Curso de Tarô e História da Arte

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Esta semana começa o Curso de Tarot e História da Arte – Arcanos Maiores, na plataforma EAD do EAdeptus. Um dos cursos que eu mais gosto de ministrar e com certeza um dos mais importantes para todo estudante de Hermetismo.

O Tarot, como o conhecemos, surge por volta do século XIV ao mesmo tempo em que a pressão da Inquisição sobre os judeus aumenta. Para não irem para a fogueira, rabinos fazem a conversão forçada ao cristianismo e, ao mesmo tempo, iniciam um processo para salvar todo o conhecimento da Tora de maneira que não fosse perdido jamais. E assim surge o Taro. Suas 22 lâminas representam cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico e suas imagens trazem escondidas dentro do simbolismo todo o conteúdo da Árvore da Vida.

No curso estudamos 12 tarots, ao todo. Isto é necessário para poder dar ao aluno toda a abrangência do que é o tarot. Começamos em 1460 com o Tarot mais antigo que existe, o Visconti Sforza; passamos pelo Tarot de Bolonha, pelo Ancient Italian até chegar do famoso Marselha. Deste, estudamos os Tarots de Oswald Wirth e Papus (Boemios), ambos de 1889 e com elementos esotéricos, maçônicos e rosacruzes em seu conteúdo e chegamos até 1904, com o famoso Rider Waite, o tarot mais vendido em todo o mundo. Ainda dentro das Ordens Herméticas, aprofundamos os estudos no Tarot de Thoth (o “proibido” tarot de Aleister Crowley), o tarot da Golden Dawn e o tarot Alquiímico e chegamos finalmente ao século XX com o Tarot Mitológico de Shaman-Burke. Como estudo paralelo da Kabbalah, sempre fazemos a comparação com o HKT2 (Hermetic Kabbalah tarot) com todas as suas referências.

Desta maneira, o curso fica completo: o aluno vai conhecer não apenas os 22 Arcanos maiores, mas cada imagem de cada arcano ao longo do tempo; vai entender o que evoluiu, o que mudou, quais elementos entraram e sairam das ilustrações e por qual motivo… um curso completo que vai agradar desde quem nunca viu um tarot na vida até os mais experientes tarólogos, que poderão ter um estudo detalhado de cada símbolo presente em cada arcano.

O Curso se conecta com o Curso de Kabbalah Hermética, que faz a “subida da Serpente” pela mesma Árvore da Vida do Tarot, e o Curso de Arstrologia Hermética que estuda e aprofunda todos os símbolos e significados dos Planetas, Signos e Casas. Sobre Oráculos, recomendo o curso de Geomancia para aprofundar nas origens de como funcionam os Oráculos e sua conexão com o Sagrado Anjo Guardião.

Recomendo ainda fazer o Curso gratuito de Exercícios Básicos de Hermetismo.

#Cursos #Kabbalah #KabbalisticTarot #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-tar%C3%B4-e-hist%C3%B3ria-da-arte

Morpheus – Dream a little dream of me

Publicado no S&H dia 7/jul/2008,

Mr. Sandman, bring me a dream
Make him the cutest that I’ve ever seen
Give him two lips like roses and clover
Then tell him that his lonesome nights are over.
Sandman, I’m so alone
Don’t have nobody to call my own
Please turn on your magic beam
Mr. Sandman, bring me a dream.

É engraçado como funciona a sincronicidade. Este final de semana, enquanto Neil Gaiman estava autografando na Feira Literária de Parati (FLIP), todo o nosso projeto de textos sobre os Psycopompos (os deuses que representam a interação do Plano Físico com o Plano Astral), após passar por Thanatos, Hecate e Hermes, chega justamente a Morpheus, personagem que foi imortalizado na forma de Sandman por este autor.
A seguir, o que o mundo dos espíritos e o mundo dos sonhos tem em comum?

Morpheus
Morpheus, ou Morfeus em português (palavra grega cujo significado é “aquele que forma, que molda”) é o deus grego dos sonhos. Morpheus possui a habilidade de assumir qualquer forma humana e aparecer nos sonhos das pessoas como se fosse a pessoa amada por aquele determinado indivíduo. Seu pai é o deus Hipnos, do sono. Os filhos de Hipnos, chamados de Oneiroi, são personificações de sonhos, sendo eles Phobetor (que os deuses chamavam de Icelus), e Phantasis (de cujo nome originou a palavra “fantasia”). Morfeu foi mencionado pela primeira vez no texto Metamorphoses de Ovídio como um deus vivendo numa cama feita de ébano numa escura caverna decorada com flores, mas também aparece na Odisséia, na Eneida e na Teogonia.
Morpheus representa a presença da alma humana nos Reinos de Hades (Yesod) durante o sono. Sua alegoria nos demonstra o conhecimento que os iniciados possuem sobre este aspecto da interação do corpo físico com o astral. A partir do conhecimento da ligação entre estes pontos, podemos explicar facilmente alguns mitos que com certeza muitos de vocês já passaram:

Sono e Sonhos
Antes de mais nada, precisamos definir alguns parâmetros e termos:
Sono é um estado em que cessam as atividades físicas motoras e sensoriais.
Sonho é a lembrança dos fatos, dos acontecimentos ocorridos durante o sono.
A ciência ortodoxa, analisando tão somente os aspectos fisiológicos das atividades oníricas, ainda não conseguiu conceituar com clareza e objetividade o sono e o sonho. Sem considerar a emancipação da alma, sem conhecer as propriedades e funções do duplo-etérico (perispírito para os Kardecistas), fica, realmente, difícil explicar a variedade das manifestações que ocorrem durante o repouso do corpo físico. Alguns psiquiatras e psicólogos já analisam os sonhos como atividades do psiquismo mais profundo.
Assim temos em Freud, o precursor dos estudos mais avançados nesta área. Ele julgava que os instintos, quando reprimidos, tendem a se manifestar e uma destas manifestações seria através dos sonhos. Isto numa linguagem simbólica representativa do desejo.
Adler introduziu em Psicologia o “instinto do poder” . Nossa personalidade gravitaria em torno da auto-afirmação, do desejo do domínio.
Jung considerou válidas as duas proposições. Descobriu que nos recessos do inconsciente, existe uma infra-estrutura feita de imagens ou símbolos que integram a mitologia de todos os povos. São os arquétipos, reminiscências de caráter genérico que remontam a fases muito primitivas da evolução.
Mas foi mesmo o irmão Allan Kardec, através da Codificação Espírita, quem realmente, analisou amplamente os sonhos em seus aspectos fisiológicos e espirituais.

Citando o livro dos Espíritos, Cap. VIII, analisando a emancipação espiritual, coloca o sono como a primeira fase deste fenômeno, que antecede ao sonambulismo e ao êxtase que seriam estados mais profundos de independência pelo desprendimento parcial do Espírito.
Por exemplo, na questão 400, do Livro dos Espíritos, ele indaga:

“O espírito permanece voluntariamente no seu envoltório corporal ?”
R : “É como se perguntasse se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves. O Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais ele deseja ver-se desembaraçado.”

Na questão 401 :
“Durante o sono, a alma repousa como o corpo ?”
R : “Não. O Espírito jamais está inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não mais necessitando do Espírito, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.”

Na questão 402, Kardec indaga :
“Como podemos julgar a liberdade do Espírito durante o sono ?”
R : “Pelos sonhos.”

E chegamos a um ponto muito interessante: Quantos de vocês sonham?

Divisões e tipos de sonhos
Sonhos estão divididos em três tipos básicos:
Comum, ou cerebral: São aqueles que refletem nossas vivências do dia a dia. O Espírito desligando-se, parcialmente, do corpo, absorve as ondas e imagens de sua própria mente, das que lhe são afins e do mundo exterior, já que nos movimentamos num turbilhão de energias e ondas vibrando sem cessar nas egrégoras a que somos diariamente submetidos. Nos sonhos comuns, quase não há exteriorização perispiritual. São muito freqüentes dada a condição da humanidade.
A maioria das pessoas nem chega a lembrar-se dos sonhos, acreditando que simplesmente “não sonha”. Boa parte destas pessoas passa a noite inteira com o duplo-etérico deitado ao lado do corpo imaginando estar descansando, pois seu corpo está tão cansado e sua mente tão vazia que simplesmente não consegue exteriorizar sua vontade para lugar nenhum.

Sonhos reflexivos: Nesta segunda etapa, há maior exteriorização que nos sonhos comuns. O corpo astral e mental registra acontecimentos, impressões e imagens, arquivadas no subconsciente, isto é, no cérebro do corpo fluídico, duplo-etérico ou perispírito.
Esses sonhos poderão refletir fatos remotos, imagens da atual encarnação, imagens captadas das egrégoras que estejam influenciando mais intensamente a pessoa e assim por diante. Contudo, é mais freqüente revivenciar acontecimentos de outras vidas, cujas lembranças nos tragam esclarecimentos, lições ou advertências, se orientados por mentores espirituais.

Eventualmente, é neste nível de exteriorização que ocorrem as comunicações entre os seres astrais e os seres humanos. Como o duplo-etérico flutua muito próximo ao corpo (às vezes sem deixar a mesma área onde ele se encontra), os seres astrais é que precisam se aproximar das pessoas para transmitir qualquer tipo de comunicação.
Infelizmente, dada a completa falta de preparo e treinamento da maioria das pessoas, nesta etapa os sonhos acabam sendo confusos, com pouco aproveitamento e poucas recordações.
Mas neste tipo de sonho acontece um dos fenômenos mais comuns e que com certeza boa parte dos leitores já deve ter passado pelo menos uma vez na vida: a Catalepsia Projetiva.
Falarei mais sobre isso daqui a pouco.

Exteriorização do Duplo-Etérico: Neste tipo de sonho, há mais ampla exteriorização do perispírito. Desprendendo-se do corpo e adquirindo maior liberdade, a alma terá uma atividade real no plano espiritual. Léon Denis chama a estes sonhos de etéreos ou profundos, por suas características de mais acentuada emancipação da alma.

“O Espírito se subtrai à vida física, desprende-se da matéria, percorre a superfície da Terra e a imensidade onde procura os seres amados, seus parentes, seus amigos, seus guias espirituais ( … ) Dessas práticas, conserva o Espírito impressões que raramente afetam o cérebro físico, em virtude de sua impotência vibratória.”
– Livro dos Espíritos

Neste tipo de sonho, teremos que considerar a lei de afinidade. Nossa condição espiritual, nosso grau evolutivo, irá determinar a qualidade de nossos sonhos, as companhias astrais que iremos procurar (ou que irão nos procurar) e os ambientes nos quais permaneceremos enquanto o nosso corpo repousa.
Como tudo mais no astral está ligado às emoções, quando confrontados com situações “importantes” como finais de campeonatos de futebol ou de novelas, o povo eventualmente consegue atingir este estagio mental e desprender-se do corpo para vivenciar alguma experiência extra-material. Muitos chegam a se encontrar nos estádios e sonhar com a partida de futebol.

