Hermes – Metais, Ervas e Pentagramas

Postado no S&H dia 26/jun/2008,

“É verdade, certo e muito verdadeiro.
O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.
O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua ama;
O Pai de toda Telesma do mundo está nisto.
Seu poder é pleno, se é convertido em Terra.
Separarás a Terra do Fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
Desse modo obterás a glória do mundo.
E se afastarão de ti todas as trevas.
Nisso consiste o poder poderoso de todo poder,
Vencerá todas as coisas sutis e penetrará em tudo o que é sólido.
Assim o mundo foi criado.
Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.
Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal.
O que eu disse da Obra Solar é completo.”

Durante nossas matérias anteriores, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a decifrar nesta coluna.
Semana retrasada falamos sobre Thanatos, deus dos mortos, e sua relação com o Astral. Em seguida, comentei sobre Hecate e a intuição. Continuando a linha de raciocínio, falaremos hoje sobre Hermes, a manifestação da vontade (Thelema) no Astral.

Ao contrário de hecate, que representava a parte passiva da espiritualidade, através da mediunidade, Hermes representa a parte ativa da mediúnidade, ou a capacidade dos seres no Plano Físico atuarem sobre o Astral.
Esta atuação acontece na forma de mantras (ou palavras de poder), de objetos mágicos (círculos, espada, taças e outros objetos magnetizados pela luz astral) e da vontade do magista. Deste tipo de atuação surgiram as bases a respeito dos exorcismos, conjurações e banimentos.

Hermes
Já havia falado sobre Hermes AQUI. Recomendo a leitura antes de prosseguir.
Hermes é tido como uma das mais importantes divindades gregas do Panteão Olímpico. Considerado o mais jovem dos deuses, ele é o protetor de todos os viajantes e ladrões, é o mensageiro dos deuses, responsável por levar a palavra dos deuses até os mortais (qualquer semelhança com Prometeu ou Lúcifer NÃO é mera coincidência); Hermes é o deus da eloqüência, ao lado de Apolo, é o Deus dos diplomatas e da diplomacia (que era chamada de Hermeneus pelos gregos) e é o deus dos mistérios e interpretações (da onde vem a palavra Hermenêutica). Além disto, era um dos únicos deuses que tinha permissão para descer ao Hades e partir quando desejasse. Todos os outros (incluindo Zeus) estavam sujeitos às leis de Hades.
Hermes tinha vários símbolos, mas os mais tradicionais eram as sandálias com asas, o caduceu (que curiosamente representa a Kundalini, duas serpentes enroscadas em um cajado) e a tartaruga (de cujo casco ele criou a primeira Lira) e sua flauta de 7 notas.
Como inventor de diversos tipos de corrida e também das lutas, Hermes era considerado o patrono dos atletas. Finalmente, era tido como o inventor do Fogo (em alguns textos anteriores a Prometeu) e considerado um deus pregador de peças, que adorava aprontar com seus irmãos (isto desde seu nascimento, quando a primeira coisa que fez quando aprendeu a andar foi roubar os bois de Apolo e esconde-los). Hermes era patrono dos alquimistas, magos e filósofos.

Hermes representa HOD, ou seja, a RAZÂO. Como pudemos ver, a razão está diretamente ligada à VONTADE dentro da Magia. A escolha simbólica de Hermes como o terceiro Psycopompo traduz bem esta manifestação da magia.

Influências do Físico no Astral
Desde a antiguidade sabemos que determinados elementos físicos são capazes de atuar nos elementos sutis do Astral. Os mais conhecidos e que acabaram se tornando parte de ínumeros folclores são o Sal, o Mercúrio, o Enxofre, a Prata, o Ouro e os outros metais alquímicos. As plantas afetam o astral por causa de suas auras, que interagem eletromagneticamente com as nossas e com elementos dos planos sutis, como explicarei abaixo.

O Sal
O sal absorve emanações negativas, cristalizando-as e limpando o ambiente. Disto derivam diversos costumes que perduram até os dias de hoje.
O mais comum de todos é o “banho de sal grosso”. Água com sal marinho é uma das melhores substâncias para remover miasmas astrais de um corpo. E o melhor banho energético de todos continua sendo o banho de mar. Os antigos tinham o costume de deixar-se banhar por sete ondas para limpar quaisquer miasmas ou impurezas que tivessem. Ao contrário dos ignorantes, que “pulam” sete ondas, o correto é deixar as sete ondas cobrirem TOTALMENTE o seu corpo. Claro que as dondocas com seus vestidos caríssimos de final de ano não vão sair ensopadas do mar, então esse costume foi “ajustado”. O tio Marcelo adianta que pular sete ondas não serve para absolutamente NADA; a limpeza só funciona se você for inteiramente banhado pela água salgada.
Banhos de sal grosso podem fazer o mesmo efeito, mas há uma ressalva. Como ele age como um solvente, se a pessoa já estiver debilitada, em certos casos, não é recomendado. O melhor é um “banho de ervas”, como explicarei mais abaixo.
O sal grosso pode ser colocado nos cantos de uma sala para absorver miasmas, funcionando como uma “fossa séptica astral” (funciona pelo mesmo princípio da “Firmeza” nas tradições africanas, mas de eficácia obviamente muito menor). A cada 3 ou 7 dias, quando o sal estiver empapado, recolha e jogue em água corrente ou aos pés de uma árvore e troque o sal. Na Europa é comum espalhar sal por sobre o batente das portas, pela mesma razão.

A palavra Salário vem de “salarium argentum” que é a medida em prata ou ouro recebida pelos soldados romanos suficiente para comprar determinada quantia de sal (ao contrário do imaginário popular, eles não recebiam diretamente em sal; se fosse assim, seria muito mais rentável ficar na beira do mar coletando sal o dia inteiro do que ir para batalhas se arrebentar em troca de um punhado de cristais brancos). A palavra “Salarium” vem das estradas até as minas de sal (“Via Salarium“) que estes soldados protegiam. Os “Assalariados” eram os soldados que guardavam estas estradas.
O valor do sal estava muito associado ao seu poder mágico, por isso era costume das pessoas carregar consigo pequenos saquinhos de sal grosso e ervas amarrados em seu corpo para absorver emanações negativas. Nas tradições africanas este saquinho era chamado de Patuá e no Japão esta prática é conhecida como Kusudama. Os celtas usavam trevos como principal erva nestes amuletos, de onde veio a tradição do trevo de quatro folhas como planta da sorte.

Derramar este sal era considerado má-sorte, pois deixava a pessoa desprotegida contra ataques astrais ou psíquicos. Desse costume também vem a expressão “fulano não vale o sal que come” que mais tarde se tornou “não vale o que come”.

Lágrimas também entram na categoria de fluidos capazes de absorver más emanações (especialmente porque vem acompanhado de emanações emocionais mais fortes). Nem preciso falar a respeito da quantidade de lendas e contos medievais a respeito de “lágrimas” e seus processos curativos. A própria palavra “saudade” vem de “saldare” em referência às lágrimas vertidas pelo sentimento de falta de determinada pessoa.

E finalmente temos a Água Lustral, e posteriormente a cópia da Igreja chamada “água Benta”, muito utilizada para limpar instrumentos mágicos, locais e consagrações.

O Enxofre
Um dos mais efetivos materiais de remoção de miasmas, o enxofre era muito utilizado em defumações na antiguidade. Antes dos principais rituais religiosos ou em locais muito carregados, era costume passar com defumadores contendo mirra, louro e enxofre, especialmente em locais onde haviam muitos sacrifícios. Mais tarde, a Igreja iria inventar a associação entre o Diabo e o cheiro de enxofre baseado nisto.
No oriente, o enxofre era utilizado na forma de pólvora e fogos de artifício para dissolver miasmas e outras entidades obsessoras, especialmente elementais e construtos astrais malignos. Disto vem o costume de usar fogos de artifícios em comemorações. Eles são usados para literalmente “limpar o ambiente”.
A pólvora também é utilizada pelos cultos africanos em sessões de “descarrego” justamente por esta propriedade de dissolver larvas astrais que estejam porventura enraizadas no duplo-etérico da pessoa (e muitos picaretas universais também estão tentando adaptar a prática “em nome de Jesus” – até arrumaram a desculpa para o cheiro de enxofre que fica depois). Também é utilizada na bruxaria celta e nórdica dentro de caldeirões (a razão prática pela qual caldeirões precisam ser de ferro).

Os metais alquímicos
Os sete metais alquímicos (ouro [sol], prata [lua], mercúrio [mercúrio], cobre [vênus], ferro [marte], estanho [júpiter] e chumbo [saturno]) afetam em diferentes graus e intensidades os fluidos astrais. Por esta razão, são utilizados em diferentes rituais com diferentes finalidades, que não vêm ao caso agora.
Os mais conhecidos nas lendas são a prata, associada a Yesod/lua/Astral, que dissolve miasmas ao toque (de onde originou a lenda da prata como sendo o metal capaz de ferir lobisomens e vampiros); o ferro (que é utilizado em portões e grades de cemitérios para não deixar espíritos irados trespassarem os limites da necrópole e também deu origem à lenda de que fadas e elementais não podem tocar ferro frio, o que é uma verdade).

