Fotogênese, luminosidade humana

A energia produzida pelo homem denominada no universo parapsicológico de Telergia pode, em muitas situações e em determinadas circunstâncias, produzir luminosidade envolvendo o corpo. Esse fenômeno de produção de luzes é conhecido como Fotogênese.

Os paranormais ativos que realizam fenômenos PSI com maior facilidade e com aptidão de acuidade visual, vêem essa luminosidade quase sempre como uma névoa, uma espécie de fumaça esbranquiçada. Considerada a avalanche das mais fantasiosas superstições, divulgadas por todos os meios de comunicação, principalmente pela TV o que, sem dúvida, vem proporcionando riqueza para muitos espertalhões aproveitadores, é lógico que esse fenômeno constitui forte elemento sugestivo impressionando como “luzes do além”.

Sem dúvida, como o desconhecimento dos fenômenos PSI ainda é muito grande, as pessoas são levadas ao engano e, em conseqüência, sugestionadas e dominadas psiquicamente mais pelo medo de um possível “mal-feito”. Tudo é muito triste e, porque não dizer, vergonhoso.

Fotogênese, de fós, fotós, luz e gênesis, produção, sempre inquieta as pessoas por ser tratado com características supersticiosas. Todos os pesquisadores parapsicológicos sempre encontraram muitos truques na “produção de luzes” visto que vários materiais e apetrechos se prestam à trucagem.

Os chamados “fogos de Santelmo”, os “fogos-fátuos”, estes comuns nos pântanos, nos depósitos de lixos, nos cemitérios, locais próprios de materiais em putrefação, já favoreciam as mais estapafúrdias lendas e os mais exóticos conceitos supersticiosos.

Claro que em nada se identificam com a Fotogênese, mas sem dúvida alimentavam e alimentam as mais variadas superstições. Os fenômenos luminosos produzidos pelo homem, Fotogênese, envolvendo o seu corpo é, pois, a exteriorização mais destacada da telergia, a energia do próprio homem, transformada em luminosidade.

Prof. Franceschini

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/fotogenese-luminosidade-humana/

Sócrates, Asclépio e a oferenda do galo

Neste vídeo vamos analisar o que diabos Sócrates quis dizer, afinal, em suas últimas palavras no leito de morte. O que simbolizava o tal galo que ele devia a Asclépio? Quem era Asclépio? Teria isso a ver com ritos de cunho místico e iniciático? Vamos tentar responder tais questões.

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/s%C3%B3crates-ascl%C3%A9pio-e-a-oferenda-do-galo

A Sombra na vida cotidiana

CONNIE ZWEIG e JEREMIAH ABRAMS

Em 1886, mais de uma década antes de Freud sondar as profundezas da escuridão humana, Robert Louis Stevenson teve um sonho altamente revelador: um homem, perseguido por um crime, engolia um certo pó e passava por uma drástica mudança de caráter, tão drástica que ele se tornava irreconhecível. O amável e laborioso cientista Dr, Jekyll transformava-se no violento e implacável Mr. Hyde, cuja maldade ia assumindo proporções cada vez maiores à medida que o sonho se desenrolava.

Stevenson desenvolveu o sonho no seu famoso romance The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde [O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde]. Seu tema integrou-se de tal modo na cultura popular que pensamos nele quando ouvimos alguém dizer, “Eu não era eu mesmo”, ou “Ele parecia possuído por um demônio”, ou “Ela virou uma megera”. Como diz o analista junguiano John Sanford, quando uma história como essa nos toca tão a fundo e nos soa tão verdadeira, é porque ela contém uma qualidade arquetípica — ela fala a um ponto em nós que é universal.

Cada um de nós contém um Dr. Jekyll e um Mr. Hyde: uma persona agradável para o uso cotidiano e um eu oculto e noturna) que permanece amordaçado a maior parte do tempo. Emoções e comportamentos negativos — raiva, inveja, vergonha, falsidade, ressentimento, lascívia, cobiça, tendências suicidas e homicidas — ficam escondidos logo abaixo da superfície, mascarados pelo nosso eu mais apropriado às conveniências. Em seu conjunto, são conhecidos na psicologia como a sombra pessoal, que continua a ser um território indomado e inexplorado para a maioria de nós.

A apresentação da sombra

A sombra pessoal desenvolve-se naturalmente em todas as crianças. A medida que nos identificamos com as características ideais de personalidade (tais como polidez e generosidade) que são encorajadas pelo nosso ambiente, vamos formando aquilo que W. Brugh Joy chama o “eu das decisões de Ano Novo”. Ao mesmo tempo, vamos enterrando na sombra aquelas qualidades que não são adequadas à nossa autoimagem, como a rudeza e o egoísmo. O ego e a sombra, portanto, desenvolvem-se aos pares, criando-se mutuamente a partir da mesma experiência de vida.

Carl Jung viu em si mesmo a inseparabilidade do ego e da sombra, num sonho que descreve em sua autobiografia Memories, Dreams, Reflections [Memórias, Sonhos, Reflexões]: Era noite, em algum lugar desconhecido, e eu avançava com muita dificuldade contra uma forte tempestade. Havia um denso nevoeiro. Eu segurava e protegia com as mãos uma pequena luz que ameaçava extinguir-se a qualquer momento. Eu sentia que precisava mantê-la acesa, pois tudo dependia disso.

De súbito, tive a sensação de que estava sendo seguido. Olhei para trás e percebi uma gigantesca forma escura seguindo meus passos. Mas no mesmo instante tive consciência, apesar do meu terror, de que eu precisava atravessar a noite e o vento com a minha pequena luz, sem levar em conta perigo algum.

Ao acordar, percebi de imediato que havia sonhado com a minha própria sombra, projetada no nevoeiro pela pequena luz que eu carregava. Entendi que essa pequena luz era a minha consciência, a única luz que possuo. Embora infinitamente pequena e frágil em comparação com os poderes das trevas, ela ainda é uma luz, a minha única luz.

Muitas forças estão em jogo na formação da nossa sombra e, em última análise, determinam o que pode e o que não pode ser expresso. Pais, irmãos, professores, clérigos e amigos criam um ambiente complexo no qual aprendemos aquilo que representa comportamento gentil, conveniente e moral, e aquilo que é mesquinho, vergonhoso e pecaminoso.

A sombra age como um sistema imunológico psíquico, definindo o que é eu e o que é não-eu. Pessoas diferentes, em diferentes famílias e culturas, consideram de modos diversos aquilo que pertence ao ego e aquilo que pertence à sombra. Por exemplo, alguns permitem a expressão da raiva ou da agressividade; a maioria, não. Alguns permitem a sexualidade, a vulnerabilidade ou as emoções fortes; muitos, não. Alguns permitem a ambição financeira, a expressão artística ou o desenvolvimento intelectual; outros, não.

Todos os sentimentos e capacidades que são rejeitados pelo ego e na sombra contribuem para o poder oculto do lado escuro da natureza humana. No entanto, nem todos eles são aquilo que se considera traços negativos. De acordo com a analista junguiana Liliane FreyRohn, esse escuro tesouro inclui a nossa porção infantil, nossos apegos emocionais e sintomas neuróticos bem como nossos talentos e dons não-desenvolvidos. A sombra, diz ela, “mantém contato com as profundezas perdidas da alma, com a vida e a vitalidade — o superior, o universalmente humano, sim, mesmo o criativo podem ser percebidos ali”.

A rejeição da sombra

Não podemos olhar diretamente para esse domínio oculto, A sombra é, por natureza, difícil de ser apreendida. Ela é perigosa, desordenada e eternamente oculta, como se a luz da consciência pudesse roubar-lhe a vida.

O analista junguiano James Hillman, autor de diversas obras, diz: “O inconsciente não pode ser consciente; a Lua tem seu lado escuro, o Sol se põe e não pode iluminar o mundo todo ao mesmo tempo, e mesmo Deus tem duas mãos. A atenção e o foco exigem que algumas coisas fiquem fora do campo visual, permaneçam no escuro. Não se pode olhar em duas direções ao mesmo tempo.”

Por essa razão, em geral vemos a sombra indiretamente, nos traços e ações desagradáveis das outras pessoas, lá fora, onde é mais seguro observá-la. Quando reagimos de modo intenso a uma qualidade qualquer {preguiça, estupidez, sensualidade, espiritualidade, etc.) de uma pessoa ou grupo, e nos enchemos de grande aversão ou admiração — essa reação talvez seja a nossa sombra se revelando. Nós nos projetamos ao atribuir essa qualidade à outra pessoa, num esforço inconsciente de bani-la de nós mesmos, de evitar vê-la dentro de nós.

