RPGQuest Dungeon, o maior Financiamento Coletivo de Boardgames no Brasil em 2018

No Diversão Offline deste ano foram anunciados os maiores Financiamentos Coletivos de Boardgames (Jogos de Tabuleiro) de 2018 e, pelo segundo ano consecutivo, o RPGQuest ficou em primeiro lugar.

2018 foi um ano com muitas novidades e muitos candidatos de grande porte concorrendo. Em ano de Copa do Mundo e Eleições, tivemos jogos de temática de futebol e dois jogos de política na parada, além de pesos pesados de marketing e um cardgame zoeira nos mesmos moldes do Pequenas Igrejas, Grandes Negócios participando.

O RPGQuest foi lançado inicialmente em 2006 como um RPG de Banca de Jornal, no final da Era de Ouro do RPG e até hoje ainda possui uma rede enorme de fãs, em um dos grupos mais ativos de projetos no Facebook. Muitos deles apoiaram o jogo para jogar com seus filhos. O RPGQuest serve como uma excelente porta de entrada para o universo dos RPGs.

Para quem não ficou sabendo do Financiamento Coletivo à tempo, os Jogos de Tabuleiro do RPGQuest podem ser comprados na Loja da Editora Daemon

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O Símbolo da Pedra

Entre os materiais de construção, o mais importante é naturalmente a pedra. Mas esta, como tudo o que forma parte do Templo, tinha para os construtores das civilizações tradicionais que utilizaram esse material (pois se sabe que antes dele se edificava com madeira), um sentido simbólico bem preciso, que é o que lhe dá toda sua importância desde o ponto de vista sagrado.

A pedra expressa dois aspectos bem distintos. Por um lado, e devido a sua tosquedade e arestas, simboliza a natureza grosseira e imperfeita do homem profano. Por outro, graças a sua solidez e estabilidade, reflete mais do que nenhuma outra coisa a presença imutável de Deus no seio da Criação. E isto é precisamente o que faz que uma determinada pedra seja venerada como sagrada. É o caso dos betylos-oráculos2, que eram geralmente aerólitos, ou pedras “descidas do céu”, e associadas, portanto, com o raio e com a luz. Adicionaremos que “betylo” procede de Beith-El (que significa “Casa de Deus”), nome dado ao lugar onde Jacob repousou sua cabeça e teve o sonho no qual via descer e ascender anjos por uma escada que unia o Céu e a Terra. (Essa mesma palavra, Beith-El, converteu-se posteriormente em Beith-Lehem, ou Belém, a “Casa do Pão”, e designou a cidade na qual devia nascer Cristo, o Verbo descido no seio da substância terrestre).

Por tal razão houve épocas e culturas onde se estava terminantemente proibido talhar as pedras destinadas a um culto especial, pois estas eram consideradas como a própria expressão da substância indiferenciada (a matéria prima) e virginal da natureza divina. Mas este não é o caso dos templos que, como as catedrais, precisam para sua solidez pedras completamente talhadas, esquadrejadas, polidas e trabalhadas com o martelo e o cinzel. A pedra já não expressará essa virgindade indiferenciada, mas o caos amorfo do profano que precisa ser ordenado pelas réguas e métodos da Arte.

Ao polir a pedra bruta, o aprendiz construtor estava realizando um trabalho e um gesto ritual consigo mesmo. A pedra era ele mesmo, e a transformação desta em pedra talhada e cúbica simbolizava a transmutação qualitativa de todo seu ser.

2 N.T. – Betylo – Pedra sem lavrar, ou toscamente talhada, à qual rendiam culto os povos da antiguidade, considerando-a como a representação de uma divindade, ou como a própria divindade.

#hermetismo #Maçonaria

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O Dia da Marmota

Pode uma marmota prever o tempo ? Cientificamente é por demais questionável, mas uma tradição de mais de cem anos numa pequena cidade do nordeste dos Estados Unidos chama a atenção de todo o mundo a cada ano e já foi parar até no cinema.

