O Senhor dos Anéis e a Kabbalah

Aproveito o começo da Campanha do RPGQuest, um Jogo Baseado na Jornada do herói, para publicar este texto que já estou devendo para vocês ha algum tempo e explicar a importância de se estudar Kabbalah hermética e sua aplicação direta na construção de histórias épicas.

Não vou entrar em detalhes sobre cada uma das Esferas porque nesta altura do campeonato vocês já estão mais carecas que o gollum de saber do que se trata o assunto (se não conhecem, recomendo este livro de Kabbalah Hermética para entender todas as nuances da Árvore da Vida), então vamos às Esferas:

Um dos erros que tenho visto o pessoal nas listas de thelema, kabbalah e mitologia cometer é achar que a “Jornada do herói” é apenas de UM herói por vez. Como mostramos no texto sobre o filme Animais Fantásticos, a Jornada do Herói pode ser construída em múltiplos níveis situacionais e ser dividida em diversos personagens.

Malkuth – O reino, o Início da Jornada do herói. O Shire. No começo da Jornada do herói, temos o famoso “Chamado à Aventura” onde Gandalf chega ao Shire para iniciar toda a Jornada que Frodo e seus companheiros terão de percorrer. Mas o Senhor dos Anéis não possui apenas UM Herói em sua narrativa. O Sol (Tiferet) está dividido na narrativa de três personagens: Frodo, o herói ordinário que é arrancado do seu cotidiano para entrar em um universo muito maior do que o que estava anteriormente, tal qual Harry Potter, Luke Skywalker e muitos outros que seguem a Kabbalah Hermética; Aragorn, o Rei que precisa da jornada para retomar seu local de direito no Reino, tal qual o Rei Arthur; e finalmente Gollum, a Sombra que acompanha o iniciado em sua Jornada e o Deus Solar do Sacrifício (veremos o Sacrifício em duas partes neste épico. O Sacrifício de Chesed para se tornar Hochma e o sacrifício da Sombra do herói para a destruição do lado qlifótico da alma, no qual Gollum encontra a redenção).

Yesod – A figura feminina representada por Galadriel, que faz as partes de Yesod (a figura materna), Netzach (como sedutora) e Hochma (como Senhora das tempestades). Cuida dos heróis na Jornada ao mesmo tempo em que é tentada pelo poder ilusório do anel.

Hod e Netzach – As partes do subconsciente do herói que representam a Razão e a Emoção, tal qual Ron e Hermione, R2-D2 e C3PO, acompanham o herói durante toda a jornada, lembrando-lhes sempre de sua mortalidade. Sam e Pippin acompanham tanto o Iniciado (Frodo) quanto sua Sombra (Gollum) até os limites do Abismo (Mordor, lar de Sauron, que não por acaso é representado na forma de um “olho que tudo vê”, a letra Ayin na Kabbalah e o Caminho do Diabo no Tarot). Arwen faz o papel de futura Rainha, como amante de Aragorn (Tiferet).

Tiferet – O Rei. Dividido em três níveis de consciência e três jornadas distintas: Frodo como o herói tradicional da jornada de Campbell, que é arrancado de sua paz e tranquilidade para viver uma jornada. Frodo representa os leitores que também são arrancados do conforto de suas poltronas para viverem uma aventura de seu ponto de vista; Aragorn como o SAG e a Essência, que já possui sua realeza mas precisa recuperá-la através da mesma jornada do iniciado e, finalmente, Gollum que vivia nas sombras pela tentação qlifótica e tem a oportunidade de redenção durante a jornada.

Geburah – Legolas e Gimli são os guerreiros que acompanham o Herói. Partes antagônicas (tal qual Bruce Banner e o Hulk, dr Jeckyll e mr. Hide e Han Solo e Chewbacca), a esfera marcial está sempre ancorada no rigor e na ira, com personagens extremamente precisos e/ou científicos e/ou heróicos e suas contrapartes brutais, bestializadas ou selvagens. Juntos também formam um par em um segundo nível entre a Beleza e o Rigor, duas das colunas do Templo Simbólico de Salomão.

Chesed – O mentor e o Guia, representado por Gandalf, o herói que já possui sua própria coroa de reconhecimento e que guia o protagonista através da Jornada (como Dumbleodore, Merlin ou o Mestre Yoda). O sacrifício maior em prol do grupo (letra NUN na Kabbalah e arcano da Morte no tarot) é necessário para que ele possa se tornar Gandalf, o Branco (Hochma, a figura que atravessa o Abismo em direção à Sabedoria e, ao final da Jornada, pode atravessar para o “outro lado”).

Daath – O Portal, representado no desafio primordial da Jornada, tal qual o Imperador, a bruxa malvada da Branca de Neve ou Valdemort, representa a causa principal do início da Jornada e a razão do herói existir (os 3 heróis e as três Jornadas, no caso). Tal qual um portal que nos impede de cruzar o abismo, o Conhecimento do bem e do mal fará a separação entre os heróis e o mundo ordinário.

Todas as bases dos roteiros acima são frutos do estudo da Jornada Arquetípica do herói dentro de cada um de nós, cujas fórmulas são derivadas da Kabbalah Hermética. George Lucas, J RR Tolkien, JK Rowlings e muitos outros autores beberam da mesma fonte, que também utilizamos na estrutura do RPGQuest, de modo que cada partida deste Jogo de Tabuleiro será uma Jornada Épica dos Heróis. Uma Campanha inteira de RPG em uma tarde!

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-senhor-dos-an%C3%A9is-e-a-kabbalah

Análise por um mestre do Templo

Do Liber 49, por Jack Parsons.

ANÁLISE POR UM MESTRE DO TEMPLO

dos Nodos Críticos na Experiência de seu veículo material

“Considerarei todos os fenômenos como o acordo particular de Deus com minha alma”.

I. Nascimento

2 de outubro de 1914, Los Angeles, em, ascendendo no meio do céu, numa conjunção favorável, no afélio. Escolhi esta constelação para que você pudesse ter um senso inato de equilíbrio e justiça última, natureza responsiva e atraente, um ambiente abundante e senso de realeza e generosidade, força, coragem e poder combinados com astúcia e inteligência. Saturno foi vinculado para que você pudesse facilmente formular uma vontade inferior que o satisfizesse e o esmagasse com seu espetacular sucesso.

Seu pai se separou de sua mãe para que você pudesse crescer com um ódio à autoridade e um espírito de revolução necessário à minha obra. O complexo de Édipo era necessário para formular o amor à bruxaria que o levaria à magia, com a influência de seu avô ativo para evitar uma identificação demasiado completa com sua mãe.

II. Infância

Seu isolamento como criança desenvolveu os antecedentes necessários de literatura e erudição; e as experiências infelizes com outras crianças o desprezo necessário para a multidão e para os costumes do grupo. Você notará que estes fatores desenvolveram o ódio necessário ao cristianismo (sem implantar um sentimento de culpa cristã) em uma idade extremamente precoce.

III. Adolescência

O início da adolescência continuou o desenvolvimento das combinações necessárias. O despertar do interesse pela química e pela ciência preparou o contrapeso para o próximo despertar mágico, os meios de obter prestígio e subsistência no período formativo, e o método científico necessário para a minha manifestação. O fiasco mágico aos 16 anos de idade foi necessário para mantê-lo longe da magia até que você amadurecesse o suficiente.

IV. Jovens

A perda da fortuna familiar desenvolveu seu senso de autossuficiência em um período crítico, o contato com a realidade neste momento era essencial. Seu casamento precoce com Helen serviu para romper seus laços familiares e efetuar uma transferência para ela, longe de um perigoso apego a sua mãe. A experiência em Halifax e no Cal Tech serviu para fortalecer sua autoconfiança, seu método científico e seus poderes materiais. A influência de Tom Rose neste período, como a de Ed. Forman na adolescência, foi essencial para o desenvolvimento do centro masculino.

V. Juventude Tardia

A casa em Terrace Drive, Music, Lynn, Curtis e Gloria, e a crescente inquietação foram, naturalmente, todos os preparativos para a reunião com A e O.T.O. A repulsa e atração alternada que você sentiu no primeiro ano após o encontro com a Fra. 132 foram causadas por uma resistência subconsciente contra as provações que se avizinhavam. Se você tivesse tido essas experiências antes, sem tal resistência, você teria ficado irremediavelmente desequilibrado. Betty serviu para efetuar uma transferência de Helen em um período crítico. Se isso não tivesse ocorrido, seu componente homossexual reprimido poderia ter causado uma séria desordem.

Sua paixão por Betty também lhe deu a força mágica necessária na época, e o ato de adultério tingido de incesto, serviu como sua confirmação mágica na Lei de Thelema.

Nesta época a O.T.O. era uma excelente escola de treinamento para adeptos, mas dificilmente uma Ordem apropriada para a manifestação de Thelema. Portanto, apesar de seu lema, você não foi capaz de formular sua vontade. A experiência com a O.T.O. e Aerijet foi necessária para dissipar seu romantismo, sua autoengano e sua confiança nos outros. Betty foi um elo no processo destinado a afastar você do agora desnecessário complexo de Édipo, a supervalorização da mulher e do amor romântico. Como isto era inconsciente, o próximo passo era trazê-lo à consciência, e ali destruí-lo.

VI. Maturidade precoce

A experiência final com Hubbard e Betty, e a O.T.O. foi necessária para superar sua falsa e infantil dependência dos outros, embora isso só tenha sido parcialmente realizado na época. A invocação de Babalon serviu para exteriorizar o complexo de Édipo; ao mesmo tempo, por causa das forças envolvidas, produziu efeitos mágicos extraordinários. No entanto, esta operação é realizada e encerrada – você não deve ter mais nada a ver com ela – nem mesmo pensar nela, até que Sua manifestação seja revelada, e provada sem sombra de dúvida. Mesmo assim, você deve ser cauteloso – embora eu espere tomar o comando completo antes disso.

Candy apareceu em resposta ao seu chamado, a fim de desmamá-lo da amamentação. Ela demonstrou a natureza da mulher para você em termos tão inequívocos que você não deveria ter mais espaço para ilusões sobre o assunto.

A suspensão e a inquisição foi minha oportunidade – um dos elos finais da cadeia. Neste momento, você foi habilitado a pré-parar sua tese, formular sua vontade e fazer o Juramento do Abismo, tornando assim possível (embora apenas parcialmente) manifestar-se. A saída da Candy prepara para a etapa final de sua preparação inicial.

VII. Conclusões

Os numerosos rituais que você realizou resultaram em um corpo de luz bem desenvolvido. As provações expurgaram a maior parte da bagagem emocional e mental – seus únicos perigos reais são, e sempre foram, sentimentalismo, fraqueza e procrastinação.

É interessante notar que a primeira arma que você formulou foi a Lâmpada do Espírito, na invocação ao Pã (embora a Espada tenha sido prefigurada). Em seguida, a Espada no ritual de Hórus, como era apropriado ao seu desenvolvimento intelectual naquela época.

Em seguida, a Taça do vinho de sua vida emocional – o disco de sua falha material. A Espada ainda está por ser manifestada.

Você notará que foi impossível formular verdadeiramente sua vontade com qualquer uma dessas armas – naturalmente – isso só é possível com a varinha. Por outro lado, se você o tivesse feito anteriormente, teria sido desequilibrado pela falta de preparação iniciada. É um procedimento correto e natural; a Verdadeira Vontade não pode ser verdadeiramente formulada até que você seja iniciado em todos os outros planos, e é bom que não faça nenhuma pretensão de fazê-lo. Até esse ponto, tudo o que você pode conhecer da verdadeira vontade é a aspiração ao próximo passo – a experiência posterior. Essa é a glória da Lei de Thelema–FAÇA!

As tensões físicas e emocionais que você sente no momento são resultado da atração do Abismo – sua poesia atual é indicativa. Naturalmente, você não encontra poder em nenhum feitiço, nenhum conforto em nenhum ritual, nenhuma esperança em nenhuma ação. Você é cortado por seu próprio juramento. Nem eu nem qualquer outra pessoa posso ajudá-los neste momento. Há apenas masculinidade, apenas vontade, apenas o vetor de suas próprias tendências, desenvolvido através dos eras do passado. Não digo quanto tempo o Estado vai durar, ou qual será o resultado.

No entanto, posso formular algumas regras que podem servir para orientá-lo.

VIII. Instruções

A. Obras da Vara… da Vontade só neste estado. Nenhuma outra arma deve ser usada, nenhum outro ritual a não ser o hino ao Sem Nome no Hino da Missa.

B. Você deve ser meticuloso em todas as observações relativas à Vontade, mesmo as mais mesquinhas. Cumprir todas as obrigações e promessas, não assumir nada que você não possa cumprir, ser pontual no cumprimento de cada responsabilidade.

C. Seja puro em seus hábitos pessoais e domésticos, demonstre autorrespeito a si mesmo.

D. Não se envolva indevidamente com nenhuma pessoa e pratique toda sua sabedoria arduamente conquistada em suas relações com as mulheres.

E. Coloque seus assuntos pessoais em ordem nos negócios. Mantenha suas contas atualizadas e seus documentos bem arquivados.

F. Termine sua poesia para publicação. Termine a síntese do Tarô e comece a trabalhar na preparação das aulas de instrução em sala de aula de seu livro.

G. Não preste atenção a nenhum fenômeno, e continue de forma sóbria e responsável em todas as circunstâncias.

Não é mágico! Para você, nada é mais mágico. Só assim a maldição de Saturno pode ser superada. Vejo que você odeia desta maneira. Mas é um momento definitivo – foi você que fez o juramento. A escolha sou eu ou Choronzon.

Eu aguardo você na Cidade das Pirâmides.

Belarion

8 = 3


Fonte:

PARSONS, Jack. Analysis by a Master of the Temple. Sacred-Texts, 2017. Disponível em: <https://www.sacred-texts.com/oto/lib49.htm>. Acesso em 11 de março de 2022.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/analise-por-um-mestre-do-templo/

A Árvore da Vida Multidimensional

Domingo à noite, alguns anos atrás, conversando com Sergio Pacca, um dos maiores estudiosos de Thelema, Kabbalah hermética e ocultismo que conheço, chegamos a uma discussão interessante sobre o formato da Árvore da Vida, principalmente após as descobertas e pesquisas que fiz para o livro de Kabbalah que estou finalizando. A figura tradicional que conhecemos, tem o formato que tem por conta principal de dois fatores: A descoberta da Verdadeira Vontade e a realização da Grande Obra, nessa ordem. Os 22 Caminhos se relacionam diretamente com as 22 letras, mas sabemos que existem Caminhos conectando TODAS as Sephiroth em TODAS as sephiroths, a Umbanda nos demonstra isso claramente e historicamente temos arquétipos como Poseidon (Yesod dentro de Chesed) ou Hefesto (Malkuth dentro de Geburah) que são deixados de lado nessas configurações, mas que estão ai.