A analista junguiana Marie-Louise von Franz sugere que essa projeção é como disparar uma flecha mágica. Se o destinatário tem um “ponto fraco” onde receber a projeção, então ela se mantém, Se projetamos nossa raiva sobre um companheiro insatisfeito, ou nosso poder de sedução sobre um atraente estranho, ou nossos atributos espirituais sobre um guru, então atingimos o alvo e a projeção se mantém. Daí em diante, emissor e receptor estarão unidos numa misteriosa aliança, como apaixonar-se ou encontrar o herói (ou vilão) perfeito.

A sombra pessoal contém, portanto, todos os tipos de potencialidades nãodesenvolvidas e não-expressas. Ela é aquela parte do inconsciente que complementa o ego e representa as características que a personalidade consciente recusa-se a admitir e, portanto, negligencia, esquece e enterra… até redescobri-las em confrontos desagradáveis com os outros.

O encontro com a sombra

Embora não possamos fitá-la diretamente, a sombra surge na vida diária. Por exemplo, nós a encontramos em tiradas humorísticas (tais como piadas sujas ou brincadeiras tolas) que expressam nossas emoções ocultas, inferiores ou temidas. Analisando de perto aquilo que achamos engraçado (como alguém escorregando numa casca de banana ou se referindo a uma parte “proibida” do corpo), descobrimos que nossa sombra está ativa. John Sanford diz que é possível que as pessoas destituídas de senso de humor tenham uma sombra muito reprimida.

A psicanalista inglesa Molly Tuby sugere seis outras maneiras pelas quais, mesmo sem saber, encontramos a nossa sombra no dia-a-dia:

  • Em geral, é a sombra que ri das piadas.
  • Nos nossos sentimentos exagerados em relação aos outros (“Eu simplesmente não acredito que ele tenha feito isso!”, “Não consigo entender como ela é capaz de usar uma roupa dessas!”)
  • Na opinião negativo que recebemos daqueles que nos servem de espelhos (“Já é a terceira vez que você chega tarde sem me avisar.”)
  • Nas interações em que continuamente exercemos o mesmo efeito perturbador sobre diversas pessoas diferentes (“Eu e o Sam achamos que você não está sendo honesto com a gente.”)
  • Nos nossos atos impulsivos e não-intencionais (“Puxa, desculpe, eu não quis dizer isso!”)
  • Nas situações em que somos humilhados (“Estou tão envergonhada com o jeito que ele me trata.”)
  • Na nossa raiva exagerada em relação aos erros alheios (“Ela simplesmente não consegue fazer seu trabalho em tempo!”, “Cara, mas ele perdeu totalmente o controle do peso!”)
  • Em momentos como esses, quando somos dominados por fortes sentimentos de vergonha ou de raiva, ou quando descobrimos que nosso comportamento é inaceitável, é a sombra que está irrompendo de um modo inesperado.

E em geral ela retrocede com igual velocidade; pois encontrar a sombra pode ser uma experiência assustadora e chocante para a nossa autoimagem, Por essa razão, podemos mudar rapidamente para a negação, deixando de prestar atenção a fantasias homicidas, a pensamentos suicidas ou a embaraçosos sentimentos de inveja, que revelariam um pouco da nossa própria escuridão. O falecido psiquiatra R. D. Laing descreve de modo poético o reflexo de negação da nossa mente: O alcance do que pensamos e fazemos é limitado pelo que deixamos de notar. E por deixarmos de notar que deixamos de notar pouco podemos fazer para mudar, até que notemos como o deixar de notar forma nossos pensamentos e ações.

Se a negação permanecer, então, como diz Laing, talvez nem sequer notemos que deixamos de notar. Por exemplo, é comum encontrarmos a sombra na meia-idade, quando nossas mais profundas necessidades e valores tendem a mudar de direção, talvez até fazendo um giro de 180 graus, Isso exige a quebra de velhos hábitos e o cultivo de talentos adormecidos. Se não pararmos para ouvir atentamente o chamado e continuarmos a nos mover na mesma direção anterior, permaneceremos inconscientes daquilo que a meia-idade tem a nos ensinar.

A depressão também pode representar uma confrontação paralisante com o lado escuro, um equivalente moderno da “noite escura da alma” do místico. Nossa exigência interior para que desçamos ao mundo subterrâneo pode ser suplantada por considerações de ordem externa (como a necessidade de trabalhar por longas horas), pela interferência dos outros ou por drogas antidepressivas que amortecem a nossa sensação de desespero. Nesse caso, deixamos de apreender o propósito da nossa melancolia.

Encontrar a sombra pede uma desaceleração do ritmo da vida, pede que ouçamos as indicações do nosso corpo e nos concedamos tempo para estar a sós, a fim de podermos digerir as mensagens misteriosas do mundo oculto.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-sombra-na-vida-cotidiana/

A Suástica

A suástica é um dos símbolos mais difundidos e antigos. É encontrado do Extremo Oriente à América Central, passando pela Mongólia, pela ìndia e pelo norte da Europa. Foi conhecido dos Celtas, dos Etruscos, da Grécia antiga; o ornamento chamado grega deriva da suástica. Alguns quiseram remontá-lo aos atlantes, o que é uma maneira de indicar sua remota antiguidade.

Qualquer que seja sua complexidade simbólica, a suástica, por seu próprio grafismo, indica manifestamente um movimento de rotação em otrno do centro, imóvel, que pode ser o ego ou o pólo. É portanto símbolo de ação, de manifestação, de ciclo e de perpétua regeneração. Neste sentido, muitas vezes acompanhou a imagem do salvador da humanidade: o Cristo, das catacumbas ao ocidente medieval e ao nestorianismo das estepes: Os Cristos romanos são geralmente concebidos em tornod e uma espiral ou de uma suástica: essas figuras harmonizam a atitude, organizam os gestos, as dobras das roupas. Por aí se vê reintroduzido o melhor símbolo do turbilhão criacional em torno do qual estão dispostas as hierarquias criadas que dele emanam… ; o Buda, pois dele representa a Roda da Lei (Dharmachakra) girando em torno do seu centro imutável, centro qeu frequentemente representa Agni.

A simólica dos números ajuda a comprender melhor o sentido de força totalizadora deste emblema: a suástica é feita de uma cruz, cujas hastes – como nas orientações vetoriais que definem um sentido giratório e em seguida o enviam de volta ao centro – são quadruplicadas. O seu valor numérico é, portanto, de quatro vezes quatro, i.e., dezesseis. É o desenvolvimento da força da Realidade, ou do Universo. Como desenvolvimento do universo criado, associa-se a essas grandes figuras criadoras ou redentoras invocadas acima; como desenvolvimento de uma realidade humana expressará o extremo desenvolvimento de um poder secular, o que explica as suas atribuições históricas, de Carlos Magno a Hitler. Aqui, o sentido da rotação intervirá, igualmente, que se trate do sentido direto astronômico, cósmico e, portanto, ligado ao transcendente – é a suástica de Carlos Magno; ou do sentido inverso, dos ponteiros de um relógio, querendo colocar a infinitude e o sagrado no temporal e no profano – é a suástica Hitleriana. Guénon interrpeta esses sentidos contrários como a rotação do mundo visto de um e de outro pólo; os pólos aqui, são o homem e o pólo celeste, e não os pólos terrestres.

Considerando-se sua acepção espiritual, a suástica às vezes simplesmente substitui a roda na iconografia hindu, por exemplo, como emblema dos nagas. Mas é também o emblema de Ganeça, divindade do conhecimento e, às vezes, manifestação do princípio supremo. Os maçons obedecem estritamente o simbolismo cosmográfico, considerando o centrod a suástica como a estrela polar e as quatro gamas que a constituem como as quatro posições cardeais em tornod a Ursa Maior, o que pode ajudar a interpretar a reflexão de Guénon mencionada acima. Há ainda formas secundárias da suástica, como a forma com os braços curvos, utilizada no País Basco, que evoca com especial nitidez a figura da espiral dupla. Como também é da suástica clavígera, cujas hastes constituem-se de uma chave: é uma expressão muito completa do simbolismo das chaves, o eixo vertical correspondendo aos solstícios, o eixo horizontal, à função real e aos equinócios.

Nos Estados Unidos a suática foi muito utilizada antes do nazismo. Além da Sociedade Teosófica, fundada em Nova York, e das tribos nativas, como os Navajos, até a década de 1930 a suástica era frequente no Sudoeste americano em suvenires, como mantas, medalhinhas e outras lembranças.

Suástica é o nome de uma pequena comunidade do norte de Ontário, no Canadá, situada a aproximadamente 580 quilômetros ao norte de Toronto, e 5 quilômetros de Kirkland Lake, cidade à qual pertence. A vila de Suástica foi fundada em 1906. Ouro foi descoberto perto dali e a Swastika Mining Company foi formada em 1908. O governo de Ontário tentou mudar o nome da cidade durante II Guerra Mundial, mas a população resistiu.

