Signos do Fogo

ÁRIES: O Cordeiro é o primeiro signo da roda zodiacal, aonde esta começa sua rotação retrógrada. Sua energia é vital, e tem que ter a força necessária para mover toda a roda sob seu impulso. Seu regente é Marte, deus da guerra e se lhe costuma fazer ligação com a violência, mas sempre com a energia necessária a toda ação paciente e duradoura. Se a paixão é um de seus atributos, a experiência leva a temperar o caráter de Áries e a enriquecer suas virtudes.

LEÃO: Colocado no centro do solstício de verão, a localização de Leão (Rei da Selva) no meio do ano e em metade do verão, fazem dele um signo tão ardente como resplandecente. O amarelo dourado do leão, o sol (que o rege), e o ouro, conjugam-se no brilho de Leão, que o leva à maturação dos frutos.

SAGITÁRIO: O fogo de Sagitário (o arqueiro) não é arrebatador, nem se deixa ganhar por uma excessiva euforia. Os grandes ardores passaram, e o calor vem dando lugar à luz clara de Sagitário, onde os contornos das coisas se perfilam como mais nítidos. Sagitário, regido por Júpiter, envia sua flecha para o Sol, devolvendo a este a seiva da vida que dele recebeu.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/signos-do-fogo

Como Salomão encontrou a Sabedoria e o que fez com ela depois que a encontrou

Imagine que o Criador do universo e de todas as coisas abrisse o alçapão do céu, colocasse a cabeça para dentro do espaço-tempo e perguntasse a você: O que quer que eu te dê? 

Riqueza, poder, mulheres, mansões, iates, responderiam os personagens do Pica-pau, mas o Rei Salomão pediu outra coisa: Sabedoria. E ele tinha uma boa razão para pedir isso. Ele tinha acabado de virar o rei do povo de Deus e não queria pisar na bola com o chefão. 

Foi um golpe de mestre. Deus gostou tanto da resposta que, além de sabedoria, deu também mais riquezas, poder, mulheres e mais honras do que qualquer outro rei tivera antes dele. Só não deve ter dado iates porque eles ainda não tinham sido inventados e Ele não queria estragar a surpresa.

Salomão foi mais do que esperto, ele foi engenhoso. É como se ele houvesse achada uma lâmpada mágica e esfregado:

– Muito bem Salomão, liberaste o Gênio, tem um pedido!

– Quero muitos pedidos!

– Ahhhh Salomão… existe um único porém! Podes pedir qualquer coisa, menos mais pedidos! Hahaha!

– Uhm… então quero mais gênios!

O gênio na verdade foi Salomão. E assim com o primeiro pedido ele pode ter acesso a todos os outros. De fato entrou para a história como uma das pessoas mais sábias que já existiu.

E se o princípio de todo o sucesso de Salomão foi a sabedoria, não seria inteligente dar uma olhada no que ele deixou escrito sobre ela? Esta é sugestão que de Hugo de São Vitor dá em seu opúsculo sobre a arte de meditar (a cartilha de estudos favorita de 7 em cada 7 jesuitas). Ele diz

“Mas há dois gêneros de contemplação. O primeiro pertence aos principiantes que consideram as criaturas. O segundo e o último pertence aos perfeitos, que contemplam o Criador. 

No livro dos Provérbios, Salomão começa meditando; no Eclesiastes ergue-se ao primeiro grau da contemplação; e, por fim, no Cântico dos Cânticos, transporta-se ao grau supremo. “

Vamos então investigar o que um dos homens mais sábios da história tem a dizer sobre a sabedoria, fazendo um resumo rápido dos três livros mencionados:

Provérbios

Postura analítica sobre a Sabedoria.

Resumo:

  • O princípio da Sabedoria é o Temor a Deus. 
  • O Temor a Deus é aborrecer o mal e agradar a Deus.
  • Deus ama: mansos, humildes, diligentes, generosos, justos, de fala honesta e encorajadora. Ama também suas orações e sacrifícios.
  • Deus odeia: violentos, soberbos, preguiçosos, maliciosos, injustos, de fala desonesta e destruidora. Detesta também suas orações e sacrifícios.
  • Razões positivas: O sábio terá sucesso, felicidade, riqueza, prosperidade, honra e segurança.
  • Razões negativas: O tolo terá fracasso, angústia, pobreza, desgraça, desonra e desamparo.
  • É impossível ser sábio sem ser Humilde.
  • Como ser humilde: seguir os mandamentos, obedecer os pais, aceitar conselhos e críticas dos amigos.

Nessa hora ocorre uma guinada no roteiro e a figura paterna que começou a escrever o livro desaparece e o livro revela duas coisas inusitadas:

  • A Sabedoria se apresenta como uma pessoa. Essa pessoa é anterior a toda criação e que estava com Deus durante a criação.
  • O homem é um ser tão burro que se sua mulher for boa ele será bom, mas se a mulher for ruim ele será pior!

Guarde essas duas informações, vamos precisar delas daqui a pouco.

Eclesiastes

Postura sintética da Sabedoria. 

Resumo:

  • Conquistas são vãs: o que se constrói o tempo apaga
  • Conhecimento é vãs: às perguntas são sem fim e o estudo enfadonho
  • Prazer é vão: alegrar o coração se alegra mas dura pouco
  • A Riqueza é vã: quando mais se tem mais se quer e mais se gasta
  • Trabalho é vão: uns trabalham e outros aproveitam e todos morrem
  • Poder é vão: é aflição do espírito e muda sempre de mãos.
  • Tudo isso é apenas vaidade.
  • A vaidade do homem planeje a trabalhar mas é que determina a hora de tudo
  • A vida é incerta e cheia de injustiças
  • A juventude é breve
  • A morte é certa
  • Desfrute às coisas boas da vida mas não busque vaidades.
  • Sabedoria mesmo é apenas temer a Deus e guardar seus mandamentos

Se em Provérbios Salomão ensina que a Sabedoria é agir de forma virtuosa na tentativa de agradar Deus, aqui ele complementa isso lamentando os limites dos esforços humanos e dizendo que a maior parte deles não é nada além de vaidade. Diz ainda que a vida tem coisas boas sim, mas a maior parte delas está fora do nosso controle. Ao temor a Deus ele complementa Sabedoria como o desfrute das coisas boas que Deus gratuitamente nos envia sem a neurose de tentar controlar tudo.

Cântico dos Cânticos

A experiência direta da sabedoria.

Resumo:

  • Esposo e esposa se cortejam e celebram o amor entre si.
  • O casal se entrega e pertence um ao outro.

Como dá para perceber este é o menor dos três livros. Talvez porque as mãos e a boca de Salomão estivessem ocupadas. Cantares é um livro curioso. Ele faz parte das obras sapienciais de Salomão mas foi historicamente criticado por um livro erótico devido a sua linguagem sensual e por conter as declarações mais diretas sobre sexo em toda a Bíblia. Quero dizer, imagine um padre lendo isso na missa:

“Como são bonitos os teus pés ágeis, ó princesa! As voltas das tuas coxas são como joias, trabalhadas por mãos de artista. O seu umbigo, como uma taça onde não falta bebida; teu ventre é um campo de trigo cercado de lírios. Seus dois seios parecem-me com gêmeos de gazela.”

Em Provérbios Salomão deu uma visão analítica do que é a Sabedoria e lançou aqui aquela curiosa ideia de que uma boa mulher é um tesouro e uma mulher vil uma perdição para os homens que buscam a sabedoria. 

Em Eclesiastes Salomão constatou que há um limite na natureza das conquistas humanas – inclusive na própria sabedoria. Ele lembra que tudo está nas mãos de Deus e não aceitar isso é vaidade. Diz ainda que mesmo não tendo controle de tudo, há sabedoria em desfrutar do que temos e sermos gratos a Deus por isso. 

Já em Cantares, testemunhamos Salomão viver o amor por aquela mulher exemplar que ele havia sugerido teoricamente. É como se o amor romântico entre duas pessoas virtuosas criasse uma chama para alimentar formas mais universais de amor.  Vou arriscar duas razões para isso:

1. Tendemos a nos tornar parecidos com aquilo que amamos.

2. Quem ama quer agradar e para agradar alguém bom você precisa aprender a ser bom também.

Por isso o amor romântico é tão poderoso e perigoso. É poderoso porque pode ser a porta de entrada para formas mais universais de amor. É perigoso porque se você amar algum ruim, ficará pior também.

Em cantares não há necessidade de todo esse discurso. Note que nem a sabedoria nem Deus são mencionados textualmente neste livro, mas se Deus é Amor e a Sabedoria é Amar, lá eles estão. Ações são mais poderosas que palavras. 

Em Provérbios Salomão medita sobre o Sabedoria, em Eclesiastes especula sobre o Amor. Em Cantares, a beija.

Thiago Tamosauskas é colaborador constante do projeto Morte Súbita inc e autor de diversos livros

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/como-salomao-encontrou-a-sabedoria-e-o-que-fez-com-ela-depois-de-encontrar/

Mapa Astral de Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.

Mapa

O Mapa de Machado de Assis mostra Sol em Gêmeos-Câncer (Rainha de Copas), Mercúrio em Gêmeos (o “Mercúrio dos Escritores”), Lua e Júpiter em Libra (reforçando aspectos do elemento Ar no Mapa); Vênus em Leão, Marte em Virgem e Saturno em Sagitário (o “saturno dos professores”). Seu Planeta mais forte é Mercúrio em Gêmeos, com nada menos do que 7 Aspectações fortes (influenciando praticamente todo o Mapa).

O Mapa indica uma pessoa com facilidade muito acima da média para contar histórias, com um senso de justiça e harmonia também acima da média e facilitado na escrita pela capacidade de se colocar no ponto de vista dos outros. Marte em Virgem indica tendência ao perfeccionismo, lapidado pela responsabilidade na carreira (esta combinação normalmente gera workaholics ou pessoas com extensa produção; no caso dele intelectual já que toda a sua Verdadeira Vontade flui em consonância com Mercúrio/Hod).

Um Mapa perfeito para um escritor-acadêmico (em tempo: Machado de Assis fundou e foi o primeiro presidente da academia Brasileira de Letras, não por coincidência…).

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-machado-de-assis

Livre Arbítrio

Jean Dubuis

Existe ou não livre arbítrio para os humanos?

A resposta depende do ponto de Evolução do indivíduo. Como qualquer coisa resultante da incorporação da Eternidade e do espaço-tempo, a questão do livre-arbítrio na Evolução é uma questão difícil de explicar. No entanto, como é uma chave principal, tentaremos entender como ela funciona.

Tudo na Natureza passa primeiro por uma fase de involução e depois por uma fase de evolução. Na origem, o homem é um ser eterno em potencial, mas pode, de repente, partir do ponto-semente primordial para o Ser realizado do fim dos tempos. Essa mudança ocorre em etapas. O homem necessariamente desce a mundos mais densos até chegar ao nosso: é a fase de involução. Quando as estruturas apropriadas estiverem preparadas, o homem pode iniciar a viagem de retorno. Esta é a fase evolutiva, o caminho da reintegração. Esta viagem, em ambas as direções, é realizada em dez passos que correspondem a dez níveis de consciência no homem, os dez níveis de energia da Criação.

O Homem Verdadeiro é, portanto, de Essência Eterna (Energia Primal). Essa Essência, como tudo que vem do Universo, passa por uma série de preparativos no tempo. Portanto, o Ser de Essência Eterna eleva-se gradativamente até sua realização através do tempo, parte ativa da Eternidade. Esta preparação é realizada em três ciclos:

  • Involução-evolução mineral,
  • Involução-evolução da planta,
  • Involução-evolução animal.

Então o foco da Energia Primordial, o ponto-semente do Ser atinge a autoconsciência, o primeiro passo decisivo para a Realização. A diferença essencial que causará a involução e a evolução é que o homem onisciente mas passivo do começo se torna o homem onisciente ativo do retorno, ou seja, livre.