Ervas
As plantas também possuem duplo-etérico e consequentemente, uma aura. Quando falamos de “banho de ervas”, queremos dizer que as ervas em questão precisam ser maceradas (esfareladas com suas próprias mãos e deixar a seiva – que é o SANGUE da planta – misturar com água). Qual a ciência por trás disso? Normalmente o Guia ou médium é capaz de enxergar alguma perturbação no duplo-etérico da pessoa e recomenda uma erva adequada para estabelecer o equilíbrio (de onde surgiu a lenda a respeito de determinados orixás serem senhores de determinadas plantas). Com esta seiva misturada à água, o banho fará com que ambos os campos eletromagnéticos sutis entrem em contato e se equilíbrem. As plantas mais comuns para estes banhos são a arruda e o manjericão, mas existem dezenas de tipos de banhos de ervas diferentes, de acordo com o tipo de problema. Algo importante e que quase ninguém sabe é que após tomar um banho de ervas não devemos nos enxugar, mas apenas secar levemente nosso corpo, deixando-o terminar de secar naturalmente.
Da mesma maneira, existem os chás de ervas, nos quais as ervas são fervidas e bebidas posteriormente, com efeitos curativos dos mais diversos.

Cristais
Com o conhecimento de que nossos corpos são máquinas eletromagnéticas, muitas doenças nada mais são do que o desequilíbrio energético nos nadis (dutos) em nosso duplo-etérico. Neste sentido, o que acupuntura faz é direcionar estes fluxos energéticos de maneira adequada e equilibrar o balanço de prana dentro do organismo, eliminando a causa da doença logo em seu estágio inicial.
Os cristais funcionam de forma análoga; eles geram campos magnéticos sutis que ressoam com os campos eletromagnéticos de cada chakra específico, auxiliando o fluxo de prana e reestabelecendo o equilíbrio e saúde.

MAS eu preciso fazer uma mega-hiper-super ressalva aqui. São ALGUNS cristais específicos, aplicados em alguns pontos certos do corpo e da maneira apropriada. Não é éssa loucura alucinada dos misticóides da Nova Era e suas feiras de badulaques exotéricos (com “X”). Comprar cristais “Além da Lenda” e deixá-los em cima do seu corpo não vai adiantar em NADA. Um dia eu faço uma matéria só sobre cristais, desmistificando essas loucuras que a gente vê por ai.

Desnecessário dizer que nada disso é reconhecido pela ciência ortodoxa mas, para ser sincero, eu prefiro assim, pois se do jeito que está já existem uns 90% de charlatões místicos, imagine se alguém emite um certificado das otoridades dizendo que funciona mesmo… imagine que, se com conselhos sérios como o CRM já existem milhares de charlatões se passando por médicos e trocentos problemas de cirurgias e picaretagens que vemos por ai nos jornais (sem falar dos “misticos”), que caos acontecerá com seres irresponsáveis do gado posando de “doutores em cristais”…

Além disso, existe o desinteresse natural da “ciência médica” em relação a métodos gratuitos de cura e saúde… quantos bilhões são gastos anualmente fabricando drogas que não precisamos? quem lucra com isso não tem o menor interesse que as populações sejam “equilibradas energeticamente”… aliás, fazem o possível para isso ser o mais ridicularizado possível. Para quê se equilibrar com Ioga, respirações e alimentação adequada quando você pode simplesmente ficar doente e gastar dinheiro com remédios caros!

Como eu costumo dizer, as superstições são os cadáveres das antigas práticas religiosas e mágicas… Quando se remove a razão e o conhecimento dos motivos, sobra apenas a repetição cega e a crendice.

Conjurações
Sempre existiu uma certa confusão entre os limites da mediúnidade e da magia de conjuração. Desde o xamanismo e suas manifestações tribais mais primitivas aborígenes e africanas, existiam duas classes de magistas. Em essência, ambos trabalhavam com o mesmo princípio, apenas variando as freqüências astrais de suas conjurações.
Ao contrário da mediunidade, onde o médium irá “receber” passivamente um espírito, na Magia cerimonial o magista irá ordenar ativamente que o espírito venha até sua presença e obedeça sua vontade.
E a palavra chave para tudo isso é “vontade”. Através do domínio de seu consciente e subconsciente, o magista é capaz de canalizar sua vontade através da Luz Astral e influenciar os corpos sutis tanto dos espíritos dos mortos (Thanatos) quanto as habilidades mediúnicas de outras pessoas (Hecate).

o Círculo e as Ferramentas
O círculo delimita o espaço de trabalho do magista. Ele é considerado uma manifestação da vontade do mago e uma extensão de seus domínios. Pode-se traçá-lo fisicamente no chão ou mentalmente no espaço (fisicamente será melhor para iniciantes, pois desta maneira se conseguirá manter a concentração mais facilmente, ainda mais quando a mente estiver ocupada com todos os outros detalhes da ritualística).
As ferramentas exigirão uma matéria apenas para elas. As mais comuns são o bastão, a espada, o athame, o pantáculo, a taça, o incensário, as velas, as roupas e o cetro (ou varinha). Com eles, o magista é capaz de direcionar sua vontade e canalizar suas manifestações mentais no astral com maior efetividade.

Fazendo a comparação com Thanatos: através da vontade, um magista consegue interferir no astral o suficiente para afetar quaisquer seres astrais/espíritos que estejam nas proximidades, seja removendo miasmas, seja afastando-os ou até mesmo aprisionando-os (as histórias a respeito dos gênios dentro de garrafas não são meras alegorias).
Fazendo a comparação com Hecate: através da vontade, o magista consegue interferir na mediunidade de uma pessoa, aumentando ou diminuindo a sensibilidade, cortando os canais de ligação entre os médiuns e os espíritos ou facilitando/simulando esta comunicação através de outros objetos (espelhos mágicos oraculares, por exemplo… “espelho espelho meu, você acha que o tio Waldisney colocou esta passagem à toa na Branca de Neve?”)

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Exercício Prático de Imaginação e Vontade
Pode ser feito em seu quarto ou local de descanso.
Em primeiro lugar, encontre o Leste.
Fique de pé, mantendo os pés em esquadro, o pé direito apontado para o leste. Deixe o braço esquerdo caído ao lado do corpo e junte os dedos polegar, indicador e médio da mão direita, formando o Kureba Mudra. A posição dos dedos no Kureba mudra parece como se você estivesse segurando um giz de cera invisível.

Respire calma e relaxadamente alguns instantes, até estar plenamente concentrado, e comece:
Trace um Pentagrama no Ar, localizado à sua frente, começando do 1 e seguindo a ordem numérica, de acordo com a imagem. Imagine que ele seja formado por uma luz azul muito forte e brilhante. INSPIRE enquanto traçar o risco de 1 para 2, EXPIRE quando traçar o risco de 2 para 3, INSPIRE quando traçar o risco de 3 para 4, segure a respiração quando traçar o risco de 4 para 5 e EXPIRE quando traçar o risco de 5 para 1.

Se você souber qual é, imagine agora o símbolo do ELEMENTO AR dentro do pentagrama, se não souber, vai pesquisar. Faça um ponto dentro do pentagrama e deslize seu corpo e o braço no ar 90 graus para a direita, ficando de frente para o SUL e traçando uma linha de luz azul na altura do seu ombro, ao seu redor, formando um círculo onde você estiver. É importante manter a concentração e inspire enquanto estiver traçando este círculo.
De frente para o SUL, repita o traçado do segundo pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO FOGO dentro do pentagrama.
Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Oeste; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no sul e continue até o oeste.
De frente para o OESTE, repita o traçado do terceiro pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO ÁGUA dentro do pentagrama.
Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Norte; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no oeste e continue até o norte.
De frente para o NORTE, repita o traçado do quarto pentagrama, seguindo as mesmas instruções de respiração do primeiro pentagrama.
Imagine o símbolo do ELEMENTO TERRA dentro do pentagrama.

Novamente, gire o corpo 90 graus para a direita, ficando de frente para o Leste, onde você começou o exercício; trace o círculo começando do EXATO ponto onde parou no norte e continue até o exato ponto onde você começou a traçar o círculo.

Agora vem o exercício de imaginação e vontade: esta estrutura precisa ser mantida na sua imaginação com o máximo de detalhes possível: luz, o brilho azulado influenciando no físico, imaginar as paredes do local iluminadas fracamente por esta luz, os quatro pentagramas flutuando no espaço, ao redor dos 4 pontos cardeais no círculo e o próprio círculo luminoso contínuo.
Depois do exercício, você pode fazer o que quiser na sala, mas tente manter esta construção mental pelo maior tempo que conseguir. Se estiver fora do quarto, imagine a estrutura montada dentro dele; quando voltar, enxergue o conjunto. Se estiver em outro lugar e imaginar sua sala de estudos, imagine a estrutura dentro dela.

Mas tio Marcelo, isso é alguma forma de círculo de proteção?
Talvez… por enquanto é apenas um exercício de concentração e imaginação. Nada mais. e não esqueça de fazer os outros exercícios que eu passei nas colunas anteriores, em especial o da Vela e dos Chakras.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermes-metais-ervas-e-pentagramas

Ritual de Aniversário

A Origem deste Ritual remota o Antigo Egito. Ele é realizado por magistas em todo o mundo (e imitado praticamente por todas as pessoas do Planeta, sem que estas tenham conhecimento do que poderiam realizar se soubessem o que estão fazendo).

Durante cerca de 15 minutos por ano, o Sol entra em Conjunção Perfeita (zero graus) com o Sol do Mapa de cada pessoa da Terra. Isto ocorre no dia do aniversário de cada um e é o período mais forte do ano para a realização deste ritual de transmutação.