No Brasil, o uso da suástica para fins nazistas constitui crime, de acordo com a lei 9.459, de 1997, como dispõe o parágrafo primeiro do seu artigo 20:[3]

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo.

Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.

Fontes:

Wikipédia: Suástica

CHEVALIER, Jean, Dicionário de Símbolos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-su%C3%A1stica

A Magia das Sobras Apodrecidas (e Outros Tesouros na Minha Cozinha)

Por Jason Mankey

Fiquei com medo de abrir o recipiente porque o reconheci. “Essa é a coisa que eu coloquei na geladeira seis meses atrás: eu murmurei para mim mesmo. Limpar a geladeira nunca é divertido, mas é sempre um pouco pior quando você percebe que sua negligência resultou em um experimento científico. respirei fundo e tirei a tampa do recipiente, sim, as sobras de taco daquele jantar em setembro estavam agora embaçadas e com uma variedade de cores diferentes.

“Podre, nojento e repugnante!” Eu pensei, e é difícil imaginar alguém discordando de mim. Comecei a levar o recipiente mofado até a composteira da cozinha, quando um pensamento de repente me ocorreu. “Podre, nojento, nojento… assim como aquele cara nas redes sociais que eu gostaria que me deixasse em paz.” Coloquei a tampa de volta no recipiente e corri para pegar uma caneta e um pedaço de papel.

Com um olhar de alegria no rosto, escrevi o nome do meu atormentador online no pedaço de papel, junto com as frases “vá embora” e “deixe-me em paz”. A energia pulsava e irradiava através de mim enquanto eu escrevia as palavras; minha caneta de repente parecia mais uma varinha do que um instrumento de escrita. Satisfeito com a brevidade de minhas palavras e sua intenção, tirei a tampa do meu recipiente mais uma vez e enfiei meu pedaço de papel na bagunça mofada na minha frente. Enquanto eu empurrava meu pedaço de papel no molde, eu disse: “Que sua negatividade e indelicadeza sejam engolidas e comidas! Eu confio suas palavras e ações a este lugar mofado onde elas não machucarão ninguém e desaparecerão! Assim seja! ”

O fedor de feijões fritos podres agora era demais para ser descoberto, coloquei a tampa de volta no recipiente e lavei bem as mãos. Esfregado e a salvo dos germes desconhecidos que acabara de encontrar, coloquei meu recipiente de sobras podres de volta em seu local original na geladeira. Enquanto eu colocava meu recipiente mofado atrás de um pote de molho de maçã, adicionei um pouco de força extra ao meu feitiço: “Eu te mando para este lugar escuro e frio onde você será esquecido, incapaz de me machucar ou de qualquer outra pessoa.” Então fechei prontamente a porta da geladeira e nos dias seguintes esqueci meu feitiço de sobras podres – mas meu feitiço não se esqueceu de mim.

Nas semanas seguintes, notei algo diferente online: estava quieto, muito quieto. A pessoa que tinha a intenção de me caluniar parou de comentar sobre minha vida completamente. Não tenho certeza se liguei os pontos que levam do meu feitiço de volta ao meu conhecido menos que gentil imediatamente, mas descobri na próxima vez que limpei a geladeira. Houve o gemido inicial ao avistar os restos apodrecidos de conserto de taco, e então um sorriso feliz quando encontrei meu pedaço de papel de feitiço apodrecendo e quase irreconhecível. Minha magia pode ter sido um pouco não convencional, mas funcionou! E desta vez joguei fora minhas sobras de oito meses como um adulto responsável.

Quando as Bruxas imaginam magia, muitas vezes imaginam feitiços lançados à luz de velas, talvez cercados por jarros bem organizados cheios de ervas secas. Mas para a maioria de nós, a magia é muito mais confusa do que isso. Um dos truques raramente articulados nos livros de bruxas é que a magia está em toda parte, especialmente na cozinha! Agora, você não precisa usar sobras podres para o seu trabalho mágico se isso te enoja (embora eu jure por sua eficácia), existem muitas outras coisas tão úteis (e geralmente muito menos nojentas).

Um dos lugares mais mágicos na casa da minha esposa e da minha é a nossa prateleira de temperos. É um lugar que vou com frequência enquanto cozinho, mas também é um lugar que vou quando há um pouco de magia que precisa ser feita. Existem dezenas (possivelmente centenas?) de livros de feitiços que lhe dirão o que manjericão e orégano podem fazer por você magicamente, mas o que eu mais amo na magia da prateleira de especiarias é que eu conheço as especiarias por dentro e por fora. Não há necessidade de consultar um livro ou procurar algo online; Eu simplesmente uso os temperos magicamente como faria ao cozinhar.

Quer adicionar um pouco de calor à sua vida amorosa? Adicione um pouco de pimenta caiena ao sachê em que você está trabalhando. Associo o cheiro de alecrim com segurança, e é por isso que o espalho nas janelas e portas da minha casa. Por causa da frase “Abra-te Sésamo (em inglês: Open sesame. Sesame é o nome em inglês para gergelim)”, eu uso sementes de gergelim ao realizar feitiços para novos começos. As ervas que usamos na prateleira de temperos nem sempre precisam ser nossas favoritas. Quer se conectar com um ente querido perdido? Polvilhe um pouco de seu tempero favorito em seu altar no Samhain e peça para fazer uma visita.

A prateleira de especiarias é o local mais óbvio para as bruxas, possivelmente porque uma coleção de especiarias em uma prateleira se assemelha a uma coleção de ervas de bruxa, mas tudo em sua cozinha é um jogo justo para a magia. O local mais sagrado (ou pelo menos mais importante pela manhã) em nossa casa é a cafeteira, com sua coleção de chás e café integral por perto. Precisa que sua magia funcione rapidamente? Adicione alguns grãos de café (ou café coado) ao que você estiver trabalhando; a cafeína funciona em um nível mundano e mágico!

Os chás nos permitem ingerir fácil e rapidamente os poderes mágicos de uma variedade de ervas. Eu não cozinho com lavanda, mas valorizo ​​a lavanda por suas propriedades de limpeza. Quando preciso me livrar de alguma negatividade interna, preparo um bule de chá com infusão de lavanda e deixo agir. Você nem precisa beber chá para usá-lo em sua magia. Quando eu precisar desacelerar as coisas, anoto as coisas que preciso de mais tempo para terminar, coloco essa nota em um cálice favorito e, em seguida, despejo um pouco de chá de camomila sobre ele. A camomila me deixa sonolento e, depois de beber, sinto que tudo está se movendo em câmera lenta.

Precisa entregar um pouco de retorno a alguém que o prejudicou? Imprima uma foto do ofensor e pique sua foto junto com algumas cebolas. As cebolas devem fazer o foco do seu feitiço parecer choroso e com remorso por suas más ações. Quando terminar de cortar as fotos e as cebolas, deposite o que sobrou delas na lata de lixo ou na pilha de compostagem – fora da vista e da mente! As latas de lixo são ótimas não apenas para tirar o lixo mundano, mas também o lixo mágico!

O céu é o limite quando se trata de magia na sua cozinha. E a melhor parte dos alimentos e ervas em sua cozinha é que você já está familiarizado com eles. Qualquer coisa que você comer ou cozinhar pode ser usada para lançar um feitiço ou dois, até mesmo a bagunça podre que você deixou em sua cozinha todos aqueles meses atrás.

***

Fonte:

The Magick of Rotting Leftovers (And Other Treasures in My Kitchen), by Jason Mankey.

https://www.llewellyn.com/journal/article/3003

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-magia-das-sobras-apodrecidas-e-outros-tesouros-na-minha-cozinha/

Taoismo e os Cavaleiros Jedi

Por Gilberto Antônio Silva

A série de filmes de Guerra nas Estrelas (a trilogia original) foi um marco na história do cinema, não apenas pela sua importância cinematográfica, mas por criar uma mitologia que apenas cresce nesses quase 40 anos. Dentro dessa mitologia existe um grupo que se destaca: os Cavaleiros Jedi. Uma ordem de guerreiros-filósofos destinados a manter a paz e o equilíbrio na Galáxia e que possuem uma cultura com forte influência oriental, especialmente próxima ao Taoismo

A Força é o elemento principal dos Jedi. É ela que conduz as atitudes dos cavaleiros e lhes confere enormes poderes. Conforme Obi-Wan Kenobi em Guerra nas Estrelas: “A Força é o que dá ao Jedi seu poder. É um campo de energia criado por todas as coisas vivas. Ela nos cerca e nos penetra e une toda a Galáxia”. Essa descrição já nos fornece uma prova de sua essência: Qi. Todos que estudam ou trabalham com técnicas taoistas conhecem o poder do Qi. Com ele, os Jedi podem manipular objetos à distância (Psicocinese), ler e influenciar mentes (Telepatia), pressentir perigos e se manter em harmonia com o Universo. A Força é a base de sustentação dos Cavaleiros Jedi. Podemos ter um vislumbre da Força em ação nos vídeos de demonstrações e aulas do Grande Mestre Morihei Ueshiba. Principalmente no final de sua vida, Mestre Ueshiba não precisava sequer tocar fisicamente em seus alunos para poder dominá-los e repeli-los. A importância e o poder da Força foram claramente mencionados por Darth Vader em Guerra nas Estrelas: “A capacidade de destruir um planeta é insignificante perto do poder da Força”.

