Cursos de Hermetismo do Final do Ano

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

Para vocês se programarem.

Outubro/2011

15/10 – Kabbalah – Aracaju SE

16/10 – Astrologia Hermética – Aracaju SE

22/10 – Astrologia Hermética II – SP

23/10 – Magia Prática – SP

29/10 – Tarot (Arcanos Maiores) – RJ

30/10 – Tarot (Arcanos Menores) – RJ

Novembro/2011

19/11 – Kabbalah – SP

20/11 – Astrologia Hermetica – SP

26/11 – Kabbalah – Campinas

27/11 – Astrologia Hermetica – Campinas

Dezembro/2011

03/12 – Runas e Magia Runica – SP

04/12 – Chakras, Kundalini e Magia Sexual – SP

10/12 – Kabbalah – Brasília-DF

11/12 – Astrologia Hermética – Brasília-DF

Informações no email: marcelo@daemon.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-do-final-do-ano

O Mago na Selva e o Xamanismo Indígena Ye’pa Masa – Dra. Fabiane Vinente

Bate-Papo Mayhem 258 – Dra. Fabiane Vinente – O Mago na Selva e o Xamanismo Indígena Ye’pa Masa

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mago-na-selva-e-o-xamanismo-ind%C3%ADgena-ye-pa-masa-dra-fabiane-vinente

Hoje é Dia de Rigor

“Lembrai, lembrai do cinco de novembro

A pólvora, a traição, o ardil

Por isso não vejo como esquecer

Uma traição de pólvora tão vil”

De acordo com o dicionário online da Wikipédia:

“Vingança consiste na retaliação contra uma pessoa ou grupo em resposta a algo que foi percebido ou sentido como prejudicial. Embora muitos aspectos da vingança possam lembrar o conceito de igualar as coisas, na verdade a vingança em geral tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo. Quem busca vingança deseja forçar o outro lado a passar pelo que passou e/ou garantir que não seja capaz de repetir a ação nunca mais.”

“Voilà! À vista, um humilde veterano vaudevilliano, apresentado vicariamente como ambos vítima e vilão pelas vicissitudes do Destino. Esta visagem, não mero verniz da vaidade, é ela vestígio da vox populi, agora vacante, vanescida, enquanto a voz vital da verossimilhança agora venera aquilo que uma vez vilificaram. Entretanto, esta valorosa visitação de uma antiga vexação, permanece vivificada, e há votado por vaporizar estes venais e virulentos verminados vanguardeiros vícios e favorecer a violentamente viciosa e voraciosa violação da volição. O único veredito é a vingança, uma vendeta, mantida votiva,não em vão, pelo valor e veracidade dos quais um dia deverão vindicar os vigilantes e os virtuosos. Verdadeiramente, esta vichyssoise de verbosidade vira mais verbose vis-a-vis uma introdução, então é minha boa honra conhecê-la e você pode me chamar de V.”

“V”, em algarismos romanos, como bons observadores que sei que vocês são, significa em algarismos arábicos o número 5. Que é a numeração de nossa tão bem conhecida e pouco compreendida Sephira de Guevurah. Também leva a crer que está muito bem relacionada com o Pentagrama, nosso velho amigo microcósmico. Podemos pegar uma interpretação legal daí tirando que a energia do Ani (Eu) e do Ain (Nada) se encontrem em Tipheret e o aconteça o primeiro dos momentos majestosos do iniciado ocidental, deve-se primeiro saber compreender a energia da Justiça severa desta Sephira e não cair nas “graças” de Asmodeu na Qliphoth de Golachab.

“Asmodeus: Energia Sagrada e Significado. Quando o Significado nas coisas segue adiante, essas coisas viram Cascas. Beleza sem Significado vira Orgulho vazio, Um Julgamento Duro sem Julgamento honesto se torna Raiva. Se torna uma Casca, uma Concha, se torna um Qlipphoth. Se torna EU.”

“Eis que me fiz de santo, quando na verdade era o demônio.” V

Quando a vingança é maior que a justiça, corre-se o risco de cair em desgraça. Acredito eu que as rosas vermelhas deixadas durante os assassinatos dos antigos agressores do V são uma representação alegórica da destruição dos impulsos destrutivos e das paixões inferiores durante a jornada dele. Todas elas representadas pelas suas vítimas. Depois de mortas, recebiam uma rosa. Uma Rosa-do-Espírito se abria. Rosas estas, que no filme, se diziam extintas. Poderia ser retratado de modo que o Fohat (Caminho da Espada Flamejante ou Relâmpago) seja encabeçado pelo próprio V. “O que fizeram comigo me criou, é um principio básico do universo, que toda ação cria uma reação igual e oposta!”.

V não pode agir através do pilar da Misericórdia. Para se derrubar o poder totalitário da Teocracia imposta na Inglaterra fictícia, ele precisa agir mais próximo da população e dentro do pilar da Severidade. Ele precisa reunir, aglutinar. E esta é a energia deste pilar. “Se não pode com eles, junte-se a eles”. O governo totalitário pode ser claramente associado com Binah, afinal fecha as portas da liberdade para as mentes condicionadas à sua verdade. Isso pode ficar muito claro com o símbolo deste governo (uma cruz de dois braços, ou seja, oito ângulos). Na Kabbalah do Sepher ha Bahir, as energias empregadas na destruição do poder totálitário deste governo podem ser interpretadas como o Arcano VIII (A Justiça), já que liga Gevurah à Binah (caminho de Heth). E da ligação que V trará ao povo com a oportunidade de se encontrarem (SAG) é equivalente ao Arcano XII (O Enforcado), que neste caso é equivalente ao caminho de Lamed.

Na Kabbalah aqui apresentada, estudada pelos cabalistas da Golden Dawn, as respectivas energias apresentadas anteriormente são: o Arcano VII (O Carro) e o Arcano VIII (A Justiça). Como acredito que ao invés de antagônicas, estas duas formas de apresentar a Kabbalah são complementares, peço a vocês mesmos que combinem estes dois modos de interpretar a energia empregada e compartilhem suas interpretações. Deixo esta parte com vocês. Comentem com suas interpretações.

Quando ele encontra Tipheret, ou seja, liberta seu anjo da prisão onde estava, vendo experiências anteriores, ele se sente pronto. Teve seu necessário Batismo de Fogo. Enquanto Evey é a representação do próprio povo que precisa encontrar sua liberdade. Ela é a representação de Netzach que precisa entender que Amor é se render. E precisa se sacrificar pelos outros e deixar seus medos para trás. “Deus está na chuva”.

A morte de V e sua batalha final com Creedy, o guardião de Binah, começa com a morte de Adam Sutler, o Demiurgo. Se V precisa voltar ao seu posto original em Hochmah e deixar o próprio povo como dirigentes do novo governo (Poimandres) que ele mesmo tenta ajudar a criar oferecendo sua própria vida em troca, era preciso que se derrotasse o Guardião do Abismo. V dá o seu primeiro e último beijo (Osculum Sanctum) em Evey e parte para seu Sacro Ofício. Notem que nenhuma bala faz efeito nele, mesmo que a proteção de ferro (Gevurah) que carregava sobre seu peito tenha sido totalmente crivada de balas. Ele já não era deste mundo. Creedy não podia entender o motivo dele não morrer pois só tinha conhecimento de coisas passíveis de morte. V atingira Hochmah.

“Por baixo dessa carne existe um ideal. e as idéias nunca morrem…”

Com a revolta popular no dia 5 de Novembro, passado um ano desde a proposta, o povo em sua insurreição foi à caráter, vestidos todos como V, como um só, encarar a morte na mão armada do Governo. Eles não temiam a morte. Eles não temiam o Diabo. Eles não temiam mais nada porque eram um só. eles finalmente haviam alcançado Tipheret. Isso pode ser notado quando depois da destruição do Parlamento, ou seja, depois de destruir aquilo que era símbolo máximo do governo de Adam Sutler, todos tiraram suas máscaras e eram cada um um indivíduo. Mas não o mesmo indivíduo. Não o indivíduo apático e egoísta de antes. Eles eram a Fraternidade Universal

Resumindo, isso tudo se torna de um V um VI.

