Astrologia e Astronomia

Alexey Dodsworth é astrólogo, bacharel em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu e aluno de graduação em Astronomia pelo IAG-USP. Na época que a carta foi escrita ocupava o cargo de diretor técnico da Central Nacional de Astrologia.

A Astrologia não é um conhecimento imune a críticas, isso é um fato. Como todo e qualquer conhecimento desenvolvido pelo ser humano, a prática de buscar correlações entre movimentos celestes e eventos terrestres é passível de legítimo questionamento, e até mesmo os profissionais da área, quando são intelectualmente honestos, observam problemas e questões que merecem um olhar mais apurado. Assim ocorre, conforme observo ao longo de mais de vinte anos de prática profissional de Astrologia. Desconheço astrólogos sérios que não estejam empenhados num constante criticar de seu próprio conhecimento.

A revista Ciência Hoje pretendeu estabelecer uma crítica, confrontando a Astronomia com a Astrologia. Críticas, conforme apontei desde o início, são sempre possíveis. Todavia, falta aos autores do referido artigo o tão importante conhecimento de causa. Os argumentos utilizados contra a Astrologia, contidos no artigo, são bastante conhecidos por nós e perfeitamente refutáveis. Apresento aqui os principais equívocos argumentativos contidos na matéria da revista Ciência Hoje, com a esperança de que, no futuro, uma revista tão séria procure se informar melhor.

Primeiramente, os signos utilizados em Astrologia ocidental não são as constelações celestes. Os signos astrológicos são trópicos, e não sidéreos. Pensar que os astrólogos utilizam as constelações astronômicas constitui total ignorância dos elementos básicos utilizados em Astrologia.

Em segundo lugar, vale notar que nem todos os astrólogos falam em “influência dos astros”. Mesmo na antiguidade, encontramos uma das principais máximas da Astrologia (revelada – esta tábua surgiu no fim da Idade Média, mas revela uma sabedoria antiga) na Tábua Esmeraldina, que anuncia: “aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo, para que se realizem os milagres da coisa única”. Ou seja, o que está em cima (os astros) é análogo ao que está embaixo (a vida na Terra).

O raciocínio analógico não implica em causalidade, nem tampouco na ideia de uma qualidade mecânica, ou de “energias invisíveis e desconhecidas” que desencadeiam comportamentos e fatos. O raciocínio analógico é profusamente explicado por Carl Jung em sua obra Sincronicidade, cujos detalhamentos não cabem aqui, mas valem a leitura. Não obstante afirme isso, não ignoro que alguns astrólogos crêem numa relação de causa e efeito.

O que quero que fique claro com o presente texto é que a ideia de causalidade aplicada à astrologia não é unânime e, até onde posso observar, tal ideia é aceita por uma minoria. Se no passado alguns astrólogos famosos defenderam a causalidade, isso não significa que no presente a classe astrológica concorde com este modelo.

Em terceiro lugar, a Astrologia não se limita a horóscopos de jornal e interpretações de personalidade de acordo com signos solares. Horóscopos de signos solares são o aspecto mais genérico da Astrologia, e continuarão a existir mesmo que todos os astrólogos se recusem a fazê-los.

Vale aqui um relato pessoal: no final dos anos 80, ainda em Salvador, eu me recusava a fazer horóscopos de jornal, mas nem por isso eles deixavam de existir. Como os astrólogos locais se recusavam a escrevê-los, tais horóscopos eram feitos, na época, por jornalistas que inventavam coisas, usando o horóscopo para mandar recados para seus desafetos e belos dizeres para seus amores. Se o jornalista estava irritado com um amigo leonino, aproveitava o horóscopo para dizer “poucas e boas” para a pessoa. Se tinha um amor libriano, previa dias de grande amor. Faziam isso como um chiste, uma brincadeira. Deste modo, tanto melhor que seja um astrólogo a escrevê-los do que um jornalista engraçadinho, pois pelo menos quando é um astrólogo que escreve o horóscopo a interpretação estará consonante com o saber astrológico, ainda que suas interpretações não sejam completas.

Para interpretações astrológicas completas, astrólogos se valem do mapa astral de nascimento, e não apenas de signos solares. Vale salientar que um horóscopo de jornal, ainda que seja apenas um sopé da grande montanha da Astrologia, serve de estímulo para que pessoas se interessem por um aprofundamento do assunto. Ainda que a interpretação possa ser, conforme foi apontado, genérica, é inofensiva e na maioria das vezes constitui um bom conselho, uma dica. Atacar a Astrologia por conta de horóscopos de jornal é um tipo primário de crítica. Ainda que um astrólogo não goste de horóscopos pautados em signos solares, não há como negar que constitui um total desserviço à Astrologia que um jornalista “invente” um horóscopo.

Estou de acordo com a crítica ao fato de que um mau astrólogo pode causar danos a pessoas, através de orientações e dizeres que prejudicam alguns desavisados não apenas no sentido psicológico. Contudo, estes maus astrólogos não são mais abundantes do que os maus profissionais que existem, lamentavelmente, em todas as profissões.

Não posso deixar de dizer que os argumentos utilizados pela Ciência Hoje não são nada diferentes dos mesmos argumentos apontados pela revista Superinteressante, no início dos anos 90. São argumentos repetitivos, superados e, se os autores tivessem se informado melhor, não dariam a este artigo um sabor tão ruim de comida requentada. A Ciência Hoje ficou com ares de “Ciência Ontem”, ao valer-se de argumentos superados e já refutados pela classe astrológica ao longo de incontáveis publicações. Ela sequer se deu ao trabalho de ouvir um astrólogo sério.

Pergunto: é assim que se faz ciência? Creio que não. Mais do que creio: por conta de minha sólida formação filosófica, sei que não. Sugiro, aqui, a leitura da extensa obra do filósofo da ciência Paul Feyerabend, além do excepcional artigo escrito pela também filósofa da ciência Cristina Machado, intitulado “A relação de poder entre a Astrologia e a ciência”, disponível na internet.

Por fim, vale lembrar que este tipo de comparação entre a Astronomia e a Astrologia nada acrescenta à Astronomia, tampouco a dignifica. Quando é mal feita, do jeito que foi, coloca os astrônomos numa posição de ignorantes pretensiosos, que criticam aquilo que não estudaram. Estudo Astronomia na USP, e nenhum dos meus professores, até agora, perdeu tempo em aula criticando um conhecimento que não é o deles. Eles sabem que Astronomia e Astrologia são saberes completamente distintos, pautados em paradigmas diferentes.