Creio que todo mundo já sonhou em fazer uma prova ou entregar um trabalho ANTES do dia da tal prova importante realmente acontecer. Ou de chegar atrasado a esta prova ou de perder o trabalho…

Nos sonhos, as pessoas costumam freqüentar locais astrais semelhantes com a sua índole. E isso quer dizer que mesmo os mais recatados pais de família, quando acham que ninguém os está vigiando, podem freqüentar prostíbulos e bares astrais (sim, eles existem, de todos os tipos, cores, tamanhos e formas imagináveis), hotéis e moteis ou até mesmo pontos de drogas astrais (sim, eles também existem, só que neste caso, os duplos-etéricos dos vivos é que vampirizam outros vivos que estejam usando drogas, fumando, fazendo sexo ou bebendo – não existe jantar grátis, crianças).
Claro que enquanto isso, outras pessoas são chamadas para estudar, visitam bibliotecas, centros de pesquisa, lojas maçônicas astrais e templos Rosacruzes nos planos mais sutis. Muitos também colaboram em resgates quando acontecem acidentes naturais, terremotos e inundações, quando há muitos mortos e existe a necessidade de se remover o corpo astral de pessoas (e engraçado que geralmente estas pessoas são ateus e materialistas) que estejam presos no corpo e acreditam que ainda estão vivos e presos em escombros. Normalmente é um tanto complicado convencê-los que estão mortos…

Catalepsia Projetiva
Provavelmente, uma das perguntas mais feitas na história da coluna tem relação com este fenômeno de paralisia (a outra é “por que não se aceitam mulheres na Maçonaria?”).

Ocasionalmente , o projetor pode sentir uma paralisia de seus veículos de manifestação, principalmente dentro da faixa de atividade do cordão de prata. Essa paralisia é chamada de “catalepsia projetiva ou astral”. Não deve ser confundida com a catalepsia patológica, que é uma doença rara.
A catalepsia projetiva pode ocorrer tanto antes como após a projeção. Geralmente, ela acontece da seguinte maneira: a pessoa desperta durante a noite e descobre que não pode se mover. Parece que uma força invisível lhe tolhe os movimentos. Desesperada, ela tenta gritar, mas não consegue. Tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado. Alguns criam fantasias subconscientes imaginando que um espírito lhes dominou e tolheu seus movimentos. Geralmente, esse fenômeno dura apenas alguns instantes, mas para a pessoa parece que decorreram horas de agonia.
Por incrível que pareça, essa catalepsia é benigna e pode produzir a projeção, se a pessoa ficar calma e pensar em flutuar acima do corpo físico.
A essa altura, o leitor que alguma vez tenha sofrido essa experiência, deve estar pensando que essa técnica de saída do corpo é bastante perigosa. Entretanto, ela não apresenta nenhum risco, pelo contrário, é totalmente inofensiva. É um fenômeno que acontece com muitas pessoas, todas as noites, em todo o planeta. Se o leitor questionar as pessoas de seu círculo familiar e de amizades, constatará que muitas delas já passaram por esse tipo de experiência algum dia.
Portanto, se algum dia o leitor se encontrar nessa situação em uma noite qualquer, não tente se mover como um desesperado e nem se afobe. Fique calmo, lembre do tio Marcelo e pense firmemente em sair do corpo e flutuar acima dele. Não tenha medo nem ansiedade e a projeção se realizará.
Caso o leitor não pretenda se arriscar e deseje recuperar o controle de seu corpo físico, basta tentar, com muita calma, traçar um pentagrama com a ponta dos dedos e, imediatamente, irá readquirir o movimento. Entretanto, se a catalepsia projetiva ocorrer, não desperdice a oportunidade e procure sair do corpo.

Cientificamente falando, o cérebro de carne paralisa os músculos para prevenir possíveis lesões, já que algumas partes do corpo podem se mover durante o sonho. A explicação que é dada pela ciência ortodoxa é que se uma pessoa acorda repentinamente, o cérebro pode pensar que ela ainda está dormindo e manter a paralisia, mas não são capazes ainda de explicar as “alucinações” que acontecem muitas vezes neste período.

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Esta semana o post ficou pequeno porque estou com muita coisa para fazer no mundo profano. Voltem aqui mais vezes porque até o final da semana quero escrever um pouco mais sobre Sonambulismo e Sonhos Premonitórios (que fazem parte desta matéria) e darei um Update neste post.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/morpheus-dream-a-little-dream-of-me

Observações Finais sobre as Vantagens da Magia

Original: Observações Finais sobre as Vantagens deste Dicionário – Milorad Pavitch; Dicionário Kazar

Adaptação Livre e Dicionaresca: Fr. Goya (Anderson Rosa)

O caminho da magia pode ser uma vinha regada pela chuva ou uma vinha regada pelo vinho. Este caminho mágico, como todas as grandes magias, pertence à segunda categoria. A magia é um caminho que pede pouco tempo a cada dia, mas que toma muito no decorrer dos anos. Não se deve subestimar tal perda. Sobretudo se admitirmos que o ritual é, de maneira geral, uma ocupação duvidosa.

Pelo ritual, a magia pode ser curada ou ser morta. Pode ser transformada, engordada ou violada. Seu fio condutor pode mudar de sentido, há sempre alguma coisa que nos escapa, perdemos gestos entre as práticas, falas entre os lábios, enquanto outras falas e gestos crescem entre nossos olhos e ouvidos, como repolhos. Se a deixarmos de lado, arriscamo-nos a encontrá-la (a magia) no dia seguinte como um fogão apagado sobre o qual nenhum jantar quente nos espera mais. Além do mais, hoje em dia, os homens não dispõem de tanta solidão para que possam praticar, sem prejuízo, rituais e também conjuros. Mas tudo tem um fim – o ritual mágico é como uma balança: pende primeiro para a direita, depois para a esquerda para sempre. Seu peso passa, desse modo, da mão direita para a mão esquerda, e um movimento semelhante produz-se na cabeça do magista – do domínio da esperança, os pensamentos deslocam-se para o da lembrança, e tudo se acaba. Na orelha do magista talvez permaneça, um pouco da saliva do mestre, trazida pelo vento das palavras com um grão de areia no fundo. Ao redor desse grão, como numa ostra, vozes serão depositadas durante anos, e um belo dia elas se transformarão em pérola, em queijo de cabra negra ou ainda numa bolha vazia, quando as orelhas se fecham como uma concha. Mas isto não depende da areia!

Em qualquer dos casos, praticar magia é tão trabalhoso que significa permanecer muito tempo sozinho. Sem a presença de quem te é indispensável, pois a magia a quatro mãos não é ainda comum. O magista está sempre só. Mesmo quando está em grupos…

Atenciosamente,

Em L.L.L.L.,

Fr. Goya

Círculo Iniciático de Hermes

– Campo Mourão/Paraná –
http://www.rosacruz.com.br
http://www.cih.org.br

#MagiaPrática

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Liber 1 – O Livro da Hora Zero

Liber I – O Livro da Hora Zero é um verdadeiro mapa, um guia que auxilia o leitor a percorrer os meandros do Novo Æon. Por meio dessa estrondosa mensagem, o artista e ocultista germânico Albin Grau (1884-1971) – produtor de “Nosferatu: o Vampiro da Noite” – rompe as barreiras que limitam o entendimento e a ação do Neófito no processo mágico de definição e realização da Verdadeira Vontade, também chamada de Vontade Divina.

Sob a influência de uma linguagem criativa – que, por vezes, parece abrir canais alternativos de compreensão do Livro da Lei – o leitor é levado a uma reflexão sobre os valores, agora aparentemente estéreis, do Æon de Osíris, ao passo que lhe é revelada, com urgência, a austeridade necessária ao desenvolvimento espiritual sob os auspícios do Senhor do Novo Æon.

O texto apresenta, ainda, práticas meditativas capazes de proporcionar o alinhamento do Neófito com a corrente espiritual da Era de Aquário.

Sem sombra de dúvidas, estas características fizeram do prestigiado Liber I uma peça essencial para germinar o solo germânico com as sementes da Era de Hórus, assim abrindo espaço para que a corrente thelêmica pudesse ilustrar os aspirantes à iniciação na Terra-Mãe dos primeiros rosacruzes.

A propósito, não é demais assinalar que O Livro da Hora Zero foi originalmente destinado à instrução da Loja Pansófica dos Irmãos Buscadores da Luz (Pansophischen Loge der lichtsuchenden Brüder) – agrupamento declaradamente rosacruciano. Isto é uma indicação de que estamos diante de um feliz amálgama da sabedoria da Rosa+Cruz – “a Flor da Era de Peixes” – com a Lei de Thelema, que rege a Nova Era.

A laboriosa tomada de consciência de Malkuth – ainda que a mais baixa esfera da Árvore da Vida – como chave do portão que mantém exilada a Mãe Achamoth ¬– a Sophia decaída dos Gnósticos, cuja queda prenunciou a criação da matéria e cuja ascensão significará a possibilidade de reintegração da Chama Divina – Hadit – ao Pleroma – Nuit! A superação do Crestos, identificado com Osíris, o iniciador da Era passada, que depõe a Santa Flor diante do Senhor da Nova Era – Hórus –, em alusão à caducidade da fórmula da R.C., que sucumbe diante de Thelema, a Lei da Nova Era! A realidade nascida da travessia do Abismo, em que o mago, agora habitante da Cidade das Pirâmides, se identifica com Pan! Dificilmente se pode pensar em outro livro que sintetize tão bem os eixos da sabedoria dos Æons que, então, começavam a se despedir.

Três outros interessantes escritos de Albin Grau podem ser encontrados nesta obra: Primeira Lição sobre Deveres, que norteia os passos do Neófito; O Homem Estelar, uma elaborada descrição da composição cósmica do ser humano e de sua relação com as forças planetárias; e Vampiro, um instigante relato da gênese de Nosferatu.

O leitor encontrará, também, a narrativa histórica da fundação da antiga Fraternitas Saturni como consequência dos fatos que circundaram a visita de Aleister Crowley (Mestre Therion) à Alemanha em 1925. Ali, é desvelada a decisiva participação de Albin Grau – ou Frater Pacitius – na instauração da corrente mágica hoje representada pela ORDO SATURNI.

Esta publicação vem acompanhada das “Visionen des Cheops” – gravuras que originalmente estamparam os únicos cinco volumes do anuário Saturn Gnosis – editado por Eugen Grosche a partir de 1928, com a colaboração de Albin Grau na função de diretor de arte. Por meio dessas gravuras, Frater Pacitius expressava, a um só tempo, a sua profunda paixão pelos mistérios egípcios e os seus amplos conhecimentos de geometria esotérica. É sabido que destacados ocultistas valeram-se das Visionen como portais em suas práticas de viagem astral.

Indubitavelmente, estamos diante de verdadeiros tesouros do ocultismo germânico, pela primeira vez publicados em Português. É mais do que certo que aspirantes e iniciados de qualquer ramo das Ciências Ocultas encontrarão aqui elementos ímpares, que em muito contribuirão para o seu aperfeiçoamento espiritual.