Na Essência Eterna, o determinismo não existe. Não pode existir porque o elemento tempo ainda não se manifestou. Ele se manifestará em 3-4 (veja o diagrama acima). Na Criação há duas áreas: a do infinito, a da Eternidade; e a do Espaço-tempo do mundo finito e determinado. É neste último que o homem adquirirá a liberdade.

A Primeira Energia, quando brota, envolve três estágios:

  • Emanação no manifesto,
  • Diferenciação que cria dualidade em energia,
  • Condensação ou coagulação da energia em matéria.

Essa diferenciação de energia, ao criar dualidade, separa as polaridades passiva e ativa do homem andrógino.

Concomitantemente ocorre a diferenciação do espaço-tempo. Aparece então uma possibilidade de ação, ou iniciativa, de que o ser ativo seja capaz de agir sobre o passivo. O livre arbítrio pode começar a se manifestar.

Durante a descida (ou involução), essa dualidade vai aumentando, e com ela a possibilidade de aumentar a ação. Mas, ao mesmo tempo, o esquecimento abrange a onisciência da Origem e o determinismo aumenta sua aderência. Vamos esclarecer esse fenômeno.

A parte eterna do homem, livre em sua essência, não pode atuar em seu mundo de eternidade por falta de espaço-tempo. Seu domínio das leis da Natureza só pode ser expresso através do vínculo com a parte encarnada do homem. À medida que o ser progride para mundos cada vez mais densos, o ser é cada vez mais forçado a agir sob a pressão de forças mecânicas determinísticas da matéria. Assim, o vínculo entre o ser Eterno e o eu na Terra se estica e enfraquece. O livre arbítrio do homem depende da qualidade da conexão entre seu ser Eterno e seu ser na Terra.

No nível mais baixo, o nosso (nível 10), as leis dos vários planos limitam o campo de ação do homem, e ele não pode mudar isso antes do início de sua ascensão ao seu estado original. Dentro da área do “mundo finito”, o homem é livre, ou seja, livre dentro desse quadro finito. Ele pode, portanto, aprender a ser ativo, a empreender.

Ele também pode se recusar a agir e ignorar momentaneamente a “Pressão Cósmica” que o leva a se tornar. Neste caso, se ele estiver muito atrasado em seu Caminho, o vínculo com a eternidade enfraquecerá ainda mais com sua recusa em estar atento ao que lhe convém. Essa escuta, é verdade, ainda é muito baixa ou inaudível. Assim, o determinismo o obrigará a retomar sua Rota, geralmente de maneira desconfortável.

De fato, o livre-arbítrio para o homem é estar atento às Leis da Natureza e aplicá-las para aumentar seu escopo de ação. Podemos ordenar a Natureza apenas pelo uso de suas leis.

A boa vontade, ou a abordagem inteligente de ir na direção da “Pressão Cósmica” aumentará o livre arbítrio do homem e ao mesmo tempo permitirá que ele retorne (evolução).

Quando a jornada de Retorno estiver completa, o homem recuperará a onisciência original e terá forjado dentro de si a capacidade de usá-la em ciclos contínuos de Criação.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/livre-arbitrio/

06/06 – São Teobaldo de Provins

Nasceu em Provins neste dia 30/junho de 1017 em Brie, França. É considerado o Protetor dos Carvoeiros.

São Theobaldo era filho do Conde Arnaldo de Champagne e educado para ser um soldado, mas na idade de 18 anos, depois de estudar as vidas dos santos sentiu um grande desejo de seguir a vida religiosa e viver uma vida ascética.

Ele deixou os militares, e com a permissão de seu pai entrou para a Abadia de São Remy em Rheims. Ele e outro nobre de nome Walter se tornaram eremitas em Suxy, Ardenha. Em 1035 eles mudaram para a Floresta de Pettingen em Luxemburgo onde trabalharam como pedreiros e no campo durante o dia e a noite passavam em orações. Na busca de solidão e contemplação eles peregrinaram para Compostela e Roma e reassumiram suas vidas de eremitas em Salanigo, perto de Vicenza, Itália.

Walter morreu dois anos mais tarde. A santidade de Theobaldo atraiu muitos discípulos e ele foi ordenado e tornou-se um monge Camaldoles. Ele curava varias doenças apenas com sua benção e oração. Sua fama se espalhou e vários nobres e príncipes vinha a sua procura para conselhos e curas. Sua fama alcançou também os seus parentes que vinham visita-lo. Sua mãe mais tarde também se tornou uma eremita em um local próximo.

Ele faleceu em Salanigo, Itália em 30 de junho de 1066.

Ele foi canonizado pelo Papa Alexandre II em 1073.

Teoria da Conspiração parabeniza todos os primos Carbonários por este dia.

#Carbonária

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/06-06-s%C3%A3o-teobaldo-de-provins

Astaroth

Uma Breve Introdução ao Conceito da definição do Ser.

Há muito que se aprender sobre determinadas Inteligências, só que, é sabido pela grande maioria dos estudiosos do Ocultismo, seja este em qualquer ramificação das religiões da mão esquerda, que os detentores dos poderes políticos das religiões de massa e escravistas, fizeram de tudo para que esses conhecimentos não chegassem até nós, nos dias de hoje. Infelizmente a religião judaico-cristã contribuiu para a destruição quase que total de toda fonte verossímil acerca de tais saberes.

O que podemos ainda contar, mas não em grande veracidade são com alguns Grimórios (livro de conhecimentos mágicos, a grosso modo falando), que em 90% dos casos estão propositalmente alterados pela religião, a fim de distorcer, denegrir e ocultar a Gnose ou Sabedoria, como queira, acerca de determinadas Inteligências.

Não usarei de delongas explicando o que é um demônio, pois o Portal Morte Súbita está repleto de informações riquíssimas sobre os mesmos, somente abrirei um parêntese sobre a etimologia do vocábulo a fim de sustentar a minha posição de utilizar Inteligência neste texto em vez de Demônio. É praxe que até a expressão “demônio, foi demonizada” por quem muito astutamente não queria que todos tivessem acesso a estes seres brilhantes e ajudadores em via de regra da humanidade. “Demônio” deriva da língua grega daimónion, ou daimon que quer literalmente dizer Gênio, ramificando-se para a língua árabe, a palavra se dimana para “djjins” que significa gênio. Daí surgira o mito do “Gênio da Lâmpada”, como todos conhecem.

Um Deus, uma Deusa, um Demônio ou uma Inteligência?

Neste caso, o uso da palavra Inteligência tem a denotação de atribuir toda à Sabedoria que um Ser Superior, diferente dos homens, possui em sua totalidade. Pois bem, mais a frente, tentarei sucintamente atribuir Astaroth em relação à sua Esfera Cabalística e em relação à sua Qliffot (sem adentrar a fundo no conceito de Kabbalah), pois se encontram também aqui no Portal, bons materiais que abordam o assunto, mas é através destes textos cabalísticos que Astaroth é mais profundamente conhecido como um Arquedemônio com poderes inimagináveis!
Em 1458, em alguns fragmentos de escritos hebraicos relacionados a demonologia, pode-se encontrar, por exemplo, no Livro de Abramelin,  Astaroth sendo o primeiro conhecido demônio do “sexo masculino” além de Satã, Beelzebuth, dentre outros, o que se popularizou ainda mais nas escritas de outros grimórios ao longos dos séculos conseguintes.

A antiga cidade da Cananéia, ademais de “pertencer” ao povo hebreu, de origem monoteísta, (hoje compreendida entre parte da Faixa de Gaza, talvez a Cisjordânia e a Jordânia) incluíram em suas adorações aos deuses pagãos o culto a esta Divindade como uma Deusa chamada Astarote. Na demonologia antiga, esta Inteligência pôde ser chamada de Astaroth, Astarote, Astarot e Asteroth, todas significando a sua coroação de um Príncipe no Inferno.

Alguns teóricos em demonologia afirmam veementemente que somente a partir do segundo milênio a.C. que o nome Astaroth fora reconhecido, e que fora derivada da Deusa fenícia Astarte, também anteriormente como a sumeriana Ianna e equivalente a babilônica Ishtar.
Ademais disso também temos a questão da antropomorfização, onde queremos atribuir questões inimagináveis ao que imaginável, do impalpável para o palpável, fora as questões culturais da época em relação principalmente do povo hebreu com questões machistas, que não aceitavam nem em suas relações interpessoais que mulheres tivessem algum valor, quanto mais atribuir a uma Deusa, digamos assim, o poder de trazer algum tipo de benção, seja lá qual fosse a este povo. Todavia, deixando de lado o estereótipo sobre a “sexualidade” da Inteligência, daremos curso ao nosso pequeno estudo.

Astaroth e a Bíblia

Astharthe (singular) e Astharoth (plural) vem da tradução da Bíblia Vulgata Latina, tradução essa possivelmente da Deusa Ashtart ou Astarté, conforme dito no tópico anterior.

No livro de Juízes, no capítulo 2, dos versos 11 ao 13 é clara a insatisfação dos hebreus com seu Deus Iavé, o que os faz, quase que repentinamente, e, por toda a bíblia, repetidamente abandoná-lo e seguir aos outros Deuses.

“Então fizeram os filhos de Israel o que era mau aos olhos do senhor; e serviram aos baalins.

E deixaram ao senhor, deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros Deuses, dentre os Deuses dos povos, que havia ao redor deles, e adoraram a Eles; e provocaram o senhor à ira.

Porquanto deixaram ao senhor, e serviram a Baal e a Astarote.”

A insatisfação também toma conta do dito Rei mais sábio de Israel Salomão em 1 Reis 11:5:

“Porque Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e Milcom, a abominação dos amonitas”.

Em guerras entre Filisteus e Hebreus: em 1 Samuel 31:8-10:

“Sucedeu, pois, que, vindo os filisteus no outro dia para despojar os mortos, acharam a Saul e a seus três filhos estirados na montanha de Gilboa. E cortaram-lhe a cabeça, e o despojaram das suas armas, e enviaram pela terra dos filisteus, em redor, a anunciá-lo no templo dos seus ídolos e entre o povo. E puseram as suas armas no templo de Astarote, e o seu corpo o afixaram no muro de Bete-Seã.”

O Deus dos hebreus com crises de ciúmes e consciência em 1 Reis 11:33 :

“Porque me deixaram, e se encurvaram a Astarote, deusa dos sidônios, a Quemós, deus dos moabitas, e a Milcom, deus dos filhos de Amom; e não andaram pelos meus caminhos, para fazerem o que é reto aos meus olhos, a saber, os meus estatutos e os meus juízos, como Davi, seu pai.”

De novo? Em Juízes 10:6:

“Então tornaram os filhos de Israel a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, e serviram aos baalins, e a Astarote, e aos deuses da Síria, e aos deuses de Sidom, e aos deuses de Moabe, e aos deuses dos filhos de Amom, e aos deuses dos filisteus; e deixaram ao SENHOR, e não o serviram.”

Astaroth e a Goétia

Segundo a Arte Goétia (tema bastante controverso e polêmico, particularmente falando), tentarei aqui, ser ao máximo imparcial, apenas apontado relatos de crença e histórico. Através de “A Chave Menor e As clavículas de Salomão”, é “possível” ao magista através de “triângulos” com os nomes de anjos e nomes do deus hebreu, através de um suposto anel com símbolos judaicos, “submeter” esta Inteligência, e, até mesmo sujeitá-la a interrogatórios para diversos fins de proveito próprio, como a arte adivinatória, os segredos da Criação, questões que envolvem o passado, o presente e o futuro, sabedoria ilimitada nas artes liberais e eticétera. Ainda pela Goétia, temos conhecimento de que Astaroth é na contagem dos 72 “Demônios” é o 29º, que aparece montado sobre uma besta, semelhante a um Dragão Infernal, tem a fisionomia de um anjo medonho, e, ainda reina sobre 40 legiões, além de ser um demônio poderosíssimo!