V for Vendetta – Final Scene

Que as vossas Rosas floresçam na Tua Cruz.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hoje-%C3%A9-dia-de-rigor

Hieros Gamos e Magia Sexual

“I am all that has been, that is, that shall be,

and none among mortals has yet dared to raise my veil.”

Hoje vamos falar de algo que certamente vai interessar para todo mundo (ou quase todo mundo). Sexo!

Na Antiguidade, entre os estudiosos, sacerdotes e iniciados, o sexo era considerado algo sagrado e uma maneira de se reconectar com o EU divino que habita cada um de nós, como uma das formas mais bonitas de “Religare” e sempre esteve associado a muitas comemorações e rituais de fertilidade.

O reino do sexo mágico é o domínio e o poder do feminino.

Antes de começar, quero deixar claro que sempre existiu o sexo “vulgar” ou profano, que a maioria das pessoas conhece e pratica normalmente. O sexo sagrado, conforme eu comecei a explicar na semana passada, envolve todo um ritual de entrelaçamento das energias entre os chakras fortes masculinos e femininos durante o ato sexual entre dois iniciados. Durante esta relação, o casal canaliza e amplia suas energias através de seus chakras, desde o Muladhara na penetração, despertando a Kundalini (serpente sagrada), florescendo por entre os nadis dos amantes até o Sahashara, gerando um fluxo gigantesco das energias telúricas e projetando-as para o universo, ou utilizando estas sobras de energia para a realização de determinados rituais.

Através do sexo sagrado, o corpo da mulher se torna um templo a ser venerado e o enlace entre o sacerdote (que assume o papel de um deus) e a sacerdotisa (que assume o papel de uma deusa) adquire uma conotação ritualística capaz de despertar grandes energias e até fazer com que eles cheguem à iluminação (e a orgasmos muito mais fortes!).

Suméria

Os rituais sexuais existem desde os primórdios da humanidade e estiveram presentes em todas as grandes culturas da humanidade. As primeiras referências a eles, e também a mais famosa, é o Hieros Gamos, ou “Casamento Sagrado”. Este ritual era realizado na Suméria, 5.500 anos atrás. Nele, a alta sacerdotisa assumia o papel do Avatar da grande deusa Inanna e fazia sexo com o rei ou imperador, que assumia o papel do deus Dumuzi, para mostrar sua aceitação pela deusa como governante justo daquela região.

Isto era feito diante da corte, pois naquele tempo não haviam tabus para se praticar sexo em público se fosse em uma cerimônia religiosa. O símbolo desta união era um chifre, também chamado de “cornucópia” (uma referência clara à vagina da Grande Deusa em sua abertura e o falo do grande deus em seu chifre), do qual brotavam frutas, verduras e toda a fartura dos campos. Era uma associação óbvia entre os rituais sexuais de fertilidade e as colheitas que se originavam das plantações energizadas por tais rituais. O símbolo da cornucópia foi eternizado na Mitologia grega, através dos ritos Dionísios com sua forte presença no Olimpo, e mantém-se até os dias de hoje como símbolo de fartura.

Além desta Ordem, existia a Ordem dos Mistérios de Ísis, voltada apenas para MULHERES. Estas ordens lidam com a energia lunar, com o Yin, com a intuição, com a sedução, com as emoções sutis que pertencem ao campo do feminino. Da mesma forma, era proibida a presença de homens em uma loja de Ísis. Ísis recebeu vários nomes em seus cultos: Islene, Ceres, Rhea, Venus, Vesta, Cybele, Niobe, Melissa, Nehalennia no norte; Isi com os hindus, Puzza entre os chineses e Ceridwen entre os antigos bretões.

O terceiro tipo de Ordem eram as Ordens de Ísis e Osíris, ou as ordens mistas. Estas eram ordens espirituais, preocupadas com o estudo das ciências e dos fenômenos naturais. Pode-se dizer que foram as primeiras ordens de cientistas do planeta, estudando ao mesmo tempo fenômenos físicos, matemáticos e espirituais. Destas ordens, Grandes iniciados como o faraó Tuthmosis III, Nefertitti, Akhenaton (ou Amenhotep IV) e Moshed (ou Moisés para os íntimos) estabeleceram as bases de praticamente todas as escolas iniciáticas que surgiram, inclusive todos os ramos das Ordens Rosacruzes.

Cada templo era formado por até 13 membros (do sexo masculino/solar, feminino/lunar ou misto, com qualquer número de homens e mulheres, dependendo da ordem). Quando haviam mais iniciações, estas lojas eram divididas em mais grupos contendo 5, 7 ou 11 estudiosos. Era comum que membros da Ordem do Sol ou da Lua participassem nestas ordens mistas, assim como até hoje é comum maçons ou wiccas participarem das ordens rosacrucianas.

Treze pessoas em um grupo era considerado o ideal, pois constituía um CÍRCULO COMPLETO, cada um dos iniciados representando um dos signos do zodíaco, ao redor do Grande Sacerdote. Como veremos mais para a frente, isto será válido em outras culturas como a celta, romana, bretã e até africana.

Um quarto grupo era formado por sacerdotes especialmente escolhidos do Templo do Sol e do Templo da Lua, para as festividades das Cheias do Nilo, Morte e Ressurreição de Osíris, Início do ano e várias outras celebrações importantes. Estas celebrações eram Hieros Gamos, onde um sumo-sacerdote coordenava (mas não participava!) do sexo ritualístico entre 6 casais (totalizando 13 pessoas). Estes casais eram geralmente (mas não obrigatoriamente) casados e assumiam suas posições no círculo formando o hexagrama, com o sacerdote ao centro. Estes rituais poderiam ser realizados em um Templo ou em alguns casos, dentro de pirâmides, que estavam ajustadas para as freqüências que eles desejavam ampliar para o restante da população (ou do planeta). Mais tarde, o mesmo princípio será usado nos festivais celtas, mas já chegaremos lá.

Em grandes festividades, outros iniciados participavam (fora do círculo principal, que era formado pelos casais mais poderosos), formando um segundo círculo externo ou grupos, dependendo do número de pessoas. Estas sacerdotisas assumiam a representação da deusa Meret, a deusa das danças e das festividades, e os sacerdotes assumiam a representação de Hapi, deus da fecundidade e das cheias do Nilo.

É importante ressaltar que nestes rituais cada sacerdote transava apenas com a sua parceira.

Era comum o uso de máscaras (com cabeças de animais representando os aspectos relacionados ao ritual/deus que estava sendo realizado), o que mais tarde dará origem ao Baile de Máscaras (que secretamente abrigavam Hieros Gamos) e posteriormente ainda os Bailes de Carnaval. Após as festividades, havia dança, celebrações e sexo não-ritualístico/hedonista.

Estas sacerdotisas eram chamadas de Meretrizes, nome que mais tarde foi deturpado pela Igreja Católica.

Do lado complementar das Meretrizes estavam as Virgens Vestais, que eram virgens que trabalhavam um tipo diferente de energia e eram consideradas as Protetoras do Fogo Sagrado. Elas existem desde o Egito mas ficaram mesmo conhecidas no período grego e romano. Falarei sobre elas daqui a pouco.

Paralelamente aos ritos egípcios, existiam rituais sexuais ligeiramente diferentes na Índia, mas baseados nos mesmos princípios de união dos chakras para despertar a kundalini.

Tantra

O principal ritual de sexo tântrico é chamado de Maithuna. Neste ponto, existem 3 vertentes do Tantra: o Caminho da mão esquerda, que prega a realização destes rituais com estranhos, para atingir um máximo de erotização, voltado para o prazer e que deu origem a livros e textos como o Kama-Sutra, o Caminho da mão direita, que prega que o Maithuna deve ser feito apenas com sua companheira, o que gera uma intimidade maior e uma energia muito maior no ritual e finalmente o Caminho do Meio (meu favorito) que prega um meio termo: rituais sexuais para serem desenvolvidos com uma parceira, mas não excluindo a participação de amigas ou conhecidas no processo.

