A Procura do EU

Este comentário foi tão pertinente que decidi transformá-lo em um post:

Que estranho jogo esse que nós vivemos…

Quer dizer que todos nós possuímos um EU, mas nós não sabemos o que é esse EU, que seria o verdadeiro sentido das nossas vidas.

E qual é a graça de nós não sabermos qual é o nosso EU? Digo, qual foi a intenção do mestre do jogo quando ele nos colocou debatendo aqui, sem orientação, quebrando a cara, etc, tipo, ele sente prazer nisso? Esse é o objetivo do jogo então, descobrir nosso EU? Onde você viu isso? As coisas poderiam ser mais simples, tipo, nós descobriríamos nossa vontade, e faríamos aí o que tem que ser feito. Por exemplo, se isso for verdade, e eu algum dia acreditar nisso, e morrer sem saber o meu EU, morreria muito frustrado.

DD velho, insisto que indique um livro. Recomendo que coloque na bibliografia.

Não espero que responda, já que você já respondeu a primeira. É só que, não sei se é só eu, mas isso me incomada muito, acho isso muito importante.

@MDD – Voce estaria partindo do principio que está começando agora e que nao fez nenhuma besteira nas suas 10-20 vidas anteriores… Não esquecemos nossa Verdadeira Vontade, esquecemos as ligações que temos com as pessoas ao nosso redor… se esse véu fosse levantado um dia apenas, metade do planeta iria se matar, no atual estágio de evolução… imagina que vc jah ferrou e foi ferrado por todo mundo da sua família… sabe aquele parente que vc odeia e nem sabe pq? pode apostar que tem um motivo… entao o esquecimento é necessário.

Já a Verdadeira Vontade é o que voce ama fazer… é único de cada pessoa, por isso não dá para ensinar ou mostrar. O povo melindra e acha que é algo grandioso, como salvar o mundo ou compor uma sinfonia, mas não é necessariamente isso. Pode ser algo pequeno, como cuidar de uma ONG, organizar sua família evangélica doida, ser professor, ser engenheiro, etc… só que o que acontece… quando vc encaixa nessa VV, tudo começa a “dar certo”. Todas as coincidências começam a acontecer… tudo vai convergindo para o processo funcionar, e a coisa vira uma bola de neve. Quem acompanha o blog do TdC desde o início sabe onde estávamos 3 anos atrás e o que já fizemos hj, e a coisa fica maior a cada mês. Essa é a MINHA vontade… a de vocês é outra. Eu não posso dar receitas pra voces pq voces nao têm as minhas habilidades e nem eu tenho a de voces… vocês serão ótimos advogados, veterinários, médicos, engenheiros, músicos, pintores ou o que quer que vcs amem fazer…

A Verdadeira Vontade do Franz Bardon é muito distante da do Michael Jackson ou da do James Randi e certamente não existiria um livro único que servisse de guia para os três.

O Mapa Astral dá as pistas, porque ele é a configuração energética do momento em que vocês, como pensamentos encarnados, penetraram neste mundo material (por isso é tão fácil olhar mapas de gente “famosa” ou “importante”… funciona no reverso; eles são famosos JUSTAMENTE porque fizeram o que deveriam fazer… não “destino” nem nada dessas besteiradas, mas o que ELES escolheram fazer ANTES de embarcar aqui). Só que o Mapa é só um Mapa… se você não o trilhar, ele não vai te levar sozinho a lugar nenhum.

As coisas não são simples… elas são simples pro seu cachorro ou gato; são simples praquele mundo de gente que acorda, vai zumbi pro trabalho, chega em casa, assiste novela, dorme, acorda, trabalha mais pra juntar dinheiro pra comprar um novo celular que não precisa, depois trabalha mais em um emprego que nao gosta por uns 20 anos, pra se aposentar sem ter tempo de cuidar dos filhos e viver sua pensãozinha. Ai sim, é “simples”. A Mídia fala tudo o que voce precisa ter e consumir, e seu patrão/pastor/padre/artista de TV fala tudo o que voce precisa fazer.

Daí o Ocultismo se comunica por meio de símbolos. Símbolos são muito mais poderosos do que palavras, representam idéias, conceitos muito maiores do que meras descrições. E através do conhecimento destes símbolos (sejam deuses, monstros, heróis, histórias, marcas, etc…) você consegue trabalhar o seu interior para saber quem você é e o que sabe fazer direito. Daí a frase “Conhece a ti mesmo e conhecerás todo o Universo”. E pelos símbolos chegamos à Magia, que é trazer ao mundo imagens (Imago), ou seja, desenvolver a imaginação a ponto dela ser capaz de materializar-se no mundo material.

E, com símbolos, não há bibliografia, há imagens. Qualquer livro que eu recomende será a visão DAQUELE AUTOR sobre o tema… e mesmo imagens podem ser deturpadas (vide a swastica), ai a pessoa precisa estudar o que está atrás daquele símbolo. O que aquele Deus representa? pra que serve aquele arcano do tarot? o que significa aquele diagrama engraçado na forma de Árvore? e mesmo os símbolos que valem pra mim podem não valer pra outras pessoas… cada um chegará até onde o seu nível intelectual e evolutivo permitir; o truque é que agora a informação está ai… basta saber procurar e estudar.

Eu descobri qual é a MINHA vontade; e cada vez que eu realizo alguma coisa neste caminho, descubro que consigo elevar isso pra um patamar maior, mediante mais trabalho… ainda não tenho idéia da onde dá pra chegar… só que não sou guru nem mestre de ninguém: no máximo, posso tentar indicar as portas, mas quem vai ter de ser o Mestre de cada um de vocês é cada um de vocês, e só.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-procura-do-eu

Entrevista com Lacrimosa (Tilo Wolff)

A Seguinte entrevista foi concedida por Tilo Wolff a um programa de rádio  de belgrado, Croácia, durante a turnê européia da banda em maio de 2007. Tilo fala da relação com os fãs, a atual cena gótica e seus novos valores, e da influência da religião na música da banda. Considerando que Tilo raramente dá entrevistas, é um milagre que tenha aceitado falar sobre assuntos tão diversos e pessoais.

Como têm sido a recepção ao lançamento de Lichtjahre nesta turnê ? Vocês têm exibido trechos dos vídeos antes dos show certo ?

Eu não tenho palavras para agradecer suficientemente nosso público. Eu sei que acaba sendo meio clichê, pois toda banda diz isso. Mas nossas fãs são incomparáveis. Temos de levar em consideração que a maioria das pessoas não entende as letras, mesmo aquelas com um alemão razoável, existe sempre duplas ou triplas interpretações para nossas letras e nossa forma de expressar a melodia do Lacrimosa.