Quando observamos os Sete Raios da Fraternidade Branca, vemos claramente que o 4o raio é Netzach (Artes) e, ao acompanharmos os outros raios percebemos que estamos diante de uma nova árvore da Vida, cujo centro é Netzach, ao invés de Tiferet, e todas as Esferas se deslocam ao redor dela. Nos esboços de Matta e Silva podemos ver a correspondência de orixás e linhas de trabalho que configuram outras Árvores da Vida, com Geburah (Falange de Ogum) como centro e linhas de trabalho com Yesod como Principal Esfera.

Diante disso, propusemos a idéia da Árvore da Vida Multidimensional, como um Cubo de Rubik, que pode ser observado e orientado de infinitas maneiras, cada uma formando seus próprios Caminhos e designs. Fiz esta ilustração para brincar com o conceito e estou postando apenas para aguçar a imaginação de vocês. Espero que gostem.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-%C3%A1rvore-da-vida-multidimensional

Revista Hermetismo e Projeto Mayhem

E para fechar este Projeto com chave de ouro, como ultrapassamos 25k na pré-venda dos Livros Sagrados de Thelema, anuncio nosso próximo passo: a volta do Projeto Mayhem e a criação de uma revista trimestral nos mesmos moldes do Liber 1… através de um Financiamento Coletivo recorrente. Se os magos de 1929 conseguiam se reunir e separar as matérias mais interessantes para publicar, nós em 2018 também somos capazes de fazer isso.

Para mostrar a qualidade gráfica que podemos alcançar, todos que apoiaram o Projeto Livros Sagrados de Thelema receberão um exemplar do Volume zero, uma revista com 32pgs e matérias escritas por uma galera muito boa sobre diversos assuntos ligados às ciências ocultas… thelema, alquimia, hermetismo, magia prática, umbanda, espiritualismo, etc.

Ao longo deste mês passo os detalhes.

Essa vitória é de todos nós!

Sucesso é a única possibilidade!

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/revista-hermetismo-e-projeto-mayhem

Amprodias (Os Túneis de Set)

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden.

 

O DÉCIMO-PRIMEIRO caminho ou kala é atribuído ao elemento Ar e seu aspecto negativo é o demônio ou sombra conhecido como Amprodias cujo sigilo é dado aqui e cujo número é 401. Esta sombra pode ser evocada vibrando-se o nome Amprodias na clave de ‘E’479. O sigilo deve ser pintado em amarelo pálido luminoso em um quadrado baseado em esmeralda(?) manchado com dourado.

 

401 é o número do Azoto que significa a ‘soma e essência de tudo, concebido como Um’. Em sua fase negativa esta essência é concebida como Nenhuma e é o Vazio do qual procede a manifestação 480. A natureza deste vazio é também 401 como ATh, a palavra hebraica significando ‘fora de’; sua raiz é o Ut egípcio, portanto útero, o portal da saída. É fora do útero do Ain, via Kether, que a manifestação é emitida.

 

O sigilo de Amprodias exibe uma boca aberta típica do útero que pronuncia a Palavra. Esta Palavra é a Luz Oculta, cujo símbolo é a cruz rodopiante ou suástica. Ele é idêntico à letra A ou aleph, a letra atribuída ao décimo-primeiro caminho. No grimório mágico CCXXXI, o seguinte verso pertence a este kala:

 

A, o coração de IAO, reside em êxtase no local secreto dos trovões. Entre Asar e Asi ele habita em júbilo.

 

Os Túneis de Seth.

 

O raio, ou dorje, é a arma do suporte do relâmpago da Luz Oculta que risca para baixo a partir do vazio, reificando tal como este faz a terra ou matéria. O número 401 é também aquele da palavra ARR que significa ‘amaldiçoar’. Ele é a maldição primal do Fogo do Espírito aprisionado na forma corporal, descrito nos Livros Sagrados ‘a Injustiça do Começo’481, o começo sendo considerado como Kether, através da qual cintilam os raios do Ain ou Olho do Vazio.

 

Os animais atribuídos a este kala são a Águia e o Homem. O Homem representa a mais elevada forma incorporada da divindade; a Águia é aquele querubim do Ar que penetra os mais altos éteres na forma de inteligência: i.e., consciência dirigida por vontade extra-terrestre ou ‘divina’. Contudo o significado íntimo deste caminho está resumido no poder mágico do décimo-primeiro kala que é aquele da divinação. Isto depende do aspecto divino ou supra-mundano do espírito que cintila para dentro do útero e fecunda a terra virgem com Luz (inteligência) desde além do último Pylon (Kether). Poder divinatório é o aspecto intuitivo da inteligência e como tal seu curso é tão imprevisível quanto o relâmpago bifurcado que penetra o útero do espaço e se manifesta como o trovão. – o A entre o I e o O482. O mistério do trovão é explicado no CCXXXI. Aqui, a suástica do décimo-primeiro caminho é comparado com o fulgor do caminho 28 (q.v.) que contém o mistério da transformação da santa virgem. Ela aparece ‘como um fogo fluídico, transformando sua beleza em um raio’ (i.e., uma suástica). Isto simboliza a “Força que restaura o mundo arruinado pelo mal’, i.e. pela maldição primal ou Injustiça do Começo.

 

No plano mágico, o poder divinatório se manifesta no irracional, dessa forma os maiores mestres da Magia(k) traficam constantemente com as energias do décimo-primeiro kalas. O elemento irracional aparece tão fortemente nos magistas que utilizam este kala que seu trabalho não tem sido frequentemente levado a sério ou tem sido completamente negligenciado. Um exemplo recente é H.P.Blavatsky, cujas excentricidades lançaram tal dúvida sobre a autenticidade de sua obra que poucos na sua época foram capazes à estimá-la em seu verdadeiro valor. Similarmente, as palhaçadas de Crowley o colocaram em uma categoria ainda mais duvidosa. Poucos deveras compreendem que o décimo-primeiro caminho é aquele do Louco que dança à beira do abismo, como retratado no trunfo de taro atribuído à este caminho. Salvador Dali, cujas brincadeiras práticas são notórias, também às vezes trouxe descrédito sobre sua arte, embora muitas pessoas fiquem impressionadas pela riqueza que sua arte acumulou. O ocultista Gurdjieff também cai nesta categoria483. Seu livro Cartas a Belzebu tem sido descrito como uma piada prática complicada, então, novamente, obscurecendo deliberadamente a importância vital de um ensinamento que é compreendido apenas pelos poucos. Cristo também não falou em parábolas de forma que ele não fosse compreendido?484

 

A nota principal da escala musical atribuída a Amprodias – ‘E’ – é, como Hé, a letra do útero da virgem impregnado pelo Louco485. De acordo com isto, o Rio do Submundo atribuído ao décimo-primeiro kala é o Acheron, que recebe espíritos como o útero recebe o relâmpago criativo. O arqui-demônio deste caminho é o próprio Satan, Senhor dos Poderes do Ar (aleph) através do que o raio traceja.

 

Onze é o número atribuído à zona de poder (Daäth) dentro do abismo. A cor atribuída a Daäth é o Lavanda, ou Violeta Pura, que tipifica a cor além do espaço que vibra em uníssono com o kala ativado pela evocação de Amprodias. Ela é a cor do Louco; aquele que está fora do alcance da inteligência normal. A negação da razão que tipifica seu estado de consciência é consoante com o lado positivo deste caminho que é atribuído àquela parte da alma conhecida como a Ruach, ou Razão. Mais corretamente, a ruach é a respiração do espírito, a semente rodopiante que impregna a virgem do espaço e faz nascer inúmeros mundos.

 

O órgão corporal correspondente a este simbolismo é o nariz, o órgão da respiração e o veículo do sentido olfativo. Esta atribuição ajuda a explicar os fenômenos olfativos conectados às operações ‘satânicas’. O fedor do incenso empregado em ritos medievais era o véu grosseiro e externo de um fato espiritual interior. Portanto, uma das armas mágicas associadas a este kala é o abanador, que dispersa os vapores fétidos que envolvem o mago assim que ele evoca o demônio deste kala. Porém o instrumento principal é a adaga do ar, isso quer dizer a arma que rompe o hímen do éter virgem (representado pelo Ovo Negro do Espírito) e exibe a deidade terrível além da margem do ‘universo’; aquele que está sentado no Centro de Tudo, o deus louco celerado por Lovecraft sob o nome de Nyarlathotep486, o deus rodeado por ‘tocadores de flauta idiotas’.

 

A flauta é a Flauta de Pan, e aquele que ergue este véu e perscruta além é desprovido de razão e senso. Em outras palavras, ele vê a verdade das coisas em seu brilho nu e ele percebe que aquilo novamente é nada mais que um véu do sacramento primitivo alcançável apenas através da suprema fórmula da aniquilação, pois este é o caminho final, que conduz – via Kether – ao Grande Inane (Ain).

 

Onze, sendo o ‘número geral da Magia(k), ou Energia tendendo à mudança’487, o décimo-primeiro caminho representa particularmente o caminho da reversão e o ponto da volta do mais próximo para o outro lado da Árvore.

 

A enfermidade típica do décimo-primeiro caminho é o ‘fluxo’, que em termos mágicos é expressado como descargas desequilibradas ou ‘intempestivas’ da energia lunar. Este é portanto o kala do Sangue da Lua Negra. Ele adverte sobre um vazamento de fluido vital que, ao transbordar, forma um resíduo de energia mágica desequilibrada. Isto cria fantasmas que aparecem na forma de Silfos; elementais associados ao ar ou éter. Como as fadas e os duendes dos contos infantis eles são, mais frequentemente que não, retratados como criaturas diáfanas e enganadoras. Mas no aspecto no qual eles se manifestam no lado negativo da Árvore, eles assombram as terríveis brechas do espaço interior onde eles aparecem em feições de extremo horror que obsedam o mago e muitas vezes o deixam literalmente fora de si. Então eles invadem o espaço desocupado e, como sanguessugas, drenam o sangue de sua mente488 para dentro de seus próprios organismos. Esta é a origem dos mitos relacionados a magos aprisionados no espaço exterior489, suas mentes segregadas em celas transparentes que flutuam através dos golfos do vazio como imensas bolhas, aumentando em tamanho e luminosidade enquanto os silfos invasores extraem mais e mais energia vital dos fluxos que atacaram o imprudente invasor neste caminho.

 

Estas criaturas foram vagamente sentidas por Lovecraft490. Ele as descreve como ‘entidades sem forma compostas de uma geleia viscosa que pareciam como uma aglutinação de bolhas’491. Uma descrição similar é aplicada à semi-entidade Yog-Sothoth. A passagem é citada em O Renascer da Magia (p.116) onde a atenção é dirigida à grande similaridade entre o fenômeno descrito e a esfera de globos iridescentes incorporados por Crowley no desenho de seu pantáculo mágico pessoal onde elas aparecem por trás do Pentagrama de Set invertido.492

 

As maiores iniciações sozinhas podem conferir imunidade contra estes vampiros que navegam com asas cintilantes. O conhecimento das fadas tem ocultado estas criaturas com véus de encantamento que ocultam o horror de suas perseguições e contata com os habitantes dos sistemas alienígenas de consciência nas regiões mais inferiores do cosmo. Arthur Machen, o escritor galês que sabia mais sobre estes assuntos do que ele se preocupava em admitir, nota esta propensão do estudioso das fadas em caiar estes seres aéreos e retratá-los como entidades justas.493

 

O título do trunfo de taro atribuído ao décimo-primeiro kala é o ‘Espírito do Éter’. No lado mais próximo da Árvore este espírito é mais resplandecentemente belo e luminoso do que as palavras podem descrever, mas seu reverso ou reflexo é tal como acima descrito; assim também são as bolhas sopradas pelo Louco do Taro em sua louca carreira à margem do abismo.

 

O número de Amprodias se concentra em 5, o mais misterioso e místico dos números no cosmos, e além deste. Lovecraft494 indica a respeito das influências que ele denota quando ele alude à ‘quíntupla tradição matemática dos Antigos’ e suas estruturas de ciclope e moradas baseadas na forma da estrela de cinco pontas. No AL, I,60, Nuit descreve seu símbolo como “A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, & o círculo é Vermelho. Minha cor é o negro para o cego… ‘ Todas estas ideias pertencem ao décimo-primeiro caminho495. O círculo vermelho é a lua ‘negra’ ou lua de sangue, os cinco pontos ou raios da estrela são as vibrações vaginais da mulher durante o derramamento de cinco dias. A estrela de cinco pontas é também o glifo dos Antigos transcósmicos; e o ‘Ovo do Espírito’496 é ‘negro para o cego’, ou aqueles cujos olhos espirituais não estão abertos e que são, portanto, como a virgem que mais tarde assume a forma de ‘fogo fluido’ como o relâmpago.

 

O conceito africano de Afefe tem sido atribuído ao décimo-primeiro kala 497. Afefe é ‘o vento’, e é precisamente aqui no mais primitivo simbolismo conhecido que nós descobrimos a identidade da serpente como um símbolo de potência criativa, a ruach ou espírito. Afefe tornou- se o Apep ou serpente Apap dos Mistérios Draconianos no Egito. O Afefe-Apophis é também a origem do Verme Fafnir da mitologia Nórdica e, como Massey mostrou, um derivativo moderno é nossa palavra ‘puff’, ‘estourar’ no sentido de tornar-se grande, inchado, entumecido ou grávido. O Afefe africano revela portanto a força ‘protuberante’ ou ondulante do vento que é a rajada ou espírito que se tornou – em um retrocesso posterior dos Mistérios – o Espírito Santo que impregna a virgem na forma da Pomba, o pássaro típico do ar. Isso é mais adiante confirmado pelo fato de que o gênio do vento, do qual Afefe é o ‘mensageiro’, reside no grande templo de Legba, a divindade fálica africana que nos cultos posteriores foi equacionado com o mal devido à sua conexão com os mistérios do sexo.