Não se eleva um conhecimento atacando outro, principalmente quando o ataque apenas expõe profundo desconhecimento de causa. Quando os autores do texto da Ciência Hoje criticam a Astrologia, incorrem no erro das generalizações graves.

Vale aqui fazer um pequeno recorte da revista Espaço Aberto, edição número 100, que conta com a declaração do professor Roberto Boczko, do Instituto de Astronomia da USP. Diz a revista: Outro assunto delicado é a Astrologia, mas nesse assunto o professor diz ser necessário cuidado para que não sejam feitas análises generalistas. Segundo Boczko, alguns cientistas costumam se arvorar da ideia de que explicam tudo e aquilo que eles não sabem explicar não existe. “Essa é uma atitude um tanto quanto perigosa e anticientista, porque o pesquisador deve estar aberto a novas descobertas, procurar explicar novos fatos”, comenta. Mas ele pondera e opina que tudo para o que não há explicação também não pode ser considerado prontamente sobrenatural.

O discurso do professor Boczko revela seu profundo entendimento dos limites da ciência. O cientista não pode, não deve ser convertido no novo “sumo sacerdote” de nossa sociedade. Do mesmo modo, os astrólogos não deveriam pleitear para si o status de “ciência” apenas como uma forma de reconhecimento social.

Sim, há críticas perfeitamente possíveis contra a Astrologia: a crença no inatismo identitário é atacada por Foucault, assim como Deleuze dedica longa parte de sua obra a criticar a ideia de “identidade”. Em nenhum dos casos as críticas de Foucault e Deleuze se dirigem frontalmente contra a Astrologia, mas poderiam ser aplicadas a ela. Estas, sim, seriam críticas dignas de muita discussão.

É inevitável lembrar também de Carl Sagan, famoso astrônomo que, apesar de também não considerar a Astrologia uma ciência, recusou-se a assinar um manifesto elaborado por cientistas contra “esta tal superstição”, por considerar a declaração autoritária. Mais do que apenas um homem inteligente, Sagan demonstrou sabedoria ao dizer que não assinaria um documento manifestando-se de forma contrária ou censora a um saber que não é da conta dele. Ao denunciar que se tratava de um documento autoritário, Carl Sagan deu exemplo do que é, de fato, ser um homem da ciência. Bulas papais condenaram cientistas no passado com seus manifestos autoritários. É espantoso que, com o passar dos anos, os perseguidos se convertam em perseguidores.

Alexey Dodsworth

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/astrologia-e-astronomia

O Caso da Ilha de Trindade

“A tripulação do navio Almirante Saldanha viu, no dia 16 de janeiro de 1958 , um disco voador sobre a Ilha de Trindade, que foi fotografado por Almiro Barauna, 43 anos , que estava a bordo para fotografar cenas submarinas. A atenção de Naraúna foi despertada por um barulho no convés do barco, enquanto vários marinheiros olhavam para o céu. Pegou a máquina e começou a fotografar. Ele afirmou ter visto um disco fazendo evoluções em cima do barco, aproximadamente ao meio-dia, e que a velocidade do objeto era muito grande. Fez seis fotos. Tanto ele quanto os outros que viram o objeto não puderam perceber qualquer som. O filme foi revelado a bordo e as autoridades liberaram os negativos que só apresentavam um pequeno ponto escuro. Mais tarde, em sua casa, Baraúna continuou a ampliar o filme e conseguiu fazer com que o disco aparecesse na fotografia. Foi aberto inquiérito para a verificação de uma possivel fotomontagem e no mês de fevereiro a marinha confirmou a existencia de um objeto estranho nas fotografias feitas sobre a Ilha de Trindade. O fato ocupou todas as primeiras p’áginas dos jornais do Brasil e do mundo. Mas, na época, Baraúna sofreu toda a espécie de tentativa de desmoralização de uma parte da imprensa, até de pessoas que se diziam seus amigos, para invalidar o seu feito. Tudo isto aconteceu há 21 anos ( este artigo foi publicado em 1979 ) atrás . Hoje, Baraúna vive, em companhia de sua esposa, ainda em Niterói, num apartamento bem decorado de Icaraí, rodeado por suas 136 máquinas fotográficas, verdadeiras raridades, que compõem o seu pequeno museu doméstico. Foi lá que fomos ouvi-lo.

Almiro Baraúna é um fotografo muito conhecido em Niterói. Participou ativamente da imprensa fluminense e carioca, pela sua capacidade de pôr a camara a serviço do fato, em fotos sensacionalistas. Em 1954, na revista “Mundo Ilustrado’” , ele apresentou fotografias , com um texto de Vinicius Lima, intitulada “Um Disco Voador Esteve em Minha Casa. . .” onde , numa curiosa e critica matéria jornalistica , ensinava “como fazer uma aeronave marciana” com duas fichas da então Frota Carioca, unidas pela face plana, em “truques fotográficos” que poderiam servir de “exploração e divertimento”. Isto ele fez em face da sua descrença em UFOs , para ridicularizar a matéria publicada por João Martins e Ed Keffel, que fotografaram, em maio de 1952, um “Objeto Aéreo Nào Identificado”, na Barra da Tijuca , cuja reportagem havia sido publicada na revista “O Cruzeiro ” da época .

Mal sabia Barauna que seria , mais tarde, vítima de sua própria incredulidade . Isto porque , havendo ensinado antes “como fabricar um disco voador em qualquer cenário” , nunca pode pensar que, quatro anos depois , seria ele testemunha de um real aparecimento de UFO, e que iria fotografa-lo em quatro poses , sobre a Ilha de Trindade. Então sua crença passou a existir . Mas todos os argumentos que ele utilizou contra a reportagem de João Martins, foram voltados contra ele. Mas a Marinha autenticou as fotos, depois de exaustivos exames em laboratório, concluindo em relatório secreto , que as fotos eram autenticas. Esse relatorioda Marinha apareceu publicado em reportagem de Jorge C. Pineda, em outubro de 1971, numa revista argentina , embora secretíssimo e nunca haver sido publicado no Brasil.

Almiro Barauna ofereceu-nos um completo “dossier” sobre o caso da Ilha de Trindade. Ele tem tudo organizado em albuns, recortes de jornais brasileiros e estrangeiros; cartas de todas as partes do mundo, Itália, Austrália, Japão, França, Bélgica, Argentina, Alemanha, Canadá, Estados Unidos , em sua maior parte solicitando as fotos autenticas para ilustração de reportagens, revistas , livros especializados em UFOs , que já existe em toda a parte da Terra. Ele foi entrevistado por todas as sociedades de UFOs/OVNIs do mundo inteiro, recebendo a visita de especialistas famosos.