Vocês têm tocado quase todas as músicas do Lichtgestalt ao vivo não ?

Isso pode variar de show para show. Tocar o mesmo set list toda a noite pode ficar meio estressante e até mesmo enfadonho. Mas quando temos um material que funciona tão bem ao vivo, é impossível não fazer o máximo de uso delas.

Podemos afirmar que você perdeu um pouco o preconceito contra festivais ? Há várias datas marcadas para o Lacrimosa em festivais em sua agenda.

Não é exatamente preconceito. Tivemos sérios problemas com equipamentos mal equalizados; falta de tempo hábil para passagem de som. E consideremos que nossa música não é Punk Rock que pode ser tocado de qualquer jeito em qualquer lugar e em qualquer hora. Quando tocamos em teatros, a coisa é diferente pois os nossos roadies são fantásticos e sabem exatamente o que queremos e como queremos. Em festivais, raramente somos considerados prioridades. Não quero regalias, porém, exijo respeito e profissionalismo daqueles que nos contratam pois sempre damos o melhor de nós em cima do palco. Faça sol ou faça chuva.

Vocês têm exibido o Konzert-Dokumentation und das Live-Album Lichtjahre antes dos shows. Como têm sido a recepção dos fãs a este trabalho ?
Magnífico. As vezes fico dando umas espiadelas na platéia e fico emocionado. As pessoas realmente entendem do que se trata. É Ótimo. É gratificante quando tudo aquilo que pensamos no estúdio, no período pré-estúdio, ou quando componho em turnê, ver os fãs realmente sendo introduzidos naquilo que pensei como música, como arte. Mas principalmente, como compreensão do sentimento e comportamento humano.

A música do Lacrimosa ficou menos depressiva através dos anos não ? Se compararmos com os primeiros discos.

Respeito sua opinião mas não concordo. É como ler más notícias nos jornais e não sermos afetados por elas. Não vivemos tempos de paz. Nem aqui na Europa nem em lugar nenhum. Sou afetado por tudo aquilo que leio, sinto e ouço. Apenas mudei a forma de abordar tais aspectos. Sinto que posso expressar esse sentimento universal de desesperança, medo e reclusão de outras formas. Mas sempre houve um fio de esperança em nossa música, em nossa mensagem.


Como enxerga religião hoje em dia ? Se acha uma pessoa religiosa ?

Não sou religioso. Não mais, mas tenho uma fé profunda. Fui criado na religião mas agora, é política pura hoje em dia, nada mais. A minha visão de fé hoje é completamente diferente do que era alguns anos atrás. Mas cantei num coral de igreja e isso era maravilhoso para mim. Pena que aquilo tudo parece ter se perdido na política.


A faixa Hohelied der Liebe é um trecho da bíblia não é ?

Sim. Algo especial para mim. A bíblia é um dos meus livros favoritos. Talvez o favorito de todos. A bíblia tem uma excepcional influência nas letras da banda.

Observação: Como sempre, Tilo torna-se quase monossilábico quando tocamos no assunto religião; num passado não tão distante ele teria feito comentários considerados anti-semitas, algo que nunca foi provado nem confirmado por ele.

Como explica o sucesso do Lacrimosa fora da Europa ?

Não procuro explicação para isso. É ignorância sobre certos aspectos. Ouvi de um jornalista na Bulgária: Como você lida com os latinos ? Eles são muito emocionais e bem pouco racionais não é verdade ? Recebo isto como uma ofensa. Terrível que no século XXI ainda tenhamos gente que pensa desta forma estúpida e irresponsável. E justamente de povos aqui do leste europeu que ainda sofre com tanta discriminação da Europa Ocidental.

O que é racionalidade no ponto de vista dele ? Acho que povos de origem latinas como hispânicos, espanhóis, italianos e franceses têm mais facilidade em expressar e lidar com seus sentimentos. Eles não têm rédeas controlando suas emoções o tempo todo. Acho isso mágico. Quando estivemos no Brasil e no Chile pela primeira vez, tive uma sensação estranha; a reação e comportamento deles era muito parecida com a que recebemos na Alemanha ou na Escandinávia.

A participação deles também era muito intensa nos shows, mas muito mais parecida com as nossas. Estava acostumado a ver a reação maravilhosamente insana em DVD’s de outras bandas e achei que teria o mesmo, mas eles nos surpreenderam de outras forma: cantando todas as nossas músicas num alemão excelente e bastante sentimental. Mesmo que não entendessem tudo o que era dito, uma maneira quase espiritual de se comunicar conosco. Gosto dessa diversificação de aspectos sentimentais em relação ao Lacrimosa. Nossa arte não foi e não é feita em vão.


Como lida com os boatos de que Anne poderia deixar o Lacrimosa e seguir carreira solo ?

Acho que o Lacrimosa é a carreira solo dela. Ela têm liberdade para exercer toda a maravilhosa criatividade dela dentro desta banda. Anne não é tão chegada a entrevistas, mas eu também não sou. É muito complicado ter de explicar cada mínimo detalhe de um disco para um jornalista ignorante que foi destacado para sua revista sem ter ao menos a menor noção de como funciona e o que significa nossa música. Mas isso não é culpa deles e sim de seus editores-chefe não é mesmo ?

Anne não vai deixar o Lacrimosa porquê o Lacrimosa é a vida dela, assim como é a minha. A gravidez da Anne na época levou idiotas a publicar coisas estúpidas como estas.


E o Snakeskin ? Como fica nesse jogo ?

Tenho composto material mas não tenho me sentido muito a vontade com esse material. Preciso burilar ele melhor, descobrir seus pontos fracos e transformá-los em pontos fortes. É mais pesado e inconsequente do que o trabalho regular do Lacrimosa. Tenho sentimentos confusos em relação ao Snakeskin para dizer a verdade. Mas o Canta-tronic têm sido uma grata surpresa devo dizer.


O que têm ouvido recentemente ?

Tenho ouvido bastante nossos próprios discos. Isso não é algo que faço com muita frequência. Aliás, nunca tinha ouvido tanto, testado tanto meu trabalho. Acho que é um recall. Uma forma de redescobrir pérolas que ficaram pelo caminho e recuperá-las. Acho que por bastante tempo acabei relegando boas músicas nossas para um segundo ou terceiro plano. É hora de redescobrí-las e encará-las de frente para o prosseguimento do Lacrimosa.


O metal voltou ao Lacrimosa recentemente não ?