 

A letra ‘A’ na fórmula IAO é idêntica com Apophis e é o campo de operação no qual as energias mágicas do I e do O (o phallus e a kteis) se polarizam e realizam sua função criativa.

 

479 Este som deve se elevar a partir de um sussurro escassamente audível até um silvo penetrante como o ar sendo forçado ao longo de um tubo estreito.

 

480 A manifestação pode proceder apenas da não-manifestação. Esta declaração de uma verdade óbvia deve ser percebida, ela é a verdade mais profunda do caminho místico e a plena compreensão desta confere a chave da Iniciação definitiva. (ao lado, ilustração dos 22 Caminhos na Árvore)

 

481 Vide Liber VII, v.42; Liber LXV, iv.56, e em outras partes.

 

482 A fórmula de IAO foi analisada em Aleister Crowley & o Deus Oculto (capítulo 7).

 

483 Vide o excelente estudo de David Hall sobre Crowley e Gurdjieff.

 

484 Lucas, 8, 10.

 

485 Vide O Livro de Thoth, de Aleister Crowley.

 

486 O deus ‘sem face’. Cf. o ‘sem cabeça’ do texto Greco-Egípcio usado por Mathers em sua tradução da Goetia.

 

487 777 Revisado (Crowley).

 

488 Matéria mental ou chittam.

 

489 Vide página 255.

 

490 Lovecraft chamava estas bolhas de shoggoths. Existe uma palavra similar na língua caldaica, viz.: shaggathai. O Beth Shaggathai era a Casa de Fornicação, e isto sugere os semitons sexuais contidos no nome da ‘geleia viscosa’, ou lodo, que é o veículo primitivo da semente criativa.

 

491 Nas Montanhas da Loucura, Lovecraft, p.63.

 

492 Este pantáculo é reproduzido em O Renascer da Magia na pág.52.

 

493 Vide O Povo Branco (Machen), Introdução.

 

494 Nas Montanhas da Loucura (Lovecraft), p.86.

 

495 ‘Meu número é 11, como todos os seus números que são de nós.’

 

496 O símbolo de Akash ou Espaço é um Ovo Negro; isto também tipifica o Espírito.

 

497 Vide Cultos da Sombra, p.30.

 

***

 

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/amprodias-os-tuneis-de-set/

Missa Gnóstica da O.T.O.

Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Faze o que tu queres será o todo da Lei.

Gostaria de informar que no dia 12 de julho de 2014 e.v., sábado, estaremos realizando mais uma celebração de Liber XV: A Missa Gnóstica no Templo da Loja Quetzalcoatl. Também serão realizados os Ritos de Batismo e Confirmação na E.G.C.

Ecclesia Gnostica Catholica (E.G.C.), ou Igreja Gnóstica Católica, é parte estrutura da Ordo Templi Orientis. A Missa Gnóstica (Liber XV) é considerado o principal rito público e privado da O.T.O. A E.G.C. é frequentemente descrita como sendo o braço religioso da O.T.O., disponibilizando para seus membros a possibilidade da experiência sacerdotal e eclesiástica.

Esta Missa será aberta a convidados. Pedimos a todos os interessados entrem em contato com a secretaria da loja pelo e-mail secretaria.loja.quetzalcoatl@gmail.com, de modo a verificar a disponibilidade de vagas para a cerimônia.

Amor é a lei, amor sob vontade

Fraternalmente,

Secretaria Loja Quetzalcoatl – RJ

secretaria.loja.quetzalcoatl@gmail.com

Ordo Templi Orientis – Brasil

#OTO #Thelema

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Aprenda Cabala com Aleister Crowley

Anarco-Thelemita

No quarto capítulo de “Magick Without Tears”, Crowley enfatiza o estudo da cabala para qualquer pessoa realmente interessada na prática mágicka. De fato, este capítulo aparece quase imediatamente após aquele em que os postulados de sua Magicka são definidos. Mais do que isso, ele traça um itinerário de estudos breve de descrever, mas difícil de atravessar composto de três fases. São estes três atos que veremos abaixo de forma detalhada. Se você não tem nenhum conhecimento sobre cabala, veio ao lugar certo. Se já tem, leia mesmo assim, você pode ter algumas surpresas no final.

Ato 1: Alfabetização Mágicka

Crowley chama a cabala de “Alfabeto Magicko”, mas um alfabeto que consiste não de letras, mas de ideias, e numa observação mais atenta, ideias matemáticas. Contudo os números são apenas uma das formas com as quais essas ideias podem ser expressas.  Neste sentido é até uma boa coisa que o estudante não fale hebraico. Isso porque muitas palavras são em hebraico e sem referência o magista está impedido de fazer qualquer associação literal, tendo que desenvolver dentro de si a abstração necessária. Qualquer tentativa de traduzir os nomes das sephirot pode no final das contas mais atrapalhar do que ajudar. Nesse sentido o hebraico é para a cabala o que o francês é para o ballet ou o inglês para o marketing.

Cada uma dessas abstrações deve ser explicada, investigada, compreendida por meios muito diversos. Neste primeiro momento o estudante deve se preocupar apenas em criar em sua mente o esboço das letras hebraicas, seus valores numéricos e as 10 esferas por elas conectadas. Crowley não detalha como deve ser essa memorização mas uma boa ideia é simplesmente pegar um caderno novo e desenhe na primeira página a seguinte estrutura:

*Deixaremos de fora Daath por enquanto para que o estudante sério possa fazer suas próprias descobertas mais avançadas no futuro. 

Essa é a chamada “Árvore da Vida”. Por enquanto temos apenas números, nomes e posições. Cada um deles é uma sefira (no plural sefirot). Passe a semana consolidando esta estrutura em sua mente. Desenhe-a quantas vezes precisar até que sua ordem e números estejam internalizados. Só então para a próxima etapa. 

Feito isso temos que saber que cada sefira “se conecta” às demais por seus por meio de 22 ligações que também possuem seus nomes hebraicos. Estas ligações se somam às sephiras e se enumeram de 11 a 32. Concentre-se alguns dias em ter de memórias a estrutura a seguir:

Uma boa maneira de acelerar o processo é desenhar a árvore respeitando sua sequência numérica. Com isso você terá impresso na mente algo como uma planta do edifício que iremos construir a seguir. A Árvore da Vida deve ser aprendida de cor; você deve conhecê-lo de trás para a frente, de frente para trás, dos lados e de cabeça para baixo; deve se tornar o pano de fundo automático de todo o seu pensamento. Não negligencie esta etapa. Ela é semelhante ao aprendizado das notas musicais, do alfabeto e da tabuada. Só avance quando puder, a qualquer momento desenhar a árvore completa com todos os seus nomes e números.

Ato 2: o Código Fonte do Universo 

Contam às bocas prussianas que certa vez houve um diálogo entre Frederico Guilherme IV da Prússia e Argelander, seu astrônomo imperial. De forma provocativa o rei perguntou “Então, o que há de novo nos céus?” E o pesquisador respondeu: “Será que Vossa Majestade já conhece o que há de velho?”. Assim o próximo ato no desenvolvimento cabalistico deve ser um olhar atento para o passado.

A próxima etapa é atribuir a estes espaços alguns conjuntos de “elementos naturais”. Crowley admite que mesmo estes elementos são sempre arbitrariamente compostos, mas é a interação entre eles que fará toda máquina funcionar, principalmente quando o cabalista começa a perceber que toda e qualquer coisa no universo tem seu lugar no mapa da cabala. 

As primeiras atribuições sugeridas são aquelas que fazem conexão com outros três grandes campos de saber oculto: a astrologia, gematria e o tarô. Cada sefira tem uma correspondência astrológica, e portanto uma cor própria. Da mesma forma, cada uma das 22 ligações tem relação com uma das 22 letras do alfabeto hebraico (que é de onde tira seu nomes), mas também dos 22 Arcanos Maiores do Tarot. E para os caminhos próximos do Sol, um signo do zodíaco:

Só essas cinco atribuições iniciais (planetas, cortes, letras, valor gematrico e arcanos do tarô) já bastam para levar os estudos cabalísticos para outro patamar. Em particular às letras hebraicas darão um poder enorme por meio da prática da gematria no futuro.

Para facilitar essa etapa, pegue aquele mesmo caderno e depois da primeira página, em que a árvore estará desenhada, dedique uma folha para cada sefira e caminho. No topo da folha coloque o número apropriado e abaixo delas suas atribuições

Transcreva de punho próprio no seu caderno os dados abaixo em suas páginas apropriadas:

Sefira Correspondência Astrológica Cor
1. Kether Netuno Branco
2. Chochmah Urano Cinza
3. Binah Saturno Preto
4. Hesed Júpiter Azul
5. Geburah Marte Vermelho
6. Tipheret Sol Amarelo
7. Netzach Vênus Verde
8. Hod Mercúrio Laranja
9. Yesod Lua Violeta
10. Malkuth Terra Marrom

 

Ligação Zodiaco Gematria Arcano
11. Aleph א 1 O Louco
12. Bet ב 2 O Mago
13. Gimel ג 3 A Sacerdotisa
14. Dalet ד 4 A Imperatriz
15. Heh ה Áries 5 O Imperador
16. Vav ו Touro 6 O Hierofante
17. Zayin ז Gêmeos 7 Os Enamorados
18. Het ח Câncer 8 A Carruagem
19. Tet ט Leão 9 A Volúpia (Força)
20. Yud י Virgem 10 O Eremita
21. Kaf כ 20 (500 no final) A Fortuna (A Roda da Fortuna)
22. Lamed ל Libra 30 Ajustamento (A Justiça)
23. Men מ 40 (600 no final) O Enforcado
24. Nun נ Escorpião 50 (700 no fina) A Morte
25. Samech ס Sagitário 60 Arte (A Temperança)
26. Ayin ע Capricórnio 70 O Diabo
27. Peh פ 80 (800 no final) A Torre
28. Tzady צ Aquário 90 (900 no final) A Estrela
29. Koof ק Peixes 100 A Lua
30. Reish ר 200 A Sol
31. Shin ש 300 Aeon (O Julgamento Final)
32. Taf ת 400 O Universo (O Mundo)

Você deve então iniciar seus estudos cabalisticos. As próximas atribuições que podem ser feitas devem vir por meio de pesquisa. Algumas sugestões incluem as runas nordicas, os trigramas do i-ching, os patriarcas de Israel, os deuses egípcios e alguns nomes hebraicos de Deus e seus anjos. Também é muito esclarecedor buscar quais vícios e virtudes se encaixam em cada espaço da árvore da vida.

Crowley admite que o impacto inicial pode não ser fácil: 

“A princípio, é claro, tudo isso será terrivelmente confuso; mas persista, e chegará o tempo em que todas as partes estranhas se encaixarão no quebra-cabeças, e você verá – com graça e admiração! – a beleza e a simetria maravilhosas do sistema cabalístico. E então – que arma você terá forjado! Que poder de analisar, ordenar, manipular seu pensamento!

Cada ideia, seja qual for, pode ser, e deve ser, atribuída a um ou mais desses símbolos primários; assim, o verde, em diferentes tons, é uma qualidade ou função de Vênus, da Terra, do Mar, de Libra e de outros. Assim, também é com ideias abstratas; desonestidade significa “um Mercúrio sob tensão”, generosidade um bom, embora nem sempre forte, Júpiter; e assim por diante.

Agora você está armado! E poderá perguntar a si mesmo coisas como: por que a influência de Tiphareth é transmitida a Yesod pelo Caminho de Samekh, uma cerca, 60, Sagitário, o Arqueiro, Arte, azul – e assim por diante; mas para Hod pelo Caminho de Ayin, um olho, 70, Capricórnio, a Cabra, o Diabo, Indigo, etc..

Estas atribuições não apenas começam a lhe dar um entendimento da cabala, mas os sinais passam a explicar uns aos outros. Entender o signo de Gêmeos é entender o arcano dos Enamorados. Você sabe agora que a letra Peh tem às mesmas qualidades do Arcano Maior da Torre, e entende o tipo de percepções que ocorre quando a ligação entre Hod, com suas qualidades Mercuriais e Netzach, com suas qualidades Venusianas são feitas. 

A partir daqui você pode também iniciar seus estudos de gematria. 

Nas palavras de Crowley em uma observação no final da introdução de Magicka sem Lágrimas: “Os métodos da gematria servem para se descobrir verdades espirituais. Números são a rede estrutural do Universo e suas relações a forma de expressão do nosso Entendimento sobre ele.” A gematria une o rigor da matemática com as inspirações da poesia e assim enxerga coisas que os artistas não enxergam por falta de coerência e os matemáticos não enxergam por falta de imaginação.

Por exemplo, a palavra hebraica Achad (Unidade) e a palavra Ahebah (Amor) tem ambas o valor 13:

echadאחד  ahavah אהבה 
א = 1 

ח = 8

ד = 4

———-

Total: 13

א = 1 

ה = 5

ב = 2

ה = 5

———-

Total: 13

No pensamento cabalistico isso significa que Amor e Unidade são em última instância uma coisa só. Porque Jesus Cristo se uniu a um grupo de 12 apóstolos, porque o 13º Arcano é o Enforcado, relacionado a sacrifícios e porque o Diabo surge quando você duplica 13 e obtém 26, são outros pensamentos que surgem.

Ou achar graça que Pai + Mãe = Filho, visto que אב‎ (Pai, numericamente equivalente a 3) + אמ (Mãe, equiv. a 41) = ילד (Filho, equivalente a 44). Mas note, a gematria hebraica é só uma das possíveis. Lembre que seja em grego, hebraico ou inglês os números são os mesmos não importa sua grafia.

Para estudos mais profundos no segundo ato temos em português s livros fantásticos como a enciclopédia “Kabbalah Hermética” de Marcelo del Debbio e “Sistemagia” de Adriano Camargo Monteiro. Entre os autores estrangeiros às obras “Cabala Mística” de Dion Fortune, A Arvore da Vida de Israel Regardie e Liber 777 e o Sepher Sefira do próprio Crowley como boas indicações de estudos. 