Selo de Astaroth segundo a Goétia

Esta é a descrição de Astaroth segundo o Dicionário Infernal: Usa uma coroa reluzente, vêm sempre montado em sua besta-fera-dragão, que possui uma cauda de serpente e asas, e vem despido, aparentemente tendo algumas penas (provavelmente asas). Outra versão de aparições bem semelhante é a de que Astaroth propriamente é um homem desnudo com asas, possui mãos e pés de dragão e segura uma serpente em uma das mãos, vindo cavalgando sobre um lobo ou cachorro gigante. A possibilidade do livro do Apocalipse estar fazendo menção à Astaroth é segundo ainda outras aparições, onde Ele é um Cavalheiro Negro montado em um grande escorpião.

Existe uma teoria extremamente controversa de que Ele tem como seu principal adversário o “santo” Bartolomeu, porque este último resistiu as suas “tentações” e pode ajudar a quem rogá-lo. Segundo remonta a história, as tentações vencidas foram nada mais nada menos que: a preguiça, a vaidade e as filosofias racionalizadas, isso também é relatado por Sebastien Michaelis.

Já segundo Francis Barret e outros demonologistas do século 16, Astaroth é um dos principais acusadores e inquisidores, onde no mês de Agosto os ataques ao homem por esse demônio são extremamente fortes. Pode ser que o mito da frase: “Agosto o mês do desgosto” tenha alguma relação com o fato narrado.

Outros que afirmam que tiveram contato direto ou indireto com esta inenarrável Inteligência passaram a terem uma desenvoltura absurdamente ampla nas ciências da matemática, no artesanato, na pintura, conseguiram desvendar segredos indecifráveis, além de encontrarem tesouros escondidos por magos e feiticeiros, e, até mesmo a tão almejada arte da invisibilidade. Além de terem recebido poderes para enfeitiçarem serpentes de todos os tipos.

A Influência desta Inteligência em nosso presente século é absurdamente inconfudível!

Astaroth e as Artes

Na Música:

  • Referência na música da Banda de Back Metal Mercyfull Fate – “No som do sino do demônio”.
  • Referência na música da Banda de Doom Metal Candlemass – “Anão Negro”.
  • Referência na música da Banda de Doom Metal Draconian – “Embrace the Gothic” e Serenade of Sorrow”
  • A Banda Testament contém uma referência à Astaroth na música “Alone in the Dark”
  • A Banda Behemoth de Death Metal menciona-O na canção “Mate os Profetas Ov Isa”
  • Em  “Abrahadabra” de Dimmu Borgir o selo de Astaroth está lustrado  na capa do álbum.
  • Astarte é uma Banda feminina de Black Metal grega, formada em 1995 – aonde um dos hits que mais fizeram sucesso foi uma louvação própria a esta Inteligência – nome da música: Mutter Astarte – do Álbum Demonized, de 2007.
  • Mägo de Oz é uma banda espanhola de folk metal – diante de muitas músicas, possui uma de Adoração Explícita à Astaroth, inclusive informações de como invocar a Inteligência.
  • Dentre muitas outras bandas…

No Cinema:

  • Uma Filha para o Diabo de 1976 – O filme é sobre um duelo entre um escritor de livros sobre ciências ocultas e o demônio, com quem a filha de um casal de amigos fez um pacto. A chave do mistério está nos códigos de Astaroth, num livro satânico.
  • Der Golem, wie er in die Welt Kam  de 1920, Adaptado por Heinrik Galeen e Paul Wegener é sobre uma lenda do gueto de Praga. O rabi Low, para proteger o seu povo de uma ameaça dá vida a uma estátua de barro com a ajuda das forças das trevas. Mas, depois de cumprida a sua missão, o “demônio” é de novo animado para satisfazer a vingança de um rapaz apaixonado pela filha do rabi, e destrói tudo à sua volta. Este é um dos mais famosos títulos do cinema alemão dos anos 10 e 20, de que se fizeram várias versões. A de 1920 é a segunda representação do cinema. Livros esotéricos de consultoria surgiram posteriormente para encontrar o segredo de como criar o tal “monstro de barro”, que segundo muitos apreciadores da obra, atribuem este ser “criado” advindo do submundo a Astaroth.
  • Em 1971 Bedknobs e Broomsticks, é um filme musical onde “A Estrela de Astaroth ‘é um artefato que os protagonistas começam a utilizar a partir da cena da “Ilha de Naboombu”.

Na TV:

  • Num episódio de um seriado chamado “Não ao Exorcista”, no primeiro episódio aparece um demônio que possuía um adolescente, e este demônio “foi” Astaroth.
  • Na 3ª temporada de Friday the 13th: The Series o episódio chamado “As Profecias”, quem está incumbido de abrir a porta de entrada de Lúcifer para a Terra, contada em seis profecias, é Astaroth que aparece como um dos “anjos caídos”.
  • Em Blood Ties, o selo de Astaroth aparece magicamente tatuado nos pulsos da personagem principal.
  • Em “Trials of the Demon”, episódio de Batman: The Brave and the Bold, Astaroth aparece como um demônio, a fim de buscar as almas que tentam escapar de suas mãos.
  • Dentre muitas outras aparições, que tornaria exaustivo a explanação completa aqui.

Nos Games:

  • O Arquidemônio Astaroth é o “chefe” final no game original Ghosts ‘n Goblins e um “chefão” em Ghouls e Super Ghouls ‘n Ghosts . Um personagem similar em aparência e ataque a Ele também aparece como um chefe mediano em Rosenkreuzstilette Freudenstachel .
  • Em MapleStory , Astaroth é um chefe no final do desafio das aventuras
  • No Never Dead , o principal vilão é Astaroth, que mata seu amado e das lágrimas de seus olhos, faz um Demônio Lord Imortal que vai sofrer por toda a eternidade.
  • Em Dungeons & Dragons jogo RPG, Astaroth aparece como uma divindade para aqueles de alinhamento com o “mal caótico”.
  • No game Castlevania: Portrait of Ruin, Astaroth aparece como um nobre egípcio.
  • Em Soul Calibur série de jogos de games, um demônio chamado Astaroth é um personagem jogável.
  • E assim, continua…

Na Literatura:

  • Astaroth aparece como um demônio brevemente no Warhammer 40.000 em Daemonifuge (quadrinhos).
  • É a personagem de Luigi Pulci ‘s Renascença, Épico de Morgante .
  • É o nome de um Romance escrito pelo croata escritor Ivo Brešan .
  • Astaroth aparece como um personagem de apoio / vilão de Marlon Pierre-Antoine de Wandering Stars .
  • É o vilão de Henry H. Neff na Tapeçaria (série).
  • Fez várias aparições como um demônio na história em quadrinhos Hellboy .
  • Dentre outras muitas dezenas de relatos.

Segundo um segmento religioso da “mão esquerda”, Astaroth possui:

  • Posição no Zodíaco de 10 a 20º de Capricórnio
  • Dias concernentes à Inteligência: de 31 de Dezembro a 09 de Janeiro
  • Dentro das Cartas de Tarô é o Ás de Copas
  • Planeta associado: Vênus
  • Cor de vela predileta: Marrom ou Verde
  • Metal: Cobre
  • Elemento: Terra
  • Hierarquia: Grão-Duque das Regiões Ocidentais do Inferno.

 

De todas as informações “colhidas” e expostas em nível de conhecimento e até mesmo como objeto de estudo e verificação anterior, ademais das muitas linhas de raciocínio e compreensão desta Inteligência, sem querer ser pretensioso, o ponto de vista a seguir explanado, é o que tem maior coerência, pois tem extrema relação e compromisso com a Verdade na qual é compreendido Astaroth, Ele pertence e tem relação com a Esfera Planetária de Júpiter, a Porta Obscura associada às suas Evocações chama-se Abbadon e sua Esfera Cabalística é a de Gha´aghsheblah.

Sigilo de Gha´aghsheblah

Os favores daqueles que comungam a verdadeira essência deste Magnífico Deus são:

Misantropia, Aristocracia Satânica, Inteligência, Filosofia, Sabedoria, Riqueza, Luxúria Sangrenta e Fatal, a Manipulação, a Divulgação do Suicídio, a Sorte, a Honra e Descoberta de Novos Aliados, assim como a Canalização das Energias “Sinistras” e a Abertura do “Olho do Holocausto”.

Ele habita / está composto no Quarto Ângulo de Sitra AHRA, simploriamente falando sobre as esferas Qliffóticas da “Árvore da Morte”.
Devido o Seu Portal Obscuro ser Abbadon, Astaroth também é capaz de abrir a 3ª visão e dar poderes de Clarividência ao Magista que o busca, além de fortalecê-lo cada vez mais, a fim de que as falsas luzes demiúrgicas sejam cada vez mais diminuídas, e o adepto da Religião da Mão Esquerda recebe mais ascensão na Luz Negra.

Esses “novos aliados” citados acima, tanto podem ser seres humanos quanto espirituais (espíritos familiares e/ ou daemons), e, a sabedoria não deriva somente da humana, mas também a Satânica (Emancipação do Intelecto), e, quem se aproxima desta Inteligência com o intuito de contemplá-la e não somente usufruir de seus Incontáveis Poderes, poderá ter neste Deus um Verdadeiro amigo, companheiro, e uma fonte inenarrável de Gnose e avanços em amplos sentidos na vida.


Sigilo de Astaroth segundo a Tradição Anticósmica da Corrente dos 218

“Astaroth Nisa Chenibranbo Calevodium Barzotabrasol!”

Hail Astaroth!

Bibliografia: Wikipédia, a enciclopédia livre, A Chave Menor de Salomão, As Clavículas de Salomão, Bíblia Sagrada – Versão Corrigida e Atualizada, Joy of Satan, MLO (Misantropic Luciferian Order), T.O.T.B.L (Templo of the Black Light) e o Liber Azerate – O Livro do Caos Irado 2002.

 

Bruxo Του Βάαλ – A’ arab Zaraq

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/astaroth-2/

O Fim do Tempo

» Parte final da série “Reflexões sobre o tempo” ver parte 1 | ver parte 2

Igne Natura Renovatur Integra (INRI) – Pelo Fogo a Natureza se Renova Inteiramente.

De tempos em tempos acontece, e nem precisa ser uma “data cheia”, como o ano 1.000 ou o 2.000 (esquecem-se de que o milênio novo se iniciou em 1.001 e 2.001, respectivamente), a última data “prevista” foi 21/05/2011, precisamente às 18h do horário local de cada país do mundo… Segundo o pastor protestante Harold Camping, os bons seriam arrebatados aos céus de acordo com seu respectivo fuso-horário: na Nova Zelândia teriam a oportunidade de se aventurar aos céus mais cedo, na ilha de Samoa seriam alguns dos últimos, já que o governo ainda não efetuou a troca de fuso-horário [1].

E para quem os portões do céu não se abrissem, restaria o inferno na Terra até 21/10/2011, data em que um deus colérico poria fim não somente ao planeta, mas a toda criação – o fim do Cosmos, o fim de todo o espaço-tempo!

Não é a primeira vez que Camping foi ridicularizado por uma previsão errada do fim do mundo. Ele chegou a escrever um livro sobre como o arrebatamento ocorreria em 1994, e já estava errado desde aquela época. Interessante como eles parecem não se importar… O ocultista (e ultimamente, especialista em desmistificar lendas do fim dos tempos, como a baseada no calendário maia) Marcelo Del Debbio costuma dizer que não tem coisa mais inútil do que se prever o fim do mundo – se o sujeito errar, será ridicularizado; se acertar, não restará ninguém para lhe dar atenção (há não ser aqueles poucos que conseguirem se encontrar no céu, supondo que quem previu não tenha cometido o pecado da falsidade em previsões anteriores).

Saibam que a previsão de Camping nem de longe soa tão absurda quanto a que Charles Russell realizou para 1914, e sobre a qual as Testemunhas de Jeová depositaram toda sua fé… O absurdo não é por ter se equivocado, mas porque existem Testemunhas que creem que o mundo acabou em 1914. O que vivenciamos hoje é uma espécie de sonho, uma ilusão que nos impede de perceber que o mundo já acabou. Sim, não faz sentido, mas e daí?