Para ampliar ainda mais o poder do magista para este ritual, neste dia ele reúne seus melhores amigos que, através de presentes (que normalmente são pequenos objetos feitos pelas mãos de quem presenteia, de maneira a serem receptáculos da emanação da Thelema de cada um dos convidados) emprestam sua energia pessoal para que o magista realize uma evocação.

Os presentes funcionam como transmissores da energia daquela pessoa para o magista (objetos ficam impregnados com as intenções de quem os tocam), mas podem ser substituídos por abraços (com intenção magística). O importante é que cada convidado saiba o que está fazendo; que a INTENÇÃO e vontade seja sincera.

No instante da conjuração, imbuído da energia emprestada de TODOS os convidados, o Magista poderá “fazer os seus pedidos” (evocar um Elemental do Fogo que, durante o próximo ano, tentará realizar o desejo expresso pelo magista no melhor de suas habilidades).

Esta conjuração é feita acendendo uma vela (magia do elemento fogo)e expressando o desejo do mago, da maneira tradicional. A vela não deve ser apagada e é removida para o altar ou para algum outro local na residência e deixada queimar até o final.

Após este pedido, o Magista devolve a energia emprestada aos convidados, através do verbo (sopro), para o bolo ou pão que será repartido entre eles (é a origem das comemorações envolvendo bolos e velas, com a diferença que não é a vela que se deve assoprar, mas o bolo). Esta parte do ritual chama-se “ágape”.

Todo o processo é um fluxo de energia vindo de todos os convidados para o Magista; usada na evocação e depois a devolução desta energia repartida entre todos os convidados.

Claro que hoje em dia praticamente todo este significado está perdido… presentes viraram meras formalidades, compradas sem nenhuma intenção ou amor ou amizade, mais como obrigação do que como desejo de prosperidade para a pessoa; a comemoração propriamente dita virou uma algazarra e a vela é assoprada no final, para que desejo seja apagado junto com o elemental (que nem chega a ser invocado, já que quem acende a vela não faz a menor idéia do que está fazendo ali ou do por quê está acendendo aquela vela).

O bolo também virou apenas um evento gastronômico, sem nenhuma meditação ou entendimento do que está sendo feito naquele momento entre todas aquelas pessoas ou que energias poderiam ser trabalhadas ali.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ritual-de-anivers%C3%A1rio

Characith (Túneis de Set)

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden.

 

O DÉCIMO-OITAVO Caminho está sob a égide de Câncer. Seu túnel é guardado por Characith cujo número e 640. Câncer é o astro-glifo do Santo Graal e 640 é o número de KVS ThNChVMIM, o Cálice de Consolação; e aquele que consola o Adepto no Caminho de Cheth é o Cálice de Nossa Senhora. Tal é a natureza deste Cálice que produz ambos êxtase e imortalidade mágica que seus kalas são altamente viciantes. Se o Adepto se demorar muito neste túnel o vício se tornará obsessivo e ele correrá o risco de se tornar um vampiro, drenando cálice após cálice do caldo infernal destilado pela Grande Meretriz, a Mãe das Abominações, que responde avidamente aos desejos obscuros daqueles que estão embriagados pelo vinho de suas fornicações.

 

A fórmula mágica deste kala é cunnilinctus que, se exceder os limites apropriados leva não apenas à morte605 do(a) parceiro(a) mas também do próprio magista. A Ordem de Qliphot que habita o túnel de Characith é portanto conhecida como os Shichiririon,’os Negros’.

 

Nos Arcanos de Thoth a letra cheth (8) é atribuída ao caminho 18 e é significativo que o reflexo positivo da qliphoth negativa assume a forma de Krishna o Cocheiro606. Apolo o Cocheiro é também atribuído à este caminho, e o ‘Senhor do Triunfo da Luz’ (um título deste Atu) é refletido dentro do túnel como o Sol Negro de Tifareth, a Criança das Águas do Abismo que gira no Graal de Babalon.

 

Quando o sol se avermelha ou se põe diz-se que ele está bebendo o sangue da deusa ou ‘realizando a mais alta forma de cunnilinctus’, uma expressão utilizada em um certo comentário secreto sobre o rito Kaula do Vama Marga.607

 

O número de Characith, 640, é também aquele de ShMSh, a Esfera do Sol, que equaciona com MMSK (640), significando ‘uma oferenda de bebida’, e ThMR a ‘palma da mão’ e uma ‘palmeira’. As datas da palmeira estão conectadas com os fenômenos da menstruação.608

 

O sigilo de Characith deve ser pintado em marrom esverdeado escuro sobre um círculo matizado de âmbar. Ele mostra uma múmia com a face voltada para baixo obscurecida por uma entidade com cabeça de camelo que é emitida de seus pés. Esta imagem é como ela foi ocultada no nome Characith, pois 640 é o número de MPLTzTh, um ‘ídolo horrível’ (simulacrum horrendum). O camelo é o navio do deserto. Seu simbolismo tem sido explicado em conexão com o 13º túnel que cruza o abismo via caminho da Sacerdotisa da Estrela de Prata. O camelo também é atribuído ao 18o caminho onde ele funciona como uma besta de carga. O caranguejo, tartaruga e baleia estão também incluídos porque este caminho está sob a égide de Câncer, uma influência aquática que representa o elemento mais vital em operações astro- mágicas.

 

Os siddhis associados a este kala são os Enfeitiçamentos e o Poder de Lançar Encantamentos.

 

O nome de Characith deve ser vibrado na clave de ‘D’ agudo acompanhado pelos plashings (sons) 609 peculiares às fontes ou quedas d’água mágicas.

 

O Cálice e o Forno são as armas mágicas apropriadas, e no simbolismo do reino vegetal o agrião é atribuído a este kala porque à combinação de calor e umidade, fogo e água, tipifica o conteúdo do Cálice que contém o orvalho ígneo da deusa.

 

O verso apropriado do Liber CCXXXI declara:

 

Ele viajou na carruagem da eternidade; o branco e o negro estão subordinados ao seu carro. Portanto ele refletiu o Louco e o sétuplo véu é revelado.

 

Isso implica a regência ordenada de diversas forças. O branco e o negro são os dois sóis do horizonte superior e inferior, ou a altura e a profundidade, o Forno infernal de Amenta e o Sol supernal da Árvore frontal (Tifareth). A força solar (Heru-Ra-Ha) está aqui implicada, pois o branco e o negro são Ra-Hoor-Khuit e Hoor-Paar-Kraat e não é por acaso que as iniciais destes deuses somam 640, o número de Characith610. O sétuplo véu é aquele da Deusa das Sete Estrelas que é diáfano em sua luminosidade. ‘Ele’611 reflete o Louco, que é a Luz Oculta que é ‘A’ entre I e O (Isis e Osíris). ‘A’ é Apophis, o Deus Set em sua forma Ofidiana. Ele é a luz que tinge o graal da deusa [que é] drenado pelo Adepto.

 

A Fórmula Mágica do 18º kala é Abrahadabra, a ‘chave dos rituais’ mencionada em AL612 Estes rituais incluem aquele do oitavo grau da O.T.O. que descerra tanto este caminho quanto o 13º caminho, cujo túnel é deslacrado pelo rito do XI. Had é o coração de Abrahadabra, como Apophis é o coração de IAO, o Coração Cingido com a Serpente (Set) que pulsa com as vibrações ofidianas girando no Cálice de Babalon. O VIIIo possui portanto uma ligação positiva com o XIo a corrente lunar. Isto é equilibrado pelo IXo que é a chave para o Caminho 19.613

 

O deus africano Loco é um habitante do túnel de Characith. Ele é um deus das florestas que, junto com Elere, Ojehun e Abiku, maus espíritos da selva e do deserto, planeja para penetrar nos úteros das mulheres de forma a nascer dentro da onda de vida humana.

 

605 Por esgotamento.

 

606 ‘Krishna’significa literalmente O Negro.

 

607 Vide a Trilogia Tifoniana.

 

608 Vide Cultos da Sombra, capítulo 2.

 

609 Nota do Tradutor: provavelmente uma onomatopeia (os sons de uma fonte ou de um cachoeira).

 

610 HRH + RHK + HPK = 640

 

611 i.e., Asar (Osíris), o ‘morto’.

 

612 I.20

 

613 Vide observações relacionadas à relação entre túneis e as fórmulas de magia(k) sexual, abaixo, p.205.

 

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/characith-tuneis-de-set/

Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei

O dicionário Webster classifica religião como “o serviço e veneração a Deus ou ao sobrenatural; um conjunto de leis ou um sistema institucionalizado de atitudes religiosas, crenças e práticas; a causa, princípio ou sistema de crenças efetuada com ardor e fé”. Ele também coloca a palavra Ritual como sendo “uma forma estabelecida de cerimônia; um ato ou ação cerimonial; qualquer ato formal ou costumeiro realizado de maneira seqüencial”.

Porém, nenhum dicionário vai conseguir dar a vocês a verdadeira definição de Magia. Magia é um processo deliberado no qual eventos do desejo do Mago acontecem sem nenhuma explicação visível ou racional. Os católicos/evangélicos chamam estes eventos de Milagres quando são produzidos por eles e de “coisas do demônio” quando são produzidos por outras pessoas. As religiões ortodoxas acabaram presas em uma armadilha que elas mesmas criaram a respeito dos rituais e da magia. Embora a Igreja Católica (e as Evangélicas por extensão, com seus óleos sagrados, águas do rio Jordão e círculos de 318 pastores) use e abuse de rituais de magia baixa em seus cultos, o mero comentário que seus fiéis estejam usando rituais de magia pode te arrumar confusão.

