os militares e civis não conseguem chegar a um acordo sobre a existencia do fenomeno, os dados não podem ser compartilhados pelos médicos, pesquisadores, países envolvidos.

Todos os dados médicos coletados durante nossa viagem aparentemente são compativeis com a conclusão de que os OVNIs conseguem localizar seres humanos selecionados  com um facho de radiação que contém , entre outros elementos , microndas pulsantes capazes de interferir no sistema nervoso central. Este facho luminoso pode provocar tonturas, dores de cabeça, paralisia , formigamento e alheamento, como descrito por inúmeras testemunhas. Também pode gerar mudanças de comportamento a longo prazo, alterações no sono e mesmo episódios enganosos e alucinações. Toda a fenomenologia dos casos de contato com OVNIs precisa ser revista em função disso.

Onde estão as provas de tudo? O leitor tem o direito de perguntar, como Janine e eu  (Jacques Valeé) fizemos , quando
encontramos as pessoas que passaram por esta experiencia na praia de Baía do Sol. A resposta me deu o que pensar. Não há apenas uma, mas duas séries de fotografias, filmes e gravações feitas no periodo. O grupo militar, agindo abertamente, compilou, ao que consta , um grosso volume de relatório com uma série de medições físicas. O relatório foi enviado para as autoridades superiores de Brasília, onde teria desaparecido em uma gaveta.

O segundo grupo era formado por jornalistas e operadores de câmeras , quase tão bem equipados quanto os militares. Eles conseguiram fotos excelentes, como pode ser visto noa arquivos dos jornais no período. Infelizmente, como foi dito antes, apenas os negativos possuem valor cientifico potencial. E todos os negativos das fotos tiradas pelos grupos de jornalistas saíram do Brasil, adquiridas dos proprietários dos jornais por uma empresa norte-americana desconhecida.

Alguém , nos EUA , possui uma coleção de registros que contém a prova da existencial do fenômeno.

A pura verdade: existe uma razão bem simples para a falta  de interesse acadêmico no fenômeno dos OVNIs. E, como foi visto nesse livro, esta razão não é a falta de provas.

Muito pelo contrário

As provas obtidas até agora pelas principais potencias são tão boas que possuem implicações devastadores para os sistemas militares do futuro. Sendo assim, tomou-se a decisão de manter tudo em segredo, trancado a sete chaves, permitindo o exame apenas a grupos altamente especializados , com acesso restrito, definido. Na minha opinião, o trabalho destes grupos está condenado ao fracasso, como vem acontecendo desde 1953, apesar de todos os recursos destinados a eles e apesar da absurda operação de desinformação que rodeia a questão, para mante-la em segurança.

O fenômeno dos OVNIs não pode ser mantido em um compartimento. Ele é global por natureza , e toca todos os setores do conhecimento humano   —   do folclore à astrofísica, da etnologia às microondas, das partículas à parapsicologia.

A pura verdade: o que aconteceu na Baía do Sol pode acontecer novamente, em qualquer lugar, amanhã mesmo. Detesto saber que estaremos despreparados. Mais uma vez. . .

Jacques Vallé,  Confrontos

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-de-baia-do-sul/

A Linguagem e o Pensamento

Infelizmente, não tive tempo para traduzir este artigo, então vou postar em inglês mesmo. Ele começa a trabalhar a importância da linguagem simbólica na maneira com que ela molda o universo de cada pessoa. Extremamente importante no ocultismo, na astrologia e na psicologia.

HOW DOES OUR LANGUAGE SHAPE THE WAY WE THINK?

By Lera Boroditsky

Humans communicate with one another using a dazzling array of languages, each differing from the next in innumerable ways. Do the languages we speak shape the way we see the world, the way we think, and the way we live our lives? Do people who speak different languages think differently simply because they speak different languages? Does learning new languages change the way you think? Do polyglots think differently when speaking different languages?

These questions touch on nearly all of the major controversies in the study of mind. They have engaged scores of philosophers, anthropologists, linguists, and psychologists, and they have important implications for politics, law, and religion. Yet despite nearly constant attention and debate, very little empirical work was done on these questions until recently. For a long time, the idea that language might shape thought was considered at best untestable and more often simply wrong. Research in my labs at Stanford University and at MIT has helped reopen this question. We have collected data around the world: from China, Greece, Chile, Indonesia, Russia, and Aboriginal Australia. What we have learned is that people who speak different languages do indeed think differently and that even flukes of grammar can profoundly affect how we see the world. Language is a uniquely human gift, central to our experience of being human. Appreciating its role in constructing our mental lives brings us one step closer to understanding the very nature of humanity.

