A Vida exige Leveza

“De quanto menos eu preciso mais livre sou. A liberdade traz consigo a leveza do espírito”, me disse um velho e sábio xamã do Povo Nativo do Caminho Vermelho sentado ao redor de uma fogueira em uma noite às vésperas do Pothlach. Canção Estrelada, como passou a ser conhecido depois que descobriu seu dom de iluminar o caminho das pessoas do seu clã através da palavra, cantada ou não, como uma lanterna de proa que mostra as ondas que estão por vir, explicava com paciência, para mim, a cerimônia do dia seguinte, onde cada um doaria objeto que lhe fosse precioso.

O despego a bens materiais é um bom exercício para ajudar na renovação de ideias e conceitos que, às vezes, por estarem obsoletos, nos atrapalham na jornada. O simbolismo do ritual consiste em que cada um veja e entenda a necessidade de se renovar emocional, intelectual e espiritualmente. Ao abrir mão de algo de que somos apegados, aprendemos a transformar sentimentos e pensamentos que, por guardarmos inutilmente, se tornam pesados e atrapalham a caminhada. Entendemos que tudo pode ser diferente. A vida exige leveza.

Para seguir adiante na infinita e fantástica estrada da vida temos que entender o seu fluxo para nunca o interromper. Ou nos tornaremos amargos ao perceber os demais seguindo viagem enquanto nos aprisionamos no emaranhado de importantes desnecessidades.

“Oferecer um objeto que não seja de fato valioso é manchar a própria dignidade, fraudar o ritual e a vida. É como fingir um sentimento. Pode-se enganar a um irmão, mas jamais enganamos o Universo, que em resposta nos nega permissão para prosseguir adiante até que o erro seja desfeito. Viver é aprender, transformar, compartilhar e seguir. Dividir o que se tem de melhor é a única forma de se preparar para as novas riquezas que a vida tem a te ofertar”.

Provocar a si próprio para se desfazer de um objeto que lhe seja caro é preparar a transformação do olhar. Alinhar os desejos primários do ego com as necessidades sutis da alma exigem desapego e coragem; sabedoria e amor. É pura luz.

“Nosso verdadeiro tesouro é apenas aquilo que dividimos. Não se pode dar o que não se tem e o anseio em acumular demostra apenas o medo em relação a eterna generosidade e capacidade de amor incondicional do Grande Mistério. Fazemos o nosso melhor e entregamos o amanhã em Suas mãos, assim como não nos preocupamos se o sol vai raiar no dia seguinte”, explicou o sábio ancião enquanto tragava o bom cachimbo com fornilho de pedra.

Talvez por perceber meu olhar perdido nas labaredas do fogo que crepitava e aquecia a noite, Canção Estrelada continuou com sua fala mansa a explicar que o Pothlatch também traz a lição de que a única coisa que nós verdadeiramente possuímos é o amor. “É fundamental para encerrar a lição da cerimônia que o objeto seja oferecido com generosidade. Você dá amor ou não estará oferecendo nada que de fato seja seu. Todos os bens materiais apenas estão emprestados pelo Grande Espírito para serem usados como ferramentas de evolução de todos os povos. Já estavam aqui e ficarão aqui, ao cuidado de outros irmãos, quando partirmos com o vento para cavalgar com nossos ancestrais. Apenas o amor que você compartilha poderá ser levado em sua sacola sagrada. Todo o resto é secundário”.

Sacola sagrada? Nunca tinha ouvido a expressão. “A sacola sagrada que carrega no peito e rufa como um tambor”, explicou Canção Estrelada e após uma pequena pausa, concluiu. “É o seu coração”.

“Não que a ajuda material seja irrelevante, ao contrário, ela é importante”, continuou o ancião, “pois quem tem frio anseia por um cobertor. Mas qualquer irmão da Terra que esteja acossado pelo vento gelado do abandono carece, ainda mais, ser agasalhado pelo divino manto do abraço amoroso de outro irmão. A compaixão espiritual é infinitamente mais profunda e valiosa do que a material”.

“Só assim conseguiremos Caminhar em Beleza”, encerrou o velho sábio enquanto observávamos a noite lentamente virar dia.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/19/a-vida-exige-leveza/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-vida-exige-leveza

Um antropólogo em Vênus

» Parte 2 da série “Xamãs ancestrais” ver parte 1

Ayahuasca é uma bebida produzida a partir de duas plantas amazônicas: Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis. O nome significa, literalmente, a “Videira dos Mortos”. Os cientistas sabem que a ayahuasca produz visões, principalmente por ser rica em DMT, um alucinógeno de ação extremamente rápida. Entretanto, os xamãs ancestrais têm conhecimento considerável do que ocorre após bebermos a ayahuasca, enquanto os cientistas não, principalmente porque a maioria jamais experimentou.

O tempo passa sem que eu tenha noção. Fecho meus olhos, e um grande desfile de visões subitamente se inicia… Começo a prestar atenção em uma imagem em particular, ou, mais exatamente, a uma área de meu campo visual interno, onde complexos padrões geométricos entrelaçados provam, numa inspeção mais cuidadosa, ser parte de uma grande serpente, aparentemente viva, com sua cabeça e sua cauda afastadas de mim. Posso distinguir as escamas individuais, retangulares, como janelas… Existe um círculo no centro de cada retângulo, círculos púrpura, girando como fogos de artifício, brilhando com a luz escura de um outro mundo onde agora estou… Aqui? Onde é aqui? Por que é um lugar onde vejo cores que não existem na vida cotidiana?

O xamã recomeça a entoar seu ritual. A cantoria inicia em tom mais baixo, mas aumenta, e aumenta… As serpentes são muito grandes, e todo corpo, da cabeça à cauda, é claramente visível para mim. Agora as cores castanho e amarelo predominam. Lendo sobre o assunto, antes de vir a Amazônia, aprendi que pessoas em regiões e culturas diversas, de todo o mundo, encontram serpentes na jornada da ayahuasca… Elas agora formam padrões de rodas e espirais entrelaçados, se fundem e depois se dividem em duplas individuais serpenteando em volta uma da outra, como a dupla hélice do DNA… A náusea chega com força e estou agora vomitando na escuridão…

Saio do círculo ritual e volto após vomitar, agora minha cabeça está aliviada. Então, de repente, dois seres completamente feitos de luz branca surgem a minha frente. São pequeninos – cerca de 1,20m de altura –, mas estou ciente apenas da parte superior de seus corpos, não vejo os pés. Sua faces têm mais ou menos o formato de um coração, com grandes testas e queixos estreitos e pontudos. Narinas e bocas, se é que as tem, são apenas fendas em suas feições suaves. Seus olhos são completamente negros e aparentemente sem pupilas… Eles parecem querer se comunicar. A tentativa de comunicação, que me parece telepática, não está funcionando por alguma razão. Sinto ansiedade e… frustração da parte deles. A náusea retorna, os seres de luz se vão, eu volto a vomitar na escuridão…

Os três últimos parágrafos são trechos (selecionados por mim) dos depoimentos de Graham Hancock [1], pesquisador e escritor britânico que resolveu participar dos rituais xamânicos de povos indígenas da Amazônia e de regiões da África. Em seu monumental Sobrenatural, Hancock parte da análise dos signos e símbolos pictóricos da arte rupestre para fazer uma associação fortuita desse tipo de imagem com as visões “psicodélicas” usualmente experimentadas em tais rituais, pelo menos por aqueles que efetivamente experimentam a ayahuasca, a iboga, e outras bebidas rituais que “trazem visões do outro mundo”. Esta associação não foi ideia original sua, mas sim de David Lewis-Williams, um professor, antropólogo e pesquisador de arqueologia cognitiva sul africano.

Segundo o modelo neuropsicológico de Lewis-Williams, a real origem da arte rupestre e, por conseguinte, da religião primal dos povos da pré-história, poderia ser mais profundamente explicada e compreendida se levarmos em consideração que o que estava sendo ali representado eram visões provenientes de estados de transe e consciência alterada, originários de experiências rituais extremadas (como danças até a exaustão e/ou a repetição de ritmos musicais durante horas e horas de ritual) e, principalmente, da ingestão de bebidas e substâncias naturais alucinógenas. Esta era, segundo sua teoria, a maneira mais simples e lógica de justificar o porquê da arte rupestre ter características tão enigmáticas, não encontradas na natureza, mas que estão representadas tanto em cavernas europeias quanto em inúmeras regiões africanas, distantes milhares de quilômetros, e milhares de anos na história, umas das outras.

Diferentemente das outras teorias propostas pelos antropólogos em quase um século, esta está baseada em evidências bastante sólidas… Que por muito pouco não se perderam para sempre.

Até 1927, ano em que foi dada a última permissão oficial para se caçar bosquímanos, era legal para os brancos da África do Sul assassinar os san, cujas partes dos corpos eram exibidas orgulhosamente como troféus pelos matadores… Não, os bosquímanos, os san, não eram animais, eram seres humanos, como nós. Na realidade, faziam parte de uma das culturas mais ancestrais e persistentes de nossa história, e até meados do final do séc. XIX, ainda praticavam a arte rupestre. Os san eram, portanto, os continuadores de um estilo de arte que perdurou por dezenas de milhares de anos, até que fossem praticamente extintos pelos “grandes colonizadores racionais”. Poderíamos saber, afinal, se a teoria de Lewis-Williams faz mesmo sentido, desde que encontrássemos algum xamã san ainda vivo, e que ainda conhecesse os antigos rituais que originavam as visões representadas na arte rupestre. Alguns xamãs, algum conhecimento, ainda restou, mas o povo san não é mais o mesmo – seu espírito se foi, e com ele, qualquer esperança para que a arte rupestre pudesse continuar sua longa jornada.