O Liber 1 foi uma das metas alcançadas no Projeto “Livros Sagrados de Thelema”, que está nas últimas 48hs de Financiamento Coletivo.

Não teria sido possível sem o grande apoio de todos vocês!

E esta revista me inspirou a pensar algo, sobre o Projeto Mayhem. Se os magos de 1929 conseguiram se reunir e lançar uma revista fantástica; hoje, através de Financiamento Coletivo recorrente, nós também podemos atingir algo com a mesma qualidade. Temos gente capacitada para escrever, temos um público de alta qualidade e disposto a estudar o Hermetismo sério e temos a ferramenta do Financiamento Coletivo. Sucesso é a única possibilidade!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/liber-1-o-livro-da-hora-zero

O Plano Astral e o Hermetismo – Parte I

As entidades diretoras presidindo tudo o que acontece no astral. Essas entidades psíquicas são constituídas pelos homens superiores das humanidades antigas evoluídos por iniciativa própria.

Fluidos particulares formados por uma substância análoga à eletricidade, mas dotada de propriedades psíquicas: a luz astral.

Nestes fluidos circulam seres diversos capazes de sentir a influência da vontade humana: os elementais, muitas vezes constituídos pelas ideias vitalizadas dos homens.

Além desses princípios, podemos encontrar as formas futuras prestes a se manifestar no plano físico, formas constituídas pelo reflexo em negativo das ideias criadoras do mundo divino.

As imagens astrais dos seres e das coisa, reflexo em negativo do plano físico.

Fluidos emanados da vontade humana ou do mundo divino acionando o astral.

Corpos astrais de seres sobrecarregados de materialidade (suicidas), de seres em evolução (elementares) e de entidades humanas atravessando o astral para se encarnar (nascimento) ou depois da desencarnação (morte). Também podem ser encontrados os corpos astrais de adeptos ou feiticeiros em fase de experiência.

A título de desenvolvimento e aplicação dos dados precedentes, terminaremos esta primeira parte do artigo O Plano Astral e o Hermetismo citando F. Ch. Barlet.

“Se é e em seu próprio organismo que a alma, depois de formulado algum desejo, procura o éter necessário para o incorporar, ela o encontra agindo sobre o fantasma ou parte inferior de seu corpo astral (Linga, Sarira, Than Nefeque) por intermédio de seu princípio magnético central (Kama, Khi ou Ruá). Ela pode então, conforme descrevemos, agir, traduzindo seu desejo em ato ou gesto do corpo material com a ajuda da força vital que a impregna ao mesmo tempo que o corpo astral.

Mas se ela não o consegue, pode exteriorizar o esboço astral e por ele aspirar o éter-ambiente com um ardor proporcional à sua sede, informá-lo por seu verbo num turbilhão astral, sem núcleo, impregnar esta forma com o seu próprio magnetismo e o lançar, por seu centro intermediário, como dissemos (pela alma do corpo espiritual Kama, Khi, Ruá) em busca de um organismo mais capaz do que o seu de realizar a coisa sonhada.

Eis aí um ser a mais na atmosfera astral; esta espécie de elemental é conhecida pela filosofia hindu com o expressivo nome de Kama-monasique. Ou melhor, nascido de Mana (a alma humana, sede do desejo) com o concurso de Kama (a força magnética).

Para ser completo falta-lhe o corpo de átomos protílicos de que a sua forma precisa e, como por sua própria origem, ele o deseja com maior ou menor intensidade, constituindo-se no astral em uma força potencial móvel que se transforma em força viva logo que encontrar as condições especiais para esta transformação de energia.

Isto é o que se traduz ao representar os elementais desta classe como seres inocentes, ávidos de existência, em busca de individualidades encarnadas que possam lhes dar uma realidade corporal; agarram-se a ela com o escarniçamento da posse: são verdadeiros vampiros da alma.

Estes seres etéreos podem receber do seu criador, mediante certas condições, um fim preciso. É isto, por exemplo, que explica os efeitos das bençãos, maldições e encantamentos de todas as espécies. Mas na maioria das vezes esta direção precisa lhes falta. Têm apenas um impulso indefinido que os deixa, por assim dizer, errantes na multidão astral, no meio dos vivos que eles desejam, capazes somente, por causa de sua origem, de serem atraídos pelos desejos, forças e elementais do mesmo gênero.

Assim é que os pensamentos são de seres dotados de uma existência própria a partir do momento em que eles são exprimidos, ou melhor, exteriorizados pelo autor.

Unidos por simpatias análogas, segundo a lei mecânica da força da mesma direção, eles se multiplicam e se concentram em uma resultante comum. É então que todo mundo sente, com uma consciência mais ou menos obscura, que uma ideia está no ar, ou que pelo menos os sensitivos percebem e anunciam às vezes como uma realidade segura, mas que para o presente é ainda invisível. Recebemos deles sob as formas de pressentimento, previsão do futuro ou oráculos.

Os desejos humanos não são os únicos a formar elementais deste tipo; a maioria dos animais exprime adaptações à natureza de seus desejos, talvez inspirados pela visão de órgãos mais perfeitos, que eles vêem funcionar nos outros seres terrestres. Assim é possível explicar a abundância desses órgãos isolados e desses monstruosos acoplamentos de órgãos que se manifestam boiando no astral em quase todos os novatos de clarividência. Eles são os desejos, ainda não realizados pelo universal, do ser inferior que aspira a ideais de perfeição; os esforços da natureza para se elevar até o poder e a unidade do ser: esforços que revelaram pelas modificações diferenciais que Darwin nos mostrou.

Finalmente, o mar astral que abriga esta população se agita ao mesmo tempo, ele mesmo, em todas as direções, por movimentos ondulatórios de uma outra fonte. Os atos, as emoções dos seres encarnados e até mesmo os desejos e os movimentos consecutivos dos seres etéreos produzem vibrações luminosas, caloríficas, elétricas, principalmente magnéticas, que se propagam neste meio e se cruzam sem se destruir, e aí se conservam, em partes refletidas pela envoltura do turbilhão superior e aí persistem durante um tempo medido sobre sua intensidade e sutileza.

Assim a forma etérea, ou o ato que a realiza em matéria tem uma duração finita com eles: a força que os criou se esgota ao se movimentar na massa onde está mergulhada; eles perecem consumidos pelas ondas do mar imenso onde nasceram, reabsorvidos pelo fogo astral; mas a influência que eles geraram permanece no astral sob o estado de vibrações de caráter pessoal; elas modificam o regime deste meio comum criando aí linhas de força, hábitos novos, e com elas, novos desejos. Assim, não existe ser, gesto, ato, pensamento individual que não contribua para transformar o corpo astral do planeta, e através dele, as aspirações de seus habitantes.

É assim que o astral registra todas as nossas manifestações vitais, fazendo o papel de memória na biologia do nosso astro para um melhor aproveitamento da evolução que estamos vendo acontecer”.

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Na próxima parte:

– Contatos da alma humana com a alma terrestre

– As possibilidades humanas

– Médiuns, magnetizadores, iniciados e adeptos

Referências:

– Tratado de Ciências Ocultas, Papus (texto adaptado deste livro)

– ABC do Ocultismo, Papus

– O Plano Astral, C. W. Leadbeater

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-plano-astral-e-o-hermetismo-parte-i

Qual a diferença do HKT 1.5 para o HKT 2 ?

Muitas pessoas têm escrito perguntando qual a diferença entre o Hermetic Kabbalah Tarot 1.5 (recém lançado), o Hermetic Kabbalah Tarot 1 (o primeiro) e o HKT 2 (lançado ano passado). Neste post, farei uma breve explanação sobre cada um deles, suas diferenças e semelhanças, para que você possa se decidir qual seria o melhor a ser utilizado.

Hermetic Kabbalah Tarot 1

Lançado em 2013, o Tarot da Kabbalah Hermética contém todas as informações para a utilização dos Arcanos como PORTAIS, a serem usados no Altar Pessoal do Mago e para trabalhos envolvendo Anjos cabalísticos e Demônios Goéticos. Ele é o deck oficial do Arcanum Arcanorum e pode ser usado também como Guia de estudos da Árvore da Vida, Correspondências Cabalísticas e, claro, como Oráculo. Como o processo de se criar e imprimir um tarot é MUITO caro, ainda mais na qualidade que escolhemos (cartas de PVC, com 111x72mm, tamanho original do Thoth Tarot de Crowley), preferimos fazer uma tiragem menor primeiro e arrecadar o dinheiro para uma impressão comercial do Tarot.

De forma a brindar esta idéia, imprimimos apenas 300 decks na primeira edição, em homenagem aos Bravos Guerreiros de Esparta que acreditaram na idéia em primeiro lugar (no final, foram 330 decks). Estes 330 decks tinham o verso diferenciado das edições posteriores, o que fará deles, além de tudo, objetos de colecionador.

Antes de lançar a primeira edição, acreditávamos que a maioria dos decks fosse comprado pelo pessoal mais avançado em tarot, mas ocorreu um fenômeno contrário. Muitos novos estudantes adquiriram o deck. Para facilitar mais este aspecto (e por consequência o uso oracular), foram adicionados símbolos planetários nas Sephiroth, a relação dos elementos na Escada de Jacó, o nome das Runas e uma marca d´agua baseada na edição original do Rider-Waite-Smith.

Isso dá ao HKT 2 uma familiaridade a mais para quem já possui literatura especializada e para quem faz uso oracular da ferramenta. Como muitos dos que compraram o deck já tinham a primeira edição, não havia mais a necessidade de um deck em PVC; já existia a ferramenta para uso magistico e ritualístico. Entra agora a ferramenta que se foca no campo dos estudos, simbolismo e tiradas. Outro fato importante é reduzimos o custo desta edição, pois o HKT 2 é impresso em Papel Laminado (padrão Europeu) no formato LoScarabeo. Com isso, seu preço final ficou em R$ 75,00

Você pode comprar ambos na LOJA DE RPG, entre outras coisas bacanas como os Posters da Árvore da Vida, do Lamen Rosacruz, a Enciclopédia de Mitologia e os livros de hermetismo para crianças da Lilith, Isis e Hércules.

#hermetismo #KabbalisticTarot #Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/qual-a-diferen%C3%A7a-do-hkt-1-5-para-o-hkt-2

Do Rito de Heredon ao Rito Escocês

Continuando a série histórica do final dos Templários ao início da Maçonaria, apresento um trabalho feito pelo irmão Mourice Joton, apresentado em 1923 a respeito da fusão do que se conhece como Rito de Heredon, da Antiga Ordem Escocesa templária, à Ordem de Maçons Livres de Kilwinning, dando origem ao embrião que em 1717 seria oficializado como o que conhecemos hoje como “Maçonaria”.

A influência das Cruzadas devia fazer-se sentir, não só entre os artífices mas ainda entre os nobres que também conheceram na Palestina, formas de associações novas e, uma vez de volta a Europa constituíram Ordens, semelhantes às do Oriente, nas quais admitiram logo outros iniciados. É assim que em 1196, fundou-se na Escócia a “Ordem dos Cavaleiros do Oriente”, cujos membros tinham como ornamento uma cruz entrelaçada por quatro rosas.

