Dia de Tyr

Tyr sempre foi considerado um dos Deuses mais corajosos.

Este foi o único Deus que teve coragem de colocar suas mãos nuas na boca do lobo Fenrir, assim permitindo que os demais deuses o acorrentassem.

Todavia teve sua mão direita dilacerada.

Muitos Clãs Vikings clamavam à si de “Tyr”.

Fazendo clara alusão à si como Guerreiros Corajosos e Nobilíssimos como o referido Deus.

Estes interpretavam a História como sendo por sua vez, Tyr uma encarnação de Força e do Guerreiro Honroso, aquele que sacrifica-se por seu povo em prol de um destino melhor para estes.

Como, alguns clans também julgavam e analisavam o mito a partir do momento da perda da mão direita por Tyr e pelas significâncias que isto poderia ter.

Segundo alguns nórdicos, o ato de dar a mão direita ao outro é um sinal de confiança assim como também um sinal de que a pessoa está desarmada e por sua vez é digna de confiança.

Tudo isto a partir da análise do referido Mito.

Para os nórdicos o uso de armas na mão esquerda era um sinal de que a pessoa era por sua vez deveras traiçoeira, pois poderia utilizar sua mão sinistra enquanto mostrava a destra em um ato da mais vil covardia digna dos fracos e traiçoeiros.

Alguns outros nomes para Tyr seriam: Tiw e Tiu.

Tyr habitava os palacetes enormes e atemporais de Odin como um dos mais nobres e impávidos Deuses.

Muitos guerreiros nórdicos antes de entrar em batalhas clamavam por Tyr de forma selvática em altos brados com as espadas em punho.

Quando os Normandos (que possuiam cerne genético Viking ) instalaram-se nas rochosas costas da Bretanha estes possuíam um calendário de dias utilizando seu Panteão Nordico.

E um destes dias traduzido para o inglês chamava-se Tyr Day ou “Dia de Tyr”.

Com as influências gramático-ortográficas da língua saxônica e o passar do tempo o nome do dia transmigrou-se para Tuesday.

Um fato comprobatório de tal afirmação é quando pronunciamos ambas as formas designativas dos dias (Tyr Day e Tuesday) vemos que ambas possuem igual valor fonético.

#Deuses

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Os Mamelucos e as Últimas Cruzadas

Publicado originalmente no Sedentário dia 3/3/2010.

Retornando às duas últimas cruzadas para finalizar esta que foi uma das fases mais sangrentas das batalhas pelo Oriente Médio durante os séculos XI e XII. Se você chegou agora, eu recomendo que leia antes os artigos sobre a Primeira Cruzada, sobre a Segunda e Terceira, sobre a Quarta Cruzada e os Cátaros, sobre a Quinta, Sexta e Sétima Cruzada pelo ponto de vista Templário.

Antes de prosseguirmos, será necessário explicar algumas coisas sobre os chamados “Mamelucos” que viviam no norte da África e o estrago que fizeram nas tropas cristãs estacionadas no Oriente Médio.

Os malucos Mamelucos

Os mamelucos eram escravos que originalmente serviam a seus amos como pajens ou criados domésticos, e eventualmente eram usados como soldados pelos califas muçulmanos e pelo Império Otomano para os seus exércitos, e que em algumas situações também detiveram o poder no Egito.

Os primeiros mamelucos serviram os califas em Bagdad no século IX. Os Abássidas (os descendentes de Abbas, tio do profeta Maomé) recrutaram-nos das famílias não muçulmanas capturadas em áreas que incluem a atual Turquia, Europa de Leste e o Cáucaso.

O uso de não muçulmanos justifica-se sobretudo porque os governantes islâmicos, muitas vezes lidando com conflitos tribais e debatendo-se com as intrigas para manter o poder, muitas vezes precisavam depender de tropas sem ligação com as estruturas (familiares e culturais) de poder estabelecidas. Também podemos justificar esta escolha em parte pelo argumento de que o Islã proibia que muçulmanos combatessem entre si (o que, naturalmente, era bullshit teórica religiosa, dado que na, verdade, eles viviam se matando).