Então… como os magos definem magia? Um Ritual de Magia é apenas e tão somente a canalização de energias de outros planos de existência, através de pensamentos, gestos, ações e vocalizações específicas, em uma forma manifestada no Plano Físico. O nome que se dá a isso é Weaving (tecer), de onde se originam as palavras Witch (bruxa) e Wiccan (bruxo). Não confundir com a baboseira new age que se difundiu no Brasil e que chamam de “wicca” por aí. Estou falando de coisas sérias.

A idéia por trás da magia é contatar diversas Egrégoras (chamadas de Deuses ou Deusas) que existem em uma dimensão não material. Os magos trabalham deliberadamente estas energias porque as Egrégoras adicionam um poder enorme ao Mago para a manifestação de sua vontade (Thelema, em grego).

O primeiro propósito de um ritual é criar uma mudança, e é muito difícil realizá-las apenas com a combinação dos arquétipos e de nossa vontade solitária. Para isto, precisamos da assistência destas “piscinas de energia” que chamamos de Divindades.

Tudo o que é usado durante a ritualística é um símbolo para uma energia que existe em outro plano. O que define se o contato irá funcionar ou não depende do conhecimento que o Mago possui destas representações simbólicas usadas no Plano Material. O estudo e meditação a respeito da simbologia envolvida nas ritualísticas é vital para o treinamento de um mago dentro do ocultismo.

Para conseguir trazer estas energias das Egrégoras para o Plano Físico, os magos precisam preparar um circuito de comunicação adequado, de maneira a permitir o fluxo destas energias. Isto é feito através da ritualística, do uso de símbolos, da visualização e da meditação.

Para manter este poder fluindo em direção a um objetivo, é necessário criar um Círculo de Proteção ao redor da oficina de trabalho. Este circuito providencia uma área energética neutra que não permitirá que a energia trabalhada escoa ou se dissipe. Este círculo pode ser imaginário, traçado, riscado ou até mesmo representado por cordas (como a famosa “corda de 81 nós” usadas nas irmandades de pedreiros livres na Idade Média).

O círculo de proteção também pode ser usado para limpar um ambiente, para afastar energias negativas ou entidades astrais indesejadas.

Para direcionar este controle e poder, o mago utiliza-se de certas ferramentas de operação, para auxiliar simbolicamente seu subconsciente a guiar os trabalhos no plano mental e espiritual. É por esta razão que a maioria das escolas herméticas utiliza-se dos mesmos instrumentos, como taças, moedas, espadas, adagas, incensos, caldeirões, ervas e velas. O uso de robes e roupas consagradas especialmente para estas cerimônias também é necessário para influenciar e preparar a canalização das energias destas egrégoras.

Para contatar corretamente cada egrégora, o Mago necessita da maior quantidade possível de símbolos para identificar e representar corretamente a divindade, poder ou arquétipo que deseja. Apenas despertando sua mente subconsciente o Mago conseguirá algum resultado prático em seus experimentos. E como o subconsciente conversa apenas através de símbolos, somente símbolos podem atrair sua atenção e fazer com que funcionem adequadamente.

Podemos fazer uma analogia destas egrégoras como sendo cofres protegendo vastas somas de recursos, cujas portas só podem ser abertas pela chave correta. Rezas, orações, práticas mágicas e venerações “carregam” estes cofres e rituais específicos “abrem” estes cofres. Cada desenho, imagem, vela, cor, incenso, plantas, pedras, símbolo, gestos, movimentos e vocalização adicionam “dentes” para esta chave, como um verdadeiro chaveiro astral (qualquer semelhança com o Keymaker do filme Matrix NÃO é mera coincidência). De posse da simbologia correta do ritual e da realização precisa de cada passo da ritualística, o Mago é capaz “girar a chave”, contatar a egrégora e acessar estes recursos.

Ao final do ritual, estes deuses ou formas arquetipais são liberados para que possam manifestar o desejo para qual foram chamados durante o ritual e também permite que o Mago volte a funcionar no mundo normal. Manter os canais de conexão com os poderes ativos após o ritual ter sido completado tornaria impossível para uma pessoa viver uma vida normal.

Os magos enxergam o universo como um organismo infinito no qual a humanidade o moldou à sua imagem. Tudo dentro do universo, incluindo o próprio universo, é chamado de Deus (Keter). Por causa desta interação e interpenetração de energias, os iniciados podem estender sua vontade e influenciar o universo à sua volta.

Para conseguir fazer isto, o iniciado precisa encontrar seu próprio Deus interior (chamado pelos orientais de atmã e pelos ocidentais de EU SOU, ou seja, o seu verdadeiro EU). Este é o verdadeiro significado da “Grande Obra” para a qual nós, alquimistas, nos dedicamos. Tornar-se um mestre da Grande Obra pode demorar uma vida inteira, ou algumas vidas.

A magia ritualística abre as portas para sua mente criativa e para o seu subconsciente. Para conseguir realizar apropriadamente os rituais de magia, o magista precisa desligar o seu lado esquerdo do cérebro (chamado mente objetiva ou consciente, que lida com o que os limitados céticos chamam de realidade) e trabalhar com o lado direito (ou criativo) do cérebro. Isto pode ser conseguido através de meditação, visualização e outras práticas religiosas ou ocultistas para despertar.

O lado esquerdo do cérebro normalmente nos domina. Ele está conectado com a mente objetiva e lida apenas com o mundo material denso (chamado de Malkuth pelos cabalistas). É o lado do cérebro que lida com lógica, matemática e outras funções similares e também o lado do cérebro responsável pela culpa e por criticar tudo o que fazemos ou pretendemos fazer. Na Kabbalah chamamos este estado de consciência de Hod.

O lado criativo do cérebro pertence ao que chamam de “imaginação”. É artístico, visualizador, criativo e capaz de inventar e criar apenas através de uma fagulha de pensamento. Com o desequilíbrio entre as energias da Razão e da Emoção, o indivíduo pode pender tanto para o lado “cético-ateu” quanto para o lado “fanático religioso”. Os verdadeiros ocultistas são aqueles que dominam ambas as partes de sua consciência.

Uma das primeiras coisas que alguém que pretende enveredar por este caminho precisa fazer é aprender a eliminar qualquer sensação de falha, insatisfação ou crença materialista no chamado “mundo real”. Esta é a esfera do gado e dos rebanhos.

Diariamente, todos nós somos bombardeados com estas mensagens negativas na forma de “essas coisas não existem”, “imaginação é faz-de-conta”, “só acredito no que posso tocar”, “magia é coisa de filme”” e outras baboseiras, condicionando o gado desde pequeno a se comportar desta maneira. Esta é a razão pela qual amigos e companheiros devem ser escolhidos cuidadosamente, não importa a idade que você tenha. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Idéias a respeito de limitações ou falhas devem ser mantidas no nível mínimo e, se possível, eliminadas completamente. Para isto, existem certas técnicas de meditação que ensinarei nas colunas futuras.

Desligando o lado esquerdo

Durante um ritual, o lado esquerdo do cérebro é enganado para sua falsa sensação de domínio pelos cantos, gestos, ferramentas, velas e movimentações. Ele acredita que nada ilógico está acontecendo ou envolvido e se torna tão envolvido no processo que esquece de “fiscalizar” o lado direito. Ao mesmo tempo, as ferramentas se tornam os símbolos nas quais nosso lado direito trabalhará.

Existem diversas maneiras de se treinar para “desligar” a mente objetiva durante uma prática mágica. Os mais simples são a meditação, contemplação, rezas e mantras, mas também podemos usar a dança, exercícios físicos até a beira da exaustão, atividades sexuais e orgasmos, rodopios, daydreaming, drogas alucinógenas ou até mesmo bebedeira até o estado de semi-inconsciência. O exercício da Vela que eu passei em uma das primeiras matérias é um ótimo exercício para treinar este desligamento da mente objetiva.

Emoções

O lado esquerdo do cérebro não gosta de emoções (repare que a maioria dos fanáticos céticos parecem robozinhos, ao passo que os fanáticos religiosos parecem alucinados), pois emoção não é lógica. Mas as emoções são de vital importância na realização dos rituais. A menos que você esteja REALMENTE envolvido de maneira emocional e queira atingir os resultados, eu recomendo que você feche este browser e vá procurar uma página com mulheres peladas, porque não vai atingir nenhum resultado prático na magia. Emoções descontroladas também não possuem lugar na verdadeira magia, mas emoções controladas são VITAIS para a realização correta de rituais. O segredo é soltar estas emoções ao final da cerimônia (eu falarei sobre isso mais para a frente).

O primeiro passo para realizar magias é acreditar que você pode fazer as coisas mudarem e acontecerem. A maioria do gado do planeta está tão tolhido de imaginação e visualização que não é capaz nem de dar este primeiro passo, pois acreditam que “estas coisas não existem”. Enquanto você não conseguir quebrar a programação que as otoridades colocaram em você desde criança, as manifestações demorarão muito tempo para acontecer.

É o paradoxo do “eu não acredito que aconteça, então não acontece”.

Para começar a fazer as mudanças que você precisa, é necessário matar hábitos negativos. Falarei sobre a Estrela Setenária e os Sete defeitos capitais da alquimia (ou “sete pecados” da Igreja) mais para a frente. Conforme você for mudando seus hábitos, descobrirá que você gostará mais de você mesmo e os resultados mágicos começarão a fluir.