Começou a contar-nos:

“O ano de 1958 foi o “Ano Geofísico Internacional”. A Marinha costumava convidar equipes que embarcavam no antigo navio-escola “Almirante Saldanha”, a serviço de cientistas. Naquele dia , estávamos a bordo com a equipe do Clube de Caça Submarina de Icarai, composta de cinco pessoas: Amilar V. Filho que dirigia o grupo. José Teobaldo Viegas , capitão da reserva da FAB, industrial e diretor do Aero Clube de Niterói ; Mauro Andrade, funcionário do Banco de Londres; Aloísio e eu, que participava do grupo como especialista em fotos submarinas. Depois de passar dois dias na ilha, estávamos a bordo, no dia 16 de janeiro, por volta das doze horas. Eu estava me sentindo mal com o jogo do navio, quando ouvi a confusão dos marinheiros, gritano : “Olha o disco!”. O Viegas veio correndo chamar-me, dizendo que apanhasse minha máquina para fotografar um disco voador em cima da embarcação. Peguei a Roleflex perto de mim (pena que a Leica com teleobjetiva estava longe, na cabine), pois eu ia fotografar a ascenção de uma lancha , do mar para o navio. Vieira Filho tambem acenava para mim, dizendo: “Traz a máquina, traz a máquina!” Todos mostravam o céu , onde um objeto brilhante se aproximava da ilha.”

“Eram 12 horas e vinte minutos. Ele veio do alto-mar e se dirigiu para a ponta da Crista do Galo.
Quando ele ia passar pelo monte Desejo , eu bati mais duas fotos. O objeto disparou por trás da montanha, durante alguns segundos e reapareceu, dirigindo-se novamente para o mar. Fui disparando o obturador . Bati seis fotos, mas só consegui aproveitar quatro, porque em duas fui empurrado e só focalizei a agua.”

“A presença do disco provocou calafrios em todos os presentes, ao todo 48 pessoas que o viram e houve até um oficial que ficou verdadeiramente aterrorizado. Aliás, era de se ver a expressão de pavor na tripulação, apontando armas para o céu”.

Questionamos Barauna: “Mas lembro-me, na época houve muitas contestações por parte da imprensa; como você explica isso?”

Barauna respondeu: “É. Eu paguei pelas minhas brincadeiras anteriores. Mas o fato de uma parte da imprensa tentar ridicularizar-me não foi porque propriamente desacreditasse em mim, mas porque eu dei um contrato de exclusividade nas fotos e entrevistas para os Diários Associados. À margem dos acontecimentos, eles tiveram que criar suas noticias, não poderiam ficar por fora!”

“Acontece que eu fiz quatro cópias que foram levadas ao então Presidente Juscelino e, lá no palácio, um jornalista do “Correio da Manhã” conseguiu as fotos e ia “furar” nosso trabalho no dia seguinte. Sabendo disso, procurei o João Martins, em “O Cruzeiro”. Eu era um profissional e queria aproveitar o meu trabalho. Por isso, vendi as fotos aos “Diários Associados” e “O Jornal” publicou-as no dia seguinte, junto com o “Correio da Manhã”. Depois a Agência Meridional distribui-as pelo mundo todo, e elas foram publicadas em todos os jornais, “Life”, “Time”, até na Russia. Mas o “Diário de Noticias” e a “Tribuna da Imprensa” que não tinham acesso ao material, ficaram contra mim. A matéria era exclusiva de uma rede, e eu fui impedido de falar aos jornais. Por isso, descobrindo uma reportagem que eu ilustri no “Mundo Ilustrado”, intitulada “Um Disco Voador esteve em minha Casa. . .” , onde eu mostrava como se podia sobrepor, na chapa, duas fichas da antiga Frota Carioca, eles reproduziram fases da sequencia feita de brincadeira. É o velho ditado: “Quem com ferro fere, com o ferro será ferido. . .”Daí, tentarem a minha desmoralização. Fizeram gozações com o disco, montaram fotos no Jockey Clube, na Barra e me gozaram à bessa. . .”

O Ministério da Marinha, através do Comando de Operações Navais fez um relatório secreto, examinando o caso. O então deputado Sérgio Magalhães pediu informações na Câmara . Dizem que ele , na ocasião, exibiu apenas a capa do Relatório Secreto da Marinha, sobre a Ilha de Trindade, justificando-se que não poderia mostrar o restante.

Entretanto, uma revista argentina publicou esse Relatorio , não sei como, em outubro de 1971, numa reportagem assinada por Jorge O. Pineda , que explica :

“A visão de um Objeto Voador Não Identificado no “Almirante Saldanha”, navio escola da armada brasileira, em 16 de janeiro de 1958, constitui um caso unico enquanto a documentação oficial que poderia lervar o rótulo de “Confidencial” e “Máximo Secreto”. Sua divulgação se deve a um oficial reformado da marinha de guerra do Brasil , cujo nome não pode ser revelado, por motivos óbvios. O modo pelo qual foi obtido, tampouco admite violação de segredo”.

Examinamos o referido documento em espanhol, pelo qual são trocadas correspondencias oficiais entre o Contra-Almirante Luiz Felipe da Luz e o Almirante Antônio Maria de Carvalho, ressaltano a importancia do evento. Também há pedidos de informação assinados por M. Sunderland , Agregado Naval dos Estados Unidos.

Do relatório , constam passagens como esta:

“O alarme de OVNI foi dado por membros da tripulação na proa e popa do navio”

“Todos reconheceram que o objeto que aparecia nas fotos era idêntico ao que haviam havistado no ar”

“As fotografias que foram tomadas em não mais que trinta segundos”

“Uma forte perturbação emocional foi observada em todas as pessoas que avistaram o objeto, inclusive o fotógrafo, civis e membros da tripulação do navio”

“As declarações das pessoas que avistaram o objeto: Elas viram as fotografias e declararam que haviam visto exatamente o que aparece nas fotografias”.

“O técnico do DHN da Armada depois de analisar os negativos ,afirma que são autênticos”. “Os técnicos do Serviço Aerofotogramétrico da Cruzeiro do Sul, logo depois de exames miscroscópios para verificação de luminosidade e detalhes de contorno, afirmaram: “Não havia sinal algum de fotomontagem”.

