Curso de Kabbalah e Astrologia Hermética em Julho

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

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22/07 (sábado) – Kabbalah

23/07 (domingo) – Astrologia Hermética

Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, 337 (prox. ao metrô Vila Mariana)

Horário: das 10h às 18h

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

Total: 8h de curso.

ASTROLOGIA HERMÉTICA

A Astrologia é uma ciência que visa o Autoconhecimento através da análise do Mapa Astral de cada indivíduo. Conhecido pelos Astrólogos e Alquimistas desde a Antigüidade, é um dos métodos mais importantes do estudo kármico e um conhecimento imprescindível ao estudioso do ocultismo.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– Introdução à Astrologia,

– os 7 planetas da Antigüidade, Ascendente e Nodos

– os 12 Signos,

– as 12 Casas Astrológicas,

– leitura e interpretação básica do próprio Mapa Astral.

Cada aluno recebe seu próprio Mapa Astral (precisa enviar antecipadamente data, hora e local de nascimento) para que possa estudá-lo no decorrer do curso.

Informações e reservas: marcelo@daemon.com.br

Inscreva-se já. São apenas 12 vagas.

#Astrologia #Cursos #Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-kabbalah-e-astrologia-herm%C3%A9tica-em-julho

O Mito do Vampiro e a Rosacruz

Por Shirley Massapust

Na obra O Vampirismo, Robert Amberlain alega que os membros da Rosa-Cruz do Grande Rosário iniciaram-se na pneumatologia que “não é senão a ciência dos Espíritos, aquilo a que chamamos agora metafísica, ciência que engloba o conhecimento da Alma”.[1] Ele descreve a ação e conversão dos vampiros alegando que “é muito possível que seja a isto que o marquês de Chefdebien faz alusão na sua carta publicada na página 52 da obra de B. Fabre, Um Initié des Sociétés Secrètes Supérieures (Paris, 1913), quando ele evoca a existência dos ‘irmãos do Grande Rosário’, cujo berço era em Praga ainda nesta época, ou seja, nos finais do século XVIII”.[2]

De fato, a metafísica rosa-cruz fundia recursos da metafísica tradicional, teologia, alquimia e cabala. Por exemplo, num manuscrito escrito entre 1700 e 1750, Phisica, Metaphisica et Hyperphisica. D.O.M.A., estas matérias correspondem às “três partes do homem” (espírito, alma e corpo) e representam os três elementos da pedra filosofal (sal, enxofre e mercúrio).[3] Contudo, o simples fato de estudarem variantes da metafísica tradicional não basta para provar que praticavam o vampirismo. A única justificativa para tal associação, seria a descoberta de uma interpretação especial da matéria e uso objetivo a fim de atingir tais ideais; fato que nos leva a um novo problema: Onde procurar? Existe uma quantidade infindável de escritos ‘metafísicos’ inspirados no movimento, de forma que até mesmo Descartes dedicou uma obra de juventude “aos eruditos do mundo inteiro e, especialmente, aos Irmãos Rosa-Cruzes, tão célebres na Germânia” (Preâmbulos), além de haver escrito trabalhos onde “transparecem suas preocupações científicas aliadas à influência dos temas da sociedade Rosa-Cruz”.[4] Comecemos, pois, pelo começo. Não irei discutir sobre a antiguidade da ordem. Cabe a cada um optar pela posição de certos historiadores que afirmam sua invenção no século XVI ou pela doutrina da atual Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (A.M.O.R.C.), que se proclama receptora da tradição de uma ordem hermética egípcia fundada por Thutmose numa ‘Reunião do Conselho’ ocorrida de 28 de março a 4 de abril de 1489 a.C. Para nosso tópico basta dizer que o interesse do público leigo pela ordem formou-se após a publicação da Fama Fraternitatis, 1614, e Confessio Fraternitatis R. C., 1615, dois escritos anônimos que ganharam importância em associação ao Chymische Hochzeit Christian Rosencreutz, Anno 1459 (1616). Este último trazia a alegoria de um casamento no qual alguns convidados são assassinados e trazidos novamente à vida através da alquimia; sua autoria acabou sendo reivindicada por um certo Johann Valentin Andrea (1586-1654), respeitado e ortodoxo membro do clero luterano, conhecido como opositor dos rosa-cruzes. Andréa esforçou-se ao máximo para distanciar-se da obra, chamando-a de sátira ideada em sua juventude tresloucada.[5] Contudo, independente da intenção do(s) autor(es), tais obras exerceram grande influência na concepção do rosacrucianismo. A descrição da exumação do corpo de Christian Rosencreutz – herói protagonista da Fama Fraternitatis – foi especialmente discutida devido a sua condição imputrescível:

Como até o momento não tivéssemos visto o corpo do nosso falecido pai, prudente e sábio, afastamos o olhar para um lado e ao erguermos a chapa de bronze, encontramos um corpo formoso e digno, em perfeito estado de conservação, tal qual uma contrafação viva do que aqui se encontra com todas as suas vestimentas e atavios.[6] Dentre outros livros e objetos, os descobridores do túmulo encontraram o Vocabular de Teophrastus Paracelsus ab Hohenheim (1493-1541).[7] Isso prova que os dois panfletos não se sincronizavam ou simplesmente pretendiam narrar uma ficção, pois de acordo com a Confessio o Irmão C. R. nasceu em 1378 e morreu aos 106 anos, em 1484, sendo o túmulo fechado e selado nove anos antes do nascimento de Paracelso. Em todo caso, o autor da Fama Fraternitatis devia ter em alta estima as teorias deste médico; cuja comparação dos “corpos embalsamados” com um filtro grego “preparado com sangue” levou a conclusão de que “o que cura verdadeiramente as feridas é a múmia: a própria essência do homem”.[8] Tal é a função do cadáver de R. C. na narrativa.

Seguindo raciocínio semelhante, W. Wynn Westcott apresentou como fato verídico à história de que Rosenkreutz “foi sepultado, conforme ele e os membros de seu círculo mais íntimo planejaram, numa cripta especial dentro do domus ou moradia secreta”.[9] Então, o teriam embalsamado com “esmero no cuidado carinhoso e no trabalho hábil de preservar os restos mortais do Mestre” do que resultou o ‘belo e notável corpo, integro e intacto’ descrito na tradução de Eugenius Philalethes (Londres, 1652).[10] Noutro extremo, no livro Perguntas e Respostas Rosacruzes, H. Spenser Lewis anuncia de forma pitoresca que “o verdadeiro autor dos panfletos que trouxeram o renascimento na Alemanha foi, nada mais, nada menos, que Sir Francis Bacon,[11] então Imperator da Ordem para a Inglaterra e várias partes da Europa”.[12] Ele teria velado a autoria da Fama Fraternitatis sob um nome simbólico, “como é natural em toda a literatura Rosacruz antiga”, cujo significado seria meramente “Cristãos da Rosa-Cruz”. Por isso “é muito duvidoso” que em seu tempo “qualquer indivíduo culto… que lesse esses panfletos, acreditasse que Christian Rosenkreutz fosse o nome verdadeiro de alguma pessoa”.[13] De qualquer forma, independente do autor ou da pretensão de ser ficcional, doutrinário ou verídico, o manifesto contém a descrição de um cadáver bem conservado semelhante aos de certos santos católicos ou dos relatos de vampiros primordiais que também são interpretados ora como ficção alegórica, ora como fruto de embalsamamento natural (ou milagre, ou produto de magia, etc.).

Interações culturais entre o pensamento maçônico e rosa-cruz:

A antiguidade histórica da afinidade entre a Rosa-Cruz e a Maçonaria inglesa é tal que ultrapassa a existência institucionalizada de ambas as ordens. Por exemplo, o poema A Trinódia das Musas, de Henry Adamson de Perth, 1638, contém a passagem ‘For we are the brethren of the Roise Cross. We have the mason word and second sight’. Ou seja, para que os irmãos da Rosa Cruz pudessem possuir a ‘palavra Maçônica’ seria necessário que já naquela época houvesse um intercâmbio entre as duas correntes de pensamento. Talvez por isso a fraternidade Rosa-Cruz “foi confundida muitas vezes com a maçonaria e, de certo modo, a maçonaria moderna assimilou muitos princípios esotéricos do grande movimento”, conforme atesta Rizzardo da Camino, autor de O Príncipe Rosa-Cruz e Seus Mistérios.[14] Em Orthodoxie maçonique, Ragon alega que Elias Ashmole “e os demais Irmãos da Rosa-Cruz” se reuniram em 1646 na sala de sessões dos franco-maçons, em Londres, onde livremente “decidiram substituir as tradições orais adotadas nas recepções de adeptos nas lojas por um processo escrito de Iniciação”. Após a aprovação do grau de Aprendiz pelos membros da loja, “o grau de Companheiro foi redigido em 1648, e o de Mestre, pouco tempo depois. Mas a decapitação de Carlos I em 1649 e o partido tomado por Ashmole a favor dos Stuarts, trouxeram grandes modificações a este terceiro e último grau, tornado bíblico, tomando-se totalmente por base esse hieróglifo da natureza simbolizado pelo fim de dezembro”.[15] Dessa forma, Papus aponta Ashmole como “autor principal” da lenda de Hiram, cujo assassinato simbólico revela que “é necessário saber morrer para reviver imortal”,[16] ou, conforme a versão vigente do Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3), “ensina a lei terrível que faz com que aquele que auxiliastes e instruístes se revolte contra vós e procure matar-vos, segundo a fórmula da BESTA HUMANA: ‘O INICIADO MATARÁ O INIADOR’”.[17] O aumento da preocupação com os estudos teóricos em detrimento das práticas da construção levou ao nascimento da Maçonaria Moderna em 1717, quando quatro lojas londrinas se reuniram para a formação da Grande Loja de Londres. É sobre esta que recai a crítica do Daily Journal de 5 de setembro de 1730:

Tem-se de reconhecer que há uma associação estrangeira, da qual os maçons ingleses, envergonhados de sua verdadeira origem, copiaram certas cerimônias, tendo bastante dificuldade de persuadir a todos de que eles são os descendentes, embora só tenham uns poucos signos de prova ou de iniciação. Os membros dessa sociedade levavam o nome de Rosa-Cruzes e seus membros, chamados de grandes mestres, vigilantes etc., seguravam durante suas cerimônias uma cruz vermelha como signo de reconhecimento.[18] Se isto for verdade, ironicamente o ‘iniciado’ terminou mesmo matando por acidente seu ‘iniciador’ de forma simbólica, abolindo-o da memória.