Rituais Tântricos

Ao contrário da ritualística egípcia, que é extremamente rígida em relação a escolha dos parceiros, as festas tântricas eram basicamente hedonistas (voltadas para o desenvolvimento do ser humano através do prazer e felicidade), podendo haver troca de parceiros (caminhos central e da mão esquerda somente), mais de uma parceira/parceiro em uma transa, etc. As palavras chaves nestas festas são o respeito entre todos os participantes e a consensualidade. Pode-se dizer que estes grupos mantiveram-se sempre de maneira secreta em praticamente todas as sociedades, até os dias de hoje nas casas de swing (ou “troca de casais”, como a mídia adora colocar, dando a falsa impressão que as mulheres nestes locais nada mais são do que “moedas de troca” quando uma idéia melhor seria “compartilhar” – É… eu sou muito chato com os termos corretos, porque palavras têm poder). Hoje muito do conceito destas festas foi distorcido e estragado (com direito até a pessoas que contratam garotas de programa para montar casais falsos e participar das putarias), embora dentro deste universo existam ainda grupos que agem como verdadeiras Sociedades Secretas, com regras de conduta muito rígidas e mantém as idéias originais das FESTAS HEDONISTAS com o respeito e a seriedade que elas deveriam ter.

Grécia e Roma

O culto a Ísis e Osíris migrou do Antigo Egito para a Grécia, onde Toth tornou-se Hermes e os misterios de Osíris tornaram-se o culto a Dionísio (Dyonisus).

Antes de mais nada, quem era Dionísio? Nascido de Zeus e Perséfone, Dionísio atraiu a fúria de Hera, que enviou os titãs para mata-lo. Zeus o protegeu enviando raios e trovões para despedaçar os titãs, mas quando conseguiu derrota-los, sobrou apenas o coração de Dionísio. Zeus colocou seu coração no ventre de Semele, uma de suas sacerdotisas, que se tornou sua segunda mãe… portanto Dionísio era conhecido como o “nascido duas vezes”. Curioso não?

Novamente temos o culto a morte e ressurreição de Osíris na iniciação e os rituais que demonstravam claramente a vida após a morte. Interessante notar que Semele era uma sacerdotisa do culto a Zeus, e portanto uma virgem vestal. Vocês perceberão que ao longo da história, muitos iniciados nasceram de “virgens” (cujo termo possuía o significado real de “espiritualmente pura”). A título de curiosidade, Hórus, Rá, Zoroastro, Krishna, Platão, Apolônio, Pitágoras, Esculápio e aquele outro cara famoso na Bíblia também nasceram de “virgens”.

Os cultos solares eram mais populares em cidades como Esparta, cujos exércitos voltados para o aperfeiçoamento do corpo e da mente usavam os treinamentos físicos desenvolvidos pelos Guardiões do Templo, incluindo muitos ritos de iniciação (especialmente um dos mais importantes, que é mostrado no filme/HQ “300 de Esparta”, quando Leônidas precisa, quando jovem, enfrentar um período de tempo no deserto/montanha e matar um lobo com as próprias mãos, trazendo sua pele para comprovar o feito de coragem). Mais tarde falaremos novamente sobre capas vermelhas nos celtas.

As reuniões destes grupos recebiam o nome de Orgion (palavra em grego que significa “ritual secreto”) e eram presididas pelo Orgiophanta. Da latinização surgiu a palavra Orgia, e nem preciso dizer o que aconteceu com o significado desta palavra.

Em 180 AC, o senado editou o “Senatus consultum de Bacchanalibus” estabelecendo regras claras para a realização destas festividades e ritos. Desnecessário dizer que os cultos secretos continuaram, apenas caíram na clandestinidade dentro das Ordens Secretas. Os Hieros Gamos continuaram ocorrendo, com a latinização dos deuses envolvidos.

As principais festas aconteciam nos Solstícios e Equinócios, especialmente o Sol Invictus (quem assistiu aquele filme “de Olhos bem fechados” pode ver um ritual de Hieros Gamos moderno, ocorrendo justamente no Natal/Dies Natalis Solis Invicti… quer dizer, uma pequena parte dele).

As Vestais

Além dos cultos solar e lunar, existiam também as Vestais (sacerdos vestalis) que eram as sacerdotisas da deusa Vesta e encarregadas de manter aceso o Fogo Sagrado de Vesta. Este fogo era o santuário mais importante de cada cidade romana e deixar uma chama destas apagar era passível de pena de morte. Caso uma chama se apagasse, os sacerdotes precisavam acender uma tocha em um templo vestal em uma cidade próxima e trazer este fogo sagrado até o altar.

Se você pensou em “tocha olímpica”, acertou… é a origem da tocha. Agora algo que você não sabia: A origem sagrada deste fogo remonta ao fogo que Prometeu roubou dos deuses e que lhe custou o castigo eterno.

As Vestais tinham de ser virgens, pois a energia e os chakras delas vibram e podem ser trabalhados de maneira diferente. Os ocultistas chamam isto de Chastitas, de onde vem a palavra castidade. Na rosacruz chamam estas meninas de columbas e elas são responsáveis por algumas das partes mais bonitas da ritualística.

A Chastitas não precisa envolver a falta de amor. Aliás ele desenvolve nas sacerdotisas/sacerdotes que escolhem este caminho a virtude do Ágape, ou amor pela humanidade. O iniciado Platão foi um dos que mais estudou este tipo de ritualística, de onde se originou o termo “amor platônico”.
Sócrates estudou este processo e desenvolveu o chamado Chastitas Pederastia, que é uma relação de amor casto entre um jovem e um adulto do mesmo sexo (normalmente um guerreiro mais velho e o aprendiz de soldado, especialmente nos exércitos gregos). Mas este “amor” a que ele estava se referindo não era o amor homoerótico (que incluía sexo), mas sim o amor fraternal de um Mestre de Guilda para com o Aprendiz. Para tentar traçar um paralelo, pode-se pensar na relação entre o Batman/Robin, o sr. Miagui/Daniel-san e jedi/padawan.

A Igreja deturpou a palavra “pederasta” como sinônimo pejorativo para homossexual. Disto seguem aquelas lendas absurdas que os soldados gregos eram gays. Também foi uma das acusações mentirosas que a Inquisição usou contra os Templários, já que esta tradição da pederastia se estendeu para o conceito de Cavaleiro/escudeiro ou Mestre/aprendiz.

A Castidade funciona através de uma alquimia diferente, transformando o que seria o desejo carnal e sexual em uma energia espiritual através do desenvolvimento dos chakras superiores e do controle dos chakras inferiores. Exemplos deste tipo de iluminação incluem os monges budistas, monges shaolins, os padres da Igreja, algumas santas e outros eremitas da literatura religiosa e ocultista.

(tá… essa dos coroinhas foi brincadeira… )

Bom… o texto está ficando enorme e eu ainda estou na metade… semana que vem a gente continua com os Celtas, Bruxarias, os “sacrifícios de virgens” inventados pela Igreja.

#Chakras #HierosGamos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hieros-gamos-e-magia-sexual

Uma Noite Bruxa às Margens do Danúbio

Nick: Há um outro elemento, sujeito à controvérsia entre as pessoas que falam sobre bruxaria – e que é sobre o papel da hoste caída – em particular, Lúcifer. Em seu livro Balkan Traditional Witchcraft  você menciona que o próprio Lúcifer caiu em uma árvore na região da Valáquia, ao leste da Sérvia. Para mim, isso diria que a raiz real de uma Tradição Luciferiana propriamente está localizada na Valáquia, mas como você entende esse fenômeno?
Rade: Isso é difícil de explicar em uma entrevista. Portanto, estamos falando sobre a região no leste da Sérvia, onde os valaquianos vivem. Eles falam uma forma de latim e são muito conectados com os antigos romanos. A presença de Lúcifer como a Estrela Matutina é uma ocorrência normal em suas crenças. Eles têm costumes como colocar pedras brancas de rio no bolso dos falecidos para que Lúcifer possa iluminar a jornada da alma ao céu. Mas Lúcifer também está ligado com os dragões nos Bálcãs. Ele é um dos dragões! Na verdade, ele é o mestre de todos os dragões. A estória fala que os dragões caíram sobre os Bálcãs há muitos séculos atrás. Eles caíram no que hoje chamamos de chuva de meteoros. Por causa disso, ainda hoje as bruxas e camponeses conectam dragões com meteoros, como foi observado por muitos etnólogos sérvios.