As conclusões assinadas pelo Capitão de Corveta José Geraldo Brandão, do Serviço de Inteligencia da Marinha são as seguintes:

“Considerando apresentação dos fatos e a analise sumária realizada , informado no ite anterior, pode-se concluir:

a) Que há certo número de testemunhas que declaram haver visto OVNIs sobre a Ilha de Trindade. Estas testemunhas tem distintas classificações e as observações foram feitas em diferentes dias;

b) Que a maioria dos informes apresentados são insuficientes , sobretudo à falta de idoniedade técnica de muito dos observadores e a breve duração dos fenomenos observados , de modo que nenhuma conclusão pode alcançar-se no que informaram avistar-se Objetos Voadores Não Identificados;

c) Que a mais importante e valiosa prova apresentada , a fotográfica, de alguma maneira perde sua qualidade convincente devido a impossibilidade de afastar totalmente um fotomontagem prévia;

d) Que a reação emocional das pessoas que informaram avistar OVNIs é muito forte e facilmente perceptivel;

e) Que , finalmente, a existencia de informes pessoais e de evidencia fotográfica, de certo valor considerando as circunstancias envolvidas, permite a admissão de que há indicações da existencia de OVNIs;

f) A ultima conclusão mencionada me permite sugerir a S. Excelencia que este Alto Comando deve tomarem consideração toda a informação que se obtenha sobre o presente tema , com vistas a alcançar conclusões mais acima de toda dúvida”

Extraido da revista UFO OVNI Documento de outubro/dezembro de 1979 – artigo de Aurélio Zaluar

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/o-caso-da-ilha-de-trindade/

Umbanda e Magia: o que são os Tronos Divinos – Com Alfonso Odriozola

Bate-Papo Mayhem 160 – Com Alfonso Odriozola – Umbanda e Magia: o que são os Tronos Divinos

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/9oj1oKo-vMY

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/umbanda-e-magia-o-que-s%C3%A3o-os-tronos-divinos-com-alfonso-odriozola

Casamento Alquímico e Taoísmo: A Síntese Perfeita

“Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe”
– Mateus 19:6

Na primeira parte deste artigo, entendemos um pouco sobre o simbolismo alquímico e vimos algumas correlações com a psicologia analítica de Jung. Os arquétipos Solar e Lunar, tanto para Jung quanto para os alquimistas, deviam ser integrados para sintetizar uma consciência mais equilibrada, que permitisse um diálogo saudável com o inconsciente. Através do conceito de Anima e Animus apresentados, compreendemos a natureza bipolar da psique. Bipolaridade esta que não deve ser confundida com estigmas de diagnósticos, mas aquela dualidade primordial que nos habita, que é convidada a se harmonizar para acessar uma unidade ainda mais primordial.

No entanto, não é exclusividade de Jung apresentar esse tipo de conceito. No livro “O Caibalion”, um clássico de literatura hermética, são apresentados sete princípios chaves para o funcionamento da realidade e do universo. Vejam só o que dizem os princípios 4 e 7:

Quarto Princípio, da Polaridade: Tudo é Duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados. Este Princípio encerra a verdade: tudo é Duplo; tudo tem dois polos; tudo tem o seu oposto […] A Tese e a Antítese são idênticas em natureza, mas diferentes em grau; os opostos são a mesma coisa, diferindo somente em grau; os pares de opostos podem ser reconciliados; os extremos se tocam; tudo existe e não existe ao mesmo tempo; todas as verdades são meias-verdades; toda verdade é meio-falsa; há dois lados em tudo, etc., etc. Ele explica que em tudo há dois pólos ou aspectos opostos, e que os opostos são simplesmente os dois extremos da mesma coisa, consistindo a diferença em variação de graus.

Sétimo Princípio, do Gênero: “O Gênero está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino; o gênero se manifesta em todos os planos. Este princípio encerra a verdade que o gênero é manifestado em tudo; que o princípio masculino e o princípio feminino sempre estão em ação. Isto é certo não só no Plano físico, mas também nos Planos mental e espiritual. Todas as coisas e todas as pessoas contêm em si os dois Elementos deste grande Princípio. Todas as coisas macho têm também o elemento feminino; todas as coisas fêmea têm o elemento masculino.

Percebemos, portanto, que a dualidade nada mais é do que uma questão de perspectiva, e que a integração dos paradoxos se mostra altamente necessária para obtenção de uma perspectiva mais aproximada da natureza real das coisas. Vale a pena frisar que tudo isso é de caráter psicológico e simbólico, de forma alguma a orientação sexual ou a identidade de gênero deve ser interpretada frente estes vieses. A presença desses arquétipos serve para contrapor a consciência e apresentar alternativas visando ampliar a percepção da mesma quanto a sua própria natureza, além de produzir novas ferramentas para lidar com suas próprias contradições.

“A Anima como a contraparte interna da personalidade do homem visa dar um equilíbrio a personalidade, pois compensa o intelectualismo racional do mesmo com um eros compreensivo, assim como o Animus da mulher equilibra sua personalidade com o saber sobre o que se quer realmente do outro clivando seu caos de estados afetivos em uma ideia diretora com um estatuto de subordinação das emoções, no caso a transformação de impulsos afetivos em sentimentos racionais” (JUNG, 2011).

A psique busca de forma tão intensa a união dos opostos e a integração que quando ficamos ‘polarizados’ demais, ou seja, quando manifestamos apenas uma polaridade e negligenciamos outra, ela tende a nos forçar a manifestar o lado reprimido num processo chamado ‘enantiodromia’. Apesar de o nome ser complicado, este termo criado pelo filósofo Heráclito nada mais é do que a ideia de que quando uma grande força é gerada numa direção, uma força de mesmo valor é criada na direção oposta. Ninguém menos do que Jung, reutilizou este termo para definir o fenômeno de forças compensatórias entre o consciente e o inconsciente.

“O velho Heráclito, que era realmente um grande sábio, descobriu a mais fantástica de todas as leis da psicologia: a função reguladora dos contrários. Deu-lhe o nome de enantiodromia (correr em direção contrária), advertindo que um dia tudo reverte em seu contrário” (JUNG, 1987)

Agora que começamos a entender melhor como funciona a psique, e percebemos que nela habitam ambas as energias, masculina e feminina, que necessitam de harmonia, é possível deslocarmos ligeiramente nosso enfoque. Quando pensamos em duas energias a princípio conflitantes, mas cujo fluxo e interação é harmônico, facilmente visualizamos este símbolo:

O Yin e Yang é o símbolo que mais representa toda essa dinâmica de polaridades que estamos discutindo. Veja só o que Jung tem a dizer sobre este símbolo milenar:

“Não há positivo sem sua negação. Apesar da extrema oposição, ou por isso mesmo, um termo não pode existir sem o outro. É exatamente como formula a filosofia chinesa: yang (o princípio luminoso, quente, seco e masculino) contém em si o geme do yin (o princípio escuro, frio, úmido e feminino), e vice-versa” (JUNG, 2007)

Herder Lexicon (1990) assinala que “a mútua dependência de ambos os princípios, às influências de yin-yang nunca se opõe como princípios inimigos, pelo contrário, acham-se em uma contínua relação de influências mútuas”. É mister compreender que os aspectos paradoxais da psique se completam, e não se excluem. A dinâmica, que a priori pode aparecer um conflito, talvez seja melhor entendida como uma dialética.