Esta é a origem dos famosos “livros de auto-ajuda” que nada mais são do que a aplicação destes princípios místicos travestidos de explicações científicas. O livro “O segredo” nada mais é do que uma compilação de ensinamentos iniciáticos desde o Antigo Egito. Ele não funciona para a maioria dos profanos simplesmente porque o gado não possui a disciplina mental, a imaginação e a vontade (Thelema) para executar o que deve ser executado.

O Bem e o Mal

Algumas Escolas iniciáticas, religiões judaico-cristãs e filosofias de botequim irão te dizer que realizar magias para você mesmo é egoísta e “magia negra”. Esqueça estas besteiras… se você não é capaz de operar e manifestar para você mesmo, você nunca conseguirá manifestar nada para os outros.

Não existe “magia branca” ou “magia negra”. O que existe é a INTENÇÃO. A magia é uma ferramenta, como um martelo. Você pode usá-lo para construir uma casa ou para abrir a cabeça de um inocente a pancadas. Quando Aleister Crowley disse “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei”, ele disse isso para iniciados que já tinham total noção do que deviam ou não fazer dentro da Grande Arte, não para um zé mané iniciante. Cansei de ver misticóides do orkut interpretando esta frase como sendo “vou fazer o que minhas paixões de gado me dizem para fazer”, usando as palavras do grande Crowley para justificar suas imbecilidades.

O Karma é uma Lei Imutável. Assim como a Lei da Gravidade, a Lei do Karma não dá a mínima se você acredita nela ou não, ela simplesmente existe: você sofrerá suas ações. Ponto final.

Por esta razão, é essencial pensar nisso quando se fala em magia. Normalmente, utilizar este tipo de conhecimento para causar o mal gratuito não vale o preço kármico a se pagar depois. Simples assim.

Willpower, baby

A força de vontade humana é uma força real e muito poderosa. Ela é possível de ser disciplinada e produzir o que a uma primeira vista parecem resultados sobrenaturais. A força de vontade é direcionada pela imaginação, que é o domínio do lado direito do cérebro. O universo não é aleatório. “Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo”. Ele é constituído de padrões e conexões, como um fractal multidimensional de ações. Através das correspondências, do conhecimento dos padrões e da força de vontade, você será capaz de utilizar as forças arquetipais para seus próprios propósitos, sejam eles bons ou malignos.

Os deuses, demônios, devas, elementais, anjos enochianos, djinns, exús, emanações divinas, qlipoths e entidades astrais são amorais. O poder simplesmente está lá. COMO você vai utilizá-lo é que se torna responsabilidade dos magos. Tanto a magia branca quanto a magia negra trazem resultados, mas no final das contas, todos teremos de nos acertar com a Balança de Anúbis e os preços devem ser pagos. Infelizmente, a maioria das pessoas tem esta idéia errada de que Karma significa “punição” ou “recompensa”. Isto vem de um sincretismo com as religiões judaico-cristãs. Karma significa apenas que cada ação traz uma reação de igual força. E que as pessoas são responsáveis por aquilo que fazem.

A simbologia dos deuses per se são apenas estímulos para serem usados pela humanidade como catalisadores para uma elevação da consciência e a melhoria do ambiente ao redor do mago. Os rituais, em seu senso mais puro, lidam com transformações no mundo. O conhecimento destas ações é o motivo pela qual as Ordens (a maioria delas) trabalha em ações globais além das ações locais. E esta também é a razão pela qual as otoridades tanto temem e perseguem os magos, bruxos e membros de ordens secretas. Eles não querem que o status quo se modifique, pois perderiam todo o poder e o controle sobre o rebanho que possuem.

Carl Jung disse que experiências espirituais são diferentes de experiências pessoais, sendo que a segunda estaria em um nível mais elevado. Isto acontece porque normalmente nem todos em um grupo possuem a concentração ou a dedicação necessária para elevar todo o grupo ao mesmo patamar de consciência (uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos). ESTA é a razão pela qual as ordens secretas (especialmente as invisíveis, já que as discretas já estão sendo contaminadas faz um tempo pelo gado de avental) escolhem com tanto cuidado seus membros.

Muita gente choraminga a respeito do porque as Ordens Iniciáticas serem tão fechadas, e do porquê este conhecimento ficar preso nas mãos de poucas pessoas, mas a verdade é que pessoas perturbadas ou cujo grau de consciência não esteja no mesmo nível do grupo acabarão agindo como sifões de energia ou criarão caos suficiente para estragar a egrégora das oficinas.

Meditação

O conceito de participar de um ritual ou entrar em um templo sagrado (seja ele um círculo de pedra, uma pirâmide ou uma igreja católica) é o de atingir um estado de consciência conhecido na Índia como “a outra mente”. Durante um ritual, todos os participantes são ao mesmo tempo atores e platéia, ativando áreas da mente que não são usadas durante o dia-a-dia. Através deste jogo, conseguimos libertar nossas mentes e espíritos destes grilhões e alcançar que está além.

93, 93/93

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/faze-o-que-tu-queres-h%C3%A1-de-ser-o-todo-da-lei

Carta a Hermann Metzger

29 de março de 1963.

Ao chefe dos “Thelemitas” suíços – como vocês se autodenominam.

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Esta carta é minha Saudação Equinocial a você.

Embora eu tenha pedido que pare de enviar-me sua literatura, você continua e me bombardear com a evidencia de sua tolice – menos tolice, por favor! Eu não sei se isto é um desafio de sua parte. Se for, você foi além de seus desenfreados sonhos, pois em seu últimos sintomas de insanidade – suas traduções das cartas de 666 a uma irmã com um “DU” no sagrado verso – você provou ter caído precisamente ao nível que lhe tenho advertido contra. E portanto, o Cabeça Externa da Ordem fará um último esforço, uma última tentativa, para lhe mostrar o quanto aquilo que você julga ser uma mudança nada mais é do que demonstração de cegueira – cegueira espiritual.

Em resumo, eu pretendo falar com senso comum, senso de cavalo assim – chamado; e esperar assim despertar o que resta do senso de humor – que é o senso de equilíbrio, que é senso “comum” – em você. Você pode – ou não – saber que Karl Germer faleceu no ano passado, uma morte na qual a última gota de sangue deixou o corpo dele. Você pode, ou não, saber o que isto significa, e a que grau aquele Homem atingiu. Eu não sei se você sabia – e não sei mesmo se ele sequer lhe disse – que era o sucessor de A.C., e BAPHOMET para todo mundo. Ele tampouco disse-me; tive de descobrir por mim mesmo. Este era o homem que você desobedeceu, cuja tradução iniciática dos Livros Sagrados de Thelema para a língua alemã você alterou, mas a quem você desejou substituir – eu falo a você, senhor! – neste momento, alguém na América do Sul segura um honesto espelho ante sua tola face.

Você reclamou junto a ele de ter sido acusado de estar de conluio com Oskar Schlag, o que diz ser uma inverdade. Mas o que você não sabe é que a influência de Schlag que tem inflamado seu ego ao ponto de você se tornar, sem o saber, um traidor a toda PALAVRA que pensa manter. Schlag é um “Adepto Maligno” – isto simplesmente significa que ele é um homem que, quando executou o trabalho de 5º = 6º, uniu-se à sua Persona Maligna, ao invés de unir-se à seu Sagrado Anjo Guardião, e é agora um escravo de Choronzon – Dispersão – na forma de um demônio de Abramelim. Ele é, sendo um Adepto, magicamente poderoso – muito mais poderoso do que você pode imaginar – e tem o auxílio, alem do mais, dos Quatro Príncipes, os quais, ao passar do velho Aeon, assumiram liderança e personificaram os fundadores espirituais das principais religiões do Aeon passado: Cristianismo Osiriano, Brahmanismo, Buddhismo e Islamismo.

Pense, por um momento, senhor, o quanto poderosas são estas Entidades que você, indubitavelmente, tem de maneira tola pensado controlar – pequeno servidor deles! É possível – é escassamente possível – ser você realmente a “criança”, e por esta razão eu escrevo esta carta. Pois se você é um filho de BABALON e da BESTA, isto é, se é agora um Bebê do Abismo, é necessário dar-lhe alguns significados pelos quais você possa marcar seu curso, e saia do abismo do Porque para o Portal da Cidade das Pirâmides.

Saiba então, minha pobre criança, que todo simples thelemita que cruza o Abismo, e um grande número daqueles que nunca o realizou, pensa ser aquele “filho” de AL. E com perfeito direito de assim pensar. Nós somos, todos nós, filhos de Therion – o Cristo – nascido da Virgina Mundi, que é o vero nome da Grande Puta, a Mulher Vestida Com O Sol, Nossa Senhora BABALON da Cidade das Pirâmides. Agora, se você é o particular filho que irá decifrar AL II, 76, que somente será provado quando e se o decifrar. Pode ficar certo que o mistério uma vez decifrado, será evidente e simples a todos, do mesmo modo que foi a chave 31, descoberto pelo pobre O.I.V.V.I.O., sobre cujo deplorável caso eu o alertei para ponderar cuidadosamente ante de continuar em seu atual caminho.