Como mencionei acima, o principal motivo desta opção era político. Os guerreiros locais eram frequentemente mais fiéis aos sheiks tribais, às suas famílias ou nobres, do que ao sultão ou califa.

Se algum comandante militar local conspirasse contra o governante, era praticamente impossível lidar com ele sem causar intranquilidade entre a nobreza (que estava ligada a esse comandante por laços familiares ou culturais). As vantagens das tropas-escravas é que eles eram estrangeiros, possuiam o estatuto mais baixo possível na sociedade, não podiam conspirar contra o governante sem correrem o risco de ser punidos.

Após serem convertidos ao Islão, os mamelucos eram treinados como soldados de cavalaria. Apesar de não serem mais escravos de um ponto de vista técnico, após esse treino eles eram obrigados a servir ao sultão. Eram mantidos pelo Sultão como uma força autônoma sob o seu comando direto, para serem usados no caso de atritos entre tribos locais. Muitos mamelucos ascenderam a posições de influência no império desta maneira. Esse estatuto permaneceu não-hereditário no início e as suas crianças eram impedidas de seguir os seus pais. Com o tempo, porém, tornaram-se uma casta militar poderosa.

A Oitava Cruzada

Em 1265, os egípcios da dinastia mameluca tomaram Cesaréia, Haifa e Arsuf; em 1266, ocuparam a Galiléia e parte da Armênia e, em 1268, conquistaram a Antioquia. O Oriente Médio vivia uma época de anarquia total entre as ordens religiosas que deveriam defendê-lo, bem como entre comerciantes genoveses e venezianos.

O rei francês Luís IX (São Luís), retomou, então, o espírito das cruzadas, e lançou novo empreendimento armado, a Oitava Cruzada , em 1270, embora sem grande percussão na Europa. Os objetivos eram agora diferentes dos projetos anteriores: geograficamente, o teatro de operações não era mais o Mediterrâneo, mas a Túnisia, e o propósito, mais que militar, era a conversão do emir da mesma cidade norte-africana (Túnis).

Luís IX partiu inicialmente para o Egito, que estava sendo devastado pelo sultão Bibars, que apesar do nome, era muito macho. Dirigiu-se depois para Túnis, na esperança de converter o emir da cidade e o sultão ao Cristianismo. O sultão Maomé (pelamordosdeuses, não confundam com “O” Maomé… fazem 600 anos que o original morreu) recebeu-o de armas nas mãos. A expedição de São Luís redundou como quase todas as outras expedições, numa tragédia. Não chegaram sequer a ter oportunidade de combater: mal desembarcaram as forças francesas em Túnis, logo foram acometidas por uma peste que assolava a região, ceifando inúmeras vidas entre os cristãos, nomeadamente São Luís e um dos seus filhos. O outro filho do rei, Filipe, o Audaz, ainda em 1270, firmou um tratado de paz com o sultão e voltou à Europa. Chegou a Paris em maio de 1271 e foi coroado rei, em Reims, em agosto do mesmo ano.

A Nona Cruzada

A Nona Cruzada é, muitas vezes, considerada como parte da Oitava Cruzada, de tão picareta que foi. Alguns meses depois da Oitava Cruzada, o príncipe Eduardo da Inglaterra, depois Eduardo I, comandou os seus seguidores até Acre, embora sem resultados.

Em 1268, Bibas, sultão mameluco de Egito, reduziu o Reino de Jerusalém, outrora o mais importante dos estados cruzados, a uma pequena faixa de terra entre Sidão e Acre. A paz era mantida pelos esforços do rei Eduardo I, apoiado pelo Papa Nicolau IV.

Em 1271 e inícios de 1272, Eduardo conseguiu combater Bibars, após firmar alianças com alguns de seus adversários. Em 1272, estabeleceu contatos para firmar uma trégua, mas Bibars tentou assassiná-lo, enviando homens que fingiam buscar o batismo como cristãos. Eduardo, então, começou preparativos para atacar Jerusalém, quando chegaram notícias da morte de seu pai, Henrique III. Eduardo, como herdeiro ao trono e que de trouxa não tinha nada, decidiu retornar à Inglaterra e assinou um tratado de paz com Bibars terminando a Nona Cruzada.

