Os Três Amores: Agape, Philos e Eros

O ser humano não precisa de amor, mas de amores. Precisa sim de três: Agape, Eros e Philos, para que seja um ser (quase) completo. Completo como um ente único manifestando três aspectos do amor humano e divino que se complementam e são transferidos para os objetos desses amores, interagindo com outros entes também únicos.

Sem as influências estéreis da maioria dos filósofos acadêmicos, vamos abordar algo sobre esses três amores do ser humano, de maneira inteligível, sintética e prática para que possamos assimilá-los em nossa existência.

Agape, Philos e Eros são fundamentais na vida de qualquer indivíduo e devem ser desenvolvidos por todo aquele que tem consciência desse fato. São também aspectos considerados muito importantes e trabalhados na Via Draconiana. Nessa Via, pouco explorada pela grande maioria, os três amores podem ser tipificados pelos arquétipos de Lucifer (Agape), Sophiae (Philos) e Venus (Eros), entre outras associações e correlações. O leitor verá, pelo que segue, o porquê dessas associações. Contudo, por hora, não abordaremos as extensas implicações desse Caminho. O interessado pode se aprofundar nessa matéria, sem medos infundados, estudando as obras A Cabala Draconiana e A Revolução Luciferiana.

Mas, vamos aos amores da humanidade, amores “doados” por Lúcifer e Vênus para que façamos bom proveito, com discernimento.

As três formas de amor – Agape, Philos e Eros – manifestam-se em três níveis que interagem entre si: Agape é o amor em nível espiritual e universal (coração de Lúcifer); Philos, em nível psicomental (cabeça de Lúcifer); e Eros, em nível etérico-material e sexual (genitália de Lúcifer). É um sistema ternário que funciona no ser humano, sendo cada forma de amor em maior ou menor grau. No humano superior, mais evoluído, em seu estado lux-venusiano, iluminado pela consciência e pela sabedoria, os três amores estão em equilíbrio.

“Agape” em grego significa “amor”. Esse é o amor fraternal e espiritual entre camaradas, irmãos e irmãs, entre a família, entre casais e seus filhos (quando de fato existe o sentimento fraterno, e não uma mera convenção social de fachada). Agape é o amor afetivo isento de conotações sexuais, isento de segundas intenções, isento de malícia e de interesses pessoais. Sendo Agape o amor de afeição, é também amor de satisfação, pois uma fraternidade, quer seja entre irmãos de sangue ou não, quer seja entre esposo e esposa, quer seja entre um núcleo familiar, etc., esse amor satisfaz porque é compartilhado e tem resposta entre todos aqueles que se reúnem para formar uma fraternidade de homens, mulheres e crianças.

A satisfação de Agape também se refere ao prazer por boas comidas e bebidas, por banquetes geralmente alegres e harmoniosos partilhados entre pessoas fraternas e espiritualizadas que se respeitam. Em antigos textos clássicos gregos como o poema épico A Odisséia, de Homero, Agape expressa essa satisfação, esse prazer de compartilhar refeições entre determinada fraternidade, determinado grupo, seja de homens, mulheres, crianças, etc. Ao longo da obra de Homero, Agape pode ser evidentemente percebido nas ações de seus personagens, especialmente entre Odisseus e seus companheiros, bem como entre Odisseus e sua esposa Penélope, entre Odisseus e seu filho Thelêmaco, entre Odisseus e seus empregados, o que é manifestado com notável respeito e admiração. Podemos ver também a satisfação entre esses atos fraternos associados às refeições em diversas circunstâncias descritas ao longo da obra homérica.

Ainda na mitologia grega, Prometheus (uma forma de Lúcifer) é um dos principais exemplos da manifestação de Agape, vindo dos céus, do divino, com sua vontade e amor titânicos, para a humanidade na Terra. A propósito, as palavras gregas Thelema (vontade) e Agape (amor) têm ambas valor numérico 93 (9+3=12; 1+2=3, os três amores fundamentais, Agape, Philos e Eros).

Assim, devido ao seu significado e importância, Agape também existe no interior de ordens maçônicas, ordens ocultistas, ordens esotéricas, ordens draconianas, etc.

Philos (ou phileo, philia), em certo sentido, é também o amor fraternal, manifestado por lealdade, igualdade e mútuo benefício, um amor de dedicação ao objeto amado. Contudo, Philos vai além dessas definições, e a “dedicação” desse amor pode chegar a ser mental, que é um nível abaixo do espiritual e acima do emocional. É o caso do amor pela sabedoria (o objeto amado), ou seja, a filosofia. Esta pode ser um meio de engrandecimento mental, intelectual e cultural, de busca pela verdade das coisas, bem como todo um modo de vida que se adota e que se ama profunda e conscientemente. Philos como amor, dedicação e apreciação, manifesta-se como inquietudes interiores que impulsionam o ser humano à busca da sabedoria que irá torná-lo maior, mais nobre, mais digno de ser amado e mais capaz de amar conscientemente. Manifesta-se também como prazer mental, intelectual e cultural, como prazer e sede por conhecimento e cultura útil, estimulante e construtiva. O benefício mútuo que existe em Philos é o benefício que se tem quando se vai adquirindo sabedoria ao longo da vida, pois quando se ama a sabedoria (Sophia, a Deusa Mãe provedora de virtudes), ela própria nos devolve mais sabedoria em troca de dedicação e adoração.

Nosso terceiro amor, Eros, expressa o amor sexual, sensual, carnal, de atração física com a consumação do prazer, e manifesta o instinto de união e reprodução. Sendo filho de Afrodite (ou Vênus, a deusa da beleza, do amor, do sexo e dos prazeres, um aspecto de Sophia), Eros (Cupido) manifesta o amor em seu nível físico-etérico, no mundo material, com o estímulo dos cinco sentidos físicos e sua gratificação. Eros é o amor que evoca a beleza, o prazer pela beleza e a perigosa obsessão pelo objeto amado e pelo prazer que ele traz. Mas é também o amor essencial da Natureza, a força primitiva da procriação de tudo o que vive, o amor theriônico, bestial, de instinto sexual e de preservação da espécie. Eros deve unir-se com Agape para gerar a beleza do amor romântico e sensual, a princípio, que evolui para o amor de reciprocidade e de desejo mútuo um pelo outro, fluindo em trocas de energias polarizadas entre o homem e a mulher. Tal troca de energias ocorre por meio do sexo, em determinado nível, e por meio das afinidades mentais e espirituais quando desenvolvido em amor completo (Agape-Philos-Eros). Entretanto, Eros representa o amor mais perigoso dos três, pois traz prazer, e (muita) dor se não for devidamente administrado, assimilado e combinado com Agape e também com Philos.

Mas devemos sim buscar o prazer, com o discernimento de epicuristas espiritualizados, pois é um direito da raça humana, um bem de todos aqueles que o merecem. Devemos buscar os prazeres sadios que nos enriquecem, que nos confortam, e que não degradam o espírito, a mente e o corpo, de maneira que nosso esforço para obtê-los não seja maior do que o seu desfrute. A obsessão e o vício doentios não são um prazer, mas dor que leva à própria destruição do ser como um todo, o que não contribui em nada para a evolução. Lúcifer não é debilidade, não é submissão aos vícios, não é escravidão, não é decadência, não é degradação. Quando combinado com Agape e Philos, o prazer erótico luciferiano é essencial para a saúde do corpo e para a saúde do amor romântico (sem vulgarização), entre o homem (Lúcifer) e a mulher (Vênus).

Nesse caso, para nascer uma união ideal ou (quase) perfeita, é preciso de:

-Eros (atração física e desejo);

-Philos (afinidade mental e cultural);

-Agape (afinidade de ideais espirituais e de grau evolutivo).

Assim, se forma a unidade ternária do amor criativo e criador, a inspiração e o estímulo para a Senda da evolução.

Para concluir, fazendo uma outra analogia, no ser humano temos a cabeça (Philos), o coração (Agape) e os genitais (Eros) unidos em um sistema cérebro-cardio-genital que deve funcionar em harmonia. O ser humano deveria se esforçar para unir em si esses três amores para que haja satisfação sadia em suas inter-relações, cada qual no lugar certo e na medida certa, evitando a degeneração em seus vícios opostos (paixonite grosseira, obsessão egoísta e depravação sexual). Tal corrupção dos três amores pode causar uma “perda da alma” e seu conseqüente sofrimento, como podemos facilmente observar ao redor do mundo com sua lastimável “civilização”.

Amar nessas três formas não é sofrer mas sim atingir a paz ataráxica, quer dizer, a paz interior impertubável do espírito auto-consciente, do espírito sábio, desfrutando o prazer sadio e natural da alma, da mente e do corpo, traqüilamente.

Por Fr.’. Adriano Camargo Monteiro

#LHP #Luciferianismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-tr%C3%AAs-amores-agape-philos-e-eros

Fundamentos da Magia(k) – Com Sérgio Bronze

Bate-Papo Mayhem #097 – 03/11/2020 (Terça) Com Sérgio Bronze – Fundamentos da Magia(k)

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

Site do Projeto Mayhem – https://projetomayhem.com.br/

Siga a gente no Instagram: https://www.instagram.com/projetomayhem/

Livros de Hermetismo: https://daemoneditora.com.br/

#Batepapo #hermetismo #Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/fundamentos-da-magia-k-com-s%C3%A9rgio-bronze

A Divulgação da Thelema na Internet

aleister-crowley-thelema

Algumas pessoas têm ojeriza à promulgação de Thelema na Internet, especialmente em mídias sociais como o Facebook. O argumento básico é que a esse tipo de promulgação “emburrece” a Lei por usar citações simples ou imagens.

Eu entendo a preocupação e concordo até certo ponto. Seria melhor se as pessoas lessem os textos de Crowley ao invés de simplesmente clicar no botão “Curtir” numa imagem do Facebook. Este é um argumento válido, entretanto – dentro do contexto da Internet – há muitas razões pelas quais ele acaba se perdendo.

Primeiramente, algumas citações relevantes do próprio Crowley sobre a promulgação:

• Crowley escreveu para frater Achad em junho de 1916: “Observe: a questão antes dos encontros é essa: Como iremos colocar em prática a Lei de Thelema. Nós já temos a Lei; eu não acho que precisemos de mais conhecimento, mas precisamos desesperadamente do poder de administrá-lo. Eu acho que estou fazendo papel de bobo, pensando, falando e escrevendo. O que eu preciso é eficiência na promulgação”

• Crowley também escreveu em 28 de agosto de 1936: “uma coisa eu digo: que eu não espero que algo venha das especulações qabalísticas. Eu acho que elas podem até mesmo ser extremamente maliciosas em tempos como o presente. Nosso único foco deveria ser usar a Lei para reconstruir o mundo a partir do caos no qual já estamos parcialmente imersos. Aquela fórmula é simples e não requer treinamento especializado. O trabalho requer a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que nunca ouviram falar da Qabalah; e elas têm de ser abordadas numa linguagem que elas possam entender.”

• Crowley também escreveu para Grady McMurty (Hymanaeus Alpha) em agosto de 1945: “É necessário expandir o escopo da apresentação da Lei de Thelema para que pessoas de todos os tipos sejam capazes de apreciar a parte específica que elas conseguem entender. Desta maneira, os processos de pensamento da maioria [das pessoas] será de tal forma direto que, a todos aqueles que entendem a Lei, será dada a oportunidade de fazê-lo enquanto fornecem guia para aqueles cuja compreensão está incompleta”.

Sabazius X° também escreveu em Ágape X:4, “Se, por um lado, não temos o dever de “converter” [pessoas], por outro, temos, sim, o dever de disseminar a Lei o mais amplamente possível em toda a sociedade humana, e não apenas dentro de específicas sub-culturas, classes e grupos sociais.”

A partir dessas citações, é possível perceber que Crowley estava interessado em diversas coisas concernentes à promulgação da Lei:

• Crowley queria mais poder e eficiência na divulgação da Lei.

• Crowley queria a cooperação de dezenas de milhares de pessoas que não necessariamente conhecessem coisas específicas como a Qabalah.

• Crowley queria que a Lei fosse apresentada de forma que qualquer tipo de pessoa pudesse apreciar as partes da Lei que conseguisse entender.

Portanto, uma boa promulgação requer (1) um meio poderoso (ou mídia diversificada) de divulgação da Lei, (2) a capacidade de atingir milhares de pessoas, e (3) uma apresentação simples e direta.

Eu pessoalmente acredito que a Internet seja um meio perfeito que preenche os 3 requisitos para uma boa promulgação. O Facebook, em particular, é a mídia que, atualmente, permite que muitas pessoas não só vejam pedaços e partes da Lei por meio de citações e imagens, como também permite que indivíduos compartilhem estes posts facilmente, gerando mais promulgação. Por exemplo, a imagem que está no cabeçalho deste artigo foi visto por mais de 10,000 pessoas numa simples postagem. Exemplo, esta postagem (1) usou uma mídia poderosa como o Facebook que (2) alcançou mais de 10,000 pessoas e (3) foi uma citação que a maioria das pessoas, mesmo sem nenhum conhecimento prévio de Thelema e ou de assuntos mais técnicos como Magick ou Qabalah, puderam apreciar.

O alcance potencial do Facebook é realmente impressionante. Para dar um exemplo, a página “Aleister Crowley” tem um alcance semanal médio de 45,000 pessoas. Isso significa que, em qualquer semana, um post (seja texto, link, vídeo ou imagem) é visto no Feed de Notícias de 45,000 usuários. Qual outra forma de promulgação consegue alcançar 45,000 pessoas toda semana? Continuando com este exemplo, toda vez que alguém curte, comenta ou compartilha o post da página Aleister Crowley, ele poderá ser visto por qualquer um que esteja na lista de amigos de quem realizou qualquer uma destas ações. Quantos são os amigos de pessoas “fãs” desta página do Facebook? Mais de 24 milhões. Estes amigos podem curtir, comentar ou compartilhar, de forma que o número de possíveis visualizadores é, na verdade, maior que 24 milhões. Esta é apenas uma página (fora tantas outras e perfis pessoais) e os números deveriam, na minha opinião, falar por si mesmos. Não está escrito no Livro da Lei que “Sucesso é sua prova”? É possível que este seja, de fato, o maior e mais difundido esforço de promulgação que a Thelema já viu em toda a sua história.