A filosofia dos Jedi também se aproxima bastante do Taoismo. O Mestre Yoda afirma, em O Império Contra-Ataca: “Um Jedi usa a força para ter conhecimento e para defesa. Nunca para o ataque”. A utilização dos conhecimentos marciais apenas para a defesa é o mote central da grande maioria das artes marciais orientais, com exceção da arte taoista do Xingyi Quan, que possui um forte ímpeto do ataque. Mais tarde, no mesmo filme, quando Luke Skywalker duvida da Força, Yoda diz: “O tamanho não importa. Olhe para mim. Julga-me pelo meu tamanho? E não deve, mesmo, pois a Força é minha aliada. E uma poderosa aliada”. Este é um dos itens básicos da estratégia: nunca subestimar ninguém, não importa se é homem ou mulher, fraco ou forte, alto ou baixo, magro ou gordo. Principalmente quando se utiliza a energia interior, qualquer um pode ser poderoso. Mas a filosofia de vida dos Jedi com a Força é ainda mais profunda, como prossegue Yoda: “A vida a cria e a faz crescer. Sua energia nos cerca e nos une. Somos seres de luz, não de matéria. Precisa sentir a Força em sua volta, aqui, entre você e eu, na árvore, na pedra, em tudo”.

O Taoismo ensina que tudo é feito de Qi e o Qi permeia tudo, fluindo em correntes energéticas por entre todas as coisas e fazendo as ações visíveis do Universo ocorrerem. “Somos todos um” não é apenas um bordão new age, mas uma verdade universal.

Obi-Wan Kenobi inicia o treinamento de Luke explicando o que é a Força e como funciona. Em seguida ele o adestra no manejo do sabre de luz, com técnicas muito similares à espada Samurai. Luke é levado a não confiar no que vê, mas no que sente. Esse tipo de colocação é semelhante à dos orientais. Para eles quem deve manipular a espada é o espírito, não a mente, através do estado mental de quietude (zanchin). Na seqüência final de Guerra nas Estrelas, Luke deixa a tecnologia de lado e usa a sua percepção desenvolvida para disparar os torpedos que destroem a Estrela da Morte. O Taoismo coloca que a arma se integre com o portador, tornando-se um só. Nas artes marciais taoistas o fluxo de Qi sobe pelo braço e não para na mão, prosseguindo até tomar conta da arma toda. Existe uma unicidade energética entre arma e guerreiro, que flui pelo Qi do universo. Você não luta com uma arma, mas com o Qi e, portanto, com o universo todo.

Quando Luke inicia seu treinamento com Yoda, este se ressente da teimosia e impaciência de seu aluno e de sua idade, muito avançada para os padrões Jedi de treinamento. As artes marciais também pregam o treinamento precoce como forma de desenvolver o verdadeiro guerreiro. E qual faixa branca não é descrente, impaciente e teimoso? Em meio a corridas com obstáculos, Yoda leva seu jovem aluno a uma determinada parte da floresta. Ali ele é deixado para que enfrente seus medos e temores, que assumem a forma de seu oponente, Darth Vader. Esse tipo de confronto mental é largamente utilizado pelos tibetanos no treinamento de seus discípulos e pelos japoneses do budismo esotérico Shingon, que denominam essa técnica de combates mentais como Dojutsu-Sempo. O medo, para os taoistas, é manifestação do desconhecimento. Só tememos o que não conhecemos, e ele está ligado ao sistema do Rim, que é sede da Essência (Jing). Então o medo não é apenas um problema em si, mas afeta todo o sistema energético humano. Esse desequilíbrio pode levar a um afastamento do Tao, neste caso, um mergulho no Lado Negro da Força.

O Taoismo também apregoa a existência de duas polaridades complementares: o Yin e o Yang. Para os Jedi também a força possui dois lados: o claro e o escuro. Embora tenhamos propensão a considerar o lado escuro como o mal, devemos nos lembrar que isto depende de um referencial e não pode ser considerado como uma verdade absoluta. Na realidade todos nós temos ambos os lados em nosso próprio íntimo. Isso é colocado de maneira muito clara na saga de Guerra nas Estrelas: qualquer um, a qualquer momento, pode se voltar para o Lado Negro da Força. Segundo Yoda, o Lado Negro é mais fácil, por isso mais atrativo. Realmente, na vida real podemos observar que fazer as coisas de forma considerada não-correta pela sociedade não é tão difícil quanto seguir as regras. Roubar é mais fácil do que trabalhar. Enganar é mais fácil do que fazer um trabalho sério. Esse é o grande atrativo do Lado Negro (que está cada vez mais seguido, hoje em dia…). Mas da mesma forma como é fácil cair no Lado Negro, o retorno ao Lado Claro é muito penoso. Em O Retorno de Jedi, Luke consegue finalmente trazer seu pai, Anakin Skywalker, de volta para o Lado Claro apelando para os bons sentimentos que ele ainda guarda dentro de si. Dessa forma, ele deixa de ser Darth Vader e volta a ser Anakin, o Jedi. Isso é mostrado no final do filme, quando aparecem Obi-Wan, Yoda e Anakin em forma astral. Ele finalmente conseguiu seu lugar ao lado dos Jedi.

Dentro do Taoismo, o mal existe como um afastamento do Tao. Isso está bem claro no Tao Te Ching:
Por isso, à perda do Caminho segue-se então a Virtude
À perda da Virtude segue-se então a Bondade
À perda da Bondade segue-se então a Justiça
À perda da Justiça segue-se então a Polidez
Assim a Polidez é o empobrecimento da fidelidade e da confiança

É o princípio da confusão
Daodejing, Cap 38
Perceba que ao afastamento do Caminho (Tao) segue-se uma contínua regressão moral. A Virtude, a Bondade e a Justiça nada mais são do que recursos utilizados para tentar compensar a perda do contato com o Absoluto. Essa passagem poderia ser mais claramente compreendida dessa forma: ao afastamento do Tao segue-se a Virtude; quando a Virtude não é suficiente, é necessário se apoiar na Bondade; quando a Bondade não é suficiente, é necessário prescrever leis e criar a Justiça; quando a Justiça e as leis não são suficientes e nem respeitadas, é necessário ao menos se apoiar na Polidez, uma polidez superficial que mesmo assim não é suficiente para manter alto o padrão moral humano. Quando a pessoa tem que se apoiar na superficialidade da Polidez, se instaura a “confusão”, ou seja, o caos na vida da pessoa, que passa a viver de aparências e sem o apoio de suas virtudes maiores.
O mergulho no Lado Negro da Força é um caminho que se profunda facilmente e do qual é muito difícil regressar.
________________________________________
Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#StarWars #Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/taoismo-e-os-cavaleiros-jedi

Expandindo o Orgasmo

Em vez de sentir um orgasmo somente em seu centro sexual, através deste exercício você poderá experimentar um orgasmo por todo seu corpo. Lembre-se de que este tipo de orgasmo é diferente daquele que estamos acostumados, que é puramente genital, portanto prepare-se para sentir algo novo e diferente.

O importante é você se permitir sentir de uma nova maneira, e com o tempo e prática poder avaliar os resultados.

Prática, vontade e entrega para novas experiências, são os segredos do sucesso nesta técnica.

Prática:

Reserve um tempo só para isso, escolha um lugar que você se sinta confortável e que ninguém a (o) incomode.

Comece a masturbar-se e estimular-se do seu jeito, como você costuma fazer.

Vá até aquele ponto um pouco antes do orgasmo e pare.

Inale devagar e profundamente, retenha o ar (pelo tempo que for confortável para você) e comece a fazer pulsações do músculo pubocoxígeno (ver nota no final). A cada pulsação, imagine, dirija e sinta essa energia do seu centro sexual movendo-se para cima, como se fossem ondas, inundando todo o resto de seu corpo.

Exale e relaxe.

Comece a se estimular novamente e repita os passos acima, faça isso várias vezes.(faça no mínimo 4 vezes, e no máximo o quanto você achar confortável e prazeroso).

Você poderá se sentir leve, flutuando, sentir calor, formigamento, desconforto, ter uma experiência mística, um insight e etc. … Não se preocupe, isso é normal, relaxe e permita que as sensações e experiências aconteçam.