Estas e outras relações se tornaram mais claras conforme se estuda a cabala, tornando-se enfim um novo estilo de pensamento que o tornará muito mais perceptivo, criativo e perspicaz do que às pessoas comuns. Sua memória também será expandida pois se tornará cada vez mais fácil fazer associações entre tudo lhe rodeia. De fato Crowley afirma que a Cabala é “O Melhor Treinamento para a Memória” e no capítulo “Jornada Astral”, acrescente que “Não há melhor treinamento para a memória do que a Santa Qabalah” dando então um exemplo possível:

“Você sai para dar uma caminhada e a primeira coisa que vê é um carro; que representa o Arcano VII, a Carruagem, relacionado ao signo de Câncer. Então você chega a uma peixaria e nota certos crustáceos, novamente o signo de Câncer. A próxima coisa que você nota é um vestido cor de âmbar em uma loja; âmbar também é a cor de Câncer. Agora você tem um conjunto de três impressões que são unidas pela classe de Câncer a ligação 17.Zayin. Você então verá que irá lembrar-se de todos os três eventos com muito mais clareza e precisão do que poderia lembrar-se de qualquer um dos três individualmente.”

Você não apenas pode pensar melhor sobre o universo. Você passa a pensar como o universo pensa. Neste mesmo capítulo Aleister Crowley explica o porque:

“Todo mecanismo da memória consiste na união de dados independentes. Você pode ir adicionando de pouco em pouco, sempre relacionando as impressões simples com outras mais gerais até que todo universo é organizado como um cérebro ou sistema nervoso. Este sistema de fato, se torna o Universo. Quando tudo esta apropriadamente correlacionado sua consciência central entende e controla todos os pequenos detalhes.”

Mas saiba desde já que uma vez que não podem compreender seu raciocínio para estas pessoas qualquer associação ou discurso cabalístico será indistinguível do delírio.

Ato 3: Sua própria Cabala

A próxima etapa de estudos cabalísticos é tão extravagante que o próprio Crowley a reconhece como uma sugestão sórdida e bestial. Mas faz a sugestão mesmo assim. Quando seu pensamento estiver absolutamente imerso nas associações da árvore da vida, chegou a hora de construir sua própria Cabala!

Após alguns anos seu caderno de estudo estará repleto de associações importantes. E se você o fez bem será algo muito semelhante aos livros já escritos sobre cabala citados acima. Mas existem associações que ninguém pode fazer a não ser você pois dizem respeito à perspectiva única de sua vida. 

A partir deste ponto você deve constantemente pendurar tudo que vier em seu caminho em seu galho mais apropriado. Onde cabe nesta grande estrutura a história da sua vida, suas conquistas, amores e maiores derrotas? Na sua perspectiva única em que espaços da Árvore da Vida estão seus parentes? Seus amigos? Seus relacionamentos? As etapas do seu crescimento? Suas comidas, roupas, músicas e livros favoritos?  E o que a gematria lhe diz sobre todos estes nomes? 

Após isso, fique atento para novas impressões. Uma prática excelente é adquirir o hábito de incluir um nome no caderno sempre que fizer sua leitura matinal ou noturna ou do que quer lhe chame atenção durante uma caminhada ou afazer.

Mega Therion coloca a questão da seguinte forma:

“Ninguém pode fazer isso por você. Qual é o seu verdadeiro número? Você deve encontrá-lo e provar que está correto. No decorrer de alguns anos, você deveria ter construído um Palácio da Glória Inefável, um Jardim do Prazer Indescritível. Afinal, é bastante simples. Cada palavra que você encontrar, some-a, cole-a contra aquele número em um livro guardado para esse propósito. Isso pode parecer tedioso e bobo; por que você deveria fazer de novo o trabalho que já fiz por você?

Motivo: simples. Fazer isso vai te ensinar Cabala como nada mais poderia. Além disso, você não ficará entulhado de palavras que nada significam para você; e se acontecer de você querer uma palavra para explicar algum número particular, você pode procurá-la em meu próprio Sepher Sephiroth.

Por este método, também, você pode encontrar um rico reservatório de suas próprias palavras ou de conceitos que foram completamente ignorados por outros autores até agora.

Para começar, é claro, você deve escrever as palavras que estão fadadas a atrapalhar seu caminho. Sem dúvida, um Grande Professor teria dito: “Cuidado! Use meu Dicionário, e apenas o meu! Todos os outros são espúrios!” Mas eu não sou um R.G.T. desse tipo.

Se qualquer palavra, estímulo, evento ou nome lhe chamar atenção coloque-o em seu livro. Crowley sugere inclusive diz que devemos deixar estas associações serem guiadas por nosso trabalho no Plano Astral. Ao investigar o nome e outras palavras comunicadas a você por seres que você encontra em suas projeções ou invocar, muitas outras conexões adequadas surgirão. Em breve, você terá seus próprios Sepher Sephiroth pequenos e agradáveis. “Lembre-se de almejar, acima de tudo, a coerência.”, completa a Grande Besta.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aprenda-cabala-com-aleister-crowley/

O Mito do Vampiro e a Rosacruz

Por Shirley Massapust

Na obra O Vampirismo, Robert Amberlain alega que os membros da Rosa-Cruz do Grande Rosário iniciaram-se na pneumatologia que “não é senão a ciência dos Espíritos, aquilo a que chamamos agora metafísica, ciência que engloba o conhecimento da Alma”.[1] Ele descreve a ação e conversão dos vampiros alegando que “é muito possível que seja a isto que o marquês de Chefdebien faz alusão na sua carta publicada na página 52 da obra de B. Fabre, Um Initié des Sociétés Secrètes Supérieures (Paris, 1913), quando ele evoca a existência dos ‘irmãos do Grande Rosário’, cujo berço era em Praga ainda nesta época, ou seja, nos finais do século XVIII”.[2]

De fato, a metafísica rosa-cruz fundia recursos da metafísica tradicional, teologia, alquimia e cabala. Por exemplo, num manuscrito escrito entre 1700 e 1750, Phisica, Metaphisica et Hyperphisica. D.O.M.A., estas matérias correspondem às “três partes do homem” (espírito, alma e corpo) e representam os três elementos da pedra filosofal (sal, enxofre e mercúrio).[3] Contudo, o simples fato de estudarem variantes da metafísica tradicional não basta para provar que praticavam o vampirismo. A única justificativa para tal associação, seria a descoberta de uma interpretação especial da matéria e uso objetivo a fim de atingir tais ideais; fato que nos leva a um novo problema: Onde procurar? Existe uma quantidade infindável de escritos ‘metafísicos’ inspirados no movimento, de forma que até mesmo Descartes dedicou uma obra de juventude “aos eruditos do mundo inteiro e, especialmente, aos Irmãos Rosa-Cruzes, tão célebres na Germânia” (Preâmbulos), além de haver escrito trabalhos onde “transparecem suas preocupações científicas aliadas à influência dos temas da sociedade Rosa-Cruz”.[4] Comecemos, pois, pelo começo. Não irei discutir sobre a antiguidade da ordem. Cabe a cada um optar pela posição de certos historiadores que afirmam sua invenção no século XVI ou pela doutrina da atual Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (A.M.O.R.C.), que se proclama receptora da tradição de uma ordem hermética egípcia fundada por Thutmose numa ‘Reunião do Conselho’ ocorrida de 28 de março a 4 de abril de 1489 a.C. Para nosso tópico basta dizer que o interesse do público leigo pela ordem formou-se após a publicação da Fama Fraternitatis, 1614, e Confessio Fraternitatis R. C., 1615, dois escritos anônimos que ganharam importância em associação ao Chymische Hochzeit Christian Rosencreutz, Anno 1459 (1616). Este último trazia a alegoria de um casamento no qual alguns convidados são assassinados e trazidos novamente à vida através da alquimia; sua autoria acabou sendo reivindicada por um certo Johann Valentin Andrea (1586-1654), respeitado e ortodoxo membro do clero luterano, conhecido como opositor dos rosa-cruzes. Andréa esforçou-se ao máximo para distanciar-se da obra, chamando-a de sátira ideada em sua juventude tresloucada.[5] Contudo, independente da intenção do(s) autor(es), tais obras exerceram grande influência na concepção do rosacrucianismo. A descrição da exumação do corpo de Christian Rosencreutz – herói protagonista da Fama Fraternitatis – foi especialmente discutida devido a sua condição imputrescível:

Como até o momento não tivéssemos visto o corpo do nosso falecido pai, prudente e sábio, afastamos o olhar para um lado e ao erguermos a chapa de bronze, encontramos um corpo formoso e digno, em perfeito estado de conservação, tal qual uma contrafação viva do que aqui se encontra com todas as suas vestimentas e atavios.[6] Dentre outros livros e objetos, os descobridores do túmulo encontraram o Vocabular de Teophrastus Paracelsus ab Hohenheim (1493-1541).[7] Isso prova que os dois panfletos não se sincronizavam ou simplesmente pretendiam narrar uma ficção, pois de acordo com a Confessio o Irmão C. R. nasceu em 1378 e morreu aos 106 anos, em 1484, sendo o túmulo fechado e selado nove anos antes do nascimento de Paracelso. Em todo caso, o autor da Fama Fraternitatis devia ter em alta estima as teorias deste médico; cuja comparação dos “corpos embalsamados” com um filtro grego “preparado com sangue” levou a conclusão de que “o que cura verdadeiramente as feridas é a múmia: a própria essência do homem”.[8] Tal é a função do cadáver de R. C. na narrativa.

Seguindo raciocínio semelhante, W. Wynn Westcott apresentou como fato verídico à história de que Rosenkreutz “foi sepultado, conforme ele e os membros de seu círculo mais íntimo planejaram, numa cripta especial dentro do domus ou moradia secreta”.[9] Então, o teriam embalsamado com “esmero no cuidado carinhoso e no trabalho hábil de preservar os restos mortais do Mestre” do que resultou o ‘belo e notável corpo, integro e intacto’ descrito na tradução de Eugenius Philalethes (Londres, 1652).[10] Noutro extremo, no livro Perguntas e Respostas Rosacruzes, H. Spenser Lewis anuncia de forma pitoresca que “o verdadeiro autor dos panfletos que trouxeram o renascimento na Alemanha foi, nada mais, nada menos, que Sir Francis Bacon,[11] então Imperator da Ordem para a Inglaterra e várias partes da Europa”.[12] Ele teria velado a autoria da Fama Fraternitatis sob um nome simbólico, “como é natural em toda a literatura Rosacruz antiga”, cujo significado seria meramente “Cristãos da Rosa-Cruz”. Por isso “é muito duvidoso” que em seu tempo “qualquer indivíduo culto… que lesse esses panfletos, acreditasse que Christian Rosenkreutz fosse o nome verdadeiro de alguma pessoa”.[13] De qualquer forma, independente do autor ou da pretensão de ser ficcional, doutrinário ou verídico, o manifesto contém a descrição de um cadáver bem conservado semelhante aos de certos santos católicos ou dos relatos de vampiros primordiais que também são interpretados ora como ficção alegórica, ora como fruto de embalsamamento natural (ou milagre, ou produto de magia, etc.).

Interações culturais entre o pensamento maçônico e rosa-cruz:

A antiguidade histórica da afinidade entre a Rosa-Cruz e a Maçonaria inglesa é tal que ultrapassa a existência institucionalizada de ambas as ordens. Por exemplo, o poema A Trinódia das Musas, de Henry Adamson de Perth, 1638, contém a passagem ‘For we are the brethren of the Roise Cross. We have the mason word and second sight’. Ou seja, para que os irmãos da Rosa Cruz pudessem possuir a ‘palavra Maçônica’ seria necessário que já naquela época houvesse um intercâmbio entre as duas correntes de pensamento. Talvez por isso a fraternidade Rosa-Cruz “foi confundida muitas vezes com a maçonaria e, de certo modo, a maçonaria moderna assimilou muitos princípios esotéricos do grande movimento”, conforme atesta Rizzardo da Camino, autor de O Príncipe Rosa-Cruz e Seus Mistérios.[14] Em Orthodoxie maçonique, Ragon alega que Elias Ashmole “e os demais Irmãos da Rosa-Cruz” se reuniram em 1646 na sala de sessões dos franco-maçons, em Londres, onde livremente “decidiram substituir as tradições orais adotadas nas recepções de adeptos nas lojas por um processo escrito de Iniciação”. Após a aprovação do grau de Aprendiz pelos membros da loja, “o grau de Companheiro foi redigido em 1648, e o de Mestre, pouco tempo depois. Mas a decapitação de Carlos I em 1649 e o partido tomado por Ashmole a favor dos Stuarts, trouxeram grandes modificações a este terceiro e último grau, tornado bíblico, tomando-se totalmente por base esse hieróglifo da natureza simbolizado pelo fim de dezembro”.[15] Dessa forma, Papus aponta Ashmole como “autor principal” da lenda de Hiram, cujo assassinato simbólico revela que “é necessário saber morrer para reviver imortal”,[16] ou, conforme a versão vigente do Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3), “ensina a lei terrível que faz com que aquele que auxiliastes e instruístes se revolte contra vós e procure matar-vos, segundo a fórmula da BESTA HUMANA: ‘O INICIADO MATARÁ O INIADOR’”.[17] O aumento da preocupação com os estudos teóricos em detrimento das práticas da construção levou ao nascimento da Maçonaria Moderna em 1717, quando quatro lojas londrinas se reuniram para a formação da Grande Loja de Londres. É sobre esta que recai a crítica do Daily Journal de 5 de setembro de 1730:

Tem-se de reconhecer que há uma associação estrangeira, da qual os maçons ingleses, envergonhados de sua verdadeira origem, copiaram certas cerimônias, tendo bastante dificuldade de persuadir a todos de que eles são os descendentes, embora só tenham uns poucos signos de prova ou de iniciação. Os membros dessa sociedade levavam o nome de Rosa-Cruzes e seus membros, chamados de grandes mestres, vigilantes etc., seguravam durante suas cerimônias uma cruz vermelha como signo de reconhecimento.[18] Se isto for verdade, ironicamente o ‘iniciado’ terminou mesmo matando por acidente seu ‘iniciador’ de forma simbólica, abolindo-o da memória.