Ele nunca esteve de fora. Mais uma vez é a nossa abordagem musical que acaba passando despercebida do modo que ele é tratado normalmente. O metal tradicional jamais me atraiu: bandas como Helloween, Grave Digger entre outras do típico metal alemão… ( interrompido pelo locutor )


Mas o Rammstein não é hoje o típico metal alemão ?

Acho que não. Acho que não. Tenho certeza que não. Gosto bastante do Mutter e acho ótimas canções também no Reise, Reise mas não identifico muito do Lacrimosa na banda de Till Lindemann. Mas acho-o um grande performer. Um grande artista e também seus companheiros.


Gostaria de ter sua opinião, seu parecer sobre bandas que citam o Lacrimosa como grande influência. Pode ser ?

Claro ! Por que não ? ( risos )


Birthday Massacre ?

Não tenho uma opinião formada sobre eles. Mas é bom saber que tantas bandas citam o Lacrimosa como influência. É como um pagamento por algo impossível de ser pago. Gratificante. Mas voltando ao BM, não conheço o suficiente para ter uma opinião formada sobre a banda. Infelizmente, quem sabe no futuro não os ouça mais atentamente.


Evanescence ?

É a minha favorita entre aquelas que nos citam como influência. Gosto da abordagem de Amy Lee. Sei que ela teve momentos muito difíceis recentemente e passou isso para sua música de forma brilhante. Conseguiu desabafar sem ser piegas. Ela é muito talentosa embora digam que ela seja mera produção do mainstream americano para combater o Gothic Metal europeu. O que não é mentira, mas ela consegue superar isso muito bem e mostrar todo o seu talento. Gosto particularmente da melodia vampiresca do The Open Door.


Lacuna Coil ?

Não vejo nada do Lacrimosa no Lacuna Coil. Absolutamente nada.


Epica ?

Tampouco. A abordagem é diferente. Não basta usar música clássica e orquestrações para soar idêntico. Acho o Epica uma banda de grande valor e que têm um futuro brilhante pela frente. Simone têm uma voz deslumbrante e que muitas vezes me lembra Anne na interpretação melancólica quando executa canções desesperadoras. É convincente.


O que acha de bandas como o Lacuna Coil e H.I.M que adaptaram seu som para conquistar o mercado americano ?

Difícil opinar sobre isso sem parecer crítico. Não sou de fugir de debates mas esse é muito complicado. Até onde podemos afirmar que eles se venderam para os Estados Unidos e naufragaram ?


Bem. Os fãs europeus e de longa data detestaram seus trabalhos recentes: Dark Light e Karmacode.

Eu não sei. Não tenho uma opinião formada sobre isso. O U2 adaptou seu som à América e funcionou. Isso sem ter resultados prejudiciais ao resto de seus fãs.


O Lacrimosa sentaria para ouvir uma proposta de uma gravadora para brilhar nos Estados Unidos ?

Jamais. Fora de cogitação.


O que podemos esperar dos novos trabalhos do Lacrimosa ?

Muita disposição em criar novos e grandes trabalhos. Poucas vezes estive tão animado com o andamento de processos de gravação. Devemos tirar um pequeno descanso de não mais que dois meses e voltaremos ao estúdio com boa parte da pré-produção já finalizada. Não há sobras de estúdios de trabalhos anteriores. Não acho que o novo trabalho, pelo menos até o que compomos até agora seja parecido com qualquer coisa que já tenhamos feito no passado.


Isso é um clichê não é ?

( gargalhadas de Tilo ) Pode ser. ( Mais risos )


Que tipo de reação de um fã te irrita ? Qual você considera desrespeitosa ?

Nunca tivemos problemas com isso. Fomos agraciados com amigos e fãs maravilhosos por toda a carreira da banda. Os fãs jamais foram inconvenientes ou incompreensíveis conosco. Mesmo quando tivemos de adiar shows por problemas de saúde, ou algum concerto que por razões técnicas ficou aquém do esperado.

Mas houve um episódio bastante engraçado quando um casal de fãs de Gotemburgo na Suécia, nos entregou um Demo CD contendo canções deles que em suas opiniões, encaixavam-se perfeitamente no estilo Lacrimosa. Achei interessantíssimo o som do casal e aconselhei que eles enviassem a demo para a Hall of Sermon. Porém, esta demo jamais chegou em minhas mãos e nunca mais tive notícias deles.


Que estranho !

( risos ) Coisas estranhas sempre acontecem no Lacrimosa. Mas se aparecer, certamente eles teriam grandes chances de obter um contrato para gravação de um disco. Eram bem talentosos.


Como os músicos de apoio da banda, lidam com uma certa obscuridade deles em relação à Anne e você ? Vocês são a imagem do Lacrimosa.

São músicos profissionais que só se importam com a música. Não há vaidade nenhuma. O Lacrimosa não é um outdoor ambulante nem de imagens nem de modelos. Só a música interessa.
Tradução Paulie Hollefeld

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/entrevista-com-lacrimosa-tilo-wolff/

A Vontade de Crer

As Edições Textos para Reflexão tem o orgulho de lhes trazer A vontade de crer, um dos livros mais conhecidos de William James. Ele foi traduzido do original em inglês pela nova integrante de nossa equipe, Kamila Pereira (Hipátia), que por acaso também é uma das integrantes da equipe do blog Queremos Querer, outro dos colunistas do TdC.

William James, um dos fundadores da psicologia moderna, foi um daqueles raros homens que soube transitar com igual destreza entre a Academia e o Templo, entre a racionalidade e a espiritualidade, entre o empirismo e a subjetividade. James estava, de fato, em casa no universo. Mas o seu universo não se resumia ao que residia lá fora. Ele sabia, pois também contemplou tal caminho, que haviam espaços infinitos, ou quase infinitos, também dentro de nós.

Um livro digital já disponível para o Amazon Kindle:

» Comprar A vontade de crer, pelo preço de um café!

#Livros

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-vontade-de-crer

A Serpente e o Cavaleiro do Leão

“Eles são chamados de cobras porque vivem lá e estão escondidos em várias formas que os cobrem como roupas.”
– Dom Pernéty, Dicionário Mito-Hermético.

Quer empreste os nomes de Leviatã (1), Quetzalcoatl (2), Ouroboros (3), a serpente permanece inquestionavelmente o “símbolo eterno” ligado à antiga tradição. Tomemos apenas como exemplo a lenda que o historiador Plínio nos contou nestes termos:

Durante o verão, vê-se reunir em certas partes da Gália inúmeras serpentes que se misturam, se entrelaçam e, com a saliva unida à espuma que escorre de sua pele, produzem uma espécie de ovo. Quando está perfeito, eles o tiram e o seguram no ar com seus assobios. Um homem, a certa hora da lua, pega o ovo em um pano, pula em um cavalo que o espera e foge a toda velocidade porque as serpentes o perseguem até que ele coloque um rio entre elas e ele. Foi testado mergulhando-o na água, flutuando embora cercado por um círculo de ouro. Uma virtude mágica foi concedida ao ovo assim obtido: ele abria livre acesso aos reis e, além disso, os druidas o usavam em volta do pescoço, ricamente consagrado, e o vendiam por um preço muito alto.