O Dia da Marmota (Groundhog Day) é uma festa tradicional nos Estados Unidos que é celebrada a cada dia 2 de fevereiro. Segundo a tradição, as pessoas devem observar uma toca de marmota Marmota monax e, se o animal sair da toca por o tempo estar nublado, isso significa que o inverno terminará cedo. Se, ao contrário, o sol estiver a brilhar e o animal se asustar com a sua sombra e voltar para a toca, então o inverno durará mais 6 semanas.

A cidade de Punxsutawney, localizada a aproximadamente 120 quilômetros a nordeste de Pittsburgh, entrou para o mapa do mundo justamente com a festa do Dia da Marmota. Lá vive “Punxsutawney Phil”, a marmota que todos os anos anuncia de o inverno vai durar ou não mais seis semanas. Ela é conhecida na cidade como a Previsora das Previsoras e é cuidadodamente protegida pelo Punxsutawney Groundhog Club, um grupo de cidadãos da localidade que desde 1887 promove o festival e que neste mesmo ano intitulou Punxsutawney como “the weather capital of the world” (a capital mundial do tempo). Quem chega a Punxsutawney é recebido por uma placa que anuncia que a previsão oficial da marmota de fato funciona e que seminários sobre os prognósticos são oferecidos anualmente.

O site oficial do Festival da Marmota de Punxsutawney diz que a marmota passa grande parte do ano em um ambiente Punxsutawneynte climatizado na biblioteca da cidade. A cada dia 2 de fevereiro, ela é retirada de sua toca às 07:25 da manhã para dizer ao mundo a sua previsão do tempo. A marmora Phil teria mais de cem anos de idade, brincam os moradores locais. De acordo com eles, a extraordinária longevidade de Phil é resultado da relação com a marmota Phyllis, a sua “esposa’, e uma dieta especial.

Mas, afinal, a previsão do tempo da marmota Phil funciona ? As suas previsões foram analisadas na 86ª Convenção da Sociedade Americana de Meteorologia em Atlanta e os resultados não impressionaram os pesquisadores. Um meteorologista destacou que o grau de precisão dos prognósticos da marmota desde o primeiro registro em 1887 é de apenas 39 por cento. Apesar da incerteza se a recente elevação da temperatura do planeta é resultado do aquecimento global ou de causas naturais, um grupo de estudantes de Meteorologia da Purdue Universityfez pouco caso do debate sobre a marmota. “Elas são péssimas prognosticadoras”, disse Kim Klockow durante a convenção em Atlanta. “Nós ainda amamos as marmotas, mas pra saber do tempo é melhor jogar uma moeda pra cima do que acreditar nelas”, concluiu.

A festa do Dia da Marmota se tornou tão popular que atrai milhares de pessoas a cada dia 2 de fevereiro e até nas telas do cinema foi parar. Imagine um dia em que tudo parece dar errado. Phil se tornou estrela no filme Feitiço do Tempo (Groundhog Day em seu título original, filmado em 1993.

A divertida história, já exibida diversas vezes na televisão brasileira, conta a história de um dia que certamente ninguém gostaria de viver. Imagine agora que esse dia se repita incontáveis vezes sem que você possa fazer nada para evitar isso. Esta é a maldição que vive Phil Connors (Bill Murray), um meteorologista e apresentador de televisão, egocêntrico ao extremo, sem amigos, nem amores, que após ter passado um dia aborrecidíssimo em Punxsutawney acorda todos os dias no mesmo dia, sem que mais ninguém, além dele, perceba essa situação. Cercado por desconhecidos, sem condições de sair da cidade, Phil se vê preso no dia 2 de fevereiro, em plena comemoração do Dia da Marmota.

A curiosidade é que Feitiço do Tempo não foi filmado na cidade onde acontece a grande festa do Dia da Marmota. A Columbia Pictures decidiu rodar o filme em local que fosse mais acessível a uma grande cidade. Punxsutawney se localiza numa zona rural de difícil acesso, com poucas auto-estradas na região, o que fez que os produtores escolhessem Woodstock, Illinois, para filmar O Feitiço do Tempo.

@MDD – Feitiço do Tempo é um dos meus filmes favoritos. É uma grande metáfora a respeito de reencarnações.

#Humor

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Häxa – a transformação de uma palavra Sueca de “mulher do Diabo” para uma “amálgama da Nova Era”

Um pacto com o Diabo – ou um pacto com forças que eram, pela Igreja, percebidas como o Diabo ou seus agentes demoníacos. Os deuses pagãos pré-cristãos são considerados como tais forças demoníacas e alguns deles estão proximamente conectados com o häxor.