I often start my undergraduate lectures by asking students the following question: which cognitive faculty would you most hate to lose? Most of them pick the sense of sight; a few pick hearing. Once in a while, a wisecracking student might pick her sense of humor or her fashion sense. Almost never do any of them spontaneously say that the faculty they’d most hate to lose is language. Yet if you lose (or are born without) your sight or hearing, you can still have a wonderfully rich social existence. You can have friends, you can get an education, you can hold a job, you can start a family. But what would your life be like if you had never learned a language? Could you still have friends, get an education, hold a job, start a family? Language is so fundamental to our experience, so deeply a part of being human, that it’s hard to imagine life without it. But are languages merely tools for expressing our thoughts, or do they actually shape our thoughts?

Most questions of whether and how language shapes thought start with the simple observation that languages differ from one another. And a lot! Let’s take a (very) hypothetical example. Suppose you want to say, “Bush read Chomsky’s latest book.” Let’s focus on just the verb, “read.” To say this sentence in English, we have to mark the verb for tense; in this case, we have to pronounce it like “red” and not like “reed.” In Indonesian you need not (in fact, you can’t) alter the verb to mark tense. In Russian you would have to alter the verb to indicate tense and gender. So if it was Laura Bush who did the reading, you’d use a different form of the verb than if it was George. In Russian you’d also have to include in the verb information about completion. If George read only part of the book, you’d use a different form of the verb than if he’d diligently plowed through the whole thing. In Turkish you’d have to include in the verb how you acquired this information: if you had witnessed this unlikely event with your own two eyes, you’d use one verb form, but if you had simply read or heard about it, or inferred it from something Bush said, you’d use a different verb form.

Clearly, languages require different things of their speakers. Does this mean that the speakers think differently about the world? Do English, Indonesian, Russian, and Turkish speakers end up attending to, partitioning, and remembering their experiences differently just because they speak different languages? For some scholars, the answer to these questions has been an obvious yes. Just look at the way people talk, they might say. Certainly, speakers of different languages must attend to and encode strikingly different aspects of the world just so they can use their language properly.

Scholars on the other side of the debate don’t find the differences in how people talk convincing. All our linguistic utterances are sparse, encoding only a small part of the information we have available. Just because English speakers don’t include the same information in their verbs that Russian and Turkish speakers do doesn’t mean that English speakers aren’t paying attention to the same things; all it means is that they’re not talking about them. It’s possible that everyone thinks the same way, notices the same things, but just talks differently.

Believers in cross-linguistic differences counter that everyone does not pay attention to the same things: if everyone did, one might think it would be easy to learn to speak other languages. Unfortunately, learning a new language (especially one not closely related to those you know) is never easy; it seems to require paying attention to a new set of distinctions. Whether it’s distinguishing modes of being in Spanish, evidentiality in Turkish, or aspect in Russian, learning to speak these languages requires something more than just learning vocabulary: it requires paying attention to the right things in the world so that you have the correct information to include in what you say.

Such a priori arguments about whether or not language shapes thought have gone in circles for centuries, with some arguing that it’s impossible for language to shape thought and others arguing that it’s impossible for language not to shape thought. Recently my group and others have figured out ways to empirically test some of the key questions in this ancient debate, with fascinating results. So instead of arguing about what must be true or what can’t be true, let’s find out what is true.

Follow me to Pormpuraaw, a small Aboriginal community on the western edge of Cape York, in northern Australia. I came here because of the way the locals, the Kuuk Thaayorre, talk about space. Instead of words like “right,” “left,” “forward,” and “back,” which, as commonly used in English, define space relative to an observer, the Kuuk Thaayorre, like many other Aboriginal groups, use cardinal-direction terms — north, south, east, and west — to define space.1 This is done at all scales, which means you have to say things like “There’s an ant on your southeast leg” or “Move the cup to the north northwest a little bit.” One obvious consequence of speaking such a language is that you have to stay oriented at all times, or else you cannot speak properly. The normal greeting in Kuuk Thaayorre is “Where are you going?” and the answer should be something like ” Southsoutheast, in the middle distance.” If you don’t know which way you’re facing, you can’t even get past “Hello.”