Felizmente, alguma evidência restou, mais precisamente cerca de cem cadernos com notas escritas a mão, descrevendo a cultura e os rituais do povo san no final do séc. XIX, quando ainda praticavam sua arte nas pedras e cavernas. As entrevistas foram conduzidas pelo filólogo alemão Wilhelm Bleek e sua cunhada, Lucy Lloyd, dois acadêmicos muito adiante do seu tempo, que anteciparam com muita clareza a aniquilação que então pairava sobre o povo e a cultura san. O conteúdo de seu estudo permaneceu oculto da Academia até a década de 1930, quando um jornal sul africano fez uma breve referência aos cadernos. Apenas em meados das décadas de 1960 e 1970 os cadernos foram novamente mencionados na mídia especializada, até que Lewis-Williams finalmente colocou seus olhos neles: “mas que estranha experiência, folhear 12 mil páginas de cadernos de notas ancestrais, sobrenaturais” – descreveu o antropólogo acerca do evento.

De posse dos registros de uma cultura ancestral perdida, Lewis-Williams finalmente tinha a evidência que faltava para talvez a única teoria científica sólida jamais postulada acerca da real origem dos signos rupestres. Ainda assim, quando Hancock encontrou pessoalmente com o professor sul africano, não resistiu a lhe indagar:

“Afinal, o senhor já experimentou entrar em transe por meio de danças e batuques ritmados de tambor, ou jejuou por 40 dias até delirar, ou tomou o chá da ayahuasca ou qualquer outra substância natural psicoativa?”

Diante da negação veemente, Hancock perguntou o porquê, e Lewis-Williams deu de ombros:

“Não quero fundir minha cuca e não estou nem um pouco interessado na experiência.”

Vênus, com sua superfície uniforme e seu brilho incomparável no céu noturno, sempre despertou o sonho da humanidade. A estrela vespertina parecia, certamente, um céu prometido, um mundo de luz… Entretanto, hoje sabemos que sua superfície é inóspita e, na realidade, bem mais próxima dos lagos de enxofre do inferno. Assim, também sabemos, ocorre com as drogas: num primeiro momento são estupendas, maravilhosas, mas depois viciam, e podem nos levar a ruína psíquica… Por tudo o que sabemos acerca delas, não é difícil compreender os motivos que levaram Lewis-Williams a evitar os chás alucinógenos e os estados de transe.

A questão é: os povos antigos sabem muito bem desse perigo, e por isso mesmo jamais se utilizaram de suas plantas sagradas como diversão ou mera busca do prazer. Seus rituais sempre foram controlados, e seus xamãs sempre foram raros, escolhidos a dedo por sabe lá qual entidade… E, exatamente por isso, por terem sido tão poucos e tão especiais, hoje praticamente não existem mais.

Os xamãs ancestrais já se foram há muito, e nem mesmo entre os san restou algum. O espírito de um povo desaparece, e o deixa perdido, atordoado, procurando o suicídio, há menos que tal espírito retorne para os auxiliar, como a estrela da manhã… Mas não é fugindo de Vênus que vamos vislumbrar qualquer esperança de um dia os compreender melhor. Tal qual a ciência enviou sondas robô a estrela vespertina, e hoje a compreende muito mais do que há séculos atrás, os exploradores da mente não têm outra alternativa que não mergulhar neste outro mundo, repleto de serpentes, padrões geométricos, seres de luz e armadilhas na escuridão…

Mas, para tal, sondas e robôs não nos servem, precisamos realizar a travessia por nós mesmos. Graham Hancock teve a coragem de mergulhar no próprio lago em que empreendeu seu extensivo estudo – ele é o nosso antropólogo em Vênus.

» Na continuação: Quimeras mentais, homens feridos, e o delicioso Vin Mariani…

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Leitura recomendada: Sobrenatural, de Graham Hancock (Nova Era).

[1] Retirados do livro recomendado acima.

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Crédito das imagens: [topo] Susan Seddon Boulet (mulher xamã dançando em ritual); [ao longo] Pinturas do xamã peruano Pablo Amaringo, que serviu também como “guia” de Hancock nos rituais com ayahuasca.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-antrop%C3%B3logo-em-v%C3%AAnus

Yesod – Bem-vindo ao Deserto do Real

Publicado no S&H dia 4/jun/2008,

Continuando nossa série sobre desmistificação de demônios, diabos, encostos e afins, precisamos neste momento ao mesmo tempo fazer uma parada e estabelecer uma conexão com a kabbalah. Sem explicar o que é o chamado “Plano Astral”, será muito difícil entrar em detalhes sobre como exatamente funciona a mecânica por trás dos Anjos, Demônios, Devas, Asuras, Elementais, Exus, Anjos Enochianos, Fantasmas e Gênios.
Da mesma maneira, estava devendo para vocês uma explicação gnóstica sobre o filme Matrix, então este período do tempo-espaço em relação à coluna me parece o ponto exato para comentar três coisas aparentemente distintas, mas ao mesmo tempo intrinsecamente conectadas: Yesod, o Plano Astral e Matrix.

Tome a pílula vermelha e siga o tio Marcelo para descobrir o quão funda é a Caverna de Platão.

Yesod
Para os que fizeram os exercícios do Sefira ha Omer já deve estar bastante clara qual é a função de Yesod dentro das emanações divinas. Yesod se situa abaixo de Tiferet e entre Netzach e Hod. É chamada de “Fundamento” ou “Fundação” e funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos, que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações e forma o Plano dos Pensamentos, Plano Astral, ou a Base da Realidade.
Malkuth é o plano físico puro, chamado de Plano Material, que nossos sentidos objetivos podem ver, ouvir, cheirar, tocar e provar, mas incapaz de perceber qualquer tipo de consciência além disto. Malkuth é o mundo criado das ilusões para nos manter em torpor ou, fazendo nossa comparação, Malkuth é a Matrix.

Em Malkuth vivem os adormecidos. Pessoas que acordam, tomam café, vão para suas baias em seus trabalhos, trabalham, almoçam, trabalham, vão para casa, jantam, assistem novela, assistem futebol, dormem e no dia seguinte acordam de novo… fazem isso durante a vida toda, aposentam-se e morrem, sem nunca terem realmente vivido. Suas almas estão presas em casulos sem imaginação, sugadas pelo sistema que mantém a ilusão funcionando, tal qual é retratado simbolicamente no filme.

Yesod representa os bastidores da realidade. O mundo real na qual são programados os acontecimentos que surgirão no mundo ilusório. Para fazer uma analogia, imaginemos que Malkuth seja um prédio comercial. Yesod será, então, toda a fundação: canos, fios, dutos de ar, fosso do elevador, esgotos, toda a parte elétrica e hidráulica que faz o prédio funcionar. Quando se aperta um interruptor na parede, a luz da sala acende. Os ignorantes chamam isso de “coincidência”, mas qualquer pessoa que tenha um conhecimento maior de ciência sabe que, por trás daquele interruptor correm fios elétricos escondidos na Fundação e que, quando se aperta um botão neste interruptor, uma série de conexões simples são acionadas, fazendo com que a eletricidade chegue até a lâmpada, acendendo-a.
Magia é compreender como os condutores de energia da realidade material funcionam e apertar os botões certos para que as lâmpadas certas se iluminem.

Yesod representa a Intuição; o sexto sentido; o despertar. Infelizmente, assim como Morpheus diz a Neo no começo do filme, ninguém vai conseguir explicar para você o que é o Plano Astral. Você precisa ter esta experiência sozinho para compreender. E a maioria das pessoas passa sua vida toda como gado, inconscientes da realidade ao seu redor, como baterias inertes de um sistema controlado por egrégoras que mantém as pessoas ocupadas demais rezando para deuses externos, com medo de falsos diabos e trabalhando como escravas para mantê-las no poder. As famosas “otoridades”. No filme, são representadas pelos Agentes da Matrix.

Uma das melhores cenas do filme ocorre logo no começo, quando Thomas (Tomé, escritor do principal livro apócrifo) Anderson (Andras [homem]+Son [filho], ou seja, “Filho do Homem”, em uma analogia a Jesus/Yeshua) está dormindo diante da tela e aparece o texto “Acorde, Neo”. Esta cena resume a fagulha que vai despertar dentro de cada um de nós em direção ao Cristo; a Princesa dos contos de fada; a espada presa dentro da pedra, a Branca de Neve adormecida em um caixão de vidro.
Minutos após despertar, um hacker diz a ele “você é meu salvador… meu Jesus Cristo”. Simbolicamente, isto representa que mesmo esta pequena fagulha de controle sobre a realidade é suficiente para despertar seguidores, de tão perdidas que as pessoas estão.
As referências ao caminho do Sábio na Kabbalah continuam: quando Neo chega a nave (que tem o Nome de Nabucodonosor, o rei da Babilônia que no Livro de Daniel teve um enigmático sonho que precisa ser interpretado) cujo número de série é “MARK III NR. 11” (Marcos, Capítulo 3, versículo 11: “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”). Neo passa pela morte e ressurreição e finalmente, no final do filme, chega a Tiferet, “o escolhido”.