Metamorfose – a habilidade de mudar para a forma de um animal.

Häx-riding (häxritt em sueco) – a habilidade de voar através dos ares ou em sonhos, na forma de uma pessoa ou de um animal. A cavalgada é facilitada com uma vassoura, bastão ou outra ferramenta apropriada, ou ao cavalgar uma pessoa ou um animal.

Häx-sabbath e a copula como o Diabo – uma festa e intercurso sexual com as forças mencionadas no primeiro parágrafo.

Feitiçaria proibida – o tipo de feitiçaria que usava ervas e encantaments era considerada má. É importante notar que no tempo dos julgamentos de bruxas, todos os tipos de feitiçaria eram considerados malignos e virulentos.

Em minha opinião, existem duas variedades de pessoas (suecas) que se dão ao título de häxa: o häxor traditional e o neo-häxor.

O Häxa Tradicional

Se você preenche todas as condições que consistem ao conceito häxa, então você é um häxa. Nem todo mundo pode se tornar um häxa. Você precisa nascer com o potencial, a habilidade de häxa para tecer a feitiçaria, assim como alguém nascido com uma porção de musicalidade e pode se tornar músico. Sem este potencial, você não pode häx-cavalgar (häx-ride), metamorfosear e fazer outras formas de arte-häx (häx-craft).

Para evitar confusão, vou colocar o “tradicional” após do häxa quando quero dizer häxa pela definição dada previamente para a continuação deste artigo.

Um häxa tradicional recebe seu chamado através de uma deidade-häx, faz um pacto com a deidade e serve-o (a). Em troca, ela recebe um poder mágico crescente e conhecimento. Ela (e) irá häx-cavalgar (e com isso eu quero dizer verdadeiramente viagens astrais e não visões internas, fantasias, visualizações e tal) e ela irá metamorfosear-se para que outros possam vê-la transformar-se (e não “animais internos”, animais totem, etc). Ela realiza festejos cúlticos juntamente com as forças a quem serve, e o culto irá conter elementos sexuais. Ela realizará sua feitiçaria específica e pode tanto abençoar quanto amaldiçoar.

O häxor tradicional pode ser dividido em duas categorias: aqueles que são parte de uma tradição e aqueles que não são. Tradições-Häx são fechadas, o que significa que somente aqueles escolhidos para serem parte da tradição terão acesso a este conhecimento e prática. Isto, por sua vez, significa que não posso dizer mais do que eu já disse sobre a häxa que seja parte do que uma tradição é ou faz.

O Neo-Häxa Moderno

Se o título häxa não tivesse sido tão furtado de seu significado como foi, eu não precisaria adicionar rótulos adicionais como neo ou tradicional a ele. Se tivesse mantido seu significado e definição estrita intactos, aqueles que se chamam de häxor teriam sido o que o verdadeiro sentido da palavra traz.

Para fazer com que este assunto fique ainda mais confuso, não há uma definição nova e homogênea que não seja o único denominador comum que é: se você quer se chamar häxa, você pode. Assim, eu não posso dar-lhe um sumário do que um neo-häxa é exceto “alguém que se chama de häxa sem preencher as condições do conceito de häxa”.

O que posso lhe dar são exemplos das diferentes variedades de neo-häxor, o que são e o que fazem.

O Sem Noção

Tenho visto aqueles que admitem não saber de nada, ou mesmo de fazer algo mesmo que remotamente próximo do conceito original, alegremente chamando-se a si como häxa porque “sente que é o certo”. Dentre aqueles que possuem – para dizer o mínimo – uma muita vaga conexão ao conceito, você geralmente descobrirá que são muito jovens e muito inexperientes, e que possuem uma ânsia romântica ao místico.

O Romântico

Então temos aqueles que confundem häxa com sua imagem de sábio ou sábia. Eles imaginam alguém que anda pelo interior, coletando ervas e plantas, conversando com os animais, sentido os espíritos da natureza e então retornam às suas pequeninas casas de campo nos limites de uma velha floresta onde eles plantam mais ervas, fazem bálsamos e decoctos e auxiliam as pessoas – mas somente aqueles que precisam de “boa” ajuda, sem aquelas coisas ruins como feitiços de amor e maldição.