Você é – se realmente é um Bebê do Abismo – maior que todos os reis da terra, porque o Magister Templi é realmente – mesmo se o homem no qual ele se manifesta seja um varredor de rua, ou, como Um que conheci, um velho negro sem pernas rolando em um pequeno carrinho de madeira ao longo das ruas, aparentando a todos um mendigo – embora um mendigo responsável pelo trabalho e a visão – visão espiritual – de todos aqueles ligados a ele. Eu lhe refiro LXV: “… e Eu carrego a Taça de Seu regozijo aos fatigados da velha terra cinzenta. “Não se esqueça a seqüência ! Se você é um dos “escolhidos” não é responsabilidade sua, pois Ele não é para ser comprado pelo resgate de todo Universo. Lembre-se de Sir Palamedes o Sarraceno – ele fez prodígios, ele atingiu os mais altos trances, executou as festas máximas – mas somente quando confessou sua falha em “comprá-lo” pelo resgate de todo o Universo a Besta veio acomodar-se a seu lado…. Agora, por favor, meu pobre amigo, deixa-me apontar o sintoma da esquizofrenia – o começo da Dispersão, a qual haja Restrição no Nome de BABALON! – o sintoma de esquizofrenia em seu comportamento: Você não pode fazer o bolo e comê-lo ao mesmo tempo.

Você clama ser a “criança” profetizada em AL. Então isto significa que você aceita AL como um Livro Sagrado, a única Lei e regulador da vida, divinamente inspirado, o trabalho não de um homem mas de um Deus – estou usando esta palavra em seu senso técnico de Iniciação à Divindade, ou o que possa ela significar. Mas, se você realmente aceita AL como tal, como pode você, homem, possivelmente, sempre desobedecer a mais solene injunção do Livro, sempre repetida em cada um dos Capítulos, sob o comando de Nuit, Hadit e Ra-Hoo-Khuit de não mudar mesmo o simples estilo de uma letra. Você só pode ter uma dessas alternativas. Você não pode ter as duas. Isto é simples premissa, meu amigo. AL é um livro razoável.

Qualquer razoável livro não pode ser o trabalho do insano (= ‘ povo da terra’, no senso desses cuja Razão – Daath – ao invés de ser o servidor das altas faculdades – tenta usurpar o lugar do Mais Alto, por isto verdadeiramente tornando-se o “bastardo da Swastika”). Lembre-se que os antigos Reis Teutônicos usavam um colar ao redor do pescoço, o símbolo da escravidão – para significar que Daath – cujo lugar é o pescoço — está encadeado, amarrado e restringido pelas altas faculdades simbolizadas por sua coroas. “Que você faça o mesmo”. Aquele colar é a Linha Verde que circula o Universo – o Cinturão de Astarte a Estrelada. O acima é básico. Eu te peço considerá-lo cuidadosamente, perceber a natureza irracional de seu comportamento, e se você pensa – como certamente o faz – “mas acima do Abismo nada é verdade exceto em termos da contradição implicada”- eu lhe peço lembrar-se que, embora, isto é assim acima do Abismo, é abaixo do Abismo que você tem estado durante longo tempo desfigurado AL ( pense nisto ), a despeito do fato de ter sido avisado pelo O.H.O., Frater Saturnus, que acontece também ser um Magister Templi da A.·.A.·. e Cabeça da Ordem de Thelema. Se ulteriormente, você pensa: “ele está dogmatizando, enquanto estou apenas preocupado com o espírito”, eu aviso muito seriamente a ler os parágrafos 28 e 29, principalmente este último, de Liber CLX Astarté vel Berylli, que cai perfeitamente sobre seu caso.

Passarei agora a outras considerações do porque seu “DU” é uma imprópria tradução da passagem em questão ( devo ainda lembrar-lhe mais uma vez que, acima de tudo, a qualquer verdadeiro Thelemita, é uma blasfêmia). Eu suponho que sua razão, em escreve-lo assim, foi para implicar: “Veja, quando eu digo, faze o que tu queres, eu não quero significar que você deve fazer o que seus sujos, impuros, e malcheirosos eus inferiores desejam fazer: eu quero significar que você deve fazer o que seu Eu Superior quer que você faça”.

Em um senso, fazendo isto, você está se desculpando pela Lei – você está envergonhado dele. Embora deveria lembrar-se que está escrito que, a Mulher Escarlate deve ser desavergonhada ante todos homens – se você é verdadeiramente um Magister Templi, você entenderá o que isto significa, mas eu lhe darei uma pista, lembre-se que a primeira ordália é de prata, lembre-se que a Fundação é chamada uma Pedra, lembre-se que Aspirantes da A.·.A.·. são homens, mas os irmãos da A.·.A.·. são mulheres; relembre que a Nephesh purificado é a Virgem do Mundo, este é um dos símbolos desenhados no livro dos Símbolos Secretos dos Rosacruzes: veja o diagrama 33, “O Jardim do Eden”.

Seguramente você possui isto. Mas, existe outro, e mais importante senso, no qual “DU” é enganador. Como pode possivelmente presumir e determinar como qualquer homem interpretará esta linha? Está você tornando sua interpretação a interpretação para todo povo de língua alemã? Você não percebe que está restringindo seu semelhante? Reprimindo a órbita de outras estrelas? Que está, de fato, projetando a gigantesca sombra de seu inflamado ego sobre o Universo, ao invés de mante-lo no que ele deve ser – o instrumento através o qual você se relaciona com o Universo. Não percebe que isto é uma Síndrome composta de vaidade e medo – o mais claro sintoma de identificação com o – que está por detrás desta sua iniciativa? Pois veja, uma estrela pode escolher interpretar Faze o que tu queres como fazer o que seu pequenino eu deseja fazer. Outra estrela pode interpretar como fazer o que alguém mais deseja que ela faça. Você diz que isto está errado? Não é de sua conta! Todo número é infinito; não existe diferença! “Que não haja diferença feita entre você entre qualquer outra coisa & e qualquer outra coisa…” “… não argumente; não converta; não fales demais”. Pense nos tempos que virão, quando sua errada tradução possa ser a única acessível à outras pessoas, que a traduzirão do alemão para sua próprias línguas, e assim multiplicando o erro. Você pensa os estar libertando! Você os está acorrentando as rodas de seu carro.

Este é o trabalho de um magista negro, não o trabalho de um Cavaleiro da Hoste do Sol. Pensa, além disso, no karma que você está criando. Pense na praga e maldição do Cristianismo quando a Igreja Romana assumiu liderar sobre todas as outras existentes, escolhendo o caminho do crescimento material, e espalhou a infecção de Choronzon e escravidão espiritual em todas as partes do mundo. Pense a respeito de O.I.V.V.I.O. Pense a respeito de Franker, e o que ele fez à ordo templi orientis acreditando estar seguindo instruções de seu Anjo Guardião! Pense a respeito de Krumm-Heller (o pai), e o dano que causou à ordo templi orientis e a qualquer coisa em contato com a Verdadeira Rosacruz, acreditando, ele também, que estava obedecendo seu Anjo Guardião, que ele pensava ser o Conde de Saint Germain – o qual foi uma de minhas passadas encarnações, e que somente é verdadeiramente descrito na excelente biografia feita por M. Paul Charconac, a qual, várias vezes, eu lhe avisei para ler.

Faze o que tu queres é a Lei da Liberdade, embora você tenha que me servir! – você diria alto. Mas, meu amigo, nós não somos livres no senso de ser irresponsáveis. Estamos amarrados por Nosso Juramento de servir. Nós somos servidores da Estrela & da Serpente. Nós somos servidores de Heru-Ra-Ha. Nós somos servidores de V.V.V.V.V. Nós precisamos construir, nós mesmos, pedras que somos, como a grande muralha que protege a humanidade – nossa pequena irmandade – contra o furioso ataque do abismo. Verdade, nós não somos “livres”!

Nós servimos; precisamos humilhar a nós mesmos; necessitamos dar tudo que somos e tudo que temos; necessitamos nos tornar nada; precisamos trabalhar na escuridão e cuidar de nossos jardins; precisamos reprimir nosso egos com a tripla corrente em torno do pescoço, e precisamos esperar a Consumação – a qual virá quando Ele desejar Quem é Destinado a este Fim, e não quando nós pensamos dever ser. Realmente, devemos morrer; mas morrendo, semente que somos, devemos dar muitos frutos. Nós somos Isis Regozijante; nós carregamos o filho, nós o alimentamos com nossa substância; e nosso trabalho é alimentar o filho; nós não somos o filho!

Ele é o filho em nós, ou melhor, de nós. O ego deve morrer. Este é o mistério de Osiris, e porque Osiris é um deus negro. Você deve tornar-se Osiris antes de poder adorar Hoor Você precisa ser crucificado, morto e erguido antes de poder clamar seu júbilo ante o novo Sol nascente. Em resumo, irmão, se você é um Bebê do Abismo, cedo se tornará um Zelator da A.·.A.·., uma Pedra das Torres Universais, um Guardião dos Mistérios. Esta Iniciação transcende Assiah, pela primeira vez, em Yetzirah, o Mundo Angélico. A Iniciação de Adeptus Minor que você julga ter atingido antes de Tiphareth de Malkuth, e em Assiah. O Trabalho de conseguir o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião estende-se ante você — não atrás. Você necessita consegui-lo em total no pode e luz descrita no Livro da Sagrada Magia e em “João São João” no Equinócio I,1. A verdadeira Orgia da Theurgia, a Grande Obra, estende-se em Tiphareth de Tiphareth – e não se esqueça que o Magus do Aeon, o CHRISTO, o Senhor THERION, é crucificado em Tiphareth de Chokmah, e o Adeptus bebe Seu sangue e come Sua carne para sustento. E a Grande Obra – o Cruzamento do Abismo entre Kether de Chesed e Malkuth de Binah – ainda se encontra muito longe de você. Ou de mim.