Essa Ordem foi trazida da Terra Santa no ano de 1188 da Era Cristã, da qual o rei Eduardo I da Inglaterra, (1239-1307), veio a fazer parte dela. Um século após a fundação da Ordem dos Cavaleiros do Oriente, ou seja pelo ano de 1300, em seguida a última Cruzada em que também tomara parte o rei de uma Ordem estabelecida no Monte Moria, na Palestina (lugar escolhido por Salomão para a construção do seu Templo), fundaram um Capítulo dessa mesma Ordem, fixando-lhe a sede dos Hébridas, e mais tarde em Kilwinning, denominando essa Ordem de “Ordem de Heredon” (lembramos que a palavra “Heredon” e composta de “hieros”- santo e “domos”- casa, portanto Casa Santa ou Templo).

Alguns anos mais tarde, no começo do século XIV, o papa Clemente V e o rei da França, Felipe o Belo, iniciaram sua obra nefasta de perseguição contra os Templários.

Para se compreender o papel que a Ordem do Templo desempenhou na Maçonaria Escocesa é necessário resumir sua história.

A Ordem do Templo foi fundada após a primeira Cruzada, por Godofredo de Bouillon, Hugues de Payens e Godofredo de Saint-Omar, com o fito de proteger os peregrinos que de Jerusalém se dirigiam ao lago de Tiberiade. Associados em 1118, à outras sete Cavaleiros, os Templários fizeram seu quartel numa casa vizinha ao terreno do Templo de Jerusalém. Dez anos mais tarde receberam do papa, os estatutos que os constituíram em Ordem, ao mesmo tempo Religiosa e Militar.

Em breve essa Ordem tomou um desenvolvimento considerável, que no século XII, possuía nove mil residências na Europa. No século XIV, contava com mais de vinte mil membros. Apesar do seu poder e da sua riqueza, o mistério que os Templários cercavam as reuniões de seu Capítulo e de suas iniciações e, prestava-se as acusações de impiedade e de crueldade que o vulgo em todos os tempos proferiu contra as associações secretas.

Consciente de uma impopularidade crescente o Grão-Mestre Jacques de Molay pediu ao papa Clemente V, em 1306, a abertura de um inquérito, mas este contentou-se a convidar Molay a ir a Avignon, na França, onde, por força de circunstâncias adversas estava, provisoriamente instalado o papado.

Por outro lado o rei da França tinha mais do que nunca necessidade de dinheiro, e para resolver esta dificuldade valia-se dos Templários que lhe emprestavam elevadas somas. Ora, naquele tempo, quando alguém queria se desembaraçar de uma dívida, o meio mais simples era desembaraçar-se do credor. Foi por isso que em setembro de 1307, todos os oficiais do rei receberam instruções mais que misteriosas, sendo que a 12 de setembro do mesmo ano Molay era preso no Templo, ao mesmo tempo que outros membros da Ordem também o eram, em todos os pontos da França. No mesmo dia todos foram levados perante inquisitores, que os acusaram dos mais abomináveis crimes, e como não podiam confessar um crime que não cometeram, foram levados a tortura. Disse um deles a seus juizes: – Fui de tal modo torturado, atormentado, exposto a força que as carnes dos meus calcanhares foram consumidas, que os ossos caíram poucos dias depois.

O Rei, Felipe o Belo, apresou-se em fazer mão baixa no tesouro da Ordem, depositado no Templo de Paris. O concílio que deveria julgar os Templários reuniu-se em Viena, no Delfinado à 13 de outubro de 1311, onde ninguém foi citado para defender-se. Porém diante da resistência do concílio em julgar tal iniquidade, o papa, Clemente V, cassou a autoridade da Ordem do Templo em 12 de abril de 1312, quando os concílios de Ravena, Salamanca e Moguncia tinham absolvido os Templários, sendo estes levados a sua presença.

A supressão da Ordem dos Templários teve seu epílogo em 1313. O papa reservara para si o julgamento do Grão-Mestre e dos dignitários presos a sete anos, nas masmorras de Felipe o Belo. A 18 de março de 1313 todos se retrataram e na noite daquele mesmo dia todos pereceram nas fogueiras, que com antecedência haviam sido preparadas. Prevaleceu a força e o interesse sobre a justiça. A última frase de Jacques de Molay foi: – “Spes mea in Deo est”.

Esta frase tornou-se uma divisa para o Grau 32 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

É muito provável que os sobreviventes da Ordem dos Templários, anatematizados pela igreja, tenham então procurado agrupar-se de novo em outras associações, em especial a Ordem Cavalheiresca de Heredom, ou ao Grande Capítulo de Kilwinning. Entretanto desde que começaram as perseguições na França, vários templários escaparam, fugindo para a Escócia, e alistaram-se sob a bandeira do Rei Roberto I, que criou a 24 de junho de 1334, a “Ordem do Cardo”, em favor dos maçons e dos Templários que haviam contribuído para o sucesso de suas armas em Bannock-Bum, na qual as recepções eram semelhantes as da Ordem do Templo.

Parece pois que, o rei da Inglaterra quis recompensar os Templários, restabelecendo sua Ordem, com as suas formas, mas com outra designação. Há outro fato mais importante ainda, um ano depois, Roberto I, fez a fusão da Ordem do Cardo com a Ordem de Heredom e elevou a Loja Mãe de Kilwinning a categoria de Loja Real e, estabeleceu junto a ela o Grande Capítulo da Ordem Real de Heredon de Kilwinning e dos Cavaleiros Rosa-Cruz. Este nome de Cavaleiro Rosa Cruz aparece aqui pela primeira vez, no século XVI (antes, portanto, dos “Manifestos Rosacruzes” na Europa) fazendo, tudo supor, que não é senão outra designação da Ordem dos Cavaleiros do Oriente, cujo emblema era uma cruz enlaçada por quatro rosas.

Estes fatos históricos são de importância capital para o Escocismo e pedem mais atenção para o assunto. Verificamos em primeiro lugar, que nos séculos XII e XIII, a Maçonaria Operativa viu abrigarem-se nas sua Lojas, Ordens de Cavalaria que nenhuma relação tinham com aquela associação de ofício, e cujas iniciações, praticas, cerimônias e graus eram diferentes dos seus. Algumas dessas Ordens, se refugiavam na nova Ordem estabelecida pelo rei Roberto I, por si próprias, outras pelo beneplácito dos reis da Inglaterra, que acumulavam dos mesmos favores, à maçons e cavaleiros, em recompensa aos serviços prestados à coroa, e os agrupava em uma fraternidade, sobre a qual podiam apoiar-se, em caso de necessidade.

Uma outra constatação importante para o escocismo, é que os Templários, desde 1307, penetravam nas Lojas da Escócia, que estavam sob a égide da Ordem do Cardo, levando não obstante as cerimônias Templárias e seus graus. Estes graus junto aos outros da Ordem da Cavalaria eram conferidos pelo Grande Capítulo Real de Heredom de Kilwinning, e formavam o sistema escocês, conhecido pelo nome de Rito de Heredom ou de Perfeição. Pode-se assim explicar como, após a suspensão da Ordem do Templo, certas Ordens de Cavalaria, que haviam mantido sua influência sobre a maçonaria operativa da Escócia, acharem o meio de desenvolverem o cerimonial das iniciações dos pedreiros, num ritual completo e suscetível de incultar aos seus iniciados mais do que a simples comunicação dos segredos da arte de construir.

É também por essa época, ou seja mais de quatrocentos anos antes da constituição da Grande Loja da Inglaterra, que se viu nascer na Escócia o nome de Maçom Adotado, pelo qual entenderam os membros das Lojas que não pertenciam a profissão de pedreiros. Insistamos em que essa fusão da Maçonaria operativa com as Ordens da Cavalaria, se operou somente na Escócia, mas não na Inglaterra. Isto explica portanto, a origem escocesa dos graus, outros, que não eram conferidos pela corporação dos pedreiros de outros países – aprendiz, companheiro e mestre.

Enfim, realcemos o papel político das Ordens da Cavalaria e das Lojas da Escócia, inteiramente devotados ao rei da Inglaterra, compreenderemos então a fidelidade que a Maçonaria Escocesa defendia a causa dos destronados.

Para terminar esta parte deste trabalho, é interessante notar quais os graus que a Loja Real de Kilwinning e seu Grande Capítulo de Heredon conferiam desde o seu estabelecimento. A própria Loja trabalhava com os graus da Maçonaria operativa, ou sejam Aprendiz, Companheiro e Mestre de ofício, mas convém notar que o Grau de Mestre não existia naquela época em que os mestres não eram senão os dirigentes das Oficinas, isto é das construções, cada qual em sua profissão.

Os demais graus inspirados pelos Rosa-Cruz, foram criados no começo do século XVIII, quando o Capítulo de Heredon, conferia aos membros da Ordem dos Cavaleiros do Oriente ou Ordem dos Cavaleiros Rosa-Cruz, e a Ordem do Cordo, ou do Templo, todos os graus dessas duas Ordens. Depois de haver assim, brevemente resumido as tradições da confraria dos pedreiros e estabelecido, em conseqüência de circunstâncias, as Ordens da Cavalaria a elas se ligaram.

Convém deter-nos um instante na Ordem da Rosa-Cruz, que exerceu uma influência preponderante na transformação da Maçonaria Operativa na sua forma Simbólica, como a conhecemos hoje. Poucos historiadores se ocuparam da real origem da Rosa-Cruz, que entretanto desempenhou papel considerável nos séculos XVI e XVII. O motivo dessa abstenção, se explica pela ausência da necessária documentação história que os Rosa-Cruz não se preocuparam em guardar, pois viveram espalhados pelo mundo, conhecido então, reunindo-se uma vez por ano para transmitir, uns aos outros, os conhecimentos adquiridos, porem estes conhecimentos sempre foram transmitidos verbalmente.

A Conferência Internacional dos Cavaleiros Rosa-Cruz, realizada em Bruxelas em 1880, felizmente lançou uma nova luz sobre a história dessa Ordem.

A princípio a conjuração dos Rosa-Cruz, não foi mais do que uma afirmação da liberdade de pensar. Uma obra de apaziguamento e de tolerância. O que os Templários tinham querido fazer no seio da Igreja Romana, os Rosa-Cruz também tentaram realizar, porém ficando cautelosamente fora de qualquer afirmação confessional.

Passados quase quinhentos anos, desde que os Templários remanescentes do massacre ordenado por Clemente V, se estabeleceram na Escócia, durante os quais o Escocismo se consolidou e se espalhou pela Europa, é que vamos encontrar nos novos registros das mudanças estabelecidas no Escocismo, tal qual o conhecemos hoje. É conveniente lembrar, que o poder diretivo da Ordem não mais estava na Escócia nem na França, mas sim na Prússia, onde Frederico II, seu rei, havia efetivado profundas modificações no Escocismo, fazendo vigorar a primeira Constituição, Regulamentos e Leis normalizando o Escocismo. Uma dessas mudanças foi a de dar ao Escocismo os atuais trinta e três graus, pois até então somente tinha vinte e cinco.