Posteriormente, o grau 12º do rito Adoniramita foi chamado de ‘Rosa Cruz’,[19] assim como o grau 18.º do rito escocês antigo e aceito, surgido na França em 1754, recebeu o título de Soberano Príncipe da Rosa-Cruz de Heredom (ou simplesmente Cavalheiro Rosa Cruz). Segundo Leadbeater, neste grau revela-se o nome do Grande Arquiteto do Universo, que descobri tratar-se do epíteto INRI.[20] Sobre isto, o autor maçom informa que “em Sua encarnação como Christian Rosenkreutz, o C.D.T.O.V.M. traduziu a Palavra para o latim, conservando muitíssimo engenhosamente seu notável caráter mnemônico, todas as suas complicadas acepções e ainda uma íntima aproximação com o seu som original”.[21] O capítulo Rosa-Cruz possui dois estandartes quase idênticos; vermelhos, com franjas douradas, levam o titulo do Supremo Conselho acima e o do capítulo, local de funcionamento e data de fundação abaixo. Como figura central o primeiro mostra a cruz latina “com a rosa na interseção de seus braços” e o segundo traz o pelicano rasgando o peito com o bico para alimentar sete filhotes com seu sangue.[22] Autores maçons dão diversas interpretações para seus símbolos. O pelicano representa a “disposição ao sacrifício”.[23] Ragon diz que a rosa seguida pela cruz seria o modo mais simples de escrever “o segredo da imortalidade”.[24] Já para José Ebram, o homem de pé com os braços abertos pode dizer: “Eu sou a representação da cruz, e a alma que se encontra dentro de mim é a rosa mística”.[25] Fanatismo, ataques psíquicos e ‘guerra dos magos’:

Numa manhã de agosto de 1623 diversos cartazes apareceram nas ruas de Paris informando que a fraternidade Rosa-Cruz acabava de fixar-se na cidade. Prontamente, a igreja francesa emitiu vários manifestos acusando os recém chegados de haverem emigrado da província de Lyons, onde teriam feito “pactos horríveis” com Satã. Outro comentário, intitulado o Mercure de France, tentava liquidar o problema pelo ridículo ao observar que a chegada dos rosa-cruzes à cidade criara pânico generalizado.

Alguns hoteleiros locais diziam ter registrado hóspedes estranhos que desapareciam em uma nuvem de fumaça quando chegava a hora de acertar as contas… Vários cidadãos inocentes acordaram no meio da noite e depararam com aparições pairando sobre eles; quando gritavam para pedir socorro, as figuras de sombras desapareciam.[26] O Mercure concluía, jocosamente, que não era surpreendente encontrar parisienses prudentes dormindo com mosquetes carregados ao lado da cama e apedrejando os estranhos que se aventurassem em seus bairros. Por isso, não é de se admirar que o movimento rosa-cruz tenha esperado até o século XIX para se instituir de forma ordenada naquele país. Antes, o embrião desenvolveu-se na Inglaterra.

Na época em que exercia a função de Grande Secretário do Edifício da Maçonaria, sede nacional da Fraternidade Maçônica Inglesa, Robert Wentworth Little encontrou documentos na biblioteca da Grande Loja com informações sobre ritos rosa-cruz que não faziam parte das atividades maçônicas. A partir daí idealizou a Societas Rosicrocian in Anglia, também chamada pelas iniciais S. R. I. A. ou Soc. Ross., cujo ingresso era estrito a maçons. Esta organização fora fundada em 1867 e teve como Magus Supremo o Dr. W. Wynn Westcott, que posteriormente integrou a Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Também Alphonse Louis Constand (vulgo Eliphas Levi) esteve na S. R. I. A. por alguns anos, mas “os registros da S. R. I. A. declaram que Levi caiu em seu desagrado devido à publicação de seus vários livros sobre magia e ritual”.[27] De fato ele escreveu coisas como, por exemplo, que a mais antiga sociedade secreta do iluminismo a tomar consistência na Alemanha fora os “Rosa-Cruzes cujos símbolos remontam aos tempos dos Guelfos e dos Gibelinos, como o vemos pelas alegorias do poema de Dante e pelas figuras do Romance da rosa” e que “a conquista da rosa era o problema dado para a iniciação à ciência enquanto a religião trabalhava em preparar e em estabelecer o triunfo universal, exclusivo e definitivo da cruz”.[28] No mesmo livro, História da Magia, o ator trata de uma miríade de temas, incluindo uma longa explanação sobre os casos, causas e técnicas do vampirismo; assunto tratado de forma mais abreviada em A Ciência dos Espíritos e outras obras.

Durante a década posterior à morte do ocultista Eliphas Lévi, existiram poucas pessoas que estudaram os seus escritos, porém uma delas foi o novelista e poeta Catulle Mendès, que tinha conhecido Lévi e lhe havia apresentado a Victor Hugo. Em meados da década de oitenta, Mendès fez amizade com o marquês Stanislas de Guaita (1861-1897), jovem poeta e esteta a quem recomendou que lesse as obras deste autor. O marquês seguiu o conselho e encontrou nos escritos de Lévi uma revelação espiritual que descreveu como “o raio oculto”. Desde 1885 até o seu prematuro falecimento em 1897, dedicou sua vida ao ocultismo, chegando a ingerir cocaína, narcóticos e morfina para “afrouxar as ataduras da alma” e conseguir que seu espírito abandonasse seu corpo.

Em 1888, Guaita fundou a Ordre Kabbalistique de la Rosae Croix, na França, juntamente com Gérard Encause (1865-1916) e Joséphin Peladam (1858-1918), que abandonou a fraternidade em 1890 para fundar sua própria Ordem Católica Rosa-Cruz do Templo e do Graal.[29] Depois, Guaita entrou numa disputa contra a Igreja do Carmo[30], dirigida por Boullam (1824-1893), e – com a colaboração do ex-membro Oswald Wirth – escreveu o ensaio, Le Temple du Satan, no qual denunciavam Boullam como “pontífice da infâmia, desprezível ídolo da Sodoma mística, mago da pior espécie, retorcido criminoso, maligno feiticeiro”.[31] A novidade é que este livro inclui um estudo sobre as causas dos casos de vampirismo bastante concordante as teorias do Satanismo & Magia de Jules Bois, que se inspirou no ‘testemunho’ de J. K. Huysmans; ou seja, há uma possível acusação mútua implícita, mas expressa, de vampirismo.

Sabemos que após a denúncia, os dirigentes da Rosa-Cruz enviaram a Boullam uma carta solene na qual lhe comunicavam que era “um homem condenado”, frase que entendeu como uma ameaça de morte por meios mágicos. Assim, iniciou-se uma guerra entre magos. Cada bando amaldiçoou o outro e estava convencido de que os seus inimigos se propunham a destruí-lo. No meio de tudo, o novelista J. K. Huysmans tomou o partido da igreja do Carmo, apresentou Boullam como sendo o santo “Dr. Johannes” de Là-bas e chegou a acreditar que, devido à sua amizade com Boullam, Guaita e os seus se propunham a lhe matar. Passou a queixar-se de que à noite ele e o seu gato sofriam “agressões fluídicas”, golpes propiciados por demônios invisíveis. Estes ataques não tiveram conseqüências mais graves, conforme Huysmans, graças às medidas protetoras idealizadas por Boullam, que incluíam o emprego da hóstia consagrada e a queima de um incenso composto por cravo, cânfora e mirra. No entanto, em 3 de janeiro de 1893, Boullam escreveu a Huysmans para lhe comunicar um novo ataque da Rosa-Cruz: “Durante a noite sucedeu algo terrível. Às três da manhã acordei sufocado… caí inconsciente. Das três às três e meia, estive entre a vida e a morte… Madame Thibault sonhou com Guaita e de manhã ouvimos o canto de um pássaro da morte”. Na noite daquele mesmo dia Boullam morreu, dando fim à contenda.[32] Este caso, impulsionado pelo fanatismo, guarda semelhanças fundamentais com outro mais recente. No livro Lightbearers of Darkness, Miss Stoddart introduz o conceito de ‘Black Rosicrucians’. Segundo a Encyclopedia of Black Magic, antes de 1914, Miss Stoddart foi iniciada numa sociedade secreta britânica, The Red Rose and the Golden Cross, que dizia derivar do corpo germânico da ordem. “Miss Stoddart ocupava uma posição proeminente nesta alegada sociedade rosa-cruz, mas eles começaram a ter séries de experiências extraordinárias subjetivas que sugerem que ela também sofria séries de desilusões esquizofrênicas ou, como ela e alguns de seus associados próximos acreditavam, estava sofrendo ataque psíquico”. Os surtos começaram a partir de 17 de abril de 1919, dentro de templos da Igreja Anglicana, apresentando sintomas que incluíam a percepção de odores desagradáveis, alucinações visuais e experiência de ‘black-out’ ou ‘transes espontâneos’. No cume desses ataques ela via 12 figuras vestindo mantos negros, sentia dor no coração e tinha desmaios. Estava convicta de que seus sintomas provinham de “trabalhos de magia negra feitos contra ela por membros da sociedade rosa-cruz” e gastou boa parte do resto de sua vida denunciando a ordem.[33] Menções e acusações de vampirismo na Ordem Hermética da Aurora Dourada:

Criada como um subproduto da S. R. I. A., a Ordem Hermética da Aurora Dourada (G.D.) foi fundada em 1 de março de 1888 por William Wynn Westcott, William Robert Woodman e Samuel Liddell MacGregor Mathers. Mina Bérgson (Moina Mathers), uma talentosa artista da Escola de Slade, foi a primeira iniciada; tornando-se também esposa de Mathers após um breve compromisso. Em 1891 o casal mudou-se para Paris onde, dois anos depois, estabeleceu um Templo operativo chamado Ahathor.

A GD foi muitas vezes envolta em histórias fantásticas. Por exemplo, o primeiro documento produzido pela ordem, conhecido como Cipher Manuscript, teve caráter anônimo. Ele contém uma alegoria hermética trabalhada sobre um pingente rosa-cruz chamado Adept’s Jewel (jóia do adepto), mas pelo fato de estar codificado numa adaptação do alfabeto alquímico de Johannes Tritheminus (The Polygraphiae; Paris, 1561) decifra-lo é no mínimo aborrecido… Se tal artifício fosse mantido em todo material produzido teria livrado a ordem de muitos problemas, visto que, por volta de 1891, Mathers baseou-se na Fama Fraternitatis para criar o rito 5=6, Adeptus Minor, que incluía o momento dramático da descoberta do “corpo” de Christian Rosenkreuz, no caixão, representado por Mathers ou Westcott.[34] Imagino que tenha sido um documento com a descrição deste rito para iniciação na Segunda Ordem[35] que o Dr. Winn Westcott teve a infelicidade de esquecer dentro de um táxi em 1897. Seus papéis acabaram na polícia que não achou recomendável um coroner[36] se ocupar de tais atividades, pois poderia “ficar tentado a utilizar os cadáveres que são postos à sua disposição, para operações de necromancia”.[37] Westcott demitiu-se da Aurora Dourada.

Resta-nos, contudo, a dúvida sobre a impressão dos iniciados a respeito da natureza do prodígio. Sabemos que em Oil and Blood (1929) o poeta William Butler Yeats denuncia o paradoxo da afirmação do ‘milagre’ da incorruptibilidade dos corpos de certos santos, exaltado pela mesma igreja católica que escarnecia de fenômeno idêntico atribuído a vampiros pelos ortodoxos gregos:

Em tumbas de ouro e lapis lazuli

Corpos de homens e mulheres santos se aparecem.

Óleo milagroso, odor de violeta.

Mas debaixo de cargas pesadas de barro pisoteado

Corpos de mentira dos vampiros cheios de sangue;

Suas mortalhas são sangrentas e seus lábios estão molhados.