The result is a profound difference in navigational ability and spatial knowledge between speakers of languages that rely primarily on absolute reference frames (like Kuuk Thaayorre) and languages that rely on relative reference frames (like English).2 Simply put, speakers of languages like Kuuk Thaayorre are much better than English speakers at staying oriented and keeping track of where they are, even in unfamiliar landscapes or inside unfamiliar buildings. What enables them — in fact, forces them — to do this is their language. Having their attention trained in this way equips them to perform navigational feats once thought beyond human capabilities. Because space is such a fundamental domain of thought, differences in how people think about space don’t end there. People rely on their spatial knowledge to build other, more complex, more abstract representations. Representations of such things as time, number, musical pitch, kinship relations, morality, and emotions have been shown to depend on how we think about space. So if the Kuuk Thaayorre think differently about space, do they also think differently about other things, like time? This is what my collaborator Alice Gaby and I came to Pormpuraaw to find out.

To test this idea, we gave people sets of pictures that showed some kind of temporal progression (e.g., pictures of a man aging, or a crocodile growing, or a banana being eaten). Their job was to arrange the shuffled photos on the ground to show the correct temporal order. We tested each person in two separate sittings, each time facing in a different cardinal direction. If you ask English speakers to do this, they’ll arrange the cards so that time proceeds from left to right. Hebrew speakers will tend to lay out the cards from right to left, showing that writing direction in a language plays a role.3 So what about folks like the Kuuk Thaayorre, who don’t use words like “left” and “right”? What will they do?

The Kuuk Thaayorre did not arrange the cards more often from left to right than from right to left, nor more toward or away from the body. But their arrangements were not random: there was a pattern, just a different one from that of English speakers. Instead of arranging time from left to right, they arranged it from east to west. That is, when they were seated facing south, the cards went left to right. When they faced north, the cards went from right to left. When they faced east, the cards came toward the body and so on. This was true even though we never told any of our subjects which direction they faced. The Kuuk Thaayorre not only knew that already (usually much better than I did), but they also spontaneously used this spatial orientation to construct their representations of time.

People’s ideas of time differ across languages in other ways. For example, English speakers tend to talk about time using horizontal spatial metaphors (e.g., “The best is ahead of us,” “The worst is behind us”), whereas Mandarin speakers have a vertical metaphor for time (e.g., the next month is the “down month” and the last month is the “up month”). Mandarin speakers talk about time vertically more often than English speakers do, so do Mandarin speakers think about time vertically more often than English speakers do? Imagine this simple experiment. I stand next to you, point to a spot in space directly in front of you, and tell you, “This spot, here, is today. Where would you put yesterday? And where would you put tomorrow?” When English speakers are asked to do this, they nearly always point horizontally. But Mandarin speakers often point vertically, about seven or eight times more often than do English speakers.4

Even basic aspects of time perception can be affected by language. For example, English speakers prefer to talk about duration in terms of length (e.g., “That was a short talk,” “The meeting didn’t take long”), while Spanish and Greek speakers prefer to talk about time in terms of amount, relying more on words like “much” “big”, and “little” rather than “short” and “long” Our research into such basic cognitive abilities as estimating duration shows that speakers of different languages differ in ways predicted by the patterns of metaphors in their language. (For example, when asked to estimate duration, English speakers are more likely to be confused by distance information, estimating that a line of greater length remains on the test screen for a longer period of time, whereas Greek speakers are more likely to be confused by amount, estimating that a container that is fuller remains longer on the screen.)5

An important question at this point is: Are these differences caused by language per se or by some other aspect of culture? Of course, the lives of English, Mandarin, Greek, Spanish, and Kuuk Thaayorre speakers differ in a myriad of ways. How do we know that it is language itself that creates these differences in thought and not some other aspect of their respective cultures?