O que estes esforços fazem que é um benefício para a finalidade de promulgar a Lei?

• Milhares de pessoas verão o conteúdo, seja um link para um texto completo, uma citação ou qualquer outra possibilidade, que de outra forma não teriam acesso ou possibilidade de reflexão.

• Milhares de pessoas que nunca ouviram falar sobre Thelema ou Aleister Crowley têm a oportunidade de ver uma pequena parcela do que é a Lei.

• A milhares de pessoas (que não o fariam de outra forma) é dada a oportunidade de promulgar a Lei por si próprio ao difundir o conteúdo.

• Todos podem escolher seguir essas páginas do Facebook, e eles podem decidir comentar e compartilhar. Isto é, de certa forma, o pináculo da promulgação, em oposição ao proselitismo. Ninguém está sendo forçado a fazer, ler ou escutar coisa alguma.

Serviria isto como substituto para as leituras basilares, engajamento na comunidade local, prática de Yoga e Magick, e integração geral da Lei em suas vidas? Claro que não. Mas também não o é qualquer outra forma de alcance, incluindo os melhores e mais bem articulados livros. Tão provável quanto alguém ler um livro inteiro sobre Magick e nunca realizar um ritual é alguém compartilhar uma citação no Facebook e realmente não integrá-la em sua vida.

Nós não temos o poder de forçar a Thelema a alguém; é o Trabalho de cada um estudar, entender, e integrar [isso] em suas vidas e nenhuma carga de trabalho feita por outrém jamais substituirá isso. Nunca substituiu e nunca irá. Estes esforços de promulgação na Internet simplesmente dão mais e mais oportunidades para as pessoas espalharem a Lei para “pessoas de todos os tipos” como Crowley desejava. E é, de certa forma, até mais poderoso do que um livro pois é gratuito, eficiente, permite às pessoas perpetuar ideias com o mínimo de esforço e pode atingir muitos indivíduos que de outra forma jamais teriam escutado sobre Crowley ou sobre a Lei de Liberdade. E também, – ainda que possa chocar ou insultar alguns Thelemitas – nem todo mundo é um intelectual que tem tempo para ler livros e artigos longos e obtusos. Seja por falta de instrução, interesse ou tendência, existem diversas pessoas – na verdade, eu diria que a maioria das pessoas – que não são bibliófilos cabeçudos como eu (e muitos outros Thelemitas contemporâneos). “A lei é para todos” e isso não significa só para bibliófilos cabeçudos.

Algumas pessoas se preocupam com a possibilidade de esses esforços de promulgação terem gerado mais iniciados na OTO local ou mesmo mais Thelemitas. No núcleo disto reside uma preocupação a respeito de quantas pessoas estão realmente integrando essas ideias e colocando-as em prática. Como eu disse há pouco: é a Grande Obra de cada um estudar, entender e integrar [a Lei¿] em sua vida e nenhuma carga de trabalho de outrem substituirá isso. Mais importante, não há qualquer forma de saberemos com certeza absoluta. À parte de não perguntarmos sistematicamente a cada novo rosto que aparece em um evento o que especificamente o fez aparecer lá, há também o fato de que muitas pessoas não têm certeza, não lembram ou não querem dizer (talvez parcialmente pela possibilidade de ser defrontado com beatice!). Não há maneira de saber como esses esforços de promulgação afetam os membros já existentes de organizações como a OTO. Eu, pessoalmente, acho que se alguma postagem do Facebook fez alguém pensar um pouco sobre Thelema naquele dia, mesmo que seja apenas por alguns momentos, já é um avanço se comparado ao não pensar sobre isso de forma alguma. Talvez eles nunca tenham encontrado essa ligação ou uma citação específica antes. E mais: além de organizações como a OTO, não há maneira alguma de determinar como isso afeta Thelemitas (e não-Thelemitas) que não estão associados a qualquer organização em particular.

Em suma, como já mencionei, não há maneira alguma de saber com certeza absoluta. O que sabemos de fato é a incrível extensão em que esses esforços de promulgação pela Internet atingem as pessoas de alguma forma ou de outra, tanto Thelemitas quanto não-Thelemitas. É um fato concreto que “dezenas de milhares de pessoas” (assim como Crowley queria) estão vendo este conteúdo quando, de outra forma, não o fariam. O Livro da Lei diz “e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema”. De verdade, deveríamos nos preocupar com a possibilidade de outras pessoas estarem ou não verdadeiramente engajando-se com o material de alguma forma? Não estaríamos possibilitando às pessoas uma “chance de permanecer neste êxtase ou não” e, independentemente de eles fazerem algo a respeito disso ou não, “não é problema”? Não seria a insistência que determina aos indivíduos que façam uma coisa específica ou que ajam de uma maneira específica uma violação fundamental do “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”?

O Livro da Lei diz: “O sucesso é tua prova; não argumentes, não convertas; não fale demasiado!”. Vamos fazer um pequeno exercício de pensamento: considere a diferença entre (a) um indivíduo que, por exemplo, cria uma imagem com uma citação sobre a Lei e a espalha no Facebook versus (b) um indivíduo que critica esse esforço. A pessoa A está criando uma oportunidade ou chance de alguém ouvir sobre a Lei, pensar sobre a Lei, e compartilhar a Lei, sem qualquer tentativa de converter ninguém (“Sucesso é tua prova”). A Pessoa B é, antes de tudo, reativa – eles estão definindo o princípio causal de suas ações fora de si ao re-agir ao invés de agir. A Pessoa B está argumentando no lugar de espalhar a Lei (“não argumentes”), está tentando obrigar e impor seu estilo de vida como “um verdadeiro Thelemita” sobre os outros (“não convertas”), e estão gastando tempo e energia punindo o outro (“não fale demasiado”) ao invés de criar seu próprio material que seria, obviamente, tão melhor. Se 10.000 pessoas veem algo sobre Thelema por que uma imagem foi postada, quantas pessoas estão realmente sendo alcançadas através da crítica desta mesma imagem?

Enquanto a crítica construtiva é sempre benéfica para aperfeiçoar a eficiência de uma abordagem, há uma série de críticas que são simplesmente emocionais e reativas (isto é, não construtivas). Parece haver algumas pessoas que, conscientemente ou não, querem manter a Thelema como uma camarilha de clausura, elitista e restrita a uma minúscula “panelinha”. Essa é a prerrogativa deles – Faça o que tu queres, é claro – mas acredito que eu, juntamente com dezenas de milhares de outras pessoas, estamos, juntos, fazendo muito trabalho substancial para espalhar a Lei de Thelema para o resto do mundo, de acordo com a atitude do Profeta (como visto nas citações acima). “A Lei é para todos” afinal, e eu digo: se realmente acreditamos que Thelema é a Lei da Liberdade – a Chave para a nossa evolução como indivíduos e como uma espécie – nós devemos dar a tantas pessoas quanto for possível a “chance de permanecer neste êxtase ou não “.

Amor é a lei

Amor sob vontade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-divulga%C3%A7%C3%A3o-da-thelema-na-internet

Não Existe Almoço Grátis

Olá crianças,

Outro dia eu vi no Facebook uma propaganda de “perfumes mágicos” vindo de fachada de uma dessas Ordens pseudo-Satanistas da vida. Os anúncios eram bem parecidos com os que poderíamos encontrar nas revistinhas Wiccas. Os produtos incluíam perfumes milagrosos que prometiam “serenar a alma”, “acalmar a mente preocupada”, “proteger de pesadelos”, “proteção” e outras coisas mil feitos sob medida mediante nome, data de nascimento e foto.

A sorte (ou intuição) é que me fez cair na charlatã que é dona dessa página antes que ela fosse lançada para o público e pude perceber o engodo de vampirização dessa porcaria (não era uma lojinha wicca, mas uma página gerenciada por um terreiro de kiumbanda satanista de vampirização e matança de animais, do tipo mais escroto que existe).

Antes de explicar como funciona o golpe em detalhes, vou contar outro causo:

Por volta de 1999 circulou pelas internets um livro chamado XXXX, que seria “o Super-Duper livro de como se tornar um super-master satanista de Orkut”, com segredos que foram “vazados” de uma Ordem Satânica hipster (segundo a história mirabolante deles, já eram satanicos antes do anton lavey inventar o satanismo) e que, apesar de terem caído nas internets, continham segredos miraculosos e satânicos de poder…

Hauahauahauahau

Era quase uma versão moderna do Livro de São Cipriano capa de Kriptonita kkkk
[UPDATE] De uns anos para cá, a tal ordem liberou oficialmente o tal livro, numa excelente jogada de marketing.

Na época, um grupo de estudos daqui de SP do qual eu faço parte quis analisar o tal livro para ver que tipo de coisas ele poderia ter de útil. Qual não foi nossa surpresa quando os Exus do grupo descobriram que as evocações realmente funcionavam!!! Só que ao contrário!!!

Os rituais haviam sido propositadamente criados com o intuito de abrir pequenos portais de vampirização, que eram acentuados pelo fato dos moleques que faziam o ritual terem de se cortar, passar tempos em jejum, caminhar por horas e horas na estrada e outros métodos de exaurir qualquer tipo de vontade. Desta maneira, o processo não dava a eles a experiência de entrar em contato com o “Sagrado Demônio Guardião” (olha a merda…), mas sim, mandava para eles um “Sagrado Egun Vampirizador” que ficava ali de butuca chupando energia do moleque e alimentando uma egrégora secreta.

Essa Ordem é uma organização secreta satanista que realmente existe, formada inicialmente no Reino Unido, tendo se mostrado ao publico em geral nos anos de 1980 e 1990, com uma estória fantasiosa medieval. Mas acaba por ai. Não tenho dúvidas que exista realmente um núcleo central de magos negros em algum lugar da Europa, servindo a algum grupo de eguns que absorvem toda essa energia… convenhamos que não é grandes coisas, porque geralmente os satanistas de Orkut não servem para muito e dão no máximo uma pilha ray-o-vac. Mas o segredo é a quantidade.

O livro foi “vazado” para a Internets e milhares de idiotas graciosamente fizeram os rituais, achando que eram muito espertos, e acabaram engrossando as fileiras dos pilhas e escravos energéticos da egrégora. O plano é sensacional… porque um satanista de Orkut nunca vai admitir que é um trouxa energético… eles SEMPRE vão se achar os fodões, já que a grande base dos satanistas de internet é a insegurança total com quem a pessoa é e com o que é capaz de fazer… como Crowley bem disse “Os escravos servirão!”.

Se alguém falar que o tal livro é um portal de vampirização e roubo de energia e poder e que a pessoa está sendo vampirizada/roubada, os satanistas ainda irão brigar com você! (qualquer semelhança com Igrejas Evangélicas _NÃO_ é mera coincidência). Afinal de contas, o fulano quer posar de malvadinho e vai admitir que é um otário astral? Sobram no orkut e Facebook, então, duas castas de satanistas… os que “organizam” grupos, tentando escalar a pirâmide de trambicagem, e os que “querem entrar para ter vários poderes” que constitui o grosso dos vampirizados.

Quando eu digo que não existe almoço de graça, é preciso entender que nenhuma entidade, seja ela qual for, consegue se manter muito tempo no Mundo Físico incorporada ou manifestada sem uma fonte de energia. E toda guerra tem de ser financiada. Normalmente são os médiuns. Nos terreiros sérios, com entidades e médiuns preparados, existe toda uma estrutura de firmezas, preparações e técnicas que ajudam nestas manifestações, mas mesmo assim trabalhos prolongados vão acabar exaurindo os membros da casa.

Terreiros que trabalham dentro da Lei, ou seja, que contam com grandes Egrégoras protetoras, possuem redes de “compartilhamento energético” através dos rituais que alimentam esta Egrégora e permite que seus Guardiões trabalhem… podemos citar a Maçonaria, Ordem Demolay, AMORC, FRA, Ordens Rosacruzes, Ordens Martinistas, Arcanum Arcanorum, Templos Budistas, e outras fraternidades. Estes Guardiões trabalham EM CONJUNTO com o Sagrado Anjo Guardião de cada membro… desta maneira, todos os membros doam energia (lembre… não existe almoço grátis) e as entidades compartilham estas energias em uma grande defesa astral, formando uma rede.

Em outros lugares, como em Igrejas evangélicas, TAMBÉM existem estes Guardiões de Proteção da Egrégora, porém, eles estão mais preocupados em proteger A EGRÉGORA do que os idiotas que vão alimentá-la.

O Conceito de Lei e Fora-da-Lei

Nosso Sistema Solar possui a finalidade de EVOLUÇÃO. Esta é a Lei. Todas as Egrégoras que trabalham na Lei visam a evolução de seus membros através do descobrimento e realização da Verdadeira Vontade de cada um. É simples de entender isso na Ordem Rosacruz, nas Ordens de Estudo, na Essência da Maçonaria, na Essência da Thelema, em terreiros de Umbanda, em centros Kardecistas, em Ordens que permitam que a pessoa questione e amplie seus horizontes cada vez mais.

Os Fora-da-Lei trabalham na Involução. Elas trabalham de maneira que os membros sirvam de alimento energético (e monetário, e emocional) para uns poucos vampiros. Também é muito fácil entender isso na estrutura de qualquer Igreja Evangélica ou Católica ou Satânica da vida. Também é muito fácil entender este funcionamento em Ordens de mão esquerda de internet, pontos de venda de drogas, em bares, em prostíbulos…

Um Egun, ou um espírito fora-da-lei, é uma espécie de “agiota” no Astral… alguém que quer se manter presente no Planeta e que precisa negociar esta energia com a galera. Alguns os chamariam de vampiros, kiumbas, obsessores, etc, mas ele é apenas um ser que quer a SUA energia para sobreviver!

A melhor maneira deles sobreviverem é criando um grupo para que possa roubar a energia um pouco de cada um, de modo que nenhum deles eventualmente morra ou fique muito imprestável. Existem diversos tipos de eguns, mas os mais conhecidos alimentam-se da energia gerada através do sexo, de sacrifícios e de “doações energéticas”. Geralmente são agressivos e tendem a tomar o controle da mente de seus membros, tornando-os fanáticos e dóceis aos comandos dos líderes (qualquer semelhança com política e governos ditatoriais não é mera coincidência… lembre-se que o que vale aqui vale lá).