Os Templários

No último post, paramos no 13o Grão Mestre, Phillipe de Plesis, que faleceu em 1208 e foi substituído por Guillaume de Chartres. Guillaume passou a maior parte de seu mandato na Espanha, em batalhas contra os mouros na Espanha, onde a Ordem adquiriu muitos territórios e um poder gigantesco. Guillaume faleceu em 1218, vítima da peste (Tifo) e foi substituído por Pedro de Montaigu.

Há uma curiosidade a respeito de Pedro. Como um dos principais Mestres Templários do período, Pedro foi eleito por unanimidade em 1218 e tomou parte nas batalhas da Quinta Cruzada. Seu irmão de sangue, Guerin de Montaigu, foi o Grão Mestre dos Hospitalários durante este período, o que explica este ser o período histórico onde as duas ordens mais cooperaram entre si, formando poderosas alianças que permitiram vitórias sobre os exércitos muçulmanos que não poderiam ter sido produzidas de outra maneira. As alianças entre as duas Ordens duraram até a morte de Pedro, em 1230.
Armand de Perigord foi o Grão Mestre Templário de 1230 até 1244, quando os cristãos enfrentaram para valer os Mamelucos pela primeira vez. O sultão de Damasco pediu a ajuda dos Templários, Hospitalários e Teutônicos (junto com suas próprias forças) para enfrentar a horda de mamelucos na Batalha de La Forbie (Outubro de 1244) onde levaram uma surra tão feia que resultou em mais de 30.000 cavaleiros mortos; entre eles, o próprio Armand.

Richard de Bures foi um Grão Mestre que serviu ao Templo de 1244 a 1247. Em alguns registros seu nome nem aparece. O que aconteceu é que pensava-se que Armand estivesse morto, mas depois descobriu-se que ele havia sido feito prisioneiro e estava de posse dos muçulmanos, onde ficou até 1247, quando foi dado oficialmente como morto. Muitos consideram Richard como um Grão mestre, enquanto outros historiadores dizem que ele foi apenas um marechal que cobriu a posição enquanto Armand estava capturado. De qualquer maneira, Guillaume de Sonnac assume o Grão Mestrado em 1247, no início dos massacres mamelucos.

A Campanha de Sonnac foi extremamente violenta. Os Cristãos haviam perdido Tiberias, Monte Tabor, Belvoir e Ascalon para os Mamelucos e as ordens do rei para estas campanhas eram para resolvê-las com violência, não diplomacia. As principais batalhas das quais participou foram a de Al Mansurah e a de Fariskur, em abril de 1250, onde acabou perecendo.
Renaul de Vichiers foi o décimo nono Grão Mestre Templário. Ficou no comando até 1256, quando faleceu em combate e foi substituído por Thomas Berard. Berard escreveu para o rei Henrique III descrevendo a situação miserável da Terra Sagrada. O poder dos mamelucos estava tão grande que foi necessário um acordo entre os Grãos Mestres Templários, Hospitalários e Teutônicos para conseguir resistir, e nem isso foi suficiente: os mamelucos dominaram a fortaleza de Safed em 1266, depois Beaufort, Antióquia, Gaston, La Roche e finalmente, em fevereiro de 1271, Chastel Blanc. Mais tarde, os Templários tiveram de retroceder para Tortosa e, em Junho, Monfort, a última fortificação cristã na Terra Santa foi tomada pelos mamelucos.
Guillaume de Beujeau foi o vigésimo primeiro Grão Mestre e participou de quase todas as derradeiras batalhas. Foi morto em 1291, durante o Cerco ao Acre e Thibauld Gaudin foi eleito o novo grão mestre. ao mesmo tempo, Jacques de Molay foi eleito Marechal de Campo. Gaudin tentou reagrupar os exércitos templários sobreviventes ao mesmo tempo em que tentava organizar as hordas de fugitivos que haviam chegado no Chipre. Aparentemente, a tarefa de reorganizar todo o exército cristão foi demais para ele e Gaudin faleceu em 1292, deixando para Jacques de Molay a tarefa de reconstruir toda a Ordem na Terra Santa à partir das ruínas.