Portanto, parece bastante natural que o nosso réptil também apareça com destaque no bestiário hermético dos “Cavaleiros da Távola Redonda”. Também Chrétien de Troyes nos conta a história, tão simbólica, do bravo Yvain que, durante suas muitas façanhas, teve que libertar um leão do abraço de uma serpente (4). Depois de ter deixado a Senhora de Noroison, (ou nossas razões) que o havia tratado e colocado um vestido de “vair”, nosso bravo cavaleiro, então com todas as suas “faculdades” novamente, entra na floresta profunda quando, de repente, percebe um grito de dor vindo de longe. Ele vai para o lado de onde vem a queixa e é então que surpreende em uma clareira, um leão lutando com uma cobra que “vomita” chamas; o réptil segurando-o pela cauda, ​​queima toda a sua espinha. Em suma, Chrétien de Troyes não hesita em escrever:

Sir Yvain se perguntou qual dos dois ele ajudaria e decidiu pelo leão porque só se deve prejudicar seres venenosos e criminosos.

Então os muitos detalhes que o autor nos fornece não são desprovidos de interesse para o estudante da Ciência Divina que certamente não deixará de apreciar o conteúdo, adequado para sugerir os trabalhos preliminares da Obra:

Ele desembainhou a espada, colocou o escudo na frente do rosto para se proteger do fogo que a serpente rugiu pela boca, maior que um pássaro, e atacou a fera traiçoeira: cortou-a em duas metades e golpeou e golpeou novamente … desde que ele a cortasse em mil pedaços.

Reconheçamos em tudo isso a extração do Puro da impura e viscosa matéria mercurial ou mesmo a libertação do enxofre prisioneiro da imunda matéria primordial.

Então a luta ficou tão acirrada que o bravo Yvain, para libertar o leão, teve que resolver cortar um pedaço de sua cauda. Nesse momento, ele estava com muito medo de que o animal, rebelando-se, descesse sobre ele; ele estava, portanto, em guarda:

Mas essa ideia não ocorreu ao leão. Ouça o que a fera franca e bem-humorada fez. Ela manteve seus pés estendidos e unidos e sua cabeça inclinou-se para o chão e se ajoelhou em grande humildade, molhando o rosto com lágrimas. Sir Yvain compreendeu que o leão estava agradecendo por ter matado a cobra e por tê-la livrado da morte.

E o animal agradecido seguiu para sempre o seu salvador sem querer separar-se dele, tão contente estava em servi-lo e ajudá-lo nas suas futuras façanhas, em particular na sua luta contra o Gigante Harpin. O Rei do Deserto agarrou sua pele peluda; ele o arrancou como um pedaço de casca. Além disso, ele pegou um pedaço de seu quadril e cortou os músculos de suas nádegas enquanto Yvain brandia sua espada, não demorando muito para acabar com o Gigante.

O Rei das Feras então permitiu a fama de Yvain, dando-lhe o glorioso apelido de “Cavaleiro do leão”. Bem-aventurado aquele que, por Revelação Divina, identificar a Serpente e merecer este título por saber libertar o leão de seu terrível abraço!

Além disso, se para o leigo a Realidade parece longe de superar a Ficção, ele deve, no entanto, reconhecer que muitas vezes é igual a ela. Note-se também que o nosso herói, abandonando a lenda para entrar na história, encarnava-se sob a forma de um certo Gouffier de Lastours, senhor de Chalard, uma pequena vila isolada, muito próxima de Limoges. Este grande senhor, que também foi benfeitor do mosteiro, havia libertado, no Oriente, um leão dos enrolamentos de uma serpente que queria sufocá-lo. Ele manteve o animal como um aliado e servo fiel por anos. Além disso, ele foi um herói da Primeira Cruzada; foi ele quem primeiro escalou as muralhas de Marrah. A antiga capela de Chalard uma vez continha seu túmulo. E muito naturalmente, como o seu homólogo lendário, Gouffier de Lastours adquiriu notoriedade perfeita em todo o país. Que período estranho realmente foi a Idade Média “sombria”, que soube tão bem combinar mito e realidade; “obscurantismo moderno” permanecendo inigualável!

O investigador, sem dúvida, agradecer-nos-á por concluir com a fábula da “Serpente de Vau” (5) que valeu a Nicaise (6) a evangelização da vila de Meulan, no século III da nossa era.

Perto da aldeia de Vau (localizada a 4 km a leste de Meulan, em Yvelines), uma cobra horrível vivia em uma caverna onde jorrava uma fonte, cujas águas foram envenenadas pelo monstro, que causou doenças à população vizinha. Nicaise então enviou seu discípulo, o padre Quirin, que, com um simples “sinal da cruz”, reduziu a besta à obediência, sugerindo-nos “a crucificação” da serpente, enfatizando a importância dos “três pregos da simbolismo hermético.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-serpente-e-o-cavaleiro-do-leao/

V Simpósio Brasileiro de Hermetismo

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O V Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas trará para discussão e exposição o tema “A Grande Obra: o caminho e a responsabilidade”. Dessa forma, pediu-se aos palestrantes e expositores que trouxessem um pouco de sua vivência e da visão das filosofias que os mesmos representam a respeito dos aspectos de compromisso com a Grande Obra e da Responsabilidade do praticante para com o conhecimento mágico.

Em 2016 o evento ocorrerá na cidade de São Paulo, nos dias 26 e 27 de novembro, no Espaço Federal, na avenida Paulista, 1776, primeiro andar (próximo ao metrô Trianon-Masp).

Para esse ano traremos para conversação o tema “A Grande Obra: o caminho e a responsabilidade”. Dessa forma, pediu-se aos palestrantes que trouxessem um pouco de sua vivência e da visão das filosofias que os mesmos representam a respeito dos aspectos de compromisso com a Grande Obra e da responsabilidade do praticante para com o conhecimento mágico.