Alguns desses dragões caíram no rio Danúbio, como Timok e Pek, e outros caíram em florestas e montanhas. Aqueles que haviam caído em rios continuaram a viver neles, sob as águas. Eles se parecem com homens-sereias, com os cabelos meio longos, grandes olhos e narizes – e longos dentes caninos. Aqueles que caíram nas florestas habitavam grandes árvores, principalmente velhas faias com buracos. É duro dizer como eles se parecem, pois algumas bruxas alegam que eles são somente grandes luzes, e outras que eles são serpentes antropomorfas com asas que se transformam em grandes luzes somente quando eles começam a voar. Aqueles que caíram nas montanhas habitam cavernas e se parecem com o que entendemos ser dragões. Assim, a estória se passa – e conta de uma determinada árvore no leste da Sérvia, na qual a Estrela da Manhã (Lúcifer) ou Danica – como ele é chamado em sérvio, vive dentro após sua queda. Aquela árvore é objeto de culto. Todas as bruxas locais respeitam aquela árvore, ou melhor, o que reside dentro dela. Elas trabalham com Danica como fonte de conhecimento e poder, mas elas não o adoram! O que é interessante aqui é que Lúcifer está conectado com os dragões, porque ele é – como todos os dragões – uma estrela que caiu e vive em árvores como os outros dragões fazem. O que podemos concluir de tudo isso é que essas estórias são muito semelhantes às que encontramos no Primeiro Livro de Enoque. Temos certeza que o Primeiro Livro de Enoque e da forma que trata dos guardiões, ou anjos caídos, e de como eles dormiram com as mulheres e tiveram filhos foi muito importante entre Bogomilos Gnósticos dos Bálcãs. O que encontramos no Segundo Livro de Enoque – que foi descoberto em Belgrado – fala sobre a guerra no céu e Lúcifer. O Segundo Livro de Enoque também é chamado de Enoque Eslavo, porque foi encontrado na Sérvia e escrito na antiga linguagem litúrgica sérvia. Estórias sobre dragões e sangue-bruxo que encontramos dentre as bruxas da Sérvia são muito semelhantes aos do Livro de Enoque, embora elas não falem sobre anjos caídos, mas de dragões. Mas podemos concluir que nesta região anjos caídos e dragões são a mesma coisa. É por isso que este fenômeno não é estranho para mim.

Nick: Eu iria um pouco mais longe em dizer que este é um elemento comum em várias correntes da Bruxaria européia, a idéia do dragão-meteorito e sua importância. Também devo confessar que tinha dúvidas sobre a existência de uma Tradição Luciferiana como tal, até que você me introduzisse a este legado. Ainda assim, a Tradição Luciferiana nas terras da Valáquia é surpreendentemente diferente do significado que a maioria das pessoas dá ao legado Luciferiano. Mas, qual é, em sua opinião, o ponto de encontro entre a arte bruxas e Lúcifer como anjo caído na Sérvia?
Rade: A crença é que esses dragões, ou anjos caídos, após suas quedas seduziram as mulheres e tiveram filhos com elas. Esta não foi uma tarefa difícil para eles porque eles também são metamorfos. Então, quando eles queriam seduzir as mulheres, assumiam a aparência de belos homens e as seduziam. Foi assim que tudo começou. As crianças nascidas destas relações tornam-se meio humanos, meio dragões. O mais importante é que através deste processo as crianças herdaram alguns poderes e habilidades de seus pais. Isso significa que eles têm alguns poderes básicos, e esses poderes são diferentes de pessoa para pessoa, mas todos eles têm um poder supremo, e este poder era que eles possuíam uma alma diferente, e é por isso todas as bruxas possuem a capacidade de deixar seus corpos quando querem. Quando a bruxa sai do corpo podemos ver como ela realmente se parece. Elas se parecem com seres humanos, mas com pele de cobra ou com pêlos por todo o corpo, e lógico, com asas de morcego. Por causa deste “poder”, todas elas são capazes de contatar o outro mundo e suas forças ocultas, que seriam visíveis para elas somente quando elas deixam seus corpos. Este contato lhes proporciona conhecimentos adicionais de magia. Durante seus vôos noturnos, elas podem entrar em contato com fadas, outros dragões, ancestrais e muitos outros seres espirituais.

Nick: Da forma que entendo você está abordando aqui ainda outra controvérsia, ou seja, o sangue-bruxo. Sendo assim, como a bruxa se funde com este sangue antigo, como é que uma bruxa chegar à conclusão de que ela é algo “diferente”?
Rade: Ao ouvir as histórias sobre esses mistérios que são passadas de gerações a gerações. Normalmente descobrimos que esta é uma linhagem consangüínea dentro de uma família e, portanto, seus membros preservam esses contos e lendas. Este é seu legado, sua história, da mesma forma que outras famílias podem ter outras histórias sobre suas origens. Alguns explicam que tudo começou quando alguns dragões seduziram as avós de suas avós, e de como elas conceberam filhos que possuía poderes estranhos, e como seus filhos, por sua vez, também possuíam algumas habilidades extraordinárias e assim por diante. Tudo isso é explicado em meu artigo “Fadas, Dragões e Sangue-Bruxo”.

Nick: Para mim, a bruxa é uma força da natureza, é indomada e desenfreada, e então a bruxa prosperaria melhor na natureza, mas isto é naturalmente aberto a debate. Qual é o seu entendimento sobre a natureza e civilização e em que medida a bruxa pertenceria ali?
Rade: A bruxa pertence em toda parte! A Bruxaria Tradicional não é uma religião e, por extensão, também não é necessariamente uma religião da natureza. Ele se encaixa em todos os ambientes. Espíritos estão por toda parte e até mesmo grandes cidades têm lugares muito poderosos. Às vezes você realmente precisa de floresta, cavernas ou um rio para seus rituais, mas outras vezes um porão escuro e úmido pode ser exatamente o que você precisa, assim como uma rua escura à noite, um cemitério ou uma encruzilhada. Tudo atrai algumas energias específicas e “portais” que poderiam nos ser útil e que podem ser encontrados em toda parte.