Mas o pior ainda estaria por vir…

No próximo post, Jacques de Molay e o Fim dos Templários.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-mamelucos-e-as-%C3%BAltimas-cruzadas

Tecendo Sentidos

O neurologista Oliver Sacks costuma referir-se a si mesmo como um “cientista romântico”, ele acredita que a mente não pode ser descrita de maneira mecanicista, e que a neurologia moderna só será completa quando considerar a forma icônica e sentimental com que experienciamos a consciência e armazenamos nossas memórias.

Seus livros são verdadeiros dramas, descrevendo casos neurológicos sempre no contexto da vida e experiência pessoal de cada paciente. Muitos desses casos são devastadores, e somente a habilidade com a escrita (ele tem vários best-sellers no mundo todo) do autor faz com que a leitura seja pouco menos impactante do que um soco no estômago…

Sacks faz questão de destacar que cada doença é uma história, principalmente em se tratando de doenças da mente, algo ainda tão desconhecido, tão distante da visão mecanicista da ciência moderna. Em muitos casos as habilidades perdidas são compensadas por novas habilidades ganhas, o que fica muito bem explicado nos diversos casos de autistas savants descritos em seus livros – e principalmente no caso de Temple Grandin (tema principal do “Um antropólogo em Marte”).

Em seu livro “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, ele faz uma curiosa classificação dos diversos tipos de doenças mentais: (1) Perdas – quando a mente perde habilidades de interpretação da realidade que nos chega pelos sentidos; (2) Excessos – quando a mente se torna incapaz de filtrar a informação que nos chega a cada segundo, e fica em uma espécie de “curto-circuito mental”; (3) Transportes – quando a mente perde a capacidade de diferenciar o sonho da realidade, no que muitas vezes pode ser considerado um misto de doença com experiência mística; e (4) O mundo dos simples – que descreve os retardos mentais, sempre considerando que a mente de um retardado é “muito mais do que se pode ver a primeira vista”.

Nota-se em seus livros, sobretudo, a busca incansável pela essência de nós mesmos, pelo mistério que se esconde entre a consciência e a inconsciência, pelo verdadeiro eu que interpreta a realidade, e não poderá nunca ser reduzido a mero computador, a computar – e não computar e interpretar e elaborar respostas morais – a informação sensorial.

Em muitos casos, mesmo os mais extremos, Sacks consegue identificar esse eu profundo, lutando para se impor sobre as dificuldades da doença e produzir um novo sentido para sua própria existência. Mesmo que oculto em meio à escuridão de certas doenças, o eu sempre é capaz de voltar à tona, seja ouvindo música, seja produzindo arte, seja exercendo a espiritualidade. Em nenhum momento Sacks fala em assuntos metafísicos – toda sua ciência é perfeitamente compatível com a matéria –, mas ele sempre leva em consideração que a ciência atual não tem uma resposta bem elaborada para o que diabos possa ser este eu profundo a tomar as rédeas da própria consciência, essa essência do ser que não é perdida nem nos casos mais extremos…

Particularmente nos casos de amnésia extrema, quando os pacientes perdem por completo a capacidade de reter novas memórias por mais do que alguns momentos – alguns, menos de um minuto –, percebemos o quanto essa busca pelo eu profundo pode ser complexa. Porém, mesmo nesses casos, onde o ser vive em um eterno e confuso presente, a essência não é perdida. Fica ela lá, armazenada em algum lugar entre o cérebro e a mente, em alguma gaveta etérea da consciência, sempre esperando pelo próximo sinal capaz de fazê-la emergir da escuridão do não-ser.