Sábado – 26 de novembro

08:30 – 09:00 – Abertura Oficial

09:00 – 11:00 – Fernando Maiorino – Xamanismo Hermético

11:00 – 12:30 – Marcelo Del Debbio – Kabbalah Hermética

12:30 – 14:00 – Almoço

14:00 – 15:30 – Claudio Caparelli – Sagrado Masculino

15:30 – 17:00 – Constantino K. Riemma – Tarô

17:00 – 17:30 – Coffee Break

17:30 – 19:00 – Marcelo Alexandrino – Caminhos, atalhos e desvios: a Grande Obra e a responsabilidade no ocultismo

Domingo – 27 de novembro

09:00 – 11:00 – Fernando Liguori – Thelema e a Grande Obra

11:00 – 12:30 – J.R.R. Abrahão – Magia Ritual e Cerimonial

12:30 – 14:00 – Almoço

14:00 – 15:30 – Oswaldo Turriani Siqueira – O caminho da astrologia na consecução da Grande Obra

15:30 – 16:00 – Coffee Break

16:00 – 18:00 – Déia Filhadágua – Jurema

Inscrições abertas no site (http://simposiohermetismo.com.br/) – aproveite o primeiro lote de ingressos no valor de R$ 150,00 até o dia 10 de setembro. Inscreva-se já!

#Blogosfera #hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/v-simp%C3%B3sio-brasileiro-de-hermetismo

Caos sem preconceito

Recorrentemente vimos nos meios de comunicação matérias e reportagens que atribuem a ´satanistas´, a ´magistas negros´, a ´quimbandeiros´ e à outros grupos a responsabilidade por crimes praticados contra a vida e contra a liberdade sexual. Algumas destas notícias são verdadeiras, outras falsas. Todas contribuem para a formação de um pré-conceito. O de que estas sendas (satanismo, magia negra, quimbanda) são as formadoras das consciÊncias doentes, são formadoras de psicopatas. Isto é o núcleo da propaganda preconceituosa. Vemos o mesmo mecanismo dentro da IURD à cerca de outras crenças. O perigo é que a grande maioria (90%) das pessoas são levadas à crença por motivação emocional e acabam dando valor à esta formação pre-conceituosa. Doentes e criminosos são as pessoas que praticaram os crimes. Não as sendas.

Dentro do território da magia em vários ´recôncavos cibernéticos´ temos o mesmo mecanismo em ação, o pré-conceito, sobre magia do caos. Quando alguém quer parecer ´mau´ e ´perigoso´ abraça a bandeira da magia do caos e diz: sou caoísta. Como se fosse um repelente para manter os indesejados afastados. E isto pegou.Tem listas de discussão por aeh que expressamente dizem que  caoístas devem se manter afastados. O núcleo desta formação de imagem está nas idéias de que a magia do caos é a-ética
ou ´sem ética´, que o praticante destas técnicas desconhece regras e limites, que busca apenas o poder através da obtenção de resultados. É o mesmo que dizer que os satanistas são criminosos porquê uma reportagem de jornal de 5a. diz que um sacrifício humano foi cometido em um ritual satanista.

Para que serve a magia?

A resposta para esta pergunta é extramente pessoal. Uns podem dizer que serve para obter poder. Outros podem dizer que serve para se ter uma vida melhor. Ou para ser feliz. Ou que para se libertar das ilusões do mundo, um se torna o ´ilusionista´. As respostas e escolhas são individuais. O indivíduo que faz esta escolha é o responsável pelos seus atos. Atribuir responsabilidade dos atos deste indivíduo às técnicas que ele usar é acreditar em uma distorção da realidade.

Para que serve Magia do Caos?

Você poderá obter várias respostas diferentes, de indivíduos diferentes, que lhe irão mostrar não a serventia da Magia do Caos, mas as aspirações destes indivíduos. Como não posso responder por todos, nem por um outro indivíduo, responderei apenas por mim, ok?

Uso Magia do Caos como um cinturão do ´Batman´. Quais são as ´ferramentas´ escondidas neste cinturão?

– A construção de um sistema pessoal de crrença, que envolve partes ´boas´ (ou que funcionam) de outros sistemas de crença, algo como uma religião própria, individualizada.

– A capacidade de usar a ´crença´ como umaa ferramenta, passando a acreditar em algo que seja necessário para a obtenção de um resultado, durante o tempo que durar esta necessidade.

– Controle dos corpos físico, emocional e  mental, para aplicação das técnicas de operação mágica. Conhecimento de Técnicas de Gnose (produção voluntária de um estado ´alfa´ de ondas cerebrais).

– Conhecimento das técnicas de 5 tipos de  operação mágica: Encantamento (do Universo ou de pessoas), Invocação (de estados
emocionais interiores e/ou entidades), Evocação (de estados emocionais exteriores e/ou entidades), Adivinhação e Iluminação.

– Conhecimento destas técnicas em ao menos 4 níveis: usando base material; usando base instintiva; usando a plataforma astral; usando ritualisticamente um mix das plataformas anteriores.

– Contato com uma consciência mágica superrior (chamado por alguns de Augoeides).

A qualidade do que eu faço depende de minha ética pessoal. Às vezes leva para o bom e ao bem, às vezes leva para o mau e ao mal, mas todas as vezes de forma objetiva e responsável.

Pela minha experiência, te digo, que você pode conhecer as técnicas de magia do caos e ser um melhor satanista, thelemita, gnóstico, cristão (não ria), sufi, hindu, budista, taoísta, ou whatever you want to believe. Se você começar a buscar somente o poder, sem medir consequÊncias, de forma a-ética, isto será uma responsabilidade só tua.

Espero ter contribuído para uma melhor formação da idéia.

Zoakista

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/caos-sem-preconceito/

Enochiano e Magia Enochiana – Ulisses P. S. Massad

Bate-Papo Mayhem #029 – gravado dia 09/06/2020 (terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Ulisses P. S. Massad – Enochiano e Magia Enochiana. Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Saiba mais sobre o Projeto Mayhem aqui:

#Enochiano

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/enochiano-e-magia-enochiana-ulisses-p-s-massad

Empoderamento Real Para Mulheres

Por Radhika Krpa Devi Dasi.

Extrato de um discurso dado a um grupo de ONGs na lSKCON de Nova Délhi.

Este foi o tópico sobre o qual tive que falar em um seminário realizado por uma das principais ONGs representantes da ISKCON, era esperado que eu desse um toque espiritual à chamada posição fraca das mulheres. Eu, por outro lado, me sentia totalmente dócil com esta declaração!

Comecei meu discurso diante de uma multidão que glorificava sem pudor as mulheres líderes políticas de alto nível, estrelas do esporte, burocratas, figuras históricas e as modernas representantes das mulheres vencedoras de concursos de beleza. Pois nossa cultura védica foi conquistada nos discursos proferidos pelo ministro honorável e personalidades renunciadas, que defendiam soluções desprovidas de qualquer conhecimento da alma espiritual. Comecei meu discurso lembrando a multidão de nossa cultura há muito esquecida.