Para os gnósticos, o Deus Supremo (Keter) é totalmente perfeito, e, por isso, estranho e misterioso, “inefável”, “inalcançável”, “imensurável luz, pura, santa e imaculada”(Apócrifo de João). Para este Deus existem outros seres menos divinos no Pleroma (similar ao Paraíso, uma divisão desse universo que não é a Terra), que é dotado de um sexo metafórico masculino (Hochma) ou feminino (Binah).
Pares desses seres são capazes de produzir descendência, que são, eles mesmos, emanações divinas perfeitas em si mesmas (a analogia no filme é a criação de múltiplas matrix pelos computadores). O problema surge quando um EON ou Ser chamado SOPHIA (Sabedoria em grego, representado no filme pela Oráculo), uma mulher, decide “levar adiante sua semelhança sem o consentimento do Espírito” – que gera uma descendência sem sua consorte (Apócrifo de João).

A antiga visão era a de que as mulheres oferecem a matéria na reprodução, e os homens, a forma. Por isso, o ato de Sophia produz uma descendência que é imperfeita ou até mesmo mal formada, e ela a afasta dos outros seres divinos do Pleroma, levando-a para outra região isolada do cosmos. Essas deformadas e ignorantes deidades, as vezes denominadas DEMIURGOS (o Arquiteto, no filme), que equivocadamente acreditam ser o único Deus.

Os gnósticos identificam o Demiurgo como o Deus Criador psicopata do Antigo Testamento, o qual decide criar os Arcontes (Anjos), o mundo material (Malkuth/Terra) e os seres humanos. Embora as tradições variem, o Demiurgo normalmente é enganado dentro do alento divino ou espírito de sua mãe Sophia que antigamente vivia nele, dentro do ser humano (especialmente Apócrifo de João, ecos do Gênese 2-3).
Para os gnósticos, somos pérolas no lodo, espíritos divinos (bom) aprisionados num corpo material (mau) e num mundo material (mau). O Paraíso é nosso verdadeiro lar, mas estamos exilados do Pleroma.
Felizmente, para o Gnóstico a salvação está disponível na forma de Gnose ou Conhecimento, dado pelo Redentor Gnóstico, que é o Cristo, a figura enviado pelo Altíssimo para libertar a espécie humana do Demiurgo, tal qual Neo é o “escolhido” para libertar as pessoas do jugo do Arquiteto.

Quando Neo é desconectado e desperta pela primeira vez em Nabucodonosor, em meio a um brilhante espaço branco iluminado (linguagem cinematográfica para indicar o despertar), seus olhos ardem, conforme explica Morpheus, porque ele nunca os havia usado antes. Tudo que Neo havia visto até aquele ponto o foi através do olho da mente, como num sonho, criado através de um software de simulação. Tal como um antigo Gnóstico, Morpheus explica que a respiração (prana, chi-kung, tai-chi, reiki) conduz Neo pelo programa de treinamento de artes marciais e que não há nada a fazer com seu corpo, a velocidade ou sua força, os quais são todos ilusórios. Mais ainda, eles dependem unicamente de sua mente, que é real.

Ainda outro paralelo com o Gnosticismo, ocorre na figura dos Agentes, como o Agente Smith e seu opositor, o equivalente gnóstico de Neo e todos os demais que tentam sair de MATRIX. A IA criou esses programas artificiais para funcionarem como “porteiros” – os Guardas das portas – que possuem todas as chaves. “Esses Agentes são parentes dos ciumentos Arcontes criados pelo Demiurgo para bloquearem a ascensão do Gnóstico quando tentam deixar o mundo material. Eles defendem as portas em sucessivos níveis ao paraíso (e.g. Apocalipse de Paulo, Divina Comédia de Dante, textos Babilônicos narrando os sete infernos, a estrela setenária dos alquimistas e assim por diante).

Sobre a questão do Samsara, até mesmo o título do filme evoca a visão budista de mundo. MATRIX é descrita por Morpheus como “uma prisão para a mente”. É uma “construção” dependente feita de projeções digitais interconectadas de bilhões de seres humanos (egrégoras) que desconhecem a natureza ilusória da realidade na qual vivem, e são completamente dependentes do “hardware” implantado em seus corpos reais e dos programas (softwares/mapas astrais) elaborados (para fazer a máquina funcionar), criados pelo Demiurgo. Essa “construção” é parecida com a idéia budista do SAMSARA, a qual ensina que o mundo, no qual vivemos nossas vidas diárias, é feito unicamente de percepções sensoriais formuladas por nossos próprios desejos.
O problema, então, pode ser examinado em termos budistas. Os humanos são aprisionados no ciclo da ilusão (Maya), e sua ignorância acerca do ciclo os mantém atados a ele, totalmente dependentes de suas próprias interações com o programa e com as ilusões da experiência sensorial que ele provê, bem como das projeções sensoriais dos demais. Essas projeções são consolidadas pelos enormes desejos humanos de acreditarem que o que eles percebem como real é real de fato (para eles). É o mundo dos materialistas, ateus e céticos.
Este desejo é tão forte que derruba Cypher, que não pode mais tolerar o “deserto do real”, e procura uma maneira de ser reinserido na Matrix. Tal como combina com o Agente Smith num restaurante fino, fumando um charuto com um copo grande de brandy, Cypher diz: “Eu sei que este bife não existe; eu sei que quando eu o levo a minha boca Matrix está dizendo ao meu cérebro que ele é suculento e delicioso. Depois de 9 anos você sabe o que está mais claro para mim? Que a ignorância é a felicidade!” (Ignorance is Bliss).
A contrapartida é a vida monástica dentro da nave: comem uma gororoba vegetariana, vestem-se com trapos, não possuem bens materiais e treinam um kung fu que beira o sobrenatural. Possuem a humildade de quem já se despojou dos bens materiais, tal qual os monges do monastério de Shaolin.
Em determinada parte do filme, Morpheus diz a Neo, “há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho”. E como Buda ensinou aos seus seguidores, “vocês, por vocês mesmos, devem fazer o esforço; só os Despertos são Mestres”.
Para quem já está no Caminho da Iluminação, Morpheus é somente um Guia. Em última instância, Neo precisará reconhecer a Verdade por ele mesmo.

Reinos Subterrâneos
Na Antiguidade, o estado de consciência de Yesod era representado por Hades, o Reino Subterrâneo. Como tal, podia ser acessado apenas pelos seres chamados Psychopompos (“Condutores das Almas”), que eram apenas cinco: Hermes, Hecate, Caronte, Morpheus e Thanatos. Cada um deles descreve exatamente os estados de consciência que habitam o Plano Astral.

Comecemos por Morpheus, o senhor dos sonhos e o nome do Personagem de Lawrence Fishburn como condutor de Neo (que representa nossa consciência crística que deve ser trabalhada até nos tornarmos “o Escolhido”). Morpheus é o senhor dos sonhos, indicando que uma das maneiras de acessarmos o Plano Astral é durante o sono, quando conseguimos atingir os estados de ondas teta e alfa, necessários para atingirmos a chamada superconsciência (ou meditação profunda, ou transe, dependendo para quem você pergunta). Anote ai no seu caderno: Sonhos.

A segunda Psychopompos é chamada de Hecate, deusa dos Templos Lunares. Ela representa os aspectos da consciência atingidos através do Ajna Chakra (o sexto chakra). Hecate representa as danças sagradas, o sexo mágico, o tantra, o despertar da kundalini, os oráculos (tarot, runas…) e todos os Templos que lidam com a energia lunar/feminina dentro da magia. Hecate também é conhecida como a “Deusa Tríplice” (Trinity).
Anote ai no seu caderno: Oráculos e Magia Sexual.

O terceiro deus condutor de almas é Caronte. Caronte é o barqueiro que conduz os viajantes até os Reinos de Hades. A lenda de Caronte deriva das histórias do Barco de Ísis e das antigas iniciações egípcias onde os sacerdotes e iniciados eram colocados em transe nas pirâmides e tinham sua alma liberta do corpo para que vissem a si mesmos deitados aos pés dos outros sacerdotes e tomassem consciência de que eram espíritos habitando temporariamente um corpo físico. Quando fazemos Viagens Astrais induzidas, a sensação de se desligar do corpo no momento em que saímos do Plano Material é muito semelhante ao deslizar que sentimos quando estamos dentro de um barco. Desta maneira, Caronte representa as Viagens Astrais Conscientes. Tanto a lenda de Orfeu quanto a de Hércules (e também Dionísio, Psique e Enéias) representam iniciados em cultos Dionísicos e o despertar da consciência. Os Barcos Espirituais (tanto de Caronte quanto de Ísis) estão representados na forma dos Hovercrafts. Anote no caderno: Viagens Astrais Conscientes.