Santa Petka, ou Paraskeva

Nick: Eu gostaria de voltar um pouco para a natureza, o selvagem, porque em seu livro você escreve muito sobre a Mãe da Floresta. Parece-me que ela é de suma importância, e então quem é essa?
Rade: Ela desempenha um papel muito importante nos mistérios das bruxas. Ela é única, mas possui várias qualidades. Basicamente, ela se mostra em duas formas. Porque seu nome é Maria ou Mara, nós a chamamos – ou “elas” a chamam, Mara da Floresta e Mara Molhada, conectada com lagos e rios. A primeira é branca e está conectada à lua cheia. Ela é perigosa, mas é uma protetora feroz das mulheres, da fertilidade e coisas semelhantes. Ela se mostra nua ou com um vestido branco transparente. A outra é negra e lhe dá poderes mágicos. No entanto, ela é mortalmente perigosa. Ela é conectada com a lua negra. Assim, como a primeira é Eva e a segunda, Lilith; a primeira é a Virgem Maria e a segunda, Maria Madalena. Ambas podem se mostrar de forma tripla, mas sempre com a mesma aparência. Elas são conectadas à Hécate, cujo culto era forte aqui na antiguidade, onde ela era sempre representada com três jovens e o grande espírito de Destino. As bruxas trabalham principalmente a Maria branca, e usam o ícone da Virgem Maria como sua representação. Temos também um tipo de velha, mas ela é uma entidade totalmente separada. Ela é algo como uma fonte primordial. Sua representação é o ícone de Santa Petka ou Paraskeva, mas não é bom falar muito dela para que ela não venha…

Nick: Outro espírito que você dá muita atenção é Dabog ou Daba Manco. Ele parece ser misterioso, e seu mancar poderia indicar que ele próprio caiu – ou pelo menos tem um pé em ambos os mundos, você pode me dizer um pouco mais sobre ele?
Rade: É muito difícil descrevê-lo e ao seu significado. Ele não é somente um espírito, mas algo como um deus. Sua raiz deve ser traçada ao dualismo dos Bogomilos. Então ele não é algum deus pagão da tradição eslava – embora ele pudesse ser conectado com o Veles eslavo, que é o mestre do mundo subterrâneo, cujo oponente era o deus Perun, o mestre do céu. Da perspectiva dos Bogomilos, Dabog é o Deus na Terra e rei do mundo material. Existe um Deus no céu que governa o universo imaterial, mas Dabog é o rei do mundo. Ele é representado como um grande dragão negro ou em forma humana, como um homem alto com uma capa negra, usando um chapéu de aba longa que esconde sua face. Mais tarde na história a Igreja Ortodoxa o reconheceu como um Diabo. Hoje as pessoas o conhecem como o Daba manco, que é um outro nome para o Diabo. Um de seus símbolos é uma muleta que tem a mesma forma de um forcado.

Nick: Mais adiante em seu livro, como em nossas conversas aqui no Danúbio e nas terras da Valáquia você fala freqüentemente sobre o Bogomilos, como eles formaram a Bruxaria dos Bálcãs, qual foi sua contribuição?
Rade: Pessoalmente, penso que eles ajudaram na formação de toda a Bruxaria Tradicional que encontramos na Europa – e existem muitas razões que eu declare isto. Para explicar isto talvez seja melhor relembrar algumas partes de meu artigo “The Origin of the Coven structure” (“A Origem da estrutura de Coven”)

“Bogomilos. Quem eles são?” Pelos estudiosos, eles tomaram forma na Bulgária nos Bálcãs em algum momento por volta de 927-970. Isto é correto, mas somente se você observar aquele preciso momento, porque naquele tempo muitos países dos Bálcãs estavam sob ocupação Búlgara. A verdade é que os Bogomilos foram formados no país conhecido hoje como a antiga República Iugoslava da Macedônia. O fundador do movimento foi certo padre chamado Bogumil, que pregava este ensinamento por volta de 950 nas regiões em torno das cidades de Veles e Prilep.

Este movimento se estenderá muito rápido, principalmente em duas direções. Primeiramente ocupará toda a Bulgária, Sérvia, Bósnia e a região Dalmácia, que nos dias atuais é a Croácia. Depois, uma parte migrou para o leste da Rússia e outra para a Europa Ocidental. Na Europa Ocidental o Bogomilismo chegou através de duas direções, uma foi através da Bulgária Oriental, Sérvia, Bósnia, Dalmácia, Itália e França. A outra foi através da Bulgária Ocidental, Sérvia, Hungria e novamente para a França. Da França este movimento se espalhou para o sul da Espanha e oeste da Inglaterra, o qual somente algumas pessoas conhecem… Os Bogomilos eram um grupo muito interessante. Seus ensinamentos eram uma mistura de elementos indo-europeus, pagãos, cristãos e gnósticos. Eles eram algo como patriotas locais e não desejavam falar Latim nem Grego. Eles não queriam adotar nomes cristãos bizantinos, e preservaram os velhos costumes. Por causa de seu “patriotismo”, eles preservaram todas as crenças populares, a magia, rituais e festivais do povo. O melhor caminho para entender isto é lendo a seguinte citação no qual o Sínodo de Borila os acusava:

“Aqueles que no dia 21 de junho, o dia quando São João Batista nasceu, fazem magia e coletam plantas; e naquela noite fazem coisas misteriosas como nos ritos Helênicos; aqueles que dizem que Satanás criou todas as coisas, e aqueles que com ‘kumirs’ chamam a chuva e aclamam todas as coisas que vêm da Terra…”

P.Kemp concluiu que a doutrina dos Bogomilos influenciou as pessoas, da mesma forma que as crenças do povo tiveram influência sobre sua doutrina. E realmente, nos Bálcãs, especialmente naqueles tempos, a prática xamânica era muito viva. Xamãs eram indivíduos, homens e mulheres, e toda aldeia tinha pelo menos alguns deles. Sua obrigação mais importante era dar à comunidade sua medicina e auxílio mágico. Eles eram curandeiros, herbolários, clarividentes e lutadores contra criaturas antinaturais, demônios e condições meteorológicas. Além disso, eles eram guardiões das crenças do povo, mitos, conhecimento e sabedoria. Este tipo de xamãs solitários era bem conhecido na Europa inteira. Por exemplo, na tradição nórdica as Völvas praticavam seiðr, spá e galdr, práticas que englobavam xamanismo, feitiçaria, profecia e outras formas de magia e encantamentos. A situação era semelhante na Alemanha e outros países europeus. Na antiguidade as bruxas gregas e romanas tinham elementos bem similares. Todos estes xamãs compartilham algumas características importantes. Todos eram xamãs; usavam transe ritual, danças, máscaras, partes de corpos de animais, plantas, etc. Suas ferramentas usuais eram facas mágicas, bastões, caldeirões, vassouras, etc.

Eles executavam especialmente seus rituais durante à noite porque no xamanismo acredita-se que este é o tempo quando o mundo das pessoas e o mundo de deuses, espíritos, demônios e antepassados se cruzam. Eles executavam seus rituais em encruzilhadas, cemitérios, pelos rios e outros lugares importantes para eles. Assim estavam lidando com magia e eram os guardiões dos mitos e crenças do paganismo popular. Eles eram bruxos xamânicos clássicos! Contudo eles não tinham metas espirituais, uma tradição iniciática como tal, com estrutura organizada, trabalho em grupo, etc.

Muitos deles se tornaram Bogomilos nos Bálcãs. Bogomilos e xamãs solitários chegaram a trocar seus ensinamentos. Até mais adiante, os Bogomilos acabaram incorporando todos eles em seus próprios ensinamentos, e sabemos disso com certeza, porque muitos livros Bogomilos estão preservados até hoje. Nos Bálcãs estes livros são conhecidos como knjige starostavne, o que significa que foram escritos muito tempo atrás. Eles estão cheios de rituais mágicos, orações estranhas, métodos de adivinhação, astrologia, etc. Além disso, sabemos com certeza mais uma coisa, que Bogomilos não pagavam impostos e se recusavam a trabalhar. Eles começaram a viver como aqueles xamãs, trabalhando como curandeiros, herbolários, clarividentes e assim por diante. Eles negociavam seus serviços por comida, dinheiro, animais, roupas ou alguma outra coisa.

Nos Bálcãs os governantes e a Igreja começaram a chamar-lhes de Babajci, que significa “pessoas que seguem a religião da avó”, e esta é somente outra palavra para Bruxaria. Nos Bálcãs, principalmente as mulheres velhas eram xamãs e conforme previamente dissemos, elas eram guardiãs da memória da magia popular, assim este apelido para elas era bastante apropriado.

Então outra coisa aconteceu, os Bogomilos se recusaram diferenciar homens e mulheres. Eles se tornam os primeiros feministas na história e apoiavam a liberação sexual, em parte porque o gênero não era importante para eles. A razão para isto é que eles viam o corpo físico como uma parte do mundo material, assim como tudo ao nosso redor. Pelo seu sistema de crença todos os gêneros estão na mesma posição, porque todos eles estão no inferno, e o inferno é o mundo material. Assim eles olhavam para as mulheres como iguais, estávamos todos no Inferno.