Esta imagem não é consistente nem com o povo sábio de antigamente ou com o häxa tradicional. Isto foi concebido durante a era de romantismo nacional, quando um caminho rural, mais natural de viver, foi idealizado pela elite intelectual daquele tempo.

Este grupo também abraça terapias, teorias e idéias do movimento New Age, como por exemplo a terapia de cristais, cura e etc.

Povos indígenas e sua espiritualidade possuem grande apelo a este grupo. Os românticos esperam encontrar algo primal que seja próximo a natureza que sentem perdida em nossa cultura moderna. Isto é raramente apreciado pelos próprios povos indígenas que vem o “homem branco” interpretar mal, colonizar e comercializar suas tradições espirituais.  Os exemplos mais flagrantes são os nativos da América, de ambos norte e sul, os aborígenes da Austrália e as tradições crioulas que emergiram nos Estados Unidos, Caribe e América do Sul (Hoodoo, Voudou, Santeria, etc.)

Wiccanos e Pseudo-Wiccanos

Aqui encontramos um grande grupo que, ou são Wiccanos mas se chamam de häxor, ou são aqueles que adaptaram as características principais do que acreditam e praticam da Wicca enquanto confundem com o que o häxor acredita e pratica.

É neste grupo que encontramos tais generalizações como a que todos os häxor celebram os oito sabbaths wiccanos, vivem pelo Wiccan Rede (um não ferir ninguém, faça a tua vontade) e aderem à lei tríplice que dita que tudo o que você faz volta para você triplicadamente (e a interpretação do que isto significa na realidade pode ser qualquer coisa, do muito literal ao altamente simbólico).

Desde que existem tantos livros sobre o assunto e a palavra escrita é geralmente é percebida como verdadeira, e é geralmente aqui que encontro a mais certeira e barulhenta oposição em qualquer momento em que discuto o conceito häx. Isto é piorado pela questão relacionada de que Wiccanos que se chamam de bruxos sem igualmente compreender completamente esta palavra.

Por que usar uma palavra quando você não sabe o que ela significa?

É como se aqueles que argumentam que qualquer um pode se chamar de häxa são aqueles que investiram toda a sua vida mágica/mística e/ou religiosa no título häxa. Eles sentem que tanto está em jogo que se não puderem se chamar de häxa, eles não podem continuar com sua obra de forma alguma. Geralmente sou percebida como mesquinha e elitista por eles quando argumento que nem todo mundo pode ser um häxa e que assim, o título não deve ser usado levianamente. Posso concordar que seu seja mesquinha, se alguém que diz sua opinião e declara fatos possa ser considerada mesquinha. Eu sou uma elitista se isso for o mesmo que acreditar que ninguém pode fazer tudo, e que seja preciso um grande compromisso individual se uma pessoa quer realmente se chamar de häxa.

A coisa mais lógica a se fazer – na minha opinião -, é descobrir o máximo possível a respeito do título antes de se usar. É uma questão de integridade e respeito, tanto por mim e também para a tradição por trás do título.

Infelizmente, a atitude parece sair mais e mais da moda, e parece haver duas razões para tal.

Primeiro, um tipo de idéia mal direcionada de democracia, onde a noção de que todos tem igual valor é erroneamente interpretada como um direito para qualquer um, sem importar seu grau de conhecimento, habilidade e experiência a se chamarem como se quiserem, pelo menos desde que o título não tenha que ser provado por um diploma, exame ou similar.

A segunda razão é a quantidade enorme de informações similares disponíveis numa única busca do Google. Se onze páginas com conteúdo quase idêntico dizem todas as mesmas coisas sobre o que um häxa, isto deverá ser lido como verdadeiro e poucos irão checar os fatos com outras fontes mais confiáveis. Procurar por informações offline usando a heurística para avaliar a qualidade dos fatos que você encontra parece ser uma arte que logo será esquecida pela maioria das pessoas.