Se depois de tudo isso você quiser ter um orgasmo, ok, mas dirija-o do seu centro sexual para cima, da mesma maneira que você fez no exercício (esqueça as pulsações, simplesmente sinta essa energia se movendo para cima), se não, fique com as sensações de sua experiência.

Lembre-se, esta pode ser uma experiência nova para você, portanto não fique muito preocupada (o) com resultados imediatos, eles podem ou não acontecer logo de início.

O que vai determinar quando eles acontecerão são basicamente; o seu momento, a prática, sua entrega e abertura.

Obs.: No começo você pode se distrair e perder a coordenação com a auto-estimulação, respiração e as pulsações, isso é normal, mas não desanime, com a prática isso deixará de te atrapalhar.

Nota:

Músculo pubocoxígeno é aquele músculo situado no períneo (região entre o órgão genital e o ânus) e que entra em ação quando interrompemos o fluxo da urina.

Para você poder localizá-lo e familiarizar-se com ele, quando você for fazer xixi, interrompa o fluxo algumas vezes, você vai saber exatamente qual é e onde ele está. (coloque a mão para senti-lo)

Lembre-se, durante o exercício faça as contrações de um modo relaxado, não contraia a barriga ou as nádegas, pois se você fizer, estará desviando o foco e a energia.

Bom, agora é só praticar. Novas experiências e sensações te aguardam!

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/expandindo-o-orgasmo/

O Caminho do Pólen

» Parte final da série “Reflexões sobre a perfeição” ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Se há algo de comum em todas as doutrinas religiosas, é a idéia do retorno, de re-conexão com Deus, o Cosmos, um Éden perdido nos confins de nossas origens… Alguns de nós podem sentir a fornalha cósmica que arde em nosso ser, e vislumbram a perfeição na totalidade da obra divina, em eterna vibração, em eterna construção, em belas simetrias e assimetrias, em leis imutáveis… Entretanto, onde estará o Éden. Onde se encontra o Reino de Deus?

Esse sentimento, entretanto, não é exclusividade dos religiosos. Aqueles que não conheceram pouca ciência também o expressam. Carl Sagan, apesar de ter sido agnóstico, foi uma dos autores com maior espiritualidade expressa e evidente em seus textos:

“Recentemente, aventuramo-nos um pouco pelo raso (do Cosmos), talvez com água a cobrir-nos o tornozelo, e essa água nos pareceu convidativa. Alguma parte de nosso ser nos diz que essa é a nossa origem. Desejamos muito retornar, e podemos fazê-lo, pois o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar, somos uma forma do próprio Cosmos conhecer a si mesmo.”

Sim, existem seres que não conheceram pouca religião, e buscam o Reino de Deus em todas as formas e todos os campos, pois que sabem que em nenhum lugar estaremos nalguma dia fora dele… Mas decerto também existem seres que não conheceram pouca ciência, e O buscam nos limites dos átomos e nas ondas luminosas mais antigas do Cosmos. Buscam-No mesmo sem acreditar Nele? Que seja – como julgar? Deixem que busquem o próprio Cosmos!

Mas então, como se religar? Como retornar ao Éden perdido? Talvez o primeiro passo seja reconhecer que o julgamento da perfeição, a reconciliação com tal paradoxo, esteja ainda além de nossa compreensão atual…

Existe um conto espiritualista, de autoria desconhecida, que fala da importância da espontaneidade:

“Agora, eu lhe pergunto, quão longe você acha que uma flor chegaria se de manhã ela virasse sua face para o céu e dissesse:

“Eu exijo o Sol. E agora eu preciso de chuva. Então eu a exijo. E exijo que as abelhas venham e tomem meu pólen. Eu exijo, portanto, que o Sol deva brilhar por certo número de horas, e que a chuva deva verter-se por certo número de horas… E que as abelhas venham – as abelhas A, B, C, D e E, pois não aceito que nenhuma outra abelha venha.

Eu exijo que a disciplina opere, e que o solo deva seguir meu comando. Mas eu não permito ao solo qualquer espontaneidade própria. E não permito ao Sol nenhuma espontaneidade própria. E não concordo em que o Sol saiba o que está fazendo. E exijo que todas estas coisas sigam minha idéia de disciplina”

E quem, eu lhe pergunto, iria ouvir? Pois, na espontaneidade milagrosa do Sol, há uma disciplina que lhe escapa totalmente, e um conhecimento além de qualquer um que você conheça.

E na espontaneidade da atuação das abelhas, de flor em flor, colhendo ao pólen mesmo sem saber, há uma disciplina além de qualquer uma que você conheça, e leis que seguem o conhecimento delas, e contentamento que está além de seu comando.

Pois a verdadeira disciplina, veja, é encontrada apenas na espontaneidade. E a espontaneidade conhece sua própria ordem.”

Viver o aqui e agora – esta é a condição para que possamos visualizar os portais do Éden… Mas como adentrá-lo finalmente?

Epicteto e os estóicos diziam que não devemos nos preocupar com aquilo que não nos é dado escolher. No entanto, ao que nos é dado escolher, devemos nos portar da melhor forma possível. Devemos reconhecer nossa imperfeição, mas devemos também ter sempre em nossos horizontes a perfeição do “vir a ser”…

E nesse momento, admirando a perfeição estendida pelo horizonte, poderemos dar os primeiros passos no caminho do pólen – apenas um dentre tantos outros cantos sagrados dos indígenas (ou de qualquer outro povo) que servirá para nos guiar nessa trilha:

Na casa da vida eu me aventuro
No caminho do pólen
Com um deus enevoado eu me aventuro
No caminho do pólen
Para uma dimensão sagrada
Com um deus à frente eu me aventuro
E um deus atrás de mim
Na casa da vida eu me aventuro
No caminho do pólen

Ah! A beleza à minha frente
A beleza atrás de mim
A beleza a minha direita, e a minha esquerda
A beleza acima e a beleza abaixo
Eu estou no caminho do pólen!

O Éden não foi, nem será, mas o Éden é este momento – o único momento que sempre existiu. A eternidade irradia-se por todos os cantos do espaço e do tempo, todos os pontos estão igualados – eis a bela simetria que a ciência vislumbra…

Mas o caminho para o centro, para a essência, para a divina flor que espalhou todo esse pólen pelo infinito – este está e sempre esteve em nossa própria consciência. Quando adentramos esse caminho, pouco importa quanto tempo resta para chegar ao céu, pois que compreendemos que a perfeição se encontra no caminhar, e não no chegar. Eis que mesmo este paradoxo pode ser reconciliado. Eis que todas essas meias-verdades apontam para uma única verdade – que infelizmente não pode ser descrita por cascas de sentimento…

É preciso se aventurar no caminho!

***

Crédito das imagens: [topo] Lauren Bishop, [ao longo] Joel Nakamura (ilustração baseada no mito do caminho do pólen, dos índios navajo)

#Espiritualidade #perfeição #sabedoriaindígena

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caminho-do-p%C3%B3len

H.P. Lovecraft e suas Tendências Xamanistas

Os sonhos de Lovecraft desempenharam um papel importante em sua ficção. HPL transformou vários de seus sonhos em histórias. Por exemplo,  “O Depoimento de Randolph Carter”  recontou um dos sonhos de HPL. Nesse sonho, ele fez o papel de Randolph Carter, enquanto seu amigo, Samuel Loveman, fez o papel de Harley Warren.

 Após a morte de Lovecraft, o grito de Lovecraft para a ficção foi tão grande que Bernard Austin Dwyer, um discípulo de HPL, publicou um dos relatos dos sonhos do autor como  “O Clerigo Maligno”.

Além das histórias que eram supostamente seus sonhos, os sonhos também tinham lugar proeminente como dispositivos de enredo nas narrativas de HPL.

Às vezes, Howard colocava seu sonho dentro de uma história. Em outros casos, o sonho contado era uma releitura do esboço de um sonho real em um conto. Por exemplo, em  “O chamado de Cthulhu” , o sonho de Henry Anthony Wilcox com um monólito feito em barro fresco, esculpido em baixo-relevo, é levado para um professor da Universidade para sua interpretação, representando em substância, senão em detalhes, uma parte de um sonho de Lovecraft.

No entanto, não se deve saltar para a conclusão de que todos os contos da ficção de Lovecraft vieram de seus sonhos. Em Lovecraft, o autor WH Pugmire observou:

Lovecraft produziu um mundo que fundiu prontamente com os muitos mundos de seus sonhos e fantasias, mas seus sonhos não eram, ao contrário de uma crença que se espalhou entre seus leitores, completamente traduzidos na ficção”.

Não importa o quão as imagens de seus sonhos eram fantásticas, eles eram difíceis de serem encaixados em um enredo coerente com um clímax.