Esta perspectiva era uma heresia tremenda na Idade Média e aos olhos da Igreja, então eles deram um passo adiante. Organizaram seus grupos pelas antigas regras passadas pelas “Avós” de “um Deus e 12 membros”, ou um líder de procissão e 12 participantes, e incluíram mulheres naqueles grupos. Até mais, mulheres podiam liderar rituais também. Este foi o momento em que os primeiro covens foram formados, bem como a Bruxaria Tradicional que reconhecemos hoje. A Bruxaria Tradicional real é uma amálgama do velho xamanismo, do paganismo popular e do gnosticismo. Aquele foi um momento quando elementos espirituais foram incorporados na Arte, como também metas espirituais. No fim das contas, aquele foi o momento quando a Bruxaria Tradicional nasceu nos Bálcãs, e acredito que este é o caso da Europa também.

Como tivemos a oportunidade de ver, o movimento dos Bogomilos floresceu muito rápido através de quase toda a Europa. Eles eram reconhecidos como um grupo perigoso e os governantes de alguns países começaram a processá-los. Começaram a caçar aqueles grupos de 13 membros à noite, em igrejas e cemitérios abandonados e outros lugares onde eles se reuniam. Claro, todos eles eram acusados de praticar bruxaria. Mais tarde, palavras como “bruxa” e “bruxaria” seriam denominadores comuns para a prática dos Bogomilos. E mais, esta palavra também foi usada para descrever praticantes solitários deste xamanismo popular mágico-herético. Durante o Renascimento muitas pessoas foram perseguidas por estas práticas, embora elas não tivessem nenhuma associação com a bruxaria ou gnosticismo.

Então, assim como podemos ver que a estrutura de coven tem sua origem no gnosticismo e é derivada, num nível geral, do cristianismo. Os primeiros covens que se parecem com “covens de bruxas” nasceram nos Bálcãs entre os Bogomilos, pois este foi o tempo em que as mulheres foram incluídas neles pela primeira vez. Além disso, os Bogomilos foram responsáveis em conectar o velho xamanismo europeu e o gnosticismo, o que trouxe para o mundo a Bruxaria Tradicional. Este gnosticismo medieval se espalhou por toda parte da Europa e com ele a clássica estrutura de coven de 13 membros. Os primeiros grupos que vieram a ser perseguidos são datados de 1022, em Orleans, França, e em 1175, em Verona, na Itália.

É por isso que eles são tão importantes, mas infelizmente não existem informações suficientes sobre eles no ocidente.

Nick: Daqui entendo como a memória da terra, e então a partir deste rico legado Bogomilo que marcou a Europa, qual é a relação entre espíritos e terra? Refiro-me ao dragão Tarotor que possui um significado relacionado ao Rio Danúbio e outros locais que têm uma importância particular atribuída aos poderes encontrados lá. O que isto significa para nós, hoje em dia?
Rade: Bem, isso significa que às vezes devemos deixar a nossa casa, se quisermos fazer alguma coisa. Como você disse, alguns espíritos estão ligados a alguns lugares específicos e não querem deixá-los, ou mesmo que quisessem, não conseguiriam sair destes lugares. Isto é bem comum nos Bálcãs. Bruxas geralmente reconhecem dois tipos de lugares, os bons e os maus, porque a energia desses lugares é forte, ela atrai alguns espíritos ou os provê com certa energia para viver ali. Sempre me lembrarei de como minha avó me ensinou a reconhecer estes lugares. É simples. Locais com vegetação baixa, com muitas plantas mortas, ou aquelas que não são capazes de crescer e atingir o tamanho normal são lugares de má energia e más entidades. Aquelas vegetações verdes e prósperas são boas. É lógico que há mais, alguns lugares são significativos porque alguém morreu ali, ou possui uma edificação significativa, encruzilhadas, objetos, árvores, pedras ou qualquer coisa que realmente pode atrair, carregar e preservar energia.

Nick: Agora já discutimos a conexão entre Xamãs, Bruxas, Bogmomilos e Dragões. Mas, sentado aqui na cidade onde o infame Vlad Dracula defendeu contra o sítio otomano, é no mínimo apropriado perguntar sobre como os vampiros se encaixam nesse imaginário, porque as lendas vampíricas são ricas nos Balcãs.
Rade: Vou tentar responder isso de uma maneira curta, se isso é possível, mas isso vai ser explicado como deveria no meu terceiro livro “The Last European Shamans”.

Resumidamente, “vampiro” é a única palavra sérvia que entrou nas linguagens do mundo. Ela era usada somente na Sérvia antes de um grande escândalo no início do século XVIII, quando alguma epidemia estranha começou a matar soldados austro-húngaros na Sérvia. Naquela época estávamosem guerra. Elesdisseram aos seus superiores que soldados sérvios mortos os atacaram à noite, e que os teriam “comido”. Eles não haviam bebido seus sangues, mas consumido suas vitalidades. Então, alguns médicos de Viena chegaram e cavaram os túmulos dos suspeitos e descobriram que todos os corpos ainda estavam frescos. Assim, a notícia se espalhou por toda a Europa como rastilho de pólvora – e por esta palavra o vampiro ficou conhecido.

Oficialmente na nossa antropologia, vampiros são almas de pessoas más que atacam pessoas à noite. Seus corpos ficam frescos na cova porque durante a noite eles retornam a eles, após sua caçada noturna em busca de fluidos vitais e energia.

Mas isso está correto apenas em um sentido, porque sim, vampiros são as almas de bruxas mortas, homens-dragão e todos os outros que possuem “sangue de dragão”. Assim, durante o tempo de vida foram capazes de deixar seus corpos quando queriam, e de voar em sua forma real. Depois que eles morreram, eles se tornaram ainda mais perigosos, porque agora eles eram apenas espíritos que podiam dormir durante o dia em seus túmulos e se alimentar à noite com energia de outros humanos. Então, as pessoas têm muito medo deles… Por causa de sua aparência em sua forma de dragão, temos imagens reconhecíveis, asas de morcego, lobisomens e afins.

Radomir nos apresenta o Portal de São Pedro na Sérvia

Nick: Dabog, o Diabo, e este mundo como um Inferno habitado por Dragões e mestiços – e agora, vampiros, é muito fácil para as pessoas com uma mentalidade mais racional e moderna verem que aqui estamos pintando o Diabo sobre toda a Bruxaria, e então talvez um esclarecimento do papel do Diabo na Bruxaria Tradicional seja o mais adequado?
Rade: Mais uma vez, é muito difícil dar uma resposta boa, direita e curta para isso. Sim, o conceito do Diabo existe, bem como os conceitos de muitos Anjos e Santos. Assim, podemos encontrar personagens do cristianismo, bem como do paganismo popular, como as fadas, espíritos da natureza e de lugares, etc. Ele é muito importante em muitas tradições. Dizemos “muitas”, porque não há um culto central, e tudo está em nível regional. Mas ele não é de forma alguma um objeto de adoração! Isto é proibido. Bruxas podem trabalhar com ele, mas não como muitas pessoas pensam. Elas podem dar-lhe uma oferenda para curar alguém ou para a magia de amor, bem como para fins malignos. Em geral – e na maioria das tradições – ele é o Daba manco e é conhecido como um doador altruísta de todos os bens. O famoso antropólogo Veselin Cajkanovic escreveu um livro fantástico sobre o assunto.

Em muitos cultos, ele é o inventor e detentor dos conhecimentos ocultos. Ele tem dois espaços rituais fechados e dois abertos. Os fechados são: a forja onde a bigorna é o altar e o moinho, onde a mó é o altar. O primeiro espaço ritual aberto é a encruzilhada, e o segundo e a ponte. As tradições populares nos dizem que ele é o inventor da forja e do moinho, e assim ele é muito conectado a esses lugares. A forja e a bigorna estão conectadas a ele através de lendas. Dizem as lendas que ele aparece após a meia-noite na encruzilhada, porque estes lugares também são encruzilhada de mundos, e outros mitos nos dizem que ele havia sido acorrentado, após sua queda, sob uma ponte. Em algumas outras tradições ele é um guardião do Portal de São Pedro, o portão através do qual as almas dos mortos seguem para o céu.