As grandes Constituições de 1786 não chegaram a realizar imediatamente o fim a que se haviam proposto, e é fácil determinar a causa. Três meses depois de serem publicadas em 17 de agosto de 1786, Frederico II, seu autor, morreu. Todos que, com Frederico II, compuseram o primeiro Conselho da Ordem, reestruturada, foram obrigados a se dispersar, premidos pelo novo rei Frederico Guilherme II, que só queria a Ordem Rosa-Cruz e passou a não tolerar outra forma de Maçonaria.

Deste modo a reforma foi levada para a França, por um dos colaboradores de Frederico II, o conde D’Esterno, embaixador da França em Berlim, e um dos signatários das Grandes Constituições. D’Esterno, tentou introduzir, desde o seu regresso, o Rito Escocês Antigo e Aceito em seu país, fundando para isso um Supremo Conselho, em Paris, em cuja presidência ficou o duque de Orleans e do qual tomaram parte Chaítlon de Joinville, o Conde de Clermont-Tonnerre e o Marquês de Bercy. Este Supremo Conselho teve vida efêmera, sendo obrigado a desaparecer pelas circunstâncias revolucionárias que se estabeleceram na Franca.

Há um fato curioso à ser registrado. O Escocismo, havia sido fundado na Europa, onde adormeceu, e voltou a funcionar mais tarde, voltando da América de uma forma mais vigorosa e mais envolvente, pelas seguintes razões.

A 27 de agosto de 1761, o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente havia entregue ao Irmão Estevão Morin cujos negócios o chamavam à América, uma Patente de Grão-Mestre Inspetor, autorizando-o a “Trabalhar regularmente pelo próprio proveito e adiantamento da Arte Real e constituir Irmãos nos Sublimes Graus de Perfeição”. Morin, saindo de Paris, chegou a São Domingos onde instalou o seu gabinete, espécie de Grande Oriente para os Altos Graus no Novo Mundo. Em 1770, fundou o Conselho dos Príncipes do Real Segredo de Kingston, na Jamaica, criou muitos Inspetores Gerais, entre eles, Francken, De Grasse-Tilly, De la Hogue e Hacquest.

Ora, esses Maçons da América, pertenciam ao Rito de Perfeição, mantinham assíduas relações com o Grande Consistório de Bordeaux. Mas, como já foi dito este adormece em 1781. Desde então os novos Corpos de São Domingos e da Jamaica passam a manter relações com Berlim até a morte de Frederico II, que era tido como o Grão-Mestre Universal. É provável entretanto que não podendo mais prevalecerem-se de Atos Constitucionais emanados de uma autoridade desaparecida, aqueles maçons dirigiram-se a Berlim tendo em vista agruparem-se sob outro sistema, e ligaram-se em definitivo ao Rito constituído pelas Grandes Constituições.

A 29 de novembro de 1785, Salomão Bush, Grão-Mestre de todas as Lojas e Capítulos da América do Norte, dirige-se a Frederico II na sua qualidade de chefe supremo da Maçonaria para dar-lhe a conhecer a criação, em presença de uma grande assembléia de Irmãos, de uma “Sublime Loja” em Philadelphia, que “se submeteria as Leis e Constituições que a Ordem deve ao seu Chefe Soberano”, e exprime o desejo de que a “Grande Luz de Berlim condescenderá em iluminar a nova Loja”. Não obstante, os maçons da América trabalham até 1801 com o Rito de Perfeição, pois até aquela data o mais alto grau conhecido na América era o de Príncipe do Real Segredo, ou seja o Grau 25, na escala do Escocismo, antes da reforma estabelecido por Frederico II, que lhe acrescentou mais sete graus.

A 31 de maio do mesmo ano, foi constituída em Charleston uma nova Potência dirigente que adota as Grandes Constituições de 1786 e os trinta e três Graus nelas estabelecidas. Essa Potência que tomou o nome de “Supremo Conselho dos Grande Inspetores Gerais para os Estados Unidos da América”, foi realmente o primeiro a realizar de modo definitivo o objetivo das Grandes Constituições de Frederico II, ou seja, a primeira a praticar o Escocismo como é hoje conhecido. De Grasse-Tilly, era membro do Supremo Conselho de Charleston. Em 1802 voltou à Jamaica e fundou com De La Houge naquela cidade, um Supremo Conselho de qual foi o Mui Poderoso Soberano Grande Comendador. Em 1803, De Grasse-Tilly regressou à França onde instalou em 22 de setembro de 1804 um Supremo Conselho em Paris, com jurisdição internacional.

Assim o Rito Escocês Antigo e Aceito e o Escocismo, renasciam de suas cinzas no solo francês, de onde não mais saiu, e achava-se definitivamente constituídos sobre as bases das Grandes Constituições. Sucessivamente foram fundados outros Supremos Conselhos em muitos países da Europa e na maior parte dos da América. Estes Supremos Conselhos formam hoje o Escocismo e o Rito Escocês Antigo e Aceito, que é o Rito maçônico mais praticado no mundo (@MDD em 1923… hoje pode-se dizer que o rito de Emulação é o mais praticado no Mundo, mas o REAA ainda é o mais praticado na América do Sul/Brasil)

“Trabalho colocado em observações próprias do autor e na conferência realizada no Subl.’. Capítulo L’Amitié (Amizade) em Lousanne em 5-5-1923 pelo Ir.’. Mourice Joton, grau 30º.”

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/do-rito-de-heredon-ao-rito-escoc%C3%AAs

O Aprendiz de Feiticeiro

Em 1897, um compositor francês chamado Paul Dukas resgatou o poema de Goethe em um poema sinfônico intitulado “L’Apprenti Sorcier“. Quatro décadas depois, sob influência tanto do poema de Goethe como na obra de Dukas, Walt Disney elaborou a conhecida sequência do filme Fantasia, onde Mickey é representado como um aluno de magia.  Nem o escritor brasileiro Mário Quintana escapou dos “feitiços” desta obra.

Goethe, o aprendiz

A idéia para a balada “Der Zauberlehrling” foi tirada do texto Philopseudes do escritor grego Luciano de Samósata, onde o personagem Eucrates narra a história de um feiticeiro, que  na verdade é um sacerdote de Isis chamado Pancrates.

É possível que “O Aprendiz de Feiticeiro” descreva o próprio Goethe, pois ele mesmo dedicou-se a experiências com ciências naturais, alquimia e astrologia. Além disso, teve contato com Cagliostro, um famoso alquimista da época, e foi membro da sociedade secreta os Illuminati, a qual, posteriormente tornou-se “Maçonaria Iluminada”.
“Hat der alte Hexenmeister  /  O velho feiticeiro 
Sich doch einmal wegbegeben!  /  finalmente desapareceu! 
Und nun sollen seine Geister  /  E agora seu espírito deve 
Auch nach meinem Willen leben. /  Viver de acordo com a minha Vontade”.

Cansado das atividades domésticas, o aprendiz utiliza-se da magia, que ele ainda não domina por completo, para encantar sua vassoura. Esta trabalha ininterruptamente trazendo cada vez mais água para casa até causar uma inundação.

 “Und sie laufen! Nass und nässer / E elas correm! Molhadas e cada vez mais molhadas 
wirds im Saal und auf den Stufen: / transformam-se nos aposentos e nas escadas: 
welch entsetzliches Gewässer! / que terrível enxurrada!”

Desesperado, o aprendiz resolve destruir a vassoura com um machado, e parte-a ao meio. Logo, cada metade se transforma em uma nova vassoura, trazendo o dobro de água para casa.

“Herr und Meister, hör mich rufen! – / Senhor e Mestre! Ouve-me chamando por ti! 
Ach, da kommt der Meister! / Ah, ai vem meu mestre! 
Herr, die Not ist groß! / Senhor, o perigo é grande! 
Die ich rief, die Geister, / Os espíritos que invoquei 
werd ich nun nicht los. / Agora não consigo me livrar deles”.

Ao fim o mestre reaparece e resolve o caos provocado pelo aprendiz. Mas do que seria o aprendiz sem a intervenção do mestre? O mago de Nazaré já alertava “(…) de todo aquele a quem muito é dado, muito será requerido; e daquele a quem muito é confiado, mais ainda lhe será exigido.” (Lucas 12:48) Daí sai o lema do tio Ben para o “aprendiz” Peter Parker, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades“.

A Música

Paul Abraham Dukas (1865 – 1935), foi um compositor, professor e crítico musical. Atuou como professor catedrático de composição e foi eleito membro da Academia de Belas-Artes da França.

Em 1897, finaliza seu Poema Sinfônico, intitulado “L’Apprenti Sorcier”. Obviamente inspirado no poema de Goethe, trata-se de uma obra nitidamente descritiva,  muito brilhante tanto do ponto de vista melódico como da orquestração.

Mas o que vem a ser um Poema Sinfônico? Trata-se de uma obra musical inteiramente baseada em uma história, um romance, um poema, um conto, um tratado filosófico ou até mesmo uma pintura. Não há um esquema formal para isso, em geral são obras orquestrais imprevisíveis quanto a forma.

No entanto, mesmo sem assistirmos a versão animada da obra, é possível visualizarmos apenas com a música, o “passo a passo” das vivências do aprendiz. A fórmula mágica, a invocação, a marcha das vassouras, o pedido de ajuda e etc. Tudo isso graças a utilização de uma técnica criada por Richard Wagner chamada Leitmotiv. Esta técnica consiste em associar um tema musical a um personagem ou situação que vem a ser recorrente em toda a peça.

Dukas faz um verdadeiro trabalho de magia com todos os naipes da orquestra. Desde o tema cômico da marcha das vassouras introduzido pelo fagote (naipe das madeiras), até a brilhante participação do glockenspiel, dos címbalos e do triângulo, coincidentemente todos representantes do elemento água.

Quarenta e três anos depois do lançamento da obra, um mago da animação nascido em Chicago resolve ilustrar a obra em um de seus filmes.

Fantasia

Em 13 de novembro de 1940, o tio Walt Disney (Demolay e Rosacruz) lança seu clássico “Fantasia“. O filme  é um misto de animação com música erudita, algo que ele já havia trabalhado em uma série de animações chamada Silly Symphonies.

No decorrer das suas oito sequências observamos lições de magia, hermetismo, ciências, cosmologia, mitologia e espiritualidade. Tudo isso sem nenhuma palavra e ao som das composições mais populares escritas pelos grandes magos da música.

A fusão das palavras de Goethe com a música de Dukas, resultaram em uma das sequências mais famosas do filme. Altamente simbólico e repleto de elementos magísticos, o que assistimos é praticamente um ritual de iniciação protagonizado pelo personagem Mickey.

O famoso chapéu azul, ilustrado com a lua e as estrelas, além de ser uma referência ao próprio universo e a astrologia, representa o primeiro princípio hermético: “O Todo é Mente; o Universo é mental”.

Ao transferir suas tarefas domésticas para a vassoura encantada, Mickey realiza uma projeção astral. Desta forma, ele governa os céus e os mares, demonstrando literalmente o princípio hermético da correspondência: “O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima”.