A influência de Yeats na G.D. era tal que quando lhe pareceu conveniente pode expulsar Mathers da ordem e substituí-lo como Imperator do templo Isis-Urania em Londres. Se quisesse, ele poderia muito bem impor sua visão de que a incorruptibilidade dos santos e vampiros deriva do mesmo princípio (podendo-se deduzir que seria plausível que a sentença se aplicasse igualmente bem ao corpo de Christian Rosencreutz).

Em 1956, um individuo publicou o artigo L’orde hermétique de la Golden Dawn, sob o nome de Pierre Victor, nos números 2 e 3 da revista La Tour Saint-Jacques, contendo “uma série de revelações sobre a existência, na Inglaterra, no final do século XIX e princípio do XX, de uma sociedade iniciática inspirada na Rosa-Cruz”.[38] Antes, contudo, ele havia colaborado como informante no best-seller O Despertar dos Magos, onde tornou conhecida a teoria de que “Stoker, o autor de Drácula” encontrava-se entre os escritores filiados a G.D. (informação que deve ter sido colhida da tortuosa tradição oral).[39] Tal filiação não consta em obras especializadas confiáveis, como o The Magicians of the GD de Ellic Howe, e o máximo que Sotker registrou foram menções vagas de seus encontros em Londres com “sugadores de sangue” ou “vampires personalites” (o que descreve tão bem seus contemporâneos da G.D. quanto qualquer outro alvo do adjetivo depreciativo).[40] Creio que o primeiro impresso que usou o termo vampirism para nomear técnicas utilizadas por membros da G.D. foi o De Arte Magica (1914), de Aleister Crowley. Segundo ele, havia “um método de vampirismo comumente praticado” pelo fundador McGregor Mathers, sua esposa Moina, pelo adepto E.W. Berridge, por Mr. e Mrs Horos – que tiveram contato com os ritos egípcios de Mathers – e por Oscar Wilde “em seus anos finais”, que apesar de não ter nenhuma relação com a ordem, pelo menos na ficção de O Retrato de Doriam Grey, sintetizou a fórmula da juventude eterna numa filosofia a seu gosto: “Para se voltar à mocidade, basta repetir as suas loucuras”.[41] Sabemos que o próprio Crowley filiou-se a G.D., sendo expulso junto a Mathers em 1900. Insatisfeito, usou os ritos da ordem para fundar uma dissidência chamada Argentium Astrum (AA) em 1907 e aderiu a Ordo Templi Orientes (O.T.O.) em 1911. Dentre as inúmeras curiosidades escabrosas que envolveram sua vida de Crowley, podemos destacar que chegou a limar os dentes caninos, deixando-os bem pontiagudos, e quando encontrava mulheres costumava dar-lhes o “beijo da serpente”, mordendo-lhe o pulso ou às vezes a garganta com suas presas.[42] Para perpetuar a tradição, Crowley criou uma elaborada ritualística. Segundo seu sucessor, Kenneth Grant, dois de seus ritos escritos para a O.T.O. envolvem o uso de sangue: “Eles são a Missa da Fênix e um certo rito secreto da Gnose, ensinado no Soberano Santuário da O.T.O.” Neste último o magista “consome a hóstia embebida em sangue”, enquanto na Missa da Fênix – publicada como Liber XLIV, tanto no Livro das Mentiras quanto no Magick – ele “corta seu peito e absorve seu sangue oralmente”. Por isso “a Missa da Fênix é, com efeito, a Missa do Vampiro”.[43] A Primeira Guerra Mundial chegou e Mathers viveu o suficiente para ver a vitória dos aliados no outono de 1918. Desde então, as coisas se voltaram obscuras. Dizem que Mathers morreu em seu apartamento na Rue Rivera em 20 de novembro de 1918, sucumbindo às poderosas correntes mágicas que emanavam de Crowley, segundo a primeira edição da autobiografia de Yeats.[44] Por sua vez, Dion Fortune relata que Moina lhe informou que seu marido falecera de uma epidemia de gripe nesse ano, mas não se encontrou nenhuma Certidão de Óbito de Mathers, nem sua tumba – e ainda que Moina possuísse uma Certidão de Óbito, não há registros cartorários.

No livro Ritual Magic in England (1970), Francis King relata a história subseqüente da Ordem da Aurora Dourada. A Sra. Mathers assumiu a liderança de uma das ramificações, mas não conseguiu mantê-la unida. A ocultista Dion Fortune, psicóloga freudiana cujo nome verdadeiro era Violet Firth, provocou uma divisão e formou seu próprio Templo; posteriormente, afirmou que a Sra. Mathers lhe dirigia “ataques espirituais” criminosos, tendo mesmo conseguido matar um membro itinerante.[45] Em 1920, Crowley instalou-se em uma quinta decadente de Calefu, na Sicília, e batizou esse santuário da AA como Abadia de Thelema. Um incidente deplorável aconteceu na abadia de Crowley. Um poeta oxfordiano chamado Raoul Loveday bebeu o sangue de um gato durante uma cerimônia e morreu instantaneamente, o que não estava previsto.[46] Sua viúva, Betty May, fez um escândalo e, entre boatos de que além de gatos também bebês haviam sido mortos, o governo italiano tomou medidas para expulsar Crowley da Sicília. Da mesma forma, a morte de Raoul Loveday na abadia causou furor na Inglaterra depois que Betty May forneceu a um jornal popular de Londres detalhes de “drogas, magias e práticas vis”.[47] A partir daí prosseguiria meio que morto em vida.

O dr. R. W. Felkin, chefe de outra facção da G.D. chamada Stella Matutina, dizia aos membros que “nosso pai Christian Rosenkreuz parece ter chegado a um estado quase divino”.[48] Ele acreditava na existência da tumba-cofre descrita na Fama Fraternitatis, em alguma parte do Sul da Alemanha, e estava a caminho pra procura-la quando estourou a guerra 1914-18. Os ritos herdados da G.D. foram publicados numa obra de quatro volumes por Frances Israel Regardie, um discípulo de Crowley que ingressou na ordem em 1934.

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[1] AMBERLAIN, Robert. O Vampirismo. Trd. Ana Silva e Brito. Lisboa, Livraria Bertrand, 1978, p. 163.

[2] AMBERLAIN, Robert. Op. Cit, p. 213.

[3] HALL, Manly P. (introduction and commentary). Codex Rosæ Crucis D.O.M.A. A Rare & Curious Manuscript of Rosicrucian Interest. Los Angeles, Philosophical Reserarch Societh, 1938, p 5 (do manuscrito).

[4] PESSANHA, José Américo Motta. Descartes – Vida e Obra. Os Pensadores: Descartes. São Paulo, Nova Cultural, 1996, p 12.

[5] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 54-55.

[6] YATES, Francês A. O Iluminismo Rosa-Crux. Trd. Syomara Cajado. São Paulo, Pensamento, 1983, p 306.

[7] YATES, Francês A. Op Cit., p 305-306.

[8] PARACELSO. A Chave da Alquimia. Trd. Antonio Carlos Braga. São Paulo, Três, 1973, p 220-222.

[9] GILBERT, R. A. (org). Maçonaria e Magia, Antologia de Escritos Rosa-cruzes, Cabalísticos e Maçônicos de W. Wynn Westcott, Fundador da Ordem Hermética “Golden Dawn”. São Paulo, Pensamento, 1996, p. 15.

[10] GILBERT, R. A. (org). Op. Cit, p. 23.

[11] É preciso ter cuidado ao fazer tal identificação. Encontrar fraudes de trabalhos de Francis Bacon é tão fácil quanto desmascarar as mesmas. Por exemplo, a página do Calvin College, Christian Classics Ethereal Library, disponibilizou por longo período a cópia de uma pretensa obra póstuma; The Fearful Estate of Francis Spira by Nathaniel Bacon (Londres, 06/01/1638). Nesta ficção curiosa Spira – o protagonista melancólico – nega crer que os pecados são redimidos com o sangue de Cristo e pede aos religiosos que lhe assediam: “Left miserable mortals should be swallowed up with the greatness of their willfully with my hands pulled down this vampire”… Ora, o que o termo ‘vampire’ esta fazendo numa publicação de 1638 se o vernáculo vampyr só tomou esta forma em inglês e francês no ano de 1732?

[12] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 85.

[13] LEWIS, H. Spenser. Op. Cit., p 78-79.

[14] CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico. São Paulo. Madras, 1995, p. 345.

[15] PAPUS (Dr. Gerard Encause). O Que Deve Saber um Mestre Maçom. Trd. J. Gervásio de Figueiredo 33º. São Paulo, Pensamento, p 85-86.

[16] PAPUS (Dr. Gerard Encause). Op. Cit, p 90.

[17] GRANDE LOJA DE MINAS GERAIS. Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3). Belo Horizonte, Littera Maciel, 1976, p. 9.

[18] CARLES, Jacques e GRANGER, Michael. Alquimia: Superciência Extraterrestre? Trd. Hélio Pinheiro Carneiro. Rio de Janeiro, Eldorado, 1973, p 166.

[19] Marques, A. H. de Oliveira. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. Vol. II. J-Z. Lisboa, Editorial Delta, 1986, coluna 1263.

[20] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. A Cruz e a Rosa. São Paulo, Madras, 1994, p 43.

[21] LEADBEATER, C. W. A Vida Oculta na Maçonaria. Trd. Gervásio de Figueiredo 30º. São Paulo, Pensamento, 1964, p 229.

[22] CASTELLANI, José e FERREIRA, Cláudio R. Buono. Manual Heráldico do Rito Escocês Antigo e Aceito do 19º a 33º. São Paulo, Madras, 1997, p 13.

[23] LURKER, Manfred. Dicionário de Simbologia. Trd. Mario Krauss e Vera Barkow. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p 534.

[24] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. Op. Cit, p 41.

[25] EBRAM, José. A Águia Bicéfala Sobre o Altar. São Paulo, Madras, 1996, p 58.

[26] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 47.

[27] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 92.

[28] LEVI, Eliphas. História da Magia. Trd. Rosabis Camaysar. São Paulo, Pensamento, 1995, p 277.

[29] A Rosa-Cruz cabalística sobreviveu às mortes, não só do seu fundador, mas da de muitos dos seus dirigentes, como por exemplo o poeta Edouard Dubus, viciado em morfina que morreu em um urinário público enquanto estava se drogando. Durante muitos anos a ordem esteve dirigida por Papus, que estabeleceu um ramo na Rússia e foi um dos ocultistas que influiriam no último czar. Papus faleceu em 1916 e com sua morte a ordem se separou em várias facções rivais, algumas das quais ainda mantém uma existência precária.

[30] Esta igreja teve sua origem na Obra da Misericórdia, fundada em 1840 por Vintras, que tinha instituído em Tilly um oratório onde celebrava a Missa Provitimal de Maria; rito de sua própria invenção onde ocorriam numerosos prodígios. Os discípulos de Vintras viam, ou pelo menos pensavam ver, cálices vazios que se enchiam de sangue até transbordar e símbolos sangrentos que apareciam na Hóstia. A Obra de Misericórdia, que começava já a ser conhecida como igreja do Carmo, foi condenada oficialmente pelo papa em 1848.