Hermes representa o Templo Solar, a magia atuando sobre a Luz Astral. Hermes representa o mensageiro dos Deuses, aquele que domina o caduceu (kundalini) e trabalha com a imaginação de maneira racional. Ele representa os grandes magos e conjuradores, os grimórios que lidam com a conjuração de espíritos, o contato consciente entre os que estão no Plano Material e os que estão no Plano Astral. Assim como Salomão, Eliphas Levi e Crowley, Hermes representa todos os iniciados e médiuns capazes de estabelecer contatos entre o Plano Material e o Plano Espiritual.
Como veremos na próxima coluna, o Caduceu e os Chakras representam a porta de entrada e o controle sobre as energias que atuam sobre Yesod e o Plano Astral. Hermes aparece no filme Matrix na forma de “Mercúrio”, como o espelho que engloba Neo e o guia através da jornada que fará o despertar final.
Anote no seu caderno: Mediunidade, Imaginação e Vontade atuando sobre a Luz Astral.

Por fim, temos Thanatos, deus da morte. Irmão de Hypnos (o sono), Thanatos representava a morte e os espíritos dos mortos, que eram transportados por ele até o Reino Subterrâneo. O Reino dos Mortos. Thanatos está representado na máquina que descarta Neo nos esgotos assim que ele desperta e Thanatos o reconhece como não pertencente àquele local. Anote ai como o quinto item: Espíritos dos Mortos.

A partir destas alegorias, podemos compreender que o Plano Astral é habitado por diversas criaturas, objetos, egrégoras, seres e entidades que possuem uma complexa e intrincada estrutura de organização, a partir das quais explicaremos todas as lendas, contos e bases de muitas religiões e filosofias espiritualistas.

Homens e Espíritos
Começaremos nossa jornada da comunicação entre homens e espíritos pelo Xamanismo. Há mais de 40.000 anos as tribos mais antigas conseguiam entrar em contato com o Mundo Astral de diversas maneiras. Seus sacerdotes comunicavam-se com os espíritos dos antepassados em busca de conselhos e indicações enquanto dormiam ou durante rituais envolvendo ervas capazes de alterar o estado de consciência dos participantes no ritual. Os xamãs também eram capazes de entrar em contato com o Reino Espiritual através de oráculos e rituais de conjuração de seres que eles chamam de Elementais.
Nas religiões Aborígenes (Austrália) e Tribais (Africanas), os nativos possuem o mesmo nome para designar o “Reino dos Sonhos” e o “Reino dos Mortos”. Nestas religiões, os deuses e os espíritos iluminados conseguem se comunicar com os sacerdotes através da mediunidade deles (fazendo conexões entre seu corpo astral e os chakras dos médiuns, os espíritos conseguem agir através do corpo de um médium). Além dos espíritos, outras entidades astrais (chamadas de Devas pelos hindus, Orixás pelos africanos e Elementais pelos celtas) também são capazes de incorporar um médium capaz de recebê-los.
Na Babilônia, os cultos a Astarte envolviam danças sagradas, sexo sagrado e contato com os mortos através dos oráculos.
Entre os hindus, o tantra fazia a ponte entre o despertar da kundalini e a iluminação do ser humano através do sexo sagrado. Com a abertura e desenvolvimento dos chakras, os praticantes tornavam-se canais poderosos de conexão com o cósmico, despertando habilidades consideradas sobrehumanas.
Os Egípcios conheciam como ninguém os desdobramentos astrais, potencialidades dos chakras, telepatia e diversas outras habilidades que são preservadas até os dias de hoje dentro das Ordens Iniciáticas como a Rosacruz, Templários e Maçonaria.
Entre os gregos, as sacerdotisas de Hecate também eram conhecidas pelo nome de Ptionísia ou Oráculo (mais uma conexão com o filme Matrix) e conseguiam estabelecer um contato entre os vivos e os mortos para obter conselhos e previsões.
Do ponto de vista ocultista, praticamente não há diferença entre um oráculo grego da antiguidade e um centro espírita Kardecista, salvo pela ritualística. Os princípios e os mecanismos envolvidos são rigorosamente os mesmos.
O rei Salomão utiliza seu conhecimento sobre o astral para deixar um dos maiores legados ocultistas, o Ars Goetia, ou os 72 espíritos (falarei sobre eles mais adiante, quando retornarmos aos trilhos dos posts sobre demônios). Chamavam estes conhecimentos de Arte Real. Paralelamente, temos os judeus e seu vasto estudo sobre a kabbalah e os 72 nomes de Deus (chamados vulgarmente de “anjos cabalísticos”). Salomão compartilha estes conhecimentos com a rainha de Sheba, que os leva para os Reinos africanos e mistura este conhecimento com as religiões tribais, dando origem aos cultos africanos que muitos séculos mais tarde dariam origem indireta ao Candomblé, Umbanda, Santeria, Vodu e Quimbanda. (explicarei em detalhes cada um deles em posts futuros).

Da Grécia, os oráculos chegavam até praticamente todos os pontos do mundo conhecido. Rituais de magia que lidavam com o astral são descritos em diversos poemas e praticados por comandantes, soldados e sacerdotes iniciados.
Dos romanos e dos celtas, este conhecimento também chegou até a Europa, onde as bruxas utilizavam-se deste contato para conversar com os antepassados, conjurar elementais e adquirir conhecimento e iluminação. As belíssimas obras de arte deixadas por todos estes povos são um retrato claro da interação entre vivos e mortos, espíritos e sonhadores, deuses e mortais.
Os nórdicos possuíam lendas a respeito das Valkírias, dos Einherjar, das runas e de toda a estrutura de contato entre os vivos e os mortos. Suas lendas refletem um profundo conhecimento dos iniciados a respeito da Árvore da Vida. Um dos cursos que mais gosto de ministrar é justamente o de runas, pois cada uma das 24 pedras do Oráculo encerra uma lenda rica e profunda; desde a famosa “Ponte do arco Íris”, guardada por Heimdall, que representa o caminho de Tav na Árvore da Vida, até a própria estrutura da origem das runas, provenientes do sacrifício de Odin durante nove dias (nove esferas fora do mundo material na Kabbalah).

Semana que vem: Vampiros, Encostos, Espíritos do Mal e Poltergeists.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yesod-bem-vindo-ao-deserto-do-real

Afinal de contas, o que torna o TdC Especial?

Por Frater Dybbuk,, Zelator do AA

Nos dias de hoje, onde qualquer estudante de primeiro ano de filosofia pode inventar para si um titulo pomposo e criar um blog esotérico para tentar impor suas verdades, e dezenas de blogs de magias e pactos e ordens e curiosos de todos os calibres esquisotéricos surgem a cada dia na internet, como podemos saber se determinado autor é confiável?

Eu me fiz essa pergunta oito anos atrás, quando encontrei com o Del Debbio pela primeira vez em uma loja Maçônica, em uma palestra sobre “Kabbalah Hermética” (que vocês ja devem ter assistido pelo menos alguma versão dela. São todas iguais, mas todas diferentes. Só assistindo duas para ver. Para quem não viu, tem um link de uma delas no youtube Aqui). Adoro essa palestra porque sempre os judeus tradicionais se arrepiam todo quando ele faz as correlações da árvore das vidas com outras religiões. E este, talvez, seja o maior legado que ele deixará na história do Hermetismo.

Mas o que o gabarita para fazer estas afirmações?

Talvez porque a história do MDD dentro das Ordens iniciáticas seja única. A maioria de nós, estudiosos do ocultismo pré-internet, começávamos pela revista Planeta, depois comprávamos os livros da editora Pensamento, entrávamos na Maçonaria, em alguma ordem rosacruz e seguíamos pela senda sem nunca travarmos contato com outras vertentes. Quem é da macumba, caia em um terreiro escondido no fundo de algum quintal e ficava por lá décadas, isolado. Cada um com suas verdades…

O DD começou em 1989 lá na Inglaterra. E ainda teve sorte (se é que alguém aqui ainda acredita que existam coincidências) de cair em um craft tradicional de bruxaria, com a parte magística da coisa (que inclui incorporações) e contato com o pessoal da SRIA, do AA e de outros grupos rosacruzes. Quando voltou para o Brasil, talvez tivesse ficado trancado em seu quarto estudando e nunca teríamos este blog… mas ele também foi um dos primeiros Jogadores de RPG aqui no Brasil. (RPG é a sigla de um jogo que significa “role playing games” ou jogos de teatro). Em 1995 publicou um livro que utilizava o cenário medieval de mitologias reais em um jogo que foi um dos mais vendidos da história do RPG no Brasil (Arkanun). Por que isso é importante?

Porque ele se tornou uma espécie de celebridade pop. E isso, como veremos, foi de importância vital para chegarmos onde estamos hoje (vai anotando as coincidências ai…).

Bem, o DD se graduou em arquitetura e fez especializações em história da arte, semiótica e história das religiões comparadas. De um trabalho de mais de dez anos de pesquisas, publicou a Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores trampos sobre o assunto no Brasil.

Com a faculdade veio a maçonaria e aqui as coisas começam a ficar interessantes. Por ser um escritor famoso, ele conheceu o Grande Secretário de Planejamentos do GOB, Wagner Veneziani Costa, um dos caras mais importantes e influentes dentro da maçonaria, editor da Madras, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e fundador da loja maçônica Madras, que foi padrinho do Del Debbio. E aqui entra o ponto que seria crucial para a história do hermetismo no Brasil, a LOJA MADRAS.