Alternativas

O ideal seria se aqueles que buscam o título olhassem para o que fazem, acreditam e praticam, e escolherem o que gostariam de se chamar ao fazer aquilo. Muitos dos que se chamam häxa iriam descobrir que são wiccanos solitários, ou talvez aspirantes a sábios. Outros iriam descobrir como animistas ou adoradores da Deusa. Talvez um número maior fosse (neo) pagão em geral, desde que estão no começo da descoberta do que seus caminhos, crenças e práticas são.

Sumário

Eu não posso proibir ninguém de se chamar de häxa, e não quero privar ninguém de suas crenças ou práticas – mas espero que ter fornecido alimento para algum pensamento mais profundo e inspirado os leitores para olharem além do que aparentemente mais acessível. Talvez a palavra häxa possa ser trazida de volta à sua definição, e talvez mais pessoas possam encontrar um caminho que é realmente o seu próprio e não uma estrada de livros brilhantes e rasas páginas da web.
Gostaria de agradecer meu bom amigo e mentor Gandbera pelo auxlílio, sem seus insights, conhecimento e assistência, não haveria um artigo.

Do original: Häxa – the transformation of a Swedish word from ”woman of the Devil” to ”New Age catch-all”, escrito pela bruxa sueca Mari Högberg. Traduzido com permissão da autora.

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Baal

Podemos afirmar sem sombras de dúvidas, que a Goetia é uma das práticas sistematizadas mais proeminentes do ocultismo clássico e da magia contemporânea. Rechaçada por muitos e considerada baixa magia por outros, a Goetia que conhecemos hoje deve parte de sua reputação a dois célebres cavalheiros em especial: Samuel Liddel MacGregor Mathers e Aleister Crowley.

Em 1889 Mathers publicou sua tradução do “A Goetia – A Chave Menor do Rei Salomão”, nessa obra está descrita a natureza básica de 72 Espíritos com os quais o Mago pode estabelecer contato para a obtenção de certos “favores”. O livro passou a ser ainda mais conhecido com a edição e a introdução de Aleister Crowley, onde Mestre Therion esclarece que “os Espíritos da Goetia são partes do cérebro humano”. Essa introdução foi escrita em 1903 em Boleskyne, uns três ou quatro anos após Crowley ter iniciado suas práticas goéticas, sob o título “A Interpretação Iniciática da Magia Cerimonial”.

O livro apresenta ainda algumas tabelas de correspondências, os selos mágicos dos Espíritos, as conjurações, os requisitos dos operadores, as técnicas de operação, além das particularidades inerentes a prática Goética.

Um pouco menos conhecido, porém de extrema relevância, foi o trabalho de Guido Wolther (Frater Daniel) nos anos 1970 na Fraternitatis Saturni. Suas anotações pessoais culminaram no “Luciferian Hierarchy” onde Frater Danielis descreve sinais de evocação de Espíritos Goéticos Femininos através de Goetia sexual. Suas ilustrações são simples, porém muito próximas das manifestações desses Espíritos conforme nos contam os relatos de dois experientes Magos Goéticos brasileiros que trabalharam com essas técnicas.

Em 1992 Lon Milo Duquette e Christopher S. Hyatt publicaram outro petardo Goético, trata-se do “Goetia Ilustrada de Aleister Crowley”, obra ilustrada por David P. Wilson. O livro de Duquette apresenta os mesmos 72 espíritos e rituais complementares num âmbito mais thelêmico. As principais novidades foram os capítulos que tratam da natureza do Mal e de alguns aspectos mágico-sexuais que podem ser utilizados nas evocações. Outro ponto forte no livro são as experiências goéticas pessoais que os autores relatam.

Baseado no trabalho de Crowley e Mathers, Michael W. Ford publicou em 2003 o “Luciferian Goetia”. O livro pretende ser um guia prático do trabalho goético de forma Luciferiana, conforme as palavras do autor. Além das descrições tradicionais dos 72 Espíritos, Ford traz novos rituais e adaptações de algumas figuras originais, há também capítulos com definições preliminares de magia e de magia negra, questões sobre o Sagrado Anjo Guardião, elementos do ritual e evocação sexual.