[31] KING, Francis. Magia. Trd. Traduções e Serviços, S.L. Madrid, Ediciones Del Prado, agosto 1996, p 22.

[32] KING, Francis. Op. Cit, p 22.

[33] ‘CASSIEL’. Encyclopedia of Black Magic. New York, Mailland Press, 1990, p 39.

[34] VÁRIOS. Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. Vol 2. São Paulo, Editora Três, 1973, p 315-320.

[35] Espécie de degrau evolutivo interno da G.D. também chamado Order of the Rose of Ruby and the Cross of Gold (R.R. et A.C.).

[36] Coroner: Posto jurídico que acumula as funções de médico legista e juiz de instrução. Em caso de morte suspeita, reunia um júri que pronunciava um veredicto, podendo eventualmente haver intervenção da justiça e da polícia. (Um desses veredictos foi célebre no século XIX; o júri concluíra que um desconhecido encontrado morto num parque londrino havia sido assassinado “por pessoas ou coisas desconhecidas”).

[37] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 91-92.

[38] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Trd. Gina de Freitas. São Paulo, Difel, 1974, p. 241-242.

[39] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. Op Cit., p. 241.

[40] STOKER, Bram. O Monstro Branco. Trd. João Evangelista Franco. São Paulo, Global, p 7-12.

[41] WIDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. Trd. Ed. Nova Aguiar. São Paulo, Abril, 1980, p 54.

[42] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 44.

[43] GRANT, Kenneth. Renascer da Magia. São Paulo, 1999. Madras, pp 153-166.

[44] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.

[45] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.

[46] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 96-97.

[47] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 117.

[48] Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. São Paulo, Três, 1973, p. 320.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-do-vampiro-e-a-rosacruz

Cristina da Suécia

Thiago Tamosauskas

No final do século XVII, Cristina I da Suécia era filha única do rei Gustavo II Adolfo e de rainha Maria Eleonora de Brandemburgo-Hohenzollern. Nascida em 8 de dezembro de 1626, após a morte do pai tornou-se monarca legítima com apenas 6 anos. O Conselho Nacional sugeriu que Cristina participasse do governo a partir dos 16, mas ela pediu para esperar até os 18 anos para seguir o exemplo de seu pai. Neste período de preparação ela recebeu mesma educação militar, de governança e de artes liberais que um príncipe receberia.

Cristina possuía uma natureza andrógina inegável, suas cartas e diários demonstram sua bissexualidade em seus inúmeros casos amorosos incluindo a Duquesa Ebba Sparre e o embaixador português Antonio Pimentel. Ela dizia ter “uma mente inteiramente masculina” e gostava de ser  vestir segundo a moda dos homens de seu tempo. Em documentos mantidos pelo Vaticano em Roma, ela foi chamada de “hermafrodita”. O poder da coroa lhe deu uma liberdade que poucas pessoas tinham na época, mas seu estilo de vida ofuscam as realizações daquela que a Internet Encylopedia of Philosophy chamou de

uma das mercuriais monarcas da Europa … Em seus escritos, ela faz sua própria contribuição distinta para a filosofia moral e política. Seus textos éticos exploram a natureza da virtude, defendem a equidade de gênero e postulam critérios para a verdade religiosa. Seus trabalhos políticos defendem a tolerância cívica das minorias religiosas. Como muitos salões da época, Cristina analisa a natureza e as variações do amor, mas seus interesses teológicos e políticos lhe proporcionam um horizonte filosófico mais amplo do que o predominantemente romântico da maioria dos salões franceses. Seu trabalho filosófico frequentemente explora a questão que atormentou sua carreira política: a natureza e o exercício adequado da autoridade.

Desde a juventude sentiu-se atraída pelo ocultismo. Sem dúvida este interesse se deve a tutoria que recebeu do antiquário real de Estocolmo, Johannes Bureus que dedicou a Cristina uma cópia manuscrita de suas especulações sobre a origem mística das Runas, sua Adulruna Rediviva, em 1643, e mais tarde uma cópia de sua obra apocalíptica, O Rugido do Leão do Norte.

Cristina I, a rainha

Os estudos esotéricos tiveram que ser deixados parcialmente de lados em 1644, quando Cristina assumiu finalmente o trono do Império Sueco. Seu primeiro desafio como monarca foi conclusão dos tratados de Paz com a Dinamarca e seu sucesso foi tão grande que nas negociações a Suécia ainda ganhou as ilhas de Gotland e Ösel (hoje Saaremaa em Estónia) e o domínio sobre os distritos de Jämtland e Härjedalen que anteriormente pertenciam a Noruega.

A paz e prosperidade que conquistou permitiram que ela estabelecesse diversas academias e universidades e pode dar novamente vazão aos seus interesses intelectuais. Cristina I é lembrada como uma das mulheres mais cultas do século XVII, ela gostava de livros, manuscritos, pinturas e esculturas. Com seu interesse em religião, filosofia, matemática e alquimia, ela atraiu muitos cientistas para Estocolmo e desejava que a cidade se tornasse uma nova “Atenas do Norte”.

Em 1646 demonstrou interesse em instituir uma Ordem de Emanuel, uma fraternidade cavalheiresca de tons iniciáticos. As obrigações do reinado e o desencorajamento do seu conselheiro Johann Adler Salvius a fizeram abandonar os planos temporariamente.

Apesar do sucesso de seu reinado Cristina sabia que a maior expectativa sobre ela era a de proporcionar um herdeiro para o trono sueco. Ela teve um caso rápido e se tornou secretamente noiva de seu primo Carlos, filho da Princesa Catarina e neto do Rei Carlos IX embora tenha registrado mais tarde em sua autobiografia que sentia “uma aversão intransponível para o casamento”.

Em 1649, Cristina tornou pública sua decisão de não se casar e seu desejo de tornar Carlos herdeiro ao trono. Apesar da oposição da nobreza, seu desejo foi aclamada pelo povo e aceita pela burguesia e pelo clero. A coroação de Carlos ocorreu em 1650 no castelo de Jacobsdal, (atual Ulriksdal), na ocasião Cristina adentrou no salão em uma carruagem bordada em veludo e ouro, puxado por seis cavalos brancos.

Cristina I, a alquimista

Com a coroação de Carlos, Cristina podia agora deixar de lado as questões do reinado e e da política, que sempre considerou um fardo para se dedicar aos assuntos que realmente lhe despertavam interesse, a alquimia e o ocultismo.

Nessa época ela se aproximou do botânico Johannes Franck, que a convenceu de que ela cumpriria uma profecia atribuída a Paracelso sobre o retorno da figura messiânica de Helias Artista e da visão de Sendivogius sobre a ascensão de uma monarquia alquímica do Norte. Em 1651 ofereceu a rainha seu livro Colloquium philosophcum cum diis montanis (Upsala 1651) no qual a exortava a iniciar sua busca pelo pó vermelho-rubi dos filósofos.

Christina decidiu ouvir Franck e montou seu próprio laboratório alquímico. Ela também coletou tantos textos raros de alquimia,  cabala, teurgia e hermetismo quanto pôde. Por volta dessa época, ela induziu o especialista grego Johannes Schefferus a escrever uma história dos pitagóricos, que foi publicada na Suécia uma década depois como De natura et constitutione philosophiae Italicae seu pythagoricae (Upsala, 1664). Ela foi criticada por seus interesses por Descartes quando este visitou Estocolmo em 1650. Cristina disse em resposta que achava que as ideias do Discurso sobre o Método já haviam sido formuladas séculos antes por Sexto Empírico e Santo Agostinho.

Amaranthorden

Lady

retrato de 1661 por Abraham Wuchters

Em 1653 retomou sua ambição de criar uma fraternidade iniciática e instituiu a Amaranthorden (Ordem de Amaranto) que teve como emblema uma guirlanda verde de Amaranto significando a vida imortal

A Ordem foi criada em homenagem e memória de seus encontros com o embaixador espanhol Antonio Pimentel de Prado, originário de Amarante, Portugal. Ele também foi o primeiro a ser nomeado cavaleiro da ordem.

A ordem era limitada a 15 cavaleiros, que tinham que permanecer solteiros e “que participavam dos prazeres mais íntimos da rainha”. Entre os membros originais estavam (além do embaixador espanhol) o regente nacional da Dinamarca Corfitz Ulfeldt, o chanceler da Polônia Hieronim Radziejowski, entre outros.

Os membros da Ordem eram convidados a participar de uma ceia no sábado à noite no Castelo de Jacobsdal, chamada de “Festa dos Deuses”. Durante o evento o local era chamado de Arcadia a antiga utopia pastorial grega e cada convidado além de levar uma acompanhante e cada um interpretava um papel. Ulfeldt era o deus Júpiter, Pimentel era o deus da guerra Marte e Radziejowski era Baco enquanto a própria Cristina fazia o papel de uma bela, virtuosa e talentosa Dama da Corte chamada Lady Amarantha. Na primeira noite quatorze casais foram convidados e Cristina não levou nenhum acompanhante. Não há registros do que acontecia depois que as portas do Castelo eram fechadas para a festa.

A ida para Roma

Em 1654 Christina anunciou que conseguiu descobrir o segredo dos alquimistas e era agora capaz de transforma chumbo em ouro. Tal anuncio foi visto como um gracejo pelos intelectuais, afinal ela já era rica.  O incidente, entretanto coincidiu com uma profunda conversão religiosa da rainha protestante para o catolicismo romano. A Ordem de Amaranto foi deixada a cargo dos seus auxiliares espanhóis e a rainha passou os próximos anos de sua vida em peregrinação em Roma.

A conversão de Cristina foi forte o bastante par fazê-la abdicar de qualquer ligação  de poder com o trono sueco, uma vez que todo os monarcas de seu país deveriam ser forçosamente protestantes. Mas apesar da renovação de sua religiosidade Christina permaneceu muito tolerante com as crenças dos outros durante toda a sua vida. Na verdade sua conversão ao catolicismo a aproximou do movimento rosacruz italiano e da alquimia da península.

Cristina passou a morar no Palazzo Farnese, que pertencia ao duque de Parma e todas as quartas-feiras ela abria o palácio aberto a visitantes das classes mais altas para sarais de poesia e discussões intelectuais. A partir de 24 de janeiro de 1656 estes encontros se tornaram a Accademia Dell’arcadia, (Academia de Arcadia) um nome que automaticamente nos remete aos seus eventos da Ordem de Amaranto, oficialmente entretanto a Academia de Arcadia era oficialmente dedicada as artes em geral e a exploração da philosophia perennis como uma oposição ao racionalismo moderno.

O interesse de Cristina pela alquimia não diminuiu em nenhum momento de sua vida. No verão de 1667 em Hamburgo, Cristina fez experiências com o profeta messiânico e alquimista Giuseppe Francesco Borri, mas foi aconselhada pelo cardeal Azzolino a se distanciar dele que já havia sido procurado pela inquisição.  Ela também se correspondeu com outros alquimistas como Johan Rudolf Glauber e Hennig Brandt.

A Porta Mágica

Em 1680 ergueu a Porta Mágica no jardim romano de Palombara e atualmente ainda pode ser vista na Piazza Vittorio Emanuele, em Roma. Diz a lenda que a porta foi levantada como uma comemoração de uma transmutação bem sucedida que culminou na produção da Pedra Filosofal nos aposentos de Cristina.