Posteriormente, o grau 12º do rito Adoniramita foi chamado de ‘Rosa Cruz’,[19] assim como o grau 18.º do rito escocês antigo e aceito, surgido na França em 1754, recebeu o título de Soberano Príncipe da Rosa-Cruz de Heredom (ou simplesmente Cavalheiro Rosa Cruz). Segundo Leadbeater, neste grau revela-se o nome do Grande Arquiteto do Universo, que descobri tratar-se do epíteto INRI.[20] Sobre isto, o autor maçom informa que “em Sua encarnação como Christian Rosenkreutz, o C.D.T.O.V.M. traduziu a Palavra para o latim, conservando muitíssimo engenhosamente seu notável caráter mnemônico, todas as suas complicadas acepções e ainda uma íntima aproximação com o seu som original”.[21] O capítulo Rosa-Cruz possui dois estandartes quase idênticos; vermelhos, com franjas douradas, levam o titulo do Supremo Conselho acima e o do capítulo, local de funcionamento e data de fundação abaixo. Como figura central o primeiro mostra a cruz latina “com a rosa na interseção de seus braços” e o segundo traz o pelicano rasgando o peito com o bico para alimentar sete filhotes com seu sangue.[22] Autores maçons dão diversas interpretações para seus símbolos. O pelicano representa a “disposição ao sacrifício”.[23] Ragon diz que a rosa seguida pela cruz seria o modo mais simples de escrever “o segredo da imortalidade”.[24] Já para José Ebram, o homem de pé com os braços abertos pode dizer: “Eu sou a representação da cruz, e a alma que se encontra dentro de mim é a rosa mística”.[25] Fanatismo, ataques psíquicos e ‘guerra dos magos’:

Numa manhã de agosto de 1623 diversos cartazes apareceram nas ruas de Paris informando que a fraternidade Rosa-Cruz acabava de fixar-se na cidade. Prontamente, a igreja francesa emitiu vários manifestos acusando os recém chegados de haverem emigrado da província de Lyons, onde teriam feito “pactos horríveis” com Satã. Outro comentário, intitulado o Mercure de France, tentava liquidar o problema pelo ridículo ao observar que a chegada dos rosa-cruzes à cidade criara pânico generalizado.

Alguns hoteleiros locais diziam ter registrado hóspedes estranhos que desapareciam em uma nuvem de fumaça quando chegava a hora de acertar as contas… Vários cidadãos inocentes acordaram no meio da noite e depararam com aparições pairando sobre eles; quando gritavam para pedir socorro, as figuras de sombras desapareciam.[26] O Mercure concluía, jocosamente, que não era surpreendente encontrar parisienses prudentes dormindo com mosquetes carregados ao lado da cama e apedrejando os estranhos que se aventurassem em seus bairros. Por isso, não é de se admirar que o movimento rosa-cruz tenha esperado até o século XIX para se instituir de forma ordenada naquele país. Antes, o embrião desenvolveu-se na Inglaterra.

Na época em que exercia a função de Grande Secretário do Edifício da Maçonaria, sede nacional da Fraternidade Maçônica Inglesa, Robert Wentworth Little encontrou documentos na biblioteca da Grande Loja com informações sobre ritos rosa-cruz que não faziam parte das atividades maçônicas. A partir daí idealizou a Societas Rosicrocian in Anglia, também chamada pelas iniciais S. R. I. A. ou Soc. Ross., cujo ingresso era estrito a maçons. Esta organização fora fundada em 1867 e teve como Magus Supremo o Dr. W. Wynn Westcott, que posteriormente integrou a Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Também Alphonse Louis Constand (vulgo Eliphas Levi) esteve na S. R. I. A. por alguns anos, mas “os registros da S. R. I. A. declaram que Levi caiu em seu desagrado devido à publicação de seus vários livros sobre magia e ritual”.[27] De fato ele escreveu coisas como, por exemplo, que a mais antiga sociedade secreta do iluminismo a tomar consistência na Alemanha fora os “Rosa-Cruzes cujos símbolos remontam aos tempos dos Guelfos e dos Gibelinos, como o vemos pelas alegorias do poema de Dante e pelas figuras do Romance da rosa” e que “a conquista da rosa era o problema dado para a iniciação à ciência enquanto a religião trabalhava em preparar e em estabelecer o triunfo universal, exclusivo e definitivo da cruz”.[28] No mesmo livro, História da Magia, o ator trata de uma miríade de temas, incluindo uma longa explanação sobre os casos, causas e técnicas do vampirismo; assunto tratado de forma mais abreviada em A Ciência dos Espíritos e outras obras.

Durante a década posterior à morte do ocultista Eliphas Lévi, existiram poucas pessoas que estudaram os seus escritos, porém uma delas foi o novelista e poeta Catulle Mendès, que tinha conhecido Lévi e lhe havia apresentado a Victor Hugo. Em meados da década de oitenta, Mendès fez amizade com o marquês Stanislas de Guaita (1861-1897), jovem poeta e esteta a quem recomendou que lesse as obras deste autor. O marquês seguiu o conselho e encontrou nos escritos de Lévi uma revelação espiritual que descreveu como “o raio oculto”. Desde 1885 até o seu prematuro falecimento em 1897, dedicou sua vida ao ocultismo, chegando a ingerir cocaína, narcóticos e morfina para “afrouxar as ataduras da alma” e conseguir que seu espírito abandonasse seu corpo.

Em 1888, Guaita fundou a Ordre Kabbalistique de la Rosae Croix, na França, juntamente com Gérard Encause (1865-1916) e Joséphin Peladam (1858-1918), que abandonou a fraternidade em 1890 para fundar sua própria Ordem Católica Rosa-Cruz do Templo e do Graal.[29] Depois, Guaita entrou numa disputa contra a Igreja do Carmo[30], dirigida por Boullam (1824-1893), e – com a colaboração do ex-membro Oswald Wirth – escreveu o ensaio, Le Temple du Satan, no qual denunciavam Boullam como “pontífice da infâmia, desprezível ídolo da Sodoma mística, mago da pior espécie, retorcido criminoso, maligno feiticeiro”.[31] A novidade é que este livro inclui um estudo sobre as causas dos casos de vampirismo bastante concordante as teorias do Satanismo & Magia de Jules Bois, que se inspirou no ‘testemunho’ de J. K. Huysmans; ou seja, há uma possível acusação mútua implícita, mas expressa, de vampirismo.

Sabemos que após a denúncia, os dirigentes da Rosa-Cruz enviaram a Boullam uma carta solene na qual lhe comunicavam que era “um homem condenado”, frase que entendeu como uma ameaça de morte por meios mágicos. Assim, iniciou-se uma guerra entre magos. Cada bando amaldiçoou o outro e estava convencido de que os seus inimigos se propunham a destruí-lo. No meio de tudo, o novelista J. K. Huysmans tomou o partido da igreja do Carmo, apresentou Boullam como sendo o santo “Dr. Johannes” de Là-bas e chegou a acreditar que, devido à sua amizade com Boullam, Guaita e os seus se propunham a lhe matar. Passou a queixar-se de que à noite ele e o seu gato sofriam “agressões fluídicas”, golpes propiciados por demônios invisíveis. Estes ataques não tiveram conseqüências mais graves, conforme Huysmans, graças às medidas protetoras idealizadas por Boullam, que incluíam o emprego da hóstia consagrada e a queima de um incenso composto por cravo, cânfora e mirra. No entanto, em 3 de janeiro de 1893, Boullam escreveu a Huysmans para lhe comunicar um novo ataque da Rosa-Cruz: “Durante a noite sucedeu algo terrível. Às três da manhã acordei sufocado… caí inconsciente. Das três às três e meia, estive entre a vida e a morte… Madame Thibault sonhou com Guaita e de manhã ouvimos o canto de um pássaro da morte”. Na noite daquele mesmo dia Boullam morreu, dando fim à contenda.[32] Este caso, impulsionado pelo fanatismo, guarda semelhanças fundamentais com outro mais recente. No livro Lightbearers of Darkness, Miss Stoddart introduz o conceito de ‘Black Rosicrucians’. Segundo a Encyclopedia of Black Magic, antes de 1914, Miss Stoddart foi iniciada numa sociedade secreta britânica, The Red Rose and the Golden Cross, que dizia derivar do corpo germânico da ordem. “Miss Stoddart ocupava uma posição proeminente nesta alegada sociedade rosa-cruz, mas eles começaram a ter séries de experiências extraordinárias subjetivas que sugerem que ela também sofria séries de desilusões esquizofrênicas ou, como ela e alguns de seus associados próximos acreditavam, estava sofrendo ataque psíquico”. Os surtos começaram a partir de 17 de abril de 1919, dentro de templos da Igreja Anglicana, apresentando sintomas que incluíam a percepção de odores desagradáveis, alucinações visuais e experiência de ‘black-out’ ou ‘transes espontâneos’. No cume desses ataques ela via 12 figuras vestindo mantos negros, sentia dor no coração e tinha desmaios. Estava convicta de que seus sintomas provinham de “trabalhos de magia negra feitos contra ela por membros da sociedade rosa-cruz” e gastou boa parte do resto de sua vida denunciando a ordem.[33] Menções e acusações de vampirismo na Ordem Hermética da Aurora Dourada:

Criada como um subproduto da S. R. I. A., a Ordem Hermética da Aurora Dourada (G.D.) foi fundada em 1 de março de 1888 por William Wynn Westcott, William Robert Woodman e Samuel Liddell MacGregor Mathers. Mina Bérgson (Moina Mathers), uma talentosa artista da Escola de Slade, foi a primeira iniciada; tornando-se também esposa de Mathers após um breve compromisso. Em 1891 o casal mudou-se para Paris onde, dois anos depois, estabeleceu um Templo operativo chamado Ahathor.

A GD foi muitas vezes envolta em histórias fantásticas. Por exemplo, o primeiro documento produzido pela ordem, conhecido como Cipher Manuscript, teve caráter anônimo. Ele contém uma alegoria hermética trabalhada sobre um pingente rosa-cruz chamado Adept’s Jewel (jóia do adepto), mas pelo fato de estar codificado numa adaptação do alfabeto alquímico de Johannes Tritheminus (The Polygraphiae; Paris, 1561) decifra-lo é no mínimo aborrecido… Se tal artifício fosse mantido em todo material produzido teria livrado a ordem de muitos problemas, visto que, por volta de 1891, Mathers baseou-se na Fama Fraternitatis para criar o rito 5=6, Adeptus Minor, que incluía o momento dramático da descoberta do “corpo” de Christian Rosenkreuz, no caixão, representado por Mathers ou Westcott.[34] Imagino que tenha sido um documento com a descrição deste rito para iniciação na Segunda Ordem[35] que o Dr. Winn Westcott teve a infelicidade de esquecer dentro de um táxi em 1897. Seus papéis acabaram na polícia que não achou recomendável um coroner[36] se ocupar de tais atividades, pois poderia “ficar tentado a utilizar os cadáveres que são postos à sua disposição, para operações de necromancia”.[37] Westcott demitiu-se da Aurora Dourada.

Resta-nos, contudo, a dúvida sobre a impressão dos iniciados a respeito da natureza do prodígio. Sabemos que em Oil and Blood (1929) o poeta William Butler Yeats denuncia o paradoxo da afirmação do ‘milagre’ da incorruptibilidade dos corpos de certos santos, exaltado pela mesma igreja católica que escarnecia de fenômeno idêntico atribuído a vampiros pelos ortodoxos gregos:

Em tumbas de ouro e lapis lazuli

Corpos de homens e mulheres santos se aparecem.

Óleo milagroso, odor de violeta.

Mas debaixo de cargas pesadas de barro pisoteado

Corpos de mentira dos vampiros cheios de sangue;

Suas mortalhas são sangrentas e seus lábios estão molhados.

A influência de Yeats na G.D. era tal que quando lhe pareceu conveniente pode expulsar Mathers da ordem e substituí-lo como Imperator do templo Isis-Urania em Londres. Se quisesse, ele poderia muito bem impor sua visão de que a incorruptibilidade dos santos e vampiros deriva do mesmo princípio (podendo-se deduzir que seria plausível que a sentença se aplicasse igualmente bem ao corpo de Christian Rosencreutz).

Em 1956, um individuo publicou o artigo L’orde hermétique de la Golden Dawn, sob o nome de Pierre Victor, nos números 2 e 3 da revista La Tour Saint-Jacques, contendo “uma série de revelações sobre a existência, na Inglaterra, no final do século XIX e princípio do XX, de uma sociedade iniciática inspirada na Rosa-Cruz”.[38] Antes, contudo, ele havia colaborado como informante no best-seller O Despertar dos Magos, onde tornou conhecida a teoria de que “Stoker, o autor de Drácula” encontrava-se entre os escritores filiados a G.D. (informação que deve ter sido colhida da tortuosa tradição oral).[39] Tal filiação não consta em obras especializadas confiáveis, como o The Magicians of the GD de Ellic Howe, e o máximo que Sotker registrou foram menções vagas de seus encontros em Londres com “sugadores de sangue” ou “vampires personalites” (o que descreve tão bem seus contemporâneos da G.D. quanto qualquer outro alvo do adjetivo depreciativo).[40] Creio que o primeiro impresso que usou o termo vampirism para nomear técnicas utilizadas por membros da G.D. foi o De Arte Magica (1914), de Aleister Crowley. Segundo ele, havia “um método de vampirismo comumente praticado” pelo fundador McGregor Mathers, sua esposa Moina, pelo adepto E.W. Berridge, por Mr. e Mrs Horos – que tiveram contato com os ritos egípcios de Mathers – e por Oscar Wilde “em seus anos finais”, que apesar de não ter nenhuma relação com a ordem, pelo menos na ficção de O Retrato de Doriam Grey, sintetizou a fórmula da juventude eterna numa filosofia a seu gosto: “Para se voltar à mocidade, basta repetir as suas loucuras”.[41] Sabemos que o próprio Crowley filiou-se a G.D., sendo expulso junto a Mathers em 1900. Insatisfeito, usou os ritos da ordem para fundar uma dissidência chamada Argentium Astrum (AA) em 1907 e aderiu a Ordo Templi Orientes (O.T.O.) em 1911. Dentre as inúmeras curiosidades escabrosas que envolveram sua vida de Crowley, podemos destacar que chegou a limar os dentes caninos, deixando-os bem pontiagudos, e quando encontrava mulheres costumava dar-lhes o “beijo da serpente”, mordendo-lhe o pulso ou às vezes a garganta com suas presas.[42] Para perpetuar a tradição, Crowley criou uma elaborada ritualística. Segundo seu sucessor, Kenneth Grant, dois de seus ritos escritos para a O.T.O. envolvem o uso de sangue: “Eles são a Missa da Fênix e um certo rito secreto da Gnose, ensinado no Soberano Santuário da O.T.O.” Neste último o magista “consome a hóstia embebida em sangue”, enquanto na Missa da Fênix – publicada como Liber XLIV, tanto no Livro das Mentiras quanto no Magick – ele “corta seu peito e absorve seu sangue oralmente”. Por isso “a Missa da Fênix é, com efeito, a Missa do Vampiro”.[43] A Primeira Guerra Mundial chegou e Mathers viveu o suficiente para ver a vitória dos aliados no outono de 1918. Desde então, as coisas se voltaram obscuras. Dizem que Mathers morreu em seu apartamento na Rue Rivera em 20 de novembro de 1918, sucumbindo às poderosas correntes mágicas que emanavam de Crowley, segundo a primeira edição da autobiografia de Yeats.[44] Por sua vez, Dion Fortune relata que Moina lhe informou que seu marido falecera de uma epidemia de gripe nesse ano, mas não se encontrou nenhuma Certidão de Óbito de Mathers, nem sua tumba – e ainda que Moina possuísse uma Certidão de Óbito, não há registros cartorários.