Em uma tradição muito interessante que encontrei no leste da Sérvia, revelaram-me um segredo de quem ele é. Disseram-me que ele é um Cristo, porque Deus não pode ser material, mas Cristo foi, e então ele é imagem de Deus no mundo material… Considerando as conseqüências teológicas nesta declaração, preciso acrescentar que esta é uma pura declaração Bogomila?

Além disso, devo mencionar que, em muitas ocasiões, ele é aquele que tenta as pessoas e em muitas tradições sua presença na iniciação é uma obrigação, se alguém procura o sangue. Há muito, muito mais para contar sobre ele, o que fiz no “The Last European Shamans”, mas por enquanto isso é tudo.

Nick: E por último irmão, neste dia e era de tumulto e confusão, você acha que a bruxa tem uma missão ou propósito no mundo moderno, uma missão especial para levar a cabo? Se assim for, o que é?
Rade: Honestamente, eu não sei. Eu não tenho dado muita atenção a isso. Só posso repetir o que já disse. Bruxas são mediadores entre as pessoas e os espíritos deste ou de outros mundos. Elas devem ser o que são e fazer o que querem fazer. Alguns delas serão boas, outras más, mas todas elas são livres em suas almas. Durante esse processo algumas conseguem se divinizar e prosseguir nesta jornada perigosa…

E com isso terminamos ainda outro copo de Jelen, juntamente com outro Stomaklija, enquanto pedimos outra rodada destes abençoados fermentados sérvios. Acendemos mais um Cohiba, ponderando sobre o propósito da bruxa no mundo, enquanto meteoritos começam a cair do céu azul claro sobre o Danúbio…

– Por Nicholaj de Mattos Frisvold

Artigos recomendados:

– Ol’ Hornie e o Diabo

– A Tradição dos Proscritos

– A Bruxaria Tradicional e o Trabalho com os Demônios

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/uma-noite-bruxa-%C3%A0s-margens-do-dan%C3%BAbio

Resultados da Hospitalaria – Março 2012

Em Março tivemos 38 Mapas e 22 Sigilos.

Entidades auxiliadas:

– Creche Anjos da Guarda

– Cruz Vermelha da França

– Exército da Salvação

– Médicos Sem Fronteiras: www.msf.org.br

– Casas André Luiz: http://www.andreluiz.org.br

e 18 doações de sangue.

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-mar%C3%A7o-2012

Islamismo e a Umbanda Omoloko, A Convivência de dois Mundos – Mario Filho

Bate-Papo Mayhem #056 – gravado dia 11/08/2020 (terça) Marcelo Del Debbio bate papo com Mario Filho – A Convivência de dois Mundos: Islamismo e a Umbanda Omoloko

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Saiba mais sobre o Projeto Mayhem aqui:

#Batepapo #Islamismo #Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/islamismo-e-a-umbanda-omoloko-a-conviv%C3%AAncia-de-dois-mundos-mario-filho

A doce e bela morte

» Parte 2 da série “Todas as guerras do mundo” ver parte 1

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… Que vos desprezam… Que vos escravizam… Que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois!

(Chaplin, em O Grande Ditador)

A Coreia do Norte está situada na parte norte de uma península no extremo leste do continente asiático, entre a China e o mar que a separa da ilha do Japão. Como alguns devem saber, a península foi governada pelo Império Coreano até ser anexada pelo Japão, após a Guerra Russo-Japonesa de 1905. Ela foi dividida entre zonas de ocupação norte-americana (sul) e soviéticas (norte) em 1945, após o final da Segunda Guerra Mundial. A Coreia do Norte recusou-se a participar da eleição supervisionada pelas Nações Unidas, feita em 1948, que levava à criação de dois governos coreanos separados para as duas zonas de ocupação. Ambos, Coreia do Norte e Sul, reivindicavam soberania sobre a península inteira, o que levou-os à Guerra da Coreia, em 1950. Um armistício de 1953 terminou o conflito; no entanto, os dois países continuam oficialmente em guerra entre si, visto que um tratado de paz nunca foi assinado.

A Coreia do Norte se autodenomina uma república socialista, mas na prática sabemos que se trata de uma ditadura comunista que ficou presa ao passado, e tem enormes dificuldades de dialogar com um mundo cada vez mais globalizado. Em 2009, os quatro loucos aventureiros que apresentam o programa Não Conta Lá em Casa, do canal de TV a cabo Multishow, e costumam visitar áreas de conflito para nos trazer uma visão genuinamente brasileira da situação, conseguiram adentrar a Coreia do Norte valendo-se de sua “diplomacia sem noção”, como eles mesmos alegam. A despeito das cenas surreais que foram mostradas no programa, como as guardas de trânsito da capital Pyongyang fazendo sinais para um trânsito inexistente (quase não há carros lá), ou quando dedilham rock & roll no violão numa escola de música, e percebem que os adolescentes de lá nunca haviam ouvido coisa igual, a cena que nos interessa aqui é a conversa que eles têm com algum oficial de alta patente do governo ditatorial.

Devemos dizer que eles não são tão “sem noção” assim – surpreendentemente, quem inicia a conversa é o próprio militar, que parece ter uma curiosidade genuína em aproveitar aquele raro momento de contato com jovens vindos de um país tão distante, teoricamente neutro na questão das Coreias (no que também poderia ser interpretado como um perigoso interrogatório). Em todo caso, papo vai e papo vem, um de nossos heróis “sem noção” levanta a questão mais espinhosa sem papas na língua: “É sabido que a China protege os direitos da Coreia de fazer testes nucleares. É mesmo tão necessário fazer esses testes tão perto do Japão?”. O oficial então responde com sua versão dos fatos: “Você sabe que tivemos uma péssima experiência como colônia do Japão por mais de 40 anos. A Alemanha compensou todos os países que atacou, mas o Japão não compensou nada. Todas as 200 mil mulheres que eles usaram como escravas sexuais e os 8 milhões usados como força de trabalho… Eles torturaram nosso povo. Ao menos que eles compensem nosso país, nossa relação não irá melhorar. Nossos testes nucleares não visam atacar nenhum outro país, mas defender o nosso”.

Finalmente, o militar pergunta: “Qual a melhor maneira de resolver a tensão em nossa península?”. Ao que nosso sábio “sem noção” responde: “Acho difícil para um brasileiro responder essa pergunta, pois não temos tantos episódios de guerra recentes, como vocês têm. Eu poderia dizer – esqueçam o passado –, mas imagino que seja muito difícil”…

Não sei se concordam comigo sobre a importância desse tipo de diálogo, mas em todo caso ele toca na essência do que manteve tantas e tantas guerras ocorrendo pelo mundo, com breves intervalos de paz entre elas. De certa forma, todas as guerras do mundo são uma mesma guerra, e o que devemos é tratar de tornar os intervalos de paz cada vez mais duradouros.

A Guerra da Coreia não é propriamente um embate ideológico, mas uma luta por território e riquezas, como é afinal a razão de todas as guerras, mesmo as religiosas. O comunismo soviético e o capitalismo americano são apenas sistemas políticos, mas as nações não vão à guerra por achar que sua visão de mundo pode trazer benefício às nações vizinhas, seu real objetivo não é evangelizar ideologia alguma, mas pura e simplesmente conquistar mais território, e mais riquezas. Ao menos, é uma razão bastante simples de se compreender…

Mas, e qual é a melhor maneira de evitar que uma nação, necessitada ou não, invada outra em busca de riquezas? Ora, uma delas é estabelecer um claro equilíbrio de poder, onde o poderio militar de uma ou algumas nações forme uma ou mais potências muito superiores às demais, de modo que as outras nações se abstenham de arriscar invasões. O problema dessa “solução”, no entanto, é que ela não impede que as potências invadam outras nações, ou extraiam suas riquezas de forma autoritária (ou oculta, “maquiada” pela mídia). Uma solução que parece mais duradoura e, em todo caso, que é até hoje a melhor solução que os países encontraram, é estabelecer a diplomacia e um vigoroso mercado econômico entre as nações, de modo que a escassez de recursos de um país possa ser equilibrado pela venda de outros recursos que possua em excesso, e assim por diante… É claro que essa economia globalizada não é imune à manipulações, protecionismo, desequilíbrios e injustiças sociais, mas ao menos é muito melhor do que sangue, tiros de canhão e bombas nucleares.