No período de 2004 a 2008, a ARLS Madras contou entre seus membros com pessoas como Alexandre Cumino (Umbanda), Rubens Saraceni (Umbanda Sagrada), Johhny de Carli (Reiki), Cláudio Roque Buono Ferreira (Grão Mestre do GOB), Sérgio Pacca (OTO, Thelemita e fundador da ARLS Aleister Crowley), Mario Sérgio Nunes da Costa (Grão Mestre Templário), Adriano Camargo Monteiro (LHP, Dragon Rouge), José Aleixo Vieira (Grande Secretário de Ritualística), Severino Sena (Ogan), Waldir Persona (Umbanda e Candomblé), Carlos Brasilio Conte (Teosofia), Alfonso Odrizola (Umbanda, diretor da Tv espiritualista), Ari Barbosa e Cláudio Yokoyama (Magia Divina), Marco Antônio “Xuxa” (Martinismo), Atila Fayão (Cabalá Judaica), César Mingardi (Rito de York), Diamantino Trindade (Umbanda), Carlos Guardado (Ordem da Marca), Sérgio Grosso (CBCS), entre diversos outros experts em áreas de hermetismo e ocultismo. Agora junte todos estes caras em reuniões quinzenais onde alguém apresentava uma palestra sobre um tema ocultista e os outros podiam questionar e debater sobre o assunto proposto com seus pontos de vista e você começará a ter uma idéia do que isso representou em termos de avanço do conhecimento.

Entre diversas contribuições para a maçonaria brasileira, trouxeram o RER (Rito Escocês Retificado), O Rito Maçônico-Martinista, para o Brasil, fundando a primeira loja do rito, ARLS Jerusalem Celeste, em SP, e organizaram as Ordens de Aperfeiçoamento (Marca, Nauta, Arco Real, Templários e Malta). O Del Debbio chegou a ser Grande Marechal Adjunto da Ordem Templária em 2011/2012.

Em paralelo, tínhamos a ARLS Aleister Crowley e a ARLS Thelema, onde naquela época se estudava magia prática e trocávamos conhecimento com a OTO no RJ (Loja Quetzocoatl, com minha querida soror Babalon) e a Ordem dos Cavaleiros de Thelema (que, dentre outros, tivemos a honra de poder conversar algumas vezes com Frater Áster – Euclydes Lacerda – antes de seu falecimento em 2010). Além disso, tínhamos acesso a alguns dos fundadores do movimento Satanista em São Paulo e Quimbandeiros (cujos nomes manterei em segredo para minha própria segurança ).

Palestra no evento de RPG “SANA”, em 2006. Eu avisei que ele era subcelebridade, não avisei? Bem… nesse meio tempo, o MDD já estava bem conhecido dentro das ordens Iniciáticas, dando diversas palestras e cursos fechados apenas para maçons e rosacruzes. De dia, popstar; de noite, frequentando cemitérios para desfazer trabalhos de magia negra com a galera do terreiro. Fun times!

Ok, mas e a Kabbalah Hermética?

O lance de toda aquela pesquisa sobre Mitologia e suas correlações com a Cabalá judaica o levou a estudar a Torah e a Cabalá com rabinos e maçons do rito Adonhiramita por 5 anos, tendo sido iniciado na Cabalá Sefardita em um grupo de estudos iniciáticos coordenado pelo prof. Edmundo Pellizari (Ras Adeagbo). Apesar da paixão e conhecimento pela cultura judaica, ele escolheu não se converter (segundo palavras do próprio “Não tem como me converter ao judaísmo; como vou ficar sem filé à Parmigiana?“). Seus estudos se intensificaram entre os textos de Charles “Chic” Cicero via suas publicações na Ars Quatuor Coronatorum, nas Lojas Inglesas e os textos de Tabatha Cicero via Golden Dawn.

A idéia da Kabbalah associada aos princípios alquímicos, unificando tarot, alquimia e astrologia sempre levantou uma guerra com os judeus ortodoxos, que consideram a Cabalá algo profundamente vinculado à sua religião (por isso costumamos grafar estas duas palavras de maneira diferente: Kabbalah e Cabalá.

Em 2006, Adriano Camargo publica o “Sistemagia”, um dos melhores guias de referência de Kabbalah Hermetica, onde muitas das correlações debatidas em loja foram aproveitadas e organizadas.

No meio de todos estes processos de estudos, chegamos em 2007 em uma palestra na qual estava presente o Regis Freitas, mais conhecido como Oitobits, do site “Sedentário e Hiperativo”, que perguntou a ele se gostaria de ter um blog para falar de ocultismo. O nome “Teoria da Conspiração” foi escolhido pelo pessoal do S&H e em poucas semanas atingiu 40.000 leitores por post.

Del Debbio se torna a primeira figura “pública” dentro do ocultismo brasileiro a defender uma correlação direta entre os orixás e suas entidades com as Esferas da Árvore das Vidas e as entidades helênicas evocadas nos rituais da Golden Dawn “Apenas uma questão de máscaras que a entidade espiritual escolherá de acordo com a egrégora em que estiver trabalhando” disse uma vez em uma entrevista.

Estes trabalhos em magia prática puderam ser feitos graças ao intercâmbio de conhecimentos na ARLS Madras, pois foi possível que médiuns umbandistas estudassem hermetismo, kabbalah e cabalá em profundidade e, consequentemente, as entidades que trabalham com eles pudessem se livrar das “máscaras” africanas e trabalharem com formas mais adequadas, como alquimistas, templários e hermetistas. Com a ajuda dos terreiros de Umbanda Sagrada, conseguimos trabalhar até com judeus estudiosos da cabalá que eram médiuns, cujas entidades passaram grandes conhecimentos sobre correspondências dos sistemas judaico e africano, bem como de sua raiz comum, o Egito. A maioria deste conhecimento ainda está restrito ao AA, ao Colégio dos Magos e a outros grupos fechados mas, aos poucos, conforme instruções “do lado de lá”, estão sendo gradativamente abertos.

Em 2010, conhece Fernando Maiorino, diretor da Sirius-Gaia e ajuda a divulgar o I Simpósio de Hermetismo, onde participam também o Frater Goya (C.I.H.), Acid (Saindo da Matrix), Carlos Conte (Teosofia), Renan Romão (Thelema) e Ione Cirilo (Xamanismo). Na segunda edição, em 2011, participam além dos acima o monge Márcio Lupion (Budismo Tibetano), Mário Filho (Islamismo), Alexandre Cumino (Umbanda), Adriano Camargo (LHP), Gilberto Antônio (Taoísmo) e Lázaro Freire (projeção Astral).

A terceira edição ampliou ainda os laços entre os pesquisadores, chamando Felipe Cazelli (Magia do Caos), Wagner Borges (Espiritualista), Claudio Crow (Magia Celta) e Giordano Cimadon (Gnose).

O Blog do “Teoria da Conspiração” também cresce, agregando pensadores semelhantes. Além de textos de todos os citados neste post, também colaboram estudiosos como Jayr Miranda (Panyatara, FRA), Kennyo Ismail (autor do blog “No Esquadro” e um dos maiores pesquisadores contemporâneos sobre maçonaria), Aoi Kwan (Magia Oriental), Raph Arrais (responsável pelas belíssimas traduções da obra de Rumi), o Autor do blog “Maçonaria e Satanismo” (cujo nome continua em segredo comigo!), Tiago Mazzon (labirinto da Mente), Fabio Almeida (Música e Hermetismo), Danilo Pestana (Satanismo), Bruno Cobbi (Ciganos), PH Alves e Roe Mesquita (Adeptus), Frater Alef (Aya Sofia), Jeff Alves (ocultismo BR), Yuri Motta (HQs e Ocultismo), Djaysel Pessoa (Zzzurto), Leonardo lacerda e Hugo Ramirez (Ordem Demolay).

A ARLS Arcanum Arcanorum, braço maçônico da Ordem de Estudos Arcanum Arcanorum, que trabalha em conjunto com a SOL (Sociedade dos Ocultistas Livres), o Templo Aya Sofia, o Colégio dos Magos e o Teoria da Conspiração.

E os frutos desse trabalho se multiplicaram. Com o designer Rodrigo Grola, organizou o Tarot da Kabbalah Hermética, possivelmente um dos melhores e mais completos tarots que existem, além dos pôsteres de estudo. Hoje seus alunos estão desenvolvendo HQs, Livros, Músicas, dando aulas e até mesmo produzindo um Filme baseado nos estudos da Kabbalah Hermética (“Supernova”).

E o estudo de mitologias comparadas, kabbalah e astrologia hermética nunca mais será o mesmo. Isso se chama LEGADO.

E ai temos a resposta que tive para a pergunta do início do texto: Como saber se um autor é confiável? Oras, avaliando toda a história dele e quais são suas bases de estudo, quem são seus professores, quais as pessoas que o ajudam e quem são seus inimigos. Quais são os caras que ele pode perguntar alguma coisa quando tem dúvida? e quais são os caras que tentam atrapalhar o seu trabalho?

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Pronto. Aqui está o texto que eu tinha prometido sobre os doze anos de Blog. Parabéns, Frater Thoth, já passou da hora de alguém começar a organizar uma biografia decente sobre os seus trabalhos.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/afinal-de-contas-o-que-torna-o-tdc-especial

Sincronicidades, Coincidências e casualidades: O Xamã Urbano

Bate-Papo Mayhem #024 – gravado dia 28/05/2020 (quinta) Marcelo Del Debbio bate papo com Tiago Mazzon – Sincronicidades, Coincidências e casualidades: O oráculo do Xamã Urbano. Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Saiba mais sobre o Projeto Mayhem aqui:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sincronicidades-coincid%C3%AAncias-e-casualidades-o-xam%C3%A3-urbano

Cursos de Hermetismo em EAD

Salve

Desde 2020 estamos realizando apenas os cursos via EAD, na plataforma própria dentro do nosso site, como na netflix.