Entre as muitas civilizações do mundo, os mais venerados cumprimentos pela tristeza foram encontrados na cultura védica. O nível de civilidade juntamente com os padrões morais e espirituais em uma sociedade pode ser percebido pelo respeito que ela dá a suas mulheres. Não que ela as glorifica pelo papel de “doadoras progressivas” e lhes proporciona toda a liberdade que os homens querem, para que possam ser exploradas e aproveitadas. Mas ela as considera e lhes permite viver em sociedade com respeito, honra e proteção, ao mesmo tempo em que lhes proporciona uma oportunidade de alcançar seu verdadeiro potencial na vida.

A sociedade védica, sendo a sociedade ideal, é baseada nos “Princípios dados diretamente pelo Poder Supremo, Sri Krishna”. Ela acredita em dar proteção às mulheres. Para salvar a sociedade degenerada, manter a segurança das mulheres deve ser a principal preocupação. O Pai protege a criança menina antes do casamento, depois do casamento eu me torno a responsabilidade do marido e mais tarde o filho é confiável para cuidar dela. Esta é a verdadeira sociedade védica.

A sociedade védica enfatiza o papel da mulher em todas as partes do mundo. Os Vedas designam uma mulher ideal como,

Aditi – como ela não é dependente de Brhati – a de grande coração
Candra – a mais feliz
Devakama – a mais piedosa
Ksama – a mais tolerante
Sarasvati- a mais acadêmica
Sumangali – a mais auspiciosa
Visruta – a mais gloriosa
Yoga – pois ela está em relação com o homem, ela não está separada; ela é a ardharangam.

Há muito mais qualidades imbuídas nas mulheres mencionadas nas Escrituras Védicas.

Ela é o cuidado da sociedade; o pivô em torno do qual gira toda a família. As famílias formam a sociedade, que formam a nação e as nações se unem para formar o mundo. Ela é a cuidadora da nova geração. A geração vindoura está completamente em seu guia para seus filhos. As escrituras védicas informam sobre Dhruva Maharaja e Prahlada Maharaja, que seguiram as palavras de suas mães e se tornaram as mais afortunadas por terem “darsana” do Senhor supremo, Sri Krishna, apenas na tenra idade de cinco e sete anos, respectivamente.

Muitas personagens femininas embutidas nas escrituras exibem várias qualidades raramente encontradas. Como a Rainha Kunti, mãe de cinco filhos ilustres, os Pandavas. Sua glorificação espontânea do Senhor Supremo Sri Krishna e sua descrição do caminho espiritual são imortalizadas no Bhagavata Purana Suas orações, como disse Sua Divina Graça A.C Bhaktivedanta Swami Prabhupada, são simples e esclarecedoras efusão de uma grande santa devota. Elas revelam tanto as emoções transcendentais do coração quanto as penetrações teológicas mais profundas do intelecto. Suas palavras têm sido cantadas, recitadas e cantadas por sábios, devotos e filósofos por milhares de anos.

Ela é a epítome da tolerância e da devoção. Ela teve a coragem de rezar pela fortaleza e pelos defeitos para permanecer sempre no abrigo do Senhor.

Draupadi é mais uma personagem forte, impregnada de profunda convicção, cuja fé nunca vacilou no Poder Supremo, apesar de ter passado por momentos muito difíceis. Sua fé profunda e seu forte amor fizeram até mesmo o Senhor do Universo retribuir. Sua compaixão e sua força a fizeram perdoar o assassino de seus cinco filhos. Somente uma mulher tão perfeita poderia fazer isso.

Entretanto, o Criador dos Mundos espirituais e materiais, a fonte de tudo, a Personalidade Suprema da Divindade Sri Krishna, que governa tudo, é governada por sua consorte Srimati Radharani, sua potência interna. Uma devota tem que invocar Sua compaixão, que por sua vez recomenda a devota a Sri Krishna. Ele controla tudo, mas Ela o controla a Ele. Ele é o Poder Supremo, mas Ela é a Mais Suprema.

Mesmo o mundo material do Senhor Supremo Sri Krishna é colocado sob o controle de Sua energia externa Mahamaya, que mantém esta Mrtyuloka (a Terra) e provê gratificação sensata para todos.

Radhika Krpa Devi Dasi de Sua Santidade Gopal Krishna Goswami Maharaja, é a autora de “ensinamentos vaishnava, no sikhismo” e de uma coleção de poemas devocionais.

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Fonte:

DEVI DASI, Radhika Krpa. Real Empowerment For Women. Back to Godhead, 2008. Disponível em: <https://www.backtogodhead.in/real-empowerment-for-women-by-radhika-krpa-devi-dasi/>. Acesso em 8 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/empoderamento-real-para-mulheres/

Deificação Vampírica

“Eu sou teu Eu mais Profundo, (…)
E aquele que se reconhece como Eu,
Poderá tocar e mudar tudo conforme a sua vontade e é, um verdadeiro Feiticeiro.
E saiba bem meu nome, pois honrando-o em todas as tuas ações,
será e permanecerá digno da minha Magia Draconiana”

– The Dragon Speaks, Vampire Bible

Dentro da magia em geral, muito se fala em Self, Eu, Logos, Christos Individual, Deus Interno. Muitos nomes recebe a consciência expandida que se rebela contra o mecanicismo cotidiano, e no Vampirismo, esta realidade superior é chamada de ‘o Dragão’. O Dragão é um dos símbolos mais antigos universais e é também o maior mistério da magia vampiresca.

A escolha da simbologia do Dragão não é arbitrária. Embora para os meros ignorantes esteja sempre associado ao mal ao mesmo tradicionalmente o Dragão é sempre o guardião de um grande tesouro. Dragões guardam o Velocino de Ouro na mitologia grega e possuem o tesouro da vida eterna na mitologia nordica de Siegfried. Estes mitos não estão ai fortuitamente. Embora seja descomunalmente forte, o Dragão é sempre um ser extremamente sagaz e inteligente. Essa dualidade faz com que ele represente com perfeição tanto o Lado Diurno, racional e pragmático, como o Lado Noturno, sobrenatural e oculto da vida vampírica. Como se isso não bastasse em muitas culturas o Dragão é também símbolo da imortalidade.