Uma melodia, o tocar das teclas de um piano, uma oração, seja o que for: se é que somos computadores, fomos “programados” para tecer sentidos. Se tudo o que somos é um tilintar aleatório de partículas no cérebro, se somos pouco mais do que “coisas biológicas”, que pelo menos não se afirme que muitos de nós se recusaram a se deliciar com a “doce ilusão” do ser. Que não se diga que muitos de nós se acomodaram em serem máquinas, e não espíritos!

Afinal, o que seriam nossas memórias, nossos registros atemporais da existência? Sabemos que ficam em nosso hipocampo, mas e daí? O que isso significa? Sacks passou boa parte da vida tentando resolver tal mistério (citando o pós-escrito do caso intitulado “Reminiscência” em “O homem que confundiu…”):

“Estimule-se um ponto no córtex de um paciente assim [descrevendo casos de “alucinações musicais”] e desenvolve-se, convulsivamente, uma evocação ou reminiscência proustiana. O que serviria de intermediário para isso? Que tipo de organização cerebral poderia permitir que isso acontecesse? Nossas concepções atuais sobre o processamento e representação cerebral são todas essencialmente computistas. E, como tal, são expressas em termos de “esquemas”, “programas”, “algoritmos” etc.

Mas será que esquemas, programas e algoritmos nos fornecem, por si sós, a qualidade ricamente visionária, dramática e musical da experiência – a vívida qualidade pessoal que faz dela uma “experiência”?

A resposta é, claramente, e até mesmo com veemência, “Não!”. Representações computistas jamais poderiam, por si sós, constituir representações “icônicas”, as representações que são o encadeamento e a essência da vida.

Assim, surge um hiato, na verdade um abismo, entre o que ficamos sabendo por nossos pacientes e o que os fisiologistas nos dizem. Existe algum modo de transpor esse abismo? […] Existem conceitos além dos da cibernética com os quais possamos compreender melhor a natureza essencialmente pessoal […] da mente?”

Sacks prossegue citando Sherrington em seu livro “Man on his nature”, onde este imagina a mente como um “tear encantado” a tecer padrões mutáveis porém sempre significativos – tecendo padrões de sentido:

“Esses padrões de sentido transcenderiam programas ou padrões puramente formais ou computistas e dariam margem à qualidade essencialmente pessoal que é inerente a reminiscência, inerente a toda mnesis, gnosis e práxis. […] Padrões pessoais, padrões para o indivíduo, teriam de possuir a forma de scripts ou partituras – assim como padrões abstratos, padrões para computador, têm de estar na forma de esquemas ou programas. Portanto, acima do nível de programas cerebrais, precisamos conceber um nível de scripts e partituras cerebrais.
[…] A experiência não é possível antes de ser organizada iconicamente; a ação não é possível se não for organizada iconicamente. “O registro cerebral” de tudo – tudo o que é vivo – tem de ser icônico. Essa é a forma final do registro cerebral, muito embora o feitio preliminar possa ser moldado como cômputo ou programa. A forma final de representação cerebral tem de ser, ou admitir, a “arte” – o cenário e a melodia artística da experiência e da ação.”

Tal qual tecedores de tapetes mágicos, somos os eternos artistas de nós mesmos. Ainda que perdidos em poucos instantes de retenção da memória, ainda que tecendo desesperadamente um fio que logo depois se perde na escuridão do não-ser, estamos aqui lutando bravamente. Somos os grandes artistas da vida, resta-nos apenas reconhecer o quão belo e sagrado é todo esse mecanismo que nos permite existir – e existindo, tecer nossa própria história, nosso próprio sentido do existir.

***

Crédito da foto: Dinorah

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#materialismo #consciência #Medicina #Ciência #mente

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um instante

Arbustos cheios de pequenos seres aperreados, batendo asas, pulando entre galhos. Vários deles girando no ar entre as folhas. Do que adianta pensar sobre isso?

“That’s makes me feel sad”

-Se não fosse o censor que nos arranca o direito de escolha.

Ou
seria o direito de escolha uma mera ilusão diante de escolhas já em
andamento?

Meus
passos são sons ou somente meu movimento diante de uma estrada já
esculpida?