Os cursos são estruturados em módulos de 6-8h que podem ser divididos e assistidos a qualquer tempo e horário, quantas vezes você quiser, ficando libertados na plataforma de maneira vitalícia para nossos alunos (sabemos que muitos gostam de rever os cursos antigos conforme vão aprendendo novas matérias).

A ordem indicada para começar é a seguinte:

ESSENCIAL

0 – Kabbalah Hermética

Este é a base para entender como funcionam todos os sistemas mágicos e a partir dele você pode escolher quais assuntos te interessam mais para aprofundar os estudos:

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BÁSICOS

1 – Astrologia Hermética

Tudo o que você precisa saber para conseguir interpretar seu Mapa Natal. Planetas, Signos, Casas e Aspectos

1 – Tarot Completo

Arcanos Maiores e Menores e sua correspondência direta com a kabbalah e a astrologia.

Ensina o uso oracular, simbólico e o trabalho ritualístico com os arcanos.

1 – Geomancia

O Oráculo da Terra. Um dos mais simples e apaixonantes métodos, que pode ser feito em qualquer lugar e com quaisquer materiais. Também é a base para o xamanismo urbano e a conversa com os elementos de sincronicidade ao nosso redor.

1 – Runas e Talismãs Rúnicos

As Runas estudadas sob a perspectiva da Árvore da Vida e seu uso magístico, ritualístico e oracular. Você aprenderá como criar e utilizar talismãs e amuletos rúnicos, bem como o uso em conjunto com o tarot e a Kabbalah.

1 – Consagrações (Magia Prática)

O primeiro passo na Magia ritualística é saber como consagrar e imantar objetos, armas e ferramentas para uso dentro do altar pessoal e no dia-a-dia.

1 – Mitologia Grega e a Kabbalah Hermética

Um curso de mitologia amparado pelas bases do hermetismo e pela árvore da vida.

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INTERMEDIÁRIOS

2 – Alquimia

Pré-requisito: Kabbalah

O curso com as bases filosóficas da alquimia, para se compreender os símbolos a partir da Cabala Judaica, com o prof. Rafael Daher.

2 – Especialização em Tarot de Thoth (Curso Completo)

Pré-Requisitos: Kabbalah, Tarot

Como utilizar os Arcanos maiores e menores da obra prima de Aleister Crowley. Uso oracular e magístico. O curso explana as diferenças deste tarot para os outros tarots e como se utilizar das cartas para fins magickos.

2 – Qlipoth, a Árvore da Morte

Pré-Requisitos: Kabbalah

Um dos cursos mais importantes, estuda as cascas da Árvore da Morte e os Túneis de Set. Todo o trabalho de NOX nas Ordens Iniciáticas é pautado pelo estudo da Árvore da Morte. Compreenda as engrenagens pelo qual o mal funciona, como identificá-lo e como trabalhar o abismo dentro do autoconhecimento.

2 – Magia dos Quatro Elementos

Pré-Requisitos: Consagrações

A magia natural e seus quatro elementos: Fogo, terra, Água e Ar em seu uso magístico, prático e utilitário no dia-a-dia. Como criar e utilizar as ferramentas de cada um dos elementos e suas combinações.

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AVANÇADOS

3 – Magia do Ar e Fabricação de Incensos

Pré-Requisitos: Consagrações, Magia dos 4 Elementos

O estudo das ferramentas de trabalho com o elemento ar; plantio, colheita e preparo de ervas para a confecção de incensos para trabalhos planetários

3 – Magia Planetária

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Consagrações

A Magia Planetária é parte da bruxaria tradicional; este curso ensina como trabalhar os sete planetas na magia, incluindo preparação de ferramentas, horas mágicas, incensos, influências, regências, invocações e como utilizar cada tipo de energia para qual tipo específico de ritual.

3 – Revolução Solar

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Magia Planetária (não obrigatório mas recomendado)

Este curso lida com a criação e interpretação do horóscopo trabalhando cada planeta de seu mapa astral com os aspectos de cada planeta ao longo do ano. Os trânsitos dos planetas mais afastados para descobrir os períodos benéficos e complicados do ano e os trânsitos dos planetas rápidos para a escolha de datas mágicas para rituais ao longo do mês, para aproveitar completamente os aspectos zodiacais na magia planetária.

3 – Os 72 Nomes de Deus

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Consagrações, Magia Planetária

Como trabalhar a Teurgia com o Shem Ha-Mephorash, as 72 emanações que regem a Árvore da Vida. Também conhecidos como “Anjos Cabalísticos”, estas entidades regem os aspectos mais puros do universo e podem melhorar as caracteristicas de cada Carta Natal, auxiliando no trabalho da Verdadeira Vontade de cada magista. Evocações angelicais, magia com salmos e seu uso para o autoconhecimento.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-em-ead

A erva do diabo

“A erva-do-diabo é para aqueles que querem o poder.  O fumo é para aqueles que desejam contemplar e ver. ”

–   (CASTANEDA, 1967 – p 35)

 

Nenhum estudo sobre a obra de Carlos Castaneda seria completo sem mencionar as plantas/ “aliados” ou “de poder” experimentadas pelo autor ao longo de seu aprendizado com o o mestre xamã Don Juan.

Porém, antes de abordar esse tema, é preciso deixar claro que esse estágio da aprendizagem  tem uma importância mínima dentro do universo de conhecimentos adquiridos e estados de consciência perceptiva alterados vivenciados por Castaneda.

Os rituais relacionados ao cultivo e preparo, especialmente no que se refere à chamada Erva do Diabo, não serão reproduzidos aqui como citações na íntegra. O leitor que estiver interessado nas minúcias não terá dificuldade de acessar diretamente o livro onde esses procedimentos são descritos mas este articulista não acredita que alguém tenha a “pachorra” (paciência, saco mesmo) de seguir passo a passo os procedimentos prescritos por Don Juan.

A Datura estramônio é classificada pelos botânicos e químicos farmaceuticos, sem maiores rodeios, como uma planta venenosa. O adjetivo é justo porque se, eventualmente, qualquer leigo queira desfrutar de seus efeitos psicotrópicos, um pequeno erro na dosagem, no processo de preparação e/ou consumo/uso do destilado ou da pasta (ou unguento) de Datura pode, facilmente, resutar na morte do usuário.

Os mamíferos herbívoros, ruminantes ou não, bovinos, assininos, equinos, caprinos, ovinos, rejeitam essa planta; jamais a consomem, talvez por um instinto de sobrevivência alertado pelo característico odor desagradável dessa planta.

Em português é popularmente conhecida por nomes tais como: trombeta, figueira-do-demo, figueira-do-diabo, figueira-do-inferno, figueira brava, zabumba entre outros.

Embora adapte-se melhor temperaturas quentes, a datura desenvolve-se em quase todos os continentes do mundo, adaptando-se a diferentes tipos de solo com a condição de estar próxima de correntes de água, de superfície ou subterrâneas.

De tal forma, a Datura, utilizada nas Américas pelos xamãs indígenas para produzir alterações da percepção era bem conhecida em suas variações, igualmente tóxicas, no Leste Europeu, na Ásia e na Europa ocidental e muito especialmente, foi o ingrediente esssencial do ungüento que as feiticeiras passavam no corpo antes de suas mágicas participações nos festins chamados Sabás.

Por isso, muitos pesquisadores e mestres ocultistas afirmam que as excentricidades dos daqueles Sabás, desde a locomoção ao locais onde seriam realizados, voando com ou sem vassouras, às práticas sexuais promíscuas, as relações íntimas com seres fantásticos que depois eram descritos como sendo demônios ou o próprio diabo, eram, em grande parte, apenas alucinações provocadas pelos efeitos da Datura.

On Witchcraft [La Démonomanie des Sorciers] — livro de 1580, Jean Bodin escreveu: Preparando-se para ir ao Sabá, a bruxa ou bruxo deitava-se em sua cama completamente despido (a) e untava o corpo com o famoso “ungüento das feiticeiras”… (RIGHT, 1865)

(Giambattista della) Porta  (italiano -? 1535-1615)… dá, em sua Magia Natural, a pretensa receita do unguento das feiticeiras, por meio do qual se fazem transportar ao Sabbat. Ele o compõe com gordura de criança, de acônito fervido em folhas de álamos e algumas outras drogas… Pensamos que as composições opiáceas, a medula de cânhamo verde, a datura stramonium, o loureiro-amêndoa entrariam com não menos sucesso em semelhantes composições. (LEVI, 1983 – p 340)

Torna-se muito claro que o uso da Datura para produzir estados alterados de consciência perceptiva não é exclusividade do xamanismo meso-americano pré-hispânico.

A forma de Don Juan utiizar a Datura, no entanto requer, nada menos que um período de um ano de preparações, começando pela exigência de que os exemplares da planta, macho e fêmea, sejam cultivados pelo próprio usuário ou seu mestre. No caso de Castaneda, em sua primeira experiência com a Datura a planta utilizada era, supostamente, pertencente a Don Juan.