Bem, essa pequena introdução serviu apenas para apresentar o tema, pois nosso escopo inicial daqui por diante será apresentar os Espíritos Goéticos e suas principais particularidades: no primeiro número trazemos um Rei, um Antigo Deus Eclipsado, Um Senhor do Sol, de Fertilidade, de Chuvas e Trovões… Apresentemos Vossa Majestade Bael…

Bael / Baal

  • 1° decanato de Áries
  • II de Paus
  • 21-30 Março
  • Planeta: Sol
  • Metal: Ouro
  • Perfume: Pimenta Negra

O primeiro espírito descrito na Clavícula de Salomão é o Rei Bael que governa 66 Legiões de Espíritos Infernais. Bael é um Rei no Leste e pode aparecer como um gato, como um sapo ou como um homem ou todos ao mesmo tempo. Sua voz é rouca e Ele pode tornar o Mago invisível.

Sua origem está nos antigos cultos dos povos semitas há mais de 3400 anos atrás. Seu nome é escrito em hebraico com as letras Lamed + Aleph + Beth e possui valor gemátrico igual a 33. A palavra podia significar Mestre, Senhor e Sol.

De certa forma seu culto esteve presente na Síria, na Pérsia e em Canaã, pois Baal era um nome comum para algumas divindades dessas regiões em determinadas épocas.

Sacrifícios humanos e prostituição mágica eram comuns em suas celebrações.

Em Canaã, Baal era o filho do Deus supremo EL e anualmente sua morte e ressurreição eram celebradas como parte dos rituais de fertilidade.

Na Síria Baal Hadad era o deus das tempestades e trovões. Baal Peor era adorado pelos moabitas em duas figuras: uma masculina como Deus Sol e uma Feminina como Deusa Lua. Baal Sapon era o nome do deus dos marinheiros em Canaã.

Conforme a Goetia esse é o selo que deve ser utilizado na sua evocação:

Para saber mais recomendamos alguns livros mais abaixo, mas somente a experiência prática é que poderá demonstrar o que nenhum meio de comunicação pode, portanto, estudem e pratiquem…

Mais alguns passos e nos encontraremos num Abismo!

Bibliografia de referência:

  • The Goetia – The Lesser Key of Solomon the King, de Samuel L. MacGregor Mathers editado e traduzido por Aleister Crowley, Weiser Books;
  • Aleister Crowley Illustred Goetia, de Lon Milo DuQuette e Christopher S. Hyatt PhD, New Falcon;
  • The Goetia – The Lesser Key of Solomon the King Luciferian Edition, Michael W. Ford;
  • Nightside of Eden, Kenneth Grant, Scoob Books;
  • Luciferian Hierarchy, Guido Wolther (não publicado oficialmente).

 

Goetia Summa Baal, por Pharzhuph

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/baal/

Um Médium Notável (parte 1)

Este artigo foi escrito na época dos 100 anos do nascimento de Chico (2010), e achei por bem trazê-lo aqui ao TdC neste mês em que fará 17 anos que ele desencarnou…

E lá se vão 100 anos do nascimento do maior médium brasileiro. Naturalmente que tenhamos uma renovação do interesse pelo tema Chico Xavier: desde filmes a livros e matérias de revistas conhecidas, além é claro dos costumeiros ataques. Chico sempre inspirou os crentes e incomodou os céticos, tentarei explicar o motivo…

Um breve resumo de sua vida se encontra na Wikipedia: Nascido de uma família pobre em Pedro Leopoldo, região metropolitana de Belo Horizonte, era filho de Maria João de Deus e João Cândido Xavier. Educado na fé católica, Chico teve seu primeiro contato com a Doutrina Espírita em 1927, após fenômeno obsessivo verificado com uma de suas irmãs. Passa então a estudar e a desenvolver sua mediunidade que, como relata em nota no livro ” Parnaso de Além-Túmulo”, somente ganhou maior clareza em finais de 1931.

O seu nome de batismo Francisco de Paula Cândido foi dado em homenagem ao santo do dia de seu nascimento, substituído pelo nome paterno de Francisco Cândido Xavier logo que “rompeu” com o catolicismo e escreveu seus primeiros livros. O mais conhecido dos espíritas brasileiros contribuiu para expandir o movimento espírita brasileiro e encorajar os espíritas a revelarem sua adesão à doutrina sistematizada por Allan Kardec.