Onde
fica o direito de escolher antes dela ocorrer nas sombras da mente?
Tenho me vacinado contra o tédio me empanturrando de conflitos
ensaiados na tela. Ainda assim tais conflitos continuam em nossas
mentes. O pensamento só é, não precisa de explicação prévia;
uma aglutinação imbuída em seu próprio significado, sabe o que é
por ser somente.

Isso me faz pensar no Tao… E passo a ser só pensamento.

Muitos
temem a morte alucinógena de certas experiências acusando o que
veem de serem monstros distorcidos em busca de nosso fim. E
sentimos ela chegar.

O censor morre e antes de seu último suspiro faz crer que quem morre é quem está sempre diante da tela. E não só nos choca com o assalto da nossa razão no delírio do fim, liberta os monstros por debaixo dos monstros. Todos eles fazendo fila para arrancar mais um pedaço de confiança. Isso é doentio, tortura psicológica; você não somente morrerá, mas enfrentará tudo antes disso. Deseja realmente aceitar isso pacificamente? E nos contorcemos em pânico, tremendo normalmente num frio mórbido. Faz-nos recitar ‘mantricamente’ que não se está bem. E no primeiro movimento dos lábios o sensor sabe que fez um bom trabalho. Ainda que não possa vencer o avanço daquilo que lhe entorpece. O sensor cai morto sempre que dorme. Ele nunca dorme, só morre. Quando volta acha e faz parecer que nunca partiu. Mas as cadeias químicas percorrem o corpo envolvendo a mente, domando os pensamentos. E quando doma você é domado. O terror passa, ninguém morreu de fato. Você continua e isso parece renovador. Tudo livre, ao balanço do vento psicotrópico. Uns bailam até o renascimento da ordem. O que o sensor não saberá é o quanto você mudou.

Sentimos
prazer com nossa nova condição e um misto de liberdade e sincronia.
Isso por si só já alimenta alegrias ou fechamentos. Tudo sendo o
que precisa ser. Mas o ponto é que no fundo você sempre saberá:
não foi feito nada de fato.

Você simplesmente viu e sentiu, nada demais. Perdeu a chance de travar um novo processo ainda maior. Talvez certas coisas possam ter sido implantadas lá sem perceber. Coisas que possam vir a surgir no caminho, mas perceber é sempre um desafio durante ou depois disso. E esse momento único acaba sendo um processo muito cansativo e pouco válido, por que no fim acaba, dias após, junto com o esquecimento que o censor inevitavelmente ocasionará. Até o prazer pode ser perigoso para permanência do censor. Estamos acorrentados a este processo. Acreditamos ser melhor assim. Quem melhor do que um cuidador dedicado a uma causa nobre: segurar os demônios nos seus cantos.

Mas isso não é o mais estranho. Voltamos a temer a morte, achando ainda que é nossa. E mesmo que enfrentemos o rito novamente o medo estará lá, reforçado por declarações de medo, reverberando de cabeça em cabeça. Você não vê, mas todos os censores trabalham em uníssono. Um grupo de pessoas com medo aceitarão mais fácil o terror. E assim sendo alguém sempre usa uma desculpa para justificar. E mãos vão as cabeças. E de fato morremos. Por que o censor toma posse de toda nossa emoção e nos mata lentamente. E quando morre estamos vivos. E voltamos a nos felicitar além da conta. E as imagens simplesmente passam. Quantos de vocês dignos de uma espiritualidade trabalhada em lógicas e formas lindas, protegidos pelos seus pares aqui e lá acabam não vendo o privilégio de estar nu diante do espelho da mente? O escrutínio do censor não existe mais. É uma dádiva que parece passar desapercebida até por quem se dedica à linha de pensamento. O censor é tão esperto que não perderia a chance de deixar uma precaução. Ele sabe, sempre soube, que aquele que aprende precisa experimentar durante um tempo pra que o dado vire informação e posteriormente em sentido ou significado. Isso cria um vago espaço de tempo onde estamos diante de um poder imensurável e nada fazemos. Andamos em prados verdes e férteis e no fim acaba estéril e insignificante.