O xamã explica que todas as partes da Datura são utilizadas e cada uma delas tem poderes ou virtudes/venenos – princípios ativos – que destinados a produzir diferentes efeitos. Essas partes são: raiz, caule e folhas, flores (extremamente perigosas, mortais) e sementes.

A erva-do-diabo tem quatro cabeças; a raiz, a haste e as folhas, as flores e as sementes. Cada qual é diferente, e quem a tornar sua aliada tem de aprender a respeito delas nessa ordem.

A cabeça mais importante está nas raízes. O poder da erva-do-diabo é conquistado por meio de suas raízes. A  haste e as folhas são a cabeça que cura as moléstias; usada direito, essa cabeça é uma dádiva para a humanidade. A terceira cabeça fica nas flores e é usada para tornar as pessoas malucas ou para fazê-las obedientes, ou para matá-las.

O homem que tem a erva por aliada nunca absorve as flores, nem meio a haste e as folhas, a não ser no caso de ele mesmo estar doente; mas as raízes e as sementes são sempre absorvidas; especialmente as sementes, que são a quarta cabeça da erva-do-diabo e a mais poderosa das quatro. (CASTANEDA, 1967 – p 28)

Para colher as partes das plantas Don Juan observa uma sequência quase ritual de manuseio da Datura. Para extrair um bom pedaço das raizes, dos exemplares macho e fêmea, ele escava em torno do exemplar com extremo cuidado, com as próprias mãos, para não “ferir” a “entidade”.

Para facilitar o trabalho utiliza unicamente galhos de uma determinada árvore, a palo verde (Parkinsonia aculeata) porque …a erva-do-diabo tem muito poucos amigos, e o palo verde nessa região é a única árvore que se dá com ela… (Idem, p 29).

Ligia Cabus

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-erva-do-diabo/

Suas Asas têm o Tamanho do seu Coração

Por Yoskhaz

Não raro nos vemos na beira do abismo. Conflitos afetivos, problemas profissionais, rusgas familiares se assemelham em figura ao despenhadeiro que nos ameaça em queda e furta a paz. A vontade sincera de mudar o rumo de nossas vidas, iniciando novo trabalho mais adequado aos nossos verdadeiros dons e talentos, um relacionamento amoroso despido de mentiras e preconceitos, uma nova linha a costurar o esgarçado tecido familiar cujo desgaste, de tão antigo, se perdeu nos becos da memória são questões atuais que assolam a todos em gritos silenciosos no âmago de consciências e corações.

Qual a maneira mais sábia de atravessar um escaldante deserto, com seus inerentes perigos, ausências de água e vida, serpentes e escorpiões que lhe habitam? Qual o jeito mais inteligente de alcançar o cume da montanha enfrentando a aspereza da rocha vertical e do vento forte a assobiar em seus ouvidos sobre o perigo de iminente queda?

Através dos tempos, caravaneiros e alpinistas têm nos oferecido lições preciosas de determinação e desapego necessárias para enfrentar tamanhos desafios. “A águia também”, soprou em meu ouvido, como uma doce brisa de verão, um velho e querido xamã do povo Navajo. “A águia tem o poder de atravessar as areias quentes e desfilar nos altos desfiladeiros sem qualquer sofrimento”.

Canção Estrelada, como passou a ser conhecido depois que despertou seu dom de, através de suas palavras, cantadas ou não, sustentar um lampião aceso na noite escura de seus irmãos, estava se referindo a capacidade de olhar o mundo do alto como que com os olhos de uma águia. “Modificar o ângulo de visão permite observar tudo e todos sobre a outra face. Ou mil outras faces na infinidade que a vida permite. Um muro pode ser um instransponível obstáculo em seu caminho, mas se olhado do alto, com os olhos do pássaro, não passará de um risco de giz no chão. Na verdade quase todos os muros têm a altura de um simples traço na areia da estrada”, confidenciou o sábio sacerdote em uma noite fria enquanto a conversa fluía aquecida pelas chamas da fogueira de outono. “Quantas viagens se interromperam apenas porque não se soube pedir à águia os seus olhos emprestados”, lamentou. De pronto perguntei como me seria possível tal visão. Com o jeito peculiar em que os povos nativos dividem a sua sabedoria ancestral, Canção Estrelada me olhou profundamente nos olhos e depois de um breve silêncio como se esperasse que o vento lhe soprasse a melhor palavra, disse para que eu mostrasse as minhas asas para águia, pois altos voos exigem grandes asas. Assim ela entenderia qual altura eu poderia me aventurar.

Indaguei de que tamanho seriam as minhas asas, ainda sem entender por completo a lição. “Suas asas têm o tamanho do seu coração”, respondeu com sua fala mansa, quase em sussurro com o olhar perdido no brilho de uma estrela distante.

Ofereci um punhado de tabaco e Canção Estrelada me honrou ao dividir o mesmo cachimbo. Sua fumaça levou nossos agradecimentos aos espíritos ancestrais por nos permitir chegar até aquele ponto. Fumamos em silêncio por horas que não sei contar e com o dia quase a estrear, encerrou a valiosa lição.

“A infinita estrada da vida se resume na escalada para entender e a travessia de viver as mil faces do amor. Da sua forma mais primitiva e sombria manifestada através do ciúme e da pretensão de ser dono de alguém até a grandeza do amor incondicional de amar o outro como a si próprio. Lição presente em todas as tradições, do oriente ao ocidente. Iniciamos a jornada com asas tão pequenas que nem ao menos podemos arriscar alguns rasantes a nos tirar do chão e permitir um olhar um pouco além da névoa densa da manhã. Isto torna o mundo pequeno e conflituoso, pois as menores pedras são obstáculos enormes. A necessidade visceral de voar, a evolução é inerente a espécie, te obriga a criar condições para que suas asas, aos poucos, ganhe tamanho e seus voos, altura. A sabedoria de entender que tudo que você é e tem se resume ao quanto de amor pode dividir, define até aonde pode acompanhar a águia e usar os seus olhos.

Não foi você quem me ofereceu o tabaco que a pouco fumamos, mas a vida que lhe ofereceu as condições e te tornou instrumento. Você me presenteou com seu tempo e a sua atenção. A humildade, o desapego e a alegria são formas de agradecer e respeitar, pois o que vida deu, a vida toma. Só o que resta para a eternidade e desenha o seu espírito é o amor que você dividiu. Isto é verdadeiramente seu e esta é a exata altura do seu voo. Que as suas asas tenham jornadas cada vez mais ousadas através da paz que habita as grandes altitudes do ser”.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/09/suas-asas-tem-o-tamanho-do-seu-coracao/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/suas-asas-t%C3%AAm-o-tamanho-do-seu-cora%C3%A7%C3%A3o

Palhaços, Tricksters, Bobos e Xamãs com Wellington Nogueira

Bate-Papo Mayhem #094 – gravado dia 24/10/2020 (Sabado) Marcelo Del Debbio bate papo com Wellington Nogueira – Palhaços, Tricksters, Bobos e Xamãs

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

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#Batepapo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/palha%C3%A7os-tricksters-bobos-e-xam%C3%A3s-com-wellington-nogueira

Abramelin vs. os Grimórios: A Magia Sagrada substituirá todos os outros sistemas?

 Aaron Leitch

“Todos os livros que tratam de caracteres, figuras extravagantes, círculos, convocações, conjurações, invocações, e outros assuntos semelhantes, mesmo que qualquer pessoa possa ver algum efeito por meio deles, devem ser rejeitados, sendo obras repletas de invenções diabólicas; e vós deveis saber que o demônio faz uso de uma infinidade de métodos para prender e enganar a humanidade. Isto eu mesmo provei, porque quando operei com a verdadeira sabedoria, todos os outros encantamentos que eu havia aprendido cessaram, e eu não podia mais operar com eles…” [Livro a Sagrada Magia de Abramelin o Mago, Livro II, Capítulo 4: “Que o maior número de livros de magia são falsos e vãos”].

A citação acima do Livro de Abramelin levou alguns estudantes a questionar como a Operação se relaciona com outros sistemas de magia, especialmente os grimórios salomônicos. Não pode haver dúvidas de que Abraão, o judeu, está repudiando esses mesmos grimórios em sua diatribe acima – o que com todos os seus personagens e círculos e conjugações. É claro que, como indiquei em meu último blog, não é raro que um grimório se declare imaculado enquanto decodifica todos os outros textos (em grande parte similares) como falsos e diabólicos. Entretanto, o que torna a declaração de Abraão acima única é que ele afirma que a Magia Verdadeira e Sagrada fará com que todos esses outros sistemas deixem de funcionar para você. Isso é verdade?

Na maioria dos casos em que Abraão acrescentou seu próprio comentário à Operação de Abramelin, eu achei necessário levar sua opinião com cautela. As realidades de trabalhar com seu Sagrado Anjo Guardião (SAG) não são muitas vezes tão negras e brancas (ou dualistas) como ele gostaria que fossem. O mesmo é verdade neste caso: a relação entre Abramelin e seu outro trabalho mágico é um pouco mais complexa do que a simples dispensa proferida na citação acima.