“Segundo a lei da enantiodromia, dos fluxos contrários, tão bem interpretada pelos chineses, com o final de um ciclo dá-se o início de seu oposto. Assim, Yang em seu limite transforma-se em Yin, e o positivo, em negativo” (JUNG, 1986)

A unilateralidade é, eventualmente, prejudicial a nossa psique, sendo responsável por diversos problemas, tanto enfermidades de natureza psicológica quanto somatizações físicas. Além disso, o problema não se limita a natureza individual, um exemplo do dano causado pela unilateralidade da consciência, expressado na esfera social, é bem elaborado por Robert Johnsson, quando este afirma que:

“O homem tem visto seu lado sombrio como feminino e, ao empurrá-lo cada vez mais para as profundezas do seu ser, acabou por transformá-lo numa bruxa. Grande parte da escuridão do elemento rejeitado durante a idade média era feminino – daí a caça às bruxas e as fogueiras. E isso não se constituiu apenas de incidentes isolados que ganharam muita notoriedade. Estima-se que quase quatro milhões de mulheres foram queimadas nos patíbulos no auge da contra-reforma na Europa” (JOHNSSON, 1993)

Como podemos ver, o exagero da parcialidade é extremamente perigoso e prejudicial, tanto individualmente quanto socialmente. Mas por que a psique apresenta todos estes mecanismos para incentivar o diálogo entre as diferentes polaridades que nos habitam? Pura e simplesmente para nos ajudar a superar a nós mesmos. Para nos possibilitar transcender o maniqueísmo estático que parece tanto nos agradar. A totalidade é o objetivo final dessa luta constante das polaridades, permitir que atinjamos a plenitude, a consciência, que nos aproximamos cada vez mais da onisciência divina, ao menos à onisciência de nós mesmos.

“Após uma vivência de muitos anos no rico mundo da psique, aprendendo suas leis, Jung notou uma enorme força evolutiva atuando no universo psíquico. Ele percebeu que a psique humana desenvolve um esforço constante em busca da totalidade um esforço no sentido de se completar e se tornar mais consciente. O inconsciente procura transferir o seu conteúdo para o nível da consciência, onde pode ganhar existência e ser assimilado, formando uma personalidade consciente mais completa. A psique de cada indivíduo tem um estímulo inerente para evoluir, para integrar os elementos do inconsciente, juntando as partes que ainda faltam ao indivíduo total para formar um self completo, pleno e consciente” (JOHNSSON, 1993)

Como dito no início do texto, Jung deslocou alguns conceitos originais da Alquimia, adaptando-os a um sistema de compreensão psicológica. Os antigos alquimistas já sabiam há tempos dessas leis que governavam a mente, suas polaridades e interações. Não à toa que uma operação alquímica essencial pra a obtenção da pedra filosofal era a Coniunctio, ou Casamento Alquímico. Esta operação era quase sempre representada pela união de uma figura masculina, como um Rei ou o Sol e outra feminina, como uma Rainha ou a Lua, mas também como Hauck aponta “um coração pegando fogo, um terra frutífera, casamentos, hermafroditas, galos e galinhas” entre outros.

Esse casamento é a grande chave para a integração dos opostos complementares, com ele, é possível transcender o maniqueísmo, e através de uma interação de tese e antítese, permitir o nascimento de uma síntese. Novamente, conseguimos perceber o nascimento deste terceiro elemento quando analisamos figuras alquímicas que representam o casamento alquímico. Na imagem seguinte, vemos com exatidão a união simbólica do Rei (Sol) e da Rainha (Lua) obtendo como resultado ao criança, que na alquimia é representada como andrógina e perfeita.

“Jung constatou que a psique é andrógina: ela contém componentes masculinos e femininos. Assim homens e mulheres vêm equipados com uma estrutura psicológica que em sua totalidade inclui a riqueza de ambos os lados, de ambas as naturezas, de ambos os conjuntos de capacidades e forças. A psique espontaneamente se divide em opostos complementares e os representa como uma configuração masculina-feminina. Ela assinala algumas características como sendo “masculinas” e outras, como “femininas”. Como o yin e o yang, na antiga psicologia chinesa, estes opostos complementares se equilibram e se completam mutuamente. Nenhum qualidade ou característica da personalidade humana é completa em si: cada um deve se fazer acompanhar de seu “par” masculino ou feminino, numa combinação consciente, se quisermos alcançar equilíbrio e totalidade” (JOHNSSON, 1995)

E essa ideia da criança andrógina, representando simbolicamente a inocência e a pureza, não é exclusiva do pensamento alquímico, como vemos no Evangelho de Tomé, capítulo 22:

“Jesus viu crianças de peito a mamarem. E ele disse a seus discípulos: Essas crianças de peito se parecem com aqueles que entram no Reino. Perguntaram-lhe eles: Se formos pequenos, entraremos no Reino? Respondeu-lhes Jesus: Se reduzirdes dois a um, se fizerdes o interior como o exterior, e o exterior como o interior, se fizerdes o de cima como o de baixo, se fizerdes um o masculino e o feminino, de maneira que o masculino não seja mais masculino e o feminino não seja mais feminino – então entrareis no Reino”.

Apesar da representação sexual nas pranchas alquímicas, é sabido que tais experiências refletem experimentos interiores, subjetivos e que a relação sexual deve ser encarada com temperança. Além de técnicas antigas como o sexo Tântrico, que visa harmonizar as energias masculinas e femininas através da troca de energias ao longo do ato sexual, existe um conceito na alquimia taoísta chamado “Cultivação Dual”, na qual, em suma, os homens desenvolvem técnicas para interagir e absorver a energia feminina, sem desperdiçar a sua própria, acumulando assim ambas. Evidentemente essas técnicas orientais estão muito distantes da nossa realidade, e acredito que devemos sim estudar e nos aprofundar nas diferentes práticas, afinal, unir oriente e ocidente nada mais é que um reflexo da harmonia dos opostos que tanto discutimos ao longo do texto. Além disso, a meditação e análise psicológica podem ser ferramentas que realmente ajudam no autoconhecimento.