Por trás de toda interface existe um código-fonte muito bem moldado para cada tipo de experiência, por que assim esperamos ser melhor. Entender de imediato aquilo que experimentamos é advinda da confiança no processo de aprendizagem. E por isso as pessoas levam anos e mesmo assim patinam no limbo. O medo é essencial, mas aqui ele mata a possibilidade de olhar dentro do véu. E ficamos birutas curtindo cores e formas aleatórias. Feito criança que passa anos para lidar com o fato que entende e produz entendimento.

Esta é uma grande falha dos praticantes domesticados. Eles não voam, eles caem pasmos. E acordam com um censor novo em folha pra domesticá-los infinitamente.

“Enjoy”

Tudo o que fazemos que modela nossa realidade é em partes uma força bruta que a todos pertence. Ciência e Magia são um. Com formas diferentes de obter meios de reproduzir seus resultados. Mas no fim é sempre uma alteração de realidade. Esse conflito é desnecessário. O caminho está aberto? Abra você mesmo! Mate o Cérbero e invada o inferno chutando o portão sem piedade. Está preparado para lutar sem parar ao longo do infinito? Não há jornada maior e mais terrível. Não há recompensa maior e mais bela.

Conhece-te a ti mesmo… e mata o Cérbero sem pena. Ele voltará. Uma coisa com três cabeças, com certeza, volta. Mas após a primeira morte por suas próprias mãos não haverá mais uma porta depois do Cérbero. Invada seu lugar de direito. Tome o que é seu em suas mãos. Mas saiba que nada será esquecido.

Certo momento, invariavelmente, todos nós somos tomados pelo terror do discurso de morte do censor: cuidado! Há demônios do outro lado! Já que o trabalho dele é impedir que você passe a porta. Qualquer um com essa responsabilidade pintaria a porta de vermelho sangue e diria qualquer tolice que amedronte. Em grande parte isso é o terror de se reconhecer nas deformidades que encontrará. Com o tempo a visão acaba por se ajustar, percebemos que nós é que somos deformados e isso assusta. Nós somos limitados e não percebemos as reais formas. E cedo ou tarde o castelo ruirá. O passeio por sua casa é tudo o que tem. Construa o que desejar sem duvidar, perceba o que já tem por lá. Perceba.

E não há retorno; quando olhamos para o precipício ele olha de volta. Este momento requer paciência e pequenos passos. Domine os elementos internos abraçando a porta por onde tudo flui. Sabendo que seus instrumentos são uma extensão de seu corpo perceba a unidade. E se de fato for usar o caldeirão, terá de apreciar da sopa. Moradores e convidados sentem à mesa. O barco parte logo mais. A direção é para todos os lugares.

-Qual o objetivo disso além de experimentar?

É preciso coletar dados. Enfrentar o novo terreno e contemplar sua ciência. Domar a fera de todo modo.

Entretanto chegará um momento que reconhecer-se não será o problema. Tudo o que formos, será claro como água. O resto passará a ser uma vastidão infinita para desbravar. Achou que o monstro de três cabeças seria o único?

Ainda que reconheças que tais formas não são demônios, nada supera a experiência de olhar de frente para si. Ame cada pedaço, seja uma unidade. Assim poderá passear por aí, além da sua casa. Tal casa surge logo após a porta. Um lugar cheio de você por todos os lados, onde é preciso percorrer todos os vãos, iluminar todos os pedaços, reconhecer todas as fibras, anotar pra nunca mais esquecer, abrir janelas, trocar panos, mudar o que se precisa de lugar, reler livros guardados e reciclar as formas. Você é a chave para a próxima porta. A que não vemos antes desse momento. Afunde-se nela sem medo.

Há muita coisa por ai que precisa ser trazida e o momento é agora.

Não percamos nem mais um segundo.

S.O.Q.C.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-instante

Fundamentos da Magia(k) – Com Sérgio Bronze

Bate-Papo Mayhem #097 – 03/11/2020 (Terça) Com Sérgio Bronze – Fundamentos da Magia(k)

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo #hermetismo #Thelema

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