Neste artigo, vamos explorar três questões que cercam os sonhos de Lovecraft:

1) Será que os sonhos fantásticos de Lovecraft provam, já que alguns ocultistas afirmam, que ele era um ocultista no armário? 

2) Quais os fatores que permitiram HPL acessar as fabulosas ilhas do sonhos (“dreamscapes”, referidos em seus contos), e que não estão disponível para dormentes comuns?

3) O que Timothy Leary, os nativos americanos, a Medicina Popular e os sonhos de Lovecraft têm em comum?

  • O fantástico mundo dos sonhos e as reivindicações do Ocultismo de Lovecraft.

Com base na fabulosa vida dos sonhos de Lovecraft e sua utilização do lendário  Necronomicon , alguns entusiastas ocultistas pintam Lovecraft como um ocultista de armário ou um feiticeiro secreto.

No entanto, ao longo da vida, Howard argumentou contra a aceitação da magia e do sobrenatural.O Ateísmo e materialismo de HP Lovecraft foram exaustivamente documentados. Por exemplo, Lovecraft proclamou:

“Tudo o que eu digo é que eu acho estupidamente improvável que qualquer coisa como uma “vontade fundamental cósmica”, um mundo espiritual, ou uma sobrevivência eterna da personalidade, possam existir. Essas suposições são as mais absurdas e injustificadas de todas as suposições que podem ser feitas sobre o universo, e eu não posso fingir que eu não considero-nas como insignificantes. Em teoria, eu sou agnóstico, mas enquanto aguardo o surgimento de evidências radicais que devem ser classificadas, de forma prática e provisoriamente, eu me mantenho como um ateu “. [H.P. Lovecraft’s Letter to Robert E. Howard, August 16, 1932]

Apesar do ateísmo declarado de Lovecraft, alguns ocultistas ainda implicam que Howard viveu uma vida dupla – e seu lado oculto é o de um praticante da alta magia.

Com certeza, algumas das opiniões de Lovecraft evoluíram ao longo do tempo. Por exemplo, as relações de HPL com os judeus – Seu casamento com Sonia Greene (uma mulher judia) e sua amizade ao longo da vida com Samuel Loveman – desafiou elementos de seu viés racial. Esse amolecimento pode ser refletido na maneira diferente que ele via estrangeiros como em sua descrição empática dos Antigos  em  “Nas Montanhas da Loucura”  (1931):

“Não tinham sido sequer selvagens… pois, na verdade, o que tinham feito? Aquele horrível despertar no frio de uma época desconhecida… talvez um ataque dos quadrúpedes peludos, que latiam com frenesi, e uma defesa atônita contra eles e contra os igualmente frenéticos símios brancos com estranhos envoltórios e equipamentos… Pobre Lake, pobre Gedney…. e pobres Antigos! Cientistas até o fim… o que haviam feito que não faríamos em seu lugar? Deus, que inteligência, que persistência! Com que denodo haviam enfrentado o inacreditável, da mesma forma como aquelesparentes e ancestrais esculpidos haviam enfrentado coisas só um pouco menos inacreditáveis! Radiados, vegetais, monstruosidades, progênie das estrelas… não importa o que tivessem sido, eram homens!”.

Surge a pergunta: “Ao longo dos anos, teria o severo ateísmo de Lovecraft se atenuado da mesma forma?”

  • Será que o uso de Lovecraft do Necronomicon provaria seu Ocultismo?

Uma lenda urbana sugere que a iniciação esotérica de Lovecraft veio através de sua esposa, Sonia Greene.

Sra. Greene supostamente teve um caso antes com um assistente notório, Aleister Crowley:

“Em 1918, Crowley estava em Nova York. Como sempre, ele estava tentando estabelecer sua reputação literária, e estava contribuindo para a Feira Internacional da Vaidade. Sonia Greene era uma emigrante judia enérgica e ambiciosa, com ambições literárias, e ela se juntou a um jantar e palestra em um clube chamado ‘Walker’s Sunrise Club’; foi lá que ela encontrou pela primeira vez Crowley, que havia sido convidado para dar uma palestra sobre poesia moderna … Crowley não perdeu tempo na medida em que se preocupava com mulheres; eles se encontraram de forma irregular por alguns meses “. [The Necronomicon Anti-FAQ, “Why did the novelist H.P. Lovecraft claim to have invented the Necronomicon?” by Colin Low, 1995].

Fora a suposta conexão entre Greene-Crowley, Lovecraft adquiriu conhecimento do temido livro. Alguns ocultistas cibernautas que acreditam que “se está na internet, deve ser verdade”, acabam espalhando esta idéia.

Mais tarde, a fonte da lenda “Crowley-Greene-Lovecraft-Necronomicon” desmentiu a história:

“Apesar de muitas tentativas de mostrar que o  Necronomicon é nada mais do que invenção literária de Lovecraft, um grupo de autores proeminentes e ocultistas alegou fornecer a confirmação da parte da reivindicação de Lovecraft … essa explicação [onde Lovecraft adquiriu o  Necronomicon ] (promovido pela autor em um momento prolongado de maldade), que a mulher de Lovecraft Sonia Greene associada com o ocultista famoso e poeta Aleister Crowley durante sua residência em Nova York, em 1918, é completamente plausível e coerente com ambos os personagens, mas inteiramente falsa “.

Ainda assim, os teóricos do Necronomicon inventam outros meios para provar a existência do Grimório da temida fábula. Para ser justo, Lovecraftianos gostam de especular se o  Necronomicon  teve sua base na realidade.

Um escritor comparou o Necronomicon de Lovecraft com a sacada de mestre de Orsons Wells:

“O Necronomicon de Lovecraft  é equivalente a transmissão de rádio Orson Wells de “Guerra dos Mundos” em 1938, onde todos acreditaram ser uma invasão alienígena real. Como o próprio Lovecraft escreveu: “Nenhuma história estranha pode realmente produzir terror se não for planejada com todo o cuidado e verisimilitude de uma farsa real ‘”[Dr. John Dee, the Necronomicon & the Cleansing of the World – A Gnostic Trail”, by Colin Low, 2000].

Assim, a existência muito debatida do ficcional Necronomicon fornece nenhuma evidência da noção igualmente fictícia que Lovecraft se envolveu com o ocultismo.

  • Ainda assim, o Ateísmo impede a crença no sobrenatural?

Algumas pessoas, no mesmo passo que são ateus estridentes em relação aos deuses tradicionais, começam a crer em uma infinidade de crenças New Age.

O Sistema New Age muitas vezes favorece o subjetivo sobre o objetivo. A experiência supera evidências. Se algo parece verdadeiro, é, mesmo que você não possa descobrir isso. A intuição substitui intelecto. O que se sente verdadeiro torna-se um fato funcional.

A velha declaração de Arquivo X que a “Verdade está lá fora”, em vez de estar entre suas orelhas, simboliza essa ética.

Em contraste com o dualismo metafísico, Lovecraft manteve-se intratável sobre o tema do paranormal ao longo de sua vida. Quando ele veio para o sobrenatural com o uso de ocultismo em suas histórias, HPL declarou:

“Não. Eu nunca li ou usei o jargão de” ocultismo ” na escrita formal … O “estranho” é mais eficaz, pois ele evita as superstições vulgares e fórmulas populares de culto. Eu sou … um materialista absoluto … não ponho um pingo de credibilidade em qualquer forma de sobrenaturalismo, espiritualismo, transcendentalismo, psicose, ou imortalidade. Pode ser, porém, que eu pudesse obter os germes de algumas boas idéias do tamborilar atual da orla lunática psíquica; E eu tenho frequentemente pensado de obter alguma idéia do lixo vendido em uma loja ocultista de livros na 46th St. O problema é que isso custa muito no meu estado atual. Quanto custou o folheto que você acabou de ler? Se qualquer um desses cultos de “crack cerebral” tem livretos gratuitos e “literatura” com uma matéria descritiva sugestiva, eu não me importaria de ter o meu nome em suas listas de ‘otário’. A idéia de que a magia negra existe em segredo hoje, ou que os ritos antigos infernais ainda sobrevivem na obscuridade, é a que eu tenho trabalhado… “[H.P. Lovecraft’s Letter to Clark Ashton Smith, October 9, 1925].

No máximo, Howard usou referências a livros como o  Necronomicon e seu panteão de Antigos como adereços para suspender a descrença a quem lesse sua ficção.

É preciso ter cuidado em tirar conclusões precipitadas. Por exemplo, só porque alguém conhece o  Necronomicon não faz dessa pessoa um ocultista.

  • O Xamanismo “acidental”:

Em seguida, eu gostaria de explorar as facetas do estilo de vida de Lovecraft que espelham as práticas ascéticas de um xamã. Como HPL seguiu disciplinas de um xamã, ele inconscientemente despertou os motivos inconscientes para que visões xamânicas tradicionais surgissem.