Você entende, criança? Você conseguiu muito; mas será muito pouco se você não perceber o quanto mais falta atingir. Por favor aja a partir da perspectiva de seu novo adquirido ponto de vista. Obedeça seu superior, que agora sou eu. O que ele pede? Pede ele algo repugnante ao seu orgulho como homem?, ou seu direito como irmão? Ele pede que você obedeça, não a ele, mas ao Livro da Lei; ele pede a você que, na próxima vez que editar a Missa Canonica da ordo templi orientis , o encaderne em vermelho e ouro, que são as heraldicas cores da Rosa Cruz (a ordo templi orientis é uma Ordem Rosacruciana, uma das poucas – não sabia?) ao invés do negro dos Romanos e seus bastardos filhos os protestantes. E ele nada mais pede a ti.

Se você não se importa com minha autoridade, eu não tenho a intenção de impo-la com ameaças ou coerções. Mas eu lhe aviso, mais uma vez, que você está errando contra você mesmo e seus seguidores por esquecer AL, e agora também o Mestre THERION. Se continuar assim, certamente será destruido; e desde que vangloriou-se uma vez, em circunstâncias similares ao nosso então Superior, Saturnus, que “suas publicações vão agora em quarenta diferentes países”, ou similar número, eu lhe relembro que acumular bens em Malkuth não é a mesma coisa como tornar-se uma Pedra em Yesod – que a fórmula de manipulação da matéria sobre somente um plano é a fórmula de ALIM, não de ELHIM – e que a Igreja Romana, também cresceu tornando-se o mais forte poder temporal no mundo — e veja o que ela fez à humanidade como resultado disto! ” Que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro se ele perder sua eterna alma? “Você somente pode atuar eficientemente sobre um plano se trabalhar de um plano acima dele. É somente então que você introduz um novo, verdadeiramente criativo fator na equação.

De outra maneira, apenas estará permutando os termos já existentes. Você está preso à Roda de Samsara – saia dela. O karma do homem lunar (veja o Upanishad para este homem “lunar”) é sempre um círculo vicioso. Mas a força serpentina é uma Espiral! A Fraternidade Negra, as Demonícas Legiões e Chorozon somente podem atacar através do ego… Eu repito isto para que você possa entender porque sua desobediência não é sintoma de independência, mas de desordem da personalidade.

Você também está orgulhoso do crescimento material de sua organização; mas nenhuma corrente é mais forte de que seu mais fraco elo. E veja o que você, o líder de seu movimento, está fazendo quando blasfema AL, cita incorretamente o Mestre Therion, e ignora as Cores Heraldicas das Hostes do Sol! Por favor, tente perceber que isto é o efeito das constantes ondas da corrente demoníaca diariamente atacando seu ego; você não percebe que existem padres jesuitas determinados a se aproximarem de ti, tentando submete-lo? Você não sabe que as Missas de “Jesus” – isto é, o Grande Príncipe do Mal deste Mundo que Abramelin chama de Satã – são diáriamente, talvez toda hora, sendo rezada “para sua alma”? Estas forças das águas da morte continuamente assaltam sua personalidade e invadem sua alma? Elas somente são úteis a você no senso em que provocam sintomas indicando que pontos do Ego ainda é necessário destruir, que porção da matéria ainda está unido ao Corpo Solar que por sua aspiração e trabalho você está começando a formar dentro de sua crisalida humana. Mas necessitas passar pelas Águas além da Morte e além da Vida. Não é coincidência que Schlag está vivendo na Suiça. Eu sei que você tem mandado material para ele. Outro exemplo de sua cegueira.Não percebe que isto significa que você voluntariamente formou um elo com ele?

Não percebe que está lhe dando satisfação do que você faz? Ele mandou material dele para você? Ele está fazendo muito mais alarde sobre Thelema do que pode aqui no Brasil; e quando eu comecei meu próprio trabalho aqui, eu desejei colocar pessoas interessadas na ordo templi orientis em contato com você – mas como poderia? Eu fui forçado a avisá-los contra você, por motivo de sua blasfêmia e sua tolice, e porque está fazendo exatamente o que o mundo demoníaco deseja que faça. Eu seu que seu pai foi Chefe da Polícia Secreta Suíça, e que assim você é capaz de manter um fichario sobre as atividades de Schlag. Peço-lhe o favor de me enviar uma cópia deste fichario: eu pretendo publica-lo em um pequeno livro sobre os meios de trabalho da Loja Negra. Schlag anda por aí brandindo uma cópia de AL, feita a mão por A.C., escrita quando A.C. não sabia muito e a deu como presente a um discípulo, dizendo ser o original de AL (Schlag comprou o manuscrito por uma grande quantia – você diz que sabia disto). Por que? Eu lhe indico AL III, 39 e 47.. Como pode ver que Schlag evidencia maior fé em AL – de sua maneira – do que você. Ele deseja corromper o Livro – e você o está ajudando.

Ele deseja destruir Thelema, pois pensa ser ele mesmo a reencarnação de St. Germain – o “Mestre R.” dos Theosofistas – Claro, foi sua “Mala-Persona” que apareceu, em seu corpo astral, para Tranker e Arnold Krumm-Heller, e fingiu ser seu Anjo Guardião. Sobre este assunto, leia o Livro da Magia Sagrada no assunto do “homem de aparência magestosa” que surge no início da Operação e “promete muitas coisas maravilhosas”. Eu repito a você que eu sou a “reencarnação de St. Germain”, e a maioria das “estórias” a respeito de minha vida são na maioria mentiras. O livro de Charconac é o mais honesto sobre o assunto.

Não pense que Schlag, em si mesmo é importante. Ele é somente o ingênuo e a marionete de seu Anjo Maligno – um demônio Abrameliano, como eu ja disse. Em “A Visão e a Voz”, Equinócio I, v, Suplemento, pagina 143, parágrafos 1 e 2, está escrito:

“E Satan é adorado pelos homens sob o nome de Jesus”; e Lúcifer é adorado pelos homens sob o nome de Brahma; e Leviathan é adorado pelos homens sob o nome de de Allah; e Belial é adorado pelos homens sob o nome de Buddha. ” (Este é o significado da passagem em Liber Legis, Cap. III.)

“Medite então, meu amigo, sobre o poder destas quatro Entidades chamadas os Quatro Príncipes do Mal deste Mundo por Abramelin o Mago. Imagine a Tarefa do Adeptus Minor, para sobrepor e sujeitar estas forças através da intercessão de seu Sagrado Anjo Guardião. Pense como estas forças dispostas contra nós incluem praticamente toda a humanidade e os líderes “espirituais” da humanidade; as mais poderosas egrégoras formadas através de gerações e gerações de adorantes; os demônios das Qliphoth; e nossos próprios egos além disso. Como pode alguém suportar o ataque a não ser pela presença e com a bênção de Ra-Hoor-Khuit?

E assim mesmo você blasfema contra Ele e contra o Livro da Lei. Como espera fazer algum bom trabalho para THELEMA nestas circunstâncias? E se isto não fosse o bastante, você tem citado THERION incorretamente. Você é um membro da Ordem Cristã – e você insulta Christo. Você está confundindo os planos em seu presente trabalho – com mortais resultados para a humanidade, a qual – se tu és um Irmão da A.·.A.·. você está jurado a ajudar.

Esta é minha última carta a ti. Não mais escreverei a não ser que receba algum tipo de evidência que você retornou a Si Mesmo – a seu Verdadeiro Eu – finalmente. Lembre-se de que o verdadeiro sintoma da primeira ordália – de prata – é o que está acontecendo com você; e lembre-se que triunfo na ordália é mostrado por desejar servir. Você pode ser de grande valor para Thelema, para Ti Mesmo, e portanto para mim mesmo, se cumprir a sua vontade. Mas esteja certo de não mais citar erradamente Therion, e que insultar o Sangue e Ouro do Sol não pode ser sua vontade, ou a Vontade de seu Anjo Guardião, ou a vontade de qualquer simples coisa vivente no Universo.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente (por enquanto),

Marcelo Motta

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/carta-a-hermann-metzger/

Padrões Universais (Parte 7)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos, falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução e como isso pode ser organizado em em Rituais, depois mostramos como a simples mistura de sistemas mágicos pode ser um fracasso para pesquisas em Análise de sistemas mágicos para então chegarmos à transformações que ocorrem com as informações que saem do plano emocional e vai para o intelectual em Sonhos.

No último capítulo falamos dos sistemas simbólicos que permeiam as culturas, se referindo a um espaço-tempo específico. Porém, alguns desses padrões podem ser encontrados em todas as culturas deste nosso planeta, o que denominamos “padrões universais” ou Arquétipos. Eles existem, como uma experiência subjetiva, em todas as pessoas, culturas e períodos da história. Tente achar algum padrão nas imagens abaixo, referentes a líderes político-religiosos de diferentes culturas:

Em todas as figuras podemos notar algum símbolo na cabeça da figura, algo que se parece com um fogo, uma luz cristalizada em um objeto físico. Um símbolo que representa um Arquétipo é chamado de Imagem Arquetípica (trocando em miúdos, a imagem como um grupo de pessoas identifica um Arquétipo).

Podemos citar vários arquétipos pelos quais qualquer pessoa passa nos diferentes momentos da vida, vou tomar alguns dados no livro “O Tarot Mitológico”, de Juliet e Liz Greene:

– O nascimento é real em um nível concreto, qualquer coisa que exista precisa nascer. Mas também é uma experiência psicológica de espécie arquetípica, pois sempre que iniciamos algo novo, ou entramos em uma nova fase da vida, há um sentido de nascimento. Nascimento também implica outros estados subjetivos, porque nascer significa abandonar as reconfortantes e serenas águas do útero materno, tanto em nível físico quanto psicológico.