Ai temos o grupinho inicial ou os magos ou a grã-sacerdotisa loira ou qualquer porcaria que o valha. O grupo fará o possível para atrair e acorrentar o maior número de trouxas (sem trocadilho) que conseguir em busca de sua energia (astral e monetária) sem dar nada em troca. A sacada destes grupos é que eles sempre falam que você é “especial”…

Quando o egun consegue se estabelecer, ele passa a fingir que é um Exu e assume títulos pomposos como Maioral, Rei, Barão, Duque, Satanás-não-sei-das-quantas e por ai vai e busca dar algum poder para o grupinho inicial para incentivá-los… faz umas amarrações, faz umas macumbinhas, dá um dinheiro (no caso de Igrejas, dá um carro novo, um salário de pastor… veja como os mundos são espelhados!) e protege aqueles escravos principais, que são os que lhe trarão mais energia/dinheiro, em uma espécie de Esquema de Pirâmide Astral.

Claro que, nesse submundo, ocorrem guerras astrais o tempo todo… pastores tiram fiéis do vício de drogas, de prostituição, pegam bandidos na cadeia e trazem para dentro da Igreja. Satanistas e quimbandeiros recrutam bandidos, donos de bocas de fumo e políticos corruptos, que passam lá para fazer suas macumbas em tempo de eleição.

E, eventualmente, Eguns são recrutados pelas falanges da Lei, tornando-se Exús de baixa hierarquia. Normalmente quando algum ataque destes vem contra mim ou contra ordens estabelecidas, aprisionamos e direcionamos os eguns para o trabalho em centros.

Então retornamos aos “perfumes mágicos”… que tipo de coitado idiota daria seu nome, foto e data de nascimento para ser usado como pilha energética por demônios? Alguém que não soubesse do esquema, claro. Vendo a página podemos perceber um padrão: produtos com ar de picareta que prometem curas mágicas para depressão, fraqueza, preocupação, pesadelos, etc…

Estes produtos pegam infelizes que:

1) acreditam em fórmulas milagrosas, portanto, possuem baixa defesa mental/astral

2) possuem obsessores causando depressão, fraqueza, preocupação, pesadelos…

Então pegam nome, data de nascimento e foto da pessoa… (deviam pedir mecha de cabelo também kkk). O leitor mais esperto já percebeu que essa armadilha é um DISK EGUN… uma forma de “recrutamento” de escravos Obsessores desgarrados, certo? O otário manda foto, nome, data de nascimento e indicação de que fraqueza possui… tudo que os satanistas precisam fazer é abrir os portais, escravizar o obsessor desgarrado e vampirizar o mané… gênio!

Isso é, no fundo, um bom sinal… sinal que a egrégora está fraca e desorganizada, precisando desesperadamente de novos “recrutas” astrais (por que será? andaram destruindo todo o grupo? Kkkkk)

Tomem muito cuidado com lojinhas nas internets prometendo muambas milagrosas, especialmente as que pedem foto, nome e data de nascimento com a desculpa de serem “feitos sob medida”… vai custar bem caro essa brincadeira…

#Fraudes #LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/n%C3%A3o-existe-almo%C3%A7o-gr%C3%A1tis

Babalon: a Mulher Escarlate e Seu Mistério

Por Spartakus FreeMann

“BABALON é nossa Mãe, mas quem é ela? Ela é simplesmente tudo. O que você está vendo, o que está bebendo, o que está vestindo, a maneira como o cabelo cheira, a maneira como o barulho do lado de fora atinge a janela, o cachorro etc. Tudo isso é Babalon, toda a realidade material. Ela é a Mãe Divina, a portadora da Luz e das Trevas e a Ela somos subjugados por sua autoridade majestosa.”
– Tau Nahash, A Emanação Babalon

A partir do sistema de Magick de Crowley, ela é retratada como a Mulher Escarlate, a Grande Mãe e Mãe das Abominações. Sua forma divina é a da prostituta sagrada e seu principal símbolo é o Cálice do Graal. Seu consorte é o Caos, o ‘Pai da Vida’, a forma masculina do Princípio Criativo. Babalon é frequentemente descrita como uma mulher carregando uma espada e cavalgando a Besta com a qual Aleister Crowley se identificou pessoalmente. Em um sentido mais geral, Babalon representa a mulher liberada e a expressão do impulso sexual.

Tabela de conteúdo:

1. Etimologia e referências Bíblicas
2. Babalon, a Porta de entrada para a Cidade das Pirâmides
3. A Grande Prostituta
4.  O papel da Mulher Escarlate
5. A Grande Mãe
6. A Mulher Escarlate e o Livro da Lei
7. Babalon nos outros escritos de Crowley
8. Jack Parsons e o Liber 49
9. Ecclesia Babalon e literatura adicional

Etimologia e referências bíblicas

Em primeiro lugar, a forma divina de Babalon parece derivar de uma passagem no Apocalipse, uma fonte de grande inspiração para a cosmologia de Crowley. No Apocalipse, encontramos esta passagem:

“3 E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres. 4 E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição. 5 E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra. 6 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.”

Apocalipse 17:3-6 (tradução de Sower).

O nome Babalon pode ser derivado de várias fontes. Primeiro, há uma óbvia semelhança com a Babilônia. Babilônia era uma grande cidade na Mesopotâmia, a fonte da cultura suméria. A divindade Ishtar tem uma semelhança bastante assombrosa com a Babilônia de Crowley. A própria Babilônia é uma cidade frequentemente citada na Bíblia, geralmente como uma imagem do paraíso caída na ruína, um aviso contra a maldição da decadência:

“1 E, depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. 2 E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível! 3 Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela. E os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias.
4 E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas. 5 Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela.” Apocalipse 18:1-5 (tradução Sower).

Outra possibilidade deriva da palavra Enoquiana BABALOND, que é traduzida como “meretriz”. Esta é provavelmente a explicação mais provável desde que a “Visão e Voz” foi obtida por Crowley através de viagens astrais seguindo o sistema de magia Enoquiana.

Crowley provavelmente escolheu a grafia Babalon por seu significado Cabalístico. Ao substituir a letra ‘y’ da Babilônia por um ‘a’, a palavra ‘AL’ aparece no centro da palavra. Tudo se decompõe então da seguinte forma: Bab-al-on. Bab é a palavra árabe para “porta”; “AL” é a Chave da Legislação da Liberdade, e também o nome cabalístico para Deus; “ON” é o nome da cidade egípcia que os gregos chamaram de Heliópolis, a Cidade das Pirâmides. Por gematria, Babalon, באבאלען, é igual a 156, que é o número de quadrados em cada tablete dos elementos do sistema Enoquiano de Dee e Kelly. Estas placas são identificadas com a Cidade das Pirâmides, sendo cada quadrado a base de uma pirâmide.

Babalon, a Porta da Cidade das Pirâmides

No sistema Magick, o adepto chega à etapa final quando deve atravessar o Abismo, aquele lugar selvagem do nada e da dissolução. Choronzon (veja nosso estudo sobre Choronzon) reside neste lugar e seu papel é encurralar o viajante neste mundo de ilusões. Entretanto, Babalon está apenas do outro lado acenando para o adepto. Se o adepto se entrega a Ela – o símbolo deste ato é o derramamento do sangue do adepto em seu Graal – ele então se imbui dela para renascer como mestre e santo que reside na Cidade das Pirâmides. Este processo é lindamente descrito no 15º Aethyr da Visão e da Voz.

O conceito contido na imagem de Babalon é o de um ideal místico, a busca de tornar-se um com o todo. Este processo exige necessariamente a recusa de negar qualquer coisa, de se tornar perfeitamente passivo para o mundo, de permitir que todas as experiências ocorram, de se entregar em uma enxurrada de sensações. Através disto, o místico entra em contato direto com a vida, formulando assim o vinho Graal, sendo o entendimento destilado que é derivado da experiência bruta. Este processo tem sua analogia no trabalho da Senhora da Noite.

Babalon é descrita em vários textos de Thelema, mas seu aspecto mais edificante está na “Visão e Voz” na passagem que explica a função do Cálice:

“Que ele olhe dentro da taça cujo sangue está misturado, pois o vinho da taça é o sangue dos santos. Glória a Mulher Escarlate, Babalon a Mãe das Abominações a qual cavalga a Besta, pois ela derramou o sangue deles em cada um dos cantos da terra e veja! Ela o misturou na taça de sua prostituição.

Com o hálito de seus beijos ela o fermentou e ele se tornou o vinho do Sacramento, o vinho do Sabbath; e da Santa Assembleia ela o verteu para seus adoradores que se embriagaram e assim, face a face, contemplaram meu Pai. Deste modo tornaram-se dignos de compartilhar do Mistério desse cálice sagrado, pois o sangue é a vida.”

(Esse vinho é tal que sua virtude irradia através da taça e cambaleio sob a sua intoxicação. E cada pensamento é ceifado por ele. Ele continua sozinho e seu nome é Compaixão. Por “Compaixão” entendo o sacramento do sofrimento compartilhado pelos verdadeiros adoradores  do Altíssimo. É um êxtase no qual não existe traço de dor. A sua passividade (=paixão) é como a rendição do eu ao amado.)”

A Visão e a Voz, 12th Aethyr, Aleister Crowley.

A grafia de seu nome como ‘Babalon’ só foi revelada na visão do 10º Aethyr, onde este nome é usado para banir as forças de Choronzon. A descoberta da forma do Nome representa a bem sucedida travessia do Abismo por Crowley e a entrada na Esfera de Binah que é atribuída a Babalon.

A Cidade das Pirâmides é o lar místico dos adeptos que atravessaram com sucesso o Grande Abismo, aqueles que derramaram seu sangue no Graal de Babalon. Eles destruíram seu ego, de modo que agora são apenas grãos de poeira. Eles se tornaram crianças dentro de Babalon e lá eles têm o sagrado nome: Nemo. No sistema A∴A∴, eles são chamados de “Mestres do Templo”.

A Grande Prostituta

Babalon leva este título porque não recusa ninguém e ainda exige um grande preço – o sangue do adepto e sua identidade de ego como um ser terreno. Este aspecto de Babalon é descrito com mais detalhes pelo 12º Aethyr:

“Esse é o Mistério de Babilônia, a Mãe das abominações, e esse é o Mistério dos seus adultérios, pois ela se entregou a tudo que vive e assim tornou-se parte desse mistério. E por ter feito a si mesma uma serva de cada um, tornou-se senhora de tudo. Tu não podes compreender sua glória.”

“Bela és tu, Ó Babalon, e desejável, pois tu te entregaste a tudo que vive e tua fraqueza sobrepujou tua força. Pois essa união tu “compreendeste”. Por isso tu és chamada Compreensão, Ó Babilônia, Senhora da Noite!”

O papel da Mulher Escarlate

Embora Crowley escrevesse frequentemente que a Babalon e a Mulher Escarlate são uma só pessoa, também há momentos em que a Mulher Escarlate é vista como uma manifestação representativa ou física do princípio feminino universal. Em uma nota no Liber Reguli, Crowley menciona que dos “Deuses do Éon”, a Mulher Escarlate e a Besta são “os emissários terrestres desses Deuses”. Ele então escreve em seus Comentários:

“É necessário dizer que a Besta parece ser um indivíduo definido; ao perceptivo, o homem Aleister Crowley”. Mas a Mulher Escarlate é um oficial substituível quando surge a necessidade. Assim, até a presente data deste escrito, Anno XVI, Sun in Sagittarius, houve muitos detentores deste título.”

A Grande Mãe

Dentro da Missa Gnóstica, Babalon é mencionada no Credo Gnóstico:

“E eu creio em uma Terra, a Mãe de todos nós, e um Ventre onde todos somos gerados e para onde todos deveremos retornar, Mistério dos Mistérios, de Seu Nome BABALON”.

Babalon é identificada com Binah na Árvore da Vida, a esfera que representa a Grande Mãe e as deusas-mães Ísis, Bhavani e Muat. Além disso, ela representa todas as mães físicas.

Babalon no capítulo 49 do Livro das Mentiras:

“AS FLORES DE WARATAH

Sete são os véus da dançarina do harém d’ELE.

Sete são os nomes, e sete são as lâmpadas ao lado da cama Dela.

Sete eunucos A guardam com espadas desembainhadas; Nenhum
Homem aproxima-se Dela.

Em seu copo de vinho estão as sete torrentes de sangue dos Sete
Espíritos de Deus.

Sete são as cabeças d’A BESTA na qual Ela Cavalga.

A cabeça de um Anjo: a cabeça de um Santo; a cabeça de um Poeta:
a cabeça de Uma Mulher Adúltera: a cabeça de um Homem Valoroso; a
cabeça de um Sátiro; e a cabeça de um Leão-Serpente.

Sete letras tem Seu mais sagrado nome, que é:

BABALON 7 7, 77, 77, 7

Este é o Selo sobre o Anel que está no Indicador d’ELE: e este é o
Selo sobre as Tumbas daqueles a quem Ela assassinou.

Aqui está sabedoria. Que aquele que tem Compreensão conte o
Número de Nossa Senhora; pois que ele é o Número de uma Mulher; e Seu Número é Cento e Cinquenta e Seis.”

Sobre este capítulo, Crowley faz o seguinte comentário:

“49 é o quadrado de 7.

7 é o número passivo e feminino.

O capítulo pode ser lido em conexão com o capítulo 31, pois ELE
(N. Trad.: IT, no original em inglês) reaparece.

O título, a Waratah, é uma voluptuosa flor de cor escarlate, comum
na Austrália, o que conecta este capítulo com os de número 28 e 29; no entanto, isso é apenas uma alusão, pois o assunto do capítulo é NOSSA SENHORA BABALON, a qual é concebida como a contraparte feminina d’ELE.

Isso não confirma muito a teogonia comum ou ortodoxa do capítulo 11; mas deve ser explicado pela natureza ditirâmbica deste capítulo.