Para o vampiro praticante o Dragão representa acima de tudo o conhecimento, especialmente o conhecimento de si mesmo que se inicia pelo reconhecimento de tudo aquilo que você não é. Dentro do misticismo Vampírico, um ponto se destaca: Observado e Observador. Experienciador e a Experiência. É apenas graças ao contraste dos opostos que qualquer sentido pode funcionar. É pelo silêncio entre os sons que reconhecemos as palavras. É pela diferença de luz e escuridão que funciona nossa visão. Da mesma forma trabalha o sentido de Deificação do Vampiro. Deificar, quer dizer torna-se Deus, e é portanto desumanizar. É viver o vampirismo como um Todo. Essa prática vai cortar suas amarras da realidade mudana, e te dar uma nova visão da Experiência na Vida.

O processo consiste em uma simples realização: O sujeito não é a experiência. Por exemplo, você sabe que não é estas palavras porque você está as lendo. Sua habilidade de experimentar estas palavras significa que a experiência (as palavras) a qual o sujeito (você) está ciente. Exatamente como um olho não pode ve-lo diretamente, você não pode experimentar você mesmo. É necessário a interação de duas entidades separadas para o uma experimentação ocorrer: O sujeito e a experiência. A experimentação é impossível com qualquer um dos aspectos ausente.

Muita gente não concorda com este ponto, dizendo que podem experimentar a si mesmos simplesmente por tocar seus braços ou ouvir a sua própria voz. Mas este é o ponto exato: Tudo o que você experimenta, não é você. Seu braço e sua voz são partes do seu corpo, e porque podem ser experimentados, eles não são o verdadeiro sujeito.

Reconhecendo isso, você se ‘desidentifica’ do seu corpo. Enquanto você pensar que seu corpo é você, a dor física será terrível já que ela se torna a sua dor. Este processo te faz reconhecer que a Dor não é você, mas sim está a experimentando. Isto já te da à habilidade de continuar através da dor se você quiser alcançar algo maior do que simples alívio .

Isso se estende a todos os aspectos do seu Ego. Emoções, pensamentos, personalidade, memórias e tudo o que você puder experimentar não é o seu verdadeiro “self”, o sujeito. Você é imune a qualquer desconforto que você pode experimentar. Reconhecendo isso, você pode prontamente confrontar qualquer obstáculo não importando a forma. Você ainda vai experimentar o desconforto, mas ele não irá dete-lo.

Resumindo, o processo de deificação consiste em primeiro lugar se dedicar inteiramente a experiência. Permitir a você mesmo experimentar ela completamente. E em segundo lugar, mas não menos importante reconhecer que você está tendo uma experiência, e então, você não é aquela experiência. Isso é especialmente libertador quando você percebe que não é nenhum dos agregados de idenficiação que a sociedade impõe. Você não é seu emprego. Você não é uma religião. Você não é um time de futebol.

A importância deste processo não pode ser subestimada e deve ser praticada sempre. Nada é parado no universo, se sua consciência não está expandindo ela está encolhendo. Se você não está progredindo está andando para trás.  A Deificação irá levá-lo a realização do seu “self” e permitir que domine sua Vontade. Isso te dará foco e perseverança em alcançar seus objetivos. Em um aspecto mais profundo, isso te mostra o teu real ser, e como o ego é mutável, plástico.

Quando você se identificar com o Dragão, perceber que o Eu não é o que ele experiência, tornar-se-á o Deus, a Fonte, o Dragão e seu Controle e Consciência te fará um Feiticeiro . Quando o processo é feito com verdadeira vontade chega-se muitas vezes a chamada “Noite Negra da Alma” ou N.O.X. Um estado que muitas vezes é confundido com o da “aniquilação do ego” mas que pode se melhor compreendido com a solidão que surge quando o Imperador mata todos os impostores da sua corte. Trata-se de um completo sentimento de vazio. Você queimou seus rótulos, jogou fora tudo aquilo que achava importante mas que não importa. Parece o fim do caminho, mas é na verdade o primeiro passo.

Até agora você estava preocupado em degolar todos os falsos deuses que tentavam entrar na cova do Dragão. Inicia-se a fusão entre teu ego e teu Eu. Você consegue finalmente entrar no covil e desperta o Dragão. E quando ele abre os olhos você percebe que está vendo através deles.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/deificacao-vampirica/

Gustav Holst e “Os Planetas”

Esta alusão ao mapa astral tem tudo a ver com a vida e a obra do compositor inglês. Ele mesmo era um entusiasta do assunto e chegou a confeccionar diversos mapas para seus amigos. Sua principal obra, Os Planetas, é resultado dos seus estudos místicos e astrológicos.

Influências Musicais

O Crepúsculo dos Deuses, a quarta ópera da tetralogia O anel dos Nibelungos, de Richard Wagner, impressionou os ouvidos de Holst. Mais tarde, sentiu-se elevado ao “reino dos céus” ao ouvir a Missa em Si menor de Johann Sebastian Bach. As influências de Arnold Shoenberg, Stravinsky, Richard Strauss, Debussy, e sua amizade com o compositor Ralph Vaughan Williams, encerram o arco musical dentro do qual Holst se desenvolveu como compositor.

Apesar da sua formação no Royal College of Music, Holst foi um grande autodidata. Evitava sistemas acadêmicos e estruturas musicais pré-concebidas. Não dava tanto crédito aos livros, mas no lema “aprenda fazendo”. Seguiu seu próprio caminho, e como num laboratório alquímico, realizou inúmeras experiências buscando constantemente as notas certas para suas obras.

Espiritualidade

Holst acreditava nas forças supra-humanas, foi muito influenciado pelas religiões orientais, especialmente nas doutrinas do dharma e reencarnação. Trabalhou na composição de diversos hinos para coral e orquestra sob inspiração de um dos escritos religiosos mais antigos do mundo, o Rig Veda. Escrito na linguagem sânscrita, é um verdadeiro compêndio de hinos, rituais e oferendas às divindades.

Como um bom virgiano, era perfeccionista e tinha o dom para dedicar-se em trabalhos cansativos e minuciosos. Portanto, não satisfeito com as traduções do Rig Veda decidiu aprender sânscrito e traduziu as palavras conforme sua interpretação.

Além dos Choral Hymns, compôs uma ópera chamada Sita, inspirada no épico indiano Ramayana, levou sete anos para sua conclusão, sem jamais encená-la! No caso de Holst, esse dom analítico e a capacidade para empenhar-se em grandes trabalhos, coincidem exatamente com as características de quem possui a lua em virgem no mapa astral.

Com base nos evangelhos apócrifos, escreveu The Hymn of Jesus (Parte I, Parte II, Parte III) Com seu rigor habitual, aprendeu o grego para ler os originais. Além do empenho para conservar o espírito do texto original, combinou em sua música o canto gregoriano, ritmos irregulares, harmonia colorida e uma orquestração grandiosa.