Mas acredito que para nós, ocidentais, existe algo que é uma chave igualmente efetiva, e mais próxima para nosso entendimento: o Amor. Quando abrimos nosso coração e permitimos essa força incrível da natureza se manifestar, podemos atingir patamares inimagináveis. O amor é transformador e é um ingrediente indispensável.

“Assim como na alquimia, a psique, dentro do processo analítico, vai transformando-se, ora dispondo-se num lado e ora de outro, no sentido das suas polaridades, até que lhe seja capaz a absorção de uma terceira figura, gradativa e construída, surgida de dentro da sua própria alma que lhe traduz essa expressão de convivência com o dual. […] O casamento Divino, que somente existirá se ali houver o Amor, sua causa e seu efeito. […] Revela-se no mundo como o altruísmo em seu sentido extrovertido e na psique, como a conexão com o Si-mesmo, gerando a unidade” (MASSAN, 2009)

Na imagem acima vemos o deus Marte (Animus) e a deusa Vênus (Anima) e seu filho Cupido, também conhecido como Eros e Amor. Coincidência?

Na Tábua de Esmeralda encontramos a seguinte inscrição:

“E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas”.

Concluímos então que existe uma aproximação muito evidente entre conceitos da alquimia e da psicologia analítica, e que ensinamentos antigos de filosofia grega e da sabedoria taoísta são fontes ricas de informações que podem nos ajudar a fortalecer a reflexão e, literalmente, integrar ideias. No final, nosso objetivo principal é voltar a Unidade, e dissolver todos os conflitos neuróticos e polarizados que nos impedem de ver as coisas como realmente são. Devemos buscar sempre fazer as coisas com o coração e amor, pois só assim podemos ter empatia e perceber os ‘dois lados das coisas’ e unir os paradoxos. Nem cara, nem coroa, somos todos moedas rodopiando.

Referencias Bibliográficas:

CAMAYSAR, Rosabis. O Caibalion. São Paulo Editora Pensamento. 2000

Evengelho de Tomé traduzido por Huberto Rohden

HAUCK, Dennis Willian. The Emerald Tablet: Alchemy for Personal Transformation. Arkana. Ed.Pengun Group. 1999.

JOHNSON, Robert A. HE: A Chave do Entendimento da Psicologia Masculina. São Paulo: Mercúrio, 1993

JOHNSON, Robert A. WE: A Chave da Psicologia do Amor Romântico. São Paulo: Mercúrio, 1995

JUNG, C. G. Fundamentos de Psicologia Analítica. OC XVIII/I. Petrópolis: Vozes, 1987a.

JUNG, C. G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. OC IX/1. Petrópolis: Vozes, 2007.

JUNG, C. G. Psicologia do Inconsciente. OC VII/1. Petrópolis: Vozes, 1987b.

JUNG, C. G. Psicologia e Alquimia. OC XII. Petrópolis: Vozes, 1991b.

JUNG, C. G. Psicologia e Religião. OC XI/1. Petrópolis: Vozes, 1987c.

JUNG, Carl Gustav. Civilização em Transição. Petrópolis. Vozes. 2011.

LEXICON, Herder. Dicionário de Símbolos. São Paulo. Cultrix. 1990

MASSAN, Francisco. Opus Alquímica e Psicoterapia. Disponível em: www.clinicapsique.com/doc/opus.doc. 14/05/2013

VON FRANZ, Marie Louise. A Alquimia: Introdução ao Simbolismo e a Psicologia. São Paulo. Ed. Cultrix. 1993.

Tábua de Esmeralda – Tradução de Isaac Newton , 1680 , encontrada em seus textos alquímicos. Folger, Washington 1988

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

Imagens:

‘Philosophical Mercury’. Itália. Século XV.
Perspectivas circulares de Luz e Sombra, imagem encontrada na internet.
Yin-Yang.
“Spirals” de M. C. Escher (1953).
Cena de uma bruxa na fogueira (Série “American Horror Story: The Coven”)
Princípios Alquímicos do Masculino e Feminino.
Gravuras Alquímicas de “Donum Dei”.
“Mars, Venus and Cupid”. 1808, Leopold Kiesling.

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-2-2-casamento-alqu%C3%ADmico-e-tao%C3%ADsmo-a-s%C3%ADntese-perfeita

Psicodelias, Relâmpagos e Catedrais

Continuando nossa série histórica a respeito das origens dos Cavaleiros Templários, dividimos nosso arco histórico em três facções: de um lado, a Igreja Católica e a história de seus papas, até chegar em Urbano II “Porque Deus quis” pode ser lida AQUI, AQUI, AQUI e AQUI. Do outro lado, a história paralela dos Construtores do Templo, as guildas de maçons detentores do conhecimento da geometria sagrada, preservado desde as pirâmides egípcias até os templos romanos (e até os dias de hoje).

Justamente quando estava escrevendo esta coluna, li um texto postado pelo amigo Kentaro a respeito de um estudo feito por cientistas a respeito de padrões psicodélicos encontrados em neurônios em curto-circuito. Por coincidência, acabei de ler um livro chamado “Girando a Chave de Hiram” onde o autor relaciona justamente estas conexões e a ritualística templária e maçônica. Nesta semana, traçarei a relação entre psicotrópicos, mantras, orgasmos, meditações, relâmpagos, limiares da dor, religião, da falta de sono e até mesmo experiências de pós-morte e sua conexão com o Plano Astral e com a estrutura das primeiras catedrais européias.

Antes de mais nada, vamos ao texto original:

Psicodelia explicada por neurônios em curto
“Está cheio de estrelas”, disse o astronauta Bowman enquanto era absorvido pelo Monolito Negro em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Uma sucessão de imagens psicodélicas (criadas com fotografia slit-scan) representavam então um contato com o Divino, ou o que quer que fosse, já que o próprio Kubrick nunca deixou claro o que diabos aquele final significava. Mas era algo grande, místico, mesmo religioso.
Imagens espirais e túneis de luz afins emergem repetidamente em experiências com drogas alucinógenas, e talvez não por mera coincidência, em iconografias religiosas resultantes de “visões”, como mandalas, arte islâmica ou catedrais cristãs. Não apenas isso, surgem também em experiências de “quase-morte”, alucinações de sinestésicos, cefaléias, epilepsia, distúrbios psicóticos, sífilis avançada, distúrbios do sono, tontura e mesmo em pinturas rupestres de milhares de anos.
Esta universalidade parece indicar algo maior, quiçá contato com planos superiores, ainda que cefaléias, sífilis avançada ou distúrbios psicóticos como meio de se aproximar de deus pareça um tanto bizarro. A neurociência aliada à matemática sugere uma explicação um pouco mais mundana. Porque a ciência já anda investigando o tema.
Nos anos 1920, o neurologista alemão Heinrich Klüver dedicou-se com afinco a estudar os efeitos da mescalina (peyote), e notou como tais padrões geométricos eram repetidamente relatados por diferentes sujeitos (incluindo ele mesmo, mas esta é outra história). Os padrões acabaram classificados no que ele chamou de “constantes de forma”, de quatro tipos: (I) túneis, (II) espirais, (III) colméias e (IV) teias.