No livro Ritual Magic in England (1970), Francis King relata a história subseqüente da Ordem da Aurora Dourada. A Sra. Mathers assumiu a liderança de uma das ramificações, mas não conseguiu mantê-la unida. A ocultista Dion Fortune, psicóloga freudiana cujo nome verdadeiro era Violet Firth, provocou uma divisão e formou seu próprio Templo; posteriormente, afirmou que a Sra. Mathers lhe dirigia “ataques espirituais” criminosos, tendo mesmo conseguido matar um membro itinerante.[45] Em 1920, Crowley instalou-se em uma quinta decadente de Calefu, na Sicília, e batizou esse santuário da AA como Abadia de Thelema. Um incidente deplorável aconteceu na abadia de Crowley. Um poeta oxfordiano chamado Raoul Loveday bebeu o sangue de um gato durante uma cerimônia e morreu instantaneamente, o que não estava previsto.[46] Sua viúva, Betty May, fez um escândalo e, entre boatos de que além de gatos também bebês haviam sido mortos, o governo italiano tomou medidas para expulsar Crowley da Sicília. Da mesma forma, a morte de Raoul Loveday na abadia causou furor na Inglaterra depois que Betty May forneceu a um jornal popular de Londres detalhes de “drogas, magias e práticas vis”.[47] A partir daí prosseguiria meio que morto em vida.

O dr. R. W. Felkin, chefe de outra facção da G.D. chamada Stella Matutina, dizia aos membros que “nosso pai Christian Rosenkreuz parece ter chegado a um estado quase divino”.[48] Ele acreditava na existência da tumba-cofre descrita na Fama Fraternitatis, em alguma parte do Sul da Alemanha, e estava a caminho pra procura-la quando estourou a guerra 1914-18. Os ritos herdados da G.D. foram publicados numa obra de quatro volumes por Frances Israel Regardie, um discípulo de Crowley que ingressou na ordem em 1934.

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[1] AMBERLAIN, Robert. O Vampirismo. Trd. Ana Silva e Brito. Lisboa, Livraria Bertrand, 1978, p. 163.

[2] AMBERLAIN, Robert. Op. Cit, p. 213.

[3] HALL, Manly P. (introduction and commentary). Codex Rosæ Crucis D.O.M.A. A Rare & Curious Manuscript of Rosicrucian Interest. Los Angeles, Philosophical Reserarch Societh, 1938, p 5 (do manuscrito).

[4] PESSANHA, José Américo Motta. Descartes – Vida e Obra. Os Pensadores: Descartes. São Paulo, Nova Cultural, 1996, p 12.

[5] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 54-55.

[6] YATES, Francês A. O Iluminismo Rosa-Crux. Trd. Syomara Cajado. São Paulo, Pensamento, 1983, p 306.

[7] YATES, Francês A. Op Cit., p 305-306.

[8] PARACELSO. A Chave da Alquimia. Trd. Antonio Carlos Braga. São Paulo, Três, 1973, p 220-222.

[9] GILBERT, R. A. (org). Maçonaria e Magia, Antologia de Escritos Rosa-cruzes, Cabalísticos e Maçônicos de W. Wynn Westcott, Fundador da Ordem Hermética “Golden Dawn”. São Paulo, Pensamento, 1996, p. 15.

[10] GILBERT, R. A. (org). Op. Cit, p. 23.

[11] É preciso ter cuidado ao fazer tal identificação. Encontrar fraudes de trabalhos de Francis Bacon é tão fácil quanto desmascarar as mesmas. Por exemplo, a página do Calvin College, Christian Classics Ethereal Library, disponibilizou por longo período a cópia de uma pretensa obra póstuma; The Fearful Estate of Francis Spira by Nathaniel Bacon (Londres, 06/01/1638). Nesta ficção curiosa Spira – o protagonista melancólico – nega crer que os pecados são redimidos com o sangue de Cristo e pede aos religiosos que lhe assediam: “Left miserable mortals should be swallowed up with the greatness of their willfully with my hands pulled down this vampire”… Ora, o que o termo ‘vampire’ esta fazendo numa publicação de 1638 se o vernáculo vampyr só tomou esta forma em inglês e francês no ano de 1732?

[12] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 85.

[13] LEWIS, H. Spenser. Op. Cit., p 78-79.

[14] CAMINO, Rizzardo da. Breviário Maçônico. São Paulo. Madras, 1995, p. 345.

[15] PAPUS (Dr. Gerard Encause). O Que Deve Saber um Mestre Maçom. Trd. J. Gervásio de Figueiredo 33º. São Paulo, Pensamento, p 85-86.

[16] PAPUS (Dr. Gerard Encause). Op. Cit, p 90.

[17] GRANDE LOJA DE MINAS GERAIS. Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3). Belo Horizonte, Littera Maciel, 1976, p. 9.

[18] CARLES, Jacques e GRANGER, Michael. Alquimia: Superciência Extraterrestre? Trd. Hélio Pinheiro Carneiro. Rio de Janeiro, Eldorado, 1973, p 166.

[19] Marques, A. H. de Oliveira. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. Vol. II. J-Z. Lisboa, Editorial Delta, 1986, coluna 1263.

[20] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. A Cruz e a Rosa. São Paulo, Madras, 1994, p 43.

[21] LEADBEATER, C. W. A Vida Oculta na Maçonaria. Trd. Gervásio de Figueiredo 30º. São Paulo, Pensamento, 1964, p 229.

[22] CASTELLANI, José e FERREIRA, Cláudio R. Buono. Manual Heráldico do Rito Escocês Antigo e Aceito do 19º a 33º. São Paulo, Madras, 1997, p 13.

[23] LURKER, Manfred. Dicionário de Simbologia. Trd. Mario Krauss e Vera Barkow. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p 534.

[24] GODOY, A. C. & DELLAMONICA, J. Op. Cit, p 41.

[25] EBRAM, José. A Águia Bicéfala Sobre o Altar. São Paulo, Madras, 1996, p 58.

[26] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 47.

[27] LEWIS, H. Spenser. Perguntas e Respostas Rosacruzes. Curituba, Ordem Rosacruz AMORC – Grande loja do Brasil, Maio de 1983, p 92.

[28] LEVI, Eliphas. História da Magia. Trd. Rosabis Camaysar. São Paulo, Pensamento, 1995, p 277.

[29] A Rosa-Cruz cabalística sobreviveu às mortes, não só do seu fundador, mas da de muitos dos seus dirigentes, como por exemplo o poeta Edouard Dubus, viciado em morfina que morreu em um urinário público enquanto estava se drogando. Durante muitos anos a ordem esteve dirigida por Papus, que estabeleceu um ramo na Rússia e foi um dos ocultistas que influiriam no último czar. Papus faleceu em 1916 e com sua morte a ordem se separou em várias facções rivais, algumas das quais ainda mantém uma existência precária.

[30] Esta igreja teve sua origem na Obra da Misericórdia, fundada em 1840 por Vintras, que tinha instituído em Tilly um oratório onde celebrava a Missa Provitimal de Maria; rito de sua própria invenção onde ocorriam numerosos prodígios. Os discípulos de Vintras viam, ou pelo menos pensavam ver, cálices vazios que se enchiam de sangue até transbordar e símbolos sangrentos que apareciam na Hóstia. A Obra de Misericórdia, que começava já a ser conhecida como igreja do Carmo, foi condenada oficialmente pelo papa em 1848.

[31] KING, Francis. Magia. Trd. Traduções e Serviços, S.L. Madrid, Ediciones Del Prado, agosto 1996, p 22.

[32] KING, Francis. Op. Cit, p 22.

[33] ‘CASSIEL’. Encyclopedia of Black Magic. New York, Mailland Press, 1990, p 39.

[34] VÁRIOS. Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. Vol 2. São Paulo, Editora Três, 1973, p 315-320.

[35] Espécie de degrau evolutivo interno da G.D. também chamado Order of the Rose of Ruby and the Cross of Gold (R.R. et A.C.).

[36] Coroner: Posto jurídico que acumula as funções de médico legista e juiz de instrução. Em caso de morte suspeita, reunia um júri que pronunciava um veredicto, podendo eventualmente haver intervenção da justiça e da polícia. (Um desses veredictos foi célebre no século XIX; o júri concluíra que um desconhecido encontrado morto num parque londrino havia sido assassinado “por pessoas ou coisas desconhecidas”).

[37] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 91-92.

[38] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Trd. Gina de Freitas. São Paulo, Difel, 1974, p. 241-242.

[39] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. Op Cit., p. 241.

[40] STOKER, Bram. O Monstro Branco. Trd. João Evangelista Franco. São Paulo, Global, p 7-12.

[41] WIDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. Trd. Ed. Nova Aguiar. São Paulo, Abril, 1980, p 54.

[42] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 44.

[43] GRANT, Kenneth. Renascer da Magia. São Paulo, 1999. Madras, pp 153-166.

[44] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.

[45] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.

[46] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 96-97.

[47] TIME-LIFE BOOKS. Seitas Secretas. Rio de Janeiro, Abril Livros, 1992, p 117.

[48] Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia, fascículo 16. São Paulo, Três, 1973, p. 320.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mito-do-vampiro-e-a-rosacruz

Saindo do Velho Æon e entrando no Novo

por Charles Stansfeld Jones

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Como você deve saber, nós entramos em um Novo Æon. Uma Verdade mais Elevada foi outorgada ao Mundo. Esta verdade está aguardando em prontidão para todos aqueles que vierem a aceitá-la conscientemente, porém ela tem que ser percebida antes de ser compreendida, e dia após dia aqueles que tiverem aceitado esta Lei, e estiverem tentando vivenciá-la, perceberão mais e mais a sua Beleza e Perfeição.

O novo ensinamento parece estranho no começo; e a mente é incapaz de assimilar mais do que um fragmento do que este realmente significa. Apenas quando estivermos vivenciando a Lei é que aquele fragmento poderá se expandir para dentro da infinita concepção do todo.

Eu quero que você compartilhe comigo um pequeno fragmento desta grande Verdade que foi esclarecida para mim nesta manhã de Domingo[1]: eu quero que você venha comigo – se quiser – exatamente através da fronteira do Velho Æon e olhe atentamente por um momento o Novo. Então, se o aspecto lhe agradar, você permanecerá, ou, talvez, você retorne por um tempo, mas uma vez que a estrada esteja aberta e o Caminho manifesto, você sempre será capaz de ir lá novamente, num piscar de olhos, simplesmente reajustando a sua visão Interna na direção da Verdade.

Você sabe o quão profundamente nós sempre ficamos impressionados com as ideias de Sol nascente e Sol poente, e como os nossos antigos irmãos, vendo o Sol desaparecer à noite e nascendo novamente na manhã seguinte, basearam as suas ideias religiosas neste conceito de um Deus Moribundo e Ressuscitado. Essa á a ideia central da religião do Velho Æon, porém nós a deixamos para trás porque embora ela parecesse estar baseada na Natureza (e os símbolos da Natureza são sempre verdadeiros), nós ainda assim superamos esta ideia que é apenas aparentemente verdadeira na Natureza. Uma vez que este grande Ritual de Sacrifício e Morte foi concebido e perpetuado, nós, através da observação dos nossos homens de ciência, soubemos que não é o Sol que nasce e se põe, mas é a terra sobre a qual nós vivemos que gira de forma que a sua sombra nos isola da luz solar durante aquilo que chamamos de noite. O Sol não morre, como acreditavam os antigos; ele está sempre brilhando, sempre irradiando Luz e Vida. Pare por um momento e tenha uma clara concepção deste Sol, como Ele está brilhando já cedo pela manhã, brilhando ao meio-dia, brilhando à tarde e brilhando à noite. Você percebeu esta ideia claramente em sua mente? Você acabou de sair do Velho Æon e entrar no Novo.

Agora consideremos o que aconteceu. O que você fez para obter essa imagem mental do Sol sempre brilhante? Você se identificou com o Sol. Você saiu da consciência deste planeta; e por um momento você teve que se considerar um Ser Solar. Então por que voltar para trás novamente? Você pode tê-lo feito involuntariamente, porque a Luz era tão grande que parecia como Escuridão. Mas faça novamente, dessa vez mais completamente, e consideremos quais serão as alterações no nosso conceito do Universo.

No momento em que nos identificamos com o Sol, percebemos que nos tornamos a fonte de Luz, que agora nós também estamos brilhando gloriosamente, mas também percebemos que a Luz Solar já não é mais para nó, pois não conseguimos mais ver o Sol, pouco mais do que podíamos ver a nós mesmos em nossa pequena consciência de Velho Æon. Tudo em volta é Noite perpétua, mas esta é a Luz Estelar e o Corpo de Nossa Senhora Nuit, no qual nós vivemos e movemos e temos o nosso ser. Então, desde esta altura nós voltamos o nosso olhar para o pequeno planeta Terra, do qual nós partimos há um momento atrás, e achamos que nós mesmos estamos projetando nossa Luz por sobre todos aqueles indivíduos que chamamos de nossos irmãos e irmãs, os escravos que servem. Mas nós não paramos por aqui. Imagine o Sol concentrando os Seus raios por um momento sobre um pequeno ponto, a Terra. O que acontece? Ela é queimada, é consumida, ela desaparece. Mas em nossa Consciência Solar é Verdade, e embora observemos por um momento a pequena esfera que deixamos para trás, e ela não existe mais, ainda assim existe “aquilo que permanece”. O que permanece? O que aconteceu?