A astrologia e “Os Planetas”

“Os planetas” não se trata de uma obra ortodoxa, sua estrutura não obedece aos padrões convencionais. Não é uma sinfonia, nem poema sinfônico, nem fantasia. Mas sim, uma série de perfis sonoros dos planetas. Nas palavras de Holst: “as sete influências do destino e componentes de nosso espírito.“

Além das referências astrológicas, esta obra nos remete ao conceito de música das esferas, amplamente pesquisada por Pitágoras, Kepler, Kircher, dentre outros. Visto que Holst dedicou sete anos de sua vida nesta obra, vale a pena dedicar alguns minutos para ouvi-la e compreende-la.

Os Planetas

I. Marte, O Portador da Guerra

As cordas, percutidas com a parte de madeira do arco apresentam o motivo marcial onde a música irrompe em ondas orquestrais com intensidade crescente. Este clima bélico e enérgico da música caracteriza o perfil astrológico de Marte: coragem, poder, pioneirismo e o instinto lutador para enfrentar os desafios com bravura. Se estas energias não forem devidamente controladas seu resultado é desastroso: violência, assassinato e todos os subprodutos do defeito relacionado a Marte, a Ira.

Marte, O Portador da Guerra foi composto no início de 1914, antes do começo da Primeira Guerra Mundial. Seus sons militares soaram como uma premonição do conflito mundial que estava por vir.

II. Venus, O Portador da Paz

Fornece uma espécie de resposta para Marte. Contrasta pela placidez e pelo andamento lento. As harpas, madeiras e a celesta realçam a delicadeza desta obra, que nos passa a sensação de harmonia, equilíbrio e paz.

Alan Leo descreve este contraste entre Marte e Venus da seguinte forma: “Marte é o representante da alma animal no homem e Venus da alma humana, em certo sentido, um é o complemento do outro. Mercúrio o mensageiro alado dos deuses voa entre os dois como memória e é, portanto, a alma espiritual humana.”

III. Mercúrio, O Mensageiro Alado

De forma alegre, uma extensa e contínua linha melódica passeia pelos diversos naipes orquestrais transmitindo de instrumento para instrumento a mensagem vinda de outros mundos. Mercúrio, o mensageiro alado dos deuses representa a consciência humana, o intelecto, a aptidão para nos comunicarmos e a nossa busca pelo saber.

IV. Júpiter, O Portador da Jovialidade

Com base numa linha de acompanhamento na região aguda dos violinos, as trompas apresentam o tema enérgico do movimento, é o impulso para a introspecção a nível intelectual, filosófico e religioso, um dos aspectos de Júpiter. Em suma, Júpiter representa a “mente superior” no homem, não como razão pura, mas como sabedoria inata.

V. Saturno, O Portador da Velhice

Começa sombrio, segue com uma marcha nos metais e retorna à serenidade no final. Harpas e flautas estabelecem um padrão de acompanhamento sobre o qual cordas e outros instrumentos de madeira apresentarão breves fragmentos melódicos.

Saturno no horóscopo mostra onde podem ser encontrados os maiores desafios e onde podem ser aprendidas as lições mais difíceis. Segundo alguns biógrafos, Saturno é também a representação do sofrimento de Holst, que devido a sérios problemas na articulação de seu braço, teve que abandonar o piano e o violino.

Alan Leo descreve Saturno como sendo um dos responsáveis por todos os casos de degradação, degenerescência, humilhação e vergonha. Nos aspectos positivos representa a verdadeira humildade, perseverança, sacrifício, entrega e serenidade.

VI. Urano, O Mágico

É um scherzo com uma melodia ágil no fagote que se desenvolve em uma intrincada teia orquestral. O início da música representa o impulso para ser único, para chocar e surpreender. Mais a frente, o som pesado dos metais nos remetem aos acontecimentos repentinos e imprevisíveis. O grandioso tutti representa o que talvez seja a maior influência de Urano: o despertar da consciência.

Em seu livro Art of Synthesis, Alan Leo chama o capítulo sobre Urano de “Uranus, the awakener”. Este, representa a originalidade de pensamento, a independência de espírito, o gênio criador, as avançadas formas de pensamento, a intuição e a capacidade de trazer conhecimento através da consciência desperta adquirida nas esferas internas do ser.

VII. Netuno, O Místico

Aqui Holst explora o pianissimo com enorme habilidade. Harmonias misteriosas e um coral de vozes femininas fazem parecer “música de outro mundo”. Esta obra nos transmite claramente a representação astrológica de netuno: as influências não materiais, os sonhos, o espiritualismo, a teosofia, a dedicação pelo misticismo e a abertura para o divino.

Ele também é o responsável pelo gosto por artes ocultas, habilidades para o mesmerismo, telepatia e sonhos lúcidos. O planeta é muito musical e conduz à composição inspirada em melodias ouvidas em sonhos. Pelo teor, esta obra pode tranquilamente servir como música de fundo para breves meditações.

Epílogo

Holst utilizou-se da música tanto para o seu trabalho profano como para a construção da “grande obra”. Ao mesmo tempo em que compunha melodias “mundanas” para manter-se financeiramente estável, dedicava-se a trabalhos chamados “sérios”, sem qualquer sentimento de incoerência. O único inconveniente é que a maioria de suas obras ficaram ofuscadas devido ao grande sucesso de Os Planetas.

Em maio de 1933, Holst foi internado às pressas devido a uma hemorragia causada por uma úlcera no duodeno. Outro dado curioso é que fisicamente o signo de virgem, possui relações com o aparelho digestivo e há quem diga que os intestinos são o ponto fraco físico dos virgianos. Coincidência ou não, logo após uma cirurgia a fim de erradicar a úlcera no duodeno, Holst não resistiu e deixou este mundo no dia 25 de maio de 1934 aos 59 anos.

Curiosidades

Marte, O Portador da Guerra é amplamente utilizado no cinema, principalmente em filmes que envolvem grandes batalhas. Além disso, é a maior referência musical para os compositores “hollywoodianos” em suas obras bélicas.

Em 2006, a banda inglesa Iron Maiden utilizou a música de Marte para abertura dos seus shows na turnê A Matter of Life and Death.

O tema central de Júpiter tornou-se um hino patriótico inglês.

O ritmo brincalhão de Urano é muito semelhante ao da obra O aprendiz de Feiticeiro de Paul Dukas, do qual Holst certamente recebeu influências.

Referências

Holst Biography, Ian Lace.
Astrologia, Wikipedia de Ocultismo
Art of Synthesis, Alan Leo.
Música Clássica, John Burrows.
Grandes Compositores, João M. Coelho.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/gustav-holst-e-os-planetas