Um dia recebi em minha caixa de correio uma carta de uma Testemunha me convidando para visitar uma de suas igrejas. A carta era muito amável, mas o que realmente me surpreendeu é que foi escrita a mão! Fiquei imaginando quantas cartas aquela senhora escreveria toda semana, de próprio punho, provavelmente para serem descartadas antes mesmo de terem sido lidas… Os religiosos gostam de se sacrificar por suas causas, e que maior sacrifício, que maior evento divino, cósmico, que o próprio fim dos tempos?

Quando, em 1722, o explorador holandês Jakob Roggeveen alcançou, num domingo de Páscoa, aquela distinta ilha isolada do resto do mundo por muitos quilômetros de oceano, encontrou apenas alguns nativos miseráveis, com barcos de pesca precários, numa terra árida… Mas viu também os gigantes de pedra, os moais de formas humanas, que chegavam a ter até 10m e em torno de 270 toneladas. Como aquele povo miserável conseguira erguer tamanhas maravilhas?

Os moais da ilha da Páscoa nada mais eram que a testemunha de um pequeno fim do mundo local… Se hoje o cenário da ilha é desolador, fósseis encontrados na lava vulcânica de Terevaka, um deus vulcão, revelam que a ilha chegou a abrigar a maior espécie de palmeira do mundo e uma floresta tropical com mais de 21 espécies de grandes árvores. Essa foi a grande fonte de matéria prima da civilização dos Rapanui em seu apogeu.

Nessa época, entre 1400 e 1600, a sociedade se dividia em 12 clãs. Eles compartilhavam pacificamente os recursos naturais da ilha. A competição se resumia à fabricação dos moais, a partir das rochas vulcânicas. Eles representavam membros mortos das elites dos clãs. Ao longo da história da ilha, o tamanho dos moais foi aumentando, o que sugere um acirramento na competição ente os clãs ou um maior apelo aos deuses. As árvores da ilha precisavam ser derrubadas para a construção de trenós, trilhos e alavancas para a construção dos moais (além, é claro, para as canoas de pesca e residências). Infelizmente, para os Rapanui, a natureza tinha um limite…

O desmatamento desenfreado teve impactos profundos na ilha. As poucas aves marinhas que não foram extintas pela caça predatória dos Rapanui ou dos ratos, migraram. Erosões no solo dificultavam o plantio. Em 1500, já não haviam mais árvores para a construção de canoas, e então a pesca de peixes grandes desapareceu. Por volta de 1680, explodiram guerras civis, e os clãs começaram a derrubar as estátuas dos rivais (Roggeveen já encontrou a maior parte delas no chão). Nobres e sacerdotes das elites já não conseguiam justificar seus status junto aos deuses, e foram eliminados por uma milícia que assumiu o poder na ilha.

Os novos donos da ilha adotaram um deus menor do antigo panteão e começaram a desenhar homens-pássaros e genitais femininos nos antigos moais, representando a nova divindade. Faminta, a sociedade se degradou até o canibalismo – muitos foram morar em cavernas. Em 1700, 70% da população de Páscoa havia desaparecido. No lugar dos imensos moais, escultores agora faziam pequenas estátuas (os moais kavakava) que mostram pessoas famintas, com o rosto fundo e as costelas à mostra.

Após a chegada de Roggeveen, vieram às epidemias de doenças europeias, os sequestros de insulares para trabalhar como escravos no Peru, e em 1864, com a vinda dos missionários católicos, o que restava da tradição oral dos antigos Rapanui foi perdido. Em 1872, restavam 111 habitantes de um povo que um dia, estimasse, contou 15 mil pessoas. Os moais, restaurados, são a testemunha petrificada do fim do tempo de um povo – na maior parte, causado por ele mesmo [2].

Teriam os sacerdotes Rapanui previsto um fim do mundo? Nesse caso, teriam eles acreditado que o fim da ilha da Páscoa significava o fim de toda a criação? Teria sido a construção de moais cada vez maiores uma tentativa desesperada de barganhar com os deuses em troca de alguma espécie de salvação, de arrebatamento dos “puros” aos céus?

O tempo e o espaço da ilha da Páscoa soa assustadoramente como um espaço-tempo contido, uma bolha temporal, de nossa civilização como um todo… Em nossa ignorância, em nossas desavenças, cremos que deuses virão para salvar somente um pequeno grupo, uma pequena elite, “preparada” para a salvação. Para estes, estranhamente, o fim dos tempos não é uma coisa ruim. O fim de toda a vida no Cosmos se justificaria se, em troca dessa catástrofe, alguns poucos se encontrassem com algum deus estranho nos céus, para fazer “não se sabe o que”.

A história dos Rapanui, entretanto, nos traz lições de como tudo poderia ter sido diferente… Prosperaram por séculos dividindo de forma harmônica os recursos da natureza ao seu alcance. Foi o desejo de competição, de parecer “mais especial” perante aos deuses, que fez com que se arriscassem a ir além dos limites de seu ecossistema, apenas para erguer estátuas de pedra. Erguidas não para os deuses, mas para eles próprios, para que o clã ao lado se sentisse inferiorizado.

E o que tem sido a história de nosso tempo, e de nossas igrejas, senão um reflexo do tempo de Páscoa em maior escala? Senão uma tentativa desesperada para fazer os infiéis, os escolhidos dos “outros deuses”, se sentirem inferiorizados perante as conquistas e a “verdade” de suas próprias igrejas?

Houvessem eles lido nas entrelinhas da natureza, houvessem eles se apercebido que vivemos numa pequena ilha cercada de infinito por todos os lados, saberiam que todo o tempo do mundo se resume ao momento em que o ser se encara, face a face com Deus, com o Cosmos, com a substância que permeia todo o tecido do espaço-tempo… Esse momento é eterno, e se faz na consciência, no paradoxo da mente que sabe de cada momento de sua ascensão, mas ainda assim os encena com maestria, passo a passo, rumo ao que quer que seja que os gigantes de pedra estão a observar – mas não houve tempo para nos contar.

Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria, tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de deitar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz (Eclesiastes 3:1-5).

***

[1] O artigo foi escrito antes desta mudança, em 2011 (ver parte 1 desta série).

[2] Ver o artigo “As testemunhas de pedra”, de Pedro Pracchia, na edição especial da Superinteressante sobre “O fim do mundo” (Maio/2011).

Obs: Me enviaram, pelos comentários, uma reportagem recente da Scientific American que traz uma nova visão acerca das causas do colapso ecológico dos rapanui. Veja aqui o artigo. O fato de possivelmente não terem sido responsáveis diretos pelo colapso de sua própria ilha não invalida a questão religiosa e existencial envolvida em sua relação com “o fim do mundo”. Há também que se considerar que a colonização europeia também foi importante na extinção de sua cultura. Vejam meu adendo sobre o assunto.

***

#Cristianismo #ecologia #Religiões #Tempo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-fim-do-tempo

O que se pode esperar dos Aethyr enoquianos

© Oliver St. John 2014, 2019

Às vezes é dito, e com grande convicção, que o sistema dos Trinta Aethyrs não pode ser equiparado aos graus mágicos. A visão é surpreendente, pois isso foi feito e provou funcionar de forma muito eficaz.

O trabalho espiritual e mágico dos graus além de Tiphereth é mapeado e explorado através do sistema Enochiano dos Trinta Aethyrs. No entanto, às vezes ainda podemos ouvir coisas como “Somente Jesus Cristo atingiu realmente o grau de Tiphereth”, ou “Nenhum ser humano pode cruzar o Abismo”. Em certo sentido, tais afirmações são verdadeiras. Para todos os propósitos práticos, porém, podemos considerar esse conselho transmitido como um aviso para não reivindicar graus de iniciação aos quais não temos direito. Em qualquer caso, os graus de iniciação são relativos a cada pessoa e não têm nenhum significado fora de uma estrutura interna da Ordem mágica.

Os graus pós-Tiphereth não podem ser experimentados em nenhum sentido pleno através do conhecimento comum, exploração astral ou pathworking. O sistema enoquiano, no entanto, fornece uma base prática satisfatória para as experiências mágicas, espirituais e de vida que correspondem a títulos de grau grandiosos como Adeptus Major e Adeptus Exemptus.

Os Trinta Aethyrs devem ser trabalhados sistematicamente. É imprudente tentar “saltar” para os Aethyrs superiores antes que os inferiores tenham sido completamente explorados. Primeiramente, examinaremos como os planos mágicos funcionam em relação aos Trinta Aethyrs. Então veremos como todo o curso de iniciação, tudo o que é possível para o mago conhecer e compreender, pode ser ligado ao sistema enoquiano.

O Plano Terrestre e as Torres de Vigia

O plano material é a chamada realidade objetiva, percebida pelos sentidos comuns do homem. O plano material é governado pela matéria e pelo tempo. Para os não iniciados, este mundo é absolutamente verdadeiro e não há nada além dele. No sistema enoquiano, o universo terrestre é limitado e fechado por Quatro Torres de Vigia. Além destes, em círculos cada vez maiores, estão os Trinta Aethyrs. Estes podem convenientemente ser pensados ​​como níveis de consciência.

O Plano Etérico: 30º Aethyr (TEX)

O mais baixo ou mais material dos Aethyrs é o reino imediatamente atrás do da matéria física. Ele se expande para a matéria em certo sentido, enquanto as partes superiores do Plano Etérico tocam as regiões inferiores do Plano Astral. O Plano Etérico é a morada tradicional de fantasmas, carniçais, fantasmas e vampiros, e é o principal reservatório do que é frequentemente chamado de sobrenatural. É o principal campo de atuação de médiuns, médiuns profissionais e afins, que frequentemente imaginam estar trabalhando com inteligências espirituais “superiores”. Em teoria, um Neófito deve ser capaz de entrar e experimentar o TEX, o 30º Aethyr, mas não aqueles além dele.

O Plano Astral: 29º (RII) ao 24º (NIA) Aethyr

As regiões inferiores do Plano Astral são idênticas aos reinos do céu e do inferno que são o esteio das religiões do mundo. Esses Aethyrs são relativamente escuros. Eles são permeados por um pesado senso de julgamento e pecado, mas incluem zonas de intenso desejo e anseio. Uma vez alcançado o NIA, o 24º Aethyr, o mago se acostuma a viajar em um corpo de luz. O contato foi obtido com forças espirituais ou inteligências que ajudarão a progredir ainda mais. O Limiar entre o Plano Astral e o Plano Hermético está entre NIA e TOR, o 23º Aethyr. Isso é mais ou menos idêntico ao Véu de Paroketh e ao grau mágico de Dominus Liminis.

O Plano Hermético: 23º (TOR) ao 14º (UTA) Aethyr

O Plano Hermético é um reino de pura consciência desconhecida do corpo astral de luz. No 22º Aethyr de LIN, o Sagrado Anjo Guardião prepara o Adeptus Minor para a realização da ausência de forma por trás de todas as formas. Quando o 20º Aethyr de KHR foi explorado, o Adeptus Major se acostumou com o Plano Hermético e obteve um certo domínio dos processos de pensamento. POP, o 19º Aethyr, traz a primeira indicação do limiar do Abismo. Em ZEN, o 18º Aethyr, o Adeptus Major é preparado para a iniciação ao próximo grau de Adeptus Exemptus. O nível mais alto do Plano Hermético é encontrado no 14º Aethyr de UTA, que é o último Aethyr a ser explorado antes que o Juramento do Abismo seja feito.

O Plano Espiritual: 13º (ZIM) ao 1º Aethyr (LIL)

Os graus mais altos envolvem toda a experiência da vida. O Magister Templi é preparado gradualmente para a travessia do Abismo. É imprudente tentar entrar nos Aethyrs superiores sem o grau ou nível correspondente de iniciação e experiência.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-que-se-pode-encontrar-nos-aethyr-enoquianos/

Nós Queremos Querer!