One way to answer this question is to teach people new ways of talking and see if that changes the way they think. In our lab, we’ve taught English speakers different ways of talking about time. In one such study, English speakers were taught to use size metaphors (as in Greek) to describe duration (e.g., a movie is larger than a sneeze), or vertical metaphors (as in Mandarin) to describe event order. Once the English speakers had learned to talk about time in these new ways, their cognitive performance began to resemble that of Greek or Mandarin speakers. This suggests that patterns in a language can indeed play a causal role in constructing how we think.6 In practical terms, it means that when you’re learning a new language, you’re not simply learning a new way of talking, you are also inadvertently learning a new way of thinking. Beyond abstract or complex domains of thought like space and time, languages also meddle in basic aspects of visual perception — our ability to distinguish colors, for example. Different languages divide up the color continuum differently: some make many more distinctions between colors than others, and the boundaries often don’t line up across languages.

To test whether differences in color language lead to differences in color perception, we compared Russian and English speakers’ ability to discriminate shades of blue. In Russian there is no single word that covers all the colors that English speakers call “blue.” Russian makes an obligatory distinction between light blue (goluboy) and dark blue (siniy). Does this distinction mean that siniy blues look more different from goluboy blues to Russian speakers? Indeed, the data say yes. Russian speakers are quicker to distinguish two shades of blue that are called by the different names in Russian (i.e., one being siniy and the other being goluboy) than if the two fall into the same category.

For English speakers, all these shades are still designated by the same word, “blue,” and there are no comparable differences in reaction time.

Further, the Russian advantage disappears when subjects are asked to perform a verbal interference task (reciting a string of digits) while making color judgments but not when they’re asked to perform an equally difficult spatial interference task (keeping a novel visual pattern in memory). The disappearance of the advantage when performing a verbal task shows that language is normally involved in even surprisingly basic perceptual judgments — and that it is language per se that creates this difference in perception between Russian and English speakers.

When Russian speakers are blocked from their normal access to language by a verbal interference task, the differences between Russian and English speakers disappear.

Even what might be deemed frivolous aspects of language can have far-reaching subconscious effects on how we see the world. Take grammatical gender. In Spanish and other Romance languages, nouns are either masculine or feminine. In many other languages, nouns are divided into many more genders (“gender” in this context meaning class or kind). For example, some Australian Aboriginal languages have up to sixteen genders, including classes of hunting weapons, canines, things that are shiny, or, in the phrase made famous by cognitive linguist George Lakoff, “women, fire, and dangerous things.”

What it means for a language to have grammatical gender is that words belonging to different genders get treated differently grammatically and words belonging to the same grammatical gender get treated the same grammatically. Languages can require speakers to change pronouns, adjective and verb endings, possessives, numerals, and so on, depending on the noun’s gender. For example, to say something like “my chair was old” in Russian (moy stul bil’ stariy), you’d need to make every word in the sentence agree in gender with “chair” (stul), which is masculine in Russian. So you’d use the masculine form of “my,” “was,” and “old.” These are the same forms you’d use in speaking of a biological male, as in “my grandfather was old.” If, instead of speaking of a chair, you were speaking of a bed (krovat’), which is feminine in Russian, or about your grandmother, you would use the feminine form of “my,” “was,” and “old.”

Does treating chairs as masculine and beds as feminine in the grammar make Russian speakers think of chairs as being more like men and beds as more like women in some way? It turns out that it does. In one study, we asked German and Spanish speakers to describe objects having opposite gender assignment in those two languages. The descriptions they gave differed in a way predicted by grammatical gender. For example, when asked to describe a “key” — a word that is masculine in German and feminine in Spanish — the German speakers were more likely to use words like “hard,” “heavy,” “jagged,” “metal,” “serrated,” and “useful,” whereas Spanish speakers were more likely to say “golden,” “intricate,” “little,” “lovely,” “shiny,” and “tiny.” To describe a “bridge,” which is feminine in German and masculine in Spanish, the German speakers said “beautiful,” “elegant,” “fragile,” “peaceful,” “pretty,” and “slender,” and the Spanish speakers said “big,” “dangerous,” “long,” “strong,” “sturdy,” and “towering.” This was true even though all testing was done in English, a language without grammatical gender. The same pattern of results also emerged in entirely nonlinguistic tasks (e.g., rating similarity between pictures). And we can also show that it is aspects of language per se that shape how people think: teaching English speakers new grammatical gender systems influences mental representations of objects in the same way it does with German and Spanish speakers. Apparently even small flukes of grammar, like the seemingly arbitrary assignment of gender to a noun, can have an effect on people’s ideas of concrete objects in the world.7

In fact, you don’t even need to go into the lab to see these effects of language; you can see them with your own eyes in an art gallery. Look at some famous examples of personification in art — the ways in which abstract entities such as death, sin, victory, or time are given human form. How does an artist decide whether death, say, or time should be painted as a man or a woman? It turns out that in 85 percent of such personifications, whether a male or female figure is chosen is predicted by the grammatical gender of the word in the artist’s native language. So, for example, German painters are more likely to paint death as a man, whereas Russian painters are more likely to paint death as a woman.