A Porta Magica consiste em um portal de pedra com um emblema da alegoria alquímica de Henricus Madathanus Aureum Seculum Redivivum. No alto uma cruz sobre um círculo no qual está inscrito um hexagrama com o texto “Centrum in trigono centri” e com o entorno ladeado por insígnias alquímicas e termos alquímicos em latim.

Os sete signos foram retirados do Commentatio de Pharmaco Catholico de Johannes de Monte-Snyder e estão na sequência: Saturno-Chumbo, Júpiter-Estanho, Marte-Ferro, Vênus-Bronze, Mercúrio, Antinomia e Vitríolo.

A Porta Mágica é encimada com a inscrição hebraica Ruach Elohim ou o Espírito do Senhor e ao redor do emblema está o texto:

TRIA SUNT MIRABILIA DEUS ET HOMO MATER ET VIRGO TRINUS ET UNUS.

(HÁ TRÊS MARAVILHAS DEUS E HOMEM, MÃE E VIRGEM TRÊS E UM.)

Também na Porta há uma inscrição alusiva às viagens dos Argonautas:

HORTI MAGICI INGRESSUM HESPERIUS CUSTODIT DRACO ET/ SINE ALCIDE COLCHIAS DELICIAS NON GUSTASSET IASON

(O dragão hesperiano guarda a abertura do jardim mágico e sem Hércules Jasão não teria provado as iguarias da Cólquida).

Da esquerda para a direita as inscrições são:

QUANDO IN TUA DOMO NIGRI CORVI PARTURIENT ALBAS COLUMBAS TUNC VOCABERIS SAPIENS

(Quando em sua casa os corvos negros derem à luz pombas brancas, então você será chamado de sábio).

DIAMETER SPHAERAE THAU CIRCULI CRUX ORBIS NON ORBIS PROSUNT

(O diâmetro da esfera, o tau do círculo, a cruz do globo, não têm utilidade para o mundo).

QUI SCIT COMBURERE AQUA ET LAVARE IGNE FACIT DE TERRA CAELUM ET DE CAELO TERRAM PRETIOSAM

(Aquele que sabe queimar com água e lavar com fogo faz da terra o céu e do céu a terra preciosa).

SI FECERIS VOLARE TERRAM SUPER CAPUT TUUM EIUS PENNIS AQUAS TORRENTUM CONVERTE EM PETRAM

(Se ​​você jogar a terra sobre sua cabeça com seus cabelos, você converterá em pedra as torrentes de água).

AZOTH ET IGNIS DEALBANDO LATONAM VENIET SINE VESTE DIANA

(Quando o Azoth e o Fogo embranquecer Latona, Diana virá sem roupa).

FILIUS NOSTER MORTUS VIVIT REX AB IGNE REDIT ET CONIUGO GAUDET OCCULTO

(Nosso filho morto vive, o rei se afasta do fogo e tem prazer na conjunção oculta).

EST OPUS OCCULTUM VERI SOPHI APERIRE TERRAM UT GERMINET SALUTEM PRO POPULO

(É obra oculta dos verdadeiros sapientes abrir a terra para gerar salvação para o povo).

No limiar há a linha curta que pode ser lida nos dois sentidos:

SI SEDES NON IS

(Se você sentar, não pode ir, se não sentar, vá).

Os últimos anos

Kristian Zahrtmann, Rainha Cristina no Palazzo Corsini (1908). Imagem da Galeria Nacional da Dinamarca.

No final de sua vida os manuscritos magico, espirituais que possuía superavam a casa dos milhares, incluíndo toda obra de Paracelso, os livros de Joachim di Fiore e Campanella, Corpus Hermeticum, Steganographia de Trithemius, Monas Hieroglyphica de John Dee, o Picatrix, uma versão latina do  Sefer-ha-Raziel e as obras alquímicas de Johannes Theurneisser e Andreas Libavius. Os livros de Christina estão listados em um documento agora na biblioteca Bodleian, Oxford.

Sua fome de saber sobre estes assuntos parecia não ter fim e em um dado momento trouxe uma mulher mais jovem chamada Sibylla para realizar com elas alguns experimentos. Ela também contratou um alquimista trabalhador, Pietro Antonio Bandiera, para administrar seu laboratório a quem deixou todos os equipamentos em seu testamento. De fato, ela levou esse interesse até o último momento de sua vida. Quando faleceu foi encontrada com ela em sua cama uma carta sobre a medicina universal, o alkahest, de Samuel Forberg.

Cristina faleceu em Roma aos 63 anos em fevereiro de 1689, vítima da diabetes. Ela adoeceu gravemente após uma visita aos templos da Campânia. Contrariando seu desejo, o Papa Inocêncio XII mandou realizar uma elaboradíssima cerimônia, com cortejo de cardeais, clérigos e noviços até a Basílica de São Pedro, onde está sua sepultura até hoje.

Fontes:

 

* Thiago Tamosauskas autor do Principia Alchimica, um manual simples e direto dos principais conceitos e práticas da alquimia.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/cristina-da-suecia/

Christian Rosenkreutz

De acordo com o Fama Fraternitatis, a Fraternidade Rosa-Cruz foi fundada em 1408 pelo monge alemão Christian Rosenkreuz (1378-1484) – de início mencionado apenas como Irmão C.R. – nascido às margens do Rio Reno, filho de uma família pobre, mas fidalga, ficou órfão em tenra idade. Aos 4 anos foi entregue aos cuidados de uma abadia, no mosteiro dos Albijenses, onde aprendeu o grego, o latim, o hebraico. Quando o jovem tinha 15 anos, o seu grupo de estudos deixou o mosteiro e iniciou sua marcha em direção à Terra Santa. Para evitar suspeitas dos discípulos de S. Domingos não viajaram juntos. Em Chipre faleceu o velho monge, líder do grupo, o irmão P.A.L. Embora este irmão tenha morrido em Chipre e não tenha visto Jerusalém, nosso irmão C.R. não retornou, mas embarcou para a outra costa dirigindo-se para Damasco (Damcar), na Arábia, – o que, nessa época, é uma proeza para um cristão – querendo continuar visitando Jerusalém, mas por azar ele adoeceu, tendo que parar a viagem. Em Damasco encontrou um Centro de Iniciação e aí ficou por três anos. Era o que pretendia: viver entre sábios. Atingiu a graduação necessária e resolveu partir. É durante o curso dessa viagem por países Islâmicos que ele entrou em contato com os Sábios do Leste, que lhe revelaram a ciência harmônica universal derivada do “Livro M”, o qual Rosenkreutz traduziu. Ali, ele foi curado por sábios que lhe transmitiram ensinamentos sobre um conhecimento ancestral, e o iniciaram em práticas científicas secretas. Em seguida, confiaram-lhe a missão de propagar esses conhecimentos pelo mundo cristão da Europa Ocidental, e de criar uma irmandade secreta, que “possuisse uma quantidade suficiente de ouro e pedras preciosas, e que pudesse educar os monarcas”.

De Damasco passou ao Egito e deste país foi viajando pelo mediterrâneo até Fez. Daqui resolveu passar a Espanha e juntar-se aos Alumbrados, que o receberam mas acharam os seus pontos de vista demasiado avançados, não o aceitando! A partir de Espanha, Germelshausen adoptou o nome simbólico de Cristão Rosacruz (Christian Rosencreuz).

De posse desse conhecimentos Rosenkreutz volta à Europa com o intuito de tornar público o seu novo saber. Após uma série de dificuldades, Rosenkreutz é rejeitado. Voltando para a Alemanha, ele é ajudado por quatro Irmãos na tradução do misterioso Livro “M”, cujo conhecimento deveria ser mantido em segredo até que a humanidade estivesse devidamente preparada para recebê-lo.

Enquanto a Europa mergulhava na escuridão, a avançada civilização árabe preservou um grande corpo de conhecimentos místicos. A Alquimia, a arte da transmutação, tornada proeminente entre os gregos, foi introduzido aos árabes que transmitiram esta arte que precedeu a Química à Europa.

Nesse tempo a “Santa Inquisição”, fundada por S. Domingos para reduzir a cinzas todo aquele que ousasse perfilhar idéias diferentes das que eram impostas pelo Catolicismo, obrigou Christian Rosencreuz a abreviar a estadia em Espanha e França e a dirigir-se para a Turíngia, na Alemanha, sua pátria, regressando ao mosteiro Albijense em que fora criado. Até hoje não foi possível determinar em que ponto de Espanha era a sede dos Alumbrados (ou Iluminados), que tiveram uma existência de séculos, tendo sido exterminados pela “Santa Inquisição”, durante o século XVI.

Na Turíngia, Christian Rosencreuz foi encontrar no mosteiro os três antigos companheiros e, com eles, estabeleceu a Fraternidade Rosacruz. Em um local secreto, os quatro homens formaram o “Novo Templo do Espírito Santo”, onde curavam doentes e confortavam desamparados. Rosenkreutz foi aos poucos construindo a fraternidade que leva seu nome e que conduz a sua obra missionária. Uma vez por ano, a fraternidade se reúne no Templo do Espírito Santo. Mais tarde foram admitidos novos membros ficando a Fraternidade com 8 membros. Anos depois a Fraternidade Rosacruz tinha 13 membros e não podia ultrapassar esse número. Estava estabelecida no estilo usado por Jesus: 12 membros, simbolizando os 12 signos do Zodíaco e o Sol, que formava o 13º. Assim, é criada a Fraternidade Rosacruz, com o intuito de manter o conhecimento daquele grupo de Iniciados. Seus membros fazem voto de celibato e castidade.

A fim de manter o número de membros da ordem, cada rosa-cruz deve nomear um sucessor antes de sua morte, se possível. Quanto ao fundador, afirma-se que ele teria morrido em 1484 aos 106 anos de idade (longevo, por causa do elixir da longa vida, que ele descobrira). Seu túmulo teria sido descoberto em 1604, 120 anos após sua morte, tal como ele próprio havia predito, por um dos imperators que lhe sucedeu .

Dada a falta de liberdade de pensamento, a Ordem teve que se ocultar durante vários séculos sob diversos nomes, mas nunca cessou suas atividades, perpetuando seus ideais e ensinamentos.

Existiram diversos ciclos de atividades da Ordem Rosacruz. Dentro de um mesmo ciclo, há uma época de plena atividade, seguida por uma época de inatividade de mesma duração. Esses ciclos são necessários por diversos motivos. Um ciclo se iniciou em 1378, com o “nascimento” de Christian Rosenkreutz. Quando ele “faleceu”, em 1459, a ordem iniciou sua fase de inatividade, voltando novamente a plena atividade com a “descoberta” do túmulo de Christian Rosenkreutz e a publicação dos manifesto, em 1614.

A primeira manifestação da Confraria tem lugar em 1589 (ou 1597), quando um tal Nicolas Bernaud percorre a Europa para procurar os amadores da química (alquimistas) e comunicar-lhes as suas idéias políticas.