Por: Colorado Teus

O Louco , Khalil Gibran

Perguntais-me como me tornei louco.

Aconteceu assim: um dia, muito tempo antes

de muitos deuses terem nascido,

despertei de um sono profundo e notei que todas

as minhas máscaras tinham sido roubadas

– as sete máscaras que eu havia

confeccionado e usado em sete vidas –

e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:

“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns

correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado,

um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:

“É um louco!”.

Olhei para cima, pra vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,

e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,

e não desejei mais minhas máscaras.

E, como num transe, gritei:

“Benditos, bendito os ladrões que

roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade

como segurança em minha loucura:

a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,

pois aquele desigual que nos compreende

escraviza alguma coisa em nós.

Satisfação,

Este texto foi feito com o objetivo de falar um pouco sobre o Queremos Querer, que é um grupo que começou com o blog e agora já possui grupos de discussão no Facebook, eventos presenciais para grupos de estudo, palestras, hangouts, interpretação de mapas astrais e outros projetos em andamento.

O grupo foi criado em 2013 e agora conta com uma equipe de 14 Gerentes e 1 Dirigente, além de vários outros artistas-escritores e pessoas que nos ajudam a expandir todo este nosso trabalho. Falarei sobre eles ao final deste texto.

O nome do grupo surgiu da frase que mais tarde se tornou a ideia base de todos nossos projetos:

“Sempre queremos um ato, mas é preciso saber se Queremos Querer” Arthur Schopenhauer

ps.: quando vi esta frase pela primeira vez estava em seu nome, porém, nunca mais achei qualquer referência dizendo que esta frase fosse dele.

Esta frase faz alusão a uma das grandes dificuldades do ser humano – que talvez seja um dos maiores problemas que assolam a população – que é conseguir controlar sua própria Impulsividade. Neste momento é importante saber a diferença entre o que é só um ‘sentimento’ e o que é uma ’emoção’. Sentimento é tudo aquilo que a pessoa consegue perceber, e que chega até ela pelos 5 sentidos ou por outros possíveis tipos de percepção. Emoção vem do latim emovere, ‘e’ significa ‘fora’ e ‘movere’ significa ‘movimento (no inglês é ‘e + motion’, o que torna mais fácil recuperar o sentido original do termo); emoção é um tipo de sentimento subjetivo que coloca a pessoa em movimento, geralmente acontece quando existe algum tipo de afinidade ou repulsão por alguma coisa.

A ideia aqui não é TRANCAR as emoções e sim CONTROLÁ-LAS, já que toda ação gera uma reação e, se não estivermos no controle das nossas ações (e sim nossa reatividade às emoções estiver no controle), poderemos receber reações que não iremos gostar. Quando a pessoa consegue transformar as emoções em sentimentos e sentimentos em emoções de acordo com sua Vontade (ou Querer Querer), podemos chamá-la de Pessoa Proativa.

Existem várias maneiras de se tornar uma pessoa proativa, posso citar duas fórmulas que ajudam nisso e depois falarei da que foi identificada pelo nosso grupo:

Aleister Crowley:

“Pense racionalmente, aja passionalmente.”

Yehuda Berg:

“- Um obstáculo aparece.

– Perceba que a sua reação – não o obstáculo – é o verdadeiro inimigo.

– Feche seu sistema reativo para permitir que a Luz entre.

– Expresse sua natureza Proativa”

Ambas fórmulas funcionam, na verdade são a mesma coisa expressada com precisões diferentes. Esta diferença de precisão, porém, pode provocar diferenças na execução, pois cada um carrega consigo sua trouxa de sabedoria e conhecimento, o que provoca um entendimento diferente das fórmulas, assim, cada um obtém resultados diferentes com cada fórmula. Por isso várias pessoas criaram diferentes fórmulas (que podem ser vistas como dogmas ou caminhos direcionadores) que podem ajudar a conseguir este controle. A fórmula proposta pelo grupo Queremos Querer é:

1-Desenvolvimento do Auto-conhecimento, para saber quais são suas afinidades

2-Desenvolvimento do Auto-entendimento, para saber como você reage às diferentes afinidades

3-Desenvolvimento do Auto-controle.

Sendo assim, este blog e todos nossos outros projetos são montados de forma a trabalhar estas três fases, mas é bom saber que nem sempre tudo acontece nessa ordem. A parte mais trabalhada no blog Queremos Querer é a primeira, para tal missão fazemos uso do estudo de muitas técnicas diferentes, advindas de religiões e ordens iniciáticas, mas principalmente fazendo o uso da Arte.

Aqui cabe definir o que é Arte para que possamos entender um pouco melhor a relação de arte com o Autoconhecimento. Minha definição é :

“Arte é uma manifestação estética feita por pessoas que tentam representar padrões (físicos ou meta-físicos) que elas perceberam em seu meio, de modo que estimule o interesse consciencial dela ou de outras pessoas pelo padrão.”

Ou seja, o artista utiliza músicas, pinturas, esculturas, etc., para representar um padrão e as outras pessoas, ao entrarem em contato com a obra, podem perceber sua afinidade ou não com ele. Em outras palavras, ao apreciar uma obra de arte e sentir afinidade ou repulsão, as pessoas passam a se conhecer melhor sem ter que experimentar o padrão diretamente em seu dia-a-dia, é um tipo de catalisador evolutivo.

Este grupo estimula muitos tipos de produção artística (artistas sofrem muito neste país que não valoriza a Arte), divulgando gratuitamente os trabalhos da maioria dos artistas que nos procura. Quem precisar de ajuda para divulgação, envie um email para queremosquerer.grupo@gmail.com e analisaremos sua proposta. Algumas dessas divulgações podem ser encontradas aqui: , com um exercício bem legal de autoconhecimento.

Aqui no Teoria da Conspiração iniciarei uma série de textos sobre magia prática, que é uma tentativa de explicar Magia para quem nunca teve qualquer contato com esta área. Falarei sobre magia, padrões, signos, símbolos, rituais, sistemas mágicos e religiões e vocês perceberão que tudo isso está muito ligado aos 3 passos para o Auto-controle. Depois desta série, farei outra série de textos sobre um sistema mágico específico, do ponto de vista de toda essa primeira série sobre magia, assim, quem não conhece nenhum sistema pode entrar em contato com algum deles e entender como algumas coisas funcionam. O sistema escolhido é Magia Divina, que é um sistema ligado à religião de Umbanda, mais especificamente à linha “Umbanda Sagrada”. Depois disso nosso estudo será ligado à análise de algumas obras de Arte, além de trazer algumas produções artísticas ligadas ao nosso grupo. Dependendo dos comentários dos leitores, podemos conversar e discutir outras coisas, mas por enquanto vamos ficar nesta linha.

Para finalizar este texto piloto, gostaria de convidar os interessados para participar dos nossos eventos, que são divulgados pelo

Lá você também poderá encontrar muitas outras coisas, como por exemplo interagir com todos os participantes do Queremos Querer. Para entrar para o grupo de gerentes é necessário passar por um processo de admissão, interessados podem enviar um email para queremosquerer.grupo@gmail.com .

Então, fecho este texto com um poema de um dos artistas e gerentes do grupo, Felipe Genuíno:

O Arremesso

Vontade é ação, não pensamento.

A vontade é movimento,

deslocar-se, fluir.

É pôr de lado o indesejável,

É aproximar o desejável:

está nesse prazer.

Está além das palavras,

mas as controla,

estende-se a elas.

Assim como se estende aos sentimentos,

às ideias.

Eu escrevo sobre a vontade

com um sentimento de sacrilégio.

Somente a vontade fala por si

e fala além das palavras, sem palavras.

Toda palavra sobre a vontade é incapaz,

mas qualquer palavra sob a vontade é eficaz.

Somente a vontade pode se ver,

não o medo, ou o desejo, ou inferências,

e se olha não como por um espelho:

A vontade refletida é muito mais refratação,

em palavras, vozes, gostos, cheiros e cores.

Mas não são esses reflexos,

está neles.

A vontade vive em todos os tempos e espaços.

O que fala e pensa é o que se perde

no tempo e no espaço:

É o que a esparge,

sendo que está por ela mesma,

Como a pedra que estilhaça a lâmina d’água,

e a própria água.

Vontade estilhaçada é o que estamos no momento

mais do que lâmina d’água…

O ideal seria sermos sempre a vontade,

o arremesso.

Vai dar certo!

Um agradecimento especial a todos escritores, gerentes, ex-gerentes e ao dirigente deste grupo que nos apoiaram muito neste primeiro ano de vida do blog:
Lucas, Yuri, Henrique, Felipe, Rafael, Túlio, Zeca, Gabriela, Camila, Camila, Kamila, Maria Fernanda, Fernanda, Emanuelle, Bruna, Pedro, Tatiane, Bacciotti, Luciane, Victor.
Agradeço também o Raph Arrais por toda a força que tem nos dado.

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/n%C3%B3s-queremos-querer

Catolicismo Negro no Brasil: Santos e Minkisi, uma reflexão sobre miscigenação

Marina de Mello e Souza

(Professora do Departamento de História FFLCH/USP)

Os estudos sobre a inserção dos africanos escravizados e seus descendentes nas Américas têm sido um campo fértil para a reflexão acerca dos processos de sincretismo, aculturação, transculturação, encontro de culturas, miscigenação cultural, entre várias outras noções que buscam dar conta de situações nas quais novas culturas surgem a partir do contato entre povos diferentes. Desde Nina Rodrigues, pesquisador pioneiro dessa área, e principalmente a partir de Melville Herskovits, que muito contribuiu para a reflexão teórica acerca dos processos de aculturação, tem sido destacada a importância de se conhecer as sociedades e culturas de onde vieram os africanos traficados para as Américas, para uma melhor compreensão das chamadas culturas afro-americanas.1 Herskovits é peça central no debate sobre a existência de “africanismos” nas sociedades americanas. Seu livro The myth of the negro past é de 1941, mas nos Estados Unidos seus trabalhos só foram valorizados a partir da década de 1960. No Brasil, depois do pioneirismo de Nina Rodrigues, Arthur Ramos, Edison Carneiro, Roger Bastide e Pierre Verger foram autores que pensaram sobre o negro na sociedade brasileira.2

Nos anos 1970 Sidney Mintz e Richard Price, fundamentados em suas pesquisas de campo no Caribe e no Suriname, escreveram juntos um ensaio que influenciou toda uma geração de estudiosos da cultura afro-americana.3 A idéia de crioulização é o pano de fundo de suas reflexões, nas quais ocupa primeiro plano a preocupação com a chegada do africano no Novo Mundo, com a formação de novas comunidades e novas culturas. Mesmo priorizando os processos de transformação, os autores aceitam que eles se dão a partir de bases pré-existentes e retomam uma idéia esboçada por Herskovits, de que as culturas têm uma gramática própria que serve de elemento organizador das novas construções, sociais e culturais. Nas Américas, estas construções resultaram da interação entre grupos de escravos pertencentes a etnias diversas, unidos pelos mecanismos do tráfico e pela escravização, e grupos de colonizadores europeus, detentores dos instrumentos de poder.

Do final dos anos 1970 para cá, os sistemas sociais e religiosos criados pelas comunidades negras nas Américas têm atraído a atenção dos pesquisadores e são cada vez mais analisados de uma perspectiva que busca fazer conexões entre as culturas de origem dos escravos trazidos para as Américas e as culturas produzidas nas novas situações. A reflexão aqui proposta se enquadra nessa perspectiva de abordagem da religiosidade das comunidades afrodescendentes, tomando como foco não os chamados cultos afro-brasileiros e sim o catolicismo exercido por algumas dessas comunidades.