O sobe e desse das marés nos remete ao princípio do ritmo: “Tudo tem fluxo e refluxo; tudo, em suas marés; tudo sobe e desce;” Ao final desta cena Mickey provoca uma tempestade unindo nuvens opostas, eis aí o princípio hermético de polaridade.

Ao retornar de sua viagem astral, Mickey percebe que o seu “sonho”, de certa forma, afeta a sua realidade. Com isto aprende de maneira dramática o princípio hermético da causa e efeito bem como o princípio do gênero: “(…)o gênero se manifesta em todos os planos” físico, mental e espiritual.”

O fim de sua iniciação se dá aos 10’30” do vídeo. Sob uma “pirâmide” de três degraus e com o Sol ao fundo, Mickey é congratulado pelo mestre (maestro) por sua iniciação ao grau de aprendiz.

Curiosidades

O escritor brasileiro Mario Quintana, publicou um livro com o mesmo título do poema. Segundo o autor, o livro se deve do fato que ele se identificou com a aventura: a magia da palavra poética, assume vida própria e multiplica os poemas no laboratório do livro.

Um dos livros infantis mais bem sucedidos do artista gráfico e ilustrador Tomi Ungerer conta a história do Feiticeiro (1971).

Em uma das cenas do filme O Aprendiz de Feiticeiro (2010), há uma pequena homenagem  à animação de 1940.

O Aprendiz de Feiticeiro é utilizado muitas vezes como material didático nas escolas. (Se teve professor por aí com problemas ao utilizar o livro Lendas de Exu imagina com este…)

No Brasil, a escritora Mônica Rodrigues da Costa é a responsável pela atual tradução da obra.
Links

Poema: “Der Zauberlehrling” de Goethe

Música: “L’Apprenti Sorcier” de Paul Dukas

Filme: Sequência “The Sorcerer’s Apprentice” (Fantasia) de Walt Disney

Biografia de Johann Wolfgang von Goethe

Mapa Astral de  Johann Wolfgang von Goethe

Mapa Astral de Walt Disney

#Biografias #Poemas #Arte #Música #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-aprendiz-de-feiticeiro

Chakras, Kundalini e Tantra parte 3 ½

Em primeiro lugar, queria agradecer as visitações e os links que vocês estão colocando para cá em seus blogs. Coloquei um título mais complicado para ver quanto estavam atraídos apenas pelas “pirâmides e atlantes” e quantos estavam dispostos a acompanhar a coluna a sério e me surpreendi. Agradeço também o pessoal que começou a comentar os textos em seus blogs e debater com os amigos os textos que encontram aqui.

Fiquei impressionado por ter visto esta mencionada coluna até em um blog de surfe! Aliás, queria comentar para este leitor que SIM, a sensação que você tem quando sai do mar depois de surfar, de “paz profunda” em relação ao oceano, é a mesma que os fiéis têm após sair de um culto, os monges após meditarem ou as dançarinas após suas grandes apresentações. É o contato com seu Deus Pessoal, o seu “religare” atuando.

Outra coisa: A coluna desta semana está incompleta. Consegui responder uns 60% das perguntas mas o tempo livre no final de semana foi praticamente zero. As pessoas sempre me perguntam como é fazer parte ativamente de várias ordens iniciáticas. Bem… normalmente dá pra conciliar tudo, exceto em Solstícios e Equinócios. E este final de semana foi Beltane.

Ph, L8cant, Zatraz, Zek, Darkshi – De novo a questão das “provas materiais para os espíritos”? hehehe sério… já deve ser a terceira ou quarta semana seguida… qual parte vocês ainda não entenderam do “esta coluna não possui a necessidade de convencer ninguém de nada”? Eu SEI perfeitamente que estou prejudicado em relação a arrumar “provas” de muitas coisas que escrevo aqui, porque a maioria dos fenômenos envolvendo estas N dimensões não pode ser reproduzido ao bel prazer em quaisquer condições e muitas outras coisas eu estou impedido de comentar.

Quer acreditar acredita, não quer, azar o seu…

Sempre que se fala nesse tipo de fenômeno e suas medições, é necessária a colaboração de um grupo no Plano Material com alguém (ou alguma entidade) no Astral/Extrafísico disposto a colaborar. É muito diferente de jogar uma moeda e ver ela cair para testar a gravidade. Para fazer uma mesa flutuar é necessário que haja alguém “do outro lado” para empurrá-la para cima e fazer com que esta força atue no plano material (não é porque a cadeira “flutua” que as leis da física deixaram de valer!!! Alguém EMPURRA a cadeira para cima no astral e faz esta força ser transferida para o Plano Material). Para fazer com que um médium psicografe uma carta, é obrigatório que haja alguém “do outro lado” para se conectar aos seus chakras e escrever a carta e assim por diante.

Vamos fazer uma brincadeira hipotética. Suponha que o Darkshi e o Zek morram hoje. De acordo com as minhas teorias (que não são “minhas”; elas já existem há 10.000 anos… mas enfim… ), você vão permanecer no seu estado astral/mental mantendo a MESMA forma física que possuíam, mas agora em um estado de vibração que os aparelhos da ciência moderna não são capazes de detectar, vagando por ai (vulgo “fantasmas”).

Como vocês mantém suas inteligências questionadoras, imagino que a primeira coisa que vocês vão fazer quando perceberem esta nova realidade é pensar “caraca, o DD estava certo!” e começar a estudar a sua nova condição. Talvez tentar mexer alguma coisa, conversar com alguém (e não vão conseguir, a menos que tenham a sorte de encontrar alguém com mediunidade próximo de vocês), então o que vocês fariam em seguida?

Boa parte do gado quando morre faz o que adoraria fazer quando descobre que são intangíveis e invisíveis… vão aos motéis espionar as pessoas (é… estou falando sério… vocês não tem noção como estes ambientes são podres astralmente). Outros ficam rondando as igrejas, outros ficam rondando os entes queridos, visitando boates, controlando as ex-namoradas, tentando se vingar dos que aprontaram com ele… etc.

Mas vocês são questionadores… cientistas… então provavelmente procurariam uma maneira de passar as experiências que vocês adquiriram para outros cientistas (estou lembrando que, para vocês, esta vai ser a “novidade científica mais importante que vocês já descobriram” ) mas… como fazer isso?

Mais cedo ou mais tarde, vocês vão lembrar das coisas que aquelas pessoas que vocês ridicularizavam falavam e vão ter de se dirigir até algum centro espírita ou rosacruz (se vocês foram até uma Igreja evangélica, é possível que acabem até apanhando dos pastores no desencapetamento… definitivamente não é uma boa idéia).

Em um centro kardecista, vocês conseguirão encontrar algum médium e ele pode até psicografar uma carta de vocês… mas o que vocês escreveriam? Coisas pessoais para não deixar dúvidas que são vocês que estão escrevendo… endereçadas para uma irmã que seja espírita ou alguém que vai “acreditar”, afinal, de nada vai adiantar mandar estas cartas para o Kentaro ou para o Zatraz ou para os céticos S/A, pois eles vão achar que é algum truque dos “espiritualistas picaretas”. Você até pode convencer sua mãe ou sua irmã, mas o resto da humanidade vai continuar achando que elas são loucas de acreditar nessas besteiras.

Eventualmente algum laboratório rosacruz ou kardecista ou teosófico no astral vai achar vocês e convida-los para estudar estes fenômenos junto com outros cientistas desencarnados. E as informações que vocês tiverem (já que, como céticos, vocês se dedicaram MUITO mais aos detalhes da física do que alguém como eu, que sou ocultista, por exemplo) vão ser úteis para os trabalhos deles. Em algum tempo, vocês estarão trabalhando junto com os membros das ordens secretas, só que “do outro lado” hehehe.

Supondo por hipótese que vocês mantenham suas consciências e inteligências após sua morte, eu narrei alguma coisa absurda? Vocês fariam algo diferente do que eu disse acima?

Bom… este médium AQUI psicografou cerca de 15.000 cartas nestas mesmas condições que eu descrevi, com centenas de testes grafológicos atestando a identidade dos espíritos. O Chico Xavier eu não faço idéia de quantas cartas ele já psicografou e o Waldo Vieira e suas equipes também escreveram outra tonelada de cartas nas mesmas condições, só para ficar em 3 exemplos (entre milhares)… E engraçado que MESMO assim eles não possuem credibilidade nos ditos “meios científicos”. Somando tudo podemos passar fácil de 100.000 experimentos documentados que foram IGNORADOS… cem mil experimentos!!!

Parafraseando Richard Dawkin, “Books about reencarnation are believed not because they are holy. They are believed because they present overwhelming quantities of mutually buttressed evidence”. E, assim como Richard Dawkins, “We believe in reencarnation because the evidence supports it, and we would abandon it overnight if new evidence arose to disprove it”.

A pergunta realmente importante que vocês deveriam estar se fazendo é… POR QUE as “otoridades” insistem em tratar estes assuntos como crendices, absurdos, alucinações, charlatanismo e seitas? A resposta chama-se CONTROLE DO GADO… E não pense que são apenas os ocultistas que são ferrados pelas “otoridades”. Se os céticos tivessem um mínimo de poder, você acha mesmo que coisas como “ensinar criacionismo nas escolas” seriam debatidas da maneira como são?

Entendem por que eu não dou a mínima se vocês acreditam no que eu estou escrevendo ou não?

Porque não faz diferença. Mais cedo ou mais tarde, vocês estarão do meu lado.

E o mais divertido é que em nenhum caso eu vou precisar convencer ninguém de nada…

Se vocês tiverem grana, eu recomendo este livro: 700 experimentos em Conscienciologia, de Waldo Vieira, com mais de mil páginas documentando e comentando muitos dos experimentos que eles realizaram ao longo de 40 anos (que totalizam mais de 100.000 páginas de material documentado disponíveis nas bibliotecas do IPPC). Se você está mesmo disposto a se questionar, este livro é muito mais indicado, pela abordagem científica que ele possui. Caso contrário, vai continuar subestimando os ocultistas e cair no mesmo erro babaca de 99,99% dos ateus/céticos que acham que o espiritualismo parou no século XIX com Kardec.

E, para os outros leitores, peço que evitem comentários agressivos contra eles, pois tanto o Zatraz quanto o Zek e o Darkshi têm mantido a educação e defendido de maneira racional e objetiva o ponto de vista deles… se mesmo depois de toda a argumentação, eles não acreditarem em uma vírgula do que eu escrevi, É UM DIREITO DELES e, como eu disse, não faz a menor diferença para mim.

Darkshi – Sobre o auxílio dos ocultistas para a paz e harmonia. É impossível ajudar quem não quer ser ajudado. Um exemplo simples: estes dois exercícios que eu passei abaixo, especialmente o dos chakras. Se eles fossem feitos pelas crianças das escolas públicas e particulares todos os dias, antes das aulas, elas estariam equilibradas física, mental e espiritualmente e os rendimentos acadêmicos (concentração, imaginação, retenção do que foi estudado) aumentariam consideravelmente. Elas também estariam muito menos sujeitas à doenças e stress (o que significa menos faltas, menos gastos com remédios e melhor disposição física para brincar), diminuição da agressividade e uma visão mais harmoniosa do universo ao seu redor. Tudo isso em troca de menos de 10 minutos de meditação (já comprovados por 5.000 anos de uso na China e Índia).