Antes de executar (a Operação de) Abramelin, eu havia passado muitos anos aprendendo magia por conta própria. Eu havia passado pelas lições (do livro Modern Magick) de Don(ald Michael) Kraig (eram apenas onze na época) e devorei cada pedaço de material da Golden Dawn em que pude deitar minhas mãos, sem mencionar minha experiência no Neopaganismo/Wicca. Eu tinha, até aquele momento, construído meu próprio sistema pessoal de ocultismo que funcionava muito bem para mim. Então empreendi Abramelin e, com certeza, esse sistema pessoal deixou de ter qualquer relevância para mim. Agora ele está consagrado em meus antigos livros de sombra, reunindo poeira em uma prateleira.

Entretanto, foi depois de Abramelin, e sob a tutela de meu Sagrado Anjo Guardião, que fui levado a estudar outros sistemas. Mais do que qualquer outra coisa, fui levado ao Gnosticismo, ao Xamanismo e a algumas partes do Budismo – tudo o que me foi dito representa (em partes) a verdadeira religião da humanidade. Foi também durante este período que finalmente compreendi os grimórios e os coloquei em uso – novamente com a ajuda de meu SAG. No final, acredito que Abraão estava indo longe demais ao fazer uma declaração tão genérica. Talvez tudo mais tenha parado de trabalhar para ele, mas fui ativamente levado a outros sistemas e áreas de estudo.

No que diz respeito a este assunto, os estudantes também trazem muitos conceitos errados sobre Abramelin e os grimórios salomônicos para a mesa. Onde os grimórios são infames para os procedimentos complexos que se deve seguir para estabelecer contato com os anjos e os espíritos, pensa-se que Abramelin seja muito simplificado. Por exemplo, o Livro de Abramelin instrui a pessoa a fazer uma série de talismãs mágicos, que podem ser mostrados aos espíritos a qualquer momento para (sem palavras) ordená-los a realizar uma tarefa específica. Na verdade, chega ao ponto de dizer que os talismãs não são necessários, e você pode dar instruções aos espíritos através de algumas palavras inteligentemente codificadas durante as conversas com outras pessoas:

“Você deve então compreender que uma vez que aquele que opera tem o poder, não é necessário (em todos os casos) usar símbolos escritos, mas pode ser suficiente nomear em voz alta o nome do espírito, e a forma na qual você deseja que ele apareça visivelmente; porque uma vez que eles tenham prestado juramento, isto é suficiente. Estes símbolos, portanto, devem ser feitos para que você os utilize quando estiver na companhia de outras pessoas; também deve tê-los sobre você, para que ao tocá-los ou manuseá-los simplesmente, eles possam representar seu desejo. Imediatamente, aquele a quem o símbolo pertence lhe servirá pontualmente; mas se você desejar algo especial que não esteja de forma alguma ligado ou nomeado no símbolo, será necessário significar o mesmo, pelo menos mostrando seu desejo por duas ou três palavras. E aqui é bom observar que, se você usar de prudência, muitas vezes poderá raciocinar com aquelas pessoas que estão com você de tal forma que os espíritos, tendo sido previamente invocados por você, entenderão o que eles devem fazer”. [Livro da Sagrada Magia de Abramelin, o Mago, Livro II, Capítulo 20: “Como as Operações devem ser realizadas”].

Com base nestas afirmações, muitos assumem que o método de Abramelin de trabalhar com os espíritos é simples em comparação com os textos salomônicos. Parece não haver conjurações ou procedimentos ritualizados – basta mostrar ao espírito o talismã e dizer uma ou duas palavras.

Entretanto, esta não é uma imagem completa de Abramelin, e que leva os estudantes a assumir que é muito mais simples do que realmente é. Muitos parecem perder uma frase chave na citação acima, onde os espíritos devem ter sido “…invocados de antemão por você”. E caso você pense que isso é simplesmente uma referência à sua invocação original desses espíritos durante a própria Operação, vamos ler o próximo parágrafo do livro:

“Mas quando se trata de um assunto grave e importante, você deve se retirar para um lugar secreto à parte… Lá, dê-lhes sua comissão a respeito do que você deseja que eles executem, o que eles executarão então ou nos dias seguintes”.

Aí você a tem. Ao trabalhar com os espíritos de Abramelin, você tem que encontrar um local privado onde realizar um ritual formal de evocação para chamar os espíritos e dizer-lhes o que você deseja. Só então você pode levar o talismã deles para o mundo e exibi-lo quando você quiser que eles ajam. Eles não ficam ao seu redor 24 horas por dia, 7 dias por semana, na chance de você tirar o talismã deles e acená-lo para o ar.

De fato, o Livro de Abramelin tem muito mais em comum com os textos salomônicos do que se vê pela primeira vez. Em ambos os casos, você recebe métodos elaborados para estabelecer o primeiro contato com os espíritos. Depois que esse contato é feito, fazer mais trabalho com os mesmos espíritos torna-se muito mais fácil (ou seja, o ritual elaborado torna-se desnecessário). O que você vê, por exemplo, na Chave de Salomão não é o procedimento que você usa toda vez que quer falar com esses espíritos.

Eles também são semelhantes, pois se concentram quase inteiramente nesse procedimento de primeiro contato, mas dizem ou pouco (como em Abramelin) ou nada (como na maioria dos textos salomônicos) sobre como trabalhar com os espíritos depois. Em ambos os casos, assume-se corretamente que os anjos ou espíritos estarão lhe ensinando esses detalhes. Assim, o trabalho ritual com os espíritos não está ausente em Abramelin, é apenas que Abraão assume que seu SAG lhe ensinará como fazê-lo, e assim não fornece o ritual em si.

No entanto, ele nos dá muitos procedimentos a serem seguidos. (Se você não tem uma cópia de The Holy Guardian Angel (O Sagrado Anjo Guardião) da Nephilim Press, recomendo fortemente que o faça – especialmente para meu ensaio “After Abramelin (Depois de Abramelin)…”) Há um ritual a seguir se você quiser novos espíritos/talismãs de seu Anjo, e um a seguir se você os quiser dos espíritos menores. As instruções são generalizadas, mas seu Anjo preencherá quaisquer lacunas.

Quanto ao meu uso dos grimórios salomônicos, meu Anjo Guardião também desempenha um papel direto nisso. Ela me ensinou muito do que torna os grimórios utilizáveis. Além disso, sempre que executo qualquer trabalho salomônico, começo abrindo meu Altar de Abramelin e invocando meu SAG antes de tudo. Ela é meu espírito intermediário, que não só me dá permissão para realizar qualquer operação mágica, mas também a facilita e a torna possível. Ah, e Abraão à parte, Ela nunca teve problemas com o meu uso de sigilos e caracteres.

E sim, os espíritos listados em Abramelin são os mesmos que os mesmos espíritos listados em outros grimórios. E, não, o processo de contato e trabalho com eles não é essencialmente diferente dos outros grimórios. A diferença é que outros grimórios lhe dão instruções passo a passo, enquanto o Livro de Abramelin deixa os detalhes para o SAG ensinar-lhe, diretamente ou conduzindo-o a fontes de conhecimento já existentes.

Em minha experiência, meu Anjo Guardião nunca tratou meu trabalho com Ela[1] como se ele existisse dentro de algum tipo de vácuo Abramelin. Ela me levou a muitas fontes de sabedoria não-Abrameliniana. Afinal, é a Verdadeira e Sagrada Sabedoria que Ela está ensinando, e que existe espalhada pelas perseguições espirituais da humanidade. Como na maioria dos grimórios, o Livro de Abramelin só se preocupa em fazer você passar pela porta para iniciar uma jornada muito maior.

Tenha uma boa viagem, Aspirante!

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Nota:

[1] Aaron Leitch identifica o seu Sagrado Anjo Guardião (SAG) como sendo feminino, de modo que no original em inglês ele se refere ao SAG pelo pronome inglês “She”, que em português significa “Ela”, como na seguinte frase do texto: “In my experience, my Guardian Angel has never treated my work with Her (Ela) as if it existed within some kind of Abramelin vacuum. She (Ela) has led me to many founts of non-Abramelin wisdom. After all, it is the True and Sacred Wisdom that She (Ela) is teaching, and that exists scattered throughout mankind’s spiritual pursuits. As with most grimoires, the Book of Abramelin is only concerned with getting you through the doorway to begin a much larger journey.”

Tradução: “Em minha experiência, meu Anjo Guardião nunca tratou meu trabalho com Ela como se ele existisse dentro de algum tipo de vácuo Abramelin. Ela me levou a muitas fontes de sabedoria não-Abrameliniana. Afinal, é a Verdadeira e Sagrada Sabedoria que Ela está ensinando, e que existe espalhada pelas perseguições espirituais da humanidade. Como na maioria dos grimórios, o Livro de Abramelin só se preocupa em fazer você passar pela porta para iniciar uma jornada muito maior.”

Não traduzi o SAG (HGA) de Aaron Leitch  como Sagrada Anja Guardiã, devido ao fato de que, no Brasil, o SAG é amplamente conhecido como Sagrado (ou Santo) Anjo Guardião.

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Por Aaron Leitch, autor de vários livros, incluindo Secrets of the Magickal Grimoires (Segredos dos Grimórios Mágicos), The Angelical Language Volume I and Volume II (A Linguagem Angélica Volume I e Volume II), e o Essential Enochian Grimoire (Grimório Enoquiano Essencial).

Fonte: https://www.llewellyn.com/blog/2015/8/abramelin-vs-the-grimoires-will-the-sacred-magic-replace-all-other-systems/

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/abramelin-vs-os-grimorios-a-magia-sagrada-substituira-todos-os-outros-sistemas/