No parágrafo 3, NENHUM HOMEM é, claramente, NEMO, o Mestre do Templo. “Liber 418” explicará a maioria das alusões neste capítulo.

Nos parágrafos 5 e 6, o autor identifica-se claramente com a BESTA referida no livro, no Apocalipse e em LIBER LEGIS. No parágrafo 6, a palavra “anjo” talvez se refira à sua missão, e a palavra “leão-serpente” ao sigilo de seu decano ascendente. (Teth = Cobra = espermatozoide e Leo no Zodíaco, o qual tem, como Teth, forma de serpente. θ escrevia-se originalmente {Sol} = Lingam-Yoni e Sol.)

O parágrafo 7 explica a dificuldade teológica referida acima. Há
apenas um único símbolo, mas este símbolo tem muitos nomes: destes nomes BABALON é o mais sagrado. Este é nome ao qual se refere em “Liber Legis” 1, 22.

Repare que a figura de BABALON, ou seu sigilo, é um selo sobre
um anel, e este anel está no dedo d’ELE.

Isto identifica ainda mais o símbolo consigo próprio. Repare que este selo, a não ser pela ausência de margem, é o selo oficial da A.·.A.·.

Compare com o Capítulo 3. Diz-se também ser este o selo sobre as tumbas daqueles que foram por ela assassinados, que são os Mestres do Templo. Conectando com o número 49, ver “Liber 418”, 22o Aethyr; bem como as fontes usuais.”

Livro de Mentiras – Aleister Crowley – Tradução de Philippe Pissier.

A Mulher Escarlate e o Livro da Lei

Capítulo I:

“15. Agora vós sabereis que o sacerdote e apóstolo escolhido do espaço infinito é o príncipe-sacerdote a Besta; e na sua mulher chamada a Mulher Escarlate todo o poder é concedido. Eles deverão reunir minhas crianças em sua congregação: eles deverão trazer a glória das estrelas para os corações dos homens.

16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas é para ele a chama alada secreta, e para ela a luz estelar arqueada.”

Capítulo III:

“43. Que a Mulher Escarlate tome cuidado! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar o meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então a minha vingança será conhecida. Eu matarei a sua criança: Eu trarei desarmonia ao seu coração; Eu a banirei dentre os homens; como uma rameira encolhida e desprezada ela se arrastará por entre ruas sombrias e úmidas, e morrerá de frio e de fome.

44. Porém que ela se levante em orgulho! Que ela me siga no meu caminho! Que ela trabalhe a obra de perversidade! Que ela mate o seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta de joias, e ricos vestidos, e que ela seja desprovida de vergonha perante todos os homens!

45. Então Eu a erguerei aos pináculos do poder: então Eu gerarei dela uma criança mais forte do que todos os reis da terra. Eu a satisfarei com prazer: com a minha força ela verá e descobrirá na adoração de Nu: ela alcançará Hadit.”

Babalon nos outros escritos de Crowley

“Nas horas escuras da terra, quando a superstição cristã caiu tão mal sobre os povos da Europa, quando nossa Ordem Santa foi espalhada e a santidade de seus preceitos violados, alguns guardaram a Verdade em seus corações, &, amantes da Luz, eles carregavam a Lâmpada da Virtude sob o manto do sigilo. & estes, em certas estações do ano, foram à noite por caminhos abertos ou escondidos para as charnecas e montanhas, & lá dançaram juntos, & por jantares estranhos e vários feitiços, eles O chamaram, a quem o inimigo na ignorância chamou de Satanás, & que foi na verdade o Grande Deus Pan ou Baco, ou mesmo Bafômetro que os Templários adoraram em segredo, & como os Ilustres Cavaleiros do VI, da Ordem Sagrada Kadosh, aprenderam a adorar todas as Companheiras do Santo Graal, ou Babalon a Bela, ou mesmo o Zeus Apolo dos Gregos.

E cada um, quando introduzido neste santuário, foi feito um companheiro do encarnado pela Consumação do rito do Matrimônio. Considere isto.”

De Nuptiis Secretis, V DO BANHO DOS ADEPS, Aleister Crowley.

Nos emblemas da O.T.O., Babalon está associado ao ovo: “O Ovo é posto pela ‘Águia Branca’ (mulher) e é-lhe atribuído o número 156; é, portanto, a manifestação de Babalon. O Veículo do Ovo é o Fluido Vaginal; portanto, não é o Ovum. Mas é antes o poder de magia da mulher. Ele é fertilizado pelo Esperma, que é congênito à natureza do Ovo. O homem também deve estar em sintonia com a mulher, um elo mágico deve ser desenvolvido entre eles.”

Cada ato de sofrimento, cada ato de sacrifício, cada ato de vida que flui através do homem como a corrente de sangue que rega cada parte do ser, torna-se um fardo para o Adepto. Ele então derrama tudo no copo de BABALON, a Mulher Escarlate, o que ele adquiriu e o que ele se tornou. Em seu Liber Cheth vel Vallum Abiegni, lemos:

“Você derramará seu sangue, que é sua vida, no cálice dourado da fornicação”. Você deve mesclar sua vida com a vida universal. Você não deve guardar uma gota dela. Então seu cérebro ficará mudo e seu coração deixará de bater, e toda a vida se afastará de você..”

Jack Parsons e o Liber 49

Este livro contém a experiência mágica de invocar um Ser Elemental, a Deusa Babalon, e os seus resultados, como interpretado por Jack Parsons, Frater 210, da Ordo Templi Orientis.

Eis o que Parsons escreveu sobre isso em março de 1946 e.v.: “Esta força [a de Hórus] é totalmente cega, dependente dos homens e mulheres em quem se manifesta e a quem guia. É óbvio que esta orientação tende para uma catástrofe. Esta tendência se deve principalmente à nossa falta de compreensão de nossa própria natureza. O desejo reprimido, os medos, o ódio resultante do engano do amor tomaram uma direção homicida e suicida. Este impasse é quebrado pela encarnação de outra força, chamada Babalon. A natureza desta força está relacionada ao amor, compreensão e liberdade dionisíaca e é o contrapeso necessário para a manifestação de Hórus.”

“Deve-se lembrar que toda atividade humana, depois que as funções vitais são cumpridas, surge da necessidade de amar ou da necessidade de ser amado. É verdade, portanto, que na compreensão de todo poder é concedido. Uma compreensão do princípio da bipolaridade deve deixar isso suficientemente claro”.

Para Kazim: “Abyssus abyssum invocat”.

***

Ecclesia babalon e Literatura Adicional

A Ecclesia Babalon  (Instagram) é uma organização religiosa internacional independente fundada em 2018 nos Estados Unidos, e atualmente com sede no Brasil e presença em diversos estados. Unindo a tradição gnóstica, o esoterismo sacramental, ocultismo e magia sob a Lei de Thelema, a Ecclesia Babalon é herdeira do sacerdócio gnóstico apostólico das Ordens Esotéricas Gnósticas Sacramentais.

A Ecclesia Babalon se orienta pelo Código Iluminista Livre e defende que:

1. O crescimento espiritual é incompatível com o autoritarismo.
2. A iluminação requer uma abordagem experimental não dogmática.
3. Uma sociedade livre deve buscar estar constantemente atualizada.
4. Somos facilitadores. Nós fazemos o trabalho, não extraímos juramentos ou obrigações, nem exigimos crenças dogmáticas.

Literatura Adicional:
O Credo Gnóstico
O Chamado de Babalon
O Livro da Lei
O Livro de Babalon
Os Escritos de Jack Parsons
Babalon e Therion
A Redenção Feminina
Beijando o Céu: canalizando Babalon

***

Fonte:

FREEMANN, Spartakus. Babalon, Sources: Thelemapedia. Traduction & adaptation par Spartakus FreeMann, décembre 2007 e.v., Nadir de Libertalia. Extrait de « Notes pour la compréhension du futur antérieur » de Spartakus FreeMann ☉ in 22° ♐ : ☽ in 18° ♒ : Anno IVxv a.n. EzoOccult, 2007, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/4341/babalon/>. Acesso em 7 de março de 2022.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/babalon-a-mulher-escarlate-e-seu-misterio/

Seria Thelema a Religião do Novo Æon?

Por Jonatas Lacerda

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Seria Thelema a Religião do Novo Æon? Esta é uma questão extremamente complexa e sua resposta, por mais que seja realmente muito simples não pode ser dada sem ir um pouco além.

A resposta é não, Thelema não é a Religião do Novo Æon, assim como Thelema também não é uma filosofia, um sistema místico, mágico ou ainda um sistema político. Thelema é puramente a palavra de Lei que foi proferida pelo Magus do Æon (Aleister Crowley) e ela não pode ser qualquer outra coisa senão a palavra que rege as questões da Lei.

Muito do que é coberto pelo assunto utiliza citações de textos do próprio Crowley para validar ou invalidar a tese de que Thelema é uma Religião. A questão básica neste aspecto é que a cronologia das citações não é respeitada e com isso nada pode ser realmente validado, já que Crowley evoluiu juntamente com sua descoberta e sua maior tarefa foi tentar interpretar o significado todo desse novo processo que foi iniciado em 1904 e.v..

Declarar Thelema como algo específico (e não como algo aplicável) é simplesmente, limitar o campo de atuação retraindo sua abrangência e dificultando a expansão da ideia de forma global.

Um Æon é um espaço de tempo e esse espaço de tempo é regido por alguns conceitos em particular. Thelema (Vontade) pode ser colocada, para simplificar como um desses conceitos. O ponto é que existem diversos fatores que coexistem independentemente das eras e o que difere esses fatores (de uma era para outra), é a fórmula de aplicação e é aí que mora o segredo, não há como esperar mudanças extremas, já que o próprio processo evolutivo é vivenciado paulatinamente. Sim! não acrediteis em mudanças; vós sereis como sois e não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Não existe ninguém que deverá ser rebaixado ou elevado: tudo é sempre como foi. – AL II:58.

A Lei de Thelema provê fórmulas consistentes e funcionais que podem ser aplicadas em todos os campos que conhecemos desde a vida pessoal, ao trabalho, à política, à religião, ao misticismo, à magia; enfim, sendo a palavra de Lei, ela rege a Lei de todos os campos conhecidos pela mente humana e sua aplicabilidade é tão extensa que seria impossível citar tudo em um texto tão curto. A palavra de Lei não é o fim e sim o meio para se alcançar novos horizontes e com a análise correta, tudo o que conhecemos pode passar pela fórmula dessa palavra de Lei e pela Lei em si, tornando-se assim, Thelêmico.

Falando explicitamente sobre religião, o que podemos perceber é que ainda há muito preconceito dentro dos próprios meios Thelêmicos. E esse preconceito talvez seja um pouco prematuro, já que na verdade nós devemos nos opor às religiões que castram e escravizam seus adeptos e não ao conceito como um todo. A religião em si, não é danosa quando vista a partir do ponto de vista da Lei da Vontade. “O MUNDO PRECISA DE RELIGIÃO. Religião deve representar a Verdade e, celebrá-la. Essa verdade é de duas ordens: a primeira, relativa à Natureza externa do Homem; a segunda, relativa à natureza interna do Homem. Existem religiões, especialmente o Cristianismo, que são baseadas na primitiva ignorância dos fatos, particularmente de natureza externa. Celebrações devem ser conforme o costume e a natureza do povo. O Cristianismo destruiu as alegres festividades, caracterizadas pela música, dança, festas e o ato de fazer amor, e apenas manteve a melancolia.” – Editorial do The Equinox, vol. III nº I (The Blue Equinox). A maior questão é que, é possível sim explorar a religião de forma que ela ainda dê bons frutos aos seus adeptos, não deixando de ser um processo Místico, onde rituais são utilizados de forma a conectar o indivíduo com Deus. Perceba que essa conexão não é com um ente celestial todo poderoso, mas sim com o Deus interno, a própria divindade de cada ser, que pode ser encontrada de diversas formas, por diversos meios.

Um ponto importante a frisar é que ao aplicar as fórmulas da Lei de Thelema no contexto “religioso” todos os processos que são conflitantes devem ser eliminados, de forma que o adepto consiga vivenciar o processo sem ferir a sua natureza. Vêde! os rituais do tempo antigo são negros. Que os maus sejam atirados longe; que os bons sejam purgados pelo profeta! Então este Conhecimento seguirá corretamente. – AL II:5.

Religião do latim religare, significa se religar com o divino e este é o ponto mais sensível e que causa mais repulsa entre aqueles que são de nós, já que em teoria não haveria ao que se religar, já que não existe deus senão o homem. Porém, o processo não funciona bem assim, na verdade nossa Grande Obra é o trabalho de se religar com a nossa própria divindade, isto é, com o nosso Santo Anjo Guardião e depois disso trabalhar no processo da nossa Verdadeira Vontade, onde o ponto de vista é alterado e a cada passo se olha mais pela humanidade, se religando assim ao corpo dos corpos, o todo. Com isso, percebemos a sutileza do mote da A? A?: o método da Ciência; o objetivo da Religião.

O mais importante neste Novo Æon de Hórus é perceber o nível de liberdade que alcançamos: quem quer ficar preso à era passada, que fique; quem quer seguir nesta luz, que siga; todos nós temos o direito de acreditar ou não em qualquer divindade ou força, já que o poder criador infinito e supremo está em cada um de nós. Não existe mais diferença entre o profano, o santo ou o santíssimo, todo homem e toda mulher é uma estrela, integrados ao corpo celestial de forma única e infinita.

O mais importante é sempre trabalhar para não restringir os campos de atuação da Lei de Thelema e do Novo Æon, já que a resultante dessa restrição é a regressão no processo de emancipação da mente humana que foi iniciado em 1904 e.v.. A aplicabilidade das fórmulas encontradas em Liber Legis é extensa e abrangente e essa premissa, todos nós temos que manter sempre em mente.

Por fim, é importante ressaltar as palavras de Mestre Therion (Aleister Crowley) no Magick Without Tears: “Chame isso de uma nova religião, então, se isso tanto agrada a vossa Graciosa Majestade; mas confesso que não vejo o que você ganhará ao fazer isso, e sinto-me obrigado a acrescentar que você pode facilmente causar um grande mal-entendido, e causar um tipo estúpido de injúria em particular.”.[1] Amor é a lei, amor sob vontade.