A palavra “acidental” é de primordial importância em nossa discussão. Como já observamos, Lovecraft não tinha mais espaço para o xamanismo do que para qualquer prática espiritual em sua sã consciência em vigília. E eu sinto que qualquer artigo sobre Lovecraft deva respeitar suas crenças declaradas.

No entanto, algumas excentricidades do estilo de vida de HPL fornecem terreno fértil para os seus sonhos xamânicos. Essas tendências são:

1) A privação do sono. 

2) Jejum. 

3) O celibato. 

4) Isolamento.

  • 1#Tendência Xamânica: A privação do sono.

Primeiro, Lovecraft era um insone completo.

Em tenra idade, HPL experimentou os terrores noturnos, uma série de pesadelos vívidos especialmente quando uma pessoa acorda rapidamente do sono profundo em um estado apavorado. O jovem Howard teria sido perseguido por aquilo que ele chamou de “Night Gaunts” – criaturas enormes aladas como morcegos sem rosto – que agarravam-lhe pelo estômago, levantando-o a alturas vertiginosas, em seguida, soltando-o sobre a terra abaixo. HPL tomou medidas para evitar o sono, desde que o sono representou a porta de entrada para as bestas escuras de seu inconsciente.

Na idade adulta, Lovecraft era conhecido por ficar sem dormir em muitas de suas viagens para se encontrar com seus correspondentes. Às vezes HPL passou três dias sem dormir. Para ser justo com Lovecraft, ele passou longo tempo sem noites de sono para maximizar o tempo e tirar o máximo proveito de suas viagens. Suas excursões para descobrir a arquitetura de antiquário foram uma das paixões de HPL. Os passeios pela arquitetura em êxtase muitas vezes deixava-o com os pés doloridos.

Um biógrafo observou: “Embora todas as suas queixas sobre a falta de energia, Lovecraft, quando passeava, ultrapassava a resistencia de seus companheiros” [Lovecraft: A Biography, by L. Sprague de Camp, 1976, p. 385.]

Hart Crane, um conhecido de Lovecraft, escreveu sobre a capacidade de HPL em ficar sem dormir, em uma carta para sua mãe no dia 14 de setembro de 1924:

“… Howard Lovecraft, (o homem que visitou Sam em Cleveland num verão quando Galpin também estava lá) manteve Sam perambulando ao redor das favelas e ruas do cais até as quatro da manhã à procura de exemplares da arquitetura colonial, até que Sam me disse que ele gemeu com fadiga e implorou para que fossem para o metrô! [Ibid., p. 237].

Edgar Hoffman Price também lembrou que um dos passeios sem dormir de Lovecraft:

No ano seguinte, [1933], HPL e eu nos encontramos em Providence, em 66 College Street. Sra. Gamwell, foi, então, no hospital, de modo que não havia ninguém para nos convencer a manter-lo em sãs horas. Minha lembrança é que desta vez, estávamos em viagem por 34 horas … “[ Ibid., p. 403].

Lovecraft reforçou a sua capacidade de ficar sem dormir com café. Ele bebeu grandes quantidades de Java – café cujos grãos são produzidos na ilha de Java na Indonésia – atado com grandes quantidades de açúcar – até quatro colheres por xícara.

Um detalhe auxiliar a práticas de sono de Lovecraft era que ele dormia durante o dia e ficou acordado até tarde da noite.

Os ritmos circadianos em humanos regulam a temperatura do núcleo do corpo, a atividade das ondas cerebrais, a produção de hormônios, a regeneração celular, secreções endócrinas e outras atividades biológicas. Um dos ritmos circadianos é modulado em ciclos de 24 horas de luz solar e trevas.

O rompimento de padrões de sono leva à interrupção do sono REM – o período do sono em que ocorrem os sonhos. Quando os sonhos são negados em uma tomada inconsciente, eles buscam expressões conscientes. Assim, as alucinações podem ocorrer.

Que efeito teve um curto-circuito dos ritmos circadianos sobre Lovecraft? Talvez a pergunta deva ser: “Onde termina o sonho do sono, e o sonhar acordado começa?”

  • #2 Tendência Xamânica: O jejum.

Em segundo lugar, Lovecraft praticou uma severa medida de jejum.

HPL foi, em grande parte, indiferente aos alimentos em geral. Ele não era tentado pelos gourmets, e se gabava de quão pouco custava-lhe comer.

Exceto para os dois anos em que ele viveu com Sonia Green, onde o peso de Lovecraft inchou de seu ideal aristocrático, HPL mal comia o suficiente para se manter vivo.

A idiossincrasia de alimentos não promovia sua saúde. A desnutrição causada pela dieta espartana de Howard, levou a um colapso em seu sistema imunológico que promoveu o câncer oportunista que depois o matou.

Mas Howard acreditava que seu cérebro funcionava melhor quando era um pouco desnutrido. Ele experimentou sua dieta frugal para aumentar a freqüência e a intensidade de seus sonhos misteriosos.

  • #3 Tendência Xamânica: O celibato .

Em terceiro lugar, Lovecraft praticou o celibato sexual. Os benefícios ascéticos de celibato em tradições esotéricas e religiosas são discutíveis. Além do casamento de Howard com Sonia Greene, a partir de minha leitura de vários biógrafos, Lovecraft viveu os costumes sexualmente repressivos engendrados por uma forte ética vitoriana.

Mais que o reconhecimento, a sexualidade de Lovecraft parece ser como a mancha de tinta de Rorschach – o que cada pessoa vê depende da orientação que pretende encontrar.

Em um nível prático, como muitos intelectuais: “Lovecraft focou suas atenções e esforços em atividades mentais, em vez de físicos, e, simplesmente, não tinha fortes interesses sexuais em tudo” [“H.P. Lovecraft Misconceptions”, by Donovan K. Loucks,http://www.hplovecraft.com/, May 14,  2011].

Da mesma forma, a abstinência de Lovecraft de beber e fumar também permitiu-lhe uma perseguição indivisada ou não diluída de seus interesses acadêmicos.

  • #4 Tendência Xamânica: Isolamento.

Em quarto lugar, Lovecraft ironicamente às vezes se comparou a um asceta ou eremita. Mais uma vez, HPL não viu seu ascetismo surgir a partir de uma noção religiosa ou espiritual.

No entanto, períodos de isolamento físicos e psicológicos foram marcantes na vida de Lovecraft.

Em algum nível, Lovecraft sentiu como se estivesse fora de passo com a vida. Ele sentiu-se um estranho em seu próprio mundo. Às vezes, HPL vivia como um eremita. Entre 1908-1914, Howard se retirou da vida social, devido a um colapso nervoso relatado. Em casos contrários, apesar do estereótipo, Howard envolvia-se socialmente, através de seu grande círculo de amigos literáriose e suas freqüentes viagens para visitá-los.

Apesar de seu compromisso com a vida, Lovecraft muitas vezes sentiu-se estranho, devido às suas limitações financeiras, a incapacidade de mudar as circunstâncias, a sua predisposição para a depressão, entre outros fatores. HPL falou de seus sentimentos na terceira pessoa, que muitas vezes é um sinal de sentimento distanciado da vida:

No entanto, posso garantir-vos que este ponto de vista é associado a uma das mais simples  e, mais discretamente, antiquada personalidade a se aposentar um dia: a do velho eremita e asceta que ainda não conhece o tempo contemporâneo que lhe cerca com festas e atividades joviais, e que durante o próximo inverno, provavelmente, não irá resistir as suas sentenças consecutivas: salvo por duas tias idosas!” [H.P. Lovecraft’s Letter to August Derleth: November 21, 1930].

  • O Efeito Sinérgico do Ascetismo acidental de Lovecraft

Quais são os efeitos que as práticas xamânicas acidentais de Lovecraft induzem?

Um dos resultados da privação de sono prolongada inclui vários tipos de psicoses. Lovecraft ficou muitas vezes em dias sem dormir. Um estudo relata que um total de 80% das pessoas, que passaram longas crises de insônia, também sofrem alucinações visuais [Can Sleep Deprivation Cause Hallucinations? Seeing Things May Occur with Extreme Sleep Loss” By Brandon Peters, M.D., About.com, September 01, 2011.]

O comportamento alcança seu limite quando uma pessoa experimenta um estado de sonho ou alucinação que parece tão real quanto se o evento realmente ocorresse.