Sua credibilidade serviu de incentivo para que médiuns espíritas e não-espíritas realizassem trabalhos espirituais abertos ao público. Chico é lembrado principalmente por suas obras assistenciais em Uberaba, cidade onde faleceu. Nos anos 1970 passou a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.

Eis um homem praticamente inatacável: Doou todos os direitos autorais de suas obras para a caridade. Não foram poucas obras, nem produzidas nem vendidas. Houvesse retido os direitos, lucraria uma média de 670mil reais por ano (nos valores atuais) durante a vida [1]. Houve quem tentasse encontrar uma lógica absurda de lucro, baseada em “mimos” que as dezenas de editoras diferentes retornavam a Chico, mas o absurdo do ataque fala por si mesmo.

Nada consta, igualmente, de sua vida sexual: Passou a vida toda como assexuado, dedicando todo seu tempo a caridade, a produção literária (psicografias), ao trabalho (aposentou-se como escrivão e datilógrafo no Ministério da Agricultura) e a divulgação da doutrina espírita. Seu filho, Eurípedes, foi adotado, e hoje registrou a assinatura do pai, recebendo os 10% do lucro de tudo que é lançado com ela – inclusive os filmes (nem todos são “santos”, obviamente).

A espiritualidade sempre se preocupou em manter Chico além de qualquer tipo de ataque. Pesquisando, encontramos fatos curiosos: o livro que deu origem ao filme com seu nome, “As vidas de Chico Xavier”, foi baseado numa pesquisa do jornalista – e cético – Marcel Souto Maior sobre a vida de Chico. Porém, não foi lançado após sua morte, a primeira edição consta de 1994 (mesmo a Wikipedia está errada). Ocorre que a pesquisa de Marcel foi “permitida” pelo guia de Chico porque este já sabia que ela seria muito importante para o futuro. E realmente foi: vendeu como água (e apareceu nos radares dos “céticos de plantão”, que perderam a oportunidade de analisá-la quase uma década antes) em 2002, após a morte de Chico (conforme a “profecia”, no dia em que o Brasil todo estava feliz, tendo ganho a Copa do Mundo).

Eis que uma biografia escrita por um cético gerou um filme dirigido por um ateu (Daniel Filho), tendo o papel de protagonista recaído sobre um ator que além de ateu sempre foi comunista (Nelson Xavier). Todos se disseram “mudados” pela história de Chico [2], e o filme já consta como a maior bilheteria de um lançamento do cinema nacional desde sua retomada em 1995 [3]. Não, Emmanuel não estava brincando em serviço, ele quis realmente se certificar que não teriam absolutamente nada para atacar tanto no livro quanto no filme (que, diga-se de passagem, também não tiveram envolvimento comercial com nenhuma editora espírita, nem com a FEB).

Sim, Emmanuel era chato mesmo. Se é verdade que tendia muito para o lado religioso da doutrina (já que fora na última encarnação o Padre Manuel da Nóbrega [4]), não se pode reclamar de seu cuidado com os mínimos detalhes da postura de Chico. Quando os jornalistas da Revista Cruzeiro realizaram a famosa reportagem tentando desacreditá-lo (isso está descrito no livro de Marcel), para a reclamação de Chico o guia respondeu: “Jesus Cristo foi para cruz. Você foi para a Revista Cruzeiro”.

Até mesmo a questão do uso das perucas foi veementemente desaconselhada pelo guia – mas os cuidados com a aparência, ao seu gosto duvidoso, Chico fez questão de manter até o fim. Talvez, se mesmo nesse detalhe houvesse seguido a opinião de Emmanuel, muitos não o julgariam apressadamente como charlatão somente porque esconde a calvície (sim, para o ignorante qualquer motivo é motivo).

Em todo caso, os céticos nunca desistiram de tentar explicar o fenômeno da produção literária de Chico – mais de 400 livros de mais de 2mil supostos autores espirituais diferentes. Filtrando os ataques ad hominem falaciosos, chegamos a algumas suposições céticas dignas de nota:

Que era um leitor voraz

Se é verdade que Chico largou o colégio aos 13 anos (na quarta série do primário) para trabalhar, não é verdade que fosse um iletrado e ignorante completo. Sim ele certamente lia bastante, além de escrever cartas pessoais a amigos. Mas será que isso explica a maneira prolífera como escreveu em diversos gêneros literários, no mínimo em pé de igualdade com a qualidade dos supostos autores espirituais enquanto eram vivos? – E isso já desde as poesias de seu primeiro livro (talvez, não tenha iniciado pelas poesias sem razão).