O que um longo período de paz entre as nações pode nos permitir, entretanto, é que percebamos que, afinal, não existem nações, e que no fundo, todos nós somos bastante parecidos, quando estamos abertos para uma conversa amigável, amistosa, e quem sabe, “sem noção”. Fosse um dos quatro apresentadores do Não Conta Lá em Casa um descendente de japoneses que migraram ao Brasil após a Segunda Guerra, ele provavelmente teria enormes dificuldades em ter uma conversa tão amistosa com o oficial coreano. Mas, que impediria tal amistosidade, senão sua aparência nipônica, senão a pressuposição do coreano de que aquele brasileiro faria parte da “nação japonesa”, a mesma que estuprou suas mulheres e torturou seu povo há sabe-se lá quanto tempo? Tampouco o oficial nalgum dia refletiu sobre o fato de que, após a rendição do Japão aos EUA, eles ficaram proibidos de sequer ter um exército, e que por isso mesmo faz muitos anos que não nasce no Japão alguém que tenha qualquer coisa a ver com os estupros e torturas de quase um século atrás. O que mantém essas chagas abertas, afinal? O mito das nações!

Este é exatamente o título do livro de Patrick J. Geary [1], historiador americano, que basicamente defende a tese de que uma nação é um construto intelectual, ideológico, e não tem bases naturais nem tampouco científicas. Não é tão difícil de entender: assim como hoje vemos negros jogando em times de futebol de países europeus, pois são filhos de africanos que migraram para a Europa há décadas, e, portanto, já nasceram nos países que defendem, da mesma forma que ocorre no futebol, ocorre em tudo o mais. Se a nação fosse algo natural, deveriam haver raças no mundo, e os habitantes de um dado país europeu deveriam ser descendentes diretos dos ancestrais que colonizaram aquela dada região há milhares de anos atrás. Porém, a ciência e arqueologia modernas, juntamente com os testes de DNA, já provaram que só existe uma única raça humana, o homo sapiens, e nos deram fortes indícios de que ela provavelmente originou-se em alguma parte do continente africano, e depois migrou para toda a Terra. Se vamos falar em nação da maneira que Hitler e outros ditadores falavam, só podemos falar numa nação global, composto por todos os países e todas as regiões onde ainda caminham os homo sapiens.

Segundo Geary, “o processo específico pelo qual o nacionalismo emergiu [nos últimos séculos] como uma forte ideologia política variou de acordo com a região, tanto na Europa como em outras partes. Em regiões carentes de organização política, como na Alemanha, o nacionalismo estabeleceu uma ideologia com o fim de criar e intensificar o poder do Estado. Em Estados fortes, como França e Grã-Bretanha, governos e ideólogos suprimiram impiedosamente línguas minoritárias, tradições culturais e memórias variantes do passado em prol de uma história nacional unificada e língua e cultura homogêneas, que supostamente se estendiam a um passado longínquo”. E, não se enganem, “o ensino público de qualidade” também sempre foi à ferramenta ideal pela qual o mito das nações foi construído na era moderna… Hoje, porém, ele talvez não faça mais sentido, mas não significa que os currículos escolares estejam sendo atualizados.

Antes de encerrar, porém, devemos tomar cuidado com os termos aqui utilizados. Reflitamos… Nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional.

Pois bem, esta é uma definição que pode se adequar as enciclopédias, mas não ao mundo real. Da mesma forma que um jogador negro da seleção de futebol alemã pode não ter a mesma cultura, a mesma religião, e muito menos a mesma cor de pele da maioria dos outros jogadores, ele é, não obstante, um alemão. Quando ele marca um gol, são todos os alemães do estádio que comemoram, todos os homo sapiens que decidiram torcer por aquele time de futebol. E assim é com tudo o mais: no fundo, tanto a seleção alemã quanto o Bayern de Munique são apenas times de futebol. É tão somente uma ilusão ideológica que determina que os times da Copa do Mundo precisam ter apenas jogadores nascidos ou naturalizados nesta ou naquela região do globo. Ninguém nunca viu uma fronteira na face da terra – mesmo assim, em nossas mentes, elas ainda existem.

Talvez fosse mais proveitoso usarmos outro termo… Pátria, do latim patria (terra paterna), indica a terra natal ou adotiva de um ser humano, onde se sente ligado por vínculos afetivos, culturais e históricos. O termo também pode significar somente o ambiente ou espaço geográfico em que discorre nossa vida. Em raízes ainda mais antigas, o termo liga-se ao latim pagus, que significa “aldeia”, e que também deu origem ao termo “pagão”. Ora, como muitos devem saber, toda nossa cultura e religião ancestrais nasceram de aldeias, e xamãs, e as práticas espirituais do paganismo. Além de anteceder a “nação” em milhares de anos, o termo ainda nos oferece a liberdade de considerar que nossa pátria não é somente o lugar onde nascemos, mas também todos os locais onde escolhemos um dia morar, e todos os amigos, e todos os amores que construímos pelo caminho.

Dulce et decorum est pro patria mori… Horácio [2] talvez estivesse certo: pode ser belo e doce morrer pela pátria, defendendo aqueles que realmente amamos daqueles que os querem dizimar; E não propriamente lutando em guerras supostamente ideológicas, baseadas em mitos acerca de povos que nunca foram exatamente o nosso, nos incitando a matar inimigos que, tampouco, jamais foram os nossos. Apenas para que um opressor obtenha o território e as riquezas de outro opressor.

A mais nobre função de um soldado é lutar pela paz, e pela liberdade daqueles que se encontram atrás dos muros dos castelos e das trincheiras nas fronteiras imaginárias. Até que um dia, muros e fronteiras, e balas e canhões, não tenham mais razões de ser. Esta sim, é a única beleza possível da guerra, seja na vitória, seja na morte.

» Na próxima parte, a estrela inimiga…

***

[1] O mito das nações, lançado no Brasil pela Conrad Editora.

[2] Poeta e filósofo romano (65 a.C. – 8 a.C.).

Crédito das imagens: [topo] Divulgação (apresentadores do NCLC na Coréia do Norte); [ao longo] Divulgação (Cacau, jogador brasileiro naturalizado alemão, comemora seu gol na Copa do Mundo de 2010, quando defendeu a seleção da Alemanha); Google Image Search/Anônimo

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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Próximos Cursos:

09/Agosto – Astrologia Hermética

10/Agosto – Chakras, Kundalini e Magia Sexual

Informações: marcelo@daemon.com.br

Bienal do Livro

De 14 a 24 de Agosto, no Pavilhão do Anhembi.

Lançamento da Enciclopédia de Mitologia dia 16 (sábado)

às 20h no stand da Daemon Editora

#Palestras

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/palestra-de-astrologia-herm%C3%A9tica

Resultados da Hospitalaria – Abril 2012

Em Abril tivemos 37 Mapas e 26 Sigilos.

Entidades auxiliadas:

– Creche Anjos da Guarda

– Lar dos Idosos Astrogildo Ribeiro

– Cruz Vermelha – Alemanha

– Médicos Sem Fronteiras: www.msf.org.br

– Casas André Luiz: http://www.andreluiz.org.br

– Caixa de AMRA da AMORC Curitiba

– Caixa de AMRA da AMORC Belo Horizonte

e 18 doações de sangue.

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-abril-2012