Excerto de a Epopéia Rosa-Cruz

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/christian-rosenkreutz/

Curso de Kabbalah e Astrologia Hermética em Outubro

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

07/10 (sábado) – Kabbalah

08/10 (domingo) – Astrologia Hermética

Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, 337 (prox. ao metrô Vila Mariana)

Horário: das 10h às 18h

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

Total: 8h de curso.

ASTROLOGIA HERMÉTICA

A Astrologia é uma ciência que visa o Autoconhecimento através da análise do Mapa Astral de cada indivíduo. Conhecido pelos Astrólogos e Alquimistas desde a Antigüidade, é um dos métodos mais importantes do estudo kármico e um conhecimento imprescindível ao estudioso do ocultismo.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– Introdução à Astrologia,

– os 7 planetas da Antigüidade, Ascendente e Nodos

– os 12 Signos,

– as 12 Casas Astrológicas,

– leitura e interpretação básica do próprio Mapa Astral.

Cada aluno recebe seu próprio Mapa Astral (precisa enviar antecipadamente data, hora e local de nascimento) para que possa estudá-lo no decorrer do curso.

Informações e reservas: marcelo@daemon.com.br

Inscreva-se já. São apenas 12 vagas.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-kabbalah-e-astrologia-herm%C3%A9tica-em-outubro

Referências Ocultistas em Promethea

O Alan Moore é um gênio. E Promethea é uma de suas obras primas, com referências muito mais complexas do que Watchmen ou mesmo a Liga Extraordinária.

Recentemente, comentei sobre uma sequencia de páginas de Promethea referentes a Daath e o pessoal me pediu para escrever sobre toda a série. Nesta série de posts, que começará no Sedentário e continuará no Teoria da Conspiração, tentarei comentar sobre as referências ocultistas que ele utilizou enquanto escrevia Promethea.

Não será um trabalho simples. Ao longo de 32 edições (que por si só já foi uma escolha pensada, visto que a Árvore da Vida possui 32 Paths (entre 10 Esferas e 22 Caminhos) que relacionam praticamente todos os Sistemas magísticos e filosóficos que existem.
A primeira HQ, “The Radiant Heavenly City”, traz na capa Promethea desenhada por ninguém menos do que Alex Ross, em um estilo egipcio, mas a própria capa já traz dentro de si algumas surpresas e referências:

O Nome “The Radiant Heavenly City” é uma referência bíblica; Apocalipse 22,14 “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na Cidade Celestial pelas portas.”. A Cidade Celestial mencionada é o Paraíso que os crentes pensam que é de verdade e os ateus pensam que é de mentira mas, na realidade, é apenas simbólica para representar Kether, o Universo e a origem de todas as idéias. A Árvore da Vida é uma estrutura simbólica que representa todos os níveis de consciência humanos, de Malkuth (a pedra bruta) a Kether (o todo).

“Se Ela não existisse, nós teríamos de inventá-la” é uma referência ao maçon Voltaire, que disse “Se deus não existisse, nós teríamos de inventá-lo“.

E finalmente, o conjunto de imagens à direita de Promethea não são apenas desenhos aleatórios: são hieróglifos egipcios e símbolos esotéricos que contam uma história: O Sol (que acompanha Promethea durante sua jornada – o iniciado, iluminado); Ibis (que representa o Pai); O Por do Sol (que representa o fim de um período ou era); o Labirinto (que representa a jornada); O capacete (representando as muralhas de tróia, o conflito e a guerra); As águas e o olho (o despertar da consciência e a pesquisa – a protagonista entra na Jornada do Herói fazendo uma pesquisa a respeito de Promethea); os dois ankhs (herança – promethea é filha do sábio que morre no início da HQ), o escaravelho (renascimento de Promethea) e o Alef (o Começo)… em resumo para quem não leu: Alan Moore conta a história da primeira HQ em hieroglifos!

No Lado esquerdo, os hieroglifos representam as águas (consciência, emoções), a serpente e os dois lados da árvore da Vida (A via úmida e a via Seca dos alquimistas), a pena de Maat queimada (a incompletude), o abismo (a separação entre o reino material e o das idéias) a Lira e louros (representando a poesia e poetas), o Ankh (o domínio da árvore, a própria Promethea) e finalmente Hórus, filho do Sol. Novamente, para quem não leu, spoilers: Alan Moore explica que a idéia de Promethea e a escalada até a iluminação não pode ser destruída, permanecendo dormente até cruzar novamente o abismo através da poesia (ou textos).

O caduceu e as duas vias de subida na Árvore da Vida são representadas no bastão que Promethea segura. A palavra “Promethea” vem de Prometeus, o titã que roubou o fogo dos deuses para trazer aos mortais e, por causa, disso foi punido e condenado a permanecer acorrentado a uma rocha pela eternidade, com uma águia comendo seu fígado, que renascia a cada novo dia. Tal qual os símbolos, cujos significados atravessam o tempo e as culturas.

e acabamos a CAPA… faltam 32 paginas. Agora vocês têm uma idéia do porquê o Alan Moore é foda!

Alexandria 411 DC – Ano em que Santo Agostinho faz o discurso sobre “A imutabilidade de Deus é percebida através da mutabilidade de suas criações”. O mesmo tema de Promethea, já que estamos falando de idéias e formas mutáveis. Voce pode conferir este discurso no site do Vaticano. Obviamente a escolha da data não é uma coincidência.

O pai de Promethea está terminando traduções do egipcio para o grego (note as estátuas de Hermes e Toth sobre a mesa, representando o mesmo deus na cultura grega e egípcia) quando é abordado pelos fanáticos cristãos malucos. Ele possui o dom da profecia, não apenas avisando Promethea sobre seu reencontro (que só vai acontecer lá pela edição 19) mas também falando as frases dos cristãos antes deles próprios, demonstrando que já sabia seu destino e o aceitava (se ele previa o futuro, poderia ter fugido, mas não o fez, e estava sorrindo quando o mataram). Note as imagens do Sol nos cantos dos quadrinhos, desenhados como se estivesse pondo. A partir do começo da história, o Sol é retratado de uma forma moderna, mas DE OLHOS FECHADOS no presente, até o final do capítulo, quando o sol moderno abre os olhos ao renascimento de Promethea.

Na página 20-21, Promethea conversa pela primeira vez com Toth-Hermes. Ambos conversam com ela como se fossem uma única pessoa e explicam o que Moore chamou de Immateria, ou o que os cabalistas conhecem como Ruach, o Mundo das Idéias e Emoções. Ali, todas as histórias possuem vida e podem acessar nosso mundo de tempos em tempos. Carl Jung chamou este estado de consciência de Inconsciente Coletivo e Richard Dawkins chamou estas “idéias vivas” de Memeplexes.

Na página 22 é mostrado um Centauro como sendo o tutor de Promethea. Centauros são construções imagéticas que representam o signo de Sagitário. Sagitário, ou Fogo Mutável, é a essência espiritual/filosófica manifestada no estado mental; é o processo de síntese: de reunir várias teorias e configurá-las em uma tese, como uma espiral.
No arquétipo grego, este período de tempo no qual estas energias estavam mais manifestas coincidia com a fase próxima ao inverno, quando eram valorizados os caçadores e os cavalos (a caça era necessária para obter carne e peles para o inverno e o cavalo para percorrer estas distâncias), daí a fusão de cavalo + cavaleiro em uma única figura, que absorvia o arquétipo de acadêmico e se tornava Quíron, o professor de Herakles (o Sol, filho de Deus com uma humana, Jesus, o Iniciado).

Na última página, uma referência o Arcano do Mundo, do tarot. Moore coloca como símbolos dos quatro elementos o Escaravelho (Terra), os Louros (Fogo), o pássaro/Toth (Água) e o Homem/Hermes (Ar).
Esta representação iconográfica acaba confundindo um pouco os iniciantes, porque aparentemente o pássaro deveria representar o Ar, mas a razão para isso é astronômica. Quando os primeiros zodíacos foram criados na Babilônia, o posicionamento das constelações no céu era diferente do que está ai hoje e a que ocupava o correspondente às emoções era a Constelação de Aquila (daí a imagem da Águia Dourada estar associada à Coragem) e o Ar é a constelação de Aquadeiro (era representado por um homem carregando uma jarra de água, o que causa confusão nos esquisotéricos com o nome Aquário e a correlação com o elemento AR). Constelações e os Signos nunca tiveram nada a ver um com o outro, ao contrário do que a Veja e os leigos astrônomos afirmaram recentemente.

#AlanMoore

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/refer%C3%AAncias-ocultistas-em-promethea

Arcano 3 – Imperatriz – Daleth

Uma mulher coroada, sentada num trono, mantém contra si, com sua mão direita, um escudo ornado com uma águia amarela, enquanto que com a esquerda sustenta um cetro que termina por um globo encimado pela cruz.

Está representada de frente, com os joelhos separados e com os pés ocultos nas dobras da túnica. A cintura da Imperatriz está marcada por um cinto, que se une a uma gola dourada. A coroa leva florões amarelos e permite que os cabelos da figura se derramem sobre os ombros.

O trono está bem visível e seu espaldar sobressai à altura da cabeça da Imperatriz. No ângulo inferior esquerdo da estampa cresce uma planta. A águia desenhada no escudo olha para a direita.

Significados simbólicos
O verbo, o ternário, a plenitude, a natureza, a fecundidade, a geração nos três mundos.
Sabedoria. Discernimento. Idealismo. Influência solar intelectual. É o arcano da Magia Sagrada, instrumento do poder divino.

Interpretações usuais na cartomancia
Gravidez, criatividade, sucesso. Compreensão, inteligência, instrução, encanto, amabilidade. Elegância, distinção, cortesia. Domínio do espírito, abundância, riqueza.

Mental: Penetração na matéria por meio do conhecimento das coisas práticas. Os problemas vêem à tona e podem ser reconhecidos.

Emocional: Capacidade para penetrar na alma dos seres. Pensamento fecundo e criador.

Físico: Esperança, equilíbrio. Soluciona os problemas. Renova e melhora as situações. Poder continuo e irresistível nas ações.

Sentido negativo: Desavenças, discussões em todos os planos. As coisas se embaralham e ficam confusas. Atraso na realização de um acontecimento que, no entanto, ocorrerá.
Afetação, pose, coqueteria. Vaidade, presunção, desdém. Futilidade, luxo, prodigalidade. Deixa-se levar pelas adulações, falta de refinamento, modos de novo-rico.

História e iconografia
A Imperatriz, adornada dos símbolos atribuídos à feminilidade triunfante, pode ser relacionada a um repertório interminável: a Madona cristã, a esposa do rei ou mãe do herói; a deusa primordial de todos os ritos matriarcais, as quatro damas do baralho.

Sobre a figura da Imperatriz parece ser mais importante considerar a sua localização no Tarô (como a terceira da série) e à sua relação com outras figuras do que o seu simbolismo individual, já que o caráter difuso da carta torna sua amplitude inesgotável. Assim, será interessante recapitular tudo que foi escrito sobre o simbolismo do três e a ordem do ternário, bem como às variadas significações atribuídas às damas dos Arcanos Menores.

Na versão de Wirth, a Imperatriz aparece aureolada por doze estrelas, das quais somente nove são visíveis: é evidente o duplo sentido alegórico desta representação, que se refere simultaneamente aos signos do Zodíaco e ao período da gestação.