Publicado originalmente em Thelema.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/seria-thelema-a-religi%C3%A3o-do-novo-%C3%A6on

Necronomicon: da origem até nossos dias

O Necronomicon (literalmente: “Livro de Nomes Mortos”) foi escrito em Damasco, por volta de 730 d.C., sendo sua autoria atribuída a Abdul Alhazred. Ao contrário do que se pensa vulgarmente, não se trata de um grimoire (ou grimório), livro mágico de encantos, mas de um livro de histórias. Escrito em sete volumes no original, chegou à cerca de 900 páginas na edição latina, e seu conteúdo dizia respeito à coisas antigas, supostas civilizações anteriores à raça humana, numa narrativa obscura e quase ilegível.

Abdul Alhazred nasceu em Sanaa, no Iêmen, tendo feito várias viagens em busca de conhecimento, dominando vários idiomas, vagou da Alexandria ao Pundjab, na Índia, e passou muitos anos no deserto despovoado ao sul da Arábia. Embora conhecido como árabe louco, nada há que comprove sua insanidade, muito embora sua prosa não fosse de modo algum coerente. Alhazred era um excelente tradutor, dedicando-se a explorar os segredos do passado, mas também era um poeta, o que lhe permitia certas extravagâncias na hora de escrever, além do caráter dispersivo. Talvez isso explique a alinearidade do Necronomicon.

Alhazred era familiarizado com os trabalhos do filósofo grego Proclos (410-485 d.C.), sendo considerado, como ele, um neo-platônico. Seu conhecimento, como o de seu mestre, inclui matemática, filosofia, astronomia, além de ciências metafísicas baseadas na cultura pré-cristã de egípcios e caldeus. Durante seus estudos, costumava acender um incenso feito da mistura de diversas ervas, entre elas o ópio e o haxixe. As emanações desse incenso, segundo diziam, ajudavam a “clarear” o passado. É interessante notar que a palavra árabe para loucura (majnum) tem um significado mais antigo de “djinn possuído”. Djilms eram os demônios ou gênios árabes, e Al Azif, outra denominação para o livro de Alhazred, queria dizer justamente “uivo dos demônios noturnos”.

Como Determinar o Limite Entre a Loucura e a Sabedoria?

Semelhanças entre o Ragnarok, mito escandinavo do Apocalipse, e passagens do Al Azif sugerem um vínculo entre ambos. Assim como os djinns árabes e os anjos hebraicos, os deuses escandinavos seriam versões dos deuses antigos. Ambas as mitologias falam de mundos sendo criados e destruídos, os gigantes de fogo de Muspelhein equivalem aos anjos e arcanjos bíblicos, ou aos gênios árabes, e o próprio Surtur, demônio de fogo do Ragnarok, poderia ser uma corruptela para Surturiel, ou Uriel, o anjo vingador que, como Surtur, empunha uma espada de fogo no Juízo Final. Da mesma forma, Surtur destrói o mundo no Ragnrok, quando os deuses retornam para a batalha final. Embora vistas por alguns com reservas, essas ligações tornam-se mais fortes após recentes pesquisas que apontam o caminho pelo qual o Necronomicon teria chegado à Escandinávia. A cidade de Harran, no norte da Mesopotâmia, foi conquistada pelos árabes entre 633 d.c. e 643 d.c. apesar de convertidos ao islã, os harranitas mantiveram suas práticas pagãs, adorando a Lua e os sete planetas então conhecidos. Tidoa como neo-platônicos, escolheram, por imposição, da religião dominante, a figura de Hermes Trimegisto para representa-los como profeta. Um grupo de harranitas mudou-se para Bágdá, onde mantiveram uma comunidade distinta denominada sabinos. Alhazred menciona os sabinos. Era uma comunidade instruída, que dominava o grego e tinha grande conhecimento de literatura, filosofia, lógica, astronomia, matemática, medicina, além de ciências secretas relativas às culturas árabe e grega. Os sabinos mantiveram sua semi-independência até o século XI, quando provavelmente foram aniquilados pelas forças ortodoxas islâmicas, pois não se ouve mais falar deles à partir do ano 1000. No entanto, por volta de 1041, o historiador Miguel Psellus conseguiu salvar uma grande quantidade de documentos pertencentes aos sabinos, recebendo-os em Bizâncio, onde vivia. Quem levou esses documentos de Bagdá para Bizâncio permanece um mistério, mas é certo que o fez tentando preservar uma parte da cultura dos sabinos da intolerância religiosa da época. Psellus, que além de historiador era um estudioso de filosofia e ocultismo, juntou o material recebido num volume denominado “Corpore Hermeticum”. Mas haviam outros documentos, inclusive uma cópia do Al Azif, que ele prontamente traduziu para o grego.

Por essa época, era costume os imperadores bizantinos empregarem guarda-costas vikings, chamados “varanger”. A imagem que se tem dos vikings como bárbaros semi-selvagens não corresponde à realidade, eram grandes navegadores que, já no ano mil, tinham dado inicio a uma rota comercial que atravessaria milhares de quilômetros, passando pela Inglaterra, Groenlândia, América do Norte e a costa atlântica inteira da Europa, seguindo pela Rússia até Bizâncio. Falavam grego fluentemente e sua infantaria estava entre as melhores do mundo.

Entre 1030 a 1040, servia em Bizâncio como varanger um viking chamado Harald. Segundo o costume, sempre que o imperador morria, o varanger tinha permissão para saquear o palácio. Harald servia à imperatriz. Zoe, que cultivava o hábito de estrangular os maridos na banheira. Graças a ela, Harald chegou a tomar Varie em três saques, acumulando grande riqueza. Harald servia em Bizâncio ao lado de dois companheiros, Haldor Snorrason e Ulf Ospaksson. Haldor, filho de Snorri, o Padre, era reservado e taciturno. Ulf, seu oposto, era astuto e desembaraçado, tendo casado com a cunhada de Harald e tornado-se um grande 1íder norueguês. Gostava de discutir poesia grega e participava das intrigas palacianas. Entre suas companhias intelectuais preferidas estava Miguel Psellus, de quem Ulf acompanhou o trabalho de tradução do Al Azif, chegando a discutir o seu conteúdo como historiador bizantino. Segundo consta, foi durante a confusão de uma pilhagem que Ulf apoderou-se de vários manuscritos de Psellus, traduzidos para o grego. Ulf e Haldor retornaram à Noruega com Harald e, mais tarde, Haldor seguiu sozinho para a Islândia, levando consigo a narrativa do Al Azif. Seu descendente, Snorri Sturluaaon (1179-1241), a figura mais famosa da literatura islandesa, preservou essa narrativa em sua “Edda Prosista”, a fonte original para o conhecimento da mitologia escandinava. Sabe-se que Sturlusson possuía muito material disponível para suas pesquisas 1ítero-históricas e entre esse materia1certamente estava o Al Azif, que se misturou ao mito tradicional do Ragnarok.

Felizmente, Psellus ainda pôde salvar uma versão do Al Azif original, caso contrário, o Necronomicon teria sido perdido para sempre. Ao que se sabe, não existe mais nem um manuscrito em árabe do Necronomicon, o xá da antiga Pérsia (atual Irã) levou à cabo uma busca na Índia, no Egito e na biblioteca da cidade santa de Mecca, mas nada encontrou. No entanto, uma tradução latina foi feita em 1487 por um padre dominicano chamado Olaus Wormius, alemão de nascença, que era secretário do inquisidor-mor da Espanha, Miguel Tomás de Torquemada, e é provável que tenha obtido o manuscrito durante a perseguição aos mouros. O Necronomicon deve ter exercido grande fascínio sobre Wormius, para levá-1o a arriscar-se em traduzí-lo numa época e lugar tão perigosos. E1e enviou uma cópia do livro a João Tritêmius, abade de Spanhein, acompanhada de uma carta onde se lia uma versão blasfema de certas passagens do Livro de Gênese. Sua ousadia custou-lhe caro. Wormius foi acusado de heresia e queimado numa fogueira, juntamente com todas as cópias de sua tradução. Mas, segundo especulações, ao menos uma cópia teria sido conservada, estando guardada na biblioteca do Vaticano.

Seja como for, traduções de Wormius devem ter escapado da Inquisição, pois quase cem anos depois, em 1586, o livro de Alhazred reapareceria na Europa. O Dr. John Dee, famoso mago inglês, e seu assistente Edward Kelley, estavam em Praga, na corte do imperador Rodolfo II, traçando projetos para a produção de ouro alquímico, e Kelley comprou uma cópia da tradução latina de um alquimista e cabalista chamado Jacó Eliezer, também conhecido como, “rabino negro”, que tinha fugido da Itália após ser acusado de práticas de necromancia. Naquela época, Praga havia se tornado um ímã para mágicos, alquimistas e charlatões de todo tipo, não havia lugar melhor para uma cópia do Necronomicon reaparecer.

John Dee (1527-1608), erudito e mago elisabetano, pensava estar em contato com anjos e “outras criaturas espirituais”, por mediação de Edward Kelley. Em 1555, já fora acusado, na Inglaterra, de assassinar meninos ou de deixá-los cegos por meio de mágica. É certo que Kelley tinha grande influência sobre as práticas tenebrosas de Dee, os anjos com os quais dizia comunicar-se, e que talvez só existissem em sua cabeça, ensinaram a Dee um idioma até então desconhecido, o enoquiano, além de outras artes mágicas. Se tais contatos, no entanto, foram feitos através do Necronomicon, é coisa que se desconhece. O fato é que a doutrina dos anjos de Dee abalou a moral da época, pois pregava entre outras coisas, o hedonismo desenfreado. Em 1583, uma multidão enfurecida saqueou a casa de Dee e incendiou sua biblioteca. Após tentar invocar um poderoso espírito que, segundo o vidente, lhes traria grande sabedoria, Dee e Kelley se separaram, talvez pelo fracasso da tentativa. Em 1586, Dee anuncia sua intenção de traduzir o Necronomicon para o inglês, à partir da tradução de Wormius. Essa versão, no entanto nunca foi impressa, passando para a coleção de Elias Ashmole (1617-1692), estudioso que transcreveu os diários espirituais de Dee, e finalmente para a biblioteca de Bodleian, em Oxford.

Por cerca de duzentos e cinquenta anos, os ensinamentos e escritos de Dee permaneceram esquecidos. Nesse meio tempo, partes do Necronomicon foram traduzidas para o hebreu, provavelmente em 1664, circulando em forma de manuscritos e acompanhados de um extenso comentário feito por Nathan de Gaza. Nathan, que na época contava apenas 21 anos, era um precoce e brilhante estudante da Torah e Talumud. Influenciado pelas doutrinas messiânicas judaicas vigentes na época, ele proclamou como o messias esperado a Sabbatai Tzavi, um maníaco depressivo que oscilava entre estados de transcendência quando se dizia que seu rosto parecia reluzir, e profunda frustração, com acessos de fúria e crueldade. Tais estados de ânimo eram tidos como o meio pelo qual Sabbatai se comunicava com outros planos de existência, como um Cristo descendo aos infernos, ou Orfeu, numa tradição mais antiga. A versão hebraica do Al Azif era intitulada Sepher há’sha’are ha-Da’ath, ou o “Livro do Portal do Conhecimento”. Tratava-se de um comentário em dois capítulos do livro de Alhazred. A palavra para conhecimento, Da’ath, foi traduzida para o grego na Bíblia como gnosis, e na Cabala tem o significado peculiar de “não-existência”, sendo representada às vezes como um buraco ou portão para o abismo da consciência. Seu aspecto dual parece indicar uma ligação entre o mundo material, com sua ilusão de matéria física e ego, e o mundo invisível, obscuro, do conhecimento, mas que seria a fonte da verdadeira sabedoria, para aqueles que pudessem suportá-la. Isso parece levar ao Astaroth alquímico e à máxima da magia, que afirma que o que está em cima (no céu) é como o que está em baixo (na terra). A ligação entre os dois mundos exigiria conhecimento do Abismo, abolição do ego e negação da identidade. De dentro do Abismo, uma infinidade de portões se abre. É o caos informe, contendo as sementes da identidade.

O propósito de Nathan de Gaza parece ter sido ligar o Necronomicon à tradição judaica da Cabala, que fala de mundos antigos primordiais e do resgate da essência sublime de cada ser humano, separada desses mundos ou submergida no caos. Ao lado disso, criou seu movimento messiânico, apoiado em Sabbatai Tzevi, o qual criou cisões e conflitos na comunidade judaica, conflitos que persistiram por pelo menos um século. Há quem afirme que uma cópia do Sha’are ha-Da’ath ainda existe, em uma biblioteca privada, mas sobre isso não há qualquer evidência concreta.

O ressurgimento do Necronomicon é constantemente atribuído ao escritor Howard Phillip Lovecraft, que fez do livro a base de sua obra literária. Mas não se explica como Lovecraft teve acesso ao livro de Alhazred. O caminho mais lógico para esse ressurgimento parece indicar o mago britânico Aleister Crowley (1875-1947). Crowley tinha fama de charlatão, proxeneta, toxicômano, promíscuo insaciável e bissexual, além de traidor da pátria e satanista. Tendo se iniciado na Ordem do Amanhecer Dourado em 1898, Crowley aprendeu práticas ocultas no Ceilão, na Índia e na China. Mais tarde, ele criaria sua própria ordem, um sistema mágico e uma nova religião, da qual ele seria o próprio messias. Ao que tudo indica, essa religião denominada “Lei de Thelema” se baseava nos conhecimentos do “Livro da Lei”, poema em prosa dividido em três capítulos aparentemente ilógico, que segundo ele, lhe havia sido ditado em 1904 por um espírito chamado Aiwass.