Nós percebemos que “todo homem e toda mulher é uma estrela”. Nós observamos em volta a nossa herança maior, nós contemplamos o Corpo de Nossa Senhora Nuit. Nós não estamos na escuridão; nós estamos muito mais próximos Dela agora. As coisas que (a partir do pequeno planeta) pareciam como partículas de luz, estão agora brilhando como outros grandes Sóis, e estes são verdadeiramente os nossos irmãos e irmãs, cuja natureza essencial e Estelar nós jamais tínhamos visto e percebido antes. Estes são os ‘restos’ daqueles que pensávamos ter deixado para trás.

Há bastante espaço aqui, cada um viaja no Seu verdadeiro Caminho, tudo é prazer.

Agora, se você quer voltar para o Velho Æon, faça-o. Mas tente e tenha em mente que aqueles ao seu redor são em realidade Sóis e Estrelas, não pequenos escravos temerosos. Se você não quer se tornar um Rei, ainda assim reconheça que eles têm direito ao Reinado, assim como você o tem, sempre que desejar aceitá-lo. E no momento em que desejar fazê-lo deverá apenas se lembrar disso – Contemple as coisas a partir do ponto de vista do Sol.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Notas de Rodapé

1- Nota do revisor: No original, em inglês, o autor usa Sun-Day de forma a evidenciar que aquele era o dia do Sol

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/saindo-do-velho-%C3%A6on-e-entrando-no-novo

Além do Pylon da Cova

 

 

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden, Capítulo Cinco.

 

A CHAVE para o mistério da redenção ou revitalização da múmia em Amenta repousa no uso mágico da Serpente de Fogo como ensinado nas escolas arcanas, particularmente aquelas da Asia.115 A chave está oculta no mito de Ísis e Osíris, e a busca de Ísis pelo falo perdido de Osíris.116 Este assunto é tratado por Apuleius em seu relato simbólico dos Mistérios de Ísis. Psyche, a alma, aprisionada no submundo de Plutão, é resgatada por Eros. Estes símbolos podem ser explicados em conexão com a Árvore da Vida como interpretada sob a luz da fórmula de Daäth do Novo Aeon. A Sabedoria Superna (Daäth) é representada pelo ego ou alma (Psyche) a qual adoece no Amenta. Kether, como Plutão, o Senhor do Abismo, é o mais externo, e, por analogia, o mais interno pylon de Amenta e o último Portal para o Espaço Exterior (Interior) onde a alma é liberada pela Serpente de Oito Cabeças. Oito representa a oitava, o Octimonos ou Mestre Magista, o mais alto ou altura. O simbolismo envolve o poder criativo primordial representado pela sete estrelas ‘filhas’ de Tífon no abismo do espaço (Malkuth), e a oitava, tipificada por Set ou Sothis na altura do céu (Kether). A profundidade de Malkuth e a altura de Kether é equilibrado pela Serpente de Daäth na qual a fórmula da Serpente de Fogo (Eros) está implícita. Portanto, Kether está em Malkuth, e Malkuth está em Kether, porém conforme outro modo. Em outra versão deste mito, Plutão ou Set é Kether e Eros ou a Serpente é Daäth, porque Daäth é o Jardim do ODN (Éden), o campo de força eletromagnética que é o covil da Serpente de Fogo; e a Psyche é Malkuth.

O simbolismo envolve o poder criativo primal representado pelas sete estrelas de Tífon no abismo do espaço, e o oitavo filho – Set – como a altura do céu tipificada pela estrela Sírius ou Sóthis na qual a fórmula da Serpente de Fogo está implícita. Este simbolismo, embora aparentemente complexo, é simples, como pode ser visto ao equacioná-lo com a bem conhecida fórmula budista: Primeiramente HÁ (there IS) (i.e. Malkuth) – Forma (i.e. Presença de Objeto). Então NÃO HÁ (there is NOT) (i.e. Kether) – Vazio (Void) (i.e. Presença de Sujeito). Então HÁ (there IS) (i.e. Ain) – Nem Forma nem Vazio, porém ausência da presença de ambos Objeto e Sujeito (i.e. a Ausência Absoluta, ou Vazio). Os dois primeiros estágio da fórmula compreendem toda a Árvore e suas dez zonas de poder cósmicas. Mas existe uma além de dez (i.e. onze; Daäth) que é o portal para o Ain a qual torna possível a transição do Universo representado pelo anverso da Árvore até o anti-Universo representado pelo inverso da Árvore. A pseudo-sephira, Daäth, é o espelho mágico no qual o Verdadeiro Ser é refletido em ‘matéria’ na forma de Existência.117

Este conceito era antigamente representado pela identidade de Satan o Opositor (e portanto o oposto ou reverso) com Malkuth, o universo mundano tal como este aparece no estado de consciência de vigília. Ainda assim a transição do universo irreal (representado pela Árvore) para o universo real que é NÃO (NOT) (representado pelas costas da Árvore) é ilusória, pois não existe nenhuma ponte verdadeira entre os dois universos. Existe uma solução de continuidade, e de forma à realizar isto, a altura do Abismo (a oitava estrela, Sóthis) tem que ser realizada em reverso, de forma que aquilo que se parece a altura a partir do lado frontal da Árvore seja realmente a profundidade quando observado a partir do ‘outro lado’. Satan-Set é portando a chave, e o nome do Pylon da Cova, cujo guardião é ‘aquele antigo demônio Choronzon’ cujo número, 333, é também aquele de Shugal, o Uivador, a raposa do deserto, a imagem zoomórfica de Sírius, o Negro ou Escuro, o Negativo Supremo.118

Na terminologia do Culto Tifoniano, Nuit ou Not (Não) é o Negativo Absoluto simbolizado pelas Sete Estrelas da Ursa Maior, o Possuidor-das-Faíscas ou Serpente de Fogo cujo oitavo filho é Sóthis, Set, ou Hoor-paar-Kraat. Portanto, de acordo com o antigo simbolismo onde o filho e a mãe são idênticos, Nuit e Set representam o infinito campo de possibilidade, pois em Set está ocultado seu gêmeo –Hórus– a manifestação da não- manifestacão que o ego (Daäth) sózinho torna possível.119

Austin Osman Spare demonstrou que a Postura da Morte120 é a chave para o Portal do Abismo, e sua doutrina do Nem-Nem (Neither-Neither) está intimamente entrelaçada com o complexo ego-anti-ego de Daäth. Naquela doutrina a mão simboliza o Zos, ou ‘corpo considerado como um todo’, e a mão, como foi mostrado, é um ideograma mágico do Macaco. Ela era de fato o nome do Macaco-Kaf (Kaf-Ape) no antigo Egito.121 O macaco ou cinocéfalo era o veículo de Thoth ou Daäth. O outro glifo-chave da feitiçaria de Spare, o Kia ou ‘Eu’ Atmosférico, é o despersonalizado ou anti-ego simbolizado pelo olho.122 Um certo uso mágico destes dois instrumentos – a Mão e o Olho – em consciência de vigília produz o estado de Nem-Nem que era a designação de Spare para o estado não conceitual (carente de conceito) ou pré-conceitual. Kia, portanto, é a antítese de Ra-Hoor-Khuit123 e, como tal, é idêntico a Set. A implicação Satânica está contida na identidade paranomasic(?) do Olho de Set e o ‘Eu’ de Kia.

O número de Kia, 31, é também aquele de AL, a chave de O Livro da Lei, e neste sentido Kia pode ser considerada como sendo o Olho de Nuit, o Ain, que é o ‘outro’[olho] ou o olho secreto,124 tipificado pelo ânus de Set. O cabalista medieval, Pico della Mirandola, formulou esta equação nos seguintes termos:

As letras do nome do demônio maligno que é o príncipe deste mundo [i.e. Set, Satan] são as mesmas que aquelas do nome de Deus125 – Tetragrama – e aquele que sabe como efetuar sua transposição pode extrair um do outro.126

Eliphas Lévi explica esta passagem com a declaração Daemon est Deus inversus. Em A Sabedoria Secreta da Qabalah, J.F.C. Fuller observa que ‘Satan . . . é de fato a Árvore da Vida de nosso mundo, aquela vontade livre que, para sua verdadeira existência, depende do choque das forças positiva e negativa as quais dentro da esfera moral nós denominamos bem e mal. Satan é portanto a Shekinah127 de Assiah [o mundo material]. Fuller observou previamente com respeito a Satan que:

O Deus de Assiah128 é o Sammael de Yetzirah129 invertido, que é o Metatron de Briah130 invertido, que é o Adam Qadmon de Atziluth131 invertido. Em resumo, Sammael em Assiah é o Adam Qadmon invertido três vezes removido; ele é a ‘sombra negra da manifestação do Grande Andrógino do Bem’. (Qabbalah, Isaac Myer, pág.331).

O número de Sammael, 131, é de grande importância no Aeon presente. Ele contém o número 13 e seu reverso, 31, sendo ambos vitais para a Corrente Ofidiana. Observe também que a elevação aos planos através das três zonas de poder, Malkuth-Yesod-Tiphareth, traz o foco de poder a Daäth, o vórtice que suga as energias cósmicas negativas que nutrem a Árvore. Isto é típico do ego que absorve tudo como uma esponja e então é ele próprio dissolvido no vazio do Abismo.

O Dragão cuja oitava cabeça reina em Daäth é idêntico com a Besta 666. A metade masculina é Shugal (333), o uivador no Deserto de Set; a metade feminina é Choronzon (333) ou Tífon, o protótipo de Babalon, a Mulher Escarlate. Um dos significados de Goetia é ‘uivar’132 o que sugere que os antigos grimórios eram registros primitivos da tentativa do homem em rasgar o véu do abismo e explorar o outro lado da Árvore. As elaboradas codificações de demônios e seus sigilos e os ritos acompanhando seu uso fazem paralelo com os trabalhos mágicos ortodoxos usados em conexão com a parte frontal da Árvore. Isso explicaria a necessidade de segredo e o uso frequente de nomes sagrados que velavam as verdadeiras intenções do feiticeiro.

A.E.Waite, em sua introdução à O Livro de Magia Cerimonial fala sobre as fases mais ortodoxas da magia como ‘aspectos da Tradição Secreta em tal extensão como esta declarou a si mesma ao lado de Deus’. Ele então declara ‘que existe uma tradição à rebours133. Ele observa mais:

‘Como existe a altura de Kether no Kabalismo, igualmente existe o abismo que está abaixo de Malkuth . . . ‘ Ele não diz, contudo, que o abismo abaixo de Malkuth é acessível ao homem apenas através do Portal de Daäth. Porém na página xli ele escreve:

Como existe uma porta na alma que se abre para Deus, igualmente existe outra porta que se abre para as profundezas (recremental_?), e não existe dúvida que as profundezam adentram quando ela é efetivamente aberta. Também existem os poderes do abismo.

Pode ser observado que Waite distingue entre as ‘profundezas’ e os ‘poderes do abismo’.

Existe uma Arte Negra e uma Branca . . . uma Ciência da Altura e uma Ciência do Abismo, de Metatron e Belial.134

É minha intenção mostrar que a Altura e o Profundo, i.e. o Oitavo e o Tepht135 são idênticos abaixo da imagem da Besta, cuja oitava Cabeça é a Porta do Abismo. Waite observa, corretamente, que ‘Typhon, Juggernaut,136 e Hecate137 não eram menos divinos que os deuses do supra-mundo’138. Ele contrasta o supra-mundo com o submundo ou, como poderíamos dizer, a frente da Árvore com seu lado inferior (neste caso, lado posterior).

É significativo que a incorporação da consciência humana, i.e. o homem, é, em hebraico, ‘Adam’, significando ‘terra vermelha’ ou ‘barro’, um símbolo do sangue solidificado como carne. A palavra Adam deriva do egípcio Atum ou Tum, o sol poente, o sol vermelho- sangue que está morrendo e afundando no Amenta, a terra oculta (hell). Nas tradições mais primitivas (i.e. a Draconiana), antes de o período equinocial ter sido estabelecido, o Norte, não o Oeste, era o lugar da escuridão; o esquerdo, o lado inferior; mesmo como o Sul era o Leste primitivo, como a frente ou lugar de ascensão.139 Daäth, primeiramente o norte, mais tarde se tornou identificado com o Pylon Ocidental e o bourne (início_?) da jornada do homem. A partir do momento de sua encarnação, a consciência humana inicia sua jornada para o Amenta. Então, o início está em Malkuth (terra); o fim está em Daäth (ar ou espaço).

A Besta e a Mulher unidos é a fórmula do Baphomet andrógino que era representado pela cabeça de um asno. Esta criatura era um símbolo Tifoniano do caminho, passagem ou túnel regressivo, um glifo apropriado do Abismo, o portal para o que era Daäth (Death / Morte). O símbolo da qliphoth de Yesod é conhecido como o ‘asno obsceno’, que, por sua vez é simbólico da consciência astral tipificada pela água (sangue), o elemento atribuído à Mulher Escarlate. Daäth, como Sabedoria Superna, corresponde ao elemento fogo, pois ele é o aspecto criativo do ego que gera imagens no sangue de Yesod antes da reificação na carne de Malkuth.

As cinco zonas de poder cósmico do Pilar do Meio correspondem aos cinco elementos:

Terra (Malkuth), Água (Yesod), Fogo (Tiphareth), Ar (Daäth), e Espírito (Kether). A dissolução do ego em Amenta tem que ser realizada antes da ‘ressurreição’ ou exaltação ao céu do Espírito, representado por Kether. Os cinco elementos correspondem aos cinco estados de consciência mencionados pelos hindus: Jagrat (consciência de estado de vigília), Malkuth, Terra; Svapna (consciência astral ou de sonho), Yesod, Água; Sushupti (consciência vazia), Tiphareth, Ar; Turiya (consciência transcendente), Daäth, Morte, Fogo; e Turiyatita (estado Nem-Nem de Kia), Kether, Espírito.140

Malkuth (terra) é o mênstruo de reificação; Yesod (água), o mênstruo de reflexão ou o duplo da imagem141via o sangue da lua; Tiphareth (ar), o mênstruo da aspiração pela luz da consciência solar; Daäth (fogo), o mênstruo de vibração, o Local do Logoi ou Palavra Gêmea que é ambas verdadeira e falsa, pronunciada e não pronunciada; e Kether (espírito), o mênstruo do Não-ser que transmite a Negatividade Pura do Ain.