Lovecraft afirmou que seus sonhos eram tão genuínos que ao acordar, a impressão de sua “verdade” o atormentava:

Eu tenho relacionado isso em detalhes, porque me impressionou muito vividamente. Isto não é um romance sobre reencarnação de Co [abreviação para Ira A. Cole] , você vai ver que esse sonho não tem clímax ou ponto, mas era muito real … Neste ponto você me perguntará de onde vêm estas histórias! Eu respondo de acordo com o seu pragmatismo que o sonho era tão real quanto a minha presença nesta mesa, com a caneta na mão! Se a verdade ou a falsidade de nossas crenças e impressões são imateriais, então eu sou, ou era, na verdade, e, indiscutivelmente, um espírito sem carroçaria pairando sobre uma cidade muito singular, muito silenciosa, e muito antiga em algum lugar entre cinzentas colinas mortas. Eu pensei que estava na hora, então o que mais importa? Você acha que eu era tão verdadeiro em espírito como estou agora como HP Lovecraft? Eu não “[H.P. Lovecraft’s Letter to Maurice W. Moe, May 15, 1918].

Para recapitular, os elementos do estilo de vida de Lovecraft incluíram:

1) Perturbação Ritmo circadiano porque HPL dormia de dia e percorriam as ruas de noite. 

2) Uma auto-imposta privação de sono que durou três dias, muitas vezes ao mesmo tempo. 

3) Jejum que lhe abstia de clareza mental e valorizava seu sonho. 

4) A abnegação em áreas – sexo, fumo e bebida forte – que se concentravam suas energias na criatividade.

5) Os períodos de isolamento físico e emocional que fomentaram o sentimento de separatividade.

Como Lovecraft viveu esses fatores, o lado esquerdo do cérebro intelectual agitou acidentalmente os motivos inconscientes para as visões xamânicas tradicionais surgirem.

HPL descreveu a escala de suas visões imaginativas:

“… Como meros fios, essas fantasias misturadas não valem a pena; mas sendo sonhos de boa-fé, eles são bastante pitorescos. Dá uma sensação de experiência estranha, fantástica, sobrenaturalde ter visto estas coisas estranhas, aparentemente, com o olho visual. Eu sonhei assim desde que eu era velho o suficiente para lembrar dos sonhos, e provavelmente serei até eu descer ao Averno … Na verdade, eu viajei para lugares estranhos que não estão sobre a terra ou em qualquer planeta conhecido. Tenho sido um piloto de cometas, e um irmão para as nebulosas … “[H.P. Lovecraft’s Letter to Rheinhart Kleiner, May 21, 1920]

  • Sonhos Caleidoscópicos e Visões Psicodélicas:

O que os xamãs modernos, como Timothy Leary e xamãs mais velhos, como os nativos americanos, têm em comum?

Ambos usaram drogas para lançar chaves químicas em seus cérebros que levaram-lhes em suas viagens vibrantes e visões. Dr. Leary usou LSD, enquanto algumas pessoas costumavam se dirgir até a Medicina mescalina. Quando numa dessas viagens psicodélicas foi utilizado o elemento químico certo, LSD, o que se procede é algo assim:

“… Altera profundamente e expande a consciência, soltando ou apagando completamente os filtros normais e telas entre sua mente consciente e o mundo exterior. Com estes filtros para baixo, mais informações correm para dentro. Você sente mais, pensa mais. Você se torna consciente das coisas normalmente filtradas por sua mente – visuais, auditivas, sensoriais e emocionais. Os intrincados detalhes em superfícies, a riqueza de som, o brilho das cores, e a complexidade de seus próprios processos mentais são todos trazidos para o primeiro plano de sua consciência. Em doses mais elevadas, a pressa de informação torna-se uma inundação e os seus sentidos, na verdade, começam a se fundir e se sobrepõem … até que você pode ver sons ou cheirar cores “. [LSD Effects”, The GoodDrugsGuide.Com]

LSD também altera o sentido do tempo e da percepção visual:

Efeitos primários do LSD são visuais. As cores parecem mais fortes e as luzes parecem mais brilhantes. Os objetos que são estáveis podem parecer se mover ou ter um halo de luz em torno deles. Às vezes, os objetos têm trilhas de luz provenientes deles ou parecem menores ou maiores do que realmente são. Usuários de LSD muitas vezes veem padrões, formas, cores e texturas. Às vezes parece que o tempo está correndo para trás, ou se movendo muito rapidamente ou lentamente. Em ocasiões muito raras … tropeços podem causar sinestesia – uma confusão de sensações entre diferentes tipos de estímulos. Algumas pessoas descreveram isso como ver cores quando ouvem sons específicos “[How LSD Works”, by Shanna Freeman,]

Eu nunca usei uma droga psicodélica, então eu não posso descrever um LSD ou mescalina a partir da experiência pessoal. É por isso que eu incluí descrições de como um agente alucinógeno afeta a percepção e as sensações de uma pessoa.

O que eu proponho é o seguinte: Como Lovecraft praticou os estilos de vida com traços de xamanismo acidental, ele tropeçou nas mesmas chaves químicas do cérebro que outros precisariam usar alucinógenos para ativar.

O resultado foi que os sonhos e a imaginação de Lovecraft expressavam a mesma experiência de outro mundo de alguém que usou drogas psicodélicas. Tristan Eldritch primeiro comparou os escritos de Lovecraft para experiências psicodélicas. No entanto, a pesquisa não explorou o estilo de vida ascético de Lovecraft como contribuindo para a psicodélica magnitude de sonhos e prosa de HPL.

Além da semelhança em experiências fantasmagóricas, gostaria de salientar a percepção de distorção de tempo que Lovecraft procurou esteticamente e a perturbação de tempo em uma viagem alucinógena.

Lovecraft procurou êxtases estéticos:

“… Que … invariavelmente implica uma derrota total das leis de tempo, espaço, matéria e energia, ou melhor, uma independência individual dessas leis da minha parte, em que eu possa navegar através dos universos variados de espaço-tempo como um invisível vapor que possa perturbar … nenhum deles, no entanto, é superior aos seus limites e formas locais de organização material “[H.P. Lovecraft’s Letter to August Derleth, December 25, 1930]

Observe que Lovecraft buscava um estado de ser, que incluiu um senso de independência das leis da época. A descrição de HPL corresponde à distorção de tempo que faz parte de uma experiência psicodélica:

… Às vezes parece que o tempo está correndo para trás, ou se movendo muito rápido ou devagar …”[ “How LSD Works,” by Shanna Freeman]

  • Houve uma predisposição genética para as “Dreamscapes” de Lovecraft?

Antes de prosseguir, gostaria de afirmar que Lovecraft também poderia ter sido geneticamente predisposto ao mundo fantástico dos sonhos.

Existem semelhanças entre as alucinações visuais e sensoriais de esquizofrenia e paisagens oníricas vívidas de Lovecraft.

Eu acredito que a ligação genética poderia ter sido materna. Embora o pai de Lovecraft morreu em uma instituição mental, sua loucura foi, provavelmente, devido a complicações de uma doença – sífilis. Por outro lado, Susie Lovecraft, em seus últimos anos, experimentou alucinações visuais envolvendo figuras sombrias. As alucinações pareciam ser de natureza orgânica.

Lovecraft experimentou surtos de doença mental, embora ele pensasse ser em grande parte depressão bipolar. No entanto, o racismo irracional do HPL, apesar de sua racionalidade, ocorreu de forma delirante e orgânica.

Da mesma forma, quando as telas genéticas habituais – aquelas que diminuem os estímulos conscientes recebidos para uma realidade gerenciável – são defeituosas, experiências sensoriais de uma pessoa assumem o caráter de viagens psicodélicas.

Telas de Howard, por falta de uma melhor metáfora, podem ter sido poucas e com defeitos. Isso não significa que as faculdades do HPL eram deficientes cada momento de cada dia. Mas elas eram suficientemente menores, e ainda mais enfraquecidas por suas tendências ascéticas, por transformar seus sonhos em titânicas visões ciclópicas de outros mundos e outras épocas.

Essa facilidade imperfeitamente semelhante permitiu Vincent Van Gogh ver cores brilhantes em torno de cenas naturais prosaicas que os outros não vêem, e despejou-as em suas telas assombrando os admiradores. Talvez Lovecraft viu coisas em seus sonhos e nas vigílias de suas crises de imaginação, devido a uma disfunção similar de algumas de suas acuidades mentais.

  • Para queimar a mente do leitor com uma grandeza cósmica

Eu acredito que existia uma constelação de fatores – tanto comportamentais e orgânicos – predispostos em Lovecraft para acessar mundos de sombras imaginativas. Lovecraft, assim como outros grandes artistas, era um indivíduo único na história. De nenhuma maneira podemos traçar todos os fatores ilusórios que vieram a ser concretizadas nos momentos criativos quando HPL escreveu grandes nomes como “Nas Montanhas da Loucura”.

Espero que tenhamos sugerido algumas razões para Lovecraft ter produzido os contos impressionistas que queimavam a mente do leitor com sua grandeza cósmica.

 

 

Por: John de laughter em LovecraftZine. Tradução: Nathalia Claro

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/h-p-lovecraft-e-suas-tendencias-xamanistas/