Um dos muitos resultados da diáspora africana é a presença de reis negros nas Américas, representantes de grupos étnicos específicos, presentes no interior de quilombos e de irmandades católicas. O estudo das situações em que existiram esses reis ilumina a compreensão de como africanos e europeus interagiram no contexto da colonização americana, sob um regime escravista. Em trabalho anterior sugeri algumas interpretações sobre esses reis, voltando atenção especial para a adoção do catolicismo, ou de alguns de seus elementos, por parte tanto de comunidades na África como de afrodescendentes nas Américas.4 Foram os estudos de John Thornton que me abriram os olhos para a importância do catolicismo na África Centro-ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII, e a partir deles pude perceber o lugar nada desprezível do catolicismo na relação que os africanos e afrodescendentes brasileiros mantinham com as terras de seus antepassados.5 Segundo a análise desenvolvida em meu trabalho, seguindo pistas por ele indicadas, no Brasil em algumas ocasiões o catolicismo, por estar presente na região do antigo reino do Congo desde o final do século XV, serviu de ligação com um passado africano que era importante elemento na composição das novas identidades das comunidades afrodescendentes no contexto da diáspora. Ao estudar os festejos em torno da coroação de reis do Congo que aconteciam no Brasil desde o século XVII, entendi que estas eram manifestações percebidas de formas diferentes pelos que as realizavam, membros da comunidade negra, e por aqueles identificados com a sociedade senhorial, de origem lusitana, que viam aquelas festas acontecerem mantendo atitudes ora condescendentes, ora repressoras. Enquanto para uns as festas em torno de reis remetiam a chefias africanas, a ritos de entronização, à prestação de fidelidades, para outros elas se associavam à noção de um império, que se estendia pelos quatro cantos do mundo: Europa, África, América e Ásia, e que tinha a experiência da catequese na região do antigo reino do Congo como um dos momentos emblemáticos do empenho evangelizador de Portugal.6 No meu entender, a penetração dessa festa entre muitas comunidades negras do Brasil, principalmente do final do século XVIII a meados do XIX, deu-se devido a uma combinação de fatores que fizeram com que as comemorações em torno de um rei congo tivessem significados importantes tanto para a comunidade negra como para o grupo senhorial, que detinha o poder de permitir ou reprimir as manifestações dos negros.7

Ao serem arrancados de seus lugares de origem e escravizados, ao deixarem de pertencer a um grupo social no qual construíam suas identidades, ao viverem experiências de grande potencial traumático, tanto físico como psicológico, ao transporem a grande água e terem que se dobrar ao jugo dos senhores americanos, os africanos eram compelidos a se integrarem, de uma forma ou de outra, às terras às quais chegavam. Novas alianças eram feitas, novas identificações eram percebidas, novas identidades eram construídas sobre bases diversas: de aproximação étnica, religiosa, da esfera do trabalho, da moradia. Assim, reagrupamentos étnicos compuseram “nações”, pescadores e carregadores se organizaram em torno das atividades que exerciam, vizinhos consolidaram laços de compadrio e se juntaram cultuadores dos orixás, os que faziam oferendas aos antepassados e recebiam entidades sobrenaturais sob o toque de tambores. Nesse contexto, os reis negros, presentes em quilombos e grupos de trabalho, mas principalmente em irmandades católicas, serviram de importantes catalisadores de algumas comunidades e foram centrais na construção de suas novas identidades.

Enquanto algumas atividades exercidas por comunidades negras eram proibidas e perseguidas pela administração senhorial e demonizadas pelo discurso cristão (mesmo que delas participassem também brancos católicos e às vezes até mesmo padres), outras eram em grande parte aceitas pelos agentes da administração colonial, pois adotavam formas ibéricas e católicas, ou que por estes eram assim percebidas. No primeiro caso estão os calundus, nos quais ritos eram realizados em torno de altares que abrigavam objetos mágico-religiosos, havendo a oferenda de sangue de animais, bebida e comida, ao som de tambores e com a possessão de algumas pessoas por entidades sobrenaturais.8 No segundo caso estão os cortejos e danças que acompanhavam a coroação de um rei negro pelo padre, por ocasião de festas em torno dos santos padroeiros de irmandades nas quais a comunidade negra se agrupava. Enquanto os primeiros eram no geral seriamente perseguidos, assim como os quilombos e as tentativas de rebelião, os segundos eram quase sempre aceitos e muitas vezes estimulados, uma vez que eram vistos como formas de integração do negro na sociedade colonial escravista. Entretanto, a repressão ou permissão de uns ou outros desses ritos variava em função das posições de cada agente colonial, assim como em função da conjuntura do momento.9

Danças que podem ser associadas aos calundus são descritas pelo conde de Povolide em carta de 1780, na qual explica a diferença entre as “danças supersticiosas” e as “danças que ainda que não sejam as mais santas” não eram por ele consideradas “dignas de uma total reprovação”. Essas últimas eram danças que no século XIX e início do XX eram chamadas de batuques e que ainda existem no seio de algumas comunidades negras, muitas vezes conhecidas como jongos. Nos conta o conde de Povolide que nessa ocasião “os pretos se dividiam em nações e com instrumentos próprios de cada uma, dançam e fazem voltas como arlequins, e outros dançam com diversos movimentos do corpo, que ainda que não sejam as mais inocentes são como fandangos de Castela, e fofas de Portugal, e os lundus dos brancos e pardos daquele país”. Quanto às primeiras, que chamou de “supersticiosas”, deveriam ser proibidas. Explicando a diferença entre as duas danças ele escreve:

Os bailes que entendo serem de uma total reprovação são aqueles que os pretos da costa da Mina fazem às escondidas, ou em casas ou roças, com uma preta mestra com altar de ídolos, adorando bodes vivos e outros feitos de barro, untando seus corpos com diversos óleos, sangue de galo, dando a comer bolos de milho depois de diversas bênçãos supersticiosas, fazendo crer aos rústicos que naquelas unções de pão dão fortuna, fazem querer bem mulheres a homens e homens a mulheres.10

Antes do conde de Povolide, Antonil, jesuíta italiano que viveu no Brasil de 1681 até sua morte em 1716, já havia defendido uma posição de tolerância com relação a certas festas das comunidades negras. Escrevendo para os senhores sobre os escravos diz que:

Negar-lhes totalmente os seus folguedos, que são o único alívio do seu cativeiro, é querê-los desconsolados e melancólicos, de pouca vida e saúde. Portanto, não lhes estranhem os senhores o criarem seus reis, cantar e bailar por algumas horas honestamente, em alguns dias do ano, e o alegrarem-se inocentemente à tarde depois de terem feito pela manhã suas festas de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e do orago da capela do engenho.11

Essas posições de administradores e pensadores ligados ao governo colonial português na América mostram que havia uma tolerância com relação a manifestações de origem africana quando estas se aproximavam ou se combinavam com elementos da comunidade senhorial, de origem lusitana. Mas muitas das motivações que levavam as pessoas a se envolverem em certas festividades, a se unirem em torno de um rei simbólico, de festa, não eram percebidas por aqueles que não partilhavam as mesmas estruturas culturais. Dessa forma, era desprezada a autoridade que o rei tinha sobre o grupo e a união deste não era vista como ameaçadora, principalmente porque se dava no interior de irmandades de culto a determinados santos, aprovadas pela Igreja e vigiadas pelos senhores e pelo pároco local. O mesmo não se dava com os ritos religiosos de origem africana que mantiveram maior grau de autonomia cultural e organizacional e só deixaram de ser abertamente perseguidos no século XX.

Mas mesmo em celebrações católicas as comunidades negras produziam elementos que chocavam e incomodavam o grupo senhorial e principalmente alguns observadores estrangeiros, que não estavam acostumados com as mestiçagens que se iniciaram com os primeiros contatos, ainda na África, e se intensificaram na sociedade colonial americana. Esse é o caso, por exemplo, das imagens religiosas que madame Otille Coudreau encontrou num povoado de negros, à beira do rio Pacoval, no Pará, na região da floresta amazônica brasileira.

Ao registrar o levantamento hidrográfico que fez no interior da Amazônia no início do século XX, a cientista francesa expressou os mais estereotipados preconceitos contra as populações afrodescendentes, imputando-lhes um estado de selvageria e barbárie, acusando-os de mentirosos e preguiçosos, achando-os fisicamente degenerados. Desaprovou como a vila era construída, com as cabanas jogadas aqui e ali à beira do rio, sem alinhamento e delimitações, uns plantando na porta dos outros. Nessa aldeia de cerca de 15 casas cobertas de palha, que não conhecia a propriedade privada da terra, a qual era usada coletivamente pela comunidade, havia uma pequena igreja, de chão de terra batida e paredes de barro, coberta de telha e com uma cruz de madeira à frente.

O que chamou a atenção da francesa foram os santos multicoloridos dispostos ao redor da igreja, ela não diz se em altares ou não, mas sim que alguns eram brancos, outros morenos e muitos negros, “todos de figura abominável”, que lhe evocaram uma reunião de Quasímodos. Segundo ela, estavam vestidos com restos de saiotes velhos, pedaços de tecidos de cores vistosas, e tinham ao redor do pescoço colares de contas de vidro ou de sementes. Na sua opinião, era um sacrilégio que cada uma dessas criaturas tivesse o nome de um santo, São Pedro, São Benedito, Santa Luzia, Santa Rosa, Santa Sebastiana e uma Nossa Senhora negra. Coudreau conta ainda que teve vontade de destruir todos “aqueles horrores tão pouco artísticos”, estátuas que refletiam os costumes daquela gente, “rebaixada ao menor nível na escala social”.12

Contribuindo ainda mais para a alteração de tradições católicas e sensibilidades estéticas européias, os mocambeiros acompanhavam sempre suas rezas e festas religiosas com danças realizadas em uma construção ao lado da igreja – presente em todos os mocambos que a pesquisadora francesa conheceu na região.13 Essa combinação de ritos religiosos e danças ditas profanas é o padrão da maioria das festas religiosas populares brasileiras, formadas a partir da colonização portuguesa do território, onde os colonos encontraram indígenas e para onde trouxeram africanos. Nesse encontro de povos, culturas, religiões, formas de lidar com as coisas deste e do outro mundo, uma variedade enorme de combinações ocorreram. As festas em torno de reis negros, entre as quais estão as realizadas no Pacoval, são fruto dessas combinações, presentes também na confecção de objetos mágico-religiosos, como as imagens de santos que Coudreau achou um sacrilégio serem assim chamadas.

Assim como elegiam reis no seio de irmandades católicas e realizavam calundus e candomblés em recintos afastados do universo senhorial, comunidades negras também confeccionaram objetos, usados em uns e outros ritos, nos quais incorporaram elementos de suas culturas tradicionais. Os santos, comparados a Quasímodos, certamente foram esculpidos a partir de técnicas e escolhas estéticas próprias dos mocambeiros, que Eurípedes Funes nos ensinou serem descendentes de escravos vindos da África Centro-Ocidental, da região próxima do antigo reino do Congo e de Angola.14 As imagens descritas por Coudreau e chamadas de santos pelos mocambeiros eram componentes de um catolicismo negro e podem ser associadas aos minkisi, objetos usados em cerimônias mágico-religiosas de povos dessa mesma região de onde veio a maioria dos antepassados dos habitantes das margens do rio Curuá.

No mocambo do Pacoval, em que Otille Coudreau encontrou as imagens que a fizeram lembrar de uma figura monstruosa de sua própria cultura, Eurípedes Funes, 95 anos depois, assistiu e documentou uma festa realizada em homenagem a São Benedito, na qual danças, chamadas de Cordão do Marambiré, seguiam as cerimônias realizadas no interior da igreja. Seus constituintes formam uma corte em torno do rei do Congo, composta por rainhas auxiliares, valsares e contramestres, que desempenham papéis específicos na condução das coreografias que regem as danças. A autoridade máxima é a do rei do Congo, podendo essa dança ser associada às congadas. Sua roupa se distingue das outras e ele traz uma coroa na cabeça, feita de papelão, fibra natural ou lata, e uma vara, símbolo do seu poder. As rainhas e valsares têm capacetes feitos dos mesmos materiais e enfeitados com flores de papel colorido. Penas de arara também enfeitam a coroa do rei e os capacetes dos valsares. Uma fotografia tirada por Eurípedes Funes nos mostra uma imagem de São Benedito paramentada com um capacete semelhante ao dos valsares, encimado por penas.