Mas… todos nós sabemos o que aconteceria se alguém propusesse estes exercícios nas escolas, não é mesmo?

Bolívar – Sim, este SITE que você recomendou também é bem legal sobre projeções astrais conscientes.

Cristian – o problema em fornecer mais links da internet é que são muito poucos os confiáveis. A imensa maioria (pra não dizer tudo) que eu pesquiso para esta coluna vem dos livros, não da net. Quando eu coloco um link, é porque já fucei no site e o conteúdo considerei decente, mas na medida do possível, o que der pra colocar de referências eu estou colocando.

Rodrigo, Spyke, Danilo – Maçonaria, Kabbalah… Chegaremos lá. Mais um pouco de paciência.

Kid Heinrich – Oitavas – Você está na oitava que você quer estar. “Subir” nas oitavas depende exclusivamente do seu empenho em autoconhecimento e sua vontade de evoluir moralmente e espiritualmente. Mas claro que isso exige uma boa dose de autocrítica, humildade e vontade de corrigir e melhorar o seu EU interior… esse é o trabalho da Alquimia… lapidar sua pedra bruta até que o chumbo do ego se torne o ouro da essência.

Numlock – As barras são de aço CA50, com meia polegada de diâmetro, usado em armaduras para concretagem de lajes e colunas. Você compra com 12m e manda cortar em 6 barras com 2m de comprimento.

Chitão – Proporção Áurea – chegaremos nisso com os Pitagóricos.

#Chakras #Tantra

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/chakras-kundalini-e-tantra-parte-3

A Teurgia

Introdução ao estudo da Kabala mística e prática, e a operatividade de suas Tradições e seus Símbolos, visando a Teurgia, de Robert Ambelain. 

Robert Ambelain nasceu no dia 2 de setembro de 1907, na cidade de Paris. No mundo profano, foi historiador, membro da Academia Nacional de História e da Associação dos Escritores de Língua Francesa.´ Foi iniciado nos Augustos Mistérios da Maçonaria em 26 de março (o Dictionnaire des Franc-Maçons Français, de Michel Gaudart de Soulages e de Hubert Lamant, não diz o ano da iniciação, apenas o dia e o mês), na Loja La Jérusalem des Vallés Égyptiennes, do Rito de Memphis-Misraïm. Em 24 de junho de 1941, Robert Ambelain foi elevado ao Grau de Companheiro e, em seguida, exaltado ao de Mestre. Logo depois, com outros maçons pertencentes à Resistência, funda a Loja Alexandria do Egito e o Capítulo respectivo. Para que pudesse manter a Maçonaria trabalhando durante a Ocupação, Robert Ambelain recebeu todos os graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, até o 33º, todos os graus do Rito Escocês Retificado, incluindo o de Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa e o de Professo, todos os graus do Rito de Memphis-Misraïm e todos os graus do Rito Sueco, incluindo o de Cavaleiro do Templo. Robert Ambelain foi, também, Grão-Mestre ad vitam para a França e Grão-Mestre substituto mundial do Rito de Memphis-Misraïm, entre os anos de 1942 e 1944. Em 1962, foi alçado ao Grão-Mestrado mundial do Rito de Memphis-Misraïm. Em 1985, foi promovido a Grão-Mestre Mundial de Honra do Rito de Memphis-Misraïm. Foi agraciado, ainda, com os títulos de Grão-Mestre de Honra do Grande Oriente Misto do Brasil, Grão-Mestre de Honra do antigo Grande Oriente do Chile, Presidente do Supremo Conselho dos Ritos Confederados para a França, Grão-Mestre da França – do Rito Escocês Primitivo e Companheiro ymagier do Tour de France – da Union Compagnonnique dês Devoirs Unis, onde recebeu o nome de Parisien-la-Liberté.

“Uma Força mágica, adormecida pela
Queda, está latente no Homem. Ela pode
ser despertada, pela Graça de DEUS, ou
pela Arte da KABALA…”

[J.R. VAN HELMONT: “Hortus Medicinae – Leyde 1667].

1. Definição

A Teurgia [do grego theos: deus, e ergon: obra], é o aspecto mais elevado, mais puro, e também o mais sábio, disso que o vulgo denomina a Magia. Definir esta, reter a essência e o aspecto mais depurado, é chegar a primeira.

Pois bem, segundo Charles Barlet, “A Magia Cerimonial é uma operação através da qual o Homem busca forçar, pelo próprio jogo das Forças Naturais, as potências Invisíveis de diversas ordens a agirem conforme o que ele requer Delas. A esse efeito, ele as surpreende, as agarra, por assim dizer, projetando [pelo efeito das “correspondências” analógicas que supõe a Unidade da Criação], Forças das quais ele mesmo não é senhor, mas as quais ele pode abrir caminhos extraordinários, no próprio seio da Natureza. Daí esses Pantáculos, essas Substâncias especiais, essas condições rigorosas de Tempo e de Lugar, que é necessário observar sob pena dos mais graves perigos. Pois, se a direção buscada está por pouco que seja errada, o audacioso fica exposto a ação de “potências” junto as quais ele não é mais que um grão de pó…” [Charles Barlet: A Iniciação, n° de janeiro de 1897].

A Magia conforme se viu, não é mais que uma Física Transcendental.

Dessa definição, a Teurgia retém somente a aplicação prática: aquela da lei de “correspondências” analógicas, subentendendo:

1° – A unidade do Mundo, em todos seus componentes;

2° – A identidade analógica do Plano Divino e do Universo material, este sendo criado “a imagem” daquele e permanecendo seu reflexo, inferior e imperfeito;

3° – Uma relação permanente entre ambos, relação decorrente dessa identidade analógica, e podendo ser exprimida, ao mesmo tempo que estabelecida, por uma ciência secundária, chamada de Simbolismo.

Quanto ao “domínio” no qual vão se exercer esses princípios secundários, a Teurgia se separa claramente de Magia.

Esta somente aciona Forças Naturais, terrestres ou cósmicas, se exercendo só no domínio puramente material que é o Universo, e, por consequência, não sendo mesmo Causas Secundárias, no máximo “intermediárias”, de “Causas terciárias” pelo menos. Por consequência a ação da Magia perturbando a intenção das Causas Segundas, estas não fazendo mais do que exprimir a da Causa Primeira, se exercendo por uma de suas “possibilidades”. Daí esse restabelecimento inevitável do equilíbrio rompido, denominado “choque de retorno”, e que se segue a toda realização mágica, a violência desse efeito contrário é proporcional a amplidão e a duração da realização obtida. Pois é uma lei imprescritível, que o Mago deve pagar na dor, as alegrias que sua Arte tiver arrancado às “Imagens Eternas”, saídas do ABSOLUTO, depois orientadas e fixadas pelas Causas segundas.

É completamente diferente o domínio da Teurgia e das faculdades que ela movimenta, fatores puramente metafísicos e jamais cósmicos ou hiperfísicos. Pois é no próprio seio da Arquétipo, nas “possibilidades” que passam – imagens fugidias – na INTELIGÊNCIA PRIMORDIAL, que o Teurgo operará. Definamos pois esse domínio.

O Teurgo crê necessáriamente na existência de um só SER, Único, Eterno, Onipotente, Infinitamente Sábio, Infinitamente bom, Fonte e Conservação de todos os Seres emanados, e de todas as Criaturas passageiras. Esse SER único, ele o designará sob múltiplos Nomes, exprimindo por cada um dos “Raios” de Sua Glória, e que chamaremos aqui simplesmente: DEUS.

Porque DEUS em si é infinito em potências e possibilidades, o Bem e o Mal coexistem e se equilibram eternamente. Mas, porque Ele é também infinitamente Sábio, e é o Bem Absoluto, contemplando desde toda eternidade, em Sua Onisciência, todas as futuras possibilidades, opera entre eles eternamente, e por sua Onisciência, uma Discriminação que é eterna. Essa Discriminação constitui pois, face a face, o Bem e o Mal.

O que DEUS admite, retém, deseja, realiza e conserva, constitui um Universo Ideal, ou Arquetípico. É o “Mundo do Alto”, o Céu. O que Ele refuta, rejeita, reprova, e tende a destruir, constitui o “Mundo de Baixo”, o Inferno. E o Inferno é eterno, como o Mal que exprime, agora o compreendemos.

Como Deus é eterno, e contém em Si todas as “possibilidades” o Mal é eterno e Ele não pode destruí-lo. E como Ele é infinitamente bom, Ele não quer destruí-lo.

Então, como Ele é também o Infinitamente Sábio, Deus o transforma em Bem…

Mas , como o Mal também é eterno, como “princípio”, eterna é essa obra de Redenção dos elementos rejeitados, assim como é eterno o Bem que ele manifesta e realiza.

O Homem, como toda a criatura, leva em si uma centelha divina, sem a qual não poderia existir. Essa centelha, é a VIDA mesma. Esse “Fogo” divino, leva nele todas as possibilidades, assim como FOGO INICIAL de onde ele emana.. As boas como as más.

Pois ele não é mais que um reflexo, e entre o braseiro e a centelha, não há nenhuma diferença de natureza!

Esse “fogo” é pois suscetível de “refletir” o Bem ou de “Refletir” o Mal. Quando o Homem tende a se reaproximar de DEUS, ele sopra e anima em si o “fogo claro”, o fogo divino, o “fogo de alegria”. Quando ele tende a se afastar de DEUS, ele sopra e acende em si o “fogo sombrio”, o fogo infernal, o “fogo da Cólera”. Assim ele gera em si, como DEUS o faz no grande TODO, o Bem ou o Mal, o Céu ou o Inferno. E é em nós que levamos a raiz de nossas dores, e de nossas alegrias.

É a essa Obra de Redenção Universal e comum, que faz do Homem o auxiliar de DEUS, que a Teurgia convida o Adepto.

Talvez ele não venha a fazer milagres aparentes, e talvez ele ignore o Bem que tiver realizado. Mas, nessa própria ignorância, sua obra será cem vezes maior que aquela do mago negro, mesmo se este realizasse espantosos prestígios.

Pois estes últimos não farão mais que exprimir a realidade do Mal arquetípico e com eles colaborar. Dessa realidade, ninguém duvida, e essa colaboração lhe é bem inútil…

A Magia nos demonstra pois que nada se perde, que tudo se reencontra, e retoma seu lugar. “Cada um semeia o que colhe, e colhe o que semeou”, nos dizem as Escrituras.

O mago negro, no fundo, é um ignorante, que joga um jogo de tolo !

Seus desejos ou seus ódios envenenam seus dias, e representam o tempo perdido para o Conhecimento Verdadeiro. Ao entardecer de sua vida, ele poderá refletir. Nem Amor, nem a Fortuna, nem a Juventude, nem a Beleza, estarão mais em seu leito para justificar as Horas mal gastas. Somente lhe restará uma coisa: uma dívida a pagar, nesta ou em outra vida, e que nenhuma criatura no Mundo poderá pagar por ele.