Sabe-se que Crowley pesquisou os documentos do Dr. John Dee em Bodleian. Ele próprio se dizia uma reencarnação de Edward Kelley, o que explica em parte, seu interesse. Apesar de não mencionar a fonte de seus trabalhos, é evidente que muitas passagens do Livro da Lei foram plagiadas da tradução de Dee do Necronomicon. Crowley já era conhecido por plagiar seu mestre, Allan Bennett (1872-1923), que o iniciou no Amanhecer Dourado, mas há quem sustente que tais semelhanças foram assimiladas inconscientemente seja como for, em 1918 Crowley viria a conhecer uma modista chamada Sônia Greene. Aos 35 anos, judia, divorciada, com uma filha e envolvida numa obscura ordem mística, Sônia parecia ter a qualidade mais importante para Crowley naquele momento: dinheiro. Eles passaram a se ver durante alguns meses, de maneira irregular.

Em 1921, Sônia Greene conheceu H.P. Lovecraft. No mesmo ano, Lovecraft publicou o seu primeiro romance “A Cidade Sem Nome”, onde menciona Abdul Alhazred. Em 1922, no conto “O Cão de Caça”, ele faz a primeira menção ao Necronomicon. Em 1924, ele e Sônia Greene se casam. Nós só podemos especular sobre o que Crowley contou para Sônia Greene, e não sabemos o que ela contou a Lovecraft, mas é fácil imaginar uma situação onde ambos estão conversando sobre uma nova história que ele pretende escrever e Sônia comenta algumas idéias baseadas no que Crowley havia lhe contado, sem nem mesmo mencionar a fonte. Seria o bastante para fazer reluzir a imaginação de Lovecraft. Basta comparar um trecho de “O Chamado de Cthulhu” (1926) com partes do Livro da Lei, para notar a semelhança.

«Aquele culto nunca morreria… Cthulhu se ergueria de sua tumba e retomaria seu tempo sobre a Terra, e seria fácil reconhecer esse tempo, pois os homens seriam livres e selvagens, como os “antigos”, e além do bem e do mal, sem lei ou moralidade, com todos gritando e matando e rejubilando-se em alegria. Então os “antigos” lhes ensinariam novos modos de gritar e matar e rejubilar-se, e toda a Terra arderia num holocausto de êxtase e liberdade» (O Chamado de Cthulhu).

«Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei… Todo homem e toda mulher é uma estrela… Todo homem tem direito de viver como quiser, segundo a sua própria lei… Todo homem tem o direito de matar quem se opuser aos seus direitos… A lei do forte, essa é a nossa lei e alegria do mundo … Os escravos servirão»(Lei Thelemita).

Não há nem uma evidência que Lovecraft tenha visto o Necronomicon, ou até mesmo soube que o livro existiu. Embora o Necronomicon que ele desenvolveu em sua obra esteja bem próximo do original, seus detalhes são pura invenção. Não há nem um Yog-Sothoth ou Azathoth ou Nyarlathotep no original, por exemplo. Mas há um Aiwass…

O Que é o Necronomicon:

O Necronomicon de Alhazred trata de especulações antediluvianas, sendo sua fonte provável o Gênese bíblico e o Livro de Enoch, além de mitologia antiga. Segundo Alhazred, muitas espécies além do gênero humano tinham habitado a Terra, vindas de outras esferas e do além. Alhazred compartilhou da visão de neoplatoniatas que acreditavam serem as estrelas semelhantes ao nosso Sol, cada qual com seus próprios planetas e formas de vida, mas elaborou essa visão introduzindo elementos metafísicos e uma hierarquia cósmica de evolução espiritual. Aos seres das estrelas, ele denominou “antigos”. Eram sobre-humanos e podiam ser invocados, desencadeando poderes terríveis sobre a Terra.

Alhazred não inventou a história do Necronomicon. Ele elaborou antigas tradições, inclusive o Apocalipse de São João, apenas invertendo o final (a Besta triunfa, e seu número é 666). A idéia de que os “antigos” acasalaram com os humanos, buscando passar seus conhecimentos para o nosso plano de existência e gerando uma raça de aberrações, casa com a tradição judaica dos nephilins (os gigantes de Gênese 6.2-6.5). A palavra árabe para “antigo” deriva do verbo hebreu para “cair” (os anjos caídos). Mas o Gênese é só um fragmento de uma tradição maior, que se completa, em parte, no Livro de Enoch. De acordo com esta fonte, um grupo de anjos guardiões enviados para observar a Terra viu as filhas dos homens e as desejou. Duzentos desses guardiões formaram um pacto, saltando dos ares e tomando as mulheres humanas como suas esposas, gerando uma raça de gigantes que logo se pôs a pecar contra a natureza, caçando aves, répteis e peixes e todas as bestas da Terra, comendo a carne e bebendo o sangue uns dos outros. Os anjos caídos lhes ensinaram como fazer jóias, armas de guerra, cosméticos, encantos, astrologia e outros segredos. O dilúvio seria a consequência das relações entre os anjos e os humanos.

«E não vi nem um céu por cima, nem a terra firme por baixo, mas um lugar caótico e horrível. E vi sete estrelas caírem dos céus, como grandes montanhas de fogo. Então eu disse: “Que pecado cometeram, e em que conta foram lançados?” Então disse Uriel, um dos anjos santos que estavam comigo, e o principal dentre eles: “Estes são os números de estrelas do céu que transgrediram a ordem do Senhor, e ficarão acorrentados aqui por dez mil anos, até que seus pecados sejam consumados”».(Livro de Enoch).

Na tradição árabe, os jinns ou djinns seriam uma raça de seres sobre-humanos que existiram antes da criação do homem. Foram criados do fogo. Algumas tradições os fazem sub-humanos, mas invariavelmente lhes são atribuídos poderes mágicos ilimitados. Os djinns sobrevivem até os nossos dias como os gênios das mil e uma noites, e no Corão eles surgem como duendes e fadas, sem as qualidades sinistras dos primeiros tempos. Ao tempo de Alhazred, os djinns seriam auxiliares na busca de conhecimento proibido, poder e riquezas.

No mito escandinavo, hoje bastante associado à história do Necronomicon, os deuses da Terra (aesires) e o gênero humano (vanas) existiam contra um fundo de poderes mais velhos e hostis, representados por gigantes de gelo e fogo que moravam ao norte e ao sul do Grande Girnnunga (o Abismo) e também por Loki (fogo) e sua descendência monstruosa. No Ragnarok, o crepúsculo dos deuses, esses seres se ergueriam mais uma vez num combate mortal. Por último, Siurtur e ou gigantes de fogo de Muspelheim completariam a destruição do mundo.

Essa é essencialmente a profecia de Alhazred sobre o retorno dos “antigos”. É também a profecia de Aleister Crowley sobre o Àeón de Hórus. Os gigantes de fogo de Muspelheim não diferem dos djinns, que por sua vez se ligam aos anjos hebraicos. Como Surtur, Uriel carrega uma espada de fogo, e sua sombra tanto pode levar à destruição quanto a um renascimento. Assim, tanto os anjos e seus nephilins hebraicos quanto os “antigos” de Alhazred poderiam ser as duas faces de uma mesma moeda.

Como os Antigos São Invocados

É inegável que o sistema enochiano de Dee e Kelley estava diretamente inspirado em partes do Necronomicon, onde há técnicas de Alhazred para a invocação dos “antigos”. Embora o Necronomicon fosse basicamente um livro de histórias, haviam algums detalhes práticos e fórmulas que funcionavam quase como um guia passo a passo para o iniciado entrar em contato com os seres sobre-humanos. Dee e Kelley tiveram que preencher muitas lacunas, sendo a 1inguagem enochiana um híbrido que reúne, basicamente, um alfabeto de 21 letras, dezenove “chaves” (invocações) em linguagem enochiana, mais de l00 quadros mágicos compostos de até 240l caracteres além de grande quantidade de conhecimento oculto. É improvável que esse material lhes tivesse sido realmente passado pelo arcanjo Uriel. Bulwer Lytton, que estudou a tradução de Dee para o Necronomicon, afirma que ela foi transcrita diretamente do livro original, e se eram ensinamentos de Uriel, o mais provável é que ele os tenha passado a Alhazred.

A ligação entre a linguagem enochiana e o Livro de Enoch parece óbvia. Como o livro de Enoch só foi redescoberto no século XVII, Dee só teria acesso à fragmentos do mesmo citados em outros manuscritos, como o Necronomicon de Alhazred, o que mais uma vez reafirma sua provável fonte de origem. Não há nenhuma dúvida que Alhazred teve acesso ao livro de Enoch, que só desapareceria no século IX d.C., sendo até então relativamente conhecido. Outra pista para essa ligação pode ser a chave dos trinta Aethyrs, a décima nona das invocações enochianas. Crowley chamava-a de “a maldição original da criação”. É como se o próprio Deus a enunciasse, pondo fim à raça humana, à todas as criaturas e ao mundo que ele próprio criara. Isso é idêntico ao Gênese 6.6, onde se lê: “E arrependeu-se o Senhor de ter posto o homem sobre a Terra, e o lamentou do fundo de seu coração”. Esse trecho segue-se à descrição dos pecados dos nephilins, que resulta na destruição do mundo pelo dilúvio. Crowley, um profundo conhecedor da Bíblia, reconheceu nisso a chave dos trinta Aethyrs, estabelecendo uma ligação. Em resumo, a chave (ou portão) para explorar os trinta Aethyrs é uma invocação no idioma enochiano, que segundo Dee seria o idioma dos anjos, e esta invocação seria a maldição que lançou os nephilins (ou “antigos”) no Abismo. Isto se liga à práticas antigas de magia negra e satanismo: qualquer meio usado pelo mago no passado para subordinar uma entidade pode ser usado também como um método de controle. Tal fórmula existe em todo grimoire medieval, em alguns casos de forma bastante explícita. A entrada no trigésimo Aethyr começa com uma maldição divina porque esse é um dos meios de afirmar controle sobre as entidades que se invoca: o nephilin, o anjo caído, o grande “antigo”. Isso demonstra, além de qualquer dúvida, que o sistema enochiano de Dee e Kelley era idêntico, na prática e em cadência, ao sistema que Alhazred descreveu no Necronomicon.

Crowley sabia disso. Uma das partes mais importantes de seu trabalho mágico (registrou-o em “A Visão e a Voz”) era sua tentativa de penetrar nos trinta Aethyrs enochianos. Para isso, ele percorreu o deserto ao norte da África, em companhia do poeta Winner Neuberg. Ele já havia tentado fazê-lo no México, mas teve dificuldade ao chegar ao 28º Aethyr, e decidiu reproduzir a experiência de Alhazred o mais proximamente possível. Afinal, Alhazred levou a cabo seus estudos mais significativos enquanto vagava pela região de Khali, uma área deserta e hostil ao sul da Arábia. O isolamento o ajudou a entrar em contato com os Aethyrs. Para um plagiador como Crowley, a imitação é o primeiro passo para a admiração, não é surpresa essa tentativa, além do que ele também pretendia repetir os feitos de Robert Burton, explorador, aventureiro, escritor, lingüista e adepto de práticas obscuras de magia sexual. Se obteve sucesso ou não, é desconhecido pois jamais admitiu suas intenções quanto à viagem, atribuindo tudo ao acaso.

Onde o Necronomicon Pode Ser Encontrado:

Em nenhum lugar, com certeza, seria a resposta mais simples, e novamente somos forçados a suspeitar que a mão de Crowley pode estar metida nisto. Em 1912 ele conheceu Theodor Réuss, o 1íder da Ordo Templi Orientis alemã (O.T.O.) e trabalhou dentro daquela ordem por dez anos, até ser nomeado sucessor do próprio Réuss. Assim temos Crowley como líder de uma loja maçônica alemã. Entre 1933-1938, desapareceram algumas cópias conhecidas do Necronomicon. Não é segredo que Adolf Hitler e pessoas do alto escalão de eu governo tinham interesse em ocultismo, e provavelmente apoderaram-se dessas cópias. A tradução de Dee desapareceu de Bodleiam, roubada em 1934. O Museu Britânico também sofreu vários saques, sendo a edição de Wormius retirada de catálogo e levada para um depósito subterrâneo, em Gales, junto com as jóias da Coroa, onde permaneceu de 1939 a 1945. Outras bibliotecas simplesmente perderam cópias desse manuscrito e hoje não há nenhuma que apresente em catálogo uma cópia, seja em latim, grego ou inglês, do Necronomicon. O paradeiro atual do Al Azif original, ou de suas primeiras cópias, é desconhecido. Há muitas fraudes modernas, mas são facilmente desmascaradas por uma total falta de imaginação e inteligência, qualidades que Alhazred possuía em abundância. Mas há boatos de um esconderijo dos tempos da 2º Guerra, que estaria localizado em Osterhorn, uma área montanhosa próxima à Salzburgo, onde haveria uma cópia do manuscrito original, escrita pelos nazistas e feita com a pele e o sangue de prisioneiros de campos de concentração.

Qual o motivo para o fascínio em torno do Neconomicon? Afinal, é apenas um livro, talvez esperemos muito dele e ele não possa mais do que despejar um grão de mistério no abismo de nossos anseios pelo desconhecido. Mas é um mistério ao qual as pessoas aspiram, o mistério da criação, o mistério do bem e do mal, o mistério da vida e da morte, o mistério das coisas que se foram. Nós sabemos que o Universo é imenso, além de qualquer limite da nossa imaginação, mas o que há lá fora? E o que há dentro de cada um de nós? Seria o Universo um espelho para nós mesmos? Seriam os “antigos” apenas uma parte mais profunda de nosso subconsciente, o ego definitivo, o mais autêntico “eu sou”, que no entanto participa da natureza divina?

Sábios e loucos de outrora já se fizeram essas perguntas, e não temeram tecer suas próprias respostas, seus mitos, imaginar enfim. A maioria das pessoas, porém, prefere criar respostas seguras, onde todos falam a mesma língua, cultivam os mesmos hábitos, respeitam a diversidade,cada qual em sua classe. O Necronomicon, porém, desafia nossas certezas, pois não nos transmite qualquer segurança acerca do Universo e da existência. Nele, somos o que somos, menos que grãos de pó frente à imensidão do Cosmo e muitas coisas estranhas, selvagens e ameaçadoras estão lá fora, esperando pelo nosso chamado. Basta olhar em qualquer tratado de Astronomia ou Astrofísica, basta ler os jornais. Isso é para poucos, mas você sabe que é verdade.