Enfeites de penas em adereços de cabeça também são apontados por observadores das congadas feitas no século XIX em vários lugares do Brasil, principalmente em Minas Gerais. Veja-se, por exemplo, parte da descrição feita por Francis de Castelnau de uma congada que assistiu em Minas Gerais, em 1843:

A corte, em cujo traje se misturam todas as cores e os enfeites mais extravagantes, senta-se de cada lado do casal de reis; vem depois uma infinidade de outros personagens, os mais consideráveis dos quais eram sem dúvida grandes capitães, guerreiros famosos ou embaixadores de potências longínquas, todos paramentados à moda dos selvagens do Brasil, com grandes topetes de penas, sabres de cavalaria ao lado, e escudo no braço.15

Imagem de madeira de São Benedito fotografada por Eurípedes Antônio Funes, em “Nasci nas matas, nunca tive Senhor. História e memória dos mocambos do Baixo Amazonas”, tese de doutoramento apresentada ao departamento de História – FFLCH/USP, 1995, vol 1, Fig 9.

Mesmo que o cônsul francês tivesse percebido corretamente e “os selvagens do Brasil” tenham dado sua contribuição à festa negra, é muito mais plausível acreditar que a presença de penas na cabeça fosse contribuição dos africanos, considerando-se as informações a seguir.

Uma fotografia tirada em Angola ou no Congo belga antes de 1922 nos mostra um nganga, ou sacerdote, com uma imponente coroa de penas. Minkisi, objetos mágico-religiosos utilizados em amplas áreas da África Central, onde recebem nomes diversos dependendo da região, também freqüentemente traziam penas na cabeça. Como nos ensina Zdenka Volavkova, a confecção de um nkisi passava por dois momentos: aquele em que a madeira era esculpida, feita por um artesão, e um outro, no qual o nganga, especialista religioso, tornava a escultura portadora de forças sobrenaturais, nela inserindo, conforme ritos específicos, uma série de substâncias do mundo vegetal, animal e mineral, por meio das quais as forças sobrenaturais agiam.16 Era nesse momento, no qual a um objeto eram atribuídos poderes mágico-religiosos, que as penas eram colocadas nas cabeças das esculturas. Théophile Obenga diz que as penas ornamentando o penteado de algumas figuras com funções religiosas significavam que o objeto havia sido consagrado por um nganga.17 Segundo John Janzen, o uso de penas no alto da cabeça ou saindo fora de uma cabaça ou vasilha (muitos minkisi não eram figuras esculpidas mas recipientes que continham as substâncias que lhes davam os poderes sobrenaturais) é o indicador mais comum de uma aproximação com o mundo dos espíritos. Ainda segundo ele, muitos médiuns usam adereços de penas na cabeça para representar sua ligação com os espíritos.18 Também Wyatt MacGaffey informa que algumas vezes os minkisi eram equipados com penas que formavam um adereço de cabeça semelhante ao que o nganga podia usar, pois forças espirituais eram associadas a pássaros.19 Dessa forma, é evidente o lugar de destaque que as penas têm na confecção de objetos que ajudam a comunicação deste com o outro mundo no âmbito do universo cultural de povos bantos da África CentroOcidental, que engloba também o atual Camarões, já no limite com a região habitada por povos iorubás. Daí uma requintada veste usada em ritos religiosos divinatórios, composta de tecido azul anil arrematado com fios de fibra e enfeitada com conchas e búzios, à qual acompanha uma máscara de crocodilo encimada por uma tiara de penas.20

no130 (1988), p. 3.

Nganga, Angola ou Congo Belga, antes de 1922, em Wyatt Mac Gaffey “The eyes of understanding, Kongo minkisi”, Astonishment and Power (Washington, National Museum of African Art, The Smithsonian Intitution Press, 1993), p. 56.

Uma figura usada em ritos divinatórios entre os senufos, da atual Costa do Marfim, “coroada com uma carreira de penas”, indica que não só na área cultural banto as penas compõem objetos mágico-religiosos. As penas são, em muitas regiões da África, presença constante em ritos que permitem que o mundo dos homens e o dos espíritos se comuniquem. Nessa relação os chefes têm lugar importante, sendo a idéia de realeza sagrada disseminada por toda África sub-saariana. No golfo do Benim, em áreas nas quais predominavam grupos iorubás, como os chamamos agora, pássaros são insígnias de poder bastante freqüentes, estando presentes em telhados de moradias de chefes, em bastões de mando, em adereços de cabeça usados pelos chefes.21

Se lembrarmos ainda a presença constante de penas em cocares e outros adereços ameríndios, também associados a posições de poder temporal e religioso, e ainda a presença de plumas em chapéus de nobres e reis europeus (objetos altamente apreciados pelos chefes africanos e com lugar quase obrigatório nas negociações comerciais entre estes e os europeus), podemos pensar que estas penas, por estarem presentes em lugares equivalentes em diferentes culturas, tendem a manter um espaço na nova cultura que se forma a partir dos contatos encetados.22 Mas como a análise aqui proposta busca apenas fazer conexões entre a comunidade do Pacoval com os povos aos quais pertenceram seus antepassados, fixo meus olhos no mundo banto centro-ocidental, de onde veio, segundo Eurípedes Funes, a maioria dos africanos escravizados que ali se aquilombaram.

Nkisi Mbumba Maza, coletado em Cabinda antes de 1933, acervo do Museu do Homem de Paris. A escultura de madeira contém ingredientes ocultos na barriga e na cabeça, e outros ingredientes nela pendurados, como cabaça, pele de cobra, tiras de tecido, conchas, sementes, garras, chifre, fibra trançada. Cada um desses ingredientes tem uma função mágica que atribui ao nkisi sua força sobrenatural. Em Astonishment and Power, p. 70.

Nksi Nduda, coletado na área bacongo antes de 1893, acervo do Staatliches Museum für Völkerkunde, Munique, Alemanha. A escultura de madeira está coberta por tiras de peles de diversos animais, traz no pescoço uma fieira de pequenas bolsas de pano contendo ingredientes específicos e um adereço de penas atado à cabeça por uma tira de tecido. In Astonishment and Power, p. 72.

Pieu, amuleto da região dos Yakas, em Angola. In Sculpture Angolaise. Mémorial de cultures, Lisboa, Museu Nacional de Etnologia, Electa, 1994, p. 104.

Depois desse passeio por algumas regiões da África percebemos nos panos, cordões, contas e penas adicionadas às imagens encontradas no Pacoval por Otille Coudreau no início do século XX, e por Eurípedes Funes no fim do mesmo século, a expressão do encontro entre o catolicismo e as religiões bantos tradicionais. Se em 1901 as imagens da igreja do Pacoval foram comparadas a Quasímodos pela cientista francesa, o que a fotografia tirada no final do século XX nos mostra é um santo entalhado em madeira por mãos de artistas populares, como uma infini-ade de outros o foram, tendo como traço diferenciador o tufo de penas que enfeita seu capacete, semelhante ao dos valsares. Certamente ao longo dos anos novecentos a comunidade do Pacoval assumiu mais e mais feições brasileiras, distanciando-se de um passado africano que fora mais preservado enquanto o grupo evitou contatos muito intensos com a sociedade circundante, para a qual eram descendentes de escravos fugidos. Hoje em dia o que se destaca na religiosidade afro-católica dos moradores do Pacoval são as danças que acompanham as celebrações dos santos, e que não se restringem às comunidades negras, pois são característica marcante do catolicismo colonial conforme vivido na América portuguesa. Mas específicos das danças realizadas pelas comunidades afrodescendentes são os elementos africanos nelas presentes, como os ritmos, os passos, as letras das músicas, permeadas de palavras de origem africana, e símbolos que mesmo transformados remetem às suas raízes, como as penas na cabeça indicando uma ligação com o mundo do além.

O tema da dominação não pode deixar de estar presente quando falamos de sociedades afrodescendentes nas Américas, e certamente as atitudes dos representantes da sociedade senhorial, entre eles os agentes da Igreja, tiveram um papel fundamental nos processos de constituição de novas identidades e novas formas culturais a partir da diáspora africana. Mas foram os ajustes e opções empreendidos pelos africanos recém-chegados e pelos seus descendentes que definiram as feições das novas culturas que se criaram nas Américas. Nesse processo os santos, imagens do culto católico, absorveram sentidos e papéis das imagens e objetos usados nas religiões bantos tradicionais, o que já havia ocorrido na própria África, a partir da ação de missionários católicos romanos e da conversão ao catolicismo da elite dirigente do antigo reino do Congo, no final do século XV. Com a ocupação portuguesa de algumas áreas do território que ficou conhecido como Angola, missionários continuaram a agir naquelas regiões, sendo alguns dos elementos por eles introduzidos, com destaque para objetos usados em cultos religiosos, incorporados pelas populações nativas, que a eles acoplaram significados pertinentes às suas próprias tradições.

Kafigeledjo, oráculo usado em ritos divinatórios da etnia senufo, Costa do Marfim, final do século XIX, início do XX, acervo do Metropolitan Museum of Art, New York. A escultura de madeira é coberta por um tecido, alguns ingredientes pendem amarrados na altura do pescoço, um gancho de ferro e um osso de pássaro pendurados em parte do pano fazem as vezes de braços e mãos e a cabeça está coroada por penas e espinhos de porco-espinho. In Alisa LaGamma, Art and Oracle. African Art and Rituals of Divination, New York, Metropolitan Museum of Art, 2000, p. 27.

Se em territórios africanos, nos quais era pequeno o espaço ocupado pelos portugueses e seus agentes (entre eles os missionários), o catolicismo deixou discretos vestígios no período pré-colonial, na América portuguesa os africanos muitas vezes a ele se renderam, não sem recheá-lo de contribuições de suas religiões tradicionais. Na América eles eram obrigados pela violência, pela condição de escravos e de estrangeiros, a se sujeitarem às normas dos que mandavam – a administração colonial portuguesa, para a qual a religião católica era importante meio de dominação. Várias foram as formas pelas quais o catolicismo foi adotado por comunidades afrodescendentes, mas essa área de estudos recebeu, no geral, menos atenção do que os cultos religiosos derivados de tradições africanas. Nina Rodrigues e Arthur Ramos tratam com mais vagar das religiões afro-brasileiras e do conjunto cultural iorubano; Roger Bastide, quando aborda o catolicismo negro, é de maneira superficial, ignorando as motivações das comunidades negras e tomando o catolicismo apenas como uma imposição do universo senhorial, incorporada geralmente para servir de disfarce a ritos de origem africana. Também Pierre Verger, por focar apenas a Bahia e a África Ocidental, na qual a penetração das religiões cristãs só se deu após o término do tráfico de escravos, não aborda o cristianismo negro e suas relações com o catolicismo africano dos bantos da África Centro-Ocidental. Só Robert Slenes, mais recentemente, tem se aprofundado no estudo dos povos desta região e chamado a atenção para o fato de que muitos escravos que de lá vieram já tinham incorporado elementos de um catolicismo africano, termo cunhado por John Thornton.23 Eu mesma, seguindo as trilhas abertas principalmente por esses dois autores, venho pensando acerca de alguns aspectos do catolicismo africano e do catolicismo afro-brasileiro.24

É essa preocupação que me faz prestar atenção no espanto e repulsa de Otille Coudreau diante das imagens que viu na igreja do mocambo à beira do rio Curuá, associadas a Quasímodos, aberrações que feriam sua sensibilidade estética educada na Europa, com a qual se orientava no mundo. Bem antes de ela viver essa experiência na Amazônia brasileira, outros europeus tinham tido reações muito parecidas diante dos minkisi, que chamavam de “fetiches”, ou de “imagens demoníacas”, como a essas figuras se referiu Olfer Dapper (cujo livro foi publicado em 1676), “rudemente esculpidas em madeira e cobertas de trapos sujos”, como disse J. K. Tuckey em 1816, e com aparência feroz, no entender de H. M. Stanley, em 1895. O tenente Tuckey comparou essas imagens com espantalhos, e missionários católicos e batistas do final do século XIX chamaram-nas de indecentes e francamente obscenas.25

Um século depois de Coudreau, no Brasil, e de alguns missionários que viveram na África Centro-Ocidental terem tomado conhecimento dessas imagens, podemos tentar nos despir do etnocentrismo existente em todas as culturas e tempos e buscar entender as motivações prováveis por trás das opções feitas pelos grupos e pelas pessoas. Nesse sentido, os estudos sobre os minkisi centro-africanos lançam novas luzes sobre os santos envoltos em panos gastos, com colares de contas e sementes e adereços de penas na cabeça. À maneira das penas colocadas na cabeça dos baganga (plural de nganga) e dos minkisi, o adereço de cabeça do São Benedito fotografado no mocambo do Pacoval reforça a conexão entre este mundo e o outro, a relação dos homens com o além, permitida pelo objeto mágico-religioso, seja ele um santo católico, um nkisi, ou um produto mestiço do encontro entre as diferentes culturas. Na virada do século XIX para o XX, as imagens dos santos católicos cultuados por comunidades afrodescendentes que viviam num grau significativo de isolamento, mantendo tradições e maneiras de pensar e sentir próximas das de suas culturas de origem, deviam guardar mais proximidade dos minkisi do que hoje em dia.