Pois, querendo submeter “Forças” tão potentes quanto desconhecidas, tão misteriosas quanto terríveis, à seus desejos e a suas fantasias passageiras, ele terá talvez se tornado escravo inconsciente, mas jamais seu senhor!… Sem o saber, ele as terá servido…

“Quando mentimos e enganamos, diz Mephistópheles, damos o que nos pertence!…”. Pela voz de Goethe, é a multidão anônima dos Iniciados de todos os tempos que nos adverte!

Aqueles “princípios” que DEUS conserva, porque os deseja, desde toda eternidade, Ele os emana. Eles então se individualizam, depois se manifestam, por sua vez, e conforme sua natureza própria que é o Ideal inicial divino. O conjunto dessas “Emanações” constitui o Plano Divino ou Aziluth. Cada uma delas é um Atributo Metafísico. Há assim a “Justiça”, o “Rigor”, a “Misericórdia”, a “Doçura”, a “Força”, a “Sabedoria”, etc…

Como ele são de essência divina, se concebe que os metafísicos orientais, após os ter designado e dotado de um nome próprio, os tenham acrescido os finais “El” ou “Iah”, que significa “DEUS”, feminino ou masculino. Se obtém então essas denominações convencionais: “Justiça de Deus”, “Rigor de Deus”, etc…

Cada uma dessas Emanações, pois que são elas mesmas parte constituinte da DIVINDADE-UNIDADE , emana por sua vez modalidades secundárias de sua própria essência. E assim a seguir.

Assim se constituem esses seres particulares que chamamos de Anjos, Gênios ou Deuses, seres que as teodicéias agruparam em dez divisões convencionais. São os nove coros angélicos, aos quais se acrescenta aquele das “almas glorificadas”, da Teologia judeo-cristã e da Kabala.

No “Mundo de Baixo”, que DEUS rejeita [os Quliphoth, ou “Escórias”, da Kabala], cada um deles tem sua antítese, um ser absolutamente oposto, emanado por um dos Atributos Contrários, e que DEUS tende a fazer evoluir para Melhor e o Bem.

Há pois a “Injustiça”, a “Fraqueza”, a “Crueldade”, a “Insensibilidade”, e o “Erro”, e também aí se acresce os finais correspondentes, El ou Iah, se obtendo os Nomes Demoníacos: “Injustiça Suprema”, “Fraqueza Suprema”, “Crueldade Suprema”, etc…

Todas as “possibilidades”, rejeitadas “em baixo”, são destinadas a virem a ser “criaturas”, e, emergindo do Abismo pela Graça e o Amor de DEUS, elas constituem então o Mundo da prova e da Necessidade, a “Terra”, em hebreu Aretz, único reflexo superior desse Abismo.

Todos os Seres que não são, desde toda eternidade, os “Deuses Atributos” do ABSOLUTO, nascem no seio do Abismo, conjunto do que a Eterna Sabedoria rejeita eternamente. Da mesma maneira, os seres vindos de Baixo devem finalmente chegar “Ao Alto”, no “Palácio do Rei”, religados a uma das Dez Esferas antes citadas, mas aperfeiçoadas, evoluídas, se tornam por fim tais como DEUS o deseja eternamente, e ricas da totalidade de suas lembranças e de suas experiências passadas.

Todos esses seres se elevando pois outrora através de todas as “formas” possíveis e imagináveis da Vida, nesse vasto caleidoscópio que é a NATUREZA ETERNA; formas sucessivamente visíveis ou invisíveis, minerais ou vegetais, animais ou hominais. Chegadas a esse último estado, encruzilhada onde os espera a Liberdade moral e sua Responsabilidade, eles constituem então esse Mundo de Prova e de Fatalidade que é a “Terra”, precursor dos “Céus” simbólicos.

Em virtude dessa Liberdade e dessa Escolha, e se encontrando no plano de Aretz [“Terra”], submissos à Experiência, consequêntemente ao Sofrimento e a Morte transmutadora, os Homens podem, por sua aceitação ou recusa, sua escolha inteligente ou desarazoável, se elevar ou descer na Escala, escala dos “devires”.

Se notará que a Kabala dá o mesmo valor numeral a palavra Sinai e a palavra Soulam, significando escala [130]. A Guematria nos mostra aí uma das chaves principais da metafísica kabalística. Em efeito, essa “escala” está ligada a lenda do patriarca Jacó, palavra significando “que suplanta”. Para uma alma, subir, é, para uma outra descer. [Ver nos “Mabinoggion”, ou “Contos para o Discípulo”, o ensinamento bárdico a esse respeito, no conto de Peredur ab Ewrach]. E sobre a Roda Eterna, todas as almas passam sucessivamente por todos os estados [Ver a “Revolução da Almas” do rabino Issac Loriah]. Nessa subida sobre a escala , uma alma é o “suplantador” enquanto que uma outra é o degrau…

Pois, tendo chegado uma primeira vez no “Palácio Celeste”, mundo da plenitude, onde ele encontra por fim o conjunto de suas lembranças e de suas faculdades, o Ser pode tornar a descer voluntariamente sobre a “Terra”, em Aretz, e aí se encarnar, seja visando novas experiências e do benefício que daí decorre, seja com a finalidade altruística de ajudar os outros seres a se desprender do Abismo, a sair do Sheol [“Sepultura”]. E isso tantas vezes quantas ele desejar, protegido pelo Esquecimento.

Concebemos o inferno mental que seria a Vida se nos lembrássemos de tudo o que fomos ? Imaginemos o nosso eu imortal animando por exemplo uma aranha ? Nos vermos, como aranha, metida em um buraco infecto, dançando sobre uma teia, receptáculo de todas as sanies ou imundices, e devorando com as mandíbulas os cadáveres de moscas decompostos ? “O Esquecimento das vidas precedentes é um benefício de DEUS…” nos diz a tradição lamaica!

E porque a eternidade e o Infinito Divinos fazem com que o ABSOLUTO permaneça sempre inacessível ao Ser, mesmo tendo chegado ao “Palácio dos Céus”, eternos em duração, infinitos em possibilidades são “experiências” da Criatura, e assim, a Sabedoria e o Amor Divinos a fazem participar de uma eternidade e de um infinito relativos imagens e reflexos da eternidade e do infinito divinos, e por si mesmo, geradoras de um eterno vir a ser.

Mas não devemos confundir os Seres em curso de evolução para o Plano Celeste, e os Atributos do Divino, que são partes constituintes de DEUS.

E é pela onipotência do Verbo, se exprimindo através da prece e as santa Orações, por um caminho que se aproxima, tanto quanto é permitido ao Homem, de suas próprias perfeições, que o Teurgo desperta e põe em ação os Atributos Divinos, e o faz, se elevando até eles…

E é pelo Simbolismo, que lhe permite canalizar e conduzir essa ação, a “situando” no Tempo e no Espaço, que o Teurgo age então indiretamente sobre os Seres do Universo material.

Pois, partindo do princípio iniciático universal que a “parte” vale o “Todo”, e que “o que está em baixo é como o que está no alto”, esse Simbolismo lhe permite então realizar um microcosmo realmente em relação de identidade analógica com o Macrocosmo. Essa teoria se reencontra, degradada, no princípio do Envultamento e aquele do estabelecimento de seu “vulto”.

Pelo Simbolismo, o Teurgo realiza, sobre seu Altar, sobre seus Pantáculos, ou em seus Círculos operatórios, verdadeiros “vultos” do Mundo Celeste, do Universo material, dos seres que aí residem, da Forças que aí estão encerradas.

Mas, ao contrário do praticante da Magia vulgar, realmente ligado as virtudes particulares de seu objetos, de seus ingredientes, aos ritos [tornados fórmulas supersticiosas] de seu Sacramentário, assim como o Físico ou o Químico estão a aquelas de seus aparelhos de laboratório, dos corpos que eles utilizam, a aqueles das fórmulas de seus códex, o Teurgo não tem essa servidão supersticiosa. E ele não utiliza o Simbolismo a não ser como meio de expressão, complemento de seu verbo, este expressão de seu pensamento.

Pois o Simbolismo completa [no domínio das coisas inanimadas] o Gesto do Teurgo, seu Gesto completa sua palavra, sua palavra exprime seu pensamento, e seu pensamento exprime sua Alma. E esse é exatamente o segredo das “Núpcias fecundas do Céu e da Terra”.

Desse modo temos na Trindade Divina e na Trindade Humana :

DEUS UM…………………………..ALMA UNA
Pai………………………………………..Pensamento
Filho……………………………………..Palavra
Espírito Santo…………………………Gesto

Por fim, o Teurgo não pretende submeter, mas obter, o que é muito diferente! Para o Mago, o rito submete inexoravelmente as Forças a quem ele se dirige. Possuir seu “nome”, conhecer os “encantos”, é poder encadear os Invisíveis, afirmam as tradições mágicas universais.

Mas a lógica não admite, à essa pretensão, mais que três hipóteses justificativas:

a) ou as Forças dominadas o são sujeitas porque inferiores em potência ao próprio Mago. E então, nenhum mérito em dominá-las, e nenhum benefício a alcançar. Pois a Ciência oficial, com paciência e tempo, chegará ao mesmo resultado…

b) ou elas se prestam por um momento a esse jogo, aceitando uma servidão momentânea aparentemente, e na espera de uma consequência fatal, que escapa ao homem, mas à que, logicamente deve, seu proveito. Nesse caso o Mago é enganado, a Magia é perigosa, e como tal deve ser combatida…

c) essas Forças são inconscientes, logo sem inteligência e por consequência naturais. Nesse caso , a pretensão do Magista de submeter as “potências” do Além não é mais que uma quimera. Seu ritual, fastidioso, irregular em seus efeitos, imprevisível em suas consequências últimas, deve ser substituído por um estudo científico desses fenômenos, preludiando a sua incorporação no domínio das artes e das ciências profanas. Desde então, não há mais Magia…

Para o Teurgo, nenhuma “explicação” tendente a diminuir seus poderes é temida, pois que ele afasta de primeira todo fator material dotado de qualquer virtude oculta, toda força encerrada ou infundida por ritos em seus auxiliares materiais. Somente, o Simbolismo deve o unir ao Divino, com o elã de sua alma, por veículo. Já de início ele situa o problema: se dirigindo a DEUS pelo canal do Espírito e do Coração, nenhuma defloração do grande arcano deve ser temida, e, o que quer que advenha em suas diversas realizações, o Mistério dessas últimas permanece por inteiro.

O que o Mágico pagará a continuação com dor, o Teurgo completará com alegrias. E assim como dizem as escrituras, o Teurgo acumulará tesouros inalteráveis, enquanto que o Mágico realiza um mau futuro…

Texto retirado de Hermanubis Martinista.

#hermetismo #Maçonaria #Magia #Martinismo #Kabbalah #Rosacruz

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-teurgia