Método Utilizado Por Nostradamus Para Ver o Futuro:

Recolha-se à noite em um quarto fechado, em meditação, sozinho, sentando-se diante de uma bacia posta sobre um tripé e cheia de água. Acenda uma vela sob a bacia, entre as pernas do tripé, e segure um bastão mágico com a mão direita, agitando-o sobre a chama do modo como se sabe, enquanto toca a água com a mão esquerda e borrifa os pés e a orla de seu manto. Logo ouvir-se-á uma voz poderosa, que causa medo e tremor. Então, esplendor divino; o Deus senta ao seu lado.

Incenso de Alhazred:

– Olibanum, storax, dictamnus, ópio e haxixe.

À partir de que momento uma pessoa deixa de ser o que ela própria e todos os demais acreditam que seja? Digamos que eu tenha que amputar um braço. Posso dizer: eu mesmo e meu braço. Se fossem as duas pernas, ainda poderia falar da mesma maneira: eu mesmo e minhas duas pernas. Ou os dois braços. Se me tirarem o estômago, o fígado, os rins, admitindo-se que tal coisa seja possível, ainda poderia dizer: eu mesmo e meus órgãos. Mas se cortassem a minha cabeça, ainda poderia falar da mesma maneira? O que diria então? Eu mesmo e meu corpo ou eu mesmo e minha cabeça? Com que direito a cabeça, que nem mesmo é um membro, como um braço ou uma perna, pode reivindicar o título de “eu mesmo”? Porque contém o cérebro? Mas existem larvas, vermes e muitas outras coisas que não possuem cérebro. O que se pode dizer a respeito de tais criaturas? Será que existem cérebros em algum outro lugar, para dizerem “eu mesmo e meus vermes”?

Por Daniel Low

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/necronomicon-da-origem-ate-nossos-dias/

Egoísmo, por Aleister Crowley

Cara Soror:

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Egoísmo? Estou contente ao encontrá-la se afligindo por causa daquele osso, pois ele tem muita carne; carne excelente e suculenta, nada do seu cordeiro congelado da Argentina ou de Canterbury. É uma pélvis, e mais ainda; pois de certo modo toda a estrutura da ética de Thelema está baseada nisso. Há algum perigo aqui; pois a questão é um campo minado para o nobre, o generoso e o altruísta.

“Abnegação”, a grande característica do Mestre do Templo, a verdadeira quintessência da sua realização, não é contraditória, ou mesmo o seu contrário; ela é perfeitamente compatível (mais ainda, digamos, amigável?) com ele.

O Livro da Lei tem muito a dizer sobre este assunto, e ele não mede as suas palavras.

“Primeiro o texto; depois o sermão”, como diz o poeta.

AL II, 18, 19, 20, 21.:

“These are dead, these fellows; they feel not. We are not for the poor and sad: the lords of the earth are our kinsfolk.”

“Is a God to live in a dog? No! but the highest are of us. They shall rejoice, our chosen: who sorroweth is not of us.”

“Beauty and strength, leaping laughter and delicious languor, force and fire, are of us.”
“We have nothing with the outcast and the unfit: let them die in their misery. For they feel not. Compassion is the vice of kings: stamp down the wretched & the weak: this is the law of the strong: this is our law and the joy of the world

“Estes estão mortos, estes homens; eles não sentem. Nós não somos para o pobre e o triste: os senhores da terra são nossos parentes.” – AL II:18.

“Deve um Deus viver em um cão? Não! porém os mais elevados são de nós. Eles regozijarão, os nossos escolhidos: quem se lamenta não é de nós.” – AL II:19.

“Beleza e força, gargalhada vibrante e leveza deliciosa, força e fogo, são de nós.” – AL II:20.

“Nós não temos nada a ver com o proscrito e o incapaz: que eles morram na sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é o vício dos reis: dominai o miserável e o fraco: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo.” – AL II:21

“…É uma mentira, esta tolice contra o ser….”

Aquilo estabelece um padrão, com uma vingança!

(Observe: “eles não sentem”, repetido duas vezes. Deve haver alguma coisa importante para a tese aqui ocultada).

A passagem se torna exaltada, porém um verso posterior resume o tema, lançando a base filosófica destas observações aparentemente violentas e arrogantes.

“…It is a lie, this folly against self.…” (AL II:22)

Esta é a doutrina central de Thelema neste assunto. O que nós devemos compreender através dela? Que este culto imbecil e nauseabundo à fraqueza – alguns o chamam de democracia – é absolutamente falso e vil.

Observemos a questão a fundo. (Primeiro consulte AL II, 24, 25, 48, 49, 58, 59. e III, 18, 58, 59. Poderia ser confuso citar estes textos na sua totalidade; porém eles lançam muito mais luz sobre o assunto). Na palavra “compaixão” é o seu sentido aceito – que é uma etimologia deficiente – implica que você é um sujeito agradável, e o outro muito sujo; ou seja, você o insulta por pena dos seus infortúnios. Porém “Todo homem e toda mulher é uma estrela”; e então você não age dessa forma! Você deveria tratar a todos como a um Rei na mesma condição que você. Naturalmente, nove entre dez pessoas não tolerarão isto, nem por um minuto; o simples fato de você tratá-las decentemente as assusta; seu sentido de inferioridade está exacerbado e intensificado; elas insistem em se rebaixar. Isto as identifica. Elas lhe forçam a tratá-las como os vira-latas que são; e assim todo mundo fica feliz!

O Livro da Lei se esforça para indicar a atitude adequada de um “Rei” com relação a outro. Quando você combate com ele, “Como irmãos lutai!”. Temos aqui o antigo tipo cortês de combate, o qual a introdução da razão no assunto tornou impossível no momento. Razão e Emoção; estes são os dois grandes inimigos da Ética de Θελημα. Eles são os obstáculos tradicionais ao sucesso no Yoga tanto quanto na Magia(k).

Agora, na prática, na vida quotidiana, esta abnegação está sempre aparecendo de repente. Não apenas você insulta o seu irmão Rei através do seu “nobre auto sacrifício”, mas também está prestes a interferir com a Verdadeira Vontade dele. “Caridade” sempre significa que a alma sublime que a concede está realmente, profundamente, tentando escravizar o recebedor da sua doação bestial!

Na prática – eu começo de novo – é quase inteiramente uma questão de ponto de vista. Aquele pobre companheiro parece dar a impressão de que uma farta refeição não iria lhe fazer mal; e você joga para ele uma meia coroa[6]. Você ofende o seu orgulho, você o empobrece, você se torna um indivíduo grosseiro, e você vai embora com um entusiasmo de ter feito sua boa ação para este dia. Está tudo errado. Neste caso, você deveria fazer com que o pedido se tornasse um favor. Digamos que você está “morrendo de vontade de conversar com alguém, e que ele gostaria de acompanhá-lo até um local para almoçar” no Ritz, ou em qualquer outro lugar onde você sinta que ele se sentirá mais feliz.

Quando você puder fazer este tipo de coisa tal como deveria ser feito, sem constrangimento ou falsa timidez, de todo o coração nas suas palavras – simplesmente faça, para resumir – você se encontrará a caminho da estrada que leva àquela república republica real que é o ideal da sociedade humana.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente,

666

P.S.: Deixe-me insistir que a “pena” é quase sempre uma impostora. Ela é o consolo psíquico para o medo, o “homem deplorável” é realmente um homem que inspira piedade! Pois tal é a sua covardia que ele não ousa encarar o seu medo, mesmo na imaginação!

P.P.S.: No dia seguinte no qual escrevi o pós-escrito acima, por acaso encontrei um exemplar de O Ministério do Medo de Graham Greene – após uma longa busca. Ele salienta que a pena é uma emoção madura; os adolescentes não a sentem. Exatamente; mais um passo e ele teria chegado ao meu próprio ponto de vista como declarado acima. Ela é a gêmea da “responsabilidade moral”, no sentido de culpa ou pecado. A fábula hebraica do Éden e da “Queda” é claramente concebida. Mas lembre-se que a serpente נחש é equivalente ao Messiach, משיח, o Messias. O מ é o “Enforcado”, o pecador; e é redimido através da inserção do י Fálico.

P.P.P.S.: Uma coincidência interessante. Exatamente quando eu estava revisando esta carta, a senhora que eu tinha acabado de contratar para me ajudar com uma parte do meu trabalho me irritou a tal ponto que os meus gritos ficaram tão atrozes que a vila jamais dormirá novamente tão suavemente quanto de costume. Eles romperam o firmamento em vários lugares; e embora remendos invisíveis fossem imediatamente aplicados, percebe-se que ele nunca mais terá a sua integridade original.

E por quê? Simplesmente por causa da ansiedade dela em me agradar! Ela me perguntou se poderia fazer algo; Eu disse “Sim”; ela então continuou pedindo o meu consentimento, explicando o motivo de ela ter feito o pedido, se desculpando pela sua existência!

Ela não conseguia entender que tudo o que ela tinha de fazer era tentar e satisfazer a si mesma – a parte mais elevada de si mesma – para estar segura da minha plena satisfação.

P.P.P.P.S.: “Porém pelo juramento da A∴A∴; não estamos você—nós—todos decididos a melhorar a raça, não importa o quanto custe a nós mesmos!”.

Puro egoísmo, filho, com previsão! Eu quero um lugar decente para morar na próxima vez que voltar. E uma escolha maior de veículos de primeira classe para a minha Obra.

Publicado originalmente no http://www.thelema.com.br/espaco-novo-aeon/ensaios/egoismo/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ego%C3%ADsmo-por-aleister-crowley

Thanatos – I see dead people

Publicado no S&H dia 11/jun/2008,

Durante nossa última matéria, falamos sobre Matrix, o Plano Astral e as diversas maneiras de se interagir com a esfera de Yesod, o estado de consciência representado pelo Mundo Subterrâneo nas antigas mitologias. Falamos sobre os Psychopompos (os famosos “condutores de almas”) das mitologias antigas e o que eles realmente representam e finalmente fizemos cinco anotações em nossos cadernos, que passaremos a utilizar nesta coluna.
Hoje falaremos sobre fantasmas, espíritos, vampiros e outros habitantes do Plano Astral. Assim que completarmos estas explicações, voltamos para a desmistificação dos Demônios, Encostos e afins. Logo em seguida, começamos a série “Queima ele Jesus!” sobre as cruzadas e os Cavaleiros Templários.

Os Ancestrais e os Planos vibratórios
Em todas as mitologias de todos os povos do planeta, sem exceção, existem contos e textos descrevendo o encontro de seres do Plano Material com seres do Plano Astral. Chamados pelos profanos de Fantasmas, Assombrações, Espíritos, Encostos, Poltergeists, Kamis, Veneráveis, Ancestrais e outros infindáveis nomes, estes seres são basicamente pessoas EXATAMENTE como nós; apenas estão em outra faixa de vibração, indetectável para a maioria das pessoas. Entendendo este princípio simples, fica muito fácil de explicar todos os fenômenos ditos “paranormais” ou “sobrenaturais”…

Para entender como todo este processo de Diferentes Vibrações funciona, vamos fazer uma analogia simples, Analisando nossos cinco sentidos: Em nossa visão, detectamos uma faixa de vibrações do espectro que vai do vermelho ao violeta. Abaixo desta faixa, temos o chamado Infravermelho e acima o Ultravioleta, cores que existem, mas somos incapazes de detectar. O primeiro aparelho capaz de detectar infravermelho foi construído a menos de dois séculos, mas graças às telecomunicações, esta é uma das áreas da ciência ortodoxa que mais avançamos nos últimas décadas.

Nos sons, temos uma faixa audível para o ser humano entre 20Hz e 20kHz. Abaixo deste valor temos os chamados Infrasons e acima disto os chamados Ultrassons, que os seres humanos não são capazes de detectar.
Nos gostos, além dos 4 sabores tradicionais (salgado, doce, azedo e amargo), os cientistas descobriram um quinto sabor, já conhecido há muito tempo pelos orientais com o nome de Umami e recentemente cientistas descobriram que alguns ratos são capazes de sentir um sexto tipo de sabor. Ainda há muito debate sobre isso e os cientistas não chegaram a nenhum acordo a respeito disso, mas sabe-se que existem sabores que não são detectados pelo paladar humano, apenas por alguns animais.
Nos cheiros, existem odores que o ser humano consegue captar e outros que não consegue detectar (chamados ferormônios). O estudo nesta área ainda está engatinhando e mal se projetam aparelhos capazes de detectar odores para uso prático, como detectar explosivos, drogas e outros aparelhos. Nos dias de HOJE, o melhor aparelho para se detectar explosivos continua sendo um cachorro. Ou seja, a ciência ortodoxa não é capaz de detectar com precisão nem ao menos odores ou gostos, quanto mais matéria sutil como a Luz Astral e o Pensamento.
Finalmente chegamos ao tato. Sabemos através de Eisntein que a matéria é energia, coisa que os antigos ocultistas conheciam há milênios (apenas usavam palavras diferentes para expressar a mesma idéia). Todos os objetos considerados “sólidos” são, na verdade, grandes vazios eletromagnéticos compostos de cargas positivas e negativas, que por estarem no mesmo plano de vibração, seus campos eletromagnéticos as repelem, causando a sensação de “físico” que possuímos ao tocar em um objeto “sólido”. Mesmo assim, existem partículas que são tão pequenas que nossos instrumentos não são capazes de pesar, como os Neutrinos (e somos bombardeados o tempo todo por milhões deles por segundo, vindos do Sol).