Que possuía “vasta” biblioteca

Segundo consta, sua “vasta” biblioteca chegou um dia a possuir cerca de 500 livros e revistas, com obras em inglês, francês e até hebraico (ele não sabia ler hebraico). A lista inclui obras de pelo menos dois autores dos quais psicografou: Castro Alves e Humberto de Campos. Muito bem, isso talvez explicasse as psicografias desses autores, mas e quanto às centenas de outros autores? Será mesmo que em lendo “cerca de 500 livros e revistas” estaremos aptos a escrever livros com a quantidade e qualidade que Chico escreveu? Ora, a biblioteca ainda está lá em Uberaba, preservada pelo seu filho – enviemos então nossas crianças para lá, vamos criar uma nação de gênios da literatura!

Que sofria de criptomnésia

Este é um distúrbio de memória que faz com que as pessoas se esqueçam que conhecem uma determinada informação. Segundo a teoria, Chico psicografava “sem saber” do próprio inconsciente, e resgatava as informações que já havia “lido em algum lugar” durante a vida. Ora, digamos então que sua biblioteca aliada aos livros e revistas que eventualmente leu durante a vida expliquem como tais informações foram parar em seu inconsciente sem que ele soubesse – e quanto à poesia? E quanto aos livros científicos? E quanto às respostas sobre economia e outros assuntos totalmente fora de sua alçada que deu aos “inquisidores” da Revista Cruzeiro? E quanto às respostas em rede nacional que deu durante o Pinga-Fogo da TV Tupi? Como será que tal conjunto de informações gerou tamanho conhecimento, tamanha habilidade poética?

Sobre esta hipótese no mínimo tão fantástica quanto à hipótese dos espíritos existirem, Monteiro Lobato um dia declarou: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras”.

Que comparecia a sessões de materialização de espíritos fraudulentas

Se são fraudulentas ou não, não vem ao caso comentar, pois não quero aqui convencer ninguém de realidade ou irrealidade da existência de espíritos e/ou materializações. Mas é necessário notar que tais episódios que (bem ou mal) exporam Chico ao ridículo da mídia da época foram cuidadosamente orquestrados (novamente) pelos “jornalistas” da Revista Cruzeiro [5]. A lição que ficou do episódio foi prontamente assimilada por Chico, tanto que se afastou da mídia por anos, até o retorno triunfal no Pinga-Fogo de 1971. Fossem as materializações reais ou não, o espiritismo não se presta a esse tipo de espetáculo. É uma doutrina de reforma íntima, de autoconhecimento, de caridade, não de shows de materialização. “Lição aprendida meu caro Emmanuel”!

» Na continuação, algumas conclusões sobre tais suposições, e uma mensagem final…

***
[1] Segundo reportagem da Superinteressante de Abril de 2010, matéria da capa sobre Chico Xavier. Mesmo que não sejam valores exatos, certamente era muito, muito mais dinheiro do que a realidade de funcionário público (de baixo escalão) rendeu a ele durante a vida. Algumas citações no artigo (partes 1 e 2) foram retiradas da mesma reportagem.
[2] Essa “mudança” é narrada no livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da filmagem de Chico Xavier, O Filme. Não quer dizer, nem de longe, que tenham se convertido ao espiritismo… Mas o exemplo moral de Chico é capaz de afetar – no bom sentido – até os maiores opositores da doutrina, contanto é claro que se disponham a estudá-lo.
[3] Posteriormente foi ultrapassado por outros lançamentos, como Tropa de Elite 2.
[4] Em sua época, de português antigo, o padre assinava os documentos como “Emmanuel”, daí ter mantido esta grafia.
[5] Outro episódio narrado no livro de Marcel Souto Maior: “As vidas de Chico Xavier”.

***

Crédito da imagem: um dos cartazes de Chico Xavier, O Filme.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#ChicoXavier #Espiritismo #Mediunidade

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