Como o 9 é também representação da inteligência, no momento da sua maturidade, é possível associar os atributos centrais do Arcano III: feminilidade-experiência-sabedoria.

Relacionada em todas as cosmogonias ao simbolismo lunar e à face oculta do conhecimento (Sacerdotisa), a mulher admite também um período solar (Imperatriz), do qual há correspondências nas organizações culturais mais remotas da humanidade.

Do ponto de vista matriarcal, a Imperatriz não é ainda a Eva protagonista do pecado e da queda, mas a que aparece em certas tradições talmúdicas: a fundadora, que reencontra Adão depois de trezentos anos de separação; a que aniquila Lilit – a rival estéril e luxuriosa – para organizar junto ao primeiro pai a família dos homens.

Alguns comentaristas do Islã vêem nesta Eva triunfante do adultério a representação da passagem das sociedades anárquicas ao princípio de ordem dos tempos históricos. Seu túmulo mítico se localiza em Djeda ou Djidda, às margens do mar Vermelho e próximo da montanha sagrada de Arafat, onde o teria ocorrido seu reencontro com Adão, para formar o casal primordial.

A Imperatriz, finalmente, é símbolo da palavra e representa o envoltório material do corpo, seus órgãos e suas funções. Ouspensky a imagina repousando sobre um trono de luz, bela e fecunda, em meio à interminável primavera.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-3-imperatriz-daleth

Cursos de Kabbalah e Astrologia Hermetica em Novembro

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

07/10 (sábado) – Kabbalah

08/10 (domingo) – Astrologia Hermética

Local: Rua Bartolomeu de Gusmão, 337 (prox. ao metrô Vila Mariana)

Horário: das 10h às 18h

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

Total: 8h de curso.

ASTROLOGIA HERMÉTICA

A Astrologia é uma ciência que visa o Autoconhecimento através da análise do Mapa Astral de cada indivíduo. Conhecido pelos Astrólogos e Alquimistas desde a Antigüidade, é um dos métodos mais importantes do estudo kármico e um conhecimento imprescindível ao estudioso do ocultismo.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– Introdução à Astrologia,

– os 7 planetas da Antigüidade, Ascendente e Nodos

– os 12 Signos,

– as 12 Casas Astrológicas,

– leitura e interpretação básica do próprio Mapa Astral.

Cada aluno recebe seu próprio Mapa Astral (precisa enviar antecipadamente data, hora e local de nascimento) para que possa estudá-lo no decorrer do curso.

Informações e reservas: marcelo@daemon.com.br

Inscreva-se já. São apenas 12 vagas.

#Astrologia #Cursos #Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-kabbalah-e-astrologia-hermetica-neste-final-de-semana-07-08-10

A Importância do Sacrifício de Cristo para a Humanidade

Por Sérvio Túlio

Houve uma época onde somente os seres humanos que tivessem sua reprodução programada por altos-sacerdotes através de complicados rituais, astrologia e genealogia perfeita poderiam ter um completo contato com o Divino. Seus corpos eram perfeitos em comparação com o resto da população. E por isso, eram de modo errôneo chamados de “Raça Superior”. Eles, ao longo da história tiveram muitos nomes. Brâmanes, Faraós, Levitas, e tantos outros que nem sequer são listados.

Em todos os antigos livros sagrados foi dada a ordem por um ser superior que não houvesse cruzamento de “sangue puro com o sangue impuro das raças inferiores”. A proibição do adultério, casamento entre familiares, poligamia, poliandria, e muitas outras formas de dogmatismos impostos à população em geral eram pouco para os “escolhidos”.

Há no veículo humano, partes. Estas partes são chamadas na anatomia oculta de “corpos do homem”. São três corpos, a mente e os três espíritos superiores. Todos são vestes para a ação do Ego nos mundos inferiores ao seu plano natal.

Os tais escolhidos tinham sua reprodução controlada, como foi dito anteriormente afim de que a Sabedoria fosse passada sem perda alguma. E esta sabedoria não era acessível a todos. Dentre estes corpos, dois, o Corpo de Desejos (Corpo Astral) e o Corpo Vital (Corpo Energético ou Matriz Vital) da grande maioria eram muito “rígidos” e pouco preparados para uma experiência extracorpórea tão necessária para trabalhos exteriores nos mundos mais sutis onde estes corpos são necessários. A separação completa do Corpo Vital provoca a morte imediata. Este é necessário atrelado ao Corpo Denso, pois sem ele, nosso corpo é apenas uma massa inerte de carne, pele e ossos. O Corpo vital é dividido em quatro éteres. Dois deles servem para manutenção do Corpo Denso e outros dois para o trabalho exterior. Um deles, a memória. Nas pessoas comuns, da época, os éteres eram todos unidos, impossibilitando a separação de parte do Corpo Vital. Apenas os “escolhidos da raça” que possuíam corpos mais evoluídos, preparados para uma separação e para o trabalho externo.

Por muito tempo eles foram tratados como guias de seu povo e auxiliares. Alguns foram elevados até o nível de Legisladores Divinos. Mas como sempre, o poder corrompe. Estes escolhidos, com o tempo foram tornando-se arrogantes, e tomaram para si o direito de interceder entre o povo e Deus. Com o tempo, foi o povo e estes sacerdotes se tornando separados de sua missão sagrada. O mundo foi se tornando vazio. E antigos valores foram perdidos.

Nesta época de grande depressão, a Divina Providência enviou o Grandioso Espírito Solar chamado Cristo. Mas ele passou por uma evolução diferente da nossa. Em seu mundo, não foi necessário um aprendizado em estágio tão grosseiro da matéria. E por este fato, ele não sabia construir um corpo físico para si. Tampouco um Corpo Vital. Foi necessário que para isso ele entrasse em contado com os mais elevados seres, espiritualmente falando, do planeta na época. Por diversas gerações, através dos tempos, e de todo o planeta, um espírito foi reencarnando sob a direção da Divina Providência. Depois de várias experiências de nível elevado, este realizou o maior e mais honrado sacrifício. Com a alcunha de Yeshua Ben Yossef (Jesus filho de José), este elevado ser, sacrificou os seus outros corpos para unir o seu Ego com o de Cristo, e fornecendo seus corpos, vital e denso como veículos para o Salvador vir à Terra.

Jesus foi iniciado em diversas escolas onde sempre demonstrava humildade. Suas palavras sempre eram “me ensine do início”. Entre estas escolas, a que mais fez parte de sua jornada foi a dos Essênios, da qual fazia parte. Muitas das vezes foi necessário que O Cristo fosse ao encontro destes mestres para poder recuperar seus corpos Denso e Vital. Já que a imensa vibração do Espírito de Cristo fazia estragos neles. Por isso que dizia que o Mestre às vezes se recolhia para descansar.

Jesus Cristo escolheu entre seus discípulos, homens de variados níveis cultural e econômico. Mas mesmo assim, o critério mais importante para aescolha de seus doze apóstolos (equivalente ao número dos signos e casas astrológicas) eram o seu valor espiritual, a enorme força de vontade, o desapego e a vontade de curar. A maior tarefa de Cristo era restituir a morada ao povo de Israel. Israel como símbolo. O coração.

Ele espalhou seus ensinamentos e a beleza de sua bondade por um período de três anos. Neste tempo, supõe-se que Ele fez milagres. (Ora, milagres seria forçar demais. Até porque, se Deus criou o Universo com todas as regras que possui, por que quebraria as próprias regras depois? Bom, se ele fez algo extraordinário, ele o fez segundo a Lei.) Mas o mais importante milagre que Cristo fez, foi o de rasgar o Véu do Templo. De uma vez por todas e para sempre. Pena que até hoje, as pessoas em geral não conseguem entender o valor disto, e perdem-se em suas vidas mundanas e sem valor.

A vinda de Cristo neste planeta foi necessária, pois, com seu sacrifício no Gólgota (o Monte da Caveira) a vibração dos seus corpos, ao seu cordão deprata se romper, foi tamanha, que segundo as escrituras, o povo chegou a ficar cego por alguns instantes. O planeta recebeu um impulso vibratório imenso, já que o Salvador fundiu os seus outros corpos ao do Espírito Planetário da Terra, fazendo assim com que o nível vibratório aumentasse exponencialmente e até os éteres do corpo vital do homem comum em todo o mundo agora tivessem a mesma capacidade dos “escolhidos de raça”.

Porém, o sacrifício de Cristo não acaba aí. Até hoje ele agoniza, e sofre as dores do parto de uma nova humanidade. Até que todos no planeta se conscientizem de que vivemos em uma Fraternidade Universal, evoluamos segundo a doutrina do “conhece-te a ti mesmo” e tenhamos a capacidade de nós mesmos nos elevarmos acima dos infortúnios da roda das encarnações, Ele estará atrelado às lentíssimas e dolorosas vibrações rudimentares do nosso mundo.

Bom, e quanto a Jesus, isso é uma outra história.

#Cristo #Evolução

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-import%C3%A2ncia-do-sacrif%C3%ADcio-de-cristo-para-a-humanidade

Magia Enochiana: Um breve resumo

Visa este trabalho uma breve introdução ao sistema magicko conhecido como Magia Enochiana, direcionado aos iniciantes que desejam conhecer as bases do mesmo antes de lançar-se a um estudo mais profundo do mesmo. Serão apresentados um breve histórico, o alfabeto, técnicas de pronúncia, as Tábulas, uma visão geral das entidades envolvidas e um rápido resumo das técnicas.

Histórico

A Magia Enochiana é um poderoso sistema mágico (não uma Tradição, deve-se notar) que utiliza uma antiga linguagem apresentada ao homem moderno pelo mago John Dee e pelo sensitivo Edward Kelly no século XVI. Utilizando-se de uma coleção de cristais e pedras Kelly comunicou-se com formas de inteligência angélicas, enquanto Dee dirigia os experimentos, cuidava dos procedimentos e anotava os resultados de cada seção. Desta forma a linguagem Enochiana – base deste sistema mágico – foi descoberta (ou talvez, redescoberta). Posteriormente este sistema foi ampliado por Aleister Crowley pela revelação de suas correspondências planetárias e numéricas, o que possibilitou a criação da Gematria Enochiana.

É importante ressaltar que as entidades angéllicas com as quais se lida na Magia Enochiana não correspondem per si nem à concepção popupar de anjos nem à cabalística. Não podemos pensar nos Anjos Enochianos como as figuras contemplativas e sem Vontade que são os anjos cabalísticos. E sob hipótese nenhuma pode-se pensar neles como as criaturas patéticas ditas “anjos” de certos ramos dos movimentos “New Age”. Para todos os meios e fins são consideradas entidades particulares com cuja lida deve ser cuidadosa. Um Anjo Enochiano é uma inteligência antiqüíssima,.estas entidades representam energias poderosas as quais não se devem tratar levianamente.