A numeração total das Sephiroth do Pilar do Meio, incluindo Daäth, é 37, que representa a própria Unidade em sua manifestação trinitária equilibrada.142 37 é também a palavra LHB, significando a ‘chama’, ‘cabeça’, ou ‘ponto’, que resume a doutrina da Cabeça (em Daäth) como o ponto de acesso ao universo de Pura Negação. Também, 37 é o número de LVA que significa ‘Non’, ‘Neque’, ‘Nondum’, ‘Absque’, ‘Nemo’, ‘Nihil’; não, nem, não ainda, sem, nenhum, nada.

Como previamente observado, o número 333, a metade da Besta na frente (Shugal- Set) adicionado a 333, a parte detrás (Choronzon) surge como a Besta 666. Quando 333 é subtraído do número 365,143 resta 32. Este é o número da manifestação total; as coisas como elas são em sua totalidade e finalidade, como representado pela Árvore inteira: as dez sephiroth e os vinte e dois caminhos. Mais importante de tudo, entretanto, 32 é o número de IChID, o ego, self, ou alma. A palavra Ichid deriva do egípcio Akhet, o espírito, o manes, o morto, que enfatiza a natureza precisa do ego como uma upadhi – uma entidade ilusória mascarando-se como o Ser. E este upadhi é o único portal para o reino do puro Não-Ser, de onde se originam todos os fenômenos. A Besta 666 então representa o Habitante no Portal do Abismo, e seus dois aspectos – Shugal (333) e Choronzon (333), juntos resumem os 32 kalas144– que são as chaves para o Mistério da Plenitude, Santidade, Totalidade, representados pela Árvore da Vida e a Árvore da Morte.145

Em A Gênese Natural (vol.I.p.137) Massey declara:

Pode ser afirmado, de modo geral, que todos os inícios verdadeiros na tipologia, mitologia, números e linguagem, podem ser traçados até a abertura de uma Unidade (Oneness) que [se] divide e se torna dual em sua manifestação.

Isto também se aplica à metafísica da ‘Criação’. Em egípcio, o local de abertura é o Teph ou Tepht. A palavra hebraica Tophet deriva do egípcio Tepht como a ‘cova’, ‘inferno’, o ‘abismo’. A letra ‘T’ era uma forma anterior da letra ‘D’, e quando a mais recente substitui a letra inicial da palavra Tepht, nós obtemos Depth (Profundeza). Como Daäth, esta é a abertura primal para o Abismo por trás da Árvore. Massey declara mais ainda que ‘o pensamento humano verificável mais antigo estava relacionado à abertura’ no sentido de que a mãe abriu, e o um por este meio se tornou dois. O paralelo metafísico é também verdadeiro, pois o pensamento humano era uma conceitualização de energias partindo da abertura de Daäth como uma fenda no espaço, por assim dizer, através da qual as forças do Não-ser escorreram e se tornaram, no processo, pensamento conceitual. Assim o ego floresceu, e sua raiz estava no abismo. A palavra ego146 totaliza 78, que é o número de Mezla, a influência de Kether. Esta influência não fluiu diretamente para dentro de Tiphareth (o assento da consciência humana), ela veio via o Túnel de Set por trás de Daäth através do qual ela passou – como a luz através de um prisma – para terminar em pensamento conceitual; daí a sua natureza ilusória. ‘No ato da abertura, as coisas se tornaram duais’- Massey expressou portanto o assunto com relação aos fenômenos físicos; o mesmo também é verdadeiro sobre os fenômenos metafísicos. Uma passagem do Bundahish expressa a situação nesses termos:

A região da Luz é o local de Ahura-Mazda, a qual eles chamam de Luz infinita, e sua onisciência está em visão ou revelação.

Por outro lado: Aharman ‘em Escuridão, com entendimento retrógrado e desejo por destruição estava no abismo, e é ele quem não será, e o local daquela destruição, e também daquela Escuridão, é o que eles chamam de a escuridão infinita’.147

o número do ego, 78, é também um número de AIVAS, o transmissor do AL a partir de uma dimensão extraterrestre. Esta dimensão é interna (está dentro), e não externa (não está fora), e a mensagem de Aiwass procedeu desde o Abismo do Não-ser. Esta corrente negativa, ao passar através do prisma do ego,148 assumiu aqueles aspectos com os quais os estudantes do assunto estão familiarizados: ‘Aiwass é chamado o ministro de Hoor-paar-Kraat, o Deus do Silêncio; pois sua palavra é a Fala do Silêncio’149. Em outras palavras, 78 (ego) é o Logos, a pronúncia manifesta do Imanifesto. Esta vibração (Palavra), no processo de se tornar manifesta é inevitavelmente falsificada, porque de formas que ela possa ser formulada, Nada (Nuit) deve aparecer para tornar-se Algo (Hadit). O reino da palavra – no microcosmo – é o Visuddha chakra que é atribuído a Daäth. Seu elemento, ar, é o mênstruo de vibração, o meio através do qual o silêncio se manifesta em som. Em termos mágicos Daäth como ar é o meio pelo qual Hoor-paar-Kraat se manifesta como Ra-Hoor-Khuit. O numênico se torna fenomenal no chit- jada-granthi 150 ou centro-Daäth que tipifica o ego, a fonte aparente de todos os fenômenos.

Também, 78 é o número de Enoch (ChNK), significando ‘iniciar’. Enoch era a fonte das Chamadas ou Chaves usadas por Dee e Kelly em seu tráfico com entidades extraterrestres. É de fato a Dee que nós devemos o primeiro relato sobre Choronzon, o Guardião do Abismo151. Ainda mais, 78 é o número de MBVL, ‘uma enchente’ e portanto a enchente. A palavra deriva do egípcio mehber,152 que contém o nome real do abismo. Finalmente, 78 é o número de cartas que compreendem o pacote do Taro e, como tal, ele resume todas as fórmulas ocultas possíveis.

Em resumo, Daäth é a abertura primal, a fonte do universo conceitual, i.e., o ego; daí sua natureza alegadamente satânica e enganosa. A fórmula de sua resolução é a fórmula de iniciação no Real, i.e. o anti-universo ou mundo do não-ser, o negativo, o Ain.

Já foi observado que Ain, vazio fenomenal, é, no inverso, o Nia. Esta palavra, que é comum á vários dialetos africanos, denota o negativo, não (no, not). Ela era representada no Egito pela deusa Nuit. Seu determinativo hieroglífico é a mulher menstruando. O ain (olho) como nia, é o olho invertido; não o olho da luz, mas o olho da escuridão, o olho oculto, a vulva em sua fase negativa, a lua [feiticeira_?] de sangue, o eclipse lunar.

As Duas Águas ou Cheias descritas no Bundahish são consideradas como fluindo [a partir] do Norte. Este é o lugar de Daäth, a fonte do segundo dilúvio, o primeiro fluindo do Ain, ainda mais além do norte. Dion Fortune salienta que nas tradições mais antigas o Norte era considerado como o local da maior escuridão. Como a mulher foi a primeira a abrir e dividir em dois, então a escuridão precedeu a luz no sentido de que ela era o estado de ser numênico, negativo, a partir do qual a existência, o estado positivo, foi emitida. Daäth é o portal para a escuridão primal no norte. Inversamente ela é também o manifestador da existência, representada pelo sul. Set é Matéria; Nuit é Espírito. O Norte ou costas da Árvore com sua rede de túneis aparece no Sul como a frente da Árvore na forma das zonas de poder e caminhos. Como a Mãe-Escuridão era primal e representava as costas da Árvore, assim a Mão Esquerda como a mão feminina ou infernal, era também a primeira. Existe uma tradição rabínica que mantém [a idéia de] que ‘todas as coisas vieram a partir de Hé’. Hé é o número 5, que é o glifo da Mulher tipificado pela sua fase negativa; ele é também o equivalente de uma mão (cinco dedos), a própria mão sendo típica [do ato] de formar, moldar, criar. Seu ideograma era o macaco-Kaf (?) ou cinocéfalo, o veículo especial do deus Thoth (a lua), assim indicando a natureza lunar desta formação. A mulher produz o sangue a partir do qual a carne é formada. A Mão Esquerda portanto se equaciona com o simbolismo do macaco. Nos antigos mistérios egípcios o macaco era um tipo da morte transformadora, quer dizer, do nascimento dentro do mundo do espírito. O significado esotérico é que, na noite da morte (Daäth), o ego é dissolvido, descarta sua existência ilusória e alcança o ser real que é não-ego, não-ser.

Notas:

115 Eu expliquei os aspectos Tântricos deste Mistério em minha Trilogia Tifoniana (q.v.). Crowley foi um dos primeiros adeptos a incorporar ao ocultismo Ocidental o uso mágico das energias sexuais, embora o iniciado africano, P.B.Randolph, operando nos Estados Unidos por volta da virada do presente século foi talvez o primeiro à advogar abertamente um uso mágico do sexo. Vide Eulis (P.C.Randolph), Toledo, Ohio, 1896.

116 Para uma interpretação iniciática deste mito, vide Aleister Crowley & o Deus Oculto, capítulo 10.

117 O Ser, por si apenas, é real. Ele é a within-ness (internalização_?) das coisas; o noumenon. A existência é irreal pois, como está implícito na palavra, ela comporta a objetividade do Ser em algum estado externo, e não existe nenhum. O universo fenomenal, ou Existência (como uma ‘permanência fora’ de subjetividade) é apenas aparente.

118 A palavra Shugal é o equivalente cabalístico da palavra SaGaLa que é considerada por iniciados como sendo o nome de um metal do qual é constituída a estrela gêmea escura ou invisível de Sírius. Vide Robert Temple, O Mistério de Sírius, pág.24. O simbolismo da raposa é também implícito. Vide Temple, págs. 24, 48.

119 O Universo é conceitual, e nenhum conceito é possível sem um ego para concebê-lo.

120 Vide Imagens e Oráculos de Austin Osman Spare, Parte II, (1975).

121 Kaf em hebraico significa a ‘palma’ (da mão).

122 Olho = Ayin = Ain = Nada.

123 i.e. o ponto de vista individual.

124 i.e. a vulva.

125 Deus (God) = AL = 31; a afinidade vem, como declarado, via Kia, o Olho, AL, a Chave para a Corrente 93 (93 é três vezes 31), e Ain, o olho secreto de Nuit que, como Tífon, era a mãe ou fonte de Set.

126 Como demonstrado. Vide nota anterior. O trecho é de Kabbalistic Conclusions, XIX, citado em A.E. Waite: A Santa Kabbalah, Livro X.

127 Shekinah é o equivalente judaico de shakti, poder divino.

128 i.e. Satan.

129 Sammael (SMAL = 131 = Pan, etc) é o Guardião no Limiar (do Abismo). Yetzirah é o mundo formativo ou astral. SMAL, 131, é também o número de Mako (Set) o filho de Tífon.

130 Metatron é o Anjo de Briah, o Mundo Criativo.

131 Atziluth é o Mundo do Espírito, algumas vezes chamado de o mundo arquetípico. Os quatro mundos: Assiah, Yetzirah, Briah e Atziluth correspondem aos quatro estados de consciência referidos pelos hindus como Jagrat, Svapna, Sushupti, e Turiya. (Vide capítulo anterior).

132 Vide As Confissões de Aleister Crowley , capítulo 20.

133 Página xxxviii. A rebours significa ‘contra o grão’, i.e. ao inverso.

134O Livro da Magia Cerimonial, pág.5.

135 Tophet; a Profundeza.

136 Yog-Nuit. Compare com Yog-Sothoth.

137 Ur-Hekau, a coxa emblema do Grande Poder Mágico (shakti), conhecido pelos egípcios como o ‘Poderoso dos Encantamentos’. Vide O Livro dos Mortos.

138O Livro da Magia Cerimonial , pág.14.

139 i.e. do sol no macrocosmo e do falo no microcosmo.

140 Será notado que na série de atribuições anterior o Ar, e não o Fogo, é atribuído a Daäth. Isso é porque Daäth enquanto o Portal do Vazio = (é igual a) Espaço (Ar), ao passo que Daäth enquanto Morte = (é igual a) Dissolução (Fogo).

141 i.e. reprodução em níveis astrais.

142 111 dividido por 3.

143 O ciclo completo de manifestação como tipificado pelo círculo de 360 graus, mais os 5 dias ‘ proibidos’. Vide Cultos da Sombra, capítulo 4.

144 Dezesseis cada = 32.

145 333 + 32 = 365. O número 365 e os 16 kalas foram explicados em detalhes em Cultos da Sombra, capítulo 4.

146 Por Cabala Simplex, Ego = 25, que é o númedo d’A Besta, ChIVA, como 5 x 5, a fonte ou útero da vida. Tenho uma dívida para com a Soror Tanith por ela ter salientado para mim que ShIVA é uma metátese de AIVASh, assim identificando a Besta com o prisma egoidal através do qual as forças extraterrestres fluem para o ser (para se tornar_?) a partir dos vazios do Espaço (não-ser).

147 Citado por Massey em A Gênese Natural,vol.I, página 147 de O Bundahish , capítulo I, versos 2 e 3. (trans.West.)

148 Neste caso, Aleister Crowley.

149Comentários Mágicos e Filosóficos Sobre o Livro da Lei, p.94.

150 Um termo sânscrito que denota o nó ou centro sutil  no qual a senciência se identifica com a não-senciência e portanto parece criar uma entidade autônoma ou sujeito consciente tendo o ‘mundo’ como seu objeto.

151 Dr.John Dee, 1527-1608: ‘Existe um Poderoso Daemon, O Poderoso Choronzon, que serve para guardar as Grandes Portas do Universo Desconhecido. Conheça-O Bem e Esteja Atento’.

152Meh, ‘o abismo das águas’; ber, mais tarde bel, ‘jorrar’, ‘inchar’ , ‘ser efervescente’.

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/alem-do-pylon-da-cova/