– A morte, todos nós um dia morreremos. Da mesma forma a morte também é psicológica, porque a vida muda, como nós também mudamos; todas as vezes que há um final de qualquer espécie, uma separação ou o fim de uma fase da vida, há um sentido de morte.

– A puberdade, a passagem da infância para a adolescência, também pode ser entendida como um arquétipo de maneira psicológica. Toda vez que paramos de olhar para algo de uma maneira infantil e passamos a tentar compreendê-lo de forma a integrar à vida de uma maneira mais real, estamos nos defrontando com esse arquétipo.

São inúmeros esses padrões, o que os classificam como padrões universais são suas características fractais. Um fractal é algo que olhado em diferentes escalas (maiores e menores, mais profundas ou rasas etc.) é composto por partes que formam algo semelhante ao conjunto de todas essas partes (lembram-se que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus? Assim, o homem é um fractal de Deus, “o que está em cima é como o que está embaixo”, “assim na terra como no céu”). Um exemplo típico de fractal é o Mandelbrot:

Note que suas pequenas partes são idênticas ao todo. Este é um exemplo perfeito, contudo, abstrato; temos um exemplo bem mais próximo de nós, que é comparar nossas células ao nosso corpo todo. Cada uma de nossas células possui suas organelas, assim como nosso corpo possui seus órgãos, cada célula possui sistema de entrada e saída de energia, cada célula tem sua parte responsável pela manutenção da energia, tem sua parte responsável pela harmonização e equilíbrio de todas suas partes, tem suas partes responsáveis pela sincretização da energia etc., e esses mesmos padrões o corpo humano possui, assim como qualquer outro ser vivo (salvo algumas exceções), em suas variadas escalas.

Tendo esta noção, chegamos no que já citamos no texto anterior e foi chamado de “Inconsciente Coletivo”, que é o depósito de todas as imagens arquetípicas (signos, símbolos etc.) que nasceram de Arquétipos e, sendo assim, qualquer pessoa deste mundo é capaz de entendê-lo pois já os vivenciou de alguma forma, basta ter o devido cuidado ao analisar. Existem muitos nomes dados a esse inconsciente. Paulo Coelho, por exemplo, chama isso de Linguagem Universal e diz que seres humanos que pertencem a culturas diferentes e não falam a mesma língua conseguem se comunicar ainda assim, vide O Alquimista.

Retomando o exemplo do corpo e das células, uma célula não precisa saber que existe um cérebro enviando comandos até ela para que faça o que deve fazer, pois o comando passa por muitas outras células antes de chegar até ela, o que importa é ela fazer o que tem que fazer. Se é uma célula muscular, que ela produza movimento e sustentação; se for uma neuronal, que ela repasse o comando para suas vizinhas; se for uma célula óssea, que ela dê sustentação; se for uma epitelial, que ela dê proteção etc. O que importa é que se cada uma fizer sua parte, o todo sobrevive, e se o todo sobrevive, cada uma recebe o que precisa para continuar fazendo sua parte dele.

“The tune will come to you at last

When all are One and One is all!” Stairway to Heaven, Led Zeppelin

Note que se qualquer célula “resolver” não fazer sua função e tentar desempenhar outras funções, o todo é prejudicado e pode morrer, assim, elas morrem consequentemente, pois é um sistema mutuamente interdependente; da mesma forma a célula só sobrevive se suas organelas desempenharem suas devidas funções e as organelas se a célula estiver em bom funcionamento.

Com o Coletivo a ideia é a mesma, enquanto cada pessoa não desempenhar aquilo que faz de melhor e não estiver no lugar para que foi designada a ocupar ao ser criada, Ele também terá problemas; mas note que se a pessoa tenta fazer aquilo que nasceu para fazer, ela também terá aquilo que precisa para fazer; no nosso mundo isso é traduzido em felicidade, conforto, alimentos, dinheiro etc., quanto mais trabalhamos em prol desta harmonia do todo, mais recebemos o que precisamos receber para buscarmos nossos sonhos. Aquele que escreve uma série de textos como esta que você está lendo, por exemplo, representa para esse Todo o que uma célula neuronal – que transmite mensagens/comandos – representa para um corpo físico; neste caso são noções de Magia Prática.

Apesar de tudo, é difícil saber quando estamos fazendo exatamente aquilo que devemos fazer, uma indicação é o que foi citado sobre receber tudo que precisamos para fazer, mas nem sempre tudo que nos é dado é tão óbvio quanto trabalhar e receber o salário combinado. Um exemplo de caso menos óbvio é quando uma pessoa está em dúvida se deve ou não continuar fazendo alguma coisa, anda pelas ruas e enxerga num Outdoor a palavra “continue…”; a pessoa passava por ali todos os dias mas nunca tinha dado atenção para aquela palavra, mas justamente no dia que precisava de uma resposta sobre “continuar ou parar” ela percebeu a palavra – como se sua atenção tivesse sido magneticamente atraída para ela. O que muitos dizem (isso é muito bem exemplificado no livro Xamã Urbano, de Serge Kahili) é que quando nossa atenção é puxada desta forma a algo assim, é porque o Todo está tentando falar conosco (como se aquilo que está no nosso subconsciente fosse atraído magneticamente para o signo, este conceito será muito mais trabalhado em materiais mais avançados de Magia Prática que faremos).

Quando pensamos em “justamente no dia”, “justamente na hora” etc., estamos falando de sincronicidade, ou eventos que possuem uma relação de significado dada pelo Tempo (quarta dimensão) e não exatamente por Ação e Reação, e essa é uma das formas do Coletivo se comunicar conosco e avisar se estamos no “tempo-espaço que deveríamos”, caminhando em direção a Ele ou nos afastando. Trazendo para mais próximo o que é sincronicidade, notem que a beleza de um “nado sincronizado” é justamente quando os nadadores fazem todos movimentos iguais e ao mesmo tempo, isso é o que mostra a harmonia entre os nadadores.

Esta forma que citei é uma das formas de como o Todo fala conosco no mundo físico, porém, Ele pode enviar mensagens por via de visões e sonhos (por exemplo sonhos harmônicos ou pesadelos, belas artes ou desenhos horríveis, que seria no plano astral, do Ar) ou sentimentos (por exemplo, felicidade ou tristeza, entusiasmo e depressão, que seria no plano emocional, da Água). É aqui que chegamos, por fim, no último plano de abordagem desta apostila, Atziluth, ou o mundo do Fogo, mundo dos Arquétipos e padrões universais.

Quando conseguimos interpretar todos esses sinais do plano físico, astral e emocional, podemos nos harmonizar com esse Todo. A palavra Thelema (que para alguns significava “Vontade de Deus” e outros “Vontade do Homem”) teve seus significados unidos e foi utilizada por Aleister Crowley para representar essa harmonização, essa sincronicidade perfeita, dizendo que a primeira parte da evolução do homem é descobrir qual é sua Thelema, o que muitos sistemas chamam de Iluminação ou Illuminati Capite. Há muitos termos utilizados para representar essa ideia, como “descobrir sua Lenda Pessoal”, “transformar o Chumbo em Ouro”, “descobrir sua Verdadeira Vontade”, “conversar com seu corpo Búdico”, “desenvolver a consciência Khrística” quando se referir a Krishna ou Crística quando se refere a Jesus (hoje em dia é o “eu vi Jesus”), “procurar o Santo Graal”, “estabelecer contato com seus Orixás Ancestre, adjuntó e juntó” na Umbanda e etc.

Para terminar este texto e esta série, proponho um exercício de Auto-Conhecimento que pode nos ajudar a ter uma primeira noção sobre nossa Thelema. Escreva, em um caderno especial para isso, de preferência que nunca tenha utilizado, suas respostas mais sinceras para as perguntas abaixo:

À partir do momento da Iluminação, tudo conspira à favor da pessoa para fazer aquilo que precisa fazer (não significa que será fácil, e sim que as portas que precisamos que se abram, abrirão) e, então, o sucesso naquilo que fizer é a única possibilidade caso não saia de seu campo de atuação, ou, como eu costumo dizer:

Vai dar certo!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/padr%C3%B5es-universais-parte-7

Nove Anos do Teoria da Conspiração!

Hoje, 10/08, exatamente nove anos atrás, em 10/08/2007, era postado o primeiro texto do Teoria da Conspiração no Sedentário: A Santa Ceia e os Símbolos Astrológicos. Lembrando as palavras de um Exu amigo, “Quando vai ver, já foi!”.

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta dez anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de subcelebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde se estudava magia prática e que era formada por membros da OTO, Astrum Argentum, Arcanum Arcanorum, AMORC, TOM e SRIA, e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança kkkkk). A ARLS Crowley era tão engajada que até o Padre Quevedo palestrou uma vez sobre demonologia lá.

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos. Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais de Aleister Crowley. “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Seriado de TV baseado nos estudos da Kabbalah Hermética.

E agora esta em financiamento coletivo para um livro que deve elevar todos os paradigmas de Kabbalah hermética para outro patamar. O Livro bateu todos os recordes de arrecadação no Catarse e ainda há mais de um mês pela frente.

Quando sair publicado, o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os nove anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nove-anos-do-teoria-da-conspira%C3%A7%C3%A3o