Pois estudos recentes, aliando descobertas sobre o funcionamento do córtex visual a modelos do funcionamento de neurônios sugerem que tais padrões podem surgir simplesmente de uma espécie de curto-circuito no cérebro. Perturbações simples no córtex visual, quando mapeadas ao correspondente que o sujeito perceberia, podem gerar padrões notavelmente similares às constantes de forma psicodélicas.

À esquerda, a representação da alucinação de um maconhado. Ao lado, a simulação da percepção gerada pela perturbação do córtex visual. Simples assim. Nada de enxergar deus, e sim um produto da forma como nossos neurônios processam imagens, e como reagem assim a perturbações em seu funcionamento. “Está cheio de estrelas”, mas todas em seu cérebro.
Ou não tão simples, é preciso ressalvar. Neurocientistas, cientistas que são, admitem que ainda não conseguem explicar todas as alucinações relatadas. O próprio exemplo acima envolve uma complexidade maior do que os modelos usados, e a simulação envolve mais especulação. Mesmo o modelo utilizado para simular a percepção dos sujeitos frente às perturbações em seu córtex visual é, ainda, rudimentar, envolvendo diversas simplificações. É uma área ainda em exploração, mas pelo visto, extremamente promissora. Explicaria bem porque tanto religiosos em transe quanto drogados e sifilíticos em estado avançado poderiam partilhar as mesmas alucinações visuais. São seres humanos partilhando a mesma estrutura cerebral submetida a alguma perturbação.

By Kentaro Mori no 100Nexos.

Espirais, Relâmpagos e Teias de Aranha
Uma das sete leis de Hermes Trismegistrus diz que “Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso”.
Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento. Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares não é rígida ou imóvel, mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia. A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode parecer a nível material, mas cheia de movimento e ritmo. Ela dança.

Os primeiros contatos com o Divino muito provavelmente aconteceram por causa dos relâmpagos. Robert Lomas, em seu livro “Girando a Chave de Hiran” conta que, certa vez, estava passando de automóvel quando quase foi atingido por um raio. O raio havia passado tão perto que, por alguns segundos, não apenas a parte elétrica de seu carro teve problemas, mas ele teve uma “visão de Deus”. Naqueles pequenos instantes, que para ele pareceram uma enternidade, Lomas teve o contato direto com o Cósmico, fundindo-se ao todo, na sensação que os ocultistas chamam de Samadhi ou “pequeno mergulho no Nirvana”. O contato com Kheter.
Durante o livro, com a ajuda de diversos neurocientistas britânicos, ele traça paralelos experimentais entre o “curto-circuito” que experimentou graças ao raio e as descrições de êxtase religioso encontradas em diversas literaturas, bem como experiências de neurocientistas como Michael Persinger, Andrew Newberg e Eugene D´Aquili envolvendo o comportamento do cérebro humano.

Mas voltando aos trovões e relâmpagos… é muito provável que desde os tempos mais remotos, muitos homens tenham passado pela mesma experiência que Lomas. Este “curto circuito” e posterior expansão da mente do indivíduo pelo Cósmico certamente resultariam em uma experiência transcedental, divina. O contato com o TODO, o Grande Arquiteto do Universo. Não é de se estranhar, então, que alguns dos deuses mais importantes de todas as mitologias faziam uso do trovão como arma (Zeus fulminando seus adversários na mitologia grega, por exemplo). Ao quase ser alvejado por um raio e sobreviver, o indivíduo ou grupo de indivíduos passava a ter um legítimo contato com a divindade cósmica, e traduzia esta sensação indescritível com o melhor que seu vocabulário pudesse conceber. Enquanto isso, no plano material, os neurônios e sinapses expostos a campos elétricos causariam a sensação que Walter Leslie Wilmshurts chamou de “Consciência cósmica”. Não é de se estranhar que os antigos construtores de catedrais, trabalhando em campanários e outros locais elevados, sob tempo ruim, invocavam a ajuda de Santa Bárbara.

Tantra e Chakras
A experiência divina não é exclusividade do contato com raios e trovões. Paralelamente a isso, os iniciados conheciam técnicas de magias sexuais derivadas do tantra para atingir o MESMO estado de iluminação, ou Samadhi. Através de orgasmos cada vez mais fortes e intensos, e do fluxo de energias despertando cada um dos chakras dos amantes, através da Kundalini, os iniciados conseguem experimentar o mesmo estado divino descrito pelas experiências acima. Da mesma forma, outros exercícios de meditação, contemplação e masturbação têm sido utilizados para o mesmo fim. A energia canalizada durante este “curto circuito” é muito utilizada na chamada Magia do Caos, desenvolvida por Peter J. Carroll no começo do século XX e não é muito diferente das antigas magias sexuais celtas ou egípcias.
Aposto minhas adagas ritualísticas que, se os neurocientistas medissem o padrão do córtex visual em um casal de sacerdotes durante o Hieros Gamos ou de um casal iniciado tântrico durante o Maythuna, eles encontrariam o mesmo padrão descrito por Heinrich Klüver.

Meditação, Mantras e Mandalas
Outro caminho conhecido para se atingir este estado de “curto circuito” é através da meditação. Exercícios de “desligamento da mente” zen e técnicas envolvendo mandalas, mantras ou orações repetitivas, normalmente trabalhando em um padrão espiral, fazendo com que os sentidos objetivos sejam cada vez mais neutralizados, até que haja o travamento das faculdades objetivas e, como conseqüência, a conexão com os planos superiores.
O mesmo processo explica claramente porque muitos fiéis cristãos, ao envolverem-se demasiadamente com as orações (especialmente no terço, que é uma derivação do japamala budista), entram neste “curto-circuito” durante as orações e chegam ao mesmo estado de consciência. A diferença é que, para estas pessoas, por desconhecerem o que está acontecendo, acreditam que “Jesus falou com elas”, pois não são capazes de explicar este contato com o Cósmico e, assim como os selvagens nas cavernas, tentam explicar ao mundo o que sentiram através de seu vocabulário limitado.
Novamente, se estes padrões cerebrais fossem medidos, teríamos o mesmo padrão, tanto que eles se repetem nos desenhos das mandalas, só que de uma forma invertida. Nas experiências com psicotrópicos, o usuário enxerga os padrões depois de entrar em contato com a droga; nas mandalas, o iniciado procura os padrões ANTES de causar o “curto-circuito”.
Qual padrão é a causa e qual é a consequência?