O Alfabeto Enochiano

Este representa a linguagem angélica que foi transmitida a Dee e Kelly, sendo tão poderosa que teve seus nomes anunciados de trás para diante, de modo a prevenir a conjuração acidental de algumas entidades. Acreditava-se que a simples pronúncia do nome desta entidade seria suficiente para conjurá-la, ou pelo menos algum aspecto seu. Esta linguagem foi denominada “Enochiano” por causa do patriarca bíblioco Enoch, o qual dizia-se ter “caminhado com Deus”. Este também era o nome de um grupo de adeptos que praticavam o ocultismo durante a Idade Média. Segue abaixo uma tabela apresentando este alfabeto:

 

Deve-se perceber que, de conformidade com o trabalho de Crowley conforme já dito, cada letra apresenta sua correspondência planetária, elemental e nos Arcanos Maiores, além de seu valor Gematrico.

Para a utilização deste sistema mágico é imprescindível a correta pronúncia dos nomes e fórmulas. Há uma certa semelhança entre a pronúncia deste idioma e a do Hebraico, sendo quem, por uma facilidade (muitas vezes gráfica) normalmente utilizam-se os caracteres latinos correspondentes. As dez principais regras de pronúncia são:

1. A maioria das consoantes possuem um e ou um eh adicional. Por exemplo, a letra b (B) pronuncia-se beh e a letra k (K) é pronunciada como keh.

2. A maioria das vogais pronuncia-se com um suave h ao final. Exemplos: a (A) é pronunciada ah e e (E) pronuncia-se eh.

3. A palavra enochiana sobha (SOBHA) é pronunciada em três sílabas:

*

 

*

SO (SO)– soh

*

B (B)– beh

*

HA (HA)– hah

Esta é uma regra geral para as palavras.

1. A letra g (G) tanto pode ser pronunciada como um gu (como em “gato” ou “guerra”) ou como um j (como em “gelo” ou “giz”).

2. As letras I e Y possuem o mesmo caractere: i. Desta forma elas podem ser trocadas por terem a mesma pronúncia. O mesmo ocorre com as letras V e U (v). Quando em representação latina, as letras J e W raramente são utilizadas.

3. A letra x (X) pode possuir o som de um s (como em “samekh”) ou de tz (como em “tzaddi”).

4. A letra s (S) tanto pode ser pronunciada como ess quanto como seh.

5. A letra r (R) possui tanto a pronúncia de rah quanto a de reh e de ar.

6. A letra z (Z) é pronunciada como zeh mas pode ser trocada com a letra s (S).

7. A vogal i (I) pronuncía-se í, como no Português.

De uma forma genérica, quando se trata de Enochiano a pronúncia das palavras assume uma forma fluida, passando de sílaba para sílaba sem uma sensação de “quebra”. Há quase que a idéia de uma canção, um ritimo. Raramente uma palavra Enochiana possuirá um som áspero. Quando se tratam de nomes de entidades o ideal é que cada nome flua em um único fôlego.

Algumas palavras possuirão mais de uma pronúncia possível. Isto ocorre por serem proveniente das Tábulas Enochianas, que contém mais de uma letra em cada uma das células. Como uma regra geral, a pronúncia deverá incluir todas as letras. Caso não seja possível fazê-lo, deve-se utilizar a letra de cima.

Alguns nomes não deverão ser apenas pronunciados, mas sim “vibrados” – especialmente durante invocações. Esta “vibração” deve ser efetuada como o som ocupando não apenas a boca do invocador mas todo o seu peito, extendendo-se para os membros e a cabeça. Quando verbalmente “vibrados” os nomes devem também possuir uma projeção mental e espiritual. Para que tal se de, o invocador deve estar em plena concentração.

Procedimentos

Dentro do sistema de magia Enochiano compreende basicamente dois tipo de operações mágickas: a invocação dos espíritos e a viagem astral. Ambos os tipos têm sido utilizados com a mesma eficácia. Deve-se lembrar que este sistema funciona por ser esta a Vontade do magista; ou seja faz-se aqui necessária uma intensa disciplina de forma a que a determinação da Vontade possa ser apartada do capricho.

Estas invocações ou viagens astrais, de uma forma ou de outra, envolvem o deslocamento através dos Planos Cósmicos. O conhecimento destes Planos é um ponto central no estudo de Magia Enochiana, complementar ao da linguagem. Tal como na doutrina cabalística, no sistema Enochiano a divindade expressa-se dos Planos mais altos para os mais baixos, “adensando-se” ao descer. Esta estrutura é apresentada na tabela seguinte, que apresenta as divisões cabalísticas dos Planos e suas correspondentes Enochianas (com os corpos nelas assumidos).

 

 

Um lembrete interessante é que não necessitamos, por quaisquer operações especiais, criar os corpos usados em cada plano, uma vez que já os possuímos todos.

Mais do que as divisões de Planos encontradas nos sistemas mágicos tais como o da Cabalá, que vê estes Planos como esferas concêntricas, o sistema Enochiano divide-as em treze sub-planos ou zonas, denominadas Aethyrs.

O Sistema Enochiano define que em cada um dos planos existe a presença de uma chamada Torre de Vigia. As quatro Torres de Vigia correspondentes aos quatro elementos físicos (terra, água, ar e água) circundam nosso plano, cada uma em um diferente Plano Cósmico. Por sobre estas Torres há uma área chamada de Tableta da União, que ocupa o Plano Espiritual acima do Abismo.

De forma a permitir o estudo das Torres e sua hierarquia, Dee e Kelly criaram um tábulas quadrangulares, representativas de cada uma das Torres e da União. Estas tábulas representam o fio condutor do sistema de magia Enochiana, sendo uma representação do Cosmo, tal como a Árvore da Vida. Todos os nomes de todos os Anjos e suas hierarquias podem ser encontradas nestas tábulas. Os Aethyrs podem ser vistos como quadrados concêntricos circundando as Torres, sendo que cada quadrante possui uma complexa representação interna dos entrelaçamentos dos elementos físicos.

Um estudo completo destas estruturas vai muito além do propósito deste resumo, entretanto deixaremos aqui uma pequena idéia deste todo.

As Tábulas

Deve-se saber que assim como cada uma das tabletas representa um dos elementos físicos, estas quatro podem ser unidas em uma Grande Tábula, através de uma cruz unificadora. Esta cruz, quando rearranjada na forma de um quadrado forma a Tableta de União, representando o Espírito. Devido a esta estrutura interna, forma-se uma hierarquia de entidades relativas a cada elemento. Os graus hierárquicos são: Nomes (ou Nomes Sagrados), Reis (ou Grandes Reis) e Senhores.

Os Nomes Sagrados são obtidos na coluna central, chamada “Linea Spiritus Sancti”. Os nomes dos Grandes Reis são obtidos a partir do centro de cada tableta e formando-se uma espiral. E os nomes dos Senhores são obtidos na linha central e nas duas colunas centrais de cada quadrante, lendo-se de dentro para fora. Por uma questão de precaução estes nomes serão omitidos deste estudo. Há de se saber, entretanto, que não basta o conhecimento dos nomes destas entidades angélicas. Para um efetivo uso da Magia Enochiana é fundamental o conhecimento das características de cada uma destas entidades, obtidas através da Gematria Enochiana e do conhecimento do significado de cada um dos nomes. Tal conhecimento proporciona não apenas a ciênca de qual das entidades deve ser contatada mas quais as imagens mentais deverm ser utilizadas durante a operação mágica.

Através de estudos mais aprofundados das Tábulas, outras hierarquias podem ser encontradas. A estas hierarquias, por uma questão de conveniência foram dados os nomes de: Kerúbicos (Querubins), Arcanjos e Anjos Menores. Foram também encontradas evidências de criaturas às quais denominaram-se Demônios Enochianos.

Rituais de Invocação

Cada grupo de entidades angélicas possui uma forma ritual própria para invocação/banimento, baseadas nos hexagramas elementais. Por exemplo, um ritual de invocação Enochiano para as Entidades Superiores segue a seguinte base:

Preparação

1. Determinação do Rei ou Senhor a ser invocado (tradicionalmente não se invocam Nomes), dependendo do propósito do ritual de Invocação.

2. Determinação, na Tábula correspondente, do elemento e signo planetário relativos à entidade (no caso de Reis, todos os seis signos planetários são utilizados).

3. Memorização da pronúncia de todos os nomes envolvidos (Nome, Rei e, dependendo, Senhor).

4. Verificação do(s) hexagrama(s) a serem utilizados.

5. Posicionamento face à Torre de Vigia adequada (ar = leste, água = oeste, terra = norte, fogo = sul).

Invocação

1. Traçagem no ar dos hexagramas apropriados com a Varinha, começando no vértice correspondente ao planeta daquele Senhor ou no topo se for um Rei fazendo o movimento em sentido horário.

2. Como os hexagramas completos, repetir o Nome e o nome do Rei envolvidos e, conforme o caso, do Senhor. Conçentração nas características daquela entidade

Banimento

1. Trace os mesmo hexagramas do ritual de invocação, mas agora em sentido anti-horário.

Há também formas rituais para invocação de Querubins, Arcanjos e Anjos Menores, que não apresentaremos para não extender por demais este trabalho.

Rituais Astrais – Visão Espiritual

Muitas vezes um magista fica frustrado por não perceber manifestações mais diretas da entidade sendo invocada. Isto deve-se ao fator limitante do Paradigma. Entretanto há uma forma de se eliminar este fator. Para isto deve-se reduzir o âmbito de realidade ao próprio magista. Ou seja, ao invés de se invocar uma entridade não-terrena para nosso plano o magista vai até o plano da entidade. A isto Dee e Kelly chamaram “Visão Espiritual”; ou como dir-se-ia hoje, viagem astral.

Três formas de trabalho podem ser utilizadas, a saber:

1. Visualização: método mais recomendado a iniciantes, lembra a clarividência. Basicamente utiliza simbolismos e meditação para ativar a visão interior, de forma a se obter as visões correspondentes às Tábulas e quadrantes.

2. Viagem astral: utiliza as técnicas de projeção astral para lançar o magista aos Aethyrs.

3. Ascenção: forma mais avançada da técnica anterior, é fortemente recomendada apenas para magistas de grande experiência. Similar à projeção astral mas com uma vivência mais profunda.

Para facilitar o trabalho mágico, Dee e Kelly prepararam também uma série de Chamadas (ou Chaves), a serem utilizadas. São em número de 49, sendo que a primeira (numerada como 0) não possui palavras e é usada com o intento de se limpar a mente para o ritual. A mesma chave é utilizada para todos os Aethyrs, sendo apenas acrescentado o nome do Aethyr que se deseja alcançar. Na Chamada este nome costuma ser deixado em branco para que o magista preenchao-o com o nome adequado às suas necessidades.

Conclusão

O sistema de Magia Enochiana é uma forma poderosa de experiência mágicka. Seu estudo é compensador a todos aqueles que desejam ampliar seus conhecimentos neste campo. Muitas outras correlações podem ser encontradas nos estudos das Tábulas, como aquelas entre Aethyrs e a Árvore da Vida ou as correspondências entre as entidades angélicas e o panteão egípcio.

Não é uma forma de estudo simples mas com certeza é surpreendente a cada descoberta e pode ser uma ferramenta inestimável para o magista.

Fra. Horus Episkopos, O.T.O. – Brasil / Oasis Quetzalcoatl

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/magia-enochiana-um-breve-resumo/