Considerando que desde o século XVI missionários católicos viviam entre povos da região do antigo reino do Congo e de Angola, onde se desenvolveram formas africanas de catolicismo e houve a incorporação de objetos do culto cristão às religiões tradicionais, percebemos que as mestiçagens culturais nas quais o catolicismo é o elemento dominante podiam estar em curso antes da escravização e da travessia do Atlântico. Com isso em mente, não é difícil aceitar que os panos e colares que envolviam os santos dispostos ao redor da igreja do mocambo visitado por Coudreau estavam mais próximos dos elementos equivalentes que compunham os minkisi, atribuindo-lhes certos poderes, do que das vestes e jóias que envolviam os santos que habitavam os altares dos senhores, que por sua vez também se inseriam no pensamento mágico que permeava a vida cotidiana da Europa pré-iluminista. Santos e minkisi eram objetos de ligação com o mundo do além, de onde vinha a solução para os problemas deste mundo.

Enquanto na cultura popular ibérica, na qual o catolicismo se misturou a tradições pagãs, os santos eram invocados para afastar epidemias de peste e pragas das plantações, trazer chuva e curar as pessoas, os minkisi, divididos em várias categorias e com especializações próprias, eram chamados a identificar malfeitores, curar ou provocar doenças, garantir a fertilidade da terra e das mulheres. Constituídos por esculturas, vasilhames ou amarrações, recebiam em ritos conduzidos pelos baganga ingredientes que os tornavam portadores de poderes próprios dos espíritos da natureza ou dos antepassados. A eles os santos católicos levados para a África pelos missionários foram associados. Na América, ao reconstituir suas formas de organização e relação com as coisas do mundo terreno e sobrenatural, os africanos e seus descendentes recorreram aos santos católicos para neles imprimir elementos de suas crenças tradicionais, utilizando-se dos espaços permitidos pela sociedade escravista, tal como fizeram com os festejos em torno de um rei negro.

Ao terem que construir novas instituições, os grupos heterogêneos de africanos escravizados recorreram não apenas aos saberes trazidos por determinados indivíduos, mas também ao que havia de comum aos sistemas cognitivos das pessoas pertencentes a grupos étnicos diversos. Nessa dinâmica entre uma “gramática da cultura” que serviu de base às novas formações e à ação de pessoas particulares, portadoras de conhecimentos adquiridos em suas terras natais, as penas muitas vezes foram mantidas como veículos de ligação entre este mundo e o além. Por outro lado, ao terem que se inserir numa sociedade dominada pelo colonizador cristão, que impunha sua religião, traduziram-na para seus próprios termos, atribuindo aos santos significados inacessíveis àqueles que não partilhavam seus códigos culturais. Dessa forma, os elementos da cultura dominante de origem européia, ao serem incorporados pelas comunidades afrodescendentes, receberam sentidos por elas criados. O caso aqui analisado é exemplo de como o estranhamento pode ser uma boa pista para se alcançar significados não evidentes, como nos ensinou Carlo Ginzburg.

Notas:

1 Nina Rodrigues, Os africanos no Brasil, 3a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1945; Melville Herskovits, The myth of the negro past, Boston, Beacon Press, 1990.

2   Roger Bastide, Les réligions africaines au Brésil, Paris, Presses Universitaires de France, 1960; e As Américas negras, as civilizações africanas no Novo Mundo, São Paulo, Difel, Editora da Universidade de São Paulo, 1974; Artur Ramos, Introdução à Antropologia Brasileira, Rio de Janeiro, Edição da Casa do Estudante do Brasil, 1943, e As culturas negras no Novo Mundo, 4a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1979; Edison Carneiro, Antologia do negro brasileiro, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1962; Pierre Verger, Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo de Benin e a Bahia de Todos os Santos, São Paulo, Corrupio, 1987.

3 Sidney Mintz e Richard Price, The birth of African-American culture, an anthropological perspective, Boston, Beacon Press, 1992.

 

4   Marina de Mello e Souza, Reis negros no Brasil escravista, história da festa de coroação de rei congo, Belo Horizonte, Editora UFMG, 2002.

5 John Thornton é um pesquisador que tem dado contribuição decisiva para o estudo do catolicismo na África Centro-Ocidental. Suas posições, freqüentemente iluminadoras, podem ser conhecidas em diversos artigos e livros sobre o tema como “The development of an African Catholic Church in the Kingdom of Kongo, 1491-1750”, Journal of African History, no 25 (1984), pp. 147-167; “Early Kongo-Portuguese relations: a new interpretation”, in David Henige (org.), History in Africa, a journal of method, nº 8 (1981), pp. 183-204; e Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400-1680, Cambridge, Cambridge University Press, 1992.

6 Silvia Lara, em “Significados cruzados: as embaixadas de congos na Bahia setecentista”, in Maria Clementina P. Cunha (org.), Carnavais e outras f(r)estas, (Campinas, Cecult/Editora Unicamp, 2001), pp. 71-100, faz uma análise nessa direção, servindo de guia em alguns aspectos da minha interpretação das festas de reis congos em geral.

7 No livro mencionado eu utilizo a noção de “rei congo” como de um elemento aglutinador de diferentes grupos africanos e afrodescendentes no âmbito do processo de constituição de novas identidades. Manifestação que ganha vigor entre os grupos bantos, os festejos de reis do Congo traziam para os africanos a memória da terra natal, mitificada, e para os colonizadores a lembrança de um império que dominou os mares, o comércio, e que se empenhou em disseminar a palavra de Cristo.

8   Ver entre outros textos, de João José Reis, “Magia jeje na Bahia: a invasão do Calundu do Pasto de Cachoeira, 1785”, Revista Brasileira de História, v. 8, no16 (1988), pp. 57-81, e “Nas malhas do poder escravista: a invasão do candomblé do Accu”, in João José Reis e Eduardo Silva, Negociação e conflito, a resistência negra no Brasil escravista, São Paulo, Companhia das Letras, 1989, pp 32-61; de Luis Mott, “Acotundá: raízes setecentistas do sincretismo afro-brasileiro”, in Escravidão, homossexualidade e demonologia, São Paulo, Ícone Editora, 1988, pp. 87-114; “O calundu-angola de Luzia Pinta: Sabará, 1739”, Revista IAC, no1 (1994), pp.73-82; de Laura de Mello e Souza, “Revisitando o calundu”, in Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro (orgs.), Ensaios sobre a intolerância, inquisição, marranismo e anti-semitismo (homenagem a Anita Novinski) (São Paulo, Humanitas, Fapesp, 2002), pp. 293-317.

9 João José Reis é autor que tem pensado sobre o tema da tensão existente entre a permissão e a repressão de práticas das comunidades negras no Brasil em momentos diferentes e sob o mando de administradores com posições diversas, como por exemplo em “Nas malhas do poder escravista”.

10 A carta do conde de Povolide, José da Cunha Grã Ataíde e Mello (1734-1792), está transcrita em nota do artigo de Robert C. Smith, “Décadas do Rosário dos Pretos. Documentos da irmandade”, Arquivos, no 1-2 (1945-1951), sendo que o autor o confunde com Martinho de Mello e Castro (1716-1795), estadista português que sucedeu a Pombal e nunca foi governador de Pernambuco. Atualizei a grafia e pontuação da carta.

11 João Antonio Andreoni (André João Antonil), Cultura e opulência do Brasil, 2a ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1966, p. 164.

12 Otille Coudreau, Voyage au Rio Curua, 20 nov. 1900 7 mars 1901, Paris, A. Lahure ImprimeurEditeur, 1903, p. 19.

13 Aqui mocambo é uma aldeia de negros, geralmente remanescente de quilombos, que também eram conhecidos como mocambos. Para o caso específico do mocambo do Pacoval ver o estudo de Eurípedes Antonio Funes, “‘Nasci nas matas nunca tive senhor’. História dos mocambos do baixo Amazonas” (Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, 1995); e artigo com o mesmo título in João José Reis e Flávio dos Santos Gomes (orgs.), Liberdade por um fio, história dos quilombos no Brasil (São Paulo, Companhia das Letras, 1966), pp. 467-497.

14 Conforme Funes, “‘Nasci nas matas nunca tive senhor’”, p. 34.

15 Francis de Castelnau, Expedição às regiões centrais da América do Sul, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1949, p. 172.

16 Ver Zdenka Volavkova, “Nkisi figures of the Lower Congo”, African Arts, no 5 (2) (1972), p. 56. Para uma explicação sobre os minkisi, ver Wyatt MacGaffey, “The eyes of understanding Kongo minkisi”, in Astonishment and Power (Washington, National Museum of African Art, The Smithsonian Institution Press, 1993), p. 56, e An Anthology of Kongo Religion: primary texts from lower Zaire, Lawrence, University of Kansas, 1974.

17 Théophile Obenga, “Sculpture et société dans l’ancien Congo”, Dossiers Histoire et Arqueologie

18 John M. Janzen, “14 Figure (nkisi)”, in Expressions of Belief, New York, Rizzoli, 1988.

19 Wyatt MacGaffey, “Complexity, astonishment and power: the visual vocabulary of Kongo minkisi”, Journal of Southern African Studies, vol. 14, no 2 (1988), p.193.

20 A roupa está num museu em Dresden e pode ser vista no livro de Alisa LaGamma, Art and Oracle. African Art and Rituals of Divination, New York, Metropolitan Museum of Art, 2000, p. 57.

21 Ver Suzanne Preston Blier, Royal Arts of Africa. The majesty of form, London, Laurence King Publishing, Calman & King, 1998.

 

22 Um dos muitos pontos para os quais o parecerista anônimo da Afro-Ásia abriu meus olhos foi este, relativo à abrangência da presença de penas e pássaros em insígnias de poder.

23 Principalmente em Africa and Africans in the making of the Atlantic World.

24 Em Reis negros no Brasil escravista. História da festa de coroação de rei congo; “Santo Antonio de nó-de-pinho e o catolicismo afro-brasileiro”, Tempo, vol. 6, no 11, (2001) pp. 171188; e “História, mito e identidade nas festas de reis negros no Brasil séculos XVIII e XIX”, in István Jancsó e Iris Kantor (orgs.) Festa. Cultura a sociabilidade na América portuguesa (São Paulo, Hucitec / Edusp, 2001), pp. 249-260.

25 Conforme Volavkova, “Nkisi figures of the Lower Congo”, p. 52.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/catolicismo-negro-no-brasil-santos-e-minkisi-uma-reflexao-sobre-miscigenacao-cultural/