O limiar da dor
Também é conhecido que estes padrões são encontrados em cefaléias, epilepsia, distúrbios psicóticos, sífilis avançada e outras situações do limiar da dor extrema. Estes estados mentais também causam o “curto-circuito”, resultando os mesmos padrões descritos acima. Isto deu origem a uma série de rituais de iniciação e ritos religiosos envolvendo perfurações e suspensões por meio de ganchos, até os famosos faquires e devotos hindus, capazes de atravessar pregos pelo nariz, anzóis pela pele e ganchos por todo o corpo. Examine o córtex deles e teremos o mesmo padrão.
Este culto à dor pela iniciação existe até os dias de hoje, tanto em iniciações que envolvam suportar a dor, como o ritual de Gkol nas tribos de Vanuatu, que consiste em se jogar do alto de uma árvore ou penhasco amarrado em cipós como prova de iniciação da puberdade para a maioridade até talhar os próprios dentes para deixá-los pontudos ou perfurar a pele com piercings e anzóis, além das flagelações.

Durante a idade Média, existiram muitas ordens monásticas que cultuavam a auto-flagelação. Açoites e chicotes como forma de penitência foram trazidos para a Igreja católica dos templos hindus, que por sua vez traziam este costume da maneira a conectar-se com o divino através da penitência.
Podemos ver resquícios desta ritualística até mesmo no cilício, instrumento composto de espinhos que são amarrados na coxa e apertados de acordo com a vontade do usuário, causando uma dor contínua e muito forte. O cilício ainda é muito utilizado na Opus Dei e em outras ordens religiosas monásticas.

Sexo e a Dor
Os Etruscos possuíam templos destinados a ritos sexuais que envolviam prazer e dor (o mais conhecido é a Tombe de la Fustigazione), que deram origem à Lupercália romana e, mais tarde, ao dia de São Valentino (o “dia dos namorados” gringo). Até os dias de hoje, existem dentro de ordens do caminho da mão esquerda rituais de BDSM até o limiar da dor e do êxtase, onde se consegue chegar ao mesmo “curto circuito” da meditação zen. E aposto meu pantáculo saturnino que quando a iniciada estiver em êxtase, encontraremos nela os mesmos padrões descritos por Heinrich Klüver.

As drogas e os psicotrópicos
Outro aspecto muito comum nas iniciações é o uso de psicotrópicos e libertadores da consciência. Drogas como o haxixe, ópio, peyote, mescalina, folha de coca, LSD ou até mesmo o Santo Daime têm a finalidade de desligar os sentidos objetivos e abrir as portas da percepção. Como foi colocado acima, o efeito resultante no Plano Material é o mesmo das outras experiências. Da mesma maneira, Sinestetas enxergam sons, escutam cheiros, sentem cores e algumas delas (acabei de perguntar a uma amiga sinesteta pelo msn) enxergam espirais e estrelas no momento de um orgasmo. “Mas só dos mais fantásticos” segundo palavras dela. O que comprova nossa teoria a respeito dos orgasmos tântricos e curtos circuitos.

Dança de Roda
Outra maneira de se atingir este “curto circuito” é através da dança ou das artes marciais. Danças sagradas de roda e danças ritualísticas existem em todas as culturas e religiões, muitas das quais com extremos aspectos místicos. Entre as principais eu vou citar os Dervishes, do ocultismo muçulmano (epa, eu escutei certo? Ocultismo muçulmano? Sim crianças… chegaremos aos sufis e dervishes em breve) e suas danças de roda. Note como eles estão em estado de transe. Aposto meu cálice de prata que se você medir os padrões do córtex deles, obterá os MESMOS resultados supracitados.
Também posso citar as dançarinas de dança do ventre ou dança dos sete véus ritualística e, claro, os praticantes de kung fu ou tai chi (especialmente tai chi).

A Árvore da Vida
Dentro da Kabbalah, na Árvore da Vida (diagrama que mapeia todos os estados de consciência do ser humano, do mais mundano até o divino), este processo é o caminho que conecta a décima esfera Malkuth (o mundo da matéria) à nona esfera Yesod (o mundo astral, ou intuitivo e acausal), representado pela letra hebraica “Tav”, que também é o símbolo da Ordem dos Franciscanos. O Tau ou Tav representa a imaginação e todos os processos decorrentes da libertação da mente intuitiva da mente objetiva, que incluem todos os processos criativos e visionários. É o primeiro passo para a iluminação. Não é por acaso que todos os deuses representados em Yesod trabalhem com a intuição e com a conexão com a Consciência superior.

A Geometria Sagrada e os Rituais
Muitos dos Construtores de Templos conheciam as propriedades da geometria sagrada de induzir e promover estes estados psíquicos nos iniciados durante os rituais. Desde as proporções na Pirâmide, nos Templos Gregos e Romanos até chegarmos às catedrais cristãs e, posteriormente, às mesquitas muçulmanas e aos Castelos Templários.
Este conhecimento também permanece na África (o povo sempre se esquece que o Egito fica na África! Quando os muçulmanos tomam o Cairo e Alexandria, eles absorvem muito do conhecimento que estava disponível nas Escolas e bibliotecas), trazendo a geometria sagrada para a Arábia. Com as expansões, levam este conhecimento para o sul da Espanha também.

Mas isso já é outra história…

#ICAR

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Conexão da Semana: O Perdão

A porção da torá desta semana, muito bonita por sinal, fala do re-encontro de José com os irmãos e com o pai, com quem ele não tinha contato há 22 anos. José tinha motivos de sobra para não perdoar os irmãos, que o haviam vendido como escravo. No entanto, ele prefere ver a mesma situação como um presente divino. Afinal, somente após ter passado por tudo que passou que ele pode se tornar governante do Egito e assim acabar salvando a própria família da seca e da fome.

Que possamos nos imbuir do espírito de José, e descobrir a luz por trás da escuridão. Assim poderemos perdoar. Afinal, como poderemos construir uma nova consciência se carregados de ressentimentos?

Nessa semana abre-se uma nova porta. Que possamos aproveitar o momento para desfazer todas as mágoas acumuladas por um passado que não existe mais. A melhor forma de se fazer isso é viver a cada dia mais no presente: Aqui, Agora.

Shalom!!!!

Ian Mecler

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