Os Sete Corpos
Para os ocultistas, os seres humanos possuem sete corpos. A saber: O Corpo Físico (este de carne e osso), o Duplo Etérico (que possui uma infinidade de nomes, de acordo com a tradição estudada: perispírito, campo etérico, corpo vital, biossoma, corpo ódico, corpo bioplasmático, prânamâyakosha, Veículo de Prana, etc). O Duplo etérico faz a ligação entre nossos corpos mais sutis e o nosso corpo físico, adotando a mesma forma que nosso corpo físico. Estudar o duplo-etérico é extremamente importante para compreendermos a maioria das lendas a respeito de fantasmas e assombrações.
Depois dele vem o Corpo Astral propriamente dito. Aquele que se desdobra nas projeções astrais e que permanece ligado ao físico pelo chamado cordão de prata. Os espíritas chamam este corpo de “alma”, os gregos chamavam de Psique.
O Quarto corpo é chamado Corpo Mental. Aqueles que supõe que a mente é o cérebro estão totalmente equivocados. A mente é energética, pode permanecer independente da matéria densa, pois é um corpo à parte, constituído de matéria mental. A mente elabora os pensamentos que se expressam por meio de cérebro. Pensamentos, mente e cérebro são três coisas totalmente distintas. Como o Kentaro demonstrou em uma coluna antiga, entre o ato de se desejar um movimento e o corpo físico efetivamente se movimentar, há um pequeno intervalo de tempo, necessário para se passar a informação da mente para o corpo astral, para o duplo etérico e finalmente para o corpo físico. O cientista Benjamin Libet chamou isso de “potencial pré-motor”.

Desta maneira, a razão converte a mente em um campo de batalha. O processo de racionalização extremada acaba rompendo as delicadas membranas do corpo mental, aprisionando-os no corpo físico (ver texto sobre Hod). Segundo a filosofia oriental e gnóstica, o pensamento deve fluir silencioso sereno e integralmente, sem o batalhar das antíteses (ver Netzach).
O corpo mental pode viajar através do tempo e do espaço, independentemente do cérebro físico. Em um determinado processo do estudo esotérico, o discípulo aprende a se desdobrar em corpo astral. Já em corpo astral, aprende a abandonar este corpo e a ficar no corpo mental. De acordo com a Teosofia, o corpo mental da raça humana encontra-se no início de sua evolução, estando quase que completamente desorganizado (chamado corpo mental lunar).
O Corpo Causal (ou da Vontade) é o chamado quinto corpo e vem a ser o veículo da alma humana. No ser humano comum, este corpo ainda não está formado, tendo encarnado dentro de si mesmo apenas uma fração da alma humana. Tal fração é denominada “essência” e no zen budismo japonês “Budhata”. É a Lua dos Alquimistas, a princesa dos contos de fadas, que precisa ser libertada dos castelos do Mundo Material.
Podemos e devemos estabelecer diferença entre o seu corpo da vontade de seres humanos comuns e correntes, do tipo lunar e o corpo da vontade consciente de um Mestre. O legítimo corpo da vontade permite ao adepto realizar ações nascidas da vontade consciente e determinar circunstâncias. O Corpo Causal é a tal “força de vontade” que os leigos tanto apregoaram em filmes como “o Segredo”. É através deste corpo que materializamos nossas “telas mentais” para a realização de desejos.
O sexto corpo é chamado de ” Budhi ” ou Alma Divina. É um corpo totalmente radiante que todo ser humano possui, porém, ao qual ainda não está intimamente ligado. É Tiferet na Kabbalah, o “Espírito Crístico” de Jesus, o deus-solar dos Antigos e o Sol do Casamento alquímico dos hermetistas. É o cavaleiro de Armadura Brilhante dos contos de fadas. Quando desenvolvido plenamente, faz com que nos tornemos verdadeiramente iluminados.
O sétimo corpo é chamado Átmico, Atman ou Atmã. Chamado também de o Deus interno, o real ser, o íntimo de cada um, o EU SOU.
Atman, em si mesmo é o ser inefável, o que está além do tempo e da eternidade. Não morre e nem se reencarna, é absolutamente perfeito. Atman se desdobra na alma espiritual, esta se desdobrando na alma humana, a alma humana se desdobra na essência e essa essência se encarna em seus quatro veículos (corpo físico, etérico, astral e mental), se veste com eles.

Isto colocado, podemos entender o primeiro deus Psycopompo: Thanatos, o Deus dos Mortos. O Plano Astral é a morada daqueles que ainda não encarnaram ou que estão em fase intermediária entre duas encarnações.
Quando uma pessoa morre (ou “desencarna”, ou “passa para o oriente eterno”, como preferirem), ela abandona seu corpo material e permanece no Astral com seus seis corpos sutis, na forma que seu duplo-etérico (perispírito) possuía quando faleceu. Neste ponto de nossa trama, existem MUITAS histórias e possibilidades. Estas pessoas são chamadas de “Espíritos” pelos kardecistas e são eles que se comunicam na maioria das vezes em sessões mediúnicas. Eles também formam os “encostos”, “assombrações”, “fantasmas” e outros.
Após algum tempo no Astral, os mortos abandonam seu duplo etérico, que se dissolve, e permanecem apenas com seu Corpo Astral, que vai para Planos de Consciência mais sutis, onde recebe outro duplo-etérico na ocasião de um novo nascimento. Quanto mais evoluído é o espírito, menos tempo ele passa na forma de seu Perispírito.

Cascões Astrais
quando o duplo-etérico é abandonado, ele pode resultar nos chamados cascões astrais, que são formas vazias possuidoras da imagem de alguém que faleceu recentemente. Muitas vezes estes cascões astrais podem ser habitados temporariamente por elementais (muitas vezes as imagens projetadas em centros espíritas não são na realidade a pessoa falecida, mas apenas o cascão astral dela, animado por um elemental). Os ocultistas chamam estes seres de Doppelgangers.

“Eles se movem por ai, como pessoas normais. Vêem o que querem ver, e não enxergam uns aos outros”
No Plano Astral, o duplo etérico funciona EXATAMENTE como nosso corpo físico, limitado apenas pelo nosso subconsciente. Se uma pessoa acredita que a parede é sólida, então ela se torna sólida para ele. Se é um iniciado e sabe que pode atravessar uma parede, então ele assim o fará (mas como veremos a seguir, a imensa maioria dos habitantes do astral é tão ignorante quanto suas contrapartes do Plano Físico). A Vontade (Thelema) é o que realmente comanda dentro dos Planos sutis. As pessoas que sabem como Yesod funciona rapidamente se tornam “chefes” das massas ignorantes de espíritos.

I see dead people
No Astral, as pessoas enxergarão aquilo que estiver na mesma freqüência de vibração que elas; muitas vezes não saberão sequer que estão mortos. Já tive experiências de resgate em que as pessoas simplesmente não acreditavam que haviam morrido. A senhora havia falecido durante o sono e achava que seus netos e filhos apenas não prestavam mais atenção a ela…
Alguns animais (gatos especialmente) são capazes de sentir estas vibrações. Crianças e sensitivos também enxergam dentro de algumas faixas do Astral. O nome que se dá para as pessoas que possuem estas faculdades é Clarividente (antigamente chamados de médiuns-videntes) embora existam também Clariaudientes (que escutam), olfativos (que sentem cheiros) e táteis (que sentem impressões). Hoje em dia termos como “videntes” não são muito utilizados, pois acabaram se tornando associados a charlatões e vigaristas.
Importante ressaltar que estas faculdades não estão necessariamente conectadas entre si: Um médium pode incorporar (usando a psicografia, psicofonia e etc) e não ter clarevidência nenhuma, por exemplo.
Problemas de esquizofrenia são frequente em médiuns ostensivos, que possuem a capacidade física da mediunidade. A glândula pineal manda toda essa carga de informações para o hipotálamo e afins, assim surgindo vários problemas. O médium treinado recebe essas informações pelo lobo-pré frontal, o a parte cerebral que lida com a ética humana (Dr. Sérgio Felipe de Oliveira).

Enxergar o Astral, exige um misto de habilidade nata e treino. Há pessoas que nascem com este dom (assim como pessoas nascem daltônicas, ou seja, enxergam menos cores no espectro, outras nascem clarividentes e enxergam uma gama maior de frequencias vibratórias) enquanto outras precisam treinar por anos a fio para desenvolver estas faculdades.
Existem alguns facilitadores para despertar estes processos. Um deles é o vegetarianismo. Limpar o corpo das impurezas energéticas contidas na carne facilita o despertar destes sentidos; não beber, não fumar e manter o corpo sem relações sexuais por alguns dias também vai facilitar o processo (não apenas disso, mas de projeções astrais também).

Fantasmas, Vampiros e Aparições
Antigamente, as pessoas se alimentavam com comidas mais limpas, sem toxinas, agrotóxicos, venenos, sabores artificiais e conservantes químicos, e possuíam mais propensão ao contato mediúnico. A explicação ridícula que se ouve por ai é que as pessoas de antigamente eram mais burras ou supersticiosas, ou esquizofrênicas, por isto acreditavam em fantasmas. Como já foi demonstrado e provado inúmeras vezes, a maioria dos casos de “loucura” nada mais é do que mediunidade exacerbada somada a ignorância cética. Os astrólogos de antigamente chamavam a casa 12 no Mapa Astral de “Casa dos Loucos” porque constatavam que a grande maioria dos internos dos institutos de psiquiatria possuíam muitos planetas no signo de Peixes nesta casa.
No campo, onde a alimentação e o ar eram mais saudáveis, estes efeitos de contato entre o Material e o Astral eram mais freqüêntes e algumas pessoas conseguiam enxergar os espíritos obsessores agindo. Destes contatos surgiram as lendas dos vampiros, lobisomens e bruxas voadoras.
Vamos explicar algumas das características dos vampiros de maneira científica:
1) Obsessores são entidades astrais que se conectam à pessoas vivas com o objetivo de sugarem fluidos sutis. Um corpo astral não é capaz de fumar, nem de obter prazer a partir da ingestão de nicotina, mas pode se “encostar” em uma pessoa e, através do chakra Umeral (um chakra que fica na parte de trás da nuca), absorver as sensações de prazer que o fumante possui quando traga um cigarro. Este processo de fluidificação é o mesmo usado pelos kimbas (espíritos trevosos) para absorver o sangue de um sacrifício ou a comida de um despacho de macumba (explicarei sobre isso mais para a frente). Obsessores também se “alimentam” de sensações: alegria, tristeza, dor, saudade, raiva… boa parte dos casos de DEPRESSÃO nada mais são do que obsessores que incitam estas sensações na pessoa para depois se alimentarem delas.
Por precisarem estar literalmente acoplados energeticamente em suas vítimas, os kardecistas os chamaram de “espíritos obsessores”, os espiritualistas chamam de “espíritos encostados” e os toscos dos evangélicos adaptaram a expressão para “encostos”. Da posição de “sugar o pescoço” surgiu a lenda que vampiros mordem o pescoço de suas vítimas.
2) Estas entidades existem apenas no Plano Astral. Quando um vidente as enxergava diante do espelho, via apenas a criatura, mas não seu reflexo (pois o espelho reflete apenas o Plano Material). Disto vem a lenda de que os Vampiros não possuem reflexo em espelhos.
3) as entidades mais baixas são constuídas de miasmas astrais (restos energéticos que compõem os cascões usados por estes seres para se manifestar no Astral, de maneira semelhante ao duplo-etérico) e a luz solar dissolve estes miasmas. Disto surgiu a lenda que vampiros queimam no sol, pois seus cascões astrais são literalmente DISSOLVIDOS pela luz solar (você nunca reparou que pessoas depressivas evitam ao máximo a luz solar?).
4) Água Lustral também é outro material que afeta o Plano Astral. Água Lustral é feita a partir de sal marinho e água (água do mar também serve). É o motivo pelo qual os Orixás recomendam tanto banhos de mar para ajudar em problemas espirituais, além de ser um dos locais mais fortes para despachos. Surfistas, nadadores, mergulhadores e pessoas que trabalham com o mar também concordam com a sensação de limpeza que o mar traz quando se lida com ele. A Igreja Católica, que tudo copia, também apoderou-se da água lustral, só que a chama de “Água Benta”. Ao utilizarmos água lustral em nossos rituais, dissolvemos as miasmas astrais. Disto resultou na lenda de que vampiros são afetados por água benta. Ela literalmente corrói a “pele” dos obsessores e cascões astrais. Também explica a lenda de que os vampiros não podem cruzar água corrente.
5) símbolos religiosos, assim como a baqueta ou “varinha mágica”, são canalizadores da Vontade (Thelema) do ocultista. Através dele, podemos forçar nossa vontade a dissolver o miasma dos cascões astrais e forçar a entidade para fora do cascão que está acoplado na pessoa (esta é uma das bases do Exorcismo, que explicarei em posts mais adiante). Já sabendo disso, estas entidades se afastam da presença do mago. Por isto que se diz nas lendas que “a cruz só funciona com quem acredita nela”. A Baqueta, quando atravessada no cascão astral, também dissolve completamente o miasma. Por isso dizem que vampiros tem medo do crucifixo. A baqueta de madeira atravessando o corpo do obsessor também é a origem da “estaca” matando vampiros.
6) Igrejas e Templos (rosacruzes, maçônicos, thelemitas…) normalmente possuem egrégoras e rituais especiais que impedem a presença deste tipo de criatura. Dizemos que o templo “está coberto” contra a presença destas entidades. Por esta razão, as lendas dizem que demônios, assombrações e vampiros não podem pisar “solo sagrado”.
7) Obsessores e obsediados mantém uma relação de harmonia vibratória entre eles. Um espírito obsessor só consegue permanecer em um local onde haja uma afinidade emocional ou vibracional, caso contrário eles não serão capazes de acoplar ou serão mantidos afastados. Disto surgiu a lenda de que vampiros só podem entrar em um local se forem convidados.

Uma das coisas mais interessantes sobre as lendas dos vampiros é que Bram Stoker, o escritor que imortalizou o Drácula, era membro da Golden Dawn, uma ordem iniciática muito conhecida no começo do século XIX. Quando ele colocou estas características em seu romance, ele sabia muito bem sobre o que estava escrevendo.

Ainda existem MUITAS coisas para serem ditas a respeito do Plano Astral. Na próxima coluna, falarei sobre comunicação entre médiuns e espíritos, mas gostaria de um favor: como o assunto é por demais extenso, gostaria que desta vez vocês fizessem perguntas apenas sobre Espíritos e o Plano Espiritual/Astral. Ignorarei todas as perguntas que não forem pertinentes ao tema e responderei as pertinentes no próprio corpo do comentário, para formar uma espécie de FAQ sobre o assunto.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/thanatos-i-see-dead-people