The fact that even quirks of grammar, such as grammatical gender, can affect our thinking is profound. Such quirks are pervasive in language; gender, for example, applies to all nouns, which means that it is affecting how people think about anything that can be designated by a noun. That’s a lot of stuff!

I have described how languages shape the way we think about space, time, colors, and objects. Other studies have found effects of language on how people construe events, reason about causality, keep track of number, understand material substance, perceive and experience emotion, reason about other people’s minds, choose to take risks, and even in the way they choose professions and spouses.8 Taken together, these results show that linguistic processes are pervasive in most fundamental domains of thought, unconsciously shaping us from the nuts and bolts of cognition and perception to our loftiest abstract notions and major life decisions. Language is central to our experience of being human, and the languages we speak profoundly shape the way we think, the way we see the world, the way we live our lives.

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NOTES

1 S. C. Levinson and D. P. Wilkins, eds., Grammars of Space: Explorations in Cognitive Diversity (New York: Cambridge University Press, 2006).

2 Levinson, Space in Language and Cognition: Explorations in Cognitive Diversity (New York: Cambridge University Press, 2003).

3 B. Tversky et al., “ Cross-Cultural and Developmental Trends in Graphic Productions,” Cognitive Psychology 23(1991): 515–7; O. Fuhrman and L. Boroditsky, “Mental Time-Lines Follow Writing Direction: Comparing English and Hebrew Speakers.” Proceedings of the 29th Annual Conference of the Cognitive Science Society (2007): 1007–10.

4 L. Boroditsky, “Do English and Mandarin Speakers Think Differently About Time?” Proceedings of the 48th Annual Meeting of the Psychonomic Society (2007): 34.

5 D. Casasanto et al., “How Deep Are Effects of Language on Thought? Time Estimation in Speakers of English, Indonesian Greek, and Spanish,” Proceedings of the 26th Annual Conference of the Cognitive Science Society (2004): 575–80.

6 Ibid., “How Deep Are Effects of Language on Thought? Time Estimation in Speakers of English and Greek” (in review); L. Boroditsky, “Does Language Shape Thought? English and Mandarin Speakers’ Conceptions of Time.” Cognitive Psychology 43, no. 1(2001): 1–22.

7 L. Boroditsky et al. “Sex, Syntax, and Semantics,” in D. Gentner and S. Goldin-Meadow, eds., Language in Mind: Advances in the Study of Language and Cognition (Cambridge, MA: MIT Press, 2003), 61–79.

8 L. Boroditsky, “Linguistic Relativity,” in L. Nadel ed., Encyclopedia of Cognitive Science (London: MacMillan, 2003), 917–21; B. W. Pelham et al., “Why Susie Sells Seashells by the Seashore: Implicit Egotism and Major Life Decisions.” Journal of Personality and Social Psychology 82, no. 4(2002): 469–86; A. Tversky & D. Kahneman, “The Framing of Decisions and the Psychology of Choice.” Science 211(1981): 453–58; P. Pica et al., “Exact and Approximate Arithmetic in an Amazonian Indigene Group.” Science 306(2004): 499–503; J. G. de Villiers and P. A. de Villiers, “Linguistic Determinism and False Belief,” in P. Mitchell and K. Riggs, eds., Children’s Reasoning and the Mind (Hove, UK: Psychology Press, in press); J. A. Lucy and S. Gaskins, “Interaction of Language Type and Referent Type in the Development of Nonverbal Classification Preferences,” in Gentner and Goldin-Meadow, 465–92; L. F. Barrett et al., “Language as a Context for Emotion Perception,” Trends in Cognitive Sciences 11(2007): 327–32.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-